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Numero do processo: 19515.723057/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE ALÇADA.
Nos termos da Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.".
REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E NÃO INCLUSAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER DE REEMBOLSO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PATRIMONIAL
Identificado nos registros contábeis, valores pagos a segurados empregados, não inclusos nas folhas de pagamento, e sem comprovação de que se tratavam de reembolso, sobre eles incide contribuição previdenciária.
MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXISTÊNCIA DE LUCROS. DESCONSIDERAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE ABERTURA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ-LABORE.
A empresa optante pela tributação com base no lucro presumido que muda para o regime do lucro real deve demonstrar a efetiva existência dos lucros apurados e distribuídos.
A ausência da comprovação da efetiva existência das reservas de lucros escrituradas no Balanço Patrimonial de Abertura, enseja a sua desconsideração deste, e a caracterização dos lucros distribuídos como pró-labore.
SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ-LABORE.
A prestação de serviços de consultoria, por empresa de sócios da autuada e seus parentes de primeiro grau, exige a comprovação da efetiva prestação deles pela pessoa jurídica, e se induvidosa a realização dos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram percebidos a título de pró-labore.
SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE EX-DIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO.
Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, os pagamentos realizados a ela devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, sobre a qual há incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos.
PAGAMENTO SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO CABIMENTO
Não existe previsão legal para lançamento fiscal de contribuições previdenciárias que tem por motivação o pagamento sem causa.
MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE.
Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação e simulação, e o contribuinte não apresenta livros e documentos de suporte a sua escrituração contábil.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I e 135, III, DO CTN. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO
Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois é solidária a pessoa que realiza em conjunto com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que tenha relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação.
Cabe a responsabilização solidária de sócio-administrador nos termos do art. 135, III do CTN, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei.
Verificada a confusão patrimonial entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal.
Numero da decisão: 2202-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica" e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, em um total de R$ 417.091,28, conforme tabela que consta da conclusão do voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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LIMITE ALÇADA. Nos termos da Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.". REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E NÃO INCLUSAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CARÁTER DE REEMBOLSO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PATRIMONIAL Identificado nos registros contábeis, valores pagos a segurados empregados, não inclusos nas folhas de pagamento, e sem comprovação de que se tratavam de reembolso, sobre eles incide contribuição previdenciária. MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PARA LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXISTÊNCIA DE LUCROS. DESCONSIDERAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE ABERTURA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓLABORE. A empresa optante pela tributação com base no lucro presumido que muda para o regime do lucro real deve demonstrar a efetiva existência dos lucros apurados e distribuídos. A ausência da comprovação da efetiva existência das reservas de lucros escrituradas no Balanço Patrimonial de Abertura, enseja a sua desconsideração deste, e a caracterização dos lucros distribuídos como pró labore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 57 /2 01 3- 31 Fl. 8914DF CARF MF 2 PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO COMO PRÓ LABORE. A prestação de serviços de consultoria, por empresa de sócios da autuada e seus parentes de primeiro grau, exige a comprovação da efetiva prestação deles pela pessoa jurídica, e se induvidosa a realização dos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram percebidos a título de pró labore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA PRESTADOS POR EMPRESA DE EX DIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, os pagamentos realizados a ela devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, sobre a qual há incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos. PAGAMENTO SEM CAUSA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO CABIMENTO Não existe previsão legal para lançamento fiscal de contribuições previdenciárias que tem por motivação o pagamento sem causa. MULTA QUALIFICADA. EVIDÊNCIA DE SONEGAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA CONTABILIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada quando há evidências inequívocas de sonegação e simulação, e o contribuinte não apresenta livros e documentos de suporte a sua escrituração contábil. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I e 135, III, DO CTN. CONFUSÃO PATRIMONIAL. CABIMENTO Cabe a responsabilização solidária tributária de sócio, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois é solidária a pessoa que realiza em conjunto com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que tenha relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Cabe a responsabilização solidária de sócioadministrador nos termos do art. 135, III do CTN, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Verificada a confusão patrimonial entre os sócios e a pessoa jurídica, configurada pela assunção, por parte desta última, de despesas pessoais daqueles, dentre outros comportamentos lesivos ao patrimônio da pessoa jurídica, implica a atribuição da responsabilidade pessoal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica" e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, em um total de R$ 417.091,28, conforme tabela que consta da conclusão do voto. Fl. 8915DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.915 3 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício interpostos contra o acórdão nº 1669.283, proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário, e integralmente a imputação de responsabilidade tributária. No procedimento fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração: · Debcad nº 51.056.2124: contribuições devidas à Previdência Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, no montante de R$ 6.919.971,41 (seis milhões novecentos e dezenove mil novecentos e setenta e um reais e quarenta e um centavos), que abrange os seguintes levantamentos: FP REMUNERAÇÃO DE ADMIN E FUNC, SC PAGTO SEM CAUSA, TA PAGTO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. · Debcad nº 51.056.2132: contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros), abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, no montante de R$ 1.561.509,72 (um milhão quinhentos e sessenta e um mil quinhentos e nove reais e setenta e dois centavos), que abrange o seguinte levantamento: FP REMUNERAÇÃO DE ADMIN E FUNC. As infrações foram apuradas nas seguintes contas contábeis: Conta contábil Descrição Fl. 8916DF CARF MF 4 3.30.10.10.01 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS Despesa operacional no valor de R$ 141,70, relativo ao conserto de veículo BMW DFC 0108, utilizado pelo sócio Francisco Esteves de Araújo, sem incluir tal remuneração indireta no cômputo do prólabore, com a aplicação da multa qualificada. 3.30.10.30.05 TELEFONE Pagamentos no importe de R$ 34.840,74, referentes a contas de celulares dos sócios administradores e seus parentes de 1º grau e/ou gerentes. Tais valores foram adicionados , aplicandose a multa qualificada. Diversos pagamentos, totalizando R$ 2.166,00, relativos a despesas com contas de celular de terceiros (Antônio Sérgio Bortolin) pagas pelo contribuinte, em relação às quais não foi identificada a causa do pagamento. 3.30.10.40.11 VIAGENS E ESTADIAS Pagamento de diversas despesas registradas nesta conta contábil (IPTU, boletos, DARF, cartões de crédito etc), e depósitos bancários aos sócios administradores e seus parentes em 1º grau e/ou gerentes e assessores. Pagamento de remuneração indireta de alguns filhos dos sócios, que exerciam funções de gerência. Pagamento de diversas despesas da empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME, cujo proprietário é o sócio Valdir Soares de Mello e seus parentes (cônjuge: Rosemari Marquetti de Mello; filha: Paula Renata Marquetti de Mello; filho: Felipe Alberto Marquetti de Mello; e filha: Carla Roberta Marquetti de Mello). Depósitos bancários efetuados em nome de empregados da empresa, no importe total de R$ 117.949,80, não registrados nas folhas de pagamento. 3.30.10.40.19 MANUTENÇÕES DIVERSAS Pagamento de boletos e depósitos bancários que, de fato, referiamse a remunerações indiretas de administradores, diretores, gerentes e seus assessores (contribuintes individuais), não registradas em folhas de pagamento, que totalizaram R$ 13.604,28. Depósito bancário de R$ 80,00, em nome de um empregado (Cláudio Vinite Lucca), que não foi incluído na folha de pagamento. 3.30.10.50.01 ADMINISTRAÇÃO Despesas de administração dos sócios administradores e seus parentes em 1º grau e/ou gerentes e assessores, não registrada nas competentes folhas de pagamento, no valor de R$ 12.347,78. Depósito bancário em nome de um empregado identificado (Maiku Kozonoi), no importe de RS 151,90 (cento e cinquenta e um Reais e noventa centavos), não foi incluído em folha de pagamento. 3.30.10.50.06 CONSULTORIA Pagamentos à empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME, de propriedade do sócio Valdir Soares de Mello e de seus parentes de 1º grau, não justificados, pois, não foram apresentados documentos, contratos, relatórios de horas gastas e/ou materiais utilizados, hábeis a comprovar a efetiva prestação dos serviço constantes nas notas fiscais apresentadas, no valor de R$ 318.232.19. Pagamentos à empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda. — ME, cujas notas fiscais apresentadas referiamse à "consultoria empresarial no mês". A autuada, intimada, não apresentou outros documentos que embasassem os pagamentos. As notas fiscais emitidas tinham numeração sequencial, de mesmo valor (exceto no mês de outubro, quando houve o acréscimo do montante exato de 1/3 férias, e nos meses de novembro e dezembro, quando há o 13º salário), e passaram a ser emitidas no mesmo mês em que o diretor industrial Waldir Gulineli Paladino, sócio da empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda. — ME, foi supostamente demitido. O montante total dessas remunerações foi de R$ 345.928,08, já incluídos os valores dos respectivos DARF de retenção IRFONTE (código de receita 1708) e das Contribuições Sociais (código de receita 5952). 3.30.10.50.10 ASSISTÊNCIA TÉCNICA Pagamentos a José Antônio Batista, no montante de R$ 414.925,28, em relação aos quais a autuada não logrou comprovar a causa do pagamento. 3.30.10.50.12 CARRETOS Pagamento a transportadores autônomos (contribuinte individuais), sem as respectivas retenções. O lançamento de ofício da contribuição previdenciária patronal foi efetuado considerando a base de cálculo como 20% do valor pago de R$ 43.214,00, nos termos do art. 201, §4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS (Decreto n°. 3.048, de 1999), com redação dada pelo art. 1° do Decreto n°. 4.032, de 2011. Depósito bancário ao sócio José Domingos Ferreira, no valor de R$ 10.000,00. 3.30.10.30.01 FRETES Pagamento a transportadores autônomos (contribuinte individuais), sem as respectivas retenções. O lançamento de ofício da contribuição previdenciária patronal foi efetuado considerando a base de cálculo como 20% do valor pago de R$ 5.530.493,50, nos termos do art. 201, §4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS (Decreto n°. Fl. 8917DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.916 5 3.048, de 1999), com redação dada pelo art. 1° do Decreto n°. 4.032, de 2011. Depósito bancário ao empregado Cláudio Vinite Lucca, no valor de R$ 724,29, não incluído em folha de pagamento. 3.30.20.10.01 COMISSÕES DE VENDAS Pagamentos de manutenções referentes a boletos e depósitos bancários em benefício dos administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes e assessores, no valor de R$ 2.743.774,00. Depósitos bancários a empregados, no valor de R$ 3.168.738,00, não incluídos em folha de pagamento. 3.30.10.50.05JURÍDICO Depósito bancário ao sócio José Domingos Ferreira,no valor de RS 10.000,00. 2.30.60.10.03 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Em análise a essa conta contábil, para verificação da efetiva apuração dos lucros distribuídos, a fiscalização constatou, por meio de uma revisão das DIPJ desde o ano calendário de 1998, que a empresa sempre recolheu o imposto sobre a renda com base na sistemática do lucro presumido e distribuiu lucros isentos aos seus sócios administradores no limite total da isenção (valor do lucro presumido, subtraído dos impostos incidentes sobre o faturamento PIS/COFINS e o lucro IRPJ/CSLL). Intimada a apresentar documentação hábil e idônea, para embasar os saldos iniciais registrados no balanço de abertura do anocalendário de 2009, especialmente na conta contábil 2.30.40.10 Reserva de Lucros, a empresa não comprovou a existência de saldo de lucros a distribuir no curso do anocalendário de 2009. O total debitado nesta conta foi de RS 10.109.510,13, do qual, o montante de R$ 1.292.646,84 referese a pagamentos de diversas contas (IPTU, boletos, cartões de crédito etc), e depósitos bancários realizados em benefício dos sócios administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes. Pagamento ao Escritório Vitória Serviços Contábeis S/C Ltda, no valor de importância de R$ 7.500,00, sem a justificativa da causa de tal pagamento. A multa foi agravada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), para os levantamentos FP REMUNERAÇÃO DE ADMIN E FUNC, SC PAGTO SEM CAUSA, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em complementação ao relatório, pela riqueza de detalhes, reproduzo partes do relatório do acórdão recorrido: A fiscalização ressalta, por fim, que teria restado evidenciado o intuito de fraude / sonegação, vez que os administradores (Valdir Soares de Mello, Francisco Esteves de Araújo e José Domingos Ferreira) utilizaram diversos expedientes para retirar valores da empresa sem incluílos nos prólabore, como acima demonstrado. Tal proceder evidenciaria o intuito de fraude e sonegação, destacandose que esta prática restou implementada com o pagamento de despesas dos sócios e seus parentes de 1º grau, com depósitos nas contascorrentes dos mesmos, com a criação de irreais reservas de lucros e com a suposta contratação de serviços incomprovados. Ademais, também evidenciaria o intuito fraudulento a efetivação de diversos pagamentos a funcionários (alguns deles filhos dos sócios da empresa) sem incluílos nas folhas de pagamento, o registro de despesas pessoais dos sócios como se fossem despesas da empresa e os pagamentos dissimulados de salário do diretor Waldir Gulineli Paladino, travestidos como se fossem pagamentos relativos a serviços prestados pela empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda. — ME. Destarte, em decorrência da demonstração das fraudes perpetradas pelos administradores da autuada (Valdir Soares de Fl. 8918DF CARF MF 6 Mello, Francisco Esteves de Araújo e José Domingos Ferreira), a fiscalização lavrou o competente Termo de Responsabilidade Tributária com fulcro nas normas ventiladas nos arts. 124, inciso 1 e 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional CTN (fls. 4.146 / 4.153). IMPUGNAÇÕES Em 6 de fevereiro de 2014, a autuada acostou aos autos petição indicando que o CD entregue pela fiscalização, validado pelo SVA, não conteria os dados que deveriam ser gravados no mesmo (fls. 4.158 / 4.159). Na mesma data, a fiscalização, atendendo à solicitação mencionada no parágrafo anterior, entregou novas mídias eletrônicas ao contribuinte, nas quais constariam as planilhas mencionadas no Termo de Constatação Fiscal (fls. 4.161). Em 20 de fevereiro de 2014, o sócio Valdir Soares de Mello apresentou sua impugnação à autuação (fls. 4.165 / 4.247), requerendo (i) a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, (ii) a improcedência da lavratura e/ou (iii) a exclusão da responsabilidade tributária atribuída ao impugnante, e aduzindo, em breve síntese, que: * o exercício do direito de defesa teria sido cerceado, pois nenhum dos autos de infração lavrado estaria disponíveis eletronicamente (eCAC), conforme se depreenderia de documentação juntada ao Anexo V. Com isto, a autuada, bem como seus sócios, apenas teriam o auto de infração e as planilhas de cálculo, entregue posteriormente pela fiscalização em decorrência de petição expressa da autuada. Além disso, em decorrência da total falta de informações, o próprio número do processo teve que ser obtido pelo Sistema COMPROT; * a fiscalização não teria explicado, em momento algum, de forma pormenorizada, o raciocínio desenvolvido. Como exemplo, o impugnante cita a conta "Assistência Técnica", que, caso a despesa fosse aceita, teríamos as seguintes conseqüências: (i) dedução para o IRPJ/CSLL, (ii) crédito de PIS/COF1NS, (iii) não integração à base de cálculo do INSS e (iv) descabimento da multa de IRRF. A fiscalização, ao desconsiderar diversas despesas registradas nesta conta contábil, deveria ter desenvolvido detidamente seu raciocínio e, como foram lavrados três autos de infração distintos, é possível cogitarse do prejuízo ao contribuinte pelo julgamento por pessoas diversas, com potencial conflito de decisões; * a estrutura e o conteúdo do Termo de Constatação Fiscal dificultariam a compreensão da autuação, pois em nenhum momento a fiscalização teria explicado como chegou nos números mencionados em cada conta contábil e sequer explicitado o reflexo da autuação de um tributo em outro. Destacase que a falta de clareza teriam obrigado o contribuinte a contratar uma empresa para fazer a chamada "conta inversa" e, com isso, reapurar números apontados pela fiscalização; * ilustrandose as dificuldades mencionadas acima, o impugnante cita a conta Telefone 3.30.10.30.05, na qual a Fl. 8919DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.917 7 fiscalização mencionara "Já, o total de R$ 2.166,00 referese a despesas com conta de celular de terceiro, que foi identificado, pagas pelo contribuinte, mas que não foi justificada a causa de seu pagamento. Isso ensejará lançamentode oficio de Contribuições Previdenciárias relativas à cota Patronal". Tal descrição da infração inviabilizaria a defesa de tal valor, pois sequer se saberia o nome do funcionário para alegar qual a sua função na empresa e que, portanto, necessitaria do telefone para exercêla; * a mesma situação ocorreria na conta "Custo dos Produtos Vendidos — 3.30.10.10.01", em relação à qual se menciona que "o total de RS 117.949,80 referese a depósitos bancários em nome de empregados, que foram identificados, e que deveriam ter sido incluídos nas folhas de pagamento". Ao não descrever quais seriam estes empregados, a impugnante não teria como se defender da acusação. Ademais, não se conheceria a composição do valor de R$ 117.949,80; * destarte, seria fácil perceber que a motivação, ou seja, a demonstração por escrito dos pressupostos autorizadores do ato administrativo só fazem caracterizar a falta de clareza do auto de infração e sua conseqüente iliquidez. Logo, por existir evidente vício de motivação, haveria absoluta precariedade da acusação fiscal, razão pela qual o auto de infração deveria ser declarado nulo; * em decorrência da autuação fundarse na escrituração contábil da empresa, bem como em diversos documentos entregues à fiscalização, não restaria dúvida de que a fiscalização deveria compor e demonstrar pormenorizadamente as razões da autuação. Contudo, no caso vertente, isto não teria ocorrido, acarretando o dever da impugnante produzir provas sobre fato negativo, o que é rechaçado inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no Ag 1.022.208/GO). Ademais, o descabimento da autuação seria evidente, pois, adotandose os lançamentos confeccionados, chegase a um lucro equivalente a 60% (sessenta por cento) do faturamento da autuada; * a fiscalização teria sido empreendida por AuditorFiscal lotado na cidade de São Paulo, que em nenhum momento teria comparecido às instalações fabris da autuada, situadas em Vinhedo. Assim, este estranho e descabido procedimento tomado pelo Agente Fiscal teria gerado, como conseqüência direta do desconhecimento do aludido processo produtivo, a glosa de praticamente todas as despesas. Citase, como exemplo, o frete, que fora glosado em sua totalidade, o que ocasionou reflexo direto na presente autuação. Ao não aceitar as despesas de frete, a fiscalização teria desconsiderado uma verdade absoluta: a autuada precisa transportar suas mercadorias; * o Agente Fiscal subscritor do presente auto de infração não detinha competência para executar fiscalizações além dos limites da cidade de São Paulo, vez que lotado na DEFIS/SPO e não expressamente autorizado a empreender fiscalizações fora do Fl. 8920DF CARF MF 8 limite territorial de sua delegacia, vez que ausente dos autos qualquer menção à autorização expressa veiculada no art. 6o, §5°, da Portaria RFB n°. 3.014, de 29 de junho de 2011; * o lançamento relativo ao mês de janeiro de 2009 encontrarse ia fulminado pela decadência, vez que regido pela norma veiculada no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional; * no tocante aos valores distribuídos como lucro, inexistiria nos autos qualquer prova de que o valor de RS 1.292.972,29 (um milhão, duzentos mil, novecentos e setenta e dois Reais e vinte e nove centavos) referirseia a prólabore. Não haveria sequer justificativas plausíveis para o enquadramento de tais valores como prólabore, sendo importante relembrarse que a própria fiscalização, na autuação relativa ao IRRF, reconhece o registro regular, nas folhas de pagamento, de prólabore aos sócios da empresa. Assim, não haveria razão para considerar os valores pagos a título de distribuição de lucros, devidamente contabilizados, como pagamento de prólabore; * ainda em relação aos valores distribuídos como lucro, cuja fiscalização entendeu que materializavam verdadeiros pagamentos de prólabore, o impugnante aduz que haveria perfeita discriminação contábil entre os prólabores e a distribuição de lucros. Ademais, a fiscalização não teria evidenciado quais seriam as irregularidades determinantes para se considerarem insatisfatórios os esclarecimentos prestados em relação aos saldos iniciais das contas 1.10.40.10 Estoque de MatériasPrimas, 1.20.70.10 Bens em Operação, 1.20.70.20 Depreciação Acumulada, 2.20.60.10 Provisão para Contingências, 2.30.10.10 Capital Social e 2.30.40.10 — Reservas de Lucros, o que teria cerceado o direito de defesa do contribuinte; * a fiscalização, ao considerar os valores dos lucros distribuídos como pagamento de prólabore, acabou por fazer incidir o Risco de Acidente do Trabalho RAT e as Contribuições para o Terceiro Setor. Isto ocorreu em decorrência dos pagamentos de remunerações de administradores e funcionários estarem somados na mesma rubrica, impossibilitando a discriminação do que o Fisco considera remuneração dos sócios e dos empregados, cerceando o exercício do direito de defesa; * muitos dos profissionais considerados pela fiscalização como transportadores autônomos são, na verdade, donos de pessoas jurídicas e que assinaram o recibo em nome próprio, como representantes de suas empresas que são. Para comprovar esta alegação, o impugnante anexa documentos no Anexo X; * no tocante ao item "assistência técnica", a asserção de que foram efetuados pagamentos a terceiros sem causa não merece prosperar, pois o beneficiário de tais pagamentos seria o sr. José Antônio Batista, sócio da empresa Art Brasil Composição e Assistência Técnica em Clichês e Matrizes Ltda ME. Logo, o pagamento teria sido efetuado a pessoa jurídica, não ensejando o lançamento de qualquer contribuição previdenciária; * em relação aos gastos com "Telefone / Viagens e Estadias", a fiscalização limitouse a mencionar que os dispêndios são Fl. 8921DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.918 9 efetivados por colaboradores. Contudo, em momento algum teria sido realizada a comprovação de que estes gastos não seriam necessários, destacandose que tais pagamentos não foram direcionados a terceiros estranhos à empresa. Logo, inexistindo prova de que tais dispêndios foram pagos em retribuição aos serviços prestados pelos empregados, não haveria como se manter o lançamento; * seria descabida a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios da autuada, inclusivo do sr. Valdir Soares de Mello, vez que incomprovada a ocorrência de excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Frisase, neste ponto, que nenhum dos valores apurados teve como ponto de partida a presunção e, por conseqüência, o arbitramento, mesmo se considerada a asserção da fiscalização de que a empresa não teria apresentado os documentos cabíveis. Na realidade, a autuação resta calcada na própria escrituração contábil da empresa, o que demonstraria a ausência de intuito fraudulento; * a fiscalização pautouse em despesas devidamente contabilizadas pela empresa e não em sua receita, o que seria bastante para afastar a asserção de que os sócios da autuada teriam agido fraudulentamente, uma vez que a fraude e a simulação seriam institutos que se caracterizariam na omissão de receita; * o Agente Fiscal acreditara que os sócios da autuada teriam cometido fraude, simulação e sonegação por terem contabilizado determinados valores como lucro, ao passo que os mesmos deveriam ter sido contabilizados como prólabore, e sobre esta convicção impôs a responsabilidade tributária aos sócios. Contudo, sobre o tema retirada dos sócios, valeira mencionar que a lei não faria distinção ou mesmo limitaria o valor da retirada dos sócios de uma empresa e sequer fixaria períodos para esta retirada, possibilitando ao sócio que a retirada de recurso financeiros da empresa seja feita como distribuição de lucros ou prólabore. A única exigência legal seria a adequada contabilização; * no tocante ao pagamento de despesas pessoais dos sócios aos seus filhos (funcionários da empresa), destacase que tais dispêndios teriam sido alocados pelo Agente Fiscal como pró labore. Ou seja, seriam valores contabilizados, que deveriam ter sido alocados no campo prólabore para sofrerem a incidência de IRRF e contribuições previdenciárias e não distribuídos como lucro. Logo, tratarseiam de valores contabilizados, o que novamente afastaria qualquer ilação acerca do cometimento de fraude, vez que o máximo passível de conclusão seria a inadequação das contas contábeis nas quais os lançamentos teriam sido registrados; * do mesmo modo, não haveria que se falar em simulação com a criação de valores na conta Reserva de Lucro, pois justamente Fl. 8922DF CARF MF 10 por não retirar prólabore é que a conta Reserva de Lucro acabou tomando vulto; * a multa de ofício qualificada não seria cabível ao caso vertente, pois não teria sido demonstrada a intenção da empresa em sonegar ou fraudar o Fisco. Ademais, a aplicação de penalidade em patamar tão elevado (150% cento e cinqüenta por cento) certamente feriria os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, revelando nítido caráter confiscatório. Em 20 de fevereiro de 2014, os sócios José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo apresentaram suas impugnações à autuação (fls. 4.549 / 4.635 e 4.939 / 4.982), requerendo (i) a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, (ii) a improcedência da lavratura e/ou (iii) a exclusão da responsabilidade tributária atribuída ao impugnante, e aduzindo, em breve síntese, que: * Seria descabida a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo, vez que ambos não dispunham de poderes de gestão e sequer detinham a maioria do capital social da empresa (eram sócios minoritários). Destacase, neste sentido, que a fiscalização não teria empreendido a real apuração da conduta culposa ou dolosa por parte dos sócios na prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto social, que seria a única possibilidade a ensejar a responsabilidade solidária ao sócio administrador ou representante legal; * Em relação à inexistência de fraude ou simulação, bem como no tocante ao aventado cerceamento do direito de defesa e aos suscitados equívocos na autuação, os sócios José Domingos Ferreira e Francisco Esteves de Araújo repisam os argumentos expendidos na impugnação apresentada pelo sócio administrador Valdir Soares de Mello. Ainda em 20 de fevereiro de 2014, a autuada (VIP Indústria e Comércio de Caixas de Papelão Ondulado Ltda.) apresentou sua impugnação (fls. 5.135 / 5.177), requerendo (i) a nulidade da autuação, (ii) a exclusão da responsabilidade tributária atribuídas aos seus três sócios e a improcedência da autuação. As razões de defesa acostadas à impugnação em foco repisam os argumentos já trazidos nas impugnações apresentadas pelos sócios da autuada. MEDIDA CAUTELAR FISCAL_ Às fls. 5.336, consta dos autos manifestação elaborada pelo dr. Eduardo Rodrigues da Costa Procurador da Fazenda Nacional, na qual se noticia a concessão de medida liminar na Medida Cautelar Fiscal nº. 003972212.2014.403.6182, devidamente confirmada no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 5.339). REABERTURA DO PRAZO DE DEFESA E APRESENTAÇÃO DE NOVAS IMPUGNAÇÕES Em decorrência da alegação dos impugnantes de que "a Empresa Autuada tem em mãos somente o Auto de Infração Fl. 8923DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.919 11 encaminhado pelo Sr. Auditor Fiscal à Empresa e aos seus sócios. Até mesmo o CD encaminhado junto com o AIIM e que contém planilhas de cálculo e de documentos não tinha conteúdo algum, estava vazio. Isso é facilmente demonstrado pela petição protocolizada no dia 06 de fevereiro de 2014, aos cuidados do Sr. Fiscal, informando acerca da falta de conteúdo do respectivo CD, sendo que somente nesta data a Empresa Autuada e o Impugnante tiveram acesso a referidas informações constantes no CD, conforme documentação de validação. (Anexo VI)", a presidente substituta da 14a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo determinou a reabertura do prazo para a apresentação de defesa (fls. 5.341 / 5.343). Todos os impugnantes foram regularmente citados pela DERAT/SP, a autuada e os sócios Valdir Soares de Mello e José Domingos Ferreira e Francisco em 27 de outubro de 2014 (fls. 5.351 / 5.353) e o sócio Francisco Esteves de Araújo em 28 de outubro de 2014 (fls. 5.354). Em 7 de novembro de 2014, a empresa VIP Indústria e Comércio de Caixas de Papelão Ondulado Ltda. apresentou nova impugnação, por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (correção do valor dos seus bens no "Termo de Arrolamento", com a conseqüente desoneração dos bens dos sócios) e acrescentou, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 5.356 / 5.435): * o cerceamento do direito de defesa, reconhecido no despacho que determinou a reabertura do prazo de impugnação, permaneceu até 30 de outubro de 2014, vez que somente nesta data o impugnante conseguiu ter acesso ao inteiro teor dos autos; * a autuação seria viciada, pois a fiscalização não teria demonstrado a composição dos valores autuados e a planilha elaborada não traria todas as informações necessárias à caracterização da infração, em especial no que pertine às Contribuições do Terceiro Setor e do SAT/RAT; * não haveria qualquer menção ao procedimento utilizado. Muitas vezes a fiscalização teria se limitado a mencionar que um determinado montante é pertinente a depósito de terceiro, mas a causa não foi identificada, o que ensejaria a incidência da cota patronal de contribuição previdenciária. Citase, como exemplo, a apuração realizada na conta 3.30.10.50.01 Administração; * a fiscalização não teria explicado adequadamente o raciocínio utilizado nos itens "2.2 DAS INFRAÇÕES POR CONTAS CONTÁBEIS" e "2.3 DOS VALORES CONSOLIDADOS POR INFRAÇÃO", ou mesmo a razão de tal divisão, já que se pode notar facilmente que se tratam das mesmas contas contábeis, isso sem contar que também não foi explicado o reflexo da autuação de um tributo em outro; * a ausência de explicação do procedimento fiscalizatório é demonstrada pela própria asserção da fiscalização de que o único documento utilizado para a lavratura dos autos de infração foi o Razão Contábil. Isso seria inadmissível, pois a Fl. 8924DF CARF MF 12 fiscalização, apesar de ter emitido mais de 30 (trinta) termos de intimação e colhido inúmeros documentos, não demonstrou como tais elementos de prova foram utilizados, simplesmente mencionando que se utilizou apenas de arquivos magnéticos; * ao serem analisados os três autos de infração lavrados na ação fiscal, perceberseia a repetição de valores idênticos ou aproximados, o que faria crer que a fiscalização reconheceu a repercussão dos lançamentos entre si. Destacase que a falta de certeza em relação ao afirmado já demonstraria a precariedade da autuação; * a fiscalização não teria indicado, no "Termo de Constatação e Verificação Fiscal", o motivo da incidência de SAT/RAT, bem como das Contribuições do Terceiro Setor. Todas as contas contábeis somente fazem menção à incidência de "Contribuições Previdenciárias relativas à Cota Patronal". Do mesmo modo, não haveria qualquer justificativa para a alíquota do SAT/Rat ter sido dimensionada no patamar de 3% (três por cento) em todos os meses; * ademais, se uma planilha fundamental à caracterização das infrações é entregue ao contribuinte de forma incompleta, o próprio fato gerador da obrigação tributária não restaria caracterizado, estando ausente, ainda, a motivação destes dois AI, o que, sem sombra de dúvida, além de gerar sua nulidade, também ocasionaria o cerceamento do direito de defesa; * a fiscalização teria extrapolado os limites determinados pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, pois (i) teria obtido informações de bens de terceiros (veículos de filhos dos sócios e que também são funcionários da empresa) e (ii) teria analisado, para fins de análise da distribuição dos lucros isentos aos sócios, DIPJ relativas a período não acobertado pelo MPF; * a autuação estaria maculada por vício material, em decorrência da autoridade fiscal não ter demonstrado de forma clara e precisa os fatos / motivos que levaram à confecção da autuação. Destacase que o autuado somente teve conhecimento integral da autuação em 30 de outubro de 2014, em decorrência de diligência determinada pela DRJ, o que demonstraria o evidente vício material da autuação; * em decorrência da ciência completa da autuação somente ter ocorrido em 30 de outubro de 2014, o lançamento estaria fulminado pela decadência; * no tocante ao lançamento relativo aos valores pagos a título "diárias para viagens e estadias", a fiscalização teria desconsiderado que tais importâncias somente integram o saláriodecontribuição quando excedentes a cinqüenta por cento da remuneração mensal do beneficiário. No caso vertente, a autuada demonstraria que os valores pagos a título de diárias para viagem e estadias totalizaram RS 239.859,07 (duzentos e trinta e nove mil, oitocentos e cinqüenta e nove Reais e sete centavos) e, individualmente, não teriam superado o montante do valor pago a título de remuneração, conforme comprovariam as cópias das folhas de pagamento anexadas; Fl. 8925DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.920 13 * já em relação ao valores registrados a título de "ajuda de custo", a fiscalização desconsiderou que os pagamentos visariam ressarcir o trabalhador dos gastos efetuados para o bom desempenho de seu trabalho, ou seja, não seria suficiente a nomenclatura para a delimitação da tributação. Destacase que o mesmo ocorreu com os lançamentos registrados nas contas "telefone", "manutenções diversas", "administração" e "frete"; * a distribuição de lucros ao (sic) sócios, caracterizada pela fiscalização como pagamento de prólabore, referirseia a valores contabilizados, inexistindo qualquer comprovação nos autos de que tais valores seriam decorrentes de serviços prestados pelos sócios, ou seja, prólabore. Frisase que a empresa pode livremente definir a qual título distribui os resultados aos sócios, seja como distribuição de distribuição de lucros, seja como prólabore, desde que não esteja em débito com a União; * no tocante à conta de consultoria, é possível concluirse que o lançamento foi realizado em decorrência da fiscalização entender insuficiente a apresentação das notas fiscais relativas à prestação de tais serviços. Esta postura da fiscalização seria inadequada, pois as notas fiscais são documento idôneos e suficientes para comprovar a prestação de serviços, especialmente em relações comerciais realizadas entre empresas desvinculadas; * em relação aos pagamentos efetuado (sic) em benefício da empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda., a fiscalização considerou que tais dispêndios mascaravam o pagamento de prólabore ao sócio administrador. Sobre tal assunto, instaria esclarecer que não há nada na legislação brasileira que proíba uma pessoa de ser sócia de diversas empresas ao mesmo tempo e sequer qualquer vedação de que tais empresas prestem serviços entre si. Ademais, não constaria dos autos nenhum documento apto a demonstrar que a prestação de serviço não teria sido como ser realizada dentro da autuada, situação em que restaria evidente a ausência de prestação do serviço, sendo pertinente destacarse que os valores praticados coadunarseiam com o mercado, ainda mais se levado em conta que o montante do lucro distribuído ao sócio administrador é comprovada e declaradamente superior; * a consideração de que os pagamentos à empresa WalPal Consultoria Empresarial Ltda ME foram efetuados em decorrência de seu sócio (Waldir Gulineli Paladino) ser verdadeiro empregado da autuada seria descabida, pois o autuante não teria competência para avaliar a existência de vínculo empregatício. Ademais, caso se entenda que o autuante tem tal competência, seria imperiosa a comprovação dos requisitos do vínculo empregatício (habitualidade, subordinação e pessoalidade); Fl. 8926DF CARF MF 14 * no que tange à empresa Art Brasil, apesar da multa ser majorada ao patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento), não há absolutamente nada descrito nos autos, onde a conta contábil "assistência técnica" é abordada acerca da eventual conduta de fraude / dolo / simulação por parte do impugnante; * em relação às empresas WalPal e São Jorge, a fiscalização fundou o lançamento em pretensa simulação, o que tornaria descabida a qualificação da multa, por ausência de previsão legal; * ademais, a fiscalização, ao aplicar a multa qualificada, não teria indicado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, no Termo de Responsabilidade Solidária e no Fundamentos Legais do Débito, em qual artigo (71 ou 72 da Lei n°. 4.502/64) teriam sido enquadradas as condutas apuradas; * os valores registrados nas contas contábeis "Carretos" e "Fretes" nunca deveriam ensejar o lançamento de contribuições previdenciárias, pois, seguindo o raciocínio do Parecer Normativo n°. 1, de 24 de setembro de 2002, seria forçoso concluirse que o encerramento do período de apuração acarretaria a extinção de qualquer responsabilidade da autuada sobre tais pagamentos. Ademais, destacase que muitos dos profissionais considerados autônomos pelo Fisco são, na verdade, sócios de empresas que possuem como objeto social o transporte de cargas e que assinaram o recibo em nome próprio, como representantes de suas empresas. A comprovação disto constaria do Anexo X (cartão do CNPJ e ficha cadastral da JUCESP); * no tocante aos saldos iniciais do balanço de abertura, o impugnante acosta aos autos um laudo de avaliação, realizado por empresa autônoma (Anexo XV), que demonstraria a composição dos bens de seu ativo, tudo para que não pairem dúvidas sobre o patrimônio da autuada, que nunca teria criado montantes de reservas de lucros e de capital social não correspondentes à sua realidade fática; * o impugnante não conseguiria compreender os valores indicados pela fiscalização na conta contábil "distribuição de lucros" (R$ 160.000,00 pagamentos a beneficiarios não identificados; R$ 698.391,00 — pagamentos a beneficiários não identificados; R$ 1.292.646,84 remuneração indireta dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores; R$ 7.500,00 — Escritório Vitória de Contabilidade; R$ 7.950.972,29 — dividendos a pagar), haja vista que todos estariam descritos nesta conta contábil de forma agrupada e nem mesmo a planilha que embasa a lavratura conteria a descrição analítica de tais valores. Na realidade, muito pelo contrário, o total indicado na planilha (IRPJ) é de RS 15.901.944,58, valor este que não se correlaciona com os valores aqui mencionados; * em relação ao valor de RS 1.292.646,84, o mesmo é descrito tanto no auto de infração IRPJ como na presente autuação. Por sua vez, o impugnante não pode deixar de observar que exatamente os mesmos dizeres mencionados pela fiscalização nesta conta contábil "distribuição de lucros" também são Fl. 8927DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.921 15 descritos na conta contábil "viagens e estadias", sendo certo, ainda, que os valores são aproximados. Isso faz o impugnante crer na duplicidade de valores / glosas; * o lançamento de RS 7.500,00 (sete mil e quinhentos Reais), referente a um pagamento efetuado ao Escritório de contabilidade Vitória, sujeitouse ao lançamento da contribuição previdenciária patronal sem qualquer explicitação do motivo, impossibilitando sua compreensão por parte da autuada; * a fiscalização teria incorrido em contradição ao apurar o pagamento de supostos prólabores na conta "Dividendos a Pagar", pois, no decorrer de todo o "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", a fiscalização menciona a intenção dos sócios da autuada em distribuir como lucro valores que, na verdade, deveriam ser distribuídos como prólabore. Ao utilizar tal premissa, a fiscalização enquadrou diversos valores em tal situação, mencionandoos em diversas contas contábeis (consultoria, viagens e estadias, administração etc) e, inclusive, impôs responsabilidade tributária aos sócios. Ademais, justamente quando se vê diante da conta contábil "Distribuição de Lucros", a fiscalização novamente menciona que os valores registrados foram erroneamente distribuídos sob esta égide, quando deveriam ser distribuídos a título de prólabore e que tais lucros sequer existiram. Por fim, assevera que tais lucros são em verdade pagamentos realizados a beneficiários desconhecidos; * em decorrência do exposto no parágrafo anterior, o impugnante formaliza diversas questões: o valor de R$ 7.950.972,29 (sete milhões, novecentos e cinqüenta mil, novecentos e setenta e dois Reais e vinte e nove centavos) foi ou não distribuído aos sócios? Em caso positivo, sob qual égide (remuneração indireta, que deveria ser paga como pró labore?)? Se os lucros não existiam, como foram distribuídos? Como os sócios declararam tais valores? Se o montante R$ 7.950.972,29 (sete milhões, novecentos e cinqüenta mil, novecentos e setenta e dois Reais e vinte e nove centavos) foi distribuídos aos sócios, porque os beneficiários são desconhecidos? Ademais, se os beneficiários são conhecidos, qual o motivo da aplicação da alíquota de 35% do IRRF? * ainda em relação à conta contábil "Distribuição de Lucros", asseverase que a fiscalização não teria descrito nenhuma situação fática, nem tampouco provas, de que os montantes registrados não se referiam a lucros, sendo certo que tal valor poderia sim ser distribuído aos sócios, não havendo que se falar em remuneração indireta, prólabore, pagamento a beneficiários desconhecidos, nem tampouco em incidência de IRRF e de Contribuições Previdenciárias / Terceiro Setor; * ademais, a aplicação da multa qualificada sobre os valores apurados na conta contábil "Distribuição de Lucros" seria descabida, pois a fiscalização teria indicado a ocorrência de Fl. 8928DF CARF MF 16 simulação, figura jurídica não prevista nos arts. 71 e 72 da Lei n°. 4.502/64; * no tocante à aventada ocorrência de fraude, dolo ou simulação, entende o impugnante que a simples leitura dos itens pertinentes às infrações glosadas permite concluir que a fiscalização não descreve de forma clara qual é a conduta dolosa da autuada que caracterizaria tal intuito. Do mesmo modo, não a comprovaria, sempre partindo de uma simples presunção. Em adição, citase que a fiscalização trata os institutos jurídicos da simulação, da fraude e da sonegação como se fossem um único instituto jurídico, sendo descabido cogitarse de qualquer intuito fraudulento quando a fiscalização realiza o lançamento com base nos registros contábeis da empresa (ninguém faz coisa errada e contabiliza); * em se tratando da qualificação criminal realizada pela fiscalização, o impugnante aduz que a configuração do delito depende da comprovação do vínculo entre a conduta do contribuinte e o ilícito, não sendo suficiente a simples prestação de informação considerada inverídica pela fiscalização, vez que se pode tratar de um mero erro de fato. Ademais, não se poderia esquecer que o lançamento pautouse na própria escrituração da empresa, não sendo necessário procederse ao arbitramento, restaria provado que os documentos apresentados continham as informações necessárias e confiáveis para a constituição do crédito tributário; * o arrolamento de bens imposto sobre a autuada e seus sócios seria descabido, pois o patrimônio da empresa seria bastante para arcar com os valores lançados (Laudo de Avaliação anexado aos autos — Anexo XV) e a responsabilidade dos sócios somente poderia ser cogitada quando impossibilitado o cumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte e desde que comprovada a prática de ilícito pelo sócio; Em 7 de novembro de 2014, o sócio Valdir Soares de Mello apresentou nova impugnação, por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (cancelamento do "Termo de Arrolamento de Bens e Direitos" do impugnante) e acrescentou, além dos argumentos já apresentados pela empresa, em síntese, que (fls. 6.160/6.242): * a análise do item "3. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA E SOLIDARIEDADE" do Termo de Responsabilidade Tributária permite concluirse que a responsabilização dos sócios decorreu do suposto excesso de poderes de gestão dos sócios administradores. Logo, como o único sócio com poderes de gestão é o Sr. Valdir Soares de Mello, seria descabido incluir todos os sócios como responsáveis tributários, o que acabaria por macular o Termo de Responsabilidade Tributária, que deveria ser cancelado; * a fiscalização não teria comprovado, em nenhum momento, o cometimento de excesso de poderes pelo sócio Valdir Soares de Mello. Além disso, apesar dos auto de infração terem sido lavrados em função dos sócios da autuada, seria mister observar que o "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", no campo Fl. 8929DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.922 17 "Identificação", não inclui a expressão "Outros", deixando de fazer alusão aos sócios. Em 7 de novembro de 2014, o sócio José Domingos Ferreira apresentou sua nova impugnação à autuação (fls. 7.021 / 7.103), por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (cancelamento do "Termo de Arrolamento de Bens e Direitos" do impugnante) e acrescentou, além dos argumentos já apresentados pela empresa e pelo sócio Valdir Soares de Mello, em síntese, que: * o sócio José Domingos Ferreira não seria sócio administrador, não seria gerente, não seria diretor, nem tampouco representante legal, sendo simplesmente um sócio minoritário que possui apenas 5% (cinco por cento) das cotas sociais. Tal fato, por si só, já seria suficiente para excluir o impugnante do pólo passivo da presente autuação, vez que seria evidente sua ilegitimidade. Por sua vez, ainda em 7 de novembro de 2014, o sócio Francisco Esteves de Araújo apresentou sua nova impugnação à autuação (fls. 7.827 / 7.909), por intermédio da qual reforçou as razões de defesa anteriormente tecidas, formulou novo pedido (cancelamento do "Termo de Arrolamento de Bens e Direitos" do impugnante) e acrescentou, basicamente, os argumentos já apresentados pela empresa e pelo sócio José Domingos Ferreira. A decisão de primeira instância deu provimento parcial à impugnação dos recorrentes, mantendo parcialmente a exigência tributária em face da pessoa jurídica e mantendo integralmente a imputação de solidariedade tributárias aos sócios elencados pela fiscalização, e recorreu de ofício a este Conselho, em função de a exoneração do crédito tributário exceder a R$ 1.000.000,00, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O Acórdão recorrido teve a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direi to Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O detalhamento específico e individualizado de todos os fatos geradores encartados na autuação, inclusive mediante arquivo eletrônico anexo ao termo de constatação e verificação fiscal, afasta qualquer cerceamento ao exercício do direito de defesa, ainda mais se, justamente para sanar qualquer dúvida a tal respeito, tenhase, antes do julgamento, por devolvido o prazo integral de defesa ao Interessados. DECADÊNCIA. FRAUDE. TERMOS INICIAL E FINAL. Tendo a fiscalização apurado robustas evidências de que o contribuinte agiu com fraude em relação ao suporte fático da Fl. 8930DF CARF MF 18 autuação, o prazo decadencia! para a constituição dos respectivos créditos tributários tem por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido confeccionado e por termo final o transcurso do lapso de cinco anos. ATO ILÍCITO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Evidenciado que o sócioadministrador concorreu diretamente na prática das condutas dolosas apuradas pela fiscalização, resta caracterizada a ocorrência de reiterada infração à lei (ilícito prestigiado no art. 135, inciso 111, do CTN) bastante para a extensão da responsabilidade tributário ao próprio sócio administrador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DESTITUÍDOS DE PODERES DE GESTÃO. IRREGULARIDADES PRATICADAS EM BENEFÍCIO DIRETO DOS SÓCIOS. INTERESSE COMUM. Sócios que, profusamente, em várias contas contábeis de despesa e durante todo o ano, recebem pagamentos da pessoa jurídica que não atribuído à sua normal remuneração e/ou retirada de lucros, concorrem em interesse comum (remuneração indireta) na situação que constitui/modifica os fatos geradores de obrigação tributaria relativos as remunerações pagas a pessoas físicas, não anotadas em folhas de pagamento e registradas em diversas contas contábeis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO AGENTE. LIMITES. O quadro funcional de Auditores da Delegacia Especial da Receita Federal de Fiscalização DEFIS/SP tem jurisdição sobre contribuintes sediados na cidade de São Paulo. Certo ainda que, não obstante a existência de filiais (planta industrial) em outras cercanias municipais, o fato é que o auto de infração pode ser lavrado no local de verificação da falta (repartição pública), quando mais se verifica a suficiência de elemento documental papelburocrático e/ou arquivo magnético para efeito de formação de convicção da Autoridade Lançadora. FATOS PASSADOS. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 8931DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.923 19 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS E REGISTRADAS EM DIVERSAS CONTAS CONTÁBEIS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. FALTA DE PROVA DO CARÁTER RESSARCITÓRIO DO PAGAMENTO. TRIBUTAÇÃO. Quando a fiscalização identifica, em variadas contas contábeis, que a empresa despendeu recursos financeiros a seus empregados e não incluiu tais importâncias nas competentes folhas de pagamento, é imperiosa a confecção da autuação, mormente quando incomprovada a alegação de que tais dispêndios seriam verdadeiros reembolsos de despesas. PRÓLABORES PAGOS DISSIMULADAMENTE COMO DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. TRIBUTAÇÃO. Nos casos em que a empresa optou pela tributação na sistemática do lucro presumido em todos os anoscalendário anteriores ao período fiscalizado e distribuiu lucros aos sócios no limite da isenção (valor do lucro presumido, subtraído dos impostos incidentes sobre o faturamento P1S/COFINS e o lucro IRPJ/CSLL), é induvidoso que a distribuição de valores excedentes a tal título condicionase à demonstração contábil da apuração efetiva destes lucros. Destarte, a distribuição de lucros aos sócios somente pode ser aceita quando comprovada a efetiva apuração de tais lucros, sob pena destes valores distribuídos serem qualificados como pagamento de prólabore. REGISTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A PESSOA JURÍDICA QUE NÃO OSTENTA A QUALIDADE DE SÓCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO. O registro contábil relativo á distribuição de lucros em benefício de pessoa jurídica que não ostenta a qualidade de sócio, ainda que não comprovada a causa do pagamento, não foi erigida pela legislação previdenciária como hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. SERVIÇOS DE CONSULTORIA SUPOSTAMENTE PRESTADOS POR EMPRESA DE UM SÓCIO DA AUTUADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. CARACTERIZAÇÃO DE PRÓLABORE. A emissão de notas fiscais não é bastante para comprovar a efetiva prestação de serviços de consultoria, notadamente nos casos em que um sócio da autuada e seus parentes de primeiro grau são os proprietários da empresa que supostamente prestou os serviços. Fl. 8932DF CARF MF 20 Ausente a comprovação da suposta prestação dos serviços por pessoa jurídica e sendo induvidosa a realização dos respectivos pagamentos, a fiscalização deve considerar que estes foram realizados em benefício do sócio da autuada, ou seja, foram percebidos a título de prólabore. SERVIÇOS DE CONSULTORIA SUPOSTAMENTE PRESTADOS POR EMPRESA DE UM EXDIRETOR. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. Identificada a constituição de pessoa jurídica para acobertar a existência de relação de emprego, é induvidoso que os pagamentos realizado a esta empresa devem ser qualificados como remuneração de segurado empregado, com a conseqüente incidência das contribuições previdenciárias e das devidas a outras entidades e fundos. FRETES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS CONTRATOS OU CONHECIMENTO DE TRANSPORTE. PAGAMENTOS REALIZADOS EM BENEFÍCIO DE PESSOAS FÍSICAS. TRIBUTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA QUALIDADE DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. Há regular incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a pessoas físicas em decorrência da prestação de serviços de transporte (contribuintes individuais). A ausência de apresentação dos respectivos contratos ou conhecimentos de transporte impede o reconhecimento de que os serviços teriam sido prestados por pessoas jurídicas transportadoras, vez que os cheques e recibos foram assinados por pessoas físicas. VALORES PAGOS A PESSOA FÍSICA E REGISTRADOS EM CONTA CONTÁBIL DENOMINADA "DIÁRIAS E ESTADIAS". AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESLOCAMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Não se sujeitam â tributação previdenciária os valores das diárias para viagem, desde que comprovada a ocorrência dos efetivos deslocamentos. Inexistindo esta comprovação, tais valores integramse regularmente á base de incidência das contribuições previdenciárias. GILRAT E TERCEIROS. INCIDÊNCIA NOS PAGAMENTOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. IMPOSSIBILIDADE, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. RETIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO. A legislação não prevê que as remunerações pagas a contribuintes individuais sofram a incidência da contribuição para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (antigo SAT, atualmente denominada GILRAT), e das contribuições destinadas ao FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Impugnação Procedente em Parte Fl. 8933DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.924 21 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformados com a decisão da DRJ, cuja ciência se deu em 14/09/2015, a empresa e os responsáveis solidários apresentaram Recurso voluntário, em 09/10/2015, com razões assim resumidas: Arrazoa que a atividade fiscal apresenta irregularidades, atecnias e erros procedimentais, pedindo que as defesas apresentadas aos demais autos de infração lavrados na ação fiscal sejam verificados por este órgão recursal. Preliminar. Nulidades a auditoria foi executada sem que o auditor fiscal tivesse visitado o estabelecimento da empresa fiscalizada; a atuação fiscal extrapolou os limites, sendo desenvolvida internamente, e obrigando a recorrente a apresentar na repartição fiscal os documentos de todos os fatos contabilizados do ano. Diz que, pelo art. 164 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 estaria obrigada a exibir os documentos em seu estabelecimento, sendo um abuso, a fiscalização ter pedido que a recorrente apresentasse na repartição fiscal todos os seus livros fiscais e documentação de todos os fatos nela registrados, dia a dia, mês a mês; o autuante lavrou infrações por contas contábeis, de quase totalidade dos valores impugnados, com a justificativa de falta de comprovação; foi glosada a totalidade do crédito apropriado com base nas quotas de depreciação, com a justificativa de não comprovação da existência dos bens de uso (imobilizado); e questiona se o Fisco poderia ter glosado tais valores, sem ao menos comparecer ao estabelecimento industrial da fiscalizada, vez que uma simples visita daria possibilidade de a autoridade fiscal constatar a existência de estoque ou ativo imobilizado, o que exigiria a conversão do julgamento em diligência fiscal para a apuração das matérias tributadas. o acórdão recorrido refutou a crítica de que não seria possível determinar a efetiva natureza dos pagamentos por meio de simples cotejo das contas e respectivos lançamentos contábeis; questiona se em função da desorganização da contabilidade, tudo que foi pago a sócios, empregados e terceiros seria remuneração indireta. Cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e interpreta que há necessidade de prova de que os pagamentos efetuados compõem o salário de contribuição; argumenta que a fiscalização entendeu ser remuneração indireta ou pró labore todo pagamento, cuja comprovação foi considerada insuficiente pelo auditor fiscal. afirma que nenhuma atividade empresarial está isenta de reembolso de despesas de funcionários, e é comum que boa parte dos benefícios pagos a estes não se enquadra no conceito de salário de contribuição. Transcreve julgados do CARF sobre verbas em que não há incidência de contribuição previdenciária. Fl. 8934DF CARF MF 22 a desconsideração das despesas lançadas nas contas contábeis ensejaria, no máximo, a glosa que refletiria sobre outras espécies tributárias, e não base para apuração de contribuições previdenciárias. a decisão recorrida deu amparo ao lançamento fiscal, ao desconsiderar que as notas fiscais seriam provas suficientes para comprovar a efetiva prestação de serviço, o que prova que a atividade fiscal se baseou em suposições; e que a determinação das hipóteses de incidência, o agravamento de multa e a responsabilização dos sócios foram feitos por generalização. Mérito Das remuneração indiretas: viagens, estadias, telefone, custo dos produtos vendidos e manutenções diversas ajuda de custo e reembolso de despesas Alega que essas despesas são imprescindíveis em qualquer empresa, principalmente com o aumento da atividade empresarial, e que em 2009 efetuou transferências a seus funcionários, por reembolso de despesas necessárias. Cita doutrina e jurisprudência sobre verbas em que não incide contribuição previdenciária, como vale transporte, ajuda de custo, diárias de viagem inferiores a 50% da remuneração, transporte. Assevera que o acórdão recorrido não se aprofundou na análise dessas verbas, apenas se apegando à suposta falta de comprovação. E que não houve pagamento a título de ajuda de custo, mas transferências para reembolso de despesas. Considera que o Auditor Fiscal deveria verificar se os valores pagos a título de viagens e estadias superavam o limite de 50% do valor da remuneração. Diz ser desarrazoada a afirmação do autuante de que os filhos dos sócios são bancados pela empresa, como se fossem um grupo de desocupados, o que contaminou o julgamento de primeira instância. Afirma que eles são legítimos empregados e, é normal que suportem despesas na execução de seus serviços. Argumenta ser ilegal, o autuante ter atribuído o pagamento da despesa de R$ 2.047,00 referente a "FAAP Marquetti de Mello, ao gerente Valdir Soares de Mello, mesmo conhecendo o beneficiário. E ainda ter questionado reparos nos carros da autuada, disponibilizados a seus colaboradores, simplesmente porque eram veículos de luxo. E o fato de o carro ser ou não de luxo não é suficiente para descaracterizar o reembolso da despesa com manutenção, e considerála remuneração indireta. Afirma que os celulares de seus sócios administradores foram custeados pela recorrente. Transcreve acórdão do CARF a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre essa despesa, quando utilizado e fornecido para o trabalho. E que os celulares dos administradores eram necessários as suas atividades. Das supostas infrações referentes às contas seguros, jurídico, administração e comissões de vendas Alerta sobre o cerceamento de defesa, em função de o Auditor Fiscal mencionar em seu Termo de Verificação Fiscal que parte dos lançamentos foram efetuados na conta contábil de "seguros" (3.30.10.30.08) item 2.2.3, mas esse item não existe, por isso, a autuação referente a ela deve ser afastada, por ser desprovida de fundamentação. Fl. 8935DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.925 23 Em relação às demais despesas, diz se referirem a custeio de despesas pela Recorrente, que poderiam ter uma infinidade de natureza, que não configuraria incidência de contribuição previdenciária. Consultoria serviços prestados por pessoas jurídicas Afirma que o relator do acórdão recorrido foi contraditório ao afirmar que em princípio a comprovação se inicia com a apresentação das notas fiscais, e concluir que a mera apresentação de notas fiscais não é bastante para comprovação desses serviços, aceitando o argumento de que os pagamentos feitos a pessoas jurídicas em relação aos serviços contábeis não sofrem incidência de contribuição previdenciária, mesmo que sem causa, mas não aceitou os pagamentos relativos à consultoria, pelo fato de no quadro social dessas prestadoras haver pessoas com alguma relação com a Recorrente, aliado à afirmativa de falta de comprovação. Em relação à empresa São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME, apesar de terem sido apresentadas as notas fiscais, efetuadas a retenção e quitação dos tributos incidentes, o autuante e os julgadores de primeira instância insistem na falta de comprovação, pelo simples fato de Valdir Soares Mello ser sócio da Recorrente e da empresa de consultoria. No que se refere à WalPal Consultoria Empresarial LtdaME, o acórdão recorrido manteve a autuação, por considerar que o autuante comprovou a existência de relação de emprego. Nesse aspecto diz que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não têm competência para definir relação de emprego, cuja competência cabe à Justiça do Trabalho, e não foram apresentadas provas de que a pessoa física cumpria horário fixo, assinava ponto, agia com mero subordinado. Acrescenta que não há lei que impeça um antigo trabalhador de constituir empresa e lhe prestar consultoria, sendo aceitável que a remuneração guarde semelhança com a que recebia o antigo empregado. Distribuição de lucros desconsideração do saldo contido no Balanço Patrimonial de Abertura Assevera que a auditoria desconsiderou os saldos escriturados no Balanço Patrimonial de Abertura, por suposta falta de comprovação dos valores escriturados, e a decisão recorrida apenas repisou o Termo de Verificação Fiscal. Argumenta que a legislação tributária autoriza as empresas sujeitas à apuração pelo Lucro Presumido a adotarem Livro Caixa, em substituição à escrituração contábil. Em vista disso, ao fazer a alteração para o Lucro Real, teve que escriturar o Balanço Patrimonial de Abertura, e dada a escrituração contábil precária da empresa em períodos anteriores, é inevitável que os dados destoem da apuração fiscal. Alega que registrou como lucros a distribuir, o valor resultante da diferença entre Ativo e Passivo mais Capital, e essa diferença decorreu da infinidade de fatos, bens, direitos e obrigações que eram inexistentes nos registros da empresa. Apresenta Laudo de Avaliação elaborado por empresa independente e diz que os valores são muito próximos dos escriturados pela Recorrente, cujo resultado foi registrado como lucros a distribuir aos sócios, por isso que custeou as despesas deles com créditos disponíveis nessa conta, porque eram créditos disponíveis a eles. Colaciona jurisprudência da CSRF, sobre a falta de motivação da não aceitação do Balanço Patrimonial de Abertura. E reitera que a desconsideração dos saldos contidos nesse Balanço não teve fundamentação fática. Fl. 8936DF CARF MF 24 Dos supostos pagamento a transportadores autônomos Diz que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas, apesar de os cheques e recibos fazerem menção a pessoas físicas, conforme comprovantes de inscrição no CNPJ e ficha cadastral da Jucesp. Dos supostos pagamentos sem causa Arrazoa que o art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 não autoriza que um pagamento sem causa seja convertido em remuneração tributada pela contribuição previdenciária, como fez a fiscalização. E ao contrário do afirmado pela auditoria, os pagamentos tem causa definida e provada, pois apesar de terem sido feitos à pessoa física, eram remuneração à pessoa jurídica Art Brasil Composição e Assistência Técnica em Clichês e Matrizes ME (Art Brasil), controlada pelo seu sócio, sendo inverossímil que ele tenha prestado serviço como autônomo em concorrência com sua própria empresa. E a decisão recorrida foi contraditória ao aceitar que a nota fiscal é prova de prestação de serviços por pessoa jurídica, e em outra matéria não aceita tais provas. Da inexistência de habitualidade Assevera que os pagamentos sem causa, lançados pela fiscalização, apresentam valores irregulares e esporádicos, não havendo habitualidade, que poderia enquadrálos no conceito de saláriodecontribuição. Das multas e atribuições de responsabilidade Alega ser cabível a multa qualificada somente se houver prova inequívoca de dolo, fraude ou simulação, o que não foi demonstrado pelo autuante e julgadores de primeira instância, uma vez que a autuação tem uma única sustentação, que é a falta de comprovação dos registros contábeis, que a autuada ficou impossibilitada de fazer, dada a intimação para que a recorrente comprovasse absolutamente tudo que havia escriturado, e nessa impossibilidade, os pagamentos foram considerados, por presunção remuneração indireta ou pagamento de pró labore. Colaciona jurisprudência da CSRF. Afirma ter apresentado as legítimas folhas de pagamento e declarações, e efetuado os recolhimentos, sendo que a fiscalização lançou verbas, que na sua visão distorcida, deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Apesar de a fiscalização ter qualificado os pagamentos em relação à empresa Art Brasil, não há qualquer descrição sobre fraude, dolo ou simulação por parte da recorrente. Em relação à WalPal e São Jorge, mesmo o enquadramento ter se dado pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a acusação é de prática de simulação, que não está tipificada nesses artigos. Além disso a fiscalização não comprovou o vínculo empregatício de Waldir Gulineli com a recorrente. Também não há provas de que houve a intenção do sócio administrador da recorrente em criar a empresa São Jorge com o intuito de receber remunerações indiretas. Argumenta que a despeito da decisão de primeira instância, a autoridade fiscal tem a obrigação de tipificar corretamente a conduta do contribuinte autuado, principalmente quando der ensejo à multa qualificada, representação pessoal dos administradores e representação para fins penais. Fl. 8937DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.926 25 Da decadência Nesse tópico traz as mesmas argumentações apresentadas na impugnação, ao dizer que a apresentação completa da autuação só ocorreu em 30/10/2014. E, no caso dos autos, por ausência de dolo, fraude e simulação, aplicase o art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), estando fulminados pela decadência, os créditos de 01/01/2009 a 30/10/2009. Responsabilidade tributária Infirma que a fiscalização tenta responsabilizar o sócio Valdir Soares de Mello por infrações apontadas em outras autuações. Apresenta um resumo das infrações que integram o auto de infração do Imposto de Renda, que indicou a responsabilização pelos artigos 124, 135, 136, 137 do CTN, e diz que o art. 137 não tem relação com a matéria. Acrescenta que, ao contrário do que indica o autuante e do entendimento da decisão recorrida, nem todos os sócios detinham poderes de administração. Afirma que o Termo de Responsabilidade é confuso, e o acórdão recorrido tenta dar crédito à atividade fiscal por meio de manobras interpretativas. Acrescenta que: A Autoridade Fiscal: (i) fez afirmativas incorretas quanto aos poderes de cada sócio responsabilizado; (ii) não efetuou a correta descrição dos supostos atos ensejadores da responsabilidade; (üi) não efetuou a necessária tipificação das condutas; e, (iv) não singularizou a base legal para imputação da responsabilidade. Esses fatos, que são inquestionáveis, por si só seriam suficientes para determinar a nulidade das questionadas atribuições de responsabilidade. Diz que foi atribuída responsabilidade aos sócios até para os lançamentos punidos com a multa de 75%. E que a decisão de primeira instância se esforça para corrigir as graves imperfeições do lançamento de ofício, inovando ao afirmar que todas as infrações apuradas foram praticadas em um contexto fraudulento, com a integração entre as autuações procedentes da fiscalização em questão. Apresenta quadro com os percentuais de multa dos lançamentos referentes a IRPJ, CSLL, IRRF, e Multa isolada. E apresenta razões apontadas na avaliação do IRPJ e CSLL. Afirma ter apresentado provas da existência dos itens indicados no seu Balanço Patrimonial de Abertura, no laudo que foi juntado à impugnação. Reafirma que a prova da existência da fraude, da simulação deve ser produzida pelo Fisco, e que uma simples visita ao Cartório de Imóveis provaria a cifra de R$ 29.154.835,84 de EDIFÍCIOS, entre os seus elementos do ativo. Da tributação do irfonte do art. 61 da Lei nº 8.981/95: da ausência de justa causa para a aplicação da multa qualificada Argumenta que o art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 janeiro de 1995 instituiu uma tributação por presunção legal, que é o único meio possível de se atingir um beneficiário não identificado. E em se tratando de norma de presunção, a aplicação da multa de 150% se revela indevida, porque dolo ou fraude não se presumem. Fl. 8938DF CARF MF 26 Questiona sobre a existência de fraude ou dolo no tocante à distribuição de lucro ou dividendos a pagar, decorrente de valores de exercícios anteriores, que o autuante diz não existir, sem apresentar qualquer prova, não havendo justa causa para a cominação da multa de 150%, nem atribuição de responsabilidade ao sócio da autuada. Afirma que não há evidência nos autos de que os sócios sem poderes de gerência tiveram participação no fato gerador da contribuição previdenciária exigida, que configuraria o interesse comum, devendo ser afastada a responsabilidade solidária dos três sócios. Nos pedidos, requer a admissão do recurso, para reformar a decisão recorrida e afastar os autos de infração e a responsabilidade solidária. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Do recurso de oficio Pela decisão de primeira instância, fls. 8796/8801, verificase que o valor exonerado representou R$ 1.316.342,99, e levou o Julgador, naquela época, a recorrer de ofício à instância superior. Entretanto, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, estabeleceu o seguinte: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais).(grifei) § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. A Súmula CARF nº 103 dispõe sobre a forma de aplicação desse limite de alçada nos seguinte termos: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância."(grifei) Portanto, diante do limite de alçada, vigente da data deste julgamento, não conheço o recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Foi apresentado um único Recurso Voluntário para a empresa autuada e os três responsáveis solidários. O presente processo decorre de procedimento fiscal, onde foram lavrados outros dois processos administrativos fiscais, relativos a IRPJ/COFINS/IRRF/Multa Isolada Fl. 8939DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.927 27 (19515.723055/201342) e PIS/PASEP/COFINS (19515.723056/201397), que foram objeto das decisões exaradas nos acórdãos 1201001.508 (1ªTO/2ªC/1ªSEJUL) e 3401003.895 (1ªTO/4ªC/3ªSEJUL), respectivamente. Ao requerimento dos recorrentes de que as defesas apresentadas aos demais autos de infração sejam verificadas por este colegiado, assevero que esta turma não dispõe de competência para analisar as matérias debatidas nos outros processos referidos, nos termos do art. 3º do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), razão pela qual serão analisadas as alegações do Recurso Voluntário apresentado a este processo. Preliminares Os recorrentes, em preliminar, pugnam pela nulidade do lançamento fiscal, em vista de o Auditor Fiscal ter extrapolado os limites da fiscalização, agindo com abuso e exação, ao solicitar a comprovação de quase totalidade dos registros contábeis, mês a mês, dia a dia, e ainda ter glosado a totalidade dos créditos apropriados com base nas quotas de depreciação, sem ao menos comparecer ao estabelecimento da autuada, que ainda foi obrigada a apresentar na repartição fiscal todos os fatos contabilizados no ano, apesar de uma simples visita do Auditor Fiscal ao estabelecimento da autuada, ser capaz de comprovar a existência de estoque ou ativo imobilizado. Não vislumbro nos argumentos dos recorrentes qualquer das razões listadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/99 para a nulidade do lançamento fiscal, visto que foi lavrado por autoridade competente, e não houve preterição de seu direito de defesa, pois na fase litigiosa, iniciada com a apresentação de sua impugnação, foilhe reaberto o prazo para apresentar razões em vista de sua alegação de que quando já iniciada a fase litigiosa não dispunha de todos os elementos para sua defesa, pois o CD com os arquivos que compunham o auto de infração estava vazio, não havendo razão para acolher a tese de cerceamento do direito de defesa. Quanto ao aspecto de que o CD entregue pela fiscalização estava vazio, aproveito a oportunidade para analisar os argumentos dos recorrentes quanto à decadência dos créditos de 01/01/2009 a 30/10/2009, por ter a autuação se completado apenas em 30/10/2014, quando receberam os arquivos anexos ao auto de infração. Entendo não ter razão a recorrente, porque a ciência do lançamento fiscal se deu em 27/01/2014, por via postal (AR fls. 4154/4157), e o período de apuração cingese a 01/01/2009 a 31/12/2009. Nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, pela existência de dolo e fraude, não há que se falar em decadência, pois a autoridade fiscal teria até 31/12/2014 para constituir o crédito tributário relativo às competências indicadas pela recorrente como decadentes. Em complemento, filiome às razões de decidir exaradas no acórdão 3401 003.895, de 26 de julho de 2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF: O fato de um dos arquivos magnéticos, com planilhas explicativas da autuação, apresentar problemas não invalida a ciência realizada, mas apenas implica a interrupção do prazo recursal, com a reabertura da oportunidade de apresentação do Fl. 8940DF CARF MF 28 recurso, para evitar o cerceamento de defesa, o que efetivamente ocorreu. Com efeito, a DRJ São Paulo/SP, em homenagem ao princípio do contraditório, uma vez constatado o defeito nos arquivos magnéticos, reabriu o prazo para vista dos autos e apresentação de impugnação, o que não significa, a meu ver, vício de ciência a justificar declaração de nulidade ou decadência do lançamento, como pretende o recorrente, mas uma deficiência na instrução do lançamento que deve ser, e foi, saneada pela reabertura dos prazos. Assim, mesmo que se observasse o prazo decadencial, disposto no art. 150, § §4º, do art. 150 do CTN, alegado pelos recorrentes, o argumento decadencial não se sustentaria, visto que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/01/2014. Portanto, não merece acolhida tal alegação. Ao argumento de que a fiscalização extrapolou os limites, compartilho do mesmo entendimento também exarado no acórdão 3401003.895, de 26 de julho de 2017, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, adotando as mesmas razões de decidir: Outro ponto merecedor de realce diz respeito à inovação defensiva, com a colação de temas não argüidos no recurso inaugural, acarretando a sua preclusão consumativa, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto n° 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)." Essa situação se verifica especialmente em relação à alegação de nulidade por "abusos na condução do procedimento fiscal" espraiandose por outras matérias que, a despeito do vício processual, serão conhecidas e enfrentadas por obediência ao princípio da verdade material, visto tratarse de lançamento para exigência de crédito tributário. Contudo, por apreço ao debate, ainda que não fosse o óbice assinalado, não se vislumbraria qualquer abuso no desenvolvimento da fiscalização, não configurando qualquer vício a inquinar o lançamento a realização do exame dos livros e documentos fora do estabelecimento do contribuinte, por contar com amparo no art. 35 da Lei n° 9.430/96. De outra banda, o citado art. 264 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) em momento algum determina que o exame de escrituração se realize, obrigatoriamente, nas dependências do sujeito passivo. Não há, aí, aproximação de excesso de exação, extravagância ou surrealismo, como afirmou o recorrente, mas simples exercício de uma prerrogativa legal. Fl. 8941DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.928 29 Os demais argumentos esposados na preliminar, por se relacionarem a razões de mérito, serão analisados em sequência. Do Mérito Os recorrentes infirmam que os lançamentos efetuados relativos a viagens, estadias, telefone, custo dos produtos vendidos e manutenções diversas ajuda de custo e reembolso de despesas, tratamse de despesas imprescindíveis da atividade da empresa, tendo ainda, efetuado transferências a funcionários por reembolso de despesas. É certo que verbas como vale transporte, ajuda de custo, diárias de viagem inferiores a 50% da remuneração, como citadas pelos contribuintes não se enquadram como verbas de incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 9º, letras f, g, h, e nos termos da Súmula CARF nº 89, em relação ao vale transporte. Ocorre que, analisando os lançamentos fiscais, e as respectivas planilhas de infrações por conta contábil, de que trata o Termo de Anexação de arquivo não paginável (fls. 4122), não foram lançadas as verbas apontadas pelos contribuintes. O que se tem de concreto são lançamentos referentes a despesas de sócios e funcionários, escrituradas em contas contábeis que não condizem com a natureza delas. Apesar de os recorrentes alegarem que o Auditor Fiscal deveria ter verificado se as despesas com diárias ultrapassavam o limite de 50% da remuneração, as despesas escrituradas na conta "pagto de viagens e hospedagem" não guardam relação com "diárias" de que trata a letra "h", do § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212/91. Nessa conta estão registradas as mais variadas despesas, tais como pagamentos de cartões de crédito, contas de telefone, energia elétrica, faculdade, condomínio, IPTU, água, gás, dentre outras, além de vários depósitos bancários em nome de sócios e funcionários. O que corrobora o afirmado pela auditoria ao longo do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 4105/4109). Em relação a essas despesas, os recorrentes afirmam que foram efetuadas transferências para os funcionários, em decorrência de reembolso, entretanto, não apresenta os documentos relativos às despesas que geraram o reembolso, ou seja, alega sem trazer provas. Para que tenha efetuado os reembolsos, é previsível que tenha solicitado aos funcionários a apresentação das notas e recibos que comprovassem as despesas realizadas, então, da mesma forma, que tenha solicitado tais comprovantes, é razoável a solicitação deles pela fiscalização, como fez em vários termos de intimação, fls. 102, 3684/3689, 3693/3695, 3743/3744. Embora os recorrentes tenham afirmado que o Auditor Fiscal extrapolou os limites da fiscalização, ao solicitar documentos de todos os fatos geradores, mês a mês, dia a dia, entendo que as várias intimações fiscais foram oportunidades para que a autuada fizesse prova a seu favor, de que as despesas lançadas pela fiscalização eram da própria empresa. Entretanto, apesar dos vários meses de desenvolvimento da ação fiscal, a empresa não apresentou referidas provas. Dessa forma, não era esperada outra conduta da Autoridade Fiscal, pelo dever instituído no art. 142 do CTN, de considerar como remuneração indireta as despesas escrituradas, cujos documentos apresentados comprovam serem despesas de sócios e pagamentos a empregados, como no caso dos documentos às fls. 143/733. Os recorrentes colacionam jurisprudência do CARF, sobre a não incidência de contribuição previdência sobre despesas de telefone por ser utilizado para o trabalho. Ocorre Fl. 8942DF CARF MF 30 que muitas das faturas de telefone apresentadas pela autuada referemse a telefones residenciais, e as linhas de celulares são de titularidade das pessoas físicas (fls. 252/324). Assim, considero que a fiscalização agiu com correção ao ter lançado como remuneração, nos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91, os pagamentos de despesas de sócios e afins, e pagamento a funcionários, efetuados pela autuada. Nesse aspecto, o acórdão recorrido não merece reparo. Da mesma forma que no item anterior, as infrações relativas às contas seguros, jurídico, administração e comissões de vendas, também registram despesas de sócios, como pagamento de IPTU, manutenção de veículos, e ainda pagamento a funcionários. Com relação à conta seguros, os recorrentes afirmam que não existe, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVF), o item a que se refere o Auditor Fiscal. Entretanto, analisando a planilha "Infrações Apuradas por Conta Contábil", verificase que as despesas se tratam de seguro de veículos, acompanhado da devida identificação do beneficiário, e do motivo da autuação. Além disso, às fls. 4114, o Auditor Fiscal indica quais contas foram consideradas no lançamento, dentre elas a conta "seguros", indicando que foram lançadas por se referirem a remunerações indiretas. Segue trecho: 2.3.1.1 DAS REMUNERAÇÕES INDIRETAS DOS ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E SEUS ASSESSORES, E DOS FUNCIONÁRIOS Os custos e/ou despesas referentes aos pagamentos de diversas contas, IPTU, boletos, DARF, cartões de crédito, etc., bem como depósitos bancários dos sócios administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes e assessores (que foram identificados) pagas pelo contribuinte, que por se tratar de remunerações indiretas dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores deveriam ter sido somadas aos rendimentos mensais (prólabores e/ou folhas de pagamento) na apuração das bases de incidência das contribuías previdenciárias devidas à Previdência Social e a outras entidades e fundos (e que também não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), foram apuradas nas contas 2.2.1 3.20.10.10.01 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS, 2.2.3 3.30.10.30.08 SEGUROS, 2.2.4 3.30.10.30.05 TELEFONE, 2.2.7 3.30.10.40.11 VIAGENS E ESTADIAS, 2.2.11 3.30.10.40.19 MANUTENÇÕES DIVERSAS, 2.2.12 3.30.10.50.01 ADMINISTRAÇÃO, 2.2.13 3.30.10.50.06 CONSULTORIA, 2.2.16 3.30.10.50.12 CARRETOS, 2.2.18 3.30.20.10.01 COMISSÕES DE VENDAS, 2.2.19 3.30.10.50.05 JURÍDICO e 2.2.22 2.30.60.10.03 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. (sombreado meu). Assim, não vejo razão para excluir referida conta do lançamento, considerando que está perfeitamente identificada, tanto no TVF quanto na planilha de infrações que o acompanha. Em relação aos serviços prestados por pessoas jurídicas, notase que o acórdão recorrido exonerou o lançamento relativo ao pagamento feito à pessoa jurídica Escritório Victória Serviços Contábeis Ltda (Escritório Victória), por erro na motivação efetuada pelo Auditor Fiscal: Fl. 8943DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.929 31 Em relação a este tópico, a empresa aduz que a fiscalização não teria motivado adequadamente a autuação, vez que não explicitado o motivo do importe em foco ter sido qualificado como fato gerador das contribuições previdenciárias. Neste ponto, entendo que realmente assiste razão aos impugnantes, pois a legislação previdenciária não estabelece que o pagamento, ainda que sem causa, a uma sociedade não cooperativa acarrete a incidência das contribuições previdenciárias, conforme se deflui dos arts. 51, inciso III, e 52, III, ambos da Instrução Normativa RFB n°. 971, de 13 de novembro de 2009, in verbis: [...] Portanto, em decorrência da fiscalização não ter comprovado ou sequer apontado que o pagamento de R$ 7.500.00 (sete mil e quinhentos Reais), registrado a débito na conta contábil 2.30.40.10 RESERVA DE LUCROS, em benefício da empresa Escritório Vitória Serviços Contábeis S/C Ltda.. materializaria verdadeiro pagamento de remuneração à pessoa física, é imperiosa a exclusão de tal importância dos fatos geradores encartados na autuação. Assim, as razões da exoneração, pela DRJ, dos lançamentos relativos aos pagamentos feitos ao Escritório Victória são diferentes das razões que mantiveram os lançamentos relativos aos pagamentos à São Jorge Consultoria, Empreendimentos e Participações Ltda ME (São Jorge), e à WalPal Consultoria Empresarial LtdaME (WalPal). Enquanto no lançamento dos pagamentos ao Escritório Victória, a motivação é o pagamento sem causa (razão que levou a DRJ a exonerálo, por falta de previsão legal), no caso do lançamento dos pagamentos à empresa São Jorge, a motivação é que, além de essa empresa ser de propriedade do sócio Valdir Soares de Mello e seus parentes de 1º Grau, as contas de ISS, Taxa de Licença, Taxa de Fiscalização daquela empresa foram pagas pela autuada. Ora, dadas essas circunstâncias, de as despesas de empresa pertencente à sócio serem pagas pela autuada, foi prudente que a fiscalização tenha exigido da autuada que comprovasse a efetiva realização dos serviços constantes nas notas fiscais apresentadas, com outros elementos que respaldassem essas notas, mas a autuada se omitiu de apresentar, embora intimada, razão que levou a DRJ a manter o lançamento nessa parte. O lançamento referente aos pagamentos à empresa WalPal, seguiu a mesma linha, diante da evidência que os pagamentos se tratavam de rendimentos de trabalho assalariado, pois as notas fiscais foram emitidas sequencialmente, iniciando com a 001 em março/2009, mesmo mês que o diretor industrial, Waldir Gulineli, sócio dessa empresa, foi demitido. Além disso, os valores constantes nas notas fiscais de outubro/09, novembro/09 e dezembro/09 contemplavam verbas, que por sua natureza, são pagas apenas a segurados empregados, como 1/3 de férias e 13º salário. Entendo que essas ocorrências comprovam os elementos do vínculo empregatício, pois as notas emitidas sequencialmente por mês denotam a exclusividade com que os serviços eram prestados à autuada, inclusive com pagamento de direitos trabalhistas, como 13º Salário, que não é verba que se paga à pessoa jurídica. Em relação à alegação de que o Auditor Fiscal não tem competência para definir o vínculo empregatício, assevero que tal competência decorre do art. 142 do CTN, pois é ele que verifica a ocorrência do fato gerador, e do inciso I do art. 6º da Lei n° 11.457/07, Fl. 8944DF CARF MF 32 decorrente de sua atribuição de fiscalizar. Assim, ao constatar a existência de prestadores de serviço, que se amoldam à condição de segurados empregados, nos termos do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, deve efetuar esse enquadramento, no texto do § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: [...] §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Portanto, os lançamentos referentes aos pagamentos supostamente efetuados a essas pessoas jurídicas devem ser mantidos, porque efetivamente comprovado pela auditoria fiscal que se tratavam de valores destinados a sócio, e remuneração a empregado. Os recorrentes alegam que a fiscalização desconsiderou o Balanço Patrimonial de Abertura, sem fundamentação fática, além ser normal que ao fazer a escrituração contábil para o lucro real, os dados destoem da apuração fiscal. Não assiste razão à autuada, como já asseverado no acórdão recorrido, o Auditor Fiscal fundamentou, especificamente, porque desconsiderou o Balanço Patrimonial de Abertura: Analisando o Balanço de Patrimonial de Abertura apresentado, assinado pelo sóciogerente Valdir Soares de Mello, CPF nº 921.341.14800 e pelo contador Antônio Sérgio Bortolin, CRC/SP n° 1 SP 115.800/O7, que deveria servir de base para os saldos iniciais das contas do ATIVO e do PASSIVO, apresenta algumas incongruências, a saber: a) Na conta 1.10.60.20 Estoque de MatériaPrima o montante inicial indicado é de R$ 9.847.897,12. A empresa não apresentou sequer o Livro de Inventário (apesar de regularmente intimada Termos n° 22 e n° 25), quanto mais a documentação que embasa tais lançamentos; b) Do mesmo modo, a conta 1.20.70.10 Bens em Operação (do Imobilizado) apresenta um saldo inicial de R$ 215.391.765,64, para a qual também não houve apresentação de qualquer comprovante; c) Por conseguinte, o valor de R$ 85.059.486,57 da conta 1.20.79.20 Depreciação Acumulada, também não foi comprovado; d) Na conta 2.20.60.10 Provisão Para Contingências o valor inicial é de R$ 12.500.00,00, más (sic) não está registrado no LALUR; e) Já conta 2.30.10.10 Capital Social o montante inicial indicado é de R$ 2.000.000,00, valor esse dez vezes maior que o Fl. 8945DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.930 33 informado na D1PJ/2009 e vinte vezes superior ao registrado na Junta Comercial de São Paulo JUCESP, na última alteração contratual de 23/10/06, sob n° 260.657/062, que é de R$ 100.000,00. Tanto é verdade, que a fiscalizada apresentou, em 02/10/13, cópia do "Requerimento de Alteração do Valor do Capital Social junto à JUCESP" protocolizado em 01/10/13, bem como cópia da "Alteração e Consolidação N° 12 (Doze)" do Contrato Social da empresa (sem assinaturas), que elevou o Capital Social de R$ 100.000,00 para R$ 2.000.000,00; f) E a conta 2.30.40.10 Reserva de Lucros são contabilizadas reservas de:Lucros de 2005, 2006, 2007 e 2008, além de Lucros Acumulados num total de R$ 156.115.940,40. Efetuando uma verificação nas DIPJ desde o ano calendário de 1998, constatamos que a empresa sempre recolheu pelo Lucro Presumido, e distribuiu lucros isentos aos seus sócios no total da isenção (base de cálculo deduzido os impostos e contribuições). Isso está demonstrado na planilha anexa "Análise dos Lucros Distribuídos 1998 a 2008", que é parte integrante e indissociável deste termo. Como a empresa não possuía escrituração contábil nesse período (apenas LivrosCaixa), não há documentação que dê suporte a essa informação. Diante das alegações dos recorrentes de que o lançamento se baseou apenas em falta de comprovação, oportuno observar que o art. 527 do Decreto nº 3.000/99 estabelece que, além da escrituração contábil, as empresas tributadas com base no lucro presumido, devem manter o Livro de Registro de Inventário, e todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal. Essa também é disposição contida no art. 195, parágrafo único, do CTN, e no art. 18 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Ocorre que, a autuada, diante de todas as inconsistências apresentadas no relato fiscal, e apesar das várias oportunidades conferidas pela fiscalização, não apresentou os documentos a que se refere esse Decreto e Leis citdas, a fim de que a Auditoria Fiscal pudesse comprovar se o Balanço Patrimonial de Abertura espelhava a realidade. Assim, o Auditor Fiscal não poderia ser omisso, ao deixar de lançar como remuneração sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias as despesas que foram pagas aos sócios administradores e parentes de 1º grau, provenientes da conta distribuição de lucros, cujo saldo não foi comprovado pela autuada. Com relação ao Laudo de Avaliação apresentado pelos Recorrentes, para demonstrar que os valores nele apurados são próximos dos escriturados pela autuada, tenho o mesmo entendimento exarado no acórdão 3401003.895 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, quando tratou dos mesmos fatos relativos à autuada: Posteriormente, em impugnação, o recorrente fez juntar um laudo de avaliação, não aceito pela turma julgadora a quo, em função de sua pretensa incompletude, o que foi rechaçado pela defesa. Fl. 8946DF CARF MF 34 Nesse ponto, entendo que o laudo de avaliação (fls. 6.820 e ss.), em si, não é incompleto, tampouco inválido, eis que respeita o art. 8o da Lei n° 6.404/76, contudo, há algumas especificidades que o tornam inapropriado a fazer a prova desejada pelo recorrente, uma vez que a avaliação dos edifícios e instalações não alcançou todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, mas tãosomente aquele localizado na Av. Fernando Piccini, 220 — Distrito Industrial —Vinhedo/SP. Por outro lado, se esse é o único estabelecimento da pessoa jurídica, outro obstáculo se erige, ao passo que o valor do laudo é cerca de 30% (trinta por cento) inferior àquele constante do balanço de 2009 (efls. 6.818/6.819). A diferença de valores também se verifica em relação às contas "Móveis e Utensílios", "Máquinas e Equipamentos" e "Computadores e Periféricos" sujeitas à depreciação e integrantes da rubrica "Depreciação Acumulada". Portanto, o laudo de avaliação não sustenta os valores registrados no balanço. Além do que, referida avaliação foi elaborada em outubro/2014, refletindo os valores atuais dos bens naquela data, motivo pelo qual não atende à exigência do art. 19, parágrafo único, da Lei n° 8.541/92, que prevê, ao contribuinte que não mantiver escrituração comercial completa, a realização, no dia 1o de janeiro do anocalendário seguinte, levantamento patrimonial visando a elaboração do balanço de abertura e permitir o início da escrituração contábil. Tendo em conta a mudança do regime de tributação ocorrida entre 2008/2009, deveria o contribuinte ter providenciado dito levantamento patrimonial em 01/01/2009. Como não bastasse, também não apresentou a documentação que permitiria identificar os bens componentes do seu patrimônio, o que impediu, do ponto de vista fiscal, o reconhecimento do direito às quotas de depreciação a partir da conta "depreciação acumulada". As inconsistências do Laudo de Avaliação, apontadas nos trechos do acórdão acima transcrito, são corroboradas pela própria recorrente, em seu Recurso Voluntário, quando afirma que na conta Edifícios mantinha a cifra de R$ 29.154.835,84 (fls. 8874), mas, como transcrito acima, o Laudo de Avaliação só contemplou 01 (um) estabelecimento da autuada, cujo valor é inferior ao constante no Balanço de 2009. Aliás, os recorrentes afirmam que uma simples visita ao Cartório de Imóveis comprovaria o alegado, entretanto, não se incumbiu de trazer tal prova, pugnando, agora, por diligência para que a fiscalização faça provas a seu fazer, quando, no caso, as provas caberiam aos próprios Recorrentes. Portanto, referido laudo não se mostrou capaz de sustentar os valores constantes no Balanço Patrimonial de Abertura apresentado pelos Recorrentes. Assim, nenhum reparo a ser feito no Acórdão recorrido, nesse ponto. Com relação aos pagamentos a transportadores autônomos, que os recorrentes dizem terem sido prestados por pessoas jurídicas, considero que a simples apresentação dos CNPJ e ficha cadastral da Jucesp não são suficientes para provar o alegado, pois, como já asseverado na decisão da DRJ, a prova das partes envolvidas na operação de Fl. 8947DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.931 35 transporte segue o disposto no art. 6º da Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007: "O transporte rodoviário de cargas será efetuado sob contrato ou conhecimento de transporte, que deverá conter informações para a completa identificação das partes e dos serviços e de natureza fiscal". Assim, os únicos documentos apresentados pela autuada foram recibos de pagamento a pessoas físicas. Portanto, o acórdão recolhido não merece reforma, nesse ponto. Alegam os recorrentes não ser possível converter pagamentos sem causa em remuneração, passível de incidência de contribuição previdenciária. Nesse aspecto, têm razão os recorrentes. A fundamentação do lançamento fiscal foi o pagamento sem causa, entretanto, não há dispositivo na Lei nº 8.212/91, ou qualquer outro texto legal, que diga que pagamento sem causa é fato gerador da obrigação previdenciária principal. Dessa forma, a motivação da autuação não está adequada ao lançamento de contribuições sociais previdenciárias. No próprio Termo de Intimação (fls. 3693) e Reintimação (fls. 3743), o Auditor Fiscal assevera que a falta de identificação do beneficiário e/ou causa dos pagamentos efetuados pela autuada ensejará a tributação do IRRF com base majorada. Vêse que ele aplicou ao presente lançamento motivação que ensejaria a tributação do IRRF, nos termos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Assim, entendo que devem ser excluídos do lançamento os pagamentos referentes à conta contábil "assistência técnica", e o pagamento de despesa de telefone de Antonio Sérgio Bortolin (CPF: 007.440.28892), constantes na planilha "Infrações Apuradas por conta contábil", uma vez que o Auditor Fiscal motivou inadequadamente a autuação. Da qualificação da multa e da responsabilidade solidária Os recorrentes alegam que a fiscalização não conseguiu provar a existência de dolo, fraude e simulação, sustentandose unicamente na falta de comprovação dos registros contábeis. Insurgese contra a qualificação da multa em relação aos lançamentos referentes às empresas Art Brasil (o auditor fiscal não descreveu sobre a fraude, dolo e simulação), WalPal (a prática de simulação que foi enquadrada não está tipificada nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64) e São Jorge (não foi mostrada a intenção do sócio da autuada em criar a empresa para receber remunerações indiretas). Não assiste razão aos recorrentes, os fatos que deram ensejo à qualificação da multa e da responsabilidade solidária estão especificamente descritos no Termo de Verificação Fiscal: Assim sendo, constatamos que o contribuinte, ao proceder à elaboração do Balanço Patrimonial de Abertura, criou um montante de Reservas de Lucros, Capital Social e Provisão Para Contingências que não era real, com o intuito de distribuir rendimentos isentos aos sócios, e, como contrapartida, aumentou o valor do Imobilizado e dos Estoques para aumentar os custos e as despesas de depreciação, inserindo informações e/ou elementos inexatos na sua contabilidade, caracterizando Crime Contra a Ordem Tributária conforme art. 1º da Lei n° 8.137/90. [Fls. 4104] [...] Fl. 8948DF CARF MF 36 Analisando os documentos apresentados verificamos que o sujeito passivo usou de simulação com a criação de valores de Reservas de Lucros (juntamente com os do Ativo Imobilizado não comprovados) para Distribuição de Lucros isentos. Cabe salientar que os sócios administradores da empresa, Valdir Soares de Mello, CPF n° 921.341.14800, Francisco Esteves de Araújo, CPF 057.103.24868 e Jose Domingos Ferreira, CPF n° 892.637.07804, utilizaram vários expedientes para retirar valores da empresa sem incluílos nos prólabores, ou seja, sem oferecer à tributação os valores pagos a título de remuneração dos sócios administradores e, consequentemente, sem pagar as Cotas Patronais das Contribuições Previdenciárias com verdadeiro intuito de fraude e sonegação. Essa prática se deu com o pagamento de despesas dos sócios e seus parentes de 1o grau, com depósitos nas contascorrentes dos mesmos, com a criação de valores de RESERVAS DE LUCROS (juntamente com os do Imobilizado não comprovados) para Distribuição de Lucros isentos e com a suposta contratação de serviços que também não foram comprovados. Também efetuaram vários pagamentos a funcionários (alguns deles filhos dos sócios da empresa) sem incluílos nas folhas de pagamento, novamente com intuito de fraude e sonegação (para não reter e pagar os tributos pertinentes), bem como a pessoas físicas e jurídicas sem apresentar a causa de tais pagamentos. No caso das despesas com veículos devemos ressaltar que mesmo a fiscalizada não tendo apresentado a composição de seus Ativos Imobilizados, verificamos que os sócios administradores e seus parentes de 1º grau, bem como alguns funcionários (filhos desses sócios administradores) utilizavam veículos luxuosos (Mercedes, BMW, Volvo, Chrysler, etc.), que deveriam fazer parte dos respectivos salários e prólabores, enquanto que os carros realmente utilizados nas atividades da empresa eram simples (Uno e Montana). Os extratos do RENAVAM indicam os veículos que eram da empresa (inclusive os utilizados como "fringe benefits") e os que eram dos demais. E ainda temos o caso peculiar do Diretor Industrial Waldir Gulineli Paladino, CPF n° 154.164.70097, que foi demitido em 19/03/200, e que passou a receber pela empresa de consultoria WALPAL CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDAME, CNPJ nº 10.526.325/000100, conforme detalhado no item 2.2.13 abaixo. É importante ressaltar que tais expedientes foram recorrentes durante todo o período, se repetindo de forma sistemática em várias contas contábeis, sendo que ficou caracterizada a intenção da empresa em reduzir o montante dos tributos a pagar com verdadeiro intuito de fraude e sonegação. Dessa forma as multas aplicadas serão majoradas nos termos do art. 44 da Lei nº 11.488/07.[fls. 4105/4106] [...] E também que empresa SAO JORGE CONSULTORIA, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ME, CNPJ Fl. 8949DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.932 37 Nº 09.618.144/000180, de propriedade do sócio Valdir Soares de Mello, CPF nº 921.341.14800, e seus parentes de 1º grau (Cônjuge Rosemari Marquetti de Mello, CPF nº 033.988.578 50, filha Paula Renata Marquetti de Mello, CPF nº 289.021.12829, filho Felipe Alberto Marquetti de Mello, CPF nº 333.353.17807 e filha Carla Roberta Marquetti de Mello, CPF nº 305.323.71801), teve ISS, Taxa de Licençca, Taxa de Fiscalização, etc, pagas pela fiscalizada, e também serão consideradas como remunerações indiretas dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, deveriam ser somadas aos rendimentos mensais (salários ou prólabores) para cobrança dos tributos pertinentes. Tudo isso lançamento de ofício de Contribuições Previdenciárias relativas à Cota Patronal, sendo que as multas aplicadas serão majoradas nos termos do parágrafo 1o do art. 44 da Lei n° 9.430/96 com redação dada pela Lei nº 11.488/07. [fls. 4108] [...] Mesmo tendo sido intimada em 11/04/13 (Termos nº 23, n° 24 e n° 25) a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse os valores dos Saldos Inicias da conta 2.30.40.10 Reservas de Lucros, que compôs o Balanço de Abertura da empresa (função da mudança de regime do Lucro Presumido Livro Caixa para Lucro Real Diário Geral), a fiscalizada não o fez. Isto corrobora a intenção dos sócios administradores da empresa, Valdir Soares de Mello, CPF nº 921.341.1480, Francisco Esteves de Araújo, CPF n° 057.103.24868 e Jose Domingos Ferreira, CPF n° 892.637.07804, de fraudar o Fisco, para retirar valores da empresa sem incluílos nos pró labores, ou seja. sem oferecer à tributação os valores pagos a título de remuneração dos sócios administradores e, consequentemente, sonegar os tributos pertinentes. O total debitado nesta conta foi de R$10.109.510,13 Desse montante, o total de R$ 1.292.646,84 referese a despesas referentes aos pagamentos de diversas contas, IPTU, boletos, cartões de crédito, etc, bem como depósitos bancários dos sócios administradores e seus parentes em 1o grau e/ou gerentes e assessores, pagas pelo contribuinte, que foram identificados, e que por se tratar de remunerações indiretas dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, deveriam ser somadas aos rendimentos mensais (salários ou prólabores) para cobrança dos tributos pertinentes. Tudo isso ensejará lançamento de ofício de Contribuições Previdenciárias relativas à Cota Patronal, sendo que as multas aplicadas serão majoradas nos termos do parágrafo 1º do art. 9.430/96 com redação dada pela Lei n° 11.488/07. [fls. 4114] Diante dos fatos narrados acima, não dá como aceitar a tese dos Recorrentes de que não houve intenção, dolo e fraude em sua conduta. A empresa se recusou a apresentar documentos que atestassem o real valor do saldo inicial de suas reservas de lucros, mesmo Fl. 8950DF CARF MF 38 sabedora que estava obrigada a realizar, no dia 1º de janeiro do anocalendário seguinte ao que passou ao regime de tributação no lucro real, levantamento patrimonial, a fim de elaborar balanço de abertura e iniciar escrituração contábil, nos termos do parágrafo único do art. 19 da Lei nº 8.541/92. Entretanto, esse levantamento não foi efetuado, o que fez foi apresentar Laudo de Avaliação, elaborado em 2014, que, como apontado pela fiscalização, apresentava inconsistências. Corretos estivessem os valores dessas reservas, a empresa não se eximiria de levar os documentos ao conhecimento da fiscalização e aos órgãos julgadores, e, agora tenta desconstituir o lançamento, sob alegação de que a auditoria fiscal motivou o lançamento apenas na falta de comprovação. Ora, depois de todas as oportunidades que a fiscalização deu para que os documentos fossem apresentados, e mesmo decorridos mais de 3 (três) anos do encerramento da fiscalização, a empresa não se incumbiu de apresentar documentos que pudessem atestar a veracidade dos valores registrados no Balanço Patrimonial de Abertura. Por tais razões, o lançamento não está motivado somente pela falta de comprovação, como quer fazer parecer os recorrentes, mas pela inconsistência desse Balanço, que não se mostra verídico, diante das comparações que o Auditor Fiscal fez com outros elementos e declarações entregues pela autuada, como as DIPJ, o LALUR, e as alterações contratuais. Não bastasse isso, as contas contábeis da autuada continham registros que não tinham qualquer relação com a natureza das contas. Uma simples observação à planilha "infrações apuradas por conta contábil" corrobora o apontado pela fiscalização. Na conta viagens e estadias, estavam registradas despesas de condomínio, celular, telefone fixo, faculdade, pagamento de funcionários, cartão de crédito, multas de trânsito, DARF, GPS, dentre outras. Ora, tal ocorrência, que se repetiu em todos os meses do ano de 2009, não pode ser considerado como erro, mas, a meu ver, como intenção se mascarar a verdadeira origem das despesas, muitas delas pertencentes aos sócios administradores e seus parentes. Portanto, correta a aplicação da multa majorada, e da responsabilidade solidária, por isso, adoto as mesmas razões de decidir exaradas no voto vencedor do acórdão 1201001.508, de 11 de agosto de 2016, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF: Os fatos citados evidenciam que a contabilidade examinada estava eivada de registros que não correspondiam aos fatos reais, caracterizandose a intenção dolosa de sonegar os tributos devidos; a simulação é evidente, caracterizandose o art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que resulta na manutenção da multa de ofício qualificada de 150%: Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 8951DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.933 39 Relembro que, conforme consta às fls. 4116 e 4125/4129, não houve majoração da multa para o levantamento "TA Pagto Transportador Autônomo". E, sendo exonerados excluídos do lançamento os pagamentos referentes à conta "assistência técnica", deixo de analisar a questão da multa qualificada em relação a esses tópicos. Com relação à responsabilidade solidária, diante de todos os fatos apontados anteriormente, não se pode negar a existência de atuação com excesso de poderes, infração à lei, e interesse comum, aspectos mais do que suficientes para arrolar os sócios administradores como responsáveis solidários pelo crédito constituído. Em relação aos atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, compartilho do mesmo entendimento exarado no acórdão 3401 003.895, de 26 de julho de 2017, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF: A situação relatada, em minha visão, configura clara confusão patrimonial entre a pessoa jurídica e seus sócios, o que caracteriza excesso de poderes, a atrair a responsabilidade do art. 135, III do CTN. Essa confusão patrimonial fere o princípio contábil da "entidade", previsto no art. 4o da Resolução CFC n° 750, de 29/12/1993, publicado no DOU de 31/12/1993, verbis: "SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4°. O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único — O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil." Nesse passo, os sócios como detentores de cotas do capital social da pessoa jurídica não dispõem de seu patrimônio para lançar mão e arcar com despesas pessoais a seu livre talante, como ocorrido, sem qualquer conseqüência jurídica. Aliás, não sem razão, dispõe o art. 50 do Código Civil que, "em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens Fl. 8952DF CARF MF 40 particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." (destacado) É exatamente esse o caso dos autos, tanto assim que, segundo consta da declaração de voto proferida no julgamento de primeiro grau, há referência a deferimento de medida cautelar fiscal de bloqueio de bens de todos os sócios da pessoa jurídica para evitar o esvaziamento patrimonial da sociedade e garantir os créditos da Fazenda Nacional. Tal entendimento também demonstra que o excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, dispostos no art. 135 do CTN não estão condicionados à demonstração de dolo, pelo que, nenhuma referência ele faz aos artigos 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502/64, da forma que faz o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por isso, entendo que, a crítica da recorrente de que a responsabilidade dos sócios foi atribuída aos lançamentos com multa de 75% não tem fundamento, pois não há que se provar a intenção do dolo. Nesse aspecto, continuo a transcrição do trecho do acórdão anteriormente citado, por adotar as mesmas razões de decidir: A esse respeito, filiome à tese exposta na declaração de voto já mencionada eis que, diversamente do que prega o recorrente, indigitado art. 135 não exige o dolo ou fraude para atribuição de responsabilidade, mas tãosomente a constatação de infração à lei ou o excesso de poderes, não se exigindo sempre que esta "infração à lei", no âmbito tributário corresponda ao dolo, fraude ou sonegação, a exigir a qualificação da multa, conforme estatuído nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. No que se referese ao interesse comum, os fatos relatados pela auditoria fiscal e os documentos trazidos aos autos demonstram que as despesas pessoais de todos os sócios eram pagas pela autuada, e todos eles se beneficiaram do saldo de reserva de lucro, cuja existência não restou comprovada pela autuada. Dessa forma, perfeitamente aplicável a responsabilidade solidária do art. 124, inciso I, do CTN. Ademais, o Termo de Responsabilidade Solidária (fls. 4146/4153) descreve as disposições legais infringidas, fazendo referência aos demais processos administrativos fiscais, aos fatos apurados que estariam tipificados como crimes contra a ordem tributária, e aos artigos do CTN que tratam da responsabilidade solidária. Portanto, não vejo qualquer confusão nesse Termo, como apontado pela recorrente, nem tentativa de atribuição de responsabilidade ao sócio Valdir Soares de Mello, por infrações apontadas em outras autuações. O que vejo é que, os fatos relatados nele, originaram a constituição de crédito referente a outros tributos como IRPJ/CSLL/IRRF/Multa isolada, PIS/PASEP/COFINS, e todos eles deram ensejo à responsabilidade solidária, da mesma forma que o relativo às contribuições previdenciárias, porque originados dos mesmos fatos. Quanto ao tópico sobre ausência de justa causa para aplicação da multa qualificada, considero que a alegação da inexistência de provas para a aplicação dessa majoração, e do interesse comum dos sócios para fins de responsabilidade solidária já foram abordadas ao longo desde voto, entendendo por manter a responsabilidade solidária integral de todos os sócios arrolados pela fiscalização, e a qualificação da multa aplicada. Conclusão Diante do exposto, voto por: Fl. 8953DF CARF MF Processo nº 19515.723057/201331 Acórdão n.º 2202004.131 S2C2T2 Fl. 8.934 41 não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada, vigente na data deste julgamento. conhecer do recurso voluntário para, rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e, no mérito, darlhe parcial provimento, para excluir da base de cálculo do tributo os valores extraídos das contas contábeis "assistência técnica", e os valores referentes a pagamento de conta de celular de José Antonio Batista, conforme tabela abaixo: Conta Competência Valor Levantamento Assist. Téc. abr/09 125.087,24 SC PAGTO SEM CAUSA Assist. Téc. mai/09 192.412,22 SC PAGTO SEM CAUSA Assist. Téc. jun/09 97.425,82 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone jan/09 443,71 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone fev/09 411,83 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone mar/09 365,65 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone mai/09 488,05 SC PAGTO SEM CAUSA Telefone jun/09 456,76 SC PAGTO SEM CAUSA TOTAL 417.091,28 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 8954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900019/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/04/2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.900019/200923 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.643 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2017 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente GLOBEX UTILIDADES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/04/2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 19 /2 00 9- 23 Fl. 73DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 3539: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 31627.27243.140904.1.3.049500, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/04/2004, a título de Cofins, com débito de Cofins relativo a agosto de 2004, no valor original de R$ 156.043,06. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 8 não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar o débito de Cofins do PA 31/03/2004. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, na qual alega que: Efetuou o pagamento do COFINS, referente ao período de apuração de 31/03/2004, através de DARF, no valor de R$ 951.892,49, reduzindo significativamente o saldo credor original de R$ 1.531.631,00. Acontece que ao conferir, a base de cálculo do tributo, a recorrente constatou a existência de um saldo credor a seu favor no valor de R$ 718.207,54. Ademais, restou configurado que o valor atualizado do saldo credor do contribuinte era na verdade de R$ 1.315.282,47, configurado pagamento a maior, ou seja, um saldo a favor do contribuinte correspondente ao valor de R$ 355.602,04, o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma à época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita, transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Ao proceder desta forma a recorrente nada mais fez do que exercer o seu direito regulado nas normas editadas pela SRF, e previstas na legislação federal. Porém, a autoridade fiscal sem um motivo justo qualquer não homologou a compensação solicitada pela recorrente, formalizando a sua decisão através do despacho decisório ora combatido. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15374.900019/200923 Acórdão n.º 3302004.643 S3C3T2 Fl. 3 3 Portanto, a decisão da autoridade fiscal em não homologar a compensação efetuada sem considerar outros elementos atinentes ao caso e que eram de fácil é totalmente desprovida de razoabilidade e fere o direito da recorrente. Já é de conhecimento da maioria que no âmbito federal as empresas de grande porte são obrigadas a declarar as suas informações por meio eletrônico e com certificação digital. Contudo, a recorrente vem sendo prejudicada, pois não consegue retificar a sua DCTF, em decorrência dos problemas mencionados. Por fim requer a revisão do lançamento e, via de conseqüência, reconhecida a existência do crédito para fins de homologar a compensação declarada. Em 07.03.2013, a Turma de piso julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito crédito apurado pela Recorrente, conforme se verifica na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Intimada da decisão em 23.05.2013 (fls.41), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.05.2013 (fls.4350), reiterando, em síntese, os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Walker Araujo I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 23.05.2013 (fls.41) e protocolou Recurso Voluntário em 23.05.2013 (fls. 4350), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 75DF CARF MF 4 Conforme exposto anteriormente, o crédito utilizado pela Recorrente declarado no PER/DCOMP nº nº 31627.27243.140904.1.3.049500, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/04/2004, a título de Cofins, no montante de R$ 355.602,04. Segundo a Recorrente, o crédito tem origem no erro cometido na apuração da base de cálculo da referida, o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma a época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Juntou inicialmente apenas o PER/DCOMP 31627.27243.140904.1.3.049500 para comprovar suas alegações. Por sua vez, a Turma "a quo" afastou o direito da Recorrente por total ausência de provas capaz de comprovar/demonstrar a origem do crédito pleiteado, conforme trecho destacado da decisão: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em março de 2004, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. Em sede recursal, a Recorrente reproduziu os argumentos explicitados em sede de manifestação de inconformidade e não apresentou outros documentos/planilhas para comprovar seu direito. Pois bem. O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 76DF CARF MF Processo nº 15374.900019/200923 Acórdão n.º 3302004.643 S3C3T2 Fl. 4 5 deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7.574/20114. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP nº 31627.27243.140904.1.3.049500, justificando, assim, a manutenção do despacho decisório que não homologou referido pedido de compensação. Em resumo, não há como validar o crédito da Recorrente com base em meras suposições e alegações genericamente apresentadas. III Conclusão 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 77DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.722323/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/05/2007, 30/06/2007
CESSÃO DE PRECATÓRIOS. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. RETENÇÃO CRIADA POR ESTADO. VALORES RECOLHIDOS AOS COFRES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA NACIONAL.
A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital pelo cedente.
Valores que eventualmente tenham sido retidos e recolhidos aos cofres estaduais através de documentos de arrecadação do Estado e em função de regra criada por este, não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal, ainda que tenha se atribuído aos valores assim apropriados a denominação de imposto de renda, porque este tributo é de competência exclusiva da União, a quem compete criar regras sobre regimes de tributação, o que inclui a sistemática de retenção na fonte.
ENUNCIADO Nº 73 DA SÚMULA CARF. MULTA. EXCLUSÃO.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. RETENÇÃO CRIADA POR ESTADO. VALORES RECOLHIDOS AOS COFRES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA NACIONAL. A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital pelo cedente. Valores que eventualmente tenham sido retidos e recolhidos aos cofres estaduais através de documentos de arrecadação do Estado e em função de regra criada por este, não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal, ainda que tenha se atribuído aos valores assim apropriados a denominação de imposto de renda, porque este tributo é de competência exclusiva da União, a quem compete criar regras sobre regimes de tributação, o que inclui a sistemática de retenção na fonte. ENUNCIADO Nº 73 DA SÚMULA CARF. MULTA. EXCLUSÃO. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 23 23 /2 01 1- 41 Fl. 104DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 81/83) apresentado em face do Acórdão nº 0955.414 (fls. 67/76), da 6ª Turma da DRJ/JFA, que negou provimento à impugnação (fls. 36/38) apresentada pelo sujeito passivo a auto de infração (fls. 3/11) pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF tendo por base de cálculo ganho de capital apurado na cessão de precatórios. De acordo com o auto de infração, a contribuinte teria omitido ganho de capital na alienação de precatórios de ação judicial com trânsito em julgado. As operações de alienação que deram origem ao lançamento foram assim descritas pela autoridade fiscal: 1) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 325.000,00, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 35.750,00, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 79.018,56, Termo de Quitação de 10/05/2007, da quantia líquida de R$ 210.231,44 (valor de alienação); 2) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 484.390,16, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 53.282,92, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 118.029,30, Termo de Quitação de 12/06/2007, da quantia líquida de R$ 313.077,94 (valor de alienação) A fiscalização considerou apenas o valor líquido recebido pela cedente e atribuiu ao custo de aquisição valor zero, em razão do que foi considerado como ganho de capital sujeito à tributação o valor efetivamente recebido por ela. O lançamento foi impugnado (fls. 36/38), o que deu origem ao Acórdão nº 09.55.414 (fls. 67/76), da 6ª Turma da DRJ/JFA, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 105 3 Data do fato gerador: 31/05/2007, 30/06/2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se configurando nem uma circunstância nem outra, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CESSÃO DE DIREITOS. PRECATÓRIO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO. A diferença positiva entre o valor de alienação (valor líquido recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório) e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (igual a zero na cessão original) não integra a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do cedente (contribuinte), devendo ser tributada em separado, à alíquota de 15%. CESSÃO DE DIREITOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativos ao precatório no momento em que for quitado pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Não obstante, por não constituir ônus do cessionário nem do cedente, o imposto sobre a renda retido na fonte não integra a base de cálculo do ganho de capital e não é passível de compensação ou dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O documento de fl. 79 contém carimbo da agência dos Correios com data de 24/11/2014, o que autoriza presumir a tempestividade do recurso voluntário protocolado em 24/12/2014 (fls. 81/83). Em suas razões de recorrer, a contribuinte alega, em síntese, que: 1. O auto de infração não é claro quanto à infração que foi cometida pela recorrente, pois reconheceu que o IRPF foi pago; 2. A recorrente está discutindo judicialmente o imposto que foi pago, já que houve retenção de 27,5% quando o correto seria de 15%; 3. Para a presente discussão administrativa, o que importa efetivamente é o fato de que o imposto de renda foi pago, o que foi reconhecido pela auditora fiscal que Fl. 106DF CARF MF 4 reconhece o pagamento, uma vez que a contribuinte apresentou os DAR de recolhimento do IRPF aos cofres estaduais; 4. Na hipótese em questão, estaria havendo bis in idem em prejuízo da contribuinte. Com base no exposto, e reafirmando a existência de IRPF pago a maior no exercício de 2008, pede a nulidade do lançamento fiscal. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. O processo em análise decorre de lançamento que teria por base de cálculo ganho de capital na cessão de direitos representados por precatórios judiciais. A repercussão tributária de operações dessa natureza tem gerado diversas controvérsias e constitui matéria que, certamente, não se encontra pacificada. A despeito disso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, a questão tem sido tratada a luz do que determina o Parecer SRF/Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000, de onde se transcreve o que segue: Parecer SRF/Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000 … 9. A essência da discussão consiste em se definir qual o tratamento tributário a ser dado na cessão de direitos sobre precatórios recebidos da Fazenda pública decorrentes de ações judiciais que discutiam questões laborais. … 12. O imposto de renda tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, sendo que, em relação às pessoas físicas, no regime de retenção na fonte, essa disponibilidade ocorre quando do pagamento do rendimento. 13. O Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) estabelece em seu art. 123 que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública no que se refere à responsabilidade tributária, ou seja, os particulares podem pactuar o que desejarem desde que não deixem de pagar os tributos decorrentes. 14. A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do título configurará ganho de capital e estará sujeita ao imposto de renda, como dispõem os arts. 1º a 3º e 16 da Lei nº Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 106 5 7.713, de dezembro de 1988, com as alterações dadas pelos arts. 2º e 18 da Lei nº 8.134, 27 de dezembro de 1990, 52 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro 1991, e 21 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, in verbis : (...) 15. Dirimida a forma de tributação, restanos esclarecer pontos específicos relativos à obrigação de cada um dos envolvidos no negócio jurídico da cessão de direitos sobre o precatório, quais sejam o cedente, o cessionário e a fonte pagadora (Fazenda Pública). 16. Quanto à pessoa do cedente, os ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos, representados no caso pelos precatórios decorrentes de ações judiciais, estão sujeitos ao imposto de renda. 16.1. O valor de alienação será o valor recebido do cessionário, e o custo de aquisição será igual a zero, já que não há valor pago pelo precatório e nem há a possibilidade de aplicação das modalidades de atribuição de custo de aquisição de que tratam os incisos I a V do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, art. 16, § 4º). 16.2. O ganho de capital será apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). 16.3. O demonstrativo de apuração do ganho de capital deverá ser juntado à declaração do cedente, e o valor do ganho de capital, menos o imposto pago, será informado na declaração, no campo de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. 17. Quanto à pessoa do cessionário, este subrogase no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito (Código Civil Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, arts. 986, 987, 1065 e 1066). 17.1. No momento da homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário, este apurará igualmente o ganho de capital decorrente desta operação, considerando como valor de alienação o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções previstas em lei e o custo de aquisição será o montante pago ao cedente quando da cessão de direitos. (...) 18. Quanto à fonte pagadora (Fazenda Pública), o crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, Fl. 108DF CARF MF 6 assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em que for quitado pela Fazenda Pública. 18.1. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto de renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal a homologação da compensação do precatório com débitos do cessionário para com a Fazenda Pública. De acordo com esse ato, o cessionário (aquele que adquire o crédito) subrogase no crédito do cedente e para ele são transferidos todos os direitos, inclusive os acessórios. A partir do que é imposto pelo art. 123 do Código Tributário Nacional, de que convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública, o cálculo do imposto de renda é efetuado como se o pagamento fosse realizado para o cedente credor originário , contudo, tendo este transferido ao cessionário todos os direitos ligados ao crédito cedido, não poderá mais utilizar esse imposto de renda retido na fonte em sua declaração. O cedente deverá tributar o valor recebido do cessionário como ganho de capital. Pois bem! Em uma análise superficial dos fatos poderseia pensar que o que está a se discutir neste processo é se o imposto de renda retido pela fazenda pública ao quitar o precatório poderia ser utilizado pelo cedente para abater o valor devido a título de imposto de renda em função do ganho de capital apurado. Esta possibilidade é afastada totalmente pelo Parecer Normativo acima transcrito, com o qual concordo plenamente, já que os direitos que decorreriam do precatório foram totalmente transferidos pelo cedente, cabendo a este considerar esse fator ao avaliar a conveniência do negócio realizado. A despeito disso, pareceme que não é disso que trata esse processo. Com efeito, esse equívoco em relação aos fatos decorre da documentação que foi apresentada e que se encontra juntada ao processo a fl. 26. Esse documento constitui comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte do anocalendário 2007 em valor equivalente ao valor bruto cobrado pelos precatórios cedidos (R$ 325.000,00 + 484.390,16 = R$ 809.390,16), e apresenta como fonte pagadora a Secretaria de Estado da Fazenda. Ocorre que este documento está mal formulado e induz a erro, já que não foi a Secretaria de Estado da Fazenda quem comprou os precatórios e sim a empresa Telemar Norte Leste S/A, quem, presumese, pagou por eles e seria a fonte pagadora da importância relativa ao preço negociado. Além do equívoco na identificação da fonte pagadora, há um erro mais grave: esta suposta retenção de imposto de renda na fonte não tem amparo na legislação tributária federal. Na verdade, ela decorre da Instrução Normativa SF nº 3, de 16 de agosto de 2004, do Secretário Executivo da Fazenda de Alagoas que determina, em seu artigo primeiro: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 107 7 Art. 1º O imposto de Renda Retido na Fonte incidente nos rendimentos decorrentes de créditos representados por precatórios pendentes, e créditos oriundos de sentenças judiciais transitadas em julgado, em conformidade com a Lei nº 6.410 de 24 de outubro de 2003 e o Decreto nº 1.738, de 19 de dezembro e 2003, deverá ser recolhido diretamente na Conta Única do Estado de Alagoas, através de Documento de Arrecadação DAR , com o Código de Receita 87718. Assim, a retenção efetuada é decorrência de normas da legislação estadual que determinam a incorporação dos valores ao caixa do Estado através de documentos de arrecadação próprio. Quanto à possibilidade de os Estados legislarem sobre imposto de renda, destaco a ementa do Parecer Normativo SRF nº 2, de 18 de maio de 2012: Ementa: Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. imposto sobre a renda retido na fonte. Competência legislativa. A competência atribuída à União para instituir o Imposto sobre a Renda, nos termos do inciso III do art. 153 da Constituição Federal, confere a essa pessoa política, em caráter exclusivo, o poder de legislar sobre o referido imposto. Embora a Constituição Federal, no inciso I do art. 157 e no inciso I do art. 158, destine aos estados, Distrito Federal e municípios o produto da arrecadação do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre rendimentos pagos a qualquer título, estes não têm competência para legislar sobre hipóteses de incidência, restringindose sua atividade à aplicação da legislação federal que disciplina o referido imposto. A sistemática criada pelo Estado de Alagoas destoa totalmente do regime de tributação que seria aplicável à espécie e do qual foi dada ampla publicidade através do Parecer SRF/Cosit nº 26, de 2000, que foi parcialmente transcrito no início deste voto. Portanto, a retenção sofrida pela recorrente, embora tenha sido designada como "retenção de imposto de renda", de imposto de renda não se trata. A uma porque não há previsão na legislação tributária federal estabelecendo essa retenção. A duas porque o valor não foi recolhido aos cofres da União como seria de se esperar. A conclusão é que esse ônus imputado à recorrente pelo Estado de Alagoas e que somente a este beneficiou, não pode ser oposto à União, quando legitimamente exige o tributo que lhe é devido a partir da aplicação da legislação tributária que institui no exercício de sua competência exclusiva. Estabelecidas essas premissas, passo à análise das razões recursais, na ordem em que foram sumariadas no relatório. Nulidade Inicialmente, alega a apelante que o auto de infração não é claro quanto à infração que foi cometida por ela, pois reconheceu que o IRPF foi pago. Fl. 110DF CARF MF 8 Quanto a esse aspecto, transcrevo do "Termo de Encerramento" do auto de infração, a seguinte a descrição dos fatos que deram origem ao lançamento: Omissão de ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos creditórios, decorrentes de precatórios de ações judiciais, com trânsito em julgado, conforme documentos apresentados pelo contribuinte em atendimento à Notificação de Lançamento nº 2008/004172377983822, a seguir relacionados: 1) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 325.000,00, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 35.750,00, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 79.018,56, Termo de Quitação de 10/05/2007, da quantia líquida de R$ 210.231,44 (valor de alienação); 2) TELEMAR NORTE LESTE S/A (cessionária) valor bruto do autor R$ 484.390,16, Comprovante de depósito para crédito de AL Previdência R$ 53.282,92, DAR de recolhimento de IRRF para o Estado de Alagoas R$ 118.029,30, Termo de Quitação de 12/06/2007, da quantia líquida de R$ 313.077,94 (valor de alienação) Saliento que o custo de aquisição é zero, por força do art. 16, § 4º da Lei nº 7.713/1998. A meu ver, o fato gerador tributário foi adequadamente identificado pela autoridade fiscal, pois este decorre da obtenção de ganho de capital na alienação de bens e direitos. A alegada retenção de imposto de renda na fonte seria um fato modificativo ou extintivo do crédito tributário decorrente do lançamento. Quanto a esse aspecto, extraise do auto de infração: Também em atendimento à Notificação de Lançamento nº 2008/004172377983822 a contribuinte esclarece que elaborou a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008 com base nos comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecidos pelas fontes pagadoras Encargos Gerais do Estado e Secretaria de Estado da Fazenda, rendimentos estes informados nas DIRF's dessas fontes, uma vez que em relação à fonte pagadora Encargos Gerais do Estado os valores informados não são provenientes do pagamento de rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício (o Estado de Alagoas nada pagou ao contribuinte) e sim, cessão de direitos, cujo ganho de capital está sujeito à tributação exclusiva na fonte. Neste texto, a autoridade fiscal procura esclarecer que a fonte pagadora Encargos Gerais do Estado nada pagou à contribuinte, o que tornaria injustificável a alegada retenção na fonte e a utilização do comprovante apresentado. É necessário reconhecer que essa redação não é caracterizada pela excelência, mas é compreensível e não pode afetar a higidez do crédito tributário porque se relaciona a um fato que lhe seria modificativo ou extintivo. O fato gerador tributário, de modo contrário, encontrase suficientemente descrito no auto de infração, conforme revela o primeiro trecho que foi transcrito. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 108 9 Rejeito, portanto, a alegação de nulidade do lançamento. Mérito A recorrente informa que está discutindo judicialmente o imposto que foi pago, já que houve retenção de 27,5% quando o correto seria de 15%. Quanto a esse aspecto, transcrevo a legislação que regula a tributação dos fatos em análise: Lei nº 7.713, de 1988 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: (...) IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; Fl. 112DF CARF MF 10 V seu valor corrente, na data da aquisição. (...) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O Manual de Perguntas e Respostas que é publicado anualmente pela RFB na rede mundial de computadores fornece esclarecimentos quanto à forma de tributação dos ganhos decorrentes da cessão de precatórios. Do manual publicado em 2017, transcrevese parcialmente a seguinte pergunta e resposta: 562 — Qual é o tratamento tributário na cessão de direito de precatório? Quanto ao cedente: A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital, pelo cedente. Os ganhos de capital serão apurados, pela pessoa física cedente, no mês em que forem auferidos, e tributados em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O custo de aquisição na cessão original, ou seja, naquela em que ocorre a primeira cessão de direitos, é igual a zero, porquanto não existe valor pago pelo direito ao crédito. Nas subsequentes, o custo de aquisição será o valor pago pela aquisição do direito na cessão anterior. Considerase como valor de alienação o valor recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório. (...) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 109 11 Esta orientação está de acordo tanto com a legislação como com o Parecer SRF/Cosit nº 26, de 2000, que foram parcialmente transcritos. Todos esses atos revelam que não há previsão de que o cessionário efetue retenção de imposto de renda na fonte. Na verdade, quando estes atos fazem menção à retenção, ela diz respeito àquela realizada pela fazenda pública ao quitar o precatório. É o que decorre, sem embargo, da nota feita na mesma pergunta: Atenção: O crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em for quitado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal ou pelos municípios. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto sobre a renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal quando ocorrer a homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário para com a União, os estados, o Distrito Federal ou os municípios. Em virtude da transação efetuada, o imposto sobre a renda retido na fonte não constitui ônus do cessionário nem do cedente, não integrando a base de cálculo do ganho de capital e não sendo passível de compensação ou dedução. Portanto, conforme já se afirmou anteriormente, a retenção sofrida pela recorrente não corresponde à forma de tributação prevista pela legislação tributária federal e também não houve recolhimento aos cofres da União a título de IRRF, como seria de se esperar caso houvesse retenção nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Se houvesse previsão para esta retenção, a fonte pagadora seria aquela que, tendo adquirido o título, efetivamente suportou o pagamento (cessionária). A esta caberia também o cumprimento das obrigações tributárias acessórias relativas a essa operação e o recolhimento do imposto de renda deveria ocorrer através de documento de arrecadação federal. Embora a Secretaria de Fazenda do Estado de Alagoas tenha nomeado a exação sofrida pela recorrente como imposto de renda, imposto de renda não é, porque não cabe ao Estado legislar sobre esse tributo, criando hipóteses de incidência e regimes de tributação, e também porque não houve seu recolhimento aos cofres da União. Por isso, labora em erro a recorrente quando alega que o imposto de renda foi pago, uma vez que a contribuinte apresentou os DAR de recolhimento do IRPF aos cofres estaduais. Fl. 114DF CARF MF 12 De fato, tendo sido realizado um recolhimento aos cofres estaduais, equivocadamente denominado imposto de renda, é com o efetivo beneficiário desse recolhimento que a recorrente deve buscar se ressarcir dos prejuízos sofridos. Não tendo havido recolhimento de imposto de renda aos cofres da União, não há também que se falar em bis in idem quando esta busca a satisfação do crédito tributário que lhe cabe em razão da legislação legitimamente criada por ela. Por essas razões, entendo que não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente, já que o crédito tributário alegado não pode ser oposto à Fazenda Pública Federal. Enunciado nº 73 da Súmula CARF A despeito do que foi acima afirmado, de que não ocorreu efetiva retenção de imposto de renda na fonte a ser aproveitado pela contribuinte, bem como de que os valores não foram corretamente oferecidos à tributação, entendo que a situação se amolda ao que prescreve o Enunciado nº 73 da Súmula de jurisprudência deste Colegiado, que determina: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. Por outro lado, o art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Neste caso, para melhor compreensão do raciocínio jurídico que embasou a edição do enunciado nº 73, transcrevo abaixo trecho do Acórdão CSRF nº 0105.049, citado como um dos seus paradigmas: Como se colhe do relatório, a única questão submetida à apreciação do Colegiado consiste na pretensão do recorrente em ver afastada a multa de ofício da exigência sobre rendimentos declarados como "não tributáveis". Sou pela exclusão da penalidade, vez que o contribuinte, espontaneamente, declarou os rendimentos não os ocultando da Receita Federal, como pode ser comprovado pelas declarações de rendimentos apresentadas. Portanto, os referidos rendimentos, inobstante declarados indevidamente com não tributáveis, constituíam elementos cadastrais da repartição e não foram apurados através de procedimentos fiscais e sim confessados pelo beneficiário. Não bastasse, a fonte pagadora através do formulário "informe de rendimentos" (fls. 52/53), alocava os valores como isentos e não tributáveis e, com isto, induzia o contribuinte a praticar o erro, perfeitamente escusável, no preenchimento de sua declaração, não se vislumbrando nenhum tipo de fraude ou sonegação. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10410.722323/201141 Acórdão n.º 2201003.903 S2C2T1 Fl. 110 13 Na hipótese em questão, não há dúvida de que a contribuinte foi induzida a erro pelo comprovante fornecido pelo Estado de Alagoas que, embora não seja a verdadeira fonte pagadora do rendimento, comportouse como tal. Sendo o documento fornecido por autoridade pública, é razoável que a contribuinte lhe tenha conferido fé e, embora não seja possível dispensála do pagamento do tributo devido, não pode ser punida por isso pela aplicação da multa de ofício. Em vista destas razões, dou provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte apenas no que se refere à exclusão da multa de ofício. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de nulidade, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar a exclusão da multa de ofício. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001413/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL.
Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos.
Numero da decisão: 3302-004.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a abril de 1998.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ACOLHIMENTO. ERRO MATERIAL. Quando há erro material, que leve a contradição na interpretação do acórdão, os embargos devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a abril de 1998. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 13 /2 00 3- 10 Fl. 1236DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, opostos pela contribuinte, que afirma haver contradição no acórdão embargado com fundamento na existência de erro material. Do despacho de admissibilidade, fls. 1234, extraise síntese que aclara os fatos sobre a existência de erro material: 2 Erro de fato Erro material quanto aos períodos decaídos, pois consta do Acórdão Embargado o interregno de janeiro a março de 1998, quando o correto seria janeiro a abril de 1998, conforme decidido no Acórdão nº 20178.210, de 22/02/2005, por meio do voto do Conselheiro Relator Antônio Mario de Abreu Pinto, que foi vencedor nesta matéria, Com efeito, o voto condutor do Acórdão nº 3302003.714, prolatado justamente para corrigir o equívoco existente no voto da Conselheira Josefa Maria Coelho Marques e, no que chama de “proclamação do resultado” (referindose ao acórdão da decisão), repetiu o erro, limitando a decadência à março de 1998, quando o redator do voto vencedor para a matéria no Acórdão embargado, estendeua até abril de 1998 (fls. 1.176, grifo meu): É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos de declaração Houve admissibilidade dos embargos de declaração, fls. 1194, pelo Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, com fundamento no art. 65, § 2º, anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Contradição Erro material A contribuinte aponta erro material, o que deve ser corrigido pela via dos embargos. Ao analisar o referido acórdão, assiste razão a Embargante. Da fundamentação do voto, temse que, fls. 1174: Quanto à decadência suscitada, merece guarida a insurgência da recorrente. Ao tempo em que foi cientificado o recorrente, 06 de maio de 2003 (fl. 180), já havia transcorrido o qüinqüênio legal previsto pelo § 4º art. 150 do CTN, aplicável à espécie, Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 16327.001413/200310 Acórdão n.º 3302004.727 S3C3T2 Fl. 3 3 para o lançamento do crédito tributário de PIS, atinente aos meses de janeiro, fevereiro, março abril de 1998. (...) Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar: a) a exclusão do credito tributário relativo aos meses de apuração de janeiro a abril de 1998, ante a decadência operada; e O acórdão de embargos nº 3302003.714 de minha relatoria corrigiu o erro material nos seguintes termos quanto ao dispositivo do acórdão 20178.210. Nesse sentido, onde se lê: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Devese ler: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1998. Contudo, continuou a existir o erro material quanto ao mês de abril de 1998, pois, conforme exposto anteriormente, o provimento foi para reconhecer a decadência de janeiro a abril de 1998. Assim, no dispositivo do acórdão, fls. 1170: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos: I) em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação as fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, Antonio Carlos Atulim e Jose Antonio Francisco, que não reconheciam a decadência; e II) em negar provimento ao recurso quanto aos juros de mora. Vencidos os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto (Relator), Sérgio Gomes Velloso e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluíam os juros de mora. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor nesta parte. Esteve presente ao julgamento a advogada da recorrente, Dra. Gabriela Waltson. Onde se lê: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a março de 1996. Devese ler: reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a abril de 1998. Fl. 1238DF CARF MF 4 3. Conclusão Por todo o exposto, acolhemse os presentes embargos de declaração para retificar o acórdão a fim de que o período reconhecido da decadência seja de janeiro a abril de 1998. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. 3 Fl. 1239DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.008349/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DILIGÊNCIA. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS POR DECORRÊNCIA
Pode-se dispensar a conversão do julgamento em diligência, para vinculação de processos por decorrência, se o processo formalizado em razão de procedimento fiscal anterior, contiver as informações necessárias para conhecer sobre fatos apurados naquele procedimento, e as decisões exaradas nos processos administrativos fiscais dele decorrentes não produzem efeitos entre si.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL.
"É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." (Súmula CARF nº 9)
NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa.
NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO.
Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendo-se o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO.
Deve ser mantida a qualificação da multa quando restar comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Não é suficiente para desqualificar a multa de ofício alegações genéricas de inocorrência de dolo, nem alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade da Lei.
JUROS. TAXA SELIC.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04)
Numero da decisão: 2202-004.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Foi designado a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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VINCULAÇÃO DE PROCESSOS POR DECORRÊNCIA Podese dispensar a conversão do julgamento em diligência, para vinculação de processos por decorrência, se o processo formalizado em razão de procedimento fiscal anterior, contiver as informações necessárias para conhecer sobre fatos apurados naquele procedimento, e as decisões exaradas nos processos administrativos fiscais dele decorrentes não produzem efeitos entre si. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." (Súmula CARF nº 9) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. SIMULAÇÃO. Observada simulação do negócio jurídico, deve ser desconsiderado o negócio simulado, mantendose o dissimulado com seus respectivos efeitos tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Deve ser mantida a qualificação da multa quando restar comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio. Não é suficiente para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 83 49 /2 00 8- 05 Fl. 861DF CARF MF 2 desqualificar a multa de ofício alegações genéricas de inocorrência de dolo, nem alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade da Lei. JUROS. TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 04) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Foi designado a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito fazendário de IRPF em decorrência da constatação de omissão de rendimentos. Intimado, o Contribuinte... Em 04/08/2008 foi lavrado Auto de Infração (fls. 4/11), para constituir IRPF referente ao anocalendário 2003, indicando como infração a percepção de vantagens Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 862 3 econômicas não declaradas da empresa "Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda.", tanto na forma de empréstimo simulado, tanto na forma de espécie quanto de imóveis, quanto ainda na forma de apropriação de depósito judicial feito pela empresa em favor de terceiro. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/41 e docs. anexos fls. 42/45), · "11. Embora o contribuinte não tenha apresentado os contratos de mútuo dos supostos empréstimos junto à empresa 'SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ (...)', esta empresa encontravase sob fiscalização em cumprimento ao MPF 08.1.09.002007005903; 12. Registrese que o procedimento fiscal levado a efeito sobre o contribuinte em tela está intrinsecamente ligado à fiscalização da pessoa jurídica Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda. Portanto, somente no decorrer dos trabalhos fiscais sobre a Shareconsult foi possível tomar conhecimento de fatos que implicam em responsabilidade tributária dos sócios daquela empresa." fl. 16 (grifo no original); (...) · "14. Da conclusão do procedimento fiscal contra a empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA” (Processo Administrativo Fiscal de Exigência do Crédito Tributário n° 10680020458/200710), extraímos do Termo de Verificação Fiscal daquele procedimento os seguintes fatos com repercussão tributária sobre os sócios (cópias às fls. 62/71): a) A empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA" não foi localizada no endereço constante do Cadastro do CNPJ, nem no Cadastro Público. A empresa deixou de funcionar, não tendo sido . encontrada em seus dois conhecidos e eventuais endereços; b) As ciências do Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Fiscalização da Shareconsult foram dadas por via postal aos seus sócios; c) Seus sócios não efetivaram a baixa da empresa, liquidação ou encerramento regular da pessoa jurídica, porém seus sócios se apropriaram da maior parte de seus ativos (Disponibilidade em Recursos Financeiros e Imóveis) sob a forma de empréstimos de mútuos; d) indicando a inatividade da Shareconsult, as Declarações de Informações Econômico Fiscais dos exercicios de 2004, 2005, 2006 e 2007 foram apresentadas em branco e sem movimentação, com base de cálculo nula para os tributos e contribuições sociais. Assim, nada pagou ou nada declarou como devido em Fl. 863DF CARF MF 4 relação ao tributo e contribuições em DCTF. Conforme DlPJ's dos anoscalendário de 2003 a 2006 de fls.; e) Destarte, a empresa está desativada ou inativa de fato, sem que seus sócios tenham efetivado a sua baixa, liquidação ou encerramento regular, permanecendo pendente de solução, entre outras, suas obrigações tributárias e a destinação legal de seus Ativos, no entanto, as Disponibilidades Financeiras e os Bens imóveis correspondentes aos Empréstimos ou Mútuos permanecem na posse dos mesmos sócios, de forma indefinida, sem quitação ou resolução. 15. (...) Portanto, os supostos empréstimos contraídos da empresa Shareconsult pelos sócios jamais serão pagos ou restituídos à empresa, visto que deixou de existir no mundo real. (...)" fl. 17 · Descrevendo uma série de alterações contratuais, conclui que: "19. Com efeito, pelos termos transcritos acima, não é necessário muito esforço par concluir que o documento paralelo, de interesse da sociedade, datado de 15/12/1999 e registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 20/07/2001 (...) não pode respaldar qualquer negócio efetuado entre a empresa Shareconsult e os Srs. Carlos Eduardo de Almeida Gomes, Eugênio Zalandauskas e Sebastião Luiz Lagos, principalmente, para elidir da tributação os rendimentos, vantagens ou acréscimos patrimoniais recebidos da empresa 'SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA', denominados impropriamente de 'empréstimos de mútuo'. Por conseguinte, os supostos empréstimos de mútuos recebidos pelos Srs. Carlos Eduardo de Almeida Gomes, Eugênio Zalandauskas e Sebastião Luiz Lagos, durante o anocalendário de 2003, são na verdade vantagens (rendimentos) tributáveis recebidas de pessoa jurídica;" fl. 22; · Ato contínuo, a autoridade lançadora registrou que a empresa vendeu seu único empreendimento imobiliário em fevereiro de 2003, antes da última alteração contratual (de dezembro de 2003, registrada em março de 2004). Nesse negócio, a empresa recebeu parte em espécie e parte em bens imóveis e veículos. Utilizou parte dos recursos e bens recebidos para quitar dívidas com uma terceira empresa em discussão judicial. Enfim, que em outubro de 2003, a empresa registrou em sua contabilidade distribuição de lucros em outubro de 2003 no valor de R$ 1.200.000,00 para o sócio Sebastião Luiz Lagos e para os Srs. Eugênio Zalandauskas e Carlos Eduardo de Almeida Gomes, os quais não figuravam, nesse momento, como sócios. Igualmente, a empresa registrou nesse mesmo período apropriação, pelo sócio Sebastião Luiz e pelos nãosócios Eugênio e Carlos Eduardo, de resgate de depósito judicial realizado em favor de um Sr. Joaquim Francico. Nesse contexto, conclui que: Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 863 5 "38. Portanto, os supostos empréstimos de mútuo e a apropriação de resgate do depósito judicial para Joaqum Francisco no montante de R$ 660.714, 05 pelos então nãosócios Sebastião Luiz Lagos, são na realidade vantagens econômicafinanceiras recebidas da empresa Shereconsult (sic) Empreendimentos Imobiliários Ltda. Em decorrência, sujeita à tributação do imposot de renda da pessoa física;" fl. 28 · Ainda, que os negócios de "mútuo de imóveis" eram meios indiretos de transferir de forma escamoteada para o sócio Sebastião Luiz e para os nãosócios Eugênio e Carlos Eduardo os imóveis recebidos em pagamento pela alienação do seu empreendimento. Passa então a discorrer sobre o negócio de mútuo, concluindo ter havido ofensa aos princípios da probidade e da boafé posto que "os supostos empréstimos de mútuos jamais serão restituídos à empresa" (fl. 30). · Analisando a forma como foram transferidos os imóveis, percebeu que Contribuinte recebeu o imóvel a título de dação em pagamento, diretamente da Shareconsult para uma empresa (Falgo Empreendimentos e Participações S.A.) da qual era sócio em conjunto com um filho. Esta empresa que recebeu o imóvel não teve movimentação em 2002 (declarações zeradas) e, no anocalendário de 2003, declarou receita de apenas R$ 31.344,07 no 4º trimestre, decorrentes de aplicação financeira. Concluiu que: "55. Com efeito, com base nas informações prestadas ao fisco pela empresa Falgo Empreendimentos e Participações podemos afirmar, à toda evidência, que a Escritura Pública de Dação em Pagamento tendo como outorgante Dadora (sic) a a Shareconsult e como outorgada recebedora a empresa Falgo, lavrada em 07/11/2003, não espelha a realidade dos fatos, visto que a empresa Falgo não detinha crédito para com a empresa Shareconsult, como também não tinha capacidade econôimica/financeira para conceder empréstimos financeiros da ordem de R$ 1.222.992,0 7para Shareconsult e receber o pseudoempréstimo como dação em pagamento; 56. Por conseguinte, a lavratura em 07/11/2003 da Escritura Pública de Dação em Pagamento da forma como foi lavrada teve a intenção notória do sócio da Falgo Empreendimentos Carlos Eduardo de Almeida Gomes (pessoa física que realmente apropriouse dos imo´veis da Shareconsult) em não pagar o imposto de renda devido, em decorrência das vantagens econômicas recebidas da empresa Shareconsult, qual seja, recebimento de imo´veis do ativo circulante da Shareconsult quando o mesmo não participava do quadro societário da mesma; 57. É de se registrar que, tudo foi bem planejado estrategicamente, isto é, inicialmente a empresa Fl. 865DF CARF MF 6 Shareconsult transfere os imóveis para a pessoa física do nãosócio Carlos Eduardo, que sempre esteve à sombra, à margem da Shareconsult. Depois, a escritura pública é lavrada como se a Shareconsult tivesse transferindo os imóveis para a empresa de Carlos Eduardo sob a forma de dação em pagamento de uma dívida inexistente;" fl. 33 (grifos no original) · "58. Mencionese, ademais, que o mesmo ocorreu em relação ao nãosócio Eugênio Zalandauskas e sócio Sebastião Luiz, isto é, as escrituras pública dos imóveis do ativo circulante da Shareconsult apropriados por eles, conforme lançamentos dos livros Diário e Razão, foram lavrados como se a Shareconsult tivesse transferindo os imóveis para a empresa de Eugênio Zalandauskas e de Sebastião Luiz também sob a forma de dação em pagamento de uma dívida inexistente. Entretanto, como estes dois contribuintes estão sendo concomitantemente fiscalizados pelo mesmo auditor fiscal, os mesmos atos praticados serão circunstanciados em Termos de Verificação Fiscal distintos, haja vista tratarse Mandados de Procedimentos Fiscal MPF próprios." fl. 34; · "59. Os atos praticados pelos nãosócios Carlos Eduardo e Eugênio Zalandauskas, como também pelo sócio Sebastião Luiz são caracterizadores de simulação, visto que houve a tentativa de se camuflar/escamotear fatos que ensejaria o lançamento tributário pelo recebimento de vantagens econômicofinanceiras da empresa Shareconsult;" fl. 34; · "62. A previsão legal para tributação das vantagens percebidas pelo contribuinte, encontrase assentadas nos arts. 38, 43, 55, inciso IV, do Decreto 3.0000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), arts. 3º, §4º da Lei nº 7.713/88 e arts. 4º, 43, 44, 45, 118 e 123 do Código Tributário Nacional" fl. 34; · "68. Ressaltamos que a principal questão analisada é a intenção de se fraudar o fisco. Simulouse ser o sujeito das relações jurídicas não o contribuinte Carlos Eduardo de Almeida Gomes, mas a pessoa jurídica de sua empresa Falgo Empreendimentos e Participações. O fito de tal simulação, no que tange ao interesse da Fazenda Nacional, foi escamotear o ônus fiscal, haja vista que não foi pago o imposto de renda devido. Em consequência procedeuse à tributação pertinente no real sujeito da relação jurídica (Pessoa Física), descracterizando a relação jurídica simulada (Pessoa Jurídica);" fl. 38; · Qualificou a multa nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964; Intimado em 01/09/2008 (fl. 223/224), o Contribuinte Protocolou Impugnação em 01/10/2008 (fls. 228/333), que foi julgada improcedente pela DRJ, no acórdão nº 0220.289, de 05/12/2008 (fls. 341/362), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Exercício: 2004 Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 864 7 NULIDADE. Os casos de nulidade são os descritos no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. DIREITO A DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância às suas normas de regência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. SIMULAÇÃO. Demonstrada a simulação, desconstituemse para fins tributários os negócios simulados e procedese ao lançamento do crédito tributário nos termos do art. 149, inc. VII do CTN, com base nos atos reais encobertados, que constituem fato gerador do imposto. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe às autoridades administrativas julgar a matéria do ponto de vista constitucional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que,a instituiu. MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, o evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, a teor do disposto no art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Lançamento Procedente Intimado em 06/02/2009 (fl. 365), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04/03/2009 (fls. 368/476), argumentando, em síntese, Preliminares: · Que a intimação do Termo de Verificação Fiscal se deu por via postal, e não pessoal, gerando nulidade do lançamento; · Que lhe foi cerceado o acesso aos autos no curso do prazo da impugnação, impedindoo de ter acesso à documentação juntada aos autos e, portanto, cerceando o seu direito de defesa; Fl. 867DF CARF MF 8 · Que o lançamento é nulo, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a infração e a sua capitulação legal não foram descritas de forma clara, mormente quando citou inúmeros artigos de regulamento que não se coadunam com a descrição dada no relatório; · Que não foi respeitada a norma do art. 41 da Lei nº 9.784/1999, que exige a intimação prévia do interessado para acompanhar a realização das provas ou diligências, especificamente no tocante à tomada de testemunho durante a fiscalização, prova essa que lastreou o lançamento; · Que, se o presente lançamento é resultado de fiscalização que decorreu, por sua vez, de outra fiscalização, esta sobre a empresa de que era sócio, então o lançamento deveria ter sido realizado em um único processo, compilando todas as provas e infrações, e intimando todas as partes para se defenderem, nos termos dos arts. 121 e 142 do CTN e art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972; · Que o lançamento é nulo por ter, a autoridade fiscalizadora, requerido apresentação de documentação, especificamente extratos bancários do Sr. Sebastião Luiz Lagos, o que está além de sua competência e, portanto, decorre do abuso de autoridade, maculando o procedimento de fiscalização e o lançamento decorrente; · Que o lançamento é nulo por não ter sido formalizado o litisconsórcio passivo necessário entre o Recorrente, a Sra. Edna Felix de Almeida Gomes, o Sr. Sebastião Luiz Lagos, e o Sr. Eugênio Zalandauskas, todos sujeito passivos de autos de infração decorrentes da mesma fiscalização; · Que ocorreu bis in idem nos lançamentos referentes ao Recorrente e ao indivíduos supramencionados; Mérito: · Que é ilegal o lançamento realizado com base em extratos bancários, vez que não representam, automaticamente, rendimentos; · Que o contribuinte recebeu créditos e depósitos em sua conta bancárias referentes a adiantamentos para aquisição de objetos para suas empresas, não configurando, portanto, rendimento seu e sim recursos de terceiros; · Que a apuração da base de cálculo foi equivocada, utilizando a variação mensal quando o IRPF é um tributo anual; · Que o lançamento desconsiderou, indevidamente, a comprovação de valores, tal como ocorreu com a desconsideração de mútuos, legando à inclusão indevida deles na base de cálculo; · Que o lançamento não excluiu os valores dos cheques devolvidos; Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 865 9 · Que houve desconsideração dos negócios de mútuo, com base em intuição de que a empresa não existiria no mundo real, mas apenas no papel, que os valores não teriam sido restituídos à empresa, o que levou, também, a autoridade lançadora a desrespeitar as regras do art. 464 do RIR/1999, que enumera exaustivamente as hipóteses em que se considera distribuição disfarçada de lucro, desrespeitando também o art. 110 do CTN e o art. 586 e seguintes do CC/2002 e que, considerando que a empresa encontrase endividada, os sócios deverão aportar novamente os recursos para quitar as dívidas sociais; · Que houve desconsideração dos negócios de dação em pagamento, com base em intuição de que a empresa não existiria no mundo real, mas apenas no papel, que os valores não teriam sido restituídos à empresa, o que levou, também, a autoridade lançadora a desrespeitar as regras do art. 464 do RIR/1999, que enumera exaustivamente as hipóteses em que se considera distribuição disfarçada de lucro, desrespeitando também o art. 110 do CTN e o art. 356 e seguintes do CC/2002 e que, considerando que a empresa encontrase endividada, os sócios deverão aportar novamente os recursos para quitar as dívidas sociais; · Que é inaplicável a taxa Selic como índice de juros sobre o débito de tributos e contribuições sociais federais; · Que deve ser desqualificada a multa de ofício, vez que não se configurou evidente intuito de fraude; · Que a multa de 150% é confiscatória, atentando contra o art. 150, IV, bem como contra os arts. 5º, XXII e 170, II, todos da CF/1988; · Que não é possível cumular a multa de ofício com a multa "regular" de 20%; e · Que requer "a produção de prova documental, constituída por novos e outros documentos, bem como a produção de prova pericial para estabelecer os reais e efetivos limites de eventual crédito tributário" (fl. 476). Consta dos autos, ainda, três volumes anexos (fls. 475/859), composto pelo Livro Diário, Relatório de Plano de Contas, Razão Analítico e DIPJ da empresa Shareconsult Empreend. Imobiliários Ltda., bem como DIPJ da empresa Falgo Empreendimentos e Participações S.A. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Fl. 869DF CARF MF 10 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminares: Decorrência: Argumenta o Contribuinte que o presente processo administrativo fiscal decorre da fiscalização instaurada em desfavor da empresa Shareconsult, entendendo que deve ser anulado e refeito o lançamento em um único processo reunindo ambas as autuações. Tal pleito não pode prevalecer, uma vez que a infração imputada ao Recorrente é de que tenha omitido rendimentos seus, de sorte que ainda que a Shareconsult pudesse vir a figurar como responsável solidária não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo. Por outro lado, observando as regras insculpidas no RICARF, chama atenção o quanto estabelece o art. 6º, do Anexo II: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 866 11 convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. (...) Pois bem. A própria autoridade lançadora afirmou, no TVF, que 12. Registrese que o procedimento fiscal levado a efeito sobre o contribuinte em tela está intrinsecamente ligado à fiscalização da pessoa jurídica Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda. Portanto, somente no decorrer dos trabalhos fiscais sobre a Shareconsult foi possível tomar conhecimento de fatos que implicam em responsabilidade tributária dos sócios daquela empresa." fl. 16 (grifo no original); O que é mais, o presente lançamento se lastreia na tese de que a Shareconsult era uma empresa apenas no papel, o que fundamentou a desconfiguração dos negócios firmados como simulados. Não consta do TVF, entretanto, que tenha efetivamente sido formalizado auto de infração em desfavor da empresa, em decorrência dessa fiscalização, nem qual o número do processo, se efetivado. Observase, por outro lado, que consta no site deste e.CARF o processo de nº 10680.020458/200710, no qual figura como sujeito passivo a empresa "Shareconsult". Trata se de processo formalizado no ano anterior (2007), o que é plausível, vez que a fiscalização recaiu sobre o presente Recorrente como consequência da fiscalização instaurada na empresa. Percebese, ainda, que esse processo de nº 10680.020458/200710 ainda não foi julgado. Portanto, a toda aparência, tratase da hipótese descrita no art. 6º, §1º, II, do Anexo II ao RICARF, supratranscrito, i.e., de decorrência. Efetivamente, o presente processo administrativo foi formalizado em razão de procedimento fiscal anterior (aquele sobre a empresa Shareconsult) e que, ainda que veiculem matérias autônomas tributos diversos a conclusão alcançada no processo da empresa poderá ter efeitos sobre o presente processo administrativo. Por exemplo, se ficar consignado ali que a empresa atuava, ou que os negócios eram efetivamente válidos, então tal conclusão impactará na resolução do presente processo. Em suma, com base no art. 6º, §§4º e 5º, do Anexo II ao RICARF, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fazendária traga informações aos autos sobre a formalização ou não de auto de infração, em desfavor da empresa, em decorrência da fiscalização anterior, que recaia sobre os mesmos negócios jurídicos. Em caso positivo, indicar qual o número do processo administrativo principal e determinar a vinculação deste processo a aquele. Da intimação: Tendo sido vencido em relação à diligência proposta, continuo o julgamento das preliminares. Fl. 871DF CARF MF 12 Argumenta o Recorrente pela nulidade da notificação, afirmando que a ciência do lançamento se deu por via postal, e não pessoal, retardando a sua tomada de conhecimento acerca da constituição do crédito e diminuindo o seu prazo de defesa. A verdade é que o CARF já consolidou seu entendimento sobre o tema: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, essas Súmulas são de observância obrigatória por parte dos conselheiros, razão pela qual não é possível dar provimento ao pleito recursal. Cerceamento do direito de defesa: impedimento de acesso aos autos: Argumenta o Contribuinte que o seu direito de defesa foi cerceado quando, cientificado da lavratura do auto de infração, se dirigiu ao posto da Receita Federal mas ali foi informado de que não poderia ter acesso aos autos enquanto não fosse apresentada a defesa. Tal fato, por certo, atrairia a aplicabilidade do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que se configuraria cerceamento do seu direito de defesa. Contudo, tratase de mera alegação por parte do Contribuinte, sem a juntada de qualquer prova ou mesmo indício. Portanto, uma vez que não restou comprovado o quanto alega, não é possível dar provimento ao seu pleito. Da identificação da infração e da capitulação legal: Argumenta ainda o Recorrente, em sede de preliminar, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa uma vez que a descrição dos fatos e a sua capitulação legal não teriam sido claras. A verdade é que tal argumento tampouco pode prevalecer. O auto de infração identificou exatamente qual a base de cálculo, indicando a infração ocorrida e os comandos legais infringidos. Mais, o Recorrente foi capaz de elaborar defesa, indicando ter compreendido as infrações imputadas. Ainda, não indicou nenhum exemplo especifico de comando legal ou falha na descrição que justifiquem a ocorrência do cerceamento do direito de defesa, antes apresentou alegações genéricas e abstratas. Da produção de provas durante o procedimento de fiscalização: Argumenta ainda o Recorrente pela nulidade da prova testemunhal porquanto não teria sido aplicada a norma do art. 41 da Lei nº 9.784/1999. A verdade é que tal argumento não pode prevalecer porquanto a referida prova testemunhal foi elaborada ao longo do procedimento de fiscalização, antes, portanto, da instauração do processo administrativo fiscal. Este CARF já tem jurisprudência consolidada no sentido de que o procedimento de fiscalização tem caráter inquisitorial, i.e., não está adstrito ao contraditório. Entre outros: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 867 13 O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. (acórdão CARF nº 2401004.165, de 18/02/2016) NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitorial, vale dizer, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja, em consequência do desenho do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto nº 70.235/1972, sob qualquer constrição que a obrigue a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. Os pedidos de esclarecimento mediante termo, no curso do procedimento de fiscalização, não decorrem da observância de um dever correspectivo a um direito individual de acesso aos fatos apurados pelo Fisco e de se manifestar sobre eles; decorrem, sim, da necessidade de reunir evidências que possibilitem aferir a legalidade dos atos praticados pelo fiscalizado ou terceiros. (acórdão CARF nº 1301002.018, de 04/05/2016) Destarte, no caso concreto o contraditório foi instaurado com o protocolo da Impugnação, quando o Contribuinte teve plena oportunidade de se opor à prova testemunhal bem como a todas as outras provas elaboradas ao longo da fiscalização. Enfim, não é possível dar provimento ao pleito do COntribuinte, porquanto a atuação da autoridade fiscalizadora não extrapolou nem deixou de atender a quaisquer comandos legais. Do procedimento de fiscalização: No mesmo sentido, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem muito menos em abuso de autoridade quando a autoridade fiscalizadora requer a apresentação de documentação comprobatória. Efetivamente, a Legislação obriga que o Sujeito Passivo mantenha em seu poder todos os documentos comprobatórios dos rendimentos e das despesas incorridas, de sorte que tal obrigação só pode encontrar sentido lógico se for para apresentálos em caso de solicitação de comprovação. Especificamente no tocante aos extratos bancários, o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: Fl. 873DF CARF MF 14 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 868 15 O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Da identificação do sujeito passivo, do litisconsórcio passivo e da conexão: Argumenta o Contribuinte, ainda, que o lançamento é nulo porquanto decorreu de fiscalização sobre a empresa Shareconsult, e que recaiu também sobre a Sra. Edna Felix de Almeida Gomes, o Sr. Sebastião Luiz Lagos e o Sr. Eugênio Zalandauskas, de sorte que deveria ter sido consolidado em um único processo administrativo, consolidando todas as provas e infrações, intimando todas as partes e instaurando um litisconsórcio passivo necessário. Tal argumento tampouco pode prevalecer. A verdade é que o Contribuinte é o único sujeito passivo dos tributos lançados contra si, porquanto foi o único que em tese auferiu a renda. Se é verdade que a fiscalização foi realizada simultaneamente, e que uma tenha decorrido de outra, e ainda que a constatação da infração decorra da observação de um fato coincidente para mais de um contribuinte, nem por isso faz com que um seja contribuinte do tributo incidente sobre o rendimento auferido por outro. Portanto, não há que se falar em litisconsórcio passivo necessário in casu. Constatase, isso sim, hipótese de conexão, nos termos do art. 6º, §1º, I, do Anexo II ao RICARF, entre este processo e aqueles formalizados em desfavor das demais pessoas físicas. Acontece que, em pesquisa perante o site deste e.CARF, percebese que o processo referente ao sr. Eugênio Zalandauskas (nº 10680.008346/200863) foi recentemente julgado no acórdão nº 2401004.533, de 18/01/2017. Em pesquisa no site deste Conselho não foram encontrados processos em nome dos demais indivíduos citados (Edna Gomes e Sr. Sebastião Luiz). Portanto, nos termos do §2º do mesmo art. 6º, nada há que se fazer quando o processo conexo já houver sido julgado. Da produção de prova pericial: O Recorrente pede, ao final de sua peça, "a produção de prova documental, constituída por novos e outros documentos, bem como a produção de prova pericial para estabelecer os reais e efetivos limites de eventual crédito tributário" (fl. 476). Relembrando o quanto estabelece o art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/1972, deve ser considerado como não formulado o pedido de perícia quando não indique os quesitos ou não qualifique o profissional perito, como é o caso. Mais, não é possível a concessão genérica e abstrata de produção de prova documental em qualquer momento, devendo ser respeitadas as regras processuais do tempo de cada ato, ou, subsidiariamente, do princípio da verdade material, desde que haja efetiva apresentação de provas e que estas sejam relevantes para o deslinde do processo. Fl. 875DF CARF MF 16 No caso concreto, não se identificou quais as provas que se pretende constituir, nem a sua relevância para o julgamento, razão pela qual não é possível dar provimento a esse pleito. Mérito: Da inexistência de extratos bancários: Argumenta o Recorrente pela ilegalidade do lançamento com base exclusiva em extratos bancários. Acontece que, como bem apontou o acórdão recorrido, não se observa nos autos a hipótese de lançamento de IRPF baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. In litteris, "Ao longo da impugnação, o contribuinte contesta o lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apresentando razões de discordância. Ocorre que, conforme auto de infração às fls. 3 a 12, não houve lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, desnecessárias considerações sobre as questões aduzidas." fl. 354; Efetivamente, o lançamento decorre, isso sim, de omissão de rendimentos provenientes de pessoa jurídica, especificamente da empresa da qual era sócio de fato. Registrase, outrossim, que mesmo diante da constatação pela DRJ de que inexiste tal infração no processo, o Contribuinte insistiu na tese em sede de Recurso Voluntário sem demonstrar especificamente onde estaria o erro da autoridade julgadora de primeiro grau. Portanto, desnecessário despender maiores esforços no julgamento em tese de matéria inexistente nos autos. Da desconsideração dos negócios jurídicos: Argumenta o Recorrente, ainda, pela impossibilidade de desconsideração dos negócios firmados entre si e a empresa Shareconsult. Segundo explica, foram sim formalizados os negócios de mútuo e que, se ainda não restituiu os recursos, o fará no tempo devido, uma vez que a empresa passa por dificuldades econômicas e será necessário dispor de tais recursos para fazer frente às suas dívidas. Igualmente, que não se pode desconfigurar o negócio de dação em pagamento quando formalizado validamente. A verdade é que o Contribuinte trouxe alegações abstratas e genéricas, desprovidas de qualquer documentação ou mesmo indício comprobatório. Efetivamente, ao longo da fiscalização a autoridade lançadora intimou e reintimou o Contribuinte a apresentar os contratos de mútuo, o que não foi feito em sede de fiscalização, nem de impugnação ou mesmo de recurso. Mais, diante da acusação de inexistência de dívida da Shareconsult perante a Falgo, que justificasse a dação em pagamento, o Recorrente tampouco foi capaz de produzir qualquer prova ou justificativa plausível. De outro lado, a autoridade lançadora trouxe inúmeros indícios de que os negócios não se realizaram tal como declarados pelo Contribuinte. Por todos, transcrevemos: Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 869 17 "14. Da conclusão do procedimento fiscal contra a empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA” (Processo Administrativo Fiscal de Exigência do Crédito Tributário n° 10680020458/200710), extraímos do Termo de Verificação Fiscal daquele procedimento os seguintes fatos com repercussão tributária sobre os sócios (cópias às fls. 62/71): a) A empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA" não foi localizada no endereço constante do Cadastro do CNPJ, nem no Cadastro Público. A empresa deixou de funcionar, não tendo sido encontrada em seus dois conhecidos e eventuais endereços; b) As ciências do Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Fiscalização da Shareconsult foram dadas por via postal aos seus sócios; c) Seus sócios não efetivaram a baixa da empresa, liquidação ou encerramento regular da pessoa jurídica, porém seus sócios se apropriaram da maior parte de seus ativos (Disponibilidade em Recursos Financeiros e Imóveis) sob a forma de empréstimos de mútuos; d) indicando a inatividade da Shareconsult, as Declarações de Informações Econômico Fiscais dos exercicios de 2004, 2005, 2006 e 2007 foram apresentadas em branco e sem movimentação, com base de cálculo nula para os tributos e contribuições sociais. Assim, nada pagou ou nada declarou como devido em relação ao tributo e contribuições em DCTF. Conforme DlPJ's dos anoscalendário de 2003 a 2006 de fls.; e) Destarte, a empresa está desativada ou inativa de fato, sem que seus sócios tenham efetivado a sua baixa, liquidação ou encerramento regular, permanecendo pendente de solução, entre outras, suas obrigações tributárias e a destinação legal de seus Ativos, no entanto, as Disponibilidades Financeiras e os Bens imóveis correspondentes aos Empréstimos ou Mútuos permanecem na posse dos mesmos sócios, de forma indefinida, sem quitação ou resolução." fl. 17 (grifo nosso); e "54. Por outro lado, analisando as Declarações de Informações Econômico Fiscais da empresa “FALGO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES" (Anexo Ill, fls. 891173), relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003, constatamos o seguinte: a) No anocalendário de 2002, a forma de tributação optada pela empresa foi pelo Lucro Real. A Declaração de Informações Econômico'Fiscais do anocalendário de 2002 foi apresentada com receitas, custos e despesas zeradas, bem assim sem movimentação econômica ou financeira. Conseqüentemente, como a empresa não obteve receitas nem incorreu em custos ou despesas, por via direta não obteve lucro de qualquer espécie (lucro bruto ou lucro real). Desse modo, a base de cálculo para Fl. 877DF CARF MF 18 os tributos e contribuições sociais são nulas, assim nada pagou ou nada declarou como devido em relação ao tributo e contribuições em DCTF. O Balanço Patrimonial (transcrito na Declaração de lnformaçoes Econômico Fiscais) encontrase com as contas zeradas. Destaquese que as contas do Ativo Circulante tais como “Caixa, Bancos, Valores Mobiliários, Estoques, Clientes, Imóveis Destinados a Venda" encontrase com saldo zero, o Ativo Realizável a Longo Prazo e Ativo Permanente (Investimento, lmobilizado e Diferido) também encontrase com os saldos zerados. b) No anocalendário de 2003, a forma de tributação optada pela empresa foi pelo Lucro Presumido. Pela Declaração de Informações EconômicoFiscais do anocalendário de 2003, a empresa obteve apenas e tão somente Rendimentos e Ganhos Líquidos de Aplicações de Renda Fixa no 4° Trimestre no valor de R$ 31.344,07, decorrente aplicação financeira junto ao Bankboston (R$ 13.250,09 em Novembro/2003 e R$18.093,98 em Dezembro/2003). Como a empresa não obteve lucro da atividade no 1°, 2° e 3° trimestres e no mês de Outubro, nada pagou de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS nos meses de janeiro a outubro de 2003. 55. Com efeito, com base nas informações prestadas ao fisco pela empresa Falgo Empreendimentos e Participações podemos afirmar, à toda evidência, que a Escritura Pública de Dação em Pagamento tendo como outorgante Dadora (sic) a a Shareconsult e como outorgada recebedora a empresa Falgo, lavrada em 07/11/2003, não espelha a realidade dos fatos, visto que a empresa Falgo não detinha crédito para com a empresa Shareconsult, como também não tinha capacidade econôimica/financeira para conceder empréstimos financeiros da ordem de R$ 1.222.992,0 7para Shareconsult e receber o pseudoempréstimo como dação em pagamento; 56. Por conseguinte, a lavratura em 07/11/2003 da Escritura Pública de Dação em Pagamento da forma como foi lavrada teve a intenção notória do sócio da Falgo Empreendimentos Carlos Eduardo de Almeida Gomes (pessoa física que realmente apropriouse dos imóveis da Shareconsult) em não pagar o imposto de renda devido, em decorrência das vantagens econômicas recebidas da empresa Shareconsult, qual seja, recebimento de imóveis do ativo circulante da Shareconsult quando o mesmo não participava do quadro societário da mesma; 57. É de se registrar que, tudo foi bem planejado estrategicamente, isto é, inicialmente a empresa Shareconsult transfere os imóveis para a pessoa física do nãosócio Carlos Eduardo, que sempre esteve à sombra, à margem da Shareconsult. Depois, a escritura pública é lavrada como se a Shareconsult tivesse transferindo os imóveis para a empresa de Carlos Eduardo sob a forma de dação em pagamento de uma dívida inexistente;" fl. 32/33 (grifos nosso) Em suma, os indícios de negócios simulados são realmente fortes e se acumulam: (1) não havendo dívida (seja ela de qualquer natureza), não há como se falar em dação em pagamento; e (2) não havendo qualquer justificativa ou comprovação do mútuo, ou Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 870 19 mesmo da restituição passada, presente ou futura dos recursos mutuados, não há como se acreditar que o negócio não tenha se configurado uma simulação de um pagamento sem causa. De outro lado, sem qualquer justificativa ou documentação comprobatória em sentido oposto que justifique a reforma da decisão recorrida e do próprio lançamento. Da qualificação da multa de ofício: Subsidiariamente, o Recorrente reclama pela desqualificação da multa de ofício, argumentando que não restou comprovado o evidente intuito de fraude. Argumenta ainda pela inconstitucionalidade da multa. Este segundo argumento não pode ser objeto de julgamento em sede de processo administrativo, porquanto extrapola a competência deste e.CARF, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, do art. 62 do Anexo II ao RICARF, e da Súmula CARF nº 02. Pois bem. O lançamento justificou a qualificação da multa, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, cumulado com os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, na ocorrência de simulação. Levando em consideração o quanto já foi concluído antes que houve efetiva simulação dos negócios jurídicos é possível concluir igualmente que houve efetiva sonegação, fraude e conluio. · Ora, a sonegação é observada no fato de que o Contribuinte, bem como a empresa Shareconsult e a empresa Falgo jamais declararam essas operações à Receita Federal, impendindo o conhecimento da ocorrência do fato gerador. · A fraude está configurada na própria natureza do negócio simulado, que buscou dissimular a ocorrência do fato gerador. · Enfim, o conluio se observa na cumulação de pessoas tanto o Contribuinte, quanto seus sócios de fato, a empresa Shareconsult e a empresa Falgo com o intuito de permitir a realização da referida simulação. De outro lado, as alegações do Recorrente são genéricas, lastreandose não na tentativa de desconfigurar as acusações da autoridade lançadora e sim no esforço de conceituação de fraude, simulação etc., bem como na ilegalidade e na inconstitucionalidade da multa de 150%. Nesse caminho, entendo que deve ser mantida, também, a multa qualificada. Da taxa SELIC: Argumenta o Contribuinte, longamente, acerca da natureza dos juros e da impossibilidade de se aplicar a taxa Selic como índice de juros para a correção dos débitos tributários. Fl. 879DF CARF MF 20 Acontece que este e.CARF já consolidou seu posicionamento acerca da matéria: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, essas Súmulas são de observância obrigatória por parte dos conselheiros, razão pela qual não é possível dar provimento ao pleito recursal. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada. Peço vênia ao nobre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, para divergir de sua proposta de conversão do julgamento em diligência. Colho do voto do Relator: O que é mais, o presente lançamento se lastreia na tese de que a Shareconsult era uma empresa apenas no papel, o que fundamentou a desconfiguração dos negócios firmados como simulados. Não consta do TVF, entretanto, que tenha efetivamente sido formalizado auto de infração em desfavor da empresa, em decorrência dessa fiscalização, nem qual o número do processo, se efetivado. Observase, por outro lado, que consta no site deste e.CARF o processo de nº 10680.020458/200710, no qual figura como sujeito passivo a empresa "Shareconsult". Tratase de processo formalizado no ano anterior (2007), o que é plausível, vez que a fiscalização recaiu sobre o presente Recorrente como consequência da fiscalização instaurada na empresa. Percebe se, ainda, que esse processo de nº 10680.020458/200710 ainda não foi julgado. Portanto, a toda aparência, tratase da hipótese descrita no art. 6º, §1º, II, do Anexo II ao RICARF, supratranscrito, i.e., de decorrência. Efetivamente, o presente processo administrativo foi formalizado em razão de procedimento fiscal anterior (aquele sobre a empresa Shareconsult) e que, ainda que veiculem matérias autônomas tributos diversos a conclusão alcançada no processo da empresa poderá ter efeitos sobre o presente processo administrativo. Por exemplo, se ficar consignado ali Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 871 21 que a empresa atuava, ou que os negócios eram efetivamente válidos, então tal conclusão impactará na resolução do presente processo. Em suma, com base no art. 6º, §§4º e 5º, do Anexo II ao RICARF, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fazendária traga informações aos autos sobre a formalização ou não de auto de infração, em desfavor da empresa, em decorrência da fiscalização anterior, que recaia sobre os mesmos negócios jurídicos. Em caso positivo, indicar qual o número do processo administrativo principal e determinar a vinculação deste processo a aquele. O lançamento, objeto deste processo, foi feito com base na omissão de rendimentos, decorrentes de vantagens recebidas de pessoa jurídica, vantagens recebidas de pessoa jurídica na forma de bens imóveis, e omissão de vantagem/resgate de depósito judicial, conforme descrito pelo Auditor Fiscal, às fls. 6/9: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS/VANTAGENS RECEBIDAS DE PESSOA JURÍDICA [...] foi constatado que o então nãosócio da empresa "SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 02.858.780/000130",. Sr.Carlos Eduardo de Almeida Gomes apropriou de recursos financeiros da Shareconsult a titulo de empréstimos de mútuo desde 05/02/2003, quando nesta época o Sr.Carlos Eduardo não figurava no quadro societário da Shareconsult, [...]. No curso do procedimento fiscal ficou caracterizado que os pseudoempréstimos são na realidade vantagens financeiras recebidas da empresa Shareconsult. As vantagens financeiras recebidas não foram oferecidas à tributação na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2004, anocalendário de 2003 [...]. Portanto, a omissão de tais vantagens efetivamente recebidas de pessoa jurídca (sic), mas camufladas na forma de pseudo empréstimos serão tributadas consoante legislação tributária regente. [...] 002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS/VANTAGENS RECEBIDAS DE PESSSOA (sic) JURÍDICA NA FORMA DE BENS IMÓVEIS [...] foi constatado que o então nãosócio da empresa "SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 02.858.780/000130", Sr.Carlos Eduardo de Almeida Gomes apropriou de bens imóveis do Ativo Circulante Fl. 881DF CARF MF 22 daquela empresa (lotes e apartamentos) a título de empréstimos, quando nesta época o Sr. Carlos Eduardo não figurava no quadro societário da Shareconsult, [...]. No curso do procedimento fiscal ficou caracterizado que os imóveis recebidos a título de pseudoempréstimos de mútuo são na realidade rendimentos recebidos na forma de bens imóveis, avaliados em dinheiro. Os rendimentos recebidos na forma de bens imóveis não foram oferecidas à tributação na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2004,anocalendário de 2003, [...] Portanto, a omissão de tais vantagens efetivamente recebidas de pessoa juridca (sic), mas camufladas na forma de pseudo empréstimos ou dação em pagamento serão tributadas consoante legislação tributária regente. 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE VANTAGEM/RESGATE DE DEPÓSITO JUDICIAL [...] foi constatado que o então nãosócio da empresa "SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 02.858.780/000130", Sr. Carlos Eduardo de Almeida Gomes apropriou de parte do resgate do depósito judicial no montante de R$ 660.713,05, que Shareconsult havia efetuado para Joaquim Francisco. [...]. Em decorrência, tal vantagem foi tributada como omissão de rendimento recebido de pessoa jurídica. Oportuno mencionar que o Auditor Fiscal transcreveu no Termo de Verificação Fiscal (TVF) desde processo (fls. 17) trechos do TVF do Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 10680.020458/200710, que tem como sujeito passivo a empresa Shareconsult Empreendimentos Imobiliários Ltda (Shareconsult), de onde se extrai o seguinte: 14. Da conclusão do procedimento fiscal contra a empresa “SHARECONSULT EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA” (Processo Administrativo Fiscal de Exigência do Crédito Tributário n° 10680.020458/200710), extraímos do Termo de Verificação Fiscal daquele procedimento os seguintes fatos com repercussão tributária sobre os sócios (cópias às fls. 62/71): (grifei). Do TVF do PAF nº 10680.020458/200710, ao qual o Auditor Fiscal faz referência, e acosta cópia às fls. 63/72 do presente processo, podese extrair o seguinte trecho: Como se verá a seguir, o Contribuinte não declarou nem pagou os tributos e Contribuições devidas sobre Receitas auferidas em 2003; sendo que nesta mesma época seus Sócios se apropriaram da maior, parte de seus Ativos (Disponibilidades Em Recursos Financeiros e Imóveis) sob a forma de Empréstimos ou Mútuos, conforme Contas do Razão fls. 55 a 62 e Balanço Patrimonial de fls. 63 a 64. Concomitante a estas omissões quanto às obrigações tributárias e à cessão de seus ativos para os Sócios, o Contribuinte deixou Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 872 23 de funcionar; não tendo sido encontrado em seus dois conhecidos e eventuais endereços, como dito inicialmente. [...] Desse modo, a desativação irregular e as infrações à legislação tributária ora apuradas se revestiram do caráter de atos pessoais dos Sócios do Contribuinte. Caracterizase assim a "Responsabilidade Pessoal Dos Sócios Pelos Créditos Tributários Devidos" aqui constituídos; [...] 3DAS RECEITAS NÃO TRIBUTADAS 3.1 Tendo como atividade a incorporação, compra e venda de imóveis, em 2003, o Contribuinte optou pela tributação pelo regime do Lucro Presumido, mas nada informou como Base de Cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com a DIPJ/04 de fls. 66 a 96. Assim, nada pagou ou nada declarou como devido em relação ao Tributo e Contribuições citados, [...]. 3.2 No entanto, de acordo com a "Escritura Pública" de fls. 99 a 110, de 10/02/03, Livro 0373, Protocolo 005252, Cartório do Segundo Serviço Notarial de BetimMG e o "Registro" de fls. 111 a 114, de 26/03/03, Livro 2 , Matrícula 82.691, Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de ContagemMG", o Contribuinte alienou em Fevereiro de 2003 o Imóvel constituído pela "Fração Ideal de aproximadamente 0,927868 do Terreno com área total de 36.446,49 metros quadrados, identificado como Lote A3, da quadra 83, do Bairro Cidade Industrial, Contagem, MG; as Benfeitorias e Edificações que estão sendo construídas no Lote A3; os Direitos e Ações sobre as Marcas do Itaú Power Shopping e Itaú Plaza Shopping e Outros", pelo Preço de R$19.867.000,00, para a "MK Empreendimentos Ltda CNPJ 03.827.603/000150 e Outros Compradores". A Receita auferida nesta operação foi escriturada pelo regime de competência na Conta "00589Resultado das Vendas de Fração Ideal/ 00836Vendas do Itaú Power Shopping", conforme a Página do Razão de fls. 115; com sua contrapartida a débito da Conta "00015Clientes/00779Condomínio Itaú Power Shopping". Como descrito na Escritura citada, esta Receita seria recebida sob a forma de Disponibilidades Em Moeda e de Imóveis; sendo algumas Parcelas da mesma transferidas para Terceiros Intervenientes. Estas Transferências e os Recebimentos foram contabilizados no Razão a crédito da mesma Conta "Clientes". 3.3Ainda como Receitas auferidas em 2003 pelo Contribuinte, têmse os valores discriminados abaixo, apurados nas Páginas do Razão de fls. 115a 120, nas Contas "00289Recuperação de Despesas/00553Rec. de Despesas Diversas" e "00291 Receitas Financeiras/00292Juros Ativos; 00467Receita C/ Tit. De Fl. 883DF CARF MF 24 Capitalização; 00295Variação Monetária Ativa; 00293 Receitas S/ Aplicações Financeiras". Dos trechos transcritos acima, percebese que o lançamento efetuado na Shareconsult, decorreu da alienação de Imóvel; Benfeitorias e Edificações, os Direitos e Ações sobre as Marcas do Itaú Power Shopping e Itaú Plaza Shopping e Outros, e de outras receitas auferidas pela empresa, que não foram oferecidas à tributação. Além disso, o Auditor Fiscal referese a Carlos Eduardo de Almeida Gomes (Carlos Eduardo), para relacionálo ao fato de a empresa estar inativa, sem que seus sócios tivessem dado baixa nela, conforme determina a legislação, fato esse que torna os sócios responsáveis solidários pelos créditos tributários apurados naquele processo. De outro lado, o lançamento efetuado no presente processo, contra o recorrente se desenvolveu de forma autônoma, com objeto diferente (omissão de rendimento/vantagem, por empréstimos obtidos da Shareconsult, e resgate de depósito judicial). Assim, não se confirma a afirmação do nobre relator, de que seria necessário aguardar o julgamento do processo da pessoa jurídica, porque se fosse consignado que a empresa atuava, ou que os negócios não eram simulados, haveria impacto sobre a presente decisão. Senão, vejamos: se for decidido, naquele processo, que o crédito tributário lançado era improcedente, nada mudará o fato de Carlos Eduardo ter recebido rendimentos/vantagens da empresa Shareconsult, sem apresentálas ao Fisco, mesmo que se consigne que a empresa funcionava, ou que os sócios não são responsáveis solidários. E mais, naquele processo não se tratou de simulação de empréstimos ou mútuos; os sócios foram levados à situação de responsáveis solidários porque a empresa não foi desativada da forma legal, e eles estavam de posse das disponibilidades e bens dela, conforme cópia do TVF do PAF nº 10680.020458/200710 (fls. 64): Assim, o mesmo está desativado ou inativo de fato, sem que seus sócios tenham efetivado a sua baixa, liquidação ou encerramento regular; permanecendo pendente de solução, entre outras, suas obrigações tributárias e a destinação legal de seus Ativos; sendo que as Disponibilidades e Bens correspondentes aos Empréstimos ou Mútuos permanecem na posse dos mesmos Sócios, de forma indefinida, sem quitação ou resolução. Desse modo, a desativação irregular e as infrações à legislação tributária ora apuradas se revestiram do caráter de atos pessoais dos Sócios do Contribuinte. Portanto, entendo ser desnecessário converter o julgamento em diligência para a vinculação deste processo ao PAF nº 10680.020458/200710, em nome da Pessoa Jurídica Shareconsult, pois, apesar de decorrer de procedimento fiscal anteriormente desenvolvido nessa empresa, este processo contém todos os dados para dirimir as dúvidas e questões levantadas pelo nobre relator, visto que o Auditor Fiscal colacionou cópia do Termo de Verificação Fiscal do PAF na Pessoa Jurídica Shareconsult, onde relata a formalização de Auto de Infração em desfavor dessa empresa, que decorreu de omissão de receita auferida na alienação de imóvel, benfeitorias e edificações, direitos e ações sobre marcas, além de outras receitas auferidas, cujo resultado não terá efeitos sobre a decisão no presente processo. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10680.008349/200805 Acórdão n.º 2202004.062 S2C2T2 Fl. 873 25 Ante o exposto, VOTO no sentido de rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720230/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 06/01/2010
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO
Não há nos autos qualquer comprovação de que o custo de aquisição corresponderia à metade do bem, quando, em declarações anteriores apresentadas pelo contribuinte antes do início da ação fiscal, restava consignado o montante integral da propriedade, devendo ser mantido o lançamento.
Numero da decisão: 2401-005.076
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720230/201399 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.076 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SANTO ARIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 06/01/2010 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO Não há nos autos qualquer comprovação de que o custo de aquisição corresponderia à metade do bem, quando, em declarações anteriores apresentadas pelo contribuinte antes do início da ação fiscal, restava consignado o montante integral da propriedade, devendo ser mantido o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 30 /2 01 3- 99 Fl. 293DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15868.720230/201399 Acórdão n.º 2401005.076 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu considerar improcedente a impugnação naquilo em que foi contestado o lançamento, para manter a exigência do imposto equivalente a R$ 10.051,09 (dez mil e cinquenta e um reais e nove centavos), acrescido de multa proporcional de 150% (passível de redução) e dos juros de mora a serem recalculados na data do efetivo pagamento, conforme ementa do Acórdão nº 0954.668 (fls. 268/272): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 06/01/2010 GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DOS GANHOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição adotado pelo sujeito passivo para a apuração de ganho de capital corresponde ao dobro do que efetivamente consignava nas declarações de bens e direitos, não demonstrando por elementos válidos que essas continham erro de registro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011, 2012 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Consideramse não impugnadas as matérias que não foram contestadas pelo sujeito passivo, na espécie as correspondentes à omissão de resultado da atividade rural e a maior parte da omissão dos ganhos de capital, bem como as respectivas multas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 162/171), lavrado contra o Recorrente em 25/11/2013, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 61.318,42, Juros de Mora, calculados até novembro de 2013, no valor de R$ 21.056,56 e Multa no valor de R$ 91.943,49, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 174.318,47 (Demonstrativo Consolidado fl. 02). Conforme consta na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA (fl. 163) foram constatadas as seguintes infrações: 1. Omissão de resultado tributável da atividade rural, na monta de R$ 23.246,40, no anocalendário 2010, ensejando sobre o imposto apurado de R$ 45,54, a multa de ofício de 75%; Fl. 295DF CARF MF 4 2. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens, tomandose por referência os fatos geradores ocorridos em 01/2010, 11/2010 e 10/2011, respectivamente nos valores de R$ 399.582,19, R$ 233,47 e R$ 8.670,18, os quais acarretaram a exigência de impostos nas montas de R$ 59.937,33, R$ 35,02 e R$ 1.300,53, acompanhados da multa de ofício de 150%. O Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 146/153), em síntese, diz que: 1. Após o início do procedimento fiscal o Contribuinte apresentou as Declarações de Ajuste Anual (DAA), referentes aos anoscalendário 2010 e 2011, transmitidas em 29/10/2013, acompanhadas de quatro demonstrativos de apuração dos ganhos de capital, sendo que essas DAA foram retificadas, em 03/11/2013; 2. O Contribuinte optou por tributar o ganho de capital à razão de 50%, uma vez que os outros 50% pertenceria ao cônjuge e por este seria declarado, procedendo a Fiscalização também dessa forma, conforme demonstrativos de fls. 154/161; 3. Em virtude das irregularidades relativas à omissão de ganhos de capital constatadas, foi aplicada multa qualificada de 150%, previsto no art. 1º, I, da lei nº 8.137/1990, já que o sujeito passivo suprimiu o tributo incidente sobre esses ganhos; 4. No processo nº 15868.720231/201333 foi apresentada representação fiscal para fins penais. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via correio, em 29/11/2013 (AR fl. 172) e, em 24/12/2013, tempestivamente, interpôs sua impugnação (fls. 176/179). Na sua Impugnação o Contribuinte contesta o custo de aquisição que o Auditor considerou para lançamento do Imposto de Renda devido relativo ao Ganho de capital. Segundo o Contribuinte, o custo de aquisição correto seria o valor de R$ 684.506,26 (seiscentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e seis reais e vinte e seis centavos), correspondente ao somatório do custo de aquisição da meação de cada um dos cônjuges adquirentes do imóvel rural alienado com área de 534,0156 ha localizada no município de Paranaíba, conforme consta na Declarações de Bens do Imposto de Renda – Pessoa Física AnoCalendário 2010 seu e de seu Cônjuge (fls. 210/255). Finaliza sua Impugnação requerendo que a mesma seja acolhida a fim de declarar válido o novo cálculo de apuração de imposto de renda a título de ganho de capital do imóvel com a área de 534,0156 ha localizada no município de Paranaíba – MS, apresentado nas fls. 256/257. Na Impugnação apresentada o Contribuinte não contestou as infrações referentes à omissão do resultado tributável da atividade rural e aos ganhos de capital dos fatos geradores 11/2010 e 10/2011, com impostos correspondentes nos valores de R$ 45,54 (multa de 75%), R$ 35,02 e R$ 1.300,53 (multa de 150%), que foram transferidos em conjunto com as pertinentes multas para o processo nº 15865.720002/201420, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário (fl. 263). Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15868.720230/201399 Acórdão n.º 2401005.076 S2C4T1 Fl. 4 5 Com relação aos ganhos de capital do fato gerador 01/2010, o autuado contraditou parcialmente o imposto apurado, já que do total de R$ 59.937,33 admite dever o correspondente a 50% do valor apurado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital apresentados por ele nas fls. 256/257, correspondente à R$ 49.886,24. Esse valor devido, admitido pelo Contribuinte, acompanhado da multa de 150%, também foi transferido para o processo nº 15865.720002/201420, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário (fl. 263). O processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0954.668, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a exigência do imposto equivalente a R$ 10.051,09 (dez mil e cinquenta e um reais e nove centavos), acrescido de multa proporcional de 150% (passível de redução) e dos juros de mora a serem recalculados na data do efetivo pagamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via correio (AR – fl. 273), em 21/10/2014 e, inconformado com a decisão prolatada, em 19/11/2014, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 276/280, onde, repete os mesmos argumentos aduzidos na impugnação para ao final requerer o seu provimento a fim de declarar válido o novo cálculo de apuração de imposto de renda a título de ganho de capital do imóvel com área de 534,0156 ha localizado no município de Parnaíba MS, apresentado pelo Contribuinte nas fls. 256/257. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A controvérsia em questão se limita à apuração do Imposto de Renda sobre o ganho de capital do imóvel com área de 534,0156 hectares, localizada no município de ParanaíbaMS, com a seguinte descrição na Declaração de Ajuste Anual: UMA GLEBA DE TERRAS COM ÁREA DE 534,01 HAS., LOCALIZADA EM PARANAÍBA CONF. CRI 9.10089, FL. 11, LIVRO 1D, ADQ. EM 07/88 BRASIL Segundo o Recorrente, ocorreu erro na apuração pela fiscalização, ao indicar como custo de aquisição total do imóvel o valor de R$ 342.253,13 (trezentos e quarenta e dois mil duzentos e cinquenta e três reais e treze centavos), quando o correto seria o valor de R$ 684.506,26 (seiscentos e oitenta e quatro mil quinhentos e seis reais e vinte e seis centavos). Conforme bem esclareceu a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fl. 150), o sujeito passivo declarou no quadro “declaração de bens e direitos” o mesmo valor de R$ R$ 342.253,13, porém, discriminou como parte ideal de 50% do bem declarado, quando, na realidade, referido valor corresponde ao custo de aquisição da totalidade do imóvel, conforme declarado nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Destaca que o sujeito passivo, ao preencher o demonstrativo da apuração dos ganhos de capital considerou como valor da alienação a importância correspondente a 50% do valor recebido pela venda, razão porque também deveria ter considerado 50% (cinquenta por cento) do custo de aquisição que corresponde a R$ 171.126,57. Da análise dos documentos adunados aos autos, constatase que antes do início do procedimento fiscal ocorrido em 10/09/2013 (fl. 72), com ciência em 18/09/2013 (fl. 75), o contribuinte vinha declarando a totalidade do imóvel em questão, em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2008 (fl. 6), 2009 (fl. 14) e 2010 (fl. 22), pelo valor de aquisição de R$ 342.253,13 (trezentos e quarenta e dois mil duzentos e cinquenta e três reais e treze centavos). A partir da Declaração do exercício de 2011, entregue em 29/10/2013 (original à fl. 29) e em 3/11/2013 (retificadora à fls. 40), o contribuinte alterou a sua Declaração de Ajuste Anual e passou a informar 50% (cinquenta por cento) do bem, no entanto, manteve o valor de aquisição. A outra metade, o Recorrente indicou como sendo da sua mulher, em virtude do regime de comunhão universal de bens da sociedade conjugal. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15868.720230/201399 Acórdão n.º 2401005.076 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa forma, não há nos autos qualquer outro documento para a comprovação de que o custo de aquisição indicado pelo contribuinte corresponderia à metade do bem, porquanto, em declarações apresentadas, restava consignado o montante integral da propriedade, razão pela qual não assiste razão ao Recorrente devendo ser mantido o lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007849/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/10/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.453
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/10/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 78 49 /2 00 9- 31 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.260da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/10/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 16/10/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.007849/200931 Acórdão n.º 3402004.453 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.900420/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DILIGÊNCIA INDEFERIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Ocorrendo cerceamento do direito de defesa em face de indeferimento de diligência, deve ser anulada a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1201-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DILIGÊNCIA INDEFERIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ocorrendo cerceamento do direito de defesa em face de indeferimento de diligência, deve ser anulada a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 04 20 /2 01 1- 63 Fl. 399DF CARF MF 2 Relatório Os fatos iniciais do processo estão sintetizados no relatório da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (fl. 15) emitido eletronicamente pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em Barueri/SP (DRF/Barueri), em 01/03/2011, referente às Declarações de Compensação (Dcomp) nº 20083.36264.100407.1.7.035503 e 27109.82188.200606.1.3.036045, transmitidas com o objetivo de compensar os débitos discriminados nas referidas declarações com crédito de saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2005 no valor original na data de transmissão de R$ 377.968,32.Por meio do Despacho Decisório, a autoridade não homologou as citadas Dcomp, conforme demonstrado abaixo: Como enquadramento legal citouse: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 6°, § 1º, inciso II e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e art. 4° da IN SRF n° 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão, em 10/03/2011 (fl. 20), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 166 a 171), em 06/04/2011, alegando que: [...] II DA ORIGEM E COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO 7. Será demonstrado, a seguir, que o despacho decisório não deve prosperar. A. DAS RETENÇÕES EFETUADAS POR CLIENTES DA REQUERENTE 8. Parte do saldo negativo utilizado para compensação teve origem em retenções efetuadas por clientes da Requerente. 9. Conforme tabela anexa ao despacho decisório, parte do crédito decorrente das retenções efetuadas por fontes tomadoras não foi reconhecido pela SRFB. Confirase: 10. Do total de retenções informadas (R$222.907,24), R$13.885,00 deixaram de ser confirmados pela SRFB. Este total Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 3 3 se refere a retenções efetuadas pela PETRÓLEO BRASILEIRO S A (“PETROBRAS”) (CNPJ n. 33.000.167/000101). 11. A fim de afastar as alegações de que o crédito seria insuficiente para a compensação efetuada, a Requerente anexa à presente os respectivos Informes de Rendimentos enviados pela aludida fonte pagadora (doc. 3). 12. O conjunto probatório produzido pela Requerente é mais que suficiente para comprovar tanto a efetiva prestação do serviço quanto os valores recebidos por cada um deles e, inclusive, o efetivo desconto dos tributos pela fonte pagadora. 13. Dessa forma, tendo a Requerente apresentado os competentes documentos para comprovar a exatidão do crédito apurado no anocalendário de 2005, devese reconhecer o crédito e homologar as compensações efetuadas. B. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELA REQUERENTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO 14. Parte do saldo negativo utilizado para compensação teve origem em pagamentos efetuados pela Requerente a título de antecipação do montante devido no encerramento do exercício. 15. Conforme tabela anexa ao despacho decisório, parte do crédito decorrente dos pagamentos efetuados pela Requerente não foi reconhecido pela SRFB. Confirase: 16. Do total de estimativas pagas informadas pela Requerente, não foram confirmados R$1.905.575,20. 17. A fim de comprovar os pagamentos informados, a Requerente junta à presente cópia dos DARF devidamente quitados (doc. 4). É de se notar, ainda, que os pagamentos efetuados estão de acordo com as informações declaradas em DCTF (doc. 5). 18. Por essas razões, o Despacho Decisório deverá ser revisto. Fl. 401DF CARF MF 4 III DILIGÊNCIA 20. Caso haja qualquer dúvida quanto às afirmações da Requerente, seja quanto ao montante das retenções ocorridas e pagamentos efetuados, seja quanto ao montante do crédito compensado, devese determinar a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 16, IV e 18, do Decreto 70.235/72, a fim de que se apure a verdade material. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que não preencher os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO NÃO COMPROVADO. O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. A ausência desses requisitos impede a homologação da compensação declarada. Em recurso voluntário a contribuinte alega: a) nulidade da decisão: a.1) que reconheceu a possibilidade de haver direito creditório, mas indeferiu a diligência requerida; a.2) "... porque reconheceu a procedência dos argumentos do Recorrente e a sua correspondência com as informações das declarações fiscais e pagamentos realizados, mas, ainda assim, sustentou supostas "discrepâncias entre informações" e ausência de elementos fiscais e contábeis para indeferir a manifestação de inconformidade; a.3) se, dentro do princípio da livre convicção, entendeu a autoridade julgadora que deveriam ter sido produzidas outras provas, não usuais nesse tipo de processo, deveria ter intimado a recorrente a apresentálas; a.4) "... a Recorrente juntou aos autos todas as provas possíveis que lhe cabiam para a comprovação do direito ao crédito e que são exigidas nesse tipo de discussão. Se a autoridade administrativa, de outra forma, entendeu haver fato controverso ou obscuro que demandaria prova adicional, deveria ter convertido o julgamento em diligência a fim de possibilitar ao contribuinte a produção dessa prova"; Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 4 5 b) houve inversão do ônus da prova ao se exigir da contribuinte a comprovação de que as informações contidas em suas DIPJs e DCTFs seriam verídicas, já que tais informações se consubstanciam em confissão de dívida, inclusive para fins de execução fiscal, não tendo havido nenhuma manifestação da Receita Federal (retenção para análise ou não homologação) quanto a essas declarações; c) "... o contribuinte tem o direito subjetivo de efetuar a retificação das declarações já entregues à autoridade fiscal, não tendo obrigação de comprovar erro no seu preenchimento, salvo quando demandado pela autoridade fiscal a fazêlo ou nas hipóteses expressamente tratadas pelo art. 9º, da IN 1.599/15"; d) tendo ocorrido a retificação das DCTFs para a adequação à DIPJ, prevalece a declaração retificadora, não sendo cabível falarse em divergências entre a declaração retificada e a retificadora para fundamentar o não provimento da manifestação de inconformidade; e) há a comprovação das retenções efetuadas pelos seus clientes, que foi feita por meio do documento hábil: Informe de Rendimentos; f) os DARFs devidamente quitados estão de acordo com a DCTF retificadora, não havendo motivos para não considerálos para fins de composição do saldo negativo; i) se ainda restar dúvida quanto às retenções e pagamentos, os autos devem baixar em diligência para a comprovação. Ao final, requer a recorrente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida, ou o reconhecimento do crédito, com a reforma total da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade. A recorrente alega a nulidade da decisão de primeira instância sob os argumentos de que nela houve o reconhecimento de que havia algum direito creditório, sendo indeferida a diligência requerida e, ao final, negado o direito ao crédito. Argumenta, ainda, que juntou aos autos todas as provas possíveis que lhe cabiam para a comprovação do direito ao crédito e que são exigidas nesse tipo de discussão e, Fl. 403DF CARF MF 6 se a autoridade administrativa entendeu haver fato controverso ou obscuro que demandaria prova adicional, deveria ter convertido o julgamento em diligência a fim de possibilitar ao contribuinte a produção dessa prova. Alega ter havido ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Consta do voto condutor da decisão de piso: Da diligência Segundo o pedido apresentado pela interessada, a diligência estaria condicionada à hipótese de que as provas contidas no presente processo fossem consideradas insuficientes quando do julgamento de sua manifestação de inconformidade. No entanto, a interessada não elencou os motivos que ensejassem a diligência e os quesitos a serem apurados, requisitos necessários para o atendimento da solicitação, conforme determina o art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972 (com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993), haja vista que o § 1º desse artigo reza que considerarseá não formulado o pedido de diligência que deixar de atender a estes requisitos. Sendo assim, deve ser indeferida a realização de diligência, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 (com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993). Dispõem os dispositivos legais citados: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De um ponto de vista estritamente formal, o indeferimento da diligência está correto, uma vez que não foram expostos, de forma explícita, os motivos que a justificasse, nem formulados os quesitos referentes aos exames desejados. Contudo, o que a recorrente questiona é: havendo o relator observado que procediam os argumentos da recorrente e a correspondência destes com as informações das declarações fiscais e pagamentos realizados, poderia ser indeferida a diligência e considerada Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 5 7 improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que haviam "discrepâncias entre informações" e ausência de elementos fiscais e contábeis para indeferir a manifestação de inconformidade? Consta na decisão de piso (fls. 202 e 203): Quanto aos valores registrados em DCTF, em consulta às declarações originais (fls. 307 a 314), posteriormente retificadas, verificase que os valores relativos aos meses de fevereiro, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro são idênticos aos valores recolhidos pela interessada. Portanto, aparentemente, a interessada retificou suas DCTF para que essas estivessem em consonância com o registrado na DIPJ. Conforme verificado acima, embora haja indícios de que a interessada possua algum direito creditório passível de compensação, as divergências encontradas impedem, sem um exame de documentos contábeis e/ou fiscais, que se possa afirmar sobre a liquidez e certeza desse crédito. Isso porque, conforme já visto, a DIPJ, que é a declaração que efetivamente reflete a apuração contábilfiscal do montante devido dos tributos a cada período, e a DCTF, a qual é o instrumento utilizado pelo contribuinte para informar os débitos para com a Fazenda Pública, resultando em confissão de dívida, estão em desacordo com os pagamentos realizados pela interessada a título de adiantamentos mensais de CSLL. (grifos acrescidos) Com a devida vênia do relator do voto condutor da decisão de piso, pelo quanto explanado a diligência era providência que se impunha, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/1972. Demais disso, apesar de os fatos indicarem na direção de que, se direito creditório houvesse, esse seria decorrente de pagamentos indevidos ou a maior que o devido e não de saldo negativo, após uma análise à luz da legislação vigente à época, as Dcomps estariam corretas. Por primeiro, pelo que consta no despacho decisório e nos documentos de fls. 293 e 294, não há nenhuma dúvida quanto aos pagamentos efetuados. Como pode ser visto nos quadros constantes às fls. 324 e 325, transparecem alguns erros cometidos na DIPJ, como foi salientado na decisão de piso. Tomandose como exemplo os meses de junho e julho (sem levar em consideração os meses anteriores, conforme quadro ao final da fl. 323), temse o seguinte. No mês de junho, o valor devido de estimativa (segundo a apuração com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução) foi de R$ 1.278.413,33. Foi utilizado como dedução (estimativas pagas em meses anteriores) o valor de R$ 1.442.420,35, apurandose assim um saldo negativo de estimativa (suspensão) de R$ 164.007,02. Fl. 405DF CARF MF 8 No mês de julho, a apuração foi a seguinte: R$ 1.555.539,71, menos R$ 1.585.000,57 (estimativas pagas em meses anteriores), resultando em saldo negativo de estimativa de R$ 29.460,86. Ocorre que, se no mês anterior já havia sido suspenso o pagamento da estimativa, o valor lançado como estimativas de meses anteriores deveria ser o mesmo do mês de junho, R$ 1.442.420,35, resultando em saldo a pagar de estimativa de R$ 113.119,36. No entanto, esses erros podem ser explicados, a princípio, pelas DCTFs originais que indicavam débitos de estimativa em quase todos os meses do anocalendário em questão (exceto em maio e dezembro), assim como pela legislação relativa à Dcomp vigente à época dos fatos: as IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Por essas instruções normativas, as estimativas pagas indevidamente e a maior que o devido só seriam restituíveis/compensáveis se compusessem o saldo negativo do anocalendário correspondente. Podese perquirir se os valores pagos deveriam ser utilizados para o cálculo das estimativas mensais ou só para dedução ao final do anocalendário. Muito embora respeitáveis opiniões em contrário, seria mais correto o aproveitamento a cada mês, como aparentemente procedeu a recorrente. Essa correção, no caso, ocorreu em tese, tendose de se verificar, por óbvio, se os valores deduzidos são os efetivamente pagos para cada período. Vêse, portanto, que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2005 carece de apuração para fins de crédito nas Dcomps que compõem o presente processo. E, relativamente à DIPJ e às DCTFs, a ocorrência de algum erro de fato no preenchimento de uma dessas declarações não deve ser motivo de indeferimento do pleito do contribuinte, devendo ser sanado pela própria autoridade de origem mediante uma análise das informações constantes das bases de dados da própria RFB, ou ainda, por meio de diligência. Ainda, quanto à afirmação de que "aparentemente, a interessada retificou suas DCTF para que essas estivessem em consonância com o registrado na DIPJ" e à necessidade de diligência para a averiguação da correção desse procedimento, elas têm respaldo inclusive em ato de Receita Federal do Brasil, conforme conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13896.900420/201163 Acórdão n.º 1201001.850 S1C2T1 Fl. 6 9 homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Dessa forma, deve ser acolhida a alegação de nulidade da decisão prolatada pela DRJ/RJO, devendo outra ser proferida pela mesma instância. Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para DARLHE provimento, anulando a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 407DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728293/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-003.443, de 14/06/2016, manter a decisão original. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DESNECESSIDADE. Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que restou vencido. Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.443, de 14/06/2016, manter a decisão original. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 82 93 /2 01 4- 17 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 934 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10314.728293/201417, em face do acórdão nº 0265.407, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: "Tratase de Auto de Infração – AI lavrado contra o contribuinte em epígrafe, AI Debcad nº 51.039.5007, no valor de R$ 24.730.213,12, consolidado em 19/11/2014, referente às competências de 01/2010 a 13/2010. Conforme relatório fiscal de fls. 549/573, os valores lançados se referem a contribuições devidas à previdência social, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), cujos recolhimentos não foram comprovados nem declarados por meio de GFIP. Consta, ainda, no relatório fiscal, as informações que seguem. CONTRIBUIÇÃO REFERENTE AO GILRAT O contribuinte tem por objeto social, conforme contrato social, “[...] a prestação de serviços de vigilância e segurança patrimonial privada, segurança pessoal, armada. e/ou desarmada, escolta armada, inclusive a prestação de serviços de monitoramento eletrônico de segurança [...]”. Pela leitura do Anexo V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, com a redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009, constatouse que a alíquota RAT aplicável ao contribuinte (sem considerarse o coeficiente FAP) é de 3%. O contribuinte, intimado a apresentar consulta relativa ao coeficiente do Fator Acidentário de Prevenção – FAP com validade para todo o ano de 2010 (divulgado em setembro de 2009 pelo Ministério da Previdência Social – MPS), atendeu a essa e intimação e por meio dela foi possível constatar que o Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 935 3 coeficiente FAP aplicável em 2010 era de 1,4562 (conforme anexo I). Durante a realização do procedimento fiscal constatouse que as bases de cálculo (remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos) declaradas por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social – GFIP e as remunerações contidas nas folhas de pagamento são semelhantes (por essa razão, tais bases de cálculo foram utilizadas para apuração das diferenças de contribuição relacionadas ao FAP). Constatouse, contudo, que o contribuinte adotou, declarando por meio de GFIP, o coeficiente FAP como sendo 0,50, para algumas competências, e 1,00, para outras, desconsiderando o coeficiente FAP aplicável ao seu caso de 1,4562. Ao proceder dessa forma, o autuado omitiu parte das contribuições previdenciárias devidas e referentes ao RAT/SAT, relativamente às competências de 01/2010 a 13/2010, que foram objeto do presente lançamento. A fiscalização incluiu no corpo do relatório fiscal, a Tabela I, na qual discriminou, por estabelecimento e competências, os valores de remuneração declarados por meio de GFIP de 01/2010 a 13/2010. Também consta no relatório fiscal a tabela II (item 2.1.13) que contém a apuração, por estabelecimento e competência, da diferença entre as contribuições relativas ao GILRAT considerandose o FAP correto e as contribuições relativas ao GILRAT declaradas por meio de GFIP. Em conformidade com o relatório fiscal, temse como segue. Constatouse, ainda, por meio da comparação entre os valores de base de cálculo declarados por meio de GFIP e os valores de base de cálculo identificados nas folhas de pagamento, que para o estabelecimento com CNPJ 50.844.182/001208, relativamente à competência 12/2010, haviam contribuições não declaradas. Especificamente, o contribuinte transmitiu uma GFIP em 12/8/2011 contendo apenas um segurado, substituindo todas as informações da GFIP que havia sido anteriormente entregues. Na folha de pagamento o total da remuneração paga/creditada em dezembro de 2010 foi de R$ 2.347.195,39, tendo sido declarada por meio da última GFIP válida por ocasião do procedimento fiscal, um total de remuneração de R$ 771,54. Por essa razão a diferença entre a base de cálculo contida na folha de pagamento e a declarada por meio de GFIP também foi considerada como base de cálculo da contribuição referente ao GILRAT, conforme demonstrado na tabela III do relatório fiscal. O contribuinte declarou por meio de GFIP compensações que seriam relativas a valores pagos a maior em períodos anteriores. Os valores que o autuado entende como passíveis de compensação estão baseados em um processo nº 35464.008831/200521 que tramitou no âmbito do Ministério da Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 936 4 Previdência Social – MPS, por meio do qual solicitou a compensação de valores supostamente recolhidos indevidamente. Nesse processo, o contribuinte declarou que incluiu na base de cálculo das contribuições as seguintes verbas: férias indenizadas, indenizações pagas pela interrupção do contrato de trabalho, abono de férias dos artigos 143 e 144 da CLT, ajuda de custo recebida em decorrência de mudança de local de trabalho, diárias de viagens, adicionais noturno, de hora extra, feriados trabalhados, e adicional de assiduidade, pagos de forma eventual. Requereu, por meio desse processo que fosse autorizada a devolução das contribuições sociais pagas nos últimos dez anos com valor atualizado pela Selic e que não se observasse o limite de 30% para compensação previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 89, § 3º. Constatouse, contudo, que esses pedidos foram indeferidos, conforme ofício 026/21.404.1, exarado pelo Serviço de Orientação da Arrecadação, em 18/5/2005. Dessa feita, procedeuse à glosa das compensações declaradas pelo contribuinte em GFIP cujos valores estão discriminados na tabela IV do relatório fiscal. OUTRAS INFORMAÇÕES A fiscalização indicou na Tabela V do relatório fiscal, por estabelecimento e competência, os valores lançados relativos a diferenças a recolher de RAT e de compensação indevida que foi glosada. Os valores lançados foram identificados nos autos com os seguintes códigos de levantamento: FA – RAT com aplicação FAT correto; FN – RAT com remuneração não declarada em GFIP; GC – Glosa de compensação indevida. O contribuinte foi cientificado da autuação no dia 21/11/2014 conforme assinatura à fl. 574 e apresentou impugnação em 19/12/2014 (fls. 626/644), por meio da qual essencialmente: Diz que a autuação é desmedida porque não há contribuição a pagar visto que possuía decisão judicial (doc. 03) que lhe permitia excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consequentemente do SAT/RAT e terceiros, as seguintes verbas: auxílio pago nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por doença ou acidente, terço constitucional incidente sobre as férias, aviso prévio indenizado e 13º salario referente ao mês de aviso prévio indenizado. Aduz que por meio de tal sentença foi autorizado a repetir ou a compensar, com a devida correção pela Selic, toda a contribuição que recolheu indevidamente nos últimos dez anos. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 937 5 Cita ementa de Acórdão do TRF da 1ª Região – Ac. Nº 0032261 23.2009.401.3400, na qual constam as seguintes conclusões: não haveria incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias, sobre os valores percebidos nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, inclusive sobre o respectivo 13º salário, e que a compensação das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados deve ser feita com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, sendo aplicável, ainda, as diretrizes do CTN, artigo 170A. Diz que houve flagrante erro da fiscalização ao glosar as compensações. Aponta, ainda, que a decisão judicial atinge de forma direta o lançamento relativo ao FAP/RAT, na medida em que no cálculo da contribuição respectiva foram consideradas verbas que a decisão judicial afastou da incidência das contribuições previdenciárias (terço de férias, 15 dias de afastamento do trabalho por acidente, aviso prévio indenizado e o respectivo 13º salário). Assevera que a contribuição denominada “FAP e RAT” é ilegal e não pode ser exigida. Tece considerações acerca das contribuições para o financiamento da Seguridade Social. Alega que por meio do inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991 também foi criada uma contribuição social complementar usando a mesma base de cálculo da contribuição social geral sobre a folha de salário, sem qualquer autorização constitucional. Disserta sobre essa contribuição e acerca da sua inconstitucionalidade, inclusive, referindose que tal contribuição (SAT/RAT) não foi instituída por lei complementar. Cita jurisprudência. Conclui que o auto de infração é totalmente nulo, pois exige contribuição indevida e porque glosou créditos que, corrigidos, serviriam para liquidar a contribuição devida. PEDIDO Requer seja julgada procedente a impugnação, anulandose a glosa praticada e seja declarado insubsistente o auto de infração lavrado. Alternativamente, pede seja determinada diligência para que seja observado o acórdão citado. Protesta pela produção de provas, em especial, a juntada de novos documentos e perícia técnica. O impugnante juntou cópias de documentos (fls. 645/805), dentre as quais: Cópia de decisão judicial da Juíza Federal Ivani Silva da Luz, no âmbito do processo judicial MS 2009.34.00.0328587, impetrado pela autuada, na 6ª Vara – SJDF (fls.750/764), por meio da qual foi deferido parcialmente o pedido de liminar, para suspender a Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 938 6 exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição social previdenciária incidente sobre as quantias percebidas pelos empregados doentes ou acidentados nos 15 primeiros dias de afastamento que antecedem a concessão de auxíliodoença ou acidente, bem como, sobre aquelas pagas a título de terço constitucional e horas extras Cópia de sentença da Juíza Federal Ivani Silva da Luz, prolatada no dia 30/6/2010, no âmbito do processo judicial MS 2009.34.00.0328587, impetrado pela autuada, na 6ª Vara – SJDF (fls.765/785). Cópia do Acórdão exarado em 1/7/2011, relativo à apelação/reexame necessário da sentença prolatada nos autos do processo nº MS 2009.34.00.0328587 (fls. 786/805)." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 839/855, onde a contribuinte reitera os argumentos apresentados em impugnação. O processo foi incluído em pauta de julgamento, sendo julgado o recurso voluntário interposto pela contribuinte em sessão realizada em 14 de junho de 2016, possuindo o acórdão (de nº 2202003.443), de fls. 874/878, a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo. ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte e o respectivo grau de risco. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. A partir da competência 01/2010, para apuração e recolhimento da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GILRAT), deve ser verificado o Fator Acidentário de Prevenção FAP aplicável à empresa, que afere seu desempenho, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período e possibilita a redução ou majoração da alíquota de contribuição relativa ao GILRAT. COMPENSAÇÃO GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo." Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 939 7 A contribuinte foi cientificada da decisão em 17/10/2016 (fl. 890), tendo oposto embargos de declaração 21/10/2016 (fls. 893/903), alegando omissões no acórdão ora embargado. Aduz a embargante que o acórdão recorrido não se manifestou sobre as seguintes alegações: (1) questão de ordem suscitada pela contribuinte às fls. 865/872; (2) contradição no que se refere a base de cálculo utilizada para aferir, de fato, as verbas que deveriam compor as contribuições previdenciárias. O despacho de admissibilidade dos embargos, de fls. 905/907, foi no sentido de que cabe razão à embargante em suas alegações, considerandose que o acórdão embargado possui, de fato, as omissões suscitadas, conforme verificase pela decisão abaixo transcrita: A questão de ordem arguida pela contribuinte às fls. 865/872, após portanto a interposição de recurso voluntário, não foi apreciada pela Turma julgadora. Nesta petição a contribuinte sustenta que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento por vício de legalidade, na medida em que a fiscalização lançou o tributo por auto de infração, quando deveria têlo exigido por notificação de lançamento. Assim, havendo omissão no julgado, necessário o acolhimento dos embargos quanto a esta alegação. Quanto ao item dos embargos "contradição da base de cálculo das contribuições previdenciárias", igualmente não foi apreciado. Sustenta a embargante que o cerne da questão não foi bem compreendido pela Turma julgadora, que "simplesmente afirma pela impossibilidade de compensar as verbas obtidas em decisão judicial", vejamos: "De fato, Nobres Julgadores, a embargante não desconhece o que entabulado no artigo 170A do CTN, que veda a compensação tributária antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Porém, o que se discute no presente feito não é tão somente a compensação, mas, sim, a base de cálculo utilizada pelo Sr. Fiscal para aferir a incidência da contribuição previdenciária. Antes de se chegar o quantum temse a compensar (o que será feito pela embargante ao final da decisão judicial), há de se verificar se a base de cálculo utilizada para calcular." De fato, o acórdão não tratou se a base de cálculo utilizada estava correta. Há, portanto, omissão no julgado também quanto a esta questão. Ante o exposto, proponho pelo acolhimento dos embargos, para que sejam sanados os vícios revelados. É o relatório. Voto Vencido Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 940 8 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Os valores lançados se referem a contribuições devidas à previdência social, relativas à glosa de compensação efetuada indevidamente e a contribuições relativas ao GILRAT, apuradas com aplicação do disposto da Lei nº 8.212/1991, artigo 22, inciso II e Lei nº 10.666/2003, artigo 10. Quanto a glosa das compensações efetuadas, a recorrente alega, essencialmente, que possuía decisão judicial que lhe permitiria excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias, consequentemente do SAT/RAT e terceiros, as seguintes exações: auxílio pago nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por doença ou acidente, terço constitucional incidente sobre as férias, aviso prévio indenizado e 13º salario referente ao mês de aviso prévio indenizado. Aduziu que, por meio de tal sentença, foi autorizado a repetir ou a compensar, com a devida correção pela Selic, toda a contribuição que recolheu indevidamente nos últimos dez anos. Contudo essas alegações não prosperaram, consoante decisão do acórdão ora embargado. Ocorre que a compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) Deste modo, prevaleceu o entendimento de que as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. No entanto, entende também a contribuinte haver contradição da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cujo argumento não foi apreciado. Sustenta a embargante que o cerne da questão não foi bem compreendido pela Turma julgadora, que "simplesmente afirma pela impossibilidade de compensar as verbas obtidas em decisão judicial". Assim, pretende a embargante que seja analisado o recurso voluntário no que tange a base de cálculo utilizada pelo Sr. Fiscal para aferir a incidência da contribuição previdenciária. Argumenta que antes de se chegar o quantum temse a compensar, haveria de ser verificada a base de cálculo utilizada para apurado o valor devido. De fato, o acórdão não tratou se a base de cálculo utilizada estava correta. Deste modo, verifico que houve omissão no julgado quanto a esta questão, devendo esta ser sanada. Pois bem. No presente caso, temse que houve glosa de compensação indevida, resultando uma diferença de tributo a pagar. Entendo que para analisar o argumento Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 941 9 de que a base de cálculo utilizada estaria abrangendo verbas de caráter indenizatório, o que iria de encontro a decisão judicial que a contribuinte tem a seu favor. Ocorre que o processo nº 003226123.2009.401.3400, que não tem trânsito em julgado até a data deste julgamento, em razão de sobrestamento determinado em razão de dois temas do STF, teve a seguinte decisão em sendo de apelação: não haveria incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias, sobre os valores percebidos nos primeiros 15 dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, inclusive sobre o respectivo 13º salário, e que a compensação das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados deve ser feita com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, sendo aplicável, ainda, as diretrizes do CTN, artigo 170A. Portanto, considerando que a contribuinte possui decisão liminar deferida para afastar as verbas de natureza indenizatória (desde out/2009), sentença de concessão parcial da segurança (de 30/06/2010) e posterior acórdão confirmandolhe parcialmente o direito alegado, entendo que seria necessário que estivessem nos autos as GFIPs do período. Por regra, entendo que o ônus probatório incumbe a parte que alega. Ou seja, deveria a contribuinte ter trazido aos autos os documentos necessários para tal apreciação. No entanto, verificase que estando o lançamento base em contribuição previdenciária incidente sobre verbas de caráter indenizatórios, albergadas por decisão judicial não definitiva que afasta sua incidência, seria o caso de aplicação de Súmula nº 1 do CARF, diante da concomitância de processo administrativo e judicial, devendo a execução do crédito tributária ficar suspensa após o fim deste processo administrativo fiscal, aguardandose o resultado final do processo nº 003226123.2009.401.3400. Ou ainda, é possível, com a análise das GFIPs, que não existam as rubricas indenizatórias sofrido a incidência de contribuição previdenciária, o que acarretaria a improcedência do pedido por outro fundamento. Por fim, caso verificado nas GFIPs que existiam verbas de caráter indenizatória com incidência de contribuição previdenciária sobre elas e, já havendo na ocasião da apreciação deste julgamento, decisão definitiva favorável a contribuinte no processo nº 003226123.2009.401.3400, seria o caso de acolher a argumentação da contribuinte, de retificar a base de cálculo, de modo a atender a decisão judicial. Assim, para adequadamente apreciar a alegação da contribuinte de que a base de cálculo estava incorreta, evitandose que o aqui decidido esteja em hipótese em confronto com a decisão judicial exarada no processo nº 003226123.2009.401.3400, entendo que o processo não encontrase pronto para julgamento, razão pela qual proponho que seja convertido o julgamento em diligência, de modo que: seja realizada pela autoridade preparadora a juntada das GFIPs do período objeto da autuação fiscal, devendo ela esclarecer se houve ou não a incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas cuja incidência do tributo em questão esteja em discussão nos autos do processo nº 003226123.2009.401.3400; seja informado pela autoridade preparadora se há decisão definitiva do processo nº 003226123.2009.401.3400; após, seja cientificado o contribuinte do resultado da diligência, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 942 10 Registro que não se trata de inverter o ônus probatório, pois, por regra, deveria o próprio contribuinte trazer os documentos necessários para verificação do seu direito, mas sim de prudente análise de documentos, que não estão nos autos, mas que estão no sistema da Receita Federal do Brasil, que podem esclarecer o processo, de modo a evitar uma decisão deste Conselho em contradição ao decidido no processo nº 003226123.2009.401.3400. Assim, por cautela, propõese a diligência nos termos acima. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devendo a autoridade preparadora da RFB: i) realizar a juntada das GFIPs do período objeto da autuação fiscal; ii) esclarecer se houve ou não a incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas cuja incidência do tributo em questão esteja em discussão nos autos do processo nº 003226123.2009.401.3400; iii) informar se há decisão definitiva do processo nº 0032261 23.2009.401.3400; Após, necessário que seja cientificado o contribuinte do resultado da diligência, oportunizandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Por fim, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Sendo vencido quanto a conversão do julgamento em diligência, entendo que pela documentação e informações que constam nos autos, não seria possível aferir se incorreta a base de cálculo da contribuição previdenciária aplicada ao caso, pois não foram apresentadas pelo contribuinte documentação contábil que ratificasse a sua tese. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 333, inciso I, do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 943 11 Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse)" Em relação ao item 1, que trata da questão de ordem suscitada pela contribuinte às fls. 865/872, entendo ser matéria abrangida pela preclusão e portanto, não conheço da matéria. Ante o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.443, de 14/06/2016, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, peço vênia para divergir quanto à necessidade de diligência. O ilustre Relator entendeu que seria necessária uma diligência para a autoridade fiscal: i) realizar a juntada das GFIPs do período objeto da autuação fiscal; ii) esclarecer se houve ou não a incidência de contribuição previdenciária sobre rubricas cuja incidência do tributo em questão esteja em discussão nos autos do processo nº 0032261 23.2009.401.3400; iii) informar se há decisão definitiva do processo nº 0032261 23.2009.401.3400. No entanto, no meu entendimento, não cabe a realização de diligência no caso em comento. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10314.728293/201417 Acórdão n.º 2202003.906 S2C2T2 Fl. 944 12 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Embora o ilustre Relator entenda que seria uma questão de prudência na análise dos documentos, não podemos deixar de considerar que a responsabilidade pela apresentação das provas compete à Contribuinte, não cabendo a determinação de diligencias e perícias para a busca de provas. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Consoante se depreende da leitura do dispositivo acima, a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de diligência, quando considerála prescindível ou impraticável. As diligências e/ou perícias não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, pois se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador. Dessa forma, rejeito a preliminar de diligência suscitada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Fl. 944DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.003350/2005-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004
CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO. ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. ICMS. ISS. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS.
Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15.
Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03.
Numero da decisão: 9303-005.581
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10825.003350/200509 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.581 – 3ª Turma Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria IPI SERVIÇOS GRÁFICOS Recorrente PROFORM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO. ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. ICMS. ISS. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 33 50 /2 00 5- 09 Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 3 2 convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340300.905, de 08/04/2011, efls. 3046, assim ementado, com destaque para a parte objeto do recurso: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA A fazenda dispõe de cinco anos para constituir o crédito tributário, decorrido este lapso temporal impõese a perda do direito de constituição do crédito tributário, conforme dispõe o parágrafo 4° do art. 150 do CTN. IMPRESSÃO GRÁFICA PERSONALIZADA SOB ENCOMENDA. INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA DE IPI E ISS. POSSIBILIDADE. Os trabalhos de impressão gráfica personalizada realizados por encomenda do adquirente, ainda que para uso exclusivo, Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 4 3 atraem a incidência do IN sobre tais operações, por subsumirem à hipótese de incidência 'deste tributo, caracterizandose como industrialização, não prejudicando este raciocínio a incidência concomitante do ISS, por força de inclusão destas operações na lista de serviços anexa A. LC 116/03, ressalvado o período sob a égide do DL 406/68, quando havia norma impeditiva para tal (art. 8°, § 1°). Recurso Voluntário Provido em Parte. A Turma julgadora deu provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, deu provimento para reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro 2000; 2) por unanimidade de votos, deu provimento para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até o advento da Lei Complementar nº 116/2003, devendo a fiscalização, na parte remanescente, recalcular o auto de infração levandose em conta os créditos de IPI alegados pela recorrente; 3) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso quanto à não incidência do IPI sobre a atividade de artes gráficas. A decisão foi integrada pelo Acórdão nº 3403001.922, proferido para acolher Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com o fito de que fosse apreciado ponto omitido, sem, contudo alterar o resultado do julgamento. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2000 a 31/12/2004 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. SANADO PONTO OMISSO. Existindo registro da fiscalização de que a contribuinte possuía saldo credor e vinha sistematicamente utilizandoo em extinção aos débitos apurados mensalmente. Prova cabal da existência de saldo credor é ausência de multa não lançada, indicativo de extinção em todo o período alcançado pela decadência. A utilização de saldo credor, de correntes de créditos legítimos, com fins de extinção de débito perante a legislação especifica do Imposto sobre Produtos Industrializados é considerado pagamento para todos os efeitos. Entendimento que se extraí das disposições nos Decretos n° 2.637/98, art. 111, parágrafo único, Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 5 4 Inciso III, que deu nova redação ao Decreto n° 4.544, art. 124, parágrafo III. Embargos Acolhidos. Em apertada síntese, a decisão recorrida manteve parcialmente a autuação fiscal no sentido de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 116/03, incide o IPI sobre as operações de impressão gráfica em bobinas personalizadas destinadas a cupom fiscal, extratos bancários, máquinas de calcular e impressora em geral, por entender que tais operações se caracterizam como industrialização. A divergência suscitada pela Recorrente, portanto, referese especificamente sobre a possibilidade de o IPI incidir sobre produtos de impressão gráfica personalizados, quais sejam bobinas impressas produzidas com especificidades indicadas pelos clientes. No entender da Recorrente sobre a atividade de elaboração de produtos gráficos personalizados, ora em debate, devem incidir exclusivamente o ISS, uma vez que na hipótese dos autos não haveria uma operação típica de industrialização, conforme argumentos expostos em seu Recurso Especial, assim sintetizados (fls. 3136/3170): i. A atividade da ora Recorrente não configura uma obrigação de dar, e sim, de fazer, portanto, insuscetível de exigência de IPI; ii. A hipótese de incidência do tributo incidente sobre a operação consiste em “prestar serviço”, e não “industrializar produtos”; iii. A produção de bobinas personalizadas de acordo com as especificidades indicadas pelo cliente é a atividade fim da Recorrente, ao passo que o processo produtivo é apenas uma atividade meio; iv. Os produtos personalizados se destinam exclusivamente ao consumo dos encomendantes, não sendo passíveis de serem revendidos indistintamente no mercado; v. A atividade de personalização das bobinas desempenhadas pela Recorrente não compõe uma cadeia produtiva industrial, não havendo saída posterior do produzido para industrialização ou comercialização dos produtos. Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 6 5 O Recurso Especial foi admitido, conforme Despacho s/n, de 11/09/2015 (fls. 3223/ss). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 3230/ss) sustentando que deve haver a incidência do IPI sobre a operação praticada pela Recorrente por enquadrarse como industrialização. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como relatado, a questão a ser analisada referese à incidência do IPI sobre os produtos originados da prestação de serviços gráficos, mais especificamente à atividade de de corte e impressão de bobinas personalizadas destinadas a cupom fiscal, extratos bancários, máquinas de calcular e impressora em geral. A Recorrente alega que tem por objeto social “fabricação de produtos de papel, cartolina, papel cartão e papelão ondulado para uso comercial e de escritório, exceto formulário contínuo”, os quais são fabricados de forma personalizada por meio do emprego de trabalhos gráficos. Para atender às necessidades de seus clientes efetua a transformação das bobinas brancas, cortandoas na largura e comprimentos desejados e empregando sobre estas bobinas os denominados “cliches”. Assim, fabrica bobinas impressas com os dados dos clientes, de modo personalizado, para atender às suas finalidades. Aduz que pela simples análise das características de suas atividades na produção de bobinas personalizadas é possível concluir que não se trata de hipótese de incidência do IPI, pelo fato de não realizar a materialidade do imposto, qual seja, industrializar produtos. Não há como concordar com este entendimento, senão vejamos. O art. 153, inciso IV, da CF/88 outorgou competência à União para instituir o imposto sobre produtos industrializados – IPI. O art. 46, § único, do CTN, por sua vez, prescreveu que o imposto incide sobre produtos industrializados, assim considerados aquele Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 7 6 que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo, verbis: Art. 153/CF Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; Art. 46/CTN O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: (...) II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; (...) Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (...) Deste modo, podese extrair o critério material da norma de incidência tributária do tributo: executar uma operação de industrialização. Para que ocorra a incidência do IPI é condição necessária e suficiente a execução, pelo contribuinte, de qualquer operação de industrialização, ou, em outras palavras, a existência de um produto resultante de uma operação de industrialização e que este produto, em determinado momento, saia, a qualquer título, do estabelecimento que o produziu. No caso em litígio, a Recorrente adquiriu insumos (bobinas de papel branco), modificou sua natureza (cortandoos na largura e comprimento) e aperfeiçou sua aparência para consumo, transformandoos em novos produtos industrializados, quais sejam bobinas de papel menores, personalizadas, de uso exclusivo do encomendante (com o logotipo e razão social/marca do encomentante, textos explicativos, etc...), a serem utilizadas em várias finalidades (cupom fiscal, extratos bancários, máquinas de calcular e impressora em geral, etc). Posteriormente, a empresa deu saída a esses produtos de seu estabelecimento. Portanto, a meu ver, restou plenamente configurada uma operação de industrialização, conforme dispõem os artigos 3º e 4º do Decreto nº 2.637/1998 (RIPI/98) e do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), a seguir transcritos: Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como visto o artigo 3º do RIPI/1998 e do RIPI/2002, vigentes à época dos fatos, prescrevem que produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização. O artigo 4º, por sua vez, preceitua que se caracteriza como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeçoe para o consumo, tal como a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova – transformação (inciso I, art. 4º.), bem como a que importe em modificar ou aperfeiçoar a utilização, o acabamento ou a aparência do produto – beneficiamento (inciso II, art. 4º). Houve, portanto, o perfeito enquadramento dos fatos narrados pela fiscalização à norma de incidência do IPI (artigo 153, IV/ CF; art. 46/CTN c/c artigos 2º, 3º e 4º do Decreto nº 2.637/98 e Decreto nº 4.544/2002). Deste modo, entendo que a alegada prestação de serviços gráficos (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, caracterizada pela atividade de produção das bobinas personalizadas, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 9 8 Na realidade, ao prestar os serviços, a Recorrente incorre na prática de fatos geradores de dois impostos distintos, ambos com competência prevista na Constituição Federal: IPI (União) e ISS (Município), incidentes sobre o mesmo evento. Destaquese, ainda, para atender às três esferas de poder, provendoas dos recursos necessários ao cumprimento dos respectivos desígnios constitucionais, o Constituinte houve por bem repartir a tributação sobre o consumo (diferentemente do que ocorre nos países onde existe o IVA – Imposto sobre o Valor Agregado). Para tanto, elegeu como hipóteses de incidência tributária três fatos originados no mesmo conteúdo econômico: a produção de bens, a circulação destes bens e a prestação de serviços, atribuindoos, sob a forma de competência impositiva à União, aos Estados e ao Distrito Federal e aos Municípios, respectivamente. Uma tributação sobre o consumo assentada em tais bases, fatalmente levaria a impasses, pois em certos casos limites, como no dos autos, é inevitável a dupla ou até a tríplice incidência tributária. Assim, no caso dos autos, os clientes do Recorrente, ao encomendarem as bobinas, estão encomendando uma prestação de serviço, nos termos do art. 8° do DL n° 406/68 (incidência do ISS). Para que a encomenda possa ser executada, a empresa é obrigada a adquirir insumos no mercado e a transformálos em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4º, I e 34, II do RIPI/98 e RIPI/2002). No tocante à Súmula 156 do STJ, citada pelo Recorrente, a meu ver referese ao conflito de competência no âmbito do ISS e ICMS, como pode ser verificado nos precedentes utilizados na formulação da Súmula (Recursos Especiais nº 61.9149/RS, 5.808 0/SP, 18.9920/SP e 1.235/SP), todos tratando da incidência do ISS e do ICMS. Ademais, a súmula citada não é vinculante. A questão do conflito de incidência entre o ISS e ICMS, portanto, não interessa na solução deste litígio, por isso, deixamos de abordála. Quanto à alegação de que tais produtos teriam sido produzidos sob encomenda, registrese que não restou comprovado nos autos a denominada “industrialização por encomenda”, prevista no artigo 42 do Decreto nº 4.544/2002, o que permitiria operações com suspensão do IPI, uma vez que as encomendandes não enviaram qualquer tipo de insumo ao estabelecimento da Recorrente. Muito pelo contrário, a Recorrente adquiriu os insumos (bobinas de papel, tubos rígidos de plástico ou papelão e caixas de papelão para embalagem) e Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 10 9 os transformou em um novo produto (bobinas menores com as logomarcas) e os vendeu aos seus clientes. Registrese, por oportuno, como bem argumentou a PFN, no caso do IPI não existe a vedação expressa que existe para o ICMS na LC nº 116/03, notadamente quando se compara o artigo 8º do DecretoLei nº 406/68 com seu equivalente da Lei Complementar nº 116/03, o artigo 1º: DecretoLei nº 406/68 Art 8º O impôsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por emprêsa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao impôsto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. § 2º Os serviços não especificados na lista e cuja prestação envolva o fornecimento de mercadorias ficam sujeitos ao impôsto de circulação de mercadorias. § 2º O fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao impôsto sôbre circulação de mercadorias. (Redação dada pelo decreto Lei nº 834, de 8.9.1969) (Revogado pela Lei Complementar nº 116, de 31.7.2003). LC nº 116/03 Art. 1º O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1º O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. Por fim, anotese que este colegiado já apreciou a matéria tratada nos autos, decidindo no mesmo sentido deste voto. Transcrevese abaixo a ementa dos Acórdãos nº 9303 003.245, de 04/02/2015, e nº 9303002.265, de 09/05/2013: Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 11 10 Acórdão nº 9303003.245 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1999 IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONFECÇÃO DE BOBINAS DE PAPEL PERSONALIZADAS. A operação de cortar bobinas de papel adequandoas aos tamanhos próprios para sua utilização em máquinas registradoras ou calculadoras, com ou sem impressão de dizeres convenientes aos clientes, constitui operação de industrialização (beneficiamento). IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA LISTA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO. Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Recurso Especial Negado Acórdão nº 9303002.265 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2003 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 12 11 (Assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Redatora designada Em relação à discussão trazida nos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para expor o entendimento que prevaleceu nesse Colegiado. Cabe, então, trazer, a priori, que o sujeito passivo tem por objeto a prestação de serviços gráficos “personalizados” “sob encomenda” dos seus clientes, com destaque para as atividades de impressão personalizadas – serviço de composição gráfica sujeito à incidência de ISS. Considerando se tratar de prestação de serviço gráfico customizado e personalizado, para fins de atendimento da demanda de clientes específicos, para melhor elucidar os pontos aqui desenvolvidos, cabe trazer que que tais serviços, em síntese, são assim considerados por serem, quando de sua prestação, definidas estratégias para o desenvolvimento do produto demandado pelo cliente. Tais serviços são vistos pelos clientes como diferencial nas empresas de serviços, vez que podem proporcionar para o funcionamento de seu negócio a personalização de que necessitam. Ademais, cabe trazer que os serviços prestados pelo sujeito passivo não se confundem com a mera circulação de mercadorias/produtos, vez que tais serviços possuem como características a intangibilidade, perecibilidade, heterogeneidade e simultaneidade. Ora: · Perecibilidade, pois tais serviços não podem ser “armazenados/estocados” para a venda; · Intangibilidade, pois não podem ser vistos, provados ou sentidos; Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 13 12 · Heterogeneidade, pois tais serviços sofrem variação para cada cliente, considerando a customização dedicada; · Simultaneidade, pois envolve a dinamicidade entre a produção e o consumo. O serviço customizado prestado pelo sujeito passivo abrange essas características, vez que: · Reflete um planejamento anterior para a busca do objeto alcançado, em observância a demanda específica exposta em contrato firmado entre o cliente e o prestador; · Não se trata de venda de produtos de prateleira padronizáveis; · Se diferenciam, de acordo com a demanda de cada cliente – considerados efetivamente, de per si, como pontuais e especiais. É de se considerar, ainda, que os serviços customizados envolve interação direta com o cliente uma vez que a personalização do produto é alcançada de forma colaborativa entre a parte contratante e o contratado. Vêse ainda que o serviço de impressão gráfica personalizada desenvolvido pelo sujeito passivo não integra um processo de industrialização. Ora, as impressões são sempre relativas a logomarcas, cores padrão e condizentes com o próprio logotipo utilizado, eventuais mensagens específicas aos consumidores da encomendante, além de outros símbolos peculiares. O que, indubitavelmente, as encomendas passam a integrar o ativo fixo dos encomendantes para seu uso exclusivo, não podendo, nem de longe, cogitarse acerca de seu eventual uso indiscriminado, já que imprestável seria para qualquer outra pessoa jurídica diferente da própria encomendante. A especificidade do corte (largura) das bobinas, tem aplicação geralmente exclusiva ou equivalente da própria encomendante. Não há uso indiscriminado. E não há qualquer comercialização das bobinas personalizadas impressas quer pela Recorrida, quer pelos seus clientes (posto que inaplicáveis ao uso de terceiros, por não se tratar de um chamado "produto de prateleira"). Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve elucidação e antes de se adentrar na discussão acerca da incidência do IPI, discorrendo sobre eventual conflito de competência. O que se torna impossível se ignorar esse tema, cabe trazer ainda que a atividade personalizada, que envolve sua customização para atendimento da necessidade de eventual cliente, inquestionável, que tal serviço seria passível de tributação pelo ISS. Por conseguinte, por se tratar de bem oriundo de serviço personalizado/customizado, inegável que tal bem não seria considerado como sendo de prateleira, disponível em sua padronização aos clientes potenciais. O que confere o entendimento dos tribunais de se afastar a tributação pelo ICMS. Não se coaduna, assim, tais serviços com o conceito de mercadoria. Tanto é assim, que os Tribunais empregam tais conceitos – produtos feitos por encomenda, personalizados e customizados – para afastar a incidência do ICMS e/ou IPI em operações que envolvam o fornecimento de bens oriundos desses serviços especializados e personalizados. Tanto é assim, que, no que tange às essas discussões envolvendo o ISS e o ICMS, é de se recordar que os Tribunais têm manifestado, em síntese, em relação aos serviços gráficos, que: · Se a atividade gráfica fosse exercida com certas limitações – acrescentando apenas utilidades a esse meio, com o intuito de se disponibilizar o produto indiscriminadamente a todos os clientes potenciais, sem viabilidade de personalização por cliente, configurar seia como produção em série – sendo evidente, nesse caso, que se trata de disponibilização de mercadorias, motivando assim a incidência de ICMS e de IPI, vez, que, em relação à esse último tributo, caracterizada estaria a industrialização dessa mercadoria (produzida padronizadamente em série); · Por sua vez, se fosse desenvolvida por encomenda de cliente, para atender suas necessidades específicas, visando o atendimento de sua demanda em particular estarseia diante de serviço alcançável pelo Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 15 14 ISS. É de se expor que as mercadorias oriundas desses serviços não são disponibilizadas a terceiros. Para tal entendimento, é de se recordar o art. 1º, § 2º, da LC 116/03, in verbis (Grifos meus): “Art. 1º. O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderantemente do prestador. [...] § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. [...]” Com tal dispositivo, resta claro que os serviços constantes da lista de serviço da LC 116/03 não ficam sujeitos ao ICMS, apenas ao ISS. Continuando, no que concerne à discussão acerca da incidência cumulativa envolvendo o ISS e o IPI, importante mencionar que o TRF já editou Súmula 143/83 (Grifos meus): “Súmula 143 – Os serviços de composição gráfica e impressão gráficas personalizadas previstos no artigo 8º, § 1º, do Decretolei n. 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decretolei n. 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI.” No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça, editou a Súmula 156: “Súmula 156 do STJ – A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva o fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS.” Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 16 15 Frisese tal entendimento o disposto no 9º do DecretoLei 2471/88 que, por sua vez, estabelece que ficam cancelados os processos administrativos que trate da cobrança do IPI no fornecimento de produtos personalizados de serviços de composição gráfica e impressão gráfica: “Art. 9º. Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VI – do Imposto sobre Produtos Industrializados relativamente ao fornecimento de produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráficas; e [...]” Sendo assim, resta claro que os serviços gráficos personalizados e customizados com o intuito de atender determinada necessidade de cliente não seriam passíveis de tributação pelo IPI. Quanto à discussão sobre a impossibilidade da incidência concomitante do ISS e IPI sobre a mesma atividade, a instituição de tributos é extensivamente definida na Constituição, mediante a atribuição de competência – o que ressurjo o art. 146, inciso I, da CF/88: “Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; [...]” Com tal enunciado, verificase que a Lei Complementar deve dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 17 16 O que, por conseguinte, expresse, temse que se a LC 116/03 dispôs que as atividades gráficas discutidas no presente processo são fatos geradores do ISS, inconteste não haver que se falar em tributação pelo ICMS e IPI sobre tais serviços. Tanto é assim que, nesse sentido, notase que fluíram várias decisões favoráveis, afastando a tributação pelo IPI. Em pesquisa jurisprudencial, cabe trazer o julgamento do RESP 437.324 – RS envolvendo a American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda, onde o STJ, através do ilustre Ministro Franciulli Netto, emitiu acórdão concedendo integramente a segurança pleiteada declarando que as referidas atividades envolvem típica prestação de serviço ao ISS, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. Cumpre a este Sodalício examinar eventual afronta a dispositivos de lei federal, nos termos da letra "a" do permissivo constitucional, ou, pela letra "c", sanar possível dissenso pretoriano acerca de determinada questão. Assim, não prevalece o entendimento sustentado pela recorrente no sentido de que deve o Superior Tribunal de Justiça reconhecer de ofício a extinção do mandado de segurança preventivo. Embora prequestionada a questão da perda de objeto da impetração, que entendeu a Corte de origem não existir, pretendeu a recorrente, quanto a esse ponto, configurar o dissenso pretoriano com julgados deste Sodalício sem, contudo, realizar o indispensável cotejo analítico, vindo em desacordo com o estabelecido nos arts. 541, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 18 17 de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI.” Cabe trazer que essa decisão transitou em julgado em 3.11.03. Outro precedente igualmente importante é o veiculado no julgamento do REsp 966.184RJ decorrente de ação ordinária ajuizada pela American Bqank Note Company Gráfica e Serviços Ltda também com o objetivo de que fosse declarada a não incidência do IPI sobre os cartões de crédito com tarja magnética confeccionados no período de junho/88 a junho/89, por se tratar de prestação de serviços personalizados sob encomenda. Tal REsp, após apreciação pelo STJ – relator Ministro Herman Benjamin, foi emitido acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃOINCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 19 18 Cabe trazer que essa decisão também transitou em julgado. Em outro julgamento no STJ, especificamente quando da apreciação do Resp 103409/RS, ficou decidido que não é devido o ICMS sobre os serviços de composição gráfica, tal qual a impressão de cartões magnéticos personalizados e sob encomenda, conforme consignado em ementa: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO STF NA MEDIDA CAUTELAR NA ADI 4389. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não aconteceu no caso dos autos. 2. No julgamento da medida cautelar na ADI 4389, o STF reconheceu a não incidência do ISS sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria. 3. A incidência do ICMS só ocorrerá nos casos em que a produção de embalagens, etiquetas sob encomenda (personalizada) seja destinada a subsequente utilização em processo de industrialização ou posterior circulação de mercadoria, o que não é o caso dos autos. 4. In casu, tratase de produção de cartões magnéticos sob encomenda para uso próprio da empresa. No caso, a embargada atua como consumidora final, ou seja, tais cartões não irão fazer parte de futuro processo de industrialização ou comercialização. Incide, portanto, o ISS nos termos do que restou determinado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao rito dos recursos respetivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 20 19 5. Não cabe ao STJ analisar suposta violação de dispositivos constitucionais, mesmo a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do STF. Embargos de declaração rejeitados.” Proveitoso trazer ainda outros julgados do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA, APENAS, DO ISS. SÚMULA Nº 156/STJ. ANÁLISE DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. [...] 3. Decisão atacada que tomo com base a Súmula nº 156/STJ: “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS”[...] (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min., José Delgado, EAREP 510940/SP, DJ de 17/11/2003) “AGRAVO REGIMENTAL – TRIBUTÁRIO – SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA – ICMS – NÃO INCIDÊNCIA – ENTENDIMENTO CONSAGRADO – SÚMULA 156 DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Não incide ICMS sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 deste Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: “A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. 2. Agravo Regimental improvido. ” (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min. Luiz Fux, AGRESP 331201/SP, DJU de 14.10.2002) “Tributário – ICMS e ISS – Incidência – DecretoLei nº 406/68 (art. 8º, § 2º). 1. Os serviços de composição gráfica, não distinguindo a lei entre os personalizados encomendados e os genéricos destinados ao público, sujeitamse à incidência do ISS. 2. Multifários precedentes jurisprudenciais. Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 21 20 3. Recurso sem provimento. ” (Superior Tribunal de Justiça re. Min. Luiz Pereira, RESP 142339/SP, DJU de 26/03/2001) Frisese esse entendimento a decisão dada pelo STF: “ISS. Serviço gráfico por encomenda e personalizado. Utilização em produtos vendidos a terceiros. A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, é atividade da empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos, o cliente e encomendante, na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido. ” (Supremo Tribunal Federal, RE 109.0697/SP, Rel. Min. Rafael Mayer) Em vista de todo o exposto, vêse acertado o entendimento de que nessa atividade não há que se falar em tributação pelo IPI – eis que para o deslinde do conflito de competência, para se apurar a tributação sobre o consumo desses bens, nas hipóteses híbridas, em que há serviço agregado a um suporte físico, no caso, um produto industrializado, devese verificar qual prevalecerá, para efeitos de atrair a competência tributária. O que, por conseguinte, as disposições da LC 116/2003 – art. 1º, § 2°, traz que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias” em cumprimento ao desígnio determinado pelo art. 146, I da Constituição Federal, que prescreve que cabe à Lei Complementar dispor sobre conflitos de competência. Ademais, não há como se ignorar os precedentes favoráveis dos Tribunais, inclusive aqueles emanados de Recursos interpostos por empresas que foram adquiridas pelo sujeito passivo. Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 22 21 Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz explicitamente o respeito à “Eficácia Vinculante dos Precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 23 22 § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando os por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Nesse caso, o entendimento de que para os serviços gráficos personalizados devese afastar a incidência do IPI. Dizse Princípio, pois deve ser considerado, assim como os outros balizadores primordiais trazidos pelo nosso ordenamento, para se nortear/direcionar o julgador/juiz quando da apreciação da matéria em debate à solução jurídica mais consonante com as diretrizes emanadas pela Carta Magna e pela legislação vigente, garantindo o conforto e a segurança jurídica de que tanto busca a Administração Fazendária e o sujeito passivo. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC, in verbis: “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e o sujeitos passivo. Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 24 23 Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que torna a jurisprudência na Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação quando as decisões possuem potencial para tanto. O que é o caso. As decisões emanadas pelos Tribunais consideraram a mesma atividade do sujeito passivo, não restando dúvida quanto à necessidade da aplicação dos fundamentos determinantes do precedente ao caso concreto. Sendo assim, até mesmo em respeito a celeridade do processo no judiciário que invoca o Novo Código de Processo Civil, eis que a jurisprudência nos Tribunais se encontra PACIFICADA, inclusive com Súmulas do TRF e STJ, é de se manter o decidido no acórdão recorrido. Ademais, é de se recordar que em recente julgamento ficou consignando em acórdão 9303004.394: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03" Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 10825.003350/200509 Acórdão n.º 9303005.581 CSRFT3 Fl. 25 24 Em vista de todo o exposto, conhecemos o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3263DF CARF MF
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