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Numero do processo: 10845.720007/2008-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR - ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Declaração de voto
EDITADO EM: 07/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Otacílio Dantas Cartaxo que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 00 07 /2 00 8- 29 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Declaração de voto EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face S A AGRO INDUSTRIAL ELDORADO foi lavrado o auto de infração de fls. 01/07, objetivando a exigência de Imposto Territorial Rural do exercício de 2004 em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Interesse Ecológico/ Área de Proteção Ambiental. A Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 220201.311, que se encontra às fls. 277/287 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL, TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de áreas de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal competente, ' devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 19 3 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABN.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O v. acórdão recorrido adotou como razões para negar provimento ao recurso voluntário os seguintes fundamentos: (i) as áreas localizadas dentro de áreas de proteção ambiental não são, simplesmente por tal razão, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR como área de interesse ecológico, sendo necessária a existência de ato declaratório específico; (ii) a certidão apresentada nos autos (fls. 53) foi emitida pelo Ibama em 27/11/2007 sendo, portanto, posterior ao fato gerador que se deu em 2004; e (iii) somente com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, foram afastadas da tributação pelo ITR. Regularmente intimada do acórdão, a Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 298/335, que foram rejeitados conforme despacho de fls. 485/488. Intimada do acórdão dos embargos de declaração em 14/08/2012 (fls. 491), a contribuinte interpôs em 24/08/2012 o recurso especial de fls. 492/533, por meio do qual sustenta divergência entre o acórdão recorrido e outras decisões deste E. Colegiado em relação Fl. 613DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 à incidência do ITR sobre a área reconhecida como de interesse ecológico (acórdãos nºs 302 38.180 e 30237.799). Ao recurso especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho de 25/02/2013 (fls. 535/538). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões de fls. 586/594. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela contribuinte. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nºs 30237.799 e 30238.180. O v. acórdão recorrido adotou como razões para negar provimento ao recurso voluntário os seguintes fundamentos: (i) as áreas localizadas dentro de áreas de proteção ambiental não são, simplesmente por tal razão, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR como área de interesse ecológico, sendo necessária a existência de ato declaratório específico; (ii) a certidão apresentada nos autos (fls. 53) foi emitida pelo Ibama em 27/11/2007 sendo, portanto, posterior ao fato gerador que se deu em 2004; e (iii) somente com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, foram afastadas da tributação pelo ITR. Para fins de clareza transcrevo, abaixo, trecho do referido acórdão que analisa a certidão emitida pelo Ibama: “Fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da citada APA, não podem ser, de maneira geral e automaticamente consideradas de interesse ecológico, para efeito de exclusão do ITR, carece, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental. A contribuinte no intuito de embasar seu argumento, anexou à fl. 53, Certidão do Ibama, com emissão em 27/11/2007, porém essa documentação não determina a situação do imóvel com relação ao exercício do ITR de 2004. É necessário salientar que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da Fl. 614DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 20 5 tributação pelo ITR com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo Io, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996. Portanto, nesse exercício que está sendo analisado, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária da Mata Atlântica se enquadravam como área isenta de ITR, somente por essa condição, antes da alteração no artigo citado. Os acórdãos colacionados pela Recorrente como paradigma, encontramse assim ementados: Acórdão n.º 30237.799 “GLOSA DE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (ÁREA DE RESERVA LEGAL, ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL E ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO). LANÇAMENTO DECORRENTE DE DIFERENÇAS CONSTATADAS ENTRE DADOS INFORMADOS NA DITR E NO ADA. A rigor não há nenhuma superioridade em termos de credibilidade entre a declaração de ITR (DITR) apresentada pelo contribuinte à SRF e as informações fornecidas pelo mesmo ao IBAMA por ocasião do protocolo do pedido de Ato Declaratório Ambiental. Tendo trazido aos Autos documentos que comprovam serem as utilizações das terras da propriedade aquelas declaradas pelo recorrente, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização” RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Acórdão 30238.180 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO POR GLOSA DA DISTRIBUIÇÃO DAS AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA — NÃO) SE TORNA OBRIGATÓRIO A APRESENTAÇÃO DO ADA, QUANDO RESTOU COMPROVADO HABILMENTE MEDIANTE DECLARAÇÕES IDÔNEAS DO IBAMA E DA SEDAM DO GOVERNO DO ESTADO DE RONDÔNIA A EXISTÊNCIA DESSAS ÁREAS DA PROPRIEDADE, NA ÉPOCA DO FATO GERADOR. Tendo sido trazido aos Autos documentos hábeis, inclusive revestidos das formalidades legais, além do registro averbado no Cartório de Registro de Imóveis, que comprovam serem as uti1izações das terras da propriedade aquelas declaradas pelo recorrente, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização.” Verifico constar do relatório e voto do Acórdão n.º 30237.799 (ambos os paradigmas utilizam como fundamentação em seu voto o voto proferido pela Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro no Recurso 129.453): Fl. 615DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Relatório “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 32/37, através do qual se exige, da interessada, o Imposto Territorial Rural – ITR no valor original de R$ 259.772,54, acrescido de juros moratórias e multa de oficio, decorrentes de glosa de parte da área de utilização limitada, informada em sua Declaração do Imposto sabre a Propriedade Territorial DITR (DIAC/DIAT), do Exercicio de 1999, por não ter sido incluída no Ato Declaratório Ambiental ADA, 872,6 ha de Area de utilização limitada, do imóvel rural denominado "Serra Negra dos Caetanos", com área total de 4.255,9 ha, Número do Imóvel na Receita Federal NIRF 3.856.3690, localizado no municipio de Tapirai / SP. (...) conforme o oficio juntado pela interessada, o IBAMA declarou, em 8 de janeiro de 2004, que a Área objeto da autuação é considerada de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas. No mesmo ato, o IBAMA declara que a Área é revestida com vegetação típica de Mata Atlântica (Floresta Ombrofila Densa), em seus estágios de regeneração Media e Avançado e que não é objeto de exploração seletiva, não existindo nenhuma atividade de manejo florestal, conforme previsto no Decreto Federal 750/93, em seu art. 1°.” Voto (...) Com efeito, no presente caso, entendo que pela documentação acostada, restou comprovado que toda a área glosada se constitui em área de preservação permanente prevista na Lei nº 4.771/65. Ademais, e especificamente neste caso em que a referida área se inclui no esforço de proteger espécies da flora e da fauna da Mata Atlântica ameaçadas de extinção, se faz também, nos termos da Resolução nº 10/93, área de interesse ecológico. Com efeito, a documentação apresentada, notadamente: (i) o laudo técnico; (ii) o relatório das Vistorias do Projeto Piloto INCRA/IBAMA; (iii) a Declaração do Ibama (pela qual se evidencia que o imóvel objeto do lançamento fiscal ‘não é objeto de exploração seletiva, pois não há nenhuma atividade de manejo florestal’, sendo considerado ‘de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, conforme artigo 7º da Resolução CONAMA nº 10, de 1 de outubro de 1993’), acrescida das previsões legais estabelecidas nos Decretos Estaduais nºs 22.717/84 e 28.347/88, são, no meu entendimento, suficientes para identificar a efetiva situação do imóvel e para atestar, conforme a definição legal, sua caracterização como área de preservação permanente e de interesse ecológico (a qual, por determinação legal, está isenta das incidência do ITR). Da documentação acostada (assim como da teor do disposto no art. 70, do Decreto IV 750/93 c/c art.7°, da Resolução n° 10/93) resulta a minha convicção de que a Área denominada Serra Negra dos Caetanos apresenta características de Floresta Fl. 616DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 21 7 Ombrófila Densa Atlântica, a qual é considerada de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. Ante o exposto, dou provimento ao presente recurso” Examinando o paradigma acima se verifica que ele entendeu como válida, para fins de comprovação da existência de área de interesse ecológico, determinada certidão emitida pelo Ibama em 8/1/2004, sendo que o fato gerador do ITR no caso analisado era de 1999. A conclusão do acórdão paradigma, conforme transcrito acima, foi a de que tal documento (a certidão do Ibama) comprovou que a área em questão era de interesse ecológico e, portanto, isenta do ITR. Destaquese que, ainda que não tenha se pronunciado sobre a validade de certidão emitida posteriormente ao fato gerador para fins de comprovação da área como sendo de interesse ecológico, é inegável que tal documento foi considerado pelo voto constante do acórdão apresentado como paradigma. Dessa forma, no caso do paradigma, a certidão “intempestiva” foi considerada válida para fins de comprovar que o imóvel em questão estava localizado em área de interesse ecológico e, portanto, para excluir tal área na apuração do ITR. A meu ver, nos termos como constou no v. acórdão recorrido, caso tivesse sido aceita a certidão de fls. 53 (como se verificou no acórdão paradigma), é possível que o I. Relator chegasse a conclusão diversa na medida em que haveria nos autos a comprovação do ato declaratório específico exigido por lei. Além disso, o paradigma conduziuse no sentido de entender que a inclusão em área de preservação ambiental é suficiente para a caracterização de área de interesse ecológico para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, no que também divergiu do acórdão recorrido. Logo, entendo que restou demonstrada a existência da divergência que autoriza o conhecimento do recurso especial. Passo, assim, ao exame do mérito. Em suas razões de recurso especial o Recorrente pretende que seja afastada a incidência do ITR sobre o imóvel de sua propriedade tendo em vista a existência de mata atlântica na referida propriedade levando à caracterização da área como de interesse ecológico e de preservação permanente. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). Fl. 617DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). No tocante às áreas de interesse ecológico, o artigo 10º, §1º, inciso II, “b” da Lei nº 9.363/96 (letra “b” do parágrafo anterior), expressamente determina que sua exclusão da área tributável requer a existência de ato prolatado por órgão federal ou estadual competente, que amplie as restrições de uso previstas nas áreas de reserva legal e de preservação permanente. Assim, com base no exposto acima, duas são as exigência legais para que determinada área seja considerada de interesse ecológico e, consequentemente, excluída da área tributável para fins de ITR, quais sejam: (i) a existência de ato específico emitido por órgão federal ou estadual e (ii) que o referido ato amplie as restrições de uso previstas nas áreas de reserva legal e de preservação permanente. As Áreas de Preservação Permanente, como o próprio nome já diz, são áreas reconhecidas como de utilidade pública, de interesse comum a todos e localizadas em áreas específicas delimitadas por lei – margens de rios, encostas de morros, etc. em que se restringe Fl. 618DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 22 9 qualquer tipo de ação, no sentido de supressão total ou parcial da vegetação existente, para que se preservem as plantas em geral, nativas e próprias, que cobrem a região. A reserva legal, por sua vez, é a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, sendo necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de falta e flora nativas. No presente caso, verifico que a certidão emitida pelo Ibama em 27/11/2007 (fls. 53) confirma que o imóvel em questão está inserido dentro da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, atestando que a área do imóvel é “recoberta por Floreta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930 ha”, declarando a área como de interesse ecológico. Transcrevo a seguir a referida certidão, in verbis: “Declaramos para o fim de comprovação de isenção do Imposto Territorial Rural, conforme determina a legislação vigente Lei 9.393/96, que a Fazenda Colônia Nova Trieste, cadastrada na Receita Federal sob o número 3.206.1943, localizada no Município de Eldorado SP, que, após análise da documentação apresentada, este órgão constatou tratarse de área recoberta por Floresta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930,00 hectares. O imóvel também está inserido integralmente nos limites da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar APA o que conferimos e reconhecemos como ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO e UTILIZAÇÃO LIMITADA.” Com exceção da declaração explícita do interesse ecológico, a certidão em questão confirma os termos da declaração de fls. 51, expedida pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais DEPRN em 22/3/1990. Referida declaração do DEPRN, por sua vez, trata especificamente da utilização admitida para o imóvel da contribuinte, conforme transcrição abaixo: “Nos termos da legislação e regulamentação em vigor (Lei 4771/65, Portaria IBAMA 218/89 e Portaria DEPRN 3/90) a exploração de florestas e de formações florestais sucessora nativas em estágios médios e avançados de regeneração natural em área de ocorrência de mata Atlântica só poderá ser feita através de plano de manejo de rendimento sustentado, excluídas as áreas definidas como de preservação permanente pelo Código Florestal (Lei 4771/65, artigos 2º e 3º) e observada Reserva Legal correspondente a 50% (cinquenta) da área total da propriedade. Tais restrições aplicamse à propriedade em questão” Do texto da declaração acima inferese que o imóvel em questão não está gravado com restrições mais gravosas que aquelas previstas para as APPs e áreas de reserva Fl. 619DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 legal. De fato, a declaração trazida aos autos pela própria Recorrente confirma a possibilidade de aproveitamento econômico, por meio de plano de manejo a ser aprovado, das áreas de floresta. Logo, não tendo sido efetivamente comprovada a ampliação das restrições à utilização do imóvel, não foram cumpridos os requisitos para que a área em questão fosse excluída da área tributável do imóvel como área de interesse ecológico. Registrese que em se tratando de área de interesse ecológico cuja exclusão de tributação se dá em decorrência do artigo 10º, §1º, inciso II, “b” da Lei nº 9.363/96, a jurisprudência desta Câmara Superior é no sentido de que não basta a existência de ato declarando a área como de interesse ecológico sendo necessária, ainda, a demonstração da limitação de seu uso, sob pena de glosa dos valores declarados a esse título, como se verifica das ementas abaixo transcritas: “Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. REGIÃO APA SUL. AUSÊNCIA RESTRIÇÃO DE USO. NECESSIDADE DE ATO/DECLARAÇÃO ESPECÍFICA EM RELAÇÃO AO IMÓVEL. A área declarada como de interesse ecológico, ainda que incluída em APA, depende de declaração específica em relação ao imóvel, para fins de exclusão da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, sobretudo quando a legislação que criou a região, in casu, APA SUL, não estabelece restrições absolutas, não limitando, portanto, o seu uso.” (Acórdão 9202002.723, proferido pela CSRF em sessão de 11/06/2013. Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ITR ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. (Acórdão 2201002.079, proferido pela CSRF em sessão de 22/05/213. Rel. Gustavo Lian Haddad) Afastada a possibilidade de exclusão da área por conta de sua caracterização como área de interesse ecológico, foi objeto de discussão durante o presente o julgamento a possibilidade de reconhecimento da presente propriedade como Área de Proteção Permanente, nos termos do artigo 3º do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965). Transcrevo, para fins de clareza, o referido dispositivo: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 23 11 “Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Ocorre que o reconhecimento da APP nos termos dos dispositivos acima requer o enquadramento das florestas e demais formas de vegetação existente no imóvel em uma das alíneas do artigo 3º do código florestal, bem como ato do Poder Público reconhecendo tal enquadramento. No presente caso, no entanto, não há prova desse enquadramento, razão pela qual não é possível reconhecer que as florestas e demais formas de vegetação existentes no imóvel constituem área de preservação permanente passível de exclusão da tributação pelo ITR. Debateuse, ainda, a possibilidade de exclusão da área coberta por florestas de mata atlântica da incidência do ITR tendo em vista o disposto no Decreto Federal nº 750/1993 que expressamente proibiu o corte, a supressão e exploração de vegetação primária ou em estágios avançado e médio de regeneração da mata atlântica. Ressalto, inicialmente, que a existência dessa vedação não implica em uma APP para áreas de mata atlântica. De fato, o decreto em questão teve como escopo regulamentar o artigo 14º do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965) que veicula autorização para que o Poder Executivo crie restrições administrativas à exploração de florestas, complementares às restrições previstas originariamente no Código Florestal. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Examinando o referido decreto verifico que de fato seu artigo 1º veda o corte, supressão e exploração das florestas de mata atlântica. No entanto, tal decreto admite a exploração das áreas de mata atlântica, respeitadas determinadas condições, como se verifica de seu artigo 2º, abaixo transcrito: “Art. 2° A exploração seletiva de determinadas espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser efetuada desde que observados os seguintes requisitos: I não promova a supressão de espécies distintas das autorizadas através de práticas de roçadas, bosqueamento e similares; II elaboração de projetos, fundamentados, entre outros aspectos, em estudos prévios técnicocientíficos de estoques e de garantia de capacidade de manutenção da espécie; III estabelecimento de área e de retiradas máximas anuais; IV prévia autorização do órgão estadual competente, de acordo com as diretrizes e critérios técnicos por ele estabelecidos. Parágrafo único. Os requisitos deste artigo não se aplicam à explotação eventual de espécies da flora, utilizadas para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais, mas ficará sujeita à autorização pelo órgão estadual competente.” Devese registrar que o Decreto nº 750/1993 foi editado para revogar o Decreto nº 99.547/1990 de forma a admitir a exploração das áreas de mata atlântica por meio do artigo 2º acima transcrito. O Decreto nº 99.547/1990 em seu artigo 1º vedava o corte, a supressão e exploração de vegetação primária ou em estágios avançado e médio de regeneração da mata atlântica e determinava, em seu artigo 2º, que competia ao IBAMA fiscalizar tal vedação, conforme se verifica da transcrição abaixo: “Art. 1° Ficam proibidos, por prazo indeterminado, o corte e a respectiva exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica. Art. 2° O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no exercício de sua competência e de modo imediato e prioritário, deve promover rigorosa fiscalização dos projetos existentes em áreas da Mata Atlântica, na forma da lei. Parágrafo único. Verificadas, pela fiscalização a que alude este artigo, irregularidades ou ilicitudes, incumbe ao Ibama, prontamente: a) diligenciar as providências e as sanções cabíveis; b) oficiar ao Ministério Público Federal, se for o caso, visando aos pertinentes inquérito civil e ação civil pública; e c) representar, ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura CREA em que inscrito o responsável técnico pelo Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 24 13 projeto, para apuração de sua responsabilidade, consoante a legislação específica. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4° Revogamse as disposições em contrário.” Adicionalmente, devese aqui afastar o mito por vezes adotado de que o ITR é tributo que tem, no contorno constitucional de sua regra matriz, o pressuposto de utilização da propriedade. A regra matriz do ITR tem como elemento material a propriedade da terra. Se tal área é ou não utilizada é elemento que pode afetar o valor venal da propriedade, que conforma a base de cálculo do tributo, ou até ser utilizado pelo legislador para estabelecer, caso a caso, isenções específicas, cujos requisitos devem ser observados. Por outro lado, a exclusão pretendida pela Recorrente seria possível com base na alínea “e” do inciso II, parágrafo 1º, do artigo 10 da Lei n. 9.363, segundo o qual são isentas de tributação pelo ITR as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, comprovadamente o caso dos autos conforme a farta documentação comprobatória trazida pela Recorrente. Ocorre que tal exclusão, que tecnicamente veicula norma de isenção por seccionar aspecto da regra matriz de incidência, foi introduzida no ordenamento com a edição da Lei nº 11.428, de 22.12.2006, posteriormente ao exercício envolvido na presente autuação. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 Declaração de Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro relator, ouso divergir do seu entendimento, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa do nobre julgador, relativamente à área de interesse ecológico, como passaremos a demonstrar. Mais a mais, mister registrar nosso posicionamento pertinente à matéria, conjugada com os fatos que envolvem o presente processo, de maneira a melhor aclarar as especificidades determinantes à conclusão deste Conselheiro, mormente em face da citação de precedente de nossa relatoria no voto encimado. Destarte, conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, no Auto de Infração sob análise exigese crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2004, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Colônia Nova Trieste”, localizado no município de Eldorado/SP, cadastrado na RFB sob o nº 3.206.1943, conforme peça inaugural dos feito. Com mais especificidade, a autoridade lançadora entendeu por bem proceder à glosa da área declarada como de interesse ecológico pela contribuinte, em face da pretensa ausência de ato específico do Poder Público a reconhecendo como tal, estabelecendo, ainda, restrições de uso de aludida área, entendimento que veio a ser corroborado pelas decisões pretéritas e, bem assim, no voto do ilustre Relator, adotando os seguintes fundamentos: (i) as áreas localizadas dentro de áreas de proteção ambiental não são, simplesmente por tal razão, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR como área de interesse ecológico, sendo necessária a existência de ato declaratório específico; (ii) a certidão apresentada nos autos (fls. 53) foi emitida pelo Ibama em 27/11/2007 sendo, portanto, posterior ao fato gerador que se deu em 2004; e (iii) somente com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, foram afastadas da tributação pelo ITR. Por sua vez, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, em síntese, que o imóvel rural objeto do lançamento encontrase encravado em Área de Preservação Permanente – APA de Mata Atlântica, caracterizandose como área de interesse ecológico e de preservação permanente, fundamento rechaçado pelo ilustre Conselheiro Relator. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 25 15 Em suma, o fundamento basilar do voto do nobre Relator repousa no fato de inexistir no caso dos autos restrições no uso da área em comento, de maneira a atrair a hipótese de isenção pretendida pela contribuinte. Com efeito, da análise dos autos, constatase que a materialidade da área de interesse ecológico é incontroversa, sendo reconhecida pelo próprio Conselheiro relator, com fundamento nas Certidões emitidas pelo Ibama, em 27/11/2007, e pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais – DEPRN, em 22/03/1990, consoante se extrai do excerto do voto nos seguintes termos: “[...] No presente caso, verifico que a certidão emitida pelo Ibama em 27/11/2007 (fls. 53) confirma que o imóvel em questão está inserido dentro da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, atestando que a área do imóvel é “recoberta por Floreta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930 ha”, declarando a área como de interesse ecológico. Transcrevo a seguir a referida certidão, in verbis: “Declaramos para o fim de comprovação de isenção do Imposto Territorial Rural, conforme determina a legislação vigente Lei 9.393/96, que a Fazenda Colônia Nova Trieste, cadastrada na Receita Federal sob o número 3.206.1943, localizada no Município de Eldorado SP, que, após análise da documentação apresentada, este órgão constatou tratarse de área recoberta por Floresta Ombrófila Densa típica de Mata Atlântica nos estágios médio e avançado de regeneração de floresta secundária e floresta primária, em seu clímax, na extensão de 29.930,00 hectares. O imóvel também está inserido integralmente nos limites da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar APA o que conferimos e reconhecemos como ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO e UTILIZAÇÃO LIMITADA.” Com exceção da declaração explícita do interesse ecológico, a certidão em questão confirma os termos da declaração de fls. 51, expedida pelo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais DEPRN em 22/3/1990. Referida declaração do DEPRN, por sua vez, trata especificamente da utilização admitida para o imóvel da contribuinte, conforme transcrição abaixo: “Nos termos da legislação e regulamentação em vigor (Lei 4771/65, Portaria IBAMA 218/89 e Portaria DEPRN 3/90) a exploração de florestas e de formações florestais sucessora nativas em estágios médios e avançados de regeneração natural em área de ocorrência de mata Atlântica só poderá ser feita através de plano de manejo de rendimento sustentado, excluídas as áreas definidas como de preservação permanente pelo Código Florestal (Lei Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 4771/65, artigos 2º e 3º) e observada Reserva Legal correspondente a 50% (cinquenta) da área total da propriedade. Tais restrições aplicamse à propriedade em questão” Do texto da declaração acima inferese que o imóvel em questão não está gravado com restrições mais gravosas que aquelas previstas para as APPs e áreas de reserva legal. De fato, a declaração trazida aos autos pela própria Recorrente confirma a possibilidade de aproveitamento econômico, por meio de plano de manejo a ser aprovado, das áreas de floresta.[...]” Em conclusão, o ilustre Conselheiro relator manifestase nos seguintes termos: “[...] Logo, não tendo sido efetivamente comprovada a ampliação das restrições à utilização do imóvel, não foram cumpridos os requisitos para que a área em questão fosse excluída da área tributável do imóvel como área de interesse ecológico. [...]” Extraise de aludida conclusão nossa divergência, muito embora já tenha votado neste sentido analisando outro caso concreto, com outras peculiaridades, adotando como fundamento os seguintes fatos. De um lado, o artigo 10º, § 1º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.393/96, lastro do entendimento no Relator, de fato, exige a ampliação das restrições de uso da área declarada de interesse ecológico, como segue: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. […] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...]” De outro, a alínea “c” do mesmo Diploma Legal contempla situação em que as áreas imprestáveis para qualquer uso, declaradas de interesse ecológico por ato do Poder Público, estão fora do campo de incidência do ITR, in verbis: “[...] c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; [...]” Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10845.720007/200829 Acórdão n.º 9202003.269 CSRFT2 Fl. 26 17 In casu, restando incontroversa a materialidade da área de interesse ecológico, reconhecida por órgão competente do Poder Público, somente o aspecto das restrições de uso poderiam determinar a manutenção do feito, na linha do voto do Relator. Entrementes, não podemos compartilhar com esse entendimento, em face dos motivos abaixo delineados. A uma, em nosso entender, está mais do que comprovado nos autos que a área objeto da autuação encontrase absolutamente encoberta por mata atlântica, o que por si só inviabiliza a sua utilização por parte da contribuinte. A duas, porque, igualmente, restou devidamente demonstrado que o próprio relevo da área, por demais irregular, ondulado e bastante montanhoso (Serra do Mar e Serra da Mantiqueira), além da mata absolutamente fechada, restringe por sua própria “natureza” (condição) a sua utilização. Em outras palavras, a restrição de uso de referida área é inerente à própria condição geológica, impedindo o sua utilização por parte da contribuinte. Aliás, na própria “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, peça vestibular do feito, a autoridade lançadora sustenta que as condições particulares do relevo da propriedade devem ser levadas em consideração, objetivando verificar a restrição que lhe impõe, senão vejamos: “[...] Cabe ressaltar ainda que, a não ser que o imóvel rural tenha propriedades de relevo muito particulares (declividade acentuada, altitude elevada), as restrições impostas pelo Código Florestal limitam a utilização econômica de uma parte do imóvel e não do todo, permitindo a utilização privada do restante de acordo com os interesses do proprietário (dentro dos limites da lei) . A vegetação de preservação permanente deve ser deixada intocada e a de Reserva Legal pode ser manejada de forma sustentável. [...]” É exatamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a declividade e/ou irregularidade do relevo do imóvel objeto da exigência fiscal, encravado na Mata Atlântica, não permite, por si só, a sua utilização, ou seja, lhe atribui restrição absoluta, rechaçando de uma vez por todas a pretensão fiscal. A jurisprudência deste Colegiado, que se ocupou do tema, analisando imóvel rural, igualmente, inserido na Mata Atlântica, sob as mesmas condições e fatos, acolheu o pleito da contribuinte, mesmo não estando delimitada a restrição de uso, consoante se positiva do julgado com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 ITR ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. DECLARAÇÃO MEDIANTE ATO ESPECÍFICO. REQUISITO LEGAL. EXIGÊNCIA CUMPRIDA. No caso, o contribuinte protocolou junto ao IBAMA, aproximadamente três anos antes da ocorrência do fato gerador deste lançamento, pleito para reconhecimento de que seu imóvel rural é área de interesse ecológico. Na resposta, emitida quase cinco anos após o pedido inicial, que foi reiterado por duas vezes, o órgão ambiental declara que toda a propriedade representa área de interesse ecológico. Está cumprida, pois, a exigência do artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, de modo que tal área deve ser excluída da base de cálculo do ITR. Recurso especial negado.” (2a Turma da CSRF – Processo n. 11020.001822/200517, Acórdão n. 9202001.629, Unânime) Partindo dessas premissas, impõese reconhecer aludida área de interesse ecológico, para fins de não incidência de ITR, decretando, por conseguinte, a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER E DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE, pelos fundamentos de fato e de direito acima esposados. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 29/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15983.000406/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006
SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. - Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN).
BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.158-35/2001, desde que comprovadas. Por força da interpretação dada pelo § 9º-A, inserido na Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873, de 2013, essas deduções incluem o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Por força da interpretação dada pelo § 9ºA, inserido na Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873, de 2013, essas deduções incluem “o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 04 06 /2 00 7- 28 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 814 2 Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ/SPOI, que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente os autos de infração de PIS e Cofins, do período de apuração de 01/04/2002 a 31/12/2006, em 05 de setembro de 2007 (fls.594), conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para caistituição do crédito tributário relativo às contribuições" sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Tais deduções específicas não incluem os custos referentes aos atendimentos dos eventos ocorridos, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento e não sobre o resultado. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 815 3 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, as cooperativas médicas, como operadoras de plano de assistência à saúde, podem deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835/2001, desde que comprovadas. Tais deduções específicas não incluem os custos referentes aos atendimentos dos eventos ocorridos, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento e não sobre o resultado. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Lançamento Procedente A decisão recorrida analisou os assuntos discutidos no presente processo da seguinte forma: Das Preliminares de Decadência A decisão recorrida afastou a preliminar de decadência suscitada pela Contribuinte, relativo ao período de 04/2002 a 08/2002, por entender que os fundamentos legais aduzidos nos autos respaldam amplamente o prazo de dez anos, como contemplado no processo aqui discutido. Do Mérito Fl. 815DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 816 4 Em relação ao mérito, diz que o contribuinte pretende deduzir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores pagos aos estabelecimentos médicos de sua rede credenciada, utilizando como base legal o inciso III do parágrafo 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A autoridade fiscal entende que essa dedução não está albergada pelo referido texto legal, tendo em vista que as despesas autorizadas a serem utilizadas em uma eventual dedução devem ter sido desembolsadas para pagar os conveniados em decorrência do atendimento médico prestado ao associado de outra operadora, cuja responsabilidade lhe foi transferida. Desta forma, fica claro que a questão central da presente lide se cinge a definir o alcance da expressão "eventos ocorridos", constante na parte inicial do inciso III do parágrafo 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Assim, a partir de 01/02/1999, a COFINS passou a ser calculada sobre o valor de todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua origem ou classificação fiscal, abrangendo até mesmo as receitas financeiras e aos resultantes de variações monetárias. No caso do PIS, a legislação previu que a exação é devida pelas pessoas jurídicas, inclusive se a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, incidindo sobre o faturamento mensal, assim considerada a receita bruta proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. As deduções inerentes às OPS estão dispostas na MP n.° 2.15835/2001, em seus artigos 2° e 92, que alterou o art. 3° da Lei n.° 9.718/98, acrescentando o § 9° e determinando a sua vigência, nos seguintes termos: "Art. 2° O art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." Afirma que a pedra angular desta lide reside em determinar a inequívoca interpretação da expressão "eventos ocorridos". A Solução de Consulta SRRF/ 3ª RF/DISIT n° 20, de 23 de outubro de 2003, discorre de maneira direta, clara, didática e conclusiva sobre o assunto, de forma que recorrerei às suas definições como modo de elucidar o tema controverso. Ademais, diz que o contribuinte aplicou a definição de "evento" de forma isolada no dispositivo, sem interagir com o restante da regra. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 817 5 Em virtude dessas considerações, concluiu a decisão recorrida que o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar que os pagamentos feitos aos seus associados poderiam ser deduzidos das bases de cálculo do PIS e da COFINS, com base no inciso III do § 9° do art. 3º da Lei n.° 9.718/98, vez que “se aceitássemos a dedução dos custos e despesas relativos a consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias, etc, de seus próprios associados, como quer a contribuinte, estaríamos desrespeitando o princípio da legalidade”. Cientificada da decisão recorrida, em 16/01/2008, conforme informação constante de fls. 782, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 748 a 780, em face do v. Acórdão, onde em síntese, tratarse de empresa operadora de planos privados de assistência à saúde, regularmente registrada perante o Conselho Regional de Medicina sob n.° 24.071/96 e subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar — ANS, onde se encontra registrada sob o n.° 360244. No exercício de suas atividades, a recorrente está submetida ao recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS, instituídas pela Lei n.° 9.718/98. Em contrapartida, a legislação concedeu, regularmente, benefícios legais para a apuração do montante tributável da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do § 9° do Art. 3° da Lei n.° 9.718/98, alterado pelo Art. 2° da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os quais, como explicitado na própria exposição de motivos, servem para estabelecer, sob o ponto de vista tributário, tratamento isonômico entre aquelas operadoras (i.e., operadoras de planos de saúde) e as entidades de seguro (fls.), uma vez que estas empresas também são contempladas com exclusões da base de cálculo tributável pela Contribuição ao PIS e COFINS. Assim, existindo para o caso concreto expressa autorização legal para efetuar não só a dedução em disputa como outras deduções elencadas pelo dispositivo legal, autorização legislativa essa que instituiu tratamento diferenciado para a cobrança de PIS/COFINS sobre atividades do setor de saúde suplementar dado o caráter social das atividades desenvolvidas, tratamento diferenciado, aliás, que já foi autorizado para outros setores econômicos (instituições financeiras e seguradoras), a recorrente efetuou o recolhimento das contribuições em tela em perfeita consonância com a legislação em vigor, razão pela qual não merece prosperar a decisão recorrida. Da Decadência Afirma ser pacifica a jurisprudência deste colendo CARF e dos Conselhos de Contribuintes o entendimento que o PIS e a COFINS são tributos sujeitos ao lançamento na modalidade por homologação, razão pela qual o prazo de que dispunha o Fisco para a revisão e cobrança de eventuais diferenças regese pelas disposições do § 4º do Artigo 150 do CTN, logo, quando foi lavrado o auto de infração, em 05 de setembro de 2007 (fls.), já havia decorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador para a cobrança da contribuição ao PIS e da COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre 30 de abril de 2002 e 30 de agosto de 2002, tendo decaído o direito da Fazenda de lançar tais tributos em disputa. É o relatório. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 818 6 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Acolho a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência de agosto de 2002, inclusive, tendo em vista que a mesma teve ciência dos autos de infração de PIS/Pasep e Cofins, em 05/09/2007 (fls. 594), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j.12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.CármenLúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente (DOU nº 117, de 20/06/2008,Seção I, pág. 1) Desta forma, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos da data do fato gerador previsto no art. 150, § 4º do CTN, sobretudo porque estão sendo exigidas apenas as diferenças apuradas, em virtude da divergência existente sobre as deduções das bases de cálculo encontradas pela Recorrente. A Lei nº 12.873, publicada em 25/10/2013, ao alterar dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, incluiu o § 9ºA, ao art. 3º, da mencionada lei, atribuiu interpretação mais extensiva às deduções da base de cálculo das contribuições PIS/PASEP e COFINS, devidas pelas empresas operadoras de planos de saúde, como é o caso da Recorrente, da seguinte forma: Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: Fl. 818DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 819 7 “Art. 3o. .........………………….................................... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) “Art. 8oA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9o do art. 3o desta Lei, observada a norma de interpretação do § 9oA, produzindo efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória no 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota.” A Lei nº 9.718/1998, em seu art. 3º, §9º, elenca as deduções passíveis de serem feitas, em específico, pelas operadoras de plano de assistência à saúde, quais sejam; “as corresponsabilidades cedidas; a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; e o valor, referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, senão vejamos: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de Fl. 819DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 820 8 responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Com a alteração legislativa, o referido art. 3º ganhou o §9ºA, acima reproduzido, culminou por atribuir a interpretação à última hipótese de dedução prevista, como sendo o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos. Assim, tais valores devem ser entendidos como o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Portanto, de acordo com a novel interpretação legislativa as operadoras de planos de saúde estão autorizadas a deduzirem da base de cálculo das contribuições os custos assistenciais efetuados com os próprios clientes e com outros, de operadoras distintas, mas atendidos em razão da transferência de responsabilidade, conforme defendido pela Recorrente. Em razão dessa nova interpretação mais favorável aos planos de saúde, a Lei nº 12.873/2013, indica como fonte de custeio (como determina o art. 195, § 5º da CF), a elevação da alíquota da COFINS aplicável às referidas entidades, para 4% (quatro por cento), com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2014. Por fim, em razão do § 9ºA, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, introduzido pela Lei nº 12.873/2013, ter natureza interpretativa, conforme expressamente constou desse dispositivo, o mesmo deve ser aplicado retroativamente, nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, retroagindo à época dos fatos discutidos no presente processo. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para acolher a decadência para excluir a exigência em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/04/2002 a 31/08/2002, e em relação ao período subsequente (01/09/2002 a 31/12/2006), também por razões de mérito, cancelar a exigência em face da nova interpretação dada pela Lei nº 12.873/2013 Sala das Sessões, em 27 de março de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 820DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15983.000406/200728 Acórdão n.º 3301002.279 S3‐C3T1 Fl. 821 9 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10875.907933/2012-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 33 /2 01 2- 36 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 92 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/08/2010. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2010 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 93 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 94 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 95 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907933/201236 Acórdão n.º 3801003.827 S3TE01 Fl. 96 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10680.932855/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1801-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 55 /2 00 9- 90 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932855/200990 Acórdão n.º 1801002.083 S1TE01 Fl. 228 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0225.809 (fl. 106), pela DRJ Belo Horizonte, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação de nº 38040.82988.040808.1.7.042605 (fl. 84), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 60: Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser e utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2, em que alega, em síntese, a regularidade da compensação e requer a preservação do prazo para eventual pedido de restituição. A DRJ Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932855/200990 Acórdão n.º 1801002.083 S1TE01 Fl. 229 3 restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Cientificado dessa decisão em 07/05/2010, por meio de remessa postal (fl. 142), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 148), em 07/06/2010, em que alega: a) a nulidade do lançamento em virtude de alegada confusão acerca do período de ocorrência do fato gerador do tributo e erro de fundamentação; b) a regularidade da compensação efetuada; c) a norma que impedia a compensação de estimativas foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP na qual aponta indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL referente a março de 2005. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual da contribuição. A decisão da DRJ Belo Horizonte manteve a decisão de não homologação, com fundamento no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, que impedia a compensação de estimativas. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932855/200990 Acórdão n.º 1801002.083 S1TE01 Fl. 230 4 materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13603.905758/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO. Versa o imbróglio sobre a não homologação de declaração de compensação transmitida pela contribuinte, em razão do mesmo não haver logrado comprovar de maneira inconteste a certeza, liquidez e a exigibilidade do direito creditorio, oriundo de Cofins Importação de Serviços, código de receita 5442, sob a alegação de se tratar de recolhimento indevido a título de Cofins, proveniente de pagamento de royalties a empresa sediada no exterior, o que lhe daria o direito à compensação de tais valores (DARF de R$ 22.122,54 valor original), com débito de mesma natureza relacionado ao período de apuração de janeiro/2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 05 75 8/ 20 12 -3 1 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 15 2 A autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório constatou a inexistência de saldo credor o bastante para solver a compensação declarada, eis que o crédito informado na DComp transmitida foi integralmente utilizado para a liquidação de outros débitos própros. Com a ciência do despacho decisório adveio a manifestação de inconformidade, quando aduziu ser o valor original do DARF declarado em DCTF, utilizado para pagamento de licença de uso da marca (royaties), não gerando com isso uma contrapartida de serviços provenientes do exterior. Assim sendo sobre tais valores não incide a Cofinsimportação de serviços. Para consubstanciar a sua tese menciona fragmentos do processo de consulta nº 263/11, exarado pela SRRF/8ª RF, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e firma conclusão de que o pagamento ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, por simples licença de uso de marca, a título de royalties, não caracteriza contrapartida de serviços provenientes do exterior, não cabendo, portanto, a hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasepimportação, bem assim para a Cofinsimportação. A contribuinte informou que à época dos fatos apesar de haver identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, cometeu a falha de não retificar a DCTF original que informava o valor indevido, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pelo sistema da RFB. Finalmente, nos termos do caput e do § 1º do art. 11 da IN SRF nº 903/08, apresentou à repartição fiscal a DCTF retificadora, com a mesma natureza da original, que a substituiu integralmente, eficaz para declarar novos/velhos débitos, entretanto a mesma não foi recepcionada pela RFB, eis que já havia decorrido mais de cinco anos de janeiro/07, contados consoante a regra esculpida no artigo 173, I, do CTN. A título de elemento probante de seu direito apresentou cópia de uma fatura de pagamento de royalties, com base em suposto contrato vigente em 2000/2001. Conclusos foram os autos para apreciação pela 2ª Turma da DRJ/BHE que, em sessão realizada em 09/07/13, por meio do Acórdão nº 0245.949, proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante a ementaadiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 16 3 As razões de decisão constantes do voto condutor do acórdão em questão, resumidamente, entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, o que não ocorreu no caso. Ademais disso o aresto firmou posição que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, conforme reza o Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, e que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Uma vez ciente do teor da decisão de piso em 19/08/13 (vide AR), a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 18/09/13, para aduzir resumidamente: Em 13/12/00 celebrou um acordo de licenciamento para uso de marcas diversas de propriedade da Licenciante, empresa italiana denominada F. L. Itália S.p.A (doc. 06) e, desde então, remete ao exterior mensalmente pagamento a título de royalties pela exploração dessas máquinas (doc. 07). Deduziu que da leitura do aditivo contratual datado de 08/10/01 (doc. 06) e com efeitos retroativos à data da contratação inicial, não se tem dúvidas de que o objeto do contrato é EXCLUSIVAMENTE o licenciamento para uso de marcas, não envolvendo importação de quaisquer serviços conexos. Todavia, através de 52 despachos decisórios distintos a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas, pelo fato de que a recorrente não havia retificado as informações em sua DCTF, anteriormente ao protocolo dos pedidos de compensação. Alegou a contribuinte possuir direito creditório oriundo de Cofinsimportação, referentes à remessas de royalties para o exterior, apurados desde janeiro/2007 a maio/2011, atrelados ao mesmo contrato já referenciado. Por conseguinte, apresentou 52 pedidos de compensação, atinentes a recolhimentos indevidos, com idêntica fundamentação e resultados de decisões pela DRJ/BHEMG. Para consubstanciar o alegado menciona julgados no âmbito do CARF (10860.905038/200941, em 23/04/13), AC. CSRF/0304.382 (26/12/06), e a solução de divergência COSIT nº 11, de 28/04/2011. A fim de possibilitar o julgamento em conjunto dos 52 processos, por sua vinculação, a contribuinte requereu a reunião dos autos, ex vi do art. 47 do RICARF/09, com redação da Portaria MF nº 586/10. Arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência no seu interesse. Arguiu sobre a possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 17 4 Sustentou que não há norma procedimental, seja ela de ordem legal ou regulamentar, que impeça a retificação da DCTF em período posterior ao despacho decisório. Mesmo o art. 9º da atual IN/RFB 1.110/2010, veda a retificação que vise à redução ou alteração de (i) débitos que já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida ativa da União, ou (ii) que tenham sido objeto de procedimento de fiscalização. No presente caso, nenhuma das hipóteses de vedação está presente, uma vez que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. No mais a decisão administrativa versa sobre pedido de compensação, que pressupõe confissão de débito confessado pelo contribuinte, a ser compensado, não pode ser considerada como procedimento fiscal procedimento destinado a apurar débito do contribuinte. Enfatizou que o próprio CARF já admitiu que não há nenhum impedimento à retificação da DCTF após o despacho decisório, não estando tal direito, portanto, condicionado à prévia retificação da declaração, conforme decisões contidas nos Acórdãos 3802001.849 (25/06/2013), 380201.005 (22/05/12), 380201.125 (28/07/12), 330200.809 (03/02/11). A defendente arguiu acerca da necessidade de recebimento da DCTF de ofício pela autoridade administrativa, ante a impossibilidade de transmissão eletrônica, relativamente a declarações originais transmitidas há mais de cinco anos, por restrição formal à verdade material, contra senso que não pode ser admitido. Nesse passo mencionou que inobstante não haja prescrição do direito ao crédito, posto que a compensçaão foi realizada dentro do prazo prescricional quinquenal, a retificação da DCTF está sendo obstada pelo sistema, de forma a impedir a comprovação da verdade material. Justificou que é por conta dessa situação que a DCTF retificadora, relativa ao crédito postulado do ano base de 2007, está sendo ora apresentada em versão impressa, a fim de que V. Sas, determinem o seu processamento e, via de consequência, analisem o seu conteúdo para fins de deferimento do direito creditório. Menciona fragmento do Acórdão 3802001.642, de 28/02/13, para consubstanciar a sua tese. A comprovação documental do direito de crédito da recorrente fazse mediante a apresentação do contrato de licença para uso de marcas (sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties, e memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas). Aduziu que outro não foi o entendimento firmado pelo Acórdão 3801001.813, em análise de matéria e de situações fáticas idênticas, julgado em 23/04/13. Resumidamente, esclareceu que a comprovação do pagamento indevido de Cofinsimportação sobre royalties, fezse mediante a retificação da DCTF e, com isso, deuse o reconhecimento do direito creditório. Em suma a retificação foi realizada para fins de desvincular a existência de débitos atrelados aos pagamentos de Cofinsimportação que foram realizados (doc. 04), a fim de que a declaração espelhasse a existência do crédito compensável (pagamento sem respectivo débito vinculado = crédito compensável). Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 18 5 Ou seja, para a recorrente tratase de mero erro formal incorrido, que não altera a situação fática, na qual ela efetuou o pagamento do débito de Cofinsimportação indevidamente, o que lhe garante o direito de restituir/compensar tal quantia correspondente. A título de requerimentos temse: A reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto, em razão de sua interdependência, a fim de evitar eventual julgamento despido de congruência. O reconhecimento da integralidade do direito creditório e, via de consequência, a homologação integral da compensação processada via Per/DComp referenciado nos autos (doc. 05). Caso se entenda pela baixa dos autos em diligência para que a 2ª turma da DRJ/BHE reaprecie a questão à luz das provas juntadas aos autos em sede recursal, requer o provimento do presente recurso nestes termos, a exemplo do que ocorrido em sessão de julgamento de 28/06/2012, nos autos do PAF nº 16443.000318/201045, (Resolução nº 3402 000.422, da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara). Caso ainda se entenda que são necessárias outras provas documentais para evidenciar o direito creditório postulado, a fim de se confirmar ainda mais a verdade material, requerse seja determinada a baixa dos autos em diligência, com intimação da recorrente para que possa providenciar o suporte documental julgado indispensável e ainda não acostado aos autos, retornando em seguida ao CARF para conclusão do julgamento. A recorrente fez colação aos autos dentre outros documentos, de cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia do contrato de licença para uso de marca comercial e respectivo aditivo contratual (doc. 06); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Por fim relacionou os processos que pretende sejam julgados em conjunto, a saber: É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 19 6 VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese à comprovação pela recorrente da existência de certeza e de liquidez do direito creditório alegado, da existência ou não de prescrição do direito à repetição do indébito, bem assim da suficiência de crédito para a extinção dos débitos declarados por meio de Per/DComp, no período de janeiro/2007 a maio/2011. A decisão a quo ao examinar a controvérsia entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, para concluir que na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Ademais disso o aresto mencionou que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, mediante a aplicação ao caso vertente, por analogia do contido no Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, para concluir que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Em oposição às razões de decisão do acórdão recorrido a contribuinte informou que a origem do direito creditório resulta do indébito de CofinsImportação, proveniente da remessa de royalties para o exterior pela exploração de máquinas, no período de apuração compreendido entre janeiro/2007 a maio/2011, respectivamente. A título de comprovação ao alegado colacionou aos autos, em sede de recurso, cópia xerográfica do contrato de licença para uso de marcas (doc. 06 sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties; as memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas); cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Uma vez apresentados tais documentos a título de elementos probantes da existência do direito credittório suscitado, a recorrente arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência administrativa no seu interesse. Arguiu também acerca da possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp, sustentando pela inexistência de norma legal ou regulamentar que impeça o feito, notadamente tendo em vista que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 20 7 Finalmente a recorrente, acerca da decisão administrativa, arguiu que pressupondo ser o pedido de compensão uma confissão de débito formulado pelo contribuinte, não pode ser considerado como procedimento fiscal, tendente à apuração de débito. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: a) Há nos autos cópia de comprovante de pagamento indevido da Cofins Importação, confirmado pelos sistemas de arrecadação da RFB (extrato de comprovante de arrecadação), que menciona o valor do pagamento efetuado, a data de vencimento da obrigação, o código da receita arrecadada e o código de controle eletrônico de realização da operação, ou seja houve o recolhimento do valor do indébito de R$ 22.122,54 (informado no pedido de compensação não homologado doc. 05), valor esse constante do despacho decisório, como sendo o valor originário utilizado (doc. 03); b) Há nos autos cópia do Contrato de Licença para Uso de Marca Comercial e para Transferência de knowhow em marketing e propaganda, e o respectivo aditivo, celebrado com a proprietária da marca, que atestam a origem e justifica a remessa de royalties para o exterior, por conseguinte a origem do indébito (doc. 06); c) Há o Certificado de Averbação nº 010589/10 (Processo INPI/DIRTEC), fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em conformidade com o art. 211, Lei nº 9.279/96, que autoriza o licenciamento exclusivo dos produtos objeto do contrato em comento, inclusive estabelece o valor percentual do faturamento líquido mensal (1%), que é remetido para o exterior mensalmente, em cumprimento de cláusula contratual de nº 3, pois representa a remuneração para a licença de uso das marcas listadas no Anexo I, com informações atualizadas até 24/04/2012 (doc. 06); d) Constam dos autos cópia da fatura comercial de pagamento de royalties (Invoice nº 1107160012 e data 17/01/2007), cujo campo de descrição menciona os royalties relacionados ao contrato em comento, e respectivo demonstrativo de cálculo dos tributos recolhidos e incidentes sobre a cofins no valor de R$ 22.801,26, para a data de 17/01/2007, em conformidade à Lei nº 10.865/ (doc. 07); e, por fim, Constam dos autos cópia da DCTF original (vide fl. 12/22, débito apurado e créditos vinculados/pagamento) e retificadora (vide fls. 15/16), correspondente ao mês de janeiro/2007, em substituição àquela original de nº 19.15.32.19.59 06, onde não mais registra valores de créditos vinculados/pagamento e sujeitos a compensação, em razão da realização de pagamento a maior ou indevido (doc. 08). No que atine à colação aos autos de documentos e de razões complementares à defesa contida na exordial, mesmo que extemporaneamente, a jurisprudência administrativa firmou escólio a respeito dessa possibilidade, em razão da natureza do informalismo ou do formalismo moderado que regem o processo administrativo, em conformidade ao disposto na Lei nº 9.784/99, utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 21 8 tributários por força de seu art. 69, que autoriza a autoridade administrativa a rever os seus próprios atos, conforme estabelece o art. 65 desse mandamus, bem assim por não prejudicar o desenvolvimento do processo em trâmite e, principalmente por dar a oportunidade para que se exerça o princípio da verdade material, inclusive no caso vertente, pois as provas acostadas foram úteis para auxiliar na formação da convicção deste julgador acerca da existência do direito creditório. Quanto ao direito creditório alegado, proveniente da não incidência de Cofins Importação, para os royalties remetidos ao exterior, em razão da concessão de direitos pelo uso de marcas, de transferência de conhecimento e de tecnologia, o mesmo encontra respaldo no contido na legislação tributária vigente. Neste sentido se transcreve excertos extraídos do Acórdão nº 3801001.813, cuja sessão de julgamento se realizou em 23/04/13 (fl. 208), cujo voto condutor ao apreciar caso semelhante, fundamentou suas razões de decidir de acordo com a legislação tributária vigente e aplicável ao caso em concreto, inclusive citando a solução de divergência nº 11, de 28 de abril de 2011, senão vejamos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 22 9 e) Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Da simples leitura efetuada da transcrição acima fazse possível inferir que estão contemplados os requisitos para a não incidência da CofinsImportação ao caso de que se cuida, eis a matéria sob exame e o contrato possui as características de contrato de knowhow, por cessão de direitos, concedente de autonomia administrativa e financeira ao licenciado, versam sobre o licenciamento de patentes (marcas), os produtos licenciados estão descritos no Anexo I, os valores devidos a esse título encontramse expressos, e não há serviços conexos. Assiste razão à recorrente quanto a existência de direito creditório sob tal argumentação. Passase ao exame da decadência/prescrição do direito ao exercício da compensação pelo sujeito passivo, de indébito oriundo de erro formal. Defende o Fisco que a constituição do crédito tributário em definitivo se dá com a entrega da DCTF, por constituir confissão de débito irrevogável e imprescritível, pela via do autolançamento, o que implica no afastamento do instituto da decadência, como no marco inicial para a promoção da execução fiscal, bem assim para a contagem do prazo quinquenal prescricional, o que se dá nesse caso, sob o auspício do contido nos incisos I, V, ou VII, do art. 156, ou mesmo de acordo com o disposto no art. 174, I, ambos do CTN, sendo que esta hipótese ocorre pela ausência do exercício do direito de ação do sujeito passivo. É o que se verifica do artigo 156, I , V e VII, do CTN (Lei 5.172/66), in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...); V a prescrição e a decadência; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. (Grifei). À hipótese descrita no inciso I do artigo 156 aplicase a regra de contagem do prazo previsto no art. 168, I, c/c o disposto no art. 165, I, ambos do CTN, cujo dies a quo é a data do pagamento. À hipótese descrita no inciso V corresponde à ausência da constituição do crédito tributário ou à ausência do exercício de cobrança, ou do direito de ação do sujeito passivo, contado de acordo com as regras estabelecidas no art. 150, §§ 1º e 4º, ou do art. 173, I, do CTN. À hipótese contemplada no inciso VII, específica para os casos de lançamento por homologação, para que ocorra a extinção se faz necessário a realização tanto do pagamento antecipado, quanto da ulterior homologação pela autoridade administrativa, é o que determinam os dispositivos contidos no caput e §§ 1º e 4º do CTN, verifiquese: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 23 10 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...); § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O fundamento legal suso transcrito encontra guarida no § 2º do mesmo mandamus, vejamos: § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Como visto a condição para a extinção do crédito tributário no lançamento por homologação dáse, exclusivamente, com o pagamento antecipado e a ulterior homologação desse lançamento pela autoridade administrativa, eis que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo, visando à extinção desse crédito. Com o advento da LC nº 118/05, que veio com a finalidade dentre outras de interpretar o contido no inciso I do artigo 168 do CTN, as regras de contagem do prazo decadencial/prescricional sofreram alteração substancial, passando a contagem desse prazo, para os créditos constituídos anteriormente ao dia 09/05/2005, ter a duração de dez anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, nos casos de constituição do crédito após essa data, o prazo da contagem passou a ser de cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo devido. Assim sendo, com o fito de disciplinar a aplicação da regra adequada no âmbito do CARF, veio o RICARF/2009, por meio do seu art. 62A, a determinar que os conselheiros deste órgão judicante, passassem a utilizar essa regra nos julgamentos de processos administrativos fiscais. Cumpre registrar que a narrativa até então efetuada, tem a finalidade de circunstanciar as situações jurídicas, onde a cobrança ou o pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, relacionase à RESTITUIÇÃO parcial ou total, em face da legislação tributária aplicável, ou das circunstâncias materiais do FATO GERADOR efetivamente ocorrido, ex vi do art. 165, I, do CTN. Ressaltase, por relevante, que no caso sob exame, como já visto não se trata de restituição de tributo pago indevidamente/maior que o devido, porém de declaração de compensação eletrônica transmitida em 18/11/2011, cuja hipótese de extinção do crédito Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 24 11 tributário encontrase prevista no art. 156, II, do CTN, tratandose neste caso de direito potestativo do sujeito passivo. Acrescentese a isto o fato de que não há incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties, em conformidade com o disposto no caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865/04. Vale dizer que no caso em apreço não há se falar em tributo recolhido, porém há a existência de um erro de fato, configurado em razão de recolhimento indevido realizado pelo sujeito passivo, de natureza financeira (não há incidência tributaria sobre royalties remetidos para o exterior nas condições do caso sob exame), portanto, que não tem o condão de fazer surgir à ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, pois não há subsunção desse recolhimento indevido à quaisquer das hipóteses previstas no art. 165, I, do CTN, que trata de restituição, em face da legislação aplicável e, desde que, ocorra as circunstâncias materiais efetivas do fato gerador. Descartada, então, a possibilidade de utilização do instituto da restituição neste caso. Logo, não havendo ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, por conseguinte não há a instalação da relação jurídica tributária ensejadora da subsunção do fato à norma legal primária, ou mesmo àquela sancionadora. Também não se verifica as possibilidades para se estabelecer os critérios da regra matriz de incidência tributária e aplicá los ao caso concreto, pois, in caso, não há exigidor, nem exigido. Ao tratar de tributo indevidamente pago, notadamente dos temas “prazo extintivo do direito de pleitear restituição e o direito de compensar”, o jurisconsultor e Prof. Hugo de Brito Machado, assim se referiu: A Constituição Federal assegura a todos o direito de pagar apenas os tributos que tenham sido estabelecidos em lei. Em outras palavras, assegura o direito de não pagar tributos legalmente indevidos. Em sendo assim, é induvidoso o direito do contribuinte que tenha pago um tributo indevido de obter a restituição respectiva, ou de fazer a compensação do valor respectivo com tributo que deva pagar O direito à restituição, todavia, não se confunde com o direito à compensação. Por isto mesmo o prazo extintivo, restrição legalmente prevista para o direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, não se aplica ao direito de compensar. Normas restritivas de direitos não podem ser objeto de interpretação ampliativa de alcance. Este é um princípio da hermenêutica jurídica universalmente consagrado. Dúvida, portanto, não pode haver. “Não se aplica o lapso decadencial previsto no art. 168 do CTN, que diz respeito tão somente ao direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago, mas não à compensação de tributos1” Nem poderia ser de outra forma. “O direito de compensar é um direito potestativo, porque o seu exercício independe da vontade, e pode darse mesmo contra a vontade da Fazenda Pública. Só em situações excepcionais os direitos potestativos são alvo de extinção, pela decadência, que a lei estabelece apenas para 1 TRF da 4ª Região, Embargos de Declaração na AC nº 97.04.039174SC, DOU II, de 02/07/97, p. 50898, e RDDT Nº 26, P. 141 Trânsito em julgado em 04/07/2002, DOU de 16/07/2002. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 25 12 aqueles direitos potestativos cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social”2. (...). 6. Síntese conclusiva É possível, portanto, concluirse que: f) O prazo extintivo de que se cuida não se aplica ao direito de fazer a compensação de tributo pago indevidamente, que é direito potestativo e portanto imprescritível. (Grifei). É isto. O direito de compensação de indébito de natureza financeira, pago indevidamente, é direito potestativo, portanto imprescritível. Já a declaração retificadora decorre de uma necessidade imposta pelo Fisco, em face do “autolançamento”, para atender ao regime do lançamento por homologação e ao curto prazo estabelecido para a apuração do tributo devido, além do adimplemento da obrigação acessória, ante à complexidade da legislação fiscal vigente. Outrossim, a declaração retificadora não importa em novo reconhecimento de débito existente, nem tampouco em interrupção do prazo prescricional, uma vez que tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada ao Fisco, substituindoa integralmente, inclusive servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores, sendo esta a modalidade do caso de que se cuida, tudo isto de acordo com o disposto na IN SRF nº 842/04. A DCTF retificadora não tem o condão de revisar o lançamento que não existiu, como no caso em comento (autolançamento = ausência de lançamento), por força do disposto no art. 142, ou mesmo porque a revisão de lançamento somente tem lugar quando ocorre uma ou mais das hipóteses descritas no art. 149, ambos do CTN, o que também só pode ser realizada pela autoridade administrativa, sob pena de responsabilização funcional. E mais, entendo que é a DCTF original a ensejadora à ocorrência do fato gerador, pois declara a existência da obrigação e da constituição do crédito tributários, representa a confissão de dívida irretratável e irrevogável, o que dispensa qualquer outra providência nesse sentido, inobstante tal procedimento constitua um mero dever instrumental. É dessa maneira que tem se pronunciado o Poder Judiciário, cujo entendimento do julgado, a título de exemplo, transcrevese resumidamente na forma de ementa, adiante: Ementa:TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.DCTF.PRESCRIÇÃO.DECLARAÇÃORETIFICADORA.AR TIGO 174 , PARÁGRAFO ÚNICO , IV , DO CTN . INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO QUE NÃO SE APLICA À ESPÉCIE. 1. A exequente sustenta que o contribuinte entregou aDCTF em 13/6/2000, sendo objeto deretificaçãoem 1º/7/2003, momento em que defende que houve a interrupção do prazo prescricional, nos termos do artigo 174 , IV , do CTN . 2 Agnelo Amorim Filho, Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as ações imprescritíveis, em Revista Forense, nº 193, p. 39 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 26 13 2. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC ), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. 3. Na hipótese de entrega de declaração retificadora com constituição de créditos não declarados na original, não estaria a se falar de prescrição, mas do instituto da decadência, pois estaria a se discutir o prazo para o contribuinte constituir aquele saldo remanescente que não constou quando da entrega da declaração originária. Importa registrar que ainda na hipótese de lançamento suplementar pelo Fisco estaria a se discutir o momento da constituição do crédito e, portanto, de prazo decadencial. 4. Ocorre que não há reconhecimento de débito tributário pela simples entrega de declaração retificadora, pois o contribuinte já reconheceu os valores constantes na declaração original, quando constituiu o crédito tributário. A declaração retificadora, tão somente, corrigiu equívocos formais da declaração anterior, não havendo que se falar em aplicação do artigo 174 , parágrafo único , IV , do CTN . 5. Recurso não provido... (STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1167677 SC 2009/02242332 , Data de publicação: 29/06/2010). (Grifei). O entendimento ora esposado, como visto, encontra respaldo em matéria similar julgada e consolidada em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos da sistemática contida no art. 543C, do CPC, bem assim consoante dispõe o art. 62A do RICARF/2009, adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça vincula os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais devem ser reproduzidos nos julgamentos realizados por este Colegiado. Assim no que pertine a DCTF retificadora, não há se falar em prazo prescricional, por dar azo a enriquecimento sem causa ao Erário. Isto posto e, considerando a documentação acostada aos autos mesmo que a destempo, pois elucidativa quanto à existência e demonstração dos valores pagos a título de royalties (fl. 24, do RV), e demonstrada e reconhecida à existência do direito creditório pelo seu valor original nestes autos, cabe verificar o valor atualizado do mesmo e a sua contrapartida, ou seja, a existência e o valor do débito original e atualizado da contribuinte, na data da transmissão da declaração de compensação, bem assim verificar se o valor informado a título de direito creditório é o bastante para a extinção do débito declarado, na forma prevista Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905758/201231 Resolução nº 3803000.470 S3TE03 Fl. 27 14 no art. 156, II, do CTN, uma vez que os débitos mencionados no despacho decisório não se encontram discriminados, portanto não há a certeza de sua liquidez e exigibilidade. Proponho pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a autoridade administrativa informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada. Uma vez atendido ao pleito ora formulado, que seja oportunizado a contribuinte se pronunciar nos autos, em prazo razoável, se assim lhe aprouver para, em seguida, serem remetidos os autos a este Colegiado para se retomar o julgamento do feito, ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10166.722355/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de produtividade, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de “produtividade”, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 55 /2 00 9- 61 Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 2402004.226 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2005 a 12/2008. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a legislação. Esse Relatório Fiscal informa, ainda, que os valores foram apurados na escrituração contábil (conta 23012302306043), sendo que os citados pagamentos foram efetuados em periodicidade mensal, conforme consta em planilha anexa, e exemplificado no relatório fiscal (item 13), infringindo assim o disposto no §2º do art. 3º da Lei 10.101/00. A autoridade fiscal, continuando em sua descrição dos fatos, acrescenta que alem deste fato, a empresa também não observou o disposto no §1º do art. 2º da Lei 10.101/00, pois o mesmo estabelece que deverão constar, no instrumento de negociação da PLR, regras claras quanto à fixação do direito substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Contudo, ao solicitarse que a empresa apresentasse planilha com a aferição de produtividade, foi informado que este controle não se aplica. Para os anos de 2006 a 2008, informou que entregou CDs com planilha de aferição de produtividade, sendo que os documentos digitais presentes nos CD’s não continham informações referentes a aferição. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/11/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. quanto aos pagamentos realizados a título de produtividade, o levantamento não deve prosperar, pois tais pagamentos estão imunes de contribuições sociais conforme texto constitucional (art. 7º, inciso XI) e Lei especial (art. 3º da Lei 10.101/2000); 2. a existência de pagamento em periodicidade inferir a 01 semestre civil não inibe a espontaneidade ou a convenção. Logo, o que é regulamentado pela convenção não é vedado. Uma vez regulamentado, o pagamento restou regular; 3. a empresa pagou a participação nos lucros ou resultados em decorrência da convenção coletiva já apresentada à fiscalização. Eventuais peculiaridades da formalização da participação nos lucros ou resultados da empresa, certamente não desnatura o objeto da Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 convenção coletiva, ou seja, não autoriza a tributação de tais valores. A lei não estabeleceu condições para os termos da convenção. Isto significa: A convenção é de livre negociação, na forma da lei; 4. somente as remunerações constituem base de cálculo das contribuições sociais, nos termos da legislação vigente, e o texto constitucional desvinculou a participação nos lucros das remunerações. Qualquer tributação de valores relacionados com a participação nos lucros ou resultados constitui excesso de poder, a macular o ato administrativo; 5. o sujeito ativo exige multa de 75%, sendo que existem multas menores conforme disposto no art. 35, inciso II da lei 8.212/91 conforme redação dada pela Lei 9.986/99. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão 0343.958 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 2.618/2.627) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 2402004.226 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que a verba paga a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não deveria integrar o salário de contribuição (base de cálculo), já que cumpriu a legislação de regência. Inicialmente, cumpre esclarecer que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. (...) § 2o. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Em termos gerais, o pagamento de PLR deve atender cumulativamente aos seguintes requisitos: 1. deve ter sido objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Tal negociação pode ser feita através de acordo celebrado por uma comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou por convenção ou acordo coletivo; 2. os instrumentos de negociação devem conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos de participação, como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 3. o instrumento de acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; 4. a periodicidade mínima para pagamento deve ser de um semestre e no máximo duas vezes no mesmo ano. Diante do conjunto fático probatório juntado aos autos, faremos uma análise do caso ora evidenciado. Primeiro, verificase que a Recorrente efetuou pagamentos mensais aos segurados da previdência social a título de participação nos lucros e resultados, fatos estes não negados em sua peça recursal. Contrapõese a Recorrente argumentando que obedeceu ao estipulado em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e às regras previstas na Constituição Federal (art. 7o, XI) e na Lei 10.101/2000. Data vênia, tal argumento não merece prosperar, eis que a Lei 10.101/2000 estabeleceu critérios específicos para o pagamento a título de PRL. Para tanto, a lei expressamente proíbe o pagamento em periodicidade inferior a 01 semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (§2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000). Além disso, diante do quadro fático, evidenciase que os valores pagos a título de PLR, mensalmente, configuramse como uma gratificação ou prêmio, eis que a Recorrente concedeu tais valores de forma antecipada e unilateral, desobedecendo a própria Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 2402004.226 S2C4T2 Fl. 5 7 Convenção Coletiva de Trabalho que estabelecia regras de aferição de produtividade para a concessão do PLR. Essa periodicidade mensal faz com que a verba titulada de PLR assuma o caráter de gratificação (ou prêmio), servindo de complemento ao salário. Dessa forma, a verba intitulada pela Recorrente de PLR, paga de forma habitual e mensalmente, é flagrantemente uma gratificação atrelada a uma produtividade sem aferição de metas, e, por consectário lógico, configurase como remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 201, §111 da Constituição Federal de 1988. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Segundo, constatase que, apesar dos mecanismos de aferição do alcance de metas constarem em instrumento de negociação coletiva, tais mecanismos efetivamente não existiam. O Fisco solicitou à Recorrente que apresentasse as planilhas com a aferição da produtividade, ou seja, documentos que comprovassem o alcance das metas dispostas no instrumento de negociação coletiva. A Recorrente não apresentou tais documentos solicitados pelo Fisco, sendo que apenas apresentou CD’s (anos de 2006 a 2008) que não continham as informações referentes à aferição (metas). A distribuição dos lucros ou resultados (PLR) exige o alcance de metas, e estas devem ser cumpridas pelos empregados para que façam jus ao recebimento de participação nos lucros ou resultados, fato este não evidenciado nos autos. Com isso, a Recorrente descumpriu a regra prevista no §1º do art. 2º da Lei 10.101/00, já que o instrumento de negociação coletiva deve constar, entre outras: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento – tal como o previsto em Acordo Coletivo de Trabalho, ou qualquer outro tipo de acordo assinado com os sindicatos –, referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros, que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório (art. 123 do CTN). Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): 1 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante do exposto (primeiro e segundo) – seja pelo descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 (pagamento mensal, configurando uma gratificação), seja pelo descumprimento do §1º do art. 2º dessa Lei (não comprovação de atingimento de metas) –, os valores pagos a título de PLR devem integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19912). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a 2 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 2402004.226 S2C4T2 Fl. 6 9 constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/19963, aplicável a todos os demais tributos federais. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 3 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido4. 4 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722355/200961 Acórdão n.º 2402004.226 S2C4T2 Fl. 7 11 Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.015129/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito
da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-28T14:26:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-02-28T14:26:02Z; Last-Modified: 2020-02-28T14:26:02Z; dcterms:modified: 2020-02-28T14:26:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:8a196fd5-e2d4-4142-9d05-d8c5d8b60bd3; Last-Save-Date: 2020-02-28T14:26:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-28T14:26:02Z; meta:save-date: 2020-02-28T14:26:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-28T14:26:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-02-28T14:26:02Z; created: 2020-02-28T14:26:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2020-02-28T14:26:02Z; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-28T14:26:02Z | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 395 1 394 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.015129/200820 Recurso nº 508.439 Resolução nº 000.084 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de agosto de 2012 Assunto Sobrestamento Expedição de RMF Recorrente ARQUIVO EMPRESARIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 7/27 para exigência do Imposto sobre a Renda retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos cuja causa não foi demonstrada ou relacionados a operações não comprovadas, conforme o TVF de fls. 29/38. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 396 2 Cientificada do lançamento, por meio de edital, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 209/245. Sua irresignação foi assim resumida pela decisão recorrida:. Tempestividade • A impugnante tomou ciência do auto de infração em 21.11.2009, por via postal. 0 prazo para a defesa é de trinta dias, nos termos do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972. Sendo assim, o prazo não se encerra antes de 22.12.2007. Apresentada nessa data, a impugnação é manifestamente tempestiva. Resenha dos fatos • A pretensão por parte da Fazenda Nacional de responsabilizar Marco Aurélio Prata é totalmente improcedente, uma vez que, sendo ele mero contador da empresa, não há nenhuma prova de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par da simples falta de pagamento do tributo. Não obstante, insiste a fiscalização em conferir a essa pessoa fisica a mencionada responsabilidade, como se isso fosse possível fazer ao arrepio da lei e das provas que se juntam à impugnação. • As acusações da fiscalização, sobre repousarem em meros indícios não comprovados e, por isso, sem maior valia, podem ser facilmente contestadas por meio da documentação acostada aos autos, esta sim, probante e robusta. Preliminares • Questionase a legitimidade do termo de sujeição passiva solidária, uma vez que o Decreto n° 70.235, de 1972, a ele não faz nenhuma referência. Não se alegue que o artigo 8° desse decreto e o artigo 135 do CTN dariam embasamento legal ao documento. • t sabido que todos os termos e atos lavrados pelas autoridades fiscais prescindem de autorização legal e de normas infralegais para surtir os efeitos que lhes são próprios e ser validamente eficazes. Não é o que se verifica do termo de sujeição, que nem sequer traz sua fundamentação legal. Por essa razão, é requerido que seja o documento desentranhado dos autos, sob pena de nulidade. • 0 processo administrativo fiscal fundamentouse, inicialmente, no Decreto n° 70.235, de 1972, legislação vetusta e por demais posta em prática, principalmente nos inúmeros acórdãos emitidos pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Tais normas visam disciplinar as duas vertentes mais importantes do processo administrativo fiscal, a saber, os procedimentos fiscais e de julgamento e os instrumentos necessários para realização desses procedimentos. • Entre estes últimos avultam os termos expedidos pela fiscalização no curso dos procedimentos de auditoria fiscal. São eles conhecidos e vigentes até o momento presente: termo de inicio de fiscalização, termo de intimação e reintimação fiscal, termo de retenção de documentos, termo de lacração de móveis, termo de encerramento da ação fiscal, todos criados em atos administrativos infralegais, os quais contem a sua normatização e limites. • 0 termo de sujeição é documento desconhecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Não havia sido emitido nos procedimentos anteriores e tratase de coisa inédita, verdadeiro corpo Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 397 3 estranho à intimação e ao auto de infração. Por isso, não pode compor o processo fiscal. • Por se apoiar a pretensão fiscal em flagrante nulidade processual e tendo em vista se tratar de documento espúrio e sem nenhuma referencia quanto a sua criação e origem legal, pedese que seja desconsiderado, com o consequente cancelamento do lançamento e arquivamento dos autos. Mérito — decadência • A fiscalização adotou entendimento que diverge frontalmente da melhor jurisprudência administrativa. • Desde a vigência do Decretolei n° 1.967, de 1982, o imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) tornouse um tributo lançado por homologação. Uma vez vigorante o novo sistema, continuou o IRPJ a incidir anualmente sobre os lucros, a despeito de as empresas não aguardarem mais uma manifestação do fisco antes de realizarem o recolhimento. • Com o agravamento do processo inflacionário, o legislador transformou o IRPJ em imposto mensal, por meio da Lei n° 8.383, de 1991. Portanto, não resta dúvida, quer na jurisprudência, quer na doutrina, que o IRPJ é tributo lançado por homologação e incide sobre o lucro apurado mensalmente. • Cai por terra o entendimento, hoje superado, de que, nos casos em que não houve recolhimento, iniciarseia a contagem do prazo de decadência do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, o qual só é aplicável nos casos de impostos lançados por declaração. • Uma vez fixada a espécie de lançamento do IRRF, pago pelas pessoas jurídicas (por homologação) e os períodos relativos aos fatos geradores apurados, todos mensais, tornase forçoso concluir que o lançamento fiscal relativo aos meses de janeiro a novembro de 2003 é nulo de pleno direito. Já havia decaído o direito do fisco com relação aos fatos geradores ocorridos até 21.11.2003, em decorrência do disposto no § 4 0 do artigo 150 do CTN. • Conforme demonstra ementa de acórdão atribuído ao Conselho de Contribuintes, é possível afirmar que a orientação jurisprudencial solidificouse ainda mais a partir da edição da Lei n°8.383, de 1991, que deslocou o fato gerador do IRPJ do período anual para o mensal e atribuiu ao contribuinte o dever de apurar o IRPJ sem exame prévio ou notificação da autoridade administrativa. • Ao efetuar o lançamento, a autuante fez tdbula rasa do contido no artigo 150, § 4°, do CTN e da jurisprudência sobre a matéria, tentando tributar supostos fatos geradores já atingidos pela decadência, sem ter provado a existência de ato doloso ou de outra circunstância agravante. A Fazenda Pública somente poderia constituir crédito tributário de IRRF caso os pagamentos tivessem ocorridos após 21.11.2003. • Nestas circunstâncias, esperase que a preliminar ora suscitada seja acolhida e que seja determinado o cancelamento da exigência fiscal. A Fl. 735DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 398 4 decadência está provada, uma vez que os períodos considerados para cálculo do IRRF pelo lançamento são os quatro trimestres de 2003. Estão atingidos pela decadência, na melhor hipótese, os onze primeiros meses de 2003. Ilegalidade dos juros Selic na correção de débitos tributdrios • Não obstante a existência de súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes em sentido contrário, contestase a legalidade da aplicação dos juros Selic ao débito lançado. • 0 artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995, apontado como fundamento legal da exigência de juros, padece de vícios que impedem sua aplicação. • 0 legislador não se ocupou de esclarecer o que seria essa taxa ou de determinar como ela devia ser calculada, mas simplesmente ordenou que fosse aplicada. Esse é o primeiro defeito jurídico da norma. 0 CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora e, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calcula\divos ' taxa de um por cento ao mês (art. 161, § 1°). Assim, o CTN estava exercendo a obrigação de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária quanto ao crédito (art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988— CF 1988). • Existe a possibilidade de cobrar juros diversos do montante de 1% ao mês, mas a forma como serão calculados deve obrigatoriamente estar fixada em lei, em seu sentido estrito, pois só a ela é permitido determinar uma taxa de juros diversa da prevista no CNT. Isso, porém, não foi feito na norma citada. • Como a taxa Selic era uma taxa já existente (foi criada pela Resolução BC n° 1.124, de 1996), regulamentada e fixada pelo Banco Central, é esse órgão quem está fixando e regulamentando a taxa de juros a ser paga pelo contribuinte em atraso. As leis determinadoras da aplicação da taxa Selic nada determinam, a não ser que o Banco Central fixe os juros que julgue convenientes. • Tal situação encerra verdadeira e ilegal delegação de poderes. 0 CTN determinou que competia ao legislador ordinário fixar uma taxa de juros diferente da de um por cento, e não que caberia ao Banco Central essa atividade, ou que competia a lei ordinária atribuir a um órgão do Executivo a tarefa de estabelecer parâmetros da taxa de juros dos débitos tributários em atraso. • 0 CTN regula as limitações ao poder de tributar, funcionando como um estatuto do contribuinte. Dessa forma, ao determinar que a taxa de juros é de um por cento se a lei não dispuser de forma contrária, o CTN não está permitindo ao legislador fixar uma taxa de juros superior a um por cento ao Ines, mas tão somente inferior. Nesse sentido é a doutrina que examinou a matéria. Sendo a taxa Selic invariavelmente superior a um por cento, sua incidência nos débitos tributários é novamente contrária ao § 10 do artigo 150 da CF 1988. Segundo essa regra constitucional, é vedado exigir ou aumentar imposto sem lei que o estabeleça. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 399 5 • Os juros incidem por um descumprimento da norma legal, configurando, por consequência, uma sanção. As sanções devem estar previstas em lei em sentido estrito. • Tornase ainda mais evidente a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic quando se verifica o descompasso existente entre a natureza e fundamentação da taxa Selic e as relações existentes no campo tributário. Ela reflete a liquidez dos recursos financeiros do mercado monetário. Seu uso para correção dos débitos tributários é inadequado, pois ela diz respeito A álea e ao risco do mercado financeiro. Todavia, contribuinte não é investidor e tributo devido não é titulo federal. • As características da taxa Selic, a falta de previsão legal e a inadequação entre sua natureza e o campo tributário, que vêm somar se A delegação de competência contrária ao CTN, tornam sua aplicação aos débitos tributários absolutamente inaceitável, razão pela qual deve ser prontamente afastada. In aplicabilidade da multa agravada de 150% • Com respeito A matéria em epígrafe, transcrevese na impugnação o voto proferido no acórdão n 10321527 pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no qual é examinada a impropriedade de aplicar a multa agravada a supostos ilícitos não comprovados como tais, a exemplo dos descritos no auto de infração, sobretudo se se considera que a tributação proposta repousa totalmente sobre pagamentos sem causa, capitulo que se insere no rol das presunções legais. • Na situação dos autos, de forma idêntica, não ficaram provadas a máfé e a ilicitude dos atos praticados, razão pela qual a penalidade em comento não tem como prosperar. Os argumentos da defesa aqui expostos demonstram a saciedade que existem inúmeras dúvidas e meias provas na ausência de um correto levantamento dos fatos. Além disso, todos os faturamentos da empresa tiveram os impostos federais retidos, conforme a Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR. Se os impostos federais foram retidos, recolhidos e declarados pelos tomadores de serviços, não há falar em máfé e ilicitude dos fatos praticados pela impugnante. Toda distribuição de lucro é isenta, conforme Lei n° 9.249, de 1995, artigo 10. Estas circunstâncias invalidam a auditoria e a suposta comprovação, absolutamente inexistente, dos ilícitos. • Cabe invocar a Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Após a edição dessa súmula, o tema já não comporta discussões. • 0 julgado põe fim a eventuais dúvidas acerca do assunto e indica a necessidade de aprofundamento maior da auditoria fiscal quando se tratar da apuração de ilícitos tipificados como crime de natureza tributária. Tal pesquisa, a exemplo da situação em exame, não é feita pela fiscalização, nos casos de tributação por presunção de pagamentos supostamente feitos sem causa. Diante da inexistência de Fl. 737DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 400 6 prova efetiva da máfé ou do evidente intuito de fraude não há falar em multa de 150% nem em representação fiscal para fins penais. Não é o outro o entendimento do Conselho de Contribuintes, conforme as ementas transcritas na impugnação. • A citada súmula vem em boa hora, pois a fiscalização andava exorbitando em autuações fiscais a esse titulo, aplicando a multa majorada em qualquer circunstância, sem se preocupar em provar o evidente intuito de fraude. • Admitir a aplicação da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários implica legitimar a acusação de dolo, fraude ou simulação por presunção da presunção, o que afronta o disposto no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que exige a prova do crime para a exasperação da penalidade. • Uma vez comprovada a inaplicabilidade da penalidade agravada em autuações pautadas em mera presunção, esperase que a preliminar seja acolhida e que seja determinado o cancelamento da exigência fiscal relativa aos anoscalendários de 2003, 2004, e 2005. Impossibilidade de responsabilizaccio pessoal do impugnante pelo débito tributário • A argumentação da Fazenda Nacional para atribuir responsabilidade pessoal a Marco Aurélio Prata, nos termos do artigo 135 do CTN, não deve prevalecer, uma vez que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça uniformemente entende que a falta de pagamento de tributo não enseja essa responsabilidade, porque não caracteriza infração de lei. • 0 fisco, contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritária, entende que é despiciendo perquirir se houve dolo ou máfé e que a simples falta de recolhimento dos tributos no prazo legal é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal do dirigente, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado. Todavia, segundo o artigo 135 do CTN, não respondem por débito fiscal da sociedade os diretores, sóciosgerentes e representantes legais que não tenham praticado atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. • A regra é não responderem essas figuras pessoalmente. Sua responsabilização é exceção, que s6 se faz oportuna quanto aos tributos incidentes sobre atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. • Tem razão Hugo de Brito Machado ao sustentar que a falta de recolhimento de tributo constitui uma ilicitude, porquanto o conceito lato de ilícito é o descumprimento de qualquer dever jurídico, decorrente de lei ou contrato. Mas a infração a que se refere o artigo 135 não é objetiva, e sim subjetiva, dolosa. Dos casos de responsabilidade de terceiros por mera culpa, nos atos em que intervierem e pelas omissões de que foram responsáveis, cuida o artigo 134. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 401 7 No artigo 135, o dolo é elementar e ha de ser rigorosamente provado. Abonase o argumento com exemplo de decisão atribuida ao Supremo Tribunal Federal. • Não há falar em responsabilidade pessoal da pessoa fisica do procurador da empresa pela divida desta, uma vez que não há nenhuma prova, nem mesmo alegação, de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração de lei, a par da simples falta de pagamento de tributo. Ilustrase o argumento com a citação de inúmeras decisões atribuídas h. Justiça. • A responsabilidade dos dirigentes pelo pagamento dos tributos não recolhidos pela pessoa jurídica depende da intenção do agente ou do responsável, sem embargo do disposto nos artigos 135 e 136 do CTN. A própria disposição do artigo 136 do C'TN encerra caráter supletivo, evidenciado por sua própria introdução e deve ser interpretada em harmonia com o artigo 112 do mesmo CTN, que versa sobre princípios de interpretação e aplicação e abre ensanchas A consideração equitativa dos conflitos fiscais e em harmonia com o artigo 137 do CTN. • Portanto, é descabida a indicação de Marco Aurélio Prata como responsável solidário pelo débito não pago pela empresa, razão pela qual se impõe o arquivamento do termo de sujeição passiva e o cancelamento do débito que lhe foi imputado. Mérito das imputações • A impugnante declarou o total das receitas por ela recebidas nos anoscalendários de 2003, 2004 e 2005. Nada havia de irregular nas DIPJ e DCTF entregues. A autuação fiscal foi feita não por receitas recebidas, mas por meros pagamentos feitos. Todos os dados constantes no auto de infração foram retirados das declarações apresentadas pela impugnante. Assim, a fiscalização nada descobriu de ilícito no proceder da impugnante como contribuinte de tributos federais, valendose de dados que lhe foram ofertados pela própria impugnante. Esse procedimento, por si s6, afasta as figuras do dolo e da máfé, que existem sempre quando a empresa age de forma dissimulada, ocultando práticas ou falsificando dados que serão entregues a autoridade fiscal. Na situação vertente, não houve, em nenhum momento, tal ocultação, o que significa que a autuante não trouxe aos autos nenhum dado novo nem desconhecido. Ao contrário, a fiscalização sempre se referiu aos dados das declarações apresentadas pela impugnante. Não houve tampouco declaração inexata, mas meros pagamentos feitos pela impugnante considerados sem causa, tudo dentro de procedimento no qual se aplica uma presunção legal criada em lei. • Marco Aurélio Prata sempre se apresentou perante a fiscalização como contador da empresa, nunca deixando de prestar, por outro lado, informações a respeito A autoridade fiscal. A prova disso pode ser vista, com facilidade, na resposta que o interessado deu A fiscalização, em 03.10.2007, conforme documento que se encontra nos autos, no qual esta dito que ele era o único contador responsável pelos serviços contábeis prestados pela empresa no anocalendário de 2003, na condição de profis ional liberal Fl. 739DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 402 8 autônomo, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. • Do fato de a pessoa fisica mencionada ser apenas contratada (e não sócia), a fiscalização inferiu que houve máfé e, por via de consequência, crime de sonegação fiscal. A pretensão da autuante, porém, não pode subsistir. A pessoa fisica envolvida nunca negou ter sido contratada pela empresa como contador que lhe prestaria serviços. Não se vislumbra crime algum no fato de uma empresa contratar profissional qualquer, terceirizando os serviços por ela vendidos. Recordese que todos os dados utilizados pela fiscalização na lavratura do auto de infração, ou foram obtidos diretamente nas declarações apresentadas pela impugnante, ou foram entregues e declarados pelo contador Marco Aurélio Prata à autuante. Tal procedimento afasta a possibilidade de se cogitar em máfé. • Conforme certidão que se junta A impugnação, a autuada nunca teve, em momento algum, José Ferreira Primo como sócio, absolutamente nada sabendo os demais sócios a respeito da figura dele. A menção ao seu nome decorreu de erro grosseiro de digitação do seu CPF n°989.671.26891 no lugar do CPF n° 405.640.10634 do verdadeiro sócio, João Batista de Azevedo, ocorrido por ocasião da primeira alteração contratual. • 0 fato pode ser comprovado claramente, pois as alterações posteriores, constantes nos autos em momento algum mencionam a pessoa ou o CPF de José Ferreira Primo. Assim, em momento algum seu nome foi usado indevidamente ou sem seu consentimento. 0 erro s6 foi detectado quando arquivada a 6a alteração contratual, pois na transmissão dos dados da alteração para a Receita Federal se constatou que a participação societária da empresa totalizava 101 %, ou seja, os mesmos 1% de participação constante na primeira alteração contratual de propriedade de João Batista de Azevedo. • Cabe perguntar, de qualquer forma, quais vantagens, licitas ou ilícitas, teve a autuada em declarar um sócio que ela própria desconhecia. A fiscalização não responde a essa pergunta no termo de verificação fiscal; limitase a levantar dúvidas a respeito da lisura do procedimento da autuada. Reiterase o pedido de que a declaração juntada a esta impugnação seja examinada pelos julgadores. Conforme provado, a inclusão do nome do desconhecido José Ferreira Primo não se deu por culpa da autuada, mas por mero erro de digitação. Dessa falha não adveio nenhuma vantagem para a autuada. Nessas condições, não pode produzir e embasar entendimentos desfavoráveis A autuada no aspecto processual e jurídico, razão pela qual se pede que o episódio seja desconsiderado como irreal, fictício e absurdo. • Juntamse à impugnação documentos que provam ter sido Marco Aurélio Prata fiscalizado pela DRF/Belo Horizonte quanto ao exercício de 2005. Em consequência, em 06.08.2008 foi lavrado um auto de infração, que foi impugnado pelo interessado. Isso vai de encontro ao disposto no artigo 906 do RIR 1999. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 403 9 • Não consta do procedimento fiscal nenhum documento que possa substituir a ordem prevista no preceito citado. Tratase de preceito legal imprescindível, razão pela qual o lançamento, quanto ao exercício de 2005 deve ser integralmente considerado nulo. 0 mandado de procedimento legal não pode substituir a ordem escrita a que alude tal norma. A esse respeito já se pronunciou o Primeiro Conselho de Contribuintes, afastando a possibilidade de acolher tal entendimento. • Em face do exposto, pedimos que seja acatada a preliminar de nulidade ora exposta, arquivandose o feito fiscal quanto ao exercício de 2005. A preliminar vale tanto para a pessoa fisica de Marco Aurélio Prata quanto para a Arquivo Empresarial Ltda, uma vez que ambas, no entendimento da fiscalização, respondem pelo crédito tributário. Assim, o provimento pelo tribunal administrativo de parte de uma das impugnações aproveita a outra naquilo que lhe for favorável. • Finalmente, juntamse A impugnação o livro caixa, onde se declara o faturamento com todos os impostos federais retidos, conforme Lei n° 10.833 e o artigo 31 do RIR e no qual se encontra provada a causa dos pagamentos feitos nos anos de 2003 a 2005. • Compulsandose as páginas desse livro, convencese de que: a) a empresa teve obviamente custos e despesas, como qualquer empresa; b) os cheques sacados na boca do caixa e que tiveram como beneficiária a própria empresa eram destinados a pagamentos diversos, os quais, por sua vez, estavam destinados a cobrir despesas diversas, além de lucros distribuídos aos sócios, isentos de imposto de renda, conforme Lei n° 9.249, de 1995, e artigo 10 do RIR. • Caso se aceite o entendimento da fiscalização como correto e válido, haveria de se concluir que nos três anos fiscalizados a empresa não teve nenhum custo ou despesa, já que todos os pagamentos feitos por ela foram considerados receitas ou pagamentos sem causa. • Tal conclusão é absurda e não pode prosperar, por conflitar frontalmente com o principio básico de contabilidade, aplicável ao IRPJ, segundo o qual não existe receita sem despesa. Poderseia eventualmente questionar parte dos pagamentos feitos, mas nunca todos eles como pagamento sem causa. • A vista dos livros caixa ora apresentados, os pagamentos foram realizados com cheques sacados na boca do caixa, em razão de serem os valores destinados, posteriormente, ao pagamento de diversas despesas, que beneficiariam diversos profissionais. De qualquer forma, a existência de um livro razão, no qual são discriminados os pagamentos feitos pela autuada, merecerá a atenção e apreciação dos julgadores. Pedido • Em face do exposto, requerse que sejam acatadas as razões de defesa e que o feito seja arquivado. O sócio Marco Aurélio Prata, tendo tomado ciência do lançamento por via postal, apresentou a impugnação de fls. 268/304, com conteúdo idêntico ao da peça impugnatória ofertada pela pessoa jurídica. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 404 10 Na análise de todos estes argumentos, os integrantes da DRJ em Belo Horizonte decidiram pela integral manutenção do lançamento, rejeitando as nulidades suscitadas e mantendo também a sujeição passiva solidária. Inconformada, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário (em conjunto com o responsável solidário) de fls. 366/388, por meio do qual afirma que as razões de impugnação estariam sendo reiteradas, e que por terem sido os lançamentos julgados em conjunto (em face da empresa e da pessoa física), o Recurso interposto era um só para aproveitar a ambos. Daí porque seriam objeto do recurso não só o lançamento do IRRF, mas também a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Marco Aurélio Prata. Pugnou pelo reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, a qual teria se tornado um verdadeiro apêndice do Auto de Infração, já que acabou por trazer mais fundamentos para o lançamento, ao invés de simplesmente julgar as razões de impugnação. Entende que deveria ter sido intimada a contraditar tais argumentos, por serem inovações no processo. Suscitou ainda a decadência parcial do lançamento, quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2003, indevida utilização da taxa Selic como juros, e a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Seu pedido final foi assim resumido: Em face a todo o exposto, requer a Impugnante o acolhimento de suas razões de defesa relativas (1) ao pedido de anulação da decisão de primeira instância, tendo em vista a existência de cerceamento do direito de defesa, (2) decadência do direito de o fisco lançar, (3) a aplicação indevida dos juros SELIC e (4) o agravamento injustificado da multa de oficio pela não comprovação da prática de qualquer ilícito penal. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 25.03.2009, como atesta o AR de fls. 365. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.04.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. O Regimento Interno deste Conselho, em seu artigo 62A, caput e § 1º, do Anexo II. que: Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, Fl. 742DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 405 11 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. (...) Assim, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinha tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral da matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Fl. 743DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.015129/200820 Resolução n.º 000.084 S2C1T2 Fl. 406 12 Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso dos autos, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 30 dos autos): 4 — Em 18 de fevereiro de 2008 foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008004617 (fl. 01). Em virtude da impossibilidade da localização da empresa em seu domicilio fiscal, por se encontrar em lugar incerto e ignorado, conforme Termo de Constatação Fiscal de fl. 50, foi lavrado o EDITAL SEFIS/DRF/BHE 012/2008, de 19 de fevereiro de 2008, no intuito de dar ciência à empresa do Termo de Inicio de Ação Fiscal (f1.47 e 48). 0 referido Edital esteve afixado no edifício sede do Ministério da Fazenda em Belo Horizonte pelo período de 20/02/2008 a 05/03/2008, conforme se comprova pelo documento de fls. 49. Vencido o prazo para a entrega dos documentos requisitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal sem que a empresa apresentasse quaisquer dos itens solicitados no mesmo, foi elaborada a Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira RMF n° 06.1.01.002008000131 (fls 31 e 32 do anexo 1). Posteriormente, em virtude da não localização da empresa, foi lavrado o EDITAL SEFIS/DRF/BHE 023/2008 com a finalidade de dar ciência ao contribuinte do Termo de Intimação Fiscal n° 01 (fls. 51 a 55). 0 referido Edital esteve afixado no edifício sede do Ministério da Fazenda pelo período de 06/06/2008 a 22/06/2008. Como o fiscalizado não apresentou os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 1 foi elaborada a RMF n°06.1.01.002008000310 (fls.152 a 154). Resta claro, assim, que a matéria aqui em discussão se amolda perfeitamente à discussão objeto do Tema 225 acima transcrito. Por isso, com a fundamentação acima, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 744DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10746.720017/2007-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PRELIMINAR. NULIDADE.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento.
ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. PROVA.
Não comprovada documentalmente a existência das referidas áreas isentas do ITR, bem como a informação a órgão de fiscalização ambiental, não há de serem excluídas as referidas áreas da base de cálculo.
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2801-000.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para re-ratificar o acórdão nº 2801-00.605, de 18 de junho de 2010, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (15/01/2014), em substituição à Presidente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Assinado digitalmente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto (Vice-Presidente), Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: Tânia Mara Paschoalin
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NULIDADE. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento. ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. PROVA. Não comprovada documentalmente a existência das referidas áreas isentas do ITR, bem como a informação a órgão de fiscalização ambiental, não há de serem excluídas as referidas áreas da base de cálculo. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para reratificar o acórdão nº 280100.605, de 18 de junho de 2010, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (15/01/2014), em substituição à Presidente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 00 17 /2 00 7- 00 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720017/200700 Acórdão n.º 2801000.782 S2TE01 Fl. 157 2 Assinado digitalmente Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto (VicePresidente), Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Sandro Machado dos Reis. Relatório Cuidase de impugnação de Notificação de Lançamento de fls. 10/13, no qual é cobrado o Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2003, sobre imóvel denominado “Fazenda São José de Orocal”, localizado no Município de Ponte Alta do Bom Jesus/TO, com área total de 5.481,3 há, perfazendo um crédito tributário total de R$ 200.989,68 (duzentos mil novecentos e oitenta e nove reais e sessenta e oito centavos). A notificação foi lavrada face a rejeição, pela fiscalização, pela fiscalização, do Valor da Terra Nua – VTN, lançado pelo contribuinte na DITR/2003, de R$ 0,00 (zero reais). Intimado em 19/12/2007 (fl. 14), apresentou o contribuinte a impugnação de fls. 16, alegando que sofreu autuações referentes as declarações do ITR das duas áreas de que é proprietário (Pequizeiro e Orocal), relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005, todas pertinentes ao questionamento do VTN e que, para sua defesa, precisava providenciar um Laudo Pericial. Que só recebeu a segunda intimação, momento em que contratou Engenheiro Agrônomo para elaboração de Laudo Técnico, que seria entregue até o dia 25/01/2008, pois a primeira foi entregue a terceira pessoa. Em 25/01/2008, o contribuinte juntou o Laudo de Avaliação de fls. 31/64, assinado por Engenheiro Agrônomo, acompanhado de ART. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília proferiu acórdão (fls. 68/73) julgando o lançamento procedente em parte, para tributar o imóvel com base no VTN de R$ 243.647,33, equivalente a R$ 44,45 por hectare, apontado no “ Laudo de Avaliação”, de fls. 31/64, efetuandose as demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$ 84.895,33, para R$ 48.719,46. Segundo a decisão da DRJ, “ o laudo de avaliação, documento elaborado pelo engenheiro agrônomo Petrucio Correia Ferra, profissional legalmente habilitado, e, nesta condição responsável pelas informações constantes do trabalho por ele desenvolvido , com ART/CREATO, devidamente anotado, possibilita o acatamento do VTN nele demonstrado”. Intimado em 19/09/2008 (AR – fls. 77) o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 78/89), atacando o auto de infração através de preliminares bem como o seu mérito, juntando, inclusive, Laudo Complementar de Avaliação, fls. 112/122.O processo foi julgado por esta 1ª Turma Especial em sessão datada de 18 de junho de 2010, quando foi lavrado o acórdão de n. 280100.605, fls. 133/139, tendo sido Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720017/200700 Acórdão n.º 2801000.782 S2TE01 Fl. 158 3 acordada a rejeição das preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso para restabelecer o VTN declarado. Ocorre que, este conselheiro, quando da formalização do acórdão, percebeu equívoco no julgamento, e interpôs Embargos de Declaração, com o seguinte teor: No caso, o contribuinte declarou VTN igual a zero, motivando o arbitramento. Ao apresentar impugnação, pleiteou revisão do VTN, tendo juntado laudo de avaliação que foi acatado para esse fim. Em sede de recurso voluntário, alega que as áreas de preservação permanente, reserva legal, utilizadas com pastagens e com produtos vegetais, indicadas no laudo, não foram aceitas no julgamento de primeira instância para fins de cálculo do ITR. A 1ª Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, apreciado o recurso voluntário, em sessão ocorrida em 18 de junho de 2010, decidiu, “por unanimidade de voto, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” (Acórdão 280100607). Ocorre que o voto que integra o referido julgado, no tocante ao exame do mérito, desconsiderou que o VTN declarado era zero e que o VTN apontado no laudo apresentado à DRJ já havia sido aceito. Assim, a fundamentação ali exposta, que volta a apreciar se os critérios de arbitramento adotados são ou não cabíveis, estágio esse já superado no julgamento de primeira instância, está em desacordo com a situação fática dos autos e é omissa quanto ao pleito realmente formulado no recurso voluntário, ou seja, o direito de o contribuinte ter consideradas as áreas de pastagem, utilizadas com produtos vegetais e de interesse ambiental (Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal). O artigo 65 e seu §1º, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, dispõem: “Artigo 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Diante do exposto, submeto estes embargos à apreciação do Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, pois entendo que os autos devam retornar à apreciação do Colegiado para que sejam sanadas as falhas acima apontadas. Os embargos foram conhecidos, razão pela qual foram os autos novamente à julgamento, nesta sessão, para sua retificação. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720017/200700 Acórdão n.º 2801000.782 S2TE01 Fl. 159 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR Requer o recorrente a nulidade do processo, alegando não ter recebido a primeira intimação fiscal, ainda na fase de fiscalização, restando assim cerceado o seu direito de defesa. A respeito é preciso destacar que a fiscalização é fase préprocessual, conduzida exclusivamente pelo agente do fisco, cabendo a ele, imbuído dos poderes que lhes são conferidos pela legislação, definir os passos necessários para alcançar os objetivos da ação fiscal. Na fase de fiscalização o contribuinte tem uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à fiscalização, quando solicitada, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Ressaltese que nessa fase não há ainda crédito tributário constituído, inexistindo, consequentemente, resistência a ser oposta pela pessoa fiscalizada. Portanto, nessa fase, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão fiscal ainda não se concretizou. Logo, não há o que se falar em preterição ao direito de defesa do contribuinte no transcurso da ação fiscal. Deparandose com irregularidades fiscais, o Auditorfiscal deve lavrar o auto de infração para devida formalização da exigência. Esse procedimento é que torna obrigatória a intimação do contribuinte, para o devido conhecimento da constituição da exigência. Em suma, o falado cerceamento do direito de defesa somente poderia ocorrer a partir da lavratura do auto de infração, por vários motivos, entre eles a falta da ciência do procedimento fiscal, porém, antes disso, não há que se cogitar tal situação. In casu, verificase que o Termo de Intimação Fiscal de fls. 01, a Consulta de Postagem de fls. 03, o AR de fls. 04, a Notificação de Lançamento de fls. 10 e a Consulta de Postagem de fls. 14, foram entregues no endereço indicado pelo próprio contribuinte, conforme consta de seu DIAC Documento de Informação e Atualização Cadastral, fls. 05, ou seja, na Rua Eduardo de Paula Reis, n. 21, apto 102, Rodeiro/MG. Desta forma, as intimações no presente feito se deram regularmente, como previsto no artigo 23, do Decreto n. 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720017/200700 Acórdão n.º 2801000.782 S2TE01 Fl. 160 5 Destarte, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto n. 70.235/1972 e a nulidade só será declarada se importar em prejuízo para o Recorrente, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Assim sendo, não há qualquer irregularidade no tocante as intimações levadas a efeito no presente feito, especialmente porque ao Recorrente foi assegurado o conhecimento detalhados das infrações que lhe foram imputadas, bem como suas fundamentações legais, tanto que apresentou defesa e recurso quanto aquilo que entende não ser devido, correndo o processo seu trâmite regular. Não se vislumbra, in casu, ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, não caracterizando o cerceamento do direito de defesa, razão pela qual rejeito a preliminar. DO MÉRITO DAS ÁREAS DE PASTAGEM, PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL No caso em apreço, o contribuinte declarou VTN igual a zero, motivando o arbitramento da base de cálculo do ITR. Ao apresentar impugnação, pleiteou revisão do VTN, tendo juntado laudo de avaliação que foi acatado para esse fim. Em sede de recurso voluntário, alega que as áreas de preservação permanente, reserva legal, utilizadas com pastagens e com produtos vegetais, indicadas no laudo, não foram aceitas no julgamento de primeira instância para fins de cálculo do ITR. Com relação ao VTN, inicialmente declarado em zero, percebese que o valor de demonstrado em laudo de avaliação, no importe de R$ 44,45 (quarenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos), reduziu o imposto exigido para o montante de R$ 48.719,46 (quarenta e oito mil, setecentos e dezenove reais e quarenta e seis centavos), portanto, resta superada esta matéria do lançamento. Resta, portanto, os questionamentos do contribuinte quando ao direito de ter consideradas as áreas de pastagem, utilizadas com produtos vegetais e de interesse ambiental (Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal). O contribuinte afirma que apesar de o primeiro laudo apresentado não fazer referência a estas áreas, estava juntando novo laudo que supriria essa omissão. Ocorre que não há nos autos prova de tal alegação. O laudo em anexo trás apenas uma tabela com a área que possivelmente seria de preservação permanente ou de reserva legal. No entanto, destaquese que apenas esta alegação não é capaz de embasar a exclusão dessas áreas da base de cálculo do imposto devido, uma vez que não há embasamento teórico no laudo para tanto. Ademais, não foi apresentado Ato Declaratório Ambiental, ou fora averbada a área de reserva legal no registro imobiliário. Quanto ao ADA – em 2000, com o advento da Lei 10.165/2000, que incluiu o art. 170, parágrafo 1º à Lei n. 6.938/1981, a exigência de apresentação do Ato Declaratório Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720017/200700 Acórdão n.º 2801000.782 S2TE01 Fl. 161 6 Ambiental, passou a ter fundamento legal, da mesma forma o Decreto n. 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR. Com relação à Averbação no registro imobiliário, a legislação prevê a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o parágrafo 8º do art. 16 da Lei n. 4.771/65. A sua não averbação prevê sanção prevista no art. 55 do Decreto n. 6.514/2008. Apesar de estas duas obrigações estarem previstas na legislação, o melhor entendimento à respeito do tema é que ambos são capazes de inverter o ônus da prova em favor do fisco e, não trazendo o contribuinte uma contraprova apta, há de se manter a decisão da DRJ. Quanto ao ônus da prova, por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (A PROVA NO PROCESSO TRIBUTÁRIO, Dialética: São Paulo, 2010), quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Ante o exposto, há de se manter a decisão da DRJ. DA CONFISCATORIEDADE DA MULTA Alega o recorrente que a multa de ofício aplicada é confiscatória e não observa os ditames da Constituição da República. No entanto, a matéria não pode ser apreciada por este tribunal administrativo, ante o teor de sua súmula de n. 02, por ser de observância obrigatória. Tendo o fiscal agido conforme a legislação de regência, a qual goza de presunção de constitucionalidade, há que se considerar improcedente a alegação recursal. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração para não conhecer das preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 10746.720017/200700 Acórdão n.º 2801000.782 S2TE01 Fl. 162 7 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Numero do processo: 10920.724344/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012
Ementa:
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO .
Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §4º, da Lei nº 10.833/2003, quando a compensação for tida como não-declarada, nas hipóteses do art. 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Apurada fraude na conduta do contribuinte, o percentual da multa deve ser duplicado, a teor do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
MULTA. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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MULTA ISOLADA Recorrente SIFRA CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 Ementa: MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO . Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §4º, da Lei nº 10.833/2003, quando a compensação for tida como “nãodeclarada”, nas hipóteses do art. 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Apurada fraude na conduta do contribuinte, o percentual da multa deve ser duplicado, a teor do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 43 44 /2 01 2- 21 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 569 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório SIFRA CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0643.586, de 12/09/2013, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de auto de infração de multa regulamentar (código de receita 3148), às fls. 471484, lavrado pela DRF/JoinvilleSC, para exigir de SIFRA CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, sediada em Jaraguá do SulSC, crédito tributário no valor de R$ 4.313.292,24, conforme Demonstrativo Consolidado, à fl. 02. 2. De acordo com o Termo de Verificação de Infração – TVI – elaborado em 28/11/2012, às fls. 455470, a construtora SIFRA apresentou, em 21/12/2010, e em 29/03/2011, pedidos de teor semelhante, que pareciam dizer respeito à compensação de tributos, perante o Centro de Atendimento ao Contribuinte Lapa, em São Paulo SP. Tais pedidos deram origem aos processos administrativos n° 13804.006315/201037 e 13804.001225/201131, com os quais a contribuinte tentou extinguir débitos tributários de R$ 4.085.333,86, valendose de créditos totais de R$ 4.495.404,20, que se referiam àqueles dois processos, conforme pode ser verificado na Tabela 1 à fl. 456. 3. Em ambos os casos, tendo em vista a similitude de pedidos e de circunstâncias, as compensações foram indeferidas, pelos motivos que se encontram consignados nos despachos decisórios às fls. 265276 (PAF nº 13804.006315/2010 37) e 438466 (PAF nº 13804.001225/201131) e que serão objeto de apreciação mais adiante neste voto. Ademais, em face da existência de indícios de fraude naqueles dois processos, instaurouse este feito para a apuração dos ilícitos, no qual a contribuinte foi intimada, em 21/09/2012, a esclarecer as circunstâncias e motivações que a levaram a formular os pleitos, a esta altura, já indeferidos, fls. 34. 4. A resposta oferecida em 10/10/2012, às fls. 1415, limitase a declarar que as tentativas de compensar débitos tributários decorreram de um serviço de assessoria vagamente descrito, que não pode ser documentalmente comprovado, exceto por algumas mensagens eletrônicas acostadas às fls. 2324. Nesse mesmo ato, a contribuinte reconhece a procedência dos créditos tributários constituídos em razão de as declarações de compensação – DCOMP – terem sido consideradas “não declaradas”, nos termos do art. §12, II, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alega pretender parcelar o seu pagamento. 5. Dada a ausência de explicações consistentes por parte da contribuinte, a fiscalização entendeu restar configurada a hipótese de compensação indevida de débitos tributários prevista no art. 18, §4º, da Lei nº 10.8.333, de 29 de dezembro de Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 570 3 2003, praticada por meio de artifício fraudulento a justificar a aplicação da qualificação estipulada pelo art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Vide reprodução dos dispositivos legais abaixo: [...] 6. Argumenta a fiscalização, com base nos elementos coligidos nos autos, que a construtora SIFRA, enquadrouse na hipótese sancionadora porque, dolosamente, tentou modificar característica essencial do crédito tributário, ao formular indevidamente pedido tendente a extinguir a obrigação tributária principal dele derivada, nos termos dos art. 139 e 156, II, do Código Tributário Nacional – CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, verbatim: [...] 7. Em síntese, de acordo com o Termo de verificação de Infração – TVI –, às fls. 455470: (...) o sujeito passivo não usou de meio legítimo para a extinção da obrigação tributária principal. Ao contrário, apresentou pedido em papel ilógico, sem demonstração de crédito e esvaziado de comprovação documental, tão somente para obter a protocolização de processo administrativo que lhe possibilitou a transmissão de Dcomp's, que só puderam ser apresentadas em virtude da falsa informação do tipo de crédito. Com isso, o sujeito passivo acabou por modificar uma característica essencial da obrigação tributária principal, qual seja a extinção mediante compensação, pelo fato de, malgrado não possuir crédito, ter alcançado a quitação de seus débitos mediante Dcomp. Segundo a legislação tributária, a extinção da obrigação principal mediante compensação ocorre apenas quando ambos os polos da relação jurídica tributária possuem crédito em desfavor do outro. Aqui, porém, o sujeito passivo burlou a sistemática da Receita Federal para fazer parecer que possuía crédito contra a União. Assim, adaptou, ou melhor, modificou o instituto da compensação, de modo a extinguir o crédito tributário. 8. O montante lançado encontrase minuciosamente discriminado na Tabela II do TVI às fls. 465470. 9. A autoridade lançadora, por fim, elaborou representação fiscal para fins penais, nos termos do art. 1º, I e II, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 – processo administrativo nº 10920.724447/201291. 10. Devidamente notificada do lançamento em 30/11/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 489, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 19/12/2012, às fls. 429520, subscrita por diretor da pessoa jurídica conforme documentos às fls. 512 e 515. 11. Em breve resumo, alega a impugnante que multas tributárias têm caráter penal e, no caso em tela, caberia à autoridade administrativa demonstrar de modo conclusivo a ocorrência do dolo necessário à configuração da fraude, ou aplicar o Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 571 4 art. 112, do CTN que determina a adoção do entendimento mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, sua natureza, circunstâncias, à natureza da penalidade aplicável, ou sua graduação. 12. Acrescenta que a fraude não pode ser presumida, conforme jurisprudência pacífica que junta ao feito. De acordo com a construtora SIFRA, no caso concreto, não restou comprovada conduta consciente e voluntária de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ao contrário foram praticados condutas “que se entendeu estarem legalmente disciplinadas”, não havendo, portanto, motivo que justifique a sanção. 13. Aduz que a imposição da multa implicaria duplicidade da exação e, para comprovar esse raciocínio, junta aos autos ementa de julgado que trata da impossibilidade de cumulação de multa de ofício e de multa agravada, porque, no caso referido, os extratos de RMF – Requisição para informação de Movimentação Financeira – poderiam ter sido obtidos pela Administração Tributária sem a participação da contribuinte. Traz ainda ementas de julgados que afastam a cumulação da multa agravada com aquela aplicada por falta de atendimento a intimações encaminhadas pelas autoridades administrativas. 14. Continua a impugnação estendendose em considerações sobre a excessividade da sanção legal e seu caráter confiscatório. Por fim apela à equidade prevista no art. 108, IV, do CTN e pede que a sua impugnação seja provida. A 1ª Turma da DRJ em em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0643.586, de 12/09/2013 (fls. 524/531), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CABIMENTO . Enseja o lançamento da multa prevista no art. 18, §4º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 de ofício, quando presentes as hipóteses constantes no §12, II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ademais, na presença de FRAUDE, cabe a duplicação estipulada pelo inciso §1º do I do. 44, da lei nº 9.430, de 1996. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Ciente da decisão de primeira instância em 15/10/2013, conforme Termo à fl. 537, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/10/2013 conforme carimbo de recepção à folha 538. No recurso interposto (fls. 538/556), a interessada repisa, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 572 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o processo de multas exigidas isoladamente, com base no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) As compensações declaradas pelo sujeito passivo, nos processos administrativos fiscais nº 13804.006315/201037 e 13804.001225/201131 foram consideradas não declaradas pela autoridade administrativa competente, com base nas alíneas (a), (c), (d) e (e) do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a seguir transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 572DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 573 6 c) refirase a título público;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF.(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] A multa foi aplicada empregandose o percentual de 150% sobre o débito indevidamente declarado, por entender a autoridade fiscal a presença de fraude, consoante a aplicação conjunta da parte final do § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o art. 72 da Lei nº 4.502/1964. O último dispositivo legal mencionado possui a seguinte redação: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Sustenta a recorrente que não haveria descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de fraude. Tal afirmação já havia sido fundamentadamente refutada em primeira instância, em decisão que, a meu ver, não merece reparos. Em primeiro lugar, esclareçase que a multa ora em questão é devida sempre que se constatar que as compensações declaradas pelo sujeito passivo sejam tidas por “não declaradas” pela autoridade administrativa competente, por enquadrarse em uma ou mais das hipóteses do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, anteriormente transcrito. No caso concreto, a condição de compensações “nãodeclaradas” foi estabelecida nos autos dos processos administrativos fiscais nº 13804.006315/201037 e nº 13804.001225/201131 de forma definitiva, na esfera administrativa, com base em nada menos do que quatro dos incisos do mencionado § 12, e sobre isso não há qualquer controvérsia. Entretanto, devida a multa, esta pode ser exigida com o percentual (75%) previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 ou com esse mesmo percentual duplicado (150%), conforme previsão do § 1º do mesmo dispositivo legal. No caso dos autos, entendeu a autoridade lançadora pela aplicação do percentual duplicado. A controvérsia dos autos, portanto, não se prende à condição de “não declaradas” das compensações que o sujeito passivo tentou levar a efeito, mas sim se haveria ou não, em sua conduta, elementos que conduzam à conclusão de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, supratranscrito. Em outras palavras, não se há de considerar de forma individualizada, na presente análise, as constatações de que se tratava de compensação de créditos de terceiros (alínea a), de crédito oriundo de títulos públicos (alínea c), de crédito não relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal (alínea e) ou de crédito decorrente de ação judicial não transitada em julgado (alínea d). Por outro lado, tidas em seu conjunto, as circunstâncias descritas e comprovadas nos autos se mostram relevantes para que se possa afirmar a conduta dolosa da Fl. 573DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 574 7 interessada ao buscar a extinção de débitos tributários mediante as compensações. Confirase a descrição detalhada da conduta da interessada, conforme consta do Despacho Decisório proferido nos autos do processo nº 13804.006315/201037 (fls. 269/273, com idêntico teor àquele do Despacho Decisório do processo nº 13804.001225/201131, fls. 440/444): Inicialmente, o sujeito passivo requer “a COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS ASSUNTOS TRIBUTOS DIVERSOS do débito fiscal objeto do pedido de revisão dos débitos fiscais junto a RFB (Receita Federal do Brasil), e INSS (Instituto Nacional da Previdência Social)”. Tal pleito leva a concluir que sua intenção seria compensar débitos administrados pela Receita Federal e pelo INSS que já haviam sido submetidos à análise por parte desses órgãos em pedidos de revisão. Ocorre que perante a Receita Federal o sujeito passivo não apresentou nenhum pedido de revisão de débito. Ademais, as contribuições destinadas à Seguridade Social também são administrados pela RFB (arts. 2º a 4º da Lei nº 11.457/2007); logo, eventual requerimento perante o INSS seria inócuo, porquanto deveria ser direcionado à Receita Federal. Ainda, o sujeito passivo não informou número de processo nem trouxe qualquer documento que comprove o protocolo de pedido nesses termos. Desse modo, verificase que não há sentido no requerimento do sujeito passivo, pois não existe qualquer débito objeto de pedido de revisão na esfera da Receita Federal. Na verdade, para averiguar o real alcance desse pleito ele deve ser analisado não pelo seu conteúdo, mas pelo modo como foi formulado. O requerimento é no sentido de “COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS ASSUNTOS TRIBUTOS DIVERSOS”. Vejase que essa frase por si só não é compreensível. Contudo, tendo em conta que todo pedido ganha um número de processo e que ao se cadastrar um novo processo no Comprot – sistema que controla os processos administrativos no âmbito da Receita Federal – devese escolher o assunto do processo e que, por sua vez, um dos assuntos disponíveis chamase “COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS – ASSUNTOS TRIB DIVERS”, podese inferir que o sujeito passivo buscava que seu pedido fosse cadastrado com esse exato assunto de processo. Essa conclusão ganha ainda mais força porque nem todo processo administrativo formalizado perante a Receita Federal permite a transmissão de declarações de compensação eletrônicas, mas apenas aqueles protocolizados com alguns tipos de assuntos específicos, sendo o eleito pelo sujeito passivo um deles. Tal limitação existe para que se admita apenas compensações amparadas em processos que de fato demonstrem crédito em favor do requerente. Caso contrário, pedidos de revisão de débito, de alteração de cadastro, de concessão de isenção, etc. possibilitariam a transmissão de Dcomp e, consequentemente, a extinção imediata dos débitos compensados, ainda que sob condição resolutória da sua ulterior homologação, conforme previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Deduzse, pois, que o requerimento do sujeito passivo tinha como objetivo não a compensação de débitos objeto de suposto pedido de revisão, conforme aduzido por ele, mas sim a formalização de processo com o assunto adequado a possibilitar a transmissão de declarações de compensação. Outro aspecto extrínseco ao pedido com não menos relevância para a presente análise é o fato de ter sido protocolizado em São Paulo, capital, direcionado para o delegado da RFB daquele município, no qual o sujeito passivo não possui nenhum Fl. 574DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 575 8 estabelecimento, enquanto em seu domicílio, Jaraguá do Sul, existe agência da Receita Federal. Por certo, isso ocorreu com a finalidade de tornar mais dificultosa a ação da Receita Federal nesse caso e retardar suas ações, porquanto não se vislumbra outro proveito à pessoa jurídica ao se deslocar até unidade da RFB tão distante de sua matriz apenas para protocolizar pedido que poderia ser efetuado na sua própria sede. O sujeito passivo requereu, ainda, suspensão da exigibilidade do crédito tributário até ulterior decisão de cancelamento do débito fiscal objeto do pedido. Entretanto, conforme dito anteriormente, não há débito apontado pelo sujeito passivo como objeto de pedido de revisão. Também não há de cancelamento. Esse requerimento, portanto, é ilógico, carece de qualquer sentido, porque não há como cancelar aquilo que não existe. Com efeito, esse é mais um elemento a comprovar que os pleitos foram efetuados tão somente para propiciar a protocolização de processos, que, a seu turno, tornaram possível a transmissão de declarações de compensação. Por força das circunstâncias expostas, essa conclusão é inevitável. Resta demonstrado, portanto, que o sujeito passivo apresentou pedidos em papel incoerentes, utilizando ainda o artifício de requerer algo sem sentido, mas que se encaixava na descrição de assunto do sistema Comprot, com o intuito de quitar débitos em atraso por meio de Dcomp. Há que se destacar ainda que consta no pedido que este decorre “do pagamento dos débitos fiscais mediante procedimento de pagamento com conversão em renda do Decreto Lei 6.019/43, pelo crédito executivo do processo nº 2009.34.00.034184 0, em tramite pela 11° Vara Federal, do Distrito Federal/DF, conforme guias de depósito judicial anexas, ou seja, pela modalidade de extinção do crédito tributário do artigo 156. I, VI do CTN”. Nesse ponto, novamente, o requerimento contém incompatibilidades. O sujeito passivo requer o pagamento com conversão de depósito em renda com base nos incisos I e VI do art. 156 do Código Tributário Nacional. Ocorre que pagamento e depósito em renda são institutos diversos, conforme facilmente se depreende pelo fato de estarem enquadrados em incisos separados no artigo do CTN que trata das formas de extinção do crédito tributário. Ademais, verificase que nem um nem outro ocorreu, pois não há guias de recolhimento nem de depósito juntadas ao processo, ao contrário do que aduz a requerente. [...] De outro prisma, um olhar sobre as declarações de compensação transmitidas eletronicamente conduz à descoberta de outras irregularidades. O sujeito passivo assinalou nas Dcomp's citadas na Tabela 1 que o crédito é oriundo de pagamento indevido ou a maior, que estaria demonstrado neste processo. De acordo com o que se viu até este ponto, não houve demonstração de crédito. Tampouco tratarseia de crédito de pagamento indevido ou a maior. A informação de crédito advindo de pagamento indevido ou a maior, portanto, é falsa. Por ter sustentado que o indébito teria origem na ação judicial nº 2009.34.00.0341840, o sujeito passivo deveria consignar em Dcomp que o crédito era oriundo de ação judicial. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 576 9 No entanto, o apontamento falso por certo se deve ao fato de que para a apresentação de declaração de compensação com base em crédito de ação judicial fazse necessário obedecer a rito prévio, estabelecido no art. 71 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 900/2008, que prevê a habilitação do crédito judicial e que impediria o procedimento adotado, pois há necessidade de se comprovar que o requerente figura no polo ativo da ação, que a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela Receita Federal e que houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado. Tendo em vista que nenhum desses três requisitos seria preenchido, o pedido de habilitação seria indeferido e não seria possível a transmissão das declarações de compensação. Por conta disso, o sujeito passivo burlou o controle da Receita Federal e informou falsamente que o crédito se referia a pagamento indevido ou a maior. O conjunto dos fatos pode ser sintetizado em duas etapas: · Formalização de processos (dois), em unidade administrativa de outra jurisdição, supostamente tratando de compensação de tributos federais, desprovido de documentação, com argumentação ininteligível, ora mencionando inexistente pedido de revisão de débitos, ora mencionando processo judicial do qual não é parte. · Apresentação de diversas PER/DCOMPs (oito), mencionando para o crédito o número de processo anteriormente conseguido, porém informando tratarse de pagamento indevido ou a maior. A conclusão é inescapável. A conduta da interessada teve claramente o intuito de mascarar os fatos, trazendo créditos sabidamente inexistentes à compensação, de maneira deliberadamente confusa, de tal forma a dificultar ou impedir a apuração por parte da autoridade administrativa a quem incumbia a análise das compensações. Com isso, pretendia obter a homologação tácita das compensações e consequentemente a extinção dos débitos tributários. Os fatos se amoldam à perfeição ao descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, anteriormente transcrito, de ação tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador tributário (em particular sua extinção), de modo a evitar ou diferir seu pagamento. Tenho, assim, por correta a decisão de primeira instância, que manteve o lançamento, e nego provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. Em seguida, a recorrente reclama contra o que chama de “agravamento em duplicidade”. Em suas palavras: No presente caso, a recorrente já está sendo penalizada com a aplicação de multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre todos os débitos exigidos, que haviam sido declarados ou não. Penalizála com a aplicação de multa isolada de mais 150% (cento e cinquenta por cento) é evidentemente beirar ao absurdo quanto à exigência. Quanto à multa de 75% a que se refere a interessada, esclareçase que não constam dos presentes autos. Sua exigência, se for esse o caso, decorre do lançamento de ofício dos débitos não extintos por compensação (visto que as compensações foram tidas por “não declaradas”) e não anteriormente declarados à Receita Federal. Quanto às parcelas que constavam anteriormente de DCTF, cabível tão somente a cobrança, com multa moratória. Isso Fl. 576DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10920.724344/201221 Acórdão n.º 1302001.481 S1C3T2 Fl. 577 10 ficou bastante claro, inclusive com a discriminação dos valores, desde o Despacho Decisório (vide fls. 273/275). No presente processo, a multa exigida tem caráter sancionatório pela tentativa de fraudar o Fisco, ao tentar fazer crer a extinção da obrigação tributária principal, conforme anteriormente descrito. Diante da inexistência da alegada duplicidade, nego provimento também aqui ao recurso voluntário. Finalmente, os reclamos da recorrente acerca da excessividade da multa também não podem ser atendidos. Fixados pelo legislador as hipóteses e parâmetros para a incidência da multa, cumpre à autoridade administrativa tão somente aplicála nos termos da lei, nem mais, nem menos, não cabendo qualquer discricionariedade nem aplicação da equidade. Quanto à vedação ao confisco, estatuída pelo art. 150, IV, da Constituição Federal, trago à colação o teor da Súmula CARF nº 2, o que dispensa maiores considerações. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 577DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13839.900650/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 50 /2 00 9- 92 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900650/200992 Acórdão n.º 3801004.227 S3TE01 Fl. 206 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900650/200992 Acórdão n.º 3801004.227 S3TE01 Fl. 207 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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