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Numero do processo: 15956.720198/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. EXCLUSÃO. DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO.
É legítima a dedução, na apuração do lucro real, de despesas financeiras referentes a financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos - PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95.
IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA.
O benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada aplica-se às máquinas agrícolas adquiridas por agroindústria, ainda que tais ativos sejam caracterizados como de uso misto", isto é, utilizado tanto na área estritamente rural quanto na área agroindustrial.
IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA.
Os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam cana-de-açúcar, ainda que na qualidade de agroindústria, estão sujeitos à depreciação acelerada incentivada.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Roberto Caparroz acompanhou o Relator pelas conclusões, quanto ao tópico da exaustão. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Paulo Cezar, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa relativa à depreciação acelerada.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ. EXCLUSÃO. DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO. É legítima a dedução, na apuração do lucro real, de despesas financeiras referentes a financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos - PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95. IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. O benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada aplica-se às máquinas agrícolas adquiridas por agroindústria, ainda que tais ativos sejam caracterizados como de uso misto", isto é, utilizado tanto na área estritamente rural quanto na área agroindustrial. IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. Os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam cana-de-açúcar, ainda que na qualidade de agroindústria, estão sujeitos à depreciação acelerada incentivada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável ao lançamento da CSLL.
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EXCLUSÃO. DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO. É legítima a dedução, na apuração do lucro real, de despesas financeiras referentes a financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95. IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. O benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada aplicase às máquinas agrícolas adquiridas por agroindústria, ainda que tais ativos sejam caracterizados como de “uso misto", isto é, utilizado tanto na área estritamente rural quanto na área agroindustrial. IRPJ. EXCLUSÃO. AGROINDÚSTRIA. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. GLOSA. Os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam canade açúcar, ainda que na qualidade de agroindústria, estão sujeitos à depreciação acelerada incentivada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao IRPJ é aplicável ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 98 /2 01 1- 91 Fl. 2272DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Roberto Caparroz acompanhou o Relator pelas conclusões, quanto ao tópico da exaustão. Vencidos os Conselheiros José Carlos e Paulo Cezar, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa relativa à depreciação acelerada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2007, no montante de R$ 28.964.766,44, acrescido de juros de mora, multa de ofício de 75% e multa isolada de 50% sobre os valores apurados a título de estimativas. Mais precisamente, foram apuradas as seguintes infrações (fls. 626 a 638 e 639 a 654): 0001 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA – CANA DE AÇUCAR. Exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, dos gastos incorridos na formação da lavoura canavieira, no montante de R$ 16.443.992,76, levados ao resultado da contribuinte por meio de depreciação acelerada incentivada. 0002 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA – MÁQUINAS AGRÍCOLAS. Exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, dos gastos incorridos na aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, no valor de R$ 15.481.120,03, levados ao resultado da contribuinte por meio de depreciação acelerada incentivada. 0003 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS – FINANCIAMENTOS SECURITIZADOS. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 3 3 Exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, de despesas relacionadas a financiamentos securitizados (despesas financeiras), no valor de R$ 4.598.935,31. 0004 – MULTA OU JUROS ISOLADOS – FALTA DE RECOLHIMENTO SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 693/735) aos lançamentos. Argumenta, em síntese, que: (i) as despesas financeiras teriam sido glosadas sem motivo identificado. Elas correspondem a juros sobre empréstimos bancários, relativos a financiamentos securitizados no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos – PESA, criado pela Lei nº 9.138/98, sendo despesas necessárias, usuais e normais à atividade econômica exercida, nos termos do art. 299 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR. (ii) quanto à depreciação acelerada incentivada, afirmou ter direito ao benefício fiscal em relação aos bens do ativo imobilizado. Sustenta que o artigo 314 do RIR não estabelece que o benefício da depreciação acelerada incentivada somente pode ser aproveitado por pessoas (físicas ou jurídicas) que exerçam exclusivamente atividade rural, sendo também aplicável às agroindústrias. (iii) no que diz respeito aos custos envolvidos no cultivo de cana de açúcar, a contribuinte reitera a aplicabilidade do benefício da depreciação acelerada incentivada, sob a alegação de que tais dispêndios devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, assim, estariam sujeitas à depreciação, e não à exaustão, como quer fazer crer a autoridade fiscal. Diz que as despesas com a formação da lavoura de cana de açúcar podem perfeitamente ser depreciadas, na medida em que se trata de uma cultura permanente da qual se extrai a matériaprima a ser consumida (cana), permanecendo incólume a parte subterrânea da planta (touceira), que não é consumida na concepção técnica do termo, razão pela qual não há que se falar no regime de exaustão, que pressupõe o consumo integral do bem, ativo ou cultura. (iv) os Autos de Infração são nulos, tendo em vista a ausência de recomposição da apuração do IRPJ e da CSLL relativamente ao próprio exercício autuado, como também aos subsequentes, afinal não foi considerada a dedução da “quota normal” de depreciação, bem como não foi efetuada a recomposição das bases em razão do valor do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL que foi alterado no procedimento fiscal. (v) como o efeito fiscal da depreciação acelerada incentivada, em face da depreciação normal, é apenas o de postergar o tributo, cujo pagamento fica diferido para o período em que venha ser adicionada a quota de depreciação transferida contabilmente para o resultado, sequer existe a infração apontada. (vi) não houve redução de tributos, tendo em vista que eles foram pagos em períodos subsequentes. Nessa linha de raciocínio, conclui que só caberia a imposição de multa de 20% e a exigência de juros entre a data da dedução integral e a de cada adição. Fl. 2274DF CARF MF 4 (vii) a multa isolada, por implicar confisco, por não possuir base legal à época dos fatos e pela impossibilidade de sua cobrança em concomitância com a multa de ofício, deve ser afastada. Posteriormente, por meio da petição de fls. 955/957, a interessada requereu a juntada do Relatório Técnico do Centro de Tecnologia Canavieira – CTC, que aborda o sistema de produção agrícola da canadeaçúcar (fls. 959/970); do Parecer Técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras – FIPECAFI, que diz respeito ao tratamento contábil dos custos incorridos na cultura de canadeaçúcar (fls. 972/1.004); e do Parecer Técnico da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia – FUNDACE, que trata do aspecto contábil dos custos incorridos na cultura de canadeaçúcar (fls. 1.006/1.033). Em Sessão de 29/04/2013, a 2ª Turma da DRJ/CGE julgou a impugnação improcedente por meio do Acórdão nº 0431.574 (fls. 1.038/1.054), cuja ementa foi assim redigida: “Despesas Financeiras. Juros. Regime de Competência. Exclusão do Lucro Líquido. Cabimento. As despesas financeiras relativas a juros devem ser apropriadas contabilmente segundo o regime de competência, não cabendo, na apuração do lucro real, em relação ao mesmo valor, nenhum tipo de exclusão do lucro líquido. Atividade Rural. Bens do Ativo Imobilizado. Depreciação Acelerada Incentivada. Os bens do ativo imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore atividade rural, destinados ao uso específico nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. Lavoura de Cana de Açúcar. Dispêndio. Despesa. Exaustão. Os dispêndios realizados na lavoura de cana de açúcar são apropriados como despesa do exercício por meio de quotas de exaustão. Erro de Contabilização. Postergação do Imposto. Pagamento. Caracterização. A infração denominada postergação do imposto só se consuma com a prova do pagamento, sem o que a infração será redução indevida do lucro. Penalidade Pecuniária. Lei Mais Benéfica. Aplicação Retroativa. Aplicase retroativamente a lei que comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo da infração. Multa isolada. Multa vinculada ao tributo. Cumulação. Validade. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. Multa. Vedação Ao Confisco. Exame Na Esfera Administrativa. Impossibilidade. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda tributo confiscatório. CSLL e IRPJ. Lançamento. Identidade de Matéria Fática. Decisão Mesmos Fundamentos. Aplicamse ao lançamento da Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 4 5 CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” A interessada foi intimada da decisão em 03/05/2013 (fls. 1.059) e, no dia 29/05/2013, apresentou recurso voluntário (fls. 1.061/1.117), por meio do qual reitera os argumentos da peça impugnatória e rebate determinados pontos da decisão de primeiro grau. Em sessão de 03 de junho de 2014, esta C. Câmara, por meio da Resolução nº 1102000.247 (fls. 1.245/1.260), converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte para que, desejando esta, traga aos autos documentos, informações e planilhas para tornar ainda mais preciso este trabalho; b) analise todas as provas e argumentos trazidos sob as seguintes premissas: b.1) Financiamento Securitizado Despesas Financeiras – realize análise dos cálculos realizados pela contribuinte informando se encontramse na forma da lei ou não, se os valores apropriados em resultados estão corretos, levando em conta a suposta manifestação da autoridade diligente nos autos do processo nº 15956.000510/201045; b.2) Depreciação acelerada incentivada de bens – esclareça a fiscalização como foram calculados os valores não aceitos como dedutíveis sob o argumento da lei; b.3) ainda sobre o tema descrito no subitem anterior, informe se nos anos posteriores ao autuado houve (ou não) pagamento de tributos considerando que os itens beneficiados pela depreciação acelerada não teriam sido mais considerados na apuração dos respectivos resultados. Há que se provar que unicamente o que ocorreu (ou não) foi o aspecto temporal de sua tributação; neste sentido apresentese possíveis valores que não tenham sido pagos, tudo na conformidade dos critérios previstos para a postergação no Parecer Normativo COSIT nº 2/96. c) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando os valores conforme os subitens acima; d) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando se os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. Tramitado o feito, o resultado da diligência foi objeto do Relatório Fiscal Conclusivo e Intimação Fiscal SEFIS n. 128/2015 (fls. 2.092/2.096), do qual a contribuinte se manifestou por meio de petição de fls. 2.081/2.088. É o relatório. Fl. 2276DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, pelo que dele conheço. Exclusões indevidas – financiamentos securitizados A glosa de despesas financeiras relacionadas com financiamentos securitizados foi levada a cabo pelo fato da fiscalização não ter compreendido o motivo e a natureza jurídica da exclusão dos respectivos valores na apuração do lucro real, conforme relato de fl. 665: “Embora tenha sido apresentado o modo como foram calculadas as exclusões dos financiamentos securitizados, mês a mês, não restou claro o motivo pelo qual os valores foram excluídos do Lucro Real, razão pela qual esta fiscalização decidiu pela glosa de tais exclusões [...]” A DRJ manteve a glosa, sob o entendimento de que o procedimento adotado pela Recorrente, além de não ter sido justificado adequadamente, ensejaria uma duplicidade de dedução de uma mesma despesa, uma vez que o lucro líquido acabaria sendo reduzido por meio da apropriação contábil dos juros e, ao mesmo tempo, por ocasião da exclusão no LALUR. Vejase, nesse sentido, o seguinte trecho da decisão de piso: “Como se vê, a Fiscalização não alcançou a lógica da explicação prestada pela impugnante para justificar a exclusão daquelas despesas e, por isso, desconsiderou a exclusão, somando os valores à base de cálculo do IRPJ e da CSLL De fato, as razões da impugnante são de difícil compreensão, sobretudo, porque, a pretexto de "refletir a essência das operações de securitização", foi adotado um procedimento que não encontra respaldo nas normas de contabilização de juros, tanto no aspecto contábil, quanto no aspecto estritamente fiscal. O valor excluído referiase a juros sobre financiamento da atividade rural. O critério de apropriação de juros, como despesa do exercício, é dado pelo art. 374 do RIR: Art. 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): I os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; Não obstante a clareza do dispositivo regulamentar, que traduz o critério contábil e fiscal de apropriação de juros (proporcional Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 5 7 ao tempo), a impugnante resolveu por conta própria adotar uma sistemática diferente e errônea. Disse ela: Nos anos imediatamente subsequentes às securitizações, mais especificamente em 2002, a Impugnante decidiu refletir em sua contabilidade, de forma adequada (sic), qual seria o valor efetivo da sua dívida em decorrência dos empréstimos. A impugnante afirmou ter contabilizado um determinado valor a fim de refletir o que seria o montante efetivo da dívida, em decorrência dos empréstimos. Disse mais: Considerando que a diferença entre o valor presente dos juros e o valor da Dívida Liquida, por ser uma fotografia, naquela data, da posição devedora efetiva da Impugnante, o que se avaliou é se, para fins fiscais, haveria alguma consequência em virtude desse ajuste que seria refletido na contabilidade. Uma vez que esse montante de R$ 31.821.895,00 não estava sendo dispendido naquele momento (não dedutível, portanto), a Impugnante decidiu por efetuar a sua adição no cálculo do lucro real, apenas descontando o valor dos juros pagos naquele exercício (dedutíveis), correspondentes a R$ 883.011,00, resultando numa adição efetiva de R$ 30.938.884,00. Reconhecendo que a contabilização daquele valor não poderia se refletir no lucro tributável, procedeu à adição do mesmo montante. Notese que a adição ao lucro líquido não implicou aumento efetivo do lucro real, nem tributação antecipada que qualquer receita. O único efeito que a adição produziu foi anular as consequências fiscais e contábeis daquele extravagante lançamento de R$ 31.821.895,00. Se o problema parasse aqui, não haveria desdobramentos relevantes no plano tributário. Ocorre, entretanto, que a impugnante passou a excluir do lucro líquido dos exercícios subsequentes quotas daquele valor antes adicionado. Basta conferir o que foi dito: A partir de então, a Impugnante vem, ano a ano, adotando a mesma sistemática de cálculo da posição devedora, para refleti la exatamente no seu balanço patrimonial, embora, tendo efetuado a referida adição em 2002, tenha passado, a partir daí a excluir no cálculo do lucro real as diferenças entre a posição devedora efetiva calculada anualmente e o valor adicionado em 2002. A exclusão desses valores, na prática, produz duplicidade da despesa. Primeiro reduzindo o lucro líquido, por meio da apropriação contábil dos juros; depois, reduzindo o lucro real, por meio do ajuste extracontábil de exclusão. Fl. 2278DF CARF MF 8 Observese que no ano base 2007 foi contabilizada como outras despesas financeiras a quantia de R$ 51.169.751,29 (Ficha 06A da DIPJ, fl. 457) Pelo exposto, concluise que a glosa da exclusão elimina a duplicidade e, portanto, é procedente. A Recorrente, após tecer comentários sobre a origem dos financiamentos securitizados, o tratamento contábil dado a eles em 2002 e nos anos subseqüentes, afirma que os Julgadores não lograram compreender os procedimentos adotados em relação às despesas em questão, pois em nenhum momento teria havido duplicidade de despesas. Aduz que, no ano de 2002, decidiu refletir em sua contabilidade qual seria o valor efetivo (ajuste a valor presente) de suas dívidas em decorrência de empréstimos bancários objeto de financiamentos securitizados no âmbito do Programa de Saneamento de Ativos – PESA, instituído pela Lei nº 9.138/95, o que provocou um ajuste a título de despesa financeira da ordem de R$ 31.821.895,00, correspondente à diferença entre o valor presente dos juros e o valor da Dívida Líquida. Deste montante, afirma que adicionou no cálculo do lucro real a quantia de R$30.938.884,00, valor este parcialmente revertido nos anos posteriores, por meio de exclusões, dentre as quais a de 2007 ora glosada. Nesse contexto, assim concluiu o Relatório após a referida diligência (fls. 2.095): "1) Considerando que a legislação apontada pela empresa está de acordo com a legislação de regência na matéria analisada; 2) Considerando que não foi constatada divergências em relação aos valores constantes nos demonstrativos e as informações apresentadas pela diligência; 3) Considerando que os procedimentos adotados pela contribuinte foram registrados nos livros fiscais e contábeis, cujas cópias encontramse anexadas às fls. 1593/2071; A fiscalização conclui que: a recorrente tem direito ao abatimento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de Despesas Financeiras de Financiamentos Securitizados apuradas no anocalendário de 2007, o valor de R$ 4.598.935,31." Verificase, assim, que a própria fiscalização, após a diligência, acabou por reconhecer o direito de a Recorrente abater as despesas financeiras em questão, razão pela qual cancelo a glosa correspondente ao item 0003 dos Autos de Infração (exclusões indevidas – financiamentos securitizados – valor de R$ 4.598.935,31). Depreciação acelerada incentivada de máquinas e equipamentos agrícolas Entenderam a fiscalização e a decisão de primeiro grau que os custos referentes à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas não poderiam ter sido reconhecidos como despesa do exercício. A controvérsia, na verdade, gira em torno da interpretação do artigo 314 do RIR/99, que assim dispõe: Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 6 9 “Artigo 314 Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição.” Aos olhos do fisco o benefício fiscal criado por tal dispositivo é restrito aos bens da atividade rural stricto sensu, isto é, quando a atividade exercida for exclusivamente rural. Já a Recorrente sustenta que a regra do artigo 314 alcança a atividade rural não só como atividade fim, mas também como atividade meio. Alega que é uma sociedade agroindustrial voltada ao cultivo e à industrialização de canadeaçúcar, exercendo atividade tipicamente rural, que vai desde a preparação das terras destinadas às lavouras, passa pelo cultivo e colheita, assim como pela aquisição de insumos, máquinas e equipamentos agrícolas necessários, pelo processamento de cana até chegar à obtenção de seus produtos finais, açúcar e álcool, posteriormente comercializados no mercado. Aduz também que o artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990 – base legal do artigo 58 do RIR/99 , não deve ser aplicado nesse caso, uma vez que o benefício em tela possui outra base legal, qual seja, a MP nº 2.159/70. E ainda que aplicável a referida lei, as atividades da Recorrente ainda assim se enquadrariam na regra do benefício, seja por envolver agricultura, seja porque a atividade rural não se descaracteriza como tal apenas por ser seguida da industrialização ou comercialização do produto. A própria lei previdenciária, aliás, considera agroindústria espécie de empresa que explora atividade rural, na mesma linha do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64). A decisão de piso discordou do racional da Recorrente, sob a seguinte justificativa: “O art. 314 (reproduzindo o texto do art. 6° da MP n° 2.159 70/2001) estabelece os requisitos necessários para gozo do benefício. São eles: a) bens classificados no ativo imobilizado; b) pessoa jurídica que explore atividade rural; e c) bens empregados na atividade rural. O primeiro requisito exige que o bem seja destinado ao ativo imobilizado, o que afasta a aplicação da regra a bens destinados a consumo, revenda ou a processo de industrialização, tais como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. O segundo requisito se refere ao adquirente dos bens. Ele deve exercer atividade rural, ainda que não seja de forma exclusiva. O último requisito efetivamente condiciona o benefício ao emprego dos bens na atividade rural. É o que se depreende da expressão '"para uso nessa atividade ". No caso concreto, é indiscutível que a impugnante faz jus ao benefício, já que se dedica à lavoura de cana de açúcar, atividade que se enquadra como rural. Todavia, o benefício não pode ser estendido às máquinas e aos equipamentos envolvidos Fl. 2280DF CARF MF 10 na fabricação de açúcar e de álcool, pois essa atividade não pode ser tida como rural. [...] O disposto no inciso V deixa evidente que a fabricação de açúcar e de álcool não se enquadra como atividade rural. Portanto, ao maquinismo nela empregado não incide o benefício da depreciação incentivada. O lançamento ora impugnado se manteve dentro desse parâmetro, glosando apenas as exclusões que se referiam a máquinas e equipamentos afetos à atividade industrial, admitindo o benefício para as empregadas na lavoura de cana de açúcar” De início, é importante frisar que, de acordo com o que foi constatado durante a fiscalização (fl. 676 – item 18.2), e ratificado no relatório conclusivo de diligência, a Recorrente não só aufere receitas provenientes de vendas de produção de álcool e açúcar, mas também com a venda de mudas de cana, bagaço de cana e soja. Foi justamente por essa razão que o fisco rateou o custo do maquinário agrícola na proporção destas receitas em relação ao faturamento total, glosando a exclusão “apenas” da parcela relativa à área agroindustrial (99% do faturamento). É importante, nesse contexto, não perder de vista que a Lei nº 8.212/91 (art. 22A) definiu o conceito jurídico de agroindústria, categoria na qual está inserida a Recorrente. Segundo tal dispositivo legal, por agroindústria devese entender o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. A Instrução Normativa RFB nº 971/09, ao regulamentar a figura do produtor rural pessoa jurídica, prescreve no seu artigo 165: “Artigo 165 Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo: a) produtor rural pessoa física: [...] b) produtor rural pessoa jurídica: 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade empresária, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 175; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 175 e no § 3º deste artigo.” Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 7 11 Como se nota, uma agroindústria – caso da Recorrente caracterizase com tal pelo fato de, além de explorar produção rural própria (atividade rural), também industrializar esta produção (atividade agroindustrial). O artigo 6º da MP 2.159/70, matriz legal do art. 314 do RIR/99, dispõe que os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Note que esse dispositivo legal criou benefício fiscal desvinculado do resultado da atividade rural, não fazendo referência à Lei nº 8.023/90, que é a base legal do artigo 58 do RIR/99. E impôs como condições ao benefício: (i) que o bem seja passível de registro no ativo imobilizado; (ii) que a pessoa jurídica explore “atividade rural”; e (iii) que o bem seja utilizado na “atividade rural”. A Recorrente, então, para fazer jus a depreciação acelerada, deve preencher esses três requisitos. O primeiro requisito – que o bem seja passível de registro no ativo imobilizado – foi confirmado pelo fisco e não é objeto de controvérsia. Também o segundo requisito – que a pessoa jurídica explore atividade rural – foi cumprido, afinal restou constatado pelo próprio fisco que a Recorrente explora, no exercício de seu objeto social, atividade rural, tanto na forma de atividade fim (para vender produtos agrícolas), quanto na forma de atividade meio (para produzir os insumos necessários à produção de álcool e açúcar). O cerne da questão diz respeito ao cumprimento ou não do requisito do item (iii) acima, de que o bem seja utilizado na “atividade rural”. Nesse ponto, o conjunto probatório, notadamente as notas fiscais de aquisição do ativo (fls.551/580), indicam claramente que os ativos em comento (tratores, colhedoras e plantadoras) são bens para desenvolvimento de atividades rurais, mais precisamente relacionados à cultura da cana. A autoridade fiscal autuante, porém, partiu da premissa de que o uso do ativo imobilizado em questão seria “misto”, ou seja, destinado a desenvolver a atividade como um todo, desde a parte agrícola (preparo e colheita da cana) até sua parte industrial (produção de álcool e açúcar). Tanto é assim que empregou um critério de rateio em função do faturamento de "cada atividade", glosando a parcela correspondente ao “uso industrial”, que é muito próximo do total do faturamento. A meu ver, e por questões de ordem lógica, dizer que o uso foi misto implica em reconhecer que o uso também foi direcionado à atividade rural. Isso é inegável. É indiscutível também que desde o plantio da cana até sua colheita há diversos percursos que exigem conhecimentos rurais e que demandam máquinas rurais, equipamentos rurais, empregados rurais, ou seja, uma estrutura típica rural prévia à estrutura agroindustrial. Fl. 2282DF CARF MF 12 No âmbito de uma atividade de agroindústria, aliás, é até de certo modo natural a aquisição de equipamentos para “uso misto”, mas daí a prejudicar o enquadramento do enquanto bem destinado à atividade rural existe um abismo. Segundo penso, a menção ao termo “atividade rural”, para efeitos do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, por si só, não tem o condão de afastar sua aplicação às agroindústrias. Atividade agroindustrial engloba, e não exclui a atividade rural. A finalidade do benefício legal da depreciação acelerada incentivada é fomentar a atividade rural. Tratase de uma política incentivada na forma de norma objetiva. Não é porque o adquirente é uma agroindústria, e por isso vai se valer da produção na forma de insumo, que a atividade rural e o benefício fiscal a ela aplicável deixam de existir. Nesse caso concreto, estamos falando de máquinas agrícolas destinadas ao ativo imobilizado; o adquirente, agroindústria que explora canadeaçúcar; e os bens são diretamente destinados ao desenvolvimento desta cultura. Isso significa dizer que houve a satisfação, pela Recorrente, dos três requisitos legais para a depreciação acelerada incentivada. O fato da produção do contribuinte ser concentrada, isto é, integradas, numa mesma pessoa jurídica, a atividade rural de cultivar cana e a atividade fabril de transformála em álcool e açúcar, não desnatura a atividade rural, esta sim contemplada pelo incentivo fiscal da depreciação acelerada incentivada. Nesse sentido, aliás, já se manifestou o E. CARF. Vejase: ATIVIDADE RURAL INTEGRADA COM ATIVIDADE INDUSTRIAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. Produzir de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado, o que possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da canadeaçúcar. (Ac. 1401001.524. Sessão de 01/02/2016). E nem se diga que a metodologia de apuração adotada pela fiscalização – de ratear os custos em função do faturamento de cada uma das “atividades" (vendas de produtos rurais x vendas de produtos agroindustriais) seria legítima. Isso porque o referido artigo 6º da MP 2.15970 base legal do artigo 314 do RIR/99, conforme já exposto não restringe o aproveitamento da depreciação acelerada incentiva apenas às empresas que explorem exclusivamente atividade rural. Pelo contrário, tais dispositivos buscam incentivar a atividade rural como um todo, sem ter especificado uma categoria da outra e sem ter previsto nenhum critério de rateio. Ocorre, porém, que a DRJ e o fiscal autuante, com a devida vênia, pretenderam se colocar indevidamente na posição de legislador, afirmando peremptoriamente qual teria sido a intenção deste, que no seu entender teria sido a de conceder um benefício de menor amplitude, excluindo as atividades agroindustriais. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 8 13 A meu ver, porém, essa interpretação está inteiramente equivocada. Isso porque é princípio elementar do Direito que a interpretação deve partir do texto legal, não podendo o intérprete criar restrição não prevista na lei e nem empregar metodologia de rateio de cálculo discricionária ou “emprestada” de outro comando legal. A propósito, o tema em questão também já foi analisado pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes. Reproduzo, a seguir, a ementa de determinado julgado e trecho do Acórdão 10196.867 (Sessão de 14/08/08) de autoria da Cons. Sandra Maria Faroni: “ATIVIDADE RURAL — APROPRIAÇÃO DE CUSTOS — ATIVO PERMANENTE — As regras contábeis que impõem a contabilização do investimento na formação de lavoura canavieira no "Ativo Imobilizado", não obstam a apropriação da totalidade do custo no próprio ano dos dispêndios.” (Acordão nº 10419.138. Sessão de 05/12/02). “Diferentemente da Lei nº 8.023/90, que trata da tributação dos resultados provenientes da atividade rural, o art. 6º da MP nº 2.15970, de 2001 não faz qualquer referência a resultados nem remete à Lei nº 8.023/90. A norma em questão não limitou o benefício a empresas que explorem exclusivamente ou predominantemente atividade rural. De acordo com o dispositivo transcrito, o benefício destinase a qualquer empresa que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para uso nessa atividade. A lavoura de cana é, sem dúvida, uma atividade rural. Não é relevante, a meu ver, que a produção seja utilizada pela própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros. Como a norma não exige que a empresa aufira receitas de venda de produção rural, não cabe reportarse à Lei nº 8.023/90 para impor limitações ao gozo do benefício. Nesse caso, o autuante distinguiu onde a lei não o fez. [...].” Nessa conformidade, considerando que a depreciação incentivada diz respeito a custos com máquinas e equipamentos agrícolas usados na “atividade rural”; que a própria lei define agroindústria como pessoa jurídica que explora atividade rural como condição prévia de ser assim qualificada; e que a agroindústria nada mais faz do que industrializar a produção rural própria, reconheço o direito da Recorrente quanto à depreciação acelerada incentivada sobre os ativos imobilizados rurais e, por força disto, cancelo a glosa relativa ao item 0002 (exclusões indevidas – depreciação acelerada incentivada – máquinas agrícolas – valor de R$ 15.481.120,03) dos Autos de Infração. Custos da lavoura de canadeaçúcar Segundo a fiscalização, os custos referentes à plantação e colheita de cana deaçúcar deveriam ter sido reconhecidos como despesa do exercício mediante apropriação de quotas de exaustão – que enseja o reconhecimento contábil ao longo de anos, na medida do esgotamento do ativo , e não através de depreciação acelerada incentivada – que podem ser reconhecidos integralmente como despesa , como fez a Recorrente. A controvérsia, portanto, envolve a análise acerca do tratamento fiscal que deve ser conferido aos dispêndios relativos ao cultivo da canadeaçúcar pela Recorrente. Fl. 2284DF CARF MF 14 A decisão de primeiro grau (fl. 1.050), com base no Parecer Normativo nº 18/1979, concluiu que, como a canadeaçúcar permite até cinco cortes com bom aproveitamento (fl. 716), os custos envolvidos são passíveis de exaustão, conforme a lógica do aludido ato normativo. A Recorrente, por seu turno, afirma que o fato dela cultivar canadeaçúcar, incorrendo em despesas para a formação de lavoura, para depois utilizar a cana na produção de açúcar e álcool, não interfere em absolutamente nada no gozo do benefício da depreciação acelerada. Ademais, a canadeaçúcar corresponde a “cultura perene” que justifica o lançamento em conta de ativo passível de depreciação acelerada incentivada. De plano, afasto a aplicação do Parecer Normativo nº 18/1979, por três motivos: primeiro, porque tratase de ato infralegal que, na tentativa de interpretar o artigo 4º, § 1º, do DecretoLei nº 4.506/1964, dispositivo este que regulamenta a exaustão apenas de recursos florestais, pretendeu indevidamente ampliar seu campo de atuação para outros contribuintes. Em segundo lugar porque tal ato, quando muito, é destinado para empresas que exploram plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas depois de dois ou mais cortes, categoria da qual a Recorrente não se insere. Utilizandose da conclusão do Laudo Agronômico do Centro de Tecnologia Canavieira apresentado na defesa (fl. 969): “a análise das informações coletadas na literatura especializada, complementada com a avaliação das práticas agronômicas rotineiramente empregadas na condução dos canaviais comerciais, permite inferir que a canadeaçúcar pode ser classificada como cultura perene, no tocante ao manejo da lavoura (necessidade de erradicação, por exemplo)”. Ainda segundo a doutrina do Laudo, a cultura de canadeaçúcar não está sujeita à exaustão, tendo em vista que as touceiras desta permanecem no solo por longo período de tempo, não se extinguindo com os sucessivos cortes. Havendo o desgaste do solo, novo preparo e ciclo de colheita são empregados, não havendo no que se falar em “extinção” da atividade. E terceiro porque no cultivo de canadeaçúcar, seja ela desenvolvida por agroindústria ou por outra espécie de produtor rural, os gastos correlatos devem ser registrados no ativo imobilizado, uma vez que correspondem a custos dirigidos à manutenção da atividade produtora que contribuem para a geração de receitas. E sendo ativo imobilizado, cabível normalmente a depreciação, no caso acelerada em razão da natureza rural da atividade. O Parecer da FIPECAFI (fl. 1.001) vai direto ao ponto: “1. Tendo em vista as características agronômicas da cultura da canadeaçúcar sintetizadas no Relatório Técnico elaborado pelo Centro de Tecnologia Canavieira, e, sobretudo, a conclusão de que se trata de cultura perene, indagase: a perda de valor econômico da lavoura da canadeaçúcar (e dos respectivos custos que foram ativados para sua formação) pode ser classificada como depreciação? Entendemos que SIM, pois nas culturas perenes, a exemplo dos cafezais ou laranjais, os gastos realizados na formação da cultura da canadeaçúcar ao serem levados para o resultado do período devem ser tratados como depreciação. A depreciação representa a perda econômica dos direitos do ativo imobilizado Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 15956.720198/201191 Acórdão n.º 1201001.862 S1C2T1 Fl. 9 15 utilizados na operação da companhia onde dele se busca extrair os benefícios, e ao mesmo tempo assumindo os riscos de controle.” Descatase, nesse sentido, o seguinte trecho do voto vencedor proferido no Acordão nº 140200.914 (Sessão de 15/03/12), da lavra do Cons. Antônio Jose Praga de Souza: “Cumpre esclarecer a “confusão” gerada pela interpretação errônea de que a atividade da recorrente deve ser considerada como exaustão e não depreciação, pois estaria comparada ao cultivo de florestas é um argumento facilmente refutado. O primeiro ponto que deve ser observado é que, conforme exposto em Parecer do Dr. Ariovaldo dos Santos, não há diferença contábil entre depreciação e exaustão, tendo em vista que ambos recebem o mesmo exatamente o mesmo tratamento. [...] Ademais, a decisão recorrida afirma incorretamente que a cultura de canadeaçúcar equiparase ao cultivo de “florestas”, situação em que aplicarseia a dedução via quotas de exaustão (nem para as florestas, ressaltese, o termo exaustão é atualmente cabível). [...] A confusão conceitual perpetrada pela d. autoridade fiscal deve ser esclarecida para que seja possível a correta compreensão da aplicação do benefício da depreciação acelerada do cultivo de canadeaçúcar. O produtor da canadeaçúcar, a exemplo de outras culturas, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando, então, a baixa qualidade se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento.[...] Assim, no caso de cultivo de canadeaçúcar, devem ser registrados no ativo imobilizado os recursos aplicados na formação da cultura, desde o preparo do solo até o encerramento do plantio, uma vez se tratarem de custos dirigidos à manutenção da atividade da companhia, contribuindo para geração de receitas em diversos exercícios sociais.” Ressaltese que posição semelhante foi adotada em decisão mais recente, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. (Acordão nº 1401001.522. Dj de 18/04/2016). Entendo, na linha desses precedentes, que os encargos contabilizados pelas empresas rurais que cultivam canadeaçúcar, seja ela enquadrada ou não enquanto Fl. 2286DF CARF MF 16 agroindústria, ao contrário do que entendeu a decisão de piso, estão sim sujeitos à depreciação acelerada incentivada, e não à exaustão. Diante disso, oriento meu voto no sentido de também cancelar a glosa relativa ao item 0001 (exclusões não autorizadas – depreciação acelerada incentivada – cana deaçúcar – valor de R$ 16.443.992,76). CONCLUSÃO Ante todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901467/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Torna-se expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003.
OMISSÃO. ANÁLISE DE PROVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. EMBARQUE PARA O EXTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não devem ser acolhidos os embargos de declaração quando o voto vencedor do acórdão embargado se manifestou expressamente a respeito da matéria. Omissão não caracterizada.
OMISSÃO. INCLUSÃO DO VALOR RELATIVO À REVENDA DE MERCADORIAS NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Deve ser reconhecida expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação no resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos da fundamentação do voto condutor. O resultado deve refletir a posição adotada pelo colegiado.
CONTRADIÇÃO. ERRO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 30/01/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado.
ERRO. PERÍODO DE APURAÇÃO.
Deve constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003).
Numero da decisão: 3401-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
André Henrique Lemos - Relator.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Torna-se expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. OMISSÃO. ANÁLISE DE PROVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. EMBARQUE PARA O EXTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não devem ser acolhidos os embargos de declaração quando o voto vencedor do acórdão embargado se manifestou expressamente a respeito da matéria. Omissão não caracterizada. OMISSÃO. INCLUSÃO DO VALOR RELATIVO À REVENDA DE MERCADORIAS NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser reconhecida expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação no resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos da fundamentação do voto condutor. O resultado deve refletir a posição adotada pelo colegiado. CONTRADIÇÃO. ERRO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 30/01/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. ERRO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan - Presidente. André Henrique Lemos - Relator. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 OMISSÃO. MATÉRIA CONEXA. VINCULAÇÃO. REPERCUSSÃO NO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Tornase expressa a recomendação à unidade local para que, no momento do cumprimento do quanto decidido, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. OMISSÃO. ANÁLISE DE PROVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. EMBARQUE PARA O EXTERIOR. NÃO ACOLHIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não devem ser acolhidos os embargos de declaração quando o voto vencedor do acórdão embargado se manifestou expressamente a respeito da matéria. Omissão não caracterizada. OMISSÃO. INCLUSÃO DO VALOR RELATIVO À REVENDA DE MERCADORIAS NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Deve ser reconhecida expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação no resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos da fundamentação do voto condutor. O resultado deve refletir a posição adotada pelo colegiado. CONTRADIÇÃO. ERRO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A PARTIR DA DATA DA TRANSMISSÃO DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 14 67 /2 00 8- 04 Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 919 2 A taxa Selic, para fins de correção do direito creditório pleiteado, deve ser aplicada a partir de 30/01/2004, data da transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, e não 04/06/2008 como constou equivocadamente no resultado do acórdão embargado. ERRO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o relator, Conselheiro André Henrique Lemos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan Presidente. André Henrique Lemos Relator. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de IPI, oriundo de: (1) aquisições de insumos de pessoas físicas; (2) receitas de exportação, advindas de comercial exportadora; (3) receitas de exportação provenientes de variações cambiais; (4) receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros; (5) atualização desses supostos créditos por intermédio da Taxa SELIC. Acordaram os membros da DRJ de piso, por unanimidade de votos, pela improcedência da manifestação de inconformidade, ensejando interposição de recurso Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 920 3 voluntário, o qual, julgado por este Tribunal, à maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso manejado, reconhecendo o direito de o contribuinte (a) incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos às pessoas físicas e cooperativas; (b) incluir as receitas de exportação indireta tanto no numerador quanto no denominador da fração para a apuração do coeficiente de exportação, bem como de (c) corrigir o valor do ressarcimento pela Taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Irresignada com a decisão colegiada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, requerendo o total provimento de seu recurso, a fim de que a decisão fosse reformada no seguinte sentido: (i) afastamento da Taxa SELIC sobre o pedido de ressarcimento; (ii) rejeitada a incidência da Taxa Selic no período anterior à data da ciência do primeiro ato administrativo de oposição estatal ao pleito do contribuinte, ou ainda, seja considerado como parâmetro a data de emissão desse ato; (iii) não prosperando as teses anteriores, seja aplicada a Taxa Selic a partir do término do prazo de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento sobre os valores que foram objeto de indeferimento por ilegítima oposição estatal constante da IN/SRF 23/1997; (iv) que a incidência da SELIC seja restrita aos créditos que foram objeto de oposição injustificada pelo Fisco, configurada apenas em relação ao crédito relativo às aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas. Simultaneamente, a Contribuinte, por seu turno, opôs embargos de declaração (com efeitos modificativos), fls. 830836, asseverando: (1) omissão quanto à preliminar invocada no tocante ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI (1o e 2o trimestres de 2003), deve repercutir no cálculo do benefício em questão, tendo em vista que a fiscalização considerou os valores reajustados daquele outro processo para apurar os montantes em discussão no caso sub judice; (2) omissão no que toca à inclusão das receitas relativas ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação; (3) omissão no que se refere à inclusão do valor relativo à revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação; (4) contradição quanto à data do protocolo do pedido de ressarcimento. Em seguida a Contribuinte apresentou suas contrarrazões ao recurso especial, defendendo em sede de preliminares que o recurso não seja conhecido ou, caso assim não se entenda, no mérito, não lhe seja dado provimento, devendo ser mantido o acórdão na parte em que recorrido. Por fim, à fl. 912, sobreveio despacho de admissibilidade dos embargos de declaração, havendo seu acolhimento, incluindose o presente processo em lote a ser sorteado aos conselheiros da 3a Seção, vez que o Colegiado anterior fora extinto. A União (Fazenda Nacional) não foi intimada para apresentar manifestação/impugnação aos embargos de declaração promovidos pela Contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos I. Quanto à prejudicial de mérito Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 921 4 Como se viu no Relatório acima, o contencioso versa sobre Pedido de Ressarcimento do IPI, sendo que o requerido pela Contribuinte lhe fora concedido em parte pelo então Colegiado deste CARF, sendo que desta decisão sobrevieram, simultaneamente, embargos de declaração com efeitos infringentes (modificativos), opostos pela Contribuinte e recurso especial interpostos pela Fazenda Nacional, com contrarrazões apresentadas pela Contribuinte. Sem muitas delongas, percebese que antes de se apreciar o recurso especial pela CSRF, esta 1a Turma Ordinária terá que julgar os embargos de declaração opostos pela Contribuinte, enfim, este é o devido processo legal a ser seguido, é a ordem das coisas, e mais, antes de adentrar no mérito dos embargos de declaração, entendese obrigatório que este Colegiado aprecie uma prejudicial de mérito, qual seja, a necessidade de se intimar a parte contrária em sede de embargos declaração, quando estes possuem um potencial caráter modificativo (efeitos infringentes como se viu, a própria ContribuinteEmbargante, expressamente ressalva que têm, e realmente possuem este caráter, como se viu), a fim de que deles se manifeste. Chamase a atenção de que, mormente as duas primeiras omissões, caso deflagradas, terão efeito modificativo no acórdão, seja do ponto de vista jurídicotributário, seja seu consequente efeito financeiro (alteração dos valores do crédito pleiteado). Vêse que a Embargante tem a nítida intenção de modificar o acórdão do Colegiado, e em assim agindo, há de se oportunizar à parte adversa que se manifeste dos embargos, por meio de contrarrazões ou impugnação, cumprindo os princípios constitucionais do contraditório e do devido processo legal (art. 5o, LIV e LV, da CF/88). Esta também é dicção no plano infraconstitucional, conforme exegese do art. 2o, da Lei 9.784/99, que estabelece normas gerais para o processo administrativo na esfera da Administração Pública Federal: "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." Como se sabe, o artigo 65 do Regimento Interno do CARF, prevê o cabimento de embargos de declaração quanto o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição, portanto, por lógica e coerência, sendo estes opostos e visando efeitos infringentes, seja a parte adversa, intimada para dele se manifestar, querendo, em cumprimento aos princípios constitucionais do devido processo legal e do contraditório. O Código de Processo Civil CPC/2015, em seu artigo 1.023, § 2º é peremptório: "Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 922 5 § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada." Impende ressaltar que o CPC/2015, por meio do seu artigo 15, determina sua aplicação supletiva e subsidiária nos processos administrativos: "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Aliás, antes mesmo do CPC/2015, o E. STF, nos autos dos Edcl em RE 144.9814/RJ, já adotava este entendimento, cuja parte da ementa dispõe: "(...). A garantia constitucional do contraditório impõe que se ouça, previamente, a parte embargada na hipótese excepcional de os embargos de declaração haverem sido interpostos com efeito modificativo. (DJ 08/09/1995, p. 28362). Neste norte também navega a jurisprudência do E. STJ: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGO DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES CONFERIDOS. NECESSIDADE DE CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. PRECEDENTE DA CORTE ESPECIAL DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A ausência de intimação para contraminutar os embargos de declaração a que se atribuiu efeitos infringentes, nos termos da pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, torna nulo o julgamento, devendo ser cassada a decisão proferida sem oportunizar o necessário contraditório. 2. As razões expendidas pelo agravante para excepcionar o entendimento desta Corte não merecem guarida, uma vez que era direito da parte embargada ser intimada com o objetivo de se manifestar especificamente sobre as razões dos embargos de declaração. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp. 1.488.613/PR). Neste mesmo sentido: EDcl no REsp 1.009.651/RJ (DJe 19/10/2009), EAg 778.452/SC (Corte Especial, DJe 23/08/2010) e nos EDcl nos EDcl no REsp 258073/RJ (DJe 02/09/2011). Esta casa também possui entendimento neste sentido, como foi nos autos do PAF 10930.907888/201127, da lavra do conselheiro Diego Diniz Ribeiro e declaração de voto da conselheira Ana Paula Fernandes nos autos do PAF 10245.000582/200951 (Ac. 9202 004.551). Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 923 6 Destacase o acórdão 1401001.263, proferido nos autos do PAF 10580.011328/200444, cuja ementa possui o seguinte teor: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE. Declarase a nulidade absoluta de acórdão proferido em sede de embargos de declaração, haja vista que foram conferidos efeitos infringentes ao julgado, sem que a parte interessada Fazenda Nacional tivesse sido intimada para acompanhar o feito. Por fim, salientase ainda, a Resolução 3402000.834, tomada à unanimidade de votos, abrindose vista à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifeste dos declaratórios opostos pelo contribuinte. Por tais razões, voto no sentido de intimar a parte Embargada (União), a fim de que apresente, querendo, suas contrarrazões. II. Quanto ao mérito Caso não haja consenso do Colegiado quanto ao item precedente, adentrase no mérito dos embargos de declaração. A Embargante, como se viu no relatório, invocou 3 (três) omissões e uma contradição, quais sejam: 1) omissão quanto à preliminar invocada no tocante ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI (1o e 2o trimestres de 2003), deve repercutir no cálculo do benefício em questão, tendo em vista que a fiscalização considerou os valores reajustados daquele outro processo para apurar os montantes em discussão no caso concreto; 2) omissão no que toca à inclusão das receitas relativas ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação; 3) omissão no que se refere à inclusão do valor relativo à revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação; 4) contradição quanto à data do protocolo do pedido de ressarcimento. Começase do último (quarto) argumento para o primeiro, apenas por entender este relator, ficará mais didático principiar pelo mais simples. II. 1. Quanto à contradição Disse a Embargante que o acórdão menciona que a esta havia formulado o pedido de ressarcimento em 04/06/2008, porém, pelo que consta nas fls. 10/80, o pedido fora transmitido em 30/01/2004, sendo correta esta e não aquela. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 924 7 Razão assiste a Embargante. Realmente, à fl. 792, o voto vencido faz menção de que o pedido fora formulado em 04 de junho de 2008, sendo que no restante do acórdão não há qualquer outra menção no tocante à data do protocolo do pedido de ressarcimento. Talvez o equívoco tenha se dado em razão da fl. 1 conter a data de 04/06/2008, como sendo do "protocolo formador de processo", todavia, às fl. 12 consta o dia 30/01/2004, como sendo a "data de transmissão", não havendo dúvida quanto à isto. Deste modo, voto em julgar procedente os embargos de declaração neste particular, devendo ser retificada a data do pedido para 30/01/2004. II. 2. Quanto à omissão referente à inclusão do valor da revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação Defendeu a Embargante que houve omissão do acórdão em não constar na parte dispositiva do aresto a referência quanto ao reconhecimento do direito da Recorrente em incluir, nas receitas de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, as receitas relativas às revendas de mercadorias. De se ver a parte dispositiva (fl. 782): ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas; de incluir as receitas de exportação indireta tanto no numerador quando no denominador da fração para apuração do coeficiente de exportação, bem como de corrigir o valor do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Bastista e Domingos de Sá Filho, quanto ao cálculo do coeficiente de exportação e à variação cambial. Designado o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP 206.899. De bom alvitre que o aludido assunto fora objeto de ementa (fl. 782) e do voto vencedor (fls. 793794), faltando, apenas, fosse citado na parte dispositiva do acórdão. Pelo que se vê, de fato, tal assunto não fora citado na parte dispositiva, merecendo reparo, razão bastante para que, neste particular, haja a procedência dos embargos opostos. II. 3. Quanto à omissão no que toca à inclusão das receitas relativas ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação Defendeu a Embargante que o acórdão restou omisso quanto à este assunto, vez que o voto vencedor não analisou a operação realizada pela Recorrente, vez que partiu do Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 925 8 pressuposto de que se tratava de receitas exclusivamente decorrentes de variações cambiais, e por tal razão, a glosa deveria ser mantida. Advoga a Embargante que os valores da glosa se referem à variação cambial entre a data de saída da mercadoria de seu estabelecimento e a data de embarque ao exterior. Entende que se trata de uma complementação de preço das mercadorias exportadas, mas que não teriam natureza de receita financeira como entendeu a fiscalização. Disse que a fiscalização elaborou uma planilha elencando as operações consideradas como receitas financeiras decorrentes de variação cambial (fls. 502/505). Mencionou que respondeu à fiscalização, trazendo aos autos notas fiscais referentes as operações (nrs. 2740, 2812, 2942, dentre outras, conforme fls. 502507) e que no campo "observações" consta que se trata de complemento, "em virtude da variação cambial ocorrida entre a data da emissão e a data efetiva do embarque". Diz que houve omissão no julgado, pois o voto vencedor não apreciou estas provas, tampouco a operação realizada, pelo contrário, partiu da premissa de que se trata de receita oriunda de variação cambial típica, sem analisar o enquadramento das notas fiscais de complementação de preço como receita financeira. Reconhecese a omissão, entendendose que tal assunto merece ser enfrentado. Ao que constam das fls. 502507, as notas fiscais expressam que se tratam de complemento de outras, cujo motivo é a variação cambial ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal primeva e a data efetiva do embarque. Ao juízo deste relator, esta operação não se assemelha a uma variação cambial típica, ou ainda, e mais, redundando em uma receita financeira variação ativa ou passiva da entidade, mas sim, por força de uma realidade cambial e contratual, o complemento é obrigatório, e obrigatório também o é, para fins da legislação do ICMS e do IPI, como ressalvou o voto vencido. Como consignou o e. conselheiro do voto vencido, o acórdão da CSRF/02 02814, decidiu: INCLUSÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para efeito de cálculo do crédito presumido, por expressa determinação normativa, a receita de exportação deve ser apurada segundo o cambio vigente na data do embarque. Por tais razões, voto no sentido de reconhecer a omissão, enfrentando a matéria omitida, dandose provimento ao recurso voluntário, para incluir as receitas referentes ao complemento de preço no cálculo da receita de exportação. II. 4. omissão quanto à preliminar de dependência ao PAF 10840.900565/200654 Disse a Embargante que o acórdão foi omisso quanto à preliminar invocada no tocante ao resultado do julgamento proferido nos autos do PAF 10840.900565/200654, Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 926 9 relativo ao crédito presumido de IPI (1o e 2o trimestres de 2003), vez que tal resultado repercutirá no cálculo do benefício em questão, tendo em vista que a fiscalização considerou os valores reajustados daquele outro processo para apurar os montantes em discussão no caso concreto. Às fls. 719 e seguintes, a RecorrenteEmbargante juntou cópia do recurso voluntário referente ao PAF 10840.900565/200654. Demais disso, à fl. 915, no despacho de admissibilidade dos embargos de declaração, ficou asseverado pelo presidente substituto da 3a Seção de E. Tribunal: Compulsando os autos, às fls. 660 a 687, constato que, no recurso voluntário, o recorrente sustentou que o resultado do julgamento proferido nos autos do processo administrativo n. 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI referente ao 1o e 2o trimestres de 2003, deveria repercutir no cálculo do benefício em questão nestes autos, tendo em vista que a Fiscalização considerou os valores discutidos naquele outro processo, ao apurar os montantes em discussão no presente caso. Argumentou também que, se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela Fiscalização naquele processo administrativo, a apuração do crédito presumido, relativo ao 3o trimestre de 2003, deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo. O voto vencido condutor do acórdão para todas as matérias, à exceção da inclusão das receitas de variação cambial na Receita de Exportação não tratou do tema. Neste aspecto, os embargos devem ser conhecidos, para que o Colegiado manifestese expressamente sobre a preliminar. Deste modo, entende este relator que, baixandose os autos à Unidade de Origem, esta deverá observar os efeitos do resultado de julgamento do PAF 10840.900565/200654, referente aos créditos, refazendose os cálculos elaborados pela fiscalização, de acordo com o que for decidido no referido processo. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de intimar a Fazenda Nacional acerca dos embargos de declaração com efeitos infringentes opostos pela Contribuinte, para que, querendo, se manifeste, no prazo de 5 (cinco) dias, acerca dos declaratórios. Alternativamente, voto em rejeitar os embargos quanto à preliminar e o julgálos procedente quanto aos demais argumentos. André Henrique Lemos Relator Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 927 10 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Com as vênias de estilo, em que pese o bem fundado voto do Conselheiro Relator André Henrique Lemos, apresento voto divergente, nos seguintes termos. Quanto à alegação de (i) omissão do acórdão embargado quanto ao julgamento da preliminar de dependência do julgamento do presente processo de decisão final a ser proferida do processo nº 10840.900565/200654, relativo a crédito presumido de IPI referente aos 1º e 2º trimestres de 2003, uma vez que a autoridade fiscal considerou os valores reajustados daquele período no presente processo que, por seu turno, referese ao 3º trimestre de 2003, transcrevese, abaixo, o seguinte trecho do despacho de admissibilidade que tratou da matéria: "Compulsando os autos, às fls. 660 a 687, constato que, no recurso voluntário, o recorrente sustentou que o resultado do julgamento proferido nos autos do processo administrativo n. 10840.900565/200654, relativo ao crédito presumido de IPI referente ao 1o e 2o trimestres de 2003, deveria repercutir no cálculo do benefício em questão nestes autos, tendo em vista que a Fiscalização considerou os valores discutidos naquele outro processo, ao apurar os montantes em discussão no presente caso. Argumentou também que, se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela Fiscalização naquele processo administrativo, a apuração do crédito presumido, relativo ao 3o trimestre de 2003, deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo. O voto vencido condutor do acórdão para todas as matérias, à exceção da inclusão das receitas de variação cambial na Receita de Exportação não tratou do tema" (seleção e grifos nossos). O acórdão embargado, em que pese ter realizado expressa referência ao processo nº 10840.900565/200654, de fato não enfrentou a matéria nos votos vencido e vencedor: "Das alterações e glosas efetuadas pela fiscalização no cálculo do crédito, o interessado manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que: a) Se for reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela fiscalização nos autos do processo n° 10840.900565/200654, a apuração do crédito presumido deve ser refeita com base no que for decidido naquele processo" (seleção e grifos nossos). Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 928 11 Ainda que se reconheça a omissão quanto à alegação em apreço da contribuinte no sentido de que, caso reconhecida a improcedência, total ou parcial, dos cálculos elaborados pela fiscalização nos autos do processo nº 10840.900565/200654, a apuração do crédito presumido deva ser refeita com base no que for decidido naquele processo, e em que pese se verificar a identidade de matérias entre os dois processos, que discutem unicamente períodos diferentes de apuração, não se vislumbra a existência de prejudicialidade externa que justifique o sobrestamento do presente feito, mas de simples vinculação por conexão. Necessário ressaltar, não obstante, em complementação ao raciocínio ora firmado, que tal reconhecimento, nos termos do art. 6º, caput e § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, não implica necessariamente uma distribuição por dependência ao relator prevento, tratandose de faculdade. Por outro lado, da leitura das razões do recurso voluntário interposto pela ora embargante, é possível se constatar que o objeto do pedido preliminar é no sentido de que, caso reconhecida a improcedência total ou parcial dos cálculos elaborados pela autoridade fiscal no processo nº 10840.900565/200654, deverá tal decisão ser levada em conta com relação à apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. Assim, conheço da alegação de omissão para colmatála, sem efeitos infringentes, tornando expressa a recomendação para que a unidade, no momento do cumprimento do quanto decidido no presente feito, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003. Quanto à alegação de (ii) omissão de análise da real natureza dos valores excluídos do cálculo da receita de exportação, argumenta a contribuinte que o acórdão embargado não analisou os elementos de prova constantes dos autos, transcrevendose, abaixo, o seguinte trecho do despacho de admissibilidade que tratou da matéria: "No capítulo 3.2.2 do arrazoado recursal voluntário, fls. 675 a 680, o recorrente pugnou por que a variação cambial ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal e a do fechamento do contrato de câmbio, plasmada nas notas fiscais complementares emitidas, fosse computada como receita de exportação. O voto Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 929 12 vencido do Acórdão embargado deu provimento ao recurso. O Colegiado Recursal, no entanto, majoritariamente, entendeu que as receitas decorrentes das variações cambiais, enquanto receitas financeiras que são, não devem ser computadas na REx. E fêlo com base na dicção do art. 13 do Regulamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, aprovado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 REGPISCOFINS, e no art. 9° da Lei nº 9.718, de27 de novembro de 1998. É verdade, no entanto, que o voto vencedor para a matéria não foi específico em relação à variação cambial ocorrida entre as datas contratação comercial e da celebração do contrato de câmbio com a instituição financeira, limitandose a tratar da variação cambial genericamente. O contribuinte tem direito a um pronunciamento expresso do colegiado, razão pela qual, também quanto a esta matéria, os aclaratórios merecem ser conhecidos" (seleção e grifos nossos). Ao se compulsarem as fls. 516 a 519, é possível constatar quais operações foram consideradas pela autoridade fiscal como receitas financeiras decorrentes de variação cambial, bem como os números da nota fiscal relativa à operação principal e da nota fiscal complementar. Tais notas complementares, referentes à variação, foram trazidas aos autos às fls. 502 a 507. Nelas, constatase, no campo "natureza da operação", lêse que se trata de operação de venda de mercadorias de produção própria destinada à exportação e, no campo "observações", a expressa referência à nota da operação principal. Contudo, em que pese nosso entendimento pessoal no sentido de que a receita da venda de mercadorias com o valor expresso em moeda estrangeira deva ser reconhecida e, logo, convertida em reais à taxa de câmbio fixada na data de embarque dos bens para o exterior, nos termos, ademais, da Solução de Consulta nº 10, de 17/06/2002, proferida pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, o fato é que o acórdão embargado se pronunciou expressamente a respeito da matéria, que não pode ser devolvida ao conhecimento deste colegiado por meio de embargos de declaração, em virtude da inexistência de omissão, em conformidade com o trecho do voto vencedor do acórdão embargado a seguir transcrito: "Repito o conceito de Receita de Exportação esposado pela legislação de regência da matéria – inc. II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, ao qual esse julgamento está inarredavelmente vinculado (...) Por outro lado, a expressão ‘variação monetária’, constitui gênero no qual se incluem as espécies ‘variação cambial’ e ‘variação monetária propriamente dita’, também designada de ‘correção monetária’. A primeira decorre da variação da taxa de câmbio; a segunda, da variação da moeda nacional em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. Especificamente sobre as variações monetárias em função da Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 930 13 taxa de câmbio variação cambial, o Regulamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, aprovado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 REGPISCOFINS, seu art. 13, com respaldo no art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, dispôs, in verbis: ‘Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência das contribuições, como receitas financeiras (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 30). § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo das contribuições segundo o regime de competência. § 3º A opção prevista no § 2º aplicarseá a todo o ano calendário. § 4º A alteração no critério de reconhecimento das receitas de variação monetária deverá observar normas a serem expedidas pela Secretaria da Receita Federal (SRF)'. Enquanto receitas financeiras que são, as variações cambiais não integram a Receita de Exportação para fins de apuração do CPIPI" (seleção e grifos nossos). Assim, em virtude de não vislumbrar a omissão a respeito da matéria, voto no sentido de não acolher os embargos de declaração neste particular. Quanto à alegação de (iii) omissão de menção, no dispositivo do acórdão, do deferimento do direito de inclusão do valor relativo à revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação, transcrevese o seguinte trecho do despacho de admissibilidade: "No que tange a inclusão das receitas de revenda de mercadorias no cálculo do coeficiente de exportação, o Colegiado houve por bem em reverter o ajuste procedido pela Fiscalização (item 3.2.3 do Relatório de Auditoria Fiscal de 23/09/2008, fls. 542), para permitir o cômputo dessa receita no numerador da relação percentual (REx/ROB). Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 931 14 O dispositivo do acórdão, no entanto, nada referiu quanto a esse deferimento. Confirase: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas; de incluir as receitas de exportação indireta tanto no numerador quando no denominador da fração para apuração do coeficiente de exportação, bem como de corrigir o valor do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Bastista e Domingos de Sá Filho, quanto ao cálculo do coeficiente de exportação e à variação cambial. De fato, o resultado do acórdão embargado incorreu em omissão na medida em que o resultado de julgamento não foi expresso com relação ao reconhecimento do direito da embargante à inclusão, no cômputo da receita de exportação, das receitas provenientes da revenda de mercadorias, sentido que se extrai da leitura dos fundamentos do voto condutor. Assim, voto por conhecer a omissão em referência e colmatála, nos termos do voto vencedor, reconhecendo expressamente a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cálculo da receita de exportação no resultado do julgamento. Quanto à alegação de (iv) contradição entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento referida no julgamento e a efetiva data de transmissão do pedido de ressarcimento eletrônico, transcrevese, abaixo, o trecho pertinente do despacho de admissibilidade: "O voto condutor do acórdão para a matéria referente ao abono de juros Selic ao valor do ressarcimento consignou que "...o pedido do Recorrente foi formulado em 04 de junho de 2008 ..." (fls. 792). Erro. O PER nº 32467.31413.300104.1.1.01 7317, fls. 12 a 81, foi transmitido em 30/01/2004" (seleção e grifos nossos). A contradição/erro de fato deve ser conhecida e, assim, voto no sentido de que a taxa Selic para fins de correção do direito creditório deve ser aplicada a partir da data do protocolo/transmissão do pedido eletrônico de ressarcimento, i.e., 30/01/2004, e não 04/06/2008. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10840.901467/200804 Acórdão n.º 3401003.837 S3C4T1 Fl. 932 15 Por fim, quanto à alegação de (v) erro material no trimestre de referência, constante da ementa do julgado, transcrevese o trecho pertinente do despacho de admissibilidade: "O período de apuração referido no Acórdão nº 3403003.439 foi 01072002 a 31122002. O RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL DE 23/09/2008, fls. 568 a 590, e o Despacho Decisório, fls. 591, no entanto, referem se a crédito presumido apurado no 3º trimestre de 2003". O erro deve ser reconhecido e, assim, voto no sentido de que passe a constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Assim, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, especificamente para o fim de que: (i) a unidade, no momento do cumprimento do quanto decidido no presente feito, verifique a existência de decisão administrativa irrecorrível referente aos 1º e 2º trimestres do ano de 2003, bem como a sua eventual repercussão sobre a apuração do crédito presumido relativo ao 3º trimestre de 2003; (ii) seja reconhecida expressamente, nos termos da fundamentação do voto condutor do acórdão embargado, a inclusão das receitas provenientes da revenda de mercadorias no cômputo da receita de exportação; (iii) seja reconhecido o erro material e aplicada a taxa Selic para fins de correção do direito creditório a partir de 30/01/2004, e não 04/06/2008 como constou originalmente; e (iv) passe a constar, como período de apuração discutido no presente processo, o 3º trimestre de 2003 (01/07/2003 a 30/09/2003). Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator Fl. 932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001223/2007-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. TRIBUTO NÃO DECLARADO. Consoante jurisprudência pacífica no STJ a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e/ou declaração do contribuinte, exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1801-000.706
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ART. 138 CTN. TRIBUTO NÃO DECLARADO. Consoante jurisprudência pacífica no STJ a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e/ou declaração do contribuinte, exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.001223/200723 Acórdão n.º 180100.706 S1TE01 Fl. 107 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração emitido eletronicamente, decorrente de auditoria interna de DCTF, que exige da contribuinte acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 222.859,41 relativo à multa de mora isolada (fls. 40/46) pelo recolhimento de tributo após o prazo de vencimento e com indicação a menor de verba a esse título. A impugnação tempestiva apresentada traz como argumento principal de defesa a denúncia espontânea da infração a que se refere o art. 138 do CTN, pois os recolhimentos teriam sido feitos fora do prazo, porém espontaneamente, antes de qualquer procedimento fiscal e antes mesmo do prazo final para entrega da respectiva DCTF. Apreciando o litígio a 1a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, pelo Acórdão 0114.131 (fls. 55/60), julgou a exigência procedente ao argumento de que a denúncia espontânea não exclui a exigência da multa moratória sobre os débitos declarados pelo sujeito passivo, mas pagos a destempo, entendimento que encontraria respaldo em julgado do STJ. Intimada da decisão a interessada apresentou o Recurso Voluntário de fls. 69 a 78, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. Ao final pede pela reforma da decisão de 1a. instância e conseqüente cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne do litígio cingese à discussão a respeito da caracterização ou não, in casu, da denúncia espontânea prevista no artigo 138 da Lei 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional. O mencionado comando legal encontrase assim redigido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 115DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.001223/200723 Acórdão n.º 180100.706 S1TE01 Fl. 108 3 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A recorrente alega que o pagamento foi efetuado antes da data da entrega da DCTF que constituiu o débito do IRRF do período em questão. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que a confissão da infração perante a autoridade administrativa com o pagamento do tributo acrescido de juros de mora, antes de qualquer declaração do sujeito passivo e de procedimento fiscal ou medida de fiscalização, caracteriza a denúncia espontânea preconizada no artigo 138 do CTN. Segundo o entendimento pacificado pela seção do STJ, a apresentação de declaração (obrigação acessória) pelo contribuinte é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa qualquer outra providência por parte do Fisco. Tal entendimento foi, inclusive, objeto da súmula n°360, vejamos: Súmula STJ no. 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A contrario sensu, não há configuração da denuncia espontânea quando o contribuinte informa ao Fisco o tributo devido por intermédio de declaração e só vem a pagálo após o prazo legal de seu vencimento. Em tais casos, a prévia declaração desnatura o instituto da denúncia espontânea, ainda que seguida de seu pagamento integral, tendo em vista que neste caso, o tributo devido já é do conhecimento do Fisco, vez que declarado pelo próprio contribuinte através de DCTF. Portanto, se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, ainda que de forma integral, não configura a denúncia espontânea (art. 138 do CTN), não podendo o contribuinte usufruir de suas benesses. No presente caso, por ter sido o débito pago em data anterior a qualquer procedimento da administração tributária e/ou declaração do sujeito passivo informando o tributo devido, resta configurado o instituto da denúncia espontânea, sendo este, inclusive o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, como se verifica da decisão proferida, com efeito repetitivo, no Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/0142868 9) Trânsito: 30/04/2009: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito Fl. 116DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.001223/200723 Acórdão n.º 180100.706 S1TE01 Fl. 109 4 tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/01428689) Trânsito: 30/04/2009 Proposição: configuração da denúncia espontânea Decisão: não configuração de denúncia espontânea (art. 138 do CTN) relativamente a tributo federal sujeito a lançamento por homologação (PIS/COFINS), regularmente e previamente constituído pelo contribuinte mediante a declaração (DCTF), mas pago com atraso. Tal posicionamento vem sendo adotado neste Órgão Colegiado, inclusive pelas turmas de julgamento da instância superior – Câmara Superior de Recursos Fiscais, como demonstram as ementas de recentes julgados a seguir transcritas: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e/ou declaração do contribuinte, exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa compensatória. (CSRF Ac. 9101.00499 – 1a. turma – sessão de 04/11/2009 – DOU 25/01/2010. Reladator Valmir Sandri) ESPONTANEIDADE ART. 138 CTN TRIBUTO NÃO DECLARADO EM DCTF OU DIPJ Consoante jurisprudência pacífica no STJ, aplicase a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN, quando o contribuinte não houver declarado o tributo e antes de qualquer medida da administração tributária recolhe o débito com juros de mora. Indevida portanto a compensação de oficio de multa de mora que no entender do fisco deveria ter sido recolhida. (CSRF Ac. 0106.098 – 1a. Turma – sessão de 11/11/2008 – DOU 11/11/2008 Relator José Clovis Alves) CSLL. DENUNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. 1NAPLICABILIDADE. Sem antecedente procedimento da administração tributária ou declaração do sujeito passivo informando o tributo devido, descabe a imposição da multa de mora, ante a exclusão da responsabilidade disciplinada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. (CSRF Ac. 910100.561 – 1a. Turma – Fl. 117DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.001223/200723 Acórdão n.º 180100.706 S1TE01 Fl. 110 5 sessão de 12/03/2010 – DOU 12/03/2010 – Relator Valmir Sandri) Curvome, assim, ao entendimento consolidado no STJ e predominantemente adotado neste Órgão Colegiado, e voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 118DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903437/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.641
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 37 /2 01 2- 73 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903437/201273 Acórdão n.º 3402004.641 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903437/201273 Acórdão n.º 3402004.641 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903437/201273 Acórdão n.º 3402004.641 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903437/201273 Acórdão n.º 3402004.641 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003404/2003-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. ATIVIDADES EXCETUADAS DA VEDAÇÃO. TURFE.
As empresas cujo objeto social é a prática da atividade de apostas no turfe,
devidamente credenciada, dada a natureza jurídica desta atividade, pode optar
e manter-se no Simples Federal, por força da exceção preceituada na norma
legal para as agências lotéricas, que igualmente praticam atividades de jogos
e apostas legalizadas.
Numero da decisão: 1801-000.359
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. ATIVIDADES EXCETUADAS DA VEDAÇÃO. TURFE. As empresas cujo objeto social é a prática da atividade de apostas no turfe, devidamente credenciada, dada a natureza jurídica desta atividade, pode optar e manter-se no Simples Federal, por força da exceção preceituada na norma legal para as agências lotéricas, que igualmente praticam atividades de jogos e apostas legalizadas.
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ATIVIDADES EXCETUADAS DA VEDAÇÃO. TURFE. As empresas cujo objeto social é a prática da atividade de apostas no turfe, devidamente credenciada, dada a natureza jurídica desta atividade, pode optar e manter-se no Simples Federal, por força da exceção preceituada na norma legal para as agências lotéricas, que igualmente praticam atividades de jogos e apostas legalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa, optante pelo regime de tributação simplificado, diferenciado e favorecido – Simples Federal, foi excluída deste sistema pelo Ato Declaratório Executivo Derat/Rio de Janeiro/RJ - ADE nº 450.702/03, por operar em atividade vedada pela norma legal, no caso atividades ligadas à corrida de cavalos – art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 (fls. 05vº). O ADE foi emitido em 07 de agosto de 2003, com efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002. A cláusula Terceira do contrato social da empresa define como objeto social – fls. 09: TERCEIRA – DO OBJETIVO SOCIAL A sociedade destina-se a atividade de Apostas e Jogos Jockey Club Brasileiro e Loteria Esportiva. A empresa apresentou a manifestação de inconformidade com a sua exclusão às fls. 21 a 33, argumentando, em síntese, que primeiramente manifestou-se contra o ato administrativo – SRS (Solicitação de Revisão da Exclusão Simples) : a) é agente credenciado pelo Jockey Clube Brasileiro; b) optante pelo Simples desde 21/02/2000 nunca foi impedida ou notificada a retificar o enquadramento; c) assim resta anuída pela RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil sua situação como optante pelo Simples; d) a exclusão só pode operar efeitos a partir de janeiro de 2004, exercício seguinte à emissão do ADE; e) a Lei nº 10.684/03 excetuou as agências lotéricas; f) a atividade da contribuinte não é relacionada à corrida de cavalos. Foi sumariamente cientificada da improcedência do pedido, após quatro anos. Em preliminar alega que o ato de exclusão contraria a lei. Alega que o despacho decisório restou imotivado pela autoridade administrativa, cerceando seu direito de defesa, ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa. Alega, ainda, que a norma jurídica que institui e regula o Simples não foi observada literalmente estendendo-se o seu alcance para excluir a empresa do sistema. A empresa optou corretamente, em razão da receita bruta anual auferida, e o fisco não se manifestou de forma contrária por diversos anos, vindo depois no ato declaratório excluí-la por novo motivo, no caso, código CNAE, por suposta atividade ligada a corrida de cavalos, que, todavia, esta atividade não está vedada pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, não se podendo usar a analogia para prejudicar, entre outras argumentações. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ exarou o Acórdão nº 12-14.911/07 mantendo a vedação da empresa ao Simples. Assim restou ementado o Acórdão – fls. 63 a 66: “SIMPLES.EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. OBJETO SOCIAL INCOMPATÍVEL COM A SISTEMÁTICA DO SIMPLES. As pessoas jurídicas que atuam em atividade ligada a Jogos e Apostas em corridas de cavalos não podem optar pelo SIMPLES, pois esta atividade se assemelha às desenvolvidas por aqueles que prestam serviços de corretores, representantes comerciais, que têm enquadramento vedado no Simples.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.003404/2003-19 Acórdão n.º 1801-00.359 S1-TE01 Fl. 81 3 No voto condutor esclarece-se que a empresa já havia formulado consulta ao fisco para saber se poderia optar pelo Simples, sendo-lhe esclarecido que não, porque a sua atividade é assemelhada a serviços profissionais de corretor ou representante comercial: “Pelo processo n 13706.004162/2003-72, a Interessada já havia feito consulta sobre o mesmo assunto, conforme demonstrado em fls. 58/60 anexadas pela relatora. Na Solução de Consulta SRRF/DRF/DISIT N° 365, de 03.12.2003, referida acima, demonstra que a legislação define atividade turfística (Lei n° 5.971/73) e não deixa margem à interpretação extensiva para atividades assemelhadas (art. 20 IN SRF 355/2003): Lei n° 5.971/73 - dispõe sobre a atividade turfistica no Pais e dá outras providências. [...] IN SRF 355/2003: 'Artigo 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa Jurídica: XII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos,...... ou assemelhados,..... . §9º. O disposto no inciso XII não se aplica às atividades de centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e carga, de agência lotérica e de agência terceirizada de correios." A atividade decorrente de arrecadação de Jogos e Apostas em Turfe continua a ser atividade assemelhada à corretagem e à representação comercial, que se mantêm vedadas ao SIMPLES. Assim, torna-se desnecessária a análise das demais alegações da Interessada.” A empresa apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 68 a 76, requerendo, preliminarmente, a nulidade do acórdão ora vergastado. Acusa de inválida a decisão proferida pelo órgão de julgamento de primeira instância, pois não apreciou os pontos trazidos na manifestação de inconformidade apresentada anteriormente. Observa que o relatório apontou resumidamente apenas alguns dos diversos pontos suscitados, tornando a enunciá-los analiticamente, denominando-o de “...sintético e omisso...” e argumenta que assim também foi o voto, cuja fundamentação não enfrentou qualquer dos pontos suscitados pela recorrente, mas trouxe nova fundamentação, no caso, a Solução de Consulta anteriormente formulada. Daí passa a discorrer exaustivamente sobre a inexatidão da Consulta e aos demais pontos que entende que não foram apreciados em primeira instância, reprisando-os, solicitando que seja mantida no Simples, por ser considerada agência lotérica, atividade posteriormente excetuada da vedação pela Lei nº 10.684/03. É o relatório. Passo à análise do litígio. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. O cerne do litígio é se a empresa que tem como atividade principal o turfe e atua como agência lotérica pode ou não optar pelo Simples. Todavia, em preliminar, a recorrente suscita que no acórdão vergastado faltou –lhe o debate necessário ao exercício amplo de defesa, sendo por deveras sucinto e não enfrentando as matérias trazidas em preliminar e no mérito quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Merece acolhida a irresignação da recorrente. Com efeito, a turma julgadora não precisa descer a minúcias de todo o exposto pelo impugnante, ou recorrente, mas deve zelar para que todos os argumentos preliminares e meritórios sejam devidamente relatados e abordar os tópicos, ainda que sumariamente, explicitando as razões de não provimento. Assim preceituam os artigos 28, c/c o 31 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Na decisão a quo constata-se o vício formal na razão de decidir, não havendo a turma julgadora relatado as preliminares suscitadas, nem esclarecido em que a atividade da recorrente a faz tornar-se assemelhada, nos termos da lei, àquelas de representante comercial ou corretagem. No entanto, deixo de declarar o cerceamento de defesa como causa de nulidade do acórdão de primeira instância em vista de, no mérito, acolher as razões da recorrente. Entendo que as atividades de turfe, ainda que fossem as únicas atividades praticadas pela recorrente, mais se assemelham àquelas exercidas pelas agências lotéricas do que a atividades de “assemelhados” a corretagem e representantes autônomos. Ambas as atividades, exercidas pelas agências lotéricas ou turfe, tratam de apostas e jogos, legalizados, não entendendo o legislador do Simples, por sua vez, que as Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.003404/2003-19 Acórdão n.º 1801-00.359 S1-TE01 Fl. 82 5 empresas que praticam atividades desta natureza devam ser vedadas ao sistema diferenciado, simplificado e favorecido. Seria preciosismo vedar uma empresa que faz apostas para terceiros ao Simples, porque ao invés de denominar-se lotérica denomina-se casa de apostas no turfe. O legislador não pode ater-se à denominação da pessoa jurídica, mas para vedar ou não ao sistema favorecido, com certeza, focaliza a atividade que a empresa pratica e, no caso, ambas são casas de apostas, pelo que excetuada uma, entendo excetuada a outra. E a Instrução Normativa SRF nº 355/03 ao interpretar a Lei nº 10.684/03 que excetuou, sem dúvida, as agências lotéricas (artigo 24,inciso IV), também reconheceu o efeito retroativo desta inclusão, pela redação do artigo 47, a seguir citado: Art. 47. Fica assegurada a permanência no sistema das pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente à atividade de agência terceirizada de correios, bem como as mencionadas no § 9º do art. 20 que tenham efetuado a opção pelo Simples anteriormente a 31 de maio de 2003 e que, no caso de terem sido excluídas de ofício, os efeitos da exclusão ocorram após a edição da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, desde que atendidos os demais requisitos legais. (Redação dada pela IN SRF 391, de 30/01/2004) Destarte, pela disposto no § 3º do artigo 59, do PAF, a seguir transcrito, decido o mérito da questão em favor à recorrente: Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11065.101098/2008-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.336
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente CALCADOS MALU LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 10 98 /2 00 8- 49 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 9303005.336 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.373, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 9303005.336 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 9303005.336 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 9303005.336 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.903291/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. SÚMULA CARF 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, a fiscalização deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório correspondente às estimativas compensadas no valor de R$15.909.748,24.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice-presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. SÚMULA CARF 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, a fiscalização deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório correspondente às estimativas compensadas no valor de R$15.909.748,24. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice-presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1751; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 236 1 235 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.903291/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.064 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS Recorrente INTERNATIONAL PAPER COMERCIO DE PAPEL E PARTICIPACOES ARAPOTI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. SÚMULA CARF 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, a fiscalização deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório correspondente às estimativas compensadas no valor de R$15.909.748,24. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 32 91 /2 01 2- 75 Fl. 236DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vicepresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de declarações de compensação apresentadas em 21 de fevereiro de 2008 para utilização do direito creditório de R$ 16.751.022,14 relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 (PER/DCOMP às fls. 4250). Em 1o de outubro de 2012, a DRF/Ponta Grossa proferiu despacho decisório eletrônico (fls. 5357) e reconheceu direito creditório de R$ 821.419,52 ao deduzir, do montante de R$ 10.751.579,55 de parcelas de composição do crédito confirmadas, o IRPJ devido de R$ 9.930.160,03. Em consequência, foi integralmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 31277.54339.210208.1.3.024054 e parcialmente a do PER/DCOMP nº 31823.57140.270308.1.3.024300, restando não homologadas das demais compensações declaradas. As parcelas não confirmadas dizem respeito: (i) à parcela de crédito relacionada no PER/DCOMP que estava a menor em R$ 19.858,11 se comparada com a DIPJ sobre essa diferença, em 24 de dezembro de 2008 (fls. 52) a DRF já havia intimado a empresa para a retificação da DIPJ ou do PER/DCOMP na parte que estivessem incorretos, no entanto a empresa se quedou silente. (ii) à quase totalidade das estimativas compensadas, já que do total de R$ 15.909.748,24 foi confirmado apenas o valor de R$ 3,73, restando sem confirmação R$ 15.909.744,51 (fls. 5657). Cientificada do despacho decisório por via postal em 10 de outubro de 2012 (fl. 54), a empresa apresentou, em 6 de novembro de 2012, manifestação de inconformidade (fls. 0240), argumentando, em síntese, que: (i) as parcelas não confirmadas – estimativas compensadas – encontramse pendentes de decisão final em outros processos administrativos, razão pela qual o exame de mérito do presente processo deve ser sobrestado até o julgamento daqueles outros processos administrativos. (ii) o crédito utilizado via DCOMP para liquidar as estimativas é objeto de discussão em processo administrativo sobre sua homologação; porém, ainda que a decisão definitiva dos referidos processos entenda pela não homologação das estimativas, estas devem ser consideradas de qualquer forma para fins de composição do Saldo Negativo Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10940.903291/201275 Acórdão n.º 1401002.064 S1C4T1 Fl. 237 3 sem qualquer redução, até porque elas poderão ser exigidas mediante execução fiscal se suas respectivas compensações não for alcançada pelo contribuinte. (iii) requer, assim, requer o reconhecimento da ineficácia do Despacho Decisório, com reconhecimento integral de seu Crédito e homologação de suas compensações vinculadas ao Saldo Negativo de IRPJ do Exercício de 2007. E, alternativamente, o sobrestamento do presente processo até o julgamento final dos processos administrativos onde se discute a compensação das estimativas não confirmadas nestes autos. Às fls. 136139 consta o relatório, datado em 21 de dezembro de 2012, da DRJ/Curitiba, concluindo que a solução da lide guardava total relação de dependência com o que fosse decidido nos autos do processo nº 16403.000052/200768, razão porque deveria ser aguardado o desfecho de tal processo. Em 27 de novembro de 2013, esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 3401002.468, deu provimento ao recurso voluntário e anulou o processo nº 16403.000052/200768 a partir da informação fiscal prestada pela Safis da DRF/Ponta Grossa em 25/05/2010 e seguintes inclusive, em virtude de cerceamento de defesa. Tal processo encontrase atualmente pendente de distribuição no CARF. Considerando a decisão acima, em 27 de março de 2015 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR decidiu a lide constante dos presentes autos, tendo proferido o acórdão 0651.521, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação da parcela do direito creditório reclamada pela contribuinte, é de se confirmar a homologação apenas parcial da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os documentos foram disponibilizados na caixa postal da empresa em 2 de abril de 2015 e houve a abertura em 8 de abril de 2015, data em que se registrou que a empresa foi intimada do acórdão (fl. 192). Em 7 de maio de 2015 a empresa apresentou recurso voluntário (fl. 232). No carimbo de fl. 194, da Delegacia da Receita Federal em Campinas SP, consta a menção de protocolo por insistência, no entanto o despacho de fl. 233 atesta a tempestividade do recurso. Os argumentos constantes do recurso voluntário são, em síntese, os mesmos da manifestação de inconformidade. Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de junho de 2017. Fl. 238DF CARF MF 4 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, as compensações pleiteadas pelo contribuinte e que não foram homologadas podem ser classificadas em duas categorias: (i) parcela de crédito relacionada no PER/DCOMP que estava a menor em R$ 19.858,11 se comparada com a DIPJ. (ii) ao valor de R$ 15.909.744,51 correspondente a estimativas compensadas, eis que do total de R$ 15.909.748,24 foi confirmado apenas o valor de R$ 3,73. Quanto à primeira, não houve qualquer manifestação do contribuinte desde a manifestação de inconformidade, razão pela qual a decisão pela não homologação deve ser mantida. Quanto ao valor das estimativas compensadas, a não homologação ocorreu em razão de suposta inexistência dos créditos. Para chegar a ta conclusão, a decisão recorrida se baseia nos argumentos de que as estimativas não constituem crédito tributário e não podem ser inscritas em Dívida Ativa da União, bem como que a parcela do saldo negativo formada por estimativa cuja compensação não tenha sido homologada, tácita ou expressamente, não é passível de restituição/compensação. Ocorre que tais afirmações vão de encontro ao entendimento mais recente deste CARF, consolidado no enunciado da Súmula n. 84, de seguinte teor: Súmula CARF 84: "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." Assim, o disposto no § 6º do artigo 74 da Lei 9.430/1996, segundo o qual a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados, é plenamente aplicável também às estimativas, é dizer, os débitos de estimativa cuja compensação não for homologada em processo anterior podem ser imediatamente exigidos. Dito de outra forma, quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, a fiscalização deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação (ou seja, créditos não vedados expressamente por lei). Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. E, se por ventura a compensação das estimativas não for homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado. A própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconhece isso por meio do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, ao considerar que após o encerramento do período de Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10940.903291/201275 Acórdão n.º 1401002.064 S1C4T1 Fl. 238 5 apuração a estimativa é substituída pelo tributo apurado no ajuste anual, ou seja, é tributo consolidado com o ajuste anual, vejase: 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar. (...) 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.° 31/2013: (...) 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do ano calendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributos em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT n 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda. (...) Fl. 240DF CARF MF 6 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; (...) Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo, em paralelo à parcela já deferida pelo despacho decisório de R$ 821.419,52, o direito creditório correspondente às estimativas compensadas, no valor de R$ 15.909.748,24. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727626/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF.
Numero da decisão: 2202-004.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por desistência.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 Ementa: PARCELAMENTO. RENÚNCIA. Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.153 1 1.152 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.727626/201126 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.117 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente CHRISTIANI MEDEIROS ALBANEZ PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Ementa: PARCELAMENTO. RENÚNCIA. Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 76 26 /2 01 1- 26 Fl. 1153DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente para constituir crédito de IRPF em função da identificação de acréscimo patrimonial. Intimada, a Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformada, interpôs Recurso Voluntário ora levado a julgamento. Registrase que, em junho de 2015 a Contribuinte informou ter aderido ao REFIS. Em 06/09/2011 foi formalizado Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/18 e docs. anexos fls. 19/23) e foi lavrado auto de infração (fls. 3/8) identificando como infração: "001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, na qual se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração." fl. 5; Intimada do lançamento, a Contribuinte apresentou Impugnação em 11/10/2011 (fls. 707/726 e docs. anexos fls. 727/757). Em 05/10/2012 protocolou "Razões Complementares" (fls. 767/792 e docs. anexos fls. 793/938). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1147.815, de 26/09/2014 (fls. 959/986), que manteve integralmente o crédito lançado e restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE NO JULGAMENTO. A apreciação, no julgamento do processo administrativo fiscal, de documentos apresentados após a impugnação somente é admitida quando demonstrada, com fundamentos, a ocorrência das situações previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. PRELIMINAR DE NULIDADE. REJEIÇÃO. Constatado que o lançamento cumpre os requisitos estabelecidos na legislação de regência, proporcionando todos os meios para que o contribuinte manifeste suas razões de defesa, restam insubsistentes as alegações de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Configura omissão de rendimentos tributáveis o acréscimo patrimonial a descoberto apurado mensalmente, caracterizado Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10480.727626/201126 Acórdão n.º 2202004.117 S2C2T2 Fl. 1.154 3 por incremento no patrimônio do sujeito passivo não lastreado pelos rendimentos declarados e comprovados conforme a natureza, salvo se o contribuinte provar que tal acréscimo decorre de rendimentos não tributáveis, isentos, objeto de tributação definitiva ou tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Valores declarados como rendimentos isentos a título de distribuição de lucros, quando não comprovados mediante documentação hábil, não poderão ser acatados para fins de justificação de acréscimo patrimonial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 04/11/2014 (fl. 991/992), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 01/12/2014 (fls. 1.000/1.047 e docs. anexos fls. 1.048/1.061). Em 02/06/2015 protocolou petição, indicando como referência o processo administrativo fiscal nº 10480.728034/201121 (fls. 1.066/1.068 e docs. anexos fls. 1.069/1.110), na qual informou ter aderido ao REFIS. Em 01/07/2015 foi juntado aos autos Despacho (fls. 1.125/1.127 e docs. anexos fls. 1.113/1.124) esclarecendo que a Contribuinte havia optado pelo parcelamento da Lei nº 12.865/2013, mas que havia problemas em relação à equação da multa inserida/reduzida pelo parcelamento. Também se extrai desse Despacho, e dos documentos que o embasaram, que o parcelamento recaiu sobre o crédito objeto do presente PAF. Em 18/02/2016 foi postado pelo correio petição pedindo a distribuição dos autos para sorteio entre os conselheiros do CARF (fl. 1.130 e docs. anexo fls. 1.131/1.132), o que foi ratificado em 08/03/2016 (fls. 1.135/1.136 e docs. anexos fls. 1.137/1.151). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Constatase, entretanto, que a Contribuinte renunciou ao PAF quando aderiu ao REFIS da Lei nº 12.865/2013, conforme art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF. Registrase que, a despeito de ter identificado na petição de fls. 1.066/1.068 que se referia ao PAF nº 10480.728034/201121, o valor parcelado é exatamente aquele constante no presente auto de infração tanto na tabela incluída na referida petição (fl. 1.067) quanto no auto de infração (fl. 3) o valor do principal é de R$ 1.496.377,91. Fl. 1155DF CARF MF 4 O que é mais, o citado Despacho, bem como todos os seus documentos, discorre sobre o parcelamento do débito ora sob julgamento. Em suma, tendo havido parcelamento do débito, há renúncia tácita ao direito em que se baseou a defesa, sendo impossível conhecer do Recurso Voluntário. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720094/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo
Numero da decisão: 9202-005.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 94 /2 00 7- 14 Fl. 417DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Insurgese a União contra o Acórdão n.º 280100.805 1ª Turma, que deu parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a ARL no montante de 580ha, entendendo ser dispensável a apresentação de ADA para área constante de termo de responsabilidade de preservação de floresta averbado à margem da matrícula do imóvel, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL, REDUÇÃO. À míngua de documentação hábil para retificar a área total do imóvel, incabível a redução da aludida área, ÁREA IMPRESTÁVEL/INTERESSE ECOLÓGICO, Para efeitos de exclusão da base de calculo do ITR as áreas imprestáveis devem ser declaradas de interesse ecológico por ato de órgão competente, ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao IBAMA ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada que pretende excluir da base de cálculo do ITR, ÁREA DE RESERVA LEGAL, COMPROVAÇÃO, Cabe excluir da tributação do ITR a parcela de área de reserva legal reconhecida em termo firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador, Recurso Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiada, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação do ITR área de reserva legal no montante de 580,0 ha e área de pastagens no montante de 6,0 ha, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido, em primeira votação, o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para acatar todos os pleitos do contribuinte, exceto em relação à exclusão de área de utilização Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13609.720094/200714 Acórdão n.º 9202005.409 CSRFT2 Fl. 418 3 limitada/imprestáveis no montante de 437,3 ha, Vencidos, em segunda votação, os Conselheiros Julio Cezar da Fonseca Furtado, Sandro Machado dos Reis e Carlos César Quadros Pierre que restabeleciam, ainda, área de reserva legal e área de preservação permanente nos montantes de 1.057,3 ha e 231,1 ha, respectivamente. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, em 03/09/2007, o Auto de Infração, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 99,627,06, acrescido de multa de oficio e juros de mora, o que totaliza um crédito de R$ 231157,20, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Moinho", localizado no município de Felixlândia (MG), com NIRF Número do Imóvel na Receita Federal — 1738.0181. A Ação fiscal iniciouse com intimação ao contribuinte (fls. 07/08) para relativamente à DITR do exercício de 2003, apresentasse os seguintes documentos de prova: 1. Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, requerido junto ao IBAMA; 2. Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o artigo 2' da lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o artigo 9° do Decreto 4.449/2002; 3. Certidão do órgão público competente caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do artigo 3' da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou; 4. Cópia da matricula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, RPPN ou de servidão florestal; 5. Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis, comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário; 6. Ato específico do órgão competente federal ou estadual caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico; 7. Cópia do projeto técnico protocolado junto ao INCRA e laudo técnico que comprove a implantação da área de pastagem prevista no cronograma fisicofinanceiro; e 8. Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN com base no SPIT. O contribuinte efetuou resposta por meio da entrega dos documentos juntados às fls. 19/29. Fl. 419DF CARF MF 4 A autoridade administrativa após análise e verificação da documentação acostada aos autos pelo contribuinte e das informações que já haviam sido declaradas na DITR/2003 (fls. 15/17), decidiu glosar integralmente as áreas declaradas corno de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, de 195,0 ha e 1.379,8 ha, e, parcial da declarada como área destinada à pastagem, além de rejeitar o VTN declarado, de R$ 490.300,00 ou R$ 168,15/ha arbitrandose o valor de R$ 1.166.320,00 ou R$ 400,00/ha, com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando o imposto suplementar de R$ 99,627,06, conforme demonstrado à fl. 05. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais utilizados pela administração no lavramento do referido crédito constam às fls, 02/03 e 06. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: A legislação em vigor não condiciona, para fins de isenção de ITR, a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente à apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, A averbação à margem do registro do imóvel não é prérequisito à exclusão desta área da base imponivel do ITR e nem fixa data para cumprimento dela pelo contribuinte. Com a glosa das áreas de reserva legal e de utilização limitada conseqüentemente ocorreu equívoco na apuração do grau de utilização do imóvel, que acabou por incluir áreas imprestáveis, insuscetíveis de qualquer uso ou aproveitamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1" TURMA/DRJ/BSA, conforme Acórdão às fls.. 125/138, conheceu a impugnação como tempestiva, Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados na seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2003 DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Incabível a redução da área total do imóvel, informada na DITR/2003, por falta de documentação hábil para tanto: certidão ou matrícula atualizada do registro do imóvel DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada (reserva Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13609.720094/200714 Acórdão n.º 9202005.409 CSRFT2 Fl. 419 5 legal/RPPN/Servidão Florestal) à margem da matrícula do imóvel DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/INTERESSE ECOLÓGICO. Para exclusão dessas áreas de tributação, se faz necessário, além de Ato de órgão competente .federal ou estadual reconhecendo as mesmas como sendo comprovado, pelo menos a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado: DAS ÁREAS SERVIDAS DE PASTAGENS. Com base em documento hábil, cabe alterar a área de pastagem originariamente declarada, adequando a tributação à realidade dos fatos. Lançamento Procedente em Parte." RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 04/04/2008 (fls.. 171), a contribuinte apresentou, em 02/05/2008, o Recurso às fis, 172/192, reafirmando todos os argumentos da impugnação bem como alega que é inaceitável a postura inflexível adotada no julgamento de primeira instância. Adveio o Acórdão ora combatido, seguido do Recurso Especial da Procuradoria sub análise. Cientificado, o contribuinte apresentou Recurso Especial não admitido por intempestividade e, após saneamento, foi cientificado da Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda, apresentando tempestivamente Contrarrazões pugnando pela manutenção do Acórdão combatido no presente processo. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Entretanto, não deve prosperar. Conforme se depreende da leitura dos autos verificase as áreas de Reserva Legal que totalizam 1.057,.3 ha (580,0 ha averbados no Registro de Imóveis e 477,3 ha de floresta nativa preservada não averbada), de utilização limitada/área imprestável (437,3) e da área de preservação permanente (231,13 ha), se encontram devidamente apontadas no Laudo Fl. 421DF CARF MF 6 Técnico de Vistoria e Avaliação (fls. 47/87) elaborado por engenheiro Agrônomo com ART anotada no CREA/MG. Diante deste Laudo de Avaliação Técnica nos termos da ABNT juntado pelo próprio Recorrente a própria Receita Federal reconheceu, na sua decisão de 1' instância a existência de todas essas áreas isentas da cobrança de ITR do exercício de 2004. "Ocorre que, a comprovação da efetiva existência de tais áreas no imóvel não é suficiente para .justificar a exclusão das mesmas do 1TR/2004, .fazendose necessário comprovar nos autos, além da exigência especifica relativa a cada tipo de área classificada como de utilização limitada — averbação tempestiva à margem da matricula do imóvel da área de reserva legal/Reserva Particular do Patrimônio Natural/servidão florestal e ato especifico do órgão competente . federal ou estatal reconhecendo a área imprestável como sendo de interesse ecológico, a exigência relativa do ADA," Como se pode notar, não se discute no presente processo a existência ou não das referidas áreas, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei, dentro dos prazos previstos nos correlatas atos normativos, para a concessão da isenção decorrente da existência da área de utilização limitada no imóvel rural. Neste mesmo sentido, essa E. CSRF já se manifestou no acórdão 9202 005.124, razão pela qual adoto o posicionamento ali expresso. ... Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: (...) Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: (...) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13609.720094/200714 Acórdão n.º 9202005.409 CSRFT2 Fl. 420 7 Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. ... RESSALTO QUE PARA A MAIORIA DESTE COLEGIADO A AVERBAÇÃO DE ARL É CONSTITUTIVA. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo in totum a decisão a quo. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 423DF CARF MF 8 Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901936/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 36 /2 00 8- 86 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.958, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 558DF CARF MF
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