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Numero do processo: 11080.005966/2005-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA.
A não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado na legislação, sujeitará o infrator à pena administrativa de multa.
Numero da decisão: 1001-000.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. A não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado na legislação, sujeitará o infrator à pena administrativa de multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.005966/200520 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.993 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria Multa por Atraso na Entrega de Declaração Recorrente MACKOY PANERAI ARAUJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. A não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no prazo estipulado na legislação, sujeitará o infrator à pena administrativa de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 66 /2 00 5- 20 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11080.005966/200520 Acórdão n.º 1001000.993 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 47) interposto contra o Acórdão nº 11179, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 34 a 40), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 Ementa: Comprovado o exercício de atividades por parte da empresa, exigível a multa por entrega de DCTF a destempo. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de auto de infração, relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF — lavrado contra o contribuinte acima identificado. A autuada impugna o lançamento, alegando que pelos movimentos declarados tratase de empresa extremamente pequena e que mesmo assim, cumpriu com suas obrigações embora fora do prazo legal. Argumenta que os valores das multas exorbitam o valor do faturamento da empresa que não possui condições de suportar tais cominações.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11080.005966/200520 Acórdão n.º 1001000.993 S1C0T1 Fl. 4 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Observo que nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001 a entrega das DCTF's era disciplinada pela IN SRF no 126, de 30 de outubro de 1998, que assim dispunha: Art. 6°A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2°, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mêscalendário ou .fiageio de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo ,final a data da efetiva entrega (Decretolei n°1.968, de 1982, art. li, §§ 2°e 3°, com as modificações do Decretolei n°2.065, de 1983, art. 10; Lei n°8.383, de 1991, art. 3°, inciso I; da Lei n°9.249, de 1995, art. 30). Já a IN SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, estabeleceu, com esteio no art. 7° da Lei n" 10.426, de 24 de abril de 2002, novas formas de cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF, observandose a retroatividade benigna estatuida no art. 106 da Lei no 5.172 (CTN). Dispõe o art. 7° da referida Instrução Normativa: 'Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, (..) e strjeficir4eci às seguintes multas: I de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago , no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, ilmitada a vinte por cento, observado o disposto no ss 3'; (g.n.) § 2° Observado o disposto no ss 3°, as multas sera() reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o p razo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3°A multa minima a ser aplicada será de: I — R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa. II RS 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4° Para DCTF que seja referente até o terceiro trimestre de 2001, a multa será de R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mês calendário ou fração, salvo quando da aplicação do disposto no caput resultar penalidade menos gravosa." Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11080.005966/200520 Acórdão n.º 1001000.993 S1C0T1 Fl. 5 4 Retrocedendo no tempo, a titulo de esclarecimento, a penalidade pecuniária aplicável ao descumprimento da referida obrigação acessória tinha fundamento legal nos seguintes dispositivos: art. 11, § 2" e 30, do Decreto lei n.° 1.968/1982, com as modificações do art. 10 do Decreto lei n.° 2.065/1983, art. 5°, § 3°, do Decretolei n.° 2.124/1984, art. 30, inciso I, da Lei n.° 8.383/1991, e art. 30 da Lei n.° 9.249/1995, além da regulamentação dada, no caso, pelas IN's 73/96 e 126/98. Portanto, não é verdade que a instituição da obrigação acessório bem como a da penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, esteja a ferir o principio do legalidade. Resta patente que têm suporte legal a exigência de apresentação da DCTF, bem assim a aplicação de penalidade por atraso na sua entrega, ainda que os tributos e contribuições hajam sido integralmente pagos. Também é cediço que a autoridade administrativa não dispõe de competência para examinar argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuida em caráter privativo ao Poder Judiciário, refutandose, por este motivo, qualquer questionamento quanto ao caráter confiscatório da penalidade. Os demais argumentos da contribuinte não a socorrem, pois não ha como o contribuinte alegar desconhecimento de lei, consoante o artigo 3° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Destaquese ainda que não compete a autoridade julgadora considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal e de natureza econômico financeira dos contribuintes. A autuada não contesta o atraso na entrega das declarações, até mesmo porque esta circunstancia não pode ser desmentida ante os registros eletrônicos de recepção nos sistemas da SRF. No que concerne à espontaneidade, prevê o art. 138 do CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração." V8se que o instituto da denúncia espontânea prendese ao pagamento do tributo devido ou ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. E certo, também, que multa não é tributo, na dicção do art. 3' do CTN: "Art. 3° Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito , instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (g.n.)" Sendo a multa por atraso na entrega da declaração uma "sanção de ato iIícito não se amolda a definição de tributo. Não sendo tributo, não se lhe Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11080.005966/200520 Acórdão n.º 1001000.993 S1C0T1 Fl. 6 5 aplica o instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, ha julgados no STJ e no conselho de Contribuintes com entendimento de que os dispositivos mencionados não são incompatíveis com o preceituado no art.138 do CTN. Portanto, a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois se trata de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN. Igualmente não há como dar guarida aos argumentos de que a DIPJ supriria a ausência de DCTF's, pois estas declarações não possuem apenas o condão de informar o Fisco com diferentes informações econômicofiscais, mas principalmente possuem efeitos diferentes quanto a executoriedade das confissões de dividas nelas informadas, afora o fato de que entrega de DCTF estar prevista em lei e de que não há previsão para referida substituição. Assim é que, estando comprovada a prática da infração, como no caso vertente, resta procedente a lavratura do auto de infração pela autoridade fiscal, a quem prefere efetuar o lançamento, atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Observo ainda que o auto de infração está em plena conformidade com o Decreto 70.235/1972 e alterações posteriores, estando suficientemente instruido de maneira a possibilitar a ampla defesa da autuada, bem como o julgamento por parte deste parecerista, não havendo infringência alguma ao art. 9° ou 10° do referido decreto. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11080.005966/200520 Acórdão n.º 1001000.993 S1C0T1 Fl. 7 6 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.723078/2013-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2012
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.094
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/12/2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado.
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.723078/201369 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.094 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria MULTA ATRASO ENTREGA DACON Recorrente NACIONAL DE GRAFITE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 78 /2 01 3- 69 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.723078/201369 Acórdão n.º 3402006.094 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 12076.199. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723078/201369 Acórdão n.º 3402006.094 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.092, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10665.723076/201370, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.092): "O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10665.723078/201369 Acórdão n.º 3402006.094 S3C4T2 Fl. 0 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFD Contribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10665.723078/201369 Acórdão n.º 3402006.094 S3C4T2 Fl. 0 5 Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar o envio duplicado de informações (EFD Contribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10665.723078/201369 Acórdão n.º 3402006.094 S3C4T2 Fl. 0 6 A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/201155Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10665.723078/201369 Acórdão n.º 3402006.094 S3C4T2 Fl. 0 7 encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802 003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000345/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1997, 1998
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. PARCELAMENTO.
Constatado o pagamento do débito tributário em litígio ou a sua inclusão em parcelamento administrativo, antes do julgamento do recurso voluntário, acolhem-se os embargos inominados para reconhecer a nulidade da decisão proferida, devido à existência de erro material.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
O pagamento do débito tributário em litígio ou a sua inclusão em parcelamento administrativo implica a desistência do recurso voluntário interposto, cabendo não conhecer do apelo recursal
Numero da decisão: 2401-005.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para anular o acórdão embargado, devido à inclusão do crédito tributário em parcelamento em momento anterior ao julgamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 1997, 1998 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. PARCELAMENTO. Constatado o pagamento do débito tributário em litígio ou a sua inclusão em parcelamento administrativo, antes do julgamento do recurso voluntário, acolhem-se os embargos inominados para reconhecer a nulidade da decisão proferida, devido à existência de erro material. RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O pagamento do débito tributário em litígio ou a sua inclusão em parcelamento administrativo implica a desistência do recurso voluntário interposto, cabendo não conhecer do apelo recursal
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ERRO MATERIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. PARCELAMENTO. Constatado o pagamento do débito tributário em litígio ou a sua inclusão em parcelamento administrativo, antes do julgamento do recurso voluntário, acolhemse os embargos inominados para reconhecer a nulidade da decisão proferida, devido à existência de erro material. RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O pagamento do débito tributário em litígio ou a sua inclusão em parcelamento administrativo implica a desistência do recurso voluntário interposto, cabendo não conhecer do apelo recursal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para anular o acórdão embargado, devido à inclusão do crédito tributário em parcelamento em momento anterior ao julgamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 03 45 /2 00 7- 55 Fl. 230DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Embargos Inominados (fl.201) opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre/RS, com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, considerando o lapso manifesto no acórdão 2401004.110 (fls. 188/194), proferido no processo em epígrafe. O processo trata crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.040.1018, referente a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, parte da empresa, parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a parte relativa as entidades denominadas de terceiros quais sejam FNDE (salário educação) e INCRA. Em decorrência da infração cometida, o valor total lançado na presente NFLD foi de R$ 301.456,61 (trezentos e um mil quatrocentos e cinquenta e seis reais e sessenta e um centavos). O lançamento abrange o período compreendido entre maio de 2000 a fevereiro de 2006, inclusive 13° salário. As bases de cálculo das contribuições lançadas foram apuradas com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência SocialGFIP e nos Recibos de Pagamento a Autônomo (RPA), tendo em vista que não foram apresentados os documentos a seguir relacionados: Livros Diário e Razão, Plano de contas, Comprovantes de recolhimento, Folhas de Pagamentos, GFIP, GRFP, GRFC, RAIS, Tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento e Comprovante de adesão ao PAT. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a interessada apresentou Impugnação a fls. 70/74. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 13.607 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 153/159, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O ora Embargado foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/12/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 166. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Embargado interpôs Recurso Voluntário às fls. 167/168, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: • Nulidade do lançamento • Decadência Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10552.000345/200755 Acórdão n.º 2401005.821 S2C4T1 Fl. 3 3 • Inimputabilidade da diretoria atual do sindicato para efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias ou para responder penalmente pelas infrações. Requer, ao final, que “seja decretada a nulidade do lançamento ou, alternativamente, seja reconhecida a decadência do direito da fazenda pública constituir crédito tributário após decorridos 5 anos da ocorrência dos fatos geradores e que sejam responsabilizados exclusivamente os Srs. Cesar José Pedroso Pureza e Milton Rodrigues Vaz, expresidentes do Sindicato”. Ao analisar o referido recurso (fls.188/194), em 16/02/2016 esta egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deu parcial provimento ao recurso e reformou a decisão de primeira instância nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 28/02/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inocorrência. Não ocorre nulidade do lançamento se o débito está suficientemente discriminado nos demonstrativos que instruem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. DECADÊNCIA. No presente caso, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional quanto à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário, razão pela qual deve ser reconhecida a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS apresentou embargos inominados (fl. 201) com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais. Em razão disso, o julgamento dos embargos foi convertido em diligência determinando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre junte aos autos o pedido de parcelamento do contribuinte, específico para o crédito tributário que compõe a presente lide, e, após, seja intimada o Embargado SINDICATO DOS MUNICIPARIOS DE PORTO ALEGRE, para que se manifeste, no prazo de 15 (quinze) dias sobre os termos do referido parcelamento (Resolução nº 2401000.619 – fls. 205/209). Em resposta, a Secretaria da Receita Federal do Brasil informou que o débito em questão encontrase parcelado no parcelamento da Lei nº 11.941/2009 (fls. 212/214) e econtrase com todos os pagamentos do referido parcelamento em dia (fls. 215/221). Devidamente cientificado em 26/03/2018 (fl. 225), o Município Embargado não se manifestou. É o relatório. Voto Fl. 232DF CARF MF 4 Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Primeiramente, deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do RICARF, não existe prazo para correção de erro manifesto, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO O Regimento Interno prevê a possibilidade de saneamento, a qualquer tempo, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto em decisões proferidas no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com base nos documentos que foram juntados aos autos (fls. 212/221), verifico a existência de lapso material no Acórdão nº 2401004.110 (fls. 188/194), decorrente da existência de erro sobre questão de fato, a qual, se conhecida pelo colegiado por ocasião da apreciação do Recurso Voluntário, levaria a outro resultado do julgamento. Refirome, especificamente, à conduta do sujeito passivo pela extinção do crédito tributário em litígio controlado neste processo administrativo, em razão da sua adesão às condições previstas na Lei nº 11.941/2009 (fls. 212/214), que se encontram regularmente em dia (fls. 215/221). Com tal pretensão explícita o contribuinte realizou, no dia 16/11/2009 conforme informação constante às fls. 199/200; 213/214 e 215/220, a inclusão do débito em parcelamento, portanto, antes do julgamento do recurso voluntário, que se deu na sessão do dia 16/02/2016 (fl. 188). Conforme é sabido, o pagamento ou o pedido de parcelamento do débito em litígio implica a desistência do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo e configura fato impeditivo do direito de recorrer. Logo, é de se reconhecer a existência de erro material com a consequente nulidade do Acórdão 2401004.110 (fls. 188/194), julgado na sessão de 16/02/2016. Uma vez tornada sem efeito a decisão anterior, o Recurso Voluntário de fls. 167/168 não deve ser conhecido, por falta de interesse recursal, que resulta na inviabilidade do exame de mérito, nos moldes do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015 (RICARF). Confirase: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10552.000345/200755 Acórdão n.º 2401005.821 S2C4T1 Fl. 4 5 § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” (grifei). 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, acolho os Embargos Inominados e, no mérito, DOU PROVIMENTO aos aclaratórios, com efeitos infringentes, para (i) declarar a nulidade do Acórdão nº 2401004.110, de 16 de fevereiro de 2016, pela existência de erro material; e (ii) não conhecer do Recurso Voluntário, por falta de interesse recursal, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675387/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/02/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/02/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 87 /2 00 9- 94 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.675387/200994 Acórdão n.º 3302006.259 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.461, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.675387/200994 Acórdão n.º 3302006.259 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.675387/200994 Acórdão n.º 3302006.259 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.015480/2001-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1996
IRRF SOBRE DIVIDENDOS RECEBIDOS. RESTITUIÇÃO.
O IRRF descontado pela fonte sobre dividendos pagos ou creditados a pessoas jurídicas durante o ano-calendário de 1995 possui natureza antecipatória e, portanto, passível de restituição, quando o contribuinte não possuir forma prescrita em lei para compensação. (art. 2° da Lei n° 8.894/1994 com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 9.064/1995).
Numero da decisão: 1301-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1996 IRRF SOBRE DIVIDENDOS RECEBIDOS. RESTITUIÇÃO. O IRRF descontado pela fonte sobre dividendos pagos ou creditados a pessoas jurídicas durante o ano-calendário de 1995 possui natureza antecipatória e, portanto, passível de restituição, quando o contribuinte não possuir forma prescrita em lei para compensação. (art. 2° da Lei n° 8.894/1994 com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 9.064/1995).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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RESTITUIÇÃO. O IRRF descontado pela fonte sobre dividendos pagos ou creditados a pessoas jurídicas durante o anocalendário de 1995 possui natureza antecipatória e, portanto, passível de restituição, quando o contribuinte não possuir forma prescrita em lei para compensação. (art. 2° da Lei n° 8.894/1994 com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 9.064/1995). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 54 80 /2 00 1- 84 Fl. 290DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10768.015480/200184 Acórdão n.º 1301003.662 S1C3T1 Fl. 291 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o presente processo de pedido de restituição (fl.Ol), no valor de R$ 175.599,44 (original de R$ 89.991,00, atualizado monetariamente até 31/12/2001 R$ 85.608,44), referente ao imposto sobre a renda retido na fonte sobre dividendos distribuídos no anocalendário de 1996, relativo ao lucro apurado no balanço de 1995, pela empresa Losango Corretora de Seguros Ltda, da qual o interessado acima identificado detém participação de 99,99% do capital volante. 2. Instruindo os autos, entre outros documentos, o interessado apresentou demonstrativo de atualização do IR retido sobre dividendos (fls.12/16) e o comprovante de retenção do imposto, à fl.17, emitido pela fonte pagadora, no valor de R$ 89,991,00, correspondente a 15% do rendimento bruto de R$ 599.940,00. 3. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de JaneiroDERAT/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 33, proferido em 11/12/2006 com base no parecer conclusivo n° 179, de 11/08/2006, não reconheceu o direito creditório no valor de R$ 175.599,44, sob o argumento de que se tratando de importe retido pela fonte pagadora, para a sua utilização, o interessado deveria, no encerramento do períodobase, quando da apuração do lucro real, deduzilo do montante apurado a título de imposto de renda e, somente após a constatação de saldo negativo, pleitear a sua restituição ou compensação do mesmo. Uma vez que não foi apurado saldo negativo de imposto de renda no anocalendário de 1996, tampouco inexiste nos autos nada que indique a ocorrência de recolhimento indevido ou a maior de IRRF, indeferiu o seu pleito. 4. Irresignado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fis. 38/51, requerendo, em síntese, o cancelamento da decisão recorrida, visto que o seu pedido não foi analisado à luz do disposto no §1° do artigo 2o e no artigo 8o da Lei n° 8.849/1994, com a redação dada pela Lei n° 9.064/1995, e no art 2° da Instrução Normativa n° 12/1999. 5. O despacho decisório foi declarado nulo, conforme acórdão n° 12 14.335, de 14/06/2007 (fls.149/156), proferido por esta Turma de Julgamento da DRJ/RJ1. Os autos foram devolvidos à unidade de origem para que outro despacho fosse proferido na boa e devida forma. 6. A DIORT da DERAT/RJ proferiu então o parecer conclusivo n° 179/2007, de fls. 168/171, aprovado pelo despacho decisório de fl. 172, por meio do qual decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. 7. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 176/183, alegando, em síntese, o que se segue: com a edição da Lei n° 9.064/1995, que alterou a Lei n° 8.849/1994, o imposto de renda retido sobre os dividendos recebidos, no caso das empresas tributadas pelo lucro real, deixou de ser considerado como tributação definitiva, passando a corresponder a uma antecipação do tributo devido; Fl. 292DF CARF MF 4 e mais, passou a ser passível de ser compensado com o IRRF que a beneficiária dos dividendos houver que recolher quando da posterior distribuição de dividendos, bonificações, lucros e outros interesses, a seus respectivos sócios (art.2°, § Io, "b", da Lei n° 8.849/1994); neste sentido, somente se aplica a tributação definitiva, prevista na alínea "c" do mesmo diploma legal, "nos demais casos", quais sejam naqueles em que não se trata de pessoa jurídica pelo lucro real. Conseqüentemente, haverá a tributação definitiva na distribuição de dividendos apenas para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, bem como para aquelas isentas; para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, como é o seu caso, a legislação é clara ao considerar referida parcela retida a título de IRRF como antecipação, podendo ser compensada com o tributo devido quando da posterior redistribuição dos dividendos, sem que fosse imposta qualquer limitação temporal para tanto; em outras palavras, o fato de o interessado não se utilizar deste crédito no anocalendário de 1995, em que também gerou lucros passíveis de serem distribuídos, não faz com que deixe de se enquadrar na alínea "b" para se inserir na alínea "c" do parágrafo Io, do art. 2a da Lei n° 8.849/1999. o direito à manutenção e utilização deste crédito se mantém, de modo que poderá ser utilizado para se compensar com o IRRF que será devido no momento em que houver a distribuição destes lucros pelo interessado, ou mesmo quando proceder ao pagamento de eventuais juros sobre o capital próprio; corroborando este entendimento, foi editada a IN SRF n° 12/1999, cujo fundamento legal de validade foi justamente o art, 2o, da Lei n° 8.849/1994; a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu que o imposto de renda retido na distribuição de dividendos constitui um crédito para o seu beneficiário, que pode e deve ser mantido em sua escrita contábil e fiscal. Este crédito é compensável com o tributo devido na distribuição de outros interesses da empresa a seus sócios, inclusive os juros pagos sobre o capital próprio; o conselho de contribuintes já reconheceu o direito ao crédito de imposto retido para sua posterior compensação com o tributo devido na subseqüente distribuição de juros sobre o capital próprio (acórdão 10421.645); o fato de ter apresentado lucro após a distribuição dos dividendos que lhe geraram o direito ao crédito ora pleiteado, não altera a prerrogativa de que este crédito pode vir a ser utilizado numa futura distribuição de interesses que a empresa realize. A DIORT não pode impor restrição não prevista na legislação, para que o crédito seja utilizado pelo interessado; não é aplicável ao caso em tela o art. 8o da Lei n° 8.849/1994, o qual dispõe que a pessoa jurídica beneficiária da distribuição de dividendos, que efetuar e integralização do seu capital social com o imposto de renda retido na operação, pode, mediante a obediência a determinados requisitos, requerer a restituição do referido tributo; não é a situação discutida nos presentes autos, que dispõe sobre o aproveitamento do crédito do imposto retido segundo os ditames do art. 2° da Lei n° 8.849/1994. Por isso não precisa cumprir os requisitos deste dispositivo, como equivocadamente afirma a decisão recorrida, para que tenha direito ao crédito ora pleiteado. Além do mais, a decisão da DRJ delimitou o campo de abrangência da nova decisão da DIORT, a ser proferida à luz unicamente do art. 2o, §1°, da Lei n° Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10768.015480/200184 Acórdão n.º 1301003.662 S1C3T1 Fl. 292 5 8.849/1994 e do art. 2o , da IN SRF n° 12/1999, conforme reconhece a própria decisão recorrida; por fim, requer que a decisão deve ser reformada para que se reconheça o direito creditório e com isto permitir que possa utilizar o seu crédito na compensação com débitos de imposto de renda retido na fonte que serão devidos, nos termos da legislação de regência. A decisão da autoridade de primeira instância julgou a solicitação indeferida, cuja acórdão encontrase as fls. 249 e segs. e ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1996 IRRF SOBRE DIVIDENDOS RECEBIDOS. RESTITUIÇÃO. O IRRF descontado pela fonte sobre dividendos pagos ou creditados a pessoas jurídicas durante o anocalendário de 1995 é definitivo nos casos em que o beneficiário não cumprir os requisitos expressos em lei para a restituição (art.8° da Lei n° 8.894/1994) ou compensação (art. 2° da Lei n° 8.894/1994 com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 9.064/1995) do imposto retido. Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, fl. 267 e segs, em 16/05/2008, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Em 21.12.01, a Recorrente pleiteou restituição de valor retido na fonte a titulo de Imposto de Renda, no valor original de R$ 89.991,00, incidente sobre importes pagos pela empresa Losango Corretora de Seguro Ltda., no anocalendário 1996, a título de dividendos apurados com base no balanço de 1995. Ao apreciar o pedido formulado, a Divisão de Orientação e Análise Tributária elaborou o Parecer Conclusivo n.° 179/2006, o qual fundamentou o Despacho Decisório n.° 179/2006 ora recorrido, não reconhecendo o direito creditório da Recorrente, por entender que, em razão de tratarse de importe retido pela fonte pagadora, para a sua utilização, a Recorrente deveria, no encerramento do períodobase, quando da apuração do lucro real, deduzilo do montante apurado a título de imposto de renda e, somente após a constatação de saldo negativo, pleitear a sua restituição ou compensação do mesmo. Ocorre que, à época da apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1997, anocalendário 1996, a Recorrente adotou exatamente o mesmo procedimento que o I. Julgador entendeu como correto, fato este que, porém, ensejou a expedição do anexo Termo de Intimação (doc. 03 da impugnação fl. 114) bem como, mesmo após a apresentação de manifestação devidamente instruída com os documentos probatórios da origem e existência dos valores de IRRF deduzidos (doc. 04 da impugnação fl. 116), a lavratura de Auto de Infração (Descrição: compensação a maior de imposto de renda mensal devido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão, em virtude de insuficiência do imposto retido na fonte utilizado nos cálculos) e Imposição de Multa (doc. 05 da impugnação fl. 133), o qual, foi devidamente impugnado. Assim, apesar de reconhecer que o crédito de IRRF de fato existia, a DIORT indeferiu a sua utilização, pois entendeu que "não há que se falar em recolhimentos efetuados indevidamente ou a maior do que o devido", únicos casos, no seu entender, passíveis de aproveitamento. Tendo em vista esta r. decisão, a Recorrente apresentou a competente Manifestação de Inconformidade, em que demonstrou que não havia sido analisado o pleito em conformidade com a legislação de regência da matéria, mas sim com a legislação geral de compensação. Desta Manifestação de Inconformidade, sobreveio o Acórdão DRJ RJO n.° 1214.335, de 14.06.2007, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ("DRJ") no Rio de Janeiro 1, que houve por bem declarar nulo o Despacho Decisório n.° 179/06 e o Parecer Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10768.015480/200184 Acórdão n.º 1301003.662 S1C3T1 Fl. 293 7 Conclusivo n.° 179/06, e determinou que fosse proferida uma nova decisão pela DIORT, com base exclusivamente no art. 2o , parágrafo 1°, da Lei n.° 8.849/94, bem como no art. 2o, da Instrução Normativa ("IN") SRF n.° 12, de 10.02.1999, que tratam da compensação do IRRF retido sobre dividendos distribuídos. Diante do referido Acórdão DRJ, foram proferidos o Despacho Decisório n.° 179/07 e o Parecer Conclusivo n.° 179/07 (fls. 168/172), que novamente culminaram no indeferimento do pleito da Recorrente. E isto sob a alegação de que a Recorrente "não cumpriu os requisitos necessários para fazer jus" ao crédito pleiteado, pois "não distribui (sic) lucros sob nenhuma forma (sic), tornando, então, definitiva a incidência do imposto na fonte sobre os dividendos recebidos". Paradoxalmente, este Parecer Conclusivo n.° 179/07, ao analisar o art. 2° da IN SRF n.° 12/99, deixou consignado que o IRRF incidente sobre dividendos recebidos poderá ser compensado quando houver distribuição de lucros, dividendos, bonificações inclusive juros sobre o capital próprio. Em face deste novo Despacho Decisório e respectivo Parecer Conclusivo n. ls 179/07, a Recorrente apresentou nova Manifestação de Inconformidade em 26.10.2007. O r. Acórdão DRJ ora recorrido, que manteve, por maioria de votos (três julgadores votaram pelo indeferimento de pleito, e dois reconheceram o direito de crédito à Recorrente), o decidido pelo r. Despacho Decisório DIORT, Acórdão este que restou ementado conforme segue: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1996 IRRF SOBRE DIVIDENDOS RECEBIDOS. RESTITUIÇÃO. O IRRF descontado pela fonte sobre dividendos pagos ou creditados a pessoas jurídicas durante o anocalendário de 1995 é definitivo nos casos em que o beneficiário não cumprir os requisitos expressos em lei para a restituição (art.8° da Lei n° 8.894/1994) ou compensação (art. 2° da Lei n° 8.894/1994 com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 9.064/1995) do imposto retido. Desta maneira, a DRJ indeferiu o pleito em tela, por entender que a Recorrente não teria cumprido os requisitos para a restituição ou aproveitamento do crédito de IRRF sobre os dividendos recebidos, razão pela qual decidiu, por maioria, que a tributação sobre referidos valores se tornou definitiva, e não mera antecipação do devido ao final do respectivo anocalendário, como dispõe a legislação de regência. Preliminar Cerceamento de defesa e violação ao devido processo legal Conforme o exposto, o pleito em questão foi formulado para a restituição ou o aproveitamento do crédito de IRRF, retido sobre a distribuição dos dividendos recebidos pela Recorrente no anocalendário de 1996. Fl. 296DF CARF MF 8 No entanto, o r. Acórdão DRJ recorrido enfrentou apenas o pleito de restituição formalizado pela Recorrente, deixando de apreciar o pedido de aproveitamento do crédito de IRRF em questão. E assim o fez por entender que este pedido subsidiário de aproveitamento seria, em verdade, um pedido de compensação, que, como tal, deveria ser "formalizado por instrumentos específicos, utilizandose os formulários" constantes na IN SRF n.° 21/97, então vigente. Por isso, como não foi constatado pela DIORT qualquer pedido de compensação efetuado pela Recorrente, o r. Acórdão DRJ apreciou unicamente o pedido de restituição de IRRF formulado, sem que fosse apreciado o pleito subsidiário de aproveitamento de referido crédito. Ocorre que, ao assim proceder, o r. Acórdão recorrido cerceou o direito de defesa da Recorrente, e violou o devido processo legal (previstos, respectivamente, nos incisos LV e LIV, ambos do art. 5°, da Constituição Federal), pois deixou de analisar todos os argumentos expostos em sua Manifestação de Inconformidade. Com efeito, ainda que a Recorrente entenda que o crédito de IRRF em questão seja passível de restituição, a r. decisão recorrida não poderia deixar de enfrentar o argumento subsidiário formulado, do aproveitamento de referido crédito, sob a frágil alegação de que "a manifestação de inconformidade não é o instrumento adequado" para realizar pedido de compensação. O Relator deste Acórdão, ilustre Conselheiro Luis Antonio Flora, deixou consignado, no seu voto proferido, que "o pedido adicional" feito pelo contribuinte deveria ser aceito, "urna vez que o citado art. 16 do PAF (Decreto n.° 70.235/72) foi flexibilizado pelo art. 38, da Lei n.° 9.784199"3. Assim, deve ser conhecido o argumento de aproveitamento em questão, e ser subsidiariamente provido, na remota hipótese de este E. Conselho de Contribuintes indeferir a restituição do crédito em questão. Em segundo lugar, mas não menos importante, é o fato de que a Recorrente não formulou qualquer pleito de compensação no presente caso, como afirmado pela r. decisão recorrida, mas sim um pedido subsidiário de aproveitamento do crédito em questão. Assim, o aproveitamento nada mais é do que o reconhecimento do direito do crédito de IRRF em tela, que, caso seja deferido, será objeto de posterior declaração de compensação com o valor devido a titulo de IRRF quando da subseqüente distribuição de interesses a seus sócios (como o pagamento de juros sobre o capital próprio). Por fim, vale ressaltar que o presente processo não versa sobre pedido de compensação em tese, mas sim, na remota hipótese de indeferimento do pleito principal de restituição formulado, do reconhecimento subsidiário do direito da Recorrente à utilização do IRRF retido quando do recebimento de dividendos distribuídos no anocalendário de 1996, devidamente quantificado no valor original de R$ 89.991,00, para o pagamento do Imposto de Renda a ser recolhido na subseqüente distribuição de interesses a seus respectivos sócios. Em analise ao voto vencedor da decisão recorrida, verificase que não houve falta de apreciação do pedido de compensação conforme alegado pela recorrente, mas entendimento que a compensação deveria obedecer rito diferenciado ao adotado pela recorrente, vejamos trecho que ilustra tal posicionamento (fl. 255): Da delimitação do pedido do interessado. 11. De plano, cabe destacar que a restituição e a compensação são institutos jurídicos diversos com objetivos e requisitos específicos, Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10768.015480/200184 Acórdão n.º 1301003.662 S1C3T1 Fl. 294 9 12. A restituição encontrase prevista no art. 165 do Código Tributário NacionalCTN em rol taxativo. Destinase a devolução dos montantes pagos indevidamente. 13. A compensação, conforme art. 156, II, do CTN, é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo (art. 170 do CTN) e, conforme entendimento exarado no Parecer PGFN/CDA/CAT N° 1.499/05, "(...) esta modalidade de extinção do crédito tributário tem aplicação restrita aos casos expressamente previstos em lei. Segundo o mandamento transcrito, a lei pode autorizar a utilização de créditos do próprio sujeito passivo contra a Fazenda Pública para quitação de seus débitos tributários. Ou seja, no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda Pública ele pode optar por compensar esse valor, desde que isso seja permitido em ato legal, não contrário ao CTN." 14. Portanto, o processo de compensação deverá obedecer aos estritos dizeres previstos no CTN, respeitandose os requisitos específicos previstos para a sua efetivação, sobretudo no que se refere à existência do indébito tributário. 15. A restituição é um prérequisito para que ocorra a compensação, ou seja, a compensação depende da existência de indébito tributário. Tanto isso é verdade que pode ocorrer hipóteses de restituição sem compensação, no entanto, não existe compensação sem indébito tributário. Constituemse de institutos jurídicos distintos e com finalidades diversas. 16. Nos termos da Instrução Normativa SRF n ° 21, de 10/03/1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n ° 73, de 15/09/1997, vigente à data da formalização do pleito do interessado, tanto o pedido de restituição quanto o de compensação (posteriormente substituído pela declaração de compensação) deveriam ser formalizados por instrumentos específicos, utilizandose os formulários previstos nos anexos II e III da Instrução Normativa. 17. No caso em apreço, verificase, no autos, que o interessado limitouse a apresentar pedido de restituição (fl.01). Inclusive, a DIORT da DERAT/RJ, por ocasião da elaboração do Parecer Conclusivo n° 179/2006 (fis. 31/32), certificouse de que inexistia pedido eletrônico de declaração de compensação PERDCOMP relacionados a este processo. 18. Em sendo assim, esse órgão julgador limitarseá a apreciar a manifestação de inconformidade de fls. 176/183 no que tange à restituição requerida à f1.01, conquanto o interessado tenha pretendido, através do citado instrumento, o reconhecimento de direito creditório para fins de posterior compensação. Ressaltese que não obstante seja admitida a apresentação de pedido de compensação (ou declaração de compensação) após o ingresso de pedido de restituição (art.12, § 40 da IN SRF n° 21/1997; art. 21, § 40 , da IN SRF n° 210/2002), há que se ressaltar que a manifestação de inconformidade não é o instrumento adequado para tal fim. De fato, o que a decisão estabeleceu foi que o pedido de compensação deveria ter sido realizado via procedimento específico (PerDComp) e que no ocaso em concreto o contribuinte não havia procedido desta forma, motivo pelo qual se limitou a apreciar apenas o pedido de restituição. Fl. 298DF CARF MF 10 Ou seja, não houve falta de manifestação por parte da autoridade de primeira instancia mas apreciação desfavorável ao contribuinte. Tendo em vista o acima, REJEITO a preliminar de cerceamento de defesa e violação ao devido processo legal. Mérito Restituição do IRRF sobre dividendos O IRRF sobre os dividendos percebidos foi regulado pela Lei n° 8.849, de 28/01/1994 que, com a alteração dada na Lei n° 9.064, de 20/06/1995, estabeleceu sobre a compensação e restituição o seguinte: Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto descontado na forma deste artigo será: (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) a) deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva; (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) b) considerado como antecipação, sujeita a correção monetária, compensável com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) c) definitivo, nos demais casos. (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995) Com o advento da Lei n° 9.249/95 os dividendos foram considerados isentos, ou seja, mesmo que a pessoa jurídica distribuísse dividendos não seria devido qualquer IRRF. Vejamos : Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Neste momento, criouse um impasse pois as pessoas jurídicas que possuíam saldo de IRRF a compensar não poderiam mais compensar pois os dividendos passaram a ser isentos. A decisão recorrida entendeu que o contribuinte não poderia solicitar restituição do tributo devido porque não cumpriu com as regras do artigo 8o da Lei acima mencionada, sendo assim, a tributação deveria ser definitiva, enquadrandoo na alinea c do artigo 2 da Lei 8.849/95, vejamos: No presente caso, o interessado não está pleiteando pedido de restituição com base no art. 8° da Lei n° 8.849/1994. Tampouco alicerça seu pedido na regra geral estabelecida no art. 165 e incisos do CTN, razão pela qual o IRRF sobre os dividendos por ele percebidos deve ser considerado definitivo. Transcrevese o artigo 8o da Lei 8.849/95 para melhor elucidação: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10768.015480/200184 Acórdão n.º 1301003.662 S1C3T1 Fl. 295 11 Art. 8º O beneficiário dos rendimentos de que trata o art. 2º, que, mediante prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal, optar pela aplicação do valor dos lucros e dividendos recebidos, na subscrição de aumento de capital de pessoa jurídica, poderá requerer a restituição do correspondente imposto de renda retido na fonte por ocasião da distribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) Decerto que o caso da recorrente não se enquadra no artigo 8o da Lei 8.849/95, pois esta não optou pela aplicação do valor dos lucros e dividendos recebidos, na subscrição de aumento de capital de pessoa jurídica. O caso aqui é totalmente diferente, a recorrente possuía saldo de IRRF que não logrou compensar porque os dividendos distribuídos a partir de 1995 não eram mais tributados conforme determinou o artigo Lei n° 9.249/95. No entanto, entendo que o artigo 10 da Lei n° 9.249/95 não desvirtou a natureza antecipatória/compensatória da incidência do IRRF prescrita no artigo 2°, § 1°, b, da Lei n° 8.849/94. Entretanto, obstaculou, legalmente, o exercício do direito creditório, via compensação, conforme prescrição legal anterior. Mais, impossibilitou a capitalização de resultados como fundamento da restituição direta. Porquanto, quaisquer que fossem as destinações dos lucros — capitalização ou distribuição não haveria mais incidência tributária. A natureza antecipatória/compensatória da incidência prescrita no artigo 2°, II, da Lei n° 8.849/94, ou, artigo 2°, § 1°, b, redação do artigo 2°, da Lei n° 9.064/95 foi reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal, através da IN SRF N° 12, de 10/02/99. Vejamos: Art. 2º O valor do imposto de renda retido na fonte sobre lucros e dividendos recebidos pela pessoa jurídica, relativos aos períodos de apuração encerrados em 1994 e 1995, que a beneficiária não puder compensar em virtude da inexistência, em sua escrituração contábil, de saldo lucros sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte quando distribuídos, poderá ser compensado com o imposto que esta retiver na distribuição, a seus sócios ou acionistas, de bonificações em dinheiro e outros interesses, inclusive com o retido sobre os valores pagos ou creditados a título de juros remuneratórios do capital próprio. A Egrégia Câmara superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF 04.00136, ratificou o entendimento, vejamos: Fl. 300DF CARF MF 12 Na questão específica destes autos, por oportuno, reproduzo fundamento do decidir do voto vencedor do Acórdão em comento (Acórdão CSRF/0104.00136, fls. 18): "Nesse tópico, temos que a Lei n° 9.249/95 determinou, textualmente, a não incidência do IRFONTE, e não a isenção, institutos sabidamente distintos, sendo certo, também, que a não incidência nas distribuições futuras em nada se comunica com o direito ao ressarcimento do crédito tributário retido anteriormente, ou seja, o IRFONTE foi recolhido pelas Controladas, nos exatos termos da Lei vigente à época da ocorrência do fato imponível, já nasceu com a natureza restituível compensatória daquele que seria devido em razão de eventual distribuição de dividendos pela Controladora e, portanto ato jurídico perfeito e acabado." (grifas acrescentados) Vale citar, ainda, precedente recente cujo relator ilustre conselheiro Dr. Leonardo Couto do voto condutor da decisão unânime tomada pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento foi favorável ao contribuinte nos seguintes termos (PAF 13603.000836/9817): Nos termos do art. 2°, da Lei n° 9.049/94; o IRRF sobre dividendos recebidos pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real serão considerados como antecipação compensável com o imposto de renda que a beneficiária tiver que recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucro e outros interesses. O intuito do dispositivo foi deixar claro que o ônus do IRRF sobre dividendos não deveria ser a pessoa jurídica tributada pelo lucro real mas os sócios pessoas físicas ou jurídicas não tributadas por esse regime. Claro está, portanto, que a retenção sofrida pela interessada teria caráter de antecipação compensável e não de tributação definitiva. A decisão proferida no processo de consulta 13603.000255/97 11 confirma: [...] Verificase, pela leitura do dispositivo legal acima mencionado, que a sistemática adotada, a partir da Lei n° 9.064/95, para retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre os dividendos recebidos visa alcançar, cm última instância, os sócios pessoas físicas, ou pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real. São estes, afinal, os contribuintes a serem alcançados pela tributação dos lucros distribuídos, e não as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10768.015480/200184 Acórdão n.º 1301003.662 S1C3T1 Fl. 296 13 Quanto à pessoa jurídica tributada pelo lucro real, cabelhe o papel de intermediária, ao sofrer a retenção sobre os dividendos recebidos, compensando o valor do imposto com o que lhe caiba reter, na distribuição de dividendos aos beneficiários, ou seja, os sócios pessoas físicas ou pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro real. [...] Portanto, não é a pessoa jurídica tributada pelo lucro real o contribuinte do imposto de renda retido na fonte sobre os dividendos recebidos pela mesma, mas sim, em última instância, os sócios pessoas físicas ou pessoas jurídicas nay tributadas pelo lucro real. [...] Entretanto, por não ter lucro passível de distribuição em 1995 e pelo fato de lucros apurados a partir de 01/01/96 não mais se sujeitarem à tributação, essa compensação foi impossível. Sendo assim, o valor em questão constituise em crédito para a recorrente e entendo correto o procedimento por ela adotado. A decisão no processo de consulta foi na mesma linha: [...] Em síntese, estamos diante da seguinte situação: a) a legislação, ao determinar que o imposto de fonte incidente sobre rendimentos recebidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real seja compensado com o imposto retido sobre a redistribuição de rendimentos, indica que o ônus do imposto deve ser suportado pelo beneficiário final, ou seja, o sócio pessoa física ou pessoa jurídica não tributada pelo lucro real; b) a não incidência do imposto sobre lucros e dividendos distribuídos, a partir de 01/01/96, introduzida pela Lei no 9.249/95, impossibilita, à pessoa jurídica tributada pelo lucro real que não possui mais lucros distribuíveis sujeitos á tributação, a compensação do imposto de fonte sobre dividendos recebidos; todavia, no caso em exame, tal pessoa jurídica é que arcou com o encargo financeiro deste pagamento; c) os dividendos recebidos não são tributáveis pelo imposto de renda, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real; portanto, o imposto de renda respectivo não é ônus tributário de responsabilidade desta pessoa jurídica; d) em situação análoga, a IN SRF 139/89 determinou que, ocorrendo a impossibilidade de compensação do imposto de renda retido sobre dividendos recebidos , o valor do imposto remanescente poderá ser compensado com o imposto de renda incidente sobre o lucro real da pessoa jurídica; Enfim, solvida a problemática imposta pelo artigo 10 da Lei n° 9.249/95, no caso presente evidenciase, sobremaneira, o direito creditório do contribuinte. Porquanto, como relatado, em junho/96 este recebeu dividendos, tributados na fonte, distribuídos por pessoa jurídica tributada com base no lucro real, por distribuição de resultados apurados no ano calendário de 1995. Fl. 302DF CARF MF 14 Entendo que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconheceu que o IRRF retido na distribuição de dividendos constitui um crédito para o seu beneficiário, que pode e deve ser mantido em sua escrita contábil e fiscal. E este crédito é passível de restituição, ou, quando menos, de compensação com o tributo devido na distribuição de outros interesses da empresa a seus sócios, inclusive os juros pagos sobre o capital próprio, como reconheceu o próprio Parecer Conclusivo n.° 179/07, proferido pela DIORT (fl.183) "Considerando, então, a legislação acima, verificase que o imposto retido na fonte sobre dividendos recebidos poderá ser compensado quando houver distribuição de lucros, dividendos, bonificações inclusive juros sobre o capital próprio." Assim, diversamente do afirmado pelo r.Acórdão recorrido, a não distribuição dos lucros apurados pela Recorrente não tornou definitiva a retenção do IRRF sobre os dividendos de que fora beneficiária. Isto porque a Lei não impõe qualquer limitação adicional para o aproveitamento do crédito em tela, a não ser o fato de que este crédito deva ser compensado com o tributo devido na subseqüente distribuição de outros interesses da empresa, inclusive os juros remuneratórios de o capital próprio. Por fim, vale mencionar que o direito não nasce do preenchimento de simples formulário. No caso dos presentes autos o contribuinte tão somente utilizou a formalidade prescrita pela SRF para reconhecimento do direito creditório/compensatório, advindo de expresso comento legal. A formalidade documental, entretanto não lhe invalida o pleito. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar de cerceamento de defesa e violação ao devido processo legal para no mérito DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001515/2008-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 31/05/2005, 31/05/2006, 31/07/2006
GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.
É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decreto-lei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988.
Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilita-se a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado.
Numero da decisão: 9202-007.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decretolei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilitase a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 15 /2 00 8- 94 Fl. 229DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2201003.896 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 13 de setembro de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 172: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, 31/05/2005, 31/05/2006, 31/07/2006 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. Se a legislação tributária previa isenção para a alienação de participação societária em função do tempo de permanência das ações em propriedade do contribuinte, isenção esta sem prazo certo, mas o contribuinte as alienou após a revogação do benefício, a operação realizada não está acobertada pelo favor legal, já que não há direito adquirido a regime jurídico. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO LÍQUIDO EM RENDA VARIÁVEL. APURAÇÃO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA. Na apuração do ganho líquido auferido na alienação de ações em operações realizadas em bolsa de valores, é ônus do contribuinte a comprovação do seu custo de aquisição. Para tanto, não é suficiente a alegação de que os valores utilizados como custo vinham sendo historicamente declarados na DIRPF do interessado. Interposto o Recurso Especial pelo Contribuinte, fls. 186 a 191, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 215 a 219, para rediscutir a decisão recorrida no tocante ao direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei n.º 1.510/1976. Em seu recurso, aduz o Contribuinte, em síntese, que: a) a norma prevista no art. 4º da DecretoLei 1.510/76 concede isenção de imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária; Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13005.001515/200894 Acórdão n.º 9202007.449 CSRFT2 Fl. 3 3 b) temse que a isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei; c) em que pese a isenção prevista no DL 1510/76 tenha sido revogada pela Lei 7.713/88 e as alienações tenham ocorrido no ano de 2007, a totalidade das ações alienadas já entregavam o patrimônio do contribuinte há muito tempo, desde o final da década de 1970, já havendo transcorrido com folga o período de cinco anos que ensejava o direito à isenção do imposto de renda destas ações; d) fazem provas as declarações de renda dos anos de 1984, 1985, 1986 e 1987, bem como os demonstrativos de pagamento de dividendos dos mesmos anos das empresas Gerdau, Refinaria Ipiranga, Souza Cruz e Banco da Amazônia, o que provam que as ações contemplam o período de isenção que a lei concede; f) requer o integral provimento ao recurso. Intimado, a Fazenda apresentou Contrarrazões, fls. 221 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) não efetivada a alienação, depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, na vigência da lei que outorgou a isenção, caso esta seja revogada, não há que se falar em direito adquirido. b) conforme previsto no art. 178, a isenção pode ser revogada a qualquer tempo, exceto quando for concedida com prazo certo e em função de determinadas condições; c) no caso, não basta que se preencha o requisito de não alienação pelo prazo de 5 anos, pois a alienação teria que ter ocorrido na vigência da lei isentiva, para que a contribuinte tivesse direito à isenção, em razão de publicação de lei revogadora da isenção; d) pugna a Fazenda Nacional pelo desprovimento do recurso do contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia se refere ao direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei n.º 1.510/1976. Fl. 231DF CARF MF 4 Acerca do tema, aplico, na íntegra, o Ato Declaratório PGFN n.º 12, de 25 de junho de 2018, que assim dispõe: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” Desse modo, adquiridas as ações e as bonificações adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, ainda que a alienação tenha ocorrido após a revogação da lei concessiva do direito à isenção. Não obstante os argumentos jurídicos acerca do reconhecimento do direito adquirido à isenção, no presente caso, fazse relevante destacar que não houve comprovação do custo de aquisição das ações alienadas e as respectivas datas, como bem consignou a decisão recorrida: Por outro lado, o ganho líquido é apurado pela diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição dos bens, sendo ônus do contribuinte a comprovação deste último. Não servem a esse propósito as Declarações de IRPF anteriormente apresentadas, pois elas tem cunho declaratório e devem ser suportada pela documentação comprobatória. Quanto a essa matéria, extraise da ementa do Acórdão nº 2101002.551, relatora a Conselheira Nubia Matos Moura, o seguinte excerto: GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. DECADÊNCIA. A comprovação do custo de aquisição deve ser demonstrada quando da alienação do imóvel. No ganho de capital, o instituto da decadência indica o prazo que a autoridade fiscal tem para proceder ao lançamento do imposto incidente sobre o corresponde ganho, não havendo que se falar em prazo decadencial para comprovação do custo de aquisição do imóvel alienado. (...). Temse assim, na hipótese em questão, que o contribuinte não apresentou qualquer documentação que servisse de comprovação para o custo de aquisição das ações alienadas e, ao falar em "não apresentação de documentação", quero significar que não basta anexar documentos ao processo, sendo necessário que o recorrente lhes dê um significado exato para sua defesa. Na verdade, restou confirmada a suposição da fiscalização de que o contribuinte arbitrou, sponte propria, uma valor fixo para cada ação que detinha, sem qualquer razão econômica ou financeira para tanto. Não comprovado o custo de Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13005.001515/200894 Acórdão n.º 9202007.449 CSRFT2 Fl. 4 5 aquisição a não sendo possível sua aferição por um dos meios estabelecidos pela legislação já que não é conhecida a data em que ela ocorreu, atribuise a ele o valor zero, como fez a fiscalização. Compulsandose os autos, observase do Termo de Início da Fiscalização de fls. 42 que o Contribuinte foi intimado especificamente para comprovar o custo de aquisição das ações declaradas, contudo, de acordo com o relato da fiscalização, fls. 60, não houve a devida comprovação, como se extrai dos trechos abaixo transcritos: O contribuinte foi selecionado em virtude de representação encaminhada pela SAORT/DRF/SCS apontando falta de apresentação do demonstrativo de ganhos em renda variável, mesmo após intimação, relativo a alienações de ações verificadas no anocalendário 2005, por ocasião da análise do pedido de restituição formalizado pelo contribuinte. Verificando a relação de bens e direitos de declarações de ajuste de anos anteriores, relativas aos exercícios 2002 e 2003 ~ anos calendário 2001 e 2002 respectivamente, apresentadas por meio de formulário, manuscritas e assinadas pelo contribuinte (fls. 05 e 08 respectivamente) constatouse que ao invés de informar o custo de aquisição das ações o contribuinte informa o número de ações possuídas. Este quantitativo de ações foi transcritos para a relação de bens e direitos da declaração de ajuste 2004 anocalendário 2003 Cfls; l3`),.'entregue por meio eletrônico, transformandose de quantidade para valor monetário e 'assim mantido nas declarações de ajuste dos exercícios 2005, 2006 e 2007 z anos calendário 2004, 2005 e 2006 respectivamente (fls. 19, 25 e 30). Verificouse que o contribuinte efetuou alienação de ações nos anoscalendário 2005 e 2006, conforme informado nas DIRF apresentadas por ltaú Corretora de Valores S/A, com imposto retido (código 5557) incidente sobre operações realizadas em bolsas de valores (fls. 35 a 36). (...). O contribuinte foi intimado por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 37 a 38), de 10/03/2008, a apresentar, em relação a todas as operações realizadas em bolsas de valores e assemelhados, o demonstrativo de apuração de ganhos de renda variável acompanhado da documentação comprobatória dos valores lançados, para averiguação. Também foi intimado acerca da constatação verificada quanto a provável erro de preenchimento da relação de bens e direitos, relativo às ações, pois a informação referirseia não a valor monetário, mas a quantidade de ações. (...). Assim, a comprovação do custo de aquisição das ações bonificadas, correspondente a 93% do valor, não é justificada pelo lapso de tempo e pela continuidade do valor, pois teriam sido adquiridas em 2003 e 2004. Fl. 233DF CARF MF 6 Tanto é assim, que efetivamente é comprovado pelo contribuinte o custo de aquisição das ações bonificadas em 2004, pelo valor de R$ 8.458,68 conforme Extrato de Movimentação de Ações apresentado (fls. 45). Em terceiro lugar, o contribuinte foi intimado a comprovar o custo de aquisição das ações alienadas, o que não o fez. Embora possam ter sido adquiridas há vários anos, o valor constante na relação de bens e direitos deve ser comprovado por meio de documentação hábil e idônea, especialmente no presente caso, quando se trata de evidente erro de transcrição de quantidade para valor, quando o contribuinte deixou de utilizar como meio de entrega o formulário e passou ao meio eletrônico. O caso mais marcante são ações da Refinaria de Petróleo Ipiranga, registradas nos anoscalendário 2001 e 2002 (fls. 05 e O8) por 9.505.200 (quantidade), convertida para R$ 9.505.200,00 e mantida inalterada até a alienação, embora a quantidade de ações tenha sido reduzida pelo evento ocorrido em 03/06/2004 grupamento de ações em que houve a divisão por 1.000 (o detentor das ações receberia novas ações para cada 1.000 anteriormente existentes). Assim, as 9.505.200 ações se transformaram em 9.504 ações durante o anocalendario 2004. Portanto, a informação já não corresponderia mais ao número de ações existentes no final do anocalendário 2004. Desse modo, são desprezados os valores registrados na relação de bens e direitos relativos às ações alienadas, para fins de utilização como custo de aquisição na apuração do ganho, e, na falta de apresentação de documentação comprobatória dos custos, pela não precisão por parte do contribuinte sobre as datas em que as aquisições ocorreram, e pela não comprovação integral dos custos das bonificações, definese o custo das ações alienadas, quando não comprovados, como zero, a teor do disposto no art. 25, § 8°, III da IN SRF n° 25/2001. (...). Além disso, a partir da planilha disposta nas fls. 9 do Relatório Fiscal, observase que apenas houve comprovação do custo de aquisição das ações bonificadas em 2004 (R$ 8.458,68), não havendo comprovação para as demais ações alienadas. Diante desse contexto, entendo pela manutenção da decisão recorrida, em razão da ausência de comprovação dos requisitos previstos no DecretoLei n.º 1.510/1976, pois não restaram demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, razão pela qual não há como averiguar a subsunção do presente caso à norma isentiva referida. Assim, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13005.001515/200894 Acórdão n.º 9202007.449 CSRFT2 Fl. 5 7 Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 36204.000961/2007-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2803-000.017
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator
Nome do relator: Carolina Siqueira Monteiro de Andrade
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-31T20:18:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-31T20:18:17Z; Last-Modified: 2011-03-31T20:18:17Z; dcterms:modified: 2011-03-31T20:18:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:49e79691-d8b3-4ef2-98b9-a6b49781782c; Last-Save-Date: 2011-03-31T20:18:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-31T20:18:17Z; meta:save-date: 2011-03-31T20:18:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-31T20:18:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-31T20:18:17Z; created: 2011-03-31T20:18:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-03-31T20:18:17Z; pdf:charsPerPage: 1460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-31T20:18:17Z | Conteúdo => HELTO S2-TE03 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36204.000961/2007-50 Recurso n° 257.586 Resolução n° 2803-00.017 — 3' Turma Especial Data 03 de dezembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VIGSERV SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA RESOLUÇÃO RESOLVEM os membros da3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. ‘1RAIA DE LIMA — Presidente CAROL Q A/UGU/1400011/10(46 A SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE — Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). RELATÓRIO Trata-se de Pedido de Restituição de supostos créditos relativos a valores pagos no período de 01/2003, 03/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 e 12/2003 a titulo de contribuições previdenciárias por VIGSERV SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. De forma a comprovar o seu direito, a empresa apresentou cópias de GPS, bem como folhas de pagamentos obtidas a partir da base de dados contidos no sistema de dados da previdência. Segundo fundamentação utilizada pela solicitante, a empresa foi fiscalizada durante o período compreendido entre agosto de 2000 a janeiro de 2005, sendo apurados Processo n° 36204.000961/2007-50 82-TE03 ResoInca° n.° 2803-00.017 Fl. 2 diversos débitos consubstanciados nas NFLDs 35.776.463-3, 35.776.464-1, 35.776.466-8, 35.776.465-0. Ao término da ação fiscal, além do levantamento de diferenças devidas, foram observados créditos relativos a contribuições aproveitados, o que foi objeto de informação fiscal (fls. 381), na qual foi inserida planilha com créditos apurados em competências diversas daquelas contidas no pedido de restituição formulado pelo contribuinte. O Serviço de Orientação Tributária, por meio do Parecer 1.528/2007, acolheu o entendimento contido na informação fiscal e reconheceu a improcedência do pedido de restituição dos indébitos (fls. 390/392), conforme se verifica pela ementa abaixo colacionada: "Assunto: Restituição de Contribuição Previdencidria Ementa: O sujeito passivo poderá requerer a restituição se não optar pela compensação dos valores pagos a maior. Dispositivos Legais: Art. 89, caput, da Lei 8.212/91. Solicitação improcedente." 0 parecer em questão foi apontado como fundamento pela Delegada da Receita Federal em Vitória no despacho decisório (fls. 391) que julgou improcedente o pedido de restituição, nos seguintes termos: "DESPACHO DECISÓRIO Tendo em vista o parecer do SEORT, com o qual concordo e aprovo, ACOLHO. a proposição manifestada e DECIDO pela IMPROCEDÊNCIA do direito creditório. Ao SECAT, para adoção dos procedimentos necessários implementação da restituição, devendo ser verificada a existência de situações impeditivas ao pagamento, bem como as normas aplicáveis as compensações de oficio. 77 Contra essa decisão, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo (fls. 395/397), por meio do qual alega, em síntese, que (a) computando-se os valores recolhidos pela empresa, mesmo considerando os abatimentos feitos, permanece um saldo credor; (b) quando do levantamento de débitos, sequer foram mencionados tais créditos, não ocorrendo efetivamente um exame cuidadoso de todos os elementos apresentados; (c) as guias descontadas e que constam nos levantamentos são GPS com código 2100, e os valores das guias recolhidas pela empresa com o código 2631, provenientes de retenção de 11% ultrapassaram os valores deduzidos, existindo saldo credor a favor da empresa; (d) com relação aos débitos levantados de n°35.776.464-8 e 35.776.465-0, nenhum desconto foi considerado ou abatido, não havendo que se falar que os créditos foram considerados; (e) a Instrução Normativa n° 03, de 14/07/2005, quando trata de contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdencidria, prevê, no artigo 197, que a restituição é um procedimento administrativo mediante o qual o sujeito passivo é ressarcido pela SRP de 2 Processo n° 36204.000961/2007-50 82-TE03 Resolução n.° 2803-00.017 Fl. 3 valores recolhidos indevidamente a previdência social, ou a outras entidades e fundos, observado o disposto no art. 202 Não apresentadas as contran -azões. o Relatório. VOTO Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora 0 Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisá-lo. Antes de se adentrar h. análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, faz-se necessário trazer a baila alguns esclarecimentos acerca da competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para analisar o recurso aviado pelo contribuinte contra a decisão que indeferiu o seu pedido de restituição. A Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n°11.941/2009, alterou substancialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, para estabelecer que a Secretaria da Receita Federal do Brasil é o órgão competente para regulamentar os procedimentos de restituição e a compensação de contribuições previdencidrias, nos seguintes termos: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituidas a titulo de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." Essa regulamentação se deu por meio da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, que, além de outras matérias, tratou da restituição e a compensação de quantias recolhidas a titulo de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Especificamente em seu artigo 66, § 2°, o mencionado ato normativo facultou ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferir o seu pedido de restituição, a ser analisada pela Delegacia da Receita de Julgamento (DRJ) de sua circunscrição fiscal. Veja: "Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não-homologação da compensação. § 2" A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja 3 Processo n° 36204.000961/2007-50 S2-TE03 Resoluciio n.° 2803-00.017 Fl. 4 . circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio." No caso dos autos, conforme relatado acima, o contribuinte apresentou recurso administrativo contra o despacho decisório proferido pela Delegada da Receita Federal em Vitória em 23 de abril de 2008, ou seja, antes da alteração legal promovida pelo legislador ordinário. Sendo assim, verifica-se que, a época da interposição do recurso, o órgão competente para a sua análise era o Conselho de Contribuintes, e não a Delegacia da Receita de Julgamento, conforme previsto na Instrução Normativa RFB no 900/2009. Não obstante a alteração do procedimento tenha aplicação imediata, por se tratar de norma processual, a situação foi regulamentada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria n° 49, de 29/04/2009, nos seguintes termos: "Art. 1" Os processos relativos a restituição de contribuições previdencicirias, inclusive as contribuições instituidas a titulo de substituição e de contribuições devidas a terceiros, e de reembolso de salário-família ou salário-maternidade que estejam aguardando Julgamento no âmbito do CARF serão encaminhados, através da unidade local da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição da autoridade que exarou o despacho decisório, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente para o julgamento da mani festacão de inconformidade apresentada. §1" Permanecerão no âmbito do CARF, para julgamento, os recursos que já tenham sido distribuídos para suas câmaras e turmas." Em consulta as informações processuais disponíveis no CARF, verifica-se que a distribuição do presente processo a Terceira Camara da Segunda Seção de Julgamento ocorreu em 1' de março de 2009. Diante disso, aplicar-se-á no caso a disposição legal contida no art. 1°, §1°, da Portaria CARP n° 49/2009, permanecendo o recurso no âmbito do Conselho para seu regular julgamento. Conforme mencionado no relatório, o contribuinte pleiteia a restituição dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição previdencidria no período de , 01/2003, 03/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 e 12/2003. 0 despacho decisório que indeferiu o pedido do ora Recorrente se baseou no entendimento contido na informação fiscal (fls. 381), que concluiu pela existência de créditos a serem restituidos em períodos diversos daqueles pleiteados pelo contribuinte. Ao contrário do que foi alegado pelo contribuinte em seu recurso, a apuração levada a cabo pela autoridade fiscal considerou os valores recolhidos pelo contribuinte sponte própria (GPS - código 2100) e os valores retidos em razão da prestação de serviços (GPS — código 2631). Todavia, a referida apuração foi feita tão somente com relação as competências 08/2000, 10/2000, 02/2001, 03/2001, 05/2001, 06/2001, 03/2002, 11/2002, 02/2003, 04/2003, 05/2003, 06/2003, 07/2003, 11/2003, 04/2004 e 06/2004, como se verifica pelas informações 4 Processo n° 36204.000961/2007-50 S2-TE03 Resolução n.° 2803-00.017 Fl. 5 contidas na planilha apresentada (fls. 381) e no Relatório VNA — Valores não apurados (fls. 382/386). Esse procedimento, por si só, poderia ensejar a interpretação de que a autoridade fiscal não apurou créditos para as competências pleiteadas pelo contribuinte. No entanto, não há nos autos qualquer elemento comprobat6rio dessa conclusão. Pelo contrário. Os documentos acostados aos autos pelo contribuinte parecem demonstrar,d primeira vista, a existência do crédito pleiteado. Contudo, para que não haja dúvidas quanto à existência do direito creditório, faz-se necessário que a autoridade fiscal se manifeste expressamente sobre os valores apurados nas competências pleiteadas, considerando-se os recolhimentos efetuados pelo contribuinte (GPS — código 2100) e as retenções sofridas (GPS — código 2631) também para esse período. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, CONVERTO 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal se manifeste sobre a existência de direito credito nas competências 01/2003, 03/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 e 12/2003, complementando a sua informação fiscal e o Relatório VNA juntado aos autos. Após, comunique-se a autuada para conhecimento e eventual manifestação, se assim entender necessária. g 9,»W/Y) CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE 5
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Numero do processo: 10880.683948/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão daTurma da DRJ/SPO, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dada a impossibilidade de retificação de ofício de inexatidão material verificada no preenchimento da Per/Decomp, desde que esteja pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 83 94 8/ 20 09 -2 9 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.683948/200929 Resolução nº 1401000.601 S1C4T1 Fl. 3 2 A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), visando compensar crédito supostamente decorrente de pagamento efetuado a maior a título de IRPJ, com débitos de COFINS apurados dentro do mesmo ano calendário. O Despacho Decisório não homologou a referida compensação, sob fundamento de que o crédito pleiteado pela Recorrente, por se tratar de estimativa de IRPJ, não poderia ter sido utilizado na compensação tributária. O crédito compensado referese a um pagamento de IRPJ, o qual foi considerado indisponível pela DERAT/SP por tratarse o crédito de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ e uma vez demonstrada a inexistência de vedação legal (Lei n. 9.430/96) para a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, forçoso concluir que a Recorrente teria direito ao crédito integral objeto da DCOMP em questão e, consequentemente, homologação integral da compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Voto. Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401000.600, de 22/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.600): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme esclarece a Recorrente, no ano calendário em discussão, ela teria efetuado o pagamento de IRPJ apurado em um mês daquele ano, contudo, passado algum tempo, verificou que, na verdade, não haveria imposto algum a recolher naquele mês. Ao final do ano, em virtude das retenções sofridas e das antecipações pagas pela Recorrente, restou apurado saldo negativo de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.683948/200929 Resolução nº 1401000.601 S1C4T1 Fl. 4 3 IRPJ, o qual, de acordo com a legislação, poderia ser utilizado na compensação de outros tributos administrados pela RFB. No entanto, quando do preenchimento da DECOMP para a compensação do referido crédito com outros débitos relativos ao período de apuração seguinte, sustenta a ocorrência de erro no qual acabou optando equivocadamente pelo tipo de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IRPJ e procurou demonstrar que esse erro de preenchimento não seria a causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, especialmente pelo princípio da verdade material. Erro esse, que defende a recorrente poderia ser retificado de ofício, pois segundo ela a Declaração de Compensação é o instrumento hábil e suficiente paras a exigência de débitos indevidamente compensados. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caracterizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário em questão (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário discutido restou apurado pela contribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.683948/200929 Resolução nº 1401000.601 S1C4T1 Fl. 5 4 liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido: LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do anocalendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. ACÓRDÃO: 1802002.532 Ademais, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário em questão, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Por tudo que foi exposto, entendo possível afastar o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado e voto no sentido de converter os autos em diligência a fim de que a DRF de origem faça nova apreciação no que se refere ao direito creditório alegado para que se analise se além do pagamento reclamado para compensação havia também saldo negativo do imposto passível de aproveitamento naquele ano calendário. É como voto." Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.683948/200929 Resolução nº 1401000.601 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909874/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmentel)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SEGURADORA. Recorrente BRADESCO SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmentel) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 74 /2 01 1- 42 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de restituição em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A título preliminar, requer a nulidade do ato administrativo em foco, posto que ausente requisito essencial (motivo). Uma vez insuficientes as razões declinadas pela autoridade fiscal, estaria caracterizado o cerceamento ao direito de defesa, conforme art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. No mérito, informa que o recolhimento indevido decorre da declaração da inconstitucionalidade do §1º ao art. 3º da Lei 9.718/1998. A exigência da contribuição, por isso, apenas seria possível com base no faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos. Todavia, foi incluído na base de cálculo da contribuição valores relativos a receitas financeiras. No seu entendimento, o faturamento, base de cálculo da contribuição em tela, não compreenderia, entre outros, receitas financeiras e prêmios de seguros, porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Reclama que, conquanto se entenda que as receitas advindas de prêmios comporiam a base de cálculo das contribuições do manifestante, subsistiriam receitas que teriam composto tal base somente por força do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. Referidas receitas não restariam elencadas no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, ensejando o direito à restituição dos correspondentes montantes. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 034.384, de 29/06/2015, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE SEGUROS. A atividade de seguro promovida pelas operadoras de seguro, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2º e 3º, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 4 3 Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de validade aos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, a nulidade do Despacho Decisório (vício de motivação) e do acórdão recorrido (proferida sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados). No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.415, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.902046/201264, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.415): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. No recurso voluntário, a Recorrente basicamente repete os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Em acréscimo, apenas a nulidade do acórdão recorrido. Antes de ingressar na análise das razões de defesa, cabe destacar que, consoante a própria Recorrente asseverou em sua manifestação de inconformidade, foi incluído, equivocadamente, no valor pleiteado, o montante de R$ 764.195,60, pois estaria sendo Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 5 4 discutido no bojo de uma ação judicial, de modo que, em discussão aqui, resta apenas R$ 1.133.222,04. Posto isso, entendemos assistir razão em parte à Recorrente. Inicialmente, sustenta ter havido, no Despacho Decisório, vício de motivação (sustenta que foi intimada, em 31/01/2012, através da Intimação Deinf/SPO/Diort nº 18), a apresentar documentos e esclarecimentos a respeito do crédito. E que o acórdão recorrido, no entender também nulo, foi proferido sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados em sua defesa. Motivação, como se sabe, é a explicitação dos motivos, de fato e de direito, do ato administrativo. No caso em exame, consistiu na afirmação de que o suposto crédito estava alocado para quitar débito da própria Recorrente, uma vez que não houvera, é evidente, retificação anterior da DCTF correspondente ao período de sua apuração. Nenhum defeito há no Despacho Decisório, não obstante singular o procedimento, uma vez que a repartição já sabia da não retificação da DCTF, daí que, para o entendimento que restou declinado no Despacho Decisório, não era necessária a intimação. Tampouco nulidade no acórdão recorrido há, pois a questão posta em litígio é eminentemente jurídica, de modo que não havia necessidade da análise de documentos. E, com relação aos esclarecimentos prestados pela Recorrente, a Turma não está vinculada à apreciação de todos, notadamente quando as razões adotadas no voto foram suficientes para fundamentála. No mérito, vemos que a Recorrente, uma sociedade seguradora, pretende dar tratamento tributário diverso a receitas oriundas dos prêmios de seguros (prestação paga pelo segurado, para a contratação do seguro, que se efetiva com a emissão da apólice por parte da empresa seguradora), porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 6 5 Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 7 6 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 8 7 MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 9 8 operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 10 9 inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tão somente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, refere se, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 11 10 quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente sustenta que também aufere outras receitas, tais como receitas financeiras e de aluguel de imóveis. Entendemos que, no caso do aluguel de imóveis, como o objeto social da Recorrente não se refere a esta atividade, mas apenas à realização de operações de seguros de danos e pessoas, em qualquer de suas modalidades (ver fl. 15), as receitas daí decorrentes devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, mas não as originadas nas atividades financeiras (decorrentes ou não de provisões técnicas). É que, segundo o Parecer SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, "as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS". Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.909874/201142 Acórdão n.º 3201004.422 S3C2T1 Fl. 12 11 Ainda, conforme o Parecer SUSEP/DITEC/CGASO/DIREF/ Nº 64/2013, do qual destacamos o seguinte excerto: “Neste ponto, no entanto, cabe ressaltar que a operação de seguros caracterizase por apresentar ciclo financeiro negativo. Em outras palavras, a operação securitária tem como característica a captação de recursos, uma vez que, em condições normais, os prêmios são recebidos antes do pagamento de sinistros. Tal característica, inerente à operação, permite que a seguradora aufira receitas financeiras que contribuem significativamente para o seu resultado, o que a assemelha a uma instituição financeira. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válida apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002777/2007-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
RECURSO DA CONTRIBUINTE
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 9202-007.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67 Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 27 77 /2 00 7- 33 Fl. 2259DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2201001.992, proferido pela 1ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata o processo de auto de infração de fls. 1.497/1.507, exigindo R$ 76.511,46 de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, multa de oficio de 150%, fundamentada no art. 44, II, da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora. A autuação referese a: a. Omissão de rendimentos dada a apuração de variação patrimonial a descoberto apurada nos meses de 01 a 04, 08 a 10/2001, 01, 03 a 12/2002, 01 e 02, 04 e 05, 08 a 10 e 12/2003, 01, 02 e 04/2004, autuada em 50% dos valores a descoberto, tendo sido os demais 50% lançados na pessoa do cônjuge Gilberto Buss; base legal nos arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 55, XIII do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); art. 10 da Lei n° 9.887, de 07 de dezembro de 1999; art. 1° da Medida Provisória n°22, de 8 de janeiro de 2002 (convertida na Lei n" 10.451, de 10 de maio de 2002); b. omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel matricula n° 11.442 do Oficio de Registro de Imóveis de Medianeira autuada em 50%, tendo sido os demais 50% lançados na pessoa do cônjuge Gilberto Buss; fatos geradores em 28/02/2001, 30/11/2001 e 31/01/2003; enquadramento legal nos arts. 1° a 3° e §§, 16, 18 a 22 da Lei n" 7.713, de 1988; arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 1990; arts, 7°, 21 e 22 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 17, 23 e §§ da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995 arts. 22 a 24 da Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995; arts. 16, 17 e §§ da Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997; arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR, de 1999. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 1654/1689. A DRJ/SDR, às fls. 1913/1940, votou por acolher a preliminar de decadência relativamente aos ganhos de capital com fatos geradores em 28/02/2001 e 30/11/2001; rejeitar a preliminar de erro na eleição do sujeito passivo na apuração da variação patrimonial a descoberto e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo R$ 67.237,32 de IRPF e multa de oficio de 150%, além dos juros de mora. Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 10907.002777/200733 Acórdão n.º 9202007.443 CSRFT2 Fl. 10 3 O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1947/1995, e manifestouse também às fls. 2061/2065. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2072/2095, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para acolher parcialmente a alegação de decadência, como relação ao anocalendário de 2001, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e afastar a exigência do imposto sobre o ganho de capital. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. É válida a intimação por edital quando restar improfícua tentativa anterior de intimação por qualquer dos outros meios previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que, na hipótese de não haver antecipação do pagamento do imposto de renda o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001, tendo havido antecipação de pagamento, o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2006. Fl. 2261DF CARF MF 4 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital, incorporase ao custo de aquisição de imóvel, os gasto comprovadamente realizados em construção ou reforma. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simples constatação de omissão de informações na declaração de rendimentos não justifica a qualificação da multa de ofício, no caso de apuração de omissão de rendimentos tributáveis, sendo indispensável para tanto a demonstração do evidente intuito de fraude. Preliminares rejeitadas. Decadência parcialmente acolhida. Recurso parcialmente provido. Às fls. 2099/2110, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: IRPF – qualificação da multa de ofício. O v. acórdão ora recorrido desqualificou a multa de ofício. Porém, o acórdão paradigma foi claro, em caso análogo ao presente, referindo se, inclusive à hipótese de lançamento decorrente de presunção legal de omissão de receitas, em face da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de prática reiterada do ilícito tributário. Segundo o entendimento firmado no precedente supra, a conduta reiterada, por si só, já conduz automaticamente ao preenchimento das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, sendo cabível a qualificação da multa. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 2112/2117, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: IRPF – qualificação da multa de ofício. Cientificado à fl. 2125, às fls. 2126/2133, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, alegando omissão e obscuridade contidas no Acórdão 2201 001.992, porém, restaram os Embargos rejeitados às fls. 2144/2148. Às fls. 2134/2139, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, arguindo, preliminarmente, inadmissibilidade do recurso devido à ausência de dissídio jurisprudencial. No mérito fundamentou sobre a insuficiência de elementos para qualificar a multa. À fl. 2151 o Contribuinte foi cientificado do despacho que rejeitou seus Embargos de Declaração, e, às fls. 2154/2166, interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. IRPF dispêndios via cheques e transferências bancárias, computados como aplicação de recursos na apuração de variação patrimonial a descoberto. Segundo o acórdão recorrido, a identificação dos beneficiários dos cheques e das transferências bancárias, relativos a contacorrente conjunta de titularidade da Contribuinte e de seu cônjuge, é suficiente para a consideração dos dispêndios no fluxo financeiro. No acórdão paradigma, entendeuse que o Fisco não comprovou o acréscimo patrimonial da Recorrente, uma vez que não comprovou a titularidade dos débitos considerados como dispêndios, e tampouco identificou as despesas referentes a esses débitos. 2. IRPF Critério de comprovação da materialidade do fato presuntivo. Conforme o acórdão paradigma, a presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimo patrimonial a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 10907.002777/200733 Acórdão n.º 9202007.443 CSRFT2 Fl. 11 5 for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios e valores correspondentes. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 2194/2202, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, considerando que a situação que o Contribuinte diz ter ocorrido e sobre a qual quer estabelecer o alegado dissídio interpretativo não foi confirmada pelo acórdão recorrido para nenhuma das matérias arguídas. O Contribuinte foi cientificado à fl. 2205, interpondo Agravo, às fls. 2206/2210, contra o Despacho que negou provimento ao seu Recurso Especial. À fl. 2221, a Receita Federal apresentou o seguinte Despacho: “Tendo em vista que no Recurso Especial interposto por V. Sa. em 12/02/2016 foi requerida a reforma parcial da decisão e a apresentação em 07/06/2016 de AGRAVO ao Despacho que negou seguimento ao Recurso Especial, fica a contribuinte intimada a apresentar, no prazo de 15 dias do recebimento desta intimação, o valor recorrido”, tendo o Contribuinte sido intimado à fl. 2222. À fl. 2225, o Contribuinte, em resposta à intimação, veio informar que entende não ser possível calcular o valor recorrido, por se tratar de autuação com base em planilha de fluxo de caixa, que implica em mudança dos saldos iniciais e finais mensais que são interligados. Às fls. 2227/2235, a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o Agravo interposto pelo Contribuinte, decidindo por ACOLHER PARCIALMENTE o Agravo e DANDO SEGUIMENTO ao Recurso Especial no tocante à primeira matéria arguida pelo Contribuinte: IRPF dispêndios via cheques e transferências bancárias, computados como aplicação de recursos na apuração de variação patrimonial a descoberto. À fl. 2238, foi dado o seguinte Despacho de Encaminhamento: “Tendo sido exarado Despacho de Admissibilidade de Agravo do Contribuinte (fls. 2227 a 2235) sendo o mesmo acolhido parcialmente, proponho o envio do presente processo ao SECAT DRF Foz para cálculo do valor a ser imediatamente cobrado do contribuinte, por não caber mais recurso administrativo, e o valor que prosseguirá em discussão na Câmara Superior de Recursos Fiscais.”. O Contribuinte foi cientificado da admissibilidade parcial do seu Recurso Especial à fl. 2246. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 2249/2254, arguiu sobre as razões para a manutenção do acórdão recorrido, reiterando os fundamentos já aduzidos anteriormente. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 2263DF CARF MF 6 O Recurso Especial interposto pela Fazenda e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Trata o processo de auto de infração de fls. 1.497/1.507, exigindo R$ 76.511,46 de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, multa de oficio de 150%, fundamentada no art. 44, II, da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora. A autuação refere se a: a. Omissão de rendimentos dada a apuração de variação patrimonial a descoberto apurada nos meses de 01 a 04, 08 a 10/2001, 01, 03 a 12/2002, 01 e 02, 04 e 05, 08 a 10 e 12/2003, 01, 02 e 04/2004, autuada em 50% dos valores a descoberto, tendo sido os demais 50% lançados na pessoa do cônjuge Gilberto Buss; b. Omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel matricula n° 11.442 do Oficio de Registro de Imóveis de Medianeira autuada em 50%, tendo sido os demais 50% lançados na pessoa do cônjuge Gilberto Buss; fatos geradores em 28/02/2001, 30/11/2001 e 31/01/2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Conhecidos ambos os Recursos interpostos, passo a análise do mérito. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF dispêndios via cheques e transferências bancárias, computados como aplicação de recursos na apuração de variação patrimonial a descoberto. A Contribuinte insurgese quanto ao seguinte trecho do acórdão recorrido: A contestação da defesa ao fato de a fiscalização ter considerado como dispêndios valores de Cheques e TED, não merece prosperar. Sobre este ponto, a Fiscalização acatou alguns dos esclarecimentos apresentados durante a fiscalização, e a DRJ acatou parcialmente a alegação da defesa. Resta examinar, pois, os itens restantes. Tratase de pagamentos feitos a pessoas identificadas, por meio de cheques e TED, conforme planilha de fls. 1673. Portanto, são dispêndios realizados pelo Contribuinte e que deve ser considerados no fluxo financeiro. A Recorrente alega que esclarecer detalhadamente o motivo da emissão de cada cheque e também das transferências de recursos, fls 1974 e 1975 e pede a utilização da SÚMULA/CARF N. 67. Não há dúvidas, contudo, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 10907.002777/200733 Acórdão n.º 9202007.443 CSRFT2 Fl. 12 7 quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. Ou seja, não houve falta de prova nos autos, mas sim apresentação de prova considerada suficiente pelos conselheiros da Câmara Ordinária, a quem de fato regimentalmente compete a análise probatória. Ainda em se tratando de Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD havendo estouro de caixa não depende a fiscalização de ir atrás do motivo do estouro de caixa cabendo ao contribuinte o ônus da prova,contudo, não havendo estouro não ha que se falar em presunção, pois não se trata de deposito bancário. Contudo, observo que há nos autos a indicação de origem dos valores, conforme citado, fls 1974 e 1975. Portanto, aplico ao caso a súmula 67/CARF: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, registrados em extratos bancários, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal Desse modo, deve ser excluída a planilha do fluxo financeiro mensal, dos valores lançados com o título Dispêndios Consumidos via cheque e TED's, fls 1673. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Contribuinte para no mérito darlhe provimento quanto a exclusão das planilhas de dispêndios via cheques e transferências bancárias, computados como aplicação de recursos na apuração de variação patrimonial a descoberto. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: IRPF – qualificação da multa de ofício. Todavia o acórdão recorrido enfrentou muito bem a matéria no tocante a existência ou não da fraude, analisando as provas constantes dos autos, afirmando que da análise dos autos do processo, é cristalina a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, unicamente pela alegação de que o contribuinte teria deixado de informar seus rendimentos corretos em vários exercícios seguidos, ou seja reiterada conduta. Contudo, cabe assinalar que multa é um tipo de penalidade. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, temse que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto é, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma Fl. 2265DF CARF MF 8 conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada livremente pelo fisco, pois este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, não logrou êxito em comprovar a inexistência do crédito em favor da Receita Federal. Todavia, tendo havido a imputação do débito e realizada a defesa por parte do contribuinte cabe a autoridade lançadora considerar ou desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova), e desconsiderandoas constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que para o relator a quo, que eu concordo, caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de rendimentos (depósitos bancários não justificados). Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou que não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, deve desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável no anocalendário questionado. Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que preveem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Pensar diferente levaria a ideia de que toda omissão de rendimentos seria caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta “omissão de rendimentos” não caracteriza o intuito de fraudar. E ainda, como bem salientou o acórdão recorrido, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das Declarações de Ajuste Anual, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 10907.002777/200733 Acórdão n.º 9202007.443 CSRFT2 Fl. 13 9 A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. E aqui peço vênia para me utilizar dos exemplos utilizados pelo relator do Acórdão 210201.296, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o qual exemplifica que "não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada, tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, que justifique a imposição de multa qualificada". Isso ocorre por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, e até mesmo desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a exemplo da simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; da classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; da falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da simples glosa de despesas por falta de comprovação ou da falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Assim, tomando como base os dispositivos legais atinentes a fraude fiscal, tenho que salientar que foi escorreito o acórdão recorrido ao citar que seu conceito esta delineado na leitura conjunta da Lei 4.502/64 nos arts 71,72 e 73, Lei 9430/96 em seu artigo 44, e Decreto 3000/99, art. 957. Disso se depreende que juridicamente, entendese por máfé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Fl. 2267DF CARF MF 10 Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. E ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” (grifo nosso) Tomando o art. 112 do CTN como diretriz da aplicação de penalidades tributárias, insta salientar que a aplicação da multa agravada não deve ser tida como regra, mas sim como exceção nos casos de exclusiva comprovação fraude. Portanto, no caso em tela não há nos autos prova de que o contribuinte tenha de fato cometido fraude, o que fica nítido é que omitiu seus rendimentos desrespeitando assim o disposto na Lei que regulamenta o IRPF, e embora tenha ocorrido de forma repetida, considero que a simples reiteração não é suficiente para majoração da multa e esta não tenha se esforçado em apresentar as provas requeridas pela fiscalização. Contudo não tendo sido comprovada a fraude, está correto o enquadramento legal aplicado ao caso pelo acórdão recorrido, devendo, portanto, ser mantido o lançamento de ofício realizado pela Receita Federal com exclusão tão somente da aplicação da multa qualificada, devendo ser reduzida a multa de 150% para 75%, nos termos legais. Observo aqui fato relevante citado pelo Conselheiro relator do acórdão recorrido Examino, por fim, a qualificação da multa de ofício. A contribuinte insurgese contra a multa qualificada, aduzindo que o cônjuge é funcionário público, e cumpre rigorosamente suas obrigações fiscais, porquanto sabedor de suas responsabilidades; que atendeu a todas as exigências de informações requeridas no curso da fiscalização, solicitando Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 10907.002777/200733 Acórdão n.º 9202007.443 CSRFT2 Fl. 14 11 apenas dilações de prazos, considerando préjulgamentos, e contrárias ao principio da impessoalidade as acusações de dificultar os trabalhos de fiscalização e falta de esmero no preenchimento das DIRPF. (...)suprimo aqui citação art. artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.503, de 1964 Pois bem, no presente caso a autoridade lançamento fundamentou a qualificação da multa no fato de que a Contribuinte teria adotado, deliberadamente, procedimentos com vistas a ocultar a identificação, pelo Fisco, de omissão de rendimentos, como a falta de declaração de rendimentos, a omissão na declaração de bens, ou o retardamento de informações de declaração obrigatória. Ocorre que estes fatos, quando apurados em procedimentos de ofício, implicam no próprio lançamento para a exigência do imposto. Não é, portanto, a simples omissão que enseja a qualificação, é a omissão dolosa, e que não pode ser presumida Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2269DF CARF MF
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