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Numero do processo: 11020.002175/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/02/2008 a 31/03/2008, 01/02/2009 a 28/02/2009, 01/05/2009 a 31/05/2009.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. POSSIBILIDADE DE SEREM TRAÇADOS PLANOS E METAS DIFERENCIADOS EM FUNÇÃO DA ATIVIDADE EXERCIDA.
EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
É possível que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida para cada atividade.
As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-002.770
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento as contribuições oriundas do pagamento efetuado a gestores que excederam o valor acordado, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do cálculo da Participação nos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva,
que dava provimento parcial ao recurso, a fim de manter na base de cálculo os valores oriundos de lucros de diversas empresas do grupo; b) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da multa, para aplicar o determinado no Art. 32-A,
quando o cálculo com a multa aplicada resultar em benefício ao contribuinte, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros: a) Mauro José Silva, que deu provimento parcial ao recurso para quando for aplicada a multa, até 11/2008, de 75%, por manter a multa mais benéfica quando comparada à penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 com aquela prevista no art. 32-A da Lei 8.212/91; b) Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso nesta questão.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento as contribuições oriundas do pagamento efetuado a gestores que excederam o valor acordado, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do cálculo da Participação nos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que dava provimento parcial ao recurso, a fim de manter na base de cálculo os valores oriundos de lucros de diversas empresas do grupo; b) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da multa, para aplicar o determinado no Art. 32A, quando o cálculo com a multa aplicada resultar em benefício ao contribuinte, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros: a) Mauro José Silva, que deu provimento parcial ao recurso para quando for aplicada a multa, até 11/2008, de 75%, por manter a multa mais benéfica quando comparada à penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 com aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91; b) Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso nesta questão. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face SUSPENSYS SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA, do qual foi notificado em 26/07/2010, em virtude da não apuração do valor das Participações nos Lucros ou Resultados – PRL distribuídas aos empregados ocupantes de cargos de Diretor, Gerente e Coordenador, incidentes sobre as contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas destinadas a outras entidades e fundos (TERCEIROS) SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e SEBRAE. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 19 e seguintes), que segurados empregados ocupantes de cargos de Diretor, Gerente e Coordenador receberam remunerações a título de "Participação nos Resultados" de forma diferenciada, dos empregados ocupantes das demais funções, pertencentes ao quadro da empresa Recorrente, não tendo havido o estabelecimento de regras claras e objetivas, ao contrário destes, para os quais havia determinações específicas estabelecendo indicadores de eficiência; credibilidade na entrega de produtos /peças; rejeições internas e retrabalhos; custo fixo; giro de estoque total; devoluções de clientes (PPM de clientes); a partir das quais, os demais empregados terão o direito de participar do rateio na participação dos resultados. Além do mais, afirma o Relato Fiscal que o fato dos Gestores receberem a título de participação nos resultados na presente empres, valores decorrentes de resultados de "outras" empresas, embora pertencentes ao mesmo grupo econômico, está em desacordo com o Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 3 3 previsto na Lei n° 10.101/2000, já que a mencionada participação depende de negociação entre "a empresa" e seus empregados, e evidencia ainda mais o tratamento diferenciado aos referidos beneficiários. Assim, foi imputada à Recorrente, referente ao descumprimento da respectiva obrigação principal decorrente da existência dos fatos geradores levantados pela Fiscalização, lançamento no valor de R$ 324.303,16 (trezentos e vinte e quatro mil, trezentos e três reais e dezesseis centavos). Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação ao referido Auto de Infração, pleiteando pela nulidade deste, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente conforme ementa a seguir transcrita: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos aos empregados gestores a título de participação dos resultados, desvinculados das metas e demais critérios estabelecidos para os demais empregados da empresa possuem natureza remuneratória, integrando o saláriode contribuição, independentemente da forma legal utilizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeita com a decisão proferida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. e seguintes), pleiteando em suma: a) O reconhecimento da possibilidade de haver diferenciação nas formas de pagamento de Participação nos Lucros e Resultados entre os Gestores e demais empregados; b) O reconhecimento da clareza e da objetividade das determinações do PRL formulado; c) A nulidade do lançamento em razão da impossibilidade de aceitação da glosa integral dos valores pagos aos Gestores a título de PLR, pois, uma vez desqualificada as regras para esse pagamento, subsidiariamente, deveriam ser aplicadas as disposições referentes aos demais empregados, as quais se encontram plenamente válidas, devendo, portanto, servir de base para o cálculo da participação dos Diretores, Gerentes e Coordenadores. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 4 4 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao seu exame. Do Mérito Da regularidade dos critérios de distribuição formulados no Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Em seu Recurso, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade do seu Programa de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, de forma a não incidir a contribuição previdenciária sobre as verbas destinadas a outras entidades e fundos (TERCEIROS) SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA e SEBRAE, em virtude da inexistência de quaisquer fatos geradores que dessem causa à incidência daquela contribuição. Ora, a Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. A PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. O PRL é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Assim, por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei 10.101/2000, que versa sobre o PLR dos empregados, não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 5 5 O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Vejae que a Lei não faz qualquer exigência quanto ao mesmo percentual de lucro para todos os empregados e colaboradores da empresa, pois é perfeitamente possível que haja uma distribuição conforme o cargo ou função desempenhado. O fato de haver diferenças nos percentuais acordados não descaracteriza o caráter coletivo e de incentivo à produtividade que tem o PLR, uma vez que serve, inclusive, como estímulo ao desenvolvimento interno do quadro de funcionários. É possível, portanto, que sejam traçados planos e metas diferenciados para cada tipo de empregado, assim considerando a função exercida por cada um. Ora, quanto mais específica for a meta a ser atingida por um determinado cargo, maior objetividade haverá no critério estabelecido e mais fácil será a aferição dos resultados alcançados, o que, por sua vez, facilitará a execução do PLR, dado o fato de ter sido elaborado em função das especificidades de cada serviço desempenhado pela empresa. Além do mais, no que pertine aos cargos de diretores, gestores e coordenadores, vêse que, em razão de seu elevado grau de complexidade, não é possível estabelecer rigorosamente as mesmas metas designadas aos cargos de menor complexidade, pois a função daqueles é muito mais de gestão e controle, atividades que, por sua própria natureza, são mais abrangentes. Dessa forma, enquanto que para os cargos de menor complexidade será mais fácil se estabelecer critérios objetivos partindo da verificação do binômio qualidade/quantidade devido à maior especificidade do serviço prestado, para os cargos de maior complexidade, em razão do trabalho desenvolvido, haverá uma predominância do fator qualidade na determinação das metas atingidas, o que não significa fechar os olhos para o fator quantitativo, visto que este pode ser aferido por meio de critérios como o lucro líquido, por exemplo. Em outras palavras, quanto maior específico para a atividade do empregado for o critério de participação, mais objetivo este será, o que deveria ser buscado por todas as empresas e estimulado pelo próprio Fisco. Ao contrário, um critério uniforme para todos os níveis e atividades da empresa levaria ao distanciamento do fim precípuo do PLR, já que teria que ser o mais abrangente possível e, consequentemente, o mais difícil de ser detectado. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 6 6 Destarte, não há que se falar em impossibilidade de estabelecimento de percentuais diferentes de participação nos lucros e resultados em função dos cargos desempenhados, pois tal política serve não só como um estímulo ao crescimento pessoal do funcionário, mas também para o desenvolvimento coletivo da empresa. O que não é possível, na verdade, é a diferença nos percentuais de participação distribuídos entre o mesmo nível hierárquico, o que, de fato, fera o ideal de isonomia e desenvolvimento coletivo da empresa, mas que não ocorre no caso concreto em análise. As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos, tendose em vista, por outro lado, que a finalidade do Programa é desenvolver a empresa com a participação do empregado nos resultados alcançados. O que o legislador quis dizer ao estabelecer a clareza e a objetividade das regras como um dos pressupostos para a validade do PLR foi que tais premissas apresentam um eminente caráter teleológico, ou seja, que devem tem por escopo o desenvolvimento coletivo dos funcionários, diretores e da própria empresa, devendo, portanto, os critérios estabelecidos serem condizentes com tal finalidade, o que é verificado no PLR ora em análise. Além do mais, não procede o argumento do Fisco de que o fato de os gestores receberem, a título de participação nos resultados na presente empresa, valores tomados como parâmetros resultados de outras empresas, embora pertencentes ao mesmo grupo econômico, enalteceria o suposto tratamento diferenciado a eles conferidos. A Lei nº 10.101/2000 estabelece como requisito de validade para o PLR a negociação entre a empresa e os empregados ao longo do processo de elaboração, o que ocorre no caso concreto e é, inclusive, atestado pelo Relatório Fiscal que afirma que a celebração do referido Programa de Distribuição de Lucros e Resultados teve a participação da comissão indicada pela empresa, a comissão escolhida para representar os funcionários (empregados), além da participação de um membro indicado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul, representando também os funcionários, estando, portanto, devidamente preenchido o requisito legal em comento. O fato de ter sido estabelecido como critério de aferição das metas realizadas fatores não internos da própria empresa, porém não totalmente alheios, já que pertinentes ao grupo empresarial, não macula o PLR em análise. Ora, a afirmação de que o critério atinente ao grupo empresarial confrontaria a exigência legal de que o PLR fosse discutido entre empregados e a mesma empresa não tem qualquer pertinência. Isto porque no caso concreto foi efetivamente a SUSPENSYS quem negociou os termos dos critérios. Se um destes toma como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. Por outro lado, não se pode perder de vista que as empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, às vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 7 7 condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. Destarte, como os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 foram devidamente observados pela Recorrente, não há, no caso concreto, o dever de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as verbas repassadas a título de PLR, em virtude da ausência de fato gerador de obrigação principal, pois o PLR da Recorrente obedeceu aos critérios legalmente exigidos. Todavia, consta nos autos, inclusive reconhecido pela própria empresa Recorrente que, em alguns períodos, o valor repassado a título de verbas decorrentes do PLR excedeu as quantias previstas no próprio programa pela Recorrente formulado, devendo, portanto, apenas sobre a parcela excedente, haver incidência da contribuição previdenciária correspondente, em razão de seu caráter remuneratório. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 8 8 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 9 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 10 10 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, para que seja aplicada a mais benéfica aos fatos geradores ocorridos até novembro/2008. Da Conclusão Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 110200.02175/201010 Acórdão n.º 2301002.770 S2C3T1 Fl. 11 11 Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, mantendo o lançamento apenas sobre os valores repassados a título de PLR que ultrapassaram os limites no programa pela Recorrente formulado, bem como para determinar aplicação, da penalidade mais benéfica aos fatos geradores ocorridos até novembro/2008, cotejandose as redações anterior e atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723182/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A
do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.793
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a verba de auxílio-transporte em função da Sumula nº 60 da AGU.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Deve ser excluída a verba de auxíliotransporte em função da Sumula nº 60 da AGU. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005. Data da lavratura do AIOP: 28/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 28/12/2010. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o valor do Vale Transporte pago em pecúnia a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 42/52. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 2643/2665. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 2778/2791, julgando procedente em parte a autuação, para excluir do lançamento as obrigações tributárias alcançadas pela decadência quinquenal, e mantendo o crédito tributário na forma discriminada no DADR a fls. 2792/2797. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/10/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2800. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 2802/2813, pugnando pela declaração de improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10166.723182/201031 Acórdão n.º 230201.793 S2‐C3T2 Fl. 2.847 3 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 03/10/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO 2.1. DO VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA Nos exatos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Em justa conformidade com o art. 5º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o valetransporte não pode ser pago em dinheiro aos empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo de tal proibição foi, no exercício do válido poder regulamentar do Executivo, impedir que o valetransporte fosse utilizado para fins diversos do transporte do trabalhador da residência para a empresa e viceversa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o valetransporte pago nos termos da Lei nº 7.418/1985 está isento da contribuição previdenciária, como se observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991. No caso em tela, como o próprio assento no Relatório Fiscal a fl. 31 revela, o empregador não efetuou o desconto de 6% do salário básico do empregado, e este beneficio não estava previsto no Acordo ou Convenção Coletiva. Tal parcela configurarseia, portanto, autêntico salário, sendo, nessa condição, base de cálculo da contribuição social da empresa sobre a folha de salários, como bem determinou a fiscalização. Nessa perspectiva, ante a ausência de previsão na legislação do vale transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título de vale transporte não estaria albergado pela norma isentiva, sendo irrelevante que tal acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei. Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de que o pagamento habitual e em dinheiro do valetransporte não estaria abraçado pela regra da não incidência de contribuições previdenciárias, compondo assim o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins, uma vez que se configuraria inobservância da legislação de regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que evitaria o desvio de sua finalidade. Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Ocorre que, recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte, inaugurando precedente que restou assim ementado: “RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento." Diante de tal cenário, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o benefício do vale transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fezse necessária a revisão da jurisprudência da Corte Superior de Justiça, que passou a se manifestar na forma assentada nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10166.723182/201031 Acórdão n.º 230201.793 S2‐C3T2 Fl. 2.848 5 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido." (REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010). "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fático probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido." (REsp 1.194.788/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 14/09/2010) Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar a pag. 32 do Diário Oficial da União de 09/12/2011 a súmula nº 60, de 08/12/2011, que desonerou a rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia, ostentando o seguinte enunciado: Súmula AGU nº 60 Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. Nesse contexto, não deve persistir o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregados, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10166.723182/201031 Acórdão n.º 230201.793 S2‐C3T2 Fl. 2.849 7 Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13017.000320/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÃO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
INSUFICIENTE.
A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está
condicionada à comprovação hábil e idônea.
PAF. DESPESA NEGADA PELO CONTRIBUINTE. GLOSA NÃO IMPUGNADA NÃO INSTAURA CONTRADITÓRIO ADMINISTRATIVO.
Despesa expressamente negada e não contestada em primeira instância, considera-se não impugnada e não instaura o contraditório administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.792
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DEDUÇÃO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea. PAF. DESPESA NEGADA PELO CONTRIBUINTE. GLOSA NÃO IMPUGNADA NÃO INSTAURA CONTRADITÓRIO ADMINISTRATIVO. Despesa expressamente negada e não contestada em primeira instância, considerase não impugnada e não instaura o contraditório administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator. EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte já qualificado nestes autos foi lavrada a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 (fl. 9), apurandose o imposto suplementar de R$ 3.454,40 (três mil, quatrocentos e cinquenta e quatro mil e quarenta centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. A glosa de deduções de despesas médicas no valor de R$ 12.561,45 (doze mil, quinhentos e sessenta e um reais e quarenta e cinco centavos), referese as seguintes despesas: a) R$ 7.000,00 pagos à Sra. Débora Souza Tristão, sendo R$ 3.000,00 sem comprovação e R$ 4.000,00 com comprovantes sem indicação e CPF do prestador de serviço; b) R$ 1.561,45 pagos à Unimed Porto Alegre, sem o nome do beneficiado pelo serviço; e c) R$ 4.000,00 pagos à Sra. Noemi Elizabeth Sgarbossa, por não comprovação. O contribuinte apresentou impugnação alegando: (i) que em referência à Sra. Débora de Souza Tristão o valor declarado foi de três e não sete mil, como glosado pela auditoria, e que reapresenta os recibos com os dados corretos; (ii) que anexou a declaração identificando o nome e o responsável pelos pagamentos à Unimed Porto Alegre; e (iii) que não consta a Sra. Nomei Elizabeth Sgarbossa nos pagamentos da declaração original entregue à RFB. A impugnação foi considerada procedente em parte pela 8ª Turma da DRJ/POA, acatandose as deduções com o pagamento à Unimed, no valor de R$ 1.561,45, e à psicóloga Débora de Souza Tristão, no valor de R$ 3.000,00, e mantendose as demais glosas, no valor de R$ 8.000,00, por falta de comprovação. Cientificado da decisão de primeira instância em 20 de abril de 2011 (fl. 68), o contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 19 do mês subsequente, argumentando que não foram apresentados todos os recibos na fase impugnatória, mas que agora faz juntada dos recibos faltantes no valor total de R$ 4.000,00 para a profissional Débora Souza Tristão e de R$ 4.000,000 para a profissional Noemi Elizabeth Sgarbossa. O requerente anexa os recibos e declarações de folhas 52 a 63, 65 e 66. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13017.000320/200715 Acórdão n.º 210201.792 S2C1T2 Fl. 129 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e restringese a uma parcela das deduções com despesas médicas não questionada, ou negada, na impugnação, mas que agora o recorrente pretende incluílas. De acordo com o artigo 8º da Lei nº 9.250/1996, são dedutíveis os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Nos termos do § 2º do mesmo diploma legal, a dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; e limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Observase que o recorrente, após decisão da DRJ/POA, contesta a glosa de despesas, cuja prestação de serviço negou na primeira instância e, portanto, não foi objeto de impugnação. Conforme expresso no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Sendo assim, essa parcela da exigência fiscal não tem a exigibilidade suspensa e não instaura o contraditório administrativo. Mesmo que se queira apreciar o recurso quanto às despesas médicas contestadas, vêse que, além da negativa do próprio contribuinte na impugnação, as deduções são proporcionalmente significativas em relação aos rendimentos brutos e apresentam nuances que justificam o posicionamento da auditoria, tais como os comprovantes emitidos em finais de semana (janeiro, fevereiro, março, junho e setembro). Como as deduções são elevadas, o fisco, por imposição legal, pode tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, vinculando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Ante ao exposto, voto para negar provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000276/2003-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/11/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. “EX” TARIFÁRIO. É cabível o enquadramento no “ex”tarifário de mercadoria efetivamente importada que
corresponde àquela descrita no texto da Resolução CAMEX que concedeu o destaque “ex” na classificação fiscal.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3202-000.458
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte,
o advogado Guilherme de Andrade Marchette, OAB/SP 300.329
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/11/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. “EX” TARIFÁRIO. É cabível o enquadramento no “ex”tarifário de mercadoria efetivamente importada que corresponde àquela descrita no texto da Resolução CAMEX que concedeu o destaque “ex” na classificação fiscal. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Luís Eduardo Garrossino Barbieri declararamse impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Guilherme de Andrade Marchette, OAB/SP 300.329 José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tendo sido os fatos exaustivamente descritos no Relatório às fls. 279/284, faço a seguir uma breve síntese da situação a analisar. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 Trata a lide de Autos de Infração lavrados em 08/01/2003, para exigência de Imposto de Importação, IPI vinculado, juros de mora, multa de ofício de 75% e multa do controle administrativo de 30% do valor da mercadoria importada (por falta de licença de importação), no valor total de R$ 967.939,44, decorrente do não enquadramento da mercadoria importada no “ex” tarifário pretendido pela contribuinte. Limitase a lide tãosomente à discussão quanto ao enquadramento da mercadoria importada no extarifário nº 22 do código NCM 8441.80.00, restando incontroverso o código adotado. A empresa autuada, por meio da Declaração de Importação nº 02/10243982 (fls. 16/22), registrada em 19/11/2002, submeteu a despacho a mercadoria assim descrita (fl. 19): “Máquina para cortar e vincar folhas de cartão ondulado, com alimentação automática, eliminação de aparas, duas ou mais estações de destaque e empilhador automático, com capacidade máxima de produção igual ou superior a 8.000 folhas/hora. NCM 8441.80.00 “Ex” 022 O enquadramento no “ex”tarifário 22 fundamentouse na Resolução CAMEX nº 01, DOU de 29/01/2002, com alíquota vigente até 31/12/2003. O texto literal do “ex” descreve a mercadoria nos exatos termos utilizados pelo importador para descrição no produto na DI, acima transcrito. Nas informações complementares da DI (fl. 21), a mercadoria foi assim especificada: Máquina de corte e vinco plano para cartão ou papelão ondulado, com alimentação automática, dispositivo auxiliar de ajuste de estampo, com duas estações de destaque e empilhador automático, formato máximo de corte 104 X 74 cm e espessura de corte de até 4mm, marca Bobst, Modelo Autoplatina SP 104 ER, completa, com todos os seus pertences necessários para o seu funcionamento Entendeu a Fiscalização que a mercadoria efetivamente importada divergia das especificações do “ex” nos seguintes aspectos: (a) além de realizar as operações de corte e vinco, também modificava o relevo da superfície dos materiais; (b) além de operar com cartão ondulado, utilizava papel e cartão sólido; e (c) não possuía duas ou mais estações de destaque, mas apenas uma única. Após apresentação de impugnação, o lançamento foi julgado procedente pela DRJSão PauloII/SP (fls. 105/113). O interessado apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.139/157), juntando aos autos laudo técnico elaborado pela UNICAMP. Diante das divergências das informações constantes dos Laudos Técnicos juntados aos autos, em sessão de 06/05/2011, esta Segunda Turma Ordinária decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse elaborado novo laudo técnico, a fim de esclarecer a Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10314.000276/200369 Acórdão n.º 3202000.458 S3C2T2 Fl. 350 3 questão ali suscitada, relativa à existência, ou não, de duas estações de destaque na máquina importada (fls. 279/284). Cumprida a diligência, foi elaborado novo Laudo Pericial (fls. 289/311) e apresentado pronunciamento da interessada quanto ao resultado da diligência (fls. 337/339). Retornam os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Cabe aqui analisar as divergências apontadas pela Fiscalização que impediriam o enquadramento da mercadoria no “ex” pretendido e que levaram à autuação perpetrada. O enquadramento da mercadoria no “ex” circunscrevese à descrição do produto constante do texto da Resolução aprovada pela CAMEX, que deve restar atendida. O enquadramento no “ex” de produto que não satisfaça todas as condições previstas em sua descrição estaria favorecendo a importação de produto sem que se tivesse a certeza da inexistência de similar de fabricação nacional, desvirtuando, assim, o instrumento de política tributária a que se presta o destaque “ex”. O “Ex” pretendido, de nº 22 do código NCM 8441.80.00, descreve a mercadoria do seguinte modo: Máquina para cortar e vincar folhas de cartão ondulado, com alimentação automática, eliminação de aparas, duas ou mais estações de destaque e empilhador automático, com capacidade máxima de produção igual ou superior a 8.000 folhas/hora. Algumas das divergências assinaladas no primeiro laudo não se mostram suficientes para a desclassificação da máquina no extarifário pretendido. A máquina corta e vinca e, ainda, realiza a operação de alteração de relevo; demais disso, além de trabalhar com cartão ondulado, opera com papel com gramatura de pelo menos 89/90 g/m2 e com cartão sólido com gramatura de 250 a 2000 g/m2 . Tais divergências demonstram que a mercadoria importada, muito embora exceda as funções descritas no “ex”, atende àquelas essenciais para o enquadramento na exceção tarifária pretendida. Assim, mesmo tendo a máquina outras funções além daquelas exigidas no “ex” (fazer relevos), e operando com outros materiais além daqueles descritos no “ex” (papel e cartão sólido), temse que tais fatos não seriam aptos para desenquadrar a mercadoria da exceção tarifária pleiteada, vez que as funções exigidas pelo “ex” (cortar e vincar folhas de cartão ondulado) se mostram atendidas. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 A única divergência apontada naquele laudo, capaz de levar ao desenquadramento no extarifário, diz respeito à existência de apenas uma única estação de destaque. Em razão da diligência requerida, foi elaborado novo Laudo Técnico, pelo Engenheiro Mecânico Luiz Cláudio de Araújo, perito credenciado pela IRFSão Paulo. Referido laudo pôs fim à questão controversa, ao concluir que a máquina possui duas estações de destaque, a saber: 1 Identificar a máquina instalada no estabelecimento do importador,referente à DI n° 02/10243982. Resposta: Tratase de 01 (uma) máquina para cortar e vincar folhas de cartão ondulado, com alimentação automática, eliminação de aparas, 02 (duas) estações de destaque e empilhador automático, com capacidade máxima de produção máxima de 8.000folhas por hora, da marca: BOBST SA, de origem: Suíça, modelo: SP 104ER, com n° de série: 0578 079 02 e ano de fabricação 2.002. 2. A máquina vistoriada possui 2 (duas) ou mais estações de destaque? Resposta: A máquina possui 02 (duas) estações de destaque 3. Outras informações que julgar pertinentes. Resposta: Conforme vistoria física, a máquina é composta por 06 (seis) estações, ou seja: Alimentador; Mesa de transferência; Prensa de corte e vinco; Estação de destaque ( 1ª. estação de destaque) Estação de separação (2ª. estação de destaque) Saída. (...) Conclusão: A chamada nos documentos de referência (ANEXO II) da máquina como: "estação de separação", faz mecanicamente, a mesma função (destaque), com o mesmo resultado (separação de retalhos ou aparas), dando continuidade ao processo com a saída do produto final da máquina. Portanto, a máquina em questão, mecanicamente, possui 02 (duas) estações de destaque. (Grifos não constantes do original) Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 10314.000276/200369 Acórdão n.º 3202000.458 S3C2T2 Fl. 351 5 Desta forma, comprovado nos autos que a máquina possui duas estações de destaque e que preenche todas as condições exigidas no texto do “Ex”, não há como deixar de reconhecer o cabimento da exceção tarifária pleiteada, razão pela qual deve ser cancelado o lançamento fiscal. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000815/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN)
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.132
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN) PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's d's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN) PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. (n ELIAS SAM 'A :o FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA —Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Fentra de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 17546.000815/2007-17 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.132 Fl. 178 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.00029612005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIel RIAS DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previclenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626 oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n u 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CIIIn9. É o relatório. • • Voto • Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELA - • IST1NA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 , ,sym. MINISTÉRIO DA. FAZENDA .,apy CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4414 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 17546.000815/2007-17 Recurso n°: 161.138 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.132 (Brasília7 2 'e março de 2010 \\.. / ELIAS SAM • • O FFtEIRE - Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Clência. [ 1 Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciència: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19515.001157/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
CSLL. DIFERENÇA ESCRITURADO X DECLARADO/PAGO.
Demonstrados, inclusive mediante a realização de diligência, equívocos nas bases de cálculo apontadas pelo Fisco, e que as correções desses equívocos levam ao desaparecimento de quaisquer diferenças entre os valores escriturados e aqueles eclarados/pagos, o lançamento não pode subsistir.
Numero da decisão: 1301-000.783
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 CSLL. DIFERENÇA ESCRITURADO X DECLARADO/PAGO. Demonstrados, inclusive mediante a realização de diligência, equívocos nas bases de cálculo apontadas pelo Fisco, e que as correções desses equívocos levam ao desaparecimento de quaisquer diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos, o lançamento não pode subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Diniz Raposo e Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.663 2 LIBBS FARMACÊUTICA LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 51.889.332,93, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 01. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: O interessado foi autuado na CSLL, em 08/04/2009, por recolhimento insuficiente referente aos fatos geradores dos anoscalendário de 2003 a 2007, insuficiência apurada por meio de cotejo entre as DCTF's, a escrituração contábil e os DARF's recolhidos, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 51.889.332,93, incluindo contribuição, multas de 75% e juros de mora calculados até 31/03/2009 (fls. 1 a 158). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 141 a 145, dá conta de que por ocasião das verificações preliminares: “Após a análise dos meios magnéticos, foi efetuado o cotejo das informações disponíveis nos disquetes entregues pelo contribuinte com o dossiê eletrônico constante nos sistemas da Receita Federal do Brasil, onde foram apuradas diferenças relativas à CSLL. O contribuinte foi intimado, em 26/03/2009, a justificar tais diferenças, não o tendo feito até a presente data. Tendo em vista o exposto, constatamos que o contribuinte efetuou recolhimento insuficiente da CSLL, para os fatos geradores ocorridos no período em tela, de acordo com planilha em anexo, que faz parte integrante deste Termo, cujo cotejo foi realizado entre as DCTF's entregues, os valores registrados na contabilidade e os DARF's recolhidos.” O enquadramento legal se deu com base no art. 77, inciso III, do Decretolei nº 5.844/43, art. 149 da Lei nº 5.175/66, art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, art. 1º da Lei nº 9.316/96, art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637/02. As diferenças apuradas encontramse nas planilhas de fls. 143 a 145. O auto de infração consta às fls. 146 a 158. O interessado apresentou impugnação, em 08/05/2009 (fls. 160 a 171), por meio de seu sócio (fls. 171 a 181), acompanhada de documentos (fls. 182 a 600), alegando, em resumo, que: 1 há nulidade, pois houve cerceamento de defesa, visto que recebeu como anexo do Auto de Infração apenas planilhas com dados inconsistentes cotejados com os do dossiê eletrônico da RFB, ao qual a impugnante não tem acesso, o que dificultou a defesa, impossibilitando o entendimento dos valores apontados como devidos, em total afronta ao princípio da ampla defesa; as inconsistências estão relacionadas às planilhas da fiscalização, os únicos documentos que embasaram o Auto de Infração; além da falta de documentos de suporte das planilhas apresentadas, seus montantes informados como devidos não são pertinentes, vez que foi considerada a contabilidade como meio hábil para determinação da CSLL, e como se não bastasse, foram utilizados valores não condizentes com a nossa contabilidade, conforme demonstrado no Anexo I; o trabalho carece de um dos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.664 3 elementos essenciais à constituição do crédito tributário, qual seja, a descrição do fato que originou o débito de forma clara, precisa e corroborada por documentos que efetivamente suportem e comprovem a acusação; juntase 3 (três) pastas de documentos, contendo DARF'S, DCTF'S, PER/DCOMP'S, Razões Contábeis, Base de Cálculo e Comprovantes dos Informes de Rendimentos de Aplicação Financeira dos anoscalendário de 2003 a 2007, que comprovam a inexistência do crédito tributário exigido; 2 em vista do absurdo valor exigido, cabe invocar o princípio da capacidade contributiva, pois a empresa apresentou entre 2003 a 2007 um faturamento médio de R$ 265.987.629,00, enquanto a soma dos lançamentos desta ação fiscal (PIS, COFINS, IRPJ, IRRF e CSLL) alcançou R$ 228.077.172,00; 3 ocorreu a decadência em relação aos créditos tributários dos períodos de competência anteriores a 08 de abril de 2004, conforme argumentos de praxe; 4 a planilha anexa ao Auto de Infração, que daria suporte ao lançamento confrontou valores extraídos da contabilidade de forma totalmente desconexa, como por exemplo, considerando a provisão da CSLL (cálculo acumulado de todos os meses de cada anocalendário) versus os valores informados na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (valores informados mês a mês) para em seguida promover o lançamento com a exigência do tributo como se fosse diferença apurada, não se atentando que a provisão da CSLL contabilizado através dos cálculos acumulados nada tem a ver com as informações declaradas da DCTF, pois as últimas são informações de cada mês e não o acumulado do período; tal procedimento não se reveste de lógica, não tendo sentido prático e muito menos amparo legal; 5 eis a demonstração, de forma correta e comprovada, do real valor contabilizado com os respectivos pagamentos da CSLL nos anoscalendário de: a) 2003: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 4.181.563,83, conforme o Razão (doc 1.4) e os recolhimentos foram do mesmo valor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 1.1); b) 2004: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 5.793.586,60, conforme o Razão (doc 2.5) e os recolhimentos foram do mesmo valor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 2.1) e compensações com PER/DCOMP’s (doc 2.2); c) 2005: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 5.024.324,22, conforme o Razão (doc 3.4) e os recolhimentos foram R$ 0,03 a menor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 3.1); d) 2006: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 5.570.907,43, conforme o Razão (doc 4.4) e os recolhimentos foram do mesmo valor, composto por recolhimentos com DARF’s (doc 4.1); e) 2007: a Provisão total contabilizada da CSLL foi de R$ 3.702.526,93, conforme o Razão (doc 5.5) e os recolhimentos foram a maior, perfazendo R$ 4.181.395,40, composto por recolhimentos com DARF’s de R$ 3.804.562,01 (doc 5.1) e compensações com PER/DCOMP’s de R$ 376.833,39 (doc 5.2); Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.665 4 6 a planilha da fiscalização traz diversos lançamentos transitórios que ocorreram durante o exercício, mas sem influência efetiva em termos de apuração do imposto ou seu pagamento efetivo, além de considerar débitos e créditos de forma inconsistente e desordenada, o que não espelha a situação real da empresa em termos contábeis e de recolhimento do tributo; 7 em resumo: o auto de Infração não pode prosperar, pois: a) o trabalho fiscal nasceu com vício insanável, eis que utilizou o razão contábil que contempla o registro de todos os atos praticados pela empresa (fatos aumentativos, diminutivos e permutativos) em um dado momento, mas que não se presta como base de cálculo ou fato gerador de imposto; b) os anexos e demonstrativos que compõem o Auto de Infração revestemse apenas de planilhas com dados desconexos e sem o acompanhamento de nenhum documento comprobatório da possível infração praticada pela empresa; 8 caso o julgador não forme sua convicção com os documentos relacionados e juntados, pleiteia a realização de diligência. O interessado apresentou, em 10/06/2009, esclarecimentos adicionais (fls. 603 a 616), por meio de seus advogados (fls. 616 a 628), acostando elementos (fls. 629 a 680). O processo foi baixado em diligência, em 27/07/2009 (fls. 684 a 687), cujo teor é o seguinte: (...) Os quadros de fls. 204 a 217, elaborados pela impugnante, mostram que: 1 em 2003 e 2004, não há divergência quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, ficando o lançamento das diferenças por conta de estimativas não consideradas pela fiscalização; 2 em 2005, há divergências quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, em 30/04/2005 e 30/09/2005 pois apesar de ter levantado o Balanço/Balancete de Suspensão ou Redução nessas ocasiões, optou por recolher a “estimativa da receita bruta mais acréscimos” (art. 2º da Lei n.º 9.430/96), de forma que, nestes casos, a provisão não é o meio hábil para apurar a CSLL devida, mas, sim, a base de cálculo da estimativa da receita bruta mais acréscimos, assim como em 31/12/2005, quando, além das divergências quanto ao valor da provisão utilizado pela fiscalização e pelo contribuinte, o lançamento da diferença ficou por conta, também, de estimativas não consideradas pela fiscalização; 3 em 2006, há divergências quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, em 31/01/2006, em 28/02/2006, em 30/04/2006, em 30/08/2006, em 30/09/2006, ficando o lançamento por conta dessas divergências, como descritas no item anterior, e em 31/12/2006, quando o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.666 5 lançamento da diferença ficou por conta, também, de estimativas não consideradas pela fiscalização; 4 em 2007, há divergências quanto aos valores das provisões utilizados pela fiscalização e pelo contribuinte, em 31/01/2007, em 28/02/2007, em 30/04/2007, em 30/06/2007, em 30/09/2007, ficando o lançamento por conta dessas divergências, como descritas no item anterior e em 31/12/2007, quando o lançamento da diferença ficou por conta, também, de estimativas não consideradas pela fiscalização. Os quadros elaborados pela impugnante, às fls. 219 a 223, demonstram, para todos os meses do período autuado, se foi utilizada a receita bruta ou a suspensão/redução, a respectiva base de cálculo/DCTF, o valor recolhido por meio de DARF e/ou PER/DCOMP e/ou IRRF sobre Aplicações Financeiras e os n.ºs de referência do respectivo conjunto probatório, além dos totais anuais. Os quadros de fls. 225 a 230, também elaborados pela impugnante, sintetizam as conclusões dos quadros de fls. 204 a 217. As provas apresentadas (fls. 232 em diante) são os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, PER/DCOMP’s, DCTF’s, demonstrativos dos cálculos das estimativas com base na receita bruta ou das antecipações com base nos balanços/balancetes de suspensão/redução, LALUR e (embora a impugnante diga ter trazido os Razões contábeis das provisões, conforme fls. 168 e 169) o Razão contábil da provisão de 2003 (fl. 288), mas quanto a 2004 (fls. 353 e 354), 2005 (fls. 433 a 435), 2006 (fls. 512 a 517) e 2007 (fls. 595 a 600) elementos como o chamado de “Razão Verificação”, que se refere à “conta reduzida: 254/9”, cuja exata relação com a conta de provisão não é conhecida, pois esta leva o código 2111500254, nos anos de 2003 a 2005, conforme consta à fl. 121. Cotejando os valores apurados no TVF com os da autuação (fls. 143 a 150) verificase que em 2005, 2006 e 2007 foram lançadas como diferenças de contribuição as somas de diferenças apuradas ao longo desses anos, que poderiam configurar recolhimentos a menor de estimativas ou de antecipações com base em balanço ou balancete de suspensão/redução, que serviriam apenas como base de cálculo de multas, nos moldes do art. 44 da Lei n.º 9.430/96 com suas alterações, que diz que: (...) A par disso, verificase a existência, em todos os anos autuados, de divergências não só entre os números da fiscalização e os do contribuinte sobre o valor da Provisão para a CSLL, mas, também, desses números com os que constam nas DIPJ’s: DATA FISCO CONTRIBUINTE EXAME CONTAB RETIF CONTAB SOMA PROVISÃO DIFERENÇA DIPJ (*) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.667 6 DATA FISCO CONTRIBUINTE EXAME CONTAB RETIF CONTAB SOMA PROVISÃO DIFERENÇA DIPJ (*) 31/12/2003 4.181.563,83 0,00 4.181.563,83 4.181.563,83 0,00 1.278.807,24 31/12/2004 5.793.586,60 0,00 5.793.586,60 5.793.586,60 0,00 2.349.547,40 31/12/2005 10.162.909,98 5.024.324,22 5.138.585,76 5.024.324,22 114.261,54 1.020.775,02 31/12/2006 10.737.046,29 5.570.907,43 5.166.138,86 5.570.907,43 404.768,57 1.163.926,37 31/12/2007 8.236.266,32 3.702.526,93 4.533.739,39 3.702.526,93 831.212,46 13.577,20 (*) as instruções de preenchimento da linha 7 (Provisão para a CSLL) do Passivo informado nas DIPJ’s pedem, nesse campo, a informação do saldo a pagar da provisão na data de encerramento do Balanço. Portanto, proponho encaminhar o processo à DEFIC/SPO/SAPAF, para que a fiscalização diligencie no sentido de trazer ao processo: 1 esclarecimentos sobre a origem e o significado dos dados da coluna “Retif. Contab.”, às fls. 143 a 145; 2 o(s) código(s) da conta de Provisão para a CSLL em 2006 e 2007; 3 Razão da conta de Provisão para a CSLL de 2004 a 2007 e Razão das contas de suas contrapartidas nos anos autuados; 4 esclarecimentos sobre a movimentação da conta de Provisão para a CSLL, acompanhados de planilha impressa e em EXCEL, vinculando as memórias de cálculo dos créditos e dos débitos nela lançados; 5 explicações sobre as divergências dos saldos dessa conta com os dados das DIPJ’s, nos anos autuados; 6 o total dos valores creditados e não estornados na conta de Provisão para a CSLL em cada ano autuado e qual o valor que foi adicionado, para fins de determinação da base de cálculo, a esse título? 7 sua apreciação sobre o conjunto probatório. (...)” A diligência foi realizada (fls. 703 a 1.649), constando seu encerramento e conclusão às fls. 1.620 a 1.649, com ciência ao interessado em 22/01/2010 (fl. 1.620verso), cujo resumo é o seguinte: 1 foram analisados todos os documentos apresentados; 2 foi realizado o confronto dos registros contábeis com os DARF’s apresentados e DCTF’s; 3 foram analisadas as planilhas apresentadas e confrontadas com os registros do LALUR, “não restando diferenças a serem exigidas.”. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1624.493, de 04/03/2010 (fls. 1650/1659), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.668 7 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DO FATO E FORMA DE APURAÇÃO. Não há despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, de forma que não há nulidade por cerceamento do direito de defesa. A impugnação demonstra que as imputações foram compreendidas, não prejudicando a defesa. A descrição do fato imputado é muito clara: insuficiência de recolhimento de CSLL. Preliminar indeferida. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. É princípio constitucional destinado aos legisladores, cuja aplicação se dá por meio da legislação tributária, que vincula a todos os AFRFB, inclusive julgadores. Preliminar indeferida. DECADÊNCIA. Tratandose de recolhimento insuficiente, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, de forma que a contagem se dá a partir das datas dos fatos geradores, que neste caso, ocorreram em 31/12. O lançamento se deu em 08/04/2009, o que significa que o fato gerador de 31/12/2003 foi alcançado pelo decurso do prazo decadencial. Preliminar deferida em parte. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO. CONTRIBUIÇÃO ESCRITURADA E DECLARADA/PAGA. Não há diferença a recolher. Como a decisão exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.669 8 Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, em que pese ter havido o reconhecimento parcial da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários por fatos geradores ocorridos até 31/12/2003, o principal motivo para o afastamento da integralidade dos créditos tributários lançados foi o resultado da diligência determinada pelo julgador de primeira instância. De pronto, cabe observar que a diligência não foi cumprida nos exatos termos em que foi determinada. O relator do processo em primeira instância elaborou sete quesitos a serem respondidos pela AuditoraFiscal encarregada da diligência e, apesar da vasta documentação acostada aos autos, os quesitos não foram respondidos especifica e diretamente. Na parte final (fls. 1620/1649), a AuditoraFiscal refaz os demonstrativos que embasaram o lançamento, fazendo em todos os casos um ajuste na coluna “Justificativa” de forma a zerar qualquer diferença a ser exigida. Considero relevante reproduzir as justificativas, para cada um dos anos calendário objeto de lançamento: AnoCalendário 2003: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2003, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que a diferença apontada no mês de DEZ/2003, ocorre em razão do lançamento contábil registrar a CSLL do exercício de 2003, e está comparada com a DCTF e o SINAL calculados e pagos por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2004: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2004, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que a diferença apontada no mês de DEZ/2004, ocorre em razão do lançamento contábil registrar a CSLL do exercício de 2004, e está comparada com a DCTF e o SINAL calculados e pagos por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.670 9 Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2005: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2005, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que as diferenças apontadas ocorrem pelos seguintes motivos: 1) Os lançamentos contábeis que aparecem na coluna CONTAB e RETIF.CONTAB estão invertidos. 2) A empresa calculou e pagou a CSLL do exercício por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. 3) Os lançamentos contábeis não refletem essa sistemática, porém não representam fato gerador do tributo. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2006: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2006, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que as diferenças apontadas ocorrem pelos seguintes motivos: 1) Os lançamentos contábeis que aparecem na coluna CONTAR e RETIF.CONTAB estão invertidos. 2) A empresa calculou e pagou a CSLL do exercício por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. 3) Os lançamentos contábeis não refletem essa sistemática, porém não representam fato gerador do tributo. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. AnoCalendário 2007: JUSTIFICATIVA: Da análise do livro LALUR e dos comprovantes de PAGAMENTO da CSLL do exercício de 2007, em confronto com a planilha Cotejo, verificamos que as diferenças apontadas ocorrem pelos seguintes motivos: 1) Os lançamentos contábeis que aparecem na coluna CONTAB e RETIF.CONTAB estão invertidos. 2) A empresa calculou e pagou a CSLL do exercício por Estimativa Mensal com base na Receita Bruta. 3) Os lançamentos contábeis não refletem essa sistemática, porém não representam fato gerador do tributo. Com base nessa análise fizemos o devido ajuste na coluna Justificativa, e concluímos que não existe diferença a ser exigida. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.671 10 No relatório em que conclui a diligência (fl. 1648), a AuditoraFiscal singelamente conclui que não restam diferenças a serem exigidas. Não menos singelo foi o acórdão de primeira instância, que decidiu em duas frases (fl. 1659): O relatório da diligência traz conclusão de que não restaram diferenças a serem exigidas. Portanto, VOTO por EXONERAR o lançamento, na íntegra. Cumpre, nesta etapa processual, avaliar os fundamentos para o afastamento do crédito tributário em primeira instância, vale dizer, os fundamentos para a conclusão da diligência fiscal. Ao examinar os documentos e as justificativas trazidas aos autos, concluo que, nos anoscalendário 2003 e 2004, os lançamentos foram equivocados, por não considerar que a CSLL devida, registrada na contabilidade no mês de dezembro, fosse resultado do período anual. A esse valor foi confrontado o montante declarado em DCTF como estimativa exclusivamente no mês de dezembro, sem levar em conta as estimativas declaradas e pagas em todos os meses anteriores. O contribuinte demonstrou e comprovou a correção de seu procedimento e a AuditoraFiscal aceitou a inexistência de diferenças passíveis de lançamento, o mesmo ocorrendo com a decisão de primeira instância. Nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, mais uma vez o valor da CSLL anual, registrado na contabilidade em dezembro, foi comparado com o valor de estimativa declarado em DCTF correspondente ao mês de dezembro. A confundir ainda mais as apurações originalmente feitas pelo Fisco, a contribuinte declarou e pagou estimativas em alguns meses do ano com base na receita bruta e acréscimos (RBA), em outros com base em balanços/balancetes de suspensão/redução (BSR), conforme lhe facultava a lei. No entanto, sua contabilidade, onde o Fisco buscou elementos para o lançamento, não registrou fielmente essa mudança de sistemática. Também nesses anos o contribuinte demonstrou e comprovou a correção de seu procedimento e a AuditoraFiscal aceitou a inexistência de diferenças passíveis de lançamento, o mesmo ocorrendo com a decisão de primeira instância. Não faço reparos ao quanto decidido. Demonstrados, inclusive mediante a realização de diligência, equívocos nas bases de cálculo apontadas pelo Fisco, e que as correções desses equívocos levam ao desaparecimento de quaisquer diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos, o lançamento não pode subsistir. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001157/200927 Acórdão n.º 130100.783 S1C3T1 Fl. 1.672 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13726.000605/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1999
FUNDAMENTO LEGAL. LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA
Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A,
c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhece-se a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/11/2007, 20/12/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhecese a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2007, 20/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação dos débitos fiscais referente ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), vencidos nas datas de 20/11/2007 e 20/12/2007, declarados nos Pedidos de Restituição/Declarações de Compensação (Per/Dcomps) às fls. 20/23 e 24/27, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos dessa mesma contribuição referente aos meses de competência de janeiro de 1997 a fevereiro de 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda não reconheceu os créditos financeiros e não homologou as compensações dos débitos tributários declarados sob o argumento de que os valores recolhidos eram devidos e, ainda, que não o fossem, nas datas de transmissão dos Per/Dcomp, o direito de a recorrente repetilos/compensálos já havia decaído pelo decurso do prazo qüinqüenal, conforme despacho decisório às fls. 45/47. Inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 63/72), insistindo na homologação, alegando, em síntese, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/compensação dos indébitos declarados, defendendo a tese dos “cinco mais cinco”, ou seja, cinco anos para a extinção tácita do pagamento e mais cinco para exerceu o seu direito. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação dos débitos declarados, conforme Acórdão nº 1332.431, datado de 26/11/2010, às fls. 79/83, sob a seguinte ementa: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte de pleitear a restituição compensação de tributo pago em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (90/97) requerendo a sua reforma a fim que se reconheça seu direito à repetição/compensação dos valores reclamados e homologue as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese: I) em preliminar, a prescrição de alguns débitos; e, II) no mérito, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/compensação dos créditos (indébitos) reclamados, defendendo a tese dos “cinco mais cinco” e/ ou a contagem do prazo qüinqüenal da data da publicação do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou a inconstitucionalidade do tributo ou da Resolução do Senado Federal que suspendeu a execução da norma declarada inconstitucional. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13726.000605/200741 Acórdão n.º 330101.276 S3C3T1 Fl. 105 3 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Conforme consta do pedido de restituição às fls. 03/11, os valores reclamados decorrem dos pagamentos de Pasep, efetuados com base na MP nº 1.212, de 25/11/1995, e suas reedições, convertidas na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, referentes às competências mensais de janeiro de 1997 a fevereiro de 2009. Segundo, seu entendimento, em face do STF ter declarado, em 02/08/1999, a inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, e tendo o Senado Federal editado a Resolução nº 10, em 04 de abril de 2005, os recolhimentos efetuados com base nestes diplomas tornaramse indevidos, constituindose indébitos tributários passíveis de restituição/ compensação. A recorrente sustenta: I) em preliminar, a prescrição de alguns débitos; e, II) no mérito, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/compensação dos créditos financeiros (indébitos) reclamados. Quanto à preliminar de prescrição de débitos cujas compensações não foram homologadas, além de não ter identificado quais débitos foram atingidos pela prescrição, tal alegação constitui matéria preclusa. A título de esclarecimento, cabe ressaltar que os débitos declarados, em número de dois, se referem ao Pasep dos meses de outubro e novembro de 2007, com vencimentos em 20/11/2007 e 20/12/2007. Como os Per/Dcomps foram transmitidos em 10/10/2007 e 14/12/2007, não há que se falar em prescrição. No mérito, as questões se restringem à decadência do direito de a recorrente repetir/compensar os indébitos reclamados e à certeza e liquidez de seus valores. Quanto à suscitada preliminar de inocorrência da decadência do seu direito de repetir/compensar os valores reclamados, seu julgamento fica prejudicado, porque, conforme será demonstrado na questão de mérito, em relação à certeza e liquidez dos valores reclamados, independentemente de ter ou não ocorrido a decadência do seu direito, aqueles valores não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 8.715, de 25/11/1998. A exigência da contribuição para o Pasep, no período objeto do pedido de restituição, ou seja, de 1º de janeiro de 1997 a 28 de fevereiro de 1999, tem sua fundamentação amparada na MP nº 1.212, de 28/11/1995, e s/ reedições, convertidas na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. Na esfera judicial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio do julgamento do RESP 1.136.210, cujo Relator foi o então Exmo. Ministro Luiz Fux, decidiu que a contribuição destinada ao Pasep permaneceu exigível no período compreendido entre outubro Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Levandose em conta que o Acórdão do STJ sobre esta matéria foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, e, ainda, o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), adotase para o presente caso aquela decisão, ou seja, a constitucionalidade e legalidade da exigência do Pasep, no período de março de 1996 a fevereiro de 1999, com fundamento na MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertidas na nº 9.715, de 25/11/1998. Além disto, no julgamento da ADIN nº 1.4170, na qual se suscitou a inconstitucionalidade da MP nº 1.212, de 25/11/1995, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional apenas e tão somente a parte do art. 15 daquela MP que determinava sua aplicação retroativa a partir de 1º de outubro de 1995. Os demais dispositivos e sua aplicação foram julgados constitucionais depois do cumprimento da carência nonagesimal prevista na Constituição Federal de 1988, art. 195, § 6º. Assim, cumprida aquela carência, a referida MP entrou em vigor, nos termos da Constituição Federal de 1988, art. 62, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, no período, objeto dos pretensos indébitos reclamados, a contribuição para o Pasep, apurada e paga nos termos daqueles diplomas legais, era devida e os valores recolhidos não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida. Já a homologação da compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não dispunha dos créditos financeiros declarados em ambos os Per/Dcomps. Assim não há que se falar em homologação das compensações dos débitos fiscais declarados. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15504.008414/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS
45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA
VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do
STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de
sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento, nos termos do art. 150, IV do CTN. SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES – PARECER PGFN 2117/2011 Sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados não incide contribuições previdenciárias, ainda que feita sem a adesão ao PAT, conforme decisões judiciais corroboradas pelo Parecer PGFN 2117/2011.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 05/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até competência 11/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência total do lançamento, nos termos do art. 150, IV do CTN. SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES – PARECER PGFN 2117/2011 Sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados não incide contribuições previdenciárias, ainda que feita sem a adesão ao PAT, conforme decisões judiciais corroboradas pelo Parecer PGFN 2117/2011. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 05/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até competência 11/2002. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008414/200849 Acórdão n.º 2401002.209 S2C4T1 Fl. 550 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado referente às contribuições devidas pela empresa à seguridade social, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço., as quais foram calculadas sobre os valores pagos aos empregados a titulo de ALIMENTAÇÃO, sem a devida inscrição no PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, no período compreendido entre 01/2003 a 12/2007, com ciência do contribuinte em 06/2008. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 130/132, os fatos geradores das contribuições lançadas tiveram como base de cálculo os valores lançados nos Livros Diário e Razão, sob o título: "Alimentação aos Trabalhadores" além dos valores lançados nas Folhas de Pagamento. Inconformada com a Decisão de fls. 499/509, a empresa apresentou recurso alegando os mesmos argumentos da defesa, razão pela qual peço vênia para transcrever o relatório da decisão de primeira instância que muito bem resumiu o inconformismo da recorrente: Que a alimentação in natura fornecida aos empregado não integra o salário de contribuição, tendose como equivocada a pretensão fazendária: Aduz que a contribuição previdenciária tem fundamento legal no art. 195 da Constituição Federal e no art. 22, I da Lei n° 8.212, de 1991, devendo incidir sobre pecúnia, ou seja, sobre os RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS aos trabalhadores. Ainda que a Lei n° 8.212, de 1991 tenha alargado a hipótese de incidência para incluir a expressão ganhos habituais sobre a forma de utilidades, tais ganhos devem ser entendidos como aquele acréscimo patrimonial oferecido ou fornecido ao empregado em virtude de seu trabalho. No presente caso, a empresa não creditava qualquer valor aos empregados a título e!de alimentação, ao contrário, fornecia cestas básicas e alimentação dentro do seu próprio estab lecimento, conforme comprovado pelas Notas Fiscais NF em anexo. Cita exemplo de NF com a discriminação de aquisição de, pacotes; de arroz, açúcar, farinha de mandioca, fubá, café, feijão e latas de óleo. Diz que o ato administrativo está eivado de ilegalidade pelo fato de a Fiscalização ter usado de discricionariedade ao efetuar o lançamento, no que se refere ao critério utilizado para Considerar a incidência ou não de tributação sobre a verba exigida. Alega que a Fiscalização considerou as NF referentes à cesta básica como incidentes de contribuição e as NF referentes à alimentação fornecida na dependência da empresa como não incidentes de contribuição, citando como exemplo a NF n° Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 000014, de fls. 156. Tal discricionariedade enseja a nulidade do ato. Cita julgados do Superior Tribunal de Justiça que consideram a alimentação fornecida in natura como não integrante do salário de contribuição, desde que não seja um valor creditado em favor do empregado, independente de inscrição no PAT. Que o Auto de Infração é inconsistente, pois o agente fiscal valeuse de Notas Fiscais de aquisição de alimentos, em anexo, para lavrar a autuação, considerando como parcela integrante do salário de contribuição e que, no Relatório Fiscal, explicitou que o levantamento teve como base de cálculo os valores lançados nos livros Diário e Razão. Em nenhum momento, o Fiscal constatou nos livrqs contábeis ou nas folhas de pagamento que houve pagamento ou crédito, em dinheiro, aos empregados. Entende que restou demonstrada a ilegalidade do Auto de Igração que baseou o lançamento em NF de aquisição de alimentos, para considerar essa parcela incidente de contribuição. A defendente argumenta que a inscrição no PAT, do Ministério do Trabalho, é apenas uma formalidade para aproveitamento do beneficio fiscal de dedução para cálculo do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, conforme contido na Lei n° 6.321 e art. 369 do RIR199. Que não é válida a previsão contida no art. 28, §9°, alínea "c" da Lei n° 8.212, de 1991 e art. 214, §9°, inciso III do RPS, Decreto 3.048, de 1999, ao estabelecerem que somente não integra o salário de contribuição a parcela recebida de acordo com o PAT, aprovado pelo Ministério do Trabalho. Além de alargarem a hipótese de incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal (incidência sobre os rendimentos pagos ou creditados), contraria a Lei que criou o PAT. Que o PAT é um benefício fiscal e não um critério de aferição de parcelas que integram o salário de contribuição. Conclui que é inconcebível que pretenda o Fisco tributar alimentação fornecida aos trabalhadores. Ainda que se considerem devidos os valores contestados, a taxa SELIC aplicada sobre as contribuições em atraso engloba não só os juros, como também, o fator de atualização monetária. A aplicação da taxa SELIC exclui a aplicação de fatores de atualização monetária, sob pena de bis in idem. Pede seja decotado do Auto de Infração o valor atualizado das contribuições, passando a incidir somente os juros calculados pela taxa SELIC sobre o valor histórico de cada competência. Contesta, ainda, o fato de constar do Relatório Fiscal que o Auto de Infração tem como anexo a "Relação de coresponsáveis" e que, na verdade, consta como anexos o Relatório de Representantes Legais — REPLEG e Relatório de Vínculos, relatórios estes que explicitam quais são os sócios e representantes legais da empresa. O Auto foi lavrado somente em nome da empresa Santa Maria Comércio de Papel Ltda e não constou o nome dos, Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008414/200849 Acórdão n.º 2401002.209 S2C4T1 Fl. 551 5 administradores Euler Corradi Silveira e Iolanda Florentina Corradi Silveira, tal contradição impede a identificação de forma clara, pelo contribuinte, de quem está sendo notificado, cerceando seu direito de defesa Impugna a atribuição de responsabilidade dos já citados administradores, por não restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude, abuso de gestão, violação da lei, nos termos do art. 135, III do Código Tributário Nacional — CTN, e nem a hipótese prevista no art. 33, 6° da Lei n° 8.212, pois houve plena cooperação da empresa em apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização. Como não ficou provado nos autos que os diretores da Recorrente praticaram excesso de poder, infração à lei ou violação do contrato social, ressalta a manifesta ilegitimidade da inclusão dos citados diretores como coresponsáveis, devendo os mesmos serem excluídos da polaridade passiva da autuação. Diante de todo o exposto, requer seja a impugnação conhecida e julgada procedente para declarar nulos os valores lançados no Auto de Infração, pois foram utilizadas as Notas Fiscais como base de cálculo e tal hipótese não constitui fato gerador de contribuição, nos termos do art. 195, I, "a" da CF; que não houve pagamento em espécie aos trabalhadores; Que o STJ já pacificou entendimento nesse sentido e que a empresa agiu com a intenção de melhorar as condições de seus empregados. Que seja declarado nulo o Auto em relação à contradição existente sobre a atribuição de coresponsabilidade dos sócios, ou a exclusão dos mesmos do pólo passivo da autuação. E, por fim, caso não entenda pela nulidade, seja decotado o valor atualizado do Auto de Infração, passando a incidir juros e correção monetária calculados somente pela taxa SELIC sob o valor histórico das contribuições. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA Embora não tenha sido suscitada em sede de recurso, há a preliminar de decadência que merece conhecimento de ofício por se tratar de matéria de ordem pública. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em junho de 2008, conforme se verifica do AR acostado às fls. 125 e as contribuições lançadas referemse às competências 01/2003 a 12/2007 o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, IV do CTN. DO MÉRITO No mérito temos que a irresignação da recorrente merece prosperar, senão vejamos: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.008414/200849 Acórdão n.º 2401002.209 S2C4T1 Fl. 552 7 Recentemente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após reiteradas decisões judiciais que entenderam não incidir contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de alimentação in natura aos segurados das empresas, emitiu o Parecer PGFN 2117/2011, que assim dispõe: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Este posicionamento da Procuradoria foi emitido uma vez que “no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais.” Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, acolher de ofício a preliminar de decadência excluindose do lançamento os valores lançados até a competência 05/2003, inclusive, e no mérito Darlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16641.000095/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 18/10/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, I DA LEI N.° 8.212/91
C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, I da Lei nº 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Deixou de incluir em FOPAG os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'.
Em se tratando de Auto de Infração não há que se falar em recolhimento antecipado, mas descumprimento de obrigação acessória, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Mesmo que a decadência alcance algumas das obrigações descritas no Auto de Infração, restando apenas uma competência com obrigações não cumpridas é suficiente para manutenção da autuação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.079
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16641.000095/2007-31 Recurso n° 156.008 Voluntário Acórdão n° 2401-01.079 — C Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE CONSERVAS SCHRAMM LTDA Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/10/2007 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, I DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n." 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Deixou de incluir em FOPAG os valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n " 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Em se tratando de Auto de Infração não há que se falar em recolhimento antecipado, mas descumprimento de obrigação acessória, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Mesmo que a decadência alcance algumas das obrigações descritas no Auto de Infração, restando apenas uma competência com obrigações não cumpridas é suficiente para manutenção da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. çk7- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACO Ir A os membros da Éla Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, •or un nimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, em negar • rovinr to ao recurso. ELIAS SA • A10 FREIRE - Presidente EL • /NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Hemigue Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo n° 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 104 • • Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art 225 I e § 90 e art. 283, I, "a" do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Mas especificamente não preparou folhas de pagamento dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 01/1999 a 12/2001, conforme relações anexas ao AI. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/10/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 35 a 54. A DRFB emitiu a Decisão-Notificação (DN), fls. 68 a 73, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 80a 100. Em síntese o recorrente alega o seguinte: • 1. Preliminarmente, impossibilidade de constituir o crédito em virtude da fluência do prazo decadência nos termos do art. 150, §4°. 2. Necessário o julgamento em conjunto do AI em tela com a NFLD 0 37.066.958-4, isso porque a multa ora lançada refere-se a NFLD, também alvo de recurso voluntário. 3. Descabida a multa, visto que não se identifica qualquer ato doloso da impugnante, sendo que não há que se falar em não • elaboração de FOPAG, mas apenas erro no seu preenchimento, o que deve ser levado em consideração para relevação da multa • aplicada. 4. Deve-se levar em consideração que o infrator é primário e não houve qualquer circunstância agravante. • 5. Ilegal, ainda a aplicação dos juros posto que afronta o art. 97 e 161 do CTN. 6. Requer a insubsistência e improcedência da decisão proferida em primeiro grau, para que se cancele o auto de infração hostilizado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 102. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabivel a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de "fazer" ou "deixar de fazer", sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Já quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabivel a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos analisar o contexto da NFLD,ora objeto de julgamento, qual seja, o não recolhimento por parte da empresa, dos valores descontado dos segurados empregados, o que em tese caracteriza crime de apropriação indébita. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Sã0 inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5"do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 4 jk ) Processo n° 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 105 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, VALIDADE DA Cal. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3•0 DO ART. 20 DO CPC IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁ TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no 11.1 de 24.02.2006; Precedentes do SM: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no D1 de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fálico probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Sumula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807100) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (1SSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20% podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do credito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ü) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iiD regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Sana-, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o s Processo e 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 106 crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4 0, e 173, do C1N, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decanal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTIY. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4 0 , do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Sana, rEd., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, 11, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQ1V, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio mi de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: 8 It Processo n° 16641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 Fl. 107 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.I50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutó ria da ulterior homologação do lançamento. § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 40, é possivel quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, trata-se de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa elaborado FOPAG dos pagamentos feitos aos segurados contribuintes individuais. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Em assim sendo, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 18/10/2007, com a cientificação do sujeito passivo em 19/10/2007 e que os fatos geradores ocorreram no período de 01/1997 a 12/2001, deve ser declarada a decadência do lançamento até a competência 11/2001. Porém, em se tratando de auto de infração de valor fixo, a peimanência de apenas uma infração na competência 12/2001 é suficiente para manutenção do presente auto de infração. Superadas a preliminar, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal, tendo em vista o alcance da decadência qüinqüenal, bem como a conexão deste AI com NFLD lavradas durante o procedimento, sem contudo refutar, as obrigações que ensejaram a autuação, qual seja, elaboração das folhas de pagamento de contribuintes individuais. Dessa forma, em relação aos fatos geradores (obrigações acessórias) objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação neste ponto. Contudo, entendo que devam ser apreciados os demais argumentos. Em primeiro lugar quanto a conexão existente, entendo que mesmo existindo NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, não há de se falar em dependência entre a mesma e o Al em tela. No caso, a obrigação que ensejou o Al foi deixar de contabilizar em títulos próprios, o que independe da existência de recolhimento, ou mesmo de terem sido lavradas NFLD para cobrança de contribuições. Assim, não assiste razão ao recorrente. Com relação a multa aplicada entendo que razão não assiste ao recorrente. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente auto-de-infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente auto-de- infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I - preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da -Seguridade Social; (grifo nosso) Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao fNISS para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: io Processo n°16641.000093/2007-31 S2-C4T1 Acórdão w° 2401-01.079 Fl, 108 I - preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; § 9° A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, • elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totahzação, deverá: I - discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II-agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto n°3265, de 29/11/99) - destacar o nome das seguradas em gozo de salário- maternidade; IV - destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V -indicar o número de quotas de salário-família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos não apenas dos segurados empregados, bem como dos trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. Dessa maneira, não tem porque o presente auto-de-infração ser anulado em virtude da ausência de vicio formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2" A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela 1 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, I, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais, o que não restou demonstrado no caso em questão, onde requer o recorrente relevação por ser primário e por considerar apenas ter cometido erro no preenchimento das FOPAG. Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3 0 A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação. Com relação a aplicação de juros de forma ilepal não há o que ser apreciado. Ressalto que nos Autos de Infração não são cobrados juros, vez que trata-se de multa pelo descumprimento de obrigação. 12 • Processo n° I 6641.000095/2007-31 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.079 H. 109 Isto posto, não só foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade previdenciária, como encontra-se devidarnente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de decadência e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 LLAINITURIS EINA IÇIUN I EM° E SILVA VIEIRA - Relatora • 13
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Numero do processo: 16327.001598/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM
EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa.
PIS/REPIQUE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL.
Os valores dos tributos efetivamente pagos ou lançados de oficio são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, exceto a CSLL da base de cálculo do IRPJ.
DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA
Comprovado que o depósito judicial promovido pelo contribuinte não alcança a integralidade do crédito tributário constituído, a exoneração da multa de oficio e dos juros de mora lançados deve ser feita proporcionalmente ao montante do crédito tributário objeto do referido depósito.
CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência.
Numero da decisão: 1301-000.795
Decisão: Os membros da Turma acordam: por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; por maioria, negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade dos juros de mora sobre depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo; por maioria, dar provimento ao recurso no ponto relativo ao cancelamento da multa de ofício sobre a parcela do tributo parcialmente depositada em juízo, vencido o Conselheiro Alberto Pinto.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa. PIS/REPIQUE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Os valores dos tributos efetivamente pagos ou lançados de oficio são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, exceto a CSLL da base de cálculo do IRPJ. DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Comprovado que o depósito judicial promovido pelo contribuinte não alcança a integralidade do crédito tributário constituído, a exoneração da multa de oficio e dos juros de mora lançados deve ser feita proporcionalmente ao montante do crédito tributário objeto do referido depósito. CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência.
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INDEDUTIBILIDADE. São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa. PIS/REPIQUE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. Os valores dos tributos efetivamente pagos ou lançados de oficio são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL, exceto a CSLL da base de cálculo do IRPJ. DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Comprovado que o depósito judicial promovido pelo contribuinte não alcança a integralidade do crédito tributário constituído, a exoneração da multa de oficio e dos juros de mora lançados deve ser feita proporcionalmente ao montante do crédito tributário objeto do referido depósito. CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam: por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; por maioria, negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à dedutibilidade dos juros de mora sobre depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo; por maioria, dar provimento ao recurso no ponto relativo ao cancelamento da multa de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ofício sobre a parcela do tributo parcialmente depositada em juízo, vencido o Conselheiro Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 2.138.991,03 (fls.108/113) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 770.036,78 (fls. 114/119), acrescidos de multa de ofício de 75% e demais encargos de juros, dos anos calendários de 2006 e de 2007. Descrição dos fatos: dedução indevida das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic incidente sobre tributos e contribuições que se encontravam com a exigibilidade suspensa. Enquadramento legal – auto de infração de IRPJ: art. 13 , inciso I, da Lei nº 9.249/1995, com as alterações do art. 14 da Lei nº 9.430/1996; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335 do RIR/1999. Enquadramento legal – auto de infração de CSLL: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/02. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 105/107), constatase, em síntese, o seguinte. Nos anos calendário de 2006 e 2007 o contribuinte procedeu à adição nas bases tributáveis do IRPJ e CSLL dos valores relativos às contribuições para o Pis e Cofins, as quais estavam com as suas exigibilidades suspensas. As adições efetuadas compreenderam os valores relativos ao PIS e Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses dos anos calendário de 2003, 2004, 2006 e 2007, os quais estavam contabilizados nas contas Contingências Fiscais PIS e Contingências Fiscais Cofins. Do confronto dos valores contabilizados e os adicionados a título de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, foi verificado que as despesas de provisões relativas às atualizações com base na taxa Selic, registradas nestas contas contábeis nos anos calendário de 2006 e 2007, não foram objeto de adição às bases tributáveis de IRPJ e CSLL. A questão está centrada no fato de que os valores provisionados correspondentes aos juros calculados pela taxa Selic, por se constituírem em mero acessório do tributo/contribuição, se submetem às mesmas regras de dedutibilidade impostas ao principal, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.981/1995 (art. 344 do RIR/1999), o qual vedou a aplicação do regime de competência para a dedução de tributos que estejam com a exigibilidade suspensa. O interessado apresentou impugnação (fls.126/162), requerendo a improcedência dos autos de infração em sua integralidade, ou, ao menos, que fossem deduzidos os valores recolhidos de PIS/Repique e excluídos a multa de ofício e os juros de mora, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 . que, de fato, nos termos do Decreto lei nº 1.737/79 e do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80, a propositura de ação judicial implica na renúncia à discussão no âmbito administrativo, quando a matéria questionada em ambas as esferas for idêntica. . que nos casos em que a matéria discutida no processo administrativo não houver sido abordada na esfera judicial, conquanto seja decorrente dela, não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. . que impetrou Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232536 perante a 13ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pleiteando o afastamento, por inconstitucional, da disposição do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995, garantindose seu direito líquido e certo em realizar a dedução dos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, da base de cálculo do IRPJ, pelo regime de competência. . que impetrou Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232548 perante a 22ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pleiteando seu direito líquido e certo de efetuar o recolhimento da CSLL, não adicionando, para a apuração de sua base de cálculo, a despesa relacionada aos tributos com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, com a nova redação dada pela LC nº 104/2001. . que a presente impugnação, no entanto, versa somente sobre a impossibilidade de adição de provisões de atualização dos tributos com exigibilidade suspensa, a inaplicabilidade do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995 à CSLL e a não incidência de juros de mora e multa sobre os valores depositados judicialmente. . que a matéria ora combatida, por não se identificar com aquela argüida em ação judicial, deve ser conhecida; cita Súmula nº 1 do CARF. . que o entendimento externado pelo Fisco não se compatibiliza com a verdadeira natureza dos valores relativos ao pagamento de tributos com exigibilidade suspensa, bem como com as despesas referentes aos juros destas contingências fiscais, perfazendose em uma interpretação extensiva com o nítido propósito de majorar a base de cálculo do IRPJ, em clara ofensa ao princípio da legalidade (art. 150, I, da Constituição Federal). . que os tributos que estão com a exigibilidade suspensa não caracterizam provisões contábeis, mas sim, verdadeiras despesas. . que dúvida alguma pode surgir quanto à natureza de despesa dos tributos e seus consectários legais, quando estes estão com a exigibilidade suspensa. Isto porque, o tributo levado ao crivo do Poder Judiciário é devido antes que decidido de maneira contrária, sendo que até o final da demanda existe presunção da constitucionalidade das normas, razão pela qual a despesa existe, é certa e determinada, ainda que sua cobrança esteja suspensa. . que a provisão pressupõe a ocorrência de um evento futuro e incerto. . que os tributos discutidos judicialmente não se enquadram na condição de provisão, pois, em face do princípio da legitimidade e da presunção de legalidade das normas, tal exação é considerada devida desde a ocorrência de seu fato gerador, até que a decisão judicial declare o contrário, razão pela qual não representam diminuição patrimonial futura, mas atual e quantificável, consubstanciandose em verdadeira despesa incorrida. . que, tratandose de despesa efetivamente incorrida, inaplicável a adição pretendida pela Autoridade Fiscal na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; cita ementa de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 3 5 . que, uma vez demonstrada a natureza de despesa das provisões para pagamento de juros de contingências fiscais, mister ressaltar a inexistência de vedação no art. 41 da Lei nº 8.981/1995. . que o art. 41 da Lei nº 8.981/1995 vedou a dedução, na determinação do lucro real, dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, não abarcando em sua vedação, tal como ocorria no art. 8º da Lei nº 8.541/1992, a atualização monetária, as multas, os juros e outros encargos. . que a dedução, na apuração do lucro real, das despesas com provisões para pagamento de juros de contingências fiscais não encontra vedação legal no ordenamento jurídico, sendo que tal interpretação da Autoridade Fiscal viola o princípio da estrita legalidade. . que os juros incidentes sobre contingências de tributos com a exigibilidade suspensa devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; cita ementa de acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. . que o art. 344, § 1º, do RIR/1999 (art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/1995) é inaplicável à CSLL, uma vez que afasta a dedução dos tributos, cuja exigibilidade esteja suspensa, tão somente, para fins de apuração do lucro real. . que a própria Receita Federal, através de sua Coordenação Geral do Sistema de Tributação, ao divulgar o Boletim Central Extraordinário nº 021, em 25 de fevereiro de 2003, asseverou na resposta à questão nº 48, que os tributos e contribuições não dedutíveis para efeitos de IRPJ, por força do art. 7º da Lei nº 8.541/1992, não deveriam ser adicionados na composição da base de cálculo da CSLL. . que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em decisões proferidas recentemente, reconheceu a dedutibilidade dos tributos e dos juros questionados judicialmente na apuração da base de cálculo da CSLL. . que é de se repelir o lançamento realizado pela Autoridade Fiscal visando à exigência da CSLL, mediante a adição, na sua base de cálculo, das quantias pertinentes aos tributos discutidos na esfera judicial, sob pena de afronta ao art. 150, I, da Constituição Federal e art. 97 do Código Tributário Nacional CTN. . que não há como sustentar a aplicabilidade do art. 57 da Lei nº 8.981/1995, na medida em que tal preceito expressamente assevera a sua não influência na conformação da base de cálculo da CSLL. . que resta patente a possibilidade de dedução dos tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, motivo pelo qual a autuação está eivada de nulidade, por infringir o art. 142 do CTN, vez que o montante tributável foi calculado equivocadamente. . que, por força de decisão liminar, proferida em Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670, procedia ao recolhimento do Pis/Repique, calculado com base no Imposto de Renda devido, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar nº 07/70. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 . que a fiscalização, ao apurar o montante do crédito tributário de IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir as parcelas correspondentes ao Pis/Repique que haviam sido recolhidas durante o ano calendário de 2005, tendo apurado indevidamente o IRPJ e a CSLL. . que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN, sendo certo que a Autoridade Fiscal deveria proceder a uma análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram na apuração da matéria e do montante tributário, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, e aos princípios da moralidade, eficiência e celeridade, previstos no art. 37 da Constituição Federal/1988 e no art. 2º da Lei nº 9.784/1999. . que devem ser deduzidos do presente crédito tributário os valores recolhidos de Pis/Repique no ano calendário de 2005. . que os pedidos de liminar foram indeferidos e as sentenças nos Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0232536 e nº 2001.61.00.0232548 foram julgadas improcedentes; que aos recursos de apelação, recebidos apenas no efeito devolutivo, foi negado provimento; que, em razão disso, procedeu ao depósito judicial do IRPJ e da CSLL. . que os depósitos judiciais, por sofrerem automaticamente correção pela Caixa Econômica Federal, correspondem às atualizações e juros provisionados pela Impugnante, e que foram tributados. . que os valores autuados encontramse com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, razão pela qual é indevido o cômputo de juros de mora sobre estes valores; cita jurisprudência do Carf. . que existindo depósito judicial que suspende a exigibilidade, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a parcela do crédito tributário correspondente aos valores depositados, eis que sobre estes incide remuneração própria. . que, ainda que no final da ação judicial em que houve o depósito judicial, a Impugnante tenha seu pleito denegado, os valores depositados, já corrigidos pela taxa Selic, serão convertidos em renda da União com o devido acréscimo dos juros moratórios. . que, comprovado que parte do crédito tributário em comento está com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, em vista dos depósitos judiciais efetuados, imperiosa a exclusão da multa de ofício sobre tais valores; cita jurisprudência do Carf. . que a impossibilidade da exigência de juros de mora e de multa sobre os valores que foram depositados judicialmente é evidente, tendo em vista não apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, como também a ausência de infração ou inadimplemento estar cabalmente comprovada. . que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário garante à Impugnante a não execução pelas autoridades fiscais de qualquer ato tendente a efetivar a cobrança, pelo fato de o montante discutido não ser considerado débito. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do Acórdão 1237.539, de 27/05/2011 (fls. 319), da DRJ/RJO, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 4 7 Ano calendário: 2006, 2007 PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. São indevidas as deduções dos valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa. APURAÇÃO DO MONTANTE TRIBUTÁVEL. DEDUÇÃO DE PIS/REPIQUE RECOLHIDO. DESCABIMENTO. Descabe a dedução de PIS/Repique do montante tributável apurado em procedimento de ofício, posto que, além de não estar comprovado que o interessado tenha recolhido o PIS/Repique específico sobre a parcela de IRPJ que deixou de ser recolhida, também, na data do lançamento de ofício, o contribuinte não mais estava amparado por decisão judicial. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006, 2007 PROVISÕES DE JUROS SELIC SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Os valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic sobre tributos e contribuições com exigibilidade suspensa são indedutíveis, devendo ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É devida a multa de ofício, uma vez que o interessado não comprova que o depósito judicial foi efetuado em montante integral (art. 151, inciso II, do CTN). JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos sempre, seja qual for o motivo determinante de sua falta, tendo em vista o disposto no caput do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório. Passo ao voto. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que o ponto central da contenda é com relação a constatação pela fiscalização que a empresa deduziu indevidamente das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2006 e 2007,os valores provisionados a título de juros calculados pela taxa Selic incidentes sobre tributos e contribuições, que se encontrariam com a exigibilidade suspensa, com fundamento no artigo 41, caput e § 1º, da Lei nº 8.981/1995. No entendimento da ora recorrente tais encargos são verdadeiras despesas incorridas e não provisões, podendo, portanto, serem deduzidas da base de cálculo dos referidos tributos. Outros itens discutidos: “Dedução do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ/CSLL” e, “Depósitos Judiciais, não incidência da multa e dos juros de mora”. Primeiro ponto: “Da Natureza de Despesas de Provisões, da Ausência de Vedação das Despesas com Provisão e da Inaplicabilidade do art. 41 da Lei 8.981/1995 à CSLL” Transcrevese, trecho do voto recorrido: “Cabe, de início, transcrever o art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável” Pois bem, antes de adentrar na matéria de mérito de fato discutida nos presentes autos, fazse necessário algumas considerações acerca das normas que tratam do regime de competência, da dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa e por fim do conceito de provisão e despesas (contas a pagar) que trará subsídios para definir a presente lide. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/76), a escrituração da companhia deve observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Por este regime, as receitas devem ser contabilizadas no períodobase em que constituído o direito ao seu recebimento, os custos e as despesas, naquele em que constituído o dever jurídico de efetuar o pagamento. Sendo assim, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento ou pagamento. Portanto, por estar condicionada a um evento futuro, que poderá resultar em efeitos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, evidenciase que o valor do Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 5 9 tributo/contribuição com exigibilidade suspensa é uma provisão e não despesas incorridas (contas a pagar) conforme entende a recorrente. Com o advento da Lei n° 8.981/95, seu artigo 41 reintroduziu o regime de competência para a dedutibilidade dos tributos e contribuições na determinação do lucro real, com exceção para os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172/66, havendo ou não depósito judicial, conforme disposto no § 1°. do referido dispositivo legal, a seguir transcrito: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n°5.172. de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." Assim, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95 de início transcrito, e tendo em vista a necessidade da formação da provisão para o registro dos tributos com exigibilidade suspensa, em função de sua contingência passiva em exercício futuro, os valores apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Da mesma forma em relação aos juros e atualização monetária correspondente às provisões, eis que o acessório sempre acompanha a natureza de seu principal, pois o mesmo inexiste sozinho. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho, vejamos alguns exemplos: "IRPJ. CSLL. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10196.271, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 152.038, Relator Paulo Roberto Cortez, julgado em 09.08.2007)” "CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 10195.727, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 135.395, Relator Valmir Sandri, julgado em 20.09.2006)” "PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Configurandose numa situação de solução indefinida que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos cuja exigibilidade estiver suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Publicado no D.O.U. n° 57, de 25/03/2008. (Acórdão 10323.339, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 136.419, Relator Leonardo de Andrade Couto, julgado em 22.01.08)” O fato é que, a razão para que a lei determine a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa é a simples inexistência da despesa efetiva, na medida em que os tributos sobre os quais incidem podem ou não serem devidos/pagos, dependendo do resultado final do processo judicial. Em sendo assim, por constituir os juros em acessórios do principal, seria ilógico admitir sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e mais ilógico ainda querer uma norma especifica para tratar de sua dedutibilidade, eis que um não vive sem o outro (principal/juros). Sendo assim, não merece prosperar a alegação do contribuinte de que os juros incidentes sobre os tributos com exigibilidade suspensa representam verdadeiras despesas e não meras provisões. “Dedução do PIS/Repique da base de cálculo do IRPJ/CSLL” Neste item contesta que a fiscalização, ao apurar o montante do crédito tributário de IRPJ e da CSLL, deixou de deduzir as parcelas correspondentes ao Pis/Repique que haviam sido recolhidas durante o ano calendário de 2005, por força de decisão liminar, proferida no Mandado de Segurança. Transcrevo, por relevante e esclarecedor, trecho do voto combatido: “De início, cabe esclarecer que, se o interessado estava, como alega, amparado em decisão liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670, poderia, s.m.j, ter deduzido os valores de Pis/Repique do resultado do IRPJ apurado e declarado por ele mesmo no ano calendário de 2005 ou em qualquer outro ano calendário. Se não o fez à época, não tem fundamento pleitear que a fiscalização o faça em lançamento de ofício efetuado no ano de 2010, referente a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007. Mas não é só. Em consulta processual nos sites da Justiça Federal e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, é possível verificar que o referido Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0213670 foi julgado improcedente e ao recurso de apelação interposto pelo interessado foi negado provimento. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 6 11 Portanto, na data da constituição do credito tributário de IRPJ e de CSLL (08/12/2010), o interessado não mais estava amparado por decisão judicial, já que esta lhe era desfavorável.” Além da constatação de que à época dos lançamentos o contribuinte não encontravase amparada por liminar em mandado de segurança, tutela antecipada ou outra ação judicial, encontrase nos autos documentos que provam efetivamente os pagamentos do PIS/Repique, no ano de 2006, (DARFs cód. 8205 de fls. 261/265) no montante de R$ 500.417,30. A teor do já citado art. 41 da Lei 8.981, de 1995, (RIR/99 art. 344), os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Todavia, são indedutíveis no caso de suspensão de sua exigibilidade (art. 151, II a IV do CTN). Neste ponto, assiste razão à ora recorrente pois os valores recolhidos a título de PIS/Repique são dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. “Depósitos Judiciais, não incidência da multa e dos juros de mora”. Quanto a alegação do não cabimento dos juros de mora, pelo fato de que procedeu ao depósito judicial do IRPJ e da CSLL, face que os pedidos de liminar foram indeferidos e as sentenças nos Mandado de Segurança terem sido julgadas improcedentes, e, ainda, considerando que aos recursos de apelação, recebidos apenas no efeito devolutivo, foi negado provimento, afirma, desta forma, que os valores autuados encontrarseiam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, razão pela qual seria indevido o cômputo da multa de ofício e de juros de mora sobre estes valores depositados; cita jurisprudência do Carf. No recurso voluntário aduz a recorrente que a autoridade fiscal reconhecendo que os depósitos eram no montante integral, logo com exigibilidade suspensa, lavrou os autos de infração nos processos administrativos 16327.720673/201106, 16327.7206674/201142, 16327.7206677/201186 e 16327.7206678/201121 sem a multa de ofício. Constatase que os citados autos de infração estão relacionados diretamente com insuficiência de recolhimentos de estimativas dos anos calendários de 2006 e 2007, portanto, sem influencia direta no caso ora debatido. A questão posta em debate diz respeito ao seguinte fato: a contribuinte promoveu o depósito judicial relativo aos tributos e contribuições incidentes, porém, não de forma integral. No caso destes autos os lançamentos incluiu a multa de ofício de 75% e juros de mora. A mera referência, em decisão judicial, dos motivos que levaram ao não conhecimento do pedido liminar, não constitui elemento hábil para se considerar que, no caso decidiuse pela suspensão em comento. Não obstante, em convergência com reiteradas manifestações deste Colegiado, entendo que, em razão dos depósitos terem sido efetuados antes de qualquer procedimento de oficio por parte da autoridade administrativa tributária, os juros de mora e a multa de oficio lançados devem ser exonerados na proporção do montante de crédito tributário depositado judicialmente. Portanto, entendo também, que neste item assiste razão ao contribuinte. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Isto porque, nos termos da Súmula n° 5 do Primeiro Conselho de Contribuintes, "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito judicial no montante integral". No presente caso, entendeu o relator do voto guerreado que a multa incide sobre a totalidade do crédito porque o depósito não foi integral e, nos termos do CTN, apenas o depósito no montante integral suspende a exigibilidade do crédito. Entretanto, a questão que se coloca é se a contribuinte depositou integralmente a exigência ora discutida e dentro do prazo previsto em lei para o recolhimento do tributo. Consta do relatório e voto que há fortes indício que não houve depósito no montante integral, mesmo porque, observase que não foi carreado aos autos a memória de cálculo justificando a importância depositada. É inquestionável que, para a parcela depositada, não é possível prosseguir na cobrança, portanto, suspensa. Assim, a leitura do artigo 151, II, do CTN, deve ser no sentido de que o crédito tributário, como um todo, tem sua exigibilidade suspensa mediante depósito de seu montante integral. O depósito, quando não integral, suspende sua exigibilidade até sua força, vale dizer, sobre o montante do principal por ele coberto. A parcela não depositada, se não acobertada por outra causa de suspensão, deve ser transferida para outros autos para prosseguimento de sua cobrança. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que o depósito existente no momento da lavratura do auto de infração afasta a imposição da multa de ofício e dos juros de mora em relação à parcela do principal que estiver coberta pelo valor depositado. Transcrevo, abaixo, julgados do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes esposando entendimento na mesma linha do ora adotado. Acórdão 10196854, de 13/08/2008 JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL. Não incidem juros de mora sobre montante do crédito tributário garantido por depósito judicial. Acórdão 10516990, de 27/05/2008 DEPÓSITO JUDICIAL SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO E JUROS MORATÓRIOS. Demonstrado que o depósito judicial não foi procedido pelo montante integral do crédito tributário, não tem o condão de suspender a exigibilidade. Mesmo sem a suspensão da exigibilidade, porém, não deve ser lançada multa de oficio nem juros moratórias calculados sobre o montante depositado antes da lavratura do auto de infração. Acórdão 10196857, de 13/08/2008 MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIANTE DEPÓSITO. O depósito do valor do crédito exclui a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora até a força do montante depositado. A vista do todo acima exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário no sentido de deduzir da base de cálculo do IRPJ e CSLL os valores efetivamente pagos no ano de 2006 relativo ao PIS/Repique e, para excluir a parcela da Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001598/201091 Acórdão n.º 1301000.795 S1C3T1 Fl. 7 13 multa e dos juros de mora incidente sobre o montante do crédito tributário coberta por depósito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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