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Numero do processo: 10768.901858/2006-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 58 /2 00 6- 79 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 88/92 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901858/200679 Acórdão n.º 3802003.363 S3TE02 Fl. 127 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 124). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 94/114, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901858/200679 Acórdão n.º 3802003.363 S3TE02 Fl. 128 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728364/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Tal isenção não alcança rendimentos recebidos em razão de ação judicial trabalhista, que são rendimentos do trabalho e não proventos de aposentadoria.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
A falta de comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte autoriza a sua glosa.
FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Tal isenção não alcança rendimentos recebidos em razão de ação judicial trabalhista, que são rendimentos do trabalho e não proventos de aposentadoria. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A falta de comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte autoriza a sua glosa. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 64 /2 00 9- 74 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 150 2 JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 151 3 Relatório Contra MOACYR JOÃO DE ALMEIDA BARRETO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 13/19, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2007, exercício 2008, no valor total de R$ 26.785,95, incluindo multa de mora (20%), multa de ofício (75%) e juros de mora, estes últimos calculados até 30/10/2009. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: (i) omissão de rendimentos recebidos do INSS, valor de R$ 7.575,94, (ii) omissão de rendimentos recebidos da Pedreira Carangi Ltda, decorrente de ação judicial trabalhista, no valor de R$ 4.545,22 e (iii) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 30.190,69, referente a fonte pagadora Pedreira Carangi Ltda. Para melhor contextualizar as infrações, transcrevese a seguir Complementação da Descrição dos Fatos, fls. 16, da Notificação de Lançamento: Acordo Judicial Trabalhista processo 02841.1992.002.05.004. Reclamada: Pedreira Carangi Ltda. Termos homologados referente ao exercício 2008, parcelas recebidas em 2007: Rendimentos líquidos: R$ 287.500,00 Percentual dos rendimentos tributáveis conforme parcelas demonstradas no acordo homologado, 43,5% INSS apurado referente ao valor recebido no anocalendário 2007, R$ 10.447,05. Valor Bruto = Líquido recebido (R$ 287.500,00) + INSS (R$ 10.447,05) = R$ 297.947,05. O valor dos rendimentos tributáveis apurados corresponde a 43,5% do valor bruto = R$ 129.606,96. Pagamento de Honorários Advocatícios no valor de R$ 27.500,00, destes 43,5% são dedutíveis, ou seja, R$ 11.962,50. Rendimentos tributáveis a declarar = R$ 129.606,96 – R$ 11.962,50 = R$ 117.664,46. Valor declarado R$ 113.099,24. Valor da omissão R$ 4.545,22. Obs.: O valor do INSS adicionado ao rendimento recebido foi declarado no campo deduções da DIRPF, não implicando em acréscimo de IR a pagar. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 152 4 considerar isentos os rendimentos recebidos do INSS, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 15 24.792, de 15/09/2010, fls. 39/43. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/11/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 46, o contribuinte apresentou, em 09/12/2010, recurso voluntário, fls. 47/55, no qual traz as seguintes alegações: que a obrigação da fonte pagadora de reter e recolher o imposto de renda deriva de fato gerador perfeito e acabado, tratandose, portanto, de verdadeira e legítima substituição tributária. que se a fonte pagadora não efetuou a retenção e o recolhimento a que estava obrigada, deverá o Fisco exigir o recolhimento do imposto de renda, não do contribuinte, mas da própria fonte pagadora. que comprovase, através da sentença judicial, que homologou o acordo trabalhista, que a fonte pagadora reteve o imposto de renda. que a Receita Federal não pode cobrar do contribuinte o imposto de renda, que por determinação judicial está explicitado que é de inteira responsabilidade da fonte pagadora. que é portador de moléstia grave e desta forma isento do desconto do imposto de renda. Conforme Despacho, fls. 148, de 16/03/2012, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 153 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a lide persiste apenas no que se refere à omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no que tange aos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial trabalhista movida pelo contribuinte contra a pessoa jurídica Pedreira Carangi Ltda. Em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2008, anocalendário 2007, o contribuinte, no que se refere à fonte pagadora ofereceu à tributação rendimentos, no valor de R$ 113.099,24 e compensou imposto de retido na fonte, no valor de R$ 30.190,69. Por seu turno, a autoridade fiscal lançou a infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 4.545,22 (diferença apurada, conforme cálculos que constam da Notificação de Lançamento) e glosou integralmente o imposto de renda retido na fonte. No que se refere à infração de omissão de rendimentos, o contribuinte apenas afirma que é portador de moléstia grave. Contudo, conforme já bem explicitado na decisão recorrida, temse que os rendimentos são decorrente do trabalho, não se tratando de proventos de aposentadoria, de modo que não há que se falar em aplicação do disposto no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ou seja, os rendimentos recebidos em decorrência da ação judicial trabalhista são tributáveis, sendo certo, inclusive, que o contribuinte já assim reconheceu, posto que ofereceu à tributação, o valor de R$ 113.099,24. Aqui vale lembrar que o lançamento é apenas da diferença apurada pela autoridade fiscal e sobre tal diferença o contribuinte nada disse em seu recurso. Nessa conformidade, mantémse a infração de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Pedreira Carangi Ltda, no valor de R$ 4.545,22. Já no que se refere à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, o contribuinte afirma, em suma, que se a fonte pagadora não efetuou a retenção e o recolhimento a que estava obrigada, a exigência deveria recair sobre a mesma e que comprovase, através da sentença judicial, que homologou o acordo trabalhista, que a fonte pagadora reteve o imposto de renda. Ao contrário do que afirma a defesa, não existe nos autos prova de que a fonte pagadora tenha feito qualquer retenção de imposto de renda quando dos pagamentos efetuados ao contribuinte. Da Ata de Conciliação , fls. 24, restou assentado na cláusula 5ª, que a executada se comprometia a comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias e do imposto de renda devidos tanto do empregado quanto do empregador, incidentes sobre as parcelas salariais. Todavia, tal cláusula não pode ser tomada como comprovação da efetiva Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 154 6 retenção do imposto na fonte. E mais, consta também nos autos, fls. 25/28, ofício encaminhado pela Justiça do Trabalho à Secretaria da Receita Federal, dando conta de que a fonte pagadora deixou de comprovar o recolhimento do imposto de renda e da contribuição previdenciária. Destaquese que o contribuinte não juntou aos autos comprovantes de pagamentos ou quaisquer outros documentos que demonstrassem que a retenção do imposto de renda tenha sido realizada. Também não procede a alegação da defesa de que se o imposto de renda não foi retido e recolhido a exigência deveria ser dirigida à fonte pagadora. Neste aspecto, vale lembrar que o fato de a fonte pagadora ter deixado de reter o imposto de renda na fonte, não desobriga o contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação, quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, sendo este o entendimento exarado na Súmula CARF nº 12, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Aliás, este foi o procedimento adotado pelo próprio contribuinte: recebeu os rendimentos e os ofereceu, pelo menos em parte, à tributação em sua DAA. Entretanto, compensou imposto de renda que não fora retido, tampouco, recolhido. Logo, correto o procedimento da autoridade fiscal ao imputar ao contribuinte a infração de compensação indevida de imposto na fonte e, via de conseqüência, exigir o tributo com os acréscimos legais cabíveis. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002264/2003-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1998, 30/09/2002
Recurso de ofício
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECONHECIMENTO NO MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO OU REGIME DE CAIXA. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 30, da Medida Provisória nº 1.858-10, de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória nº 1.991-14, de 2000, as variações cambiais serão oferecidas a tributação quando da liquidação da correspondente operação, vigorando a regra do regime de caixa, sendo que apenas por opção da pessoa jurídica essas variações poderão ser consideradas segundo o regime de competência. Tendo o sujeito passivo optado expressamente pelo regime de caixa, deve ser cancelado o lançamento tributário que constitui crédito sobre receitas mediante a aplicação do regime de competência.
COFINS. RECEITAS. EXCLUSÕES. CANCELAMENTO E DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. POSSIBILIDADE.
Os valores referentes aos cancelamentos e devoluções de vendas e ao IPI destacado em notas fiscais separadas relativo a tais cancelamentos e devoluções, comprovados através de registros no Livro Razão do sujeito passivo, são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, devendo ser cancelado o lançamento que impõe exigência glosando referidas exclusões.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA.
Padece de nulidade por cerceamento do direito de ampla defesa, o lançamento tributário que deixa de identificar com clareza e precisão a matéria tributável que dá suporte à acusação da ocorrência do fato gerador, ferindo-se direitos do contribuinte e garantias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal.
Preliminar acolhida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso Voluntário para anular o lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Luciano Martins Ogawa, OAB 195564 e, pela Fazenda Nacional, a Procuradora Luciana Ferreira Gomes Silva.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1998, 30/09/2002 Recurso de ofício VARIAÇÃO CAMBIAL. RECONHECIMENTO NO MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO OU REGIME DE CAIXA. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 30, da Medida Provisória nº 1.858-10, de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória nº 1.991-14, de 2000, as variações cambiais serão oferecidas a tributação quando da liquidação da correspondente operação, vigorando a regra do regime de caixa, sendo que apenas por opção da pessoa jurídica essas variações poderão ser consideradas segundo o regime de competência. Tendo o sujeito passivo optado expressamente pelo regime de caixa, deve ser cancelado o lançamento tributário que constitui crédito sobre receitas mediante a aplicação do regime de competência. COFINS. RECEITAS. EXCLUSÕES. CANCELAMENTO E DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. POSSIBILIDADE. Os valores referentes aos cancelamentos e devoluções de vendas e ao IPI destacado em notas fiscais separadas relativo a tais cancelamentos e devoluções, comprovados através de registros no Livro Razão do sujeito passivo, são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, devendo ser cancelado o lançamento que impõe exigência glosando referidas exclusões. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Padece de nulidade por cerceamento do direito de ampla defesa, o lançamento tributário que deixa de identificar com clareza e precisão a matéria tributável que dá suporte à acusação da ocorrência do fato gerador, ferindo-se direitos do contribuinte e garantias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal. Preliminar acolhida. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.057 1 1.056 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002264/200378 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402002.356 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente ALGAR TELECOM LESTE S/A E DRJ RIO DE JANEIRO II Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1998, 30/09/2002 Recurso de ofício VARIAÇÃO CAMBIAL. RECONHECIMENTO NO MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO OU REGIME DE CAIXA. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 30, da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória nº 1.99114, de 2000, as variações cambiais serão oferecidas a tributação quando da liquidação da correspondente operação, vigorando a regra do regime de caixa, sendo que apenas por opção da pessoa jurídica essas variações poderão ser consideradas segundo o regime de competência. Tendo o sujeito passivo optado expressamente pelo regime de caixa, deve ser cancelado o lançamento tributário que constitui crédito sobre receitas mediante a aplicação do regime de competência. COFINS. RECEITAS. EXCLUSÕES. CANCELAMENTO E DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. POSSIBILIDADE. Os valores referentes aos cancelamentos e devoluções de vendas e ao IPI destacado em notas fiscais separadas relativo a tais cancelamentos e devoluções, comprovados através de registros no Livro Razão do sujeito passivo, são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, devendo ser cancelado o lançamento que impõe exigência glosando referidas exclusões. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Padece de nulidade por cerceamento do direito de ampla defesa, o lançamento tributário que deixa de identificar com clareza e precisão a matéria tributável que dá suporte à acusação da ocorrência do fato gerador, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 64 /2 00 3- 78 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 ferindose direitos do contribuinte e garantias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal. Preliminar acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso Voluntário para anular o lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Luciano Martins Ogawa, OAB 195564 e, pela Fazenda Nacional, a Procuradora Luciana Ferreira Gomes Silva. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.058 3 Relatório Versam os autos de lançamento de ofício lavrado a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor consolidado e originário de R$ 37.401.430,31 (trinta e sete milhões, quatrocentos e um mil, quatrocentos e trinta reais e trinta e um centavos), sendo R$ 17.541.551,41 a título de principal, R$ 6.703.715,48 referente aos juros de mora, e R$ 13.156.163,42 a título de multa proporcional (75%), relativamente ao período de 31/12/1998 a 30/09/2002. A descrição dos fatos e enquadramento legal constante do auto de infração (folhas 14 do processo – numeração eletrônica) dá conta de que a autuação se deu em razão de diferenças apuradas entre o valor declarado e os valores escriturados pelo contribuinte, relativamente à COFINS. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 24/09/2003, o sujeito passivo apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 138 e ss. – numeração eletrônica, cujos argumentos, por bem sintetizados pelo julgador em 1ª Instância (DRJ/RJOII), merecem ser transcritos: a) há vícios observados na instituição e execução do Mandado de Procedimento Fiscal que, por si, já demandariam a declaração de nulidade do lançamento. Primeiramente, o MPF F, emitido em 10/09/2002, e cientificado à impugnante em 18/09/2002, deveria ter sido executado até o dia 08/01/2003, ou seja, 120 dias depois de emitido, o que não ocorreu. b) Além de não ter sido concluído tampouco foi prorrogado com ciência do contribuinte, dentro do mesmo prazo. Ademais, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, jamais foi entregue pela fiscalização à impugnante. Houve sim, a emissão do MPF Complementar, com indicação de data de emissão de 26/12/2002, prorrogando a fiscalização para até 07/02/2003. Porém, esse MPFC somente foi levado ao conhecimento da impugnante no dia 14/01/2003, isto é, 6 dias após o prazo máximo de validade do MPFF; c) Se o MPFC carece de validade, e o MPFF não teve seu prazo prorrogado validamente, tampouco foi emitido novo MPFF, então todos os atos praticados pelas autoridades fiscais, a partir de 08/01/2003, também carecem de validade, ou seja, são nulos; d) Além disto, consta que o único tributo que seria objeto da fiscalização seria o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. No Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 MPFC emitido em 26/12/2002, que tentou, sem sucesso, prorrogar o prazo do procedimento, também não havia menção expressa de que a revisão alcançaria outros tributos ou contribuições. Considerando tal fato, não poderia o Agente Fiscal proceder à fiscalização da Cofins, pois de acordo com o § 1º do artigo 7° da Portaria n° 3.007, de 2001, o MPFF deverá indicar expressamente o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado; e) Por tais motivos, todos os atos praticados pela fiscalização são nulos, sendo nulo o auto de infração consequente de tal procedimento. Não obstante, também no mérito não caberia tal autuação, pelos seguintes motivos; f) Deduz que parte das divergências encontradas pela fiscalização devese a dedução das tarifas de interconexão. Assevera que com o advento do artigo 3°, §2° da Lei n° 9.718/98, os valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos para outra pessoa jurídica poderiam ser excluídos da receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Tal regra alcançou inúmeras pessoas jurídicas, dentre elas a impugnante, cuja atividade operacional exige a contabilização de receitas de terceiros em suas demonstrações financeiras, seja por questões comerciais, seja por questões regulatórias, receitas estas posteriormente transferidas aos seus efetivos titulares. g) Considerando tais definições e a sistemática sob a qual está obrigada a atuar, tendo em vista as regras estabelecidas pela ANATEL, ao excluir, das bases de cálculo da COFINS, as tarifas de interconexão ou tarifas de uso realizadas no período de fevereiro de 1999 até maio de 2000, a impugnante nada mais fez do que obedecer ao disposto no inciso II do § 2° do artigo 3° da Lei 9.718/98, que autorizava a exclusão da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins dos valores que, embora computados como receita, fossem transferidos para outras pessoas jurídicas. Ou seja, a impugnante apenas cumpriu uma determinação legal existente e vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. h) Deduz, ainda, que parte das divergências encontradas pela fiscalização devese ao fato de ela ter reconhecido, para fins fiscais, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações, em função da taxa de câmbio, pelo regime de caixa, enquanto que a fiscalização aparentemente adotou o regime de competência. Para amparar sua alegação, transcreveu, o disposto no artigo 30 da MP 2.15835, de 24/08/2001 (reedição da MP 1.99112, de 14/12/99). i) Tal item corresponde a aproximadamente 90% do valor da autuação. Já a suposta dedução das tarifas de interconexão representa, aproximadamente, 5% do valor total da autuação. Para os demais 5%, não foi possível identificar ou pressupor causa(s) plausível (plausíveis), devido à ausência de explicitação no auto de infração. j) ainda no que diz respeito à utilização do regime de caixa aduz que com relação ao anocalendário de 1999, os contratos que Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.059 5 geraram o registro de variação cambial ativa em contas de resultado somente foram liquidados a partir do anocalendário de 2001. Portanto, também não caberia a autuação pretendida pela fiscalização, pois caso a impugnante tivesse efetivamente recolhido a Cofins sobre os valores correspondentes aos citados registros de variação cambial, teria o direito a créditos que poderiam ser utilizados a partir do anocalendário de 2000, conforme disposto no artigo 31 da MP n° 1.85810 e reedições (atual MP n° 2.15835); k) assim, como não houve qualquer realização de variação monetária, no citado anocalendário todo e qualquer pagamento que eventualmente tivesse sido efetuado tornarseia excedente, isto é, teria se transformado em crédito para ser utilizado em períodos de apuração subsequentes. 1) As diferenças apuradas para o anocalendário de 1998 decorreram de o Agente Fiscal haver computado em seus cálculos os valores lançados a crédito nas contas de receitas de vendas, ignorando todos os valores lançados a débito nas mesmas contas; m) Ocorreu que, no anocalendário de 1998, alguns valores relativos ao cancelamento de vendas de aparelhos, acessórios e habilitação foram registrados na contabilidade — Livro Razão — a débito das correspondentes contas de receita, ao invés de terem sido registrados nas contas cancelamento de vendas; n) Tal fato pode ser facilmente constatado, ao se examinarem os citados registros no Livro Razão da impugnante, para o mês de dezembro do anocalendário de 1998. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A fim de formular sua convicção para julgar o lançamento em questão, a DRJ solicitou três diligências a serem cumpridas pelo fiscal (sendo a última reiterando a intenção das anteriores), com o seguinte objetivo: a) esclarecesse se a contribuinte agiu na forma prescrita pelo art. 30 da MP 2.15835 (reedição da MP 1.99112); b) em caso afirmativo, informasse se existe algum motivo para que os valores de variação cambial não tenham sido considerados apenas quando da liquidação da correspondente operação; c) e caso não houvesse motivo para isto, solicitei que fosse elaborado um novo demonstrativo de apuração de débito, levandose em conta o prescrito no artigo acima citado; d) Analise as planilhas apresentadas na impugnação de fls. 132/155 e se manifeste sobre elas, verificando se os registros contábeis da contribuinte as amparam; Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 Em resposta aos esclarecimentos solicitados pela DRJ, o Auditor Fiscal da Receita Federal afirmou o seguinte: a) Pela análise dos Livros de Apuração do Lucro Real — LALUR de fs 1, 2, 3 e 4, verificase que, no ano de 1999, não houve qualquer ajuste relacionado ao regime de caixa para variação cambial, até porque a legislação não o permitia. Em relação aos demais anos, a contribuinte efetuou sempre adições ao lucro líquido relativas à variação cambial passiva não realizada e exclusões referentes à variação cambial ativa não realizada. Vale observar que, conforme art. 30, da MP n° 2.158 35/2001, a opção pelo regime de caixa deve ser realizada para todos os tributos e contribuições, valendo por todo o ano calendário; b) Não. c) A resposta aos itens c e d fica prejudicada, uma vez que a empresa autuada ajuizou Ação Ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofms pela Lei n° 9.718/98, que recebeu o n° 2005.34.00.0168245. S. M. J., o sujeito passivo está questionando judicialmente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo. Conforme disposição expressa no art. 38, parágrafo Único, da Lei n° 6.830/80 e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso interposto. Importa observar que o Supremo Tribunal Federal já se posicionou em casos semelhantes pela inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS imposta pelo art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718/98, conforme acórdãos proferidos nos autos dos RE nos 346084/PR, 357950/RS, 358273/RS e 390840/MG. Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, bem como ao resultado das Diligências solicitadas, a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro, proferiu o Acórdão de nº. 13 15.032, julgando procedente em parte o lançamento tributário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/1998 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.060 7 de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e a dispositivo da Lei n° 2.354, de 1954 e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. DEVER DE PROVAR. Compete à Fiscalização o dever de comprovar a ocorrência do fato jurídico tributário, indicando as circunstâncias em que este se verificou, e como determinou a matéria tributável e apurou o montante devido. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Por expressa disposição do Decreto n° 70.235/72, na impugnação do lançamento o contribuinte deve apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE CAIXA. A partir de 01 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS segundo o regime de caixa ou, à opção do contribuinte, segundo o regime de competência. O regime de apuração da variação cambial (caixa ou competência) deve ser aplicado igualmente ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS em todo o Anocalendário. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. CUSTOS. INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. Não podem ser deduzidos os custos de utilização, pela prestadora do serviço, de rede de telecomunicações de terceiros. Dispositivos Legais: Lei n° 9.718/1998, arts. 2° e 3º; AD SRF n° 56/2000. BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. Os valores registrados como vendas canceladas, dentre os quais se incluem as devoluções de vendas, bem como o IPI destacado em separado em documento fiscal, podem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 8 Lançamento Procedente em Parte A DRJ/RJOII afastou a alegação de nulidade do lançamento em face de vícios apontados no trâmite do MPF. Em relação ao mérito, a DRJ exonerou parcialmente os lançamentos realizados nos anos de 2000 e 2002 relativamente às receitas de variação cambial reconhecidas pelo contribuinte pelo regime de caixa, conforme planilha de fls. 670 – numeração eletrônica, bem como excluiu da base de cálculo da COFINS os valores registrados como devolução de vendas e IPI nas contas de Habilitação, Acessórios e Aparelho móvel celular, conforme planilha de fls. 675 – numeração eletrônica. DO RECURSO DE OFÍCIO Diante do resultado do julgamento que exonerou o sujeito passivo do pagamento do tributo em valor superior à alçada estipulada no art. 2° da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 375, de 07.12.2001 e de acordo o art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 06.03.1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10.12.1997, houve recurso de ofício por parte da DRJ/RJOII. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de 1ª instância em 17/08/2007, conforme documento de fls. 679 – numeração eletrônica, e não concordando com os termos em que foi proferida a mencionada decisão, o sujeito passivo apresentou, em 17/09/2007, Recurso Voluntário à este Conselho. O recurso de fls. 720 a 743 – numeração eletrônica dos autos, traz, em resumo, os seguintes argumentos da Recorrente: è Preliminarmente: · A nulidade da autuação em face da não comprovação da inexatidão cometida pelo contribuinte, nos termos do artigo 149 CTN, V c/c o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, o que, por sua vez, impossibilitou ao contribuinte de promover a sua defesa tendo em vista que não conseguiu identificar os fatos que motivaram o lançamento; è Meritoriamente: · A exclusão de todos os valores decorrentes da apuração de variação monetária pelo regime de competência no período de 2001 a 2002, sendo que acusa o fiscal de ter inserido valores em linha incorreta, pois acresceu à base de cálculo da COFINS montantes a título de variação cambial apurados segundo o regime de competência; · O reconhecimento do direito previsto no artigo 31 da MP nº 2.158 35/2001, a fim de que se lhe autorize ter excluído da base de cálculo da COFINS as receitas provenientes de variação monetária ativa, apuradas pelo regime de competência, diferidas para o momento da liquidação (regime de caixa); Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.061 9 · Que os valores correspondentes aos montantes repassados pela contribuinte às demais operadoras a título de interconexão, pela prestação de serviços que essas operadoras exerceram em suas áreas de concessão, não podem ser configurados como receitas para efeito de tributação da COFINS; · A base de cálculo do PIS e da COFINS deve ser limitada às receitas próprias decorrentes das vendas de mercadorias e de serviços, vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98; · Que na verdade a contribuinte recolheu no período valores superiores ao que efetivamente seria devido, devendo não só ser cancelado o débito como reconhecido o direito de crédito do contribuinte. DA DILIGÊNCIA Às fls.778 – numeração eletrônica, foi expedida intimação nº 2551/2011, em decorrência da Resolução nº 3402000.2008, da 2ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, na qual o relator Júlio César Alves Ramos determinou que o sujeito passivo esclarecesse se possui medida judicial relativa aos créditos tributários objetos do presente processo administrativo. Cientificado da Intimação acima mencionada em 05/10/2011, conforme Termo de Ciência e Recebimento de Intimação de fls. 813 – numeração eletrônica, o contribuinte, em 03/11/2011, acostou aos autos todas as peças processuais da ação ordinária n° 2005.34.00.0168245 na qual o TRF da 1ª Região, manteve a sentença que reconheceu a inconstitucionalidade do “alargamento” da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pela Lei nº 9.718/98. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 06 (seis) Volumes, numerado até a folha 1052 (mil e cinquenta e duas – numeração eletrônica – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 10 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Versam os autos de Recursos de Ofício e Voluntário, de modo que passo a abordagem separadamente de cada insurgência. I. Recurso de Ofício Considerando que os valores exonerados superaram ao montante de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), conheço do recurso de ofício. Analisando a decisão da DRJ/RJOII, constatase que foram excluídos do lançamento os valores relativos à tributação de receitas provenientes de variação cambial ativa dos anos de 2000 e 2002, por ter o contribuinte adotado o regime de caixa para tais períodos, assim como foram excluídos da base de cálculo da COFINS, os valores relativos a cancelamentos e devoluções de vendas de aparelhos, acessórios e habilitações, e respectivos valores de IPI, pelo que passo a apreciar cada item separadamente. I.a. Reconhecimento da variação cambial pelo regime de caixa: No que diz respeito à exoneração do lançamento sobre as receitas provenientes da variação cambial ativa, reputo inteiramente acertada e coerente a fundamentação lançada pela própria decisão recorrida, razão pela qual peço vênia para transcrever o trecho abaixo: Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. Em relação às variações cambiais, contudo, essa regra foi alterada com a edição da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória 1.99114, de 11 de fevereiro de 2000, nos seguintes termos: “Art 30. A partir de 10 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1° À opção da pessoa jurídica as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no parágrafo anterior aplicarseá a todo o anocalendário. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.062 11 § 3º No caso de alteração do critério e reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subsequente, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos das contribuições serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal." (Atual MP 2.15835/2001). A partir de janeiro de 2000, portanto, por determinação legal, a regra foi alterada apenas em relação às variações monetárias em função da taxa de câmbio. A norma supra transcrita preconizou a apropriação das referidas receitas pelo regime de caixa, facultando à pessoa jurídica o direito de optar pelo regime de competência na determinação do imposto de renda (IRPJ), da contribuição social (CSLL), do PIS e da Cofins. De acordo com o art. 30, §§ 1° e 2°, da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, matriz legal do art. 13 do Decreto n.° 4.524/2002 (Regulamento do PIS e da Cofins), essa opção prevalecerá para todos os tributos e contribuições e para todo o ano calendário. Nos termos do § 3° do art. 30 da Medida Provisória n.° 2.158 35/2001, a Secretaria da Receita Federal estabeleceu nas Instruções Normativas n.° 247, de 21 de novembro de 2002, e n.° 345, de 28 de julho de 2003, as normas a serem observadas pelos contribuintes em caso de alteração do critério e reconhecimento das variações monetárias. No presente caso, a impugnante contestou a utilização do regime de competência nos cálculos da fiscalização. Sustentou a defendente que, nos períodos de apuração autuados, nos anos de 2000, 2001 e 2002, contabilizou as variações cambiais pelo regime de caixa para fins de apuração do PIS e da Cofins. Em consulta às declarações de rendimentos entregues pela contribuinte – DIPJ referentes aos anoscalendários 2001, 2002 e 2003 (fls. 306/359), verificase que a opção pelo regime de caixa encontrase evidenciada. Ademais, o cumprimento, ainda que parcial, da diligência comprovou a alegação da impugnante. Portanto, o lançamento referente aos anos de 2000 e 2002 deve ser parcialmente exonerado. Como bem pontuou a decisão reexaminada, a autoridade autuante equivocou se em considerar as variações cambiais ativas pela aplicação do regime de competência, quando, pelo teor do art. 30, da MP nº 1.85810/99, houvera alteração da regra geral para que referidos resultados fossem reconhecidos apenas quando de sua liquidação, ou seja, pelo regime de caixa, sendo essa a opção feita pelo sujeito passivo. A DRJ, portanto, nada mais fez do que aplicar a legislação ao caso em concreto, restabelecendo o direito do sujeito passivo em diferir o momento da incidência da tributação sobre referidas receitas financeiras, não havendo o que retocar quanto a essa conclusão. I.b. Cancelamento de vendas: Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 12 No que tange aos valores referentes à cancelamento e devoluções de vendas de aparelhos, acessórios e habilitação constantes na cópia do Livro Razão apresentada junto à impugnação de fls. 386/391 – numeração eletrônica, tenho que novamente acertou a DRJ/RJO II em excluir da base cálculo da Cofins os valores registrados como devolução de vendas nas contas “Habilitação” (41121611), “Acessórios” (41211) e “Aparelho móvel celular” (41212), assim como o IPI destacado separadamente nas respectivas notas fiscais. E isto porque, segundo preceitua o inciso I, do §2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, referidos eventos são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, possuindo o sujeito passivo o direito a tal exclusão, in verbis: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;” Desta forma, embora num primeiro momento a fiscalização não tenha identificado, por equívocos nos lançamentos do próprio sujeito passivo, que haviam tais exclusões de sua receita bruta, que posteriormente vieram a ser devidamente comprovados com a juntada das cópias do Livro Razão, inclusive mediante realização de diligência, resta acertada a decisão que permite que referida exclusão de receita seja efetivada pelo sujeito passivo, pois que igualmente é um direito emanado da Lei. Com efeito, deve se mantido o cancelamento da exigência no tocante aos cancelamentos e devoluções de vendas e do IPI, conforme os próprios fundamentos da decisão reexaminada. I.c. Conclusão Consequentemente, entendo que andou corretamente a DRJ/RJOII, e, pelos próprios fundamentos por ela ostentados para afastar da base de cálculo do lançamento as referidas receitas, entendo que igualmente deve ser mantida a decisão proferida pela regional. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. II. Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de tempestividade de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Versam os autos de lançamento de ofício relativo à COFINS, fundamentado em supostas diferenças apuradas entre o valor declarado e os valores escriturados pelo contribuinte, relativamente a contribuição exigida, sendo que após decisão da DRJ/RJOII, que Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.063 13 cancelou parcialmente a exigência, insurgese a Recorrente contra a parte mantida da exigência pleiteando seu cancelamento integral por entender, em apertada síntese, que, em preliminar, [01] haveria nulidade na autuação fiscal; e, no mérito, [02] que seria detentora do direito de aplicar o regime de caixa também para os anos calendários de 1999 e 2001, mantidos pela decisão “a quo”; [03] bem como que é detentora de decisão judicial, ratificadora do pacífico entendimento do STF, que sustenta ser inconstitucional o “alargamento” das bases de cálculo da COFINS promovido pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo que deverseia, além de cancelar a exigência [04], reconhecer crédito em seu favor; [05], e, finalmente, que quanto às receitas de “interconexão”, por não se tratarem de receitas suas, não poderiam compor a autuação. Restaram preclusas matérias constantes da impugnação, que, improcedentes após a decisão da DRJ, não foram objeto de irresignação pelo Recurso Voluntário. Apesar de focalizados todos os pontos que restaram controvertidos nos autos, vejo que a apreciação da preliminar suscitada é prejudicial à análise de quaisquer outros aspectos de mérito trazidos no Recurso Voluntário, uma vez que entendo que deva a mesma ser acolhida, como passo a expor. Da leitura do relatório antes transcrito, bem como de uma mais delongada análise dos autos, tornouse possível verificar que apesar de muitos esforços, o lançamento discutido no processo restou, inegavelmente, obscuro no que tange à materialidade dos fatos geradores. Tendo falhado a Autoridade Lançadora na determinação da matéria tributável e na comprovação da ocorrência dos fatos geradores apontados, acabou por comprometer o integral e amplo direito de defesa do contribuinte e ainda, incidiu em desobediência ao preceito pelo qual a atividade de lançamento é vinculada à lei, conforme dispõe o art. 142, do CTN. Vejase: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifouse) Desnecessário trazer a interpretação que se extrai da leitura do dispositivo legal acima, pois a questão é mansa e não demanda controvérsias no ordenamento jurídico: descumpridos os requisitos legais previstos no dispositivo transcrito, nulo é o lançamento, por ofensa a inúmeros direitos e garantias do contribuinte, como os da segurança jurídica, direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como aos princípios que abarcam e garantem a solidez do Processo Administrativo Fiscal, sob pena de se comprometer sua exequibilidade. Desta feita, após a infrutífera e inaugural 1ª diligência, ou seja, já na 2ª Diligência determinada no processo, da lavra do Presidente da 4ª Turma da DRJ/RJOII, Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 14 Marcos Soares da Mota e Silva às fls. 632641 (numeração eletrônica) dos autos, restou bem clara a afirmação de que faltaram provas para a efetivação do lançamento sob análise, especificamente quanto a determinação da matéria tributável e da ocorrência do fato gerador, justificando então a realização da 3ª diligência pela imprescindibilidade da Delegacia de Julgamento bem compreender o lançamento, na medida em que sua justificativa estava voltada em “adotar todas as ações possíveis e previstas em lei de forma a trazer a lume o pleno conhecimento do objeto do procedimento.” Data maxima venia, ao meu ver, o arrazoado da referida Autoridade Julgadora sobre as falhas na instrução probatória da pretensão creditória da Autoridade Fiscal no ato de lançamento, já é, de per si, suficiente para denotar a inobservância da Lei, não sendo apenas justificadores da realização de uma diligência, mas sim, da decretação da nulidade do lançamento ventilado. Observo ainda que “trazer a lume o pleno conhecimento do objeto do procedimento” (salientase, apenas após realização de diligência determinada pela Delegacia de Julgamento), é demonstrar que este objeto não foi claramente delimitado no lançamento efetuado e consequentemente que o direito de defesa do contribuinte já em primeira instância foi cerceado, pois a então “Impugnante” teve que apresentar suas razões de defesa sem o pleno conhecimento dos fatos (determinação da matéria tributável) sobre os quais deveria defender se, ofendendo também assim o duplo grau de jurisdição, garantido pela Carta Magna. Neste sentido, e em vários outros aspectos do processo, como a determinação ainda de uma 3ª diligência e da falta de documentos que demonstrassem as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização, ainda como, a adoção, pela DRJ, da planilha de cálculo trazida pela própria Recorrente para tentar “encontrar” parte das diferenças que demonstrariam possivelmente/presumivelmente 95% das matérias tributáveis, são a demonstração cabal de que nestes autos não foram observadas todas as formalidades legais, comprometendo, conforme já mencionado acima, o ato administrativo de lançamento, tornandoo nulo, por cerceamento do direito a ampla defesa. Extraise da decisão de piso as conclusões do Ilustre Relator da DRJ: Passo a analisar o mérito e inicio por registrar que no caso em tela, os únicos elementos apresentados nos autos que indicam as bases de cálculo utilizadas no auto de infração são as planilhas de fls. 18/35 e as planilhas intituladas Demonstração de Resultados — ATL de fls. 39/128; tendo sido as primeiras elaboradas pelo fiscal autuante e quanto às últimas não há indicação de que tenham sido elaboradas pela impugnante ou de que tenham a sua anuência. Assim, pelo menos em princípio, não se pode afirmar, com absoluta certeza, que os valores insertos nas planilhas de fls. 18/35 sejam realmente os valores devidos pela impugnante. O simples preenchimento dos citados demonstrativos, sem que tenham sido trazidos aos autos elementos documentais, ou mesmo demonstrativos que, sem qualquer dúvida, tenham sido preenchidos pela própria impugnante, reconhecendo os valores ali constantes, não nos permite atestar a sua veracidade. Por conseguinte, à mingua de instrução primária que desse os contornos materiais que levaram a fiscalização a encontrar os valores lançados, faziase imprescindível a realização da Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.064 15 diligência fiscal no domicílio do contribuinte, até para que se pudesse contrapor os valores trazidos pela impugnante em sua impugnação de fls. 132/155. Por três vezes o processo foi baixado em diligência. Ainda assim, ela foi apenas parcialmente realizada, tendo o fiscal que cumpriu a diligência se manifestado diante dos questionamentos na forma já descrita no relatório, que transcrevo novamente abaixo, juntamente com a pergunta, por uma questão didática: a) esclarecer se a contribuinte agiu na forma prescrita pelo art. 30 da MP 1.99112; Pela análise dos Livros de Apuração do Lucro Real — LALUR de n° I, 2, 3 e 4, verificase que, no ano de 1999, não houve qualquer ajuste relacionado ao regime de caixa para variação cambial, até porque a legislação não o permitia. Em relação aos demais anos, a contribuinte efetuou sempre adições ao lucro líquido relativas à variação cambial passiva não realizada e exclusões referentes à variação cambial ativa não realizada. Vale observar que, conforme art. 30, da MP n° 2.15835/2001, a opção pelo regime de caixa deve ser realizada para todos os tributos e contribuições, valendo por todo o anocalendário; b) em caso afirmativo, informar se existe algum motivo para que os valores de variação cambial não tenham sido considerados apenas quando da liquidação da correspondente operação; Não; c) caso não houvesse motivo para isto, elaborar um novo demonstrativo de apuração de débito, levandose em conta o prescrito no artigo acima citado; d) Analisar as planilhas apresentadas na impugnação de fls. 132/155 e se manifestar sobre elas, verificando se os registros contábeis da contribuinte as amparam; A resposta aos itens c e d fica prejudicada, uma vez que a empresa autuada ajuizou ação ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n°9.718/98, que recebeu o n°2005.34.00.0168245. S.MJ., o sujeito passivo está questionando judicialmente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo. Conforme disposição expressa no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso interposto. Importa observar que o Supremo Tribunal Federal já se posicionou em casos semelhantes pela inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cotins imposta pelo art. 30, § 1°, da Lei n° 9.718/98, conforme acórdãos proferidos Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 16 nos autos dos RE n° 346084/PR, 357950/RS, 358273/RS e 390840/MG. Sendo assim, despiciendo que se proceda a análise de toda a documentação trazida aos autos dos processos administrativos em epígrafe. De imediato verificase que com o cumprimento, ainda que parcial, da diligência ficou consignado que: a) a impugnante agiu na forma prescrita pelo art. 30 da MP 1.99112, ou seja, utilizouse do regime de caixa para contabilizar as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações, em função da taxa de câmbio, conforme permitido pela legislação tributária e, b) não existe qualquer motivo para que os valores de variação cambial não tenham sido considerados apenas quando da liquidação da correspondente operação. Quanto à resposta aos itens c e d entendeu o fiscal que esta estaria prejudicada, devido à empresa autuada ter ajuizado ação ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n° 9.718/98 (2005.34.00.0168245), de forma que o sujeito passivo estaria questionando judicialmente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo e, que conforme disposição expressa no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importaria a desistência do recurso interposto. Sobre esta última assertiva cabe registrar, primeiramente, que não foi juntada aos autos qualquer peça da referida ação, sendo sequer informado o seu andamento e em qual vara ela teria sido ajuizada. Por tal motivo fica impossível confirmar se a matéria questionada judicialmente é exatamente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo. Mas de qualquer forma, levandose em conta a afirmação do fiscal de que a impugnante ajuizou ação ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n° 9.718/98, há que se considerar que a questão da opção pelo regime de caixa para contabilizar as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações, em função da taxa de câmbio, não será discutida na esfera judicial. Destarte, a não apreciação deste fato na esfera administrativa acarretaria o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, uma vez que tal questão não seria apreciada nem em âmbito judicial nem em âmbito administrativo, sendo que, segundo afirmação do impugnante, este item corresponde a aproximadamente 90% do valor da autuação. (grifouse) Como se vê, a DRJ já reconheceu que o procedimento de Fiscalização não deixou extreme de dúvidas a integral materialidade dos fatos geradores que foram objeto do lançamento tributário. Porém, ainda assim, acabou por superar esta realidade, pois que estaria demonstrado que o lançamento estaria abrangido na aplicação do regime de caixa para as variações cambiais, em cerca de 90%, sem, no entanto, elucidar qual a origem dos demais 10%. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.065 17 No entanto, diferentemente do entendimento da decisão de piso, tenho que não é porque o contribuinte conseguiu “entender” 90% das diferenças que possivelmente (presunção que partiu do contribuinte, e foi aceita pelo órgão julgador como verdadeiro, em prol do julgamento da causa), estejam materialmente abarcadas no lançamento, que tenha lhe sido dado condições de entender 100% do lançamento, ou que tenha lhe sido oportunizado o AMPLO e INTEGRAL direito de defesa. Era necessário que a autoridade fiscal deveria ter identificado exaustivamente a materialidade dos fatos tributados, na dicção do art. 142, do CTN, já transcrito. Devemos relembrar que estamos diante de um lançamento de ofício, em que o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito do Poder Público ao crédito tributário dele objeto, compete à Administração, É a decorrência da máxima da processualística em geral, pela qual compete ao autor a prova do fato constitutivo de seu direito, enquanto que ao réu, cabe o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor, de modo a lhe desconstituir o direito contra o qual resiste. É o que se colhe do art. 333, II, do CPC. Vejamos: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” O que se constata, no caso em análise, é que a autuação fiscal partiu de indícios da suposta existência de diferenças entre os valores declarados e os pagos, na realidade deixou a Administração de exaurir a prova da materialidade dos fatos geradores mediante atos de investigação ou auditoria fiscal, de modo que acabou por produzir um lançamento calcado em indícios desprovidos de integral demonstração, o que, por se tratar de Auto de Infração, certamente que lhe competiria. Discorrendo sobre o ônus da prova em sede fiscal, PAULO CELSO BERGSTROM BONILHA, em sua obra “Da Prova no Processo Administrativo Tributário” (Ed. LTR, 1992, p. 93), assim explicita: De fato, com a obra de Gian Antonio Micheli, os efeitos processuais da presunção de legitimidade dos atos administrativos foram devidamente equacionados, evidenciando se a imprestabilidade dos argumentos que o invocaram para justificar a exoneração da prova da administração. Eis a lição do grande mestre peninsular: Não pode ser, ao reverso, invocada a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 18 dúvida’. Como bem salientou o saudoso e ilustre professor que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma ‘relevatio ab onere agendi’ e não uma ‘relevatio ab onere probandi’, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas este atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” – grifouse. Aplicando tais ensinamentos ao caso concreto, verificase que se a Fiscalização, gozando da prerrogativa de acessar os documentos e registros societários, contábeis e fiscais do contribuinte, cujos indícios de divergência entre os valores declarados e os pagos suscitariam possível ocorrência de falta de recolhimento de tributo, deveria ter instaurado procedimento de efetiva fiscalização, para então se comprovar, com todos os meios em Direito admitidos, a existência dos pressupostos que poderiam conduzir a conclusão da existência de tributo sem recolhimento e, então, aí sim, constituir validamente o crédito tributário em favor do Poder Público. Se assim não agiu, deixando de cumprir o ônus da prova que lhe incumbe, tornou o lançamento tributário improcedente, pois que desprovido de suporte fático, lastreado em elementos que pudessem atestar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou mesmo, a conduta tipo da imposição da penalidade tributária. E não de forma diferente a jurisprudência deste Conselho acompanha este entendimento, merecendo sejam trazidos precedentes em mesmo sentido, a fim de ilustrar que em casos similares o caminho tem sido o de acolher a nulidade do ato de lançamento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Esses requisitos são importantes para a defesa do sujeito passivo da relação obrigacional tributária que lhe foi imputada pelo Fisco, não bastando a simples menção de que a empresa não requereu a sua isenção (imunidade) ao INSS. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.066 19 Recurso Voluntário Provido.” (ACÓRDÃO 2402003.657 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF – 2ª Seção – 4ª Cam./2ª Turma. Data de decisão: 24/09/2013) – grifouse. Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônus dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, o que não aconteceu. LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a empreitada integral (empreitada total) consignada no contrato de prestação de serviço. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.” (ACÓRDÃO 2301003.561 CARF – 2ª Seção – 3ª Câm./ 1ª Turma. Data de decisão: 13/01/2014) – grifouse. Além disso, mutatis mutandis, pertinente trazer o entendimento que foi consolidado pelo 1º Conselho Federal de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, atualmente consolidados no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos seguintes julgados: “PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 20 A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de ‘recursos’ e ‘aplicações’, consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. DECLARAR a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.” (1° Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Acórdão º 106 11.750). “VICIO FORMAL – NULIDADE – INEXISTÊNCIA. Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação.” (1º Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Acórdão º 10807.556). Assim sendo, à míngua de prova cabal e integral da materialidade da matéria tributável, entendo que o lançamento acabou por cercear o amplo direito de defesa do contribuinte, e, consequentemente, incidiu em nulidade material insanável, razão pela qual deve ser cancelado e que seja exonerada a exigência fiscal nele veiculada. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, especificamente para acolher a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, cancelando o crédito tributário. III. Conclusão: Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento tributário por vício material, nos termos do que acima foi exposto. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.067 21 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
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Numero do processo: 13807.010353/2002-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.504
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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AGRO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 10 35 3/ 20 02 -5 4 Fl. 3140DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, não homologando o encontro de contas assinalados nas declarações de compensação. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: Tratase, originalmente, de pedido de restituição protocolado em 03/09/2002 ao fundamento de “RETENÇÃO DE IMPOSTO SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, SUPERIOR AO VALOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA ANO BASE 1999”, isso no importe de R$ 1.071.482,49 (fl. 03 autos digitalizados). Seguiramse, também desde 03/09/2002, seguidos pedidos de compensação e declarações de compensação (já sob a égide Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002), bem que a anotação de pleito compensatório também no corpo de DCTFs pertinentes ao 4º trimestre/2001, 1º e 2º trimestres/2002, todos contrapostos ao alegado direito creditório (fls. 05/07, 449/453, 579/625, 1787/1907 dos autos digitalizados). (D’ora em diante, a menos que se diga o contrário, a referência a folhas dos autos sempre será feita tendose em conta a numeração estampada pelo processo de digitalização a que submetido ditos autos). Posto o pleito sob consideração, a DRF de origem decidiu (fls. 382/384): Da análise da documentação apresentada, verificou‐se que os valores retidos sobre aplicações financeiras (fls. 30/38) estão devidamente comprovados, conforme extrato SIEF/DIRF de fls. 231, e que as receitas oferecidas à tributação foram compatíveis com o IRRF deduzido. (Ficha 07A fls. 228). Porém, analisando‐se a Ficha 13A (fls. 230), constatou‐ se que foi apurado valores devidos por estimativa, que não foram efetivamente recolhidos (extratos SINAL08 fls. 232/233), e sim compensados com o IRRF, conforme demonstrativo enviado pela interessada (fls. 235/236). Por esta razão, o valor devido por estimativa deverá ser deduzido do valor retido na Fonte. O saldo credor corretamente apurado na Ficha 13A, portanto, é o a seguir demonstrado: [...] Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 4 3 Do saldo credor acima demonstrado, deverá ser deduzido o valor de R$ 122.005,70, referente à compensação de parte do IR devido por estimativa em jan/00 (AC posterior), conforme Ficha 11 (fls. 238) e demonstrativo de fls. 237. [...] Assim sendo, proponho o reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional a A C AGRO MERCANTIL LTDA., CNPJ n° 60.704.863/000171, no valor de R$ 184.206,87 (Cento e oitenta e quatro mil, duzentos e seis reais e oitenta e sete centavos), referentes ao saldo credor de IRPJ apurado no ano calendário de 1999, sobre o qual incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos dos artigos 51 e 52 da IN/SRF n° 460/04. [...] No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54 de 10.10.2001, DEFIRO PARCIALMENTE o Pedido de Restituição constante do presente processo e, em conseqüência, RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a A C AGRO MERCANTIL LTDA., CNPJ n° 60.704.863/000171, no valor de R$ 184.206,87 (Cento e oitenta e quatro mil, duzentos e seis reais e oitenta e sete centavos), calculado para 31.12.99 sobre os quais deverão ser acrescidos os juros SELIC, nos termos dos artigos 51 e 52 da IN/SRF n° 460/04 e, HOMOLOGO as compensações declaradas no presente processo até o limite desse valor, ressaltandose que deverá também ser deduzida do saldo credor ora reconhecido a compensação declarada pelo interessado às fls. 237 (extrato IRPJ fls. 238). Tal decisório, porém, em função de nova documentação colacionada pela Interessado (fls. 499/552), foi cancelado pela autoridade de origem e em benefício dos termos seguintes (fls. 557/559; destaques do original): O presente processo retornou a esta Equipe, conforme despacho da ECRER desta DIORT (fls. 277), para que fosse verificada uma possível retificação do Despacho Decisório de fls. 246/248, com base nos documentos apresentados pelo interessado às fls. 250/276. Da análise da referida documentação, constatouse que os Informes Bancários apresentados às fls. Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 5 4 264/273 totalizam R$ 1.806.415,49, que estão devidamente justificados através do extrato SIEF/DIRF de fls. 278. Conforme já mencionado no despacho anterior, os valores declarados como devidos por estimativa (F13A/16) foram deduzidos do IRRF. Desta forma, o saldo credor corretamente apurado na Ficha 13A (fls. 230), é o a seguir demonstrado: [...] Do saldo credor acima demonstrado, deverá ser deduzido o valor de R$ 122.005,70, referente à compensação de parte do IR devido por estimativa em jan/00 (AC posterior), conforme Ficha 11 (fls. 238) e demonstrativo de fls. 237. Assim sendo, proponho o reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional a A C AGRO MERCANTIL LTDA., CNPJ n° 60.704.863/000171, no valor de R$ 919.139,87 (Novecentos e dezenove mil, cento e trinta e nove reais e oitenta e sete centavos), referentes ao saldo credor de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, sobre o qual incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos dos artigos 51 e 52 da IN/SRF no 460/04. Em decorrência do exposto, proponho o encaminhamento do presente à ECRER/DIORT/DERATSP para as providências de sua alçada, e, conseqüentemente, o CANCELAMENTO DO DESPACHO ANTERIOR, de fls. 246/248. [...] No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54 de 10.10.2001, DEFIRO PARCIALMENTE o Pedido de Restituição constante do presente processo e, em conseqüência, RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a A C AGRO MERCANTIL LTDA., CNPJ n° 60.704.863/000171, no valor de R$ 919.139,87 (Novecentos e dezenove mil, cento e trinta e nove reais e oitenta e sete centavos), calculado para 31.12.99 sobre o qual deverão ser acrescidos os juros SELIC, nos termos dos artigos 51 e 52 da IN/SRF n° 460/04, e HOMOLOGO as compensações declaradas no presente processo até Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 6 5 o limite desse valor, ressaltandose que deverá também ser deduzida do saldo credor ora reconhecido a compensação de R$ 122.005,70 declarada pelo interessado às fls. 237 (extrato IRPJ fls. 238). Encaminhese à ECRER desta DIORT para verificação da suficiência dos valores a serem compensados em relação ao crédito ora reconhecido e demais providências de sua alçada, ressaltandose que o crédito anteriormente reconhecido, através do Despacho Decisório de fls. 246/248 deverá ser desconsiderado. Implementadas as compensações referidas em 09/11/2005 (fls. 753/761), concluiuse pela insuficiência do direito creditório requerido e reconhecido nestes autos. Disto, a partir da sobra de direito creditório então deferido nos autos sob nº 13804.004033/9993, continuouse com a implementação do presente pleito compensatório em 18/01/2006 (fls. 761/763). Ainda assim, remanesceram débitos em aberto (fl. 655), com o que foi emitida a carta cobrança de fl. 653, disso cientificado o Interessado em 13/02/2006 (fl. 654). Esses últimos valores foram, então, recolhidos em 24/02/2006 (fls. 747/753). A partir dessa justa data, isto é, 24/02/2006, e até 15/03/2010, vem de transmitir o Contribuinte uma série de declarações de compensação, para o que aponta, a título de origem de seu direito creditório, o que processado nos autos à mão, sob nº 13807.010353/200254 (fls. 787/981, 989/1387, 1395/1481). Às fls. 1497/1505 segue despacho da DRF de origem que, sobre as declarações de compensação antes referidas, isto é, aquelas colacionadas às fls. 787/981, 989/1387, 1395/1481, transmitidas entre 24/02/2006 e 15/03/2010, assim dispõe: 1. O contribuinte acima identificado, através de seu representante legal, por meio do requerimento de fls. 01, na data de 03/09/2002, solicitou a restituição de IRRF no montante de R$ 1.071.482,49, incidentes sobre aplicações no decorrer do anocalendário de 1999, para compensação com débitos próprios informados no processo. 2. O direito creditório foi analisado em 24/01/2005 e, conforme consta do Despacho Decisório às fls. 246 a 249, o crédito pleiteado foi apenas parcialmente reconhecido, mais exatamente foi reconhecido um crédito no montante de R$ Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 7 6 184.206,87 para emprego nas compensações solicitadas. 3. Em data posterior, o contribuinte apresentou documentos que não puderam se antecipar ao Despacho Decisório, mas que eram merecedores de análise, razão pela qual foi produzida uma retificação do Despacho Decisório (vide fls. 279 a 280), no qual foi então reconhecido um crédito de R$ 919.139,87 do qual deverseia deduzir a importância de R$ 122.005,70, que representa uma compensação declarada pelo contribuinte às fls. 927. 4. Desta forma, o saldo remanescente representou a quantia de R$ 800.063,45, conforme demonstrativo do SAPO produzido em 03/11/2005 às fls. 313 a 315. Como esse valor não foi contestado, o processo seguiu seu rito e foram levantados os débitos (fls. 316 a 325), contudo, foi verificado que o valor do crédito era insuficiente. A Carta Cobrança n° 338, às fls. 326/327 informa os débitos ainda em aberto. Entretanto, observouse que alguns dos pagamentos realizados pelo contribuinte foram informados com erros pela entidade bancária que foi intimada a corrigir os valores dos DARFs (fls. 355), realizadas essas correções (fls. 356 a 361), foram homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. 5. Conforme se observa no Extrato de Encerramento do processo às fls. 363 a 381, todo o crédito foi absorvido nas compensações solicitadas, sendo que outros débitos ficaram desatendidos, motivo pelo qual foi necessário recorrer a uma parcela de crédito confirmado no processo número 13804.004.033/9983, conforme se observa às fls. 380. 6. Desta forma, verificase que todo crédito possível apurado neste processo já foi exaurido em compensações, fato verificável no extrato do Sincor às fls. 742, por conseguinte, proponho que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS as compensações informadas nos Per/Dcomps de números: [seguese uma lista de declarações de compensação transmitidas entre 24/02/2006 e 15/03/2010]. Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 8 7 7. Resumindo, em decorrência do exposto, concluímos que o contribuinte NÃO DISPÕE de créditos decorrentes de saldo credor de Imposto de Renda relativo ao anocalendário de 1999. 8. Assim, proponho a V.Sa. a não homologação das Declarações de Compensação informadas na tabela anexa ao item 6 deste Despacho Decisório. [...] No uso da competência delegada pela Portaira DERAT/SP – nº 413/2009, NÃO RECONHEÇO o direito creditório contra a Fazenda Nacional de A. C. AGRO MERCANTIL Ltda., CNPJ nº 60.704.863/000171. Em conseqüência NÃO HOMOLOGO as compensações informadas na tabela anexa ao item 6 deste Despacho Decisório. [...] A partir da ciência deste despacho fica o contribuinte intimado a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, facultada a apresentação de Manifestação de Inconformidade no prazo referido. Caso não haja pagamento nem apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo acima, os débitos serão encaminhados à PFN, para inscrição em Divida Ativa da União, conforme artigo 17 da Lei n° 10.833/03. Disto, então, tomou ciência o Contribuinte em 14/07/2010 (fl. 1517), face ao que colacionou a respectiva Manifestação de Inconformidade em 13/08/2010 (fls. 1529/1577). Alega: 1 No âmbito do tanto quanto que lhe fora até então deferido no corpo dos presentes autos (digase melhor, até antes em que colacionadas, a partir de 24/02/2006, as declarações de compensação de fls. 787/981, 989/1387, 1395/1481, como listadas às fls.1483/1485, referidas pelo despacho recorrido de fls. 1497/1505 e mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1567/1573), quer o Interessado reconsiderar especialmente a extinção por compensação de débitos de sua responsabilidade e pertinentes à Contribuição ao PIS e à Cofins, isso para os períodos de apuração compreendidos entre e inclusive 09/2001 a 09/2002. Ocorreria que, quando do cálculo de referidos débitos, fizera incluir em suas bases de cálculo “receitas financeiras e Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 9 8 variações ativas” (destaques do original), variantes estas que não se compreenderiam no conceito de receita bruta e/ou faturamento, conforme veio de firmar o Supremo Tribunal Federal quando decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. 2 – Com isso, no momento em que lhe é reconhecido por hígido seu direito creditório conta a Fazenda Pública Federal e, na sequência, se implementam as compensações pleiteadas, haveria um equívoco: terseia gasto mais crédito – dele, Contribuinte – do que o necessário, certo que os débitos de Contribuição ao PIS e de Cofins, excluído o efeito do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não se apresentariam na monta que originalmente indicados nos pedidos de compensação, declarações de compensação, e respectivas DCTFs. (Para maior clareza, tenha se em mira que as compensações de que se trata são aquelas indicadas às fls. 05, 615/625, originalmente postas em pedido de compensação e declaração de compensação, ali compreendidos os débitos de Contribuição ao PIS e Cofins dos períodos de apuração de 09/2001 a 11/2001 e de 07/2002 a 09/2002, bem que aquelas outras consignadas às fls. 1845, 1851, 1871, 1873, 1875, 1877, 1879, 1881, 1897, 1899, 1901, 1903, 1905, 1907, assim reveladas no corpo das DCTFs referentes ao 4º trimestre/2001, 1º e 2º trimestres/2002, ali compreendidos os débitos de Contribuição ao PIS e Cofins dos períodos de apuração entre 12/2001 a 06/2002. Em tais DCTFs consignamse estes justos autos como origem do alegado direito creditório, o qual, como visto, foi reconhecido ao Contribuinte). 3 Vista, enfim, tal diferença como um ainda sobejante direito creditório a seu favor, fez ele, Contribuinte, transmitir várias declarações de compensação, isso a partir de 24/02/2006 (estão às fls. 787/981, 989/1387, 1395/1481, como listadas às fls.1483/1485, referidas pelo despacho recorrido de fls. 1497/1505 e mencionadas pelo Interessado às fls. 1567/1573). Daí porque compreende que mereceria, sim, ter deferidos seus pleitos nas indigitadas declarações de compensação. 14. Pois bem. Após a extinção dos débitos de PIS e COFINS referentes ao período de 09/2001 a 09/2002 pela compensação e pagamento acima apontados, a Recorrente notou que esses tributos foram recolhidos a maior, uma vez que a base de cálculo de referidas exações incluiu as receitas financeiras e variações ativas. 15. Nesse sentido, sabendo que o C. Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3 ° da Lei n° 9.718/98 para determinar que a base de cálculo do PIS e da COFINS não incidiria sobre as receitas financeiras e variações monetárias ativas, a Recorrente apresentou novos pedidos de compensação baseados nos valores recolhidos a maior de PIS e COFINS. Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 10 9 16. Assim, sendo detentora do crédito de PIS e COFINS acima, a Recorrente formalizou novas PER/DCOMPs no presente processo administrativo, referentes a fevereiro, março, outubro e novembro de 2006, dezembro de 2008, janeiro, março, abril, maio, junho, julho, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2009 e janeiro, fevereiro e março de 2010, por meio das quais compensou os valores recolhidos a maior a titulo de PIS e COFINS sobre receitas financeiras com outros débitos de sua titularidade. [...] 47. Como visto nos fatos, a Recorrente pagou mediante compensação, que foi homologada pela RFB, os seguintes valores de PIS e COFINS referentes aos anos de 2001 e 2002 no presente processo administrativo: [...] 48. No entanto, a Recorrente pagou a maior referidas exações, uma vez que incluiu na base de cálculo as receitas financeiras e variações monetárias ativas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98 já declarado inconstitucional pelo A. Supremo Tribunal Federal, como amplamente demonstrado acima.“ A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Decidido o pleito em declaração de compensação e disto dado ciência ao Contribuinte, não se admite aproveitar daquele processado para, por via de nova declaração de compensação e de modo indireto, lá pleitear alteração/retificação de aspecto que seja. D’outra ainda, visto tal segundo pleito autonomamente, contra este continuam a correr os prazos preclusivos do direito (na espécie, o prazo decadencial como previsto nos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, c/c art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005), de ordem que não aproveita ao Contribuinte na segunda oportunidade, repitase a situação que lhe ficou assegurada contra o transcurso do prazo decadencial, isso quando do processado compensatório original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 11 10 Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 28/05/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/06/2012, onde fundamenta: “(i) Foram indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS do 3° e 4° trimestres de 2001 e do 1° e 2° trimestres de 2002, as receitas financeiras e as variações cambiais ativas, porquanto declaradas inconstitucionais pelo A. STF; (ii) Em razão da inclusão indevida, as compensações realizadas, a partir de 09/11/2005, para extinção do PIS e da COFINS devidos nesse período (3 0 e 4 0 trimestres de 2001 e do 1° e 2 ° trimestres de 2002), geraram pagamento a maior; (iii) Em virtude desse pagamento a maior, a Recorrente apresentou os PER/DCOMP's para compensação com débitos referentes a fevereiro, março, outubro e novembro de 2006, dezembro de 2008, janeiro, março, abril, maio, junho, julho, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2009 e janeiro, fevereiro e março de 2010.” Ademais elucida sobre: a) a inexistência de decadência do crédito tributário pleiteado; b) da origem do crédito de PIS e Cofins utilizado nas compensações. É o relatório. Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente a Recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ, tendo em vista a retenção de Imposto de Renda na Fonte IRRF sobre as receitas financeiras pagas pelas Instituições Financeiras. Em conseqüência, a Recorrente apresentou Pedido de Restituição desse crédito e Pedido de Compensação com débitos próprios, em especial, débitos de IRRF, ITR, COFINS, CSLL e PIS que deram origem ao presente processo administrativo. Em 02/02/2005, após reconhecimento do crédito de R$ 1.158.313,47, foi proferido despacho que reconheceu a extinção dos débitos pela compensação e apurou que não haveria saldo em aberto, incluindo a compensação no presente processo administrativo. Ressaltase que referidos débitos de PIS e COFINS foram declarados nas DCTF's referentes ao ao 4º trimestre/2001, 1º e 2º trimestres/2002. Ocorre que, após a extinção dos débitos de PIS e COFINS a Recorrente notou que esses tributos foram recolhidos a maior, uma vez que a base de cálculo de referidas exagties incluiu as receitas financeiras e variações ativas. Sendo assim, a compensação homologada que extinguiu créditos de PIS e COFINS referentes ao 4° trimestre de 2001, 1°e 2° trimestres de 2002, originou um pagamento indevido, nascendo NOVA pretensão da Recorrente requerer a compensação ou restituição desse valor pago a maior, nos termos do artigo 168, I do Código Tributário Nacional. Por esse enredo, não há que se falar em utilização de suposto débito fictício para que a ora Recorrente prorrogasse a validade de seu crédito tributário, mas em fatos novos, de repercussão nacional que realmente originaram novo crédito, esse decorrente de pagamento a maior de PIS e COFINS. A Recorrente no entando errou em indicar que estava compensando os créditos de saldo negativo de IRPJ do ano de 1999. Deveria ter sido feita nova PER/DCOMP, onde constassem os créditos de PIS e COFINS do 4° trimestre de 2001, 1° e 2° trimestres de 2002. Entendo contudo que a PER/DCOMP não pode / deve ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 13 12 “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Se houve uma decisão judicial favorável que reduziu o tributo devido, eis que era dotado de inconstutucionalidade, esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado. Com efeito, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse diapasão a matéria em análise diz respeito a crédito de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Conforme prescrito na Portaria nº 256/09, Anexo II, art. 4º, inciso I, a competência para julgamento não é desta, mas da 3ª Seção. “Art. 4º À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços;” Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.010353/200254 Resolução nº 1802000.504 S1TE02 Fl. 14 13 Assim, proponho que seja encaminhado o presente processo para o órgão competente. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14041.000217/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 17 /2 00 9- 94 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.919 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] A) OMISSÃO NO EXAME DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE As peças de insurgência da contribuinte revelam não apenas o pleno conhecimento do teor dos acórdãos prolatados pelo CRPS que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087, denotando a ciência das decisões, mas confirmam a ocorrência da intimação a que se referiu a fiscalização, inclusive trazendo seu teor à colação na peça recursal (CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, em 18 de fevereiro de 2004). O julgamento sobre (i) a comprovação da intimação da contribuinte e (ii) sobre a expedição da carta de intimação deve necessariamente se debruçar sobre as manifestações da própria contribuinte acerca de tais fatos, seja para acatar suas alegações, seja para rejeitálas fundamentadamente. Assim, cumpre que o acórdão embargado seja suprido com manifestação sobre as alegações da contribuinte acerca de sua efetiva intimação. B) OMISSÃO SOBRE O ART. 334, II E III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Com efeito, seja em sede de impugnação ou recurso voluntário, a Embargada nunca arguiu que aquela intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco 18 de fevereiro de 2004 ou mesmo que não havia sido intimada das referidas decisões. De modo inverso, afirmou expressamente que foi intimada. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000217/200994 Acórdão n.º 2402004.133 S2C4T2 Fl. 3 3 A contribuinte nada opôs àquele fato, pois centra sua defesa na tese de que a decadência, na forma do disposto no CTN, art. 173, inciso II, deveria ser contada a partir da prolação dos r. acórdãos do CRPS que anularam o lançamento originário em 31/10/2003. Portanto, a teor do disposto no art. 334 do Código de Processo Civil, a efetiva ocorrência e a data da intimação, por configurarem fatos incontroversos, não dependem de prova, In verbis: (...) C) OMISSÃO QUANTO AO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72 Repisase que a defesa da interessada, no tocante à decadência, baseouse tãosó em questão de direito qual o termo a quo para contagem do prazo decadencial insculpido no art. 173, II, do CTN – restando incontroversas as premissas fáticas sobre as quais se assentou o lançamento. Destarte, por mais este motivo, merecem estes Embargos acolhimento, para que seja suprida omissão do julgamento com a indicação das razões pelas quais deixou o Colegiado de aplicar a previsão do art. 17 da Lei do PAF. D) OMISSÃO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CARTA DE INTIMAÇÃO SOB OS CUIDADOS DA CONTRIBUINTE – VERDADE MATERIAL O órgão Colegiado determinou que fosse promovida diligência para localização do aviso de recebimento relativo à carta por meio da qual fora a contribuinte intimada da decisão que anulou os lançamentos originários. Em virtude da ausência de registros da intimação postal na Delegacia de origem, o Colegiado, a despeito das alegações em sentido contrário por parte da própria contribuinte, julgou que não era possível determinar se transcorrera o prazo decadencial antes da intimação do novo lançamento. Ao assim decidir, o julgado desprezou por completo a carta que se encontra sob os cuidados da contribuinte e foi por ela reproduzida em sua impugnação. Antes de concluir pela impossibilidade de precisar se decorrera o prazo decadencial, caberia examinar o documento reproduzido nos autos, uma vez que referido documento compõe o arcabouço probatório que instrui o presente feito. Poderia, inclusive, chamar a contribuinte a colacionálo ao feito, caso reputasse necessário o exame do documento original para afastar eventuais dúvidas acerca das informações nele veiculadas. Dado que há uma carta, documento oficial, sob os cuidados da contribuinte, que a ela teve acesso após a data de 18 de fevereiro de 2004 (visto ser essa a data de redação da carta), o que basta Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 para conclusão no sentido da inocorrência de decadência, necessariamente dito documento deve ser analisado na apreciação da questão do decurso do prazo decadencial, sob pena de manifesta ofensa ao princípio da verdade material. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000217/200994 Acórdão n.º 2402004.133 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000217/200994 Acórdão n.º 2402004.133 S2C4T2 Fl. 5 7 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000217/200994 Acórdão n.º 2402004.133 S2C4T2 Fl. 6 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16004.001136/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 13 6/ 20 08 -0 1 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.374 S2C4T1 Fl. 633 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.494 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.7854. A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de declarar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com informações incorretas nos campos “FPAS” e “Código de Pagamento”. Apontase que a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados Sao Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas Joao Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãodeobra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.374 S2C4T1 Fl. 634 3 Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía relação com o Grupo Mozaquatro foi o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.374 S2C4T1 Fl. 635 4 Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As exigências relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4. do art. 150 do CTN. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.374 S2C4T1 Fl. 636 5 A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que declarara as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.374 S2C4T1 Fl. 637 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de sobrestamento do feito Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de um outro processo administrativo que sabemos ainda não foi concluído. Tratase do processo n.º 16004.000454/200846, que se refere à discussão acerca da exclusão do sujeito passivo do Simples. Ressaltese que essa questão foi inclusive motivo de declaração de voto no julgamento de primeira instância, onde os julgadores vencidos entenderam pela necessidade de conversão em diligência para verificação do feito relativo à exclusão do Simples. Assim, tendose em conta o caráter de prejudicialidade do mencionado processo de exclusão do Simples frente à lavratura sob apreciação, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente subam para apreciação por esse Colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado do processo em que se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Facultese aos interessados o prazo legal para manifestação acerca do resultado da diligência. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13888.002378/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra t da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.119
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do salário-de-contribuição exposta na letra t do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselam Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra “t” da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra “t” do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselam Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 78 /2 00 8- 17 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 11/06/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 12/06/2008, referente às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado, incidentes sobre valores pagos aos empregados e contribuinte individual (diretor) a título de “Bolsas de Estudo” concedidas a dependentes, nas competências de 01/2004 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 29/36, por força de Convenção Coletiva de Trabalho a autuada concede bolsas de estudo no percentual de 100% do valor da mensalidade/matrícula aos filhos de seus professores e auxiliares de administração, bem como ao filho do diretor da instituição, contabilizando tais despesas como gratuidade. Após impugnação, Acórdão de fls. 236/241, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o legislador ordinário excluiu da saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais; b) que atendeu aos requisitos legais para que averba não integre o saláriodecontribuição; c) que a concessão de bolsas não remunera o trabalhador; d) que a bolsa é concedida aos filhos dos empregados, sendo um benefício assistencial e não ganho do empregado; e) que as bolsas não são habituais, tem caráter transitório, não há contraprestação do trabalho, possuindo natureza eminentemente social; f) que a jurisprudência entende que tal pagamento não integra o saláriodecontribuição; g) que como o auxíliocreche que tem natureza indenizatória, a bolsa de estudos não Serpa recebida pelo trabalhador na sua aposentadoria; h) que a concessão da bolsa de estudos não gera prejuízo ao funcionário, apenas lhe traz benefícios, não podendo ser prejudicada por cumprir as normas estipuladas em convenção coletiva. Requer o provimento do recurso para declarar a insubsistência e improcedência do lançamento. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002378/200817 Acórdão n.º 2302003.119 S2C3T2 Fl. 294 3 É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o lançamento ao fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes de segurados que prestam serviço para a recorrente. A questão de mérito reside no fato de tal benefício integrar ou não a remuneração dos segurados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002378/200817 Acórdão n.º 2302003.119 S2C3T2 Fl. 295 5 b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002378/200817 Acórdão n.º 2302003.119 S2C3T2 Fl. 296 7 u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente à concessão de ensino a dependentes dos segurados empregados e contribuintes individuais, teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 No caso em tela, o oferecimento de ensino aos filhos de funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o ensino de seus dependentes. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de bolsa de estudo possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Quanto ao fato da concessão das bolsas de estudo encontrar respaldo nas Convenções Coletivas de Trabalho firmadas entre a recorrente e seus empregados, isto não tem o condão de eximir a verba da incidência da contribuição previdenciária, instituída por lei. O Código Tributário Nacional é taxativo no seu artigo 123, ao dizer que as convenções e acordo havidos entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Várias ementas em decisões dos Tribunais pátrios referemse ao aludido artigo: “Ementa: .... I. Descabe figurar no pólo ativo da demanda aquele que não tem relação com o Fisco, já que não podem ser a ele impostos ajustes particulares relativos à responsabilidade pelo pagamento de tributos (art. 123 do CTN) ....” (STJ. REsp 374694/ SC. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 03/04/03. DJ de 12/05/03, p. 264.) “Ementa: .... III. As convenções particulares não são oponíveis, como matéria de defesa, na discussão de relação jurídico tributária (CTN, art. 123). ....” (TRF1ª Região. AC 93.01.330237/MG. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 16/12/ 97. DJ de 20/03/98, p. 165.) “Ementa: .... II. As convenções particulares, relativas às responsabilidades pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias respectivas. ....” (TRF 1ª Região. AC 95.01.246922/MG. Rel.: Des. Federal Mário César Ribeiro. 4ª Turma.Decisão: 1º/04/97. DJ de 24/04/97, p. 26.743.) “Ementa: .... II. As convenções particulares não poderão ser levantadas pelo contribuinte inadimplente para se furtar à responsabilidade quanto a pagamentos de tributos contra a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002378/200817 Acórdão n.º 2302003.119 S2C3T2 Fl. 297 9 Fazenda Pública. ....” (TRF5ª Região. AC 2001.05.00.016707 7/CE.Rel.: Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima. 2ª Turma. Decisão: 26/03/02. DJ de 21/03/03, p. 917.) Portanto, ao conceder bolsas de estudo a dependentes de segurados empregados e ao dependente de contribuinte individual, a recorrente sujeitase à incidência contributiva previdenciária sobre a verba fornecida, que não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra”t”, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15586.001369/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales-refeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 69 /2 01 0- 53 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001369/201053 Acórdão n.º 2402004.139 S2C4T2 Fl. 64 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 19/10/2010 em razão da omissão nas folhas de pagamento de rubricas salariais pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, constatados através de escrituração contábil. Tratase de auxílio alimentação in natura sem inscrição no PAT, na modalidade ticketsrefeição. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e da decisão recorrida: Relatório Fiscal: A empresa deixou de lançar nas folhas de pagamento durante o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2006 as remunerações pagas, a titulo de alimentação, aos segurados empregados e contribuintes individuais, a seu serviço, conforme anexos 1 a 12. ... A empresa não se encontrava inscrita no PAT no período do presente lançamento. Pela maneira como se deu o pagamento de tal auxilio, de forma habitual através ticket 's, que propiciam inclusive a aquisição de bens, não há que se falar em caráter "in natura", ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, prevalecendo, ao contrário, a natureza salarial de tais valores, havendo sobre eles a incidência da contribuição previdenciária. Decisão Recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a legislação previdenciária deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA Inexiste bis in idem entre as multas decorrentes do descumprimento da obrigação acessória e do inadimplemento da obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 3.1. houveram diversos autos de infração lavrados em virtude de um mesmo fato gerador, ou seja, AI n°37.302.818O, AI n°37.302.8121, AI n°37.302.8113, AI n° 37.302.8091, AI n°37.302.8105 valores referentes ao ticket alimentação/refeição; 3.2. por conseguinte, denotase que se trata de infração continuada, motivo pelo qual a multa aplicada é única e não calculada em número de incidências. Assim, quando muito, a penalidade deveria ser aplicada uma única vez; 3.3. o fato principal, portanto, foi a falta de recolhimento da contribuição previdencidria sobre o valor pago a titulo de ticket refeição; 3.4. neste ponto se faz necessário trazer A tona o chamado principio da consunção o qual estabelece que a infração maior absorve as menores, estabelecendo que as infraçõesmeio seriam absorvidas pela infraçãofim, garantindo que o cidadão seja repreendido com apenas uma pena pelo ato ilícito que praticou; 3.5. desta forma, requer desde já, caso ao final desta impugnação se entenda que o contribuinte cometeu uma infração, que subsista apenas a principal, em respeito ao principio da consunção; 3.6. alega que a alimentação integrará o salário caso seja fornecida in natura, ou seja, se o empregador fornecer a alimentação em si. E conclui que o entendimento apresentado pelo agente fiscal foi totalmente contrario ao disposto na CLT, vez que o mesmo entendeu que faria parte da remuneração do trabalhador o valor pago a titulo de ticket alimentação uma vez que tal beneficio não tenha sido fornecido em natura; 3.7. além disso não pode esquecer que o beneficio pago a titulo de auxilio refeição é um beneficio para o trabalho, uma vez que visa garantir ao trabalhador uma refeição mais completa, essencial para a boa execução do trabalho; 3.8. também se faz necessário ressaltar que o ticket refeição não serve para a compra de qualquer bem, podem ser usados em restaurantes ou mercados, mas para compras apenas de alimento, possuindo portanto um fim especifico; 3.9. sendo assim, não procede a autuação imposta, uma vez que os valores pagos não integram a remuneração de seus empregados ou prestadores de serviços. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001369/201053 Acórdão n.º 2402004.139 S2C4T2 Fl. 65 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito AuxílioAlimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados empregados in natura pelo fato de que a recorrente não se inscreveu no programa de alimentação do trabalhador – PAT. Sobre esse matéria, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001369/201053 Acórdão n.º 2402004.139 S2C4T2 Fl. 66 7 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". O fornecimento de refeições, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, inclinome à jurisprudência do STJ acolhida pela PGFN para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílioalimentação que não tenha sido oferecido em dinheiro, mas através das modalidades previstas pela legislação, como alimentação in natura e valesrefeição ou congêneres. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19679.011352/2005-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1802-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 13 52 /2 00 5- 69 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.35) que a seguir transcrevo: Por meio do Auto de Infração de fl. 27, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 32.142,57, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do ano calendário de 2001. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3 o e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4o combinado com o artigo 2º da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2o e 5 o da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5º do DL 2124/84 e artigo 7º da MP n° 16/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 19, na qual alega, em síntese, o seguinte: que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. que não há previsão legal para a exigência da multa em tela para fatos ocorridos antes da publicação da Lei n° 10.426 de 24 de abril de 2002. que a multa prevista no artigo 7º da Lei n° 10.426/2002, não respeitou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, implicitamente previstos na Constituição Federal. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (São Paulo/SPO1) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1611.726, de 28 de novembro de 2006, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória – apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.011352/200569 Acórdão n.º 1802002.202 S1TE02 Fl. 3 3 declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 13/12/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 12/01/2008. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação, em que alega (i) a entrega das DCTF's antes de qualquer procedimento da administração pública, (ii) a ausência de previsão legal para a aplicação da multa antes da vigência da Lei n° 10.426/2002, e (iii) a ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e do não confisco implicitamente previstos na Constituição Federal. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário, a fim de que seja cancelado integralmente o auto de infração, ou quanto menos reduzido o valor da multa por seu caráter nitidamente confiscatório. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa aos 04 (quatro) trimestres de 2001, de que trata o Auto de Infração, fl.29, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ R$ 32.142,57. Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 15/5/2001, 15/8/2001, 14/11/2001 e 15/2/2002, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 15/12/2003. A Recorrente argúi que, a entrega da declaração foi espontânea e não ocorreu nenhum ato fiscalizatório relacionado à infração em epígrafe, ou seja, não foi dado inicio a nenhum procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração, sendo assim, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência ou doutrina citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais ou doutrinárias, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto na Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 legislação que rege a matéria não se aplica ao cumprimento das obrigações acessórias (caso dos presentes autos) o instituto da confissão espontânea de infração, a que se refere o art. 138 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, conforme entendimento esboçado na Súmula nº 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Observase ainda, que no Auto de Infração (fl.29), a multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento (50%), salvo no caso de multa mínima, em virtude da entrega espontânea das DCTFs. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Conforme se depreende da descrição dos fatos e da fundamentação legal a infração fiscal capitulada nos artigos 113, parágrafo 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 4º, combinado com art. 2º da Instrução Normativa SRF no. 73/96; art. 6° da Instrução Normativa SRF n°126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF no 118/84, art. 5° do DL 2124/84 e art. 7° da da MP nº. 16/01 convertida na Lei n°10.426, de 24/04/2002, decorre do fato como sendo "A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação referente ao 2º e 3° trimestre de 2001, enseja a aplicação de multa correspondente a R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mêscalendário ou fração. E, em relação ao 1º trimestre a multa mínima de R$ 200,00. A partir do 4° trimestre e para trimestres anteriores, se mais benéfica, enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. A multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima." Tratase de multas fixadas pela falta de entrega tempestiva das DCTF's., tendo as obrigações acessórias de 15/05/2001,15/08/2001, 14/11/2001 e 15/02/2002, sido adimplidas em 15/12/2003, conforme indicado no Auto de Infração. A Recorrente alega que acaso não acolhida a argumentação da denúncia espontânea, a multa relativa ao ano de 2001, há de ser completamente afastada sob pena de ferimento ao princípio da legalidade. Pois, somente a partir da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, foi instituída, por meio de "Lei" (em sentido estrito), a cobrança de multa no caso de falta de entrega de DCTF ou entrega em atraso. Sobre a alegada ofensa ao princípio da legalidade, trazse à colação o seguinte julgado o qual conclui que mesmo antes do advento da Lei nº 10.426 /2002, o dever do contribuinte de prestar informações ao Fisco, bem como a multa em razão de seu atraso ou não apresentação, já estavam previstos em leis anteriores, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 28451 SP 0028451 44.2003.4.03.6100 (TRF3) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.011352/200569 Acórdão n.º 1802002.202 S1TE02 Fl. 4 5 Data de publicação: 07/03/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO RETIDO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. ART. 11 , DL 1.968 /82, COM REDAÇÃO DADA PELO ART. 10 , DL 2.065 /83. VIGÊNCIA SOB A ÉGIDE DA CF/1967 . 1. Agravo retido não conhecido por tratar de matéria idêntica à do recurso de apelação. Ausência de interesse recursal. 2.A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF está inserida dentre as obrigações tributárias acessórias, ou deveres instrumentais tributários, que decorrem da legislação tributária e têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113 , § 2º e 160 , do CTN ). 3.No caso em questão, conforme AIIM nº 120750669, a multa cobrada por atraso na entrega da DCTF teve como fundamento o art. 11 , do DL 1.968 /82, com a redação dada pelo art. 10 , do DL 2.065 /83; art. 30 , da Lei nº 9249 /95; art. 1º, da IN SRF 18/00; art. 7º, da Lei 10.426/02 e art. 5º, da IN SRF 255/02. 4.Mesmo antes do advento da Lei nº 10.426 /2002, o dever do contribuinte de prestar informações ao Fisco, bem como a multa em razão de seu atraso ou não apresentação, já estavam previstos no artigo 11 do Decretolei nº 1.968 /1982, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.065 /1983. 5.A despeito de a Constituição Federal de 1988 prescrever que apenas lei, em sentido formal, pode estabelecer penalidades (artigo 5º, inciso II), como o referido decretolei entrou em vigor sob a égide da Constituição Federal de 1967, redação dada pela Emenda Constituição nº 01/69, não há que se cogitar em não recepção daquele ato legislativo, pois, à época, o referido ato era compatível com a Carta vigente, que previa, em seu art. 55 , II , a possibilidade de tal espécie normativa regular finanças públicas, inclusive normas tributárias. 6.De rigor, portanto, a manutenção da multa aplicada pelo auto de infração, em consonância com a legislação vigente à época e jurisprudência assente do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 7.Agravo retido não conhecido. Apelação provida.... (Grifei) A Recorrente também alega que a norma prevista no inciso II, do art. 7º , da Lei 10.426/2002 não respeitou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, implicitamente previstos na Constituição Federal. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”, respeitado o limite máximo e mínimo. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 No que tange ao alegado caráter confiscatório da multa, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.008115/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Somente ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91). APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição apresentados a partir de 09/06/2005. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO DEPOIS DE TRANSCORRIDOS 5 (CINCO) ANOS DO PAGAMENTO ALEGADO INDEVIDO. O direito de pleitear restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 1101-001.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
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PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Somente ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91). APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição apresentados a partir de 09/06/2005. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO DEPOIS DE TRANSCORRIDOS 5 (CINCO) ANOS DO PAGAMENTO ALEGADO INDEVIDO. O direito de pleitear restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 81 15 /2 00 8- 99 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório FIBRALIT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedidos de restituição apresentados em 14/08/2008, consoante assim relatado na decisão recorrida: Tratase dos pedidos de restituição, protocolizados em 14/08/2008, dos seguintes pagamentos reputados como indevidos ou a maior nos formulários de fls. 01/22: Data Cód. Tributo Per. Apur. Vencimento Pagamento Valor Darf Fls. Darf Valor Indébito Fls. Pedido 2172 Cofins 31/01/2000 15/02/2000 15/02/2000 7.394,78 23 837,88 1 2172 Cofins 29/02/2000 15/03/2000 15/03/2000 4.923,35 23 583,22 2 2172 Cofins 31/03/2000 14/04/2000 14/04/2000 5.498,93 24 711,97 3 2172 Cofins 30/04/2000 15/05/2000 15/05/2000 4.583,94 25 525,37 5 2172 Cofins 31/05/2000 15/06/2000 15/06/2000 8.856,03 25 506,31 6 2172 Cofins 30/06/2000 14/07/2000 14/07/2000 10.212,31 26 924,68 7 2172 Cofins 31/01/2001 15/02/2001 15/02/2001 4.596,79 28 593,44 11 2172 Cofins 28/02/2001 15/03/2001 15/03/2001 6.100,55 28 745,81 12 2172 Cofins 31/03/2001 12/04/2001 12/04/2001 6.662,16 29 869,63 13 2172 Cofins 30/04/2001 15/05/2001 15/05/2001 5.798,70 29 593,73 14 2172 Cofins 31/05/2001 15/06/2001 13/06/2001 8.780,47 30 1.137,96 15 2172 Cofins 30/06/2001 13/07/2001 13/07/2001 15.030,18 30 1.954,51 16 2172 Cofins 31/07/2001 15/08/2001 15/08/2001 10.604,30 31 1.368,12 17 2172 Cofins 31/08/2001 14/09/2001 14/09/2001 10.955,79 31 1.215,55 18 2172 Cofins 30/09/2001 15/10/2001 15/10/2001 10.135,44 32 1.342,34 19 2172 Cofins 31/10/2001 14/11/2001 14/11/2001 10.978,27 32 1.459,44 20 2172 Cofins 30/11/2001 14/12/2001 14/12/2001 9.779,43 33 1.275,17 21 2172 Cofins 31/12/2001 15/01/2002 15/01/2002 5.288,22 33 682,22 22 2089 IRPJLP 31/03/2000 28/04/2000 28/04/2000 2.288,12 24 853,24 4 2089 IRPJLP 30/06/2000 31/07/2000 31/07/2000 4.116,82 26 1.154,48 8 2089 IRPJLP 30/09/2000 31/10/2000 31/10/2000 2.734,77 27 1.105,24 9 2089 IRPJLP 30/10/2000 31/01/2001 31/01/2001 3.329,68 27 935,10 10 Em 28/08/2008 (AR de fls. 68), a contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório Seort da DRF Campinas/SP de fls. 64/67, no qual os pedidos de restituição foram considerados não formulados, tendo em conta que a pessoa jurídica não teria utilizado o Programa PER/DCOMP, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Com fundamento nos §§2º a 4º do art. 76 da IN SRF nº 600, de 2005, constou ainda da fundamentação da decisão que: (i) os formulários de Pedido de Restituição, em papel, somente poderiam ser utilizados nas hipóteses em que a restituição não pudesse ser requerida eletronicamente, mediante a utilização do Programa PER/DCOMP; (ii) que a ausência de previsão da hipótese de restituição e a existência de falha do Programa que impedissem a geração do Pedido Eletrônico de Restituição caracterizariam impossibilidade de utilização do Programa; e que a falha deveria ser demonstrada pelo sujeito passivo, no momento da entrega do Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 5 4 formulário. Nesse contexto, afirmou a autoridade fiscal a ausência de justificativas para a formalização dos pedidos impressos. Além disso, destacou também aquele órgão que à data do protocolo dos pedidos de restituição, em 14/08/2008, os indébitos tributários pagos em 2000, 2001 e 2002 estariam decaídos, haja vista os preceitos dos arts. 165 e 168 do CTN, do Ato Declaratório SRF nº 96, de 26/11/1999, e do art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005. Colaciona também jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Em 15/09/2008, a contribuinte protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 73/82, na qual defende o cabimento do pedido de restituição em formulário impresso, haja vista que o Programa PER/DCOMP não admite o processamento eletrônico de Pedidos de Restituição referentes a recolhimentos efetuados há mais de cinco anos da data da transmissão. Nas palavras da defesa: “Resta claro, assim, que não se trata de falha no sistema a ensejar justificativa do contribuinte e sim na impossibilidade da utilização do Programa por ausência de previsão da hipótese de restituição de valores antecipados há mais de cinco anos, contudo, tal impossibilidade não afasta o direito do contribuinte de pleitear a restituição em decorrência de divergência de entendimento concernente à aplicação da legislação vigente acerca do prazo decadencial”. Sob tal perspectiva, de não estar decaído o direito de restituição, teria formalizado os pedidos na forma possível e requer a sua apreciação em observância ao direito de petição e aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Quanto à decadência, diz que litigioso é o termo inicial da contagem dos prazos previstos nos arts. 165 e 168 do CTN. Defende a contribuinte que a extinção do crédito tributário nos tributos sujeitos a lançamento por homologação somente ocorre na data da homologação, expressa ou tácita (art. 150, §§1º e 4º c/c art. 156, I e VII do CTN). In casu, ocorrida a homologação tácita e, conseqüentemente, a extinção cinco anos após a data da ocorrência do fato gerador, não estaria ainda decaído o direito à restituição em 14/08/2008. Colaciona doutrina e jurisprudência em favor da tese defendida. Questiona também a aplicação retroativa da interpretação contida no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, em ofensa ao princípio constitucional de que a lei não pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Às fls. 105, o Serviço de Controle de Julgamento – Secoj da DRJ Campinas/SP, em 11/01/2010, devolveu o processo à autoridade preparadora, tendo em conta que a manifestação de inconformidade, prevista na legislação tributária, apta a seguir o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, abrangeria apenas aquelas formalizadas contra os atos de indeferimento dos pedidos de restituição, e não de desconsideração do pedido formulado pelo contribuinte, que, em regra, não contém apreciação de mérito. Em 29/03/2010, a autoridade preparadora declarou a intempestividade da manifestação de inconformidade pelo rito do recurso hierárquico, previsto no art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999. Cientificada da decisão em 07/04/2010 (AR de fls. 108), a contribuinte impetrou Mandado de Segurança nº 001129836.2010.403.6105, tendo obtido decisão liminar para que o recurso apresentado fosse apreciado pela DRJ Campinas/SP no rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 6 5 Na sessão de julgamento de 09/11/2010, a Turma Julgadora reafirmou a decadência do direito à restituição, na medida em que os pedidos de restituição somente foram apresentados em 14/08/2008, depois de transcorridos cinco anos da data dos pagamentos alegados como indevidos. Na ordem de intimação do acórdão fez constar o que segue: À Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do domicílio da contribuinte para: 1. cientificála do presente acórdão; 2. verificar o andamento processual do Mandado de Segurança nº 0011298 36.2010.4036105, em cumprimento ao qual esta decisão foi exarada pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas/SP; 3. de acordo com a decisão judicial prolatada e vigente no referido Mandado de Segurança, conferir ou não, a contribuinte o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência; 4. se for o caso, providenciar que sejam apartadas, em autos distintos, as discussões administrativas dos indébitos tributários relativos ao IRPJ e à Cofins, dada à competência das Seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Regimento Interno (Portaria MF nº. 256 de 22/06/2009 (DOU 23/06/2009), abaixo reproduzido: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); (...) Art. 4º À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Socia l (COFINS) , inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 25/01/2011 (fl. 147), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/02/2011 (fls. 148/155), no qual argumenta que o pagamento antecipado pela Recorrente deuse nos anos de 2000 a 2002 e o prazo para a correspondente homologação extinguiuse a partir de 2010, sendo que a partir de então para a Recorrente iniciarseia o prazo para pleitear a devolução do que recolheu indevidamente. Em reforço ao seu entendimento cita manifestações do Superior Tribunal de Justiça e deste Conselho, questiona o caráter interpretativo da Lei Complementar nº 118/2005 e defende sua aplicação apenas a recolhimentos efetuados após sua vigência, em 09/06/2005. Finaliza observando que a comprovação do crédito é verificável da simples análise das declarações apresentadas. Posteriormente foi juntada aos autos cópia da sentença proferida em 29/11/2011 no Mandado de Segurança nº 001129836.2010.403.6105, registrando que foi negado provimento ao agravo interposto contra o deferimento da liminar e concedendo parcialmente a segurança pretendida pela impetrante, no sentido de confirmar a determinação liminar de que deve ser admitida a discussão administrativa do indeferimento do pedido de restituição em tela, mas sem restringir o exercício da atividade julgadora no sentido de não Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 7 6 levar em conta eventual decadência ou prescrição, na medida em que o pedido foi formulado depois da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (fls. 158/166). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3a Região permite confirmar que a sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 0011298 36.2010.4.03.6105 foi submetida a reexame necessário, o qual aguarda apreciação desde 25/05/2012. Assim, subsiste a competência atribuída a este órgão julgador para apreciação do contencioso formado nos autos do presente processo administrativo. Quanto ao desmembramento sugerido pela autoridade julgadora de 1a instância em razão da natureza dos créditos pretendidos pela contribuinte, sua necessidade deixou de existir em razão da alteração do art. 7o, §3o do Anexo II do RICARF pela Portaria MF nº 586/2010, que atribuiu à Primeira Seção de Julgamento a competência para julgamento de litígios que envolvam crédito alegado de competência dessa Seção e das demais. No mérito, embora o Superior Tribunal de Justiça tenha se manifestado favoravelmente à tese da interessada – inclusive reafirmando tal entendimento sob a sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito do REsp nº 1.002.936/SP –, o Decreto nº 70.235/72 não permite que os órgãos de julgamento administrativo afastem a aplicação de lei com fundamento em decisões proferidas por aquele Tribunal Superior. Vejase: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) É certo que o Regimento Interno do CARF determina a observância de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no rito dos recursos repetitivos: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 9 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Todavia, a tese defendida pela interessada, foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema. E tal debate evidencia que a matéria não é infraconstitucional, afastando a aplicação da disposição regimental acima reproduzida, que cogita da necessária observância das decisões do Superior Tribunal de Justiça quando cabe a este decidir, em última instância, o tema em questão. De fato, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 10 9 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em 27/02/2012, no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, foi declarado o trânsito em julgado desta decisão, ocorrido em 17/11/2011, o que impõe a sua reprodução no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispõe o art. 62A do RICARF, antes citado. Esclareçase que este entendimento é aplicável à interessada pois, embora a decisão reportese a prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal nada mais fez do que definir o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. E, por esta mesma razão, não prospera a alegação, veiculada em sustentação oral, no sentido de que o Supremo Tribunal Federal estaria apreciando o prazo para pleito judicial de restituição, enquanto o Superior Tribunal de Justiça já teria definido, no rito dos recursos repetitivos, o prazo para pedido administrativo de restituição. Neste sentido, aliás, temse a Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter restituído indébitos apurados em recolhimentos de 15/02/2000 a 15/01/2002, em razão de pedido apresentado em 14/08/2008. Ou seja, avaliase pleito da contribuinte posterior à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do prazo nela previsto. Disse a Lei Complementar nº 118/2005: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 11 10 Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Reportase, assim, ao Código Tributário Nacional – CTN, que assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, a contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada pelos pagamentos indicados pela contribuinte como feitos de 15/02/2000 a 15/01/2002. Assim, mesmo observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, concluise que em 14/08/2008 já havia expirado o prazo de 5 (cinco) anos para a contribuinte pretender créditos decorrentes de recolhimentos promovidos de 15/02/2000 a 15/01/2002. Correto, portanto, o indeferimento do pedido de restituição. Por tais razões, em razão da competência atribuída por meio das decisões judiciais proferidas nos autos do Mandado de Segurança nº 001129836.2010.4.03.6105, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008115/200899 Acórdão n.º 1101001.134 S1C1T1 Fl. 12 11 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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