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Numero do processo: 10320.002480/2009-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
ART. 55 DA LEI 8.212/91. CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES.
Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal.
MULTAS. ART. 35 DA LEI 8.212/91. MP 449. LEI 11.941/09.
Como até o advento da MP nº 449, aplica-se apenas a multa de mora. Após a MP nº 449, aplica-se apenas a multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. MULTAS. ART. 35 DA LEI 8.212/91. MP 449. LEI 11.941/09. Como até o advento da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Após a MP nº 449, aplicase apenas a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 80 /2 00 9- 21 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão prolatada em sede de Acórdão da DRJ, que manteve em todos os seus termos o lançamento consolidado em 09/03/2009, sob o DEBCAD n. 37.144.5973, cujo importe corresponde a R$ 275.639,99 (duzentos e setenta e cinco mil, seiscentos e trinta e nove reais e noventa e nove centavos). O Auto de Infração lavrado pretende o recolhimento de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, compreendidas pelas competências 01/2004 a 13/2007, relativas à parte da Empresa sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 44/47, verbis: “3. A Empresa enquadravase como Entidade Filantrópica com Isenção, conforme verificado no FPAS 639 informado pela mesma em suas GFIP’s, entretanto não nos apresentou documentos necessários para tal enquadramento solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e tampouco solicitou isenção de tributos à RFB. Desta forma, procedemos ao levantamento dos fatos geradores como empresa normal e fizemos RFFP – Representação Fiscal para Fins Penais por crime contra ordem tributária. 4. O crédito apurado destinase à Seguridade Social, correspondente a contribuição da Empresa sobre a remuneração de seus segurados empregados e contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Referese às competências 01/2004 a 13/2007”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 132/134. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 17 de novembro de 2011, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, prolatou o Acórdão 0822.254, de fls. 149/156, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, §7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. REQUERIMENTO. Para fatos geradores ocorridos até 29/11/2009, a imunidade prevista na Constituição Federal, art. 195, §7º, somente alcançava as entidades beneficentes de assistência social que atendiam os requisitos determinados na Lei nº 8.212/91, art. 55, dentre eles ser reconhecida como de utilidade pública federal. Para fazer jus à imunidade em tela, devia ser apresentado requerimento, que era analisado juntamente com os documentos que deviam ser anexados (Lei nº 8.212/91, art. 55, §1º). Reconhecido o direito à isenção (imunidade), os seus efeitos eram gerados a partir da data do protocolo do pedido (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 art. 208, §2º). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 168/170, requerendo a reforma do Acórdão, alegando em síntese que é portador de todos os documentos necessários para a sua isenção, não havendo que falar em falta de pedido e conseqüente indeferimento. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl.191, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91, e, conforme entende a fiscalização: requerimento ao órgão administrativo competente, o que não foi atendido pelo contribuinte. Desde a impugnação, a recorrente afirma diversos documentos que atestam sua situação de regularidade conforme o disposto no art. 55 da Lei previdenciária, para tanto, elencase todos os constantes nos autos: Fl. 96 – O Conselho Nacional de Assistência Social, atesta que Obras Sociais da Paróquia de Vitória do Mearim OSPAVIME, está registrado no conselho, datado de 29 de agosto de 1996; Fls. 97/104 – Demonstração do balanço patrimonial da entidade em que se demonstraria que os valores existentes são aplicados na própria entidade; FL. 106 – Certidão emita pelo juiz de Direito, titular da comarca da Vitória do Mearim/MA, que a recorrente é sediada na cidade tem reconhecido seu caráter filantrópico, datada de junho de 2009; Fl. 107 – No mesmo sentido, no entanto, expedido pelo Ministério Público do Estado do Maranhão ProcuradoriaGeral de Justiça Promotoria de Justiça de Vitória do MEARIM/MA, também de junho de 2009; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 5 7 Fl. 108 – Declaração do Conselho Municipal de Assistência Social CMAS de que é a OSPAVIME entidade de caráter socialfilantrópico às classes menos favorecidas, no município, conforme art. 2º da Lei n. 67 de 11 de outubro de 1970, cadastrada desde sua criação, 03 de maio de 1996; Fl. 109 – Alvará de Licença da Prefeitura Municipal de Vitória do Mearim, de 13 de abril de 2009; Fl. 110 – Outra Declaração do CMAS, datada de 20 de março de 2006, com firma reconhecida em cartório apenas em 20/04/2009; Fl. 111 – Certificação de Inscrição de Entidade do CMAS, de 27 de janeiro de 2005; Fl. 112 – Aprovação do Registro da OSPAVIME, pelo CMAS; Fls. 113/120 – Declarações de pessoas diversas, atestando terem sido beneficiadas por diversas formas com os atos promovidos pela OSPAVIME; Fl. 121 – Documento expedido pela Prefeitura Municipal de Vitória do Mearim, Lei n. 67 de 11 de outubro de 1970, considerando como de utilidade pública, a OSPAVIME; Fl. 137 – Cópia do Diário Oficial da União, de 15 de abril de 2011, com cópia da portaria 475/2011, declarando como de Utilidade Pública Federal; Fl. 138 – Certidão de apresentação de relatório circunstanciado de serviços e demonstrativo de receitas e despesas referentes ao ano de 2010; Fl. 139 – Deferimento do pedido de declaração federal de utilidade pública, confirmando a publicação da fl. 137; Fl. 140 – Certidão, pelo Ministério da Justiça, de Utilidade Pública Federal à OSPAVIME; Fl.141 – Certificação de Inscrição de Entidade, por parte do Município de Vitória do Mearim, datada de 27 de janeiro de 2005; Fl. 142 – Atestado de Registro no CNAS, de 29 de agosto de 1996. Mesmo com a apresentação dos diversos documentos colacionados aos presentes autos, percebese que mesmo assim, não logra êxito a entidade, em demonstrar o cumprimento dos requisitos estabelecidos naquele artigo. Percebese que a recorrente foi apenas declarada como de Utilidade Pública Federal em 15 de abril de 2011, fl. 137, apenas após a autuação em apreço, portanto, não há como persistir seus fundamentos. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 6 9 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183) Caso o único motivo para a lavratura do auto de infração fosse a ausência do pedido ao órgão da administração pública federal competente, em razão do disposto no parágrafo 3º do art. 55, a questão poderia ter sido superada em razão do efeito declaratório do atestado (conforme STF, RE n. 115.5108 e; STJ, REsp 478239). Portanto, por não demonstrar possuir os requisitos do art. 55, da Lei 8.212/91, à época dos fatos geradores, não merece prosperar as razões recursais expostas em face do acórdão 0822.254 – 6ª Turma DRJ/FOR. DA MULTA APLICADA Com relação à multa aplicada, percebese dos fundamentos legais de débito que ela foi aplicada nos termos do art. 35, I, II, III, com redação dada pela Lei 9.876, de 26/11/1999, que variava de 8% no caso de pagamento de obrigação vencida não incluída em NFLD, até 100%, após o ajuizamento de execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citada, se o crédito foi objeto de parcelamento. No entanto, deve a multa ser recalculada, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002480/200921 Acórdão n.º 2403002.036 S2C4T3 Fl. 7 11 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11330.000493/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/1996 a 12/1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
Ocorre vício material quando cerceado o direito de defesa do contribuinte, consistente na ausência de indicação no lançamento do dispositivo legal que fundamenta o lançamento e a existência da própria obrigação tributária.
Numero da decisão: 2301-002.663
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em reconhecer que o vício da ausência da fundamentação legal no relatório "Fundamentos Legais do Débito (FLD)", constitui-se em material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em conceituar o vício como formal; b) em reconhecer que o vício na elaboração do lançamento sem a individualização por prestador de serviço constitui-se em vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que conceituaram o vício como formal; II) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Unknown document property name. 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000493/200747 Recurso nº 151961 Voluntário Acórdão nº 2301002.663 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria Decadência Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/1996 a 12/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. Ocorre vício material quando cerceado o direito de defesa do contribuinte, consistente na ausência de indicação no lançamento do dispositivo legal que fundamenta o lançamento e a existência da própria obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em reconhecer que o vício da ausência da fundamentação legal no relatório "Fundamentos Legais do Débito (FLD)", constituise em material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em conceituar o vício como formal; b) em reconhecer que o vício na elaboração do lançamento sem a individualização por prestador de serviço constituise em vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que conceituaram o vício como formal; II) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 2 Error! Unknown document property name. 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Débito, lavrada em 14/12/2006, em desfavor de Companhia Siderúrgica Nacional CSN, responsável solidária pelos débitos da empresa Aceplan Construções e Incorporações Ltda. que lhe prestou serviços, devido ao não recolhimento de contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa e à devida pelos segurados destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Para a lavratura da referida NFLD, a autoridade fiscal fundamentouse no comando dos arts. 30 inc. VI da Lei nº 8.212/91, art. 42 § 1º do Decreto 612/92 e art. 43 §§ 1º, 2º e 3º do Decreto 2.173/97. Inconformada com a inércia da CSN quanto à apresentação de Defesa Administrativa, a Aceplan apresentou Impugnação de fls. 36/48, tendo o Acórdão de fls. 338/345 julgado procedente a notificação sob o fundamento de que os débitos em fustigo não haviam sido alcançados pela decadência, adotando para tanto, o entendimento do disposto no art. 45 da Lei 8.212, à época, ainda não revogado. Irresignadas, ambas as empresas interpuseram Recurso Voluntário constando o da Companhia Siderúrgica Nacional às fls. 351/375 alegando em síntese: a) Tratarse de notificação com caráter substitutivo em relação a lançamento anterior julgado nulo por vício material; b) Devido à materialidade do vício que ensejou a anulação da notificação original, afastarse, pois, a aplicabilidade do art. 173 inc. II do CTN que tem o condão de reiniciar a contagem do prazo decadencial; c) Constatarse, no caso em tela, a consumação da decadência, haja vista a presente notificação referirse às competências de 1996 a 1998 e sua lavratura somente ter ocorrido em 2006, quando já findo o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 §4º do CTN; d) A perempção do crédito tributário, vez que o lançamento perpetrado pela NFLD 37.007.3546, declarada nula em 2005, constituiu o crédito em 1999, portanto constatado o decurso de mais de 5 anos entre o lançamento e o seu julgamento; e) A falta de comprovação pela fiscalização da existência de qualquer débito previdenciário da empresa empreiteira contratada pela Recorrente para prestação de serviços, autorizando a cobrança em face da responsável solidária, qual seja a ora Recorrente. Quanto ao recurso da Aceplan Construções e Incorporações constante às fls. 411/427 a empresa afirmou, sinteticamente: a) ser inconstitucional o prazo decenal, previsto no art. 45 da Lei 8.212, para consumação da decadência do direito da Fazenda Pública constituir crédito previdenciário; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 3 Error! Unknown document property name. 3 b) Constatarse, no caso em comento, a decadência dos créditos fustigados, haja vista o disposto no art. 150 §4º do CTN; c) Comprovarse mitigado o contraditório, vez que a recorrente não foi partícipe do processo de fiscalização ocorrido em 2006 não podendo, pois, apresentar os documentos que foram exigidos da empresa contratante – CSN, quando sequer teve conhecimento da ação fiscal à época devida; d) Ter sido a contribuinte notificada somente no mês de Março de 2007, não lhe sendo dada a oportunidade de comprovação de recolhimento das contribuições devidas; e) Não ter a empresa contratante dos serviços vinculação direta ou indireta com o fato gerador da obrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os salários dos empregados da prestadora, ainda que estes executem serviços nas dependências do estabelecimento da contratante; f) Somente poder a ora recorrente – contratada – esclarecer questões relativas ao recolhimento das referidas contribuições; g) Não poderse tomar como base para o cálculo das importâncias devidas apenas as faturas constantes em nota fiscal; h) Ter sido efetuado o pagamento de todas as contribuições previdenciárias oriundas da prestação de serviço da ora Recorrente à CSN. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da nulidade do primeiro lançamento por vício material A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora discutida foi lavrada em substituição a NFLD anterior declarada nula pela 4ª Câmara de Julgamento através do Acórdão n°724/2005 Oficio n° 10/4° CAJ/CRPS, 04/04/2006 – em face da omissão, no relatório de Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 4 Error! Unknown document property name. 4 englobada, 169 prestadores de serviço restando violados os direitos constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa do Contribuinte. Consoante os fundamentos esposados, resta indubitável o fato da anulação da original notificação ter decorrido de vício eminentemente material, vez que cerceou o direito ao contraditório garantia constitucional do devido processo legal. Sobre a matéria, imperioso esclarecer que o vício material ocorre quando o lançamento não indica os requisitos necessários à configuração do descumprimento da obrigação, tais quais a caracterização dos fatos geradores, constatação de simulação, correto enquadramento jurídico dos fatos postos, elementos estes que, uma vez ausentes, acarretam a impossibilidade do exercício da garantia constitucional da ampla defesa. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal, o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Observese, pois, o que reza o art. 2° da Lei de Ação Popular 4.717/65 acerca da matéria elucidada no que pese à conceituação de vício formal: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: (...) Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Portanto, a concepção de “forma” não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 5 Error! Unknown document property name. 5 administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, a Notificação Fiscal com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária, exigindose, sempre, a indicação explícita do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito. Imprescindível, também, conter o Relatório Fiscal a descrição detalhada das infrações a serem imputadas a determinado contribuinte, de forma a viabilizar o exercício da ampla defesa. Quando descritas as situações que ensejaram a lavratura de determinada NFLD englobando, de forma generalizada, fatos geradores diversos sem a precisa especificação das causas originadoras do vínculo obrigacional, mitigase o contraditório e impedese o curso natural do devido processo legal. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade pro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Recurso negado. (Acórdão n° 10194049 IRPJ AF lucro real, de 06/12/2002 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Outrossim, conforme acórdão retro transcrito, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN. Desta feita, comprovado está que a falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram a autuação, bem como sua correta adequação ao dispositivo legal infringido, incorre em vício material. No caso da NFLD anulada, constatase que houve omissão do fundamento legal que autoriza o levantamento do débito, bem como a referida notificação englobou 169 prestadores de serviço violando o devido processo legal e a ampla defesa, caracterizando, portanto, a presença indubitável de vício material no lançamento. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer o vício material do lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de março de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11330.000493/200747 Acórdão n.º 2301002.663 S2C3T1 Fl. 6 Error! Unknown document property name. 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 16624.000832/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995
IN SRF Nº 226/2002. APLICAÇÃO.
A IN SRF no 226, de 2002, regra comportamento da autoridade administrativa e, ao vedar a apreciação do mérito dos pedidos relativos ao crédito-prêmio, prestigiou o princípio da economia processual.
CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI. EXTINÇÃO.
O crédito-prêmio à exportação está extinto, pelo menos desde 04/10/90,
mormente porque não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica
posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988.
PRELIMINAR. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
A teor do Decreto no 20.910/32, o direito de aproveitamento do créditoprêmio
à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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APLICAÇÃO. A IN SRF no 226, de 2002, regra comportamento da autoridade administrativa e, ao vedar a apreciação do mérito dos pedidos relativos ao créditoprêmio, prestigiou o princípio da economia processual. CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. EXTINÇÃO. O créditoprêmio à exportação está extinto, pelo menos desde 04/10/90, mormente porque não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. PRELIMINAR. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A teor do Decreto no 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo e Alexandre Gomes. Relatório No dia 24/05/2007 a empresa GRANITOS MOREDO LTDA. ingressou com o pedido de ressarcimento de créditoprêmio do IPI, relativo ao período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Com fulcro no que dispõe o art. 1º da IN SRF nº 226/2002, a DRF em Guarulhos SP indeferiu liminarmente o pedido da recorrente, nos termos do Despacho Decisório nº 370/2007 (fls. eletrônica 33/35. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. Eletrônica 44/55, no qual: 1 discorre sobre a instituição a instituição e vigência do créditoprêmio do IPI, para concluir pela legitimidade de seu pleito, posto que está em plena vigência as disposições legais de regência, tendo a Resolução nº 71/2005 do Senado Federal preservado a vigência do que remanesce do art. 1º do Decretolei nº 491/69; 2 alega que as disposições da IN 226/2002 extrapola os limites legais ao violar o direito de petição aos órgãos públicos, ainda mais que seu pedido está fundamentado em legislação vigente, sendo inválido a decisão que indeferiu seu pedido de ressarcimento; 3 alega que o crédito pleiteado deve ser corrigido pela taxa Selic; A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1424.333, de 27/05/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 20/08/2009, conforme AR de fl. 83 (eletrônica) e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/09/2009, com o recurso voluntário de fls. 84/103 (eletrônica), no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e ainda: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.000832/200711 Acórdão n.º 330201.565 S3C3T2 Fl. 107 3 1 preliminarmente, que não ocorreu a decadência posto que o prazo contase da publicação da decisão judicial que declarou inconstitucional a extinção do créditoprêmio do IPI, fato que ocorreu em fevereiro de 2002; 2 é inconstitucional a Portaria MF nº 89/91 e a Portaria MF nº 292/81 fala em toda e qualquer empresa que exporte produtos nacionais; 3 ao créditoprêmio do IPI nas se aplica as disposições do art. 41, § 1º do ADCT da CF/88. Ainda que se aplicasse este dispositivo, a Lei nº 7.739/89 o revalidou. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente solicitou o ressarcimento de crédito prêmio de IPI e a autoridade competente da RFB para apreciar e decidir o pedido o indeferiu liminarmente, na forma prevista no art. 1º da IN 226/2002. Em seu recurso voluntário, a empresa sustenta a existência e validade do benefício fiscal objeto do seu pleito. A despeito de todos os seus argumentos, a jurisprudência firme do STJ1 e deste CARF é no sentido de que o créditoprêmio do IPI foi extinto, pelo menos, em 04/10/1990. Por isto mesmo não há que se falar em omissão da IN SRF no 600/2005, que não relacionam o créditoprêmio do IPI como passível de ressarcimento, e nem em ilegalidade da IN SRF no 226/2002, que determina o indeferimento liminar dos pedidos de ressarcimento de créditoprêmio do IPI, posto que estes normativos estão em perfeita harmonia com entendimento deste Colegiado e do STJ e, depois da publicação da Lei no 11.051/2004 (Medida Provisória no 219/2004), não há nenhuma dúvida de que o créditoprêmio do IPI não é passível de ressarcimento, a vista do disposto em seu art. 4o, que acrescentou o § 12 ao art. 74 da Lei no 9.430/1996, abaixo reproduzido; Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74.[...]. [...] 1 Vide EREsp 738.689PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27/6/2007. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifei). Com relação à prescrição do direito de pleitear o ressarcimento do crédito prêmio do IPI, tem razão a decisão recorrida ao afirmar que tais créditos têm natureza de "divida passiva da União" e, com isso, a norma aplicável é o Decreto n° 20.910/1932, que dispõe em seu artigo 10 que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato. Sem reparos a decisão recorrida nesta parte. Inexistindo o direito material ao aproveitamento do créditoprêmio à exportação, perdeu objeto a análise dos argumentos relativos ao seu aproveitamento, seja por qual forma for, e a incidência de juros Selic. Também deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade da legislação tributária que cita, trazida à colação pela recorrente, a teor da Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (. . .) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.000832/200711 Acórdão n.º 330201.565 S3C3T2 Fl. 108 5 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.011130/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 11 13 0/ 20 08 -1 4 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Versa o presente processo sobre Auto de Infração relativo a multa isolada por compensação indevida, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 852.662,01, de acordo com a Receita Federal, em virtude da formalização de Declaração de Compensação (DCOMP) no processo n° 10166.100655/200641, com Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS de 05/12/2006, que considerou NÃO DECLARADAS as compensações de débitos de tributos federais não informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativos à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), mediante a utilização de créditos advindos de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A Eletrobrás. No Termo de Verificação de fls. 05/09, a autoridade lançadora assevera que, em cumprimento ao determinado no Registro de Procedimento Fiscal Revisão Interna n° 08104002008010707, no processo referente ao Pedido de Compensação n° 10166.100655/200641, foi proferido pelo SEORT da DRF CPS/SP o Despacho Decisório de 05 de dezembro de 2006 (fls. 167 a 175), considerando NÃO DECLARADAS AS COMPENSAÇÕES, sendo o processo encaminhado ao SEFIS/DRF/CPS para que se verificasse a pertinência da constituição de débitos de IRPJ e CSLL, não declarado em DCTF, bem como do lançamento da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/03. E acrescenta: “3. Em 28/08/2008 o contribuinte recebeu a Intimação solicitando informações sobre possíveis pagamentos dos débitos de IRPJ e CSLL do 4º Trimestre de 2005, bem como esclarecimentos quanto às divergências entre os valores do IRPJ e da CSLL constantes das planilhas do processo de Pedido de Compensação n° 10166.100655/200641 e os valores constantes da DIPJ do anocalendário 2005, Ex. 2006, entregue à Receita Federal do Brasil RFB. (...) 5. Em 03/10/2008 o contribuinte recebeu a Intimação solicitando esclarecimentos quanto às divergências entre os valores do IRPJ e da CSLL constantes das planilhas do processo de Pedido de Compensação n° 10166.100655/200641 e os valores constantes da DIPJ do anocalendário 2004, Ex. 2005, entregue à Receita Federal do Brasil RFB. (...) 7. Da análise dos documentos apresentados verificouse o que segue: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 4 3 7.1. Em relação ao IRPJ e a CSLL referente ao 4º Trimestre apurado na DIPJ/2006, anocalendário 2005: A o valor do IRPJ a Pagar, Linha 30 da Ficha 14A, foi declarado na DCTF no valor total de R$ 57.485,55, conforme apurado na DIPJ, dividido cm 3 quotas de R$ 19.161,85, sendo a 1ª quota paga com DARF e a 2ª e 3ª quotas compensadas através do processo de pedido de compensação n° 10166.100655/200641. B o valor da CSLL a Pagar. Linha 25 da Ficha 18A, foi declarado na DCTF no valor total de R$ 24.222,63, conforme apurado na DIPJ, dividido em 3 quotas de R$ 8.074,21, sendo a 1ª quota paga com DARF e a 2ª e 3ª quotas compensadas através do processo de pedido de compensação n° 10166.100655/200641. C tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, as 2ª e 3ª quotas foram duplicadas na planilha Relação de Débitos, que instruiu o processo de pedido de compensação n° 10166.100655/200641, não havendo, portanto, débitos a serem constituídos. 7.2 Em relação ao IRPJ e a CSLL referente ao 4º Trimestre apurado na DIPJ/2005, anocalendário 2004: A o valor do IRPJ a Pagar, Linha 31 da Ficha 14A, foi declarado na DCTF no valor total de R$ 23.941,38, conforme apurado na DIPJ. B o valor da CSLL a Pagar. Linha 26 da Ficha 18A, foi declarado na DCTF no valor total de R$ 11.992,08, conforme apurado na DIPJ. C tanto para o IRPJ quanto para a CSLL houve erro no preenchimento da planilha Relação de Débitos, que instruiu o processo de pedido de compensação n° 10166.100655/200641, não havendo, portanto, débitos a serem constituídos. 8. Especificamente acerca da possibilidade de aceitação do pedido de desistência da compensação, a IN SRF determina seu indeferimento se apresentado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação, que foi o ocorrido no presente caso. IN/SRF n° 600/05: Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento a SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 9. Com base no Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS de 05 de dezembro de 2006, de fls. 167 a 175, que considera Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 5 4 NÃO DECLARADAS AS COMPENSAÇÕES constantes do processo de Pedido de Compensação n° 10166.100655/200641, objeto da presente Ação Fiscal, será lançada a multa isolada prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/03, alterado pela Lei n° 11.488, de 15/07/2007, conforme abaixo transcrito: Lei n° 10.833/03: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007). Parágrafo 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu parágrafo 1º, quando for o caso (redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007). 10. Nos termos do § 4°, do art. 18, da Lei n° 10.833/03, o percentual atinente à multa de ofício deverá observar o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e em seu §1°, conforme abaixo transcrito: Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) §1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) 11. O art. 72 da Lei n° 4.502/64 versa sobre os casos em que é constatada fraude, definida como "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". 12. No caso em análise, fácil constatar a presença de fraude no procedimento levado a efeito pela fiscalizada, haja vista inexistir amparo legal para a compensação de créditos não administrados pela Receita Federal do Brasil. Ou seja, assim agindo, não poderia Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 6 5 ser outro o intento do sujeito passivo senão o de criar subterfúgios, objetivando absterse de pagar dívidas tributárias líquidas e certas. Cabe ainda destacar que a intenção do pedido de compensação apresentado no processo n° 10166.100655/200641 era a obtenção de Certidão Positiva com efeito de Negativa, através da suspensão da exigibilidade dos débitos, até apreciação do solicitado pela autoridade fiscal. 13. Confirmando o até aqui exposto, transcrevo abaixo o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, publicado no D.O.U. de 04.10.2002: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, declara: Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: 1 de natureza nãotributária; II inexistente de fato; III não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. 14. Assim, depreendese dos dispositivos acima transcritos que, como o contribuinte efetuou compensações ao arrepio da lei, devese aplicar a penalidade de multa isolada, qualificada por restar patente o intuito fraudulento e calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, conforme Tabela anexada ao presente Termo de Verificação. Foram expurgados da Tabela os valores referentes ao IRPJ e a CSLL, duplicados e erroneamente preenchidos na Relação de Débitos que instruiu o processo de Pedido de Compensação n° 10166.100655/200641, conforme exposto no item 7 acima. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 15. A conduta do contribuinte é tipificada como crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1º , incisos I e II, e art. 2º , incisos I e II, da Lei n° 8.137/90, nos seguintes termos: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 7 6 Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; (...) 16. Por conta disso, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Portaria RFB n° 665, publicada no D.O.U. de 28/04/2008, para posteriormente cientificar o Ministério Público Federal acerca dos delitos praticados. CONCLUSÃO 17. O presente Auto de Infração se limita ao lançamento da multa isolada prevista pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. 18. A presente ação fiscal restringiuse ao processo de Pedido de Compensação n° 10166.100655/200641. Fica, portanto, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão dos fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nesta oportunidade. 19. Por tratarse de procedimento de revisão interna, fica dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, com base no artigo 11, inciso IV, da Portaria RFB 4.066/2007. Cientificada da exigência em 07/11/2008 (Aviso de Recebimento AR à fl. 16), a contribuinte, por seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Procuração à fl. 44) apresentou em 05/12/2008 a impugnação de fls. 28 / 41 , na qual alega as razões adiante reproduzidas. DOS FATOS A pessoa jurídica que figura no pólo passivo do AIIM, ora impugnado, efetuou compensação tributária com Títulos da Dívida Pública, emitidos pela Eletrobrás, para compensar com seu passivo tributário, no valor de R$ 852.662,01 (oitocentos e cinqu enta e dois mil, seiscentos e sessenta e dois reais e um centavo), através do processo administrativo n° 10166.100655/200641. A Receita Federal do Brasil se insurge contra a referida prática da compensação tributária efetuada, sob a alegação de fraude, descrita no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 4 de outubro de 2002, in verbis: “Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I de natureza nãotributária; II inexistente de fato; III não passível de compensação por expressa disposição de lei; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 8 7 IV baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial.” Desta feita, pretende aplicar multa isolada em razão da nãohomologação de compensação, tendo em vista a suposta falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, com base no art. 18 da Lei 10.833/03, in verbis: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)” E com o claro intuito de distorcer a veracidade dos fatos, no Termo de Verificação, que é parte integrante do atacado AIIM, a Receita Federal do Brasil, no item "12", de maneira arbitrária, ainda alega que: "... fácil constatar a presença de fraude no procedimento levado a efeito pela fiscalizada, haja vista inexistir amparo legal para a compensação de créditos não administrados pela Receita Federal do Brasil ... absterse de pagar dívidas tributárias líquidas e certas ... que a intenção do pedido de compensação apresentado no processo n° 10166.100655/200641 era a obtenção de Certidão Positiva com efeito de Negativa ...". Primeiramente, cumpre esclarecer ao Ilustre Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que, é gritante e sem fundamento algum o ato coator do agente administrativo que lavrou o presente AIIM ao afirmar a presença de fraude, pela inexistência de amparo legal para o procedimento de compensação adotado pelo contribuinte, como se verá mais adiante. E como pode o agente fiscalizador, através de uma presunção, afirmar que o contribuinte pretendia absterse de pagar dívidas tributárias, que supostamente são líquidas e certas. E ainda, afirmar que o intuito do contribuinte, era através da compensação, obter Certidão Positiva com o efeito de Negativa? Pretender a obtenção de Certidão Positiva com efeito de Negativa ou Certidão Negativa de Débitos, é fraude ou crime?! Ora, como poderia a Impugnante criar subterfúgios com o intento de absterse de pagar suas dívidas, se ao protocolizar o Pedido de Compensação confessou irretratavelmente seu débito, conforme dispõe o § 6°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96?! Ademais, insta salientar que, se o inadimplemento puro não é tipificado como infração à legislação tributária, não se pode conceber que, uma vez ocorrente, traduzase em legítima infração impondo limites à atuação do contribuinte, ou penalidades que não à penalidade pecuniária, traduzida esta na multa. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. (STJ – EREsp 174.532/PR 1ª Seção; AgRg no REsp 247.862/SP Primeira Turma) Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 9 8 Aliás, a Ministra Nancy Andrighi, relatora do Agravo no Agravo de Instrumento n° 246.475, em sua fundamentação discorre sobre o tema, fazendo as seguintes perquirições: “Evidentemente, o não recolhimento de um tributo configura ato contrário à lei, uma vez que prejudica o próprio fim social a que se destina a arrecadação. Todavia, há que se delimitar o exato sentido da expressão infração legal, pois, a falta de pagamento do tributo ou não configura violação legal e é irrelevante falarse em responsabilidade ou constitui violação da lei e, por conseguinte, haveria sempre responsabilidade. Não nos parece seja esta a melhor exegese, visto que, o mero descumprimento da obrigação principal, sem dolo ou fraude, constitui simples mora da empresa contribuinte, que contém nas normas tributárias pertinentes as respectivas sanções, mas não ato, que, por si só, viole a lei ou o estatuto social, a que deve observância os sócioscotistas. Ademais, consoante consta das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF transmitidas pela contribuinte, esta informou os débitos com os quais pretendia ver compensados através do processo administrativo n° 10166.100655/200641, restando patente, assim, a ausência de fraude! Com isso, fica evidente que o presente Auto de Infração não deve prosperar, por ser contrário à lei, e não configurar nenhum ilícito, como pretende o limo. Sr. Auditor Fiscal, e dessa forma, requer o total cancelamento e posterior arquivamento do mesmo. O agente fiscalizador justificou o presente AIIM, usando como objeto a compensação, supostamente não autorizada, para aplicar a multa imposta ao contribuinte, com o amparo legal, entre outras normas, do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17. A Receita Federal do Brasil em Campinas alega que, a multa deve ser aplicada, uma vez que o contribuinte ofereceu "compensação de natureza não tributária". Ocorre que, a afirmação do agente fiscalizador está completamente divergente dos fatos e da legislação pátria, pois, a compensação tributária de débitos do sujeito passivo com debêntures, para com o Fisco Federal, tem sim natureza tributária e previsão legal. Ademais, a Receita Federal do Brasil em Campinas, lavrou o atacado AIIM com base exclusivamente em IN/SRF e Ato Declaratório Interpretativo, e usou de um "jogo de interpretações", de normas isoladas, sem fundamento legal, para atacar o sujeito passivo. A competência de legislar em matéria tributária federal e processo tributário administrativo federal é do Congresso Nacional, cabendo a RFB apenas regular o procedimento de como aplicar a legislação federal, e não inovar no mundo jurídico, como fez, visando aplicar uma gama de atos administrativos sem nexo. Esse conceito básico do Direito é um dos alicerces do ordenamento jurídico brasileiro, mais conhecido e aplicado como, Princípio da Hierarquia das Normas. A Receita Federal do Brasil é um Órgão Administrativo do Executivo não tem competência para legislar sobre nenhuma matéria, sobretudo a matéria tributária, que atinge diretamente os interesses de milhões de contribuintes. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 10 9 A gana da Receita Federal do Brasil em, cada vez mais aumentar a sua arrecadação, afronta diretamente direito dos contribuintes em pleitear os seus mais legítimos direitos, como no caso em comento, porém, o faz a qualquer preço, às custas de total inobservância dos mais basilares Princípios Constitucionais e desrespeito à legislação vigente. O crédito tributário do contribuinte é de natureza tributária, onde a União Federal é responsável solidária junto à Eletrobrás, pelo valor nominal dos títulos emitidos em virtude de empréstimo compulsório, como será demonstrado a seguir, ficando evidente e assistido o direito do contribuinte em efetuar a compensação, senão vejamos: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA UNIÃO FEDERAL POSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS Como é sabido, a UNIÃO FEDERAL instituiu o Empréstimo Compulsório sobre o Consumo de Energia Elétrica em favor das Centrais Elétricas Brasileiras S/A Eletrobrás, através da Lei n° 4.156/62, posteriormente alterada pelas Leis n° 4.364/64, 4.676/65 e 5.073/66, bem como pelos Decretoslei n° 5.824/72 c n° 1.497/76, cuja destinação visava o aparelhamento e modernização do Fundo Federal de Eletrificação, ou seja, a expansão do setor energético do País. E, como forma de ressarcimento aos empréstimos compulsórios realizados por seus consumidores, a lei supracitada, autorizou que a Eletrobrás emitisse obrigações ao portador, as chamadas "Obrigações da Eletrobrás", além de assegurar a responsabilidade solidária da União Federal pelo adimplemento de tais obrigações, conforme dispõe o art. 4o , §3° da referida lei: “§3° É assegurada a responsabilidade solidária da União, em quulquer hipótese, pelo valor nominal dos títulos de que trata este artigo.” Insta ressaltar que, sendo a União Federal beneficiária direta do empréstimo compulsório instituído, bem como responsável solidária, em qualquer hipótese, pelo título emitido pela Eletrobrás, da qual o sujeito passivo é portador, resta evidenciado que tal crédito é de natureza tributária. Ademais, a própria Receita Federal, por meio da IN 47/99, bem como o Conselho Monetário Nacional CMN 3.034/02, 3.121/03 e 3.144/03, reconheceram a qualidade do referido crédito, como sendo de natureza tributária, além de um bem idôneo a ser utilizado/oferecido como garantia em processos fiscais. Não obstante a comprovação de sua natureza tributária, o empréstimo compulsório é uma espécie de tributo consagrado tanto pelo Código Tributário Nacional quanto pela Magna Carta (art. 148 Título VI "Da Tributação e do Orçamento", no Capítulo I "Do Sistema Tributário Nacional"), cuja confirmação já se deu pelos tribunais. A respeito do tema, o Ilustre Dr. Roque Antonio Carrazza, na obra intitulada "Curso de Direito Constitucional Tributário" (Ed. Malheiros, 16a ed., p. 478) explana o seguinte: “Empréstimo compulsório é tributo e deve obedecer ao regime jurídico tributário. Comum artigo que tinha esse título, João Mangabeira, nos idos de 1963, demonstrou, de modo irrespondível, que, apesar de sua denominação, o empréstimo compulsório não passa de um tributo restituível. Um tributo restituível, mas sempre um tributo, Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 11 10 como tal devendo ser tratado. Estas teses foram acolhidas, dentre outros, por Amílcar de Araújo Falcão, Alfredo Augusto Becker, Aliomar Baleeiro e Geraldo Ataliba. As lições destes Mestres encontram guarida na Emenda Constitucional n. 18, de 1.12.65 (art. 4º), na Constituição Federal de 24.1.67 (art. 19, § 4°) e na Emenda Constitucional n. 1, de 17.10.69 (art. 18, §3° e 21, §2", II). Todos estes diplomas constitucionais imprimiram ao empréstimo compulsório (de competência privativa da União) a inequívoca natureza de tributo. Atualmente a matéria vem tratada no artigo 148,1 e II, da CF/88.” Por fim, repelindo toda e qualquer argumentação em contrário, segue afirmativa do Professor Titular de Direito Tributário da PUC/SP e USP, Dr. Paulo de Barros Carvalho "Curso de Direito Tributário" (Editora Saraiva, 15ª ed. 2003, p. 32). “Nunca será demasiado reafirmar a índole tributária dos empréstimos compulsórios: satisfazem, plenamente, as cláusulas que compõem a redação do art. 3° do Código Tributário Nacional, tido como expressão eloqu ente daquiloque o próprio sistema jurídico brasileiro entende por 'tributo', de nada importando o plus representado pela necessidade de restituição, ínsita ao conceito de 'empréstimo', porque bem sabemos que o nome atribuído à figura ou o destino que se dê ao produto da arrecadação nada acrescem à natureza jurídica do tributo (CTN, art. 4°).” Assim, tendo em vista que o crédito, decorrente do empréstimo compulsório sobre energia elétrica, o qual é um tributo e tem natureza tributária, o mesmo pode ser utilizado para a compensação/quitação de tributos, senão vejamos: Consoante o conteúdo disposto no art. 3º do Código Tributário Nacional, a quitação de créditos tributários não se faz unicamente com a utilização de moeda vigente: "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir..." (g.n.) Assim, conforme se depreende do artigo de lei supracitado, o título do qual o sujeito passivo é portador, possui o mesmo poder liberatório de todos e quaisquer tributos federais, equivalendose a dinheiro, bem como prestandose de garantia do juízo em sede de ação de execução fiscal, além de representar bem idôneo apto a proporcionar o deferimento de liminar para os fins de exclusão do nome do sujeito passivo e de seus sócios, perante o CADIN e SERASA. Neste sentido, segue entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PENHORA DE DEBÊNTURE DA ELETROBRÁS COM A FINALIDADE DE GARANTIA DE EXECUÇÃO FISCAL (LEI N° 6.830/80). POSSIBILIDADE. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. APLICAÇÃO DO ART 11, VIII, DA LEF. PRECEDENTES. 1. Recurso especial contra acórdão que, em ação executiva fiscal, indeferiu a nomeação à penhora de Títulos da Eletrobrás. 2. Entendimento deste Relator de que "as debêntures emitidas pela Eletrobrás não constituem títulos idôneos para o fim de garantir o crédito fiscal, uma vez que não possuem liquidez imediata, tampouco cotação em bolsa de valores" (REsp n° 77013364RS, DJ de 130905). Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 12 11 3. Mudança na posição da 1 Turma do STJ que, ao julgar o REsp n° 834885/RS, Rel. eminente Min. Teori Albino Zavascki, decidiu que dada a sua natureza de título de crédito, as debêntures são bens penhoráveis. Tendo cotação em bolsa, a penhora se dá na gradação do art. 655, IV (títulos de crédito, que tenham cotação em bolsa), que corresponde à do art. 11, II, da Lei 6.830/80; do contrário, são penhoráveis como créditos, na gradação do inciso X de mesmo artigo (direitos e ações), que corresponde à do inciso VIII do art. 11 da referida Lei, promovendose o ato executivo nos termos do art. 672 do CPC. 4. Recurso especial provido para o fim de que possam as debêntures emitidas pela Eletrobrás ser utilizadas como garantia de execução fiscal, nos termos da Lei n° 6.830/80. (gn.) (STJ REsp 933.048/RS2007/O0493760 Rei. Min. José Delgado –Primeira Turma Recte: Construtora Piccoli Consandier Ltda. Recdo: Fazenda NacionalDJ 13.08.2007) E ainda: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA. DEBÊNTURES DA ELETROBRÁS. POSSIBILIDADE. ART. 11, INCISO VIII, DA LEI N° 6.830/80. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. I O Tribunal a quo realizou a prestação jurisdicional invocada, pronunciándose sobre os temas propostos, tecendo considerações acerca da demanda, não havendo que se falar em omissão no aresto regional, tendo o Tribunal de origem se manifestado devidamente acerca da possibilidade de recusa de debêntures da ELETROBRÁS, argumentando, inclusive, que tais créditos não possuem liquidez. II A Primeira Turma deste Sodalício, por meio do julgamento de diversos recursos, adotou novo posicionamento acerca do tema em debate, entendendo que é cabível a penhora de debêntures da ELETROBRÁS, porquanto, inobstante tais créditos não terem cotação na Bolsa de Valores, possuem natureza de título de crédito, enquadrandose, com isso, na gradação legal prevista no inciso VIII, do art. 11, da Lei de Execução Fiscal, no título "direitos e ações". Precedente: REsp n° 857.043/RS, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 25/09/06. III Recurso especial provido, (g.n.) (STJ REsp 836143/RS2006/00679360 Rel. Min. Francisco Falcão Primeira Turma DJ01.02.2007, p. 430) Nesse sentido, a Lei n° 9.430/96, em seus artigos 73 e 74, trouxe a admissão da possibilidade de "restituição ou ressarcimento" ao contribuinte, para fins de quitação de pagamentos de tributos e contribuições federais, podendo, assim, utilizálos para a compensação/quitação de qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Corroborando este entendimento, segue trecho da sentença proferida pela Douta Juíza Federal Alda Maria Bastos Caminha Ansaldi, titular da I a Vara Federal de São Paulo/SP, na Ação Declaratória n° 1999.61.00.0364481: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 13 12 “Os termos do art. 170 do Código Tribunal Nacional ao ser interpretado na consonância do art. 74 da Lei 9.430/96, permite induzir a possibilidade de compensação, porquanto, não mais alude a 'pagamento indevido', como fazia o art. 66 da Lei 8.383/91, mas a 'ressarcimento'. 'Ressarcimento' é conceito jurídico diverso de 'pagamento indevido' o que significa dizer que o legislador da Lei 9.430/96 autorizou a 'utilização de créditos' do contribuinte (no caso as apólices) para fins de ressarcimentos com quaisquer tributos e contribuições...” Como se vê, o próprio legislador admitiu a possibilidade de utilização de créditos a serem ressarcidos ou restituídos ao contribuinte, sem a necessidade de que o crédito decorra, somente, de pagamento indevido, com o fim de compensar débitos vencidos e vincendos. Ademais, o Decreto n° 2.138/97, em seu art. 1º , também prevê a possibilidade da compensação, conforme transcrição abaixo: “Art. 1º É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único: A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (g.n.)” Como se vê, é totalmente admissível a compensação de tributos com as debêntures "Obrigações da Eletrobrás", vez que o mesmo, além de ser um tributo, é um crédito a ser restituído pela União Federal/Eletrobrás ao contribuinte. Assim, não restam dúvidas de que, os títulos "Obrigações da Eletrobrás", são instrumentos hábeis para a compensação/quitação de débitos constantes na Receita Federal/Previdência Social, bem como garantia das execuções fiscais e amparo a outras postulações direcionadas a órgãos subordinados ao complexo administrativo federal, podendo, posteriormente, compensar o saldo remanescente, face a responsabilidade solidária e inequívoca da União Federal. Cumpre ainda salientar que, as debêntures "Obrigações da Eletrobrás", estão livres e isentas de quaisquer pendências ou restrições acerca de sua negociação com terceiros, que visam utilizar tais créditos em pendências fiscais ou previdenciárias, bem como com quaisquer questões envolvendo órgãos subordinados à União ou entidades ligadas ao poder central. Diante do exposto, resta inegavelmente evidenciado que, o empréstimo compulsório, instituído pela União Federal em favor da Eletrobrás, sobre o Consumo de Energia Elétrica, é um tributo e tem natureza tributária, podendo o seu crédito, materializado através das debêntures "Obrigações da Eletrobrás" série "BB", n° 157268, ser utilizado para a compensação/quitação de débitos federais e previdenciários, bem como ser instrumento idôneo apto para prestar de garantia em processos de execução fiscal. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 14 13 Ocorre que, por questões meramente comerciais, onde seria mais vantajoso para o sujeito passivo negociar o referido título ao portador emitido pela Eletrobrás com terceiros, este optou por pedir desistência do processo administrativo de compensação n° 10166.100655/200641. Entretanto, a Receita Federal do Brasil em Campinas, negou o pedido de desistência, com esteio no Parágrafo Único, do art. 62, da IN/SRF 600/2005, in verbis: “... Parágrafo Único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação”. Porém, a Lei 9.784/99, em seu artigo 5 1 , estabelece que o contribuinte através de manifestação escrita poderá desistir do processo administrativo a qualquer momento. E ainda, não há que se falar no texto legal do §2o desse mesmo artigo junto com a IN/SRF 600/05, art. 62, § único, pois a Receita Federal do Brasil agiu de maneira premeditada ao notificar o contribuinte solicitandolhes documentação, uma vez que já tinha a certeza de que iria decidir pelo indeferimento dos pedidos de compensação. Desta forma, demonstrado que não houve fraude alguma por o sujeito passivo ter efetuado compensação tributária com seus débitos e créditos, é inaplicável a imposição de multa isolada, devendo o presente AIIM ser julgado extinto, uma vez que o contribuinte agiu nos estritos ditames legais. Assim, pelo até aqui exposto, vem o contribuinte reiterar o seu pedido de cancelamento do presente Auto de Infração e Imposição de Multa, bem como reiterar o seu pedido de compensação de seu passivo tributário com o referido Título da Eletrobrás. DA NÃO TIPIFICAÇÃO DA CONDUTA FISCAL PARA FINS PENAIS Como já ficou demonstrado, a conduta do sujeito passivo não constitui crime contra a ordem tributária, como argu iu o limo. Sr. Auditor Fiscal, por ter pleiteado seu mais cristalino e legítimo direito e atendendo todos os requisitos c ditames legais. Ademais, a alegação da Receita Federal do Brasil de que o sujeito passivo praticou crime é completamente descabida, até porque, no tópico "Da Representação Fiscal para Fins Penais" apenas citou o art. I o e 2° da Lei 8137/90, Lei de Crimes contra a Ordem Tributária, sem ao menos indicar o agente e individualizar a conduta, requisito imprescindível para qualquer tipificação penal. Para tipificar determinada conduta como criminosa, primeiramente, tem que identificar o agente e analisar a conduta que este praticou, nesse aspecto, dentro do rebatido AIIM a Receita Federal do Brasil sequer indicou o agente pessoa física que praticou a suposta conduta criminosa. A legislação penal é bastante simplista e não permite qualquer tipo de interpretação divergente, onde o operador de direito deve somente aplicar a Interpretação Literal de seus textos, e sequer aplicar a analogia ou mesmo interpretação distinta da lei. E efetivamente isso não ocorreu no caso em comento, e o limo. Auditor Fiscal o fez de forma extremamente tendenciosa aos interesses do Órgão Arrecadador, o que não é admitido em nossa legislação e completamente rechaçado por nossos tribunais. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 15 14 A fraude só se caracteriza quando a conduta do contribuinte tem o claro intuito de ludibriar o Fisco, o que não ocorreu no presente caso, pois o sujeito passivo apenas utilizou se da compensação tributária prevista em legislação vigente, conforme exaustivamente comprovado. Além do mais, o rebatido termo de verificação neste tópico, apenas citou os dois primeiros artigos da Lei 8137/90, sem demonstrar o nexo entre a suposta conduta delituosa e o fato típico e antijurídico descrito no referido texto legal, até mesmo pelo fato de nem ao menos ter identificado o agente pessoa física que supostamente a praticou. Quando se imputa certa conduta delituosa é essencial que aponte o agente que a praticou, ainda mais se tratando de crimes contra a ordem tributária, pois a pessoa jurídica é uma entidade composta por "cimento e tijolo", impessoal, portanto, que por si só não pratica ações, e sim a pessoa física que a administra. No Direito Penal a responsabilidade é ligada ao sujeito, uma "pessoa física", ou seja, é subjetiva, tem que demonstrar a conduta praticada pelo agente e também "identificar esse agente". No caso em baila isso não ocorreu. Simplesmente apontaram a empresa Carotti Eletricidade Industrial Ltda, como agente, e não personificaram o agente criminoso, como "Fulano de Tal". Não há que se falar em crime cometido por uma pessoa jurídica. Na esfera criminal, é requisito formal necessário para a tipificação penal, sem o quê, não existe crime, pois não foi identificado quem o cometeu. Nos crimes contra a ordem tributária quem pratica a sonegação fiscal??? Qual é o responsável??? Imputando a conduta delituosa somente a pessoa jurídica, omitiu o limo. Agente Fazendário qualquer menção à pessoa física dos sócios ou diretores da empresa ora Impugnante, desconstituindo com isso qualquer imputação de natureza criminal. Seguindo esse raciocínio estaria ocorrendo a culpa presumida o que é inadmissível no direito penal. Então, para ser lavrado um AIIM, onde se aponta uma fraude ou qualqqualquer outra conduta delituosa, é essencial que aponte expressamente a pessoa física que a praticou e descrever detalhadamente a suposta conduta delituosa apontando com clareza o nexo entre a ação ou omissão do agente e o tipo hipotético descrito no texto legal, sem o que é impossível lavrar um AIIM. Desta forma, é imperioso que o presente AIIM seja extinto sem o julgamento do mérito, por completa fragilidade e deficiência irreparável, até mesmo pelo fato de não ter sido praticada nenhuma conduta delituosa, nem mesmo identificado o "possível agente". DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE ATÉ DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA O presente AIIM deve ter sua exigibilidade suspensa até o término do processo administrativo. Esta suspensão da exigibilidade está prevista no art. 151, do CTN, in verbis: “Art. 151: Suspendem a exigibilidade do crédito: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 16 15 I a moratória; II o depósito de seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI o parcelamento " (gn). E a Lei que regula o processo administrativo, Lei 9.430/96, com as alterações trazidas pela Lei 10.833/03, determina os casos em que caberá o recurso, na modalidade de manifestação de inconformismo, que suspende a exigibilidade do suposto crédito: “Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74 (...) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os $$ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.” Reportandonos ao caso em tela, ao protocolizar tempestivamente, sua Impugnação, forma esta de inconformismo, o sujeito passivo tem suspensa a exigibilidade do suposto crédito, vez que como é de entendimento majoritário da doutrina e previsto em legislação federal, a "Impugnação" Manifestação de Inconformismo e Recurso Voluntário, são todos espécies dos gêneros "Reclamações" e "Recursos", atendendo perfeitamente a prescrição do inciso III, artigo 151, do CTN. Assim, estando suspenso o crédito, incabível se faz qualquer espécie de cobrança, por conta de ainda não haver uma decisão administrativa definitiva, porque ainda está pleiteando o reconhecimento de seu crédito, o qual não se tem DECISÃO DEFINITIVA ADMINISTRATIVA! DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: A extinção do rebatido auto de Infração e Imposição de Multa sem julgamento do mérito, pela conduta verificada não incorrer em crime algum e pela irreparável deficiência que o torna nulo, por total falta de fundamentação e embasamento legal.” Em 15/09/2010 os autos retornaram à DRF CPS/SP, nos termos do Despacho n° 3.040 (fls. 87/89) para que fosse confirmada a definitividade da decisão proferida nos autos do processo n° 10166.100655/200641, relativa à NÃO DECLARAÇÃO das compensações formalizadas pela contribuinte, providenciando a juntada aos autos de cópia do Despacho Decisório nele proferido e de eventual recurso apresentado. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 17 16 Mediante despacho datado de 13/01/2011, à fl. 177, do SEORT da DRF CPS/SP, os autos retornaram a esta Delegacia de Julgamento para continuidade na apreciação do litígio instaurado, registrando as ressalvas adiante reproduzidas: “Em atendimento ao despacho da DRJ/Campinas às fls. 87/89 juntei neste PAF cópias do processo de compensação 10166.100655/200641 a seguir: 1) Pedido de compensação (fls. 90 a 94 obs.: o contribuinte não apresentou DCOMPs, mas sim uma planilha, que foi assim trabalhada pelo parecerista ver decisão); 2) Extrato Profisc (fls. 95/98); 3) Despacho Decisório (fls. 99/107); 4) Impugnação do contribuinte (fls. 108/115); 5) Despacho SEORT que considerou definitiva a "não declaração" das compensações e inscrição das mesmas na DA U (fls. 116).” À fl. 83 foi juntado o extrato do cadastramento do processo no sistema SIEF para controle de cobrança do débito no código 3148, PA 08/2006, no valor total de R$ 852.662,01, ora em litígio. A DRJ de Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2006 NÃODECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. APRECIAÇÃO EM JULGAMENTO. PRESSUPOSTO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Embora as Delegacias de Julgamento não tenham competência para apreciar recurso contra atos de nãodeclaração, na medida em que este é pressuposto da aplicação da multa de ofício isolada, e o reconhecimento de sua eventual nulidade independeria de recurso do interessado, é possível a apreciação dos argumentos do impugnante, mas apenas com vistas a definir o cabimento de representação à autoridade competente para revisão de ofício do ato questionado. NULIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA Verificandose que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundandose em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da nãodeclaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao interessado. COMPENSAÇÃO. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. CRÉDITO NÃO RELATIVO A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Configurase infração à legislação tributária a compensação formalizada pela contribuinte com suposto crédito relativo a obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás, por não se referir a tributos e contribuições administrados pela RFB, por existência de vedação expressa, sendo cabível a imposição de multa isolada diante Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 18 17 da não declaração das compensações proferida pela autoridade administrativa competente. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, restringindose a responsabilidade subjetiva para qualificação da multa quando configurado dolo no procedimento. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. A utilização de créditos de natureza não tributária em compensação justifica a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no percentual de 75%; ficando a qualificação da multa restrita aos casos em que caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, o que não se confirmou no presente litígio. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO A apreciação de questionamentos relacionados à inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/03/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/04/2011, onde faz diversas argumentações e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 19 18 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário, em face do acórdão nº 05.32 767, proferido pela DRJ em Campinas, que afastou a nulidade arguida pela Recorrente e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, para reduzir apenas o percentual da multa de ofício isolada de 150% para 75%, diante da não caracterização de dolo. Nas razões do Recurso Voluntário a Recorrente insiste que não há infração capaz de ensejar a autuação fiscal, eis que: não cometeu qualquer ato fraudulento, o que já foi acatado pela DRJ ao desqualificar a multa; protocolou uma simples petição, numerada de 10166.100655/200641, requerendo deferimento da Receita Federal do Brasil (“RFB”) para compensar os créditos oriundos dos valores recolhidos a titulo de empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica (“Obrigações da Eletrobrás”) com os débitos vencidos; que não praticou qualquer outro ato que pudesse formalizar a compensação alegada pela autoridade fiscal, que sá uma PER/DCOMP. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, constantes do Auto de Infração: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO Conforme Termo de Verificação em anexo, que ora faz parte integrante deste Auto de Infração. Data Valor Multa Regulamentar 31/08/2006 R$ 852.662,01 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis n°s 11.051/04 e 11.196/05.” Não consta do processo o documento originário da discussão, a saber, o documento que a autoridade fazendária alega ser uma declaração de compensação e que a Recorrente afirma ser uma mera petição autorizativa de compensação. Sendo assim, tendo por base que se trata de pedido de compensação posterior a 1º de outubro de 2002, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Fl. 241DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.011130/200814 Resolução nº 1802000.120 S1TE02 Fl. 20 19 delegacia de origem possa juntar cópia integral do processo nº 10166.100655/200641 onde consta o documento apresentado pelo contribuinte, a fim de que se possa verificar a existência ou não de declaração de compensação nos moldes da DCOMP. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15504.018417/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/02/2004, 30/12/2005
DECADÊNCIA
Em caso de contribuinte geral, ou seja, aquele de uma forma ou de outra contribui mensalmente com o Fisco, há de se aplicar o artigo 150, IV do CTN para efeitos da contagem de prazo decadencial de prescrição do crédito. Há de ser considerado também que houve parcial pagamento das contribuições cobradas, eis que as exações cobras são apenas parte da contribuição (PAT e Prêmios pagos pelas condições de trabalhos a determinados empregados, por força de CCT).
No caso em tela a consolidação do débito previdenciário tem-se como o dia 29.OUT.2008 referente ao período de 01/02/2004 a 30/12/2005. Portanto, deverá ser aplicado o prazo decadencial do artigo 150, IV do CTN, estando prescritas as exações anteriores a outubro de 2003, inclusive.
ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE.
O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento.
No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Relatório de Representantes Legais - REPLEG tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF - não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
JUROS E MULTAS - EFEITO CONFISCATÓRIO
Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios.
Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras.
Entretanto, a aplicação da multa deve ser de conformidade com a que melhor beneficia o Contribuinte/Recorrente, por conta da expressa legislação do disposto no CTN, Artigo 106, II, C.
No caso em tela aplicar-se-á a legislação disposta no artigo 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLege a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Há de ser considerado também que houve parcial pagamento das contribuições cobradas, eis que as exações cobras são apenas parte da contribuição (PAT e Prêmios pagos pelas condições de trabalhos a determinados empregados, por força de CCT). No caso em tela a consolidação do débito previdenciário temse como o dia 29.OUT.2008 referente ao período de 01/02/2004 a 30/12/2005. Portanto, deverá ser aplicado o prazo decadencial do artigo 150, IV do CTN, estando prescritas as exações anteriores a outubro de 2003, inclusive. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS Relatório de Representantes Legais REPLEG tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Súmula 88 do CARF não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 17 /2 00 8- 91 Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Entretanto, a aplicação da multa deve ser de conformidade com a que melhor beneficia o Contribuinte/Recorrente, por conta da expressa legislação do disposto no CTN, Artigo 106, II, C. No caso em tela aplicarseá a legislação disposta no artigo 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLege a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Presidente. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relatório Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 15504.018417/200891 Acórdão n.º 2301003.452 S2C3T1 Fl. 12 3 Tratase de crédito lançado contra a Recorrente que se refere a contribuição destinada aos Terceiros (salário educação, INCRA, SESC e SEBRAE), não recolhida e incidente sobre valores pagos ou creditados a empregados correspondentes a i) pagamentos a empregados, conforme folhas de pagamento das competências 02/2004 a 13/2005; ii) alimentação fornecida aos empregados sem a devida inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período de 02/2005, 03/2005, 05/2005 e 06/2005; iii) prêmio de seguro de vida em grupo, em 03/2004 a 04/2005, 08/2005, 10/2005 e 11/2005. Conforme disposto na cláusula 20 da Convenção Coletiva de Trabalho de 2004/2005, o seguro de vida em grupo era devido aos empregados que trabalhassem regulamente de 22 h de um dia As 6 h do dia seguinte, não estando, portanto, disponível a totalidade dos segurados da autuada. Várias empresas fazem parte do grupo econômico, e por isto foi emitido Termo de Sujeição passiva para cada um. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 165 a 171 do processo 15504.018415/200800, uma vez que adquiriu do grupo econômico PROMOVE, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Já a Autuada não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último ato constitutivo a 4' alteração contratual datada de 30/05/2005, registrada na JUCEMG em 07/07/2005 sob o n° 3.378.965. Em 17.FEV.2011 alguns dos Recorrentes foram intimados da decisão e em 30.MAR.2011 interpuseram um só recurso, sendo que nos autos consta que muitos dos que figuram no pólo passivo não foram intimados e ou não tem a data certo no AR, estando em branco. Alegam nos Recurso Voluntário aviado: i) decadência; ii) da ilegalidade na cobrança da penalidade – multa menos gravosa; iii) Soebras – adquirente de benefícios de imunidade previdenciária em razão de permanecer como entidade sem fins lucrativos; iv) exclusão dos representantes legais da relação de coresponsáveis; v) juros e multa – efeitos confiscatório; vi) do trespasse e da imunidade econômica da soebras. é a síntese do necessário. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 15504.018417/200891 Acórdão n.º 2301003.452 S2C3T1 Fl. 13 5 Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Nos autos do processo administrativo não foi localizado data da ciência, pelos últimos Recorrentes, da Decisão Notificação, razão pela qual tenho como o presente Recurso Voluntário foi protocolizado tempestivamente e por isto acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. DECADÊNCIA A consolidação do débito previdenciário temse como o dia 29.OUT.2008 referente ao período de 01/02/2004 a 30/12/2005. Há dois dispositivos legais para efeito de contagem do prazo prescricional da decadência, sendo um que tem início ao ano letivo seguinte à data da autuação e o outro com contagem a data seguinte a autuação, sendo que só se aplica o segundo, mais benéfico, se houver ao menos parte de pagamento da contribuição social realizada à Previdência. No caso em tela tenho que a Recorrente merece ser contempla com a contagem do artigo 150, IV do CTN em razão de considerála como contribuinte geral, ou seja, aquele que de uma forma ou de outra, mensalmente paga a Previdência Social, ainda que em outras exações. Mas, no caso em tela, o certo é que pagou a Previdência Social, pois deixou de recolher somente parte dela, cujas quais, segundo a própria Fiscalização trata de pagamento aos empregados ao PAT e a Prêmio previsto em convenção coletiva do trabalho determinado por Sindicato. Desta feita, deverá ser aplicado o prazo decadencial do artigo 150, IV do CTN, estando prescritas as exações anteriores a outubro de 2003, inclusive. Ocorre que o período lançado é após a outubro de 2003,ou seja, é de fevereiro de 2004 a dezembro de 2005, períodos estes não alcançados pela decadência, o que nos remete a improcedência do pedido. QUE A SOEBRAS ARRENDOU A MARCA PROMOVE Alega que dos documentos juntados aos autos, em 01/11/2006 a SOEBRAS arrendou o uso da marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro. E, como arrendou a marca, tem direito às benesses de entidade sem finalidade lucrativa. Todavia, sem razão a Recorrente, porque não existe a transferência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social de uma instituição para outra. Em 2008 e 2009 houve intensa discussão acerca da Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS. Em verdade, isto era necessário porque a legislação já era ultrapassada e as entidades vinham aprimorandose, merecendo maiores segurança jurídica, bem como necessitava o Governo de melhor Fiscalizar o setor. Foi por isto que a edição da Medida Provisória 446/2009 fez com que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deixasse de ser responsável pela concessão e renovação do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Em 27 de novembro de 2009 foi sancionada a Lei n. 12.101, que de acordo com ela, a análise e decisão dos requerimentos de concessão e renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão feitas no âmbito dos Ministérios da Saúde, quanto às entidades da área de saúde, da Educação, quanto às entidades educacionais, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. A entidade que atuar em mais de uma área deverá requerer a certificação e sua renovação no Ministério responsável pela área de atuação preponderante , definida esta como a atividade principal no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda (CNPJ). A Lei 12.101/2009 define os seguintes requisitos estatutários para as entidades que intentam obter a certificação: • É necessário que a entidade seja uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecida como entidade beneficente de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação. Portanto, sua qualificação jurídica e área de atuação devem constar do estatuto. • O estatuto deve informar que, em caso de dissolução ou extinção, a ONG destine o patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; • É importante que o estatuto disponha que seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não recebem remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; • Da mesma forma, o estatuto deve trazer informações sobre a não distribuição de resultados, dividentos, bonificações, participações ou parcelas de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. • Ademais, deverá haver previsão estatutária informando que a aplicação das rendas da ONG, seus recursos e eventual superávit será aplicado integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da ONG; Portanto, não se faz transferência de certificado como quer a SOEBRAS, e por isto não lhe assiste razão este quesito. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS Tem finalidade meramente informativa, conforme já sumulado pelo CARF, cuja decisão tomo como voto. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 15504.018417/200891 Acórdão n.º 2301003.452 S2C3T1 Fl. 14 7 indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTAS – EFEITO CONFISCATÓRIO – BENESSES DA LEGISLAÇÃO NOVEL Diz que Os juros e a multa aplicados têm efeitos confiscatórios, contrariando o artigo 150, IV da Carta Maior. Urge dizer que a multa aplicada na autuação não foi inventada pela Fiscalização que, como servidor público que é, uma de suas obrigações é ter seus atos respaldado em lei, ou seja, o princípio da legalidade, e, neste sentido a multa e os juros aplicados foram determinados pelos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, e 283 — inciso II — alínea "b" e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 1999. Sem razão a Recorrente, quanto o alegado efeito confiscatório. Por outro lado, com razão a Recorrente alega da necessidade da aplicação da lei mais benéfica, quanto a multa, em face de regra novel imposta pela Medida Provisória n° 449/2008 convertida na Lei 11.941/09, e em se tratando de penalidades, vale frisar que PREVALECE o entendimento correspondente ao art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, ou seja, a possibilidade de retroagir da lei para aplicar a que mais beneficia o contribuinte, como é o caso em tela. Diante do exposto, com razão a Recorrente, devendoselhe aplicar o dispositivo de lei mais benéfico, cujo qual penso ser a do artigo 32A da Lei 8.212/91. DO TRESPASSE As Recorrentes, mas uma vez torna a afirma que a SOEBRAS possui imunidade tributária na conformidade que assumiu todos os compromissos, obrigações e direitos da PROMOVE. Todavia, este quesito já foi espancado juridicamente anteriormente, não merecendo outra análise. Sem razão a Recorrente. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 15504.018417/200891 Acórdão n.º 2301003.452 S2C3T1 Fl. 15 9 manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, aplicando a Súmula 88 do CARF, onde a REPLEG e o CORESP têm finalidades meramente informativas e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, e julgando improcedentes as demais questões trazidas ao presente Recurso Voluntário aviado. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009811/2007-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 11 /2 00 7- 24 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1021.538/09 exarado pela Sexta Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, fls. 22 a 26, que decidiu julgar procedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa pelo atraso na entrega de DCTF, no valor de R$ 500,00, fls. 12. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Inconformada com a exigência da qual teve ciência em 27/09/2007 conforme AR de fls. 17, a autuada apresentou em 18/10/2007, a peça impugnatória de fls. 1/11, onde alega, resumidamente, que as empresas não devem ser compelidas a apresentarem a Declaração de Contribuição e Tributos Federais DCTF, em face da sua total ilegalidade e inconstitucionalidade, pelos seguintes motivos: · a sua instituição se deu através de uma Instrução Normativa, o que vai de pleno encontro ao princípio da legalidade previsto no art. 5o, II, da Constituição Federal, do art. 97, inciso V do Código Tributário Nacional CTN; · a delegação concedida pelo Ministro da Fazenda para o Secretário da Receita Federal é completamente inconstitucional e ilegal por violar o princípio da separação dos poderes previsto no artigo 2o da Carta Magna, o princípio da legalidade (art. 5o da CF/88), bem como o princípio da indelegabilidade tributária, previsto no art. 7o do Código Tributário Nacional. As penalidades pecuniárias, advindas da não apresentação da mencionada obrigação acessória, não encontram validade perante o ordenamento jurídicotributário, ante o fato de que qualquer tipo de sanção pecuniária (multa) concernente a não entrega da DCTF, ou ainda, atraso da entrega, erro no preenchimento, incorreção, etc, só pode ser prevista em lei, conforme estabelece o art. 113, § 3o c/c o art. 97, inciso V do CTN. [...] Quanto à alegação de falta de embasamento legal, primeiramente cabe ressaltar que ainda que houvesse ofensa a princípios constitucionais, não poderia esta instância apreciar tais arguições, [...] Contudo, é importante frisar a legislação que rege a instituição da obrigatoriedade de apresentação da DCTF e a multa pela não apresentação. Rezam os § 2o e 3o do art. 113 do Código Tributário Nacional: [...] Observese que, segundo o art. 96 do CTN, a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Embasado no artigo 113, combinado com o 96, ambos do Código Tributário Nacional, é que o art. 5o do Decretolei n.° 2.124, de 13 de junho de 1984, delegou poderes ao Ministro da Fazenda para eliminar ou instituir Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.009811/200724 Acórdão n.º 1801001.521 S1TE01 Fl. 3 3 obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por seu turno, através da Portaria MF n.° 118, de 28 de junho de 1984, o Ministro da Fazenda subdelegou os mesmos poderes ao Secretário da Receita Federal, em matéria de obrigação acessória. A DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi então instituída pela IN SRF n.° 129, de 19 de novembro de 1986. Posteriormente, a IN SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Assim, embora a DCTF tenha sido instituída por ato infralegal, havia previsão no decretolei, que tem força de lei, para que a autoridade administrativa a instituísse e determinasse a cobrança de penalidade pelo descumprimento da referida obrigação acessória. Por outro lado, a previsão legal da multa por deixar de entregar a DCTF encontrase no art. 7o da Medida Provisória n.° 16, de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 2002, que tem a seguinte redação, in verbis : [...] Da simples leitura desse dispositivo, verificase que a situação em análise encontra se claramente nele disciplinada. Cumpre destacar, também a regulamentação dada pela IN SRF n° 482, de 21 de dezembro de 2004. Portanto, não é verdade que a instituição da obrigação acessória, bem como a da penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, esteja a ferir o princípio da legalidade.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 24/11/2009, fls 32; Recurso – 23/12/2009, fls. 33) o Recurso de fls. 33 a 36, reprisando os termos da defesa exordial, bem como inovando em outros, em síntese: a) exclusão da responsabilidade pela infração tributário por força do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), que prevê a denúncia espontânea; b) estando informados os tributos na DIPJ e tendo sido pagos por Darf, tornase desnecessária a apresentação da DCTF, pois a Administração Tributária já possui todos os dados devidamente informados; c) até 1998 a entrega de DCTF para empresas de pequeno porte não era obrigatória, sendo documento meramente informativo e adicional; d) deve ser levado em consideração que a empresa sempre manteve em dia as obrigações tributárias; e) limitação da aplicação da multa em 20%, incidente sobre o valor dos tributos, conforme previsto na legislação tributária, devendo ser aplicada ao invés do valor de R$ 500,00, por ser mais benéfica. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio é a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração – DCTF. A recorrente argumenta, primeiramente, que seu procedimento está albergado pelo instituto da denúncia espontânea, o que a eximiria da multa imposta. Todavia, o benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Argumenta, em segundo plano, que: a empresa sempre manteve em dias suas obrigações tributárias; a DCTF até 1998 não era obrigatória para as pequenas empresas; e, se os tributos estão informados na DIPJ entregue e devidamente quitados, é desnecessária a apresentação da DIRF. Nenhuma desta observações podem ser acolhidas para isentar a recorrente da penalidade contra si imposta, por absoluta falta de previsão legal. De forma sobeja o acórdão atacado explicou que a multa in casu constitui obrigação acessória (art. 113, §3º, do CTN) e está instituída na legislação tributária em estrita observância ao princípio da legalidade, pelo que não podem as disposições legais e infralegais serem desconsideradas pelas autoridades administrativas de julgamento. Repriso o teor do artigo 7o da Medida Provisória n.° 16, de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 2002, por oportuno: Lei nº 10.426/02 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.009811/200724 Acórdão n.º 1801001.521 S1TE01 Fl. 4 5 ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10(dez) informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final à data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 ° A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4o Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5° Na hipótese do § 4o, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contado da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1o a 3o. (grifos não pertencem ao original) Por último, a recorrente insurgese contra o valor da multa, aplicada no valor mínimo de R$ 500,00, previsto na norma tributária acima reproduzida. Interpreta que deveria pagar 20% do valor dos tributos informados em DCTF, por ser uma forma mais benéfica. No entanto, deixa de observar que a penalidade, no valor prescrito no inciso II do caput do artigo 7º, pode ser aplicada desde que (destaquei) não seja inferior ao valor mínimo de R$ 500,00 consoante dispõe o § 3º do mesmo artigo (termos grifados no texto legal). Correta, pois, a valoração da multa no valor mínimo de R$500,00 cominado às empresas em situação similar à recorrente. Se não fossem todas estas as razões de desprovimento do recurso voluntário interposto, as argumentações trazidas somente em esfera recursal não poderiam ser admitidas Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 neste grau, devido à preclusão processual, estabelecida no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No mais, adoto integralmente os fundamentos do acórdão recorrido que não foram enfrentados pontualmente pela recorrente. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16707.006690/2009-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – APRECIAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO
Aos responsabilizados solidariamente assiste o direito de reação à pretensão fiscal contra eles dirigida, a qual só se pode dar com o devido motivo, subsistente ou não – matéria de fundo da legitimidade passiva. O direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez ultimados os lançamentos, não pode
ser subtraído a quem se imputa a sujeição passiva, no processo
administrativo. A Carta Maior assegura aos acusados em geral esse direito em processo administrativo, com os meios e recursos a ele inerentes. O PAF não deserta o sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário, do direito de ampla defesa e do contraditório, em dupla instância. Autos que devem retornar ao órgão julgador de origem para enfrentamento da questão.
Numero da decisão: 1103-000.676
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial para devolver os autos à DRJ de origem para elaboração de nova decisão enfrentando a questão relativa à responsabilidade tributária, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – APRECIAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO Aos responsabilizados solidariamente assiste o direito de reação à pretensão fiscal contra eles dirigida, a qual só se pode dar com o devido motivo, subsistente ou não – matéria de fundo da legitimidade passiva. O direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez ultimados os lançamentos, não pode ser subtraído a quem se imputa a sujeição passiva, no processo administrativo. A Carta Maior assegura aos acusados em geral esse direito em processo administrativo, com os meios e recursos a ele inerentes. O PAF não deserta o sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário, do direito de ampla defesa e do contraditório, em dupla instância. Autos que devem retornar ao órgão julgador de origem para enfrentamento da questão.
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Recorrida 3ª TURMA DA DRJ/RECIFE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – APRECIAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO Aos responsabilizados solidariamente assiste o direito de reação à pretensão fiscal contra eles dirigida, a qual só se pode dar com o devido motivo, subsistente ou não – matéria de fundo da legitimidade passiva. O direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez ultimados os lançamentos, não pode ser subtraído a quem se imputa a sujeição passiva, no processo administrativo. A Carta Maior assegura aos acusados em geral esse direito em processo administrativo, com os meios e recursos a ele inerentes. O PAF não deserta o sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário, do direito de ampla defesa e do contraditório, em dupla instância. Autos que devem retornar ao órgão julgador de origem para enfrentamento da questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para devolver os autos à DRJ de origem para elaboração de nova decisão enfrentando a questão relativa à responsabilidade tributária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.578 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.579 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratamse de autos de infração de IRPJ, PIS, CSL, COFINS e IRRF referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005, cujos instrumentos específicos dos autos de infração se encontram nas fls. 2 a 19 (IRPJ), 20 a 33 (CSL), 34 a 44 (PIS), 45 a 61 (COFINS) e 62 a 77 (IRRF). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da empresa autuada, foram apuradas as seguintes infrações: omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada; glosa de prejuízos compensados indevidamente; pagamentos sem causa. A recorrente tomou ciência da ação em 29/11/2006 e, findo o prazo de 20 (vinte) dias para apresentação dos livros e documentos solicitados, sem qualquer manifestação em apresentálos, foi novamente intimada em 22/01/2007, tomando ciência em 26/01/2007, conforme fl. 91 dos presentes autos. Conforme o termo de intimação de fls. 213 a 230, foi solicitada apresentação de documentação hábil e idônea para comprovação dos débitos constantes no Anexo I e créditos constantes no Anexo II. Em análise aos extratos bancários, Livro Razão e respostas da recorrente, a autoridade fiscal verificou ser inidônea a escrituração contábil mantida e apresentada pela recorrente. Sendo assim, restou claro ser irreal a justificativa de que a conta caixa fosse a origem e também a saída dos créditos bancários. O contribuinte registrou créditos na conta caixa contra débitos na conta bancos, mas se tornou evidente que estes valores, na verdade, foram transferências feitas por outras pessoas jurídicas. Observouse também que o contribuinte escriturou débitos na conta caixa contra créditos na conta bancos, contudo, tornouse inequívoco que as saídas foram, na verdade, para outras empresas. Além disso, não foram identificadas na contabilidade operações que justificassem os depósitos realizados por terceiros, vale dizer, não há registro contábil na conta clientes a dar amparo a depósitos nas contas bancárias. O autuante reconstituiu a conta caixa, excluindo as saídas que não ocorreram e desconsiderando entradas que também não ocorreram, de forma que a conta caixa passou a apresentar saldo credor, conforme fls. 1021 a 1187. Dessa forma, os créditos bancários de fls. 1208 a 1209, bem como os de fls. 1210 a 1212 não se encontram justificados pela escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada conforme art. 42 da Lei 9.430/96. Além disso, há créditos bancários, fls. 1210 a 1212, que não foram escriturados contabilmente. Foram reconstituídos também os prejuízos fiscais e bases negativas da CSL constantes do sistema SAPLI. Não foram discriminados os créditos nos demonstrativos de fls. 1204 a 1212 porque estes foram considerados comprovados. Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.580 4 Intimado e reintimado o contribuinte a comprovar a razão das saídas das contas bancárias, não logrou esclarecer a finalidade, tampouco comproválas, e não pôde ser justificado pela contabilização, caracterizando pagamentos sem causa, em face do que se exigiu IRRF. Outros fatos tornaram também constatado ajuste doloso entre diversas pessoas físicas e jurídicas com o intuito de não recolher os tributos devidos. De acordo com os documentos de fls. 179 a 182, a recorrente alega não ter ligação com as empresas do grupo Cactus/ADS. Por outro lado, provas acostadas aos autos deixaram evidente a ligação entre as empresas em questão. Entre elas, as seguintes. A sra. Jeane Alves de Oliveira, sócia da empresa Cactus Locação de Mão de Obra Ltda., possui procuração das contas bancárias da empresa fiscalizada. Em diversas oportunidades, funcionários da ADS dirigiamse à autoridade fiscal para entregar os documentos por ela solicitados, usando, inclusive, uniforme e crachá de identificação, conforme se observa do documento à fl. 194, entregue pelo sr. Manoel Raimundo da Costa Filho, em que há registro da indumentária por ele utilizada nesta oportunidade. DAS IMPUGNAÇÕES Irresignada, a empresa Trevizzano, fiscalizada, apresentou impugnação em 5/01/2010, de fls. 1320 a 1349, em que aduz, em síntese, o que segue. Pugna a recorrente, preliminarmente, pela nulidade dos lançamentos sob a argumentação de haver decaído o direito da autoridade fiscal de realizálos. E, ainda, que não houve apresentação de provas a corroborarem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como não foi concedido à recorrente o direito de defenderse de tais acusações, sendolhe tolhidas as garantias constitucionais do devido processo legal, caracterizando, portanto, cerceamento de defesa. Alega ser nula a utilização das informações financeiras e extratos bancários, tendo em vista não ter a autoridade fiscal apresentado qualquer prova sobre a obtenção e fornecimento de tais documentações, sequer ofícios trocados entre o fisco, as instituições financeiras e o Poder Judiciário. No que concerne à origem dos recursos, afirma ter optado por forma diferente, porém lícita, para escriturar suas movimentações bancárias, que consiste em escriturar no caixa as entradas e saídas de numerário, e as movimentações bancárias em separado em suas contas próprias. Acrescenta ainda que cabe ao fisco apresentar contraprova de que as provas apresentadas pela recorrente não têm força para infirmar os fundamentos do lançamento. Sobre a glosa de prejuízos fiscais, afirma estar a matéria sub judice, não podendo a fiscalização efetuar qualquer glosa de prejuízos fiscais e/ou bases de cálculo negativas de CSL antes do deslinde da causa. Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.581 5 Argui nulidade dos autos de infração por erro de direito, no caso erro de tipo legal, na imputação das multas qualificadas. Acerca da cobrança do IRRF, alega que a tributação da omissão de receitas não pode conviver com a exigência daquele. Uma vez reconhecida como omissão de receitas, o valor tido como tal se encontra livre para movimentação, inclusive para distribuição aos sócios. Não subsiste a exigência de IRRF por pagamento sem causa, diante da exigência de IRPJ e de CSL por omissão de receitas. Informa que os saques ocorridos na conta banco não evidenciam realização de pagamentos, mas simples retiradas das contas bancárias, podendo seus valores serem utilizados de diversas formas, a depender da escrituração contábil da própria conta caixa. Entende, inclusive, ser ilegal o ajuste realizado na base de cálculo. Quanto ao agravamento da multa de ofício, pugna pela não ocorrência, tendo em vista não ter ocorrido o requisito básico para sua caracterização, qual seja, o evidente intuito de fraude. Ademais, toda a tributação foi realizada com base em presunção relativa. Requereu a extinção da totalidade do crédito tributário em razão de decadência, inaplicabilidade e ilegalidade da exigência de multa agravada, do erro de direito, bem como em função de todos os fundamentos fáticos e jurídicos expostos. Também insatisfeita, a empresa Cactus, o sr. José Lino da Silva e a sra. Jeane Alves de Oliveira, responsáveis solidários, apresentaram impugnação em 8/01/2010, de fls. 1359 a 1384, em que aduzem, em síntese, o que segue. Informam eles, caracterizados como responsáveis solidários, não terem sido intimados de qualquer ato do procedimento fiscal, não lhes havendo sido facultado manifestar se sobre os documentos utilizados pela fiscalização para os vincular à Trevizzano Locação de Mão de Obra Ltda. Alegam impossibilidade de instrumentalização da relação de solidariedade entre os recorrentes José Lino da Silva e Jeane Alves de Oliveira e a empresa Trevizzano, tendo em vista que a pessoa física não pode praticar fato gerador de obrigação tributária própria de pessoas jurídicas em virtude de vedação legal. E ainda porque embasado em documento cujas disposições não constam dos autos. Entendem não haver motivação para o lançamento, vez que os motivos em que se assenta o termo de sujeição passiva solidária não se encontram nos autos, o que torna o lançamento presuntivo e subjetivo, sem qualquer prova documental, não existindo os pressupostos fáticos e jurídicos hábeis a embasar o enquadramento dos recorrentes como contribuinte do tributo exigido. Aduz a inconstitucionalidade do procedimento, sob o argumento de ferir o princípio do devido processo legal, já que, ausente a fundamentação, ficam os recorrentes impedidos de exercitar seu direito de defesa por não terem conhecimento das acusações que lhe são imputadas. Requerem seja declarada inexistente a relação jurídica de sujeição passiva entre os impugnantes e a Trevizzano Locação de Mão de Obra Ltda., e a exoneração daqueles da responsabilidade pelo crédito tributário. Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.582 6 DA DECISÃO DA DRJ Em 16/09/2010 acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, a ser exigido com aplicação da multa de 150% e juros de mora, de acordo com o entendimento que segue. Não se observou dos autos nenhum indício de que se proferiu despacho com cerceamento do direito de defesa ou de que o lançamento tenha sido efetuado por agente incapaz. Tampouco há dúvidas sobre a origem dos documentos anexados aos autos. De acordo com o documento de fl. 171, o processo de nº 2006.84.00.0031700 foi encaminho à Delegacia da Receita Federal em Natal “de forma a possibilitar as investigações em curso referentes às pessoas físicas e jurídicas nele mencionadas”. Bem como foram juntados aos autos, para comprovação, cópias do Ofício 0002.0018133/2006, originário da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte – Segunda Vara e do Ofício 425/DRF NAT/Safis, originário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal e da decisão acima citada, ao contrário do que alegado pela recorrente. Acerca da alegação de decadência do prazo para lançamento, entendese que, apesar do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, deve ser observada a ressalva realizada ao final do dispositivo de que não será aplicado quando da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que leva necessariamente à observação do art. 173, I, do CTN. E, no caso em questão, na apreciação da qualificação da multa de ofício, constatouse a intenção de fraudar o fisco. Sendo assim, o prazo decadencial relativo ao fato gerador mais longínquo (janeiro/2004) tem como termo inicial o primeiro dia de 2005, não tendo transcorrido mais de cinco anos entre a data da ciência dos autos de infração e esse dia, não havendo, portanto, decadência. Não merece prosperar também alegação de necessidade de comprovação da omissão de receitas por presunção legal por depósitos bancários de origem incomprovada. À vista de fato jurídico que enseje a formalização do crédito tributário, a administração pública vêse obrigada a efetuálo, tendo em vista ser a sua atividade vinculada e obrigatória, salvo se houver declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do STF, o que não é o caso. Esclarece que não compete à autoridade fiscal a apresentação de provas sobre a omissão de receita por presunção legal, e sim ao contribuinte, quando intimado, para apresentar documentação hábil e idônea que justifique a origem, o valor e data da percepção do crédito. Acentua que o erro na capitulação legal não é caso de nulidade dos lançamentos. Quanto à alegação de que não poderia conviver a tributação de omissão de receita com a de IRRF, esclarece que quando não comprovada a operação ou a sua causa há incidência de IRRF, o que efetivamente ocorreu quanto aos débitos relacionados às fls. 1213 a 1219. Dessa forma, menor importância afigurase a alegação de que não teria havido comprovação de pagamentos. E, ainda, por toda a documentação analisada, não restaram dúvidas sobre a intenção deliberada (dolo) de burlar o fisco por meio da prática de sonegação e conluio. No concernente à sujeição passiva solidária, esclarecese que o tema não há de ser abordado pela DRJ, visto que não surtiria qualquer efeito frente à ausência de Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.583 7 competência para tanto. A competência, neste caso, é da Procuradoria da Fazenda Nacional. E, ainda que não conste do termo de inscrição o nome dos coresponsáveis, a Procuradoria, no curso do processo, pode solicitar o redirecionamento da execução. O que se decidiu quanto ao lançamento do IRPJ estendese aos lançamentos dele decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 1432 a 1461, em 1º/02/2011, alegando, em síntese, as mesmas razões da impugnação, e ainda o que segue. Acrescenta a recorrente Trevizzano que o fisco obteve dados bancários da recorrente de modo artificial e sem autorização judicial para tanto. Entende que, com base na Lei Complementar 105/01 e no Decreto 3.724/01, a fiscalização violou o sigilo de dados do contribuinte com a sua obtenção sem qualquer amparo legal. Afirma não ser aceita a quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, razão pela qual acredita ser imperativo o cancelamento dos autos de infração por serem lastreados em informações obtidas pela Receita Federal em decorrência de quebra de seu sigilo bancário. E, após argumentação em decisão da DRJ sobre não enfrentamento da sujeição passiva solidária por se tratar de matéria alheia a sua competência, alega não terem sido os sujeitos passivos solidários intimados de todos os atos do procedimento fiscal, o que lhes cerceou o direito de defesa. Afirma que a DRJ furtouse de apreciar as impugnações apresentadas pelos arrolados como solidários das obrigações decorrentes dos lançamentos, o que implica a impossibilidade de, no futuro, responderem por fatos conjecturados pelo auditor fiscal. Fundamenta, ainda, que a circunstância de relacionamento entre empresas do mesmo ramo não tem condão de gerar responsabilidade pelo cumprimento de obrigações fiscais vinculadas à relação. Também, as ligações entre os sócios da recorrente com outras empresas do mesmo ramo e das relações familiares com o sr. José Lino da Silva e sra. Jeane Alves de Oliveira não são suficientes para provar o fato imputado, de acordo com o art. 368 do Código de Processo Civil. E, ainda, a mera presunção não é admitida para caracterizar a solidariedade, ainda que fosse possível sua caracterização quanto à pessoa física. Pelo exposto, requer a exclusão dos responsáveis solidários da relação jurídica em comento e, alternativamente, a determinação de apreciação da impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o devido processo legal, bem como o duplo grau de jurisdição administrativa, corrigindo a supressão de instância perpetrada pela DRJ. Requer o cancelamento das exigências constantes dos autos de infração em razão da decadência, inaplicabilidade e ilegalidade da multa agravada e do erro de direito. É o relatório. Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.584 8 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Há preliminar de nulidade do acórdão a quo por não enfrentamento das impugnações desafiadas pelos responsabilizados solidariamente pelo autuante. O entendimento do órgão julgador de origem é o de que falece competência ao órgão judicante administrativo, apreciar a resistência à pretensão fiscal oferecida pelos arrolados como responsabilizados solidária ou subsidiariamente. Sua cognição é a de que o arrolamento de responsáveis solidários, na lavratura dos autos de infração, constitui apenas informação destinada a subsidiar a PFN, para inscrição na dívida ativa e execução dos créditos tributários. Ou seja, em sua intelecção, o momento próprio para exercício da resistência à pretensão fiscal pelos responsabilizados solidariamente se delimita na fase de execução, mediante a oposição da ação de embargos. Não posso comungar com tal cognição. Segundo a investigação levada a efeito pelo autuante, a Cactus Locação de Mão de Obra Ltda., a sra. Jeane Alves de Oliveira e o sr. José Lino da Silva conformam o tipo para serem responsabilizados solidariamente, conforme motivo deduzido nos lançamentos. Daí, corretamente, sob o aspecto jurídico formal (não enfrento, nesse passo, a questão de fundo da legitimidade passiva), com fundamento no motivo deduzido, houve a lavratura dos termos de responsabilidade solidária, com ciência dos responsabilizados. Não resulta dúvida de que aos responsáveis solidários, assim configurados na conformidade do autuante, assiste o direito de reação à pretensão fiscal contra eles dirigida, a qual só se pode dar com o devido motivo, que supostamente foi aduzido pelo autuante – repito, não ingresso, aqui, na questão de fundo ou “mérito” da legitimidade passiva. O direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez ultimados os lançamentos (para os quais governa a oficialidade e a inquisitoriedade), não pode ser subtraído a quem se imputa a sujeição passiva, no processo administrativo. O art. 5º, LV, da CF é claro ao assegurar aos acusados em geral o contraditório e a ampla defesa em processo administrativo, com os meios e recursos a ele inerentes. A referência a recursos indica, a meu ver, a garantia, mesmo em processo administrativo, de duplo grau de jurisdição (administrativa). Mas nem é preciso colocar essa discussão, no caso vertente. Concretamente, o PAF assegura o duplo grau de jurisdição administrativa. E o mesmo PAF, em nenhum momento, deserta o sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário, do direito de ampla defesa e do contraditório. Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16707.006690/200930 Acórdão n.º 110300.676 S1C1T3 Fl. 1.585 9 Iterativamente esta Turma do CARF têm enfrentado a irresignação dos responsabilizados solidariamente. Outrossim, reconheço a supressão de instância quanto à questão, cabendo ao órgão julgador de origem enfrentar a reação deduzida pelos sujeitos passivos responsáveis solidários. Ressalto, porém, que o caso não é de nulidade do acórdão de origem, integral ou parcial. Embora pudesse enfrentar as demais questões, impõese o retorno dos autos ao órgão julgador de origem para apreciar a questão, para que, somente após, sendo o caso, a matéria desafiada no recurso seja devolvida para apreciação a este órgão julgador. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem ao órgão julgador a quo para enfrentamento da questão da responsabilização solidária da Cactus Locação de Mão de Obra Ltda., da sra. Jeane Alves de Oliveira e do sr. José Lino da Silva, incorporandoa na nova decisão continente das questões já apreciadas. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10882.901006/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.
O ressarcimento do saldo credor básico do imposto condiciona-se à prova do pagamento do preço ao fornecedor e da efetiva entrada dos insumos no estabelecimento industrial, com base em documentação hábil e idônea.
RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES.
Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausente, ocasionalmente, a Conselheiro Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS EMERGENTES. COBRANÇA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, emergentes de compensação não homologada, declarada após o seu vencimento, são acrescidos de multa e juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento do saldo credor básico do imposto condicionase à prova do pagamento do preço ao fornecedor e da efetiva entrada dos insumos no estabelecimento industrial, com base em documentação hábil e idônea. RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 06 /2 00 9- 18 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausente, ocasionalmente, a Conselheiro Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Recorrente formulou, em 15/04/2005, o Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER nº 23617.48392.150405.1.3.011893, visado ao ressarcimento do saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, apurado no 1º trimestre de 2005, autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no valor de R$ 13.394,15. Ao mesmo tempo, declarou compensações do direito creditório com débitos próprios, objeto do processo nº 10882.901420/200927. A DRF/Novo Hamburgo – RS emitiu o Despacho Decisório de fls. 63, por meio do qual deferiu parcialmente o pleito de ressarcimento. Foram encontradas as seguintes irregularidades na apuração do saldo credor do período (Termo de Verificação Fiscal fls. 48 a 53): Fornecedor R. da S. BARCELLOS CNPJ 05.869.051/000178 a) No ano de 2004, R. da S. BARCELLOS teria fornecido R$ 5.657.606,15 fiscalizada; entretanto, durante todo o ano de 2004, não existe registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) em nome deste fornecedor; b) No 1° trimestre de 2005, R. DAS. BARCELLOS teria fornecido R$1.788.199,45 fiscalizada; entretanto, não há registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) neste período em nome deste fornecedor. Há registro de apenas R$ 832.181,49 na Caixa Econômica Federal em períodos posteriores à compra. c) A empresa foi aberta em 11/05/2004 e fechada em 27/05/2005. Durante este período, teria vendido praticamente apenas para a fiscalizada, conforme consta em tabela anexa d) O fornecedor, um comércio atacadista de outros produtos químicos, localizase em uma casa, conforme cadastro CNPJ; e) O contador da empresa fornecedora é o Sr. ALBERTO BLAZINA KRIEGER, CPF n° 562.675.41053, sócio da fiscalizada; e Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.901006/200918 Acórdão n.º 3403002.203 S3C4T3 Fl. 149 3 f) R. da S. BARCELLOS transmitiu a DIPJ de lucro presumido de 2004 com todos os valores zerados e informou NÃO no campo "Apuração e Informações de IPI no Período". Fornecedor JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA. CNPJ 01.796.029/000194 a) No ano de 2004, JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA teria fornecido R$422.231,69 à fiscalizada; entretanto, durante todo o ano de 2004, não existe registro de movimentação financeira nos sistemas da RFB (DCPMF) em nome deste fornecedor; b) A empresa não transmitiu DIPJ em 2004 e, em 2003, havia transmitido DIPJ de inatividade; c) a partir de 17/07/2004 o fornecedor foi considerado INAPTO pelo motivo OMISSO NÃO LOCALIZADO, conforme anexo; d) o seu CNAE registrado no Sistema CNPJ é "CNAE: 4646001 Comércio atacadista de cosméticos e produtos de perfumaria", o que evidentemente não poderia gerar crédito de IPI para uma indústria que tem por atividade a fundição de ferro e aço; e) Em procedimento de fiscalização efetuado em 2008 por esta Delegacia da Receita Federal, as notas deste fornecedor também haviam glosadas. METALÚRGICA DAUMER LTDA. ME CNPJ n° 03.037.942/000132 e CONESUL SALVADOS COMÉRCIO DE SALVADOS DE SINISTROS LIDA CNPJ n° 03.832.948/000100 a) fornecedor de insumos optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples. Diante do conjunto indiciário de que as operações de entrada de insumos, relativamente aos fornecedores R. da S. BARCELLOS e JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA não teriam efetivamente ocorrido conforme registradas no PER, a Fiscalização intimou o interessado a apresentar arquivos magnéticos e, por amostragem, cópia das notas fiscais com prova do desembolso dos recursos. Em face da falta de atendimento à intimação, o sócio da empresa foi intimado pessoalmente. Desta feita a sociedade dignouse a apresentar arquivo magnético referente apenas ao ano de 2005 e, com relação às notas ficais com comprovante de pagamento, limitouse a dizer que os mesmos “não estão disponíveis para apresentação; na medida que, tendo sido a matriz neste período, localizada na cidade de Osasco/SP; estes estão na posse do contador que lá labuta, e que por situações de inconformidades e divergências, não logra em devolver a documentação até solução final do litígio existente envolvendo o mesmo e a empresa". A propósito, a Fiscalização deu conta de que a DRF/Osasco já havia intimado a fiscalizada a apresentar documentação, mas esta alegou dela não dispor em razão da transferência da matriz para Novo Hamburgo/RS, pleiteando inclusive que o procedimento Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 fosse desaforado para esta cidade. A Fiscalização então deu como não atendidas as intimações e reintimações e glosou os créditos respectivos. Sobreveio reclamação. O contribuinte, em preliminar, rechaça os acréscimos legais incidentes sobre os débitos emergentes da compensação não homologada, porquanto as DComp foram transmitidas antes dos vencimentos dos mesmos, e argúi a decadência do direito do Fisco de cobrálos, pois seriam relativos ao 1°, 3º e 4º semestres de 2004 e o representante da empresa só teria sido intimado do auto de infração” quando já transcorridos cinco anos. Invoca os artigos 142, 150 e 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. A seguir, defende o crédito decorrente de aquisições feitas a empresas inscritas no Simples, invocando o princípio da nãocumulatividade do IPI, insculpido no artigo 153, 3 , inciso II, da Constituição Federal, bem como o art. 49 do CTN, e 163 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, além de doutrina e jurisprudência que transcreve, concluindo que seria inconstitucional e ilegal medida que aniquile o principio da não cumulatividade. Quanto ao mérito, argumenta inicialmente, com relação às aquisições feitas às empresas R. da S. BARCELLOS e JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA, que a situação pessoal das fornecedoras não teria o condão de desconstituir o direito ao crédito tributário existente na escrita fiscal, sendo aplicável o principio legal da finalidade legal, onde o formalismo não impera . Alega que os demais elementos apresentados comprovariam as aquisições e correta contabilização e que seu procedimento estaria de acordo com as normas contábeis e com a legislação vigentes. Ademais, teria agido de boafé, devendose considerar que a fiscalização das fornecedoras cabe à RFB e não ao contribuinte. Afirma que atendeu todas as intimações, fornecendo a documentação solicitada, não sendo correta a afirmação contida no item 4 do relatório da Fiscalização. Contesta a exigência de multa moratória, e aplicação da taxa Selic, invocando o art. 137 do CTN e considerando que o PER/DCOMP foi transmitido antes do vencimento dos débitos e que os créditos seriam também anteriores. Pede a aplicação da regra do art. 106, inc. II, do CTN Finalizando, reitera o pedido de reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/POA. O Acórdão nº 10038.174, de 26 de abril de 2012, fls. 105 a 112, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é contado a partir da data de entrega da respectiva declaração de compensação. RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.901006/200918 Acórdão n.º 3403002.203 S3C4T3 Fl. 150 5 Não se reconhece o direito ao aproveitamento de créditos básicos de IPI quando estes não forem devidamente comprovados pelos documentos fiscais que lhes deram origem. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS OPTANTES DO SIMPLES. As aquisições de insumos de estabelecimento optante do SIMPLES não ensejam direito à fruição de crédito do IPI. ACRÉSCIMOS LEGAIS Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são acrescidos de multa e juros de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 48 a 53, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma os mesmos argumentos já defendidos na Manifestação de Inconformidade, assim resumidos: a) decadência do crédito originado em favor da União, tendo em vista que são relativos ao 2º, 3° e 4° trimestres do ano de 2004 e 1º trimestre de 2005, e o representante legal da empresa somente foi intimado em 2010, ou seja, passados 05 (cinco) anos, excluindo os mesmos do total da penalidade aplicada. b) anulação do lançamento tributário efetuado, haja vista a suficiência dos créditos para efetuar compensação, estando de acordo com sua escrituração fiscal, não podendo se responsabilizálo por infrações praticadas por terceiros, motivo pelo qual inexiste razão para extinção do direito da empresa e conseqüente cobrança com aplicação de multa; c) exclusão dos lançamentos e multas decorrentes da não compensação dos débitos pelos créditos existentes; d) reconhecimento do direito de crédito decorrente do Simples e das empresas com situação cancelada no cadastro CNPJ posterior ao aproveitamento, bem como aqueles decorrentes de equívoco no preenchimento do pedido e) nulidade do ato de lançamento, "desconstituindoo, e sendo nulo o principal, nulo os demais consectários impostos, na forma da legislação vigente”. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 48 a 53 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 10038.174, de 26 de abril de 2012. Preliminar de decadência do direito do fisco de indeferir o pedido de ressarcimento Inexiste prazo fatal para a Administração Tributária apreciar pedido de ressarcimento e não há possibilidade de aplicação analógica do estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro lado, como bem assentou a decisão recorrida, não há falar em homologação tácita porquanto a ciência do Despacho Decisório deuse em 09/04/2010, em menos de cinco anos da declaração da compensação, efetuada em 15/04/2005. Mérito DIREITO AO CREDITAMENTO DE IPI NAS OPERAÇÕES DE ENTRADA DE INSUMOS NÃO COMPROVADAS Homenageando a relatora do voto condutor da decisão recorrida, adoto in totum seus fundamentos como razão de decidir a controvérsia relativa às glosas dos créditos pelas aquisições de insumos aos fornecedores R. da S. BARCELLOS e JABAMIAH COM. E REPRES. LTDA. Em virtude dos indícios de irregularidades já transcritos no relatório, não foi possível considerar como comprovadas as aquisições que teriam sido feitas a essas empresas. De acordo com o item 4 do relatório da fiscalização, a fim de obter esclarecimentos a respeito, o interessado foi intimado a, no prazo de 20 dias, apresentar, arquivos magnéticos e, por amostragem, notas fiscais de aquisição de mercadorias com comprovantes de pagamento, o que não foi atendido. Foi reintimado na pessoa de seu sócio e, desta vez, apresentou apenas arquivos magnéticos relativos ao ano de 2005, alegando, no arrazoado de fls. [...], que as notas fiscais se encontrariam na posse do contador da antiga matriz na cidade de Osasco, não sendo possível obtêlas. Ressaltase que no curso da ação fiscal iniciada anteriormente na cidade de Osasco, referidas Notas fiscais também não foram apresentadas, pelo que, em nenhum momento foi comprovada a efetividade das aquisições em questão, o que resulta na impossibilidade de reconhecimento dos respectivos créditos. Com efeito, diz o art. 163, caput, do RIPI/2002: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.901006/200918 Acórdão n.º 3403002.203 S3C4T3 Fl. 151 7 Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei n 5.172, de 1966, art. 49). .... Por sua vez ao tratar da escrituração dos créditos, o art. 190 do mesmo Regulamento determina que os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. Da mesma forma, os atos normativos que tratam de restituição e ressarcimento de tributos, reportamse à escrituração feita consoante as normas de regência, como é o caso do art. 21 da IN RFB n 900, de 2008, cuja observância é obrigatória aos agentes públicos, por força do princípio da legalidade: “Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. 1 Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: ... 2 Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o 1 , o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB. ... (destaquei) Assim, não comprovada a legitimidade dos créditos, por ato do próprio contribuinte, que deixou de atender os reiterados pedidos da fiscalização, está correta a glosa praticada. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES O creditamento do imposto nas aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples está expressamente vedado pelo art. 166 do RIPI2002: “Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º).” Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 A opção pelo Simples, que é forma beneficiada e simplificada de tributação, é de livre escolha do contribuinte. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação do IPI também é diferenciada, não se seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta. Sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Portanto, não há que se aplicar ao caso em análise o princípio da não cumulatividade, pois a tributação do IPI se faz por outra forma. Assim dispõe a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I –(...) § 1º O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2º No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. (...) § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6º O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS, caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º. (g.n). Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. ACRÉSCIMOS INCIDENTES NA COBRANÇA DOS DÉBITOS NÃO COMPENSADOS O recorrente afirma solenemente que a compensação de que se trata teria sido transmitida antes do vencimento dos débitos e que os créditos seriam também anteriores, razão pela pretende exonerálos das juros de mora e da multa de mora previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O recorrente enganase também solenemente, pois, na data da transmissão da DComp nº 23617.48392.150405.1.3.011893, em 15/04/2005 confessamse débitos de IRRF, vencidos em 30/06/2004, 04/08/2004, 01/09/2004, 29/09/2004, 04/11/2004, 01/12/2004, 05/01/2005, 12/01/2005, 19/01/2005, 26/01/2005, 02/02/2005, 11/02/2005, 16/02/2005, 23/02/2005, 02/03/2005, 03/03/2005, 09/03/2005, 10/03/2005, 16/03/2005, 23/03/2005 e 30/03/2005. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10882.901006/200918 Acórdão n.º 3403002.203 S3C4T3 Fl. 152 9 Conclusão Com essas considerações, e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, nego provimento ao recurso Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10830.720375/2007-55
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.091
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido na votação o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido na votação o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 01/04, relativa ao Imposto Territorial Rural – ITR do exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 4.277,89, acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente ao imóvel denominado “Fazenda São José”, localizado no município de PaulíniaSP, NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 0.265.5063. O lançamento foi decorrente da seguinte infração, conforme descrição dos fatos de fls. 02: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10830.720375/200755 Resolução n.º 2801000.091 S2TE01 Fl. 60 2 “Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: LANÇAMENTO EFETUADO TENDO EM VISTA QUE 0 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL No 08104/00019/2007, DATADO DE 13/08/2007, NÃO FOI ATENDIDO NO PRAZO LEGAL.”. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento 27/12/2007 por meio do EDITAL/DRF/CPS/SEFIS/N° 08104/252/2007, de 10/12/2007 (fl. 13), a interessada apresentou a impugnação de fls. 15/20, juntamente com os documentos de fls. 21/37, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 43), que: “com advento da Lei n° 9.393/96, o contribuinte passou a autoavaliar o valor do imóvel, corrigindo, pelo índice de inflação, o valor declarado em 1996. Argumenta que a terra nua não tem valor de mercado, haja vista que, para sua obtenção, é excluído o valor das benfeitorias. Defende que, se existe um valor mínimo de imposto, uma vez recolhido este valor, não há o que ser questionado pela fiscalização do tributo. Afirma que o Sistema de Preços de Terras, implementado pela Portaria 447/2002, não pode ter aplicabilidade, haja vista que conflita com o que dispõe a Lei n° 9.393/96.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Campo GrandeMS julgou o lançamento procedente (fls. 42/44), nos termos do voto do relator do respectivo aresto, reproduzido a seguir: “A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, razão pela qual dela tomo conhecimento. O lançamento foi legalmente efetuado, utilizandose os dados informados na DITR do respectivo Exercício. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional CTN. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10830.720375/200755 Resolução n.º 2801000.091 S2TE01 Fl. 61 3 O lançamento de oficio no caso de informações inexatas encontra amparo no art. 14, da Lei n° 9.393/1.996, abaixo transcrito, o qual também prevê a exigência da multa cabível no procedimento de oficio: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § I°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais." A multa aplicável, no caso, é a de 75%, conforme art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora em percentual equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 3o, da Lei n° 9.430/96. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/96, art. 14). Além disso, o dispositivo impõe a formalização da exigência do imposto suplementar, mediante lançamento, do qual será intimado o contribuinte para apresentação de suas razões de defesa. Percebese, portanto, que o procedimento fiscal pautouse pela legalidade. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. É ilógico afirmar que a terra nua não possui valor comercial. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor cientifico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.3.5, alínea "b", que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados". Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1° de janeiro de 2003). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10830.720375/200755 Resolução n.º 2801000.091 S2TE01 Fl. 62 4 Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase devidamente amparado pela legislação que rege a matéria. Em face de todo o exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada do acórdão de primeira instância em 28/09/09 (fls. 47), a interessada apresentou, em 15/10/09, o Recurso de fls. 48/52, em que apresenta as mesmas alegações expostas na impugnação e requer a reforma do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A autoridade lançadora informou na descrição dos fatos que o Valor da Terra Nua VTN foi arbitrado tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Todavia não consta nos autos qualquer documento comprovando que o VTN lançado corresponde àquele extraído do SIPT, haja vista que os documentos de fls. 05/06, em que constam o citado Valor, referemse a informações obtidas do Sistema Malha Fiscal ITR. Assim, fazse necessário verificar qual foi metodologia utilizada pela autoridade lançadora para se chegar aos valores SIPT adotados no lançamento. Diante do exposto acima voto por converter o julgamento em diligência para encaminhar estes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de CampinasSP para que seja(m) juntado(s) os dados (extratos e/ou documentos) extraídos do Sistema de Preços de Terra SIPT nos quais se baseou a fiscalização para arbitramento do VTN, e as fontes que informaram tais dados. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10950.003134/2006-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 17/05/2004 a 09/08/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. ILÍCITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
As informações contidas nas declarações prestadas pelo contribuinte ou registradas nos documentos contábeis e fiscais encontrados em seu poder devem prevalecer. A desconsideração dos fatos ou negócios neles retratados depende de prova de não condizerem com a realidade, ainda que a comprovação esteja baseada na obrigação do contribuinte de apresentar os documentos quando solicitados, ou na inversão do ônus probante decorrente da negligência desse dever.
Se o contribuinte apresenta os documentos quando intimado e esses testemunham o negócio tal como informado, não há razão para que lhes seja negado fé, ainda que, em outras operações, em nada relacionadas com o caso investigado, tenha-se provado a ocorrência de fraude.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 04/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Matéria: Cofins - Ação Fiscal - Importação
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ILÍCITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. As informações contidas nas declarações prestadas pelo contribuinte ou registradas nos documentos contábeis e fiscais encontrados em seu poder devem prevalecer. A desconsideração dos fatos ou negócios neles retratados depende de prova de não condizerem com a realidade, ainda que a comprovação esteja baseada na obrigação do contribuinte de apresentar os documentos quando solicitados, ou na inversão do ônus probante decorrente da negligência desse dever. Se o contribuinte apresenta os documentos quando intimado e esses testemunham o negócio tal como informado, não há razão para que lhes seja negado fé, ainda que, em outras operações, em nada relacionadas com o caso investigado, tenhase provado a ocorrência de fraude. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 31 34 /2 00 6- 09 Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 EDITADO EM: 04/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 23.218.418,71, referente a Pis/Pasep e Cofins incidentes sobre as importações de mercadorias, multas de ofício e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a autuada promoveu importações de mercadorias denominadas “préformas de plástico” (PET), utilizadas para, após processo de conformação por sopragem, transformarem se em garrafas, no período de 2004 a 2006, recolhendo as contribuições ao Pis/Pasep e Cofins incidentes nas importações de mercadorias, calculadas pelas alíquotas “ad valorem” de 1,65% e 7,6% respectivamente. Ocorre que, com a publicação da Lei nº 10.865/2004 no DOU de 30/04/2004, essas mercadorias passaram a ser tributadas por meio de alíquotas específicas (por unidade), pois essa lei deu nova redação ao artigo 51, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, a fiscalização promoveu a revisão aduaneira das Declarações de Importação registradas pela interessada no período de 17/05/2004 a 09/08/2006, referentes ao produto em questão. Constatadas diferenças no recolhimento das contribuições, lavrou auto de infração para exigência dessas diferenças, acrescidas de multas de ofício previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 e juros de mora. Após infrutíferas tentativas de ciência pessoal (fls. 2.343 e 2.347), a interessada foi cientificada por via postal (AR à fl. 2.346), vindo a apresentar impugnação tempestiva às folhas 2.451 a 2.463, com documentos anexados às folhas 2.464 a 2.482. A impugnante informa que, no período de 2003 a 2006, realizou dezenas de importações de préformas (PET), por conta própria, mas para atender a encomenda predeterminada, sendo que tais mercadorias não se destinavam ao envasamento de água e refrigerante, apenas eventualmente como no caso da DI nº 04/03228209. Conclui que, dessa forma, a alíquota a ser aplicada é a ad valorem e não a específica. Informa que solicitou em 20/01/2006 sua habilitação para o regime aduaneiro especial para importação dessas mercadorias (PET de NCM 3923.30.00), tendo seu pleito atendido em 03/07/2006 com a publicação do ADE nº 16, que reconhece como correto o recolhimento das contribuições (Pis e Cofins) com a alíquota ad valorem. Traça considerações sobre as importações por encomenda para defender que seu procedimento de importação foi correto e que não é responsável pela utilização das préformas, tendo apenas comercializado as mesmas. Defende que eventual conduta ilícita não pode ser atribuída a ela, mas sim à encomendante ou às indústrias adquirentes das préformas. Alega que, pelo fato de não ter provado que as préformas importadas tiveram uso como declarado, a fiscalização presumiu terem sido utilizadas para envasamento de água e refrigerante, sendo aplicável a alíquota específica. Todavia a mesma não Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.003134/200609 Acórdão n.º 3102001.864 S3C1T2 Fl. 3 3 logrou provar tal alegação, sendo indevida a inversão do ônus da prova como quer a fiscalização. Defende que o Ato Declaratório Executivo nº 16, de 28 de junho de 2006, publicado no DOU de 03/07/2006 reconheceu sua situação fática preexistente, portanto o recolhimento das contribuições, realizado utilizando as alíquotas ad valorem estão corretas. Sobre o alcance do ADE nº 16/2006, protocolou consulta, em 06/06/2006, que ainda não foi respondida e, com base no art. 48 do Decreto nº 70.235/1976, alega que o auto de infração não poderia ter sido lavrado. Requer o julgamento pela nulidade ou pela improcedência, ou ainda, pela parcial improcedência relativa ás multas impostas. Requer ainda, seja autorizada a retirada dos autos da repartição, de modo a possibilitar melhor análise, com base no art. 7º, XV, da Lei nº 8.906 de 04/07/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB), em função do grande volume dos mesmos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/05/2004 a 09/08/2006 CONSULTA. FORMALIZAÇÃO. EFEITOS. A consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias somente gera os efeitos previstos em lei caso seja eficaz, necessitando para isso o atendimento das regras estabelecidas. PROVA. ÔNUS. Na revisão aduaneira, caso a lei não determine expressamente o contrário, cabe à fiscalização o ônus de provar que as mercadorias importadas tiveram fim diverso daquele declarado quando da importação, para fins de exigência de tributos incidentes na importação. Caso não se prove o contrário, as declarações do importador subsistem para os efeitos fiscais. RETIRADAS DE PROCESSOS FISCAIS DA REPARTIÇÃO DA RECEITA FEDERAL. PROIBIÇÃO. Os processos fiscais somente poderão sair das unidades da Receita Federal nos casos previstos no artigo 38 da Lei nº 9.250/1995, sendo facultado ao sujeito passivo a retirada de cópias do processo. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 18/05/2004 a 09/08/2006 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE IMPORTAÇÃO DE EMBALAGENS. HABILITAÇÃO. EFEITO. O Regime Aduaneiro Especial de Importação de embalagens referidas na alínea “b” do inciso II do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, instituído pelo art. 52 da Lei nº 11.196, de 22 de novembro de 2005, passa a ter efeitos para o importador a partir de sua publicação. Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Tendo exonerado crédito tributário no valor de R$ 5.481.554,16, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis recorre de ofício da decisão tomada. De sua parte, conforme despacho à folha 2.624, o contribuinte não efetuou o pagamento, nem o parcelamento, tampouco apresentou recurso voluntário contraditando a fração do crédito mantida. Foi apartada a parcela devida para inscrição em divida ativa da União. Conforme teor do Acórdão 20403.537, da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a Turma declinou competência para esta Terceira Seção de Julgamento. Por sorteio, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. A razão por que a i. Relator da decisão recorrida de ofício entendeu pela improcedência parcial da exigência expressa no Auto de Infração é facilmente compreendida da leitura das considerações contidas no Acórdão correspondente. Reproduzo excerto dele extraído. Como se vê da legislação supra transcrita, a partir de 29 de janeiro de 2004, as préformas enquadradas no EX 01 da NCM 3923.30.00, passaram a ser tributadas, para efeito de recolhimento das contribuições em trato, por meio de alíquotas específicas. Todavia referida tributação se referia unicamente a préformas de garrafas de plástico destinadas a água e refrigerante. Com a publicação da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, no DOU de 30/12/2004, que alterou o artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, a tributação nesses moldes passou a ser a mesma, independentemente da destinação das embalagens, in verbis: (...) Como relatado, a interessada promoveu importações de mercadorias denominadas “préformas” (PET), enquadradas no EX 01 da NCM 3923.30.00, recolhendo as contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes nas importações de mercadorias, aplicando as alíquotas ad valorem. Em procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização recalculou as contribuições para aplicação de alíquotas específicas, conforme previsão legal. As Declarações de Importação revisadas foram registradas no período de 17/05/2004 a 09/08/2006 e informam, em sua maioria, no campo “descrição detalhada da mercadoria” se tratarem de préformas utilizadas para embalar vinho, detergente, chá, suco, desinfetante, vinagre, cachaça, shampoo, querosene, com diferentes capacidades (v. fls. 699 a 2.341). Como visto anteriormente, no período de 29/01/2004 a 29/12/2004, a incidência das contribuições em análise ocorria com base nas alíquotas específicas previstas no artigo 51 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004, somente no caso de préformas de embalagens destinadas a água e refrigerante. Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.003134/200609 Acórdão n.º 3102001.864 S3C1T2 Fl. 4 5 Não constam dos autos elementos suficientes para se comprovar que a destinação das embalagens seria diferente daquela declarada nas Declarações de Importação. Ao contrário, as cópias das notas fiscais de folhas 421 a 656, registram na descrição das mercadorias que as embalagens seriam utilizadas para outros produtos que não água ou refrigerante. O fato de uma das clientes da autuada estar citada como uma das envolvidas no “maior esquema já constatado de fraudes no comércio exterior, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, evasão de divisas, cooptação de servidores públicos entre outros ilícitos ...”, assim como a Ordem Judicial que determinava a apreensão das mercadorias importadas em nome da autuada, não são fatos suficientes para se comprovar que a destinação das mercadorias seria diversa daquela declarada na importação. Dessa forma, as declarações do importador devem subsistir para os efeitos fiscais, como determina o art. 45 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988, devendo ser excluídos da autuação os lançamentos que tiveram por base as Declarações de Importação cujos fatos geradores ocorreram entre 17/05/2004 e 29/12/2004, exonerandose, por esse motivo, crédito tributário no valor de R$ 4.920.812,03. Em síntese, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu que não poderia ser exigido do importador a aplicação da alíquota específica nas operações praticadas no período entre 29/01/2004 a 29/12/2004, porque a Fiscalização Federal não apresentou provas de que as PréFormas – PET importadas estavam destinadas a finalidades diferentes das descritas nas Declarações de Importação e confirmada nas Notas Fiscais de venda no mercado interno. Nestas foram informadas outras aplicações, que não o envase de água ou refrigerante. Como, no período, apenas as mercadorias utilizadas para envasar água ou refrigerante estavam sujeitas à alíquota específica, a exigência foi considerada improcedente na fração correspondente às operações praticadas nesse lapso de tempo. Não se tratou exatamente de um lançamento baseada na interpretação das normas tributárias aplicáveis à espécie. A Fiscalização Aduaneira tinha observado que somente as PET destinadas ao envase de água e refrigerante estavam sujeitas à alíquota específica no período indicado. Apesar disso, entendeu que os elementos de convicção disponíveis permitiam desconsiderar determinadas informações contidas nos documentos obtidos, pelas razões esclarecidas na Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Antes da cobrança do Pis/Cofins importação e antes mesmo de tal previsão, isto é, antes da Edição da Medida Provisória n° 164, de 29 de janeiro de 2004, posteriormente convertida na Lei n° 10 . 865, de 30 de abril de 2004, mais especificamente, no ano de 2003, a empresa importadora, cujo produto estava desonerado de Pis e Cofins, nem sequer descrevia a finalidade das préformas (tubos) , ou seja, limitavase a descrever a mercadoria pelo peso individual (denominado, no caso, gramatura) e matéria constitutiva PET (cristal e verde) . Como exemplo destacamos a DI n° 03/10531483 (...) Após a edição da MP supracitada e antes da entrada em vigor da Lei n° 10.865/2004, que, como dito, foi o dia 1° de maio, acrescentou o importador à descrição a destinação da mercadoria: Garrafas para água e refrigerante, conforme exemplificado na DI a seguir: Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 (...) Depois do dia 1° de maio, a destinação da mercadoria passou a ser indicada pelo importador a outros produtos, tais como; desinfetantes, amaciantes, vinho, líquidos etc.., conforme parte de declarações a seguir, reproduzidas como exemplo: Como se observou, nas declarações registradas desde a entrada em vigor da lei n° 10.864, que ocorreu em maio de 2004, até dezembro de 2004, a interessada declarou que as embalagens seriam destinadas para acondicionar diversos produtos, exceto água, refrigerante e cerveja. Instada a comprovar a destinação das embalagens importadas, isto é, se foram efetivamente utilizadas para os fins informados nas declarações de informação daquele período, conforme intimações de fls. 392/394 397 399, limitouse a apresentar notas fiscais da revenda das mercadorias importadas para a pessoa jurídica comercial Lansaret Distribuidora, Importadora e Exportadora Ltda CNPJ n° 05.540.292/000179, segundo cópias às fls. 421/696. Conforme noticiado pela Assessoria de Imprensa da Secretaria da Receita Federal em 16 de agosto de 2006, "Operação Dilúvio Como funcionava o esquema de fraudes", a Operação Dilúvio tratou do "...desmantelamento do maior esquema já constatado de fraudes no comércio exterior, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, evasão de divisas, cooptação de servidores públicos, entre outros ilícitos, perpetrado por grupo empresarial estabelecido em São Paulo e com diversas ramificações, notadamente nos Estados do Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, entre outros, e nos Estados Unidos da América EUA". Ora, tendo em conta que a empresa "Lansaret" fazia parte do grupo, conforme apurado pelas investigações realizadas no escopo da Operação Dilúvio e consubstanciada mediante a Ordem Judicial divulgada através da Noticia SISCOMEX n° 73, de 16 de agosto de 2006, impõese a conclusão de que as pré formas de plástico (PET) não foram utilizadas para o fim descrito nas Declarações de Importação, ensejandose a cobrança do PIS Importação e da COFINS Importação por meio de alíquota específica. Ademais, como já mencionado o importador não comprovou a utilização das mercadorias importadas para o fim declarado. Acho que andou bem a decisão de piso em desconstituir a parcela do crédito tributário correspondente ao período indicado. A comprovação do fato ou direito, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa as responsabilidades com base nessa premissa. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, a relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado não se molda tão bem a essa máxima. Com efeito, no campo do direito tributário, o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar é sempre do administrado. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.003134/200609 Acórdão n.º 3102001.864 S3C1T2 Fl. 5 7 A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. No caso concreto, a Fiscalização Federal exerceu a plenitude da competência a ela outorgada, exigindo que a empresa apresentasse documentos que comprovassem a destinação das garrafas PET. De sua parte, a empresa, apesar de inúmeros pedidos de prorrogação de prazo, parece ter apresentado tudo de que dispunha. Não há nos autos qualquer evidência de que, intimada, tenha deixado de apresentar determinado documento pretendido pela Fiscalização ou uma parte das Notas Fiscais emitidas no período. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a empresa autuada limitouse a apresentar notas fiscais da revenda das mercadorias importadas para a pessoa jurídica comercial Lansaret Distribuidora, empresa que fazia parte do grupo desvendado na Operação Dilúvio, deixando, com isso, de fazer prova da utilização das mercadorias importadas para o fim declarado, impondose a conclusão de que as préformas de plástico (PET) não foram utilizadas para o fim descrito nas Declarações de Importação. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a constatação da ocorrência de uma infração dolosa em determinado momento se irradie para todas as demais operações conduzidas pela pessoa jurídica, presumindose a fraude para todas as negociações que venham a ser consumadas dali para frente, ou para todas as demais particularidades presentes em uma mesma operação. Não encontro razão objetiva para desconsiderar as informações específicas sobre a destinação das garrafas, que indicam, neste particular, em direção oposta à pretendida pela Fiscalização Federal. Não há um vínculo entre as práticas fraudulentas identificadas na Operação Narciso e o tipo de irregularidade apontado nas informações prestadas nas Declarações de Importação e Notas Fiscais de venda. A empresa foi punida pelo envolvimento no esquema fraudulento desvendado em outro momento. Aquelas ocorrências, salvo melhor juízo, não dão margem ao arbitramento oneroso de todas as informações presentes nos documentos emitidos pelo particular. Uma vez que não se tenha identificado na peça de acusação fiscal nada que sugira que a importação e a venda das garrafas PET tenham ocorrido para o envase de água ou refrigerante, não há como manter a exigência para o período compreendido entre 29/01/2004 a 29/12/2004, razão pela qual VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis. Sala de Sessões, 22 de maio de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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