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Numero do processo: 10215.000663/2002-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INTERESSE DE AGIR.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, por falta de interesse de agir, quando o resultado do julgado, qualquer que seja ele, não aproveita ao Recorrente.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INTERESSE DE AGIR. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, por falta de interesse de agir, quando o resultado do julgado, qualquer que seja ele, não aproveita ao Recorrente. Recurso especial não conhecido.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. INTERESSE DE AGIR. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, por falta de interesse de agir, quando o resultado do julgado, qualquer que seja ele, não aproveita ao Recorrente. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 06 63 /2 00 2- 32 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 23/09/2008, foi julgado o Recurso Voluntário nº 138.794, prolatandose o Acórdão nº 39200.004, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR EXERCÍCIO: 1998 SUJEITO PASSIVO DO ITR. Posse dos posseiros sem terra, impossibilidade de usar, gozar, dispor ou reaver o imóvel, propriedade descaracterizada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O processo foi encaminhado à PFN – Procuradoria da Fazenda Nacional em 20/01/2009, conforme RM – Relação de Movimentação de fls. 98. A ciência pessoal ocorreu em data não legível (Termo de Intimação de fls. 97). O processo foi devolvido ao CARF em 19/02/2009, de acordo com a RM – Relação de Movimentação de fls. 99. Ao Recurso Especial, datado de 19/02/2009 (fls. 100 a 109), foi dado seguimento, conforme o despacho nº 220000.516, de 24/08/2011 (fls. 110 a 114). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que enquanto não cancelado o registro do imóvel, o seu proprietário, titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer título é o sujeito passivo do respectivo ITR, portanto o acórdão recorrido tem de ser revisto. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em data ilegível (fls. 07/11/2013 (Termo de Ciência Eletrônica de fls. 429), o Contribuinte ofereceu, em 04/01/2012, as Contrarrazões de fls. 120 a 207, inserida no e processo com a denominação incorreta de “Impugnação”. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta, em síntese: preliminarmente, a sua intimação foi intempestiva, já que promovida em 23/12/2011, quando a decisão ocorreu em 23/03/2008; ademais, ao Recurso Especial deixouse de juntar as fls. 7 (106 do processo), o que prejudicou a defesa; no mérito, o caso em tela não pode ser tratado por divergência jurisprudencial, já que, conforme informação do INCRA, bem como de acordo com o processo nº 2007.61.11.0049015, que tramitou na 2ª Vara Federal de Marília/SP, o Contribuinte não detém a posse do imóvel desde 1990; além disso, apresenta a declaração de um dos líderes da Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10215.000663/200232 Acórdão n.º 9202003.347 CSRFT2 Fl. 5 3 legalização da posse das terras devolutas que hoje compõem o Parque Nacional de Jamanxim/PA. Ao final, o Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Preliminarmente, releva notar que a digitalização das peças do processo provocou a desconfiguração de alguns caracteres, o que tornou impossível a verificação da tempestividade, tanto do Recurso Especial como das Contrarrazões, já que a data de ciência das respectivas intimações encontrase ilegível. Destarte, em um primeiro momento a decisão mais acertada seria a de demandar o saneamento dos autos. Entretanto, no presente caso, algumas considerações devem ser sopesadas, a bem da lógica e celeridade processual: tratase de exigência de ITR do exercício de 1998 e a autuação restringese à glosa da APP – Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de ADA – Ato Declaratório Ambiental (fls. 13 em diante); no acórdão recorrido aceitouse a alegação de ilegitimidade passiva, tendo em vista o conjunto probatório constante dos autos, principalmente a Declaração do Instituto Nacional de Colonização Agrária – INCRA, de 26/04/2006 (fl. 66), no sentido de que “ ... a posse, por se tratar de terras da União, foi invadida por terceiros a partir de 1990 e que estão sendo regularizadas pelo INCRA, em nome de DELSI DAL PAI Processo Administrativo INCRA n° 566/99 e FAVORINO DAL PAI Processo Administrativo n° 565/99, declaração do IBAMA”; a questão da posse do imóvel rural em tela foi discutida no Processo Judicial nº 2007.61.11.0049015, que tramitou na 2ª Vara Federal de Marília/SP; em seu apelo, a Fazenda Nacional limitouse a colacionar as ementas dos paradigmas, sem demonstrar que a situação neles retratada conteria os mesmos elementos probatórios do acórdão recorrido. Assim, ainda que se considerasse tempestivos o Recurso Especial e as Contrarrazões, e que os paradigmas retratariam a mesma situação fática do recorrido – o que se admite apenas para argumentar – a decisão judicial colacionada demandaria o provimento do apelo da Fazenda Nacional, declarandose a definitividade da legitimidade passiva do Contribuinte, aplicandose a Súmula CARF nº 1, de 2006: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ocorre que, considerandose o Contribuinte como o legítimo sujeito passivo da obrigação tributária, o processo teria de retornar à Turma recorrida, para julgamento do mérito, que diz respeito unicamente à glosa de APP – Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação de ADA – Ato Declaratório Ambiental. E nesse passo, tratandose de ITR do exercício de 1998, teria de ser aplicada a Súmula CARF nº 41: “Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Diante do exposto, constatase que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não tem utilidade (interesse de agir), qualquer que seja o posicionamento adotado pela Instância Especial, razão pela qual dele não conheço. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720001/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Mantém-se o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual.
RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IRRF. SÚMULA CARF Nº 12.
A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertá-los a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
É devida a aplicação de multa de ofício, uma vez constatada a omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantém-se o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IRRF. SÚMULA CARF Nº 12. A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertá-los a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. É devida a aplicação de multa de ofício, uma vez constatada a omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IRRF. SÚMULA CARF Nº 12. A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertálos a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. É devida a aplicação de multa de ofício, uma vez constatada a omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 01 /2 00 8- 18 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720001/200818 Acórdão n.º 2801002.747 S2TE01 Fl. 53 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em auto de infração relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2003, anocalendário 2002 (fls.8 a 12), formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$9.203,15, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até outubro de 2007, perfazendo um crédito tributário total de R$22.564,28. O lançamento foi motivado por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em ação judicial, no valor de R$33.466,00, considerados de natureza remuneratória pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região e, portanto, tributáveis. O contribuinte argumenta em síntese que a própria legislação federal impõe o pagamento do imposto de renda à fonte pagadora, ainda que o tributo não tenha sido retido, como se pode extrair do art. 45, parágrafo único, do CTN, do art. 718 do Regulamento do Imposto de Renda e do art. 103 do Decretolei nº 5.844, de 1943. Refere originalmente falha no procedimento da União, quando não lhe fora informado em folha suplementar, por exemplo, que não teria havido qualquer retenção de imposto sobre os valores efetivamente pagos. Ao mencionar o Parecer Normativo nº 1, de 2002 como respaldo à exigência tributária, ressalta que normas infra legais não poderiam impor deveres além do que a lei expressamente tenha disposto. Finaliza requerendo a improcedência da ação fiscal (fls.2 a 7). É o relatório A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/32, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720001/200818 Acórdão n.º 2801002.747 S2TE01 Fl. 54 3 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o lançamento quando rendimentos tributáveis comprovadamente auferidos pelo contribuinte tenham sido omitidos na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 02/12/2010 (fl. 50), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 36/40, em 29/12/2010. Em sua defesa, reitera os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. DA CARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS O próprio recorrente reconhece de forma categórica a omissão de rendimentos apontada pela Fiscalização, sendo devido portanto o crédito tributário neste sentido, argüindo contudo que o valor devido à título de Imposto de Renda Retido na Fonte, deveria ter sido recolhido pela fonte pagadora. O fato é que a recorrente argúi a insubsistência do auto de infração, pois em sua ótica, o valor por ele recebido em ação judicial já teria sofrido a tributação devida pela União e o dispensaria de ofertálos a tributação. Menciona ainda, que seria um excludente de responsabilidade que militaria em seu favor, o fato da fonte pagadora não haver retido o IR quanto aos valores efetivamente pagos a si (recorrente), citando para tanto diversos precedentes que entende, socorrem seu pleito. Referidos precedentes, apesar de mencionarem a responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum mencionam a dispensa do contribuinte de ofertálos a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. Apenas no caso de retenção pela fonte pagadora, que seria o procedimento legalmente correto, caberia ao recorrente, o abatimento do valor retido pela fonte pagadora no saldo de seu IR a pagar. Neste sentido Súmula CARF 12. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.720001/200818 Acórdão n.º 2801002.747 S2TE01 Fl. 55 4 A responsabilidade da retenção pela fonte pagadora, em momento nenhum momento dispensa do contribuinte de ofertá los a tributação em caso de não ter havido a retenção na fonte. Constatada e reconhecida a omissão de rendimentos, o cerne da questão a ser analisada, é o cabimento da multa aplicada pela fiscalização pela referida omissão. Neste tocante, constatada a omissão, devida é a multa por força de disposição legal (art. 44, inciso I, Lei 9430/96 e alterações). Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 15956.000083/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA
Correta a tributação da omissão de receita apurada por meio dos Conhecimentos de Transportes e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas e as receitas informadas na Declaração Simplificada.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
TAXA SELIC.
A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4).
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1301-001.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. TAXA SELIC. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF 4). PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 83 /2 01 0- 03 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 23 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração, relativamente ao anocalendário de 2006, exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do Simples, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 32.252,07 (fl. 283), Contribuição para o PIS no valor de R$ 23.704,27 (fl. 293), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 32.252,07 (fl. 303), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 95.020,69 (fl. 313) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 274.843,64 (fl. 323), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 584.137,44 (fl. 02), em virtude de constatação de diferença de base de calculo dos tributos e contribuições e insuficiência de recolhimento. Conforme Termo de Encerramento (fls. 342/348), a ação fiscal teve inicio no dia 09/11/2009 quando a fiscalizada foi intimada a apresentar, relativamente ao ano calendário de 2006, livros e documentos, tendo ela apresentado o Livro Caixa, Livro Registro de Entradas de Mercadorias, Livro Registro de Saída de Mercadorias, Livro Registro de Apuração de ICMS, Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência, Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou Serviços e Extratos das contas correntes bancárias movimentadas pela fiscalizada em instituições financeiras. Da análise dos documentos apresentados, conjuntamente com os dados contidos no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRF, a fiscalização constatou que a empresa informou em sua Declaração Simplificada PJ – Simples, relativa ao anocalendário de 2006, uma receita bruta anual de R$ 726.231,84 e, no entanto, de acordo com o Banco de Dados da Receita Federal do Brasil (DCPMF ano 2006), sua movimentação financeira teria sido de R$ 5.061.198,88. Foi escriturado no Livro de Registro de Saídas (cópia em anexo, fls. 46 a 89) uma receita bruta anual de R$ 4.375.700,50, cujos valores coincidem com os valores constantes dos conhecimentos de transportes, PROVA MATERIAL DA OPERAÇÃO COMERCIAL. Foi juntada uma amostra dos conhecimentos de transportes às fls. 90 a 155. De posse dos extratos bancários da conta corrente n° 1005606 da agência 1521 do Unibanco e da conta corrente 911990 da agência 0125 do Itaú (fls. 159 a 253), a fiscalização identificou todos os créditos efetuados nestas contas e após excluir os valores decorrentes de empréstimos, transferências de mesma titularidade, estornos e demais créditos não decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela empresa, apurou um montante de depósitos/créditos de R$ 3.959.268,01, cujo montante entendeu ser compatível com a receita bruta apurada e escriturada pela empresa em seu Livro de Registro de Saídas (R$ 4.375.700,50). Estes créditos estão relacionados na planilha 01 em anexo (fls. 330 a 332). Segundo consta, no livro Caixa a fiscalizada não utilizou em sua escrituração o titulo receita para identificação da receita bruta auferida em virtude de suas operações comerciais. Escriturou apenas as saídas e entradas de créditos. As entradas referentes ao ano fiscalizado estão relacionadas na planilha 02 em anexo (fls. 333 a 335) e perfaz um montante Fl. 521DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 de R$ 4.078.258,42 compatível com os créditos efetuados em suas contas correntes (R$ 3.959.268,01). Diante dessas constatações apuradas nos livros caixa e registro de saídas, nos conhecimentos de transportes e ainda nos extratos bancários, a fiscalização conclui que a fiscalizada auferiu em 2006 receita bruta de R$ 4.375.700,50. Assim, a diferença entre este valor e aquele informado na Declaração Simplificada como receita bruta (R$ 726.231,84) foi considerada receita omitida (R$ 3.649.486,66), a qual foi levada à tributação na sistemática do Simples. Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 348/397 alegando, como razões de defesa, o seguinte: 1 – Decadência. Alegou que, nos termos do art. 150, § 4o., do Código Tributário Nacional (CTN), quando da ciência do lançamento já teria ocorrido decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no período 01 de janeiro a 28 de fevereiro de 2006. 2 Presunção de omissão de receitas em extratos bancários: Impossibilidade. Alegou que a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, eis que, simplesmente, utilizouse de extratos bancários, sendo que não basta a simples presunção de que houve omissão de receitas, com base em análise perfunctória de extratos bancários, é preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta omissão de receitas, o que não teria sido feito. Além disso, segundo a impugnante, o lançamento com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência, pois os valores indicados em extrato bancário correspondem sempre, à movimentação do dinheiro, e não à "renda" efetivamente percebida, e exatamente por isso que o E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES já pacificou entendimento no sentido de não admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita, para fins de lançamento tributário; Ademais, a fiscalização não apontou quais seriam os créditos que foram excluídos e não apontou o critério que se utilizou para saber quais créditos se referem a atividade comercial da empresa. 3 – Tributação Reflexa – PIS e COFINS Com relação ao PIS e a COFINS alegou que o lançamento é insubsistente, eis que se pautou em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevida a exigência da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras (variações cambiais), e que seria inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Além disso, o Sr. Agente Fiscal tomou como base de cálculo o valor do mês anterior à ocorrência do fato gerador, desrespeitando o comando do art. 6°, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70. 4 – Multa e juros de mora Contestou a multa aplicada de 75% alegando ter ela caráter confiscatório e alegou que os juros com base na taxa Selic é ilegal e inconstitucional. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 24 5 Por fim, requereu a realização da competente prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores. A DRJ/RIBEIRÃO PRETO (SP) decidiu a matéria por meio do Acórdão 14 42.130, de 24/05/2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha efetuado pagamento, mesmo que parcial, e não tendo se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Esta regra aplicase também às contribuições sociais em face da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF. OMISSÃO DE RECEITA Correta a tributação da omissão de receita apurada por meio dos “Conhecimentos de Transportes” e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas e as receitas informadas na Declaração Simplificada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. É o relatório. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as argumentações iniciais (impugnação) a seguir analisadas. Ressaltese que não foi contestada a decisão com relação à decadência. 1. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS EM EXTRATOS BANCÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Neste ponto alega a ora recorrente que “o auto de infração impugnado encontra fundamento, dos valores exigidos, tão somente em mera presunção, eis que, simplesmente, utilizase de extratos bancários”. Colaciona vasta doutrina e jurisprudência como reforço de seus argumentos. Constatase do relatório e voto recorrido que a exigência decorreu das seguintes irregularidades detectadas pela fiscalização (ano calendário de 2006): 1 omissão de receita apurada mediante o confronto entre a receita informada na Declaração Simplificada e a receita apurada pelos conhecimentos de transportes e lançada no Livro de Registro de Saídas; e 2 Insuficiência de recolhimento apurado em decorrência de alteração de alíquota ocasionada pela inclusão da receita omitida. Extraise do voto condutor ora recorrido: A impugnante contestou o lançamento alegando, em síntese, que a fiscalização tomou como base os extratos bancários, sem apresentar provas da suposta omissão, e que a tributação com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência. Conforme se verifica dos autos, a empresa informou em sua Declaração Simplificada PJ – Simples, relativa ao anocalendário de 2006, uma receita bruta anual de R$ 726.231,84 e, no entanto, os valores constantes dos Conhecimentos de Transportes e escriturados no Livro de Registro de Saídas (cópia em anexo, fls. 46 a 89) demonstram uma receita bruta anual de R$ 4.375.700,50. A diferença entre os valores escriturados no Livro de Registro de Saídas e a receita informada Declaração Simplificada é que foi levada à tributação como omissão de receita. Portanto, ao contrário do que foi alegado pela defesa, a tributação não se deu com base na presunção legal de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprova de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim com base em receita auferida e demonstrada por meio dos “Conhecimentos de Transportes” e o correspondente registro no Livro de Registro de Saídas. As argumentações da defesa são totalmente impertinentes, já que o lançamento não se deu com base no extratos bancários. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 25 7 O depósitos bancários em contacorrente, no montante de R$ 3.959.268,01 (já excluídos os valores decorrentes de empréstimos, transferências de mesma titularidade, estornos e demais créditos não decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela empresa) serviram tãosomente para mostrar que há uma compatibilidade com a receita bruta apurada escriturada no Livro de Registro de Saídas (R$ 4.375.700,50) e também com as entradas escrituradas no livro Caixa (R$ 4.078.258,42). Não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova de ter havido erro ou equívoco nos valores constantes nos “Conhecimentos de Transportes” e no Livro de Registro de Saídas, base do lançamento, só resta a conclusão de que de fato houve a omissão de receita nos valores apurados pela fiscalização. De fato, constatase do Termo de Encerramento Fiscal (fls. 340) a seguinte conclusão da fiscalização: DIANTE DAS PROVAS ESCRITURAIS (LIVROS CAIXA E REGISTRO DE SAÍDAS), DA PROVA MATERIAL DA OPERAÇÃO COMERCIAL (CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES) E AINDA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS, A FISCALIZAÇÃO CONCLUI QUE A FISCALIZADA AUFERIU EM 2006 RECEITA BRUTA DE R$ 4.375.700,50. Uma vez que a fiscalizada ei m sua . Declaração Simplificada PJ Simples Ano Calendário 2006 declarou receita bruta de R$ 726.231,84, mas que auferiu receita bruta de R$ 4.375.700,50, a fiscalização apurou omissão de receita no montante de R$ 3.649.486,66 que será tributada na forma da legislação pertinente. [...] o crédito tributário foi apurado de acordo com a sistemática do SIMPLES (arts. .196, 197, 288 do RIR/1999). Evidenciado, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Enfim da análise dos autos se constata que a autoridade lançadora procedeu exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada omissão de receita (diferença entre a Receita informada Declaração Simplificada/Simples e a receita comprovadamente auferida: Livros de Saídas e Conhecimento de Transportes) e, devidamente intimada a autuada não conseguiu elidir a exigência, agiu corretamente a fiscalização tributando a diferença como receita omitida. 2. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. 3. DO AUMENTO DA BASE DE CALCULO DA COFINS E DO PIS. 4. LEI COMPLEMENTAR X LEI ORDINÁRIA. 5. DA INDEVIDA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. Neste tópico, em suma, a recorrente alega que “o lançamento é insubsistente, eis que se pauta em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevida a exigência da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras (variações cambiais), razão pela qual a r. decisão de primeiro grau proferida há que ser reformada.” Fl. 525DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Os lançamentos do Programa de Integração Social/PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, considerandose que o lançamento do IRPJ foi mantido, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, há de se manter também as exigências correspondentes de PIS, Cofins e CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Mesmo porque há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. E mais, ressaltese o entendimento consolidado nesta Corte Administrativa acerca da incompetência dos Conselheiros para reconhecer a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante dispõe a súmula CARF n. 2, observese: Súmula CARF n. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 6. DOS JUROS SELIC APLICADOS. 8. DA MULTA CONFISCATÓRIA APLICADA. Insurgese a ora recorrente sobre a incidência da Taxa Selic por entender, em síntese, que lhe falta respaldo jurídico. Aduz, mais, que a multa de ofício aplicada (75%) “ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5o., inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal”. Com relação as argüições de inconstitucionalidade (violação aos princípios do não confisco, da legalidade e da indelegabilidade absoluta da competência tributária), cabe esclarecer que a este órgão colegiado não compete julgar, por exemplo, se o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, que estabelece as multas para o lançamento de ofício viola o princípio constitucional do nãoconfisco; ou se a mesma lei contém algum vício devido à adoção, no art. 61, § 3 o , da taxa Selic como juros de mora. A essa instância administrativa cabe, em apertada síntese, verificar a conformidade de atos administrativos ao direito positivo. A competência para declarar inconstitucionalidades é, inclusive, expressamente afastada pelo art. 26A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 526DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 26 9 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). 75. No Processo Administrativo Fiscal, o julgador não tem competência para negar aplicação a lei ou ato normativo, sob qualquer fundamento, inclusive o de inconstitucionalidade ou ilegalidade, conforme estabelece o art. 7o da Portaria MF n° 58/2006 c/c o art. 116, III, da Lei n° 8.112/1990, in verbis: Portaria MF n° 58/2006, art. 7o: O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Lei 8.112/1990, art. 116: São deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares; Acrescento mais, com relação a utilização da Selic para a quantificação dos juros de mora além da previsão em lei regularmente inserida no sistema jurídico, não podendo este Colegiado negarlhe aplicação, a matéria é objeto da Sumula CARF n° 4, com o seguinte enunciado: " A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.". Assim, da mesma forma que a decisão a quo deixo de conhecer das arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. 9. DA PROVA PERICIAL. Por fim, requer a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores. De se ressaltar que no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências e perícias que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Nos expressos termos do citado art. 18 (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748/1993) o pedido de realização de perícia/diligência deve ser analisado se é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, verbis: Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. Como se percebe, o dispositivo consagra a idéia de que a prova produzida por meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o Fl. 527DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova. Os termos da norma “quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável” estão claramente dirigidos à autoridade julgadora, que, apenas e tão somente quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará. A perícia, no caso em exame, é absolutamente prescindível e não existe nenhuma justificativa para sua realização, mesmo porque, o ônus da prova é do contribuinte, que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu a contento. A título exemplificativo destaco recentes ementas dos seguintes acórdãos com o mesmo entendimento, nesta parte: Acórdão 1101001.015 (Sessão de 04/12/2013) NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. Acórdão nº 1801001.680 (Sessão de 08/10/2013) NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim, com fundamento no artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, mantenho o indeferimento da diligência solicitada. Diante do exposto VOTO por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendose o crédito tributário tal como foi constituído. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 528DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15956.000083/201003 Acórdão n.º 1301001.590 S1C3T1 Fl. 27 11 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10580.002930/98-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
PIS. RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE.
No regime da LC 7/70 a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento sem correção monetária.
MANDADO DE SEGURANÇA. ÍNDICES DE CORREÇÃO.
A autoridade administrativa deve aplicar ao crédito do contribuinte os índices de correção determinados pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte apurar o crédito de PIS levando em conta o critério da semestralidade da base de cálculo e para que o indébito, assim apurado, seja corrigido conforme a decisão derradeira proferida no mandado de segurança 1999.33.00.011522-8. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE. No regime da LC 7/70 a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento sem correção monetária. MANDADO DE SEGURANÇA. ÍNDICES DE CORREÇÃO. A autoridade administrativa deve aplicar ao crédito do contribuinte os índices de correção determinados pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte apurar o crédito de PIS levando em conta o critério da semestralidade da base de cálculo e para que o indébito, assim apurado, seja corrigido conforme a decisão derradeira proferida no mandado de segurança 1999.33.00.0115228. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 29 30 /9 8- 91 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS cumulado com compensação, formalizado em 29/05/1998, para o aproveitamento de créditos de PIS originários do mandado de segurança 91.00028312, que declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Conforme despacho da autoridade administrativa, os pagamentos tidos por indevidos foram realizados nos períodos de dezembro de 1989, janeiro a dezembro/1990, janeiro a maio/1991, julho a outubro/1995, conforme demonstrativo da contribuinte de f1.94, mas após ter efetuado os cálculos, considerandose a legislação aplicável na apuração da base de cálculo, excluindose a semestralidade e atualizando os valores a restituir, segundo a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27 de junho de 1997, através do Sistema de Cálculos SICALC (fls.118/136), concluiuse pela inexistência do crédito alegado. Por meio do Acórdão 13.821, de 24 de setembro de 2007, a DRJ Salvador considerou a manifestação de inconformidade procedente, pois ocorreu a homologação tácita das compensações. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 24/10/2007, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/11/2007, alegando que houve o descumprimento de ordem judicial transitada em julgado, pois o Judiciário determinou que o recolhimento do PIS se desse com base na LC 7/70, o que não foi observado porque a Receita Federal embasou seu decisum em leis subsequentes, que não se aplicam ao caso concreto. Além disso, o contribuinte informa que impetrou, em 1999, o mandado de segurança 1999.33.00.0115228, no qual obteve o direito à correção monetária devida; expurgos inflacionários; juros compensatórios incidentes sobre valores apurados mensalmente par fins de compensação e juros moratórios. Embora o mandado de segurança não tenha transitado em julgado, solicitou o refazimento dos cálculos e a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Embora a decisão de primeira instância tenha considerado que a compensação foi homologada por decurso de prazo, o contribuinte quer discutir a quantificação de seu crédito, pois não se conforma com a aplicação da legislação superveniente à LC 7/70, que, segundo a autoridade administrativa, alterou os prazos de recolhimento da contribuição. Com isso, o contribuinte contesta implicitamente a não aplicação do critério da semestralidade da base de cálculo do PIS. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.002930/9891 Acórdão n.º 3403003.376 S3C4T3 Fl. 4 3 A questão está pacificada com o advento da Súmula CARF nº 15, in verbis: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Sendo assim, a autoridade administrativa deverá apurar o indébito, ou seja a diferença entre o que foi efetivamente recolhido e aquilo que seria devido pelo contribuinte, observando que os recolhimentos deveriam ter sido efetuados com base no faturamento do sexto mês anterior ao do pagamento, considerando o valor original desse faturamento sem qualquer correção. Em outra linha de argumentação, o contribuinte invoca a sentença proferida no mandado de segurança 1999.33.00.0115228, por meio do qual o Judiciário teria lhe assegurado o direito de compensar o PIS com qualquer outro tributo; a correção do indébito pelos expurgos inflacionários; os juros compensatórios e moratórios, tudo conforme sentença juntada com o recurso (fl. 218). Na fl. 209 se pode verificar que o mandado de segurança 1999.33.00.011522 8 está vinculado ao direito reconhecido na Apelação em Mandado de Segurança nº 93.01.05309BA, cujo acórdão encontrase às fls. 11/13. Sendo assim, não há o que julgar quanto a esta matéria, pois se a sentença de fls. 209 a 222 não tiver sido reformada pelas instâncias superiores do Poder Judiciário, só cabe à administração pública cumprila em todos os seus termos, uma vez que no despacho decisório está escrito com todas as letras que a autoridade administrativa aplicou os índices oficiais da Norma de Execução Cosit/Cosar nº 8/1997 (fl. 155). Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada na apuração do indébito a base de cálculo do sexto mês anterior ao do recolhimento, conforme a Súmula CARF nº 15, e para que o indébito seja corrigido conforme a decisão derradeira proferida no mandado de segurança 1999.33.00.0115228. Esclareço que o provimento é parcial porque este acórdão se limitou a reconhecer em tese o direito à semestralidade, ficando a apuração do indébito e o cálculo da compensação a cargo da autoridade administrativa do domicílio do contribuinte. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003487/00-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA. Encontra-se apto a figurar no pólo passivo da obrigação tributária o destinatário dos valores recebidos e não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da empresa cedente dos recursos.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PROCURADOR. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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INEXISTÊNCIA. Encontrase apto a figurar no pólo passivo da obrigação tributária o destinatário dos valores recebidos e não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da empresa cedente dos recursos. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PROCURADOR. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Sidnei de Sousa Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 34 87 /0 0- 81 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 08.292 (fls. 325/332), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração de fls. 273/292, por meio do qual foi lançado o imposto de renda pessoa física (R$73.423,59) e acréscimos legais, sob a acusação de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Marmud Cameli & Cia Ltda, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício. Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 305/310, que traz os seguintes pontos de insurgência: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.003487/0081 Acórdão n.º 2102003.126 S2C1T2 Fl. 379 3 Ao apreciar o litígio o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em seu apelo ao CARF (fls. 336/342), inicialmente, o recorrente aduz que a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários é relativa, podendo ser ilidida por evidências e provas pertinentes. Argumenta que restou demonstrado que as movimentações financeiras objeto do lançamento são resultado de prestação de serviços por intermediação em operações de aquisição de aeronaves realizadas, na verdade, pela empresa Mabe Comércio, Importação e Exportação Ltda, da qual o contribuinte era sócio à época dos fatos geradores. Informa que alguns valores passaram por sua conta bancária, mas não é por isso que se pode afirmar que os mesmos não pertenciam à pessoa jurídica Mabe. Conclui que o simples ingresso de recursos da pessoa jurídica em conta bancária da pessoa física não tem o condão de desnaturar a natureza comercial das operações, sendo indevida a tributação da receita bruta como lucro. Entende ser nulo o lançamento, posto que a fiscalização deveria ter alocado os recurso (receitas) na escrita da pessoa jurídica e arbitrado o lucro, uma vez que a natureza dos recursos percebidos adviera do objeto social da mesma ou equiparado a pessoa física à Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 jurídica, diante das evidências concretas da realização de atividade empresarial do administrado. Colaciona jurisprudência administrativa nesse sentido. Subsidiariamente, requer o refazimento da base de cálculo do arbitramento efetuado, pois não há como a fiscalização acusar o contribuinte de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários para, num segundo momento, recusar esses mesmos rendimentos como prova de recursos para cobrir posteriores depósitos/omissões. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Cuidase de lançamento efetuado sob a acusação de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Marmud Cameli & Cia Ltda, durante o anocalendário de 1995, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício, conforme Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal às fls. 273/292. A parte inicial do Termo de Verificação Fiscal relata que a ação fiscal foi iniciada por requisição do Ministério Público Federal, subsidiado por documentos oriundos da CPI do Narcotráfico, cujo repasse à Receita Federal foi autorizado pelo poder Judiciário (fl. 10). A seguir, reportase a todas as intimações dirigidas ao sujeito passivo e terceiros, documentos apresentados e analisados, e manifestações destes durante o procedimento de fiscalização. Na fase procedimental os esclarecimentos prestados pelo contribuinte informam que os valores recebidos da Marmud Cameli destinavamse a pagamentos de despesas da empresa. Do montante de R$743.867,33 (fls. 287), relativo a valores em espécie e depositados em conta bancária do contribuinte, contabilizados pela empresa Marmud Cameli, a fiscalização excluiu R$493.072,40, tendo em vista a sua comprovação, uma parte dada a coincidência entre os pagamentos realizados em nome da empresa e os cheques emitidos pelo contribuinte, e a outra parte por não ter sido comprovado o repasse ao autuado, restando o total de R$250.794,93 cuja destinação não foi identificada. A impugnação apresentada pela defesa tratou especificamente desta infração, sob os seus aspectos fáticos e jurídicos (fls. 305/310). A decisão recorrida analisou minuciosamente todas as questões suscitadas em sede de impugnação (fls. 330/332), relacionadas aos valores repassados pela empresa Marmud Cameli & Cia Ltda ao contribuinte, em dinheiro e via conta bancária, e a destinação de tais recursos para pagamentos de despesas e obrigações da referida empresa, sendo certo que nenhuma questão sobre tal análise foi suscitada em sede de recurso voluntário, razão pela qual nenhum reparo merece a decisão a quo, cujos fundamentos adoto como razões de decidir. Como é cediço, o CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam sempre a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Neste diapasão tem se manifestado a Jurisprudência administrativa. Confirase: PRECLUSÃO Matéria não argüida na impugnação quando se estabelece o litígio e vem a ser demandada apenas na petição recursal, constitui matéria preclusa da qual não toma conhecimento em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10840.003487/0081 Acórdão n.º 2102003.126 S2C1T2 Fl. 380 5 submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. (Recurso nº 012959, 2ª Câmara, Processo nº 10580.005843/93 91, Sessão de 14/05/98, Relator José Clóvis Alves, Acórdão nº 10243008, por unanimidade). Ao discorrerem sobre e tema o ilustre Dr. Marcos Vinicius Neder e Dra. Maria Teresa Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – Dialética – 2002, afirmam: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa e às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre em relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. (grifei) Em sua peça recursal a defesa traz novas questões ao debate, dissociadas dos fundamentos pelos quais instaurou o contraditório administrativo, que somente serão analisadas por serem matéria de ordem pública, relacionada à regra de incidência e à legalidade da tributação. Em relação ao alegado erro na identificação do sujeito passivo, os registros contábeis da empresa Marmud Cameli & Cia Ltda indicam expressamente o contribuinte como destinatário dos repasses. Excluídos os valores utilizados em pagamentos de despesas e obrigações da referida empresa, a parte excedente corretamente foi incluída na base de cálculo do imposto de renda, já que não houve devolução ou prestação de contas. Nenhum elemento de prova, apto a vincular tais valores à empresa Mabe Comércio, Importação e Exportação Ltda, foi apresentado pela defesa. Na fase procedimental e impugnatória alegouse que os repasses destinavamse a pagamento de “leasing”. Como então tais quantias poderiam se relacionar a atividade empresarial do autuado ou da empresa Mabe, da qual o autuado integrava o quadro societário e que sequer chegou a iniciar suas atividades, consoante informado na peça impugnatória (fl. 302). Nos termos do artigo 3º, § 4º, da Lei 7.713, de 1988, indicado no enquadramento legal da infração (fl. 292), a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Se alguém pode ser indicado como beneficiário dos recursos não utilizados no pagamento de despesas e obrigações da Marmud Cameli & Cia Ltda, essa pessoa é exatamente o sujeito passivo indicado no Auto de Infração, procurador da referida empresa e destinatário final dos recursos. Não é possível, portanto, alocar os recursos tributados na pessoa física do autuado como receita da pessoa jurídica Mabe ou receita de atividade comercial informal do autuado, por ausência de prova desses fatos. Rejeito, portanto, a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Diferentemente da matéria tratada no recurso voluntário (omissão de rendimento caracterizado por depósito bancário sem origem comprovada), o lançamento em exame referese a omissão de rendimento auferido de pessoa jurídica, sem vínculo empregatício. O ônus de comprovar tal acusação foi devidamente alcançado pela fiscalização, através dos elementos de prova nos autos, oriundos da movimentação bancária do autuado, da escrita contábil da empresa Marmud Cameli & Cia Ltda e outros documentos colhidos durante a fase procedimental. O Termo de Verificação Fiscal é bastante elucidativo acerca dos fatos e fundamento jurídicos que deram suporte ao lançamento, especialmente em relação à omissão de rendimentos decorrentes da prestação de serviços, sem vínculo empregatício, minuciosamente relatado a partir da fl. 280, sendo certo que o recurso voluntário não redargüiu os fundamentos do voto condutor da decisão de primeiro grau, que manteve integralmente o lançamento. Sobre a possibilidade da omissão de rendimentos por depósito bancário em um mês justificar depósitos/omissões posteriores, situação que não se aplica ao lançamento em apreço, que trata de infração diversa, a Súmula CARF nº 30 dispõe que: na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. No caso em tela, o contribuinte não informou em sua DIRPF do exercício de 1996 nenhum rendimento da fonte pagadora Marmud Cameli & Cia Ltda, razão pela qual nenhum ajuste deve ser realizado na base de cálculo. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904971/2012-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 71 /2 01 2- 97 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904971/201297 Acórdão n.º 3801004.517 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.721268/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
LUCRO TRIBUTÁVEL. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DO LIVRO RAZÃO. INEFICÁCIA DE APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO.
O arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto. Procede-se ao arbitramento do lucro diante da ausência de escrituração do livro Razão. A apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração não afasta o arbitramento.
Numero da decisão: 1401-001.128
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relato
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. Ausente, momentaneamente, Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DO LIVRO RAZÃO. INEFICÁCIA DE APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. O arbitramento de lucro mediante desclassificação da escrita contábil é uma medida a ser adotada na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto. Procedese ao arbitramento do lucro diante da ausência de escrituração do livro Razão. A apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração não afasta o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 68 /2 00 8- 79 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. Ausente, momentaneamente, Karem Jureidini Dias. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.721268/200879 Acórdão n.º 1401001.128 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Cristal Vidros Ltda. contra a decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Belém/PA, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação ofertada pela contribuinte (fls.516/519). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte Cristal Vidros Ltda., a Fiscalização arbitrou o lucro do sujeito passivo para efeito de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, sob o fundamento de que: “O sujeito passivo não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas as escriturações dos livros Razão (ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no livro diário) e Registro de Inventário, no anocalendário 2003, ademais, nem se quer possui o livro Razão (apresentou somente o livro Diário).” (fls. 6) Ao final do processo fiscalizatório, foram apurados os créditos tributários relativos ao IRPJ no montante de R$ 376.916,34 bem como ao CSLL no valor de R$ 52.186,32, cuja soma totaliza a monta de R$ 429.102,66. – ano calendário 2003 (fls. 21). Por meio de impugnação, buscou a Impugnante, qualificada como optante pelo lucro real, demonstrar ser o arbitramento medida excepcional, somente cabível diante da impossibilidade de apuração do lucro efetivo do contribuinte, o que afirmou não ser o seu caso (fls. 111/119). Segundo a argumentação pretendida pela Impugnante, seriam suficientes os lançamentos realizados perante o Livro Diário. Sob sua perspectiva, restaria desnecessária a apresentação do Livro Razão, já que mantida a presteza de sua contabilidade. Em acórdão, entendeu por unanimidade a 1ª Turma da Delegacia da Refeita Federal do Brasil em Belém, PA, nos seguintes termos: a) exoneração dos créditos tributários relativos aos 1º, 2º, e 3º trimestres de 2003, alcançados pela decadência; e b) legitimidade do arbitramento realizado pela Fiscalização diante da ausência de escrituração do Livro Razão (art. 530, VI do RIR 99) (f. 507/512). É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade. Pretende a Recorrente, na tentativa de afastar a apuração da renda tributável pela sistemática do arbitramento, demonstrar que os documentos por ela juntados foram hábeis a comprovar todos os lançamentos fiscais realizados pela sociedade. Ocorre, no entanto, que essa não é a realidade da documentação fiscal acostada, de forma que bem andou a Fiscalização ao proceder ao arbitramento. O Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, é claro ao dispor quanto à adoção do lucro arbitrado: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n º 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º ): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas Fl. 546DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.721268/200879 Acórdão n.º 1401001.128 S1C4T1 Fl. 4 5 utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. No ponto, imprescindível ressaltar que não afasta o arbitramento a apresentação de livros e documentos após a lavratura do auto de infração, por inexistir lançamento condicional. Da análise dos autos, constase a imprestabilidade da escrita fiscal da contribuinte, na medida em que impossibilita a identificação de sua real situação fiscal: a) não observância das normas contábeis de registro de escrituração; e b) não apresentação do Livro Razão. Diante da impossibilidade de aferição direta do fato imponível, o arbitramento não constitui uma alternativa do Fisco, mas sim uma obrigação, já que vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento. Feitas essas considerações, temse que a Fiscalização valeuse do correto sistema de apuração tributária. Diante do exposto, voto pela improcedência do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 547DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000194/2008-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Numero da decisão: 2801-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (17/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (17/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (17/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (17/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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DESPESAS MÉDICAS.ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não comprovou o efetivo desembolso financeiro. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (17/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (17/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 01 94 /2 00 8- 05 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10805.000194/200805 Acórdão n.º 2801002.370 S2TE01 Fl. 50 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/DRJSPII, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Do Lançamento 0 processo referese à notificação de lançamento de fls. 02/05 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2005, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 2.198,67, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 1.034,38, juros de mora no valor de R$ 388,51 (calculados até 28/12/2007) e multa de oficio no valor de R$ 775,78. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal,fls. 05, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes infrações na notificação fiscal em exame: • Glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas — R$ 3.860,69 após regularmente intimado, o contribuinte comprovou somente R$ 3.376,05 de despesas médicas de um total de R$ 7.236,74 declarado; Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 01,anexando documentos As fls. 06/12, alegando em síntese que: > anexa comprovantes de despesas médicas no valor total de R$ 7.157,09; > foi lançado erroneamente no campo 7 "Pagamento e Doações Efetuados" o valor do plano de saúde Sul América (R$ 4.896,74 ao invés de R$ 4.097,09) e Nelson Pereira de Campos (R$ 2.340,00 ao invés de R$ 3.060,00); > requer revisão dos apontamentos, sendo que a falta de uma declaração retificadora no momento oportuno impediu a retificação dos erros cometidos, sendo que somente após a notificação do órgão tomou ciência dos fatos ocorridos no lançamento das despesas médicas; > requer o acolhimento da impugnação e cancelamento do débito fiscal reclamado; É o relatório” Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10805.000194/200805 Acórdão n.º 2801002.370 S2TE01 Fl. 51 3 Passo adiante, em 10 de dezembro de 2009, através do Acórdão 1737.099, a 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SPO/II) entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Incabível a retificação de declaração IRPF após o inicio de procedimento fiscal relativo ao anocalendário que se pretenda a correção, não se caracterizando como denúncia espontânea o referido ato de retificação de declaração. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecemse as deduções com despesas médicas no valor do desembolso financeiro efetivamente comprovado pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado em 11/01/2010 (fls. 30), o Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 01//02/2010 (fls. 35 a 36), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, notadamente quanto as despesas médicas referentes ao profissional Nelson Pereira Campanha. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares postas para análise. I ) Glosa de Deduções Indevidas com Despesas Médicas Neste sentido de se destacar que o artigo 8° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: "Art. 8°A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10805.000194/200805 Acórdão n.º 2801002.370 S2TE01 Fl. 52 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário,exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;(g.n) Sobre a forma de apresentação dos referidos documentos comprobatórios de tais despesas assim delimita o artigo 80 do RIR, verbis: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º., §2º.): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Em seu recurso, o recorrente argumenta genericamente que efetivou todas as comprovações das despesas médicas. No caso presente temos que os documentos acostados aos Autos às fl. 35/36 (recibos de pagamento de honorários efetuados ao Dr. Nelson Pereira Campanha) não preenchem os requisitos legais delineados no artigo 80 do RIR/99, uma vez que não trazem em seu texto o endereço do prestador de serviços (que foi posteriormente inserido e deve ser considerado). Também não trazem outro elemento essencial ao seu aceite, qual seja o detalhamento dos serviços prestados pelo profissional, nem comprovação através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Referidas não conformidades documentais foram apontadas pela autoridade lançadora desde o início do procedimento fiscal, cabendo ao contribuinte atender as Fl. 52DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10805.000194/200805 Acórdão n.º 2801002.370 S2TE01 Fl. 53 5 solicitações a si direcionadas e cumprir com as exigências impostas para validação de sua documentação. Não o fazendo, correto o lançamento fiscal, devendo ser mantida a glosa referente a despesas médicas nos precisos lindes dos demonstrativos de fl. 26. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009214/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/02/2002
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
Numero da decisão: 3201-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/02/2002 MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
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ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. Em atenção à Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, placas de poliuretano devem ser classificadas na posição NCM 3920.99.90, e não na posição NCM 3909.50.21. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/02/2002 MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 92 14 /2 00 5- 84 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida, seguido de sua ementa e das razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/09/2005, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, multa do controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 773.908,69, em face dos fatos a seguir descritos. ∙ A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, PLACAS DE POLIURETANO, recebendo classificação tarifária no código NCM 3909.50.21 com incidência da alíquota de 2% para o Imposto de Importação e da alíquota de 5% para o Imposto de Produtos Industrializados; ∙ Através de procedimento de Revisão Aduaneira, com base no MEMO/SRRF/Diana No. 335/2005, Alerta SEFIA 05.0078 de 15/08/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria no código NCM 3920.99.90, já que a posição compreende "OUTRAS CHAPAS, FOLHAS, PELÍCULAS, TIRAS E LÂMINAS DE PLÁSTICOS NÃO ALVEOLARES, NÃO REFORÇADAS NEM ESTRATIFICADAS, NEM ASSOCIADAS DE FORMA SEMELHANTE A OUTRAS MATÉRIAS SEM SUPORTE"; ∙ Por sua vez, a posição utilizada pelo importador compreende "Resinas Amínicas, Resinas Fenólicas e Poliuretanos em forma primárias". Ocorre que a nota 6 do Capítulo 39 ressalta que a expressão "Formas Primárias" aplicase unicamente às formas: a) líquidas e pastas; b) blocos irregulares, pedaços, grumos, pós, grânulos, flocos e massas. Portanto, as placas não podem ser incluídas nessa posição; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 19/10/2005 (fls. 158verso), o contribuinte, protocolizou impugnação,tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 17/11/2005, de fls. 159 à 166, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.009214/200584 Acórdão n.º 3201001.686 S3C2T1 Fl. 275 3 ∙ Em meados do ano de 2001 a empresa foi fiscalizada pelo mesmo motivo. À ocasião, após a realização de perícia técnica, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB concluiu pela correição dos procedimentos adotados pela empresa; ∙ O laudo de assistência técnica indica que o produto se encontra na forma primária; ∙ A mercadoria foi liberada sem a imposição de qualquer exigência; ∙ Se o contribuinte importou na classificação fiscal indevida, foi devido ao fato de ser induzido em erro pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB; ∙ A própria Declaração de Importação No. 01/09060541 que, conforme relatado, foi submetida à fiscalização naquela época, agora é considerada irregular; ∙ A perícia tem o mesmo valor que uma consulta fiscal; ∙ AS PLACAS DE POLIURETANO encontramse na forma primária, pois se trata de produto que necessita de beneficiamento para ser comercializado; ∙ Ainda que as conclusões da fiscalização estejam corretas, seus efeitos só se aplicariam aos produtos da Declaração de Importação fiscalizada; ∙ Em flagrante bis in idem, a impugnante é penalizada triplamente pelo mesmo ato, a saber: 1. Declaração inexata na Declaração de Importação; 2. Importação ao desamparo da Licença de Importação; 3. Classificação fiscal incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul; ∙ Ofensa ao princípio da isonomia, já que as demais empresas do ramo utilizam o mesmo código NCM para importar a mercadoria; Pugna a improcedência do Auto de Infração e, alternativamente, a exclusão das penalidades já que a impugnante observou a orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1730.038, de 12/02/2009: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/02/2002 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Importação de PLACAS DE POLIURETANO, recebendo classificação tarifária no código NCM 3909.50.21. Foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria no código NCM 3920.99.90. Em nenhum momento a nota 6 do capitulo 39 faz referência a PLACAS. Logo, em atenção a Regra 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado o produto não pode ser considerado com "forma primária". Devida a multa por ausência de Licença de Importação. Devida a multa proporcional ao valor aduaneiro. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, o qual reproduz ipsis litteris os argumentos já suscitados em sua impugnação. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência nos termos da Resolução nº 3201000.367, de 21/03/2013. Em síntese, este colegiado entendeu que a multa por falta de licença de importação somente seria aplicável se a classificação fiscal imposta pela fiscalização estivesse sujeita a licenciamento não automático quando da ocorrência do desembaraço aduaneiro. Como tal informação não estava explícita, os autos foram expedidos para a autoridade preparadora prestar esclarecimentos. Em decorrência, a SEFIA I – Serviço de Fiscalização Aduaneira I, da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, proferiu despacho, esclarecendo que, para as importações realizadas pela Recorrente anteriormente à Portaria SECEX nº 17/2003, ambas as classificações (códigos NCM 3909.50.21 e 3920.99.90) estavam sujeitas a licenciamento automático, passando para a situação de dispensa de licenciamento com a vigência da referida portaria (efls. 260/261). Intimadas as partes sem qualquer manifestação quanto ao despacho supracitado, os autos retornaram ao CARF. Na forma regimental, o processo foi encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente, convém esclarecer que a fiscalização realizada em períodos anteriores não vincula o resultado de fiscalizações futuras, de modo que, embora seja um indicativo de que a posição da Recorrente tem fundamento, não gera direito adquirido. O laudo apresentado às efls. 204/205, elaborado por solicitação Receita Federal do Brasil em 2001, de fato, informa que o produto analisado é Poliuretano Hidroxilado com propriedades adesivas (Peso Líquido 510,00000 Kg) Placas, ou seja, o mesmo produto que é objeto do presente contencioso administrativo. Ocorre que o referido laudo excedeu as suas Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.009214/200584 Acórdão n.º 3201001.686 S3C2T1 Fl. 276 5 funções ao responder aos quesitos formulados com base na Tarifa Externa Comum, inclusive indicando a classificação fiscal do referido produto. Confirase: As mercadorias estão na forma primária (nota 6b do Capítulo 39 da TEC) e são hidroxilados (item 3 da posição 3909.50 da TEC) com propriedades adesivas (pode receber adesivo para juntar uma placa a outra). Ora, segundo o art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, os laudos técnicos não têm efeitos para fins de classificação fiscal de produtos, eis que somente auditores fiscais da Receita Federal do Brasil têm prerrogativa para tanto. Senão, vejamos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. Por oportuno, convém esclarecer também que o fato de uma mercadoria ser desembaraçada, sem a imposição de qualquer exigência, não impede que auditores fiscais da Receita Federal do Brasil façam a revisão aduaneira tendo por escopo operações de importação pretéritas. Nesse contexto, há inúmeras decisões do CARF, a saber: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 (Acórdão nº 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, Sessão de 25/02/2014) ......................................................................................................... REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido. (Acórdão nº 3202000.893, Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, Sessão de 22/08/2013) ......................................................................................................... MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. (Acórdão nº 3102001.870, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, Sessão de 23/05/2013) A alegação de que a Recorrente teria sido induzida a erro pela Receita Federal do Brasil não merece prosperar. Melhor sorte não assiste à argumentação de que a perícia tem o mesmo valor de uma consulta fiscal. Isso porque o instituto da consulta fiscal há muito é regulada de forma específica, sobretudo em matéria de classificação tarifária, e não há essa abertura na legislação de regência para uma improvável analogia com a perícia. Além disso, conforme já salientado, a perícia não deveria se pronunciar sobre classificação fiscal de mercadorias por força do disposto no art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972. A Recorrente também alega que, por exigir beneficiamento para se tornar comercializável, as placas de poliuretano encontrarseiam na forma primária. Entretando, conforme antecipado, a nota 6 do Capítulo 39 ressalta que a expressão "Formas Primárias" aplicase unicamente às formas: a) líquidas e pastas; b) blocos irregulares, pedaços, grumos, pós, grânulos, flocos e massas. Portanto, em linha com a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, as placas não podem ser consideradas como formas primárias. Confirase: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.009214/200584 Acórdão n.º 3201001.686 S3C2T1 Fl. 277 7 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: [...] O argumento de que a Recorrente está sendo penalizada triplamente pelo mesmo ato, configurando, pois, bis in idem, também é improcedente. No direito tributário ocorre o bis in idem quando o mesmo ente tributante cobra um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador mais de uma vez. O simples fato de multa não ser tributo afasta a proibição do bis in idem. Mas a despeito disso, o fato é que cada penalidade que a Recorrente sofreu tem uma materialidade diferente, a saber: a multa prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 1996, decorre da falta de recolhimento de tributo; a multa prevista no art. 169, inc. I, “b”, do DecretoLei nº 37, de 1966, decorre da falta de licença de importação na entrada de mercadoria no território nacional; e a multa prevista no art. 84, inc. I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, decorre do erro de classificação fiscal de mercadoria importada. Finalmente, no tocante à alegação de que o lançamento ora impugnado ofende o princípio da isonomia, uma vez que as demais empresas do ramo utilizam o código NCM 3909.50.21 quando importam placas de poliuretano, tratase de um argumento falacioso. O fato de um agente econômico praticar um ato em desacordo com a legislação em um determinado mercado não legitima os demais agentes desse mesmo mercado a praticarem o mesmo ato infracional. Se os concorrentes da Recorrente classificam equivocadamente as placas de poliuretano que importam, mais cedo ou mais tarde, a fiscalização há de dar o mesmo tratamento que lhe foi dado. A despeito de tudo o quanto se expôs até aqui, há um fato que não foi alegado pela Recorrente, mas é determinante para o presente julgamento. Assim, sendo dever de ofício deste colegiado aplicar o direito corretamente, fazse imprescindível trazer à tona o resultado da diligência requerida por este colegiado por meio da Resolução nº 3201000.367, de 21/03/2013. Conforme já relatado, quando do desembaraço aduaneiro das mercadorias que foram objeto da autuação, tanto a classificação tarifária empregada pela Recorrente quanto aquela imposta pela fiscalização eram sujeitas ao licenciamento automático. Com efeito, estando descrita corretamente a mercadoria importada, e não sendo constatado dolo por parte do importador, a multa por falta de licença de importação deve ser afastada, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997, a saber: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Sobre o assunto, a jurisprudência do CARF é remansa. Confirase: MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. (Acórdão nº 3102002.038, Rel. Cons. Ricardo Paulo Rosa, Sessão 25/09/2013) ......................................................................................................... MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA NA DI. EXISTÊNCIA DE ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS À IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO. APLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº. 12/97. Constando na DI a descrição do produto com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e enquadramento tarifário, aplicáveis as disposições contidas no ADN/COSIT nº. 12/97, segundo o qual é exonerada a aplicação da multa do controle administrativo prevista no art. 633, II, “a”, do Regulamento Aduaneiro/2002, quando a mercadoria for corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação. (Acórdão nº 3202000.808, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 27/06/2013) ......................................................................................................... INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÕES. GUIA DE IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. Guia e licenciamento de importação, documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6362, de 1978. Ademais, o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/1997, estabelece a exclusão da penalidade quando o erro de classificação não decorre de máfé do contribuinte. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10314.009214/200584 Acórdão n.º 3201001.686 S3C2T1 Fl. 278 9 (Acórdão nº 3101001.208, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 22/08/2012) Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário referente à multa por falta de licença de importação prevista no art. 169, inc. I, “b”, do DecretoLei nº 37, de 1966. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10640.001412/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
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(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. . (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 14 12 /2 00 9- 21 Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. . (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.001412/200921 Acórdão n.º 2202002.780 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, RENATA HARGREAVES VIEIRA GONZALES, foi lavrado o auto de infração de fls. 2/9 exige do sujeito passivo, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 4.141.011,80 (quatro milhões, cento e quarenta e um mil e onze reais e oitenta centavos), composto da seguinte forma: R$ 2.036.793,46 de imposto; R$ 1.527.595,09 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 576.623,25 de juros de mora (calculados até 30/04/2009). Nos termos narrados, às fls. 4/6, a Fiscalização, em síntese, apurou a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação em tela restringiuse aos fatos geradores atinentes aos períodos mensais de janeiro/2005 a dezembro/2006, observandose as omissões de rendimentos apontadas nos quadros "depósitos bancários de origem não comprovada" anexados às fls. 26/34. Conforme demonstrativos de apuração de fls. 7/8, os valores omitidos corresponderam a R$ 3.125.308,69 e R$ 4.299.054,12, respectivamente para os anos calendários 2005 e 2006. A ação fiscal encontrase minudenciada no Relatório Fiscal, às fls. 10/25, cuja leitura ora se faz em sessão. Por intermédio de procurador habilitado (instrumento de fl. 923), a autuada apresentou a impugnação de fls. 893/922, na qual aduziu, em síntese, que: praticamente, todos os valores que transitaram pelas contas correntes da impugnante foram comprovados, mediante os recebimentos de duplicatas correspondentes a contratos de mútuos celebrados com as empresas Indústria Vale do Paraiba Ltda — I e Indústria de Alimentos Ouro Verde de Casimiro Ltda, a titulo gratuito, bem como de outros rendimentos da autuada no período fiscalizado; também ficou comprovada a origem dos valores, consubstanciados nos rendimentos auferidos pela contribuinte a titulo de lucros e dividendos apurados a partir de 1996 e pagos pela sociedade Indústria Vale do Paraiba Ltda, nos exercícios 2006 (R$ 611.134,00) e de 2007 (R$ 492.850,00); às fls. 897/901, estabeleceu a interessada aduções sobre tema que nominou "Do procedimento fiscal e das provas da colaboração da contribuinte"; às fls. 901/905, tratou a impugnante "Da origem dos valores que transitaram pelas contas correntes bancárias da impugnante"; às fls. 905/908, "Da movimentação financeira em contas correntes da impugnante referente aos contratos de mútuo celebrados"; as fls. 908/911, "Da movimentação financeira em contas correntes da impugnante referente aos contratos de mútuo celebrados em caráter não oneroso devidamente explicada pelo giro de tais contratos"; às fls. 911/913, "Jurisprudência administrativa e em juizo"; Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 às fls. 913/917, "Da parcialidade da ação fiscal"; às fls. 917/918, "Do direito aplicável ao enquadramento legal — nulidade do lançamento tributário"; às fls. 918/921, "Da jurisprudência aplicável ã espécie" (fls. 918/921); à fl. 921, comentou que foram arbitrários os métodos utilizados pela autoridade lançadora, sendo que as afirmações produzidas por essa são, no mínimo, temerárias e passíveis de interpelação judicial; às fls. 921/922, apresentou resumo dos pedidos, dentre os quais, destacase o pleito para que seja deferida perícia contábil dos documentos acostados, se restar dúvida sobre as afirmações contidas na defesa oferecida. Para amparo de suas alegações, a interessada fez colacionar os elementos reunidos em três anexos: Anexo I (fls. 1/302); Anexo II (fls. 1/353); e Anexo III (em 4 tomos: volume I — fls. 1/253; volume II — fls. 254/589; volume III — fls. 590/780; volume IV — fls. 781/1124). A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006, 2007 NULIDADE. DÚVIDA QUANTO A. CAPITULAÇÃO. A ação fiscal realizada em nenhum momento demonstrou dúvida acerca da infração cometida pela contribuinte, consistente na omissão de rendimentos em face de origem de depósitos não comprovada, não havendo, com fulcro no processo administrativo, que se falar em nulidade do lançamento. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA E DEMAIS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. 0 pedido de perícia sem o amparo de justificação plausível, bem como a inobservância de seus requisitos, leva ao indeferimento desse pleito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da preliminar de nulidade; Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.001412/200921 Acórdão n.º 2202002.780 S2C2T2 Fl. 4 5 Da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários. Do princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.001412/200921 Acórdão n.º 2202002.780 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Do Pedido de Diligência Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora conforme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Particularmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do recorrente. Por último, respeitando opiniões divergentes, indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.001412/200921 Acórdão n.º 2202002.780 S2C2T2 Fl. 6 9 Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 1013 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Os montantes apurados pelas autoridades lançadoras de depósitos cujas origens não foram demonstradas foram de R$ 3.125.308,69 (ano calendário 2005) e R$ 4.299.054,12 (ano calendário 2006). Para a discussão dos valores indicados, a interessada a inicia com a arguição do recebimento de rendimentos atinentes a lucros advindos de IVP Industrial Vale do Paraiba Ltda, da qual era sócia detentora de 99% de seu capital nos períodos abordados no lançamento. Os lucros e dividendos consignados nas DIRPFs da contribuinte consistiam em R$ 611.134,00 (ano calendário 2005) e R$ 492.850,00 (ano calendário 2006). Em face do vinculo entre a contribuinte e a pretensa fonte pagadora, é factível entender que quaisquer retificações existentes na escrita contábil e declarações apresentadas á. Receita Federal, por parte da pessoa jurídica, sem os devidos documentos que as alicercem no tocante à comprovação requerida (no caso, as origens dos depósitos observados nas contas mantidas pela contribuinte), restam infrutíferas para o fim colimado pela defendedora. Ainda mais se após o inicio do procedimento fiscal, como ocorreu em relação à DIPJ/2006, cuja retificadora deuse em 02/04/2008, porquanto a original continha valores nulos em toda sua extensão. Comenta às fls. 1014: Quanto instada a comprovar os depósitos equivalentes aos "lucros distribuídos", por intermédio da documentação reunida pelo contador da mencionada pessoa jurídica, só R$ 1.000,00 (R$ 300,00 — em 06/05/2005; R$ 700,00 — em 08/05/2005) foram creditados na conta da interessada, nos termos narrados à fl. 12. Em assim sendo, embora o referido contador tenha firmado a existência de "TEDs e DOCs" na monta de R$ 207.421,13, não se deu a confirmação de tal ocorrência. Diante disso, mesmo a escrituração da fonte pagadora (IVP) haver sido realizada no claro intuito de alicerçar as distribuições de lucro e outras operações, como as de mútuo, já que posterior ao inicio da ação fiscal na contribuinte, tal "suporte" probante, alem de inquinado de vicio, é insuficiente para justificar as origens dos valores que transitaram nas contas mantidas pela interessada em instituições financeiras. E continua às fls. 1016: Fiscalização detalha as falhas observadas nos contratos de mútuo arrolados às fls. 19/20, desconsiderando, em seqüência, as alegações acerca dessas operações com a pessoa jurídica Indústria de Alimentos Ouro Verde Ltda, por falta de comprovação de escrituração nessa, bem como em relação 6. IVP Industrial Vale do Paraiba Ltda. Como justificativa, a autuada, à fl. 900, dispôs que tais contratos continham os números das duplicatas (notas fiscais) que foram antecipadas àquelas empresas. Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.001412/200921 Acórdão n.º 2202002.780 S2C2T2 Fl. 7 11 Por óbvio, se os documentos foram cunhados no propósito de alicerçar as razões oferecidas, haveriam de ser confeccionados de acordo com as supostas operações; mas, mesmo assim, notamse inconsistências importantes, demonstradas pela Fiscalização, fortes o bastante para afastar qualquer credibilidade dos citados elementos. As fls. 901/902, indica a impugnante pretensão alusiva à comprovação dos valores declarados em suas DIRPF/2006 e 2007, voltando, portanto, a mencionar a distribuição de lucros. A questão não só se encontra esgotada porque não se deu sua cabal demonstração, como ainda, de acordo com o já exposto, não buscou a Fiscalização verificar se a contribuinte teria "lastro" (recursos) suficiente para fazer face à movimentação financeira em suas contas, mas, sim, colimouse, repisese, a comprovação da origem dos valores depositados. Conclui ao comentar sobre os contratos de mútuo: Nos tópicos delineados às fls. 905/907 "Da movimentação financeira em contas correntes da impugnante referente aos contratos de mútuo celebrados com a IVP", volta a impugnante a mencionar os contratos de mútuo como pretensão para justificar "mais de 98%" dos valores movimentados, sendo item já ultrapassado na presente análise. É certo que houve a reunião das notas fiscais, de acordo com o que se verifica no Anexo III: volume 1 — notas fiscais emitidas pela IVP Industrial Vale do Paraiba; e volumes 2, 3 e 4 — pela Indústria de Alimentos Ouro Verde de Casimiro Ltda. Todavia, em nenhum momento 'Preocupouse a interessada em relacionar/demonstrar os pagamentos das duplicatas correspondentes diretamente com os depósito cujas origens não foram comprovadas (fls. 26/34), optando por vinculálos a adimplências de contratos de mútuos e de novaçõ es que não espelham qualquer verossimilhança factual. Em continuidade, a interessada dispõe sobre "Da movimentação financeira em contas correntes da impugnante referentes aos contratos de mútuo celebrados com a Indústria de Alimentos Ouro Verde Casimir° Ltda", quando alegou a impossibilidade de apresentação de documentos contábeis em face de desabamento das instalações da citada pessoa jurídica em 03/11/2007, conforme certificado emitido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, à fl. 291 do anexo I. Mesmo assim, de acordo com o que alegou, fez anexar os contratos de mútuo e as notas fiscais em seu poder; todavia, tais elementos não comprovam, nos termos já discorridos, a origem dos depósitos listados pela Fiscalização. As fls. 908/912, discutiu a contribuinte a respeito "Da movimentação financeira em contas correntes da impugnante referente aos contratos de mútuo celebrados eni caráter não oneroso devidamente explicadas pelo giro de tais contratos", abordando questões já debatidas, bem como refutando a análise de alguns contratos de mútuo/novação efetuada pela Fiscalização, às fls. 19/20. Mais uma vez, há que se inferir a apresentação de contratos e suas modificações de acordo com o Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 interesse da autuada, o que reforça a compreensão de que foram forjados apenas para tentar justificar os depósitos em pauta. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.001412/200921 Acórdão n.º 2202002.780 S2C2T2 Fl. 8 13 O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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