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Numero do processo: 15374.916963/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa.
Numero da decisão: 3803-006.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 63 /2 00 9- 01 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase do Despacho Decisório n° 831256201, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento de que o darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de CompensaçãoDcomp: Quadro 1 Pagamento Indevido ou a Maior (DARF) Débito Compensado D Dcomp Nº Pagamento Apuração e Arrecadação Receita Valor Rec/Cód. Apuração Principal 41658.48967.070605. 1.7.046185 (fls.1/5) 0195258807 23.12.2000 27.12.2000 IOF 7893 1.670,39 7893IOF 1a.sem.mai05 531,55 Enquadramento legal: arts.165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quadro 2 (página 2 da Dcomp, às fls.2) Valor original do crédito inicial 298,49 Crédito original na data da transmissão 298,49 Selic acumulada 78,08% Crédito atualizado 531,55 Total dos débitos desta Dcomp 531,55 Total do crédito original utilizado nesta Dcomp 298,49 Saldo do crédito original 0,00 Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls.17/64 e 67/73, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve “origem na apuração de equívoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)”; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF e não demonstrou a existência de crédito de IOF, e “declarou como devido exatamente o valor recolhido”; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916963/200901 Acórdão n.º 3803006.518 S3TE03 Fl. 3 3 d) “se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário”; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, “a confissão de dívida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária”. O interessado alega que “o valor realmente devido para esta competência é de R$ 1.032,96, e não R$ 1.670,39, como erroneamente declarado em DCTF”. Sustenta que “a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)”. Afirma que, “desta forma, fica clara a existência de simples equívoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado”. Pede que a MI seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.75/80. A DRJ no RIO DE JANEIRO I/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2000. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2000. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde repisa os mesmos argumentos esgrimidos em primeira instância; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis, ou alternativamente, seja o feito convertido em diligência. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Ao meu sentir, o caso dos autos não merece maior discussão a respeito da rubrica que teria originado o suposto crédito, ou mesmo sobre a legitimidade da recorrente para requerêlo, porquanto o lastro probatório vindo aos autos (planilhas, razonetes e balancetes) são insuficientes para comprovar o alegado direito creditório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916963/200901 Acórdão n.º 3803006.518 S3TE03 Fl. 4 5 O acórdão vergastado admoestou a então manifestante: Mas, ainda que, em nome da verdade material, a falta de DCTF Retificadora fosse superada, como requer o interessado, não há previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam sejam substituídos por planilha, como a que o interessado traz, às fls.57/64. Aos autos, não foram juntados nem os contratos de empréstimos (relacionados nas ditas planilhas) que deram origem ao IOF, nem a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que houve erro na metodologia utilizada no cálculo do IOF pago a maior ou indevidamente. Se o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa deve prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Ultimando, insta observar que a recorrente apresenta pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência, porém o faz de modo genérico e em momento processual impróprio, o que denota saber que o feito está mal instruído sob o prisma probatório do direito alegado. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13883.000050/2003-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1996
Ementa: FINSOCIAL. DECADÊNCIA AFASTADA. INICIO DE
CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO. MP N° 1110/95.
- Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo ad quo.
- Assim, com arrimo em precedentes da CSRF, prevalece o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para propor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória
n° 1.110 de 30/08/1995, sendo o seu termo final o dia 31/08/2000.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DOS
CONSELHOS DE CONTRIBUINTES.Segundo inteligência dos artigos
20, inciso I, alíneas "c e "d"; art.21, inciso I, alínea "c" integra a competência do Primeiro e Segundo Conselhos (Primeira e Segunda Seções do CARF, segundo a Portaria MF n° 41/2009) o processamento e o julgamento de Recurso Voluntário, cujo objeto é pedido de restituição de COFINS, PIS e CSLL.
RECURSO VOLUNTÁRIO
NEGADO
Numero da decisão: 3201-000.061
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara / l° Turma Ordinária da Terceira,
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Voluntário no que concerne ao pedido de reconhecimento de créditos ao Finsocial. Com relação ao pedido de reconhecimento de créditos da CSLL, declinou-se da competência à Egrégia Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e à Egrégia Segunda Seção para julgar PIS e COFINS, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Heroldes Bahr Neto
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materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1996 Ementa: FINSOCIAL. DECADÊNCIA AFASTADA. INICIO DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO. MP N° 1110/95. - Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo ad quo. - Assim, com arrimo em precedentes da CSRF, prevalece o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para propor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995, sendo o seu termo final o dia 31/08/2000. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES.Segundo inteligência dos artigos 20, inciso I, alíneas "c e "d"; art.21, inciso I, alínea "c" integra a competência do Primeiro e Segundo Conselhos (Primeira e Segunda Seções do CARF, segundo a Portaria MF n° 41/2009) o processamento e o julgamento de Recurso Voluntário, cujo objeto é pedido de restituição de COFINS, PIS e CSLL. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T13:24:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T13:24:13Z; Last-Modified: 2009-09-03T13:24:13Z; dcterms:modified: 2009-09-03T13:24:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T13:24:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T13:24:13Z; meta:save-date: 2009-09-03T13:24:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T13:24:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T13:24:13Z; created: 2009-09-03T13:24:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-09-03T13:24:13Z; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T13:24:13Z | Conteúdo => 53-C2T I Fl. 203 • ,- MINISTÉRIO DA FAZENDA tino' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ".; TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13883.000050/2003-00 Recurso n° 141.395 Voluntário Acórdão n° 3201-00.061 — r Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MERCADINHO DIAS & ALMEIDA LTDA. - EPP Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1996 Ementa: FINSOCIAL. DECADÊNCIA AFASTADA. INICIO DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO. MP N° 1110/95. - Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo ad quo. - Assim, com arrimo em precedentes da CSRF, prevalece o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para propor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995, sendo o seu termo final o dia 31/08/2000. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES.Segundo inteligência dos artigos 20, inciso I, alíneas "c e "d"; art.21, inciso I, alínea "c" integra a competência do Primeiro e Segundo Conselhos (Primeira e Segunda Seções do CARF, segundo a Portaria MF n° 41/2009) o processamento e o julgamento de Recurso Voluntário, cujo objeto é pedido de restituição de COFINS, PIS e CSLL. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / l a Turma Ordin:ria da Terceira, Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurse —t_th o Processo n° 13883.000050/2003-00 S3-C2TI Acórdão n°3201-00.061 Fl. 204 que concerne ao pedido de reconhecimento de créditos ao Finsocial. Com relação ao pedido de reconhecimento de créditos da CSLL, declinou-se da competência à Egrégia Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e à Egrégia Segunda Seção para julgar PIS e COFINS, nos termos do voto do Relator. LO GUERRA DE CASTRO di Presidente II 1) \ 413 ‘ ,,_ HEROLDES BAH ' NETO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Nilton Luiz Bartoli. 2 Processo n° 13883.00005012003-00 S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.061 Fl. 205 Relatório Por bem retratar os fatos do presente processo administrativo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento — Campinas (SP), que passo a transcrever (fls. 174-verso e 175): "Trata-se de Declaração de Compensação de 17.01, protocolizado em 11/03/2003 no valor de R$ 1.431,81, correspondente a recolhimentos feitos sob diversas rubricas (PIS, Finsocial, Cofins e CSLL) no período de 15/02/1991 a 31/05/1996, com o intuito de compensar débitos de Simples, referente a 03/2003. A DRF em Taubaté emitiu o Despacho Decisório de 113.140/142, não reconhecendo o direito crediário da contribuinte e não homologando as compensações efetuadas, sob a fundamentação de que o pedido foi protocolizado em 11/03/2003 e todos os valores relacionados nas fls.02/04 são anteriores a 11/03/1998, estando, portanto, extinto o direito de proceder a referida compensação. Cientificada desse despacho em 15/05/2007 ([1146), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 05/06/2007 (fls.147/160), alegando que: O direito de pleitear à compensação é um direito potestativo, o que implica dizer que não depende da conduta de outrem para ser exercido, e, portanto, está legalmente estabelecido e sem condicionamentos ou prazo para ser exercido; Não deve existir prazo para restituição ou compensação de recolhimento indevido; Não se pode aplicar à compensação os prazos relativos à restituição, uma vez que é inadmissível utilizar-se de analogia em matéria tributária de forma desfavorável a contribuinte; Se os créditos decorrentes de pagamentos indevidos à Fazenda Pública não puderem ser recuperados por meio da compensação, sem dúvida haverá o enriquecimento ilícito da União em face do particular, pois o Estado estará se beneficiando de valores que integram o patrimônio da interessada; O princípio da moralidade é um direito constitucional a ser respeitado, estando a contribuinte legalmente amparada a exercer a qualquer tempo o seu direito de compensar os créditos líquidos e certos decorrentes dos pagamentos indevidos que efetuou; Processo n° 13883.000050/2003-00 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.061 Fl. 206 O inciso IV do art.28 da IN n° 210, de 30/09/2002 da SRF reconhece indiretamente a possibilidade da compensação com prazo superior a cinco anos; A limitação do prazo para pedir a compensação implica em ofensa aos princípios da moralidade, propriedade e isonomia, bem como ao disposto no artigo 37 da Constituição Federal, posto que com esta atitude a administração não estaria agindo com a lealdade que deveria; Conforme entendem a doutrina e a jurisprudência, a extinção do crédito tributário operar-se-ia com a homologação do lançamento, o que, na prática, resultaria num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; A Lei Complementar n° 118/2005 não estava em vigor na época dos fatos e, portanto, a sua utilização é uma afronta aos meios de interpretação jurídica e à Constituição Federal; Cita o art.I 38 do CTN, complementando: "...à Administração caberá tão somente verificar se esse possui ou não razão, pois, assim a lei determina que faça (IN/210)". Deve ser reconhecido o direito à compensação sem qualquer impedimento temporaL" Passo seguinte, na decisão de primeira instância, a DRJ - Campinas, por unanimidade de votos, não homologou a compensação, com manutenção integral dos débitos. Citem-se os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1996 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. Compensação não Homologada/ Inconformada com a decisão do Acórdão originário da DRJ-Campinas (SP), interpôs a Interessada o presente Recurso Voluntário. Na oportunidade, reiterou as alegações coligidas em sua defesa inaugural. Foi o processo distribuído a este Conselheiro, em 10/12/2008, para análise e parecer. É o relatório. \,..‹.\) drI Acórdão n° 05-20.247 — I' Turma da DIWCPS, de 23 de novembro de 2007 - 4 Processo n° 13883.000050/2003-00 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.061 Fl. 207 Voto Conselheiro HEROLDES BAHR NETO, Relator Satisfeitos estão os requisitos viabilizadores de admissibilidade deste recurso, razão pela qual deve ser ele conhecido por tempestivo. Tratam os presentes autos de Declaração de Compensação protocolizado em 11/03/2003 (fis.01/04), pela qual a Contribuinte visa extinguir débito do Simples, vencido em março de 2003, com créditos oriundos de valores recolhidos indevidamente de PIS, FINSOCIAL, COFINS e CSLL, recolhidos entre 15/02/1991 e 31/05/1996. Inicialmente, cumpre destacar que não compete a este Conselho a apreciação de recursos que versem sobre PIS, COFINS e CSLL, nos termos dos artigos 20, inciso I, alíneas "c e "d"; art.21, inciso I, alínea "c"do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, razão pela qual, a presente análise abarcará apenas a questão da restituição de FINSOCIAL. Primeiramente, iniciando a análise, vale registrar que, as Delegacias da Receita Federal vêm, sistematicamente, negando a restituição ou compensação de tributos ou contribuições pagos e posteriormente declarados indevidos em ADIN, em Resolução do Senado ou em ato administrativo, quando o pedido tiver sido formulado após o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim considerada a data do pagamento. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância, igualmente, matem o mesmo posicionamento. Contudo, a MP n° 1.110, de 30-08-95, em seu art. 17 veio dispor que fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente à contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, exigida das empresas comerciais e mistas, na aliquota superior a 0,5%. Neste sentido coadunam os Conselhos de Contribuintes, decidindo, pacificamente, que o termo inicial para contagem do prazo decadencial ou prescricional para requerer a restituição ou compensação de PIS/PASEP recolhida com base no Decreto-lei n° 2.445/88 é a data da publicação da Resolução n°49, de 09-10-95, do Senado Federal. Outrossim, com base no Parecer COSIT n° 58, de 27-10-98, o CC decidiu que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial ou prescricional é a partir da MP ri° 1.110/95. Acresça-se que, a teor do Parecer COSIT n° 4/99, fica concede o prazo de cinco anos para restituição do tributo pago indevidamente, contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributát. Nesta mesma esteira, a CSRF, ao julgar recurso da Fazenda Nacional contra a decisão da 4° Câmara do 1° CC, decidiu pelo Ac. n°01-03.239/01 (DOU de 02 "!Wel) que emlf . e Processo n° 13883.000050/2003-00 S3-C2T1 Acórdão ft° 3201-00.061 Fl. 208 caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se : a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do Senado Federal que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Em análise à questão afeta ao critério para a contagem do prazo decadencial do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo a atro da prescrição a partir da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo com efeitos similares. No tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n°. 1.110/95. Nessa senda, extrai-se da jurisprudência: "PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE ATO SENATORIAL. (DECRETO N° 1601, DE 23 DE AGOSTO DE 1995 E DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1110, DE 30 DE AGOSTO DE 1995 E SUAS REEDIÇÕES). INICIO DO CÔMPUTO DE NOVO PRAZO PRESCRICIONAL. 1- No caso do FINSOCIAL, no que conceme à prescrição, ainda que ausente qualquer ato do Senado Federal, suspendendo a execução das normas que majoraram as alíquotas da aludida contribuição social, não há corno olvidar do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do Poder Executivo, por meio do Decreto n° 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1.110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem nas matérias ali apontadas, extraindo-se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável, com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 2- Matéria preliminar acolhida. Apelação que se julga prejudicada." (TRF 3" Região — Apelação Cível n° 605639, Relator: Juiz Andrade Martins, DJU de 23/03/2001, p. 668). Assim, o termo a tato da prescrição é a data da edição da MP n° 1.110 de 30/08/95, prevalece o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para propor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995. In casu, o pedido de restituição foi protocolado somente em 11/03/2003, assim, depois de decorrido o prazo prescricional. Desta feita, nos termos acima expendidos, a pretensão do contribuinte está fulminado pela prescrição. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentidi de NEGA PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante à restituição de FINSOCI Ater como 1PP- • Processo n° 13883.000050/2003-00 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.061 Fl. 209 encaminhar os autos à Primeira e Segunda Seções para que sejam apreciadas as questões relativas ao PIS, COFINS e CSLL. Op Sala das Sess; em 26 de março de 2009. e I n . . s. t" --- 41 'EROLDES BAHR NE 1 - Relator (27);(
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Numero do processo: 10920.002721/2003-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2006
AFASTAMENTO DE MULTA DE-OFÍCIO. PRETENSÃO JÁ DEFERIDA PELA AUTORIDADE COMPETENTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Se a pretensão de afastamento da multa de-ofício já foi deferida pela autoridade competente, o recurso voluntário não pode ser conhecido, pela falta de interesse recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2006 AFASTAMENTO DE MULTA DEOFÍCIO. PRETENSÃO JÁ DEFERIDA PELA AUTORIDADE COMPETENTE. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Se a pretensão de afastamento da multa deofício já foi deferida pela autoridade competente, o recurso voluntário não pode ser conhecido, pela falta de interesse recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 27 21 /2 00 3- 87 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CARF. DETERMINAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Determinado pelo CARF o processamento de novo julgamento, justificase o enfrentamento das questões propostas na manifestação de inconformidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES. É indevida a compensação de débitos com créditos comprovadamente inexistentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório da DRJ: “Trata o presente processo de análise de PER/DCOMPs transmitidas em 15/08/2003, através das quais a contribuinte pretendeu a compensação de débitos de PIS/COFINS (vencimentos entre 15/05/2003 e 15/07/2003), entendendo pela existência de valores credores daquelas contribuições decorrentes do Mandado de Segurança nº 2002.72.01.0031719, impetrado junto à 4ª Vara Federal de Joinville (buscava provimento judicial que lhe autorizasse excluir da base de cálculo do PIS/COFINS os valores computados como receita que tivessem sido transferidos para outra pessoa jurídica art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718, de 1998 , bem como compensar, de forma imediata, os valores recolhidos indevidamente com tributos da mesma natureza). Analisadas as DCOMPs, a repartição de origem exarou Despacho Decisório onde não homologou as compensações declaradas. Fundamentou com os seguintes argumentos: a) a liminar concedida no Mandado de Segurança nº 2002.72.01.0031719 determinava apenas que a autoridade coatora se abstivesse de qualquer medida coativa ou punitiva tendente a exigir crédito tributário relativo à exação impugnada, no período de vigência do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998; b) quanto à parte da demanda referente ao pedido de compensação, a decisão do Juízo foi no sentido de que a compensação de créditos tributários não poderia ser deferida por medida liminar; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10920.002721/200387 Acórdão n.º 3802003.646 S3TE02 Fl. 830 3 c) muito embora a sentença de mérito tivesse autorizado a compensação pleiteada pela impetrante, não caberia a homologação das compensações que foram declaradas, visto que praticadas sem o necessário trânsito em julgado da decisão, nos termos do art. 170A do CTN. Determinou, face ao disposto no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, o lançamento de ofício dos valores compensados indevidamente e demais providências previstas no art. 23 da IN SRF nº 210, de 2002. Esse procedimento, todavia, foi posteriormente revisto (despacho de fl. 425), porquanto foi considerada dispensada a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração, face à disciplina constante da MP nº 135, de 2003 (depois Lei nº 10.833, de 2003). Foi encaminhada carta cobrança à contribuinte, lhe sendo facultada a apresentação de manifestação de inconformidade (§ 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003). Não conformada com a decisão administrativa, a contribuinte apresentou, através de procurador, em 05/03/2004, manifestação de inconformidade. Nela alegou (em síntese): 1) que a compensação pleiteada na ação judicial tinha fulcro no art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, e não no art. 170 do CTN, o que tornava dispensável o trânsito em julgado da sentença prolatada pelo Juízo; 2) que com base em doutrina jurídica, a norma do art. 170 do CTN e aquela constante do art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, regulavam procedimentos rigorosamente distintos. Aduziu que a compensação prevista na Lei nº 8.383 extinguia total ou parcialmente o crédito tributário sob condição de ser revista de acordo com o regime previsto no art. 150, § 4º do CTN, ao passo que o procedimento de que tratava o art. 170 do CTN exigia a prévia comprovação de liquidez e certeza do valor compensado; 3) que em apoio ao entendimento de que a compensação sob apreço não necessitava de decisão judicial transitada em julgado para que fosse implementada, transcrevia excertos de decisões judiciais prolatadas pelo TRF da 4ª/R e pelo STJ. Encaminhado o processo à DRJ jurisdicionante (Curitiba), foi ele julgado em 28/03/2007, tendo sido proferido o Acórdão nº 0613.915, ementado nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DCOMP. DÉBITO NÃO CONFESSADO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCABIMENTO. Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de ofício é o ato jurídico que, nos termos do art. 142 do CTN, perfaz o único instrumento legal hábil para formalizar a pretensão fazendária e conferir exigibilidade ao crédito tributário, razão pela qual o exercício do direito ao contraditório, nestes casos, deve se dar em sede da impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconformidade contra a não homologação da declaração de compensação. Impugnação não Conhecida Fl. 831DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Cientificada da decisão a contribuinte ingressou com recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes (06/07/2007). Em sessão de 07/11/2011 o CARF proferiu o Acórdão nº 3801000.973 (3ª Seção de Julgamento/1ª Turma Especial), cuja ementa está a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A reforma da decisão de primeira instância, que não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade, requer o retorno dos autos à DRJ de origem, para que analise o requerimento do contribuinte na condição de "manifestação de inconformidade", aplicando a ele o rito do PAF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a DRJ analise o requerimento do contribuinte na condição de "manifestação de inconformidade", aplicando a ele o rito do PAF. Os autos vieram à DRJ/POA para novo julgamento.” O Recorrente, nas razões de fls. 796 e ss., sustenta que o lançamento da multa de ofício no percentual de 75%, por meio de auto de infração (processo administrativo fiscal nº 10920.002721/200387) mostrase insubsistente, com fundamento da Solução de Consulta Interna nº 03/2004. Requer o provimento do recurso, para fins de afastamento da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 14/01/2014 (fls. 794), protocolizando tempestivamente a petição recursal em 13/02/2014 (fls. 796). O recurso voluntário, entretanto, não pode ser conhecido, pela falta de interesse recursal. Com efeito, conforme destacado pela DRJ, o afastamento da multa deofício pretendido pelo Recorrente já foi deferido pelo despacho de fls. 425. A aplicação da multa e a conseqüente constituição do crédito tributário por meio de lançamento deofício, originariamente determinada no despacho decisório, foi revista pela autoridade competente, com fundamento na Medida Provisória nº 135/2003. Votase, assim, pelo nãoconhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 832DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10920.002721/200387 Acórdão n.º 3802003.646 S3TE02 Fl. 831 5 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10314.001330/2008-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/02/2008
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; em não conhecer do recurso, quanto à alegação de alíquota zero, por inovação dos argumentos de defesa; e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/02/2008 JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 13 30 /2 00 8- 06 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; em não conhecer do recurso, quanto à alegação de alíquota zero, por inovação dos argumentos de defesa; e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001330/200806 Acórdão n.º 3803006.549 S3TE03 Fl. 313 3 b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/02/2008 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 08/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 22/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001330/200806 Acórdão n.º 3803006.549 S3TE03 Fl. 314 5 Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001330/200806 Acórdão n.º 3803006.549 S3TE03 Fl. 315 7 Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência da alíquota zero sobre os produtos do código 9018.90.99 Como referido esta matéria não foi apresentada à apreciação do órgão de primeira instância. É consabido que a impugnação estabelece os limites objetivos da lide, de sorte que preclui a faculdade de o contribuinte defenderse quanto à matéria sobre as quais não fizer as alegações de fato de direito. Portanto, não há como conhecer deste mérito sem que sobre ele o órgão de primeira instância tenha se manifestado. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001330/200806 Acórdão n.º 3803006.549 S3TE03 Fl. 316 9 O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; não conhecer do recurso, quanto à alegação de alíquota zero, por inovação dos argumentos de defesa; e por negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10935.906420/2012-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/04/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/04/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 20 /2 01 2- 56 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.868, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 24019.74899.181010.1.2.049400, rastreamento nº 041907510, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 28.736,40, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/03/2010, efetuado em 23/04/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906420/201256 Acórdão n.º 3802002.718 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 23/04/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906420/201256 Acórdão n.º 3802002.718 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906420/201256 Acórdão n.º 3802002.718 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906420/201256 Acórdão n.º 3802002.718 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13896.002986/2010-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/03/2006 a 31/03/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006/
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS.
A melhor interpretação Lei 10.101/2000 pressupõe que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 04/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/03/2006 a 31/03/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006/ CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A melhor interpretação Lei 10.101/2000 pressupõe que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 29 86 /2 01 0- 47 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Plural Editora e Gráfica Ltda., foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/73 para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes a cota patronal e a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), calculados sobre pagamentos a título de participação nos lucros e resultados – PLR. De acordo com a fiscalização, os pagamentos a título de PLR estariam em desacordo com a legislação de regência (i.e. Lei 10.101/2000) e, assim, sujeitos a incidência das contribuições previdenciárias a cargo da empresa (nos termos do art. 28 c/c § 9º, alínea “j”, da Lei 8.212/91). Na opinião da fiscalização, tais pagamentos teriam desrespeitado a necessidade de negociação coletiva prévia anterior ao pagamento (art. 2º da Lei 10.101/2000). A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 240203.046, que se encontra às fls. 270/276 e cuja ementa é a seguinte: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ARQUIVAMENTO DO INSTRUMENTO DECORRENTE DA NEGOCIAÇÃO COLETIVA NO FINAL DO PERÍODO BASE. CRITÉRIO JURÍDICO NÃO PREVISTO NA LEI Nº 10.101/00. Estando o programa de participação de resultado da empresa atrelado à existência de lucro e podendo este ser aferido devidamente ainda que o instrumento de acordo tenha sido formalizado no final do período base da PLR, não há que se exigir que o instrumento decorrente da negociação coletiva seja Fl. 331DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13896.002986/201047 Acórdão n.º 9202003.427 CSRFT2 Fl. 10 3 firmado e arquivado “previamente”, com mais antecedência, tal como sugere o art. 2, inc. II, da Lei nº 8.212/91.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a total improcedência dos créditos tributários ora exigidos. Intimada do acórdão em 23/10/2012 (fls. 277), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 278/287), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n° 20601.344 e 240100.545, no tocante ao prazo de anterioridade do fechamento do acordo para pagamento da PLR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 244/2013, de 20/03/2013 (fls. 290/292). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 298/305. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº 20601.344 e 240100.545. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão n.º 20601.344 “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PREVISÃO CONSTITUCIONAL EFICÁCIA CONTIDA REQUISITOS LEGAIS NÃO OBSERVAÇÃO INCIDÊNCIA. O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal/1988 não tem aplicação imediata pois prevê regulamentação por meio de lei ordinária. A participação nos lucros e resultados só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da MP 794/1994 que após várias edições foi convertida na Lei nº 10.101/2000, desde que paga de acordo com os referidos diplomas legais. (...)” Acórdão n.º 240100.545 “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. (...)” No presente caso, o acórdão recorrido entendeu que a Lei 10.101/2000 não fixou prazo específico, mas apenas que o acordo para o pagamento da PLR fosse anterior ao pagamento, enquanto nos termos do segundo paradigma cuja ementa foi acima transcrita o acordo deveria ser celebrado previamente ao exercício de aferição. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial interposto. Como já me manifestei no julgamento do processo 35366.001448/200507, na sessão de 06/05/2014, acórdão 9202003.192, a Constituição Federal, em seu art. 7º, XI, estabelece como direito fundamental dos trabalhadores a participação nos lucros ou resultados – PLR da empresa, de forma desvinculada de seu salário. Este direito fundamental está sujeito, nos termos da própria constituição, a regulamentação por lei, verbis: “Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. ...” Além de estabelecer direito fundamental dos trabalhadores, o dispositivo constitucional acima transcrito, ainda que de modo indireto ou implícito, estabelece limite ao poder de tributar, particularmente ao poder da União de instituir fontes para custeio da seguridade social sobre valores pagos a título de PLR nos limites definidos em lei. Observando os limites estabelecidos pelo Constituinte, o legislador incluiu no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 a alínea "j", que determinou a exclusão dos pagamentos a título de PLR feitos em conformidade com a lei da base de cálculo das contribuições previdenciárias: “Art. 28. ... § 9º. Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; ...” Para a regulamentação da participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa foi editada a Medida Provisória 794/94, sucessivamente reeditada até a sua conversão na Lei 10.101/2000. Respeitados os critérios estabelecidos pela Lei 10.101/2000, a PLR paga aos trabalhadores deve ser entendida como desvinculada do salário e, por conseguinte, não integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13896.002986/201047 Acórdão n.º 9202003.427 CSRFT2 Fl. 11 5 Sustenta a Recorrente que os pagamentos a título de PLR analisados nestes autos desrespeitaram o requisito estabelecido pela Lei 10.101/2000 quanto a necessidade que o acordo estivesse fechado antes do início do exercício em que ocorreu o pagamento. Como já referido, no caso dos autos o acórdão recorrido entendeu que a Lei 10.101/2000 não prevê prazo específico a ser respeitado entre a data da conclusão das negociações e o pagamento, determinando apenas que aquela seja anterior a este e vedando quaisquer antecipações. Sustenta a Recorrente que o curto espaço de tempo entre a conclusão das negociações e o pagamento das primeiras parcelas descaracterizaria a natureza da verba paga a título de PLR, na medida em que os trabalhadores não teriam conhecimento prévio dos critérios e metas a serem cumpridos para obtenção do benefício. São relevantes para a solução da controvérsia o arts. 2º, caput, e § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000, abaixo transcritos com a redação vigente à época dos fatos: “... Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. ... Art. 3º. ... § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. ...” O caput do art. 2º vincula o pagamento da PLR aos termos de negociação entre trabalhadores e empresa, com intervenção do sindicato. De referido artigo extraise que o pagamento da PLR depende dos termos negociados entre trabalhadores e empresa, o que significa dizer que tal pagamento depende de estarem concluídas tais negociações. Esta conclusão é corroborada pela primeira parte do disposto no § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000, acima transcrito, isto é, pela vedação expressa ao pagamento de antecipações da participação nos lucros ou resultados da empresa, assim entendidas quaisquer pagamentos feitos antes do fechamento das negociações. Nada obstante, nem os referidos dispositivos nem qualquer outro da citada lei estabelecem prazo mínimo a ser respeitado entre a data da conclusão da negociação e o pagamento da PLR. Ante a inexistência de previsão explícita de prazo na Lei 10.101/2000, não se pode dizer que pagamento de PLR no mesmo exercício em que concluídas as negociações do respectivo acordo violam diretamente a legislação de regência. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Cumpre analisar se, apesar de não estabelecido de forma explícita, por algum motivo deveria a anterioridade requerida pela Recorrente estar implícita na Lei 10.101/2000. Arguiuse, em termos gerais, que uma análise sistemática e teleológica da legislação de regência da participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa levaria à conclusão da necessidade do estabelecimento de tal anterioridade mínima. Isto porque, levando em conta que o pagamento da PLR deve ter como premissa o atingimento de metas preestabelecidas em negociação coletiva, apenas depois de concluídas as negociações é que os trabalhadores teriam conhecimento das tais metas a serem atingidas. As negociações deveriam assim ser concluídas no exercício anterior àquele em que os trabalhadores buscarão atingir as metas combinadas e no qual eles serão avaliados pelo cumprimento delas. Com a vênia dos que assim entendem, penso que estas considerações não são suficientes para afirmar que exista um prazo ou requisito de anterioridade implícito na Lei 10.101/2000 e que, para atender a tal requisito, seja necessário que as negociações estejam concluídas no ano anterior ao pagamento da PLR. Uma das premissas da Lei 10.101/2000 é a de que o plano PLR deva ser fruto de negociações entre empresa e trabalhadores, estes representados diretamente pelo sindicato ou ao menos apoiados pela intervenção dele. Desta necessária participação dos trabalhadores na negociação do plano de PLR advém que eles têm ciência do que se negocia e também têm o poder de influir no resultado das negociações. Se os trabalhadores têm ciência do que é negociado e têm poder de influir no resultado do acordo, despiciendo que precisem aguardar até o exercício seguinte à data da conclusão das negociações para receber a PLR. Não refuto a ideia de que tal anterioridade seja necessária apenas em razão de não haver tal previsão explícita na Lei 10.101/2000. Em verdade não vislumbro razoabilidade ou proporcionalidade na interpretação que leva a tal entendimento. Pretendese com tal interpretação proteger o direito dos trabalhadores de estarem cientes das metas que terão de cumprir para fazer jus a PLR. Contudo, este direito já é garantido pela Lei 10.101/2000, na medida em que determina como necessária a participação dos trabalhadores e a intervenção dos sindicatos na negociação do plano de PLR. Não atende aos critérios de razoabilidade de proporcionalidade estabelecer uma condição adicional àquelas já estabelecidas expressamente pela Lei 10.101/2000 se o direito a que se pretende dar proteção já está garantido por outros meios, estes também expressamente previstos na legislação em análise. Por outro lado, é necessário ressalvar que as negociações devem ter por fundamento metas ou critérios ainda a apurar. Isto é, não se exige que estejam concluídas antes do exercício em que ocorra o pagamento, mas devem ser concluídas antes do fim do período base eleito para a apuração dos critérios que servirão de base para a fixação dos direitos subjetivos dos trabalhadores, dos valores de PLR a pagar. Aplicando as considerações acima aos fatos do caso, entendo que o acórdão recorrido não merece reforma. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13896.002986/201047 Acórdão n.º 9202003.427 CSRFT2 Fl. 12 7 Conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração às fls. 70/71, o único óbice ao reconhecimento da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos ora discutidos nestes autos é que o acordo para o pagamento da PLR com base no exercício de 2005 foi datado de 27/10/2005 e protocolizado junto ao Sindicato em 03/11/2005, desrespeitando a necessidade de estipulação prévia ao exercício que entendeu o agente fiscal determinada pela Lei: “6. DOS LEVANTAMENTOS Este AI é composto pelos seguintes levantamentos: • PL PLR Participação de Empregados. 6.1. A empresa pagou aos seus empregados valores relativos à participação nos lucros e resultados a segurados empregados, inclusive administradores na qualidade de segurados empregados sem contudo, observar o que prescreve a legislação de regência Lei 10.101/2000. 6.2. Os pagamentos foram efetuados nos meses de janeiro/2006; março/2006 e dezembro/2006 cujos valores seguem discriminados. competencia valor 01/2006 719.610,76 03/2006 717.234,89 12/2006 9.004,06 6.3. O pagamento de valores a segurados empregados a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa esta disciplinado na Lei n°. 10.101/00 notadamente no estabelecimento das regras e condições; 6.4. A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: • Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; • Convenção ou acordo coletivo. 6.5. A Empresa optou pelo procedimento descrito no Art. 2°, I, da Lei 10.101/2000. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. 6.6. A empresa apresentou documento intitulado “Programa de Participação nos Resultados da Plural Editora e Gráfica Ltda abrangendo o período de a dezembro de 2005 datado de 27/10/2005 e protocolizado junto ao Sindicato dos Fl. 336DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Barueri, Osasco e Região em 03/11/2005 restando configurado a extemporaneidade do documento. 6.7. Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, dentre os quais, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 6.8. Intimada a apresentar os documentos relativos ao PLR restou comprovado que os procedimentos adotados pela empresa no tocante ao Programa de Participação nos Resultados não atende ao previsto na legislação que rege a matéria, senão vejamos: 6.9. O citado documento, datado de 27/10/2005 foi protocolizado junto ao Sindicato dos Trabalhadores na Industrias Gráficas de Barueri, Osasco e Região em 03/11/2005. 6.10. Notese que apenas no final do exercício (27/10/2005) a empresa elaborou programa de participação nos resultados abrangendo o período iniciado em 01/01/2005, não atendendo ao disposto na legislação no que concerne à estipulação prévia das condições para a participação nos resultados. 6.11. É flagrante a desobediência à legislação no que tange à estipulação previa das condições para a participação nos resultados.” (grifei) Verificase, assim, que o período base eleito para a apuração dos critérios de fixação dos valores de PLR a pagar correspondia ao ano civil (i.e. janeiro a dezembro) e que o acordo foi concluído em outubro, portanto antes do fim do período base eleito para a apuração dos critérios que serviram de base para a fixação dos direitos subjetivos dos trabalhadores, dos valores de PLR a pagar. Deste modo entendo que não merece reforma o entendimento adotado no acórdão recorrido, conforme seus fundamentos abaixo transcritos: “(...) No presente caso, a Recorrente utilizou como critério para o pagamento da PLR a existência de Lucro antes do Custo Financeiro, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização e Lucro antes da Depreciação e Amortização. Caso essa meta fosse atingida, o pagamento seria realizado a cada empregado com base num valor predeterminado, sujeito a alterações em virtude (i) do tempo do trabalhador na empresa ou (ii) das faltas injustificadas que possuir Estando o programa de participação de resultado da empresa atrelado à existência de lucro e podendo este ser aferido devidamente ainda que o instrumento de acordo tenha sido formalizado no final do período base da PLR, não há qualquer plausibilidade em se exigir que o instrumento decorrente da Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13896.002986/201047 Acórdão n.º 9202003.427 CSRFT2 Fl. 13 9 negociação coletiva seja firmado e arquivado “previamente”, tal como sugere o art. 2, inc. II, da Lei nº 8.212/91. Caso assim não se entenda, estarseá criando interpretações restritivas ao arrepio da Lei nº 10.101/00, contribuindo para a instabilidade jurídica do direito constitucional do trabalhador ao recebimento da PLR desvinculada do salário, conforme prevê o art. 7º, inc. XI, da CF/88, haja vista que a referida Lei não prevê qual o prazo para se firmar e arquivar o instrumento decorrente da negociação coletiva. (...)” Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10830.009524/2003-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
DECADÊNCIA. PRAZO ESTABELECIDO NO CTN. EXTRATOS DE PROCESSAMENTO DAS DECLARAÇÕES. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Os extratos de processamento das declarações apresentadas à Receita Federal não representam a expressa homologação dos créditos tributários, cujo prazo decadencial está estabelecido no Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo previsão legal e ocorrendo o pagamento antecipado da exação, aplica-se ao lançamento o prazo decadencial expresso no art. 150, § 4º, considerando-se como marco inicial a data da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, é o último dia do ano-calendário, salvo se houver constatação de dolo, fraude ou simulação.
RENDIMENTOS. PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS. SUJEITO PASSIVO. ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.196. TRIBUTAÇÃO. PESSOA FÍSICA. APLICAÇÃO DA TABELA PROGRESSIVA.
São tributáveis na pessoa física os rendimentos provenientes de prestação de serviços de natureza personalíssima, cujo fato gerador tenha ocorrido antes da vigência da Lei n° 11.196/2005, nas situações em que o contribuinte constituí empresas por meio das quais realiza contratos de prestação de serviços.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO.
Inaplicável o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REITERAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Salvo as situações em que exista evidente intuito de fraude ou conluio por parte do contribuinte, descabe a qualificação da multa em relação aos rendimentos reclassificados em decorrência da prestação de serviços de caráter personalíssimo. A reiteração da infração, quando apurada no mesmo lançamento tributário, não é motivo suficiente para a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-002.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 1997. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Paulo Ayres Barreto, OAB/SP 80.600.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2527; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.009524/200306 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.506 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ANDRE LUIZ FERREIRA AGUERA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. PRAZO ESTABELECIDO NO CTN. EXTRATOS DE PROCESSAMENTO DAS DECLARAÇÕES. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Os extratos de processamento das declarações apresentadas à Receita Federal não representam a expressa homologação dos créditos tributários, cujo prazo decadencial está estabelecido no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo previsão legal e ocorrendo o pagamento antecipado da exação, aplicase ao lançamento o prazo decadencial expresso no art. 150, § 4º, considerandose como marco inicial a data da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, é o último dia do anocalendário, salvo se houver constatação de dolo, fraude ou simulação. RENDIMENTOS. PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS. SUJEITO PASSIVO. ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.196. TRIBUTAÇÃO. PESSOA FÍSICA. APLICAÇÃO DA TABELA PROGRESSIVA. São tributáveis na pessoa física os rendimentos provenientes de prestação de serviços de natureza personalíssima, cujo fato gerador tenha ocorrido antes da vigência da Lei n° 11.196/2005, nas situações em que o contribuinte constituí empresas por meio das quais realiza contratos de prestação de serviços. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 95 24 /2 00 3- 06 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REITERAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Salvo as situações em que exista evidente intuito de fraude ou conluio por parte do contribuinte, descabe a qualificação da multa em relação aos rendimentos reclassificados em decorrência da prestação de serviços de caráter personalíssimo. A reiteração da infração, quando apurada no mesmo lançamento tributário, não é motivo suficiente para a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência, relativamente ao anocalendário de 1997. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Paulo Ayres Barreto, OAB/SP 80.600. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração de IRPF (fls. 398 a 401), referente aos exercícios 1998 a 2001, por classificação indevida na Declaração de Ajuste dos rendimentos recebidos na condição de pessoa física, apurandose R$ 523.019,10 de imposto, sobre o qual foi acrescida a de multa de ofício de 150% e dos juros de mora. A auditoria, no Termo de Verificação Fiscal informa que a ação fiscal foi instaurada em razão de Representação Fiscal encaminhada pela DRF/Uberlândia/MG, estando o contribuinte no rol de pessoas físicas e jurídicas investigadas por aquela Delegacia, em atendimento à decisão judicial, no programa de combate à sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O fiscalizado, intimado para notificar a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos, efetuados em 1998, em contas bancárias das instituições financeiras Banco de Boston S/A Montevideo e Nassau Branch of BankBoston N.A, situadas no exterior, informou que eram, basicamente, da distribuição de lucros, apurados em 1997, em sua empresa ALFA CONTATOS COMERCIAIS S/C LTDA., CNPJ. 01.474.234/000133. Ainda, que no anocalendário seguinte foi beneficiário da distribuição de lucros em outra empresa da qual era sócio, a ML CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA., CNPJ 02.470.609./000150. Na ocasião, o contribuinte apresentou, dentre outros documentos, cópia das fls. 26 e 27 do Livro Diário da empresa ALFA e de Notas Fiscais de prestação de serviços relacionadas no Diário desta empresa, bem como cópia de “DOC” cujo destinatário foi o BANCO DE BOSTON, com o valor de R$ 719.574,00, e extratos de sua conta no CITIBANK, onde se verifica o débito, em 1º de outubro de 1998, correspondente a este DOC, bem como o cheque compensado, em 26 de agosto de 1998, no valor de R$ 215.000,00. Informou, ainda, que em relação às Notas Fiscais de números 9 a 12 (que somadas totalizaram R$ 1.370.841,80), da empresa ALFA, emitidas em nome de Ana Cláudia Nasser Dorça, Alfredo Guilherme Dorça, Andréa Cristina Nasser Dorça e Luiz Humberto Dorça, não existia contrato de prestação de serviços, uma vez que o acordo entre as partes teria sido verbal. Também, não foram apresentadas as Notas Fiscais da ALFA, referente aos serviços prestados à Rádio Televisão de Uberlândia Ltda., nem a Nota Fiscal de número 20, do serviço prestado à ACD Sistema de Radio e Televisão Ltda. Em seguida, o período fiscalizado foi estendido aos anos calendário 1997 a 2000, concluindo a auditoria que as receitas atribuídas às pessoas jurídicas, que geraram as distribuições de lucros declaradas em DIRPF como rendimentos isentos pelo contribuinte, constituíamse, de fato, em rendimentos da própria pessoa física. Assim, procedeu à tributação na pessoa física, mediante reclassificação dos rendimentos declarados como isentos para tributáveis. O contribuinte apresentou a impugnação tempestiva (fls. 435 a 483), instruída de documentos, na qual argui: “homologação expressa dos lançamentos relativos aos anosbase de 1997, 1998 e 1999”, “decadência do direito de o fisco rever o lançamento referente ao anobase de 1997”, “a constituição das pessoas jurídicas não configura simulação – as pessoas jurídicas existiram de direito e de fato”, há “várias opções (lícitas) para a estruturação dos negócios”, “impossibilidade da cobrança de multa fixada em 150% do valor do tributo”, “impossibilidade Fl. 949DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 de utilização da taxa Selic como índice de juros de mora” e “improcedência do arrolamento dos bens”. Os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (SP), por meio do Acórdão 1748.566 (fls. 781 a 813), de 17 de fevereiro de 2011, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado pessoalmente em seis de abril de 2011 (fl. 819), o contribuinte, representado por procurador legalmente habilitado, interpôs o recurso voluntário em quatro de maio de 2011 (fls. 838 a 896), no qual alega: I Inexistência de simulação. As figuras de dissimulação e simulação são tratadas de forma distintas na legislação tributária. A primeira introduzida pela Lei Complementar nº 104/2001, no art. 116 do CTN, parágrafo único. A segunda, simulação absoluta, passou a ser a do art. 116, VII, do CTN. Esta, conclui, teria fundamentado o auto de infração. Tanto é que a auditoria teria citado, expressamente, o art. 102 do Código Civil de 1916, reproduzido no § 1º do art. 167 do Código atual. Entretanto, a alegação fiscal não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no citado dispositivo. E, sendo simulação absoluta, a nulidade do negócio jurídico somente poderia ser declarada pelo Poder Judiciário. O que constaria dos livros fiscais corresponderia aos fatos efetivamente ocorridos. A constituição das empresas ALFA e ML produziram exatamente os efeitos típicos do negócio jurídico proposto e não existiu qualquer ato jurídico aparente para acobertar os fatos reais, tão pouco intuito fraudatório para causar prejuízo aos cofres públicos. Teria constituído as referidas pessoas jurídicas valendose de seu magno direito de livre iniciativa, visando à obtenção de lucro por meio da exploração de atividade econômica lícita. A constituição de pessoas jurídicas para prestação de serviços a terceiros, ainda que de caráter personalíssimo, não configura simulação, pois a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 129, possuiria permissivo expresso ao exercício dessas atividades por empresas, e aplicase a essas situações o regime fiscal afeto às pessoas jurídicas. A jurisprudência do CARF ratificaria tal assertiva. Cita os acórdãos nºs 10614.244, (que deu provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa), 10414.898, (que deu provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa), 10422.408 e 220200.252 II Houve expressa homologação dos créditos tributários exigidos e decadência do ano de 1997. A autoridade fiscal não poderia rever os lançamentos efetuados, pois já estavam expressamente homologados. E, ainda que fosse permitido ao fisco fazêlo, o prazo decadencial deveria ser respeitado para o ano calendário de 1997, uma vez que existindo pagamento antecipado e não havendo a pretensa simulação, deveria ser aplicado o prazo disposto no art. 150, § 4º do CTN, mesmo que o pagamento do tributo tenha sido efetuado pelas pessoas jurídicas das quais o recorrente é sócio. O contribuinte também defende que, por outro lado, independentemente de ter havido ou não pagamento antecipado, o prazo para decadência para o fisco constituir o crédito tributário seria sempre o do art. 150, § 4º do CTN. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 4 5 III O procedimento encontra fundamento no art. 129 da Lei nº 11.196/2005. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 visou conferir uma tributação mais justa aos contribuintes, assegurando maior segurança jurídica, não introduzindo nada de novo ao ordenamento jurídico. A justificação, advinda do Projeto de Lei de Conversão da MP nº 252/2005 (PVL 23/05), teria deixado claro que a norma é interpretativa e veio para solucionar as controvérsias existentes, reconhecendo que os serviços de consultoria e assessoria, assim como os do recorrente, poderiam ser prestados por pessoas jurídicas, sujeitandose às respectivas regras tributárias. E, sendo interpretativa, a norma seria aplicada aos fatos geradores objeto da autuação em epigrafe, à luz do art. 106, I, do CTN. IV – Licitude na estruturação dos negócios da ALFA e ML. A constituição das empresas para o exercício das atividades empresariais é lícita e encontra amparo na legislação tributária federal e no art. 170 da Constituição, sendo insuscetível de qualquer questionamento pelo Fisco. Os rendimentos foram auferidos pela pessoa jurídica e não pela física, conforme devidamente registrados livros fiscais, inclusive o de ISS, evidenciando a lisura e a boa fé. Mesmo que fosse possível atribuir as receitas auferidas pelas pessoas físicas à pessoa física do sócio, haveria de se considerar o direito de deduzir da base de cálculo do imposto todas as despesas escrituráveis em livro caixa (art. 75 do RIR) incorridas pelas pessoas jurídicas, bem como a compensação integral dos tributos recolhidos. V Das alegações fiscais e das provas do recorrente As empresas ALFA e ML existiram de direito de fato, e mantiveram a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, como reconhecido no Termo de Verificação Fiscal. Alega que a auditoria caracterizou as pessoas jurídicas que apresentaram prejuízos como empresas verdadeiras e descaracterizou as que auferiram lucro para tributálo na pessoa física. Contesta a fragilidade das declarações levadas a termo pela autoridade fiscal, em especial da declaração do Sr. Antonio Del Col Santichole locador do imóvel da empresa ALFA, e argui que a mera transcrição de uma declaração não pode sobrepor à prova concreta. Também, que seria irrelevante o fato de as empresas não possuírem empregados para reconhecimento de sua existência. A distribuição desproporcional dos lucros aos sócios não interfere na relação jurídica. VI Impossibilidade da cobrança de multa fixada em 150% do valor do tributo Questiona o percentual da multa aplicada, afirmando que não se configurou a hipótese de simulação. Diz que não se verifica no caso qualquer indicio de fraude a dar sustentação à imposição da multa qualificada nos termos do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/1996. O atendimento a todas as solicitações do Fisco, a observância da legislação societária e tributária e a exatidão dos registros contábeis evidenciam, desde logo, a correta Fl. 951DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 atuação das empresas ALFA e ML. Os tributos incidentes sobre os rendimentos da pessoa física, bem como das pessoas jurídicas foram integralmente recolhidos, razão pela qual não se pode cogitar sequer da cobrança da multa no percentual de 75%. Além da impossibilidade de subsunção do fato a descrição legal que autoriza a aplicação da multa qualificada, entende que esta não pode prevalecer, por ser manifestamente confiscatória e desproporcional. VII Improcedência do arrolamento dos bens Questiona, ainda, o arrolamento dos bens efetuado ao amparo do artigo 64 da Lei 9.532/97, porque não incorreu em qualquer infração como defendido ao longo da impugnação e também porque entende que a matéria não poderia ser tratada por lei ordinária, a teor do artigo 146 da Constituição, que delega à lei complementar dispor sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Por fim, protestando por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de novos documentos, requer que seja julgado improcedente o auto de infração, extinguindose o crédito tributário nele consolidado, bem como determinandose o cancelamento do termo de arrolamento de bens lavrado, como medida de Justiça. É o relatório. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O lançamento em questão decorre da reclassificação dos rendimentos da pessoa física dos serviços de natureza personalística, declarados nas pessoas jurídicas Alfa Contatos Comerciais S/C Ltda. e ML Consultoria Empresarial S/C Ltda., com aplicação de multa qualificada. Contempla fatos geradores dos anoscalendário 1997 a 2000 e foi encerrado em 19 de dezembro de 2003 (fl. 427). Em resumo, o sujeito passivo alega que inexistiu a simulação, pois as empresas ALFA e ML existiram de direito de fato, possuem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, e seus negócios jurídicos são lícitos e válidos, pois estariam embasados no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005. E, se entendido válido o lançamento na pessoa física, que estes teriam sido homologados e, por consequência, extintos. Em última análise, que seria inaplicável a multa qualificada e homologado o crédito tributário ou ocorrido a decadência dos tributos apurados em relação ao ano calendário 1997. E, se mantido o lançamento, que seja permitido o aproveitamento dos tributos recolhidos e das despesas passíveis de dedução no livro caixa para apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Por último, questiona o arrolamento de bens. Inicialmente, cabe esclarecer que o arrolamento de bens efetuado, à época, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 e art. 75 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, normatizada na Receita Federal pela IN SRF nº 264/2002, não é objeto de objeto do litígio. Isso é questão meramente administrativa e não faz parte da exigência do auto de infração. Homologação expressa do crédito tributário e decadência dos fatos geradores do IRPF 1997 Descabe a argumentação do sujeito passivo em relação à expressa homologação dos créditos relativos aos anosbase de 1997 (exercício de 1998), 1998 (exercício de 1999) e 1999 (exercício de 2000) pela Receita Federal, conforme atestariam os documentos que instruíram a impugnação administrativa (extratos dos lançamentos, fls. 530 a 532). Ocorre que tais documentos apenas “mostra como ficaram os dados” da declaração do contribuinte “após o processamento”, como está textualmente expresso. Isso não representa homologação, nem impede a revisão e lançamento pelo Fisco, desde que obedecido o prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional. Isto posto, cabe discutir a decadência do direito de o Fisco de lançar o tributo relativo ao anocalendário de 1997, considerando a ciência do lançamento ocorrida em 19 de dezembro de 2003. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 A decadência dos tributos lançados por homologação obedece duas regras: uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4º). Apesar de serem situações distintas, as regras produzem o mesmo efeito atingido, uma vez que a homologação tácita do pagamento extingue definitivamente o crédito tributário, não se admitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O prazo decadencial é o mesmo para as duas regras, de cinco anos. Entretanto, muda a data de início de sua contagem. Enquanto no art. 173 essa data é primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, no art. 150, § 4º, considerase como marco inicial a ocorrência do fato gerador. A jurisprudência administrativa no CARF foi assentada em função da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940, julgado em 12 de agosto de 2009), submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil. Isso porque o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) determina a reprodução pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Especial de relatoria do Ministro Luiz Fux restringiu a aplicação do art. 173 do CTN aos casos em que há constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou àqueles em que, havendo previsão legal, não ocorra o pagamento antecipado da exação. Assim, antes de se proceder ao exame da decadência em relação ao ano calendário 1997, há de se analisar a procedência, ou não, da qualificação da multa, e da antecipação dos pagamentos, haja vista tais fatos serem de fundamental relevância na determinação do marco inicial para a contagem do citado interstício. Por esse motivo, serão analisadas as questões de mérito, as quais sejam: tributação dos rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício, recebidos antes da Lei n° 11.196, de 2005, e sua aplicação a fatos geradores pretéritos; e a qualificação da multa por configuração da hipótese de simulação. A conclusão quanto à decadência do anocalendário 1997 será apresentada juntamente com as questões “simulação” e “qualificação da multa”. Rendimentos da pessoa física dos serviços de natureza personalística, declarados como de pessoas jurídicas e o caráter interpretativo do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005. A auditoria conclui que teria havido classificação indevida de rendimentos nas declarações de ajuste anual do contribuinte relativas aos anoscalendários de 1997, 1998, 1999 e 2000, tendo em vista que o recebimento deuse por meio de pessoas jurídicas de fato inexistentes, das quais o beneficiário era sócio. Durante o procedimento de fiscalização foram realizadas diligências onde se constatou que as empresas não funcionaram nos locais indicados nos contratos sociais, não haviam empregados e os sócios minoritários não exerciam qualquer atividade nas empresas, nem efetuavam retiradas de prólabore ou participavam da distribuição dos lucros. Todas as atividades eram de responsabilidade do contribuinte Andre Luiz Ferreira Aguera, para quem Fl. 954DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 6 9 era distribuída a totalidade dos lucros e dividendos, conforme se vê nos trechos a seguir transcritos do Termo de Verificação Fiscal: Através de diligência realizada, em 17.10.03, no município de Morungaba/SP, mais precisamente na Rua Pereira Cardoso, n° 492, local onde supostamente feria funcionado a empresa ALFA, foi lavrado Termo de Declaração, onde a senhora Fátima Elisabete de Souza, C.P.F. 059.117.26823, informou que trabalhava naquele local desde junho de 1998, época em que celebrou contrato de aluguel com o proprietário do prédio, o Sr. Antonio Santicholi, e que nunca constatou a existência de qualquer indicio de funcionamento de empresa no suposto local ocupado pela ALFA. Foi, então, solicitada a presença nesta Delegacia do Sr. Antonio Dei Col Santicholi, C.P.F. 329.236.60897, que prestou declaração, abaixo reproduzida, na qual afirmou: a) Que é proprietário do imóvel localizado na Rua Pereira Cardoso, 492, Centro, Morungaba/SP; que no anocalendário 1997 residia no pavimento superior deste imóvel e, com intuito de alugar para empresas que estavam se mudando para Morungaba, atraídas pela baixa alíquota de ISS, dividiu o pavimento inferior em pequenas salas (boxes); que estes boxes estão atualmente alugados a Sra. Fátima Elisabete de Souza, que os ocupa com um saldo de beleza; b) Que no inicio do anocalendário 1998, aproximadamente, foi procurado por um senhor chamado Geraldo, que se identificou como contador, e que desejava instalar duas empresas no imóvel do declarante; que celebrou contrato de locação com o Sr Geraldo, válido por seis meses, cujas mensalidades seriam de R$100,00 (cem reais); que recebeu como sinal a primeira mensalidade; que o locatário não chegou a ocupar as salas; que o locatário não chegou a mencionar os nomes das empresas que ali seriam instaladas; que o locatário não pagou as demais prestações alegando que houvera desistido de instalar as empresas naquele local; que não quis acionar judicialmente o locatário pelo descumprimento do contrato justamente porque ele não chegou sequer a ocupar os boxes; que após a desistência deste locatário só alugou os boxes para a Sra. Fátima; c) Que só ouviu falar no nome da empresa Alfa Negócios e Participações S/C Ltda., porque até pouco tempo atrás chegavam correspondências a ela destinadas; que desconhece o Sr. André Luiz Ferreira Aguera; Tendo em vista a Declaração acima transcrita, foi solicitado o comparecimento nesta Delegacia, da Sra. Thais Barros de Moura Lacerda, C.P.F. 033.648.75847, suposta sócia do fiscalizado na empresa ALFA. Esta senhora afirmou, através de Termo de Declaração prestado em 20.10.03, que foi sócia de direito da empresa, nunca tendo participado de sua administração ou possíveis negócios por ela realizados. Afirmou, ainda, que tudo funcionou na base da confiança, pois, na época da constituição da empresa o fiscalizado era seu marido. Por fim, acrescentou que jamais recebeu qualquer valor a titulo de prólabore ou de distribuição de lucros da ALFA. A empresa ALFA foi formalmente constituída, em Setembro de 1996, conforme pode ser verificado no CONTRATO DE SOCIEDADE CIVIL POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE, cujo instrumento foi depositado no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas de Itatiba/SP, tomando o número 13519. Lêse em sua cláusula 2ª. que "o objetivo da sociedade será a prestação de serviços de análise, exames, pesquisas, informações, coleta de dados, processamento de dados na área comercial". Na cláusula 6ª. está disposto que "somente o sócio ANDRÉ LUIZ FERREIRA AGUERA receberá a titulo de PróLabore uma importância fixa mensal". 0 fiscalizado possuía 99% (noventa e nove por cento) das quotas. Como será exibida adiante, toda a distribuição de lucros destinouse exclusivamente ao "sócio" André Aguera, muito embora possuísse "sócia". Como já foi citado no item 111 deste Termo, o Livro Diário da ALFA, referente ao anocalendário 1997, exibe a Distribuição de Lucros, no valor de R$ 1.427.536,94 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 (um milhão quatrocentos e vinte e sete mil quinhentos e trinta e seis reais e noventa e quatro centavos). Em contraposição, verificase receita de serviços no total de R$ 1.621.142,56. As despesas são quase que totalmente relacionadas ao pagamento de tributos (principalmente COFINS e Imposto de Renda). Não se verifica a existência de despesas com empregados. A exceção dos negócios realizados com as pessoas físicas citadas no item I deste Termo, seus únicos "clientes" são as empresas RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA., e ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. Nos Termos da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica, entregue pela" empresa" houve a opção pelo Lucro Presumido. Verificase, portanto, que a empresa ALFA nunca possuiu sede própria, pois nunca funcionou no Município de Morungaba/SP, o mesmo ocorrendo no município de São Paulo, pois, como será visto adiante, nunca ocupou o endereço na Av. Engenheiro Luis Carlos Berrini, n° 1461, 12° andar, para onde supostamente teria sido transferida, em Agosto de 2002. O capital social pertence quase que integralmente ao fiscalizado (99%). Também, nunca possuiu empregados. Ademais, todo o resultado da empresa foi vertido para apenas um dos "sócios", justamente o fiscalizado. Com relação à empresa ML CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA., sua constituição, formal, se deu através do INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE CIVIL POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LTDA., depositado no 7°. Serviço de Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Capital (São Paulo), tomando o número 15322. Segundo consta deste Contrato, sua sede seria na Av. Engenheiro Luis Carlos Berrini, n° 1461, 12° andar (coincidentemente, o mesmo local para o qual se transferiu a empresa ALFA) e seu objeto social "compreende a prestação de serviços de consultoria e assessoria contábil conforme Artigo 25 do Decreto Lei 9.295/46, com exceção da alínea C, do Decreto 9295/46". Na cláusula 8ª. Está disposto que "os lucros ou prejuízos verificados serão distribuídos ou suportados pelos sócios na proporção por eles deliberada". O fiscalizado possuía 99,9% (noventa e nove vírgula noventa centésimos percentuais) das quotas. Foi efetuada diligência no suposto local de funcionamento da ML onde o "sócio" José Luiz de Franco, CPF 403.197.09868, prestou Declaração onde são revelados fatos no mínimo estarrecedores. 0 declarante informou que naquele endereço quem funcionava efetivamente era a empresa Consulting Services Gestão Tributária, Contábil e Societária S/C Ltda. Afirmou, ainda, que concedeu seu nome à ML apenas para possibilitar a constituição da sociedade e que participa de outras sociedades na mesma condição, ou seja, empresta seu nome e seu endereço comercial apenas para que seja possível a constituição de empresas (de fato, se verifica nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal que o declarante é sócio de vinte e uma empresas!). Informou que nunca recebeu qualquer valor a título de prólabore ou distribuição de lucros da ML, que por sua vez nunca funcionou, efetivamente, naquele local. Verificase, portanto, que a empresa ML nunca possuiu sede própria, pois nunca funcionou no Município de Seio Paulo/SP. Também, conforme se verifica em seus registros contábeis, nunca possuiu empregados, tendo todo o seu resultado, assim como ocorria na empresa ALFA, vertido para apenas um dos "sócios". Na ML seus clientes são, novamente, a RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA., e ACD SISTEMA DE RADIO E TELEVISÃO LTDA. A ML firmou, através de documentos datados de 31.12.1997, com a RÁDIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA., e a empresa ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA., instrumento denominado "Contrato de Prestação de Serviços de Gestão". O que chama a atenção em ambos os contratos é a existência de cláusula (primeira) onde se verifica que o objeto do contrato é a prestação do “efetivo exercício e a responsabilidade pela administração executiva da sociedade, praticando todos os atos necessários a essa gestão e com todos os poderes inerentes a função". Ainda, na Cláusula Quinta (parágrafo primeiro) está disposto que a "contratada" deve zelar para que o profissional por ela designado atue efetivamente como Gerente Executivo. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 7 11 Ora, quem seria este "profissional por ela designado" numa "sociedade empresária" que só tem um sócio de fato, que não tem sede e não tem empregados, sendo o próprio fiscalizado? Tanto isto é verdade que, como será visto no item seguinte, o fiscalizado afirmou que era ele quem, em caráter pessoal e exclusivo, executava os serviços. DO TERMO DE DECLARAÇÃO FIRMADO PELO FISCALIZADO O fiscalizado compareceu, em 05.12.03, na DRF/CAMPINAS, tendo prestado, espontaneamente e sob as penas da lei, a seguinte Declaração, cujos principais trechos vale a pena transcrever. O autuado declarou: 6) Que sua formação profissional é de técnico em contabilidade e administrador de empresas; que antes de constituir a empresa ALFA CONTATOS COMERCIAIS S/C LTDA., C.N.P.J 01.474.234/000133, era empregado, registrado, da empresa TV GLOBO DE SÃO PAULO (de 1982 a 1992), RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA. C.N.P.J. 25.631.672/000126 (de 1992 a 1995), e da ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. C.N.P.J 20.060.471/000100 (de 1992 a 1995); que era diretor administrativo financeiro nestas empresas (RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA. e ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA.); que foi indicado pela TV GLOBO para trabalhar nestas duas empresas; 2) Que ao se desligar destas empresas (ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. e RÁDIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA.) constituiu a empresa ALFA CONTATOS COMERCIAIS S/C LTDA., com o objetivo de efetuar pesquisas de viabilidade da instalação de novas emissoras que seriam ligadas a estas duas empresas (ACD e RÁDIO TV DE UBERLÂNDIA) que por sua vez eram emissoras afiliadas à TV GLOBO. Ou seja, que continuava a prestar serviços exclusivamente para a ACD SISTEMA DE RADIO E TELEVISÃO LTDA e RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA, só que na condição de sócio da ALFA; que ao final deste trabalho de pesquisa a TV GLOBO comprou as ações pertencentes ao Sr. Luiz Humberto Dorça e aos seus filhos, Ana Cláudia Nasser Dorça, Alfredo Guilherme Dorça, Andréa Cristina Nasser Dorça, que resolveram, por este motivo, lhe dar uma comissão; que esta comissão gerou a emissão das notas fiscais emitidas pela ALFA, de números (009 a 012); que este serviço foi realizado em caráter excepcional, ou seja, não fazia parte dos negócios e serviços realizados pela ALFA. 3) Que embora não tenha apresentado os contratos de prestação de serviços firmados pela ALFA com as empresas Rádio Televisão de Uberlândia e ACD Sistema de Rádio e TV Ltda., os serviços prestados consistiam basicamente de pesquisas (conforme descrito acima) realizados por sua pessoa, em caráter exclusivo; que não possuía auxiliares em seus trabalhos; 4) Que após o trabalho desenvolvido pela ALFA, que concluiu pela viabilidade da implantação de uma nova área de cobertura para as empresas ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA., e RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA., estas empresas concluíram ser o contribuinte em epígrafe a única pessoa capaz, em função da relação de confiança, para a efetiva implantação do projeto, visando viabilizálo. For este motivo foi necessária a criação da empresa ML CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA.; 5) No contrato celebrado pela ML CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA. com a ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. C.N.P.J 20.060.471/000100, e RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA. C.N.P.J 25.631.672/000126, ambos datados de 31.12.1997, sua função era acompanhar o resultado da implantação da filial destas empresas, que foram sediadas em Divinópolis/MG, Patos de Minas/MG, Uberaba/MG e Ituiutaba/MG. Que para poder dar as diretrizes, orientar e acompanhar os resultados nestas filiais, foram lhe concedidos, através do contrato firmado pela ML com a ACD e RADIO TELEVISÃO Fl. 957DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 DE UBERLÂNDIA, os poderes de Diretor Executivo. Que os diretores destas filiais estavam ligados ao declarante de forma que este pudesse acompanhar todo o processo de implantação, envolvendo até mesmo o controle de caixa, que os resultados de seu trabalho eram repassados aos sócios das empresas ACD SISTEMA DE RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. e RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA. 6) Que as empresas ALFA CONTATOS COMERCIAIS S/C LTDA. e ML CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA., C.N.P.J. 02.470.609/000150, nunca possuíram empregados em seus quadros, sendo todo o trabalho desenvolvido pelo declarante, exclusivamente. Em resumo: as "empresas" do fiscalizado, ou seja, a ALFA e a ML, conforme pode ser verificado no livro Diário, não possuíam empregados. Verificase nos contratos que os serviços eram prestados pessoal e exclusivamente e pelo fiscalizado. Nunca foi pago qualquer valor a titulo de prólabore ou foi distribuído qualquer parcela de lucros sendo ao fiscalizado, embora constasse dos contratos a existência de outros "sócios". As empresas ALFA e ML nunca possuíram, de fato, sede. DAS CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS Conforme já relatado no item I deste Termo, o fiscalizado, através de documento datado de 01.10.03, informou que para as Notas Fiscais de números 009 a 012, da empresa ALFA CONTATOS COMERCIAIS S/C LTDA., emitidas em favor de Ana Cláudia Nasser Dorça, Alfredo Guilherme Dorça, Andréa Cristina Nasser Dorça e Luiz Humberto Dorça, não existia contrato de prestação de serviços, vez que o acordo entre as partes foi verbal, por ter sido realizado um "trabalho de risco", de cunho esporádico. Estas informações foram confirmadas pelo fiscalizado em seu Termo de Declaração. Através de pesquisas, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, foi verificado que os donos da empresa Rádio Televisão de Uberlândia Ltda. eram as pessoas físicas Ana Cláudia Nasser Dorça, Alfredo Guilherme Dorça, Andréa Cristina Nasser Dorça, ou seja, os mesmos a quem o fiscalizado prestou o serviço "esporádico" que deu margem a emissão das Notas Fiscais de número 09 a 12. Conforme se verifica na alteração do contrato social datada de 04.06.1997 e registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 11.07.1997, o Sr. Luiz Humberto Dorça transferiu, a título de adiantamento da legitima, suas ações na Rádio Televisão de Uberlândia Ltda., para seus filhos Ana Cláudia Nasser Dorça, Alfredo Guilherme Dorça, Andréa Cristina Nasser Dorça, que logo em seguida alienaram as referidas ações para a Sra. Antônia Marinho Steiman. Este teria sido, então, o motivo do recebimento por parte da "ALFA", do valor de R$ 1.370.841,80 (um milhão trezentos e setenta mil oitocentos e quarenta e um reais e oitenta centavos), ou seja, a comissão recebida pelo resultado do trabalho realizado pela "ALFA" que culminou na venda destas ações. Aqui já se constata uma inconsistência: verificase no Contrato Social da empresa ALFA CONTATOS COMERCIAIS S/C LTDA., que não consta de seu objeto social a possibilidade de realização de receita em virtude da intermediação na venda de bens ou direitos. Entretanto, foram emitidas Notas Fiscais (de número 09 a 12) em nome de pessoas físicas em função de "corretagem" pela venda de participação societária pertencentes aos exproprietários da empresa RADIO TELEVISÃO DE UBERLÂNDIA LTDA. O próprio fiscalizado declarou que este negócio não fazia parte do "objeto social" da ALFA. A designação especifica do objeto da sociedade é exigência do artigo 302 do Código Comercial. Este elemento essencial caracteriza a sociedade e especifica como e em que operações há de ser empregado o fundo social. No caso, verificase que sequer consta do objeto desta empresa a possibilidade de intermediação de venda, como o que está descrito nas Notas Fiscais acima citadas. O recorrente, em relação a estes pontos específicos, argui que: Fl. 958DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 8 13 a) Estaria comprovada a regular constituição da empresa Alfa Contatos Negociais S/C (fls. 35/39) por meio de contrato de sociedade civil por quotas de responsabilidade, como também a regular distribuição de seus lucros, notadamente diante da distribuição de quotas da empresa e a previsão de recebimento de prólabore mensal tão somente pelo sócio André Luiz Ferreira Aguera. b) As notas fiscais acostadas aos autos (fls. 43/64), demonstrariam o exercício da atividade empresarial da empresa Alfa Contatos Comerciais S/C, as quais estão de pleno acordo com a previsão contratual da sociedade em comento. c) Conforme documentos juntados em petição protocolada em 27 de março de 2008, foi celebrado Contrato de locação entre o Sr. Antonio Del Col. Santicholi e a Empresa Alfa Contatos Comerciais S/C Ltda. do imóvel localizado na Rua Pereira Cardoso, nº 492 – sala 1 – Morungaba, SP, para o período de setembro de 1966 a agosto de 1997, e, posteriormente, feito novo contrato entre as mesmas partes para o período de setembro de 1997 a agosto de 1998. d) A empresa ML Consultoria Empresarial S/C Ltda. exercia regularmente as suas atividades, não havendo dúvidas acerca de sua existência de fato e de direito. e) As declarações do sócio José Luiz de Franco foram relatadas de forma distorcida e não corresponderiam à realidade fática, pois, conforme declarações anexadas aos autos, prestadas de próprio punho pelo sócio José Luiz, evidenciaram, de maneira cabal, a existência de fato e de direito da empresa ML Consultoria. f) As empresas Alfa Contatos Comerciais S/C Ltda. e ML Consultoria Empresarial S/C Ltda. foram constituídas no regular exercício de seu direito de Livre Iniciativa, estando equivocada a fiscalização ao presumir que a prestação de serviços a terceiros, ainda que personalíssimos, configuraria ato simulado. Nos autos não haveria a comprovação do intuito simulatório do acusado g) a prestação de serviços intelectuais, ainda que em caráter personalíssimo, por pessoas jurídicas, não é vedada pelo ordenamento Positivo. h) A Lei nº 11.196/05, em seu art. 129, possui permissivo expresso ao exercício dessas atividades por empresas, aplicando a essas situações o regime fiscal afeto às pessoas jurídicas. Pelo que se observa no caso em apreciação, os fundamentos da autuação, assim como os argumentos da defesa, tratam da validade ou não da constituição das empresas para justificar a tributação do imposto apurado nas pessoas jurídicas em decorrência de serviços realizados pela pessoa física em caráter personalítico. A omissão de rendimentos de natureza personalíssima não é matéria nova neste Conselho. Os diversos lançamentos que trataram desta questão foram objeto de manifestações por Colegiados diversos, inclusive nos Acórdãos nº10422.408, nº 10422.898, nº 10614.244 e nº 220200.252, indicados no recurso voluntário do contribuinte. Além desses, podese citar os Acórdãos das Quarta e Sexta Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes (nº 10418.641, nº 10419.444, nº 10420.915, nº 10421.583, nº 10421.954 nº 10617.147), das Segundas Turmas Ordinárias da Primeira Câmara e da Fl. 959DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 Primeira Turma Especial, todas da Segunda Seção de Julgamento do CARF (de nº 2102 00.979, nº 210200.980, nº 210201.490, nº 2102002.441, nº 2102002.623, nº 2202001.702, nº 280101.870, nº 280102.280), e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (de nº 9202 002.451). Nos citados casos, que são similares ao aqui analisado, a posição deste Conselho é pela manutenção dos lançamentos. O contribuinte diz que o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, tem caráter interpretativo, de forma que a regra deve ser estendida a fatos geradores pretéritos. Porém, ao contrário do que argui o recorrente, o art. 129 da lei invocada criou direito novo na medida em que criou as "empresas unipessoais" para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária, não cabendo a aplicação da retroatividade benigna a que alude o inciso I, do art. 106 do CTN. Para que uma lei possa ser considerada interpretativa, é necessário que: (i) o caráter interpretativo seja expresso; (ii) haja indicação de que a lei anterior está sendo interpretada; (iii) haja lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e (iv) exista dúvida quanto ao sentido de uma lei anterior, o que não ocorreu no caso em questão. Assim, até 2005, os rendimentos decorrentes de prestação de serviços de natureza personalíssimas obrigatoriamente tinham que ser tributados na pessoa física. A partir daí, podem ser tributados em pessoa jurídica constituída para tal propósito. Nessa matéria, filiome a jurisprudência predominante no CARF para considerar que são tributáveis na pessoa física os rendimentos recebidos pela prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica, cujos fatos geradores tenham ocorridos antes da Lei n° 11.196, de 2005. Simulação e aplicação da multa qualificada O recorrente discorre sobre as figuras de dissimulação e simulação, que seriam tratadas de formas distintas na legislação tributária, destacando que a fundamentação da fiscalização conduziria à simulação absoluta, e, assim sendo, somente poderia ser declarada pelo Poder Judiciário. Agui, ainda, que os livros fiscais correspondem aos fatos efetivamente ocorridos e que a constituição das empresas ALFA e ML produziu exatamente os efeitos típicos do negócio jurídico proposto e, por isso, não existiu qualquer ato jurídico aparente para acobertar os fatos reais, tão pouco intuito fraudatório para causar prejuízo aos cofres públicos. Inicialmente, vale salientar que não há nos autos a desconsideração das pessoas jurídicas, como alega o recorrente, mas, tão somente, a reclassificação dos rendimentos, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal: E nem se fale aqui em desconsideração da personalidade jurídica. Em momento algum foi utilizada a teoria do disregard doctrine ou desconsideração da personalidade jurídica, mesmo porque, nos termos do § 49 do art. 39 da Lei rig 7.713, de 1988, a tributação independe da existência ou não de personalidade jurídica. Ademais, não houve a desconsideração da pessoa jurídica e sim a descaracterização de rendimentos nela tributados mas que competem à pessoa física. A fiscalização não adotou procedimentos no sentido de efetivar a desconsideração jurídica das empresas ALFA e ML em sede administrativa, mesmo porque, como já explicado em itens anteriores, a tributação em causa, mormente o preceituado no § 49 do art. 39 da Lei nº 7.713, de 1988, e em face do disposto nos arts. 49, 118 do CTN, Fl. 960DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 9 15 retrotranscritos, independia de tal providência, bem como da descaracterização da escrita fiscal das pessoas jurídicas citadas. Cabe acrescer que não foi objeto de fiscalização a empresa ALFA e ML. Não se pode olvidar que não é possível equiparar o fiscalizado as pessoas jurídicas, para efeito de tributação. Nos termos da legislação em vigor algumas pessoas físicas são equiparadas às jurídicas para efeitos do Imposto de Renda. Mas, como já foi visto, o fiscalizado prestava serviço de natureza nãocomercial, valendose de sua profissão de contabilista/administrador de empresas, inserindose, pois, na proibição de equiparação à pessoa jurídica, para fins de tributação, contida na regra disposta nos incisos I e II §2°, do art. 150 do RIR/99 (correspondente as alíneas "a" e "b", §2°, do artigo 127, do RIR/94). (grifos nossos) As razões da qualificação da multa foi o uso simulado das empresas Alfa Contatos Comerciais S/C Ltda. e ML Consultoria Empresarial S/C Ltda. para a tributação de rendimentos próprios da pessoa física, de forma a favorecerse de uma tributação mais benéfica, e que tal prática, considerada dolosa pela autoridade lançadora, teria sido reiterada. A autoridade lançadora argui que o contribuinte, com o intuito de modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, deslocou para interpostas pessoas jurídicas os rendimentos que são de caráter personalíssimo e que tal procedimento denota simulação, subsumida ao inciso I do art. 102 do antigo Código Civil, vigente à época, pois o ato jurídico aparentou conferir direito à pessoa diversa, ou seja, à pessoa jurídica de natureza comercial, impossibilitada de prestar um serviço personalíssimo de natureza civil. Entretanto, voltando à jurisprudência deste Colegiado, não tem sido esse o entendimento predominante quanto à aplicação da multa qualificada nos casos de reclassificação dos rendimentos tributados na pessoa jurídica por serem considerados como decorrentes de serviços de natureza personalística. No caso em análise, ainda que informados pela pessoa jurídica, os rendimentos foram declarados ao Fisco e os tributos tempestivamente recolhidos. Tanto é que nos autos foram considerados os tributos pagos e as deduções com despesas previdenciárias. Da mesma forma, o contribuinte, mesmo que a título de rendimentos isentos, incluiu em sua declaração os valores que considerou como “distribuídos”, o que se conclui que a intenção era se valer de uma tributação que considerava mais benéfica, e não de omitir tais rendimentos. O que ocorreu foi uma forma equivocada do contribuinte de se estruturar administrativa, contábil e fiscalmente. Caso a intenção fosse a sonegação, nada teria sido declarado. São diversos os julgados que, em situações similares, entendem não ser possível a qualificação da multa por inexistir provas do evidente intuito de fraude ou conluio por parte do contribuinte infrator em relação aos rendimentos reclassificados decorrente da prestação de serviços de caráter personalíssimo. Entre as decisões deste Colegiado, destacamos os Acórdãos nº 10614.244, nº 10420.915, nº 10422.898, nº 220202.525 e nº 10422.408. Já quanto à reiteração, observase que a jurisprudência recente da 2ª Turma da CSRF é pacífica em não considerála, isoladamente, como sendo motivo de qualificação da multa no sentido de impedir a ciência, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador. Dentre tantos, citase os Acórdãos de nº 9202003.195, nº 90202003.086, nº 9202 00.956, todos proferidos neste ano. Assim sendo, entendo que deve ser aplicada a multa regular de 75% (setenta e cinco por cento) Fl. 961DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 16 Dito isso, e considerando que a auditoria considerou como pagamento os tributos recolhidos na pessoa jurídica, concluise que deve ser aplicado no lançamento o prazo decadencial expresso no art. 150, § 4º, considerando como marco inicial a data da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, é o último dia do anocalendário. Desta forma, no encerramento do auto de infração, ocorrido em 19 de dezembro de 2003 (fl. 427), estava decaído o direito de lançar os tributos cujo fato gerador ocorreu no anocalendário de 1997. Dedução das despesas no livrocaixa e compensação dos tributos Nesse ponto, ressaltase que a auditoria elaborou quatro tabelas, anexadas ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 512 e 513), que exibem os valores recebidos mensalmente, extraídos das Notas Fiscais emitidas e atribuídos à pessoa física, efetuando as deduções permitidas em lei e compensando os tributos pagos pelas empresas Alfa Contatos Comerciais S/C Ltda. e ML Consultoria Empresarial S/C Ltda., conforme transcrição a seguir: Cabe observar que, tendo sido o trabalho, efetivamente desenvolvido pelo fiscalizado, sem vinculo empregatício, e permitindo a legislação do Imposto de Renda a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, foram elaboradas tabelas (anexadas a este Termo), que exibem os valores recebidos mensalmente (extraídos das Notas Fiscais emitidas) e que estão sendo atribuídos à pessoa física do fiscalizado, com as deduções permitidas em lei. Ressaltese que, o contribuinte que recebe rendimentos do trabalho nãoassalariado pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as seguintes despesas: i. A remuneração paga a terceiros, desde que com vinculo empregatício; ii. Os emolumentos pagos a terceiros; iii. As despesas de custeio pagas e necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, sendo que as despesas de locomoção e transporte são só dedutíveis para os representantes comerciais autônomos. Portanto, as despesas com restaurantes, hotéis, pedágio, locação de veículos e estacionamento, por exemplo, não puderam ser aproveitadas, pois são consideradas indedutíveis pela legislação do Imposto de Renda. Ainda, os valores dos tributos pagos tanto pela ALFA como pela ML, cujos dados foram coletados nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal (SINAL 08), estão sendo considerados como imposto pago na pessoa física, efetuandose a devida compensação, conforme pode ser observado na tabela abaixo e no "Demonstrativo de Compensação de Valores" constante do Auto de Infração do qual este Termo faz parte. (grifos nossos) Portanto, sem sentido a solicitação do contribuinte quanto à dedução das despesas dedutíveis no livro caixa e da compensação dos tributos, uma vez que tais providências já foram adotadas pela fiscalização. Isto posto, voto em acolher a preliminar de decadência do imposto apurado em relação ao ano calendário de 1997 e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75%. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 962DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10830.009524/200306 Acórdão n.º 2201002.506 S2C2T1 Fl. 10 17 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10670.721932/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO - ARTIGO 17 do PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECRETO Nº 70.235/72 - APLICAÇÃO
Matéria não questionada no Recurso Voluntário é considerada não impugnada. Prevalecendo o que fora decidido pela DRJ.
ALEGAÇÃO - COMPROVAÇÃO - ARTIGOS 15 E 16 DO PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECRETO Nº 70.235/72 - APLICAÇÃO
O Recurso Voluntário deve estar instruído com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados.
MULTA DE OFÍCIO - EXPRESSAPREVISÃOLEGAL - ARTIGO 44,I,DALEI Nº 9.430/96 - CARÁTER CONFISCATÓRIO - NÃO CARACTERIZADO
De acordo com o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, COFINS E PIS.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1202-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Gilberto Baptista, Ricardo Diefenthaler, André Almeida Blanco, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO ARTIGO 17 do PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECRETO Nº 70.235/72 APLICAÇÃO Matéria não questionada no Recurso Voluntário é considerada não impugnada. Prevalecendo o que fora decidido pela DRJ. ALEGAÇÃO COMPROVAÇÃO ARTIGOS 15 E 16 DO PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECRETO Nº 70.235/72 APLICAÇÃO O Recurso Voluntário deve estar instruído com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. MULTA DE OFÍCIO EXPRESSAPREVISÃOLEGAL ARTIGO 44,I,DALEI Nº 9.430/96 CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO CARACTERIZADO De acordo com o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, COFINS E PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 19 32 /2 01 1- 11 Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 23 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Gilberto Baptista, Ricardo Diefenthaler, André Almeida Blanco, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de Recurso Voluntário em que são questionados os autos de infração (fls. 3/133) de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ , Imposto de Renda Redito na Fonte – IRRF , Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL –, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins – e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP. Conforme a Declaração de Informação Econômicofiscal da Pessoa Jurídica (DIPJ) referentes aos anoscalendário 2007 e 2008, a contribuinte fez opção pelo lucro real e apuração trimestral nos dois anos. Com base na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do auto de infração de IRPJ, a autoridade fiscal relatou o seguinte: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração da(s) infração(ões) abaixo descrita(s) aos dispositivos legais mencionados. (...) Fl. 3383DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 24 3 Arbitramento do lucro referente aos anoscalendário 2007 e 2008 pelos motivos relatados de forma detalhada no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" que integra este auto de infração. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art.530, incisos II e III, do Regulamento do Imposto de renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1990RIR/99. 0001 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Falta de recolhimento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS sobre receitas omitidas, caracterizadas por créditos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada, conforme relatado no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" que integra este auto de infração. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 31/12/2008: Art. 3 ° da Lei n° 9.249/95. Art. 42 da Lei n° 9.430/96 c/c art. 537 do Regulamento do Imposto de renda,aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99. 0002 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS RECEITAS ESCRITURADAS Falta de recolhimento de IRPJ e CSLL incidentes sobre receitas de prestação de serviços educacionais escrituradas, conforme relatado no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" que integra este auto de infração. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 31/12/2008: Fl. 3384DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 25 4 Art. 3º da Lei n° 9.249/95. Art. 532 do RIR/99 003 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS (NOTAS FISCAIS DE VENDAS DE APOSTILAS) Falta de recolhimento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre receitas que constam em notas fiscais "de vendas de apostilas, que efetivamente foram provenientes de prestação de serviços educacionais; conforme relatado no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" que integra este auto de infração. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 31/12/2008: Art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 532 do RIR/99 (...) Sobre a exigência relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, a autoridade fiscal apontou na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” a seguinte infração: 0001 PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA E A OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa e a beneficiários não identificados, caracterizados por débitos bancários que o fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou as causas dos pagamentos realizados, bem como os seus beneficiários, conforme relatado no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" que integra este auto de infração. [...] Fl. 3385DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 26 5 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 02/01/2007 e 30/12/2008: Art. 674 e 675 do RIR/99 Artigo 674 do Regulamento do imposto de renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99. Às 134 a 181, encontrase o Termo de verificação fiscal, do qual se destaca o seguinte: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de procedimento fiscal Fiscalização (MPFF) n° 06.108.00¬ 2011000148, realizei a fiscalização do IMPOSTO DE RENDAPESSOA JURÍDICA (IRPJ), referente aos anoscalendário 2007 e 2008. Foram constatados os fatos e adotados os procedimentos a seguir relatados: I – TERMOS LAVRADOS PELA FISCALIZAÇÃO E DOCUMENTO ESCLARECIMENTOS APRESENTADO. II – OBJETO SOCIAL, QUADRO SOCIETÁRIO E ADMINISTRAÇÃO. OBJETO SOCIAL Prestação de serviços no ramo de ensino particular do ensino fundamental, ensino médio e ensino superior e artes gráficas em geral. O responsável pela empresa perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é o Sr NELSON ALEXANDRE TEIXEIRA DA SILVA, conforme consta no sistema CNPJ. III SOCIEDADE EMPRESÁRIA COM NOME "COLÉGIO BIOTÉCNICO LTDA" A fiscalizada praticou infrações à legislação tributária de forma contumaz; Considerando que tem vultoso passivo tributário, ainda que não inteiramente constituído, a fiscalizada constituiu outra empresa, o COLÉGIO BIOTÉCNICO LTDA, que utiliza o mesmo nome de fantasia, tem as mesmas atividades operacionais de fato e têm os mesmos endereços. Fl. 3386DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 27 6 O COLÉGIO BIOTÉCNICO LTDA optou pelo SIMPLES NACIONAL, um sistema tributário favorecido e simplificado. Desta forma, há uma nítida intenção de prosseguir as atividades operacionais dá fiscalizada com a razão social COLÉGIO BIOTÉCNICO LTDA, utilizando a mesma estrutura operacional e deixando um "esqueleto" tributário relativo à fiscalizada. IV SITUAÇÃO FISCAL DECLARAÇÕES APRESENTADAS E PAGAMENTOS REALIZADOS A fiscalizada apresentou declarações de informações econômico fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) referentes aos anoscalendário 2007 e 2008 com opção pelo lucro real e apuração trimestral nos dois anos. A fiscalizada apresentou declarações de débitos e créditos tributários federais (DCTF) semestrais referentes ao 1º sem/2007 ao 2º sem/2008. A fiscalizada informou em DIPJs os débitos de IRPJ especificados no quadro a seguir: Débitos de IRPJ informados em DIPJ – Ficha 12 (cálculo sobre o Imposto de Renda sobre o Lucro Real) Período de Apuração Débito Informado – R$ 4° Trimestre de 2007 1.469,28 1° Trimestre de 2008 2.849,99 2° Trimestre de 2008 3.405,16 Esses débitos de IRPJ foram pagos com código de recolhimento 0220. Em DCTF somente foi declarado débito de R$ 1.469,27, referente ao 4º trim/2007. Com relação à CSLL, a fiscalizada informou em DIPJs os débitos especificados no quadro a seguir: Débitos de CSLL informados em DIPJ – Ficha 17 (cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) Período de Apuração Débito Informado – R$ 4° Trimestre de 2007 881,57 1° Trimestre de 2008 1.709,99 2° Trimestre de 2008 2.043,09 Fl. 3387DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 28 7 Esses débitos de CSLL foram pagos com código de recolhimento 6012. Em DCTF não foi declarado o débito referente ao 2º trim/2008. Foram declarados em DCTFs débitos de COFINS e PIS referentes aos meses de jan/2007 a dez/2008. Foram realizados pagamentos correspondentes aos débitos informados em DCTFs. A fiscalizada escriturou receitas nas contas contábeis 60011 VENDAS À VISTA E 60031 SERVIÇOS PRESTADOS À VISTA. Confrontei os pagamentos realizados com os valores devidos sobre as receitas escrituradas e constatei que foram realizados pagamentos de PIS e COFINS somente sobre as receitas escrituradas na conta contábil com título SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA, conforme demonstrado na planilha "COFINS E PIS VALORES DEVIDOS SOBRE RECEITAS DE SERVIÇOS X PAGAMENTOS/DÉBITOS INFORMADOS EM DCTFs", em anexo. Foram pagos integralmente os valores referentes aos períodos de apuração jan/2007 a mai/2007 e jan/2008 a dez/2008. Reitero que não foram realizados quaisquer pagamentos referentes às receitas escrituradas na conta contábil 60011 Vendas à Vista. V ARBITRAMENTO DO LUCRO: (...). Ante os fatos expostos, deve ser arbitrado o lucro referente aos anoscalendário 2007 e 2008 pelas razões sintetizadas a seguir: Á escrituração contábil do contribuinte contém evidentes indícios de fraudes, vícios, erros e deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e determinar o lucro real, visto que a fiscalizada omitiu a maioria de suas receitas; não escriturou grande parte dos pagamentos realizados; não escriturou todas as despesas com salários; escriturou saldos fictícios de caixa; não escriturou empréstimos bancários contraídos; realizou escrituração contábil com movimentações nas contas caixa e bancos conta movimento de forma que uma conta abastecia a outra com recursos, de forma a tentar ocultar a omissão de receitas e a falta de escrituração de pagamentos realizados; simulou vultosas operações de vendas de apostilas. Assim sendo, deve ser arbitrado o lucro, conforme disposto no artigo 530, inciso II, alíneas a e b, do RIR 99. Não apresentou à fiscalização documentos da escrituração comercial, visto que foi intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos relativos à pagamentos correspondentes a Fl. 3388DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 29 8 débitos bancários especificados pela fiscalização. Não foram apresentados quaisquer documentos correspondentes a esses pagamentos. Assim sendo, deve ser arbitrado o lucro, conforme disposto no artigo 530, inciso III, do RIR 99. VI INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS O artigo 532 do RIR 99, que tem como base a Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e a Lei nº 9.430, de 1996, ad. 27, inciso I, dispõe que o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no artigo 519 e seus parágrafos, acrescidos de 20%. O artigo 519, §1º, inciso III, alínea “a”, do RIR 99, dispõe que o percentual de determinação do lucro será de 32% para as atividades de prestação de serviços em geral. A fiscalizada claramente prestou serviços educacionais nos anos fiscalizados. [...]. O percentual de determinação do lucro foi de 38,4%, que corresponde a 32% acrescido de 20%. VI – 1 – APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS RECEITAS ESCRITURADAS DE SERVIÇOS PRESTADOS A fiscalizada escriturou receitas de serviços na conta contábil "SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA", código 60031. Sobre essas receitas foram apurados os valores devidos de IRPJ e CSLL. Os pagamentos realizados foram deduzidos dos valores devidos na apuração dos créditos tributários constituídos de ofício. Os valores deduzidos estão especificados nos demonstrativos "IRPJ DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF, DIPJ E PAGAMENTOS REALIZADOS" e "CSLL DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF, DIPJ E PAGAMENTOS REALIZADOS", em anexo. Foram declarados em DCTFs débitos de COFINS e PIS referentes aos meses de jan/2007 a dez/2008. Foram realizados pagamentos correspondentes aos débitos informados em DCTFs. Confrontei os pagamentos de PIS e COFINS realizados com os (valores devidos sobre as receitas escrituradas. Constatei que somente foram realizados pagamentos correspondentes aos valores incidentes sobre as receitas escrituradas na conta "SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA", código 60031. Foram pagos integralmente os valores referentes aos períodos de apuração jan/2007 a mai/2007 e jan/2008 a dez/2008. Assim sendo, foram constituídos de ofício créditos tributários de PIS e COFINS referentes aos meses de jun/2007 a dez/2007, Fl. 3389DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 30 9 correspondentes às diferenças entre os valores incidentes sobre as receitas de serviços escriturados e os valores pagos/declarados em DCTFs. VI – 2 – APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS RECEITAS QUE CONSTAM EM NOTAS FISCAIS DE VENDAS DE APOSTILAS A fiscalizada apresentou notas fiscais de vendas de apostilas. Essas vendas foram consideradas pela fiscalização como efetivamente provenientes de prestação de serviços educacionais, pelas razões expostas anteriormente de forma detalhada. Foram constituídos de ofício créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre estas receitas. VI – 3 – OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS NÃO FOI COMPROVADA A fiscalizada foi regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos correspondentes aos créditos bancários, bem como a comprovar que os créditos já tinham sido devidamente tributados ou que foram provenientes de operações não tributáveis, se fosse o caso. Foram concedidas diversas prorrogações de prazo. Em síntese, a fiscalizada alegou que os créditos bancários foram provenientes de empréstimos e de operações de descontos. Os créditos especificados pela fiscalização não foram provenientes de empréstimos bancários, conforme já explicado e demonstrado detalhadamente neste termo. Em regra, operações de descontos bancários têm como origem o faturamento da empresa. Não foi comprovada a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários especificados pela fiscalização, por meio de documentos hábeis e idôneos. Os documentos/esclarecimentos solicitados, os atendimentos protocolizados e as considerações da fiscalização sobre os atendimentos estão relatados anteriormente, especificamente no item que trata do arbitramento do lucro. Assim sendo, foram tributadas como receitas omitidas as diferenças mensais entre os créditos bancários totais e as receitas de serviços escrituradas e os valores que constam em notas fiscais de vendas de apostilas. VI – 4 – IMPOSTO DE RENDA NA FONTE INCIDENTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E SEM CAUSA Ante o exposto, sobre os pagamentos especificados na planilha "PAGAMENTOS SEM CAUSA E A BENEFICIÁRIOS NÃO Fl. 3390DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 31 10 IDENTIFICADOS", em anexo, que a fiscalizada não apresentou documentos comprobatórios hábeis e idôneos, ou seja, não identificou os beneficiários e as causas dos pagamentos, foi apurado o IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRF). Destaco que os pagamentos especificados nessa planilha foram considerados como rendimentos líquidos e foi realizado o reajustamento da base de cálculo, conforme disposto no § 3º do artigo 674 do RIR 99. As bases de cálculo apuradas também estão especificadas nessa planilha. VII RETIFICAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL Considerando que houve o arbitramento do lucro referente a todos os trimestres dos anoscalendário2007 e 2008, a fiscalizada deverá retificar o livro de apuração do lucro real LALUR, bem como outros controles, se existentes, de forma a zerar todos os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL apurados nesses anos. Desta forma, deverão ser zerados os saldos a compensar em períodos de apuração posteriores aos fiscalizados, originários dos anoscalendário 2007 e 2008. Da mesma forma, devem ser zeradas todas as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL realizadas em 2007 e 2008. VIII CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE E APLICAÇÃO DE MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS: (...) A fiscalizada praticou atos que caracterizam, sonegação fiscal e fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, conforme relatado exaustivamente neste termo. Destaco as seguintes práticas adotadas pela fiscalizada: DIPJs FRAUDULENTAS – Apresentou DIPJs referentes a 2007 e 2008 com receitas muito inferiores às efetivamente auferidas, [...] ESCRITURAÇÃO FRAUDULENTA – Foi apresentada escrituração contábil que seguramente não corresponde aos fatos efetivamente ocorridos. Houve a nítida tentativa de ocultar Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 32 11 9os fatos geradores efetivamente ocorridos de tributos/contribuições federais. Na tentativa de lograr êxito, adotou os procedimentos citados a seguir, dentre outros. Estes procedimentos estão relatados anteriormente de forma detalhada, especialmente no item que trata do arbitramento do lucro. SIMULAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO DE TODA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA; ESCRITURAÇÃO DE SALDOS FICTÍCIOS DE CAIXA; SIMULAÇÃO DE RECEITAS DE VENDAS DE APOSTILAS. (...) Ante os fatos expostos, foram lançadas multas de ofício qualificadas, no percentual de 150%, sobre os créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS apurados de ofício, incidentes sobre as receitas que constam nas notas fiscais de venda de apostilas e sobre as receitas omitidas apuradas pela fiscalização. (...) Foram lançadas multas de ofício de 75% sobre o imposto de renda retido na fonte, incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa, e sobre o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas de serviços escrituradas na conta contábil 60031 SERVIÇOS PRESTADOS AVISTA. Em virtude dos fatos apurados pela fiscalização, que caracterizaram crimes contra a ordem tributária, foi lavrada REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IX SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (...) Ante os fatos relatados neste termo, considerando o disposto nos artigos 121, inciso II, 124, inciso I, e 135, inciso III, todos do CTN, ficou caracterizado que NELSON ALEXANDRE TEIXEIRA DA SILVA, CPF 011.451.69600, é pessoalmente Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 33 12 responsável pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS constituídos de ofício, sobre os quais foi lançada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme especificado no item "CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE APLICAÇÃO DE MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS", deste termo, tendo em vista que ficou caracterizada SONEGAÇÃO FISCAL e FRAUDE, que implicam na responsabilidade tributária pessoal e em sujeição passiva solidária, nos termos da legislação vigente. A sujeição passiva solidária abrange os créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas que constam em notas fiscais de vendas de apostilas e sobre as receitas omitidas. Não abrange os créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS é PIS incidentes sobre as receitas de serviços escrituradas na conta contábil 60031 SERVIÇOS PRESTADOS À VISTA e os créditos tributários de Imposto de renda . O contribuinte foi cientificado dos autos de infração e do TVF, em 09/12/2011, fls. 7, 44, 76, 87 e 98. Na mesma data, o Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva teve ciência da exigência tributária e da responsabilidade a ele imputada, conforme “TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA”, fls. 3264 a 3269. Neste ponto, oportuno destacar que não foi objeto de contestação a sujeição passiva atribuída ao Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva, relativamente aos créditos de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS sobre as receitas que constam em notas fiscais de vendas de apostilas e sobre as receitas omitidas, constituídos de ofício, sobre os quais foi lançada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. Por não ter sido instaurado litígio sobre a referida matéria, a mesma tornouse definitiva na esfera administrativa. Contra os autos de infração lavrados, o contribuinte (Colégio e Faculdades Biotécnica Ltda. – EPP) apresentou impugnação, de fls. 3272 a 3274, na qual, após breve relato dos fatos, alega que: é direito do impugnante pugnar pela retificação de todos os seus lançamentos que foram contabilizados de forma indevidas; a fiscalização nos levantamentos por amostragem não acatou os empréstimos,incididos assim, tributação indevidas, uma vez que os empréstimos contraídos são obrigações e não crédito; as multas aplicadas de 75% (setenta e cinco) por cento e 150% (cento e cinquenta ) por cento, ferem o principio do não Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 34 13 confisco, o qual é vedado pela carta maior no artigo 150, inciso IV. Requerendo ao final: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, a retificação dos lançamentos e retificação do imposto de renda, cancelando—se as muitas de 75% e 150%, observando os princípios legais reformando assim o débito fiscal reclamado. Mesmo diante dos argumentos aduzidos pelo contribuinte, a 1ª Turma da DRJ/JFA proferiu acórdão n° 0939.764, fls. 3.314/3.326, no qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, bem como a sujeição passiva imputada ao Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva, tendo a seguinte ementa: Acórdão 0939.764 1ª Turma da DRJ/JFA Sessão de 09 de abril de 2012 Processo n° 10670.721932/201111 Interessado: COLÉGIO E FACULDADES BIOTÉCNICO LTDA EPP CNPJ/CPF: 18.657.726/000167 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 RETIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Não é possível a retificação dos lançamentos contábeis após o início da ação fiscal, em vista da perda da espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não possuem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 35 14 A vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. O contribuinte assim como o Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva tomaram ciência do acórdão n° 0939.764 proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA em, 17 de maio de 2012 (3357/3359), e em, 18 de junho de 2012 (3367/3368), apenas o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 3.361/3.364), através de postagem pelo correio, no qual retoma os mesmo argumentos apresentados com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno I – Do juízo de admissibilidade Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto nº 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, pois: Processos que tenham por objeto a apuração de IRPJ, IRRF, CSLL, COFINS E PIS são da competência desta 1ª Seção; O contribuinte foi intimado em 17 de maio de 2012 (3.357/3.359) e, tempestivamente, em 18 de junho de 2012 (3.367/3.368), postou o recurso pelo correio; e A petição está assinada por quem de direito representa a contribuinte – fls. 3.364/3.365. Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 36 15 Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário tomo conhecimento. II – Matérias não questionadas no Recurso Voluntário Conforme relatado, o Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva tomou ciência da exigência tributária e da responsabilidade a ele imputada em 09/12/2011 (fls. 7, 44, 76, 87 e 98), conforme “TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA”, fls. 3264 a 3269. Entrementes, quietouse inerte quanto aos créditos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas que constam em notas fiscais de vendas de apostilas e sobre as receitas omitidas apurados pelo auditor fiscal, que foram constituídos de ofício, sobre os quais foi lançada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. No Recurso Voluntário apresentado pela empresa recorrente também não houve enfrentamento de infrações apuradas pelo auditor fiscal durante o período de fiscalização, a saber: a) Omissão de receita por presunção legal Créditos bancários de origem não comprovada Falta de recolhimento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS sobre receitas omitidas, caracterizadas por créditos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada; b) Receitas da atividade – Receita bruta na prestação de serviços educacionais – Receitas Escrituradas Falta de recolhimento de IRPJ e CSLL incidentes sobre receitas de prestação de serviços educacionais escrituradas; c) Receitas da atividade – Receita bruta na prestação de serviços educacionais – Notas fiscais de vendas de apostilas Falta de recolhimento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre receitas que constam em notas fiscais "de vendas de apostilas, que efetivamente foram provenientes de prestação de serviços educacionais; d) Pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado IRRF Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 37 16 Imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa e a beneficiários não identificados, caracterizados por débitos bancários que o fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou as causas dos pagamentos realizados, bem como os seus beneficiários. Passo a seguir, a fazer uma breve análise sobre a tributação incidente sobre as infrações listadas acima: a) O recorrente escriturou receitas de serviços na conta contábil "SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA", código 60031. Sobre essas receitas foram apurados os valores devidos de IRPJ e CSLL. Os pagamentos realizados foram deduzidos dos valores devidos na apuração dos créditos tributários constituídos de ofício. Os valores deduzidos estão especificados nos demonstrativos "IRPJ DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF, DIPJ E PAGAMENTOS REALIZADOS" e "CSLL DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF, DIPJ E PAGAMENTOS REALIZADOS". Foram declarados em DCTFs débitos de PIS e COFINS referentes aos meses de jan/2007 a dez/2008. Foram realizados pagamentos correspondentes aos débitos informados em DCTFs. Confrontados os pagamentos de PIS e COFINS realizados com os valores devidos sobre as receitas escrituradas, constatouse que somente foram realizados pagamentos correspondentes aos valores incidentes sobre as receitas escrituradas na conta "SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA", código 60031. Foram pagos integralmente os valores referentes aos períodos de apuração jan/2007 a mai/2007 e jan/2008 a dez/2008. Assim sendo, constituiuse de ofício créditos tributários de PIS e COFINS referentes aos meses de jun/2007 a dez/2007, correspondentes às diferenças entre os valores incidentes sobre as receitas de serviços escriturados e os valores pagos/declarados em DCTFs. b) O recorrente apresentou notas fiscais de vendas de apostilas. Essas vendas foram consideradas pela fiscalização como efetivamente provenientes de prestação de serviços educacionais. Nesta esteira, constituiuse de ofício créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre estas receitas. c) O recorrente foi intimado a comprovar a origem dos recursos correspondentes aos créditos bancários, bem como a comprovar que os créditos já tinham sido devidamente tributados ou que foram provenientes de operações não tributáveis, se fosse o caso. Em síntese, alegou que os créditos bancários foram provenientes de empréstimos e de operações de descontos, mostrandose insubsistentes para a fiscalização. Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 38 17 Em regra, as operações de descontos bancários têm como origem o faturamento da empresa. Não foi comprovada a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários especificados pela fiscalização, por meio de documentos hábeis e idôneos. Assim sendo, foram tributadas como receitas omitidas as diferenças mensais entre os créditos bancários totais e as receitas de serviços escrituradas e os valores que constam em notas fiscais de vendas de apostilas. d) Como a fiscalizada não apresentou documentos comprobatórios hábeis e idôneos, ou seja, não identificou os beneficiários e as causas dos pagamentos, foi apurado o IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRRF). Destarte, elaborouse a planilha "PAGAMENTOS SEM CAUSA E A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS". Destacase que os pagamentos especificados nessa planilha foram considerados como rendimentos líquidos e foi realizado o reajustamento da base de cálculo, conforme disposto no § 3º do artigo 674 do RIR 99. As considerações feitas acima se mostram importantes na medida em que não foram objeto de controvérsia por parte da empresa recorrente no Recurso Voluntário sob apreço. E a redação do artigo 17 do PAF – Processo Administrativo Fiscal –, decreto nº 70.235/72, é clara e única quanto as matérias não questionadas serem consideradas preclusas na espera administrativa, quando não questionadas especificamente, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Sobre o assunto, MARCOS VINICIUS NEDER, em seu livro “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado” — pg. 78, leciona: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência frita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias rectosais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto n ó 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos, conforme se depreende o exame do art. 16. Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAE considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 39 18 lançamento na instância a quo. Ainda sobre o fenômeno da preclusão, arremata MARCOS VINICIUS NEDER, na pág. 217 da obra citada: O fenômeno da preclusão consiste na perda do direito por várias razões: pelo nãoexercício no prazo ou termo legal; pela inaplicabilidade da prática do ato com outro já praticado; pelo exercício válido da mesma faculdade anteriormente. Estas razões a levam a ser classificada como temporal, lógica ou consumativa. A preclusão é um instituto eminentemente processual e não atinge o direito material sob litígio, só produzindo efeitos extintivos no âmbito do processo em que é alegada (coisa julgada formal), ou seja, o contribuinte continua titular do direito material, apenas perde a faculdade de exercêlo nesse processo. Seu grande objetivo é garantir o avanço progressivo da relação processual e obstar o seu recuo para fases anteriores: Busca, dessa forma, preservar a ordem lógica dos atos processuais, para que se obtenha a decisão com maior precisão e rapidez. Assim, as questões discutidas e apreciadas ao longo do processo não podem, após a respectiva decisão, voltar a ser tratadas em fases posteriores. O art. 473 do CPC dispõe que é “defeso á parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão”. Se por exemplo, o contribuinte deixa de impugnar uma matéria na época certa, e a questão é, definitivamente resolvida, não há corno voltar a apreciála por força da preclusão. À vista disso, como não houve irresignação por parte do responsável solidário (Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva) e da empresa recorrente, a respeito do exposto acima, consequentemente, não há litígio sobre essas questões, tornandoas definitivas na esfera administrativa. Assim sendo, prevalece o que fora decidido pela DRJ sobre as mesmas. III – Matérias controvertidas III.I – Dos Empréstimos Aduziu o recorrente que a fiscalização não considerou os empréstimos, incidindo assim em tributação indevida, uma vez que os empréstimos contraídos seriam obrigações e não crédito. Não obstante, essa argumentação não merece ser acolhida, conforme a seguir demonstrado. Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 40 19 Primeiramente, cabe salientar ao contrário do afirmado pelo recorrente, o auditor fiscal aceitou os empréstimos que foram identificados no histórico dos seus extratos bancários, assentandoos na planilha “CRÉDITOS BANCÁRIOS REFERENTES A EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS” (fls. 277 a 279), ou seja, os valores que foram identificados e comprovados foram aceitos pela fiscalização e sobre eles não incidiram tributação. Portanto, essas operações, relativas a empréstimos, foram excluídas dos demais créditos das contas bancárias com origem a comprovar, conforme demonstrado no TVF (fls. 153 e 174), senão vejamos: (...) Os créditos bancários especificado pela fiscalização não foram provenientes de empréstimos e financiamentos, conforme já relatado. Os créditos com essa origem não foram incluídos nos créditos com origem a comprovar. (...) A fiscalizada foi regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos correspondentes aos créditos bancários, bem como a comprovar que os créditos já tinham sido devidamente tributados ou que foram provenientes de operações não tributáveis, se fosse o caso. Foram concedidas diversas prorrogações de prazo. Em síntese, a fiscalizada alegou que os créditos bancários foram proveniente de empréstimos e de operações de descontos. Os créditos especificados pela fiscalização não foram provenientes de empréstimos bancários, conforme já explicado e demonstrado detalhadamente neste termo. Em regra, operações de descontos bancários têm como origem o faturamento da empresa. Não foi comprovada a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários especificados pela fiscalização, por meio de documentos hábeis e idôneos. Além do mais, o declarado pelo recorrente é desacompanhado de provas, tratandose de alegação genérica e sem fundamento que, por isso, não merece ser acolhida. Não se tomou o cuidado ao longo do procedimento fiscal – fiscalização, impugnação e na fase recursal – sequer de indigitar quais as operações, relativas aos empréstimos, que não foram acatadas na comprovação da origem dos depósitos bancários. Com base nos artigos 15 e 16, do Decreto nº 70.235/1972, compete ao impugnante colacionar juntamente com suas declarações todos os documentos que lhes dão força probante. Vejamos o que diz os citados artigos: Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 41 20 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). Enfim, tanto na fase investigatória, quanto agora na fase recursal, ao recorrente não alcançou êxito em rechaçar a constatação da autoridade fiscal de que não decorreriam de empréstimos os créditos bancários, cuja origem não foi comprovada, em vista disso, é forçosa a manutenção dos lançamentos, nos moldes em que efetuados. III.II – Da Multa aplicada Conforme relatado e já enfrentado em tópico oportuno, o responsável solidário, Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva, não insurgiuse contra os créditos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas que constam em notas fiscais de vendas de apostilas e sobre as receitas omitidas apurados pelo auditor fiscal, que foram constituídos de ofício, sobre os quais foi lançada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. Portanto, preclusa a multa aplicada, pelos motivos já mencionados. Com relação as outras irregularidades apuradas no procedimento fiscal foi aplicada multa de ofício de 75%, sobre a qual o recorrente alegou o princípio constitucional da vedação ao confisco, previsto constitucionalmente no artigo 150, inciso IV. A previsão para a aplicação da multa de ofício de 75% tem como consectário legal o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, não se podendo falar em violação de princípio. Vejamos o que fiz o citado artigo: Artigo 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguinte multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 42 21 I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos caos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) Ademais, à autoridade fiscal cabe prestigiar a Lei, não podendo se distanciar, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, por exemplo, violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e da conservação da empresa, conforme o artigo 26 – A do Decreto nº 70.235/72, senão vejamos: Art. 26A – No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos art. 18 e 19 da Lei no 10.522/02; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Tal entendimento já está consolidado no âmbito do CARF, tendo sido objeto do Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Cabe lembrar, ainda, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme artigo 142, parágrafo único, do CTN. Segue a redação do citado artigo: Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10670.721932/201111 Acórdão n.º 1202001.208 S1C2T2 Fl. 43 22 Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Além de tudo, o princípio da vedação ao confisco previsto constitucionalmente é dirigida ao legislador. Seu intuito é alvitrar o processo de criação da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Neste diapasão, podese concluir que a lei que tenha sido aprovada nos moldes constitucionais, tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Portanto, como amplamente fundamentada nos autos a infração cometida, e tendo sido aplicada a penalidade prevista na legislação tributária, não merecer ser acolhido a asserção do recorrente, assim, mantidas a multa exigida. Diante de todo o exposto, é de se negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário exigido contra o contribuinte e, também, manter a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Nelson Alexandre Teixeira da Silva. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 10980.938519/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ESTORNO DO CRÉDITO.
NECESSIDADE.
Pedido de restituição/ressarcimento e respectiva Declaração de Compensação com base em suposto crédito, motivado por erro de preenchimento, deve o contribuinte estornar o valor correspondente na escrita fiscal.
ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus da prova
do estorno do crédito na escrita fiscal. Recurso voluntário o qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ESTORNO DO CRÉDITO. NECESSIDADE. Pedido de restituição/ressarcimento e respectiva Declaração de Compensação com base em suposto crédito, motivado por erro de preenchimento, deve o contribuinte estornar o valor correspondente na escrita fiscal. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus da prova do estorno do crédito na escrita fiscal. Recurso voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 85 19 /2 00 9- 76 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O interessado apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 33 a 41), protocolizada em 16 de novembro de 2010, instruída com os documentos das fls. 57 a 94, firmada por seu representante legal, credenciado pelos documentos das fls. 42 a 56, contestando o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) No de Rastreamento 887102325, da fl. 2, emitido em 05 de outubro de 2010 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba. A ciência do DDE ocorreu em 14 de outubro de 2010, segundo consta na fl. 7. O DDE objeto da inconformidade não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 21835.62735.141206.1.1.017890, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao segundo trimestre de 2005, o valor de R$ 3.660,00, pela constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Por esta razão não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP. nº 15854.63158.180209.1.3.01 0044 e foram indeferidos os pedidos de ressarcimento apresentados nos PER/DCOMP nos 21835.62735.141206.1.1.017890 e 17000.46796.180209.1.1.012646. Também como conseqüência do não reconhecimento do crédito solicitado, o débito de IRRF objeto de compensação passou a serem cobrado com a respectiva multa e juros, conforme o DDE de fl. 2. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que “ocorreram erros no preenchimento dos PER/DCOMPS enviados posteriormente. Na ficha Livro de Apuração do IPI após o Período de Ressarcimento o valor do saldo credor do período anterior foi preenchido erroneamente com valor menor, transportando assim saldos inferiores aos que realmente existiam nos períodos de apuração. Conforme demonstrado na planilha abaixo, validada com o Livro Registro de Apuração do IPI (anexos I. II e III).” Anexa partes do RAIPI, e indica por intermédio de planilha, quais seriam os valores supostamente corretos dos saldos credores em cada período. Apresenta também considerações sobre o cabimento da apresentação da manifestação de inconformidade, fazendo referência à legislação aplicável. Conclui, pedindo o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do DDE, para reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações e a sustação do outros atos de cobrança, com suas respectivas conseqüências. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.938519/200976 Acórdão n.º 3802003.680 S3TE02 Fl. 201 3 É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 1045.649, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ESTORNO. O requerente, ao habilitarse para o ressarcimento de crédito de IPI, deve proceder à imediata anulação no Livro Registro de Apuração do IPI do valor do crédito correspondente ao pedido. A ausência de estorno do ressarcimento do crédito na escrita fiscal caracteriza uma instrução incorreta do pleito de ressarcimento. PER/DCOMP. VERIFICAÇÃO ELETRÔNICA. RESSARCIMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de que houve utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP, impede o reconhecimento integral do direito creditório alegado para ressarcimento/compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade decorrente de compensação não comprovada por conta de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP, impedindose, assim, o reconhecimento integral do direito creditório alegado para ressarcimento/compensação, nos termos do art. 74 da Lei de n° 9.430/96 e art. 164, inc. I do RIPI/2004. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo do não reconhecimento integral do crédito pleiteado conforme Despacho Decisório Eletrônico (DDE) no de Rastreamento 887102325, da fl. 2, emitido em 05 de outubro de 2010 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba. Como relatado: O DDE objeto da inconformidade não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 21835.62735.141206.1.1.017890, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao segundo trimestre de 2005, o valor de R$ 3.660,00, pela constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Por esta razão não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP. nº 15854.63158.180209.1.3.010044 e foram indeferidos os pedidos de ressarcimento apresentados nos PER/DCOMP nos 21835.62735.141206.1.1.017890 e 17000.46796.180209.1.1.012646. Também como conseqüência do não reconhecimento do crédito solicitado, o débito de IRRF objeto de compensação passou a serem cobrado com a respectiva multa e juros, conforme o DDE de fl. 2. A recorrente alega que “ocorreram erros no preenchimento dos PER/DCOMPS enviados posteriormente. Na ficha Livro de Apuração do IPI após o Período de Ressarcimento o valor do saldo credor do período anterior foi preenchido erroneamente com valor menor, transportando assim saldos inferiores aos que realmente existiam nos períodos de apuração. Anexa partes do RAIPI, e indica por intermédio de planilha, quais seriam os valores supostamente corretos dos saldos credores em cada período. Para se habilitar ao ressarcimento de crédito de IPI, deve o recorrente proceder à imediata anulação no Livro Registro de Apuração do IPI do valor do crédito correspondente ao pedido, pois a obrigação do estorno dos valores pleiteados é requisito obrigatório ao ressarcimento, conforme o que disciplina o art. 193 e § § do RIPI/2004, que trata da anulação do crédito, mediante estorno através a escrita fiscal. A comprovação do lançamento do estorno no RAIPI deve instruir o pleito de ressarcimento, pois não é apenas o cumprimento de uma formalidade, mas pode ensejar a possibilidade de utilização do valor pleiteado por mais de uma vez, consequência do não estorno. O art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, passou a ser possível o aproveitamento, na forma de ressarcimento ou compensação conforme estabelecido nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/96 , do saldo credor do IPI, oriundo da aquisição de insumos aplicados na Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.938519/200976 Acórdão n.º 3802003.680 S3TE02 Fl. 202 5 industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, que não pôde ser compensado com o IPI devido na saída de outros produtos (sistema de créditos). O art. 11 da Lei nº 9.779/1999 dispõe: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Não obstante, a recorrente ter apontado suposto erro na informação do saldo credor do IPI em períodos anteriores, bem como trazido aos autos cópia parcial do RAIPI referente aos períodos de outubro/2004 a dezembro/2006, não se constatou nos documentos apresentados a comprovação dos estornos referentes aos pedidos de créditos apresentados em PER/DCOMP no mesmo período. As PER/DCOMP referentes aos períodos de apuração de janeiro/2003 a junho/2005, observase que os valores indicados pela recorrente correspondem ao saldo credor sem que os estornos correspondentes aos créditos objeto de pedidos de ressarcimento fossem registrados, enquanto que os valores utilizados no DDE divergem dos apresentados pela empresa, conforme planilha da decisão recorrida. Conforme bem apontou o acórdão de primeira instância, o pleito da recorrente está restrito a um suposto erro na informação de saldo credor anterior; no entanto, os documentos trazidos não foram suficientes para confirmar suas alegações, logo, não há elementos para modificar o Despacho Decisório. O estorno é uma necessidade quando há mudança da destinação do crédito, pois quando o crédito do IPI permanece registrado no livro, esse crédito é destinado ao abatimento dos saldos devedores do próprio imposto. Daí a necessidade de estorno do livro fiscal, a fim de que não haja aproveitamento em duplicidade da mesma quantia. E o correto é efetuar o estorno no momento em que a recorrente opta por mudar a destinação do crédito, ou seja, no trimestre em que for protocolado o pedido de ressarcimento. Ratificando, o estorno deve preencher alguns requisitos, tais como: constar no campo Ressarcimento de créditos do RAIPI, bem como transferido para o PERDCOMP (do respectivo pedido de ressarcimento), na Ficha Livro Registro de Apuração do IPI no período do RessarcimentoSaídas, campo Ressarcimento de Créditos. A recorrente, entretanto, conforme restou demonstrado acima, não conseguiu comprovar que efetuou o estorno da quantia que pretendia utilizar na compensação pretendida. Portanto, tratandose de pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus da prova do estorno do crédito na escrita fiscal Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10746.904243/2012-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 24 3/ 20 12 -0 9 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.891, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2010 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904243/201209 Resolução nº 3803000.616 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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