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Numero do processo: 11080.720097/2018-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento.
Numero da decisão: 2002-000.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 00 97 /2 01 8- 81 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.720097/201881 Acórdão n.º 2002000.776 S2C0T2 Fl. 87 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 05/09) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 24/30), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou Impugnação conforme excerto a seguir reproduzido (efls. 03/04): Senhores venho por meio desta esclarecer os fatos ocorridos. Não chegou nas mãos da declarante a correspondência enviada pelo correio porque nessa data encontravase hospitalizada, foi recebida e ignorada, tendo tomado ciência período mais tarde. A partir dai se preocupou em apresentar o que lhe estava sendo solicitado, havia extraviado as declarações em questões, para resolver o impasse solicitamos uma cópia da declaração junto a Receita Federal e fomos atrás dos comprovantes e agora com todos os documentos reunidos viemos lhe apresentar. Como poderão verificar, tudo foi feito corretamente expressando a verdade dos fatos. Pedimos a sua compreensão e aguardamos pelo deslinde desta questão, não tendo nada a recolher para a RFB. A 6ª Turma da DRJ/JFA não conheceu da Impugnação por intempestividade (efls. 38/41). Cientificada do acórdão de primeira instância em 06/08/2018 (efls. 46), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 29/08/2018 (efls. 49/50) com os argumentos a seguir sintetizados. Discorre sobre questões pessoais referentes à sua saúde e informa que em 2016, precisando de cuidados, passou a morar com o seu filho. Afirma que a correspondência da Receita Federal foi recebida no antigo endereço pelo zelador do prédio no dia 15/04/2017, mas que este a deixou arquivada pois no mesmo dia a recorrente sofreu uma queda em casa e necessitou de internação hospitalar. Alega que, em função do ocorrido, a família só tomou ciência da correspondência quando já tinha passado o prazo. Expõe que nunca houve desinteresse em elucidar os questionamentos feitos por este órgão, mas tão somente o desconhecimento dos fatos. Indica a juntada de documentos comprobatórios de suas alegações. Voto Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.720097/201881 Acórdão n.º 2002000.776 S2C0T2 Fl. 88 3 Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos verificase que a ciência da Notificação de Lançamento foi realizada em 03/05/2017, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (efls. 23). A decisão de piso confirma que a correspondência foi encaminhada para o endereço do domicílio da contribuinte constante do cadastro da RFB, conforme determina o art. 23, II e §4º, do Decreto 70.235/72. Cumpre ressaltar que a ciência por via postal prevista no o art. 23, II, do Decreto 70.235/72 exige apenas a prova de recebimento da intimação no domicilio tributário do sujeito passivo, independentemente de quem a tenha recebido. É nesse sentido a Súmula CARF nº 9 abaixo reproduzida: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Isso posto, concluise que a ciência do lançamento foi devidamente realizada, sendo válida, portanto, para a contagem do prazo para apresentação de Impugnação. De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo a apresentação de Impugnação é de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja, da data do recebimento da Notificação de Lançamento. Por outro lado, extraise do art. 5º do mesmo Decreto que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindose de sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Sendo assim, uma vez que a ciência do lançamento se deu por via postal em 03/05/2017 (efls. 23) e que a apresentação da Impugnação só ocorreu em 03/01/2018, conforme data preenchida pela contribuinte (efls. 04) e data do protocolo do processo (efls. 01), não resta dúvida sobre a intempestividade da mesma. Importa observar que o atendimento da preliminar de tempestividade é pressuposto necessário para que se instaure o contencioso administrativo e, conseqüentemente, sejam analisadas as questões relativas ao mérito do processo, independentemente das razões de cunho pessoal trazidas pela recorrente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.720097/201881 Acórdão n.º 2002000.776 S2C0T2 Fl. 89 4 Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721837/2013-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 18 37 /2 01 3- 15 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15504.721837/201315 Acórdão n.º 2002000.919 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 39/41) contra decisão de primeira instância (fls. 32/34), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação à notificação de lançamento de fls. 5/10, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, correspondente ao anocalendário de 2010, que reduziu o IRPF a restituir de R$11.650,70 R$7.113,20. Conforme a descrição dos fatos, a autuação decorreu da glosa do valor de R$16.500,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação, conforme discriminado à fl. 6 dos autos. Informa o autuante que calcado no art 73 do Decreto nº 3000, de 1999 e atualizações, onde se acha explicitado que deduções exageradas estão sujeitas à efetiva comprovação, a juízo da autoridade lançadora, e que nos termos do Acórdão CSRF/01 1.458/92 Do 19/01/95 (Câmara Superior de Recursos Fiscais), para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação do efetivo pagamento. Assim, a contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo pagamento dessas despesas médicas com a apresentação de cópias de cheques nominais microfilmados ou, no caso de pagamentos em espécie, extratos bancários com compatibilidade de datas e valores, provas estas solicitadas complementarmente por meio da intimação fiscal lavrada em 22/03/2012, relativamente aos valores declarados como pagos a Anna Paula Cunha Santos (CPF 044.683.40681), no valor de R$2.000,00; Débora de Almeida Ferreira (CPF 054.353.51693), no valor de R$12.500,00; e Gabriela Alves Oliveira (CPF 072.657.54611), no valor de R$ 2.000,00. Em resposta à intimação a contribuinte informou que os pagamentos efetuados a Anna Paula Cunha Santos e a Gabriela Alves Oliveira foram em espécie (moeda corrente no Brasil) e apresentou declaração das referidas profissionais informando os valores recebidos pelos serviços prestados. Não tendo apresentado qualquer outro documento hábil a comprovar o efetivo pagamento, nos termos da intimação, os valores declaradas como pagos a estas profissionais foram glosados. Na impugnação apresentada (fl. 2) a contribuinte contesta a notificação de lançamento alegando que o valor glosado referese a despesas médicas dela própria e que os pagamentos pelos serviços prestados Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15504.721837/201315 Acórdão n.º 2002000.919 S2C0T2 Fl. 4 3 foram efetuados em moeda corrente no país e que apresenta os recibos contendo todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO NÃO COMPROVADA. É cabível a glosa de dedução não comprovada. Inconformada, a contribuinte apresentou Requerimento, alegando que: os procedimentos fisioterápicos ocorreram por indicação médica, conforme documento anexo; estão anexados os extratos bancários e há registros de saques utilizados para custeio de suas despesas; quanto aos pagamentos realizados em cheques, os profissionais mencionados, solicitavam que os mesmos não fossem cruzados e ou nominados, uma vez que muitas vezes era utilizado para pagamento de terceiros, impossibilitando assim a microfilmagem; à época desta declaração, trabalhava em outras atividades não formais, as quais eram pagas em espécie e muitas vezes utilizadas para custear os tratamentos necessários. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 19/12/2015 (fl. 36); Recurso Voluntário protocolado em 16/01/2016 (fl. 39), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. A r. decisão entendeu que: “No caso em análise a contribuinte foi intimada no curso da ação fiscal a apresentar os documentos que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, mas apresentou apenas os recibos e declarou que os pagamentos foram efetuados m moeda corrente no país. Entretanto, conforme já afirmado pela autoridade lançadora, não bastam os simples recibos e declarações dos prestadores dos serviços para comprovar que os referidos pagamentos são dedutíveis, a título de despesas médicas, na sua declaração de ajuste anual do imposto de renda. A juízo da autoridade Fl. 75DF CARF MF Processo nº 15504.721837/201315 Acórdão n.º 2002000.919 S2C0T2 Fl. 5 4 lançadora e da autoridade julgadora pode ser solicitada a comprovação do efetivo pagamento, o que, no caso, a contribuinte não logrou fazêlo”. Em sua peça de resistência, a recorrente alega matéria preliminar de mérito que se confunde com o mesmo e, com ele será analisada. A recorrente em sua insurgência, alega que desconhece a legislação que regulamenta o imposto de renda, porém, esta argumentação não a socorre eis que a mesma poderia contratar um técnico conhecedor das regras pertinentes. E ainda alega que já havia entregado à Receita, toda documentação necessária na sua declaração. Discorre que os recibos apresentados são suficientes para a comprovação dos gastos com despesas médicas declaradas. Poderia ser restabelecido a dedução de despesas médicas, lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração. Não apenas os recibos. A recorrente trouxe aos autos, cópia dos extratos bancários de sua conta, porém não aponta em cotejamento a relação entre o valor pago ao profissional e o saque ou cheque daquele valor. Nesta quadra de entendimento, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720934/2016-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2011
DESTRUIÇÃO OU DETERIORAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS
Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição: obrigações não cumpridas pelo contribuinte para legitimar suas alegações.
ESCRITURAÇÃO EM LIVROS. NECESSÁRIA LEGITIMAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados somente se comprovados por documentos hábeis e idôneos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS ESPECÍFICOS. ESCRITURAÇÃO NÃO IMPRESTÁVEL. NÃO APLICAÇÃO DO ARBITRAMENTO.
Quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, o lucro deve ser arbitrado para fins de cálculo do IRPJ. A glosa de despesas e custos específicos, não importando a totalidade destes, não torna imprestável a escrituração para fins de arbitramento.
CUSTOS E DESPESAS GLOSADOS. DOCUMENTAÇÃO PROBANTE
As empresas são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Assim, não é lícito à interessada pretender eximir-se da comprovação de custos e despesas escriturados, ante a alegada ocorrência de destruição por alagamento e desabamento, mormente quando não cumpridas as exigências da legislação tributária concernente, e quando referida comprovação possa ser obtida junto aos beneficiários dos pagamentos emitentes das Notas e documentos probatórios dos serviços e produtos contratados relacionados pelo próprio contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada sua causa ou não identificado seu beneficiário, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A incidência recai sobre os pagamentos efetuados comprovados pela autoridade fiscal pelo exame da sua contabilidade.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. A não apresentação de documentação probatória por ocasião da impugnação, de dever do próprio contribuinte, não pode ser suprida pela realização de diligência solicitada à administração tributária.
Numero da decisão: 1201-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria de votos, para reconhecer a nulidade material sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Vencidos os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Neudson Cavalcante Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2011 DESTRUIÇÃO OU DETERIORAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição: obrigações não cumpridas pelo contribuinte para legitimar suas alegações. ESCRITURAÇÃO EM LIVROS. NECESSÁRIA LEGITIMAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados somente se comprovados por documentos hábeis e idôneos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS ESPECÍFICOS. ESCRITURAÇÃO NÃO IMPRESTÁVEL. NÃO APLICAÇÃO DO ARBITRAMENTO. Quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, o lucro deve ser arbitrado para fins de cálculo do IRPJ. A glosa de despesas e custos específicos, não importando a totalidade destes, não torna imprestável a escrituração para fins de arbitramento. CUSTOS E DESPESAS GLOSADOS. DOCUMENTAÇÃO PROBANTE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 09 34 /2 01 6- 69 Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.026 2 As empresas são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Assim, não é lícito à interessada pretender eximirse da comprovação de custos e despesas escriturados, ante a alegada ocorrência de destruição por alagamento e desabamento, mormente quando não cumpridas as exigências da legislação tributária concernente, e quando referida comprovação possa ser obtida junto aos beneficiários dos pagamentos emitentes das Notas e documentos probatórios dos serviços e produtos contratados relacionados pelo próprio contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada sua causa ou não identificado seu beneficiário, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A incidência recai sobre os pagamentos efetuados comprovados pela autoridade fiscal pelo exame da sua contabilidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. A não apresentação de documentação probatória por ocasião da impugnação, de dever do próprio contribuinte, não pode ser suprida pela realização de diligência solicitada à administração tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria de votos, para reconhecer a nulidade material sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Vencidos os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Neudson Cavalcante Albuquerque. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.027 3 (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício). Relatório Inicialmente, devo esclarecer que fui nomeada redatora ad hoc para formalização do acórdão relatado pelo Conselheiro Rafael Gasparello Lima. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento. A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação administrativa do contribuinte, como se infere da ementa do acórdão nº 0273.752: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2011 DESTRUIÇÃO OU DETERIORAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição: obrigações não cumpridas pelo contribuinte para legitimar suas alegações. ESCRITURAÇÃO EM LIVROS. NECESSÁRIA LEGITIMAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados somente se comprovados por documentos hábeis e idôneos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS ESPECÍFICOS. ESCRITURAÇÃO NÃO IMPRESTÁVEL. NÃO APLICAÇÃO DO ARBITRAMENTO. Quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, o lucro deve ser arbitrado para fins de cálculo do IRPJ. A glosa de despesas e custos específicos, não importando a totalidade destes, não torna imprestável a escrituração para fins de arbitramento. Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.028 4 CUSTOS E DESPESAS GLOSADOS. DOCUMENTAÇÃO PROBANTE As empresas são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Assim, não é lícito à interessada pretender eximirse da comprovação de custos e despesas escriturados, ante a alegada ocorrência de destruição por alagamento e desabamento, mormente quando não cumpridas as exigências da legislação tributária concernente, e quando referida comprovação possa ser obtida junto aos beneficiários dos pagamentos emitentes das Notas e documentos probatórios dos serviços e produtos contratados relacionados pelo próprio contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2011 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada sua causa ou não identificado seu beneficiário, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A incidência recai sobre os pagamentos efetuados comprovados pela autoridade fiscal pelo exame da sua contabilidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. A não apresentação de documentação probatória por ocasião da impugnação, de dever do próprio contribuinte, não pode ser suprida pela realização de diligência solicitada à administração tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os seguintes fatos, in litteris: Trata o presente processo de lançamento levado a efeito sobre o contribuinte LIMPEL LIMPEZA URBANA LTDA, onde apuradas infrações tributárias sujeitas ao IRPJ, CSLL, E IRRF, todos do ano calendário 2011, nos seguintes montantes: Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.029 5 O contribuinte tem como atividade econômica a “Coleta de Resíduos não perigosos”, CNAE 38.11.4/00, e em 2011 seu regime tributário de apuração do IRPJ foi o Lucro Real Anual. O procedimento fiscal teve como objetivo auditar os Custos e Despesas relacionados em sua DIPJ 2012/2011 para apuração do IRPJ, abaixo descritos. Intimado e reintimado a comprovar por documentação hábil e idônea aqueles custos e despesas o contribuinte não os apresentou, entregando à autoridade fiscal alguns documentos, dentre os quais os mais relevantes (item 06 do Relatório Fiscal): a) Detalhamento dos valores informados naquelas Linhas da DIPJ; b) Publicação do “Comunicado de Dano de Documentos Contábeis e Fiscais” veiculada no Diário Oficial de Alagoas, edição de 24 de setembro de 2012, página 57, dando conta da danificação dos documentos contábeis, fiscais, previdenciários e trabalhistas dos anos calendários de 2007 a 2011 por desabamento de teto ocorrido em 11/08/2012, às 08:00 hs (fl. 189); c) Boletim de Ocorrência nº 0054E/120011, emitido em 05.09.2012, pela Delegacia de Repressão ao Narcotráfico do 11º DP da Capital – Clima Bom I e II, relatando o fato acima. Não comprovados os custos e despesas, e não atendidos os requisitos da legislação tributária que tratam do extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos contábeis (Art. 264 do RIR/99), o contribuinte foi novamente intimado a apresentálos, conforme item 12 do Relatório Fiscal (fl.26): Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.030 6 Não foram apresentadas as provas acima exigidas pela autoridade autuante. O original do Boletim de Ocorrência 0054 foi obtido junto à Secretaria de Estado da Segurança – Defesa Social (fl. 196). Fundado na Escrituração Contábil Digital do contribuinte, foi confirmada a contabilização daqueles custos e despesas não comprovados, confrontadas com as informações prestadas no curso do procedimento fiscal. Desta feita, foram glosados todos os custos e despesas relacionados, porquanto não efetivamente comprovados pelo contribuinte, incorrendo nas hipóteses de incidência tributária que ensejaram os lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL (custos e despesas glosadas) e de IRRF (despesa cuja efetiva operação não foi comprovada, tampouco sua causa). O contribuinte apresenta sua Impugnação nos seguintes termos: 1. Os custos e despesas glosados não poderiam ter sido glosados por serem considerados “vultosos” pela fiscalização, considerando que não há limite quantitativo na legislação, apenas qualitativo. Tratandose de custos e despesas necessárias à atividade operacional da empresa, descabida sua glosa; 2. Os Livros Diário e Razão não foram atingidos pelo desabamento/enchente, e com base neles relacionou os custos e despesas solicitados, porém não conseguiu as segundas vias das notas fiscais e comprovantes com os beneficiários; 3. A exigência de comunicação à Secretaria da Receita Federal do Aviso de destruição/extravio de documentos excede o Poder regulamentador do Decreto do Imposto de Renda, considerando tal exigência não constar na matriz legal definida pelo Decreto Lei nº 486, de 03/03/1969; 4. A publicação do Aviso de destruição dos documentos e papéis de escrituração contábil no Diário Oficial do Estado de Alagoas, “meio de comunicação de leitura obrigatória das repartições fiscais”, atende a exigência legal de sua publicação; 5. A não ciência do Aviso junto ao Registro de Comércio não pode gerar efeitos tributários, sendo desarrazoada, desmedida, não podendo o Estado usar o poder de taxar para destruir; Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.031 7 6. A glosa de cerca de 27% dos custos e despesas contabilizados em 2011 implica a imprestabilidade da escrituração para fins de apuração do lucro real, devendo o lançamento ter sido feito com base no lucro arbitrado; 7. O pagamento sem causa não poderia ser base de incidência do IRRF por não configurar acréscimo patrimonial; o lançamento configura verdadeira penalidade, não cumulativa com as multas de ofício; a glosa da despesa considerada sem causa não pode ser base de lançamento do IRPJ ao reduzir o lucro líquido e ao mesmo tempo base do IRRF, sendo incompatíveis por possuírem a mesma base de cálculo. 8. Demanda, alternativamente à improcedência total do lançamento, que seja determinada a realização de diligência junto aos beneficiários dos pagamentos de custos e despesas glosados para obtenção das notas e demais documentos probatórios das transações. Após início de julgamento do litígio, a DRJ/BHE, por meio da Resolução nº 2.002.063 de 29 de agosto de 2016 (fls. 532/534), baixou o processo em diligência para esclarecimento de pontos concernentes ao lançamento de IRRF sobre Pagamentos a beneficiários não identificados e/ou operações sem causa determinada. Em atendimento à Resolução, visando comprovar o efetivo pagamento daquelas despesas, a autoridade fiscal lavrou Relatório de Diligência (fls. 1997/2000) e anexos (fls. 536/1996), onde atesta ter comprovado pagamentos da ordem de R$ 2.308.033,78, em montante superior ao valor base do lançamento da ordem de R$ 2.210.999,75. Cientificado do Termo de Diligência em 29/03/2017 (fl. 2002), o contribuinte não mais se manifestou. O contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Redatora ad hoc Conforme exposto no relatório supra, fui designada redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, utilizando o relatório e voto apresentados pelo Relator em sessão de julgamento. Nesses termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pelo Conselheiro Rafael Gasparello Lima. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.032 8 I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido não identificou qualquer nulidade do lançamento de ofício, porém, ressalvou as seguintes considerações sobre o procedimento fiscal e a consequente exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF): Neste ponto tem razão o contribuinte, considerando que a base de cálculo para o lançamento do IRRF é o pagamento da despesa a beneficiário não identificado, ou relativa a operação de causa indeterminada. Identificado o pagamento pela fiscalização, seja contabilizado ou não, cabe ao contribuinte comprovar o seu beneficiário, operação e causa. Não identificado o pagamento na contabilidade ou por meios diversos, porém, não deve incidir a exação tributária. Naturalmente, não apresentados os documentos que respaldam referidos Pagamentos a fornecedores PJ, não há como identificar seu real beneficiário ou a real operação a que se referem, sujeitando o infrator à incidência do IRRF prevista no artigo 61 mencionado. Entretanto, deve se apurar o efetivo pagamento aos fornecedores para se legitimar o lançamento do IRRF, o que ensejou a diligência suscitada à unidade lançadora às folhas 532/534. Os valores glosados e que serviram de lançamento para o IRRF foram obtidos junto a ECD do contribuinte, diretamente junto às contas de Despesas do Razão que compuseram a dedução na DIPJ (fls. 325/330), abaixo resumidos: Registrese que aquele exato valor foi também informado pelo contribuinte na linha 04 da Ficha 05 A da DIPJ 2012, bem como em resposta ao Termo de Intimação no curso do procedimento fiscal discriminou aquelas mesmas contas contábeis e valores (fl. 66). Em anexo à impugnação, porém, o contribuinte, visando “identificar” os beneficiários, relaciona vários CNPJ’s vinculados a cada uma daquelas contas contábeis e respectivos pagamentos (fls. 513/517), porém em valor menor que o valor inicialmente deduzido (R$ 2.051.329,85 contra R$ 2.210.999,75). Em confronto daquelas despesas relacionadas pelo contribuinte com os efetivos pagamentos efetuados e registrados em sua Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.033 9 ECD, a autoridade fiscal em diligência identificou 3 atipicidades (fl. 1998), além dos valores a menor outrora apontados: 03 fornecedores foram pagos por redução de créditos que mantinha junto a outro fornecedor (R$ 995,00, fl. 1932); 02 fornecedores sem pagamentos por meio de Caixa ou Bancos (R$ 2.511,88, fl. 1933) e 04 fornecedores relacionados pelo contribuinte que sequer foram localizados na contabilidade (R$ 11.688,30, fl. 1934). Notase que somente a segunda atipicidade comporta revisão do lançamento, a ser deduzida da glosa efetuada da Conta de despesa contábil 3.1.1.5.0021: (...) Como somente na Impugnação o contribuinte relacionou estes fornecedores, ainda de forma parcial, não integralmente confirmados na sua ECD, a fiscalização promoveu o confronto dos pagamentos de todos os fornecedores por exame dos lançamentos bancários nas contas Bancos Conta Movimento: E assim conclui a Diligência proposta: Depreendese, portanto, que os efetivos pagamentos foram confirmados na Escrituração Contábil Digital – ECD do contribuinte, onde este informa a Crédito das contas bancárias o efetivo desembolso financeiro destinado a quitar as Prestações de serviços de pessoas jurídicas não comprovadas documentalmente (Débito de fornecedores). (...) Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.034 10 Isto posto, deve ser reduzido o valor lançado de IRRF de R$ 1.190.538,32 para R$ 1.045.921,31 no que se refere a comprovação dos pagamentos. O artigo 674 do Regulamento de Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (artigo 61 da Lei n° 8.981/1995), prevê a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), quando houver pagamento a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). A hipótese específica do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamento sem causa é diversa da glosa de despesas, quando da apuração do lucro real e consequente Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Essencial a demonstração da inexistência ou ilicitude da causa e/ou não identificação do beneficiário do pagamento para essa incidência excepcional do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Diferentemente, constatase a existência de possíveis beneficiários e uma causa atribuída pelo Recorrente para cada pagamento, segundo se extrai da sua própria escrituração contábil, impondo a observância do artigo 924 do Regulamento de Imposto sobre a Renda (RIR), introduzido pelo Decreto nº 3.000/1999, vez que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados”. Eventual discordância transfere para acusação fiscal o ônus de comprovar a inexistência efetiva de uma causa ou a não identificação do beneficiário. Neste sentido, citase o acórdão nº 140200.441 da relatoria do i. conselheiro, Antônio José Praga de Souza: "IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IRFonte por pagamento sem causa, não se confunde com a glosa de despesas, por falta de comprovação da necessidade, ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Toda a constatação de que a empresa efetivamente Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.035 11 realizou os pagamentos, não autoriza, por si só, a tributação do IRfonte com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995." (Acórdão n°. 140200.441, 4ª Câmara, 2ª Turma, rel. Antônio José Praga de Souza, j. 24/02/2011). Em acórdão nº 1201002.318, referente aos Embargos de Declaração sobre o mencionado acórdão nº 140200.441, assim, manifesteime sobre a ausência dos pressupostos para dedutibilidade de despesas e a imputação direta de pagamento sem causa: Divirjo sobre a existência da mencionada omissão. O acórdão recorrido aduziu que "para fins de aplicação da regra do art. 61, § 1°, da Lei n°. 8.981/1995 há que perquirir a autoridade lançadora a comprovação da despesa e a existência de causa, apenas, não lhe sendo dado desconsiderar a causa declarada (salvo quando patente simulação ou fraude) por ausência de vinculação da despesa à atividade operacional do contribuinte ou por desnecessária." Portanto, eventual ausência de requisitos formais, estabelecidos no artigo 61, § 1º, alíneas a, b e c, da Lei nº 9.532/1997, exclusivamente, comprometeria a dedutibilidade do pagamento como custo ou despesa operacional, necessária e usual às atividades da contribuinte, sendo assim, inviabilizando a constituição do crédito tributário sobre pagamento sem causa, consoante o artigo 61 da Lei nº 8.981/1995. O próprio artigo 61, § 1º, da Lei nº 9.532/1997 delimita sua abrangência, ressaltando que tal exigência é "Para efeito de comprovação de custos e despesas operacionais, no âmbito da legislação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido." A auditoria fiscal foi executada com propósito de glosar despesas indedutíveis para fins do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), não conferindo a existência efetiva de pagamento sem causa e beneficiário identificado, justificando a exigibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). A diligência recomendada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não saneou tal vício, ao contrário, evidenciou a nulidade do lançamento de ofício. Em acórdão nº 1201001.916, de minha relatoria, manifesteime que "o vício material origina da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e não é um mero erro formal pela metodologia utilizada no lançamento de ofício. O erro constatado influenciou diretamente no critério quantitativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), ocasionando a nulidade pelo vício material." O lançamento de ofício consiste no "procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.", como disciplina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Entretanto, o presente lançamento não determinou com exatidão a matéria tributável e tampouco calculou o montante do tributo devido, quando na apuração de omissão de receitas, exclui as despesas da fiscalizada. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.036 12 Manoel Antonio Gadelha Dias, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, esclarece que o vício substancial compreende a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. [...] Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346. O acórdão nº 3202000.633, relatado pelo conselheiro, Luís Eduardo Garrossini Barbieri, distingue o vício formal e o vício material, opinando que o erro no critério quantitativo é substancial: Questão relevante que precisa ser enfrentada, neste ponto, consiste em saber se o lançamento deve ser declarado nulo por v ício formal ou material. O ato administrativo tem a seguinte estrutura lógica (a partir da linha preconizada por Celso Antônio Bandeira de Mello e Fabiana Del Padre Tomé): (i) elementos: forma, motivação e conteúdo; Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.037 13 (ii) pressupostos: agente competente, motivo, formalidades procedimentais, finalidade e causa. Nesse momento, para o deslinde do presente litígio, interessados analisar os elementos que compõem o ato de lançamento. A “forma” referese ao suporte físico. Os atos administrativos devem revestirse de formas próprias para se expressarem validamente (Hely Lopes Meirelles). Na esfera federal, os requisitos formais que devem ser observados estão prescritos nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/72 (denominados “auto de infração” e “notificação de lançamento”, respectivamente). A “motivação” está relacionada com a descrição dos pressupostos de fato (“motivo”). O Fisco deve demonstrar (e provar!) que a situação fática enquadrouse perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal) que serve de fundamento ao ato administrativo. Em outras palavras, devese demonstrar que houve a subsunção do fato à norma, que o evento do mundo fenomênico, relatado na linguagem competente – fato jurídico, enquadrase na situação na hipótese de incidência tributária (antecedente da norma), dando ensejo ao fato jurídicotributário (consequente da norma). Por fim, o “conteúdo” tem relação com o efeito imediato produzido pelo ato administrativo do lançamento, qual seja fazer “nascer” a obrigação tributária, de modo a estabelecer vínculo jurídico entre o Fisco e o particular, onde o primeiro (sujeito ativo) tem o direito subjetivo de receber o tributo (prestação pecuniária) e o segundo (sujeito passivo) o dever de pagálo. Desse modo, podemos dizer que o lançamento introduz (daí afirmarse tratar de “veículo introdutor”) uma norma individual e concreta no ordenamento jurídico, instaurando relação jurídicotributária prevista no consequente da norma geral e abstrata (a regramatriz de incidência tributária). Muito bem. A anulação de um lançamento, por vício formal, decorre do descumprimento de alguma formalidade necessária para a exteriorização ao ato (requisitos do artigo 10º do PAF, por exemplo), ou de irregularidade observadas durante o seu processo de formação (fase do procedimento fiscal), ou até mesmo, o não atendimento aos requisitos concernentes à publicidade do ato (ciência). De outro lado, a nulidade de um lançamento, por vício material, decorre de um descompasso na aplicação da regramatriz de incidência tributária, seja no antecedente da norma (“motivação”), seja em seu consequente (“conteúdo”).Na linha preconizada por Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 585), a regramatriz de incidência pode ser explicada com base no seguinte esquema lógico: na hipótese/antecedente “haveremos de encontrar um critério material (comportamento de uma pessoa), condicionado no tempo (critério pessoal) e no espaço (critério espacial)”. No consequente “depararemos com um critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e um critério quantitativo (base de cálculo e alíquota)”. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.038 14 (...) Assim, há vício material sempre que na formação ou declaração da vontade, traduzida no ato administrativo, for detectada uma desconformidade entre os critérios prescritos na regramatriz de incidência e aqueles informados na aplicação da norma individual e concreta inserida pelo Fisco. Do exposto, minha indeclinável opinião é pela nulidade do lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pelo vício substancial e, portanto, insanável. II. GLOSA DAS DESPESAS A dedutibilidade das despesas operacionais pressupõe sua necessidade e usualidade, considerando a atividade e a finalidade da sociedade, conforme o artigo 299 do Regulamento de Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que é próprio do Recorrente, ocasionando a preservação da indedutibilidade das despesas e seu respectivo crédito tributário. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, preceitua que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Todavia, segundo o relatório fiscal e o acórdão recorrido, as despesas não foram comprovadas por documentos hábeis e idôneos, inexistindo a necessária conciliação da escrituração contábil e fiscal. De acordo com Recorrente, imprescindível era o arbitramento do lucro, vez que existiu uma glosa significativa dos custos e das despesas, que "corresponde a 40,39% do total dos custos dos serviços vendidos. E, a glosa das despesas equivale a 14,83% do total das despesas operacionais." Contudo, tal posicionamento diverge da jurisprudência explicitada pelo contribuinte, pois não foi declarada a imprestabilidade da escrituração fiscal e contábil, ao contrário, houve o reconhecimento parcial das despesas operacionais e dos custos. Esta interpretação é semelhante ao acórdão nº 1201000.882, relatado pelo i. conselheiro Rafael Correia Fuso, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.039 15 Anocalendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. DESENQUADRAMENTO. LIMITE LEGAL. O desenquadramento da sistemática de recolhimento do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Presumido em procedimento regular pela Receita Federal, sob o fundamento de ter sido ultrapassado o limite legal, não implica em lançamento para fins de apuração pelo Lucro Real. Para que a fiscalização realize o lançamento pela sistemática do Lucro Real é necessário conhecer os custos e despesas da contribuinte através de livros fiscais e contábeis, de forma a apurar corretamente os tributos. Não existindo esse conhecimento dos custos e despesas, o lançamento deveria ter sido feito pelo Lucro Arbitrado, nos termos do artigo 530 do RIR/99. Nesse aspecto houve erro material quanto ao lançamento, não podendo o mesmo ser corrigido. Recurso conhecido e provido. Recentemente, aderi ao voto da relatoria do i. conselheiro, Luis Henrique Marotti Toselli, esclarecendo que "O método do arbitramento, na verdade, constitui sistemática excepcional de tributação e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir os tributos apurados em face de glosa de dispêndios que foram considerados dedutíveis". Eis a ementa do respectivo acórdão nº 1201002.685: (...) ARBITRAMENTO DE LUCRO. NÃO CABIMENTO. POSTULAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. A glosa de parte dos custos e despesas registrados contabilmente pelo contribuinte, considerados pela fiscalização como não comprovados, enseja a tributação com base na sistemática adotada pelo contribuinte (lucro real), não constituindo hipótese para o arbitramento do lucro. (...) Logo, prevalece o fundamento do acórdão recorrido sobre a glosa das despesas e dos custos, havendo minha concordância com a seguinte exposição: 2.1 DA NÃO POSSIBILIDADE DE GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS INERENTES A ATIVIDADE POR SEREM VULTOSOS. Defende o contribuinte em sua impugnação que não caberia a glosa das despesas e custos em decorrência do seu montante, considerando não haver previsão na legislação que limite aqueles valores, salvo disposições bem específicas neste sentido. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.040 16 Traz os artigos 290 e 299 do RIR/99 que relacionam os custos. De fato, tem razão o contribuinte. Não há qualquer limite de custos e despesas aplicáveis à apuração do seu Lucro Real no ano calendário 2011. Entretanto, parece não perceber o contribuinte que o lançamento NÃO foi em decorrência da vultosa apuração daqueles valores, mas tão somente em função da NÃO COMPROVAÇÃO da efetiva ocorrência daqueles custos e despesas. O expressivo valor dos custos e despesas face às Receitas foi apenas o que ensejou a necessária Auditoria fiscal. O lançamento, contudo, ocorreu em função da não apresentação dos documentos, Notas Fiscais ou qualquer comprovação da ocorrência daqueles custos e despesas, contabilizados pelo contribuinte e deduzidos na apuração do Lucro Real. Descabida, portanto, a alegação do contribuinte. 2.2 DA INOBSERVÂNCIA DOS PROCEDIMENTOS PREVISTOS NO ART. 264, §1º DO RIR/99. EXTRAVIO E DETERIORAÇÃO DE DOCUMENTOS. Descreve o contribuinte que “a capital alagoana, em 11/08/2012, foi atingida por fortes chuvas e ventanias que provocaram alagamentos, deslizamentos de barreiras, desabamentos de casas, quedas de postes elétricos, desligamento de energia elétrica e muitos transtornos”. Neste cenário acrescenta que “tais eventos naturais provocaram o desabamento do teto e a inundação do prédio onde estavam guardados os documentos contábeis, fiscais, previdenciários e trabalhistas da impugnante e de outra empresa coligada, dos anoscalendário de 2007 a 2011, tornandoos imprestáveis para fins de comprovação.”(grifo do contribuinte) Alega ainda que os livros DIÁRIO e RAZÃO não foram atingidos pelo caso fortuito, e com base neles relaciona todos os custos e despesas em questão nas planilhas anexas à impugnação e ainda acrescenta: O contribuinte reafirma que cumpriu as exigências legais, “não o fazendo apenas em relação aos interesses societários, na medida em que deixou de arquivar na Junta Comercial Aviso concernente ao fato”. Pois bem, vejamos o que dispõe a legislação tributária a este respeito: Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.041 17 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decretolei nº 486/69, art. 44). § 1º. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decretolei nº 486/69, art. 10). § 2º. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (Decretolei nº 486/69, art. 10, parágrafo único). (Grifouse). Como se verifica, as empresas são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros, documentos e demais papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No caso de extravio ou deterioração desses documentos, o fato deve ser divulgado em jornal de grande circulação dentro de 48 horas e comunicado ao órgão competente do Registro do Comércio e à repartição da Receita Federal do Brasil da jurisdição da empresa. No presente caso, o contribuinte alega que cumpriu os ditames legais, salvo o competente aviso ao órgão de Registro do Comércio e o envio de cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal, que entende ser exigência descabida por exceder à obrigação legal disposta no Decreto Lei nº 486 de 30/03/69. A razão não pertence ao contribuinte. Vejamos as exigências legais: Publicação em jornal de grande circulação do local do seu estabelecimento: O comunicado sobre a danificação dos documentos contábeis e fiscais foi publicado no Diário Oficial de Alagoas DOE no dia 24 de setembro de 2012, ou seja, 43 dias após o suposto evento de 11 de agosto. Defende o contribuinte que a publicação em veículo de comunicação Oficial teve a intenção em dar conhecimento ao público e às repartições fiscais, onde o DOE seria de leitura obrigatória. Definitivamente, o Diário Oficial do Estado de Alagoas não representa um “Jornal de grande circulação” na cidade de Maceió. A publicidade esperada pretendida pela Lei não foi alcançada, considerando que o veículo da Imprensa Oficial do Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.042 18 Estado não tem alcance geral e irrestrito, não se prestando à publicidade pretendida pela Lei. Ademais, a comunicação aos órgãos oficiais também está prevista na própria Lei, devendo darse por via direta, no prazo de 48 horas, ao órgão do Registro de Comércio com cópia para a Secretaria da Receita Federal, próximos pontos em litígio. Informação, dentro de 48 horas, ao órgão de Registro do Comércio: Reafirma o contribuinte que não atendeu a esta exigência legal, porém entende desarrazoada a “glosa de custos e despesas operacionais efetivamente pagos e escriturados, pelo simples fato de a impugnante não ter arquivado na Junta Comercial a minuciosa informação da destruição dos documentos e papéis de interesse da escrituração”. Questões concernentes à razoabilidade e proporcionalidade das normas legislativas, mormente quando passíveis de a elas conferirem vícios de inconstitucionalidade ou ilegalidade, não são passíveis de apreciação pela administração pública, mas tão somente pelo Poder Judiciário. Fato é que o contribuinte não atendeu à exigência legal, presumidamente constitucional, não legitimando os possíveis efeitos que a comunicação do fato efetuada em devida forma pudessem gerar. Remessa de cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição: Alega o contribuinte que esta exigência seria ilegal, representando excesso do poder complementar do Regulamento do Imposto de Renda, considerando que no Decreto Lei nº 468/1969 não há tal previsão: Art 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas documentos ou papéis de interesse da escrituração o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Parágrafo único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo. De fato, a previsão de envio de cópia da comunicação à Secretaria da Receita Federal não consta na previsão legal que ampara o artigo 264 do RIR/99. Pacíficas também a doutrina e jurisprudência formadoras da premissa clássica do direito administrativo de que “ato infralegal não pode restringir, ampliar ou alterar direitos decorrentes de lei. A lei é que estabelece as diretrizes para a atuação administrativanormativa regulamentar” (Recurso Especial nº 990.313/SP). Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.043 19 Entretanto, reiterase neste ponto que as normas a que se sujeitam os órgãos da administração públicotributária são presumidamente legais e constitucionais, até manifestação em contrário do Poder Judiciário, órgão competente para o feito. Descabe, portanto, à Receita Federal do Brasil, manifestarse quanto à eventual excesso do Poder regulamentar trazido pelo RIR/99 ao exigir a comunicação dos danos a ela. Ademais, é razoável interpretar que o envio da cópia da comunicação do dano à Receita Federal do Brasil, longe de trazer nova obrigação de difícil cumprimento pelo contribuinte, vem apenas conferir maior efetividade ao comando legal, considerando que sua motivação seria o conhecimento por parte dos órgãos públicos de interesse na matéria dos danos ocorridos na escrituração do contribuinte, que em 1969 seria apenas o órgão de Registro de Comércio, o que teria se alterado posteriormente. Portanto, considerando a presumida legalidade da exigência, incontestável junto à administração tributária, além da patente razoabilidade da medida, atestase que o contribuinte não atendeu também a mais esta obrigação acessória. 2.3 DA NÃO APRESENTAÇÃO DOS COMPROVANTES DE CUSTOS E DESPESAS QUE FUNDAMENTARAM A INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Alega o contribuinte que a partir dos livros DIÁRIO E RAZÃO “fez um monumental esforço na identificação dos beneficiários, CNPJ ou CPFs e os valores efetivamente pagos, conforme as planilhas anexas. Todavia, devido ao exíguo tempo e as dificuldades apresentadas por algum dos beneficiários, não conseguiu as segundas vias das notas fiscais e/ou comprovantes destruídos.” Verificase, portanto, que o contribuinte não apresentou no curso do procedimento fiscal, tampouco em sede de impugnação, a comprovação documental da efetiva ocorrência dos vultosos custos e despesas que lastrearam os lançamentos fiscais, restringindose à apresentação de planilhas onde os relaciona, extraídas da escrituração do Diário e Razão, não atingidos pelo “sinistro”. De antemão, é importante esclarecer que hipotética adoção de todos os requisitos de comunicação de danos/extravios na escrituração /documentos contábeis previstos no art. 264 do RIR/99, apesar de necessária, não seria suficiente para excluir a responsabilidade do contribuinte pela guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais, tampouco ficaria afastada a obrigatoriedade de comprovar a legitimidade dos custos e despesas escriturados e deduzidos na apuração do seu Lucro Real. Esta responsabilidade é ainda mais inconteste no presente caso, onde não foram adotadas todas as exigências legais para comunicação dos danos. Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.044 20 Para refutar a glosa destes custos e despesas, caberia à interessada buscar e obter as devidas informações e cópias de documentos junto aos terceiros beneficiários, verdadeiros emitentes das Notas Fiscais, recibos e demais documentos comprobatórios das transações ocorridas, amparando sua escrituração e fazendo prova junto à Fazenda pública na impugnação. O contribuinte cingese a registrar a impossibilidade de obtenção de documentos junto aos beneficiários dos pagamentos dos custos e despesas “pelo exíguo tempo” e por “dificuldades daqueles”. Não desconstitui, portanto, a principal motivação do lançamento tributário contestado. Neste ponto, é relevante trazer aos autos breve histórico do contribuinte. No processo administrativo nº 10410.721051/201323, foi levado a efeito procedimento de fiscalização do anocalendário 2008, com lançamentos de IRPJ e reflexos, em cuja Ementa do Acordão 1141.768 de 19 de julho de 2013 em resposta a sua impugnação consta: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. CSLL. GLOSAS DE DESPESAS E CUSTOS. FORNECEDORES QUE RENEGAM A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO OU VENDA DA MERCADORIA. DESPESAS E CUSTOS SEM NOTA FISCAL DE SUPORTE. CHUVAS. FORÇA MAIOR OU CASO FORTUITO QUE NÃO IMPACTOU O LANÇAMENTO. Não há falar em impossibilidade de comprovação de despesas ou custos, por chuvas que danificaram arquivos, quando se trata de vultosas compras de fornecedores inexistentes ou que não reconheceram o fornecimento, em regra, empresas inativas, sem qualquer movimentação financeira ou patrimonial, sendo que os sócios responsáveis vieram aos autos e renegaram peremptoriamente a manutenção de negócios com a empresa fiscalizada. Já em relação às despesas e aos custos sem notas fiscais de suporte, o fiscalizado foi intimado antes do evento fortuito a comproválos, não se desincumbindo desse ônus. Depreendese daquele procedimento fiscal e do Acórdão em referência, que vários dos fornecedores de valores contabilizados como custos e despesas naquele anocalendário sequer existiam, eram empresas inativas ou negaram qualquer relação comercial com a impugnante. O contribuinte nada se manifestou naquele procedimento fiscal no que se refere àquele quadro de operações fictícias levantadas pela fiscalização, restringindose a alegar os mesmos danos aos documentos e escrituração para não apresentar os documentos necessários. Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.045 21 De volta ao presente processo, fatos adicionais e indiciários de suspeição das alegações do contribuinte devem também ser registrados: a) o contribuinte afirma que o Boletim de Ocorrência teria sido registrado em 11/08/2012, às 08:00 hs, na única delegacia disponível naquela data para emissão de BO, mas na verdade o BO foi registrado apenas em 05/09/2012, em plena quarta feira, na Delegacia de Repressão ao Narcotráfico, delegacia que não trata da matéria, por mero testemunho do Gerente administrativo da Limpel (fl. 196): b) o suposto “caso fortuito” ocorreu em 11/08/2002, em pleno curso de procedimento fiscal anterior, onde o contribuinte se negava a apresentar a documentação solicitada após reiteradas intimações desde janeiro de 2002; c) não foi apresentado qualquer Laudo Pericial da Polícia civil, corpo de Bombeiros ou Defesa Social atestando a ocorrência do alagamento e desabamento no seu imóvel; d) não há registro na Imprensa local à época de alagamentos, deslizamentos de barreiras, desabamentos de casas, quedas de postes elétricos, desligamento de energia elétrica e muitos transtornos, como alegado pelo contribuinte (pesquisa web – http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/,edições anteriores, 11/08/2012, 12/08/2012); e) pesquisas junto ao Instituto Nacional de Metereologia – INMET dão conta de que no dia 11 de agosto de 2012 o índice pluviométrico do município de Maceió foi inferior a 5 mm, muito abaixo do que poderia ocasionar alagamentos e destruição: Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.046 22 O registro histórico do contribuinte, bem como os fatos e dados acima dispostos, a despeito de indiciários, se somam a efetiva não comprovação das despesas e custos glosados por documentação hábil e idônea também na fase impugnatória, e ao não atendimento dos requisitos do art. 264 do RIR referenciados, convergindo, portanto, pela legitimidade do lançamento tributário. Por sua vez, quanto à alegada escrituração dos Livros Diário e Razão, vale frisar que a presunção de veracidade dos fatos ali registrados somente se opera quando acompanhada dos documentos comprobatórios, conforme se extrai do art. 923 do RIR/99, adiante transcrito; Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Não amparados por documentação hábil e idônea, os meros registros das operações nos Livros Diário e Razão não fazem prova a favor do contribuinte no que concerne à efetividade e dedutibilidade dos custos e despesas glosados no procedimento fiscal. 2.4 DA INCORRETA APURAÇÃO DO IRPJ PELO LUCRO REAL, SENDO APLICÁVEL O LUCRO ARBITRADO. Defende o contribuinte que a glosa de despesas e custos num montante de R$ 29.449.327,76, correspondente a 27,09% do total de custos e despesas contabilizados no ano calendário de 2011, implicou o “reconhecimento fiscal da imprestabilidade da escrituração para fins de apuração do lucro real”, o que demandaria a apuração do imposto devido com base nos critérios do lucro arbitrado, conforme previsto no Art. 530 do RIR/99. Junta farta jurisprudência administrativa no sentido de que quando a autoridade fiscal procede à glosa da totalidade ou quase totalidade dos custos e despesas é incabível a preservação da tributação pelo lucro real, considerando ser imprestável a contabilidade do contribuinte (fls. 482 a 486). Neste sentido, solicita a insubsistência do lançamento efetuado pelo Lucro Real. Com efeito, o art. 530 do RIR/99 dispõe que o imposto (IRPJ) será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. De relevo observar que a jurisprudência administrativa juntada aos autos é clara ao vincular a imputabilidade do lucro real aos casos em que são glosadas a totalidade (ou quase totalidade) dos custos e despesas deduzidas na apuração do IRPJ. De fato, Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10410.720934/201669 Acórdão n.º 1201002.700 S1C2T1 Fl. 1.047 23 desconsideradas todas, ou quase todas as despesas e custos, não haveria que se falar em manutenção da legitimidade da escrituração, implicando o necessário arbitramento. No caso concreto, porém, o próprio contribuinte revela que a glosa corresponde a aproximados 27% dos custos e despesas da apuração. Examinando sua DIPJ 2012 ano calendário 2011 (fls.198 a 258), inferese que de um universo escriturado e declarado de Custos, despesas operacionais e não operacionais de cerca de R$ 111.642.543,00 foram glosados R$ 29.449.327,76, diante de uma receita operacional bruta de R$ 109.385.885,87. Naturalmente, a glosa de cerca de 27% de todos os custos e despesas não presta, por si só, para reputar a escrituração como imprestável e implicar o arbitramento do lucro, face à manutenção da legitimidade de 100% dos registros de Receitas e 73% dos registros das demais despesas. A grande maioria daqueles lançamentos fiscais e contábeis permanece intacta, sendo que a atividade fiscal pontuou a glosa em específicos lançamentos de custos e despesas, porquanto não devidamente comprovados. Reiterase que a farta jurisprudência não compactua com a coexistência de glosas expressivas, beirando a totalidade dos valores contabilizados, com a apuração do Lucro Real. Entretanto, no caso concreto, as glosas efetuadas não foram expressivas o bastante para alcançar o limite de razoabilidade a partir do qual a escrituração passa a ser considerada imprestável. Nada a reparar no lançamento também neste ponto. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade material sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). É o que se reproduz do voto do Relator original. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2097DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.900269/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/02/2012
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA
A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência.
Numero da decisão: 3201-005.073
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 02 69 /2 01 5- 14 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 19395.900269/201514 Acórdão n.º 3201005.073 S3C2T1 Fl. 0 2 Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) ele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que constatou a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, com a imputação do Darf em valor maior que o devido. Para comprovação do alegado, apresenta DCTF retificadora que corrige o erro cometido. Esse erro não causou danos aos cofres públicos e não invalida o crédito tributário, que está revestido de liquidez e certeza, conforme preceituam o art. 66 da Lei nº 9.069/95 e o inciso II do art. 165 do CTN. Cita decisão do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aceitação a qualquer tempo das retificações de erros materiais em declarações. Por fim, requer o regular processamento do procedimento compensatório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.280. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) que retificou em tempo hábil a DCTF; c) em Recurso Voluntário colaciona NFe´s demonstrando seu direito; É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19395.900269/201514 Acórdão n.º 3201005.073 S3C2T1 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.067, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 19395.900263/201547, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.067): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) caracterizase como instrumento de confissão de dívida, para os devidos efeitos tributários, conforme consta no seu próprio recibo de entrega e a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º. O Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), por sua vez, era o instrumento hábil para a consolidação e a apuração da contribuição para o fato gerador de 31/07/2011. O art. 165, II, do CTN, garante o direito à restituição do tributo no caso de erro no cálculo do montante do débito. Mas o art. 170 do CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá autorizar a compensação, nas condições e sob as garantias nela estipuladas, exigindo ainda que os créditos sejam líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Desse modo, o art. 170 do CTN não deixa dúvidas de que, para haver compensação de dívidas fiscais, tornase indispensável a sua autorização por lei específica, bem como que os créditos sejam líquidos e certos. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 19395.900269/201514 Acórdão n.º 3201005.073 S3C2T1 Fl. 0 4 Contudo, na Manifestação de Inconformidade em nenhum momento apresentou documento capaz de demonstrar tal direito, porém, em Recurso Voluntário colacionou diversas Notas Fiscais para demonstrar o erro que incorreu. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Porém, ao meu entender, os documentos carreados no Recurso Voluntário não tem o condão de demonstrar o direito ao Crédito do Contribuinte, não existindo conferir certeza e liquidez nos termos do art. 170 do CTN. Concluo, o voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000667/2003-84
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 40
do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a titulo de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.079
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 40 do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a titulo de beneficio fiscal. Recurso negado.
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INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 40 do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a titulo de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1' turma ordinária do segunda seção de julga , - 'to, por unanimidade de votos, em ne: . provi ento ao recurso. --, e r-n.. 11111 e A • MARCOS CÂNDIp0 Pre • ide . Q.A.A.4-- egAitc— is- if, nRIA CRISTINA ROZ ri.D COS A elatora i Processo n° 10675.000667/2003-84 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.079 Fl. 208 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 01, relativo ao 1° trimestre de 2000, no valor total de R$ ri, fundado nos termos da Lei n" 9.363/96 e da Portaria MF n° 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SEL1C, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. No processo 10675.000926/2003-77, em apenso, encontra-se a compensação vinculada ao pleito de ressarcimento. (*excluído]. Os resultados da verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estão consolidados na informação fiscal de fls. 112/116. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa, procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls. 114/115. O indeferimento parcial do pedido compreende: a) um montante relativo à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio (apurado extemporaneamente - fl. 52); b) uni montante relativo a diferenças na apuração efetuada pelo auditor (em valores originais), sendo a principal delas decorrente do cálculo das receitas de exportação (os valores apurados pela fiscalização são inferiores aos computados pela empresa). Por intermédio do despacho decisório de fls. 122/124 a autoridade competente da DRF/Uberlândia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 131/140, por intermédio da qual insurge-se, tão-somente contra o indeferimento proveniente da glosa da 'atualização' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(...) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada pela Autoridade Tributária sob o vetusto fundamento de Que não seria devida a 'atualização monetária ou acréscimo CAL 2 Processo n° 10675.000667/2003-84 S2-CITI• Acórdão n.° 2101-00.079 Fl. 209 de juros compensatórios sobre o crédito presumido, haja vista a inexistência de previsão legal', eis eme como o ressarcimento é uma espécie do Rénero restituição, 4.), nele incide sim a Taxa Selic prevista no arde° 39, 4°, da Lei n°9.250/95 (..)". Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Serie sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integalidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre janeiro e março de 2000 e foi protocolado em 13/03/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fimdamentos se mantêm por eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela • norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não desde as aquisições dos insumos. 3 • Processo n° 10675.000667/2003-84 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.079 Fl. 210 Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de beneficios fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O princípio da indisponibilidade da coisa pública toma imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantum a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, ty...„ meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. cJ- 4 ., - Processo n° 1067$.000667/2003-84 S2-CIT1 Acórdão n.0 2101-00.079 Fl. 211 O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 30 da Lei n° 9.430/96. Para a segunda inexiste previsão ou permissão legal. O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. r9f ARI); CRISTINA' ROZ0B1411f 5 Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051600.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.720326/2010-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/01/2009
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.345
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 26 /2 01 0- 91 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10280.720326/201091 Acórdão n.º 9303008.345 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302003.627, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: (...) EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão e contradição, requerendo que seja reconhecida a ausência de vinculação à Cosit e que a Turma decida se aplica a jurisprudência do CARF acerca da aplicação da multa em retificação extemporânea ou, inaugurando divergência, exponha os motivos pelos quais inova no entendimento sobre a matéria. Em Despacho, os embargos foram rejeitados. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O CARF não se submete aos posicionamentos da Cosit; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10280.720326/201091 Acórdão n.º 9303008.345 CSRFT3 Fl. 4 3 · Por uma questão de segurança jurídica, entendese que as soluções de consulta da Cosit vinculam as partes consulentes, que foram orientadas pela RFB em casos concretos e, por isso, não podem ser surpreendidas com posicionamentos inovadores no futuro; Requer, assim, que seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de reformar o acórdão recorrido para que seja restabelecido o acórdão proferido pela DRJ, mantendose a multa aplicada. Foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ressurgindo com discussões relativas às seguintes matérias: · Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit; · Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido; · As Soluções de Consulta e as Soluções de Divergências editadas pela Cosit, sob a luz da IN 1396/13 têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que as aplicar, independentemente der se o consulente; · Devese reconhecer a manifesta inaplicabilidade da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66 sobre meras retificações de informações que tinham sido tempestivamente prestadas no SISCARGA; · Ademais, aplicase a denúncia espontânea na seara aduaneira – art. 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 12.350/10. É o relatório. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10280.720326/201091 Acórdão n.º 9303008.345 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.343, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10280.720013/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.343): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à primeira matéria trazida em recurso, qual seja “Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit”, entendo que não devo conhecer dessa parte, pois não há divergência entre os arestos. Eis a ementa da recorrida (Destaques meus) na parte que interessa: “[...] EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.[...]” E a ementa do acórdão nº 3301002.880 indicado como paradigma: “Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DA COSIT. EFEITOS. A Solução de Consulta da Cosit tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10280.720326/201091 Acórdão n.º 9303008.345 CSRFT3 Fl. 6 5 Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa de categoria econômica ou profissional.” Não há divergência alguma entre os arestos. Sendo assim, não conheço o recurso em relação à primeira matéria. Quanto à segunda matéria trazida em recurso, qual seja, “Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo”, recordase a ementa do acórdão recorrido: “[...] RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.” Depreendendose da leitura do voto e da ementa, vêse que o Colegiado adotou a Solução de Consulta na elaboração essa ementa, pois entendeu ser ela vinculante até mesmo aos órgãos julgadores. Considerando que a primeira matéria não foi conhecida, essa segunda matéria está totalmente vinculada à primeira, o que cabe a essa conselheira não conhecer o Recurso Especial em relação à essa segunda. Ademais, vêse que os acórdãos indicados como paradigma os acórdãos 3101001.621 e 3101001.622 nem se referem à Solução de Consulta, que foi considerada vinculante aos órgãos julgadores no presente caso. Data máxima vênia, apenas expresso que entendo que tal solução pode ser vinculante perante a Receita Federal, nos termos do art. 9º da IN 1396/13, mas não aos julgadores do CARF. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional.." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10280.720326/201091 Acórdão n.º 9303008.345 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 398DF CARF MF
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Numero do processo: 13301.000022/2009-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO.
O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO. O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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IRRF. Recorrente RAIMUNDO NONATO FONTELES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. COMPROVANTE DE RENDIMENTO. O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 1. 00 00 22 /2 00 9- 73 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13301.000022/200973 Acórdão n.º 2002000.858 S2C0T2 Fl. 103 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 5/9), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.491,23 para saldo de imposto a pagar de R$15.534,00. A notificação noticia a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, de R$13.042,77, vinculado à fonte pagadora Coopersauva Cooperativa de Saúde do Vale do Acarau Ltda. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 22/5/2009, a NL foi objeto de impugnação, em 8/6/2009, às fls. 3/35 dos autos, na qual a representante do contribuinte alegou que os rendimentos auferidos pelo contribuinte seriam isentos por ser ele portador de moléstia grave, indicando a juntada de declaração retificadora a qual não teria sido deferida pelo órgão fiscalizador. Posteriormente, em data não especificada, foram juntados comprovantes de fls. 50/53 e certidão de fl. 54. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 65/69): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2004 . GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. É de se restabelecer o valor do imposto de renda retido na fonte quando comprovado nos autos a sua retenção. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer o IRRF no valor parcial de R$8.299,69. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 25/2/2010 (fl. 69), a representante legal do contribuinte, em 25/3/2010 (fl. 73), apresentou recurso voluntário, às fls. 73/86, no qual alega, em apertado resumo, que: os recibos emitidos pela Coopersauva seriam idôneos. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13301.000022/200973 Acórdão n.º 2002000.858 S2C0T2 Fl. 104 3 nos meses de outubro a dezembro de 2004, teria havido atraso no pagamento e o recibo teria sido emitido como sendo somente do mês de novembro. os documentos comprovariam que houve retenção do IR pela fonte pagadora, não podendo o contribuinte ser penalizado. seria o caso de se responsabilizar a fonte pagadora por apropriação indébita ou depositária infiel. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre o IRRF declarado pelo sujeito passivo correspondente à fonte pagadora Coopersauva. O contribuinte compensou IRRF de R$13.042,77 (fl.21), valor integralmente glosado na autuação (fl.7). A DRJ restabeleceu o valor parcial de R$8.299,99, levando em conta os documentos de fls. 50/53. Agora, em seu recurso, a representante legal do sujeito passivo alega que os documentos comprovariam a retenção pela fonte pagadora e, ainda, que teriam sido emitidos três contracheques em novembro, relativos aos meses de outubro a dezembro. No recurso foram juntados documentos de fls. 77/81. Do exame dos autos, vêse que os documentos juntados já constavam às fls. 50/53 e os valores de IRRF neles consignados já foram restabelecidos na decisão de piso, conforme abaixo demonstrado: MÊS IRRF FLS. FEV 1.185,67 50 e 77 MAR 1.185,67 50 e 77 ABR 1.185,67 51 e 78 MAI 1.185,67 51 e 78 JUL 1.185,67 52 e 79 AGO 1.185,67 52 e 79 NOV 1.185,67 53 e 80 TOTAL 8.299,69 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13301.000022/200973 Acórdão n.º 2002000.858 S2C0T2 Fl. 105 4 No recurso, foram juntados, além dos documentos indicados, mais dois recibos às fls.81/82, que, assim como o de fl. 80, consignam, como mês de referência, novembro/2004. Desacompanhado de outros elementos, não há como se acatar que seriam três recibos distintos, correspondendo aos meses de outubro a dezembro. Todos consignam meses de referência e valores idênticos, inexistindo qualquer indício que dê respaldo à alegação apresentada. Nesse sentido, a representante legal poderia ter juntado, por exemplo, declaração emitida pela fonte pagadora dos rendimentos, ratificando o valor do IRRF reclamado. Por fim, considerando a alegação acerca da responsabilidade da fonte pagadora, registro que, caso tivesse sido juntada a comprovação de que houve a retenção do IR acima dos valores já acatados, o direito do recorrente seria reconhecido, independentemente da comprovação do efetivo recolhimento pela fonte pagadora dos rendimentos. Dessa feita, sem reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007972/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que a PGFN seja cientificada do Despacho de folhas 669/670 e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte (folhas 1.937 a 1.947). Após, os presentes autos devem ser devolvidos à relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que a PGFN seja cientificada do Despacho de folhas 669/670 e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte (folhas 1.937 a 1.947). Após, os presentes autos devem ser devolvidos à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que a PGFN seja cientificada do Despacho de folhas 669/670 e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte (folhas 1.937 a 1.947). Após, os presentes autos devem ser devolvidos à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 07 97 2/ 20 07 -5 1 Fl. 2032DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 215 ___________ Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 340100.060, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de fls. 05 a 11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.481.164,54, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até maio de 2007. O lançamento, consoante explicações e planilhas às fls. 12 a 56, decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de atividade rural e de valores depositados/creditados em contas bancarias de titularidade do contribuinte, uma vez que o interessado, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras. Enquadramento legal as fls. 07, 08 e 11. No Termo de Verificação Fiscal, as fls. 35 e 36, a autoridade lançadora registra que sobre o resultado tributável da atividade rural omitido (R$ 186.990,20 = 20% de R$ 934.951,00) foi lançada a multa de oficio de 150%, pois se constatou evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, uma vez que a receita bruta auferida e comprovada no curso da fiscalização supera em quase trinta e cinco vezes a receita bruta declarada. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 541/562. A DRJ/SDR, às fls. 579/587, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 591/613. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 620/643, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 17.920,00, referente as Notas fiscais n" 131465 e 131466, nos valores de R$ 6.570,00 e R$ 1.850,00, e ao TED de 16/03/2004, no valor de R$ 9.500,00. Ainda, para desqualificar a penalidade de 150% para 75%. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96 FALTA DE PROVAS CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de documentos fiscais hábeis e idôneos, tornase perfeita a presunção legal prevista no Art.42 da Lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados em instituições financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. ATIVIDADE RURAL ONUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE Não procede a alegação de que a comprovação pelo sujeito passivo do exerci cio da atividade rural, ainda que por meio de elementos indiciários, transfere para o Fisco o dever de produzir contra prova, pois o ônus é do recorrente como assim determina o Art. 42 da Lei 9.430/96 que traz uma presunção legal, cujo ônus da prova se transfere ao autuado: Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 10680.007972/200751 Resolução nº 9202000.214 CSRFT2 Fl. 216 3 SANÇÃO TRIBUTARIA MULTA QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstancia que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n'. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n'. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. Às fls. 647/659, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. Comprovação da origem de alguns depósitos bancários que foram excluídos pela decisão de primeira instância; e 2. Multa de ofício desqualificação. O recurso visa a demonstrar que não há prova irrefutável, hábil e idônea a amparar a exclusão dos valores de R$ 6.570,00, R$ 1.850,00 e R$ 9.500,00, bem como que a decisão afrontou aos arts. 44, II, § I° da Lei 9.430/96 e artigos 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64 ao desqualificar a multa de oficio. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 660/662, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, restando mantido o despacho pelo Reexame de Admissibilidade, de fl. 663. Às fls. 666/667, a União apresentou Pedido de Reconsideração, o qual restou acolhido, às fls. 669/670, DANDO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para ser reapreciada a questão discutida nos autos, relativa à desqualificação da multa de ofício. Cientificado à fl. 685, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, às fls. 688/792, os quais restaram rejeitados, às fls. 712/713. Também, às fls. 705/709, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, alegando, preliminarmente, que o recurso sequer poderia ter sido conhecido, pois se a decisão da Presidência da CSRF que negar seguimento a um RESP é terminativa, o despacho de fl. 667 (proferido pelo Dr. Barreto) não poderia ter sido revisto pelo Dr. Cartaxo (fls. 6734), sob pena de flagrante desobediência à Portaria baixada por autoridade hierarquicamente superior. Alegou que no presente caso, a situação se torna ainda mais grave, pois a Fazenda está se valendo de norma de transição aplicável a recursos interpostos antes de 01/07/2009 para um recurso especial apresentado apenas em 2/9/2010. Portanto, como, em 2/9/2010, o recurso especial na modalidade contrariedade à lei não mais existia, o RESP apresentado pela Fazenda Nacional nos presentes autos é manifestamente descabido. No mérito, apenas reforçou argumentos anteriores. Juntou documentos de fls. 718/1886. Às fls. 1889/1896, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: a) admissibilidade de todos os meios Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10680.007972/200751 Resolução nº 9202000.214 CSRFT2 Fl. 217 4 legais de prova de que o sujeito passivo é produtor rural para fins de comprovar a origem de depósitos bancários; b) ônus da prova no lançamento relativo a depósitos bancários quando o sujeito passivo comprova ser produtor rural; e c) necessidade de comprovação da causa/natureza das operações relativas aos depósitos bancários, ainda que conhecidos os depositantes. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 1937/1947, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria contida no item “c” necessidade de comprovação da causa/natureza das operações relativas aos depósitos bancários, ainda que conhecidos os depositantes. Cientificado à fl. 1956, o Contribuinte apresentou Agravo à Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 1999/2002, o qual restou rejeitado às fls. 2005/2012. Da decisão do Agravo, o Contribuinte restou cientificado à fl. 2022, apresentando Petição às fls. 2025/2026, RENUNCIANDO a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as defesas/recursos e DESISTINDO do recurso especial, relativamente à única matéria admitida (“c” necessidade de comprovação da causa/natureza das operações relativas aos depósitos bancários, ainda que conhecidos os depositantes), objetivando incluir o débito no Programa Especial de Regularização Tributária – PERT, prosseguindo apenas em relação ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de fls. 05 a 11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.481.164,54, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até maio de 2007. O lançamento, consoante explicações e planilhas às fls. 12 a 56, decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de atividade rural e de valores depositados/creditados em contas bancarias de titularidade do contribuinte, uma vez que o interessado, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras. Enquadramento legal as fls. 07, 08 e 11. No Termo de Verificação Fiscal, as fls. 35 e 36, a autoridade lançadora registra Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10680.007972/200751 Resolução nº 9202000.214 CSRFT2 Fl. 218 5 que sobre o resultado tributável da atividade rural omitido (R$ 186.990,20 = 20% de R$ 934.951,00) foi lançada a multa de oficio de 150%, pois se constatou evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, uma vez que a receita bruta auferida e comprovada no curso da fiscalização supera em quase trinta e cinco vezes a receita bruta declarada. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Multa de ofício desqualificação. DILIGÊNCIA RESOLUÇÃO INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL PARA CONTRARRAZÕES O Contribuinte apresentou Petição às fls. 2025/2026, RENUNCIANDO a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam as defesas/recursos e DESISTINDO do recurso especial, relativamente à única matéria admitida (“c” necessidade de comprovação da causa/natureza das operações relativas aos depósitos bancários, ainda que conhecidos os depositantes), objetivando incluir o débito no Programa Especial de Regularização Tributária – PERT, prosseguindo apenas em relação ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Frisese, que, ao aderir ao parcelamento e desistir do procedimento administrativo, renunciando as alegações de direito, o parcelamento do débito será realizado tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário. Em face ao exposto, converto o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que a PGFN seja cientificada do Despacho de folhas 669/670 e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte (folhas 1.937 a 1.947). Após, os presentes autos devem retornar a esta relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720253/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULAT1VA. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3302-006.725
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar ,provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar ,provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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PIS E COFINS NÃOCUMULAT1VA. SELIC. Recorrente CASCAVEL COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULAT1VA. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar ,provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 02 53 /2 00 7- 12 Fl. 261DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório (fls 137/139) que indeferiu a incidência da Selic sobre crédito ressarcido de PIS, , determinado sob regime da nãocumulatividade, no valor de R$ 501.920,22 e referente ao 2o trimestre de 2006. ' Cientificado deste decisório em 10.07.2008 (fl 139), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 08.07.2008 (fls 178/192), pleiteando a incidência da Selic sobre o valor reconhecido administrativamente, com base nos seguintes argumentos: (i) não há vedação legal à incidência da Selic no ressarcimento; (ii) a Selic destinase à atualização monetária do crédito a ser ressarcido; (iii) o ressarcimento é espécie do gênero restituição, em que há incidência da Selic; (iv) é cabível a aplicação analógica do art. 39, §4°, da Lei n° 9.250, de 1995; (v) a previsão do art. 52, §5°, da IN SRF n° 600, de 2005, não prejudica a incidência da Selic, já que atualização monetária não se confunde com juros. Em 04 de agosto de 2010, através do Acórdão n° 0818.862, a 4a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza/CE, por unanimidade de votos, considerou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade. Entendeu a Turma que: ü Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros; ü Por sua vez, Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil reiteradamente têm rechaçado a atualização mediante Selic de crédito oriundo de ressarcimento das contribuições não cumulativas. Com efeito, o art. 51, § 5o, da IN SRF n.° 460/2004, o qual contém a mesma determinação do art. 72, § 5o, I, da IN SRF n° 900, de 30.12.2008, que, por sua vez, revogou a sucessora da IN SRF n° 460/2004, IN SRF n° 600/2005, vedam expressamente a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins, bem como na compensação de referidos créditos; ü Por fim, jurisprudência pacificada do então Conselho de Contribuintes não reconhece a incidência da taxa Selic para fins de correção monetária e para os pleitos de ressarcimento. A empresa BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 26 de agosto de 2010, efolhas 224. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10380.720253/200712 Acórdão n.º 3302006.725 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 23/09/2010, a empresa CASCAVEL COUROS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, de efolhas 225 a 239. Foi alegado que: A Legislação instituidora do Direito Creditório Atualização Monetária pela SELIC A Recorrente é titular do direito aos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, conforme reconhecido pela autoridade emissora do r. Despacho Decisório, com fundamento no artigo 5°, §§ 1° e 2o da Lei Ordinária n° 10.627/2002. Nos termos do mencionado dispositivo, não existe nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de pedidos de ressarcimento formulados pelos seus beneficiários. Tal vedação não teria sentido, porque prestigiaria a outorga de créditos em valores históricos, totalmente corroídos pela inflação do período contado da data da protocolização do pedido de ressarcimento até o seu efetivamente fornecimento ao contribuinte. Este juízo deve considerar, outrossim, que as disposições previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003 não representam fundamentos para a não incidência da SELIC na forma pleiteada pela Recorrente. Estes dispositivos possuem uma eficácia limitada a data do protocolo do pedido de ressarcimento, somente impedindo a incidência de atualização monetária ou juros contados da data da geração dos créditos da . Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e a data do protocolo do respectivo pedido de ressarcimento nas hipóteses previstas na legislação. A partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento e considerando a obrigação da administração emitir uma decisão administrativa, não existe a possibilidade de ser aplicado o referido dispositivo, mormente porque os efeitos do mesmo deve ser apurado conforme o Princípio Constitucional que veda o enriquecimento ilícito às custas alheias. Sendo assim, a inexistência de tais vedações na Lei Ordinária n° 10.637/2002 é um dos fundamentos do direito da Recorrente a incidência da SELIC sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do Pedido de Ressarcimento em epígrafe, porque diferentemente do que entendeu a autoridade emissora do r. Despacho Decisório, a SELIC incide sobre tal valor na condição de índice de atualização monetária com o fim de recompor o valor real do numerário a ser ressarcido para o contribuinte; Caso seja vedada esta incidência, estarseá sendo prestigiado o enriquecimento ilícito da União Federal às custas alheias, porque os efeitos da inflação medida no período terão corroído o real valor ao qual o beneficiário do ressarcimento tem direito, sem que tivesse dado causa a esta perda, por ser o tempo da emissão do Despacho Decisório e o efetivo ressarcimento algo definido exclusivamente pelos servidores e autoridades que atuaram no curso do processo administrativo de ressarcimento. Por sua vez, mesmo não existindo previsão da incidência da correção monetária na Lei Ordinária n° 10.637/2002 a mesma é totalmente aplicável, porque por não se Fl. 263DF CARF MF 4 constituir de um acréscimo de valor, mas somente a manutenção do poder econômico da moeda, independe de expressa previsão legal por ser implícita a toda legislação que trate de um direito de natureza econômica dos contribuintes. Por sua vez, a utilização do índice SELIC, como fator de correção monetária decorre do fato de ser ele usado desde 1996 como elemento para o cálculo dos tributos devidos pelos contribuintes sendo utilizado, assim, na apuração do crédito a ser ressarcido nas hipóteses analisadas nas supracitadas decisões administrativas e judiciais. Inúmeras decisões administrativas e judiciais confirmam a aplicação do índice SELIC na atualização monetária de créditos devidos aos contribuintes, passíveis de ressarcimento. Portanto, o r. Acórdão merece ser reformado porque a Recorrente possui o direito a atualização monetária pelo índice SELIC do seu crédito da Contribuição para o PIS/PASEP reconhecido administrativamente contado da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo recebimento ou compensação tributária. As Instruções Normativas somente vedam a SELIC como Juros não afastando sua aplicação como Atualização Monetária Como demonstrado acima, a incidência da SELIC deve ser realizada com natureza de atualização monetária não submetida as regras contidas nas Instruções Normativas que trataram da matéria porque estas se limitaram e vedam a incidência dos juros compensatórios. Ora, se os supracitados dispositivos somente vedaram a incidência dos juros compensatórios é porque a atualização monetária nos pedidos de ressarcimento não está vedada uma vez que, se estivesse, certamente a mesma teria sido escrita nos supracitados parágrafos . demonstrando razões para o posicionamento do DRJ não ser acatado. Na realidade, as próprias Instruções Normativas da RFB demonstram e ratificam o direito á incidência da atualização monetária no ressarcimento, algo que merece ser considerado por este juízo sob pena de ser feita tabula rasa de disposições as quais a administração está vinculada. Entretanto, mesmo se a SELIC fosse aplicada como “juros", o que se admite apenas para considerar, a Instrução Normativa não teria efeito limitador, porque distinguiu, expressamente, as hipóteses de “juros SELIC” e “juros remuneratórios”, demonstrando que uma coisa não se confunde com a outra. Desta forma, o posicionamento adotado no r. Acórdão não merece ser adotado porque as Instruções Normativas somente vedam a incidência de juros compensatórios não sendo aplicados em relação a atualização monetária pela SELIC. O Ressarcimento é espécie do Gênero Restituição – Aplicação da Lei n° 9.250/96 Mesmo se não fosse possível a aplicação da SELIC como índice de correção monetária, o que se admite apenas para considerar, o direito da Recorrente a incidência da SELIC também seria possível em razão de ser o “ressarcimento" uma espécie do gênero “restituição”, estando assim contemplado naquele todos os efeitos da legislação aplicável a este. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10380.720253/200712 Acórdão n.º 3302006.725 S3C3T2 Fl. 4 5 Entre os efeitos aplicáveis ao “ressarcimento” nas hipóteses de “restituição” está a incidência dos juros à taxa SELIC, nos termos do artigo 39, § 4o da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Deve ser considerado, que o termo “ressarcimento” faz parte do gênero “restituição” para os fins de aplicação do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95, como também o faz o termo “resgate” previsto no DecretoLei n° 2.288, de 23 de julho de 1986, ao tratar da recuperação do empréstimo compulsório de veículos. Ora, se “resgate" faz parte do gênero “restituição” para suportar os mesmos efeitos do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95, com a mesma ' razão deve ser admitido ser o “ressarcimento" espécie do gênero “restituição”, pois tanto ela quanto o resgato objetivam o recebimento de numerário pago ao poder público. A Taxa SELIC e o emprego da Analogia Como se não bastasse tudo isto, mesmo se o “ressarcimento” não fosse uma espécie do gênero “restituição”, ainda assim persistiría à aplicação do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95 sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP passível de ser ressarcido pela Recorrente com fundamento na aplicação da analogia. Não há como se negar, que tanto o ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do pedido de ressarcimento, quanto à compensação tributária, são institutos que garantem ao contribuinte o recebimento de valores, o primeiro em espécie, o segundo equivalentes aos que deixaram de ser pagos em dinheiro. Com efeito, considerando que na recuperação de valores por compensação se aplicam a Taxa SELIC, por analogia também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP. A jurisprudência do Colendo Conselho de Contribuintes confirma a assertiva de serem os dois institutos afins para se aplicar ao ressarcimento os dispositivos relacionados á compensação tributária. O Prazo para emissão de decisões e efetivo ressarcimento O r. Acórdão também merece ser reformado porque caso não fosse possível a aplicação da SELIC pelos motivos descritos alhures, o pgue.se admite apenas para considerar, diante do prazo de 30 (trinta) dias para a remissão de decisões administrativas nos termos do artigo 49 da Lei n° 9:784/99 contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento passaria a incidir a atualização monetária após tal momento diante da ilegalidade gerada pela omissão da autoridade julgadora e para evitar o enriquecimento ilícito da União Federal às custas alheias. O PEDIDO Por tudo o que foi exposto, o presente Recurso Voluntário merece ser provido para ser reformado o r. Acórdão para ser garantida a /incidência da SELIC sobre o valor do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do Pedido de Ressarcimento em epígrafe como atualização monetária ou mesmo juros da seguinte forma: Fl. 265DF CARF MF 6 a) calculada sobre o valor do crédito pleiteado a partir da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento; ou b) na hipótese de ter sido o crédito utilizado em compensação (ões) tributária (s), calculada a partir da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até a data da compensação (ões) tributária (s) e, a partir deste (s) momento (s), sobre o eventual saldo credor resultante do (s) abatimento (s) até o seu efetivo ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 26 de agosto de 2010, efolhas 224. Em 23/09/2010, a empresa CASCAVEL COUROS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, de efolhas 225 a 239. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. ü A Legislação instituidora do Direito Creditório Atualização Monetária pela SELIC; ü As Instruções Normativas somente vedam a SELIC como Juros não afastando sua aplicação como Atualização Monetária; ü O Ressarcimento é espécie do Gênero Restituição – Aplicação da Lei n° 9.250/96; ü A Taxa SELIC e o emprego da Analogia; ü O Prazo para emissão de decisões e efetivo ressarcimento. Passase à análise. Fiome à lição do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, no Acórdão de Recurso Voluntário n° 3001000.663, da 1a Turma Extraordináriada 3a Seção de Julgamento do CARF, apoiado nos argumentos do voto da lavra do Relator Gilson Wessler Michels: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10380.720253/200712 Acórdão n.º 3302006.725 S3C3T2 Fl. 5 7 Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Gilson Wessler Michels, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) Como no relatório do presente acórdão se viu, limitouse a contribuinte a contestar a não “atualização/correção” do crédito concedido pela taxa Selic, como demandaria o parágrafo 4o do artigo 39 da Lei n° 9.250/1995. Junta excertos jurisprudenciais tendentes à demonstração de que sobre os créditos objeto de ressarcimento deve obrigatoriamente incidir a taxa Selic. Em análise da alegação posta, há que se dizer, de plano, que não pode ela ser aqui acatada. É que apesar da insurgência da contribuinte, verdade é que a legislação tributária, apesar da disposição genérica constante do parágrafo 4o do artigo 39 da Lei no 9.250/ 1995, possui tratamento específico para os casos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Com efeito, assim dispõe o parágrafo 5o do artigo 52 da Instrução Normativa SRF no 600/2005, ato este vigente à época dos fatos que aqui importam: Art. 52. (...) § 5o Não incidirão juros compensatóríos no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Como se percebe, há na legislação tributária disposição legal expressa definindo tratamento específico para o ressarcimento e compensação de créditos da Cofins, o que faz com que a alegação da contribuinte, como já se disse, não possa ser aqui acatada. De outro lado, a jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte também não serve à corroboração da referida alegação. É que como se pode inferir dos acórdãos transcritos, referemse eles a períodos anteriores à superveniência da acima transcrita norma. É de se ressaltar, por fim, que a referida superveniência legal se deu em razão da necessidade de se adequar a sistemática do ressarcimento e da compensação, especialmente da Cofins e do Fl. 267DF CARF MF 8 PIS, às então novas regras de apuração destas contribuições no regime da nãocumulatividade. É que como está exposto de forma literal na legislação tributária (artigo 13 da Lei no10.833/2003): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 40 do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Como se vê, a apuração escritural dos créditos da contribuição social não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, ou seja, na confrontação que o sujeito passivo faz entre seus débitos e créditos, no âmbito da sistemática da nãocumulatividade, não há como atualizar créditos, independentemente de quando forem utilizados para a mencionada confrontação (tecnicamente chamada de “desconto”). Ora, se quando do desconto, que pode ser efetuado em períodos de apuração posteriores, não pode haver atualização monetária e nem incidência de juros, razoável que exista regra no mesmo sentido em relação às duas outras formas de aproveitamento dos créditos: o ressarcimento e a compensação. Assim não fosse, haveria uma diferença de tratamento legal entre as diferentes formas de aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade (desconto, compensação e ressarcimento), que não encontraria justificativa nem técnica, nem jurídica, nem axiológica. Do reforço à decisão recorrida, como fundamento Em reforço ao fundamento da decisão vergastada, o qual me filio integralmente, é suficiente evidenciar minha discordância à incidência da taxa Selic, como instrumento de correção/atualização, dos valores objeto de ressarcimento. É que ressarcimento não é espécie de restituição, como entende o recorrente, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (artigo 165, inciso I, do CTN), e o artigo 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos; o que torna absolutamente evidente a irrazoabilidade, por inverídico, do argmmento suscitado no sentido de que a exclusão da incidência da aludida correção monetária, via aplicação da taxa Selic, está assentada em simples Instrução Normativa, mais especificamente no § 5°, art. 52 da IN/SRF n° 600, de 2005. Saliento também que o caso sob exame não é daqueles em que ocorre a oposição do ente estatal. Afinal, o próprio recorrente textualmente afirma que "requereu junto à Receita Federal do Brasil, e teve parcialmente deferido, o ressarcimento alusivo a créditos de Cofins, tendo sido sonegado à mesma o direito a correção dos créditos entre o período compreendido entre o pedido de restituição/ressarcimento e o efetivo pagamento, situação bem diversa quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10380.720253/200712 Acórdão n.º 3302006.725 S3C3T2 Fl. 6 9 Conforme se verifica, essa divergência é de rápido deslinde. Como visto alhures, há expressa disposição legal sobre a matéria no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003, já transcrito, que concretamente determina que não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de crédito apurado na forma do parágrafo 4° do artigo 3°, do artigo 4° e dos parágrafos 1° e 2° do artigo 6°, bem como do parágrafo 2°, inciso II do parágrafo 4° e parágrafo 5° do artigo 12, todos da citada Lei. Por oportuno, convém por fim salientar que o inciso VI do artigo 15 da mesma Lei estendeu a referida vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS/Pasep. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que indeferiu o pedido de atualização monetária do ressarcimento da presente contribuição. No mais, deve ser aplicada a Súmula CARF 125, que já definiu entendimento no âmbito administrativo: Súmula CARF n° 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei n° 10.833, de 2003. Sendo assim, nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 269DF CARF MF 10 Fl. 270DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.902498/2011-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL.
Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada, com fornecimento, pelo empreiteiro, dos materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
Numero da decisão: 1003-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada, com fornecimento, pelo empreiteiro, dos materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada, com fornecimento, pelo empreiteiro, dos materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 24 98 /2 01 1- 29 Fl. 55DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1143.929, proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório informado em Declarações de Compensação Eletrônica – Dcomp. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever, com a devida complementação adiante: 1. A interessada acima qualificada, transmitiu em 30/10/2006, pedido de compensação de débito de CSLL do 2º trimestre de 2007, através de PER/Dcomp 21374.49638.181207.1.3.042288, informando “valor original do crédito inicial” de R$ 1.239,82 e valor de “crédito original na data de transmissão”de R$ 195,04, e que tal crédito fora informado inicialmente na declaração PER/Dcomp 14040.32954.301006.1.3.040505. O Despacho Decisório indeferiu o pleito da contribuinte, justificando que o crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar débitos da mesma do período de 30/06/2006. 2. Cientificada do Despacho Decisório, em 20/07/2011, fl. 23, alega, a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, apresentada em 18/08/2011, que: 2.1. em 31/07/2006 pagou CSLL (2372) no valor de R$ 1.983,71. Posteriormente apurou que o valor devido era de R$ 743,89, resultando saldo a compensar de R$ 1.239,82; 2.2. desse valor, compensou no 3º trimestre/2006 R$ 910,59 através da PER/Dcomp apresentada em 30/10/2006, recibo 1510557676, sobrando saldo de R$ 329,23, do qual fora utilizado em compensação R$ 162,53 no 2º trimestre de 2007 através da PER/Dcomp apresentada em 18/12/2007, recibo 4053368784; 2.3. já em 19/12/2007, fora apresentada DCTF retificadora em relação ao fato, demonstrando a compensação, pelo que pede que sejam acatadas a PER/Dcomp e a DCTF já apresentadas. Aduz que a não homologação ocorreu porque os valores na PER/Dcomp são diferentes da DCTF original relativa à compensação efetuada no 3º trimestre de 2006, para a qual já procedeu à retificação. Apresenta demonstrativo, relativamente a CSLL do “2º trim/2007”, com “Valor pago: R$ 1.983,71”, “Valor devido: R$ 743,89”, “Valor a compensar:R$ 1.239,82”, “Valor compensado Trim. 03/2006: R$ 910,59”, “Saldo a compensar: R$ 329,23”, “Valor compensado Trim. 02/2007: R$ 162,53” e “Saldo a compensar R$ 166,70”, requerendo que seja cancelado o despacho decisório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10675.902498/201129 Acórdão n.º 1003000.537 S1C0T3 Fl. 3 3 Em 22 de novembro de 2013, a 4ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e prolatou o Acórdão nº 1143.929, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO EM OUTRO PROCESSO. Tendo o crédito pleiteado para compensação origem em um mesmo pagamento que já fora analisado, também como origem de crédito em outra PER/Dcomp, na qual se concluiu pela inexistência do mesmo, não resta mais que se cogitar de tal direito creditório pleiteado na PER/Dcomp em apreço. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES ENTRE DCTF E DIPJ. A retificação de DCTF posterior à ciência de despacho decisório não é aceita para redução de tributo confessado em DCTF anterior sem a comprovação inequívoca de erro de fato nesta, que foi o instrumento de confissão de dívida espontâneo em relação à ciência do referido despacho decisório, observandose não ser a DIPJ instrumento de confissão de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando que: a) prestou serviços de construção com material incluso, portanto, como optara pelo lucro presumido, para fins de cômputo da base de cálculo CSLL, deveria ter aplicado o coeficiente de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, todavia, por um equívoco, utilizouse o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acarretando um valor maior a título a contribuição em questão; b) em 31/07/2006, efetuou o pagamento, sob o código 2372 CSLL do valor de R$ 1.983,71, porém, em verificação posterior, considerando a informação anterior, apurou que o valor efetivamente devido era R$ 743,89, resultando, assim, em um saldo a compensar de R$ 1.239,82, contudo, no 3ª Trim/2006, houve a compensação apenas do valor de R$ 910,59, mediante a apresentação do PERD/COMP em 30/06/2006; c) somente em 29/07/2011, após o Despacho Decisório Rastreamento 941319663 não homologando a referida compensação, apresentou a DCTF retificadora, em relação ao fato narrado, demonstrando o montante efetivamente devido a título de CSLL alusivo ao 2º Trim/2006 no valor de R$ 743,89, e, Fl. 57DF CARF MF 4 d) requereu o acatamento da DCTF retificadora e o processamento da Dcomp para a efetivação da compensação declarada, devido à constatação de erro material, bem como a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Como já relatado, tratase de pedido de compensação de débito de CSLL do 2º trimestre de 2007, através de PER/Dcomp 21374.49638.181207.1.3.042288, constando “valor original do crédito inicial” de R$ 1.239,82 e valor de “crédito original na data de transmissão” de R$ 195,04 e que tal crédito fora informado inicialmente na declaração PER/Dcomp 14040.32954.301006.1.3.040505. Ocorre que o referido direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório e nem tampouco no acórdão de piso, posto que o mesmo pagamento que seria a origem do crédito aqui pleiteado, já havia sido analisado no processo 10675.902355/201117, que contém o contencioso da PER/Dcomp 14040.329954.301006.1.3.040505, naquele julgamento verificouse que a Recorrente não possuía tal crédito. Vale concluir trecho do voto do acórdão recorrido que concluiu pelo indeferimento do pleito da Recorrente na PER/Dcomp objeto do presente: (...)3. Na PER/Dcomp 21374.49638.181207.1.3.042288, objeto do presente processo, a contribuinte declarou que o crédito nela pleiteado já teria sido informado na PER/Dcomp 14040.329954.301006.1.3.040505. 4. Naquela mencionada PER/Dcomp 14040.329954.301006.1.3.040505, a contribuinte informou que o suposto crédito teria origem no DARF de CSLL, código 2372, do período de apuração 30/06/2006, vencimento em 31/07/2006, no valor do principal igual ao valor total, de R$ 1.983,71. 5. Observase que o contencioso daquela PER/Dcomp 14040.329954.301006.1.3.040505, instruído através do processo 10675.902355/201117, foi objeto de julgamento por essa mesma 4ªTurma da DRJ/Recife, nesta mesma sessão de julgamento, quando se constatou que a contribuinte apenas retificou a DCTF, que é a declaração que opera a confissão de dívida (e não a DIPJ), em 29/07/2011, portanto, após a ciência do Despacho Decisório, esta que ocorreu em 20/07/2011, além do que não comprovou erro de fato no valor confessado na sua DCTF original. Não acostou qualquer documento contábil/fiscal nesse sentido. Portanto, considerando que o mesmo pagamento que seria a origem do crédito aqui pleiteado já havia sido analisado no Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10675.902498/201129 Acórdão n.º 1003000.537 S1C0T3 Fl. 4 5 processo 10675.902355/201117, que contém o contencioso da PER/Dcomp 14040.329954.301006.1.3.040505, e que naquele julgamento verificouse que a contribuinte não possuía tal direito creditório, concluise pelo indeferimento do pleito da contribuinte na PER/Dcomp objeto do presente.(...) Ademais, ainda que assim não o fosse, há outra razão para o não reconhecimento do direito creditório vindicado pela Recorrente, conforme segue explicado. De acordo com o constante nos autos, o crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, pelo fato da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido deveria ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. Revisitando a legislação aplicável ao caso, temse que nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) em tratando de receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. A partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 15 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 14 da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998). O entendimento constante no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, sobre o quantitativo de material condicionante a utilização do coeficiente presumido mais benéfico que vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". Sendo assim, no caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2006, aplicase, portanto, a norma que exige o fornecimento da quantidade total do material utilizado na empreitada, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pela Recorrente são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Fl. 59DF CARF MF 6 E, na opinião deste julgador, a única nota fiscal de serviço e os parcos documentos contábeis juntados pela Recorrente não são elementos suficientes a demonstrar, de forma inequívoca, se tratar de serviços prestados com fornecimento de material, para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 12% para a determinação do Lucro Presumido do período. Ora, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito (art. 170 do Código Tributário Nacional). Desta forma, compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com o consequente não reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
