Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.730601/2016-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016
DECADÊNCIA
Conforme a Súmula 555 do STJ, quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.
Nos termos do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010, considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016
RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO
A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto.
PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE.
A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI.
É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI.
Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deverá ser classificado no código próprio da TIPI.
Numero da decisão: 3401-005.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votou pelo provimento em relação à decadência, à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação, e os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi, que votaram pelo provimento exclusivamente no que se refere à decadência. Atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado (que declarou impedimento) o Conselheiro Márcio Robson Costa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Conselheiro Suplente Márcio Robson Costa, convocado para eventuais substituições.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 DECADÊNCIA Conforme a Súmula 555 do STJ, quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010, considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto. PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deverá ser classificado no código próprio da TIPI.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.730601/2016-42
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5979208
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.943
nome_arquivo_s : Decisao_10380730601201642.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10380730601201642_5979208.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votou pelo provimento em relação à decadência, à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação, e os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi, que votaram pelo provimento exclusivamente no que se refere à decadência. Atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado (que declarou impedimento) o Conselheiro Márcio Robson Costa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Conselheiro Suplente Márcio Robson Costa, convocado para eventuais substituições.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7673097
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663541993472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 58; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.195 1 1.194 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.730601/201642 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3401005.943 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente NORSA REFRIGERANTES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 DECADÊNCIA Conforme a Súmula 555 do STJ, quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010, considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO A autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Para que se caracterize como mudança de critério jurídico, é preciso que a Administração Tributária tenha analisado um fato e o qualificado juridicamente. Não representa mudança de critério de jurídico o auto de infração, cujo lançamento decorreu da glosa de créditos incentivados/fictos, por erro de enquadramento na classificação fiscal da TIPI, quando não houve manifestação anterior da Administração neste sentido nem mesmo um lançamento de ofício anterior, cuja conclusão fiscal foi por outra classificação fiscal do produto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 06 01 /2 01 6- 42 Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.196 2 PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. GLOSA DOS VALORES INDEVIDAMENTE APROPRIADOS. POSSIBILIDADE. A apropriação de créditos incentivados ou fictos, calculados sobre produtos isentos adquiridos de estabelecimentos localizados na ZFM, somente é admitida se houver alíquota positiva do IPI para o produto/insumo adquirido para industrialização. No caso de identificação de erro na classificação fiscal, cuja classificação correta revela que os produtos adquiridos estavam sujeitos à alíquota zero, não há possibilidade de geração de crédito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NCM. TIPI. COMPETÊNCIA. IPI. É competência da Receita Federal a verificação da legitimidade dos créditos apropriados pela contribuinte em sua escrita fiscal, inclusive, relativamente à verificação se os produtos adquiridos com isenção estão devidamente classificados na posição NCM da TIPI, não afastando esta competência da RFB a circunstância de o projeto de produção ter sido aprovado pela SUFRAMA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA REGRIGERANTES. IPI. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votou pelo provimento em relação à decadência, à classificação das mercadorias e à impossibilidade de glosa de crédito em função de não observação, pelo adquirente, da correção da classificação, e os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Rodolfo Tsuboi, que votaram pelo provimento exclusivamente no que se refere à decadência. Atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado (que declarou impedimento) o Conselheiro Márcio Robson Costa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.197 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) e Conselheiro Suplente Márcio Robson Costa, convocado para eventuais substituições. Relatório 1. Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte NORSA REFRIGERANTES S/A, com início em 09/04/2015, para verificação da legitimidade dos créditos de IPI lançados em sua EFD Escrituração Fiscal Digital, no período de janeiro/2011 a agosto/2016, bem como da legitimidade dos pedidos de ressarcimento de crédito básico de IPI solicitados através dos PERDCOMP listados na Tabela abaixo: PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO 41258.31284.240413.1.1.01 8440 4o TRIMESTRE 2012 01496.33716.250214.1.1.01 4031 4o TRIMESTRE 2013 27851.35303.231014.1.1.01 0530 1° TRIMESTRE 2014 00204.84668.280515.1.1.01 5746 1o TRIMESTRE 2015 35421.96421.290715.1.1.01 2543 2o TRIMESTRE 2015 28484.56788.081015.1.1.01 9814 3o TRIMESTRE 2015 36339.19982.120116.1.1.01 4135 4o TRIMESTRE 2015 26264.76072.120416.1.1.01 1747 1o TRIMESTRE 2016 33274.11370.180716.1.1.01 5306 2o TRIMESTRE 2016 2. Como resultado do procedimento fiscal, foi lavrado Auto de Infração para o IPI, do qual o contribuinte teve ciência pessoal em 21/12/2016 (à fl. 565), com crédito tributário no valor total de R$ 457.449.996,89, incluindo juros de mora calculados até dezembro de 2016. O AuditorFiscal da Receita Federal responsável identificou as seguintes infrações à legislação tributária, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 42/71: I PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR NORSA E CREDITAMENTO DE IPI REFERENTE AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE RECOFARMA (...) 2) Da análise da documentação apresentada, constatamos que o estabelecimento industrial produz refrigerantes diversos, classificação fiscal 2202.10.00, bem como preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, classificação fiscal 2106.90.10. Constatamos também que a empresa creditouse de IPI, no período em análise, relativamente a notas fiscais de entrada onde não se verificou destaque do citado imposto, notas fiscais essas emitidas pela RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106. 3) Intimado a justificar tal prática, o contribuinte informou que estava albergado pelos artigos 81, II, e 95, III, do Decreto n° Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.198 4 7.212, de 15/06/2010 Regulamento do IPI RIPI/2010, e pelo Mandato de Segurança n° 95.00094703, "no qual foi concedida a segurança para reconhecer o seu direito aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos (concentrados) isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e utilizados na fabricação de refrigerantes..." 4) RECOFARMA identificou os produtos que forneceu a NORSA, no período em análise, como "concentrados" da marca da bebida a que se destinavam, adotando a classificação fiscal 2106.90.10 EX 01. 5) Como não há destaque de IPI nas notas fiscais de aquisição dos insumos fornecidos pela RECOFARMA, a sistemática de creditamento adotada pela fiscalizada e autorizada pelo Mandado de Segurança antes citado consiste no seguinte: > Identificase a classificação fiscal do insumo adquirido. > Identificada a classificação fiscal, buscase na TIPI a alíquota de IPI correspondente. > Sobre o valor da nota fiscal do insumo adquirido, aplicase a alíquota de IPI encontrada na TIPI, sendo o resultado encontrado o valor a ser creditado na escrita fiscal a título de IPI. 6) Até 30/09/2012, os produtos enquadrados no EX 01 do código 2106.90.10 eram tributados à alíquota de 27% (Decreto n° 6.006, de 28/12/2006, e Decreto n° 7.660, de 23/12/2011). A partir de 01/10/2012, tais produtos passaram a ser tributados à alíquota de 20% (Decreto 7.742/12, art. 4o, Anexo III, conforme republicação no DOU de 04/06/12). (...) II DA SITUAÇÃO FÁTICA CONSTATADA DO PARQUE FABRIL DA FISCALIZADA 8) Em 27/04/16, esta auditoria visitou o parque industrial da fiscalizada com o objetivo de verificar as instalações do estabelecimento, a disposição física dos insumos e o fluxo de industrialização das bebidas ali produzidas, como é próprio nas fiscalizações do IPI. 9) No curso da visita, a equipe fiscal constatou que todos os insumos identificados nas notas fiscais como "concentrados", fornecidos pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106, utilizados para a fabricação dos produtos finais da contribuinte, apresentamse fisicamente dissociados, em partes e embalagens distintas. O formulário de abastecimento da xaroparia, fornecido à fiscalização durante a visita técnica e anexado a este Termo (ANEXO I), e o registro fotográfico feito durante o evento confirmam essa observação. Como exemplo, sem exaustão do tema, listamos abaixo a composição de alguns "concentrados": Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.199 5 • "CONC CCZ Concentrado CocaCola Zero": Parte 1, Parte 2A, Parte 2B, Parte 1B, Parte 1C, Parte 3; • "CONC CC Concentrado CocaCola": Parte 7, Parte 2; • "CONC SP Concentrado Sprite": Parte 1, Parte 1A, Parte 1G, Parte 2; • "CONC SP Zero Concentrado Sprite Zero": Parte 1, Parte 1B, Parte 2, Parte 3. 10) O processo produtivo da fiscalizada (exceto refrigerantes sem açúcar) pode ser resumido da seguinte forma: Os componentes, recebidos dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhados a uma sala de estocagem. A água utilizada para a fabricação das bebidas, após receber tratamento, é misturada com açúcar, insumo que não faz parte dos kits oriundos de Manaus. Dessa maneira, é obtido o xarope simples, que é enviado para outro equipamento. O conteúdo de cada "parte" dos kits é separadamente colocado no tanque para onde foi enviado o xarope simples. O equipamento faz a mistura, resultando no xarope composto. Tal operação industrial é executada seguindo detalhadas especificações técnicas. O xarope composto é dirigido às linhas de enchimento, onde é feita sua diluição. Por se tratar de preparação destinada à produção de refrigerantes, a mistura é dissolvida em água carbonatada. Finalmente, a bebida está pronta para ser consumida. (...) III ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL UTILIZADA 14) Conforme mencionado no item 4 precedente, RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA adotou, para os insumos fornecidos a NORSA no período fiscalizado, a classificação fiscal 2106.90.10 EX 01, própria para "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". 15) Os insumos fornecidos por RECOFARMA chegam ao parque industrial da NORSA na forma de kits com vários componentes. Os componentes dos kits (comumente chamados de "partes dos concentrados") são embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. 16) A auditada afirma que as diferentes "partes dos concentrados" não devem ser classificadas de forma individualizada, defendendo que cada kit proveniente da RECOFARMA é um produto único, mesmo sendo integrado por Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.200 6 diversos itens. Por meio de suas respostas às intimações fiscais, a empresa explicou que tem este entendimento com base na aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e na definição dada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA em seu Parecer Técnico n° 224/2007, que integra a Resolução do Conselho de Administração da Suframa CAS n° 298/2007 (documento anexo a sua resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 08), a qual aprovou o projeto industrial de atualização da RECOFARMA. 17) Como se vê, NORSA entende que as diferentes partes de seus insumos consistem em uma mercadoria única para fins de classificação fiscal, e que tal mercadoria se enquadra no EX 01 do código 2106.90.10 "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Logo, de acordo com o entendimento da fiscalizada, um conjunto de diferentes ingredientes comercializados em embalagens individuais deve ser enquadrado em código de classificação próprio para um "extrato concentrado/sabor concentrado". 18) Não assiste razão à contribuinte. 19) A adquirente, uma das engarrafadoras do Sistema Coca Cola, tendo a RECOFARMA como única fornecedora dessas matériasprimas, reconhece, em essência, não receber um concentrado específico, uno, para fabricação dos seus produtos finais bebidas, mas sim os ingredientes ou "as partes" para produzilos. 20) Os termos "extratos concentrados" ou "sabores concentrados", que dão materialidade textual aos "EX 01 e EX 02" do mencionado código 2106.90.10 contemplam "preparações compostas", constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição devem produzir o a bebida da posição 2202. Não é o caso do "concentrado/kit" vendido por RECOFARMA à fiscalizada, pois esse é um conjunto de ingredientes, cada um na sua embalagem individual, portanto não misturados, sem identidade una, tampouco prontos para uso. 21) A empresa, questionada sobre a forma como se daria a interação das partes do concentrado no seu processo fabril, quesito inerente ao Termo de Intimação Fiscal n° 06, assim se pronunciou: "O concentrado é um insumo único, que é acondicionado em partes unicamente para manter características físicoquímicas do produto, que se precocemente misturadas podem comprometer propriedades de aroma, sabor e até durabilidade. Os componentes do concentrado vêm em proporções fixas que devem ser utilizadas conjuntamente e em sua totalidade, conforme instruções de uso fornecidas pelo fabricante." Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.201 7 (...) "05. Assim, os procedimentos executados pela PETICIONÁRIA, na manipulação dos Kits, apenas observam especificações técnicas, pois, como constatado pelos exames laboratoriais, se apenas uma das partes for diluída ou tais tratamentos não forem observados, a preparação resultante não terá as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo." 23) Com efeito, esta fiscalização não discute a veracidade da afirmação de que ocorreriam reações químicas indesejadas caso a mistura acontecesse no estabelecimento da fornecedora RECOFARMA. Entretanto, tal fato é irrelevante para fins de definição de classificação fiscal de mercadorias. (...) 25) De se realçar, por oportuno, que nas Regras Gerais de Interpretação e na NESH inexiste previsão de que fatores como os citados pela auditada sensibilizem a definição de enquadramento de produtos na nomenclatura. E, naturalmente, tal previsão não poderia existir, pois inegavelmente conduziria a técnica objetiva da classificação fiscal ao terreno pantanoso das circunstâncias mutantes, ensejando margem a situações bubjetivas, incompatíveis com as regras e princípios da classificação fiscal das mercadorias. 26) Ainda, os fatores mencionados pelo contribuinte de especificações técnicas e oportunidade de interação das partes dos kits podem variar conforme o surgimento de avanços tecnológicos. O enquadramento de produtos na nomenclatura, no entanto, deve manter necessária estabilidade. 27) Notese que os kits adquiridos pela fiscalizada oriundos da fornecedora RECOFARMA, declarados como um conjunto comercialmente indivisível para fins de classificação fiscal, jamais poderiam ser enquadrados como uma mercadoria única chamada de "concentrado". Não se desconhece que as tratativas mercantis entre fornecedor e adquirente, em regra, podem ser ultimadas mediante a forma comercial que melhor aprouver a ambos, podendo a transação mercantil agasalhar seus produtos da forma que considerar mais conveniente, conferindolhes os nomes que reputar mais adequados. No entanto, passo largo e descabido a partir disso é a exigência de que a legislação tributária se dobre às suas conveniências. 28) Assim, não encontra guarida na legislação regente da matéria a ficção de cada componente dos kits não se constituir isoladamente numa mercadoria, como quer fazer crer a auditada. 29) Inexiste no mundo mercadológico um bem que, segundo seu material constitutivo, aplicação e origem, não possa ser individualmente classificado no Sistema Harmonizado. As "partes dos kits" adquiridas pela fiscalizada possuem, sim, Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.202 8 classificações próprias, como se verá a seguir, e essas estão identificadas nos Anexos III e IV deste Termo. (...) 32) Considerando que o contribuinte afirmou ser a pessoa jurídica RECOFARMA sua fornecedora exclusiva dos insumos ora em exame nessa fiscalização, bem como considerando que o sujeito passivo, nos termos da sua resposta acima, asseverou que tais insumos chegam a seu parque fabril em idênticascondições físicoquímicas em relação à partida desses do estabelecimento da aludida fornecedora, situada na Zona Franca de Manaus, esta fiscalização, tomando conhecimento de exame pericial já elaborado no âmbito de outro procedimento fiscal em face da própria fornecedora, entendeu por bem, com fundamento nos primados do princípio constitucional da eficiência, assim como dos princípios administrativos da verdade material, da oficialidade e do formalismo moderado, trazer à colação, para instruírem este feito, os referidos laudos periciais (ANEXO II deste Termo), assim como as conclusões daquele procedimento fiscal acerca da correta classificação fiscal das mercadorias objeto da análise pericial. 33) No caso, no exercício de 2014, o Fisco Federal efetuou, em Manaus, a coleta amostral de alguns kits produzidos por RECOFARMA. Esses kits foram objeto de exame laboratorial realizado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. 34) O exame laboratorial visou firmar a correta identificação funcional dos componentes dos kits, bem como servir de subsídio para a definição da correta classificação fiscal desses componentes. Assim, esse material probatório específico foi trasladado ao presente feito, tendo em visto serem os kits periciados os mesmos adquiridos por NORSA, conforme já dito acima. (...) 37) Portanto, a fiscalização se utilizou de citados laudos periciais como mais um elemento para elucidar os fatos sob seu crivo. E a conclusão a que chegou foi a de que cada kit não perfaz um produto único, mas sim um conjunto de produtos, cada um com identidade própria. (...) 41) Esclareçase que cada uma das "partes dos kits" adquiridas pela auditada e oriundas da fornecedora RECOFARMA apresenta suas próprias características individuais, sendo que várias dessas podem ser aplicadas em quaisquer produtos da indústria alimentícia e farmacêutica. 42) Na realidade, os componentes dos kits podem, inclusive, ser comercializados individualmente. No caso, por exemplo, do "Concentrado Sprite", composto por quatro partes, nada, além Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.203 9 de questões meramente comerciais, impediria que a fornecedora RECOFARMA industrializasse uma das partes e três diferentes empresas vendessem a NORSA cada uma das demais partes (apenas uma das embalagens individuais contém o aroma do produto, onde está o chamado segredo industrial). 43) De acordo com a legislação, conforme será explanado a partir do item 47, cada uma das "partes" deve seguir sua classificação fiscal própria, independentemente de terem sido fabricadas e embaladas por um único estabelecimento industrial ou por vários estabelecimentos distintos. 44) Notese que, mesmo dentro da própria estrutura atual adotada pelos atores dessa transação fornecedor e adquirente, é possível imaginar situações em que a fornecedora classificasse e comercializasse individualmente as partes. 45) Embora a fiscalizada tenha informado à auditoria, em relação a eventuais "partes do concentrado" que não fossem consumidas no processo fabril, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 06, que "eventual problema que inviabilize o seu uso, requer devolução do concentrado por inteiro (todas as partes) ao fabricante", tal se dá por meras questões de natureza interna contratual de ambos, não por uma inviabilidade procedimental. 46) A título de exemplo, tomese o caso do kit sabor CocaCola, composto de dois contêineres contendo grande quantidade e valor de produtos. Se durante o transporte do kit ocorresse algum problema com a "parte 2", mas a "parte 1" chegasse ao destinatário em perfeito estado, inexistiriam motivos razoáveis para o adquirente, no caso a NORSA, efetuar a destruição ou devolução da "parte 1". O procedimento natural seria a empresa fazer uma nova demanda à fornecedora visando a obtenção de nova remessa, desta feita, contendo apenas a parte faltante. (...) 49) A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos "apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho", as NESH esclarecem: (...) 50) No caso dos kits em exame, verificase que seus componentes não se encontram unidos de forma indissociável e podem, eventualmente, serem comercializados em separado. Portanto, não devem ser considerados como um produto constituído pela reunião de artigos diferentes, para fins de classificação no âmbito do Sistema Harmonizado. 51) Tampouco há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.204 10 bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), os kits tratados nesta fiscalização não atendem ao requisito previsto na alínea "c" do item X da Nota Explicativa acima reproduzida. 52) Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracterizase pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, é nitidamente um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado, no caso, "bebidas da posição 2202". A dosagem dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. 53) Com o propósito de fulminar qualquer dúvida remanescente quanto ao correto entendimento aqui adotado diante da Nota Explicativa XI à Regra 3 b), recorrese à análise levada a efeito pelo Conselho de Cooperação Aduaneira por ocasião da edição da precitada nota explicativa, uma vez suscitada, ainda em 1985, a questão posta aqui. 54) A análise do Conselho de Cooperação Aduaneira acima referida, juntamente com sua tradução juramentada, compõe o ANEXO V deste Termo. Ela evidencia, sem qualquer margem à dúvida, que os componentes individuais destinados à fabricação industrial de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados a cada um deles, e não como uma mercadoria única. Tratase, simplesmente, da razão de ser da Nota Explicativa XI à Regra 3 b), em nítida colisão com a tese que a fiscalizada pretende fazer prosperar. 55) Não há, pois, como enquadrar os insumos em análise nessa Regra 3.b), pois não são "produtos misturados", nem "obras", e não estão "acondicionados para vencia a retalho". Logo, a possibilidade de classificação de kits ou de conjunto de partes não misturadas como uma mercadoria única está em desalinho com a aludida Regra, que, insistimos, não se aplica aos insumos adquiridos da RECOFARMA. 56) Ainda sobre essa temática, convém analisar a Regra 2.a) do Sistema Harmonizado, que reza: "REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar." 57) Por produto incompleto ou inacabado, entendese como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.205 11 determinado 'ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. 58) Os kits adquiridos pela contribuinte da fornecedora RECOFARMA não apresentam os requisitos acima citados. Por exemplo, no caso do "Concentrado CocaCola Zero", a parte 1B, constituída da matériaprima pura benzoato de sódio, e a parte 1C, constituída da matériaprima pura citrato de sódio, apresentam, cada uma, suas próprias características individuais. Além disso, podem ser aplicadas em qualquer produto da indústria de alimentos e fármacos. Portanto, não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado, e servem para vários outros fins que não seja o uso em bebidas da posição 2202. Outro exemplo é a parte 3, que é uma preparação à base de edulcorantes e que pode ser aplicada como adoçante em qualquer produto alimentar. Para aplicação da regra em análise, evidentemente que o produto acabado deve ser classificado em código idêntico ao utilizado no momento da saída do produto inacabado, o que não é o caso nesses exemplos. 59) Quanto à segunda parte da Regra 2.a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, há que se considerar que esse enquadramento só é possível se duas condições forem atendidas: a) as operações necessárias sejam simples operações de montagem, e; b) os diferentes elementos sejam montados por meio de porcas, parafusos, soldagem, rebitagem, etc. 60) Esse é o entendimento plasmado na Nota Explicativa VII da Regra 2.a), a seguir transcrita: "VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc, quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem." 61) Um exemplo clássico da aplicação desta parte da regra 2.a) é a de uma bicicleta, que para ter reduzido o custo de transporte, sai da fábrica desmontada dentro de uma caixa de papelão, cujo volume é bem menor do que aquele que ocuparia a mesma bicicleta já montada. Ao chegar ao seu destino final, por meio de uma simples operação de montagem com ajuste de alguns parafusos e porcas a bicicleta estará montada. Nenhuma outra operação mais complexa ou sofisticada é necessária para alcançar tal objetivo. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.206 12 62) Posto isso, evidentemente, os kits vendidos por Recofarma ao contribuinte não se enquadram como artigo apresentado desmontado ou por montar. 63) Afastadas, também, as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra "2.a)" e "3b)", concluise que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados contendo kits" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. (...) 66) Vale sublinhar que esta fiscalização constatou que os componentes de maior representatividade dos kits para fabricação de bebidas classificamse no código NCM 2106.90.10 ("Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas"), cuja alíquota do IPI é zero. Tais partes não se enquadram no EX 01 do subitem 2106.90.10, pois o "extrato concentrado" ou "sabor concentrado" a que alude o citado EX 01 deve conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários a apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. 67) Quanto aos demais itens integrantes dos kits, elencados na TABELA 03 seguinte, a maior parte é igualmente gravada com alíquota "zero", conforme ANEXOS III e IV deste Termo. A exceção é o componente que se enquadra no código NCM 3302.10.00, cuja alíquota é 5%. (...) 70) Esclareçase, no entanto, que os componentes de kits gravados com alíquota positiva, no caso aqueles classificados na posição 3302.10.00 da TIPI, e porventura outros componentes dos kits não periciados também gravados com alíquota diferente de zero, esses, em tese, gerariam crédito em favor da NORSA. Contudo, ante a informação da empresa, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 09, de 05/12/2016, de que não tem "qualquer informação referente ao valor de cada componente do kif, inviável se torna apurar o montante do crédito correspondente a essas partes gravadas com alíquota positiva, tendo em mente a sistemática de creditamento descrita no item 5 deste Termo e posto que o Fisco também não dispõe de elementos suficientes para aquilatar o valor tributável de cada componente. (...) V GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDAMENTE ESCRITURADOS, RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL E PENALIDADES CABÍVEIS (...) Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.207 13 103) NORSA REFRIGERANTES S/A escriturou no RAIPI, em agosto de 2014, a título de outros créditos, a importância de R$ 5.975.044,37. Intimada a se pronunciar sobre a origem do referido montante (Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 08), a empresa apresentou a resposta transcrita abaixo: "12. Por fim, em relação ao item 22, a PETICIONÁRIA esclarece que o valor de R$ 5.975.044,37, escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), referente ao mês de agosto de 2014, a título de outros créditos, decorre do ajuste dos saldos credores apurados no1° trimestre de 2007 e no 1° trimestre de 2008 que foram estornados indevidamente do RAIPI desses dois trimestres (DOC 03). 13. Esse estorno dos saldos credores do IPI apurados no 1° trimestre de 2007 e no 1º trimestre de 2008 decorrem dos seguintes fatos: I) em seus pedidos de ressarcimento transmitidos, em 30.04.2007 e em 16.04.2008, a PETICIONÁRIA pretendeu utilizar o valor total do saldo credor apurado nos referidos trimestres mas II) ao transmitir os referidos pedidos de ressarcimento, a PETICIONÁRIA indicou com saldo credor valor a menor (DOC 04). 14. Ou seja, o montante de R$ 5.975.044,37 corresponde à parcela dos saldos credores apurados no 1° trimestre de 2007 e no 1o trimestre de 2008, que não foi utilizada nos pedidos de ressarcimento e que tinha sido estornada da escrita fiscal e, pois, tratase de mero retorno à escrita fiscal de saldo credor não utilizado em pedido de ressarcimento. 15. Para facilitar a compreensão dessa Fiscalização, a PETICIONÁRIA junta, em anexo, os RAIPI, bem como as cópias dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, e as cópias dos processos administrativos decorrentes dos referidos pedidos (PA n°s 10380.904127/201197 e 10380.904131/201155 DOCS. 03 a 06) ". Grifos originais 104) Imediatamente surge, cristalina, a irregularidade: inobservância do prazo quinquenal para a escrituração de créditos extemporâneos. Sem entrarmos no mérito do direito, a escrituração, em agosto de 2014, de parte dos saldos credores do 1º trimestre de 2007 e 1o trimestre de 2008 não pode ser aceita por infringir o citado prazo quinquenal, à luz do art. 1o do Decreto 20.910, de 06 de janeiro de 1932. (...) 106) Firmes nos argumentos explanados acima, efetuamos também a glosa desses R$ 5.975.044,37 no mês de agosto de 2014, ressaltando que a glosa total do período foi de R$ 11.275.318,95, posto que foram glosados outros R$ 5.300.274,58 referentes ao creditamento indevido de IPI na aquisição de insumos da RECOFARMA. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.208 14 (...) VI DA PLENA OBEDIÊNCIA E RESPEITO À COISA JULGADA PROVENIENTE DA AÇÃO JUDICIAL N° 000947005.1995.4.05.8100 (...) 128) No ponto, não é demais reiterar os termos consignados na decisão judicial que ampara a contribuinte: "concedo a ordem impetrada, para assegurar à parte impetrante o direito de se creditar dos valores relativos ao IPI, nas operações de aquisição de concentrado, ainda que essas operações sejam isentas do mesmo imposto, na origem". 129) De se destacar que, em nenhum momento, foi objeto de mínima querela, análise ou mandamento judicial a identificação precisa e objetiva dos sobreditos produtos adquiridos pela demandante, tampouco qual seria sua correta classificação fiscal. Com efeito, o que passou a integrar o patrimônio juridico tributário da impetrante foi o pleno direito subjetivo de se creditar do importe, a titulo de IPI, relativo à operação de aquisição desses bens, mesmo isentos. 130) Nessa toada, é necessário ficar bem assentado que o Judiciário, em sua decisão definitiva, nada impediu, limitou, abalou ou restringiu o direito/dever, intimamente inerente ao Fisco Federal, de verificar a correção da apuração que vem sendo adotada pelo contribuinte ao longo do tempo no que tange ao cálculo de seus créditos. A decisão judicial outorgou, sim, ao contribuinte o direito ao crédito de IPI nas citadas aquisições, mas não valorou ou quantificou objetivamente tal importe; logo, não adentrou em qualquer metodologia de cálculo no caso concreto. Pensar diferente conduziria à indevida hipótese de o contribuinte manejar a seu absoluto talante, sem qualquer mínima verificação do Fisco Federal, a metodologia e o quantum do crédito considerado, por ela, cabível, vulnerando, assim, o princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Conforme visto, após a decisão judicial, o Fisco Federal restou obrigado ao aceite dessa natureza de crédito de IPI da impetrante, porém não lhe restou obstado seu dever legal de avaliar a perfeição do montante apontado pelo contribuinte como correto. A indisponibilidade do crédito tributário é um mantra institucional em benefício da sociedade, destinatária dos recursos públicos. 131) Não é demais ratificar que o passo da correta classificação fiscal dos insumos é assunto nuclear e pressuposto básico à aferição do correto montante de crédito de IPI. (...) 134) Muito embora os insumos de maior relevância no processo fabril estejam corretamente alojados no código 2106.90.10 da TIPI, conforme já visto linhas atrás, eles também não se enquadram no EX 01 do referido código, no entender desta Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.209 15 fiscalização, pois, apesar de serem preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, seus conteúdos individuais não contêm todos os ingredientes necessários para caracterizar um produto chamado de "extrato concentrado" ou "sabor concentrado", sendolhes atribuída, consequentemente, a alíquota "zero". Quanto aos demais itens integrantes dos kits, elencados na TABELA 03 retro, a maior parte é igualmente gravada com alíquota "zero", conforme também já demonstrado anteriormente. A exceção é o componente que se enquadra no código NCM 3302.10.00, cuja alíquota é 5%. Assim, forçoso foi concluir que a autuada não poderia ter fruído do montante de crédito demonstrado no item 7 deste Termo. (...) 137) Logo, em face do exposto, as conclusões a que chegou esta comissão fiscal se harmonizam plenamente ao ainda vigente comando judicial, apresentado a esta fiscalização pela contribuinte, não tendo o edificado lançamento tributário qualquer mínimo potencial lesivo à higidez da parte dispositiva da sentença, então prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 000947005.1995.4.05.8100, a qual posteriormente perfez coisa julgada. 3. O contribuinte apresentou Impugnação em 23/01/2017, às fls. 573/639, alegando, em síntese: 2.6. A IMPUGNANTE passa a demonstrar a seguir as razões que justificam o cancelamento do AUTO. 3. DA DECADÊNCIA (...) 3.2. Ocorre que, independentemente da análise do mérito da classificação fiscal dos concentrados, que será realizada nas próximas seções, é inconteste que a AUTORIDADE decaiu do direito de glosar a alíquota do crédito de IPI e/ou exigir o respectivo imposto relativamente ao período anterior a 21.12.2011, porque transcorridos mais de cinco anos entre os fatos geradores e a ciência do AUTO, visto que aplicável à hipótese o art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/10. (...) 4. DA COISA JULGADA FORMADA NO MSI N° 95.0009470 3 IMPETRADO PELA IMPUGNANTE ISENÇÃO DO ART. 81, II, DO RIPI/IO (BASE LEGAL NO ART. 9º DO DL N° 288/67) 4.1. Inicialmente, deve ser esclarecido que a própria coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703, além de ter assegurado à IMPUGNANTE o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus, o que já foi expressamente reconhecido pela própria AUTORIDADE (itens Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.210 16 129 e 130 do Termo de Verificação Fiscal), também tratou da classificação fiscal do concentrado na posição 21.06.90.10, EX. 01, visto que essa questão foi objeto do pedido inicial. 4.2. Com efeito, em 23.05.1995, a IMPUGNANTE impetrou o MSI n° 95.00094703 para que fosse assegurado o seu direito aos créditos de IPI relativos às aquisições de concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus classificados, à época, na posição 2106.90 da TIPI/88 e sujeitos à alíquota de 40% (fl. 2 da respectiva inicial do MSI). (...) 4.12. Nos autos do MSI n° 95.00094703, ao apresentar a sua defesa, a Procuradoria da Fazenda Nacional não questionou a classificação fiscal dos concentrados para refrigerantes na posição 21.06.90 e, pois, qualquer questionamento quanto a esta classificação restou precluso. 4.13. Assim, ao ser concedida a segurança nos termos em que pedido, o TRF 5ª Região confirmou a posição do concentrado para refrigerantes na TIPI, qual seja, 21.06.90.10 EX. 01, porque (i) tal posição constou expressamente do pedido inicial formulado e (ii) não há como se reconhecer a existência de um direito creditório de IPI, sem definir a respectiva classificação fiscal do produto na TIPI. (...) 4.15. No Parecer PGFN n° 405/2003, que é vinculatório para a Administração, a própria PGFN reconheceu que os concentrados para refrigerantes são classificados na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao afirmar o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado base para bebidas não alcoólicas isentado, à alíquota de 27%: "102. Na aquisição de insumos "isentos", ocorre o fato gerador, a TIPI fixa a alíquota positiva (digamos 1% para mais), mas a lei dispensa seu pagamento. Em hipóteses tais, o STF, no RE n° 212.484, decidiu pelo direito de crédito com base na alíquota (do insumo "xarope" para produção de CocaCola), constante da TIPI (no caso, digamos 27%)." (Grifos da IMPUGNANTE.) (...) 5. DA NÃO RESPONSABILIDADE DA IMPUGNANTE (TERCEIRO, ADQUIRENTE DO CONCENTRADO) POR SUPOSTO ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 5.1. Ainda que se entendesse que a referida coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703 tivesse apenas assegurado o crédito de IPI isento relativo à aquisição de concentrado e não tivesse compreendido a classificação do concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01, o que se admite apenas para fins de argumentação, mesmo assim a IMPUGNANTE teria direito de Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.211 17 calcular o referido crédito à alíquota decorrente da classificação fiscal 21.06.90.10 EX. 01. 5.2. Com efeito, é necessário destacar que resta incontroverso que a IMPUGNANTE é terceiro, adquirente dos referidos concentrados, e que a RECOFARMA, sua fornecedora, foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal (DOC. 02). (...) 5.4. Ao regulamentar esse art. 62 da Lei n° 4.502/64, os RIPIs de 1972, 1979 e 1982 acrescentaram que caberia ao adquirente também o exame da correção da classificação fiscal do produto consignada na nota fiscal pelo fornecedor, como se verifica do art. 173 do RIPI/82, que reproduz fielmente os arts. 169 e 266 dos RIPIs de 1972 e 1979, respectivamente: (...) 5.5. Durante a vigência desse art. 173 do RIPI/82, o Fisco chegou a exigir multas dos adquirentes que deixaram de verificar a correção da classificação fiscal adotada pelos fornecedores, conforme se verifica do art. 368 do RIPI/82: "Art. 368. A inobservância do artigo 173 e §§ 1º, 3º e 4º, pelos adquirentes e depositários dos produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitalosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada." 5.6. Muito se discutiu, tanto na esfera administrativa, quanto na judicial, se tal acréscimo extrapolava, ou não, o disposto no referido art. 62 da Lei n° 4.502/64. (...) 5.10. Em razão dessa jurisprudência judicial e administrativa, o RIPI/98 suprimiu tal acréscimo regulamentar, no que foi seguido pelos RIPIs de 2002 e 2010 (arts. 266 e 327, respectivamente). (...) 5.13. Registrese, aliás, que, após a referida supressão regulamentar, mas julgando fatos ocorridos ainda na vigência do RIPI/82, o CARF, por força da retroatividade benigna, decidiu pela inexistência dessa obrigação e pela exclusão da multa aplicável nos casos em que envolviam fatos geradores referentes a período da vigência daquele art. 173 do antigo RIPI/82. (...) 6. DA ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 6.1. Ainda que se afaste do objeto da referida coisa julgada a definição da classificação fiscal do concentrado e ainda que se entenda que o adquirente tem obrigação de verificar a correção Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.212 18 da classificação fiscal do produto constante da nota fiscal, o que se admite apenas para fins de argumentação, mesmo assim a IMPUGNANTE tem direito de calcular o crédito de IPI à alíquota da classificação fiscal constante da nota fiscal. 6.2. Com efeito, cabe destacar que o AUTO viola o art. 146 do CTN, visto que alterou retroativamente o critério jurídico já aceito pela Fiscalização anteriormente. 6.3. Isso porque a IMPUGNANTE sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI, conforme assegurado pela coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703, e a AUTORIDADE sempre observou a referida coisa julgada e aceitou o respectivo crédito. 6.4. Com efeito, o novo critério jurídico adotado pela Fiscalização para passar a não aceitar a alíquota do crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus foi introduzido no ordenamento jurídico, apenas em 22.12.2014, data da ciência do auto de infração lavrado contra a RECOFARMA, fornecedora do referido insumo (e que consignou a classificação na respectiva nota fiscal) e no qual dela (RECOFARMA) se exigiu multa em razão de ter supostamente classificado o concentrado para refrigerantes de forma equivocada, visto que tal insumo não poderia ser classificado em uma única posição; o referido auto de infração pende de decisão final (DOCs. 03 e 04). (...) 6.7. Nesse sentido, confirase o disposto no art. 146 do CTN abaixo transcrito: "Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercido do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." (...) 7. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES 7.1. DA COMPETÊNCIA DA SUFRAMA PARA DEFINIR A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS FABRICADOS EM PROJETO INDUSTRIAL APROVADO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS E DO ATO ADMINISTRATIVO 7.1.1. Ainda que afastados os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, caberia então analisar a competência da SUFRAMA para definir a Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.213 19 classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos benefícios fiscais previstos no art. 9o do DL n° 288/67 e no art. 6º do DL n° 1.435/75. (...) 7.1.4. Ora, ao definir o processo produtivo básico de cada produto, para fins de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado. 7.1.5. Portanto, é inerente da sua competência para aprovação do PPB, a definição da classificação fiscal do referido produto. 7.1.6. Aliás, neste particular, salientese que a competência da RFB para definir a classificação fiscal de produtos não é exclusiva. (...) 7.2. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA PELA SUFRAMA 7.2.1. No Termo de Verificação Fiscal, que embasou o presente AUTO, a AUTORIDADE alegou equivocadamente que a SUFRAMA não teria definido a classificação fiscal do concentrado produzido pela RECOFARMA e adquirido pela IMPUGNANTE e que esse concentrado não poderia ser classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011. (...) 7.2.5. Portanto, no exercício efetivo de sua competência e por intermédio da Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, a SUFRAMA aprovou o projeto industrial da RECOFARMA para fruição dos benefícios fiscais do art. 9o do DL n° 288/67 e do art. 6o do DL n° 1.435/75 em relação ao produto fabricado pela RECOFARMA, o qual foi definido como concentrado para refrigerantes, e que consiste em "... preparações químicas utilizadas como matériaprima para industrialização de bebidas não alcoólicas, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte de concentrado". 7.2.6. Vêse, pois, que, a partir da definição dada pela SUFRAMA ao produto fabricado pela RECOFARMA, a própria SUFRAMA reconhece que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produto único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2011, qual seja, preparações compostas para bebidas com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada concentrado por isso classificado no EX. 01, a qual tinha alíquota de 27%, a saber: (...) Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.214 20 7.3 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DEFINIDA PELAS REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO E NESH (...) 7.3.5. Por outro lado, também ao contrário do afirmado, as preparações não precisam estar prontas para uso para que sejam classificadas na posição 21.06.90.10 EX. 01. 7.3.6. Isso porque o próprio item 12 da NESH que se refere e esclarece justamente a posição 2106, na qual se incluem os aludidos EX. 01 e EX. 02, estabelece que as preparações compostas podem sofrer um tratamento complementar no estabelecimento do fabricante, antes do processo de elaboração das bebidas: "12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: (...) Estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias." 7.3.7. Tal disposição deixa claro que as preparações compostas não precisam necessariamente já estar "prontas para uso" pelo destinatário de um modo geral; caso contrário, a expressão "depois de tratamento complementar" seria "letra morta". 7.3.8. Ora, esse tratamento complementar ocorre no estabelecimento do fabricante de refrigerantes, no caso a IMPUGNANTE, e antes do início do processo produtivo do refrigerante e, pois, não procede a invocação feita pela AUTORIDADE do art. 5º, II, do RIPI/10, que trata do preparo do refrigerante em si, e, pois, hipótese diversa da discutida nos presentes autos. (...) 7.3.10. Por outro lado, a AUTORIDADE afirma ainda que o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b), que teria sido supostamente incluído em razão da decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira, de 23.08.1985, reforçaria o fato de os concentrados para refrigerantes, entregues em forma de "kits", não poderiam ser tratados como produtos únicos. 7.3.11. Ocorre que a literalidade da Nota Explicativa XI) da Regra 3b) demonstra o contrário, pois trata dos concentrados como mercadoria unitária, constituída por diferentes componentes, conforme se verifica: "A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.215 21 proporções fixas para fabricação industrial de bebidas, por exemplo." (grifos da IMPUGNANTE) 7.3.12. Assim, classificar os componentes do concentrado de forma individualizada, ofende a literalidade da Nota Explicativa XI) da Regra 3b) e, pois, o art. 17 do RIPI/2010, que determina a observância da NESH como elemento fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições da TIPI. 7.3.13. Ademais, a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b) , que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial, é justamente porque existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para refrigerantes e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1. 7.3.14. De fato, as Notas Explicativas III, a) e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição especifica para classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias, conforme se verifica: (...) 7.3.15. E, no caso, como já visto, na legislação brasileira, há uma posição especifica, na qual se enquadra, exatamente, o concentrado para refrigerantes, qual seja, a posição 21.06.90.10 EX. 01. (...) 8. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA 8.1. Ainda que superados todos os argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária. (...) 8.7. Vêse, pois, que devem ser excluídos a multa, os juros moratórios e a correção monetária exigidos, sob pena de ofensa ao art. 100, parágrafo único, do CTN. 9. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.216 22 9.1. Por outro lado, ainda que superados todos esses argumentos acima desenvolvidos, o que se admite apenas para argumentar, também não seria cabível a imposição de multa no presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64, que está em pleno vigor. 9.2. O referido art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64 estabelece a não imposição de penalidades aos contribuintes que tiverem agido de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Eis o teor do dispositivo em questão: (...) 10. DA LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS GLOSADOS NO VALOR DE R$ 5.975.044,37 10.1. A AUTORIDADE glosou, ainda, créditos de IPI no valor de R$ 5.975.044,37, fundamentandose, para tanto, no entendimento de que, em agosto de 2014, a IMPUGNANTE já teria decaído do direito de lançálos na sua escrita fiscal, por já terem decorridos mais de 5 anos, contados dos l°s trimestres de 2007 e 2008. 10.2. Ocorre que os créditos de IPI no valor de R$ 5.975.044,37, mencionados pela AUTORIDADE, foram devidamente lançados na escrita fiscal nos 1°s trimestres de 2007 e 2008, por ocasião da entrada das mercadorias no estabelecimento da IMPUGNANTE (DOCs. 10 e 11). 10.3. O erro incorrido pela AUTORIDADE decorre do fato de a IMPUGNANTE ter estornado, por equivoco, o valor total dos saldos credores apurados nos l°s trimestres de 2007 e 2008, incluindo o valor de R$ 5.975.044,37 (DOCs. 12 e 13). 10.4. De fato, o valor de R$ 5.975.044,37 não foi incluído nos pedidos de ressarcimento transmitidos em 30.04.2007 e 16.04.2008, referentes aos períodos dos l°s trimestres de 2007 e 2008, sendo este fato incontroverso no presente processo (DOCs. 14 e 15) e, por conseguinte, no caso, o estorno, com a sua reversão, não produziu qualquer efeito fiscal. 10.5. Sendo assim, em agosto de 2014, a IMPUGNANTE realizou mero ajuste na sua escrita fiscal para corrigir o referido equívoco mediante reversão do estorno, o qual não configurou lançamento de um novo crédito, como alega a AUTORIDADE (DOC. 16). (...) 11. DA IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO 11.1. Como aspecto adicional, superados os argumentos acima que afastam a aplicação de qualquer penalidade, o que se admite apenas para fins de argumentação, seria totalmente descabida a incidência de juros sobre a multa de oficio lançada Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.217 23 contra a IMPUGNANTE, porque implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. 4. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJPorto Alegre (DRJPOA), exarou o Acórdão nº 1058.663 na Sessão datada de 27/04/2017, no qual os seus membros, por unanimidade de votos, não acolheram a preliminar de decadência e, quanto ao mérito, julgaram improcedente a impugnação. O Acórdão restou assim ementado: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extinguese em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN quando a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE BEBIDAS. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como "kit ou concentrado para bebidas" constituise de um conjunto de diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses "kits" deverá ser classificado no código próprio da TIPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros moratórios sobre a penalidade objeto do lançamento em litígio. 5. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 15/05/2017 (ver fl. 902). Irresignado com esta decisão, apresentou Recurso Voluntário em 13/06/2017 (ver fl. 904), no qual reproduz, basicamente, os mesmos argumentos já expostos na Impugnação. 6. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário. 7. É o relatório. Voto Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.218 24 Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator I DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA 8. O IPI é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme previsto no art. 150, caput, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Para tributos sujeitos a esta espécie de lançamento, o próprio art. 150, em seu § 4º, já fixa o prazo para decadência do direito de lançar o tributo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 9. Entretanto, como bem destacado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas Contrarrazões, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 973.733/SC sob a sistemática de julgamento de Recursos Repetitivos (de observação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno RICARF), decidiu que "não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, isto sim, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal". Vejase o seguinte excerto da Ementa do referido Acórdão do STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.219 25 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) 10. O STJ inclusive já sumulou essa questão: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. 11. No mesmo sentido, trago à colação o seguinte trecho do Acórdão nº 9303006.987 – 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 14/06/2018: O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, trazido pela PGFN em suas Contrarrazões e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir: (...) Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à declaração do débito, caso tenha havido o pagamento. O lançamento de ofício foi decorrente de glosas de valores de créditos "fictos" do IPI na aquisição de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Reconstituída a escrita fiscal, foram apurados os valores do tributo objeto do lançamento, com multa de ofício de 75 % e juros de mora. Claro está, portanto, que o estabelecimento autuado não apurou saldo devedor em nenhum dos períodos autuados, não se podendo cogitar, então, de ter havido qualquer pagamento, e nem mesmo declaração de débitos (declarações estas que, ainda que, por equívoco, existissem, em nada poderiam influenciar na solução da lide, em razão da ausência de pagamento). Assim, à vista da jurisprudência vinculante do STJ, aplicase, para fins de delimitação do prazo decadencial, a regra do art. 173, I, do CTN – repito: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 12. Como se verifica, o tema já está pacificado tanto na esfera administrativa quanto na judicial. Ao contrário do que afirma o recorrente, o deslocamento da regra de decadência para o art. 173, I, não ocorre unicamente em caso de dolo, fraude ou simulação. Tendo em vista que o recorrente não apurou saldo devedor em nenhum dos Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.220 26 períodos autuados, e, consequentemente, não realizou qualquer antecipação de pagamento, não há o que ser homologado. 13. Também não há que se falar, como alega o recorrente, na aplicação à hipótese do art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/10: Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa. Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. 14. O texto é bem claro ao explicitar que para se considerar existente o pagamento, a dedução deve ser feita com créditos "admitidos". Ora, conforme a autuação fiscal, os créditos não foram admitidos, uma vez que foram objeto de glosa pela fiscalização. Logo, permanece o recorrente sem ter realizado qualquer pagamento a ser homologado, mantendo a decadência sendo verificada com base na regra geral do art. 173, I, do CTN. 15. Mesmo que se alegue que houve créditos admitidos (o que não ocorreu, pois o contribuinte não informou o valor referente às partes do kit que possuíam alíquota positiva), observese que a parte final do dispositivo impõe outra condição: que da apuração não resulte saldo a recolher. Se após a apuração de débitos e créditos resultar saldo a recolher, é preciso que pelo menos uma parcela deste seja paga para que exista pagamento a ser homologado, deslocando a regra de decadência para o comando do art. 150, § 4º, do CTN. 16. Neste sentido, trago à colação o seguinte trecho do Acórdão nº 9303 007.440 – 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 19/09/2018: Aliás, foi salientado no voto condutor do acórdão a quo que a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não poderia ser aplicada, pois esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, conforme abaixo de observa: (...) Não admitidos os créditos, por consequência, não se considera existentes os pagamentos alegados. Dessarte, em não havendo pagamento de qualquer débito, deslocase a contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme norma extraída do art. 173 do CTN. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.221 27 17. Não existindo reparos a serem feitos na decisão da DRJ, voto pela improcedência desta preliminar. II DA ALEGAÇÃO DE NÃO RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE (TERCEIRO, ADQUIRENTE DO CONCENTRADO) POR SUPOSTO ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO 18. Alega o recorrente que agiu de boafé, não lhe podendo ser atribuída qualquer responsabilidade por um suposto erro de classificação fiscal, pois não era responsável pela emissão das notas fiscais, mas sim sua fornecedora, a RECOFARMA. 19. Entretanto, o art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boafé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. Mesmo não sendo o responsável pela emissão da nota fiscal e pela classificação fiscal da mercadoria, foi o recorrente quem se apropriou de créditos indevidos, e não a RECOFARMA: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 20. Vale destacar que, caso fosse constatada a intenção do recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequencia da sua conduta, pois incidiria na previsão contida no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (...) Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.222 28 gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 21. A autuação foi realizada com a aplicação da multa básica de 75%, demonstrando que a Autoridade Fiscal não identificou a presença de conduta dolosa do contribuinte, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%. 22. Alega também o recorrente que a exigência contida no art. 173 do RIPI/82, no sentido de que o adquirente da mercadoria tenha que examinar a correção da classificação fiscal adotada pelo emitente da nota fiscal, não mais existe nos Regulamentos do IPI posteriores. Entretanto, a autuação em nenhum momento teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. 23. A autuação foi baseada na glosa de créditos de IPI que a fiscalização verificou serem inexistentes. Nesse contexto, deve a Autoridade Fiscal proceder à reconstituição da escrita fiscal do IPI e, constatada a existência de saldos devedores, proceder ao lançamento do crédito tributário, exatamente como procedeu neste caso concreto. 24. Não existindo reparos a serem feitos na decisão da DRJ, voto por negar provimento a este pedido do Recorrente. III DA ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO 25. Afirma o Recorrente que o Auto de Infração violou o art. 146 do CTN pois, em verificações fiscais anteriores instauradas pelo Fisco, sempre aproveitou os créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos para refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus à alíquota prevista da posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI, conforme assegurado pela coisa julgada formada no MSI n° 95.00094703, e a Autoridade Fiscal sempre aceitou o respectivo crédito. 26. O art. 146 possui a seguinte redação: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 27. Sobre a interpretação deste dispositivo, bem esclarece Ricardo Lodi Ribeiro, em seu artigo "A Proteção da Confiança Legítima do Contribuinte", RDDT nº 145, Outubro/2007, pág. 99: Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.223 29 O dispositivo se refere à manutenção da interpretação administrativa da lei tributária que fixa um determinado entendimento favorável ao contribuinte, dentre os sentidos possíveis oferecidos pela literalidade da lei. Se a Administração identifica como correta uma determinada interpretação da norma e depois verifica que esta não é a mais adequada ao Direito, tem o poderdever de, em nome de sua vinculação com a juridicidade e com a legalidade, promover a alteração do seu posicionamento. Porém, em nome da proteção da confiança legítima, deve resguardar o direito do contribuinte em relação aos lançamentos já realizados. Embora o referido dispositivo legal se refira apenas irreversibilidade do lançamento já efetuado, a tutela da segurança do contribuinte não depende de ter havido a constituição do crédito tributário, se aplicando a qualquer posicionamento da Administração que promova a nova interpretação da norma fiscal em relação a fatos geradores já praticados, incluindo a concessão de isenção, anistia, remissão e moratória. Assim, a proteção se aplica também aos processos de consulta, aos pareceres normativos, aos atos declaratórios ou a qualquer outra manifestação administrativa que adote determinado critério de interpretação da norma, seja em relação ao sujeito passivo, seja em relação a outro contribuinte que esteja em situação legal e fática idêntica. 28. Leandro Paulsen, por sua vez, em Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, pág. 1.086, leciona que: O artigo 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente à situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores. 29. Conforme se depreende a partir da lição destes eminentes juristas, o artigo sob análise tem por objetivo proteger o contribuinte contra alterações em uma mesma acusação fiscal, bem como contra a retroatividade de alterações normativas que possam agravar sua situação fiscal. 30. 25. No que se refere ao lançamento, tratase de uma vedação à alteração do fundamento legal de uma mesma acusação, ou seja, uma mudança na valoração jurídica dos fatos. É nesse sentido que deve ser compreendida a expressão "alteração de critérios jurídicos". No entender da doutrina e jurisprudência majoritários, veda a revisão do lançamento por "erro de direito", permitindo sua revisão apenas nos casos de "erro de fato", ou "erro formal". 31. Nesse sentido, a Súmula 227, de 24/11/1986, do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), recepcionada pelo STJ através do procedimento para o julgamento de recursos especiais repetitivos, como se vê na Ementa do REsp 1303543/RJ, Recurso Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.224 30 Especial 2010/01708453, Relator(a) Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Órgão Julgador: Primeira Turma do STJ. Data do Julgamento: 27/03/2012: 6. No caso concreto, o que se constata é que a autoridade administrativa reconheceu o fato gerador concreto para fins de incidência do ISSQN como sendo uma locação de bens móveis, embora, essa não seja a real atividade desenvolvida pela empresa, como bem captaram o Julgador Singular e o Tribunal Estadual; todavia, não cabe ao Judiciário substituir a Autoridade Fiscal, para dar outra qualificação jurídica aos fatos por ela já analisados, corrigindo, dessa forma, típico erro de direito do lançamento, pois isso afronta o princípio da legalidade, do qual o princípio da tipicidade fechada é corolário, bem como o da segurança jurídica. (...) 7. A Primeira Seção desta Corte encampou a Súmula 227/TFR, segundo a qual a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento: REsp. 1.130.545/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 22/02/2011, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. 8. Se a Autoridade Fiscal enquadrou a atividade da recorrente como locação de bens móveis, e o STF já decidiu que sobre ela não incide ISS (Súmula Vinculante 31), mostrase ilegal a modificação judicial desse critério jurídico, para fins de validar o lançamento efetuado. 32. Eis o que consta do texto dessa Súmula: Tributário. Revisão do lançamento. Inadmissibilidade. Mudança no critério jurídico. A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento. 33. Pela doutrina colacionada, onde se fala em "irreversibilidade do lançamento já efetuado", e "impossibilidade de retratação", bem como pela Súmula 227/TFR e pela jurisprudência acima apresentada, que abordam a questão da revisão de um lançamento já efetuado, concluise que não há qualquer vedação contra um lançamento tributário novo, referente a um fato gerador X, que possua uma interpretação dos fatos diferente daquela constante em lançamentos anteriores, contra os fatos geradores Y e Z. 34. O que não se permite é que a Autoridade Tributária, identificando um lançamento com fundamentação legal equivocada, tendo ocorrido um erro de direito, venha a alterar tal fundamento, substituindoo por outro e acarretando, assim, um agravamento da situação do contribuinte naquela mesma autuação, referente ao mesmo fato gerador, sob o pretexto de adequar o ato administrativo à legislação vigente. No entanto, nada impede que, em futuros lançamentos, faça tal correção, mesmo para fatos geradores passados. 35. Finda essa análise teórica do art. 146 do CTN, deve ser ressaltado que no processo ora em julgamento não houve qualquer "alteração de critério jurídico", pois não houve qualquer manifestação expressa por parte da Administração Tributária no sentido de ratificar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. 36. O fato de nunca ter sido autuado por determinada conduta não torna a mesma legítima até o momento em que tomar ciência da autuação. O contribuinte tem a obrigação de conhecer a legislação tributária e aplicála corretamente. A Autoridade Tributária tendo conhecimento de irregularidades, a qualquer tempo, tem o dever legal de proceder à Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.225 31 lavratura de Auto de Infração. Não pode o contribuinte esperar ser apenas notificado a mudar sua conduta, ficando o Fisco limitado a só poder autuálo a partir deste momento. Tratase de argumento do recorrente desprovido de qualquer base legal. 37. Por fim, devese ressaltar que mesmo o contribuinte que tenha sido autuado pelas infrações A e B está sujeito a, em futuros lançamentos, sobre períodos de apuração diversos, ser autuado pela infração C, ainda que esta já tivesse ocorrido quando da ação fiscal anterior. O que não poderia acontecer seria uma revisão do primeiro lançamento, para corrigir erro de direito (modificar critério jurídico), ou seja, a fundamentação legal das infrações A e B, trazendo ao contribuinte uma situação mais gravosa; ou, ainda, a realização de um lançamento suplementar sobre o mesmo período por conta da infração C. 38. Outra situação vedada por este dispositivo seria o caso do contribuinte ser autuado por classificar uma mercadoria na posição X, quando o correto seria a posição Y e, em procedimento fiscal posterior, o mesmo contribuinte, agora usando a posição Y, sofrer nova autuação porque o Fisco revisou seu entendimento e concluiu que a posição correta seria a Z. 39. Nesse sentido, as seguintes decisões do CARF: A) Acórdão nº 3402004.073 Terceira Seção de Julgamento 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 26/04/2017 (...) Em meu entendimento, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo próprio contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. Como a recorrente não especifica no recurso voluntário qual teria sido o ato administrativo anterior emitido com posicionamento divergente do presente lançamento, pelo contexto de suas alegações, entendese que a recorrente esteja se referindo à ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos denominados "kits". No entanto, o art.146 do CTN não abriga a tese da recorrente, o que representaria uma verdadeira mordaça à fiscalização. Com bem expressou o Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto sobre o tema, no seu voto no Acórdão nº 1401001.649–4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8 de junho de 2016, "Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico". Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.226 32 B) Acórdão nº 1201001.463 Primeira Seção de Julgamento 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 09/08/2016 1. Da mudança de critério jurídico, em ofensa ao artigo 146 do CTN (...) De se notar que o comando normativo diz respeito ao ato do lançamento (o que se depreende, inclusive, do próprio capítulo em que redigido) e, nesse sentido, não há qualquer obstáculo para que, em períodos subsequentes, ocorra mudança nos fundamentos da autuação. Cada lançamento é independente no tempo e no espaço, da mesma forma como são os atos administrativos que os veiculam no mundo real. Para tributos distintos ou períodos de apuração diferentes nada impede que os fundamentos da autuação sejam também alterados, até porque o direito funciona de modo dialético e em constante mutação, inclusive de ordem interpretativa. (...) O fato de a contribuinte não ter sido autuada em períodos anteriores, como aduz, em nada altera a obrigação de fazêlo posteriormente, sempre que presentes os requisitos para o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN. O que não se admite é a coexistência de duas ou mais autuações, para o mesmo período, baseadas em critérios diferentes. (...) No caso sob análise não há conflito entre lançamentos, mas sim entendimento diferente daquele esposado em fiscalizações anteriores, que não autuaram a empresa. Ora, o racional da norma busca evitar o conflito positivo entre dois lançamentos com fundamentos diferentes, mas certamente não alcança as hipóteses em que não houve lançamento anterior, até porque resta evidente que a ausência de lançamento sequer possibilita a ocorrência de conflito. Na hipótese de a fiscalização não autuar períodos anteriores, é evidente que a ausência de lançamento não revela manifestação de critério jurídico, em sentido positivo (notese que o CTN condena a mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento). Ora, se lançamento não houve, inexiste mudança de critério, de sorte que a restrição sequer pode ser aplicada. IV DA ALEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA DA SUFRAMA PARA DEFINIR A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS E DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO CONCENTRADO DEFINIDA PELA SUFRAMA 40. Sustenta o Impugnante que a SUFRAMA tem competência para aprovar os projetos industriais para fruição dos benefícios previstos no art. 9º do DL n° 288/67 e no art. 6º do DL n° 1.435/75, e que, portanto, seria necessário que esse órgão identifique qual Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.227 33 é a classificação fiscal do produto incentivado. Admite que a RFB também tem competência para definir a classificação fiscal de produtos, mas essa não é exclusiva. 41. Prossegue afirmando que a SUFRAMA, no exercício de tal competência, definiu o produto elaborado por seu fornecedor RECOFARMA como "concentrado para refrigerantes", bem como definiu a classificação fiscal deste produto pela NCM na posição 2106.90.10 Ex. 01, conforme o ato administrativo vinculatório Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007. 42. Os argumentos trazidos pelo Impugnante, entretanto, não podem ser julgados procedentes. Com efeito, a Constituição Federal, em seus arts. 37 e 146, estabelece o seguinte: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; (...) Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 43. A Lei Complementar vigente, a que se refere o texto constitucional, é a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN). A referida Lei, por sua vez, estabelece o seguinte: Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. (...) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.228 34 Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. 44. 47. Por seu turno, a Lei que regula a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação é a Lei nº 10.593, de 06/12/2002. Esta, em seu art. 6º, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/03/2007, estabelece o seguinte: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (...) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 45. Para disciplinar a competência da RFB sobre o controle aduaneiro, prevista na alínea "c" acima transcrita, o Poder Executivo editou o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 (Regulamento Aduaneiro). Sobre a classificação fiscal de mercadorias, assim dispõe o referido ato normativo: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, DECRETA: Art. 1º A administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior serão exercidos em conformidade com o disposto neste Decreto. (...) LIVRO V DO CONTROLE ADUANEIRO DE MERCADORIAS Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.229 35 TÍTULO I DO DESPACHO ADUANEIRO CAPÍTULO I DO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO (...) Seção V Da Conferência Aduaneira Art. 564. A conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. (...) CAPÍTULO VI DO PROCESSO DE CONSULTA Art.790. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os processos administrativos de consulta, relativos a interpretação da legislação tributária e a classificação fiscal de mercadoria, serão solucionados em instância única (Lei nº 9.430, de 1996, art. 48, caput). (...) §3º A consulta relativa a classificação fiscal de mercadorias será solucionada pela aplicação das disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.430, de 1996, art. 50, caput). 46. Tais dispositivos tem por base legal os arts. 48 e 50 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual determina que os processos de consulta relativos à classificação de mercadorias devem seguir os ditames dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 (norma que regulamenta o Processo Administrativo Federal): Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia, na forma disciplinada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, poderá ser atribuída: I a unidade central; ou II a unidade descentralizada. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.230 36 § 2º Os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes serão observados quando da solução da consulta. § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. § 4º As soluções das consultas serão publicadas pela imprensa oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. (...) § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pela órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48. 47. Feita essa digressão legislativa, concluise que é da RFB a competência para, inclusive através de processos de consulta, decidir sobre classificação fiscal. Obviamente, esta competência não se restringe ao âmbito das aduanas (alfândegas), nem a processos de importação/exportação, pois não é possível uma mercadoria ter uma classificação segundo a NCM em uma importação e outra classificação para fins de apuração do IPI. 48. Vale ressaltar que a Autoridade Tributária em nenhum momento questionou a concessão do benefício fiscal por parte da SUFRAMA, pois tal ato realmente de encontra dentro de suas atribuições institucionais. A classificação fiscal, por sua vez, define a alíquota de IPI aplicável ao produto; assim sendo, está diretamente vinculada à apuração do tributo, matéria sobre a qual a Constituição Federal prevê que a administração fazendária tem precedência sobre os demais setores administrativos. V DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DEFINIDA PELAS REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO E PELAS NESH 49. O recorrente afirma que os produtos adquiridos do seu fornecedor RECOFARMA e que deram origem aos créditos de IPI glosados pela fiscalização devem ser classificados na Tabela de Incidência do IPI TIPI/2011 (cujo texto foi aprovado pelo Decreto 7.660, de 23/12/2011), na posição 2106.90.10, EX. 01, sendo incorreto classificar cada um dos seus componentes individualmente, mesmo que estes lhe sejam entregues acondicionados em diversas partes não misturadas, ou seja, não homogeneizadas. 50. A posição 2106.90.10, EX. 01, possui o seguinte texto na TIPI/2011: Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.231 37 Código da posição Texto da posição Alíquota 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas 0 Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 27 51. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a classificação dos produtos adquiridos pelo recorrente deveria ser individualizada, uma vez que estes não se caracterizam como uma preparação "composta", ou como um "extrato concentrado ou sabor concentrado", sendo, em verdade, apenas "kits", ou seja, ingredientes ou partes para produzir, já dentro das instalações do recorrente, os "concentrados", sendo enviados pelo fornecedor RECOFARMA acondicionados separadamente, apesar de apresentados em conjunto, sem sofrer qualquer processo de homogeneização. 52. Dessa forma, a classificação fiscal atribuída pela fiscalização foi específica para cada produto acondicionado separadamente, da seguinte forma: TABELA 03 ITEM CÓDIGO NCM ALÍQUOTA KIT SABOR COCACOLA ZERO PARTE 1 2106.90.10 ZERO PARTE 2A 2106.90.10 ZERO PARTE 2B 3302.10.00 5% PARTE 1B 2916.31.21 ZERO PARTE 1C 2918.15.00 ZERO PARTE 3 2106.90.10 ZERO KIT SABOR COCACOLA PARTE 1 2106.90.10 ZERO PARTE 2 2106.90.10 ZERO KIT SABOR SPRITE ZERO PARTE 2 3302.10.00 5% PARTE 1 2918.15.00 ZERO PARTE 1B 2106.90.90 ZERO PARTE 3 2106.90.90 ZERO KIT SABOR SPRITE PARTE 2 3302.10.00 5% PARTE 1 2918.14.00 ZERO PARTE 1A 2116.31.21 ZERO PARTE 1G 2916.19.11 ZERO 53. A identificação de cada um dos produtos acondicionados separadamente e fornecidos ao recorrente pela RECOFARMA, listados na tabela acima, foi realizada nos termos dos Laudos de Análise efetuados pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer: KIT SABOR COCACOLA ZERO Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.232 38 • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/20133.0: "Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Cafeína, Ácido Fosfórico, alfa Terpineno, Limoneno e betaTerpineno"; • parte 2A Laudo de Análise n° 1266/20134.0: "Tratase de Preparação, na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Pineno, Limoneno e Terpineno"; • parte 2B Laudo de Análise n° 1266/20135.0: 'Tratase de Preparação à base de Propileno Glicol, Pineno, Mentadieno e Terpineno, uma Preparação à base de Mistura de Substâncias Odoríferas do tipo utilizada para indústria de bebidas. A mercadoria apresentase na forma líquida"; • parte 1B Laudo de Análise n° 1266/20136.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Benzoato de Sódio, Sal Sódico do Ácido Benzóico, Sal de Ácido Monocarboxílico Aromático, Sal de Ácido Monocarboxílico Cíclico. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de pó"; • parte 1C Laudo de Análise n° 1266/20137.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Citrato de Sódio, Sal Sódico do Ácido Cítrico, Sal de Ácido Carboxílico de Função Álcool mas sem Outra Função Oxigenada, Sal de Ácido Carboxílico que contenha Função Oxigenada Suplementar. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de cristais"; • parte 3 Laudo de Análise n° 1266/20138.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Trata se de Preparação á base de Acessulfame de Potássio, Aspartame e Benzoato de Sódio, na forma sólida". KIT SABOR COCACOLA • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/20131.0: "Tratase de uma Preparação na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Cafeína, Caramelo, Ácido Fosfórico, Cimeno, Pineno e Limoneno"; • parte 2 Laudo de Análise n° 1266/20132.0: "Tratase de uma Preparação na forma de Solução Aquosa, à base de Extrato de Noz de Cola, Caramelo, Ácido Cítrico, Pineno, Limoneno, Terpineno e Terpinoleho". KIT SABOR SPRITE • parte 2 Laudo de Análise n° 1266/20139.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Preparação à base de Álcool Etílico, Mentatrieno, Pineno, Limoneno e Mentadieno, uma Preparação à base de Mistura de Substâncias Odoríferas do tipo utilizada para Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.233 39 indústria de bebidas. A mercadoria apresentase na forma líquida." • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/201310.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Ácido Cítrico, um Ácido Carboxílico de Função Álcool mas sem Outra Função Oxigenada, Sal de Ácido Carboxílico contendo Funções Oxigenadas Suplementares. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de cristais (sólida)"; • parte 1A Laudo de Análise n° 1266/201311.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Benzoato de Sódio, Sal Sódico do Ácido Benzóico, Sal de Ácido Monocarboxílico Aromático, Sal de Ácido Monocarboxílico Cíclico. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de pó." • parte 1G Laudo de Análise n° 1266/201312.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Sorbato de Potássio, Sal do Ácido Sórbico, Sal de Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Não saturado. Tratase de composto orgânico de constituição química definida e isolado. A mercadoria apresentase na forma de grânulos." KIT SABOR SPRITE ZERO • parte 2 Laudo de Análise n° 1266/201313.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Preparação à base de Álcool, Sorbato de Potássio, Pineno, Mentadieno e Cimeno, substâncias utilizadas como aromatizantes. A mercadoria apresentase na forma líquida." • parte 1 Laudo de Análise n° 1266/201314.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Ácido Cítrico, um Ácido Carboxílico de Função Álcool mas sem Outra Função Oxigenada, um Ácido Carboxílico contendo Funções Oxigenadas Suplementares. Tratase de Ácido Cítrico na forma de cristais (sólida)." • parte 1B Laudo de Análise n° 1266/201315.0: "Não se trata de Preparação do tipo utilizada para elaboração de bebidas. Tratase de Preparação à base de Benzoato de Sódio e Sorbato de Sódio. Qualquer Outra Preparação para ser utilizada na Indústria Alimentícia. A mercadoria apresentase na forma sólida." • parte 3 Laudo de Análise n° 1266/201316.0: "Tratase de Preparação à base de Ciclamato de Sódio, Sacarina Sódica e Benzoato de Sódio. A mercadoria apresentase na forma sólida." Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.234 40 54. Do quanto exposto verificase que, para que o contribuinte possa se creditar do IPI nas operações objeto da autuação, fazse necessário determinar quais as alíquotas de IPI que incidiriam nestas operações, caso não fossem isentas. Para tanto, deve realizar a classificação fiscal das mercadorias pela TIPI, e assim obter as alíquotas correspondentes a cada classificação. 55. O recorrente classificou todos os produtos acondicionados separadamente como se fosse um produto único, na posição 2106.90.10, EX. 01, cuja alíquota era de 27% e, posteriormente, de 20%. Fazendo incidir estas alíquotas sobre o valor das suas aquisições isentas de IPI, fornecidas pela RECOFARMA, o recorrente obteve o valor do crédito de IPI registrado em sua escrita fiscal. Vejase o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: 56. A fiscalização, por sua vez, ao realizar a classificação conforme exposto na Tabela 3 acima, verificou que a maioria dos produtos classificavase em posições cuja alíquota de IPI correspondente era zero, e dessa forma glosou os créditos do recorrente. 57. Os arts. 10 a 12 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI (Imposto de Consumo, à época), determinam como se dará esta classificação: CAPÍTULO III Da Classificação dos Produtos Art. 10. Na Tabela anexa, os produtos estão classificados em alíneas, capítulos, subcapítulos, posições e incisos. § 1º O código numérico e o texto relativo aos capítulos e posições correspondem aos usados pela nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.235 41 (...) Art. 11. A classificação dos produtos nas alíneas, capítulos, sub capítulos, posições e incisos da Tabela farseá de conformidade com as seguintes regras: (...) Art. 12. As Notas Explicativas da Nomenclatura referida no § 1º do artigo 10, atualizada até junho de 1966, constituem elementos de informação para a correta interpretação das Notas e do texto das Posições constantes da Tabela Anexa. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) 58. Os arts. 15 a 17 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (Regulamento do IPI RIPI/2010), regulamentam a classificação fiscal dos produtos, com base legal na Lei nº 4.502/64: TÍTULO III DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art. 15. Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, Subcapítulos, Posições, Subposições, Itens e Subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação RGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas Complementares NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). 59. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), versão lusobrasileira, foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, e alterações posteriores: Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.236 42 bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Art. 2° As alterações introduzidas na Nomenclatura do Sistema Harmonizado e nas suas Notas Explicativas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (Comitê do Sistema Harmonizado), devidamente traduzidas para a língua portuguesa pelo referido Grupo Binacional, serão aprovadas pelo Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, ou autoridade a quem delegar tal atribuição. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 60. O Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é um sistema padronizado de codificação e classificação desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Aduanas — OMA, da qual o Brasil faz parte (Decreto 97.409/1988 que promulgou a Convenção Internacional sobre o SH, aprovada pelo Decreto Legislativo 71/1988). 61. A Regra Geral para Interpretação (RGI) nº 1 prevê que classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Tal entendimento é estendido para os textos dos itens, subitens e “Ex”. As regras aplicáveis ao presente caso e as correspondentes notas explicativas são as seguintes: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Estas mercadorias estão agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos tão concisos quanto possível, indicando a categoria ou o tipo de produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobálas ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos. (...) III) A segunda parte da Regra prevê que a classificação seja determinada: (...) b) Quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.237 43 (...) REGRA 2 (...) b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 2 b) (Produtos misturados e artigos compostos) X) A Regra 2 b) diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias. As posições às quais ela se refere são as que mencionam uma matéria determinada, por exemplo, a posição 05.07, marfim, e as que se referem às obras de uma matéria determinada, por exemplo, a posição 45.03, artigos de cortiça. Deve notarse que esta Regra só se aplica quando não contrariar os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo (por exemplo, posição 15.03 ... óleo de banha de porco ... sem mistura). Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1. XI) O efeito desta Regra é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias. Também tem o efeito de ampliar o alcance das posições que mencionam as obras de determinada matéria, de modo a incluir naquelas posições as obras parcialmente constituídas por esta matéria. XII) Contudo, esta Regra não amplia o alcance das posições a que se refere, a ponto de poder nelas incluir mercadorias que não satisfaçam, como exige a Regra 1, os dizeres dessas posições, como ocorre quando se adicionam outras matérias ou substâncias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. XIII) Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e as obras constituídas por duas ou mais matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.238 44 posições, devem classificarse conforme as disposições da Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: (...) b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, QUANDO FOR POSSÍVEL REALIZAR ESTA DETERMINAÇÃO. (...) NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) Os produtos misturados; 2) As obras compostas por matérias diferentes; 3) As obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) As mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. (...) X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) A expressão “venda a retalho” não inclui as vendas de mercadorias que se destinam a ser revendidas após a sua posterior fabricação, preparação ou reacondicionamento, ou após incorporação ulterior com ou noutras mercadorias. Em consequência, a expressão “mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho” compreende apenas os sortidos que se destinam a ser vendidos ao utilizador final quando as mercadorias individuais se destinam a ser Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.239 45 utilizadas em conjunto. Por exemplo, diferentes produtos alimentícios destinados a serem utilizados conjuntamente na preparação de um prato ou uma refeição, prontoacomer, embalados em conjunto e destinados ao consumo pelo comprador, constituem um “sortido acondicionado para venda a retalho”. (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplicase também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. 62. O recorrente afirma se basear na RGI 1 para classificar os kits na posição 2106.90.10 Ex.01, da NCM. Sua justificativa para classificar todos os produtos que lhe são fornecidos pela RECOFARMA em uma só posição é a seguinte, conforme seu Recurso Voluntário: 6.3.14. Ademais, a razão de ser afastada a aplicação da regra de exceção 3 b), que determina que os produtos misturados ou sortidos devem ser classificados levando em consideração a posição da matéria ou artigo que lhe confira a característica essencial, é justamente porque existe posição específica na legislação brasileira para os concentrados para bebidas da posição 22.02 e, pois, por essa razão deve ser aplicada a Regra Geral de Interpretação 1. 6.3.15. De fato, as Notas Explicativas III, a) e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há uma posição especifica para Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.240 46 classificar a mercadoria, sem que seja necessário recorrer às subsequentes Regras Gerais Interpretativas (2 a 6), que são subsidiárias, conforme se verifica: 63. A RGI 1 apenas especifica que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e não pelos títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos, os quais têm apenas valor indicativo. Esta é a primeira parte da regra. A segunda parte prevê que a classificação seja determinada de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. 64. A RGI 2, por sua vez, determina que a classificação dos produtos misturados ou artigos compostos, como é o caso em questão (de forma incontroversa, já que o próprio recorrente afirma que se trata de "preparações", ou seja, de misturas, conforme se verá adiante), efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 65. A "RGI 2 b)" diz respeito, especificamente, às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e a sua Nota Explicativa X afirma que os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1, como afirma o recorrente. Tal afirmativa, no entanto, é irrelevante para o presente caso, pois não se nega, em momento algum, que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, como requer a RGI 1. 66. A questão decisiva para este caso é saber se todas as mercadorias enviadas pela RECOFARMA para o recorrente devem ser classificadas como mercadoria única, ou se cada volume acondicionado separadamente deverá ter sua própria classificação, a qual será feita, obviamente, em qualquer dos casos, de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, como requer a RGI 1. 67. O objetivo da "RGI 2 b)" é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias, como afirma a própria Nota XI. Contudo, a Nota XII deixa claro que esta Regra não amplia o alcance das posições a ponto de poder nelas incluir mercadorias nas quais se adicionam outras matérias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. 68. Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, devem classificarse conforme as disposições da Regra 3. A Nota Explicativa XIII é literal nesse sentido. Mesmo que a tese da recorrente sobre considerar todos as partes acondicionadas separadamente como mercadoria única fosse correta, ainda assim seria necessário valerse da RGI 3, pois as "preparações" são misturas suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições. 69. Neste ponto, fazse necessário comentar a alegação do recorrente de que a RGI 3 seria dispensável, pois existe uma posição específica para a mercadoria, a 2106.90.10 Ex. 01, sendo aplicável, automaticamente, a RGI 1. 70. De acordo com o texto da posição, e seguindo o que determina a RGI 1, para que uma mercadoria se classifique no Ex 01 do código 2106.90.10, deve apresentar as seguintes características: a) que seja uma preparação "composta"; b) que não seja alcoólica; c) que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado; d) que seja própria para Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.241 47 elaboração de bebida da posição 22.02; e) que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. 71. A fiscalização entendeu que as mercadorias adquiridas pelo recorrente junto à RECOFARMA não atenderiam às características "a", "c" e "e". Logo, não poderiam ser classificadas na posição 2106.90.10 Ex. 01, nem mesmo sendo classificadas individualmente. 72. Em relação a se tratar de uma preparação composta, entendo que assiste razão ao recorrente. A Autoridade Fiscal afirma que "preparação" é a mercadoria que esteja preparada, pronta para uso pelo adquirente. No entanto, não informa qual a fonte de que se utiliza para fazer tal afirmação, que contraria o próprio Laudo por ele utilizado para classificar as mercadorias, o qual se refere às Partes 1, 2A, 2B e 3 como sendo "preparação". 73. Além disso, o art. 29 do Decreto nº 6.871, de 04/06/2009, que regulamenta a Lei nº 8.918/94, a qual dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, traz outro conceito para o que seja um "preparado": Art. 29. Preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante é o produto que contiver suco ou extrato vegetal de sua origem, adicionado de água potável para o seu consumo, com ou sem açúcares. 74. Mesmo que se entenda que não existe um conceito técnico preciso do que seja uma "preparação" nas NESH, o que autorizaria a que se fizesse uso do seu sentido comum, ainda assim verificaria se tratar de "coisa preparada, composta, manipulada, obtida por meio de composição, de forma a poder ser utilizado" ou "qualquer coisa feita, equipada ou composta para determinado fim, que tenha sofrido operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço". Como "preparação química", seria uma mistura de substâncias adequadas para uma determinada experiência ou operação química. 75. Nesse sentido, teríamos uma mistura, algo que não fosse uma matéria individual. E "pronto para uso" não significa que não possa sofrer alterações posteriores, ou que tenha que se destinar a um consumidor final. Um produto intermediário, por exemplo, pode perfeitamente ser uma "preparação composta". 76. Entretanto, quando se busca analisar se tal produto seria um extrato concentrado ou sabor concentrado, tal como exige o texto da posição, constatase que assiste razão à fiscalização. De fato, como bem destacado pela Autoridade Fiscal, o art. 13, § 4º, do já citado Decreto nº 6.871/2009, especifica o que seja um produto (extrato ou sabor) concentrado: CAPÍTULO VII DA PADRONIZAÇÃO DAS BEBIDAS Seção I Das Disposições Preliminares Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.242 48 (...) § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. 77. As mercadorias adquiridas pelo recorrente junto à RECOFARMA, quando diluídas, não apresentam as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. O AuditorFiscal identificou esse fato a partir da verificação do seu processo produtivo pois, conforme o fluxograma do processo produtivo, constante do TVF, além de todas as partes que compõem os "kits" só serem misturados dentro das instalações do recorrente, também a adição de açúcar (ou de edulcorantes artificiais, no caso das bebidas "zero calorias") só ocorre nesse momento. 78. Dessa forma, não há como se tratar as partes fornecidas pela RECOFARMA, mesmo em conjunto, como um "extrato ou sabor concentrado", segundo o conceito especificado no art. 13, § 4º, do Decreto nº 6.871/2009. 79. Há, ainda, uma segunda razão para a mercadoria não ser classificada na posição 2106.90.10 Ex. 01 por aplicação automática da RGI 1, derivada do motivo acima identificado. Como os "kits" ainda não estão prontos para consumo após a simples diluição, por conta da necessidade de introdução do açúcar na preparação, sua capacidade de diluição não é superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. 80. Como determina o art. 13, § 4º, do Decreto nº 6.871/2009, o "kit", após ser diluído em, no mínimo, 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, deveria resultar em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", o que não ocorre, efetivamente. Assim, esta segunda característica, exigida pelo texto da posição 2106.90.10 Ex. 01, também não restaria atendida. 81. Claro está, portanto, que mesmo que se pudesse considerar todas as partes enviadas pela RECOFARMA como uma mercadoria única, ainda assim não seria possível utilizar a RGI 1 para sua classificação direta na posição 2106.90.10 Ex. 01, pois a sua diluição não resultaria em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", tendo em vista a necessidade de adição de açúcar ou de edulcorantes artificais, muito menos em um produto "com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". 82. Esclarecida a tese suscitada pelo recorrente, volto à aplicação das RGI's. Verificado que as "preparações" são misturas suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, para realizar sua classificação fiscal é necessário valerse da RGI 3, segundo a qual os produtos misturados classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Tratase de um método de classificação específico para produtos misturados, conforme preconiza a Nota Explicativa VI, da RGI 3 b). 83. Para verificar se é possível determinar se alguma matéria confere ao produto a sua característica essencial, analisaremos as Notas Explicativas X e XI da RGI 3 b), as quais, a meu ver, põe uma pá de cal sobre toda a celeuma: Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.243 49 X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplicase também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. 84. Observese que, na Nota Explicativa X, são dados três exemplos de produtos vendidos em conjunto, porém acondicionados separadamente: 1) camarões, pasta de fígado, queijo, bacon em fatias e salsichas de coquetel, cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; 2) bebida espirituosa da posição 22.08 e vinho da posição 22.04, cada qual em sua respectiva garrafa; e 3) café solúvel, acondicionado em um frasco de vidro, com uma xícara de cerâmica e um pires de cerâmica, porém acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. 85. A Nota afirma, de forma cristalina, que "No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada". Dessa forma, não pode ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única e recebendo uma única classificação fiscal para todo o conjunto. 86. Além disso, a Nota Explicativa XI da RGI 3 b) também não permite que mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.244 50 fabricação industrial de bebidas, possa ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única. 87. Em relação à Nota Explicativa XI da RGI 3 b) ainda há uma particularidade, bem destacada pelo AuditorFiscal, referente à análise levada a efeito pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) por ocasião da edição da precitada nota explicativa. Tal análise do CCA, juntamente com sua tradução juramentada, compõe o ANEXO V do TVF. 88. Segundo este documento, a Nota Explicativa XI da RGI 3 b) foi incluído na NESH após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira nos anos de 1985 e 1986, em resposta a consultas recebidas de países membros da organização internacional sobre a classificação de produtos com as mesmas características dos "kits para fabricação de bebidas" objeto do presente processo. 89. Da leitura do material, vemos que o referido dispositivo teve por origem consultas sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas às dos insumos adquiridos pela recorrente, inclusive bases para elaboração de FANTA (marca produzida pelas empresas do grupo CocaCola) e de um refrigerante sabor Cola. Depois de uma demorada análise, o CCA decidiu que os componentes individuais de bases para fabricação de bebidas deveriam ser classificados separadamente. 90. O texto da análise do CCA, equivale a uma detalhada exposição de motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa Nota teve por objetivo determinar que os componentes dos kits para fabricação de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. 91. Tendo em vista a existência na NESH de determinação expressa não permitindo classificar em uma única posição da TIPI os componentes individuais dos "kits" contendo ingredientes para elaboração de bebidas, a classificação destas mercadorias deve ser efetuada pela aplicação da RGI 1 sobre cada componente do kit, ou seja, cada componente segue sua classificação própria. Logo, correto, neste aspecto, o entendimento da Autoridade Fiscal. 92. Do quanto exposto neste voto, verificase que nenhum componente dos "kits", isoladamente considerado, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Não se pode atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físicoquímicas da bebida que se pretende comercializar. Logo, também nesta classificação individual nenhum dos componentes dos "kits" poderia se enquadrar no Ex. 01 da posição 2106.90.10. 93. Resta, agora, verificar se a classificação atribuída pela Autoridade Fiscal a cada uma das partes que compõem os "kits" está correta. Inicialmente, devese observar que o conteúdo de cada componente dos "kits" foi identificado através de laudo técnico elaborado pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, conforme procedimento detalhado no relatório deste acórdão. Os resultados foram apresentados no Anexo III do TVF, onde também consta, passo a passo, o procedimento realizado pelo Auditor Fiscal para classificar as mercadorias individualmente. 94. Para as partes 1, 2, 2A e 3, a Autoridade Fiscal fez a classificação na posição 2106.90.10. Com base no laudo técnico, onde se descreve a composição de cada uma Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.245 51 das partes, verificase que estas são preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas em outras posições, sendo dos tipos utilizados para elaboração de bebidas, assim como também pretende o recorrente. A diferença, entretanto, é que sua classificação não para neste ponto, pois entende que a posição mais específica seria no Ex. 01. 95. Ocorre que no próprio Anexo III a Autoridade Fiscal faz ampla demonstração de que a diluição destas partes não resultaria no produto final, logo não seriam "concentrados", como exige o texto do Ex. 01, e já bastante discutido neste voto. 96. Entendo, assim, correta a classificação fiscal atribuída pela fiscalização. 97. As demais classificações também foram amplamente detalhadas nos Anexos III e IV do TVF. Analisando tais procedimentos realizados pelo AuditorFiscal, verifiquei que se encontram em concordância com os ditames das RGI's e da NESH, e, assim sendo, concordo com a classificação apresentada e entendo desnecessária sua reprodução neste voto, podendo ser consultadas diretamente nos referidos documentos. 98. Importante ressaltar que o contribuinte, tanto em sua Impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, em nenhum momento analisou a classificação realizada pela Autoridade Fiscal e não apresentou qualquer argumento contrário, com exceção de sua tese pela manutenção da classificação por ele mesmo proposta, no Ex. 01 da posição 2106.90.10, a qual já foi rejeitada neste acórdão. 99. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. VI DA EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA 100. Alega o recorrente a impossibilidade de exigência de multa, juros e correção monetária, tendo em vista o disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária. 101. Sustenta que a Resolução do CAS n° 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico n° 224/2007, aprovou o projeto industrial para fruição do beneficio do art. 9° do DL n° 288/67 e do art. 6º do DL n° 1.435/75 ao concentrado fabricado pela RECOFARMA, bem como teria feito sua classificou na posição 21.06.90.10 EX. 01. Portanto, estaria apenas observando este ato administrativo. 102. Entretanto, o comando normativo do referido art. 100, parágrafo único, do CTN, fala em observância das normas identificadas nos seus incisos, e não de todo e qualquer ato normativo expedido por um órgão público, como a SUFRAMA, neste caso. Observese: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.246 52 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 103. Portanto, as normas cuja observância poderia, em tese, excluir a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário, são aquelas listadas nos incisos I a IV deste mesmo artigo, dentre as quais não se incluem os atos administrativos expedidos pela SUFRAMA. 104. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. VII DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA 105. 95. O Impugnante afirma, ainda, que também não seria cabível a imposição de multa em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64: Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (. . .) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado. 106. A interpretação fiscal que justificaria a incidência do dispositivo seria, no seu entender, aquela constante da decisão proferida no julgamento do recurso especial interposto no processo administrativo n° 15956.720043/201316 (Acórdão n° 9303003.517), bem como aquela constante dos Acórdãos: 0202.895, de 28.01.2008, relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; 0202.752, de 02.07.2007, relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto e 020.683, de 18.11.1997, relator Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. 107. Ocorre, no entanto, que, posteriormente à edição da Lei nº 4.502/64 foi editado o CTN (1966), que acerca do assunto assim dispôs no seu art. 100, II e parágrafo único: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.247 53 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 108. Notase, daí, que a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), tendo sido recepcionada pela Constituição Federal como a Lei Complementar a que se refere seu art. 146, à qual cabe estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, estabeleceu regra jurídica com a qual o art. 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 não é compatível. A partir da vigência do CTN, somente haverá exclusão de penalidades, juros de mora ou atualização monetária para o contribuinte que observar decisão administrativa definitiva se houver uma lei que atribua eficácia normativa às referidas decisões administrativas. E essa lei, até o presente momento, não existe. 109. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, a seguir transcrito, em parte: Decisões de Conselho de Contribuintes não constituem normas complementares da legislação tributária porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. (...) Resumese a dúvida, pois, na delimitação do âmbito de eficácia das decisões proferidas por Conselho de Contribuintes. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limita se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 110. Da mesma forma, a seguinte decisão do CARF: A) Acórdão nº 1101001.161 Primeira Seção de Julgamento 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/08/2014 Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.248 54 12 – O interessado solicita a aplicação do art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502/1964, que trata do “imposto de consumo” e, atualmente, a matriz legal do art. 567, inciso II, alínea “a”, do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010). Tal dispositivo possui a seguinte redação: (...) 13 – Inicialmente cabe destacar que o dispositivo legal trata da norma de um tributo específico e não da legislação tributária em geral. Segundo que sua aplicação precisa atender plenamente o art. 100, inciso II, do CTN, que dispõe: (...) III. DECISÕES DE ÓRGÃOS JURISDICIONAIS (...) O art. 100 do CTN é rigoroso: exige que a lei dê efetividade de caráter normativo às decisões desses órgãos, sejam singulares, sejam colegiados. Alguns desses órgãos têm importância capital, porque desempenham a função normativa cometida ao poder Executivo, como é o caso da Comissão de Política Aduaneira e do Conselho Monetário. 15 – A questão também foi abordada no Parecer Normativo CST nº 390/71, publicado no DOU de 4/8/1971: (...) 16 – Diante do exposto, concluise que as decisões do então Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não têm eficácia normativa, por faltar lei que atribua o caráter. 111. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. VIII DOS CRÉDITOS GLOSADOS NO VALOR DE R$ 5.975.044,37 112. Alega o recorrente que os créditos de IPI no valor de R$5.975.044,37 foram devidamente lançados na escrita fiscal nos l°s trimestres de 2007 e 2008, por ocasião da entrada das mercadorias no seu estabelecimento, e que o erro incorrido pela DRJ em sua decisão decorre do fato de ter estornado, por equivoco, o valor total dos saldos. 113. Afirma que o valor de R$ 5.975.044,37 não foi incluído nos pedidos de ressarcimento transmitidos em 30/04/2007 e 16/04/2008, referentes aos períodos dos l°s trimestres de 2007 e 2008, sendo este fato incontroverso no presente processo (DOCs. 14 e 15) e, por conseguinte, no caso, o estorno, com a sua reversão, não produziu qualquer efeito fiscal. 114. No entanto, ao contrário do que afirma o recorrente, houve sim a produção de efeito fiscal, qual seja, a dilação do prazo quinquenal para realizar o pedido de compensação dos créditos. Ora, como o próprio recorrente afirma, os pedidos de ressarcimento Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.249 55 referentes aos períodos em que os créditos foram escriturados não incluíram todo o saldo credor dos respectivos períodos, tendo sido efetuado a menor. Esse valor que não foi solicitado é que deu origem ao crédito extemporâneo de R$ 5.975.044,37. 115. Observese que o crédito objeto do presente litígio possui natureza jurídica de dívidas passivas da União, ou seja, direitos do sujeito passivo perante a Fazenda Pública Federal, os quais, em homenagem à segurança jurídica e à estabilidade das relações tributárias, estão sujeitos a prazo para o seu exercício. Resta, portanto, verificar qual o dispositivo legal que rege o tema. 116. Não há dispositivo tratando desta questão no Código Tributário Nacional. Nos arts. 168 e 169 desse diploma legal há apenas regra de prescrição para pedidos de restituição (repetição de indébito tributário), que não se confundem com a regra dos pedidos de ressarcimento ou de compensação, lembrando que a compensação pode se dar com o próprio IPI ou com outros tributos federais. 117. Assim, não havendo norma específica regendo a matéria, devese aplicar a norma geral de prescrição dos direitos contra a Fazenda Pública Federal, regulamentada pelo Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, recepcionado pela Constituição Federal com força de lei: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 118. Nos termos do art. 226, inciso I, c/c o art. 256, inciso I, ambos do Ripi/2010, o direito ao crédito nasce com a efetiva entrada das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem no estabelecimento industrial ou equiparado. Reproduzse abaixo os citados dispositivos: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.250 56 119. Mesmo que não seja possível de imediato o pedido de ressarcimento ou compensação com outros tributos, o direito ao crédito nasce com a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, quando se inicia seu prazo prescricional, até porque o crédito do IPI pode, desde sua escrituração, ser utilizado para compensação (dedução) com os débitos do próprio imposto. 120. Sendo assim, podese concluir que seja qual for a forma de utilização do crédito básico do IPI, o prazo prescricional para o exercício deste direito é de cinco anos, contados da data de entrada da matériaprima, produto intermediário e material de embalagem no estabelecimento industrial ou equiparado. 121. O que poderia ter sido feito, à época, era a retificação do pedido, para incluir o saldo por completo. O procedimento adotado pelo recorrente, entretanto, foi estornar esse valor e lançálo novamente em sua contabilidade em período posterior, agosto de 2014. Ocorre que o mesmo o crédito mais recente, que seria aquele obtido em 31/03/2008 (último dia do 1º trimestre de 2008), prescreveu em 01/04/2013. 122. Se fosse possível realizar o estorno de um crédito para reescriturálo posteriormente, a qualquer tempo, como pretende o contribuinte, os créditos passariam a ser imprescritíveis. Seja qual for o procedimento que o contribuinte deseje utilizar para aproveitar seus créditos contra a União, ou por dedução na própria escrita fiscal com o imposto devido, através de pedidos de ressarcimento ou de compensação, deverá fazêlo dentro do prazo prescricional de 5 anos. 123. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. IX DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 124. Sustenta o Impugnante que, ao disciplinar a incidência de juros de mora sobre débitos de qualquer natureza perante a Fazenda Nacional, o parágrafo único do art. 16 do DL n° 2.323, de 1987, dispõe expressamente que juros de mora não incidem sobre o valor da multa. 125. Afirma, ainda, que os artigos atualmente em vigor (art. 59 da Lei n° 8.383/91, e art. 61 da Lei n° 9.430/96), que disciplinam a cobrança de acréscimos legais sobre débitos para com a União Federal, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, não recolhidos no vencimento, não prevêem a possibilidade de cobrança dos juros na forma pretendida. 126. No entanto, os argumentos do Impugnante são improcedentes. Com efeito, os arts. 113, 139 e 161 do CTN deixam claro que os juros moratórios incidem não apenas sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.251 57 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 127. Da mesma forma, o art. 43 da Lei nº 9.430/96, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, tal possibilidade de incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 128. Nesse sentido segue a jurisprudência da Primeira Turma do STJ (AgRg no REsp 1.335.688/PR, julgado em 04/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser "legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário", seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, julgado em 01/09/2009). 129. No âmbito administrativo, a questão já se encontra pacificada, nos termos da Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 130. Voto por negar provimento ao pedido do Recorrente. X CONCLUSÃO Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10380.730601/201642 Acórdão n.º 3401005.943 S3C4T1 Fl. 1.252 58 Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13312.720939/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13312.720939/2011-83
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968497
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.698
nome_arquivo_s : Decisao_13312720939201183.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13312720939201183_5968497.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7636554
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663575547904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.067 1 2.066 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.720939/201183 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.698 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto DCOMP Recorrente GRENDENE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem retratar o caso em questão adoto o relatório desenvolvido pela DRJ de Brasília até aquela fase: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face da homologação parcial de compensações declaradas pela contribuinte por meio de Per/Dcomps, em face do Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em Sobral/CE, doc. de fls. 1946/1953. Conforme documentos carreados aos autos, o crédito pleiteado tem como fundamento a seguinte origem: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 12 .7 20 93 9/ 20 11 -8 3 Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 13312.720939/201183 Resolução nº 3402001.698 S3C4T2 Fl. 2.068 2 • Créditos de Cofins decorrentes de recolhimentos a maior que o devido, no valor corrigido de R$ 9.854.388,56, em 15/03/2007. Os créditos pleiteados são originários de pagamentos efetuados pela incorporada GRENDENE CALÇADOS LTDA, CNPJ 72.273.196/000107, relativamente aos períodos de apuração (PA) 02/1999 a 07/2003, reconhecidos por decisão judicial prolatada nos autos do processo judicial nº 2001.81.00.0243024, por provimento parcial concedido em Recurso Extraordinário, com trânsito em julgado em 31/03/2006, que deu razão à contribuinte para afastar o alargamento da base de cálculo da Cofins, previsto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/88. Referidos créditos foram habilitados por meio do processo administrativo nº 13312.000349/200673, cujas principais peças vão acostadas às folhas 23 a 154. As declarações de compensações em questão foram analisadas por Informação elaborada pela Seção de Arrecadação e Cobrança (SARAC) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sobral (CE), que serviu de base para a lavratura do Despacho Decisório em tela, assinado digitalmente em 09 de março de 2012, no qual foram homologadas parcialmente as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento parcial do direito creditório postulado pela contribuinte. Consoante informação contida no Despacho Decisório, foi feita revisão dos cálculos elaborados pela contribuinte, no sentido de proceder à nova apuração da base de cálculo da contribuição devida, com base exclusivamente no seu faturamento, tendo sido excluído os valores das receitas financeiras, compostas de juros ativos e de clientes, descontos ativos, receitas de aplicações financeiras e variações monetárias ativas, e de outras receitas, aí incluídas as receitas decorrentes de recuperação de custos e de despesas, ressarcimento de despesas, ressarcimento de IPI, receita de aluguéis e arrendamento, de contrato de mútuo, bonificações em mercadorias, receitas de convênio com o SESI e receita de venda de sucata. A autoridade administrativa consigna em seu relatório que “uma vez que não foram identificadas inconsistências entre os valores escriturados e/ou apurados internamente nas declarações apresentadas (DIPJ, DCTF, e DIRF) e aqueles compilados no demonstrativo de folhas 1881 a 1906, que pudessem alterar as bases de cálculo demonstradas nas planilhas apresentadas pelo contribuinte (fls. 48/49), estas são aceitas integralmente nesta análise”. (grifei) Assim, evidenciase que foram aceitos no Despacho Decisório os novos valores apurados de Cofins, calculados com base no faturamento da contribuinte, os quais configuraramse como maiores que os devidos, mas que para materialização do indébito tornase necessário a verificação dos valores pagos mediante DARFs e/ou compensação. Em sequência a autoridade administrativa assevera que a quase totalidade dos débitos declarados em DCTF, relativamente aos períodos em análise, foram extintos por pagamentos e/ou por compensação, conforme retratado no Anexo I da Informação Fiscal, doc. de fls. 1907/1914. Por outro lado, em relação aos fatos geradores dos meses de maio e julho de 2003, a autoridade fiscal identificou que não ocorreu a extinção dos débitos, em face de compensações não homologadas, conforme trechos da Informação Fiscal a seguir reproduzidos: Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 13312.720939/201183 Resolução nº 3402001.698 S3C4T2 Fl. 2.069 3 “No caso do primeiro (05/2003), foram compensados por meio dos processos de números 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993, os valores de R$ 1.650.000,00 e R$ 289.448,45, respectivamente. Tais compensações, no entanto, não foram homologadas. O contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, a qual foi indeferida. Atualmente os processos encontramse pendentes de apreciação de Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim sendo, tais valores não ajudam a compor crédito do período”. “Quanto ao débito do PA 07/2003, o valor de R$ 466.407,07 foi compensado por meio da Dcomp nº 24267.85722.150803.1.3.015072 (tratada por meio do processo nº 13312.900189/200664). Tal compensação foi homologada parcialmente, extinguindo o valor de R$ 421.248,89 do débito compensado. Em julgamento da manifestação de inconformidade interposta, a autoridade julgadora reconheceu crédito adicional a favor do contribuinte, no valor de R$ 3.200,49, o que implica no reconhecimento da extinção adicional do débito naquele mesmo valor. Assim sendo, o total compensado do débito, aceito na presente análise, corresponde R$ 424.449,38”. Com base nesses fatos, a autoridade administrativa reconheceu o direito creditório no montante de R$ 5.085.772,26, homologando parcialmente as compensações realizadas pela contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório em 13/03/2012, doc. de fls. 1.958, a contribuinte apresentou em 11/04/2012, manifestação de inconformidade de fls. 1.966/1979, na qual, alega em apertada síntese, o seguinte: • Inicialmente assevera a liquidez dos créditos pretendidos, reproduzindo planilha intitulada “Demonstrativo do Crédito”, onde se encontra evidenciado os valores devidos a título de Cofins, com base no resultado do processo judicial nº 2001.81.00.0243024, que determinou a utilização do faturamento como base de cálculo de citada contribuição, no período de fevereiro de 1999 a julho de 2003. Nesse ponto, deve ser destacado que os valores dos débitos recalculados pela contribuinte foram aceitos pela autoridade administrativa, e foram utilizados no Anexo II do Despacho Decisório no demonstrativo intitulado “Processo 13312.720939/201186 – Demonstrativo de Apuração dos Créditos”, doc. de fls. 1915/1919 • Entende que a inexistência de homologação definitiva das compensações promovidas para quitar os débitos relativos ao período em discussão teria o condão de invalidar a repetição do indébito, tendo em vista que tais homologações encontramse, ainda, em discussão administrativa, não podendo, assim, agir o Fisco como se já tivessem sido negadas, sob pena de cobrar duas vezes o mesmo valor – a primeira vez por meio da negativa das compensações originárias e a segunda através do presente Despacho Decisório. • No tocante ao débito relativo ao mês de maio de 2003, entende que houve a sua extinção com base nas compensações veiculadas nas Declarações de Compensações inseridas nos processos nº 13312.000181/200949 e nº 13312.000182/200993, pois de conformidade com o art. 76, § 2º, da Lei nº Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 13312.720939/201183 Resolução nº 3402001.698 S3C4T2 Fl. 2.070 4 9.430/96, “a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”. Nesse ponto, entende a contribuinte que, enquanto ainda não tiver transcorrido o prazo legal de que dispõe o Fisco para promover a análise da compensação promovida pelos contribuintes, não há como fugir da literalidade da lei e negar a extinção do crédito tributário. Com relação a esse último ponto, a contribuinte apresenta entendimento sobre os efeitos da compensação no crédito tributário, com base em trechos da lavra de Leandro Paulsen e de Luis Eduardo Schoueuri, para fundamentar seu entendimento de que havendo discordância da autoridade tributária acerca da compensação, por meio de despacho decisório, restará ausente a “condição resolutória” mencionada na legislação, o que, contudo, não torna correta a assertiva de que o tributo não fora extinto, se houver manifestação de inconformidade e eventualmente recursos questionando a decisão de primeira instância, situação que manterá a condição de extinção do tributo, até o momento em que se tornar definitivo o pronunciamento no âmbito administrativo, situação que se aplica ao fatos geradores ocorridos no mês de maio, cujos processo encontramse pendentes de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF). Afirma, ainda, que qualquer questionamento acerca dos créditos apresentados pela manifestante, no tocante à falta de homologação das originárias compensações, deveria ter sido esgrimido pela Procuradoria da Fazenda Nacional no bojo da ação judicial, e se tal fato não foi feito, entende que restou constituído provimento judicial que não excepciona qualquer crédito tributário havido dentre o interregno examinado pelo poder judiciário (1999 a 2003), sendo irrelevante se tal crédito foi extinto por pagamento ou por compensação, pois agindo dessa forma a RFB estaria violando a coisa julgada de que dispõem os arts. 5º, inciso XXXVI, da CF/88 e 467 do Código de Processo Civil. Ao final, requer a contribuinte seja reformado o Despacho Decisório, e, de forma subsidiária, pede a suspensão da presente manifestação de inconformidade até o final pronunciamento do CARF quanto ao Recursos Voluntários apresentados nos processos nº 13312.000181/200949 e nº 13312.000182/200993. Por meio do acórdão nº 0360.403, de 14 de abril de 2014 (fls1994 a 2003), a 2ª Turma da DRJ/BSB julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório no valor original, utilizável nas compensações declaradas nos PER/DCOMPs dos autos, conforme demonstração a seguir: O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 13312.720939/201183 Resolução nº 3402001.698 S3C4T2 Fl. 2.071 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DE CRÉDITO DECORRENTE DE COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado com base em compensações não homologadas não pode ser aceito, por não ter se configurado a extinção do crédito tributário, inviabilizando a configuração do indébito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 2007 a 2041), requerendo a reforma do acórdão da DRJ no ponto que homologa parcialmente a compensação declarada por meio da DCOMP 42558.19953.180507.1.3.54 1305, alegando a liquidez dos créditos pleiteados e a insubsistência dos fundamentos adotados pela fiscalização; e, subsidiariamente, a suspensão do exame de seu recurso voluntário até o julgamento final dos processos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993. O processo foi originalmente distribuído ao Conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que propôs a vinculação do presente aos processos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993, nos termos do despacho de fls. 2.046 a 2.049, confirmado pelo Despacho de Encaminhamento (fls.2050). Entretanto, tal providência não foi adotada, e o processo foi posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Como visto do relatório acima, um dos fundamentos trazidos pela autoridade fiscal para a não homologação da compensação declarada foi a constatação de que os valores devidos relativos ao período de apuração de maio de 2003 foram objetos de compensações não homologadas nos processos de números 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993. O contribuinte, em seu recurso voluntário, alega a necessidade de suspensão do presente processo até o final pronunciamento do CARF quanto aos recursos voluntários apresentados nos processos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993. Assiste razão à Recorrente. Havendo compensações não homologadas, para as quais restam recursos voluntários interpostos pendentes de julgamento neste Conselho, relativas a maio de 2003, Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 13312.720939/201183 Resolução nº 3402001.698 S3C4T2 Fl. 2.072 6 objeto dos processos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993, é imperativo o julgamento anterior desses processos para a decisão do presente caso. Percebese, pois, que há uma íntima relação entre o caso decidendo e os processos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993 que, na hipótese da glosa do saldo credor lá realizada vir a ser estornada, tal estorno impactará, diretamente, no resultado da presente lide. Tratase, pois, de típica hipótese de prejudicialidade externa, nos temos que dispõe o art. 313, inciso V, alínea "a" do CPC/20151. Tal constatação já foi feita pelo i. Conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, que propôs a vinculação do presente aos processos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993, nos termos do despacho de fls. 2.046 a 2.049, confirmado pelo Despacho de Encaminhamento (fls.2050). Infelizmente, tal providência não foi adotada. Conforme já resolvido por esta turma julgadora em outro caso de relatoria do i.Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o reconhecimento desta prejudicialidade tem por escopo evitar decisões conflitantes entre si e, por conseguinte, ofensivas às ideias de integridade das decisões de caráter judicativo (art. 926 do CPC) e, em última análise, ao princípio da segurança jurídica. Não obstante, há também que se reconhecer que este Relator está prevento para o julgamento de ambos os processos, que se encontram na equipe “DFMFCARFCEGAP DISORCA03/Gestão dos Lotes para Redistribuir/Novo Sorteio”, na atividade “Preparar e Instruir Processo / Dossiê”, desde o dia 04/05/2018. Diante deste quadro, resolvo por sobrestar o julgamento do presente processo na câmara, até que seja para mim distribuído, por dependência, os processos administrativos 13312.000181/200949 e 13312.000182/200993, para julgamento em conjunto. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes 1 Art. 313. Suspendese o processo: (...). V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; (...). Fl. 2072DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720992/2016-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ART.124, I do CTN. ATRIBUIÇÃO NÃO CONFIGURADA.
De se afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes do polo passivo da obrigação tributária quando não restar comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN.
Numero da decisão: 1401-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido do Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshingue Tanaka e João Eusébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa, haja vista que tais Contribuintes não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso dos Contribuintes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza - ME e Vandro Carlos Bortolanza, então arrolados como responsáveis solidários, para excluí-los do pólo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ART.124, I do CTN. ATRIBUIÇÃO NÃO CONFIGURADA. De se afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes do polo passivo da obrigação tributária quando não restar comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13161.720992/2016-60
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975622
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.128
nome_arquivo_s : Decisao_13161720992201660.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
nome_arquivo_pdf_s : 13161720992201660_5975622.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido do Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshingue Tanaka e João Eusébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa, haja vista que tais Contribuintes não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso dos Contribuintes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza - ME e Vandro Carlos Bortolanza, então arrolados como responsáveis solidários, para excluí-los do pólo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7665631
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663579742208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.860 1 4.859 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720992/201660 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.128 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA. ME, VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME e VANDRO CARLOS BORTOLANZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ART.124, I do CTN. ATRIBUIÇÃO NÃO CONFIGURADA. De se afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes do polo passivo da obrigação tributária quando não restar comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido do Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshingue Tanaka e João Eusébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa, haja vista que tais Contribuintes não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso dos Contribuintes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza ME e Vandro Carlos Bortolanza, então arrolados como responsáveis solidários, para excluílos do pólo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 09 92 /2 01 6- 60 Fl. 4860DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão de nº 02 77.652, proferido pela Quarta Turma da DRJ/BHE em que julgou improcedente a impugnação apresentada pelos Responsáveis Solidários, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. A seguir transcrevo o relatório do voto condutor da DRJ: Lançamentos Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 04 a 66, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 18.136.939,36, assim discriminado: TRIBUTO JUROS MULTA TOTAL IRPJ 1.995.469,66 1.059.460,79 2.993.204,48 6.048.134,93 CSLL 908.761,34 482.627,14 1.363.142,00 2.754.530,48 COFINS 2.524.337,05 1.361.163,60 3.786.505,53 7.672.006,18 PIS 546.939,64 294.918,70 820.409,43 1.662.267,77 18.136.939,36 Segundo a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, as fls. 10 e 11, assim como nos demais Autos de Infração, o Autor do feito registra ter procedido ao arbitramento do lucro com base na receita bruta de revenda de mercadorias, conforme relatório fiscal. Os autos de infração consignam ainda CLEISON JOSÉ DE SOUZA CAVALCANTI, CPF 581.272.08949 como responsável solidário sob o fundamento de ter agido com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatuto, bem como, ARMAZEM SÃO CAMILO LTDA ME, CNPJ 18.325.459/0001 20; GOLDEN 7 LTDA, CNPJ 08.540.688/000104; CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, CNPJ 10.761.127/000187; VANDRO CARLOS BORTOLANZAME, CNPJ 13.102.287/000102; ROSILENE FAQUES MENDONZA CAVALCANTI, CPF 596.391.56191; VANDRO CARLOS BORTOLANZA, CPF 707.881.97053; DENILSON GONÇALVES, CPF 404.560.56149; ÉLIO TOYOSHIGUE TANAKA, CPF 203.640.83115; JOÃO EUZÉBIO STAUDT, CPF 391.094.02187, sob o fundamento de terem interesse Fl. 4861DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.861 3 comum na obrigação tributária, conforme relatório fiscal em anexo. Relatório Fiscal Os procedimentos e verificações realizados no curso da ação fiscal, bem como as conclusões que dela resultaram, estão relatados no “Relatório Fiscal” de fls. 883 a 934, e sub dividese nos tópicos a seguir enumerados. 1. Do Procedimento Fiscal Informa que cientificou o início do procedimento fiscal à interessada por meio de Edital, tendo em vista que restou infrutífera a diligência realizada para esta finalidade, no domicílio tributário da contribuinte constante no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, pois não foi possível localizar a empresa em tal local. Acrescenta que protocolizou o processo 13161.721546/201591 contendo representação fiscal para fins de baixa "exofficio" da inscrição no CNPJ do fiscalizado. 2. Da análise dos fatos Informa que: "A empresa fiscalizada, com exceção dos anoscalendário 2012, 2014 e 2015, nos quais não apresentou declarações, sempre apresentou declarações como inativa, apesar de emitir notas fiscais e ter movimentações financeiras de valores expressivos. Além disso, nunca apresentou a Guia de Informações de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP) nem a Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF). Em consulta à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), também não há informação sobre qualquer vínculo trabalhista dessa empresa." Apresenta tabela contendo movimentação financeira e valor emitido de notas fiscais eletrônicas da empresa fiscalizada entre os anos de 2011 e 2015, cujos valores totais movimentados e de emissão de notas fiscais ultrapassam o montante de R$ 370.000.000,00. Informa divergência nas informações de endereço e telefone constante nos cadastros da RFB e documentos obtidos pela fiscalização referente a fiscalizada e seu responsável legal. Por outro lado, informa ter o mesmo numero de telefone constante nas notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada e constante no CNPJ das empresas ARMAZÉM SÃO CAMILO LTDA e GOLDEN 7, cuja sócia é a sra. Rosilene, esposa do sr. Cleison. Acrescenta ainda que: Fl. 4862DF CARF MF 4 "Ainda segundo este termo de constatação, tendo em vista as tentativas improfícuas de localização da Armazém São Camilo, foram realizadas ligações telefônicas ao contador responsável e este informou que poderiam ser obtidas informações sobre a empresa em questão na Golden 7. Ao chegarmos nesta empresa, não conseguimos localizar o senhor Cleison e a senhora Rosilene, porém fomos informados que eles são os proprietários. Cumpre salientar ainda que as três empresas descritas têm o mesmo contador, senhor Antônio Pereira, CPF: 028.338.32168, com escritório comercial à Rua Melvin Jones, 1247, em Fátima do Sul – MS, telefones: (67) 3467 1856." 3. Dos demais responsáveis solidários O autor do feito lista os responsáveis solidários identificados na fase de fiscalização. 3.1 Das Diligências realizadas Cita diversas diligências fiscais em fornecedores, clientes, tabelionatos e outras pessoas físicas e jurídicas com ela relacionadas. 3.2 Da requisição sobre informações de movimentação financeira (RMF) Esclarece que "tal pedido se fez necessário devido ao fato do responsável legal da fiscalizada ter indícios de ser pessoa interposta de fato." Após introdução justificando os motivos que embasaram o pedido de emissão da RMF acrescenta que: "Assim, de posse dos documentos obtidos com as instituições financeiras nas quais a fiscalizada possui conta, verificouse que durante o período de 2011 a 2015 ela enviou recursos de sua conta corrente no total de R$ 266.980.186,50 e recebeu o total de R$ 230.249.939,04. Dos recursos retirados, o montante de R$ 24.310.754,22 (aproximadamente 9,1%) foi destinado a empresa Escobar & Rodrigues LTDA, sendo esta a maior destinatária dos recursos da fiscalizada. Cumpre ainda salientar que essa empresa não consta como fornecedora da fiscalizada (não há emissão de notas fiscais eletrônicas de vendas da Escobar para fiscalizada). Também foi possível verificar movimentações financeiras da fiscalizada com a senhora Rosilene Faques Mendonza Cavalcanti (esposa do senhor Cleison), com o senhor Cleison, com os senhores Denilson Gonçalves, Elio Toyoshigue Tanaka e João Euzebio Staudt (exsócios da Golden 7), com o senhor Vandro Carlos Bortolanza (procurador da empresa e sócio administrador da Centro Oeste), com a empresa Centro Oeste Transportes e Grãos LTDA e com as empresas Armazém São Camilo e Golden 7 (que tem a senhora Rosilene como sócia administradora). Os valores movimentados e os beneficiários e/ou ordenantes estão discriminados no anexo I do presente relatório fiscal. Fl. 4863DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.862 5 Ainda foi possível verificar, nos cadastros fornecidos pelos Bancos Bradesco, Itaú e Santander, o telefone da Golden 7, (67) 3467 4223, como sendo o da fiscalizada. No caso do Sicredi, em uma das fichas de proposta de abertura de conta o número de telefone é (67) 8115 – 5535 (telefone constante em contratos de venda como contato do senhor Vandro). Neste caso a assinatura existente na ficha de cadastro, provavelmente, não é do senhor Cleison. Na outra ficha o telefone constante é (67) 3467 – 4253 (Golden 7)." 3.3 Demais Fatos Constatados Informa que constatou compra de combustível por parte da fiscalizada, cujas notas fiscais foram emitidas pelo Posto Cruzeirão e Heloa Auto Posto Ltda, porém nas notas constavam como endereço da contribuinte o antigo endereço da Centro Oeste Transporte e Grãos LTDA ME no município de Caarapó MS. Ressalta que o sr. Vandro Carlos Bortolanza é sócio da empresa Centro Oeste Transporte e Grãos LTDA ME com 99% do capital social, sendo a outra sócia, a sra. Rosineide Gonçalves Alen, que é funcionária da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME de propriedade do sr. Vandro. 3.4 Das conclusões obtidas e do "Modus Operandi" O autor do feito relaciona "vários fatos que comprovam que as pessoas físicas e jurídicas relacionadas como solidárias se confundiam, sendo que há a utilização de telefones, funcionários e estrutura administrativa uma das outras". 4. Da responsabilidade solidária por interesse comum Após discorrer sobre a matéria conclui pela "existência de um grupo econômico que, por uma sucessão de atos, previamente ordenados, sob a atuação de pessoas que, sem ligação formal com as Pessoas Jurídicas analisadas, demonstraram ter representação com poder de domínio sobre os resultados econômicos do grupo, justificando sua inserção nos termos de sujeição passiva solidária que instruem o presente processo". 4.1 Da responsabilidade solidária dos diretores Justifica a inclusão no pólo passivo das pessoas físicas: Cleison José Cavalcanti e sua cônjuge Rosilene Faques Mendonza Cavalcanti e os senhores Vandro Carlos Bortolanza, Denílson Gonçalves, João Euzebio Staudt e Elio Toyoshigue Tanaka, alegando que estes se beneficiaram do não pagamento de tributos, inclusive financeiramente, agindo além do que determina a Lei, através de declarações de tributos inexatas, quando apresentadas e criando várias empresas sem estrutura operacional para funcionar utilizando a estrutura de terceiros. 5. Da omissão de receita e do lançamento de ofício Fl. 4864DF CARF MF 6 Que a fiscalizada apresentou declaração como Inativa no período fiscalizado, mas conforme notas fiscais eletrônicas emitidas com a Escrituração Fiscal Digital, temse que a mesma teve atividade operacional, além de ter tido atividade financeira conforme demonstrado anteriormente. Que conforme o faturamento apurado, verificouse que a contribuinte estava obrigada pela tributação pelo lucro Real e com isso à Escritura Contábil Digital (ECD). Que a mesma teve ciência do termo de início do procedimento fiscal em 30 de janeiro de 2015, mas não apresentou os elementos contidos no termo, entre eles os livros contábeis e que o prazo para a apresentação da ECD se encerrou no último dia útil de junho de 2012. Com isso, aplicouse o arbitramento do Lucro para a apuração do IRPJ e CSLL. 5.1 Da Apuração de PIS e COFINS Informa que ficou comprovado nos autos a inexistência de fato da fiscalizada e sua incapacidade operacional, motivo pelo qual a mesma não teria direito à suspensão do PIS e Cofins concedida a empresa cerealista que exerce as atividades previstas no inciso I do §1º do art. 8º da Lei 10.925/2004. 6. Da Multa de Ofício Relata que não restou dúvidas quanto a conduta dolosa da interessada, motivando a majoração da multa de ofício. Impugnação Os devedores solidários CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA ME, CNPJ 10.761.127/000187; VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME, CNPJ 13.102.287/000102 e VANDRO CARLOS BORTOLANZA, CPF 707.881.97053, apresentaram impugnação conjunta com data de protocolo de 17/01/17. Como foram cientificados em 16/12/16 (sextafeira) e 23/12/16, a impugnação apresentada é tempestiva. Na impugnação apresentada, após sintetizar as razões que motivaram o lançamento e informar sobre a tempestividade da contestação, os devedores solidários alegam, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: que o impugnante, sr. Vandro Carlos Bortolanza, não detinha qualquer poder de mando, administração ou qualquer outra espécie de relação com a empresa fiscalizada, atuando apenas como corretor responsável junto a alguns dos clientes da referida empresa; que foi em razão da condição de corretor que seu nome, telefone pessoal e endereço eletrônico aparecem em diversos contratos firmados com algumas das empresas adquirentes (clientes); que nem todos os negócios realizados pela contribuinte eram intermediados pelo sr. Vandro; Fl. 4865DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.863 7 recorda o art. 722 do Código Civil ao definir o contrato de corretagem; que a própria firma fiscalizada, assim como alguns produtores rurais prestaram declaração por escrito, com firma reconhecida, afirmando a atividade de corretagem realizada pelo impugnante Vandro Carlos Bortolanza (doc. 7); que a alegação da autoridade fiscal de que terseia verificado que a empresa fiscalizada se utilizaria de funcionários da firma individual Vandro Carlos Bortolanza ME é absolutamente desprovida de sentido, razão e provas; por causa do contrato constante às fls. 244, datado de 27/01/2010, onde consta o nome de "Izaura" com a indicação de um telefone, ambos redigido à caneta; e também outros 2 contratos às fls. 250/251 e 256/257, ambos datados de 2012, constando o mesmo nº de telefone e endereços de email de Wagner e Izaura, a autoridade concluiu pela utilização de funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME por parte da fiscalizada; em paralelo, a conclusão da dita "confusão administrativa" decorreria ainda do fato de no ofício de fls. 289/290, a COOPERATIVA DE PRODUÇÃO E CONSUMO DE CONCÓRDIA ter informado que fazia contato nos emails da Sra. Izaura e da Sra Cleonice; que os emails poderiam estar cadastrados junto à informante pelos motivos mais diversos, sendo que isso, por si só, é incapaz de atrair a solidariedade passiva por interesse comum; quanto a questão da nota fiscal de compra de combustível com o nome da fiscalizada e endereço residencial do impugnante Evandro, alega que não consta nos autos tal documento, não sendo possível confrontálo, verificar a data de sua emissão etc; se acaso realmente exista tal documento, o endereço pode ter constado na nota fiscal por informação prestada pelo motorista do caminhão contratado para efetuar o transporte da carga; quanto às procurações outorgadas pela empresa fiscalizada ao sr. Vandro, que estas conferiamlhe poderes, única e exclusivamente, para movimentar a conta corrente SICREDI, agência 09032, conta 24.2373; que a existência de tais documentos, por si, não permitem que o sr. Vandro tenha qualquer poder decisório, de mando ou de representação da empresa fiscalizada, tendo finalidade meramente administrativa, a fim de viabilizar a administração da referida conta corrente, de modo que o sr. Vandro pudesse, de modo mais célere, efetuar os pagamentos e recebimentos dos contratos por ele intermediados; que as procurações continham prazo de validade determinado de 180 dias, caso fosse coproprietário, administrador, gestor ou Fl. 4866DF CARF MF 8 tivesse qualquer outro tipo de relação de mando e poder, certamente a procuração seria conferida por prazo indeterminado ou a empresa fiscalizada darlheia poderes para administrar as outras contas correntes da empresa, bem como lhe daria poderes de gestão e/ou representação; questiona o fato de existir outra procuração conferindo ao sr. Lício Davalos os poderes para movimentar conta corrente junto ao banco Itaú, a fim de demonstrar que o sr. Vandro não recebeu procuração para as demais instituições financeiras onde a fiscalizada possuía conta; ilustra um exemplo da sociedade de advogados que representa os impugnantes, em que uma funcionária não sócia possui procuração junto ao Banco do Brasil onde o escritório possui conta corrente; com relação as transferências financeiras, alega que a impugnante, CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, não recebeu no ano de 2011 a quantia de R$ 6.099.326,88 da fiscalizada e nem enviou para a mesma o importe de R$ 189.600,00 contida no Anexo I do Relatório Fiscal; que em consulta ao banco Bradesco, este encaminhou o extrato completo referente ao período de 01.01 a 31.12 de 2011 (doc. 13), onde constatase que a CENTRO OESTE efetuou transferência à fiscalizada no valor de R$ 38.000,00 e recebeu da mesma o importe de R$ 94.800,00 via transferência bancária; que a planilha constante no Anexo I do Relatório Fiscal não possui nem mesmo o documento encaminhado pelo banco capaz de dar suporte à informação contida na planilha; que há de fato transferências financeiras entre os impugnantes e a fiscalizada, decorrente de suas relações comerciais existentes entre eles, mas que o valor envolvido é irrisório frente a quantia apresentada pela fiscalização; que tal fato não configura o "interesse comum" nem se presta para certificar a ocorrência da alegada "confusão patrimonial"; informa que há confusão patrimonial quando não se pode distinguir os direitos e obrigações pertencentes à pessoa jurídica daqueles relativos às pessoas dos sócios que a integram, conforme art. 50 do código Civil; que no caso da fiscalizada é inaplicável qualquer idéia de confusão patrimonial, vez que se trata de registro de empresário, não tendo limitação da responsabilidade, de modo que o patrimônio da firma individual e do seu titular consiste em uma coisa só; que a alegação de solidariedade pelo fato de que a impugnante CENTRO OESTE teria dado continuidade as suas atividades depois da fiscalizada ter se tornado inativa, e ainda, incrementado o seu faturamento, é uma falácia; Fl. 4867DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.864 9 que o que ocorreu foi que o impugnante Vandro, tendo tido experiência no mercado de trabalho na corretagem, vislumbrou e constituiu sua própria empresa para trabalhar no setor, deixando de ser corretor e passando para o segmento da comercialização como cerealista; que todas as operações dos impugnantes são devidamente documentadas e seus patrimônios integralmente declarados e conhecidos; cita lições doutrinárias e julgados judiciais e administrativos para explicar o significado de "interesse comum"; defende que os impugnantes não podem ser responsabilizados solidariamente por interesse comum com a fiscalizada, pois não realizaram, nem isolada, nem conjuntamente com a empresa fiscalizada os fatos jurídicotributários do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; que os documentos acostados nos autos pela autoridade fiscal demonstram apenas que o impugnante Vandro fazia a intermediação de negócios em favor da empresa fiscalizada; que não há qualquer tipo de vinculação da fiscalizada com a firma individual Vandro Carlos Bortolanza ME, conhecida no mercado como Transportadora Bortolanza; que também não há qualquer tipo de vinculação entre a fiscalizada e a impugnante CENTRO OESTE, como quer fazer crer a autoridade fiscal; que se acaso for superada a tese pelo afastamento da responsabilidade solidária dos impugnantes, o que não se espera, discorda do posicionamento da autoridade fiscal quanto a suspensão do benefício fiscal do PIS e COFINS concedido no art. 9º da Lei 10.925/2004, vez que a fiscalizada exercia cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos por ela comercializados; que a comercialização é inerente ao próprio objeto social da empresa; que os contratos anexados pela autoridade fiscal às fls. 207309 provam que as atividades de limpeza e padronização também eram realizados por ela; que, por evidente, ela realizava a armazenagem dos produtos pelo período de tempo necessário à realização do beneficiamento; não fosse assim, seria impossível cumprir os contratos pactuados tanto com os fornecedores como com as empresas compradoras; que a despeito de a fiscalizada ter um escritório em Fátima do Sul, possuía sede operacional exatamente no endereço constante no seu CNPJ (Doc. 14); que a alegação da autoridade fiscal de que a fiscalizada inexistiria de fato e não possuiria capacidade operacional está amparada em documento fiscal redigido equivocadamente em Fl. 4868DF CARF MF 10 decorrência de erro de localização por parte das autoridades fiscais; que no termo de constatação fiscal constante às fls. 7273, consta que a diligência ocorreu em localização distinta onde seria a sede da fiscalizada; que o endereço diligenciado foi na Rodovia Dourados/Caarapó (BR163), Km 15, entrada à esquerda e segue 6km, mas que a Rodovia Dourados/Caarapó não é a BR 163 e sim a MS156 que liga por via não asfaltada as referidas cidades; que nestes termos, evidente está que a fiscalizada cumpria todas as atividades (limpar, padronizar, armazenar e comercializar) o milho por ela vendido, de modo que faz juz ao benefício fiscal da suspensão de incidência do PIS/COFINS; que o preceito legal não prevê que a realização das citadas atividades deve ocorrer em estabelecimento próprio da cerealista e que o artigo 111 do CTN prevê que tais normas devem ser interpretadas literalmente; Com relação ao IRPJ e CSLL alega que a autoridade fiscal arbitrou o lucro quando deveria ter apurado pelo lucro real; que a receita bruta foi apurada a partir da análise e soma das notas fiscais de saída eletrônicas (NFe), porém estas não foram juntadas aos autos; que a apuração do lucro real deverá ser realizada deduzindo se o valor das compras efetuadas pela empresa fiscalizada no período compreendido entre 01/2011 e 12/2011; que os documentos necessários para a apuração do valor das compras são as notas fiscais eletrônicas de entrada, sendo imprescindível a análise e cotejo destas com as notas fiscais eletrônicas de saída, a fim de se obter o lucro real auferido pela fiscalizada, para então determinar a base de cálculo para fins de incidência do IRPJ e CSLL; que os impugnantes requerem, nos termos dos arts. 35 a 37 do decreto federal n° 7.574/2011, seja diligenciado a juntada, pelo Fisco Federal, aos autos do presente processo administrativo das notas fiscais de entrada e de saída (visto que estas não foram anexadas aos autos), referente à empresa fiscalizada no período compreendido entre 01/2011 e 12/2011, a fim de que sejam elas periciadas, eis que tais diligências e perícias são imprescindíveis para que se determine a base de cálculo do IRPJ e CSLL; Resolução/Diligência Em atenção as alegações dos impugnantes de que nos autos não constavam as notas fiscais emitidas pelo Posto Cruzeirão e HELOA Auto Posto, bem como os extratos bancários que serviram de suporte para a planilha constante no ANEXO I do Relatório Fiscal, além das notas fiscais que serviram de suporte para a confecção das planilhas contidas nos Anexos II e III do relatório fiscal, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução n° 02002.117 de Fl. 4869DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.865 11 27/06/2017, para que a unidade de origem providenciasse a juntada nos autos de tais documentos. Encaminhado os autos para a unidade de origem, esta informou no Despacho de fl. 4.682 que: "Em atendimento à resolução nº 02002.117 da 4ª Turma da DRJ/BHE, fls.1107 a 1118, foram anexados os documentos considerados faltantes ao processo,conforme fls. 1119 a 4640. Após isso, foi dada ciência à interessada e aos demais responsáveis solidários de tal fato, abrindolhes prazo de 30 (trinta) dias para que se manifestassem, caso desejassem. A última ciência ocorreu em 08 de agosto de 2017, não sendo apresentado qualquer manifestação até a presente data. Posto isso, encaminho o presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG (DRJ/BHE/MG) para prosseguimento." ACÓRDÃO DRJ Pelo teor do Acórdão nº 0277.652, de 30/10/2017, proferido pela DRJ/BHE, temos que os autos de infração foram impugnados apenas por tres responsáveis solidários, no caso, a empresa Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza ME e o Sr. Vandro Carlos Bortolanza. A contribuinte juntamente com os demais devedores solidários, consignados nos Autos de Infração sob análise, não apresentaram impugnação, sendo inclusive lavrados termos de revelia para os mesmos, fls. 1.085 a 1.092. No voto condutor da DRJ, após transcrever as alegações dos Impugnantes (uma impugnação para todos), assim concluiu: Ocorre que, analisando a documentação anexada nos autos tem se que não merecem guarida as alegações apresentadas acima, senão vejamos. Os documentos que estavam faltando nos autos foram juntados após a diligência solicitada por meio da Resolução n° 02 002.117 de 27/06/2017. Assim, foi possível confirmar a apuração feita pela autoridade fiscal relacionada às transferências financeiras entre a empresa fiscalizada e os impugnantes Centro Oeste e Vandro Carlos Bortolanza, bem como a questão da compra de combustíveis pela contribuinte com endereço da Centro Oeste Transporte e Grãos LTDA ME no município de CaarapóMS. Com relação a utilização de funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME pela empresa fiscalizada, os próprios impugnantes confirmam este fato na impugnação, reconhecendo a constância dos nomes de dois funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME nos contratos da empresa fiscalizada. Fl. 4870DF CARF MF 12 Com relação a utilização de funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME pela empresa fiscalizada, os próprios impugnantes confirmam este fato na impugnação, reconhecendo a constância dos nomes de dois funcionários da empresa Vandro Carlos Bortolanza ME nos contratos da empresa fiscalizada. Quanto às procurações outorgadas pela empresa fiscalizada ao sr. Vandro ser de prazo limitado e apenas de uma das instituições financeiras em que a contribuinte possuía conta corrente, tal fato não faz prova a favor para os impugnantes, uma vez que restou comprovado nos autos uma organização que, além dos impugnantes, continham outras pessoas envolvidas. Portanto, a soma de todos elementos apresentados no relatório fiscal não deixam margem para dúvida quanto ao interesse comum dos impugnantes na atividade empresarial da empresa fiscalizada, devendo os mesmos permanecerem no pólo passivo como responsáveis solidários. PIS / COFINS [...] IRPJ e CSLL Os impugnantes informam que a autoridade fiscal arbitrou o lucro quando deveria ter apurado pelo Lucro Real. Que a receita bruta foi apurada a partir da análise e soma das notas fiscais de saída eletrônicas (NFe), porém estas não foram juntadas aos autos. Ocorre que a contribuinte, obrigada pela tributação pelo Lucro Real tendo em vista o seu faturamento, e à Escrituração Contábil Digital ECD conforme IN RFB n° 787/2007, não apresentou nem os livros contábeis e nem a ECD, após ser intimada para tal. Em razão disto, o lucro foi arbitrado de acordo com o disposto no inciso I do artigo 530 do RIR/99. Outrossim, temse que as notas fiscais foram juntadas nos autos após realização da diligência supracitada, sendo concedido prazo para os impugnantes se manifestarem, o que não ocorreu. CONCLUSÃO Por tudo que se encontra exposto, encaminho o meu voto no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário em cobrança, além de manter os impugnantes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda, Vandro Carlos BortolanzaME e Vandro Carlos Bortolanza como responsáveis solidários. Bem como, julgar definitiva a imputação do crédito tributário a Cleison José de Souza Cavalcanti, Armazém São Camilo Ltda ME, Golden 7 Ltda, Rosilene Faques Mendonza Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Élio Toyoshigue Tanaka e João Euzébio Staudt, por ausência de contestação nos autos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 4871DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.866 13 Os responsáveis solidários CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA. ME, VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME e o Sr. VANDRO CARLOS BORTOLANZA, apresentaram recurso voluntário, em um único recurso. Após transcrever o procedimento fiscal e parte da decisão recorrida, se pronunciaram alegando que o decidido pela DRJ simplesmente teria acompanhado o relatório da fiscalização, sem rebater os argumentos da defesa, que, portanto, seria nulo o acórdão proferido pela DRJ. Relativamente à questão da responsabilidade solidária (Item IV e IV.1), entendem ser descabida a utilização do art.124, I do CTN., porque "efetivamente não praticaram o fato gerador 'obter lucro' ou 'auferir receita' (PIS/COFINS) juntamente com a empresa fiscalizada. Nas palavras dos Recorrentes, de se reproduzir excertos do recurso voluntário: Item III.2. CENTRO OESTE TRANSPORTE E GRÃOS LTDA. AS "PROVAS" ANEXADAS AOS AUTOS. INSUFICIÊNCIA PARA DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM Fl. 4872DF CARF MF 14 Item III.3. VANDRO CARLOS BORTOLANZA E VANDRO CARLOS BORTOLANZA ME . AS "PROVAS" ANEXADAS AOS AUTOS. INSUFICIÊNCIA PARA DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM. VIOLAÇÃO AO ART.121, DO CTN. Fl. 4873DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.867 15 Outras alegações trazidas tratam da nulidade do arbitramento de lucro com relação aos Recorrentes, PIS/COFINS, suspensão com base na Lei 10.925/2004 e multa qualificada. Da presença de Patrono de outros Contribuintes na sessão. Compareceu na presente sessão, o Patrono dos Contribuintes Cleison J S Cavalcanti, Denilson Gonçalves, Elio Toyoshigue Tanaka e João Euzébio Staudt, o Dr. Harrmad Hale Rocha, OAB/MS 7.938, para sustentar oralmente suas razões de defesa. Representa Contribuintes que não lograram apresentar recurso contra a lavratura do Auto de Infração, razão pela qual não se acata tal pretensão. Voto Fl. 4874DF CARF MF 16 Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso apresentado (Despacho de fls.4854), dele conheço. Com relação à solicitação de Patrono de outros Contribuintes, para sua sustentação oral, que não apresentaram impugnação aos Autos de Infração, a presente Turma por unanimidade de votos, negou provimento ao pedido. Conforme relatoriado, a Fiscalizada CLEISON J. S. CAVALCANTI ME teve sua inscrição no CNPJ baixada de ofício, pois não localizada no seu endereço constante no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, sendo consignado o Sr. CLEISON JOSÉ DE SOUZA CAVALCANTI, CPF 581.272.08949 como responsável solidário sob o fundamento de ter agido com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatuto, assim como foram arrolados também: ARMAZEM SÃO CAMILO LTDA ME, CNPJ 18.325.459/000120 GOLDEN 7 LTDA, CNPJ 08.540.688/000104 CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, CNPJ 10.761.127/000187 VANDRO CARLOS BORTOLANZAME, CNPJ 13.102.287/000102 ROSILENE FAQUES MENDONZA CAVALCANTI, CPF 596.391.56191 VANDRO CARLOS BORTOLANZA, CPF 707.881.97053 DENILSON GONÇALVES, CPF 404.560.56149 ÉLIO TOYOSHIGUE TANAKA, CPF 203.640.83115 JOÃO EUZÉBIO STAUDT, CPF 391.094.02187 Todos acima, sob o fundamento de terem interesse comum na obrigação tributária, conforme relatório fiscal em anexo. Conforme já relatoriado, também, apenas CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, VANDRO CARLOS BORTOLANZAME e VANDRO CARLOS BORTOLANZA apresentaram impugnação e recurso voluntário. Percebese do Relatório Fiscal que o enfoque central é canalizado em considerar os Recorrentes como integrantes de um grupo econômico, por força de, principalmente, terem participado em transferências financeiras junto à Fiscalizada (CLEISON) e, também, da existência de procurações firmadas entre os Recorrentes e a Fiscalizada. De se verificar, então, o que foi apurado e que culminou com a atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes. Das Procurações outorgadas pela Fiscalizada aos Recorrentes Fl. 4875DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.868 17 No RELATÓRIO FISCAL, item 3.1.1 – DO PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL NO 3º SERVIÇO NOTARIAL E TABELIONATO DE PROTESTO – COMARCA DE FÁTIMA DO SUL, constam informações acerca de procurações públicas, as quais encontramse acostadas aos autos (fls.192 a 206). Em 2008, a Fiscalizada, representada por seu proprietário Cleison José Souza Cavalcanti, outorgou PROCURAÇÃO ao Sr. VANDRO CARLOS BORTOLANZA, no caso, em 09/10/2008, nos termos: amplos poderes para movimentar conta corrente no Sicredi, agência n°09032 e conta corrente n°24.2373, na cidade de Dourados, neste Estado, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o bom enfiei cumprimento do presente mandato. O Presente Instrumento tem validade de 90 (noventa) dias. Demais procurações acostadas, todas de mesmo teor, foram realizadas em 20/11/2009, 10/11/2010, 03/01/2013 e 03/07/2013, todas com prazo de validade de 180 dias. Consta também, neste item do RELATÓRIO FISCAL, que a empresa CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDA. ME, representada pelo seu proprietário Vandro Carlos Bortolanza, outorgou procuração ao Sr. Cleison José Souza Cavalcanti, datada de 21/05/2014, a qual lhe conferia: amplos poderes para movimentar conta corrente no Sicredi, agência n°09032 e conta corrente n°98.3241, na cidade de Dourados, neste Estado, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o fiel cumprimento do presente mandato. O Presente Instrumento tem validade de um ano. Anteriormente já havia uma procuração de mesmo sentido, em 23/01/2014: amplos poderes para movimentar conta corrente no Banco Bradesco, agência n°0203, na cidade de Fátima do Sul, nesta cidade, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o fiel desempenho do presente mandato. O Presente Instrumento tem validade de 180 (cento e oitenta) dias. De se destacar que estamos lidando neste processo com situações, fatos e documentos que devam ter relação com o ano objeto do lançamento, no caso, o anocalendário de 2011 e, em assim sendo, das procurações mencionadas, apenas a procuração lavrada em 10/11/2010 poderia ter alguma relação com os autos, pois tinha prazo de validade até 10/02/2011, ou seja, o Sr. Vandro Carlos Bortolanza estaria apto aos poderes abaixo transcritos por cerca de 40 dias. amplos poderes para movimentar conta corrente no Sicredi, agência n°09032 e conta corrente n°24.2373, na cidade de Dourados, neste Estado, dando totais poderes de fazer TED e DOC, emitir talões de cheques, enfim praticar todos os demais atos necessários para o bom enfiei cumprimento do presente Fl. 4876DF CARF MF 18 mandato. O Presente Instrumento tem validade de 90 (noventa) dias. Das Movimentações Financeiras De se ver então, a apuração fiscal acerca de eventual movimentação financeira neste período (2011), por parte dos arrolados como responsáveis solidários. Para isto, de se mostrar parte do Anexo I Movimentação Financeira (anexo ao Relatório Fiscal), naquilo que se refere aos Recorrentes: Ano Beneficiário/ordenante Relacionamento Recebimentos Envios 2011 Centro Oeste Transporte de Grãos Ltda. ME Grupo Econômico de Fato R$ 6.099.326,88 R$ 189.600,00 2011 Vandro Carlos Bortolanza Coresponsável R$ 0,00 R$ 61.380,00 Na Impugnação apresentada (relatório da DRJ): com relação as transferências financeiras, alega que a impugnante, CENTRO OESTE TRANSPORTES E GRÃOS LTDAME, não recebeu no ano de 2011 a quantia de R$ 6.099.326,88 da fiscalizada e nem enviou para a mesma o importe de R$ 189.600,00 contida no Anexo I do Relatório Fiscal; que em consulta ao banco Bradesco, este encaminhou o extrato completo referente ao período de 01.01 a 31.12 de 2011 (doc. 13), onde constatase que a CENTRO OESTE efetuou transferência à fiscalizada no valor de R$ 38.000,00 e recebeu da mesma o importe de R$ 94.800,00 via transferência bancária; que a planilha constante no Anexo I do Relatório Fiscal não possui nem mesmo o documento encaminhado pelo banco capaz de dar suporte à informação contida na planilha; que há de fato transferências financeiras entre os impugnantes e a fiscalizada, decorrente de suas relações comerciais existentes entre eles, mas que o valor envolvido é irrisório frente a quantia apresentada pela fiscalização; que tal fato não configura o "interesse comum" nem se presta para certificar a ocorrência da alegada "confusão patrimonial"; No voto condutor da DRJ, temos a sua conclusão acerca das mencionadas transferências: Os documentos que estavam faltando nos autos foram juntados após a diligência solicitada por meio da Resolução n° 02 002.117 de 27/06/2017. Assim, foi possível confirmar a apuração feita pela autoridade fiscal relacionada às transferências financeiras entre a empresa fiscalizada e os impugnantes Centro Oeste e Vandro Carlos Bortolanza.... [Grifo é deste Relator/CARF] Fl. 4877DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.869 19 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatoriado, a Recorrente Centro Oeste não nega a existência de transferências bancárias entre ela e a Fiscalizada, entretanto, não seriam, no ano de 2011, nos valores apontados no Relatório Fiscal. Relembrando, de se mostrar parte do Anexo I Movimentação Financeira (anexo ao Relatório Fiscal), naquilo que se refere aos Recorrentes: Ano Beneficiário/ordenante Relacionamento Recebimentos Envios 2011 Centro Oeste Transporte de Grãos Ltda. ME Grupo Econômico de Fato R$ 6.099.326,88 R$ 189.600,00 2011 Vandro Carlos Bortolanza Coresponsável R$ 0,00 R$ 61.380,00 Para nos certificarmos das alegações trazidas e até mesmo para averiguação do real montante envolvido então apurado pela Fiscalização, necessário uma varredura nos extratos bancários para se apurar tal valor, uma vez que nem a Fiscalização e nem a DRJ apontaram os valores individuais. Pois bem, assim, coube a este Relator navegar pelos extratos bancários para garimpar as transferências envolvendo os Recorrentes e a fiscalizada, pois, reiterese, a Fiscalização e a instância de piso não apresentaram uma relação individualizada dos valores totais (supra) apontados no Relatório Fiscal. De se mostrar, então, o resultado da pesquisa efetuada nos extratos bancários relativos às contas bancárias de titularidade de Cleison J. S. Cavalcanti ME (Fiscalizadada), naquilo que pode ter relação com os Recorrentes: a) Santander, agência 4521, c/c: 130003562: Nos extratos bancários, período de janeiro a dezembro de 2011, acostados às fls.1639 a 1682, não há referências no histórico em nome de qualquer dos Recorrentes, ano de 2011 b) Real, agência 1521, c/c: 2001629: Nos extratos bancários (às fls.1683 a 1687), relativamente ao ano de 2011, somente encontrase acostado o mês janeiro de 2011, e neste mês não há referências no histórico em nome de qualquer dos Recorrentes. c) Itaú Unibanco S/A, agência 464, c/c: 581016: Nos extratos bancários (às fls.1683 a 1687), não há extrato relativo ao ano de 2011. Consta extrato referente ao período de 25/01/2012 a 24/07/2012 e o dia 25/02/2013, e nestes períodos não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. d) Banco Cooperativo Sicred S/A, ag. 900, c/c: 20903242373: Nos extratos bancários (às fls.1688 a 1692), não há extrato relativo ao ano de 2011. Consta extrato referente ao período de 08/01/2013 a 25/02/2013, 14/04/2015 a Fl. 4878DF CARF MF 20 15/12/2015, e nestes períodos não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. e) Banco Cooperativo Sicred S/A, ag. 9525, c/c: 242373 Nos extratos bancários (às fls.1693 a 2342), relativamente ao ano de 2011, temos a seguinte composição: TED DATA Recebidas de CENTRO OESTE Enviadas p/ CENTRO OESTE 06/01/2011 20.000,00 17/01/2011 13.000,00 27/01/2011 16.000,00 31/01/2011 10.000,00 18/08/2011 6.000,00 20/09/2011 30.000,00 (*) 20/09/2011 50.000,00 (**) 23/09/2011 20.000,00 27/09/2011 12.000,00 13/12/2011 12.600,00 TOTAL 35.000,00 154.600,00 (*) Este valor consta no extrato e não o valor de R$ 35.000,00 conforme consta na tabela (pags. 10 e 11) da Recorrente no recurso voluntário. (**) Este valor consta no extrato e não constou na tabela da Recorrente. Mas, diferenças a parte, o fato é que não se tem nos autos a apuração considerada pela Fiscalização e prontamente acatada pela DRJ, a qual indicava que a Centro Oeste teria recebido R$ 6.099.326,88 da fiscalizada. Relembrando o que constou no recurso: Fl. 4879DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.870 21 Em assim sendo, devese aceitar os argumentos dos Recorrentes no sentido de se afastar esta situação, neste ano de 2011, aventada como um contundente componente que desse azo à atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes. Idem também com relação à procuração outorgada pela fiscalizada à Vandro Costa Bortolanza, pois tinha até prazo de validade até 10/02/2011. Continuando com o resultado da pesquisa nos extratos das demais contas. e) Banco Bradesco, ag. 203, c/c: 277380 Nos extratos bancários (às fls.3651 a 3718), relativamente aos anos de 2011 a 2015, não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. f) Banco Bradesco, ag. 203, c/c: 288500 Nos extratos bancários (às fls.3719 a 4640), relativamente aos anos de 2011 e 2012, não há referências nos históricos em nome de qualquer dos Recorrentes. Conforme consta no Relatório Fiscal em quadro que mostra a movimentação financeira da empresa CLEISON J. S. CAVALCANTI ME (Fiscalizada), temse para o ano calendário de 2011 as seguintes informações: Ano calendário Instituição Financeira Débito (R$) Crédito (R$) Valor de Nota Fiscais de Vendas Emitidas (R$) 2011 SICRED 20.045.893,11 27.410.883,67 2011 BRADESCO 48.501.659,93 47.069.152,58 2011 SANTANDER 612.881,21 2.190.305,47 92.877.889,33 Fl. 4880DF CARF MF 22 Tratase de uma movimentação considerável e em apenas um ano, no caso o ano de 2011, objeto do lançamento deste processo. Os Recorrentes, juntos, não movimentaram mais do que R$ 200.000,00 com a Fiscalizada, como já mostrado no presente voto, o que se revela uma quantia ínfima em relação aos valores apontados (supra), e, ainda, soa como normal, uma vez que tinha(m) uma certa parceria e/ou intermediação nos negócios com a Fiscalizada, mas daí a considerar os Recorrentes como responsáveis solidários nos termos do art.124, inciso I (interesse comum/parte de um grupo econômico) acho uma atribuição despropositada, pelo menos para o que se constatou nos autos e relativo ao ano de 2011. Outros anos calendários foram objeto também de lançamento, a princípio com as mesmas infrações, mas, entretanto, consta em outro processo, de forma que eventuais alusões no Relatório que possam se referir aos Recorrentes, que não se vincula ao ano de 2011, não se tem como discutir no âmbito deste processo. Do procedimento fiscal em averiguações junto à Fornecedores/Clientes da Fiscalizada e eventual relação com os Recorrentes Da Diligência na BRF e SADIA S/A Conforme item 3.1.2.1 do Relatório Fiscal, verificouse que consta em cadastro da BRF o telefone (67) 3453 4319 e email de Vandro Bortolanza, enquanto que na SADIA o telefone (67)3453 3059 e email rosimeripva@hotmail.com. Da Diligência na Camara Agroalimentos S/A Conforme item 3.1.2.2 do Relatório Fiscal, verificouse que "entre os contratos fornecidos há um no qual há anotações constando o telefone (67) 3453 4319 e o nome de Izaura, nesse contrato, no campo de assinatura do vendedor, consta o nome de sr. Vandro." Da Diligência na Cooperativa A1 Conforme item 3.1.2.3 do Relatório Fiscal, verificouse que "nos contratos fornecidos há uma observação de que havendo dúvidas deveria ser contatado o senhor Vandro C. Bortolanza [...]. Idem com relação à Centro Oeste. Da Diligência na Cooperativa de Produção e Consumo Concordia Conforme item 3.1.2.4 do Relatório Fiscal, [...] Informou também que a pessoa de contato era o Sr.Vandro C. Bortolanza." [...]. Idem com relação à Centro Oeste. Da Diligência em Olair Tirloni Conforme item 3.1.2.5 do Relatório Fiscal, não há menção aos Recorrentes. Da Diligência na Comdovel Coml. Dour. Veic. Ltda Conforme item 3.1.2.6 do Relatório Fiscal, não há menção aos Recorrentes. Da Diligência in loco na Escobar & Rodrigues Fl. 4881DF CARF MF Processo nº 13161.720992/201660 Acórdão n.º 1401003.128 S1C4T1 Fl. 4.871 23 Conforme item 3.1.2.7 do Relatório Fiscal, não há menção aos Recorrentes. Tais afirmações e/ou conclusões não vejo como causa bastante e suficiente para enquadrar os Recorrentes como responsáveis solidários, além do que entendo um tanto quanto prejudicadas, em face do já constatado e comentado anteriormente. Em face do decidido, deixo de aqui apreciar as demais questões trazidas no recurso voluntário. É como voto, pela provimento ao recurso voluntário no sentido de afastar os Recorrentes Centro Oeste Transporte e Grãos Ltda., Vandro Carlos Bortolanza ME e Vandro Carlos Bortolanza do polo passivo, então arrolados como responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 4882DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730619/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Giovana Pereira de Paiva Leite, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.730619/2011-83
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968496
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-000.644
nome_arquivo_s : Decisao_10580730619201183.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 10580730619201183_5968496.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Giovana Pereira de Paiva Leite, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7636547
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663587082240
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-27T15:42:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-27T15:42:12Z; Last-Modified: 2019-02-27T15:42:12Z; dcterms:modified: 2019-02-27T15:42:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:f816fc9f-5ad0-4683-b2a8-4552aea78586; Last-Save-Date: 2019-02-27T15:42:12Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-27T15:42:12Z; meta:save-date: 2019-02-27T15:42:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-27T15:42:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-27T15:42:12Z; created: 2019-02-27T15:42:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2019-02-27T15:42:12Z; pdf:charsPerPage: 1069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-27T15:42:12Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 4.579 1 4.578 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.730619/201183 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.644 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2019 Assunto Imposto de Renda de Pessoa Jurídica Recorrente GDK S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Giovana Pereira de Paiva Leite, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 30 61 9/ 20 11 -8 3 Fl. 4581DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.580 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada por GDK S/A contra os autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e decorrente (CSLL), alcançando fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. A fiscalização acusa o contribuinte de ter praticado as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas, nos anos de 2006 e 2007, conforme tópico VI do Termo de Verificação Fiscal. 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2007, por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais, conforme tópico V do Termo de Verificação Fiscal. 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração, conforme tópico IV.1 do Termo de Verificação Fiscal. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008, relativo a receitas de competência do ano de 2007 reconhecidas somente no ano de 2008, conforme tópico IV.2 do Termo de Verificação Fiscal. 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas A primeira das infrações acima está relatada no item VI do Termo de Verificação, onde a fiscalização afirma que, da análise da documentação apresentada, constatou que a “GDK” não comprovou a totalidade dos custos e despesas, tendo sido glosados valores contabilizados nas contas de despesas: “1034 – Serviços Prestados Pessoa Jurídica” e “1198 – Material de Consumo”. Registra o TVF que os valores glosados por falta de apresentação das notas fiscais ou outros documentos comprovadores da realização e da essencialidade da despesa, que se encontram discriminados em planilhas anexas ao AI, foram os seguintes: Happyday Turismo Ltda. – conta 15763: Ano de 2006: R$ 336.143,16 Ano de 2007: R$ 257.925,33 Versegur – Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva – conta 47697: Ano de 2006: R$ 266.353,41 Fl. 4582DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.581 3 Ano de 2007: R$ 67.382,38 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL de 2007 por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais A segunda infração, conforme relatado no item V do TVF, corresponde à glosa, feita pela fiscalização, ao diferimento de parcela do lucro, no ano de 2007 até a realização da receita, referente a 6 obras em contratos com entidades governamentais (conforme memória de cálculo apresentada pela “GDK”). A autoridade fiscal informa ter constatado que não houve segregação da apuração dos resultados dos contratos na contabilidade e, além disso, os próprios resultados estão inflados, pois não foram considerados todos os custos e despesas que deveriam estar a eles apropriados. Aponta impossibilidade de verificação dos cálculos apresentados, bem como da confirmação do resultado individual de cada obra, e diz que os relatórios gerenciais apresentados (extracontábeis) não confirmaram a correção dos valores excluídos, ao contrário, demonstraram resultados majorados, implicando diferimento maior que o de direito. Explica o TVF que: (...) a contribuinte não individualizou os registros contábeis (nem em contas auxiliares) por contrato ou obra, o que impossibilitou a reconstituição ou a apuração dos resultados do contrato, não cumprindo os requisitos postos pela legislação fiscal para excluir da tributação parcela do lucro proporcional à receita não recebida das entidades governamentais. A “GDK” declarou que utilizou como critério de avaliação do andamento da obra a execução física (medição), avaliada em laudo técnico, que é uma das alternativas previstas no item 5 da IN SRF nº 21/79. Verificouse, porém, que não foram computados nas obras específicas custos e despesas relevantes, de forma que os resultados passíveis de diferimento estavam majorados; – o art. 407, I, do RIR/99 determina que devem ser computados os custos de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração. O item 6 da IN SRF nº 21/79 esclarece que os custos computáveis na apuração do resultado são: custos diretos e indiretos (matéria prima, mão de obra direta e os custos gerais de fabricação) incorridos na construção ou produção, ou na prestação de serviços, inclusive os custos preliminares, tais como os de preparo de projetos, necessários à execução, incorridos após a contratação, o custo total orçado ou estimado e seus reajustes. A IN SRF 21/79 e os arts. 407 a 409 do RIR/99 fundamse no art. 10 do Decretolei nº 1.598/77; – em razão da inobservância desses procedimentos pela “GDK”, fezse necessária reconstituição do lucro real, considerandose os ajustes do lucro passível de cálculo de diferimento, o que fizemos no próximo tópico (V.4). Pelos cálculos demonstrados a seguir, é passível de exclusão no anocalendário de 2007 o valor de R$4.778.541,78, em contraposição aos R$26.480.779,27, valor efetuado pela contribuinte. Essa alteração provoca glosa de exclusões na apuração do lucro real de 2007, de R$22.095.702,86, e ajuste nas adições na apuração do resultado fiscal de 2008 no montante de R$19.339.346,27, quando parte do montante excluído no ano anterior foi adicionado;” 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração Fl. 4583DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.582 4 A terceira infração acima apontada está relatada no item IV.1 do TVF, e corresponde à postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio Carioca/GDK, sendo líder a Carioca. O objetivo do consórcio era a execução das obras e serviços de reparo e reabilitação de dutos, sob o regime de empreitada total por preços unitários, dos serviços contratados pela Petrobrás. Explica o TVF que, de acordo com o balancete emitido pelo Consórcio Carioca/GDK, em 2006 o empreendimento gerou R$ 41.465.321,44 de receitas da execução de obras, cabendo à “GDK”, 50%, ou seja, R$ 20.732.660,72. Informa que esses dados estão corroborados: (i) pelo Relatório Gerencial emitido pela “GDK”, relativo à obra 712 – São Paulo, que corresponde ao consórcio Carioca/GDK, (ii) pelo Balancete da contabilidade do consórcio e (iii) pelo Balancete geral da “GDK”, que correlaciona o registro em sua contabilidade de sua participação no consórcio. Diz que a “GDK” informou que reconheceu naquele ano receitas de R$ 19.801.899,33, e afirmou que adotou critério diverso do adotado pelo consórcio para reconhecêlas: enquanto os consórcios teriam utilizado a relação percentual entre o custo incorrido e custo orçado, da IN 21/1979, a “GDK” utilizou laudos de medição. Já os custos e demais contas patrimoniais, apropriavaos pelos balancetes dos consórcios, na proporção pactuada; Reproduz resumo comparativo demonstrando a apropriação de receitas, nos anos calendário em que se desenvolveu a execução do empreendimento, registrando observação de que o contribuinte, por meio do Termo de Entrega de Documentos nº 09/2011, de 28/07/2011, esclareceu que, erroneamente, considerou no faturamento desse consórcio as notas fiscais nº 390, de 05/01/2007, 522, de 13/02/2007, e 1.420, de 06/03/2008. Assim, o faturamento considerado pela “GDK”, relativo ao Consórcio Carioca/GDK, em 2006, foi de R$ 18.988.206,67, e não de R$ 19.801.899,33, como registrado contabilmente, evidenciando postergação, para o ano de 2007, de R$ 1.744.454,05. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008 A quarta infração está relatada no item IV.2 do TVF, e corresponde a postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio OSBAT II, firmado entre a “GDK” e a “Camargo Corrêa”, com participação de cada parte na proporção de 50% nos direitos e obrigações na execução dos serviços de reabilitação do duto OSBAT DN operado pela Transpetro. Informa o TVF que foi constatado que a “GDK” não computou exatamente 50% das receitas do consórcio que lhe cabiam em 2007. Conforme Balancete do Consórcio OSBAT II, as receitas decorrentes de serviços no país alcançaram R$ 172.843.747,55. Logo, caberia à “GDK” o montante de R$ 86.421.873,78 (50%). Ocorre que foi contabilizado pela “GDK” o valor de R$ 80.766.102,09, havendo, portanto, uma diferença de R$ 5.655.771,69. Apresenta comparativo dos balancetes da “GDK” e do Consórcio OSBAT II, nas óticas da empresa e do consórcio; Registra o TVF que, intimada a explicar a diferença, a “GDK” informou apenas que “o Consórcio reconhecia as receitas por critério distinto do utilizado pela “GDK”, e que, para manter o mesmo critério das demais obras, as receitas do Consórcio OSBAT II foramfaturadas e registradas diretamente por ela, GDK, através das medições, conforme previsto na legislação”. Ressalvou que apenas os custos foram consolidados na contabilidade Fl. 4584DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.583 5 da “GDK” pelo Balancete do consórcio. Quanto às receitas, a fiscalização diz ter identificado lançamentos que totalizaram receita bruta de R$ 80.766.102,09; Instada a demonstrar a apropriação das receitas durante o período de execução do contrato, o contribuinte apresentou resumo comparativo de como foram apropriadas as receitas, nos anos posteriores ao que se desenvolveu a execução do empreendimento. Esse resumo, segundo a fiscalização, evidenciou a postergação, para o ano de 2008, de receitas de competência de 2007, no montante de R$ 5.655.771,69. A “GDK” diferiu o resultado obtido na realização do Consórcio OSBAT II – OS 711, na proporção da receita não recebida (não realizada). Ressalta o TVF que a contabilidade da empresa registra recuperação de custos no montante de R$ 21.596.798,91, ressalvado no resumo comparativo. Essa recuperação proveio de custos e despesas incorridos pela empresa na execução do empreendimento, mas que foram controlados em outros centros de custos. Esses custos influenciaram no resultado da obra, mas não foram computados na apuração do resultado dela, embora tenham sido no resultado global da empresa. Como esses custos não foram contemplados na demonstração do resultado do consórcio, mas sua recuperação foi, e o lucro diferível dessa obra teria ficado indevidamente majorado. Impugnação A interessada apresentou impugnação tempestiva, que se encontra assim resumida pelo julgador de primeira instância: “O Sr. Fiscal iniciou seus trabalhos em 06/08/2010 e concluiu em 15/09/2011, emitindo mais de treze termos de intimação e continuidade fiscal, tendo solicitado mais de quatro mil documentos fiscais, que comprovassem a efetiva prestação de serviços, equivalente a R$ 77.844.845,17, para no fim glosar, de dois fornecedores, um montante de despesa de R$ 927.804,28, nos períodos base de 2006 e 2007, e discordar de procedimentos de apuração das obras de consórcio e diferimento de contratos com entidades governamentais, produzindo um extenso e tautológico relatório, de vinte páginas e cento e quarenta itens, trazendo eventos posteriores para fatos passados, como por exemplo, no item 70 do relatório, quando se refere à Deliberação CVM nº 576/2009, que é uma norma para exercícios encerrados a partir de dezembro de 2010, enquanto o período fiscalizado era de 2006 e 2007. Além do mais, a CVM é uma autarquia que regula e disciplina as sociedades de capital aberto, ou seja, aquelas que têm ações transacionadas na bolsa de valores, que não é o caso vertente, pois a GDK é uma sociedade de capital fechado, isto é, seu capital não é negociado em mercado; Verificase, no item 64 do relatório, que o Sr. Fiscal teve dificuldade de entender os termos do relatório enviado pela Contribuinte, no “Termo de Entrega de Documentos nº 042011” (doc. 02, anexo), no qual se demonstra que havia sim segregação da apuração dos resultados por contrato. Ao contrário do que ele afirma, os relatórios não são extracontábeis, pois são extraídos diretamente do sistema contábil Hércules, já que os lançamentos contábeis que envolvem despesas e receitas, enfim, as contas de resultado, só podiam ser efetuados com a indicação de um centro de custos. Os relatórios foram obtidos na função de relatórios gerenciais, mas a informação está contida na contabilidade societária. No item 74, o Sr. Fiscal afirma: “Observamos que a contabilidade apresentada não individualizou os lançamentos, nem apurou os resultados por contrato/obra”. É lamentável tal afirmação. Quer o Sr. Fiscal afirmar que os valores apresentados são uma obra de ficção?; Fl. 4585DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.584 6 No item 75, melhor sorte não cabe ao Sr. Fiscal quando diz: “Entretanto esses dados não puderam ser verificados e confirmados na escrita contábil. Quanto aos custos e despesas, a planilha de cálculo se limitou a apresentar os valores que teriam sido incorridos, não indicando as contas contábeis que estavam registrados”. A Autuada elaborou uma memória de cálculo com base em valores extraídos de relatórios contábeis que foram entregues à fiscalização através do “Termo de Entrega de Documentos nº 52011”, inclusive um DVD contendo: i) composição do aluguel interno cobrado em dezembro de 2007 para todas as obras selecionadas; ii) relatório gerencial demonstrando o resultado de 2007, por obra; e iii) NF 16656 da Kidde Brasil, que estava pendente de apresentação. Demonstramse todas as contas dos centros de custos, despesas e receitas que tiveram movimento no exercício, assim como o resultado de todos os centros de custos (doc. 03, anexo); Quanto ao item 76: “o plano de contas que acompanhou os arquivos digitais continha a conta denominada 4044 – Gerencial, que se desdobra na conta 4067 – Obras, que por sua vez estava desdobrada em subcontas com denominação de diversas obras. Porém, nos arquivos apresentados, essas subcontas não continham nenhum registro e os saldos estavam zerados (vide balancete extraído dos arquivos digitais), a Autuada atendeu ao solicitado pelo Sr. Fiscal, em consenso e por sugestão deste, através de relatório alternativo, extraído do sistema utilizado na época e até mesmo em planilha excel, conforme “Termo de Entrega de Documentos nº 072010” (doc 04, anexo). Em relação ao item 79: “Essa constatação não foi obtida diretamente da escrituração contábil, que não permitiu observação nesse nível de detalhe, repisese, e sim de Relatórios Gerenciais (extracontábeis) apresentados posteriormente pela Contribuinte”, a afirmação não é verdadeira. Os relatórios são extraídos da contabilidade e foram entregues ao Sr. Fiscal durante a fiscalização, e não “posteriormente”, e que tais relatórios são extracontábeis, conforme demonstrado anteriormente. Quanto ao item 80, parece que o Sr. Fiscal não entendeu o conteúdo do relatório; Em referência aos itens 94 a 96, em que o Sr Fiscal procura refutar evidências, referindose a “A uma e A duas”, é lamentável sua falta de entendimento do que seja um sistema contábil. Realmente, consta do centro de custo 3.1.1.06 os valores de R$ 435.307,03 e R$ 857.095,28, mas, como está claro, tais valores são do Custo de Produtos Vendidos OS 300C, conta 3.1.1.06.005 (doc. 05, anexo), sendo, portanto, verificado apenas um equívoco no centro de custo do lançamento contábil. No curso da fiscalização, ficou demonstrada a dificuldade do Sr. Fiscal de compreender as explicações dadas, o que fica provado na redação do item 104, diante da entrega do “Termo de Entrega de Documentos nº 022011” (doc. 06, anexo). Foi explicado ao Sr. Fiscal que alguma demora em atendêlo derivava da descontinuidade do sistema Hércules – WK, usado em 2006 e 2007, sendo que a fiscalização começou em 2010, como provado no “Termo de Entrega de Documentos nº 022010”, bem como correspondência da própria empresa (doc. 07, anexo); A Autuada, por trabalhar preponderantemente para pessoas jurídicas de direito público, ou empresas sob seu controle, empresa públicas, sociedades de economia mista ou suas subsidiárias, a exemplo da Petrobrás, tributa seus resultados através do art. 409 do RIR/1999, que manda excluir as receitas não recebidas, impondo o simultâneo diferimento dos custos correspondentes. Esta faculdade é exercida na parte “A” do LALUR e controlada na parte “B”, para ser adicionada quando do seu recebimento. Esse diferimento atinge os contratos de curto e longo prazo, sendo apurado por contrato. A parcela excluída é computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita é recebida. Diante do exposto, verificase que a Autuada tem sua escrituração contábil obedecendo ao Decretolei nº 1.598/1977, consagrado no art. 251 do RIR/1999, e é mantida com observância das disposições Fl. 4586DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.585 7 legais, fazendo prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis e idôneos. É respeitado também o Princípio da Competência, consubstanciado no regime recomendado pela legislação comercial das sociedades por ações, que foi encampado pela lei tributária para todas as empresas que pagam o imposto de renda com base no lucro real, ressalvados os casos especiais estabelecidos na própria legislação fiscal; A autuada agiu, durante todo o procedimento fiscal, com lisura, transparência e boa fé. Em nenhum momento criou qualquer espécie de embaraço à fiscalização o que configura circunstância atenuante, a recomendar revelação de sonegação tributária. A autuada apenas recolheu os tributos devidos dentro da liberdade que a Constituição Federal lhe faculta, o que é um direito líquido e certo, nos termos do inciso XXXVI do art. 5º da Carta Magna. Essa proteção visa proporcionar segurança aos cidadãos, no caso, os contribuintes, de um modo geral, respeitando tudo aquilo que se adquiriu e se patrimonializou em um tempo que a própria lei vigente lhe facultava tal benefício; O Sr. Fiscal demonstra em seu relatório querer conduzir a Autoridade Julgadora de que a autuada estivesse sempre imbuída do animus de sonegar. Nada mais distante da realidade. Verificase, na autuação, que no anocalendário de 2006 não resultou crédito tributário. O Sr Fiscal adicionou o valor de R$ 602.496,57, referente à glosa de despesa, e R$ 1.744.454,05, do entendimento divergente quanto à apuração do resultado das obras de consórcio, no total de R$ 2.346.950,62. Consoante “Demonstração da Compensação de Prejuízos Fiscais”, esse valor foi compensado com o prejuízo operacional existente, no montante de R$ 81.289.603,93, remanescendo um prejuízo fiscal de R$ 78.942.653,31, antes da compensação. Inexplicavelmente, desse valor foi deduzido o “Prejuízo Não Operacional”, de R$ 6.515.544,48, passando seu prejuízo fiscal para R$ 72.427.108,83; Para o ano calendário de 2007, o Sr. Fiscal manteve o referido prejuízo fiscal, adicionou R$ 28.076.782,26, sendo R$ 325.307,71 de glosa de notas fiscais de fornecedores; R$ 22.095.702,86 de divergência de entendimento quanto à forma de diferimento do lucro nos contratos com entidades governamentais; e R$ 5.655.771,69 também de divergência quanto à apuração das receitas de consórcio. Nesse mesmo quadro é compensado prejuízo fiscal, no limite de 30%, resultando em uma base de cálculo de IRPJ e CSLL de R$ 17.353.419,64, valor este não explícito no quadro, mas constante nos autos de infração de ambos os tributos. Nesse ponto, informese que a Autuada goza de benefícios fiscais da ADENE, de redução do imposto de renda e adicionais de 75%. Ora, se a Autuada tivesse apurado, em 2007, lucro real positivo, teria usado o incentivo fiscal a que tem direito. Para o anocalendário de 2008, a Autuada havia apurado um lucro real de R$ 8.009.444,67, sobre os quais pagou os devidos tributos, conforme planilha de apuração e ficha da DIPJ (docs. 10 e 10A, anexos), que, após os ajustes do Sr. Fiscal, passou a ser prejuízo de R$ 16.985.673,29; O cerne da questão está na apropriação e diferimento do resultado das obras de consórcio e na forma de diferimento do lucro nos contratos com pessoas jurídicas de direito público, ou empresa sob seu controle, etc. A Autuada fez toda a sua apuração na forma estabelecida na IN 21/1979, contrato a contrato, com procedimento uniforme dentro do mesmo critério escolhido durante toda a execução do contrato (doc. 11, anexo). A fiscalização, invocando os arts. 407 e 409 do RIR/99 quer tomar o todo pelo particular, encontra um percentual genérico de 8,69% (lucro bruto dividido pela receita bruta), aplicandoo sobre todos Fl. 4587DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.586 8 os contratos e conclui por uma glosa de exclusão no valor de R$ 22.095.702,86. Ora, o art. 407 cuida da tributação dos contratos de produção em longo prazo, prevendo duas hipóteses de apuração: i) segundo a percentagem da execução física, avaliada em laudo técnico de medição e; ii) segundo a percentagem que o custo incorrido representar sobre o custo total orçado ou estimado. A opção pelo critério de avaliação do andamento deve ser exercida em relação a cada contrato, mas o critério escolhido deverá ser praticado uniformemente durante toda a execução do contrato; Vejase que o art. 409 trata do diferimento do lucro até a sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 e 408, permitindose que, para efeito de apurar o lucro líquido do períodobase, a pessoa poderá transferir, para resultados de exercícios futuros, parcela do lucro computado no resultado do períodobase. Diante de qualquer análise, não se encontra respaldo para que a Autoridade Fiscal tome lucro bruto sobre receita bruta para definir percentual de diferimento sobre todos os contratos, afinal, cada contrato tem uma realidade própria. Isto não tem base legal. Além do mais, se tivesse havido postergação de tributo, deveria ser cobrada a multa de 20% e os juros de mora pela taxa SELIC, mas não o próprio tributo, como bem define o art. 273 do RIR/99. Deve ser considerado ainda que no ano calendário subseqüente houve lucro real e pagamento de tributos devidos. Por fim, lembre se que não se pode tomar período de postergação de balanço em balanço encerrado em 31/12 de cada ano, pois a Autuada apurava seu resultado em base estimada, com antecipação, redução ou suspensão do IRPJ e da CSLL; A mesma divergência de interpretação ocorre com as receitas do “Consórcio Reabilitação de Dutos Sudeste – OS 712” e do “Consórcio OSBAT – OS 711”, cujos valores glosados foram R$ 1.744.454,05, para o períodobase de 2006, e R$ 5.655.771,69, para 2007. Verificase, nos contratos (docs. 12 e 13, anexos), que a “GDK” não era a empresa líder. Através das peças constantes dos documentos (docs. 14 e 15, anexos), está demonstrado que a Autuada reconheceu todas as receitas ao longo do consórcio, em consonância com todos os demais contratos de todas as obras, mediante a emissão de cada fatura e com base na progressão física da obra. Já a empresa líder do consórcio apropriou ao resultado a receita, bem como custos e despesas ao longo do período de construção, à medida da evolução financeira das obras (método POC), medindose o percentual de custos incorridos em relação aos custos orçados. Não existe obrigatoriedade das consorciadas praticarem exatamente igual a apuração dos resultados do consórcio, mesmo porque cada consorciada não está obrigada a ter o mesmo regime de tributação. Pode, por exemplo, uma apurar seu resultado pelo lucro real e outra pelo presumido, não cabendo ao Sr. Fiscal querer autuar o contribuinte pelo exercício de uma faculdade legal; A Autuada disponibiliza cópia da documentação (docs. 16 e 17, anexos) provando os pagamentos efetuados à Happyday Turismo Ltda. e Versegur – Vera Cruz Seg. Vigilância Ostensiva, sendo: 1) Happyday: R$ 200.074,70 (2006) + R$ 130.442,74 (2007) = R$ 330.517,44 2) Versegur: R$ 189.249,42 (2006) + R$ 16.714,44 (2007) = R$ 198.963,86 Fl. 4588DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.587 9 A Autuada solicita que lhe sejam deferidos todos os meios de prova admitidos em Direito, indicando, de logo, a juntada posterior de novos documentos e, face ao exposto, vem requerer: a) recomposição do prejuízo fiscal do período base de 2006, no sistema SAPLI; b) reconhecimento do resultado do período base de 2007, de prejuízo fiscal, e da CSLL; c) julgamento simultâneo do auto de IRPJ e da CSLL, por se tratar do mesmo processo e; d) julgar totalmente improcedente o auto de infração ora discutido. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 3.675 a 4.341.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em salvador julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. RECEITAS RECONHECIDAS E NÃO RECEBIDAS. DIFERIMENTO DO LUCRO. Nos contratos de empreitada ou fornecimento celebrados com entidades governamentais, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro computado no resultado, proporcional à receita considerada nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período, devendo computála no cálculo do lucro real do período base em que a receita for recebida. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. LUCRO DIFERIDO. PERCENTUAL DE DIFERIMENTO. O diferimento do lucro correspondente à parcela das receitas não recebidas dentro do período base está condicionado à segregação dos resultados de cada contrato/obra na contabilidade, admitindo se, contudo, diante da total impossibilidade de apuração do percentual de diferimento, por obra, e no caso de empresa cujas atividades sejam assemelhadas, a utilização de um percentual médio resultante da razão entre o lucro bruto total e o total das receitas operacionais. Fl. 4589DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.588 10 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DOS EXERCÍCIOS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita ou de reconhecimento de lucro constitui fundamento para lançamento de imposto quando dela resulta redução indevida do lucro real ou postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior àquele em que seria devido. CONSÓRCIO PARA A EXECUÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS. Consoante regras fixadas em contrato, é de responsabilidade de uma das consorciadas, definida como líder, a elaboração da contabilidade do consórcio, obrigando se todas a reconhecer contabilmente suas receitas, custos e despesas de conformidade com o percentual de participação de cada uma no empreendimento e computálos no resultado do respectivo período de apuração, não cabendo às consorciadas utilizar critério de reconhecimento das receitas diverso daquele empregado pelo consórcio. AJUSTE DO PREJUÍZO FISCAL DECLARADO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Os prejuízos fiscais declarados pela pessoa jurídica devem ser ajustados pelos valores tributáveis apurados em ação fiscal, cabendo ainda a compensação dos prejuízos de exercícios anteriores, no limite legal de 30% do lucro real ajustado. REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO DA ADENE. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa ou ainda daqueles que foram indevidamente contabilizados. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de lançamento decorrente de idênticos fatos geradores, há que se dar a ele o mesmo entendimento dado ao lançamento de IRPJ, observandose ainda que a base de cálculo negativa acumulada em exercícios anteriores deve ser utilizada para reduzir em até 30% a base de cálculo apurada em cada período base tributado. Ciente da decisão em 07 de março de 2014 (fls. 4415), a interessada ingressou com recurso em 04 de abril de 2014 (fls. 4416). Na peça recursal, contesta pontualmente assertivas contidas no voto condutor e aduz que, diante das conclusões aqui expostas devese prosseguir com os mesmos argumentos já colocados na impugnação, ...” reeditando as razões então apresentadas e o pedido, que inclui perícia. CARF Fl. 4590DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.589 11 Em sessão de 09 de abril de 2014, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1301000.198, para que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os documentos apresentados posteriormente ao procedimento fiscal, mas que seriam, na visão do relator, essenciais ao deslinde da controvérsia em relação a infração 01 glosa de despesas operacionais. Em observância à Resolução CARF nº 1301000.198, foi elaborado Termo de Diligencia Fiscal (fl. 4.527 e segs) na data de 10 de julho de 2015. Após devida ciência da contribuinte do Termo de Diligencia Fiscal, conforme AR de fl. 4.571 e sem manifestação por parte da mesma, os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 4591DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.590 12 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Conforme relatado, a fiscalização acusa o contribuinte de ter praticado as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas, nos anos de 2006 e 2007. 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2007, por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais. 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008, relativo a receitas de competência do ano de 2007 reconhecidas somente no ano de 2008. O Auto de Infração relativo à CSLL decorreu do Auto de IRPJ. Neste sentido, passase a analise individual dos itens mencionados. *** Diligência Em relação aos itens 2, 3 e 4 acima mencionados, entendo ser imprescindível avaliar preliminar considerada pela fiscalização, confirmada pela decisão de primeira instancia, que se baseia na tese de que: "Desse modo, tendo optado o consórcio, para efeito de apurar a receita a ser computada no resultado de cada períodobase, pela avaliação do andamento da obra com base no critério da percentagem que o custo incorrido no períodobase representar sobre o custo total orçado ou estimado, consoante o artigo 407, § 1º, inciso II, do RIR/1999 e item 5, inciso II, da IN SRF nº 21, de 1979, não poderia a Autuada, tal como alega na impugnação, optar pelo outro critério, qual seja, segundo a percentagem que a execução física, avaliada por medição, representar sobre a execução contratada, na forma do artigo 407, § 1º, inciso I, do RIR/1999 e item 5, inciso I, da IN SRF nº 21, de 1979." Fl. 4592DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.591 13 Por fim, a afirmativa da turma julgadora no último parágrafo da pág. 25 de que "cabia à 'GDK' seguir, obrigatoriamente, o critério determinado pela empresa líder e por ela empregado na escrituração do consórcio." Entendo que pode haver opção por diferente opção por parte de cada consorciada que, após a apropriação de seu percentual do consórcio aplicar o critério que melhor lhe atenda. Importante ressaltar que ocorre a designação de um líder dentre o grupo de consorciadas, a qual “nos termos do contrato, passa a agir em nome dos vários consorciados, até mesmo para o recebimento de receitas à conta dos consortes. Essas receitas não pertencem ao consórcio, posto que não é sujeito de direito, mas a cada um dos consortes, nos termos e nas condições estabelecidas no respectivo contrato. Consórcio é ficção jurídica despersonalizada, ou seja, sem personalidade jurídica, portanto jamais o consórcio poderia optar por este ou aquele regime. Quem faz a opção é a pessoa jurídica, dotada de personalidade jurídica e que pratica fato gerador do tributo. É exatamente neste sentido que preceitua a mencionada IN SRF n° 21/1979. Caso a turma julgue deveras incorreta esta premissa adotada pela fiscalização e decisão de primeira instancia, voto por converter o processo em diligencia para que sejam reavaliados os documentos acostados aos autos pela contribuinte levandose em conta a possibilidade de adotar critério de contabilização e tributação diferente dos demais consorciados do consórcios dos quais participa. Devese levar em consideração ainda que a forma de contabilização e tributação de empresas que realizam obras de construção civil, de fato, tem tratamento diferenciado pelo ordenamento jurídico, o que deve ser levado em consideração. Desse modo, encaminho meu voto para conhecer do recurso voluntário, para converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade origem analise os documentos acostados aos autos pela Recorrente (principalmente o relatório emitido pela auditoria independente PWC) e verifique, mediante relatório fiscal circunstanciado, os seguintes itens: 1. Houve diferimento do resultado das obras de consórcio?; 2. Os relatórios apresentados à fiscalização são extracontábeis?; 3. Os resultados das obras estão individualizados e apurados por contrato? 4. As receitas dos consórcios foram integralmente reconhecidas contábil e tributariamente? 5. O uso do método PoC (percentege of completion method) prejudicou a apuração do lucro e conseqüentemente a tributação? 6. Os resultados de apuração dos contratos estão inflados? Existe segregação de apuração dos resultados por contrato? Fl. 4593DF CARF MF Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.644 S1C3T1 Fl. 4.592 14 Caso seja necessário que a unidade de origem intime a Recorrente à apresentação de documentos adicionais necessários para que os quesitos acima sejam respondidos de forma a dar conforto aos conselheiros deste colegiado em seus posicionamentos. Ao final, os recorrentes deverão ser cientificados do relatório final da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Após, retornemse os autos ao CARF para seguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 4594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000096/00-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1996
BASE DE CALCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE.
A partir de janeiro de 1995, a compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos-base anteriores está limitada a 30% do lucro liquido ajustado.
OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA.
Os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados.
Numero da decisão: 1402-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1996 BASE DE CALCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE. A partir de janeiro de 1995, a compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos-base anteriores está limitada a 30% do lucro liquido ajustado. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. Os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10620.000096/00-08
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970011
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.705
nome_arquivo_s : Decisao_106200000960008.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 106200000960008_5970011.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7646586
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663591276544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 228 1 227 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10620.000096/0008 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.705 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA Recorrente COOPERATIVA AGRO PECUARIA DO VALE DO PARACATU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1996 BASE DE CALCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE. A partir de janeiro de 1995, a compensação da base de cálculo negativa apurada em períodosbase anteriores está limitada a 30% do lucro liquido ajustado. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. Os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 00 96 /0 0- 08 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 229 2 Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 230 3 Relatório Tratase de auto de infração a título de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, juros de mora e multa de ofício, referente ao exercício de 1996, anobase de 1995. O lançamento decorreu da revisão da Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica DIRPJ, que apurou compensação da base de cálculo negativa de períodobase anteriores na apuração da CSLL, superior a 30% (trinta por cento) do Lucro Líquido Ajustado, apurado através do sistema eletrônico SAPLI da Secretaria da Receita Federal. O enquadramento legal foi a Lei n° 7689/1988, Lei n° 8.981/1995, Lei n° 9.065/1995, IN SRF 198/1988 e Parecer MF/SRF/COSIT n° 1061/95. O contribuinte, tempestivamente, apresentou sua impugnação, juntando documentos e argumentando o seguinte: Invoca o art. 57 da Lei n° 8.981/1995, com a redação dada pela Lei n° 9.065/1995, para lembrar que as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ se aplicam a CSLL. E no caso de cooperativas tributase os atos realizados com terceiros, posto que os atos cooperativos são isentos do imposto de renda, conforme disposições do art. 168 do Decreto 1.041/1994 (RIR/94). A despeito do Parecer MF/SRF/COSIT n° 1.061/95, a pretensão do poder tributante é ilegal , vez que a sociedade cooperativa não visa lucro, e se encontra fora do campo de incidência tributária específica, exceto sobre os resultados positivos apurados nas operações realizadas com terceiros, nos termos da Lei n° 5.674/71. Assim, há diferença entre o conceito de "lucro" e os resultados apurados nos atos cooperativos, chamados de "sobras" que estão fora do campo de incidência conforme comentado; O contribuinte se fundamenta no art. 110 do CTN, combinado com o art. 3o , 4o , 21° e 80° , da Lei n° 5.764/71, para mencionar o emprego do termo "sobras" distinto. de "lucro", assim como que "as despesas da cooperativa serão cobertas pelos associados, mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços" ( art. 80 da Lei n° 5.764/71). Assim, conclui que a "sobra nada mais é que a devolução, ao final do exercício, daquilo que o cooperado contribuiu a maior para a realização das despesas da sociedade" (fls.20 destes autos). O contribuinte também cita doutrinadores , como o prof. Sampaio Dória, e prof. Fran Martins, para reforçar o conceito de lucro que não se confunde com o conceito de "sobras" para o tratamento de resultado positivo de cooperativas. Declara que o conceito de lucro adotado pela Lei n° 6.404/76 é aplicável por analogia ao ato cooperativo e integralmente no resultado das operações com terceiros da Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 231 4 cooperativa e que deve ser respeitado pela legislação tributária, sob pena de violação da CF e do art. 110 da CTN. Menciona ainda a seu favor decisão do STF, com relatoria do Min. Sepúlveda Pertence, para asseverar que, " é ilícito que a autoridade administrativa ou o legislador ordinário estabelecerem normas em que o prejuízo (redução do capital investido) seja transformado em lucro tributável, pois o 'nomem juris' renda (sobra para as cooperativas e lucro para as demais pessoas jurídicas) na CF fez com que o conceito da Lei n° 6.404/76 delimitasse o campo da aplicação, sob pena de ofender diretamente disposições constitucionais" (fls. 22). Argumenta que a Cooperativa vem apresentando sucessivos prejuízos, em face a ausência de produção agrícola na região e mesmo as contribuições de seus associados foram insuficientes para cobrir os gastos efetuados. Esclarece que o equilíbrio apresentado nos meses de junho e dezembro de 1995, não compensou totalmente o prejuízo fiscal do próprio exercício, conforme demonstrado na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Argumenta que o limite imposto de 30% para compensação da base de cálculo negativa ofende o princípio da capacidade contributiva (visto que as bases de cálculo negativas superam os resultados positivos apurados no próprio período), pretende tributar o capital recuperado, a reposição patrimonial meses citados, sem que haja previsão legal para tanto. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/ MG, por sua, julgou o lançamento procedente, fundamentandose no seguinte: Que os valores sobre os quais incidiram a limitação dos 30% para compensação da base de cálculo negativa se referem as informações prestadas pelo próprio contribuinte em sua declaração de rendimentos; Reitera que o Parecer MF/SRF/COSIT n° 1061/1995 declara que a CSLL é devida sobre todas as operações; Cita o art. 195 da CF, a Lei n° 7.689/1988, que fundamentam a competência da Secretaria da Receita Federal na administração e fiscalização desta contribuição. Em face disso editouse a IN 198/1988, que cuida da CSLL, esclarecendo que as sociedades cooperativas a calculem sobre o resultado do períodobase, podendo deduzir como despesa na determinação do lucro real a parcela relativa ao lucro nas operações com não associados; Que as disposições contidas no art. 129 do RIR/80 não se aplicam à CSLL. Que a administração tributária não pode apreciar a arguição de inconstitucionalidade, pois transborda o limite de sua competência. Quanto a jurisprudência judicial comenta que os agentes públicos somente podem cumprir o que determina a lei , e que as decisões judiciais produzem efeitos apenas perante as partes que as suscitaram. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 232 5 A recorrente , tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário, que além de reproduzir os mesmos argumentos de sua peça inicial de defesa, ainda cita números de acórdãos desse E. Conselho de Contribuintes, sobre a matéria. 1) O artigo 2o. da Lei 7689/88 dispõe: 'Art. 2o. A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda." (destaque nosso); 2) O artigo 57 da Lei 8.981/95, com a redação dada pela Lei 9065/95 dispõe: ' Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n." 7.689, de 1998) as mesmas normas de apuração, e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas,..."; 3) destarte, a base de cálculo é também o resultado tributável pelo imposto de renda que, no caso das sociedades cooperativas, é o lucro apurado nas operações com terceiros, visto que os atos cooperativos são isentos do imposto de renda, consoante as disposições do art. 168 do Decreto 1041/94, que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda; 4) percebese nas disposições do Parecer MF/SRF/COSIT n.° 1061/95, a pretensão ilegal do poder tributante, visto que o parecer não pode modificar o conceito aprovado pela Lei, pois viola o princípio constitucional da hierarquia e desta forma, somente com base nestes argumentos, deve ser cancelada a exigência fiscal, como, alias, vêm se manifestando as diversas Câmaras deste Conselho em seus Acórdãos. 5) assim também é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Resp. 170.371RS (DJU 14/06/1999); 6) inobstante a esmagadora jurisprudência existente contra seus intentos, a Secretaria da Receita Federal tem insistido em lavrar autos contrariando os julgamentos, de forma a beirar a litigância de máfé, contribuindo para a manutenção de processos insubsistentes e fadados ao fracasso, assoberbando os trabalhos das Câmaras Julgadoras e determinado custos e preocupações que o contribuinte não merece; 7) assim, somos compelidos a lembrar mais uma vez que a contribuição social incide sobre o lucro. Como a sociedade cooperativa não visa lucro, suas operações estão fora da incidência da contribuição, exceto em relação aos resultados apurados nas transações realizadas com não cooperados, nos termos da Lei 5764/71. Assim, não bastasse a diferença fundamental entre lucro e os resultados apurados nos atos cooperativos, chamados de sobras, estas não são alcançadas pela incidência tributária pretendida em face de não serem incluídos na base de cálculo pelo diploma legal; 8) conforme bem define em sua decisão, o Delegado da Receita Federal, o servidor público somente pode executar aquilo que a Lei permite. Destarte, deveria acatar as disposições e limites impostos por Lei para as exigências tributárias, em especial os dispostos no Código Tributário Nacional e Constituição Federal, considerando ainda os conceitos de legalidade e economicidade dos atos públicos; determinando assim, sumariamente o cancelamento da notificação e extinguindo o processo. Entretanto deixou de acatar o conceito de lucro explicitamente instituído no art 189 da Lei 6.404/76 de 15/12/1976, inaplicável ao ato cooperativo a não ser por analogia, mas definindo integralmente o resultado positivo das operações com terceiros da COOPERVAP, que deve ser seguido pela legislação tributária, sob pena de violação da CF e do art 110 do CTN, conforme já foi corroborado pela decisão do STF Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 233 6 Supremo Tribunal Federal no R.E. 121.336CE, DJU de 26/06/92, Rel.Min. Sepúlveda Pertence; 9) Vota o Ministro Sepúlveda Pertence: "... não se trata, é claro, de submissão da Lei tributária à lei civil. A lei tributária só se submete à Constituição (ou, nos limites dela, à lei complementar). Mas, é da interpretação do emprego, no próprio texto constitucional, do nomen júris do instituto de direito privado, que se pode extrair, como no caso, a limitação da lei tributária pelas conotações essenciais do conceito privatístico, que, assim, a pubUcizou." 10) assim, é ilícito a autoridade administrativa ou o legislador ordinário, estabelecerem normas em que o prejuízo (redução do capital investido) seja transformado em lucro tributável, pois o "nomem júris" renda (aplicável analogicamente, mas não pela essência das sobras das cooperativas, e lucro para as demais pessoas jurídicas) na CF fez com que o conceito da Lei 6404/76 delimitasse o campo da aplicação, sob pena de ofender diretamente disposições constitucionais; 11) outro exemplo claro do entendimento é a decisão do STF no RE 89.791 7, Rel.Min. Cunha Peixoto, em cujo voto menciona: "Na verdade, por mais variado que seja o conceito de renda, todos os economistas, financistas e juristas se unem em um ponto: renda é sempre um ganho ou acréscimo de patrimônio...", (destaques nossos) 12) Reiteramos que o reequilíbrio apresentado nos meses de junho e dezembro de 1995, sequer compensou o prejuízo fiscal do próprio exercício, conforme demonstrado na parte "b" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (anexo 01), que dirá determinar aumento do patrimônio, ou a recuperação de parte do capital já aportado em períodos anteriores, do patrimônio construído ao longo de muitos anos; 13) a legislação em vigor no exercício permite referida compensação, quando o contribuinte opta pela tributação com base no Lucro Real, como no caso da Cooperativa; 14) assim, a imposição do limite de compensação da base de cálculo negativa pelo fisco, além de desconsiderar o princípio da capacidade contributiva visto que as bases de cálculo negativas superam os resultados positivos apurados no próprio período pretende tributar o capital recuperado, a reposição patrimonial conseguida em dois meses do exercício, o que não é previsto na Lei, ao contrário é proibido pela Lei; 15) por outro lado, a Lei fere, ainda os princípios do direito adquirido e da irretroatividade da Lei, afetando bases de contribuições negativas (prejuízos) apuradas em exercícios anteriores, quando o direito a compensação era total; A recorrente requer a reforma da decisão com fundamento nas seguintes considerações: a) que inexiste na Lei que instituiu a CSLL, previsão de inclusão das sobras das sociedades cooperativas na sua base de cálculo; Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 234 7 b) que o conceito de lucro não se aplica aos resultados das sociedades cooperativas, porquanto estas não buscam aquele e as sobras decorrem da diferença entre as contribuições dos cooperados e os valores efetivamente gastos nas atividades e são a eles devolvidos ao final dos exercícios, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; c) que, inobstante estes conceitos, a limitação da compensação da base de cálculo negativa é inconstitucional e confiscatória, tributando patrimônio e não o resultado de sua aplicação; d) que as disposições limitadoras contrariam o art. 110 do Código Tributário Nacional; e) que referido CTN tem 'status" de lei complementar e, destarte, não pode ser alterado por legislação hierarquicamente inferior; f) que o Parecer Normativo MF/SRF/CÓSIT n.° 1061/95 extrapola os limites de suas atribuições ao inserir tributo novo e ampliar a base de contribuição da CSLL ao pretender nela inserir as sobras apuradas pelas sociedades cooperativas; g) que a jurisprudência emanada deste Conselho é amplamente favorável aos argumentos de defesa da Cooperativa a qual solicita a isonomia de tratamento; Em sessão de 14/05/2004, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento em diligência, através da resolução nº 10102.425, nos seguintes termos: "Em se considerando que a prova documental consistindo na declaração de rendimentos do contribuinte, assim como as cópias do LALUR de 1995 apresentadas pelo mesmo, não identificam, inequívoca e separadamente, o resultado positivo ("sobras") decorrente de atos cooperados daquelas receitas decorrentes de atos de terceiros (não cooperados), com resultados dos meses de junho e dezembro de 1995 onde se apurou um reequilíbrio de contas, e sem qualquer demonstração contábil desses fatos, não obstante, no exercício apurar prejuízos operacionais acumulados, à primeira vista, conduz ao entendimento da correta aplicação das leis pertinentes à situação fiscal apurada pela revisão fiscal e confirmada pela r. decisão da turma julgadora "a quo". Caberia ao contribuinte demonstrar eventual equívoco na exclusão (ficha 07, Demonstração do Lucro Real item 17, Resultados não tributáveis de sociedades cooperativas, fls. 38) identificando a origem da parcela que ele mesmo tratou como tributável, o que não restou comprovado, em que se considere a sua argumentação sobre o tratamento fiscal relativamente as "sobras " de operações das cooperativas, distinto de resultado lucrativo como se pretende atribuir para efeito da tributação. Desta feita, necessário se faz que haja discriminação, mês a mês, das parcelas separadas de valores, na contabilidade da contribuinte, dos atos cooperados daqueles atos nãocooperados, a fim de bem se definir, Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 235 8 corretamente, o "quantum" tributável nos termos do alegado nas peças de defesa do contribuinte. Por esses fundamentos meu voto é para converter o julgamento em diligência, a fim de que seja intimado o contribuinte para que demonstre, através de sua contabilidade, os valores separados, mês a mês, no período fiscalizado, dos atos cooperados e dos atos nãocooperados." Em diligência, a recorrente apresentou o demonstrativo (fls. 120/121) das Vendas de Mercadorias, Prestação de Serviços e Atos não cooperados. A autoridade fiscal, por sua vez, apresentou as seguintes conclusões após a entrega do demonstrativo supra: Os atos cooperados estão lançados nas contas contábeis 511.01.01.00012 (Vendas de Mercadorias) e 511.01.01.00039 (Prestação de Serviços) e os Atos não cooperados foram escriturados na conta 511.01.01.00020 (Vendas a Não Associados Mercadorias e Serviços), correspondendo aos valores consignados no Termo de Resposta ao Termo de Reintimação 02, período janeiro a novembro de 1995; Considerando que os Livros Diários e o Balancete de Verificação de dezembro de 1995 se encontravam em poder da fiscalização por ocasião da resposta do contribuinte, cumprenos discriminar os dados correspondentes ao mês de dezembro de 1995: Em sessão de 12/06/2012, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, converteu novamente o julgamento em diligência, através da resolução nº 1202 000.118, nos seguintes termos: "Como se constata, não obstante a matéria em julgamento seja a trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais, em face a CSLL, se verifica que não foi dada ciência a Fazenda Nacional para que se manifeste sobre a diligência, o que por si só justifica tal procedimento, para a continuidade regular do julgamento. Ademais, entendo que a diligência restou parcialmente satisfatória, pois, apesar de ter cumprido rigorosamente o solicitado, não produziu nova análise sobre os novos documentos juntados, em face ao montante tributável. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 236 9 Assim, sou por propor nova diligência, a fim de que a autoridade de origem recalcule, considerando, nos termos indicados na primeira diligência somente os valores que efetivamente ingressaram como vendas a não associados de mercadorias e de serviços, na conta 511.01.01.00020, a fim de que se apure se, de fato, violouse o dispositivo legal invocado que limita em 30% a compensação de prejuízo fiscal acumulado". Reproduzse a seguir o relatório de diligência fiscal, lavrado em 25/06/2013: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 237 10 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 238 11 Em sessão de 05/11/2013, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento prolatou o Acórdão nº 1202000.227 no qual sobrestou o julgamento do recurso voluntário, com o entendimento que "a matéria em exame encontrase com repercussão geral reconhecida e que, tanto o Regimento Interno do STF como o Regimento Interno do CARF, prevêem a possibilidade/necessidade do sobrestamento do julgamento dos recursos com idêntica matéria, justificase a adoção desse procedimento, evitandose, assim, possíveis decisões divergentes entre este colegiado e o Poder Judiciário". Em 29/05/2014 prolatouse o despacho para prosseguimento do julgamento nos seguintes termos: A Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo devem ser incluídos em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado, de acordo com o rito do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Em vista do exposto, o presente processo deve retornar, para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Em seguida o processo foi distribuído no âmbito da 1ª Seção. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 239 12 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Conforme relatado, o presente lançamento trata da alteração dos valores referentes aos meses de junho e dezembro do anocalendário de 1995, onde a recorrente informou na Ficha 30, linha 04, o valor correspondente à base de cálculo negativa da contribuição social de períodos base anteriores e na linha 05 o valor da base de cálculo da CSLL, sem levar em consideração a limitação de 30% do lucro líquido antes da CSLL, conforme determina o artigo 58 da Lei n° 8.891 de 1995, abaixo transcrito: "Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento." Assim, a apreciação da alegação de que a limitação da compensação da base de cálculo negativa é inconstitucional e confiscatória, tributando patrimônio e não o resultado de sua aplicação, encontra óbice no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/20091 e na Súmula CARF nº 22, de sorte que rejeito as alegações da recorrente. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 240 13 A recorrente defende que "como a sociedade cooperativa não visa lucro, suas operações estão fora da incidência da contribuição, exceto em relação aos resultados apurados nas transações realizadas com não cooperados, nos termos da Lei 5764/71. Assim, não bastasse a diferença fundamental entre lucro e os resultados apurados nos atos cooperativos, chamados de sobras, estas não são alcançadas pela incidência tributária pretendida em face de não serem incluídos na base de cálculo pelo diploma legal;". Pareceme que a distinção entre atos cooperativos e atos nãocooperativos é condição para a incidência da CSLL sobre os resultados líquidos das cooperativas, uma vez que somente aqueles provenientes de atos nãocooperativos devem submeterse à referida tributação, conforme arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, in verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. O entendimento, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, é que as disposições previstas no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971 aplicamse apenas aos negócios jurídicos diretamente vinculados a atividade fim das cooperativas, isto é, aos atos cooperativos próprios, de sorte que não só o resultado da aplicação de recursos no mercado financeiro, mas também os valores advindos dos negócios jurídicos descritos nos itens 2 e 3, por envolverem operação com não associados, sujeitamse a incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro, conforme precedentes a seguir transcritos: TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO TÍPICO. CSLL. NÃOINCIDÊNCIA. ART. 79, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 5.764/1971. PRECEDENTES DO STJ. 1. Nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, atos cooperativos são aqueles praticados entre a cooperativa e seus cooperados ou entre cooperativas associadas. O ato cooperativo, assim definido, não implica operação de mercado. 2. As cooperativas podem realizar negócios com terceiros não cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, a própria Lei 5.764/1971 dispõe expressamente que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados (arts. 86 e 87). Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 241 14 3. In casu, o Tribunal a quo acolheu os Embargos de Execução, sob o fundamento de que a Autoridade Fazendária, ao proceder ao lançamento fiscal, não fez distinção entre os atos cooperativos próprios e os não cooperativos da cooperativa de eletrificação rural. 4. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de ser indevida a cobrança da CSLL sobre atos vinculados à atividade básica da sociedade cooperativa. 5. Agravo Regimental não provido". (AgRg no REsp 499581 / SC (2003/00150840), STJ, 2ª Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, j. 22/09/2009, DJe 30/09/2009). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese a incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido." (AgRg no REsp 653489/RS (2004/00583098), STJ, 2ªTurma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN j. 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No presente caso, verificase que a acusação fiscal trata da limitação de 30% do lucro líquido antes da CSLL, referente a atos não cooperados, ou seja, resultados apurados nas transação com não cooperados. Conforme apurouse na primeira diligência os atos cooperados estão lançados nas contas contábeis 511.01.01.00012 (Vendas de Mercadorias) e 511.01.01.00039 (Prestação de Serviços) e os Atos não cooperados foram escriturados na conta 511.01.01.00020 (Vendas a Não Associados Mercadorias e Serviços), correspondendo aos valores consignados no Termo de Resposta ao Termo de Reintimação 02, período janeiro a novembro de 1995, reproduzidos a seguir: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 242 15 A autoridade fiscal, considerando os Livros Diários e o Balancete de Verificação de dezembro, discriminou os dados correspondentes ao mês de dezembro de 1995: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 243 16 Na segunda diligência realizada, após análise do LALUR e livros contábeis apresentados pelo contribuinte, concluiuse que no anocalendário de 1995, houve resultado tributável nos meses de junho e dezembro, relativos a vendas de mercadorias e serviços a não associados, conforme demonstrado na tabela a seguir: O resultado tributável está de acordo com o demonstrativo de valores apurados CSLL (fls. 6). No caso, considerado o lançamento para tributar resultados da recorrente provenientes de atos não cooperados, ou seja, resultados apurados nas transação com não cooperados, entendo que há de ser mantido o acórdão recorrido. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10620.000096/0008 Acórdão n.º 1402003.705 S1C4T2 Fl. 244 17 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002169/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990
ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA.
Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35 da Lei 7.713,88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2402-006.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: Mauricio Nogueira Righetti
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990 ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35 da Lei 7.713,88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10640.002169/2001-10
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5969476
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.960
nome_arquivo_s : Decisao_10640002169200110.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Mauricio Nogueira Righetti
nome_arquivo_pdf_s : 10640002169200110_5969476.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7643586
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663602810880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 236 1 235 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.002169/200110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.960 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente TREVISO JF VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990 ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35 da Lei 7.713,88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 69 /2 00 1- 10 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 237 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra decisão proferida pela DRF/JUIZ DE FORA que não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos, cuja ciência foi dada ao recorrente em 20.5.11 (fls. 161). Na sequência, fazse importante um relato pormenorizado dos autos. Vamos a ele: Em 8.11.01, o contribuinte apresentou Pedido de Restituição relacionado a dois recolhimentos a título de ILL, cuja exigência teria sido afastada pelo STF, em função de sua inconstitucionalidade. Um com data de 30.4.90, ou de 30.4.91. (fls. 2/5). Em 27.3.06, a DRF JUIZ DE FORA emitiu Despacho Decisório indeferido o pleito do contribuinte, ao fundamento de que teria sido extinto o direito do contribuinte pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos a contar dos pagamentos. (fls. 14/15). Em 24.4.06, o interessado apresentou "reclamação" contra referida decisão, alegando que seu prazo correria, em verdade, ou a partir da Resolução do Senado Federal nº 82, de 18.11.96 ou da IN SRF 63/97, de 24.7.97, que teria reconhecido a caráter indevido da exação (fls.16/21). Em 7.8.06, a DRJ indeferiu a "reclamação", reafirmando a tese fiscal, no sentido de que o prazo seria de 5 (cinco) anos a contar do pagamento. (fls.30/33). Em 26.10.06, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, reiterando a tese de sua "reclamação", repisese, início da contagem do prazo ou a partir da Resolução do Senado FEderal nº 82, de 18.11.96 ou da IN SRF 63/97, de 24.7.97, que teria reconhecido a caráter indevido da exação (fls. 37/42). Em 6.12.07, a 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes decidiu por afastar a decadência ao fundamento de que o termo a quo para a contagem do prazo seria o da publicação da IN SRF nº 63/97, em 25.7.97, bem como determinar a remessa dos autos à DRJ para apreciação do mérito. (fls. 50/58). Em 26.3.08, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sustentando, em resumo, o início da contagem do prazo com a extinção do crédito tributário. (fls. 63/77). Em 6.1.09, foram apresentadas contrarazões pelo recorrente. (fls. 85/89). Em 10.3.10, a CSRF reafirmou os termos do julgamento do acórdão recorrido, no sentido de que o prazo iniciarseia com a publicação da IN SRF nº 63/97, em 25.7.97. (fls. 98/142). Em 11.8.10, a DRJ decidiu por reencaminhar os autos à DRJ JUIZ DE FORA para apreciação do mérito (fls. 148/149). Em 11.5.11, aquela DRF tornou a indeferir o pleito de restituição, ao fundamento de que o parágrafo único do artigo 1º daquela mesma IN SRF 63/197, tomada como marco inicial para a contagem do prazo para repetição, previa que a não constituição de créditos com amparo no afastado artigo 35 da Lei 7.713/88, no caso das sociedades limitadas, Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 238 3 dependeria da não disponibilidade imediata econômica ou jurídica do lucro líquido apurado no encerramento do período base, a ser verificado em seu contrato social. (fls. 158/159). Em 9.6.11, apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em suma, que segundo o contrato social não haveria a disponibilização automática dos lucros, que somente ocorreria, a juízo dos sócios, se não comprometesse a continuidade dos objetivos sociais. (fls. 162/168). Em 7.7.11, a DRJ julgoua improcedente. (fls. 193/198) Em 27.12.11, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário às fls. 203/209, reiterando e reforçando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 29.11.11, consoante se denota de fls. 201 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 27.12.11 (fls. 223). Nesse sentido, dele passo a conhecer. A controvérsia dos autos cingese a determinar se, no caso concreto, a cláusula 10ª do contrato social da requerente previa a distribuição automática dos lucros. É dizer, se nos termos do § único do artigo 1º da IN SRF 63/97, haveria a previsão de sua disponibilização, econômica ou jurídica, ao sócio contista. Vejamos sua redação: 10ª BALANÇOS E RESULTADOS Ao final de cada exercício social, será procedido o levantamento do Balanço Patrimonial da Sociedade, sendo os resultados líquidos apurados utilizados pelos sócios da maneira que lhes convier, de forma a não comprometer a continuidade dos objetivos sociais. O acórdão recorrido analisa o caso com bastante propriedade, fazendo com que este Relator se alinhe às suas fundamentação e conclusão. Com efeito, com fulcro no § 3º do artigo 57 do RICARF, adotoas com razão de decidir, colacionandoas como se seguem: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 239 4 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 240 5 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 241 6 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 242 7 Nesse mesmo sentido, o acórdão a seguir ementado, relativo ao julgamento que analisou a seguinte cláusula contratual: DÉCIMA QUARTA O ano social coincidirá com o ano civil, devendo a 31 de Dezembro de cada exercício, ser procedido o Balanço Geral da sociedade, obedecendo as prescrições legais e técnicas pertinentes à matéria. Os resultados serão atribuídos aos sócios proporcionalmente as suas quotas de capital, podendo os lucros a critério dos sócios serem distribuídos ou ficarem em reserva na sociedade. (sublinhamos) Ementa: ILL. INCIDÊNCIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO CONSTATADA. Se na data do encerramento do período base de apuração, o sócio quotista de sociedade empresária limitada tiver disponibilidade jurídica ou econômica d o lucro líquido apurado, incidirá a norma do artigo 35, da Lei 7.713/88 e a cobrança do ILL não estará maculada pelo vício da inconstitucionalidade. Acórdão 1402002.424, de 22.3.17 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Acórdão n.º 2402006.960 S2C4T2 Fl. 243 8 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013035/99-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.444
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Antonio Carlos Bueno Ribeiro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200211
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10980.013035/99-15
conteudo_id_s : 5983428
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 202-00.444
nome_arquivo_s : Decisao_109800130359915.pdf
nome_relator_s : Antonio Carlos Bueno Ribeiro
nome_arquivo_pdf_s : 109800130359915_5983428.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
id : 7680388
ano_sessao_s : 2002
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20200444_109800130359915_200210; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-08-04T17:00:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20200444_109800130359915_200210; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20200444_109800130359915_200210; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-08-04T17:00:10Z; created: 2017-08-04T17:00:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2017-08-04T17:00:10Z; pdf:charsPerPage: 562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-08-04T17:00:10Z | Conteúdo => • Processo n°Recurso n° Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10980.013035/99-15 113.114 T. I. DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LIDA. DRJ em Curitiba - PR RESOLUÇÃO NQ202-00.444 ~.Ld • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: T. I. DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LIDA . RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2002 ~'1~ /!~4fp~~ /~nrique Pinheiro Torres Presidente . Imp/ovrs 1 -/ • Processo nORecurso n° Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10980.013035/99-15 113.114 T. I. DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. . ~ b:J RELATÓRIO E VOTO DO CONSELHEIRO ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO • A matéria objeto de litígio neste processo decorre de lançamento de oficio cuja solução reside em saber se, nos termos das regras de classificação de mercadorias, o produto "serpentina" se identifica com os produtos "condensador frigorífico" ou "evaporador frigorífico", únicos produtos classificados no código 8418.99.00, da Tabela aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 10 de dezembro de 1996, baseada na Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, beneficiados pela isenção de IPI deferida pela Lei nO9.433/97, nos termos da Nota 12 do Anexo deste ato legal. Assim, como a competência para julgar os recursos interpostos em processos fiscais de que trata o art. 25 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pela Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, cuja matéria, objeto de litígio, decorra de lançamento de oficio de classificação de mercadorias relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, por força do Decreto nQ 2.562, de 27.04.98 (DOU de 28.04.98), foi transferida para o Terceiro Conselho de Contribuintes, voto no sentido de declinar da competência para julgamento deste processo e pelo seu encaminhamento àquele Egrégio Conselho. IO Sala das Sessões, e~ 05 de novembro de 2002 • 2 00000001 00000002
_version_ : 1713051663611199488
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903499/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.705
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/08/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.903499/2012-85
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989635
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.705
nome_arquivo_s : Decisao_10283903499201285.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283903499201285_5989635.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7698060
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663635316736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.903499/201285 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.705 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente BIC AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 99 /2 01 2- 85 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.565. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903499/201285 Acórdão n.º 3302006.705 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907889/2016-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.896
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.907889/2016-38
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993219
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.896
nome_arquivo_s : Decisao_13896907889201638.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896907889201638_5993219.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7706110
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663638462464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907889/201638 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.896 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 88 9/ 20 16 -3 8 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13896.907889/201638 Resolução nº 3201001.896 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720042/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
Considera-se com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional.
Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida.
Ainda que tenha havido a rescisão do contrato com a empresa brasileira, constatado que o empregado, durante a estadia no exterior, firmou contrato com a outrora empregadora, bem como retornou a nela laborar, há de se recolher as contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida, principalmente em razão de as empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico.
Numero da decisão: 2202-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson .
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Considera-se com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional. Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida. Ainda que tenha havido a rescisão do contrato com a empresa brasileira, constatado que o empregado, durante a estadia no exterior, firmou contrato com a outrora empregadora, bem como retornou a nela laborar, há de se recolher as contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida, principalmente em razão de as empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10972.720042/2011-98
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986906
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.903
nome_arquivo_s : Decisao_10972720042201198.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10972720042201198_5986906.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson . Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7695236
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663659433984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2096; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.269 1 2.268 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.720042/201198 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.903 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Considerase com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional. Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida. Ainda que tenha havido a rescisão do contrato com a empresa brasileira, constatado que o empregado, durante a estadia no exterior, firmou contrato com a outrora empregadora, bem como retornou a nela laborar, há de se recolher as contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida, principalmente em razão de as empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 42 /2 01 1- 98 Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.270 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson . Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10972.720042/201198, em face do acórdão nº 0944.871, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 03 de julho de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “No presente processo constam os autos de infração a seguir relacionados, referentes ao período 06/2006 a 12/2010, inclusive 13º salários, cuja ciência do sujeito passivo deuse em 29/07/2011, pessoalmente através do Sr. Zigomar Borges Correia – Gerente de Contabilidade e procurador da empresa, conforme doc. de fls. 168/171. a) AIOP – DEBCAD nº 37.347.3010 consolidado em 29/07/2011, no valor de R$ 1.743.879,17 (um milhão, setecentos e quarenta e três mil, oitocentos e setenta e nove reais e dezessete centavos), relativo ao período de 06/2006 a 12/2010, acostado às fls. 03/17 dos autos, para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, SAT/RAT, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados expatriados, devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria e nem informadas em GFIP. Os fatos geradores foram identificados nos levantamentos E – EXPATR PATRONAL ANTES DA MP 449, competência 02/2007(MULTA DE 24%), E1 – EXPATR PATRONAL RETR MP 449, período 06/2006 A 11/2008 (MULTA DE 75%) e E2 – Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.271 3 EXPATR PATRONAL MP 449, período de 12/2008 a 12/2010, exigindose a contribuição patronal de 20% e SAT/RAT de 2% até 05/2007, 3% de 06/2007 a 12/2009 e alíquota ajustada após 01/2010 em função do FAP, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados expatriados, que prestam serviços à empresa autuada. b) AIOP – DEBCAD nº 37.347.3028 consolidado em 29/07/2011, no valor de R$ 37.556,83 (trinta e sete mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos), relativo ao período de 06/2006 a 12/2010, acostado às fls. 18/28 dos autos, para cobrança das contribuições previdenciárias referente a parte dos segurados, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados expatriados, devidas à Seguridade Social, não descontadas de suas remunerações e não recolhidas em época própria e nem informadas em GFIP. c) AIOA – CFL 68 DEBCAD nº 37.347.3060, lavrado em 05/07/2011, no valor de R$ 31.792,31 (trinta e um mil, setecentos e noventa e dois reais e trinta e um centavos), por apresentar a empresa, GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o artigo 32, IV e parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o artigo 225, IV e parágrafo 4º, do RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. No relatório fiscal de fls. 32/117 a autoridade lançadora registra, sobre os Autos de Infrações AIOP Debcad nº 37.347.3010 e nº 37.347.3028 e AIOA Debcad nº 37.347.3060, o que se segue: O sujeito passivo apresentou à auditoria, em meio magnético, suas folhas de pagamento no layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Instrução Normativa MPS/SRP 12, de 20/06/2006, artigos 61 e 62 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005, e artigo 8º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003, conforme recibo anexo fl. 172. Constituem fatos geradores das contribuições sociais o pagamento de remunerações aos segurados empregados a serviço da empresa Black & Decker do Brasil Ltda., expatriados/transferidos para países sediados no exterior. O lançamento do crédito compreende: as contribuições sociais a cargo da empresa, inclusive SAT/RAT, a contribuição dos segurados, mas deles não descontadas pelo sujeito passivo incidentes sobre o total das remunerações pagas a segurados empregados expatriados e ainda, a multa por descumprimento de obrigação acessória. Salientese que nenhuma contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, foi lançada no presente processo, Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.272 4 em função de expressa determinação legal contida no artigo 11, Capítulo II, da Lei nº 7.064/1982. Advirtase que os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores das contribuições previdenciárias lançadas neste processo fiscal deveriam ter sido declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, efetuandose os correspondentes recolhimentos. O sujeito passivo deixou de cumprir com as obrigações tributárias descritas acima, motivo pelo qual a RFB efetuou de ofício o presente lançamento, com aplicação das penalidades estabelecidas na Lei vigente na data de ocorrência dos fatos geradores, observando, inclusive, em relação às competências até a edição da Medida Provisória n° 449/2008 (11/2008), que alterou substancialmente a forma de aplicação de penalidades para os casos de não pagamento e de não declaração de contribuições previdenciárias, a aplicação da penalidade menos severa, em cumprimento ao contido no Artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Foram destacados pelo auditor os seguintes pontos: 1. A empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA é uma empresa nacional pertencente a grupo empresarial sediado nos Estados Unidos, grupo este com ramificações empresariais em vários países. 2. constatouse que a empresa transferiu 03 (três) de seus funcionários, cujos contratos estavam sendo executados em estabelecimento seu localizado aqui no Brasil, para trabalharem no exterior, em empresas de seu conglomerado econômico. 3. Os empregados transferidos foram : Oswaldo Vitoratto Júnior e Renato Costa Panzarini, transferidos para os Estados Unidos; Paulo Fernando Martins, transferido para a Argentina. 4. O deslocamento de trabalhadores para o exterior possui legislação específica (Lei 7.064/82 e Decreto 89.339/84), a qual trata, dentre outras questões, da situação previdenciária dos transferidos. Ressaltese, entretanto, que a legislação citada, bem como as demais leis internas em matéria previdenciária deverão curvarse à primazia dos Acordos Internacionais de Previdência, quando existirem. 5. Considerando a legislação interna vigente e a inexistência de Acordo Internacional de Previdência social assinado entre o Brasil e os Estados Unidos da América, temse que os funcionários transferidos para este país mantêm a qualidade de segurados obrigatórios da Previdência Social durante o período de prestação no exterior, sendo devido, portanto, o normal custeio da Previdência em relação a eles. Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.273 5 6. O teor do Acordo Internacional de Previdência Social assinado entre o Brasil e a Argentina retira a condição de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social brasileiro em relação ao trabalhador transferido para a Argentina, garantindo a este, igualdade de direitos previdenciários relativamente ao trabalhador argentino naquele país, inclusive a contagem do tempo lá trabalhado para fins de implementação futura ao direito à aposentadoria aqui no Brasil, quando de sua repatriação. 7. Tendo em vista a regra geral contida no Acordo Internacional e no Ajuste Administrativo firmados entre o Brasil e a Argentina, acerca da definição da legislação aplicável aos casos de transferências de trabalhadores entre os dois Estados, não são segurados obrigatórios da Previdência Social brasileira, pois, aplicarseá a legislação do país em cujo território se encontrem, no caso, a legislação da República da Argentina. 8. A não vinculação destes trabalhadores à Previdência Social Brasileira se dá, por não se enquadrarem as aludidas transferências na exceção prevista no artigo 3o do Acordo Internacional, c/c o artigo 4o do Ajuste Administrativo. Primeiro, porque o prazo da transferência é superior ao limite de doze meses admitida na regra de exceção, e, segundo, porque não há CERTIFICADO DE DESLOCAMENTO TEMPORÁRIO, relativamente a este empregado transferido. Sobre a Legislação interna brasileira, Lei 7.064, de 6 de Dezembro de 1982 que disciplina a situação, inclusive previdenciária, de trabalhadores contratados ou transferidos para prestar serviços no exterior, o auditor destaca o seguinte: 1. A referida Lei, juntamente com o Decreto n°. 89.339, de 31 de janeiro de 1984, que a regulamenta, corresponde a parte importante da legislação pátria atualmente vigente em nosso ordenamento jurídico, pois disciplina a situação dos trabalhadores contratados no Brasil, ou transferidos para prestarem serviços no exterior. 2. As transferências de empregados para localidade diversa da originalmente contratada somente serão reguladas pelos artigos 469 e 470 da CLT no caso destas transferências restringiremse aos limites do território brasileiro. Na hipótese de transferências para o exterior, em face de suas peculiaridades estas são disciplinadas, independentemente do seguimento econômico da empresa que transfere o trabalhador, pelo capítulo II da Lei 7.064/82. 3. Nas hipóteses de transferência prevista no capítulo II, da Lei 7.064/82, o vínculo de emprego continua estabelecido com a empresa brasileira, ocorrendo apenas transferência da localidade da prestação, permanecendo o trabalhador transferido vinculado à Previdência Social Brasileira. 4. A Lei 7.064/82, é o fundamento legal acerca do reconhecimento dos senhores Osvaldo e Renato , transferidos Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.274 6 para os Estados Unidos pelo sujeito passivo, como segurados obrigatórios do Regime Previdenciário brasileiro. 5. A legislação previdenciária que rege o trabalho do expatriado, no caso as Leis 7.064/82 e 8.212/91 não se excluem, mas pelo contrário, se complementam, na medida em que esta última deu maior abrangência à proteção previdenciária do trabalhador expatriado. Sobre a Lei 8.212/91 o auditor diz que: 1. O artigo 12, I, “f”, apenas aumentou a abrangência da proteção previdenciária estabelecida na Lei 7.064/82, com vistas a garantir ao trabalhador a sua filiação ao regime previdenciário brasileiro mesmo no caso de contratação pela empresa estrangeira, desde que se trate de contratação de brasileiro ou estrangeiro, domiciliado e contratado aqui no Brasil, para trabalhar como empregado em empresa sediada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. 2. Na Lei 8.212/91, a transferência do trabalhador para o exterior está consubstanciada na alínea "a", inciso I, do artigo 12, na medida em que situa todos os empregados de empresas brasileiras como segurados empregados da Previdência Social. E não há dúvidas, se a hipótese é de mera transferência do empregado pela empresa brasileira, inquestionável que o vínculo de emprego permanece com esta, ainda que tal situação jurídica esteja formalmente dissimulada. Para melhor elucidar a questão o auditor destaca que Segurado empregado e Empregado, são figuras jurídicas próximas, mas distintas e nem sempre coincidentes. É certo que todo empregado de uma empresa brasileira será necessariamente segurado empregado da Previdência Social na condição de segurado empregado, exatamente em virtude da alínea "a", vista acima, porém, o inverso não é absolutamente verdadeiro, ou seja, tendo em vista o disposto nas demais alíneas do inciso I, artigo 12, da Lei 8.212/91, há situações em que a pessoa física assume obrigatoriamente a condição de segurado empregado perante a Previdência Social, mesmo não sendo um empregado nos termos definido pela CLT Sustentando a ocorrência de transferência dos trabalhadores Oswaldo e Renato para trabalharem no exterior em empresas do grupo econômico do sujeito passivo, o auditor salienta os seguintes aspectos: a). Sobre a transferência do Oswaldo Vitoratto Júnior. 1. O Sr. OSWALDO foi admitido em 22/11/1989 pela empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, no cargo de Diretor de Vendas/ Gerente de Departamento de Tesouraria 2. Em 02/1998, o aludido funcionário teve seu contrato de trabalho formalmente rescindido, (fls. 196/197), sendo transferido pela BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA para trabalhar em empresa de seu grupo econômico sediada nos Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.275 7 Estados Unidos, onde permaneceu laborando até 12/2007, quando, então, retornou ao Brasil para voltar a executar seu contrato de trabalho em estabelecimento da Black & Decker neste país, 3. Conforme documento remetido pela empresa estrangeira destinado à auditoria informouse o pagamento de salários (em dólares) do senhor OSWALDO nos Estados Unidos. 4. Durante o período em que esteve trabalhando em empresa do grupo econômico da BLACK & DECKER sediada no exterior (02/1998 a 12/2007), nenhum contrato de trabalho entre a empresa estrangeira e o senhor OSWALDO foi formalizado. Por outro lado, não obstante a rescisão formalmente efetivada pelo sujeito passivo por ocasião da transferência do trabalhador, em 02/1998, novos contratos de trabalho foram efetivados com a empresa brasileira para os períodos 05/1998 a 03/2001 (Contrato de Trabalho e Rescisão Contratual) e 05/2002 até a saída definitiva do funcionário (Contrato de Trabalho e Rescisão Contratual), ambos no cargo de Presidente. 5. Registrese que durante o período da transferência do SR. OSWALDO para o exterior, a empresa BLACK & DECKER, aqui no Brasil, permaneceu pagando ao trabalhador parte de sua remuneração, fato comprovado mediante folhas de pagamentos apresentadas em meio magnético e ainda pelas Fichas Financeiras, também apresentadas a esta Auditoria Fiscal pelo sujeito passivo. 6. As remunerações pagas ao senhor Oswaldo pela empresa BLACK & DECKER aqui no Brasil, durante o período de transferência do trabalhador, foram realizadas sob o título de diversas rubricas, tais como, "horas normais", "utilidades", "férias", "décimo terceiro salário", etc. 7. As fichas financeiras correspondentes ao período da transferência, comprovam circunstâncias que deixam muito clara a continuidade da vinculação do Senhor Oswaldo perante a empresa Black & Decker do Brasil Ltda, tais como: No canto superior esquerdo do mencionado documento, no campo "Vínculo Empregatício:" consta a informação "Com vínculo"; No campo "Recolhe FGTS:" consta a informação "SIM"; No campo "Desconta INSS:" consta a informação "SIM"; No campo "Recebe Férias:" consta a informação "SIM"; No campo "Recebe 13°:" consta a informação "SIM" Analisando as rubricas discriminadas nas aludidas fichas constatase o desconto de valores sob o título de "Assist Medica" e "OMINT Saúde", fato que comprova a manutenção de Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.276 8 Assistência Médica pelo sujeito passivo em favor do Sr.Oswaldo , durante o período da transferência. 8. Em relação à parte do salário que é paga ao funcionário aqui no Brasil, a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA efetuou o desconto de contribuições previdenciárias a cargo do segurado, assim como recolheu as referidas contribuições a seu cargo (parte patronal), demonstrando que o sujeito passivo não duvida acerca da condição do Sr.Oswaldo como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social. 9. A própria empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA reconhece plenamente a natureza do deslocamento do Sr. Oswaldo como TRANSFERÊNCIA de funcionário para empresa estrangeira de seu grupo econômico, sediada nos Estados Unidos, circunstância claramente demonstrada em documento que apresentou a auditoria, conforme trechos a seguir transcritos: "Black & Decker do Brasil Ltda, por seu representante legal, (...) vem respeitosamente à presença de V. As. para: Apresentar os demonstrativos dos valores das remunerações do funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR, CPF 660.904.07887, pagas em dólar americano no período de 01/2006 a 12/2007 pela empresa do grupo da signatária sediada nos Estados Unidos da América, e demonstrativos dos valores pagos em Reais no período de 01/2006 a 03/2009 pela signatária;" Informar que o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR esteve trabalhando no exterior no período de 02/1998 a 12/2007; Informar que na transferência para os Estados Unidos da América, o contrato de trabalho entre o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR e a Signatária, foi rescindido formalmente. Entretanto novo contrato foi feito para o período de 05/1998 a 03/2001 e outro de 05/2002 até a saída do funcionário em 03/2009. • Informar que não foi firmado novo contrato de trabalho entre o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR e a empresa do grupo da Signatária sediada no exterior; Transferência do Sr. Renato Costa Panzarini, o AuditorFiscal Diz que: 1. A efetivação da transferência do Sr. Renato, em linhas gerais, se deu praticamente do mesmo “modus operandi” do praticado em relação ao Senhor Oswaldo. 2. O Sr. Renato, teve o pagamento de sua remuneração efetuado integralmente pela empresa estrangeira pertencente ao grupo econômico da empresa Black Decker do Brasil para a qual ele foi transferido. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.277 9 3. que o pagamento pela empresa estrangeira, todavia, não tem nenhum reflexo na definição da natureza jurídica do deslocamento deste funcionário para o exterior, pois, bem mais importante é o fato de seu contrato estar sendo executado aqui no Brasil por ocasião de sua expatriação (inciso I, do artigo 2o, da Lei 7.064/82). 4. O Sr. Renato foi admitido em 02/01/1997 pela empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, no cargo de Diretor de Materiais / Gerente de Departamento de Tesouraria (Ficha de Registro de empregado/Contrato de Trabalho), empresa na qual executava seu contrato de contrato. 5. Em 03/2000, o aludido funcionário, teve seu contrato de trabalho formalmente rescindido, todavia permaneceu ainda prestando seus serviços ao conglomerado econômico, tudo conforme informado pelo sujeito passivo através de documento destinado a esta auditoria e confirmado pelas fichas financeiras relativas ao pagamento de salários (em dólares), as quais foram remetidas pela empresa estrangeira à BLACK & DECKER brasileira e por esta também apresentadas à Auditoria. 6. Durante o período em que esteve trabalhando em empresa do grupo econômico da BLACK & DECKER sediada no exterior (03/2000 até a presente data), nenhum contrato de trabalho entre a empresa estrangeira e o Sr. Renato foi formalizado, conforme informado pelo sujeito passivo. 7. mesmo que existisse o contrato de trabalho formalizado com a empresa estrangeira do grupo econômico da BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, esta hipótese não seria suficiente para descaracterizar a realidade ocorrida, qual seja, a mera transferência da localidade da prestação, do Brasil, em cujo território o contrato do funcionário era executado, para outro estabelecimento sediado no exterior. 8. A continuidade do vinculo do Sr. Renato com a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA é reconhecida pela própria empresa como funcionário, mesmo estando ele atualmente trabalhando em estabelecimento de seu grupo econômico sediado nos Estados Unidos, assim como exterioriza de forma plena a sua convicção quanto à natureza do deslocamento do referido trabalhador como sendo TRANSFERÊNCIA de funcionário para o exterior, circunstâncias estas claramente demonstradas em documento que apresentou à auditoria, conforme trechos a seguir transcritos: "Black & Decker do Brasil Ltda, por seu representante legal, (...) vem respeitosamente à presença de V. As. Para: Apresentar os demonstrativos dos valores das remunerações do funcionário RENATO COSTA PANZARINI, pagas em dólar americano no período de 01/2006 a 12/2010 pela empresa do grupo da signatária sediada nos Estados Unidos da América. A signatária o funcionário no período de 01/2006 a 12/2010." Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.278 10 Informar que o funcionário foi transferido para os Estados Unidos da América em 03/2000 para trabalhar em empresa do grupo da Signatária, onde permanece até esta data; informar que na transferência para os Estados Unidos da America, o contrato de trabalho entre o funcionário e a Signatária foi rescindido formalmente. A signatária apresenta como anexo o contrato de trabalho rescindido. Informar que não foi firmado novo contrato de trabalho entre o funcionário e a empresa do grupo da Signatária sediada no exterior; A signatária informa que não localizou em seus arquivos o processo de expatriação do aludido funcionário. Afirma o auditor que diante do conjunto de provas e evidencias, sem nenhuma dúvida, ocorreu a remoção dos funcionários Renato Panzarini, Oswaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins para empresas do grupo econômico da BLACK & DECKER BRASIL LTDA enquadramse no conceito de transferência de trabalhador para o exterior, nos termos em que está delineado no artigo 2o da Lei 7.064/82. Registrese, mais uma vez, quetransferência do Sr. Paulo não foi objeto do lançamento, em face da existência de Acordo Internacional. Reforçando mais ainda sua convicção sobre a ocorrência da transferência dos funcionários para o exterior, o auditor assim se expressa: Durante o período das transferências, a empresa Black & Decker do Brasil Ltda permaneceu pagando parte dos salários dos funcionários Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins; Por ocasião das transferências a empresa procedeu à rescisão formal dos contratos de trabalho dos três funcionários removidos para o exterior, no entanto, ao longo do período de permanência destes no exterior, a empresa Black & Decker do Brasil Ltda formalizou dois novos contratos de trabalho com o Sr. Osvaldo Vitoratto Júnior e um com o Sr. Paulo Fernando Martins; Relativamente aos senhores Osvaldo vitoratto Júnior e Renato Costa Panzarini sequer foram formalizados contratos de trabalho com a empresa estrangeira do grupo da Black & Decker do Brasil Ltda. Em relação ao senhor Paulo Fernando Martins o sujeito passivo afirmou que foi formalizado contrato de trabalho perante a empresa estrangeira de seu grupo econômico, solicitou prazo para apresentação, mas não o fez até a presente data. Ressaltamos, como fizemos noutra oportunidade, que a formalização de contrato perante a empresa estrangeira, por si apenas, não tem o condão de descaracterizar a transferência dos funcionários. Contudo, a inexistência destes são indicativos fortes de que a vinculação empregatícia destes permaneceu com a empresa Black & Decker do Brasil Ltda. Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.279 11 A continuidade de vínculo dos funcionários removidos para o exterior com a empresa Black & Decker do Brasil Ltda está estampada nas fichas financeiras de pagamento de parte dos salários dos funcionários Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins, realizado aqui no Brasil pelo sujeito passivo. Nestes documentos, elaborados pelo sujeito passivo, comprova se que esta empresa, durante o período da transferência, descontou contribuições previdenciárias das remunerações pagas aos aludidos funcionários, pagoulhes remunerações a título de férias e décimo terceiro salário, depositou FGTS em favor dos funcionários. Nestes documentos ainda contêm a informação "Com vínculo", demonstrando a condição de funcionário dos transferidos. Nos esclarecimentos do sujeito passivo, apresentados a esta Auditoria Fiscal (DOC 06 e DOC 15), há o claro reconhecimento pelo próprio sujeito passivo quanto ao vínculo de emprego existente com esta empresa, bem como, da transferência a que foram submetidos os três funcionários. Nos citados documentos, a empresa Black & Decker do Brasil reportase aos senhores Osvaldo vitoratto Júnior, Paulo Fernando Martins e Renato Costa Panzarini, por seguidas vezes, como funcionários transferidos. Dois dos funcionários removidos para o exterior (Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins) já retornaram a laborar no território brasileiro, e ao fazêlo, o destino profissional deles foi exatamente a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA. O segundo citado, inclusive, ocupa atualmente cargo executivo na citada empresa. O primeiro deles, após permanecer por um determinado período trabalhando em cargo executivo do sujeito passivo, rescindiu de fato e definitivamente o seu contrato de trabalho. Lembrando que os contratos de trabalho destes permaneceram vigentes durante o período das transferências, pois, a despeito de ter sido realizada a formal rescisão contratual destes trabalhadores, por ocasião de suas remoções para o exterior, foram formalizados novos contratos pouco tempo depois. Sobre as bases de cálculo das contribuições a autoridade lançadora diz que de acordo com a Lei de Custeio da Seguridade Social, , corresponde ao valor das remunerações destinadas aos segurados transferidos, independentemente de qual caixa provenham os recursos utilizados no seu pagamento, isto é, se do caixa do sujeito passivo, que, de acordo com a legislação brasileira é empregadora dos funcionários transferidos, ou se do caixa da empresa estrangeira para onde foi transferido cada um dos funcionários. Em seguida o auditor colaciona decisões judiciais de casos semelhantes, alinhadas com as conclusões da auditoria fiscal, ver fls. 92/100. Ressalta o fisco que valores das remunerações informadas em dólares americanos pelo sujeito passivo foram convertidos para Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.280 12 moeda nacional (Reais), com base no câmbio oficial divulgado pelo Banco Central do Brasil – BACEN, apresentados na planilha denominada "Demonstrativo das remunerações dos Segurados Expatriados e das Correspondentes Contribuições Lançadas", sendo anexada em meio digital ao presente processo (DOC 20). A citada planilha contém, por competência, os valores das remunerações dos funcionários OSWALDO VITORATTO JÚNIOR e RENATO COSTA PANZARINI, relativas ao período da transferência para o exterior, expressos em dólares americanos e em reais, bem como os valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre as aludidas remunerações, inclusive valores a título de SAT/RAT. Registrese que as contribuições devidas pelos segurados (artigo 20, da Lei 8.212/91), mas não descontadas pela empresa, apenas foram lançadas contribuições a cargo do segurado RENATO COSTA PANZARINI, observandose para tal, o limite máximo do salário de contribuição previsto no § 5o, artigo 28, da Lei 8.212/91. No tocante ao segurado OSWALDO VITORATTO JÚNIOR, a empresa já havia descontado das remunerações que lhe pagou no Brasil, durante o período da transferência, o valor máximo de contribuições dele exigidas por Lei, bem como recolhido os referidos valores. Relata a autoridade fiscal, que os acréscimos legais (juros e multa) incidentes sobre os valores originais apurados a título de parte patronal (FPAS/SAT), parte dos segurados não descontada e da penalidade por falta de declaração em GFIP (descumprimento de obrigação acessória – AIOA CFL 68), foram registrados em aplicativo próprio da RFB, que calcula automaticamente os acréscimos legais (juros e multa de ofício), podendo o seu resultado ser verificado no Relatório de Lançamentos, anexo ao Auto de Infração. Para as competências 06/2006 a 11/2008, foi calculada a multa de mora por falta de pagamento no prazo legal, incidente sobre os valores originários apurados: 24% sobre os valores das contribuições lançadas (artigo 35, II, "a", da Lei n° 8.212/91 redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/1999, mas revogada pela MP n° 449, de 03/12/2008, que deu nova redação ao citado dispositivo). No período ora abordado, além da multa de mora, acima mencionada, aplicável pelo não pagamento das contribuições no prazo legalmente estabelecido, o contribuinte ainda estava sujeito à multa por deixar de declarar em suas GFIPs todos os fatos geradores/contribuições lançadas no presente processo fiscal (descumprimento de obrigação acessória), estando o valor da referida penalidade estabelecido no artigo 32, § 5o, da Lei 8.212/91, que igualmente foi revogado pela MP n° 449, de 03/12/2008: multa equivalente a 100% dos valores não declarados no citado documento, limitado ao valor da multa Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.281 13 que seria aplicado caso a empresa não tivesse sequer apresentado a GFIP. Esta penalidade foi aplicada em auto de Infração distinto, isto é, através do AIOA Debcad nº 37.347.3060, que também integra o presente processo fiscal. Ressaltese que a aplicação conjunta das penalidades mencionadas anteriormente (multa de mora, pela falta de pagamento, e penalidade pela falta de declaração, ou seja, pelo descumprimento de obrigação acessória) estava, entretanto, condicionada à análise e observância da penalidade menos severa em comparação à penalidade instituída pela MP n° 449, de 03/12/2008. Em razão disso, a aplicação conjunta das penalidades reportadas acima, apenas ocorreu na competência 02/2007 (24% de multa de mora e AIOA CFL 68). Em todas as demais competências foi aplicada a penalidade instituída com a edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, multa de ofício de 75%, aplicável cumulativamente pelo não pagamento e pela não declaração, na medida em que esta se mostrou menos severa ao sujeito passivo, conforme previsão contida na alínea “c”, inciso II, do artigo 106 do CTN. Para as competências 12/2008 a 13/2010, foi aplicada a multa de ofício de 75% por falta de declaração e falta de pagamento no prazo legal, não tendo neste período que se falar em comparativo de multas para aplicação da mais benéfica, prevalecendo a nova multa prevista na MP 449/2008. No Auto de Infração Debcad nº 37.347.3060 – AIOA CFL 68, foi lançada a multa por não declarar as contribuições previdenciárias em GFIP, infração ao artigo 32, §5º, da Lei nº 8.212/1991, revogado pela MP nº 449/2008, em relação à competência 02/2007, equivalente a 100% dos valores não declarados, limitado seu valor a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no artigo 92, em função do número de segurados existente na empresa, conforme valores previstos no § 4º do mesmo artigo. DA IMPUGNAÇÃO Em 30/08/2011, envelope sedex fls. 2076/2078 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou impugnação aos AIOPs Debcad nºs 37.347.3010, 37.347.3028 e AIOA 37.347.3060, fls. 1757/1792, 1863/1898 e 1969/2005, onde expõe: Em relação aos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal, inicialmente diz que o entendimento da fiscalização está equivocado pois os trabalhadores citados são exempregados que passaram a trabalhar no exterior (dois nos E.U.A e um na Argentina) após a rescisão dos contratos de trabalho no Brasil. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.282 14 A fiscalização simplesmente ignorou os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT's' apresentados, ora juntados à presente defesa, devidamente homologados pela entidade sindical, e considerou que os referidos exempregados foram "transferidos" para o exterior, nos termos da Lei n° 7.064/82 e do Decreto n° 89.339/84. Diz que a situação não configura a hipótese se transferência contida na Lei nº 7.064/82, merecendo ser anulado o presente Auto de Infração, em razão do que passa a demonstrar. Da decadência parcial do débito Diz a impugnante que o débito ora em discussão se encontra parcialmente extinto pela decadência, haja vista tratarse de débito relativo ao período compreendido entre junho/2006 e dezembro/2010 (13° salário), tendo o contribuinte sido intimado da presente notificação apenas em 29/07/2011. A doutrina e a jurisprudência pátria são unânimes em declarar a natureza tributária das contribuições sociais. Nestas condições, verificase que o prazo decadencial para que a fiscalização constituísse eventual débito da impugnante era de 5 anos, consoante dispõe o artigo 173 e 150, § 4o, ambos do CTN. Cita a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da lei 8.212/91 e estabeleceu em 5 anos o prazo decadencial para o INSS constituir seus créditos, dizendo que nesse sentido aplicase, preliminarmente, o contido no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Logo, após a edição da referida súmula, em não tendo ocorrido antecipação de pagamento, o prazo para constituição do crédito previdenciário passa ser de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado. Ressaltase que nessa esteira de raciocínio, concluiu a fiscalização que não estariam decaídos os valores da competência de junho de 2006, como se tivessem seu prazo decadencial iniciado apenas em janeiro de 2007. Ocorre que tal entendimento nega vigência ao artigo 150, §4°, do CTN, considerando ser indiscutível que as contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e o prazo que a Seguridade Social dispõe para constituir seus créditos é qüinqüenal, começando a fluir da data da ocorrência do fato gerador, a teor do § 4o, do art. 150, do CTN. Relata a empresa impugnante que é incontroverso e pode ser observado nos sistemas da Previdência Social (isto porque está sendo cobrado apenas uma diferença de contribuições previdenciárias incidente sobre a folha de salários (FPAS/SAT/SEGURADO) que nesses meses a empresa lançou outros fatos geradores em seus documentos declaratórios, de Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.283 15 modo que houve o pagamento de tributo declarado em GFIP (sobre o efetivo salário dos empregados e todos os demais valores que constituíram a base de cálculo para tanto), cabendo à autoridade homologar o valor informado e recolhido, o que não ocorreu, acarretando a extinção do pretenso crédito tributário após 5 anos do fato gerador. Assim sendo, a autuação se encontra atingida pela decadência em relação ao mês de 06/2006, que teve vencimento em 02/07/2006 e decadência em 03/07/2011. Da ausência de Fundamento Legal Diz a impugnante que a fiscalização mencionou diversas vezes no relatório fiscal da autuação que a impugnante teria deixado de atender exigências contidas na Lei n° 7.064/82 e no Decreto n° 89.339/84, que se referem à TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS ATIVOS PARA O EXTERIOR, o que não foi o fato ocorrido. No entanto, nenhum dispositivo da Lei n° 7.064/82 ou do Decreto n° 89.339/84 foi apontado como fundamento do débito no Relatório de Fundamentos Legais FLD, que seguiu anexo ao auto de infração. No caso em análise, ainda há que se ressaltar que a forma do ato administrativo que constitui o crédito tributoprevidenciário é essencial para sua validade, nos termos do artigo 142 do CTN, do artigo 37 da Lei n° 8.212/91 e até mesmo da Instrução Normativa n° 971/2009, atualmente vigente. Do Mérito Não obstante a impugnante haver apresentado documentos que demonstram o término do contrato de trabalho dos referidos ex empregados (conforme os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT's' apresentados à fiscalização e ora juntados à presente defesa), a auditoria fiscal considerou que os referidos exempregados teriam sido "transferidos" para o exterior, nos termos da Lei n° 7.064/82 e do Decreto n° 89.339/84. Entretanto, os referidos exempregados da impugnante tiveram seus contratos de trabalhos terminados no Brasil não configurando a hipótese de transferência, contida na Lei n° 7.064/82. Descartase, de plano, a hipótese de transferência contida na lei, uma vez que todos os 3 (três) exempregados da ora impugnante NÃO FORAM: removidos para o exterior com contrato executado no território brasileiro; cedidos a empresa sediada no estrangeiro, mantendo o vínculo trabalhista com o empregador brasileiro; e contratados por Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.284 16 empresa sediada no Brasil para trabalhar a seu serviço no exterior. Nos 3 (três) casos, como é fato incontroverso exposto no próprio relatório fiscal, houve encerramento do vínculo de emprego existente entre os referidos exempregados, “in verbis” • Por ocasião das transferências a empresa procedeu a rescisão formal dos contratos de trabalho dos três funcionários removidos para o exterior (...)" (g.n.) Diz ainda que a rescisão de contrato de trabalho com a devida assistência da entidade sindical consiste em ato jurídico perfeito e acabado (art. 6o da LICC), não havendo que se falar, portanto, em transferência. Da incompetência da fiscalização para declarar eventual continuidade de vínculo empregatício Na seqüência alega a incompetência da fiscalização da Receita Federal do Brasil para declarar a continuidade do vínculo empregatício. Relata que a Fiscalização do INSS entendeu por bem desconsiderar as rescisões de contrato de trabalho havidas e concomitantemente autuar a impugnante por ter concluído que teria havido continuidade de vínculo entre os referidos 3 (três) empregados citados em razão de suposta transferência. Ocorre que, nos termos do art. 114 da Constituição Federal de 1988, em especial após as modificações que lhe foram introduzidas pela Emenda Constitucional n°. 45/2004, SOMENTE A JUSTIÇA DO TRABALHO TEM COMPETÊNCIA PARA TANTO. Diz que o Sr. Auditor Fiscal claramente extrapolou os limites de sua função, uma vez que invadiu esfera de competência da Justiça do Trabalho, declarando a continuidade de vínculo empregatício entre os Srs. Oswaldo Vitoratto Júnior, Renato Costa Panzarini e Paulo Fernandes Martins com a ora impugnante, mesmo após a rescisão de seus contratos de trabalho homologada pelo Sindicato. Afirma que a incompetência do INSS (atual fiscalização da RFB) para a declaração de vínculo de emprego decorre até mesmo da impossibilidade da Fiscalização apurar com precisão a existência dos requisitos necessários para a caracterização do vínculo laboral, especialmente no que se refere à subordinação jurídica. E ainda, que a fiscalização ignorou os documentos apresentados pela ora impugnante e somente se ateve à análise de documentos que lhe foram convenientes, não observando a realidade fática da relação jurídica, o que impede (e impediu, no presente caso) a verificação de que teria havido continuidade, no exterior, do contrato de trabalho com a impugnante. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.285 17 Nesse sentido, a recorrente traz reiterados julgados do Tribunal Regional Federal da 4a Região, que demonstram a impossibilidade de declaração de vínculo de emprega pelo INSS. Neste caso, em a Justiça do Trabalho declarando a unicidade dos contratos de trabalho e ato contínuo entendendo ser aplicável a legislação brasileira, poderia esta determinar o pagamento de verbas não quitadas e relativas ao período em que os serviços foram prestados no exterior, como, por exemplo, gratificação de natal (décimo terceiro salário), FGTS, contribuições previdenciárias (INSS), férias com 1/3, tomandose como base o valor integral pago fora do Brasil. Portanto, a fiscalização não possui competência para: (i)desconsiderar a rescisão dos contratos e ignorar os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCTs' apresentados (ora juntados à presente defesa); (ii)caracterizar a hipótese de transferência contida na Lei n° 7.064/82; e ainda, (iii)declarar a continuidade de vínculo entre os empregados rescindidos e a ora impugnante, à época em que os mesmo prestaram serviços para outra empregadora, no exterior. Da inexistência de lei que autorize a cobrança de contribuições previdenc1árias nos casos em análise não ocorrência da hipótese prevista na lei n° 8.212/91 Ressalta que a Lei n° 8.212/91, em seu art. 12, dispõe de maneira clara e precisa quem são os segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados e que notadamente, para fazer jus à autuação ora lavrada, a fiscalização realizou toda uma construção, construção essa não baseada em fatos ou documentos, mas sim em suposições. Neste sentido, para justificar os lançamentos, alegou a ocorrência do art. 12, I, f, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do referido artigo, são segurados obrigatórios da Previdência Social o empregado brasileiro, ou estrangeiro domiciliado, e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. No caso em análise, os citados empregados não se enquadram na hipótese prevista na alínea f, do inciso I, do artigo 12, da Lei n° 8.212/91. Da análise específica e individualizada dos casos apontados pela fiscalização a) Oswaldo Vitoratto Junior Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.286 18 Em síntese, o Sr. Oswaldo foi empregado da impugnante nos seguintes períodos (conforme declaração de próprio punho anexa): de 22/11/1989 a 01/02/1998; de 02/05/1998 a 30/03/2001; e de 02/05/2002 a 03/03/2009. E, nesses períodos, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas em decorrência do contrato de trabalho no Brasil e recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de exclusão de lançamentos por parte da fiscalização. Se durante esses períodos o Sr. Oswaldo prestou serviços no exterior empresa estrangeira e em decorrência de contrato regido pelas leis estrangeiras, não pode a impugnante ser compelida a efetuar recolhimentos em decorrência de pagamentos ajustados com a empresa estrangeira e efetuados no exterior, sobre os quais a empresa brasileira jamais teve qualquer ingerência. Logo, em relação ao Sr. Oswaldo nada mais deve ser tributado, poís: (i)o Sr. Oswaldo nunca foi transferido para prestar serviços no exterior; (ii)as rescisões dos contratos de trabalho entre o Sr. Oswaldo e a impugnante foram devidamente homologadas pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; (iii)sempre que a impugnante necessitou dos serviços de consultoria do Sr. Oswaldo, mesmo nos períodos em que ele esteve residindo no exterior, o contratou como empregado no Brasil, registrandoo e honrando o salário ajustado por força dos serviços contratados pela empresa brasileira, efetuando todos os pagamentos, sem exceção, na folha de pagamento da empresa no Brasil e respeitando a legislação trabalhista brasileira; (iv)todos os valores por ele percebidos em razão do contrato vigente com a empresa brasileira, mesmo a prestação de serviços tendo ocorrido fora do país, foram conservadoramente considerados para pagamento de verbas trabalhistas e tributados para efeito das contribuições previdenciárias; e (v)os valores recebidos pelo Sr. Oswaldo fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Oswaldo devem ser excluídos da presente autuação. b) Renato Costa Panzarini Em síntese, o Sr. Renato foi empregado da impugnante no seguinte período (conforme declaração de próprio punho anexa): de 02/01/1997 a 09/03/2000. Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.287 19 Neste contexto, cumpre salientar que, nesse período, e em relação ao contrato de trabalho firmado no Brasil, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas e recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de reconhecimento por parte da fiscalização. Cumpre reiterar que o contrato de trabalho entre o Sr. Renato e a impugnante foi rescindido e devidamente homologado pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado. É de se salientar que a rescisão do contrato de trabalho entre o Sr. Renato e a impugnante se deu em 09/03/2000 (!!!), ou seja, há mais de 11 anos, sendo inconcebível que a impugnante tenha sido autuada em razão de relação que se encerrou antes do período fiscalizado e há mais de uma década. Logo, em relação ao Sr. Renato nada mais deve ser tributado pois: (i) o Sr, Renato não é empregado da impugnante desde 09/03/2000, quando o contrato de trabalho entre ele e a impugnante foi rescindido, tendo tal rescisão sido homologada pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; (ii) após a rescisão ocorrida em 09/03/2000 o Sr. Renato nunca mais prestou serviços para a impugnante, conforme se verifica da declaração emitida de próprio punho pelo Sr. Renato; (iii) como o contrato de trabalho do Sr. Renato foi rescindido de pleno direito, descabido considerar que ele foi transferido para prestar serviços no exterior; e (iv) os valores recebidos pelo Sr. Renato fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (lex loci executionis) (por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Renato devem ser excluídos da presente autuação. c) Paulo Fernando Martins Apesar do relatório fiscal e demais documentos da autuação demonstrarem que não houve lançamentos referentes ao Sr. Paulo, a impugnante teceu alguns comentários a este respeito. Em síntese, o Sr. Paulo foi empregado da impugnante nos seguintes períodos (conforme declaração de próprio punho anexa): de 28/04/1984 a 16/06/2000; e a partir de 03/06/2002 até hoje (ainda em vigência). Neste contexto, cumpre salientar que, nestes períodos, e em relação aos contratos de trabalho firmados no Brasil, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas e Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.288 20 recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de exclusão de lançamentos por parte da fiscalização. Isso porque, mesmo estando fora do país, o Sr. Paulo, nos períodos acima informados, continuou responsável por algumas atividades do Brasil, apesar de não efetivar sua prestação de serviços no Brasil. Buscando ser correta e idônea, a empresa sempre tributou os valores recebidos por ele no Brasil, apesar da efetiva prestação de serviços se dar no exterior, apesar da saída do referido ex empregado do país haver se dado de forma definitiva (declaração anexa). Neste sentido, como já abordado anteriormente, é plenamente possível a existência de dois contratos de trabalho simultâneos, um no Brasil e outro no exterior, sem que seja necessário que a empresa brasileira efetue o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores recebidos pelo vínculo de empregado mantido entre seu empregado e um outra empresa do exterior, por tratarse de outra empregadora, outro contrato e de prestação de serviços em relação à qual a empresa brasileira não tem qualquer relação ou ingerência. Logo, em relação ao Sr. Paulo nada mais deve ser tributado, pois: (i) o Sr. Paulo nunca foi transferido para prestar serviços no exterior; (ii)a rescisão do contrato de trabalho entre o Sr. Paulo e a impugnante foi devidamente homologada pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; e (iii)os valores recebidos pelo Sr. Paulo fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (lex loci executionis) por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Paulo no exterior não devem constituir base de cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias. Do valor da multa Questiona o valor da multa aplicada sob a alegação de que a fiscalização confundiu multa de mora com multa de ofício, deixando de aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte em todo período da autuação. Diz que, com efeito, não se pode comparar a multa de mora de 75% com multa decorrente de não informação em GFIP, que tem caráter meramente acessório. A multa de mora de 75% somente pode ser comparada com a multa de mesma natureza que antes era prevista na Lei 8.212/91, e era de 24%. Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.289 21 Como se sabe, as multas acima referidas, as quais são totalmente distintas uma da outra, estavam previstas ambas na Lei n° 8.212/91, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, portanto, deve ser aplicada apenas a multa de 24% para todo o período, pois essa é a penalidade mais benéfica ao contribuinte, independentemente da multa por eventual obrigação acessória. Da exclusão dos representantes legais da empresa Pede ao final, a exclusão dos representantes legais da empresa do Relatório de Vínculos, sob a alegação de que a inclusão dos administradores não se afigura legal pois o artigo 13, da Lei nº 8.620/1993 foi expressamente revogado com a publicação da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, conforme preceitua o artigo 79 em seu inciso VII. Diz que nesse contexto, com a revogação e conseqüentemente ausência de amparo legal, passou a ser defeso ao Fisco imputar a responsabilidade das empresas por dívidas relacionadas às contribuições previdenciárias aos seus administradores, muito menos a um contador. Explica que o Sr. Zigomar Borges Correa é apenas o contador da empresa, ou seja, não tem qualquer poder de gestão e por isto não pode ser responsabilizado. O Sr. Brett Severin nunca foi sócio da empresa e não teve qualquer conduta ilícita apontada no relatório fiscal, devendo ser excluído. Igualmente, o Sr. Domingos Gragone, não teve qualquer conduta ilícita, devendo também ser excluído. AIOA CFL 68 Em relação ao Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória – Debcad nº 37.347.3060, no valor de R$ 31.792,31, que também compõe este processo comprot nº 10972.720042/201198, a empresa apresentou a impugnação juntada às fls. 1969/2005, contendo os mesmos argumentos da impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Principal acrescentando tão somente a parte a seguir relatada: Contesta o valor da multa aplicada em razão das informações não prestadas em GFIP, alegando que deve ser apurada com base em valor fixo de R$ 20,00, para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, que é a mais benéfica ao contribuinte, muito mais do que a comparação feita pela autoridade fiscal onde comparou a multa de mora de 24% e a multa de ofício de 75%. Ao final protesta a impugnante pela produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem às provas necessárias para a real apuração da verdade material. Requerendo que todas as notificações sejam expedidas também ao patrono da impugnante. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.290 22 Em 02/03/2012, através do Despacho nº 56, da 5ª Turma/DRJ/JFA,fls. 2080/2081, o processo foi diligenciado, com a finalidade de dirimir dúvida decorrente da impugnação apresentada, onde a julgadora questiona vários pontos. Após relatar resumidamente os pontos mais importantes do processo e do Relatório Fiscal e ainda as alegações apresentadas pelo contribuinte na Impugnação, a julgadora apresenta o seguinte questionamento: (...) “Não consta dos autos documentos que comprove o vínculo mencionado. Todavia, consta do sistema informatizado da RFB/CNPJ, que o Sr. Brett Severin respondia pela empresa no período de 10/11/1994 a 28/04/1998. Diante do exposto, entende necessária a determinação de diligência para que a autoridade lançadora esclareça o vínculo do referido segurado com a empresa, confirmando ou não o período mencionado no Relatório de Vínculos e juntado aos autos os documentos comprobatórios pertinentes. (...) Em 09/08/2012, o auditor fiscal responsável pelo lançamento, atende aos questionamentos do Despacho de Diligência através do Relatório Fiscal da Diligência, anexado às fls. 2160/2161 dos autos. Reexaminando o citado Relatório de Vínculos observa se que o Sr. Brett Severin Stuhr Olson consta como sócio da empresa no período de 01/06/1996 a 01/07/2006. Esta informação cadastral veio na carga fiscal disponibilizada a esta Auditoria, e tem a sua origem nos sistemas mantidos pela Dataprev. Contudo, verificando o sistema da RFB, sistema CNPJ, pesquisa de sócios (base de dados do SERPRO), observase que o Sr. Brett Severin não consta atualmente como sócio da empresa autuada e nem mesmo como sócio excluído. Analisando as alterações do contrato social da empresa Black & Decker do Brasil Ltda, datadas de 12/08/1999, 16/12/2005, 29/05/2006, 08/05/2007, 15/05/2008, 08/04/2011 e 05/12/2011, constatase que o nome do Sr. Brett Severin Stuhr Olson igualmente não consta como sócio da autuada. Portanto, apesar de ter vindo na carga fiscal desta Auditoria, o nome do Sr. Brett Severin deveria ter sido excluído do quadro cadastral da empresa, na medida em que, no período do débito, não foi identificado nenhum vínculo deste com a empresa autuada. Assimsendo, é correta a exclusão do referido nome do quadro de sócios da empresa Black & Decker do Brasil Ltda. Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.291 23 Juntamos ao presente processo cópia das alterações contratuais da impugnante datadas de 29/05/2006, 08/05/2007, 15/05/2008, 08/04/2011 e 05/12/2011 respectivamente DOC d01, DOC d02, DOC d03, DOC d04 e DOC d05. O contribuinte foi cientificado, pessoalmente através de seu procurador, do Relatório Fiscal da Diligência em 17/08/2012, fl. 2161, e no prazo legal, 27/08/2012, envelope sedex fl. 2168, apresentou Manifestação de fls. 2165/2166, onde alega que: No relatório fiscal de diligência a autoridade lançadora reconheceu que o Sr. Brett Severin nunca foi sócio da impugnante, ao contrário do apontado no relatório de vínculos das autuações, de modo a ser correta sua exclusão do presente processo administrativo. A impugnante concorda com a conclusão do referido relatório, ressaltando, porém, que todas as pessoas físicas e não só o Sr. Brett Severin devem ser excluídas do presente processo. Isto porque, mais uma vez, a fiscalização não apontou qualquer conduta ilícita que teria sido cometida pelas pessoas físicas listadas, requisito essencial para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Portanto, reitera a impugnante todo o contido em suas defesas administrativas (inclusive quanto ao mérito), especialmente sua conclusão de que: "com a revogação do artigo 13 da Lei n° 8.620/93, a fiscalização só poderá incluir/manter coresponsável pessoa física se comprovar a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social e estatutos, NO PERÍODO DO OBJETO DA AUTUAÇÃO, fatos que não ocorreram, sendo de rigor a exclusão das pessoas físicas mencionadas dos relatórios da presente autuação".” A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação, mantendose parcialmente o débito tributário. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls.2220/2265, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminar Fundamentação Legal FLD Em primeiro lugar cabe esclarecer que o lançamento foi fundamentado na Lei 7.064/1982, vigente no ordenamento jurídico brasileiro, o fato de não constar expressamente Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.292 24 no Anexo Fundamento Legal do Débito FLD, não verifico que isto, por si só, resulta em qualquer irregularidade, pois no relatório fiscal, em vasta argumentação, a autoridade lançadora sustentou a sua aplicabilidade ao caso concreto. Além disso, mesmo querendo, o auditor não teria como incluíla no texto do anexo FLD, isto porque se trata de informação gerada diretamente do sistema informatizado usado pela fiscalização nos lançamentos dos créditos tributários, identificado como SAFIS, sem acesso a inclusões ou exclusões pela autoridade lançadora. Havendo necessidade da citação de leis especiais, diferente daquelas existes no banco de dados para a geração do anexo FLD, utilizase, como cuidadosamente feito, o relatório fiscal. Da análise dos elementos que compõem os autos, vêse em vasta documentação e argumentação, que a fiscalização sustentou que as rescisões de contrato de trabalho dos expatriados foram fictícias. No caso concreto a vinculação destes trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, ocorre inequivocamente. Que os funcionários foram transferidos do Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, em consonância com a autoridade fiscal e diante do conjunto de provas apresentadas, firmase a convicção quanto à realidade fática desta situação. Vêse contudo que a empresa domiciliada no exterior não possui a maioria do capital votante da empresa brasileira de capital nacional. A situação em tela é especial, haja vista que a constituição jurídica da autuada é “empresa de responsabilidade limitada” pertencente unicamente a dois sócios pessoas jurídicas, quais sejam BLACK & DECKER PANAMÁ S A E BLACK & DECKER INC. Afigurase, no caso um grupo econômico, sendo possível inferir que as empresas proprietárias estrangeiras têm o controle da sediada no Brasil. Diante dos fatos, temse que os trabalhadores contratados pela empresa sediada no Brasil, passam a prestar serviços no estrangeiro a um dos proprietários da empresa brasileira, sem a formalização do contrato de trabalho e manutenção de vinculo com a empresa originária, porque dela continuaram a receber remunerações, fato este abundantemente comprovado nos autos. Assim complementando o raciocínio, tais funcionários, na verdade, continuaram como contratados pela empresa brasileira, mas transferidos para prestar serviço ao sócio proprietário residente no exterior, o que permite concluir que a eles aplicamse as regras gerais da legislação previdenciária brasileira, como empregado, ou seja, o art. 12, inciso I, alínea “a” e em razão da transferência para o exterior, em especial, a Lei 7.064/1982 . É oportuno ressaltar, que o lançamento fiscal foi elaborado mediante abundante estudo realizado pelo auditor fiscal, com destaque para a análise da Lei 7.064/1982 e Lei 8.212/1991, onde, ao contrario do que diz a contribuinte, o auditor expressa que o art 12, inciso I alínea ‘f” não é o fundamento legal do enquadramento no caso concreto e sim, como acima concluído, aplicase a regra geral prevista no art. 12, inciso I aliena “a” da Lei 8.212/1991. Eis a transcrição, in verbis de trechos com a conclusão mencionada: Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.293 25 "Nesse sentido, o artigo 12, I, “f”, da Lei 8.212/91, é literalmente claro.Vejamos o que ele diz, alertando, porém, não ser o citado dispositivo fundamento legal do enquadramento que fizemos no caso concreto (a sua análise se dá unicamente com o propósito de enriquecer e complementar a abordagem acerca da situação previdenciária dos trabalhadores que prestam serviços no exterior), o que se tem por conveniente. ............... a) Transferência do trabalhador para prestar serviços no exterior, inexistindo Acordo Internacional de Previdência Social entre o Brasil e o país de destino aplicase a legislação interna brasileira (capítulo II da Lei 7.064/82, mais precisamente o parágrafo único do artigo 3º da citada Lei, c/c o artigo 12, I, “a”, da Lei 8.212/91). Os trabalhadores transferidos estão vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, na condição de segurados empregados, sendo devido, portanto, o custeio da Previdência Social destes trabalhadores. O sujeito passivo da obrigação tributária/previdenciária é a empresa brasileira que promove a transferência do trabalhador para trabalhar no exterior. Corresponde à situação fática ocorrida em relação aos funcionários Osvaldo Vitoratto Junior e Renato Costa Panzarini, deslocados pelo sujeito passivo para trabalharem em empresa de seu grupo econômico sediada nos Estados Unidos." Portanto, rejeitase a preliminar suscitada. 2. Mérito. Com relação a este aspecto, há que se considerar o fato que na grande maioria dos casos, quando uma empresa sediada no estrangeiro, controladora de uma empresa brasileira, recruta e contrata aqui no Brasil um trabalhador aqui domiciliado, isto ocorre por intermédio da empresa brasileira controlada. No entanto, conforme se verifica nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, esta situação é diferente no caso em questão, razão pela qual o lançamento não deve ser mantido, consoante será demonstrado. Ao meu entender não restou comprovado pela fiscalização que o sujeito passivo da contribuição previdenciária, a qual tem como objeto o financiamento da seguridade social do trabalhador expatriado, seria a Black & Decker do Brasil. Ao que se verifica nos autos deste processo, os dois empregados (Renato Panzarini e Paulo Martins) foram efetivamente dispensados da empresa brasileira, ora recorrente, tendo após cada exempregado iniciado um novo trabalho no exterior. Ademais, o fato de Paulo Martins ter retornado a trabalhar para a contribuinte, posteriormente a rescisão do contrato de trabalho, verificase que no caso concreto o primeiro contrato de trabalho foi rescindido e, somente após, foi realizado novo contrato de trabalho. Assim, não há como considerar que houve continuidade da relação de emprego. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.294 26 Quanto a Renato Panzarini, a situação é ainda mais clara, pois depois da rescisão do contrato de trabalho com a contribuinte, este não retornou a trabalhar para a contribuinte. Portanto, não se verifica que há, em ambos os casos, a continuidade da relação de emprego. Assim, não demonstrou a fiscalização ter ocorrido a alegada transferência dos empregados, de modo a descaracterizar as rescisões de contrato de trabalho existentes, ônus que lhe incumbia. Desta forma, descabe exigir da recorrente o cumprimento, posterior a rescisão do contrato de trabalho, das obrigações decorrentes destes fatos, tais como prestar todas as informações e esclarecimentos do interesse da fiscalização, na qual se incluem informar a base de cálculo relativa às contribuições previdenciárias a seu cargo. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Como bem narrado pelo em. Relator, o cerne da discussão consiste na subsistência, ou não, do vínculo com a empresa Black & Decker do Brasil durante o período de prestação de serviços no exterior. Caso se considere que a rescisão foi meramente formal, aplicase o Capítulo II da Lei 7.064/82, reconhecendose, assim, que os empregados jamais perderam o status de segurados da previdência brasileira. Por outro lado, caso se reconheça a validade da rescisão e posterior vinculação à empresa estrangeira, aplicase o Capítulo III do mesmo diploma, afastandose a vinculação dos trabalhadores ao RGPS. Analisando a jurisprudência trabalhista esse respeito, constatase que prevalece o entendimento de que a rescisão contratual seguida de imediata contratação por empresa do mesmo grupo econômico configura fraude à legislação trabalhista. Nestes casos, defendese que as empresas pertencentes ao mesmo grupo configuram "empregador único", o que enseja o reconhecimento da "unicidade contratual". Vejase: (...) RECURSO DE REVISTA. DISPENSA SEGUIDA DE ADMISSÃO EM EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. UNICIDADE CONTRATUAL. FRAUDE ÀS LEIS TRABALHISTAS. PROVIMENTO. Como se vê da transcrição da decisão objurgada, constatase que houve sucessivos contratos de trabalho, sendo que, o segundo pacto laboral, firmado entre o Autor e a Gerdau Ameristeel, foi formalizado imediatamente após (um dia depois) a extinção do primeiro contrato pactuado entre o Recorrente e a Reclamada, Gerdau Aços Longos SA, sendo que ambas empresas são pertencentes do mesmo grupo econômico. Assim, não obstante Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.295 27 constar no documento que formaliza a proposta para o Autor assumir cargo nos Estados Unidos que seu vínculo empregatício seria a Gerdau Ameristeel, empresa do mesmo grupo econômico da Reclamada, em verdade, tal cláusula contratual deixa clara a evidente intenção dos empregadores de fraudar os direitos trabalhistas do obreiro, eis que se trata de uma transferência mascarada por rescisão contratual e nova contratação, tendo em vista que a própria empresa, pelo teor do referido documento, assume o tônus de transferência a mudança do Autor. O teor do art. 3° da Lei nº 7.064/1982 preconiza que acerca da aplicação da lei brasileira em se tratando de transferência para a prestação de serviço no exterior, e o Regional, ao afastar a unicidade contratual, incorreu em violação do art. 3º da Lei 7.064/82. Portanto, nulas são as dispensas ocorridas em 18/02/2005 e em janeiro de 2009, restando comprovado que não houve solução de continuidade quanto à prestação de serviços pelo obreiro em tal período, considerase, por isso, que o contrato de trabalho do Reclamante com a Reclamada, Gerdau Aços Longos SA., perdurou de 06/10/1994 a fevereiro de 2009, razão pela qual declarase a unicidade contratual. Recurso de Revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR266017.2010.5.02.0072, 2ª Turma, Desembargador Convocado Relator: Cláudio Armando Couce de Menezes. Data do acórdão: 16 de setembro de 2015. Sublinhas deste voto). (...) Cabe destacar que, acerca do contrato de trabalho vigente de 10/02/1971 a 15/03/1976 (demissão) e recontratação em 02/05/1977, não se configura unicidade contratual, mas somente rescisão contratual com posterior contratação, um ano depois, sem elementos para a demonstração de prática de fraude pela exempregadora do reclamante em demitir e recontratar. Do mesmo modo, no período de 02/05/1977 a 13/10/1978 (demissão) e recontratação em 16/09/1980 não houve um único contrato de trabalho, na medida em que, após a demissão ocorrida em 13/10/1978, transcorreram dois anos até a nova contratação em 16/09/1980. Hipótese diversa se deu na rescisão contratual, relativa ao período de 16/09/1980 a 31/01/1992 (demissão) e imediata recontratação em fevereiro/1992, em que se vislumbra um único contrato de trabalho, com início em 16/09/1980 e a nulidade da rescisão, nos termos do artigo 9º da CLT. Por outro lado, em relação à rescisão ocorrida em 26/02/1999 e imediata recontratação em 1º/03/1999 (dois dias depois), também se verifica que, de fato, o contrato de trabalho do reclamante não se encerrou naquela data, ou seja, não houve solução de continuidade, mas um único contrato, que perdurou até 30/09/2003, conforme fundamentos a seguir expostos (...).Salientase que o preposto confessou que “no Brasil o autor estava subordinado ao presidente para a América Latina e que quando o autor estava em Miami, estava subordinado a este mesmo presidente de nome Jens Olesen”, segundo registrou o Regional (PROCESSO Nº TSTRR152800 97.2004.5.01.0073, 2ª Turma, Min. Relator: José Roberto Freire Pimenta. Data do acórdão: 09 de dezembro de 2014. Sublinhas deste voto). Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.296 28 (...) Sustenta a reclamada a existência de dois contratos distintos e autônomos. Alega que a unicidade contratual reconhecido viola o disposto no art. 2o, §2o da CLT. Depreendese do trecho antes transcrito que o Regional decidiu com base nos elementos instrutuórios dos autos, concluindo estarem presentes os elementos caracterizadores do grupo econômico e da relação empregatícia una. Com efeito, a Corte de origem evidenciou que "uma vez reconhecida a formação de grupo econômico, reputase irregular a dispensa, por se tratar de simples transferência de empregado entre empresas do grupo". Nesse cenário, eventual reforma da decisão importaria o reexame da prova dos autos, intento defesa nesta fase, nos termos da Súmula 126 do TST. A decisão está, antes, consentânea com os termos do dispositivo legal indicado (TST ARR 1576820125040372, Relator: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de julgamento: 10/08/2016, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 19/08/2016. Sublinhas deste voto). A 8ª Turma do eg. Tribunal Superior do Trabalho, contudo, já se manifestou no sentido de que o simples fato de um funcionário ser dispensado e em seguida contratado por empresa do mesmo grupo econômico não gera presunção de fraude, especialmente nos casos em que a rescisão contratual ocorre em conformidade com a legislação trabalhista e com a devida assistência sindical: (...) Conforme afirmado pelo acórdão regional, o fato do reclamante ter rescindido seu contrato de trabalho e posteriormente ter sido contratado por outra empresa do grupo econômico não induz à conclusão de que tal procedimento foi maculado por fraude. Tanto é assim que o acórdão regional consigna que a rescisão contratual observou todas as determinações legais, sem prejuízo ao recorrente, que o procedimento foi realizado com a assistência sindical, com ressalva apenas em relação às diferenças relativas à database e que o reclamante, inclusive, sacou os depósitos de FGTS logo após formalizada a ruptura contratual. Como se não fosse suficiente, não há emissão de tese pelo Regional acerca da sucessão, mas, tão somente, fundamentação a respeito da existência de grupo econômico. Ilesos os artigos de lei apontados como violados. Há mais. Compulsandose o acórdão regional, verificase que não há clareza quanto às datas de rescisão e contratação pelas empresas reclamadas. Embora o reclamante tenha requerido nos embargos de declaração, não as renovou de forma percuciente no recurso de revista, como visto na análise do primeiro tópico recursal. Dessa forma, não há como saber se, entre o encerramento de um contrato e o início do outro, não houve solução de continuidade. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.297 29 Assim, os arestos de fl. 333 não servem ao fim pretendido, pois fundamentamse na premissa de ausência de solução de continuidade, situação cuja ocorrência (ou não) não é possível se extrair do acórdão regional. O aresto de fls. 333/334 e os dois últimos de fl. 334 são inespecíficos porque partem da premissa que houve a fraude, o que foi robustamente afastado pelo acórdão de origem, que indicou, inclusive, a participação do sindicato representativo da categoria do reclamante no procedimento, que ressalvou apenas a existência de diferença em decorrência da database (PROCESSO Nº TSTRR36330080.2006.5.12.0004, 8ª Turma, Min. Relatora: Dora Maria da Costa. Data do acórdão: 30/03/2011. Sublinhas deste voto.). Como constatado pelo em. Relator, no caso do segurado Renato Panzarini inexiste quaisquer elementos probatórios quanto à manutenção de seu vínculo com a empresa Black & Decker do Brasil após a rescisão contratual, não subsistindo motivos para considerálo segurado obrigatório do RGPS. Ademais, ante a expectativa do trabalhador de permanecer permanentemente no exterior, como demonstrado no documento de fls. 18501853, não vejo como ser obrigatório o recolhimento das contribuições previdenciárias, uma vez que, a princípio, o exfuncionário sequer regressará ao Brasil. Por outro lado, a situação fática do caso relacionado ao segurado Paulo Martins pareceme diversa. Isto porque, concluo que não houve rescisão seguida de novo contrato independente com a empresa estrangeira (capítulo III da Lei nº 7064/82), mas sim subsistência do vínculo com a empresa brasileira e transferência para o exterior (capítulo II da Lei n. 7064/82). Para além de ter sido contratado por empresa estrangeira que pertence ao mesmo grupo econômico da Black & Decker do Brasil, durante sua estadia no exterior, foram firmados novos contratos com a empresa brasileira, que ensejaram o pagamento de remunerações em reais (período de concomitância: junho de 2002 a fevereiro de 2009). Além disso, após o período no exterior, continuou Paulo Martins a laborar para a Black & Decker do Brasil. Com a devida vênia ao em. Relator, dou provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Fl. 2297DF CARF MF
score : 1.0
