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Numero do processo: 10803.720033/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Douglas Guidini Odorizzi, inscrito na OAB/SP sob o nº 207.535.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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Depósito Bancários. Sigilo Recorrente ERNANI BERTINO MACIEL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Douglas Guidini Odorizzi, inscrito na OAB/SP sob o nº 207.535. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .7 20 03 3/ 20 11 -4 9 Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 05ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 reativo a omissão de rendimentos. no montante de R$ 2.112.656,21, sendo R$ 738.468,70 de imposto, R$ 1.107.703,04, de multa de ofício qualificada, e R$ 266.484,47, de juros de mora, calculados até 30/06/2011. Auto de Infração (fls. 1456/1462) com a apuração de omissão de rendimentos, caracterizada pelo recebimento de recursos por intermédio da interposta pessoa de Walter Flamengo Salles. Consta do Termo de Verificação de Infração de fls. 1458 a 1462, que o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por simulação, em face do recebimento de rendimentos com infração à lei, os quais foram depositados nas contacorrentes da interposta pessoa WALTER FLAMENGO SALLES, que os informou em sua declaração como supostos empréstimos, recebidos das empresas BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., CNPJ n° 05.927.775/000120 (atualmente com situação cadastral inapta, por prática irregular de comércio exterior, com efeitos a partir de 14/02/2005 Processo n° 10314.005235/200792), e COMTEC COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA., CNPJ n° 07.047.790/0001400 (com situação cadastral suspensa, por inexistência de fato, a partir de 05/08/2010 Processo n° 10803.000022/201068), interpostas empresas comandadas e gerenciadas por CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL, integrantes do Grupo K/E e verdadeiros sujeitos passivos, participantes do esquema fraudulento de importação investigado no bojo da Operação Persona, deflagrada em conjunto pela Receita Federal, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração de fls. 1463 a 1610, anexo ao auto de infração. Esclarece a Fiscalização que CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL respondem, cada um, por 50% (cinquenta por cento) da receita omitida apurada. Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, das contas em nome de Walter Flamengo Salles (fls. 317, 347, 364, 387/388, 420/421). Notificação do lançamento em 14.07.2011 (AR fls. 1626). Impugnação (fls. 1630/1647). Decisão recorrida (fls. 1685/1704) com ciência em 04.04.2012 (AR fls. 1710) manteve a exigência por entender comprovada a ocorrência do recebimento de rendimentos com a utilização de interposta pessoa. Decisão recorrida (fls. 1685/1704) com ciência em 04.04.2012 (AR fls. 1710) manteve a autuação por entender comprovada a omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa e assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 4 3 prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se oporem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE INTERPOSTA PESSOA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls. 1712/1736) protocolado em 03.05.2012, sustenta, em síntese: 1) Decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; 2) Falta de intimação do Recorrente para identificar a origem dos depósitos; 3) Erro na eleição do sujeito passivo por não haver comprovação de os valores retirados das contas de Walter Flamengo Salles direta ou indiretamente redundaram em renda tributável ao Recorrente; 4) Inexistência dos pressupostos para a qualificação da penalidade. É o breve relatório. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase autuação sobre omissão de rendimentos apurada por intermédio de interposta pessoa e objeto da movimentação financeira feita em nome de Walter Flamengo Salles. Para apuração da omissão dos rendimentos houve entrega dos extratos bancários e Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, nas contas em nome do contribuinte Walter Flamengo Salles (fls. 317, 347, 364, 387/388, 420/421). Na mesma requisição houve pedido para informar a quem foram pagos os cheques emitidos, as ordens de transferências bancárias, os depósitos em outras contas, fichas bancarias e procurações. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática abaixo: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas Instituições Financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia Autorização Judicial (LC 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. Ricardo Lewandowski – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que devem ser sobrestados os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Repetitivo Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 6 5 O C. STF, pelo Tribunal Pleno, no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem a prévia autorização judicial Referido RE pede da decisão Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes. Fora o RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme vemos nas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Min. Dias Toffoli Relator documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. Dias Toffoli, J. 09/02/2011, Dje035 Divulg 21/02/2011 Public 22/02/2011). Repercussão Geral admitida. Processos versando a matéria. Sigilo. Dados bancários. Fisco. Afastamento. Art. 6º, da LC nº 105/2001. Sobrestamento. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. Marco Aurélio, j. 04/10/2011, DJe213 Divulg 08/11/2011 Public 09/11/2011). Repercussão Geral. LC 105/01. Constitucionalidade. Lei 10.174/01. Aplicação para apuração de créditos tributários referentes à exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso Extraordinário da União prejudicado. Possibilidade. Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 7 6 movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “Utilização de dados da CPMF para lançamento de outros tributos. Imposto de Renda. Quebra de sigilo bancário. Período anterior á LC 105/2001. Aplicação imediata. Retroatividade permitida pelo Art. 144, § 1º, do CTN. Precedente da 1ª Seção. Recurso Especial Provido.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O STF reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. Celso de Mello; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, e RE n. 513.473 ED, Rel. Min. Cézar Peluso, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. Luiz Fux, J.,01/08/2011, Dje158 Divulg 17/08/2011 Public 18/08/2011) Decisão: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. Celso de Mello, J., 21/05/2010, Dje100 Divulg 02/06/2010 Public 04/06/2010) Em face do exposto, não há dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10803.720033/201149 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.437 S2C2T2 Fl. 8 7 O titular das contas forneceu os extratos da movimentação financeira existente nos Bancos, mas houve Requisição da Movimentação Financeira – RMF – com pedido para as instituições informar a quem foram pagos os cheques, as ordens de pagamento, os depósitos em outras contas, e requisitar as fichas bancarias e procurações. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com base na omissão de rendimentos decorrentes de movimentação financeira com a Requisição da Movimentação Financeira – RMF e assim permitir apurar a interposta pessoa, sem autorização judicial, tornase necessário sobrestar o julgamento dos autos, na forma do art. 62A, do RI, deste Conselho, até a decisão do RE nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10730.006972/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RAPHAEL CORTES FREITAS COUTINHO.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Fez sustentação oral o Dr. Fabrício de Lima Carneiro.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Fez sustentação oral o Dr. Fabrício de Lima Carneiro. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .0 06 97 2/ 20 05 -3 0 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, RAPHAEL CORTES FREITAS COUTINHO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05/18, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exercício de 2001, 2002 e 2003, anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.405.708,60 correspondente ao imposto de R$591.393,18, multa proporcional de 75% de R$443.544,87 e juros de mora de R$370.770,55 calculados até 30/11/2005. O lançamento decorre do procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias tendo sido constatada a seguinte irregularidade: 001. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no relatório fiscal, corroborada pelas planilhas dos créditos em contas apresentadas ao contribuinte, anexas ao Termo de Intimação Fiscal DRF/Niterói, em 25/11/2005, tudo parte integrante do presente processo. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foi encaminhada a instituições financeiras, tal como se constata de fls.57, 59, 61, 63 e 65. A DRJ julgou o lançamento procedente, mantendoo em sua totalidade. É isto que interessa relatar até o momento. . Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10730.006972/200530 Resolução nº 2202000.482 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10680.726495/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE, SOBRESTAR o presente julgado nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Presente o Dr. Heyrousig Rodrigues, OAB/DF n° 33838.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE, SOBRESTAR o presente julgado nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Presente o Dr. Heyrousig Rodrigues, OAB/DF n° 33838. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE, SOBRESTAR o presente julgado nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Presente o Dr. Heyrousig Rodrigues, OAB/DF n° 33838. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RELATÓRIO Tendo em vista o acurado relatório apresentado pela r. decisão recorrida, adoto o na íntegra, de onde destaco: Os autos de infração a folhas 2 a 13 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 24.029.141,03, assim discriminado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 26 49 5/ 20 11 -1 1 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 3 2 Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ Fazendo referência ao termo de verificação juntado a folhas 15 a 43, o autuante atribui à autuada o cometimento da infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% – Na incorporação e conseqüente extinção de pessoa jurídica (Arcelor em 31/08 e Uhgasa em 19/12), o sujeito passivo compensou prejuízos fiscais sem observar o limite de compensação de 30% do lucro líquido ajustado. Datas do fato gerador: 31.08.2007 e 19.12.2007. Enquadramento legal: artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 247, artigo 250, inciso III, e artigos 251, 509 e 510, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR 1999. Auto de infração de CSLL O autuante atribui à autuada o cometimento da mesma constante do auto de infração precedente, referente ao IRPJ. Datas do fato gerador: 31.08.2007 e 19.12.2007. Enquadramento legal: artigo 2º da Lei nº 7.689, de 15.12.1988; artigo 1º da Lei nº 9.316, de 22.12.1996; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 15 a 43 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. A cisão e a incorporação da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S/A (Uhgasa) ∙ Segundo o estatuto social consolidado em 21/03/1995, a Uhgasa tinha como objeto social a construção e gestão da exploração da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim. Seu capital dividiase entre 65% para a Companhia Siderúrgica BelgoMineira e 35% para o Cimento Cauê S/A. ∙ No anocalendário de 2007, até sua cisão total e extinção em 19.12.2007, já sob o controle dos sucessores Arcellormittal e Samarco Mineração S.A., que detinham, respectivamente, 51% e 49% do capital social, sua DIPJ informa que a foi adotado o lucro real anual como forma de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. ∙ Segundo o Protocolo e Justificação da Cisão Total da Uhgasa, de 30.11.2007, o consórcio foi constituído em 13.12.1933 pela BelgoMineira e pela Cauê. Posteriormente, motivadas por seus próprios interesses negociais e comerciais, as consorciadas originais foram sucedidas, com a Cauê sendo substituída pela Samarco em 23.04.1996, e a BelgoMineira pela Belgo Siderurgia S.A., sua subsidiária integral e de quem a razão social viria a ser alterada para Arcelormittal Brasil S.A. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 4 3 ∙ Em 19.05.1998, a União Federal e as Consorciadas (BelgoMineira e Samarco) celebram um contrato de concessão para exploração da hidrelétrica e do sistema de transmissão associado. ∙ Sempre em virtude de seus próprios interesses (nesse caso, transferência de controle acionário e alterações societárias), o consórcio controlador requereu à Aneel anuência para transferir parcialmente a concessão e as ações da Uhgasa detidas pela Arcelor Brasil S.A. para a Belgo Siderurgia S/A. A Aneel deferiu o requerimento, dando prazo até 31.12.2008 para que a Uhgasa transferisse seus ativos de geração e arrendamento para os consorciados Belgo Siderurgia S.A e Samarco Mineração. ∙ Segundo o item 1.5 do Protocolo e Justificação da Cisão Total da Uhgasa, o cumprimento dessa determinação implica a extinção da Uhgasa, que depois da transferência de seus ativos deixa de ter condições para cumprir seu objeto social. Todavia, além de o prazo estenderse até 31.12.2008 (o que possibilitaria que eventuais compensações tributárias fossem efetuadas ao longo de dois anos, e não apenas em 2007), tudo isso ocorreu em virtude de solicitações para atendimento a interesses negociais e comerciais das próprias consorciadas. ∙ Conforme relatório do voto do pedido feito à Aneel, toda a estruturação do empreendimento foi concebida com objetivos bem determinados. A concessão pela Aneel do prazo para a transferência dos ativos foi simplesmente conseqüência de uma série de medidas tomadas ao longo do tempo pelas empresas consorciadas — formação do consórcio para possibilitar o financiamento, sucessivas reorganizações societárias e estatutárias, aquisições, vendas, utilização da energia gerada — sempre, obviamente, visando atender seus próprios interesses privados e de seus acionistas e controladores, culminando na concessão por parte da Aneel para que se fizesse o que as próprias consorciadas solicitaram. ∙ As sucessoras da Uhgasa, após sua cisão, incorporação e extinção, continuaram a exercer exatamente a mesma atividade antes exercida por ela, ou seja, aproveitamento conjunto de energia hidráulica em trecho do Rio Piracicaba para geração de energia elétrica por meio da Usina Hidrelétrica guilmanamorim. Fica claro, portanto, que, embora não constasse no Protocolo e Justificação, o suposto direito adquirido de compensar integralmente prejuízos acumulados de IRPJ e CSLL foi um importante motivador da operação. A incorporação da Mittal Steel pela Arcelor ∙ Segundo ata de assembléia geral extraordinária de 20/08/2007, a Arcelor Brasil S/A, CNPJ 24.315.012/000173, doravante denominada Arcelor, aprovou os termos e condições do Protocolo e Justificação da Incorporação da Mittal STEEL Brasil PARTICIPAÇÕES S/A (Mittal) pela Arcelor, com a conseqüente extinção daquela. ∙ Antes de ser incorporada pela Arcelor, a Mittal, com capital social totalmente subscrito e integralizado no valor de R$ 4.913.539.726,24, detinha, em 20/08/2007, 31,99% do capital social da Arcelor, sua própria incorporadora, cujo capital social totalmente subscrito e integralizado totalizava R$ 9.413.545.410,78. ∙ Segundo o protocolo e justificação da incorporação, a Arcelor exerceria as mesmas atividades exercidas pela Mittal, a centralização em uma única sociedade se Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 5 4 justificaria pela racionalização das atividades administrativas e financeiras e, simplesmente, haveria o interesse em incorporar a MSB pela Arcelor. ∙ Ao contrário, porém, do que se almejava demonstrar com o Protocolo e Justificação da Incorporação o que de fato ocorreu foi a aquisição desta última pela primeira, conforme foi amplamente divulgado por toda mídia nacional e até internacional durante todo o ano de 2006. Noticiouse o Conselho de Administração da Arcelor, em determinada fase das negociações, classificou como oferta hostil a proposta de compra da Mittal STEEL, que envolvia vários bilhões de dólares. ∙ Segundo diferentes fontes da imprensa especializada da época, a Mittal STEEL, um dos maiores grupos siderúrgicos do mundo, após meses de negociação em que até os valores das ofertas eram revelados publicamente, adquirira o controle acionário da Arcelor por meio do que foi considerada a maior oferta de compra do setor até então. A Mittal chegou a questionar a oferta pública de ações (OPA) exigida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) alegando que se tratava de fusão entre empresas e não de aquisição, mas em recurso contra entendimento da área técnica da CVM, julgado em 25/09/2006, no PROCESSO ADMINISTRATIVO CVM RJ 2006/6209, não foi aceita sua alegação. Neste processo, no voto do relator pela manutenção da decisão da área técnica da CVM, concluiuse que, pelo conceito da lei brasileira, teria havido aquisição do poder de controle da Arcelor Brasil. ∙ Cabe perguntar por qual motivo a Arcelor incorporaria a Mittal e não o contrário, como seria de se esperar. Conforme informações contidas no SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL), sistema da Receita Federal onde são controlados os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, a Arcelor, até a data da incorporação da Mittal, de 01/01 a 20/08/2007, embora possuísse considerável montante de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acumulados de períodos anteriores, amargava no ano calendário 2007 prejuízo fiscal e base de cálculo da CSLL negativa. ∙ Contudo, ao concretizar a incorporação da Mittal, superavitária no período, acresceu valores positivos advindos dessa operação ao seu lucro real e passou a ostentar resultados positivos, lucro real e base de cálculo da CSLL, no mesmo ano calendário 2007, de R$19.908.866,13. A incorporação da Arcelor pela Arcelormittal ∙ Apenas 11 dias após incorporar a Mittal, em 20/08/2007, a Arcelor foi incorporada pela Belgo Siderurgia S/A, em 31/08/2007. Nessa mesma data, os acionistas da Belgo Siderurgia S/A aprovaram a alteração da razão social da empresa para Arcelormittal Brasil S/A. Todos os eventos envolvendo essa reorganização societária, com incorporações seguidas de extinções e alterações estatutárias (razão social) foram realizados num prazo de apenas 11 dias. ∙ No ano calendário de 2007, até sua incorporação pela Belgo Siderurgia S/A, e extinção em 31/08/2007, a Arcelor, adotara o Lucro Real como forma de tributação, apuração do IRPJ e CSLL anual. ∙ Segundo ata de assembléia geral extraordinária de 31/08/2007, a Belgo Siderurgia S/A, CNPJ 17.469.701/000177, doravante denominada Belgo, aprovou os termos e Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 6 5 condições do Protocolo e Instrumento de Justificação da Incorporação da Arcelor Brasil S/A (Arcelor), CNPJ 24.315.012/000173, doravante denominada Arcelor, com a conseqüente extinção desta última. ∙ Segundo o Protocolo e Justificação da Incorporação da Arcelor pela Belgo, a Belgo poderia exercer as mesmas atividades da Arcelor, a operação permitiria melhoria nas condições de capitalização e fluxo de caixa da incorporadora, e a centralização em uma única sociedade se justificaria pela racionalização das atividades operacionais, administrativas e financeiras e, simplesmente, haveria o interesse em incorporar a Arcelor pela Belgo. ∙ Em suma, ao final das sucessivas reorganizações societárias e estatutárias visando atender seus alegados interesses, a sucessora da Arcelor (Belgo, que teve a razão social alterada para Arcelormittal no mesmo dia da incorporação daquela), após a incorporação e extinção desta, continuou a exercer as atividades antes exercidas por sua sucedida (Arcelor), a saber, a exploração da indústria siderúrgica e atividades correlatas e derivadas. ∙ Antes de ser incorporada pela Belgo, a Arcelor, com capital social totalmente subscrito e integralizado no valor de R$ 10.052.200.249,25, detinha, em 31/08/2007, 99,13% do capital social da Belgo, curiosamente sua própria incorporadora, cujo capital social totalmente subscrito e integralizado totalizava R$ 3.203.488.387,16. Em outras palavras, é como se a empresa A fosse detentora de praticamente 100% das ações da empresa B e, após decisão de agrupálas em uma só pessoa jurídica, ao invés de A incorporar B, já que esta praticamente lhe pertence, contrariando a lógica, é a controlada B que incorpora A, sua controladora. ∙ Cabe fazer uma segundo pergunta: sendo a Arcelor detentora da quase totalidade das ações da Belgo, por que foi incorporada por esta e não o contrário, como seria de se esperar? A resposta às duas questões é evidente. Além de interesses comerciais que não cabem aqui ser discutidos, visavase certamente e sobretudo o tributário, traduzido no suposto direito adquirido de compensar prejuízos fiscais acumulados sem considerar as limitações e imposições legais quando da extinção da pessoa jurídica, possibilidade que não encontra fundamento jurídico ou legal, conforme ficará demonstrado mais adiante. ∙ Essas duas incorporações devem ser consideradas e analisadas em conjunto. A Arcelor possuía prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acumulados de períodos anteriores, mas no ano calendário 2007, após adições e exclusões em seu lucro líquido, também apresentava prejuízo fiscal e base de cálculo da CSLL negativa. Dessa forma, antes de ser incorporada pela Belgo, a Arcelor incorporou a Mittal, que apresentava lucro real no anocalendário de 2007 superior ao seu prejuízo fiscal, para que exercesse seu suposto direito adquirido compensandoo integralmente ao ser incorporada pela Belgo, que no mesmo ato passou a se denominar Arcelormittal. Tudo isso ocorreu no escasso intervalo de apenas 11 dias, deixando transparecer nitidamente a resposta à questão suscitada. Da forma como foi planejada e executada, sem qualquer substância econômica, a operação teve como uma das principais motivações, senão a principal, embora não constasse literalmente no Protocolo e Justificação da Incorporação, o não pagamento de parcela considerável de IRPJ e CSLL devidos. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 7 6 Aspectos legais, análises e conclusões ∙ os artigos 227 e 229 da Lei 6.404 de 15/12/1976 estabelecem que a sucessora de sociedades por incorporação total ou cisão seguida de incorporação lhes sucede também em todos os seus direitos e obrigações. ∙ A Lei 5.172, de 25/10/1966 (CTN Código Tributário Nacional) estabelece em seu art. 132 que a pessoa jurídica de direito privado resultado da transformação ou incorporação de outra ou em outra (sucessora) será responsável pelos tributos devidos pela sucedida até a data do ato. ∙ A Lei 8.981 de 20/10/1995, art. 42, dispõe que o lucro líquido após adições e exclusões determinadas pela legislação do IRPJ na determinação do lucro real, a partir de 01/01/1995, não poderia ser reduzido num percentual superior a 30% (trinta por cento), norma que passou a ser conhecida como trava de 30%. E o seu art. 58 estabeleceu a mesma regra para a determinação da base de cálculo da CSLL. ∙ Posteriormente, a Lei 9.065 de 20/06/1995 estabeleceu em seu art. 12 que o referido art. 42 da Lei 8.981/95 vigoraria apenas até 31/12/1995 e em seu art. 15 deu nova redação aos termos relativos à trava de 30%, prevendo literalmente a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais com o lucro líquido ajustado (lucro real) dentro desse limite. O art. 16 da mesma lei estabeleceu literalmente a possibilidade de compensação da base de cálculo negativa acumulada em períodos anteriores com a base de cálculo da CSLL apurada no exercício dentro do limite de 30%. ∙ Ao efetuar as reorganizações societárias já mencionadas, as pessoas jurídicas, após cindidas e incorporadas, foram extintas e, conforme já dito, sucedidas pela Arcelormittal. ∙ Na extinção da primeira (Uhgasa), esta realizou no ano calendário 2007 compensação do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, sem respeitar a trava legal de 30%, tendo, nesse caso, ainda excedido o saldo disponível de Prejuízo Fiscal, conforme quadros 01 e 02 constantes neste termo, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL). ∙ Quanto à extinção da segunda (Arcelor Brasil S/A), foi realizado no ano calendário 2007 compensação do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores também sem respeitar a trava legal de 30%, conforme quadros 03 e 04 deste termo, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL). ∙ A figura 09 deste termo, apresenta o demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL no período de 01/01 a 20/08/2007, ou seja, antes de a Arcelor incorporar a Mittal, no qual se verifica que a Arcelor não teria como compensar sua base de cálculo negativa acumulada de períodos anteriores (R$ 19.211.393,09), já que apresentava prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano calendário 2007. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 8 7 ∙ Na figura 10, após incorporar a Mittal e acrescer seus resultados positivos ao da Arcelor, o lucro real e a base de cálculo da CSLL no período de 21/08 a 31/08/2007 se tornaram positivos, motivo que a levou compensar integralmente, baseandose em supostos direitos adquiridos, sua base de cálculo acumulada de períodos anteriores. ∙ A figura 11 demonstra que os retângulos em destaque nas figuras 09 e 10 representam, respectivamente, os demonstrativos da base de cálculo negativa da CSLL nos períodos de 01/01 a 20/08/2007 e 21/08 a 31/08/2007. Sobre compensação de prejuízos fiscais no lucro real e de base de cálculo negativa na base de cálculo da CSLL nos termos e limitações impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95, o STF (Supremo Tribunal Federal), em recente julgamento do Recurso Extraordinário RE 344.994 realizado em 25/03/2009 e publicado no DJE (Diário de Justiça Eletrônico) de 28/08/2009, decidiu que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Tal instrumento de política tributária — benefício fiscal —, conclui o STF, pode, portanto, ser revista pelo Estado, não havendo que se falar em direito adquirido. ∙ Ratificando a natureza das disposições contidas nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 como sendo benefício fiscal, que a limitação de 30% é constitucional e que se trata de instrumento de política tributária que pode ser revisto pelo estado, não havendo, portanto, direito adquirido, apresentamse neste termo diversas ementas de decisões recentemente prolatadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), todas elas no mesmo sentido, evidenciando inequívoca jurisprudência. ∙ O CTN estabelece em seu art. 111 que a legislação tributária será interpretada literalmente sempre que dispor sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. ∙ Considerandose que os artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 tratam de exclusão de crédito tributário, visto que, caso não existisse o benefício, o contribuinte seria obrigado a recolher os tributos referentes à parcela de 30% do lucro real compensada por prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados, conforme determinação do art. 176 do CTN, aqueles artigos deverão ser interpretados de forma literal. ∙ Os referidos artigos, ao estabelecerem limitação de 30%, não prevêem expressamente, em nenhum caso, a compensação integral, seja no caso de extinção da pessoa jurídica ou outro qualquer, obstam definitivamente que se considere tal possibilidade. ∙ Considerandose que não há direito adquirido e tampouco previsão expressa para a compensação integral sem a trava de 30% no caso de extinção da pessoa jurídica, efetuouse a glosa dos prejuízos fiscais acumulados e compensados na apuração do lucro real e da base de cálculo negativa com a base de cálculo da CSLL, referentes ao ano calendário de 2007, dos valores que excederam a trava legal de 30%. ∙ Os auto de infração foram lavrados contra Arcelormittal Brasil S/A, sucessora das pessoas jurídicas citadas no primeiro parágrafo deste subtítulo, também baseado no Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 9 8 disposto nos artigos 227 e 229 da Lei 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as sociedades por ações e no art. Do CTN. Impugnação do lançamento Conforme assinatura aposta nos autos de infração, a ciência dos lançamentos foi dada pessoalmente ao sujeito passivo em 18.11.2011, uma sextafeira. Em 19.12.2011 foi apresentada uma só impugnação, juntada a folhas 163 a 178. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. TEMPESTIVIDADE ∙ A Impugnante tomou ciência do Auto de Infração lavrado contra si em 18.11.2011, sextafeira. Portanto, a contagem do prazo de 30 dias previsto no art. 15 do Decreto n°. 70.235/72, teve início em 21.11.2011, segundafeira, encerrandose em 20.12.2011, terçafeira. Desse modo, é tempestiva a impugnação nos termos do art. 16 do Decreto n°. 70.235/72. DO PREJUÍZO FISCAL APROVEITADO PELA ARCELOR BRASIL S.A. ∙ O Auto de Infração relata a reestruturação societária demonstrando a extinção da Mittal Steel B.P. S.A. e da Arcelor Brasil S.A. ∙ Nesta parte, a Fiscalização faz algumas ilações sobre a referida operação, mas tais afirmações, absolutamente sem sentido jurídico ou lógico, não trazem nenhuma influência no resultado final, porque a operação é convalidada pela própria Fiscalização, visto que o auto de infração a reconhece juridicamente e a limita na compensação de 30% do prejuízo fiscal. Portanto, não há sentido em abordar a questão, visto que, a partir do momento em que a fiscalização permite que haja uma compensação, mesmo que limitada a 30%, validada está toda a reestruturação societária do Grupo ArcelorMittal. ∙ O procedimento adotado, tanto pela Uhgasa quanto pela Arcelor Brasil SA, nas respectivas extinções, realmente foi a utilização dos 100% do prejuízo fiscal acumulado, uma vez que a trava dos 30% não se aplica aos casos de encerramento de atividades pela incorporação total, pois não há dispositivo legal específico para tanto. E a trava imposta pela legislação não poderia se aplicar a uma empresa com as atividades encerradas, sob pena de eternizar a tributação sobre seu patrimônio, ferindo a própria norma de competência posta no art. 153, III da Constituição Federal de 1988 (CF 1988) e no art. 43 do CTN. RAZÕES QUE JUSTIFICAM O CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL E INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ∙ Diferentemente do que foi informado pela fiscalização, não há divergência entre o valor compensado e o valor do prejuízo fiscal acumulado que justifique o aproveitamento a maior por parte da Uhgasa. Vejase no documento 8 a composição do prejuízo fiscal acumulado desde a DIPJ/1999 até a DIPJ/2007, declaração anterior ao ano da cisão, o que se confirma pelo LALUR. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 10 9 ∙ Não tem razão a fiscalização, pois o valor compensado não ultrapassa o prejuízo fiscal acumulado pela Uhgasa. Portanto, cabe a imediata retificação do crédito tributário. DA INAPLICABILIDADE DO LIMITE DE 30% À COMPENSAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS A EMPRESAS COM ATIVIDADES ENCERRADAS ∙ A Impugnante está convicta de que o procedimento adotado pelas companhias extintas está de acordo com a legislação fiscal. ∙ O art. 42 da Lei n° 8.981/95, fruto da conversão da Medida Provisória n°. 812/94, prevê que, a partir de 1o de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do IRPJ, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Seu parágrafo único acrescenta que a parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. ∙ O permissivo instituiu restrição quantitativa de 30% para fins de compensação da base de cálculo com o saldo de prejuízos fiscais acumulados. Antes desta norma, a legislação previa o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, sem nenhuma limitação quantitativa, apenas uma limitação temporal. Logo, a partir da Lei n° 8.981/95, os prejuízos fiscais não atingidos pela decadência passaram a ser compensáveis independentemente de qualquer prazo, mas sujeitos à limitação de 30% do lucro líquido ajustado da pessoa jurídica. ∙ A justificativa apresentada para a limitação de 30%, segundo a Exposição de Motivos da MP 812/94, que deu origem à Lei n° 8.981/95, foi o estabelecimento de "uma regra gradual de compensação de prejuízos, tomandose como referência os resultados obtidos em cada ano. Essa alteração permitiria o Estado um fluxo estável no ingresso de receitas provenientes do imposto de renda." ∙ As expressões "resultados obtidos em cada ano" e "fluxo estável no ingresso de receitas" demonstram que o objetivo imediato de arrecadação seria atingido com a limitação quantitativa de 30% e que a expectativa de estabilidade do fluxo das receitas do Estado seria atendida com a revogação da limitação temporal e o correspondente direito dos contribuintes de compensarem os saldos cumulados de prejuízo fiscal sem limite de tempo. ∙ A rigor, não foi instituído um regime de proibição ou impedimento para a compensação de prejuízos, mas tão somente um regime de postergação do exercício deste direito em quantos anoscalendário fossem necessários para esgotar os prejuízos acumulados. ∙ A legislação atual visa, portanto, prover o Estado de receitas contínuas de IRPJ pressupondo que a atividade econômica motivadora da renda tributável se conduzirá de forma permanente, sem solução de continuidade, para que o efeito imediato da tributação mínima de 70% do fluxo de renda dos contribuintes seja gradualmente revertido, na medida em que todas as perdas cumuladas absorvam, ao menos, 30% da renda futura. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 11 10 ∙ O STF entendeu que a lei poderia, sim, diferir no tempo o abatimento dos prejuízos fiscais acumulados, mas e se o tempo não mais existe? Ou seja, no caso da cisão total, não mais existindo a empresa, restará uma última apuração, quando, finda a sua existência será apurado se ainda existe algum tributo a pagar. ∙ O artigo 229 da Lei n°. 6.404/76 deixa muito claro o postulado da continuidade que afeta a operação de cisão total. De acordo com este artigo, a sociedade receptora do patrimônio sucede a todos os direitos e obrigações da empresa cindida, o que incluiria no crédito fiscal decorrente dos prejuízos fiscais acumulados. ∙ Ocorre que a legislação veda expressamente a transferência dos prejuízos fiscais acumulados pela sucedida para a sucessora, conforme art. 514 do RIR 1999. Ora, se não há continuidade, não há sentido em diferir o saldo de prejuízo fiscal para o futuro. Esta a lógica da regra, pois ela se baseia na continuidade da empresa e seu direito de compensar os prejuízos fiscais acumulados ao longo do tempo futuro; não existindo futuro, não há mais sentido na regra estabelecida. Esse entendimento se acha referendado pelo STJ, conforme ementa de decisão transcrita na impugnação. ∙ Portanto, no caso de empresas cindidas, tal limite de 30% não é aplicável visto que o encerramento das atividades da empresa impede a compensação do prejuízo fiscal apurado nos períodos seguintes. ∙ Ainda que assim não fosse, o dispositivo que limita quantitativamente a compensação dos saldos de prejuízos fiscais em nenhum momento menciona os casos de cisão, incorporação, etc. Ora, se quisesse também limitar (como limitou a transferência dos saldos para a incorporadora) deveria ter feito de forma expressa. Aliás, com todas as ressalvas a esta linha de entendimento, se a RFB propaga que esta compensação de saldo de prejuízos fiscais é uma benesse legal, que ela seja interpretada de forma literal e não restritiva. ∙ Em nenhum momento a legislação do IRPJ e da CSLL veda a compensação de prejuízos fiscais de empresas extintas por cisão acima do limite de 30%, sendo certo que o art. 42 da Lei 8.981/95 se aplica exclusivamente às empresas em atividade. ∙ Tal disposição legal reforça o argumento de que o limite de 30% não se aplica no períodobase de encerramento da empresas cindidas, uma vez que importaria na extinção do crédito, o que, como visto, não é a intenção da norma. ∙ Pois bem, além de não existir dispositivo legal que impeça o procedimento adotado pela empresa, ainda que houvesse, seria ela de todo inconstitucional. Isso porque a CF 1088 atribui à União competência para instituir imposto sobre a "renda e proventos de qualquer natureza", em seu artigo 153, III. Da mesma forma, o art. 195, I da Constituição autoriza a União a instituir contribuição, destinada ao custeio da Seguridade Social, cobrada dos empregadores, incidente "sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro". O CTN, por sua vez, em seu artigo 43, adota um conceito amplo de renda, a saber, "o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos" assim como "os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior". ∙ Assim, por meio de lei ordinária e a título de imposto de renda, somente se legitimará a tributação da renda e dos proventos de qualquer natureza, entendida a renda como Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 12 11 acréscimo de riqueza, ganho ou aumento advindo do trabalho e do capital (ou patrimônio) em certo período de tempo, que, por decisão da CF 1988, é anual. Igualmente, por meio de lei ordinária e a título de contribuições, a CF 1988 somente autoriza a tributação do lucro (além das outras fontes). ∙ A expressão lucro utilizada pela CF 1988 no art. 195, I, é ainda mais específica do que renda e inconfundível com seu oposto, prejuízo, perda ou redução patrimonial. Configurando um instituto ampla e exaustivamente disciplinado pelo Direito Privado, especialmente pelo Direito Comercial, a noção de lucro não pode ser violentada, profundamente alterada nem negada pelo Direito Tributário, porque foi utilizada pela CF 1988 para definir os limites e as regras de competência atribuídas à União (art. 110, CTN). ∙ Segundo Sampaio Dória, a renda das empresas é seu lucro, valor positivo, diminuído porém de prejuízos anteriores que devem ser dele abatidos, para que se possa determinar o acréscimo real obtido. Sem tal compensação, estaria a sociedade reduzindo seu patrimônio, valendo repetir Gomes de Souza: “Só é renda o acréscimo de patrimônio que possa ser consumido sem reduzir ou fazer desaparecer o patrimônio que o produziu: do contrário a renda se confundiria com o capital”. ∙ Se o STF aceitou a limitação anual do saldo de prejuízos fiscais, o fez ao pressuposto da continuidade, de que o patrimônio não seria tributável, uma vez que aquele saldo existente não teria prazo prescricional para opor a futuros lucros. Jamais autorizou e jamais autorizará que ao fim da empresa não se possa usar 100% do prejuízo cumulado, porque aí o discurso da continuidade que legitimou a trava perde todo sentido. Em abono do argumento, citamse as opiniões de vários autores. ∙ A jurisprudência administrativa não discrepa dessa linha, conforme comprovam as ementas de diversos acórdãos transcritos na impugnação e atribuídos ao Conselho de Contribuintes e à Câmara Superior de Recursos Fiscais. ∙ Portanto, a Lei n°. 8.981/95, ao criar novo sistema limitando quantitativamente a compensação, mas tornando os prejuízos imprescritíveis, deixou de prever expressamente uma norma para as empresas em descontinuidade. Por isso, a melhor interpretação que se deva dar ao seu art. 42 é a inaugurada com o Acórdão 108.06682, que revelou a finalidade da lei, pela análise de sua exposição de motivos. Logo, essa interpretação supera a incoerência do sistema, garantindo o alcance do objetivo da nova lei. DOS PEDIDOS ∙ Dessa maneira requer seja dado provimento à impugnação para: (a) quanto à parte fática, seja confirmado o montante de R$ 53.056.922,54, e não de R$ 47.565.327,93 para utilização integral do prejuízo fiscal da Uhgasa, com a respectiva retificação do auto de infração e (b) quanto à questão principal, seja reconhecido o direito de compensação de 100% do prejuízo fiscal e da base negativa. Da análise dos elementos contidos nos autos, concluiu a douta DRJ de Belo HorizonteMG pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO e a conseqüente manutenção do lançamento, em acórdão que, inclusive, assim restou ementado: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 13 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% Mediante compensação de prejuízo fiscal, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA LIMITE DE 30% Mediante compensação de base de cálculo negativa, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão prolatada, foi então apresentado, no dia 10/04/2012, o seu competente Recurso Voluntário, redargüindo todos os fundamentos anteriormente apresentados em sua impugnação e requerendo, ao final, o provimento de seu recurso, no sentido de admissão da compensação integral dos prejuízos fiscais e da base negativa, afastando, assim, a limitação (“trava”) de 30% (trinta por cento), por ser inaplicável em caso de encerramento das atividades da empresa, e, ainda, o acolhimento das razões apontadas relativas às divergências destacadas. No essencial, é o que se tem a relatar. VOTO Conforme se verifica dos elementos destacados do relatório apresentado, verificase que, na essência, a matéria tratada nos presentes autos circunda a discussão a respeito da (in)aplicabilidade do limite (“trava”) para a compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativa (CSLL) de que tratam as disposições dos artigos 42 e 58 da Lei 8.985/95 e, também, dos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95, que, inclusive, assim especificamente determinam: Lei 8.985/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 14 13 Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. A matéria, é bem verdade, já há tempos tem suscitado inúmeros debates nesta corte Administrativa, já tendo sido, inclusive, especificamente por nós enfrentado em julgamentos já anteriormente proferidos. Ocorre que, entretanto, de acordo com os informes recentemente recebidos, verificamos que, a respeito desse assunto específico, fora já reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL a repercussão geral da matéria, nos termos da análise de admissibilidade promovida nos autos do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO), cujos termos, inclusive, foram assim especificamente apresentados: RE/591340 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. MARCO AURÉLIO Partes RECTE.(S) POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S) FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA RECDO.(A/S) UNIÃO PROC.(A/S)(ES) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO TRIBUTÁRIO | Contribuições | Contribuições Sociais | Contribuição Social sobre o Lucro Líquido | Compensação de Prejuízo Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 15 14 DIREITO TRIBUTÁRIO | Crédito Tributário | Base de Cálculo IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 07/11/2008ATA Nº 27, de 04/11/2008 DJE nº 211, divulgado em 06/11/2008 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui integral e completa relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 591340, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62 A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 16 15 § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso do apontado RE 591340. Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao Procurador Geral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 10680.726495/201111 Resolução nº 1301000.104 S1C3T1 Fl. 17 16 Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (validade/aplicabilidade da limitação “trava” – de 30% na compensação de prejuízos fiscais em caso de encerramento das atividades) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verifica, no caso, as disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 591340 (Relator: MIN. MARCO AURÉLIO), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 20/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19515.003873/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, é a apresentação da impugnação que instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal federal, não se havendo falar em ausência de contraditório antes dela, quando as atividades são desenvolvidas no ambiente inquisitório da fiscalização.
PROVA PERICIAL. DISCRICIONARIEDADE DO ÓRGÃO JULGADOR.
Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72, a realização de prova pericial no âmbito do PAF é matéria afeta à análise da conveniência e oportunidade pela respectiva autoridade julgadora, inexistindo, assim, qualquer nulidade em decorrência de seu fundado indeferimento.
PRELIMINAR DE LEGITIMIDADE PASSIVA.
Restando comprovado nos autos a efetiva participação da contribuinte na sistemática da indicada operação de Performance de Exportação, não se há como admitir a sua pretendida ilegitimidade passiva.
PROVA EMPRESTADA. VALIDADE.
As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte ao qual cabe o ônus da prova da existência de saídas que não configurou receitas.
PRESUNÇÕES. REQUISITOS DE APLICAÇÃO. REGULARIDADE.
No âmbito do direito tributário brasileiro, válida se apresenta a aplicação de presunções legais quando se verifica a materialidade dos requisitos especificamente previstos na norma de regência, ao contribuinte cabendo, nesses casos, a comprovação de sua inexistência.
OPERAÇÕES SIMULADAS.
Devem ser glosados os prejuízos apurados em operações simuladas de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja. Os créditos fictícios de tributos não podem ser considerados nas apurações dos resultados brutos.
GLOSAS DE DESPESAS.
Eventuais despesas incorridas com prestadores de serviços sobre operações fictícias com soja não se caracterizam como necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condições para serem aceitas como dedutíveis.
MULTAS APLICADAS. SUMULAR CARF No 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Glosa de despesas Recorrente ARTHUR LUNDGREN TEC. S/A CASAS PERNAMBUCANAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, é a apresentação da impugnação que instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal federal, não se havendo falar em ausência de contraditório antes dela, quando as atividades são desenvolvidas no ambiente inquisitório da fiscalização. PROVA PERICIAL. DISCRICIONARIEDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72, a realização de prova pericial no âmbito do PAF é matéria afeta à análise da conveniência e oportunidade pela respectiva autoridade julgadora, inexistindo, assim, qualquer nulidade em decorrência de seu fundado indeferimento. PRELIMINAR DE LEGITIMIDADE PASSIVA. Restando comprovado nos autos a efetiva participação da contribuinte na sistemática da indicada operação de “Performance de Exportação”, não se há como admitir a sua pretendida ilegitimidade passiva. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte ao qual cabe o ônus da prova da existência de saídas que não configurou receitas. PRESUNÇÕES. REQUISITOS DE APLICAÇÃO. REGULARIDADE. No âmbito do direito tributário brasileiro, válida se apresenta a aplicação de presunções legais quando se verifica a materialidade dos requisitos especificamente previstos na norma de regência, ao contribuinte cabendo, nesses casos, a comprovação de sua inexistência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 73 /2 00 7- 87 Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 2 OPERAÇÕES SIMULADAS. Devem ser glosados os prejuízos apurados em operações simuladas de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja. Os créditos fictícios de tributos não podem ser considerados nas apurações dos resultados brutos. GLOSAS DE DESPESAS. Eventuais despesas incorridas com prestadores de serviços sobre operações fictícias com soja não se caracterizam como necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condições para serem aceitas como dedutíveis. MULTAS APLICADAS. SUMULAR CARF No 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas dos presentes autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, donde destaco: Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 1.141 a 1.157), apurou as seguintes infrações fiscais ocorridas nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004: redução do lucro contábil em decorrência de resultados negativos com operações simuladas com soja, e registro de despesas por serviços prestados por empresas de consultoria sobre estas operações. Abaixo reproduzo in verbis, parte, do apresentado no Termo: ADOS FATOS A empresa foi autuada pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, em 25/08/2005, Auto de Infração e Imposição de Multa _ AIIM 3.040.786, exigindo os créditos do ICMS utilizados na suposta aquisição de soja em grãos que não entraram no estabelecimento da fiscalizada, nem real nem simbolicamente, nem tampouco foram entregues pelos supostos fornecedores CENTÚRIA S.A. INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRICOLA, CNPJ 01.298.968/000109 e 01.298.968/000370 e SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., CNPJ 01.954.185/000136 e 01.954.185/000306, por sua conta e ordem, nos estabelecimentos da empresa RUBI S.A. COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, CNPJ 04.136.996/000118 e 04.136.996/000207. A documentação constante do AIIM 3.040.786 demonstra a operação SIMULADA praticada pela fiscalizada, conforme relato abaixo: Processo n° 19515.003873/200787 "Empresas estabelecidas em São Paulo foram procuradas, nos últimos anos, por elementos que se apresentam como "consultores tributários", a elas oferecendo serviços de assessoria com vistas à obtenção de expressiva redução na carga tributária por meio de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS, e no passado do IPI, além de vantagens. Cuidavase daquilo que, no mercado de commodities se denomina 'Performance de exportação", não obstante o fato das empresas atraídas para o negócio atuarem em ramos de atividade econômica absolutamente estranhos ao da produção, beneficiamento e exportação da soja e seus derivados. Três eram as operações básicas do esquema, executadas por empresas criadas e controladas por seus mentores: • Fornecimento de soja em grãos, com destaque do ICMS a empresas adquirentes atraídas para o esquema; • Remessa de soja, por ordem em conta dos adquirentes, para empresas beneficiadoras, com vista à extração do óleo bruto degomado e do farelo de soja; Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 4 • Venda dos derivados de soja a empresas atuantes no comércio exterior, para o fim específico de exportação. Às empresas adquirentes, beneficiárias do esquema, cabia apenas o cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação tributária e, obviamente, a quitação dos pagamentos previamente acordados." O trabalho elaborado pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo comprova que as operações praticadas foram fictícias, não tendo ocorrido a efetiva circulação de mercadoria. Daí então, não houve aquisição de soja em grãos, nem seu beneficiamento e muito menos a exportação de seus derivados. Houve apenas a emissão de documentos fiscais reportando tais operações e comprovação fraudulenta de exportações. De acordo com o referido trabalho, ocorria um procedimento de duplicação de notas fiscais de exportação. Fazia parte do esquema montado a empresa COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NORTE PIONEIRO CANORP, CNPJ 77.479.442/000197, que tinha a missão de "adquirir" os derivados da soja das empresas beneficiárias do esquema para o fim específico de exportação. "Mas como as operações anteriores de aquisição e beneficiamento eram fictícias, não havendo a rigor, o que exportar, os 'Planejadores tributários" adotaram a estratégia de simular uma operação de exportação em paralelo a uma operação real. As operações reais de exportação tinham por origem o farelo e o óleo bruto de soja produzidos por empresas como a ADM DO BRASIL LTDA., IMCOPA COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA., BIANCHINI S.A. INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGRICULTURA LTDA., BUNGE ALIMENTOS S.A. E COMÉRCIO E INDÚSTRIAS BRASILEIRAS COINBRA S.A. Já as operações fictícias de exportação eram atribuídas às empresas beneficiárias do esquema de evasão fiscal. As duas operações ocorriam em paralelo, tendo por suporte uma única nota fiscal de exportação, que era duplicada. No corpo da via original era indicado o nome da verdadeira empresa exportadora, da qual haviam sido adquiridos os produtos objeto da operação de exportação, enquanto que na via duplicada era indicado o nome da empresa beneficiária do esquema. Não ocorriam, por isso mesmo, duas exportações, mas apenas uma, devidamente comprovada pelo respectivo memorando, conhecimento de transporte marítimo (Bill of Lading), fatura comercial, contrato de câmbio e por todos os extratos do SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Só que apenas uma se concretizava e a outra era simulada." O Relatório de Diligências Fiscais e análise documental elaborado pela Diretoria Executiva da Administração Tributária DEAT, da Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda referente à Centúria S.A. Ind. Com. e Agrícola Santa Cruz Ind. Com. Agrícola e Pecuária Lida. é minucioso e com inúmeros documentos com probatórios da simulação da operação de venda de soja, que incluímos como parte integrante deste Termo de Verificação. Obs. Foram anexadas a este processo, por este julgador, as fls. de n°. 1.604 a n°. 1.755. Estas fls. são cópias dos relatórios mencionados, acima, e foram obtidas Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 4 5 dos documentos integrantes do processo n°. 19515.003876/200711 "Representação Fiscal para Fins Penais — IRPJ". 2. Em decorrência da comprovação dos fatos acima relatados e como menciona a fiscalização: "com base na vasta documentação acostada ao presente processo, que as operações com soja não ocorreram", foram tributados os valores de redução do lucro líquido, em decorrência dos resultados negativos apurados nestas operações e as despesas relativas serviços prestados, sobre estas operações, pelas consultorias "Globalbank", "Deloitte Consulting" e "Deloitte Serviços". Cabe destacar que, a documentação comprovando o apurado está apensada ao processo de "Representação Fiscal para Fins Penais — IRPJ". Os valores totais tributados são: 3. Foram lavrados os seguintes autos de infração, com ciência dada em 17/12/2007, com os enquadramentos legais descritos nos mesmos (fls. 1.158 a 1.174): Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ no valor de R$ 13.314.685,02 e Contribuição Social s/lucro Líquido na quantia de R$ 4.793.286,54. Os valores incluem multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/11/2007. 4. Foi constituída a "Representação Fiscal para Fins Penais — IRPJ", processo n° 19515.003876/200711. 5. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação protocolada em 16/01/2008 (fls. 1.180 a 1.275), na qual faz a defesa a seguir sintetizada. DEFESA. 6. A Impugnante apresenta sua contestação em uma única peça, apesar dos fatos apurados terem originado as lavraturas dos Autos de Infração do IRPJ, CSLL oficializados no presente processo e do IRRF e das contribuições ao PIS e COFINS em outros distintos. Evidentemente será levada em consideração a impugnação das matérias pertinentes a cada processo. Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 6 7. Requer ainda, que os processos administrativos resultantes dos Autos de Infração respectivos sejam julgados conjuntamente, por aplicação conjugada do disposto nos artigos 9o, §1°, e 31 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações promovidas pela Lei n° 8.748/93. A LISURA DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA IMPUGNANTE NA CONTRATAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO. 8. A Impugnante declara que as operações denominadas de "performance de exportação", ao contrário do que alega a fiscalização, redundaram em lucro à impugnante e não em prejuízos, se forem considerados na apuração dos resultados os créditos tributários federais de IPI, COFINS e PIS, bem como créditos tributários estaduais de ICMS. 9. A Impugnante descreve os passos das operações, já detalhados no "Termo de Verificação", declarando que "todas, rigorosamente todas, as formalidades legais e regulamentares foram fiel e escrupulosamente respeitadas. Os registros foram regularmente feitos; as notas fiscais para registro e acompanhamento das mercadorias e produtos foram emitidas e devidamente registradas, com todas as inscrições exigidas nas leis, no regulamento e demais atos administrativos, não se entremostrando, por essa via, nenhuma anomalia que pudesse dar razão a qualquer exigência fiscal". 10. Afirma que todas as operações foram realizadas ao amparo dos serviços contratados junto à "Deloitte" para executar a auditoria independente de todas as operações, considerando seus aspectos tributários, fiscal e contábil, e à "Globalbank", esta contratada para a implementação efetiva das operações. Diz que os serviços, embora deficientes, foram devidamente prestados e os pagamentos realizados. 11. Com relação a estas empresas de consultoria, a Impugnante, quando menciona que a fiscalização glosou as despesas pagas relativas aos honorários das mesmas, faz menção às suas tradições, que reproduzo a seguir; "Deloitte é nada mais nada menos do que a maior empresa de auditoria do mundo, e que se estabeleceu e prestar serviços no País, incluindo para o próprio Estado, há quase UM SÉCULO e a Globalbank sociedade que, igualmente, de há muito se acha estabelecida e em franca atividade no País, e que mantém relevantes interesses em Parcerias PúblicoPrivadas". NULIDADE DO CRITÉRIO UTILIZADO PARA REALIZAÇÃO DOS LANÇAMENTOS: IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE UTILIZAÇÃO EXCLUSIVA DE "PROVA EMPRESTADA". IMPOSIÇÃO DO PRINCIPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. 12.Alega que por falta de capacidade jurisdicional do fisco do Estado de São Paulo para examinar os livros e documentos das sociedades "Centúria", "Santa Cruz" e "Canorp", as duas primeiras estabelecidas no Estado de Mato Grosso e a última no Estado do Paraná, o fisco paulistano teve que recorrer da previsão legal da solidariedade. Diz que, isto, porém, não ocorre na esfera federal, pois, os Auditores Fiscais possuem a mais ampla liberdade para examinar livros e documentos de todos os contribuintes, independentemente da sua localização. 13. Destaca que, "daí por quê, soa bizarro, para dizer o mínimo, que mesmo a despeito de o relatório do fisco estadual ser pródigo na afirmação de a impugnante ter sido procurada e induzida pelos "Consultores Tributários", algo que, por si só, exclui o dolo que anima a aplicação da multa agravada, os Auditores Fiscais não tenham examinado os livros e documentos das sociedades "Canorp". "Rubi", "Santa Cruz", "Centúria", e, particular e especialmente, os livros da "Deloitte" e da "Globalbank". Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 5 7 14. Declara, "que razão juridicamente proveitosa estaria a amparar a omissão dos Auditores Fiscais em fazer tais incursões, notadamente quando se sabe que tanto os pagamentos feitos a "Deloitte" como ao "Globalbank" correspondem a serviços que, muito embora deficientes, foram real e efetivamente prestados? Quais os motivos que justificam, juridicamente, a glosa dessas despesas — a partir não da falta de prestação de serviços, mas da qualidade dessa prestação — quando se sabe que os beneficiários registraram contabilmente e pagaram todos os tributos sobre as verbas recebidas? E o que se dirá da COFINS e do PIS tomados como créditos pela impugnante, os quais, em que pese o princípio da nãocumulatividade que rege essas exações, foram integralmente desconsideradas, sem que migalha de prova tenha sido incluída nos autos revelando que as contrapartes das operações descritas deixaram de pagar tais tributos?". 15. Menciona que a anomalia da operação, se é que existe, foi identificada pelo fisco estadual a partir dos documentos comprobatórios das exportações emitidos pela "Canorp", para comprovar a venda dos produtos de soja, "ou seja, exatamente na operação de exportação sobre a qual a impugnante não só não tinha nenhuma ingerência, como não possuía nenhum interesse, competência ou poder para administrar". 16. Declara que "foi a partir dessa presunção (ou seja, de não exportação) é que o fisco estadual, de presunção em presunção, concluiu, seguindo na ordem inversa do processo, que: não houve venda dos produtos de soja da impugnante para a "Canorp" (afirmação que adiante será refutada documentalmente); não houve remessa da soja para ser industrializada na "Rubi"; e, finalmente, não houve (inicialmente) compra da soja pela impugnante". 17. A impugnante alega, ainda, que: Se bem analisados os documentos constantes do processo estadual, pelos Auditores Fiscais, ficaria evidenciado: (a) que o fisco estadual paranaense não só confirma a idoneidade da "Canorp" como afirma ter realizado percuciente exame nos livros desta, tendo concluído que inexistem irregularidades acerca das operações realizadas entre a impugnante e a "Canorp"; e (b) que cópia do livro de entrada de mercadorias da "Canorp", contrariamente ao afirmado pelos Auditores Fiscais, exibe, sim, a relação dos ingressos dos produtos, no seu estabelecimento, que foram adquiridos perante a impugnante. Não é só isso. Mesmo a conclusão acerca da inexistência das exportações vem apoiada no terreno movediço das generalizações: é que, a partir de um único e minguado exemplo, espraiouse o entendimento de que nenhuma exportação foi realizada (1), algo insólito, para dizer o mínimo, especialmente na seara do direito tributário, que, a partir do ecumênico princípio da presunção de inocência, repudia que a dúvida seja tomada a desfavor dos interesses do contribuinte (art. 112 do Código Tributário Nacional). Da prática acima apontada decorreu que as conclusões hauridas pelos auditores fiscais foram apoiadas na verificação parcial dos fatos e na interpretação fragmentária de alguns dispositivos regulamentares, a qual, ao fim e ao cabo, estabelecerá iníqua e ilegal situação que propicia o enriquecimento sem causa do Erário já que grande parte das exações reclamadas pelo lançamento devem ter sido recolhidas pelos fornecedores e Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 8 clientes da impugnante nessa operação , à custa de lançamento nitidamente írrito e nulo, como será visto. 18. Diz a Impugnante que, os "Auditores Fiscais, sem despender esforços nenhum na busca da verdade material e na precisa identificação da situação fática, tomaram o lançamento estadual com todos os seus defeitos, sem lhe acrescer virtude alguma, olvidando ter sido a solidariedade (prevista legalmente), e nada além dela, que permitiu aos seus pares estaduais lavrarem o lançamento em nome da impugnante". Alega, portanto, que é nulo o critério utilizado pelos Auditores de basearemse exclusivamente em prova emprestada do Fisco Estadual. 19. Destaca que, "a falha dos auditores fiscais na plena verificação dos fatos efetivamente ocorridos, e, como ela, a falta da demonstração cabal da SIMULAÇÃO ALEGADA, fere a plena aplicação ao processo administrativotributário do Principio da Verdade Material, segundo o qual a autoridade fiscal deve esgotar os meios em direito permitidos a fim de demonstrarem a imputação tributária". O DESFECHO DOS LANÇAMENTOS NA ESFERA ESTADUAL. 20. A Impugnante entra no mérito da autuação estadual, destacando que, o faz, por ser ela base exclusiva da autuação federal. Alega que a mesma serve como indicador de irregularidade e não como fato incontestável. 21.Informa que recebeu duas autuações: a primeira, AIIM n. 3.040.786, em decorrência da cobrança do ICMS que teria deixado de ser recolhido em razão da tomada dos créditos oriundos da aquisição da soja e dos insumos e serviços pagos na industrialização feita pela "Rubi", impondo, além, disso, pesadíssima multa; a segunda, AIIM n. 3.040.788, que consistiu principalmente na cobrança de multa de expressivo valor por infração relativa a documentos e impressos fiscais e ao crédito do imposto, a pretexto de não terem sido concretizadas as exportações. 22. Diz que as autoridades estaduais levaram a punição ao "paroxismo", dividindo o processo, para apenar, por uma dos autos de infração, pela ausência da saída para exportação de determinada mercadoria e lavrar outro auto, por que as mesmas mercadorias não teriam ingressado no estabelecimento da Impugnante. 23. Diz a Impugnante: "se a materialidade da operação que os agentes estaduais afirmaram ter sido engendrada teve por alvo a tomada de crédito do ICMS pela impugnante, não havia razão jurídica proveitosa que pudesse justificar o apenamento nos moldes descritos, posto que, ao fim e ao cabo, a operação de saída, quando muito, seria mero instrumento daquela materialização e parte integrante dela, nunca podendo, conseqüentemente, ser tratada como dissociada desse contexto. Não foi por razão que o auto de infração que infligia multa magnífica à Impugnante, ancorado no argumento da inexistência das operações, de valor mais significativo, acabou sendo anulado ainda em sede administrativa, com o provimento integral do recurso interposto pela Impugnante". A ESTRUTURA DA ACUSAÇÃO SUPORTADA POR PRESUNÇÕES COMUNS DESPRESTIGIADAS PELO DIREITO. 24. Alega que não foram desprezíveis os esforços despendidos pelas autoridades estaduais para identificar toda a operação, sendo que o robusto relatório produzido comprova isso. Diz que: "incursões em outros estados da Federação; diligências em estabelecimentos das diversas sociedades envolvidas; exame de livros e documentos, tudo foi levado a efeito". Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 6 9 25. Destaca que, da leitura atenta desse documento se conclui que: (i) não conseguiram identificar objetivamente nenhuma irregularidade que tivesse sido praticada pela Impugnante e (ii) como conclusão da anterior, não restou alternativa aos agentes estaduais de colocarem a Impugnante como participe do esquema destinado a fraudar o Erário. Diz que não se apurou nenhuma prova, "ou mesmo migalha de prova", contra a Impugnante e a conclusão de sua participação de maneira totalmente "residual e por singela conveniência" levou à situação reprovável juridicamente de forçar a Impugnante a produzir prova "diabólica", em sua defesa. 26. Informa que a "Rubi" e a "Canorp" estão regularmente inscritas nos fiscos estaduais, até esta data e que inclusive a "Centúria", "apontada como artífice de inúmeras estripulias no relatório achavase regularmente inscrita perante os órgãos estaduais em 2002 e 200N". Diz que "a Santa Cruz, cuja atuação foi igualmente demonizada no relatório", entrou com ação judicial contra a Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso, alegando que as provas contra ela foram obtidas de maneira ilegal. 27. A impugnante alega que a autoridade estadual que emitiu o relatório cometeu alguns atos falhos, que salta aos olhos de qualquer pessoa. Menciona afirmações feitas no relatório, dando a entender que as mesmas vêm colaborar para o entendimento de que a impugnante foi procurada por empresas de consultoria que apresentaram o negócio e cabendo a ela somente o cumprimento das obrigações acessórias. Diz que contribuintes exemplares de ICMS, incluindo empresas de capital aberto e subsidiárias de entidades estrangeiras, de grande reputação, não poderiam estar engajados num grupo dedicado à prática de operações "pueris" de crimes contra a ordem tributária. 28. Diz que como não obtiveram êxito em comprovar a participação da Impugnante no suposto esquema, comodamente preferiram construir a conclusão baseando no "eixo movediço da presunção". Completa, declarando que "foi, portanto, à custa de presunção sobre presunção, numa escalada desassisada e como animal replicante, que os agentes estaduais anelaram a lmpugnante e empresas de ilibada conduta como participes dessa suposta fraude bizantina. Tudo passou a ser admitido: desde conjecturar que a "Canorp", a partir de minguadas amostragens, não recebeu os produtos e deixou de realizar número expressivo de exportações; descambando para a presunção, ainda com base naquela estiolada amostragem, de que a "Rubi", nas dezenas de operações que realizou com a impugnante e terceiros, não remeteu produtos industrializados nenhum para a "Canorp"; até, finalmente, manifestar, oniricamente, que a soja não ingressou na "Rubi". 29. Informa que o fisco estadual anexou, no seu relatório, cópia do Livro de Registro de Entradas da "Canorp", onde consta o registro de inúmeras vendas de produtos feitas pela Impugnante a esta empresa. Pergunta, a lmpugnante, se os Auditores Federais analisaram esse documento? Se for afirmativa a resposta, pergunta, quais seriam as razões pelas quais concluíram eles pela inexistência da operação de venda destes produtos? 30. A impugnante, também, menciona o fato da fiscalização estadual ter dito no relatório, onde o alvo era a "Santa Cruz", que chamou à atenção os negócios estranhos às atividades econômicas das redes varejistas, envolvidas nas operações. Porém, alega que, bastava a leitura do estatuto social da impugnante para ser verificado que faz e sempre fez parte a realização de exportações, nos negócios da empresa. 31. Informa que, ao contrário do que foi mencionado no relatório do fisco estadual não é verdadeiro que o farelo de soja e o óleo bruto eram vendidos por valores inferiores aos Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 10 da aquisição da soja em grão, pois, bastaria a fiscalização ter verificado os outros elementos, como crédito do IPI, ICM, PIS e COFINS para ter apurado um valor superior ao do grão da soja. A PRESUNÇÃO E SEUS EFEITOS. 32. Alega que o Fisco Estadual realizou os lançamentos com base em duas presunções, a saber: (i) a primeira, a partir de minguadas amostragens, concluiu que não houve a exportação dos produtos; conseqüentemente, não houve o encaminhamento dos mesmos à trading company "Canorp"; não houve industrialização e a soja não foi adquirida; (ii) a segunda, mais grave, "a de que a impugnante esta acumpliciada com as empresas apontadas no relatório, o único caminho encontrado pela fiscalização, seguramente, para eleger um responsável para pagar a conta". 33. Quanto à primeira presunção, a impugnante diz que ficou evidente estar repleta de irregularidades; quanto à segunda, mesmo a despeito de terem sido apontados os defeitos, diz que algumas considerações adicionais devem se feitas. Destaca que presumir é conseqüência extraída de um fato conhecido para um desconhecido; porém, se o fato tido como conhecido é falso, impõese concluir que a conseqüência presumida também o seja. 34. Diz que presumir que a Impugnante fez ou fazia parte do esquema foi extremamente conveniente para o intento da fiscalização e com base neste pressuposto todo o plexo de direitos, que constitucionalmente é assegurado à impugnante, foi anulado; pois, não tendo "Poder de Polícia", a impugnante sem competência para examinar os livros e documentos das demais sociedades, tornouse refém das conclusões "dos agentes fiscalizadores nessas questões complicadíssimas de movimentação de mercadorias, capacidade de moagem, armazenagem, etc,". 35. Continuando, a Impugnante faz considerações sobre a fragilidade das diligências e fiscalizações realizadas pelo Estado nas empresas: "Santa Cruz" que encontrase "sub judice"; da "Rubi" que o relatório não explica como chegou à conclusão que a mesma não possuía capacidade de industrialização compatível com as operações hostilizadas; a "Canorp", já que o Estado do Paraná declarou a regularidade dessa sociedade. Quanto à "Rubi", a impugnante, ainda, menciona que a mesma foi fiscalizada e não foi autuada por falta de recolhimentos de tributos, mas sim pela emissão daqueles documentos relativos ao fornecimento de insumos na industrialização dos produtos para a impugnante. 36.Diz que se a exação não reclama da falta de pagamento de imposto no fornecimento de insumos pela "Rubi", como podem ser desconsiderados os créditos dos imposto obtidos pela Impugnante na esfera Estadual? E ressalta que, se nesta esfera apresentase tal situação, "que razão ou motivo haveria, na seara federal, para que outro destino fosse dado a essas operações pela "Rubi"? IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO TAMBÉM NA ESFERA FEDERAL. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. 37.Afirma que, "assim, se a lavratura dos Autos de infração na esfera estadual foi edificada com base em presunção, por ter como suporte fático a prova emprestada pelo Fisco Estadual, também os lançamentos ora profligados padecem do mesmo vicio". 38. Diz que da leitura de todo o processo despontam duas constatações relevantes: (1) a primeira, é que os Auditores Fiscais não conseguiram identificar objetivamente nenhuma prova concreta da irregularidade que suscitam; e (ii) a segunda, como conseqüência da anterior, é que, com a falta das provas, "e não dispondose a obtêlas (o que é possível porquanto, reiterese, as empresas envolvidas ainda existem e poderão Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 7 11 ser fiscalizadas a qualquer tempo), aventuramse os agentes fiscais a manejar a tese da SIMULAÇÃO com base em temerárias presunções". 39.Afirma: "concluise, portanto, que não estando o presente processo administrativo devidamente fundamentado, a partir de provas e motivação inteligível, a Impugnante não pode ser obrigada a realizar prova de impossível concretização (prova negativa), cabendolhe, tãosomente, argüir que a ocorrência do fato gerador não está comprovada nos autos, consoante, também, precisa lição de Marco Aurélio Greco". LANÇAMENTOS DE IRPJ E CSLL — ERROS CONCEITUAIS PARA APURAÇÃO DE RESULTADOS. IMPROCEDÊNCIA. 40. A impugnante contesta a apuração dos resultados das operações com soja, realizadas anualmente, na medida que a fiscalização considerou somente as receitas em decorrência das vendas realizadas para "Canorp" e os custos representados pelas compras dos grãos, da "Centúria" e da "Santa Cruz" e os custos da industrialização realizada pela "Rubi", apurando prejuízos que foram considerados como indedutíveis tanto para fins do IRPJ como para a CSLL. 41. Alega que na realidade as operações redundaram em lucros, os quais foram devidamente tributados pelos dois tributos. Mesmo se for considerado as despesas incorridas com a "Deloitte" e a "Globalbank", que a fiscalização entendeu que deveriam ser glosadas e que não foram consideradas nos resultados apurados pela fiscalização, as operações dariam lucro. Além disso, a fiscalização não levou em consideração os créditos apurados com o PIS, COFINS e os créditos presumidos do IPI que foram registrados pela Impugnante em seus resultados. 42. Com referência aos custos incorridos pela industrialização, alega que a fiscalização não considerou os descontos financeiros, obtidos em razão dos, pagamentos feitos nos prazos estabelecidos. A Impugnante, a título de exemplo, reportase aos documentos anexados ao processo (doc. 20 a 22). 43. Quanto aos resultados, a Impugnante demonstra a sua apuração, para o ano calendário de 2002, que resulta em lucro. Anexa ao processo, demonstrativos para cada operação realizada nos três anoscalendário, preparados por auditoria independente. GLOSAS DAS DESPESAS. "Deloitte" e "Globalbank". 44. Argumenta que como a fiscalização baseou sua conclusão nos trabalhos realizados pelo Fisco Estadual, e "estes, como provado, estão maculados por inúmeros vícios e defeitos, seguese que a lógica do argumento que contesta a dedutibilidade das despesas com os pagamentos encontrase desamparada, definitivamente, por essa via". Diz que, a dedução destas despesas deve ser analisada nas condições normais, que é da sua necessidade, e a efetiva prestação dos serviços. 45. Diz que "a necessidade estaria demonstrada ipso facto da apuração de lucro (em cumprimento da finalidade social), como efetivamente ocorreu na espécie, uma vez que é clara a conexão lógica entre a receita auferida e os custos correspondentes; já para o segundo caso, a efetividade da prestação dos serviços, evidenciada pela robustez das provas consubstanciadas: (a) pela apresentação da proposta para realização das operações; (b) pelas inúmeras visitas feitas pelos contratados no estabelecimento da impugnante, fornecedores e clientes; e (c) pelos laudos de auditoria emitidos, torna insustentável, também por essa via, a pretensão encorpada no lançamento". Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 12 46. A impugnante, ainda, alega que, quanto à efetividade o fato de terem sido prestados os serviços com falta de qualidade não seria o caso de caracterizálos como não dedutíveis. Informa que neste sentido, ajuizou ação ordinária indenizatória em face da "Deloitte" e da "Globalbank", objetivando recompor perdas por prejuízo material e danos morais vultosos, experimentados por ela em razão de deficiências no cumprimento das obrigações assumidas contratualmente por aquelas sociedades com a Impugnante. ERROS DE CÁLCULO — FALTA DE LIQUIDEZ DOS LANÇAMENTOS. 47. A contribuinte na sua Impugnação (fls. 1.260 e 1.261) contesta alguns valores apresentados no resumo da apuração dos resultados das operações com soja, preparado pela fiscalização (fls. 1.152 e 1.153). As diferenças dizem respeito praticamente a alguns valores totais de vendas realizadas para "Canorp", nos meses: dezembro/2003; julho/2004 e agosto/2004 e valor total dos custos do mês janeiro/2003 incorridos com a "Rubi". INEXIGIBILADE DA MULTA AGRAVADA: INEXISTÊNCIA DE MÁFÉ E/OU DE SOLIDARIEDADE. 48. A impugnante se insurge contra a aplicação da multa agravada de 150% argumentando que "não ocorreu nenhum prejuízo ao interesse público, porquanto não ficou comprovado nos autos que a Impugnante deixou de tributar receitas (ao contrário, ela auferiu lucros, tendoos submetido à regular tributação)". 49. Alega, também, que não poderia ser exigida a multa imposta, por não ter nos autos nenhum elemento que pudesse demonstrar ter havido dolo (máfé) por parte da Impugnante. 50. Diz, ainda, que "não bastasse tudo isto, os próprios tribunais administrativos entendem que a fraude não pode ser presumida, como no caso presente, em que os agentes fiscais, provedores dos lançamentos ora impugnados, nem sequer se dignaram de apurar os reais fatos ocorridos, ou seja, nem se dispuseram a dirigirse às demais empresas envolvidas nas operações, tidas por fraudulentas, a fim de verificar porque não foram cumpridas todas as suas etapas com a entrega da soja (adquirida sim pela Impugnante) para beneficiamento e sua posterior exportação". 51.Entende a Impugnante que as multas nos percentuais de 75% e 150%, "possuem nítido caráter confiscatório, já que acabam por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal". PERICÍA. 52. Concluindo, protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela perícia para verificação dos resultados auferidos nas operações. Indica, para execução da perícia, perito contador e apresenta os quesitos a serem respondidos. A partir de toda essa moldura fática – apreciando, agora, os termos da impugnação apresentada , concluiu a 4a Turma da DRJ/SPOI pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, mantendo, assim, em todos os seus termos, o Auto de Infração lavrado, destacandose da ementa de seu acórdão o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 8 13 OPERAÇÕES SIMULADAS. Devem ser glosados os prejuízos apurados em operações simuladas de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja. Os créditos fictícios de tributos não podem ser considerados nas apurações dos resultados brutos. GLOSAS DE DESPESAS. Eventuais despesas incorridas com prestadores de serviços sobre operações fictícias com soja não se caracterizam como necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condições para serem aceitas como dedutíveis. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos fiscais, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. MULTA AGRAVADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia formulado quando desnecessária para o devido julgamento do processo. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Regularmente intimada, a contribuinte apresentou então o seu respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da decisão exarada e, conseqüentemente, o reconhecimento da insubsistência do lançamento, para tanto, invocando todos os argumentos antes apresentados em sua impugnação. Em síntese, esse é o relatório. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 14 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A matéria tratada nos presentes autos, referese à discussão a respeito da (ir)regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte que, visando a obtenção de “vantagens” econômicofinanceiras e fiscais, dispôsse, com a intermediação de “Consultores Tributários”, a participar e promover uma específica operação (supostamente) mercantil, relativa à aquisição de soja em grãos, para posterior beneficiamento e exportação, numa operação que envolveria diversas empresas, dentre as quais a empresa SANTA CRUZ, CENTÚRIA, CANORP e RUBI, indicadas no relatório apresentado. Nessas operações, pelo que se verifica, a (suposta) participação da contribuinte consistiria na aquisição dos grãos da empresa SANTA CRUZ/CENTÚRIA, com a sua remessa direta (sem passar pelo domicílio do adquirente) à empresa beneficiadora (RUBI/CANORP), para ulterior exportação. Ocorre que, conforme restou apresentado no trabalho desenvolvido pelo Fisco paulista, a operação, desde a sua origem, era completamente fraudulenta, não existindo os referidos grãos, e, por conseqüência, nunca tendo sido efetivamente materializada a operação desenhada. O esclarecimento a respeito da operação fictícia realizada encontrase minudenciada nos presentes autos, sendo, a esse respeito, destacáveis as considerações apresentadas a respeito das conclusões atingidas pelo fisco paulista, especificamente quando destaca o seguinte (p. 1781/1782): De todos dos atos fraudulentos praticados pelos mentores do esquema de evasão fiscal, nenhum se compara, pelo dolo a absoluta má fé de seus autores, ao procedimento de duplicação das notas fiscais de exportação. Como mostrado no item anterior, a duas empresas controladas pelo grupo havia sido atribuída a missão de "adquirir" os derivados da soja das empresas beneficiárias do esquema para fim especifiçg de exportação: a COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NORTE PIONEIRO — CANORP, de Japira (PR) e a AXIS COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA, de Amparo (SP). Mas como as operações anteriores de aquisição e de beneficiamento eram fictícias, não havendo, a rigor, o que exportar, os "planejadores tributários" adotaram a estratégia de simular uma operação de exportação em paralelo a uma operação real. As operações reais de exportação tinham por origem o farelo e o óleo bruto de soja produzidos por empresas como a ADM DO BRASIL LTDA., IMCOPA COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA., BIANCHINI S/A INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGRICULTURA, BUNGE ALIMENTOS S/A e COMÉRCIO E INDÚSTRIAS BRASILEIRAS COINBRA S/A. Já as operações fictícias de exportação eram atribuídas às empresas beneficiárias do esquema de evasão fiscal. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 9 15 As duas operações corriam em paralelo, tendo por suporte uma única nota fiscal de exportação, que era duplicada. No corpo da via original era indicado o nome da verdadeira empresa exportadora, da qual haviam sido adquiridos os produtos objeto da operação de exportação, enquanto que na via duplicada era indicado o nome da empresa beneficiária do esquema. Não ocorriam, por isso mesmo, duas exportações, mas apenas uma, devidamente comprovada pelo respectivo memorando, conhecimento de transporte marítimo (Bill of Lading), fatura comercial, contrato de câmbio e por todos os extratos do SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Só que apenas uma se concretizava e a outra era simulada. Nesse contexto, a contribuinte foi então autuada como sendo parte integrante da parcela fictícia da apontada operação, sendo glosadas, então, as despesas por ela apresentadas e mantidas, assim, a tributação das receitas auferidas, nos termos e limites então devidamente apresentados no auto de infração lavrado. Em longo e extenso recurso, por outra via, reafirma a recorrente a invalidade da operação fiscal realizada, fundandose, basicamente, na inexistência de provas a respeito da realização de qualquer ato ilícito por ela própria realizado, a impossibilidade de admissão da (exclusiva) utilização da prova emprestada, a insuficiência do trabalho realizado pela fiscalização e a irregularidade das presunções apresentadas. Passemos então, detidamente, à análise dos argumentos apresentados no recurso interposto: Da preliminar do cerceamento do direito de defesa A primeira questão destacada pela recorrente em suas razões, é a oposição em relação ao auto de infração lavrado, tendo em vista que a sua manutenção representaria efetivo cerceamento ao seu direito de defesa, sobretudo porque, conforme por ela própria apontado, após uma abordagem histórica a respeito do sagrado direito de defesa, começa ele então a atacar a atuação dos agentes da fiscalização que, utilizandose da “prova emprestada”, não teriam, pois, realizado as suas atividades próprias, impedindo, assim, o seu “sacrossanto” exercício do direito de defesa. Em que pese esse tema ser tratado, conforme aqui antes apontado, como sendo o ponto nodal e principal do recurso interposto, aqui se faz necessário, antes de tudo, uma verificação a respeito da “regularidade” do processo e, no caso, a observância (ou não) do direito de defesa apontado. Nessa linha, é relevante ressaltar que, no âmbito do processo administrativo fiscal subsistem duas fases fundamentais, sendo uma (a primeira) a fase inquisitória, e outra (a seguinte) a fase litigiosa, nos termos, aliás, expressamente previstos nas disposições do Decreto 70.235/72, que, em seu art. 14 assim então especificamente assenta: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. De fato, o direito de defesa é consagrado em nosso ordenamento jurídico pátrio como sendo um dos pilares do Estado de Direito e do Devido Processo Legal, mas é importante ressaltar que, antes de sagrado, ele é “devido”, sendo resguardado, e garantido, para os Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 16 momentos próprios e específicos onde então a parte pode, pelos meios e recursos cabíveis, efetivamente explorar todos os campos possíveis de sua defesa. Outra não é a realidade verificada nos presentes autos. O recorrente se insurge contra a autuação, uma vez que ela teria iniciado e concluído as suas considerações (supostamente) a partir das considerações apuradas e construídas pelos agentes da fiscalização do Estado de São Paulo, o que, segundo entende, sendo irregular e insuficiente, terlheia causado prejuízos para a defesa, o que portando não poderia prosperar. Ocorre que, conforme apontado, a fase prévia da autuação realizada encontrase, induvidosamente, na fase inquisitória da apuração fiscal, cabendo aos agentes da fiscalização o levantamento das informações pertinentes, as intimações ao contribuinte e o recolhimento dos indícios para a formação do seu entendimento, sendo certo que, após a formalização e cientificação do respectivo lançamento pelo sujeito passivo – aí sim , abrelhe então o espaço para a apresentação de sua impugnação, contraditando todos os fatos apontados, apresentando e indicando as provas que entende pertinentes para a confirmação de sua tese, buscando, assim, o reconhecimento da insubsistência do lançamento. O direito de defesa, como se verifica, é tema própria da indicada fase “litigiosa” do processo administrativo fiscal federal, sendo certo, e aqui completamente induvidoso, que nos presentes autos, em momento algum, ocorreu qualquer óbice e/ou impedimento para o exercício do direito de defesa pela contribuinterecorrente. Por oportuno, a oposição apresentada pelo recorrente referese à sua pretensão de produção de prova pericial, sustentando então que a mácula a seu direito de defesa seria decorrente da negativa apontada pela r. decisão de primeira instância, que, entretanto, a esse respeito, assim, inclusive, especificamente se manifestou: 74. Para se apreciar o protesto da manifestante para realização de perícia é necessário examinar a norma jurídica contida no artigo 18 do Decreto n° 70.235/1972, que assim dispõe: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. "(grifei). 75. Analisando as razões pelas quais a Impugnante requer a realização de perícia contábil, ou seja, apuração dos resultados das operações com soja considerando os créditos simulados gerados, indefiro por não aceitar tal entendimento, como já abordado, e conseqüentemente entender como sendo prescindível. A realização de prova pericial no âmbito do processo administrativo fiscal não possui a mesma repercussão que aquela produzida no processo judicial, sobretudo porque, a rigor, quem promove a análise das circunstâncias probatórias próprias e específicas é, exatamente, a equipe da fiscalização autuante, não se exigindo, neste momento, a imparcialidade do expert, como é próprio das questões judiciais. Por essa razão, ao contrário do que pretende fazer crer o recorrente, a realização de prova pericial no campo do Processo Administrativo Fiscal é ato afeto à análise discricionária (conveniência e oportunidade) das autoridades julgadoras administrativas, podendo elas, a partir da análise do conteúdo existente nos autos, produzir ou não a referida Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 10 17 prova, por considerála simplesmente prescindíveis, a teor o que aponta a parte final das disposições do mencionado art. 18 do Decreto 70.235/72. Em face dessas sumárias considerações, afasto a preliminar de nulidade apontada. No Mérito Da “ilegitimidade passiva” Adentrando no mérito de suas razões, o recorrente sustenta, de início, a suposta ilegitimidade passiva, uma vez que, conforme apontado, pelo teor das considerações, a operação que efetivamente não teria ocorrido era a operação de “exportação”, devendo ser a empresa por ela responsável, então, a única a ser eventualmente responsabilizada por qualquer penalidade e/ou imputação daí decorrente. Sem razão, entretanto. De acordo com o que afirma a própria recorrente, o contrato por ela supostamente mantido, intitulado “Performance de Exportação”, seria assim então especificamente engendrado: (i)na aquisição de bem primário (soja em grãos) no mercado, perante fornecedor localizado em outra unidade da federação; (ii) na remessa direta do bem para beneficiamento em estabelecimento industrial localizado no Estado de São Paulo, i.e., a soja saía do estabelecimento do fornecedor e era remetida diretamente ao estabelecimento industrial, como "remessa para industrialização", para ser industrializada, sem passar pelo estabelecimento do comprador; e (iii)na exportação direta do produto mediante venda para empresa exportadora, ou seja, o produto obtido com a industrialização (óleo e farelo de soja) saía do estabelecimento industrial e, sem passar pelo estabelecimento do exportador (no caso, o comprador da soja), era vendido para empresa exportadora. A partir das circunstâncias fáticas então apuradas e apontadas, verificase, na análise da consistência da operação, não se verifica a realização da operação, não se verifica a operacionalização do beneficiamento e não se verifica, também, a configuração da aquisição por ela supostamente promovida, pelo simples e específico fato de que os apontados “grãos de soja” simplesmente são INEXISTENTES. Com essa verificação, observase que, mesmo que eventualmente se pudesse considerar como válida a operação de “Performance de exportação” por ela indicada, a constatação da inexistência do produto em qualquer fase da cadeia simplesmente demonstra, sem qualquer sombra de dúvidas, a falsidade de todas as demais operações indicadas, representando, com toda a certeza, um simples “Castelo de Cartas”, aqui desmontado a partir das análises inicialmente desenvolvidas pelos agentes da fiscalização estadual paulista. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 18 Nessa linha, a assunção da cômoda posição pretendida pela recorrente é no mínimo simplória, uma vez que pretendendo se ver livre da acusação apresentada, em momento algum trabalha no conceito da regularidade das operações, mas sim, sustenta a invalidade (inexistente!) do procedimento de fiscalização, e, agora, o completo desconhecimento de qualquer atuação ilícita e irregular. A postura de defesa adotada neste ponto, atenta contra a própria recorrente, sobretudo porque contradiz, em muito, tudo aquilo que por ela é então a seguir sustentado, não merecendo, portanto, qualquer maiores considerações nesse momento. Dos próprios termos da decisão de primeira instância verificase a contradição dos argumentos apresentados pela contribuinte, sobretudo quando, analisando os termos de sua impugnação, assim, inclusive, especificamente destacava: 58. As autoridades estaduais não presumiram, mas constataram, na origem do processo, que as toneladas de grãos de soja compradas pelas empresas fornecedoras da lmpugnante, ou seja, a "Santa Cruz" e a "Centúria", não existiram fisicamente. Logo, não ocorreram: a entrega física da soja para a lmpugnante, em decorrência das compras realizadas; a industrialização do produto pela "Rubi" e, é lógico, não poderia ter ocorrido fisicamente a exportação. 59. Inclusive, a própria lmpugnante, apesar de sustentar em toda sua defesa que houve, mera presunção do fisco/acaba se contradizendo demonstrando que tem conhecimento da realidade dos fatos, afirmando, em nota de rodapé na sua Impugnação (fl. 75), no processo (fl. 1.254), o seguinte: nota (15); "Verificase, portanto, que a única prejudicada em toda a operação foi a Impugnante, que adquiriu e pagou por soja inexistente. Além disso, pagou profissionais altamente qualificados para acompanhar a movimentação tísica e também a parte documental de toda a operação, a qual, ao final, revelouse inexistente, sendo, por esse motivo, que foi proposta por ela a referida ação de indenização que tramita perante a 19a Vara Cível do Foro João Mendes". (grifei) A partir dessa verificação, não há como prosperar a argüição de ilegitimidade pretendida pela recorrente, sobretudo porque, conforme se verifica, a sua atuação se mostra como importante e relevante engrenagem na operação apresentada, estando, com ela assim, integralmente envolvida, nos termos aqui então devidamente destacados. Da nulidade da utilização exclusiva da prova emprestada Ainda na linha de abordagens preliminares (apesar de aqui por ela apresentada como “preliminar de mérito”) destaca a recorrente a invalidade da efetivação do lançamento baseado na exclusiva utilização da prova emprestada, entendendo que às autoridades fiscalizatórias federais competia “confirmar”, “ampliar” e “aprofundar” as razões indicadas pela fiscalização do Estado de São Paulo. A oposição, entretanto, não prospera. A intercambiação de informações entre os agentes da fiscalização fazendária Federal, Estaduais e Municipais, é tema já antigo no campo das discussões tributárias, hoje Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 11 19 estando, de fato, completamente assente pela doutrina e jurisprudência, sobretudo em face do que, inclusive, expressamente apontam as disposições do Art. 199 do CTN, que destaca: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Destaque nosso) No campo das discussões administrativas, outra não é a conclusão atualmente assente na jurisprudência desta casa, sendo relevante destacar, inclusive, aresto recente desta Turma que, em acórdão da lavra do ilustre conselheiro Dr. PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, assim, inclusive, especificamente assentou: Precedentes importantes: Número do Processo 10950.005188/200862 Contribuinte PLANTI SUL IND E COM DE PLANTADEIRAS LTD Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 11/09/2012 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Nº Acórdão 1301001.036 Tributo / Matéria Decisão Os membros da Turma acordam, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter os lançamentos relativos aos fatos geradores de 2004 a 2006, e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento relativo ao fato gerador de 2003, vencidos os conselheiros Paulo Jakson e Wilson Fernandes. Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2003, 2004, 2005 e 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Acrescentese que o saneamento do processo, mediante devolução dos autos ao órgão de origem para que fosse dada a devida ciência do ADE de Exclusão do Simples, tem amparo no § 3 o. do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1 o. da Lei n° 8.748, de 1993. SIMPLES – RECOLHIMENTO A MENOR. BASE DE CÁLCULO Legítimo o lançamento de ofício das diferenças apuradas relativas a recolhimento de valores declarados a menor em face da utilização de alíquota inferior a aplicável. Procede a exigência dos tributos componentes do SIMPLES calculados sobre diferença da receita bruta declarada e a informada em GIA/ICMS ao fisco estadual. RECEITA BRUTA APURAÇÃO. PROVA EMPRESTADA As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte ao qual cabe o ônus da prova da existência de saídas que não configurou receitas. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento do lucro a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 20 Livro Caixa. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Nesses termos, ao contrário do que pretende ver afirmado a recorrente, perfeitamente válida e regular é a troca de informações entre os agentes das Fazendas Públicas Federais, Estaduais e Municipais, não se havendo falar, absolutamente, em qualquer obrigatoriedade de renovação de todas as análises, para fins de eventuais análises das incidências tributárias correspondentes. Aliás, concluir nessa linha, com toda a certeza, seria reduzir a zero a importância das disposições do art. 199 do CTN, o que, definitivamente, não se coaduna com a regular hermenêutica do dispositivo invocado. Por essa razão, entendo completamente insuficiente a argüição de invalidade das apurações realizadas nestes autos pelos agentes da fiscalização federal a partir das circunstâncias fáticas apontadas pelos agentes do Fisco Estadual Paulista, razão porque rejeito, integralmente, toda a oposição pretendida e reiterada pela recorrente a esse respeito. Da invalidade de utilização das presunções A par das considerações até aqui apresentadas, relevante destacar que, entendendo perfeitamente regular a troca de informações entre o fisco Estadual e o Federal, na mesma linha entendo regular também, no caso, a aplicação das presunções apontadas, sobretudo porque, conforme indicado, a fiscalizada, em momento algum nos autos, dedicase a sustentar a regularidade de suas operações, tentando eximirse de suas obrigações sem sucesso, por certo , a partir da busca de alguma falha procedimental possível nas operações realizadas. A esse respeito, é relevante ressaltar que a aplicação das presunções legais impõem, de fato, uma “inversão” de ônus da prova, aqui impondo então à fiscalizada o dever de comprovar a não ocorrência dos fatos indiciários apontados, o que, entretanto, nos presentes autos efetivamente não se verifica. Ora, não tendo a contribuinterecorrente demonstrado e comprovado a inocorrência dos fatos apontados, ou ainda, no caso, o seu nãoenvolvimento das operações objurgadas, completamente válida e regular, verificase, é a imposição das responsabilidades tributárias apontadas, nos termos aqui então efetivamente realizados. Rejeito, também por isso, as teses relativas à invalidade da aplicação das presunções apontadas. Da (in)dedutibilidade das despesas com o pagamento de honorários às empresas Deloitte e Globalbank A respeito do apontamento relativo à impossibilidade de admissão da dedução das despesas registradas pela contribuinte em relação aos (supostos) honorários por ela pagos às empresas Deloitte e/ou Globalbank, é importante ressaltar que aqui acusação e defesa tratam de temas completamente distintos. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 12 21 Ora, a impossibilidade da dedução das referidas despesas apontada pela autuação e também pela r. decisão de primeira instância , considera como fundamental o fato de que, sendo a operação de fundo (a comercialização dos apontados “grãos de soja”) efetivamente configurada como “inexistente”, a contratação de empresas (com a maior expressão mundial que fosse!) não faria dessa uma despesa necessária para o atingimento dos fins empresariais, e, por essa razão, completamente inviabilizada a sua pretendida dedutibilidade. A defesa, por sua vez, entende que a indedutibilidade teria sido decorrente da possível e suposta baixa qualidade do resultado do trabalho, o que, definitivamente, em absolutamente não se adequa ao que efetivamente apontado. A questão é uma só: sendo a operação considerada um efetivo e verdadeiro ato jurídico/comercial insubsistente, dela não pode decorrer qualquer reconhecimento de “necessidade” de sua efetivação para a realização dos atos próprios da empresa, sobretudo porque, nos objetivos desta, com toda a certeza, não se verifica a previsão de realização de atos fraudulentos, sendo essa, então, a razão específica do reconhecimento da indedutibilidade da despesa apontada. Se o serviço pretendido foi bem ou mal executado pelas empresas contratadas, isso é tema completamente irrelevante para o Direito Tributário, devendo então ser tratado pelas partes, certamente, em demanda de responsabilização civil própria, perante o regular juízo competente. Por essa razão, rejeito, também, as razões da recorrente em relação a sua oposição quanto à indedutibilidade das despesas relativas aos honorários supostamente gastos na contratação das empresas de assessoria apontadas. Da (ir)regularidade das multas aplicadas Ultrapassada a questão relativa ao mérito da presente demanda, insta então analisar, agora, a oposição apresentada no recurso relativo à aplicação das penalidades apontadas, sendo, a esse respeito, i) a invalidade da aplicação do agravamento da multa aplicada; e ii) do efeito confiscatório das multas indicadas. Em relação ao ponto no recurso onde a contribuinte se opõe à aplicação da “multa agravada” (na verdade, “qualificada”), sustenta a sua inaplicabilidade, tendo em vista a inexistência de máfé e/ou solidariedade entre as empresas apontadas como participantes do esquema desnudado. Ora, tais considerações, com a mais respeitosa vênia, efetivamente não se confirmam a partir da analise dos feitos, sobretudo porque, conforme aqui restou apontado, a atuação da empresaautuada, como se verifica, importa, indubitavelmente, em envolvimento fraudulento, criado com o objetivo único de viabilizar vantagens econômicofinanceiras a seus participantes, em claro e inequívoco prejuízo das Fazendas Públicas, com a realização de atos simulados, com a comercialização de produtos efetivamente inexistentes, o que, até não mais poder, representa, por certo, os requisitos legais para a qualificação da penalidade aplicada, nos termos então efetivamente realizados pela fiscalização. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 22 Além desse ponto, e, da mesma forma, em relação à pretensão de oposição quanto ao montante das penalidades aplicadas, relevante aqui se faz o destaque às disposições da Lei 9.430/96, que, em relação a elas, assim, inclusive, especificamente destaca: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Sendo previsões legais de imposição de penalidades, nos termos e limites, inclusive, expressamente contidos nestes autos, é relevante ainda destacar que, em sede de Processo Administrativo Fiscal, não cabe às autoridades julgadoras a análise a respeito da constitucionalidades das normas, sendo, a esse respeito, relevantes as disposições contidas na Súmula CARF no 2, que destaca: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante dessas considerações, entendo, portanto, perfeitamente regulares as penalidades aplicadas. Da questão relativa aos supostos erros de cálculo Por fim, especificamente em relação aos supostos erros de cálculo, relevante destacar que, conforme se verifica nos autos, tais questões já haviam sido antes apontadas na Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003873/200787 Acórdão n.º 1301001.464 S1C3T1 Fl. 13 23 impugnação apresentada pela contribuinte, tendo sido, a seu respeito, expressamente manifestado a r. decisão de origem, conforme, inclusive, assim se verifica: 68. A Contribuinte na sua Impugnação (fls. 1.260 e 1.261) contesta alguns valores apresentados no resumo da apuração dos resultados das operações com soja, preparadas pela fiscalizaçã (f1s7 1.152 e 1.153). As diferenças dizem respeito a alguns valores totais de vendas para "Canorp" em alguns meses e custos pagos no total de um mês para "Rubi". Porém, a impugnante não demonstra como chegou a estes valores, apresentando relação das notas fiscais consideradas. 68.1. Além, do mais, mesmo se aceitássemos os valores apresentados pela Impugnante, isto acarretaria quantias maiores dos prejuízos apurados com as operações em três meses e, conseqüentemente, teríamos que processar uma glosa maior destes valores, o que acarretaria um agravamento da lavratura do auto de infração, o que não compete a este julgador. 68.2. Abaixo demonstro os valores contestados: contesta os valor apresentado em janeiro de 2003, referente ao valor líquido da compra de soja da "Rubi", que foi apontado pela fiscalização como sendo de R$ 4.070.360,00 e o correto seria de R$ 3.870.360,00; valores totais de vendas realizadas para a "Canorp" nos meses de: dezembro/2003; julho/2004 e agosto/2004: estes valores refletem do quadro resumo onde foi apurado o resultado das operações, prejuízos apurados, e oferecidos à tributação. Como demonstrado os prejuízos seriam maiores pelas contas da Impugnante. Em face dessas considerações, bem como, ainda, em tudo o mais que aqui antes apresentado, completamente infundada a acusação de supostas diferenças , não se havendo o que aqui, então, ser efetivamente acolhido a esse respeito. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES 24 Conclusão Em face de todas essas considerações, conduzo o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, mantendo, assim, em todos os seus termos, a r. decisão recorrida e, por conseguinte, o lançamento, nos termos em que efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002134/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA CO-TITULARIDADE.
Para que possa ser aplicado o disposto no enunciado nº 29 da Súmula deste CARF, é imperioso que reste demonstrada a co-titularidade das contas que deram origem ao lançamento no período em que ocorreram os respectivos fatos geradores.
IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento consolidado por este Conselho Administrativo, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. LIMITES LEGAIS.
O art. 42, § 3º, inc. II da Lei nº 9.430/96 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Quando tal soma supera este limite legal (de R$ 80.000,00), não há que se falar na exclusão deste montante, por falta de previsão legal para tanto.
AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. JUSTIFICATIVA. MANUTENÇÃO.
É justificável o agravamento da multa de ofício conforme previsão expressa no art. 44, § 2º, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte deixar de prestar os esclarecimentos solicitados ao longo do procedimento fiscal, quedando-se absolutamente inerte quanto às intimações recebidas.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PROVA QUE DEVERIA SER PRODUZIDA PELO RECORRENTE.
Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos.
Numero da decisão: 2102-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor total de R$ 168.882,59. Vencidos, por voto de qualidade, os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Núbia Matos Moura e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão, para também excluir da base de cálculo o crédito de R$50.000,00, efetuado em 04/01/2000. Vencidas ainda as Conselheiras Núbia Matos Moura e Alice Grecchi que desagravavam a multa de ofício, reduzindo-a para 75%. Realizou sustentação oral o Dr. Daniel Oliveira Branco Silva, OAB/RJ nº 127.990.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA COTITULARIDADE. Para que possa ser aplicado o disposto no enunciado nº 29 da Súmula deste CARF, é imperioso que reste demonstrada a cotitularidade das contas que deram origem ao lançamento no período em que ocorreram os respectivos fatos geradores. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento consolidado por este Conselho Administrativo, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 34 /2 00 5- 05 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. LIMITES LEGAIS. O art. 42, § 3º, inc. II da Lei nº 9.430/96 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Quando tal soma supera este limite legal (de R$ 80.000,00), não há que se falar na exclusão deste montante, por falta de previsão legal para tanto. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. JUSTIFICATIVA. MANUTENÇÃO. É justificável o agravamento da multa de ofício conforme previsão expressa no art. 44, § 2º, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte deixar de prestar os esclarecimentos solicitados ao longo do procedimento fiscal, quedandose absolutamente inerte quanto às intimações recebidas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PROVA QUE DEVERIA SER PRODUZIDA PELO RECORRENTE. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pode a autoridade julgadora indeferir pedido de perícia quando entender que a sua realização é desnecessária. A realização de perícia é procedimento excepcional, que somente se justifica em determinados casos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor total de R$ 168.882,59. Vencidos, por voto de qualidade, os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Núbia Matos Moura e Alice Grecchi, que davam provimento em maior extensão, para também excluir da base de cálculo o crédito de R$50.000,00, efetuado em 04/01/2000. Vencidas ainda as Conselheiras Núbia Matos Moura e Alice Grecchi que desagravavam a multa de ofício, reduzindoa para 75%. Realizou sustentação oral o Dr. Daniel Oliveira Branco Silva, OAB/RJ nº 127.990. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Fl. 623DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 617 3 Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 68/73 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos no ano de 2000, e o contribuinte dele foi cientificado em 14.12.2005, como faz prova o AR de fls. 74. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 81/97 (acompanhada de documentos). Na análise desta Impugnação, os integrantes da 6ª Turma da DRJ/RJ II decidiram pela parcial manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Tendo sido o lançamento efetuado com a observância dos pressupostos legais pertinentes, tornase incabível cogitar se em invalidade do Auto de Infração. EXCESSO DE EXAÇÃO. AFASTAMENTO. Tendo o lançamento sido efetuado de acordo com a legislação tributária pertinente e não se verificando que o agente fiscal procedeu além dos limites das funções ou atribuições que são determinadas legalmente, afastada está a hipótese de excesso de exação. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Uma vez constituído o crédito tributário, cabe ao contribuinte demonstrar, mediante provas contrárias, a improcedência do lançamento. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA AGRAVADA. Cabível o agravamento de 112,5% no percentual da multa de lançamento de oficio quanto comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Lançamento Procedente em Parte Foi excluído do lançamento o valor de R$ 6.000,00 correspondente a um cheque devolvido. O restante do lançamento foi integralmente mantido. Não tendo se conformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 269/292, por meio do qual efetuou os seguintes pedidos: (i) Seja reconhecida a decadência dos valores dos créditos tributários do período de janeiro a novembro de 2000; (ii) Seja reconhecido o uso indevido da ilegal presunção, para, ao fim e ao cabo, julgarse improcedente o lançamento; (iii) Caso não seja este o entendimento, o que se admite, por argumentar, sejam excluídos do lançamento todos os depósitos identificados pelo Recorrente e devidamente comprovadas suas origens, bem como os valores de depósitos que somem a quantia de R$ 134.853,10, relativos às parcelas do empréstimo obtido com a empresa Editora Proper Ltda, e aqueles que somem o valor de R$ 60.000,00, provenientes de seu cônjuge; (iv) Sejam excluídos do lançamento os valores que somados alcancem a quantia de R$ 80.000,00, nos termos do artigo 4 0 da Lei 9.481/97, que alterou o inciso II do artigo 42 da Lei 9.430/96; (v) Seja excluída a multa majorada em 50%, tendo em vista que o Recorrente, na realidade, foi impedido de cumprir a fiscalização, em virtude da greve deflagrada pelos funcionários da Receita Federal em dezembro de 2005, motivo este de força maior. (vi) Se os documentos apresentados não forem suficiente, o que se admite apenas em hipótese, requer seja convertido o julgamento em diligência, em homenagem ao Princípio da Verdade Real, a fim de que sejam oficiados os bancos de todos Fl. 625DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 618 5 os cheques que suportaram os negócios jurídicos sub judice, a fim de que tragam aos autos cópias (microfilmagem) das referidas ordens de pagamento. (vii) Seja o seu endereço alterado, a fim de que todas as intimações, notificações, ofícios e demais atos pertinentes a este processo sejam remetidos para o local ora indicado, sob pena de nulidade do ato. Às fls. 341 e seguintes, o contribuinte apresentou nova petição, por meio do qual requereu que fosse anexado aos autos um parecer contábil detalhando as operações financeiras por ele realizadas e ainda um documento emitido pelo banco, comprobatório da alegação de que a Sra. Tania Maria A. N. Pereira figura como cotitular da conta bancária n.° 008362, mantida na agência 0310 do Banco Itaú, desde 27/05/1997. Requereu a aplicação da Sumula 29 do CARF. Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 22.09.2008, como atesta o AR de fls. 264v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 21.10.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF baseado na presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Do total da base de cálculo tomada no lançamento (R$ 952.783,79) R$ 6.000,00 foram excluídos pela DRJ por se referirem a um cheque devolvido. Contra esta decisão, o Recorrente se insurge, suscitando os pontos que estão resumidos no relatório supra, e que passam a ser analisados individualmente a seguir. Antes de entrar no mérito das demais alegações de mérito, merece ser analisada a alegação do Recorrente (reiterada após o Recurso Voluntário) no sentido de que seria nulo o lançamento pelo fato de não ter sido intimada a sua esposa para comprovar a origem dos recursos mantidos em conta bancária em que figurava como cotitular. Em prova de suas alegações, o Recorrente trouxe, às fls. 611, documento denominado “CONSULTA DADOS PESSOAIS DO TITULAR DA CONTA PESSOA FÍSICA”. Deste documento consta que a Sra. Tânia Maria A N Pereira seria cotitular da conta nº 008362, da agência 0310 em agosto de 2012 – data em que o documento foi emitido. Tal documento, no entanto, não é apto a comprovar que a Sra. Tânia era cotitular da referida conta Fl. 626DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 à época da ocorrência dos fatos geradores objeto do lançamento aqui em discussão, eis que consta deste mesmo documento que a “última alteração” da conta se dera em 29.12.2011. Diante de tal situação, não restou comprovada a cotitularidade no período que interessa a este julgamento, de forma que é inaplicável aqui o disposto no Enunciado nº 29 da Súmula deste Conselho. (i) Da decadência O Recorrente alega que, nos termos do art. 150, § 4º do CTN estaria decadente o direito do Fisco de efetuar a constituição do crédito tributário discutido nestes autos, sob o argumento de que os fatos geradores exigidos teriam ocorrido entre janeiro e dezembro de 2000. A jurisprudência pacífica deste Conselho Administrativo é no sentido de que o fato gerador do IRPF, mesmo nos casos de lançamento fundado em depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso especial negado. (Ac. nº CSRF/0400.553, julgado em 21.03.2007, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) Neste sentido, aliás, é a Súmula CARF nº 36, cuja aplicação é obrigatória e que assim dispõe: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No caso vertente, como a ciência do lançamento se deu em 14.12.2005 conforme AR de fls. 74, não há que se falar na decadência do Fisco de exigir o IRPF sobre fatos geradores ocorridos em 31.12.2000. (ii) Da Presunção Legal Sustenta o Recorrente que o lançamento não pode ser fundado em mera presunção, e que: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 619 7 3.2.2. Descabe, por conseguinte, cogitarse da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte. Seu pedido não merece acolhida. Isto porque a Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser revista contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles depósitos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Nestes casos, o ônus da prova não é mais da autoridade fiscal (no sentido de comprovar a ocorrência de eventual omissão) e sim do próprio contribuinte (de que não houve qualquer omissão). Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Por isso, e em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deixo de acolher o pedido do Recorrente, devendo ser mantido o lançamento. (iii) Os valores tidos como comprovados O Recorrente insiste que a documentação por ele anexada em sede de Impugnação (fls. 98/244) é suficiente para demonstrar a origem dos depósitos efetuados em suas contas e que tal documentação não pode simplesmente ser desconsiderada pelas autoridades julgadoras. O primeiro depósito que o Recorrente alega estar comprovado é o de R$ 50.000,00, em espécie, no dia 04.01.2000. Quanto a ele o Recorrente afirma que: 3.3.5. O primeiro depósito apontado foi aquele no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), realizado em 04/01/2000, no banco Itaú, agência 0310. Pois bem, como já esclarecido, tal quantia, tratase de empréstimo que o Recorrente tomou de seu filho Átila Alexandre Nunes, através de contrato verbal, como permitido pela legislação civil, como comprova o extrato da conta corrente do mesmo (fls.123 e linha 3 da planilha de fls. 107 c/c doc. 3 anexo), donde se conclui que no mesmo dia e na mesma agência onde o Recorrente possui conta (0310) foi efetuado o saque de uma conta (de seu filho) e efetuado o depósito na outra (na sua própria). Tal empréstimo, esclareça se, fora amortizado ao longo do ano de 2000, razão pela qual não consta da DIRPF do Recorrente. A documentação trazida aos autos para comprovar suas alegações consiste no extrato do filho do Recorrente – anexado às fls. 123/123v. (dos autos físicos). Deste extrato, é Fl. 628DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 possível depreender que o filho do Recorrente recebeu um crédito em conta (“Pagamento Fornecedor”) no valor de R$ 50.000,00 no dia 03.01.2000 e efetuou um saque através de cartão magnético no dia seguinte (04.01.2000) no mesmo valor. Afirma o Recorrente que este saque se refere ao valor depositado em sua conta bancária, na mesma data (04.01.2000). Com efeito, apesar de ser possível que o saque feito na conta de seu filho realmente se refira ao depósito feito na conta do Recorrente, não há prova a prova efetiva de que isto tenha ocorrido. Ademais, sendo uma operação tão simples (empréstimo de pai para filho, dentro da mesma agência bancária) é de se questionar o motivo pelo qual não foi feita a transferência bancária entre uma conta e outra, mas sim o saque em dinheiro com o depósito em espécie, de um valor expressivo, o que não é usual. Aliás, não foi por outro motivo que a decisão recorrida deixou de acolher tais alegações. Além de todos estes motivos, é imperioso ressaltar que não há nos autos a comprovação de que o dinheiro foi devolvido ao filho do Recorrente. Com estas considerações, é de se considerar como não comprovada a origem dos R$ 50.000,00 em questão. Outros depósitos que o Recorrente busca comprovar são aqueles que constam em sua planilha como “Venda apto 1201”. Neste ponto, suas alegações foram as seguintes: 3.3.6. Quanto às parcelas recebidas em virtude da venda do apartamento 1201 na Barra da Tijuca, pela análise da escritura anexa (doc.4), bem como dos documentos acostados às fls. 184/222 dos autos, temse nitidamente que faltou aos julgadores a quo o mínimo de diligência ao analisar a prova dos autos. Ora, tais documentos denunciam claramente que: (i) o apartamento foi 'vendido em 09 de agosto de 1999 ao Sr. Marco Antônio 011ivier de Pontes Medeiros e sua esposa Lucia Beatriz Rebello Sarahyba; (ii) o preço da venda foi de R$ 280.000,00 (duzentos e oitenta mil reais), sendo R$ 100.000,00 no ato e o saldo (R$ 180.000,00) em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas no valor de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais); (iii) tais parcelas foram representadas por notas promissórias de iguais valores, conforme documentos de fls. 184/189 e reconhecido na decisão a quo; (iv) tais parcelas possuíam vencimento no dia 05 de cada mês, assim, o atraso no pagamento das parcelas implicaria no acréscimo de multa de 10%, juros de mora de 1% ao mês e correção monetária; (v) o Recorrente, em virtude do constante atraso no pagamento das parcelas, ajuizou ação em face do comprador, e, em sua réplica (fls. 207/222) esclarece que alguns depósitos realizados pelos compradores do imóvel Fl. 629DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 620 9 foram devidamente devolvidos, pois estes já se encontravam em mora e a intenção do Recorrente era desfazer o negócio jurídico. 3.3.7. Pois bem, os depósitos bancários que representam tal negócio jurídico são aqueles identificados como "Venda Apto. 1201 Parcela (...)" na planilha anexada às fls. 107/115, donde se conclui, com um mínimo de boa vontade que se as parcelas eram de R$ 7.500,00, com vencimento no dia 05 de cada mês, é óbvio que valores ' depositados após tal dia sofreriam a incidência de multa ou juros conforme consta no contrato. Para facilitar a compreensão dos depósitos que pretendia comprovar através da referida operação, o Recorrente elaborou a planilha de fls. 312, por meio da qual elencou os depósitos efetuados em sua conta que seriam assim comprovados. Buscou demonstrar a forma de correção e os acréscimos de mora incidentes sobre o negócio jurídico, de forma que chegou aos valores depositados em sua conta nas datas lá mencionadas. A decisão recorrida refutou os argumentos do Recorrente neste sentido e deixou de acolher a documentação trazida aos autos baseada nos seguintes argumentos: 42. Relativamente às alegações de que alguns valores oriundos da venda do apartamento 1201 na Barra da Tijuca, o contribuinte não junta aos autos escritura de promessa de compra e venda referente ao imóvel, trazendo cópias dos documentos acostados às fls. 184/222 dos autos. Pela análise de tais documentos, dentre os quais da cópia da Réplica da Ação Ordinária cumulada com Ação de Reintegração de Posse oferecida nos autos do processo n° 2000.001.0975535, o contribuinte procura demonstrar que os depósitos nos valores de R$ 442,60, R$ 8.942,00, R$ 8.536,00 (em 18/07/2000), R$ 7.906,00, R$ 8.326,00 (em 03/08/2000) e R$ 6.000,00 (em 09/08/2000) foram efetuados pelos promitente compradores do referido imóvel, após interpelação para constituição dos mesmos em mora, em razão de não estarem em dia com as parcelas vencidas relativas ao preço de promessa de venda do imóvel. (...) 46. Relativamente aos depósitos de R$ 8.942,00, R$ 8.536,00 (em 18/07/2000), R$ 7.906,00 (em 03/08/2000) e R$ 6.000,00 (em 09/08/2000), identificados no histórico da conta corrente pelo evento "TEC DEP CHEQUE", e que integram o Demonstrativo de fls. 66/67 do Termo de Constatação, o sujeito passivo alega que teriam sido objeto solicitação ao Banco Itaú de emissão de ordens de pagamento disponibilizadas ao Sr. Marco Antônio O. de Pontes Medeiros. Contudo, não consta do extrato de conta corrente do referido banco que tais valores tenham saído da conta do contribuinte. Cabe ainda reiterar que o interessado, para comprovar a origem de tais depósitos, deveria juntar aos autos documentação hábil e idônea que pudesse respaldar suas alegações, como a escritura de promessa de compra e venda do imóvel, constando as condições do Fl. 630DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 negócio e os valores pactuados e cópias dos cheques que pudessem identificar de forma inequívoca que aqueles depósitos seriam referentes ao pagamento de tais parcelas, por exemplo. Assim, entendo que também merece ser mantida a tributação com base nesses depósitos bancários pela ausência de comprovação da origem. 47. Quanto aos demais depósitos identificados pelo autuado como "Parcela Apto 1201" (fls. 107/115), nos valores de R$ 7.538,50 (em 10/02/2000), R$ 7.572,00 (em 08/03/2000) e R$ 8.417,00 (em 14/03/2000), não houve juntada de qualquer documento que pudesse vir a comprovar a origem dos mesmos. Como se vê, entendeu a decisão recorrida que a instrução da defesa teria sido deficitária neste ponto, especialmente por não haver sido trazidos aos autos uma cópia da Promessa de Compra e Venda celebrada na ocasião. Tal documento, porém, foi trazido aos autos pelo Recorrente em sede de Recurso Voluntário (fls. 306/308 dos autos), e corrobora suas alegações no sentido de que fora celebrada a promessa em 09.08.1999, por meio da qual as partes acertaram a compra e venda do referido apartamento pelo valor total de R$ 280.000,00, dos quais R$ 100.000,00 foram pagos naquele momento e o valor remanescente seria quitado em 24 parcelas de R$ 7.500,00. Consta do referido documento ainda que o atraso (caso fossem pagas após o terceiro dia subseqüente ao vencimento) no pagamento de uma destas parcelas implicaria em correção do seu valor pela TR, multa moratória de 10% e de juros de 1% ao mês, e ainda correção monetária pelo IGPDIFGV. A referida promessa, associada aos demais documentos já constantes dos autos, deixa clara a existência do negócio jurídico referido pelo Recorrente, que não pode ser desconsiderado por esta turma julgadora. Ademais, ainda que os valores não tivessem sido devolvidos aos promitentes compradores, não se pode considerar que sejam depósitos de origem não comprovada, eis que sua origem reside no negócio jurídico aqui mencionado, conforme defendido pelo Recorrente. Assim sendo, devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento os seguintes valores (com as respectivas datas): R$ 7.538,50 (10.02.2000), R$ 7.572,00 (08.03.2000), R$ 8.417,00 (14.03.2000), R$ 8.942,00 e R$ 8.536,00 (18.07.2000) e R$ 8.326,00 (03.08.2000). Ainda no intuito de comprovar a origem dos depósitos que ensejaram o lançamento aqui analisado, o Recorrente afirma que parte deles se referia à venda de um imóvel em Angra dos Reis. Tal imóvel teria sido vendido pelo valor total de R$ 400.000,00, pagos em 24 parcelas de R$ 16.667,00, reajustáveis pelos índices de inflação mencionados. A comprovação dos depósitos alegadamente relacionados a este negócio jurídico não foi acolhida pela decisão recorrida pelos seguintes motivos: 51. No demonstrativo anexo à peça impugnatória, o defendente identifica os depósitos de R$ 16.870,00 (em 25/04/2000), R$ 16.858,00 (em 29/05/2000), R$ 16.836,00 (em 30/06/2000), R$ 17.293,00 (em 11/09/2000), R$ 17.322,01 (em 11/10/2000), R$ 17.112,84 (em 13/11/2000) e R$ 17.232,24 (em 14/12/2000) como "Parcela Angra Reis", procurando relacionálos com as primeiras parcelas da venda da casa de Angra dos Reis. Ocorre Fl. 631DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 621 11 que embora haja indícios de que tais valores pudessem se referir, de fato, ao pagamento de tais parcelas, não há identidade de valores esses sete depósitos e àqueles contidos na promessa de compra e venda de fls. 223/228 e nas cópias de notas promissórias apresentadas (R$ 16.667,00). Não obstante constar naquele documento a possibilidade de reajuste por índices de preços e incidência de juros de 1%, o contribuinte não comprova de forma manifesta a relação entre créditos em sua conta e os valores supostamente corrigidos. 52. Ademais, embora conste no histórico dos depósitos bancários de R$ 16.870,00 (em 25/04/2000) e R$ 16.858,00 (em 29/05/2000) as informações "DOC E 070.165871 LUIZ VI" e "DOC E 070.047326 LUIZ VI", o que poderia indicar tratarse de depósitos relacionados ao Sr. Luiz Vicente Araújo, o que se verifica pelos documentos integrantes do processo é que o mesmo só veio a integrar a relação jurídica em 29/08/2002, data em que foi realizada a dação em pagamento do bem imóvel e escritura de compra e venda de fls. 232/235, de forma que não haveria como inferir que tais depósitos realizados no ano de 2000, aparentemente pelo Sr. Luiz Vicente Araújo, poderiam ser relativos à venda da Casa de Angra, uma vez que somente a partir de agosto de 2002 é que se tem conhecimento do ingresso do mesmo na relação jurídica segundo a qual o contribuinte procura justificar a origem dos depósitos. 53. Por essas razões, continuam sem origem comprovada os mencionados depósitos, devendo permanecer no rol de depósitos sujeitos à tributação, nos moldes do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Neste ponto, porém, assim como em relação à venda do apartamento da Barra da Tijuca, a decisão merece reforma. Os motivos utilizados pela decisão recorrida para desconsiderar os pagamentos em questão como depósitos comprovados foram o fato de que os valores depositados não eram idênticos e ainda o fato de que alguns depósitos foram identificados como feitos pelo Sr. Luiz Vicente Araújo, o qual somente teria ingressado na relação jurídica em 2002. Quanto à primeira questão (falta de coincidência entre os valores), assiste razão ao Recorrente quando afirma que os montantes constantes das notas promissórias (R$ 16.667,00) se referiam ao valor da parcela, sem incluir – por certo – a correção prevista contratualmente, já que o valor desta somente poderia ser conhecido em momento futuro. Com efeito, a promessa de compra e venda de fls. 223/228 estabelece que as parcelas mensais de R$ 16.667,00 serão reajustadas pela média aritmética mensal simples estabelecida entre os índices IGPM, IPC, IGPDI e IPCA, e ainda serão acrescidas de juros de 1% ao mês. Estabelece ainda que será devida multa de 2% em caso de atraso no pagamento das parcelas, a qual seria elevada a 10% em caso de inadimplemento por mais de 15 dias. Assim, resta claro que o crédito na conta do Recorrente para quitação das referidas parcelas mensais jamais seria idêntico ao valor original da parcela. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Aqui, a exemplo também do que fez em relação a venda do apartamento da Barra da Tijuca, o Recorrente elaborou a planilha de fls. 312, por meio da qual demonstrou a composição das parcelas depositadas em sua conta. Dos valores constantes na referida tabela, o único que não se refere a um depósito sem origem comprovada neste lançamento é o de R$ 17.258,68, que teria sido pago em 02.08.2000. Salvo esta exceção, todos os demais valores coincidem com depósitos efetuados na conta do Recorrente nas datas mencionadas, sendo certo que dois deles foram DOCs efetuados por Luiz Vicente Araújo. No mais, quanto ao fato de parte dos depósitos ter sido feita em nome de Luiz Vicente Araújo, o mesmo em nada desabona os argumentos do Recorrente – muito pelo contrário. Isto porque a promessa de compra e venda foi celebrada entre o Recorrente e Artur da Cunha Nogueira. No entanto, como afirmado pelo Recorrente (e corroborado pela documentação trazida aos autos), o Sr Arthur celebrou contrato particular de dação em pagamento com o Luiz Vicente Araújo, por meio do qual dava em pagamento ao Sr. Luiz Vicente a referida propriedade localizada em Angra dos Reis como forma de quitação de uma dívida sua no valor de R$ 366.667,00. E foi por isso mesmo que em 29.08.2002 foi celebrada a escritura definitiva de compra e venda do imóvel, agora entre o Recorrente e Luiz Vicente. Diante de todas estas considerações, devem ser reputados como de origem comprovada os seguintes depósitos efetuados na conta do Recorrente (com datas e valores): R$ 16.870,00 (25.04.2000), R$ 16.858,00 (29.05.2000), R$ 16.863,00 (20.06.2000), R$ 17.293,00 (11.09.2000), R$ 17.322,01 (11.10.2000), R$ 17.112,84 (13.11.2000) e R$ 17.232,24 (14.12.2000). Ainda em relação à venda do imóvel em tela, o Recorrente defende que o depósito de R$ 50.000,00 efetuado em 18.02.2000 se referia à compra, por Luiz Vicente Araújo de todo o mobiliário de sua residência em Angra dos Reis, conforme recibo acostado às fls. 243/244. Tal depósito, porém, não pode ser reputado como de origem comprovada, eis que não há qualquer prova de que o depósito tenha sido efetuado pelo Sr. Luiz Vicente, e ainda porque a relação do referido mobiliário não consta no rol de bens declarado pelo Recorrente em sua DIRPF 2001 (fls. 114), razão pela qual sequer há prova de sua existência, quanto mais de sua venda. Deve, por isso mesmo ser mantido o lançamento no que diz respeito a tal depósito. Outros valores que o Recorrente alega comprovar a origem se referem a empréstimos tomados da empresa Editora de Publicações Proper Ltda.. Tais depósitos foram considerados como de origem não comprovada pela decisão recorrida, e o Recorrente contra ela se insurge com base nos seguintes argumentos: 3.3.21. Portanto, os valores de R$ 20.100,00 (04/01/2000), R$ 8.000,00 (16/01/2000), R$ 7.783,10 e R$ 17.910,00 (17/03/2000), R$ 6.060,00 (23/03/2000), R$ 15.000,00 (28/03/2000), R$ 25.000,00 e R$ 35.000,00 (20/06/2000), na verdade fazem sim parte do presente lançamento, mas representados através dos valores que no decorrer do ano foram depositados em outras quantias, que ora podem representar a soma de mais de um valor, ora podem até representar menos do que a parcela do empréstimo, e, ainda, serem a soma de parte de Fl. 633DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 622 13 duas ou mais parcelas. Mas, fato é que tais valores causaram a disponibilidade econômica de o Recorrente efetuar ao longo do ano de 2000 depósitos bancários de até R$ 134.853,10. A decisão recorrida deve ser mantida neste particular. Isto porque, ainda que se considere que as transferências feitas ao Recorrente fossem realmente advindas da referida pessoa jurídica, haveria necessidade de o mesmo demonstrar que os valores assim recebidos se referiam efetivamente a empréstimos. Vale notar que não houve a demonstração da devolução do valor mutuado, e nem tampouco há sinal de que tal devolução tenha ocorrido. Neste ponto, há que se ressaltar ainda que já se passaram 14 (quatorze) anos desde o primeiro mútuo, sem que qualquer prova de sua quitação tenha sido trazida aos autos. Devese ressaltar ainda que a legislação brasileira (NCC, Lei nº 10.406/2002) assim define o mútuo: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Como se vê, é da essência da operação de mútuo que aquilo que se emprestou seja devolvido. Sem o empréstimo ou sem a devolução, pode existir qualquer outra operação, mas não o mútuo. No caso em exame, como se viu, não há prova de que os valores mutuados tenham sido devolvidos, o que descaracteriza as operações como tal. Importante ainda ressaltar que, como não há prova de quitação do mútuo, poderseia concluir que a dívida teria sido perdoada, o que significaria – da mesma forma – a percepção destes valores pelo Recorrente como rendimentos tributáveis, reforçando a correção do lançamento efetuado. Ademais, o registro contábil na empresa, por si só, serve apenas para formalmente comprovar a existência das transferências de numerários – se fosse o caso, o que não significa que em razão do preenchimento de seus requisitos formais, devam eles ser aceitos como tais (mútuos). Diante do exposto, é de ser mantido o lançamento também quanto a este ponto. Por fim, o Recorrente alega que parte dos depósitos efetuados em suas contas se referia a repasses de valores recebidos por sua esposa, o que seria comum na relação maridomulher. Tais argumentos, porém, desprovidos de prova, não merecem acolhida, por todas as razões já mencionadas acima. (iv) Da exclusão de R$ 80.000,00 da base de cálculo do lançamento O Recorrente pugna ainda que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento R$ 80.000,00 com base no disposto no § 3º da Lei nº 9.430/96, que assim determina: Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Tal norma é clara no sentido de determinar que se o somatório dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 não for superior a R$ 80.000,00, devem eles ser excluídos da base de cálculo do lançamento. No caso vertente, porém, os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 somavam, originalmente R$ 180.377,50. Com a exclusão dos valores relativos à venda do apartamento 1201 (cf. analisado anteriormente), este valor foi reduzido para R$ 131.046,00, de forma que não se pode falar na aplicação da norma mencionada, eis que ela prevê que os dois limites sejam aplicados cumulativamente. Assim, não merece acolhida o pedido para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os referidos R$ 80.000,00. (v) Da multa agravada Insurgese o Recorrente contra a imposição da multa agravada, alegando que o prazo que lhe foi concedido para atendimento da fiscalização fora de apenas 10 dias, dentro do qual não conseguiria apresentar justificativa para cada um dos lançamentos efetuados em suas contas bancárias. Afirma que: 3.5.3. Além de ser praticamente inviável esclarecer em tão pouco tempo lançamentos de cinco anos pretéritos, o Recorrente não conseguiu efetuar a entrega dos seus esclarecimentos em virtude da greve, ocorrida no fim do ano de 2005, realizada pelos funcionários da Receita Federal, fato este público e notório, conforme noticiado à época (doc.6). Tais argumentos não merecem acolhida e o agravamento é de ser mantido. Isto porque o Termo de Constatação demonstra que o Recorrente fora intimado (em agosto e setembro de 2005) a apresentar seus extratos bancários, mas quedouse inerte. Diante de sua inércia, foram expedidas as competentes RMF e os extratos foram apresentados pelas instituições financeiras. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.002134/200505 Acórdão n.º 2102002.880 S2C1T2 Fl. 623 15 Já de posse dos extratos, a fiscalização o intimou novamente (agora em novembro de 2005), para justificar a origem dos créditos em sua conta. Mais uma vez, porém, o Recorrente não se manifestou, o que justificou o agravamento da multa de ofício aplicada ao lançamento. Assim, o prazo concedido ao Recorrente para manifestação não foi de apenas 10 dias, considerando que o mesmo estava ciente do início da fiscalização sobre seus depósitos bancários desde o mês de agosto de 2005 – ou seja, quatro meses antes de ter ciência do lançamento. Ademais, ainda que não fosse possível apresentar à fiscalização a documentação solicitada em novembro daquele ano dentro do prazo de assinalado (de 10 dias), caberia a ele ao menos ter informado aos fiscais responsáveis da impossibilidade de fazêlo e, se fosse o caso, ter solicitado prazo suplementar para tanto. A postura do Recorrente dificultou o trabalho das autoridades fiscais e também das autoridades julgadoras, na medida em que a documentação trazida por ele aos autos poderia ter sido analisada ainda durante o procedimento fiscal e teria, quem sabe até, evitado parte do lançamento ora em análise. O intuito da multa em questão é justamente o de evitar posturas como esta, razão pela qual deve o agravamento ser mantido. Neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A partir do anocalendário 1997, é permitido o lançamento de ofício efetuado com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando a contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO Justifica se o agravamento da multa de ofício quando comprovado que ocorreu recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em atender intimação para prestar esclarecimentos. Recurso negado. (Acórdão nº 10418473, de 05.12.2001) (vi) Do pedido de conversão em diligência O Recorrente pugna, por fim, que – caso não sejam suficientes os documentos já acostados aos autos – seja deferida a realização de diligência, a fim de que os bancos envolvidos sejam intimados a confirmar as operações bancárias relatadas em sua defesa. Este pedido, porém, não merece acolhida. Cumpre salientar, neste ponto, que o art. 18 do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe quanto à realizações de diligências/perícias: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 Já o art. 28 mencionado assim determina: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Percebese daí que a realização de perícias somente é deferida quando as autoridades julgadoras entenderem que são necessárias ao deslinde da controvérsia e/ou à elucidação de algum ponto controvertido. Mas este não é o caso dos autos. A prova, em processos como o presente, é de interesse do contribuinte autuado, já que é ele mesmo o maior interessado em demonstrar que os valores constantes de um determinado lançamento não condizem com a realidade. Por isso, caberia ao Recorrente ter trazido aos autos maiores provas de suas alegações, já que a realização de diligências e perícias pelas autoridades julgadoras é medida excepcional, conforme demonstrado acima. Nos casos em que o contribuinte é impossibilitado ou encontra grandes obstáculos na realização de determinada prova, pode e deve a autoridade julgadora determinar a realização da diligência solicitada. Entretanto, a diligência aqui requerida é a de intimação dos bancos para a comprovação de operações bancárias relativas a transações efetuadas pelo próprio Recorrente, razão pela qual caberia a ele ter requerido aos bancos competentes que apresentassem a documentação em questão. Vale lembrar que já na decisão de primeira instância as autoridades julgadoras deixaram claro que não estavam comprovadas as operações descritas pelo contribuinte, pelo que ele mesmo poderia ter se socorrido dos bancos para que lhes apresentassem a documentação necessária para comprovar suas alegações. Acresçase a isto que foi o próprio Recorrente quem permaneceu inerte durante o procedimento fiscal, ocasião em que poderia – se fosse o caso – ter produzido as provas pretendidas. Sem que o maior interessado (o próprio Recorrente) tenha feito esta prova, entendo que não cabe a este Conselho Administrativo fazêlo, razão pela qual este pedido deve também ser indeferido. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o valor total de R$ 168.882,59. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 637DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10240.001800/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2010
IPI - INDÚSTRIA DE BEBIDAS - SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS (SICOBE) - MULTA REGULAMENTAR - FALTA OU RETARDAMENTO CULPOSO NA INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS. NORMA INFRACIONAL. TIPICIDADE DA CONDUTA.
A legislação que regulamentou a MP nº 2.158-35/2001 definiu que cabia ao contribuinte o ato de provocação para o início dos procedimentos de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros. A inação do sujeito passivo adiou a entrada em funcionamento do sistema de medição exigido pela legislação, conforme o art. 4º, inciso II do ADE-COFIS nº 13/2006, fato típico e punível com a multa de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, nos termos do art. 38, I, da MP nº 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 3402-002.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso voluntário, nos termos do relator designado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo dEça, Adriana Oliveira e Ribeiro e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 IPI INDÚSTRIA DE BEBIDAS SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS (SICOBE) MULTA REGULAMENTAR FALTA OU RETARDAMENTO CULPOSO NA INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS. NORMA INFRACIONAL. TIPICIDADE DA CONDUTA. A legislação que regulamentou a MP nº 2.15835/2001 definiu que cabia ao contribuinte o ato de provocação para o início dos procedimentos de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros. A inação do sujeito passivo adiou a entrada em funcionamento do sistema de medição exigido pela legislação, conforme o art. 4º, inciso II do ADECOFIS nº 13/2006, fato típico e punível com a multa de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, nos termos do art. 38, I, da MP nº 2.158 35/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário, nos termos do relator designado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça, Adriana Oliveira e Ribeiro e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama para redigir o voto vencedor. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 18 00 /2 00 9- 15 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 203/249) contra o Acórdão DRJ/BEL nº 0117.795 de 02/06/10 constante de fls. 180/182 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Belém PA que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o lançamento” original de Multa consubstanciado no Auto de Infração (42/47 MPF nº 0250100.2009.00124), notificado em 22/03/10 (AR fls. 47 vº), no valor total de R$ 13.679.279,33, que acusou o ora Recorrente de “não instalação do Sistema de Controle de Bebidas (SICOBE), no período de 01/07/08 a 01/01/09, razão pela qual se lhe aplicou a multa de 50% do valor das mercadorias capitulada no art. 36 a 38 da MP n° 2.15835/01 e art. 5° da Lei nº 11.051/04 nos seguintes termos: “001 MULTAS PROPORCIONAIS AO VALOR DA MERCADORIA NÃO INSTALAÇÃO/FUNCIONAMENTO INADEQUADO DE MEDIDORES DE VAZÃO E CONDUTIVÍMETROS 0 estabelecimento industrial é envazador de refrigerantes, bebida classificada na posição 2202 da Tabela de Produtos Industrializados TIPI, com (02) duas linhas de produção instaladas de garrafas retomáveis, sendo que a produção em latas de alumínio realizada fora do estabelecimento, sob encomenda. Os dados da capacidade da produção foram levantados com base nas informações prestadas pelo contribuinte, em atendimento ao Termo de Inicio de Diligência Fiscal. Tendo em vista que a capacidade nominal de envaze varia de acordo com o tamanho do recipiente, foram levantadas a maior e a menor capacidade nominal de envaze, em litros por ano, para fins de verificação do prazo estipulado para a instalação dos sistemas de medição de vazão, conforme demonstrado abaixo. LINHA 01 Tamanho do recipiente-litros/Capac. Garrafas/hora / litros/hora/ litros/ano * 2,00 6.500 13.000 74.022.000 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 3 3 1,50 6.500 9.750 55.516.500 0,50 12.000 6.000 34.164.000 0,25 14.000 3.500 19.929.000 LINHA 02 Tamanho do recipiente-litros 1 Capac. Garrafas/hora/ litros/hora/ litros/ano * 2,00 3.600 7.200 4 0.996.800 1,50 3.600 5.400 30.747.600 0,50 8.000 4.000 22.776.000 * Forma de calculo conforme art. 4°, §1 0 , ADE COFIS 13/2006 Conforme o Art. 36 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os estabelecimentos industriais dos produtos classificados na posição 2202 da TIPI ficam sujeitos A instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivimetros, bem como assim, de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A Instrução Normativa SRF n° 265, de 20 de dezembro de 2002 determinou que a CoordenaçãoGeral de Fiscalização (COFIS), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADS), publicado no Diário Oficial da União (DOU), deveria estabelecer os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficariam obrigados á instalação dos equipamentos. O ADE Cofis n° 13, de 13 de março de 2006, em seu art. 4°, inciso II, com a modificação promovida pelo ADE Cofis n° 23, de 12 de setembro de 2007, determinou o prazo para a instalação do SMV pelas pessoa jurídicas fabricantes de refrigerantes ate 30 de junho de 2008, para as pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros. Tendo em vista que o contribuinte não havia ainda solicitado o processo de verificação de conformidade do SMV, conforme art. 14 do ADE Cofis n° 13/2006, foi aberto procedimento de diligência fiscal, com o intuito de esclarecer o motivo da falta da solicitação ate a data estipulada no art. 4°, inciso II, do ADE Cofis n° 13/2006. Em visita às instalações do contribuinte, foi verificado que o mesmo não havia instalado os equipamentos do SMV, não tendo por este motivo solicitado a verificação de conformidade. Restando verificado que o contribuinte deveria ter instalado o SMV até julho de 2008, não estando instalados os equipamentos, e que deveria ter solicitado a verificação de conformidade no prazo estabelecido no art. 4°, inciso II, do Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 ADE Cofis n° 13/2006, o que não fez por impedimento causado por ele próprio à produção de refrigerantes do estabelecimento, envazados no período de julho de 2008 a março de 2009, por ter sido constatada 'a falta da instalação do SMV no inicio de abril de 2009. Os dados que serviram de base para a apuração da multa foram obtidos das Declarações Especiais de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas) e dos Livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque, todos disponibilizados pelo contribuinte, em atendimento á intimação. 0 valor comercial da mercadoria produzida, que é base de calculo da multa, corresponde à quantidade de refrigerantes envazados por unidades (garrafas), multiplicada pelo prego médio unitário, conforme planilhas "VALOR DA MERCADORIA PRODUZIDA NO ESTABELECIMENTO" anexas a este Auto de Infração.não instalar os equipamentos do SMV, lavrouse o presente Auto de Infração para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 38, inciso I, da MP 2.158 35/2001. A multa, prevista no art. 38, inc. I , da MP 2.15835/2001, corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor comercial da mercadoria Data Ocorrência Valor Multa Regulamentar 01/07/2008 R$ 1.341.680,35 01/08/2008 R$ 1.362.611,46 01/09/2008 R$1.556.389,22 01/10/2008 R$ 2.171.904,89 01/11/2008 R$ 1.824.825,22 01/12/2008 R$ 1.885.965,88 01/01/2009 R$ 1.171.679,72 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 36 a 38 da Medida Provisória n° 2.15835/01; Art. 5° da Lei n° 11.051/04. Art. 4°, § 1°, ADE Cofins 13/2006. Art. 4º, II do ADE Cofins 13/2006 modificado pelo ADE Cofins n° 23 de 12 de setembro de 2007.” Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 180/182 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Belém PA, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o lançamento” original de Multa consubstanciado no Auto de Infração, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Exercício: 2010 MEDIDORES DE VAZÃO. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 4 5 Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivimetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 203/249) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve, tendo em vista: a) no que toca à matéria fática a Recorrente aduz que não obstante a demora nas negociações com as firmas credenciadas pels Cofis, acabou contratando a firma ORION ENGENHARIA E AUTOMOÇÃO LTDA que inicialmente informou que o fornecimento dos equipamentos do SMV seria em outubro de 2008, além de informar novas datas para pagamento das prestações e depois de diversos atrasos somente em 22/04/09, foi prestado o serviço quando imediatamente a Recorrente requereu a homologação dos equipamentos do SMV, muito embora paralelamente a RFB instaurasse o procedimento administrativo fiscal, iniciando com a diligência de dois AuditoresFiscais na sua sede, onde puderam confirmar a já contratação da ORION ENGENHARIA E AUTOMOÇÃO LTDA; b) que assim sendo a Recorrente cumpriu com as prescrições legais sendo que o impedimento na instalação foi criado pela credenciada (ORION) e não pela Recorrente; c) por oportuno, sobre o SICOBE, informase que seus equipamentos já foram instalados na sede da RECORRENTE, pela Casa da Moeda do Brasil, sem qualquer impedimento, como já foi no caso da instalação dos equipamentos do SMV e, também, que os novos equipamentos do SICOBE tornaram os equipamentos do SMV obsoletos; d) que quando da instauração do procedimento administrativo fiscal, com a diligência dos dois AuditoresFiscais, já fazia mais de 12 meses que a ORION, empresa credenciada para efetuar a instalação, havia sido contratada; que portanto aplicarseia o art. 112 do CTN, senão que a multa tem efeitos confiscatórios, e é no mínimo desproporcional eis que todos os pagamentos tributários em dia, um contribuinte exemplar além de ferir a isonomia com outros setores; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito merece ser provido, para reformar a r. decisão recorrida. Inicialmente anoto que em nosso sistema jurídico tanto a definição dos fatos geradores ou pressupostos de fato das obrigações tributárias, como a fixação dos elementos que permitem qualificálos (fatos geradores, sujeitos ativo e passivos, responsáveis e substitutos tributários) e quantificálos (alíquotas, base de cálculo, período de apuração, multas etc.), somente podem ser estabelecidos por lei formal e materialmente emanada do Poder Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Legislativo (arts. 6º e 97 do CTN), sem qualquer possibilidade constitucional de delegação destes poderes (art. 7º do CTN). Assim, as Instruções Normativas obviamente não podem instituir obrigações tributárias, que se acham sob reserva da lei (art. 97, incs. III e V do CTN) e à qual devem estrita subserviência (arts. 99 e 100, inc. I do CTN). Nesse sentido o E. STJ tem reiteradamente proclamado que: “o ato administrativo, no Estado Democrático de Direito, está subordinado ao princípio da legalidade (CF/88, arts. 5º, II, 37, caput, 84, IV), o que equivale assentar que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei determina. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, instrução, portaria, etc.), não pode a Administração inovar na ordem jurídica, impondo obrigações ou limitações a direitos de terceiros. (...) Consoante a melhor doutrina, ‘é livre de qualquer dúvida ou entredúvida que, entre nós, por força dos arts. 5º, II, 84, IV, e 37 da Constituição, só por lei se regula liberdade e propriedade; só por lei se impõem obrigações de fazer ou não fazer. Vale dizer: restrição alguma se impõem à liberdade ou à propriedade pode ser imposta se não estiver previamente delineada, configurada e estabelecida em alguma lei, e só para cumprir dispositivos legais é que o Executivo pode expedir decretos e regulamentos.’ (Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de Direito Administrativo. São Paulo, Malheiros Editores, 2002, págs. 306/331)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 584.798PE, Reg. nº 2003/01571957, em sessão de 04/11/04, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 06/12/2004 p. 205) Na mesma linha a Suprema Corte assentou que; “a reserva de lei em sentido formal qualificase como instrumento constitucional de preservação da integridade de direitos e garantias fundamentais. O princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação constitucional ao poder do Estado, cuja competência regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou criar obrigações. Nenhum ato regulamentar pode criar obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de atuação material da lei em sentido formal.” (cf. Ac do STF Pleno na ACOQO nº 1048RS, em sessão de 30/08/07, Rel. Min. CELSO DE MELLO, publ. in DJU de 31/10/07, pág. 077, EMENT VOL0229601 PP00001). Assim, conclui a Suprema Corte que “as instruções regulamentares, quando emanarem de Ministro de Estado, qualificarseão como regulamentos executivos, necessariamente subordinados aos limites jurídicos definidos na regra legal a cuja implementação elas se destinam, pois o exercício ministerial do poder regulamentar não pode transgredir a lei, seja para exigir o que esta não exigiu, seja para estabelecer distinções onde a própria lei não distinguiu, notadamente em tema de direito tributário”. (cf. Ac. do STF Pleno na ADIMC nº 1075DF, em sessão de 17/06/98, Rel. Min. CELSO DE MELLO, publ. in DJU de 24/11/06, pág. 059, EMENT VOL0225701 PP00156) Portanto, data vênia, não vejo como se possa invocar tendências de “deslegalização” ou possibilidade de “delegação” supostamente ocorridas em outros países, para legitimar a instituição de obrigações tributárias que no Brasil se encontram sob a reserva de lei (arts. 6º e 97 do CTN), sem qualquer possibilidade constitucional de delegação destes poderes (art. 7º do CTN). A par da discussão sobre a constitucionalidade da exigência de multas confiscatórias, que não pode ser editada em sede administrativa, que se restringe ao exame da legalidade, releva notar que cumprindo sua vocação constitucional de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação tributária (art. 146, inc. III, alínea “b” da CF/88), a Lei Complementar faz clara distinção entre a obrigação tributária principal ou substancial (de dar), que tem por objeto o pagamento de tributo ou Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 5 7 penalidade pecuniária (art. 113, §1º do CTN), e as obrigações tributárias acessórias (de fazer e não fazer), que são instituídas por lei “no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos” (arts. 113, §§ 2º e 3º e 115 do CTN) com a finalidade exclusiva de tutelar o cumprimento da obrigação principal. Da mesma forma, conforme o tipo de obrigação tributária violada e a gravidade do dano dela decorrente, distinguemse claramente as infrações tributárias substanciais das infrações tributárias formais, configurandose as primeiras (infrações substanciais), quando um dos sujeitos da relação jurídicotributária (contribuinte ou responsáveis) violar ou deixar de cumprir a obrigação tributária principal, resultando em falta ou insuficiência do pagamento do tributo, e as segundas (infrações formais), quando o sujeito da relação jurídicotributária violar ou deixar de cumprir uma das obrigações tributárias acessórias instituídas para tutelar o cumprimento da obrigação tributária principal, geralmente consubstanciadas no cumprimento de requisitos e formalidades na emissão de declarações, livros e documentos fiscais, que possibilitam a fiscalização e controles de arrecadação do tributo. No caso cogitase de multa prevista para a infração à obrigação acessória, (instalação de medidor de vazão), sem acusação de qualquer falta de recolhimento do tributo. O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito merece ser provido, para reformar a r. decisão recorrida. Como é curial, consectário lógico do Princípio da Legalidade Penal, o Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas puníveis e as respectivas sanções delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a punibilidade de uma conduta somente se dê quando ocorra sua adequação exata ao tipo legal, sendo vedada a invocação de analogias, presunções, deduções e outras circunstâncias análogas mencionadas em outras leis distintas, não previstas expressamente na descrição da lei penal especifica que define a infração e a sanção. Em decorrência do aludido princípio incorporado ao Direito Tributário sancionatório, a obrigação tributária que tem por objeto penalidade pecuniária, somente surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei, e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114 do CTN), sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN). Na aplicação do aludido princípio a Jurisprudência Administrativa já assentou que “a tipicidade cerrada do fato gerador e a estrita legalidade são impeditivas a interpretações da legislação para a efetivação ou sustentação de lançamento tributário em condições ou circunstâncias legais e expressamente não autorizadas, sendo, neste contexto, incabível o emprego de analogia (C.T.N., artigo 108, § 1º)” (cf. Ac. nº 10415653 da 4ª Câm. do 1º CC, rec. nº 113010, Proc. nº 10980.007402/9617, em sessão de 09/12/1997, Rel. Cons. Roberto William Gonçalves), assim como “incabível a aplicação de multa por analogia ou extensão” (cf. Ac. nº 30130351 da 1ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 124733, Proc. nº 11128.001023/0068, em sessão de 17/09/2002, Rel. Cons. CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO) “visto que o agente fiscal não pode ter o arbítrio de subsumir o fatoespécie de infração a um gênero legal de tal amplitude” já que “a aperação não pode ser imputada por via analógica” (cf. Ac. 30128.458, de 23/07/97, do 3º CC DOU de 26/03/98). No mesmo sentido a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “a utilização de analogias ou de interpretações ampliativas, em matéria de punição (...), longe de conferir Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 ao administrado uma acusação transparente, pública, e legalmente justa, afronta o princípio da tipicidade, corolário do princípio da legalidade, segundo as máximas: nullum crimen nulla poena sine lege stricta e nullum crimen nulla poena sine lege certa, postura incompatível com o Estado Democrático de Direito.” (cf. Ac. da 5ª Turma do STJ no RMS 16264GO, Reg. nº 2003/00601654, em sessão de 21/03/06, Rel. Min. LAURITA VAZ, publ. in DJU de 02/05/06 p. 339) No caso concreto, o AI vestibular e o Termo de Verificação Fiscal – TVF a ele anexo, acusam descumprimento à obrigação de “instalação de equipamentos contadores de produção” que advém da MP nº 2.15835/01 (arts. 36, 37 e 38) e da Lei nº 11501/04 (arts. 5º e 58 T) que expressamente dispõem que: MEDIDA PROVISÓRIA No 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. “Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o A Secretaria da Receita Federal poderá: I credenciar, mediante convênio, órgãos oficiais especializados e entidades de âmbito nacional representativas dos fabricantes de bebidas, que ficarão responsáveis pela contratação, supervisão e homologação dos serviços de instalação, aferição, manutenção e reparação dos equipamentos; II dispensar a instalação dos equipamentos previstos neste artigo, em função de limites de produção ou faturamento que fixar. § 2o No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência à unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre seu domicílio fiscal, no prazo de vinte e quatro horas, devendo manter controle do volume de produção enquanto perdurar a interrupção. Art. 37. O estabelecimento industrial das bebidas sujeitas ao regime de tributação pelo IPI de que trata a Lei no 7.798, de 1989, deverá apresentar, em meio magnético, nos prazos, modelos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal: I quadro resumo dos registros dos medidores de vazão e dos condutivímetros, a partir da data de entrada em operação dos equipamentos; II demonstrativo da apuração do IPI. Art.38. A cada período de apuração do imposto, poderão ser aplicadas as seguintes multas: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 6 9 I de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, não inferior a R$10.000,00(dez mil reais): a) se, a partir do décimo dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 36 não tiverem sido instalados em razão de impedimento criado pelo contribuinte; e b) se o contribuinte não cumprir qualquer das condições a que se refere o §2º do art. 36; II no valor de R$10.000,00(dez mil reais), na hipótese de descumprimento do disposto no art. 37.”(grifouse)” LEI No 11.051, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2004. “Art. 5o O disposto nos arts. 36, 37 e 38 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, aplicase aos estabelecimentos envasadores ou industriais fabricantes dos produtos classificados na posição 2201 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002.” (...) “Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008) § 1º A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008) § 2º As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o § 3º do art. 28 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, efetivamente pago no mesmo período. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008) Dos preceitos retro transcritos verificase que para a infração à obrigação de “instalação de equipamentos contadores de produção” (art. 36 da MP no 2.15835 de 24/08/01), a lei somente autoriza a aplicação da severa multa de 50% sobre valor comercial da mercadoria produzida, na comprovada ocorrência de uma das duas condutas tipificadas e consubstanciadas, seja na hipótese de impedimento criado pelo fabricante na instalação dos equipamentos (art. 38, inc. I “a” da MP no 2.15835 de 24/08/01), assim considerado qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento, seja Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 na hipótese de o fabricante definitivamente não efetuar o controle de volume de produção (art. 38, inc. I “b” da MP no 2.15835 de 24/08/01). No caso concreto desde logo verificase que inocorreu a hipótese de o fabricante definitivamente “não efetuar o controle de volume de produção” (art. 38, inc. I “b” da MP no 2.15835 de 24/08/01), pois como comprovou a ora Recorrente os equipamentos já foram instalados em sua sede, pela Casa da Moeda do Brasil. Da mesma forma verificase que inocorreu a hipótese de retardamento culposo imputável à Recorrente na instalação dos equipamentos (art. 38, inc. I “a” da MP no 2.15835 de 24/08/01), vez que como comprovado a Recorrente contratou a firma ORION ENGENHARIA E AUTOMOÇÃO LTDA regularmente credenciada, que inicialmente informou que o fornecimento dos equipamentos do SMV seria em outubro de 2008, além de informar novas datas para pagamento das prestações e depois de diversos atrasos somente em 22/04/09, foi prestado o serviço quando imediatamente a Recorrente requereu a homologação dos equipamentos do SMV, e não sendo possível à Recorrente praticar conduta diversa em face do atraso causado pela prestadora de serviços. Não se inserindo em nenhuma das condutas tipificadas na norma capitulada na peça acusatória, não há como manter a exigência fiscal, pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer). Na mesma ordem de idéias, a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “em obediência aos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do direito tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 636377SP, Reg. nº 2003/02180123, em sessão de 21/09/06, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 02/10/06 p. 248), sendo “descabida, assim, a aplicação de sanção administrativa à conduta que não está prevista como infração” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 19510GO, Reg. nº 2005/00047108, em sessão de 20/06/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 03/08/06 p. 202; no mesmo sentido cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 21274GO, Reg. nº 2006/00076016, em sessão de 26/09/06, rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 16/10/06 p. 292). Portanto, considerando que Recorrente não praticou nenhuma das condutas típicas (retardamento culposo imputável à Recorrente na instalação dos equipamentos de controle do SICOBE – cf. art. 38, inc. I “a” da da MP no 2.15835 de 24/08/01; ou não instalação definitiva dos equipamentos de controle de produção art. 38, inc. I “b” da MP no 2.15835 de 24/08/01) que autorizariam a sua aplicação, também não se justifica a mantença da multa aplicada, por absoluta atipicidade da conduta da Recorrente. Nesse sentido já se pronunciou a Jurisprudência Administrativa desde E. CARF em caso idêntico, como se pode ver de recente decisão exarada sob a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de Apuração: 10/02/2005 a 30/04/2009 NORMA INFRACIONAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 7 11 A conduta atípica do contribuinte que enseja a aplicação da penalidade tributária deve estar prevista em lei. Caso não esteja, não há como aplicar penalidade pecuniária. Recurso de Ofício Negado.” (cf. Acórdão nº 330201.507 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, Proc. nº 10120.008115/200986, em sessão de 22/03/12, Rel. Cons. Walber José da Silva) Isto posto, voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar a r. decisão recorrida e cancelar as multas aplicadas no Auto de Infração vestibular, eis que aplicadas na ausência dos pressupostos legais. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor Conselheiro Luiz Carlos Shimoyama, Redator Designado. O ilustre Relator votou no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e cancelar as multas aplicadas no Auto de Infração vestibular, eis que aplicadas na ausência dos pressupostos legais. Não é o nosso entendimento. Em relação a esse ponto, com a devida vênia do ilustre Relator, a nosso ver, a melhor interpretação está com o órgão de julgamento de primeiro grau, conforme o Acórdão nº 0117.795 – 3ª Turma da DRJ/BEL, expresso na EMENTA, in verbis: “MEDIDORES DE VAZÃO. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Em suas razões de Recurso Voluntário apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve, tendo em vista: a) no que toca à matéria fática a Recorrente aduz que não obstante a demora nas negociações com as firmas credenciadas pela COFIS – Coordenação do Sistema de Fiscalização, acabou contratando a firma ORION ENGENHARIA E AUTOMOÇÃO LTDA que inicialmente informou que o fornecimento dos equipamentos do SMV seria em outubro de 2008, além de informar novas datas para pagamento das prestações e depois de diversos atrasos somente em 22/04/09, foi prestado o serviço quando imediatamente a Recorrente requereu a homologação dos equipamentos do SMV, muito embora paralelamente a RFB instaurasse o procedimento administrativo fiscal, iniciando com a diligência de dois AuditoresFiscais na sua sede, onde puderam confirmar a já contratação da ORION ENGENHARIA E AUTOMOÇÃO LTDA; b) que assim sendo a Recorrente cumpriu com as prescrições legais sendo que o impedimento na instalação foi criado pela credenciada (ORION) e não pela Recorrente; c) por oportuno, sobre o SICOBE, informase que seus equipamentos já foram instalados na sede da Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 RECORRENTE, pela Casa da Moeda do Brasil, sem qualquer impedimento, como já foi no caso da instalação dos equipamentos do SMV e, também, que os novos equipamentos do SICOBE tornaram os equipamentos do SMV obsoletos; d) que quando da instauração do procedimento administrativo fiscal, com a diligência dos dois AuditoresFiscais, já fazia mais de 12 meses que a ORION, empresa credenciada para efetuar a instalação, havia sido contratada; que portanto aplicarseia o art. 112 do CTN, senão que a multa tem efeitos confiscatórios, e é no mínimo desproporcional eis que todos os pagamentos tributários em dia, um contribuinte exemplar além de ferir a isonomia com outros setores; Ora, quanto à matéria fática, extraímos o seguinte texto do acórdão da 1ª instância: “... desde março de 2006 a empresa já tem conhecimento da necessidade de instalação dos medidores e das especificações técnicas para tal (ADE nº 13, 13 de março de 2006), tendo sido o prazo inicial prorrogado de maio de 2007 para junho de 2008. Dessa forma, não há como alegar que o impedimento causador do atraso na instalação seria culpa da empresa contratada, uma vez que a impugnante somente tomou providências (segundo seu próprio relato) no ano de 2008, quando chegava ao fim o segundo prazo concedido, o que caracteriza sua responsabilidade. Como argumento adicional, vale lembrar que a escolha da empresa credenciada é responsabilidade do contratante. Sendo assim, a impugnante incide em culpa pela escolha da empresa que porventura tenha falhado nos prazos acertados e pela falta na vigilância dos serviços contratados.” (grifo nosso) Quanto à matéria de direito, a norma tributária da obrigação acessória que regia a r. matéria fática, é dado pelo artigo 36 da MP nº 2.15835/2001 que delega à RFB a regulamentação sobre a forma, as condições e os prazos para a instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros. É o que chamamos de deslegalização da matéria. Entendo necessárias breves linhas sobre esse fenômeno. A “deslegalização” foi desenvolvida pela doutrina italiana e consiste na possibilidade de o Legislativo rebaixar hierarquicamente determinada matéria para que ela possa vir a ser tratada por ato infralegal. É, portanto, um instituto que visa a dar uma releitura ao princípio da legalidade, trazendo maior flexibilidade à atuação legiferante, com a alteração do conteúdo normativo, sem necessidade de se percorrer o demorado processo legislativo ordinário. Nesse contexto, o Congresso Nacional estabeleceria os princípios gerais e diretrizes sobre determinada matéria que não esteja sob reserva absoluta de lei, porém já disposta em lei formal e, nessa mesma lei deslegalizadora (superveniente), atribuiria competência delimitada ao Executivo para editar decretos regulamentares, o qual acabaria por abrogar a lei formal que estava vigente. De acordo, com Canotilho, a deslegalização ocorre quando “uma lei, sem entrar na regulamentação da matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, permitindo que essa matéria possa vir a ser modificada por atos infralegais.”. Resta saber se tal fenômeno é aceito no nosso ordenamento. Moreira Neto aduz que é possível colher exemplos de deslegalização na própria CF/88, acerca das matérias previstas no art. 48. Na medida em que o dispositivo autoriza o Congresso Nacional a dispor acerca daquelas matérias, o mesmo está autorizado a legislar, não legislar ou até deslegalizar. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 8 13 Diogo Figueiredo Moreira Neto afirma que o Poder Legislativo pode transferir mediante lei (poder de disposição) certas matérias que lhe são constitucionalmente deferidas (sem cláusula de exclusividade) a certos órgãos e sob certos pressupostos um específico espaço decisório (regulatório). Já Alexandre dos Santos Aragão afirma que essa teoria não consiste em uma “transferência de poderes legislativos, mas apenas na adoção, pelo próprio legislador, de uma política legislativa pela qual transfere a uma outra sede normativa a regulação de determinada matéria”; decorrendo, pois, do princípio da essencialidade da legislação. No mesmo sentido, questiona o autor: se este tem poder para revogar uma lei anterior, porque não o teria simplesmente para rebaixar o seu grau hierárquico? Por que teria de, direta e imediatamente revogála, deixando um vazio normativo até que fosse expedido o atos infralegais, ao invés de, ao degradar a sua hierarquia, deixar a revogação para um momento posterior, ao critério da Administração Pública, que tem maiores condições de acompanhar e avaliar a cambiante e complexa realidade econômica e social? Nesse contexto, é importante mencionar que a deslegalização não consiste em uma delegação de poderes e nem confere poder aos atos infralegais para revogar leis. Ademais, a lei deslegalizadora estabelece parâmetros e princípios (standards) a serem seguidos pelo atos infralegais; que está vinculado aos princípios constitucionais (expressos e implícitos). Por isso que, para Rafael Carvalho Rezende de Oliveira, ao invés de se falar em delegação de poderes, seria mais adequado falar em atribuição de competência pelo legislador ao administrador. Aragão também defende que “o legislador, no uso de sua liberdade para dispor sobre determinada matéria, atribui um largo campo de atuação normativa à Administração, que permanece, em todo caso, subordinada às leis formais”. Desta forma, os atos infralegais estariam subordinados à lei, podendo ser revogados por estas, e não podendo revogálas. Retornando aos autos, com base no art. 36 da MP nº 2.15835/2001, a RFB editou a Instrução normativa nº 265, de 20 de dezembro de 2002 que regulamentou a instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros. Art.1º A instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, de que trata o art. 36 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a que estão obrigados os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n º 7.798, de 10 de julho de 1989, darseá em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Art.2º A CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União (DOU), deverá estabelecer: I as condições de funcionamento, bem assim as características técnicas e de segurança dos equipamentos; II os procedimentos para homologação e credenciamento dos equipamentos e respectivos fabricantes dos mesmos; Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 III os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação dos equipamentos; § 1º A homologação e o credenciamento de que trata o inciso II do caput será efetuada pela Cofis, por intermédio de ADE publicado no DOU. § 2º Os estabelecimentos industriais de que trata o art. 1 º estarão obrigados ao uso dos equipamentos no prazo de seis meses, contado a partir da primeira homologação e credenciamento de que trata o inciso II do caput , observado o disposto no § 1 º . § 3º Órgãos oficiais especializados e entidades de âmbito nacional representativas dos fabricantes de bebidas poderão ser credenciados, mediante convênio, para, em conjunto com a Cofis, definir e participar dos procedimentos de que tratam os incisos I e II do caput , bem assim supervisionar e homologar os serviços de instalação, aferição, manutenção e reparação dos equipamentos. Em 01 de outubro de 2003, a Coordenação Geral de Fiscalização da RFB publicou o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 20, disciplinando a matéria. Posteriormente, a IN SRF nº 287, de 21 de dezembro de 2005, revogou a IN SRF nº 265/2002 e o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 13, de 13 de março de 2006 revogou o ADE Cofis nº 20/2003. O ADE Cofis nº 13/2006 foi modificado pelos ADE Cofis nº 23/2007 e 01/2010. Esta foi a evolução legislativa da regulamentação prevista na MP nº 2.15835/2001. O art. 2 da IN SRF nº 587/2005, determinou que a CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis) emitisse ato declaratório executivo para disciplinar: I as condições de funcionamento, bem assim as características técnicas e de segurança dos equipamentos; II os procedimentos relativos à instalação, verificação de conformidade, e homologação e intervenção no SMV; III os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação do SMV; IV – os prazos nos quais os estabelecimentos industriais envasadores dos produtos classificados nas posições 2201 e 2202 da Tipi estarão obrigados à instalação do SMV. A Cofis emitiu o ADE nº 13, de 13 de março de 2006, que apresentou as seguintes regras quanto ao prazo e a dispensa de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, com alterações promovidas pelo ADE Cofis nº 23, de 12 de setembro de 2007, in verbis: (...) art. 4º Os prazos para instalação do SMV pelas pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes obedecerão aos seguintes critérios: I – até 30 de setembro de 2006, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anula seja superior a 200 milhões de litros; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10240.001800/200915 Acórdão n.º 3402002.388 S3C4T2 Fl. 9 15 II – até 31 de maio de 2007, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros; (redação original) II – até 30 de junho de 2008, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 milhões e igual ou inferior a 200 milhões de litros; (redação dada pelo ADE Cofis nº 23, de 12 de setembro de 2007) III – até 30 de junho de 2011, para as demais pessoas jurídicas obrigadas à instalação do SMV. Art. 5 º Fica dispensada da instalação do SMV a pessoa jurídica cuja capacidade instalada de produção anual seja igual ou inferior a 5 (cinco) milhões de litros, e que tenha auferido, no anocalendário de 2004, receita bruta igual ou inferior a R$ 2.000.000,00, considerados todos os estabelecimentos e os das pessoas jurídicas coligadas, controladas e controladoras. (...) (grifos nossos) Pela exegese dos ditames legais, observase que houve a deslegalização das matérias referentes à forma, às condições e aos prazos para a instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros. Essas matérias foram objeto de atos administrativos. Retornado aos autos, é fato incontroverso que o recorrente ficou inerte quanto ao processo de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros até 22/04/2009, configurando a falta ou retardamento culposo na instalação de equipamentos medidores de vazão desde 30/07/2008, prazo final dado pelo artigo 4º, inciso II do ADE Cofis nº 13, de 13 de março de 2006, com as alterações promovidas pelo ADE Cofis nº 23, de 12 de setembro de 2007. A inação do sujeito passivo adiou a entrada em funcionamento do sistema de medição exigido pela legislação, fato típico e punível com a multa de cinquenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, nos termos do art. 38, I, da MP nº 2.15835/2001. Ex positis, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, tendo em vista que a legislação que regulamentou a MP nº 2.15835/2001 definiu que cabia ao contribuinte o ato de provocação para o início dos procedimentos de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros e, que a inação do sujeito passivo adiou a entrada em funcionamento do sistema de medição exigido pela legislação, conforme o art. 4º, inciso II do ADECOFIS nº 13/2006, fato típico e punível com a multa de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, nos termos do art. 38, I, da MP nº 2.15835/2001. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2014 LUIZ CARLOS SHIMOYAMA Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por LUIZ CARL OS SHIMOYAMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10925.905466/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 54 66 /2 00 9- 71 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905466/200971 Acórdão n.º 1803002.423 S1TE03 Fl. 88 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905466/200971 Acórdão n.º 1803002.423 S1TE03 Fl. 89 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905466/200971 Acórdão n.º 1803002.423 S1TE03 Fl. 90 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905466/200971 Acórdão n.º 1803002.423 S1TE03 Fl. 91 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905466/200971 Acórdão n.º 1803002.423 S1TE03 Fl. 92 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905466/200971 Acórdão n.º 1803002.423 S1TE03 Fl. 93 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10935.906352/2012-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/04/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/04/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 18/04/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/04/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 52 /2 01 2- 25 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.800, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 28602.16541.110209.1.2.047649, rastreamento nº 041906908, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 23.355,27, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/03/2008, efetuado em 18/04/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906352/201225 Acórdão n.º 3802002.650 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/04/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906352/201225 Acórdão n.º 3802002.650 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906352/201225 Acórdão n.º 3802002.650 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906352/201225 Acórdão n.º 3802002.650 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13888.004247/2009-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 42 47 /2 00 9- 55 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 188 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE MONTE MOR contra Acórdão nº 1432.389 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.127.9801, com valor inicial de R$ 1.377.425,35 retificado para R$ 1.095.169,95. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias parte segurados, incidentes sobre a remuneração paga a servidores ocupantes de cargos em comissão ou temporários. O Relatório Fiscal informa o seguinte código de levantamento: 8. As bases de cálculo do valor lançado, assim como o valor total do débito por competência, com discriminação por rubricas e com indicação de valores de juros e multa, estão identificadas no anexo DDDISCRIMINATIVO DO DÉBITO pelo código de levantamento RD REMUNERAÇÃO COMISSIONADOS E TEMPORÁRIOS Em relação aos fatos geradores advindos das remunerações pagas ou creditadas a servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão ou temporários, informa o Relatório Fiscal: 4. Os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas ou creditadas a servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão ou temporários e que concomitantemente não estavam vinculados ao RGPS Regime Geral de Previdência Social, no período do lançamento. 10. Os servidores mencionados faziam parte da folha de pagamentos do órgão público autuado e estavam, no período, vinculados irregularmente ao Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Monte Mor — IPREMOR, já que os mesmos eram ocupantes de cargos em comissão ou cargos temporários, o que contraria o artigo 40, § 13 da Constituição Federal: "Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego publico, aplicase o regime geral de previdência social). 7. O IPREMOR é um Regime Próprio de Previdência Social RPPS, sendo que estes somente podem amparar: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 7.1) Os servidores ocupantes de cargo efetivo Por cargo efetivo entendese: conjunto de atribuições, deveres e responsabilidades específicas definidas em estatutos dos entes federativos cometidas a um servidor aprovado por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos. 7.2) O servidor estável por força do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o não estável admitido até 05/10/1988. 9. As bases de cálculo do levantamento RD foram obtidas através do manejo de informações recebidas em arquivos digitais, conforme recibo de entrega gerado pelo SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais em anexo. Tais arquivos foram objeto de intimação pela fiscalização e entregues de maneira parcial pela autuada. Parcial porque faltaram as informações concernentes aos 13o salários de 2005 e 2006 e também a folha de pagamentos do setor FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, conhecido e referenciado internamente na prefeitura como "MUNICIPALIZAÇÃO". AS bases de cálculo das remunerações não informadas foram arbitradas pela fiscalização nos Autos de Infração DEBCAD 37.127.9828 e 37.127.9836. 10. Informamos que os arquivos digitais de folha de pagamentos eram essenciais e indispensáveis para o bom andamento dos trabalhos de fiscalização pelo motivo do grande número de servidores envolvidos e por estes não estarem dispostos de forma separada nas folhas de pagamentos, de forma que se pudesse distinguir o grupo de servidores ocupantes de cargo efetivo daqueles que teriam de estar vinculados ao RGPS, que foram objeto da presente fiscalização. 11. A forma usada para que se pudesse fazer tal separação e identificar os servidores e remunerações integrantes desta base de cálculo foi fazer um filtro de acordo com a matricula de cada servidor. Para tal foi solicitado e recebido da administração municipal um controle de matriculas, que se encontra em anexo e que serviu como o referencial para tal operação. O Relatório Fiscal informa também que até a competência 01/2007, inclusive, não havia a incidência de multa de mora ou de ofício para os órgãos públicos da administração direta: 14. O que ocorre é que não existia dispositivo legal para se aplicar, no tocante a legislação previdenciária, multas de mora ou de ofício aos órgãos públicos da administração direta até a competência 01/2007, inclusive. Tal cenário se modificou com a alteração do § 9 o do art. 239 do RPS Regulamento da Previdência Social, promovida pelo Decreto n°. 6.042, de 12/02/2007, DOU n° 31, de 13/02/2007, cabendo a aplicação das mesmas, somente a partir de 02/2007. Sendo assim, no período do lançamento, tais multas não integraram os cálculos que resultaram na constituição do presente crédito previdenciário, ora lançado e nem possibilitaram a lavratura do Auto de Infração por descumprimento de tal obrigação acessória. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 189 5 Houve também a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP: 16. Considerando os procedimentos adotados pela entidade, não informando os fatos geradores em GFIP, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais às autoridades competentes, sendo que estes fatos, em tese, configuram prática de ilícito de sonegação de contribuição previdenciária previstos no art. 337A, inciso J, do Código Penal DecretoLei n° 2.848, de 07/12/40, a partir de 15/10/2000, data da vigência da Lei 9.983/00. A Recorrente teve ciência do AIOP em 19.12.2009, conforme capa do AIOP. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 01/2004 a 01/2007. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu representante legal, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, não ter localizado o anexo 'controle de matrículas' mencionado no item 14 do relatório fiscal, o qual teria servido para a identificação, pela autoridade fiscal, dos servidores vinculados ao regime geral da previdência social. Afirma que, analisando os termos da intimação, em nenhum momento consta a solicitação desse documento e que desconhece que a impugnante o tenha enviado. Aduz que houve um açodamento da fiscalização em finalizar o procedimento fiscal antes do final de 2009, sem tomar as devidas cautelas para apuração dos dados recebidos. Que a própria impugnante tem dificuldade em fazer o levantamento de todas as informações indicadas no auto de infração, demonstrando a necessidade de juntar mais provas, fato que poderia derrubar toda ou boa parte da autuação. Insurgese, ainda, contra os prazos concedidos pela fiscalização para o levantamento de documentos pela empresa, de 5 ou 3 dias úteis. Entende, assim, que as planilhas elaboradas pela fiscalização não merecem respaldo e credibilidade. Que foi gerada uma planilha com 216 páginas, além de outras alegações no Auto de infração, sem que se tenha dado, no momento da fiscalização, qualquer oportunidade para que a impugnante pudesse esclarecer tais inferências realizadas pelo agente fiscalizador. Alega a decadência dos valores indicados no auto de infração, correspondente ao período de 01/2004 a 12/2004, diante da aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Insurgese, ainda, contra a morosidade no início dos procedimentos fiscais e, após seu início, contra a falta de transparência por parte da fiscalização, tolhendo o direito da impugnante de poder exigir da IPREMOR a parte dos Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 recolhimentos devidos a esse instituto e de, por exemplo, requerer o parcelamento pela Lei n° 11.941/09, cujo vencimento para opção ocorreu em 30/11/2009. Entende, assim, que sobre os valores que não caducaram, a forma adotada está viciada, devendo ser anulado o auto de infração e realizada nova fiscalização, com a solicitação de esclarecimentos à empresa. Que o prazo de 30 dias não c suficiente para o confronto das informações lançadas pela fiscalização com os documentos de posse da impugnante, impedindo a ampla e plena defesa. A impugnante afirma, ainda, a improcedência da representação fiscal para fins penais. Argumenta ter realizado recolhimentos junto ao IPREMOR por entender que estava procedendo de maneira correta. Informa existir um mandado de segurança feito pela administração anterior que exigiu e obteve judicialmente o direito a tal procedimento e não caberia à atual administração praticar ato contrário. Assim, não se pode falar em implicação penal, pois nada foi omitido, mas apenas informado à instituição diferente. Questiona, também, a indicação de coresponsabilidade do atual prefeito. Primeiro, porque não foi comprovado qualquer ato que pudesse tornálo coresponsável pelo débito e segundo, porque vários períodos indicados no auto de infração não correspondem ao período em que o atual prefeito fosse titular do mandato eletivo. Requer, finalmente, a nulidade do presente auto de infração. Subsidiariamente, requer a exclusão dos valores correspondentes ao período de 01/2004 a 12/2004, tendo em vista a decadência. Requer, ainda, seja cancelada qualquer medida de representação fiscal para fins penais, e declarada a improcedência na indicação de corresponsabilidade do atual prefeito. Da Diligência Fiscal Conforme o relatório da decisão de primeira instância, houve solicitação de diligência fiscal para se verificar a existência de Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte: Tendo em vista as alegações da defesa, os autos foram encaminhados à DRF de origem para análise e manifestação da autoridade autuante, acerca da existência do Mandado de Segurança n° 2000.03.00.0097108. O auditor fiscal manifestouse às fls. 133/134 informando, em síntese, que o Mandado de Segurança em questão foi vitorioso em primeira instância judicial, tendo sido rejeitado, em definitivo, por decisão da instância superior (TRF3) em data anterior ao início do procedimento fiscal, entendendo que não seria impeditivo à constituição dos créditos previdenciários. Foi anexada, às fls. 80/132, cópia da petição inicial e atos decisórios. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 190 7 O Contribuinte teve ciência da Diligência Fiscal e se manifestou, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Cientificado o contribuinte sobre o conteúdo da diligência fiscal, o mesmo apresentou manifestação informando que a existência do mandado de segurança no qual foi concedida tutela em Ia instância constitui argumento de menor importância, argüido com o escopo de afastar a responsabilização criminal do prefeito. Reitera, em seguida, os demais argumentos já apresentados em sua impugnação. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1432.389 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, conforme Ementa a seguir: Acórdão 1432.389 9a Turma da DRJ/POR Sessão de 3 de fevereiro de 2011 Processo 13888.004247/200955 Interessado MUNICÍPIO DE MONTE MOR PREFEITURA MUNICIPAL CNPJ/CPF 45.787.652/000156 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. PROCEDIMENTO FISCAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. A ação fiscal tendente a apurar e constituir o crédito tributário é um procedimento administrativo que pode ter caráter inquisitório, não constituindo cerceamento ao direito de defesa do contribuinte a não concessão de prazo para manifestação antes da constituição do crédito tributário. O sujeito passivo pode exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa na impugnação ao lançamento, quando se instaura o contencioso administrativo fiscal. REPRESENTANTES LEGAIS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 O Relatório de Vínculos destinase a listar as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando na responsabilização pessoal pelo crédito lançado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 9a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito remanescente de R$1.095.169,95 (valor consolidado em 15/12/2009). Deixase de submeter ao 2o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado estar abaixo do limite de alçada fixado na Portaria MF n° 03/2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela lei. A decisão de primeira instância reconheceu a decadência parcial até a competência 11/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN: No caso em tela foram identificados recolhimentos parciais nas competências abrangidas no período de 01/2004 a 11/2004, acarretando a aplicação do prazo decadencial previsto no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Não foi localizado nos autos o anexo informado no item 11 do Relatório Fiscal; (ii) As planilhas indicadas pela Fiscalização não merecem respaldo e credibilidade em função dos exíguos prazos concedidos para um levantamento preciso dos documentos correspondentes a períodos de mais de 5 anos. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 191 9 (iii) Em relação aos períodos não decaídos manifestase pela impugnação total por não terem sido tomados os devidos cuidados e respeito às regras. (iv) Em relação aos cargos em comissão e temporários há que se fazer uma apuração responsável, pois não se nega a sua existência, sendo que inclusive houve Mandado de Segurança impetrado pela Administração anterior. (v) Da redução dos juros Em função da morosidade dos procedimentos fiscais e pela falta de transparência da Fiscalização, a Recorrente não conseguiu aderir ao parcelamento da Lei 11.941/2009 cujo vencimento para opção ocorreu em 30.11.2009. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da renúncia às instâncias administrativas. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE MONTE MOR contra Acórdão nº 1432.389 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.127.9801, com valor inicial de R$ 1.377.425,35 retificado para R$ 1.095.169,95. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias parte segurados, incidentes sobre a remuneração paga a servidores ocupantes de cargos em comissão ou temporários. Anotese, conforme se depreende da decisão de primeira instância, às fls. 152, a Recorrente impetrou na via judicial o Mandado de Segurança nº 1999.61.05.011189 6 na qual se questiona a inclusão dos servidores municipais ocupantes de cargo em comissão, trabalho temporário e emprego público no regime geral da previdência social, observase que o mesmo já possui decisão judicial definitiva, transitada em julgado em 13/06/2006, não concedendo a segurança pleiteada pelo contribuinte. Desta forma, exsurge a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 192 11 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nos termos da Súmula nº 1 do CARF, resta cabível apenas a apreciação, por esta Colenda Turma de Julgamento, de matéria distinta da constante do processo judicial referente à inclusão dos servidores municipais ocupantes de cargo em comissão, trabalho temporário e emprego público no regime geral da previdência social. (B) Da regularidade do lançamento Outrossim, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado o AIOP nº. 37.127.9801 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº. 37.127.9801, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 193 13 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C)Inconstitucionalidades. Analisemos. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade pela instância administrativa, não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011: Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (i) Não foi localizado nos autos o anexo informado no item 14 do Relatório Fiscal; Analisemos. Conforme já discutido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 150, o Anexo do Relatório Fiscal encontrase nos autos Devese observar, primeiramente, que o documento mencionado pela fiscalização no item 11 do relatório fiscal, denominado de "controle de matrículas' encontrase anexado às fls. 28 dos autos, carecendo razão à impugnante ao afirmar a ausência desse documento. Observase que o documento em questão, elaborado pelo próprio município, identifica, de acordo com a matrícula, os servidores efetivos, os ocupantes de cargos em comissão e os contratados. Com base nessas informações, foi possível à autoridade fiscal identificar os trabalhadores não efetivos e que se encontram vinculados ao regime geral da Previdência Social. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) As planilhas indicadas pela Fiscalização não merecem respaldo e credibilidade em função dos exíguos prazos concedidos para um levantamento preciso dos documentos correspondentes a períodos de mais de 5 anos. (iii) Em relação aos períodos não decaídos manifestase pela impugnação total por não terem sido tomados os devidos cuidados e respeito às regras. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 194 15 Analisemos os tópicos (ii) e (iii). Em relação à regularidade do lançamento, tal ponto já foi discutido no tópico (B). A Recorrente faz uma ilação genérica sem comprovação fática ou jurídica que demonstre o possível prejuízo ocorrido à ampla defesa. Outrossim, observase que, conforme o informado no Relatório Fiscal, a Recorrente apresentou informações em arquivos digitais, conforme o recibo de entrega gerado pelo sistema SVA em anexo ao Relatório Fiscal, que possibilitaram a autuação fiscal: 9. As bases de cálculo do levantamento RD foram obtidas através do manejo de informações recebidas em arquivos digitais, conforme recibo de entrega gerado pelo SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais em anexo. Tais arquivos foram objeto de intimação pela fiscalização e entregues de maneira parcial pela autuada. Parcial porque faltaram as informações concernentes aos 13o salários de 2005 e 2006 e também a folha de pagamentos do setor FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, conhecido e referenciado internamente na prefeitura como "MUNICIPALIZAÇÃO". AS bases de cálculo das remunerações não informadas foram arbitradas pela fiscalização nos Autos de Infração DEBCAD 37.127.9828 e 37.127.9836. Em relação aos prazos, a Recorrente não traz fato ou argumento novo que possa afastara decisão de primeira instância que indeferiu tal argumento posto que o procedimento fiscal estar de acordo com o referido na legislação, em especial o disposto no art. 591, §3°da Instrução Normativa SRP n° 003/2005 que fixava o prazo máximo de 10 dias úteis ao contribuinte, contados da data da ciência do termo de início da ação fiscal, para apresentação dos documentos solicitados, conforme decisão às fls. 150 e 151: Da mesma forma, não é capaz de ensejar a nulidade da autuação os argumentos expostos pela defesa acerca dos prazos para a consecução dos trabalhos fiscais. Primeiramente, deve ser esclarecido que o prazo concedido ao contribuinte para apresentação de documentos no Termo de Início de Procedimento Fiscal encontrase em consonância com a legislação de regência. Assim dispõe o artigo 19 da Lei n° 3.470/58, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/01: Ari. 19. O processo de lançamento de oficio será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. Além disso, a Instrução Normativa SRP n° 003/05 estabelecia, em seu artigo 591, §3°, a fixação de prazo máximo de 10 dias úteis ao contribuinte, contados da data da ciência do termo de início da ação fiscal, para apresentação dos documentos solicitados. Com fundamento nos dispositivos acima, foi concedido ao contribuinte o prazo de 20 dias para apresentação de informações em meio digital e 5 dias para apresentação dos demais documentos solicitados, não se vislumbrando qualquer ofensa às disposições legais e normativas que disciplinam o assunto. Ressaltese que o prazo de 3 dias úteis concedido ao contribuinte no Termo dc Intimação Fiscal n° 02, destinavase ao requerimento de documento já solicitado anteriormente ao contribuinte de maneira genérica, não causando qualquer prejuízo à impugnante. Além disso, importante destacar que os documentos solicitados foram devidamente apresentados pelo contribuinte, pois serviram de base para o presente lançamento fiscal, demonstrando, assim, que os mesmos foram aptos a gerar os efeitos a que se destinavam, não acarretando cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Em relação aos cargos em comissão e temporários há que se fazer uma apuração responsável, pois não se nega a sua existência, sendo que inclusive houve Mandado de Segurança impetrado pela Administração anterior. Analisemos. E relação à tributação das remunerações pagas ou creditadas a servidores comissionados ou temporários, conforme o já discutido no tópico (A), houve renúncia às instâncias administrativas pela proposição do Mandado de Segurança quanto às matérias coincidentes. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Da redução dos juros Em função da morosidade dos procedimentos fiscais e pela falta de transparência da Fiscalização, a Recorrente não conseguiu aderir ao parcelamento da Lei 11.941/2009 cujo vencimento para opção ocorreu em 30.11.2009. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004247/200955 Acórdão n.º 2403002.514 S2C4T3 Fl. 195 17 Analisemos. A Recorrente faz uma ilação genérica, de possível adesão ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, sem fundamentação jurídica que demonstre o possível prejuízo ocorrido à ampla defesa. Ademais, a possibilidade de pagamento ou de parcelamento deve ser verificada em instância própria na Unidade da Receita Federal do Brasil e jurisdição do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13161.720017/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Comprovado o evidente intuito de fraude, mantém-se o percentual da multa qualificada.
Numero da decisão: 3101-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado.
EDITADO EM: 10/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, mantémse o percentual da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado. EDITADO EM: 10/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 00 17 /2 01 0- 66 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13161.720017/201066 Acórdão n.º 3101000.984 S3C1T1 Fl. 107 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: A pessoa jurídica acima qualificada teve contra si lavrado o auto de infração (AI às f. 162 a 170) relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) dos meses de janeiro e fevereiro de 2006, em face de falta de recolhimento dessa contribuição decorrente de venda de produtos de fabricação própria. 0 lançamento resultou em R$ 71.868,58 de contribuição, R$ 107.802,87 de multa proporcional de oficio qualificada (150%) e R$ 32.151,04 de juros de mora calculados até 26 de fevereiro de 2010. 0 total do crédito tributário lançado e inicialmente objeto deste processo de R$ 211.822,49, incluídos os juros moratórios e as multas (f. 01). 0 procedimento está detalhado no Relatório Fiscal (f. 159 a 161). A ciência quanto aos lançamentos ocorreu por via postal em 14 de abril de 2010 (AR à f. 172). Em 11 de maio de 2010, foram protocoladas a petição e as razões de impugnação (f. 176 a 184), firmadas por procuradora (instrumento de mandato e cópias documento de identificação da mandatária e de contrato social da pessoa jurídica às f. 186 a 194). Foi informado, a principio, que a discordância davase tãosomente no que se refere ao agravamento (rectius qualificação) da multa. Em face disso, os valores relativos ao principal, à multa no percentual de 75% e os juros correspondentes foram apartados e estão controlados no processo n. 13161.000545/201003 (f. 217 e 218). Argumenta a impugnante que não houve intuito de fraude e, consequentemente, nenhuma prova desse fato consta dos autos, colacionando vasta jurisprudência administrativa. A DRJ competente manteve o lançamento efetuado e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 250, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.984, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13161.720017/201066 Acórdão n.º 3101000.984 S3C1T1 Fl. 108 3 Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado: A discussão cingese à qualificação da multa de oficio. Está demonstrado que o procedimento da contribuinte não se subsume à simples omissão de receitas. Conforme relatado pela autoridade fiscal, foi constatada omissão e atraso na entrega de DIPJ, falta de escrituração regular dos livros fiscais, falta de declaração dos débitos nas DCTF’s, além do não atendimento a vários termos de intimação. Está configurado o evidente intuito de fraude, passível de punição com multa de oficio qualificada, visto que o contribuinte, por meio de condutas próativas, tentou impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Com base nesses fundamentos, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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