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Numero do processo: 13738.000234/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - FAPI. - REQUISITOS LEGAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas os valores pagos a título de Contribuição Previdenciária Privada modalidade PGBL que restarem devidamente comprovados por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-006.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - FAPI. - REQUISITOS LEGAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas os valores pagos a título de Contribuição Previdenciária Privada modalidade PGBL que restarem devidamente comprovados por documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FAPI. REQUISITOS LEGAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas os valores pagos a título de Contribuição Previdenciária Privada modalidade PGBL que restarem devidamente comprovados por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 02 34 /2 00 8- 40 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13738.000234/200840 Acórdão n.º 2401006.141 S2C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório LEDIR FERREIRA PORTO, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 13a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 11241.468/2011, às efls. 21/24, que julgou parcialmente procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da dedução indevida de previdência privada e de despesa médica, em relação ao exercício 2004, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 15/01/2008, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: a) Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi. Glosa do valor de R$ 11.037,12, indevidamente deduzido a titulo de contribuição A Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo beneficio não tenha sido deste ou de seus dependentes. Glosado valor relativo a dedução de contribuição à Previdencia Privada e FAPI, por falta de apresentação de comprovante. b) Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 1.600,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, restaurando a dedução com despesa médica, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, à efl. 30, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13738.000234/200840 Acórdão n.º 2401006.141 S2C4T1 Fl. 4 3 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que as deduções da Previdência Privada e Fapi apresentadas pelo Banco Itaú à época, foram expedidas por períodos, sem que tivesse o espelho anual, juntando a resposta dada pela instituição financeira ao seu pleito. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. MÉRITO A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa da Previdência Privada e Fapi. Por sua vez, a contribuinte esclarece que as deduções da Previdência Privada e Fapi apresentadas pelo Banco Itaú à época, foram expedidas por períodos, sem que tivesse o espelho anual, juntando a resposta dada pela instituição financeira ao seu pleito. Sobre a matéria, o art .74, inciso II, do Decreto 3.000/99 estabelece que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. O § 2º do susodito art. 74, por seu turno, disciplina que a dedução em análise, somada àquela prevista no art. 82 (FAPI Fundo de Aposentadoria Programada Individual), fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Art. 82. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI cujo ônus seja da pessoa física (Lei nº 9.477, de 1997, art. 1º, § 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 11). § 1º A dedução prevista neste artigo, somada à de que trata o inciso II do art. 74, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11). § 2º É vedada a utilização da dedução de que trata este artigo no caso de resgates na carteira de Fundos para mudança das Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13738.000234/200840 Acórdão n.º 2401006.141 S2C4T1 Fl. 5 4 aplicações entre Fundos instituídos pela Lei nº 9.477, de 1997, ou para aquisição de renda junto às instituições privadas de previdência e seguradoras que operam com esse produto (Lei nº 9.477, de 1997, art. 12 e parágrafo único) Como se vê, não é dedutível toda e qualquer contribuição feita a entidades de previdência privada, mas somente aquelas que atendem aos requisitos legais, notoriamente do art. 74 em destaque. A recorrente, com vistas a comprovar a idoneidade dos valores informados na sua Declaração de Ajuste Anual, trouxe aos autos, junto com o recurso voluntário, quatro extratos do Itaú (fls. 31/34). Analisando os referidos documentos, verificase que os mesmos não servem ao fim pretendido pela recorrente. De fato, tais documentos não esclarecem os valores efetivamente pagos no anocalendário 2003, ao contrário, a meu ver, atestam que não houve contribuição para o referido plano no período, visto que indica um saldo na reserva em 31/12/2002 e nenhuma contribuição e carregamento para o anocalendário ora debatido. Neste contexto, não tendo a recorrente trazido qualquer outro documento hábil a demonstrar os valores efetivamente pagos a título de previdência privada no ano calendário objeto da notificação de lançamento que deu origem ao presente PAF, devem ser mantidas as glosas neste particular. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001001/2004-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DIPJ. VALOR PROBATÓRIO. INSUFICIÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO. AUTO COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA INFORMAÇÃO EM DCTF E REGISTROS CONTÁBEIS.
A DIPJ é documento hábil e idôneo apenas para começo de comprovação de direito creditório. Nos casos em que existe alegação de auto compensação baseada no art. 66, da Lei nº 8.383/91, faz-se necessário a informação das compensações em DCTF e a demonstração dos registros contábeis em escrituração da empresa.
Numero da decisão: 1401-003.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DIPJ. VALOR PROBATÓRIO. INSUFICIÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO. AUTO COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA INFORMAÇÃO EM DCTF E REGISTROS CONTÁBEIS. A DIPJ é documento hábil e idôneo apenas para começo de comprovação de direito creditório. Nos casos em que existe alegação de auto compensação baseada no art. 66, da Lei nº 8.383/91, faz-se necessário a informação das compensações em DCTF e a demonstração dos registros contábeis em escrituração da empresa.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DIPJ. VALOR PROBATÓRIO. INSUFICIÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO. AUTOCOMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA INFORMAÇÃO EM DCTF E REGISTROS CONTÁBEIS. A DIPJ é documento hábil e idôneo apenas para começo de comprovação de direito creditório. Nos casos em que existe alegação de autocompensação baseada no art. 66, da Lei nº 8.383/91, faz-se necessário a informação das compensações em DCTF e a demonstração dos registros contábeis em escrituração da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Redator designado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 65 .0 01 00 1/ 20 04 -9 7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2019 março de 2019 SONOCO FOR-PLAS S/A SONOCO FOR-PLAS S/A FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10865.001001/2004-97 Acórdão n.º 1401-003.262 S1-C4T1 Fl. 185 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 140 a 156) interposto contra o Acórdão nº 12-32.073, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 141 a 143), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Versa este processo sobre o compensação. A DRF/Limeira/SP, através do Despacho Decisório de fls. 71/76, reconheceu o direito creditório no valor de R$l6.63l,23, referente ao saldo negativo de CSLL, ano calendário de 2002, e homologou as compensações declaradas neste processo até o limite do crédito reconhecido. O interessado, cientificado em 27/05/2008 (fl. 81), apresentou, em 26/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 82/87. Nesta peça, alega, em síntese, que: - o saldo negativo apurado na DIPJ é suficiente para amparar a compensação declarada, como demonstra; - a decisão está fundamentada no não reconhecimento das compensações realizadas no ano calendário de 2000, com a utilização de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10865.001001/2004-97 Acórdão n.º 1401-003.262 S1-C4T1 Fl. 186 3 - do ano calendário de 1997 ao de 2002, a compensação entre tributos da mesma espécie era facultada ao contribuinte, sem a necessidade de formalização de processo junto à Receita Federal; - o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997, no valor de R$26.254,50, não foi utilizado em 1998, nem em 1999, sendo utilizado para compensar a CSLL devida nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2000 (compensações não reconhecidas pela Autoridade Administrativa, que levam ao saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2000 no valor de R$5.450,53); - o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2000 foi utilizado para compensar parcialmente a CSLL apurada no mês de janeiro de 2001 (assim, o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 passa a ser de R$82.799,l3); - o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2001 foi utilizado para compensar parcialmente a CSLL apurada no mês de janeiro de 2002 (assim, o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002 passa a ser de R$22.5l9,94)." O fundamento central da DRJ de origem para o não acolhimento das razões do Contribuinte foi a suposta falta de comprovação dos alegados acima relatados, ônus esse que lhe cabia. Inconformada, a ora Recorrente reitera nesta instância os mesmos argumentos já apresentados na anterior e adiciona pedido para que seja determinada a baixa dos autos em diligência em caso de discordância da documentação apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Versam os autos sobre a PER/DCOMP nº 33465.33905.300503.1.3.03-6201, que pretendia compensar débitos de CSLL do ano calendário 2003 com saldos negativos oriundos de períodos anteriores. Foram reconhecidos apenas R$ 16.631,23 dos R$ 22.519,94 em créditos originalmente pleiteados pela Recorrente. Restando R$ 5.888,71 em discussão nos presentes autos. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10865.001001/2004-97 Acórdão n.º 1401-003.262 S1-C4T1 Fl. 187 4 Conforme se extrai da Manifestação de Inconformidade o valor não reconhecido se referiria ao saldo negativo do ano calendário de 1997, que não teria sido utilizado nos anos de 1998, 1999 e 2000, não tendo sido, portanto, abrangido pela verificação realizada pela SEORT da unidade de origem. Tal circunstância se encontra consignada logo no início do Despacho Decisório em comento: "Para este processo deve-se retroagir a análise até o ano-calendário 2000, data da apuração do primeiro saldo negativo de contribuição social sem a utilização de saldos de períodos anteriores." Não obstante a estes esclarecimentos, a DRJ de origem negou provimento ao Recurso com o fundamento central de que o Contribuinte não teria comprovado a existência do saldo negativo alegado, conforme trecho que transcrevo: "O interessado, no entanto, não juntou aos Autos elementos que comprovem a alegação de ter havido compensação na forma da legislação. A simples apresentação de demonstrativos (no corpo da manifestação de inconformidade) e de uma planilha elaborada pelo próprio interessado (fl. 121) não é prova da alegada compensação. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. Uma vez que o interessado entende que teria um valor a ser restituído/compensado, cabe unicamente a ele o ônus da prova, por meio de documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais." A despeito do afirmado pela DRJ, extrai-se dos autos que o interessado apresentou junto de sua Manifestação de Inconformidade as DIPJ's dos anos calendários de 1997, 1999 e 2000 (fls. 97 a 129), bem como resumo explicativo de próprio punho das compensações realizadas em 2000. Ora, a DIPJ é documento oficialmente instituído pela legislação competente como documento que se presta justamente a levar ao Fisco as informações econômicas e fiscais da empresa, nesta condições, não pode ter seu valor probatório sumariamente ignorado quando regularmente apresentada. Desta feita, tendo a Recorrente apresentado documentos que tendem a comprovar a veracidade de seu direito, estes só podem ser desconsiderados da análise do julgador após fundamentada a sua eventual falta de idoneidade ou de pertinência para com os fatos a serem provados. Por outro lado, faz-se oportuno relembrar que tais documentos, por terem sido apresentados apenas nesta fase litigiosa, não foram objetos de análise do Despacho Decisório. Assim, ainda que se reconheça o valor comprobatório dos documentos apresentados, se faz por bem que tal procedimento não seja suprimido. É necessário que tais documentos, bem como os valores declarados, sejam conferidos pela equipe fiscal competente Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10865.001001/2004-97 Acórdão n.º 1401-003.262 S1-C4T1 Fl. 188 5 afim de se avaliar a correição e/ou eventual circunstância que desconstitua o direito pleiteado. Igualmente, tal medida oportuniza o regular contraditório do Fisco. Concluindo, diante do cenário exposto, VOTO por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem que deverá emitir Despacho Decisório complementar, considerando a documentação apresentada às fls. 97 a 129 dos autos, acerca da parcela ainda não homologada da compensação pleiteada neste processo. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Inicio parabenizando o ilustre Conselheiro relator pelo consistente voto. Entretanto, mercê do brilhantismo do seu entendimento, discordo do mesmo e, tendo sido acompanhado pela turma, fui designado para a redação do voto vencedor. A divergência apontada no presente caso decorre do valor do saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2000 que serviu de base para extinção dos pagamentos devidos por estimativa da mesma contribuição do ano-calendário 2002. A delegacia dr origem, ao realizar a conferência deste saldo com o fito de comprovar a compensação das estimativas assim se pronuunciou: Na DIPJ 2001 o saldo negativo da Contribuição Social sobre O Lucro Líquido é (fl. 23): Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10865.001001/2004-97 Acórdão n.º 1401-003.262 S1-C4T1 Fl. 189 6 A CSLL mensal por estimativa (fls. 24/27), cujos valores constam em DCTF (fls. 28 a 35) é: Os pagamentos foram confirmados (fl. 36), porém há divergência entre o valor da CSLL mensal paga por estimativa constante no cálculo da CSLL com o valor efetivamente recolhido. Assim, o saldo da CSLL para o ano-calendário 2000 é: Assim demonstrando a Delegacia de Origem demonstrou que o saldo negativo de CSLL apurado pela empresa no ano-calendário 1997, no valor de R$ 5.450,53, em verdade não existia e sim havia saldo de CSLL a ser pago. Por esta razão, não existindo saldo de CSLL no ano de 1997 a compensação das estimativas devidas do ano 2000 foi reduzida e, em consequência, reduziram-se proporcionalmente as estimativas compensadas no ano-calendário 2002 que é o objeto de análise do presente processo. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10865.001001/2004-97 Acórdão n.º 1401-003.262 S1-C4T1 Fl. 190 7 O contribuinte alega, tanto na impugnação, quanto no recurso que os saldos negativos anteriores ao ano de 2002 efetivamente existiam e alega que realizaou a compensação destes saldos com os valores da estimativa devidos de períodos posteriores em sua contabilidade. No entanto, dado o permissivo legal, não era necessária a apresentação de processo administrativo junto à Receita Federal. Ora, não havia necessidade de processo para a realização da autocompensação, entretanto este procedimento era submetido a registro das informações nas DCTFs da empresa. Como forma de extinção dos créditos tributários a compensação deveria ter sido informada como extinção dos valores devidos por estimativa nos anos de 1998 em diante, para que houvesse o controle por parte do fisco. Desta forma é que a Delegacia de Origem informou em seu despacho que consultou as informações da DCTF da empresa e lá não constavam informações de compensação. Assim, só foram confirmadas para fins de composição do saldo negativo de CSLL os valores comprovadamente pagos. O problema neste processo da divergência em relação ao entendimento do contribuinte é que este apresenta, única e exclusivamente, para demonstrar o seu entendimento uma simples planilha de apuração de créditos e compensação (fls. 121) e as DIPJs do período. Ocorre, no entanto, que as DIPJ neste caso somente comprovam que o contribuinte apurou saldos negativos na DIPJ. Não comprova que ocorreram as compensações na forma da Lei nº 8.383/91 e, ainda, que estas compensações foram registradas em sua contabilidade. Por isso é que não entendo ser possível se aceitar apenas a apresentação da DIPJ como prova das autocompensações acompanhada de uma simples planilha, desacompanhados dos registros contábeis ou das DCTFs com os registros das compensações. Não havendo a apresentação concomitante dos registros das compensações na escrituração ou informações destas em DCTF, não há como se lhe reconhecer o direito às autocompensações alegadas em sede de impugnação e recurso voluntário. Desta forma, entendo que os documentos apresentados não são suficientes para a comprovação das compensações promovidas pela empresa e já contestadas pela Delegacia de Origem desde o despacho inicial, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904469/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/08/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 20/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 69 /2 00 8- 32 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.904469/200832 Acórdão n.º 2201004.892 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.904469/200832 Acórdão n.º 2201004.892 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.904469/200832 Acórdão n.º 2201004.892 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720033/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO.
A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego é segurado obrigatório da Previdência Social como contribuinte individual. A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
Numero da decisão: 2202-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento até a competência 03/2007, inclusive.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego é segurado obrigatório da Previdência Social como contribuinte individual. A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego é segurado obrigatório da Previdência Social como contribuinte individual. A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 33 /2 01 2- 79 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Acórdão n.º 2202005.050 S2C2T2 Fl. 189 2 contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento até a competência 03/2007, inclusive. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15940.720033/201279, em face do acórdão nº 0255.585, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 29 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Compõem o processo 15940.720033/201279 os seguintes autos de infração lavrados por descumprimento de obrigações principais, no período de 01/2007 a 03/2007 e 07/2007 a 11/2008, consolidados em 27/3/2012: AI 37.353.8839, no valor de R$ 11.127,31, referese à contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, não incluídos em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; AI 37.373.1043, no valor de R$ 5.211,35, referese à contribuição devida pelo segurados contribuintes individuais incidentes sobre suas remunerações. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse a pagamentos efetuados a contribuintes individuais não incluídos Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Acórdão n.º 2202005.050 S2C2T2 Fl. 190 3 em folha de pagamento e GFIP que prestaram serviços ao contribuinte. Na aplicação da multa foi observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” (demonstrativo às fls. 49/50) para aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. Nas competências 07/2007, 10/2007 a 12/2007, 07/2008 a 11/2008 foi aplicado o percentual de 75% nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Nas demais competências, 01/2007 a 03/2007, foi aplicada a penalidade do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. O contribuinte teve ciência das autuações em 5/4/2012 (quinta– feira, véspera de feriado), e apresentou impugnações em 8/5/2012, fls. 122 a 127. Aduz que a maioria de suas obras é contratada com empresas públicas, estatais ou paraestatais, submetidas a controle e segurança rigorosos e que nas fiscalizações que sofreu junto ao Ministério do Trabalho não foi constatada a presença de trabalhador sem o registro de empregado. Porém, reconhece os valores lançados para o período de abril/2007 a dezembro/2008 e diz que efetuará o devido recolhimento, para a juntada das guias comprovantes oportunamente. Alega que os recibos que enumera não correspondem a serviços tomados e devem ser excluídos do lançamento: Argumenta que os valores correspondentes ao período de janeiro a março/2007, foram atingidos pela decadência e que também devem ser excluídos dos lançamentos Requer o reconhecimento da decadência/prescrição operada para o período de janeiro a março de 2007, em razão da caducidade do MPF e TIPF de 1/6/2011, bem como a revisão e cancelamento dos autos de infrações, para excluir os quatro recibos impugnados, por estarem dissociados dos fatos e por falta de fundamentação legal.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 152/160, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Acórdão n.º 2202005.050 S2C2T2 Fl. 191 4 Da chegada dos autos no CARF, entendeu este colegiado por converter o julgamento em diligência conforme Resolução de n.º 2202000.824, de modo que a unidade de origem apresentasse os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências de janeiro, fevereiro e março de 2007. Em cumprimento ao determinado foi juntado às fls. 172/181 os comprovantes das contribuições previdenciárias do período requerido. O contribuinte foi intimado da decisão pela Intimação SACAT/DRF/PPE n.º 391/2018, tendo sido juntado AR datado de 07/11/2018, sendo que o contribuinte não apresentou manifestação sobre os documentos juntados ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Compartilho do entendimento exarado no acórdão CARF nº 10423228 (sessão de 29/05/2008), no sentido que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Assim, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Rejeito a preliminar, portanto. 2. Decadência. Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 03/2007, inclusive. Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 05/04/2012 A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a , Fl. 191DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Acórdão n.º 2202005.050 S2C2T2 Fl. 192 5 rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do CTN. Da chegada dos autos no CARF, entendeu este colegiado por converter o julgamento em diligência conforme Resolução de n.º 2202000.824, de modo que a unidade de origem apresentasse os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências de janeiro, fevereiro e março de 2007. Em cumprimento ao determinado foi juntado às fls. 172/181 os comprovantes das contribuições previdenciárias do período requerido. O contribuinte foi intimado da decisão pela Intimação SACAT/DRF/PPE n.º 391/2018, tendo sido juntado AR datado de 07/11/2018, sendo que o contribuinte não apresentou manifestação sobre os documentos juntados ao processo. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, estabelece que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifouse) Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e considerando a antecipação de pagamentos de contribuições, ainda que não especificamente sobre valores pagos relativos à rubrica especificamente exigida no auto de infração, mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 03/2007, inclusive. 3. Mérito. Conforme referido no acórdão da DRJ, o contribuinte concordou com parte das exigências fiscais, recolhendo as contribuições devidas, conforme informação da DRF/Presidente Prudente/SP e documentos (GPS) juntados às fls. 129 a 132. Assim, discorda o recorrente dos recibos com datas de lançamento em 6/12/2007, 10/12/2007, 26/9/2008 e 6/11/2008 nos valores de R$ 7.150,00, R$ 2.605,00, R$ 2.500,00 e R$7.000,00, respectivamente. Conforme relatório fiscal, cujos dados foram extraídos dos registros contábeis do contribuinte (contas 3320300019 e 3302030016, ambas com a descrição “serviços terceirizadosPF”), os recibos não apresentados à fiscalização (Termo de Intimação Fiscal – TIF 7) e impugnados pelo autuado, têm como históricos: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Acórdão n.º 2202005.050 S2C2T2 Fl. 193 6 Diante disso, observase que nos históricos nem na descrição das contas de lançamento fazse referência a obra de construção civil. O contribuinte reitera a mesma justificativa dada em resposta ao TIF 7, fls. 112/113. Diz tratarse de pagamento a funcionários de obras, informando que a documentação probatória dos lançamentos contábeis não foi localizada, tendo sido extraviada e/ou não regularizada pelos beneficiários. Ocorre que quanto os valores pagos a pessoa física, contribuinte individual, há incidência de contribuição previdenciária parte da empresa (Lei 8.212/1991 – art. 22, inc. III) e parte dos segurados (Lei 8.12/1991 – art. 21), devendo ser recolhida no prazo estabelecido pela legislação previdenciária. Portanto, tal qual decidido pela DRJ de origem, não tendo o contribuinte apresentado qualquer documento que comprove o pagamento da contribuição incidente sobre os pagamentos supracitados ou sua vinculação às obras, cuja remuneração de mão de obra foi aferida nos autos do processo 15940.720029/201219, não há como excluir das autuações a exigência fiscal incidente sobre os valores correspondentes. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento até a competência 03/2007, inclusive. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16511.720050/2012-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. CLÍNICA PARA INTERNAÇÃO DE DEPENDENTE QUÍMICO. NÃO COMPROVAÇÃO DE SE TRATAR DE ESTABELECIMENTO HOSPITALAR OU SE ENQUADRAR NO CONCEITO DE HOSPITAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de despesas médicas efetuadas pelo contribuinte ou com seus dependentes se restar comprovado que os pagamentos efetuados atendem os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos na forma legal.
A despesa de internação em estabelecimento para tratamento de dependente químico só poderá ser deduzida se o referido estabelecimento for qualificado como hospital.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
Numero da decisão: 2003-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. CLÍNICA PARA INTERNAÇÃO DE DEPENDENTE QUÍMICO. NÃO COMPROVAÇÃO DE SE TRATAR DE ESTABELECIMENTO HOSPITALAR OU SE ENQUADRAR NO CONCEITO DE HOSPITAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de despesas médicas efetuadas pelo contribuinte ou com seus dependentes se restar comprovado que os pagamentos efetuados atendem os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos na forma legal. A despesa de internação em estabelecimento para tratamento de dependente químico só poderá ser deduzida se o referido estabelecimento for qualificado como hospital. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 185 1 184 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16511.720050/201229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.074 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRRF Recorrente LUIZ CLAUDIO DA CUNHA SERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. CLÍNICA PARA INTERNAÇÃO DE DEPENDENTE QUÍMICO. NÃO COMPROVAÇÃO DE SE TRATAR DE ESTABELECIMENTO HOSPITALAR OU SE ENQUADRAR NO CONCEITO DE HOSPITAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de despesas médicas efetuadas pelo contribuinte ou com seus dependentes se restar comprovado que os pagamentos efetuados atendem os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos na forma legal. A despesa de internação em estabelecimento para tratamento de dependente químico só poderá ser deduzida se o referido estabelecimento for qualificado como hospital. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 00 50 /2 01 2- 29 Fl. 185DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 153/181) interposto contra o acórdão nº 0836.530 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR (fls. 135/146), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 2/80) em face da lavratura da Notificação de Lançamento IRPF (fls. 92/98) objeto do presente feito, cujas infrações estão assim relacionadas: DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES Valor da infração R$ 1.730,40, glosa correspondente a dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. Dependente: Yasmin Liberato Serra Neves DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESA DE INSTRUÇÃO Valor da infração: R$ 2.708,94, glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa com instrução, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dependente: Yasmin Liberato Serra Neves DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPESAS MÉDICAS Valor da Infração: R$ 128.392.92, glosa dos valores pagos à Green Roof Clínica Médica Ltda (R$ 126.583,21) e à UNIMED (R$ 1.809,71), deduzidos indevidamente a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dependentes: Yamin Liberato Serra Neves e Manuela Liberato Serra. Diante do apurado, a fiscalização promoveu o ajuste do imposto declarado, resultando da cobrança de imposto suplementar no valor de R$ 21.814,51 (fls. 92/98). Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, onde contesta as glosas operadas, comprovando possuir a guarda judicial de sua neta e menor, Yasmin Liberato Serra Neves, e a curatela de sua filha absolutamente incapaz, Manuela Liberato Serra, de forma a justificar e validar as deduções declaradas (fls. 2/80). A impugnação foi julgada parcialmente procedente para restabelecer as deduções declaradas das despesas havidas com a neta Yasmin Liberato, no valor de R$ 6.249,05 (instrução, dependente e despesas médicas –palno de saúde Unimed), mantendose a glosa dos valores pagos a Green Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16511.720050/201229 Acórdão n.º 2003000.074 S2C0T3 Fl. 186 3 Roof Clínica Médica Ltda, no valor de R$ 126.583,21, referente as despesas realizadas com a filha Manuela Liberato Serra (fls. 135/146), o que reduziu o imposto suplementar anteriormente apurado para o valor de R$ 9.697.97 (fls. 149). O contribuinte, intimado por AR da decisão proferida (12/07/2016) (fls. 151), apresentou (em 09/08/02016), Recurso Voluntário (fls. 153/181) insurgindose contra a glosa mantida, repisando as alegações da impugnação e pugnando, ao final, pelo reconhecimento do direito a manutenção da dedução do valor das despesas médicas pagas a Green Roof Clínica Médica Ltda, bem como a total improcedência da autuação lavrada, sobretudo diante das inconstitucionalidades e ilegalidades demonstradas na peça recursal. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. MÉRITO Da glosa remanescente Das despesas médicas pagas a Green Roof Clínica Médica Ltda: O Recorrente deduziu o valor de R$ 126.583,21 relativo a despesas médicas pagas a Green Roof Clínica Médica Ltda, em face do tratamento realizado por sua filha Manuela Liberato Serra. A DRJ/FOR, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida, pois a clínica destinatária dos recursos despendidos não está enquadrada como estabelecimento hospitalar, assim concluindo (fls. 146): Por todo exposto, podese afirmar que assiste razão à fiscalização em manter a glosa de tais despesas médicas, pois nos autos resta demonstrado que a empresa Green Roof Clínica Médica Ltda não está abrangida no conceito de hospitais; portanto, não seriam dedutíveis as despesas médicas com diárias de internação e com medicamentos, além do fato que para serem dedutíveis deveriam integrar a conta hospitalar. Em sendo assim, mantemse a glosa das despesas médicas na quantia de R$ 126.583,21 Neste ponto, considerando que o Recorrente, em sua peça recursal, basicamente reiterou os termos da impugnação apresentada, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do voto condutor no particular, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: Fl. 187DF CARF MF 4 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS COM MANUELA LIBERATO SERRA. Compulsando os autos verificase que foram glosados os valores pagos a Green Roof Clinica Médica Ltda referentes a diárias de internação e medicamentos, posto que apenas seriam dedutíveis se integrassem a conta emitida pelo estabelecimento que fosse enquadrado nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde, com licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes (municipais, estaduais ou federais). No entanto, em pesquisa realizada ao sistema CNPJ, inferiuse que a. atividade exercida pela citada empresa não se enquadrava como estabelecimento hospitalar. Todas essas despesas se referem à filha do interessado a Sra. Manuela Liberato Serra (certidão de nascimento em fl. 47). O interessado alega em sua impugnação que: sua filha a Sra. Manuela Liberato Serra é dependente químico e que foi internada para tratamento na Green Roof Clinica Médica Ltda. a lei não restringiu o alcance da dedução de despesas médicas. a exigência da lei é que o pagamento tenha sido feito em contraprestação aos diversos serviços prestados à saúde, não se exigindo, somente, que o pagamento tenha sido realizado a "estabelecimento hospitalar". em que pese a Clínica em questão, evidentemente, não ser um "estabelecimento hospitalar", a dedução do imposto de renda dos valores pagos à Clínica, para tratamento de saúde, não pode ser glosada, pois, o atendimento e a internação podem ser equiparados aos previstos para o atendimento e a internação prestados pelo SUS em estabelecimentos diversos dos "estabelecimentos hospitalares". a IN n° 791/2007 ampliou o conceito de serviços hospitalares, para abranger aqueles prestados por pessoas jurídicas. O contribuinte anexou cópia do Termo de Curador Provisório referente à sua filha a Sra. Manuela Liberato Serra (fls. 48/53), em que o interessado foi nomeado seu curador. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil verificase que a Green Roof Clínica Médica Ltda. está cadastrado com o CNAE: 87.20499 Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química não especificadas anteriormente (fl. 66). Para o deslinde da questão, cumpre trazer a baila o art. 8º, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, onde verificase que as deduções permitidas são as referentes a hospitais: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16511.720050/201229 Acórdão n.º 2003000.074 S2C0T3 Fl. 187 5 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Nesse sentido, concluise que o dispositivo legal referese expressamente a “hospitais” e não a instituições que, de modo geral, prestem serviços que possam, eventualmente, ser considerados necessários em tratamentos médicos, como é o caso. Se o legislador pretendesse estender o direito de dedução a pagamentos a essas instituições não teria utilizado o verbete “hospitais” que encerra um sentido preciso; teria utilizado outro, que comportasse tal abrangência de sentidos. Destaquese que o Ato Declaratório Interpretativo nº 19/2007 dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Ressaltese ainda que a IN n° 791/2007 não ampliou o conceito de serviços hospitalares, para abranger aqueles prestados por pessoas jurídicas, como afirma o interessado, vejamos: Art. 1º O art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, passa a vigorar com a seguinte alteração: "Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Fl. 189DF CARF MF 6 Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida." (NR) Também cabe trazer a baila o que diz o Manual de Perguntas e Respostas referente ao IRPF 2010, assim informa quanto a dedutibilidade de despesas com medicamentos: 357 — Os gastos com medicamentos podem ser deduzidos como despesas médicas? Não, a não ser que integrem a conta emitida pelo estabelecimento hospitalar. Por todo exposto, podese afirmar que assiste razão à fiscalização em manter a glosa de tais despesas médicas, pois nos autos resta demonstrado que a empresa Green Roof Clinica Médica Ltda não está abrangida no conceito de hospitais; portanto, não seriam dedutíveis as despesas médicas com diárias de internação e com medicamentos, além do fato que para serem dedutíveis deveriam integrar a conta hospitalar. Em sendo assim, mantemse a glosa das despesas médicas na quantia de R$ 126.583,21. Neste ponto, é pertinente enfatizar ainda que o art. 111, inciso II, da Lei nº 5.172/66 (CTN) estabelece que deverá se interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. E aplicando aqui o dispositivo legal, devese ter em mente que despesas de internação em estabelecimento que preste serviços que possam, eventualmente, ser considerados necessários em tratamentos médicos, somente serão dedutíveis a título de hospitalização, se o estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde e tiver a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes (municipais, estaduais ou federais). No presente caso, temse que a clínica Green Roof não é qualificada como estabelecimento hospitalar, como reconhece o próprio Recorrente, sendo certo que se encontra qualificada como Associação “CNAE 87.204.99 Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química não especificadas anteriormente” (fls. 77) Destarte, ancorado na legislação de regência, não restaram atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos à título de despesa médica, razão pela qual mantenho a glosa realizada. Nada obstante, no que tange as supostas inconstitucionalidades e ilegalidades aventadas em sede recursal, como sabido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – órgão revisor dos atos praticados pela Administração Tributária – não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta, aliás, já sumulada: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16511.720050/201229 Acórdão n.º 2003000.074 S2C0T3 Fl. 188 7 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, vale salientar que o entendimento jurisprudencial administrativo trazido para justificar as pretensões recursais é improfícuo, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas no litígio por ela resolvido. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa da dedução das despesas médicas pagas a Green Roof Clínica Médica Ltda da base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2009, exercício 2010. (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.724869/2016-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 48 69 /2 01 6- 71 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10183.724869/201671 Acórdão n.º 2002000.965 S2C0T2 Fl. 147 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 45/50) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 37/44), onde se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 63.800,00. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/03), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 57): Inconformado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 02/03 em 19/09/2016, acompanhada dos documentos de fls. 04/35, alegando anexar prontuários médicos, exames e declarações dos fisioterapeutas, além dos recibos, que comprovariam a realização dos serviços declarados. A Impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/JFA em decisão assim ementada (efls. 56/59): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa das despesas médicas declaradas, sobretudo quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. Cientificado do acórdão de primeira instância em 01/03/2017 (efls. 122), o inventariante da interessada ingressou com Recurso Voluntário em 23/03/2017 (efls. 66/71), acompanhado de documentos, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que os recibos apresentados preenchem todos os requisitos e condições para a dedução como despesa médica, conforme art. 80, §1º, III, do Decreto 3.000/99 c/c art. 8º, §2º, III, da Lei 9.250/95, não podendo ser desconsiderados em virtude de ausência de comprovantes de pagamento como cheques, faturas de cartão de crédito, dentre outros. Esclarece que, ainda que haja em vários anos um elevado percentual de despesas médicas em relação aos rendimentos declarados, tal como aponta a decisão recorrida, a contribuinte não possui qualquer inscrição em dívida ativa motivada por deduções indevidas de recibos médicos. Expõe que, embora a insatisfação do Fisco com o referido percentual não seja motivo para a glosa dos recibos, está juntando aos autos outros documentos para comprovar que a contribuinte sempre teve uma saúde precária e que precisou de tratamento fisioterápico por indicação médica. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10183.724869/201671 Acórdão n.º 2002000.965 S2C0T2 Fl. 148 3 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para as fisioterapeutas Giovana Moura, Adriana Glória, Mareli Baumgratz, Alessandra Vieira e Ingrid Gimenez por não ter a contribuinte comprovado o seu efetivo pagamento através de cheques, extratos bancários, faturas de cartão de crédito, dentre outros elementos (efls. 47/48). Verificase, contudo, que a interessada não juntou à Impugnação ou ao Recurso Voluntário nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas em suas contas e os recibos por ela acostados, permanecendo a pendência apontada pelo auditor. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10183.724869/201671 Acórdão n.º 2002000.965 S2C0T2 Fl. 149 4 prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comproválos caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10183.724869/201671 Acórdão n.º 2002000.965 S2C0T2 Fl. 150 5 Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.000945/2007-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 09 45 /2 00 7- 69 Fl. 52DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, bem como glosa com dedução indevida com despesas com instrução, além de dedução indevida de dependente. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.035,82, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 30 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, em 17/04/2009, no acórdão 0417.359, às efls. 38 a 42, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 48 alegando, em síntese, que para a comprovação das despesas médicas basta confrontar sua declaração com as declarações dos profissionais de saúde. Ademais, a despesa médica com a UNIMED está comprovada pela declaração do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/06/2009, efls. 46, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/07/2009, efls. 48, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10183.000945/200769 Acórdão n.º 2002000.886 S2C0T2 Fl. 53 3 O contribuinte foi autuado pela glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, bem como glosa com dedução indevida com despesas com instrução, além de dedução indevida de dependente. A DRJ afastou a dedução indevida com dependente, bem como a dedução indevida com as despesas de instrução. Mantidas as glosas com as deduções de despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento, como se vê: As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 54DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10183.000945/200769 Acórdão n.º 2002000.886 S2C0T2 Fl. 54 5 O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: Fl. 56DF CARF MF 6 para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10183.000945/200769 Acórdão n.º 2002000.886 S2C0T2 Fl. 55 7 Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Fl. 58DF CARF MF 8 Às efls. 21 e 22 há recibos do profissional Adalberto T. Hirata que somam R$23.400,00, tanto em nome do contribuinte, quanto de sua dependente, motivo pelo qual afasto a glosa. Quanto a glosa com o profissional Giovanny T. Rodrigues, afasto o valor de R$4.000, conforme às efls. 23 pelos mesmos fundamentos acima delineados. Com relação a Francisco R. Botter resta comprovada as despesas, pelos recibos de efls. 29 e 30. Às efls. 28 há recibos com a profissional Miriam Botter. Já quanto as despesas com Nicola Olmeda, afasto a glosa no valor de R$5.000,00, conforme recibo de efls. 21. Por fim, quanto as deduções com plano de saúde, às efls. 16 há comprovante de rendimentos e de retenção de imposto de renda na fonte, confirmando o pagamento para a UNIMED. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005479/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
É válida a ciência de notificação via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A efetividade do pagamento de despesas médicas é comprovada mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, mormente se existirem fortes indícios de que os serviços e as despesas não ocorreram.
Numero da decisão: 2402-007.247
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência de notificação via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A efetividade do pagamento de despesas médicas é comprovada mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, mormente se existirem fortes indícios de que os serviços e as despesas não ocorreram.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 210 1 209 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.005479/200729 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.247 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente ADROALDO LAZZAROTTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência de notificação via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A efetividade do pagamento de despesas médicas é comprovada mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, mormente se existirem fortes indícios de que os serviços e as despesas não ocorreram. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 54 79 /2 00 7- 29 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11080.005479/200729 Acórdão n.º 2402007.247 S2C4T2 Fl. 211 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 148) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 12.072, 57 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre glosa de despesas médicas, declaradas nas DIRPF dos exercícios de 2003 a 2006. A autoridade de piso resumiu assim os dados do relatório fiscal: Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação argumentando não ter sido notificado do lançamento e que, de fato, pagou as despesas médicas relativas à UNIMED NOVO HAMBURGO e ao HOSPITAL JOÃO BECKER, conforme comprovantes juntados. Em 23.07.2008, ao analisar o caso, entendendo a autoridade de piso que o contribuinte foi regulamente intimado e que não demonstrou o efetivo pagamento das despesas glosadas, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito lançado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando a nulidade do lançamento, por cerceamento de seu direto de defesa, em razão de: não ter sido cientificado da existência do lançamento; o auto de infração não descrever os fatos e basearse Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.005479/200729 Acórdão n.º 2402007.247 S2C4T2 Fl. 212 3 meramente em presunções; não ter sido cientificado das diligências realizadas junto aos profissionais prestadores dos serviços; não haver fundamento para aplicação da multa qualificada e confiscatória. Ao fim de seu recurso, pede que o auto de infração seja considerado nulo, por cerceamento de direto de defesa, ou cancelado, por sua iliquidez e incerteza quanto ao crédito lançado. Pede, ainda, para que seja realizada diligência, a fim de constatar os fatos apontados ou que, ao menos, seja reduzida a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Tal juízo de conhecimento, entretanto, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72, deve ficar limitado às matérias préquestionadas na impugnação. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não serão conhecidas argumentações outras contidas na peça recursal, não relacionadas à intimação do lançamento e à prova das despesas médicas glosadas. Da intimação Quanto à alegação de que não foi intimado do lançamento em apreço, conforme consta às folhas 101 do processo, o Auto de Infração foi regulamente entregue via postal, mediante aviso de recebimento, no endereço do contribuinte em 01.06.2007, nos termos do art. 23 do decreto 70.235/72, tanto é assim que o contribuinte apresentou sua defesa no prazo regulamentar estabelecido, não cabendo, portanto, razão ao contribuinte. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) Das despesas médicas: Quanto à alegação de que os documentos apresentados demonstram a ocorrência das despesas médicas, conforme bem pontuado pela instância de piso, a autoridade tributária, com a finalidade de firmar seu convencimento, ante as respostas fornecidas pelas empresas envolvidas, nos termos do Inc. III, do §1º, do art. 73, do Regulamento do Imposto de Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11080.005479/200729 Acórdão n.º 2402007.247 S2C4T2 Fl. 213 4 Renda Decreto 9580/2018, exigiu que o contribuinte demonstrasse os efetivos pagamento das despesas declaradas (folhas 102), sem que esse apresentado qualquer documento ou resposta à fiscalização, conforme consta do trecho abaixo, extraído do relatório fiscal (fls. 114). Por tudo isso, o entendimento a ser aplicado no presente voto não diverge do adotado pela instância de piso, razão pela qual colacionase o seguinte excerto da decisão recorrida, abordando a matéria: (...) Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11080.005479/200729 Acórdão n.º 2402007.247 S2C4T2 Fl. 214 5 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11080.005479/200729 Acórdão n.º 2402007.247 S2C4T2 Fl. 215 6 (...) (...) Assim, entendese que não cabe razão ao contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.726972/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRF Curitiba manifeste-se sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/2009-50, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 153/175), interposto contra o Acórdão no. 0734.502 da 6a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC – DRJ/FNS (efls. 142/149), que por unanimidade de votos considerou improcedente impugnação interposta contra Auto de Infração Código de Fundamento Legal CFL 78, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 26 97 2/ 20 13 -1 8 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.726972/201318 Resolução nº 2202000.866 S2C2T2 Fl. 187 2 lavrado por descumprimento de obrigação acessória, relativamente às competências 01, 06 e 11/2008, no valor de R$ 1.500,00 (DEBCAD 51.033.2188). 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/FNS, transcrito a seguir em síntese, por bem esclarecer os fatos ocorridos: Relatório: (...) Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 6 a 9), o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória decorreu do seguinte fato gerador: a) DEBCAD 51.033.2188 (CFL78): Pelo fato de a contribuinte apresentar a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997 e redação da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 27/05/2009, com informações incorretas ou omissas, sujeitandose à multa prevista no inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991. Esclarece a fiscalização que a contribuinte não estava legalmente habilitada como optante do Simples Nacional e, mesmo assim, ao apresentar a GFIP, declarou no quadro de opção pelo Simples o código 2 (optante), quando o correto seria o preenchimento do referido quadro com o código 1 (não optante), conforme o Manual da GFIP/SEFIP. Relata a autoridade lançadora que referida conduta, além do presente auto de infração, ensejou a lavratura de quatro outros autos de infração que veicularam lançamentos de contribuições previdenciárias patronais e de terceiros (DEBCAD n.ºs 37.404.8606, 51.033.2196, 37.404.8614 e 37.342.7719), abrangendo os períodos de competência compreendidos entre janeiro de 2008 e dezembro de 2012. Aduz, ainda, a fiscalização que tal conduta infringe a disposição contida no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, da Lei n.º 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n.º 9.258, de 1997, combinado com o art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 1999, e está sujeita à aplicação da multa formal prevista no inciso II do § 3º do art. 32A da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009. Inconformada com o lançamento, a contribuinte juntou a documentação colacionada às fls. 121 a 137 e apresentou a impugnação de fls. 100 a 120, onde, em síntese: Salienta que juntamente com o Auto de Infração objeto do presente processo (DEBCAD n° 51.033.2188) foram lavrados mais quatro Autos de Infração constantes dos seguintes PAF: a) 10980.724658/201309 (DEBCAD n° 37.404.8606); b)10980.724660/ 201370 (DEBCAD n° 37.404.8614); c) 10980.726971/201373 (DEBCAD n° 51.033.2200); d) 10980.726970/201329 (DEBCAD n° 51.033.2196) em razão de que entende que seria racional que todos os processos listados fossem agrupados para julgamento utilizando os mesmos fundamentos, uma vez que todos versam sobre o mesmo Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.726972/201318 Resolução nº 2202000.866 S2C2T2 Fl. 188 3 assunto e com total dependência do PAF 10980.729970/201329, protesta, enfim, pela juntada dos demais processos; Dito isto, reclama que a despeito de a empresa preencher todos os requisitos para enquadrarse no programa do SIMPLES (Lei 9.316 de 1996) e posteriormente do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123 de 2006), a Receita Federal do Brasil, em despacho datado de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao programa motivada por suposta prática de atividade vedada; Aduz que, em meados de 2007, a Prefeitura Municipal de Curitiba lavrou termo de indeferimento da adesão ao SIMPLES NACIONAL (...), mas que, assim que obteve ciência dessa situação, a empresa prontamente promoveu alteração no seu contrato social (...), alteração essa que foi arquivada na Junta Comercial do Paraná em 14/09/2007 e, ato contínuo, especificamente no dia 18/09/2007, solicitou a alteração do seu CNAE perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ da Receita Federal do Brasil; Reclama que, nada obstante à regularização tempestiva, por meio da exclusão da atividade vedada ainda em 2007, o seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL para o ano de 2008 foi indeferido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual alega que apresentou impugnação à decisão administrativa, cujo inteiro teor alega ter juntado ao PAF 10980.729970/201329, impugnação essa que ainda se encontra pendente de julgamento; Dado este quadro, alega que, muito embora estivesse suspensa a decisão administrativa em comento por força da impugnação apresentada a empresa não conseguiu manterse formalmente no SIMPLES NACIONAL segundo os cadastros da Receita Federal do Brasil, mas que, diante da impossibilidade de concorrer em igualdade de condições com os seus pares comerciais e, bem assim, por materialmente não possuir, a seu ver, qualquer impeditivo para o exercício dessa opção de tributação simplificada, viuse obrigada a promover a apuração e recolhimento dos seus haveres tributários de acordo com os métodos de apuração prescritos pela Lei Complementar 123; Alega ter agido como se fosse optante do SIMPLES NACIONAL (gerando os documentos de arrecadação competentes), em virtude de duas razões: era materialmente deferido à empresa optar pelo regime diferenciado (uma vez que não se enquadrava em nenhuma hipótese de vedação); e porque o ato que a impediu de optar pelo SIMPLES estava com sua exigibilidade suspensa; Dito isso, reclama que a fiscalização, por vislumbrar que a empresa estava formalmente impedida de optar pelo SIMPLES NACIONAL, por este só argumento, simplesmente procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas em função da sistemática de apuração adotada, olvidando que, segundo a legislação atinente ao SIMPLES NACIONAL, o ato declaratório de exclusão é o caminho indicado para que sejam lavradas exigências fiscais relativas ao reenquadramento em outro regime de tributação; (...) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.726972/201318 Resolução nº 2202000.866 S2C2T2 Fl. 189 4 (Apresenta seus argumentos contra a exclusão do SIMPLES e sobre base de cálculo, apuração, compensação e decadência de lançamento de contribuição previdenciária). Finalmente, em face do exposto, requer que seja declarada a improcedência do presente Auto de Infração, com a determinação de seu arquivamento de forma definitiva e, caso assim não se entenda, que sejam acatados os argumentos da decadência, das exclusões da verbas indenizatórias da base de cálculo do INSS e por fim que seja compensados os valores recolhidos na modalidade simplificada. 3. A Decisão proferida no Acórdão a quo tem seu voto, em sua essência, colacionado a seguir: (...) No caso dos autos, de plano, considero que deve ser rejeitada a solicitação da defesa para que fossem juntados aos autos em exame os processos administrativos fiscais n.ºs 10980.724658/201309 (DEBCAD n° 37.404.8606), 10980.724660/201370 (DEBCAD n° 37.404.8614), 10980.726971/201373 (DEBCAD n° 51.033.2200) e 10980.726970/201329 (DEBCAD n° 51.033.2196). (...) Feitas essas considerações, entendo que, no mérito, melhor sorte não cabe às alegações da impugnante segundo as quais o lançamento em exame estaria condicionado ao rito procedimental previsto para os casos de exclusão de contribuintes do Simples Nacional, eis que a impugnante, no período em relevo, como se verá, sequer figurava no regime simplificado. (...) ... resta claro que uma vez indeferida a opção da contribuinte pelo Simples Nacional, esta não estava habilitada a recolher os tributos e contribuições devidos nos termos do referido regime, a menos que houvesse obtido decisão administrativa ou judicial deferindo a opção pelo Simples Nacional com efeitos retroativos, além do que haveria de ser cumprida também a previsão segundo a qual o ente federado que houvesse prolatado a decisão administrativa final nesse sentido deveria comunicála aos demais entes envolvidos. (...) Portanto, no caso dos autos, em que pese a alegação da impugnante no sentido de que o Município de Curitiba teria deferido a opção pelo regime em relevo, fato é que, em consulta ao sistema informatizado que registra a ocorrência de eventos no Simples Nacional (extrato à fl. 140), verificase que a impugnante não consta como optante do regime simplificado no período sob apreço, havendo o seu ingresso no Simples Nacional ocorrido apenas no ano de 2013, sendo este fato bastante, a meu ver, para que a autoridade administrativa competente proceda ao lançamento do crédito tributário relativo à multa formal aplicável na hipótese... Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10980.726972/201318 Resolução nº 2202000.866 S2C2T2 Fl. 190 5 (...) Entretanto, até que tal decisão favorável à contribuinte sobrevenha, regular é o lançamento de ofício da multa formal sob apreço, com vistas à prevenção da decadência do direito da Fazenda Pública. Quanto às demais alegações encaminhadas pela defesa, por se referirem a base de cálculo, apuração, compensação e decadência de lançamento de contribuição previdenciária, tais questões constituem matéria estranha ao objeto dos autos e não devem ser apreciadas, eis que o presente processo não trata de exigência de contribuição, mas sim de lançamento de multa formal aplicada em face de descumprimento de obrigação acessória. Prejudicadas, portanto, essas questões, considero que o lançamento deve ser mantido. Recurso Voluntário 4. Cientificada da decisão a quo, em 09/05/2014 (efl. 151) a contribuinte apresenta, através de seus procuradores, os seguintes argumentos, em 09/06/2014, transcritos em síntese: apresenta breve descrição dos fatos ocorridos, destacando que a Receita Federal do Brasil, em despacho de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao SIMPLES por suposta prática de atividade vedada, motivo pelo qual apresentou impugnação a este ato através do PAF 10980.004223/200950; destaca ainda que agiu como se optante do SIMPLES NACIONAL fosse, por entenderse não se enquadrar em hipóteses de vedação e porque o ato que a impediu de optar pelo SIMPLES estaria com exigibilidade suspensa; reclama que sob o único argumento de ter sido excluída do sistema em 2008 a Receita Federal lavrou o auto combatido; reitera a necessidade de apreciação unificada dos cinco processos administrativos que contém os autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, a saber: 10980.724658/201309, 10980.724660/201370, 10980.726970/201329, 10980.726971/2013 73 e 10980.726972/201318 (presentes autos); entende que não estava impedida de ser enquadrada no SIMPLES no período fiscalizado, uma vez que sua impugnação apresentada em face do ato de exclusão do SIMPLES está pendente de julgamento, cf. Processo no. 10980.004223/200950, o que suspenderia tal ato exclusório; insistentemente discorre que impugnação apresentada face a ato de exclusão do simples tem efeito suspensivo até seu julgamento final; reitera o pedido de sobrestamento dos processos de autos de infração até decisão definitiva de sua impugnação acostada ao processo 10980.004223/200950; repisa seus argumentos impugnatórios de inexistência de atividade vedada ao SIMPLES em seu objeto social, de que a Prefeitura Municipal de Curitiba considerou pertinente sua permanência no SIMPLES NACIONAL, de ocorrência de decadência parcial e de exclusão das verbas indenizatórias da base de cálculo das contribuições previdenciárias ; e repisa também seu pedido de eventual compensação dos valores recolhidos no SIMPLES. 5. Requer, por fim, que seja proferida apenas uma decisão nos processos acima mencionados, que este processo seja sobrestado até o deslinde do processo Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10980.726972/201318 Resolução nº 2202000.866 S2C2T2 Fl. 191 6 10980.004223/200950 e a improcedência deste Auto de Infração. Caso não aceita a improcedência, requer a exclusão das verbas indenizatórias da base de cálculo e a compensação dos valores já recolhidos na modalidade simplificada. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. 7. De plano verificase que a procedência ou não da impugnação da Recorrente em face do Ato Administrativo de sua exclusão do SIMPLES interfere de forma crucial na apreciação dos Recursos acostados aos processos 10980.724658/201309, 10980.724660/2013 70, 10980.726970/201329, 10980.726971/201373 e 10980.726972 /201318 (presentes autos). 8. O fato é que enquanto em seu Recurso a interessada insistentemente se contrapõe a uma eventual exclusão do sistema simplificado de tributação, por outro lado há nos presentes autos evidências de que a empresa, na verdade, não foi excluída do SIMPLES em relação ao anocalendário 2008, mas sim não teve sua inclusão deferida para tal período, o que traz desdobramentos completamente díspares em relação à apreciação dos referenciados autos de infração. 9. A interessada, em seu recurso, enquanto contrapõese a uma eventual exclusão, ao mesmo tempo e na mesma peça recursal, item I.02., efl. 155, informa que "a Receita Federal do Brasil, em despacho datado de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao programa motivada por suposta prática de atividade vedada", e também, no item I.05., mesma efl., informa que "o seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL para o ano de 2008 foi indeferido pela Receita Federal do Brasil". Ou seja, a recursante se confunde entre os conceitos de indeferimento e de exclusão do sistema. 10. Segundo o relatório fiscal da autuação, a impugnante sequer figurava no regime simplificado no período em questão, pois teve sua opção indeferida por problemas fiscais, e esta situação perdurou de 14/03/2008, data do indeferimento, até 29/12/2012, quando foi aceito o pedido de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013, conforme consta do extrato de consulta ao histórico da empresa no citado regime que foi reproduzido pela fiscalização em seu relatório. 11. Ainda em seu recurso a interessada informa que o indeferimento (item I.06, efl. 155) gerou irresignação e apresentou impugnação no processo 10980.004223/200950, pendente de julgamento. Mas o conteúdo e o deslinde de tal processo não são possíveis de serem verificados. Em consulta recente ao sistema COMPROT da Receita Federal, tal processo está autuado em meio papel e não de forma eletrônica, o que impede sua consulta remota, e apresentase na situação "em andamento", com movimentação para a Equipe do Simples da DRF Curitiba/PR em 20/12/2011. 12. Verifiquese a consulta pública ao sistema COMPROT, fornecida pelo sítio da RFB, através da cópia da imagem a seguir colacionada, onde pode ser constatado que trata se de, s.m.j., impugnação do termo de indeferimento do simples nacional, e não impugnação face à exclusão do sistema SIMPLES. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10980.726972/201318 Resolução nº 2202000.866 S2C2T2 Fl. 192 7 13. Tratandose realmente de impugnação face a indeferimento de adesão ao SIMPLES, deve ser ressaltado que a contestação de tal indeferimento não tem efeito suspensivo, conforme Perguntas e Respostas do Manual do SIMPLES Nacional, publicado no sítio da Receita Federal do Brasil, tópico 2.17, nota 1. Ou seja, durante a tramitação de impugnação face a indeferimento de adesão ao sistema, a empresa não será considerada optante pelo Simples Nacional, e os Autos de Infração em comento não devem ser sobrestados. 14. Constatados tais fatos e tendo em vista que a apreciação de cinco peças Recursais depende da verificação do real motivo impugnatório ou até da eventual conclusão da apreciação da alegada impugnação a um suposto ato de exclusão do SIMPLES, entendo pela conversão deste Julgamento em Diligência, a fim de que a DRF Curitiba manifestese sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/200950. Conclusão 15. Ante o exposto, voto pela conversão deste Julgamento em Diligência, para que a DRF Curitiba manifestese sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/ 200950, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.900956/2011-68
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
Numero da decisão: 3003-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 56 /2 01 1- 68 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201168 Acórdão n.º 3003000.205 S3C0T3 Fl. 172 2 Tratase de pedido de PERD/COMP n.º 16745.40733.090410.1.7.016646, no qual a Recorrente solicitou o ressarcimento de IPI no valor de R$ 134.773,24, ocorrendo a glosa pela Receita Federal no valor de R$ 16.742,71. O despacho decisório fundamentou a glosa nos seguintes fatos: Ato contínuo a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, sem provas, impugnando o despacho decisório, levando a DRJ ao seguinte relato: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em epígrafe, que foi parcialmente concedido ao contribuinte, na medida que a fiscalização refez o cálculo por ter apurado que todas as saídas para exportação, neste período, descumpriram a condição suspensiva prevista no art. 45, inciso V, alínea do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI), por não terem sido enviadas diretamente a recintos alfandegados ou porto, por conta e ordem de comercial exportadora, conforme foi observado nas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. Além disso, com base na escrituração do contribuinte recalculou a exclusão dos insumos que foram utilizados na produção de produtos não tributados (NT na TIPI). Tempestivamente, a manifestante contesta a redução do crédito presumido alegando, com relação às saídas para exportação, que, embora as notas fiscais (não apontadas objetivamente) não citem o local da entrega, como as empresas comerciais exportadoras localizamse em salas comerciais, restaria claro que tais operações configuram fim específico à exportação, conforme Acórdão 1128.042 5ª Turma da DRJ/REC. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu acórdão n. 1458.677. cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201168 Acórdão n.º 3003000.205 S3C0T3 Fl. 173 3 DIREITO CREDITÓRIO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser incluídas na base de cálculo do benefício as vendas comprovadamente feitas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, remetidos diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. Inconformada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, acrescentando como prova asnota fiscal, efls 153, com o respectivo endereço de entrega dos produtos nas fls 149, no mais replicou os termos da Manifestação de Inconformidade. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II1, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 1702 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. 1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; 2 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201168 Acórdão n.º 3003000.205 S3C0T3 Fl. 174 4 Compulsando os autos verifico que a questão relativa ao crédito de IPI sobre mercadorias para fins específicos de exportação esbarrou na necessidade da Recorrente contrapor o argumento da Receita Federal que alega que fiscalização refez o cálculo por ter apurado que todas as saídas para exportação, no período solicitado, descumpriram a condição suspensiva prevista no art. 39 da lei 9532/1997, por não terem sido enviadas diretamente a recintos alfandegados ou porto, por conta e ordem de comercial exportadora, conforme foi observado nas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Muito embora o Recurso Voluntário tenha sido instruído com notas fiscais e endereços das empresas exportadoras o momento para tal ato já havia sido ultrapassado, de maneira que a não apresentação das provas junto com a Manifestação de Inconformidade faz com que precluisse o direito de fazêlo posteriormente. Ainda assim, em homenagem ao princípio da verdade real, analisando melhor este processo administrativo, busquei a comparação entre as notas fiscais apresentadas junto ao Recurso Voluntário e o extrato transmitido na PERD/COMP (efls 28 a 122) e não localizei os referidos descritivos fiscais no extrato. Nesse sentido, sequer tenho indícios para abrir diligência. O momento de comprovar de maneira contrária as conclusões da Fiscalização era na apresentação da impugnação, conforme previsto no Decreto n.º70.235/72 que regula do processo administrativo fiscal Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201168 Acórdão n.º 3003000.205 S3C0T3 Fl. 175 5 (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 1302003.394, nos seguintes termos: Este colegiado têm decidido, reiteradamente, por não conhecer de novos argumentos e provas acostadas aos autos depois da impugnação, tendo em vista nos termos do art. 16 e 17 do PAF, que estabelecem para aquele momento o prazo preclusivo para apresentar os pontos de discordância e as documentos para corroborar suas alegações, salvo se, comprovadamente, reste demonstrada fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 1302002.347, de 22/11/2018 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. Acórdão nº 1302002.159, de 16/10/2018 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201168 Acórdão n.º 3003000.205 S3C0T3 Fl. 176 6 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. Contudo, no caso em comento, não há mais possibilidade de oportunizar a Receita Federal de contrapor os documentos juntados após o julgamento da Manifestação de Inconformidade e também por essa razão não cabe apreciálas. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequencias do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, dos documentos acostados não se pode presumir diferente do entendimento do que foi presumido pela DRJ. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201168 Acórdão n.º 3003000.205 S3C0T3 Fl. 177 7 Da mesma maneira entendo com relação as glosas realizadas para os insumos, visto que na Manifestação de Inconformidade não ficou claro o exato motivo, valores e períodos das glosas, bem como não há provas suficientes para entendimento diferente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e não homologar na integralidade o pedido de ressarcimento de crédito realizado pela Recorrente. É como entendo. Márcio Robson Costa Relator Fl. 177DF CARF MF
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