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Numero do processo: 12571.000073/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS COTITULARES INTIMAÇÃO
– Nos termos do caput art. 42 da Lei n° 9.430/96, devem todos
os titulares das contas correntes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada (Súmula CARF nº 29).
Numero da decisão: 2201-001.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência no ano-calendário 2002 e reduzir a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada a R$ 83.728,00, referente ao ano calendário 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência no anocalendário 2002 e reduzir a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada a R$ 83.728,00, referente ao ano calendário 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) NOME DO REDATOR Redator designado. Fl. 1175DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 EDITADO EM: 13/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros presentes Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 25/09/2007, o Auto de Infração de fls. 573/575, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003 e 2004, anocalendário 2002 e 2003 respectivamente, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 631.951,53, dos quais R$ 273.494,59 correspondem a imposto, R$ 205.120,94 a multa de ofício, e R$ 153.336,00, a juros de mora calculados até 31/08/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 574/575), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: “001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGAM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório de ação fiscal de anexo.” Cientificado do Auto de Infração em 03/10/2007 (AR de fls. 594), o contribuinte apresentou, em 05/11/2007, a impugnação de fls.600/628 e documentos de fls. 629/1.058, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “Preliminarmente, diz que o “auto de infração ora combatido é mais uma prova do absurdo em que constitui a pretensão do fisco de pretender considerar como renda depósitos bancários”, pois “pretende cobrar do contribuinte um imposto dez vezes maior do que o seu patrimônio”, revestindose tal lançamento de caráter confiscatório, não respeitando a capacidade contributiva do autuado e revelandose inconstitucional. Cita copiosa doutrina sobre os princípios constitucionais que mandam respeitar a capacidade contributiva e proíbe o uso do tributo com fins confiscatórios. No mérito, faz, inicialmente, um resumo de toda a ação fiscal, observando que “o auditor fiscal, usando de bom senso, analisa a soma mensal dos depósitos em cada contacorrente, tendo em vista o que o mesmo define como ‘impossibilidade de organização para a individualização dos depósitos bancários, uma vez que sequer havia organização para separar as contas pessoais daquelas das empresas’”. Reconhece que “pecou por falta de organização”, mas que isso não foi usado “para Fl. 1176DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 12571.000073/200791 Acórdão n.º 220101.348 S2C2T1 Fl. 2 3 movimentar recursos de origem ilegal ou duvidosa. Jamais circularam pelas contascorrentes de titularidade do impugnante valores provenientes de sonegação fiscal, ou qualquer outro tipo de ilícito”. Aduz que como a autuação “tributa valores mensais de depósitos”, fará a justificação com base nesse critério, entendendo não ser exigível a justificação individualizada. Em relação à conta corrente nº 12.053/7 do Banco Bradesco, afirma que o fisco aceitou que circulava por ela toda a movimentação financeira da empresa Valdir Garcia – CNPJ nº 04.249.693/000101, tendo sido excluído, dos depósitos, todo o faturamento constante do livro registro de saídas desta firma. Contesta, no entanto, a não utilização da diferença, a maior, do faturamento em relação aos depósitos, no mês de setembro de 2002, para diminuir o saldo tributável do mês de outubro/2002. Argúi que houve equívoco nos meses de julho a setembro de 2003, quanto ao “resíduo de faturamento” da empresa, que foram considerados como origem dos depósitos da conta corrente 091642 do Banco Sicredi. Entretanto, esses resíduos foram superiores aos depósitos de tal conta, pleiteando que as diferenças sejam para justificar os depósitos da conta corrente nº 12.053/7 do Banco Bradesco, nos meses subseqüentes. Apresenta demonstrativo dos valores apurados segundo este entendimento. Aduz que “além do faturamento da empresa, porém, outros valores circularam por esta conta, sem significarem ingressos de receita”. Informa que vendia para as empresas Isaque Rosa Rodrigues ME e Roberto Aparecido de Morais ME, a prazo, as quais pagavam com cheques de seus clientes. Como estas empresas não possuíam contas bancárias, todos os cheques que eram recebidos por elas “eram entregues ao Senhor Valdir Garcia, que os depositava na conta ora analisada. Após a compensação dos cheques, o reclamante descontava o que lhe era devido pela venda das madeiras e devolvia a diferença aos empresários”. Junta declarações dos empresários, cópias de cheques emitidos para eles, notas fiscais de vendas para as empresas e das empresas para os seus clientes e planilhas. Acrescenta que tais documentos “não pretendem comprovar os depósitos mensais efetuados na conta, mas tão somente comprovar a veracidade do alegado, ou seja, que valores de terceiros circularam pela conta em análise. Contudo, os valores dos cheques de clientes dos clientes do impugnante depositados em sua conta, devem ser excluídos dos valores considerados como depósitos sem origem, uma vez que comprovadamente são valores que não pertencem ao mesmo”. Defende a exclusão de empréstimo de terceiros, junta declarações individuais dos mutuantes e argúi que “este tipo de transação é muito comum em pequenas cidades do interior, onde as pessoas se conhecem umas às outras e, principalmente, no caso do autuado, que é inclusive vereador”. Elabora Fl. 1177DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 demonstrativo dos depósitos não justificados após apropriação destes empréstimos. Informa que no “mês de maio de 2003, o impugnante, juntamente com os demais herdeiros e a viúva meeira, venderam imóveis havidos por herança de seu pai conforme cópias de escrituras já juntadas aos autos (fls. 351 a 360). Todos os valores recebidos, no total de R$ 79.000,00, foram depositados nesta conta, para posterior acerto entre o impugnante e os demais beneficiários” e, com isso, deve ser considerado como depósito justificado, reduzindo a base de cálculo neste mês para R$ 13.099,70. Agrega que isto “não significa que as importâncias remanescentes sejam aceitas pelo impugnante como omissão de rendimentos” e elencará outros valores que “demonstrarão que todos os depósitos têm origem lícita, porém de impossível identificação individual”. Passa à análise da conta corrente 091642 do Banco Sicredi. Afirma que as sobras de resíduos de faturamento, citadas anteriormente, foram maiores que os valores depositados em razão de atraso no recebimento do faturamento, entendendo que o saldo remanescente, de R$ 36.897,48, “há que ser considerado como recurso no mês subseqüente, ou seja, em outubro de 2003, reduzindo o saldo considerado como omissão de receita de R$ 77.561,80 para R$ 40.664,32”. Alega que no mês de outubro de 2003 “foi depositado nesta conta o valor de R$ 28.734,00 recebidos do Senhor Roberto Aparecido Morais, referente a venda de maquinário de serraria, conforme declaração já juntada aos autos (fls. 347). Não apenas em um único depósito, mas sim em vários, vez que o recebimento deuse parte em cheques de terceiros e parte em dinheiro”. Contesta a rejeição, na fase preparatória do lançamento, desta declaração como suficiente à comprovação pretendida. Examina, na seqüência, a conta corrente nº 10.474/4 do Banco Bradesco, titularizada em conjunto pelo impugnante e a Sra. Clair Schumack Garcia. Diz que os “depósitos realizados nesta contacorrente eram provenientes do faturamento da empresa Schumack & Garcia Ltda, conforme documentação já juntada nos autos”. Em relação à conta corrente nº 10.786/7 do Banco Bradesco, contesta a rejeição da declaração do Sr. Ageu Garcia, onde afirma que usou essa conta para movimentação de sua empresa. Diz que apesar da existência de três contas no mesmo banco em nome do Sr. Ageu, duas foram abertas após o período fiscalizado e a restante não tinha movimentação suficiente para comportar o faturamento da empresa. Aduz ser “impossível, pela natureza do negócio e pela falta de controles financeiros mais adequados, comprovar que toda a movimentação financeira da empresa Ageu Garcia tenha sido feita nesta conta. Porém, a declaração do Senhor Ageu Garcia não pode ser simplesmente ignorada”. Enumera, na seqüência, um rol de documentos, associando vendas da empresa com os depósitos da citada conta, concluindo por entender que “o valor do faturamento da empresa Ageu Garcia, CNPJ nº 03.758.744/000168 (fls. 259 a 282 dos autos) Fl. 1178DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 12571.000073/200791 Acórdão n.º 220101.348 S2C2T1 Fl. 3 5 deve ser excluído da movimentação desta conta, até por uma questão de coerência com o que foi feito na conta 12.053/7”. Na análise da conta corrente 11.571/1 do Banco Bradesco, afirma que a comprovação da origem do depósito de R$ 83.550,00 é incontestável, havendo “total coincidência de datas e valores entre os depósitos efetuados (fls. 527 e 528 dos autos) e o contrato de venda de máquinas (fls. 525 e 526) firmado entre o impugnante e a Senhora Rosenilda de Fátima Gonçalves”. Protesta pela exclusão da exigência de todos os valores comprovados e pelo limite estabelecido no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, com as alterações do art. 4º da Lei 9.481, de 1997. Protesta pela produção de outras provas que forem consideradas necessárias e requer o julgamento de improcedência do lançamento.” A 4ª Turma da DRJ em Curitiba, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 PROVA. REQUISITOS EXTRÍNSECOS. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. Os contratos particulares, para serem oponíveis a Fazenda Pública, devem estar registrados no registro público (Código Civil, art. 221) e comprovados por outros subsídios. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.” Cientificado da decisão de primeira instância em 11/12/2007, conforme AR de fls. 1.074, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 10/01/2008, o recurso voluntário de fls. 1.076/1.105, por meio do qual reiterou suas razões apresentadas na impugnação. Em sessão de 13/04/2010 a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento do CARF houve por bem converter o julgamento em diligência (Resolução nº Fl. 1179DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 220200.061) para que a autoridade preparadora informasse se os cotitulares das contas bancárias objeto do lançamento haviam sido intimados, especificando a data e cópias das intimações e respostas se aplicáveis. Em 24/01/2011 foi elaborado o termo de fls. 1.121 por meio do qual o AFRF responsável informou que os cotitulares das contas bancárias objeto do lançamento não foram intimados para justificarem a origem das contas tendo em vista que os fatos geradores seria anteriores à Lei n. 10.637, de 2002.. Devidamente intimado do resultado da diligência em 28/01/2011 (fls. 1.123) o Recorrente deixou de apresentar manifestação (fls. 1.124), tendo os autos retornado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Tratase de lançamento efetuado com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, sendo que a movimentação bancária identificada pela autoridade fiscal teve origem em 4 contas do Banco Bradesco e 1 conta do Sicred. Como destacado anteriormente quando da conversão do julgamento em diligência, dentre as contas cujos depósitos foram objeto de autuação verifiquei que 3 eram mantidas em cotitularidade com outros contribuintes, como apontou o relatório de ação fiscal, verbis: “Considerando que os demais titulares das contas do fiscalizado, conforme pode ser visto às fls. 515 a 555 apresentaram declarações de rendimentos individualizadas, se enquadram no dispositivo lega retro citado. Assim, os depósitos não comprovados foram divididos entre os titulares de cada conta. (...) Por fim, considerando que o fiscalizado não aponta nenhuma outra justificativa para esta conta do Bradesco, e considerando que o fiscalizado provou que ela tem outro titular (fl. 327 e 328), a omissão foi imputada a cada um deles, em atenção ao disposto no já transcrito § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996.” Tal fato pode ser comprovado ante o exame da documentação constante dos autos relativamente as contas bancárias mantidas junto ao Banco Bradesco de nºs 12053/7 (cujo cotitular é o Sr. Ageu Garcia – fls. 328), 10474/4 (cujo cotitulares são Clair Schumack Garcia e Roseli Garcia – fls. 285/286) e 10786/7 (cujo cotitular é o Sr. Ageu Garcia – fls 250). Em situações como a presente, objetivando identificar quem é de fato o titular da movimentação bancária, a jurisprudência deste E. Colegiado se consolidou no sentido de que todos os titulares das contas bancárias devem ser intimados durante o processo de Fl. 1180DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 12571.000073/200791 Acórdão n.º 220101.348 S2C2T1 Fl. 4 7 fiscalização, sob pena de nulidade do lançamento, como ficou assentando na Súmula CARF n. 29, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Colegiado nos termos regimentais: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No presente processo, no entanto, como confirmado pela diligência às fls. 1.121 os cotitulares dessas contas bancárias jamais foram intimados, não sendo justificativa para tanto o fato dos fatos geradores serem anteriores à inclusão do parágrafo 6º ao art. 42 da Lei n. 9.430/1996 pela Lei n. 10.637, de 2002. Isto porque o comando veiculado por esta legislação é de natureza procedimental e tem aplicação imediata aos casos em andamento, inclusive a fiscalização nos presentes autos que aconteceu posteriormente. Assim, com base no exposto devese anular o lançamento em relação a essas 3 contas bancárias mantidas no Bradesco, nas quais o Recorrente era cotitular tendo em vista o entendimento sumulado acima. Em decorrência da nulidade parcial do lançamento, resta a análise da movimentação bancária de duas contas de titularidade exclusiva do Recorrente, quais sejam (i) a conta corrente de nº 091642, mantida junto ao Banco SICRED e (ii) a conta corrente de nº 11571/1, mantida junto ao Banco Bradesco. Inicialmente, no tocante à conta corrente mantida junto ao SICRED, verifico que o Recorrente, durante o procedimento fiscal, assim como em sua impugnação e no recurso voluntário, sempre sustentou que a movimentação em questão decorreu dos negócios desenvolvidos pela pessoa jurídica Valdir Garcia (CNPJ nº 04.249.693/000101). Sustenta o Recorrente que a referida pessoa jurídica utilizava duas contas bancárias quais sejam a conta corrente 12.053/7 mantida junto ao Banco Bradesco e a conta corrente nº 091642 mantida junto ao Banco SICRED. Esse fato não só foi reconhecido pela d. autoridade fiscal como, para fins de identificação dos rendimentos omitidos, foram subtraídos dos totais dos depósitos bancários existentes o valores de faturamento declarados pela referida pessoa jurídica. Reproduzo trecho do Relatório de Ação Fiscal em que foi detalhado o lançamento em relação a essas contas bancárias, in verbis: “3.1 Conta corrente nº 12.053/7 do Bradesco O fiscalizado alega que as contas correntes nº 12.053/7 do Banco Bradesco e nº 091642 do Banco SICRED eram utilizadas para movimentação financeira da empresa Valdir Garcia, CNPJ 04.249.693/000101, cujo titular é ele próprio. Quanto a isso, cabem as seguintes considerações: O faturamento da citada empresa, principalmente, após o segundo semestre de 2002 foi expressivo, conforme se pode ver Fl. 1181DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 nas cópias do seu livro de registros de saídas às fls. 363 a 393, o qual apresenta correspondência com as notas fiscais de saída apresentadas pelo fiscalizado. A maior parte deste faturamento foi obtida pela venda de produtos para comerciais exportadoras, conforme cópias de algumas notas fiscais (fls. 566 a 570) e nos documentos de exportação às fls. 406 a 521. Neste contexto, é evidente que tenham que existir contas bancárias para esta movimentação financeira. Contudo, a empresa, durante o período em análise, não teve contas bancárias em seu próprio nome. O fiscalizado alega à fl. 240 que não há coincidência de datas e valores por causa da variação cambial que ocorria entre a emissão da nota e o pagamento, que era feito 15 dias depois. Tal argumento procede, uma vez que, nos documentos de exportação às fls. 406 a 521 existem referências a notas fiscais, as quais têm valor próximo, mas diferente das notas fiscais do fiscalizado. Em relação às vendas no mercado interno, o fiscalizado alega que as formas de pagamento eram diversas, ora com cheques pré datados com prazos e valores fracionados, sendo que cada depósito podia englobar frações de várias vendas, sendo impossível precisar quanto de cada depósito equivalia a cada nota fiscal de venda. Assim, o fiscalizado conclui que a coincidência de datas e valores era ainda mais difícil. Ainda que fosse possível ao fiscalizado manter um sistema contábil que pudesse organizar estes depósitos, o argumento alegado se mostra razoável. Se o fiscalizado não se organizava nem para separar suas contas pessoais das de sua empresa, impossível crer que tivesse organização com os depósitos somente da empresa. Outro aspecto é que, nos extratos desta conta, o histórico de vários depósitos é descrito como “RECEB POR FORNECIMENTO” (fls. 537 a 539). Os valores destes depósitos são idênticos aos lançados no livro de registro de saídas, e as datas são compatíveis às descritas neste livro. Desse modo, embora seja uma prática incorreta, fica demonstrado que a pessoa jurídica Valdir Garcia, CNPJ 04.249.693/000101, utilizou as contas correntes da pessoa física Valdir Garcia, CPF 983.076.73968, que é o contribuinte fiscalizado, para sua movimentação financeira. Ocorre que esta pessoa jurídica, pelo menos aparentemente, já apresentou seus rendimentos à tributação. Conforme pode ser visto nas DCTFs (fls. 554 a 559), houve a apuração e declaração de IRPJ e CSLL, groso modo, com valores compatíveis ao livro de registro de saídas. Houve apuração e declaração de PIS e COFINS, embora com valores relativamente pequenos, o que pode ser atribuído às exportações. Não se analisará aqui a tributação desta empresa, o que foge ao escopo desta fiscalização, mas, a princípio, não há problemas flagrantes. Assim, não se poderia considerar estes rendimentos como omissão de receita do fiscalizado, sob pena de se estar fazendo bi tributação. Diante disto, os valores de faturamento da empresa, retirados do livro de registro de saídas, serão descontados mensalmente dos valores das contas do fiscalizado, uma vez que não ´pe possível se efetuar o batimento individual de cada depósito. Fl. 1182DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 12571.000073/200791 Acórdão n.º 220101.348 S2C2T1 Fl. 5 9 O depósito de R$2.539,90, feito em 11/11/2002, foi justificado. Tratase de devolução de instalação de equipamento padrão feito pela Copel, conforme fls. 361 e 362. Portanto, também não será considerado como omissão de receitas. Na tabela a seguir, é apresentada a movimentação mensal desta conta corrente, Na tabela a seguir, é apresentada a movimentação mensal desta conta corrente, excluindose o depósito referente à devolução de equipamento da Copel. Conforme exposto acima, foram descontados os valores mensais do faturamento da empresa, obtidos do livro de registro de saídas (coluna “Faturamento da empresa”), formando a coluna “Dep. não comprovados”. Em alguns meses, o valor do faturamento da empresa foi superior ao da movimentação financeira desta conta. Nestes, considerando que não há omissão negativa, atribuiuse o valor zero, não se descontando o eventual resíduo em meses posteriores. Mesmo porque, se é verdade que a alta movimentação financeira foi proveniente do faturamento, não teria sentido este ser maior que a aquela. Poderseia argumentar que isso ocorreu porque os pagamentos não ocorriam necessariamente no mesmo mês da emissão das notas. Não é o caso, pois, se assim fosse, isso somente ocorreria em meses isolados, e não em vários meses seguidos, tal como ocorreu. Contudo, como o fiscalizado argumenta que a empresa também se valeu da conta corrente n° 091642 do Banco SICRED, a eventual sobra destes meses abateu os depósitos de tal conta, o que será tratado no item seguinte. Por fim, considerando o fiscalizado não aponta nenhuma outra justificativa para esta conta do Bradesco, e considerando que o fiscalizado provou que ela tem outro titular (fl. 327 e 328), a omissão foi imputada a cada um deles, em atenção ao disposto no já transcrito § 6° do art. 42 da Lei 9.430/1996. Desta forma, formouse última coluna denominada “Omissão do fiscalizado”, a qual equivale à metade da omissão total desta conta. Conta Corrente n° 12.053/7 Período Depósitos Faturamento da empresa Dep. não Comprovados Omissão de receita Do fiscalizado jan/02 30.791,55 11.238,90 19.552,65 9.776,32 fev/02 47.169,01 8.093,75 39.075,26 19.537,63 mar/02 47.655,08 8.206,10 39.448,98 19.724,49 abr/02 68.503,91 6.673,70 61.830,21 30.915,10 mai/02 29.030,26 3.750,00 25.280,26 12.640,13 jun/02 30.651,08 465,60 30.185,48 15.092,74 jul/02 160.072,54 95.262,24 64.810,30 32.405,15 ago/02 193.263,86 162.592,76 30.671,10 15.335,55 set/02 159.916,99 230.874,08 0,00 out/02 200.583,62 103.801,01 96.782,61 48.391,30 nov/02 124.503,69 183.655,14 0,00 dez/02 119.168,10 162.375,66 0,00 Fl. 1183DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 10 jan/03 266.049,50 203.953,17 62.096,33 31.048,16 fev/03 286.406,20 260.415,63 25.990,57 12.995,28 mar/03 317.506,42 177.033,29 140.473,13 70.236,56 abr/03 147.515,19 133.624,81 13.890,38 6.945,19 mai/03 374.677,36 271.032,66 103.644,70 51.822,35 jun/03 260.646,37 328.516,58 0,00 jul/03 295.942,21 371.437,11 0,00 ago/03 196.864,42 239.247,57 0,00 set/03 99.913,70 248.612,88 0,00 out/03 185.452,89 142.483,48 42.969,41 21.484,70 nov/03 147.786,57 106.241,88 41.544,69 20.772,34 dez/03 236.045,52 126.367,39 109.678,13 54.839,06 3.2 Contacorrente n° 091642 do banco Sicred O fiscalizado argumenta que utilizou esta conta corrente, tal como a anterior, para movimentação de sua empresa. Assim, considerando os mesmos argumentos expostos no item anterior, também foi feito o abatimento do faturamento da empresa nesta conta, tal como demonstrado na tabela abaixo. Evidentemente, o abatimento somente será feito nos meses em que o faturamento superou o valor de depósitos da conta anterior (coluna “Resíduo do faturamento”). Também aqui, quando o valor residual do faturamento for maior que os depósitos desta conta, atribuiuse o valor zero, pelo mesmo motivo anteriormente, quer seja, se é verdade que a alta movimentação financeira foi proveniente do faturamento, não teria sentido este ser maior que a aquela. Como não houve nenhuma outra justificativa para os depósitos desta conta, e ela não possui outros titulares, a diferença entre os depósitos e o resíduo do faturamento foi considerada como omissão de receita (coluna “omissão de receita do fiscalizado). Conta Corrente n° 09164‐2 Período Depósitos Resíduo do faturamento Omissão de receita Do fiscalizado mai/03 150,00 150,00 jun/03 32.874,35 67.870,21 0,00 jul/03 6.047,59 75.494,90 0,00 ago/03 26.916,94 42.383,15 0,00 set/03 73.858,55 148.699,18 0,00 out/03 77.561,80 77.561,80 nov/03 61.050,91 61.050,91 Verificase, portanto, que para a apuração da omissão objeto do presente lançamento, a autoridade fiscal partiu da movimentação bancária total do mês identificada na conta 12053/7 (de cotitularidade mantida junto ao Bradesco), deduziu o faturamento verificado pela pessoa jurídica, tendo obtido o montante dos depósitos não comprovados e a conseqüente omissão de rendimentos. Nos casos em que o faturamento da empresa foi maior do que a movimentação bancária verificada nessa conta do Bradesco, o saldo positivo foi utilizado para Fl. 1184DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 12571.000073/200791 Acórdão n.º 220101.348 S2C2T1 Fl. 6 11 deduzir da movimentação bancária apurada na conta mantida exclusivamente pelo Recorrente junto ao SICRED. Com a declaração parcial da nulidade do lançamento e a conseqüente exclusão da movimentação bancária relativa ao Bradesco, aplicandose a sistemática acima à movimentação bancária do Recorrente no SICRED não resta qualquer omissão, como se verifica da tabela abaixo: Contacorrente 091642 – Banco SICRED Período Depósitos Faturamento Depósitos não comprovados Maio/2003 150,00 251.032,66 0,00 Junho/2003 32.874,35 328.516,58 0,00 Julho/2003 6.047,59 371.437,11 0,00 Agosto/2003 26.916,94 239.247,57 0,00 Setembro/2003 73.858,55 248.612,88 0,00 Outubro/2003 77.561,80 142.483,48 0,00 Novembro/2003 61.050,91 106.241,88 0,00 Após as exclusões acima restam os depósitos bancários identificados na contacorrente nº 11.571/1 do Bradesco (também de titularidade exclusiva) nos valores de R$100,00 (ago/02), R$719,81 (out/02), 74,00 (jun/03), R$378,00 (jul/03) e R$83.350,00 (dez/03). Em relação ao anocalendário de 2002 os depósitos são inferiores a R$ 12.000,00 individualmente e a R$ 80.000,00 no conjunto, pelo que se aplica a dispensa de comprovação a que se refere o art. 42, parágrafo 3º da Lei n. 9.430, de 1996 (alterado pela Lei n. 9.481, de 2007). O mesmo não sucede em relação aos depósitos do anocalendário de 2003, que excedem a 80.000,00 em seu conjunto. O Recorrente justifica que tais depósitos correspondem a compra e venda de maquinário, consubstanciada no contrato de fls. 525/526, por meio do qual o Recorrente teria alienado para a Sra. Rosenilda de Fátima Gonçalves diversas máquinas usadas, tendo trazido juntamente com seu recurso voluntário declaração da referida compradora confirmando o negócio entre as partes. Entendo, no entanto, que o conjunto probatório apresentado não proporciona a razoável segurança necessária para considerar que tais valores sejam, efetivamente, decorrentes de tais origens. De fato, o Recorrente deveria ter trazido aos autos outros elementos, em complemento a tais alegações, preferencialmente emitidos por terceiros, que demonstrassem esses pagamentos como parcelas decorrentes da compra e venda. Fl. 1185DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 12 Verifico, por exemplo, pela planilha de fls. 547 que todos esses depósitos correspondem a cheques. Logo, bastaria ao Recorrente apresentar as cópias dos referidos cheques emitidos pela compradora para, a meu ver, comprovar devidamente a transação ocorrida. Tais elementos de prova, longe de inviabilizar e sobremaneira burocratizar o procedimento administrativo fiscal, tem como objetivo fornecer ao julgador conjunto probatório que proporcione certa segurança para afastar o lançamento por presunção. Assim, entendo que deve ser mantida a autuação tão somente em relação a esta parcela do anocalendário de 2003, cuja base de cálculo é R$ 83.728,00. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário interposto pelo recorrente para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para cancelar a exigência em relação ao anocalendário de 2002 e reduzir a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada a R$ 83.728,00 referente ao anocalendário de 2003. Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) Fl. 1186DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/11/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 11020.007812/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004
IRPJ. IMUNIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO.
O não atendimento, pela entidade de educação, dos requisitos legais para gozo da imunidade, autoriza a suspensão do benefício, formalizada por meio de ato declaratório do Delegado da Receita Federal do Brasil.
IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ALEGAÇÃO DE IRRETROATIVIDADE DO ATO. IMPROCEDÊNCIA.
Se a causa determinante do ato de suspensão de imunidade é o desvio de finalidade praticado pela instituição, o efeito de sua aplicação, por definição, é retroativo, vale dizer, retroage aos anos-calendário em que o desvio de finalidade tenha se verificado e perdura até o ano-calendário em que a infração subsistir.
IRPJ. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Lançamento efetuado em 2008 pode abarcar fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003, 2004
IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE.
Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real.
IRPJ. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL. ART. 15 DA LEI Nº 9.532/1997.
No tocante ao imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 113, de 1998, não se aplica às instituições educacionais de ensino superior o regime de isenção tributária, mas sim o regime de imunidade.
Numero da decisão: 1402-004.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, afastar o pedido de cancelamento do ADE que suspendeu a imunidade tributária da entidade, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento ao pleito da recorrente; ii) por unanimidade de votos, ii.i) negar provimento ao recurso voluntário, ii.i.i) em relação às despesas incomprovadas, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paula Santos de Abreu; ii.i.ii) em relação ao arbitramento adotado; iii) não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional suscitadas (Súmula CARF nº 2).
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ. IMUNIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO. O não atendimento, pela entidade de educação, dos requisitos legais para gozo da imunidade, autoriza a suspensão do benefício, formalizada por meio de ato declaratório do Delegado da Receita Federal do Brasil. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ALEGAÇÃO DE IRRETROATIVIDADE DO ATO. IMPROCEDÊNCIA. Se a causa determinante do ato de suspensão de imunidade é o desvio de finalidade praticado pela instituição, o efeito de sua aplicação, por definição, é retroativo, vale dizer, retroage aos anos-calendário em que o desvio de finalidade tenha se verificado e perdura até o ano-calendário em que a infração subsistir. IRPJ. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Lançamento efetuado em 2008 pode abarcar fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE. Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. IRPJ. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL. ART. 15 DA LEI Nº 9.532/1997. No tocante ao imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 113, de 1998, não se aplica às instituições educacionais de ensino superior o regime de isenção tributária, mas sim o regime de imunidade.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-15T00:37:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-15T00:37:05Z; Last-Modified: 2019-12-15T00:37:05Z; dcterms:modified: 2019-12-15T00:37:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-15T00:37:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-15T00:37:05Z; meta:save-date: 2019-12-15T00:37:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-15T00:37:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-15T00:37:05Z; created: 2019-12-15T00:37:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2019-12-15T00:37:05Z; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-15T00:37:05Z | Conteúdo => S1-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11020.007812/2008-20 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-004.246 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2019 Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ. IMUNIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO. O não atendimento, pela entidade de educação, dos requisitos legais para gozo da imunidade, autoriza a suspensão do benefício, formalizada por meio de ato declaratório do Delegado da Receita Federal do Brasil. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ALEGAÇÃO DE IRRETROATIVIDADE DO ATO. IMPROCEDÊNCIA. Se a causa determinante do ato de suspensão de imunidade é o desvio de finalidade praticado pela instituição, o efeito de sua aplicação, por definição, é retroativo, vale dizer, retroage aos anos-calendário em que o desvio de finalidade tenha se verificado e perdura até o ano-calendário em que a infração subsistir. IRPJ. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Lançamento efetuado em 2008 pode abarcar fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE. Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. IRPJ. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL. ART. 15 DA LEI Nº 9.532/1997. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 78 12 /2 00 8- 20 Fl. 1991DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 No tocante ao imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 113, de 1998, não se aplica às instituições educacionais de ensino superior o regime de isenção tributária, mas sim o regime de imunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, afastar o pedido de cancelamento do ADE que suspendeu a imunidade tributária da entidade, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento ao pleito da recorrente; ii) por unanimidade de votos, ii.i) negar provimento ao recurso voluntário, ii.i.i) em relação às despesas incomprovadas, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paula Santos de Abreu; ii.i.ii) em relação ao arbitramento adotado; iii) não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional suscitadas (Súmula CARF nº 2). (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre - RS, através do acórdão 10-20.704, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Da autuação fiscal: Por bem descrever os termos da autuação fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Em ação fiscal foi lavrado contra a contribuinte acima, auto de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 02). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 84.849.152,96, calculado até 28/11/2008. Fl. 1992DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 A contribuinte impugnou tempestivamente a exigência e se insurgiu contra o Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 95, de 05 de dezembro de 2008, que declarou suspensa a imunidade tributária da entidade entre 01/01/2003 e 31/12/2007. A impugnação está às fls. 1109/1143. 1. Razões da suspensão da imunidade e razões da autuação A autuada – Fundação Universidade de Caxias do Sul (FUCS) - é mantenedora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e tem atuação voltada essencialmente para a área da educação. Referida Universidade tem estatuto próprio que lhe garante “autonomia didático-científica, administrativa, de gestão financeira e patrimonial, bem como de autonomia disciplinar” (fls. 155), mas não está inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e nem possui contabilidade própria. Diz o autuante às fls. 22: “Em verdade a mantida UCS e sua mantenedora FUCS constituem-se na mesma entidade, onde aquela é mero ente executor dos objetivos desta”. Muito embora sem previsão estatutária, a Fundação atua também na área de saúde, administrando o Hospital Geral de Caxias do Sul. Durante o período da fiscalização – anos-calendário 2003 e 2004 – a autuada apresentou Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) declarando-se imune e, com isso, não efetuou qualquer recolhimento a título de IRPJ. O autuante alude que a imunidade tributária é condicionada ao cumprimento de determinados requisitos e que a contribuinte não teria cumprido as condições para manter a vantagem fiscal. Tendo isso em vista, foi suspensa a imunidade da entidade no período que vai de 2003 a 2007, através do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 95, de 05 de Dezembro de 2008 (fls. 1106), abrindo, com isso, caminho para a exigência do IRPJ. O agente do fisco não considerou a contabilidade da contribuinte como apta à apuração do Lucro Real, pois voltada à verificação do superávit ou déficit de entidade sem fins lucrativos. Com isso, a apuração dos resultados foi efetuada com base no Lucro Arbitrado. Adiante resumo as razões para suspensão da imunidade. 1.1. Descumprimento de requisitos necessários à imunidade O autuante refere que a “imunidade prevista para as instituições de educação não é absoluta” e que estaria “condicionada ao atendimento de determinados requisitos previstos em Lei”. O trabalho fiscal procurou verificar se a entidade preenche essas condições. Concluiu que não foram cumpridos os requisitos constantes dos incisos I e II , do art. 14 da Lei nº 5.172/99 (Código Tributário Nacional – CTN), quais sejam, o de não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a qualquer título e o de aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos objetivos institucionais. Outros requisitos descumpridos seriam os constantes das alíneas “a” e “b” do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532/1997, que impede sejam remunerados, por qualquer forma, os dirigentes pelos serviços prestados e determina a aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais. 1.1.1. Aplicação de recursos exclusivamente nos objetivos institucionais 1.1.1.1. Hotel Universidade S. A. A autuada aplicaria parcela de suas rendas em outra pessoa jurídica, qual seja, o Hotel Universidade S. A., que usa o nome de fantasia de “Hotel Vila Verde”, pessoa jurídica de direito privado, com fins lucrativos. No balancete da instituição, conta contábil do Ativo Permanente/Investimentos, aponta, em 2003, o valor de R$ Fl. 1993DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 881.900,92 como valor do investimento no Hotel. A FUCS teria uma participação de 98,51% no capital social do empreendimento. As instalações do Hotel foram cedidas à FUCS em 1985, através do Contrato Particular de Cessão de Uso para Fim Específico (fls. 203 a 209). O objetivo da cedência foi a instalação da Escola Superior de Hotelaria. Diz o autuante (fls. 27) que “ocorre que o contrato prevê, na cláusula IV, que, além da instalação da Escola Superior de Hotelaria, a atividade da cessionária (FUCS) constituirá também na ‘EXPLORAÇÃO DO RAMO HOTELEIRO’, atividade totalmente estranha aos objetivos institucionais da entidade”. E, adiante, o autuante enfatiza que a FUCS ficou responsável por toda a administração do hotel, emissão de notas fiscais, cobranças e despesas. E ainda, que os “registros contábeis comprovariam que toda a receita e despesa, inclusive de pessoal, são suportadas pela Fundação, em uma total confusão patrimonial ferindo princípios contábeis, como o Princípio da Entidade”. Assevera o autuante ainda que “é evidente que a FUCS arca com as despesas de outra pessoa jurídica”. O agente do fisco entende que, em sendo objetivo da Entidade atuar no ramo da hotelaria como atividade meio a seus objetivos sociais na área da educação, poderia investir em empreendimento próprio, sem fins lucrativos, como faz na área de comunicação e de saúde. A Entidade teria adquirido ações, mediante aplicação de recursos da instituição, entre setembro de 1999 e o ano de 2002, no valor de R$ 781.512,17. O autuante conclui assim: “Com efeito, a aquisição de participação acionária em empresa do ramo privado, com fins lucrativos e cujo objeto é totalmente estranho aos objetivos institucionais da notificada, bem como o pagamento de todas as despesas daquela empresa, despesas vinculadas à atividade econômica de hotelaria, e auferimento das suas receitas (diárias, hospedagens, etc) conseqüentemente caracteriza a exploração de atividade econômica de fins lucrativos (hotelaria), o que se configura em claro descumprimento do requisito constante do inciso II, do art. 14 do Código Tributário Nacional, que veda a aplicação em recursos em atividades alheias às finalidades institucionais da mesma”. São referidos também vários outros pagamentos que teriam ocorrido com desvio de finalidade, que especificamos adiante. 1.1.1.2. Pagamentos de apresentações artísticas e à Associação dos Músicos da Universidade. Outros pagamentos. Às fls. 31/32 o autuante relaciona pagamentos que foram efetuados em prol de apresentações artísticas, como festivais de música e shows. Refere a existência de pagamentos em favor de artistas e bandas e cita alguns, como “Família Lima”, “Nenhum de Nós”, “Jady Ohana” e “Detonautas”. Às fls. 32/33 estão relacionados pagamentos de valores referidos como expressivos em favor da Associação de Músicos da Universidade de Caxias do Sul e é relatada, também, a existência de pagamentos mensais de R$ 1.000,00 em favor da Associação Clube de Mães de Caxias do Sul. O agente do Fisco afirma que tais pagamentos configuram claro desvio de finalidade, vez que nada teriam a ver com os objetivos institucionais da entidade, voltados exclusivamente à educação. Seriam, também, denotativos da falta de critério na aplicação dos recursos. Enfatiza, o autuante, que são recursos públicos, indiretamente, via benefício fiscal. Fl. 1994DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 As apresentações dos artistas não seriam destinadas de forma gratuita aos alunos e comunidade. Diz o autuante (fls. 34): “tais eventos, financiados pela instituição, são destinados apenas àqueles que dispõe de condições financeiras a pagar o ingresso. Destina a instituição, recursos alcançados sob o manto da imunidade, para custear eventos a um público limitado”. Às fls. 34 são relacionadas três passagens aéreas destinadas a Carlos Alberto Chiarelli, viagens que a entidade teria justificado de forma genérica como destinadas “a tratar assuntos da instituição”, sem elucidação da motivação delas. Ainda, são relacionados pagamentos de fatura de cartão de crédito do Sr. Luzi Antônio Rizzon, onde são cobrados gastos efetuados em hotéis no exterior, sem que tenha havido apresentação de documentos para justificar as despesas. Outros pagamentos considerados como alheios aos objetivos da entidade, são os relativos a jantares de confraternização do Conselho Diretor em dezembro de 2003 e 2004. O autuante lembra, ainda, que a legislação veda a concessão de vantagens ou benefícios a qualquer título aos diretores e conselheiros da instituição. Às fls. 36 são referidos outros pagamentos de despesas de viagens, sem que tenha havido comprovação da existência dos eventos, alegadamente destinados a participação do Reitor em comitê de escolha de lista tríplice para nomeação do Reitor da UNIVALE de Minas Gerais, reunião do Reitor com o Ministro da Educação e reunião dos reitores do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Por não haver documentos que vinculem essas viagens aos objetivos institucionais da entidade, foram consideradas aplicação de recursos em atividades estranhas aos objetivos da autuada. 1.1.2. Vedação de Distribuição de Patrimônio ou Rendas O autuante lembra que o inciso I, do art. 14, do CTN, estabelece como requisito para fins de fruição da imunidade constitucional a não distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou das rendas, a qualquer título. A norma seria aplicável ainda que a distribuição seja efetuada de forma disfarçada, como pagamento por despesas de interesse pessoal do beneficiário. Os pagamentos mencionados no item anterior – shows, viagens, pagamento de jantares de confraternização, repasse de recursos para Associação de músicos e Clube de Mães – estariam mais voltados para benefícios pessoais do que institucionais. Cita especificamente viagens do Reitor Luiz Antônio Rizzon e do professor Carlos Alberto Chiarelli, já referidas no tópico anterior. Diz o autuante (fls. 39): “Em todos os casos acima relatados, sejam eles de pagamento de viagens não justificadas, ou sem comprovação das justificativas alegadas, bem como de pagamento de despesas de jantares de confraternização dos diretores, todos flagrados em uma pequena amostra das várias ocorrências semelhantes encontradas na escrituração da fiscalizada, caracteriza a distribuição de patrimônio ou rendas da instituição, descumprindo mais um requisito indispensável para fins de gozo da imunidade tributária.” 1.1.3. Vedação à Remuneração de Diretores e Conselheiros A instituição teria, também, remunerado dirigentes pelos serviços prestados, o que é vedado pela alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532/1997. O Sr. Luiz Antônio Rizzon era membro nato do Conselho Diretor da Fundação e Reitor da Universidade. Ele percebia, a título de “gratificação de função”, mais de R$ 10.000,00 mensais. Também a Vice Reitora, Sra. Liane Beatriz Moretto Ribeiro recebia a mesma gratificação em valor superior a R$ 7.500,00 mensais. Diz o autuante que (fls. 45) “a remuneração que é permitida ao Reitor e Vice é aquela que se encontra Fl. 1995DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 nos mesmos patamares da remuneração concedida aos demais empregados e professores, ou idêntica à remuneração percebida anteriormente à condição de Reitor ou Vice, bem como aquela remuneração auferida em contrapartida de serviços meramente administrativos prestados pelos mesmos”, o que não seria o caso da autuada, que remuneraria “o Reitor, e conseqüentemente o membro do Conselho Diretor, bem como o Vice Reitor, além da remuneração usual, com altos valores a título de Função Gratificada pelos serviços de direção da Universidade e da Fundação”. Diz que função gratificada é remuneração típica de serviços de direção e que meros funcionários administrativos não costumam receber remuneração a título de Função Gratificada. Às fls. 43, o agente do fisco conclui: “Está claro, por raciocínio lógico, que ao dirigirem a Universidade, o Reitor e Vice dirigem a atividade central ou atividade fim da Fundação. Dirigem a atividade que justifica a existência da Fundação. Querer equiparar o Reitor da Universidade a um mero funcionário, exercendo tão-somente atos de execução, sem qualquer poder decisório, é uma afronta ao bom senso. Desta forma, a FUCS, ao remunerar, mediante Função Gratificada, o Reitor e Vice, pelo desempenho de atividades de direção exercidas em benefício da Fundação, está descumprindo o requisito à Imunidade Constitucional constante na alínea “a” do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97.” 2. Suspensão da Imunidade Em razão do anteriormente exposto, o contribuinte foi notificado das razões que determinariam a suspensão da imunidade tributária (fls. 706 a 720). A entidade apresentou defesa (fls. 722 a 738). O Delegado da Receita Federal concluiu pela procedência da suspensão da imunidade (fls. 1088 a 1105) e foi, então, emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 95, de 05 de Dezembro de 2008 (fls. 1106) suspendendo a imunidade tributária entre janeiro de 2003 e dezembro de 2007. 3. Autuação – Arbitramento do Lucro O autuante diz que a contabilidade da Entidade encontra-se voltada para a apuração do superávit ou déficit de entidade sem fins lucrativos e, com isso, não se presta para apurar o Lucro Real Trimestral, que seria a regra geral de tributação. Em razão disso (fls. 47) “não sendo a contabilidade do contribuinte instrumento hábil à apuração do Lucro Real, resta à fiscalização a tributação do IRPJ na modalidade Lucro Arbitrado”. Adiante informa os critérios de aferição da base de cálculo, os percentuais de arbitramento e as planilhas demonstrativas. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 4. RAZÕES DE DEFESA A contribuinte impugna tanto o auto de infração, quanto o ato declaratório que suspendeu a imunidade tributária. 4.1. PRELIMINARES 4.1.1. Alegada nulidade “por falta do pressuposto processual da possibilidade jurídica” A impugnante alega que a suspensão da imunidade é medida arbitrária e realizada sem amparo legal. Também alega: Fl. 1996DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 “De outro lado, a perda da imunidade como declarada, não tem o alcance de originar tributo, pois de tal tributação é isenta nos termos da Medida Provisória 466/2008, que a credenciam à isenção, não estando sujeita à tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica” (fls. 1112). Para usufruir do benefício da isenção de pagamento do IRPJ bastaria nos anos de 2003 e 2004, o cumprimento do disposto no art. 2º, do Dec. 2.536/98, o que foi plenamente atendido pela Instituição.” A impugnante refere a MP 466/2008, que não existe. A referência deve ser entendida como à MP 446/2008. A impugnante também diz que, por força do disposto na Lei 9.532/1997, arts. 12, § 3º e 15, caput e § 1º, também estaria isenta do IRPJ. Os dispositivos são: “LEI Nº 9.532/1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. [...]§3° Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...]” 4.1.2. Da alegada decadência Transcrevo “ipsis litteris” os argumentos da impugnante: “Muito embora, o auto de infração indique que a incidência da tributação está limitada ao exercício de 2003 e 2004, o demonstrativo dos cálculos e da aferição dos juros e multa fundam-se em fatos geradores compreendidos entre 01/01/1997 a 21/01/2007, com juros de mora calculados até 28/11/2008. [...] Considerando o prazo qüinqüenal determinado em lei, está o presente auto de infração fulminado pela decadência [...]”. 4.1.3. Nulidade por desrespeito à isenção De nada adiantaria a estratégia do Fisco de retirar a imunidade constitucional da Entidade, eis que ela teria, também, isenção tributária, haja vista ter aderido ao PROUNI, em 2005. A Impugnante diz que comprova em seus relatórios e na sua contabilidade os percentuais exigidos, mesmo com a má vontade do Fisco em entender os seus projetos sociais. 4.1.4. Nulidade da apuração pela sistemática do lucro arbitrado Fl. 1997DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 A Entidade sempre adotou todas as práticas recomendadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Sua contabilidade seria revestida das necessárias formalidades legais, constituídas e avalizadas por profissionais habilitados e com auditoria externa independente. Diz que a legislação não permite que o Fisco escolha a forma de tributação “sem que tenha havido a omissão do sujeito passivo, recusa ou sonegação de informações ou documentos”. Afirma que o Fisco não pode desviar-se da realidade econômica, ao adotar o arbitramento, quando sabe que a contabilidade apresenta dados verdadeiros e que poderia obter a base real do tributo. 4.2. MÉRITO 4.2.1. Objetivo institucional do Hotel Universidade Seria míope a visão do Fisco em não admitir o hotel da universidade como um laboratório para estudantes, principalmente do curso de hotelaria. Seria o mesmo que administrar o Hospital Geral e não receber pacientes, sob pena de poder entender-se uma empresa de exploração da área médica. A aquisição do hotel teria sido determinante para o bom nome da instituição e se insere no atendimento de seus objetivos institucionais, de forma especial de ensino na área de hotelaria, como um estabelecimento que proporciona a necessária vivência com as atividades específicas. A autuada nunca teria afirmado que todas as ações do hotel foram doadas, ao contrário, teria indicado a aquisição posterior, com a contabilização de todas as aquisições, receitas e despesas, mostrando a transparência que o Fisco tenta denegrir. Diz que a empresa adquirida não tinha empregados, somente a área física. O controle inicial do empreendimento foi realizado com a doação dos detentores de ações, sem nenhum desembolso da FUCS. Só posteriormente, com intenção de assumir 100% do patrimônio, é que a Instituição passou a adquirir o restante das ações. Diz que é pacífica a jurisprudência em aceitar o lucro ou a receita com superávit, desde que destinado e aplicado integralmente nas atividades institucionais. O hotel possui contabilidade própria. Não teria havido infração por ocasião da aquisição, visto que anterior ao Decreto 752/93, que veda a constituição de patrimônio ou participação acionária em empresa privada sem caráter beneficente. Não haveria confusão patrimonial entre Hotel Vila Verde e a Fundação, porque as receitas e despesas do Hotel, que constam na contabilidade da autuada seriam “resultado de sua atividade na exploração do patrimônio locado conforme contrato” apresentado ao Fisco. Adiante diz (fls. 1124): “Indica [o agente do fisco] que tal atividade produziu o processo administrativo nº 35249.000456/2003-01, com decisão administrativa transitada em julgado. Como assim, o mesmo fato pode ensejar nova autuação fiscal, se extinto o processo administrativo e garantida a isenção?” 4.2.2. Shows, Associação de Músicos e Clube das Mães No tocante aos shows, diz que eles foram destinados aos estudantes e comunidade, para “congregar e integrar a academia com a com a comunidade” e se inserem na atividade de incentivo à cultura, prevista no estatuto e inserida entre os objetivos da Fundação. Tais eventos teriam sido realizados através da união de esforços entre Instituição e Diretório Central de Estudantes (DCE). Diz que o cúmulo da insensibilidade do Fisco foi citar como desvio de finalidade a realização de uma Missa de Natal, evento aberto à toda população e sem fim lucrativo. Refere que a fúria arrecadadora ficaria demonstrada com a menção ao evento denominado “Agita Caxias”, promoção da Fundação “e que tem a finalidade social de oferecer à Fl. 1998DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 população de Caxias do Sul e região uma melhor qualidade de vida a todos através de atividades físicas, educacionais, culturais e de bem estar”. Diz que o evento foi totalmente patrocinado pelo Banrisul e que o agente do fisco teria atentado somente para a contabilização das despesas, mas não da receita. Alega que a citação do “Portal das Profissões” parece estar a impedir a divulgação dos cursos oferecidos pela Instituição para promoção do seu Vestibular. Outra reclamação é com a menção ao show de Zé Ramalho, comemorativo aos 40 anos da UCS. 4.2.3. Repasses de recursos ao DCE Os repasses ao DCE seriam justificados pelos fins culturais, previstos no artigo 2º do estatuto da instituição. Os eventos culturais são, sim, uma forma de realização e desenvolvimento da cultura no meio acadêmico em parceria com o DCE, órgão promotor de tais eventos.” Diz que a participação da impugnante é de caráter simbólico, sendo o valor principal para realização de tais eventos obtido pela própria bilheteria, advinda tal receita da contribuição dos alunos, a quem era direcionado o evento cultural. 4.2.4. Repasses à Associação dos Músicos “No tocante à Associação dos Músicos, todo o recurso repassado é restituído à Instituição pela Lei de Incentivo à Cultura, conforme documentos apresentados à Fiscalização. A Instituição através de um projeto para o Ministério da Cultura solicitando a aprovação para captação de recursos pela Lei ROUANET, conseguiu no período de 2003/2007, a aprovação de projetos, num montante de R$ 1.453.296,66. À medida que retornarem tais valores, estes serão reembolsados à Instituição.” (fls. 1126). 4.2.5. Repasse ao Clube de Mães O repasse ao Clube de Mãe teria previsão em contrato e a finalidade é educacional e cultural, previstos no estatuto da Fundação. 4.2.6. Custeio de viagens Com relação ao custeio de viagens de reitores e professores, afirma que a Instituição não pode viver isolada das demais e dos eventos relacionados a seus interesses. Viajar para participar da escolha de reitor de outra universidade ou para participar de Reunião com Reitores de Universidades Portuguesas não é desbaratar recursos institucionais. Chama atenção para o fato de a hospedagem da segunda pessoa, no mesmo aposento, não ter sido paga pela instituição, como teria concluído o Fisco. “O mesmo se diga de viagens de professores, que se foram custeadas pela universidade, por certo, tinham objetivos institucionais. Observe-se, que numa instituição regional como a Impugnante, é hilariante o ato de cassação da imunidade por fatos tão insignificantes, considerando o tempo da universidade (mais de 40 anos), a amplitude regional, o número de professores, alunos e funcionários.” (fls. 1127/1128) Diz que viagens de presidentes, governadores, deputados e altos escalões do Governo, são pagas pela Nação, Estados, etc. E, por certo, tais despesas não são glosadas pelo Tribunal de Contas. O Reitor ao viajar também está a exercitar os direitos e deveres do seu cargo. 4.2.7. Jantar de confraternização Fl. 1999DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 “O jantar de confraternização de final de ano é atividade utilizada por todas as empresas, sendo medida salutar, que antes de indicar irregularidade, provoca a sensação de sintonia entre os membros da fundação, benemerentes que merecem o respeito do Fisco, eis que sem remuneração prestam serviço com fins altruísticos e sociais.” (fls. 1128) 4.2.8. Pagamentos aos Dirigentes da Fundação Compreendida a situação peculiar da Universidade e da Fundação, ficaria demonstrado que a Fundação não está remunerando seus dirigentes, em especial os reitores e membros do Conselho Diretor. Toda a contabilidade da Universidade está contida na escrituração da Fundação. “As pessoas citadas no auto de infração não são remuneradas nas condições de conselheiros da Fundação, em razão de atos de administração, mas sim por exercerem, no âmbito acadêmico da Universidade, as atividades na condição de funcionários, e não na condição de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, que é a vedação legal” (fls. 1129). A remuneração de funcionários (Reitor e Vice-Reitor) não infringe a legislação, “na medida em que desempenham atividades decorrentes de deliberação acadêmica”. Alega, também, que tais fatos já foram objeto da representação do INSS nº 35249.000456/2003-01, não podem ser novamente elencados, como nova infração, em claro bis in idem, e portanto, com vedação legal. 4.2.9. Garantia da Imunidade e Isenção Tributárias O Fisco estaria a confundir imunidade com isenção e tributando como se fossem sinônimos. Reclama que em razão da imunidade constitucional não poderia haver exigência de PIS e COFINS. Assevera que o Fisco, ao perceber “que o ato cancelatório da isenção foi fulminado pela legislação que concede o benefício, resolveu declarar a suspensão da imunidade, quando o benefício da isenção, por si só, impede a tributação pretendida”. O ato cancelatório da isenção de contribuições sociais nº 19.422.1/2004 pretendeu o cancelamento da isenção com efeito retroativo, o que não se afiguraria possível juridicamente, pois a exemplo do que acontece no direito penal, também em matéria tributária não pode haver retroatividade em desfavor do réu. E conclui: “restabelecida a isenção por lei, não quer dizer que a Impugnante possa ser tributada com base na suspensão da imunidade, eis que contemplada com este princípio constitucional, inscrito, de forma inequívoca, no art. 150, inciso VI, letra “c”, da Carta Política de 1988”. Transcreve jurisprudência e doutrina em seu favor e volta a defender estar a instituição albergada pela imunidade tributária. Diz que os requisitos a serem cumpridos são os do art. 14 do CTN e que “se a finalidade essencial da Impugnante é a educação e se ela se enquadra na obediência integral à normatividade estabelecida pelo CTN, não há porque negar-lhe o beneplácito da Lei Maior. Informa que o Fisco, ao longo da vida institucional, em várias oportunidades pretendeu retirar da entidade a garantia constitucional, mas esta sempre foi restabelecida judicialmente. Transcreve ementa. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por NEGAR PROVIMENTO TOTAL à impugnação da agora recorrente, por maioria de votos, em algumas matérias, conforme se transcreve abaixo do decisum: Fl. 2000DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Acordam os membros da 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordináriaª Turma de Julgamento: (1) com relação à suspensão da imunidade: - no mérito, por maioria de votos, julgar improcedente a impugnação, para manter o Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade de fls. 1106, vencido o julgador Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; (2) com relação ao auto de infração de IRPJ: - pelo voto de qualidade, considerar que a impugnação contém elementos suficientes para se entender que foi suscitado o incidente de nulidade do auto de infração em virtude da falta de emissão de ato declaratório de suspensão da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532/1997, vencidos o relator e o julgador Victor Augusto Lampert; - por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de ato declaratório de suspensão da isenção, vencido o julgador Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; - por unanimidade, rejeitar as demais preliminares; -no mérito, por maioria de votos, julgar improcedente a impugnação, para manter a exigência, vencido o julgador Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que votou pelo cancelamento do auto de infração. O julgador Fernando Mombelli vai redigir o voto vencedor no tocante à isenção do art. 15 da Lei nº 9.532/1997. O julgador Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro apresentou declaração de voto. A decisão foi ementada nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ. IMUNIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO. O não atendimento, pela entidade de educação, dos requisitos legais para gozo da imunidade, autoriza a suspensão do benefício, formalizada por meio de ato declaratório do Delegado da Receita Federal do Brasil. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ALEGAÇÃO DE IRRETROATIVIDADE DO ATO. IMPROCEDÊNCIA. Se a causa determinante do ato de suspensão de imunidade é o desvio de finalidade praticado pela instituição, o efeito de sua aplicação, por definição, é retroativo, vale dizer, retroage aos anos-calendário em que o desvio de finalidade tenha se verificado e perdura até o ano-calendário em que a infração subsistir. IRPJ. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN). Lançamento efetuado em 2008 pode abarcar fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. Fl. 2001DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE. Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. IRPJ. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL. ART. 15 DA LEI Nº 9.532/1997. No tocante ao imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 113, de 1998, não se aplica às instituições educacionais de ensino superior o regime de isenção tributária, mas sim o regime de imunidade. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. A isenção de impostos e contribuições às entidades que aderirem ao PROUNI tem aplicação no período de vigência do termo de adesão. Em tendo a contribuinte aderido ao programa em ano posterior àqueles autuados, não faz juz ao benefício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado pela maioria pelo colegiado de primeira instância administrativa, extrai-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: - rejeitou as alegações de decadência; - negou provimento às questões suscitadas: de isenção (Prouni, a partir de 2005 (autuação fiscal foi de 2003 e 2004); de coisa julgada (outra autuação fiscal de contribuições previdenciárias); - na questão da aquisição e manutenção do hotel escola, entendeu o voto condutor que não houve infração para justificar a perda da imunidade; - em relação aos pagamentos a artistas e bandas de música, entendeu que a aplicação de tais recursos que acarretaram valores cobrados de ingressos como que alheio aos objetivos institucionais; - quanto aos pagamentos à associação dos músicos da universidade, entendeu que foge aos objetivos institucionais; - quanto aos repasses à associação clube de mães de Caxias do Sul, entendeu que não foge aos objetivos institucionais; - quanto aos jantares de confraternização do conselho diretor, não viu que foge aos objetivos institucionais; Fl. 2002DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 - quanto às viagens nacionais e despesas no exterior que não houve comprovação o desembolso e/ou realização dos eventos, entendeu que fugiram aos objetivos institucionais; - quanto à remuneração a dirigentes, entendeu que não atende a legislação aplicável, cabível a visão do autuante; - entendeu com válido o arbitramento aplicado. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo, a recorrente apresentou o recurso voluntário tempestivamente. No mesmo, em essência reforça os pontos já alegados na sua peça impugnatória, dos quais destaco abaixo: - pleiteia a ilegalidade do ato declaratório de suspensão da imunidade por lavrado por autoridade que compõe o conselho curador da fundação autuada; - pleiteia a nulidade do auto de infração por desrespeitar o direito à isenção; - pleiteia a ocorrência da decadência ou prescrição; - no mérito, procura rebater os fatos que determinaram a suspensão do benefício e dos requisitos exigidos para a imunidade, no que concerne à autuada e pretensa ofenda ao item I do art. 14 do CTN. Para tanto, esboça alegações quanto: 1) do hotel Universidade; 2) do patrocínio aos shows com grupos musicais; 3) da associação dos músicos; 4) do repasse ao clube de mães; 5) das despesas de viagens e jantar de confraternização; 6) da vedação da remuneração aos diretores e conselheiros. - pleiteia o direito e garantia constitucional da imunidade tributária; - pleiteia a nulidade do auto de infração pela ilegalidade da autuação com base no lucro arbitrado; Ao final, assim conclui sua peça recursal: PREQUESTIONAMENTO Considerando que o ato administrativo e o julgamento de 1a instância não está amparado nos artigos de lei, que asseguram a imunidade e a isenção tributária da Recorrente, vem prequestionar expressamente o artigos 14, I, II, e III, do Código Tributário Nacional; o Decreto n°. 2.536, de 06 de abril de1998; o art. 12, parágrafo 2°, letra "a", da Lei 9.532/97; o art. 15 da Lei 9.532/1997; o art. 8o da Lei n° 11.096/2005; o 150, VI, letra "c", da CF/88 e o art. 195, § 7°, também da Constituição Federal, requerendo que sobre a vigência destes, manifeste-se expressamente esta instância recursal. DO EXPOSTO, requer a Recorrente que sejam analisadas as preliminares invocadas, passíveis de declarar ab initio, a nulidade do auto de infração e do ato Fl. 2003DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 declaratório da suspensão da imunidade, já que os atos administrativos podem ser revistos, anulados e revogados, pela esfera administrativa recursal, sempre que ofenderem à lei e aos princípios que norteiam o direito administrativo e afrontarem a legislação pertinente. Assim não sendo o entendimento, que no mérito, seja declarada a imunidade tributária da Recorrente, considerando a ausência de afronta às regras contidas no art. 14, do Código Tributário Nacional, desconstituindo-se o ato administrativo que a suspendeu, bem como o auto de infração ora impugnado, com amparo na lei infraconstitucional e nas regras impositivas da Constituição Federal. Da Decisão da Câmara Baixa do CARF: Em sessão de julgamento ocorrida em 25/03/2015, através do acórdão nº 1202- 001.258, decidiu em dar provimento ao recurso voluntário, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO PRELIMINAR. Deve ser anulado, por vício material, lançamento de crédito tributário decorrente de ato promovido por autoridade em desacordo com as regras previstas na Lei 9.784/99 e com os princípios da impessoalidade e da moralidade. Ou seja, acolheu a alegação da recorrente de que houve vício material por fundamentar-se em Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade da Recorrente proferido por autoridade impedida de fazê-lo, em decorrência da relação profissional com a Recorrente e da possibilidade de utilização informações privilegiadas, nos termos dos artigos 18 e seguintes da Lei n° 9.784/99, do Código de Conduta e Ética da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em especial os artigos 3°, 21 e 22, bem como em atenção aos princípios da impessoalidade e da moralidade. Da Decisão da CSRF do CARF: Irresignada com a decisão da câmara baixa deste CARF, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, que foi julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em sessão de 03/10/2018, acórdão nº 9101-003.843, com a seguinte ementa e decisum: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. ATO DECLARATÓRIO. IMPEDIMENTO DA AUTORIDADE. A alegação de que a autoridade administrativa, em razão de interesse direto ou indireto na matéria, está impedida de atuar, a despeito da existência de norma legal que determine a atuação, no caso concreto, da mesma autoridade, não pode prosperar sem a comprovação objetiva do interesse constitutivo do impedimento. Fl. 2004DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento, afastando a nulidade do lançamento, determinando, ainda, o retorno dos autos ao colegiado de origem, para que este se manifeste sobre as demais questões do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. A presente autuação fiscal envolve a suspensão de imunidade da recorrente, nos anos-calendário de 2003 e 2004. A recorrente (FUCS) é uma fundação, mantenedora da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Do recurso voluntário: Como já exposto no relatório que precede o presente voto, das matérias suscitadas pela recorrente na sua peça recursal, a que envolve o seu pleito de ilegalidade do ato declaratório de suspensão da imunidade lavrado por autoridade que compõe o conselho curador da fundação autuada já está superada, por decisão da CSRF deste CARF, que entendeu que não pode prosperar sem a comprovação objetiva do interesse constitutivo do impedimento. Por conseguinte, os autos foram devolvidos para julgamento das matérias ainda não apreciadas na câmara baixa deste CARF. Desta sorte, restam a serem analisadas as seguintes matérias, também já opostas, igualmente, pela recorrente na sua peça impugnatória: - a nulidade do auto de infração por desrespeitar o direito à isenção; - a ocorrência da decadência ou prescrição; - no mérito, no que concernem às presumidas ofensas ao item I do art. 14 do CTN, que envolvem, em síntese, as seguintes questões: 1) do Hotel Universidade; 2) do patrocínio aos shows com grupos musicais; Fl. 2005DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 3) da associação dos músicos; 4) do repasse ao clube de mães; 5) das despesas de viagens e jantar de confraternização; 6) da vedação da remuneração aos diretores e conselheiros. - do direito e garantia constitucional da imunidade tributária; - da nulidade do auto de infração pela ilegalidade da autuação com base no lucro arbitrado. Por conseguinte, passo a analisar cada um destes itens. a) a nulidade do auto de infração por desrespeitar o direito à isenção e consequente nulidade do julgamento a quo neste ponto Alega a recorrente que, mesmo retirando a imunidade constitucional, caberia ainda a isenção tributária, principalmente por ter aderido ao Prouni, em 2005. Reforça seu posicionalmente com o voto vencido da decisão a quo, que entende que seria aplicável ao caso, também para o IRPJ, a isenção, e o ato de suspensão só menciona a imunidade (conforme e-fl. 1180). Igualmente, questiona a decisão a quo, por entender que ausente o voto vencido e declarado de determinado julgador, eivaria a decisão de erro material e respectiva nulidade. No que tange a questão da adesão ao Prouni, instituído pelo art. 8º da Lei nº 11096/2005, a própria recorrente se manifesta no sentido que tal evento ocorreu a partir de 2005, e os fatos aqui autuados se referem a 2003 e 2004. A redação do caput do art. 8º da Lei nº 11096/2005 assim menciona: Art. 8º A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: I - Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas;(...) Note-se que a figura da isenção para o IRPJ passa a ser criado neste momento no que tange ao Prouni. Aqui vale o consagrado conceito que a isenção deriva de uma lei, e a imunidade da constituição. Ou seja, a partir, de pelo menos com a edição da Lei nº 11096/2005, que temos a figura da isenção para o IRPJ (o imposto autuado), não podendo a recorrente se valer retroativamente de tal conceito. No que tange à lei nº 9.532/1997, no evocado art. 15 e respectivo parágrafo primeiro 1 , que considera isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico, quanto ao imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, verifica-se que tal matéria foi disciplinada pela Instrução Normativa SRF nº 113, de setembro de 1998. Tal Instrução Normativa regula as obrigações de natureza tributária das instituições de educação, mais especificamente em seu artigo primeiro, que diz, in verbis: 1 Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Fl. 2006DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Art. 1º. As instituições que prestem serviços de ensino pré-escolar, fundamental, médio e superior, atendidas condições referidas nesta Instrução Normativa, poderão usufruir da imunidade relativa a seu patrimônio, renda e serviços, assegurada pela art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição, não se lhes aplicando a hipótese de isenção. (Grifos meus). Desta forma, entendo que a recorrente, sendo uma entidade educacional de ensino superior, deva verificar a referida instrução normativa que prevê o regime a ser cumprido para atender à imunidade, e que afasta o regime de isenção, por vedação expressa. A eventual questão evocada da instrução normativa afrontar a lei nº 9532/1997 envolve uma questão de hermenêutica, a qual não acompanho esta posição, pois entendo que o regramento da matéria envolve a necessidade de uma norma reguladora, no caso, a instrução normativa, e esta entendeu que nos casos de imunidade, ocorrendo uma previsão legal de isenção, esta estaria afastada, já que os requisitos seriam os mesmos para ambas as circunstâncias. No concerne a questão suscitada de nulidade da decisão a quo, por falta de declaração de voto vencido ou assinatura do julgador mencionado, não verifico nenhuma nulidade, pois a declaração de voto é opcional no trâmite do processo administrativo fiscal, e a assinatura que deva constar no acórdão será, além do presidente e relator, o redator de voto vencedor e eventual declarante de voto. Por conseguinte, REJEITO as nulidades suscitadas neste tópico. b) da ocorrência da decadência ou prescrição Alega a recorrente que por haver menção expressa no auto de infração da multa para os fatos geradores entre 01/01/1997 a 21/01/2007, bem como a taxa Selic aplicada e calculada a partir de 1997, isso indicaria que estaria ocorrendo extrapolando o período autuado de 2003 e 2004, o que estaria eivando de nulidade o autuado. Contudo, o fato do auto de infração mencionar a multa para os fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007 é de 75% não significa lançamento com relação a todos esses fatos geradores. Trata-se apenas de informar ao contribuinte que os fatos geradores lançados (de 2003 e 2004) sujeitam-se a essa legislação. Da mesma forma com relação aos juros, que a partir de 1997 são correspondentes à Taxa Selic. Por conseguinte, REJEITO as alegações de decadência (ou prescrição) suscitadas pela recorrente. c) do mérito – as presumidas ofensas ao item I e II do art. 14 do CTN: A questão meritória que envolve o presente processo se concentra no cumprimento dos requisitos dos incisos I e II do art. 14 do CTN, que assim consigna: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 2007DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; [...]” A alínea “c” do inciso IV do artigo 9º supramencionado assim consigna: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV - cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) A suspensão de imunidade do presente processo se deu com base nas alíneas “a” e “b” do §2º do art. 12 da Lei nº 9.532/1997 2 , operou-se o rito do art. 32 da Lei nº 9.430/1996 3 . 2 LEI Nº 9.532/1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.189-49, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) [...] § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 3 Art.32.A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. §1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, §1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional,a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. §2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. §4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no §2º sem qualquer manifestação da parte interessada. §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. §6º Efetivada a suspensão da imunidade: I -a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II -a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 2008DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Conforme análise muito bem elaborada na decisão a quo, não estavam com a eficácia suspensa pelo STF, conforme julgamento da ADI 1.802-3 DF, como alega a recorrente. Cito do acórdão a quo: A lei nº 9.532/1997 foi objeto de ação direta de inconstitucionalidade (ADI 1.802- 3 DF, julgamento em 27/08/98, ementa publicada no DJU de 13/02/2004), sendo que o Tribunal, em medida cautelar, suspendeu a eficácia do § 1º; da alínea “f” do § 2º do art. 12, e os arts. 13 e 14 da aludida lei. Vê-se que os dispositivos que tiveram sua eficácia suspensa não foram utilizados para efeitos da suspensão da imunidade em análise. A referida norma determinava que para efeitos do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição, ou seja, imunidade de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos, não estariam abrangidos os rendimento e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou variável e, ademais, estariam as entidades obrigadas a recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados. Tal julgamento foi ratificado pelo plenário do STF em 27/08/1998. Destarte, volto à análise do caso concreto. Assim, em síntese, a recorrente teria, de acordo a autoridade fiscal autuante, descumprido a legislação retromencionada, ao não atender os requisitos legais de: 1) não aplicação de recursos exclusivamente nos objetivos institucionais; 2) distribuição de patrimônio ou rendas; e 3) remunerar dirigentes. No presente caso, envolvem, em síntese, os seguintes pontos elencados pela autoridade fiscal autuante: 1) Hotel Universidade – estaria aplicando parcela das suas rendas em outra pessoa jurídica – o Hotel Universidade S.A., que usa o nome fantasia de “Hotel Vila Verde”. 2) Pagamentos de apresentações artísticas e à associação dos músicos da universidade - a autoridade fiscal entendeu que haveria desvio de finalidade nestes pagamentos. 3) da associação dos músicos; 4) do repasse ao clube de mães; 5) dois jantares de confraternização do conselho diretor; 6) das despesas de viagens não comprovadas; 7) da remuneração aos diretores e conselheiros. No que tange aos itens “1”, “4” e “5”, entendeu a autoridade julgadora a quo que não houve infração para justificar a perda da imunidade. A recorrente reforça seu §10.Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2009DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 posicionamento na peça impugnatória, destacando ao final o posicionamento favorável da instância a quo. Em análise ao decidido no acórdão recorrido, acompanho o mesmo posicionamento, empregando os mesmos fundamentos, pois não vislumbrei nestas situações motivação para entender que haveria um descumprimento dos requisitos que afetassem sua imunidade. No que tange aos demais itens, entendidos pela decisão a quo como descumpridores os requisitos normativos expostos anteriormente, passo a analisá-los. c.1) dos pagamentos de apresentações artísticas Entendeu a decisão a quo que os shows por não serem destinados apenas aos alunos, mas aos estudantes e não estudantes que pagariam pelo mesmo, ou seja, aberto ao público, com o respectivo pagamento de ingresso, desvirtuaria seu objeto institucional. Haveria elementos comprobatórios de alguns shows que demonstrariam que os cachês foram integralmente pagos pela recorrente. Nesta postura, entendeu que a recorrente se igualaria às demais patrocinadoras privadas. A recorrente alega que tal despesa tem a finalidade de propiciar projetos de educação e extensão envolvendo a comunidade estudantil e a comunidade em geral. Replica, um tanto em conjunto, alegações dos benefícios de tais eventos, mas não agrega nenhum elemento probatório distinto do já alegado na sua peça impugnatória. A autoridade fiscal autuante arrola 18 pagamentos a artistas e bandas de música, shows e congêneres. Conforme levantamento, em 2003, foram gastos R$ 69.214,65 nestas atividades. Demonstra-se com planilha extraída dos TVF (e-fls. 32/33): Entendo que a premissa alegada para tais gastos com o interesse de envolver a comunidade é algo um tanto genérico, e pode aceitar muitos desvirtuamentos. No caso, temos a recorrente pagando cachês a artistas, cujas apresentações serão pagas pelos que forem assistir, numa atividade inerente ao objetivo de lucro. Não traz a recorrente nenhuma atenuante para tal postura, além da alegação um tanto genérica de envolver a comunidade. Fl. 2010DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Neste dispêndio de recursos, que envolve atividades não específicas para os estudantes, mas aos que da comunidade podem pagar, entendo que foge aos seus objetivos institucionais. c.2) dos pagamentos à associação dos músicos da UCS A autoridade fiscal autuante entendeu que tais pagamentos desvirtuariam os objetivos da recorrente. Na sua impugnação, trouxe alegações que tais pagamentos seriam adiantamentos em função da aprovação de projetos albergados pela Lei Rouanet. Contudo, a decisão a quo ao analisar tais elementos, verifica que o projeto da Lei Rouanet seria a partir de 2005, enquanto os desembolsos ocorrem a partir de 2003. Igualmente, a decisão ataca a falta de justificativa para os repasses e falta da prestação de contas. Na sua peça recursal, nada agrega de elementos, colocando a questão como de valor alto dispendido, mas baixo no montante da receita da instituição, e que estaria desde 2010 com um curso de graduação de música. Neste diapasão, de montantes superiores a R$ 3 milhões gastos ao longo de 2003 até 2007, como demonstrativo aposto no TVF (e-fls. 33/34), sem nenhum elemento embasador ou comprovação das despesas, numa defesa um tanto genérica da justificativa, é algo que não pode ser aceito. Acredito que aqui ocorra uma falta de critério com a aplicação de recursos, sem a devida comprovação e um tanto fora dos objetivos institucionais. c.3) das despesas de viagens não comprovadas A autoridade fiscal autuante, durante o procedimento fiscal, verificou, por amostragem, as despesas incorridas com algumas viagens nacionais e despesas no exterior, que em várias faltaria a comprovação do motivo da viagem Em algumas viagens nacionais e internacionais, não houve a comprovação do evento. Sua defesa na peça impugnatória foi que foram para objetivos institucionais. A decisão a quo, mais por falta de comprovação de tais despesas e/ou dos seus objetivos, entendeu tal situação como uma infração para justificar a manutenção da suspensão da imunidade. Exemplificativamente, da análise de uma destas despesas, que consta no acórdão recorrido: A não apresentação de documentos que vinculem as despesas referidas aos objetivos institucionais faz com que sejam considerados como estranhas aos objetivos sociais. Exemplificativamente cito a despesa de R$ 4.371,81, paga à Gianni Tour e Viagens, contabilizada como destinada a pagar viagem à Itália, para aperfeiçoamento pessoal, conforme livro razão, fls. 422. No documento interno denominado “solicitação de pagamento”, fls. 429, aparece como finalidade da despesa: “viagem para Itália Sr. Nelço Ângelo Tesser p/ curso e visitação à empresas”. Já o doc. de fls. 427 mostra a rota do viajante: “POA/GRU/MXP/VCE/MXP/GRU”, ou seja, o vôo foi Porto Alegre/Guarulhos/Milão/Veneza/Guarulhos/Porto Alegre. Nenhum documento veio com a impugnação que demonstre a razão da viagem à Milão e Veneza, nenhum documento demonstra qual teria sido o curso realizado, nem quais empresas teriam sido visitadas. Inclusive também com relação à tal despesa a entidade foi intimada para apresentar comprovação, como se vê às fls. 408. Fl. 2011DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Em sede recursal, a recorrente não traz nenhuma comprovação, baseando sua defesa nos aspectos de que a instituição não pode viver isolada das demais e dos eventos relacionados com seus interesses. Sobre a documentação, entende estar comprovada, mas envolveria uma diligência da própria fiscalização para os locais visitados para se verificar se houve desvio da finalidade da viagem questionada – seria o dever da fiscalização o desvirtuamento da viagem. Primeiramente, cabe destacar que o as instituições de educação, como a recorrente, para se valerem da sua imunidade, devem conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial (inciso IV - § 2º, do art. 170 do RIR/99 (então vigente)). Acredito que o desvirtuamento aqui (como nos demais casos anteriores) não pode ser considerado pela sua grandeza em relação à amplitude das atividades da recorrente, como a mesma aduz em vários momento para sua defesa. São questões que envolvem o cumprimento de requisitos ou não – não pode haver meio termo neste cumprimento. Não é o fato de ter milhões de receita que custeiam outros milhões das suas despesas (com finalidade institucional) que lhe dá o direito de desvirtuar ou não comprovar algumas dezenas ou centenas de milhares de reais. Assim, entendo que tais despesas desvirtuam os objetivos institucionais almejados com a imunidade. c.4) da remuneração aos diretores e conselheiros A autoridade fiscal vislumbrou infração à vedação contida na alínea “a”, do § 2ºm do art. 12 da Lei nº 9.532/1997 – não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Na autuação aponta-se que o reitor e o vice-reitor recebiam uma gratificação de função, que era acrescida a sua remuneração habitual do corpo docente. A decisão a quo, após verificar a jurisprudência e legislação aplicável ao caso, entendeu que tal situação configuraria uma infração, conforme trecho transcrito abaixo: Acontece que, no caso concreto, o Reitor da Universidade é também membro nato do Conselho Diretor da Fundação, órgão de caráter deliberativo, com poderes para adquirir direitos e assumir o obrigações em nome da Fundação, conforme arts. 11 e 12 do Estatuto da FUCS, fls. 104/112. A Receita Federal, através da Instrução Normativa nº 113, de 21 de setembro de 1998, esclareceu quem se entende por “dirigente”: Art. 4° Para gozo da imunidade, as instituições imunes de que trata o art. 1° não podem remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, entende-se como dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de direção da pessoa jurídica, com competência para adquirir direitos e assumir obrigações em nome desta, interna ou externamente, ainda que em conjunto com outra pessoa, nos atos em que a instituição seja parte. Fl. 2012DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 § 2° Não se considera dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica. § 3° A instituição que atribuir remuneração, a qualquer título, a seus dirigentes, por qualquer espécie de serviços prestados, inclusive quando não relacionados com a função ou o cargo de direção, infringe o disposto no caput, sujeitando-se à suspensão do gozo da imunidade. § 4° Às pessoas a que se refere o § 2° podem ser atribuídas remunerações, tanto em relação à função ou cargo de gerência, quanto a outros serviços prestados à instituição. Não há qualquer dúvida que os membros do Conselho Diretor são os dirigentes da FUCS. E, com isso, não poderiam ser remunerados. A dúvida fica por conta de, no caso concreto, a remuneração não ser percebida como integrante do Conselho Diretor da FUCS, mas sim, na qualidade de Reitor da UCS. A Universidade não possui contabilidade própria, não está inscrita no CNPJ e é mero órgão executor dos objetivos da Fundação. É a própria FUCS que em recurso apresentado ao Conselho de Recursos Fiscais descreve a estrutura organizacional, informando que FUCS e UCS são a mesma entidade. Vejamos (fls. 591/592, sublinhei): “De outro lado, é a Fundação Universidade de Caxias do Sul quem tem personalidade jurídica própria e nesta condição abriga a UCS como um ente de desenvolvimento de suas atividades na área do ensino. [...] Como se vê, não há a alegada confusão referida pelos Auditores Fiscais. Existe a FUCS, com personalidade jurídica, como entidade com todos os direitos e deveres decorrentes dos atos realizados por suas mantidas. Essas mantidas, constituem entes de execução de determinadas atuações, sem que tenham personalidade jurídica própria, mas com autonomia. No caso da UCS, autonomia didático-científica, administrativa, financeira e patrimonial. E esta circunstância não a caracteriza como uma ‘outra entidade’, diferente da mantenedora. Daí por que (sic) toda a contabilidade da UCS (mantida) está contida na escrituração da FUCS (mantenedora), não havendo nenhuma discrepância neste aspecto. Se a própria entidade afirma que ambas – Fundação e Universidade - são uma só, que a última apenas executa a atividade fim da primeira e que, por isso, a contabilidade da Fundação engloba a da Universidade, forçoso é concluir que o Reitor exerce cargo de direção da Fundação. Como diz o autuante, Reitor e Vice dirigem a atividade central ou atividade fim da Fundação. Na sua peça recursal, a recorrente traz as seguintes alegações: As pessoas citadas na notificação não são remuneradas na condição de conselheiros da Fundação, em razão de atos de administração, mas sim por exercerem, no âmbito acadêmico da Universidade, as atividades na condição de funcionários, e não na condição de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, que é a vedação legal. Fl. 2013DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Efetivamente, há que se distinguir atos de execução e atos de administração. Os primeiros são desenvolvidos por quem é funcionário, com atuação na Universidade (Reitor, Vice-Reitor) sendo remunerado por estas atividades, não infringido, portanto, o disposto no inciso IV, do art. 2°, do Decreto 752/93, na medida em que desempenham atividades decorrentes de deliberação acadêmica. (...) No caso em exame, o Reitor faz parte do Conselho Superior da Fundação, mas não é o Presidente da Fundação. A função do Reitor nada mais é do que a do administrador da universidade, não da fundação. Como Reitor, não tem poder de mando ou determinação para aprovar seu próprio salário, eis que a universidade é submetida ao Conselho Universitário, conforme Estatuto da Universidade, que determina os destinos da Universidade como um todo. O Reitor administra e representa a Universidade, mas não tem competência para em nome dela adquirir direitos ou obrigações, sem o aval do Conselho Universitário, composto por representação também de professores e alunos. A remuneração do Reitor é a mesma destinada a qualquer professor que consiga assumir o mais alto posto da universidade. E a sua gratificação tem amparo no § 4o, da citada Resolução, que ressalva a possibilidade de "ser atribuídas remunerações, tanto em relação à função ou o cargo de direção, quanto a outros serviços prestados à instituição." Ou seja, traz em síntese, que a remuneração seria por conta do cargo mais elevado de professor da universidade, e não se confundiria com a vedação legal. Contudo, como já apontado na decisão a quo, fica nítida a confusão de personalidade entre a fundação e a universidade, e que a contabilidade daquela engloba a desta, o reitor (e vice-reitor) acabam agindo em nome de ambas. Assim, a legislação ao abordar o vocábulo dirigentes, não delimitou a uma posição rígida na instituição, que seria facilmente contornável na prática. Na realidade, deve-se verificar quem é o efetivo dirigente da entidade imune e verificar o seu papel na estrutura institucional. No caso, a fundação, que atua como uma universidade, tem certa confusão neste papel na posição de reitor. Neste caso, no exercício da função de reitor (e de vice-reitor) passaram a perceber uma gratificação que vai muito além do eventual salário de professor, o que não acolhe a tese de ser o mais alto grau do cargo. No caso concreto evidencia-se que o cargo de dirigente da fundação está sendo remunerado, o que ofenderia a vedação legal em análise. d) da alegação da coisa julgada No penúltimo item da sua peça recursal, a recorrente evoca questões inerentes ao processo nº 35249.000456/2003-01, em que lhe teria sido garantida a isenção, trazendo excertos de decisões judiciais pertinentes. Contudo, tal processo é inerente às contribuições previdenciárias com base na lei nº 8.212/1991. Por conseguinte, não tem influência quanto à exigência de IRPJ do presente processo, que envolve questões de imunidade. Fl. 2014DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 Por conseguinte, REJEITO quaisquer alegações pertinentes a tal alegação. e) da nulidade do auto de infração pela ilegalidade da autuação com base no lucro arbitrado. Alega a recorrente que a fiscalização não poderia ter se valido do arbitramento, ignorando sua realidade econômica da matéria tributável, ou seja, que apura eventual superávit como lucro. Assim, por manter sua escrituração dentro das formalidades legais (como instituição imune), e não ter sido aplicada nenhuma infração em afronta ao inciso III do art. 14 do CTN (manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão), entende descabido o arbitramento efetuado. Contudo, não há como equiparar os superávits apurados na escrituração das entidades imunes, sem promover os ajustes que tornem esses superávits compatíveis com a base de cálculo prevista em lei. Durante o procedimento fiscal, a entidade foi intimada a informar se reconhecia a contabilidade como apta a apurar o lucro líquido e intimada a apresentar demonstrativo discriminando, mensalmente, as exclusões e adições necessárias à obtenção do Lucro Real., a qual, a própria recorrente, durante o procedimento fiscal, respondeu que sua contabilidade não poderia ser reconhecida como hábil a registrar o Lucro Real e não entregou os demonstrativos solicitados. Como bem aduzido e analisado na decisão recorrido, abaixo transcrito: A base de cálculo do lucro real deve ser apurada em estrita obediência ao disposto no art. 6º. e seus parágrafos do Decreto-lei 1.598/77, e alterações posteriores, não havendo como equiparar os superávits apurados na escrituração das entidades imunes, sem previamente promover os ajustes que tornem esses superávits compatíveis com a base de cálculo prevista em lei. No caso concreto, a entidade foi instada a informar se reconhecia a contabilidade como apta a apurar o lucro líquido e intimada a apresentar demonstrativo discriminando, mensalmente, as exclusões e adições necessárias à obtenção do Lucro Real (itens 3 e 4 da intimação de fls. 255/257). Respondeu que sua contabilidade não poderia ser reconhecida como hábil a registrar o Lucro Real e não entregou os demonstrativos solicitados. Frente a esses fatos, não restava outra alternativa ao Fisco além do arbitramento do lucro. Destarte, considerando a posição da própria recorrente e o contexto envolvido, também me valho dos mesmos fundamentos, que não restou outra alternativa à autoridade fiscal autuante o arbitramento do lucro. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. f) do direito e garantia constitucional da imunidade tributária; No mesmo penúltimo item, a recorrente analisa aspectos constitucionais da imunidade e sua coexistência com a isenção, alegando que nenhuma ação fiscal pode ter lugar contra a recorrente, sem o indispensável exame do princípio constitucional da imunidade. Posteriormente, traz uma série de questões envolvendo princípios constitucionais inerentes ao Fl. 2015DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1402-004.246 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.007812/2008-20 seu direito à imunidade, um tanto repetindo o que já alegara em outros momentos no seu recurso voluntário. Nesta linha de defesa, adotada neste ponto na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26-A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário no que tange a este item. Conclusão: Nos termos propostos acima, conheço parcialmente o recurso voluntário da recorrente, e na parte conhecida, REJEITO todas as preliminares suscitadas e NEGO PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2016DF CARF MF
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Numero do processo: 13881.000206/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2201-005.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-08T11:26:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-08T11:26:32Z; Last-Modified: 2020-01-08T11:26:32Z; dcterms:modified: 2020-01-08T11:26:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-08T11:26:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-08T11:26:32Z; meta:save-date: 2020-01-08T11:26:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-08T11:26:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-08T11:26:32Z; created: 2020-01-08T11:26:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2020-01-08T11:26:32Z; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-08T11:26:32Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13881.000206/2008-79 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.865 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2019 Recorrente ISRAEL ALVARENGA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2201-005.783, de 05 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de recurso voluntário em face do Acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal Brasil de Julgamento. O contencioso administrativo tem origem na Notificação de Lançamento que considerou omitida parte do rendimento tributável recebido no curso do ano-calendário em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 06 /2 00 8- 79 Fl. 52DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.865 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13881.000206/2008-79 discussão, tendo em vista a divergência entre os valores declarados e aqueles informados em DIRF pela respectiva fonte pagadora. Cientificado do lançamento, inconformado, o contribuinte autuado formalizou, tempestivamente sua impugnação, em que, basicamente, alega que sobre os valores considerados omitidos não incide tributação, já que excluídos da incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física pela Lei 8.852/94. Debruçada sobre os termos da impugnação, a autoridade recorrida considerou improcedente os argumentos da defesa, por entender que as exclusões do conceito de remuneração contidos na Lei 8.852/94 não correspondem a isenção de tributo. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário em que reitera o argumento de que os rendimentos em comento seriam isentos de tributação em virtude do preceito contido na citada Lei 8.852/94. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2201-005.783, de 05 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. Por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Uma análise perfunctória dos termos da Lei 8.852/94 é suficiente para se constatar que tal diploma legal não trata de isenção tributária, mas apenas dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. A inaplicabilidade da previsão legal suscitada pela defesa para fins de isenção poderia ter um maior detalhamento no presente voto, contudo, a questão é tema que não merece maiores considerações, pois sobre ele este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula Carf nº 68 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não prosperam os argumentos recursais. Fl. 53DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.865 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13881.000206/2008-79 Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em negar provimento ao recurso voluntário.. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721540/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2401-007.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier.
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PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 62/63) interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (e-fls. 313/326) que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte impugnação contra Auto de Infração (e-fls. 165/176), no valor total de R$ 262.277,02, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano-calendário 2006, 2007 e 2008, pela omissão de rendimentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 15 40 /2 01 1- 70 Fl. 346DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.152 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.721540/2011-70 caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (75%), sendo que a autuada e nem seu cônjuge comprovaram a origem dos depósitos/créditos em suas contas bancárias conjuntas, ressalvados dois depósitos/créditos relativos à receita da atividade rural apurados no procedimento fiscal junto ao cônjuge Ari Tumelero. Na impugnação (e-fls. 192/202), a contribuinte, requerendo conexão com o processo n° 11020.721538/2011-09 lavrado contra o cônjuge, sustenta, em síntese, que: (a) Omissão de rendimentos. Em razão de a fiscalização não ter solicitado, apresenta apenas com a impugnação em nome de Ari Tumelero talão de produtor rural e contra-notas, a evidenciar a origem dos depósitos/créditos de 2006 a 2008. Logo, o valor de omissão deve ser refeito, inclusive observando- se o percentual de 20% (arbitramento sobre a receita bruta da atividade rural). Do voto do Acórdão proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (e-fls. 313/326), em síntese, extrai-se: (a) Omissão de rendimentos. Entende-se que a apresentação de Notas Fiscais de Produtor e suas respectivas contra-notas, anexadas à impugnação, servem como prova de que parte das receitas auferidas por meio de depósitos/créditos bancários são mesmo provenientes da atividade rural. Tendo em vista as contas bancárias mantidas junto ao Banco do Brasil S/A e ao Banco Bradesco S/A serem em conjunto (co-titulares Sr. Ari Tumelero e Srª Ana Delfina Três Tumelero), o valor lançado para cada contribuinte, referente a essas contas, representa 50% dos créditos não comprovados, conforme determinação contida no art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96, acima transcrito. Foram lançados, para cada um dos cônjuges, em relação ao Banco do Brasil S/A e ao Banco Bradesco S/A, os seguintes valores de rendimentos sem comprovação de origem: Ano 2006: R$ 266.678,04; Ano 2007: R$ 163.988,47; e Ano 2008: R$ 92.905,46. As notas fiscais de produtor e respectivas contra-notas apresentadas na impugnações dos dois cônjuges foram analisadas e consideradas e serviram para comprovar que parte dos depósitos/créditos bancários tinha origem nas receitas da atividade rural, portanto, assiste em parte razão à impugnante, devendo ser alterado o lançamento fiscal. Intimado do Acórdão de Impugnação em 18/07/2012 (e-fls. 327/332), o contribuinte interpôs em 02/08/2012 (e-fls. 334) recurso voluntário (e-fls. 334/339) alegando, em síntese: (a) Tempestividade. Apresenta-se recurso tempestivo, conforme faculta a legislação. (b) Omissão de rendimentos. Houve erro material quanto aos lançamentos processados (e-fls. 335/339). Logo, devem ser glosados e por fim excluídos do credito apurado os valores considerados como omissos nos DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, pois devidamente informados através das Notas Fiscais e Contra Notas juntadas na impugnação e lançados como OMISSÃO DE RENDIMENTO, devendo ser glosados e excluídos do crédito apurado os valores considerados nas fls. 313/328. Fl. 347DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.152 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.721540/2011-70 É o relatório Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 18/07/2012 (e-fls. 327/332), o recurso interposto em 02/08/2012 (e-fls. 334) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Omissão de rendimentos. Não tendo a autuada e nem seu cônjuge comprovado a origem de depósitos em contas bancárias conjuntas, imputou-se no lançamento de ofício 50% para cada um dos cônjuges. A recorrente sustenta que a origem dos depósitos/créditos estaria na atividade rural desenvolvida pelo cônjuge e que haveriam diferenças a serem consideradas em relação às Notas Fiscais de Produtor e Contra-Notas, bem como que se deveria adotar o percentual de 20% sobre a base de cálculo tida como omitida (e-fls. 335/339). O recurso voluntário apresentado pelo Sr. Ari Tumelero já foi apreciado, tendo constado do voto do Relator (acolhido por maioria) no Acórdão n° 2801-003.926, de 20/01/2015: De fato, da observância de suas DIRPF/2007 e 2008 (não entregou a de 2009) Verifica- se que preponderantemente seus rendimentos decorrem da venda de produtos rurais (uva), mas isso não autoriza que, uma vez intimado a comprovar a origem de depósitos bancários, e feito o lançamento, perante seu voluntário silêncio, posteriormente, na fase Impugnatória, se entenda, “em bloco”, que todos os seus rendimentos da Atividade Rural transitaram por suas contas correntes, como fez a DRJ. Vejamos o posicionamento recente das Turmas Ordinárias da Segunda Câmara deste CARF, com destaques que faço: a) Acórdão 2201-002.595 - 2a Câmara / Ia Turma Ordinária. Sessão de 05 de novembro de 2014: Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faca prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Voto Em que pese alegue o recorrente que sua movimentação bancária é decorrente, exclusivamente, da venda de manga, já que nunca exerceu outra atividade, verifica-se que o fiscalizado foi intimado e reintimado a apresentar o demonstrativo de receitas da atividade rural, contudo, alegou extravio... (...) Assim, em razão da falta de comprovação efetiva da origem de sua movimentação financeira, não restou opção à fiscalização senão constituir a exigência com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Ressalte-se que a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 foi de RS 581.271,96; RS 471.649,33; RS 697.133,45 e RS 562.423,82, respectivamente, fl. 18, entretanto, o contribuinte declarou, como receitas de atividade rural, nos citados anos calendário, o valor de RS 163.593,02; RS 168.079,97; RS 160.034,54 e RS 134.335,16, respectivamente. Com efeito, ainda que os documentos carreados às fls. 85/483 e fls. 1228/1262 Fl. 348DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.152 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.721540/2011-70 possam sugerir que a atividade preponderante do contribuinte é a rural, tal fato, por si só, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Acórdão 2202002.781 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 9 de setembro de 2014: Ementa OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referem-se a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Voto Ressalte se que o lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. Seria um equivoco lançar por falta de comprovação de origem e ao mesmo tempo considerar a origem comprovada para tributar com base na atividade rural. Ou se comprova a origem e ai se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apura se a omissão com base na presunção. E é nesse sentido que oriento este meu Voto. Uma fiscalização pautada em depósitos bancários de origem não comprovada, justamente porque o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou qualquer explicação para os valores que transitaram por suas contas bancárias, não poderia, ou não deveria, posteriormente à lavratura do Auto de Infração, sem que sejam devidamente correlacionadas as receitas com os depósitos, ser convertida em tributação da atividade rural. Destaco a parte final do Voto do Acórdão acima transcrito: “ou se comprova a origem e aí se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apura-se a omissão com base na presunção.” Vejamos no que foram transformados estes autos, a partir da não observação desta regra. O contribuinte traz uma lista de Notas Fiscais, de venda de produtos agrícolas, encontrando um montante de receita da atividade rural. Esqueceram-se, tanto o Recorrente quanto o Julgador recorrido de que nas declarações de ajuste anual dos exercícios de 2007 e 2008, já haviam sido declarados R$ 148.495,10 e R$ 187.825,00 de receitas da mesma atividade. Questiono se as relações de notas apresentadas na Impugnação, e parcialmente repetidas no recurso, que apontam receitas da venda do mesmo produto, nos importes de R$ 292.953,91 e R$ 178.288,51 representam receitas além das declaradas ou incluem também as declaradas? Isso não foi esclarecido, ou foi esquecido, na Impugnação. Observo que na DIRPF/2007, cópia na folha 07, o contribuinte declarou receitas em fevereiro, março, junho e julho, apenas, provavelmente em razão da sazonalidade de seu produto, e na relação de Notas apresentadas e listadas, observa-se que as datas são exatamente nos meses de fevereiro, março, julho e duas em abril. Acontece que no “demonstrativo de receitas e despesas” da Atividade Rural na declaração, não se especificam Notas, mas apenas os montantes e os meses. No Julgamento recorrido, considerou-se então que todas as Notas apresentadas eram receitas “além” das declaradas e que eram provenientes da Atividade Rural, para aplicar o percentual de arbitramento de 20% e assim reduzir o montante de “depósitos reputados como não comprovados”, que tratam de outra infração. Por achar difícil de explicar, transcrevo em parte o Acórdão (fl. 458): Assim, a receita comprovada da atividade rural corresponde a R$ 182.953,91. Deduzindo-se R$ 11.872,70 de receita advinda da empresa Associação Literária São Boaventura – Vinhos Frei Fabiano já considerada pela fiscalização, tem-se R$ 171.081,21. Para a apuração do resultado tributável da atividade rural, aplicando-se o arbitramento à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário, chega-se ao valor de R$ 34.216,24. Por outro lado, foi apurada a omissão de rendimentos sem comprovação da origem no valor de R$ 275.078,04 no ano de 2006. Fl. 349DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.152 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.721540/2011-70 Não comprovada a origem dos depósitos levantados pelo Fisco deverão ser presumidos, com a devida autorização legal, como rendimentos auferidos em cada ano calendário em apreço. Contudo, considerando-se a co-titularidade das contas bancárias mantidas no Banco do Brasil S/A e no Banco Bradesco S/A, dever ser apropriado ao presente crédito tributário 50% do valor comprovado (R$ 85.540,60), restando 50% a ser apropriado ao crédito tributário apurado em nome da co-titular Srª Ana Delfina Três Tumelero (cônjuge do contribuinte) – processo n° 11020.721540/2011-70. Conclui-se que no presente processo, resta não comprovado o valor de R$189.537,44 (R$ 275.078,04 – R$ 85.540,60). Assim, o valor total de rendimentos tributáveis no ano de 2006 é R$ 223.753,68 (R$ 34.216,24 + R$ 189.537,44). A parte que sublinhei acima chama a atenção para outro problema que se criou. Vejamos que no recurso, em razão dessa co-titularidade em duas das três contas bancárias auditadas, o Contribuinte entendeu que para qualquer receita sua omitida, deve-se aplicar o percentual de 50%. Transcrevo (fl. 474/5): “Pois se o valor da atividade rural existe co-titularidade, o valor deve ser4 descontado a razão de 50% do arbitramento, ou seja, Subtrai-se o valor de R$ 2.265,93... Senão vejamos que diante da documentação acostada no ano de 2008, foi auferido ao contribuinte uma omissão de receita da ordem de R$ 92.905,46...conforme demonstrativo de fls. 167 e 168. (...) O valor de R$ 153.625,94 deve ser subtraído do valor de R$ 4.531,87 ao patamar de 50% diante da co-titularidade Chegando ao valor nominal de R$ 151.360,00, para o ano de 2008, conforme ....” Aí faz-se um cálculo aplicando o percentual de arbitramento de 20%, a alíquota de 27,5% e um "redutor" de R$ 6.585,93, para encontrar um imposto devido, no ano de 2008, de apenas R$ 1.738,87. Ora, já se tratou no item anterior de que existe uma não questionada omissão de receita da Atividade Rural, no ano de 2008, apurada não a partir de depósitos bancários, mas de Notas Fiscais que foram enviadas por dois adquirentes do produtor rural, que importaram, só elas, em R$ 187.150,46. Como vai se chegar agora a R$ 151.360,00 de omissão de receita em 2008, senão a partir de elucubrações matemáticas, causadas pela confusão existente entre formas de tributação distintas que foram indevidamente misturadas? Observe, caro Recorrente, que a regra de tributação proporcional para cada um dos co- titulares de conta corrente é estabelecida no § 6 o do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e diz respeito exclusivamente à tributação com base na omissão de depósitos bancários com origem não comprovada e já foi aplicada pela Auditora Fiscal, quando da apuração do Auto de Infração, vide demonstrativos de folhas 294/296. Veja-se: § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Não se aplica ao caso essa “co-titularidade” em relação aos rendimentos provenientes da Atividade Rural, que não está demonstrada ser exercida em conjunto pelo contribuinte e sua esposa, tampouco que ela declarou metade dos rendimentos. Observo também que tanto a Impugnação quanto a decisão recorrida tratam de uma “já considerada” receita, em 2006 e 2007, proveniente do adquirente “Frei Fabiano”, para excluí-la dos montantes. Mas foi considerada onde? A Auditoria, em 2006 e 2007, não lançou omissão de rendimentos da atividade rural, fazendo-o somente em 2008. E os únicos depósitos com origem considerada comprovada pela Fiscalização importaram em R$ 86.906,78, justamente na apuração de 2008. Não encontrei, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 309), nenhuma referência a Fl. 350DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.152 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.721540/2011-70 essa “suposta” consideração, que justifique sua exclusão das listagens apresentadas pelo Impugnante. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF n°26 -A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito trata-se de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Além disso, é claro o caput do dispositivo legal, abaixo transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Diz o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3 o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados(sublinhei) § 4o Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Sustentar que "a grande maioria" os depósitos têm origem em atividade rural, não seria suficiente para ilidir “em bloco” partes do lançamento, como parece pretender o Recorrente e em parte acatou a DRJ. A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é peculiar e traz para o Contribuinte o ônus de demonstrar a origem dos depósitos. Assim, depósitos para os quais não haja registro documental, ao menos com razoável correspondência de datas e valores, com a demonstração/indicação do depositante, findam por serem considerados como omissão de rendimentos. Dessa feita, entendo que nenhum depósito, nestes autos, teve a origem comprovada. Tivesse o Recorrente respondido às intimações fiscais, poderia a Fiscalização ter-se direcionado para a apuração com base na Atividade Rural, aplicando as particularidades atinentes. Não feito isso, a presunção não pode ser derrubada em “montantes” anuais, causando as confusões aqui tratadas. Repito, se o depósito tem a origem comprovada, seria indevida a infração apontada, cancelando-a; se o depósito não tem a origem comprovada, não se deveria converter, no julgamento da Impugnação/Recurso, um montante anual de depósitos em receita da atividade rural, para fazer nova apuração, aplicando-se percentual de arbitramento e ainda proporcionalidade em razão de co-titularidade de conta bancária. Enfim, observo que no recurso o Contribuinte finda por encontrar "restituição" de imposto, na apuração que faz, para os anos de 2006 e 2007. Isso porque calcula o tributo, a partir das infrações, e encontra um valor menor do que a "parcela a deduzir". Essa parcela não é um "bônus" que se dá ao contribuinte, trata-se de mero artifício de cálculo, uma vez que o imposto é progressivo, possui várias alíquotas, que vão desde a faixa de isenção (0%) até a alíquota máxima, de 27,5%. Ou seja, não se aplicam 27,5% Fl. 351DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.152 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11020.721540/2011-70 a todo o rendimento, mas somente acima de determinada faixa de valor, cabendo alíquotas menores a faixas mais baixas. A "parcela a deduzir", calculado o imposto aplicando-se 27,5% a todo o rendimento, apenas implementa essa progressividade. Veja as tabelas de alíquotas do imposto que são publicadas anualmente pela Receita Federal. Apura-se eventual saldo de imposto a pagar ou a restituir, mediante a sistemática que pode observar no "resumo", que consta na Declaração, cópia na fl. 6/7, comparando-se o imposto apurado no ajuste (imposto devido) com o imposto antecipadamente pago pelo contribuinte, ao longo do ano (retenção na fonte ou carnê leão/imposto complementar). A apuração que demonstra no recurso é completamente equivocada. CONCLUSÃO Dessa feita, não comprovada, na forma da lei, a origem de nenhum dos depósitos listados pela Fiscalização em seus termos e não tendo sido expressamente combatida, aliás foi admitida em grande parte, como se observa da relação de notas fiscais que consta da folha 337 (Impugnação) a omissão de rendimentos da atividade rural (R$ 187.150,46), VOTO por negar provimento ao recurso, esclarecendo, por fim, em face da decisão tomada pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, que é vedado que se aplique a chamada reformatio in pejus, no julgamento do recurso, devendo, portanto, a situação do lançamento permanecer como está. A análise do conjunto probatório constante dos autos não me gerou convicção acerca de uma inequívoca correlação entre os depósitos (e-fls. 158/161) e os montantes evidenciados nas Notas Fiscais de Produtor e Contra-Notas (e-fls. 206/309). Além disso, a autuada apresentou Declaração Anual de Isento até o Exercício 2007 (e-fls. 03), não apresentou Declaração de Ajuste Anual para o Exercício 2008 (e-fls. 180) e não há prova nos autos de que a recorrente tenha exercido atividade rural, sendo todas as Notas Fiscais de Produtor e Contra- Notas em nome do Sr. Ari Tumelero. Acrescente-se ainda, conforme já decidido no Acórdão n° 2801-003.926, de 20/01/2015, que não há como se presumir “em bloco” serem todos os rendimentos do cônjuge resultantes da atividade rural. Nesse contexto, resta prejudicada a pretensão recursal de se reconhecer diferenças em relação às Notas Fiscais de Produtor e Contra-Notas geradas pela atividade rural desempenhada pelo Sr. Ari Tumelero, bem como não prospera a pretensão de que a omissão apurada em face da recorrente seja multiplicada por 20% (arbitramento sobre a receita bruta de atividade rural). Ademais, não se admite reformatio in pejus. Logo, não há o que se reformar no Acórdão de Piso. Isso posto, voto CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721370/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2013, 2014, 2015
INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. INSUBSISTÊNCIA
Deve ser mantida a multa qualificada de 150%, quando constatado evidente intuito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, nos termos do art. 44, §º da Lei nº 9.430/1996.
MULTA ISOLADA. NÃO APLICAÇÃO
Não há subsunção dos fatos à norma para a aplicação da multa isolada no presente caso.
Numero da decisão: 2401-007.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a para 75%, e a multa isolada. Vencida a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking que negava provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto, (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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NÃO APRECIAÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. INSUBSISTÊNCIA Deve ser mantida a multa qualificada de 150%, quando constatado evidente intuito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, nos termos do art. 44, §º da Lei nº 9.430/1996. MULTA ISOLADA. NÃO APLICAÇÃO Não há subsunção dos fatos à norma para a aplicação da multa isolada no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa de ofício, reduzindo-a para 75%, e a multa isolada. Vencida a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Wilderson Botto, (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 13 70 /2 01 7- 43 Fl. 136DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.188 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.721370/2017-43 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento me Fortaleza - CE (DRJ/FOR) que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a Impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 08-40.024 (fls. 87/104): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2013, 2014, 2015 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA E DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, devendo ser declarada definitiva, na esfera administrativa, a exigência do crédito tributário lançado. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não possuindo competência para afastar normas mediante apreciação de sua validade ou constitucionalidade. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. Restando provada que a conduta do sujeito passivo se enquadra no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, deve a multa ser mantida em 150%. MULTA ISOLADA DE 75%. O inciso I, do §5º do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, afirma que no caso de comprovação de dolo ou má-fé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do art. 44 da mesma lei (multa de 75%) também será aplicada sobre a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração - Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 45/60), lavrada em 12/04/2017, referente aos Exercícios 2013, 2014 e 2015, que apurou um Crédito Tributário no valor de R$ 93.949,41, sendo R$ 30.214,65 de Imposto, código 2904, R$ 9.220,90 de Juros de Mora, calculados até 04/2017, R$ 44.940,90 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 9.573,41 de Multa Isolada, Código 4840, passível de redução. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 46/47), foram apuradas as seguintes infrações: Fl. 137DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.188 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.721370/2017-43 1. Dedução Indevida de Previdência Privada/FAPI na DIRPF Ano- Calendário de 2014, no valor de R$ 1.849,78, glosado por ter sido deduzido em duplicidade nas DIRPF’s do Anos-Calendário 2014 e 2015; 2. Deduções Indevidas de Pensões Alimentícias por Escritura Pública, glosados por não ser a Escritura Pública documento hábil para justificar as deduções efetuadas, nos valores de: a. R$ 52.600,00 no Ano-Calendário de 2013; b. R$ 52.900,00 no Ano-Calendário de 2014; c. R$ 51.720,00 no Ano-Calendário de 2015; De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls.41/44) foram também aplicadas: a. Multa de Ofício Qualificada, correspondente a 150% sobre o valor do imposto apurado decorrente das infrações apuradas; b. Multa Isolada, correspondente a 75% sobre a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste que deixou de ser restituído em razão da infração ocorrida no Ano-Calendário de 2015. Em decorrência da prática, em tese, de Crime Contra a Ordem Tributária, foi também formalizada contra o contribuinte Representação Fiscal para Fins Penais. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, via Correio, em 17/04/2017 (AR - fl. 67) e, em 10/05/2017, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 70/76. O Processo foi encaminhado à DRJ/FOR para julgamento, onde, através do Acórdão nº 08-40.024, em 16/08/2017 a 1ª Turma julgou no sentido de, no mérito, considerar IMPROCEDENTE a Impugnação apresentada, mantendo integralmente o Crédito Tributário lançado. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/FOR, via Correio, em 05/09/2017 (AR - fl. 111) e, inconformado com a decisão prolatada, em 28/09/2017, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 114/126 onde faz uma breve descrição dos fatos para em seguida alegar que em momento algum prejudicou ou retardou o procedimento de fiscalização, e que não há culpabilidade e nem má fé nas informações de sua declaração. Afirma inconstitucionalidade da Multa tributária de 150% e 75%, aplicada, por afrontarem os Princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza seu Recurso requerendo a redução das multas aplicadas, 150% e 75%, para 20%, a suspensão do tributo até o julgamento do presente processo e que seja observada a repercussão geral da matéria junto ao STF. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.188 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.721370/2017-43 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Inconstitucionalidade Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à razoabilidade, ocorrência de efeito confiscatório, inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, haja vista que demanda o exame da incompatibilidade da lei aplicável com preceitos de ordem constitucional. Nesse sentido, registre-se o enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multas aplicadas O contribuinte se insurge contra a exigência da multa de 150% e da multa de 75%, pleiteando a sua redução para o patamar de 20%, razão porque passo à análise. Consoante se verifica da Lei nº 9.430/96, são aplicadas as seguintes multas: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplica-se também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou má-fé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) I - a parcela do imposto a restituir informado pela contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (...) Fl. 139DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.188 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.721370/2017-43 Para a aplicação da multa qualificada, necessário se faz que a acusação fiscal demonstre a configuração das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A acusação fiscal asseverou o seguinte: 1- MULTA QUALIFICADA Diante dos fatos narrados, restou evidenciada a prática da conduta prevista no inciso II do art. 44, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da lei nº 11.488 de 15 de junho de 2007, combinado com os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. Desta forma, a multa de ofício a ser aplicada sobre o valor do imposto apurado decorrente dessas infrações (glosa de dedução inexistente) é a qualificada, que corresponde a 150% (cento e cinqüenta por cento). Sobre as demais infrações será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). Ocorre que não houve comprovação, por parte da autoridade fiscal, da intenção pré-determinada do contribuinte, tipificadas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, com o fito de justificar a qualificação da multa. Com efeito, a declaração inexata não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício, sendo necessário demonstrar o dolo subjacente, com a finalidade de sonegação ou fraude. Com o indício de ilicitude se faz necessário o aprofundamento da investigação por parte da autoridade administrativa objetivando a verificação dos elementos relacionados às circunstâncias agravantes do comportamento do contribuinte que levem à tipificação da sonegação, fraude ou conluio. Dessa forma, entendo que o conjunto probatório não é convincente da consciência e a vontade do sujeito passivo de impedir/retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de parte do fato gerador da obrigação tributária, a fim de reduzir o montante de tributo que devia ser recolhido, não havendo que se falar em qualificadora da multa. Nesse passo, não cabe a aplicação da multa isolada por não restar caracterizado o intuito doloso. Por conseguinte, entendo pelo afastamento da aplicação da multa de ofício qualificada, reduzindo-a ao patamar básico de 75%. Fl. 140DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.188 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.721370/2017-43 No que tange à redução da multa para 20%, registre-se que o presente caso não se subsume ao disposto no artigo 6º da Lei nº 8.218/91, razão porque não deve ser acatado o pleito do contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a multa ao patamar de 75% e excluir a aplicação da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.724225/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ART. 112 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. INAPLICABILIDADE.
Não havendo dúvidas quanto à interpretação da legislação aplicável, nem quanto aos fatos comprovados nos autos, inexiste motivo que possa ensejar a pretendida “interpretação mais benéfica” do art. 112 do CTN.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
São insumos, para efeitos do PIS e Cofins não-cumulativos, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e à prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração
implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. BENS ADQUIRIDOS COMO INSUMOS. AQUISIÇÕES EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO.
Ainda quando o bem ou serviço seja utilizado como insumo nos exatos termos da legislação de regência, não há, por expressa vedação legal, o direito à apuração de créditos se os mesmos foram adquiridos com alíquota zero.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. SERVIÇOS DE PROJETOS E CONSULTORIA NAVAL.
Para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade, consideram-se insumos os bens e serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto e não tenham seu aproveitamento vedado pela lei
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO.
No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE.
Podem ser utilizados na apuração das contribuições não cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
Numero da decisão: 3301-007.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para acatar a possibilidade de se apurar créditos da Cofins não-cumulativa para os dispêndios referentes aos serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria naval; e fretes na aquisição de insumos.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ART. 112 DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. INAPLICABILIDADE. Não havendo dúvidas quanto à interpretação da legislação aplicável, nem quanto aos fatos comprovados nos autos, inexiste motivo que possa ensejar a pretendida “interpretação mais benéfica” do art. 112 do CTN. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. São insumos, para efeitos do PIS e Cofins não-cumulativos, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e à prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. BENS ADQUIRIDOS COMO INSUMOS. AQUISIÇÕES EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. Ainda quando o bem ou serviço seja utilizado como insumo nos exatos termos da legislação de regência, não há, por expressa vedação legal, o direito à apuração de créditos se os mesmos foram adquiridos com alíquota zero. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. SERVIÇOS DE PROJETOS E CONSULTORIA NAVAL. Para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade, consideram-se insumos os bens e serviços que tenham relação de pertinência com a produção, fabricação ou prestação de serviço, ainda que não tenham contato direto e não tenham seu aproveitamento vedado pela lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 1111111111111111111111111111111111111 -11111111111111111111111111111111111111111111111111 4444444444444444444444444444444444444444444444444444 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SUL S/ASUL S/A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 CONTRIBUIÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 Período de apuração: 01/0 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 DIREITO DE DEFESA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 quaisquer das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0.7 24 22 5/ 20 11 -1 4 Fl. 1527DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO. No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE. Podem ser utilizados na apuração das contribuições não cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para acatar a possibilidade de se apurar créditos da Cofins não-cumulativa para os dispêndios referentes aos serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria naval; e fretes na aquisição de insumos. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente de Turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-86.657 - 11ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório por meio do qual foi reconhecido em parte o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento constante do PER/DCOMP nº 24624.20313.150609.1.1.08- 0611 e homologadas em parte as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nºs 04222.37972.291209.1.7.08-8042 e 27479.96714.190609.1.3.08-1414. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório Trata-se de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que reconheceu em parte, no valor de R$ 22.951,78, o direito creditório pleiteado no Fl. 1528DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Pedido de Ressarcimento nº 24624.20313.150609.1.1.08-0611, e homologou parcialmente as declarações de compensação vinculadas ao referido direito creditório. O crédito alegado, no importe de R$ 52.491,65, refere-se ao PIS não cumulativo do 1º trimestre de 2009, vinculado a receitas de exportação. Os fundamentos da decisão encontram-se no Relatório de Fiscalização de fls. 1080/1107, cujo resumo apresentamos a seguir. No referido relatório, o Auditor-fiscal inicialmente informa que o procedimento fiscal foi realizado para análise dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos apurados pela contribuinte no período de abril/2008 a dezembro/2009, informados nos respectivos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, cujos saldos credores trimestrais foram objeto dos pedidos de ressarcimento que relaciona no quadro demonstrativo a seguir reproduzido: Apresenta informações gerais sobre a contribuinte, como capital social, objeto, gestão e filiais. A seguir, descreve detalhadamente o procedimento fiscal, informando acerca das intimações e pedidos de esclarecimentos feitos à contribuinte, bem como sobre as respostas, os esclarecimentos e os documentos por esta apresentados. Passa então à “ANÁLISE DOS CRÉDITOS”, esclarecendo inicialmente que a consistência dos valores dos créditos informados nos Pedidos de Ressarcimento e nos DACON foi analisada tanto no aspecto quantitativo, mediante “cruzamento com os valores constantes nos arquivos digitais das notas fiscais SINTEGRA/SEF, da contabilidade da empresa e da memória de cálculo”, quanto no aspecto qualitativo, “observando as permissões e vedações existentes na legislação tributária que trata do aproveitamento dos créditos das contribuições decorrentes do ramo de atividade da empresa fiscalizada”. Acrescenta que no período analisado a contribuinte apurou créditos de PIS e Cofins calculados sobre os custos, despesas e encargos a seguir relacionados: • Bens Utilizados como Insumos; • Serviços Utilizados como Insumos; • Despesas de Energia Elétrica; • Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica; • Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica; Fl. 1529DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 • Sobre Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição ou de Construção; • Outras Operações com Direito a Crédito; • Créditos sobre Importações. A seguir, em tópico intitulado “CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS INFORMADOS NOS DACON'S”, informa (destaques no original): Os valores dos custos, despesas e encargos informados nos DACONs referentes ao período de 04/2008 a 12/2009, que serviram de base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS não-cumulativos apurados pelo contribuinte, foram confrontados com os valores constantes nos arquivos digitais das notas fiscais SINTEGRA/SEF, da contabilidade e da memória de cálculo apresentados pela pessoa jurídica. O resultado do confronto está demonstrado no ANEXO I - DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS. No ANEXO I, as colunas RTMI e RNTMI estão zeradas porque todo o crédito apurado pela empresa vinculado à receita de exportação, uma vez que o art. 11, § 9º da Lei nº 9.432/2007 preceitua que "a construção, a conservação, a modernização e o reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no REB serão para todos os efeitos legais e fiscais, equiparadas à operação de exportação". O ANEXO I foi construído de forma que o saldo credor inicial de cada trimestre é zero e o saldo credor de um mês é transportado para o mês seguinte dentro do mesmo trimestre, pois o saldo credor sujeito a ressarcimento ou compensação é o saldo credor acumulado no final do trimestre, consoante preceituam o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, não podendo o saldo credor de um trimestre passar para o seguinte, na hipótese de ressarcimento. Isto só seria possível se fosse utilizado para desconto. No ANEXO I, os valores constantes da sub coluna "Total" da coluna "Valor Autorizado pela Fiscalização" são limitados àqueles informados/declarados pela empresa nos DACON's, estando estes descritos na coluna "Valor Total informado no DACON" do ANEXO I. Os valores constantes do Anexo I são provenientes de cada um dos ANEXOS III a X elaborados pela Fiscalização de acordo com cada rubrica abaixo. O ANEXO II não contribui para o ANEXO I em virtude da glosa total dos bens insumos pelos motivos fáticos e jurídicos mencionados no item 2. O ANEXO II é composto pela própria memória de cálculo apresentada pela empresa. ANEXO II - BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS; ANEXO III - SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS; ANEXO IV - DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA; ANEXO V - DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA; ANEXO VI - DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA; ANEXO VII - CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU DE CONSTRUÇÃO - EDIFICAÇÕES; ANEXO VIII - OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO; ANEXO IX - CRÉDITO DE PIS/IMPORTAÇÃO - ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009; ANEXO X- CRÉDITO DE COFINS/IMPORTAÇÃO ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009. Além destes ANEXOS foi elaborado também o ANEXO XI, que relaciona fotos coletadas na web de alguns itens glosados constantes no ANEXO III (B). Fl. 1530DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Passemos agora a analisar o crédito de cada uma das Rubricas/DACON. No tocante aos “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, menciona a previsão legal para a apuração de créditos, inscrita nos arts. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, salienta que tais dispositivos legais devem ser interpretados conjuntamente com outros, destaca que a própria Lei nº 10.833, de 2003, em seu art. 3º, § 2º, II, " impõe que não dará direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição", e prossegue (destaques no original): Assim, não geram crédito a aquisição de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo em embarcações registradas ou pré-registradas no REB, pois estão sujeitas à alíquota zero, conforme determina o art. 28, inciso X da Lei nº 10.865/2004 cuja redação foi dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 428/2008 e pelo art. 3º da Lei nº 11.774/2008. Este dispositivo é específico para a atividade industrial exercida pelo sujeito passivo. Mas, além destes dispositivos específicos, há ainda o art. 40 também da Lei nº 10.865/2004, o qual determina que a incidência do PIS e da COFINS fica suspensa no caso de venda matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens destinados à pessoa jurídica preponderantemente exportadora, que é o caso da pessoa jurídica fiscalizada. O fato de o fornecedor eventualmente tributar alguma das operações em comento, não tem o condão de permitir o crédito pelo adquirente. Seria o caso de repetição do indébito por parte do fornecedor, caso este prove que tributou com as contribuições tais operações. Ademais, por se tratar de hipótese de suspensão e exclusão do crédito tributário, deve- se interpretar literalmente, de acordo com o art. 111, inciso I do CTN, não comportando elasticidade conceitual quando envolver terceiro (o fornecedor). A análise desta rubrica foi composta pelo ANEXO II. O ANEXO II discrimina todas as aquisições listadas na memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas. Trata, a seguir, dos créditos calculados sobre “SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, mencionando inicialmente sua previsão legal, arts. 3º, II, da Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Diz então que (destaques no original): A Solução de Divergência da Coordenação Geral de Tributação - COSIT nº 15, 30/05/2008, traz em sua ementa que: "Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou serviço prestado". Tal decisão está em perfeita harmonia com o disposto no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea b da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Nesta rubrica a empresa também incluiu operações geradoras de crédito da rubrica de locação de máquinas e equipamentos. Foi considerada pela Fiscalização, porque embora não esteja alocada na rubrica adequada, é geradora de crédito. Trata-se apenas de um erro na alocação na linha apropriada do DACON e isto, di per si, não tem o condão de tolher o direito ao crédito. A análise desta rubrica acarretou a elaboração dos ANEXOS III, III (A), III (B) e III (C). O ANEXO III contém as operações sujeitas a crédito. Fl. 1531DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 O ANEXO III (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. O ANEXO III (B) lista somente as glosas. O ANEXO III (C) separa a base de cálculo correspondente ao PIS e a COFINS incidente na importação de serviços. Tais valores, quando geradores de crédito, foram considerados na linha Crédito a Descontar no PIS/Importação ou Crédito a Descontar na COFINS/Importação ambas do ANEXO I, e não na composição da base de cálculo. Tal procedimento tem base legal no art. 15, § 1º da Lei nº 10.865/2004, ou seja, aplica- se às contribuições efetivamente pagas na importação. Os pagamentos à SHI - SAMSUNG HEAVI INDUSTRIES não se enquadram no conceito de serviço utilizado como insumo estatuído no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea b da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, uma vez que não se referem ao processo fabril em si, mas sim à tecnologia, assessoria e consultoria. E tais serviços não geram crédito como mencionam algumas jurisprudências listadas no item IV deste RELATÓRIO. Também foram aqui considerados os serviços de manutenção e montagem de máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens sujeitos à incidência não-cumulativas, conforme Solução de Divergência nº 14, da Coordenação Geral de Tributação (COSIT) da Receita Federal do Brasil (RFB), datada de 31/10/2007. Menciona outras despesas cujos créditos não foram admitidos (destaques no original): Não foram consideradas aquisições de bens insumos inseridos nesta rubrica pelos fundamentos expostos no item 2. Também não foram consideradas aquisições de pessoas físicas devido à vedação expressa no art. 3º, § 2º, inciso I da Lei nº 10.833/2003. Exemplificativamente citamos alguns itens glosados cujas descrições extraídas da memória de cálculo são: assessoria e consultoria em informática; biombo com 3 faces para ambulatório; consultoria projeto; controle de pragas urbanas; controlstru (sistema de estrutura) - técnico de projeto de estruturas sênior; controlstru (sistema de estrutura)- projetista sénior de estrutura; elaboração de estudos para serviços de engenharia; elaboração de projetos básicos; exame de análise clínica (dosagem de creatinina); exame de raio-x de coluna cervical; exame oftalmológico; exames periódicos; filme para gamagrafia (controle de qualidade); locação de carros de passeio; máscara descartável mask face p2 air safety c/válvula de exalação pff2 - ca-10371; nf 21881 bureau veritas do brasil Itda ref:serviço de classificação p/fpu p55; planos de medicina e assist.médica.hospit, odonto; serviço de análise química; serviço de consultoria financeira; serviço de cópia; serviço de desembaraço aduaneiro; reembolso despesas; serviço de coleta de resíduos sólidos em caçamba estacionária; serviço gráfico: trena de 30 metros; trena de 5 metros; facão p/jardim, esquadro de aço 300mm - stanley, nível de bolha; diária de carro pipa, dentre outros. Sobre os créditos relativos a “DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA”, após mencionar a base legal, informa que sua apuração está demonstrada no ANEXO IV e acrescenta que “neste item não houve glosa”. No tocante aos créditos sobre “DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS EQUIPAMENTOS(sic) LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA”, refere-se à base legal, informa que "o ANEXO V contém as aquisições sujeitas a crédito", que “o ANEXO V (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa” estando nele “destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de Fl. 1532DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 crédito”. Informa ainda que no ANEXO V (B) estão listadas “somente as glosas de taxa de condomínio e taxa de Corpo de Bombeiros”. Trata a seguir das "DESPESAS DE ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA", dizendo: Os arts. 3º, inciso IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem o crédito sobre os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. O ANEXO VI contém os itens sujeitos a crédito. O ANEXO VI (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. O ANEXO VI (B) lista as glosas de locação de máquina de café por não ser utilizado nas atividades da empresa e locação de móveis para escritório por não se enquadrar no conceito de máquinas e equipamentos. Passa aos “CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU DE CONSTRUÇÃO”. Menciona a base legal e prossegue (destaques no original): De abril/2008 a maio/2009 só há valores de créditos de PIS/COFINS referentes às construções de edificações relativos aos seguintes prédios/áreas: Escritório Almoxarifado; Escritório Almoxarifado (climatizado); Escritório de Área (19 unidades); Escritório de Área (19 unidades) - parte 2; diversas áreas de PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS, tais como Escritório Central, Portaria, Vestiários, Ambulatório, Recrutamento, Verba de/para Acionistas, Muros e cercas, Construção da nova portaria industrial e de terceiros, Construção de abrigos para relógio de ponto, Serviço de arquitetura p/ prédio da segurança patrimonial. Os gastos com tais prédios não foram considerados pela Fiscalização como inseridos no art. 6º da Lei nº 11.488/2007, pois este dispositivo permite a apuração/apropriação de créditos de PIS e COFINS em 24 meses (apuração/utilização acelerada) apenas sobre as edificações construídas para utilização na produção de bens destinados à venda. Assim, os demais tipos de edificações utilizadas nas atividades da empresa que não a da produção, como por exemplo os mencionados acima, têm seus créditos apurados na forma do art. 3º, VII c/c §1º, inciso III, todos da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, ou seja, sobre os encargos de depreciação. Esclarece que, nos termos do art. 3º, inciso III e § 1º, inciso III e art. 15, inciso II da Lei nº 10.833/2003, o crédito do PIS e da COFINS sobre as edificações utilizadas nas demais atividades da empresa não ligadas diretamente à produção têm por base o encargo de depreciação incorrido no mês. Acrescenta: Já o crédito do PIS e da COFINS a que se refere o art. 6º da Lei nº 11.488/2007 tem por base o custo de aquisição ou de construção das edificações utilizadas na produção de bens destinados à venda. Neste caso, as contribuições incidentes na aquisição de bens para a construção das edificações integram o custo de aquisição, consoante o art. 32 da Lei nº 10.865/2004, que acrescentou o §6º ao art. 41 da Lei nº 8.981/95. O ANEXO VII lista os valores das bases de cálculo dos créditos apurados pela Fiscalização, considerando os ANEXOS VII (A) e VII (B). O ANEXO VII (C) discrimina o custo das construções líquido de PIS e COFINS cujos valores das colunas REALIZADO e INÍCIO DA DEPRECIAÇÃO foram considerados na elaboração do ANEXO VII (A). O ANEXO VII (A) discrimina o somatório de créditos de PIS e COFINS relativos aos imóveis/prédios utilizados na produção. O ANEXO VII (B) discrimina a depreciação (base de cálculo dos créditos) dos prédios utilizados nas atividades da empresa, mas não no processo de produção. Fl. 1533DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Os valores da coluna REALIZADO do ANEXO VII (A) são calculados da seguinte forma: 1) divide-se o valor ativado líquido de PIS e COFINS da coluna REALIZADO do ANEXO VII (C) por (1-9,25%) e calcula-se o valor do ativo bruto das contribuições, conforme art. 32 da Lei nº 10.865/2004. 2) Aplica-se o somatório das alíquotas de PIS e COFINS sobre o valor encontrado no item 1. Da mesma forma é calculado o valor da coluna REALIZADO do ANEXO VII (B). As linhas destacadas em marrom claro do ANEXO VII (A) se referem a edificações não utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, tendo seus créditos calculados com base nos encargos de depreciação, conforme art. 3º, inciso III e § 1º, inciso III e art. 15, inciso II da Lei nº 10.833/2003. Estes itens integram o ANEXO VII (B) e os valores totais mensais do ANEXO VII (A) não os incluem. No tópico seguinte trata das “OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO”, nos seguintes termos: Esta rubrica contém aquisição de bens utilizados como insumos, que não geram direito a crédito como visto anteriormente, e os correspondentes serviços de frete. Como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal. Nesta rubrica também foi glosada a aquisição cuja resumida descrição é software, sem a especificação das notas fiscais, data da operação e identificação do fornecedor. O ANEXO VIII menciona o item gerador de crédito. O ANEXO VIII (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pelo contribuinte cujas glosas estão destacadas em amarelo. O ANEXO VIII (B) lista as glosas efetuadas. Trata-se de aquisição de bens insumos, que no presente caso, não gera crédito como vimos no item 2. Os itens destacados em marrom claro constam nesta rubrica e também na rubrica Bens Utilizados como Insumos, logo foram computados em duplicidade na memória de cálculo apresentada pela empresa. O item destacado em verde consta também na rubrica Serviços Utilizados como Insumos, logo consta em duplicidade, razão da glosa. Trata a seguir do “CRÉDITO DE PIS/IMPORTAÇÃO - ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009” dizendo que “O ANEXO IX discrimina os valores discrepantes com os informados pela empresa nos DACON's de abril/2009 a junho/2009 e dezembro/2009”. Quanto ao “CRÉDITO DE COFINS/IMPORTAÇÃO - ABR/2009 a JUN/2009 e DEZ/2009” informa que “O ANEXO X discrimina os valores discrepantes com os informados pela empresa DACON's de abril/2009 a junho/2009 e dezembro/2009”. A seguir, em tópico denominado “JURISPRUDÊNCIA”, transcreve farta jurisprudência administrativa acerca das matérias abordadas no Relatório de Fiscalização. Traz então a “CONCLUSÃO” de seu Relatório, na qual registra que “os créditos apurados/autorizados pela Fiscalização são os constantes do Anexo I – Demonstrativo de Apuração dos Créditos do PIS e COFINS Não-Cumulativos”, e apresenta “o confronto entre os valores de créditos autorizados pela Fiscalização e os valores solicitados nos Pedidos de Ressarcimento e as respectivas glosas” no quadro demonstrativo a seguir reproduzido: Fl. 1534DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 E conclui (destaques no original): Todos os Termos de Intimação Fiscal e respostas do sujeito passivo, este RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO, cada um dos ANEXOS utilizados na apuração dos créditos bem como todos os documentos inerentes à analise dos Pedidos de Ressarcimento (PERs) de abril/2008 a dez/2009 encontram-se em cada um dos respectivos processos administrativos fiscais digitais enumerados nos Quadros 1 e 2. Após o recebimento do(s) Despacho(s) Decisório(s) referentes aos PER's analisados neste procedimentos fiscal, o contribuinte poderá apresentar manifestação de inconformidade dentro do prazo legal, se entender cabível. Fica resguardado o direito da Fazenda Nacional realizar verificações posteriores no sujeito passivo fiscalizado, mediante a execução de programas relacionados, ou não, ao presente, em decorrência de fatos e circunstâncias não conhecidas nesta oportunidade. Neste ato são entregues em meio digital os ANEXOS I a X, incluindo os derivativos A, B, C, em pdf e em excel bem como o ANEXO XI em pdf. E, para constar e surtir os efeitos legais foi lavrado o presente Relatório assinado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil em duas vias de igual teor e forma. Cientificada em 17/05/2013 (fls.1139/1141), no dia 17/06/2013 a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 1143/1169 (com cópia também juntada às fls. 1172/1197), acompanhada de documentos. Após alegação de tempestividade faz breve introdução na qual refere-se ao seu objeto social, ao fato de estar sujeita à Cofins e ao PIS no regime da não cumulatividade, à isenção destas contribuições de que desfruta por força do art. 45 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, bem como ao fato de que, a despeito desta isenção, tem o direito aos créditos da não cumulatividade. Ainda nesta introdução, refere-se ao pedido de ressarcimento e às declarações de compensação apresentados, ao reconhecimento apenas parcial do direito creditório “sem qualquer fundamentação”; salienta que a autoridade administrativa teria analisado “apenas” o primeiro pedido de ressarcimento relativo ao PIS não cumulativo deste trimestre, e deixado de analisar os “demais créditos a que a Manifestante tem direito, nos termos dos ulteriores Pedidos de Ressarcimento apresentados”. Registra por fim discordar do referido despacho, motivo pelo qual apresenta a Manifestação de Inconformidade. Fl. 1535DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Em preliminares, sustenta a nulidade do Despacho Decisório, alegando ausência de fundamentação e preterição do direito de defesa. Neste ponto, além de discorrer de forma genérica sobre o tema, citando ainda doutrina e jurisprudência administrativa, apresenta, sobre o caso específico, as seguintes afirmações: (...) No presente caso houve claro cerceamento de defesa ao direito da Manifestante, haja vista que o Auditor Fiscal da RFB, no Despacho Decisório ora vergastado, não trouxe os elementos mínimos (motivação) para fundamentar o deferimento apenas parcial do 1º Pedido de Ressarcimento de crédito apurado do PIS não-cumulativo, formulado através do PER nº. 24624.20313.150609.1.1.08-0611. (...) Uma vez inexistente a fundamentação no Despacho Decisório em comento, as glosas realizadas são ilíquidas e não oferecem a garantia que requer a segurança jurídica, além de restringirem o contraditório e a ampla defesa da Manifestante. E conclui: Logo, (e com a devida vênia ao Ilustre Auditor Fiscal), impõe-se a declaração de nulidade do Despacho Decisório sob reproche, primeiro porque não há elementos suficientes para determinar, com segurança, a validade das glosas efetuadas; e, segundo, porque essa insegurança repercute no amplo direito de defesa da Manifestante. Alega a nulidade do Despacho Decisório também porque a autoridade competente não teria apreciado “o 2º pedido de restituição do PIS não-cumulativo referente ao 1º trimestre de 2009”. Sustenta que embora a apresentação de mais de um pedido de ressarcimento da contribuição para o mesmo trimestre esteja em desacordo com as disposições da legislação em vigor, “a Autoridade Fiscal pode (e deve) levá- los em consideração quando da análise do direito creditório (...) sobretudo em função do formalismo moderado, que se encontra albergado, ainda que implicitamente, no art. 5º, inciso II e § 2º, da Constituição Federal”. Transcreve o dispositivo constitucional invocado, discorre sobre o tema, inclusive citando doutrina e jurisprudência, e conclui: Ressalte-se, por fim, que os Pedidos de Ressarcimento dos créditos do PIS não- cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2009, foram efetuados dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional. Portanto, considerando todo o exposto, não houve (assim como ainda não há) qualquer empecilho para a sua devida análise, o que, mais uma vez, denota a nulidade do r. Despacho Decisório. Ad argumentandum tantum, caso V. Sa. entenda pela validade do Despacho Decisório, que então determine a análise dos créditos dispostos nos referidos Pedidos de Ressarcimento para, uma vez reconhecidos, compensá-los com os débitos declarados nos Per/Dcomps em referência, nos termos do art. 55 da Lei n°. 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Passa então à defesa do direito aos créditos glosados pela fiscalização. A este respeito, trata inicialmente “DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE OS BENS UTILIZADOS COMO INSUMO”. Menciona os art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que transcreve. Refere-se à sua atividade econômica e à necessidade de insumos para o exercício de tal atividade. Afirma que os mesmos “estão incluídos no rol de bens passíveis de creditamento do PIS e da Cofins”, transcreve parcialmente ementas de soluções de divergência, e conclui: Nesses termos, inquestionável o direito da Manifestante ao creditamento sobre o PIS e a COFINS não-cumulativos dos valores empregados na aquisição dos bens destinados à produção dos navios (que, repita-se, agregam-se à sua formação), tais como Fl. 1536DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 parafusos, porcas arruelas e toda a ferragem, como chapas e perfis estruturais, que a Manifestante acredita que tenham sido objeto de indeferimento, o que não pode prevalecer, devendo, assim, ser reformada a decisão sob reproche. Contesta, a seguir, as glosas relativas ao “CRÉDITO SOBRE OS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO: SERVIÇOS DE ENGENHARIA NAVAL”. Diz que embora os serviços de engenharia naval possam, à primeira vista, não ser considerados como insumos, “não há como prevalecer tal entendimento”, pois, diversamente de outras indústrias de produção em massa, a indústria naval, como é o seu caso, “por atuar no segmento de bens de capital cuja produção é de longo prazo, apresenta características distintas em todas as etapas do ciclo produtivo”. Refere-se ao nível de agentes reguladores deste ramo industrial, ao rigor técnico exigido, à necessidade de atendimento de diversas normas nacionais e internacionais, e diz que “o aparato normativo por trás da indústria naval força a um nível elevado de terceirização de determinados serviços imprescindíveis em todas as etapas produtivas”. Diz ainda que, por estas razões, “habilitou e subcontratou diversas empresas visando atender as seguintes demandas: Detalhamentos técnicos de Engenharia, terceirização na fabricação de Estruturas Metálicas, Pinturas e Tratamentos de Superfícies, Usinagem, Caldeiraria, Montagem, Metalurgia, Instrumentação e Controle, entre outras, nos termos dos Contratos ora anexados por amostragem (Doc. 12)”. Discorre sobre as atividades desenvolvidas pelos serviços de engenharia, observa que tais serviços são exigidos pelos órgãos reguladores do setor, menciona portarias de tais órgãos, e diz que sem estes serviços “o produto final da indústria naval não terá sua finalidade garantida e, consequentemente, não estará apto à conclusão de sua venda”. Vale dizer, sem o cumprimento dessas exigências, o produto resultante de suas atividades “não pode ser considerado técnica e comercialmente um produto pronto e acabado”. Acrescenta que se tratam, portanto, de serviços utilizados como insumo, cujo crédito está expressamente previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2003. Cita jurisprudência administrativa e judicial, e conclui: Da mesma forma, indispensáveis são os serviços de engenharia naval no processo produtivo da Manifestante, razão pela qual deve ser reformado o Despacho Decisório, para que o direito ao crédito do PIS sobre tais serviços seja reconhecido em sua integralidade. No tópico seguinte, “III.III. DO DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE AS DEMAIS EDIFICAÇÕES QUE COMPÕEM O COMPLEXO INDUSTRIAL DA MANIFESTANTE, COM BASE NO ART. 6º DA LEI Nº. 11.488/2007”, defende o direito à apuração de crédito com base no valor de aquisição/construção relativamente a todas as edificações da pessoa jurídica. Transcreve o caput do art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e prossegue: A Manifestante, não diferente, ao finalizar a construção do seu estabelecimento físico, iniciou a utilização dos créditos da PIS, contabilizando-os proporcionalmente para os 24 (vinte e quatro) meses seguintes, nos termos da legislação acima destacada. Não obstante, o Auditor Fiscal, ao que parece, entendeu que certas edificações não estariam abarcadas pelo prazo disposto Lei nº. 11.488/2007, mas sim por aquele determinado no art. 3º. Inciso VII, c/c § 1º, inciso III, todos da Lei nº. 10.833/2003 (encargo de depreciação), o que resultaria em 300 (trezentos) meses. Observe, Ilustre Julgador, que se trata de um complexo industrial portuário situado em SUAPE (v. foto abaixo) que engloba inúmeras edificações e todas elas fazem parte do processo produtivo da Manifestante, desde os prédios administrativos até os galpões onde as chapas de aço são cortadas e soldadas. Fl. 1537DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Não há, portanto, como desconsiderar que tais edificações estão incorporadas ao ativo imobilizado da empresa e foram construídas para utilização, ainda que indiretamente, na produção de navios cargueiros, além de plataformas offshore, navios de perfuração e barcos de apoio à indústria petrolífera. Por tais motivos, deve ser reformado o Despacho Decisório, para reconhecer o direito ao creditamento do PIS não-cumulativo, referente ao 3º trimestre de 2008, sobre os bens do ativo imobilizado (todas as edificações que compõem o complexo industrial da Manifestante), no prazo disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007. Caso o entendimento ora defendido não prevaleça – o que apenas se admite no plano hipotético -, a Manifestante ressalta que o Auditor Fiscal deve validar os créditos do PIS nos meses referentes ao período em comento considerando o prazo de 1/300 (um trezentos avos), fato sobre cuja concretização, no caso não há informações suficientes. A seguir, em tópico intitulado “III.IV. DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE O FRETE”, diz que a fiscalização glosou créditos calculados “sobre o frete pago na aquisição de insumos para a fabricação do produto final”, observa que “a matriz do direito ao crédito sobre o frete relativo aos insumos adquiridos para a produção é o inciso II, art. 3º, da Lei nº 10.833/2003”, e afirma que “a Lei nº 11.898/2009 acrescentou ao art. 3º da Lei nº 10.833/2003 o inciso IX com a finalidade de legitimar o aproveitamento de créditos que, à luz da redação do seu inciso II, não seria possível, já que esses créditos não estão vinculados aos insumos, mas ao produto acabado”. Sustenta que as glosas decorreriam de interpretação “demasiado restritiva, de que somente seria possível o aproveitamento dos créditos relativos ao frete na operação de venda, porque expressamente referidos na Lei, vedando-se, por outro lado, o aproveitamento de créditos relativos ao frete na aquisição dos insumos”, posto que “não há qualquer diferença ontológica entre ambos os créditos, que decorrem de operações imprescindíveis ao desenvolvimento da atividade da empresa”, e, ainda, porque “a norma contida no inciso IX veio para ampliar o direito ao crédito sobre o frete, e não para restringi-lo”. Alega ainda que o direito ao crédito sobre o frete incorrido “não tem qualquer ligação direta com o regime de tributação do insumo adquirido”. Cita jurisprudência administrativa e conclui: É importante destacar que, nessa decisão, o CARF já partiu do pressuposto de que o crédito sobre o frete relativo à aquisição de insumos é assegurado ao contribuinte para, a partir daí, estendê-lo aos casos em que o produto transportado não sofre a incidência das contribuições - o que é até óbvio, já que o crédito discutido no caso é oriundo do serviço de frete e não da mercadoria transportada. Fl. 1538DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Diante dessas considerações, deve ser reformado o Despacho Decisório de forma que os créditos do PIS não-cumulativo, referentes ao 3º trimestre de 2009, sobre o frete sejam reconhecidos em sua totalidade. Depois, alega o “DIREITO AO CRÉDITO DE PIS SOBRE SOFTWARE”. Alega ser legítimo o direito ao crédito da Cofins não cumulativa calculado sobre despesas com software “aplicado diretamente na produção”, crédito este que estaria assegurado tanto pelo inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, na condição de insumo utilizado diretamente no processo produtivo, como pelo inciso VI do mesmo artigo, “se considerarmos sua integração ao ativo imobilizado da empresa”. Prossegue: A Manifestante, como indústria naval, utiliza-se de inúmeros produtos intermediários, como peças, blocos, sub-blocos, módulos, unidades de montagem etc, que devem ser necessariamente medidos e controlados, evitando-se, assim, eventuais desalinhamentos e posições defeituosas de tubulações, dutos, entre outros. É justamente para essa finalidades, i. e., obter um controle (dimensional) mais exato do processo global de produção, que a Manifestante adquiriu, no 1º trimestre de 2009, programas de softwares,conforme notas fiscais cuja untada a Manifestante requer seja deferida para momento posterior. Dentro do contexto ora exposto, esses softwares integram o conceito de insumo, nos termos do inciso II, do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002. Caso o Ilmo. Julgador não comungue desse entendimento, deve reconhecer, ao menos, os créditos decorrentes da depreciação dessas máquinas, conforme está demonstrado a seguir. Invoca Solução de Consulta, cuja ementa transcreve, e conclui: Exsurge da solução de consulta acima transcrita que os créditos não se restringem apenas a empresas específicas do ramo tecnológico, como TI ou telecomunicações, o que poderia ensejar a glosa de eventual compensação, mas englobam todas aquelas que fazem uso dos programas de computadores na produção ou prestação de serviços. E esse é o caso em discussão. Diante dessas considerações, deve ser reformado o Despacho Decisório de forma que os créditos do PIS não-cumulativo, referentes ao 1º trimestre de 2009, sobre software, sejam reconhecidos em sua totalidade, ou, ao menos, os créditos correspondentes à sua depreciação. Por fim, apresenta seu “PEDIDO”: Diante de todo o exposto, a Manifestante requer, preliminarmente, seja declarada a nulidade do Despacho Decisório que reconheceu apenas parcialmente o seu direito creditório, nos termos esposados. No mérito, acaso ultrapassadas as preliminares suscitadas, a Manifestante requer seja parcialmente reformado o Despacho Decisório ora impugnado, para que se promova o reconhecimento integral dos créditos do PIS não-cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2009, que compõem os Pedidos de Ressarcimento da Manifestante, e seja homologada sua compensação com os débitos objeto das correspondentes declarações, por ser esta medida da mais lídima Justiça. Protesta, por fim, por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive a realização de diligência e/ou perícia, caso entenda-se necessária - momento em que a Manifestante indica como assistente da perícia/diligência fiscal o Sr. Élvis Fábio Pereira Magalhães, contador, CRC/PE nº. 15.965/O-0, que receberá intimações no endereço da sede da empresa -, bem como a juntada posterior de documentos. Requer, ainda, que na dúvida seja conferida a interpretação mais benéfica à Manifestante, tal como preconiza o art. 112 do CTN. Fl. 1539DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso, em decisão cuja ementa consta a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de repetição de indébitos ou de ressarcimento de créditos, bem como na utilização de créditos em declaração de compensação, é da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AQUISIÇÕES EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não-cumulativa os custos, encargos e despesas expressamente previstos na legislação de regência. Para efeito da apuração de créditos no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente como aqueles bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. Ainda quando o bem ou serviço seja utilizado como insumo nos exatos termos da legislação de regência, não há, por expressa vedação legal, o direito à apuração de créditos se os mesmos foram adquiridos com alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES INCORRIDOS NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Dada a inexistência de previsão legal para apuração de créditos sobre fretes incorridos na aquisição de insumos, os créditos sobre tais fretes somente são possíveis pelo entendimento de que o frete integra o custo do insumo adquirido. Tratando-se de insumos adquiridos com alíquota zero, estes não ensejam a apuração de créditos e, por via de consequência, também não há direito a créditos sobre os respectivos fretes. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS E DE CONSULTORIA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1540DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 No regime não cumulativo do PIS e da Cofins não são admitidos créditos calculados sobre serviços administrativos e sobre serviços de consultoria, por ausência de previsão legal e porque os mesmos não se enquadram no conceito de serviços utilizados como insumos, nos termos da legislação em vigor. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU CONSTRUÇÃO. No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado com base no valor de aquisição ou construção, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.488, de 2007. Quanto aos demais bens do ativo imobilizado, somente são admitidos créditos sobre os correspondentes encargos de depreciação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, estruturado nos seguintes tópicos: 1. A TEMPESTIVIDADE 2. OS FATOS 3. AS PRELIMINARES 3.1. A NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO – PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA 3.2. A NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO POR NÃO TER APRECIADO OS DEMAIS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA REFERENTE AO 2º TRIMESTRE DE 2009 4. AS RAZÕES DE DIREITO – O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS 4.1. O DIREITO AO CRÉDITO SOBRE OS BENS UTILIZADOS COMO INSUMO 4.2. O DIREITO AO CRÉDITO SOBRE OS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO: SERVIÇOS DE ENGENHARIA NAVAL 4.3. O DIREITO AO CRÉDITO DE COFINS SOBRE AS DEMAIS EDIFICAÇÕES QUE COMPÕEM O COMPLEXO INDUSTRIAL DA RECORRENTE, COM BASE NO ART. 6º DA LEI Nº. 11.488/2007 4.4. O DIREITO AO CRÉDITO SOBRE O FRETE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Ao final, pugna pelo provimento do recurso, nos seguintes termos: 5. O PEDIDO Diante de todo o exposto, a Recorrente requer, preliminarmente, seja declarada a nulidade do Despacho Decisório que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, nos termos alhures esposados. No mérito, acaso ultrapassadas as preliminares suscitadas, a Recorrente requer seja reformado o v. Acórdão da DRJ, dando-se total procedência aos créditos da Cofins não-cumulativa, referente ao 4º trimestre de 2009, que compõem os Pedidos de Ressarcimento da Recorrente. Requer, ainda, que na dúvida seja conferida a interpretação mais benéfica à Recorrente, tal como preconiza o art. 112 do CTN. Termos em que pede e espera deferimento. É o relatório. Fl. 1541DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. II PRELIMINAR II.1 Nulidade II.1.1 A nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação – preterição ao direito de defesa A Recorrente suscita a nulidade do Despacho Decisório sob o argumento de ausência de fundamentação, o que acarretaria preterição do direito de defesa. Vejamos, nas palavras da Recorrente, os principais trechos deste tópico: No presente caso houve claro cerceamento de defesa ao direito da Recorrente, haja vista que o Despacho Decisório, ora vergastado, não trouxe os elementos mínimos (motivação) para fundamentar o deferimento apenas parcial do Pedido de Ressarcimento de crédito apurado da Cofins não-cumulativa, formulado através do PER nº. 10933.33135.150709.1.1.09-4047. Cumpre destacar que o ato administrativo elaborado pelo agente público deve estar devidamente fundamentado e motivado, de maneira que o administrado se encontre apto a proceder conforme sua disposição ou, ainda, confrontá-lo, sob pena de decretação de nulidade ou anulabilidade, uma vez que o administrado deve ter plena segurança acerca da legalidade de seus atos e sobre a sua consequente proteção jurídica. [...] Uma vez inexistente a fundamentação no Despacho Decisório em comento, as glosas realizadas são ilíquidas e não oferecem a garantia que requer a segurança jurídica, além de restringirem o contraditório e a ampla defesa da Recorrente. [...] Logo, impõe-se a declaração de nulidade do Despacho Decisório sob reproche, primeiro porque não há elementos suficientes para determinar, com segurança, a validade das glosas efetuadas; e, segundo, porque essa insegurança repercute no amplo direito de defesa da Recorrente. Não prosperam tais alegações. Nestes autos, o resultado dos trabalhos da fiscalização é composto, notadamente, pelo Relatório de Fiscalização, Termo de Informação Fiscal e o pelo próprio Despacho Decisório. Aqui, cumpre registrar que o Despacho Decisório tomou por fundamentos o Termo de Informação Fiscal e o Relatório de Fiscalização, conforme trechos a seguir (Grifei): DESPACHO DECISÓRIO [...] Fl. 1542DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 O processo foi encaminhado pelo Serviço de Fiscalização a este SEORT/DRF/Recife, com o termo de informação fiscal às fls. 1108/1109, onde, após diligência à empresa, foi comprovada parcialmente a existência do crédito do PIS não-cumulativo, vinculado à receita de exportação, referente ao período de 1º trimestre de 2009, no valor de R$ 22.951,78. As planilhas demonstrativas de apuração do crédito se encontram anexadas às fls. 153/455. Desta forma, com base no crédito apurado pelo SEFIS, efetuamos a sua compensação com os débitos relacionados nas DCOMP’s às fls. 1112/1120, conforme planilhas do sistema de apoio operacional da Receita (SAPO) às fls. 1121/1123, resultando, ao final, que o crédito não foi suficiente para compensar todos os débitos, conforme listagem de saldo de débitos remanescentes às fls. 1121, devendo ser efetuada a sua cobrança. Diante do exposto acima, no uso da competência conferida pelo Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº Portaria MF nº 203/2012, e concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal às fls. 1108/1109, que passa a integrar este ato, conforme o art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99, resolvo: [...] TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL [...] Conforme descrito e demonstrado no Relatório de Fiscalização, Termos de Intimação e seus anexos (demonstrativos e planilhas), foram encontrados os saldos credores sujeitos a ressarcimento constantes da coluna Crédito Autorizado do quadro acima. Por esta razão propomos o DEFERIMENTO PARCIAL dos respectivos pedidos de ressarcimento referentes ao período analisado. [...] A análise dos documentos acima permite concluir que o trabalho fiscal desenvolvido foi bastante minucioso ao exibir os procedimentos e exames sobre cada componente de créditos de PIS e da Cofins não-cumulativos apurados pela empresa no período em comento. Neste ponto, merece destaque a composição do Relatório Fiscal, que engloba 11 anexos, incluindo os derivativos A, B, C, utilizados na apuração dos créditos, de forma a facilitar a compreensão de toda a fiscalização. A Recorrente recebeu ciência e cópia de toda essa documentação, bem como dos decorrentes demonstrativos de compensação relacionados à análise de seu pedido de ressarcimento, como prova a Intimação acostada à fl. 1.139, descartando-se, assim, seu desconhecimento. Quanto à suposta deficiência do conteúdo de tais documentos (diga-se, nas palavras da Recorrente, ausência de fundamentação), a DRJ foi bastante precisa em sua análise ao expor - a partir da leitura do Despacho Decisório, Termo de Informação Fiscal e Relatório de Fiscalização - os fundamentos de todas as glosas, não apenas quanto ao pedido de ressarcimento deste processo, mas em relação a todo o período fiscalizado. Vejamos: • Bens Utilizados como Insumos: as glosas foram efetuadas porque não há direito aos créditos, uma vez que tais bens foram adquiridos com suspensão, conforme a legislação indicada; Fl. 1543DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 • Serviços Utilizados como Insumos: as glosas recaíram sobre despesas com serviços que, no entendimento da RFB expresso em instruções normativas e soluções de consulta, não se caracterizam como insumos, tendo a fiscalização chegado inclusive a discorrer sobre alguns deles, e também sobre serviços pagos a pessoas físicas; além disso, informa a fiscalização que os créditos relativos a importação de serviços não foram considerados nesta rubrica, mas “quando geradores de créditos, foram considerados na linha Crédito a Descontar no PIS/Importação ou Crédito a Descontar na COFINS/Importação”; • Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica: as glosas recaíram sobre taxas de condomínio e pagamentos feitos às administradoras, por entender a fiscalização – com base nos fundamentos devidamente expostos no Relatório de Fiscalização – que tais despesas não compõem o valor do aluguel; • Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica: a glosas recaíram tão somente sobre despesas com locação de máquinas para café e com locação de móveis para escritório, conforme afirmado pela fiscalização e, ainda, como se verifica no ANEXO VI (A), às fls. 376/378; explica a fiscalização que as glosas relativas à locação de máquina de café ocorreram por a mesma “não ser utilizada nas atividades da empresa” e quanto aos móveis para escritório “por não se enquadrar no conceito de máquinas e equipamentos”; • Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição ou de Construção: as glosas recaíram sobre os prédios que não são utilizados na produção de bens destinados à venda pelos motivos e base legal apresentados no Relatório de Fiscalização, no qual foram também informados quais os prédios sobre os quais foram efetuadas as glosas; ainda, conforme exposto pelo Auditor-Fiscal, sobre tais prédios, embora glosados os créditos conforme apurados pela contribuinte, foram calculados no procedimento fiscal e autorizados créditos com base nos encargos de depreciação; • Outras Operações com Direito a Crédito: nesta rubrica foram glosados créditos sobre bens utilizados como insumos, pelas razões já apontadas no ponto em que tratados tais créditos, bem como as respectivas despesas de fretes, estas sob o fundamento de que “como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal”; também foram glosadas despesas de “aquisição cuja resumida descrição é software, sem a especificação das notas fiscais, data da operação e identificação do fornecedor”; e foi ainda glosada despesa que consta também na rubrica Serviços Utilizados como Insumos que, portanto, consta em duplicidade, sendo esta a razão da glosa; • Crédito sobre Importações: conforme o Relatório de Fiscalização, os valores glosados, tanto de PIS/Importação como de Cofins/Importação correspondem aos “valores discrepantes com os informados pela empresa nos DACON’s de abril/2009 a junho/2009 e de dezembro/2009”; além destas discrepâncias, em dezembro/2009 houve glosa relativa a “pagamento referente à importação de serviços sem direito a créditos conforme descrito no Relatório de Fiscalização e Anexo III (C)”, como se verifica no ANEXO X (fls. 454/455). Resta claro que não houve uma única glosa nos autos sem fundamentação, o que permite concluir serem impertinentes as alegações quanto à falta de fundamentação e, consequentemente, preterição de direito de defesa. II.1.2 A nulidade do Despacho Decisório por não ter apreciado os demais pedidos de restituição da Cofins (sic) não-cumulativa referente ao 2º trimestre de 2008 (sic) A Recorrente alega, ainda, nulidade por ter sido analisado apenas um de seus pedidos de ressarcimento de PIS não-cumulativo do 1º Trimestre de 2009, a saber, o de nº 24624.20313.150609.1.1.08-0611. Entende ela que, tendo apresentado outro pedido de ressarcimento do mesmo tributo e mesmo trimestre, a falta de análise dele ensejaria a nulidade do Despacho Decisório. Passo a analisar. Fl. 1544DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 A legislação em vigor quando da transmissão dos pedidos de ressarcimento, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, assim dispunha: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre-calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: [...] Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...] § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. [...] (Grifei) De acordo com o regramento acima não há possibilidade de apresentação de mais de um pedido de ressarcimento relativo à mesma contribuição e ao mesmo trimestre. Portanto, caso a Recorrente pretendesse aumentar o valor a ser ressarcido, deveria valer-se da retificação do pedido, nos termos do art. 76 da mesma Instrução Normativa, e não apresentar novo pedido. Mesmo em duplicidade, pois havia pedido de ressarcimento transmitido em data anterior para o mesmo tributo e período de apuração, o pedido duplicado foi regularmente analisado pela Unidade de Origem, que, antes de emitir Despacho Decisório indeferindo-o pela fundamentação acima transcrita (desacordo com a norma), realizou intimação à Recorrente orientando-a a retificar o primeiro pedido de ressarcimento, se fosse o caso. A comprovar o que consta do parágrafo precedente, vale reproduzir o Termo de Intimação e Despacho Decisório referentes ao pedido duplicado, PER/DCOMP nº 41604.06610.190609.1.1.08-3267, no valor de R$ 122.439,90. Fl. 1545DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Fl. 1546DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Ainda, importante transcrever trechos dos esclarecimentos prestados pela DRJ quanto ao pedido de ressarcimento em duplicidade: Examinando os autos, verificamos que se trata do pedido de ressarcimento nº 41604.06610.190609.1.1.08-3267, no valor de R$ 122.439,90, ao qual a contribuinte vinculou a declaração de compensação nº 27479.96714.190609.1.3.08-1414, cuja cópia se encontra às fls. 1117/1120. Observamos, por oportuno, que a cópia do pedido de ressarcimento apresentada pela contribuinte com a manifestação de inconformidade (fls. 1285/1287) não consta o número do referido pedido, uma vez que foi juntada sem o respectivo recibo de entrega. [...] Como se nota, não existe base legal para a apresentação de mais de um pedido de ressarcimento relativo à mesma contribuição e ao mesmo trimestre. Pretendendo a contribuinte aumentar o valor do pedido de ressarcimento, deveria ter apresentado pedido de ressarcimento retificador, nos termos do art. 76 da mesma Instrução Normativa. E, no tocante ao PER nº 41604.06610.190609.1.1.08-3267, a contribuinte foi alertada a este respeito por meio do Termo de Intimação nº de Rastreamento 843818451, a seguir reproduzido: [...] Desta intimação tomou ciência em 17/08/2009, conforme abaixo: [...] Embora regularmente intimada e, deste modo, alertada para o equívoco cometido, a contribuinte não adotou as providências necessárias para a regularização de seus pedidos de ressarcimento. Foi então proferido o Despacho Decisório nº de Rastreamento 931259948, a seguir reproduzido, por meio qual o PER nº 41604.06610.190609.1.1.08-3267 foi indeferido, por tratar-se de pedido em duplicidade: [...] Cientificada em 24/05/2011, a contribuinte ainda poderia ter retificado o PER nº 24624.20313.150609.1.1.08-0611, posto que a ação fiscal na qual foram analisados os créditos alegados neste pedido de ressarcimento somente teve início no dia 15/08/2011, conforme fls. 07/09. Alternativamente, se acreditava ter o direito ao ressarcimento de créditos do PIS mesmo desrespeitando as disposições legais que disciplinam a matéria, poderia, até o dia 23/06/2011, ter apresentado manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório em questão, como prevê a legislação de regência e, ainda, conforme explicitamente dito no referido Despacho Decisório. Contudo, não o fez. Assim, é definitiva, na esfera administrativa, a decisão que indeferiu do pedido de ressarcimento nº 41604.06610.190609.1.1.08-3267. [...] Portanto, vê-se que o pedido de ressarcimento duplicado foi adequadamente analisado pela Unidade de Origem, de cujo resultado foi dado ciência à Recorrente, que nada fez contra o respectivo Despacho Decisório de indeferimento, nem quanto à retificação do PER/DCOMP destes autos (inicial), se fosse o caso. Portanto, improcedente as alegações aqui postas. Por fim, sabe-se que as causas de nulidades são estipuladas art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a saber: Fl. 1547DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não se verificou nesses autos, entretanto, qualquer das hipóteses acima previstas. Logo, nada a ser provido nesta parte. III MÉRITO III.1 Considerações iniciais As glosas efetuadas pela fiscalização no trimestre tratado nestes autos recaíram sobres as seguintes rubricas, consoante “ANEXO I – Demonstrativos de Apuração dos Créditos do PIS e da COFINS não Cumulativos – 1º Trim/2009” do Relatório Fiscal: · Bens Utilizados como Insumos · Serviços Utilizados como Insumos; · Bens do Ativo Imobilizado com base no Valor de Aquisição ou de Construção; e · Outras Operações com Direito a Crédito. Mesmo que parcialmente, as glosas de todas as rubricas foram contestadas pela Recorrente. III.2 Conceito de insumo A Recorrente inicia o mérito do recurso com lições acerca do conceito de insumo e sua evolução até a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no bojo REsp nº 1.221.170/PR, em sede de repetitivo, no qual restou consignado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. Não há qualquer ressalva quanto ao exposto pela Recorrente atinente ao conceito de insumo. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ e alinhar suas ações à nova realidade desenhada por tal decisão. No âmbito deste Colegiado, aplica-se ao tema o disposto no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Art. 62. […] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1548DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Partindo-se da ampliação conceitual acima e demais normas relacionadas à tomada de créditos do PIS/Cofins não-cumulativos, passo a analisar os itens glosados pelo Fisco, para os quais a Recorrente apresentou sua irresignação. III.3 Bens utilizados como insumos Neste tópico, a Recorrente defende o conceito de insumo aos bens que emprega em seu processo produtos (construção de navio) e, por tal razão, deduz ser inquestionável o direito ao creditamento sobre o PIS e a Cofins não-cumulativos dos valores empregados na aquisição de tais bens. Analiso. A Fiscalização efetuou glosa dos dispêndios constantes da rubrica “Bens Utilizados como Insumos” não em razão de os correspondentes bens estarem fora do conceito de insumo, mas em razão de sua aquisição ser desonerada das contribuições, situação em que a norma disciplinadora do assunto veda o aproveitamento do crédito. Isso fica bem claro no Relatório de Fiscalização, conforme a seguir: Os arts. 3°, inciso II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 permitem o crédito sobre os bens adquiridos para serem utilizados como insumos na fabricação de produtos. Entretanto, tais dispositivos legais devem ser interpretados conjuntamente com outros. O art. 3°, § 2°, inciso II da própria Lei n° 10.833/2003 impõe que não dará direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Assim, não geram crédito a aquisição de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo em embarcações registradas ou pré-registradas no REB, pois estão sujeitas à alíquota zero, conforme determina o art. 28, inciso X da Lei n° 10.865/2004 cuja redação foi dada pelo art. 3° da Medida Provisória n° 428/2008 e pelo art. 3º da Lei n° 11.774/2008. Este dispositivo é específico para a atividade industrial exercida pelo sujeito passivo. Mas, além destes dispositivos específicos, há ainda o art. 40 também da Lei n° 10.865/2004, o qual determina que a incidência do PIS e da COFINS fica suspensa no caso de venda matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens destinados à pessoa jurídica preponderantemente exportadora, que é o caso da pessoa jurídica fiscalizada. O fato de o fornecedor eventualmente tributar alguma das operações em comento, não tem o condão de permitir o crédito pelo adquirente. Seria o caso de repetição do indébito por parte do fornecedor, caso este prove que tributou com as contribuições tais operações. Ademais, por se tratar de hipótese de suspensão e exclusão do crédito tributário, deve-se interpretar literalmente, de acordo com o art. 111, inciso I do CTN, não comportando elasticidade conceituai quando envolver terceiro (o fornecedor). A análise desta rubrica foi composta pelo ANEXO II. O ANEXO II discrimina todas as aquisições listadas na memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas. Portanto, o caso não envolve discussão sobre o conceito de insumo a recair sobre os bens adquiridos pela Recorrente para destinação ao seu processo produtivo, mas, sim, a impossibilidade de direito ao crédito sobre o valor das aquisições de bens ou serviços não Fl. 1549DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 sujeitos ao pagamento das contribuições, conforme art. 3º, §2º, II, das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002. E as aquisições de bens pela Recorrente não são sujeitas ao pagamento das contribuições em razão do exposto no art. 28, X, da Lei nº 10.865, de 30/04/2004: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: [...] X - materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro; Assim, procedem as glosas efetuadas pela fiscalização quanto à rubrica aqui analisada. III.4 Serviços de engenharia naval A Recorrente defende o crédito da contribuição sobre os serviços de engenharia naval sob o argumento de que, “Sem a elaboração dos projetos e consultorias necessária para o planejamento de etapas e tarefas da indústria naval, seria impossível a execução da construção das embarcações”. Aduz que o nível de agentes reguladores atuantes no segmento em que atua, indústria naval, produção de longo prazo de bens de capital, obriga-a ao cumprimento de elevado rigor técnico para produção das embarcações e também no atendimento a diversas normas nacionais e internacionais, o que a força a um nível elevado de terceirização de determinados serviços imprescindíveis em todas as etapas produtivas. Em função disso, a Recorrente diz ter habilitado e subcontratado diversas empresas visando atender às seguintes demandas: Detalhamentos técnicos de Engenharia, terceirização na fabricação de Estruturas Metálicas, Pinturas e Tratamentos de Superfícies, Usinagem, Caldeiraria, Montagem, Metalurgia, Instrumentação e Controle, entre outras, nos termos dos Contratos anexados em sede de Manifestação de Inconformidade. Nesse contexto, segundo a Recorrente, os serviços de engenharia atuam na elaboração e acompanhamento dos projetos para a construção de estruturas metálicas, nos planos de cortes de chapas de aço, no processo de montagem e edificação, na execução de soldas e junções dos blocos, nas instalações elétricas e acomodações dos equipamentos e motores, bem como na instalação dos demais componentes dos navios. Argui que, sem esses serviços que, frise-se, são exigidos pelos órgãos reguladores do próprio setor - como, por exemplo, no caso da Portaria nº. 118/DPC/2007 (Doc. 13 da Manifestação de Inconformidade), referente à ABS GROUP SERVICE DO BRASIL, e a Portaria nº. 354/DPC/2009 (Doc. 14 da Manifestação de Inconformidade), referente à AMERICAN BUREAU OF SHIPPING -, o produto final da indústria naval não terá sua finalidade garantida e, consequentemente, não estará apto à conclusão de sua venda. Portanto, segundo ela, os serviços de engenharia naval revelam-se essenciais em sua atividade, razão pela qual faz jus ao crédito de PIS e Cofins incidentes sobre eles. Passo a analisar. No Relatório Fiscal, a fiscalização a analisou a rubrica “Serviços Utilizados como Insumos” nos seguintes termos: Fl. 1550DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 3 - SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS [...] A análise desta rubrica acarretou a elaboração dos ANEXOS III, III (A), III (B) e III (C). O ANEXO III contém as operações sujeitas a crédito. O ANEXO III (A) corresponde à memória de cálculo apresentada pela empresa, estando destacadas em amarelo as glosas e em branco as aquisições geradoras de crédito. O ANEXO III (B) lista somente as glosas. O ANEXO III (C) separa a base de cálculo correspondente ao PIS e a COFINS incidente na importação de serviços. Tais valores, quando geradores de crédito, foram considerados na linha Crédito a Descontar no PIS/Importação ou Crédito a Descontar na COFINS/Importação ambas do ANEXO I, e não na composição da base de cálculo. Tal procedimento tem base legal no art. 15, § 1° da Lei n° 10.865/2004, ou seja, aplica-se às contribuições efetivamente pagas na importação. Os pagamentos à SHI - SAMSUNG HEAVI INDUSTRIES não se enquadram no conceito de serviço utilizado como insumo estatuído no art. 8°, § 4°, inciso I, alínea b da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, uma vez que não se referem ao processo fabril em si, mas sim à tecnologia, assessoria e consultoria. E tais serviços não geram crédito como mencionam algumas jurisprudências listadas no item IV deste RELATÓRIO. [...] Não foram consideradas aquisições de bens insumos inseridos nesta rubrica pelos fundamentos expostos no item 2. Também não foram consideradas aquisições de pessoas físicas devido à vedação expressa no art. 3°, § 2°, inciso I da Lei n° 10.833/2003. Exemplificativamente citamos alguns itens glosados cujas descrições extraídas da memória de cálculo são: assessoria e consultoria em informática; biombo com 3 faces para ambulatório; consultoria projeto; controle de pragas urbanas; controlstru (sistema de estrutura) - técnico de projeto de estruturas sênior; controlstru (sistema de estrutura)- projetista senior de estrutura; elaboração de estudos para serviços de engenharia; elaboração de projetos básicos; exame de análise clínica (dosagem de creatinina); exame de raio-x de coluna cervical; exame oftalmológico; exames periodicos; filme para gamagrafia (controle de qualidade); locação de carros de passeio; máscara descartável mask face p2 air safety c/válvula de exalação pff2 - ca-10371; nf 21881 bureau ventas do brasil ltda ref:serviço de classificação p/fpu p55; planos de medicina e assist.médica,hospit., odonto; serviço de análise química; serviço de consultoria financeira; serviço de cópia; serviço de desembaraço aduaneiro; reembolso despesas; serviço de coleta de resíduos sólidos em caçamba estacionária; serviço gráfico; trena de 30 metros; trena de 5 metros; facão p/jardim, esquadro de aço 300mm - stanley, nível de bolha; diária de carro pipa, dentre outros. Deflui do Relatório Fiscal que a fiscalização não analisou na rubrica “Serviços Utilizados como Insumos” unicamente os alegados serviços de engenharia naval, mas diversos dispêndios, glosados pelas razões acima expostas. Fl. 1551DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 As glosas realizadas pela fiscalização nesta rubrica podem ser assim demonstradas quanto aos seus valores, conforme “Anexo 1 – Demonstrativo de Apuração dos Créditos do PIS e da COFINS não-cumulativos – 1º Trim/2009” do Relatório Fiscal: JANEIRO/2009 FEVEREIRO/2009 MARÇO/2009 DACON FISCO GLOSA DACON FISCO GLOSA DACON FISCO GLOSA 3.196.213,10 227.159,74 2.969.053,36 2.885.875,92 49.026,19 2.836.849,73 3.664.792,20 794.850,63 2.869.941,57 Portanto, embora a Recorrente inicie esta parte de seu recurso afirmando que “os créditos glosados se referem aos serviços de engenharia naval [...]”, está comprovado que tais glosas são amplas e englobam vários serviços que o fisco considerou fora do conceito de insumos. Ainda, a Recorrente não discriminou, em seu recurso, quais o itens glosados pela fiscalização englobam os alegados serviços de engenharia naval. Apenas a título de amostragem, trouxe ela aos autos cópia de uma nota fiscal de serviços, à fl. 1.412, no intuito de demonstrá-los. Destaque-se que vários dos serviços por ela enumerados, genericamente, em seu Recurso Voluntário não foram glosados pela fiscalização, conforme “Anexo III (A) – Memória de Cálculo Apresentada pelo Contribuinte – Serv. Utilizados como Insumos – Glosas em Amarelo” do Relatório Fiscal. Aqui, cito, por exemplo: - Engenharia; - Serviço de jateamento e pintura; - Serviço de instalação de produtos; etc. Dessa forma, por considerar que tais serviços de engenharia não abarcam todo, ou qualquer, tipo de serviço glosado nesta rubrica, considero plausível restringi-los nesta análise apenas a serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria naval, o que encontra consonância, inclusive, com a argumentação desenvolvida pela Recorrente: Ora, Ilmo. Conselheiros! Sem a elaboração dos projetos e consultoria necessária para o planejamento de etapas e tarefas da indústria naval, seria impossível a execução da construção das embarcações. Partindo-se dos pressupostos acima, passo a analisar a tese da Recorrente. E, no que diz respeito à sua tese, acerca da essencialidade dos serviços de projetos e consultoria naval para a sua atividade econômica, entendo assistir-lhe razão, visto que tais serviços são imprescindíveis à existência, funcionamento e aprimoramento de seu processo produtivo (construção de embarcações, o que constitui o objeto mister social da pleiteante. Assim, tomando-se neste ponto o conceito de insumo exposto no item III.2 deste voto, considero essencial à atividade da Recorrente os dispêndios/serviços realizados/contratados com projetos e consultoria naval, razão pela qual a glosa fiscal relativa a eles deve ser revertida. III.5 Demais edificações que compôem o complexo industrial, com base no art. 6º da Lei nº 11.488/2007 Fl. 1552DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 Entende a Recorrente que deve ser reconhecido o direito ao creditamento do PIS/Cofins não-cumulativos, referente ao período dos presentes autos, sobre os bens do ativo imobilizado (todas as edificações que compõem o seu complexo industrial), no prazo disposto no art. 6º da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, a saber, 24 (vinte e quatro) meses: Art. 6º As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Grifei) Para a Recorrente, revelou-se errônea a conclusão fiscal de que certas edificações (prédios administrativos) não estariam abarcadas pelo prazo estipulados na Lei nº 11.488, de 2007, mas sim por aquele determinado no art.3º, VII, c/c §1º, III, todos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, encargo de depreciação, o que resultaria em 300 (trezentos) meses. Afirma ela que seu complexo industrial portuário situado em SUAPE (foto abaixo) engloba inúmeras edificações e todas elas fazem parte do processo produtivo da Recorrente, desde os prédios administrativos até os galpões onde as chapas de aços são cortadas e soldadas. Conclui não haver, portanto, como desconsiderar que tais edificações estão incorporadas ao ativo imobilizado da empresa e foram construídas para utilização, ainda que indiretamente, na produção de navios cargueiros, além de plataformas offshore, navios de perfuração e barcos de apoio à indústria petrolífera. E, por fim, pleiteia supletivamente, caso o entendimento defendido não prevaleça, a validação dos créditos do PIS nos meses referentes ao período em comento considerando o prazo de 1/300 (um trezentos avos). Passo a analisar. A fiscalização assim fundamentou o procedimento fiscal: Fl. 1553DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 7 — CRÉDITOS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO OU DE CONSTRUÇÃO - EDIFICAÇÕES O arts. 3°, VII das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 permitem a apuração de créditos relativos a tais despesas. De abril/2008 a maio/2009 só há valores de créditos de PIS/COFINS referentes às construções de edificações relativos aos seguintes prédios/áreas: Escritório Almoxarifado; Escritório Almoxarifado (climatizado); Escritório de Área (19 unidades); Escritório de Área (19 unidades) - parte 2; diversas áreas de PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS, tais como Escritório Central, Portaria, Vestiários, Ambulatório, Recrutamento, Verba de/para Acionistas, Muros e cercas, Construção da nova portaria industrial e de terceiros, Construção de abrigos para relógio de ponto, Serviço de arquitetura p/ prédio da segurança patrimonial. Os gastos com tais prédios não foram considerados pela Fiscalização como inseridos no art. 6º da Lei n° 11.488/2007, pois este dispositivo permite a apuração/apropriação de créditos de PIS e COFINS em 24 meses (apuração/utilização acelerada) apenas sobre as edificações construídas para utilização na produção de bens destinados à venda. Assim, os demais tipos de edificações utilizadas nas atividades da empresa que não a da produção, como por exemplo os mencionados acima, têm seus créditos apurados na forma do art. 30, VII c/c §1°, inciso III, todos da Lei n° 10.833/2003 e da Lei n° 10.637/2002, ou seja, sobre os encargos de depreciação. De acordo com o art. 3°, inciso III e § 1°, inciso III e art. 15, inciso II da Lei n° 10.833/2003, o crédito do PIS e da COFINS sobre as edificações utilizadas nas demais atividades da empresa não ligadas à produção têm por base o encargo de depreciação (coluna B acima) incorrido no mês. Já o crédito do PIS e da COFINS a que se refere o art. 6° da Lei n° 11.488/2007 tem por base o custo de aquisição ou de construção das edificações utilizadas na produção de bens destinados à venda. Neste caso, as contribuições incidentes na aquisição de bens para a construção das edificações integram o custo de aquisição, consoante o art. 32 da Lei n° 10.865/2004, que acrescentou o §6° ao art. 41 da Lei n° 8.981/95. O ANEXO VII lista os valores das bases de cálculo dos créditos apurados pela Fiscalização, considerando os ANEXOS VII (A) e VII (B). O ANEXO VII (C) discrimina o custo das construções líquido de PIS e COFINS cujos valores das colunas REALIZADO e INÍCIO DA DEPRECIAÇÃO foram considerados na elaboração do ANEXO VII (A). O ANEXO VII (A) discrimina o somatório de créditos de PIS e COFINS relativos aos imóveis/prédios utilizados na produção. O ANEXO VII (B) discrimina a depreciação (base de cálculo dos créditos) dos prédios utilizados nas atividades da empresa, mas não no processo de produção. Os valores da coluna REALIZADO do ANEXO VII (A) são calculados da seguinte forma: 1) divide-se o valor ativado líquido de PIS e COFINS da coluna REALIZADO do ANEXO VII (C) por (1-9,25%) e calcula-se o valor do ativo bruto das contribuições, conforme art. 32 da Lei n° 10.865/2004. 2) Aplica-se o somatório das alíquotas de PIS e COFINS sobre o valor encontrado no item 1. Da mesma forma é calculado o valor da coluna REALIZADO do ANEXO VII (B). As linhas destacadas em marrom claro do ANEXO VII (A) se referem a edificações não utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, tendo Fl. 1554DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 seus créditos calculados com base nos encargos de depreciação, conforme art. 3°, inciso III e § 1°, inciso III e art. 15, inciso II da Lei n° 10.833/2003. Estes itens integram o ANEXO VII (B) e os valores totais mensais do ANEXO VII (A) não os incluem. Depreende-se do relato fiscal que o regramento do art. 6º da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi adequadamente aplicado pela fiscalização, ou seja, somente às edificações utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, conforme determina esse comando legal. Em relação às edificações não utilizadas diretamente na produção de bens destinados à venda, os créditos do PIS/Cofins foram calculados com base nos encargos de depreciação, conforme art. 3º, §1º, III, c/c o art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, ressalte-se aqui, restar desprovido de objeto o pedido suplementar para apuração de créditos com base nos encargos de depreciação no prazo de 1/300 (um trezentos avos), visto que tal procedimento já fora realizado pela autoridade tributária, conforme Relatório Fiscal. Portanto, nada a ser retificado quanto a tais glosas. III.6 Frete de insumos adquiridos com alíquota zero Neste tópico, pleiteia a Recorrente o crédito da contribuição sobre os dispêndios com frete de insumos, independentemente de esses insumos serem sujeitos à alíquota zero. A glosa foi assim tratada pela fiscalização em seu Relatório Fiscal: 8- OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO Esta rubrica contém aquisição de bens utilizados como insumos, que não geram direito a crédito como visto anteriormente, e os correspondentes serviços de frete. Como o principal não tem crédito, o seu frete também não tem, pois o acessório acompanha o principal. Nota-se que a fiscalização glosou os serviços de fretes relacionados a insumos que não geram direito a crédito, por entender que, como o principal (insumo) não gera crédito, o seu frete também não gera, visto o acessório acompanhar o principal. Assiste razão à Recorrente quanto à sua tese. Podem ser utilizados na apuração das contribuições não-cumulativas as despesas referentes aos serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Nesse sentido, foi decidida a matéria quando enfrentada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303-007.562, cujo trecho da ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP [...] PIS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. Fl. 1555DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 3301-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.724225/2011-14 É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. [...] (Acórdão nº 9303-007.562 – 3ª Turma, Processo nº 13161.001369/2007-13, Relatora Tatiana Midori Migiyama) Portanto, independentemente da tributação dos produtos adquiridos, o frete na aquisição de insumos utilizados no processo produtivo também gera direito ao crédito. Dessa forma, devem ser revertidas as glosas de fretes na aquisição de insumos utilizados no processo produtivo não onerados pela contribuição. III.7 Interpretação mais benéfica Ao final de seu recurso, a contribuinte “Requer, ainda, que na dúvida seja conferida a interpretação mais benéfica à Recorrente, tal como preconiza o art. 112 do CTN”. No entanto, o dispositivo invocado pela Recorrente não guarda qualquer relação com o tema sob análise, créditos da não-cumulatividade do PIS e da Cofins. Vejamos o referido dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (Grifei) Percebe-se que o citado artigo faz parte de capítulo do CTN intitulado “Interpretação e Integração da Legislação Tributária”, sem qualquer aplicação concreta ao caso sob análise. Portanto, nada a ser provido quanto a este pedido. IV CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para acatar a possibilidade de se apurar créditos de PIS não cumulativo para os seguintes dispêndios referentes ao processo produtivo da Recorrente: - Serviços de gerenciamento e de elaboração de projetos e consultoria naval; e - Fretes na aquisição de insumos. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 1556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13521.000042/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
REMISSÃO. DÉBITO COM A FAZENDA NACIONAL. INOCORRÊNCIA.
O lançamento é o ato administrativo que constitui o crédito tributário. Antes do encerramento do processo administrativo fiscal não há que se falar em débito com a Fazenda Nacional passível de remissão.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE.
Para afastar a glosa efetuada pela autoridade fiscal é necessária a comprovação das despesas médicas com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2201-005.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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DÉBITO COM A FAZENDA NACIONAL. INOCORRÊNCIA. O lançamento é o ato administrativo que constitui o crédito tributário. Antes do encerramento do processo administrativo fiscal não há que se falar em débito com a Fazenda Nacional passível de remissão. DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. Para afastar a glosa efetuada pela autoridade fiscal é necessária a comprovação das despesas médicas com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 1. 00 00 42 /2 00 7- 98 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.624 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13521.000042/2007-98 Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em Salvador, que julgou a impugnação procedente em parte. Reproduzo o relatório da decisão de primeira instância por bem retratar os fatos: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana (BA) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Notificação de Lançamento (fls. 04/06) referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2004; ano-calendário 2003 em decorrência de revisão de Declaração de Ajuste Anual (Dirpf), na qual contatou-se deduções indevidas a título de dependentes, despesas com instrução e despesas médicas, totalizando R$22.691,12 (fl. 06v). Apurou-se imposto suplementar de R$6.240,06 e crédito tributário total de R$14.025,77. O contribuinte em sua impugnação (fls. 01/02), de 26/09/2007, afirma que apresenta elementos probatórios das deduções pleiteadas - cópias de certidões de nascimento (fls. 07/09, recibos de instituições de ensino (fls. 15/16) e recibos de despesas médicas (fls. 17/20) - que podem modificar ou mesmo anular o lançamento. Requer a procedência da ação fiscal e o cancelamento de crédito tributário exigido. O acórdão de piso restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE. Presentes as exigências legais para a dedutibilidade, são admissíveis as deduções comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Intimado da referida decisão em 11/09/2009 (fl.40), foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte em 29/09/2009 (fls.42/47), alegando, em síntese, que: - Prejudicial de mérito. Suscita a remissão do débito, nos termos do art. 14, da Lei nº 11.941/2009. - Não está mais obrigada a apresentar recibos de despesas médicas efetuadas há mais de 5 (cinco) anos. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Prejudicial de mérito Em prejudicial de mérito, alega o recorrente que por se tratar de débito inferior a R$ 10.000,00, tem direito a remissão, nos termos do art. 14, da Lei nº 11.941/2009. O argumento recursal deve ser rechaçado, de plano, uma vez que em relação ao presente processo fiscal, não existe débito para com a Fazenda Nacional vencido há mais de 5 (cinco) anos. Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.624 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13521.000042/2007-98 Portanto, não há que se falar em aplicabilidade do art. 14 da Lei nº 11.941/2009 ao caso que se cuida. Do mérito O recorrente pretende que seja acolhida a dedução de despesa no valor de R$ 8.000,00 mesmo sem comprovação através de documentação hábil e idônea. Isso porque, segundo seu entendimento, não estaria obrigado a manter a guarda do documento por mais de cinco anos. Todavia, referida pretensão encontra óbice instransponível na legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF. Vejamos o que prevê o art. 8° da Lei n° 9.250/95, abaixo transcrito: “Art. 8 o A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas : I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2 o O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifou-se); IV- não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V- no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Destarte, não merece prosperar o inconformismo do recorrente, estando correta a decisão de piso que manteve a glosa por dedução indevida perpetrada pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.624 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13521.000042/2007-98 Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.001729/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002 IRPF. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764/CE. STJ. ART. 543-C, DO CPC. APLICAÇÃO DA PORTARIA DO MINISTRO DA
FAZENDA Nº 586/2010 – ART. 62-A DO ANEXO II.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22/12/2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos
543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual torna-se infensa à incidência do imposto
de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial (RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764/CE – STJ).
Numero da decisão: 2201-001.461
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 IRPF. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764/CE. STJ. ART. 543-C, DO CPC. APLICAÇÃO DA PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA Nº 586/2010 – ART. 62-A DO ANEXO II. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22/12/2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual torna-se infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial (RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764/CE – STJ).
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INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. NÃOINCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764/CE. STJ. ART. 543 C, DO CPC. APLICAÇÃO DA PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA Nº 586/2010 – ART. 62A DO ANEXO II. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22/12/2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). 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Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 03/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 47.971,48, calculados até 02/2005. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou Dedução Indevida com Dependente; Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Foi alterado, ainda, o campo rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica de R$ 178.815,00 para R$ 130.000,00. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fls. 01/03), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Na Impugnação apresentada, o contribuinte reconhece a inexistência de pretérita retenção na fonte por parte do ente pagador. Entende que os valores dos rendimentos tributáveis constantes dos autos são decorrentes de acordo celebrado entre o contribuinte a e Reuters Serviços Eletrônicos Ltda., em autos de reclamação trabalhista, que previa o pagamento das parcelas sem que houvesse qualquer dedução a título de imposto de renda. Discorre sobre a incidência do imposto de renda sobre valores pagos referentes à indenização por danos morais e sobre a obrigação da retenção pela fonte pagadora. Concorda com a natureza tributável das parcelas recebidas, mas alega que não poderia ser imputada ao impugnante, na condição de contribuinte, a responsabilidade pela omissão da empresa pagadora em deixar de recolher aos cofres públicos a parcela afeta à retenção. Requer o acolhimento da impugnação e o reconhecimento da responsabilidade exclusiva da fonte pagadora em relação aos valores que deveriam ter sido retidos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13807.001729/200582 Acórdão n.º 220101.461 S2C2T1 Fl. 2 3 A 7ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE DEPENDENTE e PENSÃO ALIMENTÍCIA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada. GLOSA. DEDUÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Não pode o contribuinte pleitear em sua Declaração de Ajuste Anual compensação de imposto que deixou de ser retido por ocasião do pagamento dos rendimentos. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 12/01/2009 (fl. 47), Luiz Roberto Graziano Alcântara apresenta Recurso Voluntário em 18/08/2009 (fl. 74), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: ... fato é que o valor por si percebido justamente a título de indenização por danos morais não se equipara a rendimento sujeitos à tributação do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em discussão que chega a este Colegiado, nesta segunda instância, versa sobre a natureza da verba recebida pelo recorrente a título de reclamatória trabalhista. Em sua peça recursal defende o recorrente que o valor recebido referese a indenização por danos morais e, por conseguinte, não alcançado pela tributação do imposto de renda, conforme inúmeras decisões judiciais carreadas aos autos. Por sua vez, a autoridade fiscal lavrou a exigência considerando a referida verba como tributável, conforme se colhe da transcrição de parte do Termo de Constatação Fiscal (fls. 12): O contribuinte regularmente intimado a prestar esclarecimentos sobre os valores lançados nas duas declarações de imposto de renda a título de rendimentos tributáveis, despesas médicas e pensão alimentícia apresentou os seguintes documentos: 1) Termo de audiência referente ao processo trabalhista 1860/1997, 55° Vara do Trabalho de São Paulo movido contra a Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Reuters Serviços Econômicos Ltda. CNPJ 29.508.686/000108 onde houve o acordo na importância de R$ 400.000,00 distribuídos em duas parcelas de R$ 130.000,00 e uma de R$ 140.000,00 com vencimento em 18/12/01, 18/01/02 e 18/02/02, respectivamente; (...) De acordo com o termo de audiência o valor do acordo referese a "verbas indenizatórias (indenização por dano moral R$ 385.000,00 e multa do art. 477 da CLT R$ 15.000,00)”. Como a indenização por danos morais é considerada tributável, conforme artigo 718 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, intimamos a fonte pagadora a apresentar o comprovante anual de rendimentos pagos ao contribuinte nos dois exercícios e os DARF de recolhimento do imposto de renda. Em resposta ao termo de intimação a fonte pagadora informou, em resumo, que tais pagamentos foram feitos a título de "indenização", em acordo homologado na Justiça do Trabalho e que não houve retenção de imposto de renda tendo em vista que o montante é qualificado como "isento" e que, portanto, as DIRF entregues pela empresa relativas aos anos de 2001 e 2002 não indicam qualquer retenção sobre tal pagamento. (...) De acordo com o acima exposto foi constatado que não houve a retenção do imposto e sendo assim o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte e o valor tributável a ser considerado em sua declaração de imposto de renda do exercício 2002 passa a ser R$ 130.000,00 e o de 2003 R$ 270.006,00 não havendo imposto de renda retido na fonte a ser compensado. (grifei) Depreendese do excerto reproduzido que a autoridade fiscal identificou o rendimento recebido pelo contribuinte como danos morais, razão pela qual considerou a verba auferida como tributável, na forma do art. 718 do CTN – Código Tributário Nacional (fl. 06). Com efeito, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22/12/2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual tornase infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial (RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764/CE – STJ). Transcrevese a ementa do julgado: Superior Tribunal de Justiça Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13807.001729/200582 Acórdão n.º 220101.461 S2C2T1 Fl. 3 5 RECURSO ESPECIAL Nº 1.152.764 CE (2009/01504091) Data do Julgamento: 23 de junho de 2010 RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO: ABELARDO MATOS DE PAIVA DIAS ADVOGADO: FRANCISCO JOSÉ GOMES DA SILVA E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER INDENIZATÓRIO DA VERBA RECEBIDA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual tornase infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial. (Precedentes: REsp 686.920/MS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 19/10/2009; AgRg no Ag 1021368/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 25/06/2009; REsp 865.693/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 1017901/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 12/11/2008; REsp 963.387/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/10/2008, DJe 05/03/2009; REsp 402035 / RN, 2ª Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 17/05/2004; REsp 410347 / SC, desta Relatoria, DJ 17/02/2003). 2. In casu, a verba percebida a título de dano moral adveio de indenização em reclamação trabalhista. 3. Deveras, se a reposição patrimonial goza dessa não incidência fiscal, a fortiori, a indenização com o escopo de reparação imaterial deve subsumirse ao mesmo regime, porquanto ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio. 4. "Não incide imposto de renda sobre o valor da indenização pago a terceiro. Essa ausência de incidência não depende da natureza do dano a ser reparado. Qualquer espécie de dano (material, moral puro ou impuro, por ato legal ou ilegal) indenizado, o valor concretizado como ressarcimento está livre da incidência de imposto de renda. A prática do dano em si não é fato gerador do imposto de renda por não ser renda. O pagamento da indenização também não é renda, não sendo, portanto, fato gerador desse imposto. (...) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 Configurado esse panorama, tenho que aplicar o princípio de que a base de cálculo do imposto de renda (ou de qualquer outro imposto) só pode ser fixada por via de lei oriunda do poder competente. É o comando do art. 127, IV, do CTN. Se a lei não insere a "indenização", qualquer que seja o seu tipo, como renda tributável, inocorrendo, portanto, fato gerador e base de cálculo, não pode o fisco exigir imposto sobre essa situação fática. (...) Atentese para a necessidade de, em homenagem ao princípio da legalidade, afastarse as pretensões do fisco em alargar o campo da incidência do imposto de renda sobre fatos estranhos à vontade do legislador." ("Regime Tributário das Indenizações", Coordenado por Hugo de Brito Machado, Ed. Dialética, pg. 174/176) 5. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 23 de junho de 2010 (Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Portanto, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ submetido ao regime do artigo 543C do CPC a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização e, por conseguinte, não alcançada pela tributação do imposto de renda. Ante ao exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13807.001729/200582 Acórdão n.º 220101.461 S2C2T1 Fl. 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13807.001729/200582 Recurso nº: 178.913 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.461. Brasília/DF, 19 de dezembro de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720480/2010-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO. PRESSUPOSTOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido no recurso como divergência aponta para o não cumprimento dos requisitos regimentais necessários para conhecimento do recurso proposto.
Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando no Recurso Especial adota-se premissa equivocada acerca da situação fática do acórdão recorrido.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-008.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional apenas quanto à retroatividade benigna relativa às multas e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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PRÓLABORE. Recorrentes SERVANGIO SERVICOS MEDICOS S/S e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO. PRESSUPOSTOS. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. A falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido no recurso como divergência aponta para o não cumprimento dos requisitos regimentais necessários para conhecimento do recurso proposto. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando no Recurso Especial adotase premissa equivocada acerca da situação fática do acórdão recorrido. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional apenas quanto à retroatividade benigna relativa às multas e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 80 /2 01 0- 68 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 535 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Sujeito Passivo. Na origem, cuida de Auto de Infração DEBCAD nº 37.299.1645 para constituição de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a segurados contribuintes individuais. Os valores foram apurados pelos depósitos bancários de pagamentos feitos pela empresa aos seus sócios, no período de 01/2006 a 12/2007, sob a denominação de "distribuição de lucros". Tais pagamentos, conforme alega o Fisco, se referem na realidade à remuneração pelos serviços médicos prestados pelos sócios e não à "distribuição de lucro". O Relatório Fiscal encontrase às fls. 22/26. A ciência foi data ao autuado em 28/9/10, consoante se extrai de fls. 2, in fine. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente o lançamento às fls. 267/277. Por sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deste CARF, por meio do acórdão 2301002.814, deu provimento parcial ao recurso ordinário às fls. 315/327. Às fls. 330/332, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração alegando omissão no julgado, na medida em que a turma ordinária não teria se pronunciado quanto aos requisitos da Lei 10.101/2000. Todavia, não foram acolhidos pelo presidente da turma (fls. 339/342). Irresignada, a fazenda interpôs recurso especial às fls. 344/359, pugnando pela reforma parcial do aresto recorrido. Em 22/5/16 às fls. 362/366 foi dado seguimento ao recurso no tocante às matérias "PLR pago em desacordo com estatuto" e "Forma de cálculo utilizada para determinação de multa mais benéfica em razão da publicação da MP n 449". Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 536 3 Intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 452/469, propugnando pelo não conhecimento do recurso da fazenda e, no caso de conhecimento, pelo seu improvimento. De sua vez, apresentou Recurso Especial às fls. 483/497, pugnando pela nulidade do acórdão recorrido. Em 15/3/17 às fls. 504/509 foi dado seguimento ao recurso no tocante à matéria "descaracterização de distribuição de lucros". Intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 517/530, propugnando pelo improvimento do recurso do autuado. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Relator Os Recursos Especiais são tempestivos. Passo, com isso, à análise dos demais requisitos de admissibilidade. Como já relatado, o acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso do contribuinte por meio da seguinte ementa e dispositivo: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. DISTINÇÃO EFETIVA ENTRE AS VERBAS. ESTABELECIMENTO EXPRESSO NO CONTRATO SOCIAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. O plexo de significantes normativos previdenciários não estipula um valor mínimo a título de prólabore, deve, assim, o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Previsão expressa do valor referente ao prólabore no Contrato Social. Fixada esta base, o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados. O valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 537 4 O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. [...] ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para integrar ao Salário de Contribuição, nas competências dos fatos geradores, somente a remuneração até o limite de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física, conforme consta do Contrato Social, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Do conhecimento Recurso da Fazenda Nacional. Como noticiado acima, o recurso da fazenda foi admitido quanto às matérias "PLR pago em desacordo com estatuto" e "Forma de cálculo utilizada para determinação de multa mais benéfica em razão da publicação da MP nº 449/2008.” Quanto à primeira matéria, a turma a quo inicialmente registrou a possibilidade de os sócios virem a ser remunerados por duas formas: uma, em função dos pró labores decorrentes do trabalho; outra, por meio de distribuição mensal dos lucros auferidos pela empresa, obedecido o critério da proporcionalidade na participação do capital social. Adiante, firmou o entendimento de que os valores pagos aos sócios, que excedessem aos prólabores previstos no contrato social, seriam enquadrados como distribuição de lucros, igualmente prevista naquele instrumento constitutivo, desde que a quantia distribuída estivesse respaldada, por meio de sua contabilidade, em demonstração de resultado – DRE, mensal, corroborando a natureza de lucro superior à sua base de cálculo presumida. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 538 5 Firmada a tese, a turma ordinária presumiu a adequação da condição acima, na medida em que o lançamento não teria contestado eventual descumprimento dessa exigência legal de demonstração contábil de lucro superior a sua base de cálculo. É dizer, a turma recorrida não deu importância ao fato de o autuante ter demonstrado que os pagamentos teriam se dado em função da produção de cada sócio e em desacordo com a participação de cada um no capital social da empresa. Todavia, no acórdão paradigmático, de nº 2401002.873, firmouse o entendimento de que uma vez prevista no contrato social a distribuição dos lucros proporcional à participação do sócio no capital, o descumprimento dessa regra implicaria considerar esses pagamentos como se remuneração fossem. Confirase: Conforme transcrito no relato do fisco, o contrato social da empresa previa que a distribuição de lucros fosse efetuada na proporção das cotas de cada sócio, nesse sentido não há amparo legal para que o repasse do resultado se dê de maneira diversa, posto que o art. 1.007 do Código Civil estipula que, salvo previsão contratual em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas na proporção das respectivas cotas. Diante disso, a tese do fisco é a que merece acolhida. Havendo pagamento a sócio sob o título de distribuição de lucros, a parcela que extrapola o percentual estabelecido no contrato social revelase um pagamento sem causa, o qual deve ser tratado como remuneração. Abrese aqui um parêntese para registrar que em seu recurso, a fazenda procurou definir a divergência ao assentar que os lucros teriam sido distribuídos em desacordo com o que determinaria o contrato social, já que a Fiscalização, segundo inferiu o recorrente, teria demonstrado que não houvera a distribuição proporcional determinada pelo contrato. Não foi bem assim. O contrato social previa que a distribuição dos lucros seria proporcional à produção de cada sócio e não à sua participação no capital da sociedade. Foi justamente esse o motivo que levou o Fisco a desconsiderar, como lucro, os valores repassados aos sócios. Não, necessariamente, que tivesse havido afronta à cláusula contratual da distribuição proporcional à produção, mas sim à regra da distribuição proporcional à participação do sócio no capital. Em outras palavras: a Fiscalização não se preocupou em demonstrar que os valores estavam em desacordo com a produção de cada sócio. Demonstrou, por outro lado, que estavam em desacordo com a participação do sócio no capital da sociedade. Nesse contexto, pareceme ter havido um equívoco de premissa no recurso fazendário. Por sua vez, o despacho de admissibilidade teria identificado a divergência da seguinte forma: Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 539 6 O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que o valor que exceder a remuneração prevista no estatuto considerase como participação nos resultados, no paradigma entendeuse de forma diferente, entendendo tais valores como remuneração sujeita à contribuição previdenciária. Data venia, não vejo dessa forma. O acórdão paradigma vazou o entendimento, assim percebo, de que caso o contrato não viesse a prever a distribuição dos lucros de maneira diversa, essa se daria na forma do artigo 1007 do Código Civil, que estabelece que "salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas". Em outras palavras, assentou que a regra seria a distribuição proporcional dos lucros, admitindose, contudo, a exceção, caso o contrato contivesse cláusula dispondo de maneira diversa. Vejase que o caso dos autos não me parece tratar, em exato, do que foi tratado naquele outro acórdão. Aqui, o contrato estipularia, na cláusula que versa sobre a distribuição dos lucros, que os resultados seriam partilhados entre os sócios na proporção de sua produção e que mediante balancetes especiais os lucros poderiam ser distribuídos em qualquer período do exercício. Com isso, penso que a divergência necessária a contrapor o aresto guerreado seria demonstrada mediante paradigma que assentasse a necessidade de que fosse comprovado, pelo sujeito passivo, o lastro contábil para a distribuição dos lucros sem a incidência da contribuição. Assim sendo, não conheço do recurso neste ponto. No que toca à temática da multa, há de se destacar, de início que ela ganha importância na medida em que o acórdão recorrido entendeu integrar ao Salário de Contribuição, a remuneração até o limite de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física. Voltemos à análise. O acórdão recorrido vazou o entendimento de que deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com vistas a definir a penalidade mais benéfica. Por sua vez, no paradigma 240100.120 firmouse o entendimento de que se deveria cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º8.212/1991) e da multa por descumprimento da obrigação acessória (§5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, que remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96), prevalecendo a que seria mais favorável ao contribuinte. Da análise acima, é de se reconhecer a divergência de interpretação nesse ponto. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 540 7 Forte nas razões acima, encaminho pelo conhecimento, parcial, do recurso da Fazenda Nacional. Do conhecimento Recurso do sujeito passivo. Como noticiado adrede, o recurso do sujeito passivo foi admitido quanto à matéria "descaracterização de distribuição de lucros". O despacho de admissibilidade teria identificada a divergência da seguinte forma: Enquanto o acórdão recorrido entendeu por limitar a distribuição de lucros de forma isenta ao resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, no paradigma a decisão foi no sentido que basta haver contabilidade regular que demonstre e discrimine a remuneração recebida a título de prólabore, pelo sócio administrador e a existência de lucro, para não haver incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. Ocorre que em flagrante equívoco, seu signatário entendeu que o aresto fustigado estaria limitando a distribuição de lucros isentos ao resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, quando, em verdade, considerou como prólabore tributável, o valor correspondente até o limite de isenção da tabela do IRPF. Por sua vez, o recorrente partiu da premissa de que a turma a quo teria julgado em desacordo com o que previu o contrato social, que continha cláusula que determinava que a distribuição dos lucros darseia de acordo com o que fosse previsto pela sociedade. E que, por outro lado, o paradigmático acórdão 2403001958 teria assentado a desnecessidade de percepção de verba mínima para os sócios. Há aqui, novamente, o equívoco de premissa. O acórdão atacado assentou que a distribuição dos lucros darseia naquilo que excedesse o limite de isenção da tabela do IRPF, justamente por estar conjuntamente aplicando o estabelecido no contrato social, que determinava, em sua cláusula 9º1, que os sócios fariam jus a uma retirada mensal a título de prólabore até o limite de isenção da tabela acima citada. Digase, inclusive, que foi a aplicação conjunta dessas duas cláusulas contratuais2 que teria fundamentada a decisão recorrida quando entendeu preenchidos os requisitos previstos no inciso II, do § 5º do artigo 201 do RPS, na medida em que a previsão contratual para o pagamento desses dois tipos de remuneração seria o suficiente, no entender 1 9" Cláusula — PróLabore: Os sócios farão jus a uma retirada mensal a título de prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda e a ser estabelecida em ala de reunião dos quotista (sic), os quais serão levadas a despesas da empresa. 2 a da distribuição dos lucros e a do pagamento de prolabores Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 541 8 da turma, para considerar que teria havido a discriminação a que alude referido inciso II, no que toca aos valores percebidos pelos sócios. Vejamos o dispositivo: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. Compulsando o inteiro teor do voto condutor do acórdão paradigma 2403 001.958, podese notar, não obstante ter feito constar não haver na legislação obrigatoriedade para distribuição de prólabore obrigatório, que não houve menção a eventual cláusula contratual que dispusesse fazer jus aos sócios uma retirada mensal a título de prólabore. Vejase que o relator procurou enfrentar os argumentos tecidos pelo Fisco, após enumerálos da seguinte forma: a) a distribuição não teria sido feita em função da participação social de cada um no capital social; b) a distribuição teria se dado de acordo com a produção de cada um, conforme item VIExercício Social do contrato social, que foi consolidado na Ia alteração contratual; c) A distribuição não seria proveniente do capital social, afinal não seria factível uma repartição de lucro de 918,17% em 2008 ou 866,67% em 2009 para cada R$ 1,00 investido; e d) não teria havido discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Enfrentado os argumentos, a turma a quo fez constar, ao afinal, a existência de escrituração contábil regular que teria demonstrado e discriminado a remuneração recebida a título de prólabore, pelo sócio administrador, e a existência de lucro, e que sua distribuição teria se dado a partir de critério idôneo previsto no contrato social. Confirase: Assim, é a contabilidade – regular, formalizada seguindo as determinações legais – que demonstra se a distribuição de lucro foi correta ou não, pois caso não haja, por exemplo, resultado positivo (lucro), não haverá, consequentemente, o que distribuir, e todo o valor retirado pelos sócios deve ser considerado prólabore. [...] Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 542 9 Sendo assim, existindo escrituração contábil regular que demonstre e discrimine a remuneração recebida a título de pró labore, pelo sócio administrador e a existência de lucro e de somente sua distribuição a partir de crit ério idôneo previsto no contrato social, fls. 58/61, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga. Notese que no caso em tela, o voto condutor, como abordado alhures, presumiu, não constatou, a existência do lastro contábil a demonstrar o lucro então distribuído. Com efeito, penso não haver similitude fática entre os casos a dar ensejo a divergência interpretativo suscitada pelo recorrente. Nesse sentido, encaminho por não conhecer do recurso do sujeito passivo. Do mérito Recurso da Fazenda Nacional. Nesse ponto, a matéria a ser reexaminada referese ao cálculo da multa aplicada, em função da retroatividade benigna imposta pela MP 449/2008. A multa lançada de oficio tomou como fundamento legal o ora revogado artigo 35, I, II e III da Lei 8.212/91, com redação anterior à alteração promovida pela Lei 11.941/09, que acabou implicando o percentual de 24%. Vejase: O acórdão guerreado decidiu por aplicar a retroatividade comparandose a multa então lançada com aquela determinada pela aplicação do artigo 61 da Lei 9.430/96 (0,33% por dia de atraso, limitada a 20%), eis que seria a mais benéfica. Não obstante o DEBCAD em exame não se referir à multa isolada na forma do à época § 5º do artigo 32 da Lei 8.212/91, o autuante noticiou em seu relatório que estaria lavrando, ainda, os autos de infração nºs 37.299.1637, 37.299.1645 e 37.299.1653. Nesse sentido, no caso em exame é de se aplicar o Enunciado de Súmula CARF nº 119, de observância obrigatório por este Colegiado, a teor do artigo 72 do RICARF. Vejase: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 9202008.415 CSRFT2 Fl. 543 10 fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim sendo, VOTO no sentido de CONHECER, parcialmente, do recurso da Fazenda Nacional para DARLHE provimento; e NÃO CONHECER do recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.921415/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
O STF fixou a tese: O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS, no RE n° 574.706 (DJ 02/10/2017), em repercussão geral. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma.
STJ, RESP Nº 1144469/PR. RECURSO REPETITIVO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO.
Em 13/03/2017 transitou em julgado o REsp nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática de recursos repetitivos, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações. Com base no RE n° 574.706, o STJ realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, julgado como recurso repetitivo. Precedentes: AgInt no REsp nº 1.355.713, AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 - SP e EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3301-006.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições devendo a Unidade de Origem apurar o valor do crédito, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Salvador Cândido Brandão Junior e Winderley Morais Pereira, que votaram por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.910736/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O STF fixou a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”, no RE n° 574.706 (DJ 02/10/2017), em repercussão geral. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. STJ, RESP Nº 1144469/PR. RECURSO REPETITIVO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. Em 13/03/2017 transitou em julgado o REsp nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática de recursos repetitivos, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações”. Com base no RE n° 574.706, o STJ realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, julgado como recurso repetitivo. Precedentes: AgInt no REsp nº 1.355.713, AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 - SP e EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC. Recurso Parcialmente Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições devendo a Unidade de Origem apurar o valor do crédito, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Salvador Cândido Brandão Junior e Winderley Morais Pereira, que votaram por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.910736/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 14 15 /2 01 2- 28 Fl. 64DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17/4/18. Dessa forma, adoto os seguintes excertos do relatório constante do Acórdão nº 3301-006.729, proferido no âmbito do processo n° 10980.910736/2012-05, paradigma deste julgamento: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento do pedido de restituição constante do Per/Dcomp, nos termos do despacho decisório emitido pela DRF Curitiba/PR. . No aludido Per/Dcomp, a contribuinte pleiteou a restituição, que corresponde a uma parte do pagamento de PIS, sob o código 2172. Segundo o despacho decisório, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontrava-se totalmente alocado ao débito de PIS(2172) do período de apuração correspondente. Na manifestação apresentada, a contribuinte, após relatar os fatos e discorrer sobre a legislação, diz que não há autorização para incluir na base de cálculo do PIS e da Cofins “o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento.” Afirma que o ICMS não é receita da empresa e pede o reconhecimento do direito à restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RESTITUIÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Comprovado nos autos que o crédito pleiteado foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de débitos de sua responsabilidade, indefere-se o pedido de restituição. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Tendo que o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, ao presente recurso aplica-se o decidido no Acórdão nº 3301-006.729, paradigma ao qual está vinculado. : Ressalte-se, por pertinente, que a decisão do paradigma foi contrária ou meu entendimento pessoal quanto à matéria em litígio. Porém, ao presente processo deve ser aplicado o entendimento que prevaleceu no colegiado, nos termos do voto vencedor do acórdão paradigma, a seguir transcrito: “No Recurso Extraordinário n° 574.706-PR, discutiu-se o conceito jurídico-constitucional de faturamento ou receita, base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 20/1998. O texto constitucional, em sua redação originária, estabelecia a incidência das contribuições sobre “o faturamento”. Após a EC nº 20/98, a incidência se dá sobre “a receita ou o faturamento”. Em apertada síntese, as alegações voltaram-se à existência de direito líquido e certo de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que faturamento seria o somatório da receita obtida com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, não se podendo admitir a abrangência de outras parcelas que escapam a essa estrutura e, o ICMS não representaria patrimônio/riqueza da empresa (princípio da capacidade contributiva), mas sim ônus fiscal ao qual as empresas estão sujeitas. O STF reconheceu a repercussão geral da matéria em 16/05/2008. Concluído o julgamento, foi dado provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da Relatora Ministra Cármen Lúcia, proferido na Sessão de 9 de março de 2017. O acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02/10/2017. Assim, o STF fixou a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”. Restou a ementa assim redigida: Fl. 66DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. O voto da Relatora Ministra Cármen Lúcia foi acompanhado pelos Ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Foram vencidos os Ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, os quais votaram pela constitucionalidade da exação, mantendo o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. O voto condutor da Ministra Cármen Lúcia adotou o entendimento do STF, expresso nos RE n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, no sentido de que faturamento é “receita bruta de vendas e de serviços.” Como precedente da tese fixada no acordão em comento, cita a Relatora também o Recurso Extraordinário n° 240.785, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, no qual o STF fixou a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (RE 240785, Relator Ministro MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJe 16.12.2014) Ao interpretar o RE n° 240.785, a Ministra apontou que: a- tributos não devem integrar a base de cálculo de outros tributos e b- a base de cálculo Fl. 67DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 da Cofins, constitucionalmente prevista, não comporta a inclusão de receita de terceiros, como é o caso do ICMS, de competência dos Estados. Assim, o ICMS não constitui receita do contribuinte, ainda que contabilmente seja escriturado, pois tem como destinatário fiscal a Fazenda Pública Estadual, para a qual será transferido. Ressalte-se que na decisão não houve modulação de efeitos. O requerimento de modulação feito pela PGFN, na tribuna, foi no sentido de que a decisão somente surta efeitos a partir de janeiro de 2018. Entretanto, como consignou a Relatora Ministra Cármen Lúcia, nos autos nada constava sobre a modulação, já que a empresa obteve provimento em primeira instância, perdeu em segunda instância e, no seu recurso extraordinário, logrou-se vencedora. Todavia, entenderam os Ministros que a modulação poderia ser suscitada por embargos de declaração. Posteriormente, foram interpostos os embargos de declaração pela Fazenda Nacional, em 19/10/2017, apontando a existência de contradição, obscuridade, erro material e omissão e, pleiteando efeitos infringentes. A PGFN requereu a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ademais, reitera o pedido de sobrestamento de todos os processos pendentes sobre a matéria, até o trânsito em julgado. Até a data do julgamento deste processo administrativo, não houve qualquer manifestação do STF quanto à modulação. Segundo o art. 14 do Novo CPC/15, a norma processual se aplica imediatamente aos processos em curso: Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Dispõe também o Novo CPC/15 que os recursos não suspendem a eficácia das decisões, tampouco a propositura de Embargos de Declaração: Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Fl. 68DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1 o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Diante das prescrições do novo CPC, os tribunais judiciais têm aplicado imediatamente o entendimento do STF: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-B DO CPC/1973. RE 574.796/PR. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS. APELAÇÃO PROVIDA. 1. Instado o incidente de retratação em face do v. acórdão recorrido, em observância ao entendimento consolidado pelo C. Supremo Tribunal Federal no julgamento do mérito do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida RE n° 574.796/PR. 2. O Plenário do E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.796/PR, publicado em 02.10.2017, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". 3. Efetuado o juízo de retratação, nos termos do artigo 543-B, § 3º, do CPC/1973, para dar provimento à apelação da impetrante. (TRF 3, Apel. 0020471-95.1993.4.03.6100, DJ 21/12/2017) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LITISPENDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SENTENÇA ANULADA. JULGAMENTO DO MÉRITO. ART. 1013, § 3º, DO NCPC. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO INDEVIDA. REPERCUSSÃO GERAL. STF. (1). 1. Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada, existindo entre elas identidade de partes, causa de pedir e pedido. Não identificada a tríplice identidade, porque diferentes os pedidos, a litispendência não pode ser invocada como justa causa para extinção do feito sem resolução do mérito. 2. Anulada a sentença e encontrando-se a relação processual devidamente formada, inexistindo necessidade de produção de outras provas e não vislumbrando qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa de qualquer das partes, é possível a apreciação do mérito, nesta instância recursal, nos termos do disposto no art. 1013, § 3º, do CPC/2015. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 574.706 pela sistemática da repercussão geral, firmou a tese de "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS". (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 15/03/2017). 4. Especificamente em relação à Lei 12.973/2014 se encontra consolidado o entendimento no sentido de a ampliação do conceito do faturamento não alterou o conceito de base de cálculo sobre a qual incide o PIS e a COFINS, tanto mais diante da consolidada a jurisprudência da Suprema Corte, a quem cabe o exame definitivo da matéria constitucional, no sentido da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes. 5. Apelação provida, para anular a sentença e, prosseguindo no julgamento, nos termos do art. 1013, § 3º, do CPC/2015, julgar procedente o pedido. (TRF 1, Apel. 0011389-06.2017.4.01.3400/DF, DJ 01/12/2017). Fl. 69DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 Quanto à aplicação dessa decisão em sede de processo administrativo, dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) A aplicação do RE n° 574.706 – RG nos processos administrativos, enquanto não houver o trânsito em julgado, é questão muito debatida. Isso porque dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Nos termos do art. 62, caput do RICARF, é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal vedação é também prescrita pela Súmula n° 2 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. O CARF vem negando a aplicação da decisão do RE n° 574.706, socorrendo-se da aplicação do REsp n° 1.144.469/PR, o qual já está transitado em julgado. Todavia, não me parece o melhor fundamento, porquanto o STJ realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, julgado em recurso repetitivo. Confira-se: AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.355.713 – SC, DJ 24/08/2017: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. ICMS. INTEGRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II – O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 674.706/PR, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, concluiu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao Fl. 70DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. III – Esta Corte realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS. IV – A Agravante não apresenta argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V – Agravo Interno improvido. Consta no voto da Ministra Regina Helena Costa: Entretanto, possui razão a Agravada, acerca da não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, concluiu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Na esteira de entendimento do Supremo Tribunal Federal, esta Corte realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS. O STJ, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 – SP, DJ 07/11/2017: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543-C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. E ainda, o AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, DJ 24/08/2017: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. O ICMS INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. MANUTENÇÃO DAS SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. RESP 1.144.469/PR, REL. MIN. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, REL. P/ ACÓRDÃO O MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE 2.12.2016, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR) EM SENTIDO CONTRÁRIO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA PROVIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado Fl. 71DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 nos moldes do art. 543-C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora a Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. 3. O REsp. 1.144.469/PR tratou, ainda, da incidência do ICMS no PIS/COFINS repassados a terceiro, verifica-se que neste ponto não há divergência quanto à matéria (item 12 da ementa - REsp. 1.144.469/PR, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, 1a. Seção, DJe 2.12.2016). Assim, não assiste razão à parte agravante quanto a este ponto. 4. Agravo Interno da empresa provido para dar parcial provimento ao Agravo e reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS/COFINS. (AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 19/04/2017). Ademais, o art. 927, III c/c art. 928, II do CPC/15 prescrevem que os juízes e os tribunais obrigatoriamente observarão o julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos. Com isso, a não aplicação da decisão judicial “repetitiva” (com teor de precedente) no processo administrativo viola o monopólio da última palavra pelo STF, em matéria de interpretação constitucional. Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, tal situação se coaduna com a prescrição do RICARF que exige a condição de “decisão definitiva de mérito” para ser aplicada obrigatoriamente pelos Conselheiros. Inclusive, recentemente, o STJ se manifestou no sentido da obrigatoriedade da aplicação do decisum, independentemente do trânsito em julgado (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 282.685 – CE, DJ 27/02/2018): TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgR-ED-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RS-AgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 72DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.779 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921415/2012-28 Em suma, entendo que a aplicação do RE n° 574.706 é obrigatória. Ressalte-se que não fora exigido do contribuinte a comprovação na sua escrituração contábil do direito creditório alegado, restringindo- se o Despacho Decisório à matéria de direito. Por conseguinte, cabe ao contribuinte comportar à unidade de origem a liquidez e certeza do direito creditório defendido.” Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário.” Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, devendo a Unidade de Origem apurar o valor do crédito. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 73DF CARF MF
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