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Numero do processo: 15504.013127/2010-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao apelo do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF.
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ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA. Recorrente AMC COMUNICAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao apelo do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 31 27 /2 01 0- 75 Fl. 42DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo da exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, formalizada na Notificação de Lançamento de fl. 05, tendo em vista que o documento deveria ter sido entregue até 07 de julho de 2010 e somente foi entregue em 20 de julho de 2010. Com fundamento no art 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. foi aplicada à empresa multa de R$ 500,00. Em 30/07/2010, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01/14), alegando que a empresa ficou impossibilitada de efetivar a certificação digital em tempo hábil, em virtude de dificuldade enfrentada pelos órgãos certificadores, conforme documentação anexa. Ao final, quando tomou conhecimento da procuração eletrônica, deu entrada no documento, cuja aprovação levou cinco dias, quando então transmitiu o demonstrativo. Consequentemente, solicita o cancelamento da notificação, visto que não teria sido do contribuinte a falha da não feitura da certificação digital em tempo hábil. A exigência foi mantida pelo v. Acórdão recorrido (fls. 27/28), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 25), verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Cientificada do teor da decisão recorrida em 10 de setembro de 2012 (fls. 39/44), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário em 21 de setembro de 2012 (fls. 47/48), reiterando suas razões impugnatórias no sentido de sustentar que o atraso decorreu do fato de que os órgãos certificadores, por problemas técnicos, não tiveram condições de fazer a sua certificação em tempo hábil para a entrega do DACON no prazo legal, ou seja, até o dia 07 de julho de 2010, juntando o mesmo comprovante trazido com a Impugnação, obtido nas agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, onde se lê que "o sistema SERPRO para o serviço de certificação digital, encontra inoperante neste momento" (fls. 58/59). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 15504.013127/201075 Acórdão n.º 3001000.796 S3C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo, uma vez que a empresa foi notificada do teor da decisão recorrida no dia 10 de setembro de 2012 e no dia 21 daquele mesmo mês e ano fez protocolar na repartição da Receita Federal o seu Recurso Voluntário, razão pela qual tomo conhecimento do apelo. No que pese a aparente sinceridade demonstrada na impugnação e no recurso da empresa quanto ao comprovado problema de que os órgãos certificadores encontravamse inoperantes na data que deveria entregar o DACON, as normas legais que regulam a espécie não deixam dúvida quanto ao acerto do v. Acórdão recorrido. Com efeito, o DACON poderia ter sido entregue (sem multa) até o dia 07 de julho de 2010, meses depois da edição das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que tornou obrigatoria a sua apresentação. Ademais, a matéria tem regulamentação própria nos dispositivos citados pelo Acórdão combatido, e que são bem anteriores à data de 07 de julho de 2010 em que o DACON deveria ter sido entregue nos órgãos próprios da Receita Federal.. A propósito, esclarecedores são os argumentos trazidos pelo Acórdão recorrido, merecendo transcrição parcial (fls. 27/28), verbis. No que diz respeito aos problemas com a certificação digital relatados pelo impugnante, destacase que, no campo do Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse sentido, é importante esclarecer que a obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos com assinatura digital, efetivada mediante utilização de certificado digital válido, decorreu da edição da Instrução Normativa RFB nº 969, de 21 de outubro de 2009, inicialmente para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Posteriormente, com o advento da IN RFB nº 995, de 22 de janeiro de 2010, o alcance da exigência foi ampliado para todas as pessoas jurídicas, exceto as optantes pelo Simples Nacional, relativamente às declarações e demonstrativos especificados, sendo que, no caso do Dacon, para fatos geradores ocorridos a partir de abril de 2010. Por sua vez, no tocante à procuração eletrônica, a matéria foi tratada no art. 3o e seus parágrafos, da IN RFB nº 944, de 29 de maio de 2009, que dispõe sobre outorga de poderes para fins de utilização, mediante certificado digital, dos serviços disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da RFB. Nestas circunstâncias, não cabe discutir, no âmbito do presente processo administrativo, a responsabilidade subjetiva do autuado pelo descumprimento do prazo de obrigação acessória, Fl. 44DF CARF MF 4 decorrente de questões relacionadas ao órgão certificador contratado pelo contribuinte, lembrando que a legislação que tratou do assunto foi editada regularmente. Finalmente, é importante destacar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Assim, temse que a certificação poderia ter sido efetuada com bastante antecedência, uma vez que a matéria foi disciplinada, vez primeira, através da IN/SRFB 969, de 21 de outubro de 2009, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Posteriormente, através da IN/SRFB 995, de 22 de janeiro de 2010, essa exigência foi estendida para todas as empresas, com exceção daquelas optantes pelo Sistema do SIMPLES NACIONAL. Quanto à procuração eletrônica, temse que a matéria foi disciplinada através do art. 3º da IN/SRFB 944, de 29 de maio de 2009, que dispõe sobre outorga de poderes para fins de utilização, mediante certificado digital, dos serviços disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da RFB. Como o DACON poderia ter sido entregue até o dia 07 de julho de 2010, e a obrigatoriedade de entrega pela recorrente tornouse definitiva a partir de 22 de janeiro de 2010, com a edição da mencionada IN/SRFB nº 995, temse que a empresa teve mais de 5 (cinco) meses para providenciar sua certificação digital e/ou optar pelo mecanismo da procuração eletrônica de que cuida a IN/SRFB 944/2009, para fins de dar cumprimento à sua obrigação tributária assessória. Relevante também ser frisado que o Dacon semestral, em face da IN RFB n° 974, de 2009, foi tacitamente extinto a partir de 01/01/2010, vindo a Instrução Normativa RFB n° n° 1.015, de 5 de março de 2010 apenas consolidar a nova disciplina de obrigatoriedade mensal imposta pela referida LN RFB n° 974/2009, verbis. "Art. 1º. As normas disciplinadoras do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), aplicáveis a partir de Io de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. CAPÍTULO I DA APRESENTAÇÃO DO DACON Seção I Da Periodicidade de Apresentação do Dacon Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas e as que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon mensalmente de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. Ademais, é firme a jurisprudência deste Colegiado no sentido de ser mantida a aplicação de multa por atraso na entrega do DACON, merecendo sejam transcritas algumas ementas de Acórdãos mais recentes, quanto segue. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 45DF CARF MF Processo nº 15504.013127/201075 Acórdão n.º 3001000.796 S3C0T1 Fl. 4 5 Data do fato gerador: 31/08/2007 .......................................(omissis).......................................... DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.(Acórdão nº 3201003.943 2ª Câmara/1ª Turma, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 21 de junho de 2018). (Destaque nosso). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.(Acórdão nº 3302 005.848 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferdo em 25.09.2018). (Destaque nosso). .......................................(omissis)......................................... ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. (Acórdão nº 3402006.097 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 30 de janeiro de 2019). (Destaque nosso). Diante do exposto, coerente com a jurisprudência deste Conselho sobre a entrega do DACON com atraso, e ainda tendo em mira que, na hipótese, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações Fl. 46DF CARF MF 6 tributárias e ao cometimento de infrações, VOTO no sentido de tomar conhecimento do apelo e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000751/2009-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS. CONDIÇÃO. EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
Para fazer jus à isenção prevista legislação previdenciária, o valor relativo a plano educacional oferecido pela empresa não pode ser utilizado em substituição de parcela salarial, deve visar à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e ser acessível todos os seus empregados e dirigentes.
Numero da decisão: 9202-007.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS. CONDIÇÃO. EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Para fazer jus à isenção prevista legislação previdenciária, o valor relativo a plano educacional oferecido pela empresa não pode ser utilizado em substituição de parcela salarial, deve visar à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e ser acessível todos os seus empregados e dirigentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10976.000751/200907 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.684 – 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS. CONDIÇÃO. EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Para fazer jus à isenção prevista legislação previdenciária, o valor relativo a plano educacional oferecido pela empresa não pode ser utilizado em substituição de parcela salarial, deve visar à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e ser acessível todos os seus empregados e dirigentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 51 /2 00 9- 07 Fl. 2645DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201003.624, proferido pela 1ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 636.887,07, nas competências 03/2004 a 12/2007, consolidado em 23/12/2009. Conforme informado no Relatório' Fiscal de fls.392/422, o crédito lançado referese à contribuição social destinada à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme discriminado na planilha de fls.425/501. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 1615/1663. Contudo, em 01/03/2010, conforme Requerimento de Desistência de Impugnação (fls.2125/2126), o contribuinte desistiu parcialmente da defesa apresentada, para inclusão das contribuições discriminadas nas planilhas de fls.2127/2136 no parcelamento especial previsto na Lei n° 11.941/2009. Assim, parte do débito da qual o contribuinte desistiu de impugnar foi transferida para outro processo (AI DEBCAD no 37.329.6037), que foi incluído em parcelamento, conforme despacho de fls. 2228/2229. A DRJ/SDR, às fls. 2295/2308, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada, excluindo as competências abrangidas pela decadência (03/2004 a 11/2004). O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 2345/2392 e, em cumprimento de diligência, às fls. 2480/2490. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 10 3 A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2498/2525, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, limitando a multa a 20% (vinte por cento). A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA. O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). COMPROVAÇÃO PARCIAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora a prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% (onze por cento) de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo a autoridade fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2°, do Decreto n° 3.048/99. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – TAXA SELIC – APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Às fls. 2527/2533, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração alegando omissão e contradição, porém, restaram os mesmos rejeitados, conforme fls. 2538/2541. Fl. 2647DF CARF MF 4 Às fls. 2543/2590, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. Incidência de contribuições sociais sobre bolsas de estudo de ensino superior. O acórdão recorrido entendeu que as contribuições previdenciárias não incidem sobre as bolsas de estudo de ensino superior concedidas aos funcionários. Contudo, discutindo casos com o mesmo perfil, os acórdãos paradigmas, analisando a mesma legislação de regência – Lei nº 8.212/91, em particular o art. 28, § 9º, alínea “t” – concluíram de maneira inteiramente diversa. Entenderam os paradigmas que a verba paga a título de bolsa de estudo em cursos de nível superior possuem natureza remuneratória e como tal sujeitamse à incidência tributária. Concluíram, em breve suma, que deve ser incluído, como salário de contribuição, o benefício proveniente do curso de nível superior (e pósgraduação) por não consistirem nem educação básica, nem curso de qualificação profissional como prevê a lei. Assim, merece consideração o disposto no art. 111, inciso I, do CTN, no sentido de aplicar interpretação literal ao caso. 2. Necessidade de extensão do auxílioeducação a todos os segurados a serviço da empresa para gozo da isenção previdenciária. A decisão guerreada encampou o entendimento de que a estipulação de carência mínima para usufruto de verba paga a título de custeio de ensino superior não ofenderia o requisito estabelecido em lei como condição para a isenção de tais verbas consistente na condição de ser o benefício acessível a todos os empregados e dirigentes. Já a Turma prolatora dos paradigmas adotou o posicionamento de que a não extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da empresa não preenche a condição prevista na lei para o gozo da nãoincidência tributária. Portanto, fica demonstrado que, analisando casos concretos análogos, os acórdãos recorrido e paradigma adotaram interpretação jurídica distinta, em especial sobre o disposto no artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei n° 8.212/91. Ainda, a decisão recorrida concluiu que o fato de o autuado não ter disponibilizado o reembolso do curso à totalidade dos empregados não pode servir de óbice para aplicação da norma isentiva ao vertente caso, à luz das novas disposições da Lei n. 12.513/2011. Porém, os paradigmas adotaram o posicionamento de que a lei a ser aplicada ao caso deve ser aquela vigente à época dos fatos geradores e como os casos discutidos referiamse a fatos ocorridos antes da vigência da Lei nº 12.513/2011, os requisitos para a isenção de contribuições previdenciárias a serem observados pelos contribuintes autuados deveriam ser aqueles estampados no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com sua redação anterior à Lei nº 12.513. Portanto, a divergência se dá em relação à interpretação do disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação data pela Lei 9.711/98, sequer cogitando a aplicação retroativa da lei nova. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 2593/2603, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação às seguintes matérias: 1. Incidência de contribuições sociais sobre bolsas de estudo de ensino superior; e 2. Necessidade de extensão do auxílioeducação a todos os segurados a serviço da empresa para gozo da isenção previdenciária. Cientificado à fl. 2624, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 2626/2642, alegando, preliminarmente, impossibilidade de admissão do recurso devido a impossibilidade do reexame de provas e da violação de entendimento firmado pelo STJ. No mérito, reiterou os argumentos aduzidos anteriormente. É o relatório. Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 636.887,07, nas competências 03/2004 a 12/2007, consolidado em 23/12/2009. Conforme informado no Relatório' Fiscal de fls.392/422, o crédito lançado referese à contribuição social destinada à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme discriminado na planilha de fls.425/501. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as seguintes divergências: 1. Incidência de contribuições sociais sobre bolsas de estudo de ensino superior; e 2. Necessidade de extensão do auxílioeducação a todos os segurados a serviço da empresa para gozo da isenção previdenciária. A fiscalização entendeu que o sujeito passivo teria incidido em ilícito tributário ao conceder bolsa de estudos aos seus empregados com a finalidade de viabilizar o estudo por parte destes em estabelecimento de ensino superior. 6) ED1 —REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 contribuições incidentes sobre valores pagos a titulo de Reembolso Contrato Newton Paiva — código 194, da Folha de Pagamento. Ficou comprovado que a autuada efetuada pagamento das faturas ao Instituto Cultural Newton Ferreira Paiva Ltda e, posteriormente, descontava o valor das faturas, mediante rateio, aos beneficiários, conforme código de desconto 193 — Contrato Newton Paiva, da Folha de Pagamento e simultaneamente promovia o reembolso de parte do valor descontado através do ressarcimento código de provento 194 —Reembolso Contrato Newton Paiva, correspondendo a aproximadamente 30% do valor da mensalidade. Sobe tais valores incide contribuição, pois se referem a pagamento de curso superior em Gestão de Varejo, não estando, portanto incluído no rol de exclusão/não incidência da Lei n°8.212/91, art.28, §9°, bem como não havia previsão, regulamento ou norma na empresa para concessão do beneficio, restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes. Fl. 2649DF CARF MF 6 1. Valores pagos a título de auxílioeducação (bolsa de estudo ensino superior): As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação. Conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. O acórdão recorrido orienta a questão considerando que valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. Independentemente desta argumentação esposada no voto da conselheiro relator do recorrido, registro o mesmo encaminhamento com a inclusão de outros argumentos. A própria legislação de regência do Custeio Previdenciário define que a Consolidação das Leis do Trabalho em seu art. 458, §2º, inciso II, trará o parâmetro que define o que é salário de contribuição: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; Da leitura da referida norma, resta patente que os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação não são considerados verbas remuneratórias, o que denota que a não caberia a fiscalização interpretar fora destes parâmetros. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, as alterações da legislação de custeio somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriode contribuição. Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 12 7 Vale citar recente decisão monocrática, apontada no voto da Conselehira Rita Elisa Bachieri dos Reis, proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento Fl. 2651DF CARF MF 8 às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado. Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios para a concessão de bolsas de estudo, bem como suas alterações legais, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas aos empregados, mesmo em se tratando se ensino superior. 2. Necessidade de extensão do auxílioeducação a todos os segurados a serviço da empresa para gozo da isenção previdenciária Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 13 9 Observo aqui que o lançamento se deu pelo fato do auditor não ter encontrado documento que concedesse o benefício a todos os empregados, contudo, tam´bém não encontrou nada que dissesse o contrário, nos seguintes termos: (...) não havia previsão, regulamento ou norma na empresa para concessão do beneficio, restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes. Compulsando os autos observo que a afirmação do auditor de que " restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes" advém da mera interpretação de que se não estava escrito que todos podiam, logo, significa que não podiam. Ocorre que para se defender desta imputação a única opção do Contribuinte seria realizar a prova mais impossível do ordenamento jurídico, que seria a prova negativa. Provar que fez algo (permitir que todos tivessem acesso a bolsa de estudos), mesmo não tendo feito outro algo (formalizado por escrito essa possibilidade). Para além disso há nos autos comunicado interno da empresa colocando a vaga a disposição de todos os empregados. Para a referida isenção, importa, salientar que não há forma prescrita em lei. Diferentemente da PLR, por exemplo, no qual a forma do contrato é delimitada e pormenorizada pelo texto legal. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2653DF CARF MF 10 Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões suscitadas pela i. Relatora, entendo que as normas que regem a matéria objeto de divergência conduzem a conclusões diversas daquelas esposadas no voto vencido. A questão em discussão cingese à incidência ou não contribuições previdenciárias sobre importâncias vertidas pela contribuinte sob a denominação de auxílio educação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 392/422), os valores desembolsados a esse título “se referem a pagamento de curso superior em Gestão de Varejo, não estando, portanto incluído no rol de exclusão/não incidência da Lei n°8.212/91, art.28, § 9°, bem como não havia previsão, regulamento ou norma na empresa para concessão do beneficio, restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes”. A decisão recorrida, por seu turno, foi no sentido de que o custeio de curso superior, quando relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, não se sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, mesmo que não esteja disponível a todos os segurados a serviço da empresa. Vejamos o teor de ementa do decisum, na parte referente ao tema: AUXÍLIO EDUCAÇÃO.BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA. O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária. Entendeu o colegiado ordinário que: Não obstante a lei se reportar a ocorrência do fato gerador, a alteração do mencionado dispositivo legal pela Lei nº 12.513/2011 foi de grande importância para a compreensão do alcance da norma revogada. A novel legislação modificou os requisitos para a obtenção, não mais exigindo o requisito de que o plano educacional fosse extensivo a todos os empregados. Referida exigência poderia, muitas vezes ser inexequível, vez que os empregados poderiam ter perfis distintos e não estarem aptos a usufruir do benefício concedido pela empresa em igualdades de condição. Exemplifico. Um empregado sem a conclusão do ensino médio não poderia cursar a faculdade de Gestão de Varejo. Destarte, entendo que o fato de a recorrente não ter disponibilizado o reembolso do curso à totalidade dos empregados não pode servir de óbice para aplicação da norma isentiva ao vertente caso. Para o exame das razões trazida na decisão atacada, importa reproduzir o art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 14 11 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. (Grifouse) Vejase que o art. 144 CTN é absolutamente claro no sentido de que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, uma vez que o lançamento referese ao período compreendido entre 03/2004 e 12/2007, a análise da hipótese de isenção sobre os valores despendidos pela empresa a título de auxílio educação deve ser feita à luz da alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.711/1998 e não a redação inserida na norma de custeio previdenciário pela Lei nº 12.513/2011, como entendeu o Colegiado a quo, posto que essa norma (Lei nº 12.513/2011) foi editada muito tempo após a ocorrência do fato imponível. O voto vencido, por seu turno, pautouse no inciso II do § 2º do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, para concluir que “os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação não são considerados verbas remuneratórias”. De fato, o dispositivo legal exclui do conceito de salário a utilidade concedida pelo empregador a título de educação, seja em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros. Senão vejamos: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1º Os valôres atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; Fl. 2655DF CARF MF 12 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII –(VETADO) [Grifouse] Ocorre que o § 2º do art. 458 da norma trabalhista não irradia efeitos automáticos em relação a matéria tributária. É importante ressaltar que, de acordo com o princípio da especialidade, norma especial afasta a incidência da norma geral. In casu, diferentemente do que entendeu a i Relatora, como estamos diante de matéria de índole previdenciária/tributária, o regramento a ser considerado, no que atina à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílioeducação, é aquele estabelecido na Lei de Custeio Previdenciário. Tanto é assim que o próprio texto da norma trabalhista é taxativo no sentido de que a regra insculpida no § 2º do referido art. 458 surte efeitos em relação ao previsto especificamente naquele artigo. Além disso, e a despeito do que dispõe a norma trabalhista, o Direito Previdenciário encontra baliza na própria Constituição Federal. Com relação ao custeio do sistema de previdência, o art. 195 da CF/1988 é que estabelece as bases sobre as quais podem incidir as contribuições: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] (Grifouse) Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 15 13 Outro dispositivo constitucional de fundamental importância à matéria em debate é o § 11 do art. 201 da Constituição que estabelece: Art. 201. [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [...] Essas e outras disposições constitucionais deixam claro que o Direito Previdenciário constituise em ramo autônomo, cujos conceitos não têm a vinculação pretendida por alguns com o Direito do Trabalho. Dito de outra forma, não se pode pretender que as disposições contidas na legislação trabalhista prestemse a afastar a aplicação da norma de custeio previdenciário, a qual deve se pautar no regramento estabelecido pelo Direito Tributário. A esse respeito, o Ministro do Luiz Fux, na decisão a respeito do alcance da expressão “folha de salários”, RE 565.160/SC, faz apontamentos de extremada relevância: Logo, a solução aqui pode ser extraída da interpretação da própria Constituição, sendo desnecessário buscar conceitos em outros ramos do Direito, como o Direito do Trabalho, pois o constituinte foi bem claro acerca da acepção de “folha de salários” que deve ser tida pelo intérprete do Direito Tributário, para fins de delimitação da base de cálculo da contribuição previdenciária do empregador. A diferenciação feita pelo Direito do Trabalho entre “salário” e “remuneração” é indiferente, portanto, para o deslinde da presente questão, posto estarse diante de controvérsia afeta ao Direito Tributário e Previdenciário, extremada pela falta de aplicação prática da autonomia entre esses ramos do Direito e os demais, como bem pontuou o Professor Fábio Zambitte Ibrahim (Curso de direito previdenciário. 13. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2008. p. 251). Dessa forma, a autonomia entre as Ciências impõe que os conceitos sejam interpretados à luz do regime jurídico em que estão inseridos. Assim, se para o Direito do Trabalho, o emprego da expressão “salário” ao invés de “remuneração” é relevante ao ponto de restringir sobremaneira o conteúdo da primeira, o mesmo não ocorre com o Direito Tributário e o Direito Previdenciário. Com efeito, quando a Constituição já traz elementos suficientes para a interpretação das expressões por ela utilizadas no Direito Tributário/Previdenciário, descabe perquirir qual é a acepção dessas mesmas expressões em outros ramos do Direito, porquanto devem ter uma interpretação condizente com a lógica Fl. 2657DF CARF MF 14 própria do contexto em que estão inseridas, no caso, a Seguridade Social. (Grifouse) Vejase que tanto o texto constitucional quanto a decisão do STF, com repercussão geral reconhecida pela Suprema corte, reconhecem a autonomia do Direito Previdenciário e conduzem à conclusão de que as disposições legais a serem consideradas na definição das bases de cálculo das contribuições previdenciárias são os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991. Abaixo, trechos de citados artigos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; [...] Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 9202007.684 CSRFT2 Fl. 16 15 [...] Reparese que a base de cálculo das contribuições abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação os ganhos habituais percebidos sob a forma de utilidades, o que inclui, por óbvio, o auxílio educação. Donde se depreende que, em se tratando de utilidades disponibilizadas pela empresa aos obreiros que lhe prestam serviços, sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária dependerá da verificação dos seguintes requisitos: a) onerosidade; b) retributividade; e c) habitualidade. Inexistem dúvidas quanto ao caráter oneroso do benefício concedido pelo Sujeito Passivo, sendo desnecessário tecer maiores comentários a esse respeito. Do mesmo modo, tendo a vantagem sido paga regularmente aos empregados escolhidos pela empresa, resta nítido seu caráter não eventual. Com relação à retribuitividade, temse benesse oferecida no contexto da relação laboral, restando caracterizada sua índole contraprestativa, pois o que motivou sua concessão foi justamente o fato de o beneficiário prestar serviço ao sujeito passivo. De outra parte, como a bolsa de estudos aqui referida ostenta natureza nitidamente remuneratória, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias vai depender de previsão expressa em norma de caráter tributário, mormente no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que, no que se refere a isenção, relaciona exaustivamente as parcelas ao abrigo desse favor legal no âmbito da Lei de Custeio Previdenciário. Especificamente com relação a educação, à época da ocorrência do fato gerador das contribuições objeto do presente lançamento, a alínea “t” do referido § 9º, na redação vigente à época dos fatos geradores, assim dispunha: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Notese que a isenção referida nos dispositivo acima abrangia: planos educacionais que visem à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Referido plano: não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e deveria ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Fl. 2659DF CARF MF 16 Importa esclarecer que o fato de o benefício custeado pela empresa estar relacionado a curso de nível superior, a meu ver, não se apresenta como óbice ao reconhecimento da isenção prevista na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Aliás, esse é o entendimento que tem prevalecido, por unanimidade, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por outro lado, para a contribuinte pudesse se valer da isenção faziase necessária a estrita observância dos critérios estabelecidos em lei. Contudo, restou comprovado nos autos que não havia regulamento ou norma expressa na empresa que contivesse previsão para o pagamento do benefício e que esse era ofertado somente a uma parcela determinada de empregados, isto é, a benesse não era extensiva a todos os segurados e dirigentes da empresa como determina a norma isentiva. Não se pode olvidar que, sendo a isenção uma modalidade de exclusão do crédito tributário, a legislação relativa a esse favor legal deve ser interpretada literalmente, a teor do que estatui o art. 111 do Código Tributário Nacional. Portanto, não há como considerar satisfeitos os critérios estabelecidos para a isenção quando se está diante, como visto acima, de flagrante desrespeito da norma de regência. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.720074/2011-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA PRECLUSÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento. Consequentemente, não se toma conhecimento do mérito do recurso interposto fora do trintídio legal, em virtude da preclusão.
Numero da decisão: 3001-000.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em. não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
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MULTA POR ATRASO. Recorrente ANEMARIE BARTOLOMEU ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA PRECLUSÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. A impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento. Consequentemente, não se toma conhecimento do mérito do recurso interposto fora do trintídio legal, em virtude da preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em. não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe Barros Reche. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 72 00 74 /2 01 1- 22 Fl. 42DF CARF MF 2 Contra a recorrente foi lavrado Auto de Infração em 04.07.2011, aplicando lhe multa de R$ 500,00, por ter entregue o DACON em 07.05.2008, quando o prazo inal era 04.04.2008 (fls. 5). Impugnando a autuação, informou o contribuinte que a empresa está inativa desde 01 de janeiro de 2007, tendo entregue o DACON por engano (fls. 3), e juntando espelho com declaração de inatividade comprobatória de sua alegação (fls.7). sustentou que entregou o DACON por erro; que a Receita Federal era sabedora de sua situação de inatividade desde 01 de janeiro de 2007; que por força do art. 5º, inciso III, da INSRF nº 590/2005, estava dispensada de emitir e entregar o DACON; que, por isto mesmo, não poderia ter sido autuada; e, finalmente, requer a insubsistência da autuação para tornar sem efeito a cobrança da multa que lhe foi indevida e injustamente aplicada. Da lavratura do Auto de infração a empresa teve ciência em 19.07.2011 (AR, fls. 13), e a impugnação datada de 24.08.2011 somente foi protocolizada no dia 26 daquele mesmo mês e ano (fls. 3). Através do Despacho nº 28, proferido em 13.05.2013, pela 1ª Turma da DRJ/CPS (fls. 27/30 e 52/55), a impugnação foi considerada intempestivo. Desta decisão, o contribuinte foi intimado em 11 de setembro de 2013 (fls. 34 e 37), e ingressou com Recurso Voluntário em 11 de outubro de 2013, reiterando sua defesa anterior, e esclarecendo que: (a) a empresa deixou de exercer suas atividades em dezembro de 2004, estando inativa até a presente data; (b) juntou documentos comprovando a inatividade da empresa nos anos de 2007 a 2013 (fls. 43/48), inclusive exibindo certidão de baixa de Alvará, fornecido pela Prefeitura de Friburgo em 02 de dezembro de 2005; e, (c) finaliza por requerer o cancelamento da multa que lhe foi aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A empresa foi intimada do teor do despacho recorrido no dia 11.09.2013 e ingressou com Recurso Voluntário no dia 11 de outubro de 2013, pelo que tomo conhecimento do apelo, posto que tempestivamente interposto. A intempestividade da impugnação é incontroversa nos autos. Todavia, também no Recurso Voluntário insiste a empresa na mesma tese de defesa na instância recorrida, ou seja, sustentando que a empresa encontrase desativada há anos e a entrega do DACON ocorreu por erro, por engano; e que, por isto mesmo, não pode prosperar a cobrança da multa que lhe foi aplicada. A propósito, conveniente reproduzir os fundamentos que nortearam a v. decisão recorrida, verbis. Desta feita, decorrido o prazo previsto no artigo 15, do Decreto nº 70.235/72, fica precluso o direito do contribuinte de apresentar qualquer contestação, não devendo ser objeto de julgamento de primeira instância, posto que, fora do prazo fica Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13986.720074/201122 Acórdão n.º 3001000.803 S3C0T1 Fl. 3 3 descaracterizada a impugnação por sua inexistência no mundo processual, não gerando qualquer efeito. Destaquese, ainda, que à Administração Pública cabe obedecer ao ordenamento vigente, e que sendo a atividade tributária totalmente vinculada, não podem os seus servidores deixar de cumprila, seguindo todos os procedimentos legais para executar seu trabalho e atuando com base nos princípios da igualdade, motivação, interesse público etc. Sendo assim, não conheço da Impugnação por intempestiva e determino o retorno dos autos à Unidade de Origem para prosseguimento do feito. De fato, são parcialmente procedentes os argumentos da empresa pelo fato de que estava inoperante e a entrega do DACON decorrera de erro material, não fosse o fato incontroverso nos autos de que sua impugnação foi entregue fora do prazo legal, tal como declarado pela decisão recorrida. Entretanto, este fato torna a matéria preclusa; e, por isto mesmo, inviabilizando o Recurso Voluntário. Consequentemente, não se pode apreciar os argumentos recursais da recorrente em virtude da preclusão que se operou ainda na instância recorrida, razão pela qual voto no sentido de que não se tome conhecimento do apelo. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000308/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. CUSTOS. COMPROVAÇÃO
Os custos contabilizados mas que não são comprovados pelo contribuinte no curso de procedimento fiscal não devem ser deduzidos na base de cálculo do IRPJ.
DEDUÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. BENS APLICADOS NA ATIVIDADE RURAL
Os bens comprovadamente adquiridos para serem utilizados na atividade rural podem ser submetidos à depreciação acelerada para fins tributários, dando ensejo à correspondente dedução na base de cálculo do IRPJ.
Numero da decisão: 1201-002.971
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência relativa à glosa da depreciação acelerada (item 002 do auto de infração de IRPJ) e para exonerar parte da exigência relativa à glosa de custos (item 001 do auto de infração de IRPJ), em adição ao que já foi exonerado na decisão de primeira instância, de forma que essa exigência se dê sobre o valor R$ 8.137.315,40.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. CUSTOS. COMPROVAÇÃO Os custos contabilizados mas que não são comprovados pelo contribuinte no curso de procedimento fiscal não devem ser deduzidos na base de cálculo do IRPJ. DEDUÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. BENS APLICADOS NA ATIVIDADE RURAL Os bens comprovadamente adquiridos para serem utilizados na atividade rural podem ser submetidos à depreciação acelerada para fins tributários, dando ensejo à correspondente dedução na base de cálculo do IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-24T19:30:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-24T19:30:13Z; Last-Modified: 2019-06-24T19:30:13Z; dcterms:modified: 2019-06-24T19:30:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-24T19:30:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-24T19:30:13Z; meta:save-date: 2019-06-24T19:30:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-24T19:30:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-24T19:30:13Z; created: 2019-06-24T19:30:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-06-24T19:30:13Z; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-24T19:30:13Z | Conteúdo => S1-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 14098.000308/2009-74 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-002.971 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2019 Recorrente AGROMON S/A AGRICULTURA E PECUÁRIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. CUSTOS. COMPROVAÇÃO Os custos contabilizados mas que não são comprovados pelo contribuinte no curso de procedimento fiscal não devem ser deduzidos na base de cálculo do IRPJ. DEDUÇÃO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. BENS APLICADOS NA ATIVIDADE RURAL Os bens comprovadamente adquiridos para serem utilizados na atividade rural podem ser submetidos à depreciação acelerada para fins tributários, dando ensejo à correspondente dedução na base de cálculo do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência relativa à glosa da depreciação acelerada (item 002 do auto de infração de IRPJ) e para exonerar parte da exigência relativa à glosa de custos (item 001 do auto de infração de IRPJ), em adição ao que já foi exonerado na decisão de primeira instância, de forma que essa exigência se dê sobre o valor R$ 8.137.315,40. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 03 08 /2 00 9- 74 Fl. 853DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 Relatório AGROMON S/A AGRICULTURA E PECUÁRIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 04-20.867 (fls. 227), pela DRJ Campo Grande, interpôs recurso voluntário (fls. 316) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente recurso voluntário já foi apreciado no âmbito desta Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 1202-000.743 (fls. 676), de maneira que adoto o relatório daquela peça para descrever o objeto da presente lide: Trata-se de recurso voluntário interposto pelo contribuinte e de recurso de ofício apresentado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - MS em face de decisão que deu provimento parcial à impugnação. O Auto de Infração de fls. 209/213 foi lavrado para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), no montante total de R$ 20.773.338,84, com acréscimos calculados até 30/09/2009, em razão da apuração das seguintes infrações: 001 - Custo ou despesa não comprovados - Glosa de Custos; 002 -Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real -Exclusão indevida de depreciação acelerada. O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 21/10/2009 (AR à fl. 223) e impugnou o lançamento, alegando, em síntese: A) nulidade da autuação que, por ser continuidade do processo 14098.000305/2009-31, cujo objetivo inicial era verificar o cumprimento de obrigações do IRPJ e CSLL relativos ao ano- calendário 2004, tendo sido o período de análise ampliado para abordar até o ano de 2006, não poderia ter ocorrido a lavratura deste antes da decisão naquele processo. Alternativamente, pede a tramitação de forma dependente com o processo 14098.000305/2009-31, com base na Portaria RFB n° 666/2008; B) fundamentado no art. 37 da Lei n° 9.784/99, não juntou os livros devidamente autenticados pela Junta Comercial com a impugnação tendo em vista a viabilidade de consulta no processo 14098.000305/2009-31; C) requereu a juntada de notas fiscais discriminadas no quadro de fls. 235 e com cópia às fls. 253/268, para comprovar que os produtos adquiridos referiam-se a insumos utilizados na produção agrícola, visando ilidir a argumentação do auditor quanto à "falta de apresentação de documentos e esclarecimentos acerca da mostra obtida a partir da conta 'Fornecedores no Pais'". A DRJ acatou as despesas comprovadas pelas notas fiscais apresentadas com a impugnação e reduziu parcialmente a autuação quanto à glosa respectiva. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBREÂ RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. Face a comprovação de alguns custos, mantém-se parte da autuação, relativa a parte não comprovada. AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. Fl. 854DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 O lançamento da Contribuição Social, baseado nos mesmos elementos de prova, deve observar o entendimento adotado em relação à exigência principal do IRPJ. em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Dessa decisão tomou ciência o contribuinte em 16/09/2010 (fl. 281). Inconformado, interpôs recurso voluntário ao CARF, em 15/10/2010 (fls. 299 e ss), basicamente, repisando as razões da impugnação quanto á nulidade da autuação. No mérito, com apoio no principio da busca da verdade material, pede que seja mantido em parte o que já decidido pela Turma de Julgamento, mas corrigido o valor, uma vez que traz no recurso voluntário a prova de que houve (i) depreciação acelerada do ativo permanente imobilizado nos termos da legislação de regência e (ii) apresentação de mais 2 (duas) Notas Fiscais que comprovam aquisições do fornecedor Bayer Crospscience, no total de R$ 876.061,49, que representam custos incorridos e não comprovados anteriormente, e (iii) redução do valor tributável da CSLL do prejuízo fiscal acumulado. Na justificativa da falta de juntada livros contábeis e fiscais autenticados pela Junta Comercial na impugnação, cita o art. 37 da Lei nº 9.784/97 e possibilidade de consulta no processo que deu origem a este, mencionando, in verbis, que: era proprietário de várias fazendas no Mato Grosso. As Notas Fiscais e livros contábeis e fiscais ficavam a mercê de trabalhadores rústicos que, na maioria das vezes, não dava (sic) a devida atenção a esses documentos. Reunir todos esses documentos em um único local é tarefa hercúlea, pois são centenas de quilômetros a serem vencidos entre as fazendas sob o risco de extraviarem algumas notas, como de fato aconteceu. Em seguida, diz que os documentos juntados com a impugnação para provar os custos incorridos em sua produção agropastoril não representam a totalidade dos custos incorridos e apresenta mais duas Notas Fiscais. Quanto à Depreciação Acelerada, integralmente glosada em razão da não comprovação da aquisição dos bens do ativo imobilizado para o ano de 2004, apresenta relação de 5 (cinco) páginas contendo: coluna (i) a data da aquisição, na coluna (ii) número da Nota Fiscal, na coluna (iii) o CNPJ do fornecedor, na coluna (iv) o nome do fornecedor, na coluna (v) o valor lançado a título de aquisição de bens do ativo permanente imobilizado; na coluna (vi) o valor total acumulado e na coluna (vii) a Nota Fiscal encontrada e o valor que deve ser levado a efeito para comprovação da aquisição e evitar a glosa efetuada pela fiscalização. Aduz que, dos R$ 14.251.749,88, glosados a título de depreciação acelerada glosada por falta de comprovação, está sendo apresentado o montante de RS 13.883.214,67, comprovado com as respectivas Notas Fiscais acostadas aos autos. Para justificar essa juntada, a título de busca da verdade material, sustenta, litteris: 35. Mais uma vez é bom que se diga que dada as condições reais (empresa rural, várias fazendas, longas distâncias, mão de obra precária, etc...), torna-se muito difícil buscar todas as comprovações requeridas a tempo e a hora pela Fiscalização, que. se diga de passagem e sem nenhum demérito, em nenhum momento se dispôs a visitar qualquer uma das propriedades rurais da Recorrente para verificar in locu a existência ou não do ativo permanente imobilizado, cuja existência era alegada pela contribuinte ou refutada pelo Fisco. Requer, ainda, que o valor tributável da CSLL seja reduzido do prejuízo fiscal acumulado de RS 3.134.885,61, corrigido monetariamente. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade dos valores supostamente devidos a titulo de IRPJ e CSLL, nos termos do inciso III, art. 151 do CTN. A decisão então adotada foi no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Quanto ao recurso voluntário, foram apreciadas e afastadas as alegações de nulidade do procedimento fiscal; foi apreciado e afastado o pedido de utilização do prejuízo fiscal acumulado para compensar a CSLL lançada, uma vez que já havia sido utilizado, e não foram aceitos, como prova das despesas, os documentos juntados apenas no recurso voluntário, por preclusão. Fl. 855DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 Essa decisão foi objeto de recurso especial do contribuinte, oportunidade em que a 1ª Turma da CSRF entendeu que os documentos juntados pelo contribuinte em seu recurso voluntário deveriam ser apreciados pela autoridade julgadora a quo, nos termos do Acórdão nº 9101-002.781 (fls. 809), o qual adotou a seguinte ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16. §4°. LEI 9.784 1999. ART. 38. E possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38. da Lei n° 9.784/1999. Com isso, o processo foi distribuído para esta turma de julgamento, a qual, na primeira vez em que se reuniu para apreciar o feito, resolveu converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização se manifestasse sobre os novos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos da Resolução nº 1201-000.450 (fls. 828), a qual assim determinou: Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligencia, para que a unidade da Receita Federal de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontando-a com os registros contábeis e fiscais e, ainda, com outros dados disponíveis, v.g., o processo administrativo indicado no recurso. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado quanto à possibilidade das deduções, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. A diligência foi cumprida e o seu resultado foi apresentado no Termo de Diligência de fls. 836, em que a fiscalização ratifica a dedutibilidade dos custos já reconhecidos na decisão de primeira instância e reconhece a dedutibilidade adicional de R$ 876.061,49, com base nos documentos juntados no recurso voluntário. Com isso, ainda restariam R$ 8.137.315,40 passíveis de tributação nessa primeira infração. Adicionalmente, a fiscalização reconheceu a legitimidade da depreciação acelerada de bens no montante de R$ 13.984.144,67, restando ainda R$ 267.605,21 passíveis de tributação. O contribuinte manifestou-se sobre o resultado da diligência, corroborando as exonerações apontadas, mas levantou duas questões adicionais, conforme a petição de fls. 843. Na primeira dessas questões, o contribuinte aponta alegado erro no cômputo da base de cálculo da primeira infração (glosa de custos). Segundo o interessado, a fiscalização errou ao atribuir o valor de R$ 11.141.261,09 ao montante das contas contábeis 511010002, 114060002 e 114060006, quando o correto seria R$ 8.312.414,54. Na segunda questão, o contribuinte afirma que a depreciação acelerada reconhecida deve ficar no valor de R$ 13.984.144,67, em razão da coerência existente entre a exclusão realizada pelo contribuinte e os valores constantes da DIPJ e da contabilidade. Ao final, requer a declaração de improcedência integral dos lançamentos tributários. É o relatório. Fl. 856DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário já foi conhecido por meio do Acórdão nº 1202-000.743, supracitado, cabendo a este colegiado, no presente momento, apenas a apreciação das provas juntadas ao recurso, em atenção ao também supracitado Acórdão nº 9101-002.781, que reformou o primeiro. Ademais, também serão analisadas as questões trazidas na manifestação de inconformidade do contribuinte em relação ao resultado da diligência, conforme já relatado. 1 Provas - Glosa de custos A fiscalização glosou parte da dedução de custos realizada pelo contribuinte, por considerá-la não comprovada, no montante de R$ 17.631.261,09, sendo R$ 6.490.000,00 relativos ao item 4 da intimação de fls. 137 (conta contábil 331020002) e R$ 11.141.261,09 relativos ao item 3 da mesma intimação (conta contábil 211010001), de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 221). Em sua impugnação, o contribuinte apresentou comprovantes no valor de R$ 8.617.884,20, aceitos na decisão de primeira instância. No recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos de comprovação, no valor total de R$ 876.061,49, os quais foram submetidos à análise da fiscalização, por meio de diligência fiscal. A fiscalização entendeu que os documentos apresentados eram hábeis e idôneos, de forma que dariam ensejo à correspondente exoneração parcial do lançamento, nos termos do Relatório de Diligência (fls. 836). Entendo que a manifestação da fiscalização deve ser acatada. Assim, além da exoneração realizada na decisão recorrida, no valor de R$ 8.617.884,20, deve ser feita uma exoneração adicional no valor de R$ 876.061,49, de forma que deve remanescer o lançamento sobre o valor de R$ 8.137.315,40 a título de glosa de custos não comprovados (infração 001 do auto de infração de IRPJ). 2 Provas - Depreciação acelerada A fiscalização também glosou a dedução de depreciação acelerada realizada pelo contribuinte, por considerar que não havia provas de que os bens assim depreciados foram adquiridos e eram aplicados à atividade rural do interessado. Com isso, não foi admitida a correspondente exclusão realizada pelo contribuinte na apuração do seu lucro real, no valor de R$ 14.251.749,88. Considerando que também houve uma adição de R$ 3.666.982,98, não justificada, o lançamento foi realizado sobre o valor R$ 10.584.766,90, conforme o TVF (fls. 224). No recurso voluntário, o contribuinte apresentou documentos de comprovação dessas aquisições e sua natureza, no montante de R$ 13.993.214,67, o que foi submetido à apreciação da fiscalização, por meio da já referida diligência fiscal. Nela, a autoridade fiscal entendeu que haviam sido comprovadas as aquisições no valor de R$ 13.984.144,67, restando como devida a adição de R$ 267.605,21. Entendo que a manifestação da fiscalização deve ser acatada. Assim, considerando que o contribuinte já havia realizado uma adição no valor de R$ 3.666.982,98, valor superior ao encontrado na referida diligência fiscal, entendo que deve ser exonerado todo o lançamento relativo à glosa de depreciação acelerada (infração 002 do auto de infração de IRPJ). Fl. 857DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 3 Base de cálculo - Erro Na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte contra o relatório da diligência fiscal, o recorrente afirma que a fiscalização cometeu um erro material ao somar os valores das contas contábeis 511010002, 114060002 e 114060006, as quais seriam o fundamento do lançamento de parte da glosa de custos, conforme o seguinte excerto (fls. 844): Entretanto, no que tange ao referido valor de R$ 11.421.261,09 utilizado pelo fisco para cálculos dos tributos, a Recorrente entende necessário destacar erro de fato na apuração do valor da base de cálculo do auto de infração acerca da glosa de custos com base nas contas contábeis 511010002, 114060002 e 114060006 relacionadas nas planilhas de fls. 165-6 da numeração eletrônica. Isto porque, diferentemente do valor de R$ 11.141.261,09 que consta do termo de verificação que acompanha os autos de infração (f. 224 da numeração eletrônica), a soma dos valores das referidas três contas contábeis perfez tão somente o montante de R$ 8.312.414,54, conforme demonstrado abaixo: O recorrente acerta quando afirma que essa parte do lançamento tem fundamentação na tabela de fls. 165/166 da numeração eletrônica, pois estas folhas correspondem às fls. 162/163 do processo em papel, referidas no TVF abaixo transcrito (fls. 223): Os custos não comprovados, escriturados diretamente no resultado do exercício ou na conta de estoques com posterior transferência para o resultado do exercício, constam dos demonstrativos "CUSTOS NÃO COMPROVADOS" e "CUSTOS NÃO COMPROVADOS II" (fls. 162 a 164). O primeiro demonstrativo se refere à falta de apresentação de documentos e esclarecimentos acerca da amostra obtida a partir da conta "Fornecedores no País" - 211010001, de acordo com relação anexa ao Termo de Intimação de 30/04/2009, lavrado às 13hs30m (item "3"). Depois de verificadas as contas de contrapartida dos lançamentos da amostra foi possível verificar que nem todos os valores afetaram o resultado. Assim, constituem glosas somente os indicados com essa expressão, ou seja, que tiveram contrapartida no resultado ou na conta de estoque. Verifico que essa tabela contém os lançamentos contábeis que foram objeto de intimação fiscal e aponta, dentre esses lançamentos, aqueles que afetaram o resultado contábil. Estes foram assinalados com a expressão "glosa" e são os elementos da base de cálculo do lançamento. Por clareza, elaborei uma síntese da referida tabela, apenas com as linhas correspondentes à glosa: Data Cód Conta Conta D/C Valor Histórico Arquivo Nº Linha 22/01/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 373.355,99 0X010049 03259 0X010049 6.459 GLOSA 17/02/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 369.346,49 0X179594 01958 0X179594 12.995 GLOSA 20/02/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 385.125,39 0X180098 01959 0X180098 13.854 GLOSA 19/04/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 367.261,49 0X009887 02650 0X009887 29.932 GLOSA 07/05/2004 114060002 FARELO DE SOJA D 733.504,35 0X140050 Granol 0X140050 36.435 GLOSA 13/07/2004 114060006 SOJA EM GRAOS D 3.238.455,01 0X169029 Imcopa 0X169029 59.013 GLOSA 15/09/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 637.823,68 0X15337 03694 0X15337 80.457 GLOSA Fl. 858DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 16/09/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 398.000,00 0X006125 02766 0X006125 80.729 GLOSA 16/0912004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 300.064,59 0X006124 02772 0X006124 80.765 GLOSA 23/09/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 505.583,04 0X010534 02744 0X010534 83.698 GLOSA 28/09/2004 511010002 MATERIAIS DIRETOS D 340.156,00 0X010617 02903 0X010617 85.308 GLOSA 15/10/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 768.733,80 0X005676 03580 0X005676 93.708 GLOSA 15/10/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 112.489,20 0X005676 03580 0X005676 93.711 GLOSA 15/10/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 32.588,05 0X005676 03580 0X005676 93.714 GLOSA 19/11/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 344.498,00 0X013620 02899 0X013620 105.412 GLOSA 30/11/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 360.000,00 0X012595 02962 0X012595 109.500 GLOSA 21/12/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 508.800,00 0X013395 02346 0X013395 116.057 GLOSA 27/12/2004 511010001 INSUMOS DIVERSOS D 334.476,01 0X015072 02869 0X015072 117.452 GLOSA 28/12/2004 114060002 FARELO DE SOJA D 1.031.000,00 0X183839 Imcopa farel 0X183839 117.744 GLOSA 11.141.261,09 Totalizando os valores apontados nas linhas assinaladas para a glosa, chega-se ao valor de R$ 11.141.261,09, exatamente o valor apontado no auto de infração. Portanto, a reclamação do contribuinte de erro no cômputo da base de cálculo do lançamento tributário não possui suporte fático e deve ser afastada. 4 Depreciação acelerada - valor contabilizado e declarado Na segunda questão levantada pelo recorrente na referida manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que deve ser reconhecida a depreciação acelerada no valor de R$ 13.984.144,67, em razão da coerência existente entre a exclusão realizada pelo contribuinte e os valores constantes da DIPJ e da contabilidade. Entendo que o recorrente está requerendo que a sua contabilidade e a sua DIPJ sejam aceitas como prova da aquisição de bens utilizados na produção rural, ainda que ele não tenha apresentado todas as notas fiscais exigidas pela fiscalização. Considerando que o colegiado decidiu no sentido de exonerar toda a glosa da depreciação acelerada, conforme a apreciação contida no item 2 acima, entendo que a presente reclamação perdeu o seu objeto, pelo que deixo de me manifestar sobre ela. 5 Conclusão Diante das razões acima expostas, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência relativa à glosa da depreciação acelerada (item 002 do auto de infração de IRPJ) e para exonerar parte da exigência relativa à glosa de custos (item 001 do auto de infração de IRPJ), em adição ao que já foi exonerado na decisão de primeira instância, de forma que essa exigência se dê sobre o valor R$ 8.137.315,40. Fl. 859DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-002.971 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000308/2009-74 (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900040/2006-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2001
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
null
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) null PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 00 40 /2 00 6- 35 Fl. 113DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.719 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.900040/2006-35 (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/POA: Trata-se de PER/Dcomp em que foi informado como crédito o saldo negativo de IRPJ de 2001, no valor de R$ 7.933,48. No despacho que decidiu sobre o pedido, não foi reconhecido nenhum valor a esse título, pelo fato de que na DIPJ foi informado saldo de imposto a pagar. Na manifestação de inconformidade, a interessada alega que errou no preenchimento da DIPJ, na qual não teriam sido informados os valores recolhidos a título de estimativas e de ajuste. Baixado o processo em diligência, ele retornou com a informação da unidade preparadora de que o saldo negativo é efetivamente de R$ 7.933,48, mas que em razão de compensações anteriormente efetuadas pela interessada só resta disponível o direito creditório de R$ 1.050,99. Em que pese ter-lhe sido aberto prazo para tal, não houve nova manifestação da interessada. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/POA, conforme acórdão n. 10-37.338 (e-fl. 90), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA. EXISTÊNCIA DE COMPENSAÇÕES ANTERIORES. Reconhece-se o saldo negativo confirmado em diligência, porém só se reconhece o direito creditório remanescente após as compensações anteriores efetuadas e comprovadas na mesma diligência. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 104), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados: Alega que "o saldo negativo de IRPJ era aquele informado na PERD/Dcomp, e que a DIPJ enviada estava preenchida incorretamente, fato confirmado em diligência efetuada pela unidade fiscalizadora." Registra que "Apesar do reconhecimento da existência do saldo negativo declarado pela recorrente no montante de R$ 7.933,48, a fiscalização informou que de acordo com os extratos da DCTF (does. de fls. 79/81 do processo virtual), a contribuinte utilizou parte Fl. 114DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.719 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.900040/2006-35 do crédito em compensações sem processo para liquidação das estimativas de IRPJ das competências julho, agosto e setembro e 2002, remanescendo o saldo passível de compensação no valor de R$ 1.050,99." Consigna que "Foi aberto prazo para manifestação da recorrente (docs. de fls. 85/86 do processo virtual), todavia, o representante legal da contribuinte, por erro de interpretação, entendeu que a decisão proferida tinha reconhecido integralmente o direito creditório postulado, por essa razão, não se manifestou no prazo concedido, quedando-se silente", que "Diante disso, a impugnação foi tida como parcialmente procedente por julgamento colegiado proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre..." e que "Em que pese tenha deixado de se manifestar, por equívoco quanto à interpretação do teor da intimação, o fato é que as compensações das estimativas de IRPJ das competências julho, agosto e setembro de 2002 foram efetuadas utilizando-se o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2000 e não do ano-calendário 2001." Afirma que "...a 1a Turma entendeu que parte do saldo negativo do IRPJ ano- calendário 2001, já tinha sido utilizado para compensação sem processo conforme documento de fls, 82 do processo virtual" e que "Essa conclusão baseou-se nas informações prestadas pelo contribuinte (fls. 79/81 do processo virtual) que por erro de preenchimento da DCTF informou que o saldo negativo do IRPJ apurado para efeito daquela compensação era de 31/12/2001 quando o correto seria 31/12/2000." Aduz que "Isso pode ser facilmente constatado pelos documentos juntados pela fiscalização em diligência requerida pela DRJ/POA (fls. 78 do processo virtual)", que "Na planilha, a unidade fiscalizadora demonstra a existência de saldo negativo de IRPJ exercício 2001, ano-calendário 2000, passível de compensação na quantia de R$ 8.210,66", que "...é justamente esse saldo de R$ 8.210,66 do ano-calendário 2000, que foi utilizado para a compensação das estimativas de IRPJ para as competências, julho, agosto e setembro/2002, que erroneamente figurou na DCTF como sendo saldo negativo de IRPJ do exercício 2002, ano- calendário 2001" e que "Para demonstrar o que até aqui foi dito, utilizamos a mesmas planilhas utilizadas pela fiscalização (fls.78 e 82) para demonstrar as compensações efetuadas pelo contribuinte, onde se pode verificar que os saldos negativos de IRPJ exercícios 2000 e 2001, oram (sic) aproveitados até o limite permitido." Conclui que "...a divergência se encontra na origem do saldo negativo de IRPJ utilizado para compensar as estimativas do mesmo tributo, relativamente às competências 07/2002, 08/2002 e 09/2002" sustentando que "...um erro de preenchimento da DCTF, ocasionou a alocação indevida dessas compensações, pois foi informado que o saldo negativo utilizado era do ano-calendário 2001 quando na verdade o correto era informar o ano- calendário 2000." Ao final, evoca o princípio da verdade material para o fim de exclusão da exigência fiscal e acolhimento do presente recurso. É o Relatório do essencial. Fl. 115DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.719 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.900040/2006-35 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o PER/DCOMP nº 07662.80312.220803.1.3.02- 1503 não foi homologado em razão da inexistência do saldo negativo de IRPJ nele informado a título de crédito compensável, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico seguinte: Em suas razões de defesa, o Recorrente, em suma, afirma que a não homologação da compensação decorreu de erro de preenchimento da DCTF do período-base em questão. Vejo, de plano, que o Recurso Voluntário não traz novos elementos ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. O Recorrente faz apenas uma descrição sumariada dos fatos e colaciona aos autos duas planilhas intituladas "Saldo Negativo IRPJ 2000 - Continuidade Planilha fls. 78 Processo Virtual" e "Saldo Negativo IRPJ 2001 - Continuidade Planilha fls. 82 Processo Virtual", porém, Fl. 116DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.719 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.900040/2006-35 não explica nem demonstra de modo articulado quais foram as irregularidades por ele cometidas que teriam caracterizado o suposto "erro de fato" no preenchimento da DCTF, afirmando genericamente que "as compensações das estimativas de IRPJ das competências julho, agosto e setembro de 2002 foram efetuadas utilizando-se o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2000 e não do ano-calendário 2001. " Por outro lado, foi dado ao Recorrente o direito de se manifestar acerca do montante apurado a titulo de saldo negativo de IRPJ do período-base questionado, conforme consta da resposta da diligência da DRF/CXL/Seort nº 130/2011 às e-fls. 83, porém, o Recorrente quedou-se inerte, abrindo mão da faculdade de comprovação do crédito ora pretendido naquela oportunidade. Ora, é cediço que o onus probandi do crédito pleiteado compete àquele que o alega possuir e que a compensação tributária, enquanto instituto jurídico e forma de extinção de crédito tributário prevista em lei, opera pelo encontro de contas entre créditos tributários e créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Forçoso, portanto, concluir que a não homologação do PERD/COMP em questão foi correta, eis que o Recorrente não logrou comprovar de forma idônea e indubitável o crédito que entendia possuir e que este não se revestia dos requisitos de liquidez e certeza do artigo art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN 1 exigidos para o deferimento do pleito. Acrescento que o Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de declarações válidas prestadas pelo próprio Recorrente. Quanto ao princípio da verdade material evocado, reconheço que o impedimento à homologação da compensação do crédito vindicado poderia, de fato, ser superado frente àquele princípio, desde que a argumentação do Recorrente fosse congruente e estivesse acompanhada de provas inequívocas da inconsistência dos dados constantes na declaração de compensação não homologada e na DCTF, de modo a permitir o reconhecimento (ou não) do direito creditório. Nessa toada, a mera confecção de demonstrativo no qual consta a suposta origem do crédito é condição necessária, mas não suficiente à comprovação do pagamento indevido ou a maior não reconhecido, devendo aquele ser corroborado com exposição clara e ordenada dos fatos e fundamentos jurídicos do direito postulado e com informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DCTF e DIPJ retificadoras, DACON, etc, as quais, por sua vez, devem ser confirmadas por documentos contábeis ou fiscais idôneos. Nesse sentido caminha os seguintes precedentes deste CARF: 1002-000.363, 1002-000.350 e 1003-000.110. Nenhum desses documentos e declarações foram juntados aos autos, o que afasta a possibilidade de aplicação do princípio em comento ao caso concreto e a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisito legal para a homologação da compensação, conforme visto. De resto, é de se ressaltar que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de DCTF e PER/DCOMP, ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação nos autos da inexistência do crédito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado, como dito alhures, é do 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 117DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.719 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.900040/2006-35 Recorrente, conforme prevê a legislação 2 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201-002.303 e 3001-000.312: ACÓRDÃO 3201-002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001-000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente-se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso é medida que se impõe. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública e diante da ausência de comprovação do crédito informado no PER/DCOMP de nº 07662.80312.220803.1.3.02-1503, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (documento assinado digitalmente) 2 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 118DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.719 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.900040/2006-35 Aílton Neves da Silva Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.903857/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/09/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos.
Numero da decisão: 3302-007.199
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
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SUPERMERCADOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF indicado, referente ao PIS/Cofins. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 38 57 /2 01 2- 34 Fl. 89DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.199 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.903857/2012-34 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que, quando da confecção do Per/Dcomp, por lapso, não foi retificada a DCTF. Procedeu a retificação, dentro do prazo legal, alterando o débito do período de apuração correspondente. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp, exceto quando comprovado erro no preenchimento da referida declaração. Regularmente cientificada de decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese apertada que: (i) a retificação da DTCF após o despacho decisório não pode ser impedimento ao reconhecimento do crédito apurado; e (ii) os documentos carreados aos autos se prestam à comprovar a origem do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, destaca-se que a DRJ manteve o despacho decisório por dois motivos, a saber: Assim sendo e, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, conclui-se que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida. Ao meu ver, o primeiro motivo para DRJ seria totalmente superado, caso o contribuinte tivesse demonstrado à origem do crédito, o que não ocorreu no presente processo, senão vejamos. É incontroverso que a Recorrente cometeu irregularidade no preenchimento do DACON e da DCTF e, que a retificação do último documento fora realizada somente após a transmissão do PER/DCOMP objeto dos autos. Contudo, independentemente das declarações retificadoras terem sido apresentadas pela Recorrente após a transmissão do PER/DCOMP, o que não é causa impeditiva do reconhecimento do crédito, deveria o contribuinte ter comprovado documentalmente a origem dos créditos. Com efeito, a DCTF e o DACON contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que Fl. 90DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.199 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.903857/2012-34 comprove os lançamentos contábeis. A simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar o origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, a Recorrente deveria ter apresentado argumentos mais robustos para comprovar seu direito. Nada foi explicitada em sede de manifestação e recurso. Com todo respeito, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repita-se, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720378/2008-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA - PROVA.
Para fins de incidência do ITR, cabe ao contribuinte o ônus da prova, mediante apresentação de laudo nos termos da ABNT, do VTN, visando afastar a pretensão da fiscalização em arbitramento do valor, nos termos do artigo l4 da Lei 9.393/96.
Numero da decisão: 2002-001.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Para fins de incidência do ITR, cabe ao contribuinte o ônus da prova, mediante apresentação de laudo nos termos da ABNT, do VTN, visando afastar a pretensão da fiscalização em arbitramento do valor, nos termos do artigo l4 da Lei 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 03 a 12), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu autuação sob os seguintes fundamentos: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 78 /2 00 8- 99 Fl. 202DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.216 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720378/2008-99 No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informaçoes do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR l E INC I E ART 14 L 9393/96 IN SRF 579/05; IN SRF 256/O2 ARTS. 32 A 34 E 46; ARTS. 32 E 52 DO DEC.4382/02; Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$7.276,06, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, apresentada pelo contribuinte, que conforme decisão da DRJ: Fl. 203DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.216 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720378/2008-99 A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 17/07/2013, no acórdão 03-53.118, às e-fls. 173 a 180, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 22/10/2013, às e-fls. 183 a 186, no qual alega, em síntese que: o imóvel localiza-se em área de Mata Atlântica e não pode ser utilizado, pois protegida pelo IBAMA; área de preservação sempre foi respeitada e foi lançada nas declarações de ITR anteriores a 2003, devidamente comprovadas com Laudo de Avaliação Técnica e outros documentos exigidos pela Receita Federal em 1999; A APA tem sido declarada como correspondendo a 2/3 (66 %) do imóvel, mas uma avaliação extraoficial recente, feita por um engenheiro da Eletronuclear, indica ser ela superior a 90 %; a área pertencia a um espólio e foi remetida à Receita e ao Conselho do Contribuinte um histórico da situação do imóvel FAZENDINHA, bem como cópias de diversos documentos pertinentes ao assunto. Reitera que a propriedade está hoje legalmente dividida por mais de 50 herdeiros; há laudo e ART do profissional que o elaborou que comprovam toda a discriminação da área; há CERTIDÃO DE AVALIAÇÃO foi emitida pela Caravelas Empreendimento Imobiliário Ltda., então a maior corretora imobiliária de Angra dos Reis, segundo nos consta, que avaliou a propriedade em torno de U$ 60.000,00. O LAUDO DE AVALIAÇÃO TÉCNICA, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado da ART (exigências da SRF), apresenta um valor de 82.000,00 UFIR para o imóvel, e 58.300,00 UFIR como valor da Terra Nua. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 23/09/2013, e-fls. 182, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 22/10/2013, e-fls. 183, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 03 a 12), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu Fl. 204DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.216 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720378/2008-99 arbitramento do VTN, vez que não comprovados pela contribuinte. A DRJ manteve a autuação, nos seguintes termos: No caso, não obstante as alegações da requerente, a lide cinge-se ao VTN arbitrado, posto que os demais dados informados na correspondente DITR/2005 foram mantidos intactos pela autoridade fiscal. Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua - VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei n” 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2004, de R$57.000,00 (R$94,79/ha), sendo arbitrado o valor de R$1.202.600,00 (R$2.000,00/ha), valor este apurado com base no SIPT, do exercício de 2005, referente ao município de Angra dos Reis/RJ, consoante extrato da malha fiscal às fls. 70. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$94,79 por hectare encontra- se, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN, por hectare, de R$2.000,00/ha, constante do SIPT, para o município de Angra dos Reis/RJ, em 2004. Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito Termo de Intimação Fiscal n° 07105/00021/2007, às fls. 11/ 12, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei n° 9393/1996, e art. 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR). Vale ressaltar que, embora a recorrente faça alegações quanto a impossibilidade de utilização de toda a área e também quanto a existência de Área de Preservação Permanente (APA) a lide limita-se a suposta subavaliação do Valor da Terra Nua baseado no Sistema de Preço de Terras (SPIT) instituído pela Receita Federal do Brasil (RFB). Valor da Terra Nua - VTN Conforme art. 11 da Lei nº 9.393/96, o valor do ITR será apurado aplicando-se sobre o VTN a alíquota correspondente ao anexo da Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização, conforme se vê: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. § 1º Na hipótese de inexistir área aproveitável após efetuadas as exclusões previstas no art. 10, § 1º, inciso IV, serão aplicadas as alíquotas, correspondentes aos imóveis com grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel. § 2º Em nenhuma hipótese o valor do imposto devido será inferior a R$ 10,00 (dez reais). Comprovada a utilização da área com produção vegetal e atividades pecuárias por meio de prova hábil e idônea, deve ser aplicada a alíquota correspondente ao grau de utilização verificado. O contribuinte traz aos autos laudo técnico atestando o VTN da propriedade, às e-fls. 30 e 31. Contudo, tal laudo é deveras antigo, datado de 1995 considerando o exercício de 2005, alvo da autuação. Ainda, o laudo é breve e sucinto, não respeitando as normas da ABNT, devendo ser levado em conta o SIPT elaborado pela RFB, constante às e-fls. 72. Fl. 205DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.216 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720378/2008-99 Adoto como fundamento a decisão da DRJ, que enfrentou o mérito da questão de maneira clara e embasada: Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua - VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei n” 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2005, de R$57.000,00 (R$94,79/ha), sendo arbitrado o valor de R$1.202.600,00 (R$2.000,00/ha), valor este apurado com base no SIPT, do exercício de 2005, referente ao município de Angra dos Reis/RJ, consoante extrato da malha fiscal às fls. 70. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$94,79 por hectare encontra- se, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN, por hectare, de R$2.000,00/ha, constante do SIPT, para o município de Angra dos Reis/RJ, em 2004. Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito Termo de Intimação Fiscal n° 07105/00021/2007, às fls. 11/ 12, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei n° 9393/1996, e art. 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR). (...) No caso, o Laudo de_Avaliação Técnica, de 13.07.1995, às fls._28/29, a ART, de 10.08.1999, às fls. 30, e o aditamento do primeiro Laudo' de Avaliação Técnica,`de 19.07.1999, às fls. 33/35, não são documentos hábeis para revisão do VTN arbitrado para o exercício de 2004, isto porque, conforme se constata das datas de sua emissão, se referem ao valor da terra nua no ano de 1999, ou seja, 5 (cinco) anos antes do exercício em questão, demonstrando o valor, ainda, em UFIR (58.300,00), quando deveria se referir ao VTN da data do fato gerador do ITR/2004 (l°.Ol.2004), de acordo com o solicitado no termo de intimação fiscal. Não obstante, esse fato ser, por si só, suficiente para a rejeição do Laudo, como documento hábil para revisão do VTN arbitrado, ele, também, não segue as normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, _de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2004 (l°.0l.2004), como já dito, nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. (...) De fato, a avaliação constante dos documentos de fls. 28/29 e 33/35 não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.653-3, principalmente os itens 7.4 - Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.5 - Diagnóstico do mercado, 7.7 - Tratamento de Dados, 8 - Metodologia Aplicável e 9 - Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco - item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que 0 profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Portanto, o laudo é por demais sucinto, podendo ser enquadrado como um “Parecer Técnico”, mas não como “Laudo Técnico de Avaliação”, classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação precisão. No que concerne aos requisitos da NBR 14653-3, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau “a explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado" Fl. 206DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.216 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720378/2008-99 Segue jurisprudência deste CARF: VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta laudo de avaliação que refute o VTN arbitrado, a preço de mercado em 01/01/2002, Acórdão nº 210100.558 -Sessão de 17 de junho de 2010 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Acórdão nº 2102-002.637 – Sessão de 13 de agosto de 2013 Por fim, como o lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Desta forma, cabe ao contribuinte apresentar documentos e provas de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da Fazenda de proceder o lançamento, o que não ocorreu, vez que, como já mencionado, o laudo técnico anexado aos autos é inepto como meio de prova. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.969954/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.045
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 69 95 4/ 20 09 -1 2 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15374.969954/200912 Resolução nº 3402002.045 S3C4T2 Fl. 3 2 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada, por se tratar de receita de exportação de serviços, com base nos documentos e demonstrativos anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.038, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.969941/200935. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.038): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, e compensação com débitos diversos. A unidade de origem não homologou a compensação pleiteada tendo em vista a utilização do valor indicado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo a compensar. A recorrente alega que cometeu um erro no preenchimento da DCTF, retificandoa posteriormente ao despacho decisório com a informação correta da apuração das contribuições. Tratase de recolhimento indevido sobre receita decorrente de exportação de serviços. Apresenta, como prova de suas alegações, contrato de câmbio (doc.06), planilha de faturamento (doc.07), e notas fiscais de serviço (doc.08). Dessa forma, entendo que é necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique as alegações da recorrente, comprove a natureza das receitas e a sujeição à incidência das contribuições, e apure saldo passível de restituição, considerando, exclusivamente, os documentos anexados aos autos. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário às fls. 63 a 81 e os documentos anexos 06 (fls. 173 a 223), 07 (fls.224 a 227) e 08 (fls.228 – arquivos não pagináveis), analise a suficiência de tais documentos, intimando a recorrente, caso entenda necessário, a apresentar outros documentos, e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente; (ii) apresente um Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15374.969954/200912 Resolução nº 3402002.045 S3C4T2 Fl. 4 3 demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e documentos anexos, analise a suficiência de tais documentos, intimando a recorrente, caso entenda necessário, a apresentar outros documentos, e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002074/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Antonio Barbosa Lobo.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
PEDRO ANAN JUNIOR- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Antonio Barbosa Lobo. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente. (Assinado Digitalmente) PEDRO ANAN JUNIOR- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente) PEDRO ANAN JUNIOR Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 02 07 4/ 20 07 -8 4 Fl. 274DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 247 ___________ Relatório Tratase de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, que implicou a lavratura do Auto de Infração de fls. 142/146, acompanhado dos demonstrativos de fls. 147/148, do Termo de Verificação Fiscal de fls. 134/138 e do Termo de Encerramento de fls. 151, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 514.409,85, sendo R$ 208.317,99, referentes ao imposto; R$ 156.238,49, A multa proporcional, R$ 147.801,61, aos juros de mora (calculados até 30/11/2007); e R$ 2.051,76, A multa exigida isoladamente. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 608/611), o procedimento apurou as seguintes infrações: omissão de rendimento de origem não comprovada, sujeito A multa proporcional de 75%; e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a titulo de CarnêLeão. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 134/138). Cientificado da autuação em 13/12/2007 (fls. 143), o contribuinte protocolizou impugnação, em 14/01/2008. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ2, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1329.169, de 07 de maio de 2010. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 18471.002074/200784 Resolução nº 2202000.486 S2C2T2 Fl. 248 3 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 18471.002074/200784 Resolução nº 2202000.486 S2C2T2 Fl. 249 4 CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi Fl. 277DF CARF MF Processo nº 18471.002074/200784 Resolução nº 2202000.486 S2C2T2 Fl. 250 5 reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO Fl. 278DF CARF MF Processo nº 18471.002074/200784 Resolução nº 2202000.486 S2C2T2 Fl. 251 6 ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 18471.002074/200784 Resolução nº 2202000.486 S2C2T2 Fl. 252 7 Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914006/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Julho de 2002; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. 104 efetivamente se refere a esta parcela; e (iii) após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antonio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Julho de 2002; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. 104 efetivamente se refere a esta parcela; e (iii) após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice- presidente). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica nº 03877.75946.120406.1.3.04-8631, transmitida em 12/04/2006, por meio da qual o contribuinte solicita compensação de débito de IRPJ no valor de R$1.532,78 com crédito oriundo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 14 00 6/ 20 09 -7 0 Fl. 107DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3401-001.841 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914006/2009-70 pagamento indevido ou a maior de IPI no valor original de R$919,98, atualizado até a data da compensação para R$1.532,78. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (DRF-CTA) decidiu pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório emitido em 11/05/2009, à folha 02, com base na constatação da inexistência do crédito pleiteado, tendo em vista que foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) um pagamento com o DARF indicado na DCOMP integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Regularmente cientificada, a empresa apresentou, em 16/06/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 12/14, nos seguintes termos: 0 v. entendimento decorre de um pagamento de DARF de IPI referente ao período de apuração 20/07/2002 no valor de R$206.975,86 (anexo 4), após novas apurações de IPI, identificamos um pagamento a maior no valor de R$919,98 declarado em DCTF retificadora nº 35.82.18.67.56 entregue no dia 12/07/2008 (anexo 5) e o crédito foi atualizado até a data da entrega e também demonstrado em PER/DCOMP em 12/04/2006 sob nº 03877.75946.120406.1.3.04-8631 no valor de R$1.532,78 (anexo 6) e para os débitos apresentamos PER/DCOMP compensando com débitos de IRPJ código 2362-01 no valor de R$1.532,78 entregue com PER/DCOMP nº 03877.75946.120406.1.3.04-8631 entregue no dia 12/04/2006 (anexo 6), todos os débitos estão declarados em DCTF retificadora entregue no dia 23/11/2006 sob nº 02.90.05.79.77-03 (anexo 7). A DRJ - Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão de 29/10/2014, proferiu o Acórdão nº 14-54.290, às fls. 43/46, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 05/10/2015, conforme “Aviso de Recebimento” (AR) à fl. 49. Irresignado com a decisão da DRJ-RPO, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/11/2015, às fls. 62/71, in verbis: Em sua MI, a Recorrente explicitou que a retificação se mostrou necessária porque, após novas apurações do IPI, foi observado que o imposto originalmente declarado para o período era superior ao efetivamente devido, o que gerou um crédito oriundo do referido DARF, no valor de R$919,98, devidamente corrigido e justificado pela Contribuinte na retificadora entregue em 12.07.2008. (...) In casu, contudo, em vez de diligenciar nesse sentido, averiguando a real composição do IPI em apreço, a autoridade administrativa acabou optando pela solução mais simplista e rigorosa (formal), a não homologação do pedido. Fl. 108DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3401-001.841 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914006/2009-70 De todo modo, nesta oportunidade, em complementação aos documentos já apresentados com a sua manifestação de inconformidade, a Recorrente anexa fotocópia do livro de apuração do IPI do período, no qual constam os registros de entradas/saídas e o demonstrativo de apuração do imposto, atestando que o tributo efetivamente devido no segundo decêndio de 07/2002 era da ordem de R$228.921,69. (...) Alternativamente, acaso V. Sas. entendam por bem em não anular a decisão de primeira instância administrativa, por economia processual, de qualquer modo, o presente feito deve ser baixado em diligência, como forma de propiciar os elementos necessários à verificação da verdade material no caso concreto. Ou seja, ainda que não se anule o acórdão recorrido, a diligência fiscal é medida que se impõe para a correta solução da controvérsia, o que deverá ser determinado por esse Conselho. (...) Consoante já destacado, a Recorrente informou no PER/DCOMP que o crédito seria oriundo de pagamento em DARF no valor de R$206.975,86, referente ao código de receita 1097, vencimento 31/07/2002. Tal recolhimento, na realidade, representava parte do IPI do período de apuração do 2° decêndio de 07/2002, o qual, originalmente, era composto pelo DARF acima indicado e por recolhimento via depósito judicial, no valor de R$ 22.865,81, conforma comprovante anexo e informação contida na DCTF. A soma dos dois recolhimentos, portanto, totaliza o valor declarado na DCTF original (R$ 206.975,86 + R$ 22.865,81 = R$ 229.841,67), posteriormente retificado para R$228.921,69, dando origem ao crédito compensado. Portanto, após recalcular o tributo devido, a Recorrente constatou que o valor a ser utilizado do mencionado DARF de R$ 206.975,86 corresponderia a R$ 206.055,88, alocando em DCTF o respectivo pagamento, como se infere do teor da DCTF retificadora entregue em 12.07.2008 (teor anexo à MI). Conforme se constata da documentação que acompanha a MI, houve, de fato, um excesso de pagamento do IPI da ordem de R$919,98 (montante originário, sem considerar a atualização monetária de direito), do qual, o importe de R$21.351,08, foi utilizado no PER/DCOMP objeto do presente processo administrativo-fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe destacar que o contribuinte realmente efetuou, antes da emissão do Despacho Decisório que analisou sua DCOMP, a retificação da DCTF, diminuindo o valor do débito de IPI no 2º decêndio de Julho de 2002 de R$ 229.841,67 para R$228.921,69. Segundo consta na DCTF retificadora, à fl. 36, parte deste valor, R$ 22.865,81, estava com exigibilidade suspensa. O valor restante, R$206.055,88, teria sido extinto através de pagamento: Fl. 109DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3401-001.841 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914006/2009-70 O contribuinte anexou, à fl. 34, Comprovante de Arrecadação para o referido pagamento de IPI no valor de R$ 206.975,86. Assim, à princípio, teria efetuado um pagamento a maior. Ocorre que, à fl. 36, constata-se que o contribuinte cometeu um erro no preenchimento da DCTF retificadora, pois informou que o “Valor do Principal”, que é o valor do débito, é de R$206.975,86, enquanto que o “Valor Pago do Débito”, que é o valor efetivamente pago pelo contribuinte, foi de R$206.055,88: Fácil compreender que os valores foram trocados: o valor do principal (valor do débito de IPI sem multas nem juros) deveria ser R$206.055,88, enquanto o valor pago deveria ser R$206.975,86. Assim, com base nessas informações, verifica-se que foi correta a decisão contida do Despacho Decisório, pois teve por fundamento as informações prestadas pelo próprio contribuinte, ainda que de forma equivocada. Há, portanto, indícios de haver um erro material de preenchimento da declaração, que pode ser esclarecido através da apresentação de documentos comprobatórios. Vale destacar, no entanto, que tal comprovação documental poderia ser exigida mesmo que o preenchimento da DCTF (original ou retificadora) tivesse sido correto, pois a competência fiscalizatória das Autoridades Tributárias é inafastável. Em sua Manifestação de Inconformidade, o recorrente alega unicamente que procedeu à retificação da DCTF antes do Despacho Decisório, reduzindo o valor do tributo para aquele que entende ser o correto, sem ao menos explicitar qual o motivo para esta redução no valor do tributo devido, muito menos apresentar provas documentais. Logo, pelo quanto exposto, verifico também que, com base nas informações e documentos que constavam nos autos, à época, a DRJ-RPO analisou corretamente a lide, como se verifica do seguinte excerto do seu Acórdão: Fl. 110DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3401-001.841 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914006/2009-70 Por conseguinte, não basta apenas harmonizar o pedido de restituição com uma eventual DCTF retificadora sem demonstrar a efetiva existência de crédito líquido e certo, ou seja, é necessário provar que realmente ocorreu um pagamento indevido, ou maior que o devido, ao teor do já citado art. 36 da Lei nº 9.784/99. Realmente, quando o contribuinte apresenta DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório de não homologação, ou mesmo antes deste, só se admite a redução do débito mediante comprovação do erro incorrido na DCTF original, demonstrado pelo contribuinte, com base em escrituração contábil/fiscal e documentos de suporte, como notas fiscais. Esta é a regra estabelecida pelo art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E nos processos em que o contribuinte reivindica um direito de crédito contra a Fazenda Nacional, tem-se que o Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; A decisão da DRJ negou provimento ao pedido do recorrente, sob o fundamento de que, apesar de lhe caber a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF retificadora e que o valor efetivamente devido é menor que o débito confessado, nada trouxe aos autos como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. À vista do que constava nos autos, a decisão da DRJ é irretocável. O recorrente, então, apresentou Recurso Voluntário, anexando, às fls. 99/102, cópia do seu livro “Registro de Apuração do IPI”, pelo qual constata-se, à fl. 102, que o saldo devedor do IPI registrado pelo contribuinte foi, efetivamente, no montante de R$228.921,69, existindo, assim, indícios do direito pleiteado, a serem confirmados pelo exame da documentação fiscal que lhe dá suporte, como, por exemplo, as notas fiscais de aquisições e as de saída de produtos, a fim de verificar o correto valor dos débitos pelas saídas, bem como dos créditos pelas aquisições. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Julho de 2002; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. 104 Fl. 111DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3401-001.841 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914006/2009-70 efetivamente se refere a esta parcela. Após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar- se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Relator Fl. 112DF CARF MF
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