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Numero do processo: 10865.002052/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO N. 70.235/72 RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1202-000.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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DECRETO N. 70.235/72 RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Fl. 162DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10865.002052/2007-89 Acórdão n.º 1202-000.556 S1-C2T2 Fl. 163 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcelo Baetta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Jorge Celso Freire da Silva, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10865.002052/2007-89 Acórdão n.º 1202-000.556 S1-C2T2 Fl. 164 3 Relatório Adoto, inicialmente, o relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo descreve de forma precisa os fatos dos autos até aquele momento processual: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/10, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$ 166.660,54, relativo ao ano-calendário de 2002 (fl. 03). A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela DRF Limeira/SP no Despacho Decisório de fls. 45/47, por intermédio do qual a autoridade competente reconheceu parcialmente o direito creditório contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 3.880,94, e, por conseguinte, homologou, até o limite do crédito reconhecido, as compensações declaradas neste processo, sob o fundamento de que, no ano-calendário de 2000, a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 179.761,91, conforme DIPJ original, todavia, em 11/04/2002, esta DIPJ foi retificada (fl. 39) e na declaração retificadora não foi apurado saldo negativo (fl. 41), o que tornou inexeqüível a compensação das estimativas de IRPJ devidas nos meses de fevereiro e março de 2002. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.77/81, acompanhada dos documentos de fls. 82/113, na qual alega, em síntese, que: a) a empresa apresentou declaração de compensação perante a Secretaria da Receita Federal, em 27/11/2003, de créditos de saldo negativo de IRPJ, apurado no ano-calendário de 2002, no valor total de R$ 166.660,54, devendo ser utilizado para compensação o montante de R$ 107.920,01; b) referida declaração demonstrava que as estimativas devidas de fevereiro e março de 2002, no valor total de R$ 162.779,60, havia sido compensado com o saldo negativo apurado no ano-calendário de 2000, no valor de R$ 179.761,91; c) a autoridade competente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 3.880,94, invalidando as compensações dos meses de fevereiro e março de 2002; d) a contribuinte não entregou qualquer declaração retificadora relativa ao ano-calendário de 2000, mas tão-somente efetuou contabilmente o estorno do crédito e compensação, nos termos da análise realizada por seus auditores; e) discorre sobre o relatório de auditoria de fls. 99/100; f) em razão desta análise, a empresa interessada apresentou declaração de compensação, em 27/11/2003, de forma a utilizar crédito de R$ 107.920,01, do qual foi utilizado efetivamente apenas R$ 107.129,00; g) o crédito foi estornado, conforme histórico do livro Razão, de forma a compensar os juros e multas das antecipações, Fl. 164DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10865.002052/2007-89 Acórdão n.º 1202-000.556 S1-C2T2 Fl. 165 4 utilizando-se para tanto de outros créditos que a empresa possuía — créditos de IPI e demais tributos; h) embora o pedido de compensação tenha declarado valor de saldo negativo de R$ 166.660,54, o valor do saldo efetivamente utilizado foi de R$ 107.129,00; i) a informação de que a empresa efetuou a entrega de DIPJ-retificadora, em relação ao ano calendário de 2000, não procede, muito embora no processo existam documentos que demonstrem tal entrega; j) não é prática da empresa retificar suas declarações; k) não há na empresa qualquer cópia ou documento que comprove a entrega desta declaração, tendo solicitado cópia da DIPJ-retificadora para ver se a mesma constitui declaração da empresa, ou se trata de outra sociedade, que tenha por erro utilizado o CNPJ da interessada; 1) a DIPJretificadora, mencionada no despacho decisório deve ser desconsiderada, devendo ter havido equívoco, quanto à sua vinculação com a empresa interessada. Ao final, requer que seja reconhecido o crédito de R$ 166.660,54, desconsiderando a DIPJ-retificadora, homologando-se as compensações até o valor de R$ 107.129,00, bem como apurando novamente eventual saldo devedor, com os acréscimos legais devidos.” Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO-CALENDÁRIO: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 2001 IRPJ. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto de renda devido nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. Solicitação Indeferida” Restando inconformada com a decisão de 1ª instância a Contribuinte interpôs intempestivamente Recurso Voluntário (fls. 127/131), alegando, em síntese, que Fl. 165DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10865.002052/2007-89 Acórdão n.º 1202-000.556 S1-C2T2 Fl. 166 5 a) não procede a informação de que a empresa efetuou a entrega da DIPJ- retificadora em relação ao ano-calendário 2000, que supostamente invalida o crédito de sua titularidade; e que b) as informações contidas na retificadora acima mencionada não espelham a realidade dos fatos consoante cópias dos registros contidos no LALUR e no Livro Diário referentes ao ano-calendário 2000. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Trata-se de recurso voluntário interposto pela C P Kelko Brasil S/A contra a decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade relativa ao saldo negativo de IRPJ. A norma reguladora do prazo para a interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instância está expressa no artigo 33 do Decreto no 70.235/1972, que estabelece o seguinte: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." A legislação acima transcrita, que dispões sobre o processo administrativo fiscal, é clara e objetiva, ao estabelecer prazo limite para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa em segunda instância no contencioso administrativo. Os prazos para interposição de impugnações e recursos estabelecidos no Decreto no 70.235/72 são fatais, de forma que as petições da espécie apresentadas além dos prazos de lei não devem ser conhecidas pelas instâncias administrativas julgadoras. No caso em exame verifica-se que, pelo aviso de recebimento (fl. 157), a Recorrente foi regularmente notificada em seu domicílio fiscal em 27/10/2008. No entanto, o recurso voluntário foi interposto em 01/12/2008 (fl. 127), ou seja, cinco dias após o término do prazo legal, contado nos termos do artigo 5º de referido Decreto. Destarte, os elementos constantes do presente processo demonstram, de forma inequívoca, que a Recorrente não observou o prazo de 30 dias estabelecido na norma legal para a interposição de recurso voluntário, o qual venceu em 26/11/2008. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10865.002052/2007-89 Acórdão n.º 1202-000.556 S1-C2T2 Fl. 167 6 Em vista dos fatos, não pairam dúvidas sobre a ocorrência da perempção, razão pela qual voto por que não se conheça do recurso voluntário, em atendimento também ao posicionamento deste Conselho, a exemplo da ementa abaixo transcrtita: “IRPF - RECURSO VOLUNTÁRIO - PEREMPÇÃO - NÃO CONHECIMENTO - De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da data da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância. Conforme o inc. III, do § 2º, do art. 23, do referido diploma legal, considera-se feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 10246067, do Processo 13973000050200121, de 2/7/2003, do Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária). Diante do acima exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 167DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13886.000254/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – EFEITOS DA SUA INOBSERVÂNCIA – NULIDADE DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de descumprimento de normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal
GLOSA FONTE
Somente o imposto comprovadamente pago ou retido na fonte,
correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual.
Mantida a glosa efetuada, por ausência de comprovação hábil da retenção alegada.
Numero da decisão: 2102-001.382
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos,
AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – EFEITOS DA SUA INOBSERVÂNCIA – NULIDADE DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de descumprimento de normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal GLOSA FONTE Somente o imposto comprovadamente pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual. Mantida a glosa efetuada, por ausência de comprovação hábil da retenção alegada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 61 1 60 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.000254/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.382 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10/06/2011 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente DENACIR APARECIDA DO VALE SACILOTTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – EFEITOS DA SUA INOBSERVÂNCIA – NULIDADE DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de descumprimento de normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal GLOSA FONTE Somente o imposto comprovadamente pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual. Mantida a glosa efetuada, por ausência de comprovação hábil da retenção alegada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Fl. 66DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13886.000254/200817 Acórdão n.º 2102001.382 S2C1T2 Fl. 62 2 Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 5a. Turma da DRJ/SP2, de 08 de julho de 2.010 (fls. 41/43), que por unanimidade de votos manteve exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 05/12/2005, quando foi intimado a recolher o valor total de R$ 2.005,76 (dois mil, cinco reais e setenta e seis centavos) , sendo R$ 1.258,88 a título de imposto, R$ 495,11 de juros de mora e R$ 251,77 de multa. De acordo com o Auto de Infração (fls. 04/06), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da glosa parcial do valor retido na fonte, de R$ 2.163,29, correspondente a rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de AmericanaSP, compensado na sua DIRPF relativa ao ano base de 2.004, conforme demonstrativo elaborado pela imobiliária que administra o bem. Em grau de Recurso a este Conselho, às fls. 45/55, aduz a Recorrente: Preliminarmente, a) que houve cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que a decisão recorrida não apreciou a alegada falta de Mandado de Procedimento Fiscal, necessário para a atividade fiscal, tornando assim, nula a decisão, requerendo que outra seja proferida, caso o mérito deste recurso não seja acolhido; b) que o lançamento é nulo pelo fato de não preceder de Mandado de Procedimento Fiscal, conforme estabelece o art. 2o da Portaria RFB 11.371/2007; Mérito, c) a omissão do valor retido na DIRF entregue pela fonte pagadora, no caso, a Prefeitura Municipal de Americana, incidente sobre os pagamentos de alugueis pago à Recorrente e ao seu marido, não é causa para a glosa do valor compensado, conforme precedente do 1o Conselho de Contribuintes (6a Turma Especial / Acórdão 19600.054 de 21/10/2008), e Fl. 67DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13886.000254/200817 Acórdão n.º 2102001.382 S2C1T2 Fl. 63 3 d) a autuação evidencia que a glosa decorre exclusivamente da omissão da fonte pagadora em informar o valor retido na DIRF, razão pela qual apresentou documento emitido pela imobiliária que administra o bem, demonstrando ainda, a compensação de metade do valor líquido que lhe coube, face à condição de casada no regime de comunhão de bens, com o Sr. Luiz Gabriel Sacilotto. . É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Inicialmente afasto a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, que sob o pretexto dela está sendo requerida a nulidade da decisão proferida, por não ter apreciado a alegada falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Com efeito, a impugnação de fls. 01/ 02 a ele não fez qualquer referencia, não podendo assim, na decisão de primeiro grau, ser apreciada, que dirá, sob este argumento, inexistente na oportunidade de defesa, ser considerada nula. Não obstante este fato, que é relevante, o art. 59 do decreto 70.235/72, menciona como nulos, i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, elementos que não estão presentes no caso em debate, nem mesmo foram questionados pela Recorrente. Dele também se ocupou o decreto 6.104/2007, que ao dar nova redação ao inciso IV, par. 3o do art. 2o do decreto 3.724/2001 estabeleceu que o Mandado de Procedimento Fiscal não seria exigido nos casos relativos ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Destarte, afasto a preliminar de nulidade argüida na peça recursal, pela inexistência do Mandado de Procedimento Fiscal, tanto da decisão recorrida, quanto do trabalho fiscal. Relativamente à questão de mérito, melhor sorte não espera a Recorrente. Com efeito, como informe de rendimentos, a Recorrente apresentou apenas declaração da administradora do seu bem (fls. 08/09), sem qualquer outro documento emitido pela fonte pagadora, no caso, a Prefeitura Municipal de AmericanaSP. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13886.000254/200817 Acórdão n.º 2102001.382 S2C1T2 Fl. 64 4 É fato que a omissão da DIRF em relação a valores pagos e os retidos a título de imposto de renda, exclusivamente, não é suficiente para afastar o direito à compensação, assim como, os valores compensados na DIRPF devem estar embasados em documentos hábeis, notadamente, quando instados pela fiscalização para sua efetiva comprovação, ou então, como no caso em questão, quando confrontados com declarações de órgãos públicos ou entes federativos, como a Prefeitura Municipal de AmericanaSP. Do início do trabalho fiscal até esta fase processual, a Recorrente teve várias oportunidades e tempo para providenciar documento oficial que afastasse a pretensão fiscal e ratificasse o seu direito, bem como, a correção da sua informação na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF, porém, limitouse a alegações e apresentou um único documento, incapaz de comprometer o trabalho fiscal, desatendendo assim, o par. 2º do art. 87 do RIRPF/99. Por essas razões, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 10 de junho de 2011. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 69DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/06/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900057/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À LIQUIDES E CERTEZA DO CRÉDITO.
O conjunto probatório trazido nos autos que não demonstra a existência efetiva do crédito do IRPJ. Empresas do mesmo grupo. Recolhimento do supostos crédito em código distinto do declarado pela contribuinte em sua compensação.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 1201-000.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao Recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À LIQUIDES E CERTEZA DO CRÉDITO. O conjunto probatório trazido nos autos que não demonstra a existência efetiva do crédito do IRPJ. Empresas do mesmo grupo. Recolhimento do supostos crédito em código distinto do declarado pela contribuinte em sua compensação. Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Marcelo Cuba Netto e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de pedido de compensação enviado à Receita Federal em 28/10/2003, de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte no períodobase de 1999, compensado com débitos arrecadados pela Receita Federal. Conforme despacho decisório de fl. 10 da DRF, a compensação realizada pela contribuinte, formalizada pela DCOMP de fls. 1/9, não foi homologada em razão de o crédito utilizado não ter sido confirmado, ou seja, não se comprovou as retenções do IRRF pela contribuinte, no valor de R$ 189.519,46. Inconformada, a contribuinte contestou o despacho decisório (fls. 15/17), alegando que a fonte pagadora omitiu na DIRF as retenções realizadas a título de IRRF sobre rendimentos pagos a ora manifestante. Diz que a fonte pagadora se responsabilizou pela omissão, apresentando declaração de que as retenções, apesar de realizadas, não foram informadas na DIRF, e que os recolhimentos foram comprovados mediante DARF. A manifestante juntou aos autos cópia de declaração da empresa do mesmo grupo, Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transporte S/A, assumindo o erro quanto à ausência de declaração do IRRF na DIRF de 2000, cópia de guias de recolhimento do IRRF no código 3426, cópia do Livro Razão na parte que tratou da escrituração do imposto retido, cópia do PER/DCOMP, cópia da DIPJ de 2002, cópia do Contrato Social da empresa manifestante, entre outros. A DRJ de Juiz de fora, com voto da relatoria do ilustre julgador Marcelo Cuba Netto, entendeu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: O crédito informado pela interessada referese a saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2000, no valor original de R$ 32.562,26. Esse valor compõese inteiramente por IRF que a interessada alega haver sido retido durante o ano de 1999 pela empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A. Por meio do documento de fl. 19, emitido em 08/02/2008, a empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A afirma que, por erro, deixou de informar na DIRF/2000 as retenções de IRF relativas a pagamentos feitos à ora interessada no ano de 1999. Diz que, apesar dessa omissão, as retenções foram efetivamente realizadas e os recolhimentos efetuados, conforme demonstrativo de fl 19. A fim de comprovar sua alegação, anexa os DARF de recolhimento de IRF no código 3426 (fls. 22/27), e parte de seu livro Razão, onde estão registradas as retenções de IRF (fls. 28/31). Fl. 185DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10675.900057/200625 Acórdão n.º 120100.503 S1C2T1 Fl. 185 3 Inicialmente devese observar que a interessada e a empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A. pertencem a um mesmo grupo econômico, logo, as informações prestadas por esta em favor daquela não podem ser aceitas como verdades absolutas, ao contrário, devem ser cabalmente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Pois bem, o código de arrecadação n° 3426, aposto nos DARF pagos pela empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A. (fls.22/2), tem a seguinte descrição: "IRRF Aplicações Financeiras de Renda Fixa Pessoa Jurídica". Por outro lado, a interessada informou na DCOMP (fl. 3) que as retenções de IRF ocorreram sob o código 0924, "Ficart e Demais Rendimentos de Capital (daytrade)". Como se vê, apesar de se tratar de IRRF, a causa da suposta retenção é distinta quando se compara a informação prestada pela fonte pagadora e a informação prestada pela interessada. Ademais, os valores de IRRF referidos nos DARF não correspondem ao valor que a interessada afirma haver sido retido. O contribuinte foi intimado da decisão em 07/09/2009. Inconformado, apresentou Recurso em 05/06/2009, alegando que: A recorrente e a empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A pertencem a um mesmo grupo econômico, tanto é que as retenções em pauta referemse a pagamentos de dividendos. Assim as informações prestadas pela empresa Peixoto e a recorrente de forma alguma poderão receber tratamento diferenciado ou gerar "dúvidas", pois todos os fatos expostos estão amplamente documentados e registrados nos livros contábeis de ambas as empresas; De fato, o código de arrecadação 3426, aposto nos DARF's (fls. 22/27) recolhidos pela empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A tem a seguinte descrição: "IRRF Aplicações Financeiras de Renda Fixa — Pessoa Jurídica" e a recorrente informou na DCOMP sob o número 18269.14664.281003.1.3.024970 que as retenções de IRRF ocorreram sob o código 0924 "Ficart e Demais Rendimentos de Capital (day trade)" A recorrente informou o código 0924 na DCOMP pois este é o código correto para a retenção do rendimento recebido. No entanto o fato da fonte pagadora Peixoto ter recolhido os DARF's (fls.22/27) erroneamente para o código 3426, não descredencia a requerente do direito ao Crédito. Pois cabe aqui é a regularização da informação de recolhimento; Consultado a empresa Peixoto para análise. de sua documentação, a época do recebimento do despacho decisório número de rastreamento 775497897 em 2008, tentou realizar as correções através do procedimento de REDARF via atendimento Fl. 186DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 virtual (site da RFB — CAC) bem como as retificações das informações prestadas em sua Declaração de Créditos e Débitos Tributários (DCTF). No entanto não foi possível realizar as correções face ao espaço temporal; Com relação as diferenças dos valores da Retenção informados pela recorrente na DCOMP e os DARFs apresentados pela fonte pagadora Peixoto, é porque esta não realizou os recolhimentos individualizados, assim cabe a ela demonstrar a composição dos valores retidos em contra partida com os recolhimentos expressos no razão (fis 28/31). A recorrente apresenta a seguinte documentação anexa: 1) Declaração da empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A esclarecendo os fatos referentes aos recolhimentos do Imposto Retido e dos procedimentos adotados. 2) Cópia do Livro Diário Geral nro.: 05 ano 1999 da empresa Guarujá Administração e Participações Ltda com a escrituração das retenções efetuadas pela empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A; Em seu pedido, requereu seja o presente recurso acolhido e julgado procedente pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerando: a) Houve efetivamente a retenção na fonte dos rendimentos recebidos ainda que recolhidos pela fonte pagadora sob outro código, sendo de direito a homologação da existência do Crédito informado na DCOMP; 2) Havendo necessidade, a realização de diligências quantas se fizerem necessárias para a comprovação dos fatos expostos. Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, entendo que a decisão da DRJ não merece reparos. Isso porque, como bem demonstrou a decisão recorrida não há provas nos autos das alegações trazidas pela Recorrente, sendo frágeis os argumentos quanto à demonstração e existência do crédito tributário de IRPJ. A despeito de estar escriturado no livro Razão as retenções, o valor é incompatível com aquilo que fora recolhido pela empresa Peixoto sob código totalmente diverso. Vejamos abaixo as transcrições do acórdão recorrido: Pois bem, o código de arrecadação n° 3426, aposto nos DARF pagos pela empresa Peixoto Comércio Indústria Serviços e Transportes S/A. (fls.22/2), tem a seguinte descrição: "IRRF Aplicações Financeiras de Renda Fixa Pessoa Jurídica". Fl. 187DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10675.900057/200625 Acórdão n.º 120100.503 S1C2T1 Fl. 186 5 Por outro lado, a interessada informou na DCOMP (fl. 3) que as retenções de IRF ocorreram sob o código 0924, "Ficart e Demais Rendimentos de Capital (daytrade)". Quanto à questão do prazo decadencial para a retificação da DIRF e das DARFs, entendo que a contribuinte, quando realizou a entrega do seu pedido de compensação, deveria certificar o seu crédito, sendo muito mais fácil a empresa Recorrente identificar eventual erro quanto aos recolhimentos, pois a empresa que reteve e recolheu o tributo faz parte do mesmo grupo econômico. Por isso, não se justifica qualquer erro no código quanto ao recolhimento do crédito tributário, tanto pela empresa que reteve e recolheu quanto pela Recorrente. Pelo contrário, o fato de possuir o mesmo grupo econômico, se por um lado favorece a troca de informações, por outro lado não justifica a imperícia. Por fim, outro descompasso existente nos autos é a questão dos valores recolhidos no suposto código errado pela empresa Peixoto com aquele informado e declarado a título de saldo negativo pela Recorrente. Observese que os valores de IRRF referidos nos DARF não correspondem ao valor que a interessada afirma haver sido retido. Tal descompasso, por exemplo, sequer foi contestado pela Recorrente, o que fragiliza ainda mais o direito ao crédito. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso ofertado, para no mérito NEGARLHE provimento, em razão da Recorrente não ter trazido aos autos prova quanto à existência do crédito tributário utilizado na compensação. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 188DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011185/2005-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
SALDO DE LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR — OBRIGATORIEDADE DE REALIZAÇÃO ANIMA — É obrigatória a realização mínima anual de 10% do saldo do lucro inflacionário acumulado existente a partir de 1995.
LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO — Constatada a realização insuficiente do lucro inflacionário, correto o lançamento para recomposição da exigência.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Observada a existência de prejuízos acumulados , para fins de determinação do saldo de imposto de renda exigido de oficio, deve ser realizada sua compensação até trinta por cento do valor lançado.
Numero da decisão: 1102-000.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para permitir a compensação dos prejuízos acumulados correspondente à parcela de realização objeto do lançamento.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 SALDO DE LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR — OBRIGATORIEDADE DE REALIZAÇÃO ANIMA — É obrigatória a realização mínima anual de 10% do saldo do lucro inflacionário acumulado existente a partir de 1995. LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO — Constatada a realização insuficiente do lucro inflacionário, correto o lançamento para recomposição da exigência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Observada a existência de prejuízos acumulados , para fins de determinação do saldo de imposto de renda exigido de oficio, deve ser realizada sua compensação até trinta por cento do valor lançado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.011185/2005-74 Recurso n° 501901 - Voluntário Acórdão n° 1102-00.405 — ia Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2010 Matéria LUCRO INFLACIONÁRIO E COMPENSAÇÃO PREJUÍZOS Recorrente EWEN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida 7A.TURMA DRJ/PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 SALDO DE LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR — OBRIGATORIEDADE DE REALIZAÇÃO ANIMA — É obrigatória a realização minima anual de 10% do saldo do lucro inflacionário acumulado existente a partir de 1995. LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO — Constatada a realização insuficiente do lucro inflacionário, correto o lançamento para recomposição da exigência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Observada a existência de prejuízos acumulados , para fins de determinação do saldo de imposto de renda exigido de oficio, deve ser realizada sua compensação até trinta por cento do valor lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para permitir a compensação dos prejuízos acumulados correspondente á. parcela de realização objeto do lançamento. ao e urso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), Joao Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Gneira Ba5CttO, •Manoek Mota 'Fonseca (Saylento convocado) Se4,1.o Go'' Sle es (np nto convocado), e 3 dap CatlosIjOla Inlenov(Vice-PTes‘dente) 2 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 2 Relatório Trata-se de lançamento para exigência do IRPJ, ano-calendário 2000, exercício 2001, lavrado em 16/12/2005, para realização em 31 de dezembro de 2000 do Lucro Inflacionário acumulado referente aquele período. Enquadramento legal: Lei n° 8.200/91, art. 3°, inciso II, e Decreto n° 332/91, art. 38 e parágrafo único,art. 8° da Lei n° 9.065/95;arts. 6° e 7 0 , da Lei n° 9.249/95;Arts. 249, inciso I, e 449, do RIR199. Cientificada em 26/12/2005 (fl. 229/230) em 20/01/2006 há impugnação alicerçada nos seguintes argumentos (fl. 198 a 205): a) decadência do lançamento tributário, porque fato gerador ocorrido em 31/12/00, fora formalizado em 02/01/06, data em que já estava decaído do direito de constituição do crédito tributário, por força dos arts. 150, parágrafo 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; b) o mérito em exame também fundamenta três outros processos de lançamento, além de ter motivado Mandado de Segurança vinculado à causa; c) ausência de lucro inflacionário a diferir, posto que este deveria ter sido integralmente tributado em face da realização dos bens do ativo que lhe originaram , baixados na declaração anual do exercício de 1995. Deste modo, a tributação do lucro inflacionário diferido deveria ter ocorrido integralmente no ano de 1994, configurando-se a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário a partir de 02/01/01; d) antes das alterações promovidas através das Leis n° 9.650/95 e 9.249/95, como já ocorrera com a Lei n° 8.541/92, vigia a lei no 7.799/89, ficando claro de sua interpretação que a realização do lucro inflacionário diferido deveria corresponder, obrigatoriamente, à realização do ativo. Não procedem, assim, os lançamentos efetuados após 31/12/99. Propugna pela improcedência do lançamento. Decisão, de fls.234/237, mantém integralmente a exigência e esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário. 2000 Ementa: IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado da sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, cabendo ao contribuinte comprovar a realização alegada. Ausente a prova da realização e demonstrado que o lançamento foi efetuado dentro do prazo qüinqüenal, é improcedente a alegação de decadência. Lançamento Procedente. AR juntado as fls. 240, aponta ciência da decisão em 27/11/2006. Em seguida, as fls.241 é lavrado termo de perempção.iks fls.254, o débito é encaminhado A. Divida Ativa da União, contudo, a inscrição é cancelada As fls.270. Ciência fls.276, em 27/07/2009, razões de recurso as fls.277/282,onde inicia invocando, a DECADÊNCIA ESPECIFICA e a DECADÊNCIA GENÉRICA, que diz respeito a realização da totalidade do Lucro Inflacionário da empresa, em 1994. Aponta que a decisão proferida no acórdão recorrido manteve a exigência como base no pressuposto de que o lançamento se consumou em 26/12/2005, pela intimação do contribuinte. Reclama, quanto h DECADÊNCIA GENÉRICA, que suas alegações sobre a realização do total do ativo que, em tese, gerou a correção monetária e o conseqüente Lucro Inflacionário, não foi considerada na decisão recorrida. Ainda, aguarda o julgamento de 03 processos sobre a mesma matéria, a saber: 13807.008916/2001-63, REC 155935; Proc. 19515.003912/2003-12,REC 157749 e Proc. 19515.001600/2003-74 REC 157483. Em todos, bem como em outros que estão na Primeira Instância, discute-se a ocorrência da DECADÊNCIA acerca da totalidade dos possíveis créditos de Imposto de Renda que poderiam decorrer da realização do Lucro Inflacionário. Sendo o primeiro lançamento do ano de 2001, quando já baixara seu ativo permanente em 1994, por alienação, não havia como prosperar a exigência. A prova apresentada, em todos os casos, fora a própria DIPJ de ajuste anual, em que desponta a baixa do ativo. Reclama que nas ocasiões anteriores os processos foram objeto de Recurso Voluntário e que os julgadores de primeira instancia alegaram ausência de comprovação dos argumentos expendidos e concluíram, sem qualquer aprofundamento na análise da matéria, que o lançamento era tempestivo, sem atacar a necessidade da realização total do Lucro Inflacionário no exercício de 1995. Mais recentemente, em um dos processos em andamento com impugnação, o de 1\1° . 11080.009789/2006-31, a DRJ/POA converteu o julgamento em diligência, intimando- a, a apresentar cópia do Balanço patrimonial de 1993 e da Certidão de Matricula de Registro imobiliário referente aos imóveis baixados em 1994. Por isto acredita que, pela primeira vez, a matéria sobre a decadência deverá ser examinada. Reclama da afirmação dos julgadores, corno neste caso, de que suas alegações restaram incomprovadas. A Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda é documento de caráter oficial o que pressupõe informação correta, verdadeira. Dizê-la insuficiente carece de fundamento jurídico e, até mesmo, de bom senso, fugindo-se dos princípios da racionalidade e da razoabilidade. Menciona a legislação de regência, art. 22 da Lei No. 7.799/89, que firma a regra básica sobe a matéria. E o Regulamento do Imposto de Renda, (Decreto No. 1.041, de 11.01.94), em seu artigo 417, § 1 0 . e incisos, declina que a realização dos bens, pela baixa, alienação etc., devem corresponder h tributação integral do respectivo Lucro Inflacionário, ou seja, daquele que se origina da correção monetária do ativo então realizado. 4 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 3 A partir dessa hipótese legal, e na constatação de que os bens do ativo permanente da empresa foram baixados, por alienação, em junho de 1994, evidentemente que o total do Lucro Inflacionário acumulado deveria ter sido realizado, no exercício de 1995. Deveria se-1o, e até que o foi, nos seus registros contábeis. No Livro de Apuração do Lucro Real registrou a realização, porém coin a compensação integral do lucro, em face dos prejuízos acumulados até aquele exercício. Mas na Declaração de Ajuste assim não foi feito, restando a realização a descoberto. Refere-se a pertinência dos seus argumentos, no sentido de caber o enunciado da súmula 11 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo teor é o seguinte: "0 prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao Lucro Inflacionário é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que cm percentuais mínimos" Informa que mesmo se mantida a Decisão vergastada há que se observar que faltou a compensação , de oficio, como deveria, dos prejuízos acumulados, que existem e são conhecidos do órgão arrecadador/fiscalizador, a RFB, no percentual de 30% (trinta por cento), o que corresponde ao mesmo percentual de redução do crédito lançado, como ocorreu, aliás, em processos precedentes a este. E, por derradeiro, aponta jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça, acerca da matéria, jurisprudência que, se traduz nas seguintes Ementas: "PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL, TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO. BASE DE CÁLCULO. LUCRO REAL. DECISÃO MONOCRÁTICA FUNDAMENTADA EM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1.jurisprudencia desta Corte pacificada no sentido de que imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro não podem incidir sobe o lucro inflacionário, apenas sobe o lucro real. 2.A decisão monocrática ora agravada baseou-se nesse entendimento pacificado, razão pela qual não merece reforma. 3.Agravo Regimental não provido" (AgRg no Ag. 1019831 / GO, 2. T STJ , DJ 16/04/09). "PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECAIL. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSSL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUS:4 - 0 DO LUCRO INFLACIONÁ R1O.PRECEDENTES. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que o Imposto de renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido não podem incidir sobre o Lucro Inflacionário, devendo incidir apenas sobre o lucro reaL 2.. Agravo Regimental desprovido". ( Ag Rg no RE.sp 636344/PB — 1 6. Turma — Min,. Denise Amula— DJ 04.12.2006). Pede acolhimento desta tese. Informa que se houvesse optado pela via da Justiça Federal, para anulação dos débitos ora combatidos, já teria obtido êxito. Comenta que este será o caminho a seguir, ao final, se não for contemplado seu pleito. Despacho de fls.301 encaminha os autos ao CARP ante a interposição regular do recurso voluntário. Recebo o processo para relato, por sorteio. Este é o Relatório. 6 Processo n° 11080.011185/2005-74 S1-C1 1 2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 4 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Trata-se de lançamento para exigência do IRPJ, ano-calendário 2000, exercício 2001, lavrado em 26/12/2005, fls.230, pela falta de realização do lucro inflacionário acumulado, no percentual mínimo (falta de sua adição na apuração do Lucro Real do período). Neste ano-calendário foi informado, na DIPJ, período de apuração anual. O Relatório de ação fiscal de fls.04/08, descreve que através do procedimento de revisão eletrônica das DIPJ dos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, foi constatado que, em cada um dos citados anos-calendário, não havia sido adicionado o valor do Lucro Inflacionário Realizado, na Demonstração do Lucro Real, embora houvesse saldo de Lucro Inflacionário Diferido de Períodos Anteriores, conforme demonstrativo do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (SAPLI) de fls. 13 a 18. Salienta que o valor do lucro inflacionário da empresa é decorrente do saldo credor de correção monetária pela diferença IPC/BTNF, informado na Declaração de Rendimentos Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ) do período -base de 1991 (fls. 193 a 196). E nos termos da Lei n° 8.200/91, art. 30, inciso II, esse saldo deveria ser computado na determinação do Lucro Real a partir do ano-calendário de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. Conforme fls. 55, foram solicitados os esclarecimentos e ou/documentos nos seguintes termos: "2.3.1 justificar o motivo da não realização do SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA PELA DIFERENÇA IPC/BTNF conforme preceitua a Lei n° 8.200/91; 2.3.2 informar se a empresa impetrou mandado de segurança ou ação judicial relativa 41116 ao item questionado. Ern caso afirmativo, apresentar cópia da documentação pertinente; 2.3.3 Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, partes A e B, compreendendo os anos-calendário de 1991 a 2002;" Em resposta a contribuinte apresentou correspondência (fls. 58 e 59) informando: matéria objeto das indagações Já foi motivo de averiguações e autuações da Delegacia da Receita Federal de Sao Paulo, eis que, até o ano de 2004, a sede da empresa se situava na capital paulista, tendo sido feitos 03 (lançamentos) relativos a realização de Lucro Inflacionário acumulado, os quais se consubstanciam nos processos de Nos. 13807.008916/2001-63, 19515.001600/2003-74 e 19515.003912/2003-12, os quais pendem de julgamento junto á DRJ/SPO; Em conformidade com o que alicerça as Impugnações apresentadas naqueles processos, desde o primeiro lançamento, a empresa alega, em síntese, a questão da decadência, eis que todos os bens patrimoniais que geraram a correção monetária (saldo positivo), e, conseqüentemente, o Lucro Inflacionário, foram baixados (=realizados) já em 1993, assim que a realização integral, deveria ter ocorrido em 1993, ou seja, na Declaração de Ajuste daquele exercício. Ademais, naquele exercício, se a realização houvesse sido consumada, não seria, do mesmo modo, apurado Lucro Real a tributar, em t face de Prejuízos Acumulados, como consta, também, da Impugnação; Há um Mandado de Segurança, acerca dessa matéria, impetrado e771 São Paulo, ref. Ao Processo No. 2003.61.000166895, que já se encontra em segundo grau, no TRF 30, para apreciação de Apelação da União (Fazenda Nacional). Esse MS teve como objeto impedir que a DRF/SP continuasse a realizar lançamentos, ano a ano, sobre a mesma matéria, antes que se procedesse ao julgamento da primeira Impugnação." Ainda apresentou extratos de consultas relativos aos processos que mencionou, ou seja, os autos de infração formalizados na DRF de Sao Paulo e o Mandado de Segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal em Sao Paulo (fls. 60 a 63). Nessa ocasião, não foram apresentados outros documentos. Por seu turno a autoridade autuante informou que, em meados de 2004, a empresa mudou o domicilio fiscal de São Paulo para Porto Alegre (vide extrato de consulta do sistema CNPJ de fls. 56 e 57). Nova intimação,interposta às fls. 64 solicitou: (...) 2.6.1 apresentar doctunentação pertinente ao Mandado de Segurança: copias da petição inicial e das decisões proferidas no processo; 2.6.2 certidão narratória atualizada relativa ao processo; Na resposta fls. 66 e 67 constam as seguintes informações: "Conforme é de seu conhecimento, o processo em questão tramita na Comarca de São Paulo. Também conforme já informado, nos termos das informações extraídas do andamento 8 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 5 do processo e anexadas em nosso esclarecimento anterior, o processo é bastante antigo e o advogado responsável pelo mesmo se vale dos serviços de um outro profissional daquela cidade. Dessa forma, é impossível obter as cópias solicitadas no exíguo prazo de cinco dias. Além do mais, a Receita Federal tem conhecimento do processo, tanto que já se manifestou no mesmo e, portanto, possui a petição inicial e as decisões proferidas pelo juizo. Se no entanto, ainda assim, V.Sas. tiverem dificuldade de obter esses elementos junto a sua Procuradoria, solicitamos a concessão de um prazo adequado á. obtenção de tais documentos. (.) Posteriormente, a empresa apresentou dois requerimentos (fls. 68 e 78), solicitando prorrogações do prazo concedido na Intimação. Juntamente com o segundo requerimento, foram apresentadas cópias da impugnação relativa ao processo n° 19515.003912/2003-12 (fls. 79 a 85) e a petição inicial do processo de Mandado de Segurança n° 2003.61000166895 (fls. 86 a 100). As duas prorrogações requeridas foram concedidas, entretanto, a empresa não apresentou a documentação solicitada relativa ao citado mandado de segurança (entregou apenas cópia da petição inicial); Em 07.11.2005, o autor da ação enviou o Memorando n° 142/05/DRF/P0A/Sefis, fl. 101, à chefe da EQIJU/DICAT da DERAT/Sdo Paulo, pedindo o empréstimo do processo administrativo n° 10880.004716/2003-22, o qual acompanha o andamento do Mandado de Segurança n° 2003.61000166895. Anexamos as fls. 103 a 156, cópia do citado processo. 0 último documento constante deste processo é a cópia do despacho que indeferiu a liminar pleiteada pela contribuinte (fls. 155 e 156). 0 agente do fisco encerrou a fiscalização referente ao ano calendário de 2000, para prevenir a decadência. As razões de recurso oferecem preliminar quanto à suposta decadência do lançamento, assim versando: a) Decadência Especifica e a b) Decadência Genérica, que diz respeito à realização da totalidade do Lucro Inflacionário da empresa, em z 1994. Quanto a. decadência dita especifica, ou seja, que o lançamento, na sua constituição já se fizera a destempo, o argumento não avança. Como se trata de fato gerador anual seu aperfeiçoamento se deu em 31/12/2005, conforme aponta extrato de entrega de DIPJ de fls.18, enquanto a ciência ocorreu em data anterior, 26/12/2006, conforme AR de fls.230, portanto afasta-se esta preliminar. Quanto ao argumento de que realizara todo o saldo diferido na baixa do seu ativo, na declaração de 2005, a matéria já foi objeto de análise por este colegiado, processo 19515.003912/2003-12, acórdão 1102-00.230, de 05 de julho de 2010, do qual transcrevo as razões de decidir, por se aplicarem ao presente caso, se diferenciando apenas em relação ao período. O Sistema SAPLI da SRF aponta que o valor do saldo credor da diferença 1PC/BTNF para o ano-calendário de 1991 da Contribuinte era de Cr$ 7.026.374.446,00 (fl.14), que atualizado até o ano-calendário de 2000 resulta em um valor de Lucro Inflacionário Diferido de períodos anteriores corrigido de R$ 7.899.449,87, fls.17 A exigência fiscal parte do valor original do ano-calendário de 1991 corrigido até o ano-calendário de 2000 de acordo com os indices estabelecidos na lei. As correções dos valores efetuados pelo Fisco , o BTN, a partir de junho de 1989 ate janeiro de 1991, BTN Fiscal tem apoio na Lei 7.799/89, art.10 e 30, de fevereiro de 1991 ate dezembro de 1991. A correção monetária foi efetuada com base no Fator de Atualização Patrimonial — FAP (Lei rf 8.177/91, art.3°, Lei 8.200/91, art.1° e Lei 8.383/91, art.2°, Parágrafos 1° e 6° e decreto 332/91, art.2°); a partir de janeiro de 1992 até agosto de 1994, UFIR diária, e a partir de setembro de 1994 até dezembro de 1995, UFIR (Lei n°8.83/91, art.1" e 48 e Lei 9.069/95, art.43 e art.47 e parágrafo). Com a extinção do indexador a partir de janeiro de 1996 (Lei n° 9.249/95, art.4°, 5° e 36, II) os valores sujeitos à correção monetária, controlados na parte B do LALUR, existentes em 31/12/95, atualizados até essa data pela UFIR vigente em 01/01/96 (Lei n° 9.249/95, art.6°). No que tange a correção monetária do Lucro Inflacionário, a base legal se ancora no Decreto-Lei n° 1.598/77, art.52 e parágrafos 1' e 3"; Decreto-Lei n° 2.341/87, art.21, parágrafo 3°; Lei n° 7.799/89, art.21, parágrafo 3°; Lei no 8.200/91, Decreto n° 332/91, art.21 e Lei n° 9.249/95, art.7°, parágrafo 2°. Para a correção monetária do Saldo do Lucro Inflacionário existente em 31/12/89, pela diferença IPC/BTNF, vigora a Lei n°8.200/91, art.3°, Decreto n°332/91, art.48 e IN SRF n° 125/91, item 5. 0 saldo de lucro inflacionário diferido de períodos anteriores no ano- calendário de 2000, montava R$ R$ 7.899.449,87, fls.17,e não há registro de realização voluntária da parcela obrigatória para o referido ano-calendário. Deste modo, a realização do lucro inflacionário para o ano-calendário de 2000, conforme proposto pelo Sistema da SRF é obrigatória, estando, de pleno acordo, com a legislação em vigor na época, o procedimento efetuado pela Fiscalização. Quanto à alegação de que os bens responsáveis pela origem do lucro inflacionário teriam sido baixados no ano-calendário de 1994, e, portanto, a sua tributação já ocorrera integralmente no exercício de 1995, não procede, ante a falta de provas da baixa. (0 Relatório de ação fiscal de fls.04/08, acima reproduzido, bem explica o procedimento da Recorrente). Também, como reconhecido pela própria Recorrente, na D1PJ1995 não consta informação da suposta baixa dos bens que geraram o lucro inflacionário, nos quadros próprios de sua Declaração de Rendimentos do exercício de 1.995, como seria esperado em cumprimento de suas obrigações tributárias acessórias. Desta forma ocorreu a tácita homologação do lançamento referente àquele exercício, com ausência de tal realização, permanecendo o montante do saldo diferido de períodos anteriores, corrigido, convalidado. E da mesma forma que não pode a administração tributaria lançar após o transcurso do prazo decadencial, igualmente não há permissão legal A. Contribuinte para alterar dados constantes de declaração tacitamente homologada. Ao argumento de que os lançamentos realizados nos anos calendários anteriores, para exigência da mesma matéria, impactasse no julgamento deste processo, destaca-se o equivoco do raciocínio. 1 0 Process() n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórao n.' 1102-00.405 Fl. 6 Pois na exigência ora examinada já foram excluídas as parcelas passíveis de compensação pela autoridade de primeiro grau, referentes às quota de realização própria dos anos calendários anteriores, em procedimentos específicos. Cabe relembrar que os princípios constitucionais que norteiam a atividade de lançamento são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário, não havendo poder discricionário em seu bojo. Sua atividade é obrigatória e vinculado sob pena de responsabilidade funcional. Todavia vejo uma questão favorável a Recorrente, no que tange a necessidade se ajustar o lançamento observando-se a compensação legal dos prejuízos acumulados, nos termos da legislação de regência, providência que deverá ser tomada pela autoridade executora do acórdão. Nessa ordem de juizos, dou parcial provimento ao recurso, para permitir a compensação dos prejuízos a \cumulados correspondente à parcela de realização objeto do lançamento, no percentual d 30%. Malaquias Pessoa Monteiro. 11 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 7 Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 10/03/2011 JOSE ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1 0 Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; ] 13
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000016/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIAAno-calendário: 2004Pedido de Restituição. IRPJ. Base de Cálculo. Ajuste do Lucro Liquida. Exclusão de Créditos de Pis e Cofins Não Cabimento.O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime não cumulativo, não constitui hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1301-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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IRPJ. Base de Cálculo. Ajustes do Lucro Liquido. Exclusão de Créditos de Pis e Cofins Não Cabimento. O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo, não constitui hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fls. 01, protocolizado em 19/01/2007, em formulário aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, no qual a interessada requer a restituição do IRPJ sobre crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo, relativo ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor original de R$ 2.107.689,36, tendo sido apresentadas as justificativas de fls. 02/03 para fundamentar a não utilização do meio eletrônico. Conforme o Despacho Decisório DRF/SBC/SEORT n° 166/2007, aprovado em 16/04/2007, foi indeferido o direito creditório, mediante o seguinte fundamento (fls. 17/21): "Com o preenchimento do formulário de Pedidos de Restituição de fls. 01 e a apresentação de justificativa de fls. 02 e 03, solicita, a interessada, restituição de CSLL (sic), referente ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, no montante originário de R$ 2.107.689,36, argüindo, em síntese: a) que a destinação dos créditos fiscais concedidos, por meio da sistemática da não cumulatividade da contribuição para o PIS e para a COFINS que foi adotada pelas Leis n's 10.637/2003 e 10.833/2004, somente podem ser utilizados para compensar débitos dessas contribuições, dado o seu caráter não cumulativo; b) Diante disso, a orientação do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), quanto aos registros, contábeis dos créditos fiscais referentes a essas contribuições prejudicou a sistemática da não cumulatividade, ao gerar uma tributação direta sobre tais créditos; c) Uma vez registrado como redução do custo ou de despesa, os créditos fiscais correspondentes a mencionadas contribuições provocam um aumento artificial do lucro — artificial porque não se trata de resultados operacionais; d) Aumentandose o lucro, a consequência fiscal principal será a sujeição dos respectivos valores ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, o que representa a redução do crédito da Contribuição ao PIS e a COFINS em aproximadamente 34%; e) Sendo assim, conquanto as receitas estejam sujeitas à alíquota conjunta de PIS e COFINS de 9,25%, as aquisições de bens e serviços geradoras de créditos fiscal, que, em princípio, deveriam acompanhar essa proporção, por conta da tributação direta acima comentada, na prática têm gerado crédito fiscal de 6,145%; Em conclusão, para que se mantenha a não cumulatividade das contribuições em comento, é imperioso que o montante dos créditos fiscais correspondentes, lançados contabilmente como redução do custo e de despesa seja excluído da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; Formaliza o presente processo em razão da impossibilidade de efetuar o pedido de restituição via PER/DCOMP. O pedido não está instruído com demonstrativo do cálculo da restituição e tampouco apresenta comprovação dos valores recolhidos a maior a título de IRPJ. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 13816.000016/200754 Acórdão n.º 1301000.499 S1C3T1 Fl. 2 3 A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do Acórdão 0527.963, de 18/01/2010, (fl. 83), não reconhecendo o direito creditório, prolatando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Pedido de Restituição. IRPJ. Base de Cálculo. Ajustes do Lucro Liquido. Exclusão de Créditos de Pis e Cofins Não Cabimento. O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo, não constitui hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Passo ao voto. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Inconformado com a decisão de primeira instância a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.83/107), ratificando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Presentes os requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a questão se restringe em saber se os valores descontáveis previstos na legislação do Pis e da Cofins, com incidência nãocumulativa, são receitas tributáveis ou não pelo IRPJ e CSLL. Inicialmente, cabe esclarecer que tratase de pedido de restituição protocolado por insistência da contribuinte, pois sem previsão legal nas normativas da SRF, conforme atesta documento de fls. 16. Esclareçase mais: em que pese a contribuinte alegar, tanto na Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário, ter apresentado todos os documentos necessários para a demonstração dos valores objeto do pedido de restituição, tais como a DIPJ e a DACON, compulsando os autos constatase que o pedido foi instruído, tão somente, com o formulário “Pedido de Restituição” e “Fundamentação Jurídica do Pedido de Restituição”. Como bem assentado no voto recorrido a Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, disciplinou a cobrança nãocumulativa da Cofins, estendendo suas regras também para a Contribuição ao Pis nãocumulativo, de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos seguintes termos: "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o. do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7°, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Art. 16. O disposto no art. 4° e no § 4° do art. 12 aplicase, a partir de 1° de janeiro de 2003, à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com observância das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) em relação à apuração na forma dos referidos artigos, respectivamente. Parágrafo único. O tratamento previsto no inciso II do caput do art. 3° e nos §§ 5o. e 6° do art. 12 aplicase também à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo na forma e a partir da data prevista no caput." Prossegue, acerca do tratamento do crédito fiscal, a Lei n° 10.833, de 2003, com efeitos a partir de 1°/fevereiro/2004, estipulou, expressamente, que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor devido da contribuição (art. 3o., § 10). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 13816.000016/200754 Acórdão n.º 1301000.499 S1C3T1 Fl. 3 5 Por força de tal dispositivo, inclusive, entende a contribuinte possuir o direito de deduzir referidos créditos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contrapondo se às orientações do Ibracon, constantes da Interpretação Técnica n° 1,de 2004, quanto ao registro contábil recomendado para tais créditos. Corrobora seu entendimento com jurisprudência do STJ acerca de assunto semelhante, dizendo que o crédito em comento trata de subvenção governamental, bem como com Solução de Consulta da SRRF/7 a RF. Sobre a jurisprudência trazida pela Recorrente, esclareçase que a Administração não está jungida à observância das decisões prolatadas em outros julgados nos tribunais judiciais, uma vez que somente se faz coisa julgada em relação às partes do processo. Quanto à Solução de Consulta trazida na defesa, cumpre esclarecer que, em razão da divergência de entendimentos dos órgãos regionais da RFB acerca do tema, a COSIT se posicionou a respeito do tratamento fiscal a ser dado ao crédito de Pis/Cofins, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a Solução de Divergência n° 9, de 5 de dezembro de 2006, cujos excertos, por oportuno, transcrevemse abaixo: "9. A solução da divergência instaurada requer, antes mesmo de saber se tais valores são ou não tributáveis, o deslinde de duas questões fundamentais, quais sejam: se os valores descontáveis das contribuições podem se constituir em custo e em direito de crédito ao mesmo tempo, como também, se podem ser lançados em contrapartida de uma conta de receita. 10. Inicialmente, analisemos se um determinado valor pago pelo contribuinte na aquisição de insumos, mercadorias e ativos permanentes podem se constituir em custo do bem e em direito de crédito ao mesmo tempo. 11. Ora, um valor pago por mercadoria, insumo ou ativo permanente pode sim se dividir em dois valores: custo (valor total pago menos o tributo recuperável) e direito de crédito (valor do tributo recuperável), mas é inconcebível que a parcela correspondente ao tributo recuperável se multiplique em dois valores: em direito de crédito — a ser descontado da Cofins mensal devida; e também em custo do bem — a reduzir o lucro. 12. Há que se entender que a sistemática da nãocumulatividade não pode se transformar, por mero equívoco interpretativo, em incentivo fiscal do IRPJ e da CSLL. A nãocumulatividade visa apenas garantir que a incidência tributária se dê sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva, de forma que a alíquota efetiva tenda a se manter a mesma durante todo o fenômeno econômico. Para tanto, basta que seja permitido ao contribuinte descontar do tributo devido na saída, o tributo pago na entrada dos insumos e das mercadorias. 13. Ainda que o sistema nãocumulativo criado para a Cofins e para a Contribuição para o PIS/Pasep não seja exclusivamente um sistema de crédito contra crédito nem de base contra base e, em algumas hipóteses, seja permitido o aproveitamento de créditos presumidos, quando não há a incidência tributária na entrada do bem, nada disso modifica o que acima sustentamos, pois, indiferentemente se o valor a ser descontado do tributo é um crédito real ou presumido, não pode ele se constituir em custo e em direito de crédito ao mesmo tempo. 14. Assim, haveria um duplo beneficio que desbordaria dos propósitos da não cumulatividade, instituída pelas Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, se fosse autorizada a manutenção do valor recuperável nos custos dos bens vendidos, além de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 6 permitir que o contribuinte descontasse na saída os tributos pagos na entrada ou os créditos presumidos. 15. Para ilustrar, vejamos o seguinte exemplo numérico: um contribuinte adquire R$ 100,00 em mercadorias, gerando um crédito de R$ 7,60 a descontar da Cofins mensal. No final do mês, apura R$ 17,60 de Cofins devida. Pela sistemática da nãocumulatividade, vai pagar efetivamente apenas R$ 10,00 de Cofins (R$ 17,60 — R$ 7,60), porém vai lançar em resultado a despesa de Cofins de R$ 17,60. Assim, se o contribuinte mantém no custo os R$ 7,60, haverá um impacto na base tributável do IRPJ e a CSLL de R$ 117,60 (R$ 100,00 do custo mais R$ 17,60 despesa para com a Cofins), quando deveria ser apenas de R$ 110,00 (R$ 92,40 do custo mais R$ 17,60 de despesa com a Cofins). Posteriormente, a Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 03, de 29 de março de 2007, dispondo especificamente sobre o tratamento dos créditos do PIS e da Cofins, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no mesmo sentido da Solução de Divergência COSIT n° 9, de 2006, acima transcrita. Deixar claro que o Conselho Federal de Contabilidade, através do Comunicado Técnico 01/2003, externou o mesmo entendimento esposado pela Cosit. À vista do exposto, concluise que não há previsão legal para se excluir do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor relativo aos créditos de PIS e de Cofins. Portanto, forçoso concluir, para o caso, não haver créditos a ser reconhecido. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003245/2004-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTO SUJEITO À INCIDÊNCIA NA FONTE Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à
incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.142
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTO SUJEITO À INCIDÊNCIA NA FONTE Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12). Recurso negado.
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RENDIMENTO SUJEITO À INCIDÊNCIA NA FONTE Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório RIVALDO COUTO DOS SANTOS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 58) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 09/13, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 15.057,61, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 34.793,61. As infrações que ensejaram a autuação estão assim descritas no auto de infração: 1) Omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Banco Bilbao Viscaya Brasil S/A, decorrente de trabalho com vinculo empregatício, indevidamente informados como rendimentos isentos e não tributáveis. 2) Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, excluído o valor correspondente a tributação sobre o 13º salário – tributação exclusiva, pago pelo Banco Bilbao Viscaya Brasil S/A. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os valores considerados omitidos referemse a verbas indenizatórias pagas pelo Banco Bilbao Viscaya, por determinação judicial; que recebeu a importância (saldo) de R$ 90.000,00, sobre o qual houve retenção de imposto na fonte de R$ 2.133,57. Argumenta que se houve insuficiência de pagamento do imposto, a responsabilidade é da fonte pagadora. A DRJRECIFE/PE julgou procedente em parte o lançamento para considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 48.116,50, e não os R$ 56.520,74, apurados pela Fiscalização. A DRJ rejeitou a argumentação de que as verbas seriam nãotributáveis por terem natureza indenizatória, ressaltando que se trata de verbas trabalhistas e relaciona uma a uma as parcelas recebidas pelo Contribuinte, identificando a natureza da verba como isenta, não tributável ou tributável exclusivamente na fonte, etc. para chegar ao valor acima referido. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/11/2007 (fls. 71) e, em 27/12/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 72/74, que ora se examina e no qual reafirma que o valor recebido corresponde a acordo trabalhista no qual a fonte pagadora assumiu a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Argumenta que, por erro da Contadoria Judiciária, foi feita a retenção de imposto em valor menor que o que era devido, e concluiu que, se houve tal erro, a responsabilidade pelo imposto seria da fonte pagadora. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10410.003245/200452 Acórdão n.º 220101.142 S2C2T1 Fl. 2 3 Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos e da compensação indevida de imposto de renda na fonte. Na fase recursal resta em discussão apenas a omissão de rendimentos. A DRJRECIFE/PE deu parcial provimento ao recurso para considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 48.116,50, correspondente a verbas recebidas por determinação judicial a título de Gratificação Especial, R$ 36.698,55; Horas Extras, R$ 12.000,00 e Férias proporcionais, R$ 193,43, Adicional 1/3 de férias, deduzido dos valores referentes a Assistência Médico Hospitalar (R$ 783,67) e Salário pago a maior (R$ 56,24), tudo conforme planilha constante do voto condutor do acórdão recorrido que detalha todas as verbas recebidas por conta da referida ação judicial. Na fase recursal o Recorrente não contesta os valores apurados pela decisão de primeira instância, mas insiste na argumentação de que as verbas foram recebidas em decorrência de acordo judicial que previa, entre outras coisas, que a fonte pagadora se responsabilizaria pela retenção e recolhimento do imposto, e daí conclui que, se a fonte pagadora reteve e recolheu imposto a menor, a diferença deveria ser exigida dela e não do beneficiário. A alegação da defesa, contudo, não merece acolhida. Inicialmente devese esclarecer que a responsabilidade da fonte pagadora de reter e recolher o imposto de renda na fonte não exclui o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação, quando do ajuste anual, compensandose o imposto eventualmente retido na fonte. E, no caso de omissão, é do beneficiário dos rendimentos que deve ser exigido o imposto, conforme entendimento deste Conselho, consolidado na Súmula nº 14, a SABER: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, ao se fixar na decisão judicial, a responsabilidade da fonte pagadora em proceder a retenção e o recolhimento do imposto, isto em momento algum afastou a responsabilidade do contribuinte de, quando da apresentação da declaração, apurar o imposto devido. Ainda que se considerasse que o acordo previa a transferência da responsabilidade pelo imposto integralmente à fonte pagadora, este acordo não seria oponível ao Fisco pelo que dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional, a saber: Art. 123. Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Mas, vale repetir, seque é disso que se trata. O que consta do acordo, conforme trecho citado pelo recorrente, é que a fonte pagadora faria a retenção e o recolhimento do imposto devido como antecipação, na fonte, o que não guarda nenhuma relação com a apuração e pagamento do imposto quando do ajuste anual; até porque as bases de apuração do imposto são outras. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Nessas condições, penso que não merece reparos a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, acompanho meu voto no sentido e negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 86DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 44021.000292/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/01/2001
Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entende-se que houve antecipação de pagamento, aplica-se, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN.
Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entendese que houve antecipação de pagamento, aplicase, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN. Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 436 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra o contribuinte acima identificado, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD nº 37.066.616 0 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 26/28, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte e dos segurados empregados, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e aquelas destinadas às outras entidades (SalárioEducação/FNDE, Incra), incidentes sobre prêmios de desempenho e incentivo pagos ou creditados aos empregados através de cartões eletrônicos de premiação, no período compreendido entre 05/1999 a 01/2001. Consoante o referido relatório fiscal, constituemse fatos geradores das importâncias ora lançadas os pagamentos feitos aos segurados empregados por intermédio da empresa contratada Incentive House S/A — CNPJ: 00.416.126/000141, que é fornecedora do cartão de premiação denominado "FLEXCARD", onde através dele, o premiado, empregado da contratante, pôde realizar saques nos terminais eletrônicos de agências bancárias. Informa, o citado relatório, que os valores das contribuições foram apurados com base nos lançamentos contábeis das notas fiscais de serviço emitidas pela empresa contratada. Dos valores brutos lançados foi excluída a comissão de serviços, fixada em 7%, de acordo com a cláusula 04 (quatro) do contrato de prestação de serviços, resultando nos salários de contribuição apontados no "anexo das notificações fiscais de lançamento de débito", planilha de fls. 29 a 31 e parte integrante do Relatório Fiscal. Embasa tal procedimento o art. 33, parágrafo 3° da Lei 8.212/91 eis que face recusa ou apresentação deficiente de documentos, cabe à fiscalização promover o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas. Salientese que as referidas notas fiscais de serviços encontramse escrituradas nos Livros Diário n° 17 a 19. A Notificada não apresentou as notas fiscais referentes ao presente lançamento como também não apresentou a relação nominal dos beneficiários, impossibilitando assim o correto enquadramento na tabela de contribuição, tendo sido aplicada a alíquota mínima de 8% para a apuração de sua contribuição. Em razão da não apresentação de tais documentos foi lavrado o Auto de Infração Debcad n° 37.066.6135. A empresa não informou em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP , os valores pagos a título de premiação, o que, em tese, configura a prática do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983/2000, motivo pelo qual será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, acompanhada de documentos juntados às fls. 38 a 324, alegando, em síntese: O período que compreende a presente NFLD foi atingido pela decadência qüinqüenal do direito do fisco efetuar o lançamento tributário, uma vez que o disposto na Lei 8.212/91, por se tratar de lei ordinária, não tem o condão de modificar o determinado no C'TN, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 recepcionado pela nova ordem constitucional com status de Lei Complementar. Portanto, o prazo que deve prevalecer é o prescrito no CTN conforme inúmeras decisões de nossos tribunais. Assim, entende que se operou a decadência do direito do INSS efetuar o lançamento dos valores referente a todo o período apurado. Quanto às atividades desenvolvidas pela Impugnante, assevera que ela foi contratada pelo Bradesco Seguros S/A para a realização das atividades, dentre outras, de prestação de serviços de administração de planos de seguros, administração de produção e coordenação geral de vendas, marketing, assessoramento da divulgação, promoção e publicidade e a corretagem, em cuja execução caberia executar campanhas e concursos de estímulos a todas as pessoas envolvidas na operação. Que a relação jurídica instaurada entre a Impugnante e o Bradesco tem por escopo o fomento das vendas de produtos tais como: seguros pessoais diversos, seguro saúde e previdência privada. Ela estava obrigada, por intermédio do contrato firmado, a fomentar as vendas destes produtos em todo o território nacional. Destaca que eles são vendidos por corretores autônomos, pessoas físicas e/ou jurídicas, que não se dedicam à venda de um único produto, mas de vários, referentes a instituições financeiras distintas. Que, os corretores "autônomos" não tem relação jurídica com a Impugnante eis que vendem produtos do Bradesco S/A e desta instituição financeira recebem a comissão. Os prêmios ofertados, em caráter eventual e esporádico pela Impugnante aos corretores do Bradesco decorrem do estrito cumprimento do contrato firmado entre ela e o Bradesco. Tais corretores jamais firmaram qualquer contrato com a impugnante, tampouco são seus empregados. Que visando incrementar as vendas dos produtos, a impugnante, desenvolveu inúmeras campanhas promocionais, para estimular os corretores e adotou, por fim, o cartão de premiação, utilizado para aquisição de prêmios por atingimento de metas, visando maior agilidade na entrega da premiação. A utilização do cartão de premiação nunca teve por objetivo o pagamento de quaisquer remunerações a funcionários, mesmo porque, quando eles recebiam comissões e/ou gratificações, tais valores eram submetidos à tributação, por via das contribuições sociais, conforme demonstram os holleriths que anexa ao presente. Aduz que os prêmios recebidos não têm natureza de salário ou remuneração e, portanto, não estão sujeitos às contribuições previdenciárias. Ainda que se admita que eles tenham sido pagos a funcionários, tais valores não fazem parte das remunerações habituais destinadas a retribuir o trabalho, sua natureza jurídica é diversa da natureza jurídica da remuneração, por se tratar de ganho eventual. Que o prêmio não possui a característica da retributividade, eis que sua finalidade não é a de retribuir qualquer espécie de trabalho prestado. Não se trata de contraprestação, mas de recompensa pelo cumprimento de metas preestabelecidas, de um incentivo para o aumento da produtividade. Após transcrever posicionamentos de Tribunais Regionais do Trabalho, conclui que os prêmios pagos não se subsumem ao conceito de remuneração e, portanto, jamais poderiam constituir base de cálculo para as contribuições ora cobradas. Assevera que a prática de Marketing de incentivo constitui "Promessa de Recompensa", conforme estatui o art. 854 do Código Civil e consiste em obrigação contraída por meio de manifestação unilateral de vontade, mediante a qual a declarante obrigase a gratificar o indivíduo que se encontrar em certa situação ou executar determinado serviço. Nesta esteira, é imprescindível que o indivíduo contemplado com o prêmio tenha realizado a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 437 5 tarefa com a intenção de ser recompensado. Assim posto, resta evidente que o marketing de incentivo, essencialmente caracterizado como promessa de recompensa, não guarda qualquer relação com o conceito de remuneração. Aduz, mais, que foi fiscalizada no ano de 2002, sendo que do resultado da referida fiscalização foi exarado o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, o qual se constitui em homologação expressa dos recolhimentos por parte da Impugnante, não se podendo imputar qualquer cobrança das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, inclusive as constantes da presente NFLD até o período em que se verificou a lavratura do TEAF, configurando a homologação expressa do pagamento realizado pelo contribuinte. Que, após a análise de documentos pela Auditoria Fiscal e ela conclui que os tributos foram recolhidos devidamente, por que não reconhecer que a obrigação tributária está extinta, além do que, no presente caso, não ocorreu nenhum ato administrativo de lançamento tributário complementar. Consigna que caso o TEAF não pudesse traduzir uma homologação expressa, estarseia afrontando o princípio da moralidade administrativa. Em suma, com a homologação expressa realizada pelo fisco, verificouse a extinção definitiva da obrigação tributária, desta forma entende que não deve prevalecer a presente notificação. Salienta que há total falta de motivação para incluir os sóciosgerentes e sócios na condição de coresponsáveis pelo débito. Não há sequer a invocação do dispositivo legal que fundamentaria tal inclusão, o que impõe a declaração de invalidade deste ato administrativo por carência de motivação. Por outro lado, o art. 134 do CTN estabelece a responsabilidade pessoal do sócio quando se verificar a dissolução irregular da sociedade, o que não ocorreu, no caso em tela. Por sua vez, o art. 135 estabelece a responsabilidade quando os administradores e dirigentes agirem com infração à lei, o que também não ocorreu. Que o enquadramento da coresponsabilidade no art. 13 da Lei 8.620/93 e no art. 268 do Decreto 3.048/99 é descabido, porque é vedado à Lei Ordinária versar sobre matéria de responsabilidade na esfera tributária, na forma do art. 146, III da CF. Logo, somente o CTN atua neste campo, sendo que seus arts. 134 e 135 são inaplicáveis à questão. Pede pela exclusão dos sócios da relação de coresponsáveis. Que a multa imposta é despropositada vez que o percentual não obedece ao princípio da proporcionalidade. É desproporcional à capacidade contributiva e consagra confisco, sendo imperiosa sua redução. Insurge contra a aplicação de SELIC na apuração dos juros, tendo em vista tratarse de taxas remuneratórias e não de forma de cálculo de juros moratórios, portanto incabível sua aplicação. Neste sentido cita decisão proferida pelo E. STJ que reconheceu a inconstitucionalidade, in Resp n° 215.881PR — Relator Min. Franciulli Neto. Ao final, pleiteia pela declaração de improcedência do lançamento e protesta por todos os meios de prova em direito admitido, em especial pela juntada de novos documentos. A 10ª Turma da DRJ/SP011, por meio do Acórdão n° 1720.654/2007, julgou procedente o lançamento. Inconformada com a Decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, conforme razões expendidas às fls. 349/416, reproduzindo as razões aduzidas em sua Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 impugnação, em que, alega a decadência crédito em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador. Segue alegando a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, por ofensa ao princípio da legalidade. Conclui requerendo a reforma da decisão de primeira instância, no sentido de que seja desconstituída a NFLD em discussão. Sem contrarrazões vêm os autos a este Conselho. É o relatório Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 438 7 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar, como preliminar, a decadência suscitada Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Câmara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que à constituição do crédito previdenciário, aplicavase as disposições contidas na Lei nº 8212/91, art. 45 que determina: ”o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese em após dez anos a contar do 1º dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído”. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 439 9 do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, tratase de lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes sobre parte da remuneração recebida pelos segurados, há que se entender que houve antecipação de pagamento, devendo ser aplicada a regra do art. 150 § 4º do CTN. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 30/04/2007 (fls.1), todas as contribuições (período de 05/1999 a 01/2001), já se encontravam fulminadas pela decadência. Esclareçase, por oportuno, que independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência de todo o período a que se refere o presente lançamento. Cleusa Vieira de Souza Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10245.900262/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/2002
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2002 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 67 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 68 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 03901.18015.060906.1.7.045801, na qual foi utilizado crédito de R$ 2.222,22, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 30/04/2002 e relativo à apuração de 31/03/2002. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/03/2002. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 69 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 70 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 71 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 72 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 45.070,47, inferior ao recolhimento de R$ 47.325,84, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 03901.18015.060906.1.7.045801. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1249635. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 2.255,37, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 29957.85156.060906.1.7.043391 (processo administrativo nº 10245.900304/200904), pelo valor de R$ 33,16, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 2.222,22), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 45.070,47) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 47.325,84). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 73 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 74 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 75 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 76 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 77 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 78 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 79 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 80 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 81 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 82 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10840.003490/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
Prejuízo fiscal.
Como o acórdão embargado considerou decaído o lançamento referente a 1999, o saldo de prejuízo declarado deve ser restituído , inclusive no seus reflexos em 2001, com as devidas alterações no SAPLI, ressalvado o direito da fazenda de verificar se tal prejuízo não foi utilizado em outro período.
Numero da decisão: 1302-000.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento aos embargos, dando-lhe efeitos infringentes e restaurando o prejuízo fiscal decorrente da exoneração do crédito tributário lançado referente o ano de 1999.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Como o acórdão embargado considerou decaído o lançamento referente a 1999, o saldo de prejuízo declarado deve ser restituído , inclusive no seus reflexos em 2001, com as devidas alterações no SAPLI, ressalvado o direito da fazenda de verificar se tal prejuízo não foi utilizado em outro período Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos, dandolhe efeitos infringentes e restaurando o prejuízo fiscal decorrente da exoneração do crédito tributário lançado referente o ano de 1999 (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Luiz Tadeu Matosinho Machado, Andre Ricardo Lemes da Silva, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Relatório Fl. 1207DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 3.129 2 Tratase de embargos de declaração interpostos por COMPANHIA ENERGÉTICA SANTA ELISA em relação ao acórdão 130100.087, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 14/05/2009. A embargante tomou ciência dos embargos em 27/12/2010 e apresentou emabrgos em 04/01/2011. Afirma a embargante: O acórdão embargado deu provimento parcial ao Recurso voluntário interposto pela ora embargante, dentre outras razões, para cancelar a exigência do IRPJ e da CSL relativamente ao ano calendário de 1999. Daí porque, nos termos do acórdão ora embargado, os saldos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL relativos a 1999, voltaram a ser compostos também pelo valor de R$ 4.789.440,44, deles revertidos por ocasião da autuação. Desta forma, por conseqüência, uma vez recompostos os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSL com o valor de R$ 4.789.440,,44, tornouse igualmente insubsistente a reflexa exigência de IRPJ e CSL atinente ao ano calendário de 2001 (item 3 do auto de infração), dado que a compensação relativa a esse montante tornouse devida, legítima, não tendo remanescido insuficiência de saldo para sua realização em 2001. Ocorre que, uma vez que o acórdão ora embargado não foi expresso em relação ao integral cancelamento da exigência de IRPJ e CSL também relativa a 2001, como conseqüência do cancelamento da autuação relativa a 1999, as autoridades fiscais, quando da elaboração dos cálculos para pagamento do valor mantido da autuação, consideraram os créditos de IRPJ e CSL de 2001 como sendo devidos. Face ao que precede, a embargante requer seja suprida a omissão em questão, de modo que conste expressamente do acórdão ora embargado a insubsistência da exigência do IRPJ e CSL relativos a 2001, como reflexo do cancelamento do auto de infração relativamente ao ano calendário de 1999. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Assiste razão à recorrente. O acórdão recorrido, embora tenha reconhecido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/12/1999 em relação ao IRPJ e CSLL deixou de se manifestar Fl. 1208DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 4.129 3 sobre o reflexo desta decisão sobre o item 3do auto de infração (tributação da compensação indevida do valor de R$ 4.789.440,44) . Observo no termo de conclusão fiscal de fls. 733 a seguinte afirmação da fiscalização: “relativamente ao IRPJ/CSLL do ano • calendário 1999, 2000 e 2001 (a/c 2001 foi examinado, apenas e tão somente, a compensação indevida de prejuízos fiscais e compensação indevida de CSLL) e, ainda, PIS e COFINS reflexo no anocalendário de 1999, em cumprimento a ordem expressa do MPF nr. 0810900.2004.004733 (doc. de fls.03/05), tendo sido constatado/apurado o que segue” E) AJUSTES NO LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL El — PREJUÍZO FISCAL Conforme escrituração do LALUR, em 31/12/99, a contribuinte apresentava um saldo de prejuízo fiscal compensável com o Lucro Real no montante de R$ 52.378.392,16. • No períodobase 1999 apurou Lucro Real no valor de R$ 10.860.203,86 (Atividade Geral) e prejuízo de R$ 25.653.240,96 (Atividade Rural). Devidamente compensado, resultou em saldo de prejuízo da Atividade Rural em R$ 14.793.037,14. Uma vez apurado por esta fiscalização a não contabilização de receitas de variações cambias ativa, no montante de R$ 4.789.440,44, procederemos a devida recomposição, a saber: Prejuízo apurado: R$ 14.793.037,14 Variações cambiais ativas: R$ 4.789.440,44 Ajuste e Saldo do Prejuízo Atividade Rural : R$ 10.003.596,70 PREJUÍZO FISCAL APURADO A SER AJUSTADO NO LALUR EM DATA DE 31/12/99: Atividade Geral R$ 52.378.392,16. Atividade Rural R$ 10.003.596,70 No períodobase 2000. Uma vez apurado por esta fiscalização o indevido lançamento • em conta representativa de despesas operacionais no montante de R$ 7.875.768.85 em data de 31/03/00, procederemos a devida recomposição do Lucro Real, a saber: Atividade Geral: Saldo Anterior de Prejuízo : R$ 52.378.392,16 Valores indevidamente contabilizados como despesas: R$ 7.875.768.85 Limite de 30%: R$ 3.772.207,41 (30% 12.574.024,71 correspondente a somatória do Lucro Real apurado pela contribuinte: R$ 4.698.255,86 acrescido de R$ 7.875.768.85) Atividade Rural: Apurado Lucro Real no valor de R$ 5.281.699,99. Saldo anterior de prejuízo: R$ 10.003.596,70. Fl. 1209DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 5.129 4 31/12/00: Atividade Geral : R$ 48.606.184,75. Atividade Rural : R$ 4.721.896,71 F — AJUSTES NA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL a SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO: R$ 52.404.443,50 INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODOBASE 1999: R$ 4.789.440,44 LIMITE DE 30% : R$ 1.438.832,13. OBS. A base de cálculo antes da compensação no valor de — R$ 16.454.765,65, apurada no anocalendário de 1999, foi considerada pela contribuinte como sendo da Atividade Rural, razão pela Qual não houve compensação de valores de infrações apuradas na Atividade Geral. BASE DE CÁLCULO A SER AJUSTADA PELA CONTRIBUINTE EM 1999: R$ 50.967.611,37. VALOR AJUSTADO SALDO DO PERÍODO 1999: R$ 50.967.611,37. INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODO 2000: R$ 7.875.768,85 LIMITE DE 30%: R$ 2.705.408,24 (30% de R$ 9018.027,48 correspondente a BC apurada pela contribuinte R$ 1.142.258,63 acrescida de R$ 7.875.768,85) BASE DE CÁLCULO A SER AJUSTADA PELA CONTRIBUINTE EM 2000: R$ 48.262.203,13. G — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL NO ANO CALENDÁRIO DE 2001. Tendo em vista que no anocalendário de 2001 a contribuinte compensou integralmente o saldo de prejuízo e base de cálculo negativa da CSLL relativamente a Atividade Rural e uma vez que teria sido admitido pela fiscalização a compensação de prejuízos e base de cálculo negativa no montante de R$ 4.789.440,44 no ano calendário de 1999, procedemos a devida recomposição de valores e a exigência do crédito tributário por compensação indevida do citado valor Verificase acima que o valor objeto de lançamento no anocalendário 2001 referese exclusivamente ao valor de prejuízo fiscal e saldo negativo de CSL no montante de R$ 4.784.440,44, que foi gerado no ano calendário de 1999 e que o saldo de prejuízo tinha sido reconstituído pela fiscalização naquele valor, alterando o saldo em 2001 e gerando a denominada compensação indevida. Como o acórdão embargado considerou decaído o lançamento referente a 1999, o saldo de prejuízo declarado deve ser restituído , inclusive no seus reflexos em 2001, com as devidas alterações no SAPLI, ressalvado o direito da fazenda de verificar se tal prejuízo não foi utilizado em outro período. (documento assinado digitalmente) Fl. 1210DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 6.129 5 MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 1211DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10283.000287/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Compensação de IRRF com IRPJ — saldo negativo
Ano-calendário: 2004
Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DÉBITOS PROPOSTOS PARA LIQUIDAÇÃO POR COMPENSAÇÃO, VENCIDOS - Os débitos, quando vencidos na data da apresentação da DCOMP originaria, devem ser acrescidos, quando for o caso, com juros de mora e multa de mora, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 1103-000.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
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TOLEDO DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Compensação de IRRF com IRPJ — saldo negativo Ano-calendário: 2004 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DÉBITOS PROPOSTOS PARA LIQUIDAÇÃO POR COMPENSAÇÃO, VENCIDOS - Os débitos, quando vencidos na data da apresentação da DCOMP originaria, devem ser acrescidos, quando for o caso, corn juros de mora e multa de mora, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. HUGO CORY. A SOT/ER° — Vice Presidente em exercício da Presidência) GERVÁSIO I ICOLAU REeKTE VALD - Relator EDITADO EM: U • PIER 1 1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hugo Correia Sotero (Vice presidente em exercício da Presidência), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Jose Sergio Gomes (suplente Convocado). Relatório A empresa J. Toledo da Amazônia Indústria e Comércio de Veículos Ltda., CNPJ 84.447.804/0001-23, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela 1 8 Turma da DRJ de Belém, que negou, parcialmente, a liquidação, por compensação, de débito que a recorrente pretendia extinguir corn aproveitamento de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003. Segundo a DRJ, a compensação foi negada, em parte, por pretensa insuficiência de crédito, pois o débito apresentado, apesar de vencido na data da entrega da DCOMP, não foi onerado por multa de mora. Segundo o Parecer SEORT, que iniciou a controvérsia, o direito creditório originário, de R$ 2.548.873,26, é incontroverso, razão pela qual foi deferido. Valorando esse montante para a data da DCOMP considerada (22.09.2004), ainda segundo o SEORT, o crédito alcançou o total de R$ 2.827.974,88 (R$ 2.548.873,26 x 1,1095). Por outro lado, ainda conforme o despacho decisório do SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Manaus (ff. 131), o débito infonnado na DCOMP, decorrente de IRRF sobre "Juros Sobre o Capital Próprio", correspondente ao 1° semestre de 2004, e de R$ 2.574.361,99, com vencimento em 07.01.2004 (fl. 132). Ajustando esse valor até a data da DCOMP considerada pelo SEORT (22.09.2004), com juros de mora de 9,68% e multa de mora de 20%, o debito assumiu um total de R$ 3.338.432,63. Conforme inferiu o SEORT, o valor originário do debito estaria a maior em R$ 393.628,74, pois: R$ 2.574.361,99 — R$ 393.628,74 = R$ 2.180.733,25. E R$ 2.180.733,25, mais juros de mora de 9,68% e mais multa de mora de 20%, equivaleriam a R$ 2.827.974,88 (R$ 2.180.733,25 + R$ 211.094,98 + R$ 436.146,65), o que corresponderia ao crédito atualizado, acima demonstrado. Inconformada, a recorrente apresentou "manifestação de inconformidade" ao parecer SEORT (fl. 154), alegando não haver insuficiência de crédito, pois a compensação teria ocorrido "em 01/2004 conforme PerdComp n" 413893 7268 e posteriormente em 09/2004 foi retificada pela PerdComp n" 1086010168, inclusive com redução do valor do débito" (11. 155). Nesse pensamento, o demonstrativo e a conclusão do SEORT, de insuficiência de credito de R$ 393.628,74, estaria completamente equivocado. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ/Belém, recorrida, através da la Turma, conforme acórdão 01-10.689, de 13/03/2008 (fl. 180), reconheceu que a compensação deveria se dar na data da apresentação da Declaração de Compensação original (22/01/2004), conforme alegou a recorrente, e não pela data da entrega de DCOMP retificadora, em 22/09/2004, conforme raciocinou, equivocadamente, o SEORT. Entretanto, apesar de reconhecida razão parcial à recorrente quanto à data, a DRJ concluiu persistirem divergências, pois o débito, na Declaração Retificadora, apesar de diminuído em relação h DCOMP originária, teria sido informado sem os acréscimos de multa moratória, de R$ 128.405,87, devidos em vista de o débito ter vencido em 07/01/2004 e a DCOMP original ter sido apresentada em 22/01/2004. Não conformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, dizendo haver equivoco na decisão recorrida, pois no pedido de retificação da DCOMP, efetuado em 09/2004, Processo n° 10283.000287/2007-87 SI-C1T3 Acórdão n." 1103-00.422 Fl. 2 teria diminuído o valor do débito, o que, segundo ela, "não gera encargos corno multa ou juros" (fl. 185). Diante disso, requer se cancele o debito fiscal reclamado. o Relatório. 3 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e foi apresentado por parte legitima. Assim, por reunir os pressupostos de admissibilidade, é conhecido. Conforme relatado, segundo o Acórdão a quo, o direito creditório reconhecido à interessada não foi suficiente para amparar o débito apresentado para compensação. Inicialmente, segundo o Parecer SEORT, teria se verificado uma insuficiência de R$ 393.628,74. Essa diferença, entretanto, foi parcialmente desfeita pela DRJ, pois o SEORT considerou como data de compensação o dia 22/09/2004, data da entrega de DCOMP retificadora, quando, segundo decidiu a DRJ, a data que deveria ter sido considerada é a data de entrega da DCOMP original, apresentada em 22/01/2004. Com isto, evidentemente, a situação se modificou, mas segundo a DRJ persistia débito, que ela não quantificou. Revisando os cálculos, segundo o raciocínio inicial da recorrente, conforme se observa na DCOMP original (if 159), o valor do crédito informado era de R$ 2.722.463,83 (originário), que, acrescido de juros para a data da entrega da DCOMP (22.01.2004) (1%), somou R$ 2.749.688,47. Deste total, ainda segundo a DCOMP original (fl. 159), somente parcela originária do crédito, de R$ 2.695.508,74, que atualizados por juros de 1%, alcançou R$ 2.722.463,83, foi utilizada na liquidação do débito proposto. De outra parte, ainda conforme a DCOMP original, o valor do debito a compensar montava R$ 2.594.057,96 (originário). Este, por vencido desde 07.01.2004, considerando que a DCOMP originária foi apresentada em 22/01/2004, foi acrescido de multa de mora (0,33% x 15 dias = 4,95%), de R$ 128.405,87, elevando-se o debito total a compensar para R$ 2.722.463,83 (fl. 162/163). Essa aparente exatidão na compensação foi quebrada com a apresentação de DCOMP retificadora, entregue em 22.09.2004. Segundo essa retificadora (fl. 166), o valor do crédito originário, concernente ao IRPJ negativo do ano de 2003, é de R$ 2.548.873,26, que confere com o informado na ficha 12 A, linha 19, da DIPJ/2004. Esse montante, acrescido de juros de 1%, alcança um total de R$ 2.574.316,99. O débito, por outro lado, informado na DCOMP retificadora, é de R$ 2.574.361,99, originário, o que equivaleria ao credito atualizado. Observa-se, porém, conforme já advertiu a DRJ, que o débito informado na retificadora não veio acompanhado da correspondente multa de mora de 4,95%, embora estivesse vencido desde 07/01/2004 (fi. 168) e a compensação foi efetuada em 22/01/2004 (fl. 168). 4 Processo n° 10283.00028712007-87 S 1 -CIT3 Acórdão n.° 1103-00.422 Fl. 3 Diante disso, é correta a decisão recorrida, que, mesmo tendo acatado, acertadamente, o pleito da recorrente de deslocar a data da compensação do dia 22/09/2004 (fl. 164), conforme pretendia o SEORT, para o dia 22/01/2004 (fl. 157) - data da entrega da DCOMP originária, ainda assim concluiu persistir débito não compensado, por ausente a multa de mora de 4,95% que deve incidir sobre o débito originário. Assim, o crédito atualizado, de R$ 2.574.361,99, somente suporta parcialmente o débito, no limite originário de R$ 2.452.941,39, pois este valor, de R$ 2.452.941,39, somado a uma multa de mora de R$ 121.420,60 (4,95% sobre RS 2.452.941,39), equivale a R$ 2.574.361,99. Nesse raciocínio, ainda é exigível urn debito originário, vencido em 07/01/2004, de R$ 121.420,60 (R$2.574.361,99 - R$ 2.452.941,39). E isso, se considerado um IRRF originário sobre "Juros sobre Capital Próprio" de R$ 2.574.361,99, informado na DCOMP retificadora, pois o débito efetivo desse IRRF, aparentemente, é de R$ 3.289.500,00 (15% sobre R$ 21.930.000,00) (fl. 78). Ante o exposto, NEGO provimento ao ree so voluntário. - GERVA:SIO NICOL U RECKTENVALD 5
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