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Numero do processo: 10384.900363/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO.
A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação.
DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
Numero da decisão: 1401-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 03 63 /2 00 8- 07 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 75 a 89) interposto contra o Acórdão nº 0824.744, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 50 a 56), que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. Demonstrado o erro de fato no preenchimento das características do pagamento a ser utilizado na compensação, acolhese a manifestação de inconformidade, reconhecendo o pleito da requerente até o limite do crédito disponível. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 4 3 " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em decorrência da não homologação do pedido de compensação, conforme despacho decisório emitido eletronicamente, fls. 19. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal”. O pedido de compensação envolve créditos e débitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 05/05/2008, fls. 20, tendo apresentado a contestação em 03/06/2008, fls. 02/18, contrapondose ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. Informa que ingressou em 09/07/2004 com PER/DCOMP, cópias acostada nos autos, requerendo a compensação do IRPJ devido por estimativa nos meses de abril a junho de 2003 no valor total de R$ 39.620,75 (trinta e nove mil seiscentos e vinte reais e setenta e cinco centavos), com pagamento indevido ou maior do IRPJ apurado em 31/08/2001, código de receita 2362, data de vencimento 28/09/2001 e data de arrecadação de 10/10/2001, no montante de R$ 26.419,12 (vinte e seis mil quatrocentos e dezenove reais e doze centavos). O referido crédito, representado por pagamento indevido ou maior que o devido, consta em DARF, cópia acostada nos autos. O citado crédito estaria devidamente comprovado conforme documentação ora anexada aos autos no valor indicado na PER/DCOMP, embora com data de vencimento incorreto, porém isso não prejudica o seu direito, tendo em vista que o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. O indeferimento da compensação não está em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Afirma: a exigência tributária deve ser realizada mediante a efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido nos moldes legais (Art. 142 CTN). O lançamento em discussão, que, obrigatoriamente, deveria decorrer de toda uma série de investigações e procedimentos administrativos legalmente previstos, encontrase embasado apenas em não homologar compensação declarada em PER/DCOMP, com fundamento de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, fato que não é verdade, uma vez que o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. Em seguida a defesa faz uma breve análise sobre a questão do ônus da prova em matéria tributária para efeito de deslinde da presente controvérsia. Nesse sentido, afirma que, na atividade de lançamento, a caracterização da matéria tributável há de estar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. A caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, como, aliás, se pode ver no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, quando se refere às Bases do Lançamento, o qual é bastante rígido em relação à impugnação dos esclarecimentos. Alega que, no caso em análise não teria restado caracterizado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, haja vista, que os valores objeto da exigência, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 5 4 cuja base de argumentação para a cobrança foi a não confirmação do pagamento indevido do IRPJ apurado em 31/08/2001, que na verdade não ocorreu, porque o valor do pagamento indevido existe e está devidamente comprovado, conforme prova acostada nos autos. Continua. O princípio da verdade material é tão forte e base de todo o Estado de Direito, que já se escreveu, noutra ocasião: Enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta. Considera a defendente que as conclusões da autoridade administrativa para não homologar a compensação efetuada não teriam fundamento lógico e faltaria a prova material do fato, ou seja, a inexistência do pagamento indevido. Assim, o fisco não teria cumprido com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária. Em seguida, a defesa faz um breve comentário sobre os 43 e 44 do Código Tributário Nacional – CTN, para concluir que não estaria correto o procedimento de se exigir tributos sob a alegação de que o crédito não foi comprovado. Indaga: Como admitir em tal situação que ocorreu o fato gerador da obrigação tributária? Tal exigência estaria fazendo incidir o imposto sobre o patrimônio, em evidente desconsideração à Constituição Federal (art. 150, IV, "a") e ao Código Tributário Nacional (art. 44), que autoriza a incidência do imposto sobre o acréscimo patrimonial e não sobre o próprio patrimônio. Considera que no caso em comento, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, compensação indevida. Diante do exposto, entende que fica demonstrado e provado que é indevido o crédito tributário exigido através do despacho decisório no valor original total de R$ 28.644,40 (vinte e oito mil seiscentos e quarenta e quatro reais e quarenta centavos), em razão da não homologação da PER/DCOMP apresentada pelo requerente, tendo em vista que a referida cobrança foi objeto de compensação, conforme devidamente comprovado nos autos. Assim, requer seu cancelamento." Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise repisando que o suposto lançamento realizado careceria de motivação e comprovação, bem como defendendo a existência do crédito que diz possuir. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 6 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em breve síntese do já relatado, o presente feito trata das compensações realizadas pela Recorrente de débito de IRPJ por estimativa correspondente ao período de Abril e Maio de 2003 com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior realizado. O Despacho Decisório de fls. 19 não reconheceu o crédito pleiteado porquanto o mesmo já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito anterior e intimou o Contribuinte a providenciar o pagamento, em até 30 dias, do débito indevidamente compensado, acrescido dos encargos devidos. A Contribuinte, por sua vez, fundamentou sua defesa no presente feito alegando que o lançamento que, supostamente, teria sido realizado no citado Despacho Decisório careceria de motivação vez que a autoridade fiscal não teria realizado qualquer verificação quanto a efetiva ocorrência do fato gerador, tampouco comprovado a existência do débito. Nesta toada, entende que o "lançamento" estaria viciado, sendo, portanto, nula a cobrança. Ainda, alega apenas genericamente que havia crédito para suportar a compensação intentada. A decisão da DRJ de piso negou provimento à Manifestação da Interessada corroborando a prévia alocação dos créditos em outros débitos, conforme citado pelo Despacho Decisório, bem como afastando as alegações de nulidade da cobrança. Por fim, a Recorrente traz a está instância recursal argumentos semelhantes aos já esposados na instância a quo. Primeiramente, insta esclarecer que por se tratar o presente feito de processo de compensação de iniciativa da própria Recorrente cabe a esta a comprovação da existência de crédito suficiente para amparar a operação realizada. Outrossim, importa salientar que o tributo em questão tem seu lançamento realizado pelo próprio contribuinte no momento em que apura seu resultado e tributos devidos ao fim de cada período de atividade. Desta forma, não há que se falar em "lançamento" por ocasião do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Em verdade, o que ocorre é apenas a cobrança do débito que a própria Recorrente já havia lançado e restou sem pagamento consignado, face a insuficiência de crédito. Notese que, conforme dicção do art. § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a declaração de compensação constitui confissão de divida. Ou seja, a própria Recorrente realizou o lançamento, confessou o débito e tentou adimplilo pela via da compensação. Uma vez que não havia crédito suficiente para a quitação, não há qualquer óbice para a cobrança, sendo desnecessária qualquer outra medida, apuração ou comprovação por parte da autoridade fiscal. Por fim, ainda que a Recorrente não tenha apresentando qualquer documento no intuito de demonstrar a existência do crédito que diz possuir, aponto que a DRJ de origem trouxe aos autos tela do sistema SIEF que demonstra a utilização do recolhimento apontado em outro débito anterior à compensação ora analisada. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 7 6 Destarte, entendo não assistir razão à Recorrente pelos mesmos fundamentos já esposados pela DRJ de origem. Assim, por economia processual, e em atenção ao §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Conforme regra consagrada pelo art. 333, do Código de rocesso Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, o ônus sobre a existência de um pagamento indevido a ser utilizado em processo de compensação é do titular do crédito que apresenta a petição. À autoridade local (no caso, a DRF Teresina) incumbe verificar a disponibilidade do crédito pretendido, em conformidade com os sistemas de controle da Receita Federal, proferindo despacho decisório, fundamentado, justificando o acolhimento ou não do pleito do contribuinte. Conforme se verifica às fls. 19, o despacho decisório está devidamente motivado, com a indicação do fato que impediu o reconhecimento do direito do autor do pedido (pagamento não localizado). Se no pedido não constam dados que correspondam a um pagamento disponível na base de dados da Receita Federal, não há como atribuir à autoridade que analisou a questão o dever de perquirir sobre a suposta existência de um erro na transcrição de dados, mormente quando o interessado não adota qualquer providência nesse sentido. Daí porque, não possui sustentação a alegação da defesa de que o fisco não cumpriu o ônus de produzir a prova material e que estaríamos “diante de mera presunção simples, não de prova”. Outro aspecto que merece ser destacado é que, ex vi do disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a existência da obrigação tributária referente aos débitos incluídos na PER/DCOMP, é inconteste, salvo se o próprio contribuinte posteriormente comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração (o que não ocorreu no presente caso, pois a defesa somente faz referência a erro nos dados referentes ao crédito, não ao débito). Portanto, não guarda qualquer relação com o litígio às referências feitas pela impugnante ao “lançamento em discussão” ou que “o fisco não cumpriu o ônus de produzir prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária”. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 8 7 Resta ainda um aspecto a ser analisado na presente situação, que corresponde à possibilidade de apreciação, nesta fase processual, do pedido de compensação, considerando os novos dados do crédito indicado pela defesa quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Embora o entendimento não seja uniforme no âmbito da jurisprudência administrativa, em respeito aos princípios do formalismo moderado e da verdade material, filiome à corrente que considera ser possível a apreciação do pedido de compensação, quando constatado erro material no preenchimento da DCOMP. (...) Passemos, pois, à análise do pedido, considerando o pagamento indicado pelo contribuinte na manifestação de inconformidade. De acordo com o sistema SIEF – Documento de Arrecadação – Consulta, o pagamento se encontra na seguinte situação: Destarte, restando comprovada a existência do saldo disponível no valor de R$ 9.345,82, admitese que seja utilizado na compensação de que trata o presente processo. Encaminho meu voto, pois, no sentido de homologar a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido na presente decisão, relativo ao saldo do pagamento indicado no extrato do sistema SIEF, acima reproduzido. Na execução do presente Julgado, a unidade de origem deve, para proceder à compensação, descontar do direito creditório ora reconhecido eventuais parcelas já utilizadas em restituições/compensações anteriores. (...)" Finalmente, com base em tudo que foi exposto acima entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10384.900363/200807 Acórdão n.º 1401003.333 S1C4T1 Fl. 9 8 Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.901522/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.
Numero da decisão: 3201-005.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício).
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 15 22 /2 01 2- 61 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 221 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 214 interposto em face da decisão de primeira instância da DRJ/DF de fls. 198, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 156, restando não homologada a compensação solicitada, conforme Despacho Decisório eletrônico de fls. 152. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: "Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 26545.82932.151209.1.3.040811, transmitida eletronicamente, com base em créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior relativos a Contribuição para Financiamento Seguridade Social Cofins, cujo DARF apresenta as seguintes características: Em 03 /04/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico (fls. 152) pela não homologação da compensação, fundamentado na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o pagamento (R$11.028,62) nada tem haver com o valor compensado, acrescentado que de certo houve algum erro contábil na inclusão do valor no PER/DCOMP. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade para aceitar o pagamento demonstrado e desconstituído o PER/DCOMP. Verificase que na DCOMP nº 26545.82932.151209.1.3.04 0811, objeto da decisão recorrida, às fls. 2, a manifestante informou crédito original inicial no valor de R$ 341.000,00; e crédito original na data de transmissão R$ 205.431,87, informado no PER/DCOMP 25999.52231.011209.1.3.04 1535, com utilização de R$ 12.514,32. Contudo no Quadro 3 do Despacho Decisório consta outro pagamento (R$11.028,62) efetuado em 18/11/2008, utilizado para quitar débito de Cofins do PA Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 222 3 31/10/2008, confessado na Dcomp nº 29892.95317.020909.1.3.042091. Diante disso, considerando a dificuldade de localizar o suposto pagamento indevido nos sistemas de controle de débitos e pagamentos efetuados da Receita Federal,bem como para que não houvesse prejuízo ao Fisco e/ou para a contribuinte, foi o presente processo remetido em diligência (fls. 182) à Delegacia da Receita Federal de origem para que esta, com base nos registros contábeis e fiscais da manifestante, se pronunciasse a respeito da existência do direito creditório utilizado em vários PER/DCOMP. Em atendimento ao pedido de diligência, a autoridade diligenciante intimou a contribuinte, por meio da Intimação Seort nº 1.060/2015 (fls. 183), a comprovar, no prazo de cinco dias, através de registros contábeis e fiscais, o montante de R$ 341.000,00, utilizado nas compensações das DCOMP abaixo relacionadas, bem como apresentar cópia do DARF correspondente: Em 25/11/2015 (fl. 184/185), a contribuinte foi cientificada da Intimação retromencionada, por meio de sua caixa postal eletrônica, e não se pronunciou nos autos. A autoridade diligenciante formalizou Despacho do Resultado da Diligência (fls. 188/189), onde destaca que há mais vinte e quatro DCOMP relacionadas a DCOMP objeto dos autos (nº 26545.82932.151209.1.3.040811). Esclarece que a DCOMP nº16611.20968.151208.1.3.04 5684 é a que informa o DARF (código 2172) no valor de R$ 11.028,62, arrecadado em 18/11/2008. Entretanto, o valor de R$ 11.028,62 foi utilizado na DCOMP nº 29892.95317.020209.1.3.04 2091 que se reporta àquela DCOMP, mas informa como valor original do crédito R$ 341.000,00. Assim, com exceção da DCOMP nº 16611.20968.151208.1.3.045684, todas as DCOMP transmitidas em seguida reportamse às DCOMP que informam como crédito original valor o de R$ 341.000,00. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 223 4 Salienta que as DCOMP de nº 16 ao número 25 foram analisadas no processo administrativo fiscal nº 1080 5720.239/201582 e não homologadas por inexistência de crédito (fl. 186/187). O referido processo foi arquivado. Por fim, informa que foi solicitado a interessada, por meio da Intimação Seort nº 1.060/2015, que comprovasse através de registros contábeis e fiscais, além de apresentar a cópia de DARF correspondente, o pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 341.000,00. Cientificada em 25/11/2015, até esse momento não houve atendimento a intimação. Em 04/01/2016 (fl. 191/192), a contribuinte foi cientificada, por meio de sua caixa postal eletrônica, da reabertura de prazo para manifestarse acerca da matéria objeto da diligência supracitada. Transcorrido prazo fixado, não se pronunciou acerca do resultado de diligência." A decisão de primeira instância da DRJ/DF foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 224 5 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade (denominada Impugnação nos autos). Após, os autos foram devidamente distribuídos e pautados, nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Ao longo de todo o procedimento administrativo fiscal, o contribuinte deixou de comprovar a origem, certeza, liquidez dos créditos solicitados e, principalmente, não explicou por qual razão o pagamento do DARF de anexado à Manifestação de Inconformidade seria um pagamento indevido. Diante do que foi alegado, é possível entender que o contribuinte já havia pagado o montante aproximado de onze mil reais via DARF e, por "algum erro contábil" (palavras do recurso voluntário), solicitou a compensação do mesmo. Ora, tal compensação poderia ser homologada se a condição de "pagamento indevido" fosse devidamente comprovada nos autos, situação que não ocorre. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 225 6 A DRJ/DF analisou o caso de forma específica e, por meio da diligência de fls. 181, oportunizou a apresentação de demonstrativos dos crédito solicitados, contudo, o contribuinte sequer cumpriu a diligência. Em resposta à diligência (fls 187), com uma nova análise sobre o caso, a fiscalização demonstrou que o contribuinte utilizou o mencionado DARF em outra compensação. Em Recurso Voluntário, se ateve somente à afirmar que ocorreu algum erro contábil, que a outra compensação não ocorreu e que possui o crédito no montante solicitado, de forma genérica. Este Conselho, não possui competência, por ausência de previsão legal, para, de ofício, adicionar ou subtrair razões de defesa ao recurso do contribuinte. Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF: "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 226 7 processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." É importante registrar que recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, o recurso não merece prosperar. Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10805.901522/201261 Acórdão n.º 3201005.272 S3C2T1 Fl. 227 8 Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910131/2012-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇAO.
A retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação.
Numero da decisão: 3001-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2011 a 31/08/2011 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇAO. A retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação.
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RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. NÃO HOMOLOGAÇAO. A retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 31 /2 01 2- 53 Fl. 271DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 41420.24453.190412.1.3.044211 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 31.408,56, referente ao período de apuração (PA) de ago/11. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A DRJ de Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 0947.500 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 19/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13896.910131/201253 Acórdão n.º 3001000.773 S3C0T1 Fl. 326 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância apresentando os seguintes argumentos: 1) que apurou os créditos e formalizados através de retificações de DACON, efetuou pedidos de compensação; 2) que houve apenas erro material no retardamento da apresentação da retificação da DCTF, restando comprovado pelo valor declarado em DACON; 3) Invoca o princípio da verdade material; 4) Por fim, afirma que disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais a serem retirados no arquivo central da empresa. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 273DF CARF MF 4 Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre declaração de compensação com suposto saldo credor de Contribuição ao PIS no mês de agosto/2011, tendo por base hipotéticos pagamentos indevidos ou a maior, no valor total de R$31.408,56 por meio das Declaração de Compensação 41420.24453.190412.1.3.044211, e que a recorrente afirma ter havido erro formal no preenchimento dos valores devidos declarados em DCTF. A decisão de piso afirmou: para que os dados declarados em DACON fossem considerados corretos, infirmando aqueles confessados em DCTF e demonstrando a liquidez e certeza do crédito a compensar, seria necessário que a interessada trouxesse aos autos documentos que corroborassem a apuração do tributo ali declarado, com a devida composição da base de cálculo apurada, comprovando especialmente a ocorrência dos alegados créditos, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão (e os documentos que lhes dão suporte), em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Inconformada, a Recorrente alega em sua peça processual que efetuou o pedido de compensação conforme o crédito apura e formalizado na DACON Retificadora e que erro material no retardamento da apresentação da retificação da DCTF não pode prejudicar o seu pleito por restar comprovado pelo valor declarado em DACON. Para o seu atendimento, a Recorrente invoca o princípio da verdade material apresentando alguns julgados deste Conselho Administrativo. Por fim, afirma que está disponibilizando todos os documentos contábeis e fiscais a serem retirados no arquivo central da empresa. Incialmente cabe ressaltar que a assiste razão à recorrente no que se refere ao ponto relacionado à retificação da DCTF. Este Conselho tem decidido que a retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não há de impedir o deferimento do pleito. Entretanto, a retificação deve estar acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas que comprovem a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como estabelecido no §1º do art. 147 do CTN, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Insta ainda destacar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. Após estes relevantes esclarecimentos, passemos à análise dos documentos constantes dos autos. Na PER/DCOMP apresentada pelo Contribuinte, ora Recorrente, consta que realizou um pagamento a maior da Contribuição para o PIS de R$31.408,56 de um total recolhido no valor de R$37.650,53 referente à competência Agosto/2011. O DACON Retificador (efl. 24) enviado em 19/04/2012 apresenta como base de cálculo da referida Contribuição em agosto/2011 o valor de R$5.267.354,76 (Receitas de Vendas de Bens e Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13896.910131/201253 Acórdão n.º 3001000.773 S3C0T1 Fl. 327 5 Serviços) mais R$5.582,32 (Outras Receitas), apurando um total da Contribuição para o PIS no valor de R$87.003,46. Na Ficha 15B da DACON foram descontados créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno no valor de R$48.631,81 bem como deduziu PI/Pasep retido na fonte no valor total de R$38.371,65, restando uma Contribuição a Pagar de R$0,00 (ZERO Reais). Ou seja, diante destes dados percebese que, em princípio, o total do DARF informado seria integralmente utilizado na restituição/compensação objeto do presente pedido. Continuando a análise das informações apresentadas, também consta dos autos a DCTF Retificadora enviada em 11/01/2013 na qual o valor da Contribuição para o PIS informada foi de R$5.419,12. Por essas informações, tenho que corroborar com o entendimento apresentado pela decisão de piso de que não basta efetuar a retificação da DCTF para adequála ao DACON, importante reforçar a necessidade de apresentação de informações que demonstrem a certeza e liquidez do crédito pleiteado por meio de escrituração contábil e fiscal acompanhada de documentos hábeis e idôneos que lhe deem suporte. Além do mais, as informações da DCTF também não possuem correlação com a DACON, reforçando a necessidade de demonstração do crédito pleiteado. Por derradeiro, a Recorrente apresenta em seu Recurso Voluntário, mesmo após a sinalização pelo Acórdão da DRJ da necessidade da demonstração do crédito pleiteado, apenas uma diversidade de notas fiscais (efls. 96 a 267) sem que houvesse qualquer esforço em comprovar a apuração do valor constante de seu pleito por meio de “documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes” como a própria Recorrente afirma em seu recurso (efl 83) que anexou aos autos, mas em verdade não o fez. Frisese que, em termos de direito creditório e de demonstração da sua certeza e liquidez, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que, no presente caso, não ocorreu. Portanto, não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 275DF CARF MF 6 Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901949/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 49 /2 01 4- 53 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10675.901949/201453 Acórdão n.º 1201002.748 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.031, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 323,23 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10675.901949/201453 Acórdão n.º 1201002.748 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.901949/201453 Acórdão n.º 1201002.748 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724597/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
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RETENÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente ASSOCIACAO GAUCHA DOS SERVIDORES DO SENAI AGASE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 45 97 /2 01 3- 88 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11080.724597/201388 Acórdão n.º 2402007.155 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa perspectiva, adotamos o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em resistência ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Devidamente intimado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando pela improcedência do Lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Assim sendo, ao presente litígio aplicase a decisão de mérito plasmada no Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 20. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11080.724597/201388 Acórdão n.º 2402007.155 S2C4T2 Fl. 4 3 Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da declaração de inconstitucionalidade O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil ora vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte do Conselheiro. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí, porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11080.724597/201388 Acórdão n.º 2402007.155 S2C4T2 Fl. 5 4 Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. No caso concreto, vêse que o lançamento tem como fato gerador a prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto no inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, que era assim redigido: Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do citado dispositivo (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). Segue a ementa da decisão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11080.724597/201388 Acórdão n.º 2402007.155 S2C4T2 Fl. 6 5 do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) (destacouse) Foi, inclusive, negada a modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 25022015) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, tomadas, respectivamente, em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser reproduzidas por suas Turmas. Logo, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser Fl. 458DF CARF MF Processo nº 11080.724597/201388 Acórdão n.º 2402007.155 S2C4T2 Fl. 7 6 dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento ora em debate. 3. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 459DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901985/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1302-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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DCOMP. RETIFICADORA Recorrente ORIENT RELÓGIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 19 85 /2 01 3- 40 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10283.901985/201340 Acórdão n.º 1302003.459 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1152.282, de 22/03/2016, da 4ª Turma da DRJ de Recife que, por unanimidade de votos, não conheceram da manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA O julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente dedicase à fabricação, ao comércio e à reparação de cronômetros e relógios. É optante do regime de tributação com base lucro real, com pagamentos por estimativas mensais. Sustenta que, em conformidade com sua DIPJ, teria efetuado pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que teria resultado em saldo negativo de CSLL. A recorrente apresentou DCOMP para compensar débito de IRPJ. A DCOMP não foi homologada, nos termos do Despacho Decisório eletrônico. A recorrente alega que teria incorrido em equívoco no momento do preenchimento da DCOMP. Pois, informou que o crédito seria decorrente de "Pagamento Indevido ou a Maior", ao passo que deveria ter sido indicado "Saldo Negativo de CSLL. Sustenta que teria sido esse o motivo da não localização de pagamento a maior. O DARF indicado na DCOMP, correspondia exatamente aos débitos declarados em DCTF. Apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente demonstrando o referido erro de preenchimento que inviabilizou a DCOMP. A DRJ/REC concluiu que "o julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação". A recorrente foi intimada do acórdão de manifestação de inconformidade e protocolou recurso voluntário tempestivamente. Em suas razões, a recorrente sustenta: · reportase à Ficha 17 de sua DIPJ, em que registra saldo negativo de CSLL de R$ R$ 65.415,24 e afirma que a empresa recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL apto a alicerçar sua pretensão de compensação; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10283.901985/201340 Acórdão n.º 1302003.459 S1C3T2 Fl. 4 3 · em função do equívoco ocorrido em relação à indicação da origem do referido crédito "Pagamento Indevido ou a Maior" ao invés de "Saldo Negativo de CSLL" a delegacia responsável pelo exame da DCOMP não detectou o direito creditório postulado; · não obstante o fato de que havia a possibilidade de retificar a DCOMP, a recorrente só tomou ciência do equívoco cometido no momento em que recebeu o Despacho Decisório informandoa sobre a não homologação de sua compensação; · a Delegacia de Julgamentos, ao invés de adotar conduta proativa e que promovesse a busca da verdade material, declarouse incompetente para proceder a retificação das declarações apresentadas pelo contribuinte; · ciente da existência de fortes indícios de que efetivamente a empresa recorrente teria cometido erros de preenchimento na documentação creditícia, caberia a essa autoridade julgadora, determinar o retorno do processo à origem para que a delegacia competente reapreciasse o pedido de compensação, desconsiderando o aludido erro de preenchimento da DCOMP; · a existência do direito de crédito do contribuinte advém de apuração contábil e não pode ser obstado em razão de meros erros no preenchimento do respectivo documento de compensação; · se assim fosse, haveria inaceitável sobreposição da forma administrativa ao direito material legalmente assegurado ao cidadão administrado. E, como consequência desse fato, haveria o risco de locupletamento do Fisco Federal, mediante o recebimento de receitas não previstas em lei; · os equívocos nos quais incorreu a empresa recorrente no momento de formalização da DCOMP, não tornam inexistente o seu direito creditório liquido, certo e amplamente embasado em documentação fiscal e contábil; · citou acórdãos do Carf que concluíram pelo baixa dos autos à DRF para que fosse apreciado o alegado direito creditório e o alegado erro de preenchimento, à vista das evidências e especificidades dos casos examinados; · requereu que esta Turma determinasse a remessa do feito à delegacia de origem para que lá a DCOMP seja reprocessada. Fundamentou o pedido nos acórdãos citados e nas disposições do art. 147, CTN; · invoca o princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10283.901985/201340 Acórdão n.º 1302003.459 S1C3T2 Fl. 5 4 1302003.451, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10283.901232/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1302003.451): Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Verificase que a recorrente enviou a DCOMP n° 02826.34969.110311.1.3.048788, em 11 de março de 2011, para compensar débito de IRPJ (cód. rec. 2362) no montante de R$ 124.097,15, com crédito de R$ 326.819,73. Por equívoco, indicou que o crédito seria originário de pagamento a maior de IRPJ, por estimativa apurada no exercício findo em 31/12/2010. Na tentativa de demonstrar o equívoco, esclareceu que o crédito indicado referiase ao DARF, período de apuração de 30/10/2010, código da Receita Federal 2362, no valor de R$ 759.616,05, arrecadado em 30/12/2010. Alega que esse pagamento, em realidade, teria sido destinado à liquidação do débito confessado em DCTF. Para ilustrar suas alegações, quanto à sucessão de acontecimentos e comprovar a existência de direito creditório, a recorrente apresentou os seguintes quadros: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10283.901985/201340 Acórdão n.º 1302003.459 S1C3T2 Fl. 6 5 Em que pese o esforço da recorrente, as informações apresentadas não são suficientes para evidenciar a real existência do direito creditório invocado. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, quando devidamente demonstrado, a recorrente não trouxe a comprovação do erro de fato. O próprio valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo pleiteado, o que, com mais razão, exigiria a comprovação documental. A recorrente teve a oportunidade para apresentar escrita contábil e respectivo suporte para se concluir, com certeza e precisão, sobre o valor do alegado saldo negativo e a sua disponibilidade para a utilização na DCOMP em questão. Todavia, não se desincumbiu de tal providência. Assim, à mingua da comprovação do alegado crédito, não vejo como acolher as pretensões da recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10283.901985/201340 Acórdão n.º 1302003.459 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.720031/2017-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.
BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS EXIGIDOS DE OFÍCIO. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE APÓS CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A dedução dos valores de tributos e juros exigidos de ofício não segue a regra geral do regime de competência, somente podendo ser efetivada na apuração do resultado referente ao período em que se operar a constituição definitiva do crédito tributário lançado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A prática reiterada e sistemática da prestação de informações inverídicas em diversas declarações ao fisco federal e no Livro de Apuração do IPI revela o intuito doloso de impedir o conhecimento pela autoridade fiscal do real valor dos tributos devidos e constitui fundamento para a aplicação da multa qualificada.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Aplicação da Súmula CARF 108. - Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RESPONSABILIDADE PESSOAL. ADMINISTRADOR.
Os administradores ou gerentes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 1301-003.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por afastar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastar as preliminares arguidas; e (ii) por maioria de votos: (a) manter o lançamento com base no lucro real, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por cancelar a exigência por entender que o lançamento deveria ter sido realizado com base no lucro arbitrado; (b) por maioria de votos, negar o pedido de dedução das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL do PIS e Cofins lançados de ofício, vencidas as Conselheiras Amélia Wakako Morishita Yamamoto (Relatora) e Bianca Felícia Rothschild que votaram por prover o recurso nesse ponto; (d) manter a multa de 150%, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por reduzir a penalidade para 75%; (e) manter o coobrigado no polo passivo da obrigação tributária, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por excluir a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS EXIGIDOS DE OFÍCIO. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE APÓS CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A dedução dos valores de tributos e juros exigidos de ofício não segue a regra geral do regime de competência, somente podendo ser efetivada na apuração do resultado referente ao período em que se operar a constituição definitiva do crédito tributário lançado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática reiterada e sistemática da prestação de informações inverídicas em diversas declarações ao fisco federal e no Livro de Apuração do IPI revela o intuito doloso de impedir o conhecimento pela autoridade fiscal do real valor dos tributos devidos e constitui fundamento para a aplicação da multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Aplicação da Súmula CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ADMINISTRADOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 31 /2 01 7- 57 Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 498 2 Os administradores ou gerentes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por afastar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastar as preliminares arguidas; e (ii) por maioria de votos: (a) manter o lançamento com base no lucro real, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por cancelar a exigência por entender que o lançamento deveria ter sido realizado com base no lucro arbitrado; (b) por maioria de votos, negar o pedido de dedução das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL do PIS e Cofins lançados de ofício, vencidas as Conselheiras Amélia Wakako Morishita Yamamoto (Relatora) e Bianca Felícia Rothschild que votaram por prover o recurso nesse ponto; (d) manter a multa de 150%, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por reduzir a penalidade para 75%; (e) manter o coobrigado no polo passivo da obrigação tributária, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por excluir a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 499 3 Relatório NOBELPACK EMBALAGENS E LOGÍSTICA LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (fls. 389 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve as exigências fiscais, exceto quanto à multa incidente sobre o IRPJ lançado por ausência de declaração ou declaração inexata, que deve ser reduzida para 75%. Ao sócio e administrador, Sr. Beni Adler, foi imputado responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração à lei e contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Do Lançamento Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, calculado com base no lucro real trimestral, do anocalendário de 2012, exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 33.460.029,59, com aplicação de multa de ofício qualificada de 150%, acrescidos de juros de mora, em razão de omissão de receitas. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, (fls. 227 e ss), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: A fiscalização identificou divergência entre os valores de IRPJ e de CSLL declarados em DIPJ e os constantes de levantamento das notas fiscais eletrônicas, fornecidos pelo Sped. Intimada a justificar as inconsistências, a contribuinte nada acrescentou; apenas encaminhou livros de apuração do IPI, registro de entradas e de saídas e CD com cópia da DIPJ e arquivos do Sped contábil, os quais, na visão do autuante, prestaramse a corroborar as constatações de que a receita do anocalendário 2012 foi muito superior às declaradas em DIPJ e Dacon. A omissão de receitas foi calculada com base nas diferenças apuradas trimestralmente entre o montante das vendas líquidas registrado pelas notas fiscais eletrônicas (vendas, menos devoluções) e o declarado como vendas líquidas na DIPJ (vendas de mercadorias e serviços, menos vendas canceladas). A tributação foi realizada com base na mesma sistemática de apuração do lucro adotada pela empresa. A fiscalização também lançou uma diferença a menor de R$ 770,49 entre o declarado em DCTF a título de IRPJ para o primeiro trimestre de 2012 e o apurado na DIPJ pela contribuinte em relação ao mesmo período. A multa de ofício aplicada foi duplicada, sob a justificativa de que o contribuinte procurou impedir o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, do real valor dos tributos a que estava sujeita, enquadrandose na hipótese do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, combinada com o art. 71 da Lei 4.502/64 (sonegação). Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 500 4 O autuante entendeu que o Sr. Beni Adler, sócio e administrador da empresa, prestou declarações inverídicas sobre as receitas por ela auferidas. Por esse motivo, imputoulhe responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto (art. 135, III, do CTN). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, foi apresentada impugnação do contribuinte, fls. 290 e ss, em que foram aduzidos os seguintes argumentos: A interessada defende a nulidade dos autos de infração. Entende que houve vício material nos autos de infração, por ausência de indicação da base de cálculo correta, e insuficiência probatória dos lançamentos. A impugnante advoga terem sido ignoradas as normas do RIR/99 para apuração do lucro real, sendo os tributos apurados com base no valor das notas fiscais – o que não significaria necessariamente faturamento/receita bruta, bem como receita não seria o mesmo que lucro. Alega, em outras palavras, que foi tributada outra coisa que não renda. A contribuinte entende que a mera comparação entre os valores declarados e o das notas fiscais, para considerar a receita bruta supostamente omitida como lucro tributável, implicou levantamento precário, de que resultou lucro real sequer apurável nos melhores cenários econômicos (lucro superior a 50% de seu faturamento). O lucro tributável deveria representar o acréscimo patrimonial, obtido mediante confronto com os gastos necessários à fonte produtora. A impugnante enfatiza que o autuante desconsiderou a sua escrituração contábil e reputoua imprestável. A apuração do lucro real pressupõe o cumprimento de diversos requisitos legais, entre os quais que a demonstração do lucro real seja transcrita no Lalur (art. 275, parágrafo único, do RIR/99). Esse livro, assim como o de inventário e outros sequer foram solicitados. A autuada nem possuía o Lalur. Assim, a utilização da sistemática do lucro real não seria cabível nessas condições: o arbitramento consistiria em imposição legal. A contribuinte condena o fato de o relatório fiscal ter deixado de juntar, assim como especificar, quais as notas fiscais foram consideradas, total ou parcialmente, na quantificação da omissão de receitas. Essa falta dos mínimos elementos de prova gera prejuízo à defesa, a justificar a nulidade dos autos. No mérito, a impugnante postula a revisão dos lançamentos, para que a base de cálculo adotada seja a do lucro arbitrado. Repisa argumentos de que a tributação pelo lucro real requer a manutenção da escrituração de livros comerciais e fiscais na forma da lei; que a autoridade lançadora não registrou no relatório fiscal se analisou o Lalur ou que tenha intimado a impugnante a apresentálo. Assegura que a precariedade da sua contabilidade é corroborada pelo fato de não ter Lalur. Assevera, também, que, ao não adotar o lucro arbitrado, o lançamento não respeita o art. 112 do CTN. A contribuinte pleiteia a redução da multa lançada para 75%, por entender inaplicável a qualificação. Defende que a mera omissão de receita por parte da autuada não seria suficiente para ensejar o agravamento da multa de ofício (Súmula 14 do Carf); que não bastaria a identificação objetiva de Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 501 5 suposta infração tributária, mas a identificação da vontade do agente em cometer o ilícito ou correr o risco de cometêlo. Entende que não há justificativa plausível para a qualificação, provas de conduta dolosa ou conduta reiterada. Ademais, enfatiza que a autoridade lançadora não fez exposição dos motivos que levassem à qualificação da multa. A impugnante pede também o afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal. Diz que o art. 161, § 1º, do CTN não seria aplicável, pois a expressão “crédito tributário” não englobaria a multa de ofício, mas tão somente os tributos não pagos no vencimento. Alternativamente, a contribuinte postula por que sejam cancelados parcialmente os lançamentos, para que sejam deduzidos do lucro real os tributos lançados, oriundos da mesma fiscalização (IPI, PIS e Cofins). Afirma que o art. 344 do RIR/99 estabelece que os tributos sejam dedutíveis na determinação do lucro real e registra entendimento de Hiromi Higushi favorável a esse entendimento, mesmo quando os tributos estejam com a exigibilidade suspensa. O impugnante Beni Adler pede que seja afastada a sua responsabilização, além de serem acolhidos todos os pedidos formulados na impugnação interposta pela contribuinte. Afirma que seu enquadramento como responsável solidário não teve motivação. Aduz que os sóciosgerentes, diretores e administradores das sociedades limitadas ou anônimas somente podem ser responsabilizados pessoalmente pelas dívidas tributárias empresariais em razão de atos praticados com excesso de poderes ou por infração de lei, contrato social ou estatuto, desde que as pessoas jurídicas fiquem sem condições de arcar com os débitos. Assevera que a fiscalização não demonstrou ou comprovou a presença de dolo do agente nem que o sujeito passivo tenha ficado sem condições de pagar os tributos. Igualmente não teria sido comprovada dissolução irregular da pessoa jurídica do sujeito passivo das obrigações tributárias reclamadas ou que o impugnante tenha envolvimento ilícito doloso nessa prática. Beni Adler considera hipótese de cerceamento do direito de defesa a falta de especificação, no termo de verificação fiscal, da hipótese incorrida do art. 135 do CTN em que justificasse sua responsabilização tributária. Entende que não poderia contestar especificamente sem saber qual seria sua conduta ilícita. Acrescenta que a simples acusação de omissão de receitas e o não recolhimento de tributo seriam insuficientes. Do contrário, haveria responsabilização pessoal do sócio sempre que uma empresa deixasse de recolher seus tributos e sofresse a lavratura de auto de infração. Complementa que a falta de motivação não somente impediria a responsabilização como também demonstraria a nulidade do ato administrativo, por não observar garantias elementares dos contribuintes e deveres da administração pública, como o expresso no art. 2º, parágrafo único, VII, da Lei 9.784/99. Em julgamento realizado em 17 de agosto de 2017, a 1ª Turma da DRJ/POA, considerou improcedente parcialmente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 10 59.826, assim ementado: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 502 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A nulidade do auto de infração somente se justifica diante de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. LUCRO REAL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por reclamações ou recursos de processo tributário administrativo não são dedutíveis na determinação do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática reiterada e sistemática da prestação de informações inverídicas em diversas declarações ao fisco federal e no Livro de Apuração do IPI revela o intuito doloso de impedir o conhecimento pela autoridade fiscal do real valor dos tributos devidos e constitui fundamento para a aplicação da multa qualificada. Não se consuma a sonegação quando o contribuinte declara em DIPJ a informação que serve de base para a autuação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Os juros de mora incidentes sobre as multas de ofício não devem ser apreciados no âmbito do processo administrativofiscal porque não são constituídos pelo lançamento. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ADMINISTRADOR. Os administradores ou gerentes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. Aplicase à CSLL as considerações feitas ao IRPJ, em relação à matéria cuja causa seja idêntica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 503 7 A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 414 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, e pede a improcedência do lançamento por: Da preliminar de nulidade do auto de infração por vício material; Da preliminar de nulidade por insuficiência probatória do lançamento; Do arbitramento do lucro; Da ausência de dedução do IPI, PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL; Da indevida qualificação da multa de ofício; Da inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício; O responsável solidário, Sr. Beni Adler, apresentou Recurso Voluntário, às fls. 467 e ss, onde reforça o seguinte argumento: afastamento de sua responsabilização. Recebi os autos, por sorteio, em 17/10/2018. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, para o recolhimento de IRPJ e CSLL, do ano calendário de 2012, em razão de omissão de receitas decorrentes diferenças entre o valor da receita bruta declarada em DIPJ e aquele obtido através do levantamento de suas notas fiscais eletrônicas, totalizando o crédito tributário de R$33.460.029,59 incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora, bem como a responsabilização solidária do Sr. Beni Adler, por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, art. 135, do CTN. Eles foram cientificados do teor do acórdão da DRJ/POA, intimados ao recolhimento dos débitos em 12/09/2017 e em 14/09/2017 conforme termo de abertura do documento à fl. 410, e AR de fl. 411 e apresentou recurso voluntário no dia 11/10/2017, às fls. 413 e ss, e 13/10/2017 (12/10/2017 feriado nacional), às fls. 466 e ss, respectivamente. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos recursos voluntários apresentados pelo contribuinte e responsável solidário. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 504 8 Preliminar de Nulidade do Auto de Infração Alega a recorrente que o auto de infração seria nulo por vício material pois haveria evidente precariedade do levantamento fiscal realizado , já que a autoridade fiscal não poderia ter considerado que o valor encontrado na comparação que fez entre valores declarados e das notas fiscais e faturamento/receita bruta e tampouco considerar essa receita bruta, supostamente omitida como lucro tributável, e que não haveriam condições para que a base de cálculo se desse pelo lucro real e sim pelo arbitrado. Pugna também pela nulidade por insuficiência probatória, alega que as notas fiscais não foram juntadas pela fiscalização o que impediu de se defender. Como disse a DRJ: Também não há nulidade em relação à falta de especificação das notas fiscais na quantificação da omissão de receitas. As notas fiscais foram emitidas pela própria contribuinte, assim como a DIPJ foi por ela informada. Não existem dados que a impugnante não pudesse alcançar a partir de registros que estavam em seu poder. A omissão de receitas se deu a partir da diferença entre os totais. Não houve prejuízo à defesa. Na realidade a razão da autuação foi a falta de justificativa do próprio contribuinte que se esquivou de demonstrar as diferenças apontadas, e não é a falta de juntada das notas fiscais que ensejariam nulidades do lançamento. Ora conforme se observa, as alegações de nulidade, na realidade confundem se com as questões de mérito, que serão analisadas à frente. Assim, não vejo nenhum tipo de nulidade na autuação do fiscal. Ademais, pelos argumentos apresentados, não vejo nulidade nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, e sim alegações que se confundem com o mérito do caso. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 505 9 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Desse modo, de se afastarem as preliminares arguidas. Mérito Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização se iniciou em 05/11/2014 a fim de se apurar diferenças de R$33.260.944,69, entre o valor da sua receita bruta declarada em DIPJ e aquele obtido através do levantamento de suas notas fiscais eletrônicas NFe: Em resposta, o recorrente não apresentou justificativas com relação à diferença e juntou livro de apuração do IPI, Livro de registro de entradas e saídas, bem como arquivos contendo sua DIPJ e SPED contábil. Tais informações, na realidade corroboraram o que a fiscalização já havia levantado, as seguintes divergências: Assim, diante das injustificadas diferenças, foi tratado como omissão as diferenças entre as NFe e aquelas declaradas em DIPJ: Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 506 10 Pede o recorrente a utilização do lucro arbitrado ao invés do lucro real como foi feito. Ora, nesse sentido a decisão da DRJ é irrefutável: O art. 288 do RIR/99 estabelece: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). As informações das notas fiscais eletrônicas, extraídas do Sped, constituem prova irrefutável do faturamento de uma determinada empresa. A diferença positiva entre o total das notas fiscais de um determinado período, deduzidas das devoluções, e o informado na DIPJ como venda de mercadorias ou serviços, menos vendas canceladas, significa que houve omissão de receitas. Apesar de ter exercido a opção de tributação pela sistemática de apuração do lucro real, a impugnante agora pede a revisão dos lançamentos, para que a tributação de IRPJ e CSLL seja efetuada com base no lucro arbitrado. Alega que o autuante teria reconhecido a imprestabilidade da contabilidade. Ademais, afirma que não possuía Lalur e não lhe foram solicitados livros que seriam obrigatórios para apontar o lucro real. A defesa retira deduções do relatório fiscal que, realmente, não se podem dele extrair. Diz, por exemplo, que foi “reconhecido no relatório fiscal que a contabilidade da impugnante é imprestável para espelhar a realidade dos fatos e fornecer informações seguras para o fisco”; ou que “a própria fiscalização reconheceu não ter meios para recompor a contabilidade da impugnante”. Em outra passagem, comenta que “a própria fiscalização afirma que ‘nada foi justificado’” e que “o arbitramento então se lhe impunha, até porque não é possível autuar o contribuinte da maneira mais maléfica”. A fiscalização não disse que a contabilidade é imprestável e a expressão “nada foi justificado”, citada anteriormente, não se refere à contabilidade, mas à indagação feita à contribuinte quanto à diferença entre o Sped e a DIPJ. A autuação foi realizada com base na identificação de irregularidade fiscal. Não é obrigatório que, em todos os procedimentos, o auditorfiscal examine a íntegra da escrita contábil e fiscal da pessoa jurídica, até porque é Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 507 11 obrigação da fiscalizada mantêla em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas (art. 259 do RIR/99). Fosse isso uma verdade, não poderiam existir procedimentos de malha, que se assentam essencialmente em dados declarados. Neste caso, a irregularidade que deu azo a lançamento resumiuse a omissão de receitas não declaradas. Como determina a lei, o autuante lançou tributos devidos com base no lucro real – regime ao qual estava submetida a autuada, conforme sua opção. Não é aplicável o art. 112 do CTN, que preconiza interpretação da legislação tributária que define infração de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvidas quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do ato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Em primeiro lugar, porque não se trata de legislação tributária que define infração; em segundo, porque não há dúvida: a omissão deve ser tributada conforme o regime de tributação a que está submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que correspondeu a omissão. A contribuinte apela a argumentos de cunho econômico para justificar a tributação pelo lucro arbitrado. Diz que o comparativo entre os valores das notas fiscais e os declarados seria um levantamento precário, que não representaria o lucro real efetivo e confundiria receita com lucro; que, por isso, o lucro teria resultado em percentual superior a 50% do seu faturamento (sequer apurável nos melhores cenários econômicos). Em outro momento, diz que “por óbvio que os custos correspondentes [às receitas omitidas] também não foram registrados”. Aparentemente, a impugnante busca uma “conversão de lucro real para lucro arbitrado” porque este último regime serlheia mais benéfico, em termos de resultado. Contudo, essa “conversão” não tem previsão legal. A existência de omissão de receitas resultou inexorável. Se existem outros custos (diretos ou indiretos), diferentes daqueles que a contribuinte tenha declarado, tal prova não veio ao processo. Esses custos também deveriam estar contabilizados e declarados. Concluise que houve omissão de receitas e que a respectiva tributação pelo lucro real se faz consoante determinado em lei. Ademais, o entendimento do CARF tem sido nesse sentido, o arbitramento do lucro é medida extrema, devendo ser aplicado pela fiscalização quando não há outra forma de determinação do crédito tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 508 12 Anocalendário: 2008 APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. NÃO COMPROVAÇÃO O arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto o por outro regime de tributação, não podendo ser aplicado como penalidade. Improcede o arbitramento do lucro, quando as razões elencadas pela fiscalização não são determinantes para fundamentar e comprovar a imprestabilidade da escrituração contábil. Correta a decisão da DRJ. (acórdão 1402002.177, de 3/05/2016, Rel. Demetrius Macei, decisão unânime) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2004 ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. Ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, medida extrema e excepcional de auditoria, os contribuintes cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. (acórdão 1402001.743, de 30/07/2014, Rel. Carlos Pelá, decisão unânime). Assim, de se manter o lançamento. Da ausência de dedução do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL Pugna o contribuinte, em sequência, a dedução dos tributos PIS, COFINS e IPI que foram lançados na mesma fiscalização, já que os mesmos são dedutíveis. E que no momento do lançamento não seria possível saber se estaria com a exigibilidade suspensa como afirmou a DRJ: A própria impugnante reconhece que a dedutibilidade dos tributos e contribuições na determinação do lucro real sofre ressalvas quando eles estiverem com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN (art. 344, § 1º, do RIR/99). No entanto, inadvertidamente, sua defesa destaca as hipóteses de suspensão “por força de depósito ou concessão de medida liminar ou tutela antecipada”, sem cogitar as do inciso III do art. 151 do CTN, que contempla “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. A contribuinte questiona o entendimento de que os tributos estariam com exigibilidade suspensa, pois não seria certo que apresentaria defesa em relação a eles. No entanto, ela não traz a prova de que não tenha se socorrido das vias administrativas e de que os tributos estejam definitivamente constituídos. O pleito analisado neste item não encontra abrigo legal. Nesse ponto entendo que o contribuinte tem razão, com relação ao PIS e à COFINS uma vez que o tributo não nasce suspenso, e foram lançados na mesma ocasião do IRPJ e da CSLL. A suspensão da exigibilidade do tributo ocorreu em momento posterior. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 509 13 Nesse sentido: REGIME DE TRIBUTAÇÃO LUCRO REAL REGIME DE COMPETÊNCIA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS INCORRIDAS PIS/COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Os lançamentos materializando exigências de PIS e COFINS são dedutíveis do lançamento de IRPJ ainda que sob contestação na medida em que a materialização da exação configura a existência de despesa incorrida sujeita a dedução a teor do chamado regime de competência. Por expressa previsão legal a CSSL deixou de ser dedutível na vigência de certa legislação de regência (cf. art. 1o., parágrafo único da Lei 9.316/96). (acórdão 10321283, de 12/06/2003, Rel. Victor Luís de Salles Freire, decisão unânime) PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL LANÇADOS NA MESMA DATA E SOBRE OS MESMOS FATOS. DEDUTIBILIDADE. Em regra o PIS e a COFINS são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tendo em vista que nenhum tributo nasce suspenso, o PIS e a COFINS devem ser deduzidos do IRPJ e CSLL lançados sobre as mesmas receitas tidas como omitidas. ). (acórdão 1401003.050, de 12/12/2018, Rel. Livia De Carli Germano, decisão unânime) Assim, de se deduzir da base de cálculo de IRPJ e CSLL os tributos lançados (PIS e COFINS) sobre as mesmas bases de omissão de receitas. Da Multa Qualificada Segundo o TVF, fl. 232, a multa qualificada foi aplicada nos lançamentos, pois em seu entendimento, ao informar incorretamente o valor das bases de cálculo de seus tributos nas suas DIPJ, DCTF, DACON e Livro de apuração do IPI, o contribuinte procurou impedir o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, do real valor dos tributos a que estava sujeito, nos termos do art. 44, da Lei 9.430/96. O recorrente em sua defesa afirma que não houve a ocorrência do dolo, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Bem como aplicação da Súmula 14 do CARF. Já a DRJ mantém a qualificação com os seguintes argumentos: O autuante fundamenta a multa qualificada na atitude sonegatória da contribuinte (art. 71 da Lei 4.502/64), cujo intuito doloso ficou demonstrado pela prática reiterada e sistemática da prestação de informações inverídicas, em diversas declarações ao fisco federal e no Livro de Apuração do IPI, revelando o intuito de impedir o conhecimento pela autoridade fiscal do real valor dos tributos devidos. O relatório fiscal evidencia que a aplicação da multa não se fez apenas por causa da omissão de receitas, mas pelo modus operandi que denuncia a prática intencional sonegatória. Portanto, a multa merece ser duplicada em relação às exigências decorrentes da omissão de receitas. Entendo que nos casos de prova direta deva se manter a multa qualificada pelos mesmos motivos lançadores e da DRJ. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 510 14 No caso em destaque, o valor deixado de ser declarado foi superior a 100%. Não há como se atribuir tal fato a erro ou mero equívoco. Tratase de atitude dolosa, que dá ensejo à qualificação da multa, não se aplicando, portanto a Súmula 14 CARF. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, de se manter a qualificação da multa Juros sobre a multa de ofício Há requerimento por parte da recorrente de se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, entretanto, diante da edição da recente Súmula deste CARF 108, a aplico. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Solidariedade Passiva Com relação à solidariedade passiva do Sr. Beni Adler, nos termos do art. 135, III, do CTN diz o TVF: E a DRJ assim manteve a responsabilização: Beni Adler era o sócio majoritário da sociedade empresária autuada, à época dos fatos geradores, sendo detentor de 60% das quotas sociais. Também era o único administrador, com investidura dos mais amplos e gerais poderes de gestão e administração (fls. 16/22). O impugnante, a quem é atribuída a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído, sustenta cerceamento do direito de defesa em relação à Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 511 15 ausência de especificação, no termo de verificação fiscal, da hipótese do art. 135 do CTN sobre cujo enquadramento estaria assentada a sua responsabilização tributária. Essa falha impediria, segundo ele, a possibilidade de se defender, uma vez que não saberia qual foi a sua conduta ilícita. Diz também que a falta de motivação tornaria nulo o ato administrativo. O impugnante acrescenta que a simples acusação de omissão de receitas e o não recolhimento de tributo não seriam suficientes para caracterizálo como responsável. Tanto o auto de infração de IRPJ como o de CSLL imputam a Beni Adler responsabilidade tributária solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto. Nos dois instrumentos consta que “na condição de sócio da empresa, [Beni Adler] prestou declarações inverídicas sobre as receitas auferidas pela mesma, conforme evidenciado em nosso Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração”. A transcrição do conteúdo dos autos de infração revela: 1º) a responsabilidade decorre da hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN, pois o imputado é representante da pessoa jurídica de direito privado (administrador); 2º) a motivação do ato está explícita; 3º) em sendo Beni Adler o administrador único da empresa, decorre naturalmente que ele foi o agente dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, quer praticando os atos diretamente ou, no mínimo, assumindo o risco em relação aos resultados. Portanto, não houve o alegado cerceamento do direito de defesa em relação à imputação da responsabilidade tributária; não houve falta de motivação; e a responsabilidade tributária restou justificada. Paulsen1 manifestou que a responsabilidade nos termos do art. 135, III, do CTN, são de caráter solidário, uma vez que decorre de atos praticados em benefício da empresa, configurando interesse comum: Contudo, tendo o ato sido praticado em benefício da empresa, incide o art. 124, I, do CTN, que estabelece a solidariedade em função do interesse comum, de modo que, embora pudesse a responsabilidade do sóciogerente ser pessoal, passará a haver a responsabilidade solidária da própria empresa, sem benefício de ordem. Confirmada a sonegação através da omissão de receitas, de se manter a responsabilização tributária do sócio e administrador da empresa, Sr. Beni Adler, nos termos do art. 135, III, do CTN. 1 PAULSEN, Leandro. Curso de direito tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2008. p.152 153 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 512 16 CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas e no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para deduzir da base de cálculos os valores de tributos lançados sobre as mesmas receitas omitidas. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 513 17 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. DA INDEDUTIBILIDADE DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO Em que pesem o avalizado voto da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para discordar de seu entendimento quanto à dedutíbilidade dos tributos exigidos de ofício. Alega a Recorrente que os valores lançados de ofício relativos às contribuições PIS e Cofins deveriam ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL já no momento do lançamento. Entendo não assistir razão à Recorrente. É que a despesa para ser considerada incorrida e, portanto, dedutível na apuração do lucro real, deve ser revestida dos atributos de certeza e liquidez. Esse, aliás, o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 07/76 o qual conclui que “a despesa cuja realização está condicionada à ocorrência de evento futuro, indisponível para o beneficiário o correspondente rendimento, não pode ser considerada incorrida, vedada, por conseqüência, sua dedutibilidade na apuração dos resultados anuais”. Desse modo, enquanto perdurar a discussão administrativa sobre a exigência dos tributos lançados de ofício, não há que falar em sua dedutibilidade das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Ressaltase que mesmo antes da impugnação o crédito tributário não se mostrava exigível. Isso porque o art.10 , inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972 dispõe que na lavratura do auto de infração deva constar “a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias”. E na fluência dos prazos para apresentação de impugnação ou de recurso de voluntário prazo, o contribuinte já faz jus à certidão positiva com efeito de negativa a que alude o art. 206 do CTN. Nesse sentido, assim já dispunha o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 5, de 27/01/1995: “Poderá ser expedida certidão positiva de débitos, com efeitos de certidão negativa (art. 206 do CTN), no decorrer do prazo previsto no art. 31, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235/72, quando requerida por sujeito passivo intimado na forma desse dispositivo”. Conforme se observa, em tal interregno o contribuinte fará jus à certidão positiva com efeito de negativa, o que implica, a teor do que dispõe o art. 206 do estatuto tributário, que ou já haverá penhora, ou o crédito deve se encontrar com exigibilidade suspensa. No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 734, de 2007, já determinava que: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 514 18 Art. 3º A certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, de que trata o art. 3 º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n º 3, de 2007, será emitida quando não existirem pendências cadastrais em nome do sujeito passivo e constar, em seu nome, somente a existência de débito: [...] II cujo lançamento se encontre no prazo legal para impugnação ou recurso, nos termos do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972. [grifo nosso] Vêse, assim, que a suspensão da exigibilidade do lançamento nos primeiros trinta dias após a ciência do lançamento advém da própria redação do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, o qual determina, na formalização do lançamento, que o contribuinte seja intimado para pagar ou impugnar no prazo de 30 dias. Ora se a administração concede o prazo de 30 dias também para o pagamento, não há outra conclusão a se chegar: durante tal prazo o crédito não pode ser exigido. Já tendo sido constituído, a única hipótese para não se cobrar tal crédito, de forma imediata, é a suspensão de sua exigibilidade. Destaco ainda que o prazo de prescrição somente se inicia após 30 dias da data do lançamento (o que corrobora a suspensão da exigibilidade em tal período). Nesse sentido, destaco excerto do voto condutor do aresto no RECURSO ESPECIAL Nº 1.399.591: O Código Tributário Nacional, no caput de seu art. 174, dispõe que a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Sobre o termo a quo do prazo prescricional quinquenal para a cobrança dos créditos tributários constituídos e exigíveis na forma do Decreto n. 70.235∕72, não corre a prescrição enquanto não forem constituídos definitivamente tais créditos, ou seja, enquanto não se esgotar o prazo de trinta dias previsto no art. 15 daquele diploma normativo, prazo este fixado para a impugnação da exigência tributária. Desse modo, considero que tributos lançados de ofício estão com exigibilidade suspensa desde a ciência do lançamento. Frisase ainda que, além da impossibilidade de dedução de despesa que ainda dependa de evento futuro para ser considerada incorrida, há dispositivo específico que impede a dedução de tributos com exigibilidade suspensa, excetuandose a regra geral de dedutibilidade com base no regime de competência (art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 base legal do art. 344, § 1º, do RIR de 1999): “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, haja ou não depósito judicial.” [grifos nossos] Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 515 19 Com efeito, a partir de janeiro de 1995, a dedução pelo regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo. Nessa situação se inserem os valores objeto de lançamento de ofício. Ressalta se que tal mecanismo não impede que o contribuinte usufrua da dedução dessas despesas. Implica, tão somente, que não será possível deduzilas com base no regime de competência logo que contabilizálas, podendo fazêlo somente quanto efetivamente extinto o débito ou, ainda que assim não ocorra, desde que não mais estejam com a exigibilidade suspensa. Ora, conforme visto, nos casos de lançamento de ofício, além da suspensão imediata do crédito tributário nos primeiros trinta dias após sua constituição, com a interposição de impugnação tempestiva mantémse tal inexigibilidade, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN. Por decorrência, além de não caracterizar despesa incorrida no momento do lançamento, havendo apresentação de impugnação tempestiva em relação aos tributos lançados de ofício, estes somente são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no momento em que houver a decisão final da lide, e somente na hipótese de ser essa desfavorável ao contribuinte. Tratase, na realidade, de situação idêntica ao que ocorre quando presentes medidas judiciais suspensivas, em que os respectivos tributos contestados deixam de ser dedutíveis pelo regime de competência, permitindose sua influência nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL somente se o contribuinte não obtiver sucesso em sua demanda judicial. Nesse contexto, caso o contribuinte contabilize tais despesas, deverá adicionálas na parte A do Lalur, mantendoas na parte B até que sobrevenha a decisão final do processo administrativo em que se discute a exigência. Caso o contribuinte seja vencido, a partir de então as despesas com tributos passam a ser dedutíveis, permitindo sua exclusão na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Destaco ainda que não há base legal para "suspensão" ou interrupção do prazo decadencial em caso de reforma do lançamento questionado (por exemplo, excluir determinada infração de omissão de receita, ou reformar parcialmente a exigência de PIS/Cofins em razão de não terem sido considerados eventuais créditos, ou, até mesmo, a exoneração completa da exigência de PIS e Cofins por qualquer outro motivo), o que, por decorrência, diminuiria os valores de PIS e Cofins lançados de ofício e eventualmente deduzidos da base de cálculo do IRPJ no momento do lançamento2. Assim, nas hipóteses em que decorridos mais de cinco anos entre o lançamento e a decisão definitiva que por ventura exonerasse parcela de PIS e Cofins lançados, não teria como o Fisco constituir o crédito tributário de IRPJ e de CSLL relativo ao PIS e Cofins indevidamente excluídos no momento do lançamento. 2 De igual forma, não há qualquer previsão legal no sentido de se excluir do lucro real ou da apuração da base de cálculo da CSLL eventuais valores de PIS e Cofins lançados de ofício, assim como também não há base legal para se efetuar adição ns bases de cálculo de IRPJ e de CSLL caso esses tributos lançados de ofício e já deduzidos, posteriormente sejam adicionados em caso de cancelamento das exigências de PIS e de Cofins. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10314.720031/201757 Acórdão n.º 1301003.826 S1C3T1 Fl. 516 20 Isso posto, no momento do lançamento, entendo não ser possível deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o PIS e a Cofins exigidos de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.900085/2010-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3003-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 90 00 85 /2 01 0- 51 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11075.900085/201051 Acórdão n.º 3003000.222 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação vinculada a pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Após processada, foi exarado Despacho Decisório que não homologou a compensação do débito declarado porque o crédito presumido apresentado como direito creditório foi calculado sobre a exportação de produtos (Sementes, frutos e esporos) classificados na TIPI como NT, ou seja, produtos não industrializados, portanto sem direito ao benefício. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese que, sendo empresa produtora e exportadora, inclusive industrializando o produto em questão, conforme descreve, seriam ilegais e inconstitucionais os atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação serviriam de base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, de acordo com os julgados administrativos e judiciais que cita. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11075.900085/201051 Acórdão n.º 3003000.222 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. O caso em questão trata de pedido de homologação de créditos referente à comercialização de produtos classificados na TIPI como Não Tributados (NT) e, portanto, não compondo a receita de exportação para cálculo de crédito presumido, sendo que no Despacho Decisório que analisou o pedido de ressarcimento, às fls. 54 a 57 , restou claro que a base legal adotada pela contribuinte foi aquela prevista na Lei n° 9.363, de 1996. O fundamento legal sobre os quais a recorrente faz seu pleito é: Lei nº 9.363/1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. A Lei n.º 10.451, de 10 de maio de 2002 excluiu do campo de incidência do IPI os produtos cuja classificação corresponde à notação “NT” (não tributado), vejamos: “Art. 6° O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação ‘NT’ (não tributado).” (grifouse) Como se constata no exame sistemático dos dispositivos colacionados, o legislador restringiu, sim, o benefício aos estabelecimentos produtores e exportadores de produtos sujeitos ao IPI, restando excluídos, portanto, os produtos não tributados, correspondentes à notação “NT”. O Parecer Fiscal de fls. 41 a 49, que embasou o Despacho Decisório especifica as glosas efetuadas: Ocorre, entretanto, que, do exame da escrituração comercial e das Notas Fiscais apresentadas pelo SUJEITO PASSIVO, bem Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11075.900085/201051 Acórdão n.º 3003000.222 S3C0T3 Fl. 5 4 como das informações prestadas pelas empresas comerciais exportadoras diligenciadas, verificase que a integralidades das operações praticadas, que motivaram a apuração de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e, por conseguinte, o pedido de ressarcimento de créditos sob análise, tiveram por fim a destinação, ao exterior, de produtos, especificados na Tabela de Incidência sobre Produtos Industrializados TIPI, como NÃO TRIBUTÁVEIS (NT), conforme pode ser observado nos documentos anexados ao processo pela Fiscalização (livros Razão das contas contábeis 3.1.1.01.0002 Venda Soja Prazo e 3.1.1.01.0006 Venda Trigo Prazo). Nesse sentido, o direito ao crédito presumido com relação a exportação de produtos classificados como NT com base na Lei nº 9.363/1996 foi diversas vezes apreciado no CARF e a partir de tais questionamentos chegouse à elaboração da Súmula CARF nº 124, devendo ser observada pelos membros desse conselho, conforme abaixo: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727781/2016-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.640
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 81 /2 01 6- 10 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727781/201610 Acórdão n.º 3302006.640 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.685. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727781/201610 Acórdão n.º 3302006.640 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727781/201610 Acórdão n.º 3302006.640 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727781/201610 Acórdão n.º 3302006.640 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727781/201610 Acórdão n.º 3302006.640 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.902240/2014-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 24 0/ 20 14 -4 2 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10805.902240/201442 Resolução nº 3302001.018 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10805.902240/201442 Resolução nº 3302001.018 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 277DF CARF MF
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