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Numero do processo: 13558.900656/2008-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 06 56 /2 00 8- 35 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 246 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11731.34075.100304.1.3.028614 em 10.03.2004, fls. 1637, utilizandose do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$67.506,92, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2003 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Analisadas as informações prestadas no documenta acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito Informado, uma vez que houve entrega de mais de uma Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) para o período de apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. DIPJ 1: 04/07/2003 a 01/08/2003 DIPJ 2: 02108/2003 a 06/10/2003 DIPJ 3: 07/1012003 a 31/12/2003 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 67.506,92 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 11731.34075.100304.1.3.026614 08146.04231.310304.1.3.025805 41155.73030.260804.1,3.021183 03012.48051.140205.1.3.021975 15689.74661.061006.1.7.028012 [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 10 do art. 1º , Parágrafo 3º do art. 2º, Parágrafo 1º do art. 60 e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 74 da Lei 3.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa e excerto do voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1525.614, de 09.12.2010, fls. 175178: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 247 3 Devese permitir a compensação pleiteada até o limite do indébito tributário comprovado. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. O pedido de compensação ' somente poderá ser retificado pelo próprio contribuinte mediante o programa PER/DCOMP e caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] Conforme visto, em resposta à mencionada diligência, a unidade de origem emitiu em 20/09/2010 o despacho n° 461/2010, reconhecendo parcialmente o direito creditório do interessado, no anocalendário de 2003, no montante de R$ 56.847,98. Por outro lado, em relação ao PERDCOMP de n° 03012.48051.140205.1.3.021975, decidiu pela inexistência do crédito pleiteado. [...] Ante o exposto, VOTO por DEFERIR EM PARTE a presente Manifestação de Inconformidade, pára reconhecer o direito creditório relativo ao anocalendário de 2003 no valor de R$ 56.847,98 e homologar as compensações declaradas até o limite deste direito creditório reconhecido. Notificada em 03.12.2008, fl. 142, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.02.2011, fls. 181188, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO : 14. Conforme já exposto, o objeto deste Recurso cingese à impugnação da parte da decisão de primeira instância. administrativa que não homologou _.a compensação objeto do PER/DCOMP n 4. 03012.48051.140205.1.3.021975,.. por não reconhecer a existência de crédito. 15. Todavia, a razão de não ter sido reconhecida a existência. do crédito sob exame deveuse a um erro formal no preenchimento do PER/DCOMP por parte da recorrente, já que, ao invés de indicar no campo "Exercício" o ano de 2005 (ano calendário 2004) a recorrente informou o "Exercício 2004" [...]. 16. Em outros termos, as compensações efetuadas pela recorrente não foram homologadas pela Receita Federal do Brasil em virtude de meras questões formais, as quais poderiam ter sido facilmente solucionadas por uma simples intimação sua, para retificar, o mencionado PER/DCOMP, o que teria sanado facilmente o problema , sem maiores transtornos. 17. Ressaltese, inclusive, que a recorrente chegou a preparar o PER/DCOMP anexo [...], visando retificar o de nº 03012.48051.140205.1.3:021975, inserindo corretamente a informação relativa ao exercício. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 248 4 18. Contudo, o sistema de informática da Receita Federal impediu a transmissão via Internet deste documento, uma vez que já havia sido expedido o despacho decisório ora sob exame, conforme comprovam as telas anexas [...]. 19. Data maxima venia, não merece prosperar o fundamento utilizado ria decisão ora recorrida, no sentido de que "não há possibilidade, neste momento processual, de retificálo, como pretende o interessado (... )", já que "o pedido" de compensação somente poderá ser retificado pelo próprio contribuinte mediante o programa PER/DCOMP e caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, conforme determinam os artigos 55 e 56 da. IN, 460 de 18/01/2004, em vigor à época da transmissão do aludido PER/DCOMP. Tal entendimento foi mantido nas instruções normativas., posteriores, a exemplo da IN 600/2005 até a atualmente em vigor (IN SRF nº. 900 de 30/12/2008), consoante transcrição dos .artigos pertinentes". 20. A razão de ser dos dispositivos supra citados visa evitar que os contribuintes alterem as informações relativas ao procedimento de compensação, de máfé e, ardilosamente, após a prolação do despacho decisório que a analisar, criando, com isso, embaraços à própria Fiscalização. Porém, não foi isso que aconteceu no caso ora examinado!!! 21. Com efeito, há de se ressaltar que o órgão julgador no âmbito administrativo tem o poderdever de examinar a situação ocorrida, agindo de bom senso: em busca da concretização do princípio da verdade material, não podendo .se furtar de tal missão. 22. Neste sentido, o excesso de formalismo adotado pelos ilustres Julgadores de primeira instância administrativa não está com consonância com os objetivos precípuos do processo administrativo. 23. Caberia, assim, à DRJ/SDR ultrapassar essa questão formal, a fim de concluir que, se o crédito de fato existe, não poderia o contribuinte que, em momento algum, agiu de máfé ser penalizado de tal forma, com a não homologação de sua compensação, em virtude, repitase, de um mero equívoco de preenchimento dos dados do PER/DCOMP, que não gerou qualquer tipo de prejuízo para o Fisco. 24. Em suma, concluise que as compensações efetuadas devem ser homologadas, uma vez que o crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ (no valor de R$54.913,16) existe e já foi reconhecido, e o que ocorreu foi, tãosomente, um erro formal no preenchimento do PER/DCOMP, já que foi indicado no campo "Exercício" o ano de 2004, ao invés do Exercício de 2005 (ano calendário 2004), conforme consta do PER/DCOMP retificador anexo [...], cuja transmissão via Internet foi impossibilitada pelo sistema da Receita Federal do Brasil [...]. Concernente ao pedido expõe que: 25. Ante todo o exposto, pleiteia a recorrente pelo provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado, em parte, o Acórdão nº. 15 25.614, proferido pela 1ª Turma da DRJ/SDR, reconhecendo o crédito no valor de R$54.913,16, e, consequentemente, homologando a compensação objeto do PER[DCOMP nº 03012.48051.140205.1.3.021975. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 249 5 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal afirmando que incorreu em inexatidão material ao enviar o Per/DComp nº 03012.48051.140205.1.3.021975 utilizandose do saldo negativo de IRPJ no valor original de R$54.913,16, fls. 2933, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2003 para compensação dos débitos ali confessados, ao invés de indicar o anocalendário correto de 2004. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 250 6 imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após instaurada a fase litigiosa no procedimento. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 251 7 material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza1. Analisando o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, Per/DComp nº 03012.48051.140205.1.3.021975 foi examinado como saldo negativo de IRPJ no valor original de R$54.913,16, fls. 2933, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2003 e não do mesmo modo como do anocalendário de 2004, que a Recorrente alega ser o correto. Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram 1 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13558.900656/200835 Acórdão n.º 1003000.652 S1C0T3 Fl. 252 8 produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Pertinente a alegação de boafé cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada pela Recorrente, destarte, não é cabível. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.005399/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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RETENÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente FUND CEAL DE ASSISTENCIA SOCIAL E PREVIDENCIA FACEAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 53 99 /2 00 7- 21 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10410.005399/200721 Acórdão n.º 2402007.146 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa perspectiva, adotamos o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.143 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 19515.720510/201439, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.143 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em resistência ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Devidamente intimado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando pela improcedência do Lançamento. É o relatório. " Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Assim sendo, ao presente litígio aplicase a decisão de mérito plasmada no Acórdão nº 2402007.143 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 19515.720510/201439, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402007.143 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 20. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10410.005399/200721 Acórdão n.º 2402007.146 S2C4T2 Fl. 4 3 Acórdão nº 2402007.143 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 3. Da declaração de inconstitucionalidade O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil ora vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte do Conselheiro. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí, porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10410.005399/200721 Acórdão n.º 2402007.146 S2C4T2 Fl. 5 4 Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. No caso concreto, vêse que o lançamento tem como fato gerador a prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto no inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9876/99, que era assim redigido: Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do citado dispositivo (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). Segue a ementa da decisão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10410.005399/200721 Acórdão n.º 2402007.146 S2C4T2 Fl. 6 5 do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) (destacouse) Foi, inclusive, negada a modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 25022015) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, tomadas, respectivamente, em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser reproduzidas por suas Turmas. Logo, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10410.005399/200721 Acórdão n.º 2402007.146 S2C4T2 Fl. 7 6 dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento ora em debate. 3. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002067/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.
A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária, que não apresentem declaração em conjunto, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da exigência (Súmula CARF nº 29).
Numero da decisão: 2301-006.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento os valores decorrentes dos depósitos efetuados na conta conjunta (Súmula Carf nº 29).
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária, que não apresentem declaração em conjunto, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da exigência (Súmula CARF nº 29).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento os valores decorrentes dos depósitos efetuados na conta conjunta (Súmula Carf nº 29). João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária, que não apresentem declaração em conjunto, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da exigência (Súmula CARF nº 29). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 20 67 /2 00 8- 76 Fl. 270DF CARF MF 2 Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento os valores decorrentes dos depósitos efetuados na conta conjunta (Súmula Carf nº 29). João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Em 17/03/2008 foi lavrado o Auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (efls. 7 e ss) contra o contribuinte acima identificado referente a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada anocalendário 2004,no valor de R$ 223.006,81 (imposto), acrescido de multa de 75% e juros moratórios, totalizando R$ 477.524,47. Os valores de depósitos cujas origens não foram comprovados encontramse às efl. 9, a seguir reproduzido: Consta ainda no Termo de Encerramento (efls. 11/13) as seguintes informações que descrevem o contexto da ação fiscal: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Acórdão n.º 2301006.002 S2C3T1 Fl. 259 3 Apontamos também as tabelas de efls. 99 e 100 que demonstram a conciliação bancária feito no curso da ação fiscal: Fl. 272DF CARF MF 4 Apresentada impugnação, a mesma foi julgada improcedente e o crédito tributário mantido nos termos do Acórdão nº1131.636 (efls. 194 e ss) da DRJ/CGE. Cientificado da decisão, apresentou Recurso Voluntário (efls. 208 e ss) alegando, em preliminar, a nulidade da autuação por falta de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, e, no mérito, repisando as informações da impugnação de que os depósitos são originários de atividade comercial de pessoa jurídica (firma individual) com as empresas do Grupo João Lira. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Acórdão n.º 2301006.002 S2C3T1 Fl. 260 5 O recorrente também alega que a conta corrente era de titularidade conjunta com a Sra. Maria F.B. da Silva, fato que pode ser comprovado pelo extrato da conta corrente no Banco do Brasil, ag. 11371 conta 11.2291, (efl. 48), bem como no acórdão recorrido, verbis: Dos Depósitos de Origem Não Comprovada Discutese nos presentes autos o lançamento por omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes bancárias, no anocalendário de 2004, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foram comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado pela fiscalização Argumenta o Impugnante que a sua empresa, a firma individual REGINALDO BATISTA DA SILVA era prestadora de serviços do Grupo João Lira (Laginha Agro Industrial S/A), recebendo várias faturas, demonstrando, assim, a origem das entradas de dinheiro em suas contas correntes, principalmente a que se refere ao Banco Rural S/A. Também afirma que, apesar de as NF estarem em nome da empresa do Autuado, era costume receber pagamentos em nome da pessoa física. Sem razão o Impugnante, uma vez que, segundo o conteúdo do Termo de Intimação Fiscal, à fl 94, dos autos, os créditos efetuados na conta corrente do contribuinte não são oriundos de atividade comercial, segundo documentos constantes na base de dados da RFB. Ademais, a conta corrente é conjunta, tendo como segunda titular a Sra. Maria F B Silva, sendo, não utilizada, também para receber depósitos oriundos de atividade comercial. Não conseguindo o Contribuinte se desvencilhar de seu ônus probatório, não há como acatar as suas alegações defensórias. Com relação à conta corrente no Banco Rural, apesar de o recorrente alegar em recurso que a conta seria conjunta, não consta nenhum documento comprobatório nos autos. Em sessão de 06/07/2017, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2301000.665 (efls. 243/245) para que a autoridade autuante informasse: a) se a cotitular da conta corrente nº 11.2291 Agência nº 1.1371 Banco do Brasil Sra. Maria F.B. Silva foi intimada para comprovar a movimentação bancária previamente ao lançamento, nos termos da Súmula CARF nº 29; b) se a conta corrente nº 88.0016632, agência nº 0035 Banco Rural era de titularidade exclusiva do recorrente; c) se a Sra. Maria F.B. Silva apresentou Declaração de Ajuste IRPF referente ao Exercício 2005, Anocalendário 2004 em separado do recorrente. Fl. 274DF CARF MF 6 Após, dêse ciência ao interessado e prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Em informação prestada pela unidade de origem (efls. 249/250) consta que: a) não foi localizada nenhuma intimação à Sra. Maria de Fátima Batista da Silva; b) não foi encontrado no dossiê de fiscalização nenhum documento que comprove que a conta nº 88.0016632, agência nº 0035 Banco Rural fosse conjunta; e c) a Sra. Maria de Fátima Batista da Silva apresentou declaração IRPF Modelo Simplificado Ex.2005/AC 2004 em separado do recorrente, Sr. Reginaldo Batista da Silva. O contribuinte foi intimado a se manifestar sobre as informações do Termo de Diligência Fiscal, conforme AR de efl. 251, deixando de manifestarse. É o relatório. Voto Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço. PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE NNUULLIIDDAADDEE DDAA AAUUTTUUAAÇÇÃÃOO PPOORR FFAALLTTAA DDEE AAUUTTOORRIIZZAAÇÇÃÃOO JJUUDDIICCIIAALL PPAARRAA QQUUEEBBRRAA DDEE SSIIGGIILLOO BBAANNCCÁÁRRIIOO Apesar da irresignação do contribuinte com a quebra do seu sigilo bancário, verificase que o mesmo ocorreu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001), portanto dentro dos limites legais. Em relação à legalidade dos diplomas referenciados, este Órgão Administrativo já se posicionou, nos termos da Súmula CARF nº 35: O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, em 24/02/2016, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da LC 105/2001, bem como sua aplicação retroativa: RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Acórdão n.º 2301006.002 S2C3T1 Fl. 261 7 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 276DF CARF MF 8 Tanto a Súmula como o entendimento jurisprudencial são de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do arts. 45, VI e 62, § 2º do RICARF (Portaria MF 343/2015). Da análise dos autos, constatase que procedimento de fiscalização transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário do recorrente. Sem razão. MMÉÉRRIITTOO DDEEPPÓÓSSIITTOOSS BBAANNCCÁÁRRIIOOSS Inicialmente, cabe lembrar que o lançamento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada encontra suporte no art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Tal dispositivo institui uma presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra se inverídica. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Acórdão n.º 2301006.002 S2C3T1 Fl. 262 9 Sobre a matéria este Conselho já emitiu diversas súmulas, destacamos algumas a saber: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 29 (VINCULANTE): Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. CCOONNTTAA BBAANNCCÁÁRRIIAA CCOONNJJUUNNTTAA O recorrente aduz em impugnação e recurso voluntário que a conta corrente por ser conjunta com sua esposa não tem o condão de afastar a alegação de que os valores ali transitados sejam decorrentes de sua atividade como pessoa jurídica. Inicialmente, cabe destacar que, do resultado da diligência, constatase que a conta do Banco do Brasil era conjunta, que ambos os titulares entregaram DIRPF do Ex2005/Ac 2004 separadamente e que a cotitular não foi intimada sobre a ação fiscal. Nesse sentido temos que a Súmula Vinculante CARF nº 29 consagrou o entendimento de que todos os cotitulares, quando declarem em separado, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos bancários nela efetuados, sob pena de nulidade do lançamento. Por sua vez no voto da relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo do Acórdão nº 9202003.742 da CSRF ficou explicitado o entendimento que deve ser dado na aplicação da Súmula Vinculante nº 29, verbis: Na aplicação desta súmula, devem ser observados dois aspectos: quando a súmula especifica que os cotitulares devem ser intimados, obviamente ela se refere aos casos de conta conjunta em que a lei determina a divisão proporcional dos depósitos (§ Fl. 278DF CARF MF 10 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), até porque a súmula não faz lei, e sim torna mais prática e célere a aplicação da lei; a "nulidade do lançamento" referida na súmula deve ser interpretada como "exclusão, da base de cálculo, dos depósitos relativos a contaconjunta, cujos cotitulares declarem em separado e não tenham sido intimados"; com efeito, em nenhum dos acórdãos que deram suporte a esta súmula se promoveu a declaração de nulidade do lançamento, mas tãosomente a exclusão dos respectivos depósitos. Portanto, no caso dos autos, estando presentes todas as condições para a aplicação da Súmula Carf nº 29, e considerando que um dos cotitulares não foi intimado, deve se excluir do lançamento os valores referentes à conta conjunta. Com relação à conta corrente junto ao Banco Rural não foi apresentado qualquer documento que comprovassse tratarse de conta conjunta, portanto não é aplicável o entendimento da Súmula nº 29. CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO DDAA OORRIIGGEEMM EE DDEESSTTIINNAAÇÇÃÃOO DDOOSS VVAALLOORREESS MMOOVVIIMMEENNTTAADDOOSS NNAASS CCOONNTTAASS CCOORRRREENNTTEESS O recorrente alega que comprovou, no curso da ação fiscal, através de vasta documentação, que a movimentação das contas correntes provinha de sua atividade comercial na pessoa jurídica Reginaldo Batista da Silva ME. Portanto não poderia ter sofrido lançamento com base no art. 42 da Lei 9430/96, "porquanto inequívoca a movimentação de valores da pessoa jurídica, tanto que decotado do lançamento valores pela própria autoridade administrativa". Argumenta que de toda a movimentação financeira contida nas suas contas bancárias (R$ 7.464.833,55), apenas R$ 810.933,87 foi considerado pela fiscalização como não comprovado, portanto menos de 11% não teria sido comprovado. Desta forma, entende que é notória a demonstração de que as contas eram utilizadas para os recebimentos da sua pessoa jurídica, portanto a fiscalização teria errado na identificação do real sujeito passivo, que seria a pessoa jurídica. Ainda, que "a resumida decisão da DRJ, não apreciou as informações disponíveis nos autos que apontam para o cancelamento do equivocado lançamento (...)". Da análise dos autos, verificase que tais alegações não procedem, uma vez que a decisão de piso analisou todas as questões trazidas na impugnação, não havendo documentos que comprovassem a origem dos depósitos bancários que compuseram a base de cálculo do lançamento. Também em sede recursal, não foram trazidos novos documentos que pudessem afastar o lançamento. Importa salientar que, no curso da ação fiscal, foi feita a devida circularização com as empresas que efetuaram os pagamentos ao recorrente para a comprovação dos valores que transitaram pelas suas contas bancárias e, como explicitado no demonstrativo de efl. 100, verbis: OBSERVAÇÃO: 1 Valores informados por Laginha Agro Industrial Trialcool CNPJ 12.274.379/000700 e Laginha Agro Industrial SA Vale Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Acórdão n.º 2301006.002 S2C3T1 Fl. 263 11 CNPJ 12.274.379/000964, depositados na conta corrente da Pessoa Física ora fiscalizada. 2 Os pagamentos efetuados por Laginha Agro Industrial SA Matriz CNPJ 12.274.379/000107, por Laginha Agro Industrial SA Guaxuma CNPJ 12.274.379/000450 e Laginha Agro Industrial SA Uruba CNPJ 12.274.379/000530, não foram depositados na conta corrente da Pessoa Física do contribuinte em tela. 3 Depósitos/créditos não relacionados com a atividade comercial do contribuinte (depósito, dep 24 h e cred/netpag. Ademais, os recibos apresentados quando da impugnação estão datados extemporaneamente, no ano de 2008, portanto não se prestam a comprovar a movimentação financeira do ano de 2004. A comprovação da origem dos depósitos bancários deve ser feita através de documentação hábil e idônea, com a coincidência de datas e valores, caso contrário o lançamento não pode ser afastado. Portanto, sem razão ao recorrente. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento os valores decorrentes dos depósitos efetuados na conta conjunta (Súmula Carf nº 29). João Maurício Vital Relator Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 10707.000404/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DEFESA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice.
IRPF. DEDUÇÕES LEGAIS.
As deduções de dependentes, de despesas médicas, de despesas com instrução e de contribuição a plano de previdência privada, somente são permitidas quando preenchidos os requisitos legais de regência.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
E cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência quando restar comprovado o intento doloso da contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de eximir-se da cobrança do imposto de renda.
Numero da decisão: 2402-007.246
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEFESA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. IRPF. DEDUÇÕES LEGAIS. As deduções de dependentes, de despesas médicas, de despesas com instrução e de contribuição a plano de previdência privada, somente são permitidas quando preenchidos os requisitos legais de regência. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. E cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência quando restar comprovado o intento doloso da contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de eximir-se da cobrança do imposto de renda.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. IRPF. DEDUÇÕES LEGAIS. As deduções de dependentes, de despesas médicas, de despesas com instrução e de contribuição a plano de previdência privada, somente são permitidas quando preenchidos os requisitos legais de regência. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. E cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência quando restar comprovado o intento doloso da contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de eximirse da cobrança do imposto de renda. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 04 04 /2 00 8- 65 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10707.000404/200865 Acórdão n.º 2402007.246 S2C4T2 Fl. 256 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 238) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação contra lançamento de IRPF no valor de R$ 37.418,86 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre glosa de despesas médicas, dedução de dependentes, dedução de despesas com instrução e dedução de despesas com plano de previdência privada, declaradas nas DIRPF dos exercícios de 2004 a 2007. Consta da decisão recorrida o seguinte relatório dos fatos verificados no processo até aquele momento: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10707.000404/200865 Acórdão n.º 2402007.246 S2C4T2 Fl. 257 3 Ao analisar o caso, em 26.03.2009, entendendo a autoridade de piso que o contribuinte: 1) apresentou documentos referentes a despesas com instrução não informadas em suas declarações e que não trouxe nenhum documento que comprovasse as informações declaradas; 2) apresentou recibos de despesas médicas sem que tais documentos comprovassem a ocorrência das despesas declaradas; 3) não apresentou qualquer documento para cancelar as glosas de deduções de dependentes ou as glosas de despesas com plano de previdência privadas; e 4) não apresentou qualquer argumento válido para afastar a aplicação multa de oficio qualificada, decidindo, ao final, pela improcedência da impugnação e pela manutenção o credito lançado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, trazendo em síntese as mesmas argumentações da impugnação, ressaltando, porém, que consta da DIRPF 2005 o pagamento de despesas médicas em favor de sua esposa Patrícia Cerqueira Lõsch e, também, que não cabe a aplicação de multa de ofício sobre o valor da glosa da restituição IRPF realizada ao recorrente. Pede, ao final, o cancelamento do auto de infração ou ao menos a redução da multa de ofício para 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10707.000404/200865 Acórdão n.º 2402007.246 S2C4T2 Fl. 258 4 Quanto as alegações do recorrente No que tange às despesas odontológicas com realizadas junto à Patrícia Cerqueira Lõsch, odontóloga, levando em consideração o fato tratar de despesas com altos valores e incomuns para a renda declarada do contribuinte e, ainda, considerando o fato de a profissional prestadora do suposto serviço ser a sua própria esposa, caberia ao contribuinte demonstrar a efetiva prestação da atividade, mediante a apresentação de outros documentos rotineiramente usados para tal demonstração, como por exemplo: exames laboratoriais, prontuário, cheques emitidos, comprovantes de saque, etc. Tais documentos, entretanto, não foram apresentados em momento algum do processo, sendo, portanto, correta a glosa da declarada despesa. Sobre a alegação de que declarou despesas odontológicas junto à suas esposa odontóloga (Patrícia Cerqueira Lõsch) na DIRPF 2005 (ano calendário 2004), embora o resultado de tal alegação não afete o lançamento em apreço, apenas para informação do contribuinte, analisada a referida declaração, não constam despesas junto à apontada profissional. Quanto à multa de ofício, tal penalidade foi aplicada sobre o IRPF resultante de glosas de diversas despesas e deduções ilegais, além de restituições indevidas obtidas em razão de informações falsas prestadas pelo contribuinte e, ainda, porque a constituição do crédito tributário se deu por lançamento de ofício, sendo, portanto, cabível a exigência da penalidade, nos termos do art. 44, I, da Lei 9430/96. Em relação às demais alegações, por se tratarem de meras repetições procrastinatórias de argumentos apresentados na impugnação, cuja autoridade de piso já as enfrentou e superou, em razão das conclusões da DRJ não diferirem do entendimento a ser aplicado neste voto, com fulcro no art. 57, §3º do RICarf, colacionase abaixo excerto daquela decisão, tratando da matéria: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10707.000404/200865 Acórdão n.º 2402007.246 S2C4T2 Fl. 259 5 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10707.000404/200865 Acórdão n.º 2402007.246 S2C4T2 Fl. 260 6 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912628/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1201-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
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ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 26 28 /2 00 9- 48 Fl. 133DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 46/51, de n. 25829.77945.220705.1.3.045913, de 02/07/2005, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos de IRPJ 2362 (R$ 38.096,09, Estimativa outubro de 2004). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 831219901 (efl. 41), de 09/04/2009, que decidiu: "Analisadas as informações prestadas no documento acima Idimtilicado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 91/92): Manifestação de Inconformidade 5. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 30/04/2009, conforme documento à fl. 69. Irresignado, o contribuinte apresenta em 02/06/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 07, onde, em síntese, argumenta: 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 O manifestante menciona que "houve a disponibilização do crédito em suas declarações fiscais". Neste contexto, tece diversas considerações, no intuito de validar o crédito utilizado na DCOMP: 5.2.1 Informa que no período de janeiro a dezembro/2004 apurou a CSLLEstimativa Mensal mediante o levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução, apurando um valor a pagar no importe de R$ 5.699.811,41 no mês de outubro. O valor apurado foi quitado por pagamentos através de DARF. Apresenta planilha demonstrativa e conclui: "todo o valor do terceiro DARF (..) constitui crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e não precisa necessariamente compor o saldo negativo anual. 5.2.2 A fundamentação indicada pela DRF para a não homologação das compensações declaradas reportase ao art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Argumenta que a restrição contida neste artigo foi abolida pela IN RFB n° 900, de 2008. 5.2.2.1 "Seja como for, o fato é que a Instrução Normativa n° 600/2005 jamais pretendeu impedir a compensação nos moldes feitos pela requerente(negrito do original)."Afirma que "o Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10680.912628/200948 Acórdão n.º 1201002.905 S1C2T1 Fl. 134 3 objetivo da norma era vedar a compensação de recolhimentos efetivamente devidos feitos a título de estimativa que superassem o tributo devido pelo balancete de suspensão/redução, e não o crédito decorrente de pagamentos indevidos a título de estimativa .feitos em um determinado período". 5.2.2.2 O manifestante tece diversas considerações acerca do assunto, concluindo: "em termos práticos, pouco importa o pagamento a maior de estimativa ser aproveitado como tal, ou compor o: saldo negativo e este ser compensado após o .final do ano (..)" Busca amparo para suas alegações no art. 165 do CTN e ilustra com Acórdão do Conselho de Contribuintes e com texto de Ives Gandra Martins. 5.3 Por fim, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade e a conseqüente homologação das compensações declaradas. 5.4 Protesta ainda "por todos os meios de prova em direito admitidos". 6. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.70). A Delegacia de Julgamento (Acórdão n. 0223.888 3ª Turma da DRJ/BHE, efls. 89/104) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que: a) não foram apresentada provas do crédito alegado pelo recorrente; b) qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do IR/CSLL e traduzse no "Saldo Negativo" de IRPJ ou CSLL; c) a apuração de balanço de suspensão deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto por estimativa (arts. 11 a 12 da IN SRF n° 093, de 1997). Nos termos do voto da decisão de primeira instância: Indiscutivelmente, as provas devem ser apresentadas na impugnação, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4° do art. 16 acima transcrito não é o caso; Quaisquer pagamentos ou retenções ocorridas no decorrer do período em curso reportamse a meras antecipações de um imposto/contribuição que somente, será apurado no final deste período. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do IR/CSLL e traduzse no "Saldo Negativo" de IRPJ ou CSLL; A legislação tributária facultou ao contribuinte o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução como outra forma de apurar o IR/CSLL a antecipar. Entretanto, esta apuração deve ser efetuada, por óbvio, até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF N° 093, de 1997); O somatório dos pagamentos invocadas pelo contribuinte. são insuficientes para extinguir o valor do IRPJ informado na DCTF apresentada em 17/03/2005, no valor de R$ 6.624.346,96. Fl. 135DF CARF MF 4 o último valor encontrado pelo contribuinte para o IRPJ Estimativa Mensal referente ao mês de outubro/2004 importa em R$ 5.699.811,43 e somente foi declarado ao fisco em 22/07/2005, através da DCTFRetificadora n° 1790428497. Esta é a mesma importância informada pelo contribuinte da DIPJ Retificadora; Para que o contribuinte suspenda ou reduza o valor apurado desta forma é imprescindível o levantamento do balanço/balancete de suspensão até a data de vencimento desta antecipação(art. 51 da Lei n° 8.383, de 1991); Todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte no decorrer do período de apuração, ainda que efetuados em valor maior que o estimado — fato não comprovado neste processo devem ser deduzidos do imposto/contribuição apurados no final do período para então, quantificar as possíveis antecipações efetuadas a maior, passíveis de restituição ou compensação; Cientificada da decisão de primeira instância em 14/10/2009 (efl. 108) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 12/11/2009 (efl. 109), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: . o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento baseiase em duas falsas premissas, a saber: 1) As estimativas indevidamente pagas não são passíveis de compensação sem que componham o saldo negativo do final do exercício; 2) A tentativa de compensar estimativas indevidas como pagamento a maior / indevido representam pedido de compensação vedada pela legislação de regência; em outubro, conforme a última DCTF entregue, o contribuinte apurou débitos de IRPJ pela estimativa, no montante de R$ 5.699.811,43; Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, imperativo considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas o Despacho Decisório entendeu de forma diversa, ao prescrever que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima Idimtilicado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10680.912628/200948 Acórdão n.º 1201002.905 S1C2T1 Fl. 135 5 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Esta liquidez deve ser avaliada a partir daquele Despacho Decisório. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.903849/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
Numero da decisão: 1201-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos para a Unidade local competente para a análise do direito creditório pleiteado, retomando-se a partir do novo despacho decisório, o rito processual habitual, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos para a Unidade local competente para a análise do direito creditório pleiteado, retomando-se a partir do novo despacho decisório, o rito processual habitual, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF com a sua posterior retificação, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ e a DCTF para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos para a Unidade local competente para a análise do direito creditório pleiteado, retomandose a partir do novo despacho decisório, o rito processual habitual, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 38 49 /2 01 3- 90 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 12448.903849/201390 Acórdão n.º 1201002.897 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentando conta decisão que indeferiu a a seguinte Declaração de Compensação entregue pela contribuinte: – PER/DCOMP nº 03849.61559.190213.1.2.044925, por meio da qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração referente ao 3º trimestre de 2012(30/09/2012), com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 106.078,51, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF de mesmo valor, recolhido em 29/12/2012. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, às fls. 05, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que: Apura seu lucro através do presumido e que no ano calendário de 2012 equivocadamente incluiu as receitas financeiras pelo regime de competência. Ressalta que a legislação, em especial o art. 37, inciso II da IN nº 93/19997 determina que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras só deverão compor a base do lucro presumido na ocasião da alienação, resgate ou cessão. A contribuinte afirma que recalculou o imposto devido e apresenta a planilha com os novos valores. Reconhece que não retificou a DCTF para demonstrar o pagamento indevido ou a maior Nestes termos, requereu que fosse acolhida a sua impugnação para homologar a compensação requerida. O Acórdão 1149.927 (fls. 56 e ss) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 12448.903849/201390 Acórdão n.º 1201002.897 S1C2T1 Fl. 4 3 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Inconformado com a decisão, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 69 e ss) reiterando os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 15/05/2015 (fls. 65) e seu recurso voluntário foi juntado aos autos em 15/06/2015 (fls. 69). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. A partir dos elementos constantes dos autos, verificamos a ocorrência dos seguintes fatos: em 19/02/2013, a contribuinte transmitiu a PER/DCOMP em lide; em 03/05/2013 foi emitido o Despacho Decisório, o qual decidiu pela não homologação do PER/DCOMP em lide, tendo em vista que o crédito analisado, pelas características do DARF discriminado no PER/DCOMP, tinha sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte; a ciência da interessada do Despacho Decisório ocorreu em 13/05/2013 conforme AR; a contribuinte apresentou as seguintes DCTF, relativas ao ano calendário de 2012: CNPJ Período Data Recepção Período Inicial Período Final Número da Declaração 13.395.186/000177 mar/12 21/05/2012 01/03/2012 31/03/2012 100.201.220.121.860.000.000 13.395.186/000177 jun/12 20/08/2012 01/06/2012 30/06/2012 100.201.220.121.860.000.000 13.395.186/000177 jul/12 24/09/2012 01/07/2012 31/07/2012 100.201.220.121.810.000.000 13.395.186/000177 set/12 21/11/2012 01/09/2012 30/09/2012 100.201.220.121.830.000.000 13.395.186/000177 dez/12 22/02/2013 01/12/2012 31/12/2012 100.201.220.131.891.000.000 a contribuinte apresentou, em 21/11/2012, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF original relativa ao 3º Trimestre de 2012, onde consta IRPJ cód. 2089 – no valor apurado de R$ 106.078,51, a qual se encontrava ativa quando da ciência do Despacho Decisório. a contribuinte apresentou em 27/06/2013 a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ original relativa a todo o anocalendário de 2012 (fls. 95), onde constam como receitas tributáveis pelo Lucro Presumido somente os rendimentos de aplicações financeiras resgatados a cada trimestre. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 12448.903849/201390 Acórdão n.º 1201002.897 S1C2T1 Fl. 5 4 Assim, os exames da existência, ou não, do pretendido direito creditório pela DRF e pela DRJ foram feitos à luz dos elementos contidos na DCTF ativa à época, entregue pela contribuinte e constante dos sistemas de controle da RFB, sem que tenha sido considerada a informação contida na DIPJ. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou DCTF retificadora entregue em 28/05/2015 (fls. 97), na qual foi retificado o valor de IRPJ devido no mês de setembro de 2012 para zero, isto é, após a decisão da DRJ e durante o prazo de apresentação do presente Recurso Voluntário. Segundo o regime do Lucro Presumido, pelo qual a Recorrente apurava o IRPJ e a CSLL, o contribuinte pode optar por apropriar suas receitas tributáveis pelo regime de competência ou pelo regime de caixa. Nesse sentido, as normas para apuração do Lucro Presumido com base no regime de caixa vigentes para o anocalendário de 2012 estavam previstas na Instrução Normativa SRF n. 104/98, que assim dispunha: Art. 1o A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2o Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3o Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4o O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Todavia, mesmo para as pessoas jurídicas que reconhecem as suas receitas tributáveis pelo regime de competência, há previsão de que algumas receitas devem ser Fl. 120DF CARF MF Processo nº 12448.903849/201390 Acórdão n.º 1201002.897 S1C2T1 Fl. 6 5 necessariamente tributadas pelo regime de caixa. Nessa linha, é importante destacar o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. 93/97, que assim estabelecia: Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: (...) III os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável; (...) § 2o O lucro presumido será determinado pelo regime de competência. (...) Art. 37. Excetuamse da regra estabelecida no § 2o do artigo anterior: I os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa; II os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável. § 1o Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. § 2o Relativamente aos ganhos líquidos a que se refere o inciso II, o imposto de renda sobre os resultados positivos mensais apurados em cada um dos dois meses imediatamente anteriores ao do encerramento do período de apuração será determinado e pago em separado, nos termos da legislação específica, dispensado o recolhimento em separado relativamente ao terceiro mês do período de apuração. § 3o Os ganhos líquidos referidos no inciso II, relativos a todo o trimestre de apuração, serão computados na determinação do lucro presumido, e o montante do imposto pago na forma do parágrafo anterior será considerado antecipação, compensável com o imposto de renda devido no encerramento do período de apuração. Dessa forma, resta claro que ainda que a Recorrente tenha errado o cálculo trimestral do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Presumido, considerando as receitas decorrentes de aplicação financeira pelo regime de competência, ela deveria ter reconhecido tais receitas tributáveis pelo regime de caixa. Assim, agiu corretamente a Recorrente ao informar na sua DIPJ original o montante das receitas de aplicações financeiras resgatadas para todos os trimestres. E age corretamente ao retificar as DCTFs relativas aos meses em que houve recolhimento errôneo baseado em cálculo do Lucro Presumido pelo regime de competência no que tange aos rendimentos de aplicações financeiras. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 12448.903849/201390 Acórdão n.º 1201002.897 S1C2T1 Fl. 7 6 A aplicação da norma contida no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. 93/97, já constante na DIPJ original, bem como a retificação da DCTF, ainda que no curso do presente processo administrativo, demonstra que a Recorrente possui desde o início o direito creditório. Desse modo, entendo que há um grande indício de liquidez e certeza quanto ao crédito contra a Fazenda Nacional, devendo a Unidade Local Competente analisar a DCOMP à luz da DCTF retificadora, uma vez que a retificação efetuada está devidamente amparada por documentação hábil e pela base normativa do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. 93/97. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório pleiteado, retomando se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000619/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO PELO ART. 170-A DO CTN.
A compensação tributária, declarada antes do trânisto em julgado da ação judicial que reconheça os indébitos, é vedada pelo artigo 170-A do CTN. Aplicação vinculante do Resp 1.164.452/MG.
Numero da decisão: 3201-005.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício).
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Júnior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO PELO ART. 170-A DO CTN. A compensação tributária, declarada antes do trânisto em julgado da ação judicial que reconheça os indébitos, é vedada pelo artigo 170-A do CTN. Aplicação vinculante do Resp 1.164.452/MG.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Júnior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
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E COM. DE AUTOPEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO PELO ART. 170A DO CTN. A compensação tributária, declarada antes do trânisto em julgado da ação judicial que reconheça os indébitos, é vedada pelo artigo 170A do CTN. Aplicação vinculante do Resp 1.164.452/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Júnior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 06 19 /2 00 7- 14 Fl. 275DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMP apresentadas pela contribuinte acima qualificada, com o fim de ver compensados créditos contra a Fazenda Nacional, no montante de R$ 130.500,00, que teriam sido reconhecidos em ação judicial (Mandado de Segurança n.° 2001.72.06.0001378). Em análise das DCOMP apresentadas, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages/SC (DRF/Lages/SC) entendeu de não homologálas (Despacho Decisório às folhas 213 a 217), fazendoo com base na alegação de que à época da apresentação das DCOMP, a contribuinte ainda não detinha decisão judicial transitada em julgado que lhe reconhecesse o crédito declarado. Assim, com base no artigo 170A do Código Tributário Nacional CTN e no artigo 74 da Lei n.° 9.430/1996, não haveria como homologar as compensações declaradas. Complementarmente, afirma a DRF/Lages/SC que a decisão judicial somente autorizou a compensação dos créditos do PIS com débitos do próprio PIS, o que também justificaria a não homologação das compensações. Irresignada com a não homologação de suas compensações, apresentou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 226 a 232, na qual expõe suas razões. Inicialmente, alega ser incorreta a posição da autoridade fiscal de considerar que o crédito discutido em ação judicial só pode ser utilizado depois do trânsito em julgado da decisão. Usa como base para sua afirmação o permissivo posto no artigo 11 da Lei n.° 9.779/1999. Conclui dizendo que "concordamos que é certo o procedimento da não homologação dos débitos caso os créditos não sejam autorizados pela legislação vigente. Mas, neste caso existe dispositivo legal que permite a utilização dos créditos e consequentemente a compensação". Alega a contribuinte que apesar de ter efetuado as compensações antes da decisão judicial transitada em julgado, já havia decisão de primeira instância que lhe reconhecia o crédito, não havendo qualquer manifestação do juízo no sentido de restringir a compensação para apenas depois do trânsito em julgado. Entende que se o acórdão não fixou um marco inicial para as compensações, teria ela direito a compensar no periodo que desejasse. A seguir, contesta a contribuinte, por alegações de variada ordem, a restrição à compensação dos créditos de PIS com débitos de outros tributos. Tais alegações não serão aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão. Ao final, traz a contribuinte alegações contra o lançamento da multa isolada exigida em face da não homologação das compensações. Tal lançamento, entretanto, é objeto de outro Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.000619/200714 Acórdão n.º 3201005.290 S3C2T1 Fl. 3 3 processo (o de n.° 13984.001054/200792), que a este está apensado. A 4ª Turma da DRJ/Florianópolis/SC, por meio do Acórdão 0722.570, de 10/12/2010, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. No Recurso Voluntário, a recorrente reitera a possibilidade de compensação antes do trânsito em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A matéria já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito dos recursos repetitivos, no Resp 1.164.452/MG, que firmou a seguinte tese: Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização 'antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial', conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Assim, por aplicação do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, não assiste razão à recorrente nesta matéria. O Mandado de Segurança foi impetrado em 31/01/2001 (fl. 189), quando já vigente a LC 104/2001, que foi publicada em 11/01/2001 e conforme seu artigo 2º: Art. 2o Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação. O trânsito em julgado posterior à Declaração de compensação não convalida a Declaração de Compensação apresentada anteriormente, porque não há previsão legal para tanto, nem para os efeitos de tal pretendida convalidação. Fl. 277DF CARF MF 4 Portanto, voto por negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720269/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 69 /2 01 0- 18 Fl. 2344DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativa no mercado interno, referente a saldo credor que remanesceu ao final do 3º trimestre de 2004 após as deduções do valor a recolher dessa contribuição, objeto do PER/Dcomp nº 14789.26786.100709.1.1.110408, no valor de R$ 520.229,10, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) o percentual correto de rateio para o ressarcimento dos créditos seria de 30,58% para o mês de agosto e de 36,08% para setembro, pois representaria a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10925.720269/201018 Acórdão n.º 3402006.431 S3C4T2 Fl. 2.345 3 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento não acolheu as razões da manifestante, sob os seguintes argumentos principais: A interessada não se manifestou em relação à glosa dos créditos decorrentes das receitas de revenda de produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, 30.04 e nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, motivo pelo qual se considera tal matéria incontroversa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. O § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, não foi substituído pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Não houve revogação expressa, pois a Lei nº 10.925/2004 permanece vigente até a presente data, e tampouco tácita, pois as normas legais têm comandos de diferente significado, não havendo contrariedade entre elas, conforme entendimento da Solução de Consulta Cosit nº 50, de 19 de janeiro de 2017. A Solução de Consulta Cosit nº 326, de 20 de junho de 2017, corrobora o entendimento de que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 só permite a manutenção dos créditos regularmente apurados. O art. 16 da Lei nº 11.117/2005 apenas previu o aproveitamento dos créditos regularmente apurados, não alterando a vedação ao creditamento estabelecida em outros dispositivos legais. Cientificada dessa decisão em 27/02/2018, a interessada interpôs o recurso voluntário em 27/03/2018, sustentando, em síntese: i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. O presente pedido de ressarcimento de crédito referese ao período de agosto e setembro/2004, data em que já se encontrava em pleno vigor a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Logo, não se pode falar que as vendas de suínos para abate e de leite “in natura” efetuadas pela recorrente não se deram com suspensão. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. Fl. 2346DF CARF MF 4 iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10925.720269/201018 Acórdão n.º 3402006.431 S3C4T2 Fl. 2.346 5 A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 2348DF CARF MF 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 10925.720269/201018 Acórdão n.º 3402006.431 S3C4T2 Fl. 2.347 7 processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários vendidos com suspensão dessas contribuições. Observese: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Fl. 2350DF CARF MF 8 Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 10925.720269/201018 Acórdão n.º 3402006.431 S3C4T2 Fl. 2.348 9 Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 330100.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 3101 01.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 2352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720143/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INCONFORMISMO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO.
O inconformismo com a decisão proferida desafia recurso próprio, não restando caracterizada qualquer omissão passível de complementação pela Turma prolatora.
Numero da decisão: 3201-005.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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INCONFORMISMO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. O inconformismo com a decisão proferida desafia recurso próprio, não restando caracterizada qualquer omissão passível de complementação pela Turma prolatora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 43 /2 00 7- 06 Fl. 900DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3201003.392, de minha relatoria, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, devese conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Em despacho que admitiu os Embargos opostos, o Presidente desta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF assim resumiu a controvérsia: A embargante advoga a ocorrência de vício na decisão embargada, em decorrência de omissão "que clama, ao final, o efeito infringente ao presente recurso". Argumenta em síntese que a restrição do direito a outras provas sem qualquer base legal teria configurado preterição ao direito de defesa e a nulidade do acórdão. Defende ainda que, ao reconhecer a necessidade de revisão do despacho decisório e do Acórdão da DRJ manifestada no relatório de diligência, deveria ter dado provimento ao Recurso Voluntário, determinando nova decisão pela DRJ, de modo a manter a discussão em pelo menos duas instâncias administrativas. Os Embargos foram admitidos para fins de saneamento da referida omissão e os autos foram a mim remetidos para julgamento na condição de Relatora originária do feito. É o relatorio. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Despacho de Admissibilidade proferido resume a controvérsia: Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10768.720143/200706 Acórdão n.º 3201005.220 S3C2T1 Fl. 891 3 Em sua peça recursal de fls. 887 a 893, a embargante inicialmente sustenta que, ao adotar o entendimento manifestado pela fiscalização de que somente e apenas notas fiscais são suficientes para comprovar o direito creditório, "sem qualquer base legal e por mero subjetivismo", teria restringido seu direito a outras provas, configurando "preterição ao direito de defesa", o que ensejaria a nulidade do Acórdão embargado. Argumenta nesse sentido que (fls. 890): Dando continuidade a seu apelo, a embargante segue sustentando que a decisão embargada acolheu o relatório de diligência, o qual teria reconhecido que tanto o despacho decisório como o Acórdão da DRJ deveriam ser revisados, na medida em que deixaram de reconhecer direito demonstrado pela contribuinte. Mas defende que (fls. 891): Segundo a empresa, "ao julgar parcialmente procedente o recurso voluntário, o CARF está suprimindo uma instância de julgamento, quando omite o fato quanto ao indeferimento dos termos constantes na decisão proferida pela DRJ e impedindo o regular exercício do direito de defesa da Contribuinte em rediscutir a parte comprobatória desconsideradas pelos órgãos de piso". Destarte, colaciona julgado deste Conselho no qual se chegou ao entendimento de que "No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para a apreciação de mérito do pedido, com posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão, poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória". Fl. 902DF CARF MF 4 (...) Entendo presentes elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Com a devida vênia às razões de embargos, tenho que estes não merecem acolhida. O recurso tem claramente caráter revisional, o que demanda recurso próprio. Não se pode falar em "omissão" quando o ponto sobre o qual se insurge o embargante sequer foi aventado em momento anterior (nulidade da própria decisão embargada). O que defende o Embargante é que a decisão proferida por esta Turma está errada, contrária à tese defendida. Todavia, tal inconformismo não se confunde com omissão. Pelo exame das razões de Embargos, percebese claramente que a contribuinte discorda do resultado do acórdão proferido e pretende têlo revisto pela Turma prolatora. Transcrevo trechos dos Embargos: (...) Pelo exposto, ultrapassado o prévio juízo de admissibilidade efetuado por meio do Despacho da presidência desta Turma, voto por REJEITAR os Embargos de Declaração opostos. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10768.720143/200706 Acórdão n.º 3201005.220 S3C2T1 Fl. 892 5 Fl. 904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900956/2008-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. MOMENTO DE RETIFICAÇÃO DAS ESCRITURAÇÕES. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Caso se comprove que a obtenção de receitas decorrentes de aplicações financeiras foram devidamente tributadas em anos anteriores, de se permitir a compensação do IRRF respectivo, ainda que em anos posteriores. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.693
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. MOMENTO DE RETIFICAÇÃO DAS ESCRITURAÇÕES. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Caso se comprove que a obtenção de receitas decorrentes de aplicações financeiras foram devidamente tributadas em anos anteriores, de se permitir a compensação do IRRF respectivo, ainda que em anos posteriores. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
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IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. MOMENTO DE RETIFICAÇÃO DAS ESCRITURAÇÕES. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Caso se comprove que a obtenção de receitas decorrentes de aplicações financeiras foram devidamente tributadas em anos anteriores, de se permitir a compensação do IRRF respectivo, ainda que em anos posteriores. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 09 56 /2 00 8- 26 Fl. 208DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 192 à 199) interposto contra o Acórdão n° 1652.656, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (efls. 183 e 188), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: O presente processo trata do PER/DCOMP nº 29451.08488.011106.1.7.02 5200, retificador do PER/DCOMP nº 12829.48736.031103.1.3.023206, no qual foi declarada compensação de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário (AC) 1999 com débitos de IRPJ dos períodos de apuração de maio a julho de 2003, sendo de R$45.530,93 o valor original do crédito pleiteado (fls.5163). Por meio do despacho decisório eletrônico cujo nº de rastreamento é 775592840 (fls. 46), a Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório e, consequentemente, não homologou a compensação. O despacho decisório foi proferido nos seguintes termos: 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 221.489,73 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 221.489,73 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 175.958,80 Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Cientificada da decisão em 31/07/2008 (fls. 177), a contribuinte apresentou, em 29/08/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 0209, acompanhada dos documentos de fls. 10176, expondo as alegações a seguir resumidas. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16327.900956/200826 Acórdão n.º 1002000.693 S1C0T2 Fl. 209 3 A recorrente deixou de considerar retenções ocorridas no AC 1998, lançandoas apenas na DIPJ do AC 1999, o que não afeta seu direito à restituição do saldo negativo apresentado. Assim, o saldo negativo informado na ficha 13A da DIPJ do AC 1999 é composto também por retenções ocorridas no AC 1998, no valor de R$54.539,06, conforme ficha 13 da DIPJ do AC 1998 e demais documentos anexados à impugnação. A Administração não pode se furtar a aplicar a lei, sob pena de ilegalidade, como ocorreu no caso. Recusar a restituição alegando inexistência de crédito constitui ofensa aos princípios da moralidade, legalidade, verdade material e segurança jurídica. A utilização das retenções não pode ser limitada a um único período/exercício, pois não existe lei que vede a dedução de retenções em anos posteriores. Assim, os saldos negativos de IR podem ser compensados com o IR de períodos subsequentes. No caso, as retenções que não foram consideradas no anocalendário 1998 podem ser deduzidas no anocalendário 1999. Pelo exposto, requerse o acolhimento da defesa, homologando se as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 29451.08488.011106.1.7.025200. O teor meritório do Acórdão da DRJ consiste na inviabilidade de se reconhecer o direito creditório. De acordo com a autoridade de piso, o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser deduzido diretamente do imposto de renda apurado em exercícios posteriores, permitindo apenas ser decotado do imposto apurado no encerramento do período de apuração em que ocorreu a retenção. Quanto ao mais, a falta de lastro probatório é incapaz de identificar a liquidez e certeza (art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430/96) demandada na compensação. O Recurso Voluntário, em essência, reprisa os argumentos veiculados na exordial defensiva, rechaçando, ainda, a vertente de insuficiência e inacurácia probatória na instrução do PAF. Transcrevo os principais trechos: A controvérsia dos autos restringese apenas e tão somente a uma questão: a possibilidade de compensação do IRRF decorrente de aplicações financeiras em exercícios posteriores do IRPJ. Aduz o V. Acórdão recorrido que é impossível compensar referidos créditos, sendo possível a dedução direta somente no encerramento do período de apuração em que ocorreu a retenção. Data vénia, tal entendimento não encontra amparo legal nenhum! Ora, como bem explicitado em sede de manifestação de inconformidade, inexiste qualquer dispositivo legal ou infralegal Fl. 210DF CARF MF 4 que vede a compensação direta do IRRF em exercícios posteriores. (...) In casu, a situação é exatamente a descrita no artigo de lei! A Recorrente deixou de usufruir seus créditos decorrentes de retenções realizadas durante o exercício, nada mais justo do que poder usufruílos no exercício subsequente. Admitir o contrário seria nada menos do que legitimar o confisco e violar expressa disposição legal!! (...) Destarte, verificase que a compensação operouse de acordo com todos os ditamos legais, sendo injustificada, portanto, a negativa de reconhecimento do direito creditório. Todavia, ainda que se alegue que houve suposta impropriedade na DIPJ ou no PER/DCOMP, o que se admite apenas por argumentar, fato é que tratarseia de vício superável, visto que o efeito prático seria rigorosamente o mesmo. Nesse sentido, cabe citar a valiosa lição do V. Acórdão deste Conselho: (...) 15. Levandose em consideração o princípio da verdade material descrito por tal julgado administrativo, a conclusão é inexorável: o fato gerador não ocorreu! A tributação já foi devidamente retida quando do resgate da aplicação financeira, senda inadmissível impedir a compensação no caso em tela. Finalmente, quanto a supostas ausências de comprovação dos direitos creditórios, é importante esclarecer que todos os créditos encontramse devidamente comprovados. A Recorrente trouxe aos autos centenas de documentos contábeis, extratos, informes de rendimento, de sorte a comprovar todos os créditos apurados, tanto no ano calendário de 1999, quanto no de 1998. Deste modo, dúvida não há sobre o valor do crédito a ser compensado (visto que já demonstrado o cabimento da compensação em exercícios posteriores), qual seja, R$ 54.539,06 (cinquenta e quatro mil quinhentos e trinta e nove reais e seis centavos). Outrossim, eventuais divergências de valor não excluem o direito do contribuinte, eis que seu crédito deve ser devidamente corrigido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da homologação do PER/DCOMP. Não foram acostadas novos documentos em sede recursal. É o Relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16327.900956/200826 Acórdão n.º 1002000.693 S1C0T2 Fl. 210 5 Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da possibilidade de se permitir a compensação do IRRF em anos posteriores A primeira controvérsia recursal tange circunda a possibilidade de se reconhecer possível a compensação de IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras (renda fixa ou variável) em anos posteriores ao período de apuração. A DRJ entendeu que essa operação não é permitida em Lei, podendo apenas ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração em que ocorreu a retenção. Para melhor precisão, transcrevo os trechos do Acórdão a quo: A lide referese ao direito creditório pleiteado pela contribuinte no PER/DCOMP nº 29451.08488.011106.1.7.025200, relativo à parcela de R$45.530,93, declarada como parte de alegado saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário (AC) 1999, e não reconhecido pela Deinf/SP (fls.46). A impugnante alega que o saldo negativo informado na ficha 13A da DIPJ do AC 1999 seria composto também por IRRF relativo ao AC 1998, o qual não teria sido considerado na DIPJ do AC 1998. Consoante declarado no PER/DCOMP, esse saldo negativo seria composto por IRRF relativo a aplicações financeiras em fundos de investimento/renda fixa (fls.61). Para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável é considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, assim, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, podendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração, desde que as respectivas receitas financeiras integrem a base de cálculo do imposto. É o que dispõem os artigos 770 e 773 do RIR/99: Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitamse à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). Fl. 212DF CARF MF 6 (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º,Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II,Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; Tratandose de antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, o IRRF pode ser deduzido somente nesse próprio período. A respeito da matéria, citase solução de consulta emitida pela Superintendência da 4ª Região Fiscal: APLICAÇÕES FINANCEIRAS FONTE COMPENSAÇÃO O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração. Por outro lado, o saldo negativo do IRPJ, obtido em função da existência de saldo acumulado de IRRF, por ser passível de restituição, pode ser utilizado na compensação de débitos próprios, inclusive os decorrentes de responsabilidade tributária, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de Declaração de Compensação. Dispositivos Legais: Arts. 770, § 2º, I, e 773, I, do RIR/1999;art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, com redação da Lei nº 10.637, de 2002;arts. 5º, I e II, 10 e 26, §§ 1º e 9º, da IN SRF nº 600, de 2005. (Processo de Consulta nº 64/08. Órgão: SRRF / 4ª Região Fiscal. Publicação no D.O.U. 14.11.2008) Na situação hipotética de o IRRF retido ser superior ao IRPJ devido no encerramento do período, será apurado saldo negativo de IRPJ, este passível de compensação em períodos subsequentes, desde que atendidos os requisitos previstos em lei. Tal situação encontrase prevista no art. 526 do RIR/99: Art. 526. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16327.900956/200826 Acórdão n.º 1002000.693 S1C0T2 Fl. 211 7 integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34,Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º,Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 10). Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte ou pago seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto a pagar relativo aos períodos de apuração subseqüentes. Cabe ressaltar que o direito à compensação não é irrestrito e incondicionado, estando sujeito às condições impostas por lei, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Noutro giro, conforme relatado alhures, o Contribuinte sustenta que a hermenêutica carreada pela DRJ é assaz restritiva, e que escapa as lindes da legalidade e do amparo jurisprudencial já edificado neste e. CARF. Nesse aspecto, assiste razão ao Contribuinte. A jurisprudência desta c. Corte Recursal já se firmou na possibilidade de operacionalizar a compensação de IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras (renda fixa ou variável), ainda que em anos posteriores ao período de apuração: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. RECEITAS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. Confirmado através de diligência que as receitas decorrentes de aplicações financeiras foram devidamente tributadas em anos anteriores, de se permitir a compensação do IRRF respectivo, ainda que em anos posteriores. (Acórdão n° 1301003.304, Rel. Cons. Amélia Wakako Morishita Yamamoto, sessão de 16/08/2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. INEXISTÊNCIA. FACULDADE DA ADMINISTRAÇÃO. Não existe obrigação legal a determinar a realização de intimação ou diligência no curso da análise de processos de restituição/compensação. A norma do art. 7º, parágrafo único da IN SRF nº 21/97 apenas permite a realização de diligências, não configurando obrigação cujo descumprimento acarrete nulidade do procedimento. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Fl. 214DF CARF MF 8 Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. IRRF. RETENÇÃO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. A apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência enquanto a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do titulo). Tal descasamento deve ser levado em consideração na análise da formação do saldo negativo, devendo ser deferida a compensação do imposto de renda de fonte uma vez comprovados a retenção e o oferecimento do rendimento à tributação, mesmo que em anoscalendário diversos. (Acórdão n° 1401001.873, Rel. Cons. Livia De Carli Germano, sessão de 17/05/2017) Portanto, está correta a percepção legal carreada pelo Contribuinte, no que cinge à viabilidade de compensação em ocasião posterior. Do reconhecimento do direito creditório e a elementos probatórios Contudo, ainda que superado tal aspecto de possibilidade de se prosseguir com a avaliação do direito compensatório, este não se encontra passível de reconhecimento, haja vista a ausência de lastro probatório bastante para tanto. Conforme se extrai do Acórdão a quo, a autoridade de piso também cumpriu com o mister de analisar o acervo documental acostado aos autos, de modo que corretamente opinou por sua insuficiência, verbis: Cabe ressaltar que o direito à compensação não é irrestrito e incondicionado, estando sujeito às condições impostas por lei, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Art. 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. No âmbito dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria é regida pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96. Na época em que foi apresentado o PER/DCOMP nº 29451.08488.011106.1.7.025200 (01/11/2006, fls.58), referido dispositivo havia sido alterado pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, tendo a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16327.900956/200826 Acórdão n.º 1002000.693 S1C0T2 Fl. 212 9 e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Por sua vez, a norma infralegal que disciplinava a matéria à época era a Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que determinava que a compensação seria efetuada mediante a apresentação da declaração de compensação, ainda que o débito e o crédito objetos da compensação se referissem a um mesmo tributo ou contribuição: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 8º A compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, será efetuada pelo sujeito passivo mediante a apresentação da Declaração de Compensação ainda que: I o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição; (...) No presente caso, ao constatar eventual saldo de IRRF no AC 1998 não utilizado em outras compensações/deduções, a contribuinte deveria: (i) ter apurado os saldos negativos (ou pagamentos a maior) correspondentes, no respectivo ano calendário (no caso, AC 1998) e (ii) ter entregue o PER/DCOMP relativo à compensação de eventual crédito de saldo negativo do AC 1998 com os débitos em tela. Assim, teriam sido cumpridos os requisitos previstos na legislação pertinente à matéria, estando o mérito da compensação sujeito à análise pela Administração Tributária Federal. Entretanto, tais procedimentos não foram seguidos pela requerente, que declarou indevidamente o alegado valor de IRRF do AC 1998 como sendo parte do crédito de saldo negativo Fl. 216DF CARF MF 10 de IRPJ apurado no AC 1999 (fls.60). Sendo assim, não procedem as alegações de ilegalidade do despacho decisório que indeferiu o pedido da contribuinte. Conforme bem ressaltado no trecho acima, o regime jurídico compensatório tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o aludido instituto foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o Recorrente comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, conforme repisado no Acórdão de piso, não se adimpliu tal mister documental; assim, em que pese a recalcitrância do Recorrente, suas DIPJs e extratos apresentados são insuficientes na avaliação de eventual crédito, sendo necessária a presença da escrituração contábil do Contribuinte, para que fosse possível avaliar a escorreita edificação de eventual saldo credor ora sob arguição. Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, que analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, avaliando todos os documentos juntados no deslinde do PAF, de modo que apontou, inclusive, relevantes divergências, a citar: Além disso, releva notar que: o valor de IRRF do AC 1998 sobre aplicações no Banco Sistema, informado na tabela de fls.65 (R$7.281,86), difere do somatório dos valores mensais constantes da planilha de fls.66 (R$7.192,10); e o demonstrativo de fls.72 não informa a qual anocalendário se refere a retenção que teria sido feita pelo Banco Sistema; o valor de IRRF do AC 1998 sobre aplicações no Banco BCN informado na tabela de fls.67 (R$37.658,39) não foi comprovado pela impugnante, eis que os extratos de fls.6970 se referem ao AC 1999. Por fim, ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16327.900956/200826 Acórdão n.º 1002000.693 S1C0T2 Fl. 213 11 indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Fl. 218DF CARF MF 12 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 219DF CARF MF
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