Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.002524/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
Tributam-se como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO DA CPMF. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ARTIGO ART. 11, § 3º, DA LEI nº 9.311/96. SÚMULA CARF Nº 2. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 32.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPF. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTOS MENSAIS MERAMENTE ANTECIPATÓRIOS.
O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física é anual, através da declaração de ajuste e tem o mesmo como fato gerador estabelecido por lei em 31 de dezembro do ano respectivo.
Numero da decisão: 2401-006.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributam-se como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO DA CPMF. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ARTIGO ART. 11, § 3º, DA LEI nº 9.311/96. SÚMULA CARF Nº 2. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 32. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTOS MENSAIS MERAMENTE ANTECIPATÓRIOS. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física é anual, através da declaração de ajuste e tem o mesmo como fato gerador estabelecido por lei em 31 de dezembro do ano respectivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.002524/2010-43
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6003269
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.163
nome_arquivo_s : Decisao_19515002524201043.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002524201043_6003269.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7726241
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911092961280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002524/201043 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.163 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente EDOUARD TRAD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributamse como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO DA CPMF. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ARTIGO ART. 11, § 3º, DA LEI nº 9.311/96. SÚMULA CARF Nº 2. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 32. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” IRPF. APURAÇÃO ANUAL. PAGAMENTOS MENSAIS MERAMENTE ANTECIPATÓRIOS. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física é anual, através da declaração de ajuste e tem o mesmo como fato gerador estabelecido por lei em 31 de dezembro do ano respectivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 24 /2 01 0- 43 Fl. 670DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG (DRJ/BHE) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0263.963 (fls. 615/626): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTÊNCIA. Não se configura cerceamento de defesa quando nos autos se encontram a descrição dos fatos, enquadramento e todos os elementos que permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa, estando este configurado na impugnação apresentada e em suas manifestações por ocasião das intimações e as oportunidades em diligências. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 19515.002524/201043 Acórdão n.º 2401006.163 S2C4T1 Fl. 3 3 Iniciado o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, independentemente de autorização judicial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO/SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a tributação sobre acréscimo patrimonial a descoberto/sinais exteriores de riqueza quando não ficar comprovado que esses valores têm origem em recursos não tributáveis ou já tributados. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de inconstitucionalidade não podem ser apreciadas na esfera administrativa, por ser prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. A infração à legislação tributária sujeita o infrator à aplicação de multa de ofício sobre o imposto suplementar lançado, por expressa previsão legal. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 576/579), lavrado contra o Contribuinte em 10/08/2010, relativo ao exercício 2006, decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 422.554,45, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 316.915,83 e Juros de Mora, calculados até 07/2010, no valor de R$ 197.332,92, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 936.803,20. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 567/573): 1. O Termo de Inicio de Ação Fiscal, lavrado em 01/09/2009, foi encaminhado por via postal, com Aviso de Recebimento, para o endereço contido nos Sistemas Informatizados da Secretaria da Fl. 672DF CARF MF 4 Receita Federal do Brasil para ciência do contribuinte, que, conforme Aviso de Recebimento se deu em 08/09/2009, ao qual o contribuinte mantevese silente; 2. Em 13/10/2009 foi expedido Termo de Reintimação, o qual veio a ser atendido em 03/11/2009, quando o representante legal do contribuinte, compareceu à Repartição Fiscal e apresentou os seguintes documentos: procuração, cópias simples de documentação comprobatória de titularidade de bens imóveis, faturas de alguns meses de cartões de crédito de titularidade do contribuinte e extratos dos Bancos Unibanco e Bradesco ocasião em que solicitou ainda prorrogação de prazo para atendimento do Termo de Inicio de Ação Fiscal. Foram concedidos 30 (trinta) dias a título de prorrogação de prazo. 3. Em 08/12/2009 o representante legal do contribuinte compareceu à Repartição Fiscal e apresentou faturas de cartões de crédito de titularidade do contribuinte, e, na mesma ocasião solicitou prorrogação de prazo para atendimento do Termo de Inicio de Ação Fiscal, sendo que lhe foram concedidos 20 (vinte) dias a título de prorrogação de prazo, entretanto o mesmo não mais apresentou qualquer documentação, não atendendo a integralidade do lhe fora pedido; 4. Considerando as ocorrências descritas no Termo de Verificação Fiscal, compiladas com base na documentação disponível à fiscalização efetuouse a Análise da Variação Patrimonial e Financeira do contribuinte do anocalendário de 2005 5. Foi constatada a ocorrência omissão de rendimentos, com base na apuração de variação patrimonial/sinais exteriores de riqueza em conformidade com o disposto nos artigos 43, 44, 45, 96, 100, 112, 142 e 149 do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172/66; artigos 37, 38, 55, XI , e parágrafo único, 806, 807, 845, 846, 904 e 926 do RIR Decreto 3.000/99, artigos 10 a 3° da Lei 7.713/88, artigos 1° e 2° da Lei 8.134/90, artigo 6° e parágrafos da Lei 8.021/90, artigo 9° e parágrafo da Lei 8.846/94, artigo 1° da Lei 11.119/05. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 20/08/2010 (AR fl. 582) e, em 20/09/2010, apresentou sua Impugnação de fls. 589/598, instruída com os documentos de fls. 599 à 606. O Processo foi encaminhado à DRJ/BHE para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0263.963, em 10/02/2015 a 7ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BHE, via Correio (AR fl. 630), em 11/03/2015 e, inconformado com a decisão prolatada, em 07/04/2015, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 657/669, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. Para apuração das supostas infrações, o Auditor aduz que não restou comprovada a origem dos recursos utilizados em sua movimentação Fl. 673DF CARF MF Processo nº 19515.002524/201043 Acórdão n.º 2401006.163 S2C4T1 Fl. 4 5 financeira naquele exercício. Com base em tal movimentação, presumiu que os depósitos ali citados seriam rendimentos tributáveis, não declarados pela impugnante, bem como que as despesas com cartões de crédito seriam renda tributável; 2. Na cópia da declaração de imposto de renda, a evolução patrimonial foi decorrente de rendimentos tributados regularmente ou não tributáveis. Não houve acréscimo patrimonial que ultrapasse os valores dos rendimentos regularmente declarados; 3. A “planilha” elaborada pelo culto agente fazendário, onde supostas aplicações, depósitos e “dispêndios” são demonstrados mês a mês, não se aplica às pessoas físicas; 4. Não há dúvida de ser totalmente inconstitucional o disposto no §3º do artigo 11 da Lei 9.311/96, com a redação que foi dada pela Lei 10.174/2001; 5. Impossibilidade do lançamento com origem na Lei 10.174 de 2001, uma vez que não é permitida sua aplicação retroativa, pois em se tratando de nova forma de determinação de imposto de renda, há de ser observado o princípio da irretroatividade e anterioridade da lei tributária. Finaliza seu RV requerendo que seja declarado nulo ou improcedente o Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal (fl. 642) e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto Em razões recursais, o contribuinte se insurge contra a imputação de variação patrimonial a descoberto. Alega a insubsistência do lançamento por não estar configurado o fato gerador. A fiscalização constatou que o contribuinte apresentou Acréscimo Patrimonial a Descoberto incompatível aos seus rendimentos declarados e tributado no ano calendário de 2005, cujos resultados finais foram considerados como base de cálculo para lançamento e constituição do crédito tributário através da lavratura do Auto de Infração. Fl. 674DF CARF MF 6 Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não Fl. 675DF CARF MF Processo nº 19515.002524/201043 Acórdão n.º 2401006.163 S2C4T1 Fl. 5 7 for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Passamos assim à análise da documentação apresentada pelo Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário limitase a argumentar a inexistência de referido acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que todas as suas aplicações estão plenamente cobertas pelo rendimentos já declarados, baseandose o Fisco em meras presunções. Tratandose de acréscimo patrimonial a referida comprovação ocorre por meio da elaboração de planilhas (fluxos de caixa), que são alimentadas com todas as origens de recurso constatadas no curso da ação fiscal e de outro lado todas as disponibilidades e dispêndios verificados no referido período. A partir daí, constatandose que as aplicações superam as origens declaradas sucede a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No caso presente, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, submetido à ciência do contribuinte sem que por ele houvesse qualquer manifestação (fls. 565 e 566). Ocorre que, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao então Recorrente a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. Entretanto, através da análise da documentação apresentada pelo mesmo não há qualquer comprovação de sua alegação capaz de ilidir a presunção sobre a qual fundase a autuação fiscal. Fl. 676DF CARF MF 8 Isto se diz porque, por ocasião da elaboração do Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial supracitado o contribuinte mantevese silente, enquanto que por ocasião de sua impugnação limitouse a apresentar sua DIRPF e, em sede de Recurso Voluntário, nenhum documento foi apresentado. Desta feita, provada pelo fisco a aquisição de bens e aplicações de recursos, bem como não logrando êxito o Recorrente em fazer prova do contrário, de forma clara e consistente, há que ser mantida a autuação. Do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96 Argumenta ainda o Recorrente acerca da impossibilidade de utilização de dados provenientes da CPMF para procederse à constituição do presente crédito tributário. Isto porque em seu entendimento a alteração do dispositivo pela Lei nº 10.164 de 2001 deve ser compreendida como uma nova possibilidade de lançamento e, como tal, não pode ferir os princípios da irretroatividade e anterioridade da lei. Sem mais delongas, há de se registrar que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entende pela aplicação retroativa da nova redação do § 3º, artigo 11 da Lei nº 9.311. É o que se constata do teor da Súmula nº 35, in verbis: Súmula CARF nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Questiona ainda o Recorrente a constitucionalidade na alteração trazida pelo novo diploma legal. Entretanto, é sabido que o processo administrativo fiscal tem como função precípua apenas a verificação da regularidade/legalidade do lançamento à luz da legislação que lhe rege, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Tal mister é competência exclusiva do Poder Judiciário. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já dispôs sobre o assunto: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sobre o mesmo assunto foi editada a Súmula nº 02 do CARF, que dispõe o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Impossível, portanto, acolherse a pretensão esposada pelo Recorrente. Da apuração mensal do imposto Fl. 677DF CARF MF Processo nº 19515.002524/201043 Acórdão n.º 2401006.163 S2C4T1 Fl. 6 9 Por fim o Recorrente alega que não se aplicam à apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física os artigos 146 a 619 que compõem o LIVRO II do Regulamento do Imposto de Renda, posto que relativos às Pessoas Jurídicas. Sendo assim, a autoridade fiscal não poderia ter elaborado a planilha com demonstração de apuração mensal do imposto. Neste ponto afigurase relevante apontar que o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física é anual, através da declaração de ajuste e tem o mesmo como fato gerador estabelecido por lei em 31 de dezembro do ano respectivo. Desta feita, os pagamentos mensais do imposto são considerados meras antecipações do mesmo. Na mesma toada os demonstrativos de evolução patrimonial submetemse à mesma regra. São elaborados mensalmente, entretanto o aperfeiçoamento do imposto se dá em obediência ao regramento do ajuste anual. Sendo assim, improcedente o argumento de aplicação errônea da legislação como pretende o Recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 678DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.906194/2009-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11030.906194/2009-64
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5995299
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.046
nome_arquivo_s : Decisao_11030906194200964.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 11030906194200964_5995299.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7711334
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911102398464
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-23T20:08:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-23T20:08:32Z; Last-Modified: 2019-04-23T20:08:32Z; dcterms:modified: 2019-04-23T20:08:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-23T20:08:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-23T20:08:32Z; meta:save-date: 2019-04-23T20:08:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-23T20:08:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-23T20:08:32Z; created: 2019-04-23T20:08:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-04-23T20:08:32Z; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-23T20:08:32Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.906194/200964 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.046 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 10 de abril de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA DE CREDITO DE LIVRE ADMISSAO DE ASSOCIADOS DO NORTE DO RIO GRANDE DO SUL E OESTE DE SANTA CATARINA SI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0352.727, de 20 de junho de 2013, da 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 848635870, emitido em 07/10/2009, que não homologou a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .9 06 19 4/ 20 09 -6 4 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11030.906194/200964 Resolução nº 1003000.046 S1C0T3 Fl. 3 2 compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 41040.97783.300108.1.3.048350. Destacou, em suas alegações, que teria ocorrido equívoco na prestação de informações na DCTF, relativamente ao valor do débito declarado. Aduz que, após o recebimento do despacho, promoveu a retificação da DCTF para demonstrar que o valor correto do débito é R$ 44.684,35 e não R$ 69.535,30, equivocadamente informado na DCTF original. A DRJ/BSB julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) ter efetuado a apresentação do PER/DCOMP com base no crédito originado do pagamento a maior do DARF, código, 1599, com vencimento em 31/10/2007, no valor de R$ 69.535,30, quando o valor correto do débito a ser infrmado deveria ser R$ 44.684,35, fato que gerou um crédito no valor de R$ 24.850,95; (ii) que a não homologação se deu em razão de equívoco no preenchimento da DCTF, tendo promovido a retificação da mesma; (iii) que a DRJ negou a homologação por ausência de prova, porém afirma que a Ficha Razão da escritura contábil da Recorrente, acostada no recurso voluntário, está lançado o crédito a que faz jus, fato que demonstra a existência do crédito; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11030.906194/200964 Resolução nº 1003000.046 S1C0T3 Fl. 4 3 (iv) os procedimentos adotados pela recorrente obedecem a legislação sobre a matéria. Ainda, segundo art 9º da IN 974/2009, somente é vedada a retificação da DCTF quando tiver por objeto reduzir débitos já encaminhados à PGFN para inscrição em dívida ativa da União; Por fim, requereu a reforma do r. acórdão, para o fim de que seja deferido, em favor da Recorrente, a compensação pleiteada. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente declarou ter efetuado a apresentação do PER/DCOMP com base no crédito originado do pagamento a maior do DARF, código, 1599, com vencimento em 31/10/2007, no valor de R$ 69.535,30, declarando existir um crédito no valor de R$ 24.850,95. A DRJ, ao analisar a defesa da Recorrente, fundamentou que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do processo, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade declarando ter cometido erro no preenchimento da DCTF de setembro de 2007, e, após o despacho decisório, identificou o equívoco e promoveu a retificação da citada declaração. A DRJ, acertadamente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fundamentando a decisão na ausência de comprovação, através de documentos contábilfiscais da empresa, hábeis para demonstrar a existência do crédito. A Recorrente, em grau de recurso voluntário, acostou, no anexo VI (fl. 22 do Recurso Voluntário), Ficha Razão ao processo, a qual, segundo defende, é suficiente para comprovar a existência do pagamento a maior e, conseqüentemente, do crédito informado no PER/DCOMP. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11030.906194/200964 Resolução nº 1003000.046 S1C0T3 Fl. 5 4 Logo, havendo qualquer discrepância nas informações cantantes na PER/DCOMP com as demais declarações fornecidas pelo contribuinte, é acertado o Despacho Decisório e demais decisões que não reconhecem o crédito. Contudo, a decisão da DRJ baseouse primordialmente na ausência de comprovação do erro cometido por parte do contribuinte e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novo documento fiscal da empresa para comprovar suas alegações. A autoridade julgadora deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. A Recorrente acostou no Recurso voluntário cópia do Livro Razão (Ficha), para complementar as demais provas já acostadas na manifestação de inconformidade. A prova fornecida pela Recorrente nesta oportunidade é nova no processo e não foi analisada e discutida pela DRF e pela DRJ. Em que pese ter a Recorrente juntado o documento apenas em grau de recurso, verificase que a não comprovação do erro de fato foi ventilada apenas no acórdão recorrido, tendo aquela, desde o primeiro momento nos autos, apresentando defesas e documentos para buscar comprovar o que alega em suas peças. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração do erro de fato apontado, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. Outrossim, a cópia do novo documento colacionado no processo não está legível, em razão de digitalização ruim. Sendo assim, caso entenda necessário, a DFR deve intimar o contribuinte para apresentar o documento para verificação e análise. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito, a título de pagamento a maior, que seja realizada a compensação possível em relação à DCOMP nºs 41040.97783.300108.1.3.048350. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre os resultados alcançados. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004717/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 01/09/2005
IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
O art. 150, VI, alínea "c", da Constituição Federal aplica-se aos impostos e não confere imunidade quanto às contribuições sociais previdenciárias.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCAPACIDADE LABORATIVA, DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT).
O estabelecimento do grau de risco a partir da atividade preponderante tem fundamento legal no artigo 22, inciso II, da lei n.° 8.212/91 e no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL CONHECIDA.
O Plenário do STF no julgamento do RE 635682 / RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA.
São devidas as contribuições sociais destinadas ao Incra a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-005.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão do depósito recursal e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO.
João Maurício Vital - Presidente.
Reginaldo Paixão Emos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 01/09/2005 IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. O art. 150, VI, alínea "c", da Constituição Federal aplica-se aos impostos e não confere imunidade quanto às contribuições sociais previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCAPACIDADE LABORATIVA, DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT). O estabelecimento do grau de risco a partir da atividade preponderante tem fundamento legal no artigo 22, inciso II, da lei n.° 8.212/91 e no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL CONHECIDA. O Plenário do STF no julgamento do RE 635682 / RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. São devidas as contribuições sociais destinadas ao Incra a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.004717/2007-30
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6003279
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.983
nome_arquivo_s : Decisao_10283004717200730.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : REGINALDO PAIXAO EMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10283004717200730_6003279.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão do depósito recursal e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO. João Maurício Vital - Presidente. Reginaldo Paixão Emos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7726251
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911105544192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 496 1 495 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.004717/200730 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.983 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2019 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente FUNDAÇÃO CENTRO DE ANÁLISE PESQUISA E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 01/09/2005 IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. O art. 150, VI, alínea "c", da Constituição Federal aplicase aos impostos e não confere imunidade quanto às contribuições sociais previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCAPACIDADE LABORATIVA, DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT). O estabelecimento do grau de risco a partir da atividade preponderante tem fundamento legal no artigo 22, inciso II, da lei n.° 8.212/91 e no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL CONHECIDA. O Plenário do STF no julgamento do RE 635682 / RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. São devidas as contribuições sociais destinadas ao Incra a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 47 17 /2 00 7- 30 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 497 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão do depósito recursal e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO. João Maurício Vital Presidente. Reginaldo Paixão Emos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela Fundação Centro de Análise Pesquisa e Inovação Tecnológica FUCAPI em face do Acórdão nº 019.822 (efls. 412 a 441), proferido pela 4ª Turma da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que julgou procedente o lançamento. O lançamento referese à NFLD Notificação Fiscal de lançamento de Débito nº 35.898.1930, relativo a contribuições previdenciárias da parte de segurados, empresa, Sat/Rat e Terceiros, incidente sobre a folha de pagamento de salários de empregados do sujeito passivo. No Relatório Fiscal de efls. 112 a 113, a fiscalização informa que os levantamentos consideraram os valores como SaláriodeContribuição referentes à folha de salários dos funcionários e que os valores devidos foram apurados aplicandose as alíquotas devidas nas bases de cálculo, tendo sido abatidos os valores recolhidos pela empresa, conforme relatórios anexos à presente NFLD. Na impugnação (efls. 122 a 143) foi alegado, em síntese, o seguinte (trecho extraído do relatório do Acórdão recorrido): Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 498 3 "2.1. A FUCAPI é uma instituição de educação, sem fins lucrativos, e, assim sendo, possui imunidade quanto às contribuições sociais, pois se enquadra na disposição contida no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, tendo o Ministério Público aprovado todos os seus atos constitutivos e alterações. Tal dispositivo trata de imunidade para impostos, mas deve ser interpretado de forma abrangente, incluindo todos os tributos. Cita a doutrina de Hugo de Brito Machado, alinhada com este entendimento; 2.2. No que respeita à contribuição social para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, teve o seu direito de defesa cerceado, pois, ao proceder o lançamento de seu suposto crédito tributário, o Fisco Previdenciário limitouse a informar tão somente o percentual aplicado, isto é, 2%, não apontando, portanto, os parâmetros que o levaram a concluir que a atividade preponderante da fundação seria de risco de acidente de grau médio. As atividades desenvolvidas na FUCAPI praticamente não importam em risco aos seus empregados, devendo, portanto, ser aplicada a alíquota de 1%, que corresponde ao grau leve de risco acidentário, já que não prevê hipótese de isenção; 2.3. A cobrança da contribuição destinada ao INCRA é ilegal; 2.4. Só há incidência de contribuição social destinada ao SEBRAE para as micro e pequenas empresas, o que não é o caso da FUCAPI, sendo, portanto, ilegal a cobrança deste tributo;" O Acórdão da DRJ, nº 019.822 (efls. 412 a 441) considerou o lançamento procedente e teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/2005 ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: IMUNIDADE. ALÍQUOTA RAT. INCRA. SEBRAE. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7º, da CF); Sobre a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), o RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, classificou, em seu anexo V, os graus de risco (leve, médio e grave) de acidente de trabalho por atividade empresarial, vinculando a cada código CNAE uma alíquota específica (1%, 2% ou 3%). Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 499 4 A contribuição destinada ao INCRA permanece plenamente exigível, na medida em que: (a) a Lei 7.787/89 apenas suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Lei 8.213/91, com a unificação dos regimes de previdência, tãosomente extinguiu a Previdência Rural; (c) a contribuição para o INCRA não foi extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91; (d) independe do tipo de atividade, se urbana ou rural. A contribuição ao SEBRAE é devida independentemente do porte da empresa ser micro, pequeno, médio ou grande. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 445 a 460), reproduzindo os argumentos da impugnação e acrescentando argumentação contrária aos juros cobrados, advogando que estes são ilegais em razão da realidade econômica e financeira do país, sem inflação galopante e juros altíssimos. É o relatório Voto Conselheiro Reginaldo Paixão Emos O recurso é tempestivo e nele estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Conheço do recurso, exceto quanto às alegações de inexigibilidade do depósito recursal, da ilegalidade dos juros e da inconstitucionalidade da multa. Da Inexigibilidade do Depósito Recursal Não conheço das alegações pertinentes à inexigibilidade do depósito recursal para garantia de instância, uma vez que a Súmula 21 do STF declarou sua inconstitucionalidade, sendo já observada administrativamente. Das ADIs 2028, 2036, 2621 e 2228 e sua repercussão neste caso Inicialmente, cumpre registrar meu entendimento de que a matéria tratada nestes autos não guarda relação com as ADIs 2028, 2036, 2621 e 2228. O objeto da contestação administrativa, tanto na impugnação quanto no recurso, é pleitear a imunidade com base no art. 150, VI, alínea "c", da Constituição. Esse foi o pedido. Mas, a imunidade das contribuições previdenciárias não está prevista no art. 150, VI, da Carta Magna, mas sim no Art. 195, §7º. Transcrevese abaixo o texto constitucional: CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 500 5 (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Art. 195 (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (GRIFEI) Nas ADIs 2028, 2036, 2621 e 2228, hospitais, entidades da área da saúde e educação questionaram exigências previstas por leis ordinárias artigo 55 da Lei 8.212/1991 e suas alterações e na Lei 9.732/1998, que tinham por finalidade impor condições mais severas para que tais entidades usufruíssem da imunidade das contribuições sociais. Essas exigências legais tem amparo no art. 195, §7º da Constituição Federal. As ações não trataram do Art. 150, VI, alínea "c", invocado pela recorrente. Portanto, mesmo quando publicada a decisão do STF nas ADIs citadas, que considerou inconstitucionais as exigências das citadas leis, isso não afetará o presente processo, uma vez que aqui não foram tratadas das exigências do Art. 55 da lei 8.212/91. Na impugnação e no recurso, a empresa afirma que é uma entidade sem fins lucrativos, mas não afirma em nenhum momento que é uma entidade de assistência social. Às efls. 123 ela destaca em negrito sua finalidade: fins culturais. Em seguida, diz: "temse que a entidade requerente foi instituída com base em objetivos culturais e continua com este mesmo desiderato." (grifei) Mais adiante, às efls. 128 pontua: "Com efeito, temse que a finalidade da FUCAPI é desenvolver atividades de análise, pesquisa e inovação tecnológica, o que, sem sombra de dúvida, está acobertado pelo conceito de entidade educacional aqui traçado." Portanto, estamos diante de uma entidade sem fins lucrativos e com fins culturais. E não diante de uma entidade educacional que pratica assistência social por meio de bolsas, por exemplo. A imunidade do Art. 195, §7º beneficia entidades com fins de assistência social e não com fins culturais. A empresa não pleiteou imunidade com base no art. 195, §7º. Nem a empresa, nem o fiscal trataram das exigências legais para fruição dessa imunidade específica. Por tais motivos, entendo que a publicação da decisão das citadas ADIs não afetará a conclusão deste caso. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 501 6 Do Mérito Da Imunidade e da Contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incapacidade Laborativa, Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (SAT/RAT) Considerando que os questionamentos do recurso são os mesmos da impugnação, exceto com relação aos juros, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão de 1ª instância, acerca da imunidade tributária e da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho: Da imunidade quanto às contribuições sociais para a Seguridade Social 13. Pela leitura da defesa interposta pela interessada, percebo que o cerne da questão está na interpretação dos dispositivos constitucionais, no que tange à FUCAPI ter imunidade ou não, no que se refere às contribuições sociais para a Seguridade Social. 14. O entendimento deste julgador se alinha ao dos principais Tribunais do país, quais sejam, STF Supremo Tribunal Federal, STJ Superior Tribunal de Justiça e TR.F Tribunal Regional Federal 2” Região, diferindo substancialmente daquele defendido pela suplicante. Objetivamente falando, o art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal é claro quando dispõe que a imunidade ali tratada referese a impostos, repito, impostos, o que não deixa dúvidas quanto à sua imprestabilidade para as contribuições sociais, posto que estas não são imposto contribuição social e' espécie de tributo, dos quais os impostos e as contribuições sociais são gênero. 15. Não pode haver dúvidas quanto a correição deste entendimento, especialmente diante do disposto no artigo 195 da Constituição Federal, que demonstra a intenção clara do legislador constituinte de tratar a imunidade para contribuições sociais de forma específica, apartada, portanto, dos impostos. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados. do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (grifei) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei) Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 502 7 16. Portanto, para a imunidade em discussão, o que é imperativo é que a entidade seja beneficente e de assistência social e que atenda às exigências estabelecidas em lei, conforme disposto na Constituição Federal, art. 195, § 7°, acima transcrito. Assim, ainda que se admitisse ser a interessada uma instituição de educação sem fins lucrativos, de tal fato, por si só, nada se aproveitaria, no que tange à imunidade em questão. 17. Ressaltese que, para ter direito à referida imunidade, também não basta ser entidade beneficente de assistência social, sendolhe exigido também que atenda às exigências estabelecidas em lei. A lei aqui referida é a 8.212/91, art. 55. O Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, não deixa dúvidas quanto a isto: SENADO FEDERAL SM/N° 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro Com referência ao oficio n" 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o § 7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. (grifei) Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991 Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. PUBLICAÇÃO CONSOLIDADA DA LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991, DETERMINADA PELO ART. 12 DA LEI N° 9.528, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1997. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (grifei) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 503 8 II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 ) e (Vide Adin 20285, de 20.11.98) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 504 9 benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98). § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98). § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01). Art. 104. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 105. Revogamse as disposições em contrário. 18. Cumpre enfatizar o rigor da legislação em comento, no sentido de se exigir, da entidade que pretenda fazer jus a tal imunidade, uma série de requisitos e condições CUMULATIVAS. O cuidado do legislador infraconstitucional na concessão de tal beneficio revelase de forma ainda mais evidente quando da inclusão das possibilidades de perda da “isenção” a entidade beneficiada poderá perder o direito a tal “isenção” se vier a descumprir determinadas exigências, ou seja, também não há que se falar em direito adquirido. 19. Em sede do STJ Superior Tribunal de Justiça, o Mandado de Segurança (MS) n° 10.786/DF foi impetrado contra ato do Ministro de Estado da Previdência Social, que indeferiu pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), sob a justificativa de que a entidade não teria comprovado a aplicação do percentual de 20% de sua receita bruta anual em gratuidade, na forma exigida pelos Decretos n° 752/93 e 2.536/98. 20. No MS, a impetrante sustentava a inconstitucionalidade e ilegalidade do ato impugnado, alegando possuir direito adquirido ao nãorecolhimento das contribuições a cargo da empresa destinadas ao financiamento da Seguridade Social, por já estar em gozo da isenção quando foram editados o Decreto Lei n° 1.572/77 e a Lei n. 8.212/91. (grifei) 21. O relator do processo, entretanto, denegou a ordem, considerando que inexiste direito adquirido ao beneficio fiscal mencionado, e que o exame da subsunção da entidade Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 505 10 impetrante aos requisitos previstos nos Decretos n° 752/93 e 2.536/98 exigiria dilação probatória, procedimento incompatível com a via eleita (mandado de segurança). 22. Em sua decisão, o relator mencionou a posição atual do STJ acerca da controvérsia. consubstanciada no julgamento do MS n° 11.394/DF. no qual o Colegiado. acolhendo a premissa de que "a declaração de intributabilidade pertinente a relações jurídicas que se sucedem no tempo não ostenta o caráter de imutabilidade e de normatividade de forma a abranger eventos futuros". entendeu por validar as exigências legais condicionantes da renovação do benefício constitucional, conforme estabelecido no art. 18, IV, da Lei n. 8.742/93. c/c o art. 3º do Decreto n. 2.536/98. (grifei) 23. O Ministro relator registrou, ainda, a decisão proferida em sede do MS n° 10.808/DF, cuja ementa destaca que o STF já se posicionou no sentido de que a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91 não ofende os arts 146, II e 195, 7° da CF/88 (AgRg no RE 428.815/AM). (grifei) 24. Assim, entendo que a recorrente, FUCAPI, pleiteia indevidamente o direito a tal imunidade, pois sequer de longe se enquadra nas exigências legais, uma vez que não é entidade beneficente, nem muito menos de assistência social, além de remunerar seus diretores (art. 27° do seu Estatuto, fl. 287), sendo estes os impedimentos mais gritantes, observados por ocasião da análise dos documentos acostados aos presentes autos. 25. Nesta esteira, transcrevo o entendimento do TRF 2º Região, Apelação Cível 1995.51.01.0121730: EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ENTIDADE DE ENSINO IMUNIDADE DO ART 195, § 7° DA CR/88. A eficácia do art. Iº da Lei nº 9732/98 na parte que alterou o art. 55, inc. II1 da Lei n° 8212/91 e acrescentou os §§ 3°, 4° e 5°; bem como os seus arts. 4º; 5º e 7° foi suspensa na ADI 2028 MC/DF. Contudo, tal situação não se aplica à Apelada. A imunidade prevista no art. 195, § 7º da CR/88 destinase apenas às entidades beneficentes de assistência social. A autora pretende declaração de que se encontra imune de contribuição para a seguridade social, sendo ela uma entidade de ensino, gozando, tãosomente, da imunidade referente a impostos a teor do art. 150, VI, "c" (grifei) A autora não é uma entidade beneficente de assistência social. (grifei) RELATOR: DES. FED. TANIA HEINE Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 506 11 26. Diante dos fatos acima apresentados, o que fica patente é que a suplicante equivocouse na interpretação do dispositivo constitucional ao qual se baseia para sustentar estar acobertada pela imunidade no que se refere às contribuições sociais para a Seguridade Social. O que os documentos constantes dos presentes autos demonstram é que a entidade em questão não está nem nunca esteve amparada pela referida imunidade. De forma a não restar dúvidas quanto a isso, seguem abaixo as transcrições de alguns dos demais dispositivos constitucionais, legais e normativos que tratam do assunto. (transcreve o art. 203 da Constituição Federal, os art. 1º, 2º e 3º da leiu 8742/93, a Portaria MPAS nº 3.015/1996 e o Decreto 2536/1998.) Da Contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incapacidade Laborativa, Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (SAT/RAT) 42. Sobre a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), temse que está expressamente prevista na legislação previdenciária. a qual determina que o enquadramento seja realizado com base na atividade preponderante da empresa, conforme o artigo 22, inciso II da Lei n.° 8.212/91, transcrito a seguir: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada ã Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 5 7 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n“ 9. 732, de 11.12.98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 507 12 43. Para o período considerado no lançamento, o enquadramento no correspondente grau de risco é feito pela atividade econômica da empresa em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades EconômicasCNAE. No caso de ser exercida na empresa mais de uma atividade econômica, o enquadramento se dará na atividade econômica preponderante, assim considerada a que ocupa na empresa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, conforme previsto no Regulamento da Previdência, abaixo transcrito: Decreto 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditado a qualquer título. no decorrer do mês. ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou ´ III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (grífeí) §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 508 13 §5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. (grifei) §6° Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. (g. n.) 44. O Decreto 3.048/99 classificou expressamente, em seu anexo V, os graus de risco (leve, médio e grave) de acidente de trabalho por atividade empresarial, quando vinculou a cada código CNAE uma alíquota específica (1%, 2% ou 3%). 45. A interessada foi devidamente informada do seu reenquadramento, efetuado pela autoridade fiscal, no que se refere ao código CNAE, por ocasião da ciência do Relatório Fiscal Complementar de fls. 372/373, descabendo, portanto, a alegação de cerceamento de defesa. 46. Em assim sendo, de acordo com o CNAE da empresa (7290 7) e na forma prevista no anexo V, do Decreto 3.048/99, à época da ocorrência dos fatos geradores, sendo o risco de acidente de trabalho na atividade preponderante da reclamante considerado médio, a correspondente alíquota a ser aplicada é de 2%, conforme determina a legislação. Procedeu corretamente o Fisco, portanto, ao aplicar a alíquota de 2% para calcular a referida contribuição. 47. Ademais, cumpre ressaltar que, quanto à legalidade, a jurisprudência do STJ já se pronunciou a respeito: ADMINISTRATIVO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) LEGISLAÇÃO PERTINENTE. 1. Questão decidida em nível infraconstitucional art, 22, II da Lei 8.212/91 e art. 97, IV do CTN. 2. Atividades perigosas desenvolvidas pelas empresas, escalonadas em graus pelos Decretos 356/91, 612/92, 2.173/91 e 3.048/99. 3. Plena legalidade de estabelecerse, por decreto, o grau de risco (leve, médio ou grave), partindose da atividade preponderante da empresa. (grifei) 4. Questão fática e circunstancial pela universalidade das atividades empresariais e que, desde 1979, esteve sob a competência do Executivo (Decretos 83.081/79 e 90.817/85). (Origem: STJ SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Classe: RESP RECURSO ESPECIAL 464749 Processo: 200201186820 UF: SC Órgão Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 509 14 Julgador: PRIMEIRA TURMA Data da decisão: 05/08/2003 Documento: STJ00049915 7 Fonte DJ DATA:25/08/2003 PÁGINA:264 Re1ator(a) HUMBERTO GOMES DE BARROS)(g. n.) Da Contribuição para o INCRA Argumenta a recorrente que a contribuição para o INCRA é ilegal por que foi extinta por diplomas legais anteriores (lei 7.787/89 ou lei 8.212/91). Sobre tal controvérsia, transcrevo o voto do Conselheiro João Bellini Júnior no acórdão 2301005.609, desta Turma, que muito bem tratou da matéria. Por essa razão, adoto esse entendimento: É alegado que a cobrança das contribuições para o Incra sustentado a sua extinção pela Lei n° 7.787, de 1989, a falta de sua previsão nas Leis 8.212, de 1991 e 8.213, de 1991, bem como a impossibilidade de sua caracterização como contribuição de intervenção no domínio econômico (Cide); se caracterizada como Cide, seria inconstitucional; a base de cálculo eleita para a contribuição ao Incra deixou de haver matriz constitucional com o advento do EC n° 33, de 2001. O STF está julgando a matéria no RE 630.898/RS, com repercussão geral conhecida. A contribuição destinada ao Incra tem sua base legal expressa no auto de infração (efl. 46): “Lei n. 2.613, de 23.09.55, art. 6., parágrafo 4., (com as alterações da Lei n. 4.863, de 29.11.65, art. 35, parágrafo 2., VIII); Decretolei n. 1.146, de 31.12.70, art. 1., I, item 2, artigos 3. e 4.; Lei complementar n. 11, de 25.05.71, art. 15, II; Decretolei n. 2.318, de 30.12.86, art. 3.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I”. Na existência de previsão na legislação para o lançamento de créditos tributários, como no caso concreto, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Não é possível a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por inconstitucionalidade da lei ou por não recepção da legislação pela EC 33, de 2001. Nesse sentido, esta 1ª Turma, no julgamento do Acórdão 2301 005.129, em 13/09/2017, entendeu, por unanimidade, que a pertinência da legalidade e constitucionalidade das contribuições para o Incra e ao FNDE (salárioeducação) é matéria afeta ao controle repressivo de constitucionalidade, o qual não pode ser exercido por este Carf. Transcrevo os trechos pertinentes, assumindoos como razões de decidir: O acórdão da DRJ não enfrentou o mérito da questão, por força do disposto no art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972 e por falta de decisão judicial específica que socorresse o contribuinte. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 510 15 Caso esta Turma chegue a uma conclusão diferente – ou seja, que a matéria deve ser apreciada –, o remédio a ser aplicado, a meu juízo, seria o retorno dos autos à autoridade ad quem para o enfrentamento da questão. Porém, penso que agiu corretamente a autoridade recorrida. O fim almejado com o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, ou com a Súmula 02 do CARF, é evitar que as instâncias julgadoras administrativas usurpem a competência do Poder Judiciário, afastando a aplicação de normas tributárias frente a seu conflito com a Constituição Federal. Ora, o próprio STF já firmou sua competência e reconheceu a repercussão geral para a análise das contribuições destinadas ao: (a) Incra, em face da EC 33/2001: tema 495 – Referibilidade e natureza jurídica da contribuição para o INCRA, em face da Emenda Constitucional nº 33/2001; leading case RE 630.898; (...) (c) salárioeducação, em face das Constituições de 1969 e 1988: tema 518 – Compatibilidade da contribuição destinada ao custeio da educação básica com as Constituições de 1969 e de 1988; leading case RE 660933; neste caso, firmou a seguinte tese: “Nos termos da Súmula 732 do STF, é constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação”. (...) Nesse sentido, saber se determinada norma foi ou não recepcionada pela Constituição Federal (incluindo, por óbvio, suas emendas constitucionais), é tema precípuo e recorrente a ser dirimido pelo STF. Cito como exemplo: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO SENAI. ARTIGOS 4º E 6º DO DECRETOLEI 4.048/1942. VALIDADE E RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 (ARTIGO 240). ARTIGO 149, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. HIGIDEZ DAS NOTIFICAÇÕES DE DÉBITO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE EXTRAORDINÁRIA. SÚMULA 279 DO STF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA SEM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 660. ARE 748.371. REITERADA REJEIÇÃO DOS Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 511 16 ARGUMENTOS EXPENDIDOS PELA PARTE AGRAVANTE. MANIFESTO INTUITO PROTELATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC/2015. AGRAVO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (ARE 1035080 AgR / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 26/05/2017; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EMBARGOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL. CARÁTER TRIBUTÁRIO. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. BITRIBUTAÇÃO. A SEGUNDA PARTE DO INCISO I DO ARTIGO 154 DA CONSTITUIÇÃO NÃO SE APLICA ÀS CONTRIBUIÇÕES. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA ENTIDADE SINDICAL. INEXISTÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (RE 947732 ED / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 29/03/2016; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FIXAÇÃO DE ALÍQUOTAS NÃO FOI RECEPCIONADA. ALCANCE DOS PRECEDENTES. É compatível com os precedentes desta Corte a decisão que reconhece a recepção das exações pela Constituição de 1988, mas estabelece que após a referida promulgação a alíquota não pode ser modificada por entidade desprovida de mandato legislativo, de modo que o tributo deve ser calculado de acordo com a alíquota válida no momento da promulgação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 597098 AgR / DF; Relator): Min. Joaquim Barbosa; Julgamento: 04/10/2011; Órgão Julgador: Segunda Turma) (Grifouse.) Assim, não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso (cobrança das contribuições para o Sesi, Senai, Incra, Sebrae e salárioeducação, face a EC 33/2001) a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para delas se manifestar. Decreto nº 70.235, de 1972 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 512 17 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sublinho que o RE 630.898/RS ainda não teve o mérito julgado pelo STF e que o salárioeducação, teve sua constitucionalidade reconhecida no tema de repercussão geral nº 518, tendo sido firmada a seguinte tese: “Nos termos da Súmula 732 do STF, é constitucional a cobrança da contribuição do salário educação”. Da Contribuição para o SEBRAE Argumenta também a recorrente que a contribuição para o SEBRAE não pode ser cobrada pela sua condição de entidade sem fim lucrativo, distinta do conceito de empresa. Como já abordado anteriormente, a simples condição de entidade de educação sem fim lucrativo não confere à recorrente nenhuma isenção ou imunidade, por falta de previsão legal. Quanto à contribuição para o SEBRAE, esta tem fundamento legal que se encontra plenamente válido e vigente perante nosso ordenamento jurídico. Sobre esse aspecto, transcrevo abaixo voto do Conselheiro João Bellini Júnior no acórdão nº 2301005.658, cujas razões de decidir adoto como minhas: É alegado serem indevidas as contribuições para o Incra, Sebrae e salárioeducação. Não lhe assiste razão. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) foi criado pela Lei 8.029, de 1990, a qual desligou o antigo CEBRAE da Administração Pública e transformouo em serviço autônomo, sem qualquer vinculação com os outros já existentes. Possui personalidade jurídica de direito privado, distinta das demais e tem como finalidade "planejar, coordenar e orientar programas técnicos, projetos e atividades de apoio às micro e pequenas empresas" (art. 9º da Lei nº 8.154/90); objetiva ministrar assistência à categoria produtiva específica, com características econômicofinanceiras peculiares; tem administração e patrimônio genuíno, diverso das demais entidades, pelo que necessita, para sua manutenção, de dotação orçamentária ou contribuição parafiscal, instituída pelo artigo 8º, da Lei nº 8029/90, nos seguintes termos: "Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Cebrae), Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 513 18 mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) § 3° As contribuições relativas às entidades de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até três décimos por cento, com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. (Grifouse.) § 4° O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao Cebrae." DecretoLei n° 2.318, de 1986 Art 1º Mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), para o Serviço Social da Indústria (SESI) e para o Serviço Social do Comércio (SESC), ficam revogados: (...) Em 25/04/2013, o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE 635682 / RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), pelo qual entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. Da Ilegalidade da taxa Selic Foi alegado pela recorrente que os juros cobrados são ilegais em razão da realidade econômica e financeira do país, que não mais tem inflação galopante e juros altissimos. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10283.004717/200730 Acórdão n.º 2301005.983 S2C3T1 Fl. 514 19 Não lhe assiste razão. A possibilidade da utilização, a partir de 1º de abril de 1995, da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é tema da Súmula 04 deste CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão do depósito recursal e, no mérito, por negar provimento ao Recurso. É como voto. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13573.000011/2009-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
PRELIMINAR. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Inexiste nulidade do auto de infração quando a hipótese arguida não se amolda àquelas previstas no Decreto 70.235/72.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF.
O atraso na entrega da Dimof pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO. DO VALOR. DA MULTA ISOLADA. ENTREGA DIMOF.
O valor da multa de ofício isolada não pode ser reduzido no cumprimento da referida obrigação acessória. Isso porque, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766/2012, não alcança Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) por ser regulada por legislação específica, que permaneceu incólume.
Numero da decisão: 1003-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo, destarte, o crédito tributário integralmente.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Inexiste nulidade do auto de infração quando a hipótese arguida não se amolda àquelas previstas no Decreto 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF. O atraso na entrega da Dimof pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO. DO VALOR. DA MULTA ISOLADA. ENTREGA DIMOF. O valor da multa de ofício isolada não pode ser reduzido no cumprimento da referida obrigação acessória. Isso porque, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766/2012, não alcança Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) por ser regulada por legislação específica, que permaneceu incólume.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13573.000011/2009-93
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013455
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.705
nome_arquivo_s : Decisao_13573000011200993.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 13573000011200993_6013455.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo, destarte, o crédito tributário integralmente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7760377
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911111835648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13573.000011/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.705 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 9 de maio de 2019 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA Recorrente COOPEC COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE POÇO VERDE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Inexiste nulidade do auto de infração quando a hipótese arguida não se amolda àquelas previstas no Decreto 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIMOF. O atraso na entrega da Dimof pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO. DO VALOR. DA MULTA ISOLADA. ENTREGA DIMOF. O valor da multa de ofício isolada não pode ser reduzido no cumprimento da referida obrigação acessória. Isso porque, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766/2012, não alcança Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) por ser regulada por legislação específica, que permaneceu incólume. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo, destarte, o crédito tributário integralmente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva –Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 57 3. 00 00 11 /2 00 9- 93 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13573.000011/200993 Acórdão n.º 1003000.705 S1C0T3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça –Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/SDR, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da peça impugnatória, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SDR: Ao apreciar a referida impugnação, a DRJ/SDR entendeu por bem julgála improcedente e manter o crédito tributário lançado, cuja ementa da decisão segue transcrita: Inconformada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, repetindo os mesmos argumentos delineados na Manifestação de Inconformidade, que, em síntese, foram: a) em sede de preliminar, alega que tentou de todas as formas enviar a DIMOF no prazo legal, mas não foi possível devido a problemas no sistema e, por isso, o auto de infração deve ser anulado; b) no mérito, argumenta que "não pode sofrer a referida penalidade, pois não deu causa a mesma, não podendo ser prejudicado devido à impossibilidade técnica ocorrida no sítio da Receita Federa", e por fim, Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13573.000011/200993 Acórdão n.º 1003000.705 S1C0T3 Fl. 4 3 c) requer a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. PRELIMINARMENTE Em suas razões recursais, a Recorrente, traz a alegação de preliminar que se confunde com o mérito da questão por referirse ao próprio objeto da autuação, qual seja, sua justificativa para o atraso na entrega da DIMOF visando a exclusão da penalidade aplicada. Entendo, destarte, que não se trata de matéria preliminar, mas sim, do próprio mérito No entanto, ainda que se considerasse tal questão como preliminar, a Recorrente alega que o auto de infração em questão seria nulo em razão de suposta dificuldade na transmissão da declaração em voga. Todavia, tal pleito não pode prosperar, posto que o caso analisado não se enquadra em nenhuma hipóteses, previstas como possíveis de configuração de nulidade, insertas no Decreto 70.235/72, aplicável, in casu, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Ante o exposto, não falar em nulidade do auto de infração, pelo que REJEITO a preliminar arguida. NO MÉRITO A Recorrente discorda do procedimento de ofício. Contudo, razão não lhe assiste, de acordo com a fundamentação a seguir exposta. O lançamento questionado fundamentase na aplicação da multa de ofício isolada por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira Dimof relativa ao primeiro semestre do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 15.12.2008. Inicialmente, cabe destacar que, no tocante à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de dever instrumental, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13573.000011/200993 Acórdão n.º 1003000.705 S1C0T3 Fl. 5 4 Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Assim, no exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). Feitos tais esclarecimentos, temse que, regulando a matéria ora discutida, há a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que assim ordena: (...) 6.2.1. O novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, aplicase para qualquer declaração, demonstrativo ou escrituração digital, enquanto a Lei nº 10.426, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a Lei nº 10.637, de 2002, aplicase para a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) e a Declaração de Operações com Cartão de Crédito (Decred), a Lei nº 8.212, de 1991, aplicase para a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a Lei nº 9.393, de 1996, aplicase para a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), a Lei nº 11.371, de 2004, aplicase para a Declaração sobre a Utilização dos Recursos em Moeda Estrangeira Decorrentes do Recebimento de exportações (Derex) e a Lei nº 11.033, de 2004, aplicase para a Declaração de Transferência de Titularidade de Ações (DTTA). 6.2.2. Há uma antinomia entre as normas. O art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, sanciona as condutas pela não entrega, em sentido lato, de declarações digitais. As normas acima mencionadas tratam do descumprimento das obrigações específicas contidas na própria lei. Ocorre uma antinomia entre uma norma geral e outra específica, devendo, nesses casos, prevalecer a última, conforme ensinamento de Norberto Bobbio: O terceiro critério, chamado precisamente de lex specialis, é aquele com base em que, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda; lex specialis derogat generali. Também nesse caso a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que derroga uma lei mais geral, ou seja, que subtrai a uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diversa Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13573.000011/200993 Acórdão n.º 1003000.705 S1C0T3 Fl. 6 5 (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa (que contenha um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que contenha uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, entendida como igual tratamento de pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral para a regra específica corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. Ocorrida ou descoberta a diferenciação, a persistência da regra geral implicaria o tratamento igual de pessoas que pertencem a categorias diversas e, portanto, uma injustiça. (grifouse) (BOBBIO, Norberto. Teoria geral do direito. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 253) 6.2.3. Se as obrigações contidas nas leis acima transcritas foram consideradas tão importantes pelo legislador ao ponto de dar embasamento legal específico à sanção pelo seu descumprimento, (a despeito de legislação tributária, em sentido amplo, poder gerar tal obrigação), não é isonômico não aplicar as multas específicas para as declarações específicas, em prol da multa genérica do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. É, conforme ensinamento de Bobbio, uma violação à isonomia que determina dar tratamento desigual a pessoas em situações distintas. 6.2.4. No presente caso, não se deve esquecer que o legislador foi quem alterou a norma então existente (genérica) e criou uma mais específica, mas deixou aquelas outras ainda mais específicas incólumes (ele poderia muito bem têlas revogado expressamente). Se não o fez, as multas mais específicas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004, continuam vigentes. As IN que tratam do assunto, portanto (RFB nº 1.110, de 2012, RFB nº 1.264, de 2012, RFB nº 1.015, de 2010, SRF nº 197, de 2002, RFB nº 811, de 2010, SRF nº 341, de 2003, RFB nº 971, de 2009, RFB nº 1.279, de 2012, RFB nº 726, de 2007 e RFB nº 892, de 2008) devem continuar a ser aplicadas sem nenhuma alteração. 6.2.5. Quanto aos prazos, não há alteração para a entrega ordinária das declarações. O prazo mínimo de quarenta e cinco dias aplicase apenas para a apresentação dessas declarações numa fiscalização ou para prestar esclarecimentos sobre alguma dessas declarações. E com a ressalva que a entrega de recibo ou comprovante de entrega da declaração não se subordina ao prazo de quarenta e cinco dias, conforme já explicado no item 5.1. (grifo acrescentado) Portanto, a aplicação da multa de ofício isolada prevista no art. 30 da Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002, regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 811, de 28 de janeiro 2008, continua a ser aplicada sem a alteração do art. 57 da Medida Provisória 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, porque a matéria está prevista em lei específica. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13573.000011/200993 Acórdão n.º 1003000.705 S1C0T3 Fl. 7 6 Ressaltese que o valor da multa de ofício isolada não foi reduzido no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista que o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012 não alcança Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) por ser regulada por legislação específica, que permaneceu incólume (art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001, art. 30 da Lei nº 10.637/2002 e art. 7º da Instrução Normativa nº 811/2008). Em tempo, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva da Dimof. Verificase ainda que "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", conforme Súmula Vinculante CARF nº 49, conforme Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018. Assim, entendo que a exigência do crédito tributário deve ser mantida em sua integralidade, pois de acordo com que consta no acórdão de piso, fundamentação que adoto como parte deste voto, a Recorrente teve o prazo de mais de 5 (cinco) meses para proceder à entrega da DIMOF em questão: Além do mais, verificase que a Recorrente não produziu no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. Ressaltase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. Temse, pois, que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13573.000011/200993 Acórdão n.º 1003000.705 S1C0T3 Fl. 8 7 Em assim sucedendo, VOTO por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo, destarte, o crédito tributário integralmente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721972/2016-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO.
Declara-se nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os documentos apresentados em sede de impugnação.
VERDADE REAL E VERDADE FORMAL.
A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NULIDADE.
A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.
Numero da decisão: 1401-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à DRJ/Belo Horizonte para que analise a impugnação da Recorrente à luz dos documentos apresentados a destempo. Vencidos os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Daniel Ribeiro Silva, substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declara-se nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os documentos apresentados em sede de impugnação. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.721972/2016-15
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006738
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.182
nome_arquivo_s : Decisao_16682721972201615.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16682721972201615_6006738.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à DRJ/Belo Horizonte para que analise a impugnação da Recorrente à luz dos documentos apresentados a destempo. Vencidos os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Daniel Ribeiro Silva, substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7738288
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911119175680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 11.284 1 11.283 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721972/201615 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.182 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria IRPJ Recorrente CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os documentos apresentados em sede de impugnação. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 19 72 /2 01 6- 15 Fl. 11284DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à DRJ/Belo Horizonte para que analise a impugnação da Recorrente à luz dos documentos apresentados a destempo. Vencidos os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Daniel Ribeiro Silva, substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições). Fl. 11285DF CARF MF Processo nº 16682.721972/201615 Acórdão n.º 1401003.182 S1C4T1 Fl. 11.285 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0274.669 4ª Turma da DRJ/BHE, que por unanimidade negaram provimento à Manifestação de Inconformidade, entendendo por não tomar conhecimento dos documentos de fls. 11.121 a 11.168, intempestivamente apresentados; (b) não tomar conhecimento do pedido de expedição de intimações a endereço não cadastrado pelo contribuinte; e (c) considerar improcedente a impugnação ora em exame. Este processo administrativo decorre de autos de infração de IRPJ e CSLL, referentes aos anos calendários de 2011 e 2012, lavrados contra a recorrente sob acusação de ausência de adição no lucro real e na base de cálculo da CSLL dos lucros auferidos por controladas no exterior e de compensação indevida de imposto de renda pago no exterior. Conforme TVF nos anos calendários de 2011 e 2012, a recorrente controlava uma série de empresas no exterior e ao analisar os resultados apurados por essas empresas, a fiscalização apontou como irregularidades: i) ausência de oferecimento à tributação de lucros auferidos para Odebrecht Argentina S/A; ii) diferença no valor do lucro auferido à tributação pela recorrente relativamente à Cosntrutora Norberto Odebrecht sediada na Venezuela; iii) Compensação indevida pelo imposto pago no exterior pela CNO Sucursal Peru; iv) ausência de comprovação de pagamento de imposto pago no exterior pela CNO Sucursal Argentina e; ausência de comprovação de pagamento de imposto no exterior pela Odebrecht Argentina, Relata o Termo de Verificação Fiscal: "Em resumo, ao fim do procedimento fiscal, verificamos o seguinte: a) Que os valores relativos aos lucros disponibilizados no exterior computados na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL estão a menor nos anos calendário de 2011 e 2012 nos valores de R$ 17.902.380,90 (CNO – Sucursal Venezuela no valor de R$ 10.856.002,24 e Odebrecht Argentina S/A no valor de R$ 7.046.378,66) e R$ 16.378.252,78 (Odebrecht Argentina S/A), respectivamente. b) Que o imposto pago no exterior e compensado na apuração do IRPJ, lançado na linha de deduções na ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral e na apuração da CSLL lançado na linha de deduções na ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL dos anos calendário de 2011 e 2012, deve ser reduzido, conforme a seguinte composição apurada (conforme demonstrado no item II do tópico V – Da Análise da Documentação Fornecida), de acordo com o critério de alocação e consequente deduções lançadas nas apurações do IRPJ e da CSLL das fichas 12 A e 17 da DIPJ 2012 e 2013 preparada pelo contribuinte: Em resumo, o contribuinte apurou o seguinte lucro do exterior tributável no Brasil e os impostos pagos no exterior, passíveis de compensação (fls.5.347/5.348), bem como as parcelas compensadas (deduções) IRPJ e CSLL, que compõem as rubricas imposto de renda mensal pago por estimativa lançado na Ficha 12 A e CSLL mensal paga por estimativa lançada na Ficha 17 da DIPJ 2013 e da DIPJ Fl. 11286DF CARF MF 4 2012: Demonstramos a seguir os montantes glosados referentes os impostos pagos no exterior, conforme demonstrado no presente Termo de Verificação: No ano de 2012, a composição dos impostos pagos no exterior preparada pelo contribuinte – CNO Sucursal Peru (fl.6.543), correspondeu a R$ 67.503.898,77, sendo utilizado um montante a menor de R$ 67.251.370,04. Desse modo, do valor glosado equivalente a R$ 6.144.728,03, deduzimos o imposto pago no exterior e não utilizado no montante de R$ 252.528,03 (R$ 67.503.898,77 R$ 67.251.370,04), perfazendo o valor de R$ 5.892.200,00. Com relação à Odebrecht Argentina S.A., por estarmos tributando o lucro, realizamos a compensação do montante do imposto pago e comprovado, dessa forma, tais valores reduzem o valor da glosa, conforme demonstrado abaixo: Apuramos as compensações demonstradas acima, alocando 73,53% do valor no IRPJ e 26,47% do valor na CSLL, calculados proporcionalmente a alocação do imposto realizada pelo contribuinte nos anos de 2011 (IRPJ – R$ 253.183.015,65, CSLL – R$ 91.145.885,64) e 2012 (IRPJ – R$ 317.302.209,72, CSLL – R$ 114.228.795,51). No tocante a Odebrecht Argentina S.A., alocamos integralmente o valor na apuração do IRPJ, pois o saldo a compensar somente é suficiente para deduzir parte do IRPJ. Em resumo, o crédito tributário lançado por meio dos Autos de Infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em anexo foi integralmente compensado de ofício com os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados na ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real e ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL da DIPJ 2013 (ND 001624740) e DIPJ 2012 (ND 001548036), conforme demonstrado abaixo: Fl. 11287DF CARF MF Processo nº 16682.721972/201615 Acórdão n.º 1401003.182 S1C4T1 Fl. 11.286 5 Apreciados os argumentos da impugnação por unanimidade de votos o lançamento foi mantido integralmente, resultando do julgado a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012, 2013 SCI COSIT As Soluções de Consulta Interna COSIT têm efeito vinculante no âmbito da RFB. AUSÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012, 2013 PRODUÇÃO DE PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo em caso de ocorrência de impedimento claramente demonstrado. EXIGÊNCIA DO VERNÁCULO Documentos redigido em idioma estrangeiro não produzem qualquer efeito em sede de julgamento administrativotributário, em face de expressa vedação legal nesse sentido. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO Fl. 11288DF CARF MF 6 O sobrestamento de processo não tem amparo legal no princípio da oficialidade, que determina o avanço compulsório dos atos processuais até a decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012, 2013 ACORDOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO A norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos de tratados internacionais que versam sobre a tributação de lucros. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO SOBRE DIVIDENDOS RECEBIDOS NO EXTERIOR Incabível a compensação de imposto cobrado sobre dividendos auferidos no exterior, uma vez que, no Brasil, tais ganhos são isentos. INTIMAÇÕES Compete às DRF a expedição de intimações ao contribuinte. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, sustentando a reforma da decisão, argumentando em preliminar a sua nulidade por ter se recusado a analisar os documentos juntados posteriormente ao prazo da impugnação, quais seja, traduções juramentadas de documentos que haviam sido juntados na impugnação, ou que verificandose ser possível superar essa preliminar, que o mérito seja decidido em seu favor para que seja cancelada integralmente a exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. Como bem anotado pela Recorrente, o acórdão recorrido: i) recusouse a analisar os documentos juntados posteriormente ao prazo da impugnação, representados pela traduções juramentadas de documentos que haviam sido juntados na impugnação, por entender que não teria ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 16, parágrafo 4o., do Decreto 70.235/72; ii) Manteve a tributação dos lucros auferidos pela Odebrecht Argentina, por entender que o tratado firmado entre Brasil e Argentina não impede a tributação desses lucros. No que diz respeito à questão da compensação do imposto pago no exterior por esta empresa, a decisão recusouse a analisar os documentos juntados, eis que eles estavam em língua espanhola, sendo que as traduções juntadas posteriormente ao prazo de impugnação não foram apreciadas, como relatado acima. Fl. 11289DF CARF MF Processo nº 16682.721972/201615 Acórdão n.º 1401003.182 S1C4T1 Fl. 11.287 7 iii) no que se refere à tributação dos lucros auferidos na Venezuela, em que a controvérsia reside no fato de existirem dois critéirios de apuração dos lucros, a decisão recusouse a analisar os argumentos articulados pela impugnação apresentada, em razão de a recorrente ter juntado normas contábeis emitidas naquele país em espanhol, sendo que as respectivas traduções que foram juntadas após o prazo de impugnação também não foram apreciadas; iv) no que diz respeito a compensação de imposto pago no Peru sobre dividendos pagos pela CNO Sucursal Peru, a decisão indeferiu o direito, afirmando que não há tributação sobre dividendos no Brasil, nos termos do art. 10 da Lei n. 9249/95, de forma como não haveria como se admitir a compensação desses tributos. Preliminar de nulidade. Já em sede de preliminar, a Recorrente levanta justamente a nulidade da decisão DRJ pela falta de enfrentamento de todos os argumentos apontados na impugnação e aparados em provas anexadas em parte juntamente com a impugnação (documentos em língua estrangeira) e em parte (tradução juramentada dos documentos anexados em língua estrangeira), contudo, todos antes do acórdão de 1a. instância e com esclarecimentos desde o início prestados pela parte sobre os motivos da apresentação à destempo, mais precisamente por força maior em razão do permissivo legal representado pelo art. 16, parágrafo 4o., alínea "a" do Decreto 70.235/72, vez que a tradução juramentada dos documentos dependia de terceiros. Os documentos, cuja tradução juramentada foi juntada posteriormente à impugnação, mas antes da prolação da decisão recorrida são: 1. Boletin de Aplicacion n. 2 (BA VENNIF2); 2. Norma Internacional de Contabilidad 29; 3. Contrato de Unión Transitoria de Empresas UTE firmado entre CNO Sucursão Argentina, Odebrecht Argentina e Techint Companhia Técnica Internacional; 4. Contrato de Unión Transitória de Empresas UTE firmado pela CNO Sucursão Argentina com IECSA, GHELLA e COMSA Sobre a juntada destes documentos, o acórdão recorrido manifestouse no seguinte sentido: Preliminarmente, cumpre examinar o pleito de que se tome conhecimento dos documentos de fls. 11.121 a 11.168, juntados em 9 de fevereiro de 2017, com a justificativa da alegada incapacidade da impugnante de obtêlos no trintídio estabelecido pelo artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 11290DF CARF MF 8 [...] A impugnante não demonstrou que a entrega a destempo dos mencionados documentos foi causada por força maior, como determina o § 5º do artigo 16, acima transcrito. Portanto, incabível tomarse conhecimento do material intempestivamente trazido aos autos. Entendo que ao deixar de analisar tais documentos a decisão incorreu em nulidade, vez que o julgador de 1a instância não poderia se negar a analisar documentos juntados antes da decisão de 1a. instancia, principalmente quando o documento se mostra imprescindível para o deslinde da questão, e principalmente por se tratar de tradução juramentada de outros documentos que já haviam sido juntados tempestivamente. No âmbito do processo administrativo fiscal, a juntada de documentos está prevista no artigo 16, parágrafos 4º, 5º, e 6º do Decreto nº. 70.235/72. Em síntese, o dispositivo legal estabelece que a apresentação de documentos deve ser feita no momento da impugnação, sob pena de preclusão. A juntada posterior de documentos, inclusive na fase recursal, só é admitida em situações excepcionais (força maior, fato ou direito superveniente ou contraposição a fatos ou razões posteriormente apresentadas nos autos). A Recorrente demonstrou objetivamente que os documentos traduzidos, só lhes foram disponibilizados pelo tradutor competente em 27.01.2017, após o prazo da impugnação, mas mesmo assim tendo sidos juntados aos autos em 09.02.2017. Anoto que um dos princípios que informam o procedimento administrativo fiscal é o da verdade material (ou verdade real), segundo o qual “a Administração não pode agir baseada apenas em presunções, sempre que lhe for possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes” (Hugo de Brito Machado Segundo, Processo Tributário, 4ª ed., Atlas, p. 30). Ou seja: a administração não pode fechar os olhos para provas que indiquem a existência de qualquer fato que interfira na constituição da obrigação tributária. Embora, saiba que há posição neste Conselho no sentido de não admitir a apresentação de documentos após a impugnação, penso que tal rigidez processual que estabelece a preclusão pode e deve ser mitigada. Isso porque o objetivo, por excelência, do processo administrativo fiscal, é apurar a legalidade da tributação. E essa legalidade não se presume pelo decurso do prazo para a prática de determinado ato. Ela deve ser demonstrada de forma inequívoca, tendo o julgador o poderdever de se valer de qualquer prova levada ao processo, desde que lícita. Em se tratando de obrigação tributária, cuja constituição está condicionada à observância do princípio da legalidade, a busca pela verdade material deve prevalecer em detrimento de eventual alegação de preclusão, afastadas, evidentemente, as hipóteses de abuso e má fé do contribuinte. Assim, o contribuinte, no exercício de seu direito de defesa, deve sempre – e em qualquer momento, desde que antes do julgamento final – apresentar os documentos que, por qualquer razão, não o foram no momento oportuno (na impugnação). Na relação jurídico tributária, o princípio da verdade material – que nada mais é do que a exteriorização, no processo, do princípio da legalidade –, deve nortear a atuação administrativa, sobrepondose ao instituto da preclusão. Fl. 11291DF CARF MF Processo nº 16682.721972/201615 Acórdão n.º 1401003.182 S1C4T1 Fl. 11.288 9 No caso em apreço, o permissivo relativo a possibilidade de juntada posterior de provas, representado pelo art. 16, do Decreto 70.235/72, foi cumprido objetivamente, de forma que implicou em nulidade por cerceamento de defesa, a decisão que deixou de apreciar os documentos trazidos pela Recorrente. Neste sentido, temos o Acórdão n. 9101002.781 – 1ª Turma da CSRF, proferido em 06 de abril de 2017. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada,com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa e em prol da verdade material, aceito referidos documentos, sendo necessário o retorno dos autos à DRJ para sua apreciação. Diante dos elementos dos autos, temse claro que a omissão do julgador na apreciação de elementos de prova trazidos pelo sujeito passivo ao processo administrativo, quando da apresentação da impugnação, configura negativa de prestação jurisdicional, acarretando cerceamento de defesa decorrente da falta de análise de argumentos essenciais quanto à matéria controvertida, em flagrante prejuízo concreto à parte. Por outro lado, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveita a declaração de nulidade do ato administrativo, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato (art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Entretanto, o estágio atual de instrução dos autos não contribui para tal medida de economia processual, dado inexistir certeza de uma decisão integralmente favorável à recorrente. Neste sentido, oriento meu voto para, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à DRJ/Belo Horizonte para que analise a impugnação da Recorrente à luz dos documentos apresentados a destempo. Fl. 11292DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 11293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903462/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.903462/2013-83
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6002532
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.898
nome_arquivo_s : Decisao_10580903462201383.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10580903462201383_6002532.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7726086
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911131758592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.903462/201383 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.898 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BANCO ALVORADA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 62 /2 01 3- 83 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.572. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.903462/201383 Acórdão n.º 3401005.898 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001880/2009-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO.
As despesas de internação para tratamento em estabelecimento geriátrico só podem ser deduzidas se este for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
Numero da decisão: 9202-007.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. As despesas de internação para tratamento em estabelecimento geriátrico só podem ser deduzidas se este for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11030.001880/2009-47
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6015636
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.811
nome_arquivo_s : Decisao_11030001880200947.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 11030001880200947_6015636.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7768418
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911139098624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 134 1 133 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11030.001880/200947 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.811 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CÉSAR BUAES PADILHA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. As despesas de internação para tratamento em estabelecimento geriátrico só podem ser deduzidas se este for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 18 80 /2 00 9- 47 Fl. 134DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2008, anocalendário de 2007, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. O lançamento foi mantido em Primeira Instância, razão pela qual o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado em sessão plenária de 23/01/2013, prolatandose o Acórdão nº 2802002.078 (efls. 86 a 89), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 INTERNAÇÃO EM ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. Se comprovado que a paciente necessita de cuidados integrais a serem prestados por profissionais da área da saúde e devidamente comprovado por laudo médico, é de se reconhecer a dedutibilidade de despesas com estabelecimento geriátrico. MOLÉSTIA GRAVE. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Na ausência de laudo médico emitido por órgão oficial a comprovar a moléstia grave relacionada em lei e a data do início da manifestação dos respectivos sintomas, é de se negar a isenção pleiteada. INOVAÇÃO DA ACUSAÇÃO FISCAL. PREJUÍZO À AMPLA DEFESA ASSEGURADA AOS LITIGANTES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. É vedado à DRJ inovar na acusação fiscal, sob pena de prejudicar o direito à ampla defesa e implicar em supressão de instância. Recurso provido em parte." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$ 17.880,00 (dezessete mil, oitocentos e oitenta reais), nos termos do voto do(a) redator(a) designado(a). Vencido o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite que negava provimento." O processo foi encaminhado à PGFN em 12/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 90) e, em 19/03/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 91 a 95 (Despacho de Encaminhamento de efls. 96), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a dedução, a título de despesas médicas, de pagamentos a estabelecimento geriátrico não qualificado como hospital. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11030.001880/200947 Acórdão n.º 9202007.811 CSRFT2 Fl. 135 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 23/05/2016 (efls. 97 a 99). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela análise do art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda/1999, verificase que a dedução da base de cálculo do IRPF possui autorização somente se a despesa partir de uma internação em estabelecimento geriátrico enquadrado como hospital; como a redução na base de cálculo do imposto corresponde à sua isenção parcial, não cabe interpretação extensiva do art. 80, § 4º do RIR/1999, para a permissão da dedução realizada pelo Contribuinte; não há nos autos prova de que o “Lar de Idosos Juraci Spiller” se enquadra nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde; os documentos anexados aos autos (fls. 06/10) comprovam que o citado estabelecimento está cadastrado com o CNAE 55.90699 (Outros alojamentos não especificados anteriormente) e os Alvarás de Licença e Sanitário emitidos pela Prefeitura Municipal de Passo Fundo indicam como principal ramo de atividade “lar de idosos”. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 07/06/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 113), o Contribuinte, em 22/06/2016, interpôs o Recurso Especial de efls. 115 a 117 e ofereceu as Contrarrazões de efls. 118/119. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta: deve ser mantido o acórdão recorrido, no que deu provimento ao recurso do contribuinte, por suas próprias razões, e também em razão de isonomia tributária; na interpretação sistemática da legislação, incluindo a recente Lei nº 13.406, de 2015 (SIC), que trouxe direitos fundamentais à pessoa com deficiência física, e que tem status de Emenda Constitucional diante da adoção pelo Brasil de Convenção Internacional, conforme Decreto Legislativo nº 186, de 2008, e Decreto nº 6.949, de 2009; o direito à assistência especial é dever do Estado, como garantia de direitos fundamentais constitucionais, não podendo ser subtraídos em razão da não interpretação da literalidade da norma tributária, sob pena de negarse aos especiais prerrogativas constitucionais. Ao final, o Contribuinte requer a manutenção do acórdão recorrido, na parte que lhe foi favorável. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento, conforme despacho de 04/08/2016 (efls. 124 a 126). Fl. 136DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas médicas, referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução das despesas de internação em estabelecimento geriátrico, referentes à irmã do Contribuinte, uma vez que estaria comprovado nos autos que a paciente necessitava, por determinação médica, de cuidados integrais prestados por profissionais da área da saúde. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja mantida a glosa, ao argumento de que não há amparo para a dedução de despesas médicas com estabelecimento geriátrico, quando este não for qualificado como hospital. A possibilidade de dedução de despesas médicas da base de cálculo do IRPF tem previsão na alínea “a”, do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, que assim dispõe: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;" (grifei) O § 4º, do art. 80, do RIR/1999, define de forma claríssima o alcance da isenção tributária relativamente às despesas de internação geriátrica, ao estipular que estas são dedutíveis a título de hospitalização, somente quando o referido estabelecimento estiver qualificado como hospital pelo Ministério da Saúde: "Art.80.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) §4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica." (grifei) Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11030.001880/200947 Acórdão n.º 9202007.811 CSRFT2 Fl. 136 5 No presente caso, o Contribuinte apresentou Comprovante de Inscrição no CNPJ, Alvará de Licença e Alvará Sanitário da Prefeitura Municipal de Passo Fundo, porém tais documentos não comprovam a qualificação do estabelecimento Juraci Spiller (Solar Nossa Senhora Aparecida) como hospital. Quanto ao comprovante de inscrição no CNPJ, este atesta o cadastro do estabelecimento com o CNAE 5590699 outros alojamentos não especificados anteriormente. No que tange à licença dada pela Secretaria Municipal, esta foi concedida para as atividades de comércio de alimentos preparados, entidade de serviços e lar de idosos. Finalmente, do Alvará Sanitário consta apenas que o ramo de atividades do estabelecimento é lar de idosos. Com efeito, nenhum desses documentos logra comprovar que o Solar Nossa Senhora Aparecida tem qualificação hospitalar, condição prevista pelo art. 80, § 4°, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, para que as despesas possam ser deduzidas pelo Contribuinte. Destarte, ainda que a instituição geriátrica conte com profissionais que atuam na área de saúde ou que se dedique a tratamentos recomendados por profissionais da área médica, as despesas decorrentes dos serviços por ela prestados não são alcançadas pela isenção prevista na alínea “a”, do inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, a menos que esteja enquadrada como hospital, o que não ocorreu no presente caso. Quanto à Lei nº 13.406, de 2016, citada pelo Contribuinte em sede de Contrarrazões, constatase que esta apenas altera os §§ 3o e 4o, do art. 24, da Lei no 12.587, de 2012, para estender o prazo exigido para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana e para sua compatibilização com o plano diretor municipal, não tendo implicações no âmbito tributário. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.907894/2011-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indefere-se o ressarcimento e não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso.
Numero da decisão: 3003-000.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestre-calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indefere-se o ressarcimento e não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.907894/2011-15
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006746
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.215
nome_arquivo_s : Decisao_10783907894201115.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10783907894201115_6006746.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7738296
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911165313024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.907894/201115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.215 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente GRAM SUL GRANITOS E MARMORES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DO TRIMESTRECALENDÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestrecalendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indeferese o ressarcimento e não se homologa a compensação pretendida nesta fase do contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 78 94 /2 01 1- 15 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10783.907894/201115 Acórdão n.º 3003000.215 S3C0T3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Vitória (fl. 17), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito de IPI e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou PER/DCOMPs, no valor de R$ 11.420,87, referente ao saldo credor de IPI do 2º trimestre de 2007. A DRF em Vitória, indeferiu o pedido, e exigiu os débitos não homologados: principal – R$ 9.170,90; multa – R$ 1.834,17; e juros –R$ 4.482,14. No site da Receita Federal, nas Informações Complementares da Análise de Crédito da PER/DCOMP em análise (nº 26840.13569.310707.1.1.010914) foi anexado Parecer Fiscal, no qual consta que foi lavrado auto de infração que resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Segundo o referido Parecer, o auto de infração de IPI é decorrente das seguintes irregularidades: foi glosado parte do crédito presumido de IPI, de que tratam as Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001, em razão da exclusão, no cálculo, das receitas de exportação indireta, resultante de vendas para empresas comerciais exportadoras que não tiveram como destino o embarque para exportação ou depósito em recinto alfandegado, descumprindo a exigência contida no Regulamento do IPI no que diz respeito ao “fim específico de exportação”; além de ter recalculado o crédito presumido dos períodos, a fiscalização apurou e lançou o valor do IPI incidente nas vendas destinadas às comerciais exportadores, às quais não ficou caracterizado o “fim específico de exportação”, considerando as como vendas internas, sob a classificação fiscal 6802.23.00, sendo aplicada a alíquota de 5%. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10783.724924/201150. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.907894/201115 Acórdão n.º 3003000.215 S3C0T3 Fl. 4 3 Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/16, com as seguintes alegações: o auto de infração foi objeto de impugnação, que está pendente de julgamento na esfera administrativa; a suspensão da exigência fiscal, até o julgamento da referida impugnação, é medida que logicamente se impõe; requer a suspensão da exigência tributária de que trata o despacho decisório em referência, até o julgamento da impugnação apresentada ao auto de infração; contesta, no mérito, os motivos alegados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração. Por fim, requereu a suspensão da exigência fiscal até o julgamento da impugnação em que deverá ser declarada a insubsistência do procedimento fiscal, e ao final, a total homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRECALENDÁRIO. Havendo extinção do saldo credor de IPI do trimestre calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, em virtude de lançamento do imposto mediante a lavratura de auto de infração, indeferese o ressarcimento e não se homologa a compensação pleiteada. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual reportase às razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade, pleiteando ainda a atualização monetária do crédito de IPI e, caso reste cobrado algum valor, a remissão dos débitos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10783.907894/201115 Acórdão n.º 3003000.215 S3C0T3 Fl. 5 4 Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento do saldo credor de IPI do 2º trimestre de 2007 foi indeferido e as compensações vinculadas não homologadas. O indeferimento se deu porque, em virtude da lavratura de auto de infração e reconstituição da escrita fiscal, houve extinção do saldo credor a ser ressarcido. O referido auto de infração foi lavrado e formalizado no processo nº 10783.724924/201150, que foi julgado e integralmente mantido pela 1ª Instância. Atualmente o processo encontrase em fase recursal junto ao CARF. Quanto as razões de mérito apresentadas na manifestação de Inconformidade relativas ao auto de infração, não cabem ser analisadas no presente processo uma vez que estão sendo enfrentadas no processo próprio. Nos termos do artigo 170 do CTN1, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. Além do disposto no CTN, a compensação é regida pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 que permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.907894/201115 Acórdão n.º 3003000.215 S3C0T3 Fl. 6 5 Entendo, portanto, que, mantido integralmente o lançamento e a decorrente reconstituição da escrita fiscal, e extinto o saldo credor ressarcível ao final do trimestre calendário, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada, sendo correto o indeferimento do crédito pleiteado, e a não homologação das compensações. Em sendo assim o pleito não reveste de certeza e liquidez, não obstante, contestação administrativa do processo de auto de infração, nº 10783.724924/201150, que encontrase em fase recursal nesse Conselho. Quanto à questão relativa ao acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC ao ressarcimento dos créditos de IPI e remissão dos débitos alegados em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10783.907894/201115 Acórdão n.º 3003000.215 S3C0T3 Fl. 7 6 Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. No caso em tela, a recorrente inovou em relação a questão relativa ao acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC ao ressarcimento dos créditos de IPI e à remissão dos débitos. A falta de questionamento da matéria em instâncias anteriores, impede a instância ad quem de conhecêla sob pena de se subverterem as regras que comandam os pleitos e confrontam a jurisprudência pertinente à matéria processual.. E em derradeiro, não há como acatar o pedido de suspensão do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo do auto de infração, tendo em vista, inexistência de previsão legal. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001765/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 02/01/2005 a 30/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente.
FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
FRETE DE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS PARA ARMAZENAGEM. IDENTIDADE COM FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
A remessa e retorno de produtos acabados enviados para armazenagem, é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
Numero da decisão: 3302-006.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre frete de vendas a locais presumidos e fretes de remessa e retorno de armazenagem, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos referidos fretes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 02/01/2005 a 30/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. FRETE DE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS PARA ARMAZENAGEM. IDENTIDADE COM FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. A remessa e retorno de produtos acabados enviados para armazenagem, é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10925.001765/2005-10
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6007348
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.806
nome_arquivo_s : Decisao_10925001765200510.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
nome_arquivo_pdf_s : 10925001765200510_6007348.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre frete de vendas a locais presumidos e fretes de remessa e retorno de armazenagem, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos referidos fretes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7738679
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911228227584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.001765/200510 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302006.806 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria COFINS Embargante LACTICINIOS TIROL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 02/01/2005 a 30/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. FRETE DE REMESSA E RETORNO DE PRODUTOS ACABADOS PARA ARMAZENAGEM. IDENTIDADE COM FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. A remessa e retorno de produtos acabados enviados para armazenagem, é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 17 65 /2 00 5- 10 Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 3 2 estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre frete de vendas a locais presumidos e fretes de remessa e retorno de armazenagem, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos referidos fretes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte recorrente em face do acórdão nº 3302004.881, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 25/10/2017. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 02/01/2005 a 30/03/2005 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 4 3 CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos.. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Faz parte ainda do acórdão a descrição da decisão, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 5 4 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 6 5 Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). A embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vícios de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Protocolados tempestivamente os embargos da contribuinte, foram apontados pela embargante a suposta omissão quanto ao direito ao crédito das contribuições relacionadas aos serviços de (i) a "Vendas Locais Presumidos", (ii) Remessa Armazenagem", e (iii) "Retorno Armazenagem". Promovido o juízo de admissibilidade, os embargos foram admitidos. Passase então a análise da suposta omissão apontada pela embargante. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. No entendimento da embargante, merece ser aclarado o acórdão, a fim de decidir acerca do direito de crédito em relação aos serviços de frete tidos como “Venda Locais Presumidos”, “Remessa Armazenagem” e “Retorno Armazenagem”, sanandose a omissão na análise desta questão. A conclusão do despacho de admissibilidade foi no sentido de haver a omissão apontada, nos seguintes termos: O acórdão embargado, de fato, não tratou de nenhum desses dispêndios, e às efolhas 1711 (arquivo não paginável) podese confirmar que eles de fato constam da planilha elaborada pela empresa em resposta à diligência fiscal. Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 7 6 Há uma certa semelhança entre o Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição, item “c” da lista, e o frete do produto acabado entre a empresa e seus distribuidores – venda presumida. Contudo, na planilha, o primeiro é classificado como frete de transferência e o segundo como frete de venda. Já para a “Remessa de Armazenagem” e a “Remessa de Retorno” não foi indicada nenhuma classificação, o que talvez seja a razão pela qual não tenham sido considerados. Porém, pareceme necessário que conste no acórdão embargado manifestação quanto a isso. CONCLUSÃO Com base nas razões acima expostas, admito os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte. Analisando o acórdão embargado verificase que realmente não houve menção quanto aos itens apontados nos embargos, razão pela qual devem ser submetidos a análise desse Colegiado. O conceito de insumo para crédito das contribuições para o PIS e Confis, embora firmado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo no REsp 1.221.170, há algum tempo já vinha sendo utilizado por esta C. Turma nas decisões referentes à matéria, conforme podemos notar do corpo da r. decisão oram embargada. Vale ressaltar que ajustandose ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, RFB publicou o Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, o qual trouxe as seguintes premissas quanto à apuração do crédito de de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. As conclusões acima descritas em grande parte já faziam parte de meu entendimento quanto ao conceito de insumos e, eram utilizados nos votos anteriores, contudo, levando em consideração ao que é ditado pelo art. 62, do anexo II, do RICARF, a decisão prolatada pelo STJ deve ser observada em sua totalidade. Pois bem. I Fretes de Vendas a locais presumidos No que tange aos créditos sobre fretes de vendas a locais presumidos, a planilha trazida pela embargante, bem como os demais documentos apontados, descrevem o item como "Frete entre a empresa e seus distribuidores. A empresa encaminhava seus Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 8 7 produtos para que os distribuidores realizassem a comercialização (operações de venda fora do estabelecimento)". Quanto ao presente tópico, que tem como pano de fundo a possibilidade de creditamento sobre fretes nas operações de venda, fazse necessário esclarecer que outrora defendia posição contrária ao creditamento, entretanto não sentiame confortável frente às conclusões do STJ quanto ao conceito de insumo, trazidas em parágrafos anteriores, bem como os recentes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relacionadas ao assunto, fato que me levou a alterar meu entendimento. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento, seja do titular ou de distribuidores, para depois, então, ser entregue ao cliente. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões não unânimes, ressaltase, vem posicionandose no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos por se constituir como parte da "operação de venda". Destacase parte do voto da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no acórdão nº 9303008.099: É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 9 8 Frisese a ementa do acórdão 9303008.260, da 3º Turma da CSRF, prolatado na sessão do último dia 20 de março de 2019: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. Recurso especial do contribuinte provido. Com base no acima exposto, entendo ser necessária a reversão da glosa dos créditos de fretes de vendas a locais presumidos. II Fretes de remessa e retorno de armazenagem (queijos) Quanto a remessa e retorno armazenagem, as descrições trazidas pela embargante foram as seguintes: Conforme podemos observar, tratase de fretes de produtos acabados entre a empresa embargante e estabelecimento de terceiros utilizados para armazenagem de referido produtos (queijos). A exemplo das conclusões do item anterior, temos que a remessa e retorno de referidos produtos é inteiramente ligada à logística interna da empresa embargante, e indissociáveis das operações de vendas. Destarte, a exemplo do esposado no tópico anterior, e por entender subsumir se à tese ali exposta, endento ser necessária a reversão da glosa dos créditos relacionados aos fretes de remessa e retorno de armazenagem (queijos). II Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos opostos pela contribuinte para sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 10925.001765/200510 Acórdão n.º 3302006.806 S3C3T2 Fl. 10 9 recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre frete de vendas a locais presumidos e fretes de remessa e retorno de armazenagem. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1978DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905381/2015-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.517
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13839.905381/2015-07
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008801
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.517
nome_arquivo_s : Decisao_13839905381201507.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13839905381201507_6008801.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7747831
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911238713344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.905381/201507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.517 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria COFINS Recorrente BEBAFRUTA INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 81 /2 01 5- 07 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905381/201507 Acórdão n.º 3402006.517 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.522. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905381/201507 Acórdão n.º 3402006.517 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905381/201507 Acórdão n.º 3402006.517 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905381/201507 Acórdão n.º 3402006.517 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905381/201507 Acórdão n.º 3402006.517 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905381/201507 Acórdão n.º 3402006.517 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
