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Numero do processo: 10830.005536/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO
Cabem embargos de declaração quando comprovado a omissão, a obscuridade e ou contradição da decisão embargada.
Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-006.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda, com efeitos infringentes, para sanar a contradição existente no sentido de se considerar a data do fato gerador para a contagem do prazo prescricional, de acordo com a Súmula CARF nº 91, com o provimento parcial do recurso do Contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO Cabem embargos de declaração quando comprovado a omissão, a obscuridade e ou contradição da decisão embargada. Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda, com efeitos infringentes, para sanar a contradição existente no sentido de se considerar a data do fato gerador para a contagem do prazo prescricional, de acordo com a Súmula CARF nº 91, com o provimento parcial do recurso do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Cuida-se de Embargos de Declaração (fls. 532 a 534) interpostos pela Fazenda Nacional contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301-005.667 (fls. 518 a 529), de 30 de janeiro de 2019, proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário (fls. 280 a 315) apresentado pelo Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 55 36 /2 00 4- 34 Fl. 556DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.941 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005536/2004-34 Cito, por bem ilustrar a matéria objeto de embargos, o relatório do Acórdão 14- 45.912: Trata o presente, de Pedido de Restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, à fl. 02, protocolizado em 30/09/2004, apresentado por meio de formulário, correspondente a pagamentos efetuados, referentes aos períodos de apuração setembro/1994 a julho/2004, no valor de R$ 1.361.131,50, com alegação de que referidos pagamentos foram efetuados indevidamente, por se tratar de entidade imune, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal - CF, combinado com o artigo 14, do Código Tributário Nacional - CTN. Referido pedido foi indeferido, pela Delegacia da Receita Federal, em Limeira, em face da decadência, ou seja, por se extinguir o direito de pleitear a restituição, após o decurso de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento, nos termos do art. 165, inciso I, combinado com o art. 168, da Lei no 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, e ainda, que não há isenção na legislação do PIS prevista para esse fato gerador, conforme Despacho Decisório, datado de 20/07/2019 (sic), doc. de fls. 192 a 193. Constam do presente processo os documentos abaixo discriminados, juntados pelo interessado, que tratam sobre personalidade jurídica da Fundação: I. Estatuto da Fundação e respectiva averbação, doc. de fls. 33 a 49; II. Certificado de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social, datado de 15/04/2004, com validade até 15/04/2005, doc. de fls. 51; III. Certidão SJDC no 149/2004, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Declaração de Utilidade Pública, referente ao exercício de 2003, doc. de fl. 52; IV. Certidão do Departamento de Justiça da Coordenação de Justiça, Títulos e Qualificação, do Ministério da Justiça, Declaração de Utilidade Pública, referente ao exercício de 2003, datada de 22/03/2004, com validade até 30/04/2005, doc. de fl. 53; V. Declaração da Contadora Sara Lazzarini, informando que o interessado não distribui e nunca distribuiu qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado, conforme determinação legal expressa no artigo 14, inciso I, do CTN, datada de 05/08/2004, doc. de fl. 54; VI. Declaração assinada por representante do interessado, informando que aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, datada de 05/08/2004, doc. de fl. 55; VII. Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário no 102, datados de 31/12/203, doc. de fls. 57 a 58. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 10/09/2009, doc. de fls. 199 a 230, composta por vários tópicos, que em síntese, alega: Fl. 557DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.941 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005536/2004-34 1 – Dos Fatos. Que tomou conhecimento do indeferimento de seu pedido de restituição, com crédito oriundo de valores recolhidos indevidamente a título da contribuição para o PIS, e sintetiza a ementa do Despacho Decisório, proferido pela Delegacia da Receita Federal, em Limeira, e não se conforma com seu conteúdo, uma vez que está imune ao recolhimento das contribuições do PIS, transcrevendo parcialmente, a decisão proferida; Que não pleiteou o reconhecimento do direito à isenção, mas sim fundamentou o seu pedido no reconhecimento ao seu direito constitucional à imunidade quanto ao recolhimento das contribuições ao PIS prevista no § 7º, do artigo 195 da CF/88, uma vez que esta contribuição é uma das espécies destinadas ao custeio da Seguridade Social, e o interessado é entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, nos termos do artigo 14 do CTN; Que houve erro do julgador “a quo” ao analisar o pedido de restituição do interessado, uma vez que fundamentou o seu pedido de reconhecimento do seu direito constitucional à imunidade, em relação à contribuição ao PIS. 2 – Do Direito. Inicialmente descreve sobre as definições de Instituições Beneficentes de Assistência Social, bem como sobre imunidade tributária, nos termos do sistema tributário constitucional; Também discorre que a Contribuição Social para o PIS está abrangida pela imunidade, e que a arrecadação do PIS é destinada, conforme regramento constitucional, à consecução de objetivos colimados pela Seguridade Social, e que a linha de entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficou pacificado que todas as contribuições sociais têm natureza tributária, e em assim sendo, a imunidade tributária concedida às instituições de Assistência Social, abrange todas as contribuições sociais, dentre elas, aquela referente ao Programa de Integração Social – PIS, em seguida reproduz texto de parecer publicado no Boletim Adcoas – Doutrina nº 06 de junho/98, por Ives Gandra da Silva Martins; Conclui que a natureza tributária das contribuições sociais, dentre elas o PIS, estão abrangidas pela imunidade esculpida no artigo 195, § 7º da Constituição Federal; Que o Decreto-Lei nº 2.445/88, foi editado com o pretexto de alterar dispositivos da Lei Complementar nº 7/70, e o referido Decreto-lei, já foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; Posteriormente a Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, determinou a apuração mensal de contribuição para o PIS, para as entidades sem fins lucrativos e ainda em seu artigo 8º, definiu a base de cálculo de um por cento sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei nº 9.715/98 repetiu a redação da Medida Provisória no 1.212/95; Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.158-33, de 28.06.2001, insistiu em exigir das sociedades filantrópicas sem fins lucrativos, o recolhimento da contribuição Fl. 558DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.941 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005536/2004-34 ao PIS, no entanto meras Leis Ordinárias ou Medidas Provisórias, não tem o condão de criar obstáculos, sob pena de flagrante ofensa ao texto constitucional; Conclui que o interessado não pode concordar com os dispositivos legais anteriormente citados, uma vez que são somente as condições previstas no artigo 14, do CTN, que as entidades beneficentes de assistência social devem obedecer, sob pena de ofensa aos artigos 195, § 7º combinado com o artigo 146, inciso II, ambos da Constituição Federal; Relata ainda, sobre a Decisão, Liminar proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, na ADIN 2028-5/DF, em 11/11/1999, suspendendo a eficácia do inciso III, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, sob o entendimento de que entidade beneficente, para fins constitucionais, é conceito abrangente, e não somente das prestadoras de assistência social, mas também das entidades beneficentes de saúde e educação; Ressalta, que o Supremo Tribunal Federal já havia firmado entendimento no sentido de que a isenção prevista na Constituição Federal é imunidade, e mesmo entendimento tem o juízo da 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas, em mandado de segurança; Quanto ao direito de o contribuinte pleitear à restituição dos tributos pagos a maior, nos últimos 10 anos, por ser lançamento por homologação, e em não havendo qualquer ato da autoridade fiscal homologatória do lançamento, razão por que a prescrição do direito de pleitear à restituição, só correrá após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais 5 (cinco) anos, contados da homologação do lançamento, denominada “tese dos cinco mais cinco”, para definição do termo inicial do prazo decadencial; Que seus créditos deverão ser restituídos com a incidência de juros com base na variação da Taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do artigo 39 da Lei nº 9.250/95. 3 – Do Pedido. Diante do exposto, requer seja recebida sua defesa, conhecida, e a ela dado provimento, reformando o Despacho Decisório, e sobre o mencionado valor, incida juros com base na variação da taxa Selic até a data da restituição, e ainda, que as futuras notificações e intimações sejam efetuadas com nome do seu advogado, Dr. João Carlos de Lima Junior, OAB/SP 142.452, com escritório à Rua Paulo Lobo, 33, Campinas/SP, CEP 13.025-210. A decisão que deu provimento ao recurso do Contribuinte, agora embargada, ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente Fl. 559DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.941 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005536/2004-34 antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 IMUNIDADE. REQUISITOS. LEI COMPLEMENTAR. ART. 14 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. FUNDAÇÃO HOSPITALAR E INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Tem direito ao benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social se atendidos os requisitos postos pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 566.622, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face ao Acórdão nº 3301-005.667 de forma tempestiva e com atendimento dos requisitos fixados na legislação, portanto, deve ser conhecido. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A admissibilidade se deu por intermédio do Despacho em Embargos pelo il. Conselheiro Winderley Morais Pereira. Alega a Fazenda Nacional a existência de contradição na decisão ora embargada. Cito trechos dos embargos: om a devida v nia, constata-se contradição no ac rdão em argado quanto aplicação da tese dos cinco mais cinco, consagrada na seara pretoriana no sentido do prazo decenal ser contado a partir do fato gerador. No caso, como o pedido foi protocolado em , o cr dito relativo aos fatos geradores ocorridos em e foram atingidos pela prescrição essalte-se que estes fatos geradores correspondem aos recolhimentos efetuados nas guias juntadas s e-fls. 133. Fl. 560DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.941 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005536/2004-34 Ocorre que o colegiado afastou a prescrição em relação a todo período pleiteado, conforme se confere no seguinte trecho do r ac rdão É perceptível, na leitura dos embargos e do voto do Acórdão 3301-005.667, a contradição existente. Assiste razão à Fazenda Nacional. Cito trechos do voto ora embargado para bem demonstrar a contradição: Quanto ao mérito, o Contribuinte trata, por primeiro, da não ocorrência da “prescrição” do seu direito, nos lançamentos por homologação, de pleitear a restituição dos tributos pagos a maior nos últimos 10 anos. Com a devida vênia ao entendimento da DRJ, assiste razão ao Contribuinte neste ponto. O STF reconheceu a aplicação da tese dos 5+5 anos (5 anos a partir da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais 5 anos contados da homologação do lançamento) para a restituição de tributos pagos indevidamente em relação aos pleitos efetuados até 09/06/2005. O Pedido de Restituição foi formulado em 30/09/2004, portanto anterior a 09/06/2005, em relação ao PIS recolhido indevidamente, no entender do Contribuinte, no período de 09/1994 a 07/2004. Portanto, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte para afastar a decadência de seu direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente, sem prejuízo da análise do mérito que será feita a seguir sobre se recolheu ou não de forma indevida a contribuição. De fato, a contradição encontra-se na aplicação da Súmula CARF nº 91, que adota o critério do fato gerador para a contagem do prazo, e a consideração no voto embargado da data do pagamento. A Súmula assim prescreve: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Considerou-se como referência a data do recolhimento e não a data do fato gerador posto pela súmula. Assim, os fatos geradores anteriores a 09/94 foram atingidos pela prescrição. Do exposto, voto por acolher os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda, com efeitos infringentes, para sanar a contradição existente no sentido de se considerar a data do fato gerador para a contagem do prazo prescricional, de acordo com a Súmula CARF nº 91, com o provimento parcial do recurso do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 561DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.941 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005536/2004-34 Fl. 562DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.906075/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 60 75 /2 01 2- 09 Fl. 110DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.713 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.906075/2012-09 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins não-cumulativa, relativo ao fato gerador de 30/06/2010. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Cientificado do despacho decisório em 18/01/2013 (fl. 21), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 22/27, alegando, em síntese, que entregou o Dacon retificador em 14/12/2011, no qual informa que o valor a pagar de Cofins não-cumulativa é menor que o recolhido anteriormente, restando saldo a compensar. O valor apontado nessa declaração não foi considerado, embora não se encontrasse em nenhuma das hipóteses excludentes de apresentação de retificação de Dacon, conforme o disposto no art. 10 da IN RBF nº 1.015/2010, ou seja, o montante retificado não estava inscrito em Dívida Ativa e nem vinha passando por procedimento fiscalizatório. Cita o art. 5º, LV, da CF/1988, e os art. 165 e 168 do CTN. Por fim, requer o acolhimento e provimento de sua defesa, para que seja reformado o despacho decisório e homologado o pedido de compensação. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/06/2010 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.713 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.906075/2012-09 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou a existência do direito líquido e certo dos créditos pleiteados, entretanto, a decisão de piso não confirmou o crédito alegado em razão da ausência de comprovação das alegações de recolhimento indevido. No caso em tela, o contribuinte alega que apresentou a retificação das informações da DACON e DCTF, segundo a decisão de piso, o Recorrente não apresentou documentação comprobatórios do pagamento indevido. A decisão de piso foi clara em sua decisão ao informar a necessidade da apresentação das informações contábeis e fiscais para comprovar o suposto erro na informação da DCTF. A apuração do PIS e da Cofins para o período de 30/06/2010, por sua vez, é consolidada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do despacho decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. Após a ciência do despacho decisório, em 14/02/2013, o contribuinte retificou o Dacon relativo ao período, informando o mesmo valor declarado na DCTF retificadora, isto é, não apurando valor a pagar de Cofins não-cumulativa. Observe-se que esse Dacon retificador somente foi apresentado em 14/02/2013, e não em 14/12/2011, como alega o contribuinte. Nesse ponto, vale ressaltar que as declarações retificadoras apresentadas após a ciência do despacho decisório não têm nenhuma força de convencimento e só podem ser aqui consideradas como argumento de defesa, e não como provas, uma vez que não se trata de procedimento espontâneo do contribuinte. No caso, a apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; faz-se mister a prova inequívoca de que houve Fl. 112DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.713 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.906075/2012-09 erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Ao apresentar o seu recurso voluntário a Recorrente limita-se a trazer informações que já foram analisadas pela decisão da primeira instância alegando que a simples apresentação da retificação das declarações seria suficiente para comprovar o seu direito creditório. Ressalte-se que a Recorrente ao apresentar o recurso voluntário já possuía a indicação clara da autoridade julgadora de primeira instância pela necessidade de apresentar as apurações contábeis para confirmar o suposto erro na DCTF e na DACON e mesmo assim, não apresentou nenhum documento contábil ou apuração das contribuições, que pudesse confirmar as suas alegações. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho exarado pela Unidade de Origem promoveu os cálculos referentes ao crédito obtido pela Recorrente em ação judicial. Os cálculos foram mantidos pela decisão de piso. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência dos erros na apuração dos créditos. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Relator 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 113DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.713 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.906075/2012-09 Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.901640/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013
PIS/COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. RETIFICAÇÃO DE DCTF. INSUFICIÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento e declaração de compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos elementos probatórios suficientes para demonstrar a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado. A mera retificação de DCTF não é suficiente para esta demonstração, a qual deve ser realizada mediante documentos fiscais e contábeis.
Numero da decisão: 3401-006.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2013 a 31/10/2013 PIS/COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. RETIFICAÇÃO DE DCTF. INSUFICIÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento e declaração de compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos elementos probatórios suficientes para demonstrar a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado. A mera retificação de DCTF não é suficiente para esta demonstração, a qual deve ser realizada mediante documentos fiscais e contábeis.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. RETIFICAÇÃO DE DCTF. INSUFICIÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento e declaração de compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos elementos probatórios suficientes para demonstrar a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado. A mera retificação de DCTF não é suficiente para esta demonstração, a qual deve ser realizada mediante documentos fiscais e contábeis. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório O presente versa sobre Declaração de Compensação para compensar crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS realizado mediante DARF com débito também de PIS/COFINS. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário pugnando pela nulidade do despacho decisório, por ter desconsiderado a transmissão da DCTF retificadora, e da decisão recorrida, por ter inovado na fundamentação ao apontar a necessidade de prova documental do direito creditório, e por violação ao Parecer Normativo COSIT/RFB nº 2, de 28/08/2015, que determina a intimação do contribuinte para realizar as retificações necessárias em caso de inconsistência entre DCTF e PER/DCOMP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 16 40 /2 01 6- 19 Fl. 839DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.777 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901640/2016-19 Sustenta que a decisão de piso deveria ter se limitado ao fundamento da inexistência de crédito, calcado em premissa fática equivocada, o que violaria o princípio da motivação, incorrendo em nulidade por preterir o direito de defesa da Recorrente. Sustenta ainda que o despacho decisório não poderia ter sido emitido antes de ser oportunizada a autorregularização, nos termos do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 2, de 28/08/2015. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência, protestando pela juntada de documentos que não pôde localizar em tempo hábil. É o relatório. Voto Conselheiro ROSALDO TREVISAN, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3401-006.749, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900042/2014-61. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401-006.749): “A Recorrente pretende ver anulada decisão administrativa que manteve Despacho Decisório de não homologação de compensação, sob o argumento de ter transmitido DCTF retificadora desconsiderada por ocasião do processamento da DCOMP. Alega que a DRJ não poderia ter fundamentado sua decisão denegatória na carência de provas da existência do crédito empregado na compensação, por inovar e exorbitar os limites da fundamentação do despacho original. Na hipótese, deve incidir o previsto no §1° do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifo nosso) Em suas alegações, olvida-se a Recorrente de que a jurisprudência deste E. Conselho, calcada no transcrito §1° do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), é pacífica no sentido de que a retificação de DCTF, desacompanhada dos documentos fiscais e contábeis correspondentes, não é suficiente para demonstração da existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. É irrelevante se as declarações retificadoras foram apresentadas antes ou após a emissão do despacho decisório que indeferiu as compensações. Fl. 840DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.777 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901640/2016-19 (Acórdão n. 9303-009.179, Rel. Cons. Andrada Márcio Canuto Natal, unânime, sessão de 16.jul.2019) (grifo nosso) Uma vez que o sujeito passivo relata ter realizado revisão das informações anteriormente prestadas ao Fisco em DCTF, ensejando a transmissão de declaração retificadora, e ante a não homologação da compensação declarada supervenientemente, não pode apenas requerer reprocessamento eletrônico da DCOMP tomando por base as novas informações prestadas, sem se desincumbir do ônus probatório que recai sobre o próprio sujeito passivo em processos de ressarcimento/compensação. Verifica-se que até a presente fase processual, nenhum documento contábil-fiscal foi juntado ao processo com o fim de comprovar os motivos da retificação da DCTF de modo a colocar minimamente em dúvida este julgador e justificar, em busca da verdade material, a baixa do processo para verificação pela autoridade preparadora, com eventual consideração do crédito constante da DCTF retificadora. Na peça recursal, resume-se a Recorrente a protestar pela juntada posterior de documentos que “não conseguiu localizar em tempo hábil”. Em verdade, o pedido de conversão do feito em diligência, tal como se encontram instruídos os autos, pretende apenas transferir à Administração Tributária o ônus de perscrutar a existência, a certeza e a liquidez do crédito, quando tal demonstração incumbe desde sempre ao postulante do direito creditório. Repisa-se: a retificação da DCTF não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações efetuadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403-002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403-003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime - em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403-003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime - em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403-002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime - em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403-002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes - em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401-004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) Fl. 841DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.777 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901640/2016-19 “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401-004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401-005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Tratando-se de discussão de direito creditório, em que o ônus probatório cabe ao postulante, não se pode vislumbrar o cerceamento de direito de defesa da Recorrente, quando esta não logrou comprovar a existência do crédito empregado na DCOMP sob análise, constante de DCTF retificadora desacompanhada de elementos que comprovem o erro incorrido na declaração original. É de se rejeitar, portanto, as alegações de nulidade veiculadas pela Recorrente. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Fl. 842DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003269/2004-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
Constatada a contradição existente entre o dispositivo do julgado e o voto da Relatora, mostra-se pertinente o acolhimento dos embargos para sanear o acórdão de recurso especial, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 9202-008.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 007.381, de 28/11/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento".
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardoso- Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Constatada a contradição existente entre o dispositivo do julgado e o voto da Relatora, mostrase pertinente o acolhimento dos embargos para sanear o acórdão de recurso especial, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 007.381, de 28/11/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em darlhe provimento". (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 69 /2 00 4- 96 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão de Recurso Especial n.º 9202007.381, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em 28 de novembro de 2018, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 187: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO TRABALHISTA. REENBOLSO DE DESPESAS DE VEÍCULOS. São tributáveis as verbas recebidas em ação judicial resultantes de acordo, quando não demonstrada que encontramse dentro das previsões de não incidência de Imposto de renda. Os mencionados Embargos, fl. 198, foram admitidos, por meio do Despacho de fls. 201 a 202, considerando a contradição do julgado. Aduz o embargante que o acórdão embargado foi contraditório no tocante ao dispositivo, pois constou a expressão “negar provimento”, mas, pela fundamentação e conclusão do voto, o correto seria “dar provimento”. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, foram opostos embargos de declaração pela Fazenda com o propósito de sanar a contradição contida no Acórdão proferido por essa Turma, em razão do equívoco do dispositivo do julgado. Compulsandose os autos, verificase que assiste razão à Embargante, tendo em vista que, enquanto na parte dispositiva do acórdão consta a decisão de negar provimento ao Recurso Especial, a conclusão do voto é em sentido contrário. A fundamentação constante do voto da Relatora, bem como a sua conclusão são no sentido do provimento do recurso, conforme posicionamento que vem sendo adotado pelo Colegiado acerca do tema, consoante os fundamentos abaixo: Do Mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de IRPF sobre visa rediscutir a seguinte matéria: “não incidência de IRPF sobre os valores recebidos a títulos de reembolso de despesas com veículos.” Alega desvinculação do fisco à compreensão do caráter indenizatório definido em sentença trabalhista e impossibilidade de criação de isenções ao IRPF não previstas em lei. Segundo o recorrente buscase afastar a natureza indenizatória da verba defendida pelo acórdão recorrido. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11516.003269/200496 Acórdão n.º 9202008.232 CSRFT2 Fl. 3 3 No que se refere à legislação que rege o tema, o Decreto nº 3000, 26/03/1999 (RIR), em seus art. 37 e 38, estabeleceu o conceito de renda de forma ampla, existindo a importante ressalva, para o exame dos casos, de que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando, para a incidência do imposto, a sua percepção por qualquer forma e a qualquer titulo. Senão vejamos os dispositivos: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário No tocante à isenção, o comando no art. 111 do CTN (CTN, diz que estas devem ser interpretadas de maneira literal. Nesse sentido, no art. 39 do RIR/1999, encontramse relacionados e especificados todos os rendimentos que estão abarcados por este beneficio. Assim, somente estariam amparados pela isenção as verbas listadas no art. 39 do RIR. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Ajuda de Custo I a ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX); Alienação de Bens de Pequeno Valor II o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a vinte mil reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 22); Alienação do Único Imóvel III o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos Fl. 206DF CARF MF 4 e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 23); Alimentação, Transporte e Uniformes IV a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso I); Auxílio alimentação e Auxílio transporte em Pecúnia a Servidor Público Federal Civil V o auxílio alimentação e o auxílio transporte pago em pecúnia aos servidores públicos federais ativos da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional (Lei n º 8.460, de 17 de setembro de 1992, art. 22 e §§ 1º e 3º, alínea "b", e Lei n º 9.527, de 1997, art. 3º, e Medida Provisória nº 1.7833, de 11 de março de 1999, art.1º, § 2º). Benefícios Percebidos por Deficientes Mentais VI os valores recebidos por deficiente mental a título de pensão, pecúlio, montepio e auxílio, quando decorrentes de prestações do regime de previdência social ou de entidades de previdência privada (Lei n º 8.687, de 20 de julho de 1993, art.1 º) Bolsas de Estudo VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26); Cadernetas de Poupança VIII os rendimentos auferidos em contas de depósitos de poupança (Lei nº 8.981, de 1995, art. 68, inciso III); Cessão Gratuita de Imóvel IX o valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso III) Contribuições Empresariais para o PAIT X as contribuições empresariais ao Plano de Poupança e Investimento PAIT (DecretoLei n º 2.292, de 21 de novembro de 1986, art. 12, inciso III, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso X); Contribuições Patronais para Programa de Previdência Privada XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VIII); Contribuições Patronais para o Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual XII as contribuições pagas pelos empregadores relativas ao Plano de Incentivo à Aposentadoria Programada Individual FAPI, destinadas a seus empregados e administradores, a que se refere a Lei n º 9.477, de 24 de julho de 1997 ; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11516.003269/200496 Acórdão n.º 9202008.232 CSRFT2 Fl. 4 5 Diárias XIII as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, inclusive no exterior (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso II); Dividendos do FND XIV o dividendo anual mínimo decorrente de quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei n º 2.288, de 23 de julho de 1986, art. 5 º, e DecretoLei n º 2.383, de 17 de dezembro de 1987, art. 1 º); Doações e Heranças XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVI, e Lei n º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Indenização Decorrente de Acidente XVI a indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte, ou por bem material danificado ou destruído, em decorrência de acidente, até o limite fixado em condenação judicial, exceto no caso de pagamento de prestações continuadas; Indenização por Acidente de Trabalho XVII a indenização por acidente de trabalho (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso IV); Indenização por Danos Patrimoniais XVIII a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 70, § 5 º); Indenização por Desligamento Voluntário de Servidores Públicos Civis XIX o pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (Lei n º 9.468, de 10 de julho de 1997, art. 14); Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei n º 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Indenização Reforma Agrária XXI a indenização em virtude de desapropriação para fins de reforma agrária, quando auferida pelo desapropriado (Lei Indenização Relativa a Objeto Segurado XXII a indenização recebida por liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativo ao objeto segurado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único); Indenização Reparatória a Desaparecidos Políticos XXIII a indenização a título reparatório, de que trata o art. 11 da Lei n º Fl. 208DF CARF MF 6 9.140, de 5 de dezembro de 1995, paga a seus beneficiários diretos; Indenização de Transporte a Servidor Público da União XXIV a indenização de transporte a servidor público da União que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos por força das atribuições próprias do cargo (Lei n º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 60, Lei n º 8.852, de 7 de fevereiro de 1994, art. 1 º, inciso III, alínea "b", e Lei n º 9.003, de 16 de março de 1995, art. 7 º); Letras Hipotecárias XXV os juros produzidos pelas letras hipotecárias (Lei n º 8.981, de 1995, art. 68, inciso III); Lucros e Dividendos Distribuídos XXVI os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados no anocalendário de 1993, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, a pessoas físicas residentes ou domiciliadas no País (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); XXVII os lucros efetivamente recebidos pelos sócios, ou pelo titular de empresa individual, até o montante do lucro presumido, diminuído do imposto de renda da pessoa jurídica sobre ele incidente, proporcional à sua participação no capital social, ou no resultado, se houver previsão contratual, apurados nos anos calendário de 1993 e 1994 (Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 20); XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 46); XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10); Pecúlio do Instituto Nacional do Seguro Social INSS XXX o pecúlio recebido pelos aposentados que tenham voltado a trabalhar até 15 de abril de 1994, em atividade sujeita ao regime previdenciário, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS ao segurado ou a seus dependentes, após a sua morte, nos termos do art. 1 º da Lei n º 6.243, de 24 de setembro de 1975 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XI, Lei n º 8.213, de 24 de julho de 1991, art. 81, inciso II, e Lei n º 8.870, de 15 de abril de 1994, art. 29); Pensionistas com Doença Grave XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei n º 8.541, de 1992, art. 47); PIS e PASEP XXXII o montante dos depósitos, juros, correção monetária e quotaspartes creditados em contas individuais pelo Programa de Integração Social PIS e pelo Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VI); Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11516.003269/200496 Acórdão n.º 9202008.232 CSRFT2 Fl. 5 7 Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Proventos e Pensões de Maiores de 65 Anos XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma Ou seja, para determinada verba não sofrer tributação do IRPF, seria preciso que estivesse listada dentre uma das hipóteses de isenção ou não estar amparada pelo conceito de renda, ou seja, estar comprovada sua natureza compensatória. No caso em questão, houve um acordo trabalhista onde as partes estabeleceram o valor que o empregador devia ao empregado e definiram que as verbas teriam natureza indenizatória, como o caso do reembolso de veículos. Entendo não existir previsão legal estabeleceu a sua não inclusão na base de calculo do IRPF. Também não há nos autos elementos de convicção tendentes a comprovar que esses valores de fato não objetivaram remunerar o empregado, demonstrando tratarse de verba com cunho eminentemente indenizatório. A mera denominação, ainda mais advinda de acordo, não e suficiente para afastar o incidência de IRPF. Nesse contexto, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 007.381, de 28/11/2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em darlhe provimento". (assinado digitalmente). Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 210DF CARF MF 8 Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009300/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação.
VALOR DA TERRA NUA. PROVA.
O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
A multa de oficio e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei.
Numero da decisão: 2402-007.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de oficio e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 93 00 /2 00 9- 68 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10980.009300/200968 Acórdão n.º 2402007.645 S2C4T2 Fl. 229 2 Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso de voluntário (fls 184), interposto contra decisão da autoridade julgadora de primeiro grau que considerou improcedente impugnação apresentada pela contribuinte quanto à lançamento de Imposto de Territorial Rural, no valor de R$ 8.702, 63 (acrescidos de juros e multa de ofício), incidente sobre a diferença de valor da terra nua informada nas respectivas declarações anuais do tributo DITR (ref. imóvel rural denominado Colônia Jacarandá, NIRF 35096810, localizado no município de ParanaguáPR) dos exercícios de 2005 e 2006, em relação ao arbitrado pela autoridade fiscal. Consta da decisão recorrida (fls 171) o seguinte resumo dos fatos verificados até aquele momento processual: Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de oficio decorre da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural DITR em relação aos seguintes fatos tributários: Valor da Terra Nua VTN: regularmente intimado a comprovar o VTN declarado, o contribuinte apresentou laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, mas a autoridade fiscal o rejeitou como elemento de prova por ter constatado que o referido documento foi elaborado em desacordo com a NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, nos termos dos fundamentos expostos no relatório fiscal. Em razão disso, com base no art. 14 da Lei 9.393/96, o valor declarado pelo sujeito passivo os exercícios 2005 e 2006 foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, para o município de Paranaguá, conforme informado pela Secretaria Estadual de Agricultura do Estado do Paraná. Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros moratórios e multa de ofício. O sujeito passivo foi cientificado por aviso de recebimento postal em 22/10/2009, conforme consta da f. 159. Impugnação Em 23/11/2009 a interessada, por meio de seus representantes legais qualificados nos autos, apresentou impugnação, f. 131143, e, após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Alega que o laudo técnico de avaliação apresentado em atendimento à intimação fiscal é prova eficaz do valor da terra nua do imóvel porque foi emitido por profissional habilitado e foi elaborado de acordo com as especificações da ABNTAssociação Brasileira de Normas Técnicas, com grau de fundamentação e Precisão II. A desconsideração do laudo baseouse no fato de a engenheira avaliadora ter eleito como elemento amostral a avaliação judicial de determinado imóvel Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10980.009300/200968 Acórdão n.º 2402007.645 S2C4T2 Fl. 230 3 realizada pela justiça estadual em detrimento da avaliação realizada pela justiça federal, relativa ao mesmo imóvel. Entende que não é motivo para desconsideração do laudo o fato de a engenheira avaliadora ter deixado de incluir um dos elementos amostrais coletados porque a escolha da unidade da amostra ou do elemento da amostra que será utilizada é prerrogativa do avaliador, visando à precisão do laudo. De qualquer modo, não poderia, o mesmo imóvel ser utilizado com dois valores distintos, motivo pelo qual foi escolhida a avaliação que apresentava maior higidez, cujo critério não prejudicou o resultado da avaliação. Demonstra em sua peça, nos quadros II, III, IV e V que a adoção da avaliação judicial realizada pela justiça federal ocasionaria um resultado muito distorcido em relação aos valores máximo e mínimo, o que descaracterizaria o grau de fundamentação e precisão do laudo técnico. Argumenta, por fim, que no cálculo do VTN a Receita Federal deve levar em consideração que a área do imóvel destinada a reflorestamento, de 1.708 hectares, é considerada área de mata atlântica e a União impede o seu uso, impondo ao contribuinte o ônus da proteção dessa área florestal. Com base no exposto requer a nulidade do lançamento ou a revisão do valor lançado, seja pela adoção dos valores consignados no laudo técnico de avaliação, pela manutenção dos valores declarados ou pela redução do valor arbitrado considerando a proibição pelo 1BAMA do uso da área. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e o afastamento dos juros e da multa. Ao analisar o caso (fls 171), a autoridade julgadora decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito lançando, nos termos das seguintes ementas: VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de oficio e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Irresignado, a contribuinte apresentou recurso voluntário reafirmando as alegações da impugnação (em especial quanto à correção dos laudo de avaliação apresentado), para requerer, ao final, o cancelamento do auto de infração ou ao menos o afastamento da multa de ofício e dos juros aplicados, em razão de seus efeitos confiscatórios. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10980.009300/200968 Acórdão n.º 2402007.645 S2C4T2 Fl. 231 4 Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido, exceto quanto à alegação do efeito confiscatório da multa de ofício e dos juros aplicados, por falta de prequestionamento dessas matérias na impugnação. Da alegações do contribuinte Tratase de recurso meramente procrastinatório, por meio do qual a contribuinte apenas reafirma as razões já analisadas e superadas pela autoridade de piso, sem apresentar qualquer informação ou documento capaz de alterar o resultado daquele julgado. Assim, por concordar do entendimento adotado na decisão recorrida, com fulcro no art. 57, §3º, colacionase o seguinte trecho do acórdão de primeiro grau, tratando da matéria: Prova do Valor da Terra Nua O sujeito passivo insurgese contra o valor da terra nua arbitrado alegando, em primeiro lugar, que não há motivo para rejeitar o laudo técnico de avaliação do imóvel juntado aos autos. No caso deste argumento não prevalecer, entende que, para fins de arbitramento, a área destinada a reflorestamento deve ter a menor avaliação porque seu uso não é permitido pela legislação que protege a mata atlântica. Embora a impugnante trate a rejeição do laudo técnico pela autoridade fiscal como vício de procedimento fiscal, tratase, na verdade, de valoração probatória e não de vício processual, motivo pelo qual a questão é aqui tratada como mérito. No relatório fiscal ficou consignado que os laudos técnicos apresentados pelo impugnante, a fim de comprovar o valor da terra nua do imóvel, na fase de revisão da DITR, foram rejeitados como prova, com base nos seguintes fundamentos: No que se refere aos elementos utilizados na avaliação, verificase que no item 6.3 consta a informação de que em pesquisa sobre o preço do valor de terra nua foram encontrados dois laudos de avaliação judicial, entretanto na discriminação constante do Quadro VIII só é relacionada uma avaliação judicial. Na tabela 7.2, referente aos elementos de pesquisa disponíveis na região (laudo de avaliação para o exercido 2006), constam 14 elementos, sendo dois laudos judiciais, em concordância com as informações apresentadas no item 6.3, entretanto, nas tabelas seguintes, constatase a exclusão de um dos elementos. Além do exposto, no Anexo I do laudo, no item relativo à pesquisa de mercado, constam dois laudos de avaliação elaborados no ano de 2004, pela Justiça Federal e pela Justiça Estadual, tratando, em principio, de avaliação efetuada sobre o mesmo imóvel rural (matrícula n° 48.963 no CRI Paranaguá). Diante do exposto, constatase que a avaliação efetuada pela Justiça Federal foi excluída da relação de elementos utilizados na apuração, sem que fossem apresentadas quaisquer justificativas formais para tal procedimento. Considerando tais inconsistências, o Laudo de Avaliação apresentado foi Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10980.009300/200968 Acórdão n.º 2402007.645 S2C4T2 Fl. 232 5 desconsiderado para fins de comprovação do valor da terra nua originalmente declarado pelo contribuinte, (auto de infração, sicf 124125). O valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo deve ser comprovado mediante apresentação de laudo técnico de avaliação da terra nua revestido de rigor científico suficiente para formar a convicção da autoridade tributária, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, notadamente o disposto no item 9.2.3.5, abaixo: 9.2.3.5 É obrigatório nos graus II e III o seguinte: a) a apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados; b) no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados; c) a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem; d) que, no caso da utilização de fatores de homogeneização, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para o conjunto de fatores esteja compreendido entre 0,80 e 1,20. Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, contemporâneos à data do fato gerador do ITR. Os laudos técnicos apresentados contemplam treze elementos amostrais, sendo que doze deles foram extraídos da tabela da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná SEAB, cujos dados não representam transações imobiliárias de imóveis determinados, mas sim, a avaliação da média dos imóveis rurais da municipalidade. Embora conste do item cinco dos laudos apresentados que eles foram elaborados com base no método comparativo direto de dados de mercado, o fato é que a adoção das tabelas SEAB é incompatível com este método pelos motivos expostos no parágrafo anterior. Ademais, os laudos técnicos adotaram os dados da tabela SEAB não apenas para o município de localização do imóvel, incluindo os dados dos Municípios de Matinhos e Pontal do Paraná, cuja avaliação, em média, é inferior a dos imóveis do Município de Paranaguá (Quadro VII, f. 66 e 82). Sobre os dados da tabela SEAB também foram aplicados fatores de homogeneização, concernentes à capacidade de uso, localização e dimensão de área (Quadro XIII, f. 68 e 84), que só seriam possíveis em face de imóveis individualizados e determinados, o que não é o caso dos dados da tabela SEAB. Em suma, restou evidente que os laudos técnicos apresentados deixaram de adotar no mínimo cinco elementos de mercado, o que não lhes permitem atingir o grau de fundamentação II, nos termos do item 9.2.3.5 da norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, acima transcrito. O grau de fundamentação é um parâmetro objetivo estabelecido pela Norma para dimensionar, em sua maior parte, os recursos empregados na Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10980.009300/200968 Acórdão n.º 2402007.645 S2C4T2 Fl. 233 6 elaboração do laudo, que, em tese, estão ao alcance de todos os profissionais habilitados ao exercício da profissão, No sopesamento entre as provas, o laudo técnico de avaliação com grau de fundamentação inferior a II dispõe de menor poder de convencimento para a autoridade julgadora, de molde que pende a balança pela manutenção do critério legal, qual seja, os preços previamente catalogados pela Receita Federal. Diante da confirmação da ineficácia probatória dos laudos técnicos debatidos, fica superada a controvérsia relativa ao valor do imóvel que representa a amostra n° 13. Conforme consta do relatório fiscal, o critério adotado para a aferição do VTN teve por base os valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura no Sistema de Preços de Terras SIPT para o Município de ParanaguáPR, conforme telas juntadas às f. 4952 dos autos, levandose em consideração a aptidão agrícola do imóvel, conforme a seguir: (...) o valor adotado para fins de notificação foi de RS 680,00/hectare no exercício 2005 e R$ 800,00/hectare no exercício 2006, para as áreas não tributáveis declaradas (valor para terras mistas inaproveitáveis) e de RS 1.300,OO/hectare no exercício 2005 e de R$ 1.600,00/hectare no exercício 2006 (valor para terras mistas não mecanizáveis) para as demais áreas declaradas. No lançamento fiscal, o critério de apuração do valor da terra nua do imóvel levou em consideração a aptidão agrícola das suas terras, em consonância com a destinação da área informada nas Declarações do ITR dos exercícios 2005 e 2006, segundo as quais, da área total de 2.014,1 hectare, 1.708,0 hectares são utilizados para reflorestamento, o que, aliás, é confirmado pelos laudos técnicos juntados aos autos. Não há provas contrárias a essas evidências, apesar de a impugnante afirmar que a área não é utilizada por causa da legislação que protege o bioma mata atlântica. Essa realidade, caso existisse, deveria constar, no mínimo, de laudo técnico e de Ato Declaratório Ambiental. De qualquer modo, ressaltase que o VTN arbitrado é inferior à média das declarações dos demais contribuintes, que no exercício 2005 foi R$ 3.424,13/hectare e no exercício 2006 foi R$ 3.167,86/hectare (f. 50 e 52). Portanto, não é possível deferir o pedido da empresa interessada no sentido de se considerar toda a área do imóvel como área inaproveitável, para fins de apuração do VTN com base no SIPT. Em síntese, não há prova eficaz do valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deve ser mantida a avaliação fiscal realizada com base no art. 14 da Lei 9.393/96. Multa de Oficio e Juros de Mora A multa de ofício está fundamentada no art. 44 inc. I da Lei 9.430/96, de incidência obrigatória diante da constatação de inexatidão das Declarações de 1TR dos exercícios 2005 e 2006, conforme já discorrido neste voto. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10980.009300/200968 Acórdão n.º 2402007.645 S2C4T2 Fl. 234 7 A remissão da multa de oficio, como instituto que dispensa o pagamento do tributo devido, podendo abranger o crédito relativo a tributo, à multa ou a tributo e multa, só pode ser concedida mediante lei específica, nos termos do art. 156. ÍV e art. 172, ambos do CTN, inexistindo lei neste sentido, aplicável ao caso. Quanto aos juros, a Lei n.° 9430/1996 prevê em seu artigo 61, § 3o, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, sendo certo que está acobertado pela legalidade, o lançamento fiscal que exige juros calculados com base na taxa Selic, contados desde a data do vencimento do tributo não pago pela contribuinte. Conclusão O auto de infração impugnado foi lavrado em conformidade com a legislação aplicável à matéria e com os fatos apurados durante o procedimento fiscal, e não foram apresentadas provas da ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fiscal, nem razões de direito que implicassem em modificação do lançamento, inexistindo fundamento fático ou jurídico justificante a exonerar total ou parcialmente o crédito tributário lançado e seus consectarios. Esclarecese que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário é efeito ex legis, que decorre da apresentação tempestiva de impugnação pelo sujeito passivo, não cabendo manifestação da autoridade administrativa sobre a questão. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904327/2012-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Exercício: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. A apresentação de documentação nova nos autos, em razão da verdade material, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado
Numero da decisão: 1003-000.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta Informes de Rendimentos, balancete Cosif, DIPJ 2009 Ficha 17, lista de retenções de CS na fonte, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. A apresentação de documentação nova nos autos, em razão da verdade material, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta Informes de Rendimentos, balancete Cosif, DIPJ 2009 – Ficha 17, lista de retenções de CS na fonte, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 27 /2 01 2- 51 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 10-49.330, de 20 de março de 2014, da 1ª Turma da DRJ/POA, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, reconhecendo parte do direito creditório pleiteado. Por economia processual, para evitar repetições e por entender suficientes as informações contidas no Relatório do acórdão da DRJ, transcrevo-o abaixo: A contribuinte apresentou Per/Dcomp com vistas a compensar débitos utilizando crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, código de receita 6758 (CSLL – Entidades Financeiras – Declaração de Ajuste). Segundo aponta, o pagamento por ele efetuado em 31 de março de 2008 no valor de R$ 4.871.432,36, do qual R$ 4.782.478,27 refere-se à CSLL, foi excessivo em relação ao valor efetivamente devido. Confira-se a informação colhida nos sistemas informatizados do Fisco a respeito do referido pagamento: A autoridade administrativa não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte em função da utilização integral do pagamento para a quitação de débito do interessado. O despacho decisório consta da folha 48 dos autos, tendo sido emitido em 4 de setembro de 2012 e cientificado ao sujeito passivo em janeiro de 2013 (fl. 51). Inconformado com o teor da decisão administrativa, o contribuinte apresentou sua reclamação (fls. 2 a 6). Sustenta a existência do crédito em função do recolhimento excessivo da CSLL diante da dívida apontada na declaração de rendimentos (DIPJ). Na referida declaração foi apontada dívida de CSLL no montante de R$ 4.758..499,36 (fl. 4). Ocorre, entretanto, que os débitos dos contribuintes são confessados ao Fisco por via da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Relativamente ao débito ora em análise o contribuinte apresentou 3 DCTF. Confira-se: Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 Relevante verificar os termos das declarações original e retificadora (última), que apontam os seguintes elementos a respeito da CSLL devida: Original – entregue em 22 de maio de 2009 Retificadora – entregue em 25 de setembro de 2012 Consoante se verifica, a dívida confessada de CSLL é de R$ 4.770.174,87, diferente e maior do que a dívida informada anteriormente por via da declaração de rendimentos. Os sistemas informatizados do Fisco ligam o pagamento efetuado pelo contribuinte com a confissão por ele oferecida. Confira-se: Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 A declaração de rendimentos do contribuinte foi apresentada no dia 14 de outubro de 2009. Essa declaração indica a dívida alegada pelo interessado, mas é anterior à informação da DCTF. Confira-se: A 1ª Turma da DRJ/POA julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 12.532,24, homologando a compensação até esse limite, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008 Restituição de recolhimento efetuado em excesso. Fl. 131DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 Comprovado o pagamento excessivo, cabível a restituição. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A contribuinte foi intimada do acórdão proferido pela DRJ por decurso de prazo no dia 18/04/2014 (e-fls. 69) e, irresignada com a decisão, apresentou Recurso voluntário (e-fls. 70) aos 07/05/2014, defendendo, em síntese: (i) A Recorrente apurou, em de 2008, lucro líquido de R$ 47.181.624,48, conforme Ficha 17 da DIPJ e no Livro de Apuração da base de Cálculo da Contribuição Social (LACS) ; (ii) Informa que, em dezembro de 2008, apesar de ter apurado o valor de CSLL no montante de R$ 4.758.499,36, efetuou, por equívoco, o recolhimento de DARF no valor de R$ 4.871.432,36, o que resultou num pagamento a maior no importe de R$ 23.978,91; (iii) Defende que, embora a autoridade administrativa tenha constatado na DCTF Retificadora da Recorrente um saldo de CSLL diferente daquele informado na DIPJ, e que o valor correto a ser considerado é o de R$ 4.758.499,36 constante na DIPJ; (iv) O erro na informação do valor do débito na DCTF ocorreu porque a Recorrente teria deixado de considerar na retificação da DCTF o valor relativo à dedução da CSLL retida na fonte, no valor de R$ 11.675,51. A Recorrente recebeu das fontes retentoras os Informes de Rendimentos do Ano Calendário 2008, dos quais constou a retenção de CSLL no valor de R$ 15.675,51, incidentes sobre um total de rendimentos no valor de R$ 1.546.356,46. Atesta que esses valores constam nos balancetes apresentados pela Recorrente, registrado na conta COSIF; (v) Declara que o equívoco na DCTF, que deixou de informar parcela dedutível no pagamento do tributo, não possui o condão de afastar a veracidade das informações em relação à existência do crédito, visto que a verdade material deve prevalecer no processo administrativo; (vi) Por fim, requereu a procedência do recurso voluntário e o reconhecimento do direito creditório na sua integralidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou Per/Dcomp nº 33989.59739.170910.1.3.04-4576, em de crédito originado de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 24.424,92. Fl. 132DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 Recolhido através de DARF, código de receita 6758, no valor de R$ 4.782.478,27, período de apuração 31/12/2008, data da arrecadação 31/03/2009. A DRF emitiu Despacho Decisório não homologando as compensações porque, a partir das características do DARF, foram encontrados um ou mais pagamentos para quitar débitos do contribuinte, não restando créditos disponível para ser utilizado na compensação. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente sustenta a existência do crédito em função do recolhimento excessivo da CSLL, diante da dívida apontada na declaração de rendimentos (DIPJ). Em julgamento de primeira instância, a DRJ verificou que o valor informado na DCTF retificadora não era aquele apontado na DIPJ e, em razão do poder de confissão de débito da DCTF, considerou os valores constantes nesse documento para efetuar os cálculos do crédito, e decidiu: Consoante se verifica do relatório, diante das informações colhidas nos sistemas informatizados do Fisco, o pagamento de CSLL excessivo em relação à confissão de dívida oferecida pelo contribuinte é de R$ 12.303,40, ou seja, a diferença entre o recolhido, no montante de R$ 4.782.478,27, e o confessadamente devido, no valor de R$ 4.770.174,87. Resta excessivo, também, o recolhimento de juros no montante de R$ 228,84. Reconheço, dessa forma, o direito creditório no montante de R$ 12.532,24. Esclareço, por fim, que a declaração de rendimentos possui caráter informativo, enquanto da DCTF constitui confissão de dívida. Não bastasse isso, no caso dos autos a DCTF foi informada ao Fisco posteriormente à DIPJ. Em função desses elementos considero, para fins da presente decisão, os dados indicados na DCTF. Voto, então, por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório de R$ 12.532,24, possibilitando a homologação da compensação até esse limite. No Recurso Voluntário, a Recorrente volta a defender a existência do crédito e declara ter se equivocado no preenchimento da DCTF retificadora, pois teria deixado de considerar na retificação da DCTF o valor relativo à dedução da CSLL retida na fonte, que informa se de R$ 11.675,51. A Recorrente não informa se efetuo nova retificação da DCTF para corrigir o equívoco, contudo colacionou no recurso voluntário Informes de rendimentos, balancete e outros documentos que julga indispensáveis para sua defesa. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de Fl. 133DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A decisão da DRJ estava considerando, acertadamente, a DCTF retificadora e não a DIPJ, contudo não foi dito pela Recorrente na manifestação de inconformidade que havia erro no preenchimento da DCTF retificadora. É oportuno registrar que, desde o ano-calendário de 1999, a DIPJ tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida - a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Em razão disso, a simples apresentação da DIPJ sem os documentos contábeis e fiscais da empresa não é prova suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Embora acertado o raciocínio constante no r. acórdão, a autoridade julgadora, por outro lado, deve se orientar pelo princípio da verdade material quando da apreciação das prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defender-se plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade. Em sede de recurso voluntário, com vistas a comprovar o alegado equívoco no preenchimento da DCTF retificadora a recorrente juntou aos autos Informes de Rendimentos emitidos em conformidade com as exigências legais, balancete Cosif, DIPJ 2009 – Ficha 17, lista de retenções de CS na fonte, além dos documentos já acostados na manifestação de inconformidade. Fl. 134DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.942 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904327/2012-51 Conforme salientado acima, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, uma vez juntado aos autos elementos probatórios hábeis, acompanhados de documentos contábeis, para comprovar o direito alegado, o equívoco no preenchimento da DCTF, não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. O Parecer Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015 admite retificações da DCTF em sede de processo de análise de Per/DComp mesmo após ciência do Despacho Decisório, desde que os dados constantes em ambas as declarações sejam convergentes com os dados do PER/DComp e estejam amparadas por documentos contábeis da empresa. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para juntada de provas nesse caso específico, devendo a Receita Federal analisar as informações contidas nos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). À luz dos documentos juntados aos autos, verifica-se tratar-se de hipótese que faz jus a uma nova análise pela Unidade Local do direito creditório alegado. Por todo o exposto, voto em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente que apresenta Informes de Rendimentos, balancete Cosif, DIPJ 2009 – Ficha 17, lista de retenções de CS na fonte, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.900434/2016-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/11/2013
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não caracteriza cerceamento de defesa a emissão de despacho decisório eletrônico que traz o fundamento para a não homologação da compensação, em razão da inexistência de direito creditório.
DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não caracteriza cerceamento de defesa a emissão de despacho decisório eletrônico que traz o fundamento para a não homologação da compensação, em razão da inexistência de direito creditório. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTÊNCIA. Não caracteriza cerceamento de defesa a emissão de despacho decisório eletrônico que traz o fundamento para a não homologação da compensação, em razão da inexistência de direito creditório. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 04 34 /2 01 6- 30 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.955 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900434/2016-30 Relatório Trata o presente processo de análise de Pedido de Restituição, sendo o crédito pretendido correspondente ao PIS/COFINS. Por meio de despacho decisório eletrônico, o pedido de restituição foi indeferido vez que o pagamento indevido indicado no PER foi totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, informando a retificação da DCTF para indicar a ausência de PIS/COFINS devido no período. A defesa apresentada foi julgada improcedente por ausência de provas. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa e do princípio da motivação; (ii) a necessidade de reconhecer o crédito por se tratar de crédito relacionado à receita de exportação, cabendo o reconhecimento do crédito à luz do princípio da verdade material, anexado aos autos, novamente, a DCTF retificadora e o DACON retificadores transmitidos após a emissão do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3402-006.924, de 25 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10930.900403/2016-89. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.924): “Primeiramente, sustenta a Recorrente que teria ocorrido cerceamento ao seu direito de defesa, vez que não teriam sido esclarecidas as razões para as glosas dos créditos. Contudo, conforme se depreende do despacho decisório, as razões para a negativa do crédito são claras. O contribuinte pretendia o reconhecimento de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS Não Cumulativo com fulcro no DARF recolhido. Contudo, o valor recolhido foi integralmente utilizado para quitar o valor de PIS/COFINS Não Cumulativo devido, não remanescendo crédito passível de compensação. Ora, ao contrário do que aduz a Recorrente, desde o início do processo lhe foram disponibilizadas todas as informações quanto à glosa do crédito, não tendo sido apresentado qualquer documento ou informação que pudesse afastar esse fato. Assim, inexiste nos autos a nulidade ou o cerceamento ao direito de defesa suscitado pela Recorrente. Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.955 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900434/2016-30 Adentrando no mérito, observa-se que a Recorrente não trouxe nenhum elemento fático ou jurídico capaz de afastar a conclusão do despacho decisório. Ora, como já firmado por esta turma em distintas oportunidades, como no Acórdão n.º 3402-004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria, em se tratando de Declarações de ressarcimento e de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 1 . Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho 2 . Atentando-se para o presente caso, vislumbra-se que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no preenchimento da DCTF e do DACON do período, que supostamente teria desconsiderado a existência de crédito de PIS/COFINS não cumulativo relacionado à receita de exportação. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a empresa não acostou aos qualquer documento contábil que poderia respaldar o seu crédito e a retificação da DCTF e do DACON por ela realizada após o recebimento do despacho decisório. Com efeito, não constam dos autos os documentos contábeis que dão suporte para a retificação realizada, inexistindo qualquer elemento capaz de demonstrar que o seu crédito seria decorrente de receitas de exportação. E a ausência de documentos, com a expressa indicação da necessidade de apresentação de documentos contábeis para demonstrar seu crédito, foram bem evidenciadas pela r. decisão recorrida, que indicou: Na manifestação de inconformidade, o interessado não se esforça em demonstrar que o montante devido teria em sua composição a inclusão indevida de valores seja por erro de fato na apuração do imposto ou por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. Não é possível fazer nenhuma confrontação de dados pois o contribuinte não traz nenhum elemento a provar o direito alegado, sendo assim não cabe a autoridade tributária emissora do despacho decisório nem tão pouco a autoridade julgadora, 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III- os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014-43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401-003.096 - grifei) Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.955 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900434/2016-30 procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art.333, do Código de Processo Civil (...) Nesse contexto nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma rigorosa e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condiciona-se à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondo-se a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, pois nos termos do art. 156, inciso II, da Lei 5.172, de 25/10/1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e somente pode ser efetuada com crédito líquido e certo do contribuinte, a teor do artigo 170 do referido código (...) (e-fls. 41/42 - grifei) Contudo, no Recurso Voluntário a empresa insiste na alegação de princípio da verdade material, anexando aos autos tão somente a DCTF e o DACON retificadores transmitidos após o recebimento do despacho decisório. Não é possível sequer identificar qual o equívoco cometido pela empresa em sua apuração, inexistindo um comparativo realizado pelo sujeito passivo entre sua apuração fiscal original e retificadora, não estando evidenciado documentalmente qual a origem do crédito. Uma vez que os documentos apresentados não trazem um indício do crédito entendido como devido pelo sujeito, não trazendo uma aproximação uníssona quanto à apuração do PIS/COFINS devido no período e quanto ao crédito que seria eventualmente passível de restituição, entendo ser prescindível a realização de diligência no presente caso. Inclusive, necessária a apresentação de documentação contábil para evidenciar as retificações realizadas na documentação fiscal do sujeito passivo após o recebimento do despacho decisório, como exigido por este Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402-005.034: "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.955 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900434/2016-30 § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindo-o integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II - alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801-004.289, 3801-004.079, 3803-003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303-005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento funda-se na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.955 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900434/2016-30 A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levando-se em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratando-se de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente não evidencia com clareza a existência de crédito no presente caso. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 77DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.955 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900434/2016-30 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 11808.720026/2016-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO
Verificada omissão na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3402-006.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher dos Embargos de Declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO Verificada omissão na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher dos Embargos de Declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração da COFINS-importação, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à mercadoria admitida temporariamente para utilização econômica, com os seguintes valores: COFINS-IMPORTAÇÃO R$ 6.186.787,56 JUROS DE MORA R$ 1.323.864,64 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.715.090,68 TOTAL R$ 12.325.742,88 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 80 8. 72 00 26 /2 01 6- 74 Fl. 168DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 No Termo de Verificação Fiscal de fl.10 e ss., o AFRFB autuante esclarece que: 1. O contribuinte formalizou pedidos de deferimento de regime aduaneiro de Admissão Temporária para utilização econômica, com pagamento proporcional dos tributos, pelo período de 100 meses; 2. Os pedidos foram deferidos pela autoridade aduaneira, com início de vigência a partir do desembaraço das respectivas Declarações de Importação (DIs), quais sejam, as de n° 14/0818267-1, 14/1028006-5, 14/1209525-7 e 14/1027885-0; 3. Nos despachos que concederam as referidas autorizações está discriminada a necessidade do recolhimento dos tributos em conformidade com a proporção do tempo em que o bem for permanecer sob o regime especial; 4. No caso em tela, os bens, importados pelo contribuinte sob o regime especial de admissão temporária, classificam-se na NCM 8802.40.90. Com relação a esta posição, a Lei nº 10.865/2004, em seu art. 8 o , § 12, inciso VI, reduz a zero a alíquota das contribuições PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação; 5. Contudo, o § 21 do supracitado art. 8 o da Lei nº 10.865/2004 acrescentou à alíquota da Cofins-Importação, o valor de um ponto percentual, mesmo para os bens classificados na posição NCM 8802.40.90; 6. Destarte, a alíquota da COFINS-Importação a ser aplicada aos produtos importados classificados sob a NCM 8802.40.90 é de 1%, independentemente do que prevê o art. 8 o , § 12, inciso VI da Lei 10.865/2014; 7. Tal entendimento é corroborado pelo Parecer Normativo Cosit n° 10, de 20 de novembro de 2014; 8. A Oceain Air, nas 4 importações objetos deste Auto de Infração, solicitou o Regime de Admissão Temporária para utilização econômica pelo período de 100 meses. Considerando, então, o disposto no art. 373, §2°, do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), têm-se que a empresa deveria ter recolhido o valor integral referente ao adicional de 1% da COFINS-Importação; 9. Assim, exige-se, através do auto de infração que ora se lavra, para surtir os efeitos legais, o recolhimento dos tributos devidos conforme disposto no art. 373, §2° do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), art. 79, da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 12, da Lei 12.844/2013, além do lançamento da multa de ofício pelo não recolhimento de tributos, com fundamento no art. 725, inciso I, do RA/2009 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e §1°, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, art. 14) e dos juros de mora, com fundamento no art. 748 do RA/2009. Devidamente cientificada em 08/03/2016 – fl.45, a interessada apresentou, impugnação, alegando em resumo que: 1. No que se refere, especialmente, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidente na importação de bens e serviços em geral, desde a edição da Lei n° 10.865, de 2004, o legislador, ciente da importância estratégica do setor aeronáutico para o desenvolvimento nacional, optou por reduzir a zero a alíquota incidente nas operações com aeronaves e determinadas partes e peças vinculadas; 2. Cabe destacar que o dispositivo que prevê a desoneração - incisos VI e VII, §12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 - salvo pequenas alterações na redação original, encontra-se vigente até hoje, destacando que na importação de aeronaves classificadas na posição NCM 88.026, assim como na importação de partes e peças ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matérias-primas a serem empregados na sua Fl. 169DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e industrialização e na de seus motores, suas partes, peças, componentes, ferramentais e equipamentos, a alíquota de COFINS fica reduzida a zero; 3. Ocorre que, não obstante a desoneração completa da referida contribuição na importação de tais bens/equipamentos, recentemente, a autoridade aduaneira resolveu por lavrar o auto de infração que ora se impugna, entendendo - de maneira absolutamente equivocada - que o disposto no § 21 do artigo 8 o da Lei n° 10.865/2004 resultaria na incidência da COFINS à alíquota de 1% nas importações promovidas a partir de agosto de 2013, dentre as quais, as importações das aeronaves em referência; 4. Conforme disposto no referido auto de infração, tal entendimento atual estaria justificado pela edição - posterior a realização das importações - do Parecer Normativo COSIT nº. 10, de 20 de novembro de 2014, que modificou o entendimento até então adotado pelas autoridades aduaneiras das diversas alfândegas do país, para, equivocadamente, orientar a cobrança do adicional de 1% da COFINS em todas as importações de aeronaves, partes, peças e equipamentos, o pagamento do adicional de COFINS correspondente a 1% do valor aduaneiro do bem/equipamento para desembaraço; 5. Quando da realização das respectivas importações das aeronaves, o entendimento - totalmente adequado a legislação em vigor - que prevalecia era o de que permanecia em vigor a redução à alíquota zero do adicional de COFINS nas importações de aeronaves. Tal fato é evidenciado pela realização do desembaraço das aeronaves pela autoridade aduaneira, que, entendendo não ser devido o referido adicional, corretamente não interrompeu o despacho de importação dos bens em questão; 6. Atualmente, encontram-se reduzidas a zero as alíquotas das contribuições ao PIS e COFINS incidentes sobre a importação de aeronaves (classificação NCM 88.02) e suas partes e peças, bem como sobre a receita de venda no mercado interno dos mesmos bens e equipamentos; 7. Basta uma análise perfunctória da legislação utilizada pela contribuinte para verificar que a mesma simplesmente desconsiderou a legislação que - saliente-se, permanece plenamente em vigor – e reduz a zero a alíquota da contribuição a COFINS incidente sobre a importação de aeronaves, partes e peças; 8. Como se vê, em nenhum momento a autoridade administrativa faz menção a legislação que trata da redução a zero da alíquota da COFINS, limitando-se a proceder a cobrança do tributo citando, para tanto, a norma geral e respectiva alíquota geral da contribuição incidente sobre as operações de importação não submetidas a regramento específico.; 9. O §21, do artigo 8º. da Lei no. 10.865/2004 (redação atual) foi introduzido pela Medida Provisória nº 612, posteriormente convertida na Lei nº. 12.844/2013, e estabeleceu um adicional de um ponto percentual para as alíquotas aplicáveis quando da importação de determinados produtos; 10. Tal adicional, contudo, é inaplicável às operações de importação de aeronaves, partes e peças, sendo qualquer interpretação contrária violadora do ordenamento jurídico e princípios constitucionais em vigor, haja vista que, em suma: 11.1. O artigo 8º, §12 da Lei nº 10.865/2004 (que reduz a alíquota do PIS e da COFINS a zero) permanece plenamente em vigor, não tendo sido revogado pela norma que instituiu a cobrança do adicional da COFINS (art.8º, §21). Além disso, este dispositivo legal não fez qualquer referência à suspensão dos efeitos do favor fiscal Fl. 170DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 concedido, nem versou de qualquer forma na majoração de alíquota para os setores beneficiados com tratamento tributário incentivado; 11.2. A norma que prevê a redução a zero da alíquota da COFINS trata-se de norma especial de tributação, que afasta a regra geral que prevê a aplicação da alíquota de 7,6% de COFINS. Assim, não poderia a mesma ser derrogada por norma geral posterior, conforme preceitua o artigo 2°, §2°. da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro; 11.3. Admitir-se que a importação de aeronaves, partes e peças esteja sujeita a incidência do adicional de 1% a título de COFINS, violaria o Acordo GATT, segundo o qual deve ser dado tratamento tributário isonômico entre produto nacional e importado, haja vista encontrar-se a receita da venda, no mercado interno, de aeronaves e produtos aeronáuticos sujeitas a alíquota zero da COFINS, conforme já mencionado; 11.4. Há diversas evidências que corroboram com o argumento de que permanecem sujeitas a alíquota zero de COFINS as importações de aeronaves, dentre as quais orientação veiculada na página da Receita Federal que introduz o Manual de Despacho de Importação, que deixa claro manter-se sujeita a alíquota zero de COFINS a importação dos produtos tratados no artigo 8°, §12 da Lei 10.865/2004; 12. Nesse sentido, vem entendendo o Poder Judiciário, já tendo sido proferidas diversas decisões que afastam a cobrança do adicional da COFINS na importação de produto sujeito a alíquota zero; 13. Por todo o exposto, requer que seja provida a presente impugnação, para o fim de reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, cancelando-se integralmente a cobrança em tela. Ato contínuo, a DRJ-RIO DE JANEIRO (RJ) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014 COFINS-IMPORTAÇÃO.ADICIONAL O adicional de alíquota da Cofins-Importação estabelecido pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, deve ser aplicado na importação de produto integrante de seu campo de incidência mesmo que em relação a tal produto exista redução, parcial ou total, ou majoração da alíquota da Cofins-Importação, concedida diretamente pela norma, ou por ato infralegal, sejam as alíquotas aplicáveis ad valorem ou específicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014 JURISPRUDÊNCIA.COISA JULGADA Sentenças fazem coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua impugnação. Fl. 171DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 Na análise do recurso, esta colenda turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. Eis o conteúdo da ementa sintetizadora do entendimento da turma colegiada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2014, 29/05/2014, 27/06/2014 COFINS-IMPORTAÇÃO. ADICIONAL O adicional de alíquota da Cofins-Importação, estabelecido pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, deve ser aplicado na importação dos produtos listados nesse mesmo dispositivo que estejam submetidos às alíquotas da COFINS-Importação estabelecidas no inciso II caput ou nos parágrafos do art. 8º da Lei nº10.865/2004, ainda que esteja prevista a redução, parcial ou total, ou majoração da alíquota. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão ora embargada, a recorrente opôs embargos de declaração alegando que houve omissão no julgamento, haja vista que não foi analisada a suposta violação do art.146 do Código Tributário Nacional, que veda a aplicação a fatos geradores anteriores a modificação de critério jurídico adotado pela Autoridade Fiscal, tal como se deu no entendimento sobre a matéria constante no Parecer Normativo nº10, de 10 de novembro de 2014. Na forma regimental, o Presidente da Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, admitiu o presente recurso, determinou que o processo fosse submetido a sorteio e, em seguida, distribuído para deliberação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos por este Colegiado. Como se sabe, os embargos de declaração são o recurso que tem por finalidade aclarar ou integrar qualquer tipo de decisão que padeça dos vícios de omissão, obscuridade ou contradição. Servem ainda para lhe corrigir eventuais erros materiais. Sua função principal é sanar os vícios da decisão. Não se trata de recurso que tenha por fim reformá-la ou anulá-la, embora o acolhimento dos embargos possa eventualmente resultar na sua modificação, mas aclará-la e sanar as suas contradições, omissões ou erros materiais. No caso concreto, a Embargante aponta que no acórdão recorrido houve omissão a ser sanada por meio dos presentes aclaratórios, uma vez que foi omitido ponto relevante sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma ao não enfrentar no acórdão a violação da autuação recorrida ao artigo 146 do Código Tributário Nacional. Apresentou as seguintes argumentações para sustentar o seu pedido: 9. Assim, em todas as importações a autoridade aduaneira procedeu a análise fiscal das importações, verificando inclusive em cada DI o fundamento legal, indicado no campo Dados Complementares, para a manutenção da redução a zero da COFINS – importação, tendo desembaraçado todas as aeronaves sem qualquer exigência fiscal, Fl. 172DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 demonstrando que a interpretação do Fisco naquele momento era de que não se aplicava o adicional de 1% da COFINS às importações que faziam gozo da redução a zero do tributo, em total consonância com o entendimento da ora Embargante. 10. Ocorre que a autoridade aduaneira resolveu por lavrar o auto de infração que ora se impugna, alterando o entendimento anterior consolidado, entendendo - de maneira absolutamente equivocada – que o disposto no § 21 do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 resultaria na incidência da COFINS à alíquota de 1% nas importações promovidas a partir de agosto de 2013, dentre as quais, as importações das aeronaves em referência. 11. Conforme disposto no referido auto de infração, o entendimento que o amparava estaria justificado pela edição – POSTERIOR a realização das importações - do Parecer Normativo COSIT no. 10, de 20 de novembro de 2014, que modificou o entendimento até então adotado pelas autoridades aduaneiras das diversas alfândegas do país, para, equivocadamente, orientar a cobrança do adicional de 1% da COFINS em todas as importações de aeronaves, partes, peças e equipamentos, o pagamento do adicional de COFINS correspondente a 1% do valor aduaneiro do bem/equipamento para desembaraço. 12. A referida alteração de interpretação do dispositivo que institui o adicional de COFINS, inclusive, foi o que motivou a edição do Parecer Normativo COSIT no. 10, de 20 de novembro de 2014. É o que se depreende do relatório do PN em questão, a seguir colacionado: (...) “Relatório Cuida-se de analisar as características da incidência do adicional da alíquota da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins-Importação) instituído pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. 2. A redação remissiva do citado dispositivo e a grande quantidade de alterações em seu texto têm ocasionado divergências interpretativas acerca da norma jurídica decorrente. 3. Nesse contexto, dúvidas têm sido suscitadas e a falta de uniformidade na interpretação do preceito em referência tem gerado insegurança jurídica, tanto para os sujeitos passivos como para a Administração Tributária, impondo-se a edição de ato uniformizador acerca da matéria.” (...) Grifo Nosso 13. Nos termos do artigo 146 do CTN, a modificação introduzida nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” 14. Quando da realização das respectivas importações das aeronaves, o entendimento – totalmente adequado a legislação em vigor - que prevalecia era o de que permanecia em vigor a redução à alíquota zero do adicional de COFINS nas importações de aeronaves. Tal fato é evidenciado pela realização do desembaraço das aeronaves pela autoridade aduaneira após análise fiscal com conferência documental, Fl. 173DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 que, entendendo não ser devido o referido adicional, corretamente não interrompeu o despacho de importação dos bens em questão. 15. Conforme disposto no referido auto de infração, o entendimento que justificou a lavratura do auto de infração impugnado, estaria justificado pela edição do Parecer Normativo COSIT no. 10, de 20 de novembro de 2014, o que se deu apenas posteriormente a realização das importações em referência (realizadas nos meses de abril, maio e junho de 2014), não podendo assim, o contribuinte, ser “punido” pela alteração posterior de entendimento do Fisco, em atenção ao que dispõe o artigo 146 do CTN, sob pena, inclusive, de violar o princípio da segurança jurídica e confiança. 16. Assim, resta claro que a autuação recorrida viola o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional, não podendo a modificação da interpretação da legislação que instituiu o adicional de COFINS para os bens em referência, trazida pelo Parecer Normativo COSIT no. 10, de 20 de novembro de 2014, aplicar-se às importações a que se refere o presente auto de infração, cujos fatos geradores reportam-se a abril, maio e junho de 2014, haja vista o entendimento da autoridade aduaneira vigente à época das importações. (negritos originais) Em suma, a Recorrente pleiteia que a situação descrita se enquadre nos dispositivos dos arts. 100 e 146, do CTN, a fim de cancelar a exigência fiscal. Abaixo o conteúdo dos dispositivos citados: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III- as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (...) Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. De plano, entendo que a situação em apreço não se subsume aquela constante no inciso III do art.100, do CTN. O fato do Fisco não haver identificado anteriormente, em outros despachos, uma determinada infração praticada pelo contribuinte não pode ser interpretado como um reconhecimento tácito da validade desta conduta, e tampouco pode ser caracterizada como uma “prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas”, que lhe atribua foros de “norma complementar de lei”. Por hipótese, caso prevalecesse o entendimento esposado na tese da recorrente, como bem lembrado pelo Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira no acórdão nº 3201005.424, seria mister do Fisco manifestar-se sobre todas as condutas do contribuinte no período fiscalizado, sob pena de ser interpretar qualquer omissão como reconhecimento tácito de validade de conduta, e mais, com atributos de "prática reiterada da administração", o que seria completo absurdo. Ademais, a alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento, e não a lançamentos diversos, como citado no presente caso. Não se identifica, assim, no caso concreto mudança de critério jurídico se o órgão Fl. 174DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.803 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11808.720026/2016-74 julgador de primeira instância proferiu decisão adotando os mesmos fundamentos legais empregados pela Autoridade Lançadora. Dessa forma, reconhece-se a existência de omissão no acórdão recorrido, que não se pronunciou sobre o tema suscitado pela recorrente, e não se identifica qualquer alteração de critério jurídico da Autoridade Tributária em relação ao contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para sanar o vício de omissão apontado no acórdão nº3402-005.597, sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721110/2012-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
O conhecimento de Recurso Especial exige a comprovação de seu cabimento, seja através da similitude fática que autoriza a análise de divergência jurisprudencial, seja pelo interesse de agir, que demonstra o resultado útil do julgamento.
Não é possível verificar similitude entre o caso tratado no acórdão paradigma e o caso concreto discutido no acórdão recorrido quando existem diversos fundamentos para negativa de provimento do recurso do contribuinte. Do mesmo modo, o interesse de agir restou prejudicado pela falta de demonstração de sua utilidade prática para o sujeito passivo que elidisse a execução do crédito fiscal ou parte dele.
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9202-007.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. O conhecimento de Recurso Especial exige a comprovação de seu cabimento, seja através da similitude fática que autoriza a análise de divergência jurisprudencial, seja pelo interesse de agir, que demonstra o resultado útil do julgamento. Não é possível verificar similitude entre o caso tratado no acórdão paradigma e o caso concreto discutido no acórdão recorrido quando existem diversos fundamentos para negativa de provimento do recurso do contribuinte. Do mesmo modo, o interesse de agir restou prejudicado pela falta de demonstração de sua utilidade prática para o sujeito passivo que elidisse a execução do crédito fiscal ou parte dele. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. O conhecimento de Recurso Especial exige a comprovação de seu cabimento, seja através da similitude fática que autoriza a análise de divergência jurisprudencial, seja pelo interesse de agir, que demonstra o resultado útil do julgamento. Não é possível verificar similitude entre o caso tratado no acórdão paradigma e o caso concreto discutido no acórdão recorrido quando existem diversos fundamentos para negativa de provimento do recurso do contribuinte. Do mesmo modo, o interesse de agir restou prejudicado pela falta de demonstração de sua utilidade prática para o sujeito passivo que elidisse a execução do crédito fiscal ou parte dele. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 10 /2 01 2- 69 Fl. 1132DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte em face ao acórdão 2302003.537, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP nºs 51.014.4900, 51.014.4896 e 51.014.4888, respectivamente, nos valores de R$ 1.157.923,95; R$ 293.707,43 e de R$ 913.149,54, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, e pela apresentação da GFIP com informações incorretas ou omissas, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 53/89. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0644.787 7ª Turma da DRJ/CTA, Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 10 3 às fls. 898/920, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 845/882. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 977/1031, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para reduzir a multa de ofício a 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do artigo 44, Inciso I, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO NA FORMA DE BENEFÍCIOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais compreende o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, inclusive as parcelas pagas na forma incentivos salariais, benefícios e/ou utilidades. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. AUTOENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica Preponderante da empresa, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. É responsabilidade da empresa o autoenquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em caso de erro no auto enquadramento, adotar as medidas necessárias à sua correção. Configurase ônus da empresa a demonstração, mediante documentação idônea, do enquadramento diferenciado da atividade preponderante de cada um de seus estabelecimentos individualmente considerados. AIOP. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 1134DF CARF MF 4 O percentual de multa de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 será duplicado nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos; para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91 bem como para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei nº 9.430/96. AIOP. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A legislação estabelece que os percentuais de multa em lançamento de ofício serão aumentados em 50% nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91; ou (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Todavia, a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obstaculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 1032/1042, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, insurgindose contra o Acórdão a quo, em relação à regra aplicável à Penalidades/Multa Agravada. Enquanto o acórdão recorrido decidiu por reduzir a multa de ofício para 75%, mesmo restando configurada a inobservância pelo Contribuinte de intimação fiscal, o acórdão paradigma adotou solução diversa, qual seja, a manutenção do agravamento da multa ante o descumprimento da intimação fiscal. Os acórdãos paradigmas consideraram suficiente para o agravamento da multa o fato objetivo de o contribuinte ter sido omisso, ainda que parcialmente, em resposta às intimações. Não exigiram, como pressuposto para a aplicação da penalidade, que restasse comprovado o efetivo embaraço à fiscalização, ou mesmo que não houvesse consequência específica para o descumprimento das intimações. Às fls. 1043/1048, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a Penalidades/Multa Agravada. Às fls. 1059/1071, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, em relação à seguinte matéria: salário indireto – Participação nos Lucros e Resultados – Regras claras e objetivas. A Lei nº 10.101/00, em seu artigo 2º, § 1º, incisos I e II, determina que os instrumentos firmados na negociação coletiva deverão estabelecer regras claras e objetivas à fixação dos direitos substantivos da participação; essas regras, porém, podem relevar, entre outros critérios, a produtividade, a qualidade, a lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Asseverou que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a sintática do § 1º do artigo 29, incontestavelmente, introduziu um rol meramente exemplificativo (não exaustivo) de critérios e condições para o estabelecimento das regras de obtenção da PLR. A utilização da expressão "entre outros" denota essa intenção do legislador, que objetivou, teleologicamente, flexibilizar a negociação entre a empresa e empregados, incentivando a adoção dessa técnica de integração entre o capital e o trabalho. Apresenta dois acórdãos paradigmas para estampar esse entendimento sobre a não taxatividade da Lei sobre os critérios e condições sobre a PLR. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 11 5 O Contribuinte, às fls. 1101/1110, apresentou Contrarrazões, rebatendo os argumentos quanto ao mérito, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial do Contribuinte, vindo os autos conclusos para julgamento. Às fls. 1116/1124, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre o salário indireto – Participação nos Lucros e Resultados – Regras claras e objetivas. A Fazenda Nacional, à fl. 1125, apresentou PETIÇÃO, requer que os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, no que concerne à Participação nos Lucros e Resultados, sejam utilizados como Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Trata o presente dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP nºs 51.014.4900, 51.014.4896 e 51.014.4888, respectivamente, nos valores de R$ 1.157.923,95; R$ 293.707,43 e de R$ 913.149,54, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, e pela apresentação da GFIP com informações incorretas ou omissas, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 53/89. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a Penalidades/Multa Agravada. Já o Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a Salário Indireto – Participação nos Lucros e Resultados – Regras claras e objetivas. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Fl. 1136DF CARF MF 6 CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e quanto aos demais requisitos: similitude fática e divergência jurisprudencial, merece algumas considerações. Analisando pormenorizadamente o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, vejo que não é possível reconhecer neles similitude fática capaz de garantir a divergência de posicionamento entre os colegiados que proferiram as decisões apontadas aqui como divergentes. A falta de similitude fática compromete o uso do paradigma, pois não se pode afirmar que naquela situação o colegiado agiria diferente do que decidiu o acórdão recorrido. Contudo para a maioria do colegiado, a razão principal de não conhecimento do recurso gira em torno do interesse de agir, pois mesmo que hipoteticamente restasse reconhecida a similitude fática, não restaria a ele utilidade prática, pois outros pontos do acordo de PLR foram atacados e sobre eles já precluiu a possibilidade de discussão na via administrativa. Diante do exposto voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, uma vez que este não preenche os requisitos de admissibilidade previstos no RICARF. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Não considero que há nos autos comprovação suficiente para o agravamento da multa, nos termos do voto vencedor do acórdão recorrido: Isto porque entendo que as circunstâncias que permitem o agravamento da multa em 50% (de 75% para 112,5%), exigidas pela legislação, não são encontradas nestes autos. A legislação estabelece que os percentuais de 75% e 150% serão aumentados em 50% (sendo, respectivamente, 112,5% e 225%) nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (i) prestar esclarecimentos; (ii) apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 11 a 13 da Lei 8.212/91 ; e (iii) apresentar a documentação técnica do sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados. Ao examinar os autos, em especial, o TIPF constante de fls. 92/96 e TIFs de número 99/100, 103/104, o comprovante de devolução de documentos ao contribuintes de fls. 645/647, além de outros, não verifiquei (i) tentativa do Contribuinte de criar obstáculo à legislação, nem (ii) impedimento / dificuldade para que as Autoridades Fiscais realizassem seu trabalho: o levantamento de informações e a elaboração do lançamento fiscal. Noto que os documentos alegados como faltantes pelas Autoridades Fiscais podem não existir, ou depender de análise Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 12 7 de dados e interpretação (metas com diferenciação de 40%), mas em momento algum tornaram impossível ou frágil o lançamento, realizado com base na contabilidade do contribuinte. O voto do Ilustre Relator, bem como do voto constante do Acórdão DRJ 0644.788 7 ª Turma da DRJ/CTA – Rel. Dr. Elton Sidnei Izycki, partem de premissa objetiva que ouso divergir, qual seja, que a não apresentação de documento por si só configura a hipótese de agravamento. Mantendo meu posicionamento em outros processos que discutem agravamento de multa também considero que a simples não apresentação de documento não deve ser o fator preponderante para a aplicação do agravamento, dependendo de outras circunstâncias mais gravosas. Diante do exposto conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A presente declaração tem por escopo apenas reforçar alguns pontos, suscitados durante as discussões, acerca da motivação pelo não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, tendo em vista que acompanhei a relatora pelas conclusões. Na verdade o primeiro ponto para que se possa apreciar a admissibilidade diz respeito a imputação fiscal, bem como, em seguida, as razões de decidir do colegiado a quo. Vejamos o Relatório fisvcal, efl. 46 a 90 e seguintes: 16.5 Valores em FP, a título de Participação nos Resultados, e fora da GFIP A empresa apresentou folha de pagamento digital em formato MANAD, com recibo gerado pelo SVA. Constatouse na FP o pagamento da rubrica "4100 PARTIC. LUCROS E RESULTADOS" na competência 03/2008. A Fl. 1138DF CARF MF 8 Constituição Federal, nos termos do art. 7o, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, que é a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000 (DOU 20/12/2000). A Lei n°. 10.101/00 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR, não há, portanto, necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado, que não é o resultado operacional previsto na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício). Para este fim, considerase o resultado, conforme previsto na Lei n°. 10.101/00, aquele que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade, conforme disposto no § Io do artigo 2o da Lei 10.101/00, abaixo transcrito: "Art. 2a A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo:" " §1" Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar reeras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." Para os valores declarados a título de PLR no ano de 2009, foram apresentados dois acordos coletivos distintos, referentes aos sindicatos localizados no estado do Rio de Janeiro e no estado de São Paulo. Para o Rio de Janeiro foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolado no MTE em 18/05/2009, com o "SIND. DOS TRAB. EM EMP. TELEC. OP. SIST. TV POR ASS. TRANSM. DE DADOS E CORREIO ELETR. TELEF. M. CEL. SERV. TRONC.D. COM RADI", em anexo. Para São Paulo foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolado no MTE em 14/08/2009, com o "SIND TRAB EMP TELECOMUNICAÇÕES OPER MESAS TELEFO NO ESP", em anexo. No Acordo feito com o sindicato localizado em São Paulo, em sua clausula décima segunda PPR 2008, encontrase a seguinte previsão: "A INTELIG TELECOM negociará até julho de 2009, valores e bases para o PPR 2009. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 13 9 16.5.1 Funcionários lotados em estabelecimentos do Estado do Rio de Janeiro Conforme o acordo coletivo de trabalho firmado com o sindicato no Estado do Rio de Janeiro, há a previsão, em sua "CLAUSULA NONA Participação nos RESULTADOS 2008", de um plano de participação nos lucros ou resultados PLR. De acordo com o item "6 Desenho do Programa" da Cláusula Nona. em seu subitem "6.1 Meta" verificase que a Meta do PLR consiste no atingimento de 3 indicadores: Caixa: O valor meta para o Caixa para o ano de 2008 é de RS 34,64 milhões; Despesas Operacionais: O valor meta de Despesas Operacionais para o ano de 2008 é de RS 229,8 milhões, de acordo com o orçamento da empresa. Margem Bruta: O percentual meta de Margem Bruta para o ano de 2008 é de 54% da Receita Líquida, de acordo com orçamento da empresa. Tratase de resultados, um número, indicadores que. por si só não podem ser considerados como um incentivo a produtividade, pois não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados. Com base unicamente nestes indicadores, um empregado pode ser extremamente eficiente, ou totalmente deficiente, que isto não refletirá no valor de PLR a ser pago individualmente. Emblemático é o indicador Caixa, que basicamente representa o valor dos recursos imediatamente disponíveis para efetuar pagamentos, e que de forma alguma poderia ser utilizado para medir a produtividade de seus funcionários. Da mesma forma o indicador Despesas Operacionais apenas mede o quanto a empresa despende para suas despesas do dia a dia, e isoladamente em nada avalia o desempenho dos funcionários. Importante ressaltar que o Acordo Coletivo em questão foi protocolado no MTE em 18/05/2009, onde, portanto, o valor dos indicadores para o PLR de 2008 já eram conhecidos, uma vez que o ano fiscal de 2008 já era findo. Desta forma, no momento da assinatura do acordo já se sabia o percentual atingido da meta estipulada pelos indicadores, e, por conseguinte, o valor de PLR a ser pago já era perfeitamente definido, independente de qualquer desempenho futuro dos empregados. Mesmo que se prossiga na analise deste PLR e aceitemos um acordo que premia um esforço pretérito e não uma produtividade futura, há outros fatores que descaracterizam o valor pago a título de PLR pela empresa. (...) Como a empresa não apresentou nenhum dos esclarecimentos solicitados nos Termos, alem da já mencionada planilha "Cálculo _PPR_2009Jntelig_FPW aba "Mecânica", passase Fl. 1140DF CARF MF 10 então a analisar as informações contidas nesta planilha. Nesta planilha podese e presumir que a empresa entende que a correlação/pesos entre os 3 indicadores é de 40% para o Caixa, 30% para as Despesas Operacionais e 30% para a Margem Bruta. Além disso a empresa informa que "Não tenho nenhum dado que evidencie a apuração dos 40% de atingimenlo. Apenas estes % prontos: Em resumo, desta informação podese afirmar que a empresa não possui documentação que balize porque o rateio entre os 15 indicadores foi configurado desta forma (40 / 30 / 30), nem porque utilizouse do percentual final de 40% de atingimento. Como a empresa não apresentou os cálculos dos indicadores nem de onde eles foram extraídos, esta auditoria extraiu os valores dos indicadores diretamente da DIPJ ano calendário 2008, em anexo, a) Em relação ao indicador Caixa, podemos afirmar com base na DIPJ na sua ficha "36 A" "linha 01. Caixa" que seu valor é de 8.565,38. Levandose em conta Caixa em um conceito mais amplo, temos também a "linha 02. Bancos" com o valor de 11.927.605.55. Com isso temse um possível valor de 11.936.170,93 para o indicador Caixa, c que representa apenas 34,46% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de 34.640.000,00). b) Para o Indicador Despesas Operacionais, temos a ficha "05 A' "linha 33. Total das Despesas Operacionais" da DIPJ, cujo o valor é de 307.327.927.79. Este valor representa apenas 66,26% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de no Máximo 229.800.000,00, ou seja, quanto mais despesa alem da meta, píor o indicador). c) Para o Indicador margem bruta, o qual a empresa não informou a metodologia de cálculo, utilizouse a definição mais aceita pela doutrina do conceito. Por esta definição, margem bruta seria o Lucro bruto dividido pela receita operacional liquida. O Lucro bruto pode ser extraído da ficha "06 A" "linha 17. Lucro Bruto" da DIPJ, cujo valor é de 283.842.843,05. A Receita operacional líquida, conforme ficha "06 A" "linha 15. Receita Líquida das Atividades" da DIPJ, c de 550.598.565.43. Com isso temse um possível valor de 51,55% para o indicador Margem Bruta, e que representa apenas 95.47% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de 54%). (...) A Tabela "Tabela com o PLR pago e o percentual obtido em relação ao salário base para os funcionários do RT' cm anexo contem, funcionário a funcionário, o valor pago de PLR. o salário base para o cálculo de PLR. a grade salarial, n° de meses trabalhados e o percentual aplicado. Esta tabela confirma então que o percentual utilizado pela empresa foi de 40%, percentual este não explicado pela empresa e não obtido através da analise dos valores informados em DIPJ. Esta tabela foi obtida a partir da planilha "Cálculo_PPR_2009Jntelig_FPWr' fornecida pela empresa e o arquivo digital da folha de pagamento. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 14 11 Portanto os valores, pagos a titulo de PLR pela empresa, por se basearem I) cm indicadores que não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados, 2) por ser um acordo utilizado para premiar um esforço pretérito c não estimular uma produtividade futura e 3) por se utilizar de um percentual para o cálculo de valor devido de PLR em discordância com Acordo Coletivo, foram considerados em desacordo com o determinado em Lei e bases de cálculo para a Previdência Social. 16.5.2 Funcionários lotados em estabelecimentos do estado de São Paulo – o Acordo Coletivo com o Sindicato de São Paulo, em sua cláusula décima segunda PPR 2009, trazia uma previsão para pagamento de PLR. A empresa foi intimada a se manifestar sobre tal fato no TIF de n° 4 em seu item 2. "fornecer, caso haja. a negociação dos valores e bases descritas nestes acordos." Em sua resposta datada de 27/07/2012. a empresa não faz qualquer menção ao acordo de PLR do ano de 2009 para os funcionários de São Paulo. A empresa foi novamente instada nos TIF de N° 6 e 8 em seu item 1.2. "Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolado no MTE em N/08/2009, com o SIND TRAB EMP TELECOMUNICAÇÕES OPER MESAS TELEFO NO E SP, que contém na Cláusula Décima Terceira • PPR 2008 a seguinte informação: " A INTELIG TELECOM negociará até julho de 2009, valores e bases para o PPR 2009". Até o TIF 4 não foi apresentado o Acordo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009. Fornecer este Acordo ou Atestar por escrito que este Acordo não existe" Novamente a empresa não apresentou qualquer resposta por escrito com relação aos questionamentos. Nos TIF N° 9,10. 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: "Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à empresa nos TIF º 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa:" 2. Em relação ao empregados filiados ao SINTTEL/SP. 2.1 O Acordo com as regras para o pagamento de PLR no ano de 2009" Além do que já mencionado, a empresa também foi intimada nos TIF de Nº 6 e 8 em seus itens 1.3 c 2.3 "1.3 Confirmar que (...( apenas os empregados cujo estabelecimento se encontra no Estado de São Paulo são abrangidos pelos Acordos deste Sindicato. 2.3 Confirmar que (...) apenas os empregados cujo estabelecimento se encontra no Estado do Rio de Janeiro são abrangidos pelos Acordos deste Sindicato." Fl. 1142DF CARF MF 12 Em resposta datada de 11/09/2012, a empresa afirma que: " 1.2 Sim, a base territorial do Sindicato de SP é o Estado de SP 2.3 Sim, a base territorial do Sindicato do RJ é o Estado do RJ." Depreendese então que não havia previsão para pagamentos de valores a titulo de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para o Rio de Janeiro. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por um acordo de PLR, ou este acordo não foi apresentado a esta auditoria para verificação de atendimento dos requisitos legais. 16.5.3 Funcionários lotados nos demais estabelecimentos A empresa não apresentou Acordos Coletivos c nem acordos de PLR para os estabelecimentos situados fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa foi instada nos TIF de N° 6 e 8 em seu item 3 a se manifestar. "3 Explicar qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo" A empresa não apresentou resposta alguma ao questionamento, no entanto, conforme descrito no item 16.5.2, ela afirma " 1.2 Sim, a base territorial do Sindicato de SP è o Estado de SP 2.3 • Sim, a base territorial do Sindicato do RJ é o Estado do RJ." Nos TIF N°9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: "Constato que os seguintes documentos I informações foram solicitadas à empresa nos TIF nº 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa:" (...) 3 Explicação sobre qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo." Depreendese então que não havia previsão para pagamentos de valores a titulo de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para Rio de Janeiro. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro não foram balizados por um acordo de PLR, ou este acordo não foi apresentado a esta auditoria para verificação de atendimento dos requisitos legais. Por conseguinte estes valores foram considerados como fatos geradores e bases de cálculo para previdência social. Nesse sentido, quanto ao conhecimento do mérito, esclareço que acompanhei a relatora apenas pelas conclusões, posto que não concordo pela simples inexistência de similitude fática, mas por entender, que embora parte do recurso pudesse demonstrar a similitude, a apreciação do recurso não importaria alteração do resultado, ou seja, o recurso não Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 15 13 se mostra útil, pos foram utilizados outros fundamentos pelo relator do acórdão recorrido para negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vejamos trechos do acórdão recorrido em que o relator descreve as razões pela manutenção do lançamento, efls. 977 e seguintes. (...) Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, Fl. 1144DF CARF MF 14 previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige, ainda, a Lei n° 10.101/2000 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Como visto, tem por finalidade precípua o plano de PLR a constituição formal de um direito subjetivo do trabalhador, porém condicionado, de maneira que, satisfazendo o empregado a condição assentada no Plano, ele trabalhador se imite no direito subjetivo ali estipulado de maneira clara e precisa, sendo justamente o plano de PLR o justo título para se exigir da Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 16 15 empresa o que se foi ajustado nas negociações entre patrões e empregados. Por tais razões, as condições a serem adimplidas, os direitos substantivos dos trabalhadores, as regras adjetivas, bem como os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado devem constar de maneira clara e objetiva no plano de PLR, e este deve ser previamente arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) A lei exige que nos instrumentos decorrentes da negociação constem as regras adjetivas do plano de PLR, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, para que o trabalhador possa saber, de antemão, como ele será avaliado e como será apurado o cumprimento das metas previamente estabelecidas, não se contentando a Lei com a mera divulgação, a posteriori, na internet ou em outro meio qualquer de comunicação da empresa, da consolidação dos resultados alcançados. A Lei preconiza um enfoque proativo, de natureza dinâmica, antecipando de maneira clara e precisa qual será efetivamente o mecanismo de avaliação dos trabalhadores quanto às metas estabelecidas e de qual será o critério e metodologia de apuração do cumprimento das metas estabelecidas no acordo. Não se satisfaz com a mera postura estática, retroativa, de apenas medir e relatar os resultados alcançados. Alertese que a estipulação de metas e a divulgação estática dos resultados alcançados no final do período de apuração não se confundem com descrição dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A Lei nº 10.101/2000 exige ambas. Não se basta só com a primeira. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo Fl. 1146DF CARF MF 16 ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando e quanto precisam fazer para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Por isso, os trabalhadores, antes do início do período de apuração, necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. (...) A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, ad litteris et verbis (...) Nessa esteira, não atendendo os sindicatos à convocação levada a efeito pela Recorrente, deveria esta ter dado ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Trabalho, ou ao órgão governamental competente que lhe faça as vezes, para que procedesse à convocação compulsória dos Sindicatos recalcitrantes. (...) Dado à exegese restrititva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de partici Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 17 17 · · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. · O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; Fl. 1148DF CARF MF 18 · · A PLR não pode substituir, tampouco complementar, a remuneração devida a qualquer empregado; · · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, constatou a Fiscalização que a folha de pagamento da empresa registrava o pagamento de PLR a seus empregados, na competência 03/2009, mediante a rubrica “4100 PARTIC. LUCROS E RESULTADOS”. Para os valores declarados a título de PLR no ano de 2009, foram apresentados dois acordos coletivos distintos, referentes aos sindicatos localizados no estado do Rio de Janeiro e no estado de São Paulo. 2.1.1.1. PLR – Estado de São Paulo Para o estado de São Paulo, foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, a fls. 240/254, cuja cláusula décima segunda PPR 2009 contém a seguinte previsão: “A INTELIG TELECOM negociará até julho de 2009, valores e bases para o PPR 2009”. A empresa foi então intimada, mediante o TIF de n° 4, a fornecer, caso houvesse, a negociação dos valores e bases descritas nestes acordos. Em sua resposta datada de 27/07/2012, a empresa não faz qualquer menção ao acordo de PLR do ano de 2009 para os funcionários de São Paulo. A empresa foi novamente instada mediante os TIF de n° 6 e 8, a apresentar o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolizado no MTE em 14/08/2009, com o SIND TRAB EMP TELECOMUNICACOES OPER MESAS TELEFO NO ESP, que contém na Cláusula Décima Segunda PPR 2009 a seguinte informação: “ A INTELIG TELECOM negociará até julho de 2009, valores e bases para o PPR 2009”. Até o TIF 4 não foi apresentado o Acordo com as regras para o pagamento do PLR no ano de 2009. Fornecer este Acordo ou Atestar por escrito que este Acordo não existe” (...) Depreendese então que não havia previsão para pagamentos de valores a título de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para o Rio de Janeiro. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por um acordo de PLR, ou 32 este acordo não foi apresentado a auditoria para verificação de atendimento dos requisitos legais. Por tais razões, concluiuse que os valores pagos a título de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos de São Paulo não foram balizados por qualquer acordo de PLR, razão pela qual foram considerados, integralmente como fatos geradores de contribuições previdenciárias, por terem sido pagos em Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 18 19 desacordo com a Lei nº 10.101/2000, não se subsumindo, portanto, à hipótese de isenção prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 2.1.1.2. PLR – Estado do Rio de Janeiro. Para o estado do Rio de Janeiro, foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, a fls. 255/269, cuja “CLÁUSULA NONA Participação nos RESULTADOS 2008”, continha a previsão de um plano de participação nos lucros ou resultados PLR. De acordo com o item “6 Desenho do Programa” da Cláusula Nona, em seu subitem “6.l Meta” verificase que a Meta do PLR consiste no atingimento de 3 indicadores: · Caixa: O valor meta para o Caixa para o ano de 2008 é de R$ 34,64 milhões; · Despesas Operacionais: O valor meta de Despesas Operacionais para o ano de 2008 é de R$ 229,8 milhões, de acordo com o orçamento da empresa. · Margem Bruta: O percentual meta de Margem Bruta para o ano de 2008 é de 54% da Receita Líquida, de acordo com orçamento da empresa. Tratase de resultados, um número, indicadores que, por si só não podem ser considerados como um incentivo a produtividade, pois não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados. Com base unicamente nestes indicadores, um empregado pode ser extremamente eficiente, ou totalmente deficiente, que isto não refletirá no valor de PLR a ser pago individualmente. Emblemático é o indicador Caixa, que basicamente representa o valor dos recursos imediatamente disponíveis para efetuar pagamentos, e que de forma alguma poderia ser utilizado para medir a produtividade de seus funcionários. Da mesma forma o indicador Despesas Operacionais apenas mede o quanto a empresa despende para suas despesas do dia a dia, e, isoladamente, em nada avalia o desempenho dos funcionários. Importante ressaltar que o Acordo Coletivo em questão foi protocolizado no MTE em 18/05/2009, onde, portanto, o valor dos indicadores para o PLR de 2008 já eram conhecidos, uma vez que o ano fiscal de 2008 já era findo. Desta forma, no momento da assinatura do acordo já se sabia o percentual atingido da meta estipulada pelos indicadores, e, por conseguinte, o valor de PLR a ser pago já era perfeitamente definido, independente de qualquer desempenho futuro dos empregados. 2.1.1.2. PLR – Estado do Rio de Janeiro. Fl. 1150DF CARF MF 20 Para o estado do Rio de Janeiro, foi apresentado o Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, a fls. 255/269, cuja “CLÁUSULA NONA Participação nos RESULTADOS 2008”, continha a previsão de um plano de participação nos lucros ou resultados PLR. De acordo com o item “6 Desenho do Programa” da Cláusula Nona, em seu subitem “6.l Meta” verificase que a Meta do PLR consiste no atingimento de 3 indicadores: · Caixa: O valor meta para o Caixa para o ano de 2008 é de R$ 34,64 milhões; · Despesas Operacionais: O valor meta de Despesas Operacionais para o ano de 2008 é de R$ 229,8 milhões, de acordo com o orçamento da empresa. · Margem Bruta: O percentual meta de Margem Bruta para o ano de 2008 é de 54% da Receita Líquida, de acordo com orçamento da empresa. Tratase de resultados, um número, indicadores que, por si só não podem ser considerados como um incentivo a produtividade, pois não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados. Com base unicamente nestes indicadores, um empregado pode ser extremamente eficiente, ou totalmente deficiente, que isto não refletirá no valor de PLR a ser pago individualmente. Emblemático é o indicador Caixa, que basicamente representa o valor dos recursos imediatamente disponíveis para efetuar pagamentos, e que de forma alguma poderia ser utilizado para medir a produtividade de seus funcionários. Da mesma forma o indicador Despesas Operacionais apenas mede o quanto a empresa despende para suas despesas do dia a dia, e, isoladamente, em nada avalia o desempenho dos funcionários. Importante ressaltar que o Acordo Coletivo em questão foi protocolizado no MTE em 18/05/2009, onde, portanto, o valor dos indicadores para o PLR de 2008 já eram conhecidos, uma vez que o ano fiscal de 2008 já era findo. Desta forma, no momento da assinatura do acordo já se sabia o percentual atingido da meta estipulada pelos indicadores, e, por conseguinte, o valor de PLR a ser pago já era perfeitamente definido, independente de qualquer desempenho futuro dos empregados. Além disso, há outros fatores que descaracterizam o valor pago a título de PLR pela empresa. Como já mencionado acima, a meta para o pagamento do PLR baseiase no atingimento de 3 indicadores. (...) A empresa foi intimada através do TIF de n° 4 a especificar os valores alcançados nos três indicadores citados; como estes três indicadores foram apurados contabilmente e como foi feita a correlação entre as 3 metas/indicadores e o percentual final de atingimento, uma vez que o Acordo não trazia esta definição (a Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 19 21 tabela possuía apenas um percentual de atingimento, todavia são 3 indicadores distintos): “(...) De acordo com o item 6.1 da referida cláusula, fornecer os valores e como estes foram calculados contabilmente referentes as metas especificadas a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA. De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará de acordo com tabela. Explicar como é feito a correlação entre o atingimento e as três metas. Em resposta datada de 27/07/2012, a empresa informou que: “(...)Apresentamos também planilhas contendo metodologia dos cálculos de PPR pagos em 2008 e 2009.” E apresenta a planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”, em cuja aba denominada “Mecânica” apresenta o quadro “Indicadores e Atingimento” e a seguinte observação: “não tenho nenhum dado que evidencie a apuração dos 40% de atingimento. Apenas estes % prontos”. Tomando como base a planilha apresentada na resposta, bem como a observação destacada, a empresa foi novamente instada nos TIF N° 6 e 8, em seu item 2.2: “De acordo com o item 6.1 da referida cláusula, fornecer os valores e como estes foram calculados contabilmente referentes às metas especificadas a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA, pois na resposta ao TIF 4, na aba “mecânica” da planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW”, não foi apresentada qualquer explicação. De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará de acordo com tabela. Explicar como é feito a correlação entre o atingimento e as três metas e fornecer o documento que contem tal correlação” Como nenhuma resposta ou explicação acerca do solicitado foi apresentada pela empresa, nos TIF N° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à empresa nos TIF n ° 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa: ” (...) 2.2 De acordo com o item 6.1 da clausula nona do Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, protocolado no MTE em 18/05/2009, com o SIND. DOS TRAB. EM EMP. TELEC. OP. SIST. TV POR ASS. TRANSM. DE DADOS E CORREIO ELETR. TELEF. M. CEL. SERV. TRONC.D. COM RADI, o fornecimento dos valores, e como estes foram calculados contabilmente referentes às metas especificadas, a saber CAIXA, DESPESAS OPERACIONAIS E MARGEM BRUTA. Fl. 1152DF CARF MF 22 De acordo com o item 6.2 da referida cláusula, o cálculo do atingimento e consequentemente o percentual do salário se dará conforme tabela. Explicação de como é feita a correlação entre o atingimento e as três metas e fornecer o documento que contem tal correlação” Como a empresa não apresentou nenhum dos esclarecimentos solicitados nos Termos, além da já mencionada planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW`” aba “Mecânica”, passase então a analisar as informações contidas nesta planilha. Do exame da planilha em tela, podese presumir que a empresa entende que a correlação/pesos entre os 3 indicadores é de 40% para o Caixa, 30% para as Despesas Operacionais e 30% para a Margem Bruta. Além disso a empresa informa que “Não tenho nenhum dado que evidencie a apuração dos 40% de atingimento. Apenas estes % prontos". Em resumo, desta informação podese afirmar que a empresa não possui documentação que balize porque o rateio entre os 3 indicadores foi configurado desta forma (40 / 30/ 30), nem porque utilizouse do percentual final de 40% de atingimento. Como a empresa não apresentou os cálculos dos indicadores, e nem de onde eles foram extraídos, a Fiscalização extraiu os valores dos indicadores diretamente da DIPJ, ano calendário 2008, anexa aos autos, na forma como se segue: a) Em relação ao indicador Caixa, podemos afirmar com base na DIPJ na sua ficha “36 A” “linha 01. Caixa”, que seu valor é de R$ 8.565,38. Levandose em conta Caixa em um conceito mais amplo, temos também a “linha 02. Bancos” com o valor de R$ 11.927.605,55. Com isso temse um possível valor de R$ 11.936.170,93 para o indicador Caixa, e que representa apenas 34,46% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de R$ 34.640.000,00). b) Para o Indicador Despesas Operacionais, temos a ficha “05 A' “linha 33. Total das Despesas Operacionais” da DIPJ, cujo o valor é de R$ 307.327.927,79. Este valor representa apenas 66,26% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de no Máximo R$ 229.800.000,00, ou seja, quanto mais despesa além da meta, pior o indicador). c) Para o Indicador margem bruta, o qual a empresa não informou a metodologia de cálculo, utilizouse a definição mais aceita pela doutrina do conceito. Por esta definição, margem bruta seria o Lucro bruto dividido pela receita operacional líquida. O Lucro bruto pode ser extraído da ficha “06 A” “linha 17. Lucro Bruto” da DIPJ, cujo valor é de R$ 283.842.843,05. A Receita operacional líquida, conforme ficha “O6 A” “linha 15. Receita Líquida das Atividades” da DIPJ, é de R$ 550.598.565,43. Com isso temse um possível valor de 51,55% para o indicador Margem Bruta, e que representa apenas 95,47% da meta estipulada no Acordo Coletivo (meta de 54%). Com base nas considerações acima, a Fiscalização elaborou o Quadro abaixo que demonstra o percentual de atingimento, Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 20 23 utilizandose os valores informados na DIPJ e as informações disponibilizadas pela empresa: (...) Do quadro acima, avulta que o índice efetivamente atingido (62,3%) é significativamente inferior ao índice mínimo previsto em acordo coletivo para uma possível distribuição de PLR, o qual é de 85%, conforme tabela já mencionada. Mas mesmo não sendo atingido o percentual mínimo (85%) houvese por efetuado pagamentos a título de PLR. Continuando a análise, a Fiscalização demonstrou que a empresa, apesar de haver atingido, tão somente, o índice de 62,3” de atingimento de metas, ela, realmente utilizouse de um fictício índice de atingimento de 88%, o qual forneceria um percentual de salários PPR de 40%. No item “5.3 Cálculo da Participação” do referido Acordo, encontrase a tabela de múltiplos salariais (transcrita abaixo) que contém a correlação entre a grade salarial do empregado e o multiplicador de salários a ser aplicado no salário base para que se obtenha o PLR devido. (...) A Tabela “Tabela com o PLR pago e o percentual obtido em relação ao salário base para os funcionários do RJ”, a fls. 77/87, apresenta, para cada empregado da empresa, o valor efetivamente pago a título de PLR, o salário base para o cálculo de PLR, a grade salarial, n° de meses trabalhados e o percentual aplicado. Esta tabela confirma então que o percentual utilizado pela empresa foi de 40%, percentual este não explicado pela empresa e não obtido através da análise dos valores informados em DIPJ. Esta tabela foi obtida a partir da planilha “Cálculo_PPR_2009_Intelig_FPW” fornecida pela empresa e o arquivo digital da folha de pagamento. Portanto os valores, pagos a titulo de PLR pela empresa, por se basearem (1) em indicadores que não guardam correlação direta com o esforço individual dos empregados; (2) por ser um acordo utilizado para premiar um esforço pretérito e não estimular uma produtividade futura e (3) por se utilizar de um percentual para o cálculo de valor devido de PLR em discordância com Acordo Coletivo, foram considerados em desacordo com o determinado em Lei e bases de cálculo para a Previdência Social. 2.1.1.3. PLR – Demais estabelecimentos Em relação aos segurados lotados nos demais estabelecimentos da empresa, que não as bases do Rio de Janeiro e São Paulo, empresa não apresentou, sequer, os Acordos Coletivos, tampouco eventuais acordos de PLR para os estabelecimentos situados fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Fl. 1154DF CARF MF 24 A empresa foi intimada mediante os TIF n° 6 e 8 a se manifestar sobre qual o acordo que se houve por aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo “3 Explicar qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo” A empresa não apresentou qualquer resposta específica referente ao questionamento acima formulado. Porém, de maneira genérica, informou que “a base territorial do Sindicato de SP é o Estado de SP” e que “a base territorial do Sindicato do RJ é o Estado do RJ”. Na sequência, através dos TIF n° 9, 10, 11 e 12 foi feita a seguinte constatação: “Constato que os seguintes documentos / informações foram solicitadas à empresa nos TIF nº 6 e 8 e que até o presente não foram apresentadas pela empresa:” (...) 3 Explicação sobre qual acordo é aplicado aos funcionários lotados em estabelecimentos que não estejam localizados no Estado do Rio de janeiro ou no Estado de São Paulo.” Diante do silêncio eloquente da empresa, concluise então que não havia previsão para pagamentos de valores a título de PLR a estes funcionários, e conforme atestado pela empresa, não foi aplicado o acordo utilizado para São Paulo. Desta forma os valores pagos a titulo de PLR aos empregados localizados nos estabelecimentos fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro não foram balizados por um acordo de PLR, ou este acordo não foi apresentado a esta auditoria para verificação de atendimento dos requisitos legais. Por conseguinte estes valores foram considerados, também, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, por terem sido pagos em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, não se subsumindo, portanto, à hipótese de isenção prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Por tais razões, os valores pagos a título de PLR foram considerados pela Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. Nessa vertente, tratandose de fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais Fatos Jurígenos Tributários deveriam ter sido, NECESSARIAMENTE, declarados nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Mas não o foram. Por tais razões, havendo sido as verbas sob o rótulo de PLR pagas em desacordo com as normas fixadas na Lei nº 10.101/2000, tais rubricas escapam do abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16682.721110/201269 Acórdão n.º 9202007.108 CSRFT2 Fl. 21 25 O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio ou gratificação, os quais não se encontram abraçados pela hipótese de não incidência tributária prevista na Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Conforme mencionado anteriormente, o não conhecimento devese ao fato do lançamento ter feito diversas imputações de descumprimento à Lei 10.101, imputações essas apreciadas e mantidas pelo acórdão recorrido, enquanto o recorrente busca a demonstrar a divergência de forma que não ataca todos os fundamentos ali expostos. Transcrevo trecho do relatório da ilustre conselheira relatora, para que se identifique tal situação: Às fls. 1059/1071, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, em relação à seguinte matéria: salário indireto – Participação nos Lucros e Resultados – Regras claras e objetivas. A Lei nº 10.101/00, em seu artigo 2º, § 1º, incisos I e II, determina que os instrumentos firmados na negociação coletiva deverão estabelecer regras claras e objetivas à fixação dos direitos substantivos da participação; essas regras, porém, podem relevar, entre outros critérios, a produtividade, a qualidade, a lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Asseverou que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a sintática do § 1º do artigo 29, incontestavelmente, introduziu um rol meramente exemplificativo (não exaustivo) de critérios e condições para o estabelecimento das regras de obtenção da PLR. A utilização da expressão "entre outros" denota essa Fl. 1156DF CARF MF 26 intenção do legislador, que objetivou, teleologicamente, flexibilizar a negociação entre a empresa e empregados, incentivando a adoção dessa técnica de integração entre o capital e o trabalho. Apresenta dois acórdãos paradigmas para estampar esse entendimento sobre a não taxatividade da Lei sobre os critérios e condições sobre a PLR. Ou seja, entendo que a principal razão pelo não conhecimento do recurso especial do Contribuinte seja a impossibilidade de analisando os argumentos exposto para demonostrar a divergência não se possa alterar o resultado do julgamento. Diante do exposto, acompanho a relatora pela conclusões, e NÃO CONHEÇO do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720081/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NÃO PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação.
PRETERIÇÃO DE DIRETO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não cabe falar em preterição de direto de defesa ou do contraditório se o contribuinte foi informado desde o início do procedimento fiscal das razões para o não acolhimento de seu pleito e não apresentou prova requerida.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de perícia quando o contribuinte, ciente, se omite de apresentar documento com valor provante objetivo quanto ao fato discutido.
DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO.
Nos termos da legislação de regência, os valores constantes do SIPT devem ser considerados para efeito de verificação da hipótese de subavaliação e para fins de arbitramento de novo VTN. Por ser os preços de terras dinâmicos, variando de um ano para outro, exige-se que Laudo Técnico apresentado para revisão de VTN arbitrado com base no SIPT, além de atender aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, também demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto.
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE.
As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicilio de cadastro informado pelo contribuinte à Administração Tributária, sendo desarrazoado o seu envio para qualquer outro endereço, sob pena de nulidade (art. 23, § 4o, do Decreto n° 70.235/72).
Numero da decisão: 2402-007.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação de que tanto a multa quanto os juros teriam efeito confiscatório, uma vez que tal alegação não foi prequestionada em sede de impugnação, e, na parte conhecida do recurso, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece em sede de recurso voluntário matéria não prequestionada na impugnação. PRETERIÇÃO DE DIRETO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não cabe falar em preterição de direto de defesa ou do contraditório se o contribuinte foi informado desde o início do procedimento fiscal das razões para o não acolhimento de seu pleito e não apresentou prova requerida. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia quando o contribuinte, ciente, se omite de apresentar documento com valor provante objetivo quanto ao fato discutido. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, os valores constantes do SIPT devem ser considerados para efeito de verificação da hipótese de subavaliação e para fins de arbitramento de novo VTN. Por ser os preços de terras dinâmicos, variando de um ano para outro, exigese que Laudo Técnico apresentado para revisão de VTN arbitrado com base no SIPT, além de atender aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, também demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicilio de cadastro informado pelo contribuinte à Administração Tributária, sendo desarrazoado o seu envio para qualquer outro endereço, sob pena de nulidade (art. 23, § 4o, do Decreto n° 70.235/72). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 81 /2 00 7- 45 Fl. 773DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 774 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo da alegação de que tanto a multa quanto os juros teriam efeito confiscatório, uma vez que tal alegação não foi prequestionada em sede de impugnação, e, na parte conhecida do recurso, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso de voluntário (fls 740), interposto contra decisão da autoridade julgadora de primeiro grau que considerou improcedente impugnação apresentada pela contribuinte quanto à lançamento de Imposto de Territorial Rural, no valor de R$ R$ 53.098,83 (acrescidos de juros e multa de ofício), incidente sobre a diferença de valor da terra nua informado nas respectivas declarações anuais do tributo (DITR) para o exercício de 2005 (ref. imóvel denominado "Fazenda Vargem Rio das Pedras", cadastrado na RFB sob o n° 0.640.8915, localizado no Município de Santana do Riacho MG) e o valor arbitrado pela autoridade fiscal. Consta da decisão recorrida (fls 723) o seguinte resumo dos fatos verificados até aquele momento processual: A ação fiscal iniciouse com intimação à contribuinte (fls. 05/06) para, relativamente as DITR, do exercício de 2005, apresentar os seguintes documentos de prova: Io cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, requerido junto ao IBAMA; 2o Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2o da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, dc acordo com o art. 9o do Decreto 4.449/2002; 3o Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3o da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim declarou; Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 775 3 4o cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de arcas de reserva legal, de RPPN ou de Servidão Florestal, caso o imóvel não possua matrícula, cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de Certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário, c 5o Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN com base no SIPT. Em atendimento, foi apresentada a correspondência de fls. 07/12, acompanhada dos documentos de tis. 14/30, 32, 34, 36/59, 61/62, 64/65, 67/72, 74, 76/87, 89/97, 99/174, 176/184, 186/199, 203, 205, 207, 209/217, 219, 221/222, 224/273, 275/293, 295, 297/331, 333/335, 337, 339, 341/351 e 352/353. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte, e das informações constantes da sua DITR/2005 ("extrato" às fls. 325/331), a autoridade fiscal decidiu pela rejeição do VTN declarado, de R$ 2.065.271,06 ou R$ 298,17/ha, que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 7.690.146,53 ou R$ 1.110,25/ha, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüente aumento de VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$ 53.098,83, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 02 e 04. Após tomar ciência do lançamento, em 12/09/2007 (às fls. 662/663), a contribuinte interessada, através de advogado e procurador legalmente constituído (às fls. 361381/398), protocolou, em 11/10/2007, a impugnação de fls. 362/378. Na oportunidade instruiu a sua defesa com os documentos de fls. 403, 404, 406/455, 457/475, 477, 479/480, 4827503, 504/505, 506, 507/508, 510/585, 587/595, 597/599, 603, 605/613, 615, 617, 619, 621, 623, 625, 626/627 e 629/661, alegando e requerendo o seguinte, em síntese: • faz um breve relato dos fatos e das alterações efetuadas pela autoridade fiscal, conforme descrição dos fatos, de fls. 02, e demonstrativo do cálculo do imposto suplementar então apurado (às fls. 03); • este arbitramento não seguiu os parâmetros regulados pela ABNT, em especial a NBR 14.6533, para avaliação de imóveis rurais, perfazendo um valor irreal da terra nua; • faz um breve histórico da metodologia adotada pela legislação aplicada ao ITR, a partir da Lei 8.847/1996, no que diz respeito à base de cálculo desse imposto (VTN). Com o advento da Lei 9.393/96, o VTN passou a ser uma informação de total responsabilidade do Contribuinte, sempre se referindo ao valor de mercado no dia Io de janeiro do exercício; • a rejeição do VTN declarado e arbitramento de novo valor com base no SIPT, possibilita o lançamento de ofício do imposto, após procedimento intimatório que vem se mostrando de uso generalizado; Fl. 775DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 776 4 • este ato retrógrado desorienta o contribuinte ao estabelecer o VTN e o toma vulnerável a penalidades como juros c multas, se o VTN atribuído não for compatível com o do SIPT; • o mais grave é que os dados do SIPT, no presente caso, trouxeram uma avaliação bem superior ao valor da terra nua, além de somente ser disponibilizado aos servidores da SRF, não tendo o contribuinte qualquer informação dos parâmetros utilizados nesta supcravaliação. • discorre sobre o conceito de imóvel rural e de VTN a preços de mercado, em Io de janeiro do exercício, observada a legislação dc regência da matéria, destacando o disposto no art. 32, da IN/SRF n° 256/2002; • o Auditor Fiscal utilizouse de um índice geral que evidentemente não reflete as vicissitudes e as especificidades das Fazendas objeto do lançamento, afirmando, inclusive, que o laudo apresentado não foi apresentado em conformidade com as normas estabelecidas da ABNT; • entretanto, em simples análise dos Laudos de Avaliação que, de forma categórica, averiguaram que o VTN das Fazendas "Vargem do Rio das Pedras" e "Intendente" é de R$ 2.136.700,00. É bom destacar que estes laudos foram elaborados em consonância com as normas da ABNT, em especial à NBR 14.6533 e estão firmados por profissional competente que, sob sua responsabilidade, indicou o valor de mercado das citadas Fazendas; • a seguir, transcreve trechos extraídos do referido Laudo Técnico de Avaliação (I Considerações Preliminares, II Objeto de Avaliação e III Metodologia Empregada); • em 2005, foi realizado novo laudo de avaliação, com objeto de ratificar o laudo de 1998, comprovando, mais uma vez o VTN em pouco mais de R$ 2.000.000,00, destacando trecho extraído desse laudo; • o objetivo da avaliação e determinar o Valor de Mercado da Fazenda Vargem do Rio das Pedras e da Fazenda do Intendente, tendo como base o dia 29/05/1998 e proceder a análise agronômica do imóvel demonstrando sua inviabilidade técnica para explorações agropecuárias lucrativas, por se encontrar localizado em pólo conhecido pela sua vocação de lazer e turismo: a Serra do Cipó; • destaca o enquadramento do referido Laudo com Grau II de fundamentação e Grau III de precisão, apontado e demonstrado pelo autor do trabalho; • portanto, o Auditor Fiscal promoveu uma avaliação totalmente absurda e divorciada da realidade dos laudos de avaliação, tendo em vista que os próprios laudos trouxeram em seu relatório os métodos e parâmetros de avaliação; • destaca, também, a competência do engenheiro avaliador para realização do presente trabalho, nos termos da Resolução CONFEA n° 0218, de 29/06/1973; • os imóveis em tela são imprestáveis para agricultura e pouco indicados para a pecuária, motivo pelo qual não se pode conceber que uma área como essa tenha sido avaliado pelo fiscal em mais de 7 milhões de Reais. O VTN de um imóvel rural deve refletir o seu valor efetivo e não decorrer de aplicação Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 777 5 de indicies genéricos que de nenhuma forma espelham uma real avaliação das citadas Fazendas; • invoca o disposto no art. 148 do CTN e cita lição da Professora Misabel Abreu Machado Der/i; concluindo que: "o arbitramento somente poder ser utilizado pelo fisco em face de omissões ou atos de falsidade e desonestidade perpretados pelo contribuinte ou terceiro que tomem imprestáveis os dados apresentados perante a físcalização". • esse não é o caso desta notificação, uma vez que a Autuada apresentou Laudos de Avaliação elaborados por engenheiros habilitados, bem como Laudo Técnico Agronômico, fato que não poderia a Fiscalização ter abandonado tais documentos para presumir valores; • ora, o SIPT é um critério geral, utilizado para áreas onde o contribuinte age de máfé, não podendo prevalecer a laudos técnicos de avaliação, inclusive a laudo agronômico, utilizado para verificar o potencial dc produtividade de terras. Não se presume aquilo que se pode detectar pela via concreta, imediatamente acessível pelos Laudos apresentados; • nesse laudo de 1998 a Contribuinte obteve subsídios para preencher corretamente os dados da sua declaração de ITR dos anos subseqüentes. A elaboração de tais laudos decorreu das condições adversas encontradas nas Fazendas avaliadas, o que toma a agropecuária uma atividade extremamente difícil e exige a utilização de uma área maior para criação do gado; destacando, a seguir, essas características desfavoráveis apontadas pelo autor do trabalho; • apresenta as características da capacidade de usos dos solos das citadas Fazendas (escala de Norton). Por causa dessas características adversas, os índices adotados pelo Fiscal Autuante não podem ser utilizados, pois não se amoldam à realidade vivenciada pela Autuada; • não pode prosperar o VTN arbitrado de R$ 6.714.981,42 (sic), pois demonstrou, por meio de Laudo de Avaliação, o absurdo perpetrado pelo Fiscal, restando inegável que as Fazendas em comento valem pouco mais do que 2 milhões de Reais, e • por fim, requer seja julgado insubsistente o respectivo lançamento fiscal, de n° 06113/00053/2007, por os laudos de avaliação aqui juntados terem sido elaborados em total conformidade com as normas da ABNT, em especial a NBR 14.6533, que serve como base para o SIPT. Requer, ainda, a produção de prova pericial, a ser realizada por um engenheiro agrimensor, dc modo a comprovar o real valor da terra nua, tomando por base as normas da ABNT, em especial a NBR 14.6533 e que todas as intimações seja encaminhadas ao escritório dos procuradores signatárias da presente impugnação, conforme indicado. Ao analisar o caso (fls 723), a autoridade julgadora decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito lançando, nos termos das seguintes ementas: DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, os valores constantes do SIPT cabem ser considerados para efeito de verificação da hipótese de subavaliação e Fl. 777DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 778 6 para fins de arbitramento de novo VTN. Por ser os preços de terras dinâmicos, variando de um ano para outro, exigese que Laudo Técnico apresentado para revisão do VTN arbitrado com base no SIPT, além de atender aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, também demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, no caso, l°/01/2005. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário reafirmando as alegações da impugnação, acrescentando, porém, argumentos sobre preterição de seu direito ao contraditório e à ampla defesa e, ainda, sobre o efeito confiscatório do auto de infração. Requer, ao final, o cancelamento do Auto de Infração e que as intimações sejam encaminhadas para a Avenida Raja Gabaglia, 1.093, 7° andar, Luxemburgo, Belo Horizonte, Minas Gerais — CEP 30.380090. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido, exceto quanto à alegação do efeito confiscatório da multa de ofício e juros aplicados, em razão de tal matéria não ter sido prequestionada na impugnação. Da alegação de preterição de direito ao contraditório e à ampla defesa Aduz inicialmente a contribuinte que o indeferimento do pedido de perícia, para avaliar o real valor da propriedade rural envolvida, caracteriza preterição de direito ao contraditório e à ampla defesa Sobre tal alegação, cabe esclarecer que, nos termos do art. 18 do Decreto 80.235/72, a autoridade julgadora ... determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. No presente caso, a perícia requerida é desnecessária, pois bastaria que a contribuinte fornecesse à auditoria (à época da fiscalização) ou carreasse aos autos (junto com a impugnação ou com o presente recurso voluntário) laudo técnico com avaliação que levasse em conta o valor da terra nua nos anos a que se refere o fato gerador levantado (2005). Em vez disso, porém, a contribuinte insiste em apontar como correto o valor constante em laudos de avaliação que calcularam o valor do imóvel rural para o ano de 1998, quando em verdade o valor a ser demonstrado referese ao ano de 2005. Assim, entendese que não houve preterição de direto de defesa ou ofensa ao contraditório, pois desde a fase fiscalizatória a contribuinte esteve ciente da prova a ser Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 779 7 produzida, preferindo simplesmente postergar as discussões, sem enfrentar as objeções apontadas pela fiscalização quanto ao aceite dos documentos apresentados. Da alegações do contribuinte Tratase de recurso meramente procrastinatório, por meio do qual a contribuinte apenas reafirma as razões já analisadas e superadas pela autoridade de piso, sem apresentar qualquer informação ou documento capaz de alterar o resultado daquele julgado. Assim, por concordar do entendimento adotado na decisão recorrida, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, colacionase o seguinte trecho do acórdão de primeiro grau, tratando da matéria: Do Valor da Terra Nua — VTN Da análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. Í4, capul, da Lei 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2005, de R$ 2.065.271,06 (RS 298,17 por hectare), foi aumentado para R$ 7.690.146,63, com base no VTN médio, por hectare, de R$ 1.110,25, apontado no SIPT Sistema de Preços de Terra, para o município de Santana do Riacho (extrato/SIPT de fls. 356). No presente caso é preciso admitir que, até prova documental hábil em contrário, que o VTN Declarado, por hectare, de R$ 298,17 (R$ 2065.271,06 : 6.926,5 ha), referente ao exercício de 2005, está de fato subavaliado, posto que esse valor representa apenas 26,8% do VTN médio, por hectare, apontado no SIPT e utilizado pela autoridade fiscal para fins de tal arbitramento. Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1701/2005, art. Io caput e art. 8o, § 2o, da Lei 9.393/96), a contribuinte foi intimada a apresentar "Laudo Técnico de Avaliação", conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 05/06). No caso, os laudos apresentados, doc/cópias de fls. 99/174 e 224/273, não podiam ser levados em consideração pela autoridade fiscal, como documentos hábeis para comprovação do VTN do imóvel, a preços da data do fato gerador do imposto (01/01/2005), pois, apesar de elaborados por profissionais habilitados, com ART devidamente anotadas no CREA e realmente atenderem aos principais requisitos das normas da ABNT (NBR 14.6533), as avaliações realizadas se referem ao ano de 1998, muito distante, portanto, da data que se pretendia comprovar. Dessa forma, caracterizada a subavaliação do VTN declarado e não tendo a contribuinte apresentado o "Laudo Técnico de Avaliação" exigido, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1701/2005, só restava atribuir novo valor ao VTN para efeito de cálculo do ITR, o que foi realizado em obediência ao disposto no art. 14 da Lei n° 9393/1996, que dispõe que ao fiscal, para fins de lançamento de ofício, cabe considerar informações sobre os preços de terras constantes de Sistema instituído pela Receita Federal no caso, o SIPT. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 780 8 Registrese que à fiscalização cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. No caso, a autoridade fiscal usou como base de arbitramento o único dado possível, ou seja, o valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Santana do Riacho MG, que significa a média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas DITR/2005, cuja previsão legal consta do art. 1 ° combinado com o art. 3o da Portaria SRF n° 447/2002, que assim dispõem: "Art. Io Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR), (grifo nosso) Art. 3o A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal, "(grifo nosso) Além da Portaria supracitada, a autoridade fiscal observou o disposto no item 6.8. da Norma de Execução Cofis n° 03, de 29 de maio de 2006, aplicável à execução das atividades da Malha Fiscal ITR/2005, que assim dispõe: "6.8. Parâmetro 20: Cálculo do Valor da Terra Nua a partir de 2003 (...) Caso não exista a informação de aptidão agrícola, será utilizado o valor do VTN médio das declarações no mesmo ano. Sendo necessário, serão verificados em anos anteriores, na mesma ordem, até obter informações do VTN para o município." Assim, fica demonstrado que o critério de arbitramento, com base em informação do SIPT, está previsto na legislação em vigor, constituindo esse sistema na ferramenta de que dispõe a fiscalização para fins de arbitramento do VTN, quando verificada a hipótese de subavaliação do VTN declarado, conforme foi o caso. Também entendo que a informação questionada pelo impugnante não se faz necessária à solução do litígio, uma vez que o SIPT é utilizado apenas como valor de referência, resultado de média de valores levantados dentro de determinada região, não tendo o condão de vincular impreterivelmente o preço do imóvel. Portanto, não se caracteriza a imprescindibilidade desta informação para a correta avaliação do imóvel, ainda mais que, caso o impugnante verificasse a necessidade de revisão dos valores apurados, poderia providenciar laudo técnico de avaliação, tanto na fase inicial do procedimento fiscal quanto na fase de impugnação, como ocorreu no presente caso. Portanto, em que pese os laudos apresentados, elaborados por profissionais habilitados, com ART devidamente anotadas no CREA, em conformidade com as normas da ABNT, em especial da NBR 14.6533, também demonstrando as Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 781 9 características particulares desfavoráveis das Fazendas avaliadas, não há como acatálos como documentos hábeis para comprovação do VTN do imóvel, a preços de 1701/2005, posto que as avaliações rèalizadas se referem ao mês de maio de 1998, muito anterior, portanto, à data de referência pretendida. Assim, se fazia necessário que a requerente apresentasse um novo "Laudo Técnico de Avaliação", elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, com as características e formalidades dos laudos ora desconsiderados, que além de demonstrar, de maneira inequívoca, o VTN do imóvel, a preços da época das amostras pesquisadas como fontes, também apurasse, com base em tratamentos estatísticos e em índices oficiais aplicados aos preços de terras na região (variação anual), o VTN desse mesmo imóvel, a preços de 1701/2005, bem como a preços de 1701/2003 e de 1701/2004. É preciso levar em consideração que o valor de mercado de terras rurais é dinâmico, variando, mesmo que de modo não muito significativo, de um ano para outro, pois o mesmo é influenciado por fatores de diversas naturezas, com destaque para o econômico. Desta forma, o VTN deve acompanhar o preço de mercado dos imóveis rurais na regiãorde sua localização, quase sempre variando de um ano para outro, dependendo do comportamento desse mercado à época dos respectivos fatos geradores. No entanto, a requerente, ao invés de apresentar esse documento de prova, preferiu instruir a sua defesa com esses mesmos laudos (às fls. 406/455 e 510/585) já desconsiderados pela autoridade fiscal, insistindo que o VTN declarado não está subavaliado. Desta forma, cabe manter a tributação do imóvel com base no VTN de RS 7.690.146,63 (RS 1.110,25 por hectare), arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, que deve ser mantido. Quanto à perícia pleiteada, também não há como deferila. Isso porque, além de não caber à autoridade administrativa produzir provas relativas ao VTN do imóvel fiscalizado, não há matéria complexa que justifique a sua realização. No caso, a mesma visa apenas suprir material probatório, que deveria ter sido apresentado pela requerente para comprovação dos fatos alegados em sua impugnação, já que cabe a ela o ônus da prova. De acordo com o sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto n° 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, conforme dispõe seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, cabe ao impugnante fazer a prova do direito ou do fato afirmado na impugnação, o que, não ocorrendo, acarreta a improcedência da alegação. Por outro lado, o lançamento limitouse a formalizar a exigência apurada a partir dos dados informados na DITR/2005, não havendo matéria controversa ou de complexidade que demande parecer técnico complementar. Assim, e em observância ao art. 18 do Decreto n.° 70.235/1972 (PAF), cumpre que se indefira o pedido sob análise. Quanto ao pedido de intimação no endereço indicado Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13609.720081/200745 Acórdão n.º 2402007.688 S2C4T2 Fl. 782 10 Quanto ao endereço de cientificação dos eventos processuais, nos termos do art. 23, § 4o do Decreto n° 70.235/72, as intimações devem ser enviadas ao domicilio de cadastro informado pelo contribuinte à Administração Tributária, sob pena de nulidade do ato. Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 4a Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5 O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas c condições de sua utilização e manutenção. Assim, não cabe o atendimento do pedido. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o crédito discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 782DF CARF MF
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