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Numero do processo: 10140.722714/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 27 14 /2 01 5- 16 Fl. 74DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de despesas médicas no valor de R$14715,00, por falta de requisitos formais nos recibos apresentados e por falta de comprovação do efetivo pagamento. A contribuinte em 29/10/2015 apresenta os documentos de fls 5 a 11 para comprovação das despesas médicas, com a informação de pagamento em espécie pelos prestadores de serviços . Nesse sentido, cabe esclarecer que os recibos e as declarações, porquanto manifestações unilaterais, não se prestam à comprovação inequívoca da ocorrência dos fatos neles descritos, sejam pagamentos, sejam os serviços. Quando muito, podem instrumentalizar uma discussão de direito entre as partes, circunscrita a essa relação privada, não tendo eficácia plena perante terceiros, mormente a Fazenda Pública e, ainda mais, quando se pretende, como no caso, modificar a base de cálculo de tributo. O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Reproduzimos uma passagem do recurso: Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10140.722714/201516 Acórdão n.º 2001000.987 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. Contribuinte apresentou recibos e declarações dos profissionais. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. As alegações de recusa se prenderam a questões genéricas de não comprovação do pagamento, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 76DF CARF MF 4 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10140.722714/201516 Acórdão n.º 2001000.987 S2C0T1 Fl. 4 5 “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 78DF CARF MF 6 Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.910312/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração janeiro de 2008, no valor de R$ 28.727,00, transmitida através do PER/Dcomp nº 13961.72812.311012.1.3.040670. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 10 31 2/ 20 12 -4 5 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.910312/201245 Resolução nº 3402001.683 S3C4T2 Fl. 133 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador homologou parcialmente a compensação, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido parcialmente utilizado para quitar débito do contribuinte. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados no fato de que teria tributado erroneamente à alíquota de 3% as receitas de venda de produtos de Código NCM 9018.39.29, sujeitos à alíquota zero (Decreto nº 6.426/2008), tendo, inclusive, retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório para constar o valor correto. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, vez que ela, em desacordo ao disposto no art. 147 do CTN, limitouse à retificação da DCTF, sem a comprovação do erro correspondente. Cientificada dessa decisão em 27/07/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/08/2015, alegando, em síntese, que o recolhimento a maior poderia ser facilmente comprovado pelas Notas Fiscais juntadas, bem como pelos livros fiscais da empresa, comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB e pela sua Declaração de Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. O julgador a quo salientou em sua decisão que: "Para que fosse possível apurar se houve tributação indevida de parte de suas receitas, o interessado deveria ter apresentado todas notas fiscais do período de apuração, acompanhadas dos livros contábeis, para que se pudesse contabilizar as receitas totais, apartar as receitas tributadas à alíquota zero e comparar a Cofins devida com o montante recolhido". Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou os documentos reclamados na decisão recorrida, os quais, poderiam, em tese, comprovar o seu direito creditório ou parte dele. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.910312/201245 Resolução nº 3402001.683 S3C4T2 Fl. 134 3 jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902625/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 26 25 /2 01 2- 71 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10675.902625/201271 Acórdão n.º 3401005.536 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada por inexistência de crédito disponível para a compensação pretendida, conforme informação constante do Despacho Decisório. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade onde sustentou o direito ao crédito, alegando mero erro no preenchimento da DCTF. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 14052.039, em que se decidiu, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.533, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10675.902622/201237, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.533): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10675.902625/201271 Acórdão n.º 3401005.536 S3C4T1 Fl. 4 3 Para iniciar o exame da controvérsia é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. A contribuinte, não obstante, defende a existência de seus créditos, alegando que refez os cálculos de apuração para computar exclusões a título de receitas isentas ou sujeitas a alíquota zero. Pelo que se depreende de sua Manifestação de Inconformidade, tais exclusões estariam baseadas na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002. A Lei nº 10.485, de 2002, traz as seguintes hipóteses de exclusão da base de cálculo e tributação à alíquota zero à época dos fatos: Art. 2° Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata aLei no Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10675.902625/201271 Acórdão n.º 3401005.536 S3C4T1 Fl. 5 4 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. ... § 2° Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. ... Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere oart. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (destaques acrescidos) Segundo a Manifestação de Inconformidade e o Contrato Social vigente à época, a contribuinte tem por objetos social: a) o comércio de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas e respectivas peças, sob forma de concessão comercial prevista pela Lei 6729 de 28 de novembro de 1979; b) atividade auxiliar e dependente de concessão comercial de que trata a letra ‘a’ anterior a prestação serviços de assistência técnica aos produtos objeto da concessão comercial; c) o comércio de veículos, motores, máquinas, equipamentos, peças e acessórios; d) o comércio de combustíveis e lubrificantes; e) o comércio de produtos ligados à agropecuária; f) a importação e a exportação dos produtos mencionados nas letras anteriores. Embora as atividades apontadas no objeto declarado no Contrato Social sejam correlatas àquelas visadas na legislação, a pretensão da contribuinte esbarra na falta de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10675.902625/201271 Acórdão n.º 3401005.536 S3C4T1 Fl. 6 5 documentação contábilfiscal que dê suporte ao denominado “Relatório de Vendas Monofásicas – Período de Apuração Julho 2003”, trazido aos autos a título de prova dos argumentos. Da forma como posta, é preciso fixar que a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi” não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. No universo da compensação tributária, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Portanto, a prova da liquidez e certeza do crédito, requisitos essenciais para o seu reconhecimento, cabe à interessada. No caso, caberia a prova, por meio de documentação contábilfiscal hábil, de que as vendas contidas no Relatório de Vendas Monofásicas efetivamente ocorreram e que o faturamento correspondente foi levado à apuração daquele período. A partir tão somente do relatório produzido pela contribuinte, é impossível a comprovação de que as vendas aconteceram e de que envolveram aqueles bens. Os benefícios conferidos pela legislação citada são restritos a alguns bens e produtos, cuja receita deve ser tributada a alíquota nula ou excluída da base. Para que se reconheça à contribuinte a existência de pagamento indevido ou a maior, é preciso que esteja provado o efetivo auferimento de receitas alcançadas pelo benefício fiscal, o que somente é possível a partir da documentação contábil e fiscal correspondente. No caso, tal documentação não foi trazida aos autos, pelo que o Relatório apresentado carece de sustentação. Como se pode ver, o panorama que se desenha para análise, limitandose ao universo das declarações e atos da contribuinte perante a Administração Tributária, revelase inconclusivo. Com efeito, enquanto o pagamento e a DCTF original afirmam ser um o valor do tributo apurado, a contribuinte apresenta um relatório tentando provar que outro seria seu débito para com a Fazenda. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10675.902625/201271 Acórdão n.º 3401005.536 S3C4T1 Fl. 7 6 Não é de somenos importância, no caso, o fato de que a alegada revisão dos cálculos teria acontecido aproximadamente quatro anos após a apuração original. Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10675.902625/201271 Acórdão n.º 3401005.536 S3C4T1 Fl. 8 7 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723106/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. CONTAGEM.
O prazo para apresentação de impugnação ou de manifestação de inconformidade é de 30 dias, contados da dada da ciência da notificação de lançamento, do auto de infração ou do despacho decisório.
Numero da decisão: 2401-005.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO. PRAZO. CONTAGEM. O prazo para apresentação de impugnação ou de manifestação de inconformidade é de 30 dias, contados da dada da ciência da notificação de lançamento, do auto de infração ou do despacho decisório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.723106/201337 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.965 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente P&G MONTAGENS DE FEIRAS E EVENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO. PRAZO. CONTAGEM. O prazo para apresentação de impugnação ou de manifestação de inconformidade é de 30 dias, contados da dada da ciência da notificação de lançamento, do auto de infração ou do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 31 06 /2 01 3- 37 Fl. 212DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Contra o sujeito passivo acima identificado foram lavrados os seguintes Autos de Infração, a saber: · DEBCAD n° 51.019.6101 – no valor total de R$ 57.354,99 (fls. 131/136): referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pela empresa. A base de cálculo são as remunerações informadas em DIRF; · DEBCAD n° 51.041.5784 – no valor total de R$ 6.567,17 (fls. 137/141): referente às contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, devidas pela empresa. A base de cálculo são as remunerações informadas em DIRF; e · DEBCAD n° 51.041.5792 – no valor total de R$ 19.488,86 (fls. 142/147): referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pelos segurados. A base de cálculo são as remunerações informadas em DIRF. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 05/10), os créditos tributários lavrados correspondem a Autos de Infrações por descumprimento a obrigações principais, os quais estão relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias não declaradas pelo sujeito passivo. Os valores consolidados referemse a contribuições incidentes sobre os valores pagos a segurados, informados em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) constante na base de dados da SRFB, valores estes não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Devidamente cientificada, a Interessada apresentou impugnação (fls. 171/172) em 02/07/2013 (conforme envelope à fl. 173), por intermédio de procurador regularmente constituído, alegando o que segue: (i) Há um lançamento referente a seis segurados que aparecem na DIRF e aparentemente não teriam sido informados na GFIP e sobre eles não teria havido a incidência das contribuições previdenciárias com todos os seus reflexos. (ii) Na verdade na parte referente a contabilização das informações prestadas em DIRF nos termos do Relatório Fiscal, não houve erro entre DIRF e as demais contas escrituradas. Fundamentalmente foi um erro de contabilização, ou seja, o contador provisionava e pagava contra caixa inadvertidamente lançava em contas a pagar. Na verdade esses valores já tinham sido submetidos e a tributação integravam prolabore retiradas que eram informadas na competente GFIP do mês de referência. (iii) Esses são os fatos que ensejaram a baixa desses valores nas contas a pagar e que foram entendidos pelo fiscal autuante como valores não oferecidos a tributação. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18470.723106/201337 Acórdão n.º 2401005.965 S2C4T1 Fl. 3 3 (iv) As retiradas pro labore, retiradas a pagar, contribuições de previdência a recolher que foram baixadas da conta despesa, tecnicamente são puro e simples estorno, o fiscal autuante foi informado desses fatos, mas aparentemente não quis vêlos como estorno ou mesmo cientificarse que naqueles meses de competência os valores dessas retiradas pro labore estavam incluindo na GFIP. (v) São essas informações que a ora reclamante presta a V. Sas. no intuito de ver esses fatos apreciados e mais, ver cancelado o auto de infração DEBCAD que deu origem a esse lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0128.315 da 4ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 192/195, não conhecendo da impugnação apresentada, por intempestiva, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação intempestiva com argüição de tempestividade tem o condão de instaurar o contencioso administrativo tãosomente em relação à alegação de tempestividade. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Do resultado do julgamento, o contribuinte Recorrente foi intimado em 22/09/2014 (fl. 198). Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 21/10/2014 (às fls. 200/2004), argumentando, em síntese, o que segue: Alega que o acórdão recorrido não apreciou o mérito de sua defesa originária por têla considerado intempestiva, entretanto entende que sua Impugnação foi apresentada em tempo hábil já que a ciência dos autos de infração deuse em 31/05/2013 (sextafeira) e o primeiro dia útil ocorreu no dia 03/06/2013 (segundafeira), razão pela qual a peça impugnatória foi apresentada em (02/07/2013). Esclarece que em 27/05/2013 recebeu a notificação do Auto de Infração e seu anexos e em 31/05/2013 recebeu o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF. Assim, em que pese a empresa ter tomado ciência do auto de no dia 27/05/2014, como não estava instruída com TODOS os termos, em especial o TEPF, aptos á demonstrarem a comprovação do direito alegado pela Fazenda Nacional, o exercício do contraditório e da ampla defesa restaram prejudicados. Fl. 214DF CARF MF 4 Ao final requer que, em homenagem ao princípio da verdade material, já que existem 2 (dois) AR´s um de 27/05/2013 3 outro de 31/05/2013, referentes ao mesmo processo e mesmo lançamento, se considere que um complementa o outro , permitindose dar pela tempestividade da Impugnação, já que a adoção do referido critério não fere a legislação de regência, nem tampouco gera qualquer prejuízo ao FISCO, restituindose os autos para a primeira instância para julgamento do mérito. No mérito alega que no que se refere ao lançamento de seis segurados que aparecem na DIRF e que aparentemente não teriam sido informados na GFIP, e via de consequência, não ocorrendo a incidência das contribuições previdenciárias e seus reflexos, decorre de um equívoco. Que na verdade não houve erro entre a DIRF e as demais contas escrituradas constantes do REFISC, o que houve foi um erro de contabilização, já que o Contador provisionava e pagava contracaixa e, inadvertidamente lançava em contas à pagar. Ou seja, na verdade esses valores já haviam sido submetidos à tributação e integravam o pro labore/retirada que era informado na competente GFIP do mês de referência. Nessa linha de entendimento, essas retiradas são puros e simples estornos. Assim requer o cancelamento do auto que deu origem a esse lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/09/2014 (fls. 198), e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 21/10/2014 (fl. 200), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO a. Da tempestividade da impugnação. O cerne preliminar da questão reside em saber se a peça de impugnação apresentada pelo contribuinte encontrase tempestiva, para posterior análise de mérito de suas alegações. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18470.723106/201337 Acórdão n.º 2401005.965 S2C4T1 Fl. 4 5 De acordo com os fundamentos da decisão recorrida, a Impugnação é intempestiva nos seguintes termos (fl. 194): “Assim, considerando que a ciência postal dos lançamentos pela notificada foi dia 27/05/2013 (segundafeira), comprovada pela assinatura constante no AR às fls. 155 dos autos e efetuandose a contagem do prazo nos termos previstos no art. 5º do PAF, isto é, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento, temse como termo final para a apresentação da impugnação, o dia 26/06/2013, quartafeira. Considerando que a defesa foi postada em 02/07/2013, conforme atesta o envelope às fls. 173/174, configurada está sua intempestividade.” Por sua vez, o Recorrente refuta as alegações de primeira instância no sentido de que os autos dão conta da existência de dois Avisos de Recebimentos (AR), um de 27.05.2013, e outro de 31.05.2013, referentes ao mesmo processo e ao mesmo lançamento. Nesse contexto, argumenta que a segunda notificação recebida (AR fl. 158), em 31.05.2013 (sextafeira), dá início à contagem de prazo de 30 (trinta) dias para Impugnação somente no primeiro dia útil subsequente, ou seja, 03.06.2013, tendo, por sua vez, o prazo final, a data de 02.07.2013 (terçafeira), data da postagem da defesa (fl. 173). Com efeito, analisando os autos, verificase a existência de duas intimações/notificações endereçadas ao contribuinte P&G MONTAGENS DE FEIRAS E EVENTOS LTDA. A primeira informa a data de recebimento do AUTO DE INFRAÇÃO E ANEXOS no dia 27.05.2013 (fl. 155), conquanto a segunda dá conta do recebimento do TEPF, no dia 31.05.2013 (fl. 158). O artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 preconiza que “A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Debruçandome sobre os subsídios constantes dos autos, verifiquei que as alegações do contribuinte não podem prosperar. Todo o Auto de Infração foi entregue em 27/05/2013, iniciando aí o prazo para apresentação de sua defesa. No TEPF (fls. 157) que foi entregue no dia 31/05/2013, em uma única folha, consta apenas a relação dos autos de infração lavrados contra a empresa, período a que se referiam, data de lavratura e valor. Essas mesmas informações constam no respectivo Auto de Infração objeto da notificação ocorrida no dia 27/05/2013, não ocorrendo nenhum prejuízo à defesa do Contribuinte sua entrega a posteriori. O prazo para apresentação de impugnação é de 30 dias, contados da dada da ciência da notificação de lançamento, do auto de infração ou do despacho decisório. A regra geral sobre contagem de prazos no processo administrativo fiscal é estabelecida pelo artigo 5º, do Decreto nº. 70.235/72: Fl. 216DF CARF MF 6 “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” De acordo com a legislação acima, e levandose em consideração a notificação recebida (AR fl. 155), em 27.05.2013 (terçafeira), o dies a quo da contagem de prazo de 30 (trinta) dias para Impugnação é 27.06.2013 (quintafeira), tendo, por certo que a data de postagem da defesa em 02/07/2013 (terçafeira) é intempestiva. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário para considerar intempestiva a impugnação apresentada, razão pela qual há questão prejudicial à análise do mérito. Assim mantenho na íntegra a decisão proferida pela primeira instância. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatora Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723759/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
ARBITRAMENTO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL.
A falta da escrituração exigida por lei implica necessariamente o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário, seja qual for a opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual.
CONDOMÍNIO E PARCERIA RURAL. INFORMAÇÃO PRESTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ALTERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Tendo o lançamento sido baseado nas informações prestadas pelos próprios interessados em relação à existência de condomínio familiar e parcerias rurais, com a correspondente distribuição de valores a cada um pertencente, incumbe ao interessado o ônus da prova da incorreção que aventa a fim de modificar o crédito tributário constituído.
Numero da decisão: 2401-005.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o lançamento seja recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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A falta da escrituração exigida por lei implica necessariamente o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário, seja qual for a opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. CONDOMÍNIO E PARCERIA RURAL. INFORMAÇÃO PRESTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ALTERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Tendo o lançamento sido baseado nas informações prestadas pelos próprios interessados em relação à existência de condomínio familiar e parcerias rurais, com a correspondente distribuição de valores a cada um pertencente, incumbe ao interessado o ônus da prova da incorreção que aventa a fim de modificar o crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o lançamento seja recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 37 59 /2 01 2- 77 Fl. 12577DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.578 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração em que são exigidos R$ 2.412.682,25 de imposto de renda, além da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais correspondentes, estando a autuação relacionada à apuração de omissão de rendimentos da atividade rural, nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, nos respectivos valores de R$ 2.500.417,27, R$ 4.074.541,65 e R$ 2.528.925,91. O detalhamento do procedimento fiscal encontrase descrito em Termo de Verificação Fiscal (fls. 12.474/12.493). Cientificado, por via postal, em 11/05/2012 (fl. 12.505), sextafeira, o interessado, em conjunto com procuradores (fls. 12.526/12.532), apresentou, tempestivamente, em 12/06/2012, impugnação (fls. 12.509/12.525). Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), por meio do Acórdão nº 0647.387 (fls. 12536/12544), de 10/06/2014, cujo dispositivo considerou Improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CRÉDITOS INFERIORES A R$ 12.000,00. SOMATÓRIO NO ANOCALENDÁRIO. Para efeito de determinação da omissão de rendimentos, são considerados os créditos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 caso o seu somatório, dentro do ano calendário, ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO EXERCIDA NA DECLARAÇÃO. MODIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. A opção exercida pelo contribuinte, nas declarações de ajuste anual apresentadas, pela apuração do resultado da atividade rural pelo confronto das receitas brutas e das despesas de custeio e de investimento não pode ser modificada pelo simples fato de se verificar que essa deixou de lhe ser favorável em face de omissão de rendimentos. CONDOMÍNIO E PARCERIA RURAL. INFORMAÇÃO PRESTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ALTERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Tendo o lançamento sido baseado nas informações prestadas pelos próprios interessados em relação à existência de condomínio familiar e parcerias rurais, com a correspondente Fl. 12578DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.579 3 distribuição de valores a cada um pertencente, incumbe ao interessado o ônus da prova da incorreção que aventa a fim de modificar o crédito tributário constituído. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O impugnante suscita falta de observância, no lançamento, a dispositivos legais, indagando, especificamente, que não teria sido observada a restrição do inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o direito ao arbitramento do resultado da atividade rural em 20% da receita bruta e o condomínio ou parceria existente na exploração da atividade rural. 2. Quanto aos limites de R$ 12.000,00 e de R$ 80.000,00, previstos no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997, equivocase o impugnante. 3. A previsão legal é inequívoca: a partir da alteração dada pela Lei nº 9.481, de 1997, créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados na determinação da omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, desde que o seu somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 no anocalendário. Ou seja, créditos superiores a R$ 12.000,00 são sempre computados na apuração da omissão; créditos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 também, desde que o seu somatório não ultrapasse R$ 80.000,00. 4. No caso concreto, consoante anexo do Termo de Intimação de 30/06/2011, às fls. 1129/1181, constatase que os depósitos questionados inferiores a R$ 12.000,00, no anocalendário 2008, são superiores a R$ 80.000,00, não vingando a tese suscitada, salientandose que a explicação relativa ao depósito bancário de R$ 8.000,00 apenas foi destacada do montante tributado no anocalendário, que totalizou R$ 4.074.541,65, por se tratar de valor para o qual não foi acatada a razão de exclusão apontada pelos contribuintes, conforme descrito à fl. 12.488. 5. Apenas aplicarseia a regra suscitada pelo impugnante caso não houvesse créditos inferiores a R$ 12.000,00 no montante de R$ 4.074.541,65 que não somassem R$ 80.000,00. 6. Quanto ao cálculo do imposto devido em face da omissão constatada, também não há como ser acolhido o pleito para que se efetue o cálculo arbitrado do resultado da atividade rural na proporção de 20% da receita bruta. 7. Acerca da apuração do resultado da atividade rural, os arts. 4º e 5º da Lei nº 8.023, de 1990, estabelecem: Fl. 12579DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.580 4 Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no ano base. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. 8. O impugnante baseia sua alegação na suposição de que teria optado pelo arbitramento do resultado da atividade rural nas declarações de ajuste anual. No entanto, não é essa a informação que consta das declarações de imposto de renda apresentadas, às fls. 03/45. 9. No anocalendário 2007, à fl. 21, verificase que o contribuinte, em detrimento da opção pelo arbitramento do resultado, que seria de R$ 362.251,53, escolheu apurar o resultado da atividade rural, de R$ 33.484,04, pelo confronto da receita bruta total (R$ 1.811.257,62) com as despesas de custeio e investimento (R$ 1.447.853,12), compensando prejuízo de exercício anterior (R$ 329.920,38). 10. No anocalendário 2008, à fl. 32, o contribuinte levou à tributação o resultado da atividade rural de R$ 24.820,36, em face da apuração de receita bruta de R$ 2.719.966,76 diante de despesas de custeio e investimento de R$ 2.695,146,40, não exercendo a opção pelo arbitramento, que teria como resultado o valor de R$ 543.993,35. 11. Da mesma forma, no anocalendário 2009, à fl. 42, o contribuinte considerou o resultado de R$ 33.646,37, extraído da diferença entre a receita bruta de R$ 735.172,54 e as despesas de custeio e investimento de R$ 701.526,17, abdicando da apuração pelo arbitramento, que conduziria à tributação de R$ 147.034,50. 12. Portanto, como o próprio contribuinte efetuou a apuração do resultado da atividade rural pelo confronto da receita bruta e das despesas de custeio e investimento, não se pode cogitar que no lançamento de ofício seja Fl. 12580DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.581 5 aplicado critério que implique a coexistência das duas metodologias em relação ao mesmo anocalendário. 13. Na realidade, a pretensão do contribuinte é de que seja alterada a opção exercida na declaração de ajuste anual, o que decorre apenas do fato de que, em face das receitas omitidas, deixou de lhe ser favorável tal método de cálculo. 14. Tal razão não é fundamento para que se modifique o lançamento efetuado, salientandose, ademais, que o crédito tributário apurado pela fiscalização não poderia ser composto pela parcela da receita bruta declarada mas que não havia integrado o resultado da atividade rural em face da legítima opção pela tributação do “lucro real”. Assim, caso acatada a tese do impugnante, deixarseia à margem da tributação, por exemplo, no anocalendário 2008, a diferença entre o resultado que adviria do arbitramento, de R$ 543.993,35, e o efetivamente declarado como sujeito ao ajuste, de R$ 24.820,36. 15. Quanto à alegação de que não foi observado o condomínio e as parcerias existentes na exploração da atividade rural, é improcedente. 16. Na apuração dos valores sujeitos ao lançamento de ofício houve o acolhimento das informações prestadas pelo próprio contribuinte e demais interessados no curso da ação fiscal em relação à composição dos valores analisados. 17. Nesse sentido, baseou a fiscalização na discriminação de valores informados pelo contribuinte na resposta ao termo de solicitação de esclarecimentos, às fls. 1.218/1.219, acompanhada dos documentos de fls. 1.220/1.288. 18. Em conformidade com os esclarecimentos prestados, o contribuinte identificou, especificamente, às fls. 1.220, 1.221, 1.237, 1.238, 1.262, 1.265, 1.266, 1.276 e 1.284, a titularidade dos valores creditados nas contas conjuntas, informações essas que foram compiladas pela fiscalização na Tabela 4, às fls. 12.494/12.495. Notese que tais valores são aqueles excedentes às exclusões suscitadas pelo contribuinte, detalhadas pela fiscalização às fls. 12.496/12.497. 19. Os valores totais assumidos pelo contribuinte como sendo de sua responsabilidade foram, então, confrontados com os rendimentos declarados, à fl. 12.498, tendo sido objeto do lançamento de ofício as diferenças não declaradas. 20. Concluise, desse modo, que foi devidamente observada a informação prestada pelo contribuinte no que se refere à titularidade dos valores que transitaram pelas contas analisadas, tendo sido acatada a distribuição que o contribuinte fiscalizado e os demais envolvidos lhes atribuiu, na medida de sua participação, decorrente da alegada atividade agropecuária familiar e em parceria com Rubens Valentini. Fl. 12581DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.582 6 21. Por conseguinte, tendo o lançamento se baseado nas informações prestadas pelos próprios contribuintes envolvidos quanto aos valores que transitavam pelas contas bancárias em conjunto, o que, segundo esclarecido pelos interessados, contemplaria as parcerias existentes na exploração das atividades agropecuárias, incumbe ao impugnante comprovar a incorreção que aventa existir. 22. Assim, se da apuração fiscal resultou que, por exemplo (fl. 12.486), EDUARDO CENCI, no anocalendário 2007, informou rendimentos 195,73% superiores aos depósitos que lhe foram atribuídos, é do contribuinte autuado o ônus da prova de que esses estariam relacionados aos valores da omissão discutida no presente processo, salientandose que, segundo a fiscalização não houve, no que diz respeito ao exemplo citado, a extensão da fiscalização a outras contas eventualmente mantidas por EDUARDO CENCI, o que poderia explicar a diferença a maior. 23. Nesse contexto, sem prova de que o condomínio ou a parceria rural aventada implicaria parâmetros diversos daqueles informados no curso da ação fiscal, descabe modificar o lançamento. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 12551/12561), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Arbitramento – Atividade Rural. O lançamento de ofício não teve por base a escrituração – Decreto n° 3.000/99 (arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário). a. Ao contrário do que afirmado pelo i. Colegiado, não é o caso de coexistência de duas metodologias no mesmo anocalendário, muito menos de eleger procedimento cuja apuração de resultado seja mais favorável ao contribuinte, tendo em vista que é fato incontroverso nestes autos que o lançamento não foi realizado com base na escrituração, mas sim com base em outros elementos não constantes da contabilidade (depósitos bancários e notas fiscais). b. O Fisco, notase, transforma a tributação específica da atividade rural em tributação normal, utilizandose como base de cálculo o valor integral da considerada omissão de receita, em nítida afronta aos diplomas legais que estabelecem que para apurar o resultado da atividade rural, no caso de inexistência de escrituração (hipótese dos autos), a base de cálculo é arbitrada em 20% (vinte por cento) da receita bruta. c. Estabelece o artigo 18 da Lei n° 9.250/95 o seguinte: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. Fl. 12582DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.583 7 § 2° A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. d. Nessa mesma toada é o disposto no § 2° do artigo 60 do Decreto n° 3000, de 1999, segundo o qual “A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei n° 9.250, de 1995, art. 18, § 2°)”. e. O acórdão recorrido afronta, nitidamente, essa regra que estabelece que na falta de escrituração, repitase, que é a situação em tela, o lançamento de ofício será por arbitramento e deverá utilizar como base de cálculo 20% (vinte por cento) da receita bruta para obter o resultado da atividade rural e daí aplicar a alíquota de 27,5% (vinte e sete vírgula cinco por cento). f. O caso em questão se enquadra exatamente naquele dispositivo. Isso porque a apuração das receitas omitidas decorrentes da atividade rural, não se deu com base na escrituração fiscal, mas sim tendo em vista os extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras e as notas fiscais fornecidas pelo contribuinte. g. Não cabe à autoridade fiscal, como se fosse ato arbitrário ou discricionário, afastar aquela regra por entender que na declaração de imposto de renda o contribuinte utilizou outro procedimento para apurar o resultado da atividade rural e por isso não poderia coexistir duas metodologias. h. Optando ou não pela aplicação do artigo 63 (resultado é a diferença entre a receita bruta e as despesas pagas no anocalendário) ou do artigo 71 (resultado presumido), ambos do RIR, o lançamento de ofício realizado sem a escrituração acarreta o arbitramento do resultado em 20% (vinte por cento) da receita bruta da atividade rural. i. Na seara da atividade rural é objetivo do legislador tributar sempre o menor valor, seja o resultado obtido pela diferença entre a receita bruta e as despesas pagas no anocalendário, seja na razão de 20% da receita bruta, porque decorre das próprias peculiaridades dessa atividade, como a incerteza de produção e de comercialização, e ainda dos próprios resultados econômicos do negócio. Artigo 13 da Lei n° 8.023, de 1990. Condomínio e parceria rural. j. O egrégio Colegiado afirma que “Na apuração dos valores sujeitos ao lançamento de ofício houve o acolhimento das informações prestadas pelo próprio contribuinte e demais interessados no curso da ação fiscal em relação à composição dos valores analisados”. k. Ao contrário do que afirma o egrégio Colegiado a quo, o recorrente comprovou tanto a vinculação dos créditos bancários à parceria rural (condomínio rural), cuja atividade rural é realizada em parceria entre Fl. 12583DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.584 8 familiares, como também que eles são os cotitulares das respectivas contas bancárias. Conclusão. l. Pelo exposto, requer o provimento ao presente recurso para reformar o acórdão recorrido para que seja aplicada a legislação vigente no sentido de arbitrar a base de cálculo à razão de 20% (vinte por cento) sobre a receita bruta e reconhecer a parceria rural (condomínio) para imputar os valores decorrentes dos depósitos bancários que sejam superiores àqueles indicados nas declarações de rendimento dos condôminos/cotitulares das contas bancárias, proporcionalmente a cada um deles. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Fl. 12584DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.585 9 Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Mérito. De início, destacase que a autuação está relacionada à apuração de omissão de rendimentos da atividade rural, nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, nos respectivos valores de R$ 2.500.417,27, R$ 4.074.541,65 e R$ 2.528.925,91, sendo que a acusação fiscal foi estribada nos artigos 57 a 61, 71 e 83 do RIR/99, que tratam especificamente dos rendimentos da atividade rural, não cabendo ao julgador inovar a acusação fiscal ou alterar a motivação do lançamento. E, ainda, não só os termos da acusação fiscal, mas também o conjunto fático probatório que compõe os autos do presente processo administrativo, convergem no sentido de que o recorrente exerce a atividade rural e que as suas receitas são originárias exclusivamente dessa atividade econômica. É ver os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12474/12493): 0001 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL O contribuinte omitiu rendimentos da atividade rural, conforme termo de verificação fiscal e anexos. (...) Na resposta ao Termo de Intimação de 30/06/2011, Juvenil informou que é agricultor e criador de suínos e bovinos, sendo que toda sua receita operacional é oriunda de atividade agropecuária e que o restante de sua movimentação financeira se dá em função da administração de suas atividades. (...) Fl. 12585DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.586 10 Na resposta a este termo, apresentada em 08/12/2011, Juvenil inicialmente confirma formalmente as cotitularidades da tabela 2 e informa da necessidade de retificar as informações anteriormente apresentadas, dado que elas não levaram em consideração a movimentação financeira pertencente efetivamente aos cotitulares das contas. Esclarece que o compartilhamento das contas se deu em função de todos serem produtores rurais que atuam no mesmo agronegócio familiar, exclusivamente de natureza agropecuária, envolvendo a produção e comercialização de grãos (principalmente soja, milho, feijão e trigo), criação e comercialização de bovinos e também suinocultura, sendo esta última atividade em parceria com Rubens Valentini. Ele alega que os recursos financeiros oriundos dessas atividades são movimentados nas contas fiscalizadas e que, como líder administrativo do grupo familiar, ele figura como titular em todas elas. (...) As respostas dos cotitulares aos respectivos TIPFs, em resumo, confirmar as informações prestadas por essa resposta de Juvenil, inclusive quanto a quais contas e em quais períodos ocorreram as cotitularidades, e qual o quantitativo de suas participações financeiras em cada conta por ano. (...) À exceção de Rubens Velentini, as respostas de Juvenil e seus co titulares de 16/12/2011 e 05/03/2012 foram apresentadas de forma conjunta e elas reforçam que as contas em análise são compartilhadas entre os cotitulares pelo fato de serem todos produtores rurais atuantes no mesmo agronegócio familiar. Também é esclarecido que não há relação direta entre os créditos e depósitos em conta corrente, e a aferição de receitas agropecuárias do grupo, assim como também não há relação direta entre as notas fiscais da venda (onde consta o nome da fazenda e do responsável por ela) e a receita agropecuária auferida por cada um e declarada nos anexos de atividade rural das DIRPFs. A exploração seria feita em conjunto em diferentes propriedades e posteriormente alocada a cada um dos produtores conforme parceria firmada informalmente entre as partes. (...) ANOCALENDÁRIO 2007 (...) Item 2: A consolidação feita na tabela 6 (em anexo) nos mostra que: a) Juvenil Cenci: os créditos bancários que lhe foram atribuídos, e informados com oriundos de receitas da atividade rural, são Fl. 12586DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.587 11 138% maiores que o valor informado como receita bruta da atividade rural na DIRPF/2008. Esta diferença de R$ 2.500.417,27 será lançada como omissão de receita, pois não foi oferecida à tributação no anocalendário de 2007; (...) Item 3: Como se pode verificar das notas fiscais emitidas em 2007 das fazendas Miunça, Sussuarana, Yanoama, da Mata, Farroupilha, Matão, Chimango, Maragato, Baixada do Jardim e Umburana, que foram apresentadas em resposta aos Termos de Ciência e de Solicitação de Documentos de 30/01/2012 por Juvenil e os cotitulares de suas contas, de fato todas elas são oriundas de venda de produtos da atividade agropecuária, como: milho, suínos para abate, arroz, bois para abate, equinos para competição, leitões para recria, feijão, sorgo e trigo. Além disso, podemos constatar da tabela 7 que o somatório das notas fiscais apresentadas constitui aproximadamente 86% das receitas brutas de atividade rural informadas nas DIRPFs, o que nos permite considerar a totalidade destas receitas declaradas como de fato sendo de atividade rural. Diante de todo o exposto, no caso das presentes fiscalizações, à exceção das de Juvenil e Izidoro, não há que se falar em lançamento de créditos tributários correspondentes a créditos/depósitos bancários não justificados, nem de rendimentos tributáveis da atividade rural que não tenham sido oferecidos à tributação em DIRPF, para o anocalendário de 2007. Para Juvenil Antônio Cenci, conforme apurado no item 2), será lançada a omissão de receita no valor de R$ 2.500.417,27 para o anocalendário de 2007. (...) ANOCALENDÁRIO 2008 (...) Item 2: A consolidação feita na tabela 6 (em anexo) nos mostra que: a) Juvenil Cenci: os créditos bancários que lhe foram atribuídos, e informados com oriundos de receitas da atividade rural, são 150% maiores que o valor informado como receita bruta da atividade rural na DIRPF/2009. Esta diferença de R$ 4.072.541,65 será lançada como omissão de receita, pois não foi oferecida à tributação no anocalendário de 2008; (...) Item 3: Como se pode verificar das notas fiscais emitidas em 2008 das fazendas Miunça, Sussuarana, Yanoama, da Mata, Farroupilha, Matão, Chimango, Maragato, Baixada do Jardim e Umburana, que foram apresentadas em resposta aos Termos de Ciência e de Solicitação de Documentos de 30/01/2012 por Juvenil e os cotitulares de suas contas, de fato todas elas são Fl. 12587DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.588 12 oriundas de venda de produtos da atividade agropecuária, como: milho, suínos para abate, bois para abate, novilhas e bezerros, leitões para recria, vacas, feijão, sorgo, trigo e aveia. Além disso, podemos constatar da tabela 7 que o somatório das notas fiscais apresentadas constitui aproximadamente 95% das receitas brutas de atividade rural informadas nas DIRPFs, o que nos permite considerar a totalidade destas receitas declaradas como de fato sendo de atividade rural. Diante de todo o exposto, no caso das presentes fiscalizações, à exceção das de Juvenil, Valdemar e Izidoro, não há que se falar em lançamento de créditos tributários correspondentes a créditos/depósitos bancários não justificados, nem de rendimentos tributáveis da atividade rural que não tenham sido oferecidos à tributação em DIRPF, para o anocalendário de 2008. Para Juvenil Antônio Cenci, conforme apurado no item 2), será lançada a omissão de receita no valor de R$ 4.074.541,65 para o anocalendário de 2008. (...) ANOCALENDÁRIO 2009 (...) Item 2: A consolidação feita na tabela 6 (em anexo) nos mostra que: a) Juvenil Cenci: os créditos bancários que lhe foram atribuídos, e informados com oriundos de receitas da atividade rural, são 339% maiores que o valor informado como receita bruta da atividade rural na DIRPF/2010. Esta diferença de R$ 2.493.925,81 será lançada como omissão de receita, pois não foi oferecida à tributação no anocalendário de 2009; (...) Item 3: Como se pode verificar das notas fiscais emitidas em 2009 das fazendas Miunça, Sussuarana, Yanoama, da Mata, Farroupilha, Matão, Chimango, Maragato, Baixada do Jardim e Umburana, que foram apresentadas em resposta aos Termos de Ciência e de Solicitação de Documentos de 24/02/2012 por Juvenil e os cotitulares de suas contas, de fato todas elas são oriundas de venda de produtos da atividade agropecuária, como: milho, suínos para abate, vacas para abate, bezerros, leitões para recria, feijão, soja, sorgo e trigo. Além disso, podemos constatar da tabela 7 que o somatório das notas fiscais apresentadas constitui aproximadamente 106% das receitas brutas de atividade rural informadas nas DIRPFs, o que nos permite considerar a totalidade destas receitas declaradas como de fato sendo de atividade rural. Diante de todo o exposto, no caso das presentes fiscalizações, à exceção das de Juvenil, e Eduardo, não há que se falar em lançamento de créditos tributários correspondentes a créditos/depósitos bancários não justificados, nem de Fl. 12588DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.589 13 rendimentos tributáveis da atividade rural que não tenham sido oferecidos à tributação em DIRPF, para o anocalendário de 2009. Para Juvenil Antônio Cenci, conforme apurado no item 2), será lançada a omissão de receita no valor de R$ 2.528.925,81 para o anocalendário de 2009. Cabe pontuar que, no presente caso, a tributação fora realizada sobre a diferença encontrada entre os créditos bancários atribuídos ao contribuinte autuado e o valor informado como receita bruta da atividade rural nas respectivas DIRPFs, tendo sido estribada com base nos extratos bancários obtidos mediante Requisições de Movimentação Financeira – RMF feitas à diversas instituições financeiras, e inúmeros outros documentos comprobatórios, todos listados abaixo, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12474/12493): Declarações do imposto de renda pessoa física dos exercícios de 2007 a 2010 (fls. 3 a 45); Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 46 a 48); Termos de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal (fls. 49 a 73); 1° Termo de Intimação Fiscal – TIF (fls. 74 a 75); Pedido de prorrogação de prazo (fls. 76 a 77); Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – Banco do Brasil e resposta (fls. 78 a 105); Extratos bancários – Banco do Brasil (fls. 106 a 432); Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – Banco Bradesco e resposta (fls. 433 a 449); Extratos bancários – Banco Bradesco (fls. 450 a 458); Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – Banco de Brasília e resposta (fls. 459 a 462); Extratos bancários – Banco de Brasília (fls. 463 a 480); Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – Caixa Econômica Federal e resposta (fls. 481 a 488); Extratos bancários – Caixa Econômica Federal (fls. 489 a 494); Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – Cooperativa de Crédito Rural de Brasília e resposta (fls. 495 a 556); Extratos bancários – Cooperativa de Crédito Rural de Brasília (fls. 557 a 1.128); 2° Termo de Intimação Fiscal – TIF (fls. 1.129 a 1.182); Pedido de prorrogação de prazo (fl. 1.183); Fl. 12589DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.590 14 Resposta ao 2° TIF (fls. 1.184 a 1.205); Pedido de prorrogação de prazo (fls. 1.206 a 1.209); Termo de Solicitação de Esclarecimentos (fls. 1.120 a 1.216); Pedido de prorrogação de prazo (fl. 1.217); Resposta ao Termo de Solicitação de Esclarecimentos (fls. 1.218 a 1.288); Termos de Ciência e de Solicitação de Documentos de 2006 a 2009 e respostas (fls. 1.289 a 1.301); Termo de devolução de documentos de 2006 (fl. 1.297); Certidão de Óbito de Anadir Cenci (fl. 1.302); Termo de devolução de documentos de 2006 – Anadir Cenci (fl. 1.303); Notas fiscais das fazendas (fls. 1.304 a 12.462). Conforme se depreende da decisão de piso (fls. 12536/12544), o contribuinte, em detrimento da opção pelo arbitramento do resultado, escolheu apurar o resultado da atividade rural, pelo confronto da receita bruta total com as despesas de custeio e investimento. É de se destacar os seguintes excertos (fls. 12536/12544): No anocalendário 2007, à fl. 21, verificase que o contribuinte, em detrimento da opção pelo arbitramento do resultado, que seria de R$ 362.251,53, escolheu apurar o resultado da atividade rural, de R$ 33.484,04, pelo confronto da receita bruta total (R$ 1.811.257,62) com as despesas de custeio e investimento (R$ 1.447.853,12), compensando prejuízo de exercício anterior (R$ 329.920,38). No anocalendário 2008, à fl. 32, o contribuinte levou à tributação o resultado da atividade rural de R$ 24.820,36, em face da apuração de receita bruta de R$ 2.719.966,76 diante de despesas de custeio e investimento de R$ 2.695,146,40, não exercendo a opção pelo arbitramento, que teria como resultado o valor de R$ 543.993,35. Da mesma forma, no anocalendário 2009, à fl. 42, o contribuinte considerou o resultado de R$ 33.646,37, extraído da diferença entre a receita bruta de R$ 735.172,54 e as despesas de custeio e investimento de R$ 701.526,17, abdicando da apuração pelo arbitramento, que conduziria à tributação de R$ 147.034,50. O contribuinte alega que, ainda que tenha optado em sua declaração de ajuste do imposto de renda pelo lucro tido como apurado, o lançamento de ofício, que não se utiliza da escrituração (caso dos autos), deveria observar a base de cálculo de 20% para apurar o respectivo resultado, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.250/95 e § 2° do artigo 60 do Decreto n° 3000, de 1999. Contudo, a decisão recorrida entendeu que o arbitramento não seria possível, nos seguintes termos: Fl. 12590DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.591 15 [...] Portanto, como o próprio contribuinte efetuou a apuração do resultado da atividade rural pelo confronto da receita bruta e das despesas de custeio e investimento, não se pode cogitar que no lançamento de ofício seja aplicado critério que implique a co existência das duas metodologias em relação ao mesmo ano calendário. Na realidade, a pretensão do contribuinte é de que seja alterada a opção exercida na declaração de ajuste anual, o que decorre apenas do fato de que, em face das receitas omitidas, deixou de lhe ser favorável tal método de cálculo. Tal razão não é fundamento para que se modifique o lançamento efetuado, salientandose, ademais, que o crédito tributário apurado pela fiscalização não poderia ser composto pela parcela da receita bruta declarada mas que não havia integrado o resultado da atividade rural em face da legítima opção pela tributação do “lucro real”. Assim, caso acatada a tese do impugnante, deixarseia à margem da tributação, por exemplo, no anocalendário 2008, a diferença entre o resultado que adviria do arbitramento, de R$ 543.993,35, e o efetivamente declarado como sujeito ao ajuste, de R$ 24.820,36. Pois bem. Inicialmente, cumpre transcrever a legislação atinente ao assunto. A começar, acerca da apuração do resultado da atividade rural, os arts. 3°, 4º e 5º da Lei nº 8.023, de 1990, estabelecem: Art. 3º O resultado da exploração da atividade rural será obtido por uma das formas seguintes: I simplificada, mediante prova documental, dispensada escrituração, quando a receita bruta total auferida no anobase não ultrapassar setenta mil BTNs; II escritural, mediante escrituração rudimentar, quando a receita bruta total do anobase for superior a setenta mil BTNs e igual ou inferior a setecentos mil BTNs; III contábil, mediante escrituração regular em livros devidamente registrados, até o encerramento do anobase, em órgãos da Secretaria da Receita Federal, quando a receita bruta total no anobase for superior a setecentos mil BTNs. Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será Fl. 12591DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.592 16 tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Da mesma forma prevê o artigo 18 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990: Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Na mesma toada é o disposto no § 2° do artigo 60 do Decreto n° 3000, de 1999, in verbis: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). As receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Nesse contexto, constatada a omissão de receitas/rendimentos por meio de depósitos não comprovados em contribuinte que se dedica exclusivamente à exploração de atividade rural, a apuração do resultado tributável deve ser realizada de forma anual e tributada a título de atividade rural. Nos casos em que o lançamento não é estribado com base na Fl. 12592DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.593 17 escrituração fiscal do contribuinte, a ausência da escrituração implica, necessariamente, no arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, seja qual for a opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. No caso dos autos, o lançamento tributou os rendimentos omitidos como receitas da atividade rural, mas utilizou da forma de apuração do resultado eleita pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, que foi com base no confronto da receita bruta e das despesas de custeio e investimento, considerando essa opção como definitiva. Consoante a legislação de regência, entendo que o procedimento feito pela autoridade lançadora merece reparos. Isso porque, a apuração das receitas omitidas decorrentes da atividade rural, assim consideradas no lançamento pelo agente autuante, não se deu com base na escrituração fiscal, mas com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras e notas fiscais fornecidas pelo contribuinte, motivo pelo qual, nos termos do § único do artigo 5°, da Lei n° 8.023/90, a base de cálculo do IRPF deve estar limitada a 20% (vinte por cento) da receita bruta em cada anocalendário, independentemente da opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. Nesse sentido, tem caminhado a jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica dos seguintes julgados colacionados abaixo: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL. Quando a partir do conjunto fáticoprobatório dos autos, disponível à autoridade lançadora no curso do procedimento fiscal, ficar evidenciado que as receitas da pessoa física são decorrentes unicamente da exploração da atividade rural, não havendo, por outro lado, qualquer indício que a omissão de rendimentos apurada possa ter origem em outra atividade, cabe a tributação à razão de 20% da omissão identificada. (CARF Acórdão n° 2401005.121 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / Sessão de 4 de outubro de 2017 – Relator Cleberson Alex Friess) ATIVIDADE RURAL. LIVROCAIXA INDIVIDUAL. INEXISTÊNCIA. LIVROCAIXA DA PARCERIA. GLOSA DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo escrituração regular individual descabe à Autoridade fiscal glosar despesas da atividade rural apurandose o resultado da exploração da referida atividade pela diferença entre a receita bruta total e as despesas de custeio e investimentos, mediante a transposição de valores extraídos do LivroCaixa da parceria na proporção que couber a cada um dos parceiros. Nesse caso, a ausência da escrituração implica, necessariamente, no arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Fl. 12593DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.594 18 (CARF Acórdão n° 2801003.645 – 1ª Turma Especial / Sessão de 12 de agosto de 2014 – Relator Marcelo Vasconcelos de Almeida) ARBITRAMENTO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. A falta da escrituração exigida por lei implica necessariamente o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário, seja qual for a opção do contribuinte quanto à forma de tributação do resultado da atividade rural na declaração de ajuste anual. (CARF Acórdão n° 2202001.995 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Sessão de 18 de setembro de 2012 – Relator Antonio Lopo Martinez) RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. MÉTODO DE APURAÇÃO. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO. Apurase o resultado da atividade rural mediante confronto entre receitas e despesas e compensação de prejuízos. À opção do contribuinte ou na falta de escrituração, o resultado da atividade rural pode ser arbitrado, na proporção de 20% da receita. Tal opção pode ser exercida em qualquer momento, de sorte que o método de apuração do resultado pode ser alterado. (CARF Acórdão n° 210201.357 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Sessão de 9 de junho de 2011 – Relatora Núbia Matos Moura) CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS – ATIVIDADE RURAL – COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovador por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal. Sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Quarta Câmara – Acórdão n° 10420.109 – Processo n° 13974.000164/200322 – Relator Nelson Mallmann – Sessão de 12 de agosto de 2004) IRPF – ATIVIDADE RURAL A falta de escrituração implica no arbitramento à razão de 20% da receita bruta do anobase nos termos do §° único do artigo 5° da Lei n° 8.023/90. Este limite da base tributável deve ser respeitado nos casos de falta de escrituração mesmo que, o contribuinte tenha optado na declaração, pela tributação do lucro tido como apurado. O anexo da atividade rural entregue Fl. 12594DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.595 19 junto com a declaração anual de rendimentos não substitui a escrituração prevista na legislação. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara – Acórdão n° 10244.110 – Processo n° 10735.001065/9693 – Relator José Clóvis Alves – Sessão de 22 de fevereiro de 2000) Assim, uma vez que os valores tributados como depósitos bancários de origem não comprovada têm origem na atividade rural exercida pelo contribuinte, e tendo o lançamento sido realizado com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras e notas fiscais fornecidas pelo contribuinte, é de se aplicar ao caso a regra expressa no artigo 5°, da Lei n° 8.023/90, devendose, consequentemente, reduzir para 20% a base de cálculo do lançamento efetuado. Nessa toada, devese recalcular o novo resultado, não sendo possível admitir que, em um mesmo anocalendário, parte do resultado da atividade rural seja calculado pelo método do confronto entre as receitas e despesas e outra parte seja calculado mediante arbitramento, na proporção de 20% das receitas. Ademais, vale destacar que, como consequência da aplicação do art. 5°, da Lei n° 8.023/90, há a consequente perda do direito à compensação do total dos prejuízos ou excessos de redução por investimentos correspondente a anosbase anteriores ao da opção. É o que se extrai do art. 16, parágrafo único, do mesmo diploma legal, in verbis: Art. 16. Os valores das compensações a serem efetuadas pela pessoa física, nos termos dos arts. 14 e 15, deverão ser expressos: (...) Parágrafo único. A pessoa física que, na apuração da base de cálculo do imposto, optar pela aplicação do disposto no art. 5º perderá o direito à compensação do total dos prejuízos ou excessos de redução por investimentos correspondente a anos base anteriores ao da opção. Cabe, ainda, esclarecer que a redução da base de cálculo ao percentual de 20%, não implica em inovação do lançamento, mas a subsunção adequada do fato à norma. Por fim, a respeito da alegação do recorrente pleiteando o reconhecimento da parceria rural (condomínio) para imputar os valores decorrentes dos depósitos bancários que sejam superiores àqueles indicados nas declarações de rendimento dos condôminos/cotitulares das contas bancárias, proporcionalmente a cada um deles, a decisão de piso bem assentou que na apuração dos valores sujeitos ao lançamento de ofício já houve o acolhimento das informações prestadas pelo próprio contribuinte e demais interessados no curso da ação fiscal em relação à composição dos valores analisados. Dessa forma, tendo em vista que o recorrente não aponta especificadamente eventuais incorreções que entende pertinentes e aptas a modificar o crédito tributário constituído, suscitando a questão genericamente, por compartilhar do mesmo entendimento adotado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), por meio do Acórdão nº 0647.387 (fls. 12536/12544), transcrevo e endosso as seguintes razões de decidir: Fl. 12595DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.596 20 Quanto à alegação de que não foi observado o condomínio e as parcerias existentes na exploração da atividade rural, é improcedente. Na apuração dos valores sujeitos ao lançamento de ofício houve o acolhimento das informações prestadas pelo próprio contribuinte e demais interessados no curso da ação fiscal em relação à composição dos valores analisados. Nesse sentido, baseou a fiscalização na discriminação de valores informados pelo contribuinte na resposta ao termo de solicitação de esclarecimentos, às fls. 1.218/1.219, acompanhada dos documentos de fls. 1.220/1.288. Na ocasião, aduziu o contribuinte: (...) Em conformidade com os esclarecimentos prestados, o contribuinte identificou, especificamente, às fls. 1.220, 1.221, 1.237, 1.238, 1.262, 1.265, 1.266, 1.276 e 1.284, a titularidade dos valores creditados nas contas conjuntas, informações essas que foram compiladas pela fiscalização na Tabela 4, às fls. 12.494/12.495. Notese que tais valores são aqueles excedentes às exclusões suscitadas pelo contribuinte, detalhadas pela fiscalização às fls. 12.496/12.497. Os valores totais assumidos pelo contribuinte como sendo de sua responsabilidade foram, então, confrontados com os rendimentos declarados, à fl. 12.498, tendo sido objeto do lançamento de ofício as diferenças não declaradas. Concluise, desse modo, que foi devidamente observada a informação prestada pelo contribuinte no que se refere à titularidade dos valores que transitaram pelas contas analisadas, tendo sido acatada a distribuição que o contribuinte fiscalizado e os demais envolvidos lhes atribuiu, na medida de sua participação, decorrente da alegada atividade agropecuária familiar e em parceria com Rubens Valentini. A respeito das informações prestadas pelo contribuinte autuado e pelos demais titulares das contas, consta do relatório fiscal: (...) Por conseguinte, tendo o lançamento se baseado nas informações prestadas pelos próprios contribuintes envolvidos quanto aos valores que transitavam pelas contas bancárias em conjunto, o que, segundo esclarecido pelos interessados, contemplaria as parcerias existentes na exploração das atividades agropecuárias, incumbe ao impugnante comprovar a incorreção que aventa existir. Assim, se da apuração fiscal resultou que, por exemplo (fl. 12.486), EDUARDO CENCI, no anocalendário 2007, informou rendimentos 195,73% superiores aos depósitos que lhe foram atribuídos, é do contribuinte autuado o ônus da prova de que Fl. 12596DF CARF MF Processo nº 10166.723759/201277 Acórdão n.º 2401005.889 S2C4T1 Fl. 12.597 21 esses estariam relacionados aos valores da omissão discutida no presente processo, salientandose que, segundo a fiscalização não houve, no que diz respeito ao exemplo citado, a extensão da fiscalização a outras contas eventualmente mantidas por EDUARDO CENCI, o que poderia explicar a diferença a maior: (...) Nesse contexto, sem prova de que o condomínio ou a parceria rural aventada implicaria parâmetros diversos daqueles informados no curso da ação da ação fiscal, descabe modificar o lançamento. Dessa forma, entendo que assiste razão parcial ao recorrente, de modo que o lançamento seja recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização, conforme previsto no art. 5°, parágrafo único, da Lei n° 8.023/90. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que o lançamento seja recalculado à razão de 20% da omissão de receitas da atividade rural apurada pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 12597DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002875/2004-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO
Cancelado o lançamento que comprovava o excesso de receita bruta no
SIMPLES, não há como manter a exclusão.
Numero da decisão: 1103-000.370
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, [ Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.]
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-12T19:29:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2517672_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-12T19:29:16Z; Last-Modified: 2011-01-12T19:29:16Z; dcterms:modified: 2011-01-12T19:29:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2517672_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:2149993f-5ad2-4e0a-816b-086d6ea34701; Last-Save-Date: 2011-01-12T19:29:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-12T19:29:16Z; meta:save-date: 2011-01-12T19:29:16Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2517672_0.doc; modified: 2011-01-12T19:29:16Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-12T19:29:16Z; created: 2011-01-12T19:29:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-01-12T19:29:16Z; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-12T19:29:16Z | Conteúdo => S1-C1T3 Fl. 1 1 S1-C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002875/2004-94 Recurso nº 139.554 Voluntário Acórdão nº 1103-00.370 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente JORGE LUIZ MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO Cancelado o lançamento que comprovava o excesso de receita bruta no SIMPLES, não há como manter a exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, [ Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.] ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Hugo Correa Sotero (vice-presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 12/01/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 04/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Relatório Trata-se da exclusão da interessada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, "por excesso de receita, fato que importa em exclusão de ofício a teor do inciso I do art. 14. o da Lei n. o 9.317/1996" (Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n. o 46, de 30/03/2006 - folha 389). A interessada sofreu procedimento de ofício no qual foi apurada, em relação ao ano de 2003, omissão de receitas que, somada às receitas regularmente oferecidas à tributação, extrapolaram o limite para permanência no SIMPLES (lançamento de ofício constante do processo n. o 11516.003001/2004-54), o que justificou a exclusão do regime simplificado a partir de 01/01/2004 ("Representação Fiscal para Fins de Exclusão do SIMPLES", às folhas 01 a 08). Inconformada com o ato de ofício, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às folhas 397 a 403, na qual expôs suas razões de contestação. A DRJ manteve a exclusão com a seguinte ementa: “EXTRAPOLAÇÃO DA RECEITA BRUTA. HIPÓTESE DE EXCLUSÃO. Caracterizada a extrapolação do limite de receita bruta para a permanência do contribuinte no SIMPLES, impõe-se que se proceda a sua exclusão do referido regime simplificado de tributação.” A contribuinte recorreu fl. 419/425 (resumo): Vício de motivação da expedição da intimação, pois, o lançamento, no processo principal fora decorrente na suposta exclusão no SIMPLES, sem o devida exclusão; Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Como relatado acima este processo de exclusão foi decorrente do lançamento ocorrido no processo n. o 11516.003001/2004-54, onde teria sido apurado a excesso de receita bruta. Conforme relatório fiscal fl. 07 a exclusão deveria ter sido feita não só pelo excesso de receita, mas também pela pratica reiterada de infrações da legislação tributária. Se o ato declaratório tivesse sido realizado de acordo com o relatório fiscal, a exclusão, de acordo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 12/01/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 04/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.002875/2004-94 Acórdão n.º 1103-00.370 S1-C1T3 Fl. 2 3 com o inciso V do artigo 15 da Lei n.º 9.317, 1996, teria efeitos para o próprio ano de 2003. Contudo, o referido ato declaratório só teve os efeitos pelo excesso de receita bruta, ou seja, exclusão a partir de 01-01-2004. Assim, no processo n. o 11516.003001/2004-54, julgado pela antiga 5.ª Câmara do 1.º Conselho de Contribuintes teve a seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIOS: 2001, 2002, 2003 e 2004 SIMPLES - EXCLUSÃO DE OFÍCIO - ATO DECLARATÓRIO - Nos termos da lei de regência, a não expedição de ato declaratório de exclusão do SIMPLES por parte da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, obsta o exercício do contraditório e da ampla defesa, devendo-se declarar nulo o lançamento, por vício de forma.” Portanto, como o lançamento que justificava a exclusão no SIMPLES para o ano de 2004, por excesso de receita bruta, foi cancelado. Não há porque manter a exclusão para o ano de 2004. Em face do exposto, voto por cancelar o ato declaratório de fl. 389, para dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 12/01/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 04/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13888.000911/2005-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
COMPENSAÇÃO. NÃO VERIFICAÇÃO DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA DRF DE ORIGEM.
A compensação de débitos tributários só pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo; in casu, superada a limitação da alegada prescrição, a questão de mérito quanto a existência de direito creditório deve ser analisada pela DRF de origem.
Numero da decisão: 1001-001.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, pois uma vez superada a questão da decadência do pedido de restituição, que a mesma efetue a análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. COMPENSAÇÃO. NÃO VERIFICAÇÃO DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA DRF DE ORIGEM. A compensação de débitos tributários só pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo; in casu, superada a limitação da alegada prescrição, a questão de mérito quanto a existência de direito creditório deve ser analisada pela DRF de origem.
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PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. COMPENSAÇÃO. NÃO VERIFICAÇÃO DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA DRF DE ORIGEM. A compensação de débitos tributários só pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo; in casu, superada a limitação da alegada prescrição, a questão de mérito quanto a existência de direito creditório deve ser analisada pela DRF de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, pois uma vez superada a questão da decadência do pedido de restituição, que a mesma efetue a análise do mérito. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 09 11 /2 00 5- 63 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.000911/200563 Acórdão n.º 1001001.068 S1C0T1 Fl. 99 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 57/66) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 1231.320, de 16/06/2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ (efls. 93/96), objetivando a reforma do referido julgado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (efl. 57/63), alegando, em síntese, que é entendimento pacifico do STJ que tributos lançados por homologação tem como marco inicial da contagem decadencial a homologação tácita, sendo, portanto, de 10 anos (5 mais 5) o decurso do prazo decadencial do direito a pleitear a restituição; A interessada acima identificada apresentou a solicitação de restituição, referente ao Saldo Negativo de IRPJ em 24/03/2005 (fls. 01 verso), relativamente ao anocalendário de 1997. Em face do pleito da interessada, foi proferido o Despacho Decisório DRF/PCA nº 0788/2009 (fls. 32/36), que indeferiu a solicitação formulada nos seguintes termos: “a) O artigo 168 do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contado da data de extinção do crédito tributário. À compensação, por ser uma modalidade de restituição, aplicase o mesmo prazo; b) No caso de IRPJ de pessoa jurídica que apura o resultado em período anual, a extinção do crédito tributário nos pagamentos mensais estimados só ocorre no dia 31 de dezembro, tanto que a compensação do saldo credor decorrente do pagamento a maior poderá ser feita a partir de janeiro; c) Examinandose os DARF de fls. 07, verificase que o mais recente deles foi autenticado em 30/04/1998. A apuração anual do anocalendário de 1998 ocorreu pela DIPJ 1999, transmitida em 17/09/1999. O prazo para a compensação do saldo credor ocorreu após o encerramento do exercício, a partir de 01/01/1999, extinguindose em 31/12/2003, decorridos, portanto, os 5 anos; d) No dia 01/01/2004, estava prejudicada a restituição pretendida, em face da extinção do direito de pleiteála, ocorrida em 31/12/2002; e) Ressalta, ainda, que as compensações eletrônicas transmitidas, lastreadas no crédito indicado pelo contribuinte nas datas de 03/10/2007 e 17/10/2007, por iniciativa da empresa incorporadora MAUSA S/A Equipamentos Industriais também não pode ser admitida, em razão do decurso do prazo de cinco anos mencionado no artigo 168. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.000911/200563 Acórdão n.º 1001001.068 S1C0T1 Fl. 100 3 Cientificada em 03/09/2009 (fls. 40), a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão prolatada pela autoridade “a quo” em 24/09/2009 (fls. 41/42), alegando que houve um equívoco quanto à entrega da manifestação de inconformidade, anexada a outro processo. A DRJ considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, tendo em vista que os créditos tributários objeto do pedido de restituição já se encontram prescritos. Vejamos os argumentos da decisão da DRJ: Diante da ausência da manifestação de inconformidade, que deixou de ser apresentada neste processo, independente de a empresa ter relatado este fato, sem que, entretanto, juntasse ao menos por cópia o teor da manifestação em foco, era certo sequer conhece da manifestação que deixou de ser trazida à colação. Entretanto, como a questão em pauta, relativa ao indeferimento pela Administração Tributária de origem não atinge o mérito da presente, já que o pedra de toque corresponde ao decurso do prazo para a apresentação do pedido de compensação, tendo em vista o disposto pelo artigo 168 do CTN. Desta forma, entendo que, por economia processual e, invocando o princípio do informalismo do Processo Administrativo Fiscal, concordo com a Autoridade de Origem com relação extemporaneidade do pedido de compensação apresentado em 24/03/2005, referindose a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997. O Secretário da Receita Federal editou o Ato Declaratório 96, de 26 de novembro de 1999, que fixou a interpretação no âmbito desta Instituição, a cuja observância estão todos os seus servidores obrigados. Destaquese ainda que o Ato Declaratório 96, de 26/11/1999, veio apenas afastar quaisquer dúvidas que porventura remanescessem com relação ao prazo para ingressar com o pedido de restituição do indébito, pois os artigos 168 e 165, do CTN, que prevêem o prazo de 5 (cinco) anos, já eram aplicáveis à matéria. Quanto à referência a entendimentos exarados em decisões prolatadas pelo Judiciário, vale lembrar que o entendimento nelas expresso sobre a matéria fica restrito às partes integrantes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso. Assim sendo, o posicionamento da Administração, emanado através do Ato Declaratório SRF nº 96/1999, deverá prevalecer no presente julgado, ou seja, o prazo para que o interessado possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive no caso de declaração de inconstitucionalidade manifestada pelo STF extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (artigos 165, I e 168, I do CTN). E, no caso, como a apuração do saldo negativo ocorrera em 31/12/1997, findaria o prazo, se levarmos em conta a data da entrega da declaração de IRPJ, em 31/12/2003. Como a interessada ingressou com o pedido em 24/03/2005, o decurso do prazo já havia sido ultrapassado. Mais ainda no tocante ao PER/DCOMP apresentado em 2007. Restaria, portanto, inviável tal pleito diante da norma expressa administrativa, o que, na realidade, tem o julgador administrativo dever de curvarse, razão pela qual não poderá ser tal pleito acatado neste julgado. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.000911/200563 Acórdão n.º 1001001.068 S1C0T1 Fl. 101 4 Quanto ao prazo decadencial quinquenal, a orientação contida no Ato Declaratório SRF nº 96/1999, respaldado no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.538, de 28/10/1999, em nada contraria as disposições legais aplicáveis à matéria. Para corroborar tal entendimento, reproduzse o art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, in verbis: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei Nestas condições, voto pelo NÃO ACOLHIMENTO da compensação apresentada às fls. 01, razão pela qual deve prevalecer o indeferimento do pedido de restituição/compensação, conforme definido no Despacho Decisório de fls. 32/36. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório, relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, nos termos dos artigos 150, § 1º, 165 e 168, todos do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão de primeira instância em 12/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 56, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 10/09/2010, conforme carimbo aposto à efl. 57, mediante o qual se manifesta contra a decisão de prescrição do pedido. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.000911/200563 Acórdão n.º 1001001.068 S1C0T1 Fl. 102 5 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Em seu recurso voluntário a recorrente se manifesta contrariamente à decisão proferida pela DRJ, de prescrição do direito de pleitear o indébito tributário. Neste ponto, assiste razão à recorrente. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE n° 566.621 (j. 4/8/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp n° 1.002.932/SP (j. 25/11/2009) e n° 1.269.570/MG (j. 23/5/2012), julgados os quais deve este Colegiado observar, tendo em vista o disposto no 62 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118/05, ou seja, antes de 09/06/2005, é de 5 (cinco) anos, conforme o artigo 150, § 4° do CTN, somado ao prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse Código. Em outros termos, os contribuintes têm nessas situações o prazo total de 10 (dez) anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Nesse rumo, diversas decisões da CSRF já se pronunciaram, como por exemplo os Acórdãos nos 9900000.382 (j. 28/8/2012), 9202003176 (j. 6/5/2014) e 9202004.021 (j. 12/5/2016). O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 91: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De sua parte, a Procuradoria, em interpretação do RE n° 566.621, aprovou o Parecer PGFN/CRJ/N° 1247/2014, no qual concluiu que: (...) os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema n° 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC n° 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da "tese dos cinco mais cinco". Desta forma, e por força do quanto disposto na Súmula CARF n° 91 do CARF, concluise que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido, findando o mesmo após dez anos. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.000911/200563 Acórdão n.º 1001001.068 S1C0T1 Fl. 103 6 Traçado esse sintético panorama do tema, temse no caso concreto que o contribuinte protocolizou pedido de restituição em 24/03/2005 (efl. 2), relativamente ao saldo negativo de IRPJ anocalendário 1997, exercício 1998. Como o pedido de restituição é anterior à Lei Complementar que alterou o Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula CARF nº. 91, deverá ser utilizado o critério de contagem de prazo para repetição de indébito de 10 (dez) anos contados do fato gerador. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, pois uma vez superada a questão da decadência do pedido de restituição, que a mesma efetue a análise do mérito. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18490.720182/2015-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 82 /2 01 5- 14 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18490.720182/201514 Acórdão n.º 1003000.374 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.800, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP inicial nº 30114.93800.301110.1.3.046032 e PER/DCOMP nº 02346.35334.291210.1.3.046143, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, período de apuração 08/081980. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 6.229,11, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 7.617,57, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 291, de 13/05/2015, às fls. 19 e 20, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 30114.93800.301110.1.3.046032 (fls. 02/06), que solicita crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04; e da DCOMP nº 02346.35334.291210.1.3.046143 (fls. 07/10), vinculada à DCOMP nº 30114.93800.301110.1.3.046032. À fl. 11, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP nº 30114.93800.301110.1.3.04 6032, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nas DCOMPs (...):. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório solicitado mediante a DCOMP nº 30114.93800.301110.1.3.046032, correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 6.229,11, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações pretendidas nas DCOMPs nos 30114.93800.301110.1.3.046032 e 02346.35334.291210.1.3.046143; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18490.720182/201514 Acórdão n.º 1003000.374 S1C0T3 Fl. 4 3 cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que efetuou pagamento indevido CSLLEstimativa (2484), referente ao mês de março de 2006, no valor de R$ 7.474,84, via DARF, através de parcelamento PEPAR (Proc. 10280901220/200872) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 30114.93800.301110.1.3.046032 e 02346.35334.291210.1.3.046143; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido de parcela relativa a CSLL (2484), referente ao mês de março de 2006, no valor de R$ 6.229,11. Contudo, afirma que teria Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18490.720182/201514 Acórdão n.º 1003000.374 S1C0T3 Fl. 5 4 efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, e que foi posteriormente quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009. A PER/DCOMP inicial apresentada pela Recorrente de nº 30114.93800.301110.1.3.046032 (fls. 2 a 10), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 7.617,57. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 19 e 20), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.220/200872, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 14/06/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2007 –, relativa ao anocalendário de 2006, onde consta, no período de Março/2006, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.262,50: a contribuinte apresentou, em 25/10/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Março/2006, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 8.262,50, com saldo a pagar de R$ 7.580,88: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901220/200872 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração março/2006, no valor originário de R$ 7.474,84 (pagamento R$ 6.229,11),(...): Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901220/200872, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o pagamento no valor de R$ 6.229,11, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração março/2006. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901.220/200872 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18490.720182/201514 Acórdão n.º 1003000.374 S1C0T3 Fl. 6 5 Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723765/2015-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
DECADÊNCIA. ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO RIPI/2002.
Aplica-se ao presente lançamento a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, vez que nos períodos de apuração de 01/2010 a 03/2010 o contribuinte procedeu com o pagamento do valor do IPI por meio da dedução dos débitos e créditos por ele admitidos como válidos, não resultando saldo a recolher. Aplicação do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF quanto ao julgamento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (Resp 973.733).
Recurso de Ofício Negado.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituí-lo. A vedação desses dispositivos restringe-se à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
NULIDADE DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA.
Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL.
Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificam-se no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificam-se no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificam-se no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário quanto a reclassificação fiscal (item II.2 do voto da relatora). Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto ao tópico da decadência e a glosa de créditos (item II.1 do voto da relatora). Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento nesse ponto. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 DECADÊNCIA. ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO RIPI/2002. Aplica-se ao presente lançamento a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, vez que nos períodos de apuração de 01/2010 a 03/2010 o contribuinte procedeu com o pagamento do valor do IPI por meio da dedução dos débitos e créditos por ele admitidos como válidos, não resultando saldo a recolher. Aplicação do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF quanto ao julgamento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (Resp 973.733). Recurso de Ofício Negado. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituí-lo. A vedação desses dispositivos restringe-se à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NULIDADE DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA. Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificam-se no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificam-se no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificam-se no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário quanto a reclassificação fiscal (item II.2 do voto da relatora). Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto ao tópico da decadência e a glosa de créditos (item II.1 do voto da relatora). Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento nesse ponto. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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Recorrentes MERCOFRICON S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 DECADÊNCIA. ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO RIPI/2002. Aplicase ao presente lançamento a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN, vez que nos períodos de apuração de 01/2010 a 03/2010 o contribuinte procedeu com o pagamento do valor do IPI por meio da dedução dos débitos e créditos por ele admitidos como válidos, não resultando saldo a recolher. Aplicação do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF quanto ao julgamento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (Resp 973.733). Recurso de Ofício Negado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituílo. A vedação desses dispositivos restringese à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 37 65 /2 01 5- 12 Fl. 9858DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NULIDADE DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA. Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificamse no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificamse no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificamse no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 9859DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.859 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário quanto a reclassificação fiscal (item II.2 do voto da relatora). Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto ao tópico da decadência e a glosa de créditos (item II.1 do voto da relatora). Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento nesse ponto. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Por trazer uma síntese da autuação até a interposição da Impugnação Administrativa nos presentes autos, peço vênia para adotar o relatório do Acórdão 1461.062 da 2ª Turma da DRJ/RPO: "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/09, lavrado em 09/04/2015, com ciência da contribuinte em 13/04/2015, totalizando o crédito tributário de R$ 45.279.120.09. Segundo a descrição dos fatos de fls. 04/09 e o relatório fiscal de fls. 35/79, foram constatadas as seguintes irregularidades: falta de lançamento de IPI, no período de janeiro/2010 a dezembro/2012, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, horizontais, produtos classificados no código 8418.30.00 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; falta de lançamento de IPI, no período de janeiro/2010 a dezembro/2012, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, verticais, produtos classificados no código 8418.40.00 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; Fl. 9860DF CARF MF 4 falta de lançamento de IPI, no período de dezembro/2011 a dezembro/2012, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, horizontais, de capacidade não superior a 400 litros, produtos classificados no código 8418.30.00, Ex 01 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; falta de recolhimento de IPI, no período de janeiro/2010 a fevereiro/2012, por não ter o estabelecimento promovido o estorno de créditos relativos a aquisições de matériasprimas revendidas a consumidores finais que não utilizam estes materiais em nova industrialização ou comercialização. Em virtude da existência de saldos credores de IPI nos períodos objeto do lançamento, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (fls. 25/32). Com base na nova reconstituição da escrita fiscal, foi também exigido que a contribuinte promova o estorno do crédito existente em seu Livro Registro de Apuração de IPI, em 31/12/2012 (vide fl. 2560), no valor de R$ 14.830.364,91. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 8603/8668 alegando, em síntese, que: 1. PARCELA INCONTROVERSA – RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO reconhece expressamente como incontroverso o IPI exigido, a partir de abril/2010, em razão da glosa dos créditos por ela apropriados na aquisição de matériaprima cuja saída se dera a não contribuintes do IPI, os quais não foram oportunamente estornados; não reconhece as glosas efetuadas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010 por terem sido atingidos pela decadência; efetuou o recolhimento de R$ 443.104,67 (DARF de fl. 8793), relativa à parcela incontroversa, conforme demonstrado às fls. 8607/8608. 2. DECADÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO NULIDADE tendo sido o lançamento realizado em 13/04/2015, a autoridade fiscal somente poderia exigir quaisquer diferenças que entendesse devidas a partir de abril/2010, pois os meses de janeiro, fevereiro e março de 2010 foram abrangidas pela decadência; por não considerar a decadência dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010, a reconstituição subseqüente da escrita fiscal ficou contaminada, gerando a iliquidez do lançamento efetuado, razão pelo qual o crédito tributário sob exigência é inteiramente nulo. 3. CLASSIFICAÇÃO FISCAL a autuação foi decorrente de premissa incorreta da autoridade fiscal de que a impugnante não poderia ter reclassificado suas mercadorias; tal reclassificação foi embasada em testes e análises técnicas realizadas por profissionais com expertise na área; a classificação fiscal de máquinas e equipamentos deve ser realizada de acordo com a principal função por eles desempenhada; embora não tenha recorrido à consulta fiscal, a reclassificação foi respaldada em Laudo Técnico (fls. 8808/8819), em Norma internacional IEC62522 e portarias do INMETRO; classificar deve ser uma operação de análise técnica, não podendo se basear em dados singelos como fez o autuante; a autoridade fiscal não pode reclassificar mercadorias cujo mote de classificação é a identificação da principal função por elas exercida, sem realizar um teste científico; Fl. 9861DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.860 5 a autoridade fiscal subverteu as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, ao adotar como base o Parecer da OMA, e ignorar todas as demais regras de interpretação do Sistema Harmonizado; embora o Parecer da OMA trate especificamente de congeladores, a autoridade fiscal desconsidera esta informação, como se ela fosse irrelevante, e passa a se preocupar meramente com as características operacionais secundárias descritas no texto da OMA, características estas que em momento algum foram eleitas como critério classificatório do sistema; os pareceres da OMA só se aplicam quando percorrido todo o caminho natural para a classificação fiscal das mercadorias; o fato de o parecer da OMA não fazer a diferenciação entre conservadores e congeladores não implica que tais aparelhos sejam idênticos ou que devam ser classificados na mesma NCM; ao contrário, o Parecer da OMA pressupõe que a aludida diferenciação, atrelada à função principal do equipamento, já tenha sido realizado em momento anterior, a partir da análise das descrições e das notas explicativas de seção e de capítulo; quando a OMA se reuniu para discutir as características secundárias presentes nas mercadorias enquadráveis na NCM 8418.30, em 25/03/2000, ainda não existia um estudo técnico, realizado a nível internacional, diferenciando os diversos tipos de aparelhos para geração de frio (refrigeradores); a diferenciação somente ocorreu em 2007; a OMA não é uma organização com expertise específica em tecnologia, e não tinha substrato suficiente para diferenciar conservadores e congeladores; por se tratar de uma tecnologia nova é que os conservadores devem se enquadrar na NCM residual 8418.50.90; apresenta justificativas técnicas para comprovar que os produtos vendidos são conservadores de alimento e não congeladores, em especial o fato de que congeladores são feitos para rebaixar a temperatura dos alimentos, enquanto que os conservadores são feitos para conservar as temperaturas; tanto a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) como o INMETRO fazem a diferenciação entre congeladores e conservadores; diversos elementos dos produtos que fabrica não se amoldam ao Parecer da OMA conforme demonstrado às fls. 8657/8660; transcreve diversas soluções de consulta para demonstrar que a Secretaria da Receita Federal já sedimentou o entendimento de que os conservadores se enquadram no NCM 8418.50.90; requer a realização de perícia técnica. Por fim, requereu que seja julgada a insubsistência do auto de infração." (efls. 9.239/9.241 grifei) Referido acórdão julgou parcialmente procedente a Impugnação para reconhecer a decadência de parte do período autuado, relativo ao período de janeiro/2010 a março/2010, mantendose a exigência fiscal do remanescente. A decisão foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 NULIDADE. ILIQUIDEZ DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Explicitado pela fiscalização o procedimento para determinação da base de cálculo e dos tributos devidos, por meio de Termos e Demonstrativos dos quais o contribuinte foi regularmente cientificado e recebeu cópia, permitindolhe Fl. 9862DF CARF MF 6 identificar e questionar todos os valores que redundaram na exigência, incabível a alegação de nulidade e de iliquidez do lançamento. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para os tributos lançados por homologação é feita observandose o disposto no §4º do Art. 150, CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. ESTORNO DE CRÉDITO. SAÍDAS DE MATÉRIASPRIMAS PARA CONSUMIDORES FINAIS. É obrigatório o estorno do crédito relativo a aquisições de matériasprimas, saídas do estabelecimento sem destaque do imposto, destinadas a consumidores finais. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificamse no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificamse no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificamse no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." (efls. 9.237/9.238) Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada, foi interposto Recurso de Ofício. Por sua vez, intimada desta decisão em 09/06/2016 (efl. 9.515), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 30/06/2016 (efls. 9.517/9.583) alegando, em síntese: (i) nulidade do acórdão por preterição ao direito de defesa da empresa, vez que deixou de analisar os laudos elaborados por empresa independente e indeferiu o pedido de perícia; (ii) a improcedência da autuação fiscal, em razão: (ii.1) da indevida manutenção da glosa de créditos escriturados dos períodos atingidos pela decadência (janeiro a março/2010); (ii.2) da ausência de erro de classificação fiscal das mercadorias por ela fabricadas (conservadores), que foram corretamente enquadradas na NCM 8418.50.90 com alíquota zero de IPI, sendo descabida a pretensão da fiscalização de reclassificação para as NCMs 8418.30.00, 84108.30.00 Ex01 e 8418.40.00. Fl. 9863DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.861 7 Foram anexados aos autos uma série de petições relacionadas ao arrolamento de bens sendo que em fevereiro/2018 a empresa anexou Laudo Técnico produzido pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica de PernambucoIFPE (efls. 9.807/9.830) sobre as mercadorias por ela produzidas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Os Recursos devem ser conhecidos, vez que o Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017 e o Recurso Voluntário foi tempestivamente interposto. Fazse a seguir a análise segregada do objeto de cada Recurso. I RECURSO DE OFÍCIO Como relatado, no Recurso de Ofício interposto, a discussão trazida à análise desse Conselho se refere à decadência dos valores autuados relativos às competências de 01/2010 a 03/2010, reconhecida pelo acórdão a quo com fulcro no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN. E esta decisão não merece qualquer reparo. Atentandose para os Registros de Apuração do IPI RIPI acostados aos presentes autos, vislumbrase que a Recorrente procedeu com o pagamento do valor do IPI, por meio da dedução dos débitos e créditos por ele admitidos como válidos, não resultando saldo a recolher, mas sim em crédito transportado para o período seguinte. É o que se depreende das últimas folhas dos livros correspondentes aos períodos de janeiro/2010 (efl. 2.416), fevereiro/2010 (efl. 2.420) e março/2010 (efl. 2.424). Ora, em conformidade com o art. 124, parágrafo único do RIPI/02, vigente à época destes fatos geradores, considerase como pagamento para fins do lançamento por homologação do IPI a dedução dos débitos, no período de apuração, dos créditos admitidos pelo sujeito passivo como válidos (parágrafo único, inciso III): "Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; I o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher." (grifei) Com isso, havendo regular pagamento na hipótese, aplicase o art. 150, §4º, do CTN, na forma sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso Fl. 9864DF CARF MF 8 repetitivo, no Recurso Especial n.º 973.733, que deve ser aplicado na forma do art. 62, §2º, do RICARF. Reproduzse abaixo o teor daquele julgado: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009 grifei) Fl. 9865DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.862 9 Nesse sentido que não merece qualquer reparo o r. acórdão recorrido, que entendeu pela decadência por não existir na hipótese fraude, dolo ou simulação. Vejamos os termos daquela decisão: "Decadência – Falta de Lançamento do Imposto Convém ressaltar inicialmente que a própria autoridade fiscal, por ocasião do lançamento, não contemplou nenhuma situação exteriorizadora de dolo, fraude ou simulação da autuada, uma vez que, em todos os casos, aplicou a penalidade de 75% sobre o valor do imposto, penalidade esta aplicável aos casos de “boa fé”. A inexistência de má fé promove o afastamento da aplicação do Art. 173, I e remete o julgador para o Art. 150, § 4º do CTN, nos seguintes termos: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A decadência extingue o crédito tributário nos termos do Art. 156, V do CTN, fazendo desaparecer todo o vínculo obrigacional que possa existir entre o fisco e o contribuinte, tornando qualquer exigência tributária, nestas condições, ilegítima. Compulsando os autos, verifico que as exigências tributárias dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010, relativas à falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos com erro de classificação fiscal e alíquota, realmente, foram alcançadas pelo instituto da decadência, uma vez que a notificação do lançamento ocorreu em 13/04/2015 (vide fl. 81), após transcorrido o prazo decadencial de cinco anos." (e fl. 9.242) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. II RECURSO VOLUNTÁRIO No Recurso Voluntário, duas questões merecem análise: o argumento em torno da indevida manutenção da glosa de créditos escriturados dos períodos atingidos pela decadência (janeiro a março/2010) e quanto à classificação fiscal perpetrada pelo contribuinte. Passase a análise segregada dessas questões. II.1 A DECADÊNCIA E A GLOSA DE CRÉDITOS Uma vez reconhecido que o presente Auto de Infração não poderia abranger operações ocorridas anteriormente entre janeiro/2010 a março/2010, a base de informação que deve ser considerada pela fiscalização é aquela prestada pelo sujeito passivo até março/2010, não estando o fisco autorizado a proceder com a revisão da escrita fiscal dos períodos anteriores, já fulminados pela decadência. A recomposição da escrita fiscal, com a correspondente glosa de créditos tomados, é uma atividade desempenhada pela fiscalização, cuja atuação de ofício possui o limite temporal de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, como fixado pelo CTN. Não cabe à fiscalização rever a escrita fiscal de período já alcançado pela decadência. A fiscalização não possui um prazo indeterminado para proceder com a revisão da escrita fiscal do contribuinte. Diante disso, além da exclusão dos valores de IPI decaídos e correspondentes consectários legais, garantido pela r. decisão recorrida e aqui mantida, necessário que seja realizado o ajuste dos cálculos do Auto de Infração para que seja refeita a recomposição da Fl. 9866DF CARF MF 10 escrita fiscal do sujeito passivo para considerar apenas os valores relativos às operações não decaídas, ocorridas após 31/03/2010, com os correspondentes reflexos nos cálculos da multa aplicada. II.2 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS A classificação fiscal das mercadorias é uma atividade jurídica de avaliar a subsunção do fato à norma pautada em dados técnicos concernentes à mercadoria. Assim, para avaliar o enquadramento do produto no código correto da NCM, necessário se atentar para suas particularidades técnicas e seu correspondente enquadramento dentro da Convenção do Sistema Harmonizado (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição). Esse caminho interpretativo, que deve ser observado pelos auditores fiscais quando da revisão da NCM adotada pelos contribuintes, foi muito bem elucidado em julgamento neste E. CARF de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que consignou em sua ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. (...)" (Processo n.º 11128.006876/200309. Data da Sessão 26/09/2016. Relator Rosaldo Trevisan Acórdão n.º 3401003.229. Unânime grifei). No presente processo, entende a fiscalização que os produtos comercializados pela empresa foram equivocadamente classificados na NCM 8418.50.901, com alíquota 0 de 1 Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio Outros Fl. 9867DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.863 11 IPI, devendo ser reclassificados, a depender do modelo do produto, nas NCMs 8418.30.002, 8418.40.003 e 8418.40.00 Ex 014.Um breve histórico das diferentes classificações adotadas pela empresa a partir de 2009 foi traçado pela fiscalização: "Para os congeladores (freezers) em questão (produtos das linhas HCE, HDE, IHB, THG e THGI) a Mercofricon adotava o código NCM 8418.30.00 Congeladores (freezers) horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros, com a respectiva EX 01, para os equipamentos de capacidade não superior a 400 litros, da Tabela de Incidência do IPITIPI. Para os congeladores (freezers) da linha VCV1C a empresa adotava o código NCM 8418.40.00 Congeladores (freezers) verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 Iitros, com a respectiva EX 01, para os equipamentos de capacidade não superior a 400 litros, da Tabela de Incidência do IPITIPI. A partir do mês de junho/2009 começa a adotar para estes produtos a classificação fiscal do código NCM 8418.50.90. No período de 17/04/2009 até 31/10/2009 a Mercofricon foi beneficiada com a desoneração do IPI para os congeladores (freezers) enquadrados nos códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00, tendo havido a redução de sua alíquota de 15% para 5%. Tal desoneração foi feita por meio do Decreto nº 6.825 de 17 de abril de 2009, que criou a exceção (Ex 01 De capacidade não superior a 400 litros) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00 da TIPI. A partir de 01/11/2009, com o fim da exceção (Ex 01) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00, a alíquota de IPI retornou para 15%, conforme art. 7º, inciso I, do Decreto nº 6.890 de 29 de junho de 2009 No ano de 2009, durante estas alterações da alíquota de IPI dos congeladores (freezers) para 15%, a Mercofricon promoveu uma brusca mudança na classificação fiscal anteriormente adotada, reenquadrandoos no código NCM 8418.50.90 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio, sujeito à alíquota de IPI de 0%. Com o Decreto nº 7.631 de 1º de dezembro de 2011, art. 1º, a partir de 01/12/2011 o destaque (Ex 01 De capacidade não superior a 400 litros) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00 da TIPI voltou a vigorar, com alíquotas prevista de 15%. Informese, ainda, que a Nota Complementar da TIPI, NC (855), fixa a alíquota incidente para os produtos classificados no código TIPI 8418.30.00 “Ex” 01 que apresentem índice de eficiência energética A, nos termos da legislação pertinente. Entretanto, a empresa permaneceu enquadrando seus freezers no código NCM 8418.50.90. Durante as verificações iniciais, além das mudanças de classificação fiscal citada acima, encontramos mais divergências relacionadas com a classificação fiscal dos produtos industrializados pela Mercofricon, das quais podemos citar as seguintes observações: a) Foi informado na DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA – DIPJ 2008, 2009 e 2010, para os produtos das linhas HCE, IHB, THG e THGSGI a classificação fiscal “8418.30.00”; Sendo declarada na DIPJ 2010 para o produto da linha HDE a classificação fiscal “8418.30.00”; Para os produtos da linha VCV1C nas DIPJ 2008, 2009 e 2010 a classificação fiscal adotada foi a “8418.40.00”; Para o período fiscalizado (2010 a 2012) a Mercofricon mudou para todos estes produtos (HCE, HDE, IHB, THG, THGI e VCV1C) para a classificação fiscal “8418.50.90; 2 Congeladores ("freezers") horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros 3 Congeladores ("freezers") verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 litros 4 De capacidade não superior a 400 litros Fl. 9868DF CARF MF 12 b) No período desta fiscalização (2010 a 2012), na “Relação de Produtos Industrializados no Estabelecimento”, (anexa), e em todas as notas fiscais de saídas os produtos das linhas HCE, HDE, IHB, SMR, THG, THGSGI e VCV1C a empresa está utilizando a classificação fiscal “8418.50.90”, com alíquota “0” do IPI;" (efls. 43/44) A fiscalização sintetizou as características dos produtos que ensejaram a sua reclassificação fiscal (variação de temperatura e capacidade) nas Tabelas IV a VIII do Relatório Fiscal, abaixo reproduzidas em conformidade, respectivamente, com as efls. 58, 60, 62, 64 e 66 dos autos: Fl. 9869DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.864 13 Segundo consta do relato fiscal, a autuação se baseou nas informações prestadas pela empresa à época da fiscalização, dentre as quais o catálogo de produtos apresentado (efls. 2.150/2.177). Por sua vez, sustenta o contribuinte que a análise de seus produtos foi feita de forma equivocada pela fiscalização, vez que as mercadorias que possuem variação de temperatura abaixo de 30ºC não necessariamente são congeladores, podendo ser admitidos como conservadores, como identificado na NBR 9.525/1986. Na Impugnação, a empresa acostou aos autos normas técnicas internacionais (IEC 62552 às efls. 8.838/8.924 e tradução às efls. 9.115/9.139, norma ISO 5155 às efls. 9.140/9.182), normas técnicas nacionais (Portarias INMETRO às efls. 8.926/8.957 e efls. 9.097/9.113 e IN RFB 873/2008 às efls. 8.964/9.089) e manual dos produtos sem especificar a qual produto se refere (efls. 8.962). Apresentou, ainda, laudo técnico elaborado por professores do Curso de Refrigeração e Climatização do Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco IFPE quanto ao produto HCE411, único utilizado como exemplo no laudo e com as características técnicas analisadas (efls. 8.808/8.819). Neste ponto, importante afastar a alegação de nulidade da decisão aventada pela Recorrente. Com efeito, as provas apresentadas foram expressamente enfrentadas na r. decisão, que assim expressou: "Cabe ressaltar que a impugnante juntou aos autos, às fls. 8808/8819, Laudo Técnico para comprovar que fabricou e vendeu conservadores e não congeladores. No entanto, as conclusões do Laudo (vide item 6 à fl. 8813) referemse somente aos produtos da linha HCE. De qualquer forma, todo o esforço da impugnante, inclusive o que motivou o pedido de perícia, é demonstrar que produz conservadores, que se diferenciam dos congeladores, e como tal teriam uma classificação fiscal distinta. Porém, como será visto à frente, na análise da classificação fiscal, a distinção entre conservadores e congeladores é irrelevante para a correta classificação dos produtos, motivo pelo qual a perícia requerida é desnecessária." (efl. 9.245) Com isso, descabido se falar em nulidade da r. decisão. Por sua vez, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou Relatórios de Ensaio em seus produtos elaborados pelos Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica Calibração e Ensaios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul LABELO quanto aos produtos SMR 2200 (efls. 9.585/9.601), VCF 565 (efls. 9.603/9.618), HCE 411 (efls. 9.620/9.634) e HDE 411 (9.636/9.650). Frisese que somente os dois últimos foram objeto de reclassificação fiscal e autuação. Estes relatórios identificavam inconformidades na temperatura de congelamento, em desconformidade com a norma técnica ISO 5155/1995. Em fevereiro/2018, a Recorrente apresentou laudo técnico elaborado pela Coordenação do Curso de Refrigeração e Climatização do IFPE, com fulcro nos ensaios Fl. 9870DF CARF MF 14 realizados pelos Laboratórios LABELO, buscando evidenciar que seus produtos não são congeladores, mas sim, conservadores (efls. 9.808/9.830). Este laudo traz considerações quanto a cada um dos produtos envolvidos na autuação fazendo referência aos ensaios do LABELO. Afirmase neste laudo: "Os ensaios foram realizados em conformidade com a seguinte norma técnica: · International Organization for Standardization. ISO5155/1995 – Household Cefrigerating appliances – Frozen food storage cabinets and food freezers – Characteristics and test methods. Genève, Switzerland, 1995; Além disso, o laboratório de análise foi homologado pelo INMETRO, conforme norma técnica: · Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica. Procedimento de Ensaios PE 0.00.01. Rev. 01.Porto Alegre, RS, Brasil, 2012. Laboratório de ensaio acreditado pela ABNT NBR ISO/IEC 17025 sob o número CRL0075. Os ensaios utilizaram o método previsto nas normas técnicas acima, apto a medir a temperatura de armazenamento, consumo de energia e capacidade de congelamento de cada equipamento. O método, descrito no item 17 da ISO5155/1995, consiste em medir a capacidade de congelamento por meio de utilização de cargas térmicas que deverão atingir a temperatura 18°C no prazo de 24 horas. Foram realizados os ensaios para cada equipamento de modo a testar a eficácia de cada um, entretanto aqueles que não atenderam aos requisitos mínimos exigidos no item 13 da referida norma não foram submetidos aos ensaios do item 17, por estarem automaticamente excluídos, ou seja, não atendem a condição de congelador. Os testes foram realizados em todas as famílias de produtos impedindo uma análise isolada de uma única máquina." (efl. 9.823 grifei) "Com base nos resultados dos ensaios realizados pelo LABELO Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica Calibração e Ensaios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, nos equipamentos fabricados pela Mercofricon S/A, foi confirmado que todos os produtos testados não possuem capacidade de congelamento e não atendem ao item 17 da norma ISO 5155/1995." (efl. 9.830) Importante evidenciar que não obstante o laudo técnico trazido pela empresa faça referência às distintos Relatórios da LABELO, eles não constam dos presentes autos. De fato, considerando os produtos que foram objeto de autuação, constam dos presentes autos apenas os relatórios n.º 101 e 102 referentes, respectivamente, aos produtos HCE 411 (efls. 9.620/9.634) e HDE 411 (efls. 9.636/9.650). Por sua vez, esses dois produtos e esses dois relatórios não foram mencionados no laudo técnico. Para melhor visualização, vejamos os argumentos veiculados pelas duas partes: Modelo Características identificadas pela empresa no laudo técnico do IFPE Características identificadas pela fiscalização HCE297 "(...) resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família HCE não possuem capacidade de Freezer horizontal com tampa de vidro e com formato de arca, destinado a conservação e exposição de produtos, com Fl. 9871DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.865 15 HCE311 congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 9.825) HCE392 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HCE411 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, mas o resultado trazido no laudo é o mesmo que consta do relatório do LABELO, quanto aos itens da norma ISO 5155/1995 (efls. 9.620/9.634) HCE503 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, indicando que para esse produto o estudo está "EM EXECUÇÃO" (efl. 9.824) THG6 THG7 "(...) o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família THG não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 9.826) THG8 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, indicando que para esse produto o estudo está "EM EXECUÇÃO" (efl. 9.826) THG 4I THG 5I THG 6I THG 7I THG 8I "(...) o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família THG não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 9.826) sistema de produção de frio e com variação de temperatura de 18°C a 22°C (efls. 56). Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para sorvetes (efls. 2.158/2.162) IHB 568 IHB722 SMR1900 "O resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos das famílias IHB e SMR não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 9.827) SMR1940 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Freezer horizontal com tampa de vidro e com formato de arca, destinado a conservação e exposição de produtos em supermercados, com sistema de produção de frio e com variação de temperatura de 18°C a 20 °C ou 16 °C a 30 °C (efls. 58) Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para supermercados (efls. 2.170 e 2.172) HDE216 HDE220 HDE265 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esses produtos, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE311 Apesar de constar do laudo técnico esse produto, a conclusão não se refere a esse produto, constando no item que "o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VCV não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (efl. 9.829) HDE324 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Congelador (freezer) horizontal podendo, alternativamente, ser utilizado como refrigerador, (temperatura ajustável dupla ação), com variação de temperatura de +5°C a 22 °C (efls. 60) Entre as duas funções que o produto é capaz de executar: congelamento e refrigeração, a função principal é a de congelamento, pois esta exige do equipamento maior poder de resfriamento. (efl. 61) Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas duplaação (efls. 2.173/2.175) Fl. 9872DF CARF MF 16 HDE411 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, mas o resultado trazido no laudo é o mesmo que consta do relatório do LABELO, quanto aos itens da norma ISO 5155/1995 (efls. 9.636/9.650) HDE427 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE503 Apesar de constar do laudo técnico esse produto, a conclusão não se refere a esse produto, constando no item que "o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VCV não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (efl. 9.829) HDE521 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. VDF600 "O resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VDF não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração" (e fl. 9.830) Congelador (freezer) vertical com porta de vidro com formato tipo armário (carregamento de gêneros é efetuado pela frente), podendo, alternativamente, ser utilizado como refrigerador, (temperatura ajustável dupla ação), com variação de temperatura de +8 °C a 23 °C (efls. 62/63). Entre as duas funções que o produto é capaz de executar: congelamento e refrigeração, a função principal é a de congelamento, pois esta exige do equipamento maior poder de resfriamento (efl. 64) VCV1C O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Consta do laudo técnico considerações quanto ao modelo VCV4B (efl. 9.828) Congelador (freezer) vertical, com variação de temperatura de 18 C° a 23 °C com porta de vidro com formato tipo armário (carregamento de gêneros é efetuado pela frente) (efl. 65). Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para sorvetes (efls. 2.158 e 2.163) É pacífico, portanto, que as mercadorias são enquadradas na posição 8418 (Refrigeradores, congeladores “freezers” e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415). Considerando os documentos e alegações trazidas pela Recorrente nestes autos, observase que ela sustenta que todos os seus produtos não atingem a temperatura 18°C no prazo de 24 horas não possuindo, com isso, a capacidade de congelamento na forma da ISO 5155/1995. Por sua vez, para a fiscalização, o fato dos produtos atingirem temperaturas abaixo de 18°C seria suficiente para enquadrála como congeladores destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais para fins de classificação fiscal. Contudo, a ampla documentação acostada aos autos pela Recorrente não consegue afastar a premissa fiscal: os produtos por ela comercializados são congeladores Fl. 9873DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.866 17 destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, ainda que não atendam as especificações técnicas exigidas pelo INMETRO para congeladores domésticos. O laudo técnico apresentado pela empresa em nenhum momento afirma que os produtos não possuem capacidade de congelamento, apenas buscam firmar que eles possuem capacidade de congelamento em desconformidade com a norma técnica do ISO 5155/1997. Essa norma técnica, entretanto, se aplica somente para refrigeradores e congeladores de uso doméstico, e não os comerciais como aqueles vendidos pela Recorrente. É o que se depreende da Portaria Inmetro n.º 20/2006, a qual se refere a própria Recorrente: "1. DEFINIÇÕES 1.1. Refrigeradores: Móvel termicamente isolado, dotado de máquina frigorífica que mantém o seu interior com temperatura adequada a conservar, resfriar ou refrigerar alimentos. (Fonte – Dicionário Aurélio). 2. REFERÊNCIAS 2.1. Lei 10.295/2001 Lei de Eficiência Energética. Estabelece a Política Nacional de Conservação de Energia. 2.2. Decreto nº 4.059/2001 Regulamenta a Lei de Eficiência Energética. 2.3. Portaria Inmetro nº 20/2006 Instituí, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, a etiquetagem compulsória de Refrigeradores e seus Assemelhados, de uso doméstico. 2.4. Normas Aplicáveis • ISO 7371 Household refrigerating appliances Refrigerators with or without lowtemperature compartment Characteristics and tests methods (Refrigeradores de 01 porta, compactos e "All refrigerator") • ISO 8187 Household refrigerating appliances Refrigeratorfreezers Characteristics and tests methods (Combinados) • ISO 5155 Household refrigerating appliances Frozen food storage cabinets and food freezers Characteristics and tests methods (Congeladores e Conservadores de alimentos congelados verticais e horizontais) • ISO 8561 Household refrigerating appliances Refrigerators, refrigerators freezers, frozen food storage cabinets and food freezers cooled by internal forced air circulation 3. CONDIÇÕES GERAIS 3.1 Nos distribuidores, produtores/importadores que comercializem exposição ou venda Condicionadores de Ar (artigo 6º da Lei 9933). Atenção: Não estão contemplados neste procedimento, os seguintes produtos: Refrigeradores e frigobares/compactos com porta de vidro; Climatizadores ou adegas de vinho/bebidas; Congeladores/conservadores comerciais com porta cega ou porta de vidro (condensador/evaporadora com ventilação forçada desde que caracterizados como comerciais) e; Refrigeradores com sistema por absorção e termoelétricos." (grifei) Nesse sentido, os documentos e laudos apresentados pela Recorrente não afastam a premissa delineada pela fiscalização no Auto de Infração, de que seus produtos são congeladores, cuja classificação fiscal mais adequada, por mais específica, é aquela identificada pela fiscalização. As provas produzidas pela Recorrente não possuem pertinência Fl. 9874DF CARF MF 18 com o presente caso. Mesmo reconhecendo a natureza comercial de seus produtos, todas as normas e considerações técnicas trazidas pela Recorrente nos autos se referem aos aparelhos de refrigeração de uso doméstico. Com isso, as provas trazidas aos autos pela Recorrente não trazem quaisquer elementos técnicos relevantes para a reclassificação fiscal, que merece ser mantida. Observase que quaisquer dos documentos técnicos trazidos pela Recorrente negam a existência de função de congelamento dos produtos, não trazendo diferenças relevantes para fins de classificação fiscal entre os produtos comercializados pela Recorrente e os congeladores. A indiferença entre os termos congeladores e conservadores, cuja ênfase é dada em todo momento pela Recorrente em sua defesa, foi bem apontada pela r. decisão recorrida com fulcro no Parecer da OMA, cujas razões se adota a seguir nos termos do art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "A OMA (Organização Mundial das Alfândegas) publica periodicamente, em francês e inglês, uma coletânea oficial contendo todos os pareceres aprovados pelo Comitê do Sistema Harmonizado (CSH). A tradução para os diferentes idiomas nacionais e a sua posterior internalização é de competência de cada parte contratante à Convenção, no nosso caso, do Secretário da Receita Federal do Brasil. Destaquese que os pareceres de classificação são de cumprimento obrigatório por parte do Brasil e dos demais intervenientes no comércio internacional. Neste contexto, a Receita Federal expediu a IN RFB nº 873/2008 (vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação) e posteriormente a IN RFB nº 1.459/2014, ambas aprovando o texto dos Pareceres de Classificação do Comitê: “IN RFB nº 873/2008 A SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e de acordo com o disposto no item 2 do artigo 3º, combinado com o item 2 do artigo 8º da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988, resolve: Art. 1º Aprovar, na forma do Anexo Único a esta Instrução Normativa, que se encontra disponível no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), atualizados até julho de 2008, e adotar como vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas. Art. 2º Adotar os mesmos pareceres de classificação como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características similares às neles contidas. Art. 3º Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 615, de 31 de janeiro de 2006. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.”(grifouse) Analisandose os Pareceres de Classificação contidos no Anexo Único da IN RFB nº 873/2008 (disponíveis no site da Receita Federal), destacase, para a solução da presente controvérsia, o Parecer relativo à posição 8418.30: “8418.30 1. Congelador (freezer) do tipo cofre, com uma tampa de vidro curvo, destinado a conservação e exposição de gêneros alimentícios em Fl. 9875DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.867 19 estabelecimentos comerciais. O aparelho oferece uma capacidade de conservação de 365 litros ou de 550 litros, segundo o modelo; um sistema de produção de frio incorporado permite manter uma temperatura compreendida entre 20 °C e 24 °C, para uma temperatura ambiente de 30 °C.” A impugnante fundamenta sua defesa na suposta distinção entre conservadores e congeladores, qual seja, a de que os congeladores destinariamse ao congelamento de alimentos enquanto que os conservadores destinariamse somente à conservação dos alimentos. Entretanto, conforme se pode notar no Parecer transcrito acima, o produto descrito é destinado à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, e é equivalente aos produtos fabricados pela autuada, com as mesmas características, funções e finalidades, e como se pode verificar também, é definido como “Congelador (freezer)”. Em sua impugnação, a autuada faz diversas críticas ao Parecer da OMA. Alega que os pareceres da OMA só se aplicam quando percorrido todo o caminho natural para a classificação fiscal das mercadorias. Equivocase a recorrente. Conforme o art. 1º da IN SRF nº 873/2008 são “vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas”. Além disto, os Pareceres tem caráter “subsidiário fundamental”, e não residual, ou seja, auxiliam na interpretação das Regras de Classificação e dos Textos de Posição e Notas de Seção e Capítulos. Também não procede a alegação de que o Parecer da OMA trata de características operacionais secundárias do produto. Isto não faz sentido algum. Obviamente o que se descreve em um parecer é o produto em si, pela sua característica principal, e como a própria impugnante sustenta em sua defesa, é a função principal que determina a classificação fiscal do produto. Conforme está claro no Parecer transcrito, o produto é “destinado a conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. O aparelho oferece uma capacidade de conservação de 365 litros ou de 550 litros, ...”. Assim como os conservadores fabricados pela contribuinte, o Parecer transcrito tem por objeto congeladores (freezers) destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios. Sustenta a impugnante que quando a OMA se reuniu para discutir as características secundárias presentes nas mercadorias enquadráveis na NCM 8418.30, em 25/03/2000, ainda não existia um estudo técnico, realizado a nível internacional, diferenciando os diversos tipos de aparelhos para geração de frio (refrigeradores), já que a diferenciação somente ocorreu em 2007; e por se tratar de uma tecnologia nova os conservadores deveriam se enquadrar na NCM residual 8418.50.90. A tese não tem amparo legal, já que o Parecer transcrito está vigente até a presente data. O entendimento e classificação fiscal adotados não foram alterados, o que demonstra que apesar da diferenciação ocorrida entre os diversos tipos de aparelhos, a OMA mantém o entendimento de que os conservadores pertencem ao grupo dos congeladores. Cabe refutar também, a alegação da autuada de que a OMA não é uma organização com expertise específica em tecnologia, e não tinha substrato suficiente para diferenciar conservadores e congeladores. Como já discorrido, a classificação fiscal não é uma matéria eminentemente técnica, e ainda que fosse, não caberia questionar os critérios da OMA, que, como já discorrido, é o órgão internacional competente para classificar os produtos. Devese ressaltar ainda, que o quadro comparativo de fls. 8657/8660 elaborado pela impugnante, “DIFERENÇAS ENTRE AS CARACTERÍSTICAS SECUNDÁRIA LISTADAS NO PARECER DA OMA E AS PRESENTES NOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIALIZADOS PELA IMPUGNANTE”, não tem nenhum valor porque, como já mencionado, o Parecer da OMA não trata de características secundárias, e porque o produto utilizado como paradigma é um freezer com função principal de congelamento, enquanto que o produto objeto do Parecer é um freezer com função Fl. 9876DF CARF MF 20 principal de conservação de alimentos, igual ao dos produtos fabricados pela autuada. Também em sua defesa, a impugnante transcreve, às fls. 8661/8662, algumas soluções de consulta proferidas pela Receita Federal. Entretanto, a maioria das soluções referemse a refrigeradores, e não a conservadores/congeladores. (...) Assim, pela aplicação obrigatória do Parecer da OMA, os conservadores de alimentos, tais como os fabricados pela contribuinte, fazem parte do grupo de congeladores, devendo ser classificados, conforme o modelo (horizontal ou vertical) e volume (capacidade abaixo de 800 litros para os horizontais e abaixo dos 900 litros para os verticais), nas posições 8418.3000 (horizontais) e 84184000 (verticais). Dessa forma, pela aplicação da Regra Geral de Interpretação nº 1, temos que: produtos da Linha HCE congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HCE congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha THG – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha THG – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha IHB – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha SMR – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HDE – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HDE – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha VDF – congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros – TIPI 8418.4000, alíquota 15%; produtos da Linha VCV1C – congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros – TIPI 8418.4000, alíquota 15%. Portanto, mantémse o lançamento efetuado pela fiscalização em função da saída de produtos com erro de classificação fiscal e erro de alíquota." (efls. 9.251/9.254) Com isso, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Fl. 9877DF CARF MF Processo nº 10480.723765/201512 Acórdão n.º 3402006.052 S3C4T2 Fl. 9.868 21 III DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja refeita a recomposição da escrita fiscal do sujeito passivo para considerar apenas os valores relativos às operações não decaídas, ocorridas após 31/03/2010, com os correspondentes reflexos nos cálculos da multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado. Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto da Ilustre Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora deste processo, ressalto minha discordância exclusivamente em relação ao tópico sobre a decadência e a glosa dos créditos (item II.1 do voto). A relatora descreve em seu voto que, "(...) Ora, uma vez reconhecido que o presente Auto de Infração não poderia abranger operações ocorridas anteriormente entre janeiro/2010 a março/2010, a base de informação que deve ser considerada pela fiscalização é aquela prestada pelo sujeito passivo até março/2010, não estando o fisco autorizado a proceder com a revisão da escrita fiscal dos períodos anteriores, já fulminados pela decadência". No entanto, neste aspecto discordo do entendimento da relatora. Explico. Como bem pontuado no Acórdão nº 3402004.139, de 23/05/2017, em voto vencedor prolatado pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, que subscrevo as considerações tecidas, adotandoas como razão de decidir com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto, fazendo as adaptações necessárias ao presente caso. Não há que se falar em decadência acerca do direito de o Fisco efetuar glosas de créditos não comprovados no período sob fiscalização sobre o qual não se operou a decadência. Embora se refiram a saldos credores de períodos anteriores, são valores que reduzem o montante de tributo a recolher do período fiscalizado, eis que foram aproveitados pela contribuinte em sua escrita, de forma que ela não pode se furtar a comproválos. Frisese que a fiscalização não exigiu qualquer montante relativo a saldos credores de períodos anteriores, mas tão somente glosou créditos a tais títulos para os quais a contribuinte não cumpriu o seu dever probatório. Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de "saldo credor de períodos anteriores”. Fl. 9878DF CARF MF 22 As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituílo. A vedação desses dispositivos se restringe à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória do AuditorFiscal de apuração do imposto devido no período fiscalizado, nos termos do art. 142 do CTN, na qual se inclui eventuais glosas de créditos aproveitados indevidamente pela contribuinte ou mesmo a reconstituição da escrita fiscal de períodos anteriores. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, devendo ser mantida a reconstituição dos saldos da escrita fiscal nos moldes postos pela fiscalização. mantendose hígida a decisão recorrida nesta parte. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 9879DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.908014/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observados as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, assim , garantindo-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observados as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, assim , garantindose, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 14 /2 00 9- 12 Fl. 159DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação de PIS/COFINS pago a maior, por o ICMS estar incluído na base de cálculo, que assim foi relatado pela DRJ: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), concernente ao período de apuração 06/2005. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10855.908014/200912 Acórdão n.º 3201004.717 S3C2T1 Fl. 161 3 contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2a PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Fl. 161DF CARF MF 4 Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. A. 3. 3a PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.908014/200912 Acórdão n.º 3201004.717 S3C2T1 Fl. 162 5 "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a processual normal, a DRJ assim ementou o julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 163DF CARF MF 6 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que houve cerceamento de defesa – ausência do contraditório; b) suspensão do processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) que o ICMS não compõe a base de cálculo do COFINS; d) que o valor pleiteado para utilização do crédito, seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo do COFINS; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.908014/200912 Acórdão n.º 3201004.717 S3C2T1 Fl. 163 7 análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência Fl. 165DF CARF MF 8 do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Diante disso, resta prejuciado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) Fl. 166DF CARF MF
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