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Numero do processo: 10283.724854/2016-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO.
As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos que ensejam a nulidade por vício material, são, por conseguinte, matérias de ordem pública.
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM ALÍQUOTAS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONTRIBUINTE SUJEITO AO REGIME CUMULATIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra-matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura o fato jurídico tributário no antecedente e no consequente a relação jurídica tributária (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária, o vício é insanável.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO.
As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos que ensejam a nulidade por vício material, são, por conseguinte, matérias de ordem pública.
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM ALÍQUOTAS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONTRIBUINTE SUJEITO AO REGIME CUMULATIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra-matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura o fato jurídico tributário no antecedente e no consequente a relação jurídica tributária (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária, o vício é insanável.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-006.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração por vício material. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que negou provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos que ensejam a nulidade por vício material, são, por conseguinte, matérias de ordem pública. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM ALÍQUOTAS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONTRIBUINTE SUJEITO AO REGIME CUMULATIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra-matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura o fato jurídico tributário no antecedente e no consequente a relação jurídica tributária (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária, o vício é insanável. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos que ensejam a nulidade por vício material, são, por conseguinte, matérias de ordem pública. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM ALÍQUOTAS DO REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONTRIBUINTE SUJEITO AO REGIME CUMULATIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regra-matriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura o fato jurídico tributário no antecedente e no consequente a relação jurídica tributária (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regra-matriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária, o vício é insanável. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido.
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APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos que ensejam a nulidade por vício material, são, por conseguinte, matérias de ordem pública. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM ALÍQUOTAS DO REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUINTE SUJEITO AO REGIME CUMULATIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regramatriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura “o fato jurídico tributário” no antecedente e no consequente a “relação jurídica tributária” (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regramatriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária, o vício é insanável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 48 54 /2 01 6- 85 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 274 2 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos que ensejam a nulidade por vício material, são, por conseguinte, matérias de ordem pública. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA ALÍQUOTA. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM ALÍQUOTAS DO REGIME NÃOCUMULATIVO. CONTRIBUINTE SUJEITO AO REGIME CUMULATIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento está eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regramatriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura “o fato jurídico tributário” no antecedente e no consequente a “relação jurídica tributária” (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regramatriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõe a obrigação tributária, o vício é insanável. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração por vício material. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que negou provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 275 3 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão de piso, por bem descrever os fatos: Trata o presente de autos de infração lavrados contra o contribuinte acima identificado, relativos respectivamente à COFINS e ao PIS apurados no regime cumulativo, abrangendo os períodos de apuração 01/2012 a 12/2012, no valor total de R$ 35.413.597,69, no caso da COFINS, e de R$ 7.688.478,20, do caso do Pis (fls. 10/27). Segue síntese da autuação: A contribuinte é cooperativa de trabalho médico, operadora de plano de saúde, e, desse modo, sujeita à apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo regulado pela Lei nº 9.718/1998, de acordo com os comandos previstos no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante nos referidos autos (fls. 11/14 e fls. 20/23) a autoridade fiscal faz as seguintes considerações, com grifos nossos: (...) Inobstante tal fato, chamou atenção da fiscalização os significativos valores, indicados no demonstrativo apresentado pela cooperativa, à título de deduções. Por conseguinte, para efeito de se avaliar se as exclusões das receitas mensais teriam algum amparo na legislação tributária, o contribuinte foi intimado a informar se teriam sido procedidos os ajustes previstos no art. 17 e incisos, da IN SRF n° 635/2006. Em resposta ao termo de intimação de 18/09/2015, o contribuinte informou que foram efetuados ajustes conforme previsto no ato administrativo sobredito, mas não indicou de forma especifica a quais registros na contabilidade corresponderia os ajustes elencados na IN SRF n° 635/2006. Neste contexto a fiscalização solicitou então ao contribuinte, esclarecimentos, de acordo com o plano de contas da cooperativa, das funções e operações acobertadas nas contas informadas como deduções no demonstrativo apresentado pela cooperativa, "APURAÇÃO DO PIS E COFINS ANO: 2012". Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 276 4 A resposta do contribuinte não auxiliou muito no sentido de aclarar quais deduções estariam albergadas pelo previsto na IN, mas ainda assim permitiu à fiscalização inferir que os valores referentes às contas 2.1.1.1.7.9.1 Provisões Para Eventos Ocorridos e Não Avisados e 2.1.1.1.6.9.1.2.3 Intercâmbio (Outras Unimeds), estariam subsumidas às hipóteses previstas no dispositivo do ato administrativo supra aludido, enquanto que as outras duas, 2.1.1.1.6.9.1.2.1 Prod. Hosp/Clin/Lab e 2.1.1.1.6.9.1.2.2 Prod. Cooperados, não estariam, ensejando assim as suas glosas. Devese assinalar que, caso os valores glosados constantes das duas últimas contas supraditas, viessem a ser apontados pela cooperativa como correspondentes aos ajustes previstos no inciso IV, do art. 17, da IN SRF n° 635/2006, para que fosse aceito pela fiscalização, deveriam estar acompanhados de indicação das contas utilizadas como contrapartidas às duas contas apontadas e examinadas, para que assim ficasse comprovado com supedâneo na escrita contábil e em documentos hábeis e idôneos, que os valores excluídos teriam transitados pela receita bruta da cooperativa e excluídos mediante os ajustes contábeis. Ou que, caso os mesmos tivessem sido registrados segregados das receitas, que estariam contabilizados em outras contas pelos seus valores líquidos, da mesma forma que as receitas mensais. Mas tal conduta não foi seguida pelo contribuinte. Dessarte, procedese a glosa das exclusões apresentadas pelo sujeito passivo, expressas nas contas 2.1.1.1.6.9.1.2.1 Prod. Hosp/Clin/Lab e 2.1.1.1.6.9.1.2.2 Prod. Cooperados, indicadas no demonstrativo apresentado ao fisco, por não terem sido evidenciadas de forma clara e correta a sua correlação com os ajustes previstos no art. 17 e incisos, da IN SRF n° 635/2006. Outrossim, os valores relativos às glosas da aludidas exclusões estão perfeitamente evidenciados na planilha "Demonstrativo do PIS e da COFINS Devidas" anexa ao presente auto de infração. O contribuinte tomou ciência pessoal do presente em 06/07/2016 (fls. 30/31) e em 20/07/2016 apresentou a Impugnação de fls. 51/60, por meio da qual, sustenta, em síntese, que: A razão de ser do auto de infração é a glosa das exclusões da base de cálculo de PIS e COFINS das contas 2.1.1.1.6.8.1.2.1 Produção Hospitais/Clínicas/Laboratórios e 2.1.1.1.6.9.1.2.2 Produção Cooperados, que se referem aos custos de terceiros na prestação de serviços aos usuários de seu plano de saúde. O assunto em tela é tratado pelo inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. E duas eram as interpretações: a da Receita Federal, que entendia que o citado dispositivo não autorizava a exclusão dos valores pagos a terceiros; e a dos planos de saúde, principalmente o Sistema Unimed, que entendia que o mesmo autorizava. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 277 5 O Poder Judiciário, ao manifestarse sobre a questão, firmou entendimento congruente com aquele defendido pelos planos de saúde. Diante das reiteradas decisões judiciais, a própria União reconheceu o equívoco da Receita Federal e editou a Lei nº 12.873/2013, que em seu art. 19 estabeleceu: Art. 19. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 3°. § 9°A. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. A nova lei encerrou qualquer controvérsia existente ao frisar que o valor a ser excluído da base de cálculo é "o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida". Situação tratada no auto de infração já foi interpretada pelo CARF, em caso análogo, da própria Unimed Manaus. Com efeito, no processo nº 10283721.458/200977, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 9303003.386, de 2016, decidiu que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º da Lei n° 9.718/1998 é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Traz à colação ementa e voto do relator. Portanto, além da nova legislação que deu interpretação correta a tributação de PIS e COFINS dos Planos de Saúde, temse o precedente do CARF, em caso análogo da própria Unimed Manaus, no sentido de admitir a dedução dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Diante do exposto, o auto de infração não se sustenta, pois o mesmo é contrário aos fatos, à legislação e ao precedente obrigatório do CARF, impondose o reconhecimento de sua improcedência. Por fim, consideradas as alegações supra, requer a contribuinte seja acolhida a impugnação interposta para o fim de assim ser decidido, Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 278 6 cancelandose o débito fiscal reclamado e baixado de todos os registros da Receita Federal do Brasil. Em sessão de 09 de fevereiro de 2017 esta 16ª Turma da DRJ/RJO converteu o julgamento em diligência para que a unidade local confirmasse se os valores objeto de glosa registrados nas contas 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418) referiamse à hipótese prevista no inciso III do §9º do artigo 3° da Lei n° 9.718/1998, com a interpretação dada pela Lei nº 12.873/2013, ou seja, se se referiam a custos próprios com os seus beneficiários; Caso positivo, deveria fornecer maiores esclarecimentos acerca das razões que motivaram a glosa que redundou na presente autuação, indicando, se for o caso, a conduta comissiva ou omissiva do sujeito passivo que não permitiu o reconhecimento da dedução pretendida, com o respectivo dispositivo normativo que ampare tal exigência; Caso negativo, deveria apresentar mais informações acerca da natureza das contas envolvidas e razões para a não subsunção das operações ali registradas à situação prevista pelo inciso III do §9º do artigo 3° da Lei n° 9.718/1998, com a interpretação dada pela Lei nº 12.873/2013; Em resposta, a unidade local elaborou a Informação Fiscal de fls. 159/160, por meio da qual esclarece que: 1 – Conforme explanado no texto do lançamento de ofício, a glosa dos valores registrados nas contas 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418), decorreu da insuficiente demonstração técnicocontábil pelo sujeito passivo da sistemática utilizada no registro das operações que envolveram as mencionadas contas. 2 – Sem embargo, um exame procedido nas contas em tela permitiu inferir que se tratam de contas patrimoniais integrantes do passivo da empresa, mas não foram informadas as contrapartidas dos lançamentos, impossibilitando assim conhecer se os débitos e créditos foram registrados em face de contas de resultado ou de outras de cunho patrimonial. 3 As contas de passivo apresentadas não comprovam a natureza contábil de custos das mesmas, visto que se trata apenas de rubricas de obrigações, não servindo assim, de per si, como atestado de que se tratam de gastos da empresa com outras pessoas (hospitais e cooperados). 4 – Para tal fim deveria o sujeito passivo ter informado tempestivamente, ainda que informalmente, à fiscalização, como o fez no caso das contas 2.1.1.1.7.9.1 Provisões Para Eventos Ocorridos e Não Avisados e 2.1.1.1.6.9.1.2.3 Intercâmbio (Outras Unimeds), que as contas 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418), teriam como contrapartidas contas de custos/despesas, além de apresentar a respectiva documentação arrimadora dos Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 279 7 lançamentos contábeis. Até pelo fato de que nem todo registro no passivo, corresponde um lançamento a débito de custos/despesas. 5 – Como tal procedimento não foi seguido pela impugnante, a fiscalização não pode comprovar se os valores glosados das contas correspondiam a custos da própria empresa, como indicado pela autoridade julgadora em seu despacho. 6 – Reforçando então, a fiscalização procedeu à desconsideração das deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS, referentes as contas 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418), por não ficar efetivamente demonstrada a natureza jurídicocontábil de custo próprio das mesmas, visto que não foram tempestivamente apresentadas as contrapartidas contábeis com a respectiva documentação dos lançamentos, que permitissem comprovar os gastos incorridos pela impugnante no período examinado. Irresignado, o sujeito passivo apresentou a peça de fls. 166/170, por meio da qual sustenta que: Os valores glosados como dedução da base de cálculo do Pis e Cofins, demonstrado nos documentos anexos nos autos do processo n° 10283.724854/201685 pag.28 e 29 foram apurados obedecendo aos critérios da lei 9.718/1998 e suas alterações, deduções previstas no inciso I,II,IV, §2° no incisos I, II e III, §9° do artigo 3o da Lei n.° 9.718/1998, os incisos de I a VII do art. 9o, art.10 e art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 635/2006, com a interpretação correta dada pela Lei n° 12.873/2013. Em se tratando dos registros efetuados nas contas 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418) mencionados pela Fiscalização e usadas como base de cálculo da autuação, ternos a informar que os mesmos referemse à hipótese prevista no inciso III do §9° do artigo 3° da Lei n° 9.718/1998, que compreendem o valor das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos (pagamentos efetuados referente aos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida). O total de eventos pagos foi registrado a débito nas contas patrimoniais 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418) e a crédito na conta de Bancos conta movimento Grupo 12 Ativo Circulante, os quais correspondem ao desembolso líquido de caixa, em que todas as classificações foram realizadas obedecendo aos critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde, contidas no padrão do plano de contas publicado pela Resolução Normativa n° 290 em 27 de fevereiro de 2012. Esses eventos, Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 280 8 segundo o manual do plano de contas, são todas as despesas classificadas no Grupo 41 Eventos / Sinistros Indenizáveis Líquidos. Para que nenhuma dúvida reste, esclarecemos abaixo como os custos assistenciais são classificados na contabilidade da operadora desde a sua provisão na despesa até a liquidação (custos efetivamente pagos), evidenciando as contas de natureza a débito e a crédito: Pela provisão do custo assistencial D 411 EVENTOS CONHECIDOS OU AVISADOS C 211 PROVISÃO DE EVENTOS/SINISTROS A LIQUIDAR Pelo registro dos eventos efetivamente Da aos aplicando o regime de caixa (dedução da base de cálculo do PIS e COFINS permitida conforme inciso III do § 9° do artigo 3° da lei n° 9 718/1998) D 211 PROVISÃO DE EVENTOS/SINISTROS A LIQUIDAR (Neste grupo estão inseridas as contas 211169121 Produções de Hospitais (2412) e 211169122 Produções de Cooperados (2418) mencionadas no processo nº 10283.724854/201685 questionadas pela fiscalização. C1213 Bancos contas depósitos (conta corrente de bancos). Por fim, reiteramos que todas essas informações foram colocadas à disposição da fiscalização através da entrega da documentação comprovada nos autos do processo n° 10283.724854/201685, páginas 6 a 9. E continuam ao dispor, caso a fiscalização as deseje examinar. Os razões analíticos que demonstram as contrapartidas das contas ultrapassam ao total de 70.000 folhas, razão pela qual tornase impossível anexar ao processo no ecac. A 16ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO, no acórdão n° 12098.857, deu parcial provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ERRO NA INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O mero erro na seleção da infração imputada, quando acompanhada da correta descrição dos fatos e desde que não cause prejuízo à defesa, não importa em nulidade do auto de infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 281 9 REGIME CUMULATIVO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente as deduções efetuadas na base de cálculo do Pis/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 REGIME CUMULATIVO. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente as deduções efetuadas na base de cálculo da Cofins. Em recurso voluntário, a Cooperativa reitera os termos de sua impugnação, em especial, aduz que é impossível uma operadora de plano de saúde ter R$ 27 milhões de receita média mensal sem que tenha qualquer despesa assistencial. Tudo foi demonstrado fisicamente e comprovado por meio digital à fiscalização, cabendo a ela apontar quais despesas está glosando, e não glosar TODAS as despesas e transferir o ônus da prova para a Recorrente. Para que as contas tivessem ido para o passivo como provisão, antes elas foram incluídas como despesa assistencial, se alguma dúvida a fiscalização tivesse, deveria ter aberto os arquivos em meio digital constantes do pen drive e feitos todos os exames necessários. E, ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. Nulidade do lançamento A DRJ, de ofício, ajustou os valores do auto de infração, alterando as alíquotas aplicáveis aos fatos narrados: o lançamento utilizou as alíquotas do regime nãocumulativo (Lei n° 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003) para constituir os débitos de PIS e COFINS em decorrência de deduções indevidas nas bases de cálculo das contribuições. Entretanto, a Recorrente é cooperativa de trabalho médico operadora de plano de saúde, logo está sujeita ao regime cumulativo (Lei 9.718/98). Confirase o teor da decisão de piso: Antes de adentrarmos no mérito da questão, fazse necessário examinar uma questão preliminar. Em que pese não ter sido alegado pelo sujeito passivo, compulsandose os presentes autos, é possível notar que os lançamentos sob exame contêm incorreções na seleção da infração Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 282 10 imputada, tendo reflexos, assim, na fundamentação legal, na alíquota aplicável e nos valores apurados no lançamento. Isso porque, conforme já mencionado, a contribuinte é cooperativa de trabalho médico, operadora de plano de saúde, e, desse modo, sujeita à apuração do Pis e da Cofins pelo regime cumulativo regulado pela Lei nº 9.718/1998, de acordo com os comandos previstos no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Todavia, os autos de infração em epígrafe foram lavrados com a seleção das infrações “OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS – INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO” e “OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO DO PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO”, fazendo com que seu enquadramento legal tenha sido feito com base na Lei nº 10.833/2003, em especial nos art. 1º a 3º, 4º e 11 (fls. 11/14), e na Lei nº 10.637/2002, em especial nos art. 1º a 4º, e 10 (fls. 20/23). Ressaltese que o erro cometido por parte da autoridade fiscal limitou se, a princípio, na seleção da infração (escolha de um regime distinto daquele aplicável, de acordo com o que dispõe a legislação tributária, embora com a escolha dos tributos corretos). Os demais elementos com incorreções – enquadramento legal, alíquota aplicável e montante apurado – apenas são reflexo do erro inicial. No entanto, todo o procedimento fiscal bem como a descrição dos fatos que se encontra no corpo dos autos de infração estão em consonância com a matéria tributável nos termos da legislação de regência – Pis e Cofins no regime cumulativo – de modo que o erro cometido não causou qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, como se constata da própria Impugnação apresentada. Tomese como exemplo as informações fornecidas pela autoridade fiscal constantes nas fls. 11, 13, 20 e 22, que apontam para uma submissão das receitas do contribuinte ao regime cumulativo: (...) A fiscalização pode verificar por exames procedidos nas escritas contábil e fiscal da cooperativa, não se tratar as exclusões de atos cooperativos e muito menos de deduções permitidas na legislação tributária regente das contribuições, tendo sido afastadas da tributação do PIS e da COFINS de forma indevida, porquanto as receitas brutas do contribuinte estão sujeitas normalmente à incidência do PIS e da COFINS, sob o regime cumulativo, nos termos do art. 8°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002, e art. 10, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. (...) Devese assinalar que, caso os valores glosados constantes das duas últimas contas supraditas, viessem a ser apontados pela cooperativa como correspondentes aos ajustes previstos no inciso IV, do art. 17, da IN SRF n° 635/2006, para que fosse aceito pela fiscalização, deveriam estar acompanhados de indicação das contas utilizadas como contrapartidas às duas Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 283 11 contas apontadas e examinadas, para que assim ficasse comprovado com supedâneo na escrita contábil e em documentos hábeis e idôneos, que os valores excluídos teriam transitados pela receita bruta da cooperativa e excluídos mediante os ajustes contábeis. Ou que, caso os mesmos tivessem sido registrados segregados das receitas, que estariam contabilizados em outras contas pelos seus valores líquidos, da mesma forma que as receitas mensais. Mas tal conduta não foi seguida pelo contribuinte. Dessarte, procedese a glosa das exclusões apresentadas pelo sujeito passivo, expressas nas contas 2.1.1.1.6.9.1.2.1 Prod. Hosp/Clin/Lab e 2.1.1.1.6.9.1.2.2 Prod. Cooperados, indicadas no demonstrativo apresentado ao fisco, por não terem sido evidenciadas de forma clara e correta a sua correlação com os ajustes previstos no art. 17 e incisos, da IN SRF n° 635/2006. (...) Vejase que a matéria de fundo do auto de infração é a discussão acerca da comprovação e da subsunção de valores registrados na contabilidade da Recorrente à hipótese prevista no inciso III do §9° do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998 (que regula a incidência das contribuições no regime cumulativo), matéria perfeitamente identificada pelo sujeito passivo nos autos e em relação a qual pôde apresentar seus argumentos de defesa. Assim, tendo em vista que o sujeito passivo não encontrou qualquer óbice à sua defesa por conta do equívoco apontado, entendo que tal erro não compromete a solidez do lançamento, ainda que seja necessária a redução de ofício dos valores lançados para que se amoldem às corretas alíquotas previstas para o regime cumulativo. Desse modo, voto pela redução de ofício dos valores constituídos para que seus montantes principais fiquem limitados aos valores resultantes da aplicação das alíquotas de 0,65%, para o Pis/Pasep, e 3,0%, para a Cofins, sobre as bases imponíveis apontadas nos autos de infração. Entendo que o expediente oficial de que lançou mão a DRJ não é possível, porquanto tal vício no lançamento não permite convalidação. A subsunção do fato à norma, a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento, por imperativo do art. 142 do CTN. Dessa forma os equívocos na determinação desses elementos, ensejam a nulidade do ato administrativo por vício material. Então, o lançamento estará eivado de vício material sempre que houver erro na eleição dos critérios da regramatriz de incidência tributária, ou seja, erro que se remete ao conteúdo do lançamento, que é a norma individual e concreta, na qual figura “o fato jurídico tributário” no antecedente e no consequente a “relação jurídica tributária” (composta pelos sujeitos e pelo objeto, o quantum a ser levado aos cofres públicos a título de tributo). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10283.724854/201685 Acórdão n.º 3301006.057 S3C3T1 Fl. 284 12 A determinação da matéria tributável (composição da base de cálculo e alíquota aplicável) é intrínseca à própria existência do lançamento, por se referir ao critério quantitativo da regramatriz do tributo. Dito de outra forma, a mácula ao texto legal se deu em um dos elementos que compõem a obrigação tributária. Por outro lado, não há falarse em vício formal, pois não se está diante de defeito provocado por descumprimento de formalidades do lançamento, tais como: ausência de notificação, ausência de assinatura da autoridade autuante, ou quaisquer outros elementos apenas “estruturais”. Em suma, o auto de infração lavrado com alíquotas do regime não cumulativo, estando a Recorrente sujeita ao regime cumulativo, está viciado materialmente. Já tive a oportunidade de sustentar que são matérias de ordem pública, todas aquelas que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa (acórdão n° 3301004.787). Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do art. 303, II e III do CPC/73 e, 342, II e III do CPC/2015. Sustento que os motivos de nulidade do auto de infração por vício material são matérias de ordem pública, por isso me manifesto de ofício. Logo, o auto de infração é nulo na origem por vício material. Assim, há que se negar provimento ao recurso de ofício e se dar provimento ao recurso voluntário. Por conseguinte, deixo de analisar as demais matérias do recurso voluntário, considerando a causa de nulidade que fulmina todo o lançamento tributário. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.902403/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, retificada a declaração e colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1201-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 22.10.2009; e prolatar novo Despacho Decisório, retomando-se novo rito processual.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, retificada a declaração e colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
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ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, retificada a declaração e colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 22.10.2009; e prolatar novo Despacho Decisório, retomandose novo rito processual. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 24 03 /2 00 9- 72 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10320.902403/200972 Acórdão n.º 1201002.995 S1C2T1 Fl. 171 2 Relatório COMPANHIA ENERGETICA DO MARANHÃO, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 12.70.254, proferido pela 15ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJ, em 24 de novembro 2014. 2. Tratase de declaração de compensação (PER/DCOMP 18364.95249.100709.1.7.042606), transmitida em 10.07.2009, em que o contribuinte compensou débito próprio com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de CSLL, referente ao período de apuração 12/2008, recolhido em 30.01.2009, no valor originário de R$ 340.244,62. 3. A autoridade local, mediante Despacho Decisório, cuja ciência da recorrente ocorreu em 20.10.2009, não homologou a compensação declarada sob a seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 340.244,62 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensado dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada (grifo nosso) (efls. 07). 4. Em sede de manifestação de inconformidade a recorrente alegou, em síntese, que retificou a DCTF e alterou o valor devido de estimativa de CSLL, referente ao mês 12.2008, de R$ 1.889.112,98, para R$ 1.548.868,36, o que resultaria em um crédito de R$ 340.244,62. 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, em 24.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, indeferese a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10320.902403/200972 Acórdão n.º 1201002.995 S1C2T1 Fl. 172 3 6. Cientificada da decisão de primeira instância, em 11.12.2014, a recorrente interpôs recurso voluntário, em 12.01.2015, em que aduz, em resumo, os seguintes argumentos (efls. 6075): i) após tomar conhecimento do Despacho Decisório, providenciou a retificação da DCTF referente ao período de apuração 12/2008 e alterou o valor devido a título de CSLL para R$ 1.548.868,36; 11) houve cerceamento de direito de defesa no julgamento de primeira instância, nos termos do art. 28 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a autoridade julgadora não se manifestou acerca do pedido de diligência, constante da manifestação de inconformidade, para fins de comprovar o valor devido de CSLL em 12.2008; ii) requer a juntada de documentos contábeis (Lalur) para fins de comprovar o direito alegado; iii) por fim, requer a homologação integral da compensação declarada; caso contrário, que seja realizada diligência para comprovar o crédito vindicado. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 8. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Preliminar de nulidade 9. A recorrente alega que houve cerceamento de direito de defesa no julgamento de primeira instância, uma vez que a autoridade julgadora não se manifestou acerca do pedido de diligência para comprovar o valor devido de CSLL em 12.2008. Tratase, na verdade, de alegação de nulidade. 10. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer, inicialmente, que cabe ao contribuinte juntar aos autos todos os elementos probatórios suficientes para provar o direito alegado. Ademais, nos termos do artigo 16, inciso IV e § 1º do Decreto nº 70.235/1972, considerase não formulado o pedido de diligência que não exponha o motivo que o justifique, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. Vejase: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10320.902403/200972 Acórdão n.º 1201002.995 S1C2T1 Fl. 173 4 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifo nosso). 11. Ante a inobservância dos requisitos previstos mandamento legal acima, forçoso concluir que não fora formulado o pedido de diligência; com efeito, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tampouco em nulidade da decisão recorrida. Mérito 12. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que compensou débito próprio com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de CSLL, referente ao período de apuração 12/2008, recolhido em 30.01.2009. Não homologada a compensação por insuficiência de crédito, alegou que tal motivo fora sanado com a transmissão de DCTF Retificadora, em 22.10.2009, que alterou o valor devido de estimativa de CSLL, referente ao mês 12.2008, de R$1.889.112,98, para R$ 1.548.868,36, o que resultaria em um crédito de R$ 340.244,62. (efls. 34 2 42). 13. A DRJ, ao analisar o feito, no tocante a DIPJ retificadora, assentou que a recorrente deveria comprovar mediante documentos e escrituração a apuração da estimativa da CSLL, bem como que o valor não fora utilizado como saldo negativo dessa contribuição. Vejase: Entendo que, como em todos os casos, cabia ao interessado comprovar,mediante documentos e escrituração, como foi apurada a estimativa de CSLL do período, de modo a que se conheçam, em sua plenitude, todos os elementos de constituição do fato gerador dessa antecipação. Somente após essa comprovação é que a autoridade poderia verificar se houve recolhimento maior do que o devido. Com vimos, isso não foi feito. Além disso, cabia ao interessado comprovar, também com documentos e escrituração, que o valor recolhido não servira como dedução do valor de CSLL devido ao final do ano, ou mesmo que tal valor não fora usado como parcela do saldo negativo dessa contribuição. Isso também não foi apresentado. 14. Vejamos a legislação que trata do tema. 15. O art. 170 do Código Tributário Nacional CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 16. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, o art. 74 da Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10320.902403/200972 Acórdão n.º 1201002.995 S1C2T1 Fl. 174 5 Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 17. Fazse necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). 18. Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. 19. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindose à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. 20. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. 21. No caso em análise, cientificada do Despacho Decisório, em 20.10.2009, a recorrente transmitiu DCTF Retificadora, em 22.10.2009, e alterou o débito de estimativa de CSLL, referente ao mês 12.2008, no valor de R$1.889.112,98, para R$ 1.548.868,36, o que resultaria em um crédito de R$ 340.244,62. Apresentou, ainda, cópia do Lalur referente ao ano calendário 2008 para comprovar o direito creditório (efls. 11, 34, 42, 81162). 22. Oportuno ressaltar que o Despacho Decisório que não homologou a compensação por insuficiência de crédito estava correto, uma vez que o pretenso crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de CSLL, somente viria a surgir com a DCTF Retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório. 23. Ao tratar do tema, o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, estabelece que, retificada a DCTF depois do Despacho Decisório de não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar o feito em diligência para a Unidade Local, caso se refira apenas a erro de fato. Vejase: Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015 [...] 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10320.902403/200972 Acórdão n.º 1201002.995 S1C2T1 Fl. 175 6 retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. (grifo nosso). 24. O exposto no indigitado Parecer Cosit nº 2, de 2015 está em consonância o entendimento deste colegiado, com a ressalva de que o feito é baixado não em diligência, mas sim para que a Unidade Local profira novo Despacho Decisório, à luz dos elementos probatórios juntados aos autos, retomandose novo rito processual. 25. Conforme salientado acima, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis para comprovar o direito alegado DCTF Retificadora, documentação fiscal (Lalur) o equívoco no preenchimento da declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Conclusão 26. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente da DCTF Retificadora, transmitida em 22.10.2009, e prolatar novo Despacho Decisório, retomandose novo rito processual. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10320.902403/200972 Acórdão n.º 1201002.995 S1C2T1 Fl. 176 7 É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.722246/2009-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CUSTOS/DESPESAS. TRANSPORTE. CO-PROCESSAMENTO. RGC, BORRA DE ALUMÍNIO E REFRATÁRIOS. REJEITOS INDUSTRIAIS. BENEFICIAMENTO. BANHO ELETROLÍTICO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil - os custos/despesas incorridos com transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.615
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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TRANSPORTE. COPROCESSAMENTO. RGC, BORRA DE ALUMÍNIO E REFRATÁRIOS. REJEITOS INDUSTRIAIS. BENEFICIAMENTO. BANHO ELETROLÍTICO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil os custos/despesas incorridos com transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 46 /2 00 9- 37 Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10280.722246/200937 Acórdão n.º 9303008.615 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402003.860, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa transcrita na parte que interessa ao deslinde em discussão: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação aos serviços de transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio)." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas incorridos com transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, deve ser mantida. Por meio do Despacho de Admissibilidade carreado aos autos, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. Em síntese é o relatório. Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10280.722246/200937 Acórdão n.º 9303008.615 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.614, de 15 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10280.722249/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.614): "O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, abrange o direito de o contribuinte aproveitar créditos da Cofins não cumulativa sobre os custos/despesas incorridos com transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. A Lei nº 10.833/2003 que instituiu o regime não cumulativo para o a Cofins, assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10280.722246/200937 Acórdão n.º 9303008.615 CSRFT3 Fl. 5 4 De acordo com a interpretação literal desses dispositivos legais, apenas os custos incorridos com os insumos (matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem) utilizados diretamente no processo de produção/fabricação dos bens ou produtos vendidos (inciso II) e as despesas de armazenagem de mercadorias e de fretes na operação de venda, bem como as despesas com encargos de depreciação dos bens de produção do ativo imobilizado, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. No entanto, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo, reconhecendo como tal, os custos e as despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, o contribuinte é uma empresa de metalurgia que tem como objeto econômico, dentre outros, a produção e comercialização de alumínio primário e de quaisquer outros produtos necessários à produção de alumínio, ou dele derivado, a importação e exportação de qualquer produto ou mercadoria necessários ao desempenho das suas atividades industriais c comerciais. Assim, os custos/despesas incorridos com transporte e co processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais, embora não constituam insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, são necessários e relevantes para a atividade econômica do contribuinte, conforme demonstrado e provado. Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos de PIS e Cofins, ambas sob o regime não cumulativo, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Dessa forma, a reversão da glosa dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com transporte e coprocessamento Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10280.722246/200937 Acórdão n.º 9303008.615 CSRFT3 Fl. 6 5 de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.002116/2002-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1998
INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Procedimento fiscal instaurado em nome da contribuinte fiscalizada, para verificação da existência de crédito tributário, face à grande movimentação financeira detectada na sua conta corrente bancária.
A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO.
Face à grande divergência das informações prestadas pela instituição financeira, sobre a sua movimentação financeira, com a renda declarada pela contribuinte, foi requisitada a RMF- Requisição de Movimentação Financeira, com base no inciso V do art. 3º do Decreto 3.724/01.
IRREGULARIDADES NOS MPF- MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Não foi observado nenhuma irregularidade quanto à não revalidação do MPF, e, nem quanto à ciência do mesmo.
DA DESIGNAÇÃO DO CARGO DA CONTRIBUINTE.
Identificação adotada livremente pela contribuinte, na ciência dos Termos lavrados pela Autoridade Fiscal.
DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Falta de comprovação da origem dos créditos bancários, impossibilita de se assumir que a conta bancária da contribuinte foi utilizada unicamente por pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 2301-006.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria excluída da lide, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Julgamento efetuado em 06/06/2019, de manhã.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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Procedimento fiscal instaurado em nome da contribuinte fiscalizada, para verificação da existência de crédito tributário, face à grande movimentação financeira detectada na sua conta corrente bancária. A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Face à grande divergência das informações prestadas pela instituição financeira, sobre a sua movimentação financeira, com a renda declarada pela contribuinte, foi requisitada a RMF- Requisição de Movimentação Financeira, com base no inciso V do art. 3º do Decreto 3.724/01. IRREGULARIDADES NOS MPF- MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não foi observado nenhuma irregularidade quanto à não revalidação do MPF, e, nem quanto à ciência do mesmo. DA DESIGNAÇÃO DO CARGO DA CONTRIBUINTE. Identificação adotada livremente pela contribuinte, na ciência dos Termos lavrados pela Autoridade Fiscal. DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Falta de comprovação da origem dos créditos bancários, impossibilita de se assumir que a conta bancária da contribuinte foi utilizada unicamente por pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria excluída da lide, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 21 16 /2 00 2- 05 Fl. 599DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Julgamento efetuado em 06/06/2019, de manhã. Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 486/506) interposto em face do Acórdão nº 17-26.951 (e-fls 468/480) prolatado pela DRJ/SPII, em sessão de julgamento realizada em 19 de agosto de 2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: (início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-26.951) Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração de fls. 279 a 281 1 , e, demonstrativos de fls. 277 a 278 2 , relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 672.348,33, dos quais, R$ 296.071,31 são referentes a imposto, R$ 222.053,48 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 154.223,54 correspondem a juros calculados até 31/05/2002 Conforme descrição dos fatos no Auto de infração, a exigência decorreu de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, para o ano calendário de 1998. Os valores tributáveis, decorrentes dessa omissão de rendimento, encontram-se discriminados no auto de infração. O enquadramento legal para a infração foi: Art. 42 da Lei 9.430/96, Art. 4 da Lei 9.481/97, Art. 21 da Lei 9.532/97. Cientificada, pessoalmente do Auto de Infração e Termo de Encerramento Fiscal, em 28/06/2002, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 292 a 302 3 , e, documentos nas fls. 303 a 366 4 , em 26/07/2002, na qual após breve relato dos fatos, alega, em síntese, que: I- HISTÓRICO DA AÇÃO FISCAL. MOTIVAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. 1 E-fls. 356/360. 2 Demonstrativo de apuração, às e-fls 354/355. 3 E-fls. 370/380. 4 Conjunto documental anexado às e-fls. 381/463. Fl. 600DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 A ação fiscal contra a impugnante foi iniciada a partir de uma informação absurdamente incorreta, do Banco Itaú sobre depósitos na conta da autuada. Ou seja, o Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido a partir de informações do Banco Itaú sem que houvesse qualquer ação fiscal em curso contra a autuada, invertendo-se a ordem do procedimento fiscal, num flagrante desrespeito ao parágrafo 3º, do art. 11, da Lei 9.311/96. A autuação teve por base legal, o art. 42 da Lei 9.430/96 e os dados relativos à movimentação financeira foram informados pelo Banco Itaú, em atendimento ao disposto no parágrafo 2º, do artigo 11, da Lei 9.311/96. Aqui reside a primeira ilegalidade: o parágrafo 3º, do mesmo art. 11, da Lei nº 9.311/96, que instituiu a CPMF: § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. Como este dispositivo não foi revogado pela Lei nº 9.430/96, a ação fiscal baseou-se em dispositivo ilegal e, mesmo, inconstitucional. ENQUADRAMENTO LEGAL PARA A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. O Decreto 3.724/01 elenca, no seu art. 3º, incisos I a XI, as hipóteses em que os exames referidos no seu art. 2º (quebra do sigilo bancário) são considerados indispensáveis e, por mais que a impugnante tenha se detido na leitura e interpretação daqueles incisos, não encontrou qualquer um em que pudesse se enquadrar, o que demonstra, mais uma vez, a ilegalidade da ação fiscal. Apenas para argumentar, a única hipótese que justificaria a ação fiscal seria a do inciso V, do citado art. 3º, do Decreto 3.724/01, todavia, após um ano e quatro meses de ação fiscal o autor do feito teve tempo e condições de verificar que a autuada não passa de um contribuinte de classe média baixa, que trabalha diariamente na empresa de seu marido, da qual era sócia em 1998, com uma declaração de bens modestíssima, embora a empresa em que trabalha tenha sido criada em 1993. Art.2º do Decreto nº 3.724/01 - A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (...) Art.3 do Decreto nº 3.724/01 - Os exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: I-subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II-obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; Fl. 601DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 III-prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV-omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V-realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI-remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII-previstas no art. 33 da Lei n o 9.430, de 1996; VIII-pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei n o 9.430, de 1996; IX-pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X-negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI-presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. Então, por que foi a impugnante fiscalizada? Estaria o ilustre julgador a questionar. E mais uma vez se demonstrará que ela foi vítima, agora não de uma ação fiscal ilegal, mas da informação capciosa e leviana do Banco Itaú que, para proteger, quem sabe, clientes “vip”, sonegadores ou agiotas, informou, maldosamente, à Receita Federal, que a autuada havia tido, em 1998, movimentação financeira da ordem de R$ 8.273.668,78!. IRREGULARIDADES NOS MPF- MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Alega a impugnante que há irregularidades nos MPF como abaixo citado: Data do MPF Prorrogado para Data da ciência 14/3/2001 (início) - 22/3/2001 12/7/2001 11/8/2001 31/08/2001 * 10/8/2001 9/9/2001 31/8/2001 6/9/2001 6/10/2001 24/9/2001 5/10/2001 4/11/2001 08/11/2001 * 1/11/2001 1/12/2001 8/11/2001 30/11/2001 30/12/2001 18/12/2001 27/12/2001 26/1/2002 07/01/2002 * * Data da ciência após vencimento do prazo da MPF ** MPF não revalidado após 30 dias, contrariando o art. 12 da Portaria 2007/01. DAS RAZÕES DE DEFESA. Fl. 602DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 OPERAÇÕES DA CARLETTI IMP. E EXP. LTDA E DA AUT COMERCIAL NA CONTA CORRENTE DA AUTUADA. Alega para corroborar esta afirmação: O próprio AFRF, em diversas oportunidades colocava nas intimações à autuada o cargo de Gerente (termo de 07/01/02), Diretora (25/04/02), novamente Gerente (04/03/02), etc. E isso porque, todas as vezes que intimou a autuada esta estava na empresa Carletti Imp. e Exp, trabalhando; A simples observação dos extratos bancários apresentados pela autuada e, posteriormente, pelo Itaú, deixa claro que a movimentação financeira ali registrada é própria de pessoa jurídica: a grande quantidade de cheques emitidos; os inúmeros créditos decorrentes da movimentação de títulos (cobrança de duplicatas) os diversos pagamentos nominais a funcionários da pessoa jurídica (Luiz Carlos, Paulo, Fernando, Emilce, Marcelo e outros) funcionários da Aut Comercial, conforme comprovantes anexos 57 a 64. Tais pagamentos referem-se a vales, salários, adiantamentos para viagens, etc. os chamados DOC referem-se a transferência da conta da Carletti Ind. E Com. Ltda; Alega a impugnante que a movimentação financeira dela e de seu esposo era feita no Banco do Brasil S/A docs. 01 a 19 (extrato bancário do marido), sendo a do Itaú, das pessoa jurídicas das quais era sócia em 1998; Apresenta tabela, com total de depósitos em cheque/dinheiro, excluindo os títulos e outras operações pertencentes à pessoa jurídica, ressaltando que estes valores foram significativamente inferiores ao da autuação, mas que referidos depósitos têm como origem as receitas das Pessoas jurídicas: Mês Depósitos em cheque/dinheiro levantamento fiscal jan R$ 20.326,13 R$ 76.407,29 fev R$ 21.223,36 R$ 88.276,81 mar R$ 23.212,67 R$ 110.282,38 abr R$ 25.250,51 R$ 108.947,12 mai R$ 20.054,24 R$ 109.501,33 jun R$ 25.551,02 R$ 108.238,04 jul R$ 29.462,33 R$ 106.219,15 ago R$ 26.733,35 R$ 90.102,03 set R$ 34.972,23 R$ 83.274,57 out R$ 19.447,76 R$ 80.373,60 nov R$ 12.888,54 R$ 53.131,04 dez R$ 10.686,12 R$ 63.638,36 Total R$ 269.808,26 R$ 1.078.391,72 Alega que conforme se verifica pelo livro Diário, a maior parte das vendas da Aut Comercial era feita a prazo, justificando o grande número de operações com títulos na conta bancária; A conta 15968-1 registrava operações financeiras da pessoa jurídica, face ao número de títulos de fornecedores, pagos via bancos: BOAÇAVA, GATES, ORBA, CARLETTI (DOC transf.) – fls. 14 Fl. 603DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 GATES – fls. 15; BOAÇAVA, TELECIP – fls. 18 e 18v GATES, BOAÇAVA, MECÂNICA, CARREFOUR – fls. 19v BOAÇAVA, TELECIP, MATEX – fls. 9, etc, etc. Apresenta cópia do Diário (anexos 20 a 37), da firma Aut Comercial, com as folhas do extrato bancário (anexos 38 a 56), para comprovação de que os depósitos, na pessoa jurídica transitaram em sua conta corrente; Provado que os depósitos e créditos arrolados pelo autor do feito como sendo da autuada são, realmente, da pessoa jurídica Aut Comercial, da qual é sócia, e foram devidamente contabilizados, não configurando, sequer, omissão de receitas na pessoa jurídica, espera a impugnante ver acolhidas suas razões de defesa, cancelando-se o crédito tributário exigido e arquivando-se, por conseqüência, o processo, por ser esta uma medida de bom senso e justiça. (final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-26.951) 2.1. Ao julgar procedente em parte lançamento, o acórdão recorrido tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Procedimento fiscal instaurado em nome da contribuinte fiscalizada, para verificação da existência de crédito tributário, face à grande movimentação financeira detectada na sua conta corrente bancária. A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Face à grande divergência das informações prestadas pela instituição financeira, sobre a sua movimentação financeira, com a renda declarada pela contribuinte, foi requisitada a RMF- Requisição de Movimentação Financeira, com base no inciso V do art. 3º do Decreto 3.724/01. IRREGULARIDADES NOS MPF- MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não foi observado nenhuma irregularidade quanto à não revalidação do MPF, e, nem quanto à ciência do mesmo. DA DESIGNAÇÃO DO CARGO DA CONTRIBUINTE. Identificação adotada livremente pela contribuinte, na ciência dos Termos lavrados pela Autoridade Fiscal. DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Falta de comprovação da origem dos créditos bancários, impossibilitam de se assumir que a conta bancária da contribuinte foi utilizada unicamente por pessoas jurídicas. Aceita a comprovação dos créditos efetuados na conta bancária da fiscalizada, e registrados no Livro diário da empresa Aut Comercial. Fl. 604DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 3. Interposto o recurso voluntário (e-fls 486/506), nas razões recursais, após breve descrição dos fatos (e-fls 487/488) dos termos da decisão recorrida (e-fls 488/491), a Recorrente deduz as alegações sintetizadas como se segue: III. PRELIMINARMENTE III.1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. 491/494 III.2. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA 494/500 III. DAS RAZÕES DA DEFESA 500/502 VI. DAS CONCLUSÕES 503/505 VII. DOS PEDIDOS 505/506 3.1. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 505/506): Por todo o exposto, requer a esta Egrégia Câmara: O acolhimento das preliminares arguidas e o integral provimento deste Recurso, para o fim de anular o processo pela quebra do sigilo bancário da Recorrente. Além disso, a nulidade também deve ser declarada, por conta da ilegitimidade passiva de parte, que, como demonstrado no processo e corroborado pelas jurisprudências deste Egrégio Conselho, a tributação das receitas omitidas deveria recair exclusiva e unicamente sobre a pessoa jurídica Aut. Comercial Ltda. Outrossim, caso não sejam acolhidas as preliminares, requer a exclusão das parcelas decorrentes dos pagamentos dos funcionários e dos fornecedores da pessoa jurídica, conforme documentos acostados que não foram analisados pela DRJ. Por fim, requer, ainda, a posterior juntada de outros elementos de prova essenciais ao desfecho desta lide, os quais confirmarão que o crédito tributário discutido neste processo tem origem, também, em outra na pessoa jurídica (Carletti Industria Com. Exp. e Import. Ltda), devendo, desde já e portanto, ser anulado de pleno direito o lançamento que originou este processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 5. Esclareça-se que a matéria devolvida a este Colegiado está circunscrita às questões analisadas pela decisão de primeira instância com desfecho desfavorável ao Recorrente, Não se conhece, pois, das argumentação deduzida com referência ao tópico " DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, COM OPERAÇÕES DA AUT COMERCIAL " (e-fls 479), inserto na decisão de primeira instância. 6. Como se pode divisar, não obstante a exoneração de parte do débito, a peça recursal se cinge a repetir a mesma argumentação suscitada ao tempo da impugnação, Fl. 605DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 manifestando mero inconformismo com a decisão de piso, e solicitar a apreciação de novos documentos que não teriam sido apresentados nem ao tempo da impugnação tampouco na fase recursal. 7. O exame dos autos, contudo, evidencia que a decisão de primeira instância procedeu análise minuciosa da situação da questão apresentada na impugnação, e no tópico " DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, COM OPERAÇÕES DA AUT COMERCIAL " (e-fls 479) que resultou na aceitação do montante de R$ 230.541,54, como comprovados, excluindo-os do auto de infração. 8. Por concordar com os termos da decisão de primeira instância que perfez análise criteriosa da lide e exauriente em relação aos elementos de prova acostados aos autos e, diante da coincidência entre a argumentação deduzida no recurso e aquela oferecida ao tempo da impugnação, utiliza-se a prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, com a transcrição do voto nela contido. (início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-26.951) INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. As informações relativas à movimentação financeira da contribuinte, foram informados pelo Banco Itaú, à Secretaria da Receita Federal, em atendimento ao disposto no parágrafo 2º, do artigo 11, da Lei 9.311/96: § 2° do art. 11 da Lei nº 9.311/96 - As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. Com base nestas informações, prestadas pelas Instituições Financeiras, foram instaurados procedimentos administrativos de fiscalização, para a verificação da existência de crédito tributário, com base legal no parágrafo 3º do artigo 11, da Lei nº 9.311/96 (com redação dada pela Lei nº 10.174 de 09 de janeiro de 2.001): §3 o do art. 11 da Lei nº 9.311/96 - A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores .(redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.174/2001). Portanto não há que se falar em inconstitucionalidade da utilização das informações provenientes da CPMF, para a instauração de procedimento administrativo de fiscalização, pois a base legal foram os parágrafos 2º e 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96. A QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Fl. 606DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 Instaurado o procedimento administrativo de fiscalização na contribuinte, e, com base no art. 2º do Decreto nº 3.724/2.001, o Auditor Fiscal procedeu à auditoria das informações obtidas do Banco com as informações prestadas pela fiscalizada: Art.2º do Decreto nº 3.724/01 - A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Dessa análise observou-se uma divergência muito grande de informações enviadas pelo Banco Itaú, com as entregues pela contribuinte. Face à divergência de informações da CPMF com o extrato fornecido pela fiscalizada (fls. 13 a 44-v), o exame dessas informações foram consideradas indispensáveis, e, com base no inciso V do art. 3º do Decreto nº 3.724/2.001. foi requisitado a RMF – Requisição Movimentação Financeira, diretamente ao Banco Itaú: Art.3 do Decreto nº 3.724/01 - Os exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) V- realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; (...) O enquadramento no inciso V ficou patente, face à movimentação financeira da ordem de R$ 8.273.668,78 (fl. 10), em confronto com a Declaração de Rendimentos da ordem de R$ 13.500,00 (fl. 90). IRREGULARIDADES NOS MPF- MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não procede a alegação de irregularidade de não revalidação do MPF, no prazo legal (contrariando o art. 12 da Portaria SRF nº 3.007/01), pois observe-se na tabela a seguir apresentada, que o MPF original teve validade por 120 dias (em atendimento ao inciso I, deste artigo), e a partir daí, o prazo máximo para as prorrogações não superaram 30 dias (conforme estabelece o art. 13 da citada Portaria SRF nº 3.007/01): Data do MPF Prorrogado para Data da ciência Prazo (dias) 14/3/2001 (início) - 22/3/2001 120 12/7/2001 11/8/2001 31/08/2001 * 30 10/8/2001 9/9/2001 31/8/2001 27 6/9/2001 6/10/2001 24/9/2001 29 5/10/2001 4/11/2001 08/11/2001 * 27 1/11/2001 1/12/2001 8/11/2001 29 30/11/2001 30/12/2001 18/12/2001 27 27/12/2001 26/1/2002 07/01/2002 ** 30 Art. 12.da Portaria nº 3.007/2.001 - Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I - cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; Fl. 607DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 II - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. § 1º A prorrogação de que trata o caput far-se-á por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. E, também não procede a alegação de ciência após vencimento do prazo do MPF, pois do § 2º do art. 13 da citada Portaria SRF nº 3.007/01, “Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas...”, ou seja, o fornecimento desta informação é apenas subsidiária ao da ação fiscal. (...) Portanto não subsiste a alegação da impugnante quanto à irregularidade na ciência e nas prorrogações dos MPF – Mandado de Procedimento Fiscal. DA DESIGNAÇÃO DO CARGO DA CONTRIBUINTE. Em nenhum Termo lavrado pelo Auditor Fiscal, foi designado a contribuinte fiscalizada como “Diretora, Gerente”, conforme se observa nos termos acostados nas fls. 10, 45, 88, 93 a 106, 274, 277 a 283. No ato da ciência dos Termos lavrados pelo Auditor Fiscal, a contribuinte fiscalizada se identificava com o cargo de “Diretora, Gerente”, liberalidade concedida à todo contribuinte fiscalizado, que preferem se identificar com o cargo que mais lhe convenha, seja como professor, engenheiro, comerciante, contador, diretor, gerente, auditor, advogado, conselheiro, superintendente, etc. Esta liberdade de expressão, não significa em hipótese alguma que o Auditor Fiscal tenha identificado uma ou outra profissão da contribuinte fiscalizada. DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Verifica-se do exame das peças constituintes dos autos, que a impugnante tenta demonstrar que na sua conta bancária, transitaram operações contábeis de pessoas jurídicas, e, que portanto a constituição do crédito tributário porventura existente, seria de responsabilidade dessas pessoas jurídicas: Da firma Aut Comercial, conforme cópia do Diário (fls. 322 a 339), e folhas do extrato bancário (fls. 340 a 358-v), para comprovação de que os depósitos, dessa pessoa jurídica transitaram em sua conta corrente; Da firma Carletti Ind. E Com. Ltda, mas sem apresentar nenhuma prova que pudesse comprovar esta afirmação. Fl. 608DF CARF MF http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Portarias/PortariaSRF30072001AnexoVI.doc Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 Assim, do total da movimentação detectada na conta corrente da fiscalizada, pouco mais de 20 % dos valores de depósitos (movimentação da firma Aut Comercial conforme planilha em anexo que faz parte do presente acórdão), foram apresentadas como indícios, que poderiam em tese justificar a alegação de que esta conta corrente seria utilizada por pessoas jurídicas. Porém, há de se tecer, preliminarmente, um breve histórico da legislação vigente sobre a tributação com base nos depósitos bancários, pois, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430/96, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481/1997, deu suporte a presente autuação, relativa ao ano-calendário de 1998, e que assim dispõem: Art.42. da Lei 9.430/96 - Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) §4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º (Vide Medida Provisória nº 66, de 29.8.2002)-Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º (Vide Medida Provisória nº 66, de 29.8.2002)-Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." (NR) Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos Fl. 609DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova, nem comprovar acréscimo patrimonial ou nexo causal dos depósitos com fatos concretos. É função do fisco, na verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular/responsável das contas bancárias a apresentar os documentos, informações e/ou esclarecimentos. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte, dada a inversão do ônus da prova estabelecida pelo legislador, não podendo ser transferida ao fisco sob argumento de busca da verdade real. Via de regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a Lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art.333.O ônus da prova incumbe: I-ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II-ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art.334.Não dependem de prova os fatos: (...) IV-em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. O texto, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTEC-RJ- 1979- pág. 806), de José Luiz Bulhões Pedreira, já transcrito, sintetiza com muita clareza essa questão. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9430/96 é presunção relativa, presunção júris tantum, que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Não comprovada a origem dos recursos, pelo contribuinte, tem a Autoridade Fiscal o poder/dever de autuar a omissão do valor dos depósitos bancários recebidos. Dessa forma, simples alegações, desprovidas de documentações não comprovam a origem dos créditos/depósitos, tais como : A movimentação financeira ali registrada é própria de pessoa jurídica, devido a grande quantidade de cheques emitidos, aos inúmeros créditos decorrentes da movimentação de títulos (cobrança de duplicatas), sem nenhuma comprovação; Que operações com títulos, teriam como origem as receitas das Pessoas jurídicas, sem nenhuma comprovação; Que, conforme se verifica pelo livro Diário, a maior parte das vendas da Aut Comercial era feita a prazo, justificando o grande número de operações com títulos na conta bancária, sem nenhuma comprovação; Fl. 610DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.227 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.002116/2002-05 Que, a conta 15968-1 registrava operações financeiras da pessoa jurídica, face ao número de títulos de fornecedores, pagos via bancos, sem nenhuma comprovação. Dessa forma, não há que se falar, com base nos dados apresentados pela impugnante, que a conta corrente é de uma ou outra pessoa jurídica, pois a Lei é bem clara quanto à necessidade de análise individual de cada crédito/depósito, conforme o § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96: §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 - Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados.... (início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-26.951) CONCLUSÃO 9. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria excluída da lide, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720987/2016-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011, 2012
VALOR ADUANEIRO. "ROYALTIES" E DIREITOS DE LICENÇA. REQUISITOS DO AVA-GATT. NÃO CUMPRIMENTO.
Na determinação do valor aduaneiro, para se acrescer o valor referente a royalties ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, há que se verificar a ocorrência dos seguintes requisitos: i) os valores pagos a título de royalties ou outros direitos devem ser relacionados com as mercadorias valoradas; ii) os mesmos valores devem ser cobrados como condição de venda das mercadorias.
O primeiro requisito não resta cumprido quando não há relação direta entre o que é objeto de licença (know how) e o que é importado (insumo), mas sim entre o que é objeto de licença e o que é vendido no Brasil (produto final). Dos valores remetidos a título de royalties ao exterior, são expressamente excluídos os dispêndios com as mercadorias importadas, o que evidencia a ausência de vinculação direta entre ambos.
Ademais, o segundo requisito não é verificado na hipótese de o contrato firmado entre a empresa brasileira e a estrangeira estipular o pagamento de royalties representando uma condição para fabricação dos produtos finais no país de importação, sendo que seu inadimplemento não implica na vedação às importações.
Nesse sentido, é indevida a adição de royalties ao valor aduaneiro quando a sua quantificação for realizada com base na venda dos produtos no mercado interno, sem comprovada conexão entre o pagamento de royalties para a empresa no exterior e as mercadorias efetivamente importadas/valoradas.
Numero da decisão: 3402-006.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Thais De Laurenttis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2011, 2012 VALOR ADUANEIRO. "ROYALTIES" E DIREITOS DE LICENÇA. REQUISITOS DO AVA-GATT. NÃO CUMPRIMENTO. Na determinação do valor aduaneiro, para se acrescer o valor referente a royalties ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, há que se verificar a ocorrência dos seguintes requisitos: i) os valores pagos a título de royalties ou outros direitos devem ser relacionados com as mercadorias valoradas; ii) os mesmos valores devem ser cobrados como condição de venda das mercadorias. O primeiro requisito não resta cumprido quando não há relação direta entre o que é objeto de licença (know how) e o que é importado (insumo), mas sim entre o que é objeto de licença e o que é vendido no Brasil (produto final). Dos valores remetidos a título de royalties ao exterior, são expressamente excluídos os dispêndios com as mercadorias importadas, o que evidencia a ausência de vinculação direta entre ambos. Ademais, o segundo requisito não é verificado na hipótese de o contrato firmado entre a empresa brasileira e a estrangeira estipular o pagamento de royalties representando uma condição para fabricação dos produtos finais no país de importação, sendo que seu inadimplemento não implica na vedação às importações. Nesse sentido, é indevida a adição de royalties ao valor aduaneiro quando a sua quantificação for realizada com base na venda dos produtos no mercado interno, sem comprovada conexão entre o pagamento de royalties para a empresa no exterior e as mercadorias efetivamente importadas/valoradas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Thais De Laurenttis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2011, 2012 VALOR ADUANEIRO. "ROYALTIES" E DIREITOS DE LICENÇA. REQUISITOS DO AVAGATT. NÃO CUMPRIMENTO. Na determinação do valor aduaneiro, para se acrescer o valor referente a royalties ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, há que se verificar a ocorrência dos seguintes requisitos: i) os valores pagos a título de royalties ou outros direitos devem ser relacionados com as mercadorias valoradas; ii) os mesmos valores devem ser cobrados como condição de venda das mercadorias. O primeiro requisito não resta cumprido quando não há relação direta entre o que é objeto de licença (know how) e o que é importado (insumo), mas sim entre o que é objeto de licença e o que é vendido no Brasil (produto final). Dos valores remetidos a título de royalties ao exterior, são expressamente excluídos os dispêndios com as mercadorias importadas, o que evidencia a ausência de vinculação direta entre ambos. Ademais, o segundo requisito não é verificado na hipótese de o contrato firmado entre a empresa brasileira e a estrangeira estipular o pagamento de royalties representando uma condição para fabricação dos produtos finais no país de importação, sendo que seu inadimplemento não implica na vedação às importações. Nesse sentido, é indevida a adição de royalties ao valor aduaneiro quando a sua quantificação for realizada com base na venda dos produtos no mercado interno, sem comprovada conexão entre o pagamento de royalties para a empresa no exterior e as mercadorias efetivamente importadas/valoradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 09 87 /2 01 6- 78 Fl. 50078DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.597 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Thais De Laurenttis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo, até aquela fase processual: “O interessado foi autuado em face da legislação de valoração aduaneira. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 5072 e ss: 1. Toyota do Brasil manteve contratos com “Toyota Motor Corporation” (“Toyota Motor”), obrigandose ao pagamento de royalties e direitos de licença que deveriam ter sido incluídos no valor aduaneiro de mercadorias importadas, conforme artigo 8.1 (c) do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). 2. A condição de venda e a vinculação entre exportador e importador são destacados nos tópicos 3.2 e 3.3 do Relatório Fiscal (fls. 5083 e ss). Cita Solução de Consulta Interna nº 483 – SRRF08, de 18/12/2009. 3. Narra a ação fiscal nos tópicos 4 e 5 (fls. 5087 e ss.). O exame dos Contratos de Fornecimento de Tecnologia consta de fls. 5091 e ss. (tópico 4.2). 4. Valores apurados dos royalties e direitos de licença constam de fls. 5109 e ss. (tópico 7). Rateio dos royalties nos tópicos 7.1.1 e 7.1.2. Foram lançados tributos, juros e multas, no valor total de R$ 38.245.764,40. Fl. 50079DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.598 3 Intimado em 15/8/2016, o interessado Toyota do Brasil, CNPJ 59.104.760/000353, apresentou impugnação em 12/9/2016 (fls. 49.494 e ss.). Alega: 1. É fabricante de veículos automotores e importa componentes. 2. Possui contrato de fornecimento de tecnologia com “Toyota Motor”, que prevê pagamento de 5% do valor de veículos montados e vendidos no Brasil a título de “taxa de licença técnica” (royalties). 3. A autoridade fiscal não observou as condições para aplicação dos ajustes ao valora aduaneiro, conforme notas interpretativas do AVA e Opiniões Consultivas do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. 4. As cláusulas 16 e 17 do contrato dispõem que o valor dos materiais importados é descontado da composição do valor dos royalties. Os royalties são desvinculados do valor da importação dos insumos. 5. Foram autuadas importações amparadas pelo regime de drawback suspensão (tributos suspensos). Exigiuse tributo de operações dispensadas de recolhimento. 6. A inclusão dos royalties no valor aduaneiro das mercadorias importadas implica dupla tributação, posto que as remessas de royalties sujeitamse a Imposto de Renda e CideRoyalties. 7. A impugnante recolheu as contribuições utilizando base de cálculo do Pis/Pasep e da Cofins considerada inconstitucional pelo STF, conforme RE 559.937. Não houve recolhimento a menor de tributo. 8. Drawback. A impugnante é beneficiária do regime de drawback suspensão. As Declarações de importação (DI) relacionadas no Doc. 2 estão sujeitas ao drawback e devem ser excluídas do auto de infração. 9. Os tributos estão suspensos em razão do drawback (faz citação). O auto de infração é nulo. 10. Mérito. O valor aduaneiro será o valor de transação — preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias —, conforme artigo 1 do AVA. 11. Excepcionalmente, são acrescidos ao valor de transação alguns custos, conforme estabelecido pelo artigo 8.1 (c) do AVA. 12. O artigo 8 deve ser aplicado quando os royalties não estiverem inclusos no preço pago. Estando incluídos, não há se falar em ajuste. 13. O valor cobre todos os custos, incluindo royalties e direitos de licença, e lucro. 14. Cita o contrato firmado entre impugnante e licenciante (doc. 4), que exclui da base de cálculo dos royalties os custos de Fl. 50080DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.599 4 aquisição de mercadorias importadas, da licenciante e de terceiros, para evitar o pagamento de royalties em dobro, haja vista já terem sido pagos no momento da importação. 15. Cita Nota Interpretativa ao Artigo 8 (c). Os royalties relativos ao direito de vender as mercadorias internamente não se relacionam com o valor de transação e não devem ser incluídos no valor aduaneiro. 16. Reforça que os royalties pagos a “Toyota Motor” não constituem condição de venda, mas pagamentos referentes ao direito de reproduzir, distribuir e revender as mercadorias aqui fabricadas. 17. Cita Opinião Consultiva 4.5 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA), divulgada pela IN SRF 318/2003, segundo a qual o royalty, quando não constituir condição de venda, não deve ser incluído no valor aduaneiro. 18. O contrato prevê pagamento de 5% do “valor agregado local”. O custo dos produtos importados não está incluído na base de cálculo dos royalties. 19. Os royalties devem ter estreita relação com o bem importado. No caso essa relação inexiste, pois são importados insumos, não veículos, que são objeto do contrato de royalties. Cita Opinião Consultiva nº 4.13. 20. É necessário também que o pagamento do royalty tenha decorrido de “condição de venda”, que o vendedor vincule a venda da mercadoria ao pagamento de royalties. Faz citações. 21. Discorre sobre decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) no processo 16561.720124/201231. 22. Não subsiste a inclusão no valor aduaneiro de royalties relativos ao uso da marca em face de importações feitas de outros fornecedores não licenciantes. O valor dos royalties não é revertido direta ou indiretamente a estes vendedores exportadores e não consubstancia “condição de venda”. 23. A fiscalização autuou R$ 10.918.636,62 relativamente a importações oriundas de outras empresas que não a “Toyota Motor” (quadro em fl. 49.517). 24. Questiona dupla tributação, pois a impugnante recolhe Imposto de Renda (IRRF) e CideRoyalties sobre os paramentos de royalties à licenciante. 25. Caso o auto de infração seja mantido, os valores recolhidos a título de IRRF e CideRoyalties seriam passíveis de restituição, sob pena de lucupletamento ilícito do Estado. 26. Pis/Pasep e Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 559.937, decidiu que a Lei nº 10.865/2004 ampliou inconstitucionalmente o conceito de valor aduaneiro. Fl. 50081DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.600 5 27. A impugnante recolheu Pis/Pasep e Cofins utilizando base de cálculo inconstitucional. Não houve recolhimento a menor. Cita planilha anexa (doc. 3) e DI 11/18593954 (fl. 49.523). 28. Não há que se falar em exigência de supostas diferenças das contribuições Pis/Pasep e Cofins e da manutenção do auto de infração. Requer o cancelamento do valor total autuado (vide fl. 49.525). 29. Ônus da prova. O lançamento carece de provas, decorrendo de mera presunção. Faz citações. 30. Requer seja provida a impugnação e cancelado o lançamento. O julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução 16 000.698, da extinta 22ª turma, para resposta aos quesitos formulados em fls. 49.716 e 49.717. A fiscalização atendeu à diligência por meio do “TERMO DE CIÊNCIA DE INFORMAÇÃO FISCAL EQFIA IV nº 4324/2017”, do qual o interessado foi cientificado em 18/10/2017 (fl. 49.729). O interessado manifestouse em fls. 49.732 e ss. Concorda com a fiscalização no tocante à exoneração total dos créditos de Pis/Pasep e Cofins. Reitera os demais argumentos de impugnação.” Por meio do acórdão nº 1680.961, de 6 de dezembro de 2017 (fls. 49736 a 49758), a 17ª Turma da DRJ São Paulo, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, determinando a exoneração dos créditos tributários relativos ao PISImportação e COFINSImportação, bem como as respectivas multas e juros. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: VALOR ADUANEIRO. Royalties e direitos de licença devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas quando satisfazem duas condições: (i) são relacionados às mercadorias importadas e (ii) o importador deve pagálos, direta ou indiretamente, como condição de venda das mesmas. PIS/PASEP e COFINS. Valor recolhido nas importações segundo base de cálculo declarada inconstitucional (Recurso Extraordinário 559.937). A fiscalização manifestouse pela exoneração do lançamento das contribuições e acréscimos legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.7567 a 7590), alegando, em síntese: Fl. 50082DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.601 6 I. Como preliminar de mérito, nulidade do lançamento em função da suspensão dos tributos federais na importação decorrentes de drawback suspensão; II. No mérito, impossibilidade de inclusão dos royalties no valor aduaneiro, com base nos seguintes argumentos: a. Não cumprimento dos requisitos para aplicação dos ajustes previstos nos artigos 8º c/c 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA); b. Impossibilidade de inclusão dos royalties no valor aduaneiro, tendo em vista que os fornecedores não licenciantes não são titulares dos direitos de marca, motivo pelo qual não poderiam exigir, como condição de venda, o pagamento de royalties e de direitos de licença atinentes à tecnologia e marcas cedidas; c. Dupla tributação: a inclusão dos royalties no valor aduaneiro das mercadorias importadas implica dupla tributação, uma vez que o pagamento de royalties está sujeito ao IRRF e à CideRoyalties; d. Ausência de provas. A DRJ recorreu de ofício. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. A PGFN apresentou suas contrarrazões (fls.50045 a 50063). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Recurso de Ofício O Recurso de Ofício deve ser admitido tendo em vista que o valor exonerado excedeu o limite de alçada. A decisão recorrida exonerou os valores lançados de PIS e COFINS, bem como multa e juros correspondentes, pela constatação de erro no lançamento efetuado. A decisão deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, tendo em vista o erro constatado pelo julgador a quo, considerando a manifestação da autoridade lançadora que reconheceu o erro no lançamento. Fl. 50083DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.602 7 Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a julgamento reside na inclusão, ou não, dos royalties (denominado de Taxa de Licença Técnica), pagos à detentora das marcas situada no exterior (empresa vinculada), no valor aduaneiro de importações de partes, peças e componentes importados de empresas ligadas, por força do disposto no artigo 8.1 (c) do Acordo de Valoração Aduaneira. Conforme disposto no Relatório Fiscal, os Contratos de Fornecimento de Tecnologia para os carros ETIOS, COROLLA e IMV (HILUX), firmados entre a Toyota do Brasil Ltda e a Toyota Motor Corporation, devidamente submetidos e averbados pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI), estabeleceram que a TOYOTA DO BRASIL remeteria, a título de royalties, ou Taxa de Licença Técnica, conforme escrito nos contratos, um determinado valor à TOYOTA MOTOR, detentora das marcas situada no exterior. As partes, peças e componentes importados, que foram objeto da revisão aduaneira, foram oriundas de diversos fabricantes, todas empresas vinculadas a TOYOTA MOTOR (nos termos do artigo 15, item 4, do Decreto nº 1.355/94 – AVAGATT). A decisão recorrida, confirmando a posição da Autoridade Fiscal, entendeu que o pagamento dos royalties está intrinsecamente vinculado aos produtos importados, e seria uma “condição de venda” prevista no Acordo de Valoração Aduaneira – AVA, a exigir sua inclusão no valor aduaneiro. Por outro lado, a recorrente alega, no mérito, a impossibilidade de inclusão dos royalties no valor aduaneiro, pelo não cumprimento dos requisitos para aplicação dos ajustes previstos no artigo 8.1 (c) do Acordo de Valoração Aduaneira. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade do lançamento em função da suspensão dos tributos federais na importação decorrentes de drawback suspensão Ao contrário do que alega a recorrente, a norma jurídica do drawback suspensão não tem por efeito suspender os tributos relativos à operação de importação como um todo. Tratase de uma isenção condicionada, cujo efeito recai sobre o montante do crédito tributário devidamente quantificado por ocasião do momento de ocorrência do fato gerador (data do registro da DI, para fins de cálculo). No Regime de Drawback a regra de isenção atua juntamente com a regra de incidência tributária, mutilando parte do complemento de seu aspecto material, desde que atendidas aquelas condições impostas pela lei de regência. O seu aspecto quantitativo, incluindo a base de cálculo, deve estar perfeitamente delimitado. Sendo assim, não é possível considerar a hipótese de uma isenção/suspensão ulterior de tributos, mas apenas do valor devidamente quantificado. A ausência do valor correto na DI também impede o pleno controle administrativo da SECEX, contaminando possível adimplemento das condições administrativas do regime, visto que tal controle foi efetuado com base num valor declarado divergente do real valor aduaneiro apurado. Destacase que, no exame do pedido de drawback, a SECEX leva em Fl. 50084DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.603 8 conta a agregação de valor e o resultado da operação. Se o valor das importações foi incorretamente informado, a análise administrativa fica comprometida. Dessa forma, confirmase a decisão recorrida, no sentido que não haveria suspensão ulterior de tributos que extrapolam o pedido do Contribuinte do momento do registro da respectiva importação. Caso seja concluído pela divergência do valor aduaneiro, tal diferença não estaria abrangida pela suspensão prevista pelo regime aduaneiro de drawback. No mérito, a recorrente alega a impossibilidade de inclusão dos royalties no valor aduaneiro, pelo não cumprimento dos requisitos para aplicação dos ajustes previstos no artigo 8.1 (c) do Acordo de Valoração Aduaneira. Para verificar os ajustes passíveis de serem feitos, cabe a transcrição do Artigo 8° do AVAGATT, que segue, na íntegra, abaixo: “Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) – os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador, mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: (i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; (iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãodeobra e com materiais; (b) – o valor, devidamente atribuído, dos seguintes bens e serviços desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de “design”, e planos e esboços, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação; Fl. 50085DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.604 9 (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) – o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) – o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) – os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (c) – o custo do seguro. 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados em dados objetivos e quantificáveis. 4. Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar, se não estiver previsto neste Artigo.” (grifos nossos) Importante destacar a unicidade da Valoração Aduaneira, que não se trata de um tema sujeito a interpretações diversas dos países membros do GATT, mas um conceito uno sujeito a uma interpretação restritiva conforme delimitado pelo próprio acordo conforme brilhantemente expôs o Conselheiro e Professor Rosaldo Trevisan, no voto vencedor do Acórdão 3401003.194: “No que tange ao primeiro tema, entendo que a matéria é disciplinada em tratado internacional, o Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, não podendo ser objeto de interpretação à luz de conceitos derivados da legislação nacional e da doutrina tributária nacional, como no precedente inicialmente colacionado no voto do relator (Acórdão no 3302003.126). O Acordo de Valoração Aduaneira, aplicado em mais de 180 países, não pode ser alterado pela vontade unilateral das partes, nem ter seus conceitos deturpados pela legislação nacional, sendo, v.g., pouco relevante, na interpretação do acordo, o que a legislação nacional considera como "contrato de franquia", ou de distribuição, ou o que a doutrina tributária entende como peculiaridades da base de cálculo, no país. Fl. 50086DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.605 10 Recordese que, no Brasil, lamentavelmente, a legislação nacional chegou a tentar alterar o conteúdo da expressão "valor aduaneiro", alteração essa que acabou corretamente obstada pela suprema corte, no RE no 559.607/SC, citado ao final do voto do relator, e aplicado de ofício, unanimemente, por este colegiado. Por certo que a expressão "valor aduaneiro" não pode significar, no Brasil, algo diferente do que significa nos demais países signatários do GATT, e membros da OMC, sob pena de tornar inócuo o acordo internacional uniformizador, e de ser o país acionado perante o Órgão de Solução de Controvérsias de tal organização. Aliás, a incorporação da expressão "valor aduaneiro" ao texto constitucional brasileiro (art. 149, § 2o, II, "a"), pela Emenda Constitucional no 33/2001, obviamente se fez com a acepção que já estava consagrada internacionalmente. Assim, o conteúdo da expressão "valor aduaneiro" e dos elementos que o compõem deve ser buscado na legislação internacional, mormente no Acordo de valoração Aduaneira (AVA), somente se prestando a legislação nacional a complementar o AVA naqueles temas em que o acordo prevê faculdades às partes (v.g., o Artigo 8o, 2). O próprio AVA define a quase totalidade dos termos e expressões que emprega, para evitar tratamento desigual pelos países signatários. [...] Ademais, no Anexo I do AVA figuram as Notas Interpretativas do acordo, que o integram, conforme artigo 14, contendo explicações e exemplos para facilitar sua aplicação. O Anexo II detalha disposições sobre o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA, ou “Comitê de Valoração de Bruxelas”), sob os auspícios do CCA/OMA, com a finalidade de conseguir, no nível técnico, uniformidade, na interpretação e aplicação do acordo, podendo, o CTVA, emitir Opiniões Consultivas, Comentários e Notas Explicativas. Tal comitê foi criado pelo artigo 18 do AVAGATT. [...]” Então, quais seriam as condições para inclusão dos royalties e direitos de licença na determinação do valor aduaneiro? (i) que tenham relação com as mercadorias objeto de valoração; (ii) que sejam uma condição de venda das mercadorias objeto de valoração; e (iii) que não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar. Fl. 50087DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.606 11 Para concluirmos que os royalties pagos à TOYOTA MOTOR se enquadravam nas condições previstas pelo acordo, devemos inicialmente analisar os termos do contrato que originou os pagamentos. Reproduzo algumas cláusulas do Contrato para fornecimento de tecnologia para o Corolla entre TOYOTA MOTOR CORPORATION e TOYOTA DO BRASIL LTDA (fls. 19363 a 19395), cujo conteúdo é relevante para a presente análise: Preâmbulo Artigo 1 Definições Fl. 50088DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.607 12 A primeira condição impõe que os royalties tenham relação com as mercadorias objeto de valoração. De acordo com os contratos para fornecimento de tecnologia analisados pela Autoridade Fiscal os produtos licenciados foram produzidos utilizando as mercadorias importadas (Peças KD e Peças NãoLicenciadas), com observância dos desenhos e especificações da Licenciante, utilizando os conhecimentos e know how objeto da licença, além da aplicação da marca que lhes dá a identidade e reputação. As mercadorias importadas eram destinadas à produção dos veículos licenciados que resultaram no pagamento dos royalties. O próprio preâmbulo do contrato já aponta a vinculação entre a tecnologia e know how da Licenciante na fabricação de veículos e nas peças componentes (mercadorias importadas), tecnologia e conhecimento que resultam no pagamento dos royalties no licenciamento. Destacase que a Licenciante é responsável pelos defeitos nas pelas licenciadas importadas, mesmo não sendo a exportadora direta das mesmas, o que reforça a vinculação entre a importação das mercadorias e o licenciamento em questão. Fl. 50089DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.608 13 Constatase, portanto, a direta relação entre as mercadorias importadas, objeto da valoração, e os contratos de concessão de licença de fabricação para os produtos licenciados, que resultaram no pagamento dos royalties ou taxa de licença técnica, conforme descrito nos contratos. Confirmase, dessa forma, o entendimento da Autoridade Fiscal, de que “os royalties estão diretamente relacionados aos produtos importados, os quais só puderam integrar o processo produtivo, nas condições estabelecidas, graças a autorização contratada”. A segunda condição determina que os royalties sejam configurados como uma condição de venda das mercadorias objeto de valoração. Este é o ponto chave para o deslinde da questão. A Autoridade Fiscal aponta que os royalties constituem condição de venda das mercadorias importadas, pois estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade de sua comercialização no País, não podendo esta ocorrer sem o pagamento daqueles direitos, sem os quais seria inviável sua importação com o objetivo de prática de mercancia, haja vista, que o processo produtivo depende dos controles e autorizações da empresa TOYOTA MOTOR. Por outro lado, a Recorrente afirma que os royalties não são condições de venda das mercadorias importadas. Segundo seu entendimento, o pagamento dos royalties é relativo ao direito de licença e ao direito de utilização da tecnologia e da marca de titularidade da Toyota Motor Corporation, além assistência e treinamento de pessoal para fabricação de veículos, ao passo que as mercadorias importadas são meros insumos para a composição do produto final. Dessa forma, não haveria relação estreita e direta entre as importações analisadas pelo Fisco e o pagamento dos royalties. A questão foi enfrentada pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA) em seu Comentário 25.1, adotado em 15/04/2011 na 32ª Seção. Ainda que tal comentário não tenha sido internalizado, na interpretação de fatos correlatos devemos utilizar suas considerações para a solução de controvérsias, dado o caráter uno do tema e da necessária padronização internacional do entendimento acerca da matéria. “COMENTÁRIO 25.1 CÁNONES Y DERECHOS DE LICENCIA ABONADOS A TERCEROS COMENTARIO GENERAL 1. El presente documento pretende servir de guía para la interpretación y aplicación del artículo 8.1 c) del Acuerdo en casos en que un canon o derecho de licencia se paga a un tercero licenciante que no está vinculado al vendedor. 2. Según el artículo 8.1 c), se añadirán al precio realmente pagado o por pagar por las mercancías importadas los cánones y derechos de licencia relacionados con las mercancías objeto de valoración que el comprador tenga que pagar directa o indirectamente como condición de venta de dichas mercancías, en la medida en que los mencionados cánones y derechos no estén incluidos en el precio realmente pagado o por pagar. 3. Un hecho habitual en el comercio internacional se da cuando el canon o derecho de licencia se paga a un tercero, es decir, a una parte distinta del vendedor de las mercancías importadas. Fl. 50090DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.609 14 Generalmente, en estas situaciones, el comprador/importador pacta un contrato de venta con el vendedor/fabricante al tiempo que concluye un acuerdo de licencia con un tercero licenciante. En algunos casos, también existe un acuerdo de licencia entre el licenciante y el vendedor/fabricante. 4. Con miras a proceder a la determinación del valor según el artículo 8.1 c), es importante examinar todos los documentos pertinentes, incluidos los acuerdos de canon o de licencia y el contrato de venta. El acuerdo de canon o de licencia autoriza al propietario de derechos de propiedad intelectual (el “licenciante”) a percibir ingresos procedentes de un invento o de una obra creativa exigiendo a un utilizador (el “licenciatario”) el pago de un canon o de un derecho de licencia a cambio del derecho a utilizar el producto provisto de licencia. Generalmente, el acuerdo de canon o de licencia precisa los derechos que se otorgan al licenciatario; las condiciones acordadas entre el licenciante y el licenciatario, como la duración del acuerdo, las utilizaciones prohibidas, los derechos de transmisión y de sublicencia, las garantías, la expiración del acuerdo de licencia, el respaldo y los servicios de mantenimiento, las disposiciones en materia de control de calidad, etc.; y los pormenores sobre el pago del canon y del derecho de licencia. Al otorgar una licencia sobre un derecho de propiedad intelectual, el licenciante concede un derecho limitado a utilizar su propiedad intelectual, como, por ejemplo, marcas comerciales, pero conserva su derecho de propiedad fundamental. El contrato de venta precisa, por su parte, los términos y las condiciones relacionadas con la venta para la exportación de las mercancías objeto de importación. La información recogida en estos acuerdos y otros documentos pertinentes puede dar algún indicio para saber si el pago del canon o derecho de licencia se debería incluir en el valor en aduana con arreglo al artículo 8.1 c). 5. Cuando se paga un canon o un derecho de licencia a un tercero, se considera improbable que dicho canon se incluya en el precio realmente pagado o por pagar con arreglo al artículo 1. A efectos del presente Comentario, se supone que los cánones o derechos de licencia no están incluidos en el precio realmente pagado o por pagar. Por consiguiente, el análisis se centra en las dos cuestiones principales que se desprenden del artículo 8.1 (c): 1. ¿El canon o derecho de licencia está relacionado con las mercancías objeto de valoración?; y 2. ¿El canon o derecho de licencia se paga como condición de venta de las mercancías objeto de valoración? Modo de determinar si un canon o un derecho de licencia está relacionado con las mercancías objeto de valoración 6. Las circunstancias más frecuentes en las que es posible considerar que un canon o derecho de licencia está relacionado con las mercancías objeto de valoración se dan cuando las Fl. 50091DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.610 15 mercancías importadas incorporan la propiedad intelectual y/o se fabrican utilizando la propiedad intelectual incluida en la licencia. Por ejemplo, el hecho de que las mercancías importadas incorporen la marca comercial por la que se paga el canon, indica que el canon está relacionado con dichas mercancías. Modo de determinar si el pago de un canon o de un derecho de licencia se efectúa como condición de venta de las mercancías objeto de valoración 7. Un factor clave que permite determinar si el comprador debe pagar el canon o derecho de licencia como condición de venta de las mercancías importadas reside en saber si el comprador no podría comprar las mercancías importadas sin pagar dicho canon o derecho de licencia. Cuando el canon se paga a un tercero vinculado al vendedor de las mercancías importadas, es más probable que el pago del canon o del derecho de licencia constituya una condición de venta que cuando dicho canon o derecho de licencia se paga a un tercero no vinculado al vendedor. Se pueden dar casos en los que se considere que el pago de cánones o de derechos de licencia constituye una condición de venta incluso cuando éstos se pagan a un tercero. No obstante, se debe analizar cada situación teniendo en cuenta todos los elementos de hecho relacionados con la venta y la importación de las mercancías, incluyendo las obligaciones contractuales y legales contempladas en los documentos pertinentes, como el contrato de venta y el acuerdo de canon o de licencia. 8. La prueba más evidente de que el comprador no puede adquirir las mercancías importadas sin pagar el canon o derecho de licencia es que los documentos de la venta de las mercancías importadas incluyan una declaración explícita estableciendo que el comprador debe pagar el canon o derecho de licencia como condición de venta. Semejante referencia resultaría determinante para decidir si el pago del canon se ha efectuado como condición de venta. El Comité Técnico reconoce, sin embargo, que es posible que los documentos de la venta no incluyan una disposición tan explícita, especialmente cuando el canon o derecho de licencia se paga a una parte no vinculada al vendedor. En este caso, puede que sea necesario examinar otros factores con miras a determinar si el pago del derecho de licencia se efectúa como condición de venta. 9. El Comité Técnico opina que la cuestión de saber si al comprador le resulta imposible adquirir las mercancías importadas sin pagar el canon o derecho de licencia, depende del examen de todos los elementos de hecho relacionados con la venta e importación de las mercancías, incluyendo la relación existente entre el acuerdo de licencia y el contrato de venta y otra información pertinente. A continuación se exponen factores que se pueden tener en cuenta para determinar si el pago de un Fl. 50092DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.611 16 canon o de un derecho de licencia constituye una condición de venta: 1. Se hace una referencia al canon o derecho de licencia en el contrato de venta o documentos conexos 2. Se hace una referencia a la venta de las mercancías en el acuerdo de licencia 3. De acuerdo con las condiciones del contrato de venta o del acuerdo de canon o de licencia, el contrato de venta se puede rescindir en caso de violación del acuerdo de licencia porque el comprador no efectúa el pago del canon al licenciante. Este hecho indica que existe una relación entre el pago del canon o del derecho de licencia y la venta de las mercancías objeto de valoración 4. En el acuerdo de canon o de licencia existe una cláusula en la que se establece que si no se efectúa el pago del canon o derecho de licencia, el fabricante no está autorizado a fabricar para el importador ni a venderle a éste las mercancías que incorporan la propiedad intelectual del licenciante 5. El acuerdo de canon o de licencia contiene cláusulas que autorizan al licenciante a gestionar la producción o la venta entre el fabricante y el importador (venta para la exportación al país de importación) que van más allá del control de calidad 10. Cada caso deberá examinarse individualmente, teniendo en cuenta las circunstancias que le sean propias.” Conforme acima concluído, há uma direta relação entre a importação das mercadorias e o pagamento dos royalties devidos pela utilização da tecnologia e know how da Licenciante, inclusive em relação às peças licenciadas importadas que foram utilizadas na fabricação dos veículos. O fornecimento das mercadorias importadas licenciadas (Peças KD) faz parte do contrato fornecimento objeto dos royalties, conforme definido em seu artigo 1, ainda que remeta os termos a outro instrumento contratual separado: “(4) “Peças KD” significa pelas, componentes e materiais que serão fornecidos pela Licenciante, direta ou indiretamente à Licenciada, para fabricação dos Veículos Licenciados ou Peças Locais conforme os termos e condições mutuamente combinados em separado entre as partes interessadas.” Além disso, diversos pontos do contrato vinculam as mercadorias licenciadas importadas à Licenciante e sua tecnologia, e à produção dos bens licenciados. Em nosso entendimento, o ponto fundamental é identificar se os insumos importados eram licenciados pela Licenciante e se os contratos de concessão de licença de fabricação para os produtos licenciados abrangiam o fornecimento de tais insumos licenciados. Caso a importação tenha abrangido produtos não licenciados, não haveria como vincular pagamentos de royalties vinculados a um contrato de licenciamento de uma mercadoria que nem seria licenciada, mesmo que utilizada diretamente na produção de um veículo licenciado. A vinculação acima defendida não existiria neste caso. Fl. 50093DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.612 17 No presente caso os insumos importados licenciados, denominados de “Peças KD”, eram licenciados pela Licenciante e os contratos que lastreavam o pagamento dos royalties abrangiam o fornecimento de tais insumos licenciados. Existindo dados objetivos e quantificáveis com relação ao pagamento dos royalties e os insumos em questão, a adição prevista no artigo 8º do AVAGATT é possível. A nota interpretativa ao parágrafo 3º do artigo 8º deixa claro que o ajuste não poderá ser efetuado quando as mercadorias importadas se misturem com outras nacionais ou não possam ser identificadas separadamente. “Inexistindo dados objetivos e quantificáveis com relação aos acréscimos previstos pelas disposições do Artigo 8, o valor de transação não poderá ser determinado de acordo com o disposto no Artigo 1. Como ilustração disto, um royalty é pago com base no preço de venda, no país de importação de um litro de um dado produto que foi importado por quilograma e transformado em solução após importado. Se o royalty basearse parcialmente nas mercadorias importadas e parcialmente em outros fatores independentes das mercadorias importadas (como quando as mercadorias importadas são misturadas com ingredientes nacionais e não podem mais ser identificadas separadamente ou quando não se pode distinguir o royalty dos acordos financeiros especiais entre comprador e vendedor) seria inadequado tentar proceder a um acréscimo relativo ao royalty. No entanto, se o montante deste royalty basearse somente nas mercadorias importadas e puder ser facilmente quantificado, um acréscimo ao preço efetivamente pago ou a pagar poderá ser feito.” Dessa forma, a importação de peças licenciadas da mesma marca utilizada para a produção dos veículos licenciados, objeto do contrato de concessão de licença de fabricação, determina o ajuste do valor aduaneiro com a adição dos royalties proporcionais à tais insumos licenciados utilizados, visto que para a produção dos veículos exigiase aqueles insumos licenciados importados, que eram fornecidos exclusivamente pela Licenciante, direta ou indiretamente. O fato das mercadorias importadas licenciadas incorporarem a marca pela qual os royalties são pagos indicam que tais royalties estão relacionados com tais bens. Ainda que não expressamente mencionada nos contratos apresentados, a condição de venda é implícita, dada a vinculação entre as partes contratantes, tanto do licenciamento quanto do fornecimento das mercadorias importadas. Concluise, portanto, que o pagamento dos royalties era condição de venda na aquisição das peças licenciadas (Peças KD) importadas, fornecidos indiretamente pela Licenciante através de empresas vinculadas. A terceira condição impõe que os royalties não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Conforme destacado pelo julgador a quo, não constam dos contratos de fornecimento de tecnologia que os royalties estejam incluídos no preço de produtos importados. O fato de os royalties e direitos de licença incidirem sobre o “preço líquido de venda”, com a dedução dos custos de mercadorias importadas, não implica a conclusão de que tais royalties e direitos de licença estariam já incluídos no preço pago. Nenhuma prova no sentido contrário foi feita pela recorrente para corroborar sua alegação. Fl. 50094DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.613 18 A própria situação fática da operação comercial de fornecimento dos insumos licenciados importados ter sido realizada com terceiros, ainda que vinculados, mas não detentores dos direitos licenciados, indica que os royalties não fizeram parte do preço pago pelas mercadorias importadas. Portanto, entendo que tal condição também foi cumprida. Dessa forma, concluise que todas as condições impostas pelo artigo 8.1(c) do AVAGATT para inclusão dos royalties e direitos de licença na determinação do valor aduaneiro foram cumpridas, na importação de insumos licenciados, sendo devido o ajuste no valor aduaneiro conforme processado pela Autoridade Fiscal. Já em relação à importação de “Peças NãoLicenciadas”, que não utilizaram knowhow técnico e não são licenciadas, a conclusão é diferente. Neste caso não há como vincular as mercadorias importadas aos pagamentos de royalties vinculados a um contrato de licenciamento, ainda que tais mercadorias sejam utilizadas diretamente na produção de um veículo licenciado. Em nosso entendimento a vinculação entre a importação e o licenciamento é inexistente neste caso. Também não seria possível concluir que o pagamento dos royalties na importação das mercadorias não licenciadas seria condição de venda, tendo em vista que os fornecedores não licenciantes não eram titulares dos direitos de marca objeto dos royalties, motivo pelo qual não poderiam exigir, como condição de venda, o pagamento de royalties e de direitos de licença relativos a uma tecnologia que não lhes pertenciam. Sendo assim, acolho a alegação da recorrente no sentido que não subsiste a pretensão fiscal de revisão do valor aduaneiro declarado para a inclusão dos royalties relativos ao uso da marca relativamente às importações feitas de outros fornecedores não licenciantes do uso de marca relacionados, não cumprindo as condições determinadas pelo o art. 8.1.(c) do AVAGATT. Quanto à alegação de bitributação, entendendo que a inclusão dos royalties no valor aduaneiro das mercadorias importadas implicaria em dupla tributação, uma vez que o pagamento de royalties está sujeito ao IRRF e à CideRoyalties, também não assiste razão à recorrente. No referido caso não se trata de dupla tributação vedada, nem de bis in idem, visto que a lei elenca dois fatos geradores distintos: pagamento de royalties, para o IRRF; e entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, para o Imposto de Importação e desembaraço aduaneiro, para o IPI vinculado à importação. O reflexo nos tributos aduaneiros dáse em seu elemento quantitativo, na base de cálculo, não em seu aspecto material. A questão é de cumprimento à dispositivo regulamentar (Decreto 1.355/94) e Acordo de Valoração Aduaneira, que determinou o ajuste nos casos previstos. Tratase de dispositivo de observância obrigatória pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas atribuições, pelos Conselheiros do CARF, conforme dispõe o artigo 62 do RICARF. A legislação aduaneira não prevê a dispensa do ajuste por royalties que tenham sido tributados pelo IRRF e pela CIDE. Dessa forma, não há qualquer ilegalidade na inclusão dos royalties no valor aduaneiro para efeito de incidência do Imposto de Importação e nas bases de cálculo do IRRF e da CideRoyalties. Fl. 50095DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.614 19 Também não procede a alegação de ausência de provas, visto que o lançamento se encontra lastreado em suficientes elementos probatórios, inclusive nos contratos que disciplinaram a obrigação de pagamento de royalties, os quais deixam claro que se fizeram presentes os requisitos para aplicação do Artigo 8, 1, (c), do AVAGATT. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os ajustes efetuados ao valor aduaneiro relativos às mercadorias importadas não licenciadas. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Voto Vencedor Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora designada Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator sobre a necessidade de ajuste do valor aduaneiro das mercadorias importadas, matéria tratada exclusivamente no recurso voluntário da Contribuinte, pelas razões que passo a expor. Como muito bem colocado pelo Conselheiro Relator, o cerne do litígio referese à valoração aduaneira de mercadorias importadas, mais especificamente, à inclusão dos valores pagos a título de royalties, oriundos do Contrato de Transferência de Tecnologia firmado entre a Recorrente e sua empresa vinculada no exterior. Em síntese, a fiscalização concluiu que o valor pago a título de royalties deveria ter sido incluído no valor aduaneiro, por força do disposto no Artigo 1 e 8.1 (c) do Acordo de Valoração Aduaneira. No contexto do Acordo Geral sobre Tarifa e Comércio – GATT, criado para a efetivação de acordos recíprocos e vantajosos, visando à redução substancial das tarifas aduaneiras e de outras barreiras às permutas comerciais, além de eliminação de tratamento discriminatório no âmbito do comércio internacional (GATT 47), surgiu o Acordo para a implementação do Artigo VII do GATT, também chamado de Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (“AVAGATT”), que passou a ser parte integrante do GATT e obrigatório para todos os membros da Organização Mundial do Comércio (“OMC”) em 1994, com a conclusão da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais (“Rodada Uruguai”). A incorporação dessas disposições ao Direito interno brasileiro ocorreu com o Decreto Legislativo 30/94, que aprovou, e o Decreto 1.355/94, que promulgou a Rodada Uruguai, contendo o citado AVAGATT. O conteúdo do AVAGATT apresenta diversos princípios a serem observados na análise de casos valoração aduaneira, sendo o principal deles o princípio do primado do valor da transação. Segundo tal princípio, “a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros deve ser, tanto quanto possível, o valor de transação das mercadorias a Fl. 50096DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.615 20 serem valoradas”.1 Na impossibilidade de apuração do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria, o Acordo estabelece a utilização de métodos substitutivos, os quais estão enunciados em ordem sequencial de aplicação. Por sua vez, o Artigo 8º apresenta ajustes a serem feitos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. In verbis: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar. Ou seja, o valor aduaneiro das mercadorias importadas consiste no preço efetivamente pago ou a pagar em uma operação de importação, livremente pactuado entre as partes (constante na fatura), ajustado de acordo com as disposições do AVA/GATT (valores a serem acrescentados ao preço), sendo a adição dos valores de royalties e direitos de licença relacionados à mercadoria importada um do referidos ajustes. É o que prevê o artigo 1º do Decreto nº 1.355/94. 2 Neste contexto, exsurge a importância do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial do Comércio, instituição internacional que tem como objetivo conferir uniformidade na interpretação e aplicação do AVAGATT por meio de Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso. Tais diretrizes devem ser observadas na apuração do valor aduaneiro, conforme expressamente determina o artigo 1º da Instrução Normativa SRF n. 318/2003. 1 Ibidem, p. 243. 2 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; (ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou (iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. (BRASIL, 1994, p. 216 do anexo ao Decreto nº 1.355/1994). Fl. 50097DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.616 21 Sobre o tema objeto do presente processo administrativo, tratase de questão que gerou questionamentos no âmbito do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, resultando, entre outros atos normativos internacionalizados pelo Brasil,3 nas notas do parágrafo 1 (c) do Artigo 8, a seguir transcritas: 1 .Os royalties e direitos de licença referidos no parágrafo l (c) do Artigo 8 poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2. Os pagamentos feitos pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação das mercadorias importadas. Do texto citado, depreendese que é necessário o preenchimento concomitante de dois requisitos para que, nos termos do AVAGATT, seja feita a adição dos royalties (artigo 22 da Lei n. 4.506/1964)4 ou outros direitos ao valor aduaneiro das mercadorias importadas: i) os valores pagos a título de royalties ou outros direitos devem ser relacionados com as mercadorias valoradas; ii) os mesmos valores devem ser cobrados como condição de venda das mercadorias. O preenchimento destes requisitos constitui questão controvertida em autuações fiscais como a que deu origem ao presente processo. Perguntase: quando estamos diante do "relacionamento" como "condição de venda" descrita pelo AVAGATT? Dentre as manifestações do CARF sobre a temática, destacase o Acórdão n. 3402002.417, negando provimento a recurso de ofício em julgamento pela unanimidade desse mesmo colegiado em composição anterior. A seguir colaciono trecho do julgado que elucida a questão: Dos dispositivos do Acordo de Valoração Aduaneira AVA retro transcritos, desde logo verificase que o que se pretende com a vinculação do preço efetivamente pago ou a pagar pelo comprador importador ao vendedor em razão de uma venda para exportação para o país de importação, com o valor dos royalties e direitos de licença pagos ao vendedor exportador como “condição de venda”, foi impedir a manipulação do valor aduaneiro declarado pelas partes da transação internacional, 3 E.g. a Nota Explicativa 4.1, o Comentário 19.1 e as Opiniões Consultivas 4.1, 4.2, 4.3, 4.4, 4.5, 4.6, 4.7, 4.8, 4.9, 4.10, 4.11, 4.12 e 4.13. 4 Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. Fl. 50098DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.617 22 com a finalidade de reduzir artificialmente a base de cálculo dos tributos incidentes, seja no pais de procedência, seja no pais de destino das mercadorias objeto da compra e venda internacional. Como é elementar, os Royalties são importâncias recebidas como remuneração pelos direitos de uso ou comercialização pelo titular de propriedade intelectual, em suas diversas modalidades, tais como direitos autorais (“copyright”), patentes de invenção, processos e formulas de fabricação, usos de marcas registradas de indústria e comércio (“trade marks”), desenho ou modelo ou projeto, etc. No cumprimento do mister constitucional de proteção às marcas, nomes de empresas e criações industriais (art. 5º inc. XXIX da CF/88), a legislação de regência confere ao titular de patente, não só o direito de impedir terceiro, sem seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos, o produto objeto de patente, o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado (cf. art. 42 da Lei nº 9.279/96), como o direito de obter indenização pela exploração indevida do objeto de patente (cf. art. 44 da Lei nº 9.279/96). Assim, quando se refere a “royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, (...), como condição de venda dessas mercadorias”, o Acordo de Valoração obviamente está se referindo a uma “condição” que só pode ser (direta ou indiretamente) imposta pelo vendedor exportador das mercadorias importadas quando também seja o titular dos royalties e direitos de licença, pois nos termos da legislação de regência citada, só este pode impedir a venda ou a importação das mercadorias objeto de valoração, hipótese em que o valor dos royalties e direitos de licença, por se relacionar com as mercadorias objeto da compra e venda internacional, pode em tese consubstanciar “condição de venda”, eis que se adiciona ao valor total devido pelo o comprador importador ao vendedor exportador, e à final se reverte direta ou indiretamente ao vendedor exportador, ainda que pago a terceiro. […] Na mesma linha Heleno Taveira Torres nos lembra que “...coincidem todos os autores por nós consultados num ponto: a expressão ‘condição de venda’ faz referência a uma ‘condição imposta pelo vendedor para venda das mercadorias importadas’”, de tal forma que “quando os royalties e direitos de licença são pagos a um terceiro e tal pagamento não se constitui numa imposição do exportador, por não se qualificar como condição de venda da mercadoria, não podem ser reclamados para adição ao valor aduaneiro.” (cf. Heleno Taveira TORRES in Direito Tributário Internacional Aplicado, Ed. Quartier Latin do Brasil, 2004, Vol. II, págs. 222 e 224) Conforme se extrai do texto acima, o valor dos royalties e direitos de licença royalties somente deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelo comprador importador, na presença cumulativa dos seguintes requisitos: Fl. 50099DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.618 23 a) quando estiverem diretamente relacionados com as mercadorias objeto de valoração; b) quando consubstanciarem “condição de venda” imposta pelo vendedor exportador que, para tanto, deve ser o titular dos royalties e direitos de licença; e c) quando forem devidos direta ou indiretamente pelo comprador importador ao vendedor exportador, ainda que pagos a terceiro. Diante dessas considerações, é certo que no caso ora sob exame, não encontramse preenchidos os requisitos do AVAGATT para o ajuste do valor aduaneiro. Explico. São duas as relações jurídicas que importam para a resolução do presente processo: 1) Toyota Brasil > paga royalties > Toyota Motor (detentora da marca no exterior) 2) Toyota Brasil < importa peças < Fabricante 1, 2, 3, 4... (vinculadas à Toyota Motors) Tendo isso em vista, o que precisamos analisar é se os royalties, pagos conforme o contrato de fls 19363 a 19395 (sobre a relação 1), são condição da importação de peças (relação 2), vale dizer, se repercutem nos termos do AVAGATT para a composição do valor aduaneiro. Para tanto, ressalto que o contrato que consta nos autos (fls 19363 a 19395) trata unicamente da relação 1, tanto que foi pressuposto da fiscalização que a importações auditadas (relação 2) não estão expressamente ali tratadas. Pois bem. O supra mencionado contrato (fls 19.363 a 19.395) é de concessão de licença de fabricação de produtos licenciados (cláusula 2), sendo estes últimos "veículos licenciados e peças locais" (cláusula 1.7). Por tal concessão de direito, a Recorrente paga à Toyota Motors uma "taxa de licença técnica" no valor equivalente a 5% do valor agregado local dos produtos licenciados (cláusulas 16 e 17). É fato que as mercadorias importadas (peças KD e peças não licenciadas) eram destinadas à produção dos veículos licenciados. A venda desses no mercado interno, por sua vez, gerava o pagamento dos royalties. Disto já se conclui que, de fato, inexiste a direta relação entre as mercadorias importadas, objeto da valoração, e os royalties pagos pela licença concedida pela empresa no exterior (de fabricação para os produtos licenciados). Ou seja, no presente caso, o primeiro requisito para que valor dos royalties e direitos de licença royalties possam ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelo comprador importador não está cumprido. Como bem colocado no Acórdão 3401003.194, citado pelo relator, não é pelo fato de eventualmente os royalties e as importações serem tratadas no mesmo contrato, que seria excluída a conclusão sobre a existência da condição de venda. Fl. 50100DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.619 24 Na realidade, para avaliar a relação entre o pagamento de royalties e as mercadorias importadas, é preciso, em primeiro lugar, verificar qual é a composição do valor remetido ao exterior. Como é expresso das cláusulas 16 e 17 do contrato sob análise, pagase royalties ao exterior com base no que é vendido no mercado interno (valor agregado local). Inclusive, a cláusula 17 (1) textualmente exclui os custos das mercadorias importadas (peças KD e peças não licenciadas) da composição do valor a ser pago a título de royalties, o que torna clara a desvinculação entre ambos (mercadorias importadas e royalties pagos à empresa no exterior). Em outras palavras, não há relação entre o que é objeto de licença (know how para a fabricação dos veículos) e o que é importado (insumo, peças), mas sim entre o que é objeto de licença e o que é vendido no Brasil (produto final, veículos). Por isso é que o presente caso é muito mais próximo àquele julgado por meio do Acórdão 3401003.894 (julgado em 26 de julho de 2017), do que aquele julgado pelo mesmo Colegiado (1ª Turma, 2ª Câmara, 3ª Seção do CARF) no Acórdão 3401003.194 (julgado em 19 de julho de 2016). Reproduzo abaixo as considerações tecidas pelo Relator Robson José Bayerl no Acórdão 3401003.894, que, pela sua simples leitura, concluímos serem plenamente aplicáveis ao presente litígio, especialmente porque aqui também cuidamos de insumos importados para o processo fabril de produtos licenciados: Já neste processo, os royalties correspondem à transferência de tecnologia para fabricação de pneumáticos, referindose a importação, por outro lado, aos insumos utilizados nesse processo fabril, principalmente, borracha natural. É certo que o recorrente é o titular do uso da marca PIRELLI no país, bem assim, que é condição sine qua nom para utilização dos conhecimentos tecnológicos transferidos o pagamento dos royalties contratualmente previstos. Contudo, não vislumbro a vinculação direta entre o pagamento dos valores em tela e a importação das matériasprimas, mesmo que realizadas as aquisições de empresas afiliadas ao Grupo Pirelli. Cumpre ressaltar que o próprio recorrente admite a possibilidade de acréscimos de parcelas desta natureza quando a importação envolve produtos acabados destinados a revenda, onde haveria um custo relativo à tecnologia incorporada na fabricação dessas mercadorias, o que, todavia, não ocorre na produção de matériasprimas, a exemplo da borracha natural, que é uma commodity. Os contratos juntados aos autos (uso de marcas e patentes e de transferência de tecnologia), por sua vez, efls. 86/139, não obrigam textualmente que os materiais importados sejam necessariamente adquiridos de qualquer empresa do Grupo Pirelli. A fiscalização, por seu turno, asseverou que a cláusula 1.3 do contrato de transferência de tecnologia imporia a “interferência dos controladores do Grupo empresarial nas aquisições de Fl. 50101DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.620 25 insumos”, ao estabelecer a especificação de matériasprimas, qualificação de fornecedores, etc. A cláusula em comento, entretanto, tem por função definir a expressão “conhecimentos técnicos”, para a finalidade contratual, que é justamente a transferência dessa tecnologia, dentre eles figurando a qualidade e especificações de matéria prima e a avaliação e qualificação dos fornecedores, de maneira que tal previsão, antes de uma interferência do fornecedor junto ao adquirente, corresponde ao próprio objeto contratual. Ou seja, as definições e especificações de matériaprima, bem assim, a qualificação dos fornecedores decorrem da observância do contrato, não configurando uma imposição do fornecedor para o adquirente, no caso, o recorrente, mas, ao inverso, uma obrigação do fornecedor para com o adquirente. Outrossim, o fato do concedente dedicarse à pesquisa, desenvolvimento, fabricação e comercialização de pneumáticos e câmaras de ar, com transferência da tecnologia adquirida do recorrente, não conduz à conclusão que essas atividades estejam diretamente relacionadas à importação, em si, das matérias primas, especialmente a borracha natural, para a finalidade de atrelar o pagamento dos royalties a essas operações. A meu sentir, pela leitura do contrato de transferência de tecnologia, os valores de royalties são devidos pelo fornecimento de tecnologia, conhecimentos técnicos e experiência para a fabricação, utilização e venda de pneus, não guardando ligação direta com a importação de insumos, como exige o art. 8º, 1, “c” do AVA, consoante o qual, na determinação do valor aduaneiro, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas os royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração que o comprador deve pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias. Como já explanado, no caso vertente, esses valores não representam qualquer condição de venda dos insumos importados, mas resultam, isso sim, da utilização da tecnologia transferida, de modo que, não pagos os royalties, o contrato é passível de rescisão e o recorrente não mais disporá do direito de uso da tecnologia, todavia, não haverá qualquer obstáculo à continuidade da importação de insumos, ao passo que não há nos autos contrato de exclusividade de fornecimento de matériaprima. Tanto assim que a remuneração contratualmente estabelecida corresponde à diferença entre o preço bruto faturado pela venda das mercadorias produzidas e valor pago pela compra de matériasprimas e componentes, de modo que o próprio contrato prevê a exclusão dos produtos importados. (g.n) Ao referido julgado, foi atribuída a seguinte ementa: Fl. 50102DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.621 26 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 ROYALTIES. CONDIÇÃO DE VENDA. ALCANCE. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO. A expressão "condição de venda", no AVA/GATT (Artigo 8o , 1, "c"), para a finalidade de acréscimo dos royalties ou licenças ou, ainda, direitos de licenças ao valor aduaneiro, exige a vinculação direta entre o pagamento destes valores e a realização da operação de importação, o que não se verifica quando tais pagamentos se atrelam a contratos de transferência de tecnologia, pois nesses casos, representam condição para fabricação dos produtos no país de importação e sua ausência implica rescisão do contrato e óbice à utilização dos conhecimentos técnicos obtidos, não, porém, vedação às importações. Recurso voluntário provido. Com efeito, a questão crucial reside na resposta à seguinte pergunta: se a empresa brasileira deixar de pagar os royalties, ficará impedida de importar as mercadorias? Pela documentação acostada a esses autos (contrato de fls 19.363 a 19.395, firmado entre a Recorrente e a Toyota Motors), a resposta é negativa. Não por outra razão, inclusive, as mercadorias importadas são retiradas do cálculo do valor pago à empresa no exterior. Assim, concluo que não foi demonstrado pela Fiscalização que existe uma condição de venda nas relações entre a Recorrente e a empresa no exterior. Este Colegiado, debruçandose sobre caso bastante próximo ao presente (Acórdão 3402006.335), em 27 de março de 2019, pela unanimidade dos membros do julgamento, decidiram que, de fato, conjuntamente a outros elementos contratuais (e.g. ausência de exclusividade) pelo pagamento de royalties com base na receita das vendas das mercadorias nacionalmente (para as quais foram importados os insumos da empresa estrangeira, com previsão contratual de pagamento de royalties), fica prejudicada a relação direta entre tais royalties e a importação das mercadorias. Transcrevo alguns trechos do voto condutor do citado Acórdão 3402 006.335, corroborando as razões aqui expostas: Conforme consta do lançamento tributário, "a obrigação do pagamento de royalty, foi contraída pelo comprador Brose do Brasil Ltda junto ao exportador como requisito de fabricação/montagem e comercialização da mercadoria vendida pela detentora da marca e exportadora dos insumos de sua fabricação para o Brasil, e está expressa no artigo 5 do contrato firmado entre Brose Fahrzeugteile GmbH, denominada no contrato BroseWurzburg e a Brose do Brasil Ltda, denominada no contrato Brose Brasil". (fls 213). A citada cláusula contratual possui a seguinte redação: Cláusula 5 – Remuneração da Transferência de Tecnologia Fl. 50103DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.622 27 5.1. Como remuneração pela Transferência de TECNOLOGIA concedida nos termos deste contrato, a BROSE pagará à BROSE WÜRZBURG royalties no montante de 5% (cinco por cento) da Venda Líquida dos PRODUTOS vendidos pela BROSE BRASIL durante o prazo deste contrato observado o disposto abaixo. Da sua simples leitura constatase que não resta preenchido o primeiro dos requisitos para a adição dos royalties ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Afinal, ao invés de os valores pagos a título de royalties pela Recorrente serem relacionados com as mercadorias valoradas (importadas), são devidos unicamente como obrigação de pagar os royalties à empresa alemã pela transferência de tecnologia (knowhow) com base nas mercadorias vendidas nacionalmente. Não há, efetivamente, uma vinculação entre o pagamento de royalties e as mercadorias importadas. Ou seja, a Fiscalização, nesse caso, apresentou uma interpretação descompassada com o acordo entre as partes, como foi bem delineado pelo acórdão recorrido, in verbis: Conforme relatado pela fiscalização, as mercadorias valoradas são peças importadas da Brose Fahrzeugteile Gmbh e de coligadas (fls. 212). Além deste, não há registro nos autos quanto ao processo produtivo e a origem dos insumos utilizados. Quanto às peças importadas, verificase na tabela 4 (fls. 121/163) que incluem motores, trilhos, suportes, carcaças, alavancas, polias, eixos, etc, exportadas pela Brose da Alemanha e também por coligadas, como a BROSE da China e México. Não consta a informação do fabricante. O contrato prevê que será fornecido o conhecimento técnico operacional necessário para a fabricação dos produtos (cláusula 1.2), sendo que estes abrangem inclusive peças e componentes (cláusula 1.3). No item (c) da cláusula 1.2, consta o fornecimento de informações referentes às matériasprimas e insumos empregados na fabricação. E ainda, não há cláusula contratual que determine a aquisição de matériasprimas do mesmo grupo econômico. Desta forma, há de se acatar a alegação do impugnante de que inexiste vedação à aquisição de matérias primas de terceiros para fabricação de produtos desenvolvidos com a tecnologia fornecida pela BROSE WÜRRZBURG, pois o contrato não traz disposição expressa e ainda prevê o detalhamento necessário à aquisição daquelas. Assim, na ausência de maiores informações acerca do processo produtivo, é possível se inferir do contrato que a fabricação dos equipamentos que são vendidos pelo autuado não está restrita ao uso das mercadorias importadas. Também não se sabe se as mercadorias fornecidas pela BROSE WÜRRZBURG estão dotadas em si de tecnologia que as permita diferenciar das de outros eventuais fornecedores. Fl. 50104DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.623 28 (...) Como se viu, as mercadorias importadas são insumos que, eventualmente junto a mercadorias importadas de outros fornecedores ou adquiridas no mercado interno, se destinam à industrialização para compor os produtos finais, cujas vendas constituem a base de cálculo dos royalties em discussão. Deste modo, entendo que não há prova nos autos da relação de causalidade da importação com o pagamento de royalties. Este Conselho já se posicionou no sentido aqui proposto, afastando a adição de royalties ao valor aduaneiro quando a quantificação dos royalties for realizada com base na venda dos produtos no mercado interno, haja vista ser irrelevante para esse pagamento o fato de os produtos serem importados ou não (Acórdão 310200.239). (g.n.) Não há dúvida, portanto, que tampouco está preenchido o segundo requisito para o ajuste do valor aduaneiro nos termos do Artigo 8.1 c) do AVAGATT. Isto porque o contrato celebrado entre as partes, com o pagamento dos royalties pela Recorrente à BROSE WÜRRZBURG, não representa condição de venda das mercadorias importadas, uma vez que somente remunera a transferência de tecnologia, inexistindo menção às condições de venda/aquisição de mercadorias importadas no mesmo contrato. Ainda ratificando o posicionamento aqui adotado, cito a Opinião Consultiva n. 4.9., exarada pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira: OPINIÃO CONSULTIVA 4.9 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 C) DO ACORDO Um acordo é concluído entre o fabricante/titular de uma marca registrada de determinadas preparações para uso veterinário e uma firma de importação. Nos termos desse contrato, o fabricante concede ao importador o direito exclusivo de fabricar, utilizar e vender no país de importação as "preparações licenciadas". Essas preparações licenciadas, que contêm cortisona importada na forma adequada para uso veterinário, são fabricadas a partir de cortisona a granel fornecida ao importador pelo fabricante ou em nome deste. A cortisona é um agente antiinflamatório comum não patenteado, disponível a partir de diferentes fabricantes e um dos principais ingredientes das preparações licenciadas. O fabricante concede também ao importador uma licença que a este confere o direito exclusivo de explorar a marca registrada relativamente à fabricação e venda das preparações licenciadas no país de importação. Fl. 50105DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.624 29 Nos termos das disposições financeiras do contrato, o importador deve pagar ao fabricante um royalty da ordem de 8 % sobre as primeiras 2 milhões de unidades monetárias (u.m.) de vendas líquidas das preparações licenciadas realizadas em um ano civil, e 9 % sobre as subseqüentes 2 milhões de unidades monetárias de vendas líquidas das preparações licenciadas no mesmo ano civil. Prevêse, igualmente, um royalty mínimo de 100.000 u.m. por ano. Em diversas circunstâncias especificadas no contrato, ambas as partes podem converter os direitos exclusivos do importador em não exclusivos, cujo royalty mínimo seria reduzido em 25 % ou , em alguns casos, em 50 %. Os royalties calculados em função do volume de vendas podem ser igualmente reduzidos sob determinadas condições. Enfim, os royalties baseados nas vendas das preparações licenciadas devem ser pagos dentro dos 60 dias subseqüentes ao término de cada trimestre do ano civil. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty remunera o direito de fabricar as preparações licenciadas que contenham o produto importado e, eventualmente, o direito de utilizar a marca registrada da preparação licenciada. O produto importado é um agente anti inflamatório comum não patenteado. A utilização da marca registrada, portanto, não está vinculada às mercadorias objeto de valoração. O pagamento do royalty não constitui uma condição da venda para exportação das mercadorias importadas, porém uma condição para fabricar e vender as preparações licenciadas no país de importação. Em conseqüência, não há que acrescer esse pagamento ao preço efetivamente pago ou a pagar. Como se depreende do texto supra transcrito, em hipóteses como a presente, nas quais os produtos fabricados e vendidos pelo importador em seu país contam com insumos diversos, dentre os quais um ou alguns são fornecidos pelo exportador, ao qual são pagos royalties (pelo uso de patentes, nos casos da opinião Consultiva; sendo pela cessão do know how, no presente caso), não fica caracterizada a condição de venda para fins de ajuste do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Saliento finalmente que, no presente caso, existem no contrato produtos que são "não licenciados" e o pagamento à empresa no exterior, a título de royalties, baseiase nesses também. Por tudo quanto exposto, necessária a retificação da decisão recorrida, uma vez que não foram cumpridos os requisitos do artigo 8º do AVAGATT, inexistindo fundamento para o ajuste do valor aduaneiro das mercadorias importadas e, por conseguinte, a cobrança dos tributos lançados no auto de infração. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 50106DF CARF MF Processo nº 10314.720987/201678 Acórdão n.º 3402006.588 S3C4T2 Fl. 7.625 30 Fl. 50107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730058/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. SANEAMENTO EM DILIGÊNCIA.
Vício material saneado em diligência realizada por determinação da autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendê-la necessária.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Vício saneado em diligência através de despacho da Autoridade Autuante, com a devida ciência e concessão de prazo para manifestação da autuada não caracteriza cerceamento de defesa.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EM 05 ANOS.
Inocorrência de decadência quando o lançamento é constituído e cientificado ao autuado dentro do prazo legalmente previsto.
COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ESPECÍFICO.
Recolhimentos eventualmente realizados a maior devem ser compensados por meio de procedimento específico.
Numero da decisão: 2202-005.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. SANEAMENTO EM DILIGÊNCIA. Vício material saneado em diligência realizada por determinação da autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendê-la necessária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Vício saneado em diligência através de despacho da Autoridade Autuante, com a devida ciência e concessão de prazo para manifestação da autuada não caracteriza cerceamento de defesa. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EM 05 ANOS. Inocorrência de decadência quando o lançamento é constituído e cientificado ao autuado dentro do prazo legalmente previsto. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ESPECÍFICO. Recolhimentos eventualmente realizados a maior devem ser compensados por meio de procedimento específico.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. SANEAMENTO EM DILIGÊNCIA. Vício material saneado em diligência realizada por determinação da autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendê-la necessária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Vício saneado em diligência através de despacho da Autoridade Autuante, com a devida ciência e concessão de prazo para manifestação da autuada não caracteriza cerceamento de defesa. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EM 05 ANOS. Inocorrência de decadência quando o lançamento é constituído e cientificado ao autuado dentro do prazo legalmente previsto. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ESPECÍFICO. Recolhimentos eventualmente realizados a maior devem ser compensados por meio de procedimento específico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 00 58 /2 01 1- 12 Fl. 749DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls 705/722), interposto contra o Acórdão n o 06-49.794, da 7 a . Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR - DRJ/CTA (e-fls. 681/693), que julgou procedente em parte, por unanimidade de votos, Impugnação da contribuinte apresentada diante de Autos de Infração de Obrigação Principal - AIOP lavrados para apuração de contribuições previdenciárias do período de 01/01/2008 a 31/12/2008 e relativas a: (i) descontos não repassados de segurados individuais, (ii) parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, e (iii) valores pagos ou creditados pela empresa aos segurados empregados relativas a outras entidades. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão da DRJ/CTA, por retratar adequadamente os fatos ocorridos. Relatório São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrados, pela fiscalização, contra a empresa retro identificada: 1- AI DEBCAD n.º 37.343.602-5, no montante de R$ 76.762,64, referente a contribuições descontada dos segurados contribuintes individuais e não repassadas na época própria a Seguridade Social, nas competências 01 a 13/2008; 2- AI DEBCAD n.º 37.343.603-3, no montante de R$ 240.034,12 referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais relativa aos seguintes levantamentos: LEVANTAMENTO CI/ CI1/CI2 - Serviço Prestado por Pessoa Física (...), LEVANTAMENTO PL/PL1- Pro-labore (...), LEVANTAMENTO FC/FC1/FC2 – Diferença entre Contabilidade x Folha (...), LEVANTAMENTO FG/FG1/FG2 - Folha x GFIP (...) 3- AI DEBCAD nº 37.343.604-1, no montante de R$ 15.163,08, referente aos valores pagos ou creditados pela empresa aos segurados empregados verificados nos Livros Contábeis em diversas contas, contribuições apuradas relativas as entidades FNDE, SENAC, SESC, SEBRAE e INCRA, competências 01/2008 a 12/2008. A empresa autuada foi cientificada do lançamento e apresentou defesa, com as alegações a seguir sintetizadas: AI DEBCAD nº 37.343.604-1 e AI DEBCAD nº 37.343.603-3 Preliminar de Nulidade Alega que no procedimento administrativo deve ser observado os princípios da ampla defesa, da motivação, finalidade e demais princípios. Cita o art. 10, inc. III do Decreto nº 70.235/72 e o art. 293 do RIR, nos quais constam que o auto de infração deverá conter a descrição do fato, de modo a viabiliar a defesa do ato impugnado, uma vez que o contribuinte não pode defender-se de forma genérica. Apresenta jurisprudência neste sentido. Fl. 750DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 Afirma que nos levantamentos FG1 e FG2 (Folha de pagamento x GFIP) a Fiscalização limitou-se a informar de forma genérica que se referem a diferença entre os valores pagos em folha de pagamento confrontados com os valores declarados em GFIP. Ressalta que a Fiscalização lançou diretamente as diferenças apuradas, sem demonstrar a origem dos valores utilizados. Informa que tentou encontrar quais seriam os valores das folhas de pagamento e das GFIP utilizadas pela Fiscalização para apurar as diferenças lançadas, porém não conseguiu identificá-las, apresenta como exemplo de tal situação a competência 02/2008. Esclarece que sem o acesso aos dados que compuseram os levantamentos FG, FG1 e FG2, o Impugnante fica a mercê da Administração Pública, não podendo exercer a ampla defesa e o contraditório, o que causa a nulidade de tais lançamentos. Mérito (Aponta inconsistências e equívocos por ela contatados para os levantamentos FC e FC1, FC2 e argumenta a existência de créditos tributários não aproveitados pela fiscalização) Pedido a) Preliminarmente, sejam considerados NULOS os débitos apontados no DEBCAD 37.343.604-1 e DEBCAD 37.343.603-3, no período de 01/2008 a 07/2008 e 12/2008 que tiveram como base os levantamentos de rubricas FG,FG1 e FG2. tendo em vista o evidente cerceamento do direito de defesa por não constar em nenhum relatório ou documentos emitidos pela Auditora Fiscal qualquer esclarecimento quanto a origem e apuração de tais divergências; b) No mérito, seja declarado o CANCELAMENTO de todos os débitos no período de 08/2008 a 11/2008 que tenham como base os levantamentos de rubricas FC e FC1, tendo em vista que os valores apurados pela fiscalização, além de apresentarem inconsistências, foram extraídos do confronto de eventos da folha que não correspondem exatamente aos lançamentos contábeis considerados pela Auditora, conforme foi demonstrado, bem como, o débito que se baseou no levantamento FC2, na competência 12/2008, pelo fato de a base utilizada ser apenas uma provisão contábil que foi devidamente tributada na época de sua realização; c) Requer, diante de todo o exposto e pelos erros cometidos no levantamento fiscal, que seja determinada a IMPROCEDÊNCIA total do auto de infração lavrando de número DEBCAD 37.343.604-1 e DEBCAD 37.343.603-3. d) Por fim, que seja recalculadas as demais parcelas relativas ao DEBCAD 37.343.603-3, constando apenas os débitos vinculados aos levantamentos CI, CI 1, CI 2, PL e PL1, abatidos os créditos apurados no período. Consta da tela do Sistema Cobrança da Dataprev-INSS, juntado a estes autos que o DEBCAD nº 37.343.602-5, encontra-se na situação:“Baixado por Liquidação”. Em 31/01/2014, os Autos de Infrações relativos aos DEBCAD nº 37.343.603-3 e 37.343.604-1 foram baixados em diligência por este julgador para que a autoridade lançadora prestasse os seguintes esclarecimentos: 1 - LEVANTAMENTO FG, FG1 e FG2 demonstrar as bases de cálculos utilizadas para apurar as diferenças lançadas na autuação; 2 - LEVANTAMENTO FC, FC1 e FC2 verificar se os valores lançados na conta contábil utilizada para confronto com os valores pagos da folha de pagamento, foram escriturados como alega a Impugnante; Fl. 751DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 3 – LEVANTAMENTO FC2 esclarecer se a conta contábil utilizada para registrar a gratificação semestral é uma conta contábil de provisão de despesas. Em 28/07/2014, a Fiscalização emitiu Relatório Fiscal da Diligência, nos seguintes termos: 1 – Apresentou uma planilha demonstrando os valores da folha de pagamento e os valores informados em GFIP, que foram utilizados para apurar a diferença lançada na autuação (Levantamentos FG, FG1 e FG2), inclusive, considerou os valores das rescisões declaradas nas GFIP que não tinham sido deduzidos da diferença apurada originalmente; 2 – Em relação aos Levantamentos FC e FC1, a Fiscalização verificou as alegações da Impugnante e conclui que a empresa tem razão. Apresenta demonstrativo no qual consta que deixa de existir as diferenças apuradas. 3 – Quanto aos esclarecimentos solicitados do Levantamento FC2 a Fiscalização respondeu da seguinte maneira: 3- Em sua defesa a empresa alega que o R$ 85.000,00 que consta da conta 4.2.5.01.006 -Gratificações a Funcionário o valor foi contabilizado como despesa do exercício pois a mesma foi levada para o resultado de exercício. Em 18/09/2014 a Impugnante apresenta defesa do Relatório Fiscal da Diligência, conforme abaixo: Reafirma todas as alegações contidas em sua impugnação ainda que não novamente transcritas. Apresentas novas argumentações conforme veremos abaixo: Preliminares Da Nulidade do Primeiro Lançamento Efetuado Alega que quando da sua defesa original a Impugnante requereu a nulidade do procedimento fiscal dos débitos com base nos Levantamentos FG, FG1 e FG2 (comp. 01/2008, 08/2008 e 12/2008), uma vez que a Fiscalização não apresentou a memória de cálculo e das origens dos valores que resultaram na diferença de recolhimento apurada, por se tratar de vício material insanável. Apresenta jurisprudência neste sentido. Entende que tal vício não suporta retificação, esta somente confirma a flagrante nulidade do auto de infração, na medida que foi realizado novo lançamento como tentativa de suprir o vício material. Da Decadência do Novo Lançamento Realizado Afirma que o Relatório Fiscal da Diligência ao realizar uma retificação dos valores relativos aos Levantamentos FG, FG1 e FG2, poderia ser considerado uma nova autuação. Ressalta que o novo lançamento ocorreu por força do reconhecimento por parte da Auditora da existência de vício material insanável no antigo lançamento o que provocou a sua nulidade. Aduz que como ocorreu um novo lançamento por nulidade decorrente de vício material, impende esclarecer que o lapso de tempo é de 5 anos para o fisco consituir o crédito tributário, e ainda considerando o art. 150, §4º do CTN, o novo lançamento objeto do Relatório Fiscal da Diligência dos levantamentos FG, FG1 e FG2 estão alcançados pela decadência. Mérito A Impugnante apresenta uma planilha de cálculo denominada (planilha 1), na qual demonstra que se considerasse os novos valores apurados na diligência como decadentes, o auto de infração deveria ser reduzido de R$ 116.674,26 para R$ 74.421,81. Salienta que caso não sejam anulados os valores apurados por decadência, mas considerando como créditos do Impugnante os valores dos recolhimentos dos levantamentos que não tiveram diferenças apuradas, estes deveriam ser relocados para Fl. 752DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 outros levantamentos que existem diferenças a serem pagas. O valor original do auto de infração deve ser reduzido de R$ 116.674,26 para R$ 77.761,36. Apresenta planilha com o cálculo deste valor (planilha 2). Por fim, entende que como recolheu valores a maior da contribuição relativa ao RAT, solicita que sejam abatidos dos levantamentos em que lhe são exigidas as contribuições (planilha 3). Pedido a) Preliminarmente, seja reconhecida a NULIDADE do lançamento contido no auto de infração em epigrafe, por estar ele eivado por vicio material, decorrente da ausência da apresentação da origem das supostas divergências apuradas; b) Ainda de forma preliminar, considerando que os valores oriundos do trabalho diligencial representaram um novo lançamento fiscal, sejam os débitos decorrentes dos Levantamentos FG, FG1 e FG2 (Comp. 01/2008 a 08/2008 e 12/2008), declarados DECADENTES, tendo em vista que já se passaram mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, conforme exegese do art. 150, § 4o, do CTN; c) No mérito e de acordo com o Relatório Fiscal em debate, sejam reiterados os pedidos da Impugnação, qual seja o de reconhecimento da IMPROCEDÊNCIA PARCIAL do Auto de Infração DEBCAD n° 37.343.603-3, com o respectivo CANCELAMENTO de todos os débitos no período de 08/2008 a 11/2008 que tenham como base os levantamentos de rubricas FC e FC1, bem como, do débito que se baseou no levantamento FC2, na competência 12/2008, tudo conforme fundamentação supra; d) Que os valores de pagamento amortizados nos levantamentos FG, FG1, FG2, FC, FC1 e FC2 sejam reconhecidos para amortizar os valores dos levantamentos CI, CI1, CI2, PL e PL1; e) Que sejam recalculadas as demais parcelas relativas ao DEBCAD 37.343.603- 3, constando apenas os débitos vinculados aos levantamentos CI, CI1, CI2, PL e PL1, abatidos os créditos apurados no período, conforme fundamentação supra, bem como os decorrentes do recolhimento a maior do RAT. 3. Destaquem-se também a Decisão proferida pela DRJ/CTA no Acórdão a quo: Voto Preliminar Da Não Ocorrência da Decadência. Em sua segunda impugnação o contribuinte defende a tese que a data de “28 de julho de 2014”, é que deveria ser considerada como de lavratura do Auto de Infração, pois foi neste momento que recebeu o Relatório Fiscal da Diligência, o que caracterizaria um novo lançamento, sendo assim, esta deveria ser a data para fins da contagem do prazo decadêncial. Tal posição, entretanto, carece absolutamente de procedência. A ciência do lançamento fiscal deu-se em 16/09/2011 e, portanto, esta é a data que deve ser considerada para efeito da formal cientificação do lançamento ao contribuinte. A circunstância de ter sido o julgamento convertido em diligência não representa, nem de qualquer forma caracteriza a decisão pela improcedência ou nulidade do lançamento fiscal, mas tão somente constituiu medida necessária para esclarecimento dos cálculos realizados, mediante retificação destes, conforme autoriza o art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 753DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 Salienta-se que os esclarecimentos e retificações procedidas no lançamento original não alteraram a motivação ou inovaram na fundamentação legal da infração, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade da autuação. Do Levantamento FG, FG1 e FG2- Ausência de Nulidade. Em relação aos levantamentos FG, FG1e FG2, a Fiscalização no Relatório Fiscal de Diligência apontou os valores das folhas de pagamentos e das GFIP que serviram para apurar as diferenças lançadas nos Debcad´s em discussão, o que em meu entender saneou a irregularidade apontada pela Impugnante. O saneamento é permitido com base em disposição contida no art. 60 Decreto nº 70.235/72, cito: Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Isto porque a opção pela nulidade deve ser a última; ou seja, quando impossível ou impraticável, ou quando acarrete dano irreparável ao regular exercício do direito de defesa. É de (ressaltar) se que as revisões de lançamento não instalam um novo lançamento tributário, constituindo mera fase de saneamento processual. Nesse contexto, a solicitação de diligência pela DRJ tão-somente procurou esclarecer as omissões relativas as bases de cálculo das folhas de pagamento e das GFIP´s utilizadas pela Fiscalização quando da apuração das diferenças do confronto entre tais documentos. Os valores que serviram de base para se apurar as diferenças levantadas foram planilhadas e submetidas ao crivo da Impugnante, que no novo prazo de Impugnação não contestou nenhum valor ali contido. Eventualmente, caso as irregularidades apontadas não fossem esclarecidas, poder-se-ia caminhar, aí sim, na direção da nulidade de certos atos deste processo administrativo. Porém, tais irregularidades foram todas sanadas a contento. Mérito Do Levantamento FC, FC1 e FC2 Diante dos esclarecimentos procedidos pela Fiscalização no Relatório Fiscal de Diligência, entendo que para os levantamentos FC, FC1 não houve diferença entre o confronto da contabilidade com a folha de pagamento. A Fiscalização relata que “ficou evidenciado que a empresa tem razão na sua alegação, a partir do mês 08/2008 a empresa alterou a maneira que vinha contabilizando as folhas e não apresentou a auditoria o Razão auxiliar.”, sendo assim, resta caracterizada que nenhuma diferença deve ser mantida. Em relação ao Levantamento FC2 a resposta dada pela Fiscalização no relatório de diligência não deixa claro que deva se excluir tal verba da autuação e nem que tal conta contábil é ou não de provisão. Vejamos: 3- Em sua defesa a empresa alega que o R$ 85.000,00 que consta da conta 4.2.5.01.006 -Gratificações a Funcionário o valor foi contabilizado como despesa do exercício pois a mesma foi levada para o resultado de exercício. Analisando a defesa não é possível identificar que a empresa está afirmando que a verba de gratificação foi contabilizada como despesa e foi levada para o resultado de exercício, como afirma a Fiscal no relatório de diligência, pelo contrário, o que a Impugnante esclarece que se trata de uma conta contábil de provisão para pagamento no ano seguinte, 2009, relativa a gratificações semestrais a serem pagas a seus funcionários. Outrossim, explica e demonstra por meio do Livro Razão Analítico de 01/08/2008 a 31/12/2009 (Doc 13), que o valor de R$ 85.000,00 da conta contábil nº 4.2.5.01.0006 – Gratificações – Funcionários, foi utilizado de forma parcial nos meses de março e abril Fl. 754DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 de 2009, quando de fato teria ocorrido o pagamento aos seus funcionários, sendo estornada a diferença da gratificação não paga (DOC. 13). Abaixo o demonstrativo apresentado pela Impugnante nos quais se pode observar as suas alegações: ( junta as tabelas de fls. 691, extraídas da impugnação) Apresenta, ainda a Impugnante a Folha de pagamento dos meses de março e abril de 2009 (DOC. 12), nas quais constam que parte dos valores da provisão da gratificação foram quitados em consonância com os valores escriturados nos lançamentos contábeis demonstrados acima. Sendo assim, entendo que o valor de R$ 85.000,00, não pode ser considerado como remuneração paga aos funcionários da empresa no ano de 2008, devendo-se anular o levantamento FC2. Do RAT Alega o impugnante que declarou em GFIP e efetuou recolhimento relativo ao RAT com a alíquota de 2%, sendo que na Fiscalização a Auditora considerou que a alíquota do RAT da empresa seria no percentual de 1%. Em razão disto pleiteia que seja efetuada a compensação dos valores recolhidos a maior (planilha 3), conforme relatório denominado RADA, com os débitos apurados nos Levantamentos CI, CI1, CI2, PL e PL1 e caso se entendam que os levantamentos FG, FG1, FG2, FC, FC1 e FC2 sejam devidos, também poderiam ser amortizados com estes créditos. Ressalte-se que tal pedido equivale a uma compensação, que é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário – arts. 156 e 170 do CTN, podendo ser exercida na forma estabelecida em norma própria. A compensação, hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser efetivada de acordo com os ritos próprios para o seu pleito. Caso o contribuinte tenha direito à compensação solicitada ou restituição, frise-se, essa será apreciada pelo órgão da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona o seu domicílio fiscal, uma vez que, consoante o Regimento Interno da RFB, não compete às DRJ apreciar tal pleito, in verbis: “Às DRJ, nos limites de suas jurisdições, conforme anexo V, compete: I - julgar, em primeira instância, após instaurado o litígio, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive os decorrentes de vistoria aduaneira, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos ao reconhecimento de direito creditório, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela RFB”. A compensação deve ser pleiteada por meio de procedimentos específicos, estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, se for o caso, não sendo permitida sua aplicação em sede de contencioso administrativo. Quanto a solicitação para a relocação dos créditos (planilha 2) dos levantamentos que a Fiscalização na diligência considerou-os sem valor a ser apurado para abater de levantamentos nos quais se mantém o valor apurado do débito, também não pode ser acatado. Os valores que a Impugnante considera como créditos para serem relocados, não são recolhimento feitos a maior, mas somente valores que foram apurados como débitos da empresa e que após a revisão do lançamento não permaneceram como valores devidos, porém este fato não torna os valores apurados de débitos em créditos para a empresa. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, nos seguintes termos: 1 - AI DEBCAD nº 37.343.603-3 Fl. 755DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 - Devem ser retificados os levantamentos constantes da planilha abaixo, mantendo todos os demais levantamentos) (resultou no DADR de fls. 695/698) 2 - AI DEBCAD nº 37.343.604-1 - Devem ser retificados os levantamentos constantes da planilha abaixo, mantendo todos os demais levantamentos: (resultou no DADR de fls. 699/700) Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu Recurso, de onde seus argumentos apresentados são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - sustenta tempestividade de sua manifestação e apresenta apertada síntese dos fatos; - preliminarmente, sustenta a nulidade do DEBCAD 37.343.603-3, por apresentar vício insanável, não saneado em diligência fiscal, mas sim confirmado nesta, uma vez que os lançamentos FG, FG1 e FG2 (competências 01/2008 a 08/2008 e 12/2008), que representam parte dos lançamentos presentes no DEBCAD, foram realizados sem a apresentação das memórias de cálculo e das origens dos números que resultaram nas diferenças de recolhimento apuradas; - aduz que não se tratou de mera irregularidade de forma, mas sim de vício que trouxe impedimento ao exercício da plena defesa, uma vez que a Auditoria deixou de determinar satisfatoriamente a matéria tributável, requisito delimitado pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN (transcreve ementas de Acórdão deste Conselho sobre declaração de nulidade em vício material insanável); - sustenta duas circunstâncias presentes no Acórdão que discorrem em seu favor: (i) que ao proferir que o relatório fiscal saneou a irregularidade apontada, o Acórdão recorrido admitiu por decorrência lógica a existência do vício material; e (ii) que o saneamento não seria permitido em qualquer hipótese do artigo 60 do Decreto 70.235/72, mas apenas quando não ocorrer preterição do direito de defesa, cf. inciso II do artigo 59 do mesmo diploma legal; - entende que a apuração de valores completamente distintos dos existentes no lançamento original e com apresentação de novos fatos foi realizado um novo lançamento, na tentativa de suprir o vício pré-existente; - Ainda preliminarmente, na hipótese de não acolhimento da nulidade do auto, discorre sobre a decadência dos levantamentos FG, FG1 e FG2, uma vez que após diligência, foram apresentados novos valores de débitos e inovação em fatos relativos ao fato gerador, caracterizando um novo lançamento fiscal; - para a interessada resta que, no caso específico do presente processo, durante a diligência não ocorreu um mero esclarecimento, mas sim, em suas palavras, "a diligência fiscal inovou nos fatos relativos à matéria tributável, trouxe novos valores e apresentou novas planilhas, não se tratando (...) de mero esclarecimento"; - portanto entende que o prazo decadencial para o novo lançamento se consumou e torna sem efeito o auto original (cita o Acórdão 2301-004.222, o qual indica que o aperfeiçoamento de lançamento traz a data de consolidação para a ciência da diligência pelo sujeito passivo); Fl. 756DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 - sustenta que ocorreu a decadência prevista no artigo 150, parágrafo 4 o do CTN, uma vez que a efetivação do levantamento de contribuições previdenciárias do ano calendário 2008 ocorreu apenas em 28 de julho de 2014, com o Relatório da Diligência Fiscal; - inicia seus argumentos de mérito sustentando, como na impugnação, a necessidade de relocação dos créditos apropriados conforme o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA e o Discriminativo de Débitos - DD; - sustenta que quando confrontados os valores das novas bases de cálculo determinadas pela DRJ e baseadas na Diligência, com os valores apropriados pela administração tributária, nasceria um novo valor para o recolhimento das contribuições destinadas aos segurados e à empresa; - exemplifica tal situação discorrendo sobre a relocação da competência janeiro de 2008, e apresenta tabela de relocação para o ano-calendário de 2008, cf Recurso, e-fls. 717/718, o que traria a redução do valor principal do lançamento relativo aos levantamentos FG, FG1 e FG2 de R$ 95.914,33 para R$ 77.761,36; - entende pelo abatimento do saldo remanescente dos levantamentos CI, CI1, CI2, PL e PL1, apurado no mesmo DEBCAD, com o montante recolhido a maior de RAT sem necessidade de processo apartado de compensação; - o recolhimento a maior ocorreu, no ano relativo à autuação, por sua utilização da alíquota de 2% para o RAT, quando o correto seria 1%, conforme RADA, onde a Fiscalização apenas optou por deduzir parte do recolhimento, justificando esta última que não foi apresentada GFIP retificadora adequada; - defende-se sustentando que o simples fato da incorreta informação em GFIP, ocorrência autuada, reconhecida pela reclamante e paga, não poderia incorrer no desprezo do pagamento a maior, pois seria enriquecimento sem causa do Estado, devendo, no seu entender, ser corrigido sem necessidade de processo de compensação; e - apresenta em seu Recurso, e-fl. 721 dos autos, tabela com valores que entende serem seu direito de crédito. 5. Espera então conhecimento e provimento do recurso, reformando a decisão da DRJ que julgou apenas parcialmente procedente sua impugnação, pedindo: a) nulidade do lançamento relativo ao auto de infração DEBCAD 37.343.603-3 por vício material; b) decadência dos débitos dos lançamentos FG, FG1 e FG2 (01/2008 a 08/2008 e 12/2008) pela diligência ter configurado novo lançamento; e c) abater os valores de créditos recolhidos do período e não aproveitados na Fiscalização nos levantamentos CI, CI1, CI2, PL e PL1. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato Fl. 757DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Constata-se que o cerne da presente demanda envolve, em síntese, o pedido de nulidade do DEBCAD 37.343.603-3, por apresentar vício insanável em parte dos lançamentos, a saber FG, FG1 e FG2 (competências 01/2008 a 08/2008 e 12/2008), que representam parte dos lançamentos presentes no DEBCAD, ou sua alteração, seja por decadência parcial, seja por aproveitamento de valores em GPS que a interessada considera como não utilizados. 9. O Auto de Infração de Obrigação Principal - AIOP original possui três DEBCAD. Um deles, com fatos geradores relativos a contribuintes individuais, de nro. 37.343.602-5, foi, conforme indicado pela DRJ/CTA, liquidado. Nas palavras da DRJ, Consta da tela do Sistema Cobrança da Dataprev-INSS, juntado a estes autos que o DEBCAD nº 37.343.602-5, encontra-se na situação: “Baixado por Liquidação”. Cópia de tal consulta encontra-se à e-fl. 615 do presente. 10. Um segundo DEBCAD, justamente o de número 37.343.603-3, envolve diversos levantamentos e prestou-se ao lançamento de contribuições correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, foi parcialmente alterado pelo Acórdão da DRJ/CTA e tem seu lançamento restante fortemente combatido pela recursante. 11. O terceiro DEBCAD, de número 37.343.604-1, referente à contribuição devida a entidades terceiras, também teve seu lançamento reduzido pela Decisão a quo e a contribuinte nada argumenta sobre o valor restante no Recurso sob análise. Consta ainda à e-fl. 747 do presente, extrato do Sistema de Cobrança DATAPREV-INSS demonstrando a baixa deste DEBCAD por liquidação. 12. Preliminarmente, sendo alegado vício nos lançamentos FG, FG1 e FG2 do segundo DEBCAD acima referenciado (competências 01/2008 a 08/2008 e 12/2008, relativos à comparação da folha de pagamento com a GFIP), torna-se então deveras significativa a análise da metodologia utilizada pela Auditora Autuante para proceder à constituição de tais lançamentos no Auto de Infração e sua reanálise em Diligência. 13. Do Relatório Fiscal da Autuante, e-fls. 50, extraem-se as razões da Auditoria para levantamento dos débitos, cf. colacionado a seguir: (...) 9.13. LEVANTAMENTO FG/FG1/FG2-Folha x GFIP Refere-se a diferença cnlre os valores pagos em folha de pagamentos e os valores declarados em GFIP, no período dc 01/2008 a 07/2008 c 12/2008 .0 levantamento FG c FG1 refere-se as competências 01 a 07/2008, FG2 a competência 12/2008. A multa de ofício aplicada para esse levantamento é de 75% incidente sobre a contribuição devida, por ser a mais benéfica para o contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN. (...) 14. Entendendo a ocorrência de cerceamento de defesa, a contribuinte apresenta impugnação por vislumbrar que tais lançamentos teriam sido realizados sem a apresentação das memórias de cálculo e das origens dos números que resultaram nas diferenças de recolhimento Fl. 758DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 apuradas. De sua parte, a DRJ/CTA entendeu por bem baixar o feito em Diligência, nos seguintes termos, entre outros: (...) Em 31/01/2014, os Autos de Infrações relativos aos DEBCAD nº 37.343.603-3 e 37.343.604-1 foram baixados em diligência por este julgador para que a autoridade lançadora prestasse os seguintes esclarecimentos: 1 - LEVANTAMENTO FG, FG1 e FG2 demonstrar as bases de cálculos utilizadas para apurar as diferenças lançadas na autuação; (...) 15. Dessa forma, em sede diligencial, a Auditora Autuante manifesta-se sobre os levantamentos referenciados, conforme colacionado a seguir: (...) Em resposta à solicitação de Diligencia, termos a informar o que segue: 1. Conforme solicitado segue abaixo a planilha identificadora, referente aos levantamentos FG, FG1, FG2 1- Planilha 1.2-Verificando os valores lançados como diferença folha x GF1P, ficou constatado que as diferenças lançada a maior no levantamento FG, FG1 e FG2, foram em função das rescisões não apropriadas no valor informado da GFIP. Segue no item 4 (tabela I) os valores corretos, das bases retificadas. (...) 4- Diante de tudo que foi aqui analisado, resta-nos, para dar-nos contornos definitivos ao valor do crédito constituído, retificar, no que couber, por competência, o valor do crédito constituído, utilizando-se, para tanto da documentação/prova apresentada pela empresa, registrando as eventuais alterações no quadro a seguir, (...). Fl. 759DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 (...) 16. Após intimação do resultado da Diligência, a contribuinte apresentou nova manifestação, onde, segundo a DRJ, não contestou nenhum valor ali contido. A primeira instância passou então à apreciação do conjunto dos autos, resultando no Acórdão ora recorrido, que considerou procedente em parte o pleito da interessada, e que acatou, entre outras, a redução dos valores dos levantamentos FG, FG1 e FG2 , conforme e-fls. 693. 17. Quanto à alegação de ocorrência de eventual vício material, recorra-se ao artigo 142 do CTN, que traz os elementos constitutivos da obrigação tributária: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 18. Em análise ao item 9.3 do relatório da Autoridade Autuante acima colacionado, pode-se verificar que não foi completamente demonstrada a base de cálculo no momento da autuação, o que desdobrou-se em manifestação da Autuante com esclarecimentos e elaboração de tabelas na fase de Diligência, vício ao qual caberia e efetivamente coube saneamento. 19. Portanto, há que se concordar com a DRJ quanto à concretização do saneamento do citado vício material. No Relatório Fiscal de Diligência foram apontados os valores das folhas de pagamentos e das GFIP que serviram para apurar as diferenças lançadas nos autos em discussão, indicação clara e suficiente para o saneamento, o qual tem respaldo no art. 60 do Processo Administrativo Fiscal, PAF, Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito juntamente com o artigo 59 do mesmo diploma, que trata de nulidade de atos administrativos no Processo Administrativo Fiscal - PAF: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 760DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.(grifei). 20. A diligência esclareceu claramente qual a matéria tributável sem inovação pois, tanto no auto de infração quanto no relatório da diligência, claros estão os fatos ocorridos, ou seja, a diferença entre os valores constantes nas folhas de ponto comparados com a GFIP. Curiosa a alegação da interessada sobre a apresentação de, em suas palavras, "novos valores completamente diferentes dos originais" ser prejudicial. Do Relatório da Diligência verificam-se pequenas correções nos mesmos, em ordem de grandeza compatível com o valor originalmente lançado, e que em sua maioria beneficiaram a autuada. 21. Analise-se então outro questionamento da contribuinte: que face ao alegado vício material, haveria ocorrido cerceamento de defesa. Não há que se aceitar tal argumento, uma vez que não só o vício foi devidamente sanado, uma vez que após sua constatação pela apresentação de sua primeira impugnação, e-fls. 629 e subsequentes, a mesma ensejou a realização da diligência saneadora, da qual a interessada tomou ciência e pôde apresentar novas manifestações complementares de impugnação, e-fls. 653. A possibilidade de manifestação foi devidamente concedida à autuada, antes do proferimento do Acórdão combatido, cf. previsão legal do Artigo 15 do PAF, abaixo colacionado: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 22. Devidamente saneado o vício material e afastado o argumento de cerceamento de defesa, aprecie-se a tese de que com a diligência teria ocorrido alteração da data de lavratura do Auto de Infração. Lavratura do Auto e Diligência são procedimentos administrativos completamente distintos, sendo a segunda ocasional e subsidiária ao primeiro quando da análise do processo do Auto pelas instâncias julgadoras. 23. O Auto de Infração é procedimento administrativo legalmente estipulado pelo artigo 10 do Decreto 70.235/72, PAF, abaixo transcrito, envolvendo atividade administrativa de lançamento, em cumprimento ao exposto no artigo 142 do CTN acima já colacionado. O presente Auto de Infração foi lavrado e devidamente cientificado à interessada com completo respeito à inocorrência da decadência, já que ciência do lançamento fiscal deu-se em 16/09/2011. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 24. Já a Diligência, procedimento administrativo utilizado subsidiariamente para esclarecimento de pontos controversos ou saneamento de vícios, entre outros, está contida no conjunto do procedimento do Auto de Infração, em geral resultando em despacho conclusivo Fl. 761DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 dentro dos autos e de forma alguma de se confunde com a atividade de lançamento, cf. pode ser observado na citação do artigo 18 do mesmo PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine 25. Nesta ótica, muito bem colocada pela instância a quo a seguinte manifestação contra este argumento da autuada no caso sob análise: (...) A circunstância de ter sido o julgamento convertido em diligência não representa, nem de qualquer forma caracteriza a decisão pela improcedência ou nulidade do lançamento fiscal, mas tão somente constituiu medida necessária para esclarecimento dos cálculos realizados, mediante retificação destes, conforme autoriza o art. 18 do Decreto nº 70.235/72. (...) Salienta-se que os esclarecimentos e retificações procedidas no lançamento original não alteraram a motivação ou inovaram na fundamentação legal da infração, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade da autuação. (...) 26. Tal interpretação equivocada da autuada, confundindo lançamento com diligência, causa novamente espécie, denotando até mesmo falta de compreensão do Processo Administrativo Fiscal. Destaque-se que a autuada confunde até mesmo a data de ciência da diligência, quando iniciaria a contagem de seu prazo de manifestação. Aponta 28 de julho de 2014 como o momento de ciência do Relatório Fiscal da Diligência, mas na verdade tal data corresponde à emissão do Despacho de Diligência (e-fl. 624), enquanto sua ciência, data que poderia ser relevante para seus argumentos, ocorreu apenas em 16 de agosto do mesmo ano (e-fl. 626). 27. Portanto, a alegação de ocorrência de nova lavratura dos débitos, e sua consequente alteração do prazo decadencial, carece absolutamente de procedência. Em continuidade, apreciem-se os argumentos de mérito da interessada. 28. Não há necessidade nem possibilidade de reapropriação dos créditos constantes no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA e no Discriminativo de Débitos - DD. Isso porque, após a determinação da alteração do lançamento, conforme apontado pela DRJ, os novos valores de crédito tributário estão presentes agora nos Discriminativos Analíticos do Débito Retificado - DADR, os quais, sendo possível e consistente eventual reapropriação, esta foi procedida. 29. O exemplo apresentado pela impugnante, no sentido de indicar a pretendida relocação dos créditos apropriados, com a competência janeiro de 2008, cf. e-fls. 717/719, é mais um equivoco da contribuinte, uma vez que pretende sustentar apropriação incorreta com os relatórios originais, antes da alteração, sem levar em conta a nova situação do débito após a emissão do DADR. 30. Por fim, pretende a contribuinte mascarar pedido de compensação de valor pago a maior de RAT simplesmente renomeando tal pedido pelo termo "relocação". Mais uma vez, incabível sua pretensão. Merece destaque o combate a tal argumento já procedido pela DRJ, conforme excerto de seu Acórdão abaixo transcrito em sua essência, e que adoto como razões de decidir neste quesito: Fl. 762DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.233 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.730058/2011-12 (...) Ressalte-se que tal pedido equivale a uma compensação, que é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário – arts. 156 e 170 do CTN, podendo ser exercida na forma estabelecida em norma própria. A compensação, hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser efetivada de acordo com os ritos próprios para o seu pleito. Caso o contribuinte tenha direito à compensação solicitada ou restituição, frise-se, essa será apreciada pelo órgão da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona o seu domicílio fiscal, uma vez que, consoante o Regimento Interno da RFB, não compete às DRJ apreciar tal pleito, (...): A compensação deve ser pleiteada por meio de procedimentos específicos, estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, se for o caso, não sendo permitida sua aplicação em sede de contencioso administrativo. Quanto a solicitação para a relocação dos créditos (planilha 2) dos levantamentos que a Fiscalização na diligência considerou-os sem valor a ser apurado para abater de levantamentos nos quais se mantém o valor apurado do débito, também não pode ser acatado. Os valores que a Impugnante considera como créditos para serem relocados, não são recolhimento feitos a maior, mas somente valores que foram apurados como débitos da empresa e que após a revisão do lançamento não permaneceram como valores devidos, porém este fato não torna os valores apurados de débitos em créditos para a empresa. 31. Temerário ainda o entendimento da interessada em subestimar a incorreta informação em GFIP como um motivo sem relevância para desconsideração de seus créditos eventualmente passíveis de alocação, após correto enquadramento do RAT. Tal incorreção foi constatada pela Auditoria a contento, a autuada é plenamente ciente da incorreção de suas GFIP e a correta informação caracteriza-se como um requisito essencial para o procedimento de apropriação de créditos. Pela inação da contribuinte em corrigir suas declarações, mesmo após devidamente intimada pela Auditora, inexistente qualquer enriquecimento sem causa do Estado e configura-se, no caso concreto, a necessidade do processo de compensação. 32. No presente caso portanto, não há como acatar os pedidos da contribuinte, uma vez que entende-se pela inocorrência tanto de nulidade de lançamentos quanto de sua decadência e que este processo não se presta a abater supostos valores de créditos disponíveis. Deve restar então intocada a Decisão da DRJ/CTA e mantido o crédito tributário. Conclusão 33. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720797/2018-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 97 /2 01 8- 63 Fl. 96DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 55/62) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 45/54), onde se apurou Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi, Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou Impugnação parcial (efls. 03, 13/16), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 69): concorda expressamente com as infrações de deduções indevidas de previdência privada e despesas médicas; o valor contestado referese a pagamentos de pensão alimentícia em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual; a contribuinte declarou os valores pagos a título de pensão alimentícia descontados diretamente no seu contracheque no importe de 20% dos seus rendimentos para sua genitora, nos termos de decisão judicial; a pensão alimentícia existente entre a declarante e sua genitora foi estabelecida nos autos do processo que tramitou na 4ª Vara de Família de Brasília/DF, com sentença proferida em 2009, transitada em julgado em 2012; a Receita Federal não pode afastar aplicação de lei ou ato normativo no todo ou em parte em desobediência ao Princípio da Legalidade, tampouco rechaçar decisão judicialmente homologada; e a contribuinte jamais declarou a dedução do imposto de renda com o escopo de prejudicar o Fisco, somente praticou o que a legislação lhe assegura para fins de dedução do imposto de renda, sendo a quantia declarada plenamente capaz de ensejar o abatimento devido no imposto de renda da declarante. A Impugnação foi julgada improcedente pela 19ª Turma da DRJ/RJO (efls. 68/74). Cientificada do acórdão de primeira instância em 26/07/2018 (efls. 77), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 21/08/2018 (efls. 80/84) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta síntese dos fatos processuais. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10166.720797/201863 Acórdão n.º 2002001.105 S2C0T2 Fl. 97 3 Sobre a fixação da pensão alimentícia paga a sua genitora, esclarece que o acordo de prestação de alimentos foi firmado via homologação judicial através do processo n° 12397/89, o qual tramitou na 4ª Vara de Família da Circunscrição Judiciária de BrasíliaDF. Expõe que a pensão foi inicialmente fixada em 30% e desde então ela é descontada diretamente na fonte pagadora da autora pelo órgão público ao qual é vinculada. Acrescenta que, por necessidade financeira, pleiteou a homologação da redução dos alimentos para 20% em 2001 e para 15% em 2015. Alega que anualmente faz a declaração de seu imposto de renda deduzindo o valor pago a título de alimentos para sua genitora respaldada pelo art. 1.694 do Código Civil combinado com os art. 3º e 11° da Lei 10.701/03 e amparada nos artigo 4º, inciso II da Lei n° 9.250/95, art. 10, inciso II da Lei 8.383/91 e art. 12A, §3° da Lei 7.713/88. Aduz que é perfeitamente cabível, legal e legítimo o desconto efetuado, sendo este o entendimento consolidado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme Súmula nº 98. Destaca que Zilda Oliveira Rocha, sua mãe, hoje encontrase com 93 anos e há 10 anos reside no endereço SHA, Chácara 26, casa 13, Arniqueiras, Brasília DF, CEP: 71.994503. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõese observar, inicialmente, que o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família somente pode ser deduzido na Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A do Código de Processo Civil, nos termos do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Extraise dos documentos juntados aos autos que a recorrente estava obrigada ao pagamento de alimentos para sua mãe no valor de 20% de seus rendimentos líquidos, conforme acordo homologado judicialmente em 2001 (efls. 23/28). Cumpre esclarecer, contudo, que a origem judicial da pensão alimentícia não é suficiente para que esta seja dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda, ao contrário do que entende a interessada. Para que possam ser deduzidos, os alimentos precisam ser pagos conforme as normas do Direito de Família, o que não resta comprovado no presente caso. Sobre o assunto, cabe transcrever o disposto nos arts. 1.694 e 1.695 do Código Civil: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver Fl. 98DF CARF MF 4 de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. §1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. §2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Concluise da leitura desses dispositivos que, de acordo com as normas do Direito de Família, a prestação de alimentos pelos parentes decorre do dever de sustento de quem não possui recursos para suprir as suas necessidades. Ocorre, contudo, que no caso em tela não se pode extrair dos documentos acostados aos autos quais foram as condições determinantes do pagamento da pensão alimentícia em exame, não sendo possível verificar, por conseguinte, se a destinatária dos alimentos era, fato, incapaz de prover o próprio sustento. Cabe ressaltar que não se está negando validade ao acordo homologado judicialmente para pagamento de pensão alimentícia. A questão em análise é tão somente quanto à produção de efeitos no âmbito do Direito Tributário, particularmente na Declaração de Ajuste Anual da recorrente. Assim, não restando comprovado que o pagamento da pensão alimentícia foi realizado de acordo com as normas do Direito de Família, tal como determina a legislação do Imposto de Renda, mantémse a glosa da dedução correspondente. Vale mencionar, por fim, que a Súmula CARF nº 98 aludida pela recorrente encontrase revogada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.720797/201863 Acórdão n.º 2002001.105 S2C0T2 Fl. 98 5 Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.720189/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.036
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente seja aferida pela Unidade de Origem, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 18 9/ 20 11 -6 8 Fl. 268DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.036 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720189/2011-68 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de COFINS Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de COFINS Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Fl. 269DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.036 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720189/2011-68 Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.028, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720137/2011-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 270DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.036 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720189/2011-68 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.028). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 20432.67773.270409.1.1.11-1894 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 02927.65081.251006.1.1.11-3372, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 20432.67773.270409.1.1.11-1894 e 02927.65081.251006.1.1.11-3372, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Fl. 271DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.036 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720189/2011-68 Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de Fl. 272DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.036 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720189/2011-68 PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar a presunção de duplicidade e converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002746/2005-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS DECLARADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - DAA.
O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação.
Numero da decisão: 9202-007.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RENDIMENTOS DECLARADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DAA. O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo anocalendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 46 /2 00 5- 07 Fl. 974DF CARF MF 2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201002.447, proferido pela 1ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração do imposto de renda calculado com base rendimentos omitidos, correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2002, e sobre ganhos de capital, também em 2002. O imposto lançado com os acréscimos legais somou R$ 955.485,36. De acordo com o relatório fiscal (fls. 497/508), os extratos bancários exigidos foram apresentados pelo contribuinte, que, intimado a comprovar a origem de depósitos relacionados pela fiscalização, forneceu justificativas e documentos diversos. Após análise destes elementos, o autuante excluiu os depósitos para os quais o contribuinte apresentara provas da sua origem, inclusive os créditos provenientes da venda de bens patrimoniais a que se referem os ganhos de capital. Os depósitos que não tiveram a sua origem comprovada foram tributados com base no art. 42 da Lei n° 9430/1996. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 522/546. A DRJ/SDR, às fls. 569/576, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada, para excluir a parcela de R$ 11.720,97, e manter a exigência, com os acréscimos legais, do imposto de R$ 409.096,95. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 582 e ss. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 613/625, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o montante de R$ 249.588,18. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 9202007.825 CSRFT2 Fl. 10 3 ALEGAÇÃO DE NULIDADE NA SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público; logo não pode o contribuinte alegar “motivos pessoais e mesquinhos” pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Às fls. 628/640, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. omissão depóstos bancários origem exclusão dos valores declarados na DAA. O Colegiado a quo, prolator do acórdão recorrido, entendeu que valores declarados em DAA (declaração de ajuste anual) podem ser considerados como comprovação de origem dos depósitos bancários, independentemente de identificação entre as fontes e os depósitos. Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes firmou entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobado entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. 2. omissão depóstos bancários titularidade de valores depositados na conta auditada. O colegiado a quo entendeu que apresentado o documento de levantamento judicial em favor de cliente do contribuinte, os depósitos bancários deveriam ser excluídos da autuação. De outro lado, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF entende que deve ser comprovado o efetivo repasse dos depósitos para os supostos titulares, para fins de exclusão dos aludidos valores da base de cálculo. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 707/715, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação apenas em relação à seguinte matéria: omissão depóstos bancários origem exclusão dos valores declarados na DAA, por não se tratar de situações fáticas semelhantes em relação à segunda divergência alegada. À fl. 717, a União manifestouse ciente em relação ao Despacho de Admissibilidade de seu recurso. Cientificado à fl. 958, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 961/968, rebatendo os argumentos de mérito e requerendo seja negado provimento ao Recurso Especial. É o relatório. Fl. 976DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração do imposto de renda calculado com base rendimentos omitidos, correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2002, e sobre ganhos de capital, também em 2002. O imposto lançado com os acréscimos legais somou R$ 955.485,36. De acordo com o relatório fiscal (fls. 497/508), os extratos bancários exigidos foram apresentados pelo contribuinte, que, intimado a comprovar a origem de depósitos relacionados pela fiscalização, forneceu justificativas e documentos diversos. Após análise destes elementos, o autuante excluiu os depósitos para os quais o contribuinte apresentara provas da sua origem, inclusive os créditos provenientes da venda de bens patrimoniais a que se referem os ganhos de capital. Os depósitos que não tiveram a sua origem comprovada foram tributados com base no art. 42 da Lei n° 9430/1996. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão depósitos bancários origem exclusão dos valores declarados na DAA. O acórdão recorrido interpretou que o valor oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Nesse tópico, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 9202007.825 CSRFT2 Fl. 11 5 Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que exerce a atividade de advogado e deposita em suas contas bancárias diversos recursos de seus clientes para pagamento de custas processuais, diligências, perícias etc. Como declarou no exercício de 2001 ter recebido rendimentos no valor de R$ 261.996,00, assim como dívidas de clientes no valor de R$ 97.000,00, esses montantes devem ser excluídos da base de cálculo do imposto. Em relação à exclusão dos rendimentos tributáveis informados na Declaração de Ajuste, a jurisprudência do CARF tem se posicionado favoravelmente ao pedido, já que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. Assim, apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. No caso em apreço, em razão da atividade profissional de advogado, penso que existe um liame importante entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários levantados pela fiscalização e, aplicando aos autos o entendimento supra, devese excluir da exigência o valor de R$ 204.234,00, informado pelo recorrente em sua Declaração de Ajuste (fls. 04/05). Quanto à dívida de clientes proveniente de levantamentos judiciais, informada em sua DAA, fl. 9, no valor de R$ 97.000,00, como o recorrente não efetuou a comprovação individualizada desses depósitos é possível concluir que o citado valor não tenha transitado por sua conta bancária. Não se pode perder de vista que a jurisprudência do CARF tem admitido a exclusão na base de cálculo apenas de valores que tenham sidos tributados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. Neste ponto, entendo que assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF, que corresponde a 204.234,00, deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores tributáveis declarados nas DIRPF's devem ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Registro ainda, meu posicionamento isolado que é ainda mais abrangente, pois considero possível a exclusão da base de cálculo de todos os valores declarados no ajuste anual, isentos, tributáveis e não tributáveis (a maioria do colegiado exclui apenas os tributáveis). Contudo, no caso em apreço em se tratando de recurso da Fazenda Nacional fico limitada a extensão do acórdão recorrido. Diante do exposto voto por conhecer do Recurso da Fazenda Nacional e no mérito negarlhe provimento. Fl. 978DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 979DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.901882/2008-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/02/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DEPÓSITO JUDICIAL.
Comprovando-se a existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, cabe a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível, devendo a autoridade competente da unidade de origem verificar se a parcela do crédito depositada judicialmente foi transformada em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda, a fim de conferir liquidez e certeza à compensação requerida.
Numero da decisão: 3003-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a autoridade competente da unidade de origem verifique a situação do débito de COFINS, Código de Receita 2172, PA de fevereiro/2003 e, caso o montante de R$ 399,81 controlado no Processo nº 13609.720.506/2011-01, alocado ao respectivo depósito judicial, tenha sido transformado em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda, adicione esse valor ao crédito já reconhecido, operacionalizando a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovando-se a existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, cabe a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível, devendo a autoridade competente da unidade de origem verificar se a parcela do crédito depositada judicialmente foi transformada em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda, a fim de conferir liquidez e certeza à compensação requerida.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-14T18:05:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-14T18:05:53Z; Last-Modified: 2019-06-14T18:05:53Z; dcterms:modified: 2019-06-14T18:05:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-14T18:05:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-14T18:05:53Z; meta:save-date: 2019-06-14T18:05:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-14T18:05:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-14T18:05:53Z; created: 2019-06-14T18:05:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-14T18:05:53Z; pdf:charsPerPage: 2523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-14T18:05:53Z | Conteúdo => SS33--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 13609.901882/2008-91 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3003-000.258 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 14 de maio de 2019 RReeccoorrrreennttee MOTORSETE VEICULOS E PECAS LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovando-se a existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, cabe a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível, devendo a autoridade competente da unidade de origem verificar se a parcela do crédito depositada judicialmente foi transformada em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda, a fim de conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a autoridade competente da unidade de origem verifique a situação do débito de COFINS, Código de Receita 2172, PA de fevereiro/2003 e, caso o montante de R$ 399,81 controlado no Processo nº 13609.720.506/2011- 01, alocado ao respectivo depósito judicial, tenha sido transformado em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda, adicione esse valor ao crédito já reconhecido, operacionalizando a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 03130.78577.141204.1.3.04-0002, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, Código de Receita 2172, PA de fevereiro/2003, no valor original na data de transmissão de R$ 556,29, representado por Darf recolhido em 14/03/2003. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (e-fls. 92), no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 18 82 /2 00 8- 91 Fl. 134DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.258 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.901882/2008-91 débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: Que efetuou pagamento de Cofins, código 2172, no valor de R$ 2.669,53 e que o valor devido seria de R$ 799,62, gerando um crédito de R$ 1.869,91. Diz, ainda, que com esse crédito acrescido de atualização monetária pela Selic, a cada PER/DCOMP entregue, foram efetuadas as seguintes compensações: PER/DCOMP 26072.72476.031204.1.3.04-8463 para pagamento do 1RRF-0561, vencimento em 15/12/2004, no valor de R$ 477,86, restando saldo do crédito original no valor de R$ 1.503,00; PER/DCOMP 39852.59552.091204.1.3.04-7498, para pagamento do PIS-6912-1, vencimento em 15/12/2004, no valor de R$ 345,99, e R$ 887,00 de Cofins não cumulativo-5856-1, vencimento em 15/12/2004, no valor de R$ 887,00, restando saldo do crédito original no valor de R$ 556,29; PER/DCOMP 03130.78577.141204.1.3.04-0002 em que uma parte do crédito foi utilizada para pagamento de IRRF, código 0561, vencimento em 29/12/2004, no valor de R$ 272,73, restando o saldo do crédito original no valor de R$ 346,88; PER/DCOMP 29213.98068.040105.1.3.04-9344 em que uma parte do crédito foi utilizada para pagamento de imposto IRRF-0561, vencimento 12/01/2005 no valor de 73,43, e mais o IRRF-1708-01 no valor de R$ 34,96, totalizando R$ 108,39, restando saldo de crédito original no valor de R$ 264,59; PER/DCOMP 01581.97229.120105.1.3.04-2591 em que uma parte do crédito foi utilizada para pagamento do imposto PIS/Pasep - 5979-01, com vencimento em 07/01/2005 no valor de R$ 1,06 mais a Cofins-5960- 1, vencimento em 07/01/2005 no valor de R$ 4,86, mais CSLL-5987-01, totalizando R$ 7,56, restando saldo do crédito original do crédito no valor de R$ 258,85; PER/DCOMP 03260.22257.130105.1.3.04-0913 em que uma parte do crédito foi utilizada para pagamento do PIS-8109, vencimento 15/01/2005 no valor de R$ 43,90 e mais Cofins-2172 no valor de R$ 202,62, totalizando R$ 246,52, restando o crédito original no valor de R$ 71,70; PER/DCOMP 17205.35023.010205.1.3.04-6435 em que uma parte do crédito foi utilizada para pagamento do IRRF-0561, vencimento 09/02/2005 no valor de R$ 94,00, restando o crédito original no valor de R$ 0,34. Requer o deferimento do crédito. Fl. 135DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.258 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.901882/2008-91 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 02-31.149, reconhecendo o crédito no valor original de R$ 1.470,10, conforme pagamento a maior em 14/03/2003. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, sustentando que o valor de R$399,81 (trezentos e noventa e nove reais) depositado judicialmente, que está sendo cobrado em outro processo de número 13609.720.506/2011-01 suspenso por medida judicial, conforme documentação juntada, deveria ter sido reconhecido no valor total do credito. É o Relatório. Fl. 136DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.258 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.901882/2008-91 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Pelo que consta nos autos, foi recolhido um DARF, originário do crédito da Cofíns, no valor de R$ 2.669,53, inicialmente alocado para o débito da Cofins declarado em DCTF, no mesmo valor, do período de apuração de 28/02/2003. O valor efetivamente devido e apurado da Cofins teria sido declarado em DCTF retificadora , transmitida em 08/05/2008, em 31/07/2008 e em 06/07/2009, nas quais constam a Cofins de R$ 1.199,43, para o período de apuração de fevereiro/2003, tendo vinculado o pagamento de R$ 799,62 e declarado a suspensão de exigibilidade no valor de R$ 399,81.(fls. 27 e 93/94). O credito decorrente de recolhimento a maior da Cofins foi utilizado para compensação de débitos diversos, incluídos os do presente processo. A decisão recorrida reconheceu parcialmente o crédito no valor original de R$ 1.470,10 considerando que do valor da Cofins paga em 14/03/2003, R$ 2.669,53, deveria ser subtraído o valor apurado de R$ 1.199,43, conforme declarado nas DCTFs retifícadoras, não incluindo o montante declarado com suspensão de exigibilidade no valor de R$ 399,81, por entender que o crédito tributário objeto de compensação deve se revestir de certeza e liquidez e, no caso daqueles decorrentes de ação judicial, como na presente situação, só pode ser usado após o trânsito em julgado da ação. A recorrente, por sua vez, sustenta que o valor de R$399,81 (trezentos e noventa e nove reais) depositado judicialmente, que está sendo cobrado em outro processo de número 13609.720.506/2011-01 suspenso por medida judicial, conforme documentação juntada, deveria ter sido reconhecido no valor total do credito. De fato, o referido valor apenas será considerado extinto, nos termos do Art. 156, VI do CTN, de forma a garantir a liquidez e certeza necessárias ao crédito tributário objeto de compensação, com o trânsito em julgado da ação, sendo, no caso, os depósitos judiciais efetuados para garantir a suspensão da exigibilidade da cobrança da Cofins totalmente transformados em pagamento definitivo para a União. No caso, a recorrente juntou aos autos extrato do Processo número 13609.720.506/2011-01 e Cópia do Recibo do Depósito Judicial que comprovaria o débito no valor de R$ 399,81 com suspensão de exigibilidade por medida judicial. No entanto, não consta nos autos se os débitos controlados no Processo número 13609.720.506/2011-01, alocados aos respectivos depósitos judiciais, foram transformados em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda. Não obstante a necessidade de se conferir a liquidez e certeza ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações, com fulcro no princípio da economia processual e considerando a alegação de depósito judicial e a documentação juntada ao autos, deve a unidade que jurisdiciona o contribuinte acompanhar o processo judicial nº 13609.720.506/2011-01 e confirmando o depósito integral do valor suspenso relativo a COFINS, Código de Receita 2172, PA de fevereiro/2003, verificar se houve a Fl. 137DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.258 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.901882/2008-91 conversão em renda que implique na extinção do valor de R$ 399,81 (trezentos e noventa e nove reais) depositado judicialmente, a fim de conferir liquidez e certeza para a realização da compensação requerida nos autos. Caso positivo, deverá adicionar esse valor ao crédito já reconhecido, operacionalizando a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a autoridade competente da unidade de origem verifique a situação do débito de COFINS, Código de Receita 2172, PA de fevereiro/2003; se o montante de R$ 399,81 controlado no Processo nº 13609.720.506/2011-01, alocado ao respectivo depósito judicial, foi transformado em pagamento definitivo mediante a correspondente conversão em renda e, caso positivo, adicionar esse valor ao crédito já reconhecido, operacionalizando a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 138DF CARF MF
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