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Numero do processo: 10120.002340/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003
ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO.
Há que se homologar a compensação, quando a própria Delegacia da Receita Federal, em resposta à diligência solicitada por este Colegiado, reconhece a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1302-001.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alberto Pinto S. Jr, Eduardo Andrade, Guilherme Polastri, Waldir Rocha, Hélio Araújo e Márcio Frizzo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente POLIPEÇAS DISTRIBUIDORA AUTOMOTIVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. Há que se homologar a compensação, quando a própria Delegacia da Receita Federal, em resposta à diligência solicitada por este Colegiado, reconhece a existência do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alberto Pinto S. Jr, Eduardo Andrade, Guilherme Polastri, Waldir Rocha, Hélio Araújo e Márcio Frizzo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pela recorrente em face do Acórdão nº 0327.001 (doc. a fls. 692), cuja ementa assim dispõe: . “Restituição/Compensação Saldo Negativo de IRPJ e CSLL Possibilidade Comprovada a Liquidez e Certeza do Credito do Sujeito Passivo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 23 40 /2 00 3- 13 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com credito líquido certo do sujeito passivo, sendo que compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, a interessada logrou comprovar em parte a certeza e liquidez de seus créditos de Saldo Negativo. Solicitação Indeferida”. A recorrente foi cientificada do referido acórdão em 18/11/2008 (AR a fls. 709) e interpôs recurso voluntário em 16/12/2008 (doc. a fls. 710 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, que: a) que o equívoco inicial da autoridade julgadora de primeiro grau e do Despacho Decisório retificador é que deixou de considerar o pedido da contribuinte que optou por requerer tempestivamente a retificação da Declaração de Compensação Papel de n° 10120.002662/200362 (Documento Anexo Folhas 41 e 42) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil — Goiânia em 22/06/2007, através de requerimento (Documento Anexo Folhas 43 a 45); b) que recorrente de fato compensou o débito de R$ 24.179,36, estimativa de março de 2003, com o crédito liquido e certo originário do Pagamento Indevido do DARF, Código 2362, Período de Apuração 31/12/2002, Vencimento 31/01/2003, Valor Principal de R$ 331.527,88 (Documento Anexo Folha 46), ou seja, que não utilizou "saldo negativo" para compensação do referido débito; c) que não foi demonstrada a ausência de crédito pelas Autoridades e pelo Julgamento da Primeira Instância, que também deixou de considerar o requerimento de retificação da Recorrente; d) que, para regularização do erro no preenchimento da PER/DCOMP foi requerido pela própria contribuinte de forma tempestiva a retificação da Declaração de Compensação para considerar a compensação no valor de R$ 24.179,36 com pagamento indevido ou a maior em 22/06/2007; e) que a retificação em conformidade com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1º Trimestre de 2003, n°4184744183/21.23.45.29.20, transmitida em 05/09/2003, folha anexa de n° 52, página 5 da DCTF, fato, que pode ser comprovada pelos próprios documentos, inclusive coerente com as datas. (Documento Anexo Folhas 47 a 88); f) que o Pagamento Indevido do DARF, Código 2362, Período de Apuração 31/12/2002, Vencimento 31/0112003, Valor Principal R$ 331.527,88, não compõe o saldo negativo do IRPJ do período, conforme pode ser comprovado pela composição da DIPJ 2002/2003 e declaração na Ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa de Dezembro, folha de n° 99. Peço vênia aos meus pares, para transcrever o relatório destes autos exarado pelo exConselheiro Marcos Melo, relator da Resolução nº 130200.046 (a fls. 829 e segs.), o qual assim versa: “Cuidam os autos de Declarações de Compensação e PER/Dcomp, débitos diversos de IRRF, PIS, Cofins, CSLL e IRPJ (períodos de apuração de 2002 a 2003) com créditos de Saldos Negativos de IRPJ e CSLL, anoscalendários 2000, 2001 e 2002. Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Fl. 951DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.002340/200313 Acórdão n.º 1302001.520 S1C3T2 Fl. 951 3 Não pode prevalecer a retificação do Despacho Decisório nº 905, de 10/08/2007, na parte em que não homologa a compensação de R$ 24.179,36, débito referente a março/2003, pois compensou referido débito com pagamento indevido, referente ao Darf de R$ 331.527,88, período de apuração 31/12/2002. Diante disso, requer seja julgado improcedente o despacho retificador nº 1.543, de 27/11/2007, por força dos princípios da legalidade, da reserva legal na atividade administrativa de lançamento, da segurança jurídica, da verdade real ou material, sendo impossível ou nulo os atos que se baseiam em meras presunções ou simples ilações. Decidiu a DRJ: “Como se viu na síntese do Relatório a contribuinte contesta a retificação do Despacho Decisório nº 905, de 10/08/2007, por considerar o despacho retificador sem fundamentação jurídica e sem motivação, tendo em vista que dispunha de crédito para compensar o débito de R$ 24.179,36, estimativa do IRPJ de março/03. Não procedem os reclamos da interessada, justamente no ponto atinente à verdade material dos fatos. Constatase que a retificação do despacho decisório nº 905 foi necessária tendo em vista que o pagamento indevido da estimativa do IRPJ de competência dezembro/2002, crédito reconhecido pela autoridade administrativa, foi utilizado em PER/DCOMP nºs 00939.81842.290803.1.3.049823 e 12943.136141.100903.1.3.044190, onde a contribuinte, inclusive compensou o débito litigado de R$ 24.179,36. Daí que o crédito de R$ 331.527,88 não poderia ser utilizado em duplicidade, nem a compensação do débito de R$ 24.179,36 ser homologada duplamente, com crédito distinto (pagamento de estimativa indevido, efetuado em 31/01/2003). Aliás, verificase o erro material na demonstração efetuada pela própria contribuinte (ver folhas 430/431 do Despacho Decisório – retificador nº 1543 e 524 da Manifestação de Inconformidade). Por último, impende considerar que a compensação pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Confirmase isto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade formulada, para manter o Despacho Decisório – Retificador nº 1.543 e a Decisão de folhas 429/435.” O despacho decisório prescreveu: O art. 53, da Lei n" 9.784, de 29 de janeiro de 1999 estabelece que a Administração pode revogar seus próprios atos por motivo de conveniência ou oportunidade. Depreendese que, por ser medida mais branda, estão implícitas no prescritivo legal as necessárias alterações para correção de eventuais equívocos na feitura desses atos. No caso presente, constou do Despacho Decisório n" 905, de 10 de agosto de 2007 (fls. 394/411), dentre os débitos homologados até o limite do crédito reconhecido, uma parte da estimativa do IRPJ correspondente ao mês de março/03, no valor de R$ 24.179,36. Nesse caso, o crédito utilizado foi o pagamento indevido correspondente à estimativa do IRPJ do mês de dezembro/2002, conforme DCTF de fl. 64 e documentos de fls. 364/372. Realmente, havia conflito nas informações prestadas nas declarações firmadas pela contribuinte, sanado com os documentos de fls. 364/372, conforme ressaltado às fls. 405: "Quanto aos pagamentos em valores maiores que os respectivos débitos, além daqueles efetuados em 29102/2000 e 31/10/2000, já analisados quando da apuração do saldo negativo do ano calendário de 2000, constatase que na DCTF relativa ao IRPJ do período de apuração de março/2003, à fl. 64 (repetida na fl. 233), a declarante compensou parte do débito ali declarado, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao mês de dezembro/2002. Entretanto, na "Declaração de Compensação" de fls. 46, e documento de fls. 47, consta que referido débito foi integralmente compensado com saldos negativos de IPPJ e CSLL. Posteriormente, a interessada nos autos compareceu para sanar aquela inconsistência, juntando os documentos de fls. 364/372, por meio dos quais ratifica a DCTF e solicita retificação do documento de fls. 46." Embora, no momento da feitura do parecer que fundamentou o Despacho Decisório, o pagamento tido corno indevido constava nos sistemas eletrônicos como disponível, pendia de apreciação as declarações de compensação contidas nos PER/DCOMP n° 00939.81842.290803.1.3.049823 e 12943.13614.100903.1.3.04 4190, nos quais o crédito já fôra utilizado. Por fim, pelos fatos e fundamentos mencionados, o ato homologatório carece de reparo para se considerar não homologada a compensação do valor de R$ 24.179,36 da estimativa do IRPJ do mês de março/03, vencida em 30/04/03, cujo débito total era R$ 156.073,22. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.002340/200313 Acórdão n.º 1302001.520 S1C3T2 Fl. 952 5 Conclusão Em face do exposto, com base nos elementos inseridos no presente processo, proponho: a) que seja retificado o Despacho Decisório n° 905, de 10 de agosto de 2007, para: a.1.excluir do demonstrativo da alínea "b", da fl. 407, o crédito no valor de R$ 331.527,88, relativo ao pagamento indevido da estimativa do IRPJ de competência dezembro/2002, uma vez que tal crédito já foi objeto de verificação eletrônica quando da análise dos PER/DCOMP relativos às compensações que o utilizaram; a.2 transferir da coluna "Compensação Homologada" para a coluna "Compensação não Homologada", do demonstrativo de fls. 410, o valor de R$ 24.179,36 relativo à parcela da estimativa do IRPJ do mês de março/03, incorretamente compensada com o pagamento indevido, também de estimativa do IRPJ, efetuado em 31/01/03, posto que, entre a data do referido despacho e a implementação do que foi decidido, aquele crédito se tomou indisponível por já ter sido utilizado.” Em seu voto, o relator da Resolução nº 130200.046 assim se manifestou: “Entendo que o processo não se encontra em condições de ser decidido. Na decisão DRJ consta: “Constatase que a retificação do despacho decisório nº 905 foi necessária tendo em vista que o pagamento indevido da estimativa do IRPJ de competência dezembro/2002, crédito reconhecido pela autoridade administrativa, foi utilizado em PER/DCOMP nºs 00939.81842.290803.1.3.049823 e 12943.136141.100903.1.3.044190, onde a contribuinte, inclusive compensou o débito litigado de R$ 24.179,36.”. Se, efetivamente, o débito objeto deste recurso foi compensado, embora em outro processo, ele estaria extinto e não poderia ser novamente exigido. Se apenas o crédito já tinha sido utilizado e, assim sendo, haveria insuficiência de crédito, o valor pode ser exigido. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora esclareça se o valor de R$24.179,36 já havia sido compensado e, portanto, está extinto, ou se constatouse insuficiência de crédito, devendo o valor citado ser exigido nestes autos.”. Em resposta à diligência solicitada por esta Turma, a DRF/GOI/SEORT respondeu, por meio do documento a fls. 942 e segs., que: “CONCLUSÃO a) ficou constatado a existência do direito creditório R$ 23.320,57 referente ao pagamento R$ 331.527,88, data de arrecadação 31/01/2003, receita 2362; Fl. 954DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 b) o valor do crédito é suficiente para HOMOLOGAÇÃO TOTAL do débito 2362, vencimento 30/04/2003, valor R$ 24.179,36;” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por representantes legais da recorrente, razão pela qual dele conheço. A resposta à diligência solicitada por esta Turma não deixa qualquer dúvida de que o argumento utilizado tanto pelo Despacho Decisório como pela Decisão da DRJ não procedia, pois o pagamento indevido no valor de R$ 331.527,88, mesmo deduzindo as compensação feitas nas PER/DCOMP nºs 00939.81842.290803.1.3.049823 e 12943.136141.100903.1.3.044190, ainda era suficiente para compensar o débito do IRPJ estimativa, de março/03, no valor de R$ 24.179,36, aliás, mesmo com essa compensação, a diligência comprova que ainda remanesce um crédito no valor de R$ 16,68, conforme doc. a fls. 938/939. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para homologar a compensação do débito no valor de R$ 24.179,36, relativo a estimativa do IRPJ de março/03, nos termos como demonstrado no doc. a fls. 942 e segs. dos autos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 955DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000301/2008-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO À SEGURIDADE SOCIAL.
O pagamento de seguro de vida em grupo, sem a observância das normas trazidas no art. 214, § 9º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, se configura como salário de contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.558
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para afastar as rubricas referentes a vale transporte e pagamento a cooperativas.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO À SEGURIDADE SOCIAL. O pagamento de seguro de vida em grupo, sem a observância das normas trazidas no art. 214, § 9º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, se configura como salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO À SEGURIDADE SOCIAL. O pagamento de seguro de vida em grupo, sem a observância das normas trazidas no art. 214, § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, se configura como salário de contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 03 01 /2 00 8- 69 Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para afastar as rubricas referentes a vale transporte e pagamento a cooperativas. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de vale transporte e seguro de vida, considerados como salário de contribuição, além de contribuições devidas em razão de retenções em serviços de empreitada e contratação de cooperativas de trabalho – parte empresa. O r. acórdão – fls 1427 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado, excluindo as retenções referentes à empresa GEMINI ENGENHARIA LTDA, por ter verificado a contratação via empreitada total, sem obrigatoriedade de retenção. Informa ainda que a recorrente efetuou o pagamento referente aos valores de retenção de 11% sobre as notas fiscais de serviços de duas empresas de construção civil (Construtec Limiar LTDA e ESAGA LTDA) e de vigilância (Security Life LTDA), bem como ao levantamento da diferença de acréscimos legais Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: ∙ A Recorrente, por entender que parte do lançamento não merecia prosperar, apresentou, em 08 de setembro de 2008, Impugnação Parcial, objetivando que fosse reconhecida a improcedência do lançamento quanto ao seguinte: o (i) "contribuições sociais incidentes sobre a parcela relativa ao fornecimento de 'Vale Transporte' aos empregados da empresa, em desacordo com a legislação vigente "1 ; (ii) "contribuições incidentes sobre o valor da parcela relativa ao prêmio do 'Seguro de Vida em Grupo e (iv) "contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados pela CAENF, por serviços prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho médico e odontológico. ∙ Vício contido no Acórdão n ° 1222.651, posto que no mesmo consta que o valor principal remanescente é de R$ 180.301,03, quando deveria constar o valor principal remanescente de R$ 49.649,79, o qual, acrescido de juros e multa, corresponde ao valor total de R$ 89.148 ,61, em razão de pagamento já efetuado, referente a parte incontroversa – GPS às fls 788. ∙ De acordo com a legislação vigente, temse que o seguro de vida em grupo não pode ser considerado como salário, conforme se depreende do quanto disposto no inciso V, do §2 ° do art. 458 da CLT. Ambos os conceitos, de salário dado pela legislação trabalhista, quanto o de saláriodecontribuição conferido pela legislação previdenciária , pautam se na habitualidade , ou seja, em benefícios concedidos de forma habitual, o que só reforça o entendimento da Recorrente, visto que mesmo que o débito em discussão não se inclua perfeitamente na hipótese prevista no acórdão recorrido, é possível concluir se pela impossibilidade do mesmo Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 5 4 integrar o saláriodecontribuição, pois o empregado nada usufrui desse beneficio , a não ser o prêmio na eventualidade do sinistro. ∙ O valetransporte não constitui base de incidência de contribuição previdenciária , na forma do inciso II do art. 6% do Decreto n° 95.247/87, que regula a Lei n° 7.418/85. ∙ Ao longo do ano de 2004, e tendo em vista que por vezes a despesa com o deslocamento do empregado era inferior a 6% de seu salário básico, a Recorrente realizou o desconto de forma proporcional, ou seja, inferior ao limite de 6%. ∙ Não merece prosperar a alegação contida no acórdão recorrido no sentido de que a "concessão de valestransporte com descontos irrisórios descumpre a legislação específica, sujeitandose à cobrança das contribuições previdenciárias incidentes ", posto que: (i) não há qualquer expressa menção legal nesse sentido, havendo apenas em relação a observância das condições e limites definidos pela Lei 7.418/85, neste caso devendose respeitar o limite de 6% estabelecido, o que foi feito de forma irrefutável pela Recorrente; e (ii) a decisão do STJ transcrita no acórdão recorrido, como intuito de fundamentar a impossibilidade de se efetuar "descontos irrisórios", na forma referida no v. acórdão, não se aplica a questão aqui discutida, tendo em vista tratarse de hipótese totalmente diversa da presente, acerca de situação onde não houve qualquer desconto por parte do empregador, e este efetuou o pagamento do valetransporte em dinheiro e de forma contínua (doc. 02 inteiro teor da jurisprudência Recurso Especial n. 664.068 referida no acórdão ora recorrido no que tange ao valetransporte), o que claramente, não é o caso dos presentes autos, onde houve o desconto, ainda que em percentual inferior ao percentual de 6%, porém dentro do limite estabelecido em lei e jamais houve qualquer pagamento de valetransporte em dinheiro. ∙ Apesar de ter cumprido plenamente com suas obrigações previdenciárias, a Recorrente, de fato, não logrou demonstrar tempestivamente, através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) correspondentes, a informação quanto ao recolhimento e pagamento realizados à época da ocorrência dos fatos geradores, dos tributos devidos a Receita Federal do Brasil em relação às referidas cooperativas. Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 6 5 Assim, ciente do seu dever e da omissão percebida, a Recorrente retificou todas as GFIP referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004, apresentando dentro do prazo conferido para defesa administrativa as GFIP retificadoras, conforme doc. 14 acostado à referida defesa e juntado aos presentes autos. ∙ O que se questiona no item 3.7 do Relatório Fiscal relativo ao presente processo administrativo, não é a pretensão de não ocorrência do fato gerador em relação aos serviços contratados por intermédio das cooperativas de trabalho e, por conseguinte, a inexistência de obrigação principal, mas sim a não informação de tais obrigações principais em GFIP. ∙ O Auditor Fiscal quando ainda estava fiscalizando a Recorrente, antes de lavrar o auto de infração, analisou todas as Guias da Previdência Social GPS, relativas às cooperativas de trabalho, conforme, inclusive confirmado no próprio auto de infração, através do Relatório de Documentos Apresentados RDA, anexo ao mesmo, o qual confirma terem sido apresentadas diversas GPS, incluindose as relativas às cooperativas de trabalho, acrescentandose a isso o fato de que na parte do Discriminativo Analítico de Débito que trata das cooperativas de trabalho, consta não terem sido as mesmas declaradas em GFIP, mas em momento algum se questionou o seu não pagamento, situações bastante diversas. ∙ De toda forma, para que não restem dúvidas quanto a realização do pagamento de toda a sua obrigação principal relativa às cooperativas de trabalho à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores e, tendo em vista tratarse de argumento posteriormente trazido aos autos pelo acórdão recorrido , a Recorrente apresenta anexas e oportunamente , todas as GPS devidamente pagas, comprobatórias de que houve a extinção da obrigação principal (doc. 05 ) e que a mesma, apenas não havia sido informada em GFIP. Os autos foram baixados em diligência para se apurar possíveis pagamentos referentes a contribuições devidas em razão de contratação de cooperativas. ∙ Requer: o (i) preliminarmente, seja o valor principal remanescente de R$ 180.301,03, calculado e mencionado de forma equivocada no acórdão recorrido, retificado ou desconsiderado, para que não haja dúvidas quanto ao valor real principal remanescente ser de R$ 49.649,79, o qual, acrescido de juros e multa, corresponde ao valor total de R$ 89.148,61, conforme extrato emitido pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil em Nova Friburgo e acostado ao presente recurso; o (ii) no mérito, seja o acórdão recorrido reformado, para que seja declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre a Recorrente e o Fisco que a obrigue a incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores correspondentes a diferença de 5% relativa ao valetransporte e 1% a título de seguro de vida em grupo, tendo em vista que ambos os benefícios não integram o saláriodecontribuição, não havendo que se falar, portanto, em créditos previdenciários relativos aos mesmos; e, por fim, o (iii) seja o acórdão recorrido reformado também no que diz respeito a manutenção do lançamento relativo às cooperativas de trabalho, visto que a discussão travada girava em torno da não apresentação das informações quanto às cooperativas de trabalho em GFIP e não do descumprimento da obrigação principal, o qual, apesar de não ter sido o objeto Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 7 6 do auto de infração, por ter sido um argumento posteriormente trazido aos autos através do acórdão recorrido, possibilitou que a Recorrente apresentasse junto ao presente recurso, todas as GPS devidamente pagas, comprobatórias de que houve a extinção da obrigação principal (doc. 05) à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores e que a mesma, apenas não havia sido informada em GFIP, porém tal omissão foi devidamente retificada através das GFIP retificadores acostadas à defesa anteriormente apresentada como doc. 14, afastandose, assim, qualquer alegação de sonegação de contribuições previdenciárias e, por conseguinte, representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 595838 / SP, com repercussão geral reconhecida, considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, inconstitucional. O art. 62A do Regimento Interno do CARF informa: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa feita, considerada a lei que justifica a autuação como em descompasso com a Constituição Federal, desaparece o fundamento jurídico que sustenta o auto lavrado, devendo assim o mesmo ser desconstituído. DO VALE TRANSPORTE A matéria, pagamento de vale transporte em pecúnia, encontrase sumulada no âmbito deste Conselho, dispensando assim maiores considerações, senão vejamos: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 8 7 Destarte, reconheço a improcedência da autuação fiscal em razão da impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o valetransporte pago em pecúnia. DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO O art. 28 da lei 8.212/91 conceitua o salário de contribuição para fins previdenciários, assim determina: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... Percebese a abrangência do conceito, traduzindo a preocupação do legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Não obstante seu alargamento, o ato normativo exclui, de forma taxativa, algumas parcelas, senão vejamos. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; (...) Do rol que consta do citado § 9º, não há exceção a seguro de vida em grupo, por outro lado, o art. 214, § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, assim disciplina o tema. § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 9 8 desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Sobre as condições necessárias para que o seguro de vida se qualifique no que consta no inciso XXV, assim se manifestou o Auditor Fiscal autuante – fls 223: 10. O contribuinte apresentou a auditoria fiscal os acordos/convenção coletiva de trabalho, correspondentes ao período fiscalizado. Constamos, na documentação apresentada, que não havia a previsão de concessão do beneficio de seguro de vida em grupo a totalidade de seus empregados e dirigentes. 11. A auditoria fiscal ressalta que nos acordos/convenções coletivas de trabalho, relativos aos empregados da empresa, a cláusula que prevê o beneficio de "AUXÍLIO FUNERAL" aos seus empregados, não demonstra que será concedido o beneficio de seguro de vida em grupo A totalidade de seus empregados. A DN corretamente manteve o entendimento do Auditor autuante, pois não há comprovação de convenção coletiva versando sobre tal segura, tampouco que tal benefício era extensível a todos os empregados. Da legislação retrocitada, forçoso reconhecer que somente o seguro de vida em grupo pago de acordo com o art. 214, § 9º do RPS não deva ser considerado salário de contribuição. Não havendo comprovação do pagamento nos moldes da regra específica, correto o procedimento fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para afastar as rubricas referentes a vale transporte e pagamento a cooperativas. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15540.000301/200869 Acórdão n.º 2803003.558 S2TE03 Fl. 10 9 Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720361/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. MATÉRIAS DISTINTAS NÃO CONTESTADAS. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72.
No que diz respeito à retroação pretendida pelo sujeito passivo, considerando que a matéria está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, ação nº 001631-95.2012.403.6124, protocolada em 12/12/2012, perante a Justiça Federal de São Paulo, aplicar-se-á a denominada concomitância de instância, conforme dispõe a Súmula CARF nº 1.
Relativamente às matérias distintas da concomitância de instância, o sujeito passivo não apresentou contestação especifica em seu recurso, ou seja, as matérias relacionadas às contribuições dos prestadores de serviços (contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos), bem como em relação aos Terceiros (SEST / SENAT), estão abrangidas pela regra do art. 17 do decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.446
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. MATÉRIAS DISTINTAS NÃO CONTESTADAS. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. No que diz respeito à retroação pretendida pelo sujeito passivo, considerando que a matéria está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, ação nº 001631-95.2012.403.6124, protocolada em 12/12/2012, perante a Justiça Federal de São Paulo, aplicar-se-á a denominada concomitância de instância, conforme dispõe a Súmula CARF nº 1. Relativamente às matérias distintas da concomitância de instância, o sujeito passivo não apresentou contestação especifica em seu recurso, ou seja, as matérias relacionadas às contribuições dos prestadores de serviços (contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos), bem como em relação aos Terceiros (SEST / SENAT), estão abrangidas pela regra do art. 17 do decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. MATÉRIAS DISTINTAS NÃO CONTESTADAS. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. 1. No que diz respeito à retroação pretendida pelo sujeito passivo, considerando que a matéria está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, ação nº 00163195.2012.403.6124, protocolada em 12/12/2012, perante a Justiça Federal de São Paulo, aplicarseá a denominada concomitância de instância, conforme dispõe a Súmula CARF nº 1. 2. Relativamente às matérias distintas da concomitância de instância, o sujeito passivo não apresentou contestação especifica em seu recurso, ou seja, as matérias relacionadas às contribuições dos prestadores de serviços (contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos), bem como em relação aos Terceiros (SEST / SENAT), estão abrangidas pela regra do art. 17 do decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 61 /2 01 2- 18 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16004.720361/201218 Acórdão n.º 2803003.446 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16004.720361/201218 Acórdão n.º 2803003.446 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, quota patronal e RAT (DEBCAD nº 37.380.6175), contribuições incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, que lhes prestaram serviços, não declaradas nem recolhidas, bem como aquelas devidas pela contratante de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. No AI DEBCAD nº 37.380.6167, o fisco cobra as contribuições dos segurados contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, que prestaram serviços à empresa e cuja contribuição não foi descontada, declarada e recolhida. No AI DEBCAD nº 37.380.6159 discutese as contribuições devidas pela empresa às outras entidades ou fundos, os denominados Terceiros (SEST / SENAT), em razão das remunerações despendidas com transportadores autônomos que lhes prestaram serviços. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SUSPENSÃO DA INEXIGIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexistindo a concessão de medida liminar ou tutela antecipada não há falarse em suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em virtude de ações judiciais promovidas pelo sujeito passivo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento com o mesmo objeto de demanda administrativa, importa em renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo este último terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. SUJEIÇÃO PASSIVA. RELATÓRIOS DE VÍNCULOS. Constitui pela de instrução do processo administrativo fiscal o Anexo “Relatório de Vínculos”, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16004.720361/201218 Acórdão n.º 2803003.446 S2TE03 Fl. 5 4 É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidade. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS. MULTA. É cabível a incidência dos consectários legais incidentes sobre débito de natureza tributária não adimplido em época própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente é uma entidade de direito privado sem fins lucrativos, cujas atividades são essenciais à persecução das políticas públicas do Município de Fernandópolis (SP). No desenvolvimento de suas atividades e para atingir os objetivos determinados em seus estatutos, assume elevados custos de manutenção. Estes custos, aliados à carga tributária e à inadimplência dos seus alunos, levaramna a um grave desequilíbrio financeiro que, por fim, resultou na demissão de dezenas de colaboradores. Sua situação é, na verdade, periclitante! Em meio a tantas dificuldades, a recorrente nunca renunciou ao seu objetivo de prestar assistência social à população de Fernandópolis e região. Entidade filantrópica por natureza, ela tardou em requerer seu certificado de entidade beneficente de assistência social. Em 2007, deu entrada no requerimento nº 71010.002554/200755 perante o CNAS, cuja competência, após anos de indefinição, foi transferida para o Ministério da Educação que, finalmente, em 8/12/2011, concedeu o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), por meio da portaria SESu/MEC n. 1445. Veja, então, Vossa Senhoria que a recorrente é uma entidade de fins filantrópicos, o que, de acordo com o § 7º do art. 195 da Constituição Federal, lhe confere imunidade tributária. Operando efeitos ex tunc, a concessão do CEBAS implica, pois, no fato de que a recorrente nunca esteve obrigada a recolher contribuições para a Previdência Social. Isso porque seus efeitos atingem ao período anterior ao CEBAS, desde a fundação da autora. Ante ao exposto, requer, muirespeitosamente, às Vossas Senhorias que o recurso seja admitido e provido para que seja julgado improcedente o AI, eis que a recorrente, desde a sua fundação, é imune ao imposto. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16004.720361/201218 Acórdão n.º 2803003.446 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Auto de Infração em discussão abrange 03 (três) DEBCAD, assim numerados: 37.380.6175; 37.380.6167 e 37.380.6159. Em seu recurso, o sujeito passivo afirma que é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades são essenciais à persecução das políticas públicas no Município de FernandópolisSP e que no desenvolvimento de suas atividades e para atingir os objetivos determinados em seus estatutos, assume elevados custos de manutenção. Assevera ainda que, tais custos, aliados à carga tributária e à inadimplência dos seus alunos, levaramna a um grave desequilíbrio financeiro que, por fim, resultou na demissão de dezenas de colaboradores. Por conta desses eventos, sua situação é, na verdade, periclitante! Aduz que em 2007 deu entrada no requerimento nº 71010.002554/200755 perante o CNAS, cuja competência, após anos de indefinição, foi transferida para o Ministério da Educação que, finalmente, em 8/12/2011, concedeu o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), por meio da portaria SESu/MEC n. 1445. Em razão da concessão do certificado de entidade beneficente de assistência social em 8/12/2011, o sujeito passivo diz que é uma entidade de fins filantrópicos, o que, de acordo com o § 7º do art. 195 da CF/88, lhe confere imunidade tributária. Conclui que, operando efeitos ex tunc, a concessão do CEBAS implica, pois, no fato de que a recorrente nunca esteve obrigada a recolher contribuições para a Previdência Social. Isso porque seus efeitos atingem ao período anterior ao CEBAS, desde a fundação da autora. No que diz respeito à retroação pretendida pelo sujeito passivo, considerando que a matéria está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, ação nº 001631 95.2012.403.6124, protocolada em 12/12/2012, perante a Justiça Federal de São Paulo, aplicar seá a denominada concomitância de instância, conforme dispõe a Súmula CARF nº 1, in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16004.720361/201218 Acórdão n.º 2803003.446 S2TE03 Fl. 7 6 Relativamente às matérias distintas da concomitância de instância, o sujeito passivo não apresentou contestação específica em seu recurso, ou seja, as matérias relacionadas às contribuições dos prestadores de serviços (contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos), bem como em relação aos Terceiros (SEST / SENAT), estão abrangidas pela regra do art. 17 do decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Há que se ressaltar, todavia, que na situação vertente, o Fisco apurou as irregularidades no período compreendido entre o dia 01/01/2008 a 31/12/2008. Destarte, a exemplo do julgar a quo, reconheço que parte do lançamento está alcançada pela concomitância de instância, motivo pelo qual, neste ponto, não é cabível a apreciação da matéria pelo órgão de julgamento administrativo (Súmula CARF nº 1). Na parte que o órgão de julgamento poderia apreciar a matéria, o sujeito passivo não a contestou, devendo o colegiado aplicar a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901451/2012-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 51 /2 01 2- 30 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901451/201230 Acórdão n.º 3801004.247 S3TE01 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901451/201230 Acórdão n.º 3801004.247 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 18507.81724.181209.1.3.043858, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Cofins não cumulativa, com apuração em 31/10/2008. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901451/201230 Acórdão n.º 3801004.247 S3TE01 Fl. 52 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901451/201230 Acórdão n.º 3801004.247 S3TE01 Fl. 53 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005460/2007-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
COMPENSAÇAO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS.
Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte que motivou a autuação por compensação indevida, resta essa glosa insubsistente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES E RECOLHIMENTOS. Apresentada documentação comprobatória tanto da retenção quanto do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte que motivou a autuação por compensação indevida, resta essa glosa insubsistente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 54 60 /2 00 7- 91 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) – DRJ/RJ2, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 101.118,50, relativo ao anocalendário 2004. O processo foi distribuído para julgamento a ser realizado, inicialmente, pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Contudo, em sessão de julgamento datada de 14/8/2012, foi exarada por aquela Turma a Resolução nº 2201000.072, convertendo o julgamento em diligência. Quando do seu retorno à segunda instância recursal, o processo foi redistribuído para este Conselheiro, mediante sorteio efetuado no dia 15/5/2014 em sessão pública da Segunda Turma Especial da Segunda Seção do CARF. Esclarecidos esses fatos preliminares, passo a reproduzir, pedindo a devida licença, excerto do Relatório constante na precitada Resolução, o qual descreve com completude o conteúdo do litígio posto nos presentes autos: A infração que ensejou o lançamento foi a dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Segundo o relatório fiscal, tratase de valores declarados de IRRF tendo como fontes pagadoras Sindicato dos Trabalhadores Com. Hot. e Sims. do Rio de Janeiro (R$ 49.529,67) e Federação Nac. dos Empregados do Com. Hoteleiro e Similares (R$ 15.377,26), tendo em vista o não recolhimento do imposto pela fonte pagadora, conforme batimento DIRF/DARF. A Contribuinte impugnou o lançamento e solicitou o acolhimento parcial da impugnação para que seja reconhecido o Recolhimento de quatro DARF no ano de 2004 pela pessoa jurídica Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro, totalizando R$ 12.461,36. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II acolheu a alegação da defesa quanto aos quatro recolhimentos, que foram comprovados. Quanto aos demais valores, ressaltou que a Contribuinte em sua impugnação concordou expressamente com a exigência. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/04/2011 (fls. 18v) e, em 12/05/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 80/81, que ora se examina, e no qual aduz, em síntese, que com a diligência deteminada pela DRJ vieram aos autos comprovantes fornecidos pelas fontes pagadoras da retenção e recolhimento do imposto e que foram desconsiderados pela decisão de primeira instância. Junta os mesmos elementos ao recurso e pede que os mesmo sejam examinados com o julgamento da improcedência do lançamento. Cabe transcrever, outrossim, a seguinte passagem do Voto do Relator da precitada Resolução: Como se colhe do relatório, a Contribuinte, na impugnação, limitouse a pedir que a DRJ considerasse quatro DARF no valor total de R$ 12.461,26, e a DRJ acolheu a alegação, subrtraindo este valor da autuação. No recurso, a Contribuinte observa que, com a diligência Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10768.005460/200791 Acórdão n.º 2802003.001 S2TE02 Fl. 220 3 determinada pela DRJ, vieram aos autos novos elementos que comprovariam o recolhimento do imposto de renda remanescente, que lhe está sendo exigido. De fato, em resposta às intimações emitidas em razão das diligências determinadas pela DRJ, as fontes pagadoras Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro e Federação Nacional dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro confirmaram os valores informados nas DIRF, que dão conta de ter havido retenção na fonte de imposto, sobre rendimentos pagos à ora Recorrente, de R$ 49.529,67, o primeiro (fls. 47/48), e R$ 19.945,91, o segundo (fls. 56/57). Foram juntados também cópias dos DARF que corresponderiam a tais recolhimentos (fls. 49/55 e 58/70). Ora, ainda que a Contribuinte tenha inicialmente se conformado com a exigência de eventual imposto pela falta de recolhimento pela fonte pagadora, diante da evidência de que, contrariamente ao que se pensava, houve tal recolhimento, inclusive porque alguns desses recolhimentos ocorreram, aparentemente, após a autuação, em razão do princípio da verdade material, é dever do julgador considerar tais pagamentos. Isto porque, certamente, não é interesse do Estado receber em duplicidade um mesmo imposto. Temse neste caso, porém, apenas cópias de DARF sem que se tenha segurança sobre a efetividade dos recolhimentos, o que demanda, por segurança, uma verificação por parte da autoridade administrativa da efetividade desses recolhimentos, bem como que se estabeleça a correlação entre eles as DIRF correspondentes para que se possa apurar se, de fato, os recolhimentos compreendem os valores declaradamente retidos pela fonte pagadora com relação à Contribuinte. Finda a Resolução com a proposição de retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de origem para diligência visando atestar a autenticidade dos DARF de fls. 49/55 e 58/70, bem como identificar as DIRF/DCTF a que estariam vinculados tais pagamentos. Retornaram os autos à Segunda Seção do CARF, havendo sido o resultado das diligências requeridas assim narrado: Tendo em vista a solicitação de fls. 201, informo que os DARF de fls.49/55 e 58/70 constam nos arquivos da SRF, conforme confirmação no sistema SINAL (v. fls. 209 a 215).Os mencionados pagamentos não foram vinculados a DIRF do ano calendário 2004 (v. fls. 208). Não consta no Sistema DCTF entrega de Declaração para o contribuinte de CNPJ 33.721.333/000169 Realizada a redistribuição do processo para este Conselheiro, conforme descrito no início deste Relatório, cumpre passar à apreciação da matéria ora em litígio. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, portanto, passo a sua apreciação. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conforme observado no Voto da Resolução acima abordada, ainda que em um primeiro momento a contribuinte tenha se resignado parcialmente com a autuação, sua inconformidade com os demais aspectos do lançamento, manifestada em sede de recurso voluntário deve ser conhecida, face ao princípio da verdade material e à existência de fortes evidências nos autos que conduzem a entendimento favorável a suas postulações. Ademais, como bem frisado pelo Relator daquele Voto, não se vislumbra interesse estatal voltado à tributar em duplicidade o mesmo fato gerador. A contribuinte sofreu glosa de compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre rendimentos percebidos de duas fontes pagadoras. Relativamente à primeira, a Federação Nacional dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro, CNPJ nº 33.959.610/000176, foram deduzidos na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário 2004 R$ 15.377,26, em conformidade com o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" por aquela disponibilizado (fl. 10). Por sua vez, na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) entregue por essa fonte pagadora, tendo como beneficiária a autuada, consta valor total anual retido até mesmo superior ao informada na dita DAA R$ 19.945,91. As respectivas retenções mensais (fl. 31), encontramse comprovadas pelos DARFs de fls. 58/70, os quais foram confirmados como efetivos no Sistema Sinal (fls. 209 a 215). Não há motivo, portanto, para prosperar o lançamento no que tange ao IRRF retido pela mencionada fonte pagadora. Também foram deduzidos, na DAA do anocalendário 2004, R$ 49.529,67 de acordo com o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" disponibilizado pela fonte pagadora Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro, CNPJ nº 33.721.333/000169 (fl. 11). Desse montante, restou como controverso após o julgamento em primeira instância a cifra de R$ 37.068,31 (R$ 49.529,67 R$ 12.43136 exonerados pela DRJ/RJ2). Na Dirf transmitida pela fonte pagadora consta o referido valor total anual e as correspondentes retenções mensais (fl.30). Porém, ao invés de recolher DARF em separado para a retenção na fonte sobre os rendimentos da contribuinte, optou essa fonte pagadora por recolher DARFs mensais abrangendo os recolhimentos devidos atinentes aos seus diversos funcionários (fls. 49/55). Não obstante tal procedimento, o fato é que os recolhimentos restaram atestados pelos indigitados DARFs e confirmados no Sistema Sinal (fls. 209/215). A correspondência entre os valores constantes nos DARFs e os IRRF retidos sobre os rendimentos da autuada está suficientemente comprovada mediante as planilhas e documentos de fls. 103 e 131/166, não havendo, inclusive, a instância a quo vislumbrado máculas nessa documentação no que se refere aos recolhimentos então tidos como escorreitos. Portanto, resta também insubsistente o lançamento no que diz respeito ao IRRF retido sobre os rendimentos pagos pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Hoteleiro e Similares do Município do Rio de Janeiro. Por fim, vale anotar que o eventual descumprimento da obrigação acessória de entregar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) por parte das fontes pagadoras não tem o condão de ilidir o conjunto probatório coligido nos presentes autos, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10768.005460/200791 Acórdão n.º 2802003.001 S2TE02 Fl. 221 5 estando demonstrado que houve não só a retenção, mas também o efetivo recolhimento dos valores questionados aos cofres públicos. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15586.720607/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 643 1 642 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720607/201295 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.677 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente EXPORTADORA YALNIK SONS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 60 7/ 20 12 -9 5 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 644 ___________ Relatório Extraise do presente autos, que, preliminarmente, no Processo Administrativo Fiscal, constam: um auto de infração do PIS, constituído no valor de R$ 9.928,36 (nove mil, novecentos e vinte e oito reais e trinta e seis centavos), incluindo juros de mora e multa qualificada em 150%, um de COFINS, no valor de R$ 45.730,73 (quarenta e cinco mil, setecentos e trinta mil e setenta e três centavos), incluindo juros de mora e multa qualificada em 150%, e um relativo a outras multas administradas pela Receita Federal do Brasil, por ter efetuado compensação indevida em declaração apresentada com falsidade, sendo assim lançado a título de multas regulamentares diversas o valor de R$ 161.248,76 (cento e sessenta e um mil duzentos e quarenta e oito mil e setenta e nove centavos). Segundo o que se colhe do Termo de Verificação Fiscal, o lançamento foi deflagrado em razão da operação da Receita Federal do Brasil, denominada “OPERAÇÃO BROCA”. Nesta operação, o Fisco constatou que inúmeras empresas Exportadoras, passaram a adquirir seus insumos de Pessoas Jurídicas, e não mais de Pessoas Físicas ou Agroindústrias, pois que estas primeiras concediam o direito a apropriação do crédito pela entrada. No caso dos autos, foi supostamente constatado que as empresas Adame Café Importação e Exportação Ltda. e Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda. (fornecedoras da Exportadora Yalnik), eram empresas de fachada, tendo sido afirmado que as mesmas nunca sequer chegaram a existir. No relatório de Fiscalização já citado, referidas fornecedoras, foram tratadas como “pseudoatacadistas”, sendo verificado no curso da investigação que o café era negociado diretamente com os produtores, pessoas físicas, e apenas as notas eram feitas em nome das empresas “pseudoatacadista”, assim, o Contribuinte utilizavase de notas fiscais falsas, frias, a fim de ludibriar o Fisco, para solicitar à Fiscalização créditos para uma futura compensação/ressarcimento de PIS e CONFINS, relativos à compra de café. Com a fraude do Contribuinte descoberta, o Fisco efetuou a nova apuração das contribuições devidas, e além de atestar a inexistência do direito creditório, observou a existência de contribuição a pagar, alvo do lançamento. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Em 14/11/2012, o Contribuinte apresentou sua Impugnação Administrativa, aduzindo, em resumo, os seguintes argumentos: a) Da necessidade de unificação dos processos visando evitar decisões contraditórias: solicitando fossem estes autos julgados em conjunto com os dos PAF’S 15586.720607/201295, 15586.720039/201222, 10783.721822/201263, 15586.720040/2012 57, 15586.720041/201200, 15586.720615/201231 e 15586.720042/201246, pois que relativas ao mesmo crédito; Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15586.720607/201295 Resolução nº 3402000.677 S3C4T2 Fl. 645 3 b) Do mercado de café, dos erros e contradições da Receita Federal, do esquema das atacadistas de café, da boafé e da impotência das exportadoras e indústrias, aduzindo, nesse tocante, que a Fiscalização deveria ter demonstrado o fato de que a impugnante sabia ou incentivava do não recolhimento dos tributos pelas empresas pseudoatacadistas, ou no mínimo que tinha conhecimento de sua inatividade; c) Da insuficiência de provas de condutas ilícitas aptas a suplantar a boafé da recorrente, afirmando que era obrigação do acusador provar suas alegações, e que ainda, o mesmo não logrou êxito pois nos autos não existe nenhuma prova de que a impugnante participou ou participa de qualquer fraude; d) Discorreu ainda sobre a sua boafé e a possibilidade do creditamento, afirmando que era possível a verificação da regularidade dos fornecedores, do “CNPJ” e do “SINTEGRA”, e que eram válidos os pagamento através de transferências bancárias, depósito ou doc.; e) Do poder de fiscalizar e lançar da Receita Federal do Brasil e da impossibilidade de punição da contribuinte pelo descumprimento de dever funcional pela fiscalização fazendária; f) Da possibilidade de aproveitamento do crédito presumido para a quitação de outros tributos administrados pela Receita Federal; g) Da impossibilidade de aplicação das multas pela caracterização do bis in iden (considerando a glosa dos créditos e o Auto de Infração), e impossibilidade de qualificação das mesmas pela ausência de comprovação da fraude, bem como ainda pelo fato de que declarou em DCTF todos os tributos fiscalizado. Por fim, em seus pedidos, requereu a unificação dos processos relacionados abaixo ou, pelo menos, a unificação dos julgamentos, a anulação do auto de infração com base no princípio da ampla defesa, a anulação do auto de infração, já que improcedentes as alegações da fiscalização quando a máfé, e, caso não atendido os pedidos, sejam homologados os saldos dos créditos presumidos, e na hipótese de ser considerado devido algum crédito tributário, seja afastada a dupla imposição de multas e seja afastada a cobrança da multa de 150% prevista no artigo 44, I, §1º, da Lei 9.430/96. DO JULGAMENTO DE 1° INSTÂNCIA Na data de 22/08/2013, pela 17ª Turma da DRJ/RJ1, foi proferido acórdão de n° 1258.818, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15586.720607/201295 Resolução nº 3402000.677 S3C4T2 Fl. 646 4 de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 30/11/2008 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No que tange a preliminar de nulidade, foi rejeitada, por estar a Fiscalização e lançamento em consonância com a legislação de regência, não sendo verificados os requisitos do artigo 59 do decreto 70.235/72 – PAF. Quanto ao mérito, a DRJ/RJO1, houve por bem em aplicar na íntegra as decisões que foram proferidas pela Turma da DRJ/RJO1 nos processos nºs 15586.720041/201200, 15586.720039/201222, 15586.720615/201231 e 10783.721822/201263, visto que os lançamentos componentes desses autos decorrem da glosa efetuada naqueles pedidos de ressarcimento. Das multas aplicadas: A multa isolada sobre o valor dos débitos indevidamente compensados foi devidamente aplicada, por ter o contribuinte cometido fraude quanto ao seu pedido de ressarcimento e/ou compensação, sendo que nem sequer chegou a recolher os tributos devidos ao longo das etapas anteriores da cadeia produtiva. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15586.720607/201295 Resolução nº 3402000.677 S3C4T2 Fl. 647 5 Da multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, foi constatada a fraude cometida pelo contribuinte, pois este se utilizou de notas fiscais falsas para se eximir do pagamento de tributos a Receita, forjando a existência de créditos referentes ao regime da nãocumulatividade. Concluiu então a DRJ que é plenamente cabível a multa de 150%, devidamente qualificada no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Quanto ao apelo do Contribuinte pela homologação dos saldos de créditos presumidos para compensação com a própria contribuição em períodos subsequentes e com todos os demais tributos administrados pela RFB, elucidou a DRJ que a questão em apreço foge do propósito do processo. Diante das alegações, restou por julgar improcedente a impugnação do Contribuinte, bem como manter a integralidade dos autos de infração relativos ao PIS e a COFINS, como também o auto de infração de multa isolada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado em 10/09/2013, conforme AR de fls. 572 (n.e.) e na data de 08/10/2013, apresentou seu Recurso Voluntário, contestando, além dos argumentos trazidos na impugnação, trouxe ainda os seguintes argumentos elencados abaixo: a) Da nulidade do acórdão de DRJ, no tange a extinção da ação penal nº 2008.50.05.005383 (Operação Broca); b) Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa; Por fim, em seus pedidos, requereu a nulidade do acórdão 1258.818 da DRJ RJ1, repisando os demais pedidos. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 642 (seiscentos e quarenta e dois), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15586.720607/201295 Resolução nº 3402000.677 S3C4T2 Fl. 648 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Conforme se infere da leitura do relatório acima, a controvérsia decorre da cobrança de contribuições e de multa imposta ao contribuinte, decorrente de compensações realizadas – segundo a ótica Fiscal – indevidamente, nas quais os créditos utilizados seriam, supostamente, advindos de empresas pseudoatacadistas, criadas apenas para a concessão do direito creditório ao sujeito passivo destes autos. A despeito de se tratar o processo de auto de infração, decorre o mesmo de fiscalização efetuada no âmbito de processos que tratavam das compensações, e, cuja análise de direito creditório resultou na constatação de falta de recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS, autuadas (conforme já mencionado), concomitantemente com as multas punitivas por compensação indevida. Assim, desde logo se verifica que o mérito a ser enfrentado neste julgamento, passa pela desconsideração ou não das notas fiscais de aquisições feitas nas empresas comerciais atacadistas elencadas no Relatório de Fiscalização, quais sejam, “Adame Café Importação e Exportação Ltda. e Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda”, cujo reflexo direito é a existência ou não do direito creditório perseguido pelo contribuinte nos processos de ressarcimento/declaração de compensação e, consequentemente, da efetiva ausência de recolhimentos exigidas nestes autos. Esta mesma Turma, através da Resolução da Lavra do Douto Conselheiro Fernando Luiz Gama Lobo D’Eça (nº. 3402000.549, de 26 de Junho de 2013), já deliberou neste sentido: “[...]A legislação de regência (art.82daLeinº9430/96) fixa critérios objetivos para a aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo.” (destaquei) Nesta senda, da mesma forma entendo que o processo não se encontra em condições de receber um justo destino, enquanto não reste consignado pela Autoridade Preparadora, através da realização de Diligência, se os produtos adquiridos pela Recorrente forma objeto de: a) Pagamento e respectiva quitação, esclarecendo os respectivos meios de pagamento; b) Se existem os comprovantes de entrega das mercadorias, esclarecendo os meios de seu transporte e respectiva entrega. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15586.720607/201295 Resolução nº 3402000.677 S3C4T2 Fl. 649 7 Para tanto, a Autoridade Preparadora pode intimar a ora Recorrente a, no prazo de 30 dias, fornecer e fazer juntar aos autos os comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas as comerciais atacadistas citadas anteriormente, bem como, dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; Além disso, deve ainda a referida Autoridade informar: c) Se os processos nº. 15586.720607/201295, 15586.720039/201222, 10783.721822/201263, 15586.720040/201257, 15586.720041/201200, 15586.720615/2012 31 e 15586.720042/201246 citados pelo contribuinte encontramse julgados e qual o resultado definitivo do julgamento dos mesmos; d) Em caso de não haver decisão definitiva nos referidos processos, informar quais os andamentos mesmos; e) Quais as datas de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas através da denominada “Operação Broca”, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; f) Trazer comprovação das Notas Fiscais emitidas contra os comerciantes declarados inaptos e também aquelas feitas para a exportadora Recorrente, assim como os comprovantes de pagamento das operações da Exportadora Recorrente em favor da comerciante atacadista; g) Após elaboração termo de Diligência, com as conclusões decorrentes dos quesitos aqui formulados, seja a Recorrente intimada das informações fiscais para, querendo, apresentar manifestação no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando após, os autos a julgamento. Na esteira das considerações acima, proponho a conversão deste julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000235/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004
AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
INSTRUÇÃO NORMATIVA 296/03. DESNECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ARTIGO 17§ 1º.
Às empresas optantes pelo SIMPLES, a suspensão determinada na legislação supracitada não se aplicaria, razão pela qual a Recorrente não está obrigada a cumprir as exigências prescritas no § 1º do art. 17 da IN nº 296/03.
DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. DIVERGÊNCIAS.
Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas a partir da própria escrituração do contribuinte.
GLOSAS DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS
Existindo operações comerciais realizadas e acobertadas por notas fiscais provenientes de empresas consideradas inidôneas, evidente a necessidade de glosar os créditos utilizados.
IPI - RESSARCIMENTO
Não há ofensa ao princípio da não-cumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que esse por si só não assegura o direito ao crédito de IPI.
MULTA ISOLADA. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO.
É aplicável a multa isolada no percentual de 150% sobre os valores em aberto quando comprovada intenção ou dolo do sujeito passivo, no sentido de caracterizar fraude, sonegação ou conluio, conforme expressamente regula texto legal.
Numero da decisão: 3302-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 18/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. INSTRUÇÃO NORMATIVA 296/03. DESNECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ARTIGO 17§ 1º. Às empresas optantes pelo SIMPLES, a suspensão determinada na legislação supracitada não se aplicaria, razão pela qual a Recorrente não está obrigada a cumprir as exigências prescritas no § 1º do art. 17 da IN nº 296/03. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. DIVERGÊNCIAS. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas a partir da própria escrituração do contribuinte. GLOSAS DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS Existindo operações comerciais realizadas e acobertadas por notas fiscais provenientes de empresas consideradas inidôneas, evidente a necessidade de glosar os créditos utilizados. IPI - RESSARCIMENTO Não há ofensa ao princípio da não-cumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que esse por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. MULTA ISOLADA. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. É aplicável a multa isolada no percentual de 150% sobre os valores em aberto quando comprovada intenção ou dolo do sujeito passivo, no sentido de caracterizar fraude, sonegação ou conluio, conforme expressamente regula texto legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000235/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.318 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente LUCCHESI ARTEFATOS PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. INSTRUÇÃO NORMATIVA 296/03. DESNECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ARTIGO 17§ 1º. Às empresas optantes pelo SIMPLES, a suspensão determinada na legislação supracitada não se aplicaria, razão pela qual a Recorrente não está obrigada a cumprir as exigências prescritas no § 1º do art. 17 da IN nº 296/03. DIFERENÇA ENTRE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. DIVERGÊNCIAS. Procede o lançamento de diferenças de tributo não oferecidas à tributação, obtidas a partir da própria escrituração do contribuinte. GLOSAS DE CRÉDITOS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS Existindo operações comerciais realizadas e acobertadas por notas fiscais provenientes de empresas consideradas inidôneas, evidente a necessidade de glosar os créditos utilizados. IPI RESSARCIMENTO Não há ofensa ao princípio da nãocumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, uma vez que esse por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. MULTA ISOLADA. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 35 /2 00 9- 61 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 É aplicável a multa isolada no percentual de 150% sobre os valores em aberto quando comprovada intenção ou dolo do sujeito passivo, no sentido de caracterizar fraude, sonegação ou conluio, conforme expressamente regula texto legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 18/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; consoante capitulação legal consignada às fls. 05, 06, 09 e 11, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/03, em 07/08/2009, para exigir R$ 209.271,72 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 134.721,00 de juros de, mora calculados até 31/07/2009, R$ 225.835,52 de multa proporcional ao valor do imposto, e R$ 1.850.494,50 de multa regulamentar, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 2.420.322,74. Consoante a descrição dos fatos, de fls. 04/11, foi constatado o seguinte: a) Falta de lançamento do IPI por utilização incorreta, nas saídas de produtos industrializados, do instituto da suspensão Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 3 3 previsto na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29, no período de agosto a setembro de 2004, tendo sido verificada uma vedação, quanto às empresas adquirentes, estabelecida na Instrução Normativa SRF n° 296, de 6 de fevereiro de 2003, com a redação modificada pela IN SRF n° 342, de 15 de julho de 2003: empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES); notas fiscais, datas, valores e destinatários discriminados no demonstrativo de fl. 22 (anexo I); b) Falta de recolhimento do imposto lançado e escriturado no livro Registro de Apuração do IPI, não declarado em DCTF, no período de agosto a setembro de 2004, conforme o demonstrativo de fls. 23 (anexo II); c) Falta de recolhimento do imposto em virtude do aproveitamento de créditos indevidos referentes às aquisições das empresas Redentor Sudeste Distribuidora Ltda. (CNPJ 05.648.260/000434) e Certta Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 04.942.526/000222), tendo sido encetada a glosa dos créditos à vista de notas fiscais inidôneas por diversos motivos, nos meses de agosto e setembro de 2004 e consoante os demonstrativos de fls. 24, 25 e 27 (anexos III, IV e VI); c.1) falta de comprovação do pagamento dos valores constantes das notas fiscais, por meio de cópias de cheques, depósitos bancários, documentos de ordem de crédito (DOC) ou, no caso de pagamento em numerário, extrato bancário e via original de recibo firmado pelo recebedor, conforme solicitação de documentos no termo de intimação lavrado em 21/07/2009; c.2) empresas fornecedoras intimadas, mas sem resposta, em Procedimento fiscal na matriz (CNPJ 04.969.472/000108); c.3) notas fiscais com valores elevados, muitos exatamente iguais, emitidas sempre em determinados dias de cada mês, desprovidas de requisitos básicos preconizados pelo RIPI/2002, art. 339: produto sem completa identificação no campo "descrição do produto"; sem a classificação fiscal do produto conforme a TIPI, item imprescindível para a verificação da alíquota; falta de identificação e de dados do transportador na maioria das notas fiscais, sendo que, quanto à nota fiscal n° 325, de 29/12/2004, há referência a um veiculo tipo Fusca para o transporte de 24.750 kg de produto especificado na nota fiscal; c.4) os supostos créditos não constam das notas fiscais, mas em documentos (cartas de correção) anexas àquelas, mas sem a comprovação da ciência pelo emitente das nota. s fiscais; c.5) consta o CNPJ 48.546.857/000561 como destinatário das notas fiscais emitidas pela empresa Certta, não podendo ser aceita a correção do destinatário na nota fiscal pelo documento anexo, sem comprovação da ciência do remetente; c. 6) as notas fiscais foram escrituradas no livro Registro de Entradas sob o código 3, referente a "operações sem crédito do imposto"; c.7) os supostos créditos indicados nos documentos anexos às notas fiscais emitidas pela empresa Redentor Sudeste foram escriturados no livro Registro de Apuração do IPI; c.7) inexistem informações sobre a filial em questão em DIPJ, sendo que informações sobre o remetente dos produtos devem obrigatoriamente constar dessa declaração; c.8) não houve a apresentação do livro Registro de Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Controle da Produção e do Estoque, ou sistema equivalente, concernente ao anocalendário de 2004, necessário para a comprovação da efetiva entrada das mercadorias indicadas nas notas fiscais de aquisição (RIPI/2002, art. 169, II, "b"); d) Houve a glosa, também, de devoluções de vendas não comprovadas, no período de agosto e setembro de 2004, conforme o demonstrativo de fl. 26 (anexo V); e) O registro e aproveitamento das notas fiscais inidôneas discriminadas no demonstrativo de fls. 24 implica a imposição da multa regulamentar equivalente ao valor comercial da mercadoria constante de cada nota fiscal. Foi aplicada a multa de oficio básica de 75%, exceto no caso da glosa dos créditos relativos às notas fiscais inidôneas, em que foi aplicada a multa majorada de 150%. A empresa tomou ciência da exação em 11/08/2009 mediante o aviso de recebimento de fl. 127. Em 10/09/2009, insubmissa, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 132/151, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica qualificado na procuração de fl: 159 e instruída com documentação de fl. 152 e seguintes, em que aduz, em síntese, que, preliminarmente, o lançamento do crédito tributário é nulo por inobservância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, tendo a fiscalização não aceitado pedido de dilação em 20 dias do prazo original de 5 dias Para exibir o livro de Controle da Produção e Estoque (requisitado já no termo de inicio de fiscalização de 23/06/2009) bem como a comprovação do pagamento de notas fiscais mencionadas no termo de intimação de 21/07/2009; acerca das infrações arroladas, primeiramente, conforme o Ato Declaratório Interpretativo n° 16/04, a suspensão do art. 17 da IN SRF 296/2003 não se aplica as empresas optantes pelo SIMPLES, seja relativamente as aquisições de fornecedores ou as saídas de produtos industrializados, sendo apresentada jurisprudência pela qual instruções normativas não podem restringir direitos; os valores lançados e não recolhidos ou recolhidos a menor foram objeto de retificação em DCTF; em terceiro lugar, sobre os créditos indevidos: a) todos os documentos comprobatório das transações comerciais envolvendo as empresas Redentor e Certta foram anexadas a. impugnação, inclusive os comprovantes de pagamento; b) a impugnante não pode ser penalizada pelo fato de que as empresas fornecedoras não tenham respondido intimações feitas pela fiscalização, sendo que no cadastro da própria RFB consta que a empresa Redentor Sudeste foi baixada em 29/08/2009 e a Certta continua (ativa no endereço informado; c) valores vultosos e falta de informações em notas fiscais de aquisição são dados alheios ao negócio jurídico e não cabe A empresa adquirente fiscalizar tais dados, sendo seria existente o negócio jurídico, com a comprovação dos pagamentos, e, além disso, a indicação em uma nota fiscal da placa de um veículo fusca apenas corrobora a existência de um erro de preenchimento; d) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 4 5 quantos As notas fiscais emitidas pela empresa Redentor Sudeste, com os créditos constantes somente nos documentos anexos As notas fiscais, é cediço que, os estabelecimentos industriais ou equiparados a industriais podem se creditar do IPI referente às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de comerciantes atacadistas não contribuintes do imposto; e) documentos relativos ao controle quantitativo da produção e do estoque, quanto ao ano de 2004, anexados à impugnação, não haviam sido entregues antes porque o respectivo arquivo magnético se encontrava corrompido e a autoridade fiscal estava de posse de documentos importantes para a confrontação de informações, contudo, não pode haver glosa de créditos "através" do livro Registro Mod. 3 (sic), pois este se destina apenas arrolar, por quantidades; com perfeita identificação, às mercadorias em estoque. O fato deve ser provado por quem alega e a autoridade fiscal fez a autuação meramente com base em suposição de fraude, sendo que esta não pode ser presumida, ‘sendo que indicio não é prova, conforme doutrina. A impugnante não teria praticado ato lesivo ou fraudulento que possa justificar. a aplicação de multa moratória ou punitiva, segundo precedentes do Conselho de Contribuintes, e o CTN, art. , 97, restringe qualquer penalidade fundada em atos normativos. Por fim, requer que seja acolhida a prejudicial e declarada nula a sanção imposta, ou então, no mérito, improcedente a autuação com o cancelamento e arquivamento do auto de infração, o reconhecimento do caráter de confiscabilidade da multa aplicada e à concessão de prazo para a juntada de novos documentos ou para a realização de penda, impossível de ser feita neste ato, nos termos do art. 20 da Lei n° 10.941/01. “ Em 16/12/2009, foi resolvido que o julgamento fosse convertido em diligência mediante a Resolução DRJ/RPO n° 1.308, de fls. 291/294, com o respectivo voto vazado nos seguintes termos: "Tempestiva a impugnação, nos termos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a luz do relatório acima há algumas dúvidas que devem ser dirimidas. Primeiramente, tendo em vista a glosa de créditos (supostas aquisições e devoluções) encetada nos autos, deve ser examinada a documentação anexada a peça impugnatória pela contribuinte: cópias de comprovantes de pagamentos relativos a alegadas aquisições das empresas fornecedoras Certta e Redentor Sudeste (lis. 187/242) e cópias de páginas do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (fls. 245/287). Outrossim, em face da falta de resposta a intimações lavradas e enviadas por via postal, deve ser requisitada aos órgãos de jurisdição a realização de diligências para a coleta in loco de informações acerca das supostas empresas fornecedoras: Certta Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 04.942.526/000222 ativa, com domicilio tributário em São Paulo, SP) e Redentor Sudeste Distribuidora Ltda. (CNPJ 05.648.260/000434, baixada em 29/08/2005, com domicilio tributário informado a época em Guarulhos, SP). "Em relação primeira, vistoria das instalações e capacidade de produção, além de outras informações relevantes; quanto à segunda, oitiva de vizinhos sobre as pretensas atividades da empresa a época das ocorrências fictícias retratadas na peça fiscal. Nesse passo, é necessário, para o afastamento de óbices quanto ao julgamento do feito, que o autor da peça impositiva tome as providências requeridas acima. Por todo o exposto, a fim de que sejam cumpridas as providências indispensáveis, voto, com fulcro no Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18, para que o processo seja restituído a unidade de origem para a realização de diligência. Encerrada a instrução processual, o sujeito passivo deverá ser intimado a se manifestar a respeito do relatório fiscal elaborado e de documentação porventura juntada aos autos, no prazo de 10 (dez) dias (Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 44).” Com efeito, como resultado de parte das providências solicitadas em24/02/2010, foi elaborado o relatório de fls. 305 e 306 sumariado como segue: “1) conforme a planilha denominada "Exame de documentos atinentes As empresas Certta e Redentor", de fls. 303 e 304, referente à documentação juntada pela impugnante As fls..1872242, as notas fiscais emitidas pela empresa Certta foram destinadas a. empresa diversa, a "Comercial e Industrial Lucchesi Ltda.", CNPJ 48.546.857/000561, que consta como "sacado" em boleto bancário; tal empresa também consta como "sacado" em vários boletos bancários relativos a notas fiscais emitidas pela empresa Redentor Sudeste; 2) as cópias de supostas páginas do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, juntadas as fls. 245/287, não suprem a falta de apresentação do mencionado livro quanto aos anos de 2004 e 2005, pois: a) as cópias não possuem autenticação do Fisco Estadual ou da Junta Comercial para verificação se a escrituração do livro havia sido feita no prazo de quinze dias, conforme preconiza o RIPI/2002, art. 386; b) não houve a apresentação do livro nos prazos estipulados nos termos lavrados em 23/06/2009 e em 21/07/2009; c) o auto de infração foi lavrado em 27/10/2009 e até tal data não havia sido apresentado o livro; d) os registros no livro foram escriturados pelo contador que , acompanhara a fiscalização em 2009, é não pela profissional que escriturara os demais livros concernentes ao ano de 2004; e) as cópias apresentadas não possuem todos os dados precípuos do livro em questão, necessários para a análise da movimentação de mercadorias e do_ estoque da empresa e previstos no RIPI/2002, art. 384, como, por exemplo, números e folhas dos livros Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 5 7 Registro de Entradas e Registro de Saídas; I) registros não implementados operação por operação, ou seja, com uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos, nos termos do RIPI/2002, art. 383, § 3°; g) existência de inúmeras entradas de produtos no estoque descritos apenas como' "reporte acabado", sem identificação da nota fiscal e do valor contábil; h) anteriormente a empresa apresentara somente cópias de folhas referentes aos meses de agosto e setembro de 2004. São diversas as irregularidades relativas as cópias do suposto livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, apresentadas somente depois da lavratura do auto de infração e não constituem um efetivo sistema de controle de produção e de estoque de produtos dos anos de 2004 e 2005.” As solicitações de realização de diligencia nas empresas Redentor Sudeste e Certta foram repassadas aos órgãos de fiscalização das respectivas jurisdições. Consoante o relatório de fls. 331/334, elaborado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guarulhos/SP: “o endereço cadastral constante como sendo da empresa Redentor Sudeste, Rua Itaparantins, n° 12, Jardim Presidente Dutra, foi investigado, mas o número do imóvel foi alterado de 12 para 513 pela Prefeitura Municipal de Guarulhos: A soma e os funcionários da empresa que funciona no local atualmente, Tomoglass Indústria e Comercio Ltda., nunca ouviram falar na empresa Redentor Sudeste. Anteriormente, o local tinha como locatária a empresa ADN Comercial de Termoplásticos Ltda. Funcionários de empresas vizinhas (um, na empresa há quatro anos; o outro, ha bastante tempo), RG Plásticos Indústria e Comércio Ltda. e Designer Renascer Indústria e Comercio de Móveis Ltda., declararam desconhecer a empresa Redentor Sudeste. Várias pessoas das proximidades do n° 513 da Rua Itaparantins, questionadas, não recordaram da denominação Redentor Sudeste. O proprietário do imóvel, Sr. Rubens Diniz, revelou que comprara o galpão no final de 2005 quando este se encontrava alugado para a empresa ADN Comercial de Termoplásticos Ltda., sendo que a Redentor Sudeste poderia ter sido a locatária anterior, pois a empresa dos Correios e algumas pessoas, no inicio, chegaram a procurar por essa empresa. O Sr. Vanilson José da Silva, representante da empresa ADN, disse que esta funcionara no local de agosto de 2005 a meados de 2009, e que o imóvel estava vazio na primeira visita e desconhece o que funcionava anteriormente no local. Nenhuma conclusão pôde ser haurida das oitivas de vizinhos acerca das atividades da Redentor Sudeste, mas é fato que a empresa ADN funcionou e a Tomoglass funciona atualmente no endereço cadastral da empresa Redentor Sudeste. A empresa Sacheti Indústria Gráfica Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Ltda. também apresentava como endereço a rua em questão desde 14/04/1997, tendo sido declarada inapta a partir de 17/07/2004, por omissão e nãolocalização. A Redentor Sudeste iniciara as atividades em 23/07/2004 e foi baixada oficialmente em 29/08/2005, sendo possível, que tivesse funcionado no local, mas nada há de concreto sobre as atividades da empresa.. Nos sistemas da Previdência Social, CNIS, RATS e GFIP, foram informados vínculos empregatícios e remunerações pagas no tocante aos anos de 2004 e 2005, conforme, documentos de fls. 326/329, o que indica que a empresa provavelmente teve atividade no período. Quanto à empresa Certta, foi redigido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo/SP o relatório de diligencia fiscal de fls. 343/346, baseado no termo de constatação de fls. 341 e 342. A diligência foi feita no local que consta como endereço cadastral do estabelecimento filial em questão (Alameda Segundo Sargento Jose Pessoto Sobrinho, n° 363, Parque Novo Mundo, São Paulo/SP) cujo CNAEFiscal (2229399) se, refere a indústria de artefatos de material plástico, ao passo que o CNAEFiscal do estabelecimento matriz '(4612200) seja concernente à atividade de representação comercial de mercadorias em geral. Em termos de DIPJ, as receitas informadas são relacionadas ao coeficiente de 9,6%, aplicado na apuração do Imposto de Renda sobre o lucro arbitrado, e não ao coeficiente de 38,4%, referente a atividades de prestação de serviços, nas quais se enquadra a representação comercial. Os sistemas relacionados à CPMF indicam movimentações financeiras no período de 2004 e 2005 incompatíveis com os valores declarados nas respectivas DIPJ. Segundo os sistemas previdenciários, o estabelecimento possuía somente um único funcionário no período de março a julho de 2004, algo incompatível com os valores declarados em DIPJ para os anos de 2004 e 2005. No local diligenciado, funciona desde o segundo semestre de 2007 a empresa WYMATECH Comércio e Serviços de Manutenção; CNPJ 01.146.150/000170, cujo sócio administrador é o Sr. Wilson Roberto Casagrande. O proprietário da empresa (oficina mecânica que funciona há 10 anos) situada em imóvel adjacente, Sr. Geraldo Mancilla Aguilar, informou que o imóvel visitado pela fiscalização permanecera muito tempo sem inquilino e que antes havia no local uma empresa de pintura de peças. Em pesquisa empreendida (empresa imobiliária e sistema DIMOB), foi constatada a existência de contrato de locação do imóvel com inicio em 08/11/2004, firmado pelo proprietário, já falecido, com a Sr° Otilia da Piedade Martins Paes, CPF 037.464.40807, antiga sóciaadministradora da empresa Fórmula X Pintura Eletrostática Ltda., CNPJ 07.224.220/000148, fato que se coaduna com a declaração do proprietário da funilaria, Sr. Geraldo Mancilla Aguilar. Em declaração por telefone, a referida Srª Otilia noticiou que previamente à locação o imóvel se encontrava vazio, que desconhece a empresa Certta Representações Ltda. e que, à época da locação, eram entregues Fl. 493DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 6 9 pele correios cartas de 'cobrança em nome de outra empresa, sem recordar o respectivo nome.” Intimada a se pronunciar em dez dias acerca dos resultados das diligências realizadas, a empresa em epígrafe tomou ciência da documentação em 20/06/2011, conforme o AR de fl. 352; e apresentou em 30/06/2011 a manifestação de fls. 356/373, firmada pelos patronos da empresa constituídos pelo instrumento de fl. 374, em que são questionados os seguintes pontos: “a) a empresa Comercial e Indústria Lucchesi Ltda. é do mesmo grupo econômico da impugnante e estas detêm o 'mesmo quadro societário e compartilham a mesma sede social, tendo várias vezes a primeira assumido obrigações comerciais e financeiras da segunda; a própria legislação do IPI (RIPI, art. 520) dispõe sobre firmas interdependentes, o que são ambas as empresas; portanto, não há irregularidade e os comprovantes de pagamento pelas aquisições de mercadorias dos fornecedores Redentor Sudeste e Certta não podem ser desconsiderados pelo simples fato de que alguns pagamentos tenham sido realizados por empresa do mesmo grupo econômico • da impugnante; os comprovantes de pagamentos anexados A. impugnação corroboram que as mercadorias adquiridas de Redentor Sudeste e Certta foram todas quitadas; h) irregularidades meramente formais, 'como a 'ausência de autenticação do Fisco Estadual ou da Junta Comercial, não poderia implicar a desconsideração das cópias juntadas das páginas do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque; o art.386 do RIPI dispõe que o referido livro fiscal "constitui elemento subsidiário", ou seja, constitui uma obrigação subsidiária, acessória, dependente, não principal;' o livro não havia sido apresentado anteriormente em virtude da falta de aceitação da dilação do prazo para apresentação, o que enseja cerceamento do direito de defesa; o auditor fiscal busca de forma pouco louvável descaracterizar o livro .de estoque apresentado, mas ficou comprovado, pelos comprovantes de pagamento e pelas cópias do livro de estoque, que houve o correto aproveitamento do IPI, pois as mercadorias foram adquiridas, pagas e ingressaram no estoque da impugnante, ou seja, ato jurídico perfeito e acabado; c) as diligências efetuadas não têm o condão de atestar a inexistência das empresas Redentor Sudeste e Certta à época dos fatos: c.1) conforme o relatório fiscal, a Redentor Sudeste começo as atividades em 23/07/2004 e foi baixada em 29/08/2005, tendo sido posteriormente o imóvel alugado para a empresa ADN Comercial Termoplástico Ltda., e prestou informações para a Previdência Social acerca de vínculos empregatícios e remunerações pagas nos anos de 2004 e 2005, conforme documentos de fls. 326/329, algo compatível com atividade nesse período; e.2) no tocante A, empresa Certta, o relatório fiscal foi incapaz de demonstrar a respectiva inexistência de fato, uma vez que "não foi possível concluir acerca da capacidade produtiva Fl. 494DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 10 do estabelecimento (..)"; d) na dúvida com relatórios fiscais inconclusivos, sendo o Ônus da prova da fiscalização, deve ser aplicado o CTN, art. 112, conforme doutrina; e) dados referentes A. contabilidade ou às declarações da empresa Certta não dizem respeito à impugnante, que não é obrigada a conhecer a vida fiscal completa do fornecedor, e qualquer inidoneidade na documentação não é responsabilidade da impugnante, adquirente ou terceiro de boafé, sendo o direito ao crédito amparado no principio constitucional da nãocumulatividade.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, sendo mantido integralmente o crédito tributário. Intimada do acórdão supra, em 17/02/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 14/03/2012. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Auto de infração contendo a identificação da matéria tributada. Inexistência de cerceamento do direito de defesa De início salientase que peça recursal, no que tange a preliminar de nulidade, em nada acresceu de relevante à Impugnação, devendo ser mantido o acórdão recorrido. Rejeito a alegação de nulidade do lançamento porque o auto de infração atende plenamente ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 e inexistem dúvidas quantos aos critérios e fundamentação empregados nas autuações. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 7 11 “Art. 142 – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decreto 70.235/72 Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O Auto, lavrado por servidor competente, possui todos os elementos exigidos, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato. Nele se vê que as bases de cálculo, alíquota e montantes devidos do imposto estão bem demonstrados. Destarte inexistiu qualquer preterição do direito de defesa ou ofensa ao contraditório. Assim, não há que se reformar a decisão ora recorrida, no que tange a preliminar de nulidade. Da Instrução Normativa nº 296/03 Conforme relatado pelo Recorrente, a empresa foi autuada, dentre outros, por deixar de cumprir requisito previsto na IN nº 296/03, para fins de suspensão do IPI, quando da aquisição MP, PI e ME, de empresas enquadradas no SIMPLES. Nos termos expostos pelo próprio Recorrente, em suas razões de recurso, vimos que a legislação vigente à época dos fatos, qual seja, a IN 296, de 06 de fevereiro de Fl. 496DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 12 2003, previa expressamente que no que tange às disposições constantes na referida IN, acerca da suspensão, esta não se aplicaria aos produtos intermediários, matérias primas e materiais de embalagens destinados às empresas optantes pelo SIMPLES, nos seguintes termos: “Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). ( Redação dada pela IN SRF 342, de 15/07/2003 ). § 1o Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. § 2o As MP, PI e ME importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. § 3o O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic) de seu domicilio fiscal os produtos que elabora e as MP, PI e ME que irá adquirir nos mercados interno e externo.” (...) ”Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF nº 429, de 21/06/2004) I às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar de estabelecimento comercial equiparado a industrial pela legislação do IPI, na operação a que se refere o art. 4º. II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. ( Redação dada pela IN SRF 429, de 21/06/2004 ).” grifos nossos Porém, a disposição da IN já existia quando da saída dos bens mencionados na tabela de fls. 22, logo, inassiste razão à recorrente. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 8 13 Da divergência entre o valor escriturado e o valor pago A fiscalização constituiu o crédito tributário, em face da falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída escrituradas no livro de Registro de Apuração do IPI, porém não declarados em DCTF, referente aos meses de agosto e setembro de 2004. Neste item, entendo não assistir razão ao Recorrente Observese que o lançamento foi efetuado pelo Fisco com os dados que lhe foram disponibilizados e que caberia ao sujeito passivo apresentar os documentos requeridos pela fiscalização, dentre estes, os elementos probantes do seu direito, o que não foi feito. Outrossim, no que concerne a alegação de que o IPI foi lançado, mas por um erro não foi escriturado em DCTF, e que esta DCTF teria sido retificada posteriormente, também entendo não assistir razão ao recorrente, pois conforme exposto na decisão do Colegiado de Primeira Instância, o Recorrente alegou que fora providenciado a retificação de DCTF, todavia, não trouxe aos autos, quaisquer documentos que comprovasse seu direito, no que tange à inclusão dos saldos devedores na referida declaração, razão pela qual não vislumbro qualquer reparo na referida decisão. Glosa de créditos. Documentos fiscais inidôneos Nos termos do artigo 82 da Lei nº 9.430/96: “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.” Adicionalmente, a Instrução Normativa nº 200/2002, ao dispor sobre o cadastro nacional da pessoa jurídica estabelece em seu art. 37 as hipóteses em que a pessoa jurídica será considerada inexistente de fato nos seguintes termos: “Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 14 I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28.” No mesmo sentido, o §5º do artigo 43 da IN nº 200/2002, prevê: “Art.43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. §1o Os valores constantes do documento de que trata este artigo não poderão ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas; III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa ao tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) §5o O disposto no §1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços.” Neste sentido, visto que nas diligências realizadas pela fiscalização as empresas Redentor Sudeste e Certta não foram localizadas, bem como não funcionam nos respectivos domicílios tributários informados à Receita Federal do Brasil, há de se concluir que, no caso nos autos que as operações comerciais realizadas pela Recorrente foram acobertadas por notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato, aplicandose assim as Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16045.000235/200961 Acórdão n.º 3302002.318 S3C3T2 Fl. 9 15 disposições contidas no art. 37. Não tendo sido feito prova do pagamento, na forma do par. 5o, impossível considerálas. Do direito ao crédito. Do princípio da nãocumulatividade De início, salientase que o princípio da nãocumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. Não há como sustentar o procedimento da postulante com base no princípio da nãocumulatividade, pois princípio constitucional de índole programática pode não criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tãosomente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, tem o condão de criar relações jurídicas de direito material. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. No presente caso o Recorrente não conseguiu provar, através da documentação acostada aos autos a legitimidade de seus créditos, vis a vis, a inidoneidade dos documentos fiscais, quais sejam, das notas fiscais emitidas por estabelecimentos inexistentes, conforme exposto anteriormente. Da Multa agravada Alega a Recorrente que através do auto de infração ora combatido, dentre outros, que lhe fora imputada multa agravada de 150%, sob o argumento de que ela teria deixado de recolher os tributos devidos à Fazenda Nacional com o intuito de sonegação. Outrossim, alega que não é o caso de nenhuma figura caracterizadora de multa qualificada. Não assiste razão à Recorrente. Conforme já julgado, diversas vezes pelo CARF, para ser aplicada a multa qualificada, referendada no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, deve restar caracteriza o intuito de fraude, dolo, simulação, através de usos de subterfúgios pela Recorrente, com o intuito de esconder da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador de determinado tributo. No presente caso a Recorrente se aproveitou de créditos ilegítimos na escrita fiscal, cujas notas fiscais de compra não suportavam o aproveitamento desses créditos, visto que foram emitidas por empresas com indícios de inexistência de fato, as quais não foram localizadas nos endereços constantes como sendo seus domicílios fiscais, além da Recorrente não ter comprovado o pagamento e recebimentos das mercadorias. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 16 O contribuinte não comprovou a aquisição das mercadorias, tampouco demonstrou o pagamento, e essa multa foi lavrada exclusivamente sobre os créditos tributários decorrentes da glosa dessas notas fiscais. Entendo que para ser caracterizada a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização, é necessária a demonstração de clara e inequívoca evidência de intenção, por parte da contribuinte de fraudar ou sonegar valores junto ao Fisco. Entendo ter ocorrido, no presente caso, o intuito de sonegação por parte do Recorrente, razão pela qual é adequada a aplicação da multa no percentual de 150%. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso voluntário e, negolhe provimento. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11516.005262/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2005
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material.
RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
A evidenciação da prestação de serviço com cessão de mão de obra deve estar contida no relatório fiscal que sustenta o lançamento da retenção de 11% sobre os serviços prestados nesta modalidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.302
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário pela falta de demonstração da ocorrência dos fatos geradores , no que se refere à cessão de mão de obra entre os prestadores de serviço contratados pelos sindicatos, associações e cooperativas, através de termos de cooperação com o SENAR, incorrendo em vício material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, por entender pela improcedência do lançamento.
Fez sustentação oral: Vanderlei Kroetz OAB/SC 15.189
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2005 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. A evidenciação da prestação de serviço com cessão de mão de obra deve estar contida no relatório fiscal que sustenta o lançamento da retenção de 11% sobre os serviços prestados nesta modalidade. Recurso Voluntário Provido
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O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. A evidenciação da prestação de serviço com cessão de mão de obra deve estar contida no relatório fiscal que sustenta o lançamento da retenção de 11% sobre os serviços prestados nesta modalidade. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário pela falta de demonstração da ocorrência dos fatos geradores , no que se refere à cessão de mão de obra entre os prestadores de serviço contratados pelos sindicatos, associações e cooperativas, através de termos de cooperação com o SENAR, incorrendo em vício material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, por entender pela improcedência do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 52 62 /2 00 8- 32 Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fez sustentação oral: Vanderlei Kroetz OAB/SC 15.189 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.190 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 29/06/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 05/07/2005, de contribuições previdenciárias relativas ao percentual de 11%, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra, no período de 04/1999 a 01/2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls.1259/1262: O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, nos terrnos da Lei 8.315, de 23 de dezembro de 1991 e do Decreto 566, de 10 de junho de 1992, tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A entidade para a prestação dos serviços de ensino da formação profissional rural e promoção social trabalha com serviços de instrutores contratados diretamente ou através de Sindicatos Rurais e Associações, não tendo sido providenciada a retenção e o recolhimento de 11% sobre os valores pagos aos mesmos. As empresas prestadoras de serviço mediante a cessão de mão de obra, foram identificadas através dos livros diário e razão, dos termos de cooperação entre o SENAR e os prestadores de serviço e documentação de caixa. Não tendo sido comprovadas as retenções, bem como os devidos recolhimentos, apurou se os valores devidos, responsabilizando o SENAR pelos recolhimentos destes valores, nos termos do § 5° do Art. 33. Na impugnação a notificada faz as seguintes arguições: * Que o SENAR apenas repassa recursos às instituições, como sindicatos, associações, com vistas a que estas instituições propiciem cursos e treinamentos ao preparo profissional do homem do campo. Salienta que não há nenhuma ingerência nas contratações e na sistemática de operação das instituições, apenas o reembolsa das despesas (fls. 1280/1281); * Que a obrigação da retenção não seria do SENAR, que apenas reembolsa as despesas, mas das instituições que contratam os prestadores de serviço, (fl.1282). Demonstra as contratações à fl. 1283 no qual se a contratação fosse direta pelo SENAR haveria a retenção, e quando há o Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 repasse através dos acordos de cooperação a obrigação passaria a ser das entidades; * Que o fisco deveria comprovar a efetiva cessão de mão deobra, mostrando a efetiva motivação, mencionando o serviço que foi prestado e como teria sido prestado, bem como se os segurados ficavam à disposição do contratante em tempo integral (fl.1286) * Que o SENAR não possui relação com os prestadores (pessoas jurídicas),que são contratadas (fl.1287), citando diversos atos administrativos e julgados, objetivando a demonstrar que não há, efetivamente, responsabilidade do SENAR em arcar com a contribuição de 11% sobre os serviços prestados, uma vez que quem contrata os serviços são os Sindicatos e Associações, alega ainda, que a própria fiscalização reconhece os termos de cooperação (fls. 1288/1293); *Argumenta sobre o prazo decadencial (fls. 1294/1296); * Que haveria dispensa de retenção no caso do serviço ser prestado pelo sócio (fls. 1297/8); * Que além da remuneração do instrutor haveria ainda outras despesas (fl. * Que a fiscalização mudou seu procedimento da fiscalização haja vista que a notificação de dezembro de 2000 considerou o mesmo fato gerador (fls.1299/1305), e encerra a argumentação solicitando o cancelamento da Notificação lavrada. Após a análise das alegações do contribuinte, os autos baixaram em diligência, fls. 1867/1868, para esclarecimentos por parte do Fisco quanto à efetiva obrigatoriedade do SENAR em recolher a retenção de 11% e para exame da documentação apresentada num total de 73 caixas de documentos. Em resposta à diligência solicitada, a Fiscalização emite a informação de fls. 1869/1877, dizendo porque foi efetuado o levantamento e porque entende haver cessão de mão de obra, ratificando o lançamento, que não deve ser elidido pelas centenas de documentos juntados pelo notificado. Em sequência, foi emitida a DecisãoNotificação de fls.1878/1891, que julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) o que é o SENAR e como atua, arguindo a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da notificação; b) que seu objetivo é organizar, administrar e executar, no território nacional, o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.191 5 instalados e mantidos pelo SENAR. ou sob a forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais; c) que não tem por atividade finalística o ensino, apenas o utiliza para atingir os seus objetivos que são a qualificação e promoção do trabalhador rural; d) a legislação autoriza que o SENAR desenvolva suas atividades sob a forma de cooperação e que os eventos são realizados pelos sindicatos, associações, cooperativas e outras entidades cooperadoras, sendo que o SENAR apenas faz o reembolso/ressarcimento dos custos despendidos; e) que os eventos não possuem qualquer tipo de ingerência por parte do SENAR, que não contrata os prestadores de serviço, não havendo como se configurar a cessão de mão de obra para o SENAR; f) que somente fiscaliza a realização e qualidade dos cursos , bem como oreembolso das verbas necessárias à efetivação das ações; g) que os cooperadores atuam com inteira autonomia; contratam os instrutores e os equipamentos, adquirem o material e a alimentação, definem o tema e o local do curso ue é realizado na sede no sindicato/associação ou então numa comunidade do interior, eleita por eles; h) que presta contas à Controladoria Geral da União CGU e os valores reembolsados/ressarcidos ajustamse exatamente às despesas incorridas; i) que as retenções quando devidas são efetuadas pelos terceiros cooperadores, que juntou 73 caixas de documentos, com comprovantes de recolhimento ou declaração de dispensa, notas fiscais de despesas com materiais e alimentação, entre outros, mas os documentos não foram analisados, dizendo o fisco que não afetam o presente lançamento. Que por serem inúmeros documentos, anexou alguns ao recurso para provar o alegado; j) que em 2000 já fora notificado pela Previdência Social, quando o Conselho de Recursos da Previdência Social, à unanimidade, reconheceu como válida a sistemática de atuação por cooperação, esclarecendo que SOMENTE CABE AO SENAR REPASSAR A VERBA DESTINADA A CURSOS ÀS COOPERATIVAS E SINDICATOS PARA QUE OS MESMOS SEJAM MINISTRADOS, BEM COMO, SE EXISTE ALGUM VÍNCULO, ELE DEVE SE DAR EM RELAÇÃO AOS SINDICATOS E COOPERATIVAS, PARA OS QUAIS PRESTAM SERVIÇOS [CRPS, 4” CAJ, Relatora Hilda de Oliveira Ramalho, NFLD 35.242.7086 (35.l25.6369), de 29/ 12/2000]; k) que ainda em março de 2006, o Ministério do Trabalho em fiscalização procedida na entidade ratificou a possibilidade da entidade atuar sob a forma de cooperação; l) que não pode prosperar o entendimento esposado na decisão recorrida de que o SENAR terceiriza suas atividades através de cooperação e por isso está sujeito à retenção, posto que não há qualquer evidencia da cessão de mão de obra explicitada pelo Fisco; m) não há nota fiscal de prestação de serviço entre os cooperadores (sindicato/associação/cooperativa) e o SENAR; Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 n) não há motivação no lançamento, porquanto não está mencionado qual serviço foi prestado, como foi prestado, nem há os contratos de prestação de serviços; o) que a decisão recorrida com amparo na diligência efetuada, e da qual a recorrente não teve ciência, traz que não é possível se aplicar deduções da base ce cálculo porque não foram preenchidas as condições dos artigos 149/151, da IN 03/2005. Ocorre que à época dos fatos geradores e inclusive do lançamento, tal Instrução ainda não vigorava, não podendo ser aqui aplicada; p) que a NFLD e a decisão afrontaram o princípio da verdade material e incorreram em bis in idem, ao não analisarem e excluírem as retenções efetuadas pelos sindicatos e associações; q) que no ano de 2000, já houvera um lançamento onde o fisco previdenciário buscou a caracterização dos prestadores de serviço como empregados do SENAR, o que não foi ratificado pelo CRPS, que deu provimento ao recurso da entidade. Agora não cabe revisão daquele lançamento, mudando o critério e vindo a cobrar a retenção de 11%, sob a alegação de cessão de mão de obra; r) que é inválido o lançamento em período anterior a dezembro de 2000, vez que o lançamento feito que cobriu tal período já foi declarado nulo; s) não é permitida a mudança de critério jurídico do lançamento; t) argúi a decadência quinquenal; u) diz que junta por amostragem provas do que alegou. Por fim, requer que o recurso seja julgado procedente para que seja reformada a decisão recorrida e decidindo pela improcedência da notificação. Os autos foram a julgamento da 2ª CaJ do CRPS, fls. 2113/ 2115, que o converteu em diligência para que fosse juntada aos autos cópia integral da NFLD 35.125.636 9, onde restou reconhecido que o SENAR pode atuar por cooperação e que não há vínculo empregatício entre os instrutores e o recorrente e para que se possa vislumbrar a ocorrência ou não da mudança de critério jurídico, por parte da Administração. Também, para que seja esclarecido na diligência se os instrutores, empresas e associações apontados nesta presente NFLD, são os mesmos :apontados na NFLD n° 35.125.6369, e mais, se os sindicatos, associações ou cooperativas já apontados na presente NFLD são os mesmos apontados nas outras NFLD's lavradas naquela data no ano de 2000. Em resposta à diligência solicitada, o Fisco se manifesta às fls.2119/2122, dizendo que: O crédito previdenciário, constituído referese a valores devidos pelo SENAR, em virtude do mesmo não ter procedido à retenção de 11% sobre o valor dos repasses efetuados aos Sindicatos, os quais promoveriam diversos cursos à comunidade; Quando da lavratura do presente levantamento, a empresa foi intimada, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 26/O4/2005, para Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.192 7 que apresentasse as guias de recolhimento correspondentes à retenção dos 11% sobre o valor destes repasses; Esta fiscalização não se ateve ao fator gerador da NFLD n° 35.125.6369 lavrada anteriormente, nem tão pouco aos documentos acostados a mesma. No item 5 do Relatório Fiscal da presente NFLD, à fl. 1261, é descrito que: “As empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mão de obra, foram identificadas através dos livros diário e razão, dos termos de cooperação entre o SENAR e os prestadores de serviços e documentação de caixa. Quanto à solicitação se os 'documentos acostados no processo citado no item anterior elidiriam a responsabilidade solidária, não teríamos como confirmar, haja vista, conforme citado, que esta auditoria não se ateve nem ao fato gerador da NFLD anterior, nem aos documentos das empresas prestadoras de serviços juntadas na mesma, mas sim e tão somente aos repasses efetuados aos Sindicatos. Conforme item “4.2” acima, esta fiscalização solicitou ao contribuinte a apresentação das GPS que comprovariam o recolhimento dos 11% sobre o valor dos repasses, uma vez que se tratava de cessão de mãodeobra, não sendo apresentado qualquer documento, naquela oportunidade, que comprovasse a regularidade. Nesta nova diligência, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitido em 08/11/2007, foi solicitado ao SENAR para que fosse preenchida uma Planilha, no qual poderia confirmar a existência de documentos que comprovassem a regularidade quanto à retenção dos 11% devidos, quando do repasse das importâncias destinadas a cursos através dos Sindicatos vinculados ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Em correspondência de 29/11/2007 (anexa), o SENAR solicitou prorrogação do prazo e, em 17/12/2007, apresentou CDROM com a planilha devidamente preenchida (documentos também anexos) informando que os documentos de caixa estariam a disposição da fiscalização, além de novamente entrar no mérito do crédito constituído, no qual esta fiscalização não se manifestará, considerando não ter sido isto o objeto da diligência demandada pela 25 Caj do CRPS. Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Na análise do conteúdo do CD ROOM (anexo à fI. 2123)com as informações prestadas, constataramse diversas planilhas elaboradas por Sindicatos, fazendo menção as respectivas prestações de contas, planilhas estas que juntamos por amostragem ao presente processo às fls. 2124/2128 , haja vista que se impressas todas as páginas teríamos um volume de 517 folhas. Constatase que, por sua vez, os Sindicatos vieram a terceirizar os serviços, contratando diversas pessoas jurídicas, cooperativas de trabalho e em alguns casos contribuintes individuais, com vistas a ministrarem os cursos. Para cada repasse efetuado, informam o Sindicato que se beneficiou, o mês do repasse dos recursos, a conta contábil, o valor notificado, o valor total do repasse, a parcela de gastos com alimentação, materiais, instalações etc. contida no repasse, bem como detalham os prestadores dos serviços contratados pelos Sindicatos, informando ainda se ocorreu à retenção, seja dos 11% pelas pessoas jurídicas ou os 15% por parte das cooperativas de trabalho e ainda os casos de apresentação de declaração nos termos do Art. 148 da Instrução Normativa MPS/SRP n.3 de 14/07/2005. (...) Com base na planilha conferimos, por amostragem, os documentos que foram colocados á disposição, confirmando a autenticidade dos mesmos. Entretanto, informamos que os valores recolhidos pelas empresas que prestaram serviços aos Sindicatos, não serão considerados por esta fiscalização para efeito de redução do crédito constituído, uma vez que não há o destaque desses recolhimentos quando do repasse efetuado pelo SENAR aos Sindicatos, conforme artigo 155, da IN n.3 citada. Quanto às declarações apresentadas, esta fiscalização entende que tais documentos não podem ser aceitos uma vez que a dispensa da retenção por serviços realizados pelos sócios das empresas e/ou que envolvam profissão regulamentada, conforme Art. 148 acima transcrito, somente ser permitido entre o Contratante e a Contratada, não havendo previsão na hipótese de subcontratação. Quanto as demais indagações do CRPS, informamos que os documentos acostados a NFLD 35.125.6369 não elidem o presente crédito previdenciário por não ter vinculação ao mesmo. Quanto a cópia da NFLD n. 35.125.6369 a mesma encontravase na 2a Caj Segunda Câmara de Julgamento Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.193 9 do CRPS juntamente com os processos anteriores respondidos, dentro os quais a NFLD de n. 35.849.9356. O contribuinte foi cientificado do resultado desta diligência e se manifestou apontando diversas inconsistências materiais, que lista às fls. 2145, dizendo que por ora da entrega da planilha solicitada pela fiscalização apontou tais inconsistências para as quais o Fisco não se pronunciou; que a diligência da 02ª CaJ não foi cumprida integralmente, pois não foi colacionada aos autos a cópia da NFLD solicitada; que parte do lançamento de 04/1999 a 09/2000, se deve à mudança do critério jurídico; que há valores comprovadamente recolhidos que não foram excluídos do lançamento e requer, novamente, a improcedência do lançamento. É o relatório Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da análise dos autos, avulta uma irregularidade no que se refere à diligência solicitada ainda na primeira instância administrativa e de cuja resposta consubstanciada nas fls.1869/1877, não foi dada ciência ao contribuinte. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarazões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.194 11 Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Entretanto, não é só esta irregularidade encontrada e conforme dispõe a Portaria RFB Nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 DOU de 24/08/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, no seu artigo 27§3º, que quando o julgador puder Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta, prossigo com o julgamento : Art. 27. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Avançando no exame dos autos e alegações da recorrente, vêse que a mesma faz referência à ação fiscal realizada anteriormente a esta, da qual se analisa a presente notificação, referindo que foram lavradas também notificações fiscais de lançamento de débito para igual período ora lançado, mas com diferente motivação, já que naquelas se buscou a configuração de vínculo empregatício entre os prestadores de serviço e o SENAR, a qual não obteve êxito na via administrativa, tendo sido provido o recurso do contribuinte pela 4ª CaJ do CRPS. Com relação a estes argumentos e também quanto à existência de recolhimentos relativos à retenção que não foram abatidos dos valores lançados, a 2ªCaJ , do CRPS, julgando o recurso voluntário ora examinado, converteu o julgamento em diligência para que o Fisco se pronunciasse e juntasse cópia da NFLD lavrada na ação fiscal anterior, justamente para ser analisada a ocorrência ou não da mudança de critério jurídico, por parte da Administração, para que fosse esclarecido se os instrutores, empresas e associações apontados nesta presente NFLD, são os mesmos :apontados na NFLD n° 35.125.6369, e mais, se os sindicatos, associações ou cooperativas já apontados na presente NFLD são os mesmos apontados nas outras NFLD's lavradas naquela data no ano de 2000. Ocorre que, no meu entender, a diligência não foi atendida, já que na resposta que transcrevi no Relatório deste voto, o Fisco diz que o presente levantamento não se ateve ao fato gerador da NFLD anterior, referindose apenas à retenção de 11% sobre os repasses efetuados pelo SENAR para os Sindicatos, Associações e Cooperativas, conforme registros contábeis. Que quanto aos valores retidos e recolhidos não foram aproveitados por não estarem adequados às regras impostas pela IN n.º 03/2005. E que não junta cópia da NFLD solicitada porque ela se encontrava na 4ª CaJ. Ora, não há resposta conclusiva quanto às solicitações do julgador, que buscava elementos concretos para dizer que o presente levantamento, de fato, não engloba período anterior já fiscalizado e autuado, que os prestadores de serviço elencados em notificação anterior não são os mesmos aqui levantados, o que implicaria, sim em mudança de critério jurídico para o período já notificado, porque ao que parece, pelo menos em tese, é que ao não lograr êxito quanto à caracterização de vínculo empregatício dos prestadores de serviço e a ora recorrente, no período de 04/1999 a 09/2000, o Fisco buscou em novo levantamento para o mesmo período, cobrando a retenção de 11% sobre a prestação de serviço com cessão de mão de obra. Atentese para o fato de que não se trata de refiscalização, conforme se pode ver pelos Mandados de Procedimento Fiscal MPF de fls.1263 a 1266, onde o período originário a ser fiscalizado era de 12/2000 a 08/2004, sendo estendido nos MPF's Complementares para 01/1994 a 08/2004 e posteriormente de 01/1995 a 02/2005, sem qualquer justificativa. Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.195 13 Não há nos autos comprovação de que a fiscalização anterior não tinha sido total, ou seja, sem o exame da contabilidade, que permitisse agora reabrir período já fiscalizado e notificado, ou que se tivesse ocorrido alguns dos casos expostos no artigo 149 do Código Tributário Nacional, para sustentar a revisão de ofício por parte da autoridade administrativa: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; II. quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III. quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV. quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V. quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI. quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII. quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX. quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Portanto, a justificativa do Fisco de que não se ateve ao lançamento anterior não supre a necessidade de trazer aos autos elementos capazes de demonstrar que o lançamento em tela não tem por objeto os mesmos fatos geradores em mesmo período já fiscalizado e notificado/autuado. Por isso, entendo que a diligência não foi cumprida quanto a trazer aos autos os documentos solicitados para dirimir as dúvidas surgidas e possibilitar o julgamento da presente notificação. Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Ademais, no pronunciamento da recorrente após a diligência foram apontadas inconsistências materiais no lançamento, que não foram apreciadas pelo Fisco antes do envio dos autos a este Colegiado, o que demandaria o retorno para nova diligência. A recorrente insiste e comprova, por amostragem em documentos que anexa, fls. 1745/1790, a realização de retenções e pagamentos havidos por conta da retenção de 11%, onde o Fisco alega genericamente que não serão aceitos por não se adequarem às regras da IN n.º 03, de 14 de julho de 2005, referida pela autoridade fiscal e pela autoridade julgadora de primeira instância, que ainda não estava em vigor quando dos fatos geradores, de 04/1999 a 01/2005, e do lançamento em 29/06/2005. Apesar do exposto, entendo que existe uma questão maior que se sobrepõe ao que expus até aqui, que é a descrição do fato gerador, propriamente dito, porque o levantamento se deu com fulcro no artigo 31, da Lei n.º 8212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, já que a contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deve reter e recolher, em nome da cedente da mão de obra, 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura da prestação de serviço, e não há nos autos elementos comprobatórios da prestação de serviço com cessão de mão de obra. O relatório fiscal refere apenas que a recorrente terceiriza a prestação de serviço na busca de concretizar o seu objetivo social e por conta disto, levantou os valores devidos para a previdência social a partir do exame da contabilidade, onde tomou como base de cálculo para a incidência da contribuição os repasses havidos para entidades diversas como sindicatos e associações que firmaram com a recorrente termos de cooperação visando o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural. Ocorre que, no meu sentir, o relatório fiscal não evidenciou a caracterização da cessão de mãodeobra, fato este que deixa enfraquecida a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em desfavor da empresa recorrente. A Lei nº 8.212/91, com as modificações introduzidas pelas Leis nºs 9.528/97 e 9.711/98, vigentes na data dos fatos geradores, trata da matéria nos seguintes termos: “Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.196 15 seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (...)” Destaquese, que o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, também traz a definição exata do que seja a cessão de mãodeobra: “Art. 219.... § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. (...)” Tomando por base a definição estabelecida pelas normas acima citadas, para que dada prestação de serviço possa ser enquadrada como cessão de mãodeobra, tornase necessária a presença dos seguintes elementos: a) que o prestador de serviços ou contratado tenha colocado segurados à disposição do tomador ou contratante; b) que tais segurados tenham permanecido à disposição nas dependências do tomador (contratante) ou na de terceiros; c) que tenham realizado serviços contínuos, repetindose periódica ou sistematicamente. E a satisfação plena destes requisitos deve restar efetivamente demonstrada no relatório fiscal, sob pena de não se poder afirmar com segurança que a prestação se deu na modalidade “cessão de mãodeobra”. Do mesmo modo, tal necessidade não se impõe por simples formalismo, mas é importante para evitar o cerceamento do direito de defesa por parte da empresa autuada, uma vez que, ausentes no relatório fiscal os requisitos da prestação de serviço mediante cessão de Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 mãodeobra, colocase sobre a empresa peso desproporcional, qual seja o de tentar produzir sua defesa sem saber exatamente do que é autuada. É como se tateasse no escuro, buscando a verdade sem que nenhum caminho lhe seja dado. No presente caso, limitouse o relatório da infração a informar, em poucas palavras, O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, nos terrnos da Lei 8.315, de 23 de dezembro de 1991 e do Decreto 566, de 10 de junho de 1992, tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A entidade para a prestação dos serviços de ensino da formação profissional rural e promoção social trabalha com serviços de instrutores contratados diretamente ou através de convênios com Sindicatos Rurais e Associações, não tendo sido providenciada a retenção e o recolhimento de 11% sobre os valores pagos aos mesmos.. Pelo descrito percebese que a própria autoridade fiscal deixou evidenciado o caráter subjetivo de sua análise, quanto à situação encontrada na empresa notificada. A peça informativa da infração deveria ter deixado claro se os empregados da prestadora de serviço ficavam efetivamente à disposição da tomadora. Outra importante informação omitida é quanto ao fato de o tomador exercer ou não o poder de mando sobre os empregados da prestadora. Por outro lado, entendo necessário ser informado pela autoridade fiscal se os sócios realizavam ou não os serviços objeto do contrato, com vistas ao que dispõe o inciso III e §3º, do artigo 157, da IN 100/2003, vigente à época dos fatos geradores e não a IN n.º 03, de 14 de julho de 2005, referida pela autoridade fiscal e pela autoridade julgadora de primeira instância, que ainda não estava em vigor quando dos fatos geradores, de 04/1999 a 01/2005, e do lançamento em 29/06/2005. No mesmo sentido, o relatório não se preocupou em demonstrar se o serviço era prestado somente mediante solicitação da contratante e se era realizado de maneira contínua, repetindose periodicamente ou sistematicamente, tampouco foram juntados os contratos de prestação de serviço. Desta forma, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir com firmeza acerca da configuração ou não da cessão de mãodeobra, fato este determinante para o nascimento da obrigação principal. E, conforme já apontei, mesmo se estivessem presentes, na situação em exame, os requisitos da cessão de mãodeobra, todos eles deveriam estar taxativamente descritos na peça informativa, evitando prejuízo ao exercício do direito de defesa, por parte da empresa. Aliás, ocorrendo o cerceamento de defesa, tal fato é motivo suficiente para anular o lançamento, nos exatos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto 70.235/72 59. Por outro lado, é bom ressaltar que um dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material. Por este importante princípio, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da infração. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.197 17 A conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da cessão de mãodeobra. A legislação determina requisitos a serem exigidos para a lavratura da notificação, já que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, traz no seu artigo 243: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes Tais requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Constituição Federal de observação aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, à igualdade, a segurança e a propriedade, nos termos seguintes: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; A fim de possibilitar a defesa do autuado, a notificação deve conter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, cumprindo os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Entendo que restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador. A ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa e o artigo 61, diz que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar sua legitimidade: Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.005262/200832 Acórdão n.º 2302003.302 S2C3T2 Fl. 2.198 19 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade e por estar evidenciado que o Relatório Fiscal preteriu o direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, por vício material, no que se refere a não evidenciação da prestação de serviços com cessão de mão de obra. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” Por todo o exposto, Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Considerando que o contribuinte não foi cientificado da diligência de fls.1869/1877, promovida ainda na primeira instância administrativa; Considerando que a diligência solicitada em segunda instância, através do decisório de fls. 2113/2115, da 2ª CaJ do CRPS, não foi atendida na sua totalidade; Considerando que não foi juntado aos autos como solicitado na diligência supra, cópia da Notificação anulada pela 4ª CaJ do CRPS, indispensável para o julgamento deste processo; Considerando que o contribuinte argúi e juntou documentos quanto à existência de recolhimentos relativos à retenção, ainda que por amostragem, às fls. 1745/1790, e que não foram apreciados pelo Fisco por não estarem adequados às regras impostas pela Instrução Normativa SRP n.º 03/2005, mas que não estava em vigor quando da ocorrência dos fatos geradores, tampouco da lavratura da NFLD, e por fim, mas sobrepondose a todas estas irregularidades Considerando que o Relatório Fiscal de fls. 1259/1262, não demonstrou a ocorrência dos fatos geradores , no que se refere à cessão de mão de obra entre os prestadores de serviço contratados pelos sindicatos, associações e cooperativas, através de termos de cooperação com o SENAR, incorrendo em por vício material, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/08/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.004020/2010-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.672
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Obrigação Acessória Recorrente IPICON CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 20 /2 01 0- 68 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 3 2 darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. O r. acórdão – fls 295 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · O Auto de Infração impugnado e ora recorrido, lavrado pela digna Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil Autuante, a quem a Recorrente renova seu pleito de respeito e apreço, decorre da autuação contida no Processo Administrativo Fiscal n.° 19515.003999/2010 57, tratandose, portanto, de tributação reflexa. · Tendo sido apurada suposta omissão de rendimento a fiscalização entendeu, também por presunção, que ditos valores deveriam ser atribuídos aos sócios a título de prolabore o que é inaceitável, daí ser exigido o crédito tributário ora guerreado a título de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, parágrafo 3o, da Lei 8.212/91, por não ter a Recorrente informado a dita remuneração e contribuições devidas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. · A descaracterização dos lucros distribuídos aos sócios, considerando os como prolabore, é inaceitável e decorre de mera presunção, e foi motivada por ação da fiscalização em procedimento de auditoria, conforme descrito pela Julgadora Relatora. Como poderia a Recorrente declarar em GFIP à época dos respectivos fatos geradores da obrigação tributária, as contribuições incidentes sobre a remuneração dos sócios a título de prólabore se ditas contribuições foram apuradas em procedimento de fiscalização e lançadas de ofício? · Os lucros distribuídos pela Recorrente aos seus sócios observaram estritamente as prescrições legais acima conforme exposto na impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo n.° 19515.003999/201057, porquanto respaldado nas demonstrações contábeis ali acostadas Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado do Exercício levantados em 31 de dezembro de 2006. · São totalmente infundadas as observações da digna Julgadora Relatora quando no item 6.17 do seu voto fls. 305 dos autos, afirma que o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006, não tem o condão de comprovar o montante do lucro efetivo. E, mais, que ditos documentos constituem meros demonstrativo do resultado final da escrituração de cada exercício, e Fl. 359DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 5 4 por isso, somente através de exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa, arrematando no item 6.27 do seu voto fls. 307 dos autos, que não basta somente à apresentação do demonstrativo de resultado e balanço patrimonial do exercício de 2006, que não comprovam o montante do lucro efetivo, fazendose necessária a apresentação da escrituração contábil, por ocasião da impugnação do lançamento (grifei/destaquei). · A inexistência de empregados não permite ao intérprete inferir que os serviços não podem ser realizados, pois no centro da organização estão exatamente os técnicos/sócios habilitados para a realização de seu objeto social, no caso presente a prestação de serviço de consultoria. · Ilegalidade da SELIC · Requer 1.se acolham no mérito as razões de fato e de direito expendidas nesta exordial recursal, declarandose a improcedência da autuação impugnada e ora recorrida; 2.se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; 3. sucessivamente, requer que não incida os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até decisão final deste contencioso na esfera administrativa.. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO JULGAMENTO CONJUNTO COM O PROCESSO nº 19515.003999/201057. Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente Auto de Infração. Os documentos de débitos lavrados em razão do descumprimento de obrigação acessória, caso dos autos, e do não recolhimento devido, são autônomos, com distintos fatos geradores e fundamentação legal diversa, não se exigindo o conjunto julgamento. Nessa linha, no RE 250844/SP, de 29.5.2012, O Min. Luiz Fux explicitou que, no Direito Tributário, inexistiria a vinculação de o acessório seguir o principal, porquanto haveria obrigações acessórias autônomas e obrigação principal tributária. Também o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu por diversas vezes, ainda que de forma indireta, a autonomia das obrigações acessórias em relação às obrigações principais, na seara tributária, senão vejamos entendimento exarado no AgRg no Agravo de Instrumento Nº 490.441 – PR (2003∕00087880), DJ 21/06/2004: "É cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efeitos de possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe é atribuído." Também não há que se falar em decisões conflitantes, pois o que for decidido no presente processo em nada irá alterar o que decidido em outros processos da mesma empresa a serem julgados nesta ou em outra Turma de julgamento, a comprovar a inexistência de alcance comum entre os mesmos. Os processos seguirão o rito normal, com disponibilização de prazos para recurso, etc., como acontece rotineiramente neste Conselho. A título de registro, em praticamente todas as sessões desta Turma Especial são julgados apenas parte de processos lavrados na mesma ação fiscal, sem se levantar eventuais conexões. Ante o exposto, não vislumbro a conexão suscitada. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 7 6 DA AUTUAÇÃO Tratase de autuação pela não declaração em GFIP de verbas consideradas como prolabore. O ponto central a ser dirimido é se tais verbas são mera distribuição de lucros, como alega a recorrente, ou se configura como prolabore. O relatório fiscal aponta que foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco Ag. 7335 c/c 1029100, com o histórico "PGTO SALARIOS, mesmo não havendo empregados na empresa. Como a movimentação financeira não estava integralmente registrada no livro Caixa, a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos e informou que tais valores ser referiam a pagamentos a sócios a titulo de distribuição de lucros, não sendo possível individualizar o que foi pago a cada sócio. Os pagamentos obtidos de extratos bancários constam do anexo 03. Informa ainda a opção da recorrente pelo lucro presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. Fez comparação do valor do lucro presumido com base na receita apurada e o que pago aos sócios, constatando que o contribuinte distribuiu lucro acima do permitido, considerando o excedente como prolabore. Finaliza: Diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, conforme declaração do contribuinte, e considerandose que os pagamentos de salário não estavam escriturados no Livro Caixa e que não foram apresentados todos os contratos de prestação de serviço e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço, as remunerações foram apuradas por aferição indireta com base no art. 33, §§ 3 0 e 6 0 da Lei no 8.212/91. O recurso apresentado não afasta os fundamentos da autuação, não justifica as discrepâncias entre o Livro Caixa e a movimentação financeira e não presta dos devidos esclarecimentos acerca dos valores pagos a cada sócio. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que desconstituísse o que devidamente lançado. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação Fl. 362DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 8 7 dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 9 8 Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 364DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004020/201068 Acórdão n.º 2803003.672 S2TE03 Fl. 10 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13603.004187/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.LEI Nº 9.990/00.
A Lei nº 9.990, de 21.07.00, que alterou a redação dos artigos 4º a 6º da Lei nº 9.718/98, definiu as refinarias de petróleo e distribuidoras de álcool não mais como substitutos tributários, mas como contribuintes da COFINS e do PIS; ao passo que os antigos substituídos ficaram sujeitos à regra geral do artigo 2º da Lei nº 9.718/98, embora a alíquota aplicável não seja a do artigo 8º, mas a prevista no artigo 42 da MP nº 2.158, de 24.08.01, vigente ex vi do artigo 2º da EC nº 32, de 11.09.01, ou seja, zero.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.LEI Nº 9.990/00. A Lei nº 9.990, de 21.07.00, que alterou a redação dos artigos 4º a 6º da Lei nº 9.718/98, definiu as refinarias de petróleo e distribuidoras de álcool não mais como substitutos tributários, mas como contribuintes da COFINS e do PIS; ao passo que os antigos substituídos ficaram sujeitos à regra geral do artigo 2º da Lei nº 9.718/98, embora a alíquota aplicável não seja a do artigo 8º, mas a prevista no artigo 42 da MP nº 2.158, de 24.08.01, vigente ex vi do artigo 2º da EC nº 32, de 11.09.01, ou seja, zero. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 41 87 /2 00 7- 58 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13603.004187/200758 Acórdão n.º 3302001.913 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem resumir a contenda. A contribuinte aqui identificada requereu em 09/11/2007 junto à Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG, a restituição de valores recolhidos a título de PIS nos períodos compreendidos entre janeiro de 2003 a setembro de 2007, totalizando o valor corrigido de R$ 82.988,88, alegando se constituir em consumidora final de combustível e fazendo referência à Lei 9.990/2000 (fls. 01/02). A DRFCON/MG, por intermédio do Despacho Decisório nº 1292/2007, às fls. 32/38, indeferiu o pedido de restituição da contribuinte (fls. 01/02) e não homologou a compensação vinculada ao presente processo – DCOMP 04449.69951.121107.1.3.043875, às fls. 28/30. Foi proferida decisão de 1ª instância pela DRJ/Belo Horizonte (fls. 69/76), em função da manifestação de inconformidade de fls. 56/67 apresentada pela contribuinte. Todo esse procedimento foi anulado em função do domicílio fiscal da empresa, quando da realização do pedido, pertencer à jurisdição da DRF/Juiz de Fora (fls. 112/115). Depois das previdências necessárias serem adotadas, a DRFJFA/MG, por intermédio do despacho decisório de fls. 117/122 indeferiu o pedido de restituição da contribuinte (fl. 01) e não homologou a compensação vinculada ao presente processo DCOMP 04449.69951.121107.1.3.043875, às fls. 28/30, assim como quaisquer outras porventura vinculadas ao processo de restituição analisado. Cientificado do despacho decisório em 21/12/2010 (fl. 126), a contribuinte manifestou sua inconformidade, às fls. 127/137, em 11/01/2011, alegando, em síntese: apresentou pedido de restituição relativo ao pagamento indevido ou a maior, a título de PIS incidente sobre combustível adquirido por consumidor final, no período de janeiro/2003 até setembro/2007, sendo esse crédito utilizado na declaração de compensação formulada eletronicamente, sob o nº 04449.69951.121107.1.3.043875; com as mudanças havidas na legislação, embora nem as distribuidoras e tampouco as refinarias se submetessem mais às regras da substituição tributária do PIS e da Cofins, o certo é que a carga tributária foi mantida inalterada; sob o regime de substituição tributária, a Instrução Normativa SRF nº 6, de 1999, permitia a imediata restituição dos valores de PIS e Cofins pagos em substituição tributária pela ausência de operação em varejo, ex vi artigo 150, §7º, da Constituição Federal; a partir do momento em que se extinguiu o regime de substituição tributária da Cofins e do PIS e se manteve a mesma carga tributária, passando o encargo tributário a ser exigido embutido no preço praticado pelas refinarias e repassado veladamente aos contribuintes, que não mais puderam requerer o ressarcimento com base na IN SRF nº 6, de 1999, desrespeitouse o artigo 150, §7º, da Constituição Federal; Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13603.004187/200758 Acórdão n.º 3302001.913 S3C3T2 Fl. 4 3 subsiste o direito de restituição dos valores de PIS e Cofins pagos nas aquisições de combustíveis diretamente das distribuidoras, pelo encargo tributário veladamente embutido em uma operação inexistente (operação de varejo), em respeito ao preceito contido no §7º artigo 150 da Constituição; foi igualmente violado o artigo 110 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN; a extinção da substituição tributária pelas MP nº 1.99115, de 2000, e 2.158 35, de 2001, não encontra amparo legal, porque afronta o disposto no artigo 246 da Constituição que impede que medidas provisórias regulamentem texto da Constituição que tenha sido alterado por emendas constitucionais datadas a partir de janeiro de 1995 até setembro de 2001; sobre os valores requeridos há de ser acrescida a devida atualização monetária, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, retroativo à data de apuração dos valores; a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem permanecer com exigibilidade suspensa na forma do artigo 151 do CTN. Os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de origem, por unanimidade de votos, resolveram julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra em 17/05/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 07/06/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O Recorrente requereu em 09/11/2007 junto à Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG, a restituição de valores recolhidos a título de PIS nos períodos compreendidos entre janeiro/2003 a setembro de 2007, totalizando o valor corrigido de R$ 82.988,88, alegando se constituir em consumidora final de combustível e fazendo referência à Lei nº 9.990/00. Todavia, não assiste razão ao Recorrente, pois tratase o presente caso de tributação monofásica, onde toda tributação fica concentrada na fase primária da produção (refinaria), sendo o tributo recolhido diretamente por esta, não cabendo à Recorrente nenhum direito creditório. A Lei nº 9.990/00, alterou os artigos 4º, 5º e 6º da Lei nº 9.718/98 que passaram a vigorar com a seguinte redação: “Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13603.004187/200758 Acórdão n.º 3302001.913 S3C3T2 Fl. 5 4 Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: Art. 6º O disposto no art. 4o desta Lei aplicase, também, aos demais produtores e importadores dos produtos ali referidos." Destarte, aqueles anteriormente definidos como substitutos tributários (refinarias e distribuidoras) passaram ser contribuintes e os substituídos (comerciantes varejistas) ficaram sujeitos ao disposto no art. 2º da Lei nº 9.718/98, com a alíquota zero, conforme previsto no art. 42 da MP nº 2.158/01, vigente por força da EC nº 32/01. Consoante tal sistema, o dever de pagar o tributo, por expressa determinação legal, cabe à refinaria de petróleo, não se considerando a incidência individual da tributação para cada integrante da cadeia comercial. Nesse sentido, a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONSUMIDOR DE GLP. AQUISIÇÃO DIRETA À DISTRIBUIDORA. COFINS E PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PROGRESSIVA: ARTIGO 4º DA LEI Nº 9.718/98. SUPRESSÃO DO REGIME. MP Nº 1.99115/00, E LEIS Nº 9.990/00, Nº 10.865/04 E Nº 11.051/04. REFINARIAS DE PETRÓLEO E DISTRIBUIDORAS DE ÁLCOOL ERIGIDAS COMO CONTRIBUINTES. TRANSFERÊNCIA ECONÔMICA DO ENCARGO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO INDIRETA: ARTIGO 166 DO CTN. ILEGITIMIDADE ATIVA DA IMPETRANTE. Caso em que impetrado mandado de segurança, por empresa consumidora de GLP, adquirido diretamente à distribuidora, impugnando a exigibilidade do PISCOFINS recolhido pela refinaria de petróleo, e alegando o direito líquido e certo à compensação da tributação sobre faturamento presumido, e não realizado pelos varejistas: sentença de extinção do processo, sem exame do mérito, por carência de ação. 2. Confirmação da ilegitimidade ativa da impetrante, vez que com MP nº 1.99115 o regime de substituição tributária progressiva, previsto na redação originária do artigo 4º da Lei nº 9.718/98, foi suprimido, salvo quanto à venda de gasolina automotiva, óleo diesel e GLP; e, a partir da MP nº 199118, de 09.06.00, com exclusão, igualmente, das operações com óleo diesel e GLP. 3. A Lei nº 9.990, de 21.07.00, que alterou a redação dos artigos 4º a 6º da Lei nº 9.718/98, definiu as refinarias de petróleo e distribuidoras de álcool não mais como substitutos tributários, mas como contribuintes da COFINS e do PIS; ao passo que os antigos substituídos ficaram sujeitos à regra geral do artigo 2º da Lei nº 9.718/98, embora a alíquota aplicável não seja a do artigo 8º, mas a prevista no artigo 42 da MP nº 2.158, de 24.08.01, vigente ex vi do artigo 2º da EC nº 32, de 11.09.01, ou seja, zero. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13603.004187/200758 Acórdão n.º 3302001.913 S3C3T2 Fl. 6 5 4. Desde então, a condição das refinarias de petróleo e distribuidoras de álcool de contribuintes do PISCOFINS resultou na exclusão dos demais agentes do ciclo (distribuidoras, varejistas e consumidores finais) da sujeição passiva tributária, como antes existente, suportando apenas o ônus financeiro da tributação, incluída no preço do produto. Houve, por isso, majoração das alíquotas das contribuições, cobradas no primeiro elo da cadeia de produção e consumo, a partir da Lei nº 10.865, de 30.04.04, conversão da MP nº 164, de 29.01.04, e, depois, pela Lei nº 11.051, de 29.12.04, conversão da MP nº 219, de 30.09.04. 5. Correto, pois, afirmar que o regime de substituição tributária progressiva foi suplantado pela tributação concentrada nos agentes produtores (refinarias) ou importadores, com elevação da alíquota da contribuição, o que não legitima, porém, qualquer dos demais agentes do ciclo de produção e consumo a questionar a validade da tributação. A distinção entre contribuinte de direito (o tributado) e o de fato (o que suporta o ônus econômico da tributação) somente tem relevância nos tributos indiretos que, por sua própria natureza, adotam como técnica jurídica a transferência, por destaque, da tributação ao agente seguinte da cadeia de produção e consumo, conforme disposto no artigo 166 do CTN. 6. Não é, por conseqüência, a assunção do encargo financeiro, enquanto efeito econômico, que confere legitimidade ativa ao consumidor do produto final, tributado no início da cadeira de produção, mas o reconhecimento legal da transferência do ônus tributário do contribuinte de direito para o contribuinte de fato, que depende de previsão legal, o que não ocorre no caso do PIS COFINS, no regime, ora discutido, que não contempla qualquer espécie de substituição tributária, nem efetiva nem disfarçada. 7. Apelação desprovida. (TRF 3º Região AMS 200561070043576 Rel Des. Fed. CARLOS MUTA j. 14/03/2007 DJU 21/03/2007 PÁGINA: 190) grifos nossos. Portanto, a etapa de comercialização dessas espécies de mercadorias na qual incidem valores de PIS e COFINS, por possuir alíquotas positivas, é a de vendas realizadas por refinarias, nos moldes e alíquotas previstos na Lei nº 9.990/00. Conforme bem decidido pela DRJ de juiz de Fora/MG: “....concluise que com a redução da alíquota a zero da contribuição para o PIS/Pasep e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas e a eliminação da figura da substituição nessas operações, não há que se falar em restituição ou ressarcimento. Em que pesem as considerações da manifestante relativas à carga tributária, há de se salientar que a tributação regese pelo princípio da legalidade e o ressarcimento pleiteado não encontra previsão em lei.” Portanto, concluise que a partir da Lei nº 9.990/00 a sistemática do recolhimento foi alterada, extinguindose o regime de substituição tributária 'para frente'. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13603.004187/200758 Acórdão n.º 3302001.913 S3C3T2 Fl. 7 6 Efetivamente, apenas as refinarias continuaram a serem contribuintes do PIS e da COFINS, já que as distribuidoras e comerciantes varejistas, como já ressalvado, ficaram sujeitos ao disposto no art. 2º da Lei nº 9.718/98, com a alíquota zero. Nesse sentido, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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