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Numero do processo: 10830.006610/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/08/2006
BASE DE CÁLCULO. ICMS. ISS.
Não há previsão legal para a exclusão do ICMS e do ISS da base de cálculo do PIS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2001 a 31/08/2006 BASE DE CÁLCULO. ICMS. ISS. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS e do ISS da base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
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ICMS. ISS. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS e do ISS da base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/08/2006 BASE DE CÁLCULO. ICMS. ISS. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS e do ISS da base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 66 10 /2 00 6- 00 Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.006610/200600 Acórdão n.º 3302002.549 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes. Relatório No dia 15/12/2006 a empresa ASA ALUMÍNIO S/A ingressou com o Pedido de Restituição de PIS e de Cofins, relativo a pagamentos efetuados dos período de apuração de dezembro de 2001 a agosto de 2006, alegando a inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das exações. A DRF em Campinas SP indeferiu o pedido da recorrente, alegando a inexistência de previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, integrante do faturamento da empresa, conforme Despacho Decisório de fls. 543/548. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, cujas razões foram sintetizadas pela decisão recorrida nos seguintes termos: • a decisão hostilizada não enfrentou a questão como deveria. Ou seja, na venda das mercadorias que estão no regime normal de apuração do PIS e da Cofins, ou seja, alíquotas de 1,65% e 7,6% no regime nãocumulativo, e nas quais a Recorrente também no regime normal de apuração do ICMS, atribui pela sistemática adotada como incluso na base de cálculo o tributo estadual no tributo federal, em verdadeira bitributação, vedada pelo artigo 154 da Magna Carta, já que tanto o Decreto Lei 406/68, em seu artigo 2°, ,§ 7°, que deu azo as Súmulas nºs 94 e 68 do STJ, autorizando a esdrúxula inclusão, não encontramos nenhuma lei que diga expressamente que está autorizada a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins; • tanto as Leis Complementares 7/70, 70/91 nunca atribuíram que o ICMS deveria ser incluído na base de cálculo, já que apenas aludiam ao faturamento. Nem tão pouco as Leis Ordinárias 10.637/02 e 10.833/03 aludem que deva ser incluído expressamente o ICMS por entender ser uma receita derivada ou que componha o faturamento da Recorrente, sendo, como repetimos, uma construção jurisprudencial de décadas, que acabou se transformando num dogma difícil de ser entendido pelo empresariado, pois ninguém fatura ICMS; • o simples fato de o Estado utilizar a estrutura contábil da Recorrente, ou da cadeia produtiva da qual é integrante, para que arrecade o ICMS, que é devido sempre pelo consumidor final, ao qual não se atribui a responsabilidade pela entrega 'as burras' estatais do valor arrecadado, que é feito pela Recorrente ou pelas empresas substitutas da exação, conforme legislação estadual de regência não pode levar ao disparate de se entender que PIS e Cofins incidem sobre esta 'receita' derivada; Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.006610/200600 Acórdão n.º 3302002.549 S3C3T2 Fl. 4 3 • em boa hora o Supremo Tribunal Federal, em julgamento que conta já com a maioria dos Ilustres Ministros, votando pela inconstitucionalidade da referida inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins do ICMS, entendendo que não se pode compreender no conceito de faturamento o tributo estadual, que é arrecadado e ou suportado pela Recorrente, ou pago por substituição pela mesma, em favor do Estado Federado, não gerando qualquer riqueza que possa ser tributável; • importante registrar que em momento algum o Despacho Decisório fez menção a dita decisão da Suprema Corte, demonstrando então a fragilidade de seu conteúdo; • a decisão do Supremo Tribunal faz letra viva do principio constitucional de não se utilizar o tributo com efeito de confisco, que seria sua cobrança sem causa jurídica válida, ou sobre bases imponíveis que não representam riqueza, e dest'arte, atentando contra a capacidade contributiva da Impetrante, o que é vedado pelos artigos 150, IV, c/c 145, § 1°, da Constituição Federal de 1988 (a contribuinte cita a integra do voto do Ministro Marco Aurélio no RE no 240.7852 MG); • nos variados serviços que presta, e sobre os quais incide o ISS de competência municipal, há de se estender à compreensão dada pelo STF quanto ao ICMS, para que o mesmo se transladado ao consumidor final com destaque na Nota Fiscal de Serviços não seja incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, pelos fundamentos acima declinados; • tem legitimidade para pedir a restituição, conforme jurisprudência do STJ; • tem direito à atualização monetária de seus créditos. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0519.895, de 30/10/2007, cuja ementa segue abaixo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO • DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/08/2006 ICMS. BASE DE CALCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/08/2006 ICMS. BASE DE CALCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 17/12/2007, conforme AR de fl. 586, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 27/12/2007, com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.006610/200600 Acórdão n.º 3302002.549 S3C3T2 Fl. 5 4 Na forma regimental, o Recurso Voluntário foi distribuído para relatar e, por força da determinação contida no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), o seu julgamento foi sobrestado, nos termos do Despacho nº 3302 067, de 23/07/2012. Com a revogação do referido dispositivo regimental (Portaria MF nº 545/13), o Recurso Voluntário foi sorteado para relatar e, agora, volta à pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando a restituição de PIS e Cofins cujo pagamento considera indevido em face da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo das exações. Quanto ao mérito, o ICMS e o ISS integram a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins, conforme previsto na Lei Complementar nº 70/1991 e nas Leis Ordinárias nº 9.715/98, 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/03. A previsão legal de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições contempla o ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art.3º, § 2°, I, da Lei nº 9.718/1998). Assim sendo, a alegação da recorrente de que o valor do ICMS e do ISS não integram o conceito de faturamento, para fins de inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins, não tem respaldo na legislação, não existindo nenhuma determinação legal que autorize tal exclusão. Correto está o acórdão recorrido porque o ICMS (e o ISS), por ser um imposto indireto e com mecanismo de cálculo por dentro, contemplando o seu próprio montante em sua base de cálculo, agregase ao preço do produto, integrando também o faturamento. E como tal, há necessidade de expressa previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por obvio, as ações judiciais em curso no STF não podem ser aplicadas pelo CARF. Inexiste decisão do STF, cuja aplicação seja obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno), que contemple a pretensão da Recorrente. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.006610/200600 Acórdão n.º 3302002.549 S3C3T2 Fl. 6 5 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911160/2012-08
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 60 /2 01 2- 08 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911160/201208 Acórdão n.º 3801003.357 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 15956.000250/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 50 /2 00 6- 21 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Belém (PA), que julgou procedente o auto de infração de fls. 09/18, cientificado à contribuinte em 02/01/2007 (fl.118), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. Incabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional(CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/010575) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363,de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000250/200621 Acórdão n.º 3301001.740 S3C3T1 Fl. 189 3 Cientificada em 25/01/2012 (AR – fl. 164) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 165 e seguintes, em 27/02/2012, aduzindo, em síntese, que na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos correspondentes ao anocalendário 2002, por meio de Notas Fiscais de Transferência, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. De acordo com seu entendimento, a Cooperativa é quem pode registrar e compensar o crédito presumido do IPI, por conta e ordem de cada cooperado, tendo em vista ser ela a MANDATÁRIA LEGAL das suas afiliadas, para todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, agindo em nome das filiadas nos atos negociais de comercialização dos produtos. Assim, embora a COPERSUCAR não fabrique os produtos exportados, pode realizar todos os cálculos do referido incentivo fiscal, em razão de deter todos os dados necessários para tanto, uma vez que também é responsável, na condição de substituto tributário do IPI devido pelas cooperadas, conforme disposto no art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96, e ainda a responsável pelo recolhimento das contribuições PIS e COFINS de suas cooperadas, de acordo com o art. 66, da Lei nº 9.430/96. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000250/200621 Acórdão n.º 3301001.740 S3C3T1 Fl. 190 5 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000250/200621 Acórdão n.º 3301001.740 S3C3T1 Fl. 191 7 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000250/200621 Acórdão n.º 3301001.740 S3C3T1 Fl. 192 9 Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000250/200621 Acórdão n.º 3301001.740 S3C3T1 Fl. 193 11 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10768.101509/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Anocalendário:
2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA DE MORA
O instituto da denúncia espontânea é relativo às sanções de caráter punitivo e não àquelas de natureza reparadora, como a multa de mora.
Numero da decisão: 1301-001.162
Decisão: Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 15 09 /2 00 5- 73 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.101509/200573 Acórdão n.º 1301001.162 S1C3T1 Fl. 18 2 Relatório Tratase de Auto de Infração decorrente de multa paga a menor, no valor de R$ 535.536,61 considerando o valor apurado e recolhido a titulo de CSLL, informado na DCTF do 4° trimestre de 1999, entregue em 31/08/2004. 2. 0 enquadramento legal foi o art. 160 do CTN, art. 43 e 61 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 1° da Lei n° 9.249, de 1995. 3. A interessada impugnou o lançamento (fl. 01/06) e, em síntese, requereu a nulidade do Auto de Infração (fl. 06) alegando a denúncia espontânea, com fulcro no art. 138 do CTN, por meio do Processo n ° 10070.002178/200457 ora juntado aos presentes autos (fls.29/105). Citou a doutrina, Acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes e jurisprudência do STJ e discorreu acerca da natureza das multas e da sua inaplicabilidade ao caso em tela. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJOI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1216.663, de 18/10/2007 (fls. 110), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de mora não é excluída pela denúncia espontânea por ser decorrente de impontualidade no cumprimento da obrigação tributária. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.101509/200573 Acórdão n.º 1301001.162 S1C3T1 Fl. 19 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele Conheço. Irresignada com a decisão de primeira instância que manteve o lançamento efetivado, no recurso ora apreciado, a contribuinte renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. Resume a lide em saber se o pagamento constante do DARF (doc.07), através do qual se recolheu a CSLL relativa ao período de apuração ocorrido em 31/12/1999, vencido em 31/01/2000 e recolhido em 15/05/2000, somente com juros de mora, seria suficiente para liquidar o débito ou se como procedeu a autoridade fiscal em considerar o débito liquidado parcialmente eis que deveria ter sido recolhido com multa de mora. Como visto acima, a questão posta a análise desta Corte Administrativa, diz respeito a exigência ou não da multa de mora, nos casos de pagamento do tributo principal acrescido de juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e/ou de declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. Ao contrário do que afirma a contribuinte na parte final da peça recursal de que “Acrescentese ainda que, a Recorrente recolheu os tributos antes mesmo de declarar seus débitos nas declarações que são apresentadas ao Fisco”, constatase que o auto de infração em tela decorreu da diferença entre o valor apurado e recolhido a titulo de CSLL, informado na DCTF do 4° trimestre de 1999, entregue em 31/08/2004. Logo a situação posta nestes autos se relaciona quando o contribuinte informa ao Fisco o tributo devido por intermédio de declaração (DCTF) e só vem a pagálo após o prazo legal. A natureza jurídica da multa de mora, diferentemente das multas previstas em lei para coibir a prática de infrações tributárias, não é penal. Tratase, em verdade, de um ônus de natureza civil, mais especificamente, reparatóriocompensatório do dano que sofre a Fazenda Pública com a impontualidade do devedor. Razão pela qual a multa de mora é aplicada independentemente das razões que levaram ao atraso do pagamento pelo devedor, caracterizandose como de caráter reparador. Sobre a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea no caso de ocorrência da hipótese típica, porém por iniciativa do próprio contribuinte, penso que a questão se resolve pela verificação da natureza da multa moratória, se esta tem caráter punitivo ou apenas indenizatório. Essa distinção foi feita com muita clareza pelo Parecer Normativo CST n° 61, de 26 de outubro de 1979, verbis: "4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.101509/200573 Acórdão n.º 1301001.162 S1C3T1 Fl. 20 4 4.2 Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde o arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. 4.3 A multa de natureza compensatória destinase, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios." Pois bem, penso que o art. 138 do CTN alcança apenas as penalidades de caráter punitivo. Vejamos o que dispõe o referido artigo: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. É certo que o referido dispositivo não faz distinção expressa entre a multa punitiva e a moratória. Por outro lado, é fato, também, que o texto do art. 138 se refere à exclusão da responsabilidade pela infração, e não à exclusão da penalidade. Com essa dicção o dispositivo restringe seu alcance às penalidades de caráter punitivo, uma vez que a multa de mora, tendo caráter indenizatório, não é devida em decorrência de infração, mas apenas do dano infringidos ao credor pelo atraso no pagamento. Independente, pois, do motivo que levou a ora recorrente ao inadimplemento do pagamento de créditos tributários devidos, de qualquer ato ou medida preliminar por iniciativa do Fisco, a multa de mora é devida quando do exaurimento do prazo fixado em lei para cumprimento da obrigação tributária principal, sendo que, a ela faz juz a Fazenda Nacional porque a lei tem o direito de receber o valor do imposto na época certa, mesmo sem atuação fiscal do Estado. Nesse sentido, encontro diversas decisões do STJ, conforme vêse da leitura de seu informativo n° 296, que reproduzo abaixo: Informativo n° 0296 Período: 11 a 15 de setembro de 2006. Primeira Seção Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10768.101509/200573 Acórdão n.º 1301001.162 S1C3T1 Fl. 21 5 DÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO EM ATRASO. A Seção, prosseguindo o julgamento, por maioria, desproveu os embargos ao entendimento de que é inaplicável o art. 138 do CTN à hipótese de recolhimento a destempo de tributo sujeito a lançamento por homologação previamente declarado pelo contribuinte, antes do procedimento administrativo do Fisco, descabendo, portanto, a denúncia espontânea para se isentar da multa moratória. Precedentes citados: EREsp 572.606PR, DJ 7/8/2006, e AgRg no EREsp 636.064SC, DJ 5/9/2005. EAG 621.481SC, Rel. originário Min. Peçonha Martins, Rel. para acórdão Min. José Delgado, julgados em 13/9/2006. Portanto, o recolhimento fora do prazo determinado, sujeitase à multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, nos termos de uma interpretação conjunta do já transcrito art. 138 e 161 do CTN (que transcrevo): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Por fim, com relação ao processo administrativo de no. 10070.002178/2004 57 (cópia as fls. 29/105), que contem a peça da denúncia espontânea, em que pese o indeferimento pela DIORT/DRF/RJ, vêse do despacho de fl. 90, que a fiscalização reconhecendo a decadência com relação ao PIS e a COFINS determina o arquivamento daquele processo e, o lançamento com relação a insuficiência do recolhimento relativo à CSLL objeto de discussão nestes autos. Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso interposto. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 13839.000770/2004-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2002 a 29/02/2004
GREVE DE SERVIDORES. INDISPONIBILIDADE FÍSICA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Inexistente qualquer violação ao direito de defesa da recorrente em razão de movimentos grevistas dos servidores da Receita Federal ou por indisponibilização física dos autos no domicílio do responsável solidário, visto que, após proferida decisão pela DRJ, da qual as recorrentes tomaram ciência por meio de correspondência em que lhes foi entregue cópia da referida decisão, nada mais foi aposto no processo e não houve qualquer outra manifestação, de forma que não havia nos autos nenhum outro elemento de que as recorrentes necessitariam ter conhecimento para o exercício de sua defesa.
COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. MUDANÇA DO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE.
A mudança do domicílio fiscal do contribuinte, depois de efetuado o lançamento e antes de apreciada a impugnação, torna-se irrelevante para alterar a competência da autoridade administrativa, que continua sendo a mesma da jurisdição onde o processo foi deflagrado.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ausência da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não gera nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, vez tratar-se de mero elemento de controle administrativo, não causando, por si só, prejuízo à defesa do contribuinte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Por força do princípio do livre convencimento, não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar ponto a ponto das teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, não competindo às instâncias administrativas apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
Nos termos do artigo 23 do DL 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da lei 10.637/2002, presume-se a interposição fraudulenta quando a empresa não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA.
Constitui dano ao Erário a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou entregues a consumo.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS IMPORTA EM INFRAÇÃO À LEI.
A interposição fraudulenta de terceiro, configurada pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações realizadas pela contribuinte, é infração que importa no cometimento de atos com infração de lei
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física estranha ao quadro societário da empresa que, mantendo vínculo com a contribuinte, exerce, de fato, a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios.
Preliminares de nulidade rejeitadas; no mérito: a) negado provimento aos recursos voluntários apresentados por Marcelo Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno; e b) dado provimento ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno.
Numero da decisão: 3202-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito: a) em negar provimento aos recursos voluntários apresentados pela contribuinte e pelos responsáveis solidários Márcio Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno; e b) em dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/10/2002 a 29/02/2004 GREVE DE SERVIDORES. INDISPONIBILIDADE FÍSICA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexistente qualquer violação ao direito de defesa da recorrente em razão de movimentos grevistas dos servidores da Receita Federal ou por indisponibilização física dos autos no domicílio do responsável solidário, visto que, após proferida decisão pela DRJ, da qual as recorrentes tomaram ciência por meio de correspondência em que lhes foi entregue cópia da referida decisão, nada mais foi aposto no processo e não houve qualquer outra manifestação, de forma que não havia nos autos nenhum outro elemento de que as recorrentes necessitariam ter conhecimento para o exercício de sua defesa. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. MUDANÇA DO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. A mudança do domicílio fiscal do contribuinte, depois de efetuado o lançamento e antes de apreciada a impugnação, torna-se irrelevante para alterar a competência da autoridade administrativa, que continua sendo a mesma da jurisdição onde o processo foi deflagrado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não gera nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, vez tratar-se de mero elemento de controle administrativo, não causando, por si só, prejuízo à defesa do contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Por força do princípio do livre convencimento, não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar ponto a ponto das teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, não competindo às instâncias administrativas apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Nos termos do artigo 23 do DL 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da lei 10.637/2002, presume-se a interposição fraudulenta quando a empresa não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou entregues a consumo. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS IMPORTA EM INFRAÇÃO À LEI. A interposição fraudulenta de terceiro, configurada pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações realizadas pela contribuinte, é infração que importa no cometimento de atos com infração de lei INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física estranha ao quadro societário da empresa que, mantendo vínculo com a contribuinte, exerce, de fato, a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios. Preliminares de nulidade rejeitadas; no mérito: a) negado provimento aos recursos voluntários apresentados por Marcelo Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno; e b) dado provimento ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito: a) em negar provimento aos recursos voluntários apresentados pela contribuinte e pelos responsáveis solidários Márcio Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno; e b) em dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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INDISPONIBILIDADE FÍSICA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexistente qualquer violação ao direito de defesa da recorrente em razão de movimentos grevistas dos servidores da Receita Federal ou por indisponibilização física dos autos no domicílio do responsável solidário, visto que, após proferida decisão pela DRJ, da qual as recorrentes tomaram ciência por meio de correspondência em que lhes foi entregue cópia da referida decisão, nada mais foi aposto no processo e não houve qualquer outra manifestação, de forma que não havia nos autos nenhum outro elemento de que as recorrentes necessitariam ter conhecimento para o exercício de sua defesa. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. MUDANÇA DO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. A mudança do domicílio fiscal do contribuinte, depois de efetuado o lançamento e antes de apreciada a impugnação, tornase irrelevante para alterar a competência da autoridade administrativa, que continua sendo a mesma da jurisdição onde o processo foi deflagrado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não gera nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, vez tratarse de mero elemento de controle administrativo, não causando, por si só, prejuízo à defesa do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 07 70 /2 00 4- 83 Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Por força do princípio do livre convencimento, não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar ponto a ponto das teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, não competindo às instâncias administrativas apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Nos termos do artigo 23 do DL 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da lei 10.637/2002, presumese a interposição fraudulenta quando a empresa não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou entregues a consumo. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS IMPORTA EM INFRAÇÃO À LEI. A interposição fraudulenta de terceiro, configurada pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações realizadas pela contribuinte, é infração que importa no cometimento de atos com infração de lei INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física estranha ao quadro societário da empresa que, mantendo vínculo com a contribuinte, exerce, de fato, a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios. Preliminares de nulidade rejeitadas; no mérito: a) negado provimento aos recursos voluntários apresentados por Marcelo Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno; e b) dado provimento ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.680 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito: a) em negar provimento aos recursos voluntários apresentados pela contribuinte e pelos responsáveis solidários Márcio Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno; e b) em dar provimento ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Em 22/04/2004, foi lavrado Auto de Infração para constituição de crédito tributário referente à multa substitutiva da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, no valor de R$ 29.975.843,00 (fls. 02/05). A contribuinte autuada é a empresa CBA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (atualmente denominada CESTAS NORDESTE COMÉRCIO DE ALIMENTOS, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA), doravante denominada “CBA Jundiaí”), a qual teria entregue a consumo produtos estrangeiros por ela importados com a ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, visto não restar comprovada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas importações efetuadas. Além da contribuinte retrocitada, foram também autuados, como responsáveis solidários, os sócios da CBA, os senhores ANTÔNIO CARLOS BRUNO e MÁRCIO PASCOAL GUIDA, bem como o Sr. SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO, proprietário da empresa “Colorado Participações” e que seria, na realidade, a pessoa que gerenciaria a antiga CBA. O procedimento de fiscalização teve início em função de demanda da Inspetoria da Receita Federal em Jaguarão/RS, em outubro de 2003, ao verificar, por meio do Sistema RADAR, que a empresa não disporia de recursos para realizar a importação de 270.000 kg de arroz, registrada na DI nº. 03/07519745, no valor de R$ 294.000,00. O Termo de Constatação Fiscal integrante do Auto de Infração relata, minudentemente, os fatos apurados que levaram à autuação (efls. 110/132). Tanto contribuinte quanto responsáveis solidários foram devidamente intimados da autuação e apresentaram impugnação tempestiva. Em 13/10/2004, a DRJSão PauloII/SP converteu o julgamento em diligência (efls. 2.263/2.265), a fim de que o Auto de Infração fosse retificado, para dar tratamento objetivo aos fatos apreciados e fosse juntada relação discriminada das importações objeto de autuação. Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Como resultado da diligência, foi lavrado Termo de Constatação Fiscal Complementar (fls. 2.102/2.112). Em 25/01/2005, foi dado ciência do Termo de Constatação Fiscal Complementar ao contribuinte CBA Comércio, Importação e Exportação Ltda (fl. 2.113), reabrindose o prazo para defesa. Transcorrido o prazo legal sem que fosse apresentada nova impugnação, seguiram os autos para julgamento (fl. 2.115). A DRJSão Paulo II/SP, então, converteu novamente o julgamento em diligência, para que fosse dado ciência do Termo de Constatação Fiscal Complementar aos responsáveis solidários autuados, reabrindose, para estes, novo prazo de defesa (fls. 2.115/2.116). Conforme atesta o documento de fl. 2.154, somente o Sr. Márcio Pascoal Guida apresentou nova impugnação (fls. 2.133/2.143). A DRJSão Paulo II/SP julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa transcrita adiante (fls. 2.155/2290): Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/10/2002 a 29/02/2004 Ementa: IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior se a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. Considerase Dano ao Erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Irresignada, a contribuinte CESTAS NORDESTE COMÉRCIO DE ALIMENTOS, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentou recurso voluntário (efls. 2.465/2513), alegando, em síntese: nulidade do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa, em razão de não ter tido acesso aos autos para que pudesse xerocopiálos, em função de greve de servidores da Receita Federal; nulidade da decisão recorrida, em razão de a DRJSão Paulo/SP não ser autoridade competente para proceder o julgamento da lide. Afirma que, com a mudança do estabelecimento matriz da empresa para a cidade de Fortaleza, ficou deslocada a competência para o conhecimento, cobrança e julgamento para aquela cidade, na medida em que a competência seria definida pelo domicílio tributário, na forma do art. 24 do Decreto nº. 70.235/1972; nulidade da decisão recorrida, por ausência de motivação e fundamentação, uma vez que deixou de apreciar todos os argumentos apresentados na impugnação; nulidade do auto de infração em razão de não ter sido expedido MPF correspondente; Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.681 5 nulidade do auto de infração por ausência minuciosa e induvidosa dos fatos que dão suporte à autuação, o que teria acarretado cerceamento ao seu direito de defesa. Afirma que, analisando a descrição dos fatos ofertados pelo Sr. AFRF, que ensejaram a lavratura do auto de infração, não é possível identificar os fatos que foram cometidos quer pela empresa, ou pelas demais pessoas arroladas como responsáveis, que fossem suficientes para a lavratura do auto de infração e a imposição da penalidade imposta, havendo violação da certeza jurídica e do art. 10, III, do Decreto nº 70.235/1972. nulidade do lançamento por violação ao art. 142 do CTN, pois o Auto de Infração, além de não descrever minuciosamente os fatos, teria deixado de identificar claramente o sujeito passivo que deve responder pela infração, com a descrição de sua conduta e os fatos que eventualmente cometeu e que concorreu para a prática da infração; que houve violação aos princípios da tipicidade e legalidade, em razão da deficiência na instrução probatória e da ausência de descrição dos fatos e identificação e individualização das condutas praticadas por cada uma das pessoas apontadas como responsáveis pela infração; que, em face da inconstitucionalidade do Decreto nº. 1.455/76 não há previsão legal para aplicação da pena de perdimento; que o auto de infração também seria nulo em razão de validar a constituição de crédito tributário alcançando fatos ocorridos antes da vigência da norma que estabeleceu a pena de perdimento da mercadoria, que é de dezembro de 2002; que a autuação fiscal afronta as garantias constitucionais da livre iniciativa e o direito de propriedade, na medida em que aplicou pena de perda de mercadoria a todas as importações que a recorrente realizou no desenvolvimento regular de suas atividades, por suposta infração, o que redunda em odiosa interferência nas atividades econômica e na liberdade de iniciativa e desenvolvimento de atividade lícita pelos particulares; cita as súmulas/STF nºs. 70 (“É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”) e 323 (“É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. e 323”) e alega que sequer foi apurada a obrigação de pagar tributo, tendo sido exclusivamente imposta multa punitiva e isola sem qualquer embasamento; que a norma em que se funda a autuação teve início em Medida Provisória, o que representa ofensa ao § 10 do artigo 62 da Constituição Federal, pois este veda que matérias relativas à pena de perda de mercadoria sejam objeto de deliberação através de medida provisória; que, em razão de o auto de infração ser impreciso e induvidoso, deixando de indicar os sujeitos passivos e os fatos e as infração que cada uma das pessoas arroladas como infratores cometeram, é de se aplicar o art. 112 do CTN; que o auto de infração violou o princípio constitucional da presunção de inocência insculpido no art. 5º, LVII, da Constituição Federal e que o ônus da prova cabe somente ao Fisco; Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Ao final, requereu, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e, no mérito, a reforma da decisão recorrido, sendo julgado improcedente o auto de infração em sua totalidade. O autuado SIMON BOLÍVAR DA SILVEIRA BUENO apresentou, em recurso voluntário, os seguintes argumento de defesa, em síntese (efls. 2.456/2.566): nulidade do processo, em virtude do cerceamento do direito de defesa, pela impossibilidade de vista dos autos, pois, mesmo tendo seu domicílio em São Paulo, foram os autos remetidos à DRF/Fortaleza; nulidade da decisão recorrida por ter deixado de apreciar os argumentos trazidos na impugnação; ilegitimidade passiva, pois não é sócio da empresa autuada, nem diretor, gerente ou nem mesmo mandatário da empresa, não havendo nos autos qualquer comprovação de que tenha praticado atos de gestão ou de representação da empresa autuada; que não é diretor financeiro da empresa autuada e não guarda qualquer vínculo ou relação com o fato gerador da responsabilidade tributária; que não consta do auto de infração sequer a descrição dos fatos que possam ser atribuídos ao recorrente e que, em conseqüência deles, tenha infringido dispositivo legal capaz de fundamenta sua inclusão no pólo passivo de autuação fiscal que lhe é estranha; que a responsabilidade solidária baseada nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, depende da comprovação de conduta dolosa ou culposa praticada pelas pessoas por ocasião de atos praticados com excessos de poderes ou infração à lei ou ao contrato social. Assim, como nunca praticou atos de gestão ou de representação da sociedade, não pode figurar como responsável solidário; que não há, no auto de infração, a individualização dos fatos e da respectiva penalidade aplicada para cada uma das pessoas, o que o tornaria nulo, por cerceamento do direito de defesa nulidade do auto de infração em razão de ter havido descrição fática única para sustentar a penalidade, sem que tenha sido feita uma individualização dos fatos e da respectiva penalidade para cada um dos autuados. Ao final, requereu, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e, subsidiariamente, seja declarada a ilegitimidade para figurar no pólo passivo. Superar as preliminares, seja o auto de infração julgado improcedente em sua totalidade Em 04/05/5011, por meio da Resolução nº. 3202000.028, este CARF converteu o julgamento em diligência, para que fossem intimados da decisão administrativa de primeira os demais responsáveis solidários. Às efls. 2.628/2.660, recurso voluntário apresentado por MÁRCIO PASCOAL GUIDA, que repisa os mesmos argumentos de defesa apresentados na impugnação e em grande parte também aduzidos pela recorrente Cestas Nordeste. Alega, em síntese: a) Nulidade do Auto de Infração por falta de demonstração da responsabilidade atribuída ao recorrente: Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.682 7 que é o sócio administrador da empresa autuada e o único que atua na sua gestão e representação; que dos autos não consta qualquer comprovação de que tenha agido com excessos de poderes ou com infração à lei ou ao contrato social; e que, se restasse comprovada sua responsabilidade, não caberia a atuação da contribuinte, visto que a responsabilidade do art. 137 do CTN é pessoal do agente e não comporta solidariedade; b) Nulidade do Auto de Infração por ausência de descrição minuciosa e induvidosa dos fatos que dão suporte à autuação: que, analisando a descrição dos fatos ofertados pelo Sr. AFRF, que ensejaram a lavratura do auto de infração, não é possível identificar os fatos que foram cometidos quer pela empresa, ou pelas demais pessoas arroladas como responsáveis, que fossem suficientes para a lavratura do auto de infração e a imposição da penalidade imposta, havendo violação da certeza jurídica e do art. 10, III, do Decreto nº 70.235/1972. c) Nulidade do lançamento tributário: que houve violação ao art. 142 do CTN, pois o Auto de Infração, além de não descrever minuciosamente os fatos, deixou de identificar claramente o sujeito passivo que deve responder pela infração, com a descrição de sua conduta e os fatos que eventualmente cometeu e que concorreu para a prática da infração; que, como o auto não relatou individualmente cada uma das supostas infrações, temse também como violado o próprio artigo 90 do Decreto nº 70.235/1972 d) Cerceamento do direito de defesa que, em decorrência das deficiências apontadas no Auto de Infração, houve violação ao seu direito de defesa e) Violação aos princípios da tipicidade e legalidade que, pela deficiência na instrução probatória e a ausência de descrição dos fatos, identificação e individualização das condutas praticadas por cada uma das pessoas apontadas como responsáveis pela infração, não é possível estabelecer qualquer vínculo de pertinência lógico entre os fatos e o enquadramento legal; que, não tendo o recorrente agido de forma a gerar a sua responsabilidade pessoal e tendo a recorrente consumido, no desenvolvido regular de suas atividades, as mercadorias que importou licitamente, com recursos advindos de suas atividades e não de terceiros, não é possível aceitar a descrição dos fatos e o enquadramento legal dado pelo Sr. AFRF; que não é possível encontrarmos qualquer dispositivo legal para enquadramento legal da penalidade f) Inconstitucionalidade do Decreto nº. 1.455/1976: Fl. 2683DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 que, com a vigente Constituição Federal, especialmente o que dispõe o artigo 5º , incisos XLV, XLVI, a decretação da pena de perdimento de bens depende de decisão judicial, através de condenação em matéria penal. Logo, pela Constituição Federal de 1988, não mais subsiste a pena de perdimento de bens aplicada por qualquer autoridade do Poder Executivo, podendo essa sanção ser decretada tão somente por membro do Poder Judiciário, em caso de condenação criminal (art. 5º, XLV e XLVI, "b") g) Impossibilidade de retroatividade da lei para fundamentar a infração e impor penalidades que o auto de infração também seria nulo em razão de validar a constituição de crédito tributário alcançando fatos ocorridos antes da vigência da norma que estabeleceu a pena de perdimento da mercadoria, que é de dezembro de 2002; h) Violação ao direito de propriedade a ao princípio da livre iniciativa: que a autuação fiscal afronta as garantias constitucionais acima apontadas, na medida em que aplicou pena de perda de mercadoria a todas as importações que a recorrente realizou no desenvolvimento regular de suas atividades, por suposta infração, o que redunda em odiosa interferência nas atividades econômica e na liberdade de iniciativa e desenvolvimento de atividade lícita pelos particulares; h) Súmulas do STF: cita as súmulas/STF nºs. 70 (“É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”) e 323 (“É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. e 323”) e alega que sequer foi apurada a obrigação de pagar tributo, tendo sido exclusivamente imposta multa punitiva e isolada, sem qualquer embasamento. i) Impossibilidade de Medida Provisória criar normas penais e de detenção de bens que a norma em que se funda a autuação teve início em Medida Provisória; que é ineficaz a norma que impôs a pena de perda de mercadoria por ofensa ao § 10 do artigo 62 da Constituição Federal, que veda que tais matérias sejam objeto de deliberação através de medida provisória. k) Aplicação do art. 112 CTN; que, em razão de o auto de infração ser impreciso e induvidoso, deixando de indicar os sujeitos passivos e os fatos e as infração que cada uma das pessoas arroladas como infratores cometeram, é de se aplicar o art. 112 do CTN; l) Presunção de inocência e inconstitucionalidade do lançamento presuntivo que o auto de infração violou o princípio constitucional da presunção de inocência insculpido no art. 5º, LVII, da Constituição Federa; que a mera presunção não dá nascimento à obrigação tributária nem à aplicação de penalidade, de forma que não há como impor pena e infração sem que seja efetivamente comprovada a infração, com a devida e precisa descrição dos fatos cometidos pelo infrator e a sua subsunção à norma de incidência tributária; e Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.683 9 que o ônus da prova cabe ao Fisco m) Caráter confiscatório da multa aplicada que a multa aplicada é desproporcional, abusiva e confiscatória, violando o princípio da nãoutilização do tributo com efeito de confisco, estabelecido no art. 150, VI, da Constitucional Federal. Ao final, requereu, preliminarmente a nulidade do auto de infração e, no mérito, a sua improcedência total. Às efls. 2.667/2.677, o recurso voluntário apresentado por ANTÔNIO CARLOS BRUNO, por meio do qual alega o seguinte: a) Nulidade do Auto de Infração por falta de demonstração da responsabilidade atribuída ao recorrente: que é sócio quotista, detentor de uma única quota, nunca tendo praticado qualquer ato de gestão, conforme se verifica de simples leitura do contrato social da empresa; e que a responsabilidade atribuída aos sócios baseada nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, depende da comprovação de conduta dolosa ou culposa praticada pelas pessoas por ocasião de atos praticados com excessos de poderes ou infração à lei ou ao contrato social. Assim, como nunca praticou atos de gestão ou de representação da sociedade, não pode figurar como responsável solidário. b) Nulidade do auto de Infração pela ausência de descrição minuciosa e induvidosa dos fatos que dão suporta à autuação que, analisando a descrição dos fatos narrados pelo Sr. AFRF que ensejaram a lavratura do auto de infração, não é possível identificar os fatos que foram cometidos pelo recorrente que acarretaram a lavratura do auto de infração e a imposição da penalidade a ele imposta, o que acarreta a sua nulidade; e que não houve a individualização dos fatos nem da respectiva penalidade aplicada a cada uma das pessoas. Requereu, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e, no mérito, a reforma da decisão a quo, declarandose a improcedência da autuação. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem as condições de admissibilidade, razões pelas quais deles conheço. Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Ao teor do relatado, trata a lide de Auto de Infração lavrado em 22/04/2004, contra a contribuinte e responsáveis solidários, todos já identificados nos autos, para constituição de crédito tributário decorrente da multa substitutiva da pena de perdimento, no valor de R$ 29.975.843,00. A análise das alegações trazidas pelas defesas será feita de forma conjunta, em razão da matéria apresentada, vez que diversas matérias são abordadas em mais de um dos recursos. Do Cerceamento do Direito de Defesa Em sede de recurso voluntário, a contribuinte e o responsável solidário Simon Bolívar da Silveira Bueno suscitam nulidade do processo, em razão de ter havido cerceamento do seu direito de defesa: a primeira, por conta de greves na Receita Federal, alegando que teria ficado impossibilitada de tirar cópia do processo; já o segundo, em razão de os autos terem sido encaminhados à DRFFortaleza, quando, no entanto, possuía domicílio em São Paulo. Diferentemente do alegado, tenho por inexistente qualquer violação ao direito de defesa dos recorrentes em razão de movimentos grevistas dos servidores da Receita Federal ou por indisponibilização física dos autos no domicílio do responsável solidário. Isso porque, após a decisão da DRJ, da qual os recorrentes tomaram ciência por meio de correspondência em que lhes foi entregue cópia da referida decisão, nada mais foi aposto no processo. Não houve qualquer outra manifestação após a deliberação daquele órgão julgador, de forma que não havia nos autos nenhum outro elemento de que os recorrentes necessitariam ter conhecimento para o exercício de sua defesa. Demais disso, os recursos voluntários apresentados deixam ver, claramente, que os autuados tinham pleno conhecido da infração que lhes foi imputada, bem como de todos os elementos fáticos e probatórios que envolveram a autuação. Não restando configurado prejuízo ao exercício do direito de defesa, não há como acatarse a pretensão dos recorrentes. Da Competência para Julgar da DRJSão Paulo/SP e da Remessa dos Autos à DRFFortaleza/CE Suscitase a nulidade do Acórdão recorrido, em face da incompetência do órgão julgador para exame do litígio, vez que, à época do julgamento, a empresa autuada já teria mudado o estabelecimento matriz para a cidade de Fortaleza/CE, o que teria deslocado, para esta cidade, a competência para o julgamento do litígio, na medida em que a competência seria definida pelo domicílio tributário, nos termos do Decreto nº. 70.235/72. Na verdade, esta questão foi muito bem explicada pela própria DRF Fortaleza/CE, ao declinar da competência em favor da DRJSão Paulo II/SP (efl. 2.261). Confirase: Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.684 11 “Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado pela DRF em Jundiaí SP, domicilio fiscal do contribuinte à época, para a exigência do crédito tributário relativo à multa por dano ao Erário no valor de R$29.975.843,00. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Fortaleza encaminhou o presente processo a esta Delegacia de Julgamento por equivoco, posto que, consoante dispõe o parágrafo 3º do artigo 9° do PAFDecreto nº 70.235/72, a formalização da exigência, nos termos do parágrafo 2° do citado diploma legal, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Em conseqüência, tornase irrelevante neste caso, a questão do domicilio fiscal do contribuinte para alterar a competência da autoridade administrativa julgadora, no caso DRJ/SÃO PAULO II/SP, à qual é jurisdicionada a Unidade onde o processo foi deflagrado. Fica, entretanto, ressalvada para fins de ciência e eventual cobrança de crédito tributário a competência da autoridade que jurisdicione o novo domicilio fiscal do interessado, Parecer CST/SIPR N°45 de 21 de janeiro de 1991.” (grifo não constante do original) A empresa foi constituída em 15/09/2000, com sede inicialmente em São Paulo/capital. A primeira alteração contratual, realizada em 20/03/2001, mudou a sede da empresa para Jundiaí/SP, no endereço Rodovia Anhanguera Km51+ 360 mts. Tendo em vista o domicílio fiscal da empresa à época, em 30/10/2003 foi aberto, na DRFJundiaí/SP, o procedimento de fiscalização constante da I.N./SRF n° 228/2002. Tendo sido iniciado o procedimento de fiscalização pela DRFJundiaí/SP, sendo, portanto, deflagrado o processo por aquela DRF, tal fato levou à prorrogação da competência para aquela Delegacia, na forma do §3º do art. 9º do Decreto nº. 70.235/72: Art. 9º A exigência do crédito tributário a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ......................................................................................................... §2º. Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeira conhecer. ................................................................................................... (destaques não constantes do original) Por outro lado, em sentido diametralmente oposto, o responsável solidário Simon Bolívar da Silveira Bueno alega cerceamento do seu direito de defesa em razão de terem Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 sido encaminhados os autos da DRFSão Paulo/SP para a DRFFortaleza/CE, uma vez que ele possui domicílio fiscal em São Paulo. No caso, não se vislumbra qualquer cerceamento do direito de defesa, vez que os autos foram encaminhados para a unidade da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio tributário da contribuinte autuada para fins de controle do crédito tributário, visando futura cobrança, conforme assinala o Parecer CST/SIPR nº. 45, de 25/01/1991, cuja ementa é a seguinte: COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. MUDANÇA Do DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. A mudança do domicílio fiscal do contribuinte, depois de efetuado o lançamento e antes de apreciada a impugnação, tornase irrelevante para alterar a competência da autoridade administrativa, que continua sendo a mesma da jurisdição onde o processo foi deflagrado. A cobrança, contudo, compete à autoridade que jurisdicione o novo domicílio fiscal. Demais disso, repitase, o responsável solidário foi devidamente intimado da decisão da DRJ, tendo recebido cópia daquela decisão junto à intimação, nada mais tendo sido aposto aos autos que fosse necessário ao seu conhecimento para que pudesse exercitar o seu direito de defesa, razão pela qual não se vislumbra qualquer cerceamento a tal direito. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão da DRJSão Paulo II/SP em razão de sua incompetência para julgar, tampouco em nulidade do processo, por cerceamento do direito de defesa, em razão da remessa física dos autos à DRFFortaleza/CE, razão pela qual devem também ser rejeitadas estas preliminares. Da Nulidade do Auto de Infração em razão de Ausência do MPF Alegase que o procedimento realizado pela DRFJundiaí/SP não foi iniciado com a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o que inquinaria de nulidade o Auto de Infração. Registrese, não obstante, que o Termo de Intimação nº 001 está amparado pelo MPF nº. 0812400/00044/2003 e o Auto de Infração, pelo MPF nº 0812400/00380/04. Demais disso, temse que a questão relativa à necessidade de expedição de MPF já foi fartamente discutida no âmbito deste CARF, desde o tempo dos Conselhos de Contribuintes, sendo manso e pacífico o entendimento de que o MPF tem caráter subsidiário em relação aos atos de fiscalização, vez que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, não podendo a autoridade fiscal deixar de exercêla diante da ocorrência do fato gerador do tributo, de forma que não possui o MPF o poder de retirar da autoridade lançadora a competência a ela atribuída por lei. O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em uma ordem específica, emitida por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, para que servidor a ela subordinado proceda, no caso de fiscalização, à verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRFB, bem como da correta aplicação da legislação, e, se for o caso, à constituição do crédito tributário devido ou à apreensão de mercadorias em situação irregular. Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.685 13 O MPF tem por escopo o planejamento e o controle, por parte da Receita Federal, das atividades de fiscalização externa dos tributos e contribuições federais a serem desenvolvidas em cada exercício fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal visa, ainda, permitir ao sujeito passivo assegurarse da autenticidade da ação fiscal contra ele instaurada, e, com isso, evitar achaques de maus servidores ou de pessoas que se fazem passar por eles. Todavia, esse não é o caso dos autos, pois a empresa já tinha conhecimento de que a Fiscalização contra ela empreendida era regular, posto haver sido cientificada, em 30/10/2003, do início da fiscalização por meio do Termo de Intimação nº 001 (efls. 168/169), onde constava o nome dos auditores encarregados da fiscalização, bem como demais informações necessárias para bem identificar os trabalhos fiscais iniciados e as autoridades por eles responsáveis. Desta feita, não causa qualquer vício ao lançamento a inexistência de emissão de MPF com o fim específico de informar ao sujeito passivo as averiguações fiscais pertinentes. Vejase que a alegada inexistência do referido mandado não causou qualquer prejuízo à defesa e, sem prejuízo, não há nulidade. Por fim, cabe a análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/1972, que assim dispõem: Art. 59. São nulos: a) Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; b) Os despachos e decisões proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa §§ omissis. Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ao teor desse dispositivo, as irregularidades que tornariam nulo o lançamento fiscal resumemse aos casos de atos e termos lavrados por servidor incompetente, ou aos de despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com cerceamento do direito de defesa. Afora as hipóteses retro citadas, as demais irregularidades que possam vir a ocorrer no processo fiscal não acarretariam nulidade do lançamento fiscal. Concluise, pois, diante das considerações acima expendidas, que não há como ser acolhida a preliminar de nulidade arguida. Da Nulidade do Auto de Infração por Ausência de Descrição dos Fatos Não há como se conceber a alegação feita pelas recorrentes de que o Auto de Infração seria nulo em razão de cerceamento do direito de defesa, por ausência minuciosa e induvidosa dos fatos que deram suporte à autuação, tendo deixado de identificar claramente o sujeito passivo que deve responder pela infração, com a descrição de sua conduta e os fatos que eventualmente cometeu e que concorreu para a prática da infração. Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 O Auto de Infração foi acompanhado de Termo de Constatação Fiscal (efls. 110/132 – vol. I), tendo sido complementado em razão de diligência requerida pela DRJ, ao que foi elaborado Termo de Constatação Complementar (efls. 2.268/2.274 – vol. XI), tendo sido reaberto prazo de 30 dias para manifestação de todos os autuados. Resta claro que a autuação deveuse à configuração de interposição fraudulenta presumida, prevista no art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo parágrafo 2° do inciso V do artigo n° 59 da Lei nº. 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória n° 66 de 29/08/2002 em lei), em decorrência de não se haver comprovado a origem dos recursos empregados em diversas operações de importação realizadas em nome da contribuinte, no período de 01/10/2002 a 18/02/2004 (relação constante às efls.2.276/2.278). Todo o conjunto probatório da infração perpetrada encontrase descrito minuciosamente pela autoridade fiscal nos Termos de Constatação Fiscal originário e complementar, de forma que se mostra inadmissível entender se que não há, na peça de autuação, a descrição dos fatos que deram origim à autuação. Mais uma vez, sem razão os recorrentes em suas alegações. Da Nulidade do Auto de Infração por Abranger Fatos Anteriores à Vigência de Lei Alegase que a infligência da multa decorreu da aplicação retroativa da norma legal. Ledo engano, vez que a interposição fraudulenta presumida foi instituída pela MP nº. 66, de 29/08/2002, tendose convalidado na Lei nº. 10.637, de 30/12/2002. Tendo sido objeto da autuação as importações realizadas entre 01/10/2002 e 18/02/2004, quando da ocorrência do fato gerador, qual seja, o emprego em operação de comércio exterior de recursos sem a comprovação da origem dos recursos, já existia dispositivo legal que permitia a aplicação da multa: Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23 ......................................................................................... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida. § 4o O disposto no parágrafo anterior não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.686 15 Assim, ao tempo da aplicação dos recursos no comércio exterior, a MP 66/2002 estava em pleno vigor, de modo que a recorrente tinha pleno conhecimento de que tal conduta importaria em infração à ordem aduaneira. No mais, vale reprisar as considerações da egrégia DRJ: “Quanto ao universo das operações onde podem ser aplicadas as penalidades previstas na nova redação do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 e do §1º do art. 81 da Lei nº 9.430/96, a resposta está na possibilidade de se estabelecer (ou não) um nexo de causalidade entre a origem dos recursos e aquelas operações no comércio exterior que se encontram sob verificação. Ficando demonstrado que existe uma mácula que remonta à integralização do capital social e que o câmbio referente ao pagamento das operações foi liquidado com valores originários dessa integralização, independentemente do primeiro ato viciado ter ocorrido antes da edição da norma que passou a punir a ocultação do sujeito passivo, há que se aplicar as penalidades discutidas. (...) Se a conduta punível é ocultar o sujeito passivo e o meio para essa ocultação é o fornecimento de recursos por um terceiro que não tenha declarado qualquer relação jurídica com o importador ou com a operação de importação, pouco importa quando esses recursos foram fornecidos. Basta uma simples operação lógica: se aqueles recursos cuja origem não foi comprovada não tivessem sido utilizados, o contribuinte conseguiria operar no comércio exterior? Se a resposta é não, o fato enquadrase perfeitamente na norma que estabeleceu penalidades para essa modalidade de simulação, a qual, repitase pune a operação realizada com recursos cuja origem lícita não pode ser comprovada e não o fato anterior que fez nascer esses recursos. (...) Se permitíssemos que os recursos fossem “regularizados” pela sua circulação em sucessivas transações internacionais, estaríamos colaborando para que o ato ilícito recebesse o mesmo tratamento dispensado ao ato lícito, o que esbarraria frontalmente nos princípios que norteiam a Administração Pública, plasmados no art. 37 da Constituição Federal de 1988.” Quanto à alegação de que a questão não poderia ser tratada por meio de Medida Provisória, pois tal fato afrontaria o comando constitucional do §10 do art. 62 da Constituição Federal, valem sobre tal alegação as considerações efetuadas mais adiante neste voto, relativas às questões referentes às alegações de inconstitucionalidade. Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância por Ausência de Motivação e Fundamentação Alegase nulidade da decisão administrativa de primeira instância em razão de não haver apreciado todos os argumentos apresentados na impugnação, o que, no entender dos recorrentes, levaria à sua nulidade. Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 Conforme entendimento já manifestado pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Especial 2005/01635640, por força do princípio do livre convencimento, o julgador, ao apreciar a lide, não está obrigado a emitir pronunciamento, ponto a ponto, sobre as teses elencadas pelas partes, mas tãosomente a fundamentar coerentemente as razões que o levaram a decidir desta ou daquela maneira, utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. In casu, o acórdão recorrido relatou as questões de defesa trazidas pelos então impugnantes, enfrentou as matérias preliminares e as questões de mérito, bem como analisou a questão relativa à responsabilidade solidária dos autuados. Abordou, assim, os aspectos principais atinentes à lide e afetas a todas as partes, fundamentando de forma clara, lógica e coerente o seu posicionamento, não se podendo falar, portanto, em nulidade do julgamento de primeira instância. Rejeito, pois, mais esta preliminar. Das Questões Referentes à Inconstitucionalidade Diversos são os princípios constitucionais que os recorrentes julgam ter havido violação: da livre iniciativa, da proibição ao confisco, da presunção de inocência e até mesmo do direito à propriedade. Também alegase a inconstitucionalidade do Decreto nº. 1.455/76 e da Medida Provisória nº. 66/2002. No Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade por este Poder seja com efeitos erga omnes (no controle concentrado de constitucionalidade), seja com efeito inter partes (no controle difuso) a lei gozará de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, será válida e terá aplicação cogente em todo o território nacional. É óbvio que a Administração tem o poder e até mesmo o dever de afastar a aplicação de lei inconstitucional, pois esta é ato nulo, não obriga, não vincula. Entretanto, não pode a Administração negarse à aplicação de lei que apenas entenda ser inconstitucional, pois não lhe compete realizar o controle difuso de constitucionalidade. Sem a declaração de inconstitucionalidade daquele que é competente para tanto, não há que se falar em lei inconstitucional. Não tendo a Constituição Federal dado competência aos órgãos da Administração para efetuarem o controle de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional. Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário, como também fere de morte um dos princípios norteadores da Administração Pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. A propósito da controvérsia empreendida pela contribuinte, cito, por fim, excerto do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134): Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.687 17 “(...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada.” O que se verifica nos autos é a aplicação da legislação tributária em vigor à época, nos seus estritos limites, inclusive em relação à presunção de interposição estabelecida em lei, não sendo possível à autoridade fiscal eximirse da aplicação da lei por reputála inconstitucional. De outro lado, os argumentos relativos à inconstitucionalidade do Decreto nº. 1.455/76 não devem ser conhecidos por este órgão julgador, vez que às autoridades julgadoras administrativas falece competência para apreciar questões relativas à inconstitucionalidade de lei, conforme dispõe a Súmula CARF nº 02. Assim, deixo de conhecer dos recursos voluntários nas partes referentes às inconstitucionalidades apontadas pelos recorrentes. Da Infração Verificase que a recorrente, em momento algum, trouxe qualquer argumento ou prova em relação à origem dos recursos utilizados para suportar o volume financeiro transacionado pela contribuinte, nas operações de comércio exterior que foram objeto da autuação. A contribuinte não conseguiu provar sequer a integralização do aumento de capital, que elevou o capital social da empresa de R$ 10.000,00 para R$ 130.000,00, ocorrida em 12/12/2001. Ao invés de demonstrar a injeção de R$ 120.000,00 na CBAJundiaí, foi apresentado um DOCC emitido pela CBARio de Janeiro (que não é a autuada) em favor da antiga sócia proprietária da CBAJundiaí, a “Janesville Participações e Locações Mobiliárias S/C Ltda” (doravante denominada “Janesville”). Notese que, embora no DOC conste como remetente a CBAJundiaí, o CNPJ ali indicado é o da CBARio de Janeiro. Em 17/12/2001, na segunda alteração contratual da empresa, as 129.999 quotas pertencentes à “Janesville” foram transferidas para o Sr. Márcio Pascoal Guida. Este, ao ser intimado pela Inspetoria de Jaguarão/RS para informar a origem dos recursos por ele utilizados para adquirir as referidas quotas, no valor de R$ 129.999,00, declarou que tinha usado recursos próprios. Posteriormente, intimado em 30/10/2003 a informar e comprovar a origem daqueles recursos, declarou que o valor ainda não tinha sido pago, dizendo que o procurador da “Janesville” havia falecido e que ele não tinha sido comunicado sobre o novo procurador da empresa para finalizar as negociações. Essa comprovação, no entanto, nunca foi efetuada. Na quinta alteração contratual da empresa, consta registrado na Junta Comercial a subscrição e integralização do capital social em R$ 3.000.000,00, totalizando o capital da empresa em R$ 3.130.000,00. Três meses depois, o capital social voltou para R$ 130.000,00. Intimada a contribuinte, pela Inspetoria de Jaguarão/RS, a comprovar a origem dos recursos utilizados nessa integralização de capital, o Sr. Márcio Pascoal Guida, na condição de Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 18 representante da empresa, informou que a integralização não ocorreu em razão da conjuntura econômica. De outro giro, conforme esclarecido no Termo de Verificação Fiscal complementar, até maio de 2001 a CBAJundiaí não apresentou nenhum movimento. Na DIPJ/2002, anocalendário 2001, surgiu uma origem de recursos de R$ 2.779.608,90 na conta Empréstimos de Sócios. Na DIPJ/2003, a empresa apresentou um saldo na conta Fornecedores de R$ 8.624.140,40 (vide Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 23/03/2004, fls. 359/365). Instada a apresentar documentos de comprovação dos saldos das contas Fornecedores e Empréstimos de Sócios, nada restou comprovado, conforme relatou a fiscalização (fl. 2270): "Em resposta àquele Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (doc. fls. 304 a 387), a empresa diz textualmente: "No caso da Conta de Empréstimos de Sócios, informamos que o valor de R$ 1.281.108,90 referese a aluguel não pago, portanto, classificado incorretamente e a diferença referese a empréstimos, os quais estamos localizando a documentação em nossos arquivos." O contribuinte diz ainda que o detalhamento dos R$ 1.281.108,90 e a documentação estão discriminados no Anexo "A", que consiste apenas em lançamentos de aluguéis devidos à Colorado Participações, e recibos assinados pelo Sr Simon Bolívar em nome da Colorado Participações (doc. fls. 305 a 324). Cabe ressaltar que a diferença de R$ 1.498.500,00 nunca foi comprovada. Com relação ao saldo da conta Fornecedores de longo Prazo, de 31/12/2002, no valor de R$ 8.624.140,40, o contribuinte diz textualmente: "Nesta conta, informamos que consta o valor de R$ 4.050.000,00, referente a aluguel não pago, o qual foi lançado indevidamente na linha de fornecedores, sendo o correto em Outras Contas. A documentação está no Anexo "B". Quanto a diferença, referese a empréstimos os quais estamos localizando a documentação em nossos arquivos." O anexo "B", assim como na resposta dada no anexo "A", também se constitui apenas em lançamentos em nome da Colorado Participações e recibos assinados pelo Simon Bolívar. Não foi apresentada, posteriormente a esta fiscalização, nenhuma documentação que comprovasse a diferença de R$ 4.574.140,40.” Assim sendo, constatouse que os valores iniciais de sua operação não tiveram a origem comprovada, vez que: O capital social não foi integralizado. Os R$ 2.779.608,90 registrados como empréstimos de sócios, não se referiam, na realidade, a empréstimo algum. Tratamse de recursos sem origem comprovada, que foram utilizados para suportar as importações da recorrente. O saldo de R$ 8.624.140,40 na conta Fornecedores não foi comprovado, tendose apresentado justificativa inconsistente em relação a apenas parte deste valor (R$ 4.050.000,00), não havendo justificativa alguma para a diferença de R$ 4.574.140,40. E, mesmo em relação à parte “justificada”, temse que esta consiste, na verdade, em meros recibos da empresa “Colorado Participações”, assinados pelo Sr. Simon Bolívar, que, conforme demonstrado no auto de infração, integra o grupo econômico da recorrente. Como é cediço, a Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.688 19 constatação de saldo na conta fornecedores, sem documento que lhe dê amparo, caracteriza a figura anômala do passivo fictício, o que por sua vez indica receitas de origem não comprovada (art. 281, III do RIR/99). Assim, não se tendo comprovada a origem dos recursos empregados nas importações realizadas pela autuada CBAJundiaí, temse que restou caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros presumida, estabelecida no §2º do art. 23, do Decretolei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº. 10.637/2002, conduta apenada com o perdimento da mercadoria, convertida em multa em razão de a mercadoria ter sido consumida ou entregue a consumo, nos termos da legislação que abaixo se transcreve: Lei nº. 10.637/2002 Art. 59. O art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3° A pena prevista no § 1° convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. ......................................................................................................... Decreto nº. 4.543, de 26/12/2002 (RA/2022) Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configuraram dano ao Erário (Decreto lei nº. 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº. 1.455, de 1976, art. 23 e §1º, com a redação dada pela Lei nº. 10.637, de 2002, art. 59): ......................................................................................................... XXII. estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação d sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. ......................................................................................................... Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 20 §1º. A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei nº. 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei nº. 10.637, de 2002, art. 59). ...................................................................................................... Demais disso, temse que a autoridade fiscal carreou aos autos diversos outros elementos que demonstram claramente a incompatibilidade entre o valor transacionado pela contribuinte e o capital social por ela integralizado (contrato social, DIPJ, DIRPF dos sócios, Declarações de Importação). Tais elementos, no meu entender, formam um quadro indiciário robusto, suficiente para, analisado em conjunto, caracterizar a utilização de interposta pessoa nas atuações do Sr. Márcio Pascoal Guida e do Sr. Simon Bolívar da Silveira Bueno. Tais elementos de prova não sofreram contraprova por parte dos autuados, nem quando do oferecimento da impugnação, nem quando da apresentação do recurso voluntário. São eles: existência de contrato de aluguel, firmado em 20/03/2001, entre a empresa “Colorado Participações S/C Ltda”, representada pelo Sr. Simon Bolivar da Silveira Bueno, e a “CBA Comércio, Importação e Exportação Ltda” (CBA/Jundiaí), firmado pelo prazo de cinco anos (de 20/03/2001 a 19/03/2009), para pagamento todo dia 5 do mês subsequente ao mês vencido, no valor mensal de R$ 360.000,00 (efls. 205/207). Segundo a interessada, desde a existência do contrato de aluguel, não houve pagamento integral do valor contratado (doc. fls. 97 a 98); ainda em relação ao mesmo imóvel alugado, onde se localiza a CBA Jundiaí, situado à Rodovia Anhanguera Km 51,36, temse que este se trata de um prédio de 33.310,76 m2 de área construída. O registro da escritura de compra do terreno indica que este foi adquirido pela “Colorado Participações”, por R$ 827.550,00 (doc. fls. 99 a 100). A área onde está situado o imóvel, com pelo menos 83.000 m2 vale, a preço de mercado, pelo menos R$ 2.500.000,00, aproximadamente (R$ 30,00 a R$ 40,00 o metro quadrado, valores levantados junto a corretores na cidade de Jundiaí). A construção, considerandose o valor de R$ 305,00 para o metro quadrado (valor médio obtido na Revista Construção de fevereiro de 2004, que tem por base a tabela PINI da construção civil de São Paulo), custaria, hoje, algo em torno de R$ 10.160.000,00. Ou seja, estáse falando em um empreendimento de cerca de R$ 12.700.000,00, cujo aluguel foi estabelecido sem um retorno determinado, podendo o pagamento da CBAJundiaí ser de R$ 5.000,00 num mês e de R$ 90.000,00 no mês seguinte, quando se sabe que esse valor aplicado no mercado financeiro poderia render no mínimo R$ 190.000,00 sem qualquer risco. Márcio Pascoal Guida e Antonio Carlos Bruno, sócios da interessada CBA Jundiaí, também são sócios conjuntamente em mais duas empresas: a “Sul Brasil Alimentos Com. Ltda” e a “Sustento Alimentos Comércio Importação e Exportação”, sendo que no contrato de locação desta última, firmado 02/09/2002, a “Colorado Participações”, representada por seu sócio Simon Bolivar Silveira Bueno, assina como fiadora e principal pagadora, juntamente com a locatária. Embora a locatária nominada seja a “Sustento Alimentos Comércio Importação e Exportação Ltda”, o CNPJ constante do contrato de locação é o da CBAJundiai (efl. 292); o sócio Márcio Pascoal Guida não soube dar informações sobre os valores aproximados do faturamento e das compras efetuadas pela empresa, nem soube informar o nome do seu diretor financeiro. Indagado sobre o valor aproximado das vendas (faturamento), disse que em 2002, havia sido de R$ 25 a R$ 26 milhões, no entanto, consta na DIPJ do ano calendário de 2002, a receita da venda de mercadorias de R$ 197.790.626,99, ou seja, um valor Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.689 21 quase oito vezes maior que o informado. Em 2003, ele informou que a empresa teve faturamento de R$ 16 milhões; no entanto, só em importação a empresa gastou US$ 5.539.703,00 (aproximadamente R$ 17.605.191,00), sendo que a empresa importa apenas parte do que comercializa. Tal desconhecimento não corresponde à atuação de um sócio majoritário de uma empresa de porte da CBAJundiaí; o sócio Marcio Pascoal Guida declarou, no anocalendário de 2001, rendimentos tributáveis de R$ 12.000,00 e rendimentos isentos de R$ 42.000,00; já no ano calendário de 2000, foram R$ 13.500,00 de rendimentos tributáveis e R$ 94,47 de rendimentos isentos. (doc. fls. 240). Por sua vez, o sócio Antonio Carlos Bruno declarou, no ano calendário de 2001, rendimentos tributáveis de R$ 12.780,00 e rendimentos isentos de R$ 32.500,0; já no anocalendário de 2000, foram R$ 10.800,00 de rendimentos tributáveis e R$0,00 de rendimentos isentos. (doc. fls. 241). Esse números não são compatíveis com os rendimentos de sócios de uma empresa do porte da CBAJundaí; a CBAJundiai, em propaganda veiculada na internet (www.cba.com. br/unidades.htm) cita como uma de suas unidades, a unidade de Curitiba, que estaria localizada à rua Tomazina, 282 quadra 5. Esse endereço é exatamente o mesmo endereço da empresa “Sul Brasil Alimentos”. Ainda no mesmo endereço eletrônico, em relação à unidade da CBARio de Janeiro é informado o endereço situado na Estrada do Mendanha, n° 3136, em Campo Grande/R.J, que é exatamente o mesmo endereço da filial da “Sustento Alimentos”; a CBAJundiaí, quando solicitada a apresentar os comprovantes de pagamentos feitos à “Colorado Participações”, apresentou extratos bancários (doc. fls. 168 a 194), onde se pode verificar no doc. de fls. 173 uma transferência de R$ 325.490,27 feita à “Sustento Alimentos”; do saldo da conta “Empréstimos de Sócios”, de R$ 2.779.608,00, conforme informação da interessada, R$ 1.281.108,90 referemse a aluguéis não pagos e R$ 1.498.500,00 referemse a empréstimos que a empresa não conseguiu localizar em seus arquivos (doc. fls. 304 a 306). O valor não justificado, no montante de R$ 1.498.500,00, quando estornado da Demonstração do Fluxo de Caixa p. 5 de 7 do Termo de Constatação e Intimação de 24/03/2004, em doc. de fls. 295 a 302 irá resultar em Saldo Credor de Caixa/Disponível de R$ 766.229,30 calculado, ou saldo credor de disponível de R$ 893.545,80 conforme a contabilidade apresentada pelo contribuinte. Este fato já é suficiente para se concluir pela interposição fraudulenta pela não comprovação da origem dos recursos utilizados, cabendo ressaltar que nenhum dos sócios, dispõe de recursos para efetuar empréstimos à empresa nesse montante (doc.fls. 240 e 241); analisando os Livros Diário e Razão de 2001 e de 2002 da CBAJundiai , verificase que até o mês de abril de 2001, a empresa não apresentava movimento, o que passou a ocorrer a partir de maio de 2001. No inicio de maio de 2001, os saldos das contas do Balanço Patrimonial da empresa eram zero. Apenas no mês de maio, a empresa passou de um saldo zero na conta de Fornecedores para R$ 6.303.428,29 (doc. fls. 408 a 461), de um patrimônio de R$ 7.310,00 para R$ 6.220.927,72 (doc. fls. 534 a 541). Desse total de Fornecedores, R$ 2.568.372,00 referemse a compras a prazo lançadas a crédito nas contas Central Brasil; Serra Leste Ind. Com . Central Brasil de Alimentos (doc. fls. 408 a 461). Os documentos apresentados, referentes a estas Notas Fiscais, emitidas pela CBARio de Janeiro, comprovam a ligação existente entre as empresas CBARio e CBAJundiai. Elas também esclarecem como a empresa saltou de um patrimônio de praticamente zero (em abril de 2001), Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 22 para um patrimônio de R$ 6.213.617,72 (doc. fls. 534 a 541) ainda em maio do mesmo ano. Ou seja, a empresa, que não detinha praticamente nenhum patrimônio em abril de 2001, conseguiu comprar a crédito R$ 2.568.372,00, em apenas um mês, de praticamente um único fornecedor (R$ 2.520.250,00 referemse à Central Brasil de Alimentos CBA/Rio); a empresa Central Brasil de Alimentos Com. Import. Export. Ltda (CBA Rio de Janeiro) foi constituída em 23/03/1995 pelos sócios Simon Bolívar da Silveira Bueno, Emilio Maioli Bueno e Edson Donizette Benette, tendo sido submetida ao procedimento especial de fiscalização da IN/SRF nº. 228/2002, pois estava omissa em relação à DIPJ/2001 (ano calendário de 2000) e apresentava dispêndios na importação, no ano calendário de 2001, superiores ao faturamento declarado. Intimada a comprovar a origem dos recursos, a empresa não se manifestou no prazo regular de sessenta dias, sendo declarada Interposta Pessoa pela não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação. (doc. fls. 246); e o Sr. Simon Bolívar da Silveira Bueno, quando do inicio da fiscalização, em 30/10/2004, apresentouse como diretor financeiro da empresa e demonstrou pleno conhecimento dos problemas que a empresa estava tendo para desembaraçar mercadorias na fronteira (em Jaguarão/RS), tendo falado sobre as medidas judiciais que a empresa estava tomando para poder realizar o desembaraço aduaneiro. Assim, não bastasse a presunção legal de interposição fraudulenta em razão da não comprovação da origem dos recursos, fortes são as outras provas carreadas pela Fiscalização que levam a se concluir, indene de dúvidas, pela interposição fraudulenta de terceiros. Da Solidariedade dos Responsáveis Autuados Quanto à responsabilidade do sóciogerente, o sr. Márcio Pascoal Guida, tem se que esta é expressamente prevista pelo art. 135 do CTN, que confere responsabilização solidária aos gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado que praticam atos com infração à lei. Procura o recorrente ilidirse da responsabilidade solidária afirmando que não houve nos autos qualquer comprovação de que tenha agido com excesso de poder ou infração de lei ou contrato social, não podendo ser responsabilizado solidariamente pelo pagamento do crédito tributário lançado. No caso, houve a interposição fraudulenta de terceiro, ocorrida presumidamente em face da determinação legal contida no §2º do art. 23 do DecretoLei 1.455/76, em função da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importações realizadas pela contribuinte. Houve, assim, ato praticado pelo representante da empresa – um dos sócios fundadores da empresa importadora – com infração à lei, já que a interposição fraudulenta importa, necessariamente, na prática de ato infracional, de sorte que não vejo elementos que possam tornar ilegítima a sujeição passiva do sócio Márcio Pascoal Guida. Quanto à responsabilidade solidária do Sr. Simon Bolívar da Silveira Bueno, sócio da empresa “Colorado Participações Ltda”, que seria o verdadeiro gestor da empresa autuada, tenho que também contra ele foi devida a autuação. Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.690 23 Afirma o Sr. Simon Bolívar que não poderia figurar no pólo passivo da relação tributária por não pertencer ao quadro societário da empresa e não ter praticado nenhum ato de gestão ou representação da empresa autuada. Ora, se estamos tratando de interposição fraudulenta, óbvio é que o importador oculto não será aquele que aparece nos quadros societários da empresa, muito menos aquele que praticará atos ostensivos de gestão. Ele é o sócio oculto, que se vale de outras empresas ou pessoas como “laranja” nas negociações que, de fato, efetua. O Sr. Simon Bolívar e outros dois sócios são os fundadores da empresa denominada CBARio de Janeiro, CNPJ 00.530.540/000187/01, constituída 23/03/1995. Esta empresa foi submetida ao procedimento especial de fiscalização da IN/SRF n° 228/2002, pois estava omissa em relação à DIPJ/2001 (ano calendário de 2000), e apresentava dispêndios na importação no ano calendário de 2001 superiores ao faturamento declarado. Intimada a comprovar a origem dos recursos, a empresa não se manifestou no prazo regular de sessenta dias, sendo declarada Interposta Pessoa, em face da não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação. (doc. fls. 246). Os três exsócios da CBARio de Janeiro são os atuais sócios da “D'Hoje Supermercados S/A”, CNPJ: 05.763.337/000174, empresa constituída em 08/07/2003, com sede na Rodovia Anhanguera Km 51,360, mesmo domicílio da CBA/Jundiaí (doc. fls. 249). Os três exsócios da CBARio de Janeiro, e atuais sócios da “D'Hoje Supermercados S/A”, também eram sócios da Triunfo do Brasil Import. Export. Ltda, CNPJ 00.936.309/000198, constituída em 28/11/1995 em Belo Horizonte, cujo nome fantasia é CBA Cestas Básicas e Cestas de Natal (doc.fls. 250). Constam, no cadastro da CBARio de Janeiro (doc. fls. 252), vinte e cinco filiais. A filial de n° 0024/73 tem como endereço o mesmo endereço inicial da matriz da “Sustento Alimentos”, empresa que tem identidade de quadro societário com a autuada. Já no site da CBAJundiaí, é citada como filial desta no Rio de Janeiro, a unidade situada na Estrada do Mendanha, n° 3136 em Campo Grande/R.J., exatamente o mesmo endereço da filial da “Sustento Alimentos”. Cabe também verificar que a filial de n° 0025/54 da CBARio de Janeiro tem o mesmo endereço da CBAJundiaí, ou seja, Rodovia Anhanguera Km 51,36. A “Colorado Participações”, de propriedade de Simon Bolívar, foi avalista de um contrato de locação de imóvel no Rio de Janeiro, firmado entre a “Sustento” (locatária) e a “Construtora Internacional Ltda” (doc. fls. 223 a 228), responsabilizandose solidariamente pelo pagamento de um aluguel de R$ 30.000,00 mensais, sendo que, à esta época, a empresa CBAJundiaí já se encontrava inadimplente em relação ao contrato de locação firmado com a Colorado. O Sr. Simon Bolívar também prestou caução, desta vez pessoalmente, em conjunto com sua mulher, a outro contrato de locação da “Sustento Alimentos” (matriz), em São Paulo (doc. fls. 229 a 239). As empresas CBA, “Colorado Participações” e “Supermercados D’Hoje” dividem um mesmo imóvel, de propriedade da “Colorado Participações”, cujo aluguel, nada Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 24 desprezível no valor de R$ 360mil, está sob encargo exclusivamente da CBA, a qual não o paga devidamente. Por todo este quadro probatório, podese concluir que o Sr. Simon Bolívar não é apenas o sócio da “Colorado Participações”, mas também participa ativamente da administração da CBAJundiaí. O Sr. Simon Bolívar identificouse, inicialmente, em 30/10/2003, como diretor financeiro da CBA, fato que se confirma diante da falta de conhecimento da situação da empresa demonstrada pela pessoa que se apresenta como sócio gerente da CBAJundiaí, o Sr. Marcelo Pascoal Guida. Tratase, como se vê, de um grande grupo econômico envolvendo, entre outras empresas, a autuada, a CBARio de Janeiro, a Sustento Alimentos, os Supermercados D’Hoje e a Colorado Participações. De certo, a fiscalização não logrou desvendar todo o emaranhado intencionalmente formado para dificultar a identificação dos reais administradores e responsáveis pelo grupo econômico. Quando o assunto envolve interposição fraudulenta de terceiros, dificilmente se terá documentos formalmente pactuados a dar margem à revisão da interpretação dos fatos. E o que se demonstrou foi uma verdadeira identidade entre pessoas físicas e jurídicas, em um encadeamento de composições societárias que vão além das relações formais apresentadas ao Fisco, consistindose em elementos robustos de prova da atuação do Sr. Simon Bolívar nas operações de importação praticadas pela CBAJundiaí sem comprovação da origem dos recursos. Assim, entendo que as informações coletadas e organizadas pela Fiscalização são suficientes para identificar o Sr. Simon Bolívar da Silveira Bueno como o cabeça do grupo econômico, responsável ostensivo pelo gerenciamento da “Supermercados D’Hoje” e responsável oculto pelo gerenciamento da autuada CBAJundiaí, a qual ocupa, inclusive, o mesmo espaço físico da “Supermercados D’Hoje”, alugado graciosamente pela “Colorado Participações”, de propriedade do próprio Sr. Simon Bolívar. Isto sem mencionar que, no início da fiscalização, em 30/10/2003, ele mesmo, Sr. Simon Bolívar, apresentouse como diretor financeiro da empresa CBAJundiaí, bem como se colocou, de maneira graciosa, como avalista dos aluguéis devidos pela Sustento Alimentos no Rio de Janeiro (a qual se confunde com a CBA – mesmo quadro societário e filiais coincidentes), e ainda assinou como caucionante na locação do imóvel sede da Sustento Alimentos em São Paulo, dando inclusive um imóvel como garantia. De outro giro, entendo que ao sócio Antônio Carlos Bruno não restou nos autos delineada, de forma contundente, a extensão de sua atuação, vez ser ele detentor de apenas 1 cota da empresa CBAJundiaí e não praticar atos de gerenciamento. Para a sua responsabilização, não basta a sua configuração como sócio da empresa: é preciso que se demonstre o proveito direto que por ele teria sido auferido, o seu interesse comum na relação jurídica que constituiu o fato imponível. Em relação ao Sr. Antônio Carlos, a autuação nada trouxe para demonstrar a sua participação ou o seu proveito direto, nem mesmo indícios robustos, vez que a Fiscalização trouxe, como elemento de prova, apenas os valores irrisórios declarados na DIRPF a título de rendimentos isentos e tributáveis e nada mais além disso, razão pela qual entendo que, por falta da formação de um quadro indiciário robusto, deva ele ser excluído do pólo passivo da autuação. Assim, tendo sido carreado aos autos elementos contundentes que demonstram incompatibilidade entre os valores importados e as disponibilidades econômicas Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.000770/200483 Acórdão n.º 3202001.142 S3C2T2 Fl. 2.691 25 iniciais da contribuinte (Contrato Social, DIPJ, DIRPF dos sócios, Declarações de Importação), que, diante da presunção que a lei estabeleceu, deveria ter feito prova de sua capacidade financeira e operacional, não vejo como se concluir pela improcedência do lançamento, tampouco pela ilegitimidade passiva dos autuados Marcelo Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno, em razão de suas inegáveis participações na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. Por todo o exposto, REJEITO AS PRELIMINARES suscitadas e, no mérito: a) NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários apresentados pela contribuinte e pelos responsáveis solidários Marcelo Pascoal Guida e Simon Bolívar da Silveira Bueno e b) DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado por Antônio Carlos Bruno. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907174/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR EM RAZÃO DE PREENCHIMENTO INCORRETO DA DCTF. FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. CRÉDITO NEGADO.
Deve ser indeferido o pedido de ressarcimento fundado em pagamento a maior em razão de erro no preenchimento da DCTF quando não é apresentada a DCTF retificadora que corrige o erro alegado.
Numero da decisão: 3401-002.561
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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PIS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR EM RAZÃO DE PREENCHIMENTO INCORRETO DA DCTF. FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. CRÉDITO NEGADO. Deve ser indeferido o pedido de ressarcimento fundado em pagamento a maior em razão de erro no preenchimento da DCTF quando não é apresentada a DCTF retificadora que corrige o erro alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 71 74 /2 00 9- 66 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOM (fls.02/06), transmitida em 29/05/2008, para ressarcir crédito do PIS pago suspostamente a maior em 09/06/2003, para compensar com débito do IRPJ de abril de 2008. Conforme consta no despacho decisório (fl.07), o pagamento alegado pela Contribuinte foi localizado, mas utilizado para a quitação de outro débito, não restando crédito a ser ressarcido. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl.11), mas a DRJ em Curitiba/PR manteve o indeferimento do acredito, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 02/07/2012 e interpôs recurso voluntário em 30/07/2012 com as alegações resumidas abaixo: 1 Houve erro na apuração do crédito, pois, quando iniciou a apuração do PIS nãocumulativo, uma funcionária da empresa apurou somente os débitos sem levar em consideração os créditos; 2 A DCTF retificadora não foi entregue porque, em consulta verbal, no plantão fiscal, foi informada de que somente a retificação da DACON acompanhada da DIPJ seria suficiente para que o sistema reconhecesse o crédito; É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10950.907174/200966 Acórdão n.º 3401002.561 S3C4T1 Fl. 86 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento de valor do PIS supostamente recolhido a maior em maio de 2003. O pedido foi negado, em razão de a autoridade fiscal ter considerado que o pagamento foi utilizado para quitar débito da própria Recorrente. A Recorrente, em seu favor, alega que houve erro no preenchimento da DCTF, pois no momento de apurar o valor devido, não foi levado em consideração os créditos da nãocumulatividade. A Recorrente não apresentou DCTF retificadora. Conforme o §1º, do art. 147, do CTN, a Recorrente teria que apresentar a declaração retificadora antes de notificada do lançamento. Quando se trata de pedido de ressarcimento, considerase a retificação deve ser apresentada antes do despacho decisório. Em outros casos, em busca da verdade material, esta turma admitiu o conhecimento da DCTF retificado mesmo após a ciência do despacho decisório do fisco (PAFs nº 10983.901056/200886 e nº 16707.004367/200689). Não obstante, no presente caso, a Recorrente sequer apresentou a DCTF retificadora, ou qualquer outra prova que indicasse a origem do crédito. Portanto, é impossível reconhecer pagamento a maior fundado em erro, se nem ao menos foi apresentada a retificação do erro alegado, devendose manter incólume o despacho decisório e o acórdão recorrido. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000482/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
Encontra-se finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, que excluiu do lançamento as competências atingidas pela fluência do prazo decadencial e negar provimento ao Recurso Voluntário, no que concerne às verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados em desconformidade com a norma legal. Os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões. Por voto de qualidade foi negado provimento ao Recurso Voluntário quanto à multa aplicada, vencidos os Conselheiros Leo Meireles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1998 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. Encontra-se finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 463 1 462 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000482/200716 Recurso nº 003.162 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2302003.162 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias AIOP Recorrentes FERTILIZANTES HERINGER S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. Encontrase finado pela homologação tácita parte do direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 82 /2 00 7- 16 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, que excluiu do lançamento as competências atingidas pela fluência do prazo decadencial e negar provimento ao Recurso Voluntário, no que concerne às verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados em desconformidade com a norma legal. Os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões. Por voto de qualidade foi negado provimento ao Recurso Voluntário quanto à multa aplicada, vencidos os Conselheiros Leo Meireles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 464 3 Relatório Período de apuração: 01/08/1998 a 30/09/2006 Data de lavratura da NFLD: 05/07/2007 Data da ciência da NFLD: 05/07/2007 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.048.1089, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros, porém pagos em desacordo com a lei específica de regência, conforme descrito no relatório fiscal de fls. 53/57. De acordo com a Resenha Fiscal, a Autuada r concedeu os adiantamentos da PLR no valor de um salário nominal por empregado (clausula 4ª do Acordo de PLR) independente do resultado financeiro da empresa, ou seja, auferindo lucros ou obtendo prejuízo, o valor do adiantamento fica sempre garantido como uma remuneração fixa para o empregado. Irresignados com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 209/230. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1320.822 6ª Turma da DRJ/RJOII, a fls. 346/363, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele excluir as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências atingidas pela decadência, e retificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 364/375. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/12/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 380. Não satisfeito, Recorrente interpôs Recorrente voluntário a fls. 384/402. A 1ª Turma Ordinária da 3ª CÂMARA da 2ª SEJUL do CARF/MF proferiu Acórdão nº 230102.809 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária anulando a Decisão de Primeira Instância Administrativa por inobservância do artigo 366, inciso I, parágrafo 2° do Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/07, bem como do artigo 1° da Portaria MF n° 03/2008, em razão de a DRJ/RJOII não ter recorrido de ofício de sua decisão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1258.037 11ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 425/435, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele excluir as obrigações tributárias Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências atingidas pela decadência, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN, retificando o crédito tributário, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/09/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 439. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 441/453, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que as verbas pagas a título de PLR não integram o conceito de Salário de Contribuição, na medida em que não são destinadas a retribuir o trabalho; · Que a empresa respeitou todas as regras dispostas na Lei nº 10.101/2000; Ao fim, requer a declaração de improcedência da exigência Fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 465 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 02/09/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02/10/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Diante da inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA PLR Alega o Recorrente que as verbas pagas a título de PLR não integram o conceito de Salário de Contribuição, na medida em que não são destinadas a retribuir o trabalho. Aduz que a empresa respeitou todas as regras dispostas na Lei nº 10.101/2000 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de Fl. 467DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações Fl. 468DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 466 7 jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 467 9 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 00053007520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 468 11 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 473DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 469 13 t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas préestabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos Fl. 475DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 470 15 da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu Fl. 477DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitase às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, à qual foi confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue se como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 471 17 §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório, além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 472 19 Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Assim: · O desempenho regular, rotineiro, cotidiano e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins excepcionais a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor se adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo excepcional determinado, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 empenho de excelência, superior ao ordinário, usual, rotineiro e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador, decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho, tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor comum e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum, rotineiro e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Com efeito, exige a Lei n° 10.101/00 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 473 21 "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das Fl. 483DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, mostrase evidente que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam os trabalhadores ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. O espirito da lei pautase, pois, na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins excepcionais que deverão de ser atingidos com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que as comissões eleitas para costurar os termos do plano de PLR sejam integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, e que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na respectiva entidade sindical, como forma de garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. A Lei nº 10.101/2000 não se satisfaz com o mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações! A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, ad litteris et verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) §1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §3º Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decretolei nº 424/69) Fl. 484DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 474 23 §4º Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) Nessa esteira, não atendendo os sindicatos à convocação levada a efeito pela Recorrente, deve esta dar ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Trabalho, ou ao órgão governamental competente que lhe faça as vezes, para que proceda à convocação compulsória dos Sindicatos recalcitrantes. Dessarte, sem a presença de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria e enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. É de se enaltecer que muita vez uma determinada empresa celebra espontaneamente um acordo particular de PLR com os seus empregados e, na sequência, um eventual acordo ou convenção coletiva de trabalho estipula um benefício à categoria, atinente à participação nos lucros ou resultados, diverso daquele que foi fixado no acordo particular acima citado. Nestas hipóteses específicas, a lei estatui como faculdade da empresa a compensação dos pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados, de maneira que o trabalhador receba, no mínimo, aquele que for mais vantajoso, e que o empregador não seja obrigado a pagar ambos, simultaneamente. Há ainda um último requisito a ser satisfeito, o qual decorre da própria essência do instituto em tela: Para que haja participação dos empregados nos lucros da empresa é condição sine qua non que a pessoa jurídica em foco tenha efetivamente apurado lucro no exercício de apuração/avaliação relativo ao plano de PLR. Isso porque qualquer participação, por mais elevada que seja, em um lucro inexistente, representará ZERO de distribuição. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 485DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · Que a empresa tenha efetivamente apurado lucro no período de apuração/avaliação referido pelo plano de PLR; · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do quê, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, a cláusula 2ª do acordo prevê a distribuição aos empregados de 10% (dez por cento) do lucro líquido da empresa, apurado após a dedução do imposto de renda e contribuição social, dos prejuízos existentes no exercício anterior e demais deduções legais do exercício em referência. “CLÁUSULA 2ª DISTRIBUIÇÃO Fl. 486DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 475 25 Será distribuído aos empregados da empresa 10% (dez por cento) do lucro liquido após imposto de renda e contribuição social (antes da dedução da PLR), prejuízos existentes no exercício anterior e demais deduções legais do exercício de xxxx ...." A cláusula 4ª dos acordos prevê o adiantamento de um salário nominal para todos os empregados que efetivamente trabalharam na empresa de janeiro a agosto de cada exercício, ou que estiveram afastados por acidente de trabalho, à razão de 1/8 avos por mês ou fração igual ou superior a 15 dias, incluído o período de aviso prévio, se houver. Para os empregados afastados pelo INSS por doença será paga proporcionalmente aos meses efetivamente trabalhados durante o período, a razão de 1/8 avos por mês de serviço ou fração igual ou superior a 15 dias. O parágrafo 2º da cláusula 2ª estabelece que do valor final apurado da participação de cada exercício, conforme definido nesta cláusula, será descontado o total do adiantamento a ser realizado nos termos da cláusula 4ª, e a diferença, se houver, será distribuída até o final de abril do exercício seguinte. A cláusula 5ª do acordo, todavia, estipula que “do valor apurado conforme definido na cláusula 2ª, será deduzido o valor do adiantamento previsto na cláusula 4ª e na ocorrência de saldo negativo, a participação nos lucros ou resultados fica representada pelo adiantamento previsto na cláusula 4ª, nada mais restando a ser pago, e do que já foi adiantado nada será descontado dos empregados”. Deflui dos termos estampados na cláusula 5ª do Acordo de PLR que, havendo prejuízo, ou que o valor a distribuir definido na clausula 2ª (10% do lucro liquido ajustado) seja inferior ao adiantamento concedido (clausula 4ª do Acordo de PLR), este último representará o valor da PLR recebida e nada do que foi adiantado será devolvido à empresa. Traduzindo em miúdos: De acordo com a cláusula 5ª do Acordo de PLR, auferindo lucros ou sofrendo prejuízo, o valor do adiantamento correspondente a 01 salário nominal do empregado fica sempre garantido como uma remuneração fixa para o trabalhador. No caso presente, a empresa em tela registrou prejuízo nos exercícios de 2002 e 2005, mas, mesmo assim, os seus empregados receberam o adiantamento a título de PLR no valor de seus salários mensais, em flagrante violação aos princípios norteadores do instituto em realce. Situações similares ocorreram nos exercícios de 1998, 2000, 2001 e 2006, em que a parcela correspondente a 10% do lucro líquido ajustado foi inferior aos respectivos adiantamentos concedidos e nada foi devolvido empresa, prevalecendo a concessão de uma remuneração fixa aos empregados no valor do salário de cada um. Tais ocorrências foram constatadas pela variação dos saldos mensais das contas de despesas de PLR, onde o saldo adiantado permaneceu o mesmo até o final de cada ano, confirmando que não houve devolução alguma do valor antecipado. Nesse teatro, avulta que as normas fixadas na Lei nº 10.101/2000 não desempenharam o papel de protagonista na elaboração do plano de PLR em estudo, mas mera peça de cenário, não tendo direito a voz, uma vez que as regras jurídicas nela previstas não foram observadas pelas partes que costuraram o acordo de PLR em pauta. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Com efeito, o valor auferido pelos trabalhadores é fixo e correspondente a um salário nominal, independentemente de a empresa ter apurado lucro ou não. Ademais, inexiste nos planos de PLR da Recorrente qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, é indiferente. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Recebem participação nos lucros até se a empresa não tiver lucros !!!! Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Perdeuse no caminho ! Além disso, não se encontra presente nos acordos de PLR qualquer estipulação de metas, ou fins extraordinários a ser alcançados pelos trabalhadores para fazer jus ao ganho patrimonial ora em pauta, tampouco se encontra descrito qualquer critério de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, fatos que, igualmente, representam violação aos requisitos insculpidos na Lei nº 10.101/2000. Por tais razões, os valores pagos foram considerados pela Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. Tais acordos, portanto, não se prestam como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, muito menos como elemento de incentivo à produtividade, como assim exige o art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000 Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. (grifos nossos) Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese de não incidência tributária prevista Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000482/200716 Acórdão n.º 2302003.162 S2C3T2 Fl. 476 27 Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1258.037 11ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 425/435, e julgou procedente em parte o lançamento tributário, dele excluindo as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências atingidas pela decadência, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN, retificando o crédito tributário, e recorrendo de ofício de sua decisão. Assim fundamentou a decisão a DRJ/Rio de Janeiro I/RJ: “10. De acordo com o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, com base em entendimento jurisprudencial do STJ, no qual são apresentadas as orientações acerca da aplicação da Súmula Vinculante STF nº 08, bem como são expostas as formas de contagem do prazo decadencial, apresenta, entre outras, as seguintes conclusões: “Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4º do art. 150 do CTN; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadência. Tal concepção, em princípio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias.” (grifei) 11. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído em 05/07/2007, com ciência do contribuinte na mesma data, relativo aos fatos geradores do período de 01/08/1998 a 30/09/2006. Como houve antecipação de pagamento (parcial) por parte da Impugnante das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, aplicase a regra do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN. 12. Em face do exposto, considerando a data da ciência da NFLD, as competências anteriores a 07/2002 encontramse fulminadas pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN”. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 A decisão proferida pela DRJ/Rio de Janeiro I/RJ, ao nosso sentir, encontrase em perfeita harmonia com os termos que instruem a Súmula CARF nº 99. SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401002.299, de 12/03/2012; 2301 002.092, de 12/ 05/ 2011. Por tais razões, negamos provimento ao Recurso de Ofício. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10875.905296/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T.
Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º.
MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-las nos moldes da legislação que a instituiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 03/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicálas nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 96 /2 00 8- 87 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A matéria tratada no presente processo foi assim resumida pelo acórdão produzido pela DRJ: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente homologou as compensações declaradas. A manifestante alega, em síntese, que na sua escrituração existe o saldo credor do IPI declarado e que, se o produto classificado na TIPI como NT (nãotributado) é industrializado, para fins de ressarcimento dos créditos do IPI a legislação deve ser interpretada conjuntamente com os regramentos constitucionais da nãocumulatividade, imunidade objetiva e seletiva, daí resultando a invalidade do ADI nº 05/2006, inclusive por mudar o critério jurídico e violar o artigo 146 do CTN. Encerrou argüindo sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade da utilização da taxa SELIC na imputação dos juros moratórios e da mulata aplicada sobre os débitos exigidos. A manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente atacou a inconstitucionalidade do ato declaratório interpretativo nº 05/06, defendendo o direito a utilização dos créditos de IPI relacionado utilizados na fabricação de produtos cuja saída é imune. Aduziu a ilegalidade da multa imposta e da aplicação da Taxa SELIC A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração 01/09/2002 a 31/09/2002 IPI RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10875.905296/200887 Acórdão n.º 3302002.396 S3C3T2 Fl. 143 3 do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que estas se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria: Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá las nos moldes da legislação que a instituiu. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, por meio de novo patrono, onde foram aduzidos os seguintes argumentos: a) que ao contrario do que entendeu o despacho decisório, as saídas analisadas se tratavam, na verdade, de saídas com alíquota zero e não saídas não tributadas como entendeu a DRJ, e para prova do alegado junta notas fiscais, livro de registro de saída, livro de apuração de IPI, cópia de partes da DIPJ; b) em se tratando de saídas com alíquota zero, aplicável o art. 11 da Lei nº 7.779/99; e, c) pugna pela aplicação do principio da verdade material, que deve prevalecer no âmbito do processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A recorrente promoveu compensação que foi parcialmente homologada, posto que parte dos créditos utilizados foi glosada em função de se tratarem de créditos decorrentes de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Como já destacado, em sua impugnação a ora Recorrente enfrentou as alegações constantes do despacho decisório afirmando que teria direito aos créditos de IPI dos insumos utilizados nos seus produtos não atingidos pela tributação do IPI por serem imunes. Tanto que a principal alegação era relativa a inconstitucionalidade do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, que afastou a possibilidade de créditos de IPI em relação aos insumos utilizados para a fabricação de produtos imunes. Diante da decisão exarada pela DRJ, efetuada dentro das bases jurídicas estabelecidas pela própria Recorrente em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente, por meio de Recurso Voluntário tempestivamente proposto, pretende inovar a discussão até o momento travada, ao alegar que em verdade suas saídas são com alíquota zero. Pugna pela declaração de nulidade da decisão exarada pela Regional de Julgamento. Em que pese os fortes argumentos trazidos a balia pela bem escrita peça recursal, não vejo como, neste momento processual, anular atos legitimamente praticados (Decisão DRJ), ainda mais quando fundamentados nos argumentos trazidos pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Não pretendo aqui, negar a existência e aplicabilidade do princípio da verdade material no âmbito do processo administrativo fiscal, do qual sou grande defensor, porém, no caso concreto, entendo ser inviável sua aplicação. Como sabemos, é com a impugnação que surge o contencioso administrativo tributário (Art. 14 do Decreto 70.235/72) e, é por meio dela, que se delimita a matéria a ser enfrentada pelo julgador administrativo. Aplicável ao caso o que determinam os art. 16 e 17, do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10875.905296/200887 Acórdão n.º 3302002.396 S3C3T2 Fl. 144 5 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, a discussão proposta pelo Recurso Voluntário a meu ver encontrase preclusas, não podendo ser analisadas em segundo grau de jurisdição administrativa. De todo modo, a decisão exarada pela DRJ encontra respaldo na jurisprudência pacifica do CARF e foi sumulada no seguintes termos: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vale citar, em relação a aplicação da SELIC, a seguinte sumula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A aplicação destas sumulas pelos julgadores é obrigatória, como se verifica da leitura do art. do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF: (...) § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Por fim em relação a multa aplicada, também correta a decisão proferida, uma vez que é vedado ao julgador administrativo afastar dispositivo de lei por ilegalidade ou inconstitucionalidade, nos termos do art. 62 do RICARF. A multa aplicada encontra respaldo no art. 44 da Lei 9.430/96, que se encontra vigente e eficaz. Assim, por todo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10950.720616/2011-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/07/2007
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se de ofício quando foi constituída por interpostas pessoas (art.29, IV, da Lei Complementar nº 123/06).
Numero da decisão: 1103-001.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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EXCLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Comprovado que a pessoa jurídica foi constituída por interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios, a exclusão do Simples Federal dáse de ofício (art.14, IV, da Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse de ofício quando foi constituída por interpostas pessoas (art.29, IV, da Lei Complementar nº 123/06). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 06 16 /2 01 1- 86 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 798 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O processo trata de exclusões do Simples Federal e Simples Nacional, formalizadas por meio dos Atos Declaratórios Executivos nº 12 e 13, de 4/3/11, com os seguintes teores (fls.724/725): Ato Declaratório Executivo nº 12/11 “ O Delegado da Receita Federal do Brasil em MaringáPR, no uso de suas atribuições conferidas pelo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, [...], e de acordo com o disposto nos artigos 9º ao 16 da Lei nº 9.317, 05 de dezembro de 1996 e alterações posteriores disciplinada pela Instrução Normativa SRF nº 608, de 2006, declara: A empresa OLHO DA ÁGUIA COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, CNPJ nº 07.241.948/000188, EXCLUÍDA do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, por incurso no artigo 14, inciso IV, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. A presente exclusão é resultante dos procedimentos administrativos relatados na Representação Fiscal, assunto: Exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, Processo Administrativo Fiscal – PAF nº 10950.720616/201186, e obedece ao disposto no inciso V do artigo 15 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alteração dada pela Lei nº 11.196, 21 de novembro de 2005, e surtirá efeitos a partir de 24/02/2005. Caberá interposição de recurso voluntário junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, no prazo de 30 dias da ciência, assegurados, assim, o contraditório e a ampla defesa. Não havendo manifestação neste prazo, a exclusão tornarseá definitiva.” Ato Declaratório Executivo nº 13/11 “ O Delegado da Receita Federal do Brasil em MaringáPR, no uso de suas atribuições conferidas pelo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, [...], e tendo em vista o disposto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e na Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, declara: Art.1º A pessoa jurídica OLHO DA ÁGUIA COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, CNPJ nº 07.241.948/000188, EXCLUÍDA do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Fl. 798DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 799 3 Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, por infração de acordo com a SITUAÇÃO EXCLUDENTE: Descrição – Conforme Representação Fiscal, assunto: Exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, emitido em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910500.2010.004184, da ação fiscal desenvolvida pela Receita Federal do Brasil – RFB, em que ficou evidenciada e comprovada a constituição de empresa por interpostas pessoas, portanto, não podendo recolher os impostos e contribuições na forma deste regime simplificado. Fundamentação legal: Inciso IV do art.29 e art.16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Art.2º A exclusão, prevista no inciso IV do art.29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, conforme §1º do art.29, surtirá efeitos a partir de 01/07/2007. Art.3º A presente exclusão é resultante dos procedimentos administrativos relatados na Representação Fiscal, assunto: Exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, Processo Administrativo Fiscal – PAF nº 10950.720616/201186, podendo o contribuinte, dentro do prazo de trinta dias contados a partir da data do recebimento deste ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO – ADE, impugnar, por escrito, nos termos do Decreto nº 70.235, de 7 de março de 1972, e suas alterações posteriores, relativamente à exclusão do Simples Nacional, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, com jurisdição sobre o seu domicílio tributário, ou em suas unidades, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Art.4º Não havendo impugnação no prazo previsto no artigo anterior, a exclusão do Simples Nacional tornarseá definitiva.” Na “Representação Fiscal” (fls.683/722) constam os fundamentos das respectivas exclusões. A Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR) manteve as exclusões, conforme acórdão de fls.754/770, que recebeu a seguinte ementa: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 24/02/2005 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO. Se a motivação do Ato de Exclusão e os demais elementos apontados na Representação Fiscal, que originou o referido Ato, permitem ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram à sua exclusão do Simples, permitindo detalhada defesa de mérito, é de se afastar a preliminar de nulidade. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A evidência da interposição de parentes e agregados no quadro societário da pessoa jurídica, sem que os mesmos tenham comprovado o efetivo pagamento pela aquisição das Fl. 799DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 800 4 quotas de capital, bem como a administração pessoal dos negócios da pessoa jurídica mediante procuração, implica exclusão de ofício do Simples com efeitos retroativos à constituição da empresa, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação. SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A evidência da interposição de parentes e agregados no quadro societário da pessoa jurídica, sem que os mesmos tenham comprovado o efetivo pagamento pela aquisição das quotas de capital, bem como a administração pessoal dos negócios da pessoa jurídica mediante procuração, implica exclusão de ofício do Simples com efeitos retroativos à constituição da empresa, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação.” Devidamente cientificado em 3/6/11 (fl.773), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 13/6/11 (fls.774/791), em que sustenta: o fato de os sócios terem outorgado procuração para que o contribuinte fosse por eles gerido não traduziria interposição de pessoa; o exercício dos poderes conferidos pelo mandato representaria a sua essência, nos termos do art.661 do Código Civil; não poderia a fiscalização, para validar a aludida interposição, ter atribuído aos procuradores responsabilidade tributária solidária e subsidiária, nos termos do art.124, I, e 135, II, do CTN; a legalidade da responsabilidade tributária seria questão prejudicial à exclusão dos regimes simplificados; “...para se tornar devedor solidário, o sujeito passivo, obrigatoriamente, tem que ter participado da ocorrência do fato típico”; “...o simples fato dos sócios representantes legais da empresa recorrente terem outorgado mandatos não configura a participação societária indireta ou oculta, máxime porque os atos praticados representam mera gestão dos negócios como autorizam os art.653 e seguintes do CCB/02, mesmo porque não foi constatada a existência de supressão no pagamento de tributos [...]. Não desincumbindo o agente fiscal PROVAR a existência de atos contrários à sociedade importando, essencialmente, a omissão no pagamento de tributos, cai por terra a atribuição de interposição de pessoas na constituição da sociedade empresarial, não só diante da legitimidade dos mandatos procuratórios outorgados, mas pela total ausência de dolo ou fraude tributária, as quais inexistentes no caso versando”; não teria agido com dolo, fraude ou simulação, restando inaplicáveis as disposições do art.124, I, do CTN; art.14, IV, da Lei n 9.317/96 e art.29, IV, da Lei Complementar nº 123/06, especialmente por não ter havido incorreção ou omissão de receitas. Em razão da conexão com o processo nº 10950.720067/201221, anteriormente sorteado a este Relator, o Sr. Presidente da Primeira Seção de Julgamento determinou a distribuição dos presentes autos para julgamento em conjunto, conforme despacho de fls.793/795. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 801 5 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. As exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, procedidas de ofício, decorreram da constatação de que o Recorrente teria sido constituído por interpostas pessoas, tendo como fundamento legal os seguintes dispositivos: Lei nº 9.317, de 5/12/96 Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: ..... IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; Lei Complementar nº 123, de 14/12/06 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: ..... IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; O cerne da questão, então, é saber se restou caracterizada a interposição de pessoa, hipótese que autoriza a exclusão ex officio de tais regimes simplificados. Da leitura da “Representação Fiscal” (fls.683/721) e respectivas provas, concluise que o contribuinte realmente foi constituído por interpostas pessoas, com ocultação dos sócios de fato. Os elementos de prova carreados aos autos não se tratam de meras ilações. Ao contrário, constituem um sólido e convergente acervo probatório rumo à comprovação da tese da fiscalização. Os principais fatos levantados, que conduzem a tal conclusão, são os seguintes: após recebimento do Ofício nº 560/10, encaminhado pela Vara de Família, Infância, Juventude e Anexos de Paranavaí (PR), para verificação da repercussão fiscal de determinados fatos narrados na petição inicial de Ação Cautelar de Arrolamento de Bens e Alimentos Provisionais, ajuizada por Ângela Fernandes Viotto contra João Roberto Viotto, seu ex cônjuge, o que ocasionou a instauração de procedimento fiscal nas pessoas jurídicas Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, CP Sete Comércio de Calçados Ltda, Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, Voo da Águia Comércio de Calçados Ltda, Filho da Águia Comércio de Fl. 801DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 802 6 Calçados Ltda, Nega Va Comércio de Calçados Ltda e Ninho da Águia Comércio de Calçados Ltda; o Sr. Sauro Artur Gehring, profissional contador das sete sociedades, não mencionou os respectivos sócios, “...apenas se referindo ao Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO, CPF 591.069.21949, deixando a entender como o responsável pela tomada de decisões que envolvem o grupo de empresas”; existência de diversas procurações padronizadas, em que são conferidos “amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar os negócios e interesses”, “irrevogáveis e irretratáveis poderes para gerir e administrar todos os negócios”, conforme relação de fls.680/682. Quanto à Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, vale mencionar as seguintes procurações: a) firmada em 14/3/05, em que os outorgantes Flavien Augusto Pereira, sóciogerente, e Aufa Ferreira Bitar Pereira constituem como procuradores o Sr. João Roberto Viotto e a Sra. Angela Fernandes Viotto, conferindolhes, “...para individualmente ou em conjunto, poderes amplos, gerais e ilimitados, para onde com esta se apresentar, gerir e administrar todos os negócios e interesses da firma [...] em caráter essencialmente irrevogável e irretratável” (fls.602/603); b) firmada em 13/4/05, em que Flavien Augusto Pereira, sóciogerente, constitui como procuradora a Sra. Angela Fernandes Viotto, conferindolhe “...poderes para abrir, movimentar e encerrar a conta corrente nr. 32.1745, junto à Cooperativa de Crédito Rural de Maringá – SICREDI” (fls.604/605); c) firmada em 31/3/10, em que João Roberto Viotto Júnior e Vera Lúcia Fernandes Torres constituem como procurador o Sr. João Roberto Viotto, conferindolhe “...irrevogáveis e irretratáveis poderes, para onde com esta se apresentar, tratar de todos os negócios e interesses da outorgante, possuídos ou que venha a possuir a qualquer título [...], agindo enfim com os mais amplos e ilimitados poderes na gestão dos negócios e interesses da outorgante” (fls.606/608); João Roberto Viotto Júnior, filho de João Roberto Viotto e Angela Fernandes Viotto, tornou se sócio do contribuinte a partir de 10/10/07, com 2% das quotas do capital social; Vera Lúcia Fernandes Torres, irmã de Angela Fernandes Viotto, tornouse sócia do contribuinte a partir de 10/12/09, com 98% das quotas do capital social; Neise Joice Aparecida Coelho, empregada da Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, constou como sócia do contribuinte no período de 30/3/09 a 9/12/09, com 98% das quotas do capital social; Flavien Augusto Pereira, empregado da Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, constou como sócio do contribuinte no período de 18/02/05 a 29/3/09, com 98% das quotas do capital social; o quadro societário do contribuinte e da demais sociedades, considerandose as relações de parentesco com João Roberto Viotto e Angela Fernandes Viotto, bem como os vínculos empregatícios, indica que os “sócios” figuraram ou figuram em mais de uma delas, tomandose o cuidado para que os percentuais de participação não acarretasse a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional (mais de 10% do capital de outra empresa); quando intimados os sócios ou exsócios para que apresentassem documentação comprobatória da integralização do capital ou o pagamento pela aquisição das quotas, Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 803 7 manifestaramse por meio de um único procurador, Sr. Miguel Iwamoto, que afirmou, sem apresentar as respectivas provas, que a integralização ou aquisição das quotas foram realizadas em moeda corrente; o ínfimo valor pelo qual os sócios transferem participações quando comparados com o valor da receita bruta, estoques existentes etc. Quanto à Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, vale destacar: a) em 30/3/09 o Sr. Flavien Augusto Pereira transferiu para o Sra. Neise Joice Aparecida Coelho sua participação societária de 98% das quotas do Capital Social pelo valor de R$ 24.500,00, conforme registrado na Segunda Alteração do Contrato Social; b) a receita bruta de vendas escriturada, somente em março/09, era de R$ 60.607,04; c) em março/09, possuía vinte e quatro empregados registrados; d) em 10/12/09 a Sra. Neise Joice Aparecida Coelho transferiu para o Sra. Vera Lucia Fernandes Torres sua participação societária de 98% das quotas do Capital Social pelo valor de R$ 24.500,00, conforme registrado na Terceira Alteração do Contrato Social; e) a receita bruta de vendas escriturada, somente em dezembro/09, era de R$ 140.782,55; f) em dezembro/09, possuía trinta empregados registrados; g) a receita bruta de vendas escriturada, no ano de 2009, é de R$ 990.818,89; h) em 31/12/09, o estoque final escriturado era de R$ 162.814,64. o endereço do contribuinte consta do sítio eletrônico na internet da Jorrovi Comércio de Calçados, como sendo o de uma das unidades desta sociedade; reportagens com a informação de que o Sr. João Roberto Viotto é o proprietário da “rede de lojas” Jorrovi, inclusive as que instruíram a Ação Cautelar de Arrolamento de Bens e Alimentos Provisionais; vídeo institucional, com relatos de funcionários no sentido de que o Sr. João Roberto Viotto gerenciava as sociedades do grupo, inclusive o contribuinte; informações obtidas na Ação Cautelar de Arrolamento de Bens e Alimentos Provisionais nº 133/10, movida pela Sra. Angela Fernandes Viotto contra seu excônjuge, Sr. João Roberto Viotto, em que consta expressamente: “Ocorre que a administração de todos os negócios do casal (imóveis, veículos, lojas, estoques, lucros créditos, etc) desde a separação de fato está totalmente nas mãos do requerido....” “A ameaça faz no sentido, ainda, em se tratando de bens que estão em nome de terceiros (Lojas, contas em Banco) ou trataremse de créditos, não obstante sempre pertencerem ao casal.” “Salientese que a Autora tem conhecimento destes fatos porque participava do departamento financeiro das lojas (conforme o próprio Requerido reconhece em reportagem da Revista Grande Noroeste de março/2008), não obstante todas as ordens partirem do Requerido.” “Diversas procurações (anexas), com amplos e ilimitados poderes, conferidas pelos sócios, comprovam que anteriormente a administração das lojas era feita pelo casal. De outro giro, Fl. 803DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 804 8 destaquese que recentemente (poucos dias atrás) o Requerido efetivou novas procurações das empresas, onde a administração permanece somente com ele...” “A propósito, além de possíveis outros, o casal possui os seguintes bens a serem partilhados: ..... b) Lojas Hangar em Paranavaí, com estoque e mobiliário: 1) Loja Hangar 3377, razão social “Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda.” (CNPJ nº 07.241.948/000188) ...” fatura do contribuinte contabilizada como paga por Jorrovi Comércio de Calçados Ltda. Assim, de acordo com as mencionadas procurações, notase que, realmente, a administração do contribuinte foi transferida para o Sr. João Roberto Viotto e a Sra. Angela Fernandes Viotto, sendo esta a responsável principalmente pelas movimentações financeiras de diversas contas bancárias. Não se tratou da outorga de poderes pontuais, mas de todos aqueles inerentes à administração da sociedade, de forma irrevogável e irretratável, hipótese impensável em uma situação de normalidade, o que só confirma a mera formalidade dos sócios de direito. É possível confirmar que a vinculação entre as sete sociedades, que compõem o Grupo Jorrovi, reafirmase no próprio sítio eletrônico da Jorrovi Comércio de Calçados Ltda na internet. Reportagens de revista e “vídeo institucional” constante do sítio eletrônico da Jorrovi Calçados, com relatos de funcionários, apontam que o Sr. João Roberto Viotto é o real proprietário da rede de lojas Jorrovi. A propósito, vale mencionar o seguinte excerto do relatório fiscal: “Trechos da reportagem ‘HANGAR 3377 – SONHO E VERDADE Tributo a João Roberto Viotto’: ‘A inauguração do Hangar 3377, nesse 02 de maio, revelouse uma agradável surpresa para Paranavaí e Região. O importante projeto, do empresário João Roberto Viotto, se destaca.... Muito mais que um mero evento empresarial, a inauguração do Hangar 3377 e os dez ‘bem sucedidos’ anos da Jorrovi Calçados representam a materialização de expectativas...’ A ‘Hangar 3377’ é a Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 07.241.948/000188. No quadro societário não aparece o Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO. O Contrato Social de constituição da empresa, assinado em 18/02/2005, tem como sócios Flavien Augusto Pereira e Aufa Ferreira Bittar Pereira, com participação de 50% no capital social para cada um. Em relação aos sócios, consoante acima já relatado: Flavien fora empregado da empresa JORROVI COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA (CNPJ 00.832.098/000143), nos períodos de 03/01/2001 a 30/11/2001 e de 17/12/2003 até no Fl. 804DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 805 9 mínimo 12/2009, conforme informações obtidas no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). Aufa Ferreira Bittar Pereira, à epoca da constituição da sociedade, era cônjuge de Flavien Augusto Pereira, conforme sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 16/11/2010. Na reportagem ‘HANGAR 3377 – SONHO E VERDADE Tributo a João Roberto Viotto’ há vários depoimentos de terceiros que parabenizam exclusivamente o Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO pela inauguração da loja HANGAR 3377 e pelo êxito da Jorrovi Calçados. Nenhum destes terceiros sequer menciona os nomes de Flavien Augusto Pereira ou Aufa Ferreira Bittar Pereira, os ‘laranjas’ utilizados pelo Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO na constituição da empresa denominada Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda. Trecho da reportagem ‘Jorrovi Calçados’: ‘O profissionalismo empreendedor de João Roberto Viotto, somado à atuação de uma equipe afinada com a satisfação do cliente, transformou a Jorrovi em um dos nomes mais importantes do segmento calçadista do Paraná... ...Atualmente com lojas em Paranavaí, Apucarana, Umuarama, Cianorte e Cornélio Procópio, a Jorrovi oferece empregos para 159 pessoas.’ Verificase que é de conhecimento público e notório que o Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO é o proprietário das empresas sob fiscalização, entretanto, atualmente, não compõe o quadro societário de nenhuma das sete empresas.” Vale ainda lembrar que a própria exesposa do Sr. João Roberto Viotto, pessoa que era de sua confiança e, como próprio admite, em determinado momento também participou da administração das lojas, informou em Ação Cautelar de Arrolamento de Bens que lojas e contas bancárias estavam em nome de terceiros. Acrescentese que os sócios de direito, após intimados, foram representados por um único procurador, que não apresentou as comprovações relacionadas à integralização de capital ou às aquisições das quotas. Sendo assim, não se trata de concluir pela constituição do contribuinte por interpostas pessoas apenas a partir de instrumentos de mandatos, como sustenta o Recorrente. Na realidade, como visto, informações obtidas perante fontes diversas autorizam concluir que os sócios do contribuinte não eram os que formalmente constavam dos contratos sociais, mas a Sra. Angela Fernandes Viotto, aparentemente em menor participação, e o Sr. João Roberto Viotto, como bem concluiu a fiscalização: “Os pressupostos sob análise nos permitem qualificar como simulação fraudulenta a constituição de pessoas jurídicas, através de falsa declaração da sua composição societária, com a Fl. 805DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720616/201186 Acórdão n.º 1103001.025 S1C1T3 Fl. 806 10 utilização de interpostas pessoas, os chamados “laranjas” ou “testasdeferro”, uma vez que a parte que figura no contrato não é a pessoa que deve aproveitar os resultados do empreendimento, mas sim outra pessoa, um titular “fingido/oculto”. Pelo exposto, e ante a farta documentação anexada à presente Representação Fiscal, resta comprovado que os sócios que figuram no quadro societário das empresas são interpostas pessoas (laranjas), e quem as administra de fato é o Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO. Sem sombra de dúvida, o Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO é a parte diretamente interessada nos resultados auferidos nas operações executadas pelas sete empresas e que foram sonegados à Receita Federal.” As exclusões dos regimes simplificados em discussão não se condicionam, por exemplo, à inadimplência de tributos, pois o fundamento foi a interposição de pessoa. De igual forma, o art.14, IV, da Lei nº 9.317/96, e o art.29, IV, da LC nº 123/96, não exigem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por fim, não há se falar em relação de prejudicialidade entre o fato de a fiscalização ter arrolado como responsáveis tributários o Sr. João Roberto Viotto e a Sra.Angela Fernandes Viotto pelos créditos tributários constituídos decorrentes da exclusão, devendo tal questão ser equacionada no processo nº 10950.720067/201221. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 806DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11020.901472/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO.
Confirmada a compensação da CSLL-estimativa pela Unidade Preparadora, há que se homologar as compensações pleiteadas até o limite do saldo negativo de CSLL existente.
Numero da decisão: 1302-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente CREDEAL MANUFATURA DE PAPÉIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. Confirmada a compensação da CSLLestimativa pela Unidade Preparadora, há que se homologar as compensações pleiteadas até o limite do saldo negativo de CSLL existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1235.871 da 1ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 14 72 /2 00 8- 25 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1235.871 em 01/04/2011 (AR a fls. 100), interpôs, em 29/04/2011, recurso voluntário (doc. a fls. 101 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o despacho decisório é nulo, pois os fundamento legais apontados apenas prevêem a possibilidade de restituição e compensação, mas não apresentam nenhum irregularidade que embasasse a homologação parcial; b) que também é nulo, pois, nele (despacho decisório ora combatido), apenas há referência que os pagamentos informados nas PER/DCOMPs nº 34821.99326.310304.1.3.032131, 40638.01782.111006.1.7.033309 e 09923.55329.111006.1.7.035670 não foram homologados, sem precisar a real motivação que ensejou tal ato; c) que a recorrente se equivocou ao preencher a PER/DCOMP ora em julgamento, pois, por um lapso, referiu nos mencionados documentos que o adimplemnto da estimativa de CSLL, relativa ao período de apuração de janeiro, fevereiro e julho de 2004 foi efetuado por meio de DARF no montante de 176.630,97, quando, em verdade, o pagamento se deu por intermédio de compensação dos débitos através do processo administrativo nº 13018.000018/200315, em conformidade com a DCTF nº 24.22.63.33.50; d) que a recorrente apurou um lucro em janeiro de 2003, motivo pelo qual vinculou o débito a um crédito oriundo do processo administrativo nº 13.018.000018/200315, porém, no término do AC 2003, verificou prejuízo fiscal, restando dessa forma, um saldo negativo de CSLL; e) que, diante dessa constatação, utilizouse esse crédito para adimplir débitos mensais de CSLL do AC 2004, mas, quando do preenchimento das PER/DCOMPs nº nº 34821.99326.310304.1.3.032131, 27332.11597.310304.3.09594 e 28276.12396.310804.1.3.035649, não efetuou a correta menção à origem do crédito, referindo que este era oriundo de um pagamento de DARF; f) que, quando da apresentação das PER/DCOMPs retificadora nºs 09923.55329.111006.1.7.035670 e 4063801782.111006.1.7.033309, a recorrente referiu que o crédito havia sido informado na PER/DCOMP anterior, sem, contudo referir o equívoco no preenchimento daquela; g) que, das informações prestadas pela recorrente, verificase mero erro formal no preenchimento das PER/DCOMPs em análise, não existindo, todavia, qualquer lesão ao erário público, motivo pelo qual devem ser homologadas as compensações levadas a efeito e, dessa forma, considerado adimplido o crédito tributário, à sua integralidade. Os autos foram pautados na Sessão de 03/08/2011 desta Turma, sendo que os membros da Turma resolveram, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. O relatório da lavra da Conselheira Lavínia Junqueira (relatora da Resolução nº 1302000.107, datada de 03/08/2011) assim informa: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.901472/200825 Acórdão n.º 1302001.444 S1C3T2 Fl. 169 3 “A Recorrente compensou em 31/03/2004 saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, alegadamente recolhido por DARF e relativo ao mês de fevereiro de 2003. A compensação deuse com CSLL devido por estimativa no ano calendário de 2004 (fls. 02 e seguintes). A autoridade fiscal verificou que o crédito informado na PER/DCOMP conferia com o saldo de CSLL paga a maior de 2003 informado na DIPJ, porém, não pode confirmar o pagamento do valor correspondente, informado na PER/DCOMP. Diante disso, a autoridade fiscal não homologou a compensação. O despacho decisório foi emitido em 18/07/2008. Ciente da decisão, a empresa manifestou inconformidade alegando nulidade do despacho decisório por erro na capitulação legal e falta de embasamento em Lei. No mérito, informou a interessada que teve prejuízo no anocalendário de 2003 e apurou o saldo de CSLL a maior em 2003, conforme declarado em DIPJ e compensado na PER/DCOMP. Houve equívoco no preenchimento da PER/DCOMP, na medida em que o valor de CSLL não foi objeto de pagamento em DARF, mas sim de compensação consoante o processo administrativo 13018.000018/2003 15, conforme informado na DCTF no. 24.22.63.33.50, página 3. Em 17 de fevereiro de 2011, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) do Rio de Janeiro 1 proferiu sua decisão mantendo o despacho decisório. Entendeu a DRJ que a interessada informou em PER/DCOMP que o saldo negativo de CSLL de 2003 foi quitado por DARF. Não tendo sido localizado o DARF, correto está o despacho decisório. No mais o despacho é válido por foi produzido por autoridade competente e também esclareceu adequadamente as razões de fato e de direito que o fundamentam, dando toda a chance de defesa à contribuinte que demonstrou conhecimento pleno da razão pela qual sua compensação não foi homologada. No mérito, entendeu a DRJ que não pode apreciar os elementos de defesa trazidos pela contribuinte, pois inovam em relação ao que consta da PER/DCOMP e por outro lado não foram analisados pela Delegacia da Receita Federal de origem. À contribuinte caberia preencher adequadamente sua PER/DCOMP. Intimada em 11/03/2011, a empresa recorreu 12/04/2011 reforçando os argumentos de sua inconformidade e pedindo integral provimento de seu recurso. Protestou a interessada, pois um mero erro formal de preenchimento da PER/DCOMP não é razão suficiente para negar à contribuinte um direito ao crédito que existe conforme processo 13018.000018/200315 e DIPJ/04 e foi efetivamente compensado conforme DCTF 24.22.63.33.50, página 3 e PER/DCOMP. A compensação é direito previsto prevista na Lei 9.430/96. O indeferimento feito pela autoridade fiscal e DRJ com base na estrita formalidade de um único documento contraria a verdade material dos fatos e fere os princípios de exercício do poder público: finalidade, Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 razoabilidade, eficiência; bem como a informalidade que é prática no processo administrativo.” Faço apenas um reparo no relatório acima transcrito, pois o SNCSLL/2003 em tela seria decorrente de CSLLestimativa de janeiro de 2003. Com base nesse relatório, a Relatora proferiu o seguinte voto: “Entendo que o despacho decisório é plenamente válido, esclarece corretamente as razões de fato que resultaram na não homologação da compensação e o embasamento legal aplicável ao processo de compensação está corretamente citado. No mais o despacho atende a todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e a contribuinte demonstrou pleno conhecimento das razões de fato e da regulamentação que resultaram na não homologação do crédito e da compensação e pode defenderse perfeitamente no mérito. Não houve portanto cerceamento de defesa ou outras questões formais que desabonem o despacho decisório. Nessa medida, não acolho a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. No mérito, a empresa preencheu corretamente o valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, compensado em 2004, em PER/DCOMP, às folhas 3. A empresa apenas se equivocou ao informar que a quitação do valor correspondente ocorreu via DARF, quando na verdade em sua manifestação de inconformidade informou que a quitação do valor ocorreu por compensação discutida no processo administrativo 13018.000018/200315, informação já contida em DCTF e disponível para a autoridade fiscal Em consulta no COMPROT observei que referido processo ainda está em andamento na DRF – Caxias do Sul – RS... Considerando o princípio da verdade material, entendo que o mero erro formal do PER/DCOMP não pode preterir a compensação da contribuinte se ficar comprovada a existência e certeza do crédito tributário. Logo, devese aprofundar a análise dos fatos para o que decido converter o julgamento em diligência de forma que a autoridade preparadora possa, por favor, apensar este processo ao processo de número 13018.000018/200315, para que, uma vez que tal processo tenha sido julgado pela DRJ, ambos possam ser remetidos a este Conselho para julgamento conjunto.”. Em resposta à resolução, a Unidade Preparadora assim se pronunciou (doc. a fls. 166/167): “1. Em 19/03/2012, retornou a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, RS, os autos de interesse da contribuinte em epígrafe, onde, às fls. 136/137, encontrase a Resolução nº 1302 – 000.107 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do Conselho administrativo de Recursos Fiscais CARF, de 3 de agosto de 2011, que determina a apensação deste processo ao processo nº 13018.000018/200315, para que, uma vez que tal processo tenha sido julgado pela DRJ, ambos possam ser remetidos ao Conselho em conjunto. 2. Às fls. 142/158, foram juntadas peças do processo nº 13018.000018/200315, que evidenciam que o referido processo já passou pelo CARF. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.901472/200825 Acórdão n.º 1302001.444 S1C3T2 Fl. 170 5 3. O extrato Profisc de fls. 159/161, confirma que a estimativa de CSLL, código de arrecadação 2484, referente ao mês de janeiro de 2003, vencimento 28/02/2003, no valor de R$ 176.630,97, teve sua compensação confirmada. 4. Assim, por entender ter atendido a referida diligência, devolvase o presente processo ao CARF, para prosseguimento.”. É o relatório Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 132, razão pela qual dele conheço. Afasto as preliminares de nulidades suscitadas, pois ratifico tudo quanto já sustentado pela Relatora da Resolução nº 1302000.107, ou seja, que o despacho decisório é plenamente válido, esclarece corretamente as razões de fato que resultaram na não homologação da compensação e o embasamento legal aplicável ao processo de compensação está corretamente citado, como também, atende a todos os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e a contribuinte demonstrou pleno conhecimento das razões de fato e da regulamentação que resultaram na não homologação do crédito e da compensação e pode defenderse perfeitamente no mérito. No mérito, julgase, nestes autos, o Despacho Decisório a fls. 50, que não homologou os PER/DCOMP nºs 34821.99326.310304.1.3.032131, 40638.01782.111006.1.7.033309 e 09923.55329.111006.1.7.035670, pois conforme Sistema de Controle de Créditos a fls. 07, o valor utilizado para compor o SNCSLL AC 2003 (R$ 176.630,97) não foi confirmado, pois o DARF informado não foi localizado. Alega a recorrente que informou equivocadamente que o SNCSLL AC 2003 decorreria do pagamento, por meio de DARF da estimativa de janeiro de 2003 no valor de R$ 176.630,89 (vide DIPJ a fls. 85), quando em verdade esta estimativa foi compensada com SNCSLL AC 2002 (R$ 101.024,39, doc. a fls. 149) e SNCSLL AC 2001 (R$ 75.606,58, vide doc. a fls. 148), objeto do PAF nº 13018.000018/200315. Isso terminou sendo confirmado, uma vez que a Unidade Preparadora informa que: O extrato Profisc de fls. 159/161, confirma que a estimativa de CSLL, código de arrecadação 2484, referente ao mês de janeiro de 2003, vencimento 28/02/2003, no valor de R$ 176.630,97, teve sua compensação confirmada. Em face do exposto, voto por homologar as compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs 34821.99326.310304.1.3.032131, 40638.01782.111006.1.7.033309 e 09923.55329.111006.1.7.035670, até o limite disponível do Saldo Negativo de CSLL do Ano Calendário de 2003, no valor originário de R$ 176.630,97. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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