Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11020.912616/2012-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/04/2007
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/04/2007 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.912616/2012-55
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5381820
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.426
nome_arquivo_s : Decisao_11020912616201255.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11020912616201255_5381820.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5630155
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032121262080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 5 1 4 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.912616/201255 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.426 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria Compensação Recorrente MECANICA INDUSTRIAL COLAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/04/2007 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 16 /2 01 2- 55 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1444.377, de 28/08/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912616/201255 Acórdão n.º 3803006.426 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1444.377, em 16/10/13, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 13/11/13, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912616/201255 Acórdão n.º 3803006.426 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901273/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16682.901273/2010-61
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5371564
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-000.432
nome_arquivo_s : Decisao_16682901273201061.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 16682901273201061_5371564.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5581733
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032129650688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 952 1 951 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901273/201061 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.432 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de agosto de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S.A (sucessora de COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. RELATÓRIO Trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao quarto trimestre de 2006, protocolado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, CNPJ 33.069.766/000181, cumulado com compensação de débito de Cofins. O estabelecimento detentor do crédito é o de CNPJ 33.069.766/000343. A DEMAC do Rio de Janeiro indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação em razão da ocorrência de glosa de créditos e apuração de débitos em procedimento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 01 27 3/ 20 10 -6 1 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.901273/201061 Resolução nº 3302000.432 S3C3T2 Fl. 953 2 Em manifestação de inconformidade, a IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S.A., CNPJ 33.337.122/000127, sucessora da COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, alegou, em síntese: 1. Que possui decisão obtida no Solução de Consulta SRRF/7º RF/DISIT nº 248, de 2000, deferindo genericamente o direito de crédito de IPI quanto aos insumos utilizados em produtos imunes; 2. Que a solução de consulta não revogada, nem a recorrente cientificada de mudança de entendimento; 3. Que seus produtos se enquadram na imunidade objetiva do art. 155, § 3º da Constituição Federal; 4. Que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 2006, viola as normas do Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – ao restringir o disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999, no que se refere à imunidade, apenas às relativas a exportação; 5. Que a Súmula CARF nº 20 não abrange a vedação de creditamento de IPI sobre insumos aplicados sobre produtos com notação “NT” na TIPI alcançados pela isenção ou imunidade, mas apenas sobre produtos “NT” não industrializados. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0947.578, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Impossibilidade de aplicação da IN RFB nº 900, de 2008, a fatos geradores anteriores à sua vigência; 2. Nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, ao aplicar o art. 25 da IN RFB nº 900, de 2008; 3. No mérito, a classificação correta do produto IPIRANGA SP PREMIUM é no código 2710.19.32 e não no código 3902.20.00; 4. Que o produto IPIRANGA SP PREMIUM é derivado de petróleo e goza da imunidade tributária concedida pelo artigo 155, §3º da Constituição Federal; 5. Que, ainda que não se considere seus produtos imunes, acabariam por ser considerados isentos ou não incidência estrita (fora do conceito de industrialização); Fl. 953DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.901273/201061 Resolução nº 3302000.432 S3C3T2 Fl. 954 3 6. Que possui decisão obtida no Solução de Consulta SRRF/7º RF/DISIT nº 248, de 2000, deferindo genericamente o direito de crédito de IPI quanto aos insumos utilizados em produtos imunes; 7. Que a solução de consulta não revogada, nem a recorrente cientificada de mudança de entendimento; 8. Que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 2006, viola as normas do Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – ao restringir o disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999, no que se refere à imunidade, apenas às relativas a exportação; 9. Que a Súmula CARF nº 20 não abrange a vedação de creditamento de IPI sobre insumos aplicados sobre produtos com notação “NT” na TIPI alcançados pela isenção ou imunidade, mas apenas sobre produtos “NT” não industrializados. 10. Que a tutela antecipada obtida deferida pelo TRF da 1º Região na ação judicial nº 000632620.2014.4.01.0000/DF de autoria do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (SINDICOM) considerou ilegítima a vedação constantes do artigo 251 do Decreto nº 7.212, de 2010. Ao final pede a homologação da compensação pleiteada e, alternativamente, a realização de perícia para com vistas à demonstração da correta classificação do produto IPIRANGA SP PREMIUM. Pede, ainda, a apensação deste processo ao 16682.720545/2011 13 para que sejam julgados em conjunto por se tratarem de causa conexas, conforme disposto no artigo 103 do Código de Processo Civil. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Constatase que o direito creditório de IPI relativo ao quarto trimestre de 2006, objeto do pedido de ressarcimento deste processo, está sendo discutido no processo nº 16682.720545/201113, o qual se refere a Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo ao anocalendário de 2006. Referido processo foi resultado da ação fiscal efetuada sob o escopo do MPF 07185.00–2010.001500, destinada a verificação os créditos de IPI pedidos em ressarcimento, relativos aos quatro trimestres de 2006. Da análise, concluiu a autoridade fiscal pela existência de saldos devedores de IPI em todos os meses de 2006, o que acarretou a lavratura de Auto de Infração de que trata o processo 16682.720545/201113. Assim, no intuito de se evitar julgamentos conflitantes sobre o mesmo direito creditório, este processo deverá refletir a decisão definitiva daquele. Salientase que o Auto de Fl. 954DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.901273/201061 Resolução nº 3302000.432 S3C3T2 Fl. 955 4 Infração objeto daquele processo referese à análise de quatro pedidos de ressarcimentos, o que, em decorrência lógica, um único julgamento deve pautar as decisões nos processos de ressarcimento, evitando assim, possíveis decisões divergentes, caso fossem proferidas inicialmente nos processos de ressarcimento. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva do processo nº 16682.720545/201113, assim que ocorrer seu trânsito em julgado. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 955DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002953/2003-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IRPJ E REFLEXOS - DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbe-lhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (R1R199, art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. O arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 9101-001.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador para afastar a decadência de IRPJ, e, parcialmente a do imposto de renda retido na fonte.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, Justificadamente, Os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E REFLEXOS - DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbe-lhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (R1R199, art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. O arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.002953/2003-98
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374973
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.900
nome_arquivo_s : Decisao_10283002953200398.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Karem Jureidini Dias
nome_arquivo_pdf_s : 10283002953200398_5374973.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador para afastar a decadência de IRPJ, e, parcialmente a do imposto de renda retido na fonte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, Justificadamente, Os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5598059
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032134893568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.002953/200398 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.900 – 1ª Turma Sessão de 20 de março de 2014 Matéria IRPJ Recorrente Fazenda Nacional Interessado Escola Superior da Amazônia ESA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E REFLEXOS DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbelhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (R1R199, art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. O arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 29 53 /2 00 3- 98 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial do Procurador para afastar a decadência de IRPJ, e, parcialmente a do imposto de renda retido na fonte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca De Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, Justificadamente, Os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por se tratar de retorno de diligência, adoto o relatório da Resolução 9101 00.005, que converteu o julgamento do Recurso Especial em diligência. “Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional (fls. 898/908), em face do Acórdão nº 10323.251, da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, cuja ciência se deu em 29/06/2001. O lançamento principal (IRPJ) contém as seguintes infrações: 001 Omissão de receitas – anoscalendário de 1995 a 1997 – Multa Qualificada em 150% 002 – Custos ou despesas não comprovadas anoscalendário de 1995 a 1997 – Multa de Ofício de 75%. 003 – Custos e Despesas não comprovados anoscalendário de 1995 a 1997 Multa de Ofício de 75%. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente em parte, para que fossem exoneradas as exigências relativas aos depósitos bancários efetuados nos anoscalendário de 1995 e 1996, e reduzidas as glosas de despesas Fl. 820DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10283.002953/200398 Acórdão n.º 9101001.900 CSRFT1 Fl. 3 3 conforme o demonstrativo constante no Quadro 2 (fls. 799). Houve interposição de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. Inicialmente, a então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, para que fosse apensado ao presente o processo de suspensão de imunidade da contribuinte. Sobreveio, então, acórdão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência suscitada de oficio pelo Conselheiro Relator, relativamente ao IRPJ, ao IRRF e ao PIS até o fato gerador ocorrido em 31/12/1995 (inclusive), bem como assim a preliminar de decadência relativa à CSLL do fato gerador ocorrido em 31/12/1995 (inclusive) suscitada de ofício por Conselheiro. No mérito, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso nos seguintes termos: a) por maioria de votos, exonerar os lançamentos de IRPJ e de CSLL em face da apuração indevida da base de cálculo pelo lucro real, quando deveria ter ocorrido o arbitramento; b) por unanimidade de votos, exonerar o lançamento do PIS. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1995, 1996, 1997 IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbelhe desclassificar a escrita contábil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservível para apuração do lucro real (R1R199, art. 530, II, "b"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. 0 arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, no qual recorre dos seguintes pontos: a) decadência da CSLL e do PIS — por violação do art. 45 da Lei n° 8212/91; b) decadência do IRPJ e do IRRF — por violação do art. 173, I, do CTN; c) arbitramento do lucro — por violação do art. 47 da Lei n° 8981/95, que determina as hipóteses de arbitramento, as quais não ocorreram no presente caso, e do art. 108 do CTN, pois a equidade não é aplicável na espécie; d) qualificação da multa e lançamento do PIS – aponta divergência quanto à possibilidade de conhecer matéria não contestada em fase de recurso — o voto condutor asseverou que conheceu das questões indicadas, mesmo que sobre elas o sujeito passivo não tenha recorrido. Defende o entendimento quanto a possibilidade de conhecer de matéria não contestada diverge da jurisprudência do Conselho, consoante acórdãos paradigmas n° 10516135, n° 10195643 e n° CSRF/0202344. Tais acórdãos entenderam que matéria não recorrida tornase definitiva, sendo vedado ao órgão julgador conhecêla de oficio. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 O Despacho de Admissibilidade de fls. 918/920 deu seguimento parcial ao Recurso Especial, no tocante à decadência do IRPJ e do IRRF, ao arbitramento do lucro e ao conhecimento de ofício de matéria não contestada em recurso. O contribuinte apresentou suas Contrarrazões às fls. 931/937.” O Recurso Especial foi para julgamento na sessão de setembro de 2011, quando então decidiuse que era necessário a Resolução para saneamento do processo, conforme decisão abaixo transcrita. Antes de adentrar ao mérito, verifico a necessidade de resolução para saneamento do processo. Em primeiro lugar, depreendese da leitura do relatório que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente favorável a impugnação do contribuinte. Com efeito, o acórdão da DRJ deu provimento parcial no sentido de (i) exonerar as exigências relativas aos depósitos bancários efetuados nos anoscalendário de 1995 e 1996, e (ii) reduzir as glosas de despesas conforme o demonstrativo constante no Quadro 2 (fls. 799/800). Da análise do Quadro 2 (fls. 799/800), constato que os valores exonerados superam o limite de alçada necessário para o conhecimento do Recurso de Oficio. Ocorre que tanto no voto parcialmente vencido, quanto no voto vencedor, não consta menção ao julgamento do Recurso de Ofício. Nessa medida, sugiro Resolução para que a Câmara a quo proceda o julgamento do Recurso de Ofício, e observe os demais trâmites processuais até o retorno para julgamento por este Colegiado. Verifico, ainda, a necessidade de outro saneamento, agora relativo ao acórdão recorrido, proferido pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuinte. Naquele julgamento, dentre outras matérias decididas, por maioria de votos, acolheuse a preliminar de decadência para o IRPJ, IRRF, PIS e CSLL, relativas aos fatos geradores de 31/12/1995. Ocorre que quanto à decadência da CSLL, o Conselheiro relator originário ficou vencido, suscitando a decadência apenas em relação ao IRPJ, IRRF e PIS. Nada obstante, no voto vencedor, o relator designado esclarece que tal voto cinge se ao exame da base de cálculo adotada pela fiscalização para o lançamento de IRPJ e CSLL. Ou seja, não há manifestação motivada e expressa sobre a preliminar de decadência acolhida para a CSLL, pelo que, na oportunidade do primeiro saneamento, este também se recomenda. Pelo exposto, encaminho minha manifestação no sentido de requerer o saneamento do processo, com a apreciação do Recurso de Ofício e a inclusão no acórdão recorrido, da motivação quanto à decadência da CSLL, na forma como consta do resultado do julgamento. Após o saneamento e a ciência das partes, que se dê no curso do processo, retornando, ao final, para julgamento por este colegiado. Em retorno de diligência, o Conselheiro Relator no Voto Vencido no acórdão n. 10323.251, esclarece que: (i) quanto ao não julgamento do Recurso de Ofício, tal se deu porque houve desmembramento do lançamento após decisão da DRJ, sendo trazido para estes autos apenas a exigência mantida pela DRJ e objeto de Recurso Voluntário, conforme respondeu a Resolução, tal fato encontravase integrante no acórdão recorrido. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10283.002953/200398 Acórdão n.º 9101001.900 CSRFT1 Fl. 4 5 (ii) No que tange à decadência da CSLL do fato gerador ocorrido em 31.12.2005, de fato houve falta de motivação, o que já se encontra suprido pela motivação exposta pelo Conselheiro Relator que aplica por despacho a Súmula Vinculante n. 8. Feitos esses esclarecimento, e devidamente cumprida a diligência naquilo que ela era pertinente, passase, então, à análise do Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Lembro que o despacho de admissibilidade deu seguimento, apenas parcial ao Recurso Especial, a lide é submetida, portanto, (i) à apreciação a decadência apenas quanto ao IRPJ e IRRF, (ii) o arbitramento do lucro, (iii) e o conhecimento de ofício em matéria não contestada em recurso. Inicialmente, cumpre analisar a decadência suscitada de ofício em sede de julgamento de Recurso Voluntário que, apesar de não ter sido alegada pelas partes, por ser matéria de ordem pública, não se submete à preclusão naquela instância, desde que conhecido o Recurso Voluntário, como ocorrido. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 823DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Portanto, a premissa fundamental que cinge a presente demanda não está em simplesmente verificar se o tributo é sujeito ao lançamento por homologação ou de ofício, e sim em analisar conjuntamente tal fator com a existência ou não de pagamento parcial do imposto. Voltando ao presente caso, ao compulsar os autos não verifiquei qualquer notícia de pagamento parcial, motivo pelo qual se impõe a aplicação do artigo 173, inciso I do Fl. 824DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10283.002953/200398 Acórdão n.º 9101001.900 CSRFT1 Fl. 5 7 Código Tributário Nacional, até mesmo porque, a Contribuinte se considerava imune à tributação, muito embora tal condição se encontrasse suspensa. Sendo assim, como o auto de infração foi lavrado e cientificado ao contribuinte em 2001 (fls.144/175), e os fatos geradores de IRPJ se reportam ao aos anos calendário de 1995, 1996 e 1997, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial, não se extinguindo o crédito tributário por essa modalidade. Em relação ao IRRF, também não há transcurso de prazo decadencial para dezembro do anocalendário de 1995, e para os anos calendários de 1996 e 1997, extinguindose a exigência pela decadência apenas em relação ao período antecedente a dezembro de 1995. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, nesta parte. No que tange à forma de tributação escolhida pela autoridade fiscal, apesar de estar sedimentado que a omissão de receitas, por si só, não torna a contabilidade imprestável, autorizando ipso facto o arbitramento do lucro, fato é que se a movimentação mantida à margem da escrituração é significativa se comparada à movimentação financeira escriturada nos livros fiscais, cabível o arbitramento do lucro. Isto porque, a vasta e significativa movimentação financeira mantida à margem da escrituração deixa desprovida de segurança a escrituração do contribuinte, não só quanto às suas receitas, como também quanto aos seus custos e despesas escriturados. Existindo previsão legal para o arbitramento do lucro e existindo, também, previsão legal para que se utilize, na dúvida, em relação às circunstâncias materiais do fato, a forma de tributação mais benéfica ao contribuinte, entendo que andou bem o acórdão guerreado, sendo relevante, inclusive, observar o seguinte excerto: “Ainda que se entenda que os depósitos bancários de origem não comprovada sejam integralmente receitas tributáveis, tal como ocorre nesses autos, é necessário reconhecer que o lucro delas decorrente resulta sempre da subtração entre tais valores (receitas) e os (inegáveis) custos auferidos pela pessoa jurídica para o desenvolvimento de atividades econômicas, quaisquer que sejam elas. Nesses casos, não há como admitir que a receita presumida decorrente dos depósitos bancários sem origem comprovada, reflit integralmente sonegado, tal como sustenta a Fiscalização nos lançamentos. (...) Diante de tais elementos, a Fiscalização deveria ter procedido à apuração do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro arbitrado, que considera, por ficção legal, os custos incorridos pelo contribuinte para geração da receita. Ao deixar de fazêlo, a Fiscalização procedeu ao lançamento de tais tributos com base em quantias que sabidamente não eram renda (lucro) do contribuinte, o que afasta a legitimidade dos lançamentos nos moldes em que lavrados.” Nessa parte, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL da Fazenda, quanto ao arbitramento do lucro. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 8 No que tange ao terceiro item de conhecimento do Recurso Especial – conhecimento de ofício em matéria não contestada em recurso – importa consignar que o Contribuinte impugnou o crédito tributário integralmente, inclusive a multa. Nessa medida, sem reparos a decisão ao cancelar a exigência impugnada, ainda que por outra razão. Isto porque, o que faz preclusão é o item de lançamento e não o argumento de direito. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL da Procuradoria da Fazenda Nacional, afastando a decadência referente ao IRRF de dezembro do anocalendário de 1995, e anoscalendário 1996 e 1997, bem como a decadência referente ao IRPJ dos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997. No resto, mantenho o acórdão recorrido. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 826DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917204/2011-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.917204/2011-56
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372921
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.940
nome_arquivo_s : Decisao_13888917204201156.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 13888917204201156_5372921.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5589946
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032155865088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 68 1 67 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.917204/201156 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.940 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria Receitas Financeiras Recorrente ROMINOR COMÉRCIO, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 04 /2 01 1- 56 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917204/201156 Acórdão n.º 3801003.940 S3TE01 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917204/201156 Acórdão n.º 3801003.940 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917204/201156 Acórdão n.º 3801003.940 S3TE01 Fl. 71 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917204/201156 Acórdão n.º 3801003.940 S3TE01 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917204/201156 Acórdão n.º 3801003.940 S3TE01 Fl. 73 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917204/201156 Acórdão n.º 3801003.940 S3TE01 Fl. 74 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.021938/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OMISSÃO. A falta de referência às páginas em que se localizam os documentos nos autos não prejudica a sua análise se os arquivos correspondentes são anexados aos autos digitais com o título que lhes é atribuído na acusação fiscal. PROVA DA AUTORIA E DOS FATOS. Subsiste a conclusão do acórdão embargado se o conteúdo dos arquivos digitais não especifica, em sua quase totalidade, o local da apreensão dos documentos e das mídias, bem como se revela insuficiente para comprovar e complementar a acusação fiscal de exercício, pela pessoa física autuada, da atividade empresarial da qual resultam as exigências.
Numero da decisão: 1101-001.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e PROVER os embargos de declaração sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni , José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. A falta de referência às páginas em que se localizam os documentos nos autos não prejudica a sua análise se os arquivos correspondentes são anexados aos autos digitais com o título que lhes é atribuído na acusação fiscal. PROVA DA AUTORIA E DOS FATOS. Subsiste a conclusão do acórdão embargado se o conteúdo dos arquivos digitais não especifica, em sua quase totalidade, o local da apreensão dos documentos e das mídias, bem como se revela insuficiente para comprovar e complementar a acusação fiscal de exercício, pela pessoa física autuada, da atividade empresarial da qual resultam as exigências.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.021938/2008-51
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375804
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-001.143
nome_arquivo_s : Decisao_19647021938200851.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 19647021938200851_5375804.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e PROVER os embargos de declaração sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni , José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5605021
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032174739456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.021938/200851 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1101001.143 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ e Reflexos Arbitramento Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado CARLOS ALBERTO FERREIRA DA SILVA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. A falta de referência às páginas em que se localizam os documentos nos autos não prejudica a sua análise se os arquivos correspondentes são anexados aos autos digitais com o título que lhes é atribuído na acusação fiscal. PROVA DA AUTORIA E DOS FATOS. Subsiste a conclusão do acórdão embargado se o conteúdo dos arquivos digitais não especifica, em sua quase totalidade, o local da apreensão dos documentos e das mídias, bem como se revela insuficiente para comprovar e complementar a acusação fiscal de exercício, pela pessoa física autuada, da atividade empresarial da qual resultam as exigências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e PROVER os embargos de declaração sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 19 38 /2 00 8- 51 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni , José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão plenária de 07 de março de 2013, esta Turma Julgadora rejeitou as preliminares de nulidade e de decadência, e no mérito deu provimento ao recurso voluntário interposto nestes autos, restando o correspondente Acórdão nº 1101000.861 assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 DESCRIÇÃO DOS FATOS. PROVAS. DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS. ANALISE DOS DOCUMENTOS. Compete a fiscalização comprovar os fatos que afirma. Não basta juntar documentos e fazer afirmações, é preciso referenciar estes documentos na descrição dos fatos e demonstrar como eles comprovam os fatos afirmados. Sem isso o lançamento é improcedente. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 LANÇAMENTO. PROVA DOS FATOS. O Fisco têm de comprovar os fatos que diz existirem e que sustentam o lançamento. Sem isso, o lançamento é improcedente. LANÇAMENTO. PROVA DA AUTORIA. No lançamento, o Fisco deve provar a ocorrência dos fatos tributáveis e também a autoria destes fatos. Sem comprovação da autoria, o lançamento é improcedente. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os embargos de declaração de fls. 410/420 apontando omissões do julgado. Em juízo de cognição sumária reputouse caracterizada a omissão suscitada, admitindose o conhecimento dos embargos consoante despacho de fls. 425/427. A Procuradoria da Fazenda Nacional asseverou que este eg. Colegiado deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para julgar improcedente o lançamento sob o argumento de que haveria deficiência na comprovação da autoria e dos fatos apontados pela fiscalização. Aduziuse que “não basta juntar documentos e fazer afirmações, é preciso referenciar estes documentos na descrição dos fatos e demonstrar como eles comprovam os fatos afirmados”. Ocorre, contudo, que o acórdão do CARF incidiu em patente omissão, deixando de atentar para elementos evidentes nos autos, devidamente explicitados pela fiscalização, que sustentam de forma contundente e irrefutável a acusação fiscal. Para justificar sua afirmação, a embargante reportouse aos documentos juntados aos autos do processo administrativo nº 10480.722537/200979, conexo ao presente como reconhecido no despacho encartado à fl. 26433 do processo administrativo nº 10480.722536/200924. Colhese no acórdão embargado o seguinte relato dos fatos presentes nos autos: Tratase de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação de auto de infração. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 5 4 Conforme “relatório de fiscalização” (proc. fls. 2 a 7), o presente lançamento se refere ao IRPJ e reflexos do ano de 2003. A fiscalização explica que a auditoria decorre da “Operação Zebra” da Polícia Federal, por meio da qual “foram apreendidos diversos documentos da empresa MONTE CARLOS’S LOTERIAS ON LINE, conforme AUTOS CIRCUNSTANCIADOS DE BUSCA E APREENSÃO E AUTOS DE APREENSÃO (fls. 35/114)”. Diz que “tais documentos foram enviados à Receita Federal onde vários demonstram que a empresa já operava desde o ano de 2001 (fls. 115/124)” . Informa que, “através dos autos da Ação Penal Pública nº 2007.83.00.0056875 (fls. 129/134) e nos documentos apreendidos, a Receita Federal verificou que a empresa ‘MONTE CARLO’S LOTERIAS ON LINE’ é de propriedade do Sr. Carlos Alberto Ferreira da Silva e que não estava inscrita no CNPJ (fls. 124/141). Esclarece que “foi então instaurado procedimento para inscrição de ofício no CNPJ através do processo administrativo nº 19647.019252/200809” sendo dispensada a intimação prevista no art. 19 da IN RFB nº 748, de 2007, “tendo em vista que a inscrição no CNPJ efetuada pelo contribuinte opera efeitos ex tunc. Explica que “desde 31/01/2001 que a empresa é inscrita no CEI e recolhe contribuições previdenciárias decorrentes do exercício da atividade empresarial (fls. 190/200)”. Conclui que os fatos geradores ocorreram antes da inscrição de ofício por meio do processo nº 19647.019252/200809, ocorrida em 05/11/2008. Argumenta que “necessário se faz que a inscrição de ofício retroaja à data da inscrição do CEI, operando efeitos ex tunc”. Informa que a "empresa alegou (fls. 155/161) que a pessoa fisica do Sr. Carlos Alberto Ferreira da Silva está sendo fiscalizada através do MPF N° 0410100200801464 e que a intimação prevista no art. 19 da IN RFB n° 748/2007 indispensável, tornando a inscrição de oficio no CNPJ nula". Diz que não procede a alegação da empresa, pois "presente Mandado de procedimento Fiscal determina a fiscalização do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF sobre a empresa Monte Carlos Loterias Online cuja inscrição de oficio foi no nome de Carlos Alberto Ferreira da Silva". Explica que, quanto aos fatos anteriores a 10/01/2003, "a empresa descumpriu o disposto no art. 18 da Lei n°3.071, de 1916 (antigo Código Civil)" e, quanto aos fatos posteriores, "a empresa vinha descumprindo o disposto nos arts. 967 e 969 do Código Civil". Diz que a sociedade só adquire personalidade com o registro de seus atos constitutivos, conforme o art. 985 do Código Civil, e que a falta do registro faz incidir os arts. 989 e 990 do CC, estabelecendo a responsabilidade solidária e ilimitada. Alega que, “caso a receita Federal tivesse procedido à intimação a que se refere o art. 19 da IN RFB nº 748/2007 e o contribuinte tivesse efetuado o arquivamento dos atos constitutivos na JUCEPE e posteriormente se inscrito no CNPJ, a Receita Federal retroagiria a data de início de atividade a 31/10/2001, que foi a data de inscrição no CEI... portanto a intimação constante do referido dispositivo normativo seria,’in casu’ inócua e dispensável”. Quanto à apuração de receitas e prêmios distribuídos, o Fisco diz o seguinte: No que se refere ao ano de 2003, sobre o grande volume de material apreendido pela Policia Federal e enviado a Receita Federal, foi feita uma amostragem e só foi encontrada receita bruta referente ao mês de janeiro/2003, gerando a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Também foi encontrado o total dos prêmios distribuídos no referido mês, fazendo incidir o IRRF incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, unia vez que a empresa não apresentou escrituração comercial e fiscal que possibilitasse a identificação dos beneficiários (art. 674 do Decreto n°3.000/99 e art. 61 da Lei n°8.981/95). Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 6 5 No que se refere ao 2°, 3° e 4° trimestres de 2003, foi arbitrado o lucro, para efeitos de IRPJ e CSLL com base no valor mensal do aluguel de máquinas de jogos eletrônicos devido pela MONTE CARLO'S LOTERIAS ON LINE el LOMEL LOCADORA E MONTADORA DE MÁQUINAS ELETRÔNICAS, CNPJ 69.965.333/000151, entregues por esta à Receita Federai cujas cópias foram obtidas através do MPF de Diligência, vinculado ao presente procedimento fiscal. Ressaltese que com a utilização de tais máquinas, a empresa fiscalizada aufere receitas e obtém lucro. Portanto, tais máquinas são necessárias percepção da receita e et manutenção da fonte produtora, ou seja, com elas, a MONTE CARLO'S explora a sua atividade econômica. A fiscalização explica que “ocorrido o fato gerador, surge a obrigação tributária, independentemente da empresa estar ou não inscrita no CNPJ e se estiver, independente de sua data de efetivação”. Transcreve diversos artigos do CTN. Informa que “os documentos de fls. 162/165 foram obtidos na caixa com a indicação PE 17, Item 70” e que “os documentos de fls. 115/124 demonstram que a empresa já exercia sua atividade empresarial mesmo sem estar inscrita no CNPJ”. Afirma que a empresa é prestadora de serviços, por se enquadrar no item 61 da Lei Complementar nº 56, de 1987, e no item 19 da Lei Complementar nº 116, de 2003. Diz que o total lançado de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IRRF, com multa de 75% e juros é de R$ 5.892.985,88, conforme autos de infrações (proc. fls. 8 a 32). No auto de infração IRPJ e da CSLL, informa que o arbitramento decorre da não apresentação dos livros e documentos. O auto de infração do PIS e o da Cofins versa apenas sobre a omissão de receitas. Descreve as infrações do seguinte modo: 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Omissão de receitas de prestação de serviços de jogos eletrônicos e de jogo do bicho apurada a partir de gráfico demonstrativo (fls. 165) praticados pela empresa autuada, em janeiro de 2003, conforme documentos apreendidos pela Policia Federal durante a Operação Zebra, constantes da caixa de papelão com as indicações PE 17, Item 70. 002 RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DO ALUGUEL DAS INSTALAÇÕES Valores arbitrado sobre o valor do aluguel das instalações devido no períodobase. A ciência do auto de infração do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL foi em 29/12/2008. Em 27/01/2008, o contribuinte apresentou impugnação (proc. fls. 236 a 270). Diz que, em manifestação datada de 19/12/2008, se insurgiu contra a inscrição de oficio do impugnante no CNPJ, ocorrida em 14/11/2008, com efeitos retroativos a 31/01/2001, na atividade de "exploração de jogos de azar e apostas não especificados anteriormente". Informa que apresentou razões de fato e de direito para demonstrar o equivoco do Fisco, em especial a exigência de intimação prévia prevista no art. 19 da IN RFB no 748, de 2007, só cabendo a inscrição de oficio se o contribuinte não atender ao determinado. Diz que sua manifestação foi ignorada pela fiscalização. Conclui que a inscrição é nula e, em conseqüência, o auto é nulo. Alega que a fiscalização adotou como data de inicio de atividade a data de inscrição no CEI. Explica que a inscrição no CEI foi feita por Celina Lúcia Bandeira de Melo, de forma que Carlos Alberto nada tem com isso. Afirma que a inscrição é nula. Argumenta que não procede o lançamento. Diz que o fiscal arbitrou o lucro em 90% das supostas receitas, mas que não existe amparo legal para isto. Informa que não poderia ter sido feito lançado referente a 2003 em razão da decadência contada na forma do art. 150 do CTN, já que a ciência do auto de infração ocorreu em Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 7 6 29/12/2008. Argumenta que a multa aplicável seria de 20% e não 75%. Afirma que não cabe a aplicação da taxa Selic. Em 21/10/2010, a 2a Turma da DRJ em Brasilia informa que o contribuinte questionou a inscrição de oficio e que não houve manifestação da Administração (proc. fls. 292 a 295). Diz que tal reclamação regese pela Lei n° 9.784, de 1999, e que as DRJ não têm competência para se manifestar sobre esta matéria. Explica que esta questão deve ser resolvida pela DRJ, no processo n° 19647.019252/200809, e que é uma questão prejudicial para o presente processo. Solicita providências para que a solução do processo n° 19647.019252/200809 seja trazida ao presente processo. O processo n° 19647.019252/200809 é apensado a este processo (proc. fls. 297 a 318). Despacho explica que a inscrição é ato meramente instrumental para tributar os fatos da pessoa e destaca que a resposta ao contribuinte já teria sido dada no próprio relatório fiscal do processo n° 10480.722536/200924 (proc. fls. 319 a 321). Em 19/08/2011, a 2ª Turma da DRJ em Brasília considera a impugnação improcedente (proc. fls. 323 a 339). Informa que vai apreciar a reclamação do contribuinte sobre a falta de intimação prévia à inscrição de oficio. Diz que os documentos apreendidos na operação zebra demonstram que o contribuinte estava em plena atividade desde 2001, mesmo sem estar inscrita no CNPJ, o que configura infração. Adiciona que os documentos constantes dos autos da Ação Penal Pública nº 2007.83.00.0056875 mostram que a empresa é de propriedade de Carlos Alberto Ferreira da Silva. Conclui que não havia outra alternativa para a fiscalização senão fazer a inscrição de ofício. Explica que nos termos do art. 19 da IN RFB nº 748, de 2007, combinado com seu § 1º a inscrição seria feita de uma maneira ou outra. Conclui que a falta de intimação não causou prejuízo para a inscrição. Diz que a decadência regese pelo art. 173 do CTN, em razão das circunstâncias que implicaram na multa de 150%. Explica que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/01/2003 e poderia ser lançado até 31/12/2008, mas como a ciência do auto ocorreu em 29/12/2008, não cabe falar em decadência. Adiciona que o Parecer PGFN/CAT nº 1.617, de 2008, determina que, se não houver pagamento, o prazo é o do inciso I do art. 173 do CTN. Destaca que não consta dos autos qualquer informação sobre pagamento efetuado pelo contribuinte espontaneamente referente ao período lançado. Afirma que foi correta a adoção do sistema do lucro arbitrado, já que o contribuinte não apresentou livros ou documentos. Informa que o sistema do lucro arbitrado pode ser aplicado quando se conhece a receita bruta e quando não se conhece a receita bruta. Diz que o Fisco identificou a receita de janeiro de 2003 e, para o 1° trimestre de 2003, aplicou o coeficiente correto, pois a empresa era prestadora de serviços. Enfatiza que não houve presunção de omissão de receitas, mas sim prova direta desta omissão, por meio dos elementos apreendidos na "operação zebra". Informa que no 2°, 3° e 4° trimestres de 2003, o Fisco valeuse do inciso VIII do art. 535 do RIR11999. Explica que o dispositivo permite considerar como lucro arbitrado 90% do aluguel devido. Diz que a fiscalização considerou os alugueis de máquinas de jogos eletrônicos, informados pelo próprio contribuinte em atendimento à diligência (proc. fls. 173 a 190). Diz que a multa de 75% e os juros Selic têm previsão legal. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 8 7 Em 31/10/2011, o contribuinte é cientificado do acórdão (proc. fl. 343). Em 29/11/2011, o contribuinte apresenta recurso voluntário, onde repete parte de seus argumentos (proc. fls. 344 a 382). Adiciona que na época dos fatos a atividade de jogo eletrônico, loteria e de bicho era lícita e normatizada pela União e Estados, sendo que o Estado de Pernambuco fiscalizava e acompanhava diversos tipos de jogos. Diz que a fiscalização tratou como fato gerador o que eram meras projeções administrativas. Enfatiza que a fiscalização utilizou os controles administrativos sem aprofundar a análise dos mesmos, o que levou a diversos equívocos. Alega que os documentos internos usados pelo Fisco para a quantificação dos fatos geradores poderiam no máximo ser considerados como meros indícios, insuficientes por si só para o lançamento. Diz que a fiscalização deveria ter aprofundado o exame, mas não o fez e usou exclusivamente os documentos internos apreendidos. Alega que houve quebra de sigilo fiscal sem autorização judicial e que isso anula as autuações. Diz que a fiscalização teve acesso a dois processos penais (proc. nº 2007.83.00.00568785 e proc. nº 2004.83.00.0023947), inclusive mencionados no relatório fiscal para fundamentar a autuação, mas não juntou cópia desses processos nos autos. Diz que isso caracteriza cerceamento de defesa. Informa que a fiscalização adotou valores tirados de gráficos para quantificar as receitas da empresa. Afirma que a perícia é fundamental para elucidar a situação e a DRJ não poderia têla considerado desnecessária. Argumenta que o Fisco usou simples projeções para presumir receitas. Diz que a autuação não poderia se basear apenas em anotações internas e gráficos. Alega que a fiscalização tem poderes de investigação mas não conseguiu nenhuma prova fática do faturamento ou dos prêmios, e mesmo da existência da empresa. Explica que existe erro na identificação do sujeito passivo, pois o lançamento foi feito em uma pessoa jurídica criada de oficio. Lembra que os documentos internos apreendidos faziam menção à "Monte Cario's Loterias On Line" e que havia um CEI registrado por Celina Lúcia, designando o nome empresarial de "Monte Carlo's Loterias On Line", mas a fiscalização entendeu que a titularidade das atividades seria de Carlos Alberto como empresário individual. Afirma que o Fisco deixou de tributar uma empresa ativa e regular para autuar uma pessoa jurídica criada de oficio. Informa que houve autuação em duplicidade porque outra equipe autuou a Lomel. Afirma que o Fisco deixou de tributar uma empresa ativa e regular para autuar uma pessoa jurídica criada de ofício. Informa que até 2010 a inscrição de ofício só podia ser feita após intimação ao contribuinte, sendo que apenas a partir da IN nº 205, de 2010, é que surgiu a possibilidade de inscrição de ofício no interesse da administração. Enfatiza que a fiscalização quantificou a omissão de receita com base apenas em um gráfico demonstrativo, sem juntar qualquer outra comprovação. Diz que o arbitramento feito com base em alugueis de instalações, está equivocado porque deveria ter sido investigada a empresa que ocupava o local. Além disso, a fiscalização poderia ter feito o arbitramento com base no recolhimento do INSS. Argumenta que o inciso VIII do art. 535 fala em aluguel de imóvel, por isso tem um percentual tão alto. Por isso, não se poderia utilizar os valores de aluguel de máquinas. Lembra que os mapas que foram usados para identificar são meras projeções. Afirma que os valores de entradas não podem ser considerados como receitas, pois também são registrados como entradas os valores de teste diário das máquinas. Diz que os prêmios dos clientes também são computados como entradas. Conclui que os Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 9 8 dados consignados como "entrada" são imprestáveis para quantificar as receitas da máquina de jogo. Diz que a própria fiscalização disse que nos relatórios existiam os campos "final" e "liquido" e afirma que "se fosse para considerar uma base de calculo, poderia ter sido usado o campo 'liquido', que pelo menos evitaria a distorção citada". Informa que "a 'entrada' tem um registro eletrônico e mecânico, para mal funcionamento de um ou outro, ficando também afetado a eleição única de um valor, sem proporcionalizar os dois registros". Informa que a pessoa que, de fato, explorava a atividade já havia tributado os valores. O voto condutor do julgado principiou rejeitando o pedido de perícia, porque desnecessária, e afastando as preliminar de nulidade do lançamento por ausência de intimação prévia da inscrição da contribuinte no CNPJ, por ser esta apenas uma providência administrativa, irrelevante para o lançamento que decorreu da equiparação da empresa individual a pessoa jurídica para fins de tributação. A argüição de decadência também foi preliminarmente afastada porque, na ausência de pagamentos, as exigências do período de 2003 poderia ser lançadas até 31/12/2008. Por fim, a alegação de erro na identificação do sujeito passivo foi transportada para a análise de mérito, e a nulidade apontada em razão de quebra de sigilo fiscal não restou demonstrada porque a Lei Complementar nº 75/93 autoriza a requisição de informações fiscais pelo Ministério Público Federal. Ainda, a falta de disponibilização das ações que penais que fundamentam a atuação não procederiam, porque os elementos estariam juntados aos autos. No mérito, inicialmente observouse que a fiscalização não se preocupou em comprovar que a exploração do jogo eletrônico e do bicho era feita por Carlos Alberto. Ademais, ao dizer que tal titularidade resulta de verificação feita pela Receita Federal, o Fisco não assume como sua a imputação e não indica em que processo esta imputação estaria demonstrada, e se acaso pretendeu se valer do processo administrativo relativo à inscrição de ofício, tal procedimento não se prestaria a comprovar a titularidade de fatos tributáveis. Na seqüência, foi apontada contradição entre a titularidade atribuída ao autuado e a informação de que, desde 2001, Celina Lúcia tem empresa inscrita no CEI com nome de Monte C. Lot. On Line, até porque não houve demonstração da vinculação entre Celina e Carlos Alberto que atribuísse ao último os fatos da primeira ou alguma outra explicação. Não fosse pouco, os recibos de pagamento de alugueis das máquinas de jogo, que a fiscalização imputa a empresa individual Carlos Alberto, para quantificar o arbitramento dos 2°, 3° e 4o trimestre de 2003, são em nome de Celina (proc. fls. 167 a 189). Assim, a fiscalização está usando na quantificação elementos que conflitam com a autoria imputada, sem qualquer explicação para isto. O voto condutor do acórdão embargado fez referências a algumas informações em documentos juntados aos autos, mas anotou que a fiscalização não menciona especificamente nenhum destes documentos e não analisa o conteúdo de nenhum destes documentos. Observou que a análise fiscal não pode ser substituída por uma verificação feita em julgamento e ressaltou que algumas afirmações presentes naqueles documentos são contraditórias com a tese fiscal. Destacou que o Fisco não informa o local onde foram apreendidos os documentos, e que sem esta identificação os documentos perdem muito de seu valor probante. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 10 9 Abordou, ainda, deficiências acerca da identificação e quantificação da matéria tributável, observando que o gráfico de fl. 165 utilizado como prova é prejudicado pela falta de indicação do local de apreensão dos documentos, por não comprovar que Carlos Alberto ou que a Monte Carlo's Loterias On Line exploravam o jogo do bicho e por não juntar qualquer outro elemento que ratifique a dimensão econômica do jogo. Ademais, na medida em que a defesa alega que o gráfico seria mera projeção administrativa, esta possibilidade não poderia ser ignorada. Concluiu, assim, que, embora presente nos autos diversos indícios convergentes com a tese da fiscalização, eles não foram trabalhados pelo fisco, de modo que não é possível ter como comprovado a base tributável, ainda mais quando existem dúvidas sobre a própria autoria. Finalizou fazendo considerações acerca do arbitramento a partir do aluguel de máquinas, observando que os recibos seriam da Lomel e o pagamento feito por Celina, e acrescentando que não está indicado o local de apreensão dos documentos, nem demonstrado que o acusado tinha como atividade a exploração de máquinas de jogos. Ademais, a hipótese de arbitramento estaria vinculada ao aluguel de imóveis utilizados pela empresa, e caberia ao Fisco demonstrar quais resultados seriam obtidos com as demais hipóteses legais para mostrar a razoabilidade da opção adotada. Considerando que nos autos processos administrativos nº 10480.722536/200924 e 10480.722537/200979 foram admitidos embargos opostos pela autoridade encarregada da execução do acórdão, reputandose necessário apreciar os documentos que se correlacionam com a acusação fiscal pelo título que lhes foi atribuído no momento de sua juntada aos autos, uma vez firmada a conexão nos termos acima expostos, bem como tendo em conta que os três processos também foram analisados por esta Turma de Julgamento conjuntamente, na mesma sessão de 07 de março de 2013, resultando no provimento do recurso voluntário em razão da falta de provas da acusação fiscal, admitiuse que a vinculação evidenciada pela Procuradoria da Fazenda Nacional seria suficiente para determinar o conhecimento dos embargos, com vistas a avaliar a repercussão, nestes autos, da análise dos fatos a ser realizada na apreciação dos embargos opostos nos autos processos administrativos nº 10480.722536/200924 e 10480.722537/200979. Esclareçase que naqueles autos, confrontandose as alegações da embargante com os autos digitais, constatouse que embora a acusação fiscal não fizesse referência às folhas nas quais estariam juntadas as provas que a instruíam, havia coincidência entre alguns títulos citados pela Fiscalização e aqueles atribuídos aos documentos no momento de sua juntada aos autos digitais, consoante exposto no despacho de admissibilidade dos embargos opostos nos autos do processo administrativo nº 10480.722537/200979: No acórdão embargado, consta do voto condutor que: O único esforço do Fisco consiste em dizer que, por meio dos autos da ação penal pública n° 2007.83.00.0056875 e dos documentos apreendidos, a Receita Federal teria verificado que a empresa Monte Carlo's Loterias On Line seria de Carlos Alberto. Destaquese que a fiscalização não especifica quais documentos e quais elementos da ação penal fariam a prova do que afirma, nem informa se juntou estes elementos aos autos. Assim, não há como aceitar como comprovada a titularidade imputada. Por sua vez, disse a autoridade lançadora no Relatório Fiscal: Diversos documentos apreendidos foram enviados à Receita Federal e alguns destes demonstram que a empresa já operava, pelo menos, desde o ano de 2001, como se vê Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 11 10 nos documentos: RELATÓRIO DE AUDITORIA OPERACIONAL E CONTÁBIL, DEMONSTRATIVO DO RESULTADO – MONTE CARLOS – BASE 31/10/2001, [...] E no sistema Eprocesso vêse a juntada, aos autos digitais do processo, de documento sob o título AUTOS DE APREENSÃO, correspondente às folhas citadas pela embargante (fls. 258/337), seguido de outro conjunto de documentos (fls. 340/362) que já na terceira página enuncia o título “Relatório de Auditoria Operacional e Contábil”, de onde infiro que a autoridade fiscal, apesar de não indicar a numeração de folhas atribuída pelo sistema Eprocesso aos documentos juntados aos autos, a eles fez referência pelo título atribuído ao documento digitalizado no momento de sua anexação. Mais à frente, consta do voto condutor do acórdão embargado que relativamente ao fato de que a titularidade da Monte Carlo´s era de Carlos Alberto, o Fisco não assume como sua a imputação e não indica em que processo esta imputação estaria demonstrada. Contudo, também se verifica nos autos do processo no Eprocesso um conjunto de documentos denominado INSCRIÇÃO NO CNPJ DE OFÍCIO, digitalizado à fl. 1340/1365, que veicula a representação para esta providência e é acompanhada dos documentos que instruem. Quanto a estes documentos, está anotado no voto condutor do acórdão embargado o que segue: Noutro giro, folheando as vinte e cinco mil (25.000) folhas do processo, juntadas pela fiscalização, se constata uma representação onde se informa que, perante a Justiça, Celina teria declarado que "as bancas de bicho Monte Carlos On Line pertenciam a seu cunhado Carlos Alberto" e que Carlos Alberto teria declarado que "todas as bancas de bicho Monte Carlos que funcionavam em Pernambuco seriam suas" (proc. fls. 1341 a 1342). Porém, esta representação não foi indicada no presente processo pelo fiscal. Também se constata nos autos cópia de depoimentos (não assinados), feitos no processo judicial mencionado na representação, contendo as declarações de Celina e Carlos Alberto (proc. fls. 1343 a 1349) e copia de documento pelo qual Celina transferiria para Carlos Alberto a Monte Carlo's (proc. fl. 1354). No entanto, não consta do relatório fiscal a menção a estes documentos, nem é feita uma análise de seu conteúdo, muito menos é indicada a sua localização. Como visto, a fiscalização faz apenas uma vaga menção a uma ação penal pública onde restaria comprovada a tese que sustenta. Porém, a indicação e a análise do documento, por parte da fiscalização é indispensável para fundamentar a acusação feita pelo Fisco, e não pode ser substituida por uma verificação feita em julgamento. Mesmo porque, nesses mesmos documentos, existem afirmações de Celina e Carlos Alberto divergentes da tese da fiscalização. Todavia, como demonstrado, estes documentos estão juntados aos autos sob o título INSCRIÇÃO NO CNPJ DE OFÍCIO, a evidenciar que são eles o suporte à acusação fiscal. O voto condutor do acórdão embargado também se pauta no fato de que a fiscalização junta mais de vinte e cinco mil (25.000) folhas contendo documentos, sem indicar no seu relatório qual a localização do documento que está se referindo. Contudo, vários documentos digitalizados estão anexados sob os títulos DEMONSTRATIVO DA MONTE CARLOS, FATURAMENTO (LOTINHA), CONTRATOS DE LOCAÇÃO MAQ ENTRE LOMEL E MONTE CARLOS, PLANILHAS DE APURAÇÃO DO JOGO DO BICHO, RELATÓRIOS DIÁRIOS DO JOGO DO BICHO, RELAÇÃO DE LOJAS DA MONTE CARLOS (PE E PB), MOVIMENTO DE MÁQUINAS (vários meses), RELATÓRIO DIÁRIO DE PRÊMIOS, dentre outros, referenciados por estes títulos no Relatório de Fiscalização. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 12 11 As conclusões do acórdão também se pautam em outros vícios da acusação, mas muitos deles decorrentes da falta de informações acerca de elementos reputados relevantes para a formalização da exigência, os quais eventualmente podem estar presentes nos conjuntos de documentos acima referidos. Assim, frente a tal contexto, concluiuse que embora a autoridade fiscal não tenha se valido da prática adotada no passado de referenciar os documentos que suportam suas conclusões por meio da indicação das folhas às quais eles estão juntados aos autos, vinculou suas constatações e apurações aos documentos referenciados pelo título que lhes foi atribuído no momento de sua juntada, digitalizados, aos autos. Daí a necessidade de se avaliar a repercussão, no julgado embargado, dos documentos que se correlacionam com a acusação fiscal pelo título que lhes foi atribuído no momento de sua juntada aos autos. Nestes autos, a Procuradoria da Fazenda Nacional também apontou, subsidiariamente, a necessidade de esclarecimentos acerca da eventual natureza formal do vício que determinou o cancelamento do lançamento. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, os embargos aqui opostos foram admitidos em razão da antes reconhecida vinculação do litígio formado nestes autos e daqueles presentes nos autos dos processos administrativos nº 10480.722536/200924 e 10480.722537/200979. Naqueles autos, os embargos foram acolhidos, mas sem efeitos infringentes, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.141: A embargante inicia sua abordagem fazendo referência à Operação Zebra, objeto do Inquérito Policial – IPL nº 365/2007, na qual foram apreendidos diversos documentos e equipamentos em diferentes locais como descrito nos Mandados de Busca e Apreensão, Autos Circunstanciados de Busca e Apreensão e Autos de Apreensão (fls. 392 a 471). Complementa que: O envio de HDs da Polícia Federal para a Receita Federal foi feito através de ofício (fls. 392 a 471 e fls. 25.185 a 25194). O contribuinte possuía centenas de lojas (589 em Pernambuco, 29 na Paraíba e 7 em Natal) para exploração de jogo do bicho e jogos eletrônicos (máquinas caçaníqueis). Nestas lojas também revendia bilhetes da loteria denominada Lotinha. Frente a este contexto, aponta omissão na condução do julgado porque orientada pela premissa de que a Fiscalização não faz qualquer referência ao endereço em que foi apreendido cada documento e como estes endereços se relacionam com a tese sustentada. Como antes demonstrado, estes documentos constariam do processo e o local de sua apreensão estaria indicado nos mandados de fls. 392 a 471. Consoante relatado, o voto condutor do acórdão embargado faz referências a algumas informações em documentos juntados aos autos, mas descarta seu valor probatório porque não consta do relatório fiscal a menção a estes documentos, nem é feita uma análise de seu conteúdo, muito menos é indicada a sua localização nos autos. Observouse que a análise fiscal não pode ser substituída por uma verificação feita em julgamento e ressaltouse que algumas afirmações presentes naqueles documentos são contraditórias com a tese fiscal. O Relatório de Fiscalização (fls. 25224/25267) traz em sua introdução a notícia da operação policial e da apreensão de documentos, referenciandoos sob o título AUTOS CIRCUNSTANCIADOS DE BUSCA E APREENSÃO e AUTOS DE APREENSÃO. Considerando que, embora não houvesse indicação das folhas do processo nas quais se localizavam as provas colhidas pela Fiscalização, a referência a elas era feita por meio de designação que, em letras maiúsculas, aparentava coincidências com a nomenclatura adotada para anexação dos documentos nos autos digitais, no exame de admissibilidade dos embargos concluiu se que embora a autoridade fiscal não tenha se valido da prática adotada no passado de referenciar os documentos que suportam suas conclusões por meio da indicação das folhas às quais eles estão juntados aos autos, vinculou suas constatações e apurações aos documentos referenciados pelo título que lhes foi atribuído no momento de sua juntada, digitalizados, aos autos. No ponto específico em análise, os Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 14 13 autos digitais exibem os elementos inicialmente referidos às fls. 392/471, como indicado pela embargante: O documento denominado AUTOS DE APREENSÃO principia com a relação de 26 (vinte e seis) mandados de busca e apreensão, associandoos a uma indicação de “Equipe” e a um endereço. Seguemse ofícios da Polícia Federal encaminhando à Receita Federal documentos apreendidos pelas Equipes: PE 26 (itens 05 e 07), PE 11 (item 05), PE 08 (06, 07 e 11), PE 13 (05 a 08, 10 a 16, 19, 22 a 31, 36 a 41), PE 18 (itens 08, 09, 10, 13, 21, 32, 33 e 34 ), PE 16 (itens 06 e 11 a 15 e ainda 01A a 10A, 17A a 20A, 21A (9o), 21A (12o) e 21A (13o), 22A a 33A, 35A a 39A, 44A e 46A), PE 01 (itens 08, 09 e 10, bem como todo o item 16), PE 17 (itens 01, 02, 06, 09 a 11, 13, 15 a 20, 24, 27, 29, 32 a 34, 37, 40 a 50, 52 a 55, 57, 58, 70 a 81 (parte), 83, 87 a 91, 93 a 101, 103, 104, 107 a 111, 113 a 121, 123 a 128, 130 a 133, 135 a 150 153, 155, 156, 158 (procurações), 159, 160, 162, 164, 166, 168, 169, 171, 173 a 178, 181 a 187, 190 a 193, 199, 200, 202, 205 a 207, 211 e 212), PE 19 (documentos retirados da caixa de arquivo correspondente ao item 02 e livros retirados da caixa arquivo correspondente ao item 03), PE 20 (itens A02, A03, A04, A05 e A07), PE 21 (itens 03 a 07), PE 17 (itens 01, 09, 16, 18, 24, 90, 144, 148 e parte restante do item 199) e PE 04 (itens 12 e 15). Além destes ofícios, há outros encaminhando especificamente os HD apreendidos pelas Equipes: PE 18 (itens 01 e 03), PE 04 (itens 01 e 03), PE 07 (item 04), PE 18 (item 04), PE 25 (item 06), PE 26 (item 06), PE 18 (item 02), PE 13 (item 01, 02). Há notícia, ainda, de que alguns HD foram acompanhados de laudos periciais: PE 18 (item 02, 04, 05, 06), PE 17 (itens 59 a 68 e 106). Observase, neste conjunto de documentos, que a relação inicial à fl. 392 permite identificar o local onde a Equipe designada para executar o mandado promoveu a apreensão, assim como os Autos Circunstanciados de Busca e Apreensão, que acompanharam cada ofício recebido, corroboram esta indicação e descrevem os elementos que corresponderiam aos itens enviados à Receita Federal. A título de exemplo, o auto de busca e apreensão de fls. 394/395 indica sua execução na Rua João Clementino, nº 53, Centro, Petrolina/PE, e reportase em seus itens 05 e 07 à apreensão de diversos formulários preenchidos identificados como RELATÓRIO DIÁRIO – LOJA, RELATÓRIO DIÁRIO – COFRE e FECHAMENTO DE Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 15 14 CAIXA, e contrato de locação de bem móvel entre LOMEL – Locadora e Montadora de Máquinas Eletrônicas Ltda e a Monte Carlo´s Loterias on Line. A autoridade fiscal, por sua vez, diz que para o presente lançamento tributário foram analisados documentos apreendidos pela Polícia Federal constantes de diversas caixas com várias indicações, tais como (a título exemplificativo): Equipe PE 17, itens 02, 10, 11, (...), itens 21 a 36. Também foram analisadas, por amostragem, informações constantes de arquivos magnéticos. Na seqüência, aponta existir evidências de que a empresa inscrita de ofício no CNPJ já operava desde 2001, reportandose a documentos sob os títulos RELATÓRIO DE AUDITORIA OPERACIONAL E CONTÁBIL, DEMONSTRATIVO DO RESULTADO – MONTE CARLOS – BASE 31/10/2001, ANEXO PLANILHA “DEMONSTRATIVO DO RESULTADO – MONTE CARLOS”, dentre outros. Por sua vez, às fls. 474/496 estão juntados documentos denominados DEMONSTRATIVOS E RELATÓRIOS, iniciando pela referência à Equipe que executou a apreensão e ao item correspondente ao documento no Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão. Diante de tais circunstâncias, é possível confirmar que integra o item 16 apreendido pela Equipe PE 17 o Instrumento Particular de Transferência, por meio do qual Celina Lúcia Bandeira de Melo transfere Monte Carlo´s Loterias on Line para Carlos Alberto Ferreira da Silva em 19/04/2004. De fato, a partir dos elementos juntados aos Ofícios antes mencionados, no caso especificamente às fls. 427/439, é possível verificar que este documento foi apreendido à Rua Antônio Lumack do Monte, nº 128, sala 1301, Edifício Empresarial Center III, bairro Boa Viagem, estando descrito no item 16 como “Um envelope branco contendo três documentos no seu interior, no envelope contém as inscrições ‘documento de Celina da Monte Carlos’” Ocorre que, do conjunto de documentos às fls. 474/496, apenas a origem daquele instrumento particular está identificada. Na sua seqüência estão juntados os elementos que corroborariam a alegação de que a empresa operava desde 2001 (Relatório de Auditoria Operacional e Contábil de Monte Carlo´s Loterias on Line, de janeiro/2002; Demonstrativo do Resultado Monte Carlos – Base 31/10/2001 e outros documentos correlatos, referentes a períodos de 2001), mas eles não guardam relação com a descrição do item 16 da apreensão promovida pela Equipe PE 17, e não apresentam outra identificação do local no qual foram apreendidos. Por sua vez, os Autos Circunstanciados de Busca e Apreensão trazem informações genéricas acerca dos documentos apreendidos, como dezesseis (16) folhas de papel contendo informações diversas referentes às loterias “MONTE CARLO´S”, pasta, contendo diversos documentos da empresa Monte Carlo´s Loterias on Line, ou uma caixaarquivo contendo diversos documentos, com os dizeres “caixa nº 26...”, dentre outras especificações. Considerando que as apreensões foram realizadas em diversos locais, subsiste a constatação, em relação aos demais documentos de fls. 474/496, de que não foi informado o local de sua apreensão. Na seqüência, a autoridade fiscal diz que através dos autos da Ação Penal Pública nº 2007.83.00.0056875 e dos documentos apreendidos, a Receita Federal verificou que a empresa MONTE CARLO´S LOTERIAS ON LINE é de propriedade do Sr. Carlos Alberto Ferreira da Silva, CPF nº 167.413.82453, e que não estava inscrita no CNPJ. Em razão desta constatação, foi instaurado procedimento para inscrição de ofício no CNPJ através do Processo Administrativo nº 19647.019252/200809. A argumentação fiscal a partir daí limitase a justificar a desnecessidade de intimação da empresa acerca do procedimento de inscrição de ofício e a justificar sua eficácia ex tunc, circunstâncias que, associadas à falta de atendimento às intimações para Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 16 15 apresentação da escrituração comercial e fiscal, ensejaram o arbitramento dos lucros a partir dos anoscalendário 2003 e 2004 e conseqüente exigência de IRPJ e reflexos nos autos dos processos administrativos nº 19647.021938/200851 e 10480.722537/200979, também apreciados por este Colegiado e objeto de embargos. O voto condutor do acórdão embargado aprecia aquela abordagem, consignando que: O único esforço do Fisco consiste em dizer que, por meio dos autos da ação penal pública n° 2007.83.00.0056875 e dos documentos apreendidos, a Receita Federal teria verificado que a empresa Monte Carlo's Loterias On Line seria de Carlos Alberto. Destaquese que a fiscalização não especifica quais documentos e quais elementos da ação penal fariam a prova do que afirma, nem informa se juntou estes elementos aos autos. Assim, não há como aceitar como comprovada a titularidade imputada. Também, cabe enfatizar que a fiscalização, ao invés de dizer que verificou que a titularidade da Monte Carlo's era de Carlos Alberto, diz que tal verificação foi feita pela Receita Federal. Ou seja, o Fisco não assume como sua a imputação e não indica em que processo esta imputação estaria demonstrada. Se por acaso a fiscalização estivesse se referindo ao processo administrativo n° 19647.019252/200809, relativo à inscrição de oficio, estaria incidindo em grave erro. Afinal, não é possível que se pretenda que a autoria de fatos tributáveis lançados e controlados em um processo esteja demonstrada em outro processo. Inclusive, a inscrição de ofício não se presta a comprovar a titularidade de fatos tributáveis. Além disto, a própria fiscalização informa que, desde 2001, Celina Lúcia tem empresa inscrita no CEI com o nome de Monte C. Lot. On Line. Mas, esta informação, longe de evidenciar que Carlos Alberto era quem explorava o jogo e venda de bilhetes, conflita com as próprias conclusões do Fisco. Para que essa informação da fiscalização trabalhasse a favor da tese do Fisco, seria preciso haver alguma demonstração da vinculação entre Celina e Carlos Alberto que atribuísse ao último os fatos da primeira ou alguma outra explicação. Mas, não existe no relatório nenhum esclarecimento sobre este ponto. Se por acaso a fiscalização soubesse de algum elemento que pudesse demonstrar a titularidade que apontou, como por exemplo se tal fato fosse fato notório no Estado de Pernambuco ou nos estados adjacentes, a fiscalização deveria ter mencionado isso e apresentado elementos para demonstrar este fato. Se por acaso a titularidade da empresa estivesse demonstrada em outro processo administrativo ou judicial, os elementos de prova destes processos deveriam ser trazidos ao presente processo e deveriam ser expressamente apontados no relatório fiscal. O que não é possível é fazer a afirmação sem mencionar e se apresentar qualquer elemento de comprovação. Além da implícita referência ao procedimento de inscrição de ofício, a autoridade lançadora somente se reporta, nessa análise, aos recolhimentos de contribuições previdenciárias promovidos desde 2001 por Celina Lúcia Bandeira de Melo, cujo nome de fantasia é MONTE C. LOT. ON LINE. Notase que estas informações constam às fls. 485/495 e foram extraídas de sistemas de arrecadação de receitas previdenciárias, indicando recolhimentos sob a inscrição de Celina Lúcia Bandeira de Melo nas competências de janeiro/2003 a setembro/2007, em que pese o mencionado Instrumento Particular de Transferência, apreendido nos termos anteriores, indique que Celina Lúcia Bandeira de Melo teria transferido Monte Carlo´s Loterias on Line para Carlos Alberto Ferreira da Silva em 19/04/2004. Nos autos digitais constatase que a autoridade lançadora anexou documentos sob o título INSCRIÇÃO NO CNPJ DE OFÍCIO (fls. 1398/1423). Porém, mesmo admitindose que a Fiscalização fez referência a estes elementos em sua acusação ao reportarse a eles pelo título atribuído nos autos digitais, seu conteúdo foi apreciado pelo voto condutor do julgado que apontou outras deficiências na acusação: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 17 16 Noutro giro, folheando as vinte e cinco mil (25.000) folhas do processo, juntadas pela fiscalização, se constata uma representação onde se informa que, perante a Justiça, Celina teria declarado que "as bancas de bicho Monte Carlos On Line pertenciam a seu cunhado Carlos Alberto" e que Carlos Alberto teria declarado que "todas as bancas de bicho Monte Carlos que funcionavam em Pernambuco seriam suas" (proc. fls. 1399 a 1400). Porém, esta representação não foi indicada no presente processo pelo fiscal. Também se constata nos autos cópia de depoimentos (não assinados), feitos no processo judicial mencionado na representação, contendo as declarações de Celina e Carlos Alberto (proc. fls. 1402 a 1407) e copia de documento pelo qual Celina transferiria para Carlos Alberto a Monte Carlo's (proc. fl. 1412). No entanto, não consta do relatório fiscal a menção a estes documentos, nem é feita uma análise de seu conteúdo, muito menos é indicada a sua localização nos autos. Como visto, a fiscalização faz apenas uma vaga menção a uma ação penal pública onde restaria comprovada a tese que sustenta. Porém, a indicação e a análise do documento, por parte da fiscalização é indispensável para fundamentar a acusação feita pelo Fisco, e não pode ser substituída por uma verificação feita em julgamento. Mesmo porque, nesses mesmos documentos, existem afirmações de Celina e Carlos Alberto divergentes da tese da fiscalização. Assim, ainda que se supere a deficiência indicada quanto à localização do documento nos autos, como houve apreciação dos documentos pelo voto condutor do julgado, subsiste a superficialidade da acusação fiscal apontada como motivo para desmerecer a caracterização da sujeição passiva em face de Carlos Alberto Ferreira da Silva. Ressaltese, por oportuno, que o antes mencionado Instrumento Particular de Transferência também está juntado à representação fiscal para inscrição de ofício no CNPJ (fl. 1412), mas seu conteúdo, assim como no Relatório Fiscal que instrui o lançamento, não é invocado para justificar os procedimentos fiscais. A embargante enfatiza que os documentos de fls. 1401/1412 comprovam que o Sr. Carlos Alberto Ferreira da Silva exercia atividades empresariais sob o nome de fantasia MONTE CARLO´S LOTERIAS ON LINE, acrescentando que os termos de depoimentos judiciais foram entregues por Celina Lúcia Bandeira de Melo, e destacando que ela e Carlos Alberto Ferreira da Silva eram representados pelo mesmo procurador durante o procedimento fiscal. Faz referências, ainda, ao Instrumento Particular de Transferência, que não foi mencionado na acusação fiscal. Contudo, por tudo até aqui exposto, estes aspectos não caracterizam omissão no voto condutor do julgado, que enunciou as razões para negar crédito a tais elementos, e no mais representam inovações à acusação fiscal. A acusação fiscal acerca da sujeição passiva atribuída a Carlos Alberto Ferreira da Silva se esgota nos termos antes referidos. Nos tópicos subseqüentes a argumentação fiscal centrase na apuração das receitas e dos prêmios distribuídos, relatando ocorrências nas quais, em regra, Celina Lúcia Bandeira de Melo figura como representante de Monte Carlo´s Loteria on Line. As referências ao autuado (Carlos Alberto Ferreira da Silva) são feitas na citação a emails enviados para o proprietário da empresa fiscalizada encaminhando os relatórios quinzenais dos jogos eletrônicos, mas sem indicar quem seria este proprietário (documentos semelhantes aos de fls. 1478/1479 indicam como destinatário carlos@montecarlos.com.br, mas também vera@montecarlos.com.br, como às fls. 1621 e 2283), e à existência de documento apreendido denominado “Relação de Aquisições de Bens Imóveis” da Monte Carlo´s Loterias on Line, dentre os quais constaria um imóvel adquirido por Carlos Alberto Ferreira da Silva (aspecto mais à frente abordado em razão de alegação específica da embargante). Noticiase, ainda, que Carlos Alberto Ferreira da Silva detinha, até 26/03/2008, 90% do capital de Monte Carlo´s/SP (antiga RAPHILINE), CNPJ 03.892.539/000190, beneficiária de 25% do resultado líquido em relatórios de movimento de máquinas (jogos eletrônicos), sendo que em Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 18 17 resposta a intimações acerca destas operações foi consignado que toda documentação teria sido apresentada no âmbito da fiscalização de pessoa física de Carlos Alberto Ferreira da Silva. Mencionase também que Carlos Alberto Ferreira da Silva detinha 90% das cotas da empresa Sistema Lotérico de Pernambuco, que mantinha contrato com a empresa fiscalizada. É possivelmente neste segundo contexto, com vistas à apuração das receitas e dos prêmios distribuídos, que a autoridade lançadora junta os demais documentos assim nominados nos autos digitais: · RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (fls. 497/675); · CONTRATO LOCAÇÃO MAQ ENTRE LOMEL E MONTE CARLOS (fls. 676/726); · RECEITA E PRÊMIOS DO JOGO DO BICHO (fls. 727/1012); · RECEITA DE JOGO DO BICHO NOS RELATÓRIOS DIÁRIOS (fls. 1013/1397) · RELAÇÃO DE LOJAS (fls. 1424/1452) · RELAÇÃO DE IMÓVEIS (fls. 1453/1467) · PRÊMIOS ACUMULADOS NAS LOJAS (fls. 1468/1475) · MOV MAQ 1QJAN04 a 1QMAR07 (fls. 1476/24610) · RELATÓRIO DIÁRIO DE PRÊMIOS 1 a 8B (fls. 24611/25133) · RECEITA DE JOGO DO BICHO NOS RELATÓRIOS DIÁRIOS B (fls. 25134/25184) De plano observase que estes elementos não estão acompanhados de referências acerca da Equipe e do local de sua apreensão, distintamente do que procedido em relação àquele juntado às fls. 474/475. Algumas planilhas estão acompanhadas de indicação da fonte nos seguintes termos: HD APREENDIDO PELA POLÍCIA FEDERAL E DISPONIBILIZADO EM DVD PARA A FISCALIZAÇÃO (fls. 727/784). Todavia, como antes demonstrado, várias mídias foram apreendidas, em diferentes locais, e entregues pela Polícia Federal à Fiscalização, sendo algumas delas acompanhadas de laudo pericial, de modo que a mera indicação de que a mídia foi apreendida pela Polícia Federal não permite identificar a qual delas se referiria o arquivo extraído. Dentre os elementos acima relacionados, o único contrato que apresenta alguma assinatura, e que assim poderia se constituir em prova autônoma, é aquele firmado entre Lomel Locadora e Montadora de Máquinas Eletrônicas Ltda e Monte Carlo´s Loterias on Line, mas esta representada por Celina Bandeira de Melo (fls. 676/726). A embargante assevera que a assinatura aposta nestes documentos, no campo destinado à representação de Monte Carlo´s Loterias on Line, seria de Carlos Alberto Ferreira da Silva. Este aspecto, porém, também não consta da acusação original, de modo que inexiste a omissão apontada. A embargante destaca que inúmeros imóveis próprios da MONTE CARLO´S (fls. 166 a 185, e em especial fls. 183 a 185) estão declarados nas referidas DIRPFs (fls. 234 a 390) e inclusive são referenciados pelas iniciais MC seguidas de um número, indicando a loja ou a filial a que se refere. Entende, frente a tais circunstâncias, que se os imóveis próprios da MONTE CARLO´S estão declarados nas DIRPFs de Carlos Alberto, este é mais um elemento a demonstrar que a MONTE CARLO´S era um nome de fantasia utilizado pela aludida pessoa física para realizar as atividade econômicas a ele imputadas. Porém, a referência a documento apreendido denominado “Relação de Aquisições de Bens Imóveis” da Monte Carlo´s Loterias on Line, dentre os quais constaria um Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 19 18 imóvel adquirido por Carlos Alberto Ferreira da Silva, é consignada de forma secundária no Relatório Fiscal, apenas para vincular lojas de outros Estados como filiais da Monte Carlo´s Loterias on Line. Assim, a argumentação da embargante, em verdade, busca exteriorizar a interpretação acerca dos documentos juntados aos autos que o voto condutor do julgado afirmou ausente. Frente a todo o exposto, subsiste incólume a conclusão do voto condutor do julgado embargado, no sentido de as provas juntadas aos autos carecerem de informação acerca do local de sua apreensão. Há apenas provas de que documentos foram apreendidos em diversos locais nos quais a Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão. Mas somente é possível correlacionar com a apreensão o documento de fls. 474/475. Ainda, mesmo admitindose que a referência aos documentos juntados aos autos foi feita por meio do título atribuído por ocasião de sua anexação aos autos digitais, na medida em que os termos do Relatório Fiscal foram precisamente analisados no voto condutor do julgado e não se identificou acusação complementar nos documentos anexados aos autos digitais, subsiste a conclusão do acórdão embargado no sentido de que a análise do documento, por parte da fiscalização é indispensável para fundamentar a acusação feita pelo Fisco, e não pode ser substituída por uma verificação feita em julgamento. Esclareçase, por fim, que não tem lugar, em sede de embargos, a menção acerca do fato de que o autuado/recorrido em nenhum momento, seja em sua impugnação, seja em seu recurso voluntário, se insurge contra a imputação que lhe foi feita. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o recurso manejado prestase, apenas, a afastar obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou suprir omissão acerca de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Impróprio, assim, buscar por este meio a alteração da conclusão do julgado, mormente tendo em conta que o recurso voluntário antes apreciado traz tópico específico apontando erro na sujeição passiva do lançamento, além de diversos questionamentos acerca da qualidade das provas que o suportam, porque apreendidas pela Polícia Federal sem a agregação de outros elementos que as corroborassem para construção do que entendeu ser mera presunção fiscal. Assim, embora identificada omissão em relação à apreciação dos documentos referenciados no Relatório Fiscal pelo título atribuído ao arquivo por ocasião de sua anexação aos autos digitais, constatase que o conteúdo destes arquivos não supre as demais deficiências que os desqualificam como prova nestes autos, bem como não complementa a acusação fiscal nos pontos em que o voto condutor do julgado a afirmou insuficiente, especialmente no que tange à atribuição da sujeição passiva a Carlos Alberto Ferreira da Silva, aspecto determinante para a manutenção das exigências, haja vista que o lançamento não foi formalizado contra uma pessoa jurídica regularmente constituída, mas sim atribui a uma pessoa física os resultados de uma atividade empresarial, em equiparação nos termos do art. 150 do RIR/99. Estas as razões, portanto, para ACOLHER os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, mas sem efeitos infringentes. Nestes autos, a exigência de fls. 01/34 está instruída com os ofícios da Polícia Federal que encaminharam à Receita Federal parte da documentação apreendida na Operação Zebra (fls. 35/114), demonstrativos e relatórios que evidenciariam as atividades de Monte Carlo´s Loterias on Line desde 2001 (fls. 115/125), procedimento de inscrição de ofício no CNPJ (fls. 125/141), intimações fiscais para apresentação de livros (fls. 144/154), questionamentos acerca da inscrição de ofício no CNPJ (fls. 155/161), documentos acerca das operações no anocalendário 2003 (fls. 162/200), Instrumento Particular de Transferência com Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19647.021938/200851 Acórdão n.º 1101001.143 S1C1T1 Fl. 20 19 indicação do local de sua apreensão (fls. 203/205), demonstrativos de apuração do crédito tributário (fl. 206). Observese que os autos deste processo administrativo foram originalmente constituídos em papel, e somente depois digitalizados. Desta forma, o Relatório Fiscal traz a referência às folhas nas quais os documentos que instruem a exigência foram juntados. De toda sorte, também nestes autos, o único documento apreendido que está associado ao local de sua apreensão é o instrumento de fls. 203/205, subsistindo genéricas demais referências, além de a caracterização da sujeição passiva se dar nos mesmos termos apreciados no voto condutor do acórdão antes reproduzido. Por fim, quanto ao questionamento complementar da embargante acerca da natureza do vício que determinou o cancelamento do lançamento, resta evidente no voto condutor do acórdão embargado que a exigência foi cancelada porque não provada a sujeição passiva atribuída ao autuado, e subsidiariamente também porque não provados os fatos tributáveis a ele atribuídos. Assim, o cancelamento da exigência decorre de sua improcedência de mérito, não se cogitando de qualquer vício de natureza formal, como parece supor a embargante. Frente a tais circunstâncias, à semelhança do que decidido nos casos conexos, também aqui os embargos devem ser ACOLHIDOS, mas sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720372/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96).
Multa Agravada. Não Atendimento à Fiscalização.
A falta de atendimento à fiscalização, evidenciada pela ausência de respostas aos Termos de Intimações Fiscais e pela não entrega de livros e documentos contábeis e fiscais, aos quais se sujeita a contribuinte, configura descaso com a Administração Tributária e impõe o agravamento da penalidade.
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1102-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermam Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Multa Agravada. Não Atendimento à Fiscalização. A falta de atendimento à fiscalização, evidenciada pela ausência de respostas aos Termos de Intimações Fiscais e pela não entrega de livros e documentos contábeis e fiscais, aos quais se sujeita a contribuinte, configura descaso com a Administração Tributária e impõe o agravamento da penalidade. Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11040.720372/2012-48
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374482
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.113
nome_arquivo_s : Decisao_11040720372201248.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 11040720372201248_5374482.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermam Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5597861
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032216682496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.720372/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.113 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria IRPJ ICMS/EXCLUSÃO BASE DE CÁLCULO PIS E COFINS Recorrente CLINEU CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ICMS DEVIDO PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. INCLUSÃO. PIS. COFINS O ICMS incidente sobre o valor da venda de mercadorias ou da prestação de serviços é parcela calculada por dentro e integra o faturamento, representando despesa do vendedor. Arbitramento. Hipóteses Legais. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, sequer o Livro Caixa, espelhando toda a movimentação financeira, no caso de ser optante pelo regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). ARBITRAMENTO. SUBCONTRATAÇÃO. RECEITA BRUTA. Os valores relativos a despesas com subcontratação de serviços de fretes, transportes de cargas, ou outros, não podem ser deduzidos da receita bruta, ou faturamento, base de cálculo para a apuração do lucro arbitrado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Multa Agravada. Não Atendimento à Fiscalização. A falta de atendimento à fiscalização, evidenciada pela ausência de respostas aos Termos de Intimações Fiscais e pela não entrega de livros e documentos contábeis e fiscais, aos quais se sujeita a contribuinte, configura descaso com a Administração Tributária e impõe o agravamento da penalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 03 72 /2 01 2- 48 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 3 2 Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermam Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Adoto trechos do relatório e voto do Acórdão nº 1038.798/12, efls. 165 a 172, exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, ora recorrido, para esclarecer os fatos: “A empresa teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 8/9), Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 17), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 24) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 33). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 269.274,40, calculado até 29/02/2012. O relatório da ação fiscal está às fls. 42/46. A ciência dos autos de infração ocorreu em 26/03/2012. A contribuinte é empresa individual atuando no ramo de transporte rodoviário de cargas. Sofreu fiscalização relativa ao anocalendário 2008, período em que apurou os resultados pelo lucro presumido. O agente do fisco intimou a fiscalizada a apresentar os livros diário e razão ou livro caixa, mas não foi atendido. Houve reintimação, também sem sucesso. Foi oficiado ao fisco estadual solicitando as Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAs). Por elas foi possível constatar que a contribuinte omitia receitas ao fisco federal, pois Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 4 3 as receitas declaradas giravam em torno de 12% daquelas declaradas nas GIAs. Parte dos valores informados em DIPJ eram referentes a comissões recebidas de pessoas jurídicas, para as quais a contribuinte utilizou o coeficiente de presunção do lucro de 16%. Ao efetuar o lançamento pelo lucro arbitrado, a autuante utilizou o coeficiente de 38,4% (32% + 20%) por ser esse o coeficiente aplicável à prestação de serviços. Em razão da não apresentação dos livros da escrituração, foi arbitrado o lucro, considerandose receita bruta: (1) os valores constantes em GIAS, mais (2) receita de comissões e corretagens e serviços de propaganda. Houve a aplicação de multa de ofício de 225% no lançamento relativo às infrações sujeitas ao coeficiente de presunção do lucro de 9,6% e de 112,5% no lançamento referente à prestação de serviços sujeita ao coeficiente de 38,4%, ambos percentuais exasperados pelo não atendimento às intimações. Razões de defesa Não haveria razões lógicas e jurídicas para o arbitramento. O próprio impugnante sintetiza seus argumentos (fls. 98): Para resumir, o arbitramento, sob pena de nulidade, precisa respeitar todos os princípios constitucionais que asseguram a tributação, conforme a capacidade econômica do contribuinte, não sendo lícito usálo por mera conveniência da autoridade administrativa, usando base de cálculo indevida para calcular os tributos, como feito no caso vertente, esmagando os direitos do contribuinte, e revelando escancaradamente sua nulidade, que ora se requer seja proclamada, como restará evidenciado nesta impugnação. Não haveria, na legislação, dispositivo que obrigue o contribuinte a entregar seus livros à autoridade fiscal. Há autorização somente para aumentar o percentual de multa pelo desatendimento de intimação. O lançamento por arbitramento, então, seria nulo. Alega a insurgente (fls. 99): (...) Afirma que a subcontratação é prática comum nas prestações de serviços de transporte rodoviário de cargas e teria ocorrido no caso concreto, mas houve ineficiente capacidade fiscal de apurála adequadamente. Os valores recebidos pela subcontratada, embora transitem pela contabilidade da autuada, não integrariam a receita dessa. São meros ingressos que não importam em aumento no patrimônio da sociedade. Alega que o ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins (...) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 5 4 Contesta, também, a aplicação da Selic para corrigir tributos, por ilegal. A multa de 225% seria abusiva e inconstitucional, por configurar confisco. VOTO (...) A contribuinte alega a existência de inconstitucionalidades na legislação, de forma especial, quanto ao caráter alegadamente confiscatório das multas de ofício aplicadas, o desrespeito à capacidade econômica da contribuinte e a inviabilidade da utilização da taxa Selic para corrigir tributos. Desconheço dessas alegações, tendo em vista o entendimento pacífico entre os julgadores desta Turma de que os órgãos administrativos estão adstritos a aplicar as leis em vigor, sobre cuja constitucionalidade apenas ao Poder Judiciário incumbe decidir. (...) Os percentuais de multa aplicados estão em consonância com os previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e foram aumentados de metade, pelo não atendimento às intimações. (...) (...) devem ser expostos os motivos que justifiquem a perícia, formulados os quesitos e nomeado o perito. Se não atender a todos esses requisitos, considerase como não formulado o pedido de perícia. No caso em tela, a contribuinte não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, nem nomeou o seu perito. Em razão disso, considerase como não formulado o pedido de perícia por inobservância do previsto no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. (...) A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido deve manter escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal, ou livro caixa, no qual deve escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Essa obrigatoriedade está prevista no art. 527, inciso I, e § único, do RIR/1999, que assim dispõe: (...) Por isso, quando solicitado pelo Fisco, o contribuinte deve exibir os documentos e os respectivos livros comerciais e fiscais ou o livro caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, em boa ordem, escriturados e em dia. O arbitramento do lucro constitui uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda, quando não se possa, por meio de outro critério, determinar corretamente o valor do lucro a ser tributado. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 6 5 (...) A autorização legal para o arbitramento do lucro, quando o contribuinte é optante pelo lucro presumido, no caso da não apresentação do livro caixa devidamente escriturado ou a escrituração completa, é prevista no art. 530, inciso III, do RIR/1999, a seguir é transcrito: (...) Mesmo intimada e reintimada, a contribuinte não apresentou o livro caixa escriturado de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 527, parágrafo único, do RIR/1999, nem os livros de sua escrituração contábil, estando, portanto, sujeita ao arbitramento do lucro. (...) O arbitramento do lucro é a medida última quando não há possibilidade de se confirmar a apuração realizada pela sociedade (Lucro Real ou Presumido) ou quando não houve apuração de resultados. O aumento da metade da multa de ofício por desatendimento de intimações do fisco não se confunde com apuração do lucro, tratase de punição pela mora na verificação e por acarretar maior ônus à administração pela demanda de diligências e outras fontes de informações. No caso concreto, foi necessário recorrer ao fisco estadual para obtenção dos dados. A impugnante entende que se não forem acatadas suas razões de defesa no tocante à insubsistência do arbitramento, deve ser reaberto o prazo para impugnação. Não há previsão para que novo prazo de impugnação seja concedido. O prazo é de 30 dias a contar da intimação exigência, conforme previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/1972. (...) Não há base normativa para exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. O ICMS, por expressa disposição do art. 13 da Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996, integra o preço da mercadoria, e é apurado "por dentro", integrando portanto a receita bruta tributável. Evidenciase que, tributada no lucro arbitrado, descabe a pretensão da impugnante de deduzir o ICMS da receita bruta, na apuração da base de cálculo do lucro nessa modalidade, visto que, como dito, o ICMS integra o preço de venda, e que o percentual para obtenção do lucro arbitrado se aplica sobre o valor total da venda (receita bruta), já que o lucro que se apura nesse sistema é o arbitrado e não o real. O entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça é de que o ICMS integra a base de cálculo da Cofins, como se vê na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CALCULO. ICMS. Tudo quanto entra na empresa a título de preço pela venda de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 7 6 mercadorias é receita dela, não tendo qualquer relevância, em termos jurídicos, a parte que vai ser destinada ao pagamento de tributos. Conseqüentemente, os valores devidos a conta do ICMS integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Recurso especial não conhecido. (RESP 152736 / SP; Recurso Especial 1997/00757897 Min. Ari Pargendler 2 a Turma STJ). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf também vem decidindo nesse sentido, como demonstra o acórdão abaixo: (...) A impugnante refere que houve subcontratação de terceiros para realizar o transporte de mercadorias. (...) O argumento veio desacompanhado de qualquer comprovação. Como já dissemos, a contribuinte nunca apresentou sua escrituração (ou livro caixa) onde eventualmente teria escriturado as despesas com subcontratados, nem qualquer documento que comprove isso. Por outro lado, como houve o arbitramento do lucro, correto o procedimento da fiscalização em considerar como base de cálculo os valores totais dos fretes recebidos, não cabendo, por falta de previsão legal e de comprovação, excluir aqueles alegadamente transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados. Esses valores, se comprovados, somente poderiam ser deduzidos como custos ou despesas, caso fosse adotada a forma de tributação pelo lucro real, que não é o caso da contribuinte. (...)” A empresa apresentou o Recurso Voluntário, em 14 de novembro de 2012, às efls. 182 a 194, de forma tempestiva (AR às efls 181, 15/10/12), reiterando os termos da impugnação, em síntese: a) defende que o ICMS não pode ser incluído nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; este é o entendimento do Supremo Tribunal Federal; b) os valores pagos pela recorrente em razão de subcontratações deveriam ter sido expurgados pela auditoria fiscal; c) insurgese contra o indeferimento da perícia solicitada; d) pede a desqualificação da multa. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Tratase de arbitramento de lucro em virtude da não apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais aos quais se sujeitava a empresa a manter em boa ordem e guarda. Este fato está solidamente demonstrado nos autos, constatandose verídica a informação do Relatório Fiscal – efls. 42 a 46: “O prazo para atendimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal esgotouse, sem qualquer manifestação do contribuinte. Dessa forma, em 24/02/2012 reintimamos o contribuinte a apresentar os documentos requisitados através do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Novamente, o prazo para atendimento do requisitado se esgotou sem qualquer manifestação do contribuinte. Como não houve resposta do contribuinte às requisições da fiscalização, com a finalidade de termos acesso ao faturamento do contribuinte, enviamos o Ofício nº 158/2012/DRF Pel/SRRF10/RFB/MFRS (1º de março de 2012) à Delegacia da Fazenda Estadual em Pelotas/RS, solicitando que nos fossem remetidas as Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAs) do fiscalizado referentes ao anocalendário de 2008.” A pretensão da recorrente, portanto, em comprovar que os valores utilizados pela fiscalização são indevidos por intermédio de exames contábeis em documentos e livros não apresentados durante o procedimento fiscal não pode ser acolhida. Esta matéria encontra se sumulada por este Conselho de julgamento: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. A perícia contábil solicitada pela recorrente é desnecessária em face aos elementos constantes dos presentes autos e prescindível para formar a convicção no julgamento desta lide. Procedentes, ainda, as razões de decidir expostas no acórdão recorrido. A preliminar de nulidade do acórdão recorrido pelo indeferimento de perícia resta afastada. A respeito da exclusão do ICMS das bases de cálculos do PIS e da Cofins, adoto de forma integral o entendimento esposado no Acórdão nº 1101001.035, sessão de 11/02/2014, cujo votocondutor é de lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 9 8 "Oportuno registrar que também está sob apreciação do Supremo Tribunal Federal a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 18, que também trata da exclusão de ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, mas apenas no que se refere ao ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador de serviços na condição de substituto tributário, prevista no art. 3o, §2o, inciso I da Lei n° 9.718/98. Aqui, além de a pretensão da contribuinte se verificar na vigência das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2002, a exclusão alegada diz respeito ao ICMS devido pelo próprio contribuinte, vendedor dos bens ou prestador de serviços, em razão da saída de mercadorias de seu estabelecimento. Por sua vez, esta Relatora compartilha do entendimento reafirmado pelo Superior Tribunal de Justiça em favor da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, conforme já sumulado por aquele Tribunal Superior e pelo extinto Tribunal Federal de Recursos: Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM. (Súmula TRF n° 258) A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. (Súmula STJ n° 68) A parcela do ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (Súmula STJ n° 94) Em que pese o Superior Tribunal de Justiça tenha firmado o entendimento de que o conceito de faturamento para fins de incidência de contribuição ao PIS e à COFINS é matéria eminentemente constitucional, que foge da sua competência no âmbito do Recurso Especial (REsp n° 1.017.645/CE e AgRg no REsp n° 1.224.734/RN), os julgamentos mais recentes proferidos naquele Tribunal mantiveramse favoráveis à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, como se vê na ementa do AgRg no RESP n° 1.215.903/DF (publicado em 14/04/2011): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE. O óbice ao julgamento da presente demanda, antes imposto por decisão liminar proferida na MC na ADC 18, em curso no Supremo Tribunal Federal, não mais existe, haja vista que os efeitos da última prorrogação da liminar que suspendia o julgamento de todas as causas desta jaez, por mais 180 (cento e oitenta) dias, expiraram em outubro de 2010. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, por suas duas Turmas de Direito Público, possui o uníssono entendimento de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94/STJ. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 10 9 Precedentes: AgRg no Ag 1.071.044/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 8.2.2011, DJe 16.2.2011; AgRg no Ag 1.282.409/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 22.2.2011, DJe 25.2.2011. Agravo regimental improvido. E isto porque, mesmo à época em que tais contribuições incidiam apenas sobre o faturamento, entendido como receita bruta de vendas e de prestação de serviços, já se podia afirmar que todas as parcelas recebidas pela empresa a título de preço de venda de mercadoria é receita sua, sendo irrelevante o fato de alguma parte ser destinada ao pagamento de tributos. Neste sentido, o legislador trouxe previsão expressa para excluir, da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, apenas, o IPI e o ICMS recebido na condição de substituição tributária, na medida em que o primeiro é calculado por fora e, assim como o ICMS decorrente de substituição tributária, é recebido pelo vendedor na condição de depositário de tributos devidos por terceiros que devem ser repassados à Fazenda Pública. Já o ICMS incidente sobre o valor da venda de mercadorias ou da prestação de serviços é parcela calculada por dentro e integra o faturamento, representando despesa do vendedor. Assim, ausente autorização legal para sua exclusão, deve ser rejeitada a pretensão da recorrente." Importante ressaltar que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral deste tema, porém o leading case (Recurso Extraordinário n. 574.706) ainda não foi julgado. Por sua vez, o art. 62A do RICARF foi alterado com a revogação dos parágrafos primeiro e segundo e não mais autoriza o sobrestamento do feito administrativo, por meio da Portaria MF nº 545/2013. A exclusão do ICMS das bases de cálculos do PIS e da Cofins não pode ser admitida, portanto, pelo que correta autuação fiscal neste aspecto. A recorrente argumenta que os valores de subcontratações realizadas deveriam ter sido expurgados pela fiscalização na consideração das bases de cálculos dos tributos exigidos de ofício. O raciocínio da recorrente está equivocado. O artigo 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) estabelece a base de cálculo para as pessoas jurídicas que optam pela apuração do lucro na forma presumida, remetendo ao art. 224 do mesmo diploma legal: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 11 10 Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Os resultados, por conseguinte, das operações realizadas pelo optante ao regime de tributação do Lucro Presumido não é relevante, ainda que resultem em prejuízo à pessoa jurídica. Esta forma de opção para a apuração do lucro é vantajosa para as pessoas jurídicas que não possuem muitos custos (a serem deduzidos quando a apuração é realizada pelo Lucro Real) e evita a aplicação da alíquota do tributo diretamente sobre o lucro real, porém incide sobre o resultado da aplicação de determinado percentual, dependendo da atividade, da receita bruta. Daí decorre a presunção do lucro. E as deduções admitidas pela norma tributária são somente aquelas que o próprio art. 224 do RIR/99, em seu § único, determina: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, pois, é vedado aos contribuintes pretenderem usar como base de cálculo para a aplicação do coeficiente (que já estima, presume, a receita líquida) sobre uma receita líquida calculada e não a bruta efetivamente auferida, ou faturamento, no caso em concreto, o valor total dos serviços prestados e transportes de cargas (art. 532 do RIR/99). Há que se lembrar, ainda, que a opção pela forma de apuração do lucro na forma presumida é irretratável para o anocalendário – art. 516, § 1ª do RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). A jurisprudência administrativa tem se manifestado neste sentido. Colaciono ao julgado as ementas: Acórdão nº 10707.7931, de 20/10/2004 IRPJ LUCRO PRESUMIDO O ingresso livre e espontâneo na sistemática do lucro presumido faz supor que o contribuinte conhece de antemão suas regras e que está disposto a abrir mão da apuração contábil em prol da simplicidade de presumir o lucro com base num percentual fixo da receita bruta, acrescido do resultado positivo das demais receitas e negócios. Não há 1 https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 12 11 previsão legal para dedução do lucro presumido dos resultados negativos em operações. Acórdão nº 1101001.066, de 12/03/2014 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Se a pessoa jurídica, optante pelo Lucro Presumido, deixar de exibir sua escrituração, especificamente o Livro Caixa, após intimação regular, deve ter seu lucro arbitrado, como determina a legislação de regência. LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTE. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas quando conhecida a receita bruta será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda, acrescidos de vinte por cento (RIR 99 art. 532). Nada a reparar nos lançamentos tributários que observaram as normas de regência para as pessoas jurídicas que optam pelo regime de apuração do lucro na forma presumida. Mantémse a autuação conforme realizada. A recorrente, por fim, requer a desqualificação da multa de ofício, sem adentrar às razões de pedir. A autoridade fiscal justificou a qualificação e agravamento da multa de ofício nos seguintes termos – Relatório Fiscal, efls. 45 e 46: “Multa aplicada Conforme descrito acima, o contribuinte, regularmente notificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal e das Intimações, não atendeu a nenhuma das requisições. Em virtude desse fato, foi aplicada a multa de 112,5% prevista no inciso I do artigo 959 do RIR/1999, Decreto nº 3.000/1999 aos valores lançados referentes à prestação de serviço sujeita ao coeficiente de 38,4% (Valores constantes das tabelas II e III acima). Na DIPJ referente ao anocalendário de 2008, o contribuinte, reiteradamente nos 4 trimestres, informou valores de receita bruta bastante inferiores aos valores levantados neste procedimento fiscal. No que tange à receita bruta sujeita ao coeficiente de presunção do lucro de 8%, o contribuinte informou na DIPJ apenas cerca de 12% da receita bruta apurada neste procedimento, o que montou um total anual de omissão dessa receita de R$ 821.834,94. Devido a esse fato e ainda ao fato de o contribuinte não ter atendido às requisições da fiscalização, foi aplicada a multa de 225% prevista no inciso II do artigo 959 do RIR/1999, Decreto nº 3.000/1999 às infrações sujeitas ao coeficiente de presunção do lucro de 9,6% (Valores constantes da tabela I acima).” Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 13 12 O agravamento da multa de ofício referese à falta de atendimento pela recorrente às Intimações Fiscais. No presente caso, houve, de fato, total descaso da empresa em relação à fiscalização. A própria recorrente admite em sua defesa inicial que a multa pelo não atendimento à qualquer das solicitações fiscais é devida. Como já considerado no início deste voto, é fato inconteste a empresa não ter atendido à fiscalização sequer no fornecimento dos livros e documentos fiscais e contábeis a que estava obrigada por lei, ou justificar a recusa em fornecêlos, ou, ainda, sequer responder aos termos fiscais. A fiscalização valeuse de informações fornecidas por intermédio de convênios firmados (no caso, com a Secretaria da Fazenda Estadual que forneceu as GIA entregues pela contribuinte) para conhecer a receita bruta da empresa e poder proceder aos lançamentos tributários. Procedente, no presente caso, a aplicação do agravamento da multa de ofício prescrita no artigo 44, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] Mantémse o agravamento da multa de ofício. Com relação à multa aplicada na forma qualificada, a justificativa é a omissão de receita praticada em valor relevante aos olhos da autoridade fiscal. Repriso: Na DIPJ referente ao anocalendário de 2008, o contribuinte, reiteradamente nos 4 trimestres, informou valores de receita bruta bastante inferiores aos valores levantados neste procedimento fiscal. “No que tange à receita bruta sujeita ao coeficiente de presunção do lucro de 8%, o contribuinte informou na DIPJ apenas cerca de 12% da receita bruta apurada neste procedimento, o que montou um total anual de omissão dessa receita de R$ 821.834,94. Devido a esse fato e ainda ao fato de o contribuinte não ter atendido às requisições da fiscalização, foi aplicada a multa de 225% prevista no inciso II do artigo 959 do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11040.720372/201248 Acórdão n.º 1102001.113 S1C1T2 Fl. 14 13 RIR/1999, Decreto nº 3.000/1999 às infrações sujeitas ao coeficiente de presunção do lucro de 9,6%. Voto no sentido de manter a multa na forma decidida pela DRJ. Da tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. No mais, adoto as razões de decidir da Turma Julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902414/2012-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.902414/2012-20
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5380199
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.569
nome_arquivo_s : Decisao_10935902414201220.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10935902414201220_5380199.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5619818
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032238702592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902414/201220 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.569 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/08/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 14 /2 01 2- 20 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.719, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 35752.93305.161107.1.2.046847, rastreamento nº 029224720, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 23.653,74, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/07/2006, efetuado em 15/08/2006, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902414/201220 Acórdão n.º 3802002.569 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/08/2006 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902414/201220 Acórdão n.º 3802002.569 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902414/201220 Acórdão n.º 3802002.569 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902414/201220 Acórdão n.º 3802002.569 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915906/2008-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.915906/2008-81
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5382364
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.844
nome_arquivo_s : Decisao_10880915906200881.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10880915906200881_5382364.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5632515
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032250236928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915906/200881 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.844 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria PIS/COFINS ZONA FRANCA DE MANAUS Recorrente MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 06 /2 00 8- 81 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/12/2000). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 2.236,37 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 13 4 pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915906/200881 Acórdão n.º 3801003.844 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906296/2012-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/03/2009 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.906296/2012-29
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372841
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.263
nome_arquivo_s : Decisao_10935906296201229.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10935906296201229_5372841.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5589668
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032257576960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 11 1 10 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906296/201229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802003.263 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente L A G MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2009 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 96 /2 01 2- 29 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906296/201229 Acórdão n.º 1802003.263 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001184/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 25 de maio de 2013
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11070.001184/2005-31
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374168
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-000.073
nome_arquivo_s : Decisao_11070001184200531.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 11070001184200531_5374168.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 25 de maio de 2013
dt_sessao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5597339
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047032261771264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001184/200531 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.073 – 2ª Turma Especial Data 12 de julho de 2013 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente HELIO ANTONIO BAGGATTINI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 25 de maio de 2013 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 148/155, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, que apurou um imposto de renda suplementar no valor de R$ 4.536,21, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, em virtude de alteração dos rendimentos tributáveis de R$ 28.242,94,07 para R$ 56.696,58, decorrente de reclamatória trabalhista e a titulo de resgate de contribuições de previdência privada. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01/30), acatada como tempestiva., alegando consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 01 18 4/ 20 05 -3 1 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 3 2 · Ofereceu à tributação rendimentos além dos que deveriam ser tributados, em virtude de incorreções praticadas em sua declaração. · A fiscalização tributou parcelas insuscetíveis de incidência do Imposto de Renda, visto que somente excluiu do valor bruto percebido pelo impugnante, para fins de estabelecer a base de cálculo, as parcelas correspondentes ao FGTS e a respectiva multa, assim corno os juros sobre essa incidentes, o que está errado. · Do valor total recebido da reclamatória trabalhista (R$ 49.127,93), devem ser excluídas, por serem rendimentos isentos ou nãotributáveis, as correspondentes a diferenças de verbas rescisórias (R$ 2.360,10); indenização do uso do veiculo (R$ 11.961,66); devolução de Seguro Meridional SVG (R$ 20,63); juros de mora de 120,18% (R$ 25.850,13); FGTS + 40% base — 6.864,51% (R$ 802,25); e Juros s/ o FGTS de 120,18% (R$ 964,38), totalizando R$ 41.959,15. · Além desses valores, também devem ser excluídos da base de cálculo, por não constituírem rendimentos tributáveis os honorários advocatícios pagos para obter o resultado colhido na reclamatória trabalhista, no valor de R$ 2.225,09 e o valor de R$ 900,00, correspondente ao resgate parcial do Plano de Previdência Privada. · Em virtude desses ajustes, aos rendimentos tributáveis decorrentes de reclamatória trabalhista percebidos pelo impugnante no ano de 2001, no valor de R$ 4.043,69, devem ser somados os demais rendimentos já declarados, no valor de R$ 11.492,16, chegandose a urna base imponível de R$ 15.535,85, da qual deve ser deduzido o desconto simplificado (R$ 8.000,00), restando uma base de cálculo no valor de R$ 7.535,85, que se situa dentro da faixa de isenção do imposto de renda, devendo ser restituído ao impugnante o imposto no valor de R$ 4.532,95, devidamente atualizado. · Ao contrário do entendimento da Administração Tributária, a declaração de rendimentos somente estava errada por não ter excluído da base de cálculo valor que não deveriam ser tributados, devendo ser mantidos incólumes seus efeitos naquilo que são favoráveis ao contribuinte, em vista do principio da vinculação do ato administrativo e por não existir disposição legal que obrigue a tributação das parcelas como pretendido pela fiscalização. · As verbas antes indicadas pelo impugnante como nãotributáveis têm natureza indenizatória e, como tal, lido constituem renda, estando excluídas do fato gerador do imposto, conforme disposições doa rt. 43, do Código Tributário Nacional (CTN). · Não incide o IRPF sobre as diferenças de verbas indenizatórias recebidas cm virtude de rescisão de contrato de trabalho. Tal entendimento foi acatado nas diversas decisões judiciais que foram prolatadas na reclamatória trabalhista, o que caracteriza a coisa julgada, nos termos dos artigos 467 e seguintes do Código de Processo Civil e artigo 5 0, inciso XXXVI, da atual Constituição Federal, que não podem ser desconsiderados pela fiscalização para querer tributar tais parcelas, ignorando tais comandos judiciais, legais e constitucionais. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 4 3 · As verbas indenizatórias percebidas pelo impugnante pela utilização de veiculo próprio em proveito do empregador não constituem renda, sendo isentas de tributação pelo IRPF. · A devolução do valor pago pelo empregado durante a vigência do contrato de trabalho, a titulo de seguros, é mera reposição de seu patrimônio, não podendo ser tributado pelo IRPF, por não constituir fato gerador desse tributo. · Os juros de mora têm caráter indenizatório, não constituindo renda e, em conseqüência, também não podem sofrer a incidência do IRPF. · Mencionou o impugnante vasta jurisprudência e doutrina a corroborar seu entendimento. · 0 resgate das contribuições recolhidas ao Plano de Previdência Complementar da Brasil Prey, por ocasião do desligamento do impugnante do respectivo plano é isento do 1RPF, na forma das disposições do art. 7°, da Lei n° 7.713, de 1988 e medidas provisórias que versaram sobre o tema. · 0 valor dos honorários advocatícios pagos para receber os rendimentos deve ser excluído da base de cálculo do IRPF. · A imposição da multa de oficio carece de suporte fático autorizativo, e é ilegal, já que o impugnante promoveu a denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, por já ter se antecipado e incluído todo rendimento tributável em sua declaração. · A multa no percentual de 75% tem caráter confiscatório, além de ferir diversos outros princípios constitucionais, como o da razoabilidade, da moralidade e da proporcionalidade, devendo ser aplicada a multa no percentual máximo de 20%, como estabelece a legislação aplicável, especialmente o art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, se alguma parcela for considerada devida. · Requereu o impugnante que seja julgado insubsistente o lançamento afastada toda ilegalidade, inconstitucionalidade, excesso e erro, ajustando e delimitando os valores da exigência fiscal de forma mais favorável ao contribuinte; excluída a multa de oficio ou reduzida para 20%; e revisada a sua declaração, restituindolhe o valor que lhe seja devido. · Requereu, ainda, o impugnante, que lhe seja permitido provar suas alegações por todos os meios de prova em direito admitidos, seja por documentos, perícias e outros. · Juntamente com a impugnação foram apresentados os documentos que se encontram As lis. 31 a 102. · O dossiê do contribuinte foi anexado As fls. 105 a 164. A 2ª Turma DRJ/Santa Maria/RS, conforme Acórdão 186.887 de fls. 167 a 174, julgou procedente o lançamento. A ciência de tal julgado se deu em 30/04/2007, consoante o Termo de Ciência de fls. 177. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 5 4 Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/05/2007 (fls. 179/217), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Voto: Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº. 7.713/1988(fls. 42/75): Ocorre que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº. 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento, entendo que é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº. 586/2010. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11070.001184/200531 Resolução nº 2802000.073 S2TE02 Fl. 6 5 nos autos do RE n.º 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
