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Numero do processo: 13116.900421/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.896
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 04 21 /2 01 3- 18 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.537, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.900421/201318 Acórdão n.º 3201002.896 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 16539.720008/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO.
A incorporação de ações por envolver uma transferência de titularidade das ações da incorporada, dadas em pagamento em uma conferência de aumento de capital, para a incorporadora, caracteriza-se como uma espécie do gênero alienação. No caso concreto, como houve a valorização a preço de mercado das ações dadas em pagamento, gerou-se um acréscimo patrimonial tributável pelo ganho de capital.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACIONISTA. DIREITO DE RECESSO.
A incorporação de ações seguirá os ditames das deliberações das assembleias gerais das companhias incorporadora e incorporada. Os acionistas da incorporada, que não concordarem com o evento de incorporação de ações, tem a opção de se retirar da sociedade, podendo se reembolsar do valor de suas ações.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam-se à CSLL reflexa, no que cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, dar provimento para cancelar as multas isoladas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Designado Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; e II) Por unanimidade de votos, negar provimento para manter o ganho de capital na incorporação de ações A Conselheira Lívia De Carli Germano votou pelas conclusões; e III) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos juros sobre a multa de ofício. Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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NATUREZA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações por envolver uma transferência de titularidade das ações da incorporada, dadas em pagamento em uma conferência de aumento de capital, para a incorporadora, caracterizase como uma espécie do gênero alienação. No caso concreto, como houve a valorização a preço de mercado das ações dadas em pagamento, gerouse um acréscimo patrimonial tributável pelo ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACIONISTA. DIREITO DE RECESSO. A incorporação de ações seguirá os ditames das deliberações das assembleias gerais das companhias incorporadora e incorporada. Os acionistas da incorporada, que não concordarem com o evento de incorporação de ações, tem a opção de se retirar da sociedade, podendo se reembolsar do valor de suas ações. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 08 /2 01 4- 61 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 3 2 Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, dar provimento para cancelar as multas isoladas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Designado Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; e II) Por unanimidade de votos, negar provimento para manter o ganho de capital na incorporação de ações A Conselheira Lívia De Carli Germano votou pelas conclusões; e III) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos juros sobre a multa de ofício. Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Antonio Bezerra Neto. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: O procedimento de fiscalização teve início em 14/02/2014 com a ciência pessoal da fiscalizada (BRADESCO SAÚDE) pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, por meio do qual foi solicitada a apresentação de seus atos constitutivos; de planilhas demonstrativas da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no período sob fiscalização; e do respectivo Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. A fiscalização solicitou também que a BRADESCO SAÚDE apresentasse os documentos relativos à operação de Incorporação das Ações de sua subsidiária integral Bradesco Dental S/A, pela empresa Odontoprev S/A ocorrida no ano calendário fiscalizado, tais como Atas de Assembléias, Laudo de Avaliação e Protocolo e Justificação da Incorporação das Ações, Acordo de Associação e Outras Avenças firmado entre as empresas envolvidas na operação, no qual foi acordada a integração das atividades daquelas empresas mediante a incorporação das ações da primeira (Bradesco Dental S/A) pela segunda (Odontoprev S/A), bem como informações relativas à existência de eventuais ações judiciais ajuizadas pela fiscalizada que pudessem vir a impactar a apuração do IRPJ e da CSLL. No decorrer do procedimento foram lavrados ainda os Termos de Intimação nos 01, 02, 03, 04, 05, 06 e 07, com ciência pessoal da fiscalizada, para solicitar a apresentação de demais documentos e informações necessários ao prosseguimento das análises, relativos à apuração do IRPJ e da CSLL; aos registros contábeis referentes aos investimentos possuídos; ao reconhecimento, no resultado do exercício, dos valores havidos em virtude da operação de Incorporação de Ações já acima mencionada; e ao aumento do capital e das reservas de lucros de sua então controlada Bradesco Dental S/A também ocorridos no anocalendário sob fiscalização. No anocalendário de 2009 foi firmado pela fiscalizada, na qualidade de única acionista da empresa Bradesco Dental S/A, o Protocolo e Justificação de Incorporação das Ações da Bradesco Dental S/A pela empresa Odontoprev S/A, por meio do qual referidas sociedades resolveram por promover a integração de suas atividades mediante a incorporação da totalidade das ações da primeira Bradesco Dental S/A pela segunda Odontoprev S/A. No caso sob análise, especificamente em 23 de dezembro de 2009, em assembléias realizadas em ambas as companhias envolvidas na operação, foi então aprovada a aludida Incorporação de Ações nos termos firmados no já citado Protocolo e Justificação de Incorporação das Ações da Bradesco Dental S/A pela Odontoprev S/A. De acordo com a fiscalização (TVF) consta das atas de respectivas assembléias e do referido Protocolo e Justificação: "o capital social da incorporadora das ações (Odontoprev S/A) antes da incorporação das ações era de R$190.124.815,11, dividido em 25.015.130 ações ordinárias nominativas e sem valor nominal, e o capital social da companhia que Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 5 4 teve suas ações incorporadas (Bradesco Dental S/A) era de R$262.000.000,00, dividido em 114.052.162 ações ordinárias nominativas e sem valor nominal; as ações da Bradesco Dental S/A foram avaliadas pelo seu valor econômico e incorporadas pela Odontoprev S/A pelo valor de R$675.000.000,00, tendo sido destinados deste valor o montante de R$208.964.880,00 para aumento do capital social de Odontoprev S/A, com a emissão de 19.259.436 novas ações ordinárias, e o montante de R$466.035.120,00 para a constituição de reserva de capital; o capital social de Odontoprev S/A passou inicialmente a totalizar R$399.089.695,11 (R$190.124.815,11+R$208.964.880,00), dividido em 44.274.566 ações ordinárias (25.015.130+19.256.436), tendo sido reduzido para R$284.611.422,11 por deliberação da mesma assembléia que aprovou o Protocolo e Justificação da Incorporação de Ações, sem modificação no número de ações, haja vista condição que já constava do aludido Protocolo; a fiscalizada, Bradesco Saúde S/A, na qualidade de única acionista da Bradesco Dental S/A, recebeu então, como pagamento pelas ações que possuía em Bradesco Dental S/A, 19.259.436 ações de Odontoprev, estas integralizadas mediante a transferência das ações de emissão de Bradesco Dental S/A ao patrimônio de Odontoprev S/A, estabelecida assim a relação de substituição de uma ação pela outra em 0,168865154875 (19.256.436/114.052.162), passando a fiscalizada a deter, conforme já acordado no protocolo de incorporação, ações representativas de 43,5% do capital social total e votante da Odontoprev S/A." A fiscalização Constatou que, em razão das condições estabelecidas no processo de incorporação de ações, Odontoprev S/A, na qualidade de adquirente na operação realizada, adquiriu as 114.052.162 ações de emissão de Bradesco Dental S/A pelo valor de R$675.000.000,00 e, conforme se pode verificar nas Demonstrações Financeiras e respectivas Notas Explicativas (em seu Item 1) disponibilizadas para consulta pública no site da Comissão de Valores Mobiliários na internet, registrou em seu ativo o custo do investimento adquirido desmembrando o valor "pago" pelas ações em duas parcelas a saber: R$313.752.320,19 (valor do patrimônio líquido de Bradesco Dental S/A) a título de "Participação Societária" e R$361.247.679,81 (diferença entre o valor do patrimônio líquido de Bradesco Dental S/A e montante "pago" à fiscalizada) a título de "Ágio na Aquisição de Investimentos" A fiscalização constatou que, a fiscalizada, na qualidade de alienante, transferiu as 114.052.162 ações de emissão de Bradesco Dental S/A ao custo unitário de R$2,750954604350 (R$114.052.162 x R$2,750954604350 = R$313.752.320,19) e recebeu, pelas ações que possuía em Bradesco Dental S/A, 19.259.436 ações de Odontoprev S/A ao valor patrimonial de R$17,617838633133 (19.259.436 x R$17,617838633133 = R$339.309.635,61), donde se verifica uma diferença positiva de R$25.557.315,42 entre o preço de venda das ações (valor de transmissão) que possuía em Bradesco Saúde S/A e o seu respectivo custo contábil, diferença esta representativa do ganho de capital auferido pela fiscalizada na operação e não levado à tributação do Imposto de Renda e da contribuição social. A fiscalização apurou que a diferença positiva então apurada entre o preço recebido pela alienação das ações de Bradesco Dental S/A e o seu respectivo valor contábil, no montante de R$25.557.318,00 (R$339.309.646,29 R$313.752.328,29=R$25.557.318,00), chegou a ser registrada contabilmente pela fiscalizada na conta "3519990000000 Outras Receitas Patrimoniais/Outras Receitas" e somada na apuração do lucro contábil do exercício (vide Demonstração do Resultado do Exercício de 2009). Todavia, foi considerada como "receita de deságio" e excluída do lucro líquido contábil para fins de apuração do lucro real e da Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 6 5 base de cálculo da CSLL, conforme Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real do anocalendário 2009, no demonstrativo Livro de Apuração da Contribuição Social apresentado e nas Fichas 09C e 17 (Fichas "Demonstração do Lucro Real" e "Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido") da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, tendo sido nesta excluída a título de "ajustes do Regime Tributário de Transição RTT". A fiscalização entendeu que a exclusão foi indevida, porque a fiscalizada, na qualidade de alienante na operação realizada, na verdade teria apurado um resultado positivo na alienação de bens/direitos constantes de seu ativo permanente e, por força do que determinam os arts. 418 e 426 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto 3.000, de 1999, os resultados positivos apurados na alienação ou na liquidação de bens/direitos do ativo permanente devem ser computados na determinação do lucro real, base de cálculo do Imposto de Renda, a título de ganhos de capital. Assim, a fiscalização procedeu o lançamento de ofício para exigência do IRPJ e da CSLL, incidentes sobre o ganho de capital havido na operação, que deixaram de ser espontaneamente recolhidos. A fiscalização, também concluiu que a contribuinte incorreu na hipótese prevista no inciso II, alínea "b", do art. 44 da Lei 9.430/96 c/c o art. 57 da Lei 8.981/95, qual seja, a existência de valores devidos e não pagos a título de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL em virtude da exclusão do aludido ganho de capital das bases mensais tributáveis. Dessa forma, o lançamento de ofício também incorreu na aplicação da multa isolada. Os autos de infração de IRPJ, CSLL, e multas isoladas totalizaram então R$ 27.456.710,71. A contribuinte apresentou sua impugnação, e resumidamente alega: O instituto jurídico da incorporação de ações é uma das modalidades de concentração empresarial permitidas pela legislação vigente, a qual possui natureza jurídica própria, distinta de uma incorporação de sociedades (ou "incorporação pura"). A contribuinte alega que a incorporação de ações e a incorporação de sociedades são operações distintas entre si, sobretudo quando analisadas sob a perspectiva das sociedades que participam da operação. De outra parte, quando se verificam quais são os efeitos para os acionistas em uma e outra operação, é inevitável reconhecer que se tratam, efetivamente, de operações semelhantes apenas sob o ponto do vista dos acionistas. A impugnante transcreve opinião do colegiado da CVM. Cita opinião do ilustre Nelson Eizirik, e do mestre Alberto Xavier. Do mesmo modo entende a impugnante que a natureza jurídica da incorporação de ações não pode ser confundida com uma integralização de capital social com bens, sendo equivocada qualquer tentativa de comparação dos dois institutos. Cita doutrina de Alberto Xavier, Fábio Konder Comparato, Daniel Kalansky, Sacha Calmon. A contribuinte destaca o posicionamento da Procuradoria Federal Especializada junto à CVM a qual transcrevese: Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 7 6 "A autonomia da operação aqui analisada em relação à incorporação de sociedades2 ■ deriva do fato de que nela as duas personalidades jurídicas subsistem com direitos e obrigações próprios e patrimônios distintos, embora relacionados. Por seu turno, apesar de ser integrada por uma etapa de aumento de capital, cujo acréscimo corresponde ao total dos títulos adquiridos pela incorporadora, verificase que seu objeto é diverso e seu resultado mais amplo que o da simples capitalização." A contribuinte, alega que na operação de incorporação de ações há uma importante característica que é a ausência do elemento volitivo por parte dos acionistas uma vez que a incorporação de ações é negócio jurídico praticado pelas sociedades cujas ações serão incorporadas (insistase, a manifestação de vontade é social e não individual). Com efeito, entende a contribuinte, que da perspectiva do exacionista da sociedade cujas ações foram incorporadas (no presente caso, a ora Impugnante), houve a troca das ações incorporadas (Bradesco Dental) por ações emitidas pela sociedade incorporadora (Odontoprev) sem que este tenha concorrido para tal substituição, pelo fato de estar inerte na operação. Novamente, cita a doutrina de Alberto Xavier. Entende a impugnante tratarse, assim, da ocorrência de subrogação real na incorporação de ações, fenômeno que consiste na substituição de um bem (ações da Bradesco Dental detidas pela Impugnante) por outro (ações da Odontoprev), mantendose as mesmas relações jurídicas previamente existentes com relação ao bem substituído, permanecendo o acionista nas mesmas posições patrimonial e econômica verificadas antes da operação. Aduz a impugnante, não se tratar, portanto, de alienação de ações realizada pelo acionista, conforme afirmado pelo Sr. Agente Fiscal ao fundamentar o auto de infração lavrado. Entende, então, que o acionista nada transmite, mas apenas recebe as novas ações que lhe são devidas, conforme estabelecido na relação de troca de ações. Alega que o próprio Fisco já admitiu a ocorrência de subrogação real em operações de reorganização societária na qual houve a substituição de títulos representativos de participações societárias por ações. De fato, vejase o que restou decidido no Parecer Normativo CST n° 39/81. Transcreve entendimento de Nelson Eizirik. Conclui, então, que pelos motivos expostos, a incorporação de ações analisada nesse processo tratase de mera subrogação real com a substituição de um ativo por outro, na medida em que apenas as ações foram trocadas, não tendo havido o pagamento à Impugnante de qualquer contraprestação adicional em dinheiro (torna), como nem poderia haver já que não houve alienação de nenhuma ação. Dessa forma, para o acionista (ora Impugnante), não se pode falar em apuração de ganho tributável, na medida em que as ações são substituídas com um verdadeiro efeito econômico permutativo, sem a disponibilidade econômica de renda. Assevera, a impugnante, que diante da ausência de disponibilidade econômica de renda no momento da substituição das ações e tendo em vista que a posição patrimonial da Impugnante permaneceu inalterada, poderseia dizer que a sub Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 8 7 rogação real levada a efeito pela incorporação de ações da Bradesco Dental pela Odontoprev assemelhase a uma operação de permuta, na medida em que nela há a mera troca de bens. Aduz, então, que ao se considerar a substituição de ações da Impugnante em seus efeitos permutativos, será indevida a tributação pelo imposto sobre a renda. Isso porque, a inexistência de ganho de capital nas operações de permuta sem torna, tal como a que ocorreu no presente caso, é, em diversas situações, reconhecida pela legislação, pela jurisprudência administrativa e até mesmo pelas próprias Autoridades Fiscais. Transcreve acórdãos dos antigos Conselhos de Contribuintes. Ataca, ainda, a impugnante, a Multa Isolada após o Encerramento do Ano Base quando da Lavratura dos Autos de Infração. Entende que a multa isolada, prevista atualmente no inciso II, alínea " b " do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, diferentemente do que entendeu a Autoridade Fiscal, somente pode ser exigida caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. Transcreve acórdãos do CARF. Adiciona, a contribuinte que, ainda que fosse possível lançar, após o encerramento do anobase de 2009, a multa isolada em razão do não recolhimento dessas estimativas, a título de argumentação, não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade. Anexa acórdãos do CARF. Entende a contribuinte que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de BrasíliaDF, esta proferiu o acórdão nº 0366.020, que por unanimidade de votos manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Na incorporação de ações há alienação, em sentido amplo, pelos acionistas da incorporada de seus ativos, sendo esta alienação com elemento volitivo. Dessa forma, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta diferença deve ser tributada como ganho de capital, mesmo sem fluxo financeiro. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA A falta recolhimento das estimativas sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, de acordo com a legislação. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 9 8 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 672/736) a este CARF, repetindo literalmente todos os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Às fls.742/793 consta contrarrazões da PFN. É o relatório. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a fiscalizada, Bradesco Saúde S/A, na qualidade de única acionista da Bradesco Dental S/A, recebeu então, como pagamento pelas ações que possuía em Bradesco Dental S/A, 19.259.436 ações de Odontoprev, estas integralizadas mediante a transferência das ações de emissão de Bradesco Dental S/A ao patrimônio de Odontoprev S/A, estabelecida assim a relação de substituição de uma ação pela outra em 0,168865154875 (19.256.436/114.052.162), passando a fiscalizada a deter, conforme já acordado no protocolo de incorporação, ações representativas de 43,5% do capital social total e votante da Odontoprev S/A. A controvérsia dos Autos de Infrações sob análise cingese, então, em saber se a operação de incorporação de ações é uma hipótese de efetiva alienação de ações e assim a necessidade de reconhecer como valor da alienação o valor unitário atribuído a cada ação ordinária da Bradesco Dental S/A (controlada da Recorrente) que, com a incorporação de suas ações, se tornou subsidiária integral da Odontoprev S/A. A incorporação de ações é operação societária prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S.A). Em apertada síntese, a incorporação de ações tem lugar de ser quando uma companhia adquire todas as ações do capital social de outra com o fim de converter esta em subsidiária integral, como aconteceu no caso concreto em virtude da incorporação de todas as ações da Bradesco Dental S/A. Em última análise, a incorporadora (Odontoprev S/A) aumenta seu próprio capital social e o integraliza com as ações adquiridas da incorporada (Bradesco Dental S/A), em que os acionistas desta última (Recorrente), ao aprovarem a operação, receberam em troca delas, ações da incorporadora pelo valor de avaliação apurado em laudo exigido pela lei. No caso, a avaliação das ações da Bradesco Dental S/A foi feita a valor de mercado, elaborada por empresa especializada (Terco Grant Thornton Consultores S/S), conforme consta do Protocolo e Justificação da Incorporação de Ações aprovado nas Assembléias Gerais de 23/12/2009. E ao fim e ao cabo, os acionistas da incorporada, Bradesco Dental S/A, passaram assim a ser acionistas em 43,5% do capital social total e votante Odontoprev S/A (incorporadora). A lide cingese a saber, então, em sendo o caso de o valor daquela avaliação, no momento da incorporação, ser maior que o valor contábil declarado anteriormente, se a referida diferença deve ser atribuído o caráter de ganho de capital tributável. Em sua defesa, através de vasta doutrina trazida, a Recorrente procura demonstrar que a incorporação de ações é uma operação com características próprias, se assemelhando mais a uma permuta sem torna, distinta da alienação, e, por consequência, não seria suscetível de gerar ganho de capital tributável. Dessa forma, passase a verificar primeiro a natureza jurídica desse instituto para depois extrair as consequências tributárias do mesmo para o caso concreto. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 11 10 Conforme relatado, a Recorrente defende a tese que atribui à incorporação de ações como sendo um mero procedimento de substituição de ações, configurando uma sub rogação real, sendo este um dos principais fundamentos de que se utilizou no seu recurso. Não entendo que estamos a tratar de subrogação real, pois esse instituto pressupõe a substituição jurídica de uma coisa (ações da sociedade A) por outra (ações da sociedade B), mas mantendose a relação base anterior. É que feita essa “substituição”, a essência da relação jurídica anterior não será mais a mesma, uma vez que sendo as ações recebidas pela incorporada pertencentes à pessoa jurídicas diferente, tudo mais se altera: valores patrimoniais, Estatutos sociais etc. Ademais, a subrogação jurídica tem como principal função fazer com que o bem recebido em troca recomponha o novo patrimônio de referência e isso tudo levandose em conta a perfeita identidade de valores entre o bem subrogado e o bem deslocado. O que a evidência não ocorre justamente pela necessidade legal de se valorar as ações dadas e conferidas para aumento de capital, a preço de mercado por intermédio de laudo exigido por lei. Ou seja, a alienação em questão se deu a título de acréscimo patrimonial e não de equivalência, ensejando assim a tributação. Outro argumento que a Recorrente colocou para defender ainda essa tese é que não haveria declaração de vontade, isso porque na incorporação de ações o acordo se daria entre duas sociedades, entre órgãos, sem a participação direta dos acionistas. Então, não poderia haver aqui uma alienação quando há carência de vontade. Ledo engano, em sociedades fechadas a decisão dos seus acionistas seria unânime, não havendo que se falar em carência de vontade, e nas sociedades abertas, como é o caso da Recorrente, pelo princípio majoritário, essa declaração de vontade fica também estampada. Afinal, as consequências e o alcance do princípio majoritário é encampado e aceito a priori na medida em que se participa de uma sociedade aberta. Em relação aos minoritários, é de se reconhecer que a carência de vontade não é tão patente, porém apesar de não existir uma declaração (explícita) de vontade, há uma manifestação de vontade, na medida em que existe para eles (minoritários) o direito de recesso. Caso não o exerçam, estão pragmaticamente estão dando respaldo com essa manifestação de vontade (implícita) à decisão acolhida pelo princípio majoritário, como foi o caso. Assim, não se pode afirmar que o negocio jurídico de incorporação de ações possui apenas uma eficácia externa, atingindo a “terceiros” estranhos ao protocolo (acionistas), apenas pelo fato de que a operação seja aprovada pela maioria das assembléias gerais das sociedades envolvidas. Caráter de Alienação Dado que a alienação é um negócio jurídico de caráter genérico que designa qualquer situação que possua como resultado final a transferência do domínio de uma coisa para outra pessoa, então, como corolário lógico disso, entendo que na incorporação de ações, por justamente ensejar a uma verdadeira transferência de titularidade jurídica e, no caso concreto, com valoração a preço de mercado das ações dadas em conferência de capital, se enquadra no gênero “alienação”, atraindo assim a tributação do ganho de capital. Caráter de aumento de capital mediante “dação em pagamento” Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 12 11 Muito embora essa subscrição de capital com bens (ações) seja uma etapa de um procedimento maior, configurando um negócio típico do direito societário, não vejo porque se possa descaracterizar também a linha de entendimento defendida por Modesto Carvalhosa que também configura uma outra situação jurídica condutora da tributação, qual seja, um aumento de capital da incorporadora mediante uma “dação em pagamento” de bens (próprias ações) pelos antigos acionistas da incorporada, modalidade esta de alienação albergada como campo de incidência do IR, no § 4º do art. 117 do RIR/99, ultrapassando assim quaisquer outras considerações opostas de renda ainda não realizada, afinal a própria lei encampou literalmente tal situação jurídica. Se, ao menos teoricamente, é indiferente a qualificação com base numa tese (a incorporação de ações é um instituto jurídico do direito societário, havendo alienação e aquisição fictas) ou outra (aumento de capital com “dação em pagamento” de bens (ações)), permanece a questão de fundo de todas as discussões em torno da validade da tributação, na discussão subseqüente de que tal renda ainda não teria se realizado ex vi art. 43 do CTN. O que se apregoa é que no nosso ordenamento jurídico, a tributação incide sobre renda realizada por força do disposto no art. 43 do CTN. O problema é que alguns intérpretes tendem de imediato a associar a ideia de renda realizada com a existência de fluxo financeiro. Não havendo a ocorrência do fluxo financeiro haveria apenas uma renda em potencial. Se tal raciocínio fosse válido de forma absoluta em qualquer situação, então como corolário lógico disso teríamos então que admitir que todas as normas que dispõem sobre a tributação com base no regime de competência (para as pessoas jurídicas) seriam inválidas nos casos em que o ganho da receita não coincide com o fluxo financeiro. O que seria um absurdo. Outros também alegam que a disponibilidade jurídica deve ser entendida como a detenção de título líquido e certo, hábil a proporcionar a disponibilidade econômica, por meio de atitudes que dependa apenas do contribuinte. Suponho que ao irem por esse caminho querem dar a entender que ao receber as ações em decorrência da incorporação de ações ainda carecia da concordância de terceiros em realmente adquirilas por aquele valor atribuído. A tese aqui já referida de que ocorre uma alienação ficta justaposta a uma aquisição ficta, e isso não antes de valorada a preço de mercado, caracteriza, sim, a meu ver, uma concordância de terceiros. O terceiro no caso é empresa incorporadora que aceitou a conferência de ações da empresa controlada reavaliada a preço de mercado por ocasião da assembléia. É que por determinação dos parágrafos 1º e 3º do art. 252 da Lei da S/A, é obrigatória a avaliação do valor das ações a ser incorporada, sendo relevantíssimo o preço atribuído, pois será ele o preço da avaliação que determinará a relação de troca para saber quantos ações da incorporada equivalem as ações da incorporadora para serem cedidas aos novos sócios como pagamento pela integralização de capital das ações da incorporada dadas em “dação em pagamento”. Por fim, há ainda que se alegue contra a tese aqui defendida que haveria a necessidade de que alguém passe a ser titular de algo do qual não era titular. Tal linha de defesa também já foi criticada neste voto quando se demonstrou alhures que estaríamos diante de uma verdadeira transferência de domínio econômico de bens (ações) que passaram da incorporada para a incorporadora. Outrossim, a jurisprudência do CARF também caminha ao lado desse entendimento, conforme julgado abaixo da CSRF: Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 13 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2005. IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão CSRF/920200.662 Data da Decisão: 12/04/2010 Data de Publicação: 11/06/2010)” O CARF também apreciou a operação de incorporação de ações envolvendo as pessoas jurídicas HFF PARTICIPAÇÕES e a BRF FOODS. Tratase de julgamento proferido pela 2ª turma da 4ª câmara da 1ª Seção, no processo 10880.720212/201355, no qual a turma concluiu pela existência de ganho de capital tributável. E finalmente nesta mesma turma foi julgado um caso semelhante da Bradesco SA, através do Acórdão 1401001.682, de 09 de agosto de 2016, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações por envolver uma transferência de titularidade das ações da incorporada, dadas em pagamento em uma conferência de aumento de capital, para a incorporadora, caracterizase como uma espécie do gênero alienação. No caso concreto, como houve a valorização a preço de mercado das ações dadas em pagamento, gerouse um acréscimo patrimonial tributável pelo ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACIONISTA. DIREITO DE RECESSO. A incorporação de ações seguirá os ditames das deliberações das assembleias gerais das companhias incorporadora e incorporada. Os acionistas da incorporada, que não concordarem com o evento de incorporação de ações, tem a opção de se retirar da sociedade, podendo se reembolsar do valor de suas ações. Por todo o exposto, concluo que a incorporação de ações de fato importa uma alienação que é tributável, pois no caso concreto, com a valorização à preço de mercado gerou uma forma de acréscimo patrimonial, ensejando assim a tributação do ganho de capital. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Quadro de composição das multas isolada lançada referente à agosto de 2007, por consequência da falta de declaração do ganho de capital, conforme consta do TVF: CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 14 13 TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO VALOR ORIGINAL MULTA DE OFÍCIO JUROS TOTAL IRPJ 6.389.319,38 4.791.989,54 2.784.465,39 13.965.774,31 CSLL 3.833.597,70 2.875.198,28 1.670.681,88 8.379.477,86 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE IRPJ 3.194.659,69 CSLL 1.916.798,85 Cabe de início esclarecer que não se confundem as duas infrações, pois são distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 15 14 procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. Da inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105 Ressalvo o meu entendimento que sempre foi pela manutenção das multas isoladas, porém o modifico em função de regramento vinculante superveniente (Súmula CARF n; 105), que possui o seguinte teor: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Porém, cabe salientar que a asserção contida na súmula só é válida para os anoscalendários anteriores a 2007, pois com fundamento em dispositivo legal (no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que foi posteriormente modificado. Portanto a Súmula nº105 só aplicase aos anoscalendários anteriores a 2007, eis que o lançamento dela deve se lastrear no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pela art. 14 da Lei nº 11.488/07, bem assim que haja imposto devido e não apuração de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL. Como o caso que se cuida referese ao anocalendário de 2009, não há que se falar em aplicação da súmula ao caso concreto. Portanto, mantenho as multas isoladas sobre as estimativas. Juros sobre multa de ofício Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício . Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 16 15 Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado É de longa data meu posicionamento acerca da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa proporcional. Abaixo, reproduzo meu voto, relativo à situação idêntica à presente neste feito, que conduziu o Acórdão nº 120100.235, de 07 de abril de 2010: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201461 Acórdão n.º 1401001.845 S1C4T1 Fl. 18 17 implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. No presente processo, as multas isoladas foram aplicadas sobre valor que integrou completamente a base para a autuação de sanções punitivas proporcionais. A autoridade, assim, puniu conjuntamente o descumprimento do dever de antecipar e o de pagar em definitivo sobre idênticas bases. A sanção mais grave, contudo, absorve a outra. Dessarte, voto pela improcedência do lançamento relativo às multas isoladas. No mais, sigo o voto do eminente relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 811DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900533/2006-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano calendário: 2003 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR POR ESTIMATIVA X COMPENSAÇÃO DE DÉBITO POR ESTIMATIVA. Reconhecido pela autoridade administrativa que, o crédito foi suficiente para extinguir por compensação os débitos do IRPJ (código 2362) e CSLL (código – 2484) por estimativa, relativos ao período de apuração de maio/2003 no total pleiteado, é de se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte (DCOMP nº09243.22019.300603.1.3.04-6049) de que tratam os presentes autos.
Numero da decisão: 1802-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea do Conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR POR ESTIMATIVA X COMPENSAÇÃO DE DÉBITO POR ESTIMATIVA. Reconhecido pela autoridade administrativa que, o crédito foi suficiente para extinguir por compensação os débitos do IRPJ (código 2362) e CSLL (código – 2484) por estimativa, relativos ao período de apuração de maio/2003 no total pleiteado, é de se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte (DCOMP nº09243.22019.300603.1.3.046049) de que tratam os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausência momentânea do Conselheiro Marciel Eder Costa. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 O presente processo traz como peça inicial a Manifestação de Inconformidade (fls.01/05) interposta em face do Despacho Decisório (fl.06 e 39), em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), 09243.22019.300603.1.3.046049,fls.41/45, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código 2362: R$ 997,99) e CSLL (código 2484: R$ 1.079,28) por estimativa apurados em maio/2003, no total de R$ 2.077,27, com alegado crédito decorrente de estimativa de CSLL (código 2484) apurado em 28/02/2003 no valor de R$ 49.280,83 (Data de Arrecadação: 30/04/2003) e, na data a ser enviado o PER/DCOMP: R$ 21.310,46. Por meio do mencionado despacho decisório, fl.39, foi indeferido o pedido, e declarada não homologada a compensação, ante a constatação de que o valor do crédito original de R$ 49.280,83, e, na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 21.310,46, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em outro PER/DCOMPde nº 32635.87699.300603.1.7.043970, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, no valor de R$ 21.310,46. O PER\DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970 foi juntado aos autos (fls.46/50) com o referido crédito decorrente de estimativa de CSLL (código 2484) apurado em 28/02/2003 no valor de R$ 49.280,83 (Data de Arrecadação: 30/04/2003) e, na data a ser enviado o PER/DCOMP: R$ 27.970,37 para compensar débitos de IRPJ (código 2362: R$ 19.814,92) e CSLL (código 2484: R$ 8.155,45) por estimativa, apurados em abril/2003. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 26.184 de 25 de setembro de 2009 (fls.58/65), cientificado ao interessado em 06/11/2009 (AR fl.66). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.58): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10850.900533/200630 Acórdão n.º 1802001.104 S1TE02 Fl. 2 3 A empresa interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 07/12/2009, fls.70/78, trazendo os seguintes argumentos para contraditar a decisão recorrida: que, o presente caso, não trata de recolhimento de CSLL por estimativa, com eventual apuração de saldo negativo ao final do período, como decidido pelas anteriores autoridades julgadora mas sim referese a espécie a “Recolhimento Indevido de CSLL”, isto porque, conforme revela a DIPJ/2004 entregue pela recorrente, no período de apuração correspondente ao mês de FEVEREIRO DE 2003, a recorrente teve PREJUÍZO, circunstância da qual restou indevido qualquer recolhimento tributário relativo a CSLL, não obstante isso, recolheuse, por um lapso, a título de CSLL do mês de FEVEREIRO DE 2003, a INDEVIDA importância de R$ 49.280,83, ainda que ela contribuinte, tenha adotado o sistema de pagamento por estimativa. que, os dados necessários para aferir a base de cálculo negativa da CSLL em fevereiro de 2003 encontramse inequívocos na DIPJ/2004, que se encontra na base de dados da RECEITA FEDERAL; que, as declarações contidas na DIPJ/2004, revestemse da credibilidade necessária para o fim de serem aceitas e acatadas e, que não foram rejeitadas pela autoridade fiscal; que, a fiscalização validou, ainda que de forma implícita, o conteúdo das informações contidas na da DIPJ/2004, razão pela qual não pode, sob pena de subversão aos princípios que norteiam o direito tributário, apresentar, apenas em sede de julgamento, questionamentos com vistas a subtrair da recorrente seu direito ao crédito; que, estando o julgador na dúvida quanto aos valores da DIPJ/2004 deveria ter convertido o julgamento em diligência, restando, por conseguinte, lDÔNEA E INQUESTIONÁVEL a DIJP/2004 aresentada pela recorrente, até que se tenha algum dado objetivo que possa dizer ao contrário; que, não se conforma com o acórdão ora guerreado, no que tange à alegação segundo a qual a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis e documentos fiscais, com vistas à ratificar sua DIPJ/2004, tanto mais porque em momento alguma a idoneidade desta DIPJ fora questionada por quem quer que fosse, assim como também não houve qualquer solicitação de apresentação de documentos complementares. Para fortalecer suas alegações a recorrente transcreve julgados administrativos à fl.75 sobre a verdade material no processo administrativo. Finalmente a recorrente requer seja provido o recurso voluntário, para o fim de decretar a procedência da manifestação de inconformidade veiculada pela recorrente, ou ainda, anular o acórdão recorrido, convertendo o julgamento em diligencia, para o exame dos documentos julgados porventura necessários à ratificação da DIJP/2004. Com o intuito de esclarecer a utilização do crédito original de R$ 49.280,83 e a compensação tratada nos presentes autos, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 1802000.024, de 23/02/2011, sob os seguintes fundamentos: (...) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Da análise do processo, constatouse que o fundamento para o indeferimento do pedido no despacho decisório pela autoridade administrativa é que constatou que o valor do crédito original de R$ 49.280,83, (Data de Arrecadação: 30/04/2003), a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP nº 09243.22019.300603.1.3.046049 foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, constantes do outro PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no mencionado PER/DCOMP 09243.22019.300603.1.3.046049. Consta dos autos cópia do PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970 (fls.46/50) com o referido crédito decorrente de estimativa de CSLL (código 2484) apurado em 28/02/2003 no valor de R$ 49.280,83 (Data de Arrecadação: 30/04/2003) para compensar débitos de IRPJ (código 2362: R$ 19.814,92) e CSLL (código 2484: R$ 8.155,45) por estimativa, apurados em abril/2003, totalizando, pois, em R$ 27.970,37. Assim, compensado o débito de CSLL apurada em abril/2003, no PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970, em tese, restaria o saldo original de R$ 21.310,46, suficiente para liquidar o débito de R$ 2.077,27. Diante do exposto, voto no sentido de que sejam encaminhados os autos à DRF/São José do Rio Preto para que se pronuncie acerca do pagamento efetuado em 30/04/2003 e informar sobre a quitação dos débitos em que se utilizou o valor total de R$ 49.280,83. (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de São José do Rio Preto/SP, com as devidas verificações concluiu às fls.136/137 que, o valor do mencionado recolhimento de R$ 49.280,83 é suficiente para amortização de todos os débitos compensados nas seguintes DCOMPs: DÉBÍTOS COMPENSADOS PERDCOMP Código Trib. PA. venc. Valor R$. SD.Crédito R$. 49.280,83 32635.87699.300603.1.7.04-3970 2362 04/03 30/05/03 19.814,92 29.662.10 32635.87699.300603.1.7.04-3970 2484 04/03 30/05/03 8.155,45 21.587.40 09243.22019.300603.1.3.04-6049 2362 05/03 30/06/03 997,99 20.618,19 09243.22019.300603.1.3.04-6049 2484 05/03 30/06/03 1.079,28 19.570,04 20501.64243.280703.1.3.04-9408 2362 06/03 31/07/03 17.845,82 2.546,46 36411.14825.280703.1.3.04-3541 2362 04/03 30/05/03 1.020,13 1.362,44 36411.14825.280703.1.3.04-3541 2484 04/03 30/05/03 367.24 936,21 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10850.900533/200630 Acórdão n.º 1802001.104 S1TE02 Fl. 3 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Conforme relatado o presente processo trata de PER/DCOMP nº09243.22019.300603.1.3.046049,fls.41/45, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código 2362: R$ 997,99) e CSLL (código 2484: R$ 1.079,28) por estimativa apurados em maio/2003, no total de R$ 2.077,27, com alegado crédito decorrente de estimativa de CSLL (código 2484) apurado em 28/02/2003 no valor de R$ 49.280,83 (Data de Arrecadação: 30/04/2003). O fundamento para o indeferimento do pedido no despacho decisório (fl.39) pela autoridade administrativa é que constatou que o valor do crédito original de R$ 49.280,83, acima mencionado, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, constantes do outro PER/DCOMP de nº 32635.87699.300603.1.7.043970, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP nº09243.22019.300603.1.3.046049, no valor total de R$ 2.077,27. Perquirindose a existência de pagamentos efetuados a título de CSLL por estimativa em 2003, e, convertido o julgamento em diligência, restou constatado pela autoridade administrativa (Delegacia da Receita Federal do Brasil de São José do Rio Preto/SP) que, o valor do mencionado recolhimento de R$ 49.280,83 foi suficiente para amortização de todos os débitos compensados em outras DCOMP, inclusive, na DCOMP nº09243.22019.300603.1.3.046049, em análise, nos seguintes valores: 09243.22019.300603.1.3.04-6049 2362 05/03 30/06/03 997,99 09243.22019.300603.1.3.04-6049 2484 05/03 30/06/03 1.079,28 Desse modo, reconhecido pela autoridade administrativa que, o crédito foi suficiente para extinguir os débitos do IRPJ (código 2362) e CSLL (código – 2484) por estimativa, relativos ao período de apuração de maio/2003 no total de R$ 2.077,27, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, e, por conseqüência homologar a compensação efetuada pelo contribuinte (DCOMP nº09243.22019.300603.1.3.046049) de que tratam os presentes autos. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12448.724919/2014-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITA. DIMOB. ÔNUS DA PROVA.
É ônus da prova do contribuinte infirmar o lançamento tributário em relação às informações encaminhadas por terceiros referentes a DIMOB.
No caso concreto, houve, após diligência, comprovação de erro no preenchimento da DIMOB por terceiro, descaracterizando parte da omissão de receita do contribuinte. Conjunto probatório que infirma o lançamento efetuado.
Perda da espontaneidade do contribuinte após regularmente cientificado do lançamento, devendo ser aplicada a multa de ofício, resguardado a apropriação de valores recolhidos durante a ação fiscal.
Numero da decisão: 2201-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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DIMOB. ÔNUS DA PROVA. É ônus da prova do contribuinte infirmar o lançamento tributário em relação às informações encaminhadas por terceiros referentes a DIMOB. No caso concreto, houve, após diligência, comprovação de erro no preenchimento da DIMOB por terceiro, descaracterizando parte da omissão de receita do contribuinte. Conjunto probatório que infirma o lançamento efetuado. Perda da espontaneidade do contribuinte após regularmente cientificado do lançamento, devendo ser aplicada a multa de ofício, resguardado a apropriação de valores recolhidos durante a ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 19 /2 01 4- 26 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 388 2 EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJFortaleza que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através de Notificação de Lançamento nº 2012/90000005222 (fls. 33/36), decorrente do trabalho de verificação fiscal da DIRPF do exercício de 2012, anocalendário 2011 do Recorrente, que exigiu imposto suplementar no valor de R$ 292.387,77, com multa de ofício no percentual de 75% R$ 219.290,82 , e juros de mora de R$ 36.285,32, no valor total de R$ 547.963,91. 2 O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos recebidos de aluguéis pelo Recorrente, no valor tributável de R$ 1.094.819,00, verificada a partir do cruzamento de informações constantes da sua DIRPF com aquelas declaradas nas DIMOB das empresas administradoras dos seus bens próprios, quais sejam, a DCAS Administração de Imóveis Ltda e a Rio Exclusive Imobiliária Ltda., que declararam terem pago ao Recorrente em 2011 as quantias de R$ 1.354,819,00 e R$ 260.000,00, respectivamente assim informado às fls. 08: Fl. 414DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 389 3 3 – Adoto o relatório da DRJ de fls. “Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 32/36, relativa ao anocalendário de 2011, exercício de 2012, para formalização de exigência e cobrança de imposto suplementar (2904) no valor de R$ 292.387,77, multa de ofício no valor de R$ 219.290,82 e juros de mora calculados até 29/11/2013. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 34) que foi apurada omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 1.094.819,00, conforme abaixo: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 1.094,819,00, informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) pela(s) administradora(s) ou em outros documentos. Na apuração da omissão foi considerado o valor líquido do aluguel, já deduzido da comissão correspondente. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 34. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 18/11/2013, fls. 30, o contribuinte, por meio de seu procurador, apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento em 16/12/2013, fls. 26, alegando, em síntese, o que se segue: Infração: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física Dimob. Valor da Infração: R$ 1.094.819,00. Estou questionando o valor de R$ 1.000,00 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 390 4 Foi recebida apenas parte dos rendimentos. Estou questionando o valor de R$ 1.026.569,00. O valor informado acima, de R$ 1.000,00, foi colocado ali porque o sistema da RFB não aceitou o valor correto, recusando a preparar o formulário com o valor R$ 1.026.569,00. O montante recebido foi de apenas R$ 68.250,00, como explicado abaixo: Os aluguéis informados pelas administradoras em Dimob foram retificados como segue: A Solicitação de Retificação de Lançamento foi indeferida em 05/05/2014, e o contribuinte foi notificado do indeferimento em 13/05/2014 (41). Inconformado, o contribuinte, por meio de seu procurador, apresentou impugnação em 11/06/2014, ratificando os argumentos apresentados quando do protocolo da SRL. Vejamos: 1. Dimob da Rio exclusive – AC 2011 Essa Dimob foi preparada com erro. Apresentava o valor de R$ 1.600.000,00 como tendo sido recebido em JAN/2013 pelo aluguel do imóvel sito à Rua Julio Castilhos,30. (...) Na verdade, o contribuinte nunca recebeu esse valor pelo aluguel. Estamos enviando em anexo a Dimob retificadora, onde consta o valor correto recebido pelo contribuinte. Em paralelo, verificamos que não foi feita pela PJ locatária a devida retenção do imposto de renda na fonte, quando do pagamento desses Fl. 416DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 391 5 aluguéis.(...) Em vista disso, apuramos o valor que deveria ter sido retido à época, providenciamos confecção dos respectivos DARFs, e o contribuinte recolheu o tributo, em sua totalidade, em 20/12/2013, juntamente com as penalidades aplicáveis, conf. comprovantes em anexo. Também constatamos que não foi declarado o valor de retirada de lucros naquele anocalendário. Ou seja, há necessidade de fazer duas correções na DAA daquele ano calendário, motivo pelo qual aproveitamos a oportunidade para solicitar à RFB que nos seja permitido apresentar a DAA retificadora. 2. Dimob da DCAS Também preparada com erro grave. Foi devidamente retificada, conforme comprovante em anexo. Tendo em vista as retificações apresentadas, solicitamos a retificação do lançamento inicial.” Aos autos o contribuinte anexou documentos de folhas 04/25. É o relatório.” 4 A Impugnação foi julgada improcedente, para manter o crédito lançado, sob a fundamentação de que as DMOBRetificadoras apresentadas não foram suficientes para comprovar a redução dos rendimentos tributáveis pleiteada, conforme assim ementado pela DRJFortaleza (fls. 49/53): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUÉIS. DIMOB Fl. 417DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 392 6 Apenas a apresentação de Declaração de Informações sobre Operações Imobiliárias DIMOB retificadora não é suficiente para comprovar a redução dos rendimentos tributáveis pleiteada pelo contribuinte, devendo a mesma ser acompanhada de outros elementos comprobatórios. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido.” 5 – Cientificado da decisão de primeira instância em 19/03/2015 (fl. 61), o Interessado interpôs, em 20/04/2015, o recurso de fls. 64/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/173. Na peça recursal em que inova toda a tese de defesa aduz, em síntese, que: Ônus da Prova no Processo Administrativo Tributário O lançamento tributário é instituto jurídico do qual lança mão a autoridade administrativa com vistas a declarar o direito da Fazenda Pública através da aplicação da norma tributária ao fato concreto. Ora, se o lançamento tributário se caracteriza em verdadeiro “ato administrativo de aplicação da norma tributária material” é indiscutível que não pode a Fazenda Pública basear suas conclusões em meras alegações, sem a devida análise de todos os elementos comprobatórios cabíveis. É irrefutável que as afirmações constantes da peça de lançamento estejam baseadas em fatos devidamente apurados pela Autoridade Administrativa. Daí a jurisprudência entender ilegítimo o “lançamento efetuado em bases inseguras” (TRF 1ª Região, acórdão nº 91.01.008012/ BA). Também na jurisprudência administrativa se decidiu que "o lançamento do crédito tributário não deverá ser constituído quando forem insuficientes os elementos de comprovação de ocorrência do fato gerador'" (Acórdão nº 103.11.089 do 1º CC). Fl. 418DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 393 7 Assim como no processo judicial, também no processo administrativo o ônus da prova do alegado incumbe àquele que suscita a irregularidade. Não pode o Recorrente ser punido pela omissão da autoridade fiscalizadora na análise dos documentos que justificam o devido valor do crédito tributário a ser lançado. Princípio da Verdade Material As faculdades e privilégios concedidos à Fazenda Pública precisam ser utilizados para a busca da efetiva verdade. Essa característica do Processo Administrativo decorre do Princípio da Verdade Material, segundo o qual a autoridade administrativa pode e deve promover todas as diligências comprobatórias e considerar todos os documentos independentemente de quando ocorreu a apresentação. Assim, enquanto obrigado a procurar a verdadeira essência de determinada situação fática, o Fisco pode e deve se valer de todos os instrumentos possíveis e provas existentes, não ficando adstrito somente aos fundamentos e/ou documentos apresentados na impugnação. Significa que, enquanto a decisão final do Processo Administrativo não tiver sido proferida, a Autoridade Fiscal se encontra obrigada a considerar todos os fundamentos e documentos apresentados pelos interessados, inclusive aqueles trazidos depois da fase probatória, ou seja, em sede recursal. Nesse contexto, fazse necessária a juntada do contrato de aluguel firmado entre o Recorrente e a empresa administradora de imóveis Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e dos extratos bancários de tal empresa ao longo do período objeto da autuação, extratos esses que comprovam que, de fato, não houve o recebimento dos supostos rendimentos de R$ 1.094.819,00. Tal arcabouço probatório comprova a necessidade da retificação do valor lançado pela autoridade fiscalizadora para R$ 68.250,00. Pedido Fl. 419DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 394 8 Requer seja dado provimento ao recurso para que seja retificado o lançamento do valor de R$ 1.094.819,00 para o valor de R$ 68.250,00. 6 Ao analisar as razões de recurso e os documentos apresentados pelo Recorrente, esta Colenda 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, entendendo que o conjunto probatório constante dos autos não era suficiente para manter ou desconstituir o lançamento fiscal, tendo decidido por converter o julgamento em diligência, conforme trechos do Acórdão, abaixo trazidos: “(...) Nesta sede recursal o Interessado colaciona aos autos os seguintes documentos: Contrato de Locação Residencial do imóvel situado à Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro, celebrado entre o Recorrente, representado pela administradora de imóveis Rio Exclusive Imobiliária Ltda., e a empresa Accenture do Brasil Ltda., cujo valor do aluguel é de R$ 22.250,00 (fls. 87/91). Extratos bancários de contas da Rio Exclusive Imobiliária Ltda. (fls. 93/173). O conjunto probatório constante dos autos não é suficiente, em meu entendimento, para manter ou para desconstituir o lançamento fiscal. O contrato de locação foi firmado pelo período de 30 meses, com início em 18/09/2010 e término em 17/03/2013. Assim, durante todo o período do lançamento (anocalendário de 2011) o imóvel estaria sendo administrado pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda.. Observo, no entanto, que foram retificadas duas DIMOB relacionadas ao mesmo imóvel: uma da Rio Exclusive Imobiliária Ltda., onde foram lançados supostos alugueis referentes ao período de janeiro a julho de 2011 (fls. 13/15) e outra da DCAS Administração de Imóveis Ltda., onde foram Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 395 9 lançados supostos alugueis relativos ao período de agosto a dezembro de 2011 (fls. 23/25). Os extratos apresentados não comprovam, por si sós, nenhum dos supostos recebimentos de alugueis pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda.. Existe apenas um crédito na conta da empresa, no mês de janeiro de 2011, no mesmo valor avençado no contrato de locação, sem, contudo, ser possível identificar o depositante. Nesse cenário, entendo que o julgamento do presente processo deve ser convertido em diligência, a fim de que a DRF de origem: a) Junte aos autos as DIMOB originais e retificadoras das empresas Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e DCAS Administração de Imóveis Ltda. relativas aos anoscalendários 2010, 2011 e 2012; b) Intime a pessoa jurídica Accenture do Brasil Ltda., indicada no contrato de locação como locatária do imóvel do Recorrente, a apresentar: b.1) os comprovantes de pagamentos dos aluguéis registrados nas DIMOB retificadoras apresentadas pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e pela DCAS Administração de Imóveis Ltda.; b.2) cópia de seu contrato social; b.3) cópia do contrato celebrado com o proprietário do imóvel locado. c) Intime a pessoa jurídica Rio Exclusive Imobiliária Ltda. a apresentar cópia de seu contrato social. d) Intime o Recorrente a apresentar o contrato celebrado com a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda cujos aluguéis foram lançados na DIMOB retificadora da mesma, bem como para se manifestar sobre os pontos abordados nesta diligência fiscal. De seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 396 10 Marcelo Vasconcelos de Almeida” 7 Com o objetivo de cumprir com o quanto determinado pelo C. CARF, em 19/04/2016, a DRF/RJI intimou o Recorrente, via Termo de Intimação Fiscal (fls. 184), para que apresentasse no prazo de 20 (vinte) dias o contrato celebrado com a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. cujos aluguéis foram lançados na DIMOB retificadora da mesma. 8 Em atendimento à mencionada intimação, o Recorrente respondeu, em 17/05/2016, que: i. apesar do Termo de Intimação Fiscal ter sido datado de 19/04/2016, o Recorrente somente foi cientificado em 06/05/2016; ii. não mantém, nem manteve, qualquer contrato de administração de locações DCAS Administração de Imóveis Ltda., por dois motivos: é seu sócio quotista, conforme comprova o contrato social da empresa, juntado na ocasião; e por não possuir imóvel registrado em seu nome, conforme comprovam as certidões distribuidoras de escrituras, também juntadas; iii. em verdade, a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. tem como objeto social a administração de locação de imóveis próprios, por essa razão não podendo administrar imóveis de terceiros, sequer dos seus sócios, sendo que a DIMOB Original foi entregue com erro de elaboração pelo contador, que declarou o nome do Recorrente como sendo o locador do imóvel, quando seu real proprietário é a mencionada empresa, nos termos do artigo 1245 do Código Civil, motivo pelo qual procedeuse à retificação da DIMOB para corrigir os erros constatados; iv. juntou os seguintes documentos: 1) contrato social da DCAS Administração de Imóveis Ltda. (fls. 189/194); e 2) Certidões de Registro de Distribuição Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 397 11 emitidas pelos 6º e 5º Ofícios de Registros de Distribuição do Rio de Janeiro (fls. 195/197). 9 Em 03/05/2016, a DRF/RJI intimou a empresa Accenture, para que esta apresentasse os seguintes documentos: 1) Comprovantes de pagamentos de aluguéis declarados nas DIMOB das empresas Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e DCAS Administração de Imóveis Ltda.; 2) Cópia do seu contrato social; e 3) Cópia do contrato de aluguel celebrado com o proprietário do imóvel o qual esta loca. 10 Em resposta, a Accenture entregou apenas o seu contrato social e requereu mais 7 (sete) dias úteis para apresentar o restante dos documentos solicitados (fls. 200/227). 11 Em 03/05/2016, a DRFRJI intimou a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. para que apresentasse as DIMOB originais e retificadoras dos anoscalendários de 2010, 2011 e 2012, referentes ao imóvel do Recorrente (fls. 228). 12 Em atendimento à mencionada intimação, DCAS Administração de Imóveis Ltda. respondeu, em 16/05/2016, que: i. apesar do Termo de Intimação Fiscal ter sido datado de 03/05/2016, a empresa somente foi cientificada em 06/05/2016; ii. não mantém, nem manteve, qualquer contrato de administração de locações DCAS Administração de Imóveis Ltda., por dois motivos: é seu sócio quotista, conforme comprova o contrato social da empresa, juntado na ocasião; e por não possuir imóvel registrado em seu nome, conforme comprovam as certidões distribuidoras de escrituras, também juntadas; iii. em verdade, a empresa DCAS Administração de Imóveis Ltda. tem como objeto social a administração de locação de imóveis próprios, por essa razão não Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 398 12 podendo administrar imóveis de terceiros, sequer dos seus sócios, sendo que a DIMOB Original foi entregue com erro de elaboração pelo contador, que declarou que os rendimentos de locações foram erroneamente lançados em nome do Recorrente (seu sócio), o qual sequer possui imóveis para locação, fato que gerou mal entendido, o qual foi posteriormente sanado pela entrega da DIMOB retificadora; iv. juntou os seguintes documentos: 1) suas DMOBs 2011 e 2012, tanto originais, quanto retificadoras (fls. 235/244); e 2) contrato social da DCAS Administração de Imóveis Ltda. (fls. 244/249); 3) Certidões de Registro de Distribuição emitidas pelos 6º e 5º Ofícios de Registros de Distribuição do Rio de Janeiro (fls. 250/252); 4) Detalhamento da relação comercial entre o Recorrente, a DCAS Administração de Imóveis Ltda., a Rio Exclusive Imobiliária Ltda. e a Accenture (fls. 254); 5) contratos de locação da DCAS Administração de Imóveis Ltda. com a Accenture (fls. 255/262), Ivan Antoine Alexandre Segal (fls. 263/272) e MPX Energia Ltda. (fls. 273/278); 6) notas fiscais emitidas pela Rio Exclusive Imobiliária Ltda. contra a DCAS Administração de Imóveis Ltda. (fls. 279/289). 13 Em 08/06/2016 a Accenture apresentou os documentos restantes que a DRRJI lhe havia intimado a apresentar (fls. 290/341). 14 – Em 06/07/2016, a DRFRJI encaminhou a este C. CARF os documentos obtidos pela realização de diligência solicitada pelo Conselho (fls. 388). 15 – Em Resolução essa turma em sessão de converteu novamente o julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora confirmasse a intimação ao contribuinte dos documentos juntados finalizando a diligência para manifestação. Em fls. a RFB indica às fls. em que o contribuinte foi intimado devolvendo os autos ao CARF. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 399 13 16 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 17 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 18 A Fiscalização apurou, com base no cruzamento de informações entre a DIRPF do Recorrente e a DIMOB das empresas nas quais este é sócio, omissão de rendimentos de aluguéis recebidos pelo Recorrente no valor de R$ 1.094.819,00. O Recorrente alega que houve erros na emissão das DIMOB originais, que foram retificadas em momento posterior ao lançamento. 19 Os julgadores da instância a quo, bem como desta E. Turma Ordinária, entenderam que as retificações das DIMOB, bem como os documentos juntados até a análise do recurso, foram insuficientes para desconstituir o lançamento, tendo requerido a juntada de outros documentos pertinentes ao deslinde do ocorrido, com vistas à formação da sua convicção. 20 Em sede de fiscalização, o objetivo da produção de provas é formar a convicção do julgador no âmbito do processo administrativo fiscal. Essa liberalidade exigida de ocupante do cargo da autoridade fiscal é disposta no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, o qual prevê que, ao analisar o conjunto probatório ofertado, o julgador administrativo deve formar sua livre convicção, conforme abaixo: Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 400 14 “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” 21 – Portanto, as inovadoras alegações do contribuinte quanto a esse ponto acima indicado, servem apenas para tumultuar o processo, uma vez que verificase que todo o ocorrido foi efetuado em decorrência de informações pouco claras em sua DIRPF e no cruzamento de informações de outras fontes. 22 – Os documentos da diligência e demais pontos estão sendo apenas analisados uma vez que foi ponto de discordância e principal e única matéria da defesa desde o pedido de retificação de lançamento informando sobre o erro das DIMOB, contudo, estão sendo verificadas em decorrência de complementariedade para contrapor razões indicadas na decisão da DRJ (art. 16, § 4º “c” decreto 70.235/72). 23 – Portanto, o ponto a ser analisado são as retificações efetuadas pelas fontes pagadoras informadas na DIMOB de 2011 relativas ao imóvel da Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro, conforme diligência anteriormente determinada. 24 – Verificando os dados da DIMOB originais apresentada às fls.235/237 encaminhada pela DCAS Administradora de Imóveis Ltda., em que o contribuinte é sócio majoritário verificamos que há a seguinte informação: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 401 15 25 – Não consta nessa DIMOB o imóvel da Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro, essa informação foi retificada pela DIMOB de fls. 240, contudo, de plano verificase que de alguma forma houve erro grosseiro na apresentação da original na medida em que consta o próprio contribuinte como locador e locatário do próprio imóvel e como rendimento omisso o valor de R$ 260.000,00 sendo que na realidade tratase de comissão, em tese, seria receita da empresa que teria informado a DIMOB. 26 – Verifica se também pelas fls. 196 informação do 6º Serviço Registral de Imóveis do Rio de Janeiro que o imóvel é de propriedade da Pessoa Jurídica de DCAS Administração de Imóveis Próprios Ltda desde 30/04/2010: Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 402 16 27 – Portanto, nesse caso, impossível o valor lançado na DIMOB original ser rendimento do contribuinte. 28 – Na DIMOB retificadora de fls. 239/241, temos a seguinte informação: 29 Com base nos elementos de fato indicados pela locatária do imóvel (pessoa jurídica de Accenture do Brasil Ltda.), às fls. 290/318 temos que houve os pagamentos à pessoa física do contribuinte, fls. 292/298, através da administradora Rio Exclusive, de acordo com o contrato de fls. 313/318. 30 – O contrato de locação entabulado entre o contribuinte e a Accenture foi assinado em 13 de setembro de 2010 tendo por objeto a locação do imóvel na Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro no valor de R$ 22.500,00, mensais, fato indicado na DIMOB de 2010 de fls. 362 encaminhada pela Rio Exclusive, administradora do imóvel. 31 – Durante parte do ano de 2011 até julho o valor da locação foi paga e é rendimento do contribuinte e que foi omitido, tanto é que, após o início da ação fiscal, e Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 403 17 totalmente fora da espontaneidade às fls. 03 da sua impugnação o contribuinte confessa que omitiu tal rendimento e às fls. 16/22 entrega os DARF relativo ao pagamento do IR sobre esse aluguel não pago com juros e correção monetária e multa apenas moratória, sendo que tal ponto será analisado mais à frente. 32 – Existe um contrato de locação às fls. 304/312 datado de 15 de junho de 2011 entre a DCAS Administração de Imóveis Ltda. e a Accenture tendo por objeto o mesmo imóvel localizado na Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro, com um aluguel no valor de R$ 27.000,00 ao mês, constando os pagamentos de fls. 299/303 para a pessoa jurídica de DCAS Administradora de Bens Imóveis Ltda., empresa de titularidade do contribuinte. 33 – A titularidade do imóvel Rua Francisco Otaviano 120 (apartamento 701), Ipanema, Rio de Janeiro foi repassada, conforme informação de fls. 252 do 5º ofício do registro de distribuição do Rio de Janeiro do contribuinte para a pessoa jurídica de DCAS Administração de Imóveis Ltda., conforme 17º Ofício de Notas, a incorporação para alteração de capital em 30/06/2011 registrado no livro 7240, fls. 23 a 24. 34 – Portanto, a partir dessa data o imóvel passou para a titularidade da administradora de bens na qual é titular, apesar do contribuinte não ter informado esse fato em sua DIRPF de fls. 43/47. Às fls. 367 a DIMOB de 2011 retificada pela Administradora Rio Exclusive na época assim indicou: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 404 18 35 – Portanto, em vista do princípio da verdade material, após a valoração das provas trazidas aos autos, nesse ponto entendo que houve realmente equívocos por parte das empresas que enviaram a DIMOB que basearam o lançamento, portanto, excluo do lançamento os valores de R$ 260.000,00 (duzentos e sessenta mil reais) relativos à DIMOB entregue pela DCAS Administradora de Bens Móveis e excluir o valor de R$ 1.026.569,00 relativo a omissão de receita, mantendo apenas a base tributável de R$ 68.250,00. 36 – Quanto a base tributável de R$ 68.250,00 houve recolhimento às fls. 16/22 dos autos, contudo, o contribuinte deve arcar com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco) por cento uma vez que estava sob procedimento de fiscalização e, portanto, fora da espontaneidade e qualquer retificação em sua DIRPF nesse sentido em relação à matéria do lançamento não teria o condão de afastar a multa de ofício. 37 – Nesse caso, portanto, após transito em julgado administrativo, deve a autoridade preparadora providenciar o recálculo do valor, com a multa de ofício, com a apropriação dos valores eventualmente recolhidos pelo contribuinte, não fazendo jus a espontaneidade. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12448.724919/201426 Acórdão n.º 2201003.831 S2C2T1 Fl. 405 19 Conclusão 38 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para excluir do lançamento a título de omissão de rendimentos o valor de R$ 260.000,00 (duzentos e sessenta mil reais) relativos à DIMOB entregue pela DCAS Administradora de Bens Móveis e excluir o valor de R$ 1.026.569,00 relativo a omissão de receita, mantendo apenas a base tributável de R$ 68.250,00, com a multa de ofício, devendo a autoridade preparadora promover a apropriação dos valores eventualmente recolhidos pelo contribuinte de fls. 16/22, não fazendo jus a espontaneidade. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 13891.000048/2008-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DSPJ - SIMPLES - Caracterizado o atraso na entrega da Declaração Simplificada, há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-001.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório FABIO BERTINI ROTISSERIE LTDA ME, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), recorre a este Conselho Administrativo contra a decisão, em primeira instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, mediante o Acórdão nº 1424.716, de 18 de junho de 2009, fls.26/27, que julgou procedente a exigência fiscal. Por bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fl.26) que a seguir transcrevo: Fl. 46DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Versa o presente processo sobre auto de infração (fl.4), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada (DSPJ), relativa ao anocalendário de 2006, no valor de R$479,20. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/3) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que equivocadamente se encontrava cadastrada sob o regime de tributação do lucro presumido, mas recolhia os impostos sob o regime de tributação do Simples, portanto apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dentro do prazo para o regime do Simples, para o qual deveria estar cadastrada, porém fora do prazo para o lucro presumido. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente A empresa interessada foi cientificada da decisão mencionada, conforme Aviso de Recebimento (AR), de 17/07/2009, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 30/07/2009 no qual pede a reconsideração de sua multa por atraso na entrega da declaração. A recorrente alega que de acordo com o processo 13891.000228/200739, a firma sofreu sucessivos equívocos com relação ao seu termo de opção para enquadramento, no Simples e só pode, transmitir sua declaração quando, através do Despacho Decisório deste da Receita Federal, sua situação pelo regime do Simples ficou definida. Assim, requer o acolhimento de suas razoes, com conseqüente Cancelamento da penalidade. É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13891.000048/200838 Acórdão n.º 1802001.266 S1TE02 Fl. 47 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso é tempestivo. Dele conheço. Analisando os documentos que compõem o processo, verificase que a Notificação de Lançamento (fl.04) em que se exige a multa no valor de R$ 479,20 (reduzida em 50%, em virtude de entrega espontânea da declaração) decorre do fato de haver o contribuinte apresentado a Declaração do ano calendário de 2006 (DSPJ – SIMPLES) em 30/01/2008, após o prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal, para 31/05/2007. O recorrente na impugnação solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que equivocadamente se encontrava cadastrada sob o regime de tributação do lucro presumido, mas recolhia os impostos sob o regime de tributação do Simples, portanto apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dentro do prazo para o regime do Simples, para o qual deveria estar cadastrada, porém fora do prazo para o lucro presumido. A DRJ mostrou a inconsistência de tal argumentação, visto que a multa exigida é referente à Declaração Simplificada do ano calendário de 2006, e não da DIPJ/Lucro presumido, como alega a impugnante. Já na peça recursal a recorrente se afasta do alegado acima e pede a reconsideração de sua multa por atraso na entrega da declaração, alegando que de acordo com “o processo 13891.000228/200739”, sic, a firma sofreu sucessivos equívocos com relação ao seu termo de opção para enquadramento, no Simples e só pode, transmitir sua declaração quando, através do Despacho Decisório da Receita Federal, sua situação pelo regime do Simples ficou definida. Assim, requer o acolhimento de suas razões, com o conseqüente cancelamento da penalidade. Apesar da alegação acima, a empresa não traz aos autos a comprovação de fatos impeditivos à entrega da Declaração Simplificada relativa ao ano calendário de 2006. O atraso na entrega da DIPJ revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Dessarte, a DIPJ entregue em 30/01/2008 fora extemporânea, o que não exime a pessoa jurídica da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, ou seja, a multa por atraso na entrega da DIPJ nos termos da Lei nº 10.426/2002, que assim dispõe: Lei 10.426, de 24/04/2002 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Fl. 48DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; ... § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ... § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (...) Quanto ao cancelamento da multa devida, vale registrar que, de acordo com o artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN), somente a lei pode estabelecer dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei que permita a dispensa da penalidade em comento e, estando a interessada obrigada à apresentação da Declaração Simplificada, sendo inconteste que a contribuinte apresentou a DSPJ, com atraso, é de se manter a exigência da multa correspondente no valor de R$ 479,20 ( já reduzida em 50%, em virtude de entrega espontânea da declaração). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13891.000048/200838 Acórdão n.º 1802001.266 S1TE02 Fl. 48 5 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12448.728447/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
IRPF SOBRE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECONHECIMENTO DE DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. ART. 4°., ALÍNEA "D", DO DECRETO-LEI N. 1.510/1976. TRÂNSITO EM JULGADO DE DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 156, X, DO CTN. RECURSO ADMINISTRATIVO. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
A extinção do crédito tributário, em virtude do trânsito em julgado de decisão judicial que reconhece direito adquirido à isenção de imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação de ações com fulcro no art. 4°., alínea "d", do Decreto-Lei n. 1.510/1976, encontra previsão no art. 156, X, do CTN e caracteriza perda superveniente de objeto em relação ao recurso administrativo anteriormente interposto, decorrendo não conhecimento.
Numero da decisão: 2402-006.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ALIENAÇÃO DE AÇÕES. RECONHECIMENTO DE DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. ART. 4°., ALÍNEA "D", DO DECRETOLEI N. 1.510/1976. TRÂNSITO EM JULGADO DE DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 156, X, DO CTN. RECURSO ADMINISTRATIVO. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A extinção do crédito tributário, em virtude do trânsito em julgado de decisão judicial que reconhece direito adquirido à isenção de imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação de ações com fulcro no art. 4°., alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/1976, encontra previsão no art. 156, X, do CTN e caracteriza perda superveniente de objeto em relação ao recurso administrativo anteriormente interposto, decorrendo não conhecimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 84 47 /2 01 3- 08 Fl. 565DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201308 Acórdão n.º 2402006.003 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 487/501) em face do Acórdão n. 12 67.172 21ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJO (fls. 468/477), que julgou parcialmente procedente a impugnação de fls. 352/360 e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2011 e 2012 Períodos de Apuração (P.A) 02/2011; 04/2011; 07/2011; 01/2012 e 07/2012 no montante de R$ 1.472.454,71 (fls. 303/310) Cód. Receita 2904 sem acréscimo de juros e multas com fulcro em apuração de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 311/320. O Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Anos Calendário 2011 e 2012 Períodos de Apuração (P.A) 02/2011; 04/2011; 07/2011; 01/2012 e 07/2012 no montante de R$ 1.472.454,71 (fls. 303/310) Cód. Receita 2904 , quando do lançamento, encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial concedida nos autos do processo n. 2011.51.01.0033915 da 23ª. Vara Federal do Rio de Janeiro, nos termos do art. 151, II e IV do CTN. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 311/320 o procedimento fiscal visou à verificação de rendimentos sujeitos a ganho de capital na alienação de ações da Clínica MédicoCirúrgica Botafogo, ocorrida em 01/02/2011. O recorrente impetrou Mandado de Segurança Preventivo n. 2011.51.01.0033915 (fls. 506/518) contra atos do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro I e do ProcuradorChefe da Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado do Rio de Janeiro postulando fosse concedida a segurança a fim de não ser compelido a pagar o Imposto de Renda sobre o total do ganho de capital decorrente da alienação de 1.317.381 ações de que era titular, considerando as respectivas bonificações, adquiridas no período de 25/04/1972 a 28/04/1983, sob a alegação de existência de direito adquirido à isenção em relação à venda da maior parte das ações prevista na alínea “d”, do art 4º, do Decreto n. 1.510/76. Em 17/06/2011, foi exarada decisão de primeira instância 23ª. Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 335/338 e 519/522) favorável ao recorrente, “para determinar às autoridades coatoras que se abstenham de exigir o Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação das 1.317.381 de que era titular”. A ação fiscal da RFB foi deflagrada em 19/12/2011 amparada no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 07.1.08.002011052770 , consoante Termo de Início de Fiscalização de fls. 45/47. A União Federal/Fazenda Nacional apresentou recurso de apelação ao TRF2 (fls. 523/532), que negou provimento, mantendo a decisão de primeiro grau que concedeu a segurança e determinou que as autoridades coatoras (Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I e II) se abstivessem de exigir o Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação das ações de que o embargado era titular, em face da isenção prevista no art 4º, alínea "d" do Decreto n. 1.510/76. A União Federal/Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que teve negado provimento (fls. 339/346 e 533/539). Fl. 567DF CARF MF 4 Em seguida, a União Federal/Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial (REsp) n. 1.588.793RJ, que foi admitido pelo TRF2 e julgado pelo STJ, que negou seguimento, ocorrendo trânsito em julgado em 22/11/2016 (fls. 542/551). O Recurso Extraordinário RE apresentado pelo recorrente não foi admitido pelo TRF2 (fls. 540/541). O recorrente efetuou depósito judicial dos valores em lide (fls. 115/117), confirmados pela Fiscalização da RFB e atestado pela DRJ/RJO (fl. 471). Os fatos vinculados à autuação em litígio podem ser assim resumidos: "Custo de Aquisição Considerado pelo Contribuinte: O contribuinte informou como custo de aquisição para as ações alienadas o valor de R$ 2.276.326,60. Segunda informa, tal valor representa o custo das ações constantes de sua DIRPF 2010 (1.676.588,60) acrescido de capitalização de lucros de 2010 (R$ 599.738,09). Tal valor também corresponde à quantidade de ações possuída pelo contribuinte à época da alienação (1.445.335) multiplicada pelo valor de cada ação (R$1,5749), considerados o valor do capital social (R$28.014.841,05) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A – Hospital Samaritano e a quantidade de ações que o compunham (17.787.794), de acordo com ata de assembléia geral ordinária e extraordinária. Custo de Aquisição Apurado pela Fiscalização: a sistemática utilizada pelo contribuinte para apuração do custo de aquisição das ações não encontra amparo na legislação. O contribuinte adquiriu ações antes e após 31/12/1991, dessa forma, em obediência à legislação regente, a fiscalização apurou o custo de aquisição para as ações adquiridas até 31/12/1991 e este foi adicionado ao custo de aquisição das ações adquiridas após essa data. Para o cálculo do custo de aquisição das ações adquiridas antes de 1991, foi feita a comparação entre o custo de aquisição calculado pelos incisos I e II do art 126, do Decreto Lei 3.000/99, sendo que para o inciso II a fiscalização considerou o valor de R$ 492.479,20, para as 1.445.335 ações, valor este declarado da DIRPF (Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física), exercício 1999, visto que não foi apresentada a declaração de bens do exercício 1992. Para as 44.353 ações adquiridas em 1996, a fiscalização considerou como custo de aquisição o valor de R$19.875,00. A fiscalização não considerou o aumento do custo de aquisição constante das DIRPF 2004, 2010 e 2011, pois essas majorações foram feitas sem emissão de novas ações, não sendo permitidas pela legislação. Valor de Alienação: O valor estabelecido no contrato celebrado em 01/02/2011 para a venda era de R$ 10,1193 por ação, totalizando para o contribuinte o valor de R$ 14.625.778,47. O contribuinte considerou como valor de alienação R$14.797.045,75, valor este acrescido de R$ 171.267,27, correspondentes a honorários advocatícios (valores também constantes do mesmo contrato). Ainda de acordo com o contrato, o valor da venda seria recebido em 7 parcelas nas datas, a saber: 02/02/2011, 01/04/2011, 11/07/2011, 10/01/2012, 10/07/2012 (essas objetos de análise do presente procedimento) e 10/01/2013 e 10/07/2013 (fora do escopo do presente procedimento fiscal). Ganho de Capital e Imposto Devido: Apuração procedida pelo contribuinte Conforme planilha em resposta apresentada à fiscalização em 25/07/2012, o contribuinte dividiu as ações entre aquelas por ele consideradas abrangidas pela alínea “d” do art. 4º do Decreto Lei nº 1.510/76 (quantidade de 1.317.381 – percentual de 91,147%), daquelas que considerou não Fl. 568DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201308 Acórdão n.º 2402006.003 S2C4T2 Fl. 103 5 abrangias pela citada norma (quantidade de 127.954 – percentual de 8,853%). Em seguida procedeu à apuração do ganho de capital e do imposto devido quando do recebimento de cada uma das parcelas estabelecidas no contrato de alienação na proporção dos recebimentos, conforme Planilha 04. A fiscalização confirmou os depósitos relativos ao imposto incidente sobre 91,147% do ganho de capital, foram confirmados nos valores acima, bem como os recolhimentos relativos aos restantes 8,853%, feitos por DARF. Em paralelo, e de forma contraditória ao fato de ter impetrado ação judicial para discutir o valor do ganho de capital, o contribuinte declarou a alienação das ações e apurou o ganho de capital como se não estivesse discutindo judicialmente o valor do imposto incidente sobre a operação. Apuração da Fiscalização Ganho de capital não discutido judicialmente – a fiscalização considerou custo de aquisição de R$492.479,20, dessa forma confeccionou novo Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital – Participações Societárias (em anexo) utilizandose o custo de aquisição apurado pela fiscalização, chegandose ao ganho de capital total na alienação das ações de R$14.304.566,54 (Valor de Alienação R$14.797.045,74 – Custo de Aquisição R$492.479,20). A fiscalização apresenta a Planilha 05, fls 342, na qual acosta os valores advindos do Demonstrativo apurado pela fiscalização, com a divisão dos valores do IR devido em “sub judice” e “não contestado”. Os cálculos deste auto de infração, relativos ao imposto devido quanto à parcela a lançar com multa de ofício de 75% e juros, se referem apenas à parte não contestada (8,853% do total apurado) e, portanto, são menores do que os valores já declarados pelo contribuinte para 2011. Não há, portanto, lançamento de imposto sobre esta parcela para o ano calendário 2011. Com relação a 2012, no entanto, não foi apresentado o anexo do ganho de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre as parcelas recebidas naquele ano calendário. Quanto às parcelas recebidas no ano calendário 2012 (10/01/2012 e 10/07/2012), portanto, não houve declaração prestada pelo contribuinte e o imposto apurado, relativo à parte não contestada (8,853%), está sendo lançado através deste auto de infração, com cobrança regulamentar de multa de ofício de 75%, conforme planilha 06, fls 343, com dedução dos valores do IR pago. Ganho de capital sub judice: Tratase da parte da alienação relativa às ações (91,147%) que, segundo o contribuinte, estão abrangidas pelo DL 1.510/76, sendo discutida judicialmente através do processo nº 2011.51.01.0033915. Como já explicitado, o contribuinte realizou depósitos judiciais do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, sob o código 7416, nas datas e valores relativos às parcelas recebidas. Houve decisão judicial favorável ao contribuinte e os créditos deste auto de infração são constituídos com exigibilidade suspensa, para garantia dos créditos tributários até o trânsito em julgado do processo judicial. No entanto, como já exposto, o cálculo do custo de aquisição das ações utilizado pelo contribuinte para apurar o ganho de capital, e, consequentemente, o valor do imposto de renda incidente sobre as parcelas, não está amparado pela legislação de regência e o custo das ações foi reduzido, de acordo com a apuração desta fiscalização, gerando novos valores de ganho de capital e de imposto devido, Planilha 07. Todavia, em atendimento à decisão judicial, os créditos foram constituídos sem cobrança de multa e juros e com exigibilidade suspensa. Fl. 569DF CARF MF 6 Conclusão: O crédito tributário apurado para o presente processo, n. 12448.728448/201344, foi de R$11.023,86 sendo R$5.854,10 de imposto, R$779,18 de juros e R$4.390,58 de multa proporcional passível de redução. O crédito tributário apurado para o processo nº 12448.728447/201308 foi de R$1.472.454,71 de imposto." É relevante destacar que as ações abrangidas pela decisão judicial transitada em julgado (fls. 542/551) isenção nos termos do alínea “d”, do art 4º, do Decreto n. 1.510/76 totalizam 1.317.381 ações, correspondentes à participação percentual de 91,147% (de um total de 1.445.335 na data de 01/02/2011), em conformidade com planilhas apresentadas pelo recorrente às fl. 113. O Auto de Infração de fls. 303/310 apurou crédito tributário relativo à alienação dessas ações, e, ipso facto, foi constituído com exigibilidade suspensa, conforme acima relatado. Os percentuais informados pelo recorrente (91,147% e 8,853%) além de não terem sido questionados pela Fiscalização da RFB, esta daqueles se utilizou como referência para o lançamento em lide. Cientificado do lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 303/310, o recorrente apresentou impugnação (fls. 352/360) em 07/02/2014, aduzindo em síntese: "Da tempestividade; dos fatos e do Auto de Infração – discorre sobre os fatos. Da possibilidade de discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial – Cita jurisprudência e entende que o MS nº 2011.51.01.0033915 tem como objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o argumento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea “d”, do DL nº 1.510/76. Já na presente impugnação, o que está sendo questionado nos autos são os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações. Assim, resta claro que o disposto na letra “b” do ADN COSIT nº 03/96 dá respaldo à apreciação na via administrativa da matéria que será tratada na presente impugnação. Dos erros cometidos pela fiscalização na determinação do custo de aquisição das ações – entende que a fiscalização cometeu um equivoco ao desconsiderar o custo de aquisição utilizado pelo impugnante para fins de apuração do ganho de capital. Informa que a fiscalização deixou de considerar no custo de aquisição das ações os valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridos nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, devidamente comprovadas por meio de documentação apresentada por petição protocolada em 25.07.2012. Apresenta suas razões e entende que há a possibilidade de incremento do custo de aquisição de ações em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996 já foi objeto em Soluções de Consulta pela própria Receita Federal do Brasil (RFB), como segue. Cita trecho das Soluções de Consulta nºs 53, 54, 55, 56, 57, 58 de 08/05/2008. Têmse, portanto, que os valores proporcionais das capitalizações realizadas pela Clínica nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, que totalizam 1.431.593,82, também devem compor o custo de aquisição das alienadas pelo impugnante para fins de apuração de eventual imposto de renda sobre ganho de capital. Por fim, devese destacar que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo o ganho de capital deve ser de apenas R$ 14.625.778,47, e não de R$ 14.797.045,74. De fato, conforme se depreende pelo Contrato de Compra e Venda Fl. 570DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201308 Acórdão n.º 2402006.003 S2C4T2 Fl. 104 7 das Ações (apresentado no curso da fiscalização e ora reapresentado – doc 03), o valor efetivo da venda das ações do Impugnante foi de R$ 14.625.778,47, sendo que o valor de R$ 171.267,27, corresponde a honorários advocatícios, pagos te pelos compradores. Pelo exposto, pede e espera o impugnante a retificação do valor lançado no auto." Recepcionada a impugnação de fls. 352/360, a DRJ/RJO exarou decisão abrigada no Acórdão n. 1267.172 (fls. 468/477), sumarizada na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à lide da questão, conhecendo da impugnação. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001. ÔNUS DA PROVA. Havendo incongruência entre as informações declaradas à RFB e informadas pelo contribuinte, este deve apresentar documentos hábeis e inequívocos para refutar a base de cálculo do imposto de renda. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. 1267.172 (fls. 468/477) em 22/08/2014 (fl. 479) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 18/09/2014 (fls. 487/501), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de fls. 352/360. É o relatório. Fl. 571DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Não obstante a tempestividade do Recurso Voluntário de fls. 487/501, dele não há de se conhecer, em virtude da perda superveniente de objeto, consubstanciada no trânsito em julgado da decisão judicial (fls. 542/551) que concedeu ao recorrente direito adquirido à isenção de imposto de renda sobre ganhos de capital decorrente da alienação, em 01/02/2011, de 1.317.381 ações da Clínica MédicoCirúrgica Botafogo S/A Hospital Samaritano correspondentes a 91,147% do total de que era titular, considerando as respectivas bonificações, adquiridas no período de 25/04/1972 a 28/04/1983, com fulcro no art 4º, alínea "d" do DecretoLei n. 1.510/76. Com efeito, resta caracterizada, no caso concreto, a extinção do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Anos Calendário 2011 e 2012 Períodos de Apuração (P.A) 02/2011; 04/2011; 07/2011; 01/2012 e 07/2012 no montante de R$ 1.472.454,71 Cód. Receita 2904 (fls. 303/310), com fulcro no art. 156, X do CTN. Desta forma, revelamse despiciendos os vícios da apuração de ganho de capital identificados pela Fiscalização da RFB e discriminados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 311/320, vez que, independentemente da forma (se de acordo com a legislação ou não) como o recorrente apurou o ganho de capital relativo à alienação das ações abrangidas pela decisão judicial de fls. 542/551, o fato é que está isento com fundamento no art 4º, alínea "d" do DecretoLei n. 1.510/76, nos termos da decisão judicial de fls. 542/551. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 487/501), em virtude da perda superveniente de objeto, e retorno dos autos à DRF de origem para cumprimento da decisão judicial de fls. 542/551. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 572DF CARF MF
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Numero do processo: 13044.720175/2015-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/11/2010
ADUANEIRO. MULTA.
Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado.
Não tendo o auto de infração sequer indicado a presença desta condição, há de ser afastada a multa aplicada por ausência de subsunção do fato à norma.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o auto de infração, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Larissa Nunes Girard votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Roberto da Silva, José Henrique Mauri e Liziane Angelotti Meira.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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MULTA. Nos termos do art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, a multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada nos casos de omissão ou informação inexata/incompleta desde que necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Não tendo o auto de infração sequer indicado a presença desta condição, há de ser afastada a multa aplicada por ausência de subsunção do fato à norma. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o auto de infração, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Larissa Nunes Girard votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Roberto da Silva, José Henrique Mauri e Liziane Angelotti Meira. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 4. 72 01 75 /2 01 5- 67 Fl. 252DF CARF MF 2 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 246 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão da DRJ de fls. 99 e seguintes dos autos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/11/2015, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar no valor de R$ 69.265.656,21, em virtude dos fatos a seguir descritos. O sujeito passivo omitiu a informação exigida no item 34, do Anexo Único da Instrução Normativa RFB n° 680, de 2 de outubro de 2006, incorrendo assim em infração punida com a penalidade preceituada no art. 711, § 1º, inciso I, delimitada pelos parâmetros estabelecidos nos §§ 2º e 5o do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 14/12/2015 (fls. 37), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 13/01/2016, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 43 à 54, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ DA IDENTIFICAÇÃO DO EXPORTADOR Primeiramente, insta salientar que, de acordo com o item 34, do anexo único da Instrução Normativa n° 680/06, deve o importador identificar a pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria e a sua relação com o exportador. Todavia, na importação de petróleo, não é possível identificar a figura do fabricante ou produtor, tendo em vista que se trata de um produto que é extraído, e não fabricado. Dessa forma, a informação que a Impugnante poderia prestar em atendimento ao aludido item 34 seria identificar a pessoa do exportador. E esta obrigação, como se pode observar pelas declarações de importação anexas à presente impugnação, foi devidamente cumprida. Tanto é assim, que em todas as declarações mencionadas no auto de infração não há qualquer alerta ou erro apontado em relação ao campo destinado à identificação do fabricante/produtor. Com efeito, a única informação que podería se imaginar como apta a identificar o fabricante/produtor seria apontar o poço de onde foi extraído o petróleo importado. No entanto, nem assim esta informação seria precisa, tendo em vista que o óleo, de sua extração até a sua efetiva exportação, pode ser objeto de mistura com diversas outras extrações. Nestes termos, temse que a Impugnante cumpriu fielmente a obrigação acessória trazida pela Instrução Normativa n° 680/06, eis que as DIs elencadas contêm a informação de que os exportadores foram as empresas SAUDI ARABIAN OIL COMPANY (SAUDI ARAMCO), OIL MARKETING COMPANY e PETROBRAS INTERNATIONAL BRASPETRO BV PIBBV. Fl. 254DF CARF MF 4 Já em relação ao fabricante/produtor, a Impugnante não deixou o campo em branco, informando apenas desconhecer quem seria o fabricante/produtor, tal como consta na orientação da tela “Ajuda do SISCOMEX”. Se o fabricante/produtor for desconhecido deverão ser informados o código do país de origem (do fabricante/produtor) e os dados do exportador. De outra parte, deve ser destacado que, em situações similares à presente, existem dois atos declaratórios que dispensam os contribuintes do recolhimento de multa por descumprimento de obrigação acessória quando não se constatar intuito doloso ou máfé. Transcreve o Ato Declaratório COSIT n° 12, de 21/01/1997. Nestes termos, de acordo com o ato declaratório acima transcrito, mesmo que haja alguma solicitação incabível de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação, não sendo constado dolo ou máfé do contribuinte, deverá ser afastada a multa aduaneira. Ora, se em casos mais graves, capazes de interferir na arrecadação tributária, é aberta a possibilidade de exclusão da multa, com mais razão esta penalidade deverá ser afastada quando não houver quaisquer prejuízos ao fisco. Assim, como a identificação do fabricante/produtor não é capaz de influenciar no recolhimento dos tributos incidentes, deve ser aplicado o mesmo entendimento relativo ao afastamento da multa. Transcreve o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002. Já em relação à norma supra transcrita, aduzse que a multa também poderá ser afastada em casos de classificação errônea, quando não houver dolo ou máfé do contribuinte. Mais uma vez, o dispositivo abonador traz uma situação mais grave do que a dos presentes autos, possibilitando o perdão nos casos de classificação tarifária errada. Com isso, como as DIs indicadas no auto de infração deixaram de conter apenas uma informação, o mesmo raciocínio deveria ser trazido para obstar a exigência de multa por eventual descumprimento. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Processo n° 18336.001482/200935. Recurso Voluntário. Acórdão n° 3401002.543 4a Câmara / 1a Turma Ordinária. Sessão de 27 de março de 2014. Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS. Recorrida: Fazenda Nacional); (Processo administrativo n° 10711.005391/200517, recurso n° 142.947, acórdão n° 380200.201, a 2a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento). Neste julgamento foi trazida a importante aplicação do princípio da razoabilidade na esfera administrativa, tal como preconizado no artigo 2º da Lei 9.784/99, pelo qual a multa aduaneira deverá ser afastada quando não houver a intenção do interessado em se esquivar dos controles aduaneiros e tampouco a frustração dos objetivos perseguidos pela legislação aduaneira. Nunca é demais ressaltar que, em virtude de um suposto não preenchimento de um determinado campo no SISCOMEX, a Impugnante pode se ver obrigada a pagar, a título de multa aduaneira, a quantia absurda de quase R$ 70 milhões! De acordo com o ordenamento jurídico pátrio, não atende a razoabilidade a primazia da forma em relação ao conteúdo, como ocorre no caso da exigência de multa elevadíssima pelo mero descumprimento de uma formalidade, mesmo com o regular recolhimento dos tributos incidentes. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 247 5 Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (REsp n° 660.682/PE, Segunda Turma, Min. Rei. Eliana Calmon, julgamento em 21/03/2006, DJ 10/05/2006); (AgRg no Ag 570.621/RS, Segunda Turma, Min. Rei. Franciulli Netto, julgamento em 14/06/2005, DJ 08/08/2005). ⊙ CONCLUSÃO De todo o exposto, requer a Impugnante seja declarada a improcedência integral do auto de infração atacado, tendo em vista que a Impugnante prestou todas as informações que dispunha nas importações realizadas. Caso se entenda pelo dever de informar o fabricante/produtor, o que se admite apenas com base no princípio da eventualidade, pugna pelo cancelamento do auto de infração porque a informação supostamente omitida não foi capaz de gerar prejuízo à fiscalização e, também, porque não foi constatada a existência de dolo ou de máfé da Impugnante. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/11/2010 O sujeito passivo omitiu a informação exigida, incorrendo assim em infração punida com a penalidade preceituada. A responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Se fossem detectados elementos de máfé na conduta do importador que levassem ao reconhecimento de fraude e/ou dano ao Erário, a infração aplicável seria a pena de perdimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado desta decisão em 18/05/2016 (fl. 181 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 07/06/2016 Recurso Voluntário (fls. 182 e seguintes dos autos) através do qual repisou os argumentos trazidos em sua impugnação administrativa. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, versa a presente demanda sobre auto de infração através do qual é exigida multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Constou do auto de infração combatido que a penalidade em questão encontraria previsão no art. 711, § 1º, inciso I do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro (vide fl. 6 dos autos), in verbis: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 2º): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador) ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; De início, é importante observar que houve uma falha na capitulação realizada pela fiscalização no presente caso. Isso porque, verificase que o fiscal indicou como dispositivo aplicável o art. 711, sem que indicasse o inciso aplicável à hipótese (observese que há 3 incisos, sem que tenha havido a fiscalização apontado em qual deles foi feito o enquadramento legal). Da leitura do auto de infração como um todo, contudo, é possível concluir que pretendia o fiscal referirse ao inciso III deste artigo 711, em razão da menção ao parágrafo 1º, inciso I, que assim dispõe: "as informações referidas no inciso III do caput". De toda sorte, apesar da falha aqui identificada, entendo que não houve preterição do direito de defesa do contribuinte, o qual apresentou defesa administrativa e recurso voluntário em que deixou claro ter compreendido o objeto da autuação. Logo, não há que se falar em nulidade nos termos do art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 248 7 Até porque, nos termos do parágrafo 3º deste mesmo art. 59, não deve ser decretada a nulidade quando puder decidir pelo mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveita a declaração de nulidade. Todavia, a identificação do inciso do art. 711 aplicável ao caso concreto aqui analisado será relevante à solução da presente contenda. É o que será devidamente analisado a seguir. O auto de infração foi lavrado em razão da omissão da informação exigida no item 34, do Anexo Único da Instrução Normativa RFB n° 680, de 2 de outubro de 2006, que assim dispõe: ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR 34 Fabricante ou Produtor Identificação da pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria e sua relação com o exportador. De início, extraise das peças de defesa apresentadas pelo contribuinte nos presentes autos que a Recorrente não nega a omissão relatada no auto de infração no que tange ao item 34. Apenas sustenta que não seria possível identificar a figura do fabricante ou produtor, tendo em vista que se trata de um produto que é extraído e não fabricado. Nesse contexto, defende que a informação relativa aos exportadores, a qual foi apresentada, seria suficiente no caso concreto analisado, em razão das suas particularidades. Destacou, inclusive, que esta era a orientação constante da tela "Ajuda Siscomex", que assim preceitua: Se o fabricante/produtor for desconhecido deverão ser informados o código do país de origem (do fabricante/produtor) e os dados do exportador. É certo, portanto, que a legislação prevê obrigação de preenchimento da informação atinente ao fabricante ou produtor e que esta não foi apresentada corretamente pelo Recorrente. Restanos, portanto, analisar se, diante desta omissão, é aplicável a penalidade indicada no auto de infração, disposta no art. 711 do Regulamento Aduaneiro. Entendeu a DRJ que sim, conforme razões a seguir expostas, extraída do voto proferido pelo Relator naquela oportunidade: É ponto incontroverso que as Declarações de Importação objeto do presente Auto de Infração foram registradas em nome da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS. São pontos controvertidos: · A identificação por parte do importador da pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria; · O devido cumprimento da obrigação acessória pela empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS; · A informação da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS que desconhece quem seria o fabricante/produtor; Fl. 258DF CARF MF 8 · A ausência do intuito doloso ou máfé; · O Ato Declaratório COSIT n° 12, de 21/01/1997; · O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002; · O princípio da razoabilidade. Passase à análise. Sem a presença de questões PRELIMINARES, passase ao MÉRITO. ▣ OS FATOS QUE EMBASAM A PRESENTE AÇÃO FISCAL (...). ❉ Da obrigação de prestar informações Os art. 543 e 551, do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro assim preceituam: ² Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009 Art. 543. Toda mercadoria procedente do exterior, importada a titulo definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação, deverá ser submetida a despacho de importação, que será realizado com base em declaração apresentada à unidade aduaneira sob cujo controle estiver a mercadoria (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 44,com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 1988, art. 2º). (...) Art. 551. A declaração de importação é o documento base do despacho de importação (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 44, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o). § 1º A declaração de importação deverá conter: I a identificação do importador; e II a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá: I exigir, na declaração de importação, outras informações, inclusive as destinadas a estatísticas de comércio exterior; e II estabelecer diferentes tipos de apresentação da declaração de importação, apropriados à natureza dos despachos, ou a situações especificas e em relação à mercadoria ou a seu tratamento tributário. Na Instrução Normativa RFB n° 680, de 2 de outubro de 2006, nos defrontamos com as seguintes disposições: Art. 4° A Declaração de Importação (Dl) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro." Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 249 9 (...) 34 Fabricante ou Produtor Identificação da pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria e sua relação com o exportador." O Regulamento Aduaneiro dispõe: ² Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009: Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 94, § 2o). (...) Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei n° 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei n° 10.833, de 2003, art. 69, § 2o) : I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador) ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; § 2o O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos,,reais) , quando do seu cálculo resultar valor inferior, observado o disposto nos §§ 3o a 5o (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 84, § Io; e Lei n° 10.833, de 2003, art. 69, caput). (...) § 5o O somatório do valor das multas aplicadas com fundamento neste artigo não poderá ser superior a dez por cento do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação (Lei n° 10.833, de 2003, art. 69, caput). (Grifo e negrito nossos) ❉ Da conduta do sujeito passivo O sujeito passivo omitiu a informação exigida no item 34, do Anexo Único da Instrução Normativa RFB n° 680, de 2 de outubro de 2006, incorrendo assim em infração punida com a penalidade preceituada no art. 711, § 1º, inciso I, delimitada Fl. 260DF CARF MF 10 pelos parâmetros estabelecidos nos parágrafos 2° e 5o do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro. É alegado às folhas 02 e 03 da impugnação: Primeiramente, insta salientar que, de acordo com o item 34, do anexo único da Instrução Normativa n° 680/06, deve o importador identificar a pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria e a sua relação com o exportador. Todavia, na importação de petróleo, não é possível identificar a figura do fabricante ou produtor, tendo em vista que se trata de um produto que é extraído, e não fabricado. Dessa forma, a informação que a Impugnante poderia prestar em atendimento ao aludido item 34 seria identificar a pessoa do exportador. E esta obrigação, como se pode observar pelas declarações de importação anexas à presente impugnação, foi devidamente cumprida. Tanto é assim, que em todas as declarações mencionadas no auto de infração não há qualquer alerta ou erro apontado em relação ao campo destinado à identificação do fabricante/produtor. Com efeito, a única informação que poderia se imaginar como apta a identificar o fabricante/produtor seria apontar o poço de onde foi extraído o petróleo importado. No entanto, nem assim esta informação seria precisa, tendo em vista que o óleo, de sua extração até a sua efetiva exportação, pode ser objeto de mistura com diversas outras extrações. Nestes termos, temse que a Impugnante cumpriu fielmente a obrigação acessória trazida pela Instrução Normativa n° 680/06, eis que as Dls elencadas contêm a informação de que os exportadores foram as empresas SAUDI ARABIAN OIL COMPANY (SAUDI ARAMCO), OIL MARKETING COMPANY e PETROBRAS INTERNATIONAL BRASPETRO BV PIBBV. (grifo e negrito próprios) O item 34 do artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 680/2006, assim explicita: 34 Fabricante ou Produtor Identificação da pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria e sua relação com o exportador." Ao afirmar que na importação de petróleo, não é possível identificar a figura do fabricante ou produtor, tendo em vista que se trata de um produto que é extraído, e não fabricado quer se valer de mera semântica ou de um pseudo silogismo, pois a expressão “pessoa que fabricou ou produziu a mercadoria” é usada pelo legislador do modo mais amplo possível, ou seja aquele responsável pela geração, a gênese do produto. Se a empresa responsável pela extração do petróleo é a mesma que exporta o produto para o Brasil, ou que existam ainda outros intervenientes na sua produção, são fatos que não dispensam o integral cumprimento do item 34 do artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 680/2006, pois a omissão dessa informação implica em prejuízos aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. É alegado às folhas 03 da impugnação: Já em relação ao fabricante/produtor, a Impugnante não deixou o campo em branco, informando apenas desconhecer quem seria o fabricante/produtor, tal como Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 250 11 consta na orientação da tela “Ajuda do SISCOMEX”1, que assim preceitua, in verbis:... É improvável que uma empresa do porte da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S A desconheça a origem do petróleo importado. Não querendo ir além dos contornos fornecidos pela própria alegação, mas a afirmação veiculada, no entender desse Relator desarrazoada, dá azo à interpretação de que a empresa importadora – empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S A – não se preocuparia em conhecer a procedência do petróleo importado o que lhe traria sérias consequências nos âmbitos institucional, corporativo e de compliance . Sabese que o mercado internacional de petróleo é regulamentado, sendo a gênese do produto uma informação deveras importante. Uma informação que seria obtida sem maiores problemas junto às próprias empresas SAUDI ARABIAN OIL COMPANY (SAUDI ARAMCO), OIL MARKETING COMPANY e PETROBRAS INTERNATIONAL BRASPETRO BV PIBBV, nomes esses que foram fornecidos pelo próprio impugnante. Por fim, há de se dizer que o importador não cumpriu a obrigação acessória trazida pelo item 34 do artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 680/2006. No anexo ao Relatório de Procedimento Fiscal, a fiscalização evidenciou a omissão da informação solicitada pelo item 34 do artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 680/2006: (...). Esses fatos – a omissão da informação solicitada pelo item 34 do artigo 4º da Instrução Normativa SRF n° 680/2006 – implica na ocorrência da conduta infracional tipificada no artigo 711, § lo, Inciso I. ▣ A AUSÊNCIA DO INTUITO DOLOSO OU MÁFÉ O artigo 94 do DecretoLei n° 37/66 assim dispõe: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Portanto, a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Se fossem detectados elementos de máfé na conduta do importador que levassem ao reconhecimento de fraude e/ou dano ao Erário, a infração aplicável seria a pena de perdimento. Lembrando que a multa proporcional ao valor aduaneiro aplicável ao caso em questão é de 1%. ▣ O ATO DECLARATÓRIO COSIT N° 12, DE 21/01/1997 Com efeito, assim dispõe o Ato Declaratório COSIT n° 12, de 21/01/1997, in verbis: Fl. 262DF CARF MF 12 Dispõe sobre a nãoaplicabilidade da multa de ofício nos casos que enumera. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso llI do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 84, e seu § 2o, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, declara: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, guando incabíveis. bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (Grifo e negrito próprios do impugnante) O Ato Declaratório COSIT n° 12, de 21/01/1997 diz respeito a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, situações não retratadas na presente exigência. ▣ O ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF N° 13, DE 10/09/2002 O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002, encontrase assim redigido: Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque ”ex” exiia novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (Grifo e negrito próprios do impugnante) O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002 diz respeito a infração administrativa ao controle das importações, situação não retratadas na presente exigência. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 251 13 ▣ PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. Quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. Assim, falece competência ao julgador administrativo para exercer esse juízo de constitucionalidade deixando de aplicar normas integrantes do ordenamento jurídico, em face da mera alegação suscitada em processo administrativo, ressalvadas as hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, que não se identificam com o caso concreto. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximirse de cumprir seu dever legal de aplicar a multa no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 264DF CARF MF 14 (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” A solução inversa, ou seja, assentir com a redução da multa, sem que isso esteja previsto em lei, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. Sobre legalidade e atividade administrativa, escreve JOSÉ AFONSO DA SILVA, citando HELY LOPES MEIRELLES: "(...) Lembra Hely Lopes Meirelles que ‘a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.’ ‘Na administração pública’, prossegue, ‘não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa pode fazer assim; para o administrador significa deve fazer assim.’ " (destaquei) (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 9ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 373) Ao discorrer sobre atos vinculados, ensina HELY LOPES MEIRELLES: “Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa.” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 17ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balesteiro Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. São Paulo: Malheiros, 1992, pg. 149) Cabe ressaltar que o presente julgamento também constitui atividade vinculada e, assim, cingese aos ditames legais aplicáveis à espécie, o que impede a adoção de quaisquer orientações doutrinárias ou jurisprudenciais que, fundadas em argumentos de razoabilidade ou proporcionalidade, propugnam a redução ou dispensa de multas. A exclusão ou redução de multas, em se constituindo uma situação excepcional, eis que dispensa a prática, por parte da autoridade administrativa, de uma atividade vinculada e obrigatória, deve ser feita tãosomente nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sem o que equivaleria aventar que a atividade ora exercida seria uma atividade discricionária quando, ao contrário, se trata de atividade vinculada. Ainda no que tange aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, o seu emprego pela instância julgadora administrativa não vai a ponto de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor, a ser fixado em cada caso pela autoridade fiscal, levandose em conta determinados critérios, tais como natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos. A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 252 15 fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. Nesse mesmo sentido aponta a jurisprudência administrativa: “(...). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária. (Súmula nº 1º CC nº 2). (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.612, processo 11618.003150/200556, Relª Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 06/03/2008, DOU 10/09/2008, pág. 23) “MULTA. PENALIDADE. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, nem o princípio da vedação ao confisco, dado seu caráter punitivo repressivo. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão nº 202 17.799, processo nº 11543.001077/200418, sessão de 28 de fevereiro de 2007). Compete às DRJ tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Diante do exposto, no uso da competência legal, outorgada pelo inciso I do art. 61 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, com redação dada pela Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o, julgase IMPROCEDENTE a impugnação constante no presente processo. Sobre esta decisão, é relevante que se diga que ela está muito bem concatenada e correta na maioria de seus fundamentos. De fato, houve uma omissão por parte do contribuinte acerca da informação do fabricante/produtor e a legislação aduaneira imputa a aplicação de penalidade no caso de identificação incompleta das pessoas envolvidas. De outro norte, como bem ressaltou a DRJ, não resta a menor dúvida de que a responsabilidade aplicável à situação objeto do auto de infração aqui combatido é objetiva, sendo irrelevante a identificação da existência de culpa ou dolo por parte da Recorrente. Ademais, é incontroverso nos autos que as situações descritas no Ato Declaratório COSIT n. 12 de 21/01/1997 e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 13 de 10/09/2002 tratam de situações diversas à analisada nos presentes autos. Tais atos foram mencionados pelo contribuinte em seu recurso no intuito de fundamentar a flexibilização realizada em casos análogos no intuito de fortalecer a sua defesa, embora tenha reconhecido a inexistência de norma específica para o seu caso concreto. Logo, não há qualquer ressalva a ser feita quando ao teor da decisão recorrida neste ponto. Da mesma forma, encontrase muito bem fundamentada a decisão da DRJ quando discorre acerca da impossibilidade de a instância julgadora administrativa arvorarse dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para fins de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei. Fl. 266DF CARF MF 16 Nesse contexto, quanto a tais pontos, entendo que a decisão recorrida enfrentou corretamente os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação administrativa. Contudo, o que em nenhum momento chegou a ser apreciado pela DRJ, talvez em razão da falha da capitulação do auto de infração que não indicou o inciso do art. 711 a que se referia, somada à ausência de fundamentação do contribuinte nesse sentido, foi justamente o disposto no inciso III do art. 711 do Regulamento Aduaneiro, cujo teor reproduzo novamente a seguir: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. (grifos apostos). Como se vê, o referido inciso III exige a imposição da multa de 1% sobre o valor aduaneiro nos casos em que a informação omitida ou mesmo inexata/incompleta for "necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". Verificase, contudo, que em nenhum momento a fiscalização indicou no auto de infração combatido que a informação acerca do fabricante/produtor se revestiria de tal característica. Limitouse o fiscal autuante a alegar que "Inexiste obrigatoriedade de se comprovar a ocorrência de dano ao controle aduaneiro, pois tal restrição é estranha à regra matriz de incidência da multa. A responsabilidade aduaneira é objetiva, não tendo de se comprovar culpa ou dolo". Ora, conforme mencionei acima, não resta dúvidas que a responsabilidade aduaneira é objetiva, tornandose desnecessária qualquer análise acerca de culpa ou dolo por parte do contribuinte. Contudo, para que a norma em tela seja aplicada, é imprescindível que haja a perfeita subsunção do caso concreto analisado à hipótese nela descrita. Ocorre que, conforme se extrai da leitura de dito dispositivo legal, esta subsunção apenas ocorre quando a informação omitida, inexata ou incompleta é "necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". Da análise do auto de infração combatido, porém, não há como se concluir que a informação acerca do fabricante/produtor possui tal característica. Ao contrário, verificase que o fiscal autuante sequer menciona o referido inciso III, em que tal condicionante é imposta. É importante que se diga que não se está aqui dispondo que seria necessária a presença de efetivo dano ao controle aduaneiro. Há que se perquirir apenas se esta informação seria de alguma forma necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Caso seja, ainda que não tenha havido efetivo dano ao erário, é aplicável a multa em questão. Caso não seja, é possível que tenha havido um mero erro formal por parte do Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 253 17 contribuinte, erro este que não enseja a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro disposta no art. 711 do Regulamento Aduaneiro. Até porque, é cediço que a norma em questão visa coibir atos que obstruam/prejudiquem o controle aduaneiro, e não penalizar empresas em casos nos quais tenham havido mero erro no preenchimento da Declaração de Importação, sem que tenha havido qualquer repercussão relevante ao controle aduaneiro. Nesse contexto, entendo que no caso concreto aqui analisado, não houve a perfeita subsunção do fato à norma, pelo que deve ser afastada a penalidade imposta ao contribuinte. Sobre o assunto, trazse à colação importante ensinamento do jurista Paulo de Barros Carvalho: "Segundo nossa perspectiva do conhecimento do fenômeno jurídico, os signos "fato" e "norma" referemse a entidades conceptuais. Desse modo, é correto falarmos em subsunção do fato à norma e, toda vez que isso ocorre, com a consequente efusão de efeitos jurídicos típicos, estamos em presença da fenomenologia da incidência/aplicação e produção do direito. Em substância, recorta o legislador eventos da vida real e lhes imputa a força de suscitar os comportamentos que entende valiosos, garantindo seu ato de vontade mediante a pressão psicológica de sanções, associadas, uma a uma, a cada descumprimento de dever estabelecido. Mas os sujeitos de direito, resistindo ao temor de punição, podem ser alvo do aparato coativo, inerente ao Poder Público, momento que se desenvolverá efetivamente o procedimento sancionatório. O objeto sobre o qual converge o nosso interesse é a percussão da norma tributária em sentido estrito ou regramatriz de incidência. Nesse caso, diremos que houve subsunção, quando o fato (fato jurídicotributário) guardar absoluta identidade com a hipótese normativa. A devida compreensão do fenômeno da incidência tributária tem o caráter de ato fundamental para o conhecimento jurídico, posto que assim atuam todas as regras do direito, em qualquer de seus subdomínios, ao serem aplicados no contexto da comunidade social. Seja qual for a natureza do preceito jurídico, sua atuação dinâmica é a mesma: operase a concreção do fato previsto na hipótese, propalando se os efeitos jurídicos prescritos na consequência. Mas esse quadramento do fato à norma tem de ser completo, para que se opere a subsunção. É aquilo que se tem, como já exposto, por tipicidade, que no Direito Tributário, assim como no Direito Penal, adquire extraordinária importância. Para que se configure o fato jurídico tributário, a ocorrência da vida real tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese. Que apenas um não se verifique, e a dinâmica que descrevemos ficará completamente comprometida. É precisamente neste núcleo fundamental que não pode operar a presunção, quando pensamos na existência concreta de uma figura tributária, tornandose desnecessário aduzir que assim é porque a atividade impositiva do Estado mexe com dois valores essenciais à vida em sociedade, quais sejam o direito de propriedade e o direito de liberdade. (Questões controvertidas no Processo Administrativo Fiscal CARF, coordenador Ives Gandra da Silva Martins, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012, p. 55). Fl. 268DF CARF MF 18 Inclusive, já decidiu este Conselho Administrativo Fiscal, em outros casos, pelo afastamento da penalidade de multa imposta em casos de informações incompletas/imprecisas, a exemplo da decisão proferida no Acórdão n. 3401002.543, indicado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, que tinha como parte a mesma empresa ora Recorrente. É importante que se registre, contudo, que esta Julgadora não concorda com os argumentos trazidos pelo contribuinte quando menciona tal decisão em seu recurso, nem com os fundamentos constantes do voto do Relator proferidos naqueles autos. Isso porque, em seu voto o Relator discorre sobre a inexistência de "qualquer intuito malicioso na conduta do importador ou benefício que poderia ser auferido com o suposto erro na declaração", quando já se analisou no presente voto que não há que se fazer tal análise em caso de responsabilidade objetiva. Porém, concordo com as razões dispostas na declaração de voto apresentada conjuntamente pelos Conselheiros Fenelon Moscoso e Angela Sartori naqueles autos, que assim dispuseram: Com a máxima vênia ao entendimento esposado pelo Nobre Relator no seu bem elaborado voto, no sentido de que, para aplicação da multa pecuniária prevista no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, seria necessário ao Fisco, por meio de procedimento administrativo que admitisse regularização prévia das informações inexatas ou incompletas, demonstrar conduta fraudulenta do agente e comprovar elemento subjetivo doloso para a consumação do ilícito, ousamos dele discordar em relação a esses fundamentos do voto, pelas razões que seguem. No que se refere a necessidade de procedimento administrativo que admitisse regularização prévia das informações inexatas ou incompletas, entendemos que tal exigência aplicarseia somente no curso do despacho aduaneiro, não sendo essa a situação objeto da acusação fiscal, imputada em momento diverso posterior, tratandose de ilícito constatado em atividade de Revisão Aduaneira de Declarações de Importação – DI. Quanto a necessidade de demonstrar conduta fraudulenta do agente e comprovar elemento subjetivo doloso para a consumação do ilícito previsto no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, entendemos estar diante de norma típica ensejadora de responsabilidade objetiva por infrações da legislação tributária, independente da intenção do agente (art. 136 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – CTN), portanto, desnecessária a comprovação dos elementos subjetivos reclamada no voto vencedor. Da redação do art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não havendo no art. 69 da Lei 10.833/03 ou no art. 84 da Medida Provisória 2.15835/01, onde a multa imposta está prevista, qualquer referência a tratarse de infração em cuja definição o elemento subjetivo intencional do agente seja elementar. Do mesmo art. 136 do CTN, trazemos os fundamentos para termos acompanhado as conclusões do D. Relator em dar provimento parcial ao recurso, afastando a multa imposta por prestação inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial. Também, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 254 19 No caso concreto, entendemos existir disposição de lei tratando sobre efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato ilícito à ensejar a aplicação de penalidade pela infração prevista no §1º, do art. 69, da Lei 10.833/03: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: ... IV países de origem, de procedência e de aquisição; e ... A nosso ver, esse foi o espírito da lei, condicionar à sua aplicação que a informação inexata ou incompleta seja necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, devendo a exigência da informação sobre os países de origem, de procedência e de aquisição, contida no inciso IV, do §2º, do art. 69, da Lei 10.833/03, ser interpretada em consonância com o disposto ao final do §1º do mesmo artigo, retro grifado. O fato é que, em nenhum momento a acusação fiscal logrou argumentar como a informação inexata influenciou na determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, não houve dano ao erário ou prejuízo a fazenda pública. Tratase de um mero erro formal desnecessário ao controle administrativo no caso concreto. No caso, independente do país de origem informado, o procedimento de controle aduaneiro seria o mesmo. Dessa forma, por discordarmos dos fundamentos do voto proferido pelo Nobre Relator do presente acórdão, no sentido de que, para aplicação da multa pecuniária prevista no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, seria necessário ao Fisco, por meio de procedimento administrativo que admitisse regularização prévia das informações inexatas ou incompletas, demonstrar conduta fraudulenta do agente e comprovar elemento subjetivo doloso para a consumação do ilícito, votamos no sentido dar provimento parcial ao recurso, afastando a multa imposta por prestação inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial, pelas razões ora declaradas. Embora a decisão proferida no Acórdão n. 3401002.543 refirase à infração disposta no art. 69, §1º, da Lei 10.833/03, ao passo que o auto de infração aqui analisado indicado como aplicável o art. 711 do Regulamento Aduaneiro, verificase que ambas as normas exigem, para aplicação dos seus enunciados, que a informação seja "necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". Fl. 270DF CARF MF 20 Por fim, não é demais registrar que a doutrina pátria entende, de forma praticamente uníssona, que o julgador pode dar provimento a recurso do contribuinte ainda que por fundamento jurídico diverso daquele alegado pelo mesmo em seu Recurso Voluntário. É o que se extrai dos ensinamentos de diversos juristas constantes do livro "Questões controvertidas no Processo Administrativo Fiscal CARF", representados pelas manifestações de Ives Gandra da Silva Martins e de Sacha Calmon Navarro Coelho/Eduardo Junqueira Coelho, abaixo transcritas: Ives Gandra da Silva Martins 5) Tendo a parte impugnado o item do lançamento, pode o julgador dar provimento ao seu recurso por fundamento jurídico diverso daquele alegado? Sim. A busca da verdade material é o principal desiderato do processo administrativo, ou seja, a perfeita aplicação da norma ao fato objetivo que dá ensejo ao lançamento de ofício. É de se lembrar que já o STF, nas ações diretas de inconstitucionalidade, tem, algumas vezes, considerando o dispositivo violado da lei suprema, dado provimento à ação, com base em outros fundamentos que não aqueles invocados pelo proponente da ação (um dos legitimados no art. 103 da CF/1988). Em uma de suas palestras, na abertura dos Simpósios de Direito Tributário, o Min. Moreira Alves lembrou que, na ação direta de inconstitucionalidade, o dispositivo considerado inconstitucional deve ser conferido não só em face do alegado pelas partes, mas de toda a Constituição. Pela mesma razão o Min. Sydney Sanches dizia, em uma palestra, que cabe ao relator e ao plenário estarem atentos nas ADIs, a todos os dispositivos da Constituição, pois o vício de inconstitucionalidade afeta a lei suprema como um todo, independentemente de ferir expressamente este ou aquele dispositivo. O mesmo ocorre no que concerne ao processo administrativo, em que a busca da verdade material deve estar acima de disposições de direito material ou processual. E, nesta busca, pode, à evidência, decidirse por outro fundamento diverso daquele suscitado na impugnação, se beneficiando o contribuinte. Se, todavia, fosse justificável decidir contra o contribuinte, por outros fundamentos, em observância do direito de defesa amplo, assegurado pela lei suprema (art. 5º, LV), haveria necessidade de abertura de todos os prazos de impugnação para que o contribuinte pudesse contestálo. De outra forma, a defesa resultaria cerceada, na medida em que o contribuinte não pode ser condenado por disposição contra o qual não se defendeu e fora até mesmo impedido de fazêlo, uma vez tendo tomado conhecimento dele somente na condenação. (Questões controvertidas no Processo Administrativo Fiscal CARF, coordenador Ives Gandra da Silva Martins, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012, p. 46/47). Sacha Calmon Navarro Côelho / Eduardo Junqueira Coelho Dentre os princípios que regem o processo administrativo tributário está o livre convencimento do julgador, que possui a autonomia (e o dever) de aplicar o dispositivo legal a um dado caso concreto sem se limitar ao alegado pelo contribuinte, devendo, porém, motivar sua decisão. Dada norma, que também norteia os processos judiciais, na produção de provas, pode ser encontrada em decisões do Carf como como no art. 29 do Dec. 70.235/1972, que regula os processos administrativos federais. Como é sabido, na ocasião da decisão, o julgador administrativo poderá forma a sua livre convicção acerca dos elementos juntados aos autos, podendo, ainda, se Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13044.720175/201567 Acórdão n.º 3301003.974 S3C3T1 Fl. 255 21 assim achar necessário, adotar das diligências que julgar necessárias à apuração da verdade material no que concerne aos fatos que sejam pertinentes ao processo. Ele, então, não precisa se vincular ao que foi argumentado pelo contribuinte, estando livre para utilizar argumento jurídico distinto, objetivando, sempre, a verdade material. A respeito da verdade material, é ver o que prescreve doutrina hodierna. Odete Madauar assevera que "O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos dos dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inc. LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas". Celso Antônio Bandeira de Mello, seguindo mesmo entendimento, define: "Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado ...". Citando Hector Jorge Escola, esta busca da verdade material está escorada no dever administrativo de realizar o interesse público. Dessa forma, observando esses dois princípios (livre convencimento do julgador e busca da verdade material), o julgador pode, e deve, dar provimento a determinado recurso utilizando fundamento jurídico diverso daquele alegado pelo contribuinte, sob o risco de, se não o fizer, ferir dois pilares do processo administrativo tributário mencionados. (Questões controvertidas no Processo Administrativo Fiscal CARF, coordenador Ives Gandra da Silva Martins, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012, p. 95/96). Com base nos fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, determinando em consequência o cancelamento do auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.008473/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/10/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/10/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 84 73 /2 00 9- 81 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.262da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/10/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 30/10/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/10/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.008473/200981 Acórdão n.º 3402004.455 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003501/2006-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: Uma vez que o contribuinte opte, na fase recursal, pela inclusão em parcelamento dos débitos exigidos no lançamento de ofício, não resta questão litigiosa a ser dirimida nesta instância de julgamento, cabendo à unidade de origem responsável pelo controle dos valores do crédito tributário exigido, verificar se, de fato, os débitos lançados nos autos de infração foram incluídos em parcelamento especial - PAES, e, em caso positivo, acompanhar a regularidade dos pagamentos.
Numero da decisão: 1801-000.650
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: Uma vez que o contribuinte opte, na fase recursal, pela inclusão em parcelamento dos débitos exigidos no lançamento de ofício, não resta questão litigiosa a ser dirimida nesta instância de julgamento, cabendo à unidade de origem responsável pelo controle dos valores do crédito tributário exigido, verificar se, de fato, os débitos lançados nos autos de infração foram incluídos em parcelamento especial - PAES, e, em caso positivo, acompanhar a regularidade dos pagamentos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: Uma vez que o contribuinte opte, na fase recursal, pela inclusão em parcelamento dos débitos exigidos no lançamento de ofício, não resta questão litigiosa a ser dirimida nesta instância de julgamento, cabendo à unidade de origem responsável pelo controle dos valores do crédito tributário exigido, verificar se, de fato, os débitos lançados nos autos de infração foram incluídos em parcelamento especial PAES, e, em caso positivo, acompanhar a regularidade dos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 26/04/2006 (fls. 04 a 22), que constituíram o crédito tributário no montante total de R$ 440.070,59, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas nos anoscalendário 2001 e 2002, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 23 a 42, parte integrante dos Autos de Infração. De acordo com o relato da auditoria fiscal foram iniciados os trabalhos de fiscalização com a lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal pelo qual foram solicitados, além dos documentos comumente requeridos, os livros contábeis e fiscais e respectiva documentação de suporte dos registros. Por intermédio de procurador habilitado a empresa entregou, em 23/11/2005, parte da documentação solicitada sem, contudo, apresentar a escrituração sob a justificativa de “...que os demais elementos solicitados estão sendo providenciados em função da empresa não ter encontrado, até o momento." Nessa mesma data teria sido reintimada a apresentar os livros contábeis e fiscais e documentação de suporte. Diante de nova omissão foi providenciada nova reintimação, em 29/12/2005. Em resposta datada de 13/02/2006 a empresa apresenta a seguinte justificativa: "... vem declarar que mantém suas declarações de rendas pelo sistema de lucro presumido, mais que por motivos diversos operacionais até o momento não estão devidamente escriturados seus livros contábeis....". Foi lavrado, então, o Termo de Constatação e Reintimação datado de 28/03/2006 através do qual foram reiteradas as intimações anteriores e solicitada a apresentação do Livro Caixa. A empresa novamente não atendeu às solicitações. A auditoria ainda esclareceu que a empresa providenciou a entrega das DIPJ relativas aos anoscalendário 2001 e 2002 com opção pelo lucro presumido apenas em 08/02/2006, ou seja, após o inicio do procedimento de auditoria fiscal. Não foram encontradas nos sistemas as DCTF relativas ao 4o. trimestre de 2001 e de todos os trimestres de 2002. A empresa solicitou parcelamento PAES. Como resultado de circularização efetuada junto aos clientes da pessoa jurídica que encaminharam documentos e cópias de notas fiscais constatouse que a empresa teria auferido vultosa quantia a titulo de receitas de prestação de serviços – comissões não informada ao Fisco Federal. Pelas razões expostas foi providenciada a lavratura de autos de infração com exigência dos tributos nas regras do lucro arbitrado. Na apuração do crédito Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.003501/200674 Acórdão n.º 180100.650 S1TE01 Fl. 1.215 3 tributário foram deduzidos os valores retidos na fonte, os débitos informados em DCTF e os valores incluídos no parcelamento especial – PAES. Cientificada das exigências em 26/04/2006, a empresa apresentou impugnação tempestiva na qual alega, em síntese, (i) a decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo ao primeiro trimestre de 2001; (ii) o indevido arbitramento, vez que os documentos apresentados teriam sido suficientes para evitar tal medida e (iii) o caráter confiscatório da multa aplicada. Analisando o litígio a 3a. Turma da DRJ Recife/PE julgou os lançamentos procedentes. Em preliminares afastou a alegada decadência e, no mérito, observou que após minucioso trabalho da fiscalização restou amplamente comprovado que a pessoa jurídica não declarou, ou declarou a menor, as suas receitas de prestação de serviços efetivamente auferidas, fato que não fora sequer contestado pela defesa que se limitou a argüições contra o arbitramento dos lucros. Consignou que as DIPJ entregues após o início do procedimento fiscal não operam efeitos e que os valores declarados em DCTF, no PAES e relativos ao IRRF foram deduzidos na autuação. O arbitramento se justificou diante da inexistência de escrituração mínima obrigatória. Notificada da decisão, em 15/07/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 1.209, apresentou a contribuinte, em 24/07/2008, a petição de fls. 1.210, de seguinte teor: RIO TÂMISA CORRETORA DE SEGUROS E ADMINISTRADORA LTDA., já qualificada no processo administrativo acima enumerado, vem, através de seu advogado no final assinado, em resposta a Intimação de número 49/2008, esclarecer que o débito e demais encargos objeto do presente processo administrativo, foi incluído na consolidação de todo o seu débito quando da sua adesão ao PAES, o qual vem sendo pago mensalmente, motivo pelo qual, pede o arquivamento do presente processo administrativo e a desconsideração da respectiva cobrança nos do DARF enviado equivocadamente. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O que se verifica da petição protocolizada pela empresa, em 24/07/2008, anexada à fl. 1.210, é que não há litígio a ser apreciado nestes autos. Com efeito, pela petição a empresa informa que “...o débito e demais encargos objeto do presente processo administrativo, foi incluído na consolidação de todo o seu débito quando da sua adesão ao PAES, o qual vem sendo pago mensalmente...” Ou seja, a autuada concordou com os termos do lançamento e incluiu os valores exigidos em parcelamento especial PAES. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Não havendo, portanto, litígio a ser apreciado, não tomo conhecimento do recurso. Não havendo instauração de litígio nesta esfera de julgamento para apreciação deste Órgão Colegiado o que se verifica é a consolidação das exigências, cabendo à unidade de origem responsável pelo controle dos valores do crédito tributário exigido, verificar se, de fato, os débitos lançados nos autos de infração foram incluídos em parcelamento especial – PAES, e, em caso positivo, acompanhar a regularidade dos pagamentos. Caso contrário, verificandose que os débitos não foram incluídos em parcelamento especial, como alegou a empresa na petição apresentada, deverá ser providenciada a cobrança amigável dos seus valores e, caso os débitos não venham a ser pagos, enviálos para inscrição em DAU. Por todo o exposto voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002863/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/04/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. POSSIBILIDADE.
O erro de identificação do sujeito passivo acarreta vício insanável de nulidade da autuação por vício material.
EMBARGOS DE INOMINADOS. COMPROVADA A INEXATIDÃO MATERIAL POR LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO DO EQUÍVOCO. POSSIBILIDADE.
Acolhe-se os embargos inominados, para corrigir a inexatidão material por lapso manifesto existente no julgado embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-004.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos inominados, para corrigir a inexatidão material existente no julgado embargado e tomar conhecimento do recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração por vício material, em razão da ilegitimidade passiva da autuada, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F.Aguiar e Paulo G. Dérouléde. Os Conselheiros Walker Araújo, Charles P. Nunes, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e José Renato P. Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/04/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. POSSIBILIDADE. O erro de identificação do sujeito passivo acarreta vício insanável de nulidade da autuação por vício material. EMBARGOS DE INOMINADOS. COMPROVADA A INEXATIDÃO MATERIAL POR LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO DO EQUÍVOCO. POSSIBILIDADE. Acolhe-se os embargos inominados, para corrigir a inexatidão material por lapso manifesto existente no julgado embargado. Embargos Acolhidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 741 1 740 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.002863/200884 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.809 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2017 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Embargante ALFÂNDEGA DO AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO Interessado EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA AEROPORTUARIA INFRAERO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/04/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. POSSIBILIDADE. O erro de identificação do sujeito passivo acarreta vício insanável de nulidade da autuação por vício material. EMBARGOS DE INOMINADOS. COMPROVADA A INEXATIDÃO MATERIAL POR LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO DO EQUÍVOCO. POSSIBILIDADE. Acolhese os embargos inominados, para corrigir a inexatidão material por lapso manifesto existente no julgado embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos inominados, para corrigir a inexatidão material existente no julgado embargado e tomar conhecimento do recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração por vício material, em razão da ilegitimidade passiva da autuada, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F.Aguiar e Paulo G. Dérouléde. Os Conselheiros Walker Araújo, Charles P. Nunes, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e José Renato P. Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 28 63 /2 00 8- 84 Fl. 81DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Embargos Inominados, tempestivamente opostos pela autoridade competente da unidade da RFB de origem, com o objetivo de suprir suposta inexatidão material no acórdão nº 310200.723, de 30 de julho de 2010. Em relação à suposta inexatidão material, a embargante alegou que ocorreu lapso na decisão recorrida quanto à contagem do prazo de admissibilidade do recurso voluntário interposto, fato que implicara o não conhecimento do citado recurso pelo Colegiado. A propósito, a embargante apresentou os seguintes esclarecimentos sobre equívoco cometido na contagem do prazo recursal, in verbis: Considerando que o interessado foi notificado da decisão de primeira instância da DRJ/FNS/SC em 28/05/2009, o prazo para interposição de recurso voluntário terminaria em 27/06/2009 (sábado). Observandose que o critério de contagem de prazos exclui a possibilidade do dia de vencimento recair em data em que o expediente na repartição em que corra o processo não seja normal, o prazo expirou dia 29/06/2009 (segundafeira). Tendo em vista que o recurso foi protocolado em 29/06/2009, proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que o lapso na decisão possa ser corrigido. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram admitidos, com base no argumento de que “a contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 28/05/2009 (fl. 31), com prazo final para a interposição de recurso voluntário o dia 29/06/2009, data em que o interpôs (fl. 50).” Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos inominados, para fim de corrigir a inexatidão material, se confirmada a sua existência no julgado embargado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10715.002863/200884 Acórdão n.º 3302004.809 S3C3T2 Fl. 742 3 A inexatidão material apontada pela embargante cingese a contagem do prazo para apresentação do recurso voluntário colacionado aos autos. E a análise do voto condutor do julgado embargado revela que assiste a razão a embargante, haja vista que o referido recurso fora tempestivamente apresentado, uma vez que a recorrente fora intimada do acórdão de primeira instância em 28/05/2009 e o prazo final para a interposição do citado recurso voluntário expirou no dia 29/06/2009, quando fora apresentado. Assim, uma vez demonstrada a inexatidão material, por evidente lapso manifesto, tomase conhecimento do recurso voluntário interposto, por ter sido apresentado dentro prazo legal, atender os demais requisitos de admissibilidade e tratar de matéria da competência julgadora deste Colegiado. Segundo a descrição dos fatos integrante do auto de infração questionado, em 02/04/2008, foram encontradas duas pessoas não autorizadas na área restrita do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/RJ, que foram identificadas como proprietário e funcionário de restaurante localizado no próprio aeroporto. Indagados sobre a razão da presença deles no citado local, informaram que estavam aguardando o desembarque de passageiro e que não estavam devidamente autorizados a ingressar na área restrita. Em sede de impugnação, a recorrente alegou, em síntese, que não teria havido culpa (negligência ou imprudência) ou dolo por parte de empregados e/ou representantes da autuada de modo a justificar a aplicação da citada multa. Ademais, o fato de duas pessoas “surgirem” sem autorização em área considerada restrita não implicaria responsabilidade da autuada pela permanência dessas em local proibido. Sobreveio a decisão de primeira instância que manteve o lançamento, com base no entendimento que o controle de acesso de veículos e pessoas ao recinto alfandegado era de responsabilidade do administrador do recinto, portanto, o fato de haver pessoas não autorizadas nas áreas restritas denotava falha no sistema de controle de acesso, que, repitase, era da responsabilidade da autuada. No recurso voluntário em apreço (fls. 50/56), a autuada reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Em aditamento, apresentou as seguintes alegações: a) o fato de duas pessoas encontraremse em área restrita sem autorização não gerava responsabilidade objetiva da recorrente, como entendera RFB, especialmente, porque as pessoas encontradas não guardavam qualquer vinculo funcional com a autuada e tampouco prestavamlhe serviços; b) a responsabilidade pelo controle do acesso de pessoas à área restrita do Aeroporto era compartilhada entre a recorrente e RFB, logo, a RFB não devia furtarse de assumir sua responsabilidade. A responsabilidade pelo controle de ingresso de pessoas em áreas restritas, em momento algum, fora legalmente atribuída, exclusivamente, a recorrente; c) os artigos que fundamentavam a penalidade imposta não atribuíam a recorrente a responsabilidade pelos fatos ocorridos; e d) a penalidade de multa deveria ter sido imputada aos infratores e no valor de R$ 200,00 (duzentos reais), estabelecido no art. 107, X, “b”, da Decretolei 37/1966. Fl. 83DF CARF MF 4 Inicialmente, cabe esclarecer que, de acordo com o auto de infração em apreço (fls. 3/4), a infração imputada à recorrente foi capitula no art. 107, X, “b”, da Decreto lei 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, que tem o seguinte teor: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] X de R$ 200,00 (duzentos reais):(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) [...] b) para a pessoa que ingressar em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização; e [...] (grifos não originais) Por sua vez, no voto condutor da decisão de primeira instância, sem qualquer explicação, a infração foi enquadrada no art. 107, inciso VIII, “a”, do Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que tem o seguinte teor: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] VIII de R$ 500,00 (quinhentos reais): (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) a) por ingresso de pessoa em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização, aplicada ao administrador do local ou recinto; [...] Assim, resta demonstrado que a decisão de primeiro grau alterou indevidamente o enquadramento legal da autuação, o que configura inovação do fundamento jurídico da autuação, o que não é possível na fase de julgamento do processo. Além disso, a alteração do fundamento jurídico do lançamento implica evidente cerceamento do direito de defesa da autuada, com a consequente declaração de nulidade da decisão, com suporte no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972. E nessa circunstância, normalmente, os autos deveriam retornar ao órgão julgador de primeiro grau, para que outra decisão fosse proferida em boa e devida forma. Acontece que, em casos desse jaez, se o resultado julgamento for favorável à recorrente, o disposto no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/1972 permite a esse Colegiado ultrapassar o vício de nulidade suscitado e julgar a demanda no estágio em que encontra. Nesse sentido, não é necessário muito esforço interpretativo para se chegar a conclusão de que o enquadramento legal da infração atribuída a recorrente não corresponde a conduta que lhe fora imputada (falta de controle do acesso de pessoas estranhas à área restrita do aeroporto por ela administrado), mas às duas pessoas que ingressaram sem autorização na referida área restrita do aeroporto. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10715.002863/200884 Acórdão n.º 3302004.809 S3C3T2 Fl. 743 5 Assim, uma vez demonstrada que o enquadramento legal da infração foi feito de forma equivocada e que a infração tipificada no art. 107, X, “b”, da Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, tem como infrator e legitimado para responder pela respectiva penalidade “a pessoa que ingressar em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização” e não o administrador do local ou recinto alfandegado. Esse responde pela infração tipificada no art. 107, inciso VIII, “a”, do Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, mas esse não foi o enquadramento legal consignado na autuação em apreço. Assim, uma vez demonstrada a ilegitimidade passiva da recorrente, com respaldo no art. 142 do CTN, o presente auto de infração deve ser anulado por vício material. Embora este Conselheiro entenda que a declaração de nulidade possa ser superada, nos casos de mero erro de enquadramento legal, sem repercussão relevante ao direito de defesa da recorrente, especialmente, quando este demonstra pleno conhecimento dos fatos e questiona apenas o equívoco do enquadramento, no caso em tela, tal circunstância não ocorreu, haja vista que desde a fase impugnatória a recorrente questiona a sua legitimidade para figurar no polo passivo da autuação. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos inominados, para corrigir a inexatidão material existente no julgado embargado e tomar conhecimento do recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração por vício material, em razão da ilegitimidade passiva da autuada. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 85DF CARF MF
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