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Numero do processo: 10480.013490/2001-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
SIMPLES. ALÍQUOTAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA ACUMULADA
Os valores dos tributos devidos mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, de algumas alíquotas especificadas na legislação.
Porém, devem ser deduzidos do valor devido retenções efetuadas pelo SUS a título de CSLL, PIS, e COFINS, proporcionalmente à receita considerada no lançamento. Devem ser deduzidos ainda valores comprovadamente recolhidos de INSS sobre a folha de salários do montante devido a título de INSS - SIMPLES, limitado ao valor lançado a tal título.
SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA. NÃO COMUNICAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
Matéria não contestada. Mantém-se a exigência.
Numero da decisão: 1301-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (i) deduzir do montante devido retenções efetuadas pelo SUS a título de CSLL, PIS, e COFINS, proporcionalmente à receita considerada no lançamento; e (ii) deduzir do montante devido a título de INSS-SIMPLES os valores comprovadamente recolhidos de INSS sobre a folha de salários (empresa e terceiros), dentro do período fiscalizado, limitado ao valor lançado a tal título, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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INSUFICIÊNCIA RECOLHIMENTO. DEDUÇÃO RETENÇÕES SUS E RECOLHIMENTOS EFETUADOS. Recorrente CLÍNICA DO RIM DO CARPINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 SIMPLES. ALÍQUOTAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA ACUMULADA Os valores dos tributos devidos mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, de algumas alíquotas especificadas na legislação. Porém, devem ser deduzidos do valor devido retenções efetuadas pelo SUS a título de CSLL, PIS, e COFINS, proporcionalmente à receita considerada no lançamento. Devem ser deduzidos ainda valores comprovadamente recolhidos de INSS sobre a folha de salários do montante devido a título de INSS SIMPLES, limitado ao valor lançado a tal título. SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA. NÃO COMUNICAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Matéria não contestada. Mantémse a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (i) deduzir do montante devido retenções efetuadas pelo SUS a título de CSLL, PIS, e COFINS, proporcionalmente à receita considerada no lançamento; e (ii) deduzir do montante devido a título de INSSSIMPLES os valores comprovadamente recolhidos de INSS sobre a folha de salários (empresa e terceiros), dentro do período fiscalizado, limitado ao valor lançado a tal título, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 34 90 /2 00 1- 00 Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 604 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1128.490, proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, para exonerar parte do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Tratase de autos de infração lavrados contra o contribuinte acima qualificado, através dos quais se constituiu crédito tributário, relativo ao Imposto de Renda das Pessoa Jurídicas IRPJ, no valor de R$ 58.376,46, ao Programa de Integração Social — PIS, também no valor de R$ 58.376,46, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor R$ 121.995,44, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, no valor de R$ 249.531,42, à Contribuição para a Seguridade Social (INSS), no valor de R$ 357.786,86, já incluídos multa de oficio e juros de mora , e a uma multa regulamentar, no valor de R$ 1.173,59. "2. No campo "Descrição dos Fatos" do lançamento referente ao IRPJ —SIMPLES (fls. 40/41), constam as seguintes infrações, ao final tipificadas: 2.1. "OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO". Segundo a autoridade autuante, o contribuinte procedeu a uma alteração cadastral, destinada a aumentar capital social de R$ 29,12 para R$ 40.000,00, totalmente integralizados em moeda corrente cuja origem não foi comprovada; 2.2. "INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO". A infração teria sido apurada em conformidade com quadros demonstrativos Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 605 3 elaborados através do sistema "Papéis de Fiscalização", em anexo. A descrição dos fatos, segundo a autoridade autuante, encontrase descrita no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. 3. A infração da qual decorreu a aplicação da multa de oficio (fls. 87/89), no valor de R$ 1.173,59, decorreu da falta de comunicação da exclusão do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. 4. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 91/98, a autoridade autuante consignou, em síntese: 4.1. O procedimento de fiscalização foi realizado nos anos calendários (sic) de 1997, 1998, 1999, 2000 e janeiro a junho de 2001, por ter o contribuinte, embora impossibilitado legalmente, optado, em 01/01/1997, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES e não ter solicitado a sua exclusão, embora estivesse obrigado a fazêlo, bem como pelo fato de ter apresentado declarações, para os exercícios de 1999 a 2001, com apuração pelo lucro presumido; 4.2. O contribuinte tem por objeto social a prestação de serviços médicos de nefrologia, imunologia e transplante renal, atividade para as quais há vedação expressa para se (sic) optar pelo SIMPLES, de forma que deveria ter solicitado a sua exclusão (arts. 192 a 194 do Regulamento do 1RPJ RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999). Não tendo assim procedido, foi necessária representação para que fosse excluído de oficio; 4.3. Segundo o art. 41 da Instrução Normativa IN SRF n° 09, de 10/02/ 1999, todos os atos praticados pela pessoa jurídica, relacionados ao exercício da opção pelo SIMPLES, serão admitidos na vigência desse regime até que seja efetivada a sua exclusão; 4.4. Tendo o contribuinte apresentado, para os anoscalendários (sic) de 1998, 1999 e 2000, declaração de ajuste anual com base no lucro presumido, não foram encontrados valores declarados, ou recolhidos à União, que dissessem respeito ao SIMPLES; 4.5. Na primeira alteração contratual, devidamente registrada na Junta Comercial, consta que o capital social passou de R$ 29,12 para R$ 40.000,00, sendo a diferença integralizada em moeda corrente. Embora reintimada a comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos (fl. 101), nada apresentou, fato que caracteriza a presunção legal de omissão de receitas, conforme previsto no art . 24 da Lei n.° 9.245, de 1995, bem como no art. 199 do RIR/99; 4.6. Foi aplicada penalidade pecuniária ao contribuinte, prevista no art. 202 do RIR/99, pois estava obrigado a comunicar a sua exclusão do SIMPLES, nos prazos estabelecidos no § 3° do art. 194 do mesmo diploma regulamentar; Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 606 4 4.7. Constataramse divergências de valores declarados/recolhidos pelo contribuinte com os apurados pela fiscalização." 5. Inconformado, o contribuinte apresentou , no prazo legal, impugnação de fls. 235/241, através da qual aduz, em síntese, depois de reproduzir dispositivos legais aplicáveis: 5.1. Mesmo havendo a alteração contratual registrada na Junta Comercial do Estado de Pernambuco — JUCEPE, e se a integralização do capital tivesse realizada, não caracterizaria omissão de receita , conforme arts. 848 e 849 do RIR/99, mas, sim, falta de escrituração. "Como o capital descrito no Instrumento de Primeira Alteração não foi integralizado, conforme declaração dos sócios e como claramente demonstra o Livro Caixa, não poderia ter sido escriturado o lançamento pelo regime de caixa"; 5.2. Se a integralização do capital pelos sócios não é base de cálculo de nenhum imposto ou contribuição, e não sendo concretizada a operação de integralização de capital, não existe crédito bancário; não existindo crédito bancário ou recebimento por integralização, não existe lançamento no livro caixa.. Então, não se pode comprovar a origem de recurso que não foi integralizada. A origem dos recursos seria dos próprios sócios, como pessoas físicas, conforme instrumento da primeira alteração; 5.3. A única fonte de renda da empresa era proveniente do SUS . Somente a partir de novembro de 2000, houve recebimentos de planos de saúde. Não foi observado pelo AuditorFiscal o que determina o art. 837 do RIR/99: "... será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes;, 5.4. A empresa inscreveuse e encontravase enquadrada como de pequeno porte, conforme Termo de Opção. O Auditor Fiscal, porém, utilizouse das alíquotas de empresas cadastradas como microempresas, conforme o Demonstrativo de Percentuais Aplicados sobre a Receita Bruta , ferindo o art. 5°, 11, da Lei n.° 9.317, de 1996, e alterações posteriores. Tal mudança de critério jurídico modifica a aplicação das alíquotas para o cálculo do SIMPLES, de modo que o valor levantado pela fiscalização está incorreto e a menor. 6. Em conclusão, o contribuinte solicita a compensação dos valores retidos pelo SUS, conforme IN SRF n.° 04, de 1997, e pela Sul América Seguros e Previdência S/A, bem como os passíveis de recuperação como os pagos ao INSS referentes à folha de salários das competências de agosto de 1998 a junho de 2001 e à Receita Federal , no período de janeiro de 1999 a junho de 2001. Diz que, com a retificação das declarações simplificadas do período fiscalizado (1997 a 2000), modificaramse as bases de cálculo levantadas pela fiscalização, inclusive alteração das alíquotas , ocorridas em consequência do erro da aplicação da lei pelo AuditorFiscal. Solicita a nulidade dos atos e termos, devido ao erro na invocação da norma Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 607 5 infringida e à discrepância entre os fundamentos e a conclusão, bem como o parcelamento do saldo a recolher dos impostos e contribuições , recalculados em conformidade com a defesa e ainda não pagos, referente ao período de 01 101/1997 até a sua exclusão do SIMPLES. 7. Através da Resolução DRJ/REC n.° 581, de 1610412007, esta 4° Turma de Julgamento baixou os autos em diligência , tendo em vista que documentos anexados aos autos pelo contribuinte autuado indicaria que houve retenção na fonte dos pagamentos enquanto que os sistemas da RFB e do Ministério da Saúde não indicariam a ocorrência da referida retenção. Solicitouse, ao final, também, que fosse reaberto o prazo para que o contribuinte autuado pudesse contestar fatos novos (fis. 303/309). Em cumprimento à solicitação, a DRF de origem, depois de intimado o Ministério da Saúde, confirmou os pagamentos e as retenções nos valores apresentados pelo contribuinte (fis. 333/334). Não consta nos autos prova de que o contribuinte tenha sido intimado desse despacho. É o relatório. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Período de apuração: 31/03/1997 a 30/06/2001 AUMENTO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA NÃO CONFIGURADA. Caracteriza omissão de receitas a falta de comprovação da origem e da efetividade do ingresso de recursos no caixa da empresa através de documentação hábil e idônea. Não tendo a fiscalização comprovado o suprimento de caixa, não há como manter o lançamento. SIMPLES. MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE. ALÍQUOTAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA ACUMULADA. Os valores dos tributos devidos mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, devem ser determinados, mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, de algumas alíquotas especificadas na legislação." Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 608 6 Na seqüência, observouse que o Chefe do órgão preparador comunicou que não foi localizado o Aviso de Recebimento (AR) correspondente à intimação, emitida em 18/01/2010, para cientificar a então impugnante da decisão recorrida, fato que impossibilitou a verificação da data da ciência da decisão de primeira instância, e considerou que a ciência se deu na data da apresentação do Recurso Voluntário, conforme efl. 447. Após enviado ao CARF, o processo foi apreciado por duas oportunidades, e nessas ocasiões decidiuse por realizar diligências, como o escopo de verificar a inclusão ou não dos créditos tributários constituídos pelos autos de infração objeto destes autos, no parcelamento especial criado pela Lei 10.684/2003. Em resposta, a autoridade do domicílio da recorrente carreou aos autos os documentos de fls. 546/572, elaborando relatório conclusivo e apresentando as respostas dos quesitos formulados na Resolução nº 1301000.392. Na verificação da regularidade da interposição do recurso voluntário proposto, anotouse que o contribuinte não foi intimado para tomar ciência das conclusões da diligência, ocasião em que, através de Despacho Saneador, solicitouse o retorno dos autos à unidade preparadora para sanar o equívoco, facultando ao contribuinte eventual manifestação sobre o teor da diligência, no prazo de 30 dias. Apesar de regularmente intimado, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Tratamse de autos de infrações, lavrados em 23/08/2001, de IRPJ SIMPLES, PISSIMPLES, CSLLSIMPLES, COFINSSIMPLES e INSSSIMPLES, todos referentes aos anoscalendário de 1997 a 2001, além da Multa Regulamentar. Foram constatadas pela fiscalização as seguintes infrações: "Omissão de Receitas. Suprimento de Numerário". Esta infração não faz mais parte do litígio, pois foi julgada improcedente pela DRJ, que considerou como não provada o fato indiciário que autoriza a omissão apontada. Como o valor exonerado não permite a revisão de ofício, encerrouse a discussão. "Insuficiência de Recolhimento". No caso, a DRJ entendeu que a matéria não teria sido impugnada, porém, de ofício, com base na diligência efetuada, a DRJ reduziu dos montantes exigidos a parcela dos valores do IRPJ retido pelo SUS (março de 1997 a dezembro de 1998), proporcionalmente à receita considerada no lançamento. O contribuinte se insurge contra o fato da proporcionalidade e contra o fato de terem sido desconsideradas as demais retenções sofridas por ele, no caso a CSLL (1%), o PIS (0,65%) e a COFINS (2% ou 3%). Requer ainda a exclusão dos pagamentos efetuados via Parcelamento Especial da Lei nº Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 609 7 10.684/03, como também a dedução dos recolhimentos efetuados a título de contribuição sobre a folha de salários (INSS). "Multa Regulamentar". Não foi contestada nem na impugnação e nem no recurso. Pois bem. Com referência à questão da proporcionalidade, analisando o processo, é de se ver que toda a Receita Bruta considerada pela fiscalização para o lançamento foi obtida do Livro Caixa, embora nem todas as receitas constantes do Livro Caixa foram lançadas pela fiscalização. Explicase: o Livro Caixa, fls 173/227, contém em todos os meses, dois tipos de lançamentos a débito, um deles descrito como "Receita neste mês cheques diversos Banco do Brasil S/A" e outro descrito "Valor dos Atendimentos de Segurados e Dependentes do SUS/N/Mês". O autuante utilizou somente um lançamento de receita de cada mês, desconsiderando para efeito de apuração da receita o outro. Assim, somente foram lançados recursos oriundo do SUS no período entre 01/1997 e 12/1998, e os valores lançados foram, de fato, menores do que aqueles sobre os quais incidiu a retenção. A DRJ atenta a isso, acolheu parcialmente as retenções. Vejase: Com efeito, apenas as retenções atinentes a valores submetidos à tributação devem ser utilizados na redução do montante devido, conforme enunciado na Súmula CARF nº 80. Porém, há de se dar razão ao contribuinte, quando sustenta que as retenções efetuadas pelo SUS a título de CSLL, PIS, e COFINS, também foram comprovadas, e, por isso, assim como ocorreu com o IRPJ, tais retenções devem ser consideradas, na dedução do montante devido. De fato, as retenções efetuadas de 4,85% e 5,85%, são compostas pelos percentuais de 1,2% do IRPJ, 1% da CSLL, 0,65% do PIS e 2% ou 3% da COFINS, e por isso, estes valores devem ser deduzidos no montante devido, proporcionalmente à receita considerada no lançamento. No que diz respeito a eventuais valores aqui exigidos e parcelados, como se viu no relatório, existiram duas diligências solicitadas por esta Turma Julgadora, no sentido de esclarecer se qualquer dos valores discutidos nestes autos foram incluídos no citado parcelamento especial. Como resultado, a unidade de origem esclareceu que nenhum dos valores aqui discutidos foram incluídos no parcelamento. Vejase: Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 610 8 Portanto, não há como acolher a alegação do contribuinte neste sentido, valendo consignar ainda que o mesmo teve oportunidade de contestar as conclusões da diligência, quando de sua intimação para tanto, porém, preferiu silenciar. Por outro lado, com referência à sua alegação de dedução dos valores efetivamente pagos a título de contribuição sobre a folha de salários (INSS) referente à parte patronal e terceiros no período fiscalizado, devese acolher sua irresignação. O contribuinte aponta que recolheu os valores a tais títulos, discriminados em demonstrativo colacionado ao recurso: Compulsando os autos, encontro comprovantes de recolhimento de INSS sobre a folha (empresa e terceiros) efls. 396 e seguintes. Como o lançamento foi efetuado Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10480.013490/200100 Acórdão n.º 1301003.811 S1C3T1 Fl. 611 9 pelo SIMPLES, os valores comprovadamente recolhidos, dentro do período fiscalizado, deve ser deduzidos do montante devido a tal título (INSSSIMPLES), limitado ao valor lançado a tal título. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: i) deduzir do montante devido retenções efetuadas pelo SUS a título de CSLL, PIS, e COFINS, proporcionalmente à receita considerada no lançamento. ii) deduzir do montante devido a título de INSSSIMPLES valores comprovadamente recolhidos de INSS sobre a folha de salários (empresa e terceiros), dentro do período fiscalizado, limitado ao valor lançado a tal título. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000791/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/01/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTIONAMENTO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A TERCEIRO. NÃO CONHECIMENTO.
Não tendo o responsável solidário apresentado recurso voluntário em nome próprio, falece capacidade postulatória a um dos sócios em nome próprio para questionar a imputação da responsabilidade tributária ao terceiro, ainda que sócio administrador, deixando-se de conhecer do recurso nesta parte
Numero da decisão: 2201-005.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários formalizados pelos contribuintes autuado e solidários, seja em razão de sua intempestividade, seja por conta de não ter sido instaurado o litigioso fiscal com a apresentação da impugnação.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTIONAMENTO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A TERCEIRO. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo o responsável solidário apresentado recurso voluntário em nome próprio, falece capacidade postulatória a um dos sócios em nome próprio para questionar a imputação da responsabilidade tributária ao terceiro, ainda que sócio administrador, deixandose de conhecer do recurso nesta parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários formalizados pelos contribuintes autuado e solidários, seja em razão de sua intempestividade, seja por conta de não ter sido instaurado o litigioso fiscal com a apresentação da impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 07 91 /2 00 8- 54 Fl. 349DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 01 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do Acórdão recorrido (e fls. 179/188) por sua precisão, sendo que os documentos a seguir indicados estão sendo relacionados de acordo com sua numeração do efls dos autos. "Tratase de crédito lançado pela fiscalização, NFLD n° 37.028.4828, contra a empresa acima identificada e as outras que integram o mesmo grupo econômico, que, de acordo com o relatório fiscal de fls 36/43, referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT, e às destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados que lhe prestaram serviços, bem como àquelas incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais (pagamentos esses declarados pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo e Informações à Previdência Social GFIP). 2. De acordo com o Relatório Fiscal, fis. 36/43, a apuração do crédito baseouse na análise dos seguintes documentos: 5.1. resumo das folhas de pagamento do décimo terceiro salário de 2003 e 2004; 5.2. GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo e Informações à Previdência Social. 3. A fiscalização caracterizou ainda a ocorrência de grupo econômico entre as empresas: Núcleo de Apoio Pedagógico Ltda NAP, Colégio Nacional Ltda, Curso Nacional de Medicina Ltda, Faculdades Integradas Nacional Ltda, Indústria e Comércio de Confecções Ltda ME, Sociedade Educacional Nossa Senhora do Carmo Ltda, Centro Educacional Porto Seguro Ltda S/C, Agropecuária Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13771.000791/200854 Acórdão n.º 2201005.120 S2C2T1 Fl. 351 3 Nacional Imp. e Exportação Ltda e Granito Arizona Ltda ME conforme o Relatório Fiscal. 3.1. Ainda segundo o Relatório Fiscal, fls. 36/43, a constatação de que essas empresas integram grupo econômico deveuse aos seguintes fatos: a. A fiscalização foi atendida pelos Srs. Juscelino de Medeiros Vieira e Jair Alves da Silva, que se apresentaram respectivamente como supervisor do departamento de recursos humanos e auxiliar de recursos humanos de todas as empresas; b. Durante a ação fiscal encontramos documentos e folder nos quais as próprias empresas se intitulam como Grupo Nacional de Ensino (comprovantes anexos). c. A documentação de todas as empresas encontravase arquivada na Av. César Hilal, 420, Bento Ferreira Vitória ES, onde inicialmente foi recebida e atendida a fiscalização.(...) e. As empresas utilizavam o mesmo endereço para correspondência, conforme cópias em anexo. (...) h. Ligando as empresas Colégio Nacional, Curso Nacional de Medicina, NAP, FINAC, Centro Educ. Porto Seguro, Soc. Educ. N. Sr" do Carmo, DIMPEL, Agropecuária Nacional e Granito Arizona, temos a participação do Sr. José Sydny Riva em seus quadros societários. Observase, ainda, que ocorreu uma enorme concentração do Capital Social dessas empresas nas mãos dessa pessoa física, conforme comprovam os dados constantes do quadro abaixo. A constituição de Grupo Econômico de Fato entre as empresas citadas já restaria configurada somente pela composição acionária. (...) 4. O GRUPO NACIONAL mantém uma página (site) na "internet", no endereço eletrônico httg://www.@ponacional.com.br, onde se encontram diversas informações sobre sua história, composição, unidades e locais de atuaçao. Anexamos ao presente documento cópia da referida página. 6. Estabelece a instrução Normativa IN INSS/DC n° 100/2004.' “Art. 778.Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a Fl. 351DF CARF MF 4 administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou qualquer outra atividade econômica. " (...) 8. Dessa forma, tendo ficado evidente a interligação dessas empresas e sua subordinação a um comando centralizado, consubstanciado na família “Riva"( notadamente no Sr. José Sydny Riva), concluise que elas integram Grupo Econômico de Fato, estando, portanto, solidariamente obrigadas entre si, relativamente aos créditos previdenciários apurados em qualquer uma delas. 3.2. A Fiscalização anexou aos autos a seguinte documentação: Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ fis. 44; Contrato Social da Sociedade Educacional Nossa senhora do Carmo Ltda fis. 45/54; Ofícios de Cientificação das empresas que compõem o grupo econômico relativamente ao Crédito Previdenciário fis. 56/63; Cópia do envio das Notificações Fiscais de lançamento de Débito NFLD para todas as empresas que compõem o grupo econômico fls. 69/ 101; Edital n° 06/2008, intimando as empresas CURSO NACIONAL DE MEDICINA LTDA, AGROPECUÁRIA NACIONAL IMP E EXPORTAÇÃO LTDA e GRANITO ARIZONA LTDA ME (pertencentes ao grupo econômico) em virtude de as mesmas encontraremse em lugar incerto e ignorado fis. 102. DA IMPUGNAÇÃO DO CURSO NACIONAL DE MEDICINA 4. A Notificada impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 106/112, em 01/06/2007, alegando que: I Das Preliminares 1.1. Da Tempestividade Em que pese todo o respeito pelo fisco previdenciário, acreditamos que houve certa negligência por parte dele, para com a Administrada, na entrega das NFLD, o que pode gerar grave prejuízo a esta empresa, mais especificamente, a preclusão do prazo de defesa. Fazemos tal afirmação com base em informações contidas nas próprias NFLD enviadas peloƒisco. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13771.000791/200854 Acórdão n.º 2201005.120 S2C2T1 Fl. 352 5 Quando tenta caracterizar a formação de Grupo Econômico, no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, o fisco previdenciário afirma, no sub item 3C, da “Informação Fiscal ” Grupo Econômico", ter conhecimento de que todos os documentos ficam no escritório do Grupo Educaciona1(...) Portanto, causa nos estranheza esse mesmo fisco tentar proceder a entrega de documentos com tamanha importância nas unidades educacionais. Por esse motivo é que houve recusa , por cautela, no recebimento da NFLD, por parte da Senhora Minerva Zogaib, Coordenadora da Unidade Vila Velha, que não possui nenhuma inclinação administrativa no grupo educacional. II Do Mérito II.1 Da Impossibilidade Financeira para quitar seu débito junto à Previdência A Sociedade Educacional Nossa Senhora do Carmo Ltda nunca teve o intuito de se esquivar da prestação pecuniária junto ao INSS, fato que demonstra a boa fé daquela Empresa é a própria declaração feita por ela e que só não foi quitado pelo real impossibilidade financeira para tanto. É o argumento principal de defesa das empresas controladas pelo Sr. José Sydny Riva, aquele que espelha a realidade, qual seja o da inexigibilidade de conduta diversa. Pois, apesar do intuito de cumprir com o que lhe estabelece o ordenamento jurídico, este não possui capacidade para fazêlo em decorrência de fato externo, que neste feito e' a crise econômica enfrentada por suas empresas. III Do Pedido III.l. Requer: III.l.l Seja recebida a presente defesa, sendo acatada a sua tempestividade; III.1.2. Sejam acatados os nossos argumentos de defesa, para viabilizar a quitação dos débitos, com o abatimento das multas e juros e o parcelamento do principal. IV. Dos Documentos Juntados pela Empresa: Procuração fls. 113; Aditivo de Contrato Social fls. 114/116. Fl. 353DF CARF MF 6 DA IMPUGNAÇÃO DO CENTRO EDUCACIONAL NACIONAL PORTO SEGURO LTDA S/C 5. A Impugnação interposta , fls. 119/125, repete todos os argumentos expostos na Impugnação de fls. 106/112. DA IMPUGNAÇÃO DA DIMPEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ME 6. A Impugnação interposta , fls. 132/ 141, repete todos os argumentos expostos nas Impugnações de fls. 106/112 e 119/125. DA IMPUGNAÇÃO DO NÚCLEO DE APOIO EDUCACIONAL LTDA 7. A Impugnação interposta , fls. 148/154, repete todos os argumentos expostos nas Impugnações de fls. 106/112, 119/125 e 132/141. 8. Às fls. 166 consta Despacho da Chefe da Equipe de Atendimento ao Contribuinte EAT/2, referindo que as Impugnações, recebidas em 01/06/2007 foram juntadas, e, que o processo ficou sobrestado aguardando a ciência de todas as demais empresas que compõem o grupo econômico. Refere, ainda que foi comandado o evento de defesa tempestiva(fls. 164) no primeiro dia do prazo para a apresentação de defesa tendo em vista que o sistema não permite data de evento anterior ao do último evento informado." 02 A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela instância de piso, em decisão assim ementada: Assumo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11l/2003 a 31/01/2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. Descumprida obrigação principal de recolher, na forma e prazos legais, contribuições previstas no art. 22, I, II e III, e no art. 33, § 1° da Lei 8.212/91, constituiuse o crédito previdenciário de acordo com o artigo art. 37 da Lei 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n.° 8.212/91, nos termos do art. 30, inc. IX, do mesmo diploma legal. A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico (art. 30, inciso IX da Lei n.° 8.212/91 e art. 748 da IN MPS/SRP n.° 03/2005) é Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13771.000791/200854 Acórdão n.º 2201005.120 S2C2T1 Fl. 353 7 bastante ampla. Basta uma das componentes do grupo não cumprir as obrigações previdenciárias, para outra delas assumir a responsabilidade por via da solidariedade, o que possibilita ao FISCO, proceder contra qualquer delas, sem que se possa argüir a defesa de ilegitimidade de parte, ou beneficio de ordem. 03 Houve recursos voluntário às e fls. 236/244 do sujeito passivo principal (Nossa Senhora do Carmo Ltda.); fls. 266/274 (FINAC Faculdades Integradas Nacional Ltda.), sujeito passivo solidário; fls. 307/315 (Colégio Nacional), sujeito passivo solidário e Fls. 319/324 Yeda Maria Ferrari Baião Tavares (representante legal de Centro Educacional Porto Seguro S/C Ltda.), sujeito passivo solidário. Todos pugnando pela improcedência do auto, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 04 – Antes de adentrar ao mérito, preliminarmente, verifico a análise das condições de admissibilidade dos recursos interpostos. Recurso Voluntário da Sociedade Nossa Senhora do Carmo Ltda. (Sujeito passivo principal) 05 O AR. foi juntado às fls. 201 e o recurso (fls. 236/244) protocolizado dentro do prazo, contudo, não há de se conhecer da matéria alegada uma vez que o recorrente, ora sujeito passivo principal, não apresentou impugnação em face do lançamento e portanto, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72 que diz: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 06 Portanto, apesar de tempestivo, não conheço da matéria objeto do recurso voluntário do sujeito passivo principal. Recurso Voluntário de FINAC Faculdades Integradas Nacional Ltda. (Sujeito passivo solidário) Fl. 355DF CARF MF 8 07 Às fls. 266/274 encontrase o recurso da responsável solidária acima indicada com o AR. juntado às fls. 208 protocolizado dentro do prazo, contudo, não há de se conhecer da matéria alegada uma vez que o recorrente, não apresentou impugnação em face do lançamento e portanto, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72 que diz: Art. 17. Considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 08 Portanto, apesar de tempestivo, não conheço da matéria objeto do recurso voluntário do sujeito passivo principal. Recurso Voluntário de Colégio Nacional (sujeito passivo solidário) 09 Às fls. 307/315 o Colégio Nacional, sujeito passivo solidário, apresenta recurso alegando as mesmas matérias recursais dos demais recorrentes e apesar de estar no prazo, da mesma forma que os demais, o recorrente não apresentou defesa e portanto, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72 não é possível o conhecimento da mesma forma que as razões elencadas do sujeito passivo principal. Recurso Voluntário de Yeda Maria Ferrari Baião Tavares (representante legal de Centro Educacional Porto Seguro S/C Ltda.) 10 Às fls. 319/324 existe a peça denominada recurso administrativo de uma das sócias (Sra. Yeda Maria Ferrari Baião Tavares) do Centro Educacional Porto Seguro S/C Ltda., que apresentou impugnação (idêntica a todas as empresas do grupo). 11 Alega a referida sócia que recebeu a intimação em seu endereço pessoal, e requer a nulidade da intimação da empresa e no mérito argumenta pela exclusão da responsabilidade solidária do grupo econômico de fato sustentando a falta de provas. 12 De início não se conhece da presente manifestação da sócia Sra Yeda Ferrari, pois sequer é parte e sujeita passiva solidária no referido lançamento e segundo, como sócia da referida empresa, por mais que seja cotista comum, tal como alegado, é de no mínimo se esperar do comportamento do homem comum e responsável pelos assuntos comuns da sociedade de informála a respeito para adotar as providências necessárias para em seu nome a sociedade se defender. 13 Vemos que pelo contrato social ao contrário do alegado pela sócia é sim responsável pela administração da sociedade no que tange a aspecto fundamental que é a gerencia econômicofinanceira de acordo com contrato social juntado por ela às efls 327: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13771.000791/200854 Acórdão n.º 2201005.120 S2C2T1 Fl. 354 9 14 A sociedade, na referida impugnação de fls. 131/137, sequer questiona o lançamento quanto a responsabilidade solidária pela existência de grupo econômico de fato, pelo contrário, reconhece o débito, alegando apenas para o não pagamento do crédito tributário matéria de cunho penal no que tange a inexigibilidade de conduta diversa pelo não repasse das contribuições sociais descontadas dos segurados. 15 Em relação a questão da intimação dos demais sócios, veja que o Colégio Nacional um dos sócios e responsável solidário também foi intimado e apresentou recurso, não conhecido, ou pela sua intempestividade ou pelo fato de ter reconhecido o lançamento ao não apresentar impugnação ao lançamento, conforme já decidido alhures. 16 Portanto, não conheço da manifestação da sócia Sra. Yeda Maria Ferrari Baião Tavares, pelos motivos acima indicados. Conclusão 17 Diante do exposto, NÃO CONHEÇO dos recursos interpostos pelo sujeito passivo principal e demais responsáveis solidários na forma da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724385/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2004
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE.
Estando o contribuinte obrigado à apuração da COFINS não-cumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de cálculo da COFINS prevista no §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. SC Cosit nº 387, de 2017.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA
A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), exigindo-se a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. E, havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado à apuração da COFINS nãocumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de cálculo da COFINS prevista no §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. SC Cosit nº 387, de 2017. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA A compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), exigindose a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. E, havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 43 85 /2 00 9- 11 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 422 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata o presente processo sobre Declarações de Compensação PER/DCOMP de fls. 2/29, através das quais a Recorrente requer a compensação de débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, dos períodos de apuração de janeiro/2008 a agosto/2008, com créditos da mesma exação, relativos ao paríodo compreendido entre janeiro/1999 e janeiro/2004, cujo direito de compensação foi reconhecido em processo judicial, qual seja, o Mandado de Segurança n° 2005.33.00.0117483, impetrado coletivamente pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia S1NDUSCON/BA, em 08/06/2005. A empresa comprovou nos autos ser filiado ao SINDUSCON/BA desde 28/07/1989 (fl. 250). Na ação judicial os filiados pleiteavam recolher a COFINS nos moldes da Lei Complementar n° 70, de 1991 sem a alteração da Lei n° 9.718, de 1998, no art. 3°, caput e §1º (ampliação da base de cálculo), declarando a inconstitucionalidade do art. 3º, desta lei, e a compensação dos créditos referentes aos recolhimentos a título da COFINS, embasada nos dispositivos inconstitucionais, devidamente corrigidos, com parcelas vincendas e vencidas de débitos. No Despacho Decisório n° 1.539, de 2009, proferido pela DRF em Salvador/BA, que ao homologar as compensações constantes dos PERD/COMP citados, o fez até o período de apuração correspondente a dezembro/2003, considerando que a partir do mês subseqüente a empresa passou a recolher a COFINS, segundo disposições da Lei n° l0.833, de 2003, a qual não apresenta os vícios de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998. No referido Despacho Decisório o Fisco informa que segundo indicações da Recorrente no PER/DCOMP, o crédito originase da ação transitada em julgado em 10/09/2007 (fls. 51/56). O direito foi reconhecido em processo judicial no Mandado de Segurança n°2005.33.00.0117483, fls. 291/293, impetrado coletivamente pelo sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia SINDUSCONBA, em 08/06/2005, constando nos autos a Certidão de Trânsito em Julgado referente ao Agravo de Instrumento nº 666.147/BA, expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à fl. 174. Informa ainda no Despacho que, para os fatos geradores a partir de janeiro/2004, a empresa passou a ter os recolhimentos da COFINS regidos pela Lei n°10.833, de 2003, o que significa que para fins de cálculo dos valores da COFINS recolhidos a maior somente seriam utilizados os DARF apresentados pelo contribuinte relativos ao recolhimento até o mês de janeiro/2004, pois a Lei n° 10.833, de 2003, não padece dos vícios da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 423 3 Após intimações de fls. 31/32 e 58, emitidas para apresentação de documentação, a Recorrente apresentou balancetes mensais e livros razão, planilhas de dados de faturamento e demais receitas auferidas pela empresa, conforme fls. 253/261. Desta forma a Fiscalização procedeu ao cálculo do valor do crédito a restituir pela diferença entre os valores recolhidos nos termos da Lei n° 9.718, de 1998, e a Lei Complementar n° 70, de 1991, com alíquota de 3%, com base na planilha apresentada pela Recorrente às fls.253/254, cotejada pela documentação comprobatória. Após vinculações do crédito apurado com os débitos declarados, conforme extrato do Sistema da RFB, de fls. 263/291, tendo remanescido os débitos conforme demonstrado às fls. 313/315. Cientificado do Despacho Decisório, em 11/03/2010, fl. 337, a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade em 08/02/2010, fls. 338/346, alegando que: (i) a autoridade ao não homologar os débitos integralmente incorreu em grave impropriedade uma vez que a empresa sempre esteve obrigada a recolher suas receitas de COFINS com apoio no sistema cumulativo, utilizando o código de Receita 2172, mesmo após a Lei n° l0.833, de 2003; (ii) apesar do novo sistema, atos normativos enumeram várias exceções que ficaram de fora da não cumulatividade da COFINS, sujeitandose ao sistema anterior, art.10, inciso XX da Lei n°10.833, de 2003, na redação dada pela Lei n° 11.945, de 2009, dentre elas as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou sub empreitada de obras de construção civil; (iii) nunca recolheu a COFINS sobre as receitas decorrentes da execução de obras de construção civil no sistema não cumulativo, código 5856, e sim no cumulativo, código 2172, e o fato de recolher COFINS no código 5856, se refere ao fato de ser pessoa jurídica optante pelo lucro real para efeito de recolhimento do IRPJ, mas sobre as receitas não operacionais, e não sobre as receitas financeiras e receita operacional, estas, oriundas da execução de obras da construção civil; (iv) possui dois faturamentos: um referente a execução de obras de construção civil receita operacional e financeira e outra de faturamentos diversos receita não operacional; tendo, para realizar o cálculo do crédito a que fazia jus excluiu as receitas financeiras das receitas. No entanto a 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo (fl. 1.014): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS E DEMAIS RECEITAS. DIREITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE. Estando o contribuinte obrigado à apuração da Cofins não cumulativa instituída pela Lei n° 10.833, de 2003, o direito obtido judicialmente de ter afastada a ampliação da base de Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 424 4 cálculo da Cofins prevista no § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, não se aplica à contribuição incidente sobre as receitas financeiras e demais receitas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acordam Intimada da decisão em 15/08/2011 (fl. 382), apresentou às fls. 389/400, seu Recurso Voluntário em 14/09/2011 (fl. 389), repisando os mesmos argumentos esposados na sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator 1. Da Admissibilidade do recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação regente da matéria. Assim, dele se toma conhecimento. 2. Do objeto da lide O pleito em foco teria sua pretensão amparada no recolhimento a maior da contribuição à COFINS, em decorrência de utilização de base de cálculo determinada a partir de norma posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, qual seja, o §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98. Portanto, o litígio do presente processo versa sobre a homologação parcial das compensações declaradas nos PER/DCOMP, devido a não consideração dos recolhimentos efetuados a título de COFINS para os períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004, inclusive, o que ocasionou a insuficiência do crédito informado. 3. Da compensação x apuração do crédito alegado Como relatado, tratase de processo referente a PER/DCOMPs (fls. 2/29), através das quais a Recorrente requer a compensação de débitos da COFINS, dos períodos de apuração de janeiro/2008 a agosto/2008, com créditos da mesma exação, relativos ao período compreendido entre janeiro/1999 e janeiro/2004, cujo direito de compensação foi reconhecido em processo judicial, qual seja o Mandado de Segurança nº 2005.33.00.0117483, impetrado coletivamente pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia SINDUSCON/BA, em 08/06/2005, que a empresa comprovou ser filiada. Assim o pleito Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 425 5 compensativo contido nestes autos é firme e valioso, conforme entendimento firmado em absoluto cumprimento aos ditames do decisum em questão. Assim, estabelecidos os contornos do comando decisional, volvese agora para apuração do valor do crédito solicitado. Primeiramente é importante ressaltar que objetivando a obtenção dos elementos indispensáveis à análise do pleito, a Fiscalização emitiu a Intimação Fiscal n° 638/2009 e 787/2009 ( fls. 31/32 e 58). Em decorrência disso, a empresa apresentou a documentação requerida, tais como, balancetes mensais e livros razão, bem como, novas planilhas com os dados de faturamento e demais receitas auferidas pela empresa, assinados por seu responsável legal e anexadas às fls. 82/261 destes autos. O pleito teria sua pretensão amparada no recolhimento a maior da contribuição da COFINS, em decorrência de utilização de base de cálculo determinada a partir de norma posteriormente declarada inconstitucional (§1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98). Com efeito, a citada lei estabeleceu que a base de cálculo dessa contribuição seria o faturamento, o qual corresponderia à receita bruta, sendo essa entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Dessa forma, a norma em comento alterou o conceito de faturamento, até então considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Nessa esteira, a base de cálculo de receita operacional, em virtude da redação da LC n.° 70/91, passou também a compreender todas as receitas percebidas pelas sociedades empresárias, tais como as receitas financeiras e receitas nãooperacionais. Estas duas últimas, inclusive, só puderam compreender a base de cálculo em virtude da então novel redação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. No caso, dada a inconstitucionalidade do dispositivo legal que ampliou a base de cálculo da COFINS, auferida na Ação judicial movida pelo SINDUSCON/BA, retomou os seus efeitos o art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. Em seu recurso, a Recorrente alega que "a partir de janeiro de 2004, com a entrada em vigor da Lei n° l0.833, de 2003, ficou obrigado ao recolhimento da COFINS com base nas duas sistemáticas, cumulativa e não cumulativa, tendo para fins de cálculo do crédito a restituir apurado as receitas financeiras da base de cálculo dentro do regime cumulativo". Pois bem. No ano de 2003, o legislador tributário inovou no ordenamento jurídico pátrio trazendo o sistema nãocumulativo da COFINS pela Lei n.° 10.833/2003, a qual majorou a alíquota de 3% (três por cento) para 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) e novamente ampliou a base de cálculo, só que desta vez sem o vício da inconstitucionalidade. Como é cediço, a Lei n° 10.833, de 2003, em seu artigo 1º, sujeita à incidência da contribuição para a COFINS não cumulativa, a universalidade das receitas da pessoa jurídica, que, desta forma, abrange, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada, excepcionando em seu §3°, as receitas que não integram a base de cálculo da contribuição, verbis: Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 426 6 Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º. Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis n~ 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1" do art. 25 da Lei Complementar rf 87. de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei n° 11.945, de 2009). Com a vinda desse novo sistema tributário, o próprio ato normativo enumerou várias exceções que ficaram de fora do diploma da nãocumulatividade da COFINS, sujeitandose ao anterior sistema, o regime cumulativo. Especificamente nesse dispositivo legal elencador de exceções, foi veiculada uma nos seguintes moldes (artigo 10, inciso XX, a Lei n°10.833, de 2003, que dispõe sobre as exclusões ao regime da não cumulatividade): Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º:(Vide Medida Provisória n°252, de 15/06/2005). Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 427 7 (...). Redação Antiga dada pela Lei n° 10.865 de 30.04.2004: XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2006; Posteriormente, este dispositivo foi alterado para ampliar o prazo até 31/12/2015, conforme art. 8º da Lei n°12.375, de 30 de dezembro de 2010. Assim, denotase que as empresas cujo objeto social seja e operacione a "execução de obras de construção civil", o recolhimento da COFINS especificamente das receitas daí decorrentes respeitam a modalidade de quitação tratada nos moldes da legislação anterior ao advento da Lei nº 10.833, de 2003. E foi nessa linha a orientação da própria COSIT/RFB, órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. (Grifei) Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15,V. Assunto:Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social–Cofins (...) A recorrente alega em seu recurso que, "(...) a existência de pagamento de DARF's de COFINS com o código 5856 se deve ao fato de a Recorrente ser pessoa jurídica optante do lucro real para efeito de recolhimento do IRPJ, portanto sujeita à Lei n.° 10.833/03. Todavia, a sujeição à Lei n.° 10.833/03 não se refere à sua receita operacional e à receita financeira, porquanto ambas oriundas da execução de obras de construção civil, mas sim às receitas nãooperacionais, as quais não se acham abraçadas pela exceção do inciso XX do art. 10 da Lei n.° 10.833/03. Deveras, existe nos autos do processo administrativo DARF's com o código 5856 do sistema nãocumulativo. Entretanto, a receita utilizada para essa base de cálculo não se refere ao faturamento oriundo da execução de obras de construção civil (receitas operacional e financeira)". (Grifei) O fato é que quando a Recorrente apurou seu crédito para fins de compensação, o fez baseada na receita obtida do faturamento da execução de obras de Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 428 8 construção civil, pelo que retirou da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras tratadas na Lei nº 9.718/98, até então obrigadas a compor tal base de cálculo pela liturgia do declarado inconstitucional §1° do art. 3° do mesmo diploma legal, e que a partir de 2004, com a publicação da Lei nº 10.833, de 2003, voltou a compor a base de cálculo da COFINS. A Recorrente continua afirmando que é extremamente equivocado, portanto, o entendimento esposado no Despacho Decisório de que a empresa "não se enquadra em qualquer das hipóteses elencadas no art. 10 da Lei nº 10.833/03 o que significa dizer que os recolhimentos da Cofins efetuados a partir de fevereiro de 2004, ou seja, relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004, estão regidos pela Lei n.° 10.833/2003", entendimento esse confirmado pela DRJ. Não assiste razão à Recorrente. Entendo que o Fisco quis retratar os casos tratados como os excepcionados nos incisos I ao VI do seu §3°, em que elenca as receitas que não integram a base de cálculo da contribuição. Portanto, os recolhimentos da COFINS efetuados a partir de fevereiro de 2004, ou seja, relativos aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004, passaram a estar regidos pela Lei n° 10.833, de 2003. Com efeito, a Lei n° 10.833/2003, a qual não padece dos vícios de inconstitucionalidade da Lei anterior, a de n° 9.718/1998, não ensejando, dessa forma, pagamento indevido efetuado. A recorrente informa em seu recurso que são duas as receitas auferidas pela ora Recorrente, ambas antagônicas entre si: (i). primeira, a referente ao faturamento da execução de obras de construção civil (receitas operacional e financeiras) e (ii) outra de faturamentos diversos que não se compatibilizam com o primeiro (receitas nãooperacionais). Assim, a apuração de crédito total para fins de compensação tomou em consideração a primeira receita, porquanto a Recorrente excluiu da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras, as quais eram, em função do §1º do art. 3º c/c art. 9º, ambos da Lei nº 9.718/98, obrigadas a compor a base econômica até a sua declaração da inconstitucionalidade. No entanto, após a edição da Lei nº 10.883, de 2003, esse impeditivo deixou de existir, conforme já explicado, e portanto não poderia ser excluído da base de cálculo da COFINS. Vejase que foi exatamente isso que ocorreu com a Recorrente, conforme se verifica do trecho do recurso abaixo reproduzido: "Vejase, por oportuno, que os próprios pleitos compensativos extinguem a COFINS em razão de dois DARF's, um com o código 2172 (sistema cumulativo) e o outro pelo código 5856 (sistema nãocumulativo) (fls. 295), aquele referente ao faturamento da execução de obras de construção civil, só que agora sem a inclusão das receitas financeiras, e este no tocante às demais receitas nãooperacionais da empresa". (Grifei) Por fim, também observo que essa matéria restou bem analisada pela decisão de piso, que adoto como fundamentos (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1994). Como pode ser verificado nos autos, a Recorrente possui recolhimentos de COFINS no sistema cumulativo, código de receita 2172, mesmo após a entrada em vigor da Lei n° 10.833, de 2003, uma vez que a empresa permaneceu obrigado ao recolhimento da COFINS cumulativa para as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, tendo sido a pretensão da Recorrente pleitear a restituição dos valores recolhidos sob os códigos de receita da COFINS não cumulativa, Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 429 9 referente ao código de receita 5856, incidentes sobre as parcelas das receitas financeiras e outras receitas, que no seu entender foram incluídas indevidamente nesta apuração, na sistemática da não cumulatividade, posto que possui Acórdão judicial transitado em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo embasada na Lei nº 9.718, de 1998. No entanto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.833, de 2003, o regime da não cumulatividade passou a ser a regra geral de apuração, e por ter a empresa optado pelo regime de apuração do IRPJ pelo Lucro Real, ela encontrase sujeita a apuração da COFINS nesta modalidade, devendo pois, as receitas financeiras (ainda que principalmente decorrentes da atividade de construção civil) e as demais receitas, terem sua apuração no regime da não cumulatividade, pois não encontramse excepcionadas pela Lei n° 10.833, de 2003, esta que foi editada quando já em vigor a nova redação do art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal (CF), não tendo, portanto, o Despacho Decisório em nenhum momento descumprido o decidido na esfera judicial. Como se vê, a Lei n° 10.833, de 2003, instituiu a COFINS com incidência nãocumulativa e alíquota de 7,60% (sete vírgula seis por cento). Já o § 3º do art. 10, do citado diploma legal, estabeleceu as exceções à incidência nãocumulativa desse tributo, ou seja, as hipóteses em que os contribuintes da COFINS permanecem sujeitos às normas da legislação vigentes anteriormente à Lei n° 10.833/2003. Com efeito, para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2004, a COFINS foi recolhida nos termos da Lei n° 10.833/2003, a qual não padece dos vícios de inconstitucionalidade da Lei anterior (lei nº 9.718/1998), não ensejando, dessa forma, pagamento indevido. E, conforme o contido na Decisão judicial, o valor da COFINS a ser utilizado pelo contribuinte na compensação pleiteada corresponderá à diferença entre os recolhimentos efetuados pela empresa, nos termos Lei n° 9.718/98 e aqueles calculados utilizandose a base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/1991 e a alíquota estabelecida na Lei n° 9.718/1998. E, foi dessa forma que procedeu o Fisco. Conforme relatórios emitidos pela Fiscalização, no qual constam os dados dos pagamentos cadastrados, dos créditos tributários, ambos relativos aos diversos períodos de apuração, as vinculações realizadas, bem como os saldos de pagamentos, nas diversas datas, todos foram inseridos e demonstrados em planilhas apensadas às fls. 263/291 e 303/309. Concluindo, a compensação é uma das opções que os contribuintes têm como forma de extinção do crédito tributário, conforme previsão contida nos arts. 156 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), exigindose a certeza e a liquidez dos créditos a compensar. Havendo insuficiência de crédito a compensar não se reconhece o direito creditório. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10580.724385/200911 Acórdão n.º 3402006.615 S3C4T2 Fl. 430 10 4. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, confirmando a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912614/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2008
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.795
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 14 /2 01 2- 66 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito inicialmente um resumo dos fatos. Em preliminar, discorre acerca da nulidade do Despacho Decisório, enfatizando a ausência de fundamentação, o desvio de finalidade e o prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal, tendo destacado que deve ser possibilitado ao manifestante a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material. Sustenta ainda a inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade e tece considerações acerca da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e sobre a limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional (CTN). Ao final, requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório em comento, com todos os seus consectários, inclusive cancelamento de qualquer cobrança que possa advir do citado despacho.. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02055.326. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.789, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912606/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.789): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O contribuinte tece considerações acerca da nulidade do despacho decisório pelos motivos circunstanciados na manifestação de inconformidade. Primeiramente cumpre observar que, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a manifestação de inconformidade e o recurso obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Decreto nº 70.235, de 1972, prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que esse direito é exercido. Também não há exigência legal de intimação do contribuinte previamente à expedição do Despacho Decisório. É importante ressaltar que no referido despacho foi anotado que a fundamentação para o indeferimento do pedido de compensação reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme consta do quadro – “utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”. O enquadramento legal também foi devidamente especificado, contendo as normas do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pertinentes às regras de restituição e compensação de tributos. Portanto, estando presentes os elementos que fundamentam o Despacho Decisório, não há que se cogitar de cerceamento do seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Nulidade da decisão recorrida. O recorrente alega que a decisão recorrida carece de fundamentação, pois resumiuse a negar provimentos à manifestação de inconformidade em virtude de falta de comprovação pelo sujeito passivo de seu direito creditório. Pela alegação feita no recurso voluntário, resta evidente que houve a ratio decidendi no acórdão recorrido, qual seja: a falta de provas do direito creditório, pois o onus probandi, nos casos de pedido de restituição, é do sujeito passivo. Neste norte, não vejo motivos para que seja declarada a nulidade da decisão, pois a fundamentação foi clara e objetiva, de forma que afasto a nulidade suscitada. Restituição/Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 6 5 referente ao período de apuração 30/11/2007. Afirma, outrossim, que o ônus da prova cabe ao fisco e não ao sujeito passivo, uma vez que o processo administrativo pautase pela verdade material. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, duas são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 7 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 8 7 provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 9 8 Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de restituição/ compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Multa de Mora. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 10 9 Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.912614/201266 Acórdão n.º 3302006.795 S3C3T2 Fl. 11 10 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Por todo exposto, voto em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003180/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008
CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 80 /2 00 8- 59 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29; de “cartuchos de tinta”, classificados no código NCM/SH 8443.9927; e “cabeças de impressão”, classificados no código NCM/SH 8443.9925. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 04/41) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 182.273,15); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 251.141,57); PIS/PASEP – Importação (R$ 1.074,41) e COFINS – Importação (R$ 4.949,58), acrescidos da multa de ofício; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 15.554,69, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. Os auditores responsáveis pelo desembaraço das mercadorias, em atos de exame e conferência física, constataram que os itens das adições de 05 Declarações de Importações (DI, relacionadas nos autos de infração, são partes e acessórios de impressoras, compatíveis com equipamentos multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador os classificou nos códigos NCM 8443.99.29 (cartucho de toner), NCM 8443.9927 (cartuchos de tinta) e NCM 8443.9925 (cabeça de impressão). Informa que as máquinas multifuncionais (NCM 8443.31.00) tem a seguinte definição: "Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 498 3 impressão, cópia ou transmissão de telecópia (FAX), capazes de ser conectadas a uma máquina automática, para processamento de dados ou a uma rede". Explica que, entretanto, os acessórios para as máquinas multifuncionais não tinham classificação específica até aquele momento. Diante deste fato, a solução foi adotar a regra 3 c) do Sistema Harmonizado. Ademais, de acordo com a solução de consulta SRRF 9ª. RF/DIANA n° 126/07, o cartucho de toner utilizado em máquinas capazes de efetuar múltiplas funções, impressão, cópia e facsímile, é classificado no item 8443.99.3 e, como não existe um subitem apropriado para sua inclusão, o código NCM/TEC a ser utilizado é o 8443.99.39. Regularmente cientificada (fls. 05, 17, 27 e 35) a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 390/401, na qual, em síntese: Alega, preliminarmente, nulidade do lançamento, por preterição do seu direito de defesa, porque não há nos autos qualquer prova, ou suporte técnico, que venha a confirmar o entendimento de que as mercadorias sejam "partes e acessórios de copiadora". Defende que a Regra 3.c. não é aplicável ao caso, uma vez que as classificações dos "cartuchos de toner e de tinta", se fazem em obediência direta às das RGI 1° e 6° c.c. RGC 1°, por se tratar de mercadoria compreendida no texto da posição 8443, no código tarifário reservado às partes e acessórios de mercadorias, cuja função principal é imprimir (NCM 8443.99.29), e, respectivamente, no código 8443.99.27, onde as mercadorias encontram nominalmente citadas. Igualmente ocorre com as cabeças de impressão, a jato de tinta, com depósito de tinta incorporado utilizados nas impressoras HP, que tem a função de imprimir e deve ser enquadrada na NCM 8443.99.25, onde as mesmas se encontram nominalmente citadas. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Alega que não cabe a classificação das partes e acessórios, com função de imprimir, tomando emprestada a discutível interpretação que norteou a classificação dos equipamentos multifuncionais. Aduz que a Solução de Consulta, mencionada no Auto de Infração é equivocada e reclama reparos. Ademais, referese a mercadorias de fabricação Sharp e que possuem características distintas daquelas que foram objeto do Auto de Infração. Por outro lado, tem conhecimento das Soluções de Consulta nº 49/2008 e 50/2008, da7° R.F., versando sobre a classificação das mesmas mercadorias, objeto da presente discussão, e adotando, no mérito, as mesmas NCM declaradas nos despachos aduaneiros. O mesmo acontecendo com a Solução de Consulta n° 47/2008. Requer o acatamento da preliminar de nulidade, ou, alternativamente, requer a improcedência do presente Auto de Infração. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBSERVÂNCIA. Descritos os fatos que fundamentam o lançamento, juridicamente qualificados no ordenamento legal, e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em ofensa ao princípio do devido processo legal. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 499 5 (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 500 7 impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003180/200859 Acórdão n.º 3202001.431 S3C2T2 Fl. 501 9 final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner” devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13161.720250/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT.
Numero da decisão: 2401-006.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 02 50 /2 00 8- 24 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório NOVA JATOBA AGROPASTORIL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0426.223/2011, às efls. 95/101, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2004, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 14/18, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 13/11/2008 (AR. fl. 89), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR l E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descricao dos Fatos: (...) O declarante da DITR foi devidamente intimado e cientificado em 05/09/2008, a apresentar laudo técnico comprovante do valor declarado do valor da terra nua por hectare (VTN/ha), no valor de R$ 52,96, ou informação de novo valor para o VTN/ha, no prazo de vinte dias. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 4 3 Entretanto, o contribuinte não apresentou nenhuma documentação, esclarecimento ou pedido de prorrogação de prazo. (...) Diante dos fatos apurados, resta calcular o valor da terra nua conforme Lei n° 9.393/1996, art. 14: no caso de subavaliaçäo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procederá a determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Também, de acordo com § 1° do mesmo artigo, as informações sobre preços de terra consideraräo levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federados ou dos Municípios. Portanto, o VTN será calculado com base no VTN/hectare referente ao ano de exercício da DITR e do município de localização do imóvel rural, no valor de R$ 2.964,24 (Pastagem/Pecuária), R$ 1.712,00 (Campos) e RS 1.035,46 (Várzea), obtido do Sistema de Preços de Terra_ (SIPT), instituído pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria SRF n° 447/2002), para fornecer informações relativas a valores de terra para o calculo e lancamento do ITR. Conforme tela anexada ao processo, tais valores foram informados pela Prefeitura Municipal do Município de localização do imóvel rural. Também, de acordo com valores declarados/apurados na DITR , a área total do imóvel rural pode ser dividida, para fins de atribuição do VTN/ha, da seguinte forma: Pastagem/Pecuária (7.368,1 ha), Campos (2.U85,4 ha) e Várzea (628,6 ha). (...) O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Compo Grande/MS entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 115/117, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, primeiramente informa que houve a aquisição de imóveis vizinhos à área em questão pela UNIÃO com valores que notadamente divergem dos valores efetuados no momento do Lançamento pela própria Receita Federa, in casu, Órgão integrante da Administração Pública, e, por conseguinte, da UNIÃO. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 5 4 Pugna pela dilação de prazo para obtenção de documentos oficiais que encontramse em poder do Agente Estatal INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA INCRA. Junta na oportunidade o Decreto n° 1.001/2010, o qual estabelece o VTN para o registro do imóvel. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DO VALOR DA TERRA NUA VTN O procedimento utilizado pela fiscalização para sua apuração, com base nos valores constantes em sistema da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do lTR constou do art. 3° da Portaria n° 447 de 28/03/2002. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel. Muito embora a recorrente tenha contestado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal e mantido pela decisão a quo, não apresentou laudo técnico conforme a NBR 14.653 da ABNT, que possibilitasse à autoridade administrativa rever o valor lançado. Para configurar um laudo com fundamentação e grau de precisão II, como requerido pela autoridade fiscal, deve ser obedecida a norma técnica NBR 14.6533 da ABNT, que exige levantamento de elementos amostrais, com comprovação da situação de cada imóvel tomado como paradigma, tratamento estatístico, com apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados pelo profissional, entre outros requisitos. O item 9.2.3.5, alínea “b” da citada norma prevê que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, contemporâneos à data do fato gerador do ITR. Por ocasião do Recurso Voluntário, a recorrente cita o Decreto n° 1.001 de 12 de Junho de 2010 (Prefeitura de Nova Andradina) pugnando que seja adotado o VTN "médio" dos imóveis próximos ao do recorrente. Entretanto tal documento não satisfaz para Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13161.720250/200824 Acórdão n.º 2401006.557 S2C4T1 Fl. 6 5 comprovação do VTN, muito menos expõe elemento novo de convicção que possa alterar o lançamento fiscal. Vale salientar que o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT e referese ao menor valor por aptidão agrícola previsto para o município de localização do imóvel para o exercício de 2004 conforme fl. 10. Em relação ao pedido de dilação de prazo para juntada de provas, a contribuinte até o momento não o fez. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, especialmente no que diz respeito ao pacto federativo. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910754/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/11/2010
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.043
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 54 /2 01 2- 25 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.910754/201225 Acórdão n.º 3401006.043 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.910754/201225 Acórdão n.º 3401006.043 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.910754/201225 Acórdão n.º 3401006.043 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.722697/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Maria Lúcia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que limitavam o escopo da diligência ao item I da resolução proposta.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Maria Lúcia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que limitavam o escopo da diligência ao item I da resolução proposta. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório
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RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Maria Lúcia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca, que limitavam o escopo da diligência ao item I da resolução proposta. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 22 69 7/ 20 11 -3 1 Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.110 2 Relatório Tratase de recurvo voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 0244.200 da 3 ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve parcialmente o lançamento de IRPJ, CSLL e IRRF sobre Pagamentos sem Causa e/ou a Beneficiários não Identificados, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 GLOSA FISCAL CUSTOS E DESPESAS DESNECESSÁRIOS Sujeitam se a glosa fiscal os custos e as despesas com encargos e com a aquisição de mercadorias e serviços que se revelam desnecessários e inúteis para a realização das atividades da empresa e para a manutenção de suas fontes produtivas. GLOSA FISCAL CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Sujeitamse a glosa fiscal os custos e as despesas com aquisição de mercadorias e serviços cuja efetiva realização não é comprovada por meio de documentação hábil e idônea. APURAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS TRIBUTÁVEIS CONFRONTO ENTRE DCTF E DIPJ Está sujeito a lançamento de ofício o débito tributário apurado e informado em DIPJ, mas não pago nem declarado em DCTF, se o contribuinte não justifica, por meio de elementos hábeis e idôneos, a divergência entre uma e outra declaração. MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS Verificada o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos GASTOS INCORRIDOS COM BENFEITORIAS QUE AUMENTAM A VIDA ÚTIL DE BENS LOCADOS EM MAIS DE UM ANO Os custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor, não podem ser deduzidos imediatamente na determinação do resultado tributável, mas dão direito a amortização proporcional aos anos restantes de duração do contrato de locação ou arrendamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.111 3 O acórdão recorrido sintetizou as infrações apuradas pela fiscalização, verbis: Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – Constatou se a contabilização de despesas para as quais a fiscalizada não apresentou as respectivas notas fiscais ou documentos hábeis para comproválas e que permitam o exame da natureza dessas aquisições, se dedutíveis ou não. Dessa forma, efetuouse a glosa dessas despesas. Se posteriormente forem apresentados os documentos hábeis e idôneos para comproválas, deverá ser examinada a natureza de cada uma das aquisições para caracterizálas, ou não, como despesas dedutíveis. As despesas contabilizadas para as quais não foram apresentadas as devidas comprovações estão discriminadas na planilha anexa denominada “Despesas Não Comprovadas”. Constatouse, também, a contabilização de despesas em duplicidade. Datas do fato gerador: 31/12/2006; 31/03/2007; 30/06/2007; 30//09/2007; 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 249 inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999. 2. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS A fiscalizada não apresentou os contratos de arrendamento mercantil nem os comprovantes de quitação dos lançamentos efetuados na conta “1420 – Leasing”. Portanto, efetuouse a glosa das despesas contabilizada por falta de comprovação, e por serem despesas desnecessárias às atividades da empresa, como se deduz do histórico, indicativo de se tratar de arrendamento de veículos de luxo, não vinculados intrinsecamente com a comercialização dos bens ou serviços, confrontando o artigo 13, inciso II da Lei 9.249/95 e os artigos 299 e 300 do RIR/99. Datas do fato gerador: 31/12/2006; 31/03/2007; 30/06/2007; 30//09/2007; 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR 1999. 3. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA A fiscalizada contabilizou como despesas valores que aumentaram a vida útil dos bens, conforme se constata pelas características das mercadorias, em relação às cópias das notas fiscais apresentadas, motivando a glosa, nos termos do artigo 346 e parágrafos do RIR 1999, que prevê a ativação dos gastos que resultem no aumento da vida útil do bem. Datas do fato gerador: 30.06.2007, 30.09.2007, 31.12.2007. Enquadramento legal: artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, e 301 do RIR 1999. 4. RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS Valor do IRPJ e da CSLL correspondentes aos lucros escriturados, mas não declarados em DCTF nem recolhidos. Datas do fato gerador: 31/12/2006; 30/06/2007; 31/12/2007. Enquadramento legal: art. 249, 250 e 926 do RIR 1999. 5. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão ou redução. Datas do fato gerador: 30.09.2006, 31.10.2006, 30.11.2006, 31.12.2006. Enquadramento legal: artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 223 e 843 do RIR 1999. Primeiro auto de infração de CSLL (fls. 570 a 579) Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.112 4 O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada as mesmas infrações a que se referem os itens 1 a 4 da parte deste relatório que descreve o auto de infração de IRPJ. O enquadramento legal dado para o lançamento de CSLL: art. 2º e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996 e art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. Segundo auto de infração de CSLL (fls. 613 a 617) O autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA Falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão ou redução. Datas do fato gerador: 30.09.2006, 31.10.2006, 30.11.2006, 31.12.2006. Enquadramento legal: artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007, combinado com o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 223 e 843 do RIR 1999. Auto de infração de IRRF A autuante, fazendo remissão ao termo de verificação fiscal a folhas 563 a 569, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA A fiscalizada foi intimada e reintimada pelos menos duas vezes a apresentar documentação, hábil e idônea, comprobatória dos valores escriturados em contas de despesas, conforme planilha anexa ao termo de intimação, com indicação, da operação ou causa que deu origem a cada um dos pagamentos. A fiscalizada não apresentou comprovantes que possibilitem identificar a causa dos pagamentos contabilizados e seus reais beneficiários. Portanto, são considerados sem causa e a beneficiários não identificados. Conseqüentemente, efetuouse o lançamento do IRRF sobre a base de cálculo reajustada, na forma do § 3º do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Os fatos geradores ocorreram em diversas datas, situadas entre 27.09.2006 e 31.12.2007. Enquadramento legal: artigos 674, § 1º, do RIR 1999. O colegiado recorrido indeferiu pedido de perícia e rejeitou preliminar de nulidade, acolheu parcialmente a impugnação nos seguintes termos: a) Manteve a glosa de despesas com arrendamento mercantil, por falta de comprovação; b) reconheceu parcialmente arguição de erro na glosa de despesas contabilizadas em duplicidade; c) acolheu parcialmente a impugnação da glosa de despesas classificadas pela fiscalização como ativáveis por se relacionarem à construção e reforma e reforma de benfeitorias em imóveis de terceiros, para admitir a dedução de parte dos valores ativáveis a título de amortização; d) acolheu parcialmente a glosa de despesas não comprovadas, mediante o reconhecimento de parte da documentação apresentada como hábeis e idôneas; Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.113 5 e) reconheceu parcialmente as quitações efetuadas pela recorrente relativas às estimativas mensais de IRPJ e CSLL, efetivamente comprovadas por meio de DARF ou em Dcomp's apresentadas antes da constituição do crédito, bem como os seus efeitos nos saldos de IRPJ e CSLL a pagar, que não haviam sido informados em DCTF; f) cancelou parcialmente a cobrança de IRRF nas situações em que considerou comprovados os beneficiários dos pagamentos e as respectivas causas das operações; g) e ainda, restabeleceu parte dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, tendo em vista o cancelamento parcial das glosas. Em face dos valores de tributos e multas exonerados pela DRJBHE, o acórdão recorrido recorreu de ofício da sua própria decisão, verbis: O montante do principal acrescido de multa de ofício proporcional de que se exonera o sujeito passivo neste voto atinge R$ 1.844.687,36, quantia a qual se deve somar R$21.380,08, que correspondem ao total das multas isoladas de que também se exonera o sujeito passivo. Em conseqüência do limite estipulado pelo artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a exoneração decidida neste voto torna necessária a interposição de recurso de ofício ao Carf. Cientificada do acórdão de impugnação em 20/05/2018 (AR, fls. 997), a recorrente interpôs recurso voluntário em 19/06/2013 (carimbo de recepção, fls. 998), no qual alega, em síntese: Preliminares a) que o colegiado recorrido inovou nos fundamentos da autuação, aperfeiçoando os lançamentos com vistas a regularizar erros cometidos pela autoridade fiscal autuante, exorbitando, assim, de suas competências como julgadores; b) que o procedimento fiscal violou os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo nulo o auto de infração lavrado, pois a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário por falta de comprovação documental, porém estabeleceu que em caso de apresentação de novos elementos de comprovação estes deveriam ser analisados com vistas a determinar se seriam hábeis e idôneos para caracterizar despesas dedutíveis; c) que se o lançamento foi condicional, reitera o pedido de diligências negado pela decisão de primeiro grau, com vistas a comprovar todos os procedimentos adotados, mediante a análise pela autoridade fiscal de todos os documentos e elementos trazidos aos autos; d) que "a pretensão dos Julgadores Recorridos em fazer uma auditoria Fiscal de gabinete, não analisar os registros contábeis, recusar a qualidade dos documentos (identificados os beneficiários e bens/serviços), fazer elaboração de cálculos de amortizações (sem objeto na acusação), utilizar taxas de amortizações sem bases legais, e por final reformar e aprimorar o lançamento (sem o duplo grau de jurisdição) são incorreções de mais alto grau. Tornam todos os procedimentos nulos, inclusive o julgamento". Mérito Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.114 6 e) que, com relação a glosa de despesas com arrendamento mercantil de veículos, o fisco presumiu serem desnecessárias e que seriam veículos de luxo, sem amparo legal no art. 299 e 300 do RIR/1999; f) que, não obstante a comprovação apresentada (fls. 846/851), o acórdão recorrido manteve a glosa rejeitando a documentação apresentada, decidindo contra as provas dos autos e alterando a fundamentação da autuação para despesas desnecessárias; g) que todas as despesas com arrendamento mercantil foram comprovadas, à exceção de duas, o que não pode justificar a manutenção de toda a infração fiscal, mas a DRJ manteve a autuação neste ponto, em face da não apresentação dos contratos e dos certificados dos veículos, o que demonstraria a necessidade das diligências solicitadas, indeferida pela DRJ; h) apresenta como comprovação complementar no próprio corpo da peça recursal imagens: de cópia de pagamento de parcela em favor de DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc. junto ao Banco Itaú; de cópia de certificado de registro no Detran/MG, referente a um caminhão Mercedes Benz vinculado à DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc.; de cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil n° 239001881 com Daimler Chrysler, firmado em março/2997; cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil firmado em 18/09/2006 com BMW Leasing do Brasil n° 00239/06; i) que as despesas de arrendamento mercantil de veículos não poderiam ser objetos de glosas porque estavam e estão comprovadas, como também não podem ser inseridas nas bases de cálculos do IRRF como pagamentos a beneficiários sem causa, pois a simples glosa da despesas, mesmo pela desnecessidade não é suficiente para caracterizar a previsão do art. 674 do RIR/1999; j) que, com relação à glosa de despesas deduzidas em duplicidade, o fisco não demonstrou na contabilidade da empresa em quais contas redutoras do Lucro Líquido (Rubricas Contábeis de Custo/Despesa) que estariam contabilizadas as despesas em duplicidade e o acórdão recorrido errou ao não excluir das bases de cálculos tributáveis do Auto IRRF as importâncias exoneradas nos valores R$5.008,68 e R$9.955,19, respectivamente em 28/08/2007 e 06/08/2007, cujas bases corrigidas são R$7.705,66 R$15.315,68; k) que, com relação à glosa de despesas com benfeitorias em imóveis de terceiros, a autoridade fiscal "não procurou a vinculação das despesas com a localização dos imóveis, não analisou os termos dos Contratos de Locação e o período para amortização das despesas pelo prazo do Contrato de Locação", e não observou os termos do art. 346 do RIR/1999; l) que, se a infração fosse descrita e capitulada como Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, haveriam amortizações pelos prazos residuais dos Contratos de Locação e, assim, somente seria possível a glosa do excesso apropriado no ano, mas não todo o desembolso; m) que foram anexados aos autos as cópias dos Contratos de Locação dos imóveis (doc.fls. 822 a 837), onde se encontram instalados os estabelecimentos comerciais, comprovando a normalidade dos gastos e sua vinculação com os estabelecimentos da empresa, cujos prazos residuais das locações a partir de 2006, conforme indica na tabela abaixo: Localização Imóvel Localização Imóvel Localização Imóvel Matriz à av. Alvarez Cabral 725, bairro Lourdes, BH Matriz à av. Alvarez Cabral 725, bairro Lourdes, BH Matriz à av. Alvarez Cabral 725, bairro Lourdes, BH Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.115 7 Filial à Rua da Bahia, 1700, bairro Lourdes, BH Abril/2005 a março/2010 51 meses Filial à rua Magnólia, 505, bairro Pedro II, BH Maio/2006 a maio/2010 48 meses Filial à Av. Visconde de Ibituruna, 298, loja 1, Barreiro, BH Junho/2007 a maio/2012 60 meses Filial à av. Afonso Pena, 752, Centro, BH Junho/2007 a Junho/2011 48 meses n) que nesta infração o acórdão recorrido admite o erro fiscal glosa indevida de despesas sob a motivação de que se trata de dispêndios que implicaram o aumento da vida útil de bens imóveis com benfeitorias em imóveis de terceiros, não indenizáveis, mas não invalida os lançamentos do IRPJ e CSLL; o) que, a partir do correto entendimento das razões da impugnação, o Relator do Voto pressupõe taxas anuais de amortizações anuais (22,22%) e mensais (1,85%), à revelia dos prazos residuais dos Contratos de Locação, e enveredase em cálculos infindáveis, para corrigir o lançamento original, salvandoo; não havendo como aferir os cálculos efetuados pelos Julgadores Primários que não observa os percentuais e amortização pelos prazos residuais dos respectivos Contratos de Locação, não observa a acumulação dos valores de um mês para os períodos seguintes para os cálculos das amortizações; p) que o acórdão recorrido alterou a acusação fiscal, e acolheu parcialmente as razões de defesa, reduzindo as glosas indevidas por "amortizações" calculadas, conforme constou no voto (fls.948), introduzindo novos critérios ao Lançamento Fiscal, com nova capitulação legal (artigos 324 a 327 do RIR/99), sendo nulo o lançamento; q) que, com relação às demais glosas de despesas não comprovadas, mais uma vez a autoridade fiscal teria feito um lançamento condicional, pois, a par de têlas glosadas por falta de comprovação, inseriu uma condicionante para eventual comprovação posterior, ao apontar que "deverá ser examinada a natureza de cada uma das aquisições para caracterizálas, ou não como despesas dedutíveis"; r) que foram trazidos na impugnação os documentos contabilizados, hábeis e idôneos, para comprovar todas as despesas dedutíveis necessárias à atividade da contribuinte e efetivamente realizadas; s) que em todos os documentos e na escrituração contábil estão discriminadas a natureza da despesa, mas os julgadores de primeiro grau alegaram que a documentação apresentada mostrouse incapaz de comprovar, salvo algumas exceções, relacionando o que acatou (fls. 953 a 954 do Acórdão), E desviaram do foco da acusação: ausência de provas da efetiva despesa; t) que apesar de todas as suas dúvidas em suas análises, os Julgadores primários não deferiram as diligências necessárias para esclarecer os fatos em respeito ao Princípio da Verdade Material e Oficialidade; u) que diante de tantas impropriedade no acórdão recorrido, segundo constam no quadro demonstrativo "Apreciação dos documentos apresentados pela impugnante a fim de contestar glosa por falta de comprovação"'(fls.953/4) passa a enumerálas: Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.116 8 1. A divergência de datas entre os documentos e os pagamentos são fatos normais em vista dos prazos negociais para liquidação. E por isto não podem ser desconsiderados como elemento de prova; 2. O pagamento à Nacional Mercantil, aceitos e comprovados com NF e depósito bancário foi rejeitado sem qualquer objeto e prova; 3. Os valores de materiais de construção foram acolhidos como Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, contudo, sem a inclusão nos valores amortizáveis pretendidos pelos Julgadores e com a utilização de percentuais à revelia dos prazos residuais dos Contratos de Locação; 4. Os honorários advocatícios comprovados pelos documentos não foram aceitos sob a alegação de ausência de identificação dos serviços, e em alguns casos, exigindo diversamente da acusação dos Autos, a comprovação do pagamento; 5. Os valores comprovados que foram considerados como Despesas Não Dedutíveis, não podem ser considerados como pagamento a 'Beneficiário Sem Causa ou Não. Identificado (Base de Cálculo do IRRF). v) que além dos documentos colocados à disposição da Auditoria Fiscal, e aqueles anexados na impugnação, colaciona outros, comprovando a existência e a dedutibilidade das despesas (imagens no corpo da petição recursal compreendendo cópias de notas fiscais de honorários advocatícios, recibos diversos de execuções de obras civis, aluguéis, papeletas de gastos com indicação de pagamentos de honorários advocatícios fls. 1050 a 1060), além de telas de consulta dos dados do CNPJ de beneficiários extraídos do sitio da RFB (fls. 1061/1065); x) que o acórdão recorrido não acolheu, diversos valores contabilizados, que o contribuinte previamente considerou como não dedutíveis e que foram adicionados à base de cálculo do Lucro Líquido para apuração do Lucro Real e BC da Contribuição Social, conforme DIPJs, cujas fichas (9A e 17), conforme documentos às fls.353 a 408 no processo, que parcialmente abaixo colacionados. Assim, caso fossem enquadradas como despesas indedutíveis, deveria ser observado o que já foi adicionado à BC do IRPJ e CSLL em 2006 R$7.062,57, e em 2007,, no 2° Trimestre/2007 R$7.775,61 e no 4o Trimestre/2007 R$7.434,62, conforme constam do LALUR parte A 2006 e 2007, reproduzidos nas Fichas das respectivas DIPJ 2007 e 2008. z) que, quanto multa isolada do IRPJ e da CSLL, é indevida sua cobrança concomitante com a multa de ofício exigida, conforme a jurisprudência do CARF que aponta; que a multa isolada não pode ser exigida após o encerramento do período de apuração; que não poderiam ter sido adicionadas as glosas apuradas pelo Fisco às bases de cálculo mensais apuradas pelo contribuinte; que a autoridade fiscal desconsiderou os pagamentos mensais liquidados mediante DARF. aa) que, em face da a glosa indevida de custos e despesas considerados indedutíveis, não há como considerar os valores pagos a diversos beneficiários perfeitamente identificados nominativamente relacionados, como indicados e discriminados na própria apuração fiscal e nas respectivas rubricas contábeis e, mesmo que desprovidos de documentos, porque contabilizados e perfeitamente identificados, como inominados ou sem causa. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.117 9 bb) que não cabe exigir o IRRF sobre custos comprovados e dedutíveis, ou mesmo se indedutíveis (desnecessários), que deveriam ser adicionados ao Lucro Real, ou ainda sobre erros contábeis de despesas contabilizadas em duplicidade; cc) que foi indevidamente um crédito tributário sobre o IRPJ e CSLL apurado anualmente, sem considerar que os valores mensais, anuais e trimestrais já haviam sido inseridos nas respectivas DIPJ, efetuados os pagamentos mensais de estimativas em 2006 e. Declaração de Compensação para os trimestres de 2007; e dd) que é indevida a aplicação da taxa Selic a título de juros, por se tratar de taxa inconstitucional. Ao final requer que este Conselho: • Tome conhecimento do Recurso, porque regular e tempestivo; • Determine as Diligências nos termos do PAF para as comprovações dos fatos e razões apresentadas; • Considere as preliminares, porque procedentes, tornando nulo o lançamento, especialmente porque aperfeiçoado pela Delegacia de Julgamento; • Se ultrapassadas as preliminares, nas razões de mérito, reduzam os valores indevidamente constituídos pelos documentos juntamos e colacionados; e •Na existência de valores residuais, se utilize como juros de mora a taxa de 1% ao mês. Protestase pela anexação "a posteriori", de outros documentos para elucidação dos fatos, em respeito ao Princípio da Verdade Material, nas mesmas condicionantes estabelecidas pelo fisco na lavratura dos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.118 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. A matéria controvertida que remanesce no recurso voluntário é predominantemente relacionada a questões fáticas e de análise probatória. Não obstante, antes de se adentrar ao exame de questões fáticas e dos demais argumentos de mérito, impõese analisar as preliminares suscitadas pela recorrente. A recorrente alega que o colegiado recorrido inovou nos fundamentos da autuação, aperfeiçoando os lançamentos com vistas a regularizar erros cometidos pela autoridade fiscal autuante, exorbitando, assim, de suas competências como julgadores. Sustenta que o procedimento fiscal violou os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo nulo o auto de infração lavrado, pois a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário por falta de comprovação documental, porém estabeleceu que em caso de apresentação de novos elementos de comprovação estes deveriam ser analisados com vistas a determinar se seriam hábeis e idôneos para caracterizar despesas dedutíveis. Defende que se o lançamento foi condicional, imprescindível se torna o pedido de diligências negado pela decisão de primeiro grau, com vistas a comprovar todos os procedimentos adotados, mediante a análise pela autoridade fiscal de todos os documentos e elementos trazidos aos autos. Em suma, alega que: "a pretensão dos Julgadores Recorridos em fazer uma auditoria Fiscal de gabinete, não analisar os registros contábeis, recusar a qualidade dos documentos (identificados os beneficiários e bens/serviços), fazer elaboração de cálculos de amortizações (sem objeto na acusação), utilizar taxas de amortizações sem bases legais, e por final reformar e aprimorar o lançamento (sem o duplo grau de jurisdição) são incorreções de mais alto grau. Tornam todos os procedimentos nulos, inclusive o julgamento". Entendo que inexiste nulidade, nem no procedimento fiscal e respectiva autuação, nem tampouco na decisão recorrida. O procedimento fiscal se desenvolveu com regularidade, sendo o contribuinte intimado por diversas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos relacionados às operações registradas em sua contabilidade. Ao final do procedimento o auto de infração foi lavrado em decorrência da insuficiência dos elementos apresentados e da falta de esclarecimentos acerca das operações, segundo a autoridade lançadora. Disto resultou lançamentos de glosas de despesas com reflexos no IRPJ e CSLL e de pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.119 11 Não existiu, portanto, lançamento condicional. A autoridade fiscal apenas apontou que a mera apresentação de eventuais comprovantes, em momento posterior, não prescinde da análise da natureza dos dispêndios, diante da falta de apresentação dos documentos no curso da ação fiscal. Assim, entendo que inexiste qualquer nulidade na autuação fiscal. O mesmo se dá com a decisão recorrida, que analisou de forma detida e individualizada todos os elementos apresentados pela recorrente, conforme se demonstra pelas próprias planilhas de análises constante do acórdão recorrido (fls. 948, 950, 953 a 955, 961 a 963 dos autos). Além disso, as análises estão em consonância e se reportam expressamente às acusações fiscais contidas no TVF e autos de infração lavrados pela autoridade lançadora. Inexistiu a alegada "auditoria de gabinete" apontada no recurso voluntário, mas tão somente o cumprimento do dever do julgador de confrontar os novos elementos trazidos ao autos com os fatos narrados na acusação fiscal com vistas a fundamentar sua decisão. Assim, o fato do julgador de primeiro grau ter indeferido os pedidos de perícia/diligência, encontra amparo nos arts. 28 e 29 do Decreto nº 70.235/1972 e foi devidamente fundamentado, conforme consta do voto condutor (fls. 939 a 941 dos autos). Vício existiria se a autoridade julgadora indeferisse o pedido de diligência ou perícia e deixasse de analisar os elementos apresentados na peça impugnatória, o que, conforme se demonstrou, não ocorreu. Ante ao exposto, rejeito as alegações de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. No mérito, em seu recurso voluntário, a recorrente reapresenta, no corpo do recurso voluntário, cópias de alguns documentos (recibos e notas fiscais) trazidos na impugnação visando a comprovar (ao menos em parte) a idoneidade das despesas glosadas e a insubsistência da exigência de IRRF por falta de identificação do beneficiário e/ou da causa dos pagamentos a elas relacionados. A recorrente afirma que estaria colacionando outros documentos, além daqueles já anexados na impugnação, para comprovar a existência e a dedutibilidade das despesas. No entanto, a maior parte referese à documentos já apresentados e apreciados na impugnação. Excetuamse os recibos referentes a execução de obras civis, emitidos por Obra Prima Engenharia (fls. 1051 a 1053) e referentes a pagamentos de aluguéis, firmados por Sebastião Miranda Diniz (fls. 1054/1055). Além destes, a recorrente apresenta complementação de provas relativas a operações de leasing, trazendo aos autos os seguintes elementos: de cópia de pagamento de parcela em favor de DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc. junto ao Banco Itaú; de cópia de certificado de registro no Detran/MG, referente a um caminhão Mercedes Benz vinculado à DaimlerChrisler Leasing Arr. Merc.; de cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil n° 239001881 com Daimler Chrysler, firmado em abril/2007; cópia de Contrato de Arrendamento Mercantil firmado em 18/09/2006 com BMW Leasing do Brasil n° 00239/06 (fls. 1025 a 1038). Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.120 12 Este colegiado têm decidido, reiteradamente, por não conhecer de novos argumentos e provas acostadas aos autos depois da impugnação, tendo em vista nos termos do art. 16 e 17 do PAF, que estabelecem para aquele momento o prazo preclusivo para apresentar os pontos de discordância e as documentos para corroborar suas alegações, salvo se, comprovadamente, reste demonstrada fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 1302002.347, de 22/11/2018 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. Acórdão nº 1302002.159, de 16/10/2018 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. No presente caso, ao menos quanto aos recibos de obras civis e de locação de imóveis, referidos anteriormente, tratase de documentos novos trazidos ao autos somente em sede de recurso voluntário, sem qualquer justificativa quanto à impossibilidade de têlo feito por ocasião da impugnação. Com relação a estes elementos voto no sentido de não conhecêlos em sede de recurso voluntário, em face da preclusão. Não obstante, com relação aos documentos relacionados às operações de leasing, por ocasião da impugnação a recorrente apresentou diversos comprovantes de pagamentos que seriam relacionados aos respectivos contratos, porém os mesmos foram rejeitados pela decisão recorrida, nestes termos: [...] No presente caso, caberia à autuada comprovar que os pagamentos a titulo de arrendamento mercantil de veículos efetivamente ocorreram e que corresponderam a despesas ou custos que eram necessários e usuais para a execução da atividade da empresa e para a manutenção de sua fonte produtora. No mínimo deveriam ser trazidos à luz os contratos do arrendamento, o que permitiria identificar os bens arrendados e averiguar sua utilidade e necessidade para a empresa. Uma vez que o que, ao tempo da ação fiscal, a única informação disponível era a constante da escrituração, na qual se dizia que os pagamentos foram feitos à BMW Leasing do Brasil e à Daimlerchrysler, conhecidas fabricantes de automóveis de luxo, não foi disparatada a conclusão que o autuante tirou. Não se concebe que um varejista de produto de informática necessite de veículos de semelhante estirpe para a realização de seus negócios. A impugnante, por sua vez, apesar de contestar a observação do autuante, não traz aos autos nenhuma prova capaz de atestar que bens foram realmente arrendados. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.121 13 Apenas alega que um deles seria um veículo transportador de carga da marca Mercedes 710. Sem os contratos de arrendamento, ou ao menos os certificados de propriedade dos veículos, é impossível ter certeza do seu tipo e, por conseguinte, aferir sua necessidade e utilidade para a empresa. É verdade que, no intuito de comprovar a quitação das despesas de arrendamento mercantil, a impugnante fez juntar a folhas 846 a 851, alguns comprovantes de pagamentos bancários. No entanto, esses papéis não cumprem o desiderato da impugnante e são incapazes de, por si sós, legitimar a dedução das despesas em questão. A principal e insanável deficiência deles é que não vieram acompanhados dos contratos de arrendamento mercantil ou dos documentos de identificação dos veículos a que se referem, de modo que é impossível, digase pela enésima vez, aferir a utilidade e a necessidade de tais desembolsos. Além disso, cerca de metade deles contam com uma autenticação inexistente ou ilegível. Tampouco trazem eles a identificação dos beneficiários do pagamento. Neste último aspecto (identificação do beneficiário do pagamento), a única exceção é o documento a folhas 851, no qual consta que o beneficiário é a Daimlerchrysler Leasing. Contudo, esse recibo se refere a um pagamento realizado em setembro de 2008, na data de seu vencimento, enquanto a glosa fiscal abrange apenas desembolsos realizados em 2006 e 2007. Ou seja, o único documento apresentado pela impugnante que identifica o seu beneficiário não diz respeito à glosa fiscal. [...] Agora, em sede de recurso voluntário, a recorrente traz documentação complementar visando demonstrar que se trata, efetivamente, de contratos de leasing e que tais despesas são dedutíveis. Penso que tal complementação de prova deva ser admitida pelo colegiado, pois decorre da própria dialética processual de modo que, tendo a autoridade julgadora de primeiro grau considerado insuficiente a documentação apresentada, revelase razoável acolher a apresentação de documentos complementares relativos aos fatos impugnados. Assim, entendo que devam ser conhecidos. Não obstante, ao examinar os documentos transcritos na própria peça recursal não pude concluir a análise tendo em vista que a imagem dos dois contratos de leasing apresentados estão quase ilegíveis, sendo impossível identificar com clareza os dados contratuais, em especial, os bens objeto dos arrendamentos e os valores das contraprestações mensais pactuadas, que considero imprescindíveis para o deslinde deste ponto do recurso. Desta feita, julgo imprescindível a conversão do presente julgamento em diligência com vistas a que a recorrente seja intimada a apresentar novas cópias legíveis de toda a documentação relacionada aos pagamentos de arrendamentos mercantil, especialmente dos contratos supra referidos. Outrossim, como a recorrente requereu, desde a impugnação, a conversão do feito em diligência, com vistas a permitir as comprovações dos fatos e razões apresentadas, e considerando que diversos documentos foram rejeitados pelos julgadores de primeiro grau (conforme planilha de análise, fls. 953/954) como hábeis a comprovar as despesas glosadas em face da falta de melhor identificação dos serviços prestados, especialmente aqueles Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 15504.722697/201131 Resolução nº 1302000.731 S1C3T2 Fl. 1.122 14 relacionados aos serviços de advocacia, considero razoável oportunizar à recorrente a apresentação dos esclarecimentos e documentos que possam identificar com clareza a natureza dos referidos serviços e que os mesmo sejam submetidos ao crivo da fiscalização. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, determinando o retorno do processo à unidade de origem para que seja designada autoridade fiscal competente para: a) intimar a recorrente a : I a apresentar novas cópias legíveis de toda a documentação relacionada aos pagamentos de arrendamentos mercantil, especialmente dos contratos supra referidos; II a apresentar os esclarecimentos e documentos para identificar com clareza a natureza dos serviços prestados objeto de análise na decisão de primeiro grau (planilha às fls. 953/954), especialmente àqueles relacionados aos serviços de advocacia; b) que a autoridade fiscal responsável analise os elementos apresentados e elabore relatório fiscal conclusivo, do qual deve ser dado ciência à recorrente, abrindose prazo para sua manifestação, na forma do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011 Após, retornemse os autos a este colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901282/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA TEMPESTIVAMENTE, POR VIA POSTAL, DEVIDAMENTE RECEPCIONADA NOS AUTOS. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO.
Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada.
Numero da decisão: 3301-005.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE JULGAR SEU MÉRITO. Em caso de ser apresentada manifestação de inconformidade, de forma tempestiva e regular, por via postal, devidamente recepcionada pela unidade da Administração Tributária, é dever da Administração apreciar suas razões e seu mérito, emitindo decisão fundamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, .por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e a realização de um novo julgamento enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 12 82 /2 01 5- 77 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam estes autos de análise de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER, de créditos de COFINS, cujo pleito não foi integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, e apresentou manifestação de inconformidade, via postal. Em função de tal apresentação de manifestação da requerente, por via postal, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG enviou Ofício, ao requerente, onde se comunicava que : 2. Cumpre esclarecer que a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013 em seu artigo 2º, §1º, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.629/2016, estabelece que “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital”. A citada Instrução Normativa estabelece ainda as peculiaridades e procedimentos necessários para se efetivar a apresentação das manifestações de inconformidade em cada processo digital. 3. Diante do exposto, tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados. 4. Por último cumpre esclarecer que a empresa pode, ainda que intempestivamente, fazer a apresentação dos questionamentos digitalmente na forma da Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013. Em caso de discordância quanto à intempestividade, a empresa pode fazer as alegações preliminares que entender cabíveis. A requerente teve ciência deste Ofício, por acesso á sua caixa postal eletrônica,. Em resposta, a requerente apresentou sua Manifestação de Inconformidade por via eletrônica, acompanhada de Declaração de Tempestividade, nos seguintes termos: ' o contribuinte acima identificado vem solicitar a recepção pela Receita Federal da Manifestação de Inconformidade na forma digital (...), uma vez que a mesma fora encaminhada fisicamente pelos correios, tempestivamente, em face da autorização que consta no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997. Desta forma, ciente que apresentou sua irresignação tempestivamente, e considerando que eventual vício de forma não pode mitigar seu direito constitucional de petição e de ampla defesa, direito material, mormente ao considerarmos o princípio do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, roga pela recepção e regular processamento da Manifestação de Inconformidade em epígrafe.” Diante destes documentos, a Agência da Receita Federal em Cataguases/MG encaminhou os autos á DRJ/FUIZ DE FORA com o seguinte despacho : “O contribuinte inicialmente apresentou Manifestação de Inconformidade pelos correios dentro do prazo legal porém Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 4 3 em desacordo com o que determina a IN 1.412/2013. Em seguida a empresa foi instada a apresentar o questionamento da forma como é determinada a legislação, o que ocorreu intempestivamente. Em seu protocolo porém a empresa alega preliminarmente a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto encaminho o presente processo à SECOJ/DRJ/JFA/MG para apreciação das preliminares, e julgamento se for o caso.” A DRJ/JUIZ DE FORA exarou o Acórdão de nº 09064.396, que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o entendimento da unidade de origem. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, contesta a declarada intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando : a Recorrente não pode concordar com o acórdão recorrido, o qual não conheceu da Manifestação de Inconformidade por entender ter sido a mesma apresentada intempestivamente. A autoridade preparadora, que detém competência legal para a instrução do processo, por sua vez acolheu a juntada digital dos documentos e enviou os autos para a Delegacia de Julgamento. entende a Recorrente que a tempestividade de sua Manifestação de Inconformidade é evidente, principalmente por conta das peculiaridades acerca da intimação que recebeu – sem instruções alguma sobre apresentação “eletrônica” da mesma confia e espera a Recorrente, lastreada na proficiência dos membros deste I. Órgão Judicante, na anulação da decisão que não conheceu de impugnação regularmente interposta, com a expressa determinação para que a Delegacia de Julgamento profira decisão de mérito sobre a irresignação tempestivamente ofertada, É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.974, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10640.901267/201529, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.974): "13 A questão central destes autos está centrada na tempestividade ou não da manifestação de inconformidade Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 5 4 apresentada, que restou não conhecida pela decisão de piso. 14. Entretanto, a principal questão a ser enfrentada é a recepção de documento não entregue por meio digital, carreado aos autos como documento válido, pois que no momento de sua inclusão nos autos, devidamente numerado, tornouse documento devidamente recepcionado pela Administração Tributária. 15. O próprio julgador da DRJ enfrentou o problema ao afirmar “ Registro, de plano, que reputo correta a informação contida no ofício expedido pelo titular da ARF Cataguases quando vem dizendo que "tendo em vista que a apresentação de documentação pelos correios foi realizada em desacordo com o que determina a Instrução Normativa RFB nº 1.412/2013, não será dado conhecimento aos protocolos apresentados e os Despachos Decisórios exarados em cada processo serão considerados como não questionados". Diante desse quadro, devo registrar que a ação, do mesmo servidor, de juntar ao processo os documentos dos quais informara que não tomaria conhecimento colide frontalmente com o disposto no diploma regulador e com a própria conclusão estampada no ofício. Ora, não se junta ao processo documento do qual não se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a atitude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. Temos então os seguintes fatos: a ciência do Despacho Decisório se deu em 22/06/2016; a postagem da Manifestação de Inconformidade se deu em 22/07/2016 e a apresentação, da mesma peça de defesa, na forma preconizada pela Instrução Normativa RFB n° 1.412/2013 se deu em 17/11/2016. Lembrando que esta última somente foi apresentada após a recepção do ofício expedido pelo titular da Agência da RFB em Cataguases, fato que nos permite concluir que o procurador da requerente ignorava a regra que estabelecia que a apresentação da manifestação de inconformidade deveria ser por meio eletrônico (digital). “ 12. Correto o julgador ao afirmar que não se junta ao processo documento do qual n~çao se toma conhecimento, devolvese o documento ao remetente para que este tome a titude que entender mais adequada ao resguardo do seu direito. 13. Entretanto, a contrario sensu, o documento foi efetivamente recepcionado e consta presente nos autos, e mais, foi entregue, mesmo que por via postal, tempestivamente, o que garante ao requerente que o documento seja analisado in totum. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 6 5 14. Verificase, também, que, após a ciência do ofício emitido pela Agência da Receita Federal, a impugnante apresentou o mesmo documento, e seira claramente intempestivo, pois o ofício que comunicou a não aceitação da manifestação de inconformidade foi enviado após o transcurso de prazo legal para a apresentação da citada manifestação. 15. Desta forma, temos que o impugnante teve conhecimento do Despacho Decisório em 04/07/2016, apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2016, portanto tempestivamente, recebeu um ofício da Administração Tributária em 13/10/2016, comunicando lhe que não seria aceita sua manifestação de inconformidade pois que não entregue em meio digital, contrariando regra normativa em vigor e que poderia ser providenciada a apresentação, mesmo que intempestivamente, da manifestação de inconformidade, de forma digital de acordo com o ato normativo. Foi o que a impugnante fez. Apresentou sua manifestação de inconformidade, de forma digital, em 16/11/2016, intempestivamente, que não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento, pelo mesmo motivo, intempestividade 16. Diante destes fatos, entendemos que dois fatos são extremamente relevantes para o deslinde da questão : um a juntada aos autos de documento que declaradamente foi considerado não recepcionado, dois a informação dada ao impugnante, de que poderia ser apresentada mesmo que intempestivamente a manifestação de inconformidade. 17. Estes dois fatos analisados conjuntamente trazem a convicção de que houve ferimento ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, insculpido no inciso LV da Constituição Federal de 1988, que estabelece ; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 18. O princípio do contraditório é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há que ser ouvida a outra, dandolhe oportunidade de resposta. 19. Eivada, portanto, de nulidade a decisão de piso, pois que feriu o direito de defesa do impugnante ao não conhecer da manifestação de inconformidade, constante dos autos, devidamente recepcionada tempestivamente, Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10640.901282/201577 Acórdão n.º 3301005.989 S3C3T1 Fl. 7 6 incidindo no disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 19. Portanto, diante de todo o exposto, entendemos que deva ser analisada a manifestação de inconformidade apresentada, pois que tempestiva. Conclusão 20. Neste norte, voto pela nulidade do Acórdão DRJ, devendo ser os autos devolvidos á DRJ/JUIZ DE FORA para que emita novo Acórdão, analisando a manifestação de inconformidade apresentada, decidindo seu mérito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ e determinar a realização de um novo julgamento, enfrentando o mérito. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001628/98-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992
RESTITUIÇÃO
Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipando-se assim à desistência do recurso administrativo.
COMPENSAÇÃO
Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa.
COMPENSAÇÃO. DCOMP
Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO.
Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos interpreta de forma literal o percentual da redução da multa de ofício.
ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
Numero da decisão: 3201-005.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipando-se assim à desistência do recurso administrativo. COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO. Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos interpreta de forma literal o percentual da redução da multa de ofício. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
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COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA. NÃO CABIMENTO. Não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz das provas carreadas aos autos interpreta de forma literal o percentual da redução da multa de ofício. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 16 28 /9 8- 11 Fl. 219DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 170/179, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0916.195 2ª Turma da DRJ/JFA, efls. 146/150, que reconheceu o direito creditório equivalente à redução de 20% da multa passível de redução, homologou tacitamente as compensações apresentadas em período anterior a 23/11/2001 e não homologou a compensação declarada em 10/05/2002. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: A contribuinte acima identificada requereu a fl.01 com juntada de documentos, de fls. 02/05, a restituição de recolhimento indevido ou a maior de 40% da multa (passível de redução), conforme explanação contida naquele requerimento inicial. As fls. 72 a 76, 83 e 84, foram juntados Pedidos de Compensação, vinculando débitos de PIS (Períodos de Apuração janeiro a maio de 2001 e setembro de 2001) e Cofins (PA — maio de 2001 e abril de 2004) ao crédito aqui discutido, valor registrado em DCOMP de R$ 402.351,04 (11s. 72/73). O Despacho Decisório DRF/UBE n° 395/2006, às lis. 109/112, indeferiu o pedido de fl. 01, em síntese, pela inexistência de direito creditório. Motivo pelo qual também não foram homologadas as compensações pleiteadas. A contribuinte tomou ciência em 23/11/2006. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 21/12/2006, às fls. 121/132, na qual sustenta que: 1) Havia transcorrido o prazo para não homologação das compensações, em razão do decurso de mais de cinco anos entre Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10675.001628/9811 Acórdão n.º 3201005.167 S3C2T1 Fl. 203 3 a data das declarações apresentadas e a notificação da decisão administrativa. Cita como base legal o art. 74, §§ 40 e 5°, da Lei 9.430/1996, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; 2) Teve materializado seu crédito pelo pagamento integral do crédito tributário apurado nos autos de infração, sem o aproveitamento do benefício de redução de 40% a que alude o artigo 60 da Lei 8.383/1991; 3) Na interpretação realizada pela autoridade administrativa os pagamentos realizados após prazo legalmente previsto para apresentação de impugnação afastariam o benéfico da redução da multa de 40%, por ocasião do parcelamento; 4) A norma legal tem a clara intenção de beneficiar com redução de multa os contribuintes que optarem por pagar prontamente o débito fiscal, antes de percorrer toda instância administrativa e eventualmente judicial, no debate acerca de sua exigibilidade. Por tal razão, entende ser legitimo o seu direito, ainda que os pagamentos tenham sido realizados depois de vencido o prazo para impugnação. Não se afigura justa a interpretação literal da legislação; 5) Ainda que refutada sua argumentação, no mínimo deveria ter sido reconhecido o direito à redução de 20% da multa, em função do disposto no artigo 60, § 2°, da Lei 8.383/1991. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 0916.195 2ª Turma da DRJ/JFA está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO Deve ser reconhecido o direito creditório, equivalente redução de 20% da multa passível de redução, em virtude de parcelamento requerido depois da apresentação tempestiva de impugnação, antecipandose assim à desistência do recurso administrativo. COMPENSAÇÃO Devem ser não homologadas as compensações vinculadas a crédito do sujeito passivo não reconhecido na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. DCOMP Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO Fl. 221DF CARF MF 4 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Das Razões do Presente Recurso Da Legitimidade do Crédito A recorrente discorda da decisão de primeira instância no tocante ao benefício da redução da multa em sua integralidade. Acredita fazer jus ao benefício da redução de 40% (quarenta por cento) a que alude o artigo 6º da Lei 8.383/91, pois efetivou o parcelamento antes de apresentar qualquer impugnação. Argumenta que agiu de boafé. Reconhece, no entanto, que os pagamentos realizados não se deram no prazo para a apresentação das defesas administrativas nos autos dos processos respectivos. 18. É certo que os pagamentos realizados pela Recorrente não se deram no prazo para a apresentação das defesas administrativas nos autos dos processos respectivos. 19. Ocorre que, ainda assim, a Recorrente realizou o pagamento de todos os débitos dentro de um curto intervalo de tempo a partir da cientificação dos Autos de Infração cujos créditos tributários vieram a ser adimplidos. (efl. 176) Em sua defesa, argumenta que a interpretação no julgamento de primeira instância foi estritamente literal, sendo que deveria ter interpretado a norma jurídica em busca do seu sentido. Sustenta ainda que a decisão de primeira instância ofendeu o princípio da boa fé. Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário requer provimento, julgandose totalmente procedente a Manifestação de Inconformidade outrora apresentada para que seja no mérito, reconhecido legitimo o direito da Recorrente ao benefício da redução em 40% da multa incidente sobre o fato gerador em relação ao fato gerador de 10/05/2002, uma vez que todos os demais períodos foram reconhecidos extintos em razão da prescrição. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10675.001628/9811 Acórdão n.º 3201005.167 S3C2T1 Fl. 204 5 O presente processo trata de pedido de restituição de recolhimento indevido referente a 40% da multa passível de redução não concedido a recorrente. A recorrente discorda da decisão de primeira instância no tocante ao benefício da redução da multa de 20%. A recorrente acredita fazer jus ao benefício da redução de 40% a que alude o artigo 6º da Lei 8.383/91, pois efetivou o parcelamento antes de apresentar qualquer impugnação. O julgamento de primeira instância considerou que foram homologadas tacitamente todas as compensações declaradas nas DCOMP, com data de entrega anterior a 23/11/2001. Restou para análise apenas a DCOM apresentada em 10/05/2002. Quanto a essa verificase nos autos que o parcelamento foi requerido depois de vencido o prazo para apresentação de impugnação. A própria recorrente reconhece que realizou os pagamentos fora do prazo. 18. É certo que os pagamentos realizados pela Recorrente não se deram no prazo para a apresentação das defesas administrativas nos autos dos processos respectivos. 19. Ocorre que, ainda assim, a Recorrente realizou o pagamento de todos os débitos dentro de um curto intervalo de tempo a partir da cientificação dos Autos de Infração cujos créditos tributários vieram a ser adimplidos. (efl. 176) Sendo que a lei é clara quanto a obrigatoriedade de requerer o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação. Lei n°8.383/1991 Art. 60. Será concedida redução de quarenta por cento da multa de lançamento de oficio ao contribuinte que. notificado requerer o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação. § 1° Havendo impugnação tempestiva, a redução será de vinte por cento, se o parcelamento for requerido dentro de trinta dias da ciência da decisão da primeira instância. Assim, a reclamante não faz jus à redução de 40% concedida por lei. Dessa forma, entendo que não merece reforma a decisão de primeira instância que à luz dos documentos acostado aos autos interpreta o benefício da redução de forma literal. No tocante a boafé e outros argumentos de natureza constitucional, cabe esclarecer que o CARF não tem competência para apreciar tais argumentos. Nesse sentido, cabe citar a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 223DF CARF MF 6 Sendo assim voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário para manter na integralidade a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 224DF CARF MF
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