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Numero do processo: 16682.722732/2016-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, quando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa-veículo" para transferência do ágio à incorporadora.
Numero da decisão: 1402-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, devendo os autos retornar ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes na peça impugnatória, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberto Gouveia Sampaio.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, quando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresaveículo" para transferência do ágio à incorporadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício, devendo os autos retornar ao colegiado de origem para apreciação das demais questões constantes na peça impugnatória, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberto Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 27 32 /2 01 6- 38 Fl. 2432DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício interposto em face de decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou PROCEDENTE, integralmente, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Em virtude do valor do crédito tributário exonerado na decisão a quo, cabe o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Da autuação: Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente ao anocalendário de 2011. A Fiscalização efetuou glosa de despesas de amortização de ágio vinculado a investimentos em empresas do mesmo grupo. Não houve exigência de tributo porque o contribuinte continuou a apresentar resultado negativo, mesmo após a glosa efetuada. Contudo, houve a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. O montante autuado foi de R$ 19.637.051,18. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: O Termo de Verificação de Fiscal, de fls. 1.188 a 1.217, depois de apresentar histórico dos procedimentos, destacando as intimações para o contribuinte apresentar as justificativas e comprovação, delimita as infrações apuradas, conforme excertos a seguir transcritos. “1 Do contribuinte A empresa fiscalizada é pessoa jurídica de direito privado, na forma de sociedade anônima, integra o Grupo Gerdau e tem suas receitas provenientes principalmente de investimentos em coligadas e controladas. Tem por objeto: (a) a participação no capital de sociedades com atividades de indústria e comércio de produtos siderúrgicos ou metalúrgicos, com usinas integradas ou não a portos, bem como em outras empresas e consórcios industriais, inclusive atividades de pesquisa, lavra, industrialização e comercialização de minérios, elaboração, Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.433 3 execução e administração de projetos de florestamento e reflorestamento, bem como de comércio, exportação e importação de bens, de transformação de florestas em carvão vegetal, de transporte de bens de sua indústria e de atividades de operador portuário, de que trata a Lei nº 8.630 de 25.02.93; e b) a exploração da indústria e do comércio, inclusive por representação, importação e exportação de aço, ferro e produtos correlatos. 2 Do escopo da ação fiscal: A ação fiscal de que trata o presente termo teve por objeto a verificação quanto ao cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL) nos períodos de apuração encerrados no anocalendário de 2011, especificamente quanto aos fatos relacionados a operações de reestruturação societária em sequência com geração e aproveitamento fiscal de ágio na aquisição de participação societária na empresa Ação Villares S/A. A citada reorganização societária envolveu, além da Gerdau S.A. e da Aços Villares S.A. CNPJ 60.664.810/000174, as seguintes pessoas jurídicas vinculadas ao Grupo Gerdau: Metalúrgica Gerdau S.A. CNPJ 92.690.783/000109; Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda. CNPJ 87.153.730/000100; Gerdau Açominas S.A. CNPJ 17.227.422/000105; Prontofer Serviços de Construção Ltda. CNPJ 02.951.631/000111 e Gerdau BG Participações S.A. CNPJ 00.183.938/000194. 3 Da auditoria Neste tópico, detalha todos os procedimentos adotados no curso da fiscalização. 4 Breve abordagem sobre ágio em investimentos Apresenta considerações sobre os conceitos e a legislação pertinente à matéria. 5 Da análise da situação fática Demonstra a sequência dos eventos societários e tece as considerações sobre os fatos apurados, a saber. 1º Evento: 09/06/2008 – Surgimento do ágio (DOC 02) Metalúrgica Gerdau S/A adquire 28,9% da participação na Aços Villares do BNDESPAR por R$ 1.302.803.028,00, através da emissão de debêntures, apurando um ágio de R$ 1.042.585.644,74 2º Evento: 30/11/2010 – 6ª Alteração contratual da Prontofer (DOC 03) Fl. 2434DF CARF MF 4 Os Sócios da empresa Prontofer Serviços de Construção Ltda. (02.951.631/000111), Gerdau Açominas (17.227.422/000105) e Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda. (87.153.730/000100), aumentam o capital social de R$ 15.790,00 para R$ 1.656.790,00 com emissão de novas cotas totalmente subscritas e integralizadas pela Gerdau Açominas mediante capitalização dos depósitos para Futuro Aumento de Capital. O Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda permanece na sociedade com 1 cota = R$1,00; Ato contínuo, a Gerdau Açominas faz a cessão integral das suas cotas (Instrumento particular) para Metalúrgica Gerdau (92.690.783/000109); pelo valor de R$ 4.804,74. (DOC 04) Metalúrgica Gerdau e Grupo Gerdau Empreendimentos aumentam o capital social da PRONTOFER para R$ 1.323.727.666,00, com a emissão de novas cotas no valor de R$ 1,00 totalmente subscritas e integralizadas pela Metalúrgica Gerdau mediante o aporte de 1.427.990.051 ações ordinárias de Aços Villares S/A, correspondentes à sua participação de 28,88% naquela empresa. 3º Evento: 30/11/2010 7ª Alteração contratual da Prontofer (DOC 05) A Gerdau BG Participações S.A., empresa do grupo Gerdau, ingressa na sociedade mediante aumento de capital nela feito pela Metalúrgica Gerdau com sua participação na Prontofer, cuja participação societária passa a ter a seguinte composição: (...) 4º Evento: 30/12/2010 – Incorporação da Prontofer por Gerdau S.A e, em seguida, Incorporação da Aços Villares por Gerdau S.A (DOC 06 e 07) O Patrimônio líquido da Prontofer foi incorporado pela Gerdau S/A com aumento de seu capital social e emissão de novas ações por Gerdau aos sócios de Prontofer, pelo seu valor patrimonial contábil em 30/11/2010 (auditado pela empresa Deloitte) e, ato contínuo, a empresa Aços Villares foi incorporada pela Gerdau S/A, que já possuía 58,44% do capital social da Aços Villares. A incorporação foi realizada com novo aumento de capital social da Gerdau S/A e emissão de novas ações aos demais acionistas da Aços Villares (minoritários). No caso aqui analisado, a empresar GERDAU S/A incorporou a AÇOS VILLARES S/A com aproveitamento do ágio de R$ 990.456.362,03 por expectativa de rentabilidade futura. O ágio inicial foi gerado numa operação válida, entre as partes independentes – Metalúrgica Gerdau S.A. e BNDESPAR, com efetivo desembolso de numerário. Ocorre que, num segundo momento, via subscrição de ações, a participação societária na Aços Villares S.A. foi transferida para uma empresa veículo Prontofer Serviços de Construção Ltda. que foi incorporada por outra empresa do grupo – Gerdau S.A., que ato contínuo incorporou a Aços Villares S.A. e passou a amortizar o ágio. A empresa Prontofer Serviços de Construção Ltda. foi criada em 15/10/1998 por duas empresas do Grupo Gerdau: Comercial Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.434 5 Gerdau Ltda. e Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda (DOC 08). Posteriormente, em 26/02/1999 a Comercial Gerdau Ltda. foi incorporada pela Gerdau S.A. que passou a deter as cotas dessa empresa (DOC 09). O capital social da empresa foi reduzido em 31/08/2000, tendo passado de R$ 1.060.140,00 para R$ 15.790,00 (DOC 10). Em 28/11/2003, a Gerdau S.A. cedeu e transferiu suas 15.789 quotas para a empresa Laminadora do Sul S.A., que foi incorporada pela Gerdau Açominas S.A., que passou então a ser a sócia majoritária da Prontofer Serviços de Construção Ltda (DOC 11). A Prontofer Serviços de Construção Ltda. apresentou atividade econômica apenas nos dois primeiros anos calendários de sua existência. A partir do ano calendário de 2001 registrou poucos lançamentos contábeis, sendo nenhum deles relacionado a qualquer atividade comercial ou industrial. Os raros lançamentos contábeis por ela registrados dizem respeito a mútuos com empresas coligadas, juros, IOF, e impostos diferidos (IR e CSLL). Além disso, não possuía empregados e não pagou qualquer remuneração aos seus sóciosadministradores, conforme se verifica nos lançamentos contábeis (DOC 12 a 21), e pesquisa no sistema de arrecadação DATAPREV, onde só constam GFIPs sem movimento para todo período (DOC 22)”. A operação de “transferência” do ágio teve início com a 6ª alteração contratual da Prontofer Serviços de Construção Ltda., em 30/11/2010 (DOC 03), quando foi feito um aumento do capital social, mediante a capitalização do saldo de depósitos para futuro aumento de capital pela Gerdau Açominas S.A, que passou de ínfimos R$ 15.790,00 para R$ 1.656.790,00, que, ato contínuo, cedeu e transferiu suas cotas para a Metalúrgica Gerdau S.A pelo valor irrisório de R$ 4.804,74 (DOC 04). Salta à vista que essa operação de cessão de um patrimônio de mais de um milhão e meio de reais por um valor inferior a cinco mil reais, é contrária ao interesse da companhia Gerdau Açominas, visando atender apenas ao interesse econômico do Grupo Gerdau, não sendo crível que a Gerdau Açominas celebrasse tal operação com um terceiro que não pertencesse ao referido grupo econômico. Ainda na 6ª alteração contratual, foi feito um aumento do capital social da Prontofer Serviços de Construção Ltda. de R$ 1.656.790,00 (um milhão, seiscentos e cinquenta e seis mil, setecentos e noventa reais) para R$ 1.323.727.665,00 (um bilhão, trezentos e vinte e três milhões, setecentos e vinte e sete mil, seiscentos e sessenta e cinco reais) totalmente subscrito e integralizado pela nova sócia Metalúrgica Gerdau S.A., mediante aporte de 1.427.990.051 ações ordinárias do capital social da Aços Villares S.A. Na 7ª alteração contratual (DOC 05) de Prontofer Serviços de Construção Ltda., de 30/11/2010 (mesma data da 6ª Alteração Contratual), a Metalúrgica Gerdau S.A. cede e transfere suas cotas para a Gerdau BG Participações S.A. mediante a subscrição e integralização do capital desta última com sua Fl. 2436DF CARF MF 6 participação na Prontofer Serviços de Construção Ltda., transferindo, consequentemente, pela segunda vez a participação na Aços Villares S.A. para outra empresa do Grupo, que tem participação de 100% da Metalúrgica Gerdau S.A. Após a análise do conjunto de atos societários e comerciais que culminaram na aparente transferência do ágio à fiscalizada – GERDAU S.A., fica cristalino que jamais houve intenção de viabilizar a empresa veículo Prontofer Serviços de Construção Ltda. de sorte que esta pudesse conservar as ações da investida. Não houve nenhum propósito negocial ou motivação econômica na passagem das ações da Aços Villares S.A. para patrimônio da Prontofer Serviços de Construção Ltda. Essas ações só subsistiram no patrimônio da Prontofer Serviços de Construção Ltda. por exatos 30 dias, quando então, em 30/12/2010 foi levada à cabo a incorporação da Prontofer Serviços de Construção Ltda. pela Gerdau S.A., e ato contínuo, da Aços Villares S.A. (DOCs 06 e 07) Em suma, o que se verificou nesta transação comercial é que os atos envolvendo a empresa veículo, fundamentados em aparente legalidade, na realidade não apresentaram qualquer finalidade empresarial ou negocial. Quando os sóciosquotistas da Prontofer Serviços de Construção Ltda. aumentaram seu capital social com a emissão de 1.322.070.876 novas quotas no valor nominal de R$ 1,00, as mesmas foram totalmente subscritas e integralizadas pela Metalúrgica Gerdau S.A. mediante o aporte de 1.427.990.051 ações ordinárias do capital social de Aços Villares S.A. Atente se, que, foi neste exato momento que a Metalúrgica Gerdau S.A. realizou seu investimento na Aços Villares, pois se desfez deste investimento a fim de aumentar o capital social de outra empresa com sua participação na Aços Villares, passando então a ter o direito de amortizar esse ágio com efeitos tributários. Em situações como a descrita neste relatório a subscrição das quotas da Prontofer Serviços de Construção Ltda. com o aporte das ações de Aços Villares a correta aplicação dos princípios contábeis seria baixar o investimento anteriormente mantido pela Metalúrgica Gerdau na Aços Villares, e o correspondente ágio, podendo – ou não – ser gerado um ganho de capital para a Metalúrgica Gerdau S.A. (que no caso em tela não ocorreu). Dessa forma, depreendese claramente que o ágio eventualmente existente na Metalúrgica Gerdau não poderia ser transferido para a Prontofer Serviços de Construção Ltda., mas tão somente baixado do ativo Metalúrgica Gerdau S.A., reduzindo eventual ganho de capital na liquidação do investimento. As empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida, nesse caso a Metalúrgica Gerdau (adquirente) e a Aços Villares (investida). Portanto, os procedimentos societários e comerciais ora descritos envolvendo a empresa veículo só se prestaram a criar uma situação que Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.435 7 permitisse que uma empresa operacional pertencente ao mesmo grupo econômico pudesse amortizar o ágio. Em resumo, não há o que se falar na transferência do ágio decorrente da aquisição da participação na Aços Villares S.A. pela Metalúrgica Gerdau S.A., pois o próprio foi gerado legitimamente apenas na primeira transação, ocorrida em 09/06/2008, quando houve o respectivo pagamento/desembolso. O mesmo não ocorreu quando do aumento do capital social da Prontofer, em 30/11/2010, que recebeu as 1.427.990.051 ações da Aços Villares, sem qualquer desembolso. A única finalidade desse aumento de capital na Prontofer foi criar uma situação que permitisse que o ágio pago pela Aços Villares fosse aproveitado em outra empresa do grupo. Reforce se que a Prontofer Serviços de Construção Ltda. só subsistiu por um mês após receber essas ações, o que comprova que ela nada mais foi que um veículo para transferência desse ágio que posteriormente foi aproveitado através da sua incorporação pela Gerdau S.A. O ágio admitido pela contabilidade é aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. Quando a operação societária da qual resulta o ágio é realizada intragrupo, a contabilidade não admite o seu reconhecimento. Com relação a isso, segue a transcrição do item 20.1.7. do Ofício Circular CVM/SNS/SEP nº 01/2007, que trata especificamente do ágio gerado em operações internas: (...) Notese que a operação societária da qual resultou a amortização do ágio tratado neste relatório foi realizada intragrupo, isto é, entre partes relacionadas, ou seja, avaliadora e avaliada são do mesmo grupo econômico, conforme se depreende da estrutura societária apresentada nos organogramas apresentados anteriormente neste item. Na realidade, a Metalúrgica Gerdau S.A. manteve, ainda que indiretamente, sua participação na Aços Villares S.A. adquirida com ágio, durante toda a operação de reorganização que culminou com a Incorporação desta pela Gerdau S.A. É importante atentar para o fato de que o laudo de avaliação (DOC 23), no valor total de R$ 1.322.070.876,47, apresentado pela Metalúrgica Gerdau S.A. com o objetivo da subscrição e integralização do capital social da Prontofer Serviços de Construção Ltda. foi preparado por 3 funcionários da Gerdau Açominas S.A. (DOC 24), ou seja, do mesmo Grupo empresarial, para atender aos interesses do mesmo, qual seja, “transferir” e amortizar o ágio da Aços Villares S.A., conforme transcrito abaixo: (...) Não é mera coincidência que o ágio apurado nessa transação corresponda exatamente ao saldo do ágio não amortizado pela Fl. 2438DF CARF MF 8 Metalúrgica Gerdau S/A constante em sua contabilidade na data da integralização do aumento de capital na Prontofer, qual seja exatos R$ 990.456.362,50. No presente caso, não resta dúvida de que o aproveitamento tributário do ágio da Aços Villares S.A. pela Gerdau S.A. foi resultado de uma montagem jurídica efetuada mediante a prática de operações estruturadas em sequência e com a utilização de empresa veículo. Em outras palavras, para usufruir do benefício fiscal concedido pelos artigos 7º e 8º da lei 9.532/97, fezse uso de empresa veículo. Assim verificouse o uso distorcido dos referidos comandos legais, que não contemplam uma terceira empresa no processo de reorganização societária, não admitindo, portanto, operações trianguladas com o uso de empresa veículo 6 Do lançamento: Diante de todo o exposto, restou comprovado de forma inequívoca a apuração artificial de ágio em operações de reestruturação societária intragrupo, feitas em sequência e com o uso de empresa veículo. Diante disso, ficam glosadas, no presente ato, as deduções do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL relativas à amortização do ágio da Aços Villares S.A. pela Gerdau S.A. no ano calendário de 2011. Resumindo, ficam glosados os lançamentos contábeis transcritos a seguir, relativos às amortizações mensais de ágio no ano calendário de 2011, incluídos nos itens do RTT no cálculo do Lucro Real, conforme LALUR (DOC 25) perfazendo uma glosa total de R$ 198.091.272,36. 6.1 Da multa pelo não recolhimento do irpj e da csll por estimativa: A consequente glosa das despesas de juros calculadas sobre os bônus e o lançamento da diferença de variação cambial positiva implica dizer que a fiscalizada deixou de recolher aos cofres públicos valores relativos a antecipações obrigatórias do IRPJ e CSLL. 7 Do encerramento: 7.1. Da retificação do Saldo dos Prejuízos Fiscais e Base Negativa de CSLL Considerando a existência de um saldo de prejuízo acumulado e de base negativa da CSLL no período fiscalizado, a auditora fiscal ao lavrar o presente auto de infração utilizou esses saldos e recalculou o valor devido pela empresa considerando a limitação do percentual de 30% do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL recalculados considerando a nova base de cálculo. Diante disso, fica o contribuinte, neste ato, intimado a retificar os registros de Prejuízos Fiscais e de Base Negativa de CSLL do ano calendário de 2011, ajustando o saldo a compensar em conformidade com o demonstrativo de apuração gerado no presente auto de infração.” Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.436 9 Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Nos tópicos 1 a 3, a peça de defesa apresenta considerações sobre a tempestividade, impugnação conjunta de todos os autos de infração e histórico dos procedimentos fiscais, concluindo: “Em síntese, são duas as razões pelas quais os AUTOS glosaram a amortização de despesas com o ágio pago pelo GRUPO GERDAU na aquisição de 28,88% de VILLARES: (i) suposta ausência de propósito negocial na utilização de "empresa veículo" que teria sido envolvida em operações societárias com o fim exclusivo de propiciar economia tributária; e (ii) alegada impossibilidade de registro de ágio por ocasião da transferência dos investimentos em VILLARES a PRONTOFER por se tratar de operação realizada dentro do mesmo grupo societário.” 4. Da Improcedência da glosa das despesas com amortização de ágio Assevera que a aquisição de investimentos em Villares pelo Grupo Gerdau, ocorrida em 2008, teve como objetivo o fortalecimento das operações do referido grupo no mercado de aços especiais, como uma etapa necessária não só à simplificação de sua estrutura societária como também ao aumento da eficiência operacional. Tece considerações sobre o instituto e legislação pertinentes ao ágio, e assinala: “No entanto, a fiscalização rejeita os efeitos dos dispositivos acima mencionados à incorporação de VILLARES pela IMPUGNANTE, em razão de uma alegada artificialidade das operações implementadas pelo GRUPO GERDAU, que teriam servido ao “uso distorcido dos referidos comandos legais.” Destaca que existem muitos procedimentos fiscais sobre a utilização de empresas “veículos”, mas isso não ocorre no presente caso. Registra que a própria fiscalização implicitamente admite que nenhuma crítica poderia ser feita ao aproveitamento fiscal do ágio, caso a impugnante tivesse adquirido diretamente as ações de VILLARES. Entende que, no caso concreto, a desconsideração dos efeitos da reestruturação implementada no GRUPO GERDAU após a aquisição das ações de VILLARES jamais poderia resultar na lavratura dos autos de infração. Tece considerações sobre as características e peculiaridades das operações com o BNDESPAR e destaca: “A aquisição das ações representativas de 28,88% do capital social de VILLARES seria, portanto, originalmente realizada pela IMPUGNANTE, que a incorporou em seguida, exatamente Fl. 2440DF CARF MF 10 nas condições em que a fiscalização reconhece que o aproveitamento fiscal do ágio não poderia ser questionado.” Ocorre, contudo, que a emissão de debêntures conversíveis em ações por parte da IMPUGNANTE, à época da aquisição de VILLARES, seria inconveniente, em razão de estar em curso um processo de Oferta Pública de Distribuição Primária de Ações Ordinárias e Preferenciais ("OFERTA PÚBLICA") inclusive com emissão e American Depositary Receipts ("ADR") que havia sido aprovado em março de 2008 (consoante Fato Relevante às fls. 986) e que tinha por base os indicadores financeiros à época existentes para os fins a que se destinava: adequação de sua estrutura de capital. Ou seja, a emissão de debêntures conversíveis em ações por parte da IMPUGNANTE alteraria as bases nas quais a OFERTA PÚBLICA foi aprovada e retardaria a colocação das ações. Além do fato acima mencionado, seria complexa a adequação da preservação do direito de preferência dos acionistas da IMPUGNANTE relacionados à conversibilidade das debentures com a OFERTA PÚBLICA. Diante dos inconvenientes acima mencionados e da inexistência de impeditivos para que METALÚRGICA emitisse debêntures não conversíveis com cláusula de permutabilidade por ações preferenciais da IMPUGNANTE1, a utilização de recursos econômicos pelo GRUPO GERDAU na aquisição das ações de VILLARES foi dividida em duas etapas: (i) emissão de debêntures por METALÚRGICA, com as referidas características; e (ii) posterior entrega de ações de emissão da IMPUGNANTE a METALÚRGICA, por meio de GERDAU BG, praticamente uma subsidiária integral da METALÚRGICA. Foi isso que ocorreu na reestruturação do GRUPO GERDAU, que foi engendrada de forma a produzir os mesmos resultados que produziria a aquisição direta de VILLARES pela IMPUGNANTE, inclusive evidentemente no que diz respeito ao aproveitamento fiscal do ágio. No que se refere ao item "ii" acima, como consequência da incorporação de PRONTOFER, a IMPUGNANTE emitiu novas ações ordinárias e preferenciais no montante total de R$ 1.322.075.681,00 (equivalente ao valor de PLC de PRONTOFER), as quais foram integralmente atribuídas aos acionistas de PRONTOFER (basicamente GERDAU BG). Como resultado da concentração do segmento de aços especiais na IMPUGNANTE, ela entregou ações de sua emissão a GERDAU BG, ou seja, a METALÚRGICA, indiretamente. Assim, os investimentos representativos de 28,88% do capital de VILLARES chegaram à IMPUGNANTE à sociedade que deveria têlos adquirido diretamente em contrapartida da emissão de ações, entregues à METALÚRGICA para que ela recuperasse os custos incorridos na aquisição das ações de VILLARES transferidas a GERDAU. Em última análise, 1 Enquanto que a OFERTA PÚBLICA foi aprovada para adequar a estrutura de capitais da IMPUGNANTE, o aumento de capital de METALÚRGICA também objeto de Oferta Pública de Distribuição Primária , por outro lado, havia sido dimensionado exclusivamente para atender a seu direito de preferência na subscrição de ações a serem emitidas pela IMPUGNANTE no âmbito da OFERTA PÚBLICA._ Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.437 11 portanto, o ônus econômico da aquisição de investimentos em VILLARES foi suportado pela IMPUGNANTE. Assim, a aquisição das ações de VILLARES por METALÚRGICA seguida de uma série de operações, dentre elas a transferência desse investimento a PRONTOFER, se deu justamente para contornar os momentâneos inconvenientes negociais da aquisição direta dos investimentos pela IMPUGNANTE. A reestruturação fez com que o GRUPO GERDAU ficasse na situação que estaria se as ações de VILLARES tivessem sido, desde o início, adquiridas pela IMPUGNANTE, acaso não existissem todos os inconvenientes acima mencionados.” Acrescenta comentários sobre a legislação que rege a matéria, procedimentos de privatização, economia, decisões administrativas, etc, concluindo que: “Em suma, mesmo que tivesse sido utilizada com o único objetivo de propiciar o aproveitamento fiscal do ágio fato não ocorrido no caso concreto , PRONTOFER teria participado da reestruturação apenas para viabilizar o aproveitamento de vantagem fiscal expressamente autorizada por lei: a Lei n° 9.532/97. Muito embora não tenha sido este o caso, tal procedimento apenas refletiria uma opção pela utilização de tratamento fiscal expressamente disciplinado pela Lei n° 9.532/97.” Dando seqüência aos seus argumentos, aborda o que entende ter sido o segundo argumento utilizado pela fiscalização para glosar a dedutibilidade das despesas. “O segundo argumento utilizado pela fiscalização para glosar a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio vinculado aos investimentos de VILLARES consiste na alegada impossibilidade do registro de ágio vinculado às ações de VILLARES por ocasião do aumento de capital de PRONTOFER em razão de se tratar de operação realizada intragrupo, nos termos do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 e da Orientação do Comitê de pronunciamentos Contábeis ("OCPC") n° 02, de 02.10.2009, inaplicáveis à situação em análise, como se verá adiante.” Reportandose a trecho do TVF quando a fiscalização recorre a Nota Explicativa da CVM, assinala: “A referida Nota Explicativa detalha os procedimentos que devem ser observados pelas companhias abertas nas reestruturações previstas pela Lei n° 9.532/97, com ênfase para as incorporações precedidas da criação de veículos, tendo atribuído valor específico à economia fiscal que, nas incorporações inversas, o controlador transfere à controlada. Ou seja, reconhece a existência de ágio nas operações do gênero e atribuilhe efeitos fiscais na subsequente incorporação do veículo. Fl. 2442DF CARF MF 12 Podese, assim, afirmar que a própria CVM, reconhece a legitimidade do registro de ágio por ocasião da transferência de investimentos a uma empresa veículo. E nem poderia ser diferente, uma vez que o registro do ágio atrelado às ações de VILLARES por ocasião de seu conferimento a PRONTOFER decorrem da própria aplicação do método de equivalência patrimonial ("MEP"). Com efeito, sob a perspectiva da pessoa jurídica que tem o capital aumentado (PRONTOFER, no caso), o custo de aquisição do ativo recebido equivale ao valor das ações emitidas (e entregues) ao subscritor, pois essas ações constituem a moeda de pagamento da transação. O OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 invocado pela fiscalização reconhece expressamente o acerto jurídico do registro do ágio por ocasião do recebimento de investimentos em realização de aumento de capital, ao afirmar que tais operações "atendem integralmente os requisitos necessários, do ponto de vista econômicocontábil". O referido ato normativo, porém, justifica a rejeição de tal registro em caso de vício diretamente relacionado à formação do ágio: a inexistência de processo de negociação entre partes independentes apto a resultar em um preço justo de mercado”. Depois de outras considerações aduz que ainda se considerasse tratarse de “ágio interno” não havia no período autuado, qualquer dispositivo legal que negasse a dedutibilidade. 5. Inexistência de norma que determine adição de despesas com amortização de ágio ao lucro líquido para fins de apuração da base de cálculo da CSL Entre os diversos argumentos, assevera que nem todas as normas do IRPJ são aplicáveis automaticamente à CSLL. 6. Do descabimento da cobrança das multas isoladas. Defende que, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, decaiu o direito de cobrar os créditos tributários relativos a multas isoladas referentes aos meses de março, junho e julho de 2011, tendo sido cientificada em 16/12/2011. Neste mesmo tópico entende que a descrição da suposta infração decorrente de uma glosa de despesas com amortização de ágio não guarda qualquer pertinência com as justificativas apresentadas na secção 6.1 do TVF, uma vez que a fiscalização afirma que a irregularidade por falta de recolhimento de estimativas mensais seria consequência de uma “glosa de despesas de juros calculadas sobre os bônus e o lançamento da diferença de variação cambial positiva”. Complementa que é improcedente a exigência de multa isolada na hipótese em que o contribuinte apura resultado negativo ao final do anocalendário. Finalizando este tópico, ressalta que a cobrança de multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas também não seria devida por violar o CTN, especificamente o art. 97, V, combinado com o art. 113. 7. Da retificação dos montantes das multas isoladas exigidas nos autos. Neste último tópico defende que, na eventualidade de os autos serem mantidos e mantidas as multas aplicadas, o que se admite apenas para fins de Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.438 13 argumentação, eles devem ser retificados, de forma que as multas isoladas sejam reduzidas em razão do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados e também de despesas relacionadas ao PAT. Acompanham a peça de defesa os seguintes documentos: procuração, documentos de identificação, atas, estatutos sociais, declarações de informações econômicofiscais, livros de apuração do Lucro Real e balanço patrimonial. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO É legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio, ainda que a reorganização societária tenha sido realizada por meio de empresa veículo, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da análise da análise do voto condutor da decisão a quo, que foi acompanhado por unanimidade pelo seus pares, destacase os seguintes pontos que fundamentam seu voto: destaca que o ponto central da discussão é a legitimidade (ou não) da utilização da empresa Prontofer (tida pelo fisco como empresa veículo) com o único propósito de criar as condições exigidas pela lei para a amortização fiscal do ágio; não resta dúvidas que a contribuinte Gerdau efetivamente pagou o ágio da empresa Villares; entende que não é condenável a alienação intragrupo de determinado investimento com ágio, e o que se repugna é a simulação e o abuso de direito; cita excertos de acórdãos sobre o tema (1201001.554, 1402001.472, 1101 000.835); ao final conclui: Fl. 2444DF CARF MF 14 Por tudo que foi examinado, afasto a ocorrência de qualquer abuso de direito praticado pela impugnante, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para imporse a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária que, ao final, não restou demonstrado ter havido nem mesmo elisão tributária. Do Recurso de Ofício: Em virtude do valor do crédito tributário exonerado na decisão a quo, cabe o RECURSO DE OFÍCIO nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Não foram apresentadas contrarrazões, nem pelo contribuinte, nem pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator Do Recurso de Ofício, em virtude do montante da exoneração promovida cabe o seu conhecimento. Das operações em litígio Conforme acima relatado, a questão se centra na utilização de uma, comumente chamada, empresaveículo, no caso Prontofer Serviços de Construção Ltda. para viabilizar a utilização do ágio envolvido entre a contribuinte Gerdau S/A e a Aços Villares S/A. A operação formadora do ágio inicial foi inicialmente válida, realizada entre partes independentes Metalúrgica Gerdau S/A e BNDESPAR com efetivo desembolso de numerário, com a compra da participação de 28,9% na Aços Villares S.A.. Contudo, no segundo momento, via subscrição de ações, a participação societária na Aços Villares S/A foi transferida para a supracitada empresa veículo Prontofer. A Prontofer acabou sendo incorporada logo em seguida (30 dias após, em 30/12/2010) por outra empresa do grupo Gerdau S/A (a autuada) , que também incorporou por consequência a Aços Villares S/A, e passou a amortizar o ágio. Sucintamente, a operação envolvida é essa, e todo o detalhamento consta no relatório acima e nos autos. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.439 15 Sofrendo autuação e respectiva glosa do valor amortizado, a Gerdau S/A impugnou, o que lhe foi dado razão pela primeiro grau administrativo, por entender legalmente válida tal operação. Passo a analisar o caso. Legislação tributária quanto à amortização de ágio Considerando que a autuação em litígio referese à amortização de ágio decorrente de participação societária adquirida por preço superior ao do Patrimônio Líquido da investida, cabe, primeiramente, uma análise da legislação que rege a matéria. Nos termos do art. 25 combinado com o art. 20 do Decretolei nº 1598, de 1977, que dão suporte aos artigos 385 e 391 do RIR/99, respectivamente , a regra geral é a indedutibilidade das contrapartidas da amortização de ágio: Decretolei nº 1.598/1977 “Art.20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte, e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. ” (...) “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Fl. 2446DF CARF MF 16 Contudo, o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, que passou a produzir efeitos em 01/01/1998, autoriza o contribuinte que incorporou sociedade na qual detinha participação societária adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei 1.598/77, cujo fundamento econômico seja o da expectativa de rentabilidade futura da investida, a amortizar referido ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação. O artigo 7º da Lei nº 9.532, de 1997, fundamento legal do art. 386 do RIR/99, assim dispõe: Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifo meu) (...) Destarte, as condições de dedutibilidade do ágio devem, portanto, ser observadas, quais sejam: absorção do patrimônio de pessoa jurídica na qual detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, o aproveitamento do ágio decorre de regras especiais e o respectivo cumprimento. Assim, a regra geral é que o ágio é indedutível não implementadas tais regras, não é possível a dedução. Da análise do caso concreto: Verificando o caso concreto, observase que há a questão de qual o papel da empresa Prontofer no aproveitamento deste ágio, e se tal situação é legítima. O artigo 386 do RIR/1999, supracitado, assim especifica no seu caput: Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.440 17 Aqui se poderia ampliar todo o conteúdo dos artigos 385 e 386 do RIR/1999, mas me concentro neste ponto acima, para fins de análise. Notase que a Prontofer jamais teve a decisão de adquirir a participação societária da Villares., muito menos teve a expectativa de rentabilidade futura sobre tal operação. Como se verifica no relatório e nos autos, a decisão de aquisição da participação societária foi da Metalúrgia Gerdau S/A. Neste contexto, a Prontofer foi um mero instrumento de realização da transação, jamais tendo sido a investidora, que acreditou na maisvalia do investimento, realizando os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e que desembolsou, de fato, os recursos necessários à aquisição. A Prontofer praticamente estava operacionalmente inativa nos anos anteriores à operação societária em discussão, como descrito nos TVF. Ressurge quando do aumento do capital social, na sua 6ª alteração contratual ocorrida em 30/11/2010, quando passou de um capital social de R$ 15.790,00 para R$ 1.323.727.665,00. Posteriormente, dia 30/12/2010 foi incorporada pela Gerdau S.A. (a autuada). Tal fato está amplamente demonstrado nos autos pela autoridade fiscal autuadora, e em nenhum momento foi contestado pela Gerdau (contribuinte autuada). Desta forma, a Gerdau ao incorporar a Prontofer jamais se amolda à previsão legal para a amortização do ágio pago na sua aquisição, posto que ausente em tal operação as investidoras, que são as destinatárias da norma legal. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A amortização operada pela autuada não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. A operação, portanto, não passa sequer na primeira verificação necessária para referendar a amortização do ágio, de modo que, tal fato, por si só, respalda a manutenção da exigência fiscal. Neste sentido, cabe aqui ume excerto sobre o tema, ao qual recorro ao acórdão nº 9101002.301 (sessão de 06/04/2016), proferido pela 1ª CSRF, da relatoria do i. Conselheiro André Mendes de Moura: Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. Fl. 2448DF CARF MF 18 A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA2 Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa 2 Cf. ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2010. p. 51 e segs. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.441 19 jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI , com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, Fl. 2450DF CARF MF 20 precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que, para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Ou seja, concluise portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar a investida (ou por ela ser incorporada). Como já exposto acima, não foi o que vislumbra nesta operação societária. Igualmente, como bem conclui em excerto do acórdão 9101003.366 (sessão de 18/01/2018), pelo i. relator do voto vencedor, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Em síntese, a subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. Caso analisemos a amortização do ágio sob a ótica de despesa, podemos concluir que, in casu, houve a construção artificial do suporte fático de modo a conferir a Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 16682.722732/201638 Acórdão n.º 1402003.700 S1C4T2 Fl. 2.442 21 aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. Intimada durante o procedimento fiscal a informar qual foi o propósito negocial da operação de compra da participação de 28,9% na Aços Villares, a contribuinte autuada informa que: Dita aquisição teve por propósito negociai: i) consolidar a participação direta e indireta no Capital Social da Aços Villares S.A., aumentando a participação de 58,4% para 87,3%; ii) extinguir o Acordo de Acionistas da Aços Villares S.A., por deixar de ter o seu controle compartilhado entre o Grupo Gerdau e o BNDESPAR; iii) atratividade da oportunidade de investimento no setor siderúrgico, com condições de financiamento adequadas; e iv) realizar o seu objeto social, qual seja, o de participar no capital de outras sociedades, especialmente do setor siderúrgico. Note que são propósitos negociais muito específicos, próprios de seus objetivos negociais, sem ser decorrente de uma imposição regulamentar de setor ou algo equivalente. Aos contribuintes há toda a liberdade negocial própria das suas atividades, mas deve ser verificado os efeitos fiscais das mesmas, e se for o caso extrapolarem as normas tributárias pertinentes, anulandoos. O que não se admite é criar situações artificiais que visam à economia tributária primordialmente, tentando trazer, como traz na sua peça impugnatória, justificativas negociais para agir assim. As eventuais necessidades negociais peculiares, que não estão previstas no ordenamento tributário, não podem é ter repercussão na esfera fiscal. Por conseguinte, dado o todo exposto acima, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício. Conclusão Diante de todo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, devendo os autos retornar ao colegiado a quo para apreciação das demais questões constantes na peça impugnatória. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.009332/00-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1996
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA.
No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, sendo a hipótese de prestação pecuniária compulsória inadimplida.
Numero da decisão: 1402-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1996 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, sendo a hipótese de prestação pecuniária compulsória inadimplida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, sendo a hipótese de prestação pecuniária compulsória inadimplida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 93 32 /0 0- 71 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 343 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 344 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 10.410 2ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/82), aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982; consoante capitulação legal consignada à fl. 81, foi lavrado o auto de infração de fl. 80, em 28/09/2000, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Akimichi Omori, para exigir R$ 46.586,16 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 47.844,07 de juros de mora calculados até 31/08/2000 e R$ 34.939,61 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 129.369,84. 2. A autuação foi efetuada com arrimo no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08132002000000790, de fl. 01, expedido em 09/02/2000. 3. O lançamento de ofício de IPI é decorrente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), em cuja ação fiscal foi constatada, por meio de levantamento do fluxo financeiro, a omissão de receita caracterizada por dispêndios superiores aos recursos disponíveis, sem comprovação da respectiva origem, quanto aos meses de janeiro, fevereiro, março, julho e setembro de 1996, conforme descrição dos fatos de fl. 81, que alude ao termo de verificação fiscal de fls. 74/75, e documentação que compõe a peça fiscal, nos montantes mensais discriminados à fl. 75, e que culminou na formalização do processo principal n° 13807.009333/0034. 4. Os valores omitidos constituem a base de cálculo do IPI apurado conforme o demonstrativo de débitos apurados, de fl. 77, com a aplicação da alíquota de 15%, a mais elevada daquelas praticadas pela empresa. 5. O representante legal da empresa, Sr. Norival Navarro, diretor administrativo, assim nomeado pelo instrumento particular de alteração do contrato social, de fls. 06/11, tomou ciência da peça acusativa em 28/09/2000. 6. Em 27/10/2000, irresignada, a empresa apresentou a impugnação de fls. 88/108, subscrita pelo representante legal da empresa, Sr. Aldo Corda, conforme o instrumento legal de fls. 06/11, e instruída com a documentação de fls. 109/202, em que aduz, em síntese, o seguinte: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 345 4 a) Obedeceu aos dispositivos legais ao proceder a entrega da declaração de rendimentos do anobase que foi objeto da ação fiscal, optando pela tributação com base no lucro presumido, nos termos do art. 521 do RIR/1994; b) Foram atendidas todas as obrigações acessórias, principalmente no tocante à escrituração contábil nos termos da legislação comercial, conforme livro Diário n° 23, colocado à disposição do auditorfiscal; c) O procedimento administrativo consubstanciado na presente ação fiscal foi apurado com base em apenas presunções não provadas, sendo imprestável para lavratura do auto de infração, portanto nulo; d) Para corroborar com essa assertiva, foi efetuada uma auditoria interna específica com relação às divergências apresentadas, na qual foi verificada a lisura dos lançamentos apontados como irregulares pelo auditorfiscal; e) Após a conclusão, foi elaborado pela auditoria interna da impugnante relatório, no qual não foram apurados quaisquer dispêndios superiores aos recursos, conforme atestam as demonstrações de fluxo financeiro, elaboradas com base no livro Diário, balancetes mensais e no resumo das operações fiscais por CFOP, que ficam fazendo parte da impugnação; f) No tocante à análise da conta "duplicatas a receber", não foram visualizadas as ocorrências apontadas pelo agente fiscal, confirmando a lisura e legalidade dos seus registros contábeis; g) O auditorfiscal não observou que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis; h) A tarefa de verificação dos elementos do mundo dos fatos para averiguar eventual ocorrência de subsunção à lei tributária é plenamente vinculada, sendo inadmissível qualquer interferência valorativa do agente administrativo encarregado de levála a cabo, conforme doutrina; i) Demonstrada a ocorrência de qualquer restrição ao direito da ampla defesa do contribuinte por ter cometido irregularidade, devese concluir pela nulidade do procedimento fiscal; j) Os agentes fiscais, no exercício de suas funções de gestão tributária, devem indicar pormenorizadamente todos os elementos do tipo normativo existentes na concretização do fato que se pretende tributar e dos traços jurídicos que apontam uma conduta como ilícita; k) Nossos tribunais, judiciais e administrativos, têm procurado, reiteradamente, preservar os valores consagrados no Texto Supremo, não aceitando propostas de tributação edificadas sobre meros indícios ou aplicando processos presuntivos que a lei não autoriza; Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 346 5 1) No auto de infração foi imposta exorbitante multa, que padece de flagrante caráter confiscatório, que é vedado pela Constituição Federal (CF), art. 150, IV; m) Deve ser integralmente provida a defesa apresentada para o fim de cancelar a autuação e toda penalidade imposta. O Acórdão de Impugnação nº 10.410 2ª Turma da DRJ/RPO julgou o lançamento procedente, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, sendo a hipótese de prestação pecuniária compulsória inadimplida." Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 347 6 Recurso Voluntário Notificada do Acórdão de 1ª Instância, a Recorrente ingressou com o Recurso Voluntário (fls. 286 a 315) reiterando todas as alegações constantes da impugnação, a fim de que sejam revistos todos os pontos impugnados, ora recorridos. Preliminarmente, a recorrente alega que mantinha a escrita comercial completa, é com base nela que o Douto Auditor Fiscal deveria ter realizado seu trabalho, e como podese observar, valeuse tão somente de relatórios previstos para empresas que não atendia a escrita comercial, elaborando o auto de infração com base em meras presunções não provadas, sendo absolutamente imprestáveis. Afirma que, Nesse caso, havendo mero erro material na escrita comercial, sem que isso configure omissão de receitas, não há que se falar em penalidade. Quanto ao mérito, alega que não restou comprovada a omissão de receitas, ao contrario do que se argumentou na decisão recorrida, o que se verifica no caso em tela são antecipações de Clientes não passíveis de tributação, haja vista que as vendas eram praticamente pagas antes de sua efetiva entrega. Afirma que, após o recebimento, a Recorrida enviava ordem de produção, pois os pedidos sempre superaram seu estoque. Como podemos observar pelos documentos acostados, tais valores se referem a adiantamento por conta de faturas, ou seja, a empresa Alphafrigor Comércio de Máquinas Ltda., efetuou pedidos para entrega futura, e por conta destes pedidos efetuava pagamentos de forma antecipada. E como sabemos, os adiantamentos realizados pelos clientes, desde que comprovados, não podem ser considerados fatos geradores de impostos, mesmo porque, o fato gerador será determinado no momento da entrega da mercadoria ou serviço. E no caso em tela restou cabalmente comprovado que se referiam a adiantamentos recebidos da empresa Alphafrigor por conta de entrega futura de máquinas. E quando não se tratavam de adiantamento, eram efetivado a baixa das faturas existentes, relativos as mercadorias já entregues. Pois bem, como podemos observar as cópias do Livro diário leva exatamente a esta conclusão, ou seja, na contabilidade da Recorrente estão contabilizados como adiantamentos de Clientes, e por sua vez, na Contabilidade de empresa Alphafrigor está contabilizado como Adiantamento a Fornecedores. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 348 7 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminar Da alegação de nulidade do auto A recorrente alega que "mantinha a escrita comercial completa, é com base nela que o Douto Auditor Fiscal deveria ter realizado seu trabalho, e como podemos observar, na verdade se valeu tão somente de relatórios previstos para empresas que não atendia a escrita comercial, elaborando o auto de infração com base em meras presunções não provadas, sendo absolutamente imprestáveis". Afirma que "havendo mero erro material na escrita comercial, sem que isso configure omissão de receitas, não há que se falar em penalidade". Verificase que a auditoria não se restringiu aos demonstrativos apresentados pelo contribuinte, pelo contrário, os ajustes foram realizados tendo como suporte a contabilidade. Quanto ao alegado erro material, verificarseá na análise do mérito que a recorrente não logrou comproválo. Por esses motivos, deve ser rejeitada a alegação de nulidade do auto de infração. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 349 8 Do mérito Conforme já relatado, o recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foi lançado IRPJ. Assim, resta a analisar no presente processo tão somente a matéria reconhecidamente reflexa da autuação de IRPJ, como atesta expressamente o próprio Termo de Verificação Fiscal: Na fiscalização do imposto de renda foi apurada a infração Omissão de Receitas, caracterizada por dispêndios superiores aos recursos (apurado através do levantamento do fluxo financeiro), cuja origem não foi comprovada. Em se tratando de contribuinte sujeito ao recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, sobre a omissão de receitas deverá ser exigido este imposto, conforme o disposto no § 2° do artigo 343 do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, e, da mesma forma, no § 2° do artigo 423 do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98. A alíquota aplicável, no presente caso, por se tratar de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas diversas, o imposto deverá ser calculado com base na alíquota mais elevada (15%), conforme dispõe o § 1° do artigo 343 do RIPI/82, o § 1° do artigo 423 do RIPI198. Verificase que o presente processo é reflexo do processo principal nº 13807.009333/0034, referente ao lançamento de IRPJ, que se encontra na fase de parcelamento, devido ao pedido de desistência do contribuinte quanto ao recurso. Ressaltase que no Acórdão nº 110100.514 lª Câmara / 1ª Turma Ordinária, proferido no processo nº 13807.009333/0034 , prevaleceram, em resumo, as seguintes conclusões: · O método utilizado pelo auditor (comparação de origens e aplicações) está baseado em presunção razoável, que é admitida como meio de prova, embora possa ser refutada. De outra banda, a comparação é influenciada pelos ajustes, que caso não sejam infirmados, são necessários para determinar exatamente o montante de aplicações e de recursos. Assim, o lançamento não foi feito com base em mera suspeita, nem em razão de simples indícios, e muito menos sem provas. Deste modo, sob este aspecto, não há reparos a fazer no auto de infração. · No que diz respeito a comparação das origens e aplicações (fluxo financeiro), o contribuinte apenas negou indiretamente a possibilidade de adoção do método, não apresentando nenhuma explicação que pudesse refutar o resultado encontrado. Portanto, a presunção de omissão de receitas não foi afastada. · No que diz respeito ao ajuste na conta de ativo, salvo uma negativa geral e indireta, implícita no fato de recorrer, o contribuinte também não apresentou qualquer elemento que pudesse explicar o resultado encontrado pelo fiscal e, com isso, afastar a alteração dos dados informados. Por isso, o ajuste proposto pela fiscalização deve ser mantido na apuração do fluxo financeiro. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 350 9 · O fundamento do ajuste na conta de passivo (desconsideração de alguns lançamentos a crédito) é a não vinculação dos depósitos bancários à alguma venda. De outra banda, nem o contribuinte refutou a lógica deste ajuste, e nem demonstrou que os pagamentos estavam vinculados a alguma venda. Por isso, não há como afastar o ajuste · A alegação de que a multa aplicada é confíscatória não procede, pois essa foi prevista em lei e não é possível em julgamento administrativo fazerse juízo de constitucionalidade de lei. · No que tange ao pedido de perícia, a par do contribuinte não cumprir os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.236, de 1972, ela seria totalmente desnecessária para o julgamento da lide. Ademais, não pode o julgador administrativo substituir o contribuinte na formulação de sua defesa. No presente caso, por tratar de processo que trata da exigência de crédito tributário fundamentado em fato idêntico ao processo administrativo fiscal nº 13807.009333/0034, adotase e aplicase os mesmos entendimentos daquele processo em relação à omissão de receita apurada quanto aos lançamentos de IPI. Diante disso, adotase o decido pela CARF sobre o tema, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, passando a reproduzir as razões de decidir do Acórdão nº Acórdão nº 110100.514 lª Câmara / 1ª Turma Ordinária: Conforme o relatório fiscal, a omissão de receitas foi apurada por meio da comparação mensal entre as aplicações feitas e os recursos disponíveis. Já as aplicações e recursos foram quantificados por meio da análise das despesas, receitas e saldos de contas de ativo e passivo, informados pelo próprio contribuinte em formulário denominado de "quadro de informações gerais". Além disso, foram feitos ajustes nos saldos mensais informados pelo contribuinte, usados para quantificar as aplicações e recursos mensais. Os ajustes foram feitos nos itens "saldo de contas a receber/clientes do mês" e "saldo de contas a pagar/fornecedores do mês", em razão de terem sido constatadas divergências entre os dados informados e os apurados na auditoria. Conforme o fiscal, a conta "duplicatas a receber", incluída na informação referente ao "saldo de contas a receber/clientes do mês", estava reduzida em RS 86.578,41 desde janeiro de 1996. O auditor chega a esta conclusão observando o saldo da conta em 31/12/1995 e a movimentação da conta no mês de janeiro de 1996. Este exame mostra que foram baixados, em janeiro, RS 86.578,41 a mais do que o disponível. Em razão disso, o valor informado em "saldo de contas a receber/clientes do mês" foi acrescido R$ 86.578,41 em todos os meses. Também, conforme o fiscal, a conta "adiantamento de clientes", incluída na informação referente ao "saldo de contas a pagar/fornecedores do mês", Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 351 10 continha lançamentos a crédito (com contrapartidas em banco e que corresponderam a ingressos efetivos nos bancos), que não decorriam de recebimentos de duplicatas ou de adiantamentos de clientes. Tal situação foi verificada nos meses de janeiro, fevereiro, junho, julho e dezembro. Em razão disso, o valor informado em "saldo de contas a pagar/fornecedores do mês" foi reduzido mensal e acumuladamente no montante dos lançamentos a créditos que o contribuinte não comprovou se referirem a recebimentos de duplicatas ou recebimento de adiantamentos. No recurso voluntário, o contribuinte argumenta, inicialmente, que a autuação não pode prosperar porque decorreu de simples suspeita, se baseou em meros indícios e foi feita sem provas. Assim, em primeiro lugar, cabe verificar se o método usado pela fiscalização permite o lançamento. Nessa linha, cabe notar que a acusação de omissão de receitas decorre do raciocínio de que, se as aplicações de recursos superam as origens de recursos, o défice de recursos é suprido com receitas omitidas. Tal inferência é razoável e é admitida como meio de prova, tal como explicou a turma julgadora da DRJ. De outra banda, embora razoável e admitida, a presunção não é absoluta e poderia ser refutada, desde de que sejam apresentados os elementos comprobatórios da refutação. Também cabe notar que a comparação das origens e aplicações foi feita considerando os ajustes que o fiscal entendeu necessários. Assim, também é preciso verificar a possibilidade de utilizar essas recomposições dos dados informados na comparação de origens e aplicações. No que tange a conta de ativo, "duplicatas a receber", a constatação feita pela fiscalização determina o ajuste, que inclusive é necessário para que a conta não fique com saldo negativo em janeiro. No que tange a conta de passivo, "adiantamento de clientes", a constatação feita pela a fiscalização também determina o ajuste, já que o ingresso em banco não decorre nem de recebimento de duplicata e nem. de adiantamento por venda futura. Em ambos os casos esses ajustes afetam as origens e aplicações de recursos e, por isso, devem ser considerados na comparação. Em resumo, o método utilizado pelo auditor (comparação de origens e aplicações) está baseado em presunção razoável, que é admitida como meio de prova, embora possa ser refutada. De outra banda, a comparação é influenciada pelos ajustes, que caso não sejam infirmados, são necessários para determinar exatamente o montante de aplicações e de recursos. Assim, o lançamento não foi feito com base em mera suspeita, nem em razão de simples indícios, e muito menos sem provas. Deste modo, sob este aspecto, não há reparos a fazer no auto de infração. Porém, resta verificar se no recurso voluntário o contribuinte consegue infirmar a presunção ou os ajustes. No que diz respeito a comparação das origens e aplicações (fluxo financeiro), o contribuinte apenas negou indiretamente a possibilidade de adoção do método, não apresentando nenhuma explicação que pudesse refutar o Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 352 11 resultado encontrado. Portanto, a presunção de omissão de receitas não foi afastada. No que diz respeito ao ajuste na conta de ativo, salvo uma negativa geral e indireta, implícita no fato de recorrer, o contribuinte também não apresentou qualquer elemento que pudesse explicar o resultado encontrado pelo fiscal e, com isso, afastar a alteração dos dados informados. Por isso, o ajuste proposto pela fiscalização deve ser mantido na apuração do fluxo financeiro. No que diz respeito aos ajustes feitos na conta "adiantamento de clientes", o contribuinte discorre longamente, alegando que são improcedentes. Seus argumentos são os seguintes: 1) seus livros, documentos e os recibos dos adiantamentos da Alphafrigor mostram que não há qualquer ajuste a ser feito na conta; 2) a Alphafrigor é empresa do mesmo grupo econômico e faz adiantamentos mediante apenas recibos, não sendo emitidos pedidos; 3) os adiantamentos estão registrados na contabilidade da Alphafrigor; 4) o saldo da conta "adiantamento de clientes" foi baixado em 01/01/1997 e por isso seria impossível se houvesse omissão de receitas; 5) a auditoria interna comprovou a lisura da contabilidade; 6) a contabilidade faz prova em favor do que consigna; 7) que os lançamentos a crédito na conta "adiantamento de clientes" correspondem a pagamentos de duplicatas ou a adiantamentos. Em primeiro lugar, cabe salientar que as conclusões de auditoria interna, por si só, não têm o condão de refutar as conclusões do fiscal. Isso só seria possível pela demonstração e comprovação inequívoca do erro da auditoria fiscal. Também, não tem cabimento a pretensão do contribuinte de que sua contabilidade faça prova absoluta do que consigna. Afinal, o fiscal demonstrou haver irregularidades na contabilidade. Do mesmo modo, as conclusões do fiscal não são refutadas pelo fato da Alphafrigor contabilizar como adiantamento a fornecedores os créditos que o fiscal considerou não ser relativo a adiantamento de clientes. Ainda, o fato de a empresa ter disponibilizado seus documentos, não afasta as conclusões da fiscalização. Muito menos a circunstância do saldo da conta Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 353 12 ''adiantamento de clientes" ter sido baixado em 1997 afasta a hipótese de ter havido omissão de receitas. Enfim, nem estes e nem os outros argumentos apresentados no recurso são aptos a afastar as conclusões do fiscal. Afinal, nenhum deles consegue demonstrar a vinculação dos lançamentos a créditos na conta "adiantamento de clientes" com alguma operação de venda. Conforme foi explicado no relatório fiscal, os ajustes foram feitos porque o contribuinte não conseguiu demonstrar que os créditos na conta "adiantamento de clientes" corresponderam a recebimentos de duplicatas ou adiantamentos por conta de faturas. Portanto, a longa explicação dada no recurso voluntário sobre o funcionamento da conta "adiantamento de clientes" não tem o condão de infirmar o ajuste proposto pelo fiscal, quer por ser desnecessária e, inclusive, já ter sido apresentada no relatório fiscal pelo próprio auditor, quer porque não consegue vincular os lançamentos a crédito com alguma operação de venda registrada na contabilidade. Do mesmo modo, é irrelevante a alegação de tratarse de adiantamentos feitos pela Alphafrigor, tal como é irrelevante a anexação de recibos, pois o contribuinte não logra vincular estes adiantamentos a alguma venda registrada na contabilidade. Mesmo supondo que o contribuinte conseguisse demonstrar que os adiantamentos foram feitos com cheques emitidos pela Alphafrigor, ainda seria preciso vincular esses adiantamentos com alguma operação de venda para conseguir afastar o ajuste proposto pelo fiscal. É que sem demonstrar que o pagamento se refere a uma venda contabilizada, não é possível a contabilização como "adiantamento de cliente". Ou seja, sem a demonstração de haver uma venda vinculada ao pagamento, ele não pode ser tratado como adiantamento de cliente e não pode ser registrado em conta desta natureza. Vale transcrever trecho do relatório onde o fiscal analisa a possibilidade dos créditos em questão puderem ser registrados na conta "adiantamento de clientes": ... Diante do exposto, tanto no caso, em que o contribuinte alega que os lançamentos são provenientes de recebimentos de duplicatas, como no caso, de adiantamentos por conta de faturas, fica caracterizada a não comprovação desses valores lançados a crédito da conta Clientes c/Adiantamentos (conta do passivo da empresa), se não vejamos: 1 — Sob o aspecto de que os lançamentos foram provenientes de recebimentos de duplicatas pagas pela empresa Alphafrigor Comércio de Máquinas Ltda., apresentamos os seguintes fatos: a) o saldo da conta Duplicatas a Receber — 1.1.02.02 em 31/12/95, foi de R$ 27.690,95 (extraído do livro Razão n° 23); Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 354 13 b) as duplicatas nºs. 1392, 1393, 1512, 1514, 1515, 1516, foram emitidas contra a empresa Alphafrigor Comércio de Maquinas Ltda., todas do ano de 1995; c) portanto, sendo o saldo de Contas a Receber, em 31/12/95, no valor de R$ 27.690,95, torna inconcebível que as referidas duplicatas, emitidas no ano de 1995, que montam o valor de R$ 312.400,00, continuassem fazendo parte dos direitos a realizar da empresa em 1995, assim, não poderiam ter sido efetivamente recebidas no de 1996, como apresentado na planilha de conciliação da conta Clientes c/ Adiantamento, supra mencionado; 2 — Sob o aspecto de que os lançamentos foram provem de Adiantamentos por Conta de Faturas pagos pela empresa Alphafrigor Comércio de Máquinas Ltda., julgamos incomprovada a efetividade desta transação ... ... A versão de que existiram lançamentos provenientes de Adiantamento por Conta de Faturas, deve de pronto ser refutada, pelos seguintes fatos: 1 silenciouse quando argüido sobre a formalização da transação, ou seja, Pedido de Compra no qual deveria constar, no mínimo, o produto, quantidade, valor, prazo de entrega e condições de pagamento; 2 da mesma forma sobre a efetiva entrega e faturamento do produto, ou seja, as notas fiscais correspondentes; 3 inexistência de escrituração da suposta transação, no diário/Razão, de forma clara e precisa, quando da entrega do produto ao cliente, p.ex., a débito da conta Clientes c/ Adiantamento e a crédito de Duplicatas a Receber já que se houve lançamento anterior a débito de Bancos e a crédito de Clientes c/ Adiantamento; 4 por fim, decorrido um ano, segundo os registros no Diário/Razão, os valores supostamente recebidos a titulo de Adiantamentos por conta de Faturas permaneceram contidos no saldo da conta Clientes c/Adiantamento. No texto transcrito, percebese que o fundamento do ajuste na conta de passivo (desconsideração de alguns lançamentos a crédito) é a não vinculação dos depósitos bancários à alguma venda. De outra banda, nem o contribuinte refutou a lógica deste ajuste, e nem demonstrou que os pagamentos estavam vinculados a alguma venda. Por isso, não há como afastar o ajuste. No que tange a multa aplicada, a alegação de que ela é confíscatória não procede. Isso porque a multa aplicada foi aquela prevista em lei e não é Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13807.009332/0071 Acórdão n.º 1402003.609 S1C4T2 Fl. 355 14 possível em julgamento administrativo se fazer juízo de constitucionalidade de lei. No que tange ao pedido de perícia, a par do contribuinte não cumprir os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.236, de 1972, ela seria totalmente desnecessária para o julgamento da lide. Ademais, não pode o julgador administrativo substituir o contribuinte na formulação de sua defesa. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.000867/2007-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRESCRIÇÃO. INICIO DE CONTAGEM DO PRAZO. ANO-CALENDÁRIO 2001. VIGÊNCIA DA IN 210/01.
As antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro no caso de apuração do Lucro Real Anual. O prazo prescricional para restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/CSLL, apurado anualmente, extingue-se após o transcurso do período de cinco anos, contados a partir do 1º dia do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do respectivo período de apuração, momento a partir do qual já era possível ao contribuinte buscar a recuperação do que fora pago a maior.
Numero da decisão: 9101-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. PRESCRIÇÃO. INICIO DE CONTAGEM DO PRAZO. ANO-CALENDÁRIO 2001. VIGÊNCIA DA IN 210/01. As antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro no caso de apuração do Lucro Real Anual. O prazo prescricional para restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/CSLL, apurado anualmente, extingue-se após o transcurso do período de cinco anos, contados a partir do 1º dia do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do respectivo período de apuração, momento a partir do qual já era possível ao contribuinte buscar a recuperação do que fora pago a maior.
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PRESCRIÇÃO. INICIO DE CONTAGEM DO PRAZO. ANOCALENDÁRIO 2001. VIGÊNCIA DA IN 210/01. As antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro no caso de apuração do Lucro Real Anual. O prazo prescricional para restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/CSLL, apurado anualmente, extinguese após o transcurso do período de cinco anos, contados a partir do 1º dia do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do respectivo período de apuração, momento a partir do qual já era possível ao contribuinte buscar a recuperação do que fora pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 08 67 /2 00 7- 88 Fl. 309DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 202/216) interposto pela contribuinte acima identificada, cujo ponto de discórdia referese à forma de contagem do prazo prescricional para o contribuinte solicitar restituição ou compensação de saldo negativo de IRPJ. O acórdão n° 1301001.491 de 10/04/14 (fls. 181/187 ), ora recorrido, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES Nos termos do julgamento proferido pelo Colendo STF nos autos do RE nº 566.621, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma apresentado quanto ao momento em que iniciase a contagem do prazo prescricional para que o contribuinte possa restituirse ou compensar saldo negativo de IRPJ. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11610.000867/200788 Acórdão n.º 9101003.987 CSRFT1 Fl. 3 3 O acórdão ora recorrido aplicou entendimento de que o prazo prescricional de 05 anos passa a ser contado a partir de 31/12 do período de apuração no qual o crédito fora apurado. Contudo, segundo a ora Recorrente, o acórdão paradigma (acórdão 9101 000.913 da 1°Turma da CSRF) traz entendimento distinto no sentido de que iniciase a contagem do prazo prescricional para pleitear a restituição de saldo negativo de IRPJ no mês de abril do ano subsequente ao período de apuração, por força do disposto no art. 6º, § 1º, inc. II da Lei nº 9.430/96, conforme ementa abaixo: Assunto: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: SALDO NEGATIVO DE IRPJ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA Por força do artigo 6°, parágrafo 1°, inciso II da Lei n° 9.430/96, estabelecese o mês de abril do ano subseqüente como o termo inicial para a compensação, ou restituição, do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12 do ano anterior. Além disso, trouxe a Recorrente um segundo tópico em seu Recurso Especial em que alega que tendo em vista que, no caso concreto, havia efetuado a compensação relativa aos períodos ora demandados (4º trimestre de 2002) na sua escrituração, conforme determinava a legislação vigente antes da edição da MP. 66/2002, que instituiu a declaração de compensação como forma de extinção dos débitos por compensação e que a apresentação da DComp sob análise, em janeiro/2007, apenas para formalizála segundo as novas regras o prazo prescricional somente teria tido seu início a partir da instituição da nova obrigação pela MP. 66/2002. Desta feita, a decisão também divergiria da jurisprudência administrativa que entende que a contagem do prazo prescricional somente tem início a partir do reconhecimento da lesão ao direito. Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 257/261), o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado deu parcial seguimento ao recurso, apenas em relação ao primeiro tópico (prescrição), tendo em vista que o segundo tópico não havia sido prequestionado pela Recorrente. A Procuradoria apresentou contrarrazões (fls. 265/268) em que não contesta o conhecimento do Recurso Especial da contribuinte mas no mérito traz, em síntese, as seguintes alegações: i) conforme art. 168 do CTN, quando houver pagamento a maior, terá o contribuinte cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, para exercer seu direito potestativo de compensação; ii) a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento, nos moldes traçados pelo art. 156, inciso I do CTN; Fl. 311DF CARF MF 4 iii) no caso de tributo cuja sistemática de lançamento se dê por homologação, a contagem do prazo decadencial para a restituição deve obedecer o art. 3º da LC nº 118/05 que determina que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado do tributo e iv) não cabe ao CARF afastar a aplicação da lei. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Como mencionado no relatório, a discussão do Recurso Especial ora em análise referese à contagem do prazo prescricional para restituição ou compensação tributária de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ. O acórdão ora recorrido trata da não homologação de pedido de compensação de saldo negativo em razão do entendimento de que o prazo prescricional já havia sido atingido, tendo em vista que o pedido, referente a saldo negativo de 2001, fora apresentado em 26 de janeiro de 2007, portanto, após a fluência do prazo de 05 anos contados a partir de 31 de dezembro do período de apuração. O acórdão paradigma trazido (9101000.913) trata de mesmo tema, qual seja, o termo inicial da contagem do prazo prescricional para compensação/restituição de saldo negativo de IRPJ, contudo, aplica entendimento distinto, ao determinar que a contagem do prazo iniciase a partir do mês de abril do ano seguinte ao do período de apuração. Entendo estar presente a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigmático, bem como, a divergência jurisprudencial. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito O Recurso Especial ora em análise trata especificamente de controvérsia formada sobre a forma de contagem do prazo prescricional previsto no artigo 168, I do CTN no caso de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ e CSLL. O ponto nuclear da discussão referese ao termo inicial da contagem do prazo prescricional. A Recorrente defende que iniciase a contagem do prazo somente a partir do mês de abril do ano subsequente ao período de apuração, por força do disposto no art. 6º, § 1º, inc. II da Lei nº 9.430/96, visto que somente a partir deste momento estaria apto a buscar seu direito. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11610.000867/200788 Acórdão n.º 9101003.987 CSRFT1 Fl. 4 5 O acórdão recorrido defendem que o termo " a quo" iniciase ao final do período de apuração, que ocorre em 31 de dezembro. A Procuradoria da Fazenda em suas contrarrazões vai além e defende que o prazo é iniciado no momento do recolhimento do tributo. Inicio aqui minha análise de mérito com a transcrição dos dispositivos legais que julgo de essencial importância para a presente controvérsia que são o art. 168 e incisos do CTN e o art. 3°da LC n°118/05: "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” "Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei.” Já o texto do no art. 6º, § 1º, inc. II da Lei nº 9.430/96 vigente à época dos fatos, previa o seguinte: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: (...) II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. O saldo negativo apurado pelo contribuinte optante pelo Lucro Real decorre das comparação entre as antecipações efetuadas durante o ano e o imposto devido ao final do período. Se as antecipações são maiores que o imposto apurase então o saldo negativo a ser aproveitado em períodos subseqüentes. Acaso o saldo do imposto a pagar ao final do período seja maior que os valores das antecipações pagas até então, tem o contribuinte a obrigação de efetuar o chamado recolhimento de ajuste. Fl. 313DF CARF MF 6 Não restam dúvidas que as antecipações apuradas durante o ano somente têm sua destinação definida no momento do encerramento do exercício, pois, até lá, não se sabe ao certo se as antecipações originarão um crédito ao contribuinte ou não. Me parece claro aqui, portanto, que as antecipações são convertidas em pagamento extintivo do crédito tributário no momento do encerramento do período de apuração do imposto o que se dá em 31 de dezembro no caso de apuração do Lucro Real Anual. Assim, é que na ausência de qualquer menção expressa em outro sentido, será neste momento do encerramento do período de apuração que o montante das antecipações que superarem o imposto devido tornamse indébito passível de restituição ou compensação e portanto, neste mesmo momento passaria a correr o respectivo prazo prescricional. Contudo, deve o presente julgador ponderar que tal ausência de menção expressa em outro sentido foi suprida pelo texto do art. 6º, § 1º, inc. II da Lei nº 9.430/96 que definiu que somente a partir do mês de abril do ano subsequente é que o saldo negativo poderia ser compensado. Tenho para mim que a prescrição, assim como a decadência, é instituto de direito material e não processual, pois, tratam e definem a perda de direitos subjetivos. A prescrição é instituto fundamental de nosso ordenamento jurídico para alcance da chamada Segurança Jurídica que é princípio basilar que rege as relações humanas na sociedade. O que se busca na prescrição é o balanceamento dentre garantir aos indivíduos e ao Estado a chance para exercer seus direitos e limitar tal direito no tempo que passa ser o vetor do início, manutenção e fim do direito, tendose assim um status quo para que indivíduos e estado não sejam surpreendidos em relações futuras pelo exercício de eventuais direitos eternos. Neste sentido é importante lembrar que o CTN assegura em seu art. 165 o direito do sujeito passivo à restituição do tributo indevido ou pago a maior, tendo estabelecido em seu art. 168 um prazo para tanto, que é de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. A simples análise sistemáticas dos vários dispositivos à matéria permite concluir que ao contribuinte é assegurado o direito de restituirse dos tributos pagos indevidamente (art. 165 do CTN) e o prazo para exercer tal direito é de 5 anos (art. 168), bem como, tal direito poderia ser exercido a partir do mês de abril do ano seguinte ao do período de apuração (texto vigente à época do art. 6º, § 1º, inc. II da Lei nº 9.430/96). Pois bem, a pergunta que aqui se faz é: devese iniciar a contagem do prazo prescricional do direito do contribuinte antes mesmo que pudesse, legalmente, exercer tal direito? Entendo que não. A prescrição, como já dito, é instituto que visa trazer segurança jurídica à sociedade ao evitarse situações de perpetuidade de direitos. Com a criação de prazos para o exercício do direito é alcançada tal segurança jurídica. Contudo, entendo que não é possível que o direito comece a aproximarse de sua extinção antes mesmo de sua criação/nascimento. Contudo, é importante ressaltar o fato que ao contribuinte não era imposto à época dos fatos, qual seja, anocalendário de 2001, qualquer obstáculo à busca da imediata Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11610.000867/200788 Acórdão n.º 9101003.987 CSRFT1 Fl. 5 7 restituição do saldo negativo apurado. Na época em que apurado o saldo negativo ora em discussão, já era possibilitado ao contribuinte solicitar a respectiva restituição logo no mês de janeiro do ano seguinte, conforme previsão do art. 6°da IN 210/01, in verbis: Art. 6° Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. No mesmo sentido, destaco também o disposto no Ato Declaratório SRF nº 03/2000 a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação. Entendo também que a discussão aqui posta foi analisada pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinária nº 561.908, julgado no rito de repercussão geral que restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 315DF CARF MF 8 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna a LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ainda que num primeiro momento pareça tratar de matéria diversa, entendo que tal julgamento é aplicável ao caso em tela, pois, muito embora o foco tenha sido a LC 118/05, o STF acabou por definir o termo inicial do prazo de prescrição estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11610.000867/200788 Acórdão n.º 9101003.987 CSRFT1 Fl. 6 9 A este respeito, faço minhas as palavras da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão n° 1101001.127: Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado, de 13/01/2006 a 31/07/2007, direito creditório apurado em 31/12/2000. Ou seja, avaliase conduta da contribuinte posterior à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do prazo nela previsto. Assim, mesmo observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, conclui se que em 13/01/2006 já havia expirado o prazo de 5 (cinco) anos, iniciado em 01/01/2001, para a contribuinte valerse, em compensação, de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração anual, encerrado em 31/12/2000. Por todo exposto, entendo que a contagem do prazo prescricional para recuperação por meio de pedido de restituição ou compensação de saldo negativo do IRPJ iniciase no mês de janeiro do ano seguinte em que apurado o saldo negativo, não merecendo acolhida as alegações da Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 317DF CARF MF 10 Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901867/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 67 /2 01 2- 78 Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.323, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 5 4 (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10680.901867/201278 Acórdão n.º 3201004.597 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2450DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.902630/2012-99
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 26 30 /2 01 2- 99 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.902630/201299 Acórdão n.º 3003000.133 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 1142.47850.141209.1.3.049705, transmitida eletronicamente em 14/12/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/04/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 22.315,00. Cientificado dessa decisão em 17/04/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/05/2012, manifestação de inconformidade à fl. 10 a 12, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte enfatiza que “não existe o débito que fora informado, razão pela qual a perdcomp deveria ter sido cancelada e não o foi em tempo hábil”. Acrescenta que: “(...) não pode ser compelida a efetuar o pagamento de débito inexistente, que não consta em DCTF ou DACON, pelo simples fato de ter o mesmo constado de forma errônea em Perdcomp. A informação cintida de forma indevida na PERDCOMP não pode ser considerado ‘fato gerador’ de débito, a fim de compelir o contribuinte para pagar em 30 dias, sob pena de inscrição em dívida ativa”. Esclarece, ainda, que ao realizar a verificação dos débitos e créditos informados no Per/DCOMP, comprovouse que não existem os débitos a serem pagos. Conclui que as informações apresentadas no PER/DCOMP encontramse equivocadas e que as declarações deveriam ter sido canceladas em tempo hábil. Ao final, requer que sejam acatadas as considerações apresentadas, bem como todas as diligências cabíveis no sentido de apurar a inexistência do débito discriminado no PER/DCOMP e cobrado no Despacho Decisório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.902630/201299 Acórdão n.º 3003000.133 S3C0T3 Fl. 4 3 A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, negando provimento à impugnação. Eis o teor da ementa do aresto recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário reafirmando as alegações e argumentos apresentados na impugnação, sustentando, em síntese, que os débitos declarados em PER/DCOMP são inexistentes, tendo juntado cópias dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10380.902630/201299 Acórdão n.º 3003000.133 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, como visto, que os débitos indicados na DCOMP são inexistentes, pugnando, pois, pelo cancelamento da DCOMP. Sustentou, ainda, que o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o formalismo, devendo o julgador apurar a verdade contida no feito. Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar suas alegações, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo entendeu que simples alegações, desacompanhadas de documentos probatórios, não são suficiente para afastar a decisão não homologatória de compensação. Eis alguns excertos do voto condutor: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10380.902630/201299 Acórdão n.º 3003000.133 S3C0T3 Fl. 6 5 No caso em análise, em síntese, a contribuinte esclarece que os débitos foram informados equivocadamente no PER/DCOMP. Acrescenta que eles não existiriam e que não foram informados em DCTF ou no Dacon e que o PER/DCOMP deveria ter sido cancelado e não o foi em tempo hábil. Pela análise dos autos, observase que o PER/DCOMP nº 01142.47850.141209.1.3.049705, objeto dos autos, foi transmitido em 14/12/2009, pleiteando a utilização de um crédito decorrente de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DCTF vigente à data da transmissão deste PER/DCOMP continha a informação de que o pagamento que teria utilizado o crédito pleiteado foi integralmente utilizado para extinguir débito da contribuinte apurado no período, de modo que não existia crédito disponível para ser utilizado na compensação declarada. Na DCTF apresentada 14/12/2009 (fls. 34 a 39) consta a informação que o PER/DCOMP objeto dos autos foi utilizado para a extinção de débitos de Cofins e PIS apurados no período. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais e que o crédito pleiteado não tinha liquidez e certeza no momento da transmissão do PER/DCOMP. Convém esclarecer que a DCTF não constitui uma mera formalidade, pois, é nesta declaração que a contribuinte declara seus débitos e faz as vinculações a pagamentos e possíveis compensações. Assim, a declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispõe a legislação tributária (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos da RFB pertinentes a DCTF), bem como entendimento pacificado nas esferas administrativa e judicial. Ainda, nos termos do § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. (...) Portanto, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: (...) As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10380.902630/201299 Acórdão n.º 3003000.133 S3C0T3 Fl. 7 6 Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não apresentou documentação hábil infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. (grifei algumas partes) Da leitura dos excertos da decisão recorrida, constatase que o órgão a quo afastou a pretensão da recorrente, pois não foi trazida nenhuma prova para demonstrar as alegações de erro quanto ao débito confessado. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado nem, tampouco, a suposta insubsistência dos débitos declarados na DCOMP transmitida. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado ou da inconsistência e erro dos débitos constantes da DCOMP, não basta que a recorrente apresente tão só alegações ou, mesmo, declarações ou demonstrativos. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado ou o erro quanto aos débitos declarados. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10380.902630/201299 Acórdão n.º 3003000.133 S3C0T3 Fl. 8 7 Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido ou da suposta inexistência dos débitos do processo, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Contudo, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente eximiuse, mais uma vez, do ônus de produzir provas para sustentar suas alegações, apesar de ter sido alertada, já na decisão recorrida, sobre os tipos de documentos que deveria apresentar. De fato, analisando o processo, verificase que não há, junto ao recurso voluntário, qualquer documento para demonstrar a certeza e liquidez dos pretensos créditos os quais seriam originados de "débito a menor" ou da suposta inexistência dos débitos confessados. A recorrente apresentou apenas DACON. Sem escrituração contábilfiscal com elementos que a sustentem, não há como cotejar e apurar a veracidade das informações constantes no DACON, PER/DCOMP e DCTF. A recorrente deveria ter trazido elucidação analítica e minuciosa da apuração da contribuição social sob litígio, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova de inexistência dos débitos alegados: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido, etc. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720075/2015-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO.
Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito previdenciário.
RECONHECIMENTO DO VÍNCULO REAL DO TRABALHADOR PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. SIMULAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES POR INTERMÉDIO DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA EXISTENTE APENAS NO PLANO FORMAL.
Constatado pela autoridade fiscal que a empresa, para deixar de pagar tributos (contribuições sociais previdenciárias e contribuições para terceiros), contrata trabalhadores por intermédio de interposta pessoa jurídica existente apenas no plano formal, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados vinculados a real contratante para fins de cobrança de contribuições sociais previdenciárias.
ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL EM DIVERSAS EMPRESAS. PROPÓSITO NÃO NEGOCIAL E AUSÊNCIA DE AUTONOMIA. RECONSIDERAÇÃO DAS RELAÇÕES JURÍDICAS.
VINCULAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA À EMPRESA BENEFICIÁRIA DOS SERVIÇOS.
A organização empresarial de um conjunto de atividades sujeito a um controle comum na forma de empresas distintas deve corresponder à realidade econômica e ter propósito eminentemente negocial, sob pena de serem reconsideradas as relações jurídicas subjacentes e vinculada a mão-de-obra à empresa efetivamente beneficiária dos serviços sempre que identificados a falta de autonomia entre as empresas e o objetivo principal de redução de tributos que, conjugados, propiciem a determinação artificial das bases de cálculo desses tributos.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previstas na Lei nº 8.212/1991.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%.
Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DOA RT. 173, I DO CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO.
A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, quando for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DECADÊNCIA. CONTAGEM. DEVEDOR SOLIDÁRIO
A contagem do prazo decadencial se dá em decorrência da constituição do crédito tributário em face do sujeito passivo tributário principal, logo, sem a constituição do crédito, não há que se falar em apuração da responsabilidade solidária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE.
O julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais ao julgamento, tal como jurisprudência consolidada nas Cortes Superiores.
Numero da decisão: 2201-004.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento aos recursos formalizados pelo contribuinte e pelo responsável solidário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito previdenciário. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO REAL DO TRABALHADOR PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. SIMULAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES POR INTERMÉDIO DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA EXISTENTE APENAS NO PLANO FORMAL. Constatado pela autoridade fiscal que a empresa, para deixar de pagar tributos (contribuições sociais previdenciárias e contribuições para terceiros), contrata trabalhadores por intermédio de interposta pessoa jurídica existente apenas no plano formal, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados vinculados a real contratante para fins de cobrança de contribuições sociais previdenciárias. ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL EM DIVERSAS EMPRESAS. PROPÓSITO NÃO NEGOCIAL E AUSÊNCIA DE AUTONOMIA. RECONSIDERAÇÃO DAS RELAÇÕES JURÍDICAS. VINCULAÇÃO DA MÃODEOBRA À EMPRESA BENEFICIÁRIA DOS SERVIÇOS. A organização empresarial de um conjunto de atividades sujeito a um controle comum na forma de empresas distintas deve corresponder à realidade econômica e ter propósito eminentemente negocial, sob pena de serem reconsideradas as relações jurídicas subjacentes e vinculada a mãode obra à empresa efetivamente beneficiária dos serviços sempre que identificados a falta de autonomia entre as empresas e o objetivo principal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 75 /2 01 5- 72 Fl. 4610DF CARF MF 2 redução de tributos que, conjugados, propiciem a determinação artificial das bases de cálculo desses tributos. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previstas na Lei nº 8.212/1991. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DOA RT. 173, I DO CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO. A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, quando for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CONTAGEM. DEVEDOR SOLIDÁRIO A contagem do prazo decadencial se dá em decorrência da constituição do crédito tributário em face do sujeito passivo tributário principal, logo, sem a constituição do crédito, não há que se falar em apuração da responsabilidade solidária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais ao julgamento, tal como jurisprudência consolidada nas Cortes Superiores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento aos recursos formalizados pelo contribuinte e pelo responsável solidário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Fl. 4611DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.611 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 4.368/4.411 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Tratase de auto de infração lavrado contra a sociedade empresária Pé com Pé Calçados Ltda (DEBCAD nº 51.071.243 6), onde foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas às competências 01/2010 a 13/2010 e 01/2011 a 13/2011, acrescidas de multa de ofício de 150% e juros, e contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais, relativas às competências 01/2010 a 12/2010 e 01/2011 a 12/2011, acrescidas de multa de ofício de 150% e juros. Conforme relatado pela autoridade lançadora, durante a ação fiscal que originou a presente autuação, apurouse, por meio dos procedimentos de auditoria fiscal e com supedâneo nas provas e constatações relacionadas no relatório fiscal de fls. 458 a 487 e no relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516, que as pessoas jurídicas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, existiam apenas no plano formal e que foram utilizadas como interpostas pessoas na contratação de trabalhadores que prestavam serviços de fato à Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e à outra sociedade empresária do seu grupo econômico, a Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda, na condição de segurados empregados e de segurados contribuintes individuais. Devido a estas constatações, a auditorafiscal autuante relata que enquadrou como empregados da Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda), para fins de lançamento das contribuições sociais previdenciárias devidas, todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados e sócios/titulares das pessoas jurídicas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Fl. 4612DF CARF MF 4 Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP. Ademais, a autoridade lançadora também registra que enquadrou como segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à Autuada (Pé como Pé Calçados Ltda), para fins de lançamento das contribuições sociais previdenciárias devidas, todos os trabalhadores autônomos formalmente contratados pelas referidas interpostas pessoas jurídicas. As bases de cálculo utilizadas no lançamento do auto de infração de DEBCAD nº 51.071.2436, segundo a autoridade fiscal, foram apuradas com supedâneo nas folhas de pagamento e GFIP’s das pessoas jurídicas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP. Ainda de acordo com a auditorafiscal autuante, a multa de ofício foi aplicada no percentual de 150% devido aos seguintes motivos: 7.2. A multa de ofício acima referida (75,00%) foi DUPLICADA passando assim a ser de 150% (cento e cinquenta por cento), pois ficou evidente ter ocorrido simulação tendente a omitir a contribuição Patronal/Rat nas empresasmães PÉ COM PE CALÇADOS LTDA E POLI & DETINI INDUSTRIA DE CALÇADOS LTDA, pelo aproveitamento/junção às empresas interpostas, para que por meio da opção pela tributação do SIMPLES, essas SETE empresas de pequeno porte pudessem afastar as contribuições previdenciárias das alíquotas de: 20% da contribuição patronal e 2% de RAT destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho SATRAT (com as devidas aplicações do FAP nos exercícios de 2010 e 2011), tudo conforme demonstrado no RELATÓRIO DESPERSONALIZAÇÃO DAS "EMPRESAS FILHAS" e ANEXOS. Assim, justificandose a aplicação da multa qualificada de 150%, tipificada no art. 44, inciso I, e parágrafo 1º, da Lei nº 9430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. O valor total lançado correspondia, na data da consolidação dos débitos (10/08/2015), ao montante de R$ 12.177.509,31 (doze milhões, cento e setenta e sete mil e quinhentos e nove reais e trinta e um centavos). Devido a configuração, em tese, de crime contra a Ordem Tributária (artigo 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/1990), a autoridade lançadora informou que iria emitir representação fiscal para fins penais. Tendo em vista que a autoridade fiscal entendeu que restou configurada a hipótese de solidariedade prevista no artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, c/c o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991 (empresas que integram grupo Fl. 4613DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.612 5 econômico de qualquer natureza), a pessoa jurídica Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda também foi arrolada como sujeito passivo do auto de infração de DEBCAD nº 51.071.243 6. Irresignada com o lançamento, a Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) apresentou a impugnação de fls. 1948 a 2007, instruída com os documentos de fls. 2008 a 4239. Assevera que a autoridade lançadora não observou as formalidades legais inerentes ao mandado de procedimento fiscal (MPF). Alega que a autoridade lançadora não conseguiu comprovar que compõem grupo econômico com a pessoa jurídica Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda e com as empresas prestadoras de serviços B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP. Afirma que não houve inadimplemento de direitos trabalhistas pelas empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP e que tal fato é comprovado pelas certidões negativas de fls. 2008 a 2014. Aduz que a autoridade lançadora tentou caracterizar um suposto grupo econômico se baseando apenas na legislação trabalhista. Diz que tanto o §2º do artigo 2º da CLT como a Súmula 331 do TST são aplicáveis somente na seara trabalhista. Assevera que, mesmo que se entendesse aplicável a legislação trabalhista na seara previdenciária, a imputação de responsabilidade solidária passiva às empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, só poderia ocorrer caso a autoridade fiscal comprovasse o seu interesse comum com elas, o que, no seu entendimento, corresponde a prática conjunta das situações configuradoras dos fatos geradores. Frisa que, conforme demonstrado por notas fiscais que afirma ter apresentado juntamente com a presente impugnação, várias outras empresas foram contratadas para prestar serviços englobados no seu ciclo de produção. Diz que não é o sujeito passivo escolhido pela lei das contribuições exigidas, já que as mesmas são devidas pelo suposto inadimplemento das empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Fl. 4614DF CARF MF 6 Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP. Aduz que ainda que houvesse elementos suficientes para a caracterização de grupo econômico, a autoridade lançadora teria que comprovar de forma prévia e cabal a eventual presença de algum dos requisitos previstos no artigo 135 do Código Tributário Nacional ou o interesse comum (artigo 124, inciso I, do CTN) entre as empresas, “pois a existência de grupo econômico, por si só, não gera responsabilidade solidária, sendo imprescindível restar configurada a realização conjunta do fato gerador”. Cita ementas de julgados do STJ no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Ressalta que a súmula 331 do TST prevê apenas a responsabilidade subsidiária, ou seja, a responsabilidade somente poderia ser imputada à si (Autuada) se as empresas prestadoras de serviços incorressem em inadimplemento, em respeito ao benefício de ordem. Diz que a autoridade fiscal não pode a seu bel prazer imputar a responsabilidade pelo pagamento de contribuições sociais previdenciárias a alguém sem a mínima observância das normas legais. Aduz que o auto de infração hostilizado está eivado de vício formal de erro quanto ao sujeito passivo, pois foi lavrado em face de pessoa jurídica não escolhida pela lei para suportar a exação. Assevera que a presente autuação deveria ter sido lavrada em face das empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, haja vista o benefício de ordem inerente à responsabilidade subsidiária prevista na Súmula 331 do TST. Afirma que a autoridade lançadora admitiu claramente no relatório fiscal e no relatório de despersonalização a existência legal das empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP. Diz que as empresas prestadoras de serviços foram constituídas na forma da lei e que sempre cumpriram rigorosamente com todas as obrigações principais e acessórias exigidas pelas legislações pertinentes. Assevera que as empresas prestadoras de serviços tinham vida financeira independente, conforme comprova a escrituração regular dos seus livros contábeis. Fl. 4615DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.613 7 Alega que a autoridade lançadora, em nenhum momento, demonstrou que a gestão dos negócios das empresas prestadoras de serviços não era exercida por seus titulares e sócios. Afirma que todas as empresas prestadoras de serviços cumpriam rigorosamente o que determina o artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda, ou seja, mantinham livro caixa, devidamente escriturado, contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Aduz que as empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, deveriam ter sido notificadas a respeito das suas despersonificações e que a falta de suas notificações fere os princípios constitucionais da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Diz que a despersonalização das empresas prestadoras de serviços vai deixar a deriva todo o imposto recolhido pelas mesmas, em torno de R$ 1.500.000,00. Afirma que a autoridade fiscal agiu de forma confusa, já que ora reconhece a existência legal das empresas prestadoras de serviços, ora finge não conhecêlas. Aduz que o presente auto de infração é nulo, por desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, já que foi emitido de forma confusa, com a utilização de argumentos desconexos e desestruturados. Assevera que o presente auto de infração é nulo “por excesso de prazo do MPF, pois afrontou claramente o princípio constitucional da razoável duração do processo, além de ter infringido os princípios da publicidade e eficiência expressados no caput do art. 37 da Constituição Federal, em razão da falta de comunicação das sucessivas prorrogações do MPF”. Alega que a autoridade lançadora “não respeitou o disposto no art. 9º da Portaria RFB 1.687/14, pois deixou de registrar no TDPF as alterações no MPF por motivo da prorrogação sucessiva do prazo, ao passo que tal comunicação deveria ter sido realizada por pelo menos 4 (quatro) vezes”. Aduz que as contribuições exigidas referentes às competências 01/2010 a 07/2010 já haviam sido alcançadas pela decadência na data da lavratura do auto de infração hostilizado. Frisa que o prazo de decadência das contribuições sociais previdenciárias, conforme disposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Afirma que não ocorreu simulação no presente caso. Fl. 4616DF CARF MF 8 Assevera que os livros caixa, livros fiscais e “extratos de recolhimento de tributos” das empresas prestadoras de serviços, assim como o fato de terem espaço físico próprio e terem os seus cadastros perante os órgãos de registro rigorosamente em dia são provas irrefutáveis de uma existência real e não fictícia. Afirma que “todas as operações realizadas nos anos de 2010/2011 entre a autuada e as prestadoras de serviços ocorreram na forma da lei” e são comprovadas pelas respectivas notas fiscais, registros contábeis e movimentações bancárias. Alega que as empresas prestadoras de serviços possuíam funcionários suficientes para o perfeito exercício de suas atividades e que “as funções dos mesmos, conforme comprovam os registros do departamento pessoal das empresas, eram adequadas às atividades desenvolvidas pelas mesmas”. Aduz que a conclusão da autoridade fiscal a respeito do real vínculo dos segurados formalmente vinculados às empresas prestadoras de serviços se baseia em meras presunções e indícios. Diz que a sua relação com as empresas prestadoras de serviços é estritamente profissional, com total liberdade, autonomia e respeito à legalidade. Assevera que a autoridade lançadora não comprovou a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Afirma que as empresas prestadoras de serviços são independentes e autônomas, pois têm endereços próprios, ligações individualizadas de energia e água/esgoto, cumprem com suas obrigações tributárias principais e acessórias, têm seus próprios funcionários, são administradas por sócios diferentes e são livres para manter relações comerciais com quem desejarem. Frisa que as empresas prestadoras de serviços foram constituídas em épocas diferentes, que cada uma prestava serviços em uma determinada área do seu ciclo produtivo, e que seus livros e documentos contábeis demonstram que todos os seus recursos advinham da receita das mesmas e que através desses recursos eram pagas suas respectivas despesas. Diz que todos os recebimentos de recursos e pagamentos efetuados pelas empresas prestadoras de serviços estão registrados também nas suas movimentações bancárias. Alega que a existência de um parque industrial que congregue várias empresas em um mesmo endereço é situação rotineira no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Assevera que a reunião de empresas prestadoras de serviços no seu endereço segue a lógica visto que as mesmas exercem atividades meio do seu ciclo de produção, como “fabricação de solados, serviços de pésponto e corte”. Fl. 4617DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.614 9 Aduz que todos os serviços prestados por empresas contratadas referemse a atividade meio. Ressalta que outras empresas, além das sete empresas prestadoras de serviços indicadas no relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516, prestaram serviços para si, executando parte do ciclo de produção. Aduz que a acusação de que teria ocorrido migração formal de empregados após a desoneração da folha de pagamento das indústrias calçadistas não poderia ter sido utilizada para embasar a autuação hostilizada, visto que, no seu entendimento, situações ocorridas fora do período fiscalizado não geram qualquer obrigação ou direito e não têm força probatória. Afirma que a movimentação de empregados entre empresas é totalmente legal e ocorre de acordo com o interesse de patrões e empregados. Diz que as movimentações de empregados a que se refere a autoridade fiscal não poderiam servir de suporte ao lançamento, pois ocorreram em períodos anteriores e posteriores ao período fiscalizado. Alega que a sua empregada Alessandra Poli de Andrade é técnica de segurança do trabalho e que, para evitar imputação de responsabilidade subsidiária, visitava as empresas prestadoras de serviços para averiguar se as mesmas estavam com todas as obrigações trabalhistas em ordem. Assevera que o fato das empresas prestadoras de serviços não terem vendedores e representantes comerciais, assim como o fato destas produzirem com matériaprima fornecida por si (Autuada), são plenamente justificáveis, já que as atividades da contratante e das contratadas se complementam e que as prestadoras de serviços não tinham produção própria, mas apenas industrializavam por encomenda. Ao tratar do recebimento por sua empregada Izamaira da Silva de correspondências para as empresas B.A. dos Santos Calçados, W. Cássio Nunes Calçados EPP e Luiz Sérgio Campos Solados ME, diz que não se pode atribuir a uma recepcionista a função de verificar para quem é a correspondência que recebe. Alega que o recebimento de correspondências para as empresas B.A. dos Santos Calçados, W. Cássio Nunes Calçados EPP e Luiz Sérgio Campos Solados ME por sua empregada Izamaira da Silva foi ato isolado, que não corresponde, como quis deixar transparecer a autoridade lançadora, ao que normalmente ocorre. Diz que, durante o procedimento de fiscalização, inúmeras Fl. 4618DF CARF MF 10 correspondências foram recebidas pelas empresas prestadoras de serviços por pessoas que trabalhavam em seus endereços próprios. Aduz que a proximidade física entre empresas que tenham relação comercial não constitui prova de que se trata de empresa única. Frisa que o quadro presente no item 11 do relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516 demonstra que as prestadoras de serviços têm endereço próprio. Diz que a empresa Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP tinha sua localização bem distante do endereço da Autuada e que a empresa J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda tinha sua localização fora dos seis galpões industriais que construiu. Ressalta que, na construção do seu espaço físico, desmembrou o terreno em 8 lotes e, aos poucos, nos anos de 2001 a 2003, efetuou a construção gradativa de 6 galpões industriais, sendo cada galpão independente, com endereço próprio e ligação individualizada de energia e água/esgoto. Afirma que, além de utilizar uma parte do seu espaço físico para exercer suas atividades, também tinha a intenção de alugar instalações físicas para terceiros. Alega que expôs às empresas prestadoras de serviços o interesse de têlas nas suas imediações. Assevera que as empresas prestadoras de serviços, com exceção das empresas Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, optaram em ocupar, de forma locatícia, galpões industriais de sua propriedade. Aduz que o fato de terem ocorrido trocas de endereço entre as empresas prestadoras de serviços em períodos anteriores e posteriores ao período a que se referem as competências englobadas no lançamento não comprova nada. Diz que os valores dos ativos imobilizados das prestadoras de serviços nos anoscalendário 2010 e 2011 eram indiscutivelmente expressivos, conforme se observa nos casos da Luiz Sérgio Campos Solados ME (R$ 247.000,00), J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda (R$ 95.000,00), Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP (R$ 175.000,00) e J. Poiate Calçados EPP (R$ 40.000,00). Alega que cada empresa prestadora de serviços fazia uma parte do seu ciclo de produção (da Autuada) e que o maquinário próprio de cada uma era suficiente para realização desses serviços industriais. Afirma que a compra, venda, empréstimo e comodato de equipamentos entre as empresas não comprovam a relação de dependência de uma empresa com outra, pois são ocorrências normais no mundo comercial. Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.615 11 Assevera que o capital das empresas prestadoras de serviços que consta no quadro presente no item 11 do relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516 é o capital inicial das empresas, já que as micro e pequenas empresas, diferentemente das sociedades anônimas, não têm nenhuma necessidade de ir atualizando o capital inicial. Afirma que o capital inicial das empresas não era irrisório e diz que o valor do capital das empresas prestadoras de serviços não comprova nada. Assevera que os lucros e remunerações das empresas prestadoras de serviços têm que ser analisados com base numa visão macro do ciclo de produção. Frisa que os lucros e remunerações são distribuídos de forma proporcional, com base na participação de cada uma das empresas prestadoras de serviços no ciclo de produção. Alega que os lucros e prólabore pagos pela empresa Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP possibilitaram a seus sócios uma renda per capita mensal relevante de R$ 6.249,50. Afirma que a coincidência de médico e fisioterapeuta entre as empresas prestadoras de serviços é totalmente normal e não significa nenhuma relação de dependência. Frisa que “a cidade de Birigui/SP têm atualmente 110 mil habitantes, portanto, tratase de uma cidade pequena onde, muitas vezes, os mesmos profissionais por sua especialização atendem certos tipos de seguimento da atividade”. Alega que não há nada de anormal no fato do valor de um empréstimo ser amortizado com serviços. Frisa que empréstimo é uma situação prevista na lei e que os empréstimos que concedeu a algumas prestadoras de serviços foram devidamente registrados na contabilidade e amortizados com a prestação de serviços, sendo o documento fiscal devidamente emitido. Assevera que o uso de apenas um veículo por ela (Autuada) e pela Poli & Detini é um dos benefícios da logística existente. Ressalta que as outras empresas prestadoras de serviços, que não foram citadas pela autoridade lançadora, efetuam a entrega dos produtos encomendados diretamente na sede da Autuada. Alega que a falta de contrato de prestação de serviços é que teria o condão de comprovar a ocorrência de simulação. Diz que um contrato só pode ser declarado nulo caso alguma de suas cláusulas contrarie o ordenamento jurídico. Fl. 4620DF CARF MF 12 Assevera que foi a responsável pela elaboração de todos os contratos e que a utilização do mesmo leiaute e padrão não é proibida e nem ilegal. Afirma que todas as cláusulas dos contratos de prestação de serviços foram inseridas de comum acordo com as empresas prestadoras de serviços e que os contratos são totalmente revestidos de legalidade e foram assinados pelas partes na presença de duas testemunhas. Diz que a autoridade lançadora deixou de mencionar que “os distratos foram precedidos de comunicação por parte das prestadoras de serviços e aí cabia a cada uma os seus motivos, leiaute e redação específicos”. Aduz que os distratos foram confeccionados na forma da lei e que não há nada de anormal no fato de ter elaborado eles com base nos mesmos leiaute e padrão. Assevera que de tudo que se constata na planilha e nas notas fiscais mencionadas nos itens 18 e 18.1 do relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516, “não há nada que deixa claro e conclusivo da exclusividade na prestação dos serviços, até porque os documentos fiscais utilizados para elaboração das planilhas são documentos que se referem às operações entre a autuada e as prestadoras de serviços”. Alega que os contratos de prestação de serviços prevêem com clareza a relação de não exclusividade. Aduz que não há qualquer dúvida de que as empresas prestadoras de serviços B.A. dos Santos Calçados, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP e J. Poiate Calçados EPP prestaram serviços para as empresas Ortopasso Calçados e Calçados Criart, no período de 01/2010 a 09/2010, pois “os serviços prestados pelas prestadoras de serviços foram documentados com emissão de notas fiscais idôneas, conforme faz constar a própria Sra. Auditora Fiscal”. Alega que a autoridade fiscal foi contraditória no relatório de despersonalização, pois às fls. 26/27 diz que os serviços prestados pelos funcionários das empresas de pequeno porte compreendemse na atividade fim das empresas Pé com Pé Calçados Ltda e Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda e às fls. 11/12 faz distinção entre atividade da Autuada e a atividade das prestadoras de serviços. Alega que a autoridade lançadora não conseguiu comprovar que as prestadoras de serviços exercem atividades fins suas (da Autuada). Assevera que as empresas prestadoras de serviços citadas no procedimento fiscal não exercem a sua atividade fim. Diz que as atividades exercidas no ciclo de produção pelas mesmas, como as atividades de injetar solados, de corte, de pesponto e de dublagem, são atividades tratadas como atividade meio na produção industrial. Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.616 13 Cita trecho de obra de Sérgio Pinto Martins onde o autor defende que a terceirização não se restringe a atividades meio da empresa. Frisa que “regra geral, nas operações relativas à industrialização por encomenda, os insumos (matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagens) utilizados no processo industrial são remetidos ao industrializador pelo próprio estabelecimento encomendante, ou seja, pelo próprio estabelecimento autor da encomenda”. Diz que a atividade meio “é um complemento que permite que a atividade fim seja executada com maior agilidade e perfeição”. Alega que “enviava os insumos e as prestadoras de serviços efetuavam vários ciclos de produção (atividademeio), tais como injetar solados, pesponto, corte, estamparia, dublagem, palmilhas, enfeites e emborrachados, ocorrendo o processo de finalização do produto, ou seja, o seu acabamento nas dependências da autuada”. Aduz que não há nenhuma norma legal que proíba a prestação de serviços nos moldes como ocorreu. Ressalta que o caput do artigo 170 da Constituição Federal assegura a todos o direito à livre iniciativa na ordem econômica. Lembra que o princípio da legalidade insculpido no inciso II do artigo 5º da Constituição Federal determina que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Alega que a sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 não se configurou, visto que “as operações entre a autuada e as prestadoras de serviços efetivamente existiram” e “têm tratamento legal previsto na legislação fiscal (RICMS/2000 e RIPI/2010)”. Aduz que ocorreu cerceamento de defesa, porquanto as empresas prestadoras de serviços foram despersonalizadas sem serem notificadas para se defenderem. Afirma que a fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964 não se configurou “na medida em que os serviços prestados efetivamente existiram”. Diz que a autoridade lançadora “não prova em nenhum momento qualquer ação fraudulenta ou omissão dolosa por parte da autuada e das prestadoras de serviços”. Alega que o conluio previsto no artigo 73 da Lei nº 4.502/1964 não se configurou pois “as partes, ou seja, a autuada e as prestadoras de serviços, juntaram forças para desempenhar atividades que se complementam, conforme admite a própria fiscalização às fls. 11/12 do relatório de despersonalização”. Fl. 4622DF CARF MF 14 Afirma que a multa de ofício de 150% fere os princípios constitucionais do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Diz que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº833.106/GO, “limitou em 100% a multa tributária imposta aos contribuintes, em observância ao princípio constitucional do nãoconfisco”. Requer, por fim, sucessivamente, a declaração da nulidade do auto de infração hostilizado; o reconhecimento conjunto da decadência das contribuições lançadas referentes às competências 01/2010 a 07/2010 e do não cabimento da multa de 150%; e a declaração da improcedência do auto de infração hostilizado. Tendo em vista a constatação de que não existia prova nos autos de que a sociedade empresária Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda foi cientificada do presente lançamento, na forma prevista no artigo 495 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, foi determinada a realização de tal providência, com a abertura de prazo de 30 (trinta) dias para defesa (fls. 4245/4246). Devidamente intimada da lavratura da presente autuação (fl. 4360 a 4367), a sociedade empresária Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda apresentou a impugnação de fls. 4249 a 4254, instruída com os documentos de fls. 4255 a 4358. Alega que, por fazer parte, ab initio, do pólo passivo do auto de infração hostilizado, deveria ter sido cientificada do lançamento na mesma época em que foi dada ciência à empresa Pé com Pé Calçados Ltda. Aduz que a não realização da sua intimação na época própria caracteriza vício formal insanável. Afirma que é empresa idônea, constituída há quase 10 anos, independente e autônoma, com sede e endereço diverso da empresa Pé com Pé Calçados Ltda e que tem seus próprios funcionários. Aduz que a sua autonomia e independência jurídica e econômica são comprovadas por meio das relações de cargos e salário de fls. 4273/4274, das declarações de informações econômicas fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) que enviou à Receita Federal e do balanço patrimonial de fls. 4351 a 4353. Alega que não tem vínculo algum de subordinação ou coordenação com a empresa Pé com Pé Calçados Ltda e que possui gestão e administração próprias. Frisa que a própria Receita Federal reconhece a sua existência autônoma, pois foi cientificada do presente auto de infração em momento distinto da ciência dada à empresa Pé com Pé Calçados Ltda. Ressalta que o seu quadro societário não é o mesmo da empresa Pé com Pé Calçados Ltda, pois tem um terceiro sócio que não faz parte do quadro societário desta (Pé com Pé). Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.617 15 Diz que tem linhas de produtos diferentes daquelas produzidas pela empresa Pé com Pé Calçados Ltda e que a destinação dos calçados também é para faixas etárias diferentes. Alega que a existência de grupo econômico, por si só, não gera responsabilidade solidária, pois esta depende da comprovação de interesse comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Requer, por fim, sucessivamente, a declaração de nulidade do auto de infração hostilizado por vício formal insanável e o reconhecimento da inexistência de grupo econômico de fato. 2 – Com isso houve uma nova análise do caso pela DRJ que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito previdenciário. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO REAL DO TRABALHADOR PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. SIMULAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES POR INTERMÉDIO DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA EXISTENTE APENAS NO PLANO FORMAL. Constatado pela autoridade fiscal que a empresa, para deixar de pagar tributos (contribuições sociais previdenciárias e contribuições para terceiros), contrata trabalhadores por intermédio de interposta pessoa jurídica existente apenas no plano formal, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados vinculados a real contratante para fins de cobrança de contribuições sociais previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previstas na Lei nº 8.212/1991. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Fl. 4624DF CARF MF 16 Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, quando for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 4.416/4.513 trazendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação com considerações a respeito da decisão de piso e do responsável solidário às fls. 4.545/4.561 complementado com petição de fls. 4.593/4596 arguindo a decadência do crédito. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – Ambos os recursos são tempestivos e portanto os conheço. 5 Inicio pelo recurso do contribuinte principal que em extenso arrazoado com as matérias indicadas no relatório do voto da DRJ pretende a reforma da decisão de piso que manteve o lançamento tributário. Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.618 17 6 Da análise dos autos, verificase que os pontos centrais do litígio se trata como consta na autuação de fls. 458/487 (Refisc Relatório Fiscal) complementado pelo anexo às fls. 488/516 (relatório despersonalização das empresas filhas) o seguinte: a) o lançamento do crédito tributário previdenciário do art. 22, I, II, "b', III da Lei de Custeio e a solidariedade passiva mediante a existência de grupo econômico de fato e a aplicação da solidariedade dos art.s 124, I e II do CTN c/c/ e art. 30, IX da Lei 8.212/91, abaixo identificado: Fl. 4626DF CARF MF 18 b) Além disso a autoridade fiscal entende tratarse de uma única empresa para fins de incidência do crédito tributário como passa a expor: Fl. 4627DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.619 19 Fl. 4628DF CARF MF 20 7 Pois bem, quanto as preliminares ficam dessa forma decididas: II – PRELIMINARMENTE – DOS VÍCIOS DE NULIDADE INSANÁVEIS a) VÍCIO INSANÁVEL POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA “POLI & DETINI” 8 Nada a ser reformado uma vez que tal vício meramente formal e não material foi devidamente solucionado pela DRJ que determinou a intimação do responsável solidário para apresentar defesa. 9 No caso o crédito tributário foi constituído em face do recorrente Pé com Pé Calçados Ltda., sujeito passivo principal, que apresentou defesa e a falta da intimação do coresponsável em nada influi na nulidade material do crédito tributário, pois na forma do art. 124, I ou II do CTN é uma mera figura que serve como "garante" e portanto nada a ser reformado quanto a decisão de piso. Fl. 4629DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.620 21 b) VÍCIO INSANÁVEL POR FALTA DE INCLUSÃO E INTIMAÇÃO DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS 10 Afasto essa preliminar pois tais empresas foram intimadas durante a fiscalização para esclarecer fatos e entregar documentos indicados nos inúmeros termos de intimação fiscal. A autoridade fiscal por sua vez, diante das constatações realizadas e análise do caso concreto procedeu ao lançamento de acordo com as responsabilidades de cada uma das empresas aplicando a legislação de regência que entendeu que tais empresas não devem se sujeitar ao lançamento do crédito tributário. 11 Conforme bem colocado pela decisão de piso não houve a imputação de nenhuma responsabilidade a tais empresas pelos créditos elencados no lançamento, sendo que caberia a prova do contrário ao contribuinte diante dos fatos narrados e provas indicadas pela fiscalização. Portanto, afasto tal preliminar. c) VÍCIO INSANÁVEL POR ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO 12 Alega o contribuinte que não é aplicável os termos do direito do trabalho à presente questão, contudo esquecese que o direito tributário é meramente um direito de sobreposição, ou seja, o direito tributário apenas dá tratamento fiscal aos diversos ramos do direito e na esfera previdenciária é indiscutível a análise desse ramo do direito. 13 Sugerese ao contribuinte a leitura dos arts. 109 e 110 do CTN: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 14 Outrossim as lições do saudoso Prof. Alberto Xavier, in Cfr. Manual de Direito Fiscal I (Reimpressão), Manuais da Faculdade de Direito de Lisboa, Lisboa 1981, p. 22 e 23: Fl. 4630DF CARF MF 22 “O Direito Tributário reportase a situações da vida reveladoras de capacidade contributiva, as quais são — na sua grande generalidade — objecto de regulamentação por outros ramos do Direito, de harmonia com o ponto de vista objectivo e peculiar que os informam. Esse facto, que está na origem do tão discutido problema da interpretação dos conceitos próprios de outros ramos jurídicos que o legislador fiscal emprega na previsão das normas tributárias, revela bem a multiplicidade de contactos que o Direito Fiscal mantém com os restantes sectores do ordenamento jurídico. A tributação da família, das sociedades comerciais, dos juros de empréstimos titulados por letras, da compra e venda de imóveis, por exemplo, envolve o recurso a noções de Direito da família, de Direito Comercial, de Direito Civil. O Direito Fiscal como que se sobrepõe a estas várias disciplinas, tratando os fenômenos por estas regidos em primeira linha, de acordo com seu espírito e exigências próprios: pode neste sentido dizerse que o Direito Fiscal é um direito de sobreposição.” 15 O cerne da questão desde o princípio consiste na caracterização dos trabalhadores formalmente vinculados e remunerados pelas empresas que estão em regime fiscal mais favorecido (Simples Nacional) como empregados e contribuintes individuais da empresa Pé com Pé Calçados Ltda., tendo a Poli e Detini Ind de Caçados Ltda., como responsável solidária pelo crédito tributário diante da formação de grupo econômico. 16 Portanto, nada a prover quanto a preliminar acima arguida, estando claro o lançamento tributário quanto a esses quesitos. d) VÍCIO INSANÁVEL EM RAZÃO DE NARRATIVA CONFUSA 17 Quanto a esse ponto nada a ser provido e tomo como razões de decidir a da decisão de piso: A alegação de que o presente auto de infração é nulo, por ter sido emitido de forma confusa, com a utilização de argumentos desconexos e desestruturados é totalmente improcedente. Da análise conjunta do relatório fiscal de fls. 458 a 487, do relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516 e dos demais anexos que integram o Auto de Infração de DEBCAD nº 51.071.2436, verificase que a autoridade lançadora demonstrou de forma clara que os fatos geradores das contribuições exigidas foi o trabalho remunerado prestado por trabalhadores que, embora formalmente vinculados às empresas prestadoras de serviços, mantiveram vínculo de fato com a Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e a outra empresa que compõem seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda). Fl. 4631DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.621 23 A apuração da existência de vínculo real da Autuada com os trabalhadores vinculados formalmente às empresas prestadoras de serviços foi efetuada com base nos elementos de prova e constatações enumerados de forma hialina no relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516. Já a apuração da existência de grupo econômico composto pela Autuada e pela sociedade empresária Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda foi efetuada com base nos elementos de prova e constatações arrolados de forma clara no relatório fiscal de fls. 458 a 487. Diante do exposto, portanto, resta evidente que não há que se falar na existência de qualquer vício que macule o auto de infração de DEBCAD nº 51.071.2436 no que tange a exposição clara da motivação fática do lançamento. Não há que se falar, portanto, na ocorrência de qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório da Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e da Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda. e) DA DECADÊNCIA – FATOS GERADORES DE JANEIRO A JULHO/2010 18 Quanto a decadência, mantenho a decisão de piso e afasto a preliminar e de forma objetiva mais uma vez me utilizo de parte da decisão de piso que trata do tema como razões de decidir: (...)omissis Da leitura do excerto do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008 transcrito acima, e da análise dos autos, verificase que o prazo decadencial aplicável a presente autuação é o previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), já que o lançamento vertente foi efetuado devido a apuração, pela autoridade fiscal, da ocorrência de simulação (dissimulação de vínculos empregatícios e de vínculo com segurados contribuintes individuais com a utilização de interpostas pessoas jurídicas existentes apenas no plano formal). Com efeito, tendo em vista que a Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) tomou ciência da presente autuação em 21/08/2015 (fl. 02), constatase que, ao contrário do que alega, nenhuma exigência contida na presente autuação foi alcançada pela decadência. Fl. 4632DF CARF MF 24 MÉRITO 19 Quanto ao mérito, entendo que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais ao julgamento, sendo que nem mesmo no Judiciário essa premissa é real, sendo que a Primeira Seção do STJ no EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585) assim decidiu aplicando o NCPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812 80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. 20 Portanto, a teor do artigo 29 do Decreto do PAF o julgador deve apreciar livremente as provas e os argumentos das partes e tem a livre convicção de julgar desde que de forma fundamentada. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pelo contribuinte, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão singular, contudo, não vejo isso ocorrer no caso concreto. Fl. 4633DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.622 25 21 No caso concreto entendo que os argumentos do contribuinte não procedem, pois entendo que a fiscalização identificou que a mãodeobra correspondente aos fatos geradores que ensejaram o lançamento estava efetivamente vinculada à empresa ora recorrente e à responsável solidária através de grupo econômico na forma do art. 124, I e II do CTN e Art. 30, IX da Lei 8.212/91, e não às empresas filhas, conforme formalizado pelo contribuinte. 22 Tal caracterização fundamentouse na identificação de que a distribuição meramente formal da mãodeobra entre as empresas adotou como critério a redução da carga tributária, com a sua concentração na empresa tributada pelo faturamento e a concentração do faturamento na empresa tributada pela remuneração da mãodeobra, de forma a reduzir a tributação agregada arcada pelo conjunto das empresas. 23 Para tanto basta verificar o quanto confirmado pela fiscalização em seu relatório fiscal às fls. 491/498: Fl. 4634DF CARF MF 26 Fl. 4635DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.623 27 Fl. 4636DF CARF MF 28 Fl. 4637DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.624 29 Fl. 4638DF CARF MF 30 24 Veja que tais informações acima indicadas não foram "criadas" pela Receita Federal, mas são informações enviadas e repassadas pelos próprios contribuintes e que são cruzadas e trabalhadas pela Administração Tributária para fins de fiscalização do crédito tributário. Fica evidente diante dessas informações encaminhadas por todas as pessoas Fl. 4639DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.625 31 indicadas no lançamento a intensidade na utilização de mão de obra para o grupo econômico encabeçado pelo recorrente e sujeito passivo principal. 25 Essa distribuição de fatores desvinculada da realidade negocial foi possível em virtude da constatação de um relacionamento entre essas empresas que descaracteriza a pressuposta independência e autonomia entre pessoas jurídicas distintas, apontando para uma situação de subordinação dos interesses das empresas optantes pelo regime simplificado aos interesses da empresa que efetivamente representa para o mercado a atividade comum por elas exercida. Isso ficou evidente em várias passagens do relatório fiscal e na análise da documentação das empresas filhas às fls. 500/515 em destaque por exemplo os itens 13 que trata do Imobilizado, 14 que trata dos lucros e remunerações das empresas filhas, 15 sobre os empréstimos e 17 e 18 que tratam do contrato de industrialização e exclusividade na prestação de serviços. 26 Coube então à fiscalização resgatar a realidade dos fatos e considerar no lançamento os vínculos de interesse tributário efetivamente existentes nas relações jurídicas, em específico as relações de prestação de serviço por pessoas físicas. Essa conduta decorre do disposto no art. 142, do mesmo CTN, que estabelece que é competência da autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador e de seus elementos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 27 No caso concreto, a fiscalização identificou, a partir de todos os elementos fáticos disponíveis, que houve uma prestação de serviços por parte dos trabalhadores das empresas filhas para a empresa recorrente. 28 Tomando como razões de decidir a decisão de piso assim tratou o tema: Em que pesem as alegações e documentos apresentados pela Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda), observase, da análise dos autos, que restou comprovado que as empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J.Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP (que eram optantes pelo Simples Nacional) existiam apenas no plano formal e que os trabalhadores formalmente registrados como seus empregados, sócios/titulares e prestadores de serviços Fl. 4640DF CARF MF 32 contribuintes individuais, mantiveram, no período a que se refere a presente autuação (01/2010 a 13/2011), vínculo de fato com a Autuada e a outra empresa que compõe o seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda). Conforme demonstrou a autoridade lançadora, todo arcabouço formal criado pela Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e a outra empresa que compõe o seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda) para camuflar o vínculo real existente com estes trabalhadores (trabalhadores formalmente vinculados às empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP como seus empregados, sócios/titulares e prestadores de serviços contribuintes individuais) e, consequentemente, deixar de pagar contribuições sociais previdenciárias devidas, não se sustenta perante a realidade dos fatos. Dentre as constatações e elementos de prova discriminados pela autoridade fiscal que não deixam dúvidas de que a Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e a outra empresa que compõe o seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda) se utilizaram, no período a que se refere a presente autuação (01/2010 a 13/2011), de empresas criadas apenas no plano formal para contratar formalmente segurados empregados e prestadores de serviços contribuintes individuais e, assim, usufruir indevidamente dos benefícios do Simples Nacional, podemos citar: I) a constatação de que tanto os trabalhadores formalmente vinculados às sociedades empresárias Pé com Pé Calçados Ltda e Poli & Detini Idústria de Calçados Ltda, como os vinculados às empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, trabalhavam em um mesmo parque industrial; II) a constatação de que as empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, produziam a partir de matéria prima fornecida pelas empresas Pé com Pé Calçados Ltda e Poli & Detini Idústria de Calçados Ltda; III) o fato de, nos meses seguintes a desoneração da folha de pagamento das indústrias calçadistas, que ocorreu no final de 2011, ter ocorrido a transferência quase total dos empregados registrados formalmente nas empresas B.A. dos Santos Calçados EPP, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP, J. Poiate Calçados Ltda EPP, Luiz Sérgio Campos Solados EPP, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados ME, para as sociedades empresárias Pé com Pé Calçados Ltda e Poli & Fl. 4641DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.626 33 Detini Indústria de Calçados Ltda, conforme demonstrado no “ANEXO B1” (fls. 1335 a 1342), no “Anexo B23” (fls. 1393 a 1586) e nas relações de trabalhadores de fls. 1343 a 1346; IV) o fato de várias transferências de empregados entre as empresas terem sido registradas em GFIP com os código de movimentação “N2” (Transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho) e “N3” (Empregado proveniente de transferência de outro estabelecimento da mesma empresa ou de outra empresa, sem rescisão de contrato de trabalho), e terem ocorrido com a manutenção da data de admissão dos empregados, conforme demonstrado no “ANEXO B2” (fls. 1347/1348), no “Anexo B 23” (fls. 1393 a 1586) e nas folhas de GFIP e telas extraídas de sistema informatizado da RFB (GFIPWEB e CNIS) de fls. 1349 a 1392, 1587 a 1607 e 1610 a 1643; V) o fato de vários dos titulares e sócios das empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados Ltda EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, terem sido empregados anteriormente da Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e/ou terem passado a trabalhar para esta ou para a Poli& Detini Indústria de Calçados Ltda como empregado após a desoneração da folha de pagamento das indústrias calçadistas; VI) a constatação, efetuada com base nas informações expostas no “ANEXO B3” (fls. 1644 a 1650) e no “ANEXO B31” (fls. 1651 a 1657), de que os cargos que existiam formalmente nas empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados Ltda EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP, são complementares aos que existiam na Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e na Poli& Detini Indústria de Calçados Ltda; VII) o fato de empregada da Pé com Pé Calçados Ltda (Izamaira da Silva) ter recebido correspondências para as empresas B.A. dos Santos Calçados, W. Cássio Nunes Calçados EPP e Luiz Sérgio Campos Solados ME conforme demonstrado pelos avisos de recebimento reproduzidos às fls. 1670 a 1675; VIII) a constatação de que todas as empresas prestadoras de serviços (B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP) eram estabelecidas no mesmo prédio da Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) ou em endereços próximos; IX) a constatação de ocorreram inúmeras trocas de endereço entre as empresas prestadoras de serviços; Fl. 4642DF CARF MF 34 X) a constatação de que o ativo imobilizado das empresas prestadoras de serviços “é irrisório, se consideramos que elas trabalharam em 2010 e 2011 em média com: W.Cássio, 110 empregados, Wande e B.A. dos Santos com 150 empregados cada; L.Sérgio 40 empregados; J.Poiate, J.P. Birigui e Romualdo com média de 200 empregados cada”; XI) a constatação de que existiram diversas transações formais envolvendo maquinário entre as empresas prestadoras de serviços e a Autuada; XII) a constatação de que a Autuada, embora mantivesse formalmente apenas empregados em cargos não operacionais, contava com máquinas e equipamentos avaliados em mais de R$ 2.700.000,00; XIII) o fato do capital das empresas prestadoras de serviços (B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP) ser irrisório; XIV) a constatação de que, nos anos de 2010 e 2011, o montante total pago a sócios e titulares das empresas prestadoras de serviços (B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP) a título de pro labore e distribuição de lucros foi irrisório diante da quantidade de trabalhadores que supostamente utilizavam em suas atividades; XV) a constatação de que tanto as empresas prestadoras de serviços como a Autuada e a Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda contrataram os mesmos médico e fisioterapeuta; XVI) o fato de terem sido registrados contabilmente empréstimos da Autuada para as empresas prestadoras de serviços que eram supostamente pagos mediante prestações de serviços; XVII) a constatação de que os contratos de prestação de serviços assim como os distratos eram redigidos da mesma forma e com o mesmo leiaute; XVIII) a constatação, efetuada com base nas notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços no período de 01/2010 a 12/2011, de que estas prestavam serviços quase que exclusivamente à Autuada e à outra empresa que compõe o seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda), conforme demonstrado pelo “ANEXO B11” (fls. 1841 a 1869) e pelo “ANEXO B111” (fls. 1870 a 1916); XIX) a constatação de que os serviços prestados pelos supostos empregados das empresas prestadoras de serviços estão englobados nas atividades fins da Autuada e da Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda, porquanto constituem parte Fl. 4643DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.627 35 fundamental e indispensável das operações componentes dos seus objetos sociais. Cabe observar que alguns desses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até conferir um aparente caráter de normalidade ao arcabouço formal criado pela Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e a outra empresa que compõe o seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda) para dissimular o vínculo real existente com os trabalhadores que eram formalmente vinculados como segurados empregados e segurados contribuintes individuais às empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP. No entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram que a Autuada e a outra empresa que compõe o seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda), visando usufruirem indevidamente do tratamento tributário favorecido oportunizado pelo Simples Nacional (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), utilizaramse, no período a que se refere a autuação hostilizada (01/2010 a 13/2010 e 01/2011 a 13/2011), da mãodeobra de trabalhadores vinculados formalmente a empresas existentes apenas no plano formal (B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP). Restou configurada, portanto, uma das hipóteses de simulação prevista no artigo 167 do Código Civil brasileiro, que prescreve que “haverá simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, ou quando contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira”. Sobre as dificuldades da comprovação de simulação, que devem ser levadas em conta na análise das provas coletadas pela autoridade fiscal, cabe lembrar os ensinamentos de GALVÃO TELLES: Em regra, porém, dado que os simuladores procuram furtarse a olhares indiscretos e dado que as contradeclarações são entre nós pouco utilizadas, não existe prova direta da simulação. Esta terá de provarse indiretamente, através de presunções. A simulação deixa quase sempre vestígio que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou índices do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico. Pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente através de testemunhas ou documentos, o interessado provará esses fatos ou Fl. 4644DF CARF MF 36 circunstâncias e, conjugandoos e apreciandoos segundo o seu prudente critério, o tribunal formará juízo. A simulação representa um esforço de construção artificial, distanciada e deformadora da realidade, e raras vezes essa construção será um todo lógico e coerente, que forma cobertura completa dos fatos. A verdade vem à superfície e denunciase através de brechas daquela construção. Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente convincentes se se tornar aparente um motivo simulatório. Por exemplo, alguém que está crivado de dívidas e com ameaças de execuções, declara vender a um parente próximo a maior parte dos seus bens, mas continua na posse deles e a satisfazer os respectivos encargos e cobrar os respectivos rendimentos; as circunstâncias são suspeitas, e o motivo simulatório ou causa simulandi está à vista, é o intuito de fraudar os credores. (in, Manual dos Contratos em geral. 3ª ed., Lisboa, 1995. p. 172174) 29 Como tal decisão a meu ver se mostrou acertada, nenhum dos argumentos apresentados na impugnação e recurso podem ser acatados, conforme já exposto sendo que além da simulação ocorrida, apesar de não ter descrito esse fato no relatório fiscal, mas houve também de certa forma a caracterização de planejamento tributário abusivo em relação ao Simples Nacional. 30 A melhor forma de identificar a situação fraudulenta é comparála com a situação similar não fraudulenta. Assim, observemos quais seriam as características típicas da situação em que há duas empresas por exemplo que atuam no mesmo ramo de atividade, mas em uma relação de colaboração saudável, onde a empresa que comercializa o produto final no mercado sujeitase ao regime geral de tributação e a que participa na cadeia de valor desse produto é legitimamente optante pelo regime de tributação simplificado. 31 A conclusão inevitável é que essas duas empresas devem ser agentes de mercado independentes e autônomos. Isso significa que suas ações devem ser fruto de vontades próprias e independentes voltadas aos seus objetivos específicos e que as possíveis relações existentes entre elas devem ser regidas pelas regras gerais da livre iniciativa e da livre concorrência do mercado em que se inserem. Em particular, a formulação dos preços praticados deve ter por objetivo a sobrevivência da empresa e o lucro no médio e no longo prazos, estando essas empresas livres para buscar os melhores preços e custos em qualquer ponto do mercado. Em decorrência, as bases de cálculo dos tributos incidentes não podem decorrer tãosomente de ato de vontade ou manipulações das pessoas que controlam as empresas. 32 Decorre dessa necessidade de autonomia entre as empresas que os recursos por elas utilizados para cumprirem seu objeto social e desenvolverem suas atividades devem estar sob seu total domínio e controle do ponto de vista da utilização. Assim, elas devem estar na posse dos prédios e instalações que utilizam, com plenos poderes para modificálos e adaptálos às suas necessidades, o mesmo se dando em relação à obtenção dos insumos e à disponibilidade dos recursos financeiros. A mãodeobra utilizada em todos os setores dessas empresas deve estar diretamente vinculada, com a existência de contratos efetivamente estabelecidos com elas, envolvendo ou não subordinação conforme o tipo de Fl. 4645DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.628 37 prestação de serviço, e não deve conter elementos estranhos à atividade desenvolvida, tais como trabalhadores de atividades típicas de pontos da cadeia de valor em que ela não atua. 33 Na ausência dessas condições, haverá uma situação de dependência entre essas duas empresas e ficará descaracterizada a distinção de vontades entre elas, pois a vontade de uma estará intrinsecamente relacionada à vontade da outra. Essa falta de autonomia entre as vontades implica em uma descaracterização da distinção entre as duas como agentes do mercado circundante: para os demais agentes do mercado, essas duas empresas formalmente distintas aparecerão como um único agente de mercado que com eles interage. 34 No caso concreto, esses aspectos ficaram distantes de serem comprovados pelo contribuinte, tanto que tomando como razões de decidir novamente a decisão de piso quanto a esses pontos ela foi bem fundamentada, verbis: A autoridade lançadora, conforme demonstram o relatório fiscal de fls. 458 a 487 e o relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516, não efetuou a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços citadas, mas apenas reconheceu que as mesmas existiam apenas no plano formal e que existia vínculo real entre a Autuada e os trabalhadores formalmente vinculados a estas empresas, para fins exclusivos de verificação de recolhimento de contribuições sociais previdenciárias devidas. Dessa forma, observase que a autoridade lançadora em nenhum momento foi contraditória em relação a existência ou não das empresas prestadoras de serviços, já que deixou claro no relatório fiscal de fls. 458 a 487 e no relatório “Despersonalização das ‘Empresas Filhas’” de fls. 488 a 516 que entende que as mesmas existem apenas no plano da formalidade. Cabe frisar, ainda, que os atos constitutivos das empresas prestadoras de serviços, assim como os livros contábeis e fiscais, as notas fiscais, os comprovantes de recolhimento de tributos, os comprovantes de movimentação bancária e as contas de luz, relativos a tais empresas, ao contrário do que entende a Autuada, não têm o condão de demonstrar a invalidade das conclusões da autoridade fiscal, pois, da análise das provas coletadas pela autoridade fiscal, é fácil constatar que tais documentos exteriorizam atos simulados, porquanto não refletem a verdadeira relação existente entre a Autuada e as empresas prestadoras de serviços. Verificase, portanto, que esses documentos não comprovam a inocorrência de dissimulação na contratação de trabalhadores com a utilização de interpostas pessoas jurídicas existentes apenas no plano formal, já que fazem parte do próprio Fl. 4646DF CARF MF 38 arcabouço formal criado pelos sóciosadministradores da Autuada para camuflar (dissimular) relações de emprego e de trabalho mantidas pela Autuada e pela outra empresa integrante do seu grupo econômico (Poli & Detini). O contribuinte, desde que pratique atos válidos e lícitos, sem dissimulação, pode organizar seus negócios de forma a evitar a ocorrência de fatos delineados em lei como passíveis de tributação. Isso porque a Constituição Federal confere aos cidadãos a liberdade de fazer qualquer coisa que não seja vedada, ou exigida pela lei (artigo 5º, II), e prevê que um dos fundamentos do Estado Brasileiro é a livre iniciativa (artigo 1º, IV). Desse direito, constitucionalmente assegurado, e do fato que a obrigação tributária só pode nascer validamente pela ocorrência efetiva de uma hipótese de incidência prevista em lei (art.150, I da CF), decorre a legitimidade de o contribuinte planejar suas atividades de forma a procurar incorrer em situações legais de menor tributação. A linha divisória entre a economia fiscal legítima, denominada pela doutrina de elisão fiscal, e a redução ilegítima da carga tributária, designada de evasão fiscal, é, por vezes, extremamente tênue. Contudo, no presente caso, restou evidente que não agiu a fiscalização no sentido de desconsiderar um planejamento tributário lícito, mas, sim, de buscar a realidade subjacente. Isso porque, dentre os princípios que norteiam o processo administrativo tributário encontrase o da verdade material, onde o que prevalece é a realidade fática sobre a realidade formal. Caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234). Portanto, diante das circunstâncias evidenciadas e em razão da primazia da verdade material sobre a formal, o procedimento utilizado pela fiscalização se mostra correto, porquanto a realidade subjacente demonstra que as empresas B.A. dos Santos Calçados, J.P. Birigui Indústria e Comércio de Calçados Ltda, J. Poiate Calçados EPP, Luiz Sérgio Campos Solados ME, Romualdo Giorjão Filho – EPP, Wande Indústria e Comércio de Calçados Ltda EPP e W. Cássio Nunes Calçados EPP existem apenas no plano formal e que foram utilizadas pela Autuada (Pé com Pé Calçados Ltda) e pela outra empresa integrante de seu grupo econômico (Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda) para efetuarem o pagamento de remunerações a segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhes prestaram serviços e, assim, proporcionar o usufruto indevido do tratamento tributário favorecido oportunizado pelo Simples Nacional. Resta evidente, portanto, que a autoridade fiscal agiu corretamente ao imputar a responsabilidade pelas contribuições sociais previdenciárias lançadas na presente autuação a Autuada e a Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda, já que Fl. 4647DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.629 39 elas, por força da legislação previdenciária, é que são os reais sujeitos passivos das referidas contribuições. 35 Esse raciocínio acima indicado da decisão de piso está alinhado com os crivos propostos por GRECO (2008) para o planejamento tributário e as considerações de TÔRRES2 (2003) acerca do tema, pois a caracterização de relação de dependência e da falta de autonomia das empresas irá necessariamente se manifestar em um ou mais dos elementos por eles propostos: ilegalidade ou ilicitude, patologia do negócio jurídico (abuso do direito, fraude à lei, simulação ou abuso de forma), vício de motivo, finalidade ou congruência das operações e inadequação em relação ao planejamento estratégico do empreendimento econômico. 36 Concluise que a caracterização do planejamento tributário abusivo por meio da estruturação de uma atividade em um grupo de diversas empresas sujeitas a regimes tributários distintos consiste na identificação de dois elementos nucleares, intimamente relacionados: anomalias que descaracterizam a independência e a autonomia entre as empresas do grupo; e base de cálculo de tributo determinada essencialmente por fatores internos ao grupo de empresas. 37 No caso concreto, considerando o raciocínio até aqui desenvolvido, fica evidente que a situação encontrada pela fiscalização se adequa perfeitamente à moldura de planejamento tributário abusivo. 38 Por derradeiro quanto ao mérito quanto a questão do planejamento tributário corroborando com o entendimento acima aduzido aponto parte do voto do I. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no Ac. 1402002.295 j. em 13/09/2016, verbis: "Não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Fl. 4648DF CARF MF 40 Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco5: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Nota se, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.6 Fl. 4649DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.630 41 (...) Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 7 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 8" 39 – Portanto restou fartamente comprovado que a organização societária se deu somente no papel (forma) e que, no mundo fático, após demonstrar a simulação existente, por meio da existência de pessoas jurídicas de "fachada", o Agente Fiscal passa a comprovar que o vínculo de trabalho se forma entre a recorrente e que não se trata de empresas distintas funcionando de "per si" e desenvolvendo cada qual a sua atividade nas “localidades de suas sedes” ou onde “os serviços foram contratados” respectivamente, demonstrado que estamos diante de um só empreendimento econômico, constatandose apenas o objetivo da redução da carga tributária com o usufruto dos benefícios do SIMPLES NACIONAL, uma vez que "todas as empresas “se assim podese dizer foram administradas pelo mesmo grupo exonômico formado, restando apenas a "insofismável simbiose empresarial”. 40 Através da aplicação do princípio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, passam oferecer apenas um pano de fundo lícito, no caso a Receita Federal do Brasil conseguiu comprovar a verdadeira configuração da operação empresarial, que no caso, tentou através de fraude encobrir a verdadeira relação de emprego e através do lançamento cobrar a contribuição legalmente devida. 41 – Portanto, como bem delineado pela Autoridade Lançadora, foi constituído vínculo direto entre os trabalhadores e o Sujeito Passivo, entendose que esse é o verdadeiro contribuinte, aquele que, de fato, incidiu nos fatos geradores de contribuição previdenciária. As afirmações do Auditor Fiscal deixam patente que o lançamento tributário Fl. 4650DF CARF MF 42 simplesmente desconsidera a existência das empresas interpostas, em razão da comprovada prestação de serviços dos trabalhadores à Recorrente. Multa de ofício 42 Quanto a multa de ofício o argumento do contribuinte em seu recurso é calcado totalmente em matéria constitucional e portanto, não a conheço aplicando ao caso os termos da súmula Carf nº 02 que diz: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 43 Pelo exposto nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo principal Pé com Pé Calçados Ltda. Do recurso do sujeito passivo solidário 44 Quanto a preliminar de decadência posta na petição de fls. 4593/4596 que acolho como complemento do recurso voluntário por ser matéria de ordem pública. 45 Alega o sujeito passivo solidário, sob o fundamento de que o período fiscalizado é de 01/2010 a 13/2011 e que a empresa Poli e Detini foi formalmente notificada somente aos 07/04/2016 e com isso aplicandose a regra do art. 150§ 4º do CTN estariam decaído as competências de 2010 a 03/2011. 46 Outrossim, alega que mesmo aplicando a regra do art. 173, I do CTN estariam decaídos as competências de janeiro a março de 2010. 47 Entendo sem razão o recorrente, pois a contagem do prazo decadencial se dá em decorrência da constituição do crédito tributário, em face do sujeito passivo tributário principal, logo, sem a constituição do crédito, não haveria que se falar em responsabilidade solidária do recorrente. 48 Portanto, não havendo crédito tributário lançado, não há razão de haver a solidariedade passiva, sendo que a contagem do prazo decadencial segue o lançamento no sujeito passivo principal, se esse foi lançado além do prazo decadencial, operase a decadência sobre todo ou parte do crédito e consequentemente ao responsável solidário. Fl. 4651DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.631 43 49 No caso aplicase de forma análoga à decadência os termos do art. 125, III do CTN: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. 50 Pelo exposto, afasto a preliminar de decadência arguida. 51 Quanto a preliminar de falta de intimação para defenderse das alegações, aplico as mesmas razões de decidir quanto a preliminar da recorrente principal que arguiu o mesmo assunto e portanto a afasto. 52 Quanto a matéria de mérito a respeito da inexistência de grupo econômico, adoto como razões de decidir os fundamentos da DRJ para negar provimento ao recurso também nesse tópico, verbis: 6. Grupo econômico de fato O inciso IX, do artigo 30, da Lei nº 8.212/1991, ao prever a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que integram grupo econômico preceitua que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Fl. 4652DF CARF MF 44 Da leitura do dispositivo legal transcrito, observase que o mesmo não trouxe conceito de grupo econômico, o que nos remete à aplicação do art. 108, inciso I do Código Tributário Nacional: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; (...) É lícita, portanto, a aplicação analógica de conceitos definidos por outra legislação com o objetivo de se caracterizar, para fins tributários, um grupo econômico. No presente caso, pode ser aplicado o artigo 2o, § 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe: Art. 2º (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. A interpretação do dispositivo legal não reserva dúvidas. Existe um grupo econômico quando uma ou mais empresas, estiverem sobre a direção de outra, de modo a constituir um grupo comercial, industrial ou de qualquer outra atividade. Todavia, o conceito expresso na CLT, em face da evolução nas relações empresariais no mundo globalizado, tem sido interpretado de maneira mais ampla, e já não é visto de forma rígida (somente se houver vínculo formal, com participação acionária entre as empresas), conforme demonstrado pela jurisprudência abaixo: EXECUÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. ART. 2º, § 2º DA CLT. PRESSUPOSTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No contexto da vocação juslaborista, a configuração de grupo econômico refoge aos pressupostos da legislação comercial. Sob aquele enfoque, suficiente a ligação empresarial fundada na concentração da atividade empreendedora em idêntico empreendimento, seu controle e gestão atribuídos a um dos sócios comuns, ou seja, um elo de interligação e coordenação interempresarial, tendo em vista a consecução de finalidades comuns e correlatas, independentemente da personalidade jurídica atribuída. Inocorrendo demonstração inequívoca da figura elencada no art. 2º, § 2º consolidado, não há que se aventar de grupo econômico. (TRT da 12ª Região, AP 02705200300712001, Sexta Câmara, Relatora Ligia Maria Teixeira Gouvêa, TRTSC/DOE de13/05/2011) GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.632 45 seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2º da CLT. (TRT 3ª R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO. Tendo em vista que no Direito do Trabalho a fixação do grupo econômico não se reveste daquelas características e exigências comuns da legislação comercial, bastando que haja o elo empresarial, a integração entre as empresas, a concentração da atividade empresarial num mesmo empreendimento, independentemente de diversidade da personalidade jurídica e, ainda, se as empresas têm o seu controle e a sua administração dividido entre vários sócios, pessoas físicas, os quais respondem para com a sociedade e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, pelo excesso de mandato e pelos atos que praticarem com violação da Lei e do estatuto, e também considerando que possuem sócios em comum, configurada está a existência de grupo econômico e, em conseqüência, aplicável, o disposto parágrafo 2º do art. 2º da CLT. Esta, a propósito, é uma hipótese em que a solidariedade resulta não só da lei, mas também da própria vontade dos contratantes. E além do mais, é suficiente para a caracterização de grupo econômico uma relação de coordenação entre as diversas empresas, sendo irrelevante a prova de dominação de uma sobre as outras, bastando que haja indícios da existência de uma coordenação interempresarial com objetivos comuns, valendo frisar, por fim, que a presunção também se constitui meio de prova para configuração do grupo econômico, tal como preceitua o art. 212, IV, do Código Civil c/c art. 335 do Código de Processo Civil. (TRT 3ª R. 2T RO/00637/04 Rel. Juiz Rodrigo Ribeiro Bueno DJMG 04/11/2004 P.10). GRUPO ECONÔMICO. REQUISITOS PREENCHIDOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Para a caracterização de grupo econômico, exigese a simples relação de coordenação entre as empresas, mediante a informalidade do Direito do Trabalho, sendo desnecessária a vinculação formal societária entre as empresas, já que se busca a garantia da solvabilidade dos créditos trabalhistas, dada a sua natureza alimentar, primando pela dignidade da pessoa humana e pelo valor social do trabalho, assegurados constitucionalmente. Do conjunto probatório existente nos autos, restou caracterizado, de forma evidente, que as rés foram beneficiárias da força de trabalho do reclamante, bem como a existência de laços de integração e coordenação nas atividades desenvolvidas pelas Fl. 4654DF CARF MF 46 mesmas, atraindo o reconhecimento do grupo econômico para fins justrabalhistas, embora não configurado pelas regras do direito empresarial, impondose a responsabilização solidária de todas as reclamadas, com base no artigo 2º, § 2º, da CLT, assim como do artigo 942 do Código Civil Brasileiro de 2002. (TRT da 6ª Região, RO 000115612.2010.5.06.0121, Segunda Turma, Relatora Dione Nunes Furtado da Silva, Sessão de 01/06/2011) Os entendimentos doutrinários seguem no mesmo sentido das manifestações jurisprudenciais colacionadas e corroboram para o esclarecimento do que deve ser entendido como grupo econômico. Nas palavras do professor Octavio Bueno Magano, “o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como fenômeno de concentração, incompatível com o individualismo, mas perfeitamente consentâneo com a sociedade pluralista a que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e da incorporação que constituem a concentração na unidade, o grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particularizase, entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades autônomas, submetido o conjunto à unidade de direção”. (In Magano, Otávio Bueno, “Os Grupos de Empresas no Direito do Trabalho”, São Paulo, ed. Revista dos Tribunais, 1979, pg. 305). Como realidade do mundo econômico, o grupo se apresenta com as mais diversas feições, podendo ser realçadas as seguintes: "a do cartel, a do consórcio, a do truste, a da holding company, a da entende, a do pool, a da trade association, a do conglomerado, a da multinacional, a da joint venture, a do gran perment d'intérêt économique, a do konzern”. Em continuação, o Prof. Magano dá a definição de grupo de empresas, conforme segue: "Definese o grupo como conjunto ou sociedades juridicamente independentes, submetidas à unidade de direção". Na lição de Délio Maranhão, “A solidariedade não se presume – diz o citado art. 896 do Código Civil – ‘resulta da lei ou da vontade das partes’. Mas a existência do grupo do qual, por força da lei, decorre a solidariedade, provase, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite” (in Instituições de Direito do Trabalho, vol. 1 – 15ª ed. – São Paulo: LTr, 1995, p.297).O mencionado art. 896 corresponde aos artigos 264 e 265 do Código Civil vigente. Fábio Ulhoa Coelho, conceitua grupo de sociedade como "a associação de esforços empresariais entre sociedades, para a realização de atividades comuns". (Manual de Direito Comercial. São Paulo. Ed. Saraiva, 1999, pg. 303). José Antunes conceitua esta forma de concentração de empresas como "todo conjunto mais ou menos vasto de sociedades comerciais que, conservando embora as respectivas personalidades jurídicas próprias e distintas, se encontram subordinadas a uma direção econômica unitária e comum". (em Direito dos Grupos de Sociedades. Jorge Lobo. Revista de Direito Mercantil, Brasil, v. 107, p. 102). Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 15868.720075/201572 Acórdão n.º 2201004.809 S2C2T1 Fl. 4.633 47 No mesmo sentido, vale transcrever as sábias palavras do professor e magistrado Sérgio Pinto Martins: Não é necessário que entre empresas haja controle acionário, nem que exista a empresamãe, a holding. O importante é que existam obrigações entre as empresas, determinadas por lei. É possível, também, a configuração do grupo de empresas quando o citado grupo seja dirigido por pessoas físicas com controle acionário majoritário de diversas empresas, havendo um controle comum, pois há unidade de comando, unidade de controle. A Lei nº 6.404/76 estabelece que o grupo deve ser necessariamente de sociedades, mas no Direito do Trabalho o grupo é mais amplo, pois é o grupo de empresas, dando margem à existência do grupo de fato ou do grupo formado por pessoas físicas. Assim, as pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas formarão o grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não importando que tipo de pessoa detenha a titularidade do controle, se pessoa física ou jurídica. (destacouse) (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 126) Extraise da doutrina supracitada que a caracterização de um grupo econômico de fato passa essencialmente pela unidade de gestão sobre uma pluralidade de sociedades formalmente independentes. No presente caso, verificase da análise dos autos que, em que pese as alegações apresentadas nas impugnações de fls. 1948 a 2007 e 4249 a 4254, não há como se negar que as sociedades empresárias Pé com Pé Calçados Ltda e Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda, compõem grupo econômico de fato, visto que foi fartamente comprovado pela autoridade fiscal que as duas referidas sociedades empresárias, além de serem administradas e controladas pelas mesmas pessoas (sócios Claudenir Antônio Detini e Wagner Aécio Poli), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). (...) Omissis Diante do exposto, verificase que, em que pesem as alegações apresentadas nas impugnações de fls. 1948 a 2007 e 4249 a 4254, a sociedade empresária Poli & Detini Indústria de Calçados Ltda deve ser mantida no pólo passivo do presente auto de infração, na condição de responsável solidária, por força do disposto no artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, c/c o inciso IX, do artigo 30, da Lei nº 8.212/1991. Conclusão Fl. 4656DF CARF MF 48 9 Diante do exposto, conheço de ambos os recursos voluntário e NEGO LHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 4657DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902173/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.626
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 17 3/ 20 13 -3 0 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10850.902173/201330 Resolução nº 3401001.626 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10850.902173/201330 Resolução nº 3401001.626 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720788/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/07/2009
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL
Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver manifesto erro material entre a decisão e a ementa do dispositivo.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, para retificar a ementa e o dispositivo do Acórdão embargado para constar que os embargos foram acolhidos, para sanar obscuridade/contradição, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/07/2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver manifesto erro material entre a decisão e a ementa do dispositivo. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, para retificar a ementa e o dispositivo do Acórdão embargado para constar que os embargos foram acolhidos, para sanar obscuridade/contradição, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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ERRO MATERIAL Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver manifesto erro material entre a decisão e a ementa do dispositivo. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, para retificar a ementa e o dispositivo do Acórdão embargado para constar que os embargos foram acolhidos, para sanar obscuridade/contradição, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 07 88 /2 01 4- 15 Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301005.664 S3C3T1 Fl. 2.266 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 2312 a 2313) apresentados pela Fazenda Nacional, em 15 de outubro de 2018, em relação a decisão consubstanciada no Acórdão de Embargos nº 3301004.742 (fls. 2301 a 2310), de 19 de junho de 2018, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção, que por unanimidade rejeitou os embargos. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório da decisão proferida pela DRJ: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/04/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados na importação e Contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 26.551.240,90, em virtude dos fatos a seguir descritos. O importador por meio das Declarações de Importação relacionadas na Tabela 3 do Relatório de Procedimento Fiscal, submeteu a despacho evaporadores e condensadores para equipamentos de ar condicionado "splitsystem" e os classificou em diversas NCMs como tal. Ocorre que efetivamente foram importados equipamentos completos de ar condicionado "splitsystem", classificáveis na Tarifa Externa Comum (TEC) no código NCM 8415.10.11, conforme explicado no Relatório de Procedimento Fiscal que segue anexo à este Auto de Infração. Sendo assim, cobrase a diferença do Imposto de Importação, nos casos em que foi recolhido a menor, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 27/06/2014 (fls. 1374), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 28/07/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 1.383 à 1.461, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Em resumo, o impugnante alegou que: • A nulidade dos lançamentos efetuados com base no art. 10 c/c art. 59, I do Decreto 70.235/72, dada a incompetência da autoridade fiscal lotada na IRF de Florianópolis que efetuou os lançamentos que compõe o presente PAF, pois as Declarações de Importação alvo da revisão aduaneira foram registradas em Itajaí/SC, sob jurisdição da Alfândega do Porto de Itajaí, conforme Portaria RFB n° 2466/10, e não sob jurisdição da IRF de Florianópolis; • As autoridades da Alfândega do Porto de Itajaí, através dos Processos 10909.721.429/201214, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/201311, foram as primeiras a conhecer das operações, razão pela qual estariam preventas, afastando a competência de qualquer outra para conhecer dos mesmos fatos; Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301005.664 S3C3T1 Fl. 2.267 3 • As classificações fiscais nas NCM 8415.90.00, 8415.90.10, 8415.90.20 e 8418.69.40 apresentadas pela Impugnante por ocasião dos registros das Declarações de Importação estavam corretas, não podendo ser reclassificadas para a posição NCM 8415.10.11, pois além de NÃO ter restado comprovada a importação de "conjunto/pares", também há de se considerar que havia critério jurídico inequivocamente fixado pelos PAF's 10909.721.429/2012 14, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/2013 11 e pelos 117 desembaraços realizados em canal vermelho e, portanto, inviável para a Autoridade fiscal, com base em erro de direito, e em desobediência ao art. 146 do CTN, pretender, mediante reclassificação tarifária, revisar lançamentos expressamente homologados; • Em face da litispendência administrativa verificada, sejam anulados todos os créditos tributários constituídos com base nas Declarações de Importação que já foram alvo de revisão aduaneira por meio dos PAF's 10909.721.429/2012 14, 10909.722.846/2012 76, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/2013 11; • Que se promova a ilegal exigência fiscal em duplicidade, e porque não se encontra presente a hipótese do art. 145, III do CTN; • Que sejam anulados, além dos créditos tributários apurados com base nas Declarações de Importação de unidades condensadoras que já tinham sido autuadas nos PAF's 10909.721129/201214, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e que também se anule os créditos tributários apurados relativamente às Declarações de Importação que amparavam a importação de unidade evaporadoras, e das quais a fiscalização entendeu formar um conjunto com aquelas unidades condensadoras por meio da Tabela 5 do Relatório Fiscal, pois nesses casos impossível a formação do alegado "conjunto"; • Que sejam anulados os lançamentos efetuados em desconsideração ao EX TARIFÁRIO previsto para a NCM 8415.10.11, pois que dentre as "partes" de ar condicionado importadas estavam aquelas com capacidade igual ou maior do que 30.000 BTUs, ou seja, com capacidade entre 7.500 e 30.000 frigorias/hora. Logo, reclassificandoas para a NCM 8415.10.11 deveria ser aplicado o Ex Tarifário 001 que impõe a incidência da alíquota de 18% e não de 35%, como foi feito. Portanto, indevida a diferença de II apurada, com reflexo nos outros tributos; • Que sejam integralmente declarados nulos os Autos de Infração do PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, pois além do STF ter reconhecido no julgamento do RE 559937/RS com repercussão geral que a base de cálculo dos referidos tributos é apenas o valor aduaneiro, a empresa Impugnante teve reconhecido em decisão judicial transitada em julgada (Processo n9 5003996 90.2011.404.7208 – 2ª Vara Federal de Itajaí) que em suas importações a base de cálculo é tão somente o valor aduaneiro. Logo, o lançamento suplementar de II e IPI jamais poderiam refletir na elevação da base de cálculo do PIS/COFINSimportação, como ocorreu no presente caso, motivo pelo qual absolutamente nulo os Autos de Infração das referidas Contribuições. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.501, de 29 de outubro de 2014, indagando à autoridade preparadora o seguinte: Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301005.664 S3C3T1 Fl. 2.268 4 1. Procede a afirmação feita pelo impugnante de que entre os anos de 2012 e 2013 foram formalizados 04 (quatro) Processos Administrativos Fiscais resultantes de autuações para a cobrança dos tributos aduaneiros e da multa regulamentar? 2. Se afirmativa a resposta, existe duplicidade de autuação em relação às Declarações de Importação acima relacionadas? Explicar se os objetos de autuação do presente processo fiscal e daqueles relacionados pelo impugnante são os mesmos? 3. Juntar uma cópia da exordial da ação judicial n° 5014513 81.2011.404.7200 ingressada pelo impugnante perante a 4ª Vara Federal de Florianópolis/SC e da respectiva sentença de mérito e acórdão (se já houver) para fins de análise da CONCOMITÂNCIA. 4. Comentar a afirmação feita pelo impugnante às folhas 1.433 do processo digital: Nos 04 (quatro) Processos Administrativos Fiscais anteriores, a Receita Federal fixou critério jurídico, pois que acolheu as classificações constantes das Dls revisadas, limitandose a discutir o percentual de cada uma da alíquotas incidentes sobre as operações. Neste contexto, implicitamente admitiu que as unidades condensadoras importadas pela Impugnante classificadas na posição NCM 8415.90.20 estavam corretas, eis que não impugnou este proceder da Impugnante. Assim, seja do ponto de vista material, seja do ponto de vista jurídico, manteve inlaterada a classificação na posição NCM 8415.90.20, limitandose a efetuar o lançamento de ofício cobrando os tributos aduaneiros decorrentes da diferença de alíquota do li (de 14% para 25%), não se cogitando de que tais mercadorias pudessem ser classificadas como " ar condicionado". (grifo e negrito nossos) 5. Comentar a afirmação feita pelo impugnante às folhas 1.448/1.449 do processo digital: Para efetuar a reclassificação fiscal pretendida, o d. Auditor Fiscal deveria ter prestado atenção em dois EXTARIFÁRIOS existentes para a posição tarifária na NCM 8415.10.11. No caso do Imposto de Importação, entre 15/09/2011 a 31/08/2012, a posição tarifária NCM 8415.10.11 pretendida pela Fiscalização, possuía EX TARIFÁRIO 001, que determinava que os aparelhos de arcondicionado split system com capacidade entre 7.500 e 30.000 frigorias/hora seriam tributados pela alíquota de 18%, e não 35%. Em relação ao IPI, entre 01/09/2012 e 30/09/2013, posição tarifária NCM 8415.10.11 pretendida pela Fiscalização, possuía EXTARIFÁRIO 01, que determinava que os aparelhos de arcondicionado splitsystem com capacidade menor do que 7.500 frigorias/hora seria tributado pela alíquota de 35% e, por conseguinte, os que tivessem capacidade maior ou igual a 7.500 frigorias/hora sofreria a incidência da alíquota de 18% e não 35%. No caso em tela, o d. Auditor Fiscal responsável pela lavratura dos autos de infração, em muitos casos NÃO tomou o cuidado de averiguar a capacidade das unidades importadas para definir se haveria incidência do extarifário. (grifo e negrito nossos) Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301005.664 S3C3T1 Fl. 2.269 5 Após a resposta, novamente a 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.528, de 30 de janeiro de 2015, para a oitiva do autuado. Em 28 de abril de 2015, foi feita NOVA RESOLUÇÃO de nº 16.000.571, para que a autoridade preparadora RECALCULASSE a base de cálculo das Contribuições PIS/COFINS Importação à luz do disposto no Recurso Extraordinário RE 559937 da lavra da Sra. Ministra Ellen Gracie. Intimado em 21/08/2015, via Aviso de Recebimento (folhas 1.862) o autuado se manifestou pela anulação do Auto de Infração. Foi proferido o Acórdão nº 33010003.193 que negou provimento ao Recurso Voluntário e que ficou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/07/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. Importação de evaporadores e condensadores para equipamentos de ar condicionado "splitsystem" com classificação tributária em diversas NCMs. A exegese dada pela Autoridade Fiscal ao conteúdo da regra de interpretação 2 a das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado com a classificação tributária correta no código NCM 8415.10.11 é a adequada que encontra pleno nexo de causalidade entre o conteúdo da regra e os elementos materiais trazidos pelo Relatório de Procedimento Fiscal. Recurso Voluntário negado. A admissibilidade dos Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional se deu por intermédio do Despacho em Embargos Inominados, em 16 de outubro de 2018, pelo il. Conselheiro Winderley Morais Pereira. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em relação a decisão consubstanciada no Acórdão de Embargos nº 3301004.742, são tempestivos e atendem os requisitos legais. Assim dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, acerca dos Embargos de Declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301005.664 S3C3T1 Fl. 2.270 6 §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração em que alega a existência de erro material da seguinte forma: Conforme despacho de admissibilidade, os embargos de declaração do contribuinte foram parcialmente acolhidos, em razão de se verificar procedente a alegação de obscuridade/contradição quanto à matéria relativa à existência de duplicidade de lançamento, e rejeitado quanto às demais matérias. Em julgamento dos mencionados embargos foi proferido o acórdão nº 3301 004.742, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/07/2009 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver manifesta contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. (grifos nossos) Outrossim, consta da conclusão do voto condutor: Diante da constatação de obscuridade/contradição no voto ora embargado frente ao decidido no Acórdão nº 3301003.193, voto por acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para alterar um parágrafo do voto e o dispositivo, que passam a ter a seguinte redação: (...) Considerando a diligência, entendo que não assiste razão ao Contribuinte na alegada duplicidade de autuação, visto que os objetos não são os mesmo. (...) Em conclusão “De acordo com a legislação vigente e com as provas no presente processo voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. Portanto, diante da legislação aplicável e os autos do processo, voto por acolher os embargos declaratórios para sanar a obscuridade/contradição sem efeitos infringentes. Pela simples leitura da ementa e da conclusão do voto, inferese que os embargos de declaração foram acolhidos para sanar a obscuridade/contradição, sem efeitos infringentes. Segundo o art. 66 do RICARF, as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Assim, em face do exposto, requer sejam os presentes Embargos acolhidos e providos, para que seja tão somente retificada a ementa, e sua parte dispositiva, para constar o decidido pela Turma, que acolheu os embargos declaratórios para sanar a obscuridade/contradição, sem efeitos infringentes, não deixando Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301005.664 S3C3T1 Fl. 2.271 7 qualquer margem de dúvidas para eventual interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Frente ao evidente erro material, voto por conhecer dos embargos da Fazenda Nacional com a retificação da ementa e do dispositivo para constar que os embargos declaratórios foram acolhidos para sanar obscuridade/contradição, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 2323DF CARF MF
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Numero do processo: 13853.000120/2002-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito que pretende compensar. Não há como ser reconhecido o crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada por meio de documentação contábil-fiscal hábil e idônea.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
SUSTENTAÇÃO ORAL NOS JULGAMENTO DAS TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. Art. 61-A, §2º do Anexo II, RICARF. REQUERIMENTO PRÉVIO ATÉ 5 DIAS DA PUBLICAÇÃO DA PAUTA.
O art. 61-A, §2º, do Anexo II do RICARF, dispõe sobre o pedido de sustentação oral no âmbito das Turmas Extraordinárias do CARF:
"A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)"
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE.
As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária (in casu, no Sistema CNPJ), sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam encaminhadas ao endereço do seu gerente ou procurador, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72).
Numero da decisão: 3003-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1997 PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito que pretende compensar. Não há como ser reconhecido o crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada por meio de documentação contábil-fiscal hábil e idônea. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 SUSTENTAÇÃO ORAL NOS JULGAMENTO DAS TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. Art. 61-A, §2º do Anexo II, RICARF. REQUERIMENTO PRÉVIO ATÉ 5 DIAS DA PUBLICAÇÃO DA PAUTA. O art. 61-A, §2º, do Anexo II do RICARF, dispõe sobre o pedido de sustentação oral no âmbito das Turmas Extraordinárias do CARF: "A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)" INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária (in casu, no Sistema CNPJ), sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam encaminhadas ao endereço do seu gerente ou procurador, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito que pretende compensar. Não há como ser reconhecido o crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada por meio de documentação contábilfiscal hábil e idônea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 SUSTENTAÇÃO ORAL NOS JULGAMENTO DAS TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. Art. 61A, §2º do Anexo II, RICARF. REQUERIMENTO PRÉVIO ATÉ 5 DIAS DA PUBLICAÇÃO DA PAUTA. O art. 61A, §2º, do Anexo II do RICARF, dispõe sobre o pedido de sustentação oral no âmbito das Turmas Extraordinárias do CARF: "A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017)" INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária (in casu, no Sistema CNPJ), sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 3. 00 01 20 /2 00 2- 98 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 3 2 encaminhadas ao endereço do seu gerente ou procurador, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração da contribuição ao PIS, atinente a julho de 1997, em decorrência de auditoria interna na DCTF apresentada pelo contribuinte. Na referida declaração, o contribuinte informou compensação com DARF, no valor de R$ 4.325,73, sendo que o pagamento não foi localizado. Cientificada da autuação, o contribuinte apresentou impugnação na qual sustentou que teria realizado autocompensação do referido débito de PIS, objeto da autuação, com base na declaração de inconstitucionalidade das alterações realizadas na apuração da contribuição pelos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88. Alegou, ainda, que a referida compensação poderia ter sido realizada sem requerimento, com base no art. 14 da IN/SRF nº 21/97 e no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Pugnou, então, pela nulidade da autuação, tendo juntado planilha para buscar demonstrar a origem do crédito compensado. Tendo recebido a impugnação, a DRJ Ribeirão Preto propôs o retorno do processo para que aguardasse o desfecho de processo de compensação. O processo foi encaminhado, então, para a análise da Delegacia da Receita Federal em Franca, a qual exarou o despacho DRF/FCA/SACAT/403/2011, nos seguintes termos: Como já relatado, o contribuinte pretende desconstituir o lançamento fiscal sob o fundamento de que o débito teria sido liquidado mediante compensação, efetuada por sua conta e risco. Todavia, é importante consignar que a compensação efetuada por conta e risco do contribuinte (Instrução Normativa 21/97), nos moldes permitidos anteriormente à edição da Medida Provisória nº 66/2002, requer lançamentos contábeis do encontro de contas suscetíveis de demonstrar a quantificação dos indébitos, a identificação das dívidas anuladas, bem como a data em que foi efetivada. No caso em foco o contribuinte apenas alegou ter efetuado a compensação, sem, contudo, haver juntado documentos contábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovassem de maneira cabal o encontro de contas. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 4 3 Decisão: Em face do exposto, e ante a falta de comprovação da alegada compensação, concluise não há amparo legal para acolher o requerimento apresentado pelo autuado. Ordem de Intimação: Remetase, portanto, este processo a Delegacia da Receita Federal de Bauru/SP para ciência do contribuinte do presente despacho e o prosseguimento da cobrança do débito, observando que contra esta decisão poderá ser apresentada manifestação de inconformidade (sic) no prazo de 30 dias da ciência deste.” Intimado do referido despacho, o contribuinte apresentou nova impugnação, reforçando, em síntese, os argumentos da primeira impugnação, aduzindo, ainda, em resposta ao argumento de falta de comprovação da compensação alegada, que "o Fisco tem o poder de requerer e ou averiguar a contabilidade de qualquer empresa e assim, caso pretendesse conferir lançamentos contábeis de razão e ou diário, bastava solicitar” e que “nem se diga que a RFB não tinha os comprovantes de pagamento do PIS para fins de conferir, pois isto é admitir que o Governo não tenha o controle da arrecadação, ou mesmo acesso ao ‘contas correntes fiscal’ dos Contributarios, o que nem mesmo pode ser nominado”. Pugna, ao final, pela nulidade da autuação, pela notificação e intimação da decisão ao patrono da recorrente e por sustentação oral. A 2ª Turma da DRJ em Recife proferiu decisão, negando provimento à impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 DECRETOSLEIS Nos 2.445/88 E 2.449/88. INCONSTITUCIONALIDADE. São inconstitucionais as alterações levadas a efeito na apuração da Contribuição para o PIS pelos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 49/95. Tendo o contribuinte feito pagamentos indevidos ou a maior com base nestes diplomas legais, tem ele direito à restituição do indébito, em espécie ou pela via da compensação, observados o prazo decadencial e as normas complementares pertinentes. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 AUTOCOMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO CONSTITUCIONAL. POSSIBILIDADE, ANTES DA VIGÊNCIA DA MP Nº 66/2002. Na égide da IN/SRF nº 21/97, art. 14, até o advento da Medida Provisória nº 66/2002 (posteriormente convertida na Lei nº 16.637/3002), que trouxe da Declaração de Compensação, os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, independentemente de requerimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 5 4 O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). PENALIDADES. REDUÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106, II, “c”, do CTN). Deixando de ser exigido o lançamento de ofício e passando a ser feita a simples cobrança, há que ser exonerada a multa de ofício, de 75 %, e cobrada a multa de mora, de 20 % (seja ela punitiva ou não, pois há outro dispositivo legal que a sustenta – art. 61 da Lei nº 9.430/96), cobrança esta de competência da Unidade de Origem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), quando, sob o “manto” de um Auto de Infração, está em discussão tão somente uma compensação , devem ser apresentadas por ocasião da Impugnação, precluindo o direito de posterior juntada. DILIGÊNCIAS. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo, fundamentadamente, as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18 c/c art. 28, in fine, do Decreto nº 70.235/72). DEFESA ORAL NOS JULGAMENTO DAS DRJ. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal da realização de defesa oral, seja pelo sujeito passivo, seja pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos julgamentos administrativos de 1ª instância. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO CONTRIBUINTE. As intimações fiscais devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária (in casu, no Sistema CNPJ), sendo desarrazoado qualquer pedido de que sejam encaminhadas ao endereço do seu gerente ou procurador, ainda mais sob pena de nulidade (art. 23, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). Impugnação Improcedente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reforçando alguns argumentos apresentados em sua impugnação e aduzindo, em síntese, que a decisão recorrida afastou indevidamente a compensação realizada em DCTF, com observância das normas infralegais (IN 21/97 e IN 32/97). Argumenta que é absurda a alegação do colegiado a quo segundo a qual não teriam sido apresentados documentos fiscais e contábeis aptos a comprovar a compensação realizada. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 6 5 Além disso, sustenta que se o julgador da DRJ em Recife não dispunha de elementos "que lhe convencesse da compensação correta, ou mesmo lhe faltar acesso aos sistemas de informações da RFB, deveria, no mínimo, baixar novamente a diligências" e que, a "RFB baseado no seu dever legal impingido pelo princípio da moralidade pública deveria ter em seus sistema (sic), a informação dos valores pagos a maior, notoriamente em casos similares de tributos tidos como inconstitucionais, os cálculos já prontos e aptos a devolver ao Contribuinte". Pede, por fim, que a autuação seja julgada insubsistente, que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da recorrente e que haja sustentação oral. É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O presente litígio se resume à questão acerca da comprovação dos créditos utilizados para a compensação do débito de PIS, do período de apuração 07/97, objeto de autuação fiscal. Tal questão foi muito bem abordada pelo acórdão recorrido, transcrito, em parte, a seguir: (...)6. É mais que reconhecida a inconstitucionalidade da alterações trazidas pelos DecretosLeis em questão, bem como a possibilidade de compensação da Contribuição para o PIS com débitos vincendos da mesma contribuição, independente de requerimento, antes do advento da Medida Provisória nº 66/2002 (posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002), que trouxe a Declaração de Compensação. 7. A questão, aqui, então, não é de Direito, mas unicamente de fato, ou seja, da comprovação e quantificação do alegado direito creditório. 7.1. Aliás, esta foi o motivo da recusa da DRJ/Ribeirão Preto em se pronunciar sobre o assunto, encaminhando o Processo para a Unidade jurisdicionante do contribuinte. 8. Formalmente estamos diante de uma Auto de Infração e alguém poderia dizer (com razão se a situação fosse outra) que o ônus da prova seria do Fisco, mas, na realidade, não foi detectada uma infração propriamente dita pela autoridade fiscal. 8.1. O contribuinte presta uma informação incorreta na DCTF, de que tinha feito uma “Compensação com DARF”, e o aludido pagamento não foi encontrado nos Sistemas da antiga SRF, razão pela qual foi feito o lançamento de ofício (hoje nem seria realizado, pois o valor declarado em DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, dispensando o lançamento, conforme Súmula nº 436 do STJ). 9. Estamos então, na realidade, discutindo uma compensação com um alegado direito creditório, sendo expresso art. 36 da Lei nº 9.784/99 (que regula, de forma geral, o Processo Administrativo no âmbito da Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 7 6 Administração Pública Federal e á aplicada subsidiariamente ao PAF) ao dizer que “cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado”. 9.1. Ainda, por aplicação analógica da disposição embutida no art. 333, I, da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), recai sobre o contribuinte o encargo de comprovar que o pagamento espontâneo por ele realizado foi maior do que o devido, por ser este o fato constitutivo do direito à restituição, em espécie, ou pela via da compensação. (...) 9.3. E deixou, não por uma, mas por duas vezes, passar a interessada o prazo para apresentar as provas (conclusivas), do seu direito, ainda que autoridade a quo expressamente baseasse seu parecer na ausência das mesmas. Este prazo está definido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70. 235/72 (sendo previstas excepcionalidades em suas alíneas, nas quais o presente caso não se enquadra): (...) 10. Ainda que, indiretamente, poderseia dizer que a autuada aventou, na sua segunda Impugnação, a possibilidade de realização de uma diligência, mas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex officio, a realização de diligência ou perícia (art. 18 do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações, com amparo em documentos hábeis. (...) 11.1. Para se certificar que o contribuinte detêm efetivamente o direito creditório, e em que medida, não basta uma simples planilha – que não está aqui a se afirmar que é inidônea, mas não traz os elementos necessários para que o julgador possa formar sua convicção – nem mesmo a mera comprovação dos pagamentos realizados. 11.2. Em primeiro lugar, é preciso saber como se chegou à base de cálculo – o que é impossível, sem que se tenha, nos autos, ao menos a escrituração fiscal –, e é indispensável a escrituração contábil, para que se possa verificar se foi efetivamente realizada a autocompensação. 11.3. Assim, por ausência de elementos probantes essenciais (que demonstrouse ser, in casu, ônus da autuada trazêlos à nossa apreciação), não há como se acolher a pretensão do contribuinte. A decisão recorrida assinalou, de maneira acertada, que não restou demonstrado o direito creditório que teria sido utilizado pelo contribuinte para compensar o débito de PIS objeto da autuação. Com efeito, apesar de ter a possibilidade de ter apresentado, na fase de impugnação, os elementos probatórios para comprovar a subsistência da compensação alegada, a recorrente furtouse à tal ônus, buscando transferir, ao órgão a quo, a responsabilidade de provar o seu direito creditório. Nessa esteira, de forma correta, a decisão recorrida assentou que a impugnante deveria ter juntado aos autos documentos hábeis para provar seu direito creditório, ônus processual que não é de forma alguma afastado pela faculdade do colegiado em determinar a realização de diligência ou perícia. Salientese que, antes da decisão recorrida, a recorrente já havia sido cientificada da insuficiência de provas para a demonstração da subsistência da compensação alegada, por meio do despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Franca, às fls. 38 a 41, no qual restou consignado que "a compensação efetuada por conta e risco do contribuinte (Instrução Normativa 21/97), nos moldes permitidos anteriormente à edição da Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 8 7 Medida Provisória nº 66/2002, requer lançamentos contábeis do encontro de contas suscetíveis de demonstrar a quantificação dos indébitos, a identificação das dívidas anuladas, bem como a data em que foi efetivada", não tendo o contribuinte, no caso analisado, juntado "documentos contábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovassem de maneira cabal o encontro de contas". Há que se lembrar que a compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações ou planilhas. Fazse necessário que alegações, declarações e planilhas sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que as lastreiem. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o direito creditório alegado, objeto dos pedidos de restituição e compensação ora analisados. Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o § 4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 9 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ainda assim, em homenagem ao princípio da verdade material, analisei os autos, buscando encontrar novos elementos de provas, e verifico que, até o presente momento, não houve a apresentação de documentação hábil e idônea para comprovação da compensação alegada pela recorrente. Junto ao seu recurso, não foi apresentado qualquer documento para justificar, afirmar e delimitar a extensão do direito creditório invocado, tendo a recorrente apenas se restringido a reafirmar suas alegações, sem, contudo, demonstrálas. Há que se lembrar que planilhas, declarações ou demonstrativos apresentados pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo, sua natureza e sua exatidão, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. No caso concreto, a recorrente deveria ter trazido descrição minuciosa da apuração do crédito pleiteado, estabelecendo conexões entre documentos contábeis e fiscais e a respectiva apuração do tributo, demonstrando a existência e extensão do direito creditório utilizado na compensação do débito litigioso. A recorrente não reuniu elementos essenciais para demonstrar seu crédito: diante da ausência de escrituração contábilfiscal, não é possível aferir a certeza e a liquidez do crédito alegado. Salientese, ainda, que o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, tem como fundamento o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF Nº 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF Nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. § 2º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas JurídicasIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 10 9 § 4º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os §§ 2º e 3º, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Tal sistemática vigorou até a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de ofício deveria se limitar à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas, aplicandose, unicamente, nas hipóteses de o crédito (ou débito) não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso concreto, o lançamento discutido foi realizado em face de DCTF transmitida antes do advento do art. 18 da MP nº 135/2003, constituindose, portanto, ato plenamente válido e subsistente em face das normas vigente à época em que foi lavrado, de maneira que o pedido da recorrente se revela improcedente. No tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Quanto ao pedido para que as intimações sejam feitas no endereço do patrono da recorrente, cabe lembrar o que dispõe o art. 23, § 4º do Decreto nº 70.235/72, o qual expressamente estabelece que as intimações devem ser enviadas ao domicílio do contribuinte informado, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Mostrase, assim, descabido o pedido de encaminhamento de intimações ao endereço do diretor da empresa ou do seu patrono, sob pena de nulidade. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13853.000120/200298 Acórdão n.º 3003000.129 S3C0T3 Fl. 11 10 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720448/2017-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÃO IMPRESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese em que a própria Autoridade Fiscal reconhece que a escrituração que serviu de base para o lançamento era imprestável, é evidente que o Auto de Infração deve ser cancelado, à luz do princípio da legalidade e do caráter vinculado da atividade fiscal.
Numero da decisão: 1302-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÃO IMPRESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese em que a própria Autoridade Fiscal reconhece que a escrituração que serviu de base para o lançamento era imprestável, é evidente que o Auto de Infração deve ser cancelado, à luz do princípio da legalidade e do caráter vinculado da atividade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 48 /2 01 7- 28 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 141 2 Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face de decisão que exonerou o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargo de multa constituídos com base em escrituração imprestável, conforme denota a ementa do Acórdão n. 0740.834, 6ª Turma da DRJ/FNS: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2014, 30/06/2014, 30/09/2014, 31/12/2014 LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÃO IMPRESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese em que a própria Autoridade Fiscal reconhece que a escrituração que serviu de base para o lançamento era imprestável, é evidente que o Auto de Infração deve ser cancelado, à luz do princípio da legalidade e do caráter vinculado da atividade fiscal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Para a devida síntese do processo, transcrevo parte do relatório do acórdão mencionado: A pessoa jurídica acima identificada foi submetida a procedimento fiscal, do qual resultou a exigência da importância de R$ 7.703.808,76 a título de IRPJ, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais, nos termos do Auto de Infração de fls. 55 a 66. Também foi lavrado o Auto de Infração de fls. 67 a 78, por meio do qual é exigência da importância de R$ 2.773.371,04 a título de CSLL, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais O lançamento foi resultante da constatação de que a Contribuinte não pagou e nem declarou em DCTF (fls. 31 a 34) a totalidade do Imposto e da Contribuição referentes aos trimestres do anocalendário de 2014, apurados segundo as regras do Lucro Real na sua Escrituração Contábil Fiscal – ECF (fls. 19 a 30). As informações consideradas pela Autoridade Fiscal foram as seguintes: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 142 3 O procedimento fiscal foi iniciado em 23/03/2017 (Fls. 2 e 3). Em 30/03/2017 (fls. 4 a 6), a Contribuinte foi intimada a esclarecer as divergências acima apontadas. A resposta apresentada à Fiscalização em 19/04/2017 (fls. 12 a 14) foi elaborada e assinada pelo titular do escritório de contabilidade responsável pela escrituração contábil e fiscal da Contribuinte. Na referida resposta, afirmouse que o escritório de contabilidade contratado pela Contribuinte foi vítima de furto qualificado em 29/12/2014, oportunidade em que foram levados computadores em que se encontravam armazenadas informações da Fiscalizada NIAZITEX. Foi juntada cópia do Boletim de Ocorrência comprovando o alegado (fls. 15 a 18). Afirmouse ainda que, depois de recuperados os dados referentes ao movimento da NIAZITEX, foram gerados os arquivos do SPED ECF/2015 e transmitidos sem a devida conferência, de modo que as informações enviadas não correspondiam às reais atividades comerciais da empresa. Por fim, concluiuse a resposta da seguinte forma: A Autoridade Fiscal considerou insuficientes as explicações oferecidas e efetuou o lançamento. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 52 a 54), registrou o seguinte: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 143 4 Do lançamento fiscal a Contribuinte teve ciência pessoal em 19/05/2017 (fl. 5). Irresignada, em 20/06/2017, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 86 a 91, mais anexos, por meio da qual alega o seguinte: II – FATOS [...] 6 Em 19/04/2017, a Impugnante em atendimento ao Termo de Intimação n° 001, esclareceu ao Sr. Auditor Fiscal o ocorrido, reportando que no momento da entrega da ECF/2015 as informações enviadas não foram correspondentes a atividade real da empresa nem tão pouco, corresponde a movimentação de receitas e despesas, movimentos estes que dão origem ao Lucro Real previsto no Decreto n° 3000/1999 (RIR/99). Conforme concluiu o Senhor Auditor Fiscal "os dados da ECD também estão imprestáveis". 7 Conclui, ainda, o Senhor Auditor Fiscal que na ECF constam informações de receita bruta no valor de R$ 9.624.758,49 (nove milhões, seiscentos e vinte e quatro mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e nove centavos), o mesmo valor, bem como o mesmo tipo de receita de PRESTAÇÃO DE SERVIÇO foi replicado em todos os trimestres. Com a simples análise deste fato, por si só, caracteriza a inconsistência do arquivo. III – NULIDADE IMPRESTABILIDADE DOS ARQUIVOS DIGITAIS 8 A Impugnante foi autuada por insuficiência no recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada com base em divergência entre valores inconsistentes informados na ECD/ECF e dos declarados na DCTF. 9 O arquivo da ECD transmitido em 30/09/2015 não possuía a escrituração contábil das operações realizadas pela Impugnante no período, pois continha apenas 1 (um) registro de lançamento no valor de R$ 10,00 (dez reais) a débito de honorários e crédito de caixa e 4 (quatro) de encerramento. 10 O arquivo da ECF é gerado a partir dos dados contidos na ECD, portanto ambos os arquivos são imprestáveis para a determinação dos tributos devidos, pois não contém os requisitos essenciais e obrigatórios mínimos determinados pela legislação tributária vigente. 11 Verificase na ECD transmitida a informação de uma receita bruta de R$ 9.624.758,49 (nove milhões, seiscentos e vinte e quatro mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e nove centavos) decorrente de prestação de serviços Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 144 5 replicada igualmente e de forma inexplicável nos 4 (quatro) trimestres de 2014, o que não corresponde à real atividade da Impugnante, que apenas comercializa produtos importados, tendo em seu cadastro do CNPJ/MF sob n° 09.183.348/000136, junto a Receita Federal do Brasil o código de descrição das atividades econômicas principal CNAE 46.41901 Comércio Atacadista de Tecidos; códigos secundários CNAE 46.49405 Comércio Atacadista de Artigos de Tapeçaria; Persianas e Cortinas e CNAE 46.41902 Comércio Atacadista de Artigos de Cama, Mesa e Banho; Em sua IE 149.886.476.114, junto a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, sua Atividade Econômica Comércio Atacadista de Tecido; Em seu C.C.M 3.694.5412, junto a Prefeitura do Município de São Paulo, código 31402 Atividade do Comércio, ficando evidente, desta forma, que a Impugnante não é prestadora de serviços. 12 Todas as alegações podem ser constatadas com a análise dos arquivos que foram transmitidos à época e constam no SPED. 13 Caso o ilustre julgador entenda necessária a perícia dos arquivos digitais, a Impugnante, desde já, a solicita para comprovar a incorreção do lançamento, formulando os quesitos referentes aos exames desejados, em cumprimento ao art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, quais sejam: a) determinação do conteúdo dos arquivos ECD/ECF transmitidos à época, especificando os tipos de registros contidos; b) determinação da satisfação aos requisitos técnicos e legais exigidos para tais arquivos. 14 Nomeia como sua assistente técnica/perita a Sra. MÁRCIA PEREIRA DOS SANTOS, brasileira, separada, técnica contábil, inscrita no CRC/SP sob o nº 187961/02, com exercício profissional na Rua Comendador Assad Abdalla, 25 6S andar, Centro, São Paulo/SP, Cep: 01022070. 15 Ante o exposto, é fácil constatar que o crédito tributário lançado de ofício pela fiscalização e constituído com base em elementos infundados não pode prosperar, razão pela qual se requer a decretação de NULIDADE dos lançamentos. IV MÉRITO 16 A Impugnante não reconhece a correção do lançamento efetuado e nega a existência de insuficiência de declaração/recolhimento dos tributos IRPJ/CSLL. 17 Na remota e improvável hipótese de não ser acolhida a matéria preliminar de nulidade, em vista da flagrante incorreção, a Impugnante solicita diligência para auditoria completa de sua escrita contábil e fiscal corretas, já retificadas e transmitidas ao SPED. 18 A Impugnante disponibiliza desde já todos os documentos que deram suporte a escrituração do período e comprovam a correção dos registros informados, para tanto, colaciona à presente os DARF's dos tributos recolhidos e as DCTF's transmitidas (DOCs. 04 e 05), Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 145 6 19 É importante observar que a Impugnante fez a opção tributaria da forma de Lucro Real Trimestral, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, para através da contabilização de suas receitas, despesas, adições e exclusões previstas no Decreto 3000/1999 (RIR/99), apurar o resultado em cada trimestre, ou seja, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, como houve lucro a empresa terá até o último dia útil do mês subseqüente a da apuração para o recolhimento do IRPJ e CSLL, sendo em abril, julho, outubro e janeiro. O prazo de entrega da ECF é 31 de julho do ano subseqüente ficando claro que, no momento da entrega da ECD/ECF a apuração do Lucro Real e cálculo do IRPJ e CSLL, vez que as obrigações tributárias estão reconhecidas e declaradas em DCTF de acordo com a lei, restando claro que não é a ECF que determina a base do IRPJ e CSLL. A ECF contém apenas, as informações das movimentações e dos valores previamente apurados e devidamente recolhidos através de DARF's e declarados/compensados em DCTF. 20 É importante observar, ainda, que as referidas informações contidas na ECF foram transmitidas eivadas de erro material. 21 Como é cediço, o processo administrativo busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. O princípio da verdade material decorre dos princípios da legalidade e igualdade. 22 O princípio da verdade material considera todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tenham sido declarados. 23 A verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. 24 Neste sentido, deve a administração promover de oficio (princípio da oficialidade) as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela seja possível prolatar uma sentença justa. [...] Registrase não ter havido requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN, conforme dossiê 10040.000014/101622. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 146 7 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Por não vislumbrar a necessidade de reparos, lanço mão do art. 57, § 3º do RICARF, para propor a confirmação e adoção das razões da decisão recorrida, a seguir transcritas: Conforme relatado, o lançamento fiscal se baseou nas informações contidas na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) referente ao anocalendário de 2014, apresentada pela Contribuinte em 2015. Na referida escrituração (fls. 19 a 30), consta que a Contribuinte, valendose das regras do Lucro Real, teria apurado o mesmíssimo valor a título de IRPJ em cada um dos quatro trimestres de 2014. E a mesma circunstância se verifica também no caso da CSLL. Considerando que a Contribuinte havia declarado em DCTF e pago via DARF valores inferiores ao informado na ECF, em 30/03/2017, foi intimada a esclarecer as divergências. Em resposta apresentada no dia 19/04/2017, a Contribuinte afirmou que as informações contidas na ECF não correspondem à realidade. Alegou que o escritório de contabilidade por ela contratado foi vítima de furto qualificado, oportunidade em que foram levados computadores em que se encontravam armazenadas informações relativas ao seu movimento comercial. Na referida resposta, afirmou também que os valores corretos devidos a título de IRPJ e de CSLL são os que constam na DCTF, nos DARF, no Balanço e DRE encerrados em 31/12/2014. Solicitou, ainda, autorização para retificar a ECF 2015/2014. A Autoridade Fiscal considerou insuficientes as explicações oferecidas e efetuou o lançamento em 19/05/2017. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 52 a 54), registrou o seguinte: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 147 8 Em sua Impugnação, a Contribuinte reafirma o que disse na resposta apresentada à Fiscalização. Ressaltou, ainda, que a própria Autoridade Fiscal afirmou que também estão imprestáveis os dados da Escrituração Contábil Digital que serviu de base para a elaboração da ECF. Afirmou que na ECF utilizada como base do lançamento consta apenas informação de receita de prestação de serviço, no valor de R$ 9.624.758,49, replicada em cada um dos quatro trimestres de 2014, o que seria incompatível com a natureza eminentemente comercial de sua atividade. Destacou o fato de que a ECD/ECF é apresentada somente no ano seguinte ao de ocorrência dos fatos geradores, o que evidenciaria sua natureza meramente informativa. E, diante da imprestabilidade das informações que serviram de base para o lançamento, requereu a declaração de nulidade dos Autos de Infração. Portanto, a meu ver restou bastante claro que, no presente caso, a Contribuinte apresentou uma informação com forte indício de que estaria errada, afinal, apesar de ser possível que uma empresa comercial submetida às regras do Lucro Real apure bases de cálculo de IRPJ e CSLL idênticas em cada um dos quatro trimestres do ano, qualquer pessoa habituada à atividade tributária desconfiaria de que alguma coisa poderia estar errada. Caberia, sim, investigar melhor a situação. Intimada a esclarecer as divergências, a Contribuinte afirmou que as informações contidas na ECF não correspondiam à realidade, e colocou à disposição da Fiscalização documentos e demonstrações que revelariam os valores corretos. Solicitou, também, autorização para corrigir a ECF. E o que fez a Autoridade Fiscal? Mesmo reconhecendo a imprestabilidade da ECF, efetuou o lançamento com base nas informações contidas nessa escrituração. Sim, pois afirmou no Termo de Verificação que não iria admitir a retificação da ECF requerida pela Contribuinte porque a ECD (utilizada como base para gerar a ECF) também era imprestável. Como se nota, nesse pequeno trecho do Termo de Verificação, a Autoridade Fiscal afirmou com todas as letras que a escrituração (ECD) que serviu de base para a ECF era imprestável. Mas, ainda assim, efetuou o lançamento com base na ECF originada a partir de ECD imprestável. Evidentemente que, à luz do princípio da legalidade e do caráter vinculado da atividade fiscal, esse procedimento não pode ser admitido. Não se pode olvidar que o lançamento ora sob exame é resultado de um procedimento fiscal que durou menos de dois meses. Até este Acórdão, o processo possui apenas 124 folhas. Ao meu sentir, restou muito claro que o procedimento fiscal foi insuficiente para esclarecer a realidade dos fatos. Mesmo depois de concluir que a informação era imprestável, a Autoridade Fiscal decidiu utilizála. A ECD/ECF é apresentada no ano seguinte ao de ocorrência dos fatos geradores. Por outro lado, as DCTF são apresentadas com maior proximidade dos fatos. Embora em nenhum momento o elemento psicológico tenha sido colocado em questão, creio ser importante destacar que, no presente caso, não há que se cogitar máfé por parte da Contribuinte, afinal, a informação que alega ter Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19515.720448/201728 Acórdão n.º 1302003.211 S1C3T2 Fl. 148 9 apresentado de maneira incorreta lhe era desfavorável, diferentemente do que estamos todos acostumados a ver. Por fim, cabe esclarecer que aqui não se está afirmando que os valores corretos são os contidos nas DCTF e nos DARF. Apenas se está concluindo que os valores contidos na ECF não poderiam ter sido levados ao lançamento, mesmo depois de abatidos os valores declarados em DCTF, porque a própria Autoridade Fiscal entendeu que a fonte da informação era imprestável. Assim, nego provimento ao recurso de ofício. Conclusão Em face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 148DF CARF MF
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