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Numero do processo: 11080.004659/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em. converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Não votou o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em. converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Não votou o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão nº 1017.077, de 03/09/2008, da 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre, cujo julgamento havia sido convertido em diligência (Resolução nº 1302000.305, de 10/04/2014, desta 2ª Turma Ordinária) para que se aguardasse a DRF atender ao pedido da recorrente, quanto à retificação da consolidação dos débitos parcelados, com base na Lei nº 11.941/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 04 65 9/ 20 06 -1 1 Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 3 2 Em resposta, a DRF verificou que a recorrente havia incluído na referida consolidação os débitos discutidos nos seguintes processos: Proc. Sistema Situação 18208053711/201187 SiefProc Consolidado 11060004659/200611* SiefProc Consolidado 11080912773/200951 SiefProc Consolidado *Este é o processo em questão. Nos termos do despacho de 22/05/2012, fls. 2.086, referente ao Proc. 11080.722806/201197, para o qual foram transferidos os débitos objeto do parcelamento, não foi possível retificar, isto é, excluir o débito relativo a estes autos, sobre o qual não se estende o pedido de desistência apresentado pela recorrente para atender às exigências para o parcelamento. A DRF registrou que o sistema gerenciador dos débitos consolidados não dispunha de funcionalidade que permitisse atender a tal solicitação. Dessa forma, a DRF concluiu por devolver estes autos ao Carf para julgamento do recurso voluntário, independentemente, da transferência de valores ocorrida por equívoco do pedido de consolidação da recorrente, conforme a seguir transcrito: Recebemos o presente processo, encaminhado pelo grupo Cobrança desse mesmo Serviço, para fins de implementação, quando oportuno, dos procedimentos de revisão da consolidação de débitos parcelados nos moldes da Lei n° 11.941, de 2009 (fls. 2085), Depreende o grupo SECAT/Cobrança, mediante análise dos requerimentos apresentados pelo contribuinte, às fls. 1997/1998 e 2068 do presente processo, e ainda, em observância aos documentos juntados ao processo n° 11080.004659/200611, às fls. 20192021, que o interessado equivocouse quando da negociação da consolidação dos débitos parceláveis pela Lei n° 11.941/2009, na modalidade "RFB Demais Débitos Art.1°". Informa que o parcelamento abrangeu, erroneamente, os débitos não alcançados pela desistência parcial do litígio administrativo, que deveriam, portanto, retornar ao CARF para prosseguimento do Recurso Voluntário no processo n° 11080.004659/200611, restando devedores, por outro lado, os débitos do IRPJ e CSLL transferidos para o presente processo, apartados do principal em virtude da desistência formalizada para fins de inclusão no parcelamento supra. Conclui, opinando pelo atendimento ao pedido de revisão interposto pelo interessado (vide despacho de fls. 2069). Dada a impossibilidade de efetuar os procedimentos de revisão cabíveis, em virtude da inexistência de sistema apropriado até o momento, optamos pela suspensão da cobrança do presente processo até que seja possível sua inclusão/consolidação no parcelamento. Cabe observar que, objetivando dar continuidade à apreciação do recurso voluntário, o grupo Cobrança efetuou o retorno dos autos do processo n° 11080.004659/200611 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Entretanto, sua exclusão da consolidação do parcelamento também fica postergada para momento oportuno. Com tais conclusões, os presentes autos (Proc. 11080.004659/200611) retornaram ao Carf para julgamento do recurso voluntário. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 4 3 Na primeira oportunidade, portanto, não se julgou o recurso voluntário pelo fato de que não havia certeza quanto ao débito sobre o qual, especificamente, se mantinha o litígio administrativo fiscal, à vista do referido pedido de desistência para fins de enquadramento nos benefícios da Lei nº 11.941/2009. Nos termos do despacho acima transcrito, não foi possível identificar, com segurança, os efetivos valores em que permaneceram em discussão nesse processo. Justificou se que, não foi possível, por limitações operacionais, revertêlos para estes autos (Proc. 11080.004659/200611) os débitos transferidos para o referido Proc. Proc. 11080.722806/201197, o qual foi gerado para o controle do parcelamento dos débitos consolidados. Dessa forma, por não haver certeza quanto aos valores objeto do pedido de desistência (consolidados e parcelados) e os valores sobre os quais persiste a recorrente, entendo que não é possível apreciar, com segurança, as razões de recurso de voluntário. Como passo a proceder, a seguir. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), resumidamente, destaca as seguintes conclusões: I a Instrução Normativa SRF n°. 107, de 1988, somente seria aplicável às operações de empresas submetidas à tributação com base no lucro real; II no caso de aquisição de terreno com obrigação de pagamento em área construída, os valores do imóvel adquirido e da área a construir, a ser entregue no futuro, deverão ser escriturados, respectivamente, em conta do Ativo e do Passivo da Pessoa Jurídica adquirente, como se tratasse de uma compra a prazo relativamente ao terreno e de uma venda com recebimento antecipado relativamente às unidades a serem construídas; III o benefício fiscal estabelecido pela IN SRF n°. 107, de 1988, somente se aplicaria nos casos em que a transferência da propriedade dos imóveis se desse por escritura pública, ex vi do disposto no art. 108 do atual código Civil, por ser essa forma exigida para tal espécie de contrato, consistindose, assim, em condição essencial à validade do negócio jurídico, o que não é o caso de operação contratada por meio de instrumento particular, pois, enquanto não celebrada a escritura pública, existiria apenas uma cessão de direitos sobre o imóvel, o que impediria a aplicação das regras da IN SRF n°. 107, de 1988, tendo em vista que esta somente se aplicaria às operações de que trata a legislação civil, como a seu ver dizem o subitem 4.1 da referida IN, o art. 121, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda baixado pelo Decreto n°. 3000, de 1999 (RIR/99) e a IN SRF n°. 84, de 2001, que exigiriam, para a permuta de imóveis a que se referem, a contratação por meio de instrumento público; IV as operações de compra e venda de fração ideal de terreno, com pagamento em área construída no local, ainda que efetuadas por escritura pública, não constituem permuta de imóveis, porque no caso, não ocorre a dupla transferência de propriedade necessária à sua caracterização; V na operação de alienação de unidades imobiliárias, objeto de contrato particular, em que parte do pagamento do preço se dá pelo recebimento de direitos sobre outro imóvel, não se verifica uma permuta de bens imóveis, não se lhe aplicando, por conseguinte, as disposições da IN SRF n° 107, de 1988. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 5 4 Essas conclusões foram acolhidas pela DRF e pela DRJ, no acórdão recorrido, cuja ementa assim registra: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de perícia requerido em sede de impugnação do lançamento sem a identificação do perito e indicação dos quesitos que se deseja ver respondidos. LANÇAMENTO. REQUISITOS. Ainda que o corpo dos autos de infração traga somente descrição sumária da infração, remetendo a relatório fiscal minucioso no qual se descreve a ocorrência dos fatos geradores e as infrações cometidas, e suportados por planilhas de cálculos nos quais se demonstra a matéria tributável e a apuração dos tributos devidos, inexiste afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional. LUCRO PRESUMIDO. RECEITA BRUTA. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. Na atividade imobiliária caracteriza receita bruta os valores efetivamente recebidos, a qualquer título, relativo às vendas de unidades imobiliárias. LUCRO PRESUMIDO. VARIAÇÃO MONETÁRIA COM BASE NO CUSTO UNITÁRIO BÁSICO (CUB). As variações monetárias ativas decorrentes da atualização do preço de comercialização de imóveis recebido, com base no CUB conforme previsão contratual, devem ser acrescidas à base de cálculo do imposto. Apenas a partir de 2006, por força de disposição legal, são somadas à receita bruta para efeito de apuração do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Não comprovado que os valores recebida correspondam ao efetivo ressarcimento de custos decorrentes do regime de construção por administração e existente nos autos elementos que demonstram que os montantes recebidos decorrem, de fato, de operações típicas de compra e venda de imóveis, correta sua integração à receita bruta para apuração do lucro presumido. LUCRO REAL. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os custos contabilizados em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não apresente documentação comprobatória da operação. LUCRO REAL. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Ressalvada a opção pelo regime de competência, a atualização do valor dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte em função da taxa de câmbio deverá ser reconhecida, para efeito de cálculo dos imposto e contribuições sobre elas incidentes, na liquidação da operação correspondente. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Apurado com base nos demonstrativos e na DIPJ apresentados pelo próprio contribuinte imposto não recolhido nem declarado em DCTF, correta a sua exigência de ofício. Lançamento procedente, por unanimidade. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 22/10/2008 (fl. 1.948) e interpôs recurso voluntário, em 20/11/2008 (fl. 1.949). O recurso foi subscrito pelo Sr. Milton Melnick, sócio proprietário da recorrente. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 6 5 Em seu recurso, a recorrente expões suas razões e entendimentos sobre a referida Instrução Normativa SRF n°. 107, de 1988, e a legislação correlata, conforme a seguir:0 I A IN SRF n°. 107, de 1988, e o Lucro Presumido: (...) não resta dúvida de que as normas da IN SRF n°. 107, de 1988, são plenamente aplicáveis aos casos de permuta de bens imóveis efetuadas entre pessoas jurídicas em que uma ou todas sejam optantes pela tributação de seus resultados com base no lucro presumido, bem assim entre pessoa jurídica e pessoa física, ainda quando a primeira a adotar a forma de tributação ora mencionada. (...) não há incompatibilidade na aplicação das normas da IN SRF n°. 107, de 1988, às empresas tributadas pelo lucro real, não se pode dizer que haverá quando aplicadas às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, pois, em princípio, a auditagem, em ambos os casos, se faz à vista das mesmas espécies de documentos; (...) não vemos como prosperar (...) o argumento do Fisco (...) quanto à inaplicabilidade das normas da IN SRF n°. 107, de 1988, às empresas que optarem pela tributação de seus resultados com base no lucro presumido. II A IN SRF n°. 107, de 1988, e a Aquisição de Terreno com Pagamento em Área Construída: (...) operação típica daquela prevista na Lei n°. 4.591, de 16 de dezembro de 1964, que regula a atividade de incorporação imobiliária no País, a qual, em seu art. 39, in verbis, assim dispõe: "Art. 39. Nas incorporações em que a aquisição do terreno se der com pagamento total ou parcial em unidades a serem construídas, deverão ser discriminadas em todos os documentos de ajuste: I a parcela que, se houver, será paga em dinheiro; II a quotaparte da área das unidades a serem entregues em pagamento do terreno que corresponderá a cada uma das unidades, a qual deverá ser expressa em metros quadrados Parágrafo Único. "Deverá constar, também, de todos os documentos de ajuste, se o alienante do terreno ficou ou não sujeito a qualquer prestação ou encargo ". (...) a lei não faz distinção quanto ao fato de as unidades imobiliárias a ser entregues, a título de pagamento, ao exproprietário do terreno, virem a ser construídas no próprio terreno objeto da operação ou em outro local, o que torna irrelevante, para efeitos tributários, a localização das referidas unidades. Para efeitos tributários, essas operações foram entendidas como de permuta, ante o que dispõe a IN SRF na. 107, de 1988, em seu subitem 5.3, verbis: 5.3 Os procedimentos indicados no subitem 3.2 e suas divisões são aplicáveis às operações de permuta realizadas com base no disposto no artigo 39 da Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964. A propósito, o mesmo ato normativo assim define permuta: "1.1 Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 7 6 unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, aqui denominada 'torna'". Ao tratar do significado de 'unidade imobiliária' ou 'unidade', a IN SRF n°. 107, de 1988, em seu subitem 1.4, adota a definição constante do item 2 da Instrução Normativa SRF n° 084, de 20 de dezembro de 1979, estendendoa a todo e qualquer imóvel de propriedade da pessoa física ou da pessoa jurídica permutante, ainda que classificado no ativo permanente, na última. Tendo em vista que o ato normativo em comento considera como permuta o negócio jurídico em epígrafe e estabelece, para o caso, a aplicação do disposto em seu subitem 3.2, o qual, por sua vez, determina, para a pessoa jurídica, a observância do disposto nos subitens 2.2.1 e 2.2.2, que tratam, respectivamente, de permuta sem e com pagamento de torna, há que se proceder segundo prevê os subitens 2.1.1, 2.1.2 e 1.5, que a seguir se transcreve, como meio de facilitar o trabalho do intérprete: "2.1.1 No caso de permuta sem pagamento de torna, as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração". "2.1.2 No caso de permuta com pagamento de torna, a permutante que receber a torna procederá pela forma indicada no subitem 1.5. devendo considerar como custo do bem recebido o valor contábil do bem dado em permuta, deduzido do custo atribuído à torna recebida ou a receber. Para a permutante que pagar ou prometer pagar a torna, o custo do bem adquirido será a soma do valor contábil do bem dado em permuta com o valor da torna". "1.5 A permutante que se beneficiar por torna deverá computála como receita, no anobase ou períodobase da operação, podendo deduzir dessa receita a parcela do custo da unidade dada em permuta que corresponder à torna recebida ou a receber. A parcela a deduzir será determinada mediante a aplicação, sobre o custo atualizado ou o valor contábil da unidade, na data da operação, do percentual obtido pela divisão do valor da torna pelo somatório desta com o valor do custo da unidade dada em permuta. A permutante que pagar a torna deverá computála no custo da unidade adquirida". (...) houve equívoco dos auditores ao pretenderem que as operações da espécie ora examinada sejam tratadas como de compra a prazo do terreno e de venda com recebimento antecipado de unidade a construir. (...) o negócio jurídico em questão deve ser tratado, para efeitos da legislação tributária federal, como permuta. (...) não há que se falar em incidência do Imposto de Renda ou da Contribuição Social sobre o Lucro, senão na hipótese em que uma das partes contratantes receba torna em dinheiro. Segundo o entendimento do Fisco, exarado no subitem 5.2 do termo de verificação fiscal, a operação em epígrafe corresponderia a uma venda à vista de unidades imobiliárias por parte da empresa adquirente do Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 8 7 terreno, o que demandaria o registro contábil do valor do terreno em conta do ativo (estoque) em contrapartida a uma conta do passivo, representativa da obrigação de construir. E o valor das unidades a serem construídas, considerado o seu entendimento. Deveria ser registrado a crédito de conta de receita, sem, no entanto, indicar a contrapartida. Não é este o entendimento corrente no Primeiro Conselho de Contribuintes, como se pode ver do acórdão n° 10195.000, de 20 de maio de 2005, Primeira Câmara: IRPJ Aplicamse as regras previstas na IN SRF 107/88. relativas à permuta de imóveis, nas incorporações em que a aquisição do terreno se der com pagamento total ou parcial em unidades a serem construídas. PIS, FINSOCIAL, IRRF, CSLL Cancelada a exigência do IRPJ, as exigências reflexas, formalizadas por repercussão daquela, devem também ser canceladas. (...) a pessoa jurídica permutante que adquirir o terreno deve tratar como custo dessa aquisição os valores correspondentes aos custos relativos à construção das unidades que prometer entregar como pagamento da aquisição do referido imóvel, cujos valores poderão ser escriturados na medida do pagamento ou da contratação, sem qualquer impacto tributário, pois não configuram rendimento nem ganho para a empresa adquirente do terreno, mas simplesmente custo do mesmo, que os ilustres auditores, equivocadamente, pretendem transformar em valor de receita. III A IN SRF n°. 107, de 1988 e a Forma do Contrato: (...) auditores afirmam que as normas da IN SRF n°. 107, de 1988, somente se aplicariam aos casos em que as transferências dos imóveis se dessem por meio de escritura pública, tendo em vista que nos casos de operação de permuta contratada por meio de instrumento particular existiria apenas uma cessão de direitos sobre imóveis, o que impediria a aplicação das regras do referido ato normativo. (...) o referido ato normativo trata de permuta de bens sem e com torna. No primeiro caso, permuta sem torna, é evidente que a operação constitui apenas um fato permutativo, em que não ocorre nenhuma variação no valor do patrimônio das partes contratantes, nem há faturamento, por conseguinte, não ocorre fato gerador para a exigência de Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro, Pis e Cofins. Nos casos de permuta com torna em dinheiro ou a valor de mercado, a IN SRF determina a apuração do resultado e a incidência do IR e da CSLL sobre o ganho, se houver, bem assim das contribuições Pis e Cofins sobre o valor recebido. Ante isso, resta evidente inexistir suporte para tal afirmativa. Quanto à exigência de instrumento público nas operações de permuta de bens imóveis para efeito da aplicação das regras da IN SRF n°. 107, de 1988, mais uma vez se equivocam os ilustres auditores, na verdade, referido ato normativo somente estabeleceu tal obrigação na alínea "a" de seu subitem 4.1, ou seja, exclusivamente para a hipótese de compra e venda com dação de unidade em pagamento, não mencionando tal exigência em nenhuma outra parte de todo o seu texto, o que vem ao encontro de outras normas de natureza tributárias, de mesma ou maior hierarquia, a exemplo: a) do RIR/99: Art. 152, §1°: Para os efeitos deste artigo, caracterizarseá a alienação pela existência de qualquer ajuste preliminar, ainda que de simples recebimento de importância a título de reserva (DecretoLei n°. 1.381. de 1974, art. 6o, § 2o). Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 9 8 Art. 154, §1°: Data de aquisição ou de alienação é aquela em que for celebrado o contrato inicial da operação imobiliária correspondente, ainda que através de instrumento particular (DecretoLei n° 1.381, de 1974, art. 2o, inciso II). § 2°: A data de aquisição ou de alienação constante de instrumento particular, se favorável aos interesses da pessoa física, só será aceita pela autoridade fiscal quando atendida pelo menos uma das condições abaixo especificadas (DecretoLei n°. 1.381, de 1974, art. 2°, § 2o): I o instrumento tiver sido registrado no Registro Imobiliário ou no Registro de Títulos e Documentos no prazo de trinta dias contados da data dele constante; II houver conformidade com cheque nominativo pago dentro doprazo de trinta dias contados da data do instrumento; III houver conformidade com lançamentos contábeis da pessoa jurídica, atendidos os preceitos para escrituração em vigor; IV houver menção expressa da operação nas declarações de bens da parte interessada, apresentadas tempestivamente à repartição competente, juntamente com as declarações de rendimentos. § 3o: O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais para aceitação da data do instrumento particular a que se refere o parágrafo anterior (DecretoLei n°. 1.381, de 1974, art. 2o, § 3o). b) da Instrução Normativa SRF n°. 84, de 11/10/2001: Art. 29, IV permuta, sem torna, de unidades imobiliárias; § 4o Na hipótese do inciso IV do caput, a exclusão aplicase: II às operações de permuta realizadas por contrato particular, desde que a escritura pública correspondente, quando lavrada, seja de permuta. (...) a observância da formalidade relativa à contratação por meio de instrumento Público, no caso em exame, está restrita à hipótese prevista, expressamente, no subitem 4.1 da IN SRF n°. 107, de 1988, caso para o qual entendeu a autoridade competente para dizer o entendimento do Fisco, o Secretário da Receita Federal, que atenderia melhor aos interesses da Administração Pública exigir, para aplicação da norma, a existência de instrumento público. Para qualquer outra das hipóteses de permuta a que se refere aquele ato normativo não se estabeleceu tal obrigação, donde se concluir, mais uma vez com fulcro no art. 5o, II, da Constituição Federal, como plenamente válidas para seus efeitos as operações, diferentes da prevista no subitem 4.1, formalizadas por meio de contrato particular (...) IV A IN SRF n°. 107, de 1988 e a Dupla Transferência de Propriedade: (...) com relação às operações quitadas, de compra e venda de terreno, ou fração de terreno, seguidas de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir, os Auditores entenderam que, mesmo Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 10 9 quando efetuadas por meio de escritura pública, essas operações não constituem permuta, por faltarlhe a dupla transferência de propriedade, necessária à sua caracterização como tal. Realmente, neste caso, há que se reconhecer que a operação não é, de fato, uma permuta. Nem mesmo o Decreto n°. 3.000, de 1999, com o qual se baixou o Regulamento do Imposto de Renda, ou a IN SRF n°. 107, de 1988, pretendeu tal transformação. Na verdade, o que estes atos legais fazem, no primeiro caso, é equipará las à permuta, e, no segundo, estender a elas o tratamento dado às permutas, senão vejamos: RIR/99 : Art. 121, § 1º: Equiparamse à permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. IN SRF n°. 107, de 1988: 4.1 São aplicáveis às operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir, todos os procedimentos e normas constantes das Seções I e II desta Instrução Normativa, desde que observadas as condições cumulativas a seguir: a)a alienação do terreno e o compromisso de dação em pagamento sejam levados a efeito na mesma data, mediante instrumento público; b)o terreno objeto da operação de compra e venda seja, até o final do períodobase seguinte ao em que esta ocorrer, dado em hipoteca para obtenção de financiamento ou, no caso de loteamento, oferecido em garantia ao poder público, nos termos da Lei n°. 6.766, de 19 de dezembro de 1979. No mesmo sentido já se manifestou a SRF/10a Região Fiscal (Porto Alegre RS) em decisão prolatada em 24 de julho de 2000, publicada no D.O.U. de 24 de agosto de 2000, no Processo de Consulta n°. 58/00, verbis PERMUTA DAÇÃO EM PAGAMENTO Operação quitada de compra e venda de terreno seguida de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir, efetuada com observância da IN SRF n°. 107, de 1988, equiparase à operação de permuta, não estando sujeita portanto à apuração do ganho de capital, para fins de incidência do imposto sobre a renda. Quando da alienação das unidades imobiliárias recebidas em dação de pagamento, o ganho de capital porventura apurado será ou não tributado, de acordo com a legislação de regência. Dispositivos legais: arts.117, § 4°, 121, II e §1°, 150, III, 151, I e 152, caput, do Decreto n°. 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999); arts. 3o, I, e 24, IV e § 4o, I, da IN SRF n°. 48, de 1998; IN SRF n°. 7, de 1988; item 2 da IN SRF n°. 84, de 1979; Parecer Normativo CST n°. 06. de 1986. (...) embora não se trate de permuta terão o mesmo tratamento dispensado a esta por força do que dispõe a IN SRF n°. 107, de 1988 (...) (...) embora o ato diga que a alienação e o compromisso de dação em pagamento sejam levados a efeito na mesma data, por instrumento público, não está a proibir que as partes possam, em um momento qualquer, fechar o negócio jurídico por meio de instrumento particular do tipo do de promessa de compra e venda de imóveis e, mais adiante, no futuro, dar cumprimento a tal promessa formalizando o ato segundo a regra Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 11 10 estabelecida na mencionada alínea "a". Se assim o fizerem e, no prazo estabelecido, fardado cumprimento à condição da alínea "b", restarão atendidas todas as condições exigidas, nada podendo impedir que à operação se aplique as normas a que se referem à IN SRF n°. 107, de 1988, nas Seções I e II de seu corpo. V A IN SRF n°. 107, de 1988, e a Alienação de Unidade Imobiliária com Recebimento de Parte do Preço em Imóvel ou Direito sobre Imóvel: (...) a operação realizada por meio de instrumento particular em que a empresa aliena unidade imobiliária, recebendo, a título de pagamento do preço, outra unidade e parcela em dinheiro, tratase, claramente, da operação descrita no item 1.1 do ato normativo em epígrafe, assim tipificada: "1.1 Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento complementar em dinheiro, aqui denominada 'torna'". Acerca dessa operação assim se manifestam os ilustres Auditores no subitem 5.5, página 10, do Termo de Verificação Fiscal, literis: "Logo, na alienação de direitos sobre unidades imobiliárias, objeto de contrato particular, em que ocorre o recebimento de direitos sobre outro imóvel como parte do pagamento do preço, não são aplicáveis as disposições da IN/SRF n°. 107/88, uma vez que, neste caso, não há permuta de bens imóveis". (...) a operação descrita pelos Auditores se encaixa no tipo descrito no subitem item 1.1 da IN SRF 107, de 1988, consistindo a típica operação de permuta(...) PERMUTA. 1. Direito Bancário: Câmbio. 2. Direito Civil: Troca, que é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro (Clóvis Beviláqua). O objeto da permuta há de ser dois bens; se um dos contratantes, em vez de dar coisa, prestar um serviço, não se terá troca. São suscetíveis de permuta os bens que puderem ser vendidos, não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou tenham igual valor. TORNA. I. Aquilo que, além do objeto que se troca por outro, se dá para igualar o valor deste; volta. 2. Compensação dada a outro(s) por um co herdeiro mais favorecido na partilha, a fim de igualar os quinhões. 3. Reposição em dinheiro. (...) a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, como se pode ver pela ementa do: I Acórdão n° 10707705, de 07 de julho de 2004, Sétima Câmara: IRPJ PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS Aplicamse as regras da Instrução Normativa SRF n°. 107/88, quando, embora o contrato não esteja assim nominado, as características do negócio revelam um típico contrato de permuta. II Acórdão n°. 10808358, de 15 de junho de 2005, Oitava Câmara: IRPJ PERMUTA DE IMÓVEIS GANHO DE CAPITAL Havendo comprovação de que a operação realizada pelo contribuinte foi de permuta Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 12 11 de imóveis, ou de compra e venda com dação em pagamento, sem o pagamento de torna, descabe a autuação relativa ao IRPJ, porquanto não verificada nesta situação ganho de capital. CSLL PIS COFINS IRRF Os lançamentos reflexos seguem a sorte do lançamento principal, naquilo que lhes for aplicável. (...) o tratamento dado à permuta, pela Administração Tributária teve por finalidade simplesmente reconhecer, perante seus agentes fiscalizadores e contribuintes, que nesse tipo de negócio não ocorre modificação de valor patrimonial seja de incremento ou redução, senão na hipótese de torna em dinheiro. Por conseguinte, não ocorre, também, fato gerador de tributo que tenha por pressuposto a apuração de rendimento ou lucro (IR e CSLL), exceto em relação à torna em dinheiro. (...) se inclui no lançamento tributação relativa ao valor de custo glosado. Diz que no Edifício Frontenac, custos com mãodeobra de terceiros, no quarto trimestre de 2001, antes da conclusão das obras deste empreendimento, houve lançamento de R$190.000,00, com histórico de "valor referente a saldo de serviços prestados". (...) não foram encontrados os comprovantes dos valores lançados, já que tais recibos estavam junto à documentação arrecadada e levada pelo Fisco. A Fiscalização alega que nunca teve em seu poder esses documentos e que teria colocado à disposição do contribuinte para a vista e retirada de cópia. (...) dizse que o material apreendido foi devidamente lacrado por ocasião da busca e apreensão e, posteriormente, teriam sido abertos na presença do sócio da empresa Juliano Melnick. (...) compõe o lançamento... deduções que os Auditores consideraram indevidas, com despesas de variações cambiais passivas. (... ) aponta que a Recorrente foi instada a informar qual teria sido sua opção quanto à tributação das receitas de variações cambiais, se pelo regime de competência ou na liquidação da operação... Recorrente informou que tributou as receitas de variações cambiais na liquidação da operação. (...) a fiscalização constatou nos demonstrativos de resultado do segundo e terceiro trimestres do anocalendário 2001, que a Recorrente apurou despesas de variações cambiais. Mas diz que na apuração do lucro real e na apuração da base da cálculo da CSLL, não houve a adição dos respectivos valores, que seria necessária para compatibilizar a apuração desses tributos com a opção de tributação das variações cambiais quando da liquidação da operação. Por isso, a Fiscalização procedeu à adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. A Recorrente não concorda com a conduta fiscal, pois esta adotou no passado o critério de apropriação das variações monetárias por competência e, em sendo assim, não poderia ter alterado este critério para apropriação dessas variações pelo regime de caixa (...) (...) tributos apurados a partir de receitas financeiras que teriam sido indevidamente tratadas pela Recorrente como receitas de venda de unidades imobiliárias relativas à SCP Ed. Mont Villeneuve. Teria a Recorrente registrado como receita de venda de imóveis o acréscimo de valores de parcelas decorrentes da variação pelo CUB e que tais variações seriam receitas financeiras. (...) esta variação pelo CUB não representa receita financeira... representa recuperação do valor da moeda, ou seja, atualização do preço, não integrando, por isso, a base de Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 13 12 cálculo do tributo para determinação do lucro. Na verdade, foram receitas de venda de unidades imobiliárias e como tal contabilizadas. Não é um ganho financeiro. Por isso, a Lei 11.196/2005 reconheceu esta realidade, permitindo que as empresas que se dedicassem à construção assim procedessem. (...) questionado por indevido o lançamento na parte que aponta falta de recolhimento no período de janeiro/2001 e dezembro/2004. Diz simplesmente que houve valores relativos ao IRPJ declarados e recolhidos a menor e, por isso os lançou através do auto de infração. (...) integra o auto de lançamento valores de tributos que foram apurados a partir de receitas que considera omitidas na venda de unidades imobiliárias relativas às SCP's dos Edifícios Château Ferrand, Piladelphia e Condomínio Knorrville. (...) a Recorrente não reconhece a diferença de receita na alienação desses imóveis, que só podem integrar efetivamente a receita pela venda, quando do efetivo recebimento do numerário. (...) o auto de infração aponta falta ou insuficiência do recolhimento do imposto que seria devido a partir das receitas que a Fiscalização tratou como financeiras, quando na verdade, como se já disse antes, foram simples variações e correções pelo CUB do preço de venda dos imóveis. (...) a Fiscalização autuou a Recorrente por discordância dos cálculos por esta apresentados nas planilhas de apuração dos seus tributos e contribuições, sejam elas próprias ou de SCP's, no período compreendido entre janeiro/2001 a dezembro/2004. (...) a Fiscalização registrou... a soma de cada um dos tributos e contribuições e os comparando com os débitos declarados nas DCTF's entregues, assim como pagamentos, teriam havido recolhimentos a menor de débitos de IRPJ. A Recorrente discorda da autuação, pois entende que os cálculos contidos nas planilhas estão absolutamente corretos e os desafiava sua conferência através de adequada e competente perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator. Na forma relatada, o recurso é tempestivo e a recorrente está regularmente representada. Conheço do recurso voluntário. Na Resolução nº 1302000.305, proferida, em 10 de abril de 2014, resolveram os membros deste colegiado em converter o julgamento em diligência, tendo em vista que verificouse a desistência parcial do recurso voluntário interposto em face da adesão a parcelamento pelo sujeito passivo. Não obstante, o Relator daquela Resolução verificou que o contribuinte, posteriormente, pleiteou a retificação de débitos incluídos no parcelamento, o que não fora apreciado pela autoridade competente (titular da unidade da RFB no domicílio tributário do sujeito passivo). Assim, concluiu o relator: Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 14 13 De se ver que a matéria a ser julgada não está perfeitamente delimitada, sendo questão prejudicial decidirse primeiro acerca do pedido de retificação de débitos solicitado pelo recorrente. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a DRF/POA, após manifestarse sobre o pedido feito pelo recorrente, no que tange à sua competência, acoste cópia da decisão final administrativa exarada quanto a esta matéria e devolva os autos a este colegiado para retomada deste julgamento. Ocorre que, devolvidos os autos à autoridade preparadora, forma prestadas as informações de fls. 2047/2048 dando conta que, verbis: "Pelo que declarou a empresa, houve erro na sua escolha dos débitos a serem parcelados, tendo recaído a marcação que efetivou, via Internet, no processo ao qual se destinava o recurso interposto. Ainda não existem ferramentas operacionais para que seja atendido o pleito do contribuinte. Observase que deixou de recolher as parcelas devidas no parcelamento em 03/2014. Juntamos cópias de decisões exaradas pela Equipe de Parcelamentos Especiais , em atendimento às manifestações do contribuinte, e contidas no processo 11080.722806/2011 97. Na cópia do despacho de 22/05/2012 (juntado às fls. 2049/20521), há apenas a informação no sentido de que " dada a impossibilidade de efetuar os procedimentos de revisão cabíveis, em virtude da inexistência de sistema apropriado, optamos pela suspensão da cobrança do presente processo até que seja possível sua inclusão/consolidação no parcelamento" e que "objetivando dar continuidade à apreciação do recurso voluntário, o grupo e cobrança efetuou o retorno dos autos do processo (...) ao CARF". Ou seja, os autos retornaram a este Conselho sem que fosse prestada a informação objetivamente solicitada no sentido de delimitar quais matérias remanescem em litígio após o pedido de parcelamento, inclusive após a o pedido de retificação do contribuinte, caso tenha sido acatado. Ante ao exposto, voto no sentido de converte o julgamento em diligência, determinando os autos à unidade da RFB do domicílio do sujeito passivo, para que a autoridade preparadora informe especificamente quais as exigências, por tributo e matéria (infração constatada), contidas nos autos de infração (efls. 6/59), permanecem sob litígio após a decisão de primeiro grau (DRJ) e do pedido de desistência em face de adesão ao parcelamento pelo sujeito passivo, inclusive de seu pedido de retificação. A autoridade preparadora deverá elaborar relatório circunstanciado quanto aos débitos remanescentes em litígio nestes autos, dos quais deverá ser dada ciência ao contribuinte, abrindose prazo para sua manifestação na forma regulamentar. Concluídas as diligências solicitadas, os autos devem retornar a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 15 14 Rogério Aparecido Gil Fl. 2075DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720338/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/07/2010
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
Configurado que a Importação, em fato, ocorreu por conta e ordem de terceiros, e não por conta própria, resta caracterizada a ocultação do real importador, configurando ilícito aduaneiro, ainda que inexistente dano ao erário.
RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO. PRÁTICA OU BENEFÍCIO PRÓPRIO.
São solidariamente obrigadas as pessoas físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a atribuição de responsabilidade àqueles que concorrem à prática da infração ou dela se beneficie.
Aplicação do art. 124, I do CTN e arts. 94, § 2º e 95, I do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira Ávila, que davam provimento parcial para à exclusão da responsabilidade imputada às pessoas físicas.
Designado para o voto vencedor quanto à responsabilidade solidária das pessoas físicas o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 08/07/2010 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Configurado que a Importação, em fato, ocorreu por conta e ordem de terceiros, e não por conta própria, resta caracterizada a ocultação do real importador, configurando ilícito aduaneiro, ainda que inexistente dano ao erário. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO. PRÁTICA OU BENEFÍCIO PRÓPRIO. São solidariamente obrigadas as pessoas físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a atribuição de responsabilidade àqueles que concorrem à prática da infração ou dela se beneficie. Aplicação do art. 124, I do CTN e arts. 94, § 2º e 95, I do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira Ávila, que davam provimento parcial para à exclusão da responsabilidade imputada às pessoas físicas. Designado para o voto vencedor quanto à responsabilidade solidária das pessoas físicas o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
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OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Configurado que a Importação, em fato, ocorreu por conta e ordem de terceiros, e não por conta própria, resta caracterizada a ocultação do real importador, configurando ilícito aduaneiro, ainda que inexistente dano ao erário. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO. PRÁTICA OU BENEFÍCIO PRÓPRIO. São solidariamente obrigadas as pessoas físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a atribuição de responsabilidade àqueles que concorrem à prática da infração ou dela se beneficie. Aplicação do art. 124, I do CTN e arts. 94, § 2º e 95, I do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira Ávila, que davam provimento parcial para à exclusão da responsabilidade imputada às pessoas físicas. Designado para o voto vencedor quanto à responsabilidade solidária das pessoas físicas o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 38 /2 01 3- 12 Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 645 2 PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 1657.248 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 530 em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/07/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro no valor de R$ 655.434,29 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB, no cumprimento do disposto nos Arts. 194, 195 e 196 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) e arts. 54 e 138 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966 (com nova redação dada pelos arts. 2° e 4o do DecretoLei n° 2.472, de 1° de setembro de 1988), e no atendimento da programação do Setor de Fiscalização Aduaneira da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto – SP (DRF/SJR), sob a égide do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08107002012013652, tendo em vista as determinações contidas na Instrução Normativa IN SRF n° 228/2002, foi realizada ação fiscal na empresa WayTrading Importação e Exportação Ltda, acima identificada, com a finalidade de verificar a ocorrência de ocultação do real adquirente em operação de comércio exterior ou a interposição fraudulenta de terceiros e a regularidade, origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações das mercadorias a que se referem as Declarações de Importação (DI's) n° 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528. As DI's sobreditas amparam a nacionalização de Chapas de Alumíno Positiva PS Matrizes para Ofset (as duas primeiras DI's) e Chapas para Reprodução de Ofset, classificadas, respectivamente, nas posições 3701.30.90 e 3705.10.00 da NCM Nomenclatura Comum do Mercosul. A fiscalização entende que a WayTrading Importação e Exportação Ltda não era o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas, agindo nas citadas importações como interposta pessoa, importando as mercadorias à ordem de outro, o autêntico sujeito passivo que deveria figurar na relação bilateral FiscoImportador. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 646 3 O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A fiscalização constatou que a empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Gráfico Ltda é a real importadora das mercadorias amparadas nas (DI's) n° 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528. Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Também foram autuados: ¹ Globo – Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Sráfico Ltda, caracterizada como real importadora das mercadorias amparadas nas (DI's) n° 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528; ¹ Mauro Aparecido Matiolli, CPF n° 017.400.33825; e ¹ Denio Luiz da Costa, CPF n° 092.241.08873. A empresa WAY TRADING IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA EPP foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 22/07/2013 (fls.292). A empresa GLOBO TRADING IMPORTACAO E EXPORTACAO DE EQUIPAMENTOS E MATERIAIS GRÁFICOS LTDA foi cientificada do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 25/07/2013 (fls.317). A empresa WAY TRADING, a empresa GLOBO TRADING, o Sr. Mauro Aparecido Matiolli e o Sr. Denio Luiz da Costa protocolizaram impugnação, tempestivamente em 19/08/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 325 à 359, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Os impugnantes alegaram que: DAS PRELIMINARES DA NULIDADE DO TERMO DE PRORROGAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Cediço que a autoridade administrativa fiscal, quando do exercício do lançamento, deve pautar sua conduta pelos princípios que dispõe a Lei nº 9.784/99, pois esta regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Transcreve os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784/99. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 647 4 Transcreve o artigo 9º da IN SRF nº 228/02. Os dispositivos legais supracitados convergem ao disposto no art. 93, inciso X, da Constituição Federal, pelo qual a motivação das decisões administrativas é princípio constitucional implícito. Contudo, contrariando mandamento normativo e constitucional, não se observa qualquer fundamentação/motivação constante no Termo de Prorrogação exarado pelo ilustre AuditorFiscal na fl. 181. Até porque não há qualquer motivação plausível para sustentar a prorrogação do procedimento. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Celso Antônio Bandeira de Mello, Alberto Xavier e Aurélio Pitanga Seixas Filho. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (TRF, I a Região, no AC 38485 DF 2008.34.00.0384859 Desembargadora Federal MARIA DO CARMO CARDOSO. Julgamento de 12/08/2011 Oitava Turma). DO EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O termo inicial para contagem do prazo de conclusão do procedimento especial, exposto no art. 9o da IN/SRF 228/2002, é a “ data de atendimento às intimações previstas no art. 4 o”. No caso em testilha, o atendimento das suprarreferidas exigências se deu em 18/12/2012 (fl. 42/43) e o prazo para conclusão do procedimento findaria, portanto, em 17/06/2013. Ocorre que, conforme se demonstra pelo Termo de Encerramento (fl. 183), o procedimento foi encerrado em 20/06/2013, depois de expirado o prazo normativo e legal. A alegação do Sr. Auditor Fiscal de que o prazo somente se iniciou em 27/12/2012, com a oitiva dos representante da empresa, não pode subsistir, posto que desprovida de qualquer fundamentação legal. De fato, o art. 9o da IN/SRF 228/2002, de forma cristalina e inconteste, preconiza que o prazo para conclusão do presente procedimento especial contarseá do atendimento das exigências contidas no art. 4o da IN/SRF 228/2002. A data de 18/12/2012 deve ser a data considerada como inaugural do prazo para conclusão do procedimento. A oitiva dos representantes da empresa é mera extensão do atendimento das exigências do Fisco e opção do Auditor Fiscal, não poderá ser indicada como marco inicial de contagem de prazo. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 648 5 Ainda, o prazo de prorrogação de 90 (noventa) dias deve ser contado do término imediato do prazo normativo regulamentar (art. 9 da IN/SRF 228/2002) e não da intimação da Impugnante, como operado pelo Auditor Fiscal. Embora o art. 66 da Lei n. 9.784/99 disponha que os prazos corram a partir da data da cientificação oficial, esta sistemática não pode prevalecer no caso concreto, pois, tratase de prorrogação de prazo em prol da administração pública e em prejuízo do contribuinte. DO MÉRITO DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Sérgio Ferraz e Adilson Abreu Dallari. A aplicação da verdade material ao processo administrativo decorre da aplicação de outro Princípio, o da Indisponibilidade do Interesse Público, determinado como sendo aquele de interesse da coletividade. Não se trata, pois, de interesse do agente público ou de interesse da administração pública. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Celso Antônio Bandeira de Melo e James Marins. Pelo quanto foi exposto, podese dizer que a marcha da busca pela verdade material no processo administrativo deve abarcar a correta análise e interpretação dos fatos e argumentos trazidos à baila pelo contribuinte, que compõe o conjunto probatório de forma extensiva, até mesmo em atendimento ao Princípio da Equidade existente entre as partes. A objetividade tampouco deve ser aplicada em relação às normas tributárias que imponham penalidades (multa) ao contribuinte, sem que antes se analise o elemento subjetivo do tipo, dada a aplicação do Princípio da Presunção de Inocência. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: (Acórdão n. 10319.789, DOU 29/01/99). DA REGULAR CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA WAY – TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP A sua constituição, pois, está devidamente registrada e autorizada perante todos os órgãos competentes e reguladores da atividade econômica que exerce. A sua sede física está confirmada pelo contrato de locação de folhas 140 a 146 do procedimento, no qual esteve representada por seu sócio administrador Sr Matheus de Oliveira Matiolli. Seu capital social, na importância de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), foi devidamente integralizado, conforme se comprova pelo extrato bancário anexo, escrituração contábil (fl. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 649 6 157) e Declaração de Imposto de Renda dos sócios fls. 203/215 dos autos. DA REGULAR ORIGEM DO CAPITAL SOCIAL Pressupôs o Auditor Fiscal que os recursos que formaram o capital social da empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP teriam a mesma origem. Mais ainda, frisa, na conclusão do relatório de fiscalização que a origem dos recursos empregados para as importações teriam origem na Empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos Gráficos Ltda. EPP. Primeiro, urge destacar que não há impedimento legal para que, na formação inicial de uma empresa, tenhase recursos originados de uma mesma fonte financiadora (mesma origem). Segundo, os empréstimos ajustados entre o Sr. Mauro Aparecido Matiolli e Matheus de Oliveira Matiolli e entre aquele e Magdalena Crulhas, são fatos concretos, reais e foram devidamente efetivados dentro da legalidade, e registrados nas suas Declarações do Imposto de Renda. Ademais, à época da constituição da Empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP, o Sr. Mauro sequer erasócio da empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos Gráficos Ltda. EPP; com efeito, o Sr. Mauro ingressou no quadro societário da Empresa Globo somente em 13/07/2012. No caso apreciado nesta Impugnação, a Administração Pública e, á contrariar suas próprias políticas, uma vez que penaliza o contribuinte que optou em disponibilizar suas economias para a implementação de empresa produtiva geradora de riquezas para o País, ao invés de simplesmente deixar seus recursos repousando em conta de poupança bancária. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de José Afonso da Silva e André Ramos Tavares. Pelo exposto a respeito da interpretação das normas de direito tributário e pelo conjunto probatório formador do procedimento, é de se concluir pela ilegalidade da formação do convencimento do Sr. Auditor Fiscal, devendo ser desconsiderados seus apontamentos relativos ã origem e formação do capital inicial da empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP. DA ADMINISTRAÇÃO E SEDE DA EMPRESA Em seu início, a Empresa WAY tinha, realmente, sede em Marília, mas logo depois se transferiu para a cidade de São José do Rio Preto. O fato de a sede inicial da Empresa Way ser próxima à sede da Empresa Globo em nada corrobora para a tese orquestrada pelo Auditor Fiscal, pois há que se respeitar estrita observância ao Princípio da Livre Iniciativa, já debatido anteriormente. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 650 7 Assim o foi, porque os primeiros momentos da existência da Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP serviram como análise de mercado, a fim de constatarse a melhor região de atuação pa ra inicio de suas atividades, tanto que, quando do efetivo inicio da atividade comercial da Empresa Way, esta já se encontrava estabelecida na Cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Notase que a região atendida pela Empresa Way é totalmente diversa daquela atendida pela Empresa Globo e, ainda, não há qualquer correlação entre seus clientes, conforme se demonstra e comprova pelo confronto entre os relatórios contábeis, em anexo (does. 9 e 20). Com efeito, os sócios Dênio e Mauro, da Empresa Globo, são administradores experientes na área, e, embora a Empresa Way seja independente, teve início com auxílio intelectual e de experiência de mercado do genitor de um de seus sócios tudo dentro da estrita legalidade. Não há sequer mera aparência de ilegalidade nos negócios realizados e que foi objeto da autuação fiscal, mas apenas o exercício de um direito legal. As empresas e os respectivos sócios não podem ser punidos pelo exercício regular de negócios jurídicos previstos na legislação nacional. Isso decorre, mais uma vez, do direito fundamental dos contratantes à livre iniciativa e liberdade de contratação (arts. 1º, inciso IV, e 170, P. Único, da Constituição Federal) e todos os negócios jurídicos realizados estão dentro da legalidade. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Rachel Sztajn. Reforçase, conforme já destacado alhures, que à época da constituição da Empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP, o Sr. Mauro sequer era sócio da empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos Gráficos Ltda. EPP. O Sr. Mauro ingressou no quadro societário da Empresa Globo somente em 13/07/2012. Dessa forma, a procuração outorgada pela Empresa Way ao Sr. Mauro, na data de 20/04/2011, deuse antes mesmo de sua entrada no quadro societário da Empresa Globo. DAS PARTICULARIDADES NA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA WAY Embora extremamente lacônico, o “Termo de Declaração” redigido pelo Auditor Fiscal quando tomou o depoimento do sócio administrador da Way, Matheus de Oliveira Matiolli, deixou evidenciado que o Sr. Matheus demonstrou conhecer particularidades da empresa, afastando qualquer presunção de que fosse apenas um “prestanome”. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 651 8 Indicou com precisão o nome completo dos funcionários da Way, além de esclarecer que o funcionário Bruno (que é vendedor) é quem tinha o registro do nome dos concorrentes diretos da Way (doc. 10). É que, por ser de pequeno porte, a Way tem como concorrentes diretos outros também pequenos comerciantes, a maioria trabalhando na informalidade, dos quais se conhece apenas referências ao primeiro nome e à cidade de origem, porque transportam todo seu estoque no veículo com que realizam suas vendas, de porta em porta: Fabiano, de Araçatuba; Wellington de Andradina; e etc. As grandes empresas, tais como IBF, Fuji e Kodak, não chegam a operar na reduzida escala comercial da Way, não podendo ser consideradas suas concorrentes. Confirase, ainda, que é o Sr. Matheus quem comparece representando a Way no contrato de locação apresentado ao Fisco e acostado no processo, correspondente ao imóvel onde está estabelecida a Empresa (fls. 140 a 146). É também o Sr. Matheus quem assina os documentos nas operações de câmbio para as importações, conforme demonstram os documentos de folhas 57 e 62, do procedimento 8 DA LUCRATIVIDADE DA EMPRESA WAY Em comentários a um fragmento do Relatório Fiscal, indaga e comenta: Um faturamento de R$ 976.278,66 seria expressivo? Ora, basta comparálo com o limite de faturamento para o regime do Simples Nacional, que para 2011 foi de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). O faturamento da Empresa Way sequer chegou à metade desse valor! As variáveis “boa gestão, conhecimento do produto e uma boa carteira de cliente”, ainda que inerentes à atividade empresarial, no contexto comentado representam simples conjectura do Sr. auditorFiscal, não podendo justificar a penalização do comerciante. Por acaso, seria esperável que uma empresa fosse aberta para dar prejuízo? 8 DA REGULARIDADE E INDEPENDÊNCIA DA EMPRESA GLOBO TRADING A Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Gráfico Ltda CNPJ 06.037.554/000140, iniciouse e continua em Marília, e foi constituída muitos anos antes da Way (does. 14 e 19). Embora operando com ramo de atividade semelhante, nada tem em comum com a Way, no tocante às operações e administração: opera em região diferente, tem clientela diferente, empregados diferentes (doc. 20). A existência de parentesco entre os sócios de ambas não tem o condão de transformálas em empresas interdependentes, como pretendeu o Fisco. 8 DOS SENHORES MAURO E DÊNIO O Senhor Mauro Aparecido Matiolli é genitor do sócio administrador da Way, Sr. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 652 9 Matheus de Oliveira Matiolli, e o Sr. Dênio Luiz da Costa é filho da outra sócia da Way, Sra. Magdalena Crulhas. Atualmente, ambos são sócios da Globo Trading, embora o primeiro tenha ingressado na sociedade apenas em julho de 2012. Em épocas diferentes, ambos receberam do Sr. Matheus, procuração para auxiliálo na gestão da Way: o Sr. Dênio em maio de 2010, e o Sr. Mauro em abril de 2011. Entretanto, e a despeito dos termos abrangentes das Respectivas preocupações, a documentação acostada aos autos, bem como as apurações fiscais deixaram evidenciado que eles atuaram apenas como auxiliares do sócio administrador da Way, fato comum no meio empresarial e não vedado pela legislação pátria, conforme já asseverado. O administrador e principal gestor da Way Trading sempre foi o Sr. Matheus de Oliveira Matiolli. DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO Não se pode olvidar que o dano ao erário é requisito essencial para a aplicação da pena de perdimento da mercadoria ou seu equivalente em multa pecuniária. Entretanto, faltou esse requisito ao Auto de Infração impugnado, o que o macula irremediavelmente. A conduta da Empresa Impugnante Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP, além de estar balizada pela legalidade, não acarretou qualquer dano ao erário, tanto que o Auditor Fiscal não aponta qualquer dano, nem sequer foi objeto de qualquer explanação sua. Muito embora o art. 136 do Código Tributário Nacional indique que a responsabilidade do agente por infrações à legislação tributária independa de culpa, ou seja, é objetiva, há muito já se assentou ou, na doutrina e jurisprudência, que esse entendimento deve se r sopesado. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Sacha Calmon Navarro Coelho. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: (CARF 4a Câmara 2a Câmara Ordinária, Processo nº 10074.000093/200747, Acórdão 3402001.867, Relator FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’ECA, julgado em 22/08/2012) e (CARF 3a Câmara, Processo 10921.000044/200271, Acórdão 30331.960, Relator SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, julgado em 13 de abril de 2005). Junta textos da Jurisprudência Judicial do STJ a respeito do assunto: (STJ Segunda Turma, AgRg no REsp 982224/PR, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 653 10 06/05/2010, )JE 27/05/2010); (Ac. da 2a Turma do STJ no REsp n° 639252PR, Reg. n° 2004/00050800, em sessão de 21/11/2006, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. In DJU de 06/02/07 p. 286) e ( Ac. da 2a Turma do STJ no REsp 331548 PR; Reg. 2001/00933870, 16/02/2006, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, in DJU de 04.05.2006 p. 154). Com efeito, ausente o efetivo dano ao erário, não há que se falar em pena de perdimento das mercadorias ou multa equivalente. 8 DA COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior possui fundamento no artigo 23, inciso V e parágrafo 2o, do Decreto Lei n° 1.455, de 1976, o qual serviu de base para a redação do artigo 689 do Regulamento riduaneiro vigente (Decreto n° 6.759/09). De acordo com os dispositivos em questão, a interposição fraudulenta pode ser definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior e que tenha por objetivo ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude ou simulação. Ainda, de acordo com os dispositivos em questão, para que se presuma a ocorrência da interposição fraudulenta, é necessário que haja indícios de que a origem, a disponibilidade e atransferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior não sejam passíveis de comprovação. No caso em exame, as operações estão todas regular e devidamente declaradas e escrituradas, com a identificação precisa de quem importou as mercadorias, e os recursos utilizados no pagamento dessas compras foram também regularmente escriturados e comprovada sua origem. É o que consta dos autos e da escrituração da Impugnante. Não há, pois, que se falar em “ocultação do real comprador”, em “prática de fraude ou simulação”, ou na impossibilidade de comprovação” da origem dos recursos utilizados no pagamento, requisitos esses exigidos pela legislação para a caracterização da infração que a autoridade administrativa tentou imputar à Impugnante. DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto e de tudo mais que dos autos consta, requerse o acolhimento da presente Impugnação, para: 1. PRELIMINARMENTE, seja declarado nulo o Mandado de Procedimento Fiscal e sua prorrogação, por falta de motivação do ato e por excesso de prazo para conclusão do trabalho fiscal, conforme apontado e, por conseqüência, seja cancelado o respectivo Auto de Infração; 2. Caso não seja esse o entendimento dessa Autoridade Julgadora, que, no mérito, seja cancelado o auto de infração guerreado,face sua improcedência, à vista da comprovação de Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 654 11 que não ocorreram os fatos infracionais alegados pela Autoridade Administrativa Fiscal; 3. Por conseqüência, seja restituída a caução de R$ 157.614,48 dada em garantia para a liberação de mercadorias, bem como cancelada a suspensão para a realização de operações no comércio exterior. Requerse, também: a) realização de perícia, para a comprovação da regular existência da empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. e do registro dos recursos e das respectivas operações; b) a cientificação da defesa quanto a data, hora e local do julgamento da impugnação, para fins de apresentação de memoriais e de sustentação oral, em observância aos corolários do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. É o relatório. A Turma Julgadora, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/07/2010 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os contribuintes, irresignados, interpuseram Recurso Voluntário (em uma única peça), reiterando os argumentos da Impugnação. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 655 12 Voto Vencido VOTO VENCEDOR QUANTO AO MÉRITO E VENCIDO QUANTO À RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado acima, o presente processo decorre de ação fiscal realizada na empresa WayTrading Importação e Exportação Ltda. com a finalidade de "verificar a ocorrência da ocultação do real adquirente em operação de comércio exterior e/ou a interposição fraudulenta de terceiros e a regularidade, origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações das mercadorias a que se referem as Declarações de Importação (DI's) nº 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528". (Relatório Fiscal, fl. 297). As operações em questão tiveram por objeto a importação de "Chapas de Alumínio Positiva PSMatrizes para Ofset (as duas primeiras DI's) e Chapas para Reprodução de Ofset, classificadas, respectivamente, nas posições 3701.30.90 e 3705.10.00 da NCN". (fl. 297). De acordo com a Fiscalização, a empresa Way Trading não seria a verdadeira adquirente das mercadorias importadas, agindo como interposta pessoa, importando as mercadorias à ordem de terceiros, que não figurou nos documentos de importação. O real adquirente das mercadorias foi identificado como sendo a empresa "Globo Trading Imp. e Exp. de Eq. GráficosEPP, em benefício dos sóciosadministradores desta, Srs. Mauro Aparecido Matiolli e Denio Luiz da Costa". (fl. 300) A infração foi assim descrita pelo Relatório Fiscal (fl. 304): Por fim, procedimento fiscal culminou com a Lavratura de Auto de Infração visando exclusivamente à cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria sujeita a perdimento e não localizada, consumida ou revendida (art. 673, 675, incio IV, 689 e Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 656 13 §1º do Decreto 6759/09, arts. 73§§ 1º e 2º, 77 da Lei nº 10.833/03 e art. 23, §§ 1º e 3º do Decretolei 1.455/76). (Auto de Infração às fls. 292/296) O Auto de Infração foi lavrado em face dos seguintes sujeitos passivos (fl. 305): Os 4 (quatro) sujeitos passivos foram signatários da Impugnação e também do Recurso Voluntário. Para mais adequado exame do feito, passo a analisar cada um dos tópicos do Recurso Voluntário apresentado. PRELIMINAR NULIDADE DO TERMO DE PRORROGAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO PRELIMINAR EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DO MPF Em sede de Preliminares os Recorrentes alegam a nulidade da autuação fiscal pelo fato de o procedimento de fiscalização não ter ocorrido dentro do prazo inicialmente estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal, afirmando, ainda, que a prorrogação realizada seria nula por falta de motivação. Todavia, reputo inócuas tais alegações, pois a atividade administrativa do lançamento, regulada pelas normas internas da Administração Pública (RFB), não interferem na validade do lançamento tributário, quando este, evidentemente, cumpre os requisitos estabelecidos pelo Código Tributário Nacional e normas regentes do Processo Administrativo Tributário. Assim, por não vislumbrar qualquer violação aos dispositivos normativos que regem a atividade de constituição do crédito tributário, não vejo como acolher as preliminares suscitadas. MÉRITO CARÁTER TRIBUTÁRIO DA SUPOSTA INFRAÇÃO Nesse tópico os Recorrentes se insurgem, em fato, quanto aos fundamentos do acórdão recorrido, que, ao defender a validade do lançamento tributário, valeuse de princípios aplicáveis ao direito penal. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 657 14 Todavia, além da questão trazida não atacar diretamente o lançamento tributário, mas, sim, a fundamentação do acórdão recorrido que sequer faz trânsito em julgado entendo que, no Direito, há, efetivamente, o diálogo entre as suas mais diversas áreas. Não se trata de ciência exata, por vezes se tem uma verdadeira interconexão entre seus ramos de estudo. A própria separação do direito em áreas (público e privado, direito constitucional, administrativo, penal, etc) se dá exclusivamente por caráter didático, mais, jamais, para trazer qualquer diferenciação no seu tratamento, seja no âmbito cientifico, como na esfera da sua aplicação prática. E mais do que isso, é assunto já bastante trabalhado na doutrina, a grande conexão principiológica entre o direito penal e o direito tributário, notadamente pelo fato de as normas vinculadas a tais ramos estarem sujeitas à legalidade estrita e trazerem tanto normas de conduta, como sancionatórias. Desse modo, afasto qualquer alegação de nulidade em face da fundamentação utilizada pelo Acórdão recorrido. MÉRITO APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Com relação ao princípio da verdade material, é cediço meu posicionamento pela necessidade deste ser observado sempre da forma mais ampla no âmbito do lançamento tributário e, consequentemente, do contencioso administrativo tributário. Outrossim, para que tal princípio seja viabilizado nesta seara, se faz imprescindível que o Contribuinte, naquilo que defende, apresente as provas, ou, ao menos, indícios das alegações que pretende sejam acatadas. Na hipótese dos autos, verificase que o tópico de recurso apresentado pelo contribuinte destinouse apenas a trazer o posicionamento doutrinário acerca do princípio da verdade material no âmbito do lançamento tributário, contudo, as provas que efetivamente diz existir, é analisada juntamente com o mérito real da autuação fiscal e, portanto, também serão analisadas de forma individualizada nos tópicos respectivos. MÉRITO REGULAR CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA WAY TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP MÉRITO REGULAR ORIGEM DO CAPITAL SOCIAL MÉRITO ADMINISTRAÇÃO E SEDE DA EMPRESA MÉRITO PARTICULARIDADES NA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA WAY MÉRITO LUCRATIVIDADE DE EMPRESA WAY Tais tópicos, embora tratados de forma individualizada pelos Recorrentes, a meu ver, merecem ser analisados de forma conjunta, uma vez que ambos tem por objetivo afastar a premissa adotada pela fiscalização no sentido de que as importações analisadas ocorreram de modo fraudulento. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 658 15 Pois bem. Na hipótese dos autos, a importação foi considerada fraudulenta por entender a fiscalização que ocorreu tanto a ocultação do real importador, quanto a comprovação de inexistência de recursos financeiros por parte da importadora de direito. O acórdão recorrido apresentou de modo bastante didático os aspectos legais acerca da fiscalização das operações de importação. Pela propriedade da exposição nele realizada, reputo despiciendo trazer maiores argumentos de direito no presente voto, pelo que apenas faço remissão ao que restou lá exposto. Assim, passo ao exame dos fatos e provas que, no entendimento fiscal, seriam aptos a comprovar tanto a ocultação fraudulenta do real importador, quanto a alegada inexistência de recursos. De acordo com a Fiscalização, a empresa Way Trading não demonstra possuir estrutura necessária para a realização das importações, se tratando, em verdade, de empresa criada em benefício dos sócios da empresa Global, confirase: · Os sócios da empresa WayTrading é composta pelos sócios Matheus de Oliveira Matiolli, sócio administrador, e Magdalena Crulhas da Costa, CPF n° 092.800.18817, que, à época da constituição da empresa, contavam respectivamente com 18 e 80 anos. · Além disso, Matheus é filho de Mauro Aparecido Matiolli (sócio da empresa Globo Trading), e, Magdalena, é sogra de Denio Luiz da Costa (sócio da empresa Globo Trading). · A totalidade do capital social na constituição da empresa Way Trading é oriundo de empréstimos fornecidos pelo Sr. Mauro Aparecido Matiolli, devidamente declarados em DIRPFs, sendo que parte desse numerário é oriundo da venda de imóveis de Mauro à Global, inclusive sua própria residência, além do imóvel utilizado como sede da Global. · A Way Trading, embora tenha se mostrado lucrativa, não distribuiu lucro aos sócios no período examinado. Contudo, concedeu empréstimos aos seus próprios sócios, cujos recursos foram utilizados na quitação dos empréstimos concedidos pelo Sr. Mauro para a constituição da empresa. · Apesar do sócio Matheus constar como sócio administrador da Way Trading, a Fiscalização identificou procurações públicas outorgadas aos Srs. Mauro e Dênio para o exercício de atos de administração da sociedade. · O mesmo fornecedor dos produtos importados pela Way Trading possui contrato com a Global, que importava regularmente os mesmos bens. · A pessoa responsável pelas negociações com o fornecedor, tanto pela Global, como pela Way Trading, é a mesma. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 659 16 · O despachante aduaneiro que presta serviços a ambas as empresas é o mesmo. · Existem emails trocados com o Fornecedor das mercadorias importadas fazendo referência ao Sr. Dênio. Pois bem. Tenho que cada um desses elementos, analisados individualmente, não são capazes de caracterizar qualquer fraude. Os documentos constitutivos da empresa, assim como a origem dos recursos na sua constituição, são, por si, revestidos de legalidade. Além disso, as relações familiares entre pequenas empresas são comuns no meio empresarial brasileiro. Contudo, tenho que o conjunto dos elementos demonstra que, de fato, ambas as empresa atendem a um interesse único, podese dizer, formam um grupo. Ainda nesse sentido, entendo que a criação de uma nova empresa para o exercício de uma atividade específica, ainda que originariamente esta atividade tenha sido exercida pela primeira, também não se mostra, por si, ilegítima. Todavia, a legitimidade dos atos em questão, não afasta a conclusão de que a Way Trading jamais teve o objetivo de importar o produto para si, mas, sim, que esta importação ocorreu exclusivamente no interesse da Global, ou seja, deveria ter sido informada como sendo por conta e ordem de terceiros. E é este fato que se mostra punível pela legislação aduaneira, a não informação correta ao Fisco acerca do efetivo interessado na importação. Pelo exposto, não merece qualquer reparo o acórdão proferido pela DRJ quanto à conclusão de que a importação se deu com ocultação do real adquirente. MÉRITO SENHORES MAURO E DÊNIO Foi atribuída responsabilidade solidária aos sócios da empresa Global, Srs. Mauro e Dênio, com fundamento tão somente no art. 124, I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Todavia, entendo que, também nesses aspecto, não logrou a Fiscalização comprovar o interesse comum dos sócios da empresa Global. Na hipótese, o interesse comum na situação restou caracterizado apenas com relação à Global, Pessoa Jurídica ocultada, mas não com os sócios, ainda que administradores, que sequer cometeram ilegalidades na gestão (hipótese, aliás, de aplicação da solidariedade do art. 135 do CTN). A meu ver, não se pode atribuir responsabilidade direta aos sócios com base exclusivamente no interesse comum no fato gerador. Os sócios não agem em interesse próprio, mas no interesse da própria pessoa jurídica, de personalidade jurídicas distintas. Para Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 660 17 comprovar interesse próprio do sócio, entendo que devem restar caracterizadas condutas que extrapolem o seu poder de gerência (art. 135 do CTN), o que não logrou fazer a Fiscalização. Desse modo, diante dos fatos apresentados e, precipuamente, pelo fato de a Fiscalização não ter logrado demonstrar qualquer razão hábil para atrair a aplicação da responsabilidade tributária aos sócios da pessoa jurídica ocultada, afasto a solidariedade exclusivamente dos sócios da pessoa jurídica. MÉRITO AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO No âmbito da fiscalização aduaneira, a ausência de dano ao erário não se mostra relevante, uma vez que o bem jurídico tutelado pelas normas respectivas vai além do recolhimento do tributo em si, alcançado, precipuamente, aspectos regulatórios e de soberania nacional. Assim, a comprovação de ausência de dano ao erário, não alcança a análise acerca da legalidade dos sanções previstas nas normas, não competindo a este órgão julgador analisar quaisquer questões quanto à constitucionalidade das normas em questão. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário dos Contribuintes, apenas para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Dênio Luiz da Costa e Mauro Aparecido Matiolli, mantendo a integralidade do crédito tributário. Tatiana Josefovicz Belisário Relator Voto Vencedor Conselheiro, Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Designado. Divergi do voto da Relatora quanto à responsabilidade tributária atribuída aos senhores, Mauro Aparecido Matiolli e Dênio Luiz da Costa, o que fui acompanhado pela maioria por entender que não só restou comprovado o interesse comum das pessoas físicas responsabilizadas como também concorreram efetivamente para a prática da infração e dela se beneficiaram, à luz do que dispõem os arts. 121, I do CTN, e 94, § 2º e 95, I do DecretoLei nº 37/66. Assim, coubeme a designação para redigir este voto vencedor. Cabe inicialmente apontar o lapso de escrita no tópico "4. ENQUADRAMENTO LEGAL E PENALIDADE APLICADA", do Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, acostados às folhas 297 a 305 dos autos na parte em que a autoridade autuante assevera: (...) nos termos dos art. 124, inciso I, da Lei 5.172/1966 (CTN) e arts 194, § 2º e 195, inciso I, do Decretolei 37/1966. Constatase que a autoridade fiscal indicou incorretamente os arts. 94, § 2º e 95, inciso I do DecretoLei nº 37/66, pois que acrescentou aos números dos artigos o algarismo da centena. Tal fato não macula a autuação uma vez que o DecretoLei não possui os Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 661 18 indigitados artigos 194 e 195 e a leitura de seus textos aponta para a perfeita correspondência entre a acusação e o texto legal, conforme reproduzido: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. (...) § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Ademais, o lapso não foi suscitado nas peças de defesas dos autuados. Fundamentou a Relatora seu voto no argumento de que o interesse comum na situação restou caracterizado apenas com relação à Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Gráfico Ltda, a pessoa jurídica ocultada nas operações de comércio exterior da WayTrading Importação e Exportação Ltda, da qual (Global) as pessoas físicas ora responsabilizadas eram sócias. Por certo, a responsabilidade foi atribuída às pessoas físicas, srs. Mauro e Dênio, por fatos que extrapolam o interessem comum, vez que suas condutas na efetiva administração da empresa Way, na qual não eram sócios, revelaram a prática da infração de interposição fraudulenta por ocultação da empresa Global e de seus próprios nomes. Assim, desnudado o interesse comum e o benefício alcançado nas operações, quais sejam, manteremse ocultos do fisco na realização de importações, apenas formalmente atribuídas à empresa Way, acertada a responsabilização de Mauro e Dênio pelos créditos tributários apurados. De fato a gestão da empresa Way foram exercidas por Mauro e Dênio, pois o primeiro foi quem supriu os recursos financeiros ao filho, de 18 anos, para iniciar as "lucrativas" operações de comércio exterior pois como revelado contou com a "experiência" do pai. E mais, Mauro e Dênio detinham procuração pública com amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de gerir e administrar todos os bens e negócios da empresa Way, podendo comprar, vender e negociar mercadorias, abrir, movimentar e encerrar contas corrente/poupança, emitir cheques, etc, inclusive substabelecer. Nos autos consta o Cartão de Autógrafos de conta corrente mantida pela Way no banco do Brasil, com as assinaturas dos outorgados, srs. Mauro e Dênio. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 662 19 Apontou também a fiscalização que os ora responsabilizados atuavam efetivamente junto aos exportadores da Way. Os fatos narrados pela fiscalização não foram afastados com provas e argumentos convincentes. Arguíram em seus recursos que as procurações públicas tinham a mera finalidade de auxiliar o sócio administrador da Way, o que não seria vedado pela legislação. Conclusão Os atos praticados pelos acusados (sr. Mauro Aparecido Matiolli e sr. Dênio Luiz da Costa) e relatados pela fiscalização, a meu ver foram decorrentes de evidente gestão financeira, comercial e administrativa de empresa em que não eram sócios e culminaram na prática da infração de interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior. Por todos estes fatos entendo acertada a responsabilização das pessoas físicas atribuídas pela autoridade fiscal, nos termos dos artigos 121, I, do CTN, e 94, § 2º e 95, I do DecretoLei nº 37/66. Do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário mantendose responsabilidade tributária das pessoas físicas Mauro Aparecido Matiolli e Dênio Luiz da Costa. Ressalto que acompanhei o voto da relatora que negou provimento nas demais matérias. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900477/2008-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento.
BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA.
O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR.
CONFISSÃO DE DÍVIDA
A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1801-000.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CANCELAMENTO. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento. BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. CONFISSÃO DE DÍVIDA A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30/01/2004, fls. 01/02, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$3.637,06 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 30/06/2003, para compensação do débito de IRPJ, código nº 5993, referente ao fato gerador de dezembro de 2003 no valor de R$4.032,77. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 03/04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30/04/2008, fl. 05, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20/05/2008, fls. 06/07, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Trata-se de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. Acrescenta que procedeu a todos os pagamentos dos tributos devidos. Instrui o processo com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano- calendário de 2003, fls. 20/80, bem como com as cópias dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), fls. 81/94. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14-23.849, de 08/05/2009, fls. 96/98:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 173 3 Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Notificada em 30/07/2008, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/08/2009, fl. 102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Instrui o processo com a cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), fls. 125/155, onde estão escriturados os balancetes mensais, bem como cópia do Livro Diário, fls. 104/124, onde está transcrito o balancete de dezembro de 2003. Explica que a) A empresa, no ano base em causa, optou pela tributação pelo Lucro Real, com base em Balanço Geral Anual. Levantou mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à • pagar, tendo recolhido todos os meses que acusaram valor à pagar. b) Esta exigência fiscal decorreu de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolheu por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que não existe. Esse foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim, esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. c) E a DCTF Trimestral foi preenchida incorretamente, para corresponder aos valores impropriamente lançado no PER/DCOMP. d) Desta forma, pode-se concluir, força da realidade dos fatos, que a DCTF e PER/DCOMP relativos a este período são imprestáveis. e) Declara este contribuinte que não é titular dos créditos impropriamente lançados no PER/DCOMIP em questão. f) No acórdão epigrafado, afirma seu relator que a contabilidade regularmente executada, vale como prova à favor ou contra o contribuinte (Artigo 923 do RIR). No caso anexa, as peças mencionadas no item g, para demonstrar a inexistência de outro débito fiscal da empresa, que não os já pagos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 g) Para demonstrar que a empresa nada deve à Receita Federal do Brasil, e que os valores erradamente inscritos nos DCTFs e PER/DCOMPs, não tem origem válida, anexa a esta cópia dos Balancetes Mensais de Verificação, transcritos no Livro Diário n.° 45, autenticado sob n.° 1.200, no Cartório de Registro de Salto, mês a mês, e do Lalur e Demonstrativo de Cálculo correspondente a toda apuração do imposto e contribuições devidos, mês a mês, estes todos pagos, conforme cópias de guia que se anexa. h) Ao final, há de se constatar a inexistência de débito, que se comprova por este recurso. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que a Per/DComp deve ser cancelada por erro no preenchimento, uma vez que o crédito já foi corretamente utilizado e que o débito confessado é inexistente. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Sobre o Pedido de Cancelamento da Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 174 5 do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 145927 Número do Processo 14033.000033/2004-19 Turma 3ª Câmara Contribuinte PHD TRANSPORTES LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Outros Data da Sessão 08/08/2007 Relator(a) Paulo Jacinto do Nascimento Nº Acórdão 103-23143 Tributo / Matéria - Cofins- processo que não versem s/ exigências de credito tributário Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Paulo André Vacari Beloni, inscrição OAB/DF nº 12.671. Ementa COMPENSAÇÃO [...] PEDIDO DE CANCELAMENTO – Não merece ser acolhido o Pedido de Cancelamento de Compensação formulado após a ciência do despacho decisório que a indeferiu. Recurso improvido. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007. [...] Nº Recurso 148271 Número do Processo 10480.001708/2002-56 Turma 3ª Câmara Contribuinte COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 09/08/2007 Relator(a) Antonio Carlos Guidoni Filho Nº Acórdão 103-23167 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe em face das disposições do artigo 15, §1º, inciso II, do RI. A contribuinte foi defendida pelo DR. Ivo de Lima Barboza, OAB/PE nº 13.500D Ementa ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento, o que não ocorreu no presente caso. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157222 Número do Processo 10768.100409/2003-68 Turma 1ª Câmara Contribuinte BANCO FINIVEST SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Valmir Sandri Nº Acórdão 101-96829 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, no sentido de reconhecer o erro de fato no pedido interposto, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação das compensações pretendidas, considerando os créditos existentes relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 229272 Número do Processo 10283.009117/99-51 Turma 5ª Câmara Contribuinte IMPORTADORA BELMIROS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 14/09/2007 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 105-16675 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO - ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO - Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 175 7 homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999, prevê: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). A pessoa jurídica tributada com base no lucro real pode optar pelo recolhimento do tributo mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano-calendário (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Ainda, sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 97, de 24 de dezembro de 1997, prevê: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano- calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano- calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. [...] § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano- calendário; Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: I - a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário; II - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157989 Número do Processo 11522.000275/2005-93 Turma 3ª Turma Especial Contribuinte ETENGE EMP DE ENG ELET LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/10/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00014 Tributo / Matéria IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal) Decisão Por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) para excluir do IRPJ lançado o valor de R$ 1.450,00 e seus consectários, referente ao fato gerador de 31/12/2000, e II) quanto à multa isolada, reduzir o percentual de 75% para o percentual de 50% , em face da retroatividade benigna. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001. [...] SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ MENSAL - ESTIMATIVA - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, por estimativa, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 176 9 O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. Sobre a confissão de dívida, o Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, determina: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Em relação à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, determina: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas a fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: [...] § 1º Os valores relativos a impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício não deverão ser informados na DCTF. [...] Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa e, caso não sejam regularizados, enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. A DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito tributário declarado. No que se refere à DIPJ, foram editados atos normativos evidenciando que se trata de documento informativo (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Analisando os dados constantes na DIPJ do ano-calendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, tem-se que a CSLL devida mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 1.507,35 1.507,35 1.507,35 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 Setembro 6.826,53 6.826,53 6.826,53 0,00 Outubro 10.578,60 10.578,60 10.578,60 0,00 Novembro 11.341,65 11.341,65 11.341,65 11.341,65 Dezembro 4.216,40 4.216,40 4.216,40 4.216,40 Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o valor do débito informado em Per/DComp referente ao débito de CSLL, deve ser cancelado. Não consta nos autos a integralidade da cópia do Livro Diário comprovando a transcrição obrigatória do balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo, bem como não há prova de que todos os valores devidos estão corretamente confessados em DCTF. Pelo contrário, o referido crédito tributário não está regularmente constituído, embora possa existir DARF correspondente. Por esta razão, a PER/DComp não pode ser cancelada, já que é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do presente crédito tributário. Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. Em face do exposto voto: a) para que a DRF que jurisdicione a Recorrente fique alerta para a possível existência de pagamentos; b) no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 177 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 11543.003608/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS PELO CONTRIBUINTE COMO ISENTOS. ÔNUS DA PROVA
Contribuinte que classifica os rendimentos recebidos de ação trabalhista como rendimentos isentos, cabe-lhe o ônus da prova em provar a natureza isentiva dos rendimentos recebidos. Após diligência fiscal, não houve a devida comprovação dos valores em decorrência da incineração do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS PELO CONTRIBUINTE COMO ISENTOS. ÔNUS DA PROVA Contribuinte que classifica os rendimentos recebidos de ação trabalhista como rendimentos isentos, cabe-lhe o ônus da prova em provar a natureza isentiva dos rendimentos recebidos. Após diligência fiscal, não houve a devida comprovação dos valores em decorrência da incineração do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RENDIMENTOS CLASSIFICADOS PELO CONTRIBUINTE COMO ISENTOS. ÔNUS DA PROVA Contribuinte que classifica os rendimentos recebidos de ação trabalhista como rendimentos isentos, cabelhe o ônus da prova em provar a natureza isentiva dos rendimentos recebidos. Após diligência fiscal, não houve a devida comprovação dos valores em decorrência da incineração do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 36 08 /2 00 4- 15 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 81 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.36/44) interposto pela contribuinte em face da decisão da DRJ/JFA questionando o auto de infração sobre IRPF ano calendário de 2000 Exercício 2001 no valor total de R$ 5.857,88 de acordo com fls. 07. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 27/32) por sua precisão: “O lançamento formalizado pelo Auto de Infração de fls.05/12, lavrado pela Fiscalização em 01/07/2004, decorre da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2001 Retificadora, apresentada pela contribuinte retro identificada, cópia apensada às fis.23/26, que, conforme Termo de Acerto de Declaração de fis.16, alterou os "rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas" e os "rendimentos isentos e não tributáveis" para R$ 46.898,60 e R$ 34,34, respectivamente, resultando, em conseqüência, a apuração de imposto suplementar, no valor de RS 2.494,63, acrescido de multa de ofício (passível de redução), no valor de RS 1.870,97, e juros de mora calculados até agosto de 2004, no valor de RS 1.492,28. A autoridade revisora, conforme expresso no item "demonstrativo das infrações" a fls.08 — parte integrante do Auto de Infração em pauta — apurou "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vinculo empregatício" visto que "a contribuinte declarou indevidamente como isento e nãotributável o rendimento de R$ 15.669,01, parte do montante tributável de R$ 31.805,89 recebido na ação trabalhista n°579/91". Em sua peça impugnatória de fis. 01, a interessada contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que os rendimentos em questão foram Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 82 3 considerados pela Justiça como "rendimentos isentos e nãotributáveis" e, portanto, não fazem parte da base de cálculo do imposto de renda. Para corroborar seus argumentos, trouxe aos autos, juntamente com sua defesa, os documentos anexados às fls.02/04.” 3 A decisão da DRJ/JFA (fls. 33/35) julgou improcedente a Impugnação da contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Mantémse o valor apurado pelo Fisco quando o contribuinte, na fase impugnatória, não apresentar provas incontestes que invalidem o feito fiscal. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATORIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente 4 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/02/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 38, a contribuinte apresentou, em 24/03/2008 (21/03 feriado Paixão de Cristo), recurso voluntário, fls. 39, onde reitera e reforça os mesmos argumentos da impugnação, juntando aos autos documentos, fls. 40/41. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 83 4 5 Na sessão de 20/06/2013 a extinta 2ª turma da 1ª Câmara desse E. Sodalício através da Resolução nº 2102000.140 às fls. 47/49 sobrestou o caso em decorrência da decisão sobre o Tema 228 do STF em repercussão geral sobre a incidência do IRPF nos rendimentos percebidos acumuladamente. 6 – Em Resolução nº 2102000.190 de 18 de julho de 2014 houve a conversão do julgamento em diligência para: “De acordo com a defesa, do valor total bruto recebido pela Recorrente (R$ 31.805,89) apenas R$ 16.136,88 seriam tributáveis. Sustenta este argumento com base no documento de fls. 41. Do referido documento – transcrito no voto acima – é possível depreender que, de fato, a base de cálculo utilizada pela fonte pagadora para cálculo do IRRF foram os R$ 16.136,88. Com efeito, o fato da fonte pagadora ter utilizado como base de cálculo para cálculo do IRRF apenas uma parte do montante total pago à Recorrente é um forte indício de que o valor total bruto não era tributável em sua totalidade. Entretanto, apesar deste indício, não há provas concretas de que parte dos valores recebidos seria tributável e outra parte não o seria.Diante de tal situação, e considerando o princípio da verdade material, VOTO pela CONVERSÃO deste julgamento em diligência, a fim de que: a) seja a fonte pagadora dos rendimentos em questão (Cesan Cia Esp Santense de Saneamento – CNPJ nº 28.151.363/000147) intimada a esclarecer quais foram as verbas pagas à Recorrente na ação trabalhista nº 579/91, e suas respectivas naturezas (quais eram isentas e quais seriam tributáveis); e Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 84 5 b) seja a Recorrente intimada a esclarecer a composição das verbas recebidas no âmbito da referida ação trabalhista, trazendo aos autos as pertinentes cópias do processo que comprovem a natureza dos R$ 16.136,88, assim como a natureza dos R$ 15.669,01 que foram considerados por ela como isentos.” 7 Às fls. 59 intimação da unidade preparadora para a fonte pagadora com o seguinte questionamento: 8 – Às fls. 65/66 resposta da fonte pagadora informando que apesar de ter acionado seu departamento jurídico para obtenção das informações não houve êxito em decorrência que já havia ocorrido o arquivamento e eliminação dos autos na Justiça do Trabalho. 9 – Cientificada da resposta da diligência às fls. 68 a contribuinte às fls. 69 diligenciou pessoalmente na Justiça do Trabalho para obtenção das cópias e confirma que devido ao tempo houve a incineração do processo trabalhista, mas alega que conseguiu uma cópia de um documento de fls. 71/72 redigido na época pela encarregada de cálculos e que serviu de base para a elaboração de sua DIRPF. 10 – Às fls. 76 relatório da diligência fiscal contendo os mesmos fatos indicados alhures e devolução dos autos a esse E. CARF para julgamento. 11 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 85 6 12 – Conheço do recurso. 13 – Após a conversão do julgamento em diligência conforme narrado alhures houve a tentativa de produção de provas por parte da contribuinte para comprovar a natureza dos valores recebidos na reclamatória trabalhista. 14 – Contudo, infelizmente houve a incineração do processo trabalhista promovido pela contribuinte, conforme informações da fonte pagadora e da própria contribuinte que a fim de contribuir com a resolução do assunto foi até o Judiciário Trabalhista de sua região a fim de obter informações, tendo conseguido apenas uma cópia de uma aprte de um documento em que consta os valores recebidos na época fls. 43/44. 15 – No caso concreto o ônus da prova cabe ao contribuinte conforme art. 373, I do CPC, que classificou seus rendimentos recebidos na reclamatória trabalhista como rendimentos isentos. 16 – Se não há provas por parte da contribuinte da natureza das verbas recebidas a título de verbas indenizatórias como por ex: aviso prévio indenizado, férias vencidas e outras que a legislação do Imposto de Renda indica como isentas, não há como prover o recurso. 17 – Mesmo que fossem todas verbas de natureza salarial, em tese seria possível a análise e aplicação do julgado do STF RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, de ofício, contudo, até mesmo a análise de tal ponto resta prejudicado em vista da falta Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 86 7 de provas quanto aos valores recebidos para a unidade preparadora fiscal promover eventual recálculo dos valores. 18 – Diante da falta de prova, não resta outra alternativa a não ser negar provimento ao presente recurso mantendo o lançamento tributário. Conclusão 19 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e no mérito negar provimento conforme fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911030/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.530
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 10 30 /2 01 0- 91 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.421. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001965/2005-02
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS.
Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Fl. 174DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco , Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em procedimento de fiscalização, inicialmente deflagrada por causa de irregularidades na apuração de saldos credores de COFINS não-cumulativos, constatou-se o ingresso da importância de R$17.500,00 no caixa da empresa, em 09/09/2004, sob a rubrica de empréstimo recebido do sócio-gerente, sr. Carlos Alberto Berghan. Intimada a empresa e o referido sócio a comprovar a efetiva entrega de recursos à empresa, bem como a origem dos recursos, foram apresentados: comprovantes de recebimentos de aposentadoria (INSS) pelo referido sócio; comprovantes de pro-labores, na qualidade de diretor da empresa, no período entre janeiro a agosto de 2004; contrato de mútuo (não registrado) firmado entre ambos e recibo da empresa atestando o recebimento do referido valor naquela data. Com fulcro no artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) foram então lavrados os presentes Autos de Infração de IRPJ e decorrentes, por omissão de receitas legalmente presumida. Os Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins encontram-se às fls. 36 a 53 deste processo. A empresa impugnou o feito fiscal, fls. 55 a 61, alegando que o auditor fiscal entendeu ser o empréstimo a obtenção de uma receita operacional. Entende haver ficado devidamente comprovado a efetiva entrega de numerário à empresa e a sua origem durante a fiscalização. Esclarece, ainda, que o sócio possuía à época plena capacidade financeira para arcar com o empréstimo, somando-se as suas rendas, consoante demonstrado. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS exarou o Acórdão nº 10-18.037/08, fls. 120 a 121, que restou assim ementado: “OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Os suprimentos de caixa atribuídos a sócio da pessoa jurídica, cuja origem e efetiva entrega não forem devidamente comprovados com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributados como receitas omitidas. A asserção de que o sócio possui disponibilidade econômica, por si só, não tem o condão de afastar a presunção.” A turma julgadora a quo fundamenta seu voto em reiteradas decisões administrativas prolatadas no mesmo sentido da tese esposada na ementa. Cita três julgados e conclui: “Como se vê nas decisões citadas, é imprescindível a comprovação da efetiva entrega dos recursos à pessoa jurídica, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidente em datas e valores com os registros constantes da contabilidade. De regra, essa comprovação não é difícil. Basta a apresentação de elementos comprobatórios da efetividade da transferência do numerário, tais como Fl. 175DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.001965/2005-02 Acórdão n.º 1801-00.441 S1-TE01 Fl. 134 3 comprovantes de depósito, cópia de extratos bancários ou mesmo dos cheques utilizados para creditamento dos recursos. A simples apresentação de recibos ou contratos assinados pela pessoa jurídica creditada e pelos sócios não consiste em elemento de prova hábil perante terceiros, em vista do disposto no art. 219 do novo Código Civil. Caso documentos da espécie — tomados isoladamente — fossem suficientes para acobertar a entrada de recursos na empresa, a presunção legal restaria totalmente inócua, visto que bastaria ao infrator a formalização desses instrumentos sempre que necessário. É bem verdade que nem sempre a entrada de recursos na pessoa jurídica se dá por meio de movimentação bancária. Todavia, no caso concreto, não é razoável admitir as partes tenham simplesmente prescindido da utilização de instituição financeira para operacionalizar o aporte do dinheiro. O valor de R$17.500,00 é bastante significativo, em especial quanto tomado em relação ao patrimônio do sócio (ver documentos de fls. 113 e 117, juntados pela própria impugnante), sendo difícil imaginar que não tenha havido, pelo menos, um saque bancário previamente à transferência do numerário. Repiso que, havendo movimentação bancária, a comprovação do fluxo financeiro não é difícil.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 125 a 131, combatendo o aresto reiterando as mesmas razões expostas na defesa inicial. É o relatório. Passo a analisar as razões meritórias. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. De plano, adoto as fundamentações veiculadas no aresto vergastado e saliento que não foram enfrentadas pontualmente pela recorrente, que limitou-se a centralizar sua defesa, em suma, no fato de existirem: (i) um contrato de mútuo firmado entre si e o então sócio gerente; (ii) um recibo que ao seu entender comprova o ingresso de numerário na empresa; e, ainda, (iii) na suposta capacidade financeira do mutuante, espelhada em um demonstrativo de percebimentos de aposentadoria (INSS) da ordem aproximada de R$1.500,00 a.m. (fls. 12) e outra quantia mensal, aproximada, em R$1.400,00, líquidos, a título de pro- labore em alguns meses (fls. 14 a 20). Na mesma linha de raciocínio traçada pela turma julgadora de primeira instância repouso meu voto no sentido de manter a tributação. O artigo 282 do RIR/99 cuida de presunção legal de omissão de receitas evidenciada pelo ingresso na conta da empresa de numerários cuja origem não resta devidamente comprovada como sendo diversa de “caixa dois” 1 e – não ou – e mister é a prova da efetiva entrada deste numerário na empresa. Assim preceitua o dispositivo legal: 1 Caixa dois. 1. Com. Ind. Controle de recursos desviados da escrituração legal, com o objetivo de sonegá-los à tributação fiscal. [Cf. economia invisível e contabilidade paralela.] Fl. 176DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). (grifos não pertencem ao original) As duas condições, portanto, devem ocorrer de forma concomitante para o fim de afastar a presunção erigida pelo legislador tributário. O intuito da norma é coibir a existência do famigerado “caixa dois”, ou seja, recursos que transitam à margem da contabilidade nas empresas e o sistemático suprimento de caixa para satisfazer os dispêndios desta, evitando que se ‘estoure’ o caixa e este registre saldo credor. Destarte, sem a comprovação efetiva que este suposto empréstimo adveio de origem totalmente externa à empresa, quando trata-se de pessoas ligadas à empresa, ainda que jurídicas, por meio de comprovantes bancários da transferência de valores e não se logrando comprovar que a origem dos recursos é diversa da própria empresa, não se ilide a tributação erguida com fulcro neste remissivo legal – art. 282 do RIR/99, o qual apenas consolida os preceitos legais já explicitados nos Autos de Infração e no acórdão ora guerreado. E faço coro com a turma julgadora de primeira instância ao destacar que a importância de R$17.500,00 para uma pessoa que recebia, na época, em média R$3.000,00 por mês, para sustento seu e de sua família, supõe-se, é uma importância significativa, a qual faz presumir que estaria em alguma instituição financeira e fácil seria comprovar a retirada do recurso, mediante documentação bancária, para realizar o empréstimo à empresa (no caso de não consistir receita da própria empresa, mas mantida em paralelo aos controles contábeis). Acrescento à jurisprudência administrativa citada no acórdão de primeira instância as seguintes ementas, cujos julgados corroboram a tese ora defendida: “IRPJ – SUPRIMENTO DE CAIXA – OMISSÃO DE RECEITA – Legítima a tributação do valor dos suprimentos de caixa efetuados por sócios da pessoa jurídica como sendo proveniente de recursos gerados à margem da escrituração se a origem e a efetiva entrega dos recursos utilizados nas operações não forem comprovadas.” (Ac. 101-93125, de 15 de agosto de 2000)” “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – SUPRIMENTO DE CAIXA – EMPRÉSTIMOS – Se, devidamente intimada, a contribuinte não logra comprovar com documentação hábil, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações de empréstimos, é de se manter a tributação do valor da receita omitida, tendo em vista o disposto no art. 181 do RIR/80” (Ac. 103-19322, de 14 de abril de 1998)” Dicionário Aurélio Fl. 177DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.001965/2005-02 Acórdão n.º 1801-00.441 S1-TE01 Fl. 135 5 “SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS – A prova da origem e efetiva entrega dos recursos, tanto para suprimentos de caixa, como para integralização de capital, deve ser comprovada por documentação hábil, idônea e coincidente, em datas e valores, por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador da companhia. Recurso Negado” (Ac. 105-13204, de 06 de junho de 2000)” A mera apresentação de contrato de mútuo, sequer sem registro, e recibo cuja autoria envolve apenas a empresa e o sócio, sem o respaldo em documentação obtida de terceiros não envolvidos com a possível simulação engendrada, é inócua para os fins tributários impostos pelo já citado artigo 282 do RIR/99, justamente por não serem hábeis para afastar a possível simulação jurídica. Saliento, por derradeiro, que nos casos das presunções legais, o ônus da prova inverte-se para o contribuinte, consoante artigo 924 e § do RIR/99: Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Inversão do Ônus da Prova Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º). Por todo o exposto, reputo válido os lançamentos tributários de IRPJ e tributação reflexa, CSLL, PIS e Cofins, por não ilidida a presunção legal de omissão de receitas. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 178DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000107/2007-56
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. CRÉDITOS BANCÁRIOS.
Constatado nos autos que os indícios que caracterizam a presunção de omissão de receitas estão fartamente provados nos autos, descabe a argumentação de que não há conjunto probatório que respalde a tributação imposta.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NEXO CAUSAL.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA
CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.
(Súmula nº 02 do CARF)
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
(Súmula nº 04 do CARF)
Numero da decisão: 1801-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Constatado nos autos que os indícios que caracterizam a presunção de omissão de receitas estão fartamente provados nos autos, descabe a argumentação de que não há conjunto probatório que respalde a tributação imposta. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NEXO CAUSAL. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 04 do CARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em procedimento fiscal verificouse que a contribuinte, optante pelo recolhimento de tributos federais (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL, INSS) pela sistemática diferenciada, favorecida e simplificada – Simples: (i) não escriturou a movimentação financeira relativa ao anocalendário de 2003 no Livro Caixa, ensejando a tributação de receita omitida, apurada de forma presumida, evidenciada pelos créditos bancários cujas origens não foram justificadas pela fiscalizada; (ii) deixou de oferecer à tributação receitas escrituradas no Livro Caixa mas não informadas na DSPJ; (iii) em virtude das omissões, houve insuficiência dos recolhimentos espontâneos (mudança de alíquotas). Os Autos de Infração lavrados para as exigências de tributos, pelo Simples, encontramse às fls. 07 a 48 dos autos e os Termos de Constatação e Intimação Fiscal nºs 05 e 06, partes integrantes dos referidos Autos, às fls. 50 a 56, 111 a 112 e: Anexo 1 (lançamentos no Livro Caixa) fls. 59 a 61; Anexo 2 (ECF), fls. 62 a 64; Anexos 3, 4, 5, 6 (Créditos bancários), fls. 65 a 76; Anexos 7, 8, 9, 10 (Extratos REDECARD e VISANET), fls. 77 a 110; Anexo 11 (Estornos de valores dos créditos), fls. 113 a 115. A fiscalização valeuse dos seguintes livros e documentos, fornecidos pela fiscalizada, para apurar as bases de cálculo, de ofício: Livro Caixa nº 10; fitas emitidas pelo equipamento de emissão de cupom fiscal (ECF); Livro de Registro de Saídas nº 10; extratos emitidos para simples conferência pela REDECARD e VISANET; extratos bancários do BANESPA, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, UNIBANCO e BANCO DO BRASIL; DSPJ 2004. A empresa impugnou o feito fiscal às fls. 192 a 227 salientando que entregou DSPJ/04 retificadora e parcelou os valores informados nesta, pelo que tais valores devem ser subtraídos das exações fiscais lavradas ex officio, entre outras argumentações. Acostou à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 390 3 impugnação cópias dos Livros Diário e Razão, contratos de mútuos, documentos referentes a parcelamentos, cópia da DSPJ retificadora. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão nº 0526.751/09 dando procedência em parte para a impugnante, admitindo como espontânea a entrega da declaração retificadora, determinando a exclusão dos valores ali informados das autuações, rejeitando as demais contestações – fls. 312 a 327. Irresignada, a empresa apresentou, tempestivamente, o Recurso de fls. 347 a 383, alegando, em suma: I) ofensa ao princípio do devido processo legal porque a fiscalização não permitiu a prorrogação de prazo para apresentar as justificativas ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 06; II) precipitada autuação sem comprovar o nexo causal entre cada depósito e a efetiva omissão de receitas, o que impõe o cancelamento do Auto de Infração por procedimento vedado pelo art. 9º do Decretolei nº 2.471/88 ; esta matéria foi sumulada pelo então Tribunal Federal de Recursos (nº 182); cita ementas de acórdãos administrativos que entende corroborar a tese explanada; III) a mera remissão de extratos bancários ou depósitos cujos comprovantes não foram acostados aos autos não podem servir de comprovação entre cada depósito e as efetivas omissões, não constituindo material probatório que justifique os Autos de Infração; IV) a omissão supostamente detectada pela fiscalização no valor de R$ 1.426.643,83 foi reduzida pela turma julgadora de primeira instância em R$ 624.939,43, em razão da apresentação da DSPJ retificadora e parcelamento, remanescendo o valor tributável da ordem de R$ 801.704,40; todavia, arbitrariamente, a turma julgadora de primeira instância não acatou as demais origens dos valores comprovados na impugnação, a saber: Depósitos/créditos bancários 1.888.723,61 Comprovações – fls. do Livro Diário, conta Razão e contratos Débitos bancários fls. 315 vº 33.587,61 Cheques a receber – fls. 157 – Anexo I 88.031,65 Vendas parceladas – cartão de crédito – fls. 155 – Anexo I 305.125,33 Mútuo – M. Moreira Sto Ant. do Pinhal ME – fls. 158 – Anexo I) 198.135,87 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Mútuo – Anouk Migotto ME fls. 159 – Anexo I 161.944,03 Mútuo – Luiz Manoel Vscs. Rosa – fls. 160 – Anexo I 55.950,52 Declaração retificadora – fls. 229 a 247 dos autos 1.048.507,30 Total comprovado 1.891.282,31 V) todas as operações foram registradas no livro Diário e conta razão e transitaram pela conta Caixa, que espelhava toda a movimentação financeira da empresa, bem como pagamentos; VI) os documentos citados pela fiscalização que compuseram os Anexos 1 a 10 – fls. 59 a 110 dos autos não constam no processo, devendo ser desconsiderados pelos julgadores; VII) a multa de ofício cominada em 75% é confiscatória; VIII) os juros exigidos à taxa Selic são inconstitucionais. É o suficiente para o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Precípuo iniciar este voto com a capitulação legal da infração tributária contra a qual se insurge a recorrente, no caso, presunção legal de omissão de receitas evidenciada por créditos bancários cujas origens não foram devidamente justificadas – artigo 42 da Lei nº 9.430/96, consoante constou no “Enquadramento Legal” dos Autos em questão (relativamente à infração 001): Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 391 5 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] (grifos não pertencem ao original) A recorrente suscita questão preliminar sobre a autuação imposta concernente à ausência de anexação aos autos dos extratos bancários dos quais teriam sido extraídos os valores que compuseram os Anexos elaborados pela fiscalização na apuração das bases de cálculo, mensais, das omissões de receitas. Alega que falta, por conseguinte, corpo comprobatório que fundamente os Autos de Infração lavrados contra si. Discordo da contestação da recorrente neste concernente em vista da infração tributária estar fartamente comprovada e demonstrada no bojo destes autos. Na verdade, faço coro com o acórdão vergastado: “Prosseguindo, conforme relatado, a interessada foi autuada por omissão de receitas, face constatação de depósitos bancários cuja origem não restou devidamente demonstrada, no total de R$ 1.426.643,83 (conforme quadro constante do item 2 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 006 — fls. 111/112). De fato, a fiscalização deixou de anexar ao processo a cópia dos extratos bancários e dos livros submetidos à verificação. Porém, tomou o cuidado de anexar aos autos os documentos de fls. 135/158, correspondentes aos Extratos da Movimentação Financeira, nos quais constam todos os lançamentos a crédito e a débito nas contas correntes mantidas pela contribuinte nas instituições financeiras citadas; bem como de relacionar, nos Anexos 1 a 10 (fls. 59/110), o resumo dos livros/documentos analisados, tudo devidamente cientificado à contribuinte. Nestes termos, entendese que a infração foi claramente demonstrada com a documentação anexada ao processo. Em sua defesa, a própria autuada reconhece que parte dos depósitos questionados corresponde, de fato, a rendimentos que deixaram de ser oferecidos à tributação em sua Declaração Anual Simplificada original, onde foi consignada a Receita Bruta de R$ 423.567,87, razão pela qual procedeu à retificação do documento para acrescentar a diferença de R$ 624.939,43 (R$ 1.048.507,30 — R$ 423.567,87), que teria sido quitada por meio de parcelamento, tudo, no entender da impugnante, ainda feito de forma espontânea, por ter ocorrido a descontinuidade dos trabalhos fiscais, a teor do disposto no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.” (grifos não pertencem ao original) Com efeito, todos os depósitos/créditos/devoluções de cheques foram transcritos pela autoridade fiscal nos Anexos 3 – Banespa, 4 – Banco do Brasil, 5 – Caixa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Econômica Federal e 6 – Unibanco e Anexo 11. Basta verificar às fls. 65 a 77 e fls. 113 a 115 dos autos. Assim constou, minuciosamente, do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05 – fls. 50 a 56: “[...] 1. Informações prestadas/fornecidas pelo Contribuinte: 1.1. Livro Caixa no. 10, referente ao anocalendário 2003. 1.2. Fitas emitidas pelo equipamento ECF denominadas "Redução Z", referentes ao período de 01/2003 a 1212003. 1.3. Livro Registro de Saídas no. 10, referente ao anocalendário 2003. 1.4. Extratos p/simples conferência emitidos pela REDECARD, referentes ao período de 01/01/2003 a 31/12/2003. 1.5. Extratos p/simples conferência emitidos pela VISANET, referentes ao período de 16/02/2003 a 31/12/2003. 1.6. Cópia dos extratos bancários do período de 01/2003 a 12/2003 das contas e instituições financeiras relacionadas a seguir: 1.6.1. BANESPA, agência 0069, C/C0069130012657 1.6.2. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, agência 0297, C/C586.0 1.6.3. UNIBANCO, agência 0226, C/C1060673 1.6.4. BANCO DO BRASIL, agência 09059, C/C5.7495 2. Outras fontes de informações: 2.1. Declaração Anual Simplificada PJSI 2004 — SIMPLES, com a empresa enquadrada como de Pequeno Porte. 3. As constatações a seguir relatadas foram baseadas nas informações constantes dos itens 1 e 2. 3.1. Receitas escrituradas no livro CAIXA [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 1 3.2. Receitas registradas na fita redução Z [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 2 3.3. Receitas escrituradas no livro Registro de Saídas [tabela – valores consolidados] 3.4. Pagamentos efetuados pela REDECARD [tabela – valores consolidados] Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 392 7 Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram nos Anexos 7, 8 e 9. 3.5. Pagamentos efetuados pela VISANET [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 10. 3.6. Lançamentos de crédito no banco UNIBANCO, agência 0226, C/C 1060673 [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 6. 3.7. Lançamentos de crédito no banco BANESPA, agência 0069, C/C 0069130012657. [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 3. 3.8. Lançamentos de crédito no BANCO DO BRASIL, agência 09059, C/C5.7495 [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 4. 3.9. Lançamentos de crédito na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, agência 0297, C/C586.0 [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 5. 3.10. Transferências entre C/C de titularidade do contribuinte [tabela – valores consolidados] [...]” Cientificada a empresa do Termo acima (nº 05), a autoridade fiscal retificou os valores considerados em virtude de resposta enviada pela contribuinte, nos seguintes termos, lavrando o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 06 de fls. 111 e 112 e Anexo 11 – fls. 113 a 115. “1. Informações prestadas/fornecidas pelo Contribuinte: 1.1.as mesmas constantes do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal no. 005 de 02/03/2007; 1.2. correspondência enviada pelo contribuinte em 15/03/2007 e recebida em 16/03/2007. .2. O quadro do item 5 do Termo mencionado no subitem 1.1, fica alterado para o que se apresenta abaixo, tendo em vista que não haviam sido considerados os débitos referentes a estornos de créditos; e também pela existência de erro na totalização da Diferença Créditos a Justificar. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 [tabela – valores consolidados]” (grifos não pertencem ao original) Observo, ainda, que, às fls.186 e seguintes, consta resposta da contribuinte ao retro citado Termo Fiscal, representada pelo mesmo patrono que ora oferece o recurso voluntário em seu nome, na qual não se insurge de qualquer forma contra os valores extraídos dos extratos bancários das contas de titularidade da empresa, mas restringese a dizer que vai buscar todos os documentos bancários correspondentes para verificar a origem das diferenças apontadas em auditoria entre os valores escriturados/informados em DSPJ versus os valores dos créditos bancários (das mesmas quatro contas bancárias): “[...] Para tanto, a fiscalizada solicitou junto aos bancos BANESPA, ag. 0069, C/C 0069 130012657; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, ag. 0297, C/C 586.0; UNIBANCO, ag. 0226, C/C 1060673; e BANCO DO BRASIL, ag. 09059, C/C 5.7495 cópia dos comprovantes dos depósitos, e dos cheques neles relacionados do período em comento, cujos atendimentos os bancos alegaram que demoram mais de 30 dias, visto tratarse de documentação antiga e de difícil localização nos arquivos dos referidos bancos.” Destarte, ainda que não constasse dos autos os referidos extratos bancários, destaco que estes documentos são da empresa e, por conseguinte, a mesma tem livre acesso aos mesmos e verifico que em nenhum momento a recorrente apresentou qualquer prova de que os valores transcritos, detalhada e fielmente, dos referidos extratos não conferem com os originais. Não há juntada na defesa inicial, nem nesta peça recursal de qualquer indício de prova que coloque em dúvida qualquer dos valores digitados pela autoridade fiscal, o que comprova serem corretos os dados. Para esta autoridade julgadora é suficiente os dados digitados e não contraditados, afastado, portanto, suspeita de qualquer erro. Se houvesse falsidade nos dados, bastaria para comprovar a ilegitimidade dos valores, a recorrente juntar os referidos extratos e a comprovação de que os valores que compuseram os Anexos 3 a 6 não são condizentes com aqueles. Aliás, o que seria impossível, pois verificase que a integralidade dos extratos bancários questionados fazem parte destes autos às fls. 135 a 158, salientandose que a empresa teve acesso amplo aos autos no lapso temporal que lhe é concedido por Eli para a apresentação da defesa administrativa, a qual pode, ainda que passado o prazo, ser aditada. Afasto pois a preliminar suscitada de ausência de materialidade da infração tributária identificada nos autos por nº 001 – omissão de receitas evidenciada por depósitos bancários cuja origem não foi devidamente justificada. Superado este ponto, esclareço à recorrente que não houve qualquer ofensa ao princípio do devido processo legal pelo fato de a autoridade fiscal não haver prorrogado o prazo para que a fiscalizada obtivesse dos bancos documentos que deveria já possuir em seu poder e ter contabilizadoos, ainda que sumariamente no Livro Caixa apresentado à fiscalização. A alegação da recorrente que solicitou às instituições financeiras cópia dos comprovantes de depósitos, e dos cheques neles relacionados do período em comento , ou seja de um ano inteiro, demonstra o quão distante do exigível estava a escrituração do Livro Caixa. O pedido se mostra, ainda, impossível, pois implicaria na fiscalização aguardar meses e meses até que as instituições financeiras pudessem resgatar todos os cheques depositados em favor da recorrente. Ademais, o princípio do devido processo legal aplicase ao processo administrativo fiscal e não aos atos de fiscalização, denominados no mundo jurídico de procedimento (não processo) fiscal. Somente a partir do litígio instaurado, o que ocorre com a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 393 9 apresentação da impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF, é que se deve atentar para a devida observância dos princípios constitucionais vinculados ao processo, no caso administrativo. Afasto, pois, mais esta nulidade argüida pela recorrente sobre o procedimento fiscal. Adentrando ao mérito, abordo o questionamento da recorrente sobre a irregularidade dos lançamentos tributários erguidos sobre a égide do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Todas as contestações da recorrente adstringemse a períodos anteriores à edição deste dispositivo legal. A norma tributária que rege esta matéria, em específico, mudou. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa – esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Saliento, por oportuno, que a fiscalizada foi regularmente intimada a justificar os créditos, individualmente, relacionados. Todavia, a simples alegação de que valores são pertinentes a vendas parceladas, cheques a receber (creditados no extrato bancário?), sem os elementos correspondentes comprobatórios, documentação idônea e hábil (ou seja compatível com datas e valores) não servem para ilidir a tributação realizada. E, como já amplamente esposado no acórdão vergastado, não há nos autos documentos capazes de justificar as origens dos créditos tributários que compuseram as bases de cálculo dos valores exigidos nos Autos de Infração. Não há que se falar em acréscimo patrimonial real, mas presumese a omissão de receitas, já que o contribuinte não comprova que a origem daqueles valores são diversos da obtenção de receita advinda da atividade empresarial, evadida, pois, da tributação. Novamente, notase a seguinte situação excepcional: uma pessoa, jurídica ou física, ao ser fiscalizada, possui ingressos, em conta bancária, em valores superiores àqueles informados ao fisco, como no presente caso (ou não registrados na contabilidade). Salientese que a própria fiscalizada assumiu a omissão de receitas, parcialmente, e retificou substancialmente a DSPJ (a receita bruta saltou de aproximados R$400.000,00 para R$ 1.048.507,30). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, que não sendo demonstrada a origem daquele numerário pressupõese que constitui receita omitida (o fato gerador da obrigação tributária). E a prova, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários – não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, erguese sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados ⇒ omissão de receitas; saldo credor de caixa ⇒ omissão de receitas; passivo fictício ⇒ omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 42 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecerse qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou outro objeto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 394 11 E com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, repito, entende se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. Reproduzo, por oportuno a Súmula nº 26, pelas reiteradas decisões administrativas proferidas por este órgão julgador: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Passo a analisar as argumentações da recorrente que, ao seu ver, justificam a origem dos depósitos de forma a não submeter certos valores à tributação. Primeiramente, cumpre esclarecer que os Livros apresentados pela empresa em fase de impugnação, não podem ser admitidos em casos em que a fiscalização arbitrou o valor das receitas omitidas, já sendo matéria assente neste colegiado que não existe o arbitramento condicional , ou seja, após o encerramento da fiscalização a empresa apresenta contabilidade completa e solicita que seja apreciada em fase de julgamento. Ademais, o Livro Diário para que produza os devidos efeitos comprobatórios deve ser autenticado na Junta Comercial que jurisdiciona a empresa, o que verificase, não foi realizado. Consta apenas que é o primeiro Livro Diário da empresa (nº 001), datada a abertura em 01/01/2003 e encerrado em 31/12/2003, mas sem qualquer registro comprobatório de que fora efetivamente confeccionado durante aquele anocalendário. Observo, assim como a turma de julgamento já destacou no aresto combatido, que a empresa no curso da fiscalização em momento algum apresentou outros livros, com exceção ao Caixa cujos assentamentos constam do Anexo 1 juntado aos autos, ainda que instado a comprovar a origem dos créditos bancários e pagamentos efetuados pelas operadoras de cartões de créditos. Observo também que milita contra a recorrente o fato de a empresa ter, durante o procedimento fiscal, registrado por escrito que teria que verificar os cheques depositados em suas contas bancárias para saber do que tratavam, assunto já abordado neste voto. Ora, se o Livro Diário, Livro Razão e auxiliares tivessem sido escriturados no curso do anocalendário os documentos bancários que lastreiam a escrituração estariam todos em posse da fiscalizada, visto que sem os correspondentes documentos a escrituração não gera quaisquer efeitos. Repriso também o que já foi esclarecido pela turma de julgamento a quo sobre os assentamentos contábeis efetuados ao final de cada mês com valores que englobam “diversos depósitos ou créditos no mês, conforme extrato bancário” – não podem ser admitidos, pois não espelham as efetivas operações da empresa. O “Diário”, como o nome esclarece deve ter registros das operações diárias da empresa e o Razão, ou outros livros auxiliares, registram simultaneamente, por conta, as operações também de forma diária. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Destarte, improfícua a juntada de tais livros escriturados sem a observância das formalidades extrínsecas e intrínsecas que lhes são exigidas. Cito, por oportuno, os artigos 190, 258, 259 do RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99): Art. 190. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que trata o art. 187 (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º). Parágrafo único. A microempresa e a empresa de pequeno porte estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores. [...] Livro Diário Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 395 13 § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Livro Razão Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. No que respeita aos valores trazidos pela recorrente como justificáveis para excluir da tributação imposta, ressalto que os estornos/devoluções bancárias já foram excluídos pelo próprio autor do lançamento tributário, conforme comprova o Anexo 11 que integra os Autos de Infração (Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 06) – fls. 111 a 115. Quanto aos “cheques a receber” e “vendas parceladas – cartão de crédito” esclareço à recorrente que somente os valores efetivamente creditados nas contas bancárias compuseram a matéria tributável dos referidos Autos de Infração, observado corretamente o regime de caixa, a que se sujeitam as pessoas jurídicas optantes do Simples e que não mantém contabilidade completa, como é o caso da recorrente. Ressalto, ainda, que os valores escriturados no Livro Caixa e/ou Saídas foram considerados na repartição das infrações tributárias, bem como devidamente descontados das omissões aqueles valores informados na DSPJ originalmente entregue – fls. 111 e 112. A turma de julgamento de primeira instância Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 decidiu que os valores apresentados em retificadora deveriam ser excluídos de igual forma, pelo que ajustou os lançamentos tributários. E com relação aos contratos de mútuo cuja comprovação apresentada pela recorrente limitase aos contratos de fls. 269 a 274 não podem ser admitidos por várias razões. A uma, porque não foram apresentados no curso da fiscalização quando intimada a empresa a justificar as origens dos valores depositados; a duas, porque não foram registradas estas entradas no Livro Caixa originalmente apresentado à fiscalização; a três, porque os contratos por si só não são documentos hábeis a ilidir a tributação sem o devido registro notarial de que foram efetivamente celebrados àquela época (sequer há reconhecimento de firma) e sem documentos bancários que comprovem as transferências de valores do mútuo e dos valores pagos pelo mútuo. Só para robustecer este voto, reparo que os três contratos, firmados com pessoas distintas (uma jurídica e duas físicas), foram pactuados nos mesmos moldes de, podemos dizer, um crédito em aberto para com esta pessoas, com vigência de três anos cada (todos firmados em dezembro de 2002), em dois se estabelecendo a quantia de R$200.000,00 à disposição da recorrente, quando o caixa precisasse, e o terceiro colocando à disposição R$100.000,00, destacandose que em nenhum dos três verificase definição de datas e dos valores que a recorrente alega ingressaram no seu Caixa advindos desta pessoas e por ocasião destes mútuos. Definitivamente a recorrente não logra comprovar os ingressos de numerários, nas datas efetivas dos créditos, com estes instrumentos particulares. Faltam os documentos bancários de transferência de numerários, repito, tanto do recebimento quanto da devolução dos valores alegadamente mutuados. Os últimos assuntos trazidos a este colegiado na peça recursal referemse à alegação da multa de ofício cominada na forma regular – 75% possuir natureza confiscatória e a inconstitucionalidade da exigência dos juros à taxa Selic. Ambas matérias fogem ao escopo da apreciação por esta turma, em razão de serem sumuladas por este órgão administrativo, que deliberou em reunião plenária da seguinte forma: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, verifico que a autoridade fiscal procedeu em estrita conformidade com as normas tributárias vigentes. Voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 396 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.912788/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 88 /2 00 9- 97 Fl. 454DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 08), referente ao PER/DCOMP nº 09183.68597.311005.1.3.044233. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$1.848,32, representado por Darf recolhido em 15/12/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 490 3 assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 456DF CARF MF 4 Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade e, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que prevê a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.449, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 491 5 iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança e as peças do citado processo foram juntadas aos autos b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DIPJ 2005 Exclusões da Base de Cálculo do PIS – novembro de 2004 = R$ 7.723.383,59”, em que demonstrada que havia “única divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete. A diferença se deve ao fato de o contribuinte ter tratado como devedora a variação da conta de Provisões de Risco, que foi credora.”; c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF, por meio do documento juntado aos autos. Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido Fl. 458DF CARF MF 6 em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 492 7 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) a divergência apontada no relatório fiscal decorreu de mero erro contábil, ao tratar como devedora a conta Provisões de Risco, que neste mês específico era credora, mas que esse equívoco não impossibilitava a confirmação, pelo fiscal, dos valores que compuseram as exclusões da base de cálculo do “PIS Faturamento, que não envolvem nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, em especial as sobras”; c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho Fl. 460DF CARF MF 8 médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito a legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingese em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) e se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação a primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 493 9 I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; Fl. 462DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e implica perda do mandato nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravamse nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 494 11 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu, in verbis: Verificase que, para este mês, há uma única divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete. A diferença se deve ao fato de o contribuinte ter tratado como devedora a variação da conta de Provisões de Risco, que foi credora. De fato, com base na análise dos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirmase que a referida divergência foi resultado de mero equívoco de natureza contábil/algébrico cometido pela recorrente. Assim, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 464DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.002325/00-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
SALDO CREDOR BÁSICO. PRODUTO IMUNE. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Súmula CARF Nº- 20.
Numero da decisão: 9303-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PRODUTO IMUNE. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Súmula CARF Nº 20. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 23 25 /0 0- 77 Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10510.002325/0077 Acórdão n.º 9303005.431 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 32, inciso I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria nº 55, de 16 de março de 1998 – RICC, em face do Acórdão nº 20216.852, de 26 de janeiro de 2006, fls. e1.261 a 1.268, cuja ementa abaixo transcrevo: IPI. CREDITO DE INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO DE MINERAIS. POSSIBILIDADE. Poderão ser mantidos e utilizados na escrita fiscal do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial os créditos de IPI relativos aos insumos empregados na industrialização de minerais do Pais. A manutenção e a utilização desses créditos observarão as disposições da IN SRF n° 33/1999. não se aplicando, porém, nesse caso. o estorno previsto no art. 2°. § 3o. da referida Instrução Normativa e observado o conceito desses insumos estabelecido na legislação do imposto. Recurso provido. Em rápida síntese, cuidase de pedido de ressarcimento do saldo credor básico acumulado nos trimestres mediados pelas datas de 01/01/1999 e 30/06/2000, composto pelo imposto destacado nas notas fiscais de entrada de insumos aplicados na elaboração de britas. O pleito foi fundado no princípio constitucional da não cumulatividade. A decisão recorrida, interpretando o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e a Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, que a regulamentou, entendeu que esse produto não seria NT, mas sim imune, por força art. 155, § 3°, da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88, haja vista se enquadrar no conceito de mineral. A Fazenda Nacional suscita divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de manutenção, na escrita fiscal do estabelecimento, de saldos credores de IPI relativos a insumos empregados na industrialização de minerais, produto imune, não destinado à exportação, classificado na TIPI como NT. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 330000.192, de 27 de julho de 2011, fls. e1.292 e 1.293. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10510.002325/0077 Acórdão n.º 9303005.431 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Não há controvérsia a respeito dos fatos. O contribuinte é pessoa jurídica que tem como atividade principal a extração de pedras, as quais posteriormente transforma em britas, produto classificado no código 2517.00.00 da TIPI, cuja saída é nãotributada (NT). Confirase: 2517.10.00 Calhaus, cascalho, pedras britadas, dos tipos geralmente usados em concreto ou para empedramento de estradas, de vias férreas ou outros balastros, seixos rolados e sílex, mesmo tratados termicamente NT O Acórdão recorrido, prolatado em 26/01/2006, antes, portanto, da edição da Súmula CC nº 13, decidiu dar especial relevância à imunidade dos produtos minerais, olvidandose do fato de que, por se tratar de produto NT, a pessoa jurídica que o fabrica não é contribuinte do IPI, razão pela qual não há que se falar em direito de crédito do imposto, nem, muito menos, em ressarcimento de saldos credores acumulados. A propósito, a matéria já tem tratamento pacificado na instância recursal administrativa, desde o tempo do extinto Conselho de Contribuintes. Atualmente, a Súmula CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) veda expressamente o creditamento do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Com essas considerações, dou provimento ao apelo especial fazendário, para o efeito de, reformando a decisão recorrida, negar direito ao ressarcimento pleiteado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10510.002325/0077 Acórdão n.º 9303005.431 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 1310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.720105/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso voluntário Não Conhecido.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada a documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à penalidade, em razão de sua não-localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a conversão pecuniária da pena de perdimento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo e em negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/01/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso voluntário Não Conhecido. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada a documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à penalidade, em razão de sua não-localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a conversão pecuniária da pena de perdimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo e em negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso voluntário Não Conhecido. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada a documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, temse por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à penalidade, em razão de sua nãolocalização, consumo ou transferência a terceiros, aplicase a conversão pecuniária da pena de perdimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo e em negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 72 01 05 /2 01 3- 85 Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.253 2 José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado na data de 30/04/2013, que constituiu a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de R$ 5.584.753,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa New Track não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração sujeita à pena de perdimento das mercadorias transacionadas. Foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão das mesmas. O Termo de Verificação Fiscal apontou a ocorrência de: 1 Falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, conduzindo à presunção legal de interposição fraudulenta e 2 Utilização de informações falsas em declarações de importação, documento indispensável ao serviço público de despacho aduaneiro de mercadorias. O auto foi lavrado contra o importador ostensivo (NEW TRACK), e como solidária a empresa TOL ASSESSORIA com base no art. 124, I, do CTN. A capitulação legal da interposição fraudulenta foi o art. 23, inciso V e §1º, 2º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976; e art. 689, inciso XXII e §1º do Decreto nº 6.759/2009. Já para a prestação de informações falsas nas declarações de importação: art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966; art. 23, inciso IV, § 1º e § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976; art. 689, inciso VI e §1º, do Decreto nº 6.759/2009; e art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. As acusações fiscais consubstanciaramse no seguinte: a) Sobre a Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos Utilizados nas Operações e a Condição de Real Adquirente e/ou Vendedora das Mercadorias Importadas Diretamente Da documentação encaminhada em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, conforme relacionado ao início deste Relatório, somente os livros Diário e Razão (DOC 08 e DOC 09) e os extratos de movimentação bancária (DOC Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.254 3 11 e DOC 12) prestarseiam, em tese, para que a fiscalizada comprovasse a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações. Ocorre que a escrituração apresentada não pode ser aproveitada para efeito de prova a favor da fiscalizada pelos seguintes motivos: a) Falta de autenticação pelo órgão competente do Registro do Comércio nos Livros Diário; b) Escrituração dos Livros Diário em partidas mensais de forma resumida e desacompanhada da escrituração analítica lançada em livros auxiliares, requisito obrigatório no caso de escrituração resumida de Livro Diário; c) Falta de apresentação da documentação probante dos lançamentos escriturados nos Livros Diário. Dessa forma, a única documentação apresentada pela fiscalizada utilizável para fazer prova de que dispunha dos recursos financeiros aplicados em suas operações de importação realizadas por conta própria e/ou que as vendas das mercadorias importadas foram de fato por ela praticadas foi a movimentação financeira constante do extrato da conta bancária mantida no Banco Bradesco (código: 237), agência 1254 (Carolina, Maranhão), contacorrente nº 309656 (DOC 11). Esclareçase que, muito embora a fiscalizada tenha apresentado extrato de uma segunda conta mantida no mesmo Banco e agência, o da contacorrente de nº 330779 (DOC 12), constatouse, de imediato, que as transações financeiras diretamente relacionadas com as operações de comércio exterior da empresa ficaram restritas à contacorrente de nº 309656 e que a segunda conta, além de só apresentar movimentação a partir de janeiro de 2010, foi utilizada em sua maior parte em transações envolvendo pessoas físicas. Dessa forma a fiscalização restringiu a análise da movimentação financeira da empresa à conta de nº 309656. Com vistas a viabilizar a análise levada a efeito pela fiscalização, os valores das operações de débito e crédito constantes no extrato da conta bancária de n° 309656 foram reunidos e sistematizados na planilha analítica constante do DOC 37, conforme abaixo explicitado: Em relação aos créditos: considerando que a fiscalizada realizou tanto importações na condição de adquirente das mercadorias como também por conta e ordem de outras empresas, os créditos bancários foram identificados e, em seguida, segregados em três grupos: 1º) os referentes às transferências em favor da NEW TRACK realizadas pelas contratantes do serviço de importação por conta e ordem; 2º) os admissíveis como resultante de possíveis revendas de mercadorias importadas diretamente pela fiscalizada; 3º) os referentes a motivos outros, como, por exemplo, transferências feitas por pessoas físicas e aquelas onde não tenha sido possível identificar os depositantes. Em relação aos débitos: tendo em vista que cerca de 80% do valor total dos lançamentos a débito na conta bancária da fiscalizada referese a transferências efetuadas em favor de uma única empresa, a TOL ASSESSORIA Aduaneira e Logística de Transportes Ltda., CNPJ: 07.986.277/000184, os lançamentos a débito na conta bancária foram segregados em três grupos: 1º) os referentes às transferências efetuadas em favor da TOL ASSESSORIA; 2º) os referentes aos pagamentos dos contratos das operações de câmbio para importação; 3º) os referentes a outras despesas, tais como recolhimento de ICMS e tarifas bancárias. Os quadros a seguir resumem os resultados desta sistematização na movimentação financeira da fiscalizada: Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.255 4 A partir da análise das informações de movimentação financeira da empresa, ficaram evidenciadas as seguintes principais conclusões: 1°) A fiscalizada não logrou comprovar ter sido a real vendedora das mercadorias importadas diretamente uma vez que, conforme demonstrado no quadro a seguir, o valor total dos créditos segregados na conta bancária da fiscalizada admissíveis como decorrentes de possíveis revendas de mercadorias importadas foi sempre inferior às receitas brutas por ela declaradas. Acrescentese que mesmo em se considerando que todos créditos, a menos dos originados de transferências feitas pelas empresas adquirentes das mercadorias importadas por conta e ordem, fossem produto da revenda de mercadorias importadas diretamente pela fiscalizada permaneceria a realidade de receita declarada muito superior ao ingresso de recursos financeiros admissíveis como produto de revenda de mercadorias. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.256 5 2°) A fiscalizada não logrou comprovar ser a real adquirente das mercadorias importadas por conta própria tendo em vista que em ficando demonstrado que não era a real vendedora das mercadorias importadas por conta própria e não tendo comprovado, ou mesmo declarado, receita decorrente da prestação de serviço nas importações realizadas por conta e ordem, resta demonstrado também que a NEW TRACK não teria como dispor dos recursos financeiros necessários para as transações de importação por ela registradas como adquirente das mercadorias. Acrescentese que, conforme demonstra o extrato de movimentação financeira da NEW TRACK (DOC 11 e DOC 37), a partir do momento em que teve suas declarações de importação direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira cessaram suas operações de importação como também cessaram as transferências a crédito em sua conta bancária, o que evidencia o casamento entre a importação e o simulacro de revenda das mercadorias importadas, prática muito utilizada para ocultação do verdadeiro adquirente. 3º) Que a ocultação dos verdadeiros adquirentes e/ou vendedores das mercadorias importadas diretamente pela NEW TRACK contou com a participação direta da empresa TOL ASSESSORIA, caso não tenho sido esta a verdadeira adquirente e/ou vendedora das mesmas. Tal convicção foi formada com base nas seguintes constatações: • O saldo positivo entre o total de lançamentos a crédito e os lançamentos a débito segregados como despesas (câmbio e outras despesas) corresponde quase que integralmente aos lançamentos a débito referentes às transferências efetuadas pela NEW TRACK em favor da TOL ASSESSORIA, conforme evidenciado através da sistematização produzida na movimentação financeira da fiscalizada (DOC 37) e resumido, em bases anuais, no quadro abaixo: • Os pagamentos dos tributos federais incidentes sobre as importações realizadas pela NEW TRACK foram feitos na sua totalidade através de débito automático em contas bancárias que não de sua titularidade, especialmente através de conta mantida no Bradesco (código 237), agência 0099 (São Paulo), conta corrente n°: 30111510. Apesar de intimada (DOC 01), a NEW TRACK não informou quem seria o titular desta conta. Mas ainda que tais contas fossem de titularidade da TOL ASSESSORIA, ou por ela utilizada para pagamento dos tributos incidentes nas importações registradas pela NEW TRACK e, com isso, as transferências de recursos financeiros realizadas pela NEW TRACK em favor da TOL ASSESSORIA pudessem em grande parte destinarse, ao pagamento desses tributos, o valor total dos repasses à TOL ASSESSORIA superou em muito o valor dos tributos pagos. Assim é que, conforme mostra o quadro a seguir, ao final dos Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.257 6 três anos sob fiscalização, o saldo das transferências de recursos feitos pela NEW TRACK em favor da TOL ASSESSORIA em relação aos tributos federais pagos totalizou R$ 4.381.284,31 o equivalente a 18% das transferências. • A partir do segundo semestre de 2011, coincidindo com o momento em que praticamente cessaram as importações registradas pela NEW TRACK, em decorrência do seu direcionamento para o canal cinza de conferência aduaneira (DOC 39), a movimentação financeira da TOL ASSESSORIA caiu drasticamente. Assim é que, de acordo com dados extraídos do sistema de Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira (DOC 40), o valor total dos créditos em contas bancárias da TOL ASSESSORIA que em 2011 foi de R$ 16.087.270,85 despencou para R$ 394.409,39, em 2012 Aqui chegados, podese concluir que, devido à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações, com base na presunção legal estabelecida no art. 23, § 2º do DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, a NEW TRACK atuou como interposta pessoa, ocultando os reais adquirentes e vendedores das mercadorias por ela importadas na condição de adquirente, e que a TOL ASSESSORIA participou ativamente destas operações, beneficiandose, direta ou indiretamente, das mesmas. Em virtude da impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas que já tenham sido consumidas, em conformidade com o §3º do art. 23 do Decreto Lei 1.455/76 e o §1º do art. 689 do Decreto nº6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), convertese a penalidade de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. No caso concreto, foi aplicada a citada multa em relação às mercadorias constantes das declarações de importação registradas pelo estabelecimento matriz da NEW TRACK na condição de adquirente, já desembaraçadas e entregues para consumo, conforme planilha constante no DOC 44. b) Sobre a Prática de Fraudes no Registro de Informações Cambiais nas Declarações de Importação Em meados de abril de 2011, a NEW TRACK teve suas operações de importação direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira – COANA (DOC 39). Além da suspeita de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pelas operações, havia fortes indícios de que a empresa em questão estava burlando o limite de importações definido para a modalidade de habilitação simplificada/pequena monta, mediante a prestação de informações falsas na ficha câmbio em campo próprio das declarações de importação. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.258 7 Conforme já citado, em 2008 a NEW TRACK foi habilitada para operar no comércio exterior na modalidade simplificada, submodalidade operações de pequena monta, condição que, em conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 650/2006, limitava o valor de suas importações com cobertura cambial, a cada período de seis meses, a US$ 150.000,00. Posteriormente, em março de 2011, quando suas operações de importação já estavam sob suspeitas de fraude cambial, solicitou alteração para habilitação na modalidade ordinária, que não impunha limites ao valor das importações, mas teve o pedido indeferido pela Alfândega do Porto de São Luís/MA. Mediante o procedimento de revisão aduaneira das declarações de importação registradas pela NEW TRACK, levada a efeito no curso da presente fiscalização, constatouse que a empresa manipulou o limite de US$ 150.000,00 das importações por conta própria, utilizandose do seguinte artifício: “No ato do registro da declaração de importação, informava na ficha câmbio tratarse de operação com cobertura cambial e, após o desembaraço aduaneiro, efetuava retificação na declaração alterando as informações na ficha câmbio/modalidade de pagamento de “com” para “sem” cobertura cambial (DOC 42). Por óbvio, o despacho aduaneiro era processado com a informação que se tratava de operação com cobertura cambial de modo a não gerar suspeitas para a fiscalização realizada no curso despacho quanto às informações cambias inicialmente registradas. Após o desembaraço das mercadorias, a empresa, através de seu representante legal, procedia retificação nos dados cambias/modalidade de pagamento para “sem” cobertura cambial, valendose do fato que as retificações pósdesembaraço deste tipo de informação podem ser feitas diretamente pelo importador, sem qualquer participação ou anuência da autoridade aduaneira. Constatouse, também, que na retificação pósdesembaraço o importador informava sistematicamente como motivo para a operação sem cobertura cambial o código “99 – demais motivos”. Quanto a este ponto cabe destacar que existem procedimentos e cuidados a serem tomados pelo importador quando da prestação de informação sobre importação sem cobertura cambial (informações disponíveis na página web da Receita Federal): Importações Sem Cobertura Cambial Se a operação for feita sem cobertura cambial (não havendo remessa de moeda estrangeira), o importador deverá assinalar essa opção e escolher na caixa de texto "Motivos", o motivo da não cobertura cambial. 1) Motivos "30", "57", "66" e "70" * 2) Motivo 32 (Operações em Reais) 3) Demais Motivos Obs: motivo "30": investimento de capital estrangeiro; motivo "57": arrendamento financeiro com prazo superior a 360 dias e com amortização igual ou superior a 75% do valor do bem; motivo "66": arrendamento operacional com prazo superior a 360 dias e com amortização inferior a 75% do valor do bem; motivo "70": arrendamento simples sem opção de compra aluguel ou afretamento prazo superior a 360 dias. Pagamento Antecipado ou À Vista, Sem Operação de Câmbio No caso de Pagamento Antecipado ou À Vista, sem operação de câmbio (inclusive pagamento efetuado com cartão de crédito internacional, ou vale postal internacional até US$ 50.000,00), enquanto não forem criados no Siscomex Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.259 8 códigos e campos específicos para adequar o Sistema às formas de pagamento efetivamente contratadas, a informação sobre câmbio deve ser prestada conforme o procedimento a seguir: • Indicar na ficha “Câmbio” da adição: _ Pagamento SEM COBERTURA CAMBIAL _ Motivo 99 “Outras Importações Sem Cobertura Cambial” • Indicar (conforme o tipo de pagamento) em “Informações Complementares” da DI: _ Se pagamento com RECEITA DE EXPORTAÇÃO (utilização de recursos mantidos no exterior, originários de receita de exportação): _ “Pagamento (antecipado ou à vista) realizado com recursos em moeda estrangeira relativos aos recebimentos de exportações brasileiras de mercadorias ou de serviços para o exterior, e mantidos no exterior conforme § 2º do art. 1º da Lei 11.371/06.” _ Se pagamento com DISPONIBILIDADE GERAL (utilização de recursos mantidos no exterior, originários de disponibilidade geral): _ “Pagamento (antecipado ou à vista) realizado com utilização de disponibilidade própria, no exterior conforme Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais do Banco Central do Brasil (RMCCI, Título 1, Capítulo 1 e Título 2, Capítulo 2).” _ Se pagamento com CARTÃO DE CRÉDITO INTERNACIONAL, ou VALE POSTAL INTERNACIONAL ATÉ US$ 50.000,00 (ou o seu equivalente em outras moedas): _ “Pagamento (antecipado ou à vista) realizado mediante utilização de cartão de crédito internacional emitido no País (ou por meio de vale postal internacional) conforme Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais do Banco Central do Brasil (RMCCI, Título 1, Capítulo 12).” Notese que ao realizar a retificação nas declarações de importação de “com” para “sem” cobertura cambial, a fiscalizada não registrava qualquer informação adicional no campo de “Informações Complementares”, conforme as instruções acima reproduzidas. Ademais, não atendeu as intimações, feitas no curso da presente fiscalização (DOC 01), para prestação de esclarecimentos e justificativas, devidamente documentadas, dos motivos para a realização das operações de importação sem cobertura cambial, ou seja, sem a remessa de moeda estrangeira. Com esse proceder fraudulento, os valores correspondentes das declarações de importação assim retificadas eram debitados na “conta corrente” do valor acumulado de importações feitas pela fiscalizada, cálculo este processado automaticamente nos sistemas de controle aduaneiro da Receita Federal. Por decorrência, agindo dessa forma, a empresa conseguia registrar novas declarações, extrapolando o limite de US$ 150.000,00, para o qual estava habilitada. Ressaltese ainda que em situações anteriormente investigadas, a COANA constatou que este artifício de burlar o controle aduaneiro das importações foi usado por outras empresas de fachada, que não teriam como obter habilitação ordinária (DOC 33). Extração feita no sistema DW Aduaneiro (DOC 42) mostrou que das 194 declarações de importação por conta própria (importador e adquirente) registradas, entre janeiro de 2009 e agosto de 2011, pelo estabelecimento matriz da NEW TRACK, em 168 houve alteração, pósdesembaraço, na ficha câmbio de “com” para “sem” cobertura cambial. Com este agir fraudulento, a NEW TRACK, apesar Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.260 9 de não ter habilitação para tanto, efetuou, entre janeiro de 2009 e agosto de 2011, ou seja em 32 meses, importações por conta própria num valor total próximo a US$ 3 milhões. Acrescentese adicionalmente que, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (DOC 01), a empresa apresentou à fiscalização 28 contratos de câmbio para importação de mercadorias (DOC 13). Cabe destacar em relação aos mesmos: 1°) Em 12 dos 28 contratos de câmbio apresentados foi possível identificar sua vinculação com 18 declarações de importação, conforme planilha constante no DOC 43. Ocorre, porém, que em 16 dessas 18 declarações, com cobertura cambial confirmada através dos contratos de câmbio apresentados, a fiscalizada praticou o procedimento fraudulento citado, retificandoas após o desembaraço aduaneiro de “com” para “sem” cobertura cambial; 2°) Devido à falta de apresentação pela fiscalizada, apesar de intimada, de documentação que confirmasse a participação da empresa nas transações de comércio exterior, como faturas próforma, não foi possível identificar a vinculação com declarações de importação para 16 dos 28 contratos de câmbio apresentados. 3°) Que muito embora tenha apresentado contratos de câmbio que totalizaram R$ 1.893.226,47, o valor total das declarações de importação registradas “com” cobertura cambial e não retificadas após o desembaraço para sem cobertura cambial”, foi de apenas R$ 315.051,89 (DOC 42), fato que confirma a prática sistemática do procedimento fraudulento de retificação da informação cambial pósdesembaraço. 4°) O valor total dos contratos de câmbio apresentados foi de US$ 1.102.193,95, equivalente a R$ 1.893.226,47, que coincide exatamente com os lançamentos a débito na conta bancária da NEW TRACK, segregados nesta fiscalização sob o título “despesas com câmbio” (DOC 37). Este valor, porém, é muito inferior ao valor total das mercadorias importadas por conta própria, que foi de R$ 5.809.151,00. Em assim sendo, a NEW TRACK não trouxe provas do pagamento de mais de R$ 3 milhões aos fornecedores estrangeiros das mercadorias importadas, fato que só vem a corroborar com a conclusão anterior sobre a prática de interposição fraudulenta. Conforme já esclarecido, sem a adoção do procedimento fraudulento de retificação das informações cambias, a NEW TRACK não conseguiria registrar quase que a totalidade das declarações de importação em que figurava como importadora e adquirente das mercadorias. Depreendese, portanto, que o prosseguimento das operações de importação por conta própria com a ocultação dos verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas só foi possível devido à utilização do procedimento fraudulento no registro de informações cambiais nas declarações de importação. Dessa forma as duas infrações apuradas (interposição fraudulenta e utilização de informações falsas nas declarações de importação) estão intrinsecamente relacionadas. É certo afirmar, portanto, que o importador se valeu da prestação de informações falsas em documento indispensável ao serviço público de despacho aduaneiro de mercadorias com a finalidade de ludibriar os controles aduaneiros, de competência da Receita Federal do Brasil, e com isso conseguir, de forma fraudulenta, dar prosseguimento às operações de importação em valor superior àquele para o qual estava regularmente habilitada, e, por conseguinte, dar continuidade ao esquema de interposição fraudulenta. Em assim sendo, resta configurado dano ao Erário, aplicandose para o caso concreto a penalidade de PERDIMENTO definida no art. 105, inciso VI, do DecretoLei n° 37/1966; no art. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.261 10 23, inciso IV e § 1º, do DecretoLei nº 1455/1976; no art. 689, inciso VI do Decreto nº 6.759/2009 e no art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. Em virtude da impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas, uma vez não localizadas, convertese, nos termos do § 3º do DecretoLei nº 1455/1976 e no § 1º do art. 689 do Decreto nº6.759/2009, a penalidade de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras constantes nas declarações de importação registradas pela autuada na condição de adquirente, já desembaraçadas e entregues. Assim sendo, ficaram sujeitas à aplicação da penalidade acima as mercadorias constantes das declarações de importação onde a fiscalizada inseriu informação cambial falsa com a clara intenção de burlar os controles aduaneiros. Tais declarações, registradas pelo estabelecimento matriz da NEW TRACK, estão relacionadas no DOC 45, parte integrante do presente auto de infração. Ressaltese que, conforme apurado e relatado anteriormente, para essas mesmas declarações incide também a penalidade de perdimento de mercadoria por prática de interposição fraudulenta. A 23ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, no acórdão nº 1653.924, manteve a integralidade da autuação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/01/2009 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Em sede de recurso voluntário, as duas empresas apresentaram exatamente os mesmos termos da impugnação. As alegações foram postas nos tópicos assim redigidos: “Princípios Administrativos Aplicáveis” “Infrações imputadas à Recorrente” “Sistema Constitucional Tributário” Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.262 11 “Princípio da legalidade” “Princípios Fundamentais Aplicáveis”. “Violação ao Confisco” “Relevação da pena de perdimento e consequente inexistência ou nulidade da multa imposta” “Prova do Alegado” “Necessidade de individualização das penalidades” É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Recurso Voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. O recurso da importadora ostensiva foi protocolado em 15/09/2014 (fls. 1.223 a 1.246). Todavia, a ciência do Acórdão nº 1653.924 da DRJ/SP1 foi realizada na data de 25/02/2014, conforme fls. 1.163/1.164. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Dessa forma, o recurso voluntário apresentado fora do prazo legal, sem a prova de ocorrência de qualquer fato impeditivo, é intempestivo e, portanto, não pode ser conhecido. Logo, não conheço o recurso voluntário da New Track. Recurso Voluntário da Tol Assessoria O recurso interposto pela responsável solidária atende aos pressupostos legais, deve, portanto, ser conhecido. As alegações do recurso são (efl.11941217): Em “Princípios Administrativos Aplicáveis”, defende que seu recurso deve ser analisado com observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa e do informalismo, já para as alegações da fiscalização impera o formalismo. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.263 12 Em “Infrações imputadas à Recorrente”, conclui que é ilegal e equivocada a conclusão da RFB quanto à aplicação da pena de perdimento, uma vez que afronta o sistema constitucional tributário. Em “Sistema Constitucional Tributário”, alega que a pena imposta viola o princípio da legalidade. Em “Princípio da Legalidade”, sustenta que as bases nas quais se funda a RFB IN nº 228/2002, DecretoLei nº 1455/1976 e Decreto nº 7574/2011 não legitimam a conduta do ente público que decretou a perda das mercadorias, pois todo o procedimento e capitulação legal dos autos de infração não estão fundados em lei ordinária, bem como houve invasão da esfera de competência do Poder Legislativo. Por isso, é ilegal a pena aplicada. Em “Princípios Fundamentais Aplicáveis”, alega que a pena de perdimento inviabiliza a atividade financeira da Recorrente, violando a livre iniciativa. Em “Violação ao Confisco”, requer o reconhecimento de que a pena de perdimento ofende o princípio constitucional da vedação ao confisco. Em “Relevação da pena de perdimento e consequente inexistência ou nulidade da multa imposta”, pleiteia a aplicação do art. 736, II, do Decreto nº 6759/2009, no sentido de que o Ministro da Fazenda pode e deve relevar a multa que não resulte em falta de recolhimento de tributo, não havendo o dolo. Em “Prova do Alegado”, afirma que não houve dano ao erário, pois não houve supressão de tributo. Em “Necessidade de individualização das penalidades”, alega que a imposição de qualquer pena à Recorrente dependeria de juízo individualizado da sua culpabilidade, o que fere o disposto no art. 5°, XLV da CF. Além disso há de se instaurar o processo crime e dele resultar sentença condenatória transitada em julgado, obedecendose assim ao devido processo legal. Em seu pedido, requer, verbis: Posto isto, com fundamento nos princípios constitucionais ora invocados REQUER seja o recurso recebido e acolhido em todos os seus termos para que ao final seja dado PROVIMENTO declarando nula a multa aplicada em face da Recorrente, antes às evidentes ilegalidades anotadas e cabalmente demonstradas. Do exposto, observase que a empresa não contestou o mérito da autuação, ou seja, não afrontou as questões relativas às operações de importação. Logo, é ponto incontroverso a ocorrência das importações arroladas no Relatório Fiscal praticadas pela New Track, no período de 2009 a 2010. Ademais, não foram refutadas as acusações da fiscalização quanto à sujeição passiva da empresa Tol Assessoria. A acusação fiscal é de que a Tol Assessoria repassava recursos à empresa New Track e se mantinha oculta dos controles aduaneiros. Na qualidade de financiadora das importações, deveria se apresentar aos órgãos responsáveis pelos controles Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.264 13 aduaneiros mediante a modalidade de importação por “conta e ordem”. Todavia, permaneceu ocultada pela ação da empresa New Track que atuava como interposta pessoa em operações de comércio exterior. A maioria de seus argumentos envolvem o afastamento da legislação vigente e válida por afronta à Constituição, ou seja, são pleitos que não podem sequer obter pronunciamento deste Conselho, tendo em vista o disposto no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Consta no auto de infração a descrição minuciosa dos fatos e das provas colacionadas aos autos, quanto ao modus operandi das empresas no esquema das importações. A motivação está clara: foram constados indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa New Track. A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou multa substitutiva. Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que os sujeitos passivos comprovarem a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Assim, os elementos que constam dos autos são suficientes para apontar a não demonstração da origem dos recursos empregados pela New Track nas operações de importação. Como já mencionado, no período de 2009 até 2010, a Tol Assessoria foi considerada oculta nas operações de importação. Ambas as empresas tiveram a oportunidade de apresentar documentos hábeis para comprovação de recursos financeiros e das operações e não o fizeram. A ocultação do real adquirente das mercadorias decorre da informação falsa na declaração de importação, obrigação acessória relacionada aos tributos incidentes nas operações de comércio exterior. Por conseguinte, por ser a empresa oculta Tol Assessoria, a fiscalização constituiu a responsabilidade solidária contra ela, com base no art. 124, I do CTN e art. 106, IV do DecretoLei nº 37/66. O interesse comum resta demonstrado, não apenas pelo interesse econômico aproveitado na situação que constituiu o fato jurídicotributário em comento neste processo, Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.265 14 mas também pela atuação em conjunto na organização dos esquemas de ocultação na importação. Em suma, todos os traços da pena aplicada estão previstos em veículos normativos válidos e vigentes no sistema, não podendo ter afastada a sua aplicação. De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da pena de perdimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício. Diante disso não cabe qualquer pedido de relevação da pena aplicada. Ressaltese que a alegação de que não houve dano ao erário tampouco se sustenta, pois o dano ao erário não significa supressão de tributo. O dano ao Erário é presumido quando se configuram as infrações tipificadas no art. 23 e 24 do Decretolei nº 1.455/76. Logo, tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação”, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. Dessa forma, o dano ao Erário decorre do texto da própria lei, então não há que se cogitar da existência ou não de efetivo prejuízo operacional e financeiro ao Poder Público. Portanto, não merece acolhida o pleito de que, na ausência de dano ao erário, o auto deve ser cancelado. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário da New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda, por ser intempestivo, e por negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Tol Assessoria Ltda. Sala de Sessões, em 31 de agosto de 2017. Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 18336.720105/201385 Acórdão n.º 3301003.981 S3C3T1 Fl. 1.266 15 Fl. 1266DF CARF MF
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