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Numero do processo: 18471.001569/2005-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do presente voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 30/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de contencioso administrativo instaurado com a impugnação de TELELISTAS EDITORA S/A (fls. 134147) ao auto de infração que constituiu contribuição social para a cofins, no valor de R$ 151.134,68, acrescidos de R$ 106.208,54 de juros de mora e R$ 113.350,94 a titulo de multa proporcional, em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro de 2001 a maio de 2002 (fls. 6470). De acordo com o termo de constatação fiscal, "após análise dos valores contabilizados como base de cálculo da COFINS, confrontados com os RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 56 9/ 20 05 -2 4 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 4 2 valores considerados como devidos para essas contribuições, constatamos que o contribuinte excluiu de suas bases de calculo os valores cobrados pela empresa TELEMAR a titulo de serviços de cobrança via conta telefônica em substituição a cobrança bancária; tendo em vista o entendimento desta fiscalização de que esses valores deveriam compor as bases de cálculo da referida contribuição e, sendo dedutíveis como despesas para o imposto de renda, carentes de amparo legal para exclusão de base de cálculo de contribuições sociais, procedemos ao levantamento dos valores excluídos, que serão tributados via auto de infração" (fl. 62). Cientificado aos 19 de outubro de 2005 (fl. 64), o contribuinte interpôs impugnação aos 21 de novembro de 2005 (fl. 134), alegando, em síntese: Como se observa do mencionado Termo de Constatação de Infração, a suposta falta apontada pelo auditor fiscal está suportada na presunção de redução indevida de base de cálculo, erigida a partir da constatação de não ter sido oferecida à tributação parte da receita auferida no âmbito do antes mencionado acordo judicial celebrado entre a Impugnante e a TELERJ (Recurso Especial n° 26.3870). Destarte, com a finalidade de delinear melhor o cenário em questão, a Impugnante, reportandose à legislação que rege os serviços de telecomunicações (Lei Federal n° 9.472/97 LGT), salienta que a TELERJ, como empresa concessionária de serviço público de Telefonia Fixa Comutada, firmou com a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), entidade integrante da União Federal, "Contrato de Concessão de Serviço Telefônico Fixo Comutado Local", no qual, entre outras atribuições, se obriga a fornecer a seus assinantes, diretamente ou por intermédio de terceiros, de forma gratuita, listas telefônicas dos assinantes de todas as prestadoras do Serviço Telefônico Fixo Comutado, em sua área de concessão. Assim, pelos serviços de editoração, produção gráfica e distribuição da relação dos assinantes (cláusula 1.2) a Impugnante era remunerada por valor fixo. Relativamente As figurações opcionais, que foram o efetivo motivo da glosa ora guerreada, a Impugnante e a TELERJ resolveram conjugar seus esforços para comercializálas, conforme comprovam os termos do citado acordo: (a) a TELELISTAS deve dar conhecimento prévio a TELERJ de todos os preços praticados (cláusula 7.3); (b)a cobrança das figurações opcionais é feita pela TELERJ na conta telefônica mensal do anunciante (cláusula 8.1); (c)eventuais retiradas definitivas de cobrança, a pedido do assinante, somente serão feitas de comum acordo entre as partes (cláusula 8.6); Fl. 286DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 5 3 (d)a cobrança judicial é de responsabilidade da TELELISTAS, contudo, as custas e despesas judiciais serão suportadas pelas duas empresas proporcionalmente à participação financeira de cada uma (clausula 8.8 e 8.8.1); e (e)a TELELISTAS e a TELERJ possuem uma participação financeira nas receitas, na seguinte proporção: TELERJ: 19% e TELELISTAS: 81% (cláusula 9.1). Verificase, portanto, que, especificamente em relação As figurações opcionais, a Impugnante tem o direito de reconhecer contabilmente apenas o percentual do resultado auferido na operação, a teor do próprio art. 279 do RIR/99, in verbis: "Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n° 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12)." O art. 3º da Lei n° 9.715/98, igualmente dispõe que nas operações de conta alheia considerase para apuração da receita bruta apenas o resultado de tais operações, verbis: "Art. 3° Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia." O resultado auferido nas operações de conta alheia é aquele decorrente e comissões obtidas sobre representação de bens ou serviços de terceiros. Esse é o presente caso, pois a obrigação de fornecimento de listas telefônicas é da TELERJ, conforme determina a legislação da telefonia expedida pela ANATEL. Por óbvio, o montante correspondente aos 19% da receita que coube A TELERJ jamais poderia ter sido reconhecido pela Impugnante, na medida em que tais valores não corresponderam a uma receita sua, sendo certo, alias, como visto, que a cobrança das figurações opcionais é feita pela TELERJ na conta telefônica mensal do anunciante. Ademais, o valor pretendido pela fiscalização federal referese aos 19% de participação financeira que pertence á TELERJ e que constituiu sua própria renda, porquanto aumentou o seu patrimônio e não o da Impugnante. Em conclusão, à Impugnante pertence apenas o valor do resultado decorrente da participação financeira estabelecida no acordo judicial, mostrandose ilegal a presente autuação fiscal. A Lei n° 9.718/98 estabelece a base de cálculo para as contribuições sociais aqui combatidas Para tanto, emprestase o diploma legal do conceito de receita bruta existente na legislação do Imposto de Renda: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 6 4 "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." Em síntese, a lei acima reproduzida estatui que a base de calculo sobre o qual incidirá o PIS e a COFINS será o total das receitas auferidas Portanto, para apurar corretamente o devido a titulo dessas contribuições e preciso perquirir com precisão o significado de receitas auferidas. EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO, em conclusão de seu trabalho a respeito do tema em análise, enriquece nossa argumentação ao fixar o conceito de receita passível de tributação pelo PIS e COFINS, verbis. "No campo das contribuições ao PIS e COFINS, a observância desse principio aponta para o fato de que os valores tributáveis devem corresponder a uma efetiva e incondicional obtenção de receita. Nessa toada, o conceito de receita auferida que será tributável pelo PIS e COFINS traduz valor efetivamente recebido em dinheiro ou em bens imediatamente transformáveis em dinheiro sem perda de valor." De tudo se vê que, ainda que os valores relativos aos 19% que cabiam à TELERJ transitassem pelo caixa da Impugnante, o que não ocorria, tais valores não poderiam ser tributados como resultado da Impugnante, visto que contratualmente caberiam a uma outra empresa. Verificase, outrossim, que não se trata aqui da hipótese do art. 123 do CTN, pois não se está pretendendo transferir responsabilidade tributária por instrumento particular, mas importa observar momento posterior, onde quem efetivamente aufere a receita referente aos 19% é a TELERJ. Por conta disto, é a TELERJ a contribuinte dos tributos incidentes sobre tais valores, e não a Impugnante. Nesse passo, urge salientar a distinção entre os conceitos de entradas" e "receitas", visto que as "entradas" são valores que, embora transitando graficamente pela contabilidade das sociedades, não integram, tampouco aumentam, seu patrimônio e por conseqüência, são elementos incapazes de exprimir traços de sua capacidade contributiva, nos termos em que exige a Constituição Federal, no seu art. 145, § 1°. Já as "receitas" correspondem a valores que integram o patrimônio de uma pessoa jurídica, sendo, em sua grande parte, decorrentes de sua atividade social. Assim, na medida em que as "receitas" exteriorizam a capacidade contributiva da sociedade, estas é que devem integrar a base Fl. 288DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 7 5 de cálculo dos tributos devidos. Corroborando com este entendimento, o mestre GERALDO ATALIBA , ensina sobre tal distinção: "0 conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda a entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer a entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. .E. que estas não pertencem a entidade que as recebe. Tem caráter eminentemente transitório. Ingressam a titulo provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo. (.) Tomar por base imponível o total da fatura é violar os princípios legais assinalados e violar os cânones regulamentares expressos, produzindo ato nulo, lançamento ineficaz. Para ser regular e válido, o lançamento (seja por homologação, seja de oficio) deve separar os itens da fatura, para cingirse a base de cálculo legalmente disposta, que é só e exclusivamente o preço do serviço." Há que se entender que os valores referentes aos 19%, de titularidade da TELERJ, não são um custo da ora Impugnante, caso em que seria dedutivel da base de calculo do IRPJ, mas incidiriam as contribuições sociais Tais valores não chegam a ser custos Os valores referentes aos 19%, que cabem A TELERJ sequer integram o patrimônio da Impugnante, não podendo ser considerado receita desta e, por conseguinte, não configurando fato gerador do PIS e da COFINS. Por certo, o conceito de "receita" contabilmente significa um acréscimo ao ativo e um decréscimo no passivo, de forma que haja realmente um aumento no patrimônio liquido da empresa. Não é caso de receita por exemplo, a entrada de um numerário tomado por empréstimo, pois esse aumento do ativo encontra correspondente aumento no passivo, impedindo a verificação de aumento patrimonial. É usual que, no caixa das empresas prestadoras de serviços ingressem valores que tipificam meros movimentos de fundo de caixa. Noutras palavras, esses ingressos tem exato correspondente no passivo, para terceiro não societário, fato que, por si só, lhes tiraria qualquer possibilidade de constituírem receita. Embora transitem no caixa da empresa, são meras entradas ou ingressos financeiros Assim, ao mesmo tempo em que inscrevem esses valores nos seus ativos, registram nos seus passivos a necessária contrapartida, de igual valor, para terceiro estranho à empresa. Não há, portanto, nenhum incremento nos seus patrimônios. "Receita" é entrada que modifica o patrimônio da empresa, incrementandoo Os ingressos envolvem tanto as receitas quanto as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 8 6 outrem); são aqueles valores que não importam modificação no patrimônio de quem os recebe, porém mero trânsito para posterior entrega a quem pertencerem. Apenas os aportes que incrementem o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas. Por esta razão é que a Impugnante jamais poderia suportar o ônus dos tributos federais ora guerreados, calculados com base em resultados que couberam A TELERJ. Não cabe à Impugnante, portanto, o gravame dos tributos lançados pelo auto de infração que se pretende anular, incidentes sobre um resultado que não é seu e sim da TELERJ. Por óbvio, tal incidência tributária sobre valores que não foram auferidos pela Impugnante restaria por gerar um grave prejuízo, na medida em que estes valores não caracterizam seu patrimônio, rendimento ou sua atividade econômica, elementos estes que exprimem a capacidade contributiva, nos termos em que prevê a Constituição Federal, no art. 145, § 10. Nessa exata linha de convicções, o E. Superior Tribunal de Justiça STJ, por ocasião do recente julgamento do Recurso Especial (RESP) n° 411.580/SP, externou claramente o entendimento acima esposado, ainda que em julgamento acerca da incidência de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS sobre serviços de agenciamento de mãode obra temporária. Conforme entendimento dessa Corte, os valores pertencentes aos trabalhadores e os encargos sociais não podem compor a receita bruta sobre a qual incide o ISS devido pelas empresas locadoras de mãodeobra. de modo que tal tributo incidiria apenas sobre o valor referente A taxa de agenciamento. Em textual TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISSQN. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. 1. A empresa que agencia mãodeobra temporária age como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho. 2. A intermediação implica o prep do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações ". 3. O implemento do tributo em face da remuneração efetivamente percebida conspira em prol dos princípios da legalidade, justiça tributária e capacidade contributiva. 4. O ISS incide, apenas, sobre a taxa de agenciamento, que é o prep do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluída as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas, que pressupõem o reembolso. Distinção necessária entre Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 9 7 receita e entrada para fins financeirostributários. Precedentes do E. STJ acerca da distinção. 5. A equalização, para fins de tributação, entre o preço do serviço e a comissão induz a uma exação excessiva lindeira à vedação do confisco. 6. Recurso especial provido. (Superior Tribunal de Justiça RESP N° 411.580/SP Rei. Min. Luiz Fux) Logo se vê que a atual posição do STJ fundamentouse na distinção entre os conceitos de "entrada" e "receita", entendendo que, A luz dos princípios da capacidade contributiva, da legalidade e da justiça tributária, o fornecedor de mãodeobra temporária, como intermediário, não deve recolher a exação sobre os valores pertencentes aos trabalhadores, meras entradas Nesse sentido, merecem transcrição os seguintes trechos desse votocondutor. Finalmente, há que se trazer à colação os dizeres de HIROMI HIGUCHI, verbis: "Em alguns casos, as empresas recebem, no mesmo documento, destacadamente, receitas próprias e receitas de terceiros. Nessa hipótese, não ha necessidade de lei autorizando a exclusão do valor repassado para terceiros na base de calculo de tributos, inclusive de PIS/PASEP e COFINS. Isso porque, originariamente, essas receitas não pertencem A pessoa jurídica arrecadadora. 0 fato ocorre, por exemplo, nas empresas de telefonia. Além das receitas pertencentes a outras empresas de telefonia, é comum a cobrança de receitas de terceiros como mensalidades de internet, doações para UNICEF, etc." Pede a impugnante, por tudo o que expôs, a reforma do auto de infração. A 4ª turma de julgamento da DRJ de Rio de Janeiro II, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, ementando assim o acórdão nº 1328.183: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/05/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS PARA OUTRA PESSOA JURÍDICA. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é calculada com base no faturamento mensal da empresa, sendo inadmissível, por falta de previsão legal, que deste sejam excluídos os Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 10 8 valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde alega a não configuração do fato gerador da COFINS por estar comprovado nos autos: (i) que os valores glosados foram cobrados e recebidos pela TELERJ/TELEMAR e devidos a própria TELERJ/TELEMAR, estando, portanto, fora do campo de incidência da contribuição; (ii) que as entradas decorrentes da venda de figuração opcional nas listas telefônicas resultam de contrato de comissão decorrente de acordo judicial entre a Recorrente e a TELERJ/TELEMAR, sendo, dessa maneira, tributável somente os 81% cabíveis Recorrente; (iii) que as entradas no equivalente a 19% das operações não integram o patrimônio da Recorrente, não se podendo considerálas como receita tributável, sendo essa parcela somente tributável à TELERJ/TELEMAR, sujeito passivo desses valores. Requer que seja reformada a decisão recorrida, proferida pela DRJ/RJ2, determinandose o cancelamento da cobrança do débito de COFINS. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.1.90.002004024316 (fls.01) determinou a abertura da fiscalização para o IRPJ, no período de 01/2000 a 12/2000, com a realização das VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS (correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução do Procedimento Fiscal). Nos termos do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, compete à Primeira Seção de julgamento e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de demais tributos, além do IRPJ, CSLL, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Tornase, portanto, imprescindível verificar se existiu Auto de Infração de IRPJ relativo aos mesmos fatos analisados nos presentes autos, para definir a competência para julgamento do Recurso Voluntário em questão. Pelas considerações delineadas, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem se manifeste sobre a existência de Auto de Infração de Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.001569/200524 Resolução nº 3101000.283 S3C1T1 Fl. 11 9 IRPJ relativo aos mesmos fatos analisados nos presentes autos e, caso positivo, anexe o inteiro teor do processo. Sala das sessões, em 20 de agosto de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10830.906940/2010-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO.
Comprovados, com documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhe-se a compensação declarada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO. Comprovados, com documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhe se a compensação declarada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 40 /2 01 0- 75 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 3803004.248 S3TE03 Fl. 122 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 30 de janeiro de 2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração novembro de 2005, no valor de R$ 5.435,57, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e anexou aos autos cópia da DCTF retificadora do 2º semestre de 2005 que, segundo ele, comprovaria o crédito utilizado no PER/DCOMP em questão. A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. 0 contribuinte tem o ônus de provar o direito credit6rio alegado sob pena de nãohomologação da compensação declarada. A DCTF retificadora, desacompanhada de qualquer prova que ateste a sua veracidade, não é documento hábil a demonstrar o crédito contra o Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 19 de abril de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15 de maio de 2012 e requereu a reforma da decisão de primeira instância, com a homologação da compensação declarada, alegando que a contribuição fora paga a maior e que o recolhimento do débito decorrente da não homologação da compensação lhe causaria baixa considerável de recursos financeiros. Alegou o Recorrente que a decisão de primeira instância não levou em consideração, nas razões de decidir, os princípios constitucionais da razoabilidade (a decisão recorrida deu importância ao aspecto formal em detrimento do substancial), da verdade material (a Administração deve se valer de qualquer provar que tomar conhecimento), da segurança jurídica e do interesse público (construção de uma sociedade justa e solidária). Junto à peça recursal, o contribuinte trouxe aos autos cópias (i) do PER/DCOMP, (ii) do comprovante de pagamento de DARF, (iii) de parte do livro Razão Analítico, (iv) de parte do livro Diário Geral, acompanhada dos termos de abertura e Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 3803004.248 S3TE03 Fl. 123 3 encerramento, bem como do registro na Jucesp, (v) de parte do Balancete de Suspensão, (vi) das DCTFs original e retificadora e (vii) de documentos societários (fls. 46 a 118). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Campinas/SP por ausência de provas que pudessem infirmar a decisão impugnada. A par da decisão da DRJ Campinas/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópias de outros documentos e de parte da escrituração contábilfiscal que, de acordo com seu entendimento, seriam bastantes à comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 3803004.248 S3TE03 Fl. 124 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 A DCTF retificadora trazida aos autos por cópia pelo contribuinte no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade não era apta, por si só, a comprovar o direito reclamado, dado que desacompanhada da escrituração contábilfiscal, situação essa configuradora da preclusão, tendo em vista que a prova não foi produzida no momento processual adequado. Ao ser alertado pelo julgador de piso acerca da necessidade de comprovação dos dados declarados, o Recorrente carreia aos autos novos elementos probatórios, estes extraídos de sua escrituração contábilfiscal, cuja aptidão à comprovação do indébito reclama por uma análise minuciosa dos valores e demais dados envolvidos. Contudo, antes de se adentrar à análise da documentação trazida aos autos apenas em grau de recurso, necessário se torna perquirir acerca da possibilidade de superação da preclusão processual prevista nos dispositivos do PAF acima reproduzidos. A meu ver, a preclusão processual, associada ao princípio constitucional da celeridade processual, deve ser sopesada com outros elementos normativos, como o princípio da vedação ao enriquecimento ilícito e o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, assim como o princípio da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos. Encontrandose nos autos o elemento probatório apto a comprovar o direito alegado, ignorálo, sob o manto da preclusão processual, equivale, a meu ver, a romper com os princípios do não confisco e da capacidade contributiva, pois que se estará tributando parcela do patrimônio cuja intributabilidade fora assegurada pela Constituição e pelas leis instituidoras dos tributos. Nos casos da espécie ao ora analisado, em que os pedidos de ressarcimento/restituição e as declarações de compensação são analisados por meio de processamento eletrônico, a partir de cruzamento dos dados existentes nas informações até então prestadas pelo interessado, a questão da prova documental é suscitada somente na decisão de primeira instância, situação essa que faz incidir a ressalva presente na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), dado que o Recorrente está apresentando provas em contraposição às razões posteriormente trazidas aos autos pela Delegacia de Julgamento. 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 3803004.248 S3TE03 Fl. 125 5 No despacho decisório, somente os dados relativos ao pagamento efetuado e aos declarados em DCTF foram objeto de questionamento por parte da autoridade administrativa, não tendo havido, até então, qualquer referência à escrituração contábilfiscal do sujeito passivo e aos documentos que a lastreiam. Somente a partir da decisão de primeira instância a questão da prova escritural é apontada como elemento imprescindível à apreciação da matéria controvertida. Ainda que o Recorrente estivesse obrigado a demonstrar o direito alegado desde o primeiro momento de sua intervenção no processo, ele o fez com base nos elementos probatórios por ele considerados suficientes à comprovação de suas alegações, tendo havido a arguição da necessidade de apresentação da prova escritural apenas na decisão da DRJ Campinas/SP, após o que ele traz aos autos as provas reclamadas pelo julgador a quo. Como nos ensina Leandro Paulsen, Renê Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka2, o rigor da regra da preclusão no Processo Administrativo Fiscal (PAF), relativamente à juntada de documentos após a impugnação, “viola frontalmente o princípio da ampla defesa e impede que se alcance a verdade material, sob o pretexto de acelerar a tramitação do processo”, tendo relevância o art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe “que é direito do administrado a apresentação das alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, antes da decisão”. Ainda que a Lei nº 9.784, de 1999, se aplique ao PAF somente de forma subsidiária, seus dispositivos devem ser considerados e interpretados conjuntamente com as regras específicas que regem o contraditório administrativo, em busca da norma aplicável a cada caso levado à apreciação da autoridade julgadora administrativa. No presente caso, não se vislumbra que o contribuinte tenha agido de forma desidiosa ou procrastinatória, tendo demonstrado, desde o início de sua participação no processo, interesse em comprovar o seu direito, assim como o erro cometido na declaração e no recolhimento do tributo devido no período, não se podendo, a meu ver, imputar um rigor demasiado à regra da preclusão, quando se sabe que o processo administrativo se informa pelo formalismo moderado, conforme vasta jurisprudência do CARF3. Feitas essas considerações, passase à análise dos elementos probatórios presentes nos autos, considerando que todos os anexos ao recurso voluntário foram autenticados pela repartição de origem, constando do Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fl. 119) que nenhum documento apresentado pelo Recorrente fora rejeitado. Consta do PER/DCOMP (fls. 23 a 27) que o contribuinte pretendia compensar crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, do período de apuração novembro de 2005, com débito de sua titularidade, este no montante de R$ 5.435,57. Segundo o PER/DCOMP, o DARF e o despacho decisório (fls. 29 a 30), foi recolhido aos cofres públicos, em 14 de dezembro de 2005, a título de Cofins devida em 2 PAULSEN, Leandro, ÁVILA, René Bergmann, SLWKA, Ingrid Schroder. Direito processual tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado e Editora, 2012, pp. 119 a 122. 3 Acórdão 2802002.015, processo 10930.002812/200816, publicado em 11/3/2013; acórdão 2802002.029, processo 10183.003172/200853, publicado em 5/3/2013; acórdão 1102000.474, processo 11020.002161/2005 39, publicado em 30/6/2011; dentre outros. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 3803004.248 S3TE03 Fl. 126 6 novembro de 2005 o valor de R$ 13.541,96, do que exsurgira um indébito no montante de R$ 5.616,28, pelo fato de que a contribuição devida no período seria de R$ 7.925,68. De acordo com o Razão Analítico (fl. 53), fora escriturada uma provisão de Cofins do mês novembro/2005 no valor de R$ 13.541,96, assim como créditos da contribuição no mesmo período de R$ 3.891,30 e R$ 1.724,98, totalizando R$ 5.616,28, e um saldo final a recolher de R$ 7.925,68, que corresponde exatamente à diferença entre a provisão efetuada e os créditos apurados. No livro Diário Geral (fls. 54, 55 e 62), por seu turno, devidamente registrado na Junta Comercial e acompanhado dos termos de abertura e encerramento, os valores supra referenciados podem também ser extraídos, corroborando, ainda mais, a defesa do Recorrente. No Balancete de Suspensão, colhemse as seguintes informações: CONTA VALOR (R$) Folha 1 Receita Bruta Operacional 178.183,66 58 2 Cofins sobre o faturamento 13.541,96 58 3 Gastos gerais com serviços não cumulativos 51.201,33 59 4 Crédito Cofins não cumulativo 3.891,30 59 5 Encargos de depreciação 22.697,15 59 6 Crédito Cofins sobre encargos depreciação 1.724,98 59 7 Contribuição devida (246) 7.925,68 8 Indébito (27) 5.616,28 Verificase, portanto, que a escrituração contábilfiscal vai ao encontro dos argumentos de defesa do Recorrente, coincidindo com os valores declarados na DCTF retificadora (fl. 21). Notese que se trata de um conjunto probatório robusto, composto da escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, em que todos os requisitos formais foram observados, inexistindo qualquer indício que possa fragilizar o teor dos lançamentos contábeis ali efetuados. Poderseia argumentar que, no presente caso, considerando que o Recorrente não trouxe aos autos os documentos fiscais que embasam a sua escrituração, deverseia observar a regra contida no art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999) que determina que “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º.” (grifei) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.906940/201075 Acórdão n.º 3803004.248 S3TE03 Fl. 127 7 Por outro lado, não se pode ignorar que, no momento em que a autoridade administrativa de origem decidira por não homologar a compensação declarada pelo contribuinte, ela restringiu a análise aos dados presentes na DCTF, no DARF e no PER/DCOMP, dados esses referentes ao direito creditório pleiteado e ao pagamento efetuado, não tendo sido questionada a apuração da base de cálculo da contribuição declarada. Nesse sentido, considerando que a decisão de origem decorrera tão somente do batimento entre pagamento e crédito declarado, os demais valores envolvidos na apuração do tributo devido, como a base de cálculo da contribuição, não questionados pela Fiscalização, não compõem a controvérsia presente neste processo. A autoridade administrativa poderia ter intimado o contribuinte para comprovar os demais dados abrangidos pela matéria sob fiscalização, mas, ao contrário, decidiu restringir a sua análise aos valores relativos ao pagamento efetuado e ao direito creditório declarado e, uma vez comprovado, com base na escrituração contábilfiscal, o erro cometido pelo sujeito passivo no preenchimento da DCTF original, temse por comprovada a sua defesa nos limites da controvérsia constante dos autos. Determinar a reabertura da fiscalização empreendida na origem com a ampliação da matéria a ser analisada, a meu ver, extrapola a competência deste Colegiado, pois é da competência da Receita Federal a gestão e a execução das atividades de fiscalização no âmbito federal. Nesse contexto, uma vez comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF original, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912249/2009-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 49 /2 00 9- 94 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 2 a 61, transmitida em 29/09/2006, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 6.126,87, pago em 14/11/2003) a título de Cofins (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 3.035,99) com débito de R$ 4.798,00 relativo a IPI (período de apuração junho/2006). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 7 (emitido em 24/08/2009, com ciência em 15/09/2009, conforme documento de fls. 9), acusase que o pagamento (DARF de R$ 6.126,87) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 12 a 21), alega a empresa que: (a) não implementou a exclusão prevista no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (referente a valores transferidos a para outra pessoa jurídica, observadas as normas regulamentadoras editadas pelo Poder Executivo), tendo recolhido tributos a maior em função disso; (b) a referida norma é autoaplicável; e (c) aplicase ao caso o disposto no art. 66 da Lei no 8.383/1991, “visto que a empresa pretende compensar os valores vencidos com as próprias contribuições objeto do litígio”. Em 09/03/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 36 a 39), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver qualquer documento comprobatório do direito creditório. O julgador afirma ainda que o inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até sua revogação pela MP no 1.991/00 (como endossa o Ato Declaratório SRF no 56/2000), e que o crédito pleiteado no presente processo se refere a período posterior inclusive a tal revogação. Cientificada da decisão de piso em 19/03/2012 (AR à fl. 42), a empresa apresenta recurso voluntário em 18/04/2012 (fls. 43 a 54), tratando de temas que sequer são objeto de questionamento no processo (como arrolamento de bens, habilitação para compensação, inconstitucionalidade dos Decretosleis no 2.445/1988 e no 2.449/1998, semestralidade da base de cálculo e exclusão da multa aplicada). No mérito, não discute a fundamentação adotada pela DRJ para o indeferimento, nem apresenta qualquer documento comprobatório do crédito que indica possuir. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11020.912249/200994 Acórdão n.º 3403002.379 S3C4T3 Fl. 60 3 recorrente alegava originalmente que o crédito decorria da não utilização da faculdade prevista no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, dispositivo por ela entendido como auto aplicável. Contudo, em sede de recurso voluntário parece tratar de tema diverso, afirmando, por exemplo, que (fl. 53): “Conforme restou amplamente demonstrado, a Impugnante (sic) tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS (sic) decorrentes (sic) dos Decretos inconstitucional (sic) 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. Há pouca coisa a se analisar, visto que a argumentação expressa no recurso voluntário não guarda pertinência com o analisado pelo órgão julgador de primeira instância. Resta assim repisar a questão referente à ausência de comprovação do direito creditório expressa em primeira instância. Tendo em vista ter sido o despacho denegatório inicial exarado de forma eletrônica, teve o julgador de primeira instância a cautela de buscar, fundado na verdade material, o alcance da argumentação da então impugnante sobre a discussão jurídica em torno do comando do inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, concluindo que ainda que houvesse documentação comprobatória do direito, não seria procedente o argumento da autoaplicabilidade do referido dispositivo legal. E ainda que fosse procedente tal argumento, os créditos em discussão no presente processo são referentes a período posterior à revogação do citado comando legal. Não tendo sido agregado pela recorrente elemento destinado a refutar o expresso pelo julgador a quo, nem qualquer prova ou mero indício do direito creditório, não há como acolher o pleito de compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. É de se destacar adicionalmente que esta Terceira Turma, em casos semelhantes, da mesma recorrente, decidiu recentemente de forma unânime pela não acolhida das compensações, em face da ausência de comprovação do direito creditório2. 2 Acórdãos n. 3403002.237, 3403002.238, 3403002.239, 3403002.240 e 3403002.241. Relator: Antonio Carlos Atulim. Unânimes. Sessão de 23/05/2003. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 14033.000685/2010-00
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 68 5/ 20 10 -0 0 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 650 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela Construtora RV Ltda contra a decisão de indeferimento do Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 09/2007. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), para as obras de matrícula CEI n. 50.075.02434/73 em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R47/RFB/DRF/BSA em 28/09/2010, fl. 337, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: não haver GFIP para a competência 09/2007, da CEI n. 50.075.02434/73, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 04/2007sem movimento; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0 seqüencial 2821; a relação massa salarial/faturamento corresponde a 8,29%; o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 04/10/2010, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fls. 558/562. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, fls. 565/604, alegando em síntese: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; Fl. 650DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 651 3 a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 652 4 nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. É o Relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 653 5 Voto Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. DO INDEFERIMENTO DA RESTITUIÇÃO O Despacho Decisório n. R4 7/RFB/DRF/BSA em 28/09/2010, fl. 337, denegou a restituição de contribuições previdenciárias pleiteada pelo contribuinte na competência 09/2007, pois considerou não haver GFIP para a competência 09/2007, da CEI n. 50.075.02434/73, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 04/2007sem movimento; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0 seqüencial 2821; a relação massa salarial/faturamento corresponde a 8,29%; o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão recorrida menciona que a massa salarial da mão de obra da CEI 50.075.02434/73 declarada pelo contribuinte em GFIP, em folha de pagamento e na contabilidade, em confronto com as notas fiscais emitidas para pagamento desses serviços (NFS n. 74), apresenta uma relação massa salarial/faturamento de 1,66%. Assim, menciona a decisão que há impossibilidade de execução dessas obras, em virtude do número de segurados constantes em GFIP ou em folhas de pagamento específicas para a obra, referentes à mão de obra própria ou à terceirizada, mediante confronto com as notas fiscais, tanto de materiais e equipamentos quanto às de contratação de mão de obra. Diante do observado, alega a decisão recorrida ser necessário o indeferimento da restituição e que a empresa seja incluída no planejamento fiscal, a fim de que a fiscalização, em específica ação fiscal, analise, de forma pormenorizada, toda a documentação relativa à execução das obras e possa aferir os corretos valores devidos, atinentes ao pleito. Em relação à aferição indireta, informa ser possível conforme legislação de regência, se a empresa recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente. A constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, é considerado como apresentação de documentos de forma deficiente, nos termos do art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91 e art. 477, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Anunciado o julgamento do recurso voluntário em sessão pelo Presidente de Turma, é direito do contribuinte, se desejar, fazer sustentação oral logo após a leitura do Fl. 653DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 654 6 relatório do processo, nos termos do art. 58, inciso II, da Portaria nº 256, de 22/06/2009 (Regimento Interno do CARF). A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não há necessidade de juntar os processos de restituição do contribuinte para decisões conjuntas por se tratar de competências, valores, análises distintas e já distribuídos para as turmas de julgamento. O contribuinte apresenta memorial alegando sua regularidade fiscal e reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário. A recorrente anexa aos autos notas fiscais de serviços tomados de terceiros e guias de recolhimento GPS de recolhimento de retenção efetuada por ela, entretanto, tais documentos não estão acompanhados de explicações e demonstrativos estabelecendo a que obra pertence, nem acompanhados da escrituração contábil, memórias de cálculo e notas explicativas. O pedido de restituição do contribuinte deve ser acompanhado de todas as informações necessárias para se apurar o correto valor das contribuições previdenciárias, eventuais valores recolhidos a maior e a diferença a restituir. Assim, o pedido deve ser acompanhado de planilhas e notas explicativas, cálculos, documentos (GFIP, Folha de pagamento, férias, rescisões, retenções, contratos de empreitada e de subempreitada, NFS, outros) e registros contábeis (diário, razão). Sem a demonstração e a comprovação exata do valor a restituir pelo contribuinte, não pode o fisco conferir se o valor pleiteado está correto. Os documentos, planilhas, demonstrações, valores, devem ser apresentados de uma só vez, e não por parte. Isto dificulta a comprovação do valor correto a restituir. A restituição não é uma situação que se viabiliza automaticamente. Para a implementação do instituto, a parte interessada deverá cumprir as regras dispostas no ordenamento jurídico. Nos termos do art. 33 e parágrafos 1o, 2o, 3o e 4o da Lei 8.212/91 compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previdenciárias. É prerrogativa da RFB o exame da contabilidade, ficando obrigada a empresa a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitadas. A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, ao padrão de execução da obra e aos serviços prestados, cabendo à empresa responsável o ônus da prova em contrário (art. 33, § 4o da Lei 8.212/91). Fl. 654DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 655 7 Desse modo, quando não demonstrado pelo contribuinte de maneira clara qual o valor correto das contribuições previdenciárias, correta a aferição indireta com base no valor de 11% da nota fiscal de prestação de serviço, nos termos do art. 31 c/c art. 33, § 4o, da Lei 8.212/91. O valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais, tem respaldo no art.219, §§ 7o e 8o do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.049/99. Não se deve deferir valor de restituição sem a comprovação exata da quantia e do direito. A recorrente informa que não apresentou os documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros. Não se pode anular ato de indeferimento de restituição quando devidamente fundamentado na lei e normas previdenciárias, tampouco, revogálo sem motivo de conveniência ou oportunidade, e sem comprovação certa do direito adquirido, como quer o contribuinte. Inaplicável, portanto, o art. 53 da lei 9.784/99. Fundamentada a decisão na forma da lei, não há que se falar em inobservância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização. Nem em agressão aos princípios gerais do direito e em enriquecimento sem causa por parte da União. Não se pode reconhecer o direito de restituição de valor ilíquido, incerto e sem comprovação. A aferição indireta pode ser utilizada quando as informações prestadas ou os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes em face de outras informações, ou outros documentos de que dispõe a fiscalização, no caso, a constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, nos termos do art. 447, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. A apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0, as GFIP, a massa salarial, as folhas de pagamento, são válidas como documentos para embasar o indeferimento da restituição quando não há prova específica nos autos do correto valor a restituir, apenas informações genéricas, que não são suficientes para justificar o pedido de restituição. A formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP) não dá direito à restituição pretendida, pois precisam ser demonstrados os valores recolhidos a maior por intermédio dos documentos e livros contábeis, bem como, a memória de cálculo, planilhas, notas explicativas, outros, para análise da fiscalização. O contribuinte possui pedido de restituição de contribuições para diversas obras e de competências variadas, o que exige da fiscalização apuração de valores individualizados por obra, entretanto, considerando os valores recolhidos pela empresa e todas as suas obras. Em razão dos princípios da verdade material, da ampla defesa e contraditório, do valor justo do tributo, considerando que o contribuinte afirmou possuir todos os documentos (Folha de pagamento, GFIP, GPS, Notas Fiscais de Serviços, Contabilidade, Contratos, Subcontratos, outros) que comprovem o valor das contribuições previdenciárias devidas, o Fl. 655DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 656 8 pleito deve ser acatado parcialmente, no sentido de se analisar com mais detalhe o pedido de restituição. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 656DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 657 9 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Vettorato, Redator Designado Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do memso que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da Fl. 657DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 658 10 instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Também, por esses motivos, entendo que não é possível um deferimento ou indeferimento de plano do Recurso Voluntário, inclusive a anulação da decisão anterior, simplesmente incorreria em maior demora na resposta efetiva ao contribuinte. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000685/201000 Resolução nº 2803000.182 S2TE03 Fl. 659 11 (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Fl. 659DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.004756/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Redator-Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Redator-Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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INAPLICABILIDADE. Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 47 56 /2 00 6- 11 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10830.004756/200611 Acórdão n.º 9202002.600 CSRFT2 Fl. 208 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0108, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 099, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSCA IRPF Anocalendário: 2002 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO. 0 imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos oferecidos a tributação poderá ser deduzido do imposto devido apurado no ajuste anual desde que devidamente comprovado pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEL1C não incidem sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Vistos. relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os juros de mora calculados com base na taxa Selic incidentes sobre a multa de oficio. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Nelson Mallmann, que negavam provimento ao recurso. Sinteticamente, o litígio em questão possui seu cerne na discussão sobre a incidência, ou não, da Taxa SELIC sobre a multa de ofício. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido possui decisão que está em divergência com a decisão contida nos acórdãos 106 16949 e 0400.651; 2. A utilização da taxa Selic para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio é plenamente Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 cabível e condizente com a legislação tributária vigente, artigos 44, I e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96; 3. Notase que, se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); 4. Querse dizer com isso que os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu § 3° da Lei n° 9.430/96 são os créditos tributários devidos a Unido e não somente o valor do tributo (principal); 5. Logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa Selic, sobre a multa de oficio; 6. Em face do exposto, requer a PGFN o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reformado nesse ponto o acórdão recorrido. Por despacho, fls. 0113, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0127, argumentando, em síntese, que: 1. O recurso não deve ser conhecido, pois não realizou a demonstração analítica da divergência; 2. A Taxa SELIC não pode incidir sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal; 3. Destarte, solicita que o recurso não seja conhecido, e, caso seja, que seja indeferido. Destaquesse que o sujeito passivo apresentou recurso especial, fls. 0160, que, após análise, não se deu seguimento, fls. 0177, posição ratificada pela Presidência do CARF, fls. 0183. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10830.004756/200611 Acórdão n.º 9202002.600 CSRFT2 Fl. 209 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com jurisprudência divergente e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Cabe destacar que o sujeito passivo afirma que o recurso não deve ser conhecido, pois não demonstrou, analiticamente, a divergência entre as decisões. Discordamos dessa afirmação, pois se verifica no recurso da PGFN que a divergência foi demonstrada de forma clara e detalhada, fls. 0109, motivo do conhecimento do recurso. Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possui natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa, como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Como integra o crédito tributário, na multa devem ser aplicados os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Essa turma, da CSRF, já decidiu sobre a questão. “JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado.” (Acórdão nº 920201.806, Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire). Assim, entendo correta a incidência da Taxa SELIC na multa de ofício, devido a mesma integrar o crédito tributário. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, peço vênia para dele discordar. Como descrito no relatório a discussão no presente recurso é relativa à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10830.004756/200611 Acórdão n.º 9202002.600 CSRFT2 Fl. 210 7 de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (com base na Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §1º do art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isoladas, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (original sem grifo) O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. “Crédito”, por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art. 113. A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do ofício) já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderiase, inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, mister se faz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10830.004756/200611 Acórdão n.º 9202002.600 CSRFT2 Fl. 211 9 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n°9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” a Lei nº 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão “débitos” constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de ofício, seria imperioso admitir que a multa de ofício, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o “caput”. Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática – entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada proporcionalmente. Em face do exposto conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10945.000951/2008-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 00 95 1/ 20 08 -3 8 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Resolução nº 3801000.553 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Resolução nº 3801000.553 S3TE01 Fl. 12 3 Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadrada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impressos em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000951/200838 Resolução nº 3801000.553 S3TE01 Fl. 13 4 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Ocorre, todavia, que a recorrente não juntou a petição judicial da referida ação e eventuais decisões judiciais. Esta circunstância impossibilita aferir se o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Como é sabido, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa nos termos da Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim sendo, a identificação precisa do objeto da ação judicial é essencial para que o processo tenha condições de ser julgado por essa turma. De outro giro, a recorrente alega que efetuou o depósito judicial do montante integral do crédito tributário. Os elementos comprobatórios são insuficientes para comprovar essa assertiva, de sorte que a Delegacia de origem deverá informar se há depósitos judiciais que suspendam a exigibilidade do crédito tributário em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) informe o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais; b) informe eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais; c) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10886.002004/2010-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A PROCEDIMENTO PARA COMPENSAR NO AJUSTE ANUAL O IRRF DEPOSITADO À DISPOSIÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1.
Não há identidade de matéria quando judicialmente se discute a não incidência do imposto e no processo administrativo o litígio é sobre o procedimento correto para aproveitamento da retenção depositada judicialmente. A diversidade de matéria implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que a Delegacia de Julgamento conheça a impugnação na íntegra e profira novo acórdão, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A PROCEDIMENTO PARA COMPENSAR NO AJUSTE ANUAL O IRRF DEPOSITADO À DISPOSIÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1. Não há identidade de matéria quando judicialmente se discute a não incidência do imposto e no processo administrativo o litígio é sobre o procedimento correto para aproveitamento da retenção depositada judicialmente. A diversidade de matéria implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que a Delegacia de Julgamento conheça a impugnação na íntegra e profira novo acórdão, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 20 04 /2 01 0- 48 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 7ª Turma Da DRJ Rio de Janeiro II, na parte em que não conheceu da impugnação com fundamento na renúncia à instância administrativa em relação à glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, em virtude de a matéria ser objeto de ação judicial. O recorrente alega que os documentos já anexados comprovam que o valor de IRRF glosado foi integralmente depositado judicialmente e que na condição de leigo em assuntos tributários desconhece o procedimento correto para compensar esse imposto na Declaração de Ajuste Anual, não sendo certo apurar imposto a pagar, uma vez que tem direito à restituição; afirma que este é procedimento que vem adotando e que somente a partir da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2009 passou a existir campo próprio para informar os rendimentos tributáveis com exigibilidade suspensa e depósitos judiciais. Ciência do acórdão em 11/07/2011 e protocolo da peça recursal em 15/05/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Verificase que o contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual no campo dos rendimentos tributáveis o valor que estava com exigibilidade suspensa por força do depósito judicial (bem como a dedução de contribuição à previdência oficial relativa aos mesmos rendimentos) e no campo de IRRF o total do depósito judicial relativo à retenção sobre os mesmos rendimentos. O acórdão recorrido deferiu em parte a impugnação, porém não a conheceu quanto à discussão sobre a glosa de IRRF no valor de R$17.570,58 referente aos rendimentos de que tratou a ação judicial. Não há identidade entre a matéria discutida judicialmente e a que se discute no processo administrativo: lá se discute a tributação ou não dos rendimentos; aqui, a forma de compensar o IRRF depositado judicialmente. A diversidade de matérias implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10886.002004/201048 Acórdão n.º 2802002.503 S2TE02 Fl. 70 3 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Problemas desta natureza motivaram a modificação do Programa Gerador da Declaração de Ajuste Anual, de forma que a partir do exercício 2010, a DIRPF passou a ter um campo próprios para os rendimentos e respectiva retenção, nos casos de exigibilidade suspensa. Para os exercícios anteriores, como é o caso dos autos, a Secretaria da Receita Federal, por meio de Solicitação de Consulta Interna nº 9Cosit, deu adequada interpretação por meio do entendimento transcrito abaixo, do qual está dissonante o acórdão recorrido. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA).Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo,tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. (grifos acrescidos) Dispositivos Legais: Lei n º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), art.151. (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Solucoes Consulta/2013/Cosit/SCICosit092013.pdf) Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que a Delegacia de Julgamento conheça a impugnação na íntegra e profira novo acórdão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 71DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10925.720954/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/04/2011
BEBIDAS. AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas é infração à legislação tributária, além de responsabilizar o possuidor das bebidas.
MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA.
Correta a aplicação de penalidade majorada nos casos de venda de bebidas sem selo de controle.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 13/04/2011 BEBIDAS. AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. LANÇAMENTO. CABIMENTO. A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas é infração à legislação tributária, além de responsabilizar o possuidor das bebidas. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. Correta a aplicação de penalidade majorada nos casos de venda de bebidas sem selo de controle. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 66 65 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.720954/201125 Recurso nº Acórdão nº 3201001.220 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria IPI Recorrente SM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS KILSEN LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/04/2011 BEBIDAS. AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. LANÇAMENTO. CABIMENTO. A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas é infração à legislação tributária, além de responsabilizar o possuidor das bebidas. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. Correta a aplicação de penalidade majorada nos casos de venda de bebidas sem selo de controle. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 54 /2 01 1- 25 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Trata o presente processo de exigência tributária decorrente de infração relativa a falta de aposição de selo de controle do IPI em produto de selagem obrigatória. Em 13/04/2011, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil da Delegacia de Joaçaba/SC, compareceram no estabelecimento da impugnante e constataram que a mesma mantinha em depósito, as bebidas discriminadas no Termo de Apreensão de Bebidas Alcoólicas de fls. 17 a 19, classificadas na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados nas posições 22084000, 22086000 e 22089000, as quais encontravamse sem o selo de controle do IPI. A fiscalização, por meio do Auto de Infração de fls. 02 a 16, imputou à impugnante a responsabilidade tributária decorrente da situação fática conforme fundamentação legal de fls 10 e 11 dos autos. Consta nos autos, ainda, que a apreensão realizada no dia 13/04/2011, deu origem ao processo nº 10925.720888/201193, onde se discute o perdimento dos produtos, bem como, o processo nº 10925.720893/201104 de Representação Fiscal para fins Penais. Exigese da autuada o valor total de R$ 14.866,78, do qual R$ 4.400,47, referese à exigência do IPI, R$ 6.600.70, a título de multa proporcional e R$ 3.865,61, a título de multa regulamentar Com fundamento no Art. 61 da Lei nº 11.196/05, combinado com o Art. 33, §2º, do Decretolei nº 1.593/77, lavrouse o Auto de Infração nº 0920300.00295/11 que aplica pena de perdimento às bebidas sujeitas ao regime da Lei nº 7.798/89. O contribuinte tomou conhecimento do Auto de Infração em 26/05/2011, conforme Aviso de Recebimento de fls. 25 e apresentou impugnação em 27/06/2011, conforme fls.28 a 30, assinada por advogado regularmente constituído, nos termos da procuração de fls 38. 2 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 66 Em sua defesa a impugnante desenvolve raciocínios no sentido de demonstrar a impertinência da exigência tributária, fundados, basicamente, no argumento de que os produtos apreendidos não estavam a venda (sic), juntando declaração de funcionários da autuada. Por fim requer o acolhimento da defesa e a total procedência da impugnação com a declaração de nulidade do auto de infração nº 0920300.00295/11 e processo nº 10925.720888/201193. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/RPO n.º 35.543, de 19/10/2011, assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 13/04/2011 BEBIDAS. AUSÊNCIA DO SELO DE CONTROLE. A venda ou exposição à venda de bebidas sem o selo de controle a que estão sujeitas caracteriza infração punida com multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a mil reais, além de responsabilizar o possuidor das bebidas, nas condições mencionadas, pelo pagamento do IPI, multa de ofício e juros de mora. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A realidade fática dos autos somente pode se verificar em uma estrutura de conluio e sonegação, na qual os integrantes da cadeia produtiva, da produção à comercialização, se solidarizam no ilícito, o que justifica a qualificação da multa proporcional nos termos do artigo 44 da Lei n. 9430/96. Impugnação Improcedente Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o relatório. Voto 3 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos do processo, o contribuinte busca afastar o lançamento sofrido em face da posse de bebidas sem selo de controle. Não há debate sobre o fato em si, pois o recorrente confirmou a posse dos produtos sem selo de controle, debatendo apenas o cabimento de sua responsabilização. O RIPI/2002 atribui responsabilidade tributária do IPI, ao estabelecimento que mantiver em sua posse produtos sujeitos a selo de controle do IPI, sem a respectiva selagem: Art. 25. São obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis: (...) V os estabelecimentos que possuírem produtos tributados ou isentos, sujeitos a serem rotulados ou marcados, ou, ainda, ao selo de controle, quando não estiverem rotulados, marcados ou selados; (...) Quanto às penalidades, o art. 585, I do RIPI/2010 preceitua: Art. 585. Aplicamse as seguintes penalidades, em relação ao selo de controle de que trata o art. 284, na ocorrência das infrações abaixo: I venda ou exposição à venda de produtos sem o selo ou com o emprego do selo já utilizado: multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais); (...) Segundo os autos, e a decisão recorrida, a recorrente efetivamente praticava venda de bebidas: A defesa funda seus argumentos nos incisos I e II do artigo 25, os quais não são a fundamentação jurídica que dá suporte à exigência do IPI no caso concreto ora em discussão. A capitulação legal utilizada pelos auditores na elaboração do lançamento tributário, com acerto, é outra e esta não foi contraditada. E assim se faz para alicerçar o argumento de que tais mercadorias somente estavam na posse da impugnante e que não se prestavam a uma futura operação de venda. Mas, este argumento não merece ser acolhido, pois as quantidades de produtos apreendidos evidenciam comercialização. Ademais, a impugnante é empresa que comercializa tais produtos. A autuada alega que “...o motorista havia trazido a mercadoria, foi verificado que os produtos estavam sem o selo. Sendo assim, o Requerente armazenou os produtos..., com a única finalidade de devolver ao distribuidor, sendo que os mesmos não estavam à venda”. 4 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 66 Analisando o Termo de Apreensão de Bebidas Alcoólicas de 13/04/2011, fls 17, verificase que os produtos apreendidos foram fabricados por 04 (quatro) fornecedores distintos, tendo em vista as informações contidas nos respectivos rótulos, a saber: INDUSTRIA DE BEBIDAS BELCHIOR LTDA, CNPJ Nº 84.044023/000198; BITTER ÁGUIA LTDA, CNPJ n. 83.270.363/000174 ou 83.270.363/000147; ADP – IND E COM DE AGUARDENTE LTDA, CNPJ n. 09.439484/000144; TOTTAL BRASIL ALIMENTOS IMP E EXP. LTDA, CNPJ n. 83.430751/000175; A circunstância de tratarse de produtos de quatro fabricantes diferentes, de domicílios diferentes, todos com falta de aposição de selo de controle do IPI, além de testemunhar contrariamente aos argumentos da defesa, afasta a boa fé e exterioriza os atributos do conluio e da sonegação, à toda evidência.. Por fim, e suportado pelos mesmos fatos acima dispostos, correta a aplicação da multa majorada, como também bem esclarece a decisão recorrida: A realidade fática dos autos somente pode se verificar em uma estrutura de conluio e sonegação, na qual os integrantes da cadeia produtiva, da produção à comercialização, se solidarizam no ilícito, o que justifica a qualificação da multa proporcional nos termos do artigo 44 da Lei n. 9430/96. É óbvio que tais produtos foram adquiridos com a finalidade de serem dirigidos a consumo , comercialização, e o fato de, eventualmente, encontraremse em um quarto fechado não lhes retira a condição de estarem “à venda”. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 26 de fevereiro de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator 5 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 11829.000006/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 06/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 29 .0 00 00 6/ 20 09 -1 4 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.126 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 6.164.968,96 (seis milhões, cento e sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e seis centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, o contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas o auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a feito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF), constatou se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas em 2004, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) às empresas acima referidas, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam à exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento “permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno”. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.127 3 Entende o contribuinte que: “Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda à comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF”. Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n°417/2004 (e das demais instruções normativas) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II); 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos com essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 06/03/2009 (ciência pessoal .7 fls. 03 45 83 e 117), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 212/221. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.128 4 Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 1) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante da incorporação das mercadorias, nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que, em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que, nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II— realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04 (bem como o art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 757/2007), ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.129 5 do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo que pleiteia o cancelamento da autuação. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 10/02/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 1738.199 (fls. 941/953): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/04/2004 a 31/12/2004 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II, mesmo artigo, parágrafo e inciso da Instrução Normativa SRF n° 757/2007. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado – RECOF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente tomou ciência do teor do acórdão pessoalmente, em 22/02/2010 (f1. 956), tendo protocolado seu recurso voluntário em 09/03/2010 (fls. 963/976), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 15/09/2011. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.130 6 É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço o recurso e passo a analisá lo. A discussão encerrada no recurso voluntário se resume nos seguintes desdobramentos: (i) saber se a fundamentação do lançamento pode ser alterado pela instância a quo; e (ii) saber se a aplicação do RECOF para exportações indiretas abrange qualquer empresa comercial exportadora ou apenas aquela modalidade regida pelo DecretoLei nº 1.248 de 1972 (trading company). Registro, por oportuno, que não se questionou em momento algum o fato de o contribuinte ter exportado as mercadorias no prazo fixado no RECOF. O recurso voluntário contém preliminar de cerceamento de defesa sob o argumento de que a autoridade julgadora de 1ª instância não teria analisado a documentação que o contribuinte forneceu para demonstrar o adimplemento do regime do RECOF durante todo o período autuado, ainda que por meio de exportação indireta realizada sem a participação de trading company. Sobre essa preliminar, entendo que não assiste razão ao contribuinte na medida em que a fundamentação da decisão recorrida demonstra ser irrelevante o fato de ter ou não havido exportação indireta sem a participação de trading company. Em outras palavras, ainda que ficasse comprovada a exportação indireta sem a participação de trading company, tal fato não mudaria o curso do julgamento. Da mesma forma, entendo que não é o caso de converter este julgamento em diligência para apurar se o contribuinte realmente realizou exportações indiretas no prazo legal do RECOF. Isso porque, conforme já mencionei anteriormente, não há neste processo quem tenha argüido a ausência de exportação dos produtos do contribuinte. A questão a ser dirimida é outra, a saber: as exportações indiretas realizadas pelo contribuinte precisariam ter a participação de trading company para que pudessem ser admitidas no RECOF? As questões que pretendo julgar nesse recurso são concernentes a matérias de direito exclusivamente, razão pela qual entendo ser desnecessária a realização de diligência para confirmar a realização da exportação indireta no prazo previsto no RECOF. O primeiro aspecto merecedor de exame mais aprofundado diz respeito à possibilidade de a instância a quo lançar mão de fundamento diverso daquele utilizado pela autoridade preparadora, com o claro intuito de “salvar” o lançamento. Pois bem, no caso concreto, a instância a quo reconheceu que a legislação do RECOF admitiu a exportação indireta como forma de adimplemento das condições para a fruição do regime, sendo certo que o fundamento do auto de infração foi o descumprimento do regime em razão da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.131 7 Sobre o assunto, o art. 146 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Com base nesse dispositivo legal, verificase que a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa não poderia manter o crédito tributário em discussão com base em fundamento diverso daquele que foi utilizado no auto de infração. No mesmo sentido, transcrevo abaixo as ementas de alguns julgamentos bastante elucidativos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. (Acórdão nº 9303001.501, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/05/2011) ......................................................................................................... ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN. Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.132 8 (Acórdão nº 930301.069, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 24/08/2010) ......................................................................................................... AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA. PENA DE PERDIMENTO, ILEGITIMIDADE DE CRITÉRIO, ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE I a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE, MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. O reconhecimento da ilegitimidade do arbitramento do valor aduaneiro para fins de aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento não autoriza que, em julgamento de 1 instância, seja adotado um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fazse necessário, assim, para apuração de unia nova base de cálculo, a lavratura de novo auto de infração, o que não é da competência das instâncias julgadoras. Afigurase incabível, portanto, o lançamento lastreado em arbitramento ilegítimo. (Acórdão nº 320200.115, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 25/05/2010) Portanto, ao reconhecer a fragilidade dos motivos que levaram a autoridade preparadora a lavrar o auto de infração que ora se discute, a instância a quo deveria ter dado provimento à impugnação e cancelado o auto de infração, não sendo lícito decotar o auto de infração apenas para manter a parte que entendeu ser devida. Esse fundamento já seria suficiente para anular a decisão recorrida, porém, sintome compelido a analisar o segundo argumento do contribuinte, qual seja a impossibilidade de excluir do RECOF as exportações indiretas sem a participação de trading company. Sobre esse segundo aspecto do recurso voluntário, entendo que a questão é mais complexa. Com efeito, a decisão recorrida adota um entendimento restritivo quanto à amplitude das exportações indiretas que se beneficiam do RECOF. Seguem abaixo trechos do voto da relatora do acórdão proferido pela instância a quo em que essa posição fica clara: O Regulamento Aduaneiro trata da trading company nos arts. 228 a 232, em seção denominada "Das Empresas Comerciais Exportadoras", que, em conjunto com a situação de exportação com saída ficta (mercadoria exportada que permanece no país ) (arts. 233 e 234), integram o capítulo intitulado "Dos incentivos fiscais na exportação". Podese verificar que os arts. 228 a 232 do decreto prestaramse a regulamentar operações envolvendo essa natureza jurídica de empresa, na medida em que as matrizes legais foram todas do Decretolei n° 1.248/1972. (...) Portanto, notase que o referido dispositivo prevê, como forma de comprovação de adimplemento do RECOF (cumprimento dos compromissos de exportação assumidos) a venda de mercadorias a empresa comercial exportadora, desde que a mesma tenha sido Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.133 9 instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. Existe na Instrução Normativa em comento uma alusão clara à aceitação de exportações indiretas, mas somente através de empresa comercial exportadora com características bastante precisas. A referência, na legislação tributária e aduaneira, a "empresa exportadora", ou "empresa comercial exportadora", sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei n° 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. Para os trechos transcritos, destaco dois aspectos, a saber: o primeiro diz respeito às matrizes legais utilizadas pelo Regulamento Aduaneiro de 2002; e o segundo diz respeito ao cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF, segundo a Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e demais instruções normativas. Quanto a esse primeiro aspecto, a instância a quo alega que o RECOF somente se aplicaria às exportações indiretas com a participação de trading companies, tendo em vista que o Regulamento Aduaneiro de 2002, na parte que trata de empresas comerciais exportadoras, referese ao DecretoLei nº 1.248 de 1972 como sua matriz legal. Por outro lado, o RECOF também está disciplinado no Regulamento Aduaneiro de 2002, sendo que os dispositivos que versam sobre o regime nada dispõem sobre as empresas comerciais exportadoras ou o referido decretolei. Com efeito, entendo que os conceitos empregados pela legislação não podem ser descontextualizados, ou seja, para efeito de fruição de incentivos fiscais na exportação, empresa comercial exportadora é aquela constituída na forma do DecretoLei nº 1.248 de 1972. Entretanto, para os fins do RECOF, empresa comercial exportadora não precisa ser necessariamente uma trading company. Pelo menos é isso o que se depreende do art. 89 do DecretoLei nº 37 de 1966, que é a matriz legal dos dispositivos do Regulamento Aduaneiro de 2002 que versam sobre esse regime. Superado esse primeiro aspecto da discussão de mérito suscitada no recurso voluntário, é importante entender o contexto do art. 6º, § 4º, II, da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, in verbis: Art. 6º (omissis) § 4º Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: (...) II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. Esse dispositivo pode ser interpretado de duas maneiras diferentes. Em uma primeira abordagem, o seguinte raciocínio poderia ser estabelecido: se para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF o estabelecimento industrial somente pode considerar as exportações indiretas com a participação de trading companies, é porque o RECOF não se aplica a outros tipos de Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.134 10 exportação indireta. Essa é a interpretação dada pela instância a quo. Aliás, essa interpretação também já foi objeto de solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região Fiscal. Confirase: Processo de Consulta nº 33/10 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 6ª. Região Fiscal Assunto: REGIMES ADUANEIROS Ementa: RECOF. COMPROMISSO DE EXPORTAR. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. A empresa beneficiária do Recof que vender produtos que industrializou com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, poderá computar os valores dessa venda para efeito de comprovação do cumprimento da obrigação de exportar, se o desembaraço da declaração de exportação dos produtos, cujo embarque tenha sido averbado ou que tenha transposto fronteira, ocorrer antes de esgotarse o prazo fixado para a permanência no Recof das mercadorias importadas utilizadas na industrialização do produto vendido. COMPROVANTE DE EXPORTAÇÃO. O documento que comprova a exportação de produto industrializado com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no Recof, vendido para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, é o emitido pelo Siscomex. DISPOSITIVOS LEGAIS: Regulamento Aduaneiro (Decreto Nº 6.759, de 2009 RA/2009), artigos 420 a 426; Instrução Normativa RFB Nº 757, de 2007, artigos 6º e 29; Instrução Normativa SRF Nº 28, de 1994, artigos 50, 51 e 66. SANDRO LUIZ DE AGUILAR Chefe (Data da Decisão: 23.03.2010 26.03.2010) 828731 A outra interpretação possível se expressa pela seguinte lógica: uma coisa é o compromisso de exportação e a sua comprovação; outra totalmente diferente é o cumprimento das condições para a extinção do regime, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004. Desse modo, a exportação indireta sem participação de trading company, desde que realizada no prazo previsto no RECOF, seria suficiente para converter em isenção a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes na importação dos insumos aplicados no processo de produção dos produtos exportados, ainda que tais operações não fossem computadas para fins de comprovação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime. Essa é a interpretação do contribuinte, que, todavia, carece de fundamentação mais detalhada. Neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o RECOF já foi analisado sob outros primas, não havendo, contudo, qualquer precedente que verse sobre os aspectos aqui enfrentados. Tomei conhecimento de um julgamento convertido em diligência no Processo nº 10830.720227/200901, que está sob a relatoria do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, integrante da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Entretanto, conforme se depreende da leitura da Resolução nº 3102000.184 (fl. 8.688), a referida diligência tem por Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.135 11 objetivo atestar a efetiva exportação das mercadorias, independentemente do veículo de exportação, vale dizer, trading company ou empresa comercial exportadora comum. Para os fins da abordagem aqui empreendida, entretanto, penso que qualquer diligência é dispensável, conforme justificado anteriormente. As questões a serem analisadas para dirimir esse desdobramento do recurso voluntário são de direito. Nesse sentido, é preciso entender se a lei que instituiu o RECOF outorga o disciplinamento do regime a normas infralegais, bem como se tais normas infralegais foram editadas em conformidade com a referida lei. Outro aspecto importante a ser analisado diz respeito à equiparação entre o RECOF e o Drawback. Analisando o RECOF como um Drawback de larga escala, penso que é relevante verificar se há no Drawback alguma restrição às exportações indiretas sem a participação de trading companies. É o que passo a fazer. Conforme já mencionado, a base legal do RECOF são os arts. 89 a 91 do DecretoLei nº 37 de 1966, que assim dispõem: Art.89 O regime de entreposto industrial permite, a empresa que importe mercadoria na conformidade dos regimes previstos no art.78, transformála, sob controle aduaneiro, em produtos destinados a exportação e, se for o caso, também ao mercado interno. Art.90 A aplicação do regime de entreposto industrial será autorizada pelo Ministro da Fazenda, observadas as seguintes condições básicas, conforme dispuser o regulamento: I prazo da concessão; II quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada no entreposto e prazo de sua utilização; III percentagem mínima da produção total a ser obrigatoriamente exportada. § 1º O regime de entreposto industrial será aplicado a título precário, podendo ser cancelado a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas legais e regulamentares. (...) § 4º Aplicamse a este capítulo, no que couber, as disposições dos Capítulos III e IV. Como se percebe, os dispositivos transcritos fazem várias referências a outras normas legais e regulamentares, demonstrando claramente a necessidade do disciplinamento do RECOF. Da mesma forma, as disposições dos Capítulos III e IV da referida lei também fazem referências reiteradas ao “regulamento”. À época dos fatos, conforme também já mencionado, vigorava o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543 de 2002, que disciplinava o RECOF em seus arts. 372 a 380. Tal regulamento outorgou à Secretaria da Receita Federal o poderdever de expedir atos normativos para a habilitação do beneficiário do regime, bem como outras normas complementares para tratar da aplicação do regime. Confirase: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.136 12 Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 1o). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei no 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. (...) Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 3o). Pareceme interessante ressaltar que tanto a lei quanto o regulamento nada dispõem sobre o tipo de exportação necessário para comprovar o atendimento ao compromisso de exportação. O disciplinamento surgiu apenas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que, em seu art. 6º, § 4º, I, restringiu as exportações indiretas àquelas realizadas por intermédio de trading companies. Não havendo, pois, qualquer base legal que sustente a restrição contida no dispositivo da referida instrução normativa, entendo que a Secretaria da Receita Federal extrapolou a competência que lhe foi outorgada diretamente pelo Regulamento Aduaneiro de 2002 e indiretamente pelo DecretoLei nº 37 de 1966. Apenas para fins de ratificação do entendimento acima, é interessante notar que a doutrina pátria faz uma comparação entre o RECOF e o Drawback, que prevê expressamente a exportação indireta como forma de aperfeiçoamento da condição imposta pelo regime para que a suspensão dos tributos se converta em isenção. O RECOF seria um Drawback de larga escala. É o que se lê no excerto abaixo transcrito: 8.1.3.5. Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) 8.1.3.5.1. Conceito O RECOF é um regime jurídico aduaneiro especial definido no artigo 2º da IN RFB 757, de 25 de julho de 2007: (...) Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.137 13 A partir do artigo transcrito, surge a inevitável comparação: o Drawback não tem as mesmas características, ou seja, suspensão dos tributos, industrialização e posterior exportação? Sim. A diferença é que o Drawback é um regime concedido no “varejo”, ou seja, concedido pelo DECEX para cada plano de exportação apresentado. Para grandes indústrias, que muito exportam, é contraproducente ter que solicitar o regime a cada plano de exportação. Para estas, o Governo brasileiro, interessado em incentivar as exportações e desburocratizar a concessão da suspensão dos tributos para as matériasprimas importadas, criou o RECOF. Este regime é, por este motivo, conhecido como um “Drawback de grandes proporções” ou “Drawback continuado”. (...) 8.1.3.5.3. Algumas Diferenças em Relação ao Drawback Além da diferença em relação à concessão – o Drawback é concedido pelo DECEX a cada plano de exportação e o RECOF, concedido pela Receita Federal para todas as importações da pessoa jurídica – este regime difere do Drawback no que tange à destinação das mercadorias. Como se pode constatar no art. 2º da IN RFB nº 757/2007, transcrito anteriormente, parte das matériasprimas poderá ser despachada para consumo, bastando que se recolham os tributos incidentes na importação. Já no Drawback, como a concessão é para um compromisso de exportação assumido pelo exportador (para justamente obter os benefícios do Drawback), ele é obrigado a exportar. Se colocar no mercado interno mercadoria que está no regime de Drawback, serão cobrados os tributos acrescidos de multa e juros, como vimos no tópico 8.1.3.3.3. Uma outra diferença entre os regimes é acerca da cobertura cambial. No Drawback, vimos que existe uma operação especial conhecida como “Drawback sem Cobertura Cambial”, ou seja, o Drawback é concedido para mercadorias com cobertura cambial, somente sendo permitida uma exceção. Em relação ao RECOF, o art. 3º da IN nº 757/2007 expressamente permite importações com ou sem cobertura cambial. De acordo com o art. 22 da IN RFB nº 757/2007, “as importações ao amparo do regime promovidas por pessoa jurídica habilitada estarão sujeitas ao tratamento de Linha Azul...”, ou seja, o despacho sofrerá o rito acelerado estudado no tópico 5.3.2. No Drawback, não existe esta facilitação. No Drawback, qualquer mercadoria que se destine a industrialização é passível de obtenção do regime. Mas, no RECOF, a IN SRF (sic) nº 757/2007 relaciona as espécies de bens que podem ser importadas. São bens da indústria aeronáutica, automotiva, de informática ou de telecomunicações e de semicondutores e de componentes de alta tecnologia para eletrônica, informática ou telecomunicações. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.138 14 (LUZ, Rodrigo. Comércio internacional e legislação aduaneira: teoria e questões. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, PP.300/302) A partir da leitura dessa citação, depreendese que a exportação indireta não é apontada como uma das distinções entre o RECOF e o Drawback. Logo, se a exportação indireta é admitida no Drawback, com muito mais razão deve ser admitida no RECOF, eis que este é um regime que aproveita a grandes indústrias, que, por sua vez, ajudam a balança comercial brasileira a se manter positiva. A propósito, transcrevo abaixo como a questão da comprovação do compromisso de exportação do Drawback era tratada pela Secretaria de Comércio Exterior no período compreendido pela autuação: Portaria SECEX nº 14 de 2004 Art.133. Além das exportações realizadas diretamente por empresa beneficiária do Regime de Drawback, poderão ser consideradas, também, para fins de comprovação: I vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248, de 1972; II vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior; III vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, no caso de Drawback Intermediário, realizada por empresa industrial para: a) empresa comercial exportadora, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972; b) empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior. IV vendas, nos casos de fornecimento no mercado interno, de que tratam os incisos VIII e IX do art. 60. Ora, considerando que o RECOF foi criado para facilitar o cotidiano de estabelecimentos industriais que dependiam de inúmeros requerimentos de habilitação no regime de Drawback, não é razoável admitir a criação de uma restrição sem amparo legal, veiculada por meio de instrução normativa, quando a própria regulamentação do Drawback admite que o compromisso de exportação seja comprovado por meio de exportações indiretas realizadas sem a participação de trading companies. Apesar de estar convencido que o recurso de ofício não deve ser provido e que o recurso voluntário deve ser provido independentemente de qualquer diligência, curvome ao entendimento majoritário do colegiado no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja verificada a efetiva exportação relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, deverá ser dada vista à Recorrente para se manifestar, se assim entender necessário, no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.351 S3C2T1 Fl. 1.139 15 Após, devem ser encaminhados os autos para vista à Procuradoria da Fazenda Nacional da diligência realizada. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro – ou quem lhe fizer as vezes – para fins de julgamento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15374.906859/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a base de cálculo do mês de outubro de 2003 e se há pedido de restituição ou outra Declaração de compensação vinculado a eventual indébito apurado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 11 de maio de 2004, referente a crédito decorrente de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 06 85 9/ 20 08 -1 9 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 227 2 alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 8.425,33, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão em 30/7/2008, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando que pagara a maior a Cofins devida em outubro de 2003, tendo informado, equivocadamente, na DCTF, que o valor pago corresponderia ao valor da contribuição apurada. Segundo o então Manifestante, com o intuito de regularizar definitivamente a incongruência das informações prestadas, apresentara, em 12/8/2008, com fundamento no art. 11, § 1°, da Instrução Normativa RFB nº 786/2007, a DCTF retificadora, declaração essa que refletiria a real situação do período sob análise. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do DARF, das DCTFs original e retificadora, do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 16 de fevereiro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de março de 2012 e reiterou seu pedido de homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos, além do que já havia sido apresentado na manifestação de inconformidade, cópias de parte do Livro Diário e do Livro Razão, que, segundo ele, demonstrariam o crédito pleiteado. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 228 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento efetuado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro II/RJ por ausência de provas que pudessem infirmar a decisão impugnada. A par da decisão da Delegacia de Julgamento, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópias de parte da escrituração contábilfiscal que, de acordo com seu entendimento, seriam bastantes à comprovação do direito creditório pleiteado. Em conformidade com o art. 16 do Decreto n° 70.235/19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. A DCTF retificadora trazida aos autos por cópia pelo contribuinte no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade foi considerada pela autoridade julgadora como insuficiente à comprovação do direito reclamado, dado que desacompanhada da escrituração contábilfiscal, situação essa configuradora da preclusão, tendo em vista que a prova não fora produzida no momento processual adequado. Ao ser alertado pelo julgador de piso acerca da necessidade de comprovação dos dados declarados, o Recorrente carreia aos autos novos elementos probatórios, estes extraídos 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 229 4 de sua escrituração contábilfiscal, cuja aptidão à comprovação do indébito reclama por uma análise minuciosa dos valores e demais dados envolvidos. Contudo, antes de se adentrar à análise da documentação trazida aos autos apenas em grau de recurso, necessário se torna perquirir acerca da possibilidade de seu acolhimento em face das regras de preclusão previstas no Decreto nº 70.235, de 1972. A meu ver, a preclusão processual, associada ao princípio constitucional da celeridade processual, deve ser sopesada com outros elementos normativos, como os princípios da vedação ao enriquecimento ilícito e da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos. Nos casos da espécie ao ora analisado, em que os pedidos de ressarcimento/restituição e as declarações de compensação são analisados por meio de processamento eletrônico, a partir de cruzamento dos dados existentes nas informações até então prestadas pelo interessado, a questão da prova documental é suscitada somente na decisão de primeira instância, situação essa que faz incidir a ressalva presente na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), dado que o Recorrente está apresentando provas em contraposição às razões posteriormente trazidas aos autos pela Delegacia de Julgamento. No despacho decisório, somente os dados relativos ao pagamento efetuado e aos declarados em DCTF foram objeto de questionamento por parte da autoridade administrativa, não tendo havido, até então, qualquer referência à escrituração contábilfiscal do sujeito passivo e aos documentos que a lastreiam. Somente a partir da decisão de primeira instância a questão da prova escritural é apontada como elemento imprescindível à apreciação da matéria controvertida. Ainda que o Recorrente estivesse obrigado a demonstrar o direito alegado desde o primeiro momento de sua intervenção no processo, ele o fez com base nos elementos probatórios por ele considerados suficientes à comprovação de suas alegações, tendo havido a arguição da necessidade de apresentação da prova escritural apenas na decisão da Delegacia de Julgamento, após o que ele traz aos autos as provas reclamadas pelo julgador a quo. Como nos ensina Leandro Paulsen, Renê Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka2, o rigor da regra da preclusão no Processo Administrativo Fiscal (PAF), relativamente à juntada de documentos após a impugnação, “viola frontalmente o princípio da ampla defesa e impede que se alcance a verdade material, sob o pretexto de acelerar a tramitação do processo”, tendo relevância o art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe “que é direito do administrado a apresentação das alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, antes da decisão”. Ainda que a Lei nº 9.784, de 1999, se aplique ao PAF somente de forma subsidiária, seus dispositivos devem ser considerados e interpretados conjuntamente com as regras específicas que regem o contraditório administrativo, em busca da norma aplicável a cada caso levado à apreciação da autoridade julgadora administrativa. 2 PAULSEN, Leandro, ÁVILA, René Bergmann, SLWKA, Ingrid Schroder. Direito processual tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado e Editora, 2012, pp. 119 a 122. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 230 5 Feitas essas considerações, passase à análise dos elementos probatórios presentes nos autos, considerando que todos os anexos ao recurso voluntário foram autenticados pela repartição de origem. Consta do PER/DCOMP (fls. 2 a 6) que o contribuinte pretendia compensar crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, do período de apuração outubro de 2003, com débito de Cofins devida em novembro do mesmo ano, este no montante de R$ 8.425,33. Segundo o PER/DCOMP, a DCTF Retificadora (fl. 182), o DARF (fl. 16) e o despacho decisório (fl. 9), fora recolhido aos cofres públicos, em 14 de novembro de 2003, a título de Cofins devida em outubro de 2003, o valor de R$ 31.227,24, do que, segundo o Recorrente, exsurgira um indébito no montante de R$ 8.425,33, em valor atualizado pela Selic de R$ 8.540,76, pelo fato de que a contribuição devida no período seria de R$ 22.801,91. No livro Diário Geral (fl. 186), devidamente registrado na Junta Comercial e acompanhado dos termos de abertura e encerramento, consta, em 30/11/2003, a compensação de Cofins paga a maior de R$ 8.425,33, que corresponde ao indébito alegado pelo Recorrente. De acordo com o Razão Analítico (fl. 191), o valor pago da contribuição de outubro de 2003 foi de R$ 22.801,91, que, apesar de não coincidir com o valor constante do DARF, corresponde exatamente ao valor que o Recorrente alega ser o devido no período, constando ainda do livro Razão (fl. 196) um pagamento a maior da Cofins de outubro de 2003 no montante de R$ 8.425,33. Verificase, portanto, que a escrituração contábilfiscal vai ao encontro dos argumentos de defesa do Recorrente, coincidindo com os valores declarados na DCTF retificadora (fl. 182). Contudo, as partes dos livros contábilfiscais trazidas aos autos se referem, todas elas, à escrituração do mês de novembro de 2003, mês em que a contribuição devida em outubro fora recolhida. Dessa forma, não consta dos autos a base de cálculo da contribuição devida em outubro de 2003, o que impede que se conclua, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado, havendo necessidade de se obterem junto à pessoa jurídica informações e/ou documentos adicionais relativos à escrituração do mês de outubro de 2003. Diante do exposto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa, com base na escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica e, se necessário, nos documentos fiscais que a lastreiam, informe a este Colegiado a base de cálculo da contribuição apurada no mês de outubro de 2003, assim como o valor da contribuição devida no mesmo período, e se eventual indébito apurado no período se encontra ainda disponível para a compensação pleiteada neste processo. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.906859/200819 Resolução nº 3803000.333 S3TE03 Fl. 231 6 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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