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Numero do processo: 10980.914084/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-001.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 40 84 /2 00 9- 74 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 79 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 80 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 41/46 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (fls. 31/37) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 23/05/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 39046.73358.230507.1.7.049708 (fls.11/15), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, data de vencimento 28/04/2006, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 9.183,25; multa moratória: R$ 212,13; juros de mora: R$ 91,83; Total: R$ 9.487,21. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 9.293,90 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA fevereiro/2006, DARF no valor de R$ 251.985,37 (valor original), data do recolhimento 31/03/2006 (fl. 39). O recolhimento a maior seria de R$ 109.704,64 (valor original). O despacho decisório da DRF/Curitiba, de 11/05/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 109.704,64. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 81 4 dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/05/2010 (fls. 16/20) e que foi considerada tempestiva conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 30. Consta das razões dessa irresignação apresentada pela interessada na instância a quo, em síntese: que, equivocadamente, informou na DCOMP que o crédito pleiteado seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA fevereiro/2006, apesar desse pagamento ter caráter de mera anecipação do imposto; que, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, percebendo o equívoco na qualificação do crédito pleiteado, tentou a retificação da DCOMP para saldo negativo; que, entretanto, tal tentativa de retificação da DCOMP foi obstada pelos sistemas internos (eletrônicos) da RFB; que, ainda, tentou o cancelamento da DCOMP e apresentação de nova declaração; porém, o cancelamento também restou infrutífero, pois não foi aceito pelos sistemas internos (eletrônicos) da RFB; que, na verdade, o crédito utilizado/pleiteado é decorrente de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006. Na sequência, a DRJ/Curitiba, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 15/07/2011 (fls. 31/37), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 82 5 DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA INSRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido, na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ainda, diversamente do alegado pela contribuinte nas razões da impugnação, consta do voto condutor do citado acordão que ela não comprovou o alegado erro ou equívoco quanto à qualificação do crédito utilizado/pleiteado (fls. 34/36), in verbis: (...) 16. Dessarte, ao tempo da realização da compensação, ao contribuinte era defeso utilizar eventuais pagamentos indevidos ou a maior, a título de estimativa mensal, senão para deduzir do imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo. No presente caso, o interessado realizou recolhimento de estimativa mensal, que entendeu ser indevido, mas ao invés de utilizálo como dedução ao final do período ou fazêlo integrar o Saldo Negativo, formulou compensação utilizando a própria parcela mensal de estimativa como Direito Creditório, o que lhe era vedado, razão pela qual lhe sobreveio a nãohomologação da compensação. (...) 18. Por outro lado, o interessado alega equívoco na confecção de seu PER/DCOMP, mas não acostou prova alguma que deixasse inequívoco mero erro de preenchimento, por lapso manifesto, que pudesse provocarlhe julgamento favorável. 19. Apenas a título de comentário, obiter dictum, sem que isso integre as razões de decidir (ratio decidendi) versadas no presente voto, já que não diz respeito ao fato ou fundamento jurídico (MOTIVO) pelo qual o PER/DCOMP não foi homologado, registro que no fundo o que se deseja aqui é a substituição da compensação nãohomologada por outra, em outros termos e com outro Crédito. Ato contínuo pretende o contribuinte que este colegiado profira novo Despacho Decisório, com fulcro na situação que alega ser a correta, o que não pode ser, por falecer competência às DRJ para tanto. 20. A competência das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil– DRJ estão previstas no Regimento Interno da Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 83 6 Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, conforme abaixo, dispondo expressamente que lhe cabe tãosomente “conhecer e julgar” os Despachos Decisórios das autoridades competentes em processos relativos à compensação, nunca formulálos, (...) 22. Assim, registro que qualquer pleito no sentido de se realizar novas atividades ligadas à compensação, inclusive com proferimento de novo Despacho Decisório, deve ser dirigido à autoridade competente para tanto. (...) Ciente desse decisum em 04/08/2011 (fl. 40), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 01/09/2011 (fls.41/46) e juntou documentos (fls. 46/74), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão recorrida entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade sob o fundamento que o art. 10 da IN SRF 600/2005 veda a utilização de crédito advindo de antecipação de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, antes do encerramento do respectivo período anual, podendo entretanto ser utilizado para dedução do imposto no ajuste anual ou para compor o saldo negativo; que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não prevê tal restrição; que a IN não deve prevalecer, por ser ato normativo infralegal. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão decisão recorrida, para que seja deferido o direito creditório pleiteado e seja, por conseguinte, homologada a compensação tributária.. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 84 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 23/05/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária (retificadora) nº 39046.73358.230507.1.7.049708 (fls.11/15), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, data de vencimento 28/04/2006, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA fevereiro/2006, data do recolhimento 31/03/2006. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas sim apenas saldo negativo do anocalendário. Entretanto, nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, argumentando: que a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal restrição não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96. que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que nos anos calendário 2005 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 85 8 b) não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; d) entretanto, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta mensal ou com balancete de suspensão ou redução mensal) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste anual. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA fevereiro/2006: a) sequer há cópia nos autos da DIPJ 2007, anocalendário 2006 (DIPJ original), e eventual retificadora; b) sequer há cópia de DCTF e eventual retificadora; c) ainda não foi juntada cópia da escrituração contábil, pois a contribuinte não foi intimada pelo fisco para tanto: que embora a recorrente alegue erro de base de cálculo do imposto (pagamento em excesso, pagamento indevido ou a maior), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2006 que comprove, de forma cabal, o erro de base estimada do imposto de fevereiro/2006 que pudesse justificar a apresentação da DCTF retiticadora e formação do direito creditório pleiteado; d) em tese, se houver, de fato, erro de base de cálculo estimada de fevereiro/2006, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 86 9 e) entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição de saldo negativo, pois é possível sim a devolução de direito creditório pago em excesso por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste, conforme Súmula CARF nº 84. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRJ/Curitiba para análise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, com os seguintes cuidados: a) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, erro de base de cálculo estimada do PA fevereiro/2006; b) apurar se houve o alegado excesso de recolhimento do referido PA (pagamento indevido ou a maior, por erro de base de cálculo estimada); c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de imposto do mencionado PA, verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo do anocalendário 2006; d) ainda, se caracterizado o excesso de recohimento do imposto por antecipação do citado PA, além de apurar o respectivo valor, informar, demonstrar, à luz da escrituração contábil, se decorreu de recolhimento sem relação com a receita bruta mensal, sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução (erro de base estimada), ou se decorreu de mera antecipação de pagamento nos termos da legislação de regência. Vale dizer, apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de base de cálculo estimada ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência. Diante do exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice suscitado, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões, devendo, então, a unidade de origem da RFB enfrentar o mérito do direito creditório pleiteado. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Curitiba para que prossiga no julgamento, enfrentando o mérito do direito creditório pleiteado e da compensação tributária efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914084/200974 Acórdão n.º 1802001.782 S1TE02 Fl. 87 10 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002752/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A autoridade julgadora não pode inovar o lançamento, por faltar-lhe competência, além de implicar em cerceamento ao direito de defesa.
Numero da decisão: 2201-002.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade julgadora não pode inovar o lançamento, por faltarlhe competência, além de implicar em cerceamento ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 11/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 27 52 /2 00 5- 15 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 21/27, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 191.310,65, calculados até 09/2005. A fiscalização glosou integralmente o valor de R$ 84.100,72, relativo ao imposto de renda retido na fonte. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: não se pode imputar ao contribuinte responsabilidade pelo atraso no recolhimento, eis que os fatos fiscais referemse à ação trabalhista em tramitação na 1ª Vara do Trabalho de Vitória; no dia 26 de julho, foi realizada uma audiência objetivando a solução da lide, tendo ficado consignado que a reclamada deveria recolher INSS em relação aos valores percebidos pelo impugnante; no dia 28 de julho, as partes homologaram o acordo, sendo reiterada na Ata a obrigação da reclamada de efetivar o recolhimento do imposto de renda, bem como de efetuar sua comprovação nos autos, o que ocorreu em 16 e em 19 de setembro, conforme cópia dos recolhimentos em anexo. Ao final, requer o conhecimento e o recebimento da presente impugnação e a sua devida procedência, a fim de que seja reconhecida a inexigibilidade do crédito tributário ao impugnante. A 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: PROVAS. Retificase o valor de rendimentos tributáveis e do imposto de renda retido na fonte, com base na documentação constante dos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Citase, outrossim, a conclusão do julgamento: Pelo exposto na Ata de Audiência datada de 26/07/2005, concluise que o contribuinte recebeu da EMESCAM rendimentos no anocalendário de 2001 no valor total de R$ 457.835,39, (...) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11543.002752/200515 Acórdão n.º 2201002.236 S2C2T1 Fl. 3 3 Em sua declaração de ajuste anual, o contribuinte informou como sendo rendimentos tributáveis recebidos da EMESCAM o valor de R$ 296.261,26. Ocorre que, compulsando os autos, não se verificam documentos que respaldam este valor de rendimentos tributáveis informado pelo contribuinte. Assim, não há provas nos autos, por exemplo, de que houve pagamento de honorários advocatícios em 2001, tampouco de que parte dos rendimentos pagos seria isento de tributação. Também não se vislumbra nos autos documentos que comprovam que houve retenção de imposto em 2001 em valor superior a R$ 82.804,67 em virtude, por exemplo, de atualização monetária. (...) Pelo exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, para apurar saldo de imposto a pagar no valor de R$ 41.351,38 (quarenta e um mil, trezentos e cinqüenta e um reais e trinta e oito centavos), acrescidos de juros e de multa de ofício. Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 53), Almir Cordeiro Júnior apresenta Recurso Voluntário em 14/11/2011 (fls. 54/55 fls. 63/87), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: 2. O acordo trabalhista mencionado no r acórdão constituiu as bases da indenização do Recorrente e também de suas obrigações fiscais correspondentes, conforme se extrai do documento que segue em cópia acompanhada dos cálculos de atualização monetária elaborados pela contadoria do Juízo e homologados pela autoridade judicial: Também acompanham este recurso os DARFs representativos dos recolhimentos de valores relativos ao imposto de renda incidente sobre as transações patrimoniais em questão, códigos da receita 5936, nos respectivos valores: R$ 59.349,79 (período de apuração 08/2005), R$ 116.142,72 (período de apuração 09/2005) R$ 9.574,22 (período de apuração 09/2005) 2.1 Também se deve registrar o recolhimento do valor de R$22.073,88, realizado objetivamente pela reclamada a título de contribuição previdenciária (cópia de CPS inclusa). (...) 5. Quanto à questão dos honorários advocatícios pagos em dezembro de 2001, seguem os respectivos recibos, nos valores de R$ 8.32203 e R$ 53.855,89. Juntamse também aos autos o contrato de honorários, com o que se pretende explicitar os valores constantes dos recibos. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de glosa efetuada pela autoridade fiscal, relativa ao imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 84.100,72, sendo R$ 1.296,05, atinente à Prefeitura Municipal de Vitória e R$ 82.804,67, referente à Reclamatória Trabalhista movida contra a Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória – EMESCAM. A autoridade recorrida, após análise das Atas de Audiência de fls. 05/12, entendeu que o rendimento bruto declarado deveria ser de R$ 479.898,54 (R$ 457.835,39/EMESCAM) + (R$ 22.063,15/Prefeitura Municipal de Vitória) e o imposto de renda retido na fonte R$ 84.100,72 (R$ 82.804,67/EMESCAM) + (R$ 1.296,05/Prefeitura Municipal de Vitória). Nesses termos, a 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG deu provimento parcial à Impugnação para apurar saldo de imposto a pagar no valor de R$ 41.351,38. Entretanto, compulsandose o Auto de Infração, fls. 21/27, verificase que a única alteração na declaração do contribuinte foi a glosa do Imposto Retido na Fonte no valor de R$ 84.100,72 (fl. 24). Assim sendo, não houve manifestação da autoridade autuante em relação aos rendimentos declarados. Muito pelo contrário, a fiscalização considerou como “Resultado apurado após a revisão da declaração” o rendimento bruto de R$ 318.324,41 (fl. 24). Ademais, o “Demonstrativo das Infrações” da peça acusatória à fl. 22, demonstra que não houve alteração dos rendimentos tributáveis declarados, uma vez que registra apenas: Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Glosado R$ 84.100,72 de imposto de renda retido na fonte por falta de comprovação pelo contribuinte de ter havido essa retenção. Enquadramento legal: art. 12, inciso V da Lei 9.250/95. O campo “Mensagens” do Auto de Infração (fl. 22) é muito claro ao mencionar tão somente: Foram alterados os valores das seguintes linhas de sua declaração: * imposto de renda retido na fonte para R$ 0,00. Ora, se a autoridade fiscal considerou como rendimento bruto o valor informado em sua DIRPF/2002 de R$ 318.324,41, obviamente não haveria por que a autoridade recorrida majorar o valor informado pelo recorrente. Em verdade, a parcela litigiosa devolvida para apreciação da turma julgadora de primeira instância limitase tão somente à glosa do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 84.100,72 (fl. 24). Quanto ao IRRF a autoridade recorrida se manifestou no sentido de que o contribuinte logrou comprovar o recolhimento no valor de R$ 84.100,72. Transcrevese quadro demonstrativo elaborado pela DRJ: Desta forma, refazemse os cálculos, conforme abaixo: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11543.002752/200515 Acórdão n.º 2201002.236 S2C2T1 Fl. 4 5 Rendimentos Recebidos da EMESCAN 457.835,39 Rendimentos Recebidos da Pref. Vitória 22.063,15 479.898,54 Desconto Simplificado 8.000,00 Base de Cálculo 471.898,54 Imposto Devido 125.452,10 Imposto Retido na Fonte (82.804,67+1.296,05) 84.100,72 Imposto Suplementar 41.351,38 De fato, os documentos de arrecadação, fls. 13/14, confirmados no banco de dados da Receita Federal do Brasil, demonstram que a reclamada efetuou o recolhimento do IRRF. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11543.002752/200515 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.236. Brasília/DF, 17 de setembro de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11543.002752/200515 Acórdão n.º 2201002.236 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908372/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância.
RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa..
Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues.ausente o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira,
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 LIDE. LIMITES OBJETIVOS. FIXAÇÃO. MATÉRIAS CONTIDAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cabe ao julgador de segunda instância decidir a lide nos limites objetivos em que foi constituída por meio da manifestação de inconformidade e das questões processuais e de mérito decididas na primeira instância. RECURSO. ARGUMENTO. INOVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É defeso ao recurso voluntário inovar no argumento de defesa sob pena de ser inapto par a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.. Fez sustentação oral: Dr. Daniel Souza Santiago da Silva, OAB/BA nº 16.759 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 72 /2 00 9- 06 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Belchior Melo de Sousa – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Souza, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Fábia Regina Freitas, Jorge Victor Rodrigues.ausente o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, Relatório Pedese vênia aos pares para a realização de transcrição do relatório do acórdão recorrido, posto que o mesmo capitulou os fatos ocorridos nos autos de forma concisa e didática. Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 19.654,88A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.Cientificada desse despacho em 19/10/2009, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 18/11/2009, alegando, em síntese e fundamentalmente,erro no preenchimento da DCTF, e que procedeu à sua retificação em 16/11/2009. Argumenta: 1. Embora os dados declarados originalmente pelo Contribuinte tenham dado margem à não homologação da compensação efetuada, a correção das informações da DCTF, pela Retificadora entregue pelo mesmo Contribuinte,possibilitam uma reanálise dos fatos declarados originalmente pelo mesmo Contribuinte, ainda que este tenha dado causa ao problema e reconheça isso,é facultado ao declarante retificar as informações que, eventualmente,tenha declarado com incorreções, conforme disposto no próprio manual de preenchimento da DCTF, no item 1.4— "declaração retificadora". 2. Se a própria RFB faculta ao contribuinte retificar suas próprias declarações,esse fato precisa produzir efeitos, necessariamente. Ademais, existe apenas restrição a correções efetuadas após a inscrição do débito em dívida ativa,sendo também nessa hipótese possível a retificação, porém, com a apresentação de provas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908372/200906 Acórdão n.º 3803003.834 S3TE03 Fl. 82 3 inequívocas da ocorrência do fato. Mesmo não se tratando dessa circunstância, o Contribuinte está anexando às evidências relativas às declarações originais e retificadoras, restabelecendo, assim, os valores geradores do crédito tributário a ser lançado e homologado pela RFB, para produção dos efeitos previstos na lei, uma vez que não está materializada, no caso em tela, as condições impeditivas descritas nos subitens1 a 4 do item 1.4 do manual de preenchimento da DCTF, elaborado pela RFB. Os autos foram encaminhados para julgamento pela 1ª Turma da DRJ/CPS em sessão realizada em 17/02/11, que proferiu decisão através do Acórdão nº 0532.654, sintetizada por meio da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Acórdão fundouse nos artigos 147 e 170 do CTN, e a conclusão de insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida, deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ou seja, não basta a simples apresentação de declaração retificadora em momento posterior, é preciso demonstrar em que se funda o erro da DComp e os documentos probantes da regularidade do crédito e, isto não ocorreu em relação à contribuinte. A ciência do teor do acórdão de fls. 40/44 deuse em 26/02/11, conforme atesta o AR, e a interposição de recurso em face do mesmo ocorreu em 29/03/11, de acordo com o recebimento à fl. 45 (carimbo da repartição fiscal). Diversamente da defesa apresentada em manifestação de inconformidade, as razões do recurso, preliminarmente, alega a existência de conexão entre o processo em epígrafe e os processos administrativos de nºs 10882.908.373/200942; 10882908.374200997; 10882908.375200931; 10882908.377200921; 10882908.379200910; 10882908.386 200911; 10882908.376200986; 10882.908.382200933; 10882908.383200988; 10882 908.384200922; 10882.908.378200975; 10882.909.122200985; 10882908.381200999, pois todos tratam exatamente do mesmo fato, para requerer a reunião dos mesmos, por dependência, para a apreciação pela mesma Câmara e pelo mesmo Conselheiro relator, com o fito de evitar a possibilidade de prolação de decisões divergentes acerca da mesma matéria. A Recorrente informou haver apurado crédito tributário a título de PIS e COFINS nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005,e que efetuou a compensação desses Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 4 valores com outros supostos débitos administrados pela RFB, IRPJ – estimativa, mês de competência setembro/2005, através de Per/DComp. Esclareceu, outrossim, que no mêscompetência de 09/2005 não houve débito em aberto de IRPJestimativa, tendo em vista que a Recorrente não apurou nenhum montante a ser recolhido a esse título no referido período. Deduziu que para constatar tal fato bastaria realizar singela análise na Ficha 11 – calculo do imposto de renda mensal por estimativa, da DIPJ 2006 (ano calendário 2005), para verificar que a recorrente não apurou imposto de renda a pagar no mês de competência 09/2005 (vide fl. 50, ou doc. 02). Informou que no mesmo sentido se depreende da DCTF (doc. 03), consoante se verifica do seu Resumo dos Débitos/Créditos, para concluir pela inexistência de débito e, por conseguinte, pela não realização de compensação, devendo ser cancelada a declaração de compensação, bem como o débito exigido. Acerca do tema em debate menciona jurisprudência administrativa emanada de outras DRJ’s, que vêm decidindo, nesses casos, que as Per/DComps podem e devem ser canceladas, inclusive de ofício, pela autoridade fiscal, ex vi dos acórdãos adiante transcritos: a) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE OBJETO. DÉBITO INEXISTENTE. Inexistente o débito compensado na DCOMP, não há que se falar em compensação realizada, razão pela qual deve ser cancelada de ofício a DCOMP correspondente e o débito exigido."(DRJ Curitiba, Acórdão n^ 06 30003, de 26/01/11) (g.n.) b) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO INEXISTENTES. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. A improcedência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação, entretanto, comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa." (DRJ Juiz de Fora, Acórdão n^ 0933342, de 28/01/11) (g.n.) c) "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NULIDADE. É nula a declaração de compensação que indica débito inexistente." (DRJ Rio de Janeiro, Acórdão ns 1236230, de 23/03/11) (g.n.) No mesmo sentido menciona o Acórdão nº 210100.026, de 04/06/2009, para requerer a reforma do acórdão recorrido e pelo cancelamento do débito de IRPJ, tendo em vista a sua inexistência. Acerca do requerimento em que justifica a necessidade de realização de diligência em seu estabelecimento para análise de documentação contábil hábil e idônea, tendente à verificação e comprovação de que não houve a base tributável para o IRPJ no mês competência 09/05, nos termos do artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, e menciona jurisprudência administrativa a exemplo dos acórdãos nºs 20216.793, 20312.385, 10809.534. Finalmente requer, preliminarmente, o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator e, quanto ao mérito, a reforma da decisão recorrida para o cancelamento da exigência que foi objeto de manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos, em face da inexistência de débito compensado, ou para a conversão do julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908372/200906 Acórdão n.º 3803003.834 S3TE03 Fl. 83 5 Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. Constatouse dos autos que o despacho decisório (fl. 06) foi proferido em 07/10/2009, que a DCTF retificadora foi transmitida em 16/11/2009 e que o acórdão recorrido foi prolatado em 17/02/2011 (fl. 40). De acordo com o Despacho Decisório nº 848674581 exarado em 07/10/09 (fl. 06), a autoridade administrativa concluiu pela não homologação, haja vista que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos localizados do contribuinte na data de transmissão da Per/DComp, não restando saldo credor disponível para realização da compensação declarada. Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Por ocasião da manifestação de inconformidade a contribuinte admitiu a existência de erro de fato nos Per/DComp declarados à repartição fiscal, por conseguinte apresentou DCTF retificadora em 16/11/09(PER/DCOMP Retificado nº 29055.34455.300905.1.3.042288), conforme o recibo de entrega nº 21.15.89.55.9115 (vide docs. 4 e 5), esclarecendo, oportunamente, que no mês de referência do lançamento não apurou débito aberto na conta IRPJ – Estimativa a pagar, bem assim que a falha constatada, que pode ser confirmada por meio de análise na Ficha 11, referente ao cálculo de IRPJ mensal por estimativa, da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl 50, doc 2), idem via DCTF retificadora (doc. 3). Diante correção da falha anteriormente apontada concluiu a contribuinte pela inexistência de débito para o período assinalado, por conseguinte pela não realização de compensação, portanto devendo ser cancelada a Declaração de Compensação e o lançamento dela decorrente, ou ainda, o esclarecimento acerca da controvérsia pode ocorrer mediante a realização de diligência na empresa para comprovação de que não houve base tributável para o mêscompetência 09/05, fazendo solicitação neste sentido. Acerca deste tema a decisão prolatada por meio do Acórdão nº 0532.654, em 17/02/11, julgou improcedente a manifestação de inconformidade aviada pela ora recorrente, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 6 sob o mero argumento de que a interessada não logrou demonstrar a liquidez e certeza do crédito informado no Per/DComp. Concluiu a referida decisão que a insuficiência de saldo credor à satisfação da compensação pretendida deuse em razão de a DCTF retificadora não trazer em seu bojo, quaisquer indícios ou documentos hábeis e idôneos a comprovar a existência e regularidade do crédito alegado. Ora, a defesa apresentada pela contribuinte impugnou justamente a existência do crédito informado no Per/DComp, inclusive esclarecendo,naquela oportunidade, acerca da percepção posterior de ocorrência de erro de fato no preenchimento deste formulário, em razão de não haver apurado IRPJ a pagar em setembro de 2005, ao ponto de que o pleito formulado foi pela não consideração da compensação declarada, ante a inexistência do débito apontado. A meu ver, pelos mesmos fundamentos da Lei nº 9.784/99, a decisão hostilizada deveria se pronunciar acerca da não existência de IRPJ a recolher de competência de setembro/2005, o que efetivamente não o fez. Tal pronunciamento seria de relevante importância, notadamente para consubstanciar a oposição às informações constantes da DCTF retificadora, que trouxe em seu campo específico os dados que atestam a inexistência de crédito, também servindo de comprovação do erro de fato expressamente reconhecido pelo contribuinte, o mesmo se constatando do corpo da própria DIPJ apresentada. No mais, serviriam tais argumentos devidamente fundamentados pelo juízo a quo para se contrapor à tese de que a cobrança tributária não procede, pois se encontra baseada em informações incorretas ainda que declaradas pela própria contribuinte. No passo seguinte rejeito o pedido formulado para a realização de perícia/diligência, pois despicienda. Vêse que os autos tratam exclusivamente de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete às partes interessadas, e mais, temse por não formulado o pedido de diligência ou de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Finalmente a recorrente formulou pleito para que haja o reconhecimento da conexão alegada entre os processos informados, para a determinação da sua distribuição para a mesma Seção e Câmara, bem como ao mesmo Conselheiro Relator, creio existir razão à recorrente. Muito bem. Dentre os processos administrativos retromencionados nos autos, verificouse que aqueles com o final 200911, 21, 31, 75, 85, 88, 97 e 99, encontramse sob a relatoria deste Conselheiro e referemse a pagamentos realizados a maior ou indevido (DComp eletrônico), cujas declarações de compensações informadas apresentam créditos de Cofins e PIS/Pasep (períodos de apuração distintos), com débitos de IRPJ (todos correspondentes a set/2005), portanto correspondendo todas as compensações à mesma data de ocorrência do fato gerador do tributo devido, e aos mesmos argumentos de defesa/prova. Observase, ainda, que os processos administrativos com os finais em 2009 42, 10, 86, 33 e 22, não se encontram sob a relatoria deste julgador. Em síntese há amparo para escudar o pleito da ora recorrente, ex vi do disposto no § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/05. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908372/200906 Acórdão n.º 3803003.834 S3TE03 Fl. 84 7 Inobstante assista razão à contribuinte quanto ao pedido acima formulado deixo de atendêlo em face do entendimento construído e profligado no curso deste voto que pugna ao final pelo regresso dos autos ao juízo a quo para a realização de novo julgamento. Buscase, com isto, afastar a alegação de supressão de instância, se porventura alegada. Também não há se alegar prejuízo pelas as partes interessadas, pois a decisão recorrida deve ser compatível aos pedidos formulados na apelação, nem além, nem aquém, conforme preceitua o artigo 460 do CPC. Verificouse, ainda, que a recorrente carreou para os autos novos elementos de prova e solicitação, o que se deu posteriormente à decisão de primeira instância, porém o fez em desacordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, inclusive dos requisitos atinentes ao seu § 4º, razão pela qual não resta outra solução senão rejeitálos. A meu ver deve retornar o presente processo à instância de primeiro grau para a devida apreciação da DCTF retificadora apresentada pela contribuinte em data anterior à decisão de primeira instância, tendo em vista suprir lacunas decorrentes do pronunciamento anterior acerca de questões já submetidas à apreciação daquele órgão judicante, quais sejam: a existência ou não de débito de IRPJ na competência de setembro/2005; e para a indicação precisa dos débitos constatados pela fiscalização, para os quais foram integralmente utilizados a título de pagamento os créditos informados em Per/DComp pela contribuinte, e que resultaram na insuficiência de saldo credor para a compensação, inicialmente pretendida, ou mesmo que resultaram na exação sob exame. Tal proposta decorre de que não laborou a fiscalização nem os julgadores de primeira instância em produzir elementos de convicção sustentáveis acerca da insuficiência do crédito alegado para a realização da compensação pretendida, ou mesmo infirmou os argumentos expendidos pela Recorrente acerca da inexistência de débito de IRPJ no mês de competência de set/2005, que juntou aos autos documentos que atestam a veracidade do alegado na exordial e no recurso voluntário, eis que não restaram impugnadas nem a DCTF retificadora, nem a DIPJ ano calendário 2005. Logo, para que o princípio da verdade material realize o efeito desejado não basta simplesmente à fiscalização alegar que houve a insuficiência de saldo credor para à satisfação da compensação, porém deve à mesma demonstrar fundamentadamente a existência de ilícito mediante argumentos indestrutíveis, ou mesmo partindo do aprofundamento da investigação de indícios porventura existentes nos autos que constituem o imbróglio, encontre elementos de convicção permitam se chegar à conclusão da prática da irregularidade cometida contra o erário, que resultou na não homologação da compensação declarada. Ante todo o exposto pugno pela anulabilidade da decisão de primeira instância para que outra nova e boa seja proferida, que contemple todas as questões formuladas pela contribuinte, consoante já assinalado. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator. Voto Vencedor Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado. Temos sob análise DComp não homologada em razão de inexistência de crédito oriundo de pagamento de Cofins integralmente alocado a débito anteriormente confessado. Por não ter o ato administrativo, bem assim a decisão de primeira instância, indicado a que débito estaria tal pagamento alocado, o nobre Relator inquinao de nulidade por deixar de explicitar inteiramente o motivo, configurandose cerceamento do direito de defesa. Esses os seus termos: Observouse, outrossim, que o detalhamento da compensação elaborada pela fiscalização (fl. 07) não especifica a quais débitos correspondem os créditos que supostamente teriam sido utilizados integralmente para a realização dos pagamentos alegados pela fiscalização, ao ponto de seu exaurimento. Ocorre que os atos administrativos quando negar, limitar ou afetar direitos ou interesses, deverão ter motivação explícita, clara e congruente, ex vi dos dispositivos contidos no caput, no inciso I e § 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99. No que tange a este aspecto a decisão de primeira instância merece reparo, pois não especificou a que débitos corresponderiam a utilização dos créditos informados no Per/DComp pela contribuinte. Cumpre mencionar que a forma automática (eletrônica) como se processa a alocação de pagamentos a débitos do contribuinte, nos sistemas de controle da RFB, implica em dizer que pagamentos somente são alocados a débitos por ele declarados por meio de DCTF. Não há alocações manuais no âmbito da RFB realizadas ao alvitre do órgão, fora de eventuais rotinas de ajustes decorrentes de manifesta vontade do contribuinte e de compensação de ofício de pagamento indevido ou a maior em vias de restituição, evento sobre o qual o contribuinte também se expressa. Na existência de DCTF com pagamento vinculado a débito declarado como ocorre neste caso é de solar clareza que o débito é o “anverso da moeda” do pagamento a ele alocado (ou viceversa), ou, noutra palavra, o pagamento representado por DARF é a imagem do correspectivo débito. Dito isso, concluise que a indicação do débito ao qual está alocado o pagamento não compõe o elemento “motivo” do ato administrativo de não homologação da compensação declarada, ao ponto de conspurcálo de invalidade ou de ineficácia. Logo, não se pode opor contra o despacho decisório de não homologação da compensação desconhecimento de qual o destino dado ao pagamento utilizado na DComp e atribuir a existência dessa lacuna na decisão recorrida, como o fez o digno Relator. Este seu entendimento o posicionou pela anulação da decisão de primeira instância, não reparando o óbice processual instalado na lide, consubstanciado em argumento novo trazido pela Recorrente, não questionado perante o Colegiado a quo. Perante a primeira instância a Contribuinte defendeu o seu direito ao crédito argumentando com a retificação procedida na DCTF informadora do pagamento originador do crédito, consignando ter anulado o débito de R$ 19.654,88. No recurso voluntário a Recorrente Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.908372/200906 Acórdão n.º 3803003.834 S3TE03 Fl. 85 9 abandona o argumento de retificação do débito originador do crédito e levanta outro argumento, o de inexistência do débito de IRPJ de setembro/2005 que compensou na DComp sob análise, pedindo o cancelamento da compensação. É consabido que a inicial e a manifestação de inconformidade estabelecem os limites do litígio, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas no despacho decisório. No caso, temse norma individual e concreta da Autoridade Administrativa afirmando no antecedente a inexistência de crédito e no consequente a não homologação do débito compensado pela Contribuinte. O recurso voluntário que pretenda dar continuidade à lide deve controverter e devolver à segunda instância a matéria que fora alvo de julgamento na instância de piso e que substanciou a razão de decidir, subvertendo as regras de Processo segundo as quais as divergências recursais devem ser opostas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeira instância. É preclusa a defesa que milita com matéria nova, que, assim, não se mostra habilitada a ser apreciada pelo colégio ad quem. Com a devida vênia, aponto que este foi o equívoco em que incorreu o Conselheiro Relator ao aduzir que “a decisão que não resolve todos os pedidos formulados, que decide a menos que o pleiteado deve ser anulada por caracterizar cerceamento do direito de defesa”. Referiuo, por privarse de perceber que o pedido veiculado no recurso voluntário não fora apresentado na primeira instância e o erro processual da Recorrente de inovar seu argumento da defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assin ado digitalmente em 24/09/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10980.013488/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO.
Tendo ficado comprovado nos autos que a pensão alimentícia destinada à ex-cônjuge, nos termos de decisão judicial que a homologou, foi declarada pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual e o mesmo montante foi declarado a esse título e tributado na declaração de ajuste da beneficiária, há que se restabelecer a dedução.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-002.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.800,00.
(assinado digitalmente)_______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
_________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. Tendo ficado comprovado nos autos que a pensão alimentícia destinada à ex cônjuge, nos termos de decisão judicial que a homologou, foi declarada pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual e o mesmo montante foi declarado a esse título e tributado na declaração de ajuste da beneficiária, há que se restabelecer a dedução. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.800,00. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 34 88 /2 00 8- 68 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 9 a 11verso, na qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2003. As infrações apontadas, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal integrante da Notificação de Lançamento, consistem na dedução indevida de despesas médicas e na dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Foi apresentada impugnação às fls. 1 a 8, na qual o contribuinte alegou que a sentença de separação homologada judicialmente e transitada em julgado estabelece que, a cada ano, a partir de 1981, a pensão seria fixada por acordo entre as partes, e que, por esse motivo, as despesas médicas pagas para tratamento da alimentanda, no anocalendário 2003, incluemse na pensão, eis que, nesse sentido, houve acordo firmado entre as partes, com a presença de testemunhas. Sustentou ainda que as despesas médicas estão suficientemente comprovadas, por meio dos recibos, notas fiscais e declarações apresentados. Ao examinar o pleito, a 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) decidiu pela procedência parcial do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0632.331, de 21 de junho de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS MEDICAS DE ALIMENTANDO. DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Na ausência de comprovação da manutenção dos efeitos da separação homologada judicialmente, é cabível a glosa da pensão alimentícia, assim como das despesas médicas alegadas a esse titulo. DIREITO AS DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO PARCIAL. AJUSTE. Comprovado o direito a parte das deduções glosadas no lançamento fiscal, cabe ajustálo aos parâmetros correspondentes. Impugnação Procedente em Parte Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.013488/200868 Acórdão n.º 2101002.228 S2C1T1 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido em Parte O órgão julgador a quo entendeu ter sido comprovada a despesa médica feita em benefício do próprio contribuinte, no valor de R$ 200,00. Em virtude disso, exonerou parte do imposto lançado, mantendo o valor de R$ 14.575,00 de imposto sobre a renda de pessoa física, além da multa de oficio e dos acréscimos legais correspondentes. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisou os argumentos da impugnação e juntou documentos. Ao final, pediu o cancelamento da cobrança do imposto e da multa de ofício. Alternativamente, requereu a redução do percentual da multa de ofício para 20%, eis que não houve omissão de receita. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da pensão alimentícia judicial A Fiscalização promoveu a glosa do montante de R$ 28.800,00 declarado pelo contribuinte a título de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução. A Fiscalização informou que, intimado a apresentar a Certidão Narratória do processo de alimentos atualizada, o contribuinte não logrou fazêlo, portanto não foi aceita a dedução da pensão por ausência de documentação probatória do valor atualizado e homologado judicialmente Em sua defesa, o contribuinte alegou ter entregue à Receita Federal sua sentença de separação devidamente transitada em julgado, portanto, com força de lei entre as partes e terceiros. Esclareceu que a sentença estabelece que, a partir de 1981, as partes acordariam os valores da pensão e, somente se não houvesse acordo, iriam a Juízo. Aduziu que, como as partes, desde 1981, sempre acordaram com os valores da pensão, não houve a ida ao Poder Judiciário e que não cabe ao Judiciário homologar acordos feitos pelas partes em cumprimento de decisão judicial. Complementou que, em abril de 2008, entregou à Receita Federal em Curitiba certidão da ação de separação consensual n.° 528/1980, informando que o processo encontrase findo e arquivado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) não acolheu seus argumentos, e entendeu que, embora o impugnante alegasse ter havido homologação da petição de separação, mediante sentença transitada em julgado, nada obstaria a revisão dos alimentos, nos termos do artigo 1.699 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002). Ponderou ainda que o fato de que as partes sempre estiveram de acordo com os valores pagos não basta ser meramente aventada, devendo ser comprovada, o que, em face de processo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 judicial, se daria mediante certidão que contivesse a narrativa das petições existentes e decisões judiciais correspondentes. No recurso voluntário, o contribuinte voltou às mesmas razões suscitadas na impugnação, ressaltando que não houve ato de revisão dos alimentos concedidos no processo de separação consensual e que o que fosse estabelecido entre as partes a título de pensão alimentícia prescindiria de homologação judicial. Além disso, a cópia da sentença transitada em julgado e da certidão do processo são meios hábeis para comprovar a relação existente entre ele e a alimentanda. O contribuinte acostou aos autos deste processo administrativo cópia da petição feita no processo de separação consensual, na qual se lê: “6º O marido pagará à esposa unia pensão alimentícia mensal de Cr$ 9.000,00 (nove mil cruzeiros), a partir de 1° de maio do corrente ano; a partir de 1° de novembro do corrente ano, dita pensão será aumentada para Cr$ 10.350,00 (dez mil, trezentos e cinqüenta cruzeiros). A partir de I° de maio de 1.981 (um mil, novecentos e oitenta e um), o valor da pensão será fixado mediante acordo entre as partes, ou, na sua impossibilidade, através de decisão judicial. [...] 8º As pensões alimentícias devidas à esposa e aos filhos, serão sempre pagas englobadamente, mediante depósito a ser feito pelo pai, até o dia 05 (cinco) de cada mês, na contacorrente nº 25.4630 existente em nome da esposa no Banco Bradesco S/A, Agência Comendador, desta Capital.” (g.n.) Em sede de recurso, juntou Certidão do Juízo de Direito da 4ª Vara de Família da Comarca de Curitiba (PR), mediante o qual comprova que a sentença homologatória do acordo de separação consensual, proferida nos autos do processo 528/1980, ocorreu nos termos propostos, transitou em julgado em 1980 e, após o trânsito em julgado da sentença, nenhum ato processual foi praticado no feito. Acostou ainda Certidão do 1º Ofício do Distribuidor, Part. e Contador Judicial do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba (PR), certificando que, desde 1963 até a data da sua expedição, só houve, em nome do contribuinte, ação na 4ª Vara de Família, com data de 24.6.1980, Distribuição 012904. Analisando o conteúdo da decisão proferida pelo Poder Judiciário, comprovada por meio da Certidão do Juízo de Direito da 4ª Vara de Família da Comarca de Curitiba (PR), acima mencionada, verificase que, no caso específico, o Magistrado deixou a critério das partes decidir quanto à fixação do valor da pensão a ser paga pelo contribuinte à sua excônjuge. Sendo assim, eles poderiam estipular livremente, de acordo com a sua vontade, o montante de pensão a ser pago, tanto para a excônjuge como para os filhos, e tudo seria pago englobadamente. Deveriam recorrer ao Poder Judiciário somente na circunstância em que tal acordo se mostrasse impossível. Ficou comprovado na mesma Certidão que, até a data da sua expedição, em 2011, a decisão judicial que homologou a pensão alimentícia não havia sofrido alterações. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.013488/200868 Acórdão n.º 2101002.228 S2C1T1 Fl. 4 5 No cumprimento daquela decisão judicial, no anocalendário 2003, o contribuinte declarou ter pago à sua excônjuge o montante de R$ 28.800,00 a título de pensão alimentícia judicial, valor esse declarado por ela como rendimento tributável em sua declaração de ajuste correspondente ao mesmo anocalendário. O montante pago a título de pensão judicial paga em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, pode ser deduzido da base, tal como prescreve o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Tendo em vista ter ficado demonstrado nos autos que o contribuinte, lastreado em decisão judicial que homologou os termos de sua petição nos autos do processo de separação consensual, declarou ter pago à sua excônjuge o montante de R$ 28.800,00, no anocalendário 2003, e esse valor foi por ela oferecido à tributação na sua declaração de ajuste anual correspondente ao mesmo anocalendário, não vejo razão para manter a glosa. Por esses motivos, merece reforma a decisão a quo, neste ponto, no sentido de restabelecer a dedução do valor declarado pelo contribuinte a título de pensão alimentícia judicial. 2. Das despesas médicas O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Das normas deduzidas do caput e do § 1.º do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas e glosar, mesmo sem a audiência do contribuinte, deduções consideradas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] Fl. 66DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.013488/200868 Acórdão n.º 2101002.228 S2C1T1 Fl. 5 7 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (redação vigente na época dos fatos) (grifouse) Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que os comprovantes de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem referirse a despesas com tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, e devem demonstrar tanto o recebimento do valor correspondente ao serviço prestado, pelo profissional da área de saúde, quanto o pagamento, feito pelo contribuinte, pela referida prestação. A comprovação das despesas médicas pode ser feita por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos, desde que, em seu conjunto, demonstrem, de forma inequívoca, que a despesa foi feita, nas condições admitidas na lei. O lançamento perpetrado neste processo fundamentouse na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, em benefício do próprio contribuinte ou de seu dependente, nos termos do artigo 8º, inciso II, alínea “a” e §§ 2º e 3º da Lei n.º 9.250, de 1995. Sobre o assunto, há que se salientar, primeiramente que a excônjuge do contribuinte não figura como sua dependente na sua declaração de ajuste do anocalendário correspondente. E nem poderia, eis que declara ser beneficiária de pensão judicial paga por ele. Sendo assim, de acordo com o inciso II do § 2.º do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, o total pago a título de despesas médicas em seu nome não pode ser deduzido da base de cálculo do imposto sobre a renda do recorrente. Por outro lado, o recorrente alega que o montante pago a título de despesa médica de sua excônjuge seria então parte da pensão alimentícia que, de acordo com a sentença homologatória proferida nos autos do processo de separação consensual, cabia somente a eles determinar. Por esse motivo, seria dedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda por integrar a pensão alimentícia judicial. Tal argumento não pode prosperar. É que, em primeiro lugar, para que isso fosse possível, o valor correspondente às despesas médicas teria de ter sido declarado pelo contribuinte como pago a título de pensão alimentícia a sua excônjuge, e, em segundo, deveria ter sido declarado por ela Fl. 67DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 como rendimento tributável na declaração de ajuste, o que, de fato, não ocorreu. Por fim, a dedução das despesas médicas deveria se dar na declaração de ajuste da excônjuge, mas isso não seria possível, haja vista que a declaração dela foi feita no modelo simplificado e, nessa hipótese, a dedução de despesas médicas já está incluída no desconto simplificado. Sendo assim, ainda que presentes todas as formalidades exigidas pelo artigo 8.°, § 2.°, III, da Lei n.° 9.250, de 1995, e ainda que comprovado o efetivo pagamento da despesa, por meio de documentação hábil e idônea, tal como exigido pela Fiscalização, o que não se verificou, mesmo assim, os valores declarados a título de despesa médica não podem ser deduzidos pelo recorrente, eis que, na hipótese, não ficou comprovado, que os serviços de saúde foram prestados ao contribuinte ou seu dependente. Não há, portanto, neste ponto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia judicial no valor de R$ 28.800,00. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000494/2003-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO.
No caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido.
Findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte o beneficiário do rendimento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. No caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido. Findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte — o beneficiário do rendimento. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 94 /2 00 3- 71 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2802 00.523, proferido pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção em 19 de outubro de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento ao recurso voluntário. Segue abaixo sua ementa: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A denúncia espontânea da infração, alcançada pelo art. 138 do CTN, não exclui o pagamento de obrigações acessórias. .Em se tratando de infração à obrigação acessória, a confissão espontânea não afasta a multa punitiva. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO FALTA DE RETENÇÃO LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. Ocorrendo a previsão da tributação na fonte a titulo de antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos e a ação fiscal após 31 de dezembro do ano do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte, na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Recurso Voluntário Provido.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.000494/200371 Acórdão n.º 9202002.858 CSRFT2 Fl. 6 3 Entende a PGFN que o aresto recorrido diverge dos paradigmas que apresenta: Acórdão 10615701: "IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa Física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. Recurso provido". Acórdão 10613918: "IRRF — ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO APURADOS APÓS A DATA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DOS BENEFICIÁRIOS — Exclusão DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. O imposto renda na fonte é tributo devido mensalmente pelo beneficiário do rendimento, cujo montante deverá ser informado na declaração de ajuste anual para a verificação de diferenças a recolher ou a restituir. A constituição de crédito tributário a titulo de IRRE somente pode se dar contra a Conte pagadora até a data de entrega da declaração de ajuste anual dos beneficiários dos rendimentos. Após isso, o lançamento a titulo de imposto de renda pessoa física deve ser efetuado contra o contribuinte. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. A inadequada fundamentação legal e a incorreta apuração da base de cálculo da penalidade, além de equívocos na forma de cálculo dos juros moratórias, reclamam a improcedência de suas exigências. Recurso de oficio negado." Explica que o Colegiado a quo deu provimento ao recurso da empresa contribuinte para excluir a sua responsabilidade pelo recolhimento do imposto, mesmo tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 20/03/2003, ou seja, antes do término do prazo para entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física (30/04/2003) (Parecer Normativo Cosit n.º 01/2002). Destaca que a jurisprudência de outras Câmaras defende a lavratura do auto de infração em nome da fonte pagadora quando realizado dentro do prazo de entrega da declaração de ajuste anual. Ao final, requer o provimento do ser recurso. Nos termos do Despacho n.º 920200.555, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Afirma que não há divergência entre a decisão recorrida e o paradigma indicado. Entende que no recurso interposto não se encontra a necessária identidade com outros precedentes nem se verifica a fundamentação na existência de precedentes que possam dar suporte à decisão proferida nestes autos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Mantém os fundamentos de que se valeu para obter provimento ao recurso voluntário. Requer, finalmente, o não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Demonstrado o dissídio jurisprudência e preenchidos os demais requisitos formais de admissibilidade, conheço do recurso especial. Conforme relatado, verificase que o acórdão recorrido concluiu que é incabível a constituição do crédito tributário, através de lançamento de imposto de renda na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos, após o decurso do ano calendário. Salientando que, no caso dos autos, tratase de rendimento sujeito à antecipação do devido na DIRPF. É necessário o esclarecimento de que, no sistema de retenção de fonte, a pessoa obrigada a satisfazer a obrigação, a princípio, é a pessoa que paga o rendimento. Tem se, pois, que a lei elegeu a fonte pagadora do rendimento para sujeito passivo da obrigação de reter o imposto, sendo que também a lei instituiu a obrigação de o beneficiário incluir o rendimento percebido durante o anocalendário na declaração de ajuste, com o fito de determinar a real base de cálculo do imposto devido durante o anocalendário. Esclarecendo, ainda, que a pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja, é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar a retenção a título de antecipação do devido na declaração, não exime os beneficiários, de incluir os rendimentos recebidos em sua DIRF anual. Portanto, no caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido. No caso específico do imposto de renda retido na fonte a título de antecipação, a responsabilidade atribuída à fonte pagadora (reter o imposto a título de antecipação) não afasta a do legítimo sujeito passivo de cumprir a obrigação de oferecer os rendimentos à tributação na declaração de ajuste anual. O fato de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto na fonte a título de antecipação, por mero equívoco ou mesmo omissão, não significa que o beneficiário do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.000494/200371 Acórdão n.º 9202002.858 CSRFT2 Fl. 7 5 rendimento esteja desobrigado de incluir esses rendimentos entre aqueles sujeitos à tabela progressiva na declaração, pois, efetivamente, é ele o contribuinte. A lei, conforme previsto no art. 128 do CTN, atribuiu a terceiro (no caso a fonte pagadora) tãosomente a responsabilidade pela retenção do imposto a título de antecipação do devido na declaração. No entanto, há de se observar que esta responsabilidade não persiste "ad eternum". Portanto, findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte — o beneficiário do rendimento. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16098.000193/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO.
Reconhecido o direito creditório, relativo a saldo negativo apurado ao final do ano-calendário 2003, homologa-se a compensação pleiteada. Na hipótese dos autos, restou caracterizada também a homologação tácita.
Numero da decisão: 1103-000.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. Reconhecido o direito creditório, relativo a saldo negativo apurado ao final do ano-calendário 2003, homologa-se a compensação pleiteada. Na hipótese dos autos, restou caracterizada também a homologação tácita.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
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DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. Reconhecido o direito creditório, relativo a saldo negativo apurado ao final do anocalendário 2003, homologase a compensação pleiteada. Na hipótese dos autos, restou caracterizada também a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 01 93 /2 00 8- 62 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16098.000193/200862 Acórdão n.º 1103000.909 S1C1T3 Fl. 160 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP (fls.04/09), transmitidos em 27/02/04, por meio dos quais se declararam compensações de estimativas de IRPJ e CSLL, relativas a janeiro/04. O direito creditório adviria de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados ao final de 2003. Por meio do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 907/2008 (fls.34/36), de novembro/2008, cientificado ao contribuinte apenas em 13/07/09 (fls.37 e 47), homologou se a compensação vinculada ao saldo negativo de IRPJ. Quanto àquela decorrente do saldo negativo de CSLL, a autoridade competente assim fundamentou a não homologação: “SALDO NEGATIVO DA CSLL Para a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devemos utilizar as mesmas regras aplicadas à apuração do Imposto de Renda, conforme dispõe o art.28 da Lei do Ajuste Tributário n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: ‘Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei’. A ocorrência do Saldo Negativo está prevista no art. 6° dessa Lei: ‘Art. 6° O imposto devido, apurado na forma do art. 2°, deverá ser pago até o último dá útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2° O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir de 1° de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §3° O prazo a que se refere o inciso I do §1° não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.’ (destacamos) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16098.000193/200862 Acórdão n.º 1103000.909 S1C1T3 Fl. 161 3 Em relação ao saldo credor da CSLL, a Interessada apresenta seguinte demonstrativo de cálculo (ficha 17 da DIPJ 2004, fl. 26): CÁLCULO DA CSLL 38. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Total 0,00 DEDUÇÕES 39. () Recuperação de Crédito de CSLL 0,00 40. () Bônus de Adimplência Fiscal 0.00 41. () CSLL Mensal paga por estimativa 3.074,77 42. () Parc. Formalizado de CSLL s/a Base de Calç. Estimada 0,00 43. () Imp. Pago no Exter. s/ Lucros, Rend. Ganhos de Capital 0,00 44. () CSLL Ret. Fonte p/Órgão Público Federal 0,00 45. () CSLL Ret. Fonte p/Outras PJ 0,00 46. () CSLL Ret. Fonte p/Est., DF e Municípios 0,00 47. () CSLL Ret. Fonte p/Ent. da Adm. Pub. Fed. 0,00 48. CSLL A PAGAR 3.074,77 A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fl.27) indica que a estimativa da CSLL, lançada à linha 41 da ficha 17, foi compensada com saldo negativo da Contribuição, apurado em 31/12/2001, e através do processo administrativo n° 10875.001709/200348. Tendo em vista a operacionalização das informações nos Sistemas da Receita Federal do Brasil, o pleito da contribuinte, que estava originalmente no processo n° 10875.001709/200348, passou a ser tratado no processo administrativo n° 16098.000075/200854. Conforme cópia do Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT n° 322/2008, anexada ao presente processo (fls.28 a 33), a Autoridade Administrativa não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações vinculadas, o que inclui o débito da CSLL, no valor de R$ 3.074,77. Assim, não há como reconhecer o crédito pleiteado pela contribuinte. A Quarta Turma da DRJ – Campinas (SP), manteve o despacho decisório por meio de acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.77/82): COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da suficiência e da disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais ou no encerramento do anocalendário. Indeferida a compensação formalizada em outro processo administrativo, por meio da qual se pretendia a liquidação de estimativa do período, que geraria o saldo negativo objeto do presente pleito, não há direito creditório a ser reconhecido. DIREITO CREDITÓRIO EM LITÍGIO. COMPENSAÇÃO. Não apresentados meios de prova suficientes e necessários a infirmar a apreciação efetuada pelo Despacho Decisório contestado, não há direito creditório a ser Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16098.000193/200862 Acórdão n.º 1103000.909 S1C1T3 Fl. 162 4 reconhecido. Em conseqüência, não se homologam as compensações declaradas. Devidamente cientificado da decisão em 09/12/09 (fl.84), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 08/01/10 (fls.85/104), em que sustenta, em síntese: o processo deveria ser reunido aos de nº 16098.000075/200854 e 18705.900257/200862 para julgamento conjunto; o acórdão recorrido não teria apreciado devidamente as provas dos autos (guias de recolhimento e DCTF), tendo sido fundamentado apenas na falta de apresentação do Razão, livro este que foi devidamente escriturado conforme cópias agora anexadas; teria apurado saldo negativo de CSLL ao final do anocalendário 2001, conforme já demonstrado no processo nº 16098.000075/200854, empregado na compensação das estimativas de janeiro/02, maio/02 e junho/02; a estimativa de CSLL de janeiro/03, no valor de R$ 3.074,77 fora compensada com parte de saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário 2002, por meio da Declaração de Compensação protocolizada em 13/04/03 (processo nº 10875.001709/200348), indevidamente não homologada conforme Despacho Decisório – DRF/GUA/SEORT Nº 322/2008. Em 17/01/12, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 130200.811, declinou competência a esta Terceira Turma Ordinária, tendo em vista ter sido o colegiado que proferiu decisão no processo nº 16098.000075/200854: “Assim como no processo 10875.000257/200621, referente a pedido de compensação do mesmo contribuinte, a decisão proferida no processo 16098.000075/200854 interfere diretamente no resultado do julgamento deste processo. Tratando de pedido de compensação de saldo negativo de CSLL que constam de mais de um processo administrativo e o litígio se instaurou sobre o valor deste saldo, que o despacho decisório entendeu insuficiente para fazer frente a todos os pedidos de compensação. Tendo sido proferida decisão no processo 16098.000075/2008 54, entendo que este deve ser remetido à turma que proferiu aquela decisão. Diante do exposto, voto por declinar da competência em favor da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF.” É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16098.000193/200862 Acórdão n.º 1103000.909 S1C1T3 Fl. 163 5 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A compensação pleiteada deixou de ser homologada em razão de o saldo negativo apurado ao final de 2002 não ter sido reconhecido anteriormente, conforme Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT n° 322/2008, exarado no processo 16098.000075/200854. Na decisão de primeira instância, ora recorrida, adotouse também o entendimento esposado quando da apreciação do processo nº 16098.000075/200854: “[...] o direito creditório com origem em saldo negativo do ano calendário de 2002 foi indeferido pela DRF de origem, por meio do Despacho Decisório n.° 322/2008, cuja decisão foi confirmada, por unanimidade, pelo Acórdão de n.° 0527.213, de 09 de novembro de 2009, proferida por esta Quarta Turma de Julgamento. 11.Dada a íntima relação de causa e efeito entre o presente processo e o de n.° 16098.000075/200854, transcrevese, integralmente, o voto proferido naquele acórdão: ..... 12. Portanto, diante da inexistência de saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2002, cujo reconhecimento de direito creditório foi pleiteado por meio do processo administrativo número 16098.000075/200854, indeferido administrativamente, não houve como compensar a estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2003. 13. Dessa forma, tendo em conta que o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 dependia da extinção daquela estimativa, também não há direito creditório com origem em saldo negativo da CSLL, anocalendário de 2003, a ser reconhecido e não se homologam as compensações respectivas.” Cabe verificar, então, a situação do processo nº 16098.000075/200854. Em 24/11/11, esta Terceira Turma Ordinária, por meio do acórdão nº 1103 00.593, sem adentrar no mérito da procedência ou não do direito creditório, declarou a homologação tácita das compensações ali tratadas, nos termos do voto do I. Relator, Cons. Aloysio José Percínio da Silva: “O pedido de reunião dos processos deve ser rejeitado, tendo em vista a inexistência de quaisquer elementos que comprovem que o julgamento deste processo dependa de decisão dos outros citados (16098.000075/200854 e 16098.000193/200862) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16098.000193/200862 Acórdão n.º 1103000.909 S1C1T3 Fl. 164 6 No enfrentamento da questão central – o suposto equívoco na informação prestada em DCTF – a turma recorrida entendeu que a prova do fato sustentado pela contribuinte seria feita com base nos registros contábeis, rejeitando a alegação por falta de apresentação da escrituração completa. Excluindose a avaliação da correção da decisão, tendo em vista que deve ser objeto do enfrentamento do mérito, vêse que o exame foi coerentemente centrado na documentação considerada essencial como meio de prova, deixandose de lado, para fins de motivação da decisão, referências aos demais elementos trazidos aos autos, que foram implicitamente tratados como secundários no acórdão. Portanto, rejeito a preliminar. Por outro lado, constatase que transcorreram mais do que 5 (cinco) anos entre a data da entrega da declaração em 13/05/2003 e a ciência do despacho decisório pela contribuinte em 27/05/2008. Assim, ocorreu a homologação tácita da compensação declarada conforme prevê o art. 74, § 2º e 5º, da Lei 9.430/1996. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso em razão da homologação tácita da compensação declarada.” Tal decisão foi confirmada pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em 17/04/13, negou provimento ao recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), tendo o acórdão recebido a ementa abaixo: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. As declarações de compensação resultantes da conversão de pedidos de compensação por expressa determinação legal, considerarseão homologadas tacitamente se transcorrido o prazo de cinco anos, desde a data da protocolização do pedido, sem que a autoridade administrativa se pronuncie. Assim, como consequência das decisões proferidas no processo nº 16098.000075/200854, temse que a estimativa, no valor de R$ 3.074,77, que compôs o saldo negativo ao final do anocalendário 2003, foi considerada compensada, ainda que tacitamente. Por conseguinte, a compensação objeto do PER/DCOMP nº 14225.34666.270204.1.3.030924, do débito de estimativa de CSLL, de janeiro/04, no valor de R$ 3.144,57, deve ser homologada, haja vista os valores envolvidos, conforme a seguinte tabela confeccionada a partir das informações constantes das fls.07/08: Crédito – Saldo Negativo de CSLL Débito Valor original (R$) Valor atualizado (R$) Estimativa de CSLL (janeiro/04) 3.074,77 3.144,57 3.144,57 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16098.000193/200862 Acórdão n.º 1103000.909 S1C1T3 Fl. 165 7 Ainda que o crédito indicado não fosse suficiente para extinguir o débito, a compensação deveria ser homologada, desta feita tacitamente, haja vista o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para a análise do pleito, contado da transmissão do PER/DCOMP em 27/02/04. Como relatado, apesar de o Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 907/2008 ter sido exarado em novembro/2008 (fl.36, verso), foi cientificado ao contribuinte apenas em 13/07/09 (fls. 37 e 47). Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905891/2011-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 160 1 159 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905891/201133 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.053 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 91 /2 01 1- 33 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905891/201133 Acórdão n.º 3803006.053 S3TE03 Fl. 161 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 47.930,56. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905891/201133 Acórdão n.º 3803006.053 S3TE03 Fl. 162 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905891/201133 Acórdão n.º 3803006.053 S3TE03 Fl. 163 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905891/201133 Acórdão n.º 3803006.053 S3TE03 Fl. 164 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10805.721977/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DECADÊNCIA - ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO -GLOSA NO APROVEITAMENTO. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA E POSTERIORMENTE INCLUÍDO EM PROGRAMA DE PARCELAMENTO. DEDUTIBILIDADE NO EXERCÍCIO DA CONFISSÃO DA DÍVIDA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. O tributo, quando suspensa sua exigibilidade, não é certo e líquido, não chegando a representar uma despesa real e, menos ainda, necessária. Contudo, no momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável seus débitos, a despesa passa a ser líquida e certa, possibilitando-se a sua dedução pelo regime de competência, no período-base do reconhecimento da dívida.
Numero da decisão: 1101-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de compensação de prejuízos e bases negativas, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de exclusões de tributos, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. Fez declaração de Voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DECADÊNCIA - ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO -GLOSA NO APROVEITAMENTO. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA E POSTERIORMENTE INCLUÍDO EM PROGRAMA DE PARCELAMENTO. DEDUTIBILIDADE NO EXERCÍCIO DA CONFISSÃO DA DÍVIDA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. O tributo, quando suspensa sua exigibilidade, não é certo e líquido, não chegando a representar uma despesa real e, menos ainda, necessária. Contudo, no momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável seus débitos, a despesa passa a ser líquida e certa, possibilitando-se a sua dedução pelo regime de competência, no período-base do reconhecimento da dívida.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido a contribuinte regularmente cientificada das exigências e das infrações que lhe foram imputadas, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, não se cogita de cerceamento de defesa, sobretudo se demonstrado nos autos que os motivos da exigência foram perfeitamente compreendidos, tanto que detalhadamente refutados. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO PELA DRJ. INOCORRÊNCIA. Não há falar em inovação na motivação e fundamentação do lançamento, quando a DRJ limitase a responder, em obter dictum a questionamentos da contribuinte, mormente quando as respectivas respostas já se encontram no próprio Termo de Verificação e Constatação Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA E POSTERIORMENTE INCLUÍDO EM PROGRAMA DE PARCELAMENTO. DEDUTIBILIDADE NO EXERCÍCIO DA CONFISSÃO DA DÍVIDA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. O tributo, quando suspensa sua exigibilidade, não é certo e líquido, não chegando a representar uma despesa real e, menos ainda, necessária. Contudo, no momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável seus débitos, a despesa passa a ser líquida e certa, possibilitandose a sua dedução pelo regime de competência, no períodobase do reconhecimento da dívida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 19 77 /2 01 2- 02 Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de compensação de prejuízos e bases negativas, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de exclusões de tributos, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. Fez declaração de Voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Relatório O trabalho da fiscalização teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08114002012000520, em que foram efetuadas verificações fiscais, com a finalidade de apurar o cumprimento das suas obrigações tributárias quanto à apuração e ao recolhimento do IRPJ anual e reflexos, referente ao anocalendário de 2009. De posse dos livros fiscais e de outros documentos apresentados pela Contribuinte, a Fiscalização observou, na demonstração da apuração do Lucro Real (Ficha 06A da DIPJ 2010 – anocalendário 2009), que a empresa, escriturou no item “Outras Exclusões” o valor de R$ 30.369.494,07. O mesmo valor foi excluído na apuração do cálculo da CSLL, também sob a rubrica “Outras Exclusões”. Em 23/04/2012 a empresa foi intimada a apresentar os seguintes esclarecimentos: “a) Esclarecer a origem e a natureza dos valores escriturados no Livro de Apuração do Lucro Real, Parte A (Registro de Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 4 3 Ajustes do Lucro Líquido do Exercício),em “Outras Exclusões” sob a rubrica: Parcelamentos Diversos (PPI) – R$ 30.369.494,07 b) Apresentar documentação comprobatória da referida exclusão. ” Em 03/05/2012 a empresa, em resposta à intimação, esclareceu que “a origem do valor de R$ 30.369.494,07 se refere ao principal de ISS (R$ 29.994.293,35) e custas processuais devidas ao Estado de São Paulo em Execuções Fiscais (R$ 375.200,72), incluídas no Programa de Parcelamento Incentivado da Prefeitura de São Paulo”. Juntou extrato contendo os dados do referido parcelamento. Os valores do referido parcelamento referemse ao ISS correspondente aos anoscalendário de 1996 a 2001, cuja exigibilidade estava suspensa em razão de estar em curso o questionamento administrativo e judicial dos referidos valores. Para adesão ao parcelamento, a contribuinte optou por desistir do contencioso fiscal no ano de 2009. Entendeu a Fiscalização que o valor do ISS parcelado pela empresa (e excluído da apuração do Lucro Real) não guardava “correspondência com a receita de prestação de serviços prestados durante o anocalendário de 2009” (fl.899), o que feria o regime de competência. Em sequência ao trabalho fiscalizatório, a Autoridade Fiscal apurou, conforme o Termo de Verificação Fiscal: Prosseguindo na análise da DIPJ 2010 da fiscalizada, verificamos, na apuração do Lucro Real do período, que a mesma efetuou compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores, no valor de R$ 17.146.399,34. O mesmo valor foi também compensado na apuração da base de cálculo da CSLL, como base de cálculo negativa de períodos anteriores. Dando prosseguimento, verificamos que os valores do prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, referentes ao ano calendário de 2000 foram alterados no Sistema de Acompanhamento dos Saldos de prejuízos Fiscais Compensáveis e das Bases de Cálculos Negativas da CSLL (SAPLI). Tais alterações se deram por força do atendimento à demanda da DRJ/Campinas, contida no processo n° 10805.900681/2006 08, o qual trata de compensação de base e cálculo negativa de CSLL com estimativas do A/C 2001. Há despacho decisório nesse processo, cuja decisão foi desfavorável à contribuinte, e em razão da decisão, foram recalculados os supostos prejuízo e a base de cálculo negativa da CSLL. Recompôsse, então, o saldo de prejuízo compensável e da base de cálculo negativa da CSLL, a partir do anocalendário de 2000, restando demonstrado, conforme apurado nos autos do processo n° 10805.900681/200608, o total esgotamento dos respectivos saldos compensáveis, da CSLL, já no anocalendário de 2004, e do prejuízo, no anocalendário de 2006. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 5 4 Foi, então, lavrado Auto de Infração em desfavor da Contribinte, em que foram cosntituídos créditos tributários a título de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2009, tendo em vista a glosa dos valores excluídos da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Irresignada, a contribuinte apresentou tempestiva Impugnação, em que argui, sinteticamente: Preliminar de Decadência, defendendo a tese de que não poderia a autoridade fiscal rever informações, já atingidas pela homologação tácita, quando do lançamento relativo à parcela de prejuízos compensados em 2009 e provenientes dos anos calendário de 2000. Sustenta que, se o Fisco discordasse do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos períodos pretéritos, deveria têlos contestado àquela época, dado que a decadência torna imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo mais ser alterados, quer pelo Fisco quer pelo contribuinte. Preliminar de Nulidade por ausência de adequada fundamentação do real motivo, pelo qual a autoridade fiscal entenderia que os valores do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa seriam inferiores aos apurados pela interessada, sustentando que a simples menção a processo de compensação ainda pendente de julgamento, não pode suportar tal decisão. Ainda, alega que processo de restituição/compensação não é meio hábil para alterar valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa e que a DIORT não seria competente para proceder à redução de prejuízo fiscal. Alega Cerceamento do Direito de Defesa, uma vez que processos de restituição/compensação têm suas lides bem delimitadas, restringindo, seus efeitos, tãosó, à discussão quanto ao débito que se pretende compensar e ao respectivo crédito. Logo, eventual desfecho nestes processos que fosse desfavorável ao contribuinte, resultaria, apenas, na obrigatoriedade de pagar o débito discutido, não alcançando tal ato administrativo, sob pena de se estar cerceando o direito de defesa da interessada, a questão acerca da redução do prejuízo fiscal ou da base de cálculo negativa da CSLL. Acrescenta que, no processo de compensação nº 10805.900681/200608, somente se discutiu a base de cálculo negativa da CSLL, não podendo o mesmo, também por esta razão, ser tido como meio hábil para redução do prejuízo fiscal apurado pela impugnante no anocalendário de 2000. Revela que teria a interessada aderido ao Refis, previsto na Lei nº 9.964, de 2000 e, incluído no referido programa de parcelamento especial, débitos ributários da ordem de R$ 136.612.861,62. E, que, em que pesem os fatos geradores dos débitos federais em questão terem ocorrido entre 1990 e 2000, a Impugnante apenas tomou conhecimento deles quando foi cientificada da lavratura dos respectivos autos de infração e que, contra referidas lavraturas, apresentou as respectivas impugnações, as quais suspenderam a exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no artigo 151, inciso III, do CTN. Portanto, a dedutibilidade dos mencionados débitos ficou suspensa durante a suspensão da exigibilidade desses, por força do § 1º do artigo 41 da Lei nº 8.981, de 1995. Sendo assim, a contribuinte sustenta que o §1º do artigo 41 da Lei nº 8.981/95, traz exceção à regra contida no caput da citada norma, prevendo expressamente a Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 6 5 não dedução, pelo regime de competência, de tais despesas, quando se referirem estas a tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. A 4ª Turma da DRJ/CPS negou provimento à Impugnação em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido a contribuinte regularmente cientificada das exigências e das infrações que lhe foram imputadas, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, não se cogita de cerceamento de defesa, sobretudo se demonstrado nos autos que os motivos da exigência foram perfeitamente compreendidos, tanto que detalhadamente refutados. PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. A ausência de decisão definitiva em processo administrativo anterior em que apreciada pela autoridade fiscal a base de cálculo de períodos anteriores àquele objeto da autuação, não obsta a formalização do lançamento, nem o torna nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS. DECADÊNCIA. Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. PREJUÍZOS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. COMPENSAÇÃO. Mantémse a exigência se demonstrada a inexistência de saldo de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL a compensar. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 7 6 EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. LUCRO REAL. Dispêndios dedutíveis (como valores principais de tributos devidos) para produzir efeitos na determinação do lucro real devem ser excluídos do lucro líquido de seu respectivo período de apuração, ou seja, àquele que efetivamente se referem, não sendo viável a pretensão de exclusão quando de seu parcelamento. Contra a decisão de 1ª Instância, a contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, em que repisa os argumentos trazidos em Impugnação. Em relação ao argumento de o processo de compensação nº 10805.900681/200608 referirse apenas à base de cálculo negativa da CSLL, e à menção a esse processo ser o único fundamento do Auto de Infração, é importante destacar que a DRJ o refutou, afirmando que a alteração do lucro líquido se deu não apenas nesse processo que trata de DCOMP com crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000, mas também do processo 10805.900686/200622. Sobre esse ponto, o Recurso Voluntário é enfático ao arguir que a fundamentação trazida pela d. DRJ não constava do Auto de Infração e que, portanto, trataria de verdadeira inovação da fundamentação do lançamento, motivo pelo qual o lançamento deveria ser anulado. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Primeiramente, cabe analisar as preliminares de decadência, de nulidade do auto de infração e inovação na motivação do lançamento, levantadas pela contribuinte. Consoante explicado alhures, sustentase que as informações contidas nos livros objeto da fiscalização poderiam ter sido contestadas no momento da apresentação da DIPJ, isto é, quando a Administração tomou conhecimento dos prejuízos e bases negativas apurados, ocasião em que teria passado a fluir o prazo decadencial. Quanto ao ponto, a DRJ entendeu que o referido prazo tem início com a compensação do prejuízo fiscal, e não com a formação deste. Não desconheço a existência de divergências em relação à referida questão no âmbito deste conselho, mas já manifestei entendimento no sentido de que, ultrapassado in albis o quinquídio legal após a declaração do resultado negativo, operase a homologação tácita dos valores indicados. A propósito, transcrevo a seguinte ementa de julgado de que fui relator: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998 Ementa: CSLL CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SALDO DEVEDOR Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 8 7 PLANO VERÃO No exercício de 19900 índice direcionável para a correção das demonstrações financeiras é o IPC, que melhor reflete o poder de corrosão da moeda brasileira no período. CSL CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO PELO IPC EM 1989 PLANO VERÃO POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA DIFERENÇA EM PERÍODOS SUBSEQÜENTES No exercício de 1990 o indexador de correção das demonstrações financeiras é o IPC, que melhor reflete o poder de corrosão da moeda brasileira no período, podendo ser apropriado em períodos subseqüentes, eis que não gera prejuízo ao Fisco. DECADÊNCIA DO DIREITO DE RETIFICAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL A retificação de prejuízo fiscal ou base negativa da CSLL devem ser formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento dentro do prazo qüinqüênio legal, contado do final do período de apuração objeto da declaração ou da data de entrega da declaração retificadora. FALTA DE COMPROVAÇÃO — DESPESA DE CORREÇÃO MONETÁRIA GLOSA FALTA COMPROVAÇÃO Não tendo o sujeito passivo apresentado documentos elaborados de acordo com as exigências legais e que evidenciem de forma clara o resultado obtido como despesa de correção monetária, cabível a glosa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão 180300185, Processo 13819.000677/200326, minha relatoria, 3ª Turma Especial, sessão de 30/09/2009) Registrese que, em setembro do último ano, tal posicionamento prevaleceu na 1ª Turma da 1ª Câmara desta Seção, conforme se depreende da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL. COMPENSAÇÃO COM O RESULTADO APURADO. POSSIBILIDADE. Ampliase a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL quando declarada a decadência em relação a período de apuração no qual a contribuinte apurou prejuízo fiscal, bem como a autoridade julgadora consumiu prejuízos fiscais e bases Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 9 8 negativas anteriores para reduzir exigência agora integralmente cancelada. CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS. EXECUÇÃO DA OBRA POR ADMINISTRAÇÃO. CONTA CORRENTE NÃO CONTABILIZADA. PAGAMENTO DE DISPÊNDIOS COM RECURSOS DA CONTA NÃO ESCRITURADA. RECEITAS A FATURAR. FATO GERADOR NÃO DESCONSTITUÍDO. REGULARIDADE DA TRIBUTAÇÃO. Correta a exigência sobre receitas não faturadas quando incorridas as despesas para execução de obras, na medida em que os contratos firmados com os condomínios estabelecem a remuneração da construtora em razão do custo global da construção. (Acórdão n° 1101000.935, Processo n° 10380.014657/200765, minha relatoria, redatora designada Edeli Pereira Bessa, sessão de 10/09/2013) Por outro lado, não vislumbro a alegada nulidade decorrente do fundamento de que a glosa do valor de R$ 17.146.399,34 teria como motivo a recomposição do lucro real da empresa, decorrente do acórdão proferido no Processo n° 10805.900681/200608. Com efeito, embora a fundamentação do Termo de Verificação e Constatação Fiscal tenha sido concisa, creio que tal fato não teve o condão de macular de nulidade a exigência fiscal, ainda que tenha dificultado a formulação da defesa. Todas as manifestações formuladas pela recorrente, no curso do processo, foram pertinentes e demonstraram que a matéria foi perfeitamente entendida pela empresa e devidamente contestada, de acordo com sua linha de raciocínio. Quanto ao ponto, vejase que a empresa teve pleno acesso aos autos do processo mencionado, e não demonstrou prejuízo à sua defesa, tanto é que desenvolveu argumentação no sentido de que poderia, em tese, ter sofrido prejuízo, caso não dispusesse dos documentos necessários à compreensão do teor do processo indicado acima: “Notese ainda que a Impugnante somente está sendo capaz de defenderse contra a absurda alegação de que o seu prejuízo fiscal e de (sic) sua base de cálculo negativa de CSLL foram reduzidos em virtude do processo de compensação n° 10805.900681/200608, pois possui a documentação relativa a esse feito administrativo” (fl. 942, impugnação da recorrente) Pontuese, ainda, que, de fato, como sustentado pela recorrente, não seria possível à DRJ suprir eventual deficiência de fundamentação do auto de infração, por meio da menção ao Processo n° 10805.900686/200622, por ser vedado esse tipo de inovação, consoante se depreende dos precedentes deste conselho. Exemplificativamente: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido. (Acórdão n° 3401001.840, Processo 18471.000781/200817, Relator Jean Cleuter Simões Mendonça, 4ª câmara / 1ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, sessão de 26 de junho de 2012) Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 10 9 Ocorre, porém, que a presente situação espelha hipótese diversa. A menção ao referido processo era absolutamente dispensável e se deu tão somente, em obiter dictum, para dar satisfação à contribuinte em relação à alegação de que o Processo n° 10805.900681/200608 não poderia gerar efeitos na apuração do imposto de renda, por tratar de compensação envolvendo apenas CSLL: “Acrescentese, especificamente acerca da objeção à menção da Fiscalização ao processo 10805.900681/200608, que, como já visto, constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. Ademais, a alteração do lucro líquido se deu não apenas no processo 10805.900681/200608 que trata de DCOMP com crédito de SN CSLL do Ac 2000, mas também no processo 10805.900686/200622 (pagamento indevido / SN de IRPJ do Ac 2000).” (acórdão, fl. 570) Ora, o Processo n° 10805.900681/200608 não está gerando efeitos nos presentes autos. O que a fiscalização afirmou foi que, por ocasião da análise do pedido de compensação que deu origem ao processo retro mencionado, percebeuse que estariam incorretas as informações constantes das Fichas 05A, 06A e 09A da DIPJ/2001, informações que têm repercussão tanto na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como a fiscalização entendeu que não houve homologação tácita das declarações constantes da DIPJ 2001, bem como que as referidas incorreções têm efeitos presentes tanto na apuração da CSSL, como do IRPJ, utilizouse de mera técnica de remissão ao Processo 10805.900681/200608 para esclarecer os motivos pelos quais se entendeu que deveria ser glosado o valor de R$ 17.146.399,34. Ou seja, nem o Processo n° 10805.900686/200622 (cuja menção, repitase, era claramente dispensável) nem o Processo 10805.900681/200608 estão a gerar efeitos na presente hipótese. Houve simples remissão a fundamentos utilizados no passado e que, no entender da fiscalização, são aplicáveis ao momento presente. Não há falar, portanto, em nulidade do auto de infração por deficiência de fundamentação ou inovação por parte da DRJ. Concluindo o raciocínio, uma vez assumido, tal qual fazemos neste momento, que o prazo decadencial tem início a partir da apuração dos prejuízos e bases negativas e de sua regular declaração, a menção ao Processo n° 10805.900681/200608, a despeito de suficiente para embasar as conclusões do auto de infração, passa a ser irrelevante para o caso concreto, já que o referido processo não é instrumento hábil a obstar a decadência. Com efeito, o artigo 9° do Decretolei n. 70.235/72, na redação vigente à época era peremptório ao indicar que o despacho decisório em pedido de compensação não era meio hábil para a retificação do prejuízo fiscal. Confirase: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 11 10 cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993) Nesse contexto, há de se concluir que o auto de infração deve ser reformado em relação ao ponto, haja vista a ocorrência da decadência do direito de modificar as informações referentes à DIPJ de 2.001, para fins da autuação ora questionada. Examinadas as preliminares, passo ao mérito. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte questiona o entendimento, ratificado pela d. DRJ, de que não seria possível a dedução, no períodobase de 2009, dos tributos objeto da adesão a parcelamento, realizada naquele ano. Para decidir sobre o ponto, lembremos, desde já, o disposto pelo artigo 41, §1º, da Lei nº 8.981/1995, empregado como supedâneo da acusação debatida: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) Os incisos II a IV do artigo 151 do CTN, aos quais se remete epigrafado ditame legal, cerra a seguinte redação: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II depósito do seu montante integral; III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV – a concessão de medida liminar em mandado de segurança; (...) A singela leitura dos dispositivos encimados deixa evidente, de fato, que a regra é a da dedutibilidade dos tributos, junto ao lucro exacionável, segundo o regime de competência. Isso significa dizer que, em um primeiro momento, o sujeito passivo do IRPJ pode realizar a dedução das exações fiscais, frente à base imponível do imposto, tomando como base o período de apuração correspondente à data de constituição do crédito tributário. O § 1º do preceito, contudo, excepciona, explicitamente, a regra anterior, asseverando que a dedutibilidade comentada não se estende às contingências fiscais que tenham, momentaneamente, deixado de ser exigíveis, forte na existência de depósito de montante integral, na pendência de reclamações ou recursos administrativos e na concessão de medida liminar em sede de mandado de segurança. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 12 11 Ora, a autorização legislativa concedida ao contribuinte, tendente a possibilitar a dedução, junto ao lucro real, dos tributos lançados, calcase na regra geral de dedutibilidade das despesas operacionais necessárias à atividade do sujeito passivo. Noutras palavras, em nossa visão, o artigo 41 da Lei nº 8.981/1995 nada mais faz do que especificar, para o caso das contingências fiscais, os preexistentes e genéricos permissivos dos artigos 45, § 2º, e 47, caput e § 1º, da Lei nº 4.506/1964, in verbis: Art. 45. Não serão consideradas na apuração do lucro operacional as despesas, inversões ou aplicações do capital, quer referentes à aquisição ou melhorias de bens ou direitos, quer à amortização ou ao pagamento de obrigações relativas àquelas aplicações. (...) § 2º Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. (...)” “Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. (...) Bem, a melhor exegese da legislação citada nos indica que, para serem dedutíveis quaisquer despesas, devem elas, em primeiro lugar, ser certas e líquidas. Somente assim elas poderiam, afinal de contas, ser reputadas necessárias, subsumindose à regra geral dos mencionados artigos 45 e 47. Desde que o estipêndio se afigure com foros de definitividade, sequer é essencial, para fins de dedutibilidade, que seja efetivamente suportado pelo contribuinte, naquele dado período de apuração. Exatamente por isso, pois, é que o regime de competência é primacial, em detrimento do regime de caixa. Nos casos em que a exigibilidade do tributo está suspensa, pode não haver, contudo, certeza quanto à própria existência da despesa. Seja em sede judicial, seja na seara administrativa, a ocorrência de qualquer das hipóteses dos incisos II a IV do artigo 151 do CTN serve a indicar que o passivo ainda está sendo questionado. É latente, portanto, a possibilidade de o tributo em cobro ser declarado como indevido, tornando sem objeto a dedução perpetrada. Compreendase: se o tributo, quando suspensa sua exigibilidade, não é certo e líquido, ele não chega a representar uma despesa real e, menos ainda, necessária. O dispêndio, destarte, não é passível de dedução. Repitamos: a indedutibilidade de tributos cuja exigibilidade estivesse suspensa derivaria, em tal diapasão, do simples fato de inexistir despesa certa e líquida a ser suportada. Contudo, no momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável seus débitos, em razão da adesão a programa de parcelamento, passam a ser verificados os Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 13 12 requisitos necessários ao reconhecimento daqueles débitos como despesas, possibilitandose a sua dedução pelo regime de competência. Notese, porém, que o períodobase para a referida dedução passa a ser o do reconhecimento da dívida, isto é, quando a despesa passou a ser líquida e certa. Tal entendimento aplicase plenamente à CSLL, por força do artigo 57 da Lei nº 8.981/1995, que, em seu caput, afirma que se cominam à mencionada contribuição as mesmas normas de apuração estabelecidas para o IRPJ. Confirase: “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.” Daí porque entendo que agiu de forma correta a empresa ao deduzir os tributos e custas no anobase de 2009, em que houve a adesão ao parcelamento. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, a fim de cancelar a exigência fiscal (i) no que diz respeito à compensação de prejuízos fiscais referentes ao ano calendário de 2000, tendo em visto a decadência do direito de o fisco questionar os prejuízos fiscais declarados; e (ii) também no que refere à dedução como despesas, no ano calendário de 2009, dos valores confessados e incluídos em programa de parcelamento tributário no mencionado ano. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, a exigência de IRPJ e CSLL devidos no anocalendário 2009 decorre da glosa de despesas com tributos e custas de períodos anteriores, bem como de compensação indevida de prejuízo e base de cálculo negativa de períodos anteriores. As despesas com tributos e custas foram escrituradas no item “Outras Exclusões” o valor de R$ 30.369.494,07, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Intimada a esclarecer a origem destes valores, escriturados sob a rubrica “Parcelamentos Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 14 13 Diversos (PPI)”, a contribuinte informou que eles se refeririam ao principal de ISS (R$ 29.994.293,35) e custas processuais devidas ao Estado de São Paulo em Execuções Fiscais (R$ 375.200,72), incluídas no Programa de Parcelamento Incentivado da Prefeitura de São Paulo”. Acrescentou que referidos valores foram contabilizados em 2008, mas adicionados, e posteriormente considerados dedutíveis no período fiscalizado. Apresentou relatório dos valores parcelados, nos quais constatase referência a débitos de 1996 a 2000, além de honorários e custas judiciais decorrentes de execuções fiscais datadas de 2003 a 2005. Frente a estes elementos, a autoridade fiscal observou que os débitos corresponderiam ao período de 1996 a 2001, e reportouse ao art. 344 do RIR/99 que estabelece o regime de competência como regra para a dedução de despesas tributárias. Infere se, daí, que não se cogitou da possibilidade de tais valores sujeitaremse a anterior suspensão da exigibilidade, de modo a postergar sua dedução fiscal na forma do §1o do art. 344 do RIR/99, que sequer foi transcrito no Termo de Verificação Fiscal. A contribuinte alega que os valores teriam sido objeto de lançamento de ofício por ela questionado, de modo que a dedução somente estaria autorizada legalmente a partir do momento em que a exigibilidade dos débitos fiscais fosse restabelecida. Esta alegação, em princípio, exigiria a confirmação desta correspondência. Todavia, tal investigação se faz necessária ante os contornos da acusação fiscal. Isto porque, ao observar que as despesas com tributos corresponderiam a períodos de apuração anteriores ao fiscalizado, a autoridade lançadora invocou o disposto no art. 273, inciso II do RIR/99, do qual extraise a orientação de que a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de custo ou dedução somente constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. E, em tais condições, a redução do lucro real no anocalendário 2009 somente poderia ser classificada como indevida se o sujeito passivo já houvesse deduzido os mesmos valores nos competentes períodos de apuração, ou pretendesse reduzir o lucro real do período com a utilização de valores que integrariam prejuízos passados, mas sem a observância do limite de 30% legalmente estabelecido. Em outras palavras, para afirmar indevida a redução do lucro real no ano calendário 2009 por tributos devidos de 1996 a 2001, a autoridade fiscal deveria exigir da contribuinte a prova de que os débitos tributários não foram contabilizados no passado, e não afetaram a apuração da base de cálculo tributável, aferindo os efeitos de sua regular contabilização à época para apurar se, no anocalendário 2009, teria ocorrido redução indevida do lucro real, ou apenas postergação do registro de uma despesa que veio, tardiamente, a reduzir a base tributável. Neste segundo caso haveria, em verdade, antecipação do recolhimento de tributos, e frente a esta possibilidade, não excluída pela Fiscalização, impõese concluir que a acusação fiscal não reúne elementos suficientes para sua sustentação. Quanto à glosa de prejuízos fiscais e bases negativas compensados indevidamente, a autoridade fiscal valeuse de análises no âmbito do reconhecimento de direito creditório ao sujeito passivo no anocalendário 2000. Contudo, para impedir a utilização daqueles resultados negativos no anocalendário 2009, a autoridade fiscal deveria demonstrar que eles foram retificados antes do decurso do prazo decadencial. Isto porque, embora a lei autorize a revisão da compensação do saldo negativo apurado no anocalendário 2000 em até 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP correspondente, e esta Conselheira entenda que, neste prazo, é possível, inclusive, a confirmação da base de cálculo do tributo, o art. 9o do Decreto nº Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10805.721977/201202 Acórdão n.º 1101001.037 S1C1T1 Fl. 15 14 70.235/72, na redação vigente no anocalendário 2000, previa o lançamento tributário como forma para redução de prejuízo fiscal, e este sujeitase a prazo decadencial na forma dos arts. 150 e 173 do CTN. Assim, embora este lançamento não seja necessário para o não reconhecimento do direito creditório, ele é essencial para posterior glosa da compensação futura daquele prejuízo ou base negativa, vez que a lei não estipula outro prazo para a confirmação dos valores assim utilizados. Ao contrário, define que a redução de prejuízo fiscal deve observar a mesma formalidade fixada para a exigência de crédito tributário. Por sua vez, embora o lançamento tributário não necessite, necessariamente, de documentos denominados “auto de infração” ou “notificação de lançamento” como veículos, admitindose como tal também atos formalizados por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil contendo os requisitos expressos nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, como por exemplo um despacho decisório, o fato é que esta formalização deve se verificar até o termo final do prazo decadencial. E, como se vê nos acórdãos de manifestação de inconformidade juntados às fls. 812/851, a análise dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2000, objeto dos processos administrativos nº 10805.900681/2006 08 e 10805.900682/200644, somente foi cientificada ao sujeito passivo em 18/07/2008, momento em que já ultrapassado até o mesmo o prazo decadencial mais alargado, previsto no art. 173, I do CTN. Assim, apesar de as compensações daqueles créditos serem passiveis de questionamento em até 5 (cinco) anos da entrega das DCOMP, as retificações no prejuízo fiscal e bases negativas ali promovidas sujeitavamse a prazos distintos para autorizar a glosa aqui promovida. Por tais razões, o presente voto também é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15563.000063/2009-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADES DOS LANÇAMENTOS
1 - Questão de aplicação e de inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/01 é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme a Súmula CARF nº 2.
2 - A quebra de sigilo bancário se deu sob motivo de negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira, indicado na solicitação de requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), expedida com suporte naquele motivo. Tudo precedido da intimação da recorrente para apresentação de seus extratos bancários, não atendida. Inexistência de ofensa ao art. 3º e ao art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01.
3 - A partir da Lei 9.430/96, o nexo causal entre o fato conhecido (créditos bancários) e o fato desconhecido (receitas auferidas) passou a ser estabelecido pela lei, ao criar a hipótese presuntiva relativa de omissão de receitas. Créditos individualizados com intimação da recorrente para comprovação da origem existentes, preenchendo-se a condicio juris de tal presunção juris tantum. Inexistência de vício substancial na presunção legal de omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL
Nada foi carreado aos autos pela recorrente a demonstrar que os créditos não são representativos de receitas. Omissão de receitas presumida chancelada.
MULTA - CONFISCO
Questão de constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1103-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade, por unanimidade de votos, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, também por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro no exercício da Presidência.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADES DOS LANÇAMENTOS 1 Questão de aplicação e de inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/01 é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme a Súmula CARF nº 2. 2 A quebra de sigilo bancário se deu sob motivo de negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira, indicado na solicitação de requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF), expedida com suporte naquele motivo. Tudo precedido da intimação da recorrente para apresentação de seus extratos bancários, não atendida. Inexistência de ofensa ao art. 3º e ao art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01. 3 A partir da Lei 9.430/96, o nexo causal entre o fato conhecido (créditos bancários) e o fato desconhecido (receitas auferidas) passou a ser estabelecido pela lei, ao criar a hipótese presuntiva relativa de omissão de receitas. Créditos individualizados com intimação da recorrente para comprovação da origem existentes, preenchendose a condicio juris de tal presunção juris tantum. Inexistência de vício substancial na presunção legal de omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL Nada foi carreado aos autos pela recorrente a demonstrar que os créditos não são representativos de receitas. Omissão de receitas presumida chancelada. MULTA CONFISCO Questão de constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 00 63 /2 00 9- 12 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.042 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade, por unanimidade de votos, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, também por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – no exercício da Presidência. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.043 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ de fls. 825 a 835, e de CSL de fls. 836 a 846, sobre os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 em que o contribuinte promoveu operações financeiras e mercantis de compra e venda de mercadorias. Iniciada a fiscalização, o contribuinte foi notificado para apresentar livros e documentos de sua escrituração contábil, contudo, deixou de fazêlo. Sendo assim, a autoridade fiscal realizou o arbitramento do lucro dos períodos de apuração do 4º trimestre do ano calendário de 2004; 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2005 e 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2006. A base de cálculo do arbitramento foi composta pelas receitas declaradas na DIPJ/2005 e pelas receitas omitidas apuradas de ofício na presente ação fiscal, tomando como base os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, constantes do demonstrativo “Ingressos Bancários Passíveis de Comprovação de Tributação e Origem”, de fls. 540 a 824. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas se fez incidir a multa de ofício no percentual de 75%, de acordo com o art. 44, I, da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Em 15/06/2009 a recorrente apresentou impugnação de fls. 863 a 901 na qual argúi, em síntese, o que segue. Primeiramente, a recorrente aborda a questão da quebra de seu sigilo bancário pela autoridade administrativa através dos RMFs acostados a estes autos. Traz os entendimentos de doutrina e jurisprudência sobre a relatividade do direito ao sigilo, admitindo não se tratar de garantia absoluta, devendo ceder diante do interesse coletivo quando da ocorrência de sólidos indícios de ilegalidade. Por outro lado, afirma que ainda que relativo este direito, a quebra do sigilo somente pode ocorrer mediante autorização judicial e desde que assegurado o devido processo legal. Alude à edição da Lei Complementar 105/01, que inovou o tema da quebra do sigilo bancário, permitindoa sem a prévia autorização do Poder Judiciário, conforme inteligência de seu § 6º. Contudo, entende ser esta disposição manifestamente inconstitucional em virtude do afrontamento ao direito de defesa do contribuinte. E, ainda, pelo fato de ser a autoridade fiscal parte no processo e principal interessada na obtenção das informações financeiras. Entende não ser competência do Poder Executivo o requerimento dessas informações, vez que este não possui comprometimento com a imparcialidade; papel que é designado ao Poder Judiciário. Assim, tratase de atribuição do magistrado decidir sobre a necessidade da quebra do sigilo bancário, sopesando o direito ao sigilo do contribuinte e o interesse da Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.044 4 coletividade, bem como verificar se presentes os requisitos para a concessão do pedido da autoridade fiscal. Argumenta que, além de se fazer necessária decisão judicial que autorize a quebra do sigilo, deve esta possuir fundamentação sólida e versar sobre suspeita objetiva de fato delituoso e sua autoria. Também deve ser demonstrado que a providência requerida é indispensável para o êxito das investigações. Não tendo havido qualquer desses requisitos, será eivado de manifesta ilegalidade o único meio de prova utilizado como suporte do lançamento, qual seja, os extratos bancários da recorrente entregues pelas instituições financeiras. Alega, ainda, que mesmo sendo admitida a licitude da prova utilizada pela autoridade fiscal, esta não observou o procedimento estabelecido pelo art. 3º do Decreto 3.724/01, que regulamenta a Lei Complementar 105/01. O dispositivo estabelece expressamente as hipóteses em que o exame das informações bancárias será considerado indispensável. Bem assim que em nenhum momento o AFRF apontou nos autos a hipótese legal prevista do referido dispositivo e que justificaria a quebra do sigilo bancário da empresa. Nesse sentido também o art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01. Assim, não constando das RMFs motivação que demonstrasse, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, não foi possível que a recorrente tivesse conhecimento das razões pelas quais teve seu direito ao sigilo bancário violado. Ausente a fundamentação legal em que se baseia a solicitação realizada, tornase nulo de pleno direito o ato administrativo, não produzindo qualquer efeito. A recorrente afirma que, mesmo sendo admitida a licitude da prova consubstanciada em seus extratos bancários, restaria nulo o auto de infração por se fundar exclusivamente em depósitos bancários. Isso porque estes não podem ser considerados como renda para fins de tributação pelo imposto de renda, tendo em vista sua base de cálculo residir em efetivo acréscimo patrimonial ocorrido em determinado período, conforme art. 43 do CTN. A dicção da norma demonstra que o fato gerador do IR é a aquisição de disponibilidade, econômica ou jurídica, de renda e de proventos de qualquer natureza, que configurem efetivo acréscimo patrimonial. Destarte, entende que o acréscimo patrimonial é núcleo necessário, vez que consiste no aspecto material da hipótese de incidência desse tributo. Por esse prisma, alega não ser possível a presunção de omissão de rendimentos a partir de meros depósitos bancários sem o estabelecimento de correlação com aumento patrimonial por parte do contribuinte. É necessário, portanto, a demonstração de nexo causal entre os referidos depósitos e a suposta omissão de receitas, sob pena de caracterizarse mera presunção. A despeito disso, a Súmula 182 do extinto TFR. Por fim, tece considerações sobre o caráter confiscatório da imposição de multa, por ser notadamente desproporcional e não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, o que seria um “verdadeiro tributo disfarçado”. Pelo exposto, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração em razão da ilicitude da quebra de sigilo bancário. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.045 5 Caso superada esta preliminar, seja reconhecida nulidade do auto de infração, visto ter sido o lançamento fiscal baseado exclusivamente em depósitos bancários sem comprovação de efetivo acréscimo patrimonial. Alternativamente, seja afastada a imposição da multa, ou, ao menos, que a penalidade seja substancialmente reduzida, por ser confiscatória a multa. DA DECISÃO DA DRJ Em 16/10/2009, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, consequentemente rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos e a multa de ofício no percentual de 75% e demais acréscimos moratórios, pelos motivos abaixo sintetizados: Acerca das alegações de nulidade do lançamento, não há que se falar em irregularidade no procedimento de requisição de informações. A emissão das RMFs foi requerida pelo auditorfiscal responsável pela fiscalização, através do documento de fls. 164 a 166, em que foi considerado indispensável o exame dessas informações por figurar hipótese prevista no art. 3º, X, do Decreto 3.724/01. E, ainda, quando da emissão das RMFs já existia procedimento fiscal instaurado e com termo de início de fiscalização lavrado, conforme previsão legal. Descabida também a arguição de cerceamento de defesa. A recorrente alega que os lançamentos não trazem fundamentos que justifiquem a quebra de seu sigilo bancário. Contudo, observase que não há qualquer previsão legal no sentido de que os procedimentos de auditoria que antecedem o lançamento devam ser submetidos ao contraditório, o que inviabiliza a hipótese suscitada. A recorrente aduz pela inconstitucionalidade da utilização da movimentação bancária para determinar a base de cálculo dos tributos, visto que os depósitos não representam disponibilidade de rendas ou acréscimo patrimonial. Pois bem, nesse sentido, o art. 42 da Lei 9.430/96 dispõe sobre a presunção de omissão de receitas. Nessas hipóteses, o ônus da prova é transferido ao contribuinte; e este não logrou comprovar a origem dos débitos em questão através dos registros em sua escrituração contábil, sequer apresentou documentação. No tocante à multa de ofício aplicada, observase a previsão do art. 44, I, da Lei 9.430/96, não cabendo à fiscalização avaliar critérios diversos dos previstos na legislação tributária, tendo em vista a estrita vinculação do lançamento prevista no art. 142 do CTN. Tampouco cabe ao julgador efetuar qualquer redução no percentual da multa de ofício lançada, uma vez que o funcionamento das DRJs é disciplinado pela Portaria MF 58/06, que determina que o julgador deve observar as normas legais e regulamentares, segundo disposto no art. 116, III, da Lei 8.112/90, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil expresso em atos tributários e aduaneiros. Ademais, sobre todas as nulidades alegadas, seja sobre a quebra de sigilo sem ordem judicial, ou a apuração de omissão de receitas baseada em depósitos bancários sem comprovação da origem, ou, ainda, sobre o caráter de confisco da multa de ofício aplicada, cabem alguns esclarecimentos. As questões envolvendo a constitucionalidade de leis e atos da administração encontramse na esfera de apreciação do Poder Judiciário. Não é permitido, portanto, que a via administrativa seja o veículo para o pronunciamento definitivo sobre questões tipicamente afetas aos órgãos e vias judiciais. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.046 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 16/12/2009, recurso voluntário de fls. 946 a 984, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural. DA RESOLUÇÃO DO CARF Em sessão do dia 12/6/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 110300.059, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, de acordo com o artigo 2º da Portaria CARF 1/12, conforme entendimento abaixo sintetizado. Colacionou o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, e transcreveu o parágrafo único do artigo 1º, da Portaria CARF 1/12. Acentuou que a matéria discutida no presente processo é objeto do RE 601.314/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Afirmou que o Ministro Ricardo Lewandowski, no julgamento, pelo STF, dos Agravos de Instrumento nº 668.843 e nº 765.714/SP, determinou a devolução dos autos referentes a esses feitos aos tribunais de origem a fim de que ocorra o sobrestamento dos feitos, nos termos do art. 543B do CPC, em face do RE 601.314/SP, sob repercussão geral, onde é discutida questão idêntica. Apontou que, nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF, se houver a subida ou distribuição de múltiplos recursos fundados em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator deve determinar a devolução dos processos aos tribunais de origem, de modo a aplicar os parágrafos do art. 543B do CPC. Por fim, entendeu que, de acordo com o artigo 2º, caput e § 2º, da Portaria CARF 1/12, está caracterizada, no presente processo, a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. DO DESPACHO DE RETORNO AOS AUTOS Tratase de despacho expedido em 24/2/2014 que determina a reinclusão do presente processo, o qual foi sobrestado, na pauta para julgamento. Afirmou que a inclusão na pauta para julgamento de processos que tratam de matérias que estão em repercussão geral sem trânsito em julgado no STF, de acordo com o rito do artigo 543B do CPC, derivou do fato de a Portaria MF 545/2013 ter revogado o §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II da Portaria MF 256/2009, o qual aprova o Regimento Interno Do CARF. Por fim, determinou o retorno do presente processo para o CARF, de modo a prosseguir o julgamento, em consonância com o Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.047 7 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Como se viu do relatório, o julgamento do recurso havia sido sobrestado, em face do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A em questão, os autos do feito retornaram a este relator, para julgamento do recurso. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. A recorrente combate a aplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01, em face do que e de suas regulamentações houve a obtenção dos extratos bancários da recorrente diretamente dos bancos, mediante a emissão de RMF (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira) contra eles, com quebra do sigilo bancário da recorrente. O sobrestamento do feito se dera por força do RE nº 601.314/SP, sob repercussão geral (art. 543B), em que se discute a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Sobrestamento com espeque nos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A revogação dos parágrafos citados motivou o retorno dos autos para julgamento do recurso, resultando prejudicada a questão da aplicabilidade ou da inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Ocorre que a questão de aplicação e de inconstitucionalidade da lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09; também, consoante o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2 (segundo consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10). Outrossim, rejeito a preliminar de nulidade por inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Argui a recorrente nulidade dos lançamentos por inobservância do art. 3º do Decreto 3.724/01, que regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01: ele descreve as hipóteses de cabimento de quebra do sigilo bancário. Também, por inobservância do art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01, que prevê o relatório circunstanciado contendo a motivação para a solicitação da RMF. A Portaria SRF 180/01 regulamenta o art. 4º, § 1º, do Decreto 3.724/01. Este preceito determina que a requisição de informações atinentes ao sigilo bancário deve ser formalizada por meio de documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) dirigida a cada instituição financeira na qual o sujeito passivo supostamente possua conta corrente bancária, de custódia de títulos e valores mobiliários, etc. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.048 8 É defesa a emissão de RMF sem que haja prévia intimação do sujeito passivo para apresentação das informações solicitadas; a emissão da RMF podese dar caso haja a recusa da prestação das informações ou sua apresentação incompleta. Assim impõe o art. 4º, § 2º, do Decreto 3.724/01. Compulsando os autos, vejo que houve a intimação da recorrente para apresentação no prazo de 20 dias dos extratos bancários de 2004 a 2006 – fls. 145 e 146. Sua cientificação se deu em 20/6/08 – fl. 147. Em resposta, figura pedido de “sobrestamento” por 15 dias subscrito pelo advogado da recorrente – fls. 148 a 159. Não consta dos autos outro pedido, tampouco apresentação de extratos bancários por parte da recorrente. Noto que há a solicitação de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, assinada em 20/8/08 – fl. 170. A solicitação é de emissão de RMF em relação ao Banco Bradesco, ao Banco Itaú, ao Banco Rural e ao Unibanco, para fornecimento de extratos de contas correntes bancárias, de aplicações financeiras, e de procuração a terceiros para movimentação das contas correntes bancárias sob titularidade da recorrente, para o período de 1/1/05 a 31/12/06 – fls. 168 a 170. Tudo conforme o Anexo I da Portaria SRF 180/01. O motivo indicado na referida solicitação é a negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira (art. 3º, X, do Decreto 3.724/01). Constam as RMFs emitidas contra os referidos bancos, nas fls. 162 a 165, 171 a 174, 178 a 181, 184 a 187, todas precedidas de carta a eles endereçada indicando o suporte normativo para a entrega dos documentos requisitados. As RMFs expedidas, conforme o Anexo II da Portaria SRF 180/01, para apresentação de informações do período de 1/1/05 a 31/12/06, contêm os demais requisitos indicados no art. 4º, § 7º, do Decreto 3.724/01. Vêse que não houve descumprimento ao art. 3º e ao art. 4º, §§ 1º, 2º, 5º a 7º, do Decreto 3.724/01. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade por ofensa aos arts. 3º e 4º, § 6º, do Decreto 3.724/01. A recorrente invoca a presença de vício substancial nos lançamentos, por falta de nexo causal entre os créditos bancários e as receitas supostamente omitidas, baseando se a pretensão em mera presunção, o que colide com o art. 43 do CTN. Nesse sentido, lança apoio na Súmula 182 do antigo TRF que rechaçara tal presunção de omissão de receitas. A Súmula 182 do antigo TFR que reconhecia ser inconstitucional a presunção de omissão de receitas com base nos créditos bancários de origem incomprovada foi editada antes da criação da hipótese legal de presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.049 9 Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica1. A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Para a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, é condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo para comprovação da origem dos valores depositados ou creditado, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 (reproduzido no art. 287 do RIR/99). Na ausência de um desses requisitos, fica derruída essa presunção legal, restando fulminada de nulidade a pretensão naquela apoiada. É como entendo. Noto que houve intimação para a recorrente confirmar sua gestão sobre a movimentação financeiras nas contas correntes bancárias indicadas na intimação, e para comprovação do oferecimento à tributação dos créditos bancários discriminados no demonstrativo anexo à intimação e justificação de sua origem – fls. 551 a 553. O anexo consta nas fls. 559 a 616, 621 a 697. Na fl. 553 consta indicação de data de ciência conforme AR de 13/3/09; porém, na fl. 554 figura somente o AR com data de postagem de 12/3/09, sem o verso que conteria a data de recebimento. 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) § 4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.050 10 Vejo que houve nova intimação à recorrente para confirmar sua gestão sobre a movimentação financeiras nas contas correntes bancárias descritas na intimação, e para comprovação do oferecimento à tributação dos créditos bancários discriminados no demonstrativo anexo à intimação e justificação de sua origem – fls. 555 a 557. Na fl. 557 há indicação de que a ciência se dera por AR em 20/3/09. Na fl. 558 há cópia do AR com data de recebimento de 20/3/09. O demonstrativo anexo às intimações referidas contém créditos individualizados, de 10/5/05 a 28/12/06 – fls. 559 a 616, 621 a 697. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) foram expurgados os créditos de estornos de depósitos, possíveis transferências entre contas de mesma titularidade, créditos de retorno de aplicações financeiras – fl. 704. Quanto a isso ou a falta de expurgos, a recorrente nada contraditou. Os créditos bancários, individualizados, considerados como receitas omitidas por presunção legal figuram no anexo ao TVF, nas fls. 706 a 817, 822 a 845. A recorrente não apresentou nenhuma justificativa nem esclarecimento sobre os créditos bancários individualizados. Nada consta nos autos. Outrossim, encontramse presentes os requisitos legais para o aperfeiçoamento da presunção juris tantum de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Inexiste vício na presunção legal relativa de omissão de receitas em comentário. E, no caso vertente, nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos recursos depositados e creditados, a demonstrar que os créditos e depósitos não são representativos de receitas. Por outro lado, receitas omitidas não são renda omitida. A recorrente informara nas suas DIPJ/05, DIPJ/06 e DIPJ/07 – fls. 4, 83 e 113 – que apurava lucro real. Intimada à apresentação dos Livro Diário, Livro Razão, Lalur – fls. 145 e 146 – nada apresentou a recorrente. O caso, portanto, é de arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/99. Arbitramento do lucro com base em receita conhecida, conforme o art. 532 do RIR/99 – ao menos para os trimestres dos anoscalendário de 2005 e 2006, em relação aos quais se apuraram as receitas omitidas por presunção legal. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.051 11 Vêse que a recorrente exerce a atividade de comércio atacadista de álcool carburante, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto transportador retalhista e lubrificantes, conforme informado em sua DIPJ/05 – fl. 5. Para a determinação do lucro (base de cálculo) para fins de IRPJ, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 1,92%, como se constata das fls. 846, 847 e 849, que são dos instrumentos específicos do auto de infração. Ou seja, o arbitramento do lucro se deu pela aplicação do coeficiente de 1,6% acrescidos de 20% (= 1,92%) sobre as receitas omitidas. Diante da atividade da recorrente, conforme acima descrito, o coeficiente aplicado é correto, nos termos do art. 532 c/c o art. 519, § 1º, I, do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n º 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput ; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. [...] Para a determinação do lucro (base de cálculo) para fins de CSL, o autuante aplicou sobre as receitas omitidas o coeficiente de 12%, como se comprova nas fls. 857 a 860 849, que são dos instrumentos específicos do auto de infração. Correto o coeficiente aplicado, nos termos do art. 20 da Lei 9.249/95 c/c o art. 29, I, da Lei 9.430/96: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.052 12 auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) [...] Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Nessa linha de considerações, rejeito a nulidade dos lançamentos por vício substancial, na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em relação aos trimestres dos anoscalendário, para os quais foram apuradas receitas omitidas por presunção legal. Observo, ainda, que, para o anocalendário de 2004, as exigências de IRPJ e de CSL se fundaram na divergência entre o informado na DIPJ/05 e nas DCTFs de 2004. Como não foram apresentados os livros contábeis, o autuante se louvou no valor de receita de revenda de mercadorias informado na DIPJ/05, para proceder ao arbitramento do lucro dos trimestres de 2004. Sucede que as DCTFs de 2004 não acusam valor de IRPJ nem de CSL. Verificando os autos, noto que o extrato de DCTFs de 2004 só indica alguns débitos de IRRF com pagamentos por Darf fls. 143 e 144. Na DIPJ/05 só há indicação de valor de receita de revenda de mercadorias para o 4º trimestre de 2004. É a ficha 6A, linha 7 da DIPJ/05 – fl. 18. O valor de receita de revenda de mercadorias no 4º trimestre de 2004 é de R$ 103.263.070,00. É o mesmo valor que consta nas fls. 856 e 866 nos instrumentos específicos dos autos de infração. O lucro foi arbitrado com base na receita conhecida (receita de revenda de mercadorias) para os trimestres de 2004, com a aplicação de coeficientes como já acentuado alhures para os trimestres dos anoscalendário de 2005 e 2006. Os lançamentos de IRPJ e de CSL, para os trimestres do anocalendário de 2004, bem como para os dos anoscalendário de 2005 e 2006, não merecem reparos. Nego provimento ao recurso no mérito, por conseguinte. Alega ainda a recorrente o caráter confiscatório da multa infligida. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 15563.000063/200912 Acórdão n.º 1103001.075 S1C1T3 Fl. 1.053 13 Não houve aplicação de multa qualificada. Quanto à constitucionalidade da multa, tratase de matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, e o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Também, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nego provimento ao recurso sobre a questão. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 5 de junho de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 11020.724421/2012-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 01/01/2009
LANÇAMENTO FUNDADO EM ROBUSTO CONJUNTO PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO E ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO EM FOLHA DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO CONTRADITÓRIA. HIPÓTESE SEM PREVISÃO LEGAL. PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. PRAZO DE DEFESA. EXPIRAÇÃO SEM QUE O CONTRIBUINTE DEMONSTRASSE E PROVASSE A EXISTÊNCIA DE ERROS NA BASE DE CÁLCULO E NA APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. PERÍCIA QUE VISA BUSCAR DISCUTIR MATÉRIA ULTRAPASSADA. PERÍCIA É MEIO DE PROVA A POSSIBILITAR O JULGADOR ATINGIR O SEU LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. CUIDANDO-SE DE PROVIDÊNCIA INÚTIL E DESNECESSÁRIA, QUANDO JÁ CONVENCIDO E QUANDO A PROVA PODIA TE SIDO FEITO POR OUTRO MEIO EM OUTRO MOMENTO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL ATENDIDOS. TODOS OS PRAZOS E MEIOS FORAM OFERTADOS. USÁ-LOS OU IGNORÁ-LOS É PRERROGATIVA DO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA SEARA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. ENTRETANTO A CONSTITUCIONALIDADE PODE SER CONHECIDA. INCRA. SEBRAE E SELIC. PERFEITAMENTE EXIGÍVEIS E APLICÁVEIS. APLICAÇÃO DA MULTA DE MORA ANTIGA, CASO MAIS BENÉFICA. O QUE DEVE SER VERIFICADO NA ÉPOCA DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. A multa a ser aplicada, no período suscitado, é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 - A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser a mais benéfica, hipótese esta que deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente METALÚRGICA ENGATCAR LTDA E OUTROS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 01/01/2009 LANÇAMENTO FUNDADO EM ROBUSTO CONJUNTO PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO E ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO EM FOLHA DE PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO CONTRADITÓRIA. HIPÓTESE SEM PREVISÃO LEGAL. PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. PRAZO DE DEFESA. EXPIRAÇÃO SEM QUE O CONTRIBUINTE DEMONSTRASSE E PROVASSE A EXISTÊNCIA DE ERROS NA BASE DE CÁLCULO E NA APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. PERÍCIA QUE VISA BUSCAR DISCUTIR MATÉRIA ULTRAPASSADA. PERÍCIA É MEIO DE PROVA A POSSIBILITAR O JULGADOR ATINGIR O SEU LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. CUIDANDOSE DE PROVIDÊNCIA INÚTIL E DESNECESSÁRIA, QUANDO JÁ CONVENCIDO E QUANDO A PROVA PODIA TE SIDO FEITO POR OUTRO MEIO EM OUTRO MOMENTO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL ATENDIDOS. TODOS OS PRAZOS E MEIOS FORAM OFERTADOS. USÁLOS OU IGNORÁLOS É PRERROGATIVA DO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA SEARA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. ENTRETANTO A CONSTITUCIONALIDADE PODE SER CONHECIDA. INCRA. SEBRAE E SELIC. PERFEITAMENTE EXIGÍVEIS E APLICÁVEIS. APLICAÇÃO DA MULTA DE MORA ANTIGA, CASO MAIS BENÉFICA. O QUE DEVE SER VERIFICADO NA ÉPOCA DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 44 21 /2 01 2- 50 Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.890 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. A multa a ser aplicada, no período suscitado, é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser a mais benéfica, hipótese esta que deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.891 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.380.8755, objetivando exigir a contribuição social previdenciária decorrente da remuneração paga, devida ou creditada, aos trabalhadores da categoria de empregados, parte patronal e SAT/RAT, alem da parte patronal em relação aos contribuintes individuais, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.380.8763, objetivando exigir as contribuições para outras entidade e fundos – terceiros em razão da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 29 a 83, com período de apuração de 07/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 1.145 e 1.146. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 07/12/2012, conforme Folhas de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03 e 19. A Metalúrgica Engatcar Ltda apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 1.175 a 1.256; 1.270 a 1.46, recebida, em 07/01/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 1.175; 1.270, estando acompanhada dos documentos, de fls. 1.257 a 1.267; 1.347 a 1.357. A Engatsul Indústria Metalúrgica Ltda apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 1.360 a 1.436, estando acompanhada dos documentos, de fls. 1.437 a 1.448. A pessoa física Jorge Constante Tomé apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 1.451 a 1.527, recebida, em 07/01/2013, estando acompanhada dos documentos, de fls. 1.528 a 1.530. A pessoa física Adriano Luiz Tomé apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 1.533 a 1.609, recebida, em 07/01/2013, estando acompanhada dos documentos, de fls. 1.610 a 1.613. As impugnações foram consideradas tempestivas pela autoridade local, fls. 1615. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1045.739 7ª, Turma DRJ/POA, em 14/08/2013, fls. 1.616 a 1.639. As impugnações foram consideradas improcedentes. Os contribuintes tomaram conhecimento desse decisório, em 21/08/2013, conforme AR, de fls. 1.645; 1.646; 1.647 e 1.648. Irresignados os contribuintes Metalúrgica Engatcar Ltda; Adriano Luiz Tomé; Jorge Constante Tomé e Engatsul Indústria Metalúrgica Ltda impetraram Recursos Voluntários, petição de interposição, as fls. 1.651; 1.714; 1.771; 1.825, recebida, em Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.892 4 23/09/2013, e razões recursais acostadas, as fls. 1.652 a 1.698; 1.715 a 1.761; 1.772 a 1.818; 1.826 a 1.872, acompanhada dos documentos, de fls. 1.762 a 1.768; 1.819 a 1.821; 1.873 a 1;885, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Mérito. 1 da inaplicabilidade de presunções para apuração dos fatos que ensejaram o auto de infração. · que a utilização de presunção para o lançamento tributário, que levou o fisco e a DRJ a entender haver empreendimento único entre as empresas está equivocado, sendo impossível a utilização da presunção para imputar os atos ilícitos descritos no lançamento, não podendo a Administração presumir a existência de ilícito e depois realizar o lançamento sob este argumento; · que não pode o fisco desconsiderar a existência da personalidade jurídica de uma empresa legalmente constituída e com atividades já encerradas à época da fiscalização; · que em 2012 o fisco concluiu pela existência de um só negócio formado pela Engatcar e Engatsul para promover o lançamento tributário, porém a Engatsul estava desativada a dois anos fato não citado na ação fiscal, sendo que nesse tempo a Engatcar expandiu seus negócios e englobou as dependências da Engatsul, o que derruba por terra a tese de empreendimento único do fisco, baseados em meros indícios após anos de encerramento de uma das empresas, presumindo o fisco que em 2007 e 2008 a estrutura era única, sendo irregular e ilegal a desconsideração da autonomia da Engatsul; · que isso prejudica a defesa do contribuinte que não tem como produzir prova a seu favor, sendo que a ausência de comprovação é vício de motivação do ato administrativo e que prejudica a defesa do contribuinte, pois todos os atos administrativos devem ser motivados, sendo nulo o auto de infração, por ser baseado em mera presunção; 2 – nulidade do procedimento fiscal impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária. · que o arbitramento ou a presunção só podem ser usada pelo fisco, quando este descaracteriza a escrita fiscal e a contabilidade do contribuinte, mecanismo esse frágil, pois aplicada por um único agente no uso de sua discricionariedade, não se prestando os meios usados pelo fisco para provar que a Engatcar usava a Engatsul para reduzir suas contribuições previdenciárias, nem mesmo a suposta confusão patrimonial, não encontrando guarida no PAF a presunção, pois este deve pautarse pela verdade material em razão da legalidade e tipicidade, cita PBC e FDPT, Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.893 5 estando o auto lastreado em meras presunções sem comprovação objetiva; 3 – ausência de comprovação da utilização de empresa interposta. Dever da administração de comprovar as alegações. · que só há obrigação tributária com a ocorrência do fato gerador, não comprovando a intrincada rede de presunções criada pelo fisco a existência de empreendimento único pelas empresas, não comprovando o fisco que as empresas são a “mesma coisa”, não sendo possível exigir as diferenças de contribuição da Engatsul no período do SIMPLES, tendo em vista a não comprovação da ocorrência da obrigação tributária, deixando o fisco de provar suas alegações, cita SAR, não sendo possível exigir tributos por presunção; 4 – nulidade do auto de infração impugnação. Direito à avaliação contraditória. Obrigatoriedade da prova pericial. · que havendo o lançamento, o contribuinte tem o direito a contestação e a avaliação contraditória dos dados lançados, pois apesar de constar dos autos que os valores recolhidos no sistema SIMPLES foram aproveitados, a recorrente tem o direito de revisar o lançamento devidamente assessorada por profissional habilitado, utilizando, ainda, a perícia postulada para promover uma completa análise das bases de cálculo e lançamentos para verificar se há excessos do fisco no lançamento; · que com base no contraditório e na ampla defesa, artigo 5º, da CF, o arbitramento unilateral não pode ser aceito, tendo o contribuinte direito as explicações e aditamentos, devendo ser realizada perícia obrigatória para contraprova, pois o contribuinte não concorda com os valores lançados pelo fisco, que é direito subjetivo do contribuinte a avaliação contraditória, não estando esta no poder discricionário do julgador, devendo, ser deferida a perícia de plano sempre que requerida, não podendo esta ser indeferida, pois garantida pelo CTN, devendo ser reformada a decisão a quo nesse ponto, lista a finalidade da perícia: i) comprovar a real base de cálculo das operações supostamente irregulares; ii) reapurar o débito em vista das ilegalidades da cobrança aqui apontadas (incidências das contribuições sobre as verbas de caráter indenizatório); iii) verificar a regularidade do abatimento dos valores já recolhidos a título de SIMPLES, sendo a perícia imprescindível; 5 – dos princípios da ampla defesa, do contraditório e devido processo legal. · que a ampla defesa e contraditório dão suporte a realização da perícia requerida, cita NNJ; AX; PJCJ e ZD, não tendo sido Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.894 6 atendidos, até o momento, os princípios constitucionais citados, sendo imperativa a realização da perícia; 6 – do princípio da verdade material. · que no processo administrativo fiscal buscase a verdade material, aproximandose da verdade e extrapolando os limites dos autos, cita ASC; LHBA; HLM, pois caso não realizada a contraprova requerida o processo ficará comprometido, por ausência de contraditório, ampla defesa e verdade material, uma vez que é dever da Administração buscar a realidade dos fatos, sendo imprescindível a realização da prova técnicocontábil; 7 – possibilidade do enfretamento do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. · que o lançamento deve ser revisto, pois incluído nele valores ilegais e inconstitucionais, podendo os órgãos administrativos decidir com base na inconstitucionalidade, não havendo impedimento para análise dos fundamentos de inconstitucionalidade da contribuição sobre verbas indenizatórias; 8 – da manifesta inconstitucionalidade/ilegalidade da contribuição patronal sobre as verbas tendentes aos auxíliodoença, aviso prévio indenizado, 1/3 de férias e horas extras. · que nesse tópico o julgador a quo é contraditório, pois diz que não se evidência do lançamento a inclusão de tais bases de cálculo e diz ser ônus do contribuinte provar tal fato, estando esta alegação em contradição com o tópico que afasta a realização da prova pericial, ficando evidente que sem a análise técnica nem mesmo a fisco sabe distinguir o que compõe o lançamento, o que demonstra a necessidade da perícia e o excesso do lançamento, pois apenas verbas remuneratórias/salariais e base de cálculo da contribuição e não as indenizatórias, artigo 195, I, “a”da CF e artigo 22, I, da Lei 8.212/91, cita e transcreve o artigo 457, da CLT ; · que a verba paga em razão do artigo, 7º XVII, da CF é indenizatória não sendo base de cálculo da contribuição previdenciária, o que é reconhecido por nossos tribunais; · que a verba paga em razão do artigo 7º, XVI, da CF é indenizatória não sendo base de cálculo da contribuição previdenciária, cita IGM e precedente judiciais; · que o aviso prévio art. 7º, XXI, da CF c/c o artigo 487,da CLT irrefutavelmente possui natureza indenizatório e assim não é base de cálculo da contribuição social previdenciária; · que os valores pagos nos quinze dias iniciais de afastamento do trabalhador, não é salário e assim não pode sofrer a tributação da Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.895 7 contribuição social previdenciária, uma vez que não retribui o trabalho 9 – da flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições ao INCRA e ao SEBRAE. · que por serem CIDE deveriam as contribuições obedecer as disposições do art. 149, § 2º, III, da CF, tendo como base de cálculo a folha de salários, mas como incidem sobre o faturamento, receita bruta ou valor operação, são claramente inconstitucional em razão da EC 33/2001, devendo serem excluídas; 10 – inaplicabilidade da multa qualificada. Ausência de comprovação válida de conduta dolosa pela contribuinte. · que são desnecessários novos argumentos, pois analisada a constitucionalidade das normas e a inviabilidade do lançamento feito por presunção, o resultado será invariavelmente, a nulidade da multa; 11 – inaplicabilidade da taxa SELIC aos débitos ora exigidos como juros de mora, nos períodos em que superior a 1%. Limitação dos juros de mora dada pelo artigo 161 do CTN. · que a DRJ não enfrentou este tópico, porém a aplicação da SELIC é ilegal, pois o artigo 161, § 1º, do CTN determina que o juros seja de 1% e caso mantido o lançamento no mínimo deve ser excluída a SELIC quando ultrapassar o percentual citado; · Dos pedidos e requerimentos: a) que seja dado integral provimento ao recurso, visando desconstituir os autos de infração combatidos; b) reforma da decisão a quo. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade dos recursos, fls. 1.887. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despachos de fls. 1.887. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 1.888. É o Relatório. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.896 8 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Os quatro recursos apresentados pelos recorrentes empresas Metalúrgica Engatcar Ltda e Engatsul Indústria Metalúrgica Ltda e pessoa física Jorge Constante Tomé e Adriano Luiz Tomé serão analisados em conjunto. Prejudicial ao mérito. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.897 9 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Entretanto, no momento oportuno e nos tópicos próprios a questão de constitucionalidade pode e será apreciada, pois o que se veda é o reconhecimento de inconstitucionalidade da norma tributária no âmbito administrativo. Mérito. No presente lançamento não houve a utilização de presunção, mas a demonstração cabal, clara e objetiva da união de esforços de duas empresas, que atuavam em conjunto para obter lucro no mercado, com administração única, utilização do mesmo espaço físico, compartilhamento de empregados, equipamentos, materiais, caixa (dinheiro), bens, serviços públicos, tais como: luz, água, esgoto, telefone entre outros, tudo detalhadamente descrito no REFISC, de fls. 29 a 83 e comprovado nos autos. Não existe termo legal para que o fisco cumpra com o seu mister, salvo quanto ao direito d e realização do lançamento, a possível incidência do marco temporal da decadência. Assim, cabe, pode e deve o fisco exercer todas as suas prerrogativas previstas em lei para bem desempenhar o seu desiderato. A fiscalização embora iniciada, em 03/08/2011, conforme, AR, de fls. 1.147, que remeteu o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 1.145 e 1.146, e que foi recebido pela Senhora Priscila B. Leite, reportase como consta do TIPF ao período de 07/2007 a 12/2008. Podese verificar do que consta do REFISC item 8.2.1 e 8.2.2, que discrimina o quadro societário das duas empresa que na Engatcar a administração do sócio Jorge Constante Tomé abrange o período de 30/09/1986 a (em aberto na época da fiscalização) e para a Engatsul a administração do sócio Adriano Luiz Tomé abrange o período de 23/05/2001 a 08/03/2011, assim sendo fica claro e evidente que as duas empresa tinham existência e estavam em plena atividade no período fiscalizado 07/2007 a 12/2008, sendo irrelevante o fato da empresa Engatsul estar desativada ou encerrada em 2011, quando da efetiva realização do procedimento fiscal. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.898 10 As provas dos negócios jurídicos e dos elementos com que pretende defender os seus direitos e alegações é ônus do contribuinte, artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. O fisco fundamentou e demonstrou o porquê do lançamento e na forma como realizado, estando lastreado em farto conjunto probatório e com supedâneo no legislação que rege a matéria, não havendo lançamento por presunção e não havendo razão para reconhecer a nulidade do lançamento. Foi demonstrada acima que o presente lançamento não se funda em presunção, pois fundado em vasto conjunto probatório. A simples observação dos autos e leitura do REFISC, também, demonstra que o lançamento não é baseado em arbitramento, pois este é mera forma de obtenção da base de cálculo do tributo e no presente caso essa técnica não foi utilizada, uma vez que foi empregado o lançamento direito, haja vista que as bases de cálculo foram obtidas nas folhas de pagamento elaboradas e apresentadas pelo contribuinte. O Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 1.064 a 1.071, deixa isso explicito ao dizer no campo observação, o que consta abaixo. B.C. REMUNERAÇÃO SEG. EMPREGADOS – RESUMO FL. PGTO. ENGATSUL B.C. REMUNERAÇÃO SEG. CONTRIB. INDIV. – RESUMO FL. PGTO. ENGATSUL O agente fiscal demonstrou que havia comunhão patrimonial, direção conjunta e unificada, confusão contábil, compartilhamento e troca de vários outros elementos, tais como: empregados, materiais, equipamentos, serviços públicos, despesas e outros, além de endereço comum. Fez o fisco justamente uso da verdade material e da essência sob a forma para no curso da ação fiscal determinar os reais agentes e negócios praticados, veja a transcrição do REFISC. 12. Assim, em virtude de todo o exposto e em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poder dever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de fato gerador, pode superar o negócio jurídico para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Ficou superada a muito neste acórdão a questão da inexistência de lançamento por presunção, bem como está demonstrado a ocorrência do fato gerador, pois a utilização de trabalhadores empregados e contribuintes individuais é inconteste no presente caso. O fisco nunca asseverou que as empresas Engatcar e Engatsul são a mesma coisa, mas apenas e tão somente disse o que a seguir transcrevo. 13.1. Embora sob o aspecto formal constituam empresas distintas, a estreitíssima relação existente entre a ENGATCAR e Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.899 11 a ENGATSUL, por tudo quanto exposto, caracterizamnas, de fato, como um único empreendimento, de que decorre a solidariedade passiva, a teor das seguintes disposições legais contidas no Código Tributário Nacional CTN, art. 124, inciso I; Lei nº 8.212, de 1991 e Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 3º, incisos II e III; Instrução Normativa RFB nº 971/2009, art. 152, VII. 13.2. Tal organização societária, em separado, teve como intuito permitir que as receitas auferidas por parcela do empreendimento fossem tributadas de acordo com a sistemática diferenciada e favorecida dispensada às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES. Entre todos os benefícios, no entanto, o principal e mais vantajoso foi o de evitar o recolhimento das contribuições patronais integrais sobre a folha de pagamentos dos segurados que, apenas formalmente, encontravamse vinculados a ENGATSUL, optante pelo SIMPLES – cota patronal, contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos. A avaliação contraditória é instrumento de contestação admitido pelo artigo 148, da Lei 5.172/66, quando o fisco usa do arbitramento para calcular o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, desde que estes sejam base de cálculo do tributo. Ocorre que como supramencionado o presente lançamento não está amparado por arbitramento, pois a base de cálculo constitucionalmente determinada e estabelecida em lei é a folha de salários e essa e uma grandeza de conhecimento comum fisco/contribuinte, pois extraída da folha de pagamento/salário elaborada todos os meses pelo contribuinte. Desta forma, não cabe a realização de avaliação contraditória, pois não é caso dos autos e não está prevista legalmente para a determinação da base de cálculo da contribuição social previdenciária, que, inclusive, é determinada legalmente. O aproveitamento dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES pela Engatsul foi afirmado pelo agente lançador, conforme consta do REFISC, basta observar a transcrição. 15.2. Os valores correspondentes às Contribuições Patronais Previdenciárias – CPP (tributo “INSS/CPP”) incluídos nos pagamentos efetuados pela ENGATSUL mediante Documento de Arrecadação do SIMPLES Nacional – DAS, constantes dos Extratos do Simples Nacional extraídos do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (em anexo), foram deduzidos das Contribuições Patronais apuradas na presente ação fiscal. Os valores deduzidos encontramse discriminados no relatório “DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO” (coluna: CRÉDITOS), anexo ao Auto de Infração DEBCAD 37.380.8755, onde foram lançadas as Contribuições Previdenciárias Patronais incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais discriminadas nas folhas de pagamento Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.900 12 da ENGATSUL. As Contribuições Patronais Previdenciárias – CPP apropriadas também encontramse demonstradas no RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (em anexo), onde constam informações dos valores apropriados por competência, DEBCAD, Item e Levantamento. Não há dúvidas de que o contribuinte tem o direito de rever o lançamento, mas para isso deve utilizar o seu prazo de defesa, ou seja, os trinta dias previstos em lei. Aliás, a verificação da correta utilização dos valores pagos na sistemática do SIMPLES não exige assessoramento de profissional com expertise específica, um jovem funcionário seria capaz de em pouco tempo, conferir a coluna créditos do Discriminativo de Débito – DD, de fls. 05 a 11, com os extratos do SIMPLES NACIONAL, de fls. 1.072 a 1.107. Evidente do que dito acima que a diligência/perícia requerida não é o meio de prova adequado, pois qualquer pessoa com o mínimo de discernimento seria capaz de fazer a conferência das informações e cabia ao sujeito passivo na fase de defesa promover tal verificação, se não o fez a responsabilidade lhe é exclusiva. Não sendo lícito requerer perícia para suprir prova e verificação que poderiam ter sidos feitos de outra forma e em outro momento, veja o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ. EMEN: Processo Civil. Iniciativa probatória do segundo grau de jurisdição por perplexidade diante dos fatos. Mitigação do princípio da demanda. Possibilidade. Ausência de preclusão pro judicato. Pedido de reconsideração que não renova prazo recursal contra decisão que indeferiu prova pericial contábil. Desnecessidade de dilação probatória. Provimento do recurso para que o tribunal de justiça prossiga no julgamento da apelação. Os juízos de primeiro e segundo graus de jurisdição, sem violação ao princípio da demanda, podem determinar as provas que lhes aprouverem, a fim de firmar seu juízo de livre convicção motivado, diante do que expõe o art. 130 do CPC. A iniciativa probatória do magistrado, em busca da verdade real, com realização de provas de ofício, não se sujeita à preclusão temporal, porque é feita no interesse público de efetividade da Justiça. Não é cabível a dilação probatória quando haja outros meios de prova, testemunhal e documental, suficientes para o julgamento da demanda, devendo a iniciativa do juiz se restringir a situações de perplexidade diante de provas contraditórias, confusas ou incompletas. ..EMEN: (RESP 200101053265, NANCY ANDRIGHI, STJ TERCEIRA TURMA, DJ DATA:13/05/2002 PG:00208 RDR VOL.:00024 PG:00292 REVFOR VOL.:00367 PG:00221 REVPRO VOL.:00115 PG:00275 RSTJ VOL.:00157 PG:00363 ..DTPB:.) (o realce é meu). Inexistente nos autos o arbitramento unilateral, como denominado pela recorrente, bem como demonstrada a desnecessidade da prova pericial, pois meramente procrastinatória, uma vez que o contribuinte deixou transcorrer in albis o momento de produzir a prova que lhe cabia, não a produzindo, não há direito subjetivo a qualquer tipo de prova, pois Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.901 13 esse é voltada ao julgador para auxiliálo na formação de sua convicção, não sendo, também, necessário quando o fato pode ser provado por outros meios. As três finalidades apontadas pela recorrente para a realização da prova pericial, que a seguir transcrevo, deveriam ter sido por ele realizada no prazo de impugnação, bem como estão demonstradas e esclarecidas nos autos. i) comprovar a real base de cálculo das operações supostamente irregulares; ii) ii) reapurar o débito em vista das ilegalidade da cobrança aqui apontadas (incidências das contribuições sobre as verbas de caráter indenizatório); iii) iii) verificar a regularidade do abatimento dos valores já recolhidos a título de SIMPLES, sendo a perícia imprescindível Em verdade, a questão da utilização dos valores pagos na sistemática do SIMPLES já foi esclarecida. As bases de cálculo como dito é a folha de salários da empresa e assim basta verificar suas folhas de pagamento e cotejálas com os valores lançados no Relatório de Lançamentos – RL ou no Discriminativo de Débito – DD. Quanta a segunda alegação, ainda, será objeto de análise mas a frente, pois não chegamos ao tópicos específico sobre o tema. O contraditório e ampla defesa não dá direito ao contribuinte de deixar de cumprir com as suas obrigações no momento processual adequado para depois requerer o retorno de fase processual ultrapassada, alegando a necessidade de realização de diligência/perícia contábil. Quando intimado do lançamento teve o contribuinte seu prazo de defesa para apresentar as suas alegações, produzir suas provas e demonstrar qualquer inexatidão no lançamento, porém o contribuinte não fez isso. A verificação das bases de cálculo lançadas, do aproveitamento de recolhimentos efetuados e o reapurar do débito para verificar a inclusão neste, de parcelas supostamente indenizatórias deveria ter sido feito no prazo de defesa e com base nos documentos da empresa que serviram para o lançamento, podendo ser feito por qualquer pessoa com o discernimento médio normal da população, não sendo necessário conhecimento técnicos apurados ou expertise, um simples funcionário de regular compreensão seria capaz de realizar essa verificação em pouco tempo. A perícia requerida e desnecessária e improdutiva, razão pela qual a indefiro, além, do que o pedido não preenche as determinações da legislação de regência. A verdade material no PAF é dirigida ao julgador que pode e deve utilizar os meios adequadas para buscar as provas, visando formar a sua convicção – livre convencimento motivado. Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.902 14 Mas, não implica e nem autoriza o contribuinte a exigir a realização de prova para suprir a prova que ele contribuinte teve tempo de produzir, poderia ter produzido, porém não produziu por sua conta e risco. O Superior Tribunal de Justiça – STJ admite a rejeição do pedido de perícia, veja a transcrição. EMEN: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. 1. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 2. INDEFERIMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL. CRITÉRIO DO JUIZ. DESTINATÁRIO DA PROVA. INVIABILIDADE DE AVALIAR A INDISPENSABILIDADE NESTA SEDE. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 3. PARTICIPAÇÃO DO AGRAVANTE NO PRÉVIO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INOVAÇÃO RECURSAL. MATÉRIA NÃO TRATADA PELO RECURSO ORDINÁRIO NEM APRECIADA PELO TRIBUNAL A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 4. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Compete ao juiz, destinatário da prova, aferir a pertinência e a necessidade de realização das diligências para a formação de seu convencimento. Não constitui constrangimento ilegal o indeferimento daquelas que, ao exame do conjunto probatório que se lhe apresenta, forem entendidas como indevidas, em decisão fundamentada, quando as julgar protelatórias ou desnecessárias à instrução criminal. 2. Na hipótese, as instâncias ordinárias apresentaram fundamentação idônea para a não realização da prova pericial. Essa conjuntura afasta a caracterização de constrangimento ilegal passível de ser sanado por meio deste writ, pois não se mostra possível a utilização do habeas corpus nos casos em que se busca a mera substituição do juízo subjetivo externado em decisão fundamentada, dentro dos parâmetros cominados pela lei. 3. Não tendo sido aventada no recurso ordinário a matéria relativa à não participação do agravante no prévio processo administrativo, não pode ser agora suscitada, pois trata de inovação, em agravo regimental, dos temas trazidos a conhecimento desta Corte. Ainda que superado esse óbice, a alegação deixou de ser apreciada pelo Tribunal a quo e seu exame, aqui, implicaria em verdadeira supressão de instância. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. ..EMEN: (AGRRHC 201102286059, MARCO AURÉLIO BELLIZZE, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:11/03/2013 ..DTPB:.) A questão relativa à inconstitucionalidade foi abordada no tópico Prejudicial de Mérito, razão pela não será aqui tratada, cabendo aqui tudo o que dito lá. A inclusão no crédito de valores que a recorrente considera serem indenizatórios e não remuneratórios deve ser demonstrada pela recorrente a simples alegação genérica por mera presunção sem a demonstração efetiva da existência da suposta falha, não autoriza o retorno dos autos ao início da fase processual. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.903 15 Quando cientificado do lançamento o contribuinte pode e deve promover todos os estudos e averiguações sobre o crédito lançado e na oportunidade da apresentação da impugnação demonstrar a existência de falhas ou equívocos, caso existentes no lançamento. Deixar o momento processual transcorrer para depois alegar a existência de falhas não comprovadas e se quer indicadas, buscando retroceder a marcha processual via diligência/perícia não encontra guarida no ordenamento jurídico. As bases de cálculo utilizadas no lançamento como asseverado linhas atrás foram extraídas dos resumos das folhas de pagamento emitidas pela recorrente, o que possibilitaria com facilidade que ela demonstrasse a existência das verbas, hoje, consideradas indenizatórias pelos tribunais superiores Supremo Tribunal Federal – STF e Superior Tribunal de Justiça – STJ e que não mais devem compor a base de cálculo da contribuição social previdenciária. Aliás, das verbas alegadas indenizatórias pela recorrente e que supostamente estariam incluídas nesse lançamento e que não foi demonstrado e comprovado pela empresa recorrente é certo afirmar que os quinze primeiros dias de afastamento do empregado do trabalho em razão de auxílio doença, o aviso prévio indenizado e o terço constitucional de férias não estão dentro da base de cálculo da contribuição essa é a posição do STJ, veja a ementa. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. AUXÍLIODOENÇA PAGO PELO EMPREGADOR NOS 15 PRIMEIROS DIAS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543 C DO CPC. 1. A Primeira Seção deste STJ, no julgamento do REsp 1.230.957/RS, de relatoria do Min. Mauro Campbell Marques (DJe de 18/3/2014), apreciado sob o rito do art. 543C do CPC, firmou o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre as verbas pagas pelo empregador a título de auxíliodoença nos 15 primeiros dias de afastamento, terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado, dada sua natureza indenizatória, e não salarial. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 152.042/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/03/2014, DJe 04/04/2014) (meu o realce) Embora, esse seja o entendimento firmado na corte o contribuinte recorrente não demonstrou e não provou a existência da inclusão de tais verbas na base de cálculo lançadas no crédito, o que seria extremamente simples, bastava a observação de sua folha de pagamento, pois certamente a empresa sabe o que está pagando para os seus colaboradores. Assim, a recorrente não cumpriu o que determina o artigo 333, II, da Lei 58969/73 c/c o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. Não servindo a perícia para suprir a lacuna criada pela recorrente. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.904 16 Em posição diametralmente oposta a citada corte entende que as horas extras possuem natureza salarial e assim são base de cálculo da contribuição social previdenciária, veja a decisão. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458, 459 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIOACIDENTE. VERBAS RECEBIDAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. SALÁRIO MATERNIDADE. NATUREZA JURÍDICA SALARIAL. INCIDÊNCIA. ADICIONAL DE 1/3, HORASEXTRAS E ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE. VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. Inexiste violação dos arts. 165, 458, 459 e 535 do CPC na hipótese em que o Tribunal de origem examina, de modo claro e suficiente, as questões submetidas à sua apreciação. 2. O auxíliodoença pago até o 15º dia pelo empregador é inalcançável pela contribuição previdenciária, uma vez que a referida verba não possui natureza remuneratória, inexistindo prestação de serviço pelo empregado, no período. Precedentes. 3. O auxílioacidente ostenta natureza indenizatória, porquanto destinase a compensar o segurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia, consoante o disposto no § 2º do art. 86 da Lei n. 8.213/91, razão pela qual consubstancia verba infensa à incidência da contribuição previdenciária. Precedentes. 4. O saláriomaternidade possui natureza salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária. O fato de ser custeado pelos cofres da autarquia previdenciária não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, incluindo, na respectiva base de cálculo, o saláriomaternidade auferido por suas empregadas gestantes (Lei 8.212/91, art. 28, § 2º). Precedentes. 5. A verba recebida a título de terço constitucional de férias, quando as férias são gozadas, ostenta natureza remuneratória, sendo, portanto, passível da incidência da contribuição previdenciária. 6. Os adicionais noturno, horaextra, insalubridade e periculosidade ostentam caráter salarial, à luz do enunciado 60 do TST, razão pela qual incide a contribuição previdenciária. 7. A Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.905 17 prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, contanto que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488.992/MG). 8. In casu, a empresa ajuizou a demanda em 8/6/2005 pleiteando a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de contribuição social à época administrada pelo INSS, razão pela qual se revela aplicável a Lei 8.383/91, que admitia a compensação apenas entre tributos e contribuições da mesma espécie. 9. Recurso especial parcialmente provido, para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio doença e auxílioacidente. (REsp 1098102/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 17/06/2009) (os destaques são meus). As contribuições destinadas a terceiros INCRA e SEBRAE são consideradas constitucionais pelas nossas cortes superiores e assim são devidas pelos sujeitos passivos determinados em lei, veja o posição dos tribunais. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE 0,2% SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESTINADA AO INCRA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. Os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: Pet 4.837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022 ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.2011). 2. A controvérsia referente à constitucionalidade da exigência de contribuição social de 0,2% sobre a folha de salários das empresas urbanas destinada ao INCRA teve a sua repercussão geral rejeitada pelo Plenário desta Corte Suprema, uma vez que a matéria está restrita ao interesse das empresas urbanas eventualmente contribuintes desta exação, não alcançando, portanto, a sociedade como um todo (RE 578.635 AgR, Relator o Ministro Menezes Direito, DJ de 17.10.08). Precedentes: RE 634.074ED, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 26.05.2011; RE 598.180AgR, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 11.02.2011; AI 700.833AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 03.04.2009. 3. In casu, o acórdão originalmente recorrido assentou: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA, PARA O SEBRAE E PARA O SAT. MULTA. TAXA SELIC. MULTA MORATÓRIA. 1. A contribuição para o INCRA não foi extinta pelas LL 7.789/1989 e 8.212/1991, ambas reguladora do custeio previdenciário. 2. As contribuições ao SEBRAE devem ser Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.906 18 suportadas por toda coletividade independentemente de qualquer identidade com o fomento a que objetiva a instituição beneficiada com o tributo. 3. A jurisprudência do STF reconhece a constitucionalidade da Contribuição Social do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT. 4. Multa aplicada nos termos do art. 35 da L 8.212/1991, com a observância do disposto na letra “c” do inc. II do art. 106 do CTN, que admite retroatividade da lei tributária quando comine ao fato pretérito penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5. A Taxa Selic não padece de mácula de ilegalidade ou inconstitucionalidade” 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AIED 849045, LUIZ FUX, STF.) EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS SEBRAE. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (AIED 756508, CÁRMEN LÚCIA, STF.) EMENTA: 1. Contribuições ao SAT, SEBRAE e INCRA. Recurso extraordinário: descabimento: controvérsia decidida à luz da legislação infraconstitucional pertinente: a alegada violação dos dispositivos constitucionais invocados, se ocorresse, seria reflexa ou indireta, que não enseja reexame em recurso extraordinário: incidência, mutatis mutandis, da Súmula 636. 2. Improcedência das alegações de negativa de prestação jurisdicional e de inexistência de motivação do acórdão recorrido. (AIAgR 624661, SEPÚLVEDA PERTENCE, STF.) ..EMEN: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ENTIDADE HOSPITALAR. CERTIFICADO DE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SALÁRIOEDUCAÇÃO. REQUISITOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Não há omissão do acórdão recorrido que registrou a impossibilidade de apreciação da incidência da Lei 11.457/2007, por se tratar de inovação recursal não passível de ser apreciada em sede de embargos declaratórios, mormente porque consignou que o provimento se referia apenas às NFLD´s questionadas na inicial, as quais se referem a períodos anteriores à vigência do referido diploma legal. 2. Não se pode conhecer do apelo especial no tocante ao dissídio alegado, referente à exigibilidade das contribuições destinadas a terceiros das entidades beneficentes e de assistência social, pois o acórdão recorrido apreciou a matéria tão somente sob o enfoque constitucional, à luz da interpretação dos artigos 240, 223, 173 e 195, todos da Constituição Federal. 3. A orientação do acórdão recorrido Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.907 19 coincide com o entendimento fixado por esta Corte, por ocasião do julgamento do REsp 977.058/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, DJ 10/11/2008, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. 4. Agravo regimental não provido. ..EMEN: (AGRESP 200901570545, BENEDITO GONÇALVES, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:28/06/2012 ..DTPB:.) EMEN: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. EMPRESAS DE PEQUENO, MÉDIO E GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EXIGIBILIDADE. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E DA RESOLUÇÃO Nº 8/2008 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE TRATAM DOS RECURSOS REPRESENTATIVOS DE CONTROVÉRSIA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é firme em que é exigível a cobrança da contribuição ao SEBRAE, independentemente de serem micro, pequenas, médias ou grandes empresas, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessas entidades. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 977.058/RS, submetido ao regime dos recursos repetitivos (artigo 543C do Código de Processo Civil, incluído pela Lei nº 11.672/2008), firmou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA é plenamente exigível, tendo inequívoca natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, sendo certo que não foi extinta pelas Leis nºs 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. 3. A Primeira Seção, acolhendo questão de ordem nos autos do AgRgREsp nº 1.025.220/RS, entendeu ser aplicável a multa prevista no artigo 557, parágrafo 2º, do Código de Processo Civil nos casos em que a parte agravante se insurge quanto ao mérito da questão decidida com base em julgado submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. 4. Cuidandose de agravo manifestamente infundado, impõese a condenação do agravante ao pagamento da multa prevista no artigo 557, parágrafo 2º, do Código de Processo Civil. 5. Agravo regimental improvido. ..EMEN: (AGA 200802780422, HAMILTON CARVALHIDO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:02/06/2010 ..DTPB:.) (todos os negritos são deste conselheiro). O agente fiscal qualificou a multa, conforme consta de seu REFISC, item 14.4.2 e 16.6, fls. 71 e 74, observe a transcrição. Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.908 20 14.4.2. Códigos de Levantamento criados para lançamentos das bases de cálculo das contribuições devidas, em que é aplicada a multa de ofício qualificada de 150% (Sonegação, fraude ou conluio Lei 4502/64) introduzida pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Multa aplicada para as contribuições relativas às competências: 12/2008 e 13/2008 (13º salário): 16.6. Pelo exposto, caracterizada como fraude a simulação na contratação de empregados por empresa interposta, na forma do art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase a duplicação a que alude a Lei n° 9.430, de 1996, com o que o percentual da multa do lançamento de ofício passa de 75% para 150%. (os grifos são do original). No entanto, a recorrente por sua conta e risco entendeu que não precisaria contestar a qualificação da multa, pois analisada a inconstitucionalidade da norma e a ocorrência do lançamento por presunção o destino natural da multa seria a nulidade. Ficou demonstrado que não há inconstitucionalidade e muito menos lançamento por presunção, assim aplicase aqui o artigo 17, do Decreto 70.235/72, quanto a não contestação da qualificação da multa. Além do que, como demonstrado a qualificação da multa está lastreada na conduta do contribuinte e na previsão legal. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.909 21 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.910 22 uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Verifiquei do Discriminativo de Débito – DD, de fls. 05 a 10, que no período de 07/2007 a 11/2008, foi aplicada a multa de setenta e cinco por cento instituída pela MP 449/2008. Contudo, tal multa não vigorava no período em questão e assim não pode ser aplicada, pois o artigo 144, da Lei 5.172/66 veda essa aplicação. O presente crédito foi constituído, em 07/12/2012, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período acima citado. Desta forma, para o período de 01/2007 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11020.724421/201250 Acórdão n.º 2803003.317 S2TE03 Fl. 1.911 23 No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois já se encontrava em vigor. Assim com esses esclarecimentos rejeito as alegações suscitadas pela recorrente em preliminar e em mérito, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, conheço do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, pois a multa a ser aplicada, no período suscitado, e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser a mais benéfica, hipótese esta que deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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