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Numero do processo: 11330.000029/2007-51
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002
RECURSO DE OFÍCIO. EQUIVOCOS COMETIDOS NO LANÇAMENTO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. AUSENCIA DE BASE LEGAL PARA SUSTENÇÃO DO CRÉDITO.
Uma vez verificado erros na autuação fiscal que venha a prejudicar o lançamento do crédito previdenciário, há que se determinar a retificação dos valores cobrados.
A fundamentação legal contida no presente lançamento não contempla o salário-de-contribuição dos contribuintes individuais, estes fatos geradores não podem persistir no lançamento, por falta de base legal.
Houve equivoco, também, ao serem deduzidos do lançamento os valores constantes de Guias Previdenciárias recolhidas referente à parte descontada dos segurados, haja vista esta rubrica não fazer parte do lançamento, gerando um crédito a maior à empresa.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 RECURSO DE OFÍCIO. EQUIVOCOS COMETIDOS NO LANÇAMENTO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. AUSENCIA DE BASE LEGAL PARA SUSTENÇÃO DO CRÉDITO. Uma vez verificado erros na autuação fiscal que venha a prejudicar o lançamento do crédito previdenciário, há que se determinar a retificação dos valores cobrados. A fundamentação legal contida no presente lançamento não contempla o salário-de-contribuição dos contribuintes individuais, estes fatos geradores não podem persistir no lançamento, por falta de base legal. Houve equivoco, também, ao serem deduzidos do lançamento os valores constantes de Guias Previdenciárias recolhidas referente à parte descontada dos segurados, haja vista esta rubrica não fazer parte do lançamento, gerando um crédito a maior à empresa. Recurso de Ofício Negado.
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EQUIVOCOS COMETIDOS NO LANÇAMENTO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. AUSENCIA DE BASE LEGAL PARA SUSTENÇÃO DO CRÉDITO. Uma vez verificado erros na autuação fiscal que venha a prejudicar o lançamento do crédito previdenciário, há que se determinar a retificação dos valores cobrados. A fundamentação legal contida no presente lançamento não contempla o saláriodecontribuição dos contribuintes individuais, estes fatos geradores não podem persistir no lançamento, por falta de base legal. Houve equivoco, também, ao serem deduzidos do lançamento os valores constantes de Guias Previdenciárias recolhidas referente à parte descontada dos segurados, haja vista esta rubrica não fazer parte do lançamento, gerando um crédito a maior à empresa. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 29 /2 00 7- 51 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso de ofício interposto pela DRJRIO DE JANEIRO, em face de decisão que retificou em parte o lançamento fiscal de crédito relativo à contribuição social previdenciária, incidente sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais. 2. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado por ocasião da decisão anterior, cito o seu inteiro teor: “1. Tratam os autos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.012.4391, lavrada contra a empresa Clínica de Ultrassonografía Meier Ltda, relativa a contribuições devidas à Seguridade Social. 2. Segundo relata a informação fiscal, "as contribuições sociais devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, contribuintes individuais administradores e prestadores de serviço, destinadas também ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, relativa a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O débito existente decorre da falta de recolhimento de contribuições devidas conforme o declarado como devido em GFIP — Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. A exigência fiscal é pelo adimplemento das obrigações previdenciárias". 3. A interessada, inconformada, impugnou o lançamento, conforme petição acostada às fls. 84/131. E a decisão de primeira instância às 150/157 foi no sentido de julgar procedente em parte o lançamento nos termos da Ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/082002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COBRANÇA DE DIVERGÊNCIA GFIP X GPS. I Incidência de contribuição previdenciária sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, apuração mediante confronto entre valores declarados em GFIP e recolhimentos efetuados através de GPS. II Excluise do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal. Lançamento Procedente em parte". 4. Tendo em vista a retificação de parte do lançamento, a DRJRIO DE JANEIRO/RJ recorreu de oficio. É o Relatório.” 3. Os Membros deste Conselho decidiram baixar os autos em diligência, por meio da Resolução 20500.075 para que o contribuinte fosse cientificado da decisão de fls. 150/171, abrindo prazo de quinze dias para apresentação de manifestação. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.000029/200751 Acórdão n.º 2301003.449 S2C3T1 Fl. 196 3 4. O fisco cumpriu a diligência e cientificou o contribuinte da decisão de primeira instância e do Discriminativo Analítico do Débito Retificado, por meio do aviso de recebimento AR – código RJ989501552BR, com registro de recebimento em 16/12/2011 (f.182). Entretanto, o prazo decorreu sem que houvesse qualquer manifestação por parte do contribuinte. 5 Tendo sido cumprida a diligência, trago a julgamento para apreciação do mérito do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE RECURSAL 1. O recurso de ofício foi respaldado pelo órgão julgador no art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007, abaixo colacionados: Portaria 158, de 11042007 “Art. 1º Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2º, das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização;” 2. Verifico que o valor apurado inicialmente pelo fisco foi de R$ 780.944,65 (setecentos e oitenta mil novecentos e quarenta e quatro reais e sessenta e cinco centavos); e o montante aferido após a retificação do lançamento pelo órgão primário foi de R$ 552.986,26 (quinhentos e cinquenta e dois mil novecentos e oitenta e seis reais e vinte e seis centavos). Dessa forma, constato que o débito que deixou de ser exigido é de R$ 227.958,39 (duzentos e vinte e sete mil novecentos e cinquenta e oito reais e trinta e nove centavos), portanto, dentro do escopo da legislação que regia o recurso de ofício. 3. Assim, conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o débito tributário exonerado à época que deu o seu ensejo foi superior ao limite determinado na Portaria MF 158/2007. DA RETIFICAÇÃO 4. De acordo com o Relatório Fiscal (f. 74) item (4), foram utilizados para apuração da base de cálculo, os valores de remuneração dos segurados empregados, contribuintes individuais administradores e prestadores de serviço que constam em Guias de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Ocorre que, a fiscalização incluiu equivocadamente o salário de contribuição dos administradores e dos prestadores de serviços, no salário de contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, gerando valores a maior, conforme o Relatório de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Discriminativo Analítico do Débito DAD (ff. 04/21) e RL Relatório de Lançamentos (ff. 36/46). 5. O Colegiado de primeira instância decidiu exonerar parte do lançamento por entender que houve erro na constituição do crédito, por falta de base legal. Entendeu ainda que, houve equivoco ao serem deduzidos os valores constantes de GPS recolhidas, referente à parte descontada dos segurados, haja vista esta rubrica não fazer parte do lançamento, gerando um crédito a maior à empresa. Transcrevo parte do voto (f.157), que retificou parte do lançamento: “20. Independentemente das razões apresentadas na defesa, foi constatado equívoco, no presente crédito, nas competências 01/2000, a 12/2000, 01/2001 a 12/2001, 01/2002 a 06/2002 e 08/2002, na filial CNPJ 29.187.895/000105 e nas competências 02/2000 a 06/2000, 08/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 04/2002, na filial CNPJ 29.187.895/000288, com a inclusão do salário de contribuição dos administradores e dos prestadores de serviços, no salário de contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, gerando uma apuração a maior, conforme relatórios DAD Discriminativo Analítico do Débito (fls. 04/21) e RL Relatório de Lançamentos (fls. 36/46). Assim, uma vez que a fundamentação legal contida na presente NFLD não contempla o saláriodecontribuição dos contribuintes individuais, estes fatos geradores não podem persistir no lançamento, por falta de base legal. 6. Dessa forma, acompanho na íntegra a decisão de primeira instância uma vez que o crédito exonerado se deu em decorrência de equívocos cometidos pela própria fiscalização, de maneira que o total do débito há de ser retificado para que não pairem ilegalidades no lançamento fiscal a ser suportado pelo contribuinte. 7. Desta forma, meu voto é por negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO 8. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001770/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
O cerceamento do direito de defesa ensejaria a impossibilidade do Recorrente identificar os valores apurados no lançamento, o fato gerador ou a infração, o que não é o caso,.
ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA
O contribuinte alegou que o valor apurado encontrava-se ilíquido, mas não apontou especificamente quais os erros cometidos pelo agente fiscal. As afirmações evasivas afastam a pretensão do sujeito passivo sendo considerada pela legislação processual como não impugnada, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07.
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE
Os efeitos alcançados pela norma constitucional (art. 150, inciso VI, a, CF/88) abrangem somente o imposto incidente sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos.
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendida pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. A inobservância dos pressupostos imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado.
Recurso Voluntário Improvido
Crédito tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Juliana Campos de Carvalho - Relatora
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Numero da decisão: 2302-002.764
Decisão:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. O cerceamento do direito de defesa ensejaria a impossibilidade do Recorrente identificar os valores apurados no lançamento, o fato gerador ou a infração, o que não é o caso,. ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA O contribuinte alegou que o valor apurado encontrava-se ilíquido, mas não apontou especificamente quais os erros cometidos pelo agente fiscal. As afirmações evasivas afastam a pretensão do sujeito passivo sendo considerada pela legislação processual como não impugnada, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE Os efeitos alcançados pela norma constitucional (art. 150, inciso VI, a, CF/88) abrangem somente o imposto incidente sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendida pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. A inobservância dos pressupostos imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado. Recurso Voluntário Improvido Crédito tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho - Relatora Liege Lacroix Thomasi - Presidente
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 214 1 213 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.001770/200938 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.764 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria Auto de Infração: obrigações principais Recorrente CENTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E GERAÇÃO DE EMPREGOS (CENEAGE) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. O cerceamento do direito de defesa ensejaria a impossibilidade do Recorrente identificar os valores apurados no lançamento, o fato gerador ou a infração, o que não é o caso,. ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA O contribuinte alegou que o valor apurado encontravase ilíquido, mas não apontou especificamente quais os erros cometidos pelo agente fiscal. As afirmações evasivas afastam a pretensão do sujeito passivo sendo considerada pela legislação processual como não impugnada, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE Os efeitos alcançados pela norma constitucional (art. 150, inciso VI, ‘a’, CF/88) abrangem somente o imposto incidente sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendida pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 17 70 /2 00 9- 38 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 inobservância dos pressupostos imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado. Recurso Voluntário Improvido Crédito tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Juliana Campos de Carvalho Relatora Liege Lacroix Thomasi Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 14751.001770/200938 Acórdão n.º 2302002.764 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Referese o auto de infração a cobrança de contribuições sociais destinadas a Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos empregados que prestaram serviços ao sujeito passivo, nas competências de 01/2006, 02/2006 e 05/2007. Nos termos do relatório fiscal (fls. 16/25), o crédito tributário foi apurado por arbitramento por não ter o contribuinte, embora intimado, apresentado folhas de pagamentos e registros contábeis. Pela falta de apresentação do documento foi lavrado o AI 37.215.6371. De acordo com o agente fiscal, o arbitramento ocorreu por aferição indireta das bases de cálculo a partir das notas de empenho emitidas para a entidade, conforme relacionado na planilha 03a (fls. 187/188). Foram excluídos os empenhos cujos valores não continham prestação de serviços (exemplo: locação de veículos). Foram lançadas somente as bases de cálculo não declaradas em GFIP (conforme planilha 2.b fls. 186). Cientificado do lançamento em 17/07/2009 (fls. 290), o sujeito passivo apresentou impugnação, tempestiva, alegando: a) Cerceamento do direito de defesa pelo fato do lançamento está amparado em meras alegações, sem quaisquer comprovações, bem como, por falta precisa na descrição do suposto ilícito tributário; b) Afirmou ainda que as pessoas contratadas pelo CENEAG não eram empregadas, mas tão somente prestadoras de serviços contratados com base no código civil, com vínculo de cooperação e não de subordinação; c) Iliquidez do crédito tributário por não ter o auditor fiscal identificado os valores devidos; d) Que os efeitos da isenção tributária conferidos pelo art. 150, inciso VI, alínea 'c' da Constituição Federal devem ser estendidos para alcançála, pelo princípio da isonomia; e) Que por não existir nada que distinga uma OSCIP a uma entidade com título de utilidade pública, não haveria que se falar em cobrança da contribuição patronal; f) Ao final, pleiteou a improcedência do lançamento. Encaminhados para julgamento, os membros da 7ª Turma da DRJ/REC, verificando que as planilhas mencionadas pelo auditor fiscal (planilha 03a, planilha 04a, planilha 01a, planilha 02 a e planilha 02b) em seu relatório não encontravamse acostadas aos autos, converteu o julgamento em diligência determinando as respectivas juntadas. Cumprida a diligência, foram anexados, às fls. 112/198, os referidos documentos. Retornando os autos à DRJ/REC para julgamento, foi dada procedência a ação fiscal, sendo mantido o crédito tributário. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Intimado (fls. 207/208), apresentou Recurso Voluntário ratificando os argumentos expostos na Impugnação. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 14751.001770/200938 Acórdão n.º 2302002.764 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Referese o auto de infração a cobrança de contribuições sociais destinadas as Terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos empregados que prestaram serviços ao sujeito passivo, nas competências de 01/2006, 02/2006 e 05/2007. No recurso, alegou o sujeito passivo: i) cerceamento de defesa; ii) iliquidez do crédito tributário por não ter o auditor fiscal identificado os valores devidos; iii) extensão dos efeitos da isenção tributária conferidos pelo art. 150, inciso VI, alínea 'c' da Constituição Federal pelo princípio da isonomia, ao final, iv) protestou pela prova pericial. I DO CERCEAMENTO DE DEFESA: Defende o sujeito passivo que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado sem a discriminação precisa dos fatos geradores e das multas aplicadas, malferindo o princípio do devido processo legal. De acordo com o relatório fiscal de fls. 16/25, o agente fazendário discorreu sobre a apuração do valor do crédito tributário, demonstrando a base de cálculo e a correspondente fundamentação. Constam às fls. 07/25 a origem do cálculo, a alíquota e a base utilizada. Afirmou o auditor fiscal que intimou a empresa para apresentar alguns documentos necessários à fiscalização. Por não ter o contribuinte entregue, achou por bem autuálo cobrandolhe, por aferição indireta, o recolhimento das contribuições sociais destinadas a Terceiros. É bem verdade que nos presentes autos não consta o Termo de Início de Ação Fiscal. No entanto, tal documento pode ser visualizado no PAF 14751.001766/200970 cuja relatoria é da Conselheira que subscreve o presente julgado. Naqueles autos, resta comprovada a intimação do contribuinte para apresentação dos documentos realizados no período do débito. Logo, o aparente vício estaria sanado, não havendo, com isso, qualquer nulidade. Estabelece o art. 10 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Todos os requisitos exigidos pela norma processual administrativa foram cumpridos, vejamos: I a qualificação do autuado fls. 03 II o local, a data e a hora da lavratura fls. 03 III a descrição do fato fls. 16/25 IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável fls. 15/16; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias fls. 07/14; fls. 23 do PAF 14751.001766/200970; fls. 28 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula fls. 03 E mais, as informações elucidadas no relatório demonstram de forma bem clara a razão do lançamento, vide: ... Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 14751.001770/200938 Acórdão n.º 2302002.764 S2C3T2 Fl. 217 7 O cerceamento do direito de defesa ensejaria a impossibilidade do Recorrente identificar os valores apurados no lançamento, o fato gerador ou a infração, o que não é o caso. Desse modo, quanto a este tópico, mostramse infundadas as alegações do sujeito passivo. II DA ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: Sobre este tópico, aduziu o sujeito passivo que o auditor fiscal ao determinar a base de cálculo tributável, não precisou os valores e tão pouco os identificou, vez que seu singelo demonstrativo de crédito tributário apenas fixou o valor final, sem explicar como chegou à determinação do valor tributável, deixando ainda de determinar a alíquota aplicada. Como dito anteriormente, no relatório fiscal, mais precisamente às fls. 20/22, ao contrário do exposto pelo contribuinte, o servidor fazendário especificou o cálculo do crédito tributário, vejamos: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 O arbitramento ocorreu por não ter a associação entregue os documentos assinalados no Termo de Início de Fiscalização, constante no PAF 14751.001766/200970 (referente ao AI 68). O contribuinte alegou que o valor apurado encontravase ilíquido, mas não apontou especificamente quais os erros cometidos pelo agente fiscal. As afirmações evasivas afastam a pretensão do sujeito passivo sendo considerada pela legislação processual como não impugnada. Nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, dispõe que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente considerarseá não impugnada, vide: "Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Portaria da RFB nº 10.875/07 Art. 8 º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Por isso, razão não há para invalidar o lançamento. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 14751.001770/200938 Acórdão n.º 2302002.764 S2C3T2 Fl. 218 9 III DA EXTENSÃO DOS EFEITOS DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA PELO PRINCÍPIO DA ISONOMIA: No tocante a este tópico, pretende o Recorrente ter para si a extensão dos efeitos da imunidade tributária disposta no art. 150, inciso VI, ‘a’, CF/88. Conforme entendimento do contribuinte, à luz do art. 15 da Lei nº 9.532/97, consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinem, sem fins lucrativos. Os efeitos alcançados pela norma constitucional (art. 150, inciso VI, ‘a’, CF/88) abrangem somente o imposto incidente sobre o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. Eis o disposto na norma: “Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; ... § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas (b) e (c), compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.” (Grifo nosso) A norma acima citada referese tão somente aos impostos, nada dispondo sobre as contribuições sociais. É bom salientar que a própria Constituição Federal em seu art. 150, §7º, reconheceu a distinção entre as espécies tributárias impostos e contribuições: “Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.” (Grifo nosso) É certo que após a promulgação da Constituição Federal de 1988, foi conferida isenção às entidades beneficentes de assistência social, em relação às contribuições sociais destinadas à Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 10 Seguridade Social, desde que atendessem aos requisitos estabelecidos na lei (art. 195, §7º CF/88). A norma constitucional foi regulamentada pela Lei nº 8.212/91 que em seu art. 55 assim dispôs: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).” Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 14751.001770/200938 Acórdão n.º 2302002.764 S2C3T2 Fl. 219 11 Dessa forma, para que a Recorrente pudesse gozar do benefício constitucional, teria que preencher os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Neste esteio, a Recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento que nos leve a convicção do cumprimento dos citados requisitos. Insubsistentes os argumentos, devem ser afastados. IV – DO PEDIDO DE PERÍCIA: No recurso interposto, pleiteou o sujeito passivo a realização de perícia técnico contábil. O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendido pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. Assim transcrevo: " Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito;..." grifo nosso Tais requisitos são condições de admissibilidade da perícia, sem os quais não será possível deferir o pleito. Neste contexto, estabelece o art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/75: "Art. 16. A impugnação mencionará: ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16." Analisando o requerimento do Recorrente, inferese que embora tenha, de forma genérica, alegado ser imperiosa a realização da perícia para o deslinde da controvérsia, seu pedido contém vício de tamanha formalidade que impede o deferimento. Isto porque, em sua petição deixou de apresentar os quesitos que pretendia esclarecer, bem como, indicar o assistente que acompanharia o procedimento. A inobservância dos pressupostos prescritos no art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/75 imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado. Dito isto, ciente que a perícia é meio de prova admitido neste Egrégio Conselho, em respeito ao art. 5º, inciso LV, CF/88, certo é que o pedido deve está pautado na formalidade prevista no ordenamento jurídico em vigor. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 12 Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo inalterado o crédito tributário É como voto. Sala de Sessões, 18 de setembro de 2013 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000739/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6.
Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA.
A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente TRANSPORTES SANCAP S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INTIMAÇÕES FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 6. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 39 /2 01 0- 52 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000739/201052 Acórdão n.º 2301003.520 S2C3T1 Fl. 197 3 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.299.5586, lavrado em 24/09/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte do empregado e contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais e de empregados apuradas em folha de pagamento, no período de 01/2006 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 14.468,86, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 06/10/2010, fls. 23, a recorrente apresentou impugnação, fls. 44/58, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 167/175, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 16/09/2011, fls. 179. O recurso voluntário, apresentado em 18/10/2011, fls. 180/192, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta que houve nulidade nas intimações feitas por via postal. Entende que o auto de infração deve ser lavrado no estabelecimento do fiscalizado sob pena de nulidade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Conclui que inexistiu sonegação. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000739/201052 Acórdão n.º 2301003.520 S2C3T1 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Intimação. Pessoal, postal ou por meio eletrônico. Ao contrário do que argumenta a recorrente, o Decreto 70.235/72 prevê várias formas de intimação, conforme podemos conferir no texto legal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Ademais temos a Súmula CARF nº 06: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Portanto, não havendo exclusividade de meio de intimação e sendo obedecidos os requisitos legais para a utilização do meio eleito, não há qualquer irregularidade nas intimações levadas a efeito pela fiscalização. Multa de ofício confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. A respeito da Representação Fiscal para Fins Penais Os argumentos quanto ao ilícito penal não são objeto da discussão administrativa regida pelo Decreto 70.235/72. Se foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, com natureza de notitia criminis, quando e se esta for enviada ao Ministério Público, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Afastamos, portanto, os argumentos dessa natureza. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000739/201052 Acórdão n.º 2301003.520 S2C3T1 Fl. 199 7 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000739/201052 Acórdão n.º 2301003.520 S2C3T1 Fl. 200 9 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000739/201052 Acórdão n.º 2301003.520 S2C3T1 Fl. 201 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a: (a) nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; (b) nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15983.000739/201052 Acórdão n.º 2301003.520 S2C3T1 Fl. 202 13 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10865.908850/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada.
Numero da decisão: 3803-004.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 50 /2 00 9- 88 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 25/04/2008, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS/Pasep, período de apuração agosto de 2005, com débitos IRPJ de apuração novembro de 2007, no valor total de R$ 20.715,26. Através de despacho decisório eletrônico, a DRF em Limeira/SP não homologou a compensação, sob o argumento de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Abaixo reproduziremos a boa síntese feita pela DRJ de origem acerca do recurso administrativo interposto: Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitou se a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908850/200988 Acórdão n.º 3803004.251 S3TE03 Fl. 11 3 Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ em Ribeirão Preto/SP não conheceu a manifestação de inconformidade apresentada. Considerou que a matéria do processo não foi expressamente contestada, e, portanto, definitiva a exigência a ela relativa. Ementou nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário a esta turma, onde preliminarmente defende a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também do principio do devido processo legal. No mérito volta a argumentar sobre o prazo decadencial, defendendo o prazo de 10 anos para lançamentos por homologação. Ao final traz os seguintes pedidos: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 “Por fim, o Poder Público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos (art. 37, "caput", CF), sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado até em órbita normativoadministrativa, de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela. Por outro lado, é de se reconhecer que a iminencia dc dano de difícil ou impossível reparação repousa na necessidade do contribuinte de exercer suas atividades, gesto inerentes à livre iniciativa, assegurada desde o plano constitucional, "ex vi" dos artigos 1 0, inciso IV, 5°, "caput", inciso XXII e 170, inciso II da CF, in exemplis. Assim, requerse que fique sobrestada a cobrança das compensações realizadas com os supostos créditos oriundos deste processo e que se encontram juntadas/apensadas a estes autos até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo, vedada a inserção de qualquer restrição ou qualquer ato tendente à cobrança, até que definitivamente julgadas as discussões. Destarte, reiterase todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição, razão pela qual o contribuinte inconformado requer o regular processamento, ulterior apreciação e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO. Requerse, preliminarmente, seja anulada a r. decisão monocrática de primeiro grau, nos termos da preliminar acima suscitada, pela violação aos princípios acima invocados. E caso este Conselho dos Contribuintes entenda por bem não anular, de plano, a r. decisão recorrida, e entenda que deve ser apreciado o mérito recursal, requerse que seja dado TOTAL PROVIMENTO ao presente recurso para que seja integralmente reformada a r. decisão monocritica, determinandose a definitiva e integral HOMOLOGACAO das compensações pleiteadas, nos exatos termos explanados na prefacial, por ser medida da mais lídima e cristalina justiça! positis, com base no farto conteúdo jurídico já citado, assim como reiterando todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição e na impugnação administrativa anteriormente manifestada, o contribuinterecorrente requer o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e provimento total ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar a r. decisão a quo, julgandose procedente (deferindose) o pedido de Restituição/Compensação formulado pelo contribuinte, culminando com o reconhecimento total do crédito pleiteado, comunicandose o que de necessário, por ser medida da mais lídima justiça!” Diante do acórdão da 4ª Turma da DRJ/RPO, que não conheceu da manifestação de inconformidade por considerar não impugnada a matéria, a SEORT em Limeira às fls. 73 a 75, negou seguimento ao Recurso Voluntário com fundamento no artigo 17 do Decreto 70.235/72, entendendo como definitiva a decisão na esfera administrativa. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908850/200988 Acórdão n.º 3803004.251 S3TE03 Fl. 12 5 Ciente de tal decisão, o contribuinte ajuizou Mandado de Segurança que foi distribuído para a 4a Vara Federal de Piracicaba – Seção de São Paulo, sob o nº 0002361 88.2011.403.6109, no qual obteve decisão favorável, em dispositivo conclusivo nos seguintes termos: “Face ao exposto, . concedo a segurança para determinar que a autoridade impetrada dê seguimento aos recursos administrativos interpostos 'pela re nos processos identificados As fls. 04 e 05 'dos autos, remetendoos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise; e declarar a suspensão dos créditos tributários declarados em virtude da pendência de recurso administrativo.” Grifamos. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, especialmente em obediência à segurança obtida através do provimento judicial no Mandado de Segurança nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de PiracicabaSP, destacado ao final do relatório. O sujeito passivo argui, preliminarmente, em manifestação de inconformidade a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também ao principio do devido processo legal. Passemos à leitura de trechos da impugnação mencionada: “...em seu apertadíssimo tópico que verte sobre a fundamentação e razões que ensejaram a não homologação da compensação colimada, a DRF de Limeira/SP simplesmente limitase a aduzir,de forma vaga e genérica, que não reconheceu como declaradas, ou transmitidas, as PERDCOMp' S acima especificadas. Ora, ao contrário do que lhe incumbia, a r. decisão recorrenda sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar, minuciosamente, o porque o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos, que se analisados, lhe permitia inferir de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar suas razões de decidir e darlhes minima sustentabilidade. Temse, pois, in concreto, que ao não adentrar no mérito propriamente dito das suas razões de decidir, conseqüentemente, a r. decisão combatida não possibilita ao contribuinte ora manifestante, condições ideais para combatêla, visto que não há como contra argumentar uma Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 decisão que se apresenta lacônica, e que beira as mias da inépcia(...) A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar a r. decisão ora recorrida, implicam na anulação da mesma pois ao não garantir o amplo direito de defesa A recorrente, a r. decisão que objeta a presente manifestação de inconformidade avilta também, conseqüentemente, o principio do devido processo legal.” Entendemos que a preliminar de nulidade antecede à análise do mérito, mesmo porque aquela pode ser prejudicial a esta, neste sentido, mostrase indispensável a superação da preliminar de nulidade para então o julgador adentrar no mérito da questão, a não ser que possa decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem interessaria a declaração de nulidade nos termos do artigo 59 § 3º do Decreto 70.235/72, o que não é o caso do presente processo. A DRJ/RPO se furtou a enfrentar a preliminar de nulidade em sua decisão, tanto que não dedicou uma linha sequer ao pedido do contribuinte (veja acórdão de fls. 36 a 40), partindo diretamente para o mérito da questão como se preliminar não houvesse, entendemos que ao agir desta forma a DRJ/RPO preteriu o direito de defesa do contribuinte não lhe permitindo uma defesa efetiva das razões de fato e de direito que se fundamentaram a sua decisão, ferindo assim o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Negritamos Portanto, por mais cuidadosa e bem fundamentada que tenha sido a decisão recorrida, sob pena de supressão de instância e de cerceamento do direito de defesa, deve a mesma pronunciarse acerca da preliminar aludida, para que sob tal entendimento, ao ser proferida nova decisão, possa o interessado apresentar o recurso pertinente. Ressaltamos que a defesa do contribuinte deve aterse à matéria efetivamente controvertida nos autos, sob pena de não ser conhecida sua peça recursal. É sabido que a não homologação manifestada em Despacho Decisório Eletrônico se deu em razão do valor recolhido em DARF do PIS referente ao mês de janeiro de 2005 ter sido declarado em DCTF no exato valor que foi recolhido, daí a informação de que o valor recolhido fora integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e o DARF recolhido a liquidação do valor confessado, não é possível ao sistema de cruzamento eletrônico identificar crédito a favor do contribuinte quando o valor recolhido é exatamente igual ao valor confessado. Se a origem do crédito deuse em razão das inconstitucionalidades alegadas em defesa, cabe ao contribuinte carrear aos autos toda a documentação que comprove a apuração da nova base de cálculo e a consequente redução do quanto devido, isto deve ser feito através de planilhas demonstrativas, escrita fiscal, escrita contábil, documentos que suportaram a sua escrituração e que tenham pertinência com a pretensa redução da base de cálculo. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908850/200988 Acórdão n.º 3803004.251 S3TE03 Fl. 13 7 Observase ainda que em momento alguma, o despacho decisório mencionou prescrição e decadência, não entendemos como ou porque a requerente chegou a tal conclusão fazendo extensa explanação sobre a matéria, porém, completamente estranha ao objeto da decisão recorrida. Pelo exposto voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, qual seja, o acórdão 1430109 da 4ª Turma da DRJ/RPO, para que outra seja proferida em seu lugar, desta feita analisando o pedido preliminar do contribuinte e assim dê seguimento ao presente processo nos termos do Decreto 70.235/72, respeitando o provimento judicial obtido no Mandado de Segurança o nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de Piracicaba SP. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004603/99-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
Embargos de Declaração. Obscuridade comprovada - procedência- Verificada a obscurida apontada nos embargos, deve o Colegiado acolher os declaratórios, para rerratificar esse decisum, no sentido de aclarar o acórdão, tornando-o escorreito, sem margem à dúvida ou à interpretação equivocada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Obscuridade comprovada procedência Verificada a obscurida apontada nos embargos, deve o Colegiado acolher os declaratórios, para rerratificar esse decisum, no sentido de aclarar o acórdão, tornandoo escorreito, sem margem à dúvida ou à interpretação equivocada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 46 03 /9 9- 37 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos, tempestivamente, pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do 9303.01.747— 3 a Turma, sob a justificativa de ocorrência de contradição entre contradição entre o dispositivo constante do voto do Relator e aquele constante da certidão de julgamento. Segundo a embargante, O r. acórdão proferido por esta C. Câmara Superior apresenta contradição entre o dispositivo constante do voto do Eminente Relator e aquele constante da certidão de julgamento. Com efeito, enquanto o primeiro informa que deu provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores correram a partir de abril de 1989, o segundo afirma que dá provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Esta contradição pode implicar dúvida na execução do julgado, na medida em que há fatos geradores no presente processo anteriores a abril de 1989. O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Despacho 9303031 3ª Turma, deu seguimento aos embargos e determinou sua inclusão em pauta. É o relatório Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Relator Os embargos de declaração constituem um instrumento concedido às partes para requerer ao julgador que esclareça obscuridade, contradição ou omissão da decisão proferida. Seu objetivo é tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver sido o objeto do litígio enfrentado em sua inteireza. No caso dos autos, como relatado, consignouse na parte dispositiva do acórdão que o provimento era parcial para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989, já na folha de rosto do acórdão informouse que se dava provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Tais equívocos, entendo. resultaram em obscuridade do acórdão. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.004603/9937 Acórdão n.º 9303002.276 CSRFT3 Fl. 601 3 Para sanar esse erro no procedimento, o Regimento Interno do CARF, a exemplo do Código do Processo Civil, prevê o remédio processual dos embargos, por meio dos quais, o Colegiado pode emitir decisão retificadora que integrará o acórdão embargado. Em outro giro, toda fundamentação do acórdão foi no sentido de que ao caso sob exame aplicavase o prazo decenal de prescrição (tese dos 5+5). Com isso, devese reconhecer a prescrição do direito aos créditos relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1989, visto que o pedido de restituição fora protocolado em 13 de abril de 1999. Como o fato gerador da contribuição é mensal, ocorre no último dia do mês de competência, no caso sob exame, a contribuição do mês de abril de 1989, por ter o fato gerador ocorrido em 30 desse mês, tem como termo final de prescrição, em 30 de abril de 1999. Como o pedido fora efetuado no dia 13 desse mês, na data do pedido de restituição, ainda não se encontrava prescrito. Daí o acerto da parte dispositivo do acórdão que consignou o provimento parcial para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989. O erro, portanto ocorreu na folha de rosto do acórdão, onde foi consignado que o provimento era parcial para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Desta feita, devese prover os embargos para corrigir o acórdão, de modo que passe a refletir o resultado correto do julgado. Assim, na folha de rosto, Onde se lê: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada; e II) em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de março de 1999. Passese a ler: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por se tratar de matéria sumulada; e II) em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo, para afastar a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de abril de 1989. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração, para rerratificar o acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos acima proposto, suprimindolhe a obscuridade aponta nos declaratórios da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 396DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15504.012120/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS.
A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício.
A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de erro na base de cálculo da multa isolada e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência dessa multa. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento. Ausente justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Recurso Voluntário Provido
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A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnêleão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 21 20 /2 01 0- 36 Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de erro na base de cálculo da multa isolada e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência dessa multa. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento. Ausente justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório LOTEMOC DISTRIBUIDORA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/06, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 828.102,23, cumulado com multa de ofício, no percentual de 75%, e de multa exigida isoladamente no percentual de 50%, e juros de mora pertinentes calculados até 30/06/2010. Foi também formalizado o Auto de Infração de fls. 12/15, exigindo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 66.361,13, cumulada com multa de ofício, no percentual de 75%, e de multa exigida isoladamente no percentual de 50% , e juros de mora pertinentes calculados até 30/06/2010. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: Lançamento. IRPJ. Descrição dos Fatos. “001 – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 3 O contribuinte não declarou em DCTF nem efetuou o recolhimento da Apuração Anual do Imposto de Renda, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente. (...) 002 – MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – IRPJ ESTIMATIVA Falta de declaração em DCTF e de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente”. Lançamento. CSLL. Descrição dos Fatos. “001 – CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO O contribuinte não declarou em DCTF nem efetuou o recolhimento da Apuração Anual da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente. (...) 002 – MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – CSLL ESTIMATIVA Falta de declaração em DCTF e de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do presente”. Às fls. 21/33, encontrase o Termo de Verificação Fiscal – TVF e demonstrativos fiscais anexos, nos quais foram relatados os pontos da autuação e indicadas as bases de cálculo e respectivos imposto e contribuição da apuração anual do IRPJ e da CSLL, para o anocalendário de 2009, bem como as diferenças apuradas nos recolhimentos das estimativas mensais desses tributos, para períodos compreendidos entre outubro de 2007 a dezembro de 2009. Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 13/07/2010, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 12/08/2010, mediante o instrumento de fls. 210/222. Adiante compendiamse suas razões. I – Dos Fatos: Inicialmente, a Impugnante resume os fatos da autuação. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 4 I I– Do Direito: II.1 – DA INCORRETA APURAÇÃO DO IRPJ APURADO COMO DEVIDO NO EXERCÍCIO FISCAL DE 2009. DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES DESPENDIDOS COM PROMOÇÃO DO “PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR” – PAT. Alega que o Fisco incorreu em erro a ensejar a reformulação da apuração anual do IRPJ, uma vez que deixou de considerar com dedutível os valores despendido pela Impugnante com a manutenção do Programa de Amparo ao Trabalhador – PAT, disponibilizado aos seus funcionários, conforme autoriza a Lei nº 6.321/76, bem como o RIR/1999, arts. 581 a 586. Diz, pois bem, no anocalendário de 2009, conforme devidamente declarado na DIPJ/2010 (doc. 04), a Impugnante, adotando os critérios legais pertinentes, apurou despesa a ser deduzida do produto final do imposto de renda, no importe de R$ 13.711,90. Assim, solicita a reformulação do crédito que cuida o item “001”, do Auto de Infração do IRPJ. II.2 – DA ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DA MULTA ISOLADA APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO FISCAL. Sustenta, a imposição da sobredita multa, cujo fundamento legal é o art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, não tem amparo na melhor interpretação da norma e nos pronunciamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Alega que tratandose de tributação do IRPJ e da CSLL, sujeita ao lucro real, toda a apuração de estimativas desses tributos fica compreendida dentro da apuração anual. Destarte, havendo diferença a pagar, após o encerramento do período, é sobre esta que deve incidir a penalidade. Conclui que diante do fechamento da apuração dos anos de 2007, 2008 e 2009, apenas poderia incidir penalidade sobre eventual diferença do IRPJ e da CSLL, e não em relação à suposta falta de pagamento de antecipações. Nesse sentido, cita julgados proferidos pelo CARF. II.3 – DA INCORRETA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS MULTAS ISOLADAS COMINADAS. Salienta que referidas multas isoladas foram calculadas com base na diferença entre os valores pagos, a título de estimativa dos tributos, e aqueles tidos como devidos, conforme relatório fiscal de fls. 22/33. Nos períodos de apuração em questão, pra determinação das estimativas, a Impugnante optou pelo levantamento de balancetes de suspensão ou redução. Entretanto, no relatório fiscal, foram desconsiderados elementos essenciais a essa espécie de apuração, como a apropriação de prejuízos fiscais acumulados e bases negativas da CSLL. A título de ilustração, a Impugnante refaz o cálculo para o mês de outubro de 2007, evidenciando que aproveitou o prejuízo fiscal e base negativa acumulados até 2006, no montante, R$ 445.679,06. II.3.1 – DA PROVA PERICIAL. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 5 A Impugnante, citando quesitos e indicando perito, requer prova pericial para deslinde do caso em tela, qual seja, dos valores despendidos com o PAT e quanto à exata determinação das bases de cálculo das multas isoladas, correspondente aos itens 002 dos Autos de Infração. III.3 – DO PEDIDO. Diante do exposto, a Impugnante requer seja conhecida e provida a presente defesa, a fim de que seja reformulado o crédito tributário, nos termos dos argumentos já expendidos. A decisão recorrida está assim ementada: Matéria nãolitigiosa. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Pedido de perícia. Há de ser indeferido o pedido de perícia, quando presente nos autos todos elementos indispensáveis à solução da lide. Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT A pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. A dedução a este título não pode exceder, isoladamente, a 4% do imposto de renda devido. Multas Isoladas. Por expressa previsão legal, é cabível a aplicação de multas isoladas incidente sobre o IRPJ e a CSLL, devidos mensalmente em função das bases estimadas, quando o contribuinte seja optante pelo lucro real anual, ainda que no final do período apure prejuízo fiscal ou base negativa da contribuição. Para a determinação mensal do imposto ou contribuição devidos por estimativa, na modalidade de determinação anual do lucro real, o contribuinte pode reduzir ou suspender o pagamento dessas estimativas com base em balanços mensais acumulados levantados a partir de janeiro até o mês de referência, do anobase em curso, não cabendo nessa apuração a compensação do prejuízo fiscal ou da base negativa acumulados nos anos anteriores, que somente podem ser utilizados, respeitado o limite legal de 30%, na apuração definitiva do imposto ou da contribuição, o que é feito no encerramento do período, em 31 de dezembro, do ano em questão. No voto condutor da aludida decisão destacamse os seguintes fundamentos de mérito: “ (...) na defesa, o contribuinte, em relação à apuração anual de 2009, do IRPJ e da CSLL, objeto de lançamento nos itens 001 do correspondentes Auto de Infração, respectivamente, de fls. 03/05 e 12/16, questionou apenas a dedução a título de PAT, no montante de R$ 13.711,90, devidamente indicada por ele na DIPJ/2010, que não foi considerada pela Fiscalização. No entanto, não houve nenhuma manifestação contrária ao lançamento da CSLL, apurada no encerramento do anocalendário de 2009, no valor de R$ 5.075,06. Já as multas isoladas lançadas foram totalmente questionadas. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 6 (...) Verificase, assim, que o contribuinte contabilizou e informou na DIPJ/2010, ano calendário de 2009, despesas com alimentação do trabalhador, no montante total de R$ 476.130,22; e apurou, como incentivo fiscal, uma dedução a título de PAT, no valor de R$ 13.711,90, devidamente registradas na DIPJ/2010. Por sua vez, o “Doc. 03”, anexado aos autos às fls. 239/242, exarado pela “Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador – COPAT: Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT” (Órgão vinculado ao MTE Ministério do Trabalho e Emprego), comprova que a Lotemoc Distribuidora Ltda, ora Impugnante, é pessoa jurídica inscrita como beneficiária do referido programa, na “Modalidade de RefeiçãoConvênio”. Por outro lado, a Fiscalização, no demonstrativo fiscal de fls. 29, onde determina a imposto devido no ano de 2009, não considerou a aludida dedução. Todavia, não foi dada no lançamento nenhuma explicação do por quê desse procedimento. Ou seja, não há nenhuma fundamentação da Fiscalização para não considerar o referido benefício fiscal. No entanto, a Impugnante comprovou nos autos que: contabilizou despesas com alimentação do trabalhador; registrou na DIPJ essas despesas; e apurou também na DIPJ a dedução a título de PAT. Diante disso, considerando as provas feitas pela defesa e que o valor de R$ 13.711,90, pleiteado como dedução de PAT, é inferior ao limite de 4% do imposto devido (levantado, DIPJ, fls. 16, do Anexo II, antes das deduções, no valor de R$ 517.868,11), acatase a procedência dessa dedução, devendo o montante litigioso do de IRPJ, de R$ 13.711,90, lançado para o ano de 2009, ser exonerado. Das Multas Isoladas. IRPJ. CSLL. A penalidade, aqui exigida, é cabível para a pessoa jurídica optante pela apuração do lucro real anual que deixar de efetuar ou efetuar de forma insuficiente o recolhimento mensal devido por estimativa e tem assento no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, atualmente, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, a saber: (...)” Cientificada da aludida decisão em 14/12/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/11/2011, às fls. 1064 a 1072, no qual contesta apenas a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e, ao final, requer: “III DO PEDIDO: 17. Diante do exposto, requer a Recorrente seja reformado a r. decisão, a fim de que possa ser declarada a ilegitimidade das multas isoladas após o encerramento do período fiscal, ou, sucessivamente, que seja reconhecida a incorreção de sua base de cálculo utilizada, devendo ser baixado os autos em diligência, para produção de prova pericial contábil, que determine qual a base de cálculo correta.” É o relatório. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado a fiscalização apurou que o contribuinte deixou de confessar em DCTF, bem como recolher o IRPJ e CSLL devido no ajuste anual do ano de 2009, alem de não ter realizado os recolhimentos mensais por estimativa nos anos de 2007 a 2009. O contribuinte apresentou impugnação parcial que foi julgada improcedente. No recurso voluntário contesta apenas as multas de oficio isolada por falta de recolhimento das estimativas, anos de 2007 a 2009, sendo que foi lançada em concomitância com o tributo apurado no ajuste anual do ano de 2009(vide demonstrativo de fls. 56). Aprecio então a exigência dessa penalidade. De inicio registro que não há qualquer erro de cálculo na apuração fiscal da multa, que aliás foi alegado pelo contribuinte mas sem qualquer demonstração objetiva. Logo, afasto a necessidade de diligência ou perícia para esse fim. Quanto ao mérito da exigência da penalidade, sabese que, por necessitar de recursos para executar suas funções, Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Os valores recolhidos a título de carnêleão, no caso de pessoa física, os recolhimentos a título de estimativas, no caso de pessoas jurídicas, são deduzidos do imposto apurado no final do exercício. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, assim como o IRRF, em pagamento antecipado. Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo em recolher carnêleão ou estimativa não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Ocorrida a hipótese prevista na segunda parte do parágrafo anterior, para a pessoa física restituise os valores e em relação à pessoa jurídica conferese a esta o direito de usar tais recursos para compensar tributos devidos em períodos subsequentes. Se no mês de março contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, por exemplo, carnêleão ou estimativa, respectivamente, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 8 Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%1. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas o disposto no artigo 138 do CTN.2 Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo os oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Dos fundamentos expostos resulta a seguinte indagação: Em que situações é devida multa isolada sem exigência da multa de ofício? Inicialmente, observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. 1 Se o carnêleão e as estimativas têm como razão de ser o aporte de recursos, no decorrer do anocalendário, para que a Administração possa cumprir com suas obrigações, transcorrido o período de apuração não há mais o que se falar em exigência de carnêleão e nem de estimativas, mas sim do efetivo imposto devido. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.012120/201036 Acórdão n.º 1402001.449 S1C4T2 Fl. 0 9 Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, cujo exemplo citado por nós, em outras ocasiões, é o disposto na súmula 17 do STJ. Ainda em relação à multa isolada, na interpretação do artigo 44, II, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da lei apresentou a seguinte justificativa: 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Pelo que se depreende da exposição de motivos, ao usar as expressões “multa de ofício, lançada isoladamente”, se está a falar de uma única multa, pois se assim não fosse não teria usado as expressões “lançada isoladamente”, mas sim, “lançada em concomitância com a multa de ofício. Logo, a multa de oficio isolada deve ser cancelada. Conclusão Voto no sentido de dar provimento ao recurso tão somente para cancelar as multas de oficio isoladas. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 12267.000187/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.393
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 67 .0 00 18 7/ 20 07 -8 4 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela dos segurados e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2004 a 03/2007. Estão lançadas ainda diferenças de acréscimos legais em recolhimentos efetuados com atraso. O Relatório Fiscal (fls. 92/98) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, apuradas nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Os valores totais mensais estão indicados no Discriminativo Analítico de Débito (DAD) e no Relatório de Lançamentos (RL), integrantes desta notificação. Os valores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. FLP – Folha de Pagamento à remuneração consignada em folhas de pagamento, sendo considerado como fato gerador as parcelas integrantes do salário de contribuição identificadas por meio de seus correspondentes eventos (rubricas) e conferidas pela fiscalização; 2. RCT – Reclamatória Trabalhista à são as contribuições destinadas a Terceiros, obtidas por meio da base de cálculo utilizada para o recolhimento das contribuições previdenciárias executadas na Reclamatória Trabalhista, para as competências 01/2004 a 03/2007; 3. DAL – Diferença de Acréscimos legais à recolhimentos em atraso GPS, competências 06/2004 a 02/2007. Informa ainda o Relatório Fiscal que os valores da base de cálculo foram obtidos em consultas realizadas nos sistemas informatizados do INSS, em que se encontram registradas as informações declaradas pelo sujeito passivo na GFIP’s, bem como os valores recolhidos ao INSS por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e nas folhas de pagamento apresentadas durante a ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/08/2007 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 133/142) – acompanhada de anexos de fls. 143/158 –, alegando, em síntese, que: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 4 3 1. a autuação baseouse na suposta não inclusão de declarações no sistema, face à inclusão de novos segurados empregados, sem a conseqüente geração de todo movimento. Entretanto, o fisco deixou de especificar quais as alterações da base de dados foram acarretadas pelo procedimento descrito. Dessa forma, não havendo como se precisar a falta cometida pela impugnante, não há como se averiguar a origem do suposto saldo devedor; 2. no que tange às reclamatórias trabalhistas, a Fiscalização deixou de indicar as ações em que foram pagas as verbas sujeitas às contribuições destinadas a outras entidades. A imprecisão da atuação fiscal acarretou, dessa forma, impossibilidade do contribuinte realizar sua defesa de forma adequada, uma vez que restou totalmente prejudicada a necessária verificação dos valores apontados. A autoridade fiscal deixou de explicitar adequadamente os motivos que ensejaram a cobrança das referidas importâncias, faltando a indicação clara do modo como teria sido aferida pela fiscalização quais contribuições seriam supostamente devidas, ou seja, qual a efetiva base do objeto do presente lançamento. Frisese que a falta de tal motivação, ou, noutras palavras, a prática de ato administrativo imotivado, como cediço, acarreta a nulidade insanável do ato; 3. encontrase o lançamento viciado, sendo ilegítima a atuação fiscal de forma genérica ou imprecisa, sem a necessária fundamentação, por meio de relatório fiscal, acarretando evidente prejuízo da ampla defesa pela impugnante, no que concerne aos valores ali lançados; 4. requer a nulidade do crédito consubstanciado na presente NFLD, tendo em vista a nulidade formal do lançamento, e preterição do direito de defesa, por ser medida de Direito e Justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1218.185 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 165/169) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. Assim sendo, o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal foram integralmente preservados. A Notificada apresentou recurso (fls. 180/189), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária no Rio de Janeiro/RJ encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento (fls. 209/210). Posteriormente, esta Corte Administrativa (CARF) converteu o julgamento em diligência para que o Fisco emitisse parecer sobre os documentos juntados aos autos, incluindo a análise da fidedignidade dos recolhimentos efetuados nas competências 11/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 02/2007 e 03/2007. Em resposta, o Fisco informa que a empresa não foi localizada no endereço consignado no sistema da Receita. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Após a decisão de primeira instância, a autuada (Recorrente) apresentou cópias de documentos, como também fez alegações no recurso, que levaram à conversão do julgamento em diligência para manifestação do Fisco. Entretanto, da leitura da Informação Fiscal elaborada não é possível dizer que esta seja suficiente para esclarecer os pontos trazidos pela Recorrente. A auditoria fiscal (Fisco) limitouse a afirmar que “(...) não foi possível cumprir a determinação solicitada pelo CARF tendo em vista que, comparecendo ao endereço constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil como sendo sede da empresa, ficou constatado que esta não se encontra mais no local. Foram remetidas intimações para o endereço dos sócios e estas retornaram sem recebimento.Assim sendo, proponho o encaminhamento do presente processo ao CARF, para prosseguimento”. Por outro lado, em seu recurso a autuada traz questões que merecem ser melhor esclarecidas. A autuada (Recorrente) alega o seguinte: “[...] V – Da desconsideração de valores recolhidos pela Empresa que impõe a redução do débito objeto da NFLD Ainda que não sejam acolhidas as razões que conduzem à nulidade do lançamento, o que se admite apenas para argumentar, imperioso reconhecer que o procedimento fiscal que originou a NFLD n.° 37.108.5250 desconsiderou diversas guias de recolhimento de contribuições previdenciárias (GPS anexas), o que acarretou lançamento de débito maior que o supostamente devido. Assim, caso não acolhida a alegação de nulidade da autuação, o valor do suposto débito apurado na NFLD n.° 37.108.5250 deverá ser reduzido, computandose os valores recolhidos por meio das guias anexas. De fato, não foram consideradas na apuração do suposto débito diversas GPS's, que comprovam recolhimento de valores lançados na NFLD, as quais não constam do RDA – Relatório de Documentos Apresentados. As referidas guias correspondem a contribuições previdenciárias ao INSS, SAT/RAT e Terceiros, recolhidas sob o código 2100, e referemse às competências 11/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 02/2007 e 03/2007 (guias anexas). Efetuandose a redução dos valores correspondentes às referidas guias do valor total do suposto débito, observase considerável diminuição do montante do lançamento, conforme planilha de cálculos anexa, na qual foram recalculados os valores de cada uma das competências discriminadas. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000187/200784 Resolução nº 2402000.393 S2C4T2 Fl. 6 5 Dessa forma, impõese a retificação do valor lançado por meio da NFLD n° 37.108.5250, com a redução dos valores comprovadamente recolhidos pela Empresa, apurandose o efetivo valor do débito. Cumpre registrar, porém, que as guias relativas às competências 11/2004 e 05/2005 foram erroneamente preenchidas pela Empresa, motivo pelo qual pugnase pela conversão do julgamento em diligência, concedendose prazo para que a Recorrente providencie o ajuste junto à Receita Federal do Brasil, na unidade de sua circunscrição, viabilizando a correta apuração dos valores recolhidos, com a sua redução do valor total do débito lançado. [...]”Os elementos probatórios juntados aos autos pela Recorrente (fls. 193/203) – que noticiam os recolhimento efetuados por meio de guias de GPS, anexo denominado de “CÓPIAS DAS GPS’S NÃO APURADAS PELO FISCAL” – são cópias de documentos que deverão ser analisados pela AuditoriaFiscal (Fisco). Cumpre esclarecer que o mero fato de não localizar a empresa no endereço consignado no sistema do Fisco não inviabiliza o exame da matéria fática postulada na peça recursal, pois o Fisco poderá utilizar outros meios legais para a intimação do contribuinte, tal como a intimação por meio de edital ou localizar o endereço dos sóciosgerentes no sistema de Imposto de Renda Pessoa Física. Nesse caminhar, os recolhimentos constantes das cópias das GPS’s poderão ser analisados diretamente no sistema informatizados do Fisco, constatando ou não a fidedignidade de tais recolhimentos, e, após isso, deverá ser verificado se esses recolhimentos foram devidamente apropriados ou não no presente lançamento fiscal. Assim, é necessário que o Fisco examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos nas fls. 192/203. Com isso, decido converter o presente julgamento novamente em diligência, a fim de que a Receita Federal do Brasil emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal (fls. 180/189) – inclusive deverá analisar a fidedignidade dos recolhimentos efetuados pela Recorrente, que foram demonstrados por meio das cópias de guias de fls. 193/203 (GPS) –, para as competências 11/2004, 04/2005, 05/2005, 06/2005, 02/2007 e 03/2007. Após essa providência, o Fisco deverá elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários – inclusive poderá utilizarse da intimação por meio de edital, desde que obedeça às normas do processo administrativo tributário –, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que as questões mencionadas sejam esclarecidas pelo Fisco. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11080.724718/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO.
Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e homologar a desistência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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HOMOLOGAÇÃO Recorrente MACHADO, MEYER, SENDACZ, OPICE E KRUEL ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento excepcional, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso e homologar a desistência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 47 18 /2 01 1- 20 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório 1 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AI Debcad nº 37.297.6077 Contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados (incidentes sobre pagamentos efetuados a título de “QuebradeCaixa) e pagas ou creditadas a contribuintes individuais (pagamentos efetuados aos sócios a título de previdência privada e a advogados correspondentes contratados como contribuintes individuais); Contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. AI Debcad nº 37. 297.6085 Contribuição dos segurados calculada sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e pagas ou creditadas a contribuintes individuais, mediante a aplicação da correspondente alíquota, observado o limite máximo do salário de contribuição. As referidas contribuições não foram descontadas dos segurados. As contribuições referemse às rubricas pagas a título de “Quebradecaixa” aos segurados empregados, a título de previdência privada complementar aos sócios, e a pagamentos efetuados a advogados correspondentes, contribuintes individuais. AI Debcad 37. 297.6093 Contribuição a Outras Entidades e Fundos calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados (advogados associados, considerados segurados empregados do escritório e sobre a rubrica “quebradecaixa) e destinada aos Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). 1.1. Das Bases de Cálculo dos Autos de Infração de Obrigação Principal As bases de cálculo e as contribuições foram lançadas conforme os seguintes levantamentos: 1. A1 CARACTERIZ SEGURADO, competências 06/2006 a 06/2008; 2. C1 CONTRIB INDIVIDUAL, competências 06/2006 a 08/2008; 3. P1e P2 PREVID PRIVADA, competências 07/2006 a 11/2008 e 12/2008; 4. Q1 e Q2 QUEBRADECAIXA, competências 06/2006 a 12/2008. 1.1.1) Levantamento A1 – CARACTERIZ SEGURADO. Referese à caracterização como segurado empregado dos advogados contratados pelo sujeito passivo como associados no período de 06/2006 a 06/2008. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.724718/201120 Acórdão n.º 2402003.785 S2C4T2 Fl. 3 3 De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo contratou advogados para, individualmente, lhe prestarem serviços na condição de associados, enquadrandoos, para fins previdenciários, como segurados contribuintes individuais. Da análise dos respectivos contratos, a fiscalização verificou que as condições contratuais estipuladas demonstraram que não se tratavam de atividades autônomas e sim de uma relação de emprego. Destaca as seguintes condições: 1. os “associados” iriam utilizar todas as instalações, matérias, equipamentos e a infraestrutura do sujeito passivo; 2. a captação dos clientes, a contratação e cobrança de honorários, mesmo para as indicações dos contratados caberia ao sujeito passivo; 3. os trabalhos realizados seriam determinados pelo sujeito passivo; as procurações dos clientes não poderiam ser outorgadas para os contratados e quando a eles substabelecidos, eram somente com reserva de poderes; 4. os contratados receberiam um salário fixo mensal em todo o período; pela indicação de clientes poderiam perceber uma remuneração determinada pelo sujeito passivo; 5. os contratados poderiam receber valores adicionais dependendo de seu desempenho; todos os documentos elaborados pelos contratados seriam de propriedade do sujeito passivo. No relatório consta, ainda, que no dia seguinte ao término do contrato de prestação de serviços autônomos, o sujeito passivo veio a admitir tais advogados como empregados a partir de 03/03/2008, 01/04/2008, 02/05/2008, 02/06/2008 e 01/07/2008, conforme demonstrado na tabela “Caracterização de Empregado”, fls.138. 1.1.2) Levantamento C1 – CONTRIB INDIVIDUAL. Referese ao pagamento a segurado contribuinte individual não declarado em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência, cujos valores estão contabilizados, conforme planilha de fls. 181/188, “Lançamentos Contábeis” e cópias anexas dos documentos de caixa apresentados em cumprimento ao Termo de Intimação nº 08. 1.1.3) Levantamentos P1 e P2 – PREVID PRIVADA. Referese à despesa com benefício de Previdência Privada concedido pelo sujeito passivo apenas para seus sócios. Segundo o relato fiscal, o sujeito passivo contabiliza na conta de despesa “3.1.1.06.006 Previdência Privada” as parcelas a seu encargo do Plano de Previdência estipulado aos seus sócios. Este dispêndio, não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, está em desacordo com o § 9º, “p” do art. 28 da Lei 8.212, de 24/07/1991, integrando o saláriodecontribuição previsto no inciso III, do mesmo art. 28 da referida Lei 8.212/91. 1.1.4) Levantamentos Q1 e Q2 – QUEBRADECAIXA. Rubrica da folha de pagamento a título de “quebradecaixa” em que o sujeito passivo não considerou como Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 incidente para a apuração da base de cálculo previdenciária, conforme planilha “Quebrade Caixa” fls. 191. 1.2. Da Aplicação da Multa mais Benéfica Tendo em vista a nova previsão legal de multa para a espécie, introduzida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e em obediência ao disposto na alínea “c” do inciso II, do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, foi elaborado o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos e pela atual, a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte. Foram comparadas as multas de mora de 24% (não recolher) da legislação da época dos fatos, somado ao Auto de Infração CFL 68 (pelo descumprimento de obrigação acessória – declarar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias) com a multa de ofício de 75% (não recolher e declarar em GFIP, com incorreções ou omissões em campos relacionados com as contribuições previdenciárias) estipulada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. 2 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AI Debcad nº 37.335.3480 (CFL 78) O sujeito passivo apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, com informações incorretas ou omissas relativas aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2006 a 05/2006, conforme planilhas "Caracterização Segurado Empregado", "Previdência Privada", "Contribuintes Individuais" e "Quebra de Caixa". Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 78. O valor da multa encontrase demonstrado na Planilha “Cálculo da Multa AI CFL 78” e corresponde ao valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), estabelecido pela Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009. Concluído o procedimento de comparação das multas, foi definido para o período de 01/2006 a 05/2006, como sendo mais benéfica, para o contribuinte a multa conforme a legislação atual. AI Debcad nº 37.335.3499 (CFL 52) A fiscalização verificou que o sujeito passivo lançou nas contas 2.4.6.01.035 e 2.4.6.01.036, sintetizados na conta 2.4.6.01 Lucros Pagos ou Creditados, pagamento a título de lucros a seus sócios, no mês de dezembro de 2008, no valor de R$102.080,00 (cento e dois mil e oitenta reais), estando em débito não garantido com a União. Dispositivo legal infringido: art. 52 da Lei 8.212, de 24/07/1991, com redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, art. 32, alínea “b” da Lei 4.357, de 16/07/1964, além dos fundamentos legais citados no Auto de Infração. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 52. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/07/2011 (fl.01). Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.724718/201120 Acórdão n.º 2402003.785 S2C4T2 Fl. 4 5 A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: Dos Autos de Infração de Obrigação Principal 1 AIs Debcads nº 37.297.6077, 37.297.6085 e 37.297.6093: no que diz respeito às contribuições incidentes sobre a rubrica “Quebra de Caixa” (levantamentos Q1 e Q2), informa que efetuou o pagamento dos valores lançados. 2 AIs Debcads nº 37.297.6077 e 37.297.6093: com relação ao “Levantamento A1 Caracterização de Segurados”, alega que o relatório e seus anexos não forneceram elementos lógicos suficientes para a demonstração da presença do vínculo empregatício, não trazendo qualquer motivação acerca do fato gerador e não lhe possibilitando o direito ao contraditório e ampla defesa. Cita decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em que foi declarada a nulidade do Auto de Infração por não apresentar motivação para a acusação. 3 AIs Debcads nºs 37.297.6077 e 37.297.6085: Quanto aos “Levantamentos P1 e P2”, relativos às verbas pagas a título de previdência complementar privada, argumenta que, após a publicação da EC nº 20/98 e LC 109/2001, a alínea “p” do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, perdeu suporte de validade constitucional, no que diz respeito à exclusão destas verbas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, somente na hipótese do programa de previdência privada ser destinado a todos os segurados da empresa. Por este motivo, requer o cancelamento do Auto de Infração nessa parte. 4 AIs Debcads nºs 37.297.6077; 37.297.6085 e 37.297.6093: Ilegalidade da aplicação da multa de 75% Defende que à época dos fatos geradores , 06/2006 a 12/2008, a multa a ser aplicada era aquela prevista no artigo 35 da lei 8.212/1991 com redação dada pela Lei 9.876/1999, portanto 24% sobre o valor da contribuição, e que o artigo 106, II, do CTN somente deve ser aplicado quando há norma posterior mais benéfica, o que não é o caso. Em vista de todo o exposto, requer sejam julgados improcedentes os lançamentos, cancelandose as contribuições previdenciárias e de terceiros ora exigidas. Dos Autos de Infração de Obrigação Acessória 1 AI Debcad nº 37.335.3480 Descreve que a autuação traz como objeto a acusação de eventual descumprimento de obrigação acessória, de não declaração em GFIP de informações à Previdência Social decorrentes das acusações objeto dos Autos de Infração nºs 37.297.6077, 37.297.6085 e 37.297.6093, mais precisamente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre honorários pagos aos advogados associados e aos advogados correspondentes, e, ainda, sobre as verbas pagas a título de previdência privada complementar aos sócios e quebra de caixa. Requer seja julgado improcedente este Auto de Infração, cancelandose a multa aplicada. 2 AI Debcad nº 37.335.3499 Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No que se refere à aplicação da penalidade prevista no art. 52 da Lei 8.212/91 observa que esta somente é possível quando o contribuinte possui débito já lançado com discussão encerrada na esfera administrativa. Aduz que no presente caso não há que se falar em débito definitivamente constituído, uma vez que ainda pende de julgamento o débito objeto do processo administrativo nº 11080916.293/200888, conforme demonstra o extrato que anexa aos autos. Informa que em 04/12/2008 foi intimado do Despacho Decisório que não homologou a compensação solicitada no PER/DCOMP nº 15736.424446.040507.1.7.020194 e do lançamento do crédito tributário no valor consolidado de R$ 30.561,71, referente ao IRPJ objeto da compensação, e que, em 05/01/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão 0540.132 da 6a Turma da DRJ/POA – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, com relação aos AI Debcad nº 37.297.6077 e AI Debcad nº 37.297.6085, foram excluídos, em parte, os valores lançados nos seguintes termos: “Conclusão Nestes termos, voto por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário: a) remanescente, em relação ao AI Debcad nº 37.297.6077, cujo valor consolidado passou a ser de R$ 62.408,31(sessenta e dois mil, quatrocentos e oito reais e trinta e um centavos) e ao AI Debcad nº 37.297.6085, cujo valor consolidado passou a ser de R$ 18.489,75 (dezoito mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e setenta e cinco centavos) conforme demonstrado nos DADR, os quais deverão ser encaminhados ao contribuinte em conjunto com esta decisão. b) integral, em relação ao AI Debcad nº 37.297.6093, ao AI Debcad 37.335.3480 e ao AI Debcad nº 37.335.3499.” A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.724718/201120 Acórdão n.º 2402003.785 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No caso vertente, houve requerimento formal expresso de desistência do recurso pela Recorrente, tendo ocorrido, então, aceitação do decisum do órgão julgador de primeira instância, e conseqüente renúncia às alegações de direito que embasavam o recurso. A manifestação da Recorrente, postulada na peça de desistência, traz dois institutos processuais distintos, ou seja, a desistência da ação administrativa (quanto ao recurso) e a renúncia ao direito sobre que se funda a ação. Com isso, da análise da situação apresentada, entendese que o procedimento dos autos deverá seguir a regra estampada no art. 78, §§ 1° e 3º, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (g.n.) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (g.n.) O interesse recursal somente estará configurado quando o exercício do direito de recorrer estiver subordinado à existência de um interesse direto na reforma, invalidação ou modificação da decisão de primeira instância, fato não evidenciado nos autos em decorrência do pedido de desistência recursal. Isso ensejará o não conhecimento do recurso voluntário, eis Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 que não houve o preenchimento de todos os seus pressupostos de admissibilidade, manifestado na falta de interesse recursal. Portanto, sendo a desistência/renúncia um ato voluntário e unilateral pelo qual alguém abdica de um direito, coloco o processo em pauta para julgamento para HOMOLOGAR a desistência, dando por extinta a pendenga. CONCLUSÃO: Com isso, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e homologar a desistência requerida, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100691/2010-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA.
Ficando comprovado nos autos, após diligência fiscal, que a contribuinte não auferiu o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento, cancela-se o lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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INEXISTÊNCIA. Ficando comprovado nos autos, após diligência fiscal, que a contribuinte não auferiu o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento, cancelase o lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 06 91 /2 01 0- 92 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 05 a 06, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativamente ao exercício de 2009, anocalendário de 2008. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05verso, informa que, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da RFB, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, sujeito à tabela progressiva no valor de R$ 4.415,32. O lançamento identificou como fonte pagadora a empresa APM Global Logistics Brasil Ltda. Na apuração do imposto devido foi compensado IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 665,39. Não se conformando com o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, acompanhada cópia de demonstrativo de valores contendo a identificação da empresa Virgínia Costa Imóveis Ltda CNPJ 03.598.524/000114, fls. 03, sustentando em sua defesa que: o contribuinte notificado por omissão de rendimento do trabalho sem vinculo APM GLOBAL LOGISTICS BRASIL LTDA,CNPJ 03.598.524/000114, segundo informações prestadas na Dirf pela empresa informou à RFB os rendimentos auferidos no ano 2008 (R$ 27.514,75), do qual deduziu a taxa de administração cobrada pela imobiliária no valor de R$ 2.751,46; concluindo suas razões, requereu o acolhimento da presente impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegra(RS)– DRJ/POA julgou improcedente a impugnação, fls. 18 a 19, cujas razões de decidir constam assim resumidas na ementa do Acórdão nº:1033.942 – 8ª Turma da DRJ/POA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA Deve ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada por meio de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora.Impugnação Improcedente Cientificado em 29/09/2011, fls. 23, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/10/2011, fls. 49, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que: jamais prestou serviços à empresa que informou o rendimento declarado em DIRF; .em nenhum momento desempenhou qualquer atividade remunerada com ou sem vínculo empregatício junto a fonte pagadora; a relação existente com a empresa Maersk Logistics Brasil Ltda, CNPJ 03.598.524/000114, é de locador/locatário; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.100691/201092 Acórdão n.º 2802002.471 S2TE02 Fl. 91 3 estão corretas as informações em sua DIRPF. As incorreções estão na DIRF entregue pela empresa Maersk Logistics Brasil Ltda, que atribuiu um rendimento que não lhe pertence, cabendo a tal empresa explicar a razão dessa incorreção; foi solicitado à empresa que apresentasse retificação da DIRF, conforme cópia de email juntado às fls. 50 a 56. Também acompanharam o seu recurso os documentos juntados às fls. 57 a 67 (cópia da carteira de trabalho, comprovantes de rendimentos pagos pelo INSS e Auxiliadora Predial, contrato de locação firmado com a empresa Maersk Logistics Brasil Ltda). Às fls. 70 a 73, foram juntados aos autos os seguintes documentos: a) Memorando nº 213/2011/SECAT/DRFNHO/SRRF10/RFB/MFRS, datado de 03/11/2011 (encaminhando documentos a este CARF); b) tela do sistema COMPROT da RFB, relativamente ao presente processo; c) recibo de entrega da DIRF retificadora, transmitida em 27/10/2011, em nome da empresa DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº 03.598.524/000114, e; informação de rendimentos de aluguel recebidos da empresa Maersk Logisics Brasil Ltda, CNPJ nº 03.598.524/000114. Em sessão realizada em 15/08/2012, esta 2ª Turma Especial da 2ª Seção, converteu o julgamento do processo em diligência, conforme Resolução nº 2802000.088, fls. 74 a 76, para que fosse realizada diligência pela Unidade da Receita Federal de origem, com o objetivo informar e detalhar se a Recorrente, MARIANGELA BOHRER HABIGZANG ainda figura como beneficiária de rendimentos na DIRF retificadora transmitida pela declarante DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, conforme recibo de entrega juntado às fls. 72. Realizada a diligência requerida, a autoridade administrativa elaborou o Relatório de fls. 85/86, do qual o contribuinte foi devidamente cientificado, conforme Aviso de Recebimento – AR, fls. 87. Não se manifestando o contribuinte em relação à diligência em referência, os autos retornam para este Colegiado para fins de prosseguimento ao julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, uma vez que a recorrente nega haver recebido rendimento no valor de R$4.415,32, declarado em DIRF apresentada pela empresa APM GLOBAL LOGISTICS BRASIL LTDA (cadastrada na RFB como DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA), o presente processo foi baixado em diligência para fosse confirmado, diante do recibo de entrega de DIRF retificadora, fls. 72, se a contribuinte figuraria ou não como beneficiária do rendimento considerado omitido pelo lançamento fiscal. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em observância aos termos da diligência fiscal requerida por este Colegiado, a autoridade administrativa lavrou o RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA, fls. 85/86, no qual ficou registrado que: “À luz dos elementos reunidos concluiuse que, no exercício 2009 ano calendário 2008, a recorrente não foi beneficiária do valor objeto da Notificação de Lançamento recorrida. Ou seja, de acordo com a informação prestada em Dirf retificadora pela fonte pagadora DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº 03.598.524/000114, entregue em 27/10/2011 a recorrente de fato não recebeu R$ 4.415,32 de rendimentos tributáveis.” Uma vez comprovado, após diligência fiscal, que, de fato, o contribuinte não auferiu o rendimento considerado omitido pela Notificação de Lançamento, esta deverá ser cancelado. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008116/2008-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO. NULIDADE.
Valores contabilizados em conta de Passivo e Custo/Despesas não configuram receita, portanto, nãos e prestar para apurar crédito a favor do Fisco. Lançamento anulado.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO. NULIDADE. Valores contabilizados em conta de Passivo e Custo/Despesas não configuram receita, portanto, nãos e prestar para apurar crédito a favor do Fisco. Lançamento anulado. Recurso Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO. NULIDADE. Valores contabilizados em conta de Passivo e Custo/Despesas não configuram receita, portanto, nãos e prestar para apurar crédito a favor do Fisco. Lançamento anulado. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 16 /2 00 8- 81 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão da DRJSP que manteve o lançamento do crédito para o PIS/Pasep e COFINS relativamente dos exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007. Rechaçou alegação de nulidade e descabimento do auto de infração, cerceamento de defesa, da inexistência de diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados consubstanciados em argumento de que a mera alegação não prospera, e, que o lançamento não funda em simples subjetividade, mas sim de base econômica concretas. Rebateu pedido de perícia em razão de ausência de quesitos ao argumento de que resoluções da Aneel não são normas de natureza tributária em relação ao PIS e da COFINS, e, por derradeiro, também, afastou o pedido de juros calculados com base em Taxa Selic. Tratase de lançamento decorrente de divergência entre os valores declarados e os valores escriturados decorrente de procedimento fiscalizatório com fundamento em documentos contábeis, lançamentos, saldos de contas e plano de contas, assim como, DCTFs e DARFs relativos ao período. A contribuinte se debate contra a lavratura do auto de infração, sustentando, para tanto, que a fiscalização deixou de esclarecer o método utilizado para a identificação do suposto recolhimento a menor e qual a composição (base de cálculo) realizada para identificação dos valores contábeis a dar azo ao cálculo menor do que o valor devido informado em DCTFs. Salienta que não mantinha uma conta resumo ou uma conta exclusiva para indicação do PIS e COFINS a recolher, mas mantém de modo detalhado a permitir saber a origem. Em síntese entende que a fiscalização tinha obrigação de pormenorizar o método utilizado. Aduz, também, por exercer atividade em setor regulamentado, in casu, energia elétrica, o tratamento contábil de certos ativos, despesas e receitas deve ser efetivados em consonância com as determinações da Agência Reguladora, no caso Aneel, e cita também a Resolução ANEEL nº 484, de 29 de agosto de 2002, destaca o caso das receitas de recomposição tarifária extraordinária que após homologação do valor pela ANEEL e a sua respectiva realização efetivada em 65 meses, conforme Solução de Consulta n° 198/2003, que normatiza a incidência das contribuições na medida da realização e não de sua contabilização. Nesse mesmo sentido diz que a Resolução traz à luz o que encontra previsto pelo § 1º do art. 4º da Medida Provisória nº 14, de 2001. Demonstra sua irresignação referente ao mês de fevereiro de 2004 (doc. 04) que a fiscalização teria utilizado para a identificação do suposto valor a recolher das contribuições as contas contábeis 211.31.4.0.00.004 e 211.31.4.0.00.005, títulos: “COFINS – IN 01 09.97 – ORG. FEDERAL” e “PIS – IN 01 09.01.97 – ORG. FEDERAL”, “COFINS S/RECEITA FINANCEIRA” e “PIS S/RECEITA FINANCEIRA”, alega que foram utilizadas, sendo que, a fiscalização não apresentou qualquer justificativa ou esclarecimento para a utilização ou não desta ou daquela conta contábil. Aponta o equivoco no levantamento fiscal relativa às contas contábeis 211.31.04.0.00.004 e 211.31.4.0.00.005, cujas descrições são: PIS/PASEP e COFINS, a fiscalização utilizouse dos valores indicados no campo “Movimento Crédito”, ignorando, o “Saldo Anterior”, “Movimento Débito” e “Saldo Atual”, extraíramse da sustentação a Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 6 3 possibilidade de não ter sido apurado com base nos lançamentos a débito no período, daí a razão dos valores confrontados com a DCTF divergirem. Em relação apuração de janeiro de 2007, argumenta que nesse mês apurou receitas sujeitas tanto à cumulatividade como a não cumulatividade. Entretanto, a fiscalização apurou o suposto débito somando os valores das contas contábeis de receitas sujeita alíquota 7,6%, 1,65%, 3% e 0,65%, deixando de segregar as receitas do regime cumulativo e não cumulativo. Após apurar o débito reduziu o valor compensando os créditos passíveis de compensação na apuração equivocadamente, pois os saldos das contas contábeis do Ativo não se relacionam aos créditos passíveis de compensação na apuração do valor devido a titulo de PIS e COFINS por tratarse de valores recolhidos a maior ou indevidamente em períodos anteriores. De modo que, a fiscalização desconsiderou o regime nãocumulativo e por conseqüência, o montante relacionados aos créditos apurados e passíveis de compensação. No que tange aos meses de: fevereiro, março, agosto e setembro de 2007. Argui que, em relação ao crédito tributário apurado nos meses acima anotados novamente a fiscalização se equivocou. No caso mudou a metodologia adotada para apurar os créditos de outros períodos, passou a deduzir do valor a pagar das contribuições os montantes lançados a crédito nas contas contábeis nºs 112.41.2.0.00.023 e 112.41.2.0.00.024 ao invés dos montantes lançados a débitos. Teria desse modo a fiscalização ignorado o desconto de créditos permitidos por Lei. Por derradeiro, manifesta sobre o crédito apurado relativamente a novembro e dezembro de 2007. Diz que foram desconsiderados erroneamente valores recolhidos para os períodos de apuração. Nesse caso, sustenta que além da falta de esclarecimento e informações quanto ao método adotado pela fiscalização, incoerentemente apenas teria considerado as contas de “Movimentação Crédito” para composição dos valores a pagar de PIS e COFINS e equívocos crassos no cotejo das informações da DCTF. Concluiu pedindo nulidade do auto de infração e perícia. O Termo de Verificação Fiscal – COFINS e PIS encontramse às fls. 76/98, impugnação às fls.112/122 e o Acórdão recorrido às fls. 323/335. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o conhecimento. O debate neste caderno gira em torno do critério adotado pela Fiscalização quanto à apuração do crédito tributário com base em cotejo dos dados consignados na contabilidade e o valor do crédito declarado em DCTF. O fisco fez juntar com o Auto de Infração demonstrativo denominado de Termo de Verificação Fiscal – COFINS e PIS, documento de fls. 76/98. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Em razão da alegação de nulidade do lançamento por ausência de esclarecimento da metodologia aplicada, impõe conhecer inicialmente essa preliminar. Como é de conhecimento geral compete ao titular do procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito. No caso vertente, o indício trazido à baila é o “Termo de Verificação Fiscal – COFINS e PIS”, fls. 76/78 de onde se extraí os elementos utilizados para o convencimento da douta Fiscalização de que a Recorrente teria declarado valor inferior ao realmente devido, motivo pelo qual a levou proceder ao lançamento a título de crédito suplementar. Consta do Termo de Verificação fiscal a informação de que: “Utilizando as informações constantes dos arquivos digitais (LANÇAMENTOS CONTÁBEIS, SALDOS DE CONTAS e PLANO DE CONTAS) fornecidos pela fiscalizada, procedemos ao confronto entre as informações contábeis e os valores informados nas declarações e documentos enviados/entregues pela fiscalizada à RFB, elaborando as ' planilhas, constantes do arquivo 61116265000144. xls (código de validação: a8ca29c2d0e6fe8dfa4a9a38bfa2cc07) e do arquivo— 61116265000144. xls (código de validação: 20723c8f 32cb6587f3bb7560ba074c1a), sendo os códigosde Validação gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) — disponíveis também no sitio da RFB, para conferência da fiscalizada, onde foram apontadas divergências (planilha COTEJO) entre os valores constantes de sua escrita contábil (planilha CONTÁBILAPROPRIAÇÕES) com aqueles informados à RFB (planilha DCTF_DÉBITOS e SINAL_PAGAMENTOS), o qual foi submetido à fiscalizada, através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (Termo 06), lavrado em 01/09/2008 e recebido em 10/09/2008, e do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (Termo 07), lavrado em 08/10/2008 e recebido em 13/10/2008, respectivamente, para que seu representante legal apresentasse as devidas justificativas no prazo de 20 (vinte) dias, contados da data da ciência desses termos, juntamente com documentos/elementos que lhe dessem suporte.” O termo apregoa que o lançamento decorre do confronto dos lançamentos contábeis (saldos das contas) com o débito informado pela Recorrente em DCTF. Ao examinar os elementos dispostos no Termo de Verificação, vez que, a descrição constante do Auto de Infração é lacônico, se refere apenas diferenças sem declinar detalhes, temse assim o relato como fonte da motivação do lançamento. O relatório de fls. 76/78, constatase que o mesmo traz 05(cinco) colunas, Período de Apuração, o Valor Contábil, Retif. Contábil, Valor da DCTF e Diferença Apurada. De uma leitura prefecuntória verificase que inexiste demonstração da base de cálculo, confirma tratarse de apuração simples de diferença entre o valor contabilizado e o da DCTF, digase não é referência para apurar tributo e tampouco permitir afirmar que o valor contabilizado é o devido e contrapor o valor declarado a Receita Federal do Brasil. Sobreleva anotar a ausência de informação quanto aos valores contabilizados, se são em conta de Passivo ou Custo/Despesa. Análise fria do demonstrativo fiscal não permite averiguar a afinidade desses elementos com a receita. Tenho que a fiscalização, em que pese, receber por exigência demonstrativos elaborados pela empresa fiscalizada, que cuidou também Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 7 5 de subsidiar com Resoluções da Aneel que determina o modo pelo qual deveria contabilizar as receitas efetivamente recebidas e as decorrentes de “Recomposição Tarifárias” (receita gerada pela aplicação da sobretarifa de que trata o §1º do art. 4º da MP nº 14/2001), bem como, “Solução de Consultas”, mesmo assim deixou de demonstrar o fato gerador, preocupouse, simplesmente, de adotar como certo e inquestionável um dado contábil e cotejar com os valores declarados em DCTF. Por essas razões penso que as provas carreadas aos autos produzidas pela Autoridade Fiscal não demonstram com precisão o “quantum” teria sido considerado como matéria tributável, compromete a certeza e liquidez do crédito tributário. É inaceitável, no meu entender, que se tenha como certo o valor contabilizado como devido sem que demonstre à base de cálculo para estabelecer com fidúcia que há diferença desfavorável ao fisco na apuração do crédito tributário. Dizem os estudiosos que cabe observar o atributo da incerteza, presente com grande freqüência nas situações concretas que demandam a observância do Princípio da Prudência. Portanto, a contabilização do reconhecimento de obrigação nem sempre pode ser considerada decisiva, pois o que se busca pelo Princípio da Prudência é adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os do Passivo, todas as vezes que se apresentem alternativas igualmente válidas para quantificação das mutações patrimoniais que alterem o Patrimônio Líquido. A contabilização de determinados dados não é o suficiente para ter como verdadeiramente devido naquele momento, o saldo pode representar em determinado momento obrigação, entretanto, para afirmar que são devidas em determinado mês de apuração há necessidade de que seja demonstrado à base de cálculo desse tributo. Como é de conhecimento geral os requisitos da lavratura do auto de infração encontram inscubidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/71, que determina descrição do fato, verificado a necessidade de esclarecimento mais extenso empregase o relatório fiscal enriquecendo a descrição assinalada no corpo do auto de infração no sentido de suprir a necessidade de clareza na identificação do fato gerador e no cálculo do tributo tendo como fundamento a base de cálculo. No caso concreto a planilha elaborada pela fiscalização só serve e identifica diferença, sem, contudo esclarecer quais as receitas teria sido incluído à base de cálculo, até porque não há demonstração da base de cálculo. O contribuinte necessita para elaborar defesa de modo pleno o conhecimento quais as receitas incluídas no somatório utilizado para apuração do crédito tributário. A simples menção em relatório fiscal de que apuração decorre entre o valor informado em DCTF e a contabilidade é insuficiente para afastar a obrigação da Autoridade Fiscal de demonstrar de modo claro qual foram os critérios adotados para identificar as receitas que compõe a base de cálculo. A Ausência de elemento essencial de clareza na identificação do fato gerador constitui vício insanável. È obrigação da autoridade administrativa, ao proceder ao lançamento identificar todos os elementos que constituem o direito de crédito, possibilitando ao contribuinte elaborar de modo pleno e irrestrito a defesa da imputação de irregularidade lhe atribuída. A doutrina rejeita lançamento genérico, sem especificação dos elementos – receita que consubstancia o fato gerador. Segundo os juristas, no direito tributário vige a regra Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 da tipicidade fechada quanto à identificação do fato imponível. Motivo pelo qual se exige como elemento do lançamento a identificação, se ao lançar o agente deixa de identificar quais as receitas que passaram a fazer parte da base de cálculo, distinta daquelas informadas pela empresa autuada, impõe, sob pena nulidade, que seja minuciosamente identificada uma a uma. Portanto, há de se concluir que a identificação do fato gerador de forma lacônica como é o caso concreto, dificulta, sim, o exercício de defesa do contribuinte, que fere de morte o princípio do devido processo legal, consequentemente, o contraditório e ampla defesa. Em sendo assim, compete ao titular do procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito tributário e exigir por meio do lançamento a reparação da lesão causada ao erário. Tenho que a Administração Tributária não pode transferir ao Sujeito Passivo o ônus da prova, portanto, no caso em exame deveria ter sido elaborado demonstrativo especificando cada receita submetida à incidência e observando a sua peculiaridade, deixado de assim proceder macula o ato administrativo que necessidade de motivação. Portanto, há a meu ver, existe inconsistência na constituição do crédito tributário das contribuições para o PIS e da COFINS em decorrência da demonstração da base de cálculo, configura descumprimento dos requisitos essenciais inscritos no art. 142 do CTN, o que dificulta sobremaneira identificar as razões que levaram apuração das hipotéticas diferenças em desfavor da Recorrente. Assim acolho a preliminar para declarar nulo o lançamento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 8 7 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O contribuinte argui a nulidade do lançamento por ausência de motivação válida, alegando não haver descrição dos fatos que serviriam de suporte fático ao lançamento. Entendo que o contribuinte tem razão. Promover o lançamento de PIS/Cofins pelo regime nãocumulativo consiste em, primeiramente, identificar as receitas que se submetem a este regime específico (retirando se as receitas porventura incidentes sob o regime cumulativo ou monofásico), promovendose a composição da base de cálculo para sobre ela fazer incidir a alíquota aplicável para, então, abater do valor devido os créditos gerados de acordo com as hipóteses previstas no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, atentandose para o momento em que foram gerados e cuidando, também, de verificar a transposição dos saldos de créditos dos períodos anteriores, além de, sendo o caso, segregar os créditos pertinentes à receita de exportação e os créditos presumidos. Neste caso concreto não existe, nem no corpo do auto de infração, nem no termo de verificação fiscal, qualquer motivação fática, nem a respeito das composição das receitas, nem a respeito das hipóteses de creditamento, nem uma fundamentação racional detalhando o procedimento adotado. Apenas foi transportado para o auto de infração os valores de contribuição obtidos de uma planilha denominada “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS DIFERENÇAS” (fls. 253/254), cuja imagem é copiada no final deste voto. Esta planilha, como visto, é composta pelas colunas: “PA”, “Contábil”, “Retif. Contabil.”, “DCTF” e “Diferença”. É possível inferir, a partir disso, que em relação a cada período de apuração (PA) partiuse do valor da coluna “Contabil”, abatendose deste o valor da coluna “Retif. Contabil” e o valor da coluna “DCTF”, chegandose ao valor da coluna “Diferença”, que é o valor adotado pelo auto de infração como tributo devido. Mas não há explicação quanto ao procedimento adotado, sobre o que significariam as referidas colunas, nem como se chegou aos referidos valores, ou o que exatamente significam. Aliás, as colunas “Contabil” e “Retif. Contabil” não se referem a valores de receita ou faturamento, mas a valores do próprio tributo, ou seja, são valores de contribuição. Os valores cotejados – “Contab.” e “Retif. Contab.” – não demonstram a base de cálculo – pois não são valores extraídos de uma rubrica de receita, por meio da qual se buscasse identificar a base de cálculo – nem se referem a um rubrica de despesa – por meio da qual se buscasse identificar a natureza das aquisições e, assim, permitir que se identifique se configuram ou não hipótese de creditamento. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Ao invés do trabalho racional de construção da base de cálculo e verificação das hipóteses de crédito, a Fiscalização aplicou um filtro de pesquisa nos dados informatizados, do qual resultou um agrupamento dos mais variados lançamentos da contabilidade que teriam algum tipo de reflexo em uma conta de controle contábil das contribuições ao PIS/Cofins. Conforme se percebe, o referido filtro é aplicado de maneira automatizada, sem nenhum tratamento racional dos dados. O fato é que o valor devido da contribuição não se encontra por meio de cotejo dos dados de uma conta da contábilidade que a contribuinte porventura utilize para controlar obrigações, provisões, reversões, créditos e estornos de valores devidos PIS/Cofins. Primeiro porque não há nenhuma sinalização de que tal conta discrimine entre a apuração cumulativa e nãocumulativa de PIS/Cofins. Ou seja, a aplicação deste filtro na contabilidade obteve resultado que se refere de maneira indistinta à apuração cumulativa e nãocumulativa, do que resulta a falta de liquidez e certeza da exigência fiscal. Se a Fiscalização pretendia lançar PIS/Cofins nãocumulativo, quando menos teria de manter segregadas as receitas e os recolhimentos correspondentes ao regime cumulativo e nãocumulativo, bem como conferir se o crédito foi apurado na proporção das receitas nãocumulativas, o que não correu. A Fiscalização fez um somatório de valores sem se importar com o que significam objetivamente, apenas listando rubricas de partidas dobradas, fazendo uma verdadeira conta corrente de registros contábeis lançados dentro do mesmo mês calendário. Isto também não é adequado pelo fato de que não se conferiu como o contribuinte procedeu concretamente o aproveitamento dos créditos, nem o momento nem a forma como o promoveu. A Lei prevê que o contribuinte “pode” abater os créditos, de modo que tanto pode sobrar saldo para aplicação em período posterior, como pode haver, em período posterior, a apropriação de um crédito que se tenha deixado de apropriar em momento anterior. Com efeito, não se obriga o contribuinte a aproveitar o crédito no mesmo período de competência em que tenha sido gerado. E para isso é necessário verificar como o contribuinte promoveu concretamente o controle dos seus créditos. Tal procedimento da Fiscalização também atropela qualquer detalhamento a respeito da tranposição e do controle do saldo de créditos em relação a períodos anteriores. Ao ver deste Conselheiro, promover o lançamento de PIS/Cofins ignorando os DACONs equivale a pretender o lançamento de IPI ignorando o Livro Registro de Apuração do IPI. Por estas razões, entendo que é insustentável a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.008116/200881 Acórdão n.º 3403002.353 S3C4T3 Fl. 9 9 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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