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Numero do processo: 10830.726685/2012-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1001-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN.
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CONSTRUCOES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 66 85 /2 01 2- 41 Fl. 26DF CARF MF Processo nº 10830.726685/201241 Acórdão n.º 1001001.075 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 21 a 22) interposto contra o Acórdão nº 0946.417, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 17 a 19), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de lançamento, no valor de R$ 30.772,36, relativo a multa por atraso na entrega de DASN AC 2011. A contribuinte apresentou impugnação pedindo o cancelamento da multa, em resumo, sob o argumento de estar amparada pelo instituto da denúncia espontânea, estabelecido no art. 138 do CTN." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário ainda lastreado na aplicação do art. 138 do CTN para a exoneração da multa aplicada. É o relatório. Voto Fl. 27DF CARF MF Processo nº 10830.726685/201241 Acórdão n.º 1001001.075 S1C0T1 Fl. 4 3 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A interpretação do art. 113 do CTN mostra que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores distintos e independentes, sendo que o simples fato de não observar a obrigação acessória constitui o fato gerador da obrigação principal de pagar a respectiva penalidade pecuniária. A penalidade em discussão está expressamente prevista em lei, conforme enquadramento legal constante do lançamento, vinculando toda a Administração Pública, em face do princípio constitucional da legalidade. Registrese que não cabe na esfera administrativa a apreciação de aspectos ligados à constitucionalidade de dispositivos legais plenamente eficazes. Assim, constatado o atraso no adimplemento da obrigação acessória, o lançamento da multa é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, a exigência da multa independe de culpa ou dolo do sujeito passivo. O atraso na entrega da DASN é ostensivo, evidente por si só, sendo desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Como incentivo ao contribuinte que entrega aDASN após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa aplicada é reduzida à metade, tal qual estabelecido no próprio art. 38 da LC nº 123/2006 e procedido no lançamento. O instituto da denúncia espontânea, versado no artigo 138 do CTN, não se aplica às multas por atraso na entrega de Declaração, consoante entendimento pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Essa matéria encontrase também pacificada no âmbito do Poder Judiciário. A título exemplificativo, cito manifestação do Superior Tribunal de Justiça, em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional nº 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União – DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. 1. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10830.726685/201241 Acórdão n.º 1001001.075 S1C0T1 Fl. 5 4 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. (...)" Assim, com base nos dispostos supra colacionados, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 29DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720092/2012-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO
A omissão apontada em Embargos de Declaração, uma vez constatada, deve ser suprida, atribuindo-se efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INEXATIDÃO DE PERÍODO DE APURAÇÃO DE CUSTO. POSTERGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. QUESTÕES RELEVANTES AO QUANTUM DEBEATUR
A inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção do crédito tributário constituído de ofício por pagamento em anos posteriores são questões que, uma vez formuladas pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, devem ser respondidas pelo julgador, sob pena de omissão, pois, caso se confirme a hipótese de postergação, pode resultar no cancelamento do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9101-002.801, de 10/05/2017, com efeitos infringentes, determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para que este decida sobre a inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção das obrigações tributárias, constituídas pelo lançamento no auto de infração, por pagamento em anos posteriores.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO A omissão apontada em Embargos de Declaração, uma vez constatada, deve ser suprida, atribuindo-se efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 INEXATIDÃO DE PERÍODO DE APURAÇÃO DE CUSTO. POSTERGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. QUESTÕES RELEVANTES AO QUANTUM DEBEATUR A inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção do crédito tributário constituído de ofício por pagamento em anos posteriores são questões que, uma vez formuladas pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, devem ser respondidas pelo julgador, sob pena de omissão, pois, caso se confirme a hipótese de postergação, pode resultar no cancelamento do lançamento de ofício.
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OMISSÃO CONSTATADA. SANEAMENTO A omissão apontada em Embargos de Declaração, uma vez constatada, deve ser suprida, atribuindose efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INEXATIDÃO DE PERÍODO DE APURAÇÃO DE CUSTO. POSTERGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. QUESTÕES RELEVANTES AO QUANTUM DEBEATUR A inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção do crédito tributário constituído de ofício por pagamento em anos posteriores são questões que, uma vez formuladas pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, devem ser respondidas pelo julgador, sob pena de omissão, pois, caso se confirme a hipótese de postergação, pode resultar no cancelamento do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9101002.801, de 10/05/2017, com efeitos infringentes, determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, para que este decida sobre a inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção das obrigações tributárias, constituídas pelo lançamento no auto de infração, por pagamento em anos posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 92 /2 01 2- 78 Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.223 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório PEDRA AGROINDUSTRIAL S/A opôs Embargos de Declaração em face do acórdão nº 9101002.801 (fls. 1296 e seguintes), que deu parcial provimento ao Recurso Especial da União, nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram. No mérito, (i) quanto à depreciação da canadeaçúcar, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto à depreciação das máquinas agrícolas, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento e (iii) quanto à multa isolada, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à depreciação da canadeaçúcar e à multa isolada, o conselheiro André Mendes de Moura.” A ementa está do acórdão embargado tem a seguinte redação: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MÁQUINAS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MP 2.15970/2001. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 6º, da MP nº 2.15970/2001. ATIVIDADE RURAL. DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.224 3 DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE. O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplicase apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, cana de açúcar, eucalipto), aplicase a exaustão. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007." A ciência do acórdão embargado ocorreu em 27/11/2017, à efl. 1.346. Os Embargos de Declaração foram opostos em 29/11/2017, à efl. 1347. A Embargante manifesta que, segundo as autoridades fiscais, a exigência tributária está fundada na acusação de que não exerce atividade rural, motivo por que não poderia usufruir da dedução integral do valor do ativo permanente empregado na produção agrícola, a título de depreciação integral (artigo 6º da Medida Provisória nº 2.15970/2001). Diz ainda que as autoridades fiscais também entendem que, ainda que fosse titular do direito de gozar do benefício referido, a cultura de canadeaçúcar não deprecia, mas se sujeita à exaustão, porque lhe é devido o equivocado o tratamento de floresta. A Embargante relata, diante disso, que impugnou o lançamento, comprovando que devem prevalecer, para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, as deduções dos custos de formação da lavoura da canadeaçúcar e demais ativos relacionados com o exercício de sua atividade rural, a título de depreciação acelerada, na medida em que, por exercer atividade rural e deter ativos permanentes imobilizados, faz jus ao benefício fiscal, nos termos do artigo 6º da Medida Provisória nº 2.15970/2001. Ademais, informa que alegara, como questão prejudicial ao mérito, que, tratandose de benefício que representa mera postergação do tributo, já que a exclusão efetuada em um exercício é adicionada em anoscalendário posteriores, o valor exigido no auto de Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.225 4 infração já teria sido pago, em parte, e completamente solvido até o julgamento definitivo da impugnação. Todavia, apesar da solidez das provas e das alegações apresentadas quando de sua impugnação, a 3ª Turma da DRJ/RPO decidiu, equivocadamente, por rejeitar os argumentos da Embargante, dando ensejo, com isso, à interposição de Recurso Voluntário, com o objetivo de obter a reforma da decisão oportunamente guerreada, reconhecendose a improcedência do lançamento efetuado. Assim, após o regular processamento do feito, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara proveu integralmente o Recurso Voluntário interposto, reconhecendo o direito da Embargante ao benefício da depreciação acelerada. Por esse motivo, os demais pontos ventilados no Recurso Voluntário restaram prejudicados, não tendo sido analisados quando do julgamento. Inconformada com o aresto prolatado em segunda instância, a Embargada interpôs Recurso Especial, suscitando a existência de interpretações divergentes no que tange à possibilidade (i) de utilização do benefício da depreciação acelerada, tanto por submeterse a cultura da canadeaçúcar à exaustão (e não à depreciação), quanto por se tratar, no caso da Embargante, de agroindústria, o que inviabilizaria a utilização de tal benefício; e (ii) de concomitância da imposição das multas isolada e proporcional. Regularmente processado o feito, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao Recurso Especial da Embargada. Em que pese o entendimento adotado pela 1ª Turma da CSRF, é de se ver que o aresto embargado se omitiu a respeito de ponto importante sobre o qual deveria ter se manifestado, qual seja, a necessidade de devolver os autos à Câmara Julgadora a quo para análise dos demais pontos abordados no Recurso Voluntário da Embargante, os quais não foram analisados em razão da decisão anterior ter admitido a utilização do benefício da depreciação acelerada relativamente aos custos da formação da lavoura de canadeaçúcar. Isso porque a Embargante alegara ainda, como questão prejudicial a ser analisada caso restasse vencida no mérito quanto ao direito à fruição do benefício da depreciação acelerada, que, por se tratar de um benefício que representa mera postergação do tributo, na medida em que a exclusão efetuada em um exercício é adicionada em anos posteriores, o valor exigido no auto de infração já teria sido pago em parte, e estaria solvido completamente até o julgamento definitivo da impugnação. Vale frisar que tal questão sequer foi apreciada pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, ao prolatar o acórdão 1401001.523, uma vez que, ao reconhecer o direito da Embargante à fruição do benefício da depreciação acelerada, aquela questão se tornou desnecessária e sem sentido. Entretanto, com a interposição do Recurso Especial, por parte da Embargada, para discutir o benefício da depreciação acelerada, e o seu posterior provimento por esta 1ª Turma, a análise de tal questão prejudicial revelase imprescindível, sob pena de restar violado o direito da Embargante à ampla defesa e ao devido processo legal. Diante do exposto, a Embargante requer sejam recebidos os presentes Embargos Declaratórios, para que a Turma embargada possa tomar conhecimento da omissão ora apontada, sanandoa, conforme o requerido, determinandose a devolução dos autos à instância inferior a fim de que esta proceda à análise da questão prejudicial ao mérito. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.226 5 É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Os presentes Embargos de Declaração são tempestivos. Anoto que o Despacho de Admissibilidade dos Embargos determinou o retorno dos autos à carga do Conselheiro André Mendes de Moura, relator do acórdão embargado. No entanto, o ilustre Conselheiro afastouse do serviço em razão do gozo de licença capacitação, motivo por que estes Embargos, por sorteio, foram distribuídos à carga do presente relator, em 07/06/2018. Nesse sentido, não há razão para desconsiderar o ato jurídico do sorteio e, consequentemente, da distribuição, na forma do artigo 49, § 6º, do RICARF: "Art. 49 .... ..... §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção." No Despacho de Admissibilidade, a Presidente do CARF, Drª Adriana Gomes Rêgo, admitiu os Embargos, com base no suporte fático abaixo: "Nada obstante a embargante, por ocasião da interposição do seu recurso voluntário, tenha apresentado a questão da postergação de pagamento dos tributos como uma questão prejudicial ao mérito, fato é que o acórdão embargado [rectius, acórdão do Recurso Voluntário] adotou entendimento diverso, afirmando que o referido “prejuízo” somente seria verificado se acaso a posição do colegiado fosse no sentido de reconhecer como procedente a glosa perpetrada pela fiscalização. Em outras palavras, o colegiado não tratou a questão como efetiva prejudicial de mérito, senão como uma questão a ser decidida somente após a resolução de mérito (de forma semelhante à [sic] uma discussão acerca da exigência, ou não, de multa de ofício, ou acerca do percentual desta multa, a qual só se estabelece após a decisão de mérito quanto a ser devido, ou não, em primeiro lugar, o tributo lançado). Isto resta claro no seguinte excerto do voto vencido do relator do Acórdão nº 1401 001.523, que analisou o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, verbis: “A recorrente traz à baila uma questão que entende ser prejudicial ao mérito da questão principal a ser julgada, qual seja, a possibilidade de a cultura canavieira (com suas máquinas) ser beneficiada pelo regime da depreciação acelerada incentivada. Esse prejuízo, contudo, só será verificado se a posição desta Turma for no sentido reconhecer como procedente a glosa perpetrada pela fiscalização. Ou seja, se a depreciação acelerada incentivada não puder ser efetivada pela empresa, haverá de se investigar se houve e em que medida se deu a efetiva postergação de pagamento dos tributos lançados. Nada obstante, se a posição Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.227 6 majoritária da Turma for no sentido de reconhecer como possível o benefício da depreciação acelerada incentivada, não haverá necessidade de diligência para promover aquela investigação. Analisemos, então, o mérito dessa discussão.” (destaques acrescidos) A posição pessoal do relator do acórdão, contudo, que defendia a correção da glosa fiscal efetuada, restou vencida pelo colegiado, que concluiu, nos termos do voto vencedor, que os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos à depreciação, e não à exaustão, de sorte que “podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada”, exatamente na forma como procedera o contribuinte em sua escrituração. Confirmase, portanto, que efetivamente não houve qualquer pronunciamento do colegiado a quo, no caso concreto, acerca da ocorrência (ou não) de possível postergação no pagamento de tributos, a qual era uma das matérias alegadas pela defesa no recurso voluntário. Registrouse, por outro lado, naquela própria decisão (Acórdão nº 1401 001.523), conforme visto, que a análise desta matéria (postergação) se faria imprescindível acaso o entendimento fosse o de que os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira não pudessem fazer jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada. E esta foi exatamente a posição adotada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Ou seja, a CSRF decidiu, no ponto, que a decisão a quo deveria ser reformada, pois os dispêndios na formação da lavoura canavieira não podem se beneficiar do incentivo da depreciação rural acelerada, consoante restou consignado na ementa ao norte transcrita (em consonância com o entendimento defendido pelo redator do voto vencedor da decisão ora embargada). Neste contexto, exsurge clara a necessidade de que haja pronunciamento específico acerca da existência (ou não) da alegada postergação no pagamento de tributos, e, em não havendo tal pronunciamento, caracterizada está a omissão ora alegada pela embargante. Em que pese a matéria postergação no pagamento de tributos não tenha feito parte nem do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, nem das contrarrazões a ele apresentadas pelo contribuinte, esta “omissão” encontrase perfeitamente justificada pelo tratamento conferido à matéria em questão pela decisão a quo, e, por outro lado, não infirma nem invalida a existência de efetiva omissão no acórdão ora embargado, ao não abordar a necessidade de que tal matéria seja adequadamente enfrentada." Com efeito, em sede de Recurso Especial, a Embargante saiu derrotada, no julgamento da questão sobre a depreciação acelerada dos dispêndios empregados na formação de lavoura de cana de açúcar. Entretanto, no Recurso Voluntário, a então recorrente já alertava sobre as chamadas "questões prejudiciais ao mérito", quais sejam, a inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção das obrigações tributárias, constituídas pelo lançamento no auto de infração, por pagamento em anos posteriores. Reparese: Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.228 7 "1112 QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO A par das questões de mérito evidenciadas neste Recurso, o lançamento e, consequentemente, a decisão de primeira instância que não os reformou, apresentamse eivados de outros vícios que fazem com que lançamento fiscal não tenha procedência. Neste sentido, caso não seja não se entenda pela procedência das questões de mérito, e isso se alega somente para que não seja considerado preclusa a argumentação que se desenvolverá a seguir, pois está a Recorrente certa da legitimidade de seu procedimento, motivado inclusive pelo já decidido, por unanimidade, por este Conselho, através de decisão da então 1a turma do 1o. Conselho de Contribuintes (Acórdão 10196.867), que o lançamento efetuado seja considerado totalmente improcedente. Improcedente porque, por se tratar de um benefício que importa mera postergação do tributo, na medida em que a exclusão efetuada em um exercício é adicionada em anos posteriores. Em igual sentido, a Recorrente reduziu seu resultado tributado em um exercício, usufruindo de um benefício que lhe permitiu antecipar a dedutibilidade de um custo que seria dedutível nos exercícios subsequentes, sendo que, prevalecendo o entendimento da autoridade autuante, tal dedução configura como inexatidão quanto ao período de apuração de custo, que, nos termos do artigo 273 do Regulamento do Imposto de Renda, só autoriza o lançamento se e somente se a redução não for devida em qualquer outro período de apuração o valor exigido no auto de infração já foi pago, conforme a seguir se demonstra. 111.2.1 DA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PELO PAGAMENTO EM ANOS POSTERIORES. DO EFEITO DA POSTERGAÇÃO. Por fim, é de se destacar, como demonstrado acima, que as exclusões objeto da glosa são despesas de depreciação, consideradas indevidas no exercício correspondente, mas devidas em períodos posteriores, tanto que adicionadas, conforme se denota das DIPJs anexas. Em assim sendo, e de acordo com o próprio entendimento da Receita Federal (RIR/1999, art. 273; PN CST n° 57, de 1979 e PN Cosit n° 2, de 1996) constitui postergação do pagamento do tributo para período posterior ao que era (se assim o for) devido. Tal fato foi inclusive observado pela fiscalização que expressamente o destacou no item 18.1 do termo de encerramento, da seguinte forma: (...) e, em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 60 meses, ou seja, nos próximos 5 anos, nos ajustes do Lucro Líquido do período. Em assim sendo, e de acordo com o próprio entendimento da Receita Federal (RIR/1999, art. 273; PN CST n° 57, de 1979 e PN Cosit nº 2, de 1996) constitui postergação do pagamento do tributo para período posterior ao que era (se assim o for) devido. Uma simples análise das adições posteriores revela que assim ocorreu e ocorrerá no caso concreto: Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.229 8 Notese, o valor total exclusão glosada será exatamente o montante já adicionado nos anos de 2010 e 2011, acrescidos dos valores a serem adicionados até 2014. Assim, deveria o agente autuante recompor as bases de todos os períodos de apuração envolvidos, até o ano de 2011, quando do lançamento, e constatando a diferença entre o retificado e o anteriormente apurado, por ter gerado postergação de pagamento de tributo, enseja que a autoridade fiscal efetue o lançamento no período em que tenha havido indevida redução constituindo o crédito tributário pelo valor líquido, isto é, depois de compensado recolhido em períodos posteriores. Igualmente deverá também agir a autoridade fiscal, quando do encerramento e execução do valor eventualmente devido, caso, por hipótese, o direito aqui sustentado não venha a ser reconhecido. Nesta conjectura, por já recolhidos os tributos postergados, indevidamente lançados, pelo contribuinte, segundo o entendimento fiscal, em período posterior, dar ensejo unicamente à cobrança de juros de mora e correção monetária, quando for o caso, calculados sobre seu montante e cobrados, se já não espontaneamente pagos conforme expresso no PN CST n° 57, de 1979, item 7. Em suma, também neste aspecto não procede o auto de infração, requerendo se desde já sua reforma. A afirmação de agiu corretamente a autoridade administrativa, por não ter a Recorrente comprovado a reversão das exclusões nos anos subseqüentes não pode ser aplicada ao caso concreto, pois a mesma tinha e tem por obrigação confirmar tal fato, inclusive pelo fato de que as exclusões glosadas, como de conhecimento expresso e reconhecido do agente fiscalizador, são temporárias, e portanto devem ser adicionadas aos resultados futuros. Por outro lado, referidas exclusões constam das DIPJS entregues e cujas cópias foram juntadas aos autos. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101003.840 CSRFT1 Fl. 1.230 9 Notem, D. Conselheiros, que a redução do lucro real e da base da CSSL dos custos oriundos da depreciação não é indevida, em qualquer período de apuração, tanto que o incentivo referese a uma antecipação de seus efeitos e é meramente temporário. Em suma, quer por força da postergação no pagamento dos tributos (inciso I do artigo 273) quer por força da vedação do lançamento de despesa antecipada passível de dedução em outro período de apuração (inciso II do mesmo artigo), não merece prevalecer a decisão recorrida, requerendose desde já sua reforma." Nesse seguir, revelase patente que a higidez do crédito tributário remanescente ao julgamento do Recurso Especial depende ainda de respostas das instâncias julgadoras administrativas quanto a questões que foram formuladas, em sede de Recurso Voluntário, e não respondidas até agora. Destaquese que, a despeito de não serem questões prejudiciais ao mérito das que foram até aqui decididas, ao contrário do que sustenta a Embargante, ainda assim se vislumbra sua relevância para a definição do quantum debeatur, até porque, caso se confirme a hipótese de postergação, pode resultar no cancelamento do lançamento de ofício. Em face do exposto, acolho os Embargos com efeitos infringentes para, sanando a omissão, determinar o retorno dos autos à Turma a quo, a fim de que esta decida sobre a inexatidão quanto ao período de apuração de custo e a extinção das obrigações tributárias, constituídas pelo lançamento no auto de infração, por pagamento em anos posteriores. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.726960/2016-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
REQUISITO ESSENCIAL. VÍCIO FORMAL. NULIDADE DO AUTO
DE INFRAÇÃO.
É nulo por vício formal o lançamento que não obedeceu ao art. 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, e o art. 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que o relatório fiscal não descreveu de forma clara os fatos e as acusações imputadas ao sujeito passivo de forma a permitir-lhe o pleno exercício de seu direito de defesa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1444; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 320 1 319 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.726960/201666 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302003.212 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria Irpj Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SME SOCIEDADE DE MONTAGENS E ENGENHARIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 REQUISITO ESSENCIAL. VÍCIO FORMAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É nulo por vício formal o lançamento que não obedeceu ao art. 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, e o art. 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que o relatório fiscal não descreveu de forma clara os fatos e as acusações imputadas ao sujeito passivo de forma a permitirlhe o pleno exercício de seu direito de defesa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 69 60 /2 01 6- 66 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 321 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão n. 11 57.165 – 5ª Turma da DRJ/REC, complementandoo ao final: Crédito tributário contestado 1. Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados os Autos de Infração nos quais são cobrados o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário2012, conforme demonstrativos abaixo: 2. Ação fiscal determinada através do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 0120100.2016.007924 e executada no período de 16/03/2015 a 22/09/2016. O objetivo da fiscalização era a verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes ao IRPJ e CSLL, no período de janeiro de 2012 a dezembro de 2012. Inicialmente fora emitido o MPFF nº 0120100.2015.000381, em nome da empresa SME – Sistema de Montagens e Engenharia Ltda, CPNJ nº 08.236.790/000110, a qual foi incorporada pela empresa SME – Sociedade de Montagens e Engenharia Ltda, CNPJ nº 37.458.221/000118. 3. O procedimento foi iniciado por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF 001 (fls. 015/016), cientificado em 16/03/2015 (AR às fls. 017/018), onde a empresa tomou conhecimento da ação fiscal e ficou intimada a apresentar a Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 322 3 documentação nele relacionada. A solicitação foi parcialmente atendida, conforme Relatório Fiscal (fls. 013). 4. Lavrados os Termos de Intimação Fiscal 002, 003 e 004 (fls. 047/048, 052/053 e 058/059) para a apresentação de nova documentação, cientificados em 28/06/2016, 06/07/2016 e 24/08/2016, respectivamente. 5. Lavrado o Termo de Informação Fiscal 001 (fls. 054/057) sobre a abertura de novo MPFF, cientificado em 06/09/2016. 6. Lavrados os Termos de Ciência Continuidade 001 e 002 (fls. 041 e 044), cientificados em 08/09/2015 (AR às fls. 042/043) e 02/02/2016 (AR às fls. 045/046). Infrações apuradas 7. Em conclusão ao procedimento fiscal, em 19/09/2016, o Auditor Fiscal lavrou os Autos de Infração IRPJ e CSLL, relativamente ao anocalendário 2012 (fls. 002/012). Estes contém as seguintes infrações, conforme excertos colados abaixo: 7.1. IRPJ – Insuficiência de recolhimento: 7.2. Falta/ Insuficiência de recolhimento do CSLL Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 323 4 8. As justificativas da auditoria estão no Relatório Fiscal (fls. 013/014), conforme excertos colados abaixo: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 324 5 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 325 6 9. Elaborada Planilha de Cálculo (fls. 070) conforme imagem abaixo: 10. A ciência ao auto de infração foi dada pela via postal em 22/09/2016 (AR às fls. 073/074). 11. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 083/104), alegando, em síntese e conforme trechos (em itálico) a seguir, que: a) "da simples narrativa acima, presumese que se trata de "inadimplência" da pessoa jurídica, ou seja, declarou, mas não pagou"; b)no decorrer da ação fiscal foram solicitados documentos "para comprovar os "pagamentos" realizados, nada mais"; c) "temos débitos lançados de "oficio", mas que já estavam lançados, apenas não tinham sido pagos e, pelo que se distingue no auto, existe uma compensação com prejuízos fiscais, a qual a fiscalização informa ter ocorrido e ser irregular, porém, não existe nos autos administrativos qualquer PERDCOMP ou decisão "não homologadora" da compensação."; d) "Como nos defender ou simplesmente entender essa informação sem qualquer menção ou documentação que lhe ateste a existência ou a simples ponderação nos números registrados pelo auto de infração? Isso é um flagrante desrespeito à ampla defesa e ao contraditório, representando claro cerceamento dos meios de defesa da IMPUGNANTE."; e) existem requisitos mínimos para a formalização de auto de infração, com fundamento no artigo 142 do Código Tributário Nacional e no art.10 do Decreto Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 326 7 n.70.235/72, e diferença auto de infração e notificação de lançamento; f) "Aqui tratamos de um "Auto de Infração" que "declarou" o já declarado em formulários próprios, ou seja, está tentando constituir algo que já estava constituído."; g) "O uso de auto de infração quando na verdade deveria ser usado a "notificação de lançamento" invalida todo o lançamento aqui realizado, pois primordialmente deve haver uma relação causal entre o motivo que determinou a prática do ato e o seu conteúdo (objeto). Assim, entre o fato jurídico tributário (fato gerador) e o conteúdo do ato de lançamento deve, necessariamente, haver um nexo causal, sob pena de invalidação do ato de lançamento (CTN, art.142, §único)."; h) "Está consignado no Auto de Infração ora IMPUGNADO que houve divergências com relação as declarações contidas na DCTF e o pagamento realizado. Ilustre Julgador(a). Os débitos foram devidamente lançados na DCTF e não foram pagos. Só isso! Qual o motivo dessa autuação? Resta comprovado nos autos, não se tratar de diferenças de lançamento, mas de diferenças entre os valores declarados e os valores efetivamente pagos, haja vista que, conforme relatório constante do AI IMPUGNADO, os valores estavam devidamente lançados em formulário próprio e a disposição da Receita Federal para imediata cobrança, sendo desnecessária a utilização do Auto de Infração em comento, conforme, inclusive, base legal para o presente lançamento."; i) "Ou seja, o lançamento de ofício foi promovido por "ausência de pagamento" e não de "declaração". Estando devidamente lançados os valores apurados à título de IRPJ e CSLL em formulário próprio (DCTF) , qual a necessidade do uso do Auto de Infração em comento? Respondo:Nenhum."; j) fundamenta sua tese de que débitos já declarados não devem ser objeto de auto de infração acostando jurisprudência e as súmulas 436 e 446 do STJ; k) "a multa aplicada é inconstitucional, podendo essa "ilegalidade" ser reconhecida administrativamente"; l) acosta legislação e jurisprudência sobre a possibilidade do julgamento administrativo acolher decisões de judiciais sobre inconstitucionalidade, concluindo "Não sendo crível ou razoável ser mantida exigência contrária aos tribunais superiores, sabendo que tal exigência não se manterá frente à justiça, tornando inócuo a atuação dos tribunais administrativos contrários às teses pacificas dos tribunais superiores."; m) "a aplicação da multa, à débitos em atraso deve ser "exclusivamente moratória" e não "punitiva", como prevista no art. 44, I da Lei 9.430/96, o que a torna ilegal", complementando que a multa de ofício de 75% tem efeito confiscatório e acosta jurisprudência sobre o tema; n) por fim, requer a nulidade ao auto de infração e que seja aplicada a multa moratória de 20%. 12. Como prova de suas alegações acosta cópias, dentre outros, de: a) contrato social e alterações (fls. 108/121); b) documentos contábeis de 2011 e 2012 (Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício – DRE e Livro de Apuração do Lucro Real –LALUR) (fls. 124/137). Quando da análise do caso, a DRJ/REC proferiu a seguinte decisão: Acórdão 1157.165 5ª Turma da DRJ/REC Sessão de 10 de agosto de 2017 Processo 10120.726960/201666 Interessado SME SOCIEDADE DE MONTAGENS E ENGENHARIA LTDA Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 327 8 CNPJ/CPF 37.458.221/000118 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 REQUISITO ESSENCIAL. VÍCIO FORMAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É nulo por vício formal o lançamento que não obedeceu ao art. 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, e o art. 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que o relatório fiscal não descreveu de forma clara os fatos e as acusações imputadas ao sujeito passivo de forma a permitirlhe o pleno exercício de seu direito de defesa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente a impugnação para considerar NULO por VÍCIO formal o lançamento efetuado e exonerar o crédito tributário lançado de ofício, referente anocalendário 2012, nos termos do relatório e voto anexos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 328 9 O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Por não vislumbrar a necessidade de reparos, lanço mão do art. 57, § 3º do RICARF, adotando as razões da decisão recorrida, a seguir transcritas: Voto 14. A impugnação, apresentada em 19/10/2016 contra a autuação cientificada em 22/09/2016, é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação regente da matéria. Assim, dela se toma conhecimento. Do lançamento fiscal e da impugnação 15. Contra a empresa foram lavrados Autos de Infração – AI nos quais são cobrados o IRPJ e a CSLL, referente ao anocalendário 2012, conforme acima descrito no relatório. De acordo com os AI (fls. 003 e 008) e o Relatório Fiscal (fls. 013/014), temos as seguintes descrições das infrações (grifos nossos): IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Imposto de renda recolhido a menor conforme relatório fiscal em anexo. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL OU DO ADICIONAL INFRAÇÃO: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL O contribuinte procedeu com inexatidão à apuração da CSLL devida E/OU não efetuou ou efetuou com inexatidão o pagamento ou recolhimento da CSLL devida, e não declarou ou declarou a menor o valor a pagar, conforme relatório fiscal em anexo. II DO OBJETO SOCIAL: (...) A ação fiscal teve como motivação, entre outras, a constatação pelo setor de seleção da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia, de insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, referente ao ano calendário de 2012. III DESCRIÇÃO DOS FATOS: Foram apurados valores pela fiscalização referente a insuficiência de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, e da CSLL, constatado através do cotejo efetuado entre a declaração de Informações Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 329 10 Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, anoscalendário de 2012, e do SINAL, sistema que controla os pagamentos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, onde se verificou que o contribuinte efetuou apenas parte dos pagamentos dos tributos federais administrados pela SRF referente ao ano 2012, conforme demonstrado na planilha de cálculo anexo ao processo. Foram lavrados ainda os termos de Intimação Fiscal 002 e 003, com ciência pessoal dada 28/06/2016 e 06/07/2016 respectivamente, em que foi solicitados o Livro Apuração do Lucro Real e documentos que comprovassem o recolhimento do IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2012. O contribuinte não justificou e não apresentou qualquer documento que comprovasse a insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL referente ao anocalendário de 2012, e ainda informou Compensação Indevida de Prezuízos Fiscais, conforme informado em DIPJ AC 2012 e registrado no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real LALUR. (...) IV DA BASE DE CÁLCULO E DOS TRIBUTOS DEVIDOS: Diante destas situações, a Fiscalização efetivou o Lançamento de Ofício dos débitos do IRPJ, CSLL. A Base de Cálculo e os Valores Apurados, não declarados e/ou não pagos, estão demonstrados nas Planilhas de Cálculo, resultando nos valores, objeto deste Lançamento de Ofício. 16. A fiscalização elaborou a Planilha de Cálculo IRPJ e CSLL 2012 (fls. 70), conforme imagem abaixo: 17. Em sua defesa, o autuado alega, em síntese, que: a) o auto de infração é indevido por se tratar simples "inadimplência" de débitos já declarados, ou seja, já se encontram constituídos e apenas não foram pagos, conforme se verifica pela descrição da infração feita pela autoridade fiscal, sendo a notificação de lançamento o instrumento hábil para a Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 330 11 correspondente cobrança; b) a fiscalização considerou irregular a compensação de prejuízos fiscais e efetuou a sua glosa, porém, não deixou claro os motivos da irregularidade, em desrespeito à ampla defesa e ao contraditório; c) a multa devida deveria ser a moratória de 20% e não a de ofício de 75% aplicada pela fiscalização, além do que, esta tem efeito confiscatório; d) acosta súmulas e jurisprudência sobre seus argumentos. Como prova de suas alegações acosta cópias de: a) contrato social e alterações (fls. 108/121); b) documentos contábeis de 2011 e 2012 (Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício – DRE e Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR) (fls. 124/137). 18. Acostamos aos autos os seguintes documentos obtidos nos sistemas informatizados da RFB: 18.1. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, anocalendário 2012, ND 0001012797, tipo Original, transmitida em 27/06/2013 às 09:50:47 (fls. 143/182) 18.2. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF dos meses de 01 a 12/2012 (fls. 183/268) Da declaração de nulidade por vício formal 19. O auto de infração, como ato administrativo, possui elementos básicos na sua estruturação, como a competência do agente, forma, objeto, finalidade e o motivo. Qualquer vício nesses elementos estruturais faz com que o ato não reúna condições para irradiar efeitos jurídicos que lhe são próprios, ensejando a sua nulidade. 20. O Código Tributário Nacional – CTN prescreve: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 21. Depreendese da leitura do artigo acima que o lançamento é um procedimento administrativo privativo das autoridades fiscais que devem proceder nos termos da lei para sua formalização. O lançamento pressupõe a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação do crédito tributário, a apuração do imposto devido, a identificação do sujeito passivo e a proposição da penalidade aplicável. 22. O ato administrativo do lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN, o qual recebe as vestes de ato jurídico, dada as suas conseqüências, deve aterse à boa forma, ou seja, em conformidade com os preceitos legais a fim de tornar legítima a cobrança à qual se destina. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 331 12 23. Hely Lopes Meirelles, em Direito Administrativo Brasileiro1, assim se posiciona: “Poder vinculado ou regrado é aquele que o Direito Positivo a lei confere à Administração Pública para a prática de ato de sua competência, determinando os elementos e requisitos necessários à sua formalização. Nesses atos, a norma legal condiciona sua expedição aos dados constantes de seu texto”. Daí se dizer que tais atos são vinculados ou regrados, significando que, na sua prática, o agente público fica inteiramente preso ao enunciado da lei, em todas as suas especificações. Nessa categoria de atos administrativos a liberdade de ação do administrador é mínima, pois terá que se ater à enumeração minuciosa do Direito Positivo para realizálos eficazmente. Deixando de atender a qualquer dado expresso na lei, o ato é nulo, por desvinculado de seu tipo padrão. O princípio da legalidade impõe que o agente público observe, fielmente, todos os requisitos expressos na lei como da essência do ato vinculado. O seu poder administrativo restringese, em tais casos, ao de praticar o ato, mas o de praticar com todas as minúcias especificadas na lei. Omitindoas ou diversificandoas na sua substância, nos motivos, na finalidade, no tempo, na forma ou no modo indicados, o ato é inválido.”(grifei) 24. Assim, há vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, for preterida alguma formalidade essencial ou o ato não tenha sido na forma legalmente prevista. Daí dizerse, também, que o vício de forma decorre de aspectos alheios, ou extrínsecos, ao núcleo da obrigação tributária. 25. Plácido e Silva (in Vocabulário Jurídico) preceitua: “Vício de Forma é o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento em que se materializou, pela omissão de requisito, ou de desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica”. 26. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal estão previstas no art. 5 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 27. A insuficiência de qualquer elemento formal no auto de infração é reconhecida como motivo de preterição do direito de defesa. Tais requisitos estão estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 332 13 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 28. Como se vê, a ausência de quaisquer dos requisitos exigidos no art. 10 do referido Decreto nº 70.235/72 enseja a declaração de nulidade do ato administrativo, por vício formal. Esta é, inclusive, a orientação contida no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 002, de 03/02/1999, a seguir reproduzido: “a) Os lançamentos que contiverem vício de forma incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5o da IN SRF nº 94, de 1997, devem ser declarados nulos, de ofício, pela autoridade competente; b) declarada a nulidade do lançamento por vício formal, dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa.” 29. Trazemos algumas palavras relativas às nulidades do Conselheiro Marcos Vinicius Neder (in Processo Administrativo Fiscal Comentado, ed. Dialética, 2ª. Ed, pg. 461/465): “Com efeito, se o ato administrativo, ao ser reapreciado pela autoridade administrativa, for considerado ilegal, poderá ser desfeito. Os vícios de ilegalidade podem dizer respeito a qualquer dos elementos ou pressupostos do ato administrativo ou, ainda, das regras processuais estabelecidas para a condução do processo. .... No processo administrativo fiscal, dentre as nulidades mais comuns, podemos destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões da defesa e o nãoatendimento aos requisitos formais do lançamento. .... Neste sentido, o julgador deve proceder ao exame tanto dos vícios de forma do ato como dos vícios materiais. Ambos podem estar sujeitos a sanção de nulidade que lhes retire os efeitos. Nesse contexto, as nulidades Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 333 14 podem ser formais em que o defeito é na aplicação da norma processual (obediências aos pressupostos, requisitos e condições dos atos previstos em lei) ou na produção e valoração da prova no processo. Neste último, o julgador deve examinar a formação (licitude) e o ingresso da prova (legitimidade) no processo, bem como os meios de prova, a valoração da prova, as regras de ônus, contraditório, etc... 30. No caso em tela, temos que os autos de infração foram lavrados por pessoa competente (auditorfiscal da Receita Federal do Brasil) e contêm, em princípio, todos os requisitos formais indispensáveis. Porém, ao analisar a descrição das infrações narrada pela autoridade fiscal, há uma grande imprecisão dos fatos e nos termos utilizados, levando a defendente, assim como este julgador, à confusão, conforme abaixo: 30.1. Descreve a infração como sendo a insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, diante do confronto das informações constantes da DIPJ, DCTF e SINAL, conforme trechos sublinhados no item 15. Cabe destacar que os valores já declarados em DCTF, por esta ser uma declaração que constitui o crédito tributário e documento hábil para a respectiva cobrança, não devem compor eventuais autos de infração lançados pela fiscalização, sob pena de incorrer em duplicidade de cobrança. Devem compor as autuações fiscais os valores não declarados e/ou infrações tributárias. 30.2. Ao proceder à glosa da compensação de prejuízos fiscais, por considerála indevida, não detalhou os motivos que levaram a esta conclusão (fls. 14). 30.3. Na planilha de cálculo (fls. 70) consta a glosa de Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte, assim como foram considerados pagos por estimativa valores superiores aos declarados em DIPJ. Para estas ocorrências não consta qualquer menção no relatório fiscal sobre sua motivação. 31. Vale destacar que o legislador estabelece como condição de validade da medida fiscal, a devida descrição da natureza da infração praticada contra a legislação. Ao encontrarmos na norma a expressão "a descrição do fato", não basta apenas haver no auto de infração um campo com esta denominação, mas é imperioso que o conteúdo efetivamente relate de forma clara o ocorrido. In casu, houve vício formal pela imprecisão e superficialidade na descrição do fato imponível quando da lavratura do auto de infração, fato que compromete a liquidez e certeza do crédito tributário apurado. 32. No Direito vige a máxima de que "não há nulidade sem prejuízo da parte". No caso de falha que não macule o direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. Conforme Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 334 15 da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) 33. A nulidade deve ter supedâneo em vício formal que importe em cerceamento do direito de defesa, o que ocorreu no presente caso, em relação à descrição dos fatos das infrações objeto da autuação. Faltou clareza e precisão na especificação das condutas contrárias às normas tributárias impositivas, que demonstrasse a existência de motivação da exigência fiscal. Os lançamentos efetuados não são claros sobre os fatos geradores, impossibilitando a compreensão integral e completa da incidência tributária. Os valores não estão claramente evidenciados e, portanto, provocaram danos à defesa do sujeito passivo. 34. Toda a doutrina acima citada em confronto com os elementos contidos nos autos mostram que, em que pese o auto de infração conter, em princípio, a descrição dos fatos, esta apresentase extremamente superficial e incompleta, de forma a não esclarecer as infrações cometidas e inviabilizar o contraditório e a ampla defesa da autuada. Assim, podemos considerar que houve, por parte da Autoridade Fiscal, descumprimento da formalidade legal expressamente definida no inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, a descrição do fato. 35. Assim, entendo procedente a arguição de nulidade do auto de infração, por vício formal, uma vez que o lançamento não obedeceu ao art. 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, e o art. 142 do Código Tributário Nacional, pois o relatório fiscal não descreveu de forma clara os fatos e as acusações imputadas ao sujeito passivo de forma a permitirlhe o pleno exercício de seu direito de defesa.. 36. Tendo em vista a declaração de nulidade por vício formal, acima apontada, resta dispensável a discussão sobre as demais matérias suscitadas pela impugnante Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10120.726960/201666 Acórdão n.º 1302003.212 S1C3T2 Fl. 335 16 Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722600/2013-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/04/2009
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.
É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Matéria sumulada.
Numero da decisão: 3003-000.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Matéria sumulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 26 00 /2 01 3- 03 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 213 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência marítima, para exigir multa regulamentar com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi o atraso no envio das informações sobre veículo ou carga nela transportada, que competem à transportadora, conforme abaixo transcrevo: Partindo dos dados registrados nos sistemas em comento, após auditoria interna relativa ao período de 01/04/2009 a 31/12/2012, constatouse que a INTERESSADA deixou de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações executadas, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. O detalhamento das infrações encontrase em tabela anexa a este auto de infração. É importante esclarecer que todas as informações sobre os fatos apresentados em tabela anexa estão registrados nos sistemas "Siscomex Carga" e "Mercante" de modo permanente e foram inseridas por meio de certificação digital pela própria autuada ou seus representantes. Foram esses os dados utilizados para a lavratura do presente Auto de Infração. Os extratos dos CEs estão disponíveis para consulta tanto para o interessado quanto para a fiscalização, a qualquer tempo, pelo acesso direto aos sistemas. Portanto, resta claro que o interessado tem acesso a todas as informações detalhadas sobre as infrações a ele imputadas, permitindolhe o exercício do contraditório e ampla defesa. O auto de infração foi instruído com planilha (efls 16) na qual consta a informação de que a atracação ocorreu em 28/04/2009 e a informação foi inserida no sistema no mesmo dia, com o registro da ocorrência " HBL INFORMADO APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO ". Foi apresentada impugnação pela empresa autuada, que foi julgada improcedente sendo proferido o acórdão 12094.926 4ª turma da DRJ/RJO (efls 132137), nos seguintes termos: Vale dizer, ainda, que o DecretoLei nº 37/1966, que possui força de lei e alterações posteriores sustentam as penalidades as quais são explicadas e definidas pelas Instruções Normativas expedidas pela RFB, e que tanto a fiscalização quanto o julgador administrativo de primeira instância adstritos. Nesse sentido, o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 214 3 prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido na presente autuação. Assim, DEIXO DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO e considero devido o crédito tributário lançado. Ato contínuo, a empresa autuada apresentou recurso voluntário, tempestivamente, tendo como objeto do debate, em síntese: I PRECLUSÃO DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. II OBRIGAÇÃO EFETIVAMENTE CUMPRIDA. III DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IV APLICABILIDADE DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE AO CASO. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 215 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. I PRECLUSÃO DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Alega a parte recorrente que a demora no julgamento da impugnação proposta ofendeu princípios constitucionais da segurança jurídica, da eficiência e da razoável duração do processo. Pois entende que tal demora caracteriza a preclusão consumativa da cobrança do crédito. Respalda seus argumentos no disposto no artigo 24 da lei 11.457/2007. Argumentos esses que não merecem prosperar tendo me vista ao que dispõe o artigo 151, III1, do CTN. Quanto a inobservância do prazo estabelecido pelo artigo 24 da Lei 11.457/2007, o referido artigo esta dentro do CAPÍTULO II, que trata DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL sendo uma regra imprópria a ser tratada nos casos de PROCESSOS ADMINISTRATIVO FISCAL, que possui capitulação individualizada. Há de se ressaltar que, no período que medeia entre a constituição do crédito e a preclusão para a impugnação administrativa ao débito (ou até que seja decidida definitivamente), não corre nenhum prazo, seja decadencial, pois o crédito já se encontra constituído, seja o prescricional, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151, III, do CTN). Logo, os argumentos propostos, fundados na preclusão, não merecem acolhimento. II INFORMAÇÕES EFETIVAMENTE PRESTADAS A recorrente alega que não deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada e que não se enquadra na hipótese prevista na penalidade cominada, a teor do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei n°37/662, com redação dada pela Lei n° 10.833/03. Da leitura de seu recurso interposto (fls 151) concluise que as informações do conhecimento eletrônico master (MBL) foram prestadas tempestivamente e que a 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. 2 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 216 5 vinculação dos conhecimentos eletrônicos HOUSES (HBL), foram vinculadas posteriormente, contudo, a recorrente não traz aos autos nenhuma prova do alegado, fazendo com que o julgamento seja realizado com base apenas na planilha de fls 16. O tipo infracional previsto no Decreto Lei n.° 37/66 é "deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Só por esta descrição já se percebe que as informações estabelecidas pela Receita Federal como necessária sobre veículo ou carga deverão ser fornecidas impreterivelmente nos prazos estipulados pela Receita Federal por meio de suas Instruções Normativas. No que se refere aos prazos estabelecidos ao caso sob análise, a IN SRF 800 de 2007 dispõe que: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; (...) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e O parágrafo primeiro do artigo 45, ainda da referida IN, trata da sujeição do transportador, depositário e operador portuário à penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto Lei nº 37, de 1966, pelo descumprimento da prestação de informações sobre a carga transportada e prestação fora do prazo, in verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 217 6 § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. [...]. Nesse sentido, o julgado abaixo, do qual compactuo do mesmo entendimento, corrobora para consolidação do presente voto. "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. (…)." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) A IN 800/2007 estabeleceu que as inclusões ou alterações feitas no Siscomex Carga fora do prazo determinado se igualam à ausência de informação tempestiva. Dessa forma, considerase que a inclusão de CE'S HOUSE solicitada pela recorrente na informação do CE MASTER nº160905046641706 (efls 16) configurase prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inserindose no tipo infracional previsto na alínea "e", do inciso IV, do art. 107, do Decreto Lei n°37/66. III DENÚNCIA ESPONTÂNEA Entretanto, o presente caso deve ser analisado também o argumento da denúncia espontânea, fato que deve ser debatido a luz da súmula CARF 126, in verbis: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Prosseguindo, o artigo 683 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), com vigência aplicável ao caso concreto, regulamentou o instituto da denúncia espontânea nos procedimentos aduaneiros, inclusive com a alteração processada pela Lei nº 12.350/2010, que incluiu a previsão para multas administrativas (aduaneiras). O parágrafo 3º expressamente determinou que não mais se teria espontânea a denúncia da infração imputável ao transportador depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior. Tratase de uma medida de controle aduaneiro, cujo fundamento é o art. 237 da Constituição Federal. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 218 7 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. A recorrente, Dogana Comissária de Despachos Aduaneiros e transportes LTDA, realizou o registro das informações em 28/04/2009, ou seja, no mesmo dia da chegada do veículo, mas, contudo, foi em momento posterior à formalização da entrada do veículo procedente do exterior. No presente caso, a informação prestada foi protocolada após a formalização da entrada do navio, não caracterizando a denúncia espontânea por expressa determinação do parágrafo 3º do artigo 683 do Regulamento Aduaneiro. IV DA ALEGADA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Cabe ressalvar, que as alegações de ofensa a princípios constitucionais não são de competência desse colegiado, em razão da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega o recorrente que a legislação utilizada pela fiscalização como apoio para aplicação da multa é desproporcional e carente de razoabilidade. Ocorre que já foi fruto de reiteradas decisão a incompetência do CARF em se pronunciar sobre eventuais inconstitucionalidades argüidas. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 219 8 Esse posicionamento encontra amparo na impossibilidade de órgão administrativo, do executivo, interferir no papel a ser desempenhado pelo judiciário. Eventuais argumentações de inconstitucionalidade de norma possui meios próprios para serem tratados, sendo plenamente possível que o recorrente lance mão dessas possibilidades, direcionando o seu inconformismo ao órgão competente. Para melhor convencimento, vejamos como outras turmas tratam a matéria: Número do Processo 11128.000219/201079 Nº Acórdão 3302006.099 Ementa(s) Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 09/12/2009 [...] INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.[...] Assim, as alegações de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, às limitações constitucionais ao poder de tributar e, por óbvio, concernentes à possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo não serão conhecidas. V DISPOSITIVO Pelas razões acima expostas, restou configurado que a parte recorrente é legítima para suportar o crédito tributário que é devido. Sendo assim, conheço do recurso e no mérito nego provimento pelas razões acima expostas. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10907.722600/201303 Acórdão n.º 3003000.008 S3C0T3 Fl. 220 9 Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721733/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 73 3/ 20 15 -8 4 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16682.721733/201584 Resolução nº 3302000.783 S3C3T2 Fl. 290 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16682.721733/201584 Resolução nº 3302000.783 S3C3T2 Fl. 291 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 16682.721733/201584 Resolução nº 3302000.783 S3C3T2 Fl. 292 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16682.721733/201584 Resolução nº 3302000.783 S3C3T2 Fl. 293 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000116/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 16 /2 01 1- 65 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 12585.000116/201165 Acórdão n.º 3302006.189 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), tendo como fundamento a existência de vedação legal expressa (§ 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003), que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças. Segundo a Fiscalização, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, devia ser entendido no sentido de que os créditos que podiam ser mantidos eram aqueles que existissem caso a receita à qual eram vinculados não fosse tributada à alíquota zero, inexistindo lógica na manutenção de crédito que a lei vedava desde a sua definição, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças – fazia incidir toda a carga tributária das contribuições na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas), sendo que a concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que existia norma que possibilitava o creditamento, este intrínseco à não cumulatividade, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Por outro lado, argumentou o então Manifestante ser desnecessário o enfrentamento do mérito, uma vez que Despacho Decisório havia sidolhe cientificado após o limite temporal de 5 anos contados da data de protocolização do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16065.095, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, tratandose de pedido de ressarcimento, não havia que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, inexistindo hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12585.000116/201165 Acórdão n.º 3302006.189 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.167, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 12585.000094/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.167): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os seguintes argumentos de defesa: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA nº 19515.721292/201379 (acórdão nº 3302005.274), onde restou decido por afastar o direito de tomar crédito em relação as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica, bem como afastar a incidência do instituto da homologação tácita para os pedidos de restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir: Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12585.000116/201165 Acórdão n.º 3302006.189 S3C3T2 Fl. 5 4 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12585.000116/201165 Acórdão n.º 3302006.189 S3C3T2 Fl. 6 5 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12585.000116/201165 Acórdão n.º 3302006.189 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302 005.447 e 3302005.447, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica e a homologação tácita, respectivamente: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12585.000116/201165 Acórdão n.º 3302006.189 S3C3T2 Fl. 8 7 art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo, previsto no artigo 24, da Lei nº 11.457/07, constatase que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando, assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009167/2002-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Sujeitam-se à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados relativos a plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósitos diretos realizados a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV).
Numero da decisão: 9202-007.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PREVIDÊNCIA PRIVADA. Sujeitamse à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados relativos a plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósitos diretos realizados a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 67 /2 00 2- 97 Fl. 137DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 17/20), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2000, anocalendário 1999, lavrado em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte, através do qual houve uma reclassificação dos rendimentos indevidamente considerados como isentos e não tributáveis de R$ 195.938,48, para R$ 20.281,68 tendo em vista que a diferença referese a resgate da previdência privada, ou seja, rendimento tributável, resultando alteração no total de imposto a restituir de R$ 50.188,69 para R$ 3.883,11. A autuada apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 09/02/2011, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2101000.942 (fls. 67), com o seguinte resultado: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Sujeitamse à tributação na fonte e na Declaração de Ajuste Anual os benefícios recebidos e os valores resgatados do plano de previdência privada, ainda que este tenha sido constituído parcial ou totalmente com depósito realizado a título de pagamento de verbas indenizatórias referentes a incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). O contribuinte foi cientificado do acórdão em 17/03/2015 e opôs em 23/03/2015, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 78), alegando omissão no Acórdão embargado ao desconsiderar o documento firmado entre as partes que provava que o saque da Previdência compunha a verba indenizatória do PDV; contradição na decisão recorrida uma vez que afirmou que “não se comprovou se o plano de demissão voluntária permitia o resgate da previdência privada” e ao mesmo tempo deixa consignado que “comprovase nos autos a condição oferecida ao autuado para o resgate ou a transferência do plano de previdência”. Alega ainda obscuridade com a seguinte questão: “ao afirmar que ‘não Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.009167/200297 Acórdão n.º 9202007.405 CSRFT2 Fl. 3 3 se comprovou como se fez os depósitos na previdência privada’, e se houve ou não dedução do imposto nas respectivas datas” a decisão recorrida traz para a discussão, ao que parece, a efetiva formação do saldo depositado no plano de aposentadoria (previdência privada) e questiona a relevância desse fato para o deslinde da controvérsia. Tais embargos foram rejeitados pelo documento “Informação em Embargos Inominados”, da 2ª Câmara, de 12/02/2016 (fls. ). Cientificado da rejeição dos embargos em 17/03/2016, o contribuinte interpôs em 28/03/2016, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls.96). Em seu recurso visa rediscutir a reclassificação dos rendimentos considerados como isentos e não tributáveis do resgate da previdência privada. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 29/09/2016 (fls.126), de acordo com os acórdãos paradigmas nsº 10247.713 e 102 44.364. Em seu Recurso Especial, o Recorrente trata da divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados da seguinte forma: · “A decisão recorrida, entretanto, sustentou que “não se comprovou se o plano de demissão voluntária permitia o resgate da previdência privada”; conseqüentemente, por não atribuir à citada verba a natureza de indenização, considerou procedente a atitude do Fisco Federal de submetêla à tributação, chegando ao resultado apontado no lançamento originário. É o que revela a ementa da decisão recorrida: (...) · Entretanto, a conclusão a que chegou a decisão recorrida diverge da tomada por outros órgãos julgadores de segunda instância da esfera administrativa federal ao examinar a questão apreciada. E o que é mais importante frisar: em relação a questão idêntica a esta, porquanto inserida no mesmo contexto fático – envolvendo a mesma empresa e a mesma entidade de previdência fechada com as quais o ora Recorrente se relacionou. · Com efeito, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por diversas vezes, decidiu pela não tributação da verba paga no âmbito do PDV, a despeito das particularidades que envolveram esse pagamento – realizado por pessoa jurídica distinta da que instituiu o PDV, mas vinculada a esta.” · Cita trechos das decisões dos dois paradigmas apresentados: Paradigma nº 10247.713 “Assim, de acordo com tais dados, corretos os protestos do sujeito passivo no sentido de que houve a sua participação em um plano de demissão voluntária enquanto as verbas consideradas não subsumidas ao campo de incidência do tributo realmente possuíram essa qualidade.” Fl. 139DF CARF MF 4 Paradigma nº 10244.364 “Destarte, não há como negar o benefício da não tributação das verbas indenizatórias do PDV ao contribuinte, pelo fato do pagamento ter sido feito por entidade criada, mantida e orientada por sua empregadora.” · Diz ser flagrante a divergência de entendimento entre a decisão recorrida e as decisões trazidas à colação pelo Recorrente; e afirma que esses julgados veiculam o entendimento mais adequado para dirimir a questão em discussão no presente feito – no mesmo sentido da tese sustentada desde o início pelo Recorrente – e que deve determinar o afastamento total do lançamento originário. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional do Acórdão nº 2101000.942, do Recurso Especial do Contribuinte e do Despacho de Admissibilidade dando seguimento ao Resp do Contribuinte em 03/10/2016. A Fazenda Nacional apresentou em 17/10/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls.131). · Em suas contrarrazões, afirma que, ao contrário do que alega o recorrente, as verbas por ele recebidas, e que serviram de base de cálculo para o lançamento efetuado nos presentes autos, foram pagas a titulo de mera liberalidade do empregador, quando da rescisão do contrato de trabalho do autuado, não caracterizando PDV. · Transcreve trecho da decisão recorrida, que muito bem enfrentou a questão: “Isto porque, segundo consta dos autos, o recorrente foi dispensado sem justa causa tendo se afastado do trabalho em 30.12.93, tendo recebido seus direitos trabalhistas, sendo certo que no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho não faz qualquer alusão ao Programa de Demissão Voluntária ou Aposentadoria Incentivada, muito embora o recorrente o afirme. Este relator constatou através de exame do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho que, o valor ali constante e que o recorrente diz ser indenização pelo PDV, em verdade, consta como ‘gratificação não ajustada’. Já às fls. 128 dos autos foi carreada informação prestada pela empresa 3M do Brasil LTDA, dando conta de que o seu funcionário foi demitido sem justa causa, através de um plano de demissão incentivada – informal, que consistia no pagamento de uma gratificação com retenção de imposto de renda. Assim é que, com base nesses fatos, este relator está convicto de que os rendimentos recebidos pelo recorrente não se enquadram no Programa de Demissão Voluntária –PDV, mesmo porque tal programa não existia. Se houvesse pagamento a maior a título de ‘gratificação não ajustada’, este foi por mera liberalidade, estando, portanto, sujeito a tributação como se salário fosse.” Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.009167/200297 Acórdão n.º 9202007.405 CSRFT2 Fl. 4 5 Logo, claro está que as alegações do contribuinte não merecem prosperar, já que não se trata de PDV, e sim de verbas de natureza salarial, devendo sobre elas incidir o imposto de renda devido. · Cita a Lei nº 7.713/88, que em seu art. 4º, § 3º, prevê: “A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título” · Ressalta que o dispositivo em comento determina que a tributação do imposto de renda é independente da denominação dos rendimentos percebidos pela pessoa física; e lembra que outra não é a determinação do art. 43, § 1º do CTN ao prever que “A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” · Acrescenta que as normas em comento justificam a incidência do IR sobre os rendimentos auferidos pelo recorrente, independente do suposto benefício pecuniário ter sido pago sob o título de “indenização” e que, desse modo, a parcela paga ao recorrente quando da rescisão de seu contrato de trabalho não pode evitar a incidência do IR, sob pena de se violar as normas suso transcritas. · Por fim, destaca que o entendimento esposado na decisão atacada restou consagrado em recente julgamento, proferido na sistemática dos Recursos Repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e que, sendo assim, por estar em total consonância com as normas aplicáveis ao caso e com a jurisprudência pátria, a decisão recorrida não merece reforma. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 126. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de IRPF sobre a reclassificação dos rendimentos considerados como isentos e não tributáveis do resgate da previdência privada. Segundo o recorrente o rendimento sujeita se a tributação pela regra diferenciada por se tratar de indenização do programa de demissão voluntária – PDV, mantida pela empregadora, a empresa IBM, conforme correspondência que junta. Para dar guarida as suas alegações, ressalta a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31.12.98 e o Ato Declaratório n° 3, de 07.01.99 dispensam a tributação ao declarar: "O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 6° V da Lei n°7.773 de 22/12/1988 declara que: I Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a titulo de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário.PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/ 1278/98 aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de ajuste Anual “ Traz, ainda, a decisão da 8a Região Fiscal no Processo de Consulta n° 323/99, cuja ementa, publicada no DOU de 09.12.1999, traz a seguinte redação: PROCESSO DE CONSULTA N° 323/99 DOU 09.12.1999 "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF e Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ementa: RESGATE DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. O valor do resgate de reserva de entidade de previdência privada, cujo título de previdência tenha sido recebido como incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV, no que corresponder ao montante objeto do PDV, não Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.009167/200297 Acórdão n.º 9202007.405 CSRFT2 Fl. 5 7 estará sujeito à incidência de imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Por outro lado, os rendimentos produzidos pelo título de previdência privada sujeitamse à tributação do imposto sobre a renda. Dispositivos Legais: Decreto n° 3.000/1999, arts. 43, XIV, e 633, IN SRF n° 165/1998, AD SRF n° 03/1999 e ADN COSIT n° 07/1999' Contudo, entendo que a decisão adotada pelo julgador a quo mostrase acertada, razão pela qual a adoto como razões de decidor: Segundo o relator, o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 07, de 1999, evidencia que não basta que as verbas sejam pagas em virtude de desligamento voluntário para estarem abrangidas pela não incidência do imposto. [...] II entendese como verbas indenizatórias contempladas pela dispensa de constituição de créditos tributários, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 165/1998, aqueles valores especiais recebidos a título de incentivo à adesão ao PDV, não alcançando, portanto, as quantias que seriam percebidas normalmente nos casos de demissão; III não são considerados valores recebidos a título de incentivo à adesão a PDV, estando sujeitas às normas de tributação em vigor: a) as verbas rescisórias previstas na legislação trabalhista ou em dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, a exemplo de: décimo terceiro salário, saldo de salário, salário vencido, férias proporcionais, férias vencidas; b) os valores recebidos em função de direitos adquiridos anteriormente à adesão a PDV, em decorrência do vínculo empregatício, tais como o resgate de contribuições efetuadas à previdência privada em virtude de desligamento do plano de previdência" (grifamos) Cita ainda o art. 33, da Lei n° 9.250, de 1995 ao determinar: "Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições." Finaliza a decisão guerreada que o Manual de Perguntas e Respostas de IRPF/2001 nas respostas nºos. 209 e 210 deixa clara a tributação das verbas da previdência privada resgatadas no plano de demissão voluntária. "209. Qual é o tratamento tributário das indenizações pagas a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PD V)? Fl. 143DF CARF MF 8 As. verbas especiais pagas a título de PDV por pessoa jurídica de direito público a servidor público civil são isentas do imposto de rendam na fonte e na declaração de ajuste. ..... Não se incluem no conceito de verbas especiais indenizatórias recebidas a título de adesão ao PDV: ...... b) os valores recebidos em função de direitos adquiridos, anteriormente à adesão ao PDV, em decorrência do vínculo empregatício, a exemplo do resgate de contribuições efetuadas à previdência privada em virtude de desligamento do plano de previdência. 210. Contribuinte que adere a Programa de Demissão Voluntária (PDT')e, na mesma ocasião, resgata valores pagos a entidade de previdência privada da empresa da qual fazia parte, pode considerar os valores do resgate da previdência também isentos? Ainda que recebidos por ocasião de adesão a Programa de Demissão Voluntária (131), os resgates de previdência privada, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual. No entanto, excluise da incidência o valor do resgate das contribuições, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995. (Lei n° 9.250, de 1995, arts. 4°, V, e 8°, II, "e"; RIR/1999, arts. 39, XXXVIII e 74, II; ADN Cosit n° 9, de 1999). Conforme ressaltou o relator do acórdão recorrido, não há provas de que se tratava de PDV, nos moldes tratados pela legislação, mas de dispensa sem justa causa com ajustes acordados, razão pela qual não cabe o aplicação da regra pretendida pelo recorrente. Senão vejamos: O plano de previdência foi pago por sociedade distinta do empregador. Não há provas no sentido de que o resgate da previdência privada corresponde a indenização decorrente do plano de demissão voluntária pelo acusado. Comprovase nos autos a condição oferecida ao autuado para o resgate ou a transferência do plano de previdência (fls. 12), mas não se comprovou como se fez os depósitos na previdência privada, e se houve ou não dedução do imposto nas respectivas datas. Também não se comprovou se o plano de demissão voluntária permitia o resgate da previdência privada e não é possível Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.009167/200297 Acórdão n.º 9202007.405 CSRFT2 Fl. 6 9 utilizar o imposto retido na fonte e declarar os rendimentos deles decorrentes não sujeitos ao imposto. Face o exposto não vejo como acatar a pretensão do recorrente mantendo a tributação na forma como realizada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000112/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 12 /2 01 1- 87 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12585.000112/201187 Acórdão n.º 3302006.185 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), tendo como fundamento a existência de vedação legal expressa (§ 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003), que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças. Segundo a Fiscalização, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, devia ser entendido no sentido de que os créditos que podiam ser mantidos eram aqueles que existissem caso a receita à qual eram vinculados não fosse tributada à alíquota zero, inexistindo lógica na manutenção de crédito que a lei vedava desde a sua definição, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças – fazia incidir toda a carga tributária das contribuições na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas), sendo que a concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que existia norma que possibilitava o creditamento, este intrínseco à não cumulatividade, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Por outro lado, argumentou o então Manifestante ser desnecessário o enfrentamento do mérito, uma vez que Despacho Decisório havia sidolhe cientificado após o limite temporal de 5 anos contados da data de protocolização do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16065.091, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, tratandose de pedido de ressarcimento, não havia que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, inexistindo hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12585.000112/201187 Acórdão n.º 3302006.185 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.167, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 12585.000094/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.167): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os seguintes argumentos de defesa: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA nº 19515.721292/201379 (acórdão nº 3302005.274), onde restou decido por afastar o direito de tomar crédito em relação as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica, bem como afastar a incidência do instituto da homologação tácita para os pedidos de restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir: Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12585.000112/201187 Acórdão n.º 3302006.185 S3C3T2 Fl. 5 4 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12585.000112/201187 Acórdão n.º 3302006.185 S3C3T2 Fl. 6 5 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12585.000112/201187 Acórdão n.º 3302006.185 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302 005.447 e 3302005.447, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica e a homologação tácita, respectivamente: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12585.000112/201187 Acórdão n.º 3302006.185 S3C3T2 Fl. 8 7 art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo, previsto no artigo 24, da Lei nº 11.457/07, constatase que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando, assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917155/2013-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 55 /2 01 3- 03 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917155/201303 Acórdão n.º 3302006.398 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.447, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917155/201303 Acórdão n.º 3302006.398 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917155/201303 Acórdão n.º 3302006.398 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.723881/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. TRÂNSITO EM JULGADO. IMUNIDADE RECÍPROCA.
A Administração deverá exonerar o lançamento efetuado para prevenir a decadência quando o contribuinte obtém decisão favorável a sua demanda judicial, que reconhece a imunidade aos impostos federais, nos termos do 150, VI, "a" da Constituição Federal.
Numero da decisão: 1302-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. TRÂNSITO EM JULGADO. IMUNIDADE RECÍPROCA. A Administração deverá exonerar o lançamento efetuado para prevenir a decadência quando o contribuinte obtém decisão favorável a sua demanda judicial, que reconhece a imunidade aos impostos federais, nos termos do 150, VI, "a" da Constituição Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. TRÂNSITO EM JULGADO. IMUNIDADE RECÍPROCA. A Administração deverá exonerar o lançamento efetuado para prevenir a decadência quando o contribuinte obtém decisão favorável a sua demanda judicial, que reconhece a imunidade aos impostos federais, nos termos do 150, VI, "a" da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 38 81 /2 01 2- 63 Fl. 1660DF CARF MF 2 Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o processo de auto de infração para prevenir a decadência do lançamento do IRPJ, nos seguintes valores, lavrados apenas com juros de mora: AnoCalendário Valor R$ 2009 5.661.540,19 2010 11.074.275,75 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 1568/1573, em 14 de novembro de 2008, o contribuinte ajuizou ação ordinária nº 2008.05.0118663, junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. Em 25 de fevereiro de 2009, o TRF da 3ª Região deferiu parcialmente a antecipação da tutela, em sede de agravo de instrumento, para reconhecer a imunidade tributária da autora concernente aos impostos federais. Em 29 de março de 2010, o juízo de 1ª instância julgou parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da cobrança dos impostos federais, reconhecendo a imunidade tributária da autora, nos exatos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A antecipação de tutela deferida pelo TRF da 3ª Região foi mantida no julgamento dos embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em 26 de abril de 2010. O recurso de apelação da União foi recebido no efeito devolutivo, e, até a lavratura do lançamento, encontravase pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Com a sentença de 1ª instância reconhecendo a imunidade aos impostos federais, e o recebimento da apelação da União apenas no efeito devolutivo, a autuada estaria desobrigada à apuração e recolhimento do IRPJ. Assim, diante da ausência de apresentação de DCTF, foram lançados os valores devidos do imposto de renda, referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso IV do CTN, com intuito de prevenir a decadência. O contribuinte suspendeu, através do levantamento de balancete de suspensão, o pagamento das estimativas mensais referentes aos meses de janeiro de 2009 e janeiro de 2010, restando caracterizada a opção pelo lucro real, apuração anual da CSLL, devendo ser adotado o mesmo critério de apuração para o IRPJ. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10830.723881/201263 Acórdão n.º 1302003.350 S1C3T2 Fl. 1.661 3 A base de cálculo foi apurada a partir do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e das planilhas indicativas das adições e exclusões cabíveis na apuração do lucro real, entregues pela fiscalizada. Em sessão do dia 23 de agosto de 2016, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto prolatou Acórdão nº 1462.429, julgando improcedente a impugnação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 IRPJ, CSLL E DOAÇÕES. INDEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O IRPJ, a CSLL e as doações não são dedutíveis da base de cálculo do lucro real, por expresso impedimento legal. JUROS DE MORA, SELIC. TRIBUTÁVEL. Os juros de mora, inclusive a SELIC, cobrada dos seus clientes em mora fazem parte da base de cálculo do lucro real, por expressa previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia às instâncias administrativas quanto à matéria objeto da ação, mas se há matéria diferente na impugnação, esta deve ter prosseguimento na esfera administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 1662DF CARF MF 4 A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. A ciência da decisão ocorreu em 02/09/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem Comunicado, acostado às fls. 1624. Em 26/09/2016, a recorrente apresentou recurso voluntário com as seguintes alegações: afirma que, ainda que prevaleça o entendimento no sentido de que a Recorrente não é imune, o presente auto se encontra eivado de nulidades e ilegalidades. é nulo pela falta de discriminação da base de cálculo e créditos apurados a fiscalização partiu do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas não especificou quais as adições e exclusões que utilizou para determinar o lucro real da pessoa jurídica. somente com a discriminação dos valores será possível verificar se a apuração do lucro real ocorreu ou não nos termos da lei, restando prejudicada a defesa da recorrente. quanto ao mérito, esclarece que o imposto incide sobre a renda, e sua base de cálculo deve ser composta por valores que representem efetivo acréscimo patrimonial. assim, contesta a inclusão da CSLL e IRPJ na base de cálculo deste último, por se tratar de despesas necessárias ao funcionamento da empresa. alega que o §2º da artigo 41 da Lei nº 8.981/95, assim como o § único do artigo 1º da Lei nº 9.316/96, são ilegais e inconstitucionais, pois determinam a cobrança de IRPJ sobre os valores recolhidos a esse título e a título de CSLL. também contesta a inclusão na base de cálculo dos juros de mora e da taxa SELIC, com base no artigo 17 do Decretolei nº 1.598/77, que é flagrantemente inconstitucional e ilegal, pois faz incidir o IRPJ sobre recursos financeiros que não representam acréscimo patrimonial, mas tão somente compensam prejuízos sofridos pela recorrente. ainda contesta a inclusão das doações na base de cálculo do IRPJ, tendo por base o artigo 13, inciso VI, da Lei nº 9.249/95, pois estes valores representam uma redução patrimonial, sendo que o legislador extrapolou novamente a competência que lhe foi conferida pela Constituição e regulamentada pelo CTN, ao tributar montantes que não representam renda. caso o recurso voluntário seja julgado improcedente, devese aplicar, com fulcro no inciso V, artigo 151, do CTN, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, justificado pelo reconhecimento em 1ª Instância da Imunidade Tributária Recíproca do contribuinte, ora recorrente, nos autos do processo nº. 0011866 23.2008.4.03.6105, em trâmite perante a 6ª Vara Federal de CampinasSP, a qual se encontra em fase de julgamento de recurso de apelação no TRF da 3ª Região. Em 16/10/2018 foi acostado aos autos, às fls. 1654/1659, despacho da DRF/Campinas acerca do processo judicial 2008.61.05.0118663, cujo acompanhamento se Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10830.723881/201263 Acórdão n.º 1302003.350 S1C3T2 Fl. 1.662 5 deu no processo administrativo nº 12971.000226/200959; informando que houve o trânsito em julgado, favorável ao contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora Para fins de verificar a admissibilidade do recurso voluntário, é importante esclarecer que o presente lançamento tem o objetivo de prevenir a decadência, uma vez que a recorrente ajuizou ação ordinária nº 2008.05.0118663, junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. Obteve sentença parcialmente favorável, que reconheceu a imunidade quanto ao impostos federais. Como não houve apresentação de DCTF, e a sentença judicial ainda não era definitiva à época da ação fiscal, os créditos tributários de IRPJ, para os anoscalendário de 2009 e 2010, foram lançados, sem cobrança de multa de ofício, com juros de mora, a teor do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Nestes termos, importa verificar que o recurso voluntário é tempestivo, e sua defesa traz matérias que não são objeto de discussão nos autos da ação ordinária, não ocorrendo a concomitância entre o processo administrativo fiscal e o processo judicial. Assim, dele eu conheço. A recorrente inicia a defesa com preliminar de nulidade, pois não teria sido discriminada a base de cálculo da apuração do IRPJ, o que teria prejudicado sua defesa. Não assiste razão à recorrente. A base de cálculo foi apurada a partir do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e das planilhas indicativas das adições e exclusões cabíveis na apuração do lucro real, entregues pela fiscalizada. Consta no TVF os demonstrativos com os valores que foram excluídos e adicionados ao lucro líquido . Na própria decisão recorrida consta a demonstração da apuração do lucro real, conforme tabela a seguir: Fl. 1664DF CARF MF 6 Assim, é certo que a recorrente tinha conhecimento dos valores que compuseram o lucro real, tanto que em sua defesa, quanto ao mérito, contesta a inclusão de diversas parcelas, tais como a CSLL e IRPJ, os valores de natureza indenizatória dos juros de mora, e taxa SELIC, dentre outros. Ou seja, não houve o alegado cerceamento ao direito de defesa. Por fim, verifico que o auto de infração foi lavrado observando o artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. Por todo acima exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, esclareço que, à época do lançamento, a apelação interposta pela União foi recebida apenas com efeito devolutivo, motivo pelo qual o auto de infração foi lavrado com exigibilidade suspensa para prevenir a decadência. Posteriormente, como restou noticiado nos autos às fls. 1654/1659, foi negado provimento à apelação e ao reexame necessário, com trânsito em julgado em 15/08/2018, sendo definitiva, portanto, a condição de imune da recorrente com relação aos impostos federais, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A seguir, transcrevo a ementa e Acórdão do TRF da 3ª Região: Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10830.723881/201263 Acórdão n.º 1302003.350 S1C3T2 Fl. 1.663 7 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO. RECURSO DE APELAÇÃO. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 150, VI, "A", CF/88. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ATIVIDADE DE MONOPÓLIO ESTATAL. SERVIÇO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO. ABASTECIMENTO DE ÁGUA E TRATAMENTO DE ESGOTO. CAPITAL PREDOMINANTEMENTE ESTATAL. FINALIDADE NÃO LUCRATIVA. COBRANÇA DE TARIFAS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO DA IMUNIDADE. SOMENTE IMPOSTOS E APENAS QUANTO A BENS E SERVIÇOS USADOS NA SATISFAÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE. ART. 150, § 2°, CF. APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO NÃO PROVIDOS. 1. A CF/88 retirou da competência dos entes tributantes a criação de impostos sobre renda, patrimônio e serviços uns dos outros e estendeu a imunidade às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. Art. 150, VI, "a" e §2° CF/88. 2. A doutrina e a jurisprudência pátria reconhecem que essa imunidade também é aplicável às sociedades de economia mista, desde que preenchidos os seguintes requisitos: i) ser delegatária de serviço público em regime de monopólio; ii) possuir capital predominantemente estatal; e iii) não ter finalidade preponderantemente lucrativa. 3. A SANASA é uma sociedade de economia mista constituída com a finalidade de prestar serviço público de abastecimento de água e tratamento de esgoto, com capital predominantemente estatal, e com finalidade não preponderantemente lucrativa. Leis Municipais 4.356/73 e 13.007/07 e o Decreto 4.437/74. 4. A autora atende a todos os requisitos necessários para o reconhecimento da imunidade recíproca prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal. 5. O fato de a prestadora de serviço de fornecimento de água e tratamento de esgoto cobrar tarifas dos usuários, por si só, não descaracteriza a imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. Precedentes do STF. 6. Ressalvase, contudo, que a imunidade tributária recíproca é aplicável somente às propriedades, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais da sociedade de economia mista. RE 253.472 e ACO 2243. 7. A imunidade recíproca deve ter sua extensão limitada para abranger apenas os impostos, e não as contribuições sociais, nos exatos termos do artigo 150, VI, "a" da CF/88. 8. A repetição do indébito, todavia, deve ser realizada apenas em relação aos montantes recolhidos indevidamente nos cinco anos Fl. 1666DF CARF MF 8 anteriores ao ajuizamento da ação, nos moldes preconizados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621. 9. Considerando a data do ajuizamento da ação, ademais, a compensação dos valores recolhidos indevidamente deverá ser realizada nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96 com as modificações perpetradas pela Lei n° 10.637/02. Precedente do STJ (REsp 1137738/SP, julgado pelo rito do art. 543C, CPC). 10. É aplicável a taxa SELIC como índice para a repetição do indébito, nos termos da jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, julgada sob o rito do artigo 543C, do Código de Processo Civil. 11. Apelação e reexame necessário não providos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e ao reexame necessário, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Do exposto, cabe à Administração reconhecer os efeitos da sentença, devendo aplicálos ao presente caso, que nos leva a concluir pela improcedência do lançamento, uma vez que a recorrente está desobrigada do recolhimento do IRPJ, nos exatos termos do acórdão proferido nos autos da ação judicial nº 2008.05.0118663. Deixo de analisar as demais questões de mérito por ser desnecessário. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade, e no mérito dar provimento ao recurso voluntário em razão do trânsito em julgado da ação judicial nº 2008.05.0118663. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 1667DF CARF MF
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