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Numero do processo: 10384.000250/2006-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 2002-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 02 50 /2 00 6- 30 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 168 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Pedido de Restituição realizado através de 6 formulários entregues em 26/01/2006 (efls. 02/03, 13, 24, 35, 47 e 59), referentes à complementação da taxa SELIC sobre o imposto retido indevidamente durante os anos calendário 2000 a 2002 e à restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre o 13º salário relativo aos anos calendário 2000 a 2002. Cabe transcrever inicialmente alguns esclarecimentos sobre o assunto constantes do relatório da decisão recorrida (efls. 104/105): 1) a contribuinte percebeu, nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, como funcionária do Ministério Público do Trabalho, rendimentos relativos ao abono variável e provisório, concedido pelo artigo 6° da Lei n° 9.655/98 com alteração do artigo 2° da Lei n° 10.474/2002, em favor dos Magistrados Federais e Membros do Ministério Público da União; 2) o Supremo Tribunal Federal editou a Resolução Administrativa n° 245, de 2002, reconhecendo o caráter indenizatório e a isenção do Imposto de Renda, quanto ao abono instituído pela Lei n° 9.655/98 e pela Lei n° 10.474/2002, percebido pelos juizes federais e membros do Ministério Público da União; 3) em decorrência da Resolução Administrativa do STF, o Ministério Público do Trabalho retificou as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativamente aos anos calendário de 2000, 2001 e 2002, excluindo dos rendimentos tributáveis os rendimentos isentos correspondentes ao abono variável de que tratam o artigo 2° da Lei n° 10.474, de 2002 e o artigo 6° da Lei n° 9.655, de 1998; 4) as Declarações de Ajuste Anual dos exercícios financeiros de 2001, 2002 e 2003, anoscalendário 2000, 2001 e 2002, respectivamente, foram retificadas, excluindose dos rendimentos tributáveis, percebidos do Ministério Público do Trabalho, os rendimentos relativos ao abono variável de que tratam o artigo 2° da Lei n° 10.474, de 2002 e o artigo 6° da Lei n° 9.655, de 1998, apurandose saldo de Imposto a Restituir; 5) o saldo de imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual foi disponibilizado à contribuinte, com valor atualizado pela taxa selic, acumulada a partir do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da Declaração de Ajuste Anual, ate' mês anterior ao da liberação da restituição e acrescida de 1% no mês em que foi colocado no Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 169 3 banco à disposição da contribuinte (Lei n° 9.250, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art.62). O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina deferiu parcialmente os pedidos de restituição formulados pela contribuinte (efls. 74/78). A 1ª Turma da DRJ/FOR apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada (efls. 88/91) e deferiu parcialmente a solicitação em decisão assim ementada (efls. 102/120): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 IRRF. 13° SALÁRIO DE 2001. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. São passíveis de restituição, apenas, os valores retidos incidentes sobre os rendimentos recebidos a título de abono variável e provisório, inclusive sobre o 13° salário, quando devidamente comprovado que tais valores foram indevidamente tributados. IRRF. ISENÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Tratandose de pagamento indevido relacionado a IRRF, que incidiu sobre rendimento isento, o prazo de decadência do direito de pleitear à restituição, nos ternos do inciso I do artigo 168 do CTN, é de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido ou a maior, ou seja, do mês de retenção. IRRF. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO APURADA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICADORA. PEDIDO DE REsTITuIÇÃo DE DIFERENÇA DE TAXA SELIC. COMPLEMENTAÇÃO. DECADÊNCIA. Tendo havido entrega de declaração de ajuste anual retificadora, excluindo rendimentos isentos que foram tributados na declaração original, antes de completado o prazo decadencial de repetição de indébito, nos ternos do inciso I do artigo 168 do CTN, não há que se falar em decadência, com fundamento no artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), relacionada a pedido de complementação de taxa selic. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF SOBRE O 13° SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECADÊNCIA DO PEDIDO. No caso em que os rendimentos de 13° salário encontramse na condição de isentos do imposto de renda e a fonte pagadora tenha procedido à retenção de imposto de renda sobre os mesmos, o contribuinte somente pode requerer, perante a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 170 4 Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, a restituição do imposto de renda retido indevidamente, por meio de utilização de PER/DCOMP ou de pedido de restituição formalizado por processo administrativo fiscal. Solicitação Deferida em Parte Cientificada do acórdão de primeira instância em 13/11/2008 (efls. 124), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 27/11/2008 (efls. 125/129) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que o recurso abrange, unicamente, o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte relativo ao 13° salário pago no mês de dezembro do ano calendário 2000. Defende que não há que se falar em decadência na espécie, nos termos do art. 165, I e art. 168, I, do CTN, e alega que tal prazo fatal e a respectiva forma de contagem adotados no acórdão recorrido teriam pertinência se a recorrente estivesse, somente anos depois, requerendo a própria restituição com base na parcela indenizatória declarada pelo STF, não sendo este o caso dos autos. Sustenta que o requerimento de restituição da parcela objeto deste recurso foi providenciado a tempo e modo através da retificação da Declaração de Ajuste Anual de 2000 apresentada à Receita Federal em 2003 e que os atos do Fisco questionados presentemente são aqueles praticados por ocasião das restituições realizadas em 2003 e 2004 e não os previstos nos arts. 165, I e 168, I, do CTN, não tendo qualquer relevância para a espécie a data da extinção do crédito tributário e a data da retenção do imposto para contagem do prazo decadencial, mas, sim, a data em que as restituições se efetivaram a menor, ou seja, em 2003. Aduz que não é razoável computar o prazo fatal a partir de 2000, uma vez que o próprio reconhecimento da natureza indenizatória da parcela pelo STF se deu somente em 2002, com a Resolução n° 245, autorizando os contribuintes abrangidos a postularem a restituição do imposto de renda. A eventual perda do direito de pedir a correção do que já foi restituído em situação da espécie deve ter como “dies a quo” a data em que for praticado o ato lesivo à contribuinte, ou seja, a data da efetivação das restituições incompletas ou incorretas, a qual somente ocorreu em 2003, caducando, consequentemente, em 2008. Conclui que não existe decadência sobre o direito de restituição da diferença relativa à gratificação natalina de 2000, como bem detectou o voto vencido. Reitera que a certidão emitida pela fonte pagadora e que instrui os autos (Certidão/MPT/DRH n° 275/2005) comprova a retenção na fonte superior ao valor devido e evidencia o montante passível de restituir em dezembro de 2000, isto é, R$ 808,58, a título de 13° salário. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 171 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser apreciado recai apenas sobre o Pedido de Restituição referente ao IRRF incidente sobre o 13º salário do ano calendário 2000, o qual foi indeferido pelo Despacho Decisório e pelo julgamento de primeira instância por já haver transcorrido o prazo de 5 anos para a solicitação. A recorrente diverge da decisão de piso quanto ao termo inicial do referido prazo. O voto condutor do acórdão recorrido considera o início da contagem em dezembro de 2000, data da efetiva retenção por parte da fonte pagadora, conforme excertos a seguir reproduzidos: O artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, já transcrito rio._'Voto Vencido, determina que o direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Portanto, em obediência aos preceitos legais, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial no presente caso pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o 13° salário correspondente ao abono deve ser a data da retenção do referido imposto, a saber: 31 de dezembro de 2000, e o prazo final, 31 de dezembro de 2005. Observese que o imposto de renda apurado sobre o 13° salário é imposto exclusivo de fonte, ou seja, não é compensado na declaração de rendimentos tendo em vista que os rendimentos recebidos a título de 13° salário não são sujeitos ao ajuste anual. A discriminação desses rendimentos na Declaração de Ajuste Anual possui apenas caráter informativo. Dessa forma, no caso em que os rendimentos de 13° salário encontramse na condição de isentos do imposto de renda e a fonte pagadora, por qualquer motivo, proceda à retenção de imposto de renda sobre os mesmos, a única forma para o contribuinte requerer, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, a restituição do imposto de renda retido indevidamente, se faz mediante utilização de PER PER/DCOMP ou mediante protocolização de pedido de restituição em processo administrativo fiscal. Ressaltase que esse entendimento está posto nas Instruções Normativas SRF, vigentes à época da retenção, o qual vigora até a presente data, conforme disposições dos amigos 3°, 8° e 9° da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, a seguir transcritos: [...] Assim, tendo a contribuinte formalizado seu pedido de restituição somente em 26/01/2006, ou seja, já transcorridos cinco anos da mencionada retenção, concluise que encontrase Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 172 6 decaído o seu direito de pleitear a restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o 13° salário pago no mês de dezembro de 2000, correspondente ao abono instituído pela Lei n° 9.655, de 1998, e pela Lei n° l0.474, de 2002. Já a recorrente entende que o prazo deve ser contado a partir da data em que a restituição pleiteada através da apresentação de declaração retificadora se efetivou a menor, ou seja, do ano de 2003. Cumpre esclarecer inicialmente que a impossibilidade de se pleitear a restituição do IRRF sobre 13º salário através de declaração retificadora ocorre por ser o 13º salário um rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte. Por esse motivo, a declaração retificadora apresentada pela recorrente não pode ser considerada um pedido de restituição do IRRF sobre 13º salário, mas tão somente dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, ao contrário do que defende a interessada. Equivocase, ainda, a contribuinte ao entender que a data da extinção do crédito tributário e a data da retenção do imposto não possuem qualquer relevância para a contagem do prazo para o Pedido de Restituição. Sobre o assunto, impõese observar o disposto nos arts. 165, I, e 168, I, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) Na mesma esteira, o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, assim estabelece: I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributária arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Quanto à data de extinção do crédito tributário, aplicase o previsto no art. 156, VII, do CTN: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 173 7 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; Não há dúvida, portanto, de que o direito de se pleitear a restituição, nos casos de pagamento indevido ou a maior que o devido, termina em 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário correspondente, ou seja, da data do pagamento antecipado do imposto, nos termos dos dispositivos acima reproduzidos. Assim, tendo em vista que o julgamento de primeira instância considerou o início da contagem do prazo na data da efetiva retenção do imposto por parte da fonte pagadora, ou seja, no momento da antecipação do pagamento, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Vale mencionar que é nesse sentido a interpretação do art. 168, I, do CTN constante do art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, que veio a dirimir qualquer dúvida sobre o tema: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. É nesse sentido também o entendimento da RFB sobre o assunto, apoiado no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 6/2014, conforme se extrai das orientações constantes da última publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, divulgada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o exercício 2018: 066 — Qual é o prazo para pleitear a restituição do imposto sobre a renda pago indevidamente? O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, tratandose de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, não tributáveis ou isentos. [...] (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, arts. 165, I, e 168, I; Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, Parecer Normativo Cosit/RFB nº 6, de 4 de agosto de 2014) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10384.000250/200630 Acórdão n.º 2002000.692 S2C0T2 Fl. 174 8 Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.720150/2011-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 75/81, bem com seja aberto prazo legal para manifestação.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 75/81, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 75/81, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 37/40) contra decisão de primeira instância (fls. 28/31), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .7 20 15 0/ 20 11 -7 8 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13881.720150/201178 Resolução nº 2002000.067 S2C0T2 Fl. 3 2 Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentouse em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação e manteve o crédito tributário. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boafé. Em 22/05/2018 (fls. 44/47), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrandose a proporcionalidade pretendida, em relação aos valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189. Determinase, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 04/11/2014 (fl. 36); Recurso Voluntário protocolado em 03/12/2014 (fl. 37), assinado pelo próprio contribuinte. Em julgamento primeiro, resolveuse baixar os autos em diligência para que o contribuinte juntasse extrato analítico das contribuições de todo o período, em relação ao valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, o que foi feito às fls. 57/62. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13881.720150/201178 Resolução nº 2002000.067 S2C0T2 Fl. 4 3 Após a juntada do extrato, a RFB se manifestou sobre o extrato e se pronunciou às fls. 75/81, sendo que desta manifestação não foi dada ciência ao contribuinte, tampouco foi lhe concedido prazo para manifestação. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 75/81, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.007814/97-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2003
MATÉRIAS SUBMETIDAS AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS.
As matérias submetidas ao Poder Judiciário não devem ser apreciadas pelas instâncias julgadoras administrativas. Aplicação da Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 3201-004.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2003 MATÉRIAS SUBMETIDAS AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. As matérias submetidas ao Poder Judiciário não devem ser apreciadas pelas instâncias julgadoras administrativas. Aplicação da Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Não conhecido.
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CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. As matérias submetidas ao Poder Judiciário não devem ser apreciadas pelas instâncias julgadoras administrativas. Aplicação da Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 78 14 /9 7- 57 Fl. 1131DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 08/07/2014, em face do reconhecimento parcial do crédito pleiteado em 08/07/1997 (fl. 02) e da homologação parcial da compensação constante dos pedidos de compensação de fls. 04/07, protocolizados em 07/07/1997, nos termos do despacho decisório complementar emitido em 15/06/2011 pela DRF Curitiba/PR (fls. 956/960). Aludido despacho complementar, conforme dele se extrai, foi proferido em face de determinação contida no Acórdão nº 0631.939 proferido em sessão de 25/05/2011 pela 3ª Turma desta DRJ em Curitiba, verbis: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, acolher em parte as razões de inconformidade para reformar o despacho decisório, cabendo ao Seort da DRF em Curitiba recalcular o crédito da contribuinte, atentando para o contido na Súmula CARF nº 15, vinculante para a Administração, e para o contido no art. 53 da Lei nº 8.383, de 1991, na redação vigente até a edição da MP 368, de 29/10/1993, posteriormente convertida na Lei nº 8.850, de 28/01/1994, quanto aos pagamentos efetuados antes da entrada em vigor da referida Medida Provisória, homologandose as compensações pleiteadas, até o limite dos valores apurados no procedimento. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para ciência da interessada e demais providências, ressalvandolhe o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da legislação de regência. No referido despacho complementar consta que foi homologada integralmente a compensação do saldo devedor do débito de PIS do período de apuração 12/2002 (de R$ 50.590,66) e parcialmente a compensação do débito de PIS do período de apuração 01/2003 (até o valor de R$ 30.668,89). Na manifestação apresentada, a contribuinte apresentou as razões a seguir sintetizadas. Primeiramente, após breve relato dos fatos, diz que o presente processo administrativo encontrase vinculado ao processo administrativo fiscal nº 10980.006165/2008 18 o qual, conforme alega, encontrase sob análise da Justiça Federal, consoante Ação Declaratória nº 5009208 37.2011.404.7000/PR, com decisão favorável mas pendente de confirmação perante o E. STJ em face de recurso Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10980.007814/9757 Acórdão n.º 3201004.856 S3C2T1 Fl. 3 3 especial interposto pela União (esclarece estar juntando uma cópia da petição inicial e de todas as decisões judiciais correlatas). A seguir, esclarece que a Receita Federal valeuse de critérios de apuração e atualização inválidos para os créditos do PIS decorrentes da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Insiste que a Receita Federal falhou na sua “conferência homologatória e que, portanto, os créditos compensados pela Reclamante encontramse amparados tanto na legislação tributária aplicável, quanto pelas Decisões judiciais transitadas em julgado em seu favor.” Na seqüência, salienta que na ação intentada perante a 6ª Vara Federal em Curitiba (ação declaratória nº 00.01071661) foi requerida a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigasse o recolhimento do PIS nos termos dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, “mantendo a contribuição de acordo com a sistemática prevista na Lei Complementar nº 7/70 e alterações posteriores.” Esclarece que, inicialmente, o pedido foi julgado improcedente, mas que, em segunda instância a sentença foi reformada “para confirmar a inconstitucionalidade dos mencionados DecretosLeis.” Aludida decisão, ressalta, foi confirmada quando do julgamento do RE nº 371.339/PR, em 14/12/2001. Afirma, a seguir, que uma vez definida a origem dos créditos, foram eles compensados nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, e que: as diferenças indicam disparidades entre a compensação realizada pela Reclamante e a verificação do Fisco Federal em relação aos seguintes aspectos específicos: - período de apuração: termo inicial e termo final da aplicação da regra da base de cálculo conforme a Lei Complementar nº 07/70; - Alíquota da Contribuição do PIS no período; - Indexação e vencimento dos valores devidos da Contribuição do PIS; - Índices de correção monetária para atualização dos créditos originários dos indébitos. Adicionalmente, afirma que o termo inicial é obtido mediante a aplicação de entendimento pacificado pelo próprio TRF 4ª Região, considerando “o prazo Fl. 1133DF CARF MF 4 prescricional de 10 anos” e que, “assim sendo, a apuração em referência tem como termo inicial a competência de janeiro de 1989.” Afirma, ainda, que o termo final deve ser o mesmo fixado na IN SRF nº 06, de 2000, ou seja, 29/02/1996. A seguir, tece considerações sobre as alíquotas utilizadas nos cálculos fiscais. Diz que os decretosleis foram declarados inconstitucionais, mas que a Lei nº 7.689, de 1988, reconhece expressamente a aplicação da alíquota de 0,65% indicada nos decretosleis “e determina ainda que no período de janeiro a dezembro de 1989 a mesma seja de 0,35%.” Conclui, assim, que “deve ser aplicada a alíquota de 0,35% no período de janeiro a dezembro de 89, e de janeiro 1990 em diante, até o termo final do período, aí sim a alíquota de 0,65%reconhecida expressamente pelo artigo 11 da Lei nº 7.689/88, uma vez que esta não foi considerada inconstitucional.” Detalha as normas que, conforme alega, teriam sido utilizadas nos seus cálculos e esclarece os critérios que, ao seu ver, devem ser utilizados e que compreendem os índices fixados nas Súmulas nº 32 e 37 do TRF da 4ª Região. Aduz que a Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 08/1997 regulamenta a atualização Monetária de valores pagos ou recolhidos no período para fins de restituição ou compensação e, com base na referida norma, elabora resumo contendo os índices aplicáveis conforme os períodos envolvidos. Ao final, pede o acolhimento da manifestação e a reforma do despacho decisório complementar. Encontramse apensados ao presente os processos administrativos nºs 10980.006231/200850 e 10980.006232/200802, conforme Termos de Apensação de fls. 1081/1082. Cumpre ainda complementar o relatório com as considerações do voto condutor do acórdão recorrido (fl. 1.089 e seguintes): Considerações Preliminares Considerando que o despacho decisório complementar questionado pela contribuinte foi emitido em face de decisão proferida em outro processo administrativo (nº 10980.006165/200818), é importante que, antes de qualquer análise, sejam tecidas algumas considerações a respeito. Pelo que se extrai dos autos, o presente processo foi formalizado para análise e acompanhamento do pedido de Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10980.007814/9757 Acórdão n.º 3201004.856 S3C2T1 Fl. 4 5 restituição de fl. 02 e dos pedidos de compensação de fls. 04/07 os quais, conforme informado pela contribuinte, estariam relacionados a uma “decisão judicial favorável à empresa” decorrente da “ação declaratória nº 00.0107166 1 e Cautelar nº 00.01067460” (fl. 19). Após a análise dos diversos documentos que foram apresentados, inclusive sob intimação, foi proferido, em 10/01/2005, o parecer de fls. 562/585 e, com apoio nesse parecer, em 17/01/2005 foi emitido o despacho decisório de fl. 586 com o seguinte teor: Fl. 1135DF CARF MF 6 A 3ª Turma da DRJ/Curitiba/PR, por meio do Acórdão 06 51.073, de 25/02/2015, decidiu não conhecer da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, devendo ser mantida a decisão proferida no despacho decisório recorrido. Cientificada dessa decisão, a contribuinte, em 23/02/2005, ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 594/613, requerendo prova pericial e o reconhecimento de seu direito. Encaminhado para julgamento foi proferido, em sessão de 1º de junho de 2005, acórdão unânime por esta 3º Turma da DRJ em Curitiba (Acórdão nº 8.570), decidindo não tomar conhecimento da manifestação “por não configurar inconformidade com o indeferimento do pedido de restituição” (fl. 636). Uma vez que a contribuinte foi cientificada em 30/06/2005 (fl. 644) e não houve manifestação, o processo foi encaminhado para arquivo (fl. 645) em 03/08/2005. Posteriormente, em face da lavratura de auto de infração relativamente às parcelas não abrangidas pela compensação, o processo acabou sendo desarquivado. Na sequência, por ter a contribuinte ingressado com a ação em mandado de segurança nº 2000.70.00.0019898/PR, foi proferido novo despacho decisório (fls. 745/783), com as seguintes decisões: De acordo. RESOLVO ·Readequar os débitos de PIS pagos sob a modalidade da sistemática do PIS – Receita Operacional Bruta (DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.445/88) para a modalidade do PIS – Faturamento levandose em conta o critério da semestralidade (LC nº 7, de 1970, artigo 6º, § único), para os pagamentos efetuados pelo interessado a partir de 07/07/1992; ·Reconhecer o direito creditório de R$ 688.278,60 (equivalente a 830.552,19 UFIR – database 31/12/1995) a ser acrescido de taxa de juros SELIC a partir de 01/01/1996 relativos aos comprovantes de pagamentos anexados ao processo e posteriores a 07/07/1992. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10980.007814/9757 Acórdão n.º 3201004.856 S3C2T1 Fl. 5 7 ·Indeferir os créditos conexos com os comprovantes de pagamentos cujas quitações são anteriores a 07/07/1992 uma vez que o direito de requerer a restituição e ou compensação de eventuais valores recolhidos a maior conexos com tais pagamentos já estava extinto antes da data de protocolização do presente processo. ·Homologar a compensação dos débitos de responsabilidade da Berneck &Companhia elencados nos pedidos/declarações de compensações anexados ao processo às fls. 02 a 05. ·Homologar a compensação dos débitos de responsabilidade da Berneck Aglomerados S/A cujos saldos devedores são indicados ‘zero’ na planilha de fl. 724 e o débito de PIS de responsabilidade da Berneck Aglomerados S/A referente ao período de apuração 12/2002 até o valor de 203.509,34 (fl. 724). Encaminhese ao SEORT/EQLIQ para as providências de sua alçada ecientificar o contribuinte. Em caso de inconformidade, o interessado poderá manifestála perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, no prazo de 30 (trinta) dias (IN SRF nº 600, de 2005, artigo 48) a contar da data da ciência deste despacho decisório. Os débitos remanescentes foram listados no quadro 4 do despacho decisório, à fl. 781. Vêse à fl. 787, ainda, que uma parte dos débitos elencados como remanescentes (débitos havidos até 03/2003) foi inserida no processo nº 10980.002257/2003 14, o qual, consoante consulta de 30/04/2008, foi enviado para inscrição em dívida ativa da União. À vista do surgimento de dúvidas relacionadas ao cumprimento do novo despacho decisório proferido, foi solicitada (fl. 787) e prestada (fls. 788/789) a seguinte informação fiscal: 1. Em atenção ao pedido de solicitação de esclarecimentos veiculado mediante o documento de fl. 778, informamos que: ·Os débitos cujas compensações foram homologadas são aqueles cujos saldos devedores estão indicados como zero na planilha de fl. 724 (ver decisão à fl. 774). ·Os débitos que também foram objeto do processo de Auto de Infração nº 10980.007692/9852 foram compensados sem a incidência dos acréscimos advindos do lançamento uma vez que o processo de Auto de Infração já havia sido cancelado e arquivado pelo SECATEQCAJ. ·Os valores dos débitos de PIS – PA 02/99, 08/99 e 09/99 referentes ao Auto de Infração com extratos anexados às fls. 196 Fl. 1137DF CARF MF 8 a 204 (mais especificamente à fl. 198) complementam aqueles referentes aos PA 02/99; 08/99 e 09/99 da planilha de fl. 724 e, portanto, a compensação desses débitos (fl. 724), neste processo, serão feitas pelos valores constantes da referida planilha de fl. 724 sem quaisquer acréscimos de multa e juros. ·Os débitos de PIS – código 8109 referentes aos períodos de apuração 09/2002 até 03/2003 já estão sendo administrados mediante o processo nº 10980.002257/200314 e não devem ser exigidos mediante o presente processo. ·Os débitos de PIS – código 8109 referentes aos períodos de apuração 04/2003 até 08/2003 são conexos às Declarações de Compensação de fls. 674 a 693. Nas referidas DCOMP, o interessado alega o nº de processo administrativo nº 10980.002257/200314. No entanto, como neste processo, o interessado não atrelou pedido de restituição de crédito, logo, a informação do processo administrativo não é procedente. Assim, estes débitos serão exigidos mediante o presente processo nº 10980.007814/9757. 2. Havendo atendido o pedido de esclarecimentos de fl. 778, proponho seja o processo encaminhado para o SEORT/EQLIQ para as providências de sua alçada. Cientificada do novo despacho decisório proferido e de que os débitos não abrangidos pela compensação estavam sendo transferidos para cobrança e acompanhamento para o processo administrativo nº 10980.006165/200818 (fl. 793 e 796), a contribuinte, após solicitar e obter cópia integral dos presentes autos (fls. 825/827), e após ter sido cientificada, também, do acórdão (nº 0631.939) proferido em 25/05/2011 pela 3ª Turma desta DRJ em Curitiba em face da impugnação apresentada ao lançamento efetuado no âmbito do processo administrativo nº 10980.006165/200818 (e que determinou o recálculo do crédito da contribuinte, o que acabou gerando o despacho decisório complementar de fls. 956/960), ingressou, em 08/07/2014, com a manifestação de inconformidade de fls. 987/1004, cujas razões, sendo cabível, serão oportunamente analisadas no presente voto. No Recurso Voluntário, a empresa sustenta: que não houve renúncia à instância administrativa; que somente o processo 10980.0006165/200818 está sob o crivo da Justiça Federal, na Ação Declaratória 500920837.2011.404.7000; que, por mais que o mérito da Ação Declaratória 2008.70.00.0239368 influencie o resultado do presente processo, seus objetos são diversos; reitera o mérito do direito ao indébito de Pis e as divergências com o cálculo da Receita Federal. É o relatório. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10980.007814/9757 Acórdão n.º 3201004.856 S3C2T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo. Como visto em relatório, existem diversos processos administrativos e ações judiciais tratando do indébito de Pis da recorrente, que é objeto do presente processo. Até mesmo em razão dessa diversidade, o contribuinte impetrou Ação Ordinária, 2008.70.00.0239368/PR. Colaciono excertos da inicial: Fl. 1.041: “A Autora fará, através da presente demanda de conhecimento, o ACERTAMENTO JUDICIAL entre: (a) os créditos de PIS apurados e compensados, mediante demonstração de sua origem e critérios de autalização utilizados; (b) e os saldos devedores não homologados pela Receita Federal em Curitiba, todos eles derivados da aplicação de critérios de apuração de origem e atualização dos créditos de PIS totalmente dissociados da realidade da Autora. Além do exame e confirmação documental, será elemento fundamente da presente Ação Declaratória a realização da mais completa prova pericial acerca da apuração e compensação dos créditos de PIS da Autora, demonstrando, ao final, A INEXISTÊNCIA DE SALDOS DEVEDORES NÃO HOMOLOGADOS por parte da Receita Federal.” Nesses termos, resta claro que tal demanda judicial abrange toda e qualquer questão que possa ser discutida no presente processo. Embora o número de processo referido na ação judicial seja diferente do presente, a abrangência da ação judicial é completa, em relação aos temas tratados no presente processo. Assim, cabe, ineludivelmente, a aplicação da Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 1139DF CARF MF 10 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721490/2011-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO NA DECISÃO.
Inexistência de omissão ou obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Desnecessário sanar decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-000.956
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que o conheceu e acolheu.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO NA DECISÃO. Inexistência de omissão ou obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Desnecessário sanar decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração interpostos, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que o conheceu e acolheu. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 14 90 /2 01 1- 70 Fl. 113DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2001000.111, exarado em 29 de novembro de 2017, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa expressou o seguinte enunciado: DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou os Embargos de Declaração, que teve o recurso admitido em 23 de março de 2018, cujo teor da decisão repete os termos da Autoridade Embargante, com a seguinte expressão conclusiva: Como visto no tópico anterior desse exame de admissibilidade, a decisão embargada limitouse a fazer uma abordagem genérica sobre a comprovação de despesas médicas, sem realizar a análise específica de qualquer elemento probatório e sem rebater as razões da autoridade fiscal ou mesmo da decisão de primeira instância. Portanto, se a decisão embargada não rebateu os motivos determinantes da autoridade julgadora (e mesmo da decisão a quo) para a manutenção da glosa, temse por configurada a omissão alegada nos embargos. Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento para apreciação da omissão apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. A afirmação de omissão apontada nos Embargos de Declaração trazem as seguintes ponderações: Da leitura do votocondutor do acórdão, verificase que o i. Relator deu provimento ao recurso para restabelecer a dedução das despesas médicas, sob o seguinte entendimento: (...) Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.956 S2C0T1 Fl. 114 3 Tal decisão, data máxima vênia, se mostra eivada do vício da obscuridade/omissão, uma vez que não apontou o documento aceito como comprobatório da despesa médica. O trecho transcrito acima afirma genericamente que a nota fiscal de prestação de serviço ou recibo são documentos idôneos para comprovar a despesa médica. No entanto, não consta da decisão onde se encontra essa nota fiscal ou recibo. Ademais, cabe destacar que esse recibo único, emitido em dezembro, que contempla todos os meses do anocalendário de 2008, não atende aos requisitos legais, pois inexiste o endereço profissional da dentista, descumprindo o disposto no art. 8º, § 1º, “c”, da Lei nº 8.134/1990. Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado se manifeste para sanar a omissão apontada, esclarecendo qual documento constante nos autos entende ser hábil para comprovar a despesa de saúde alegada pelo contribuinte. Noutro giro, o acórdão revelase omisso, na medida em que não examina os motivos apontados pela autoridade fiscal para justificar a glosa das despesas médicas. Confirase, por oportuno, o que constou na descrição dos fatos: (...) Notese que, no relatório fiscal, a autoridade fiscal apontou indícios que levam a crer ser indevida a dedução pleiteada e justificam a exigência de comprovação da efetiva prestação do serviço e do desembolso financeiro. As razões apontadas pela autoridade fiscal, entretanto, não foram enfrentadas pelo Colegiado ora embargado. Desta feita, as omissões suscitadas necessitam ser sanadas para que a Fazenda Nacional identifique, com retidão, o fundamento a ser combatido em eventual recurso especial. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho – Relator Inocorrência de omissão na decisão do Acórdão embargado, vez que o recibo foi juntado aos autos fl. 67, apresentado pelo Contribuinte à fiscalização no nascedouro da ação fiscal, como bem demonstra o anexo do Lançamento “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 14. O descritivo fiscal menciona que: “1) O contribuinte foi intimado via postal através de Termo de Intimação Fiscal a apresentar comprovantes de efetivo pagamento referente ás despesas médicas declaradas da profissional acima mencionada, durante os anos calendário 2007, 2008 e 2009”. grifei Fl. 115DF CARF MF 4 A exigência fiscal era de comprovação suplementar do efetivo pagamento, visto que o comprovante de pagamento no valor de R$ 28.000,00 já havia sido apresentado à fiscalização, que não se satisfez com o documento classificandoo como genérico e que engloba vários pagamentos mensais. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Foi efetuada a glosa de despesas médicas declaradas e não comprovadas no valor de R$ 28.000,00, referente à Dra. Mirelle Salomão, pelos seguintes motivos: 1) O contribuinte foi intimado via postal através de Termo de Intimação Fiscal a apresentar comprovantes de efetivo pagamento referente ás despesas médicas declaradas da profissional acima mencionada, durante os anoscalendário 2007, 2008 e 2009. 2) Em resposta à intimação, o contribuinte informou que efetuou os pagamentos em moeda corrente do país, não possuindo comprovantes de efetivo pagamento, com exceção do anocalendário 2009, no qual há comprovantes de depósito em conta bancária da profissional totalizando R$ 16.600,00. 3) Foi solicitado ao contribuinte algum documento referente ao tratamento realizado para comprovar a efetiva prestação do serviço, porém o mesmo afirmou que a profissional, sua filha, não possui ficha de tratamento odontológico par confirmar a prestação do serviço. Desta forma, tendo em vista que não foi comprovado o efetivo pagamento tampouco a efetiva prestação de serviço referente à Dra. Mirelle Salomão, efetuamos a glosa das despesas médicas declaradas no valor de R$ 28.000,00 no anocalendário 2008. Estes quesitos estão perfeitamente abordados no voto do Relator que respaldou a decisão do colegiado pelo provimento da demanda do Contribuinte, especialmente nos seguintes pontos: Fl. 94 dos autos: Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.956 S2C0T1 Fl. 115 5 em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Fl. 97 dos autos: Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. Fl. 98 dos autos: Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fisco contribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Contudo, em adição ao recibo/declaração de pagamento apresentado ao Fisco, o Contribuinte juntou aos autos, fl.17, declaração da profissional Mirelle Salomão de que era prestadora de serviço odontológico ao contribuinte de forma permanente, recebia honorários e os declarava ao Fisco, nos seguintes termos: Declaro a quem possa interessar que durante os anos de 2005 até o ano de 2010 inclusive, fui a responsável pela saúde bucal do Sr. Airton José Salomão, CPF 041.921.50859, recebendo os meus honorários, mediante recibos, conforme consta nas minhas declarações de Renda. Fl. 117DF CARF MF 6 Pelo que se constata da manifestação da Autoridade Tributante o recibo de pagamento foi apresentado à fiscalização na forma que esta entende inadequada porque genérico, portanto, “falta de comprovação” não ocorreu. Também não se aplica para o caso a justificativa de “ou por falta de previsão legal para sua dedução”, visto que previsão legal há para a dedução quando comprovada a despesa médica, o que de fato ocorreu. O documento acostado à fl. 67 tem as características de recibo de prestação de serviço médico porque identifica o paciente/contribuinte, declarando que os pagamentos se referem ao tratamento odontológico e descreve os valores e períodos a que se referem os recebimentos. Como a lei não determina especificamente que o documento comprobatório dos recebimentos deva ser emitido por determinado período, vedação não há para que este englobe vários pagamentos de um mesmo anocalendário para efeito de comprovação da prestação do serviço e do pagamento dos honorários médicos. Neste aspecto não se vê inidoneidade do documento e neste sentido foi a decisão do colegiado. No que se refere à ausência de endereço da prestadora dos serviços a decisão do colegiado seguiu o voto do Relator que discorreu sobre a importância da identificação do profissional que forneceu a prova do pagamento dos honorários médicos em diversos pontos daquele instrumento decisório. O disposto no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95 e inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99, lista elementos de identificação do emitente do recibo como o nome, CPF ou CNPJ de quem recebeu o valor dos honorários, sendo o endereço uma das informações, mas não a mais importante, porque de todos é a menos permanente. As outras informações são de alguma forma imutáveis no tempo enquanto que o endereço de localização do profissional pode ser mudado até mesmo com facilidade/frequência. É de considerar também que o mesmo dispositivo legal permite que na falta do documento original a comprovação possa ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, sendo de conhecimento geral que o cheque não traz o endereço do emitente, confirmação da secundarização da importância desta informação do emitente do recibo. Ressaltese, por fim, o que consta na fl. 93, parte integrante do voto condutor da decisão do colegiado, em especial o grifado, nos seguintes termos: Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Assim que, esclarecida a inocorrência de omissão na decisão do Acórdão nº 2001000.111, vez que as informações demandadas nos Embargos constam dos autos com abundancia de detalhes e clareza de posicionamento em relação ao fulcro da lide. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.956 S2C0T1 Fl. 116 7 Por todo o exposto, voto por conhecer e REJEITAR os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendose a decisão do Provimento ao Recurso Voluntário constante do Acórdão nº 2001000.111. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720786/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 07 86 /2 01 0- 68 Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10855.720786/201068 Acórdão n.º 3301005.477 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12072.914, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10855.720786/201068 Acórdão n.º 3301005.477 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10855.720786/201068 Acórdão n.º 3301005.477 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10855.720786/201068 Acórdão n.º 3301005.477 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10855.720786/201068 Acórdão n.º 3301005.477 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10855.720786/201068 Acórdão n.º 3301005.477 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 666DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.902161/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.614
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 1/ 20 13 -1 3 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10850.902161/201313 Resolução nº 3401001.614 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10850.902161/201313 Resolução nº 3401001.614 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004874/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
LIMITE ALÇADA.
Deve ser seguido o limite de alçada estipulado pela Portaria MF nº 63/2017. Aplicação da Súmula CARF nº 103.
Recurso Ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3401-005.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o limite de alçada, e da Súmula CARF n. 103.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.001674/2001-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n° 12).
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei.
Numero da decisão: 2202-004.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n° 12). AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei.
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n° 12). AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 16 74 /2 00 1- 27 Fl. 136DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0711.622, proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS) que julgou parcialmente procedente o lançamento. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/FNS: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 8, integrado pelos documentos de fls. 9 a 11, pelo qual se exige o pagamento da importância de R$ 16.056,84, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 1998, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 11, verifícase que foram apuradas as seguintes omissões: ■ R$21.042,42 recebidos da Fundação ELOS e declarados indevidamente como isentos e não tributáveis; ■ R$43.171,35 recebidos da Eletrosul em virtude da Ação Trabalhista n441/93. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 7, apresentando suas discordâncias a seguir sintetizadas. No item 1 (fls. 1 a 3), o contribuinte questiona a tributação do valor de R$43.171,35, recebido da Eletrosul em virtude da Ação Trabalhista nº 441/63 que tramitou na 4a JCJ de Florianópolis. Alega que o valor recebido seria "líquido" e que a reclamada não reteve o imposto de renda no momento do pagamento face a decisão da Justiça do Trabalho que indeferiu a pretendida retenção (fls. 15 a 22). Assim, induzido pelo despacho judicial, o impugnante concluiu que o valor recebido era isento, certo de que o ônus do respectivo recolhimento fora transferido para a fonte pagadora e que esta cumpriria com sua obrigação legal. Defende que a fonte pagadora sempre fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido, concluindo que houve erro na identificação do sujeito passivo, Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11516.001674/200127 Acórdão n.º 2202004.870 S2C2T2 Fl. 141 3 pois a ação fiscal deveria ter sido dirigida à Eletrosul, responsável direta pelo recolhimento do imposto. Em 30.03.2007, tendo em vista o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.139/2006 e o Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16/11/2006, foi solicitada a diligência de fl. 33 a fim de se intimar a Fundação ELOS a informar qual a parcela, do total dos proventos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte (RS 63.127,27), correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Em resposta, a referida fundação informou à fl. 87 que "a parcela do total dos proventos recebidos pelo contribuinte nos anoscalendário de 1998 e 1999 correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/jan/1989 a 31/12/1995 corresponde a 8,55% (oito vírgula cinqüenta e cinco por cento). " Cientificado da resposta dada pela Fundação ELOS, o contribuinte à fl. 52 solicitou desconsiderar o percentual de 8,55% apurado pela referida fundação e ratificar o percentual de 12,36%, conforme reconhecido pela própria Receita Federal no Despacho Decisório referente ao processo n2 11516.000442/200313 (fls. 55 a 59). Neste processo foi aplicado o percentual de 12,36% e reconhecido o direito creditório da importância de R$1.208,84, que corrigido chegou a R$ 3.416,79. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/FNS, tendo sido considerado como isento parte dos rendimentos recebidos da Fundação Elos, no valor de R$ 7.802,54. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/FNS em 25/03/2008. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário, em 23/04/2008, alegando, em apertada síntese: concorda quanto à isenção de rendimentos recebidos da Fundação ELOS, no valor de R$ 7.802,5; que a Eletrosul seguindo o entendimento jurisprudencial vigorante à época do pagamento não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte; não tem cabimento invocar a regra constante no Parecer Normativo n° 1, de 24 de setembro de 2002, forçando sua aplicação retroativa ao presente caso; incluiu como isento os rendimentos recebidos no processo trabalhista n. 441/93, em sua DIRPF, certo de que o ônus do respectivo recolhimento fora transferido para a fonte pagadora e que esta cumpriria com sua obrigação legal; que a fonte pagadora sempre fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido, concluindo que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois a ação fiscal deveria ter sido dirigida à Eletrosul, responsável direta pelo recolhimento do imposto Fl. 138DF CARF MF 4 discorda da aplicação da multa de ofício, a qual tem caráter punitivo, uma vez que entende serem isentos os rendimentos recebidos da Eletrosul, em virtude da Ação Trabalhista n441/93, não tendo o mesmo agido com culpa ou intuito de fraude. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Relator O recurso é tempestivo. Da multa de ofício Compulsando autos, verificase que, em sede de impugnação (efls. 04/11), o contribuinte não discordou da aplicação da multa de ofício, tendo trazido tal tema apenas em sede de recurso. Necessário destacar, entretanto, que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir ao questionamento referido. Revelase, portanto, que a adução recursal em específico, não antes levantada no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecida, à míngua de amparo normativo para tanto. Erro na Identificação do Sujeito Passivo Da responsabilidade da fonte pagadora Nulidade Alega ainda que a responsabilidade tributária é da fonte pagadora, concluindo que houve erro na identificação do sujeito passivo, devendo então ser declarada a nulidade do lançamento. Também esse entendimento do contribuinte está equivocado. A fonte pagadora, pessoa jurídica, é sim responsável pela retenção do Imposto de renda na Fonte sobre os rendimentos pagos à pessoa física, mas isso não exime a responsabilidade do interessado de informar todos os seus rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anula de IRPF, a teor do disposto no artigo 43 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 – Decreto 3.000/99. Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11516.001674/200127 Acórdão n.º 2202004.870 S2C2T2 Fl. 142 5 e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): Isalários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; (...) A responsabilidade da fonte pagadora, no que tange à retenção e ao recolhimento do imposto, encontrase prevista, respectivamente, nos arts. 717, caput, e 722, caput, ambos do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, abaixo transcritos: “Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (DecretoLei nº 5.844, de 1943, arts. 99 e 100, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, § 1º).” “Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 103).” Por outro lado, ao enfocar o contribuinte, pessoa física, beneficiário de rendimentos, o art. 85 do RIR/1999 noticia o seguinte comando: “Art. 85. Sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 2º, a pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a restituir, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei n° 9.250, de 1995, art. 7°).” Concluise, assim, de forma inequívoca, que a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção na fonte e ao recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável, não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, na condição de contribuinte, em oferecêlo à tributação. Frisese que, não obstante uma série de dispositivos legais e normativos (art. 7º, § 1º, da Lei nº 7.713, de 1988, art. 45, parágrafo único, do CTN, art. 722 do RIR/1999, Parecer Normativo Cosit nº 01, de 1995), atribuírem a responsabilidade da retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte à empresa que efetua o pagamento, não eximem o contribuinte de oferecer à tributação o respectivo rendimento em sua declaração de ajuste anual. Destarte, o contribuinte não pode eximirse de sua responsabilidade tributária específica, sob o argumento de que o sujeito passivo, é a fonte pagadora responsável pela retenção na fonte do imposto de renda. Tal questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 12, de caráter vinculante no âmbito deste Colegiado, prescreve: Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a Fl. 140DF CARF MF 6 constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Vinculante, conforme Portaria MF n. 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Concluise então não haver erro de identificação do sujeito passivo. Ressalto que, o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente ao imposto sobre a renda de pessoa física é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse aspecto, o Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172/66, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903900/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.647
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 00 /2 01 3- 46 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.577.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903900/201346 Acórdão n.º 3402005.647 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720238/2015-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM.
Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN.
GLOSA DE DESPESAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se matéria não impugnada, não se instaurando o litígio, a acusação fiscal de que o contribuinte reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, quando a peça de defesa não traz qualquer irresignação do impugnante sobre o tema, nem mesmo em relação à apuração dos tributos devidos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças.
Numero da decisão: 1402-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de pagamento sem causa, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e os Conselheiros Caio César Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam esta imputação concomitante à de glosa de despesas. Designado para redigir o voto vencedor deste item, o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, i) relativamente à infração de glosa de despesas; ii) acerca da multa qualificada, mantendo-a no patamar de 150%; iii) não conhecer das matérias de cunho constitucional alegadas.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 PRAZO DECADENCIAL. DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM. Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN. GLOSA DE DESPESAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se matéria não impugnada, não se instaurando o litígio, a acusação fiscal de que o contribuinte reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, quando a peça de defesa não traz qualquer irresignação do impugnante sobre o tema, nem mesmo em relação à apuração dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de pagamento sem causa, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e os Conselheiros Caio César Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam esta imputação concomitante à de glosa de despesas. Designado para redigir o voto vencedor deste item, o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, i) relativamente à infração de glosa de despesas; ii) acerca da multa qualificada, mantendo-a no patamar de 150%; iii) não conhecer das matérias de cunho constitucional alegadas. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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DOLO. INÍCIO DA CONTAGEM. Havendo dolo na conduta do sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. GLOSA DE DESPESAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada, não se instaurando o litígio, a acusação fiscal de que o contribuinte reduziu indevidamente o lucro líquido, mediante a apropriação de despesas não necessárias e de despesas não comprovadas, quando a peça de defesa não traz qualquer irresignação do impugnante sobre o tema, nem mesmo em relação à apuração dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 02 38 /2 01 5- 09 Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.098 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de pagamento sem causa, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e os Conselheiros Caio César Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam esta imputação concomitante à de glosa de despesas. Designado para redigir o voto vencedor deste item, o Conselheiro Evandro Correa Dias; por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, i) relativamente à infração de glosa de despesas; ii) acerca da multa qualificada, mantendoa no patamar de 150%; iii) não conhecer das matérias de cunho constitucional alegadas. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.099 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação da Recorrente, conforme abaixo explanado: Resumidamente, a Recorrente participou de três consórcios: 1 Consórcio Nova Tietê; formado pela Recorrente e pela Delta Construções S.A. 2 Consórcio Sobrenco, Cros, Jlak, Vilasa, Amodal; 3 Consórcio Lotec, Sanches Tripoloni e Sobrenco; Quando intimada, por três vezes, a apresentar documentos fiscais dos anos calendário de 2010 e 2011 relativos aos consórcios que participou, a Recorrente apresentou apenas uma parte dos documentos do Consórcio Sobrenco Cros do ano de 2011 devidamente validado do PVA SPED. Como a Fiscalização encontrou dificuldade para conseguir a documentação junto a Recorrente, decidiu diligenciar paralelamente na líder do Consórcio Nova Tietê, a empresa Delta Construções S.A. O Consórcio Nova Tietê tinha como fornecedor duas empresas, a Legend Engenheiraria e a SP Terraplanagem. Neste processo restou comprovado apenas o relacionamento comercial com a empresa Legend Engenheiros, inexistindo provas de que a ocorreram operações durante este período com a SP Terraplanagem. A empresa Legend foi considera inexistente de fato e as notas fiscais declaradas inidôneas. O primeiro item do Auto de Infração trata de glosa dos custos deduzidos da apuração do lucro real do IRPJ e da CSLL relativos as operações de alugueis de equipamentos da Legend Engenharia Ltda, da qual toda a documentação e pagamentos foram considerados inidôneos devido a inexistência de fato da empresa. Tais custos foram apropriados na conta contábil 3.4.1.02.0005, e são referentes aos pagamentos feitos a Legend e lançados na escrita contábil do Consorcio Nova Tietê, o qual a Recorrente fez parte. A segunda infração trata de exigência de IRRF, referente ao pagamento sem causa feito para a empresa declarada inexistente. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.100 4 Contra a contribuinte SOBRENCO ENGENHARIA E COMERCIO LTDA, em epígrafe, foram lavrados autos de infração, incluídos juros e multa, para exigência de (1) IRPJ e CSLL e de (2) IRRF, relativos aos fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2011 e 2012, no montante de: [...] Procedeu a autoridade fiscal à imposição de multa de ofício de 150%. O objeto social da empresa é a execução de obras de engenharia em todas as suas modalidades, compreendendo o exercício de atividades técnicas, industriais e comerciais, bem como a prática de atividades Mobiliárias, tais como loteamentos, incorporações e compra e venda de imóveis próprios, podendo participar de outras sociedades, como quotista ou acionista, por deliberação exclusiva da sua administração. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Do Relatório Fiscal de fls. 860/934, parte integrante dos autos de infração, extraemse as seguintes informações. A fiscalização iniciouse em 09/07/2015. Após saneamento de inconsistências na Escrituração Contábil Digital referente ao ano de 2010 ECD 2010, por meio de dois Termos de Intimação Fiscal TIF, foi também solicitado ao contribuinte que apresentasse, no TIF03, os dados referentes aos consórcios dos quais participou com os respectivos contratos, além dos arquivos digitais contábeis referentes a esses empreendimentos, a fim de identificar, de forma individualizada, todos os clientes e fornecedores envolvidos nesses consórcios. Asseverou a autoridade fiscal que, dos três consórcios dos quais a fiscalizada informou participação, somente foram enviados os arquivos contábeis digitais do Consórcio SobrencoCrosJalkVilasaAmodal, CNPJ 12.543.023/0001 21, e, mesmo assim, referente apenas ao anocalendário de 2011. Já os arquivos referentes ao ano de 2010 desse consórcio e os dos demais não foram enviados pelas seguintes alegações: Consórcio Nova Tietê: Conforme se verifica na documentação anexada, a Liderança do consórcio ficou a cargo da empresa DELTA Construções S.A. que está em recuperação judicial. Tão logo fomos intimados a comprovar os arquivos SPFD dos anos de 2010 e 2011, imediatamente iniciamos contatos com a líder nesse sentido. Tomamos conhecimento, que todo esse processo fora executado na época, pela empresa Grant Thornton Brasil, que se utilizava do sistema ERP da DELTA, denominado REMOTE RP, e quando ocorreu o encerramento do contrato de prestação de serviços Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.101 5 com a Grant Thornton, todos os acessos foram bloqueados. (vide ernail anexo ao presente). Segundo as informações colhidas com a DELTA, o pessoal de TI e Suporte estão trabalhando para localizarem esses arquivos do Consórcio Nova Tietê, no sistema vigente naquela época. Consórcio Sobrenco, Cros, Jalk, Vilasa, Amodal: Estamos anexando nessa reniessd, o SPED de 2011 devidamente validado do PVA SPED. Quanto ao SPED cio exercício de 2010, segundo informações do escritório contábil, essearquivo foi gerado em um sistema anterior diferente do atual, que impediu sua remessa. Consórcio Loctec, Sanches Tripoloni e Sobrenco. Segundo o escritório de contabilidade, as providências no sentido de geração dos arquivos SPED 2011 (ano da constituição do Consórcio), estão sendo tomadas. Informou a autoridade fiscal que o interesse desta fiscalização era a participação da fiscalizada no Consórcio Nova Tietê, motivo pelo qual, devido à alegação de dificuldades de acesso aos arquivos contábeis digitais desses consórcios, foi aberta Diligência Fiscal na empresa Delta Construções S.A. com o intuito de obter, de forma concomitante com a fiscalizada, documentos e informações relativos às empresas: a) LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., CNPJ 07.794.669/000141; b) SP TERRAPLENAGEM LTDA, CNPJ 09.503.787/000189; Em resposta aos termos de intimação enviados pela autoridade fiscal, tanto na resposta da DELTA à DRF Barueri, quanto na da SOBRENCO, em conseqüência da diligência ocorrida na DRF Santos, foi informado por ambas as diligenciadas que o serviço prestado pela empresa Legend Engenheiros Associados Ltda. foi de locação de equipamentos e que, quanto à empresa SP TERRAPLENAGEM LTDA ME, não houve relacionamento comercial. Informou também o agente fiscal que tanto a fiscalizada quanto a diligenciada apresentaram cópias de diversos documentos e levantamentos requeridos, referentes aos anos de 2010 e 2011, mas que supriram parcialmente ao requerido. Posteriormente, após intimações e análise da escrita contábil referente ao Consórcio Nova Tietê, constatou a fiscalização que realmente não houve lançamentos concernentes à empresa SP TERRAPLENAGEM LTDA, o que corroborou com as afirmações da SOBRENCO e da DELTA, de que não houve relacionamento comercial com essa prestadora. A partir de então, o trabalho fiscal foi direcionado para os pagamentos realizados à empresa LEGEND ENGENHEIROS Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.102 6 ASSOCIADOS LTDA., quando foram realizadas diligências nos endereços informados por aquela empresa nos Cadastros da Receita Federal do Brasil, cuja conclusão a que chegou a autoridade fiscal foi a de que as Notas Fiscais emitidas por aquela sociedade eram documentos inidôneos, pois se referiam a pessoa jurídica que, apesar de constituída formalmente, não possuía existência de fato. Posteriormente, a inscrição daquela empresa no CNPJ foi declarada inapta e posteriormente baixada no órgão competente. Dessa forma, esses documentos não produziriam quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros, por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade. Asseverou ainda a autoridade fiscal que a LEGEND pertencia a um grupo de pessoas, entre elas os Srs. ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, os quais, além dessa, constituíram várias outras empresas, em seus nomes e no de várias interpostas pessoas com as quais tinham fortes vínculos pessoais e profissionais, com o intuito de fraudar, sonegar e desviar recursos públicos por meio de pagamentos para supostas prestações de serviços, cujo presente entendimento não se restringiria apenas à fiscalização da Receita Federal do Brasil, mas também compartilhado por uma CPMI do Congresso Nacional, por investigações da Polícia Federal, por decisões da Justiça Federal e, mais recentemente, por denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal – MPF. Relatou a autoridade fiscal no TVF, fls. 908 a 910, que, em 09/12/2015, compareceram à sede da DRF Santos, os Senhores Gilson Louro Marchesini, sócio administrador da Impugnante, e Marco Antonio de Souza Crivei, procurador da empresa, quando esses representantes decidiram de forma espontânea emitir uma declaração, redigida de próprio punho pelo primeiro, na qual declararam que a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, não prestou serviços ao consórcio Nova Tietê, no período de 01/01/2010 a 31/12/2011. Em decorrência, a autoridade fiscal apurou irregularidades tributárias na apuração do IRPJ e da CSLL da SOBRENCO nos calendário 2010 e 2011, relativas a despesas contabilizadas e não comprovadas, por serem inidôneas, e na apuração do IRRF, relativas a pagamentos contabilizados e cujas respectivas operações não foram comprovadas. DA EXIGÊNCIA DE IRPJ e CSLL Com relação às despesas consideradas não comprovadas pelo agente fiscal, uma vez que o contribuinte não apresentou os documentos e esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal que fossem aptos a comprovar a efetiva prestação de serviços, a glosa alcançou os valores constantes de notas fiscais emitidas pela empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., CNPJ 07.794.669/000141, relativas a operações não comprovadas, proporcionalmente à participação da SOBRENCO junto ao CONSORCIO NOVA TIETÊ (41%), conforme cláusula Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.103 7 quarta do "Termo de Constituição de Consórcio”, datado de 18/05/2009. DA EXIGÊNCIA DE IRRF Já a exigência do IRRF alcançou os pagamentos efetuados à LEGEND pelas notas fiscais emitidas, cujas despesas apropriadas pelo contribuinte ENGENHARIA E COMERCIO LTDA. foram consideradas não comprovadas pelo agente fiscal. DA MULTA DE OFÍCIO – QUALIFICAÇÃO Em face das infrações descritas, a fiscalização aplicou o percentual da multa de ofício qualificada aos tributos apurados, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14, da Lei 11.488/07, posto que restou constatada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Dessa forma, segundo a autoridade fiscal, os fatos narrados não deixariam dúvidas quanto à ocorrência de simulação, em função da ocorrência de pagamentos simulados, em vista da prestação de serviços, por parte da LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., que efetivamente não ocorreram. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração, em 17/12/2015, e irresignada, a contribuinte SOBRENCO ENGENHARIA E COMERCIO LTDA, doravante denominada SOBRENCO neste relatório, apresentou a impugnação de fls. 952/996, em 12/01/2016, por meio da qual oferece, em síntese, as seguintes razões de defesa. DA DECADÊNCIA Suscitou a decadência dos tributos IRPJ, CSLL e IRRF lançados, cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a 09.07.2010, conforme lapso temporal de 05 anos descrito no § 4º, do artigo 150, do CTN. Citou entendimentos doutrinários. Aduz que, em virtude da decadência, segundo o § 6º, do artigo 3º, da Instrução Normativa Nº 1.199, de 14/11/2011, não estaria obrigada a Impugnada ou a empresa líder a enviar a escrituração descrita no auto de infração. Cita jurisprudência do STJ. DA NÃO RESPONSABILIDADE DA EMPRESA IMPUGNADA Alega que, embora a autoridade fiscal tenha argumentado que a impugnante teria responsabilidade solidária em relação às obrigações acessórias do consórcio perante o fisco, na leitura da Lei 11.795, de 08 de Outubro de 2008, que dispõe sobre as Normas do Consórcio, em seu Artigo 1º, § 1º, não restariam dúvidas quanto à responsabilidade da Líder do Consórcio na Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.104 8 representação de todos os atos, incluída a obrigação de entrega dos documentos fiscais à Fazenda Pública, no seu exercício de aferição do tributo. Acrescenta na IN RFB nº 1.199, de 14/10/2011, restaria comprovado que além da responsabilidade não ser solidária corno afirmou a autoridade fiscal, a entrega de documentação estaria adstrita à empresa Líder que, se deixou de cumprir com suas responsabilidades perante o Fisco não haveria como a impugnante, por meios hábeis ou coercitíveis, determinar que aquela fizesse o contrário. DA REGULAMENTAÇÃO DA EMPRESA LEGEND Assevera que o Consórcio "Nova Tietê” firmou contrato com a empresa Legend Engenheiros Associados LTDAEPP, tendo como objeto a locação de equipamentos que seriam utilizados no empreendimento, conforme extensa lista apontada no Termo de Verificação Fiscal da Receita Federal, em seu Item 5.3. Aduz que embora a Receita Federal afirme, com base unicamente na alegação de que a empresa "Legend" não existe de fato, uma vez que as Notas Fiscais emitidas por ela são documentos inidôneos, que ao realizar a pesquisa da empresa na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), não se acusa qualquer irregularidade, pois ela não se encontrava na situação cadastral suspensa, inapta ou cancelada a época (sofrendo baixa apenas no ano de 2014), conforme anexo a Ficha Cadastral Simplificada (Doc. 03) e o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (Doc. 04). Conclui que, se a própria Receita Federal reconheceu eventual irregularidade da empresa somente no ano de 2014, não poderia a impugnante apurar tal situação nos anos de 2010 e 2011, pois não teria meios hábeis, coercitivos ou de fiscalização para apurar eventuais mudanças de endereços da empresa "Legend" ou de seus sócios, bem como não teria poderes para intervir diretamente em qualquer empresa, de forma que não poderia responder por suposta idoneidade que nem foi efetivamente comprovada. DA COMPETÊNCIA E EMBASAMENTO LEGAL DO FISCO Cita entendimentos doutrinários para alegar que o auto de infração não parece correto em sua fundamentação nos moldes em que se apresentou, devendo ser considerado, inclusive, nulo, por desrespeito direto ao Princípio da Legalidade e Impessoalidade, dado que a questão da Legalidade não foi respeitada e, muito menos, à Imparcialidade, uma vez que o Fisco buscou recursos fora de sua competência e justificou seus atos por órgãos que nem ao menos julgaram definitivamente a questão, fundamentando uma suposta culpa da impugnante em vieses midiáticos e de meras suposições, conforme citação do Item 5.8 do TVF. DA PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.105 9 Alegou que a afirmação do Sr. Gilson Louro Marchesini, sócio Administrador da Impugnada, de que a empresa "Legend" nunca teria prestado os serviços de locação de equipamentos ao Consórcio "Nova Tietê" causaria espécie, pois quem era responsável direta pela contratação, negociação, fiscalização (especificamente as Notas Fiscais) e demais causas pertinentes à empresa "Legend", era a empresa Líder do Consórcio, de forma que não poderia afirmar qualquer uma das consorciadas sobre a participação ou não de uma simples empresa dentre as inúmeras que prestaram serviços ao Consórcio "Nova Tietê". Citou novamente a IN RFB n. 1.199, de 14 de Outubro de 2011, artigo 3°, § 2°, com o intuito de evidenciar que a responsável pelas informações prestadas era da empresa Líder. DA MULTA CONFISCATÓRIA Asseverou que a aplicação das multas nos patamares de 150% evidenciaria a aplicação abusiva, confiscatória e inconstitucional por parte da autoridade fiscal, uma vez que a Constituição Federal vedaria o efeito confiscatório em seu artigo 150, parágrafo IV. Cita julgados do STF e entendimentos doutrinários. Acrescentou que a multa aplicada teria claramente um caráter sancionatório, ou seja, penal, pois o objetivo do Agente Fiscalizador seria o de penalizar a Impugnante por suposta infração legal, que sequer aconteceu, já que o dever de enviar a documentação solicitada pela Receita Federal seria exclusa da empresa Líder, conforme já descrito. DA MULTA QUALIFICADA Neste tópico, argumenta que dado não ter restado configurado a existência de dolo e, consequentemente, de Crime contra a Ordem Tributária, ficaria desconexa a aplicação da Multa qualificadora, uma vez que houve boafé por parte da Impugnante e que a responsabilidade na esfera tributária é subjetiva. Portanto, a aplicação a Multa punitiva caracterizaria, neste caso, ato discricionário vedado pelo Princípio da Estrita Legalidade Tributária. É o relatório. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.106 10 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. Quanto a preliminar de decadência, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido, eis que restou comprovado nos autos a existência de operações simuladas, com empresa inexistente, sendo que as pessoas físicas responsáveis das empresas que transacionaram eram interligadas e tinham conhecimento do modus operand. Desta forma, afasto o requerimento para que se aplique a contagem da decadência nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN, devendo ser aplicada o marco inicial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, não ocorrendo a decadência do direito da Fazenda Nacional lançar os créditos. De resto, utilizo a fundamentação do v. acórdão recorrido para motivar minha decisão em relação a esta matéria. I.1. Da Decadência Conforme relatado, sustentou a impugnante que os fatos geradores que ocorreram anteriormente a 09.07.2010 , referentes aos tributos IRPJ, CSLL e IRRF lançados, estariam decaídos, devido ao transcurso de 05 anos descrito no § 4º, do artigo 150, do CTN. Acrescentou ainda que, em virtude da decadência mencionada, não estaria obrigada a Impugnante ou a empresa líder a enviar a escrituração descrita no auto de infração, segundo o § 6º, do artigo 3º, da Instrução Normativa Nº 1.199, de 14/11/2011,. Não assiste razão à suplicante, vejamos. Tratarei especificamente da questão da decadência neste tópico. Quanto ao tema relativo à obrigação do envio da escrituração pela impugnante ou empresa líder, esse será abordado no próximo tópico. Previamente, cabe ressaltar que, conforme se demonstrará mais adiante nesse voto, houve aplicação de multa qualificada no percentual de 150%, com a constatação de fraude, por meio de pagamentos simulados, o que por si só tem o condão de deslocar a aplicação do termo inicial do prazo qüinqüenal para o Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.107 11 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173, do CTN: [...] Por outro lado, consta no TVF, folha 860, que o contribuinte no período fiscalizado optou pela forma de tributação Lucro Real e regime de apuração Anual. Portanto, para tributos mencionados no parágrafo anterior, de acordo com o citado inciso I, do art. 173, do CTN, o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/12/2010, a contagem do prazo inicial de decadência começou a correr a partir 01/01/2012, completando os cinco anos em 31/12/2016. Considerando que a impugnante teve ciência do lançamento em 17/12/2015, o crédito tributário (IRPJ e CSLL) foi constituído dentro dos prazos legais. Em relação a contagem do prazo decadêncial para o IRRF, também entendo que nos termos do artigo 173, inciso I do CTN o direito da Receita Federal lançar não decaiu. Para fundamentar meu voto, utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido: No que tange à contagem do prazo decadencial para o IRRF, o §2, do artigo 61, da Lei 8.981/95, assim define o seu fato gerador: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. (...) § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância.(negritei). Assim, aplicandose a mesma regra prevista no citado art. 173, não há que se falar em decadência, uma vez que o auto de infração foi notificado à contribuinte em 17/12/2015, enquanto o termo inicial do prazo qüinqüenal, em relação ao fato gerador mais antigo (janeiro/2010) se deu em 1º/01/2011, o que levou, nesse caso, o termo final do prazo qüinqüenal para 31/12/2015. Portanto, rejeito a prejudicial de mérito argüida em relação à decadência dos tributos IRPJ, CSLL e IRRF. Passo a analisar a alegação de ofensa aos princípios da Legalidade e da Impessoalidade. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.108 12 A Recorrente alega nulidade do lançamento por afronta ao princípio da legalidade, uma vez que a responsabilidade pela representação dos atos do Consórcio Nova Tietê e a obrigação de entrega de documentos à Fazenda Pública, seria da empresa lidar (a empresa Delta). Esta matéria, já foi analisada por este E. CARF/MF diversas vezes, sendo que a maioria da jurisprudência vai no sentido contrario ao da alegação da Recorrente, conforme pode se verificar no texto da ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. O consórcio decorre de um contrato firmado entre duas ou mais sociedades com atividades em comum e complementares, que objetivam juntar esforços para a realização de determinado empreendimento. O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. PRELIMINARES DE NULIDADE. Inexistem causas de nulidade nos termos do que dispõe o art. 12 do RPAF. As supostas causas de nulidade são objeto de Súmula deste CARF, que vinculam este julgador. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante, mesmo que de fato, da contribuinte for colocado no polo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. Nos casos de dolo ou inexistência de pagamento, aplicase o art. 173 do CTN. Nos casos de tributos de apuração anual, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do exercício. Não há o que se falar em decadência. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS COMPROVAÇÃO DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para serem considerados dedutíveis, além de comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, e que sejam usuais e Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.109 13 normais no tipo de transações, operações ou atividade das mesmas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora. Como a multa de ofício também é crédito tributário sobre ela também necessariamente incidem os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIRSE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Se sujeita à incidência do imposto de renda na fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.110 14 Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Não compete a este conselho apreciar arguições de inconstitucionalidade, inteligência da Súmula n. 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal.(processo 16004.720364/201685) Sendo assim, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido nesta parte e para fundamentar meu voto, colaciono os argumentos utilizado no voto vencedor. Suscitou o impugnante a nulidade dos créditos tributários lançados em virtude de afronta ao principio da legalidade, uma vez que a responsabilidade pela representação de todos os atos do Consórcio é da líder, nela incluindo a obrigação pela entrega dos documentos fiscais à Fazenda Pública, no seu exercício de aferição do tributo, nos termos da Lei n. 11.795, de 08 de Outubro de 2008, em seu Artigo 1º, § 1º. Acrescentou que a IN RFB 1.199, de 14/10/2011, que dispõe sobre a representação consorcial, comprovaria que, além da responsabilidade não ser solidária com a empresa líder, a entrega de documentação estaria adstrita a essa última. Portanto, a impugnante não teria meios para forçar o cumprimento das responsabilidades daquela empresa perante o Fisco. Não procedem as alegações do impugnante. Vejamos. Preliminarmente, salientese que a Lei 11.785, de 08/11/2008, citada pela impugnante dispõe tãosomente quanto ao Sistema de Consórcio, destinado a propiciar acesso ao consumo de bens e serviços, constituído por administradoras e grupos de consórcio, conforme se depreende de seu artigo 1º: Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.111 15 Art. 1o O Sistema de Consórcios, instrumento de progresso social que se destina a propiciar o acesso ao consumo de bens e serviços, constituído por administradoras de consórcio e grupos de consórcio, será regulado por esta Lei. O conceito de consórcio e as regras que deverão ser observadas em seu contrato de constituição para execução de determinado empreendimento estão definidos nos artigos 278 e 279 da Lei 6.404/76: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009): I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Quanto à IN RFB nº 1.199/2011, alegada pelo impugnante em sua defesa, essa nada mais fez que explicitar o que constava no artigo 1º, da Lei nº 12.402, de 2 de maio de 2011, cuja redação regulamentou os artigos 278 e 279 da Lei 6.404/76, com o intuito de explicitar os efeitos tributários (Receita Federal do Brasil) decorrentes da organização em consórcios para as pessoas jurídicas consorciadas: Art. 1º As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.112 16 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1º e 2º. § 1º O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis. § 2º Se a retenção de tributos ou o cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio forem realizados por sua empresa líder, aplicase, também, a solidariedade de que trata o § 1º. Conforme se depreende dos §§ 1º e 2º, referentes ao artigo 1º destacado acima, as empresas consorciadas são solidariamente responsáveis tanto pela retenção de tributos, quanto pelo cumprimento das obrigações acessórias relativos ao consórcio. Tal responsabilidade é corroborada no contrato de constituição do Consórcio Nova Tietê. Ademais, embora a empresa líder deva manter registro contábil das operações do consórcio por meio de escrituração segregada na sua contabilidade, conforme consta do art. 3º da IN RFB nº 1.199/2011, cada pessoa jurídica consorciada deverá apropriar suas receitas, custos e despesas proporcionalmente à sua participação, evidenciandoos por meio de escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares: Art. 3º Para efeito do disposto no caput do art. 2º, cada pessoa jurídica participante do consórcio deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro, observado o regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas consorciadas. § 1º O disposto no caput aplicase para efeito da determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem como para apurar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) como também para apurar os créditos das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. § 2º A empresa líder do consórcio deverá manter registro contábil das operações do consórcio por meio de escrituração segregada na sua contabilidade, em contas ou subcontas distintas, ou mediante a escrituração de livros contábeis próprios, devidamente registrados para este fim. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.113 17 § 3º Na ausência de empresa líder, ou se não houver disposições legais exigindo a indicação de uma líder, deverá ser eleita uma das consorciadas para os fins previstos no § 2º. § 4º Os registros contábeis das operações no consórcio, efetuados pela empresa líder ou pela consorciada eleita para este fim, deverão corresponder ao somatório dos valores das receitas, custos e despesas das pessoas jurídicas consorciadas, podendo tais valores serem individualizados proporcionalmente à participação de cada consorciada no empreendimento. § 5º Sem prejuízo do disposto nos §§ 2º a 4º, cada pessoa jurídica consorciada deverá efetuar a escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares. Acrescentese que, devido à alegação de dificuldade de acesso aos arquivos contábeis digitais do consórcio por parte da impugnante, a autoridade fiscal diligentemente buscou, paralelamente ao procedimento fiscal, por documentos e informações relativos ao Consórcio Nova Tietê, TVF, fls. 865 e 866, na própria empresa líder. Quanto à argüição de ofensa ao princípio da impessoalidade, sob o fundamento de que o fisco buscou recursos fora de sua competência e justificou seus atos por Órgãos que nem ao menos julgaram definitivamente a questão, fundamentando a culpa da impugnante em vieses midiáticos e de meras suposições, conforme citação do Item 5.8 do TVF, também não merece prosperar, pois, conforme já demonstrado neste relatório, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, muito embora de posse de fartos elementos produzidos pela CPMI do Congresso Nacional, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, no âmbito da denominada operação Lava Jato, como são exemplos os depoimentos, as denúncias e mesmo as denominadas colaborações premiadas dos diversos atores, logrou produzir o seu próprio conjunto probatório, que indubitavelmente deu lastro para a apuração de irregularidades no âmbito da legislação tributária federal. Rejeitamse todas nulidades e alegações deste item. Desta forma, também afasto a alegação preliminar de ilegitimidade de passiva e de ofensa ao princípio da legalidade. Da ausência de responsabilidade dos pagamentos feitos para a empresa declarada inidônea. Suscitou o impugnante que a inidoneidade da empresa "Legend" somente teria sido declarada em 2014, de forma que a fiscalizada não possuiria meios para apurar tal situação nos anos de 2010 e 2011, tampouco ferramentas coercitivas ou de fiscalização para apurar eventuais mudanças de endereços da empresa "Legend" ou de seus sócios, bem como não teria poderes para intervir diretamente em qualquer empresa, de forma que não poderia responder por suposta idoneidade que nem foi efetivamente comprovada. Em primeiro lugar, a inidoneidade foi efetivamente comprovada nos autos. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.114 18 A acusação foi fundamentada em documentos obtidos junto a Recorrente e sua parceira no consórcio a empresa Delta S.A., bem como de processos junto ao Ministério Público, Policia Federal, Justiça Federal e até CPMI. Quanto a alegação de que não poderia ser responsabilizada pelos pagamentos feitos para a empresa Legend, eis que a declaração de inidoneidade foi declarada apenas no ano de 2014 e as operações ocorreram nos anos de 2010 e 2011, também entendo que não deve ser provida. Tenho para mim, que carece de fundamento a tese da Recorrente de que os efeitos da inidoneidade ocorrem somente após sua publicação, eis que a publicação é ato meramente declaratório, o qual concretiza a existência ou não de fato ou de direito de certa e determinada situação. Dessa maneira, seguindo minha linha de raciocínio, o fato é que a nulidade da documentação sempre existiu e só foi descoberta pelo Fazenda Nacional em momento posterior, não podendo gerar efeitos jurídicos equivalentes a documentação válida. Seria contraditório do ponto de vista lógicojurídico que ato jurídico de natureza declaratório gerasse efeitos exnunc. Os efeitos da declaração de inidoneidade só poderiam ser afastados da Recorrente na hipótese de ter sido comprovado nos autos sua boafé e a regularidade das operações, o que não foi feito. Em relação à responsabilidade tributária, conforme os argumentos acima expostos, no presente caso ela só poderia ser afastada se a Recorrente tivesse comprovado sua boafé na relação comercial ora em análise, obrigação esta que não logrou êxito em fazer nos autos. De resto, colaciono os argumentos e fatos descritos no v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto. Informou a autoridade fiscal no TVF, fls. 908 a 910, que, em 09/12/2015, compareceram à sede da DRF Santos, os Senhores Gilson Louro Marchesini, sócio administrador da Impugnante, e Marco Antonio de Souza Crivei, procurador da empresa, quando esses representantes decidiram de forma espontânea emitir uma declaração, redigida de próprio punho pelo primeiro, na qual declararam que a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, não prestou serviços ao consórcio Nova Tietê, no período de 01/01/2010 a 31/12/2011. Além disso, a fiscalização realizou diligências nos endereços informados pela LEGEND nos Cadastros da Receita Federal do Brasil, onde constatou que, além do espaço dos endereços visitados não ser suficiente para dar suporte à atividade operacional desenvolvida pela por aquela empresa, quando da análise dos débitos efetuados nas contas bancárias, não foram encontrados pagamentos para sua manutenção operacional, tais como, TVF, fl.898: Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.115 19 “pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamentos a escritórios de contabilidade. Também não se localizou alguns pagamentos que são extremamente necessários e básicos para que uma empresa de locação de máquinas e equipamentos possa funcionar, tais como, compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção das máquinas e equipamentos, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços, pagamentos de transporte de equipamentos, pagamentos de IPVA ou licenciamento de veículos, etc” Com efeito, conforme cabalmente demonstrado no TVF, a impugnante não apresentou prova da efetiva prestação dos serviços, os quais, como contratante, afirmou terem sido executados por essa empresa, a despeito de alegar que existiriam notas fiscais, contratos de prestação de serviços e os comprovantes de pagamento. Ademais, restou comprovado que as Notas Fiscais emitidas pela empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP eram documentos inidôneos, pois foram emitidas por pessoa jurídica que nunca possuiu existência de fato, apesar de constituída formalmente, cuja inscrição no CNPJ foi considerada e declarada inapta, sendo posteriormente baixada no cadastro da Receita Federal do Brasil, por meio do ato Declaratório Executivo ADE nº 190, da DRF Barueri, publicado no Diário Oficial da União de 03/07/2014. Desta forma, afasto a alegação de que não poderia ser responsabilizada pelos pagamentos feitos a empresa Legend, posteriormente declaradas inexistente de fato, bem como a respectiva documentação declarada inidônea. Mérito: Glosa de despesas e exigência de IRRF relativo a pagamento sem causa. Em relação a acusação de que reduziu indevidamente o lucro líquido dos anos de 2010 e 2011, mediante a apropriação de despesas não comprovadas, com reflexos na apuração do IRPJ e CSLL, e, tampouco, contra a exigência de IRRF, resultantes de operações não comprovadas ou sem causa, decorrentes de pagamentos fictícios (pagamentos sem causa), vejamos. Em relação a autuação concomitante de glosa de despesas/custos com a exigência de IRRF devido a pagamento sem causa, este Relator firmou entendimento de que não é possível a exigência das duas autuação ao mesmo tempo. Para fundamentar meu voto utilizo os argumentos do D. Conselheiro Lucas Bevilacqua preferidos no acórdão 1402003.342. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.116 20 O art. 61 da Lei 8.981/95 dispõe que: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.117 21 § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Como se verifica da leitura do dispositivo, sua aplicabilidade está condicionada a identificação ou não do beneficiário, e a depender da comprovação de sua causa ou da operação. Ou seja, entendo ser inócuo pedido de diligência ou perícia para verificar se houve ou não recolhimento do IR pelos beneficiários do pagamento. Percebese que, a princípio, o recolhimento do imposto não é apto a impedir a incidência do IRRF nestes casos em que não se identifica o beneficiário, causa ou operação. Falase em princípio, pois apesar da redação do dispositivo indicar uma coisa, a interpretação histórica e sistemática nos conduz a outra conclusão. Historicamente, o art. 61 foi introduzido para complementar o disposto no art. 44 da Lei nº 8.541/92, como bem aponta Diego Miguita em aprofundado estudo (https://www.jota.info/opiniaoeanalise/artigos/glosade despesaseirrfporpagamentosemcausa16032017). Peço vênia para transcrever as conclusões que entendo relevantes para a formulação de meu voto: De tudo o que foi visto, percebese que, se as acusações fiscais, atualmente, entendem ter havido redução indevida do lucro real por dedução de despesas supostamente inexistentes, não podem se valer dessa mesma premissa para invocar o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, cuja abrangência não alcança tal situação. Em outras palavras, a ressalva que o próprio artigo faz com relação a normas especiais diz respeito ao artigo 44 da Lei nº 8.541/92, esse sim com previsão que poderia – caso não tivesse sido revogado – sustentar a exigência cumulativa de IRRF. E as diferenças são perceptíveis a olho nu. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95 buscava alcançar hipóteses que escapavam à previsão específica do artigo 44 da Lei nº 8.541/92, isto é, e se os pagamentos não tivessem sido escriturados ou não interferissem na apuração do lucro líquido, como, por exemplo, na compra de bens (lançamentos meramente permutativos em conta de ativo) e se a empresa, sujeita ao lucro presumido, mantivesse escrituração pelo livro caixa. Certamente, pelo princípio da legalidade, se houvesse transferência de recursos sem a comprovação da operação ou de sua causa ou, ainda, a beneficiário não identificado, não seria possível a exigência de IRRF com base em suposta redução indevida do lucro líquido se não houvesse sequer a sua escrituração. É por essa razão que a alíquota de 35% de IRRF foi uniformizada pelo artigo 62 da Lei nº 8.541/92 para ambas as situações. O cenário normativo, até a revogação do artigo 44 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.118 22 da Lei nº 8.541/92, poderia ser representado da seguinte maneira: No conjunto “P” (todos os pagamentos possíveis), estão contidos os subconjuntos “A”, “B” e “C”. O subconjunto “C”, por sua vez, não está contido em “B”, tratando, portanto, de situações distintas e coexistindo harmonicamente. Onde cabe a aplicação de “C”, não caberia, de forma cumulada, a aplicação de “B”. Hipoteticamente, imaginemos que estamos em 1995 e, com base na mesma situação fática enfrentada nos autos de infração recentes, a fiscalização alegasse que determinado serviço não foi prestado e, de um lado, glosasse a despesa na apuração do lucro real, e, de outro, exigisse o IRRF com base no artigo 44 da Lei nº 8.541/92. Alguém ousaria sustentar que, quando da liquidação financeira da obrigação (cujo reconhecimento teve como contrapartida despesa no resultado) caberia uma terceira exigência com base no mesmo suporte fático? É indiscutível que não procederia a exigência baseada com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, seja pelo fato de o artigo 44 da Lei nº 8.541/92 veicular norma especial que prevalece a outra menos específica, seja pelo fato de que, nesta hipótese, haveria, de fato, verdadeiro bis in idem. De modo resumido, os critérios de interpretação histórico, sistemático e finalístico afastam, por completo, a orientação que se guia pela interpretação exclusivamente literal, desprezando elementos que, no mínimo, Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.119 23 deveriam ser considerados, ainda que para fins de seu afastamento e manutenção da posição que se adota. Dito isto, indo além da alegação de dupla tributação e de diversas considerações igualmente relevantes, a revogação do artigo 44 da Lei nº 8.541/92 não permite que o intérprete usurpe a sua abrangência e inclua, no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, situações antes não contempladas em sua materialidade. É por isso que, sem dúvidas, a sua aplicação se restringe a eventos que não guardem relação direta com a acusação de redução indevida do lucro líquido, a saber: pagamentos efetuados por empresas no lucro presumido, no SIMPLES ou, ainda, por empresas sujeitas ao lucro real quando o pagamento não for contabilizado ou não se relacione com a apuração do IRPJ (como é o caso de liquidação de obrigação cuja despesa escriturada, no momento de seu reconhecimento, interferiu na apuração tributária). Como se verifica, o art. 61 da Lei 8.981/95 foi instituído em complementariedade ao art. 44 da Lei 8.541/92 que assim dispunha: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Perguntase revogado o artigo acima transcrito, seus efeitos jurídicos seriam transmitidos para o escopo do art. 61 da Lei 8981/95? Não parece ser a resposta correta. Do que decorre a razão das conclusões aduzidas por Miguita de que não há no ordenamento hoje previsão legal para a incidência do IRRF acompanhada da glosa das despesas. Nessa toada, caso mantida a glosa das despesas deve ser afastada a incidência do IRRF. De outro lado, ainda que se afaste a glosa pelos motivos acima expostos, há razões para sustentarmos que o IRRF não se aplica ao caso, vejamos. O art. 61 da Lei 8.981/95 referese a beneficiário não identificado. No caso se identificou o beneficiário dos pagamentos. Referese a causa de pagamento: identificouse a causa, ainda que ilícita, conhecese a causa do pagamento. Por fim, falase em comprovação da operação, que está comprovada nos autos, tanto assim o é, que é a premissa da fiscalização para afastar as despesas deduzidas como se simulação fosse. Reiterase que se pecúnia non olet para determinação dos efeitos tributários, salvo casos expressamente vedados em Lei, os efeitos Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.120 24 tributários de atividades ilícitas devem ser os mesmos das atividades lícitas. Não entendo que o IRRF seja uma sanção, e nem poderia a teor do art. 3 do CTN, mas uma técnica de arrecadação que deve ser aplicada quando presentes seus requisitos. Mas, identificado o beneficiário, a causa (ilícita) e a operação, não há suporte fático para incidência do IRRF na espécie, motivo pelo qual afasto sua aplicação no caso concreto. E caso meus pare entendem que a infração relativa ao IRRF deve ser mantida, então voto por converter em diligência o julgamento do Recurso Voluntário, para verificar se houve ou não recolhimento do IR pelos beneficiários do pagamento. E caso se verifique que ocorreu o pagamento do IRRF, deve ser retirado tal valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto a infração relativa a glosa dos custos deduzidos da apuração do lucro real do IRPJ e da CSLL relativos as operações de alugueis de equipamentos da Legend Engenharia Ltda, da qual toda a documentação e pagamentos foram considerados inidôneos devido a inexistência de fato da empresa, como a Recorrente não apresenta argumentos de defesa e tal irregularidade restou devidamente comprovada nos autos, entendo que deve ser mantida. MULTA QUALIFICADA: Em relação a multa qualificada, por coerência, entendo que a parte relativa ao IRRF deve ser excluída. Caso não seja este o entendimento desta C. Turma, então entendo que na hipótese de a diligência comprovar que foi feito o recolhimento do IRRF, tal montante deve ser excluído da multa. Em relação ao restante dos créditos mantidos relativos a glosa de despesa, voto por manter a multa qualificada. Em relação a multa qualificada, entendo que os fatos e as provas constantes nos autos descrevem que a conduta da Recorrente se enquadra com o descrito nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. De resto, acompanho o decido no v. acórdão recorrido. Sustentou o suplicante que, devido ao fato de não ter restado configurado a existência de dolo, ficaria desconexa a aplicação da Multa qualificadora, dada a sua boafé, e que, por ser subjetiva a responsabilidade na esfera tributária, tal imputação caracterizaria ato discricionário vedado pelo Princípio da Estrita Legalidade Tributária. Em sentido oposto, salientou a autoridade fiscal que os fatos revelados nos autos implicaram na prática de crime contra a ordem tributária, em tese, devido à ocorrência de pagamentos simulados, em vista da prestação de serviços, por parte da Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.121 25 LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA, que efetivamente não ocorreram. Não assiste razão ao contribuinte, pois outra não poderá ser a conclusão, se não a de que todos os contratos celebrados com a mencionada empresa são ideologicamente falsos, autorizando não só a glosa dessas despesas, para fins de apuração do lucro líquido, ponto de partida tanto para a obtenção da base de cálculo do IRPJ como da CSLL, mas também a aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que a situação retrata efetivamente caso de fraude (além de sonegação e conluio), cujo conceito está estampado no art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendáná": I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” (negritei) "Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72".(negritei) A conduta da fiscalizada se amolda, indubitavelmente, ao conceito de fraude, na medida em que agiu de forma dolosa no sentido de impedir a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, reduzindo indevidamente o montante desses tributos, ao criar despesa sabidamente fictícia. Presente, portanto, a conduta tipificada na Lei nº 4.502/64, cabível a qualificação da multa de ofício promovida pela autoridade fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.122 26 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (negritei) Registrese que a jurisprudência administrativa tem confirmado a aplicação da multa qualificada quando restar demonstrado que o contribuinte se apropriou de despesas fictícias, na medida em que se encontram lastreadas em documentação comprovadamente inidônea. Idêntico raciocínio se aplica à multa qualificada sobre o IRRF, uma vez que aquele tributo foi apurado em razão de pagamentos decorrentes dessas mesmas operações não comprovadas ou sem causa. Vejase, sobre o tema, o precedente abaixo do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – DESPESAS FICTÍCIAS – MAJORAÇÃO DE DESPESAS EXISTENTES – CONLUIO COM O CONTADOR – PROCEDÊNCIA – É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Comprovado que o contribuinte, reiteradamente, criou despesas fictícias ou majorou despesas existentes, tudo aliado ao conluio com o contador responsável pelo preenchimento da declaração, é de se manter a qualificação da multa de ofício. Recurso voluntário provido parcialmente. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 10617.132, em 10.10.2008. Publicado no DOU em 18.12.2008) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas, principalmente quando existe Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz em relação ao emitente dos comprovantes, caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 104 22.754, em 18.10.2007. Publicado no DOU em 20.02.2009) ......................................................................................................... ......................... MULTA DE 150%. DESPESAS CONTABILIZADAS EM NOME DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. FALSIDADE DOCUMENTAL Procede a aplicação da multa qualificada de 150%, tal o evidente intuito de fraude que se revela na utilização de documentos falsos para encobrir os reais beneficiários de despesas contabilizadas em nome de pessoas jurídicas inexistentes. (1º Conselho de Contribuintes ACÓRDÃO 103 22.937, em 28.03.2007. Publicado no DOU em 24.03.2008) Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.123 27 Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, nos termos da Portaria RFB nº 2439 de 21 de dezembro de 2010, é dever de ofício da autoridade tributária indicar a ocorrência do dolo, em tese, quando encontrado no âmbito do procedimento administrativo, cuja competência para caracterização efetiva desse dolo pertencem ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, não cabendo a esta instância de julgamento proferir juízo relativo à existência ou não de crime contra a ordem tributária. De se rejeitar, portanto, todas as alegações da impugnante nesse item. Também afasto a alegação da Recorrente de que a multa aplicada ao caso seria confiscatória e que por isso afrontaria os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade previstos no art. 150, inciso IV da CF/88, por entender que esta E. Corte Administrativa não tem competência para analisar constitucionalidade de lei. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recuso Voluntário e dou parcial provimento para afastar a exigência de IRRF relativo ao pagamento sem causa. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.124 28 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que não há no ordenamento previsão legal para a incidência do IRRF acompanhada da glosa das despesas; e identificado o beneficiário, a causa (ilícita) e a operação, não há suporte fático para incidência do IRRF na espécie, motivo pelo qual concluiu que deveria ser afastado a sua aplicação no caso concreto. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de IRRF. Quanto ao lançamentos de IRRF sobre pagamentos sem causa, entendese que há compatibilidade entre a autuação de IRPJ (glosa de despesa) e de IRRF (pagamento sem causa), pois a exigência de IRPJ e de CSLL dáse pela glosa das despesas inexistentes e a exigência do IRRF incide sobre pagamentos efetivamente realizados a beneficiário não identificado (caput do art. 674 do RIR/99) ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa (§ 1º do art. 674 do RIR/99). Destacase que tal matéria tem suscitado alguns debates neste Carf, havendo, no geral, duas posições divergente. Acompanho os que entendem e se posicionam que a glosa de despesas e a exigência de IRRF tratamse de exigências distintas, mesmo que derivadas dos mesmos fatos. O IRPJ e a CSLL são exigidos por decorrência legal da glosa de despesas inexistentes que afetam diretamente a base tributável apurada pela pessoa jurídica. O IRRF, de outra parte, decorre da previsão legal de que não correspondendo os pagamentos às operações indicadas nos documentos fiscais, mas a finalidade diversa, no caso concreto, a pagamentos sem causa, resta afastada a causa indicada nos documentos que lhe deram suporte, respondendo a fonte pagadora pelos tributos devidos pelos beneficiários. O artigo 44 da Lei n° 8.541/92 citado pela recorrente, verificase que foi editado num contexto em que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas quando distribuídos aos sócios e acionistas eram tributados e em que determinadas situações eram considerados como distribuição disfarçada de lucros, sujeitas à tributação exclusiva na fonte. É com este pano de fundo que o PN. CST n° 4/94 analisou a continuidade da vigência ou não do art. 8° do DL. n° 2065/1983, em face do art. 35 da Lei n° 7.713/1988, que instituiu o Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido. Este é o objeto do referido parecer que, en passant, aborda a incidência do IRRF, com base no art. 8° do DecretoLei n° 2.065/83 e no art. 44 da Lei n° 8.541/92, sobre a receita omitida ou diferença verificada na determinação do lucro líquido, em decorrência de procedimentos irregulares de distribuição de valores aos sócios. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.125 29 Naquele contexto, me parece bastante razoável que não se cogitasse da tributação exclusiva na fonte dos lucros considerados automaticamente distribuídos aos sócios e ao mesmo tempo fosse aplicada, no caso de glosa de custos e despesas consideradas inidôneas, a cobrança do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários cuja origem não fosse identificada, pois configuraria, claramente, uma exigência em duplicidade. O art. 61 da Lei n° 8981/1995, por sua vez, é mais abrangente e alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. É o que se extrai do dispositivo em questão, in verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. No mesmo sentido da aplicabilidade do dispositivo, transcrevo o voto vencedor da i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão n° 1101000.825, in verbis: O presente voto expressa os fundamentos para manutenção das exigências de IRRF, uma vez que restou vencido o I. Relator em sua proposta de exoneração de tais créditos tributários. Argumentou o I. Relator que os lançamentos de IRPJ e CSLL aqui veiculados não poderiam coexistir com o lançamento de IRRF em razão dos mesmos pagamentos glosados na apuração daqueles tributos, reportandose a julgados deste Conselho que somente admitem a exigência de IRRF desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real, em razão de disposição legal específica aplicável nesta segunda hipótese, veiculada no art. 44 da Lei n° 8.541/92. Isto porque, como demonstrado no voto do I. Relator, o art. 44 da Lei n° 8.541/92 determinava a exigência de IRRF à alíquota de 25% nos casos de redução indevida do lucro líquido, Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.126 30 presumindo de forma absoluta que esta diferença fora automaticamente recebida pelos sócios. Todavia, a dúvida acerca da aplicabilidade do art. 61 da Lei n° 8.981/95 somente existiria, na forma exposta, enquanto vigente o art. 44 da Lei n° 8.541/92, revogado pela Lei n° 9.249/95. A partir daí (como é o caso destes autos), ausente a presunção legal de distribuição daqueles valores aos sócios, nenhum impedimento existiria para a caracterização da hipótese fixada no art. 61 da Lei n° 8.981/95, que na verdade parte do fato provado de entrega de recursos a um terceiro não identificado, ou por razões não demonstradas, e erige a presunção, apenas, de que tais rendimentos seriam passíveis de tributação na pessoa do beneficiário. No presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de despesas que não foram regularmente provadas. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por conseqüência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitar se a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Como destacado acima, tal tributação aplicada de IRRF nos autos é por conta de rendimento sem causa, independente de todos os beneficiários estarem identificados. A previsão legal do IRRF incide em duas situações distintas e autônomas: i) no caso de pagamento a beneficiário não identificado; e/ou ii) no caso de pagamentos efetuados sem causa ou operação comprovadas. São hipóteses distintas e autônomas. Igualmente, não procede a alegação de que seria necessário o abatimento dos valores já pagos pelos beneficiários dos pagamentos que estão sendo glosados, pois como visto, os fatos geradores do IRRF e do IRPJ/CSLL são distintos. No caso, a recorrente, sobre o IRRF, é responsável tributária, e não contribuinte, e o dispositivo que abarca tal imputação é clara no sentido de que a incidência do IRRF se dá exclusivamente na fonte. Quanto à alegação de que o IRRF do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 teria caráter sancionatório, de natureza punitiva, o que obstaria a incidência de multa qualificada sobre os valores a ele referentes, sob pena de bis in idem, não prospera. O IRRF se trata de um tributo, Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 15983.720238/201509 Acórdão n.º 1402003.615 S1C4T2 Fl. 1.127 31 com fato gerador definido e distinto do IRPJ, o que não teria sentido sustentar que haveria impossibilidade de cumulação com a multa qualificada. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário em relação aos lançamentos de IRRF motivados por pagamento sem causa, o que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1127DF CARF MF
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