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Numero do processo: 13062.000590/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2011
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em suposta inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1302-000.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em suposta inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Waldir Veiga Rocha, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13062.000590/201078 Acórdão n.º 130200.876 S1C3T2 Fl. 77 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 6ª Turma da DRJ/POA no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. DÉBITOS FISCAIS. FALTA DE REGULARIZAÇÃO A apreciação de eventuais argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. A falta de regularização dos débitos fiscais no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão impede a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase da exclusão da pessoa jurídica, ora Manifestante, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 435.400, de 1o de setembro de 2010 (Lote 003/2010) (fl. 19). A motivação para a exclusão seria ''em virtude de possuir débitos deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa, relacionados abaixo conforme disposto no inciso V do artigo 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea " d " do inciso II do art. 3 o. combinado com o inciso 1 do art. 5° ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007". Os efeitos da exclusão devem surgir a partir de 1o de janeiro de 2011. A interessada tomou ciência da exclusão, em 22/09/2010, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR que consta na folha 21. Apresentou a '"Contestação à Exclusão do Simples Nacional", em 20/10/2010 (fls. 01 a 12), instruída com cópia(s) e/ou original(is) de documento(s) que consta(m) na(s) folha(s) 14 a 19 do presente processo administrativo. Os argumentos da Manifestante são, em síntese, os seguintes: inicia argumentando que sua exclusão do Simples Nacional é inconstitucional; porque seria um modo coercitivo para que a contribuinte pague seus débitos fiscais; cita jurisprudência judicial (Ementas n° 70, 323 e 547 do STF, que transcreve); sustenta que a exclusão do Simples Nacional representa violação ao disposto no artigo 1o da Lei Complementar n° 123/2006, dispositivo que transcreve; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13062.000590/201078 Acórdão n.º 130200.876 S1C3T2 Fl. 78 3 transcreve o artigo 3o da mesma Lei Complementar sobre a definição de microempresa e empresa de pequeno porte; entende que atende a todos os requisitos para fazer a opção pelo Simples Nacional; insiste que sua exclusão tem como único objetivo forçálo ao pagamento de seus débitos fiscais; ainda como preliminar de inconstitucionalidade da exclusão do Simples Nacional questiona se a Lei Complementar n° 123/2006 trouxe os benefícios propostos; então lembra as disposições constitucionais sobre o tratamento favorecido, diferenciado e simplificado destinados às microempresas e empresas de pequeno porte e transcreve os artigos 170 e 179 da CF; diz que é imprescindível a aplicação destes princípios para que as pequenas empresas possam cumprir com seu papel social; sustenta, também, o não atendimento do princípio da hierarquia das leis: transcreve o artigo 59, incisos I a VII e seu parágrafo único, para sustentar a inconstitucionalidades do artigo 17, inciso V, da Lei Complementar n° 123/2006 e dos artigos 3o e 5o da Resolução CGSN n° 15/2007, por determinarem a exclusão do Simples Nacional das empresas que possuam pendências fiscais (débitos); diz que não cabe ao legislador constituinte impor que as micros e pequenas empresas não possam atrasar seus tributos; argumenta que essa exigência viola o princípio da capacidade contributiva ao obrigar as pequenas empresas a optar por outra sistemática de tributação, muito mais onerosas que o Simples Nacional; cita jurisprudência judicial (TJRS, Apel. Civ. N° 70025002486) sobre a impossibilidade de indeferir a opção pelo Simples Nacional ao argumento de ser a interessada devedora de tributos municipais; também cita Celso Antônio Bandeira de Mello sobre violação de princípios; conclui pela inconstitucionalidade da exclusão do Simples Nacional pela falta de pagamento de tributos. Requer a sua permanência no Simples Nacional. A autoridade preparadora instruiu os autos com cópia(s) e/ou original(is) de documento(s) que consta(m) na(s) folha(s) 20 a 43. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, reiterou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, em especial, a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei Complementar nº 123/2006 que condiciona a permanência no Simples Nacional a inexistência de débito ou existência, porém, com exigibilidade suspensa, bem como a jurisprudência contrária à exclusão e que esta tem por efeito coagir a empresa ao recolhimento de tributo. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13062.000590/201078 Acórdão n.º 130200.876 S1C3T2 Fl. 79 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, especialmente, a inconstitucionalidade do inciso V do art.17 da Lei Complementar nº 123/2006 e demais atos administrativos que o regularam, in verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Jurisprudência em sentido contrário Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13062.000590/201078 Acórdão n.º 130200.876 S1C3T2 Fl. 80 5 Postula, ainda, a recorrente a existência de jurisprudência em sentido contrário, em especial as súmulas nº 70, 323 e 547 do STF e da apelação cível nº 70025002486 do RJ/RS. Com relação às súmulas do STF, verifico de pronto que não são aplicáveis ao caso em apreço, vez que não há interdição de estabelecimento, apreensão de mercadorias, nem limitação ao comércio de estampilhas, despacho de mercadorias ou exercício da atividade profissional, mas tão somente vedação ao gozo das vantagens decorrentes de regime tributário mais favorecido, que não atingem o direito à livre iniciativa nem ao trabalho da recorrente. Por outro lado, relativamente à apelação cível nº 70025002486 do RJ/RS, esta se baseia em violação da própria lei complementar nº 123/2006, conforme sua ementa dispõe (abaixo transcrito). Neste sentido, dista do caso concreto, em que a exclusão se dá por correta aplicação da Lei Complementar nº 123/2006. Aliás, nem mesmo a Lei Complementar federal (sic) nº123/2006, que dispõe sobre a matéria, é em sentido diverso. Além disso, ressalto que a jurisprudência, embora possa fornecer valiosos conhecimentos e argumentos, não possui caráter vinculante para o julgamento administrativo. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 12 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000425/2009-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES NÃO DECLARADOS. Sujeitam-se ao lançamento de ofício os tributos federais incluídos na sistemática de recolhimento simplificado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), obtidos mediante confronto entre a receita declarada e a constante dos assentamentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Conforme assentado na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES NÃO DECLARADOS. Sujeitam-se ao lançamento de ofício os tributos federais incluídos na sistemática de recolhimento simplificado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), obtidos mediante confronto entre a receita declarada e a constante dos assentamentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Conforme assentado na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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VALORES NÃO DECLARADOS. Sujeitamse ao lançamento de ofício os tributos federais incluídos na sistemática de recolhimento simplificado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), obtidos mediante confronto entre a receita declarada e a constante dos assentamentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Conforme assentado na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15889.000425/200994 Acórdão n.º 180301.373 S1TE03 Fl. 415 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório GB FIBRAS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do SIMPLES, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 16.000,99 (fl. 20), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de R$ 13.732,23 (fl. 29) Contribuição para o PIS no valor de R$ 16.000,99 (fl. 39), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 27.450,88 (fl. 48), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 54.926,10 (fl. 58) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 104.348,92 (fl. 68), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 524.168,82 (fl. 01), em virtude das irregularidades descritas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 79/86), assim sintetizadas: Durante a ação fiscal foram analisados, além da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (PJSI SIMPLES), o livro Diário Geral e o livro Razão Analítico Auxiliar apresentados pela contribuinte (fls. 123 a 130) e foram cotejados os valores lançados na Conta 3.1.1.01.001 Venda de mercadorias com as respectivas contrapartidas contábeis, ou seja, a Conta 1.1.1.02.001 Depósitos bancários Caixa Econômica Federal e a Conta 1.1.1.02.002 Depósitos Bancários Banco Nossa Caixa S/A Dessa análise verificou que, no período de janeiro a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15889.000425/200994 Acórdão n.º 180301.373 S1TE03 Fl. 416 3 dezembro de 2005, a empresa contabilizou no livro Diário receita de vendas de mercadorias no montante de R$ 2.508.347,68 e informou na Declaração Simplificada receita de apenas R$ 57.280,24, evidenciando, segunda a fiscalização, uma omissão de receita de R$ 2.451.067,44, a qual foi levada à tributação para fins de apuração dos tributos e contribuições devidos na modalidade do Simples. Inconformada, a empresa apresentou a impugnação de fls. 311/319 alegando, em síntese, que os valores creditados/depositados em conta corrente não são frutos de receita somente da empresa fiscalizada, pois, conforme documentos anexos, existem mais de um CNPJ de empresas com o quadro social análogo e que desempenham atividades que se complementam em um procedimento industrial e que, na prática, existe uma confusão entre as contas bancárias, ou seja, valores pertencentes a um contribuinte foram creditados na conta corrente da empresa fiscalizada. Concluiu afirmando ser improcedente a atuação feita com base em depósitos bancários não contabilizados se a fiscalização não logra demonstrar a existência dessa omissão. Para sustentar a sua tese citou algumas decisões do Conselho de Contribuintes. Alegou que a omissão de receita não pode ser presumida, razão pela qual deveriam ser cancelados todos os autos de infração e, por conseqüência, os juros de mora e multa de ofício, inclusive em razão de ter a multa caráter de confisco. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1433.082, de 29 de março de 2011 (fls. 342/345), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO:SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA DE VENDAS DE MERCADORIAS. Mantémse os lançamentos decorrentes de omissão de receita apurada mediante o confronto entre as receitas informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (PJSI SIMPLES) e as escrituradas no livro Diário como receita de vendas de mercadorias. Ciente da decisão em 18/05/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 357), apresentou o recurso voluntário em 17/06/2011 fls. 364/378, onde reitera os argumentos da inicial acrescendo a alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa de juros SELIC. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15889.000425/200994 Acórdão n.º 180301.373 S1TE03 Fl. 417 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração de tributos federais incluídos na sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), relativos ao ano calendário 2005, lavrados em virtude da constatação de omissão de receitas apurada pelo confronto entre os valores constantes dos assentamentos contábeis/fiscais e a receita declarada na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica. Alega a recorrente em síntese: a) Que o lançamento deve ser cancelado pois os depósitos bancários tem origem e não servem como base para sustentar o lançamento de ofício; b) Que eventuais equívocos em sua escrituração devem ser atribuídos ao profissional da área contábil que já foi dispensado; c) Que a multa tem caráter confiscatório, devendo ser reduzida em no mínimo 50%; d) Que é inconstitucional e ilegal a aplicação da taxa SELIC a título de juros de mora. A decisão de primeira instância não merece reforma. Com efeito, conforme ficou bem claro no bem lançado voto condutor da decisão “a quo” não se trata de lançamento com base em depósitos bancários. Embora tenham sido requestados extratos bancários do ano calendário 2005, o lançamento se deu única e exclusivamente como base no confronto entre a receita bruta constante dos livros contábeis e fiscais e a receita constante da Declaração Simplificada que serviu de base para o recolhimento dos tributos incluídos na sistemática do SIMPLES FEDERAL. Portanto descabidas e procrastinatórias as alegações da recorrente quando rechaça a tributação sobre supostos depósitos bancários. Tampouco merece guarida a alegação de caráter confiscatório da multa e da suposta boa fé da recorrente. Conforme se constata do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 79/86), ao longo de todo o ano calendário de 2005, a contribuinte subtraiu receitas efetivamente auferidas e lançadas em seus assentamentos contábeis e fiscais, fazendo incidir os tributos federais sobre uma receita infinitamente inferior. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15889.000425/200994 Acórdão n.º 180301.373 S1TE03 Fl. 418 5 Ausente portanto a boa fé da recorrente que mesmo existente não elidiria a aplicação da multa de ofício de 75% conforme aplicada pela autoridade fiscal. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício, aplicase a Súmula CARF nº 02, com a seguinte ementa: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tampouco merecem guarida as alegações sobre a inaplicabilidade da taxa SELIC a título de juros de mora, conforme assentado na Súmula CARF nº 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10283.721455/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005, 2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DAS BASES ESTIMADAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA AO FISCO.
A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada ao Fisco.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há de se manter a exação, descabendo falar, também, em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência.
Numero da decisão: 1301-000.931
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter o lançamento relativo ao fato gerador de 31/12/2005 e, pelo voto de qualidade, manter o lançamento da multa isolada, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DAS BASES ESTIMADAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA AO FISCO. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada ao Fisco. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Inexistente no preceptivo legal óbice ao lançamento da multa pela falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) após o encerramento do período de apuração, há de se manter a exação, descabendo falar, também, em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter o lançamento relativo ao fato gerador de 31/12/2005 e, pelo voto de qualidade, manter o lançamento da multa isolada, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 242 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 243 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Belém/PA. Versa o presente processo sobre os Autos de Infração (fls. 08 – 17), relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e multa isolada, atinentes aos anoscalendário 2004 e 2005. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, constatouse falta/insuficiência de recolhimento do imposto escriturado na DIPJ e falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ. Devidamente cientificada (fl. 09), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 44 49), alegando em síntese que não recolheu as estimativas mensais de IRPJ, anocalendário 2004, pelo fato de haver apurado prejuízos em alguns períodos e compensado os débitos da estimativa nos demais, conforme apuração da Ficha 11 da DIPJ (fls. 86 89), alegando que a compensação dos débitos foi efetuada por meio da PerdComp n° 17531.16142.130905.1.3.03 3560 (fls. 159 169), e que o saldo a pagar de R$ 83.165,78 da estimativa do mês de dezembro de 2004 foi recolhido em 31/03/2005 e 30/06/2005, via DARF (fl. 170), sendo que as estimativas do anocalendário 2005 foram compensadas contabilmente com os créditos de estimativa mensal da CSLL. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do acórdão e voto de folhas 204 a 207, julgou os lançamentos parcialmente procedentes, assentando para tanto que no caso concreto, a recorrente alega que a compensação das estimativas do anocalendário 2004 fora feita mediante declaração de compensação de que trata a PerdComp n° 17531.16142.130905.1.3.033560 (fls. 159 169), e que a compensação das estimativas do anocalendário 2005 fora feita mediante lançamentos contábeis, refutando de plano a eficácia das compensações efetuadas tão somente na contabilidade do sujeito passivo relativas ao ano calendário 2005 por não se observar as formalidades essenciais prescritas pelos §§ 1º e 2º da Lei n° 9.430/96, em especial a entrega à RFB da declaração de compensação. Quanto às compensações relativas ao anocalendário 2004, destacou a decisão recorrida que a PerdComp n° 17531.16142.130905.1.3.033560 foi retificada pela PerdComp n° 33422.93439.230307.1.7.033810, que por sua vez reduziu a quantidade de débitos compensados pelo sujeito passivo, considerando, desta forma, que os débitos de estimativas mensais de IRPJ, anocalendário 2004 que foram extintos pela compensação são apenas aqueles indicados na PerdComp retificadora. No que tange ao pagamento, via DARF, do saldo remanescente da estimativa de dezembro de 2004, assentou a decisão recorrida que a contribuinte alega que o recolhimento fora efetuado nas datas de 31/03/2005 e 30/06/2005, com juros e multa de mora, mas que os ditos recolhimentos foram efetuados sob o código 2430, que tem por objeto o imposto apurado no ajuste anual com vencimento em 31 de março, anotando que muito embora o recolhimento da estimativa de dezembro do IRPJ tenha fato gerador coincidente com a do ajuste anual Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 244 4 (31/dez), os reflexos desses fatos geradores são diversos e que o vencimento da estimativa ocorre em 31 de janeiro e o do ajuste anual em 3l de março. Concluiuse que caso vertente, a recorrente efetuou um recolhimento, em 31/03/2005, com juros relativos a débito com vencimento em janeiro de 2005 e sem multa moratória, e outro recolhimento, em 30/06/2005, com multa moratória e juros também relativos a janeiro de 2005, afirmando haver dúvida se o que houve foi erro no preenchimento do código de receita do DARF, aduzindo que se houve erro, seria necessário saber se este foi involuntário ou intencional, este último visando a não incidência da multa moratória sobre o recolhimento em 31/03/2005. Com tais ponderações, afirmouse que a solução dessa parte do litígio imporia a verificação do disposto no artigo 112, inciso II, do CTN, que impõe a interpretação mais favorável ao sujeito passivo em caso de dúvidas quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, salientando que a desconsideração da hipótese de erro resultaria uma penalidade mais severa que a da cobrança da multa moratória sobre o recolhimento efetuado em 31/03/2005, considerando, portanto, que houve, no caso em análise, erro no preenchimento do DARF, devendose para tanto imputar de ofício a multa moratória sobre parte do recolhimento do valor principal, a partir do qual se saberá o saldo remanescente do imposto devido, elaborando didático esquema demonstrativo, pelos quais se verificou a parcial exoneração das exigências lançadas. Devidamente cientificada em 31 de outubro de 2011, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, discordando da decisão recorrida na parte em que não reconheceu as compensações realizadas contabilmente para extinção das bases estimadas da CSLL no ano calendário 2005, registrando que de fato as compensações foram efetivadas sem observância das formalidades prescritas pela legislação de regência, consistindose em mero erro formal, não se podendo olvidar que detinha o direito às compensações pugnando pela parcial reforma da decisão recorrida e o reconhecimento que as estimativas mensais de CSLL para o ano calendário 2005, foram extintas pelas compensações contábeis realizadas. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 245 5 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como observado no relatório acima circunstanciado o inconformismo da recorrente se dirige ao entendimento da decisão recorrida na parte em que não considerou suas compensações realizadas contabilmente como aptas a extinguirem as estimativas relacionadas ao anocalendário 2005. Segundo afirma a própria recorrente, de fato as tais compensações não observaram as formalidades legais, porquanto não foram manuseadas e declaradas ao Fisco, em vez disso, seu controle se deu contabilmente, sendo inegável, no entanto, que disporia do direito às compensações. Temse na espécie, portanto, que a recorrente não nega que ignorou as disposições legais e regulamentares ao manusear o procedimento que entende como extintivo das coincidentes estimativas não pagas, considerando apenas que estas devem compensadas com créditos que detém, mesmo sem ter declarado tais compensações ao Fisco. Não prospera a pretensão da autuada. As compensações só têm validade e só extinguem o débito tributário quando declaradas formalmente à Receita Federal, por meio da transmissão de PER/DCOMP, de acordo com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e informadas em DCTF. Tais exigências se coadunam com a sistemática de suspensão imediata dos débitos ali declarados, permitindo efetivo controle do sujeito ativo e dando azo ao procedimento de formal homologação das compensações, com aferição dos requisitos de certeza e liquidez dos indicados créditos. Ou seja, não parece razoável, vigente o sistema atual, que o simples fato de a recorrente dispor de determinado crédito e controlar em sua contabilidade, seja situação apta a extinguir as estimativas devidas ao longo do anocalendário, e tendo em conta que o auto de infração exige o próprio tributo que não fora pago, entendo que a decisão recorrida não está a merecer qualquer censura em relação a este tema. Tratandose da multa isolada, exigida em vista do não recolhimento integral das estimativas devidas, conforme tenho reiteradamente me manifestado, entendo que encerrado o anocalendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do anocalendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 246 6 Em verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário, a revelar o inerente dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele anocalendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique, sendo certo que a partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Relembrese, por oportuno que a jurisprudência predominante neste E. Conselho e mesmo da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme se depreende do Acórdão CSRF/0105.838, Sessão de 15 de abril de 2008. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário mantendo o lançamento relativo ao fato gerador de 31/12/2005, afastando a exigência da multa isolada. Sala das Sessões, em 12 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 247 7 Voto Vencedor O Colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do ilustre Relator acerca da aplicação da multa isolada decorrente da ausência de recolhimento das antecipações obrigatórias. Muito embora tenha reconhecido que a questão da aplicação da multa isolada, nas circunstâncias versadas nos presentes autos, constitui matéria controversa, alinhou se o Colegiado ao entendimento de que o óbice apontado pelo ilustre Relator não encontra ressonância na legislação de regência. Com efeito, inexiste na legislação autorizadora da aplicação da multa a condição explicitada pelo Relator, isto é, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada não poderia ser aplicada. Destacouse, ainda, que a norma impositiva estabelece de forma expressa que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigiuse no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado pela Relator decorreu de exercício de interpretação da norma sancionadora que não pode ser recepcionado. Entendeu também o Colegiado que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto, apurada a partir da recomposição das respectivas bases de cálculo (em razão das glosas efetuadas no procedimento homologatório); e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Nessas circunstâncias, a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº. 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. O fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.721455/200933 Acórdão n.º 130100.931 S1C3T1 Fl. 248 8 Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo devido. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo será lançado com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Procedente, pois, a multa isolada aplicada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator designado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 7/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15374.902777/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 02 77 7/ 20 10 -1 0 Fl. 11163DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 15374.902777/201010 Resolução nº 1301000.105 S1C3T1 Fl. 11 2 Relatório A DERAT/RJ, através do Despacho Decisório n° 858238895 (fls. 48/59), reconheceu crédito no valor de R$2.109.241,03, insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela contribuinte na Per/Dcomp n. 07739.39479.111105.1.3.029930 (fls. 1/47), que pleiteava a compensação parcial de créditos relativos a saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2003, no valor original de R$ 4.006.819,26, com débitos de Cofins no valor de R$ 2.778.500,00 e de PIS no valor de R$ 610.100,00, ambos do período de apuração do mês de outubro/2005. Ainda, com relação ao crédito remanescente da Dcomp acima apresentada no valor de R$1.391.755,21 a contribuinte apresentou posteriormente a Dcomp n. 39557.57782.151205.1.3.029463 pleiteando a compensação com débitos de Cofins apurados em novembro/2005, restando não homologada pela autoridade administrativa. O não reconhecimento integral ao direito creditório conforme pleiteado deuse em razão da não confirmação da totalidade do imposto de renda retido na fonte informados nos Per/Dcomps em confronto com as da DIPJs. Inconformado a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: por não conseguir vislumbrar todas as retenções sofridas, a autoridade fiscal não reconheceu integralmente o direito creditório; com relação ao montante de IRRF apresentado na linha 13 da ficha 12 A da DIPJ, não foi reconhecido R$360.134,51 (doc. 10), cujos comprovantes de recolhimento darf se encontram anexados (doc. 11); com respeito ao IRRF por Órgão Público Federal, o despacho apresenta inconsistências: junta comprovantes de retenção em valor superior ao confirmado (doc. 12) e, também, comprovantes de retenção para os CNPJ não confirmados (doc. 13) e, ainda, "detalhes por documento fiscal, que não deixam dúvidas quanto à veracidade dos créditos pleiteados (doc. 14)"; da análise dos comprovantes juntados, pode se verificar a apuração de crédito, que pode ser utilizado para compensação com outros tributos; deve a autoridade julgadora abrir mão do formalismo, requerendo diligências necessárias à verificação da sua verdadeira situação. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/Rio de Janeiro I) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1235.223, de 18/01/2011 (fls.142), julgando a Manifestação de Inconformidade Improcedente e Direito Creditório não reconhecido, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 Fl. 11164DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 15374.902777/201010 Resolução nº 1301000.105 S1C3T1 Fl. 12 3 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 11165DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 15374.902777/201010 Resolução nº 1301000.105 S1C3T1 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Inferese do relatório e voto condutor que a Delegacia de Administração Tributária da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DERAT) ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, apurou crédito inferior ao pleiteado (valor do saldo negativo disponível: R$2.109.241,03). Nesta fase recursal a contribuinte aduz, em síntese, que: 1 a manifestação de inconformidade foi apreciada pela DRJ sem a juntada dos documentos apresentados (por ter sido extraviados na Delegacia); 2 razão pela qual requer a nulidade do despacho decisório bem como da decisão de primeira instância por cerceamento de seu direito de defesa e; 3 no mérito, requer o reconhecimento integral do seu direito creditório tendo em vista que o Saldo Negativo apurado no ano calendário de 2003, decorre especialmente de retenções sobre mútuos com empresa ligada e retenções sobre serviços prestados a órgãos da Administração Pública Federal (art. 64 da Lei 9.430/1996), conforme comprovantes de rendimento apresentados pelas fontes pagadoras e, na ausência destes, pelos seus registros fiscais e contábeis e documentação que os suportam. Aduz, mais, como a Decisão de primeira instância baseouse no fato de que supostamente não foram apresentados os documentos que dão lastros ao direito creditório, apresenta, novamente, nesta oportunidade (item IV.4 do Recurso), cópia integral da Manifestação de Inconformidade que deveria ter sido juntada aos autos com cópias dos respectivos documentos. De fato, a decisão recorrida traz como fundamentos o artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996, a saber: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1°. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Grifei) Por pertinente, transcrevo excertos do voto condutor: O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do Fl. 11166DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 15374.902777/201010 Resolução nº 1301000.105 S1C3T1 Fl. 14 5 crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (Darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DERAT, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, apurou crédito inferior ao pleiteado (valor do saldo negativo disponível: R$2.109.241,03). Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que, da análise dos comprovantes juntados, pode se verificar a apuração do crédito pleiteado. Os referidos documentos (doc. 10 a 14), no entanto, não foram juntados aos Autos. O interessado alega que teriam sido juntados comprovantes de recolhimento darf, comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, consulta SIAFI e planilhas. Pois bem, a simples retenção de imposto na fonte não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional. Isto porque a retenção na fonte, efetuada nos exatos termos do dispositivo legal, é considerada antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, não representando direito à restituição ou compensação enquanto não devidamente analisado o crédito tributário correspondente ao período. Assim, a análise dos pedidos de compensação implicaria, entre outros procedimentos, verificar se está correta a apuração do saldo negativo de imposto de renda apurado nas correspondentes declarações de rendimentos. Pela análise dos autos, vejo que não restou comprovado devidamente seu direito creditório, seja pela não confirmação dos valores retidos informados na DIPJ em confronto com os valores da DCOMP, seja pela ausência nos autos dos documentos probatórios das retenções. Por seu turno, alega o contribuinte que se analisados os documentos apresentados juntamente com a manifestação de inconformidade e não anexados aos autos pela autoridade administrativa, em especial cópia dos informes de rendimentos financeiros emitidos pelas fontes pagadoras com a indicação dos exatos valores, seriam suficientes para comprovar seu direito e o reconhecimento integral do crédito pleiteado. De fato, a jurisprudência desse E. Conselho é remansosa no sentido de que, o comprovante de rendimentos faz prova a favor do contribuinte para comprovar a efetiva retenção do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos, desde que os rendimentos que sofreram a retenção, tenham sido oferecidos a tributação. Dessa forma, no intuito de se proceder a justiça fiscal, entendo, salutar baixar o processo em diligência, para que a autoridade administrativa analise os documentos juntados nesta fase recursal e, se for o caso, intime o contribuinte a: (i) Carrear aos autos, demonstrativo apontando os períodos em que as receitas que sofreram a retenção objeto do presente litígio foram efetivamente oferecidas à tributação (momento da apropriação – regime de competência); Fl. 11167DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 15374.902777/201010 Resolução nº 1301000.105 S1C3T1 Fl. 15 6 (ii) Demonstrar, se inexistentes no processo, via cópias dos livros contábeis (Diário e Razão), o momento dos lançamentos contábeis efetuados relativo ao item acima; (iii) Anexar outros elementos de prova que entender conveniente para comprovar seu direito a integralidade do crédito reclamado. Após a análise dos documentos carreados pelo Recorrente, que a autoridade administrativa em relatório circunstanciado, emita sua conclusão acerca do crédito reclamado pelo Recorrente. Ao final, intime o Recorrente para, se querendo, se pronuncie acerca da conclusão da autoridade administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 11168DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 15374.902777/201010 Resolução nº 1301000.105 S1C3T1 Fl. 16 7 Fl. 11169DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000269/98-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação II
Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994
VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE EM RAZÃO DA NÃO INCLUSÃO DE “COMISSÃO PELO USO DA MARCA”. INAPLICABILIDADE.
Os pressupostos para a aplicação do ajuste previsto no art. 8º, I, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira não foram preenchidos no caso concreto, quer seja porque não havia motivos para a fiscalização duvidar do valor aduaneiro praticado entre o exportador e o importador, quer seja porque não houve pagamento de royalties ao exportador, conforme atestou o próprio
Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, ou ainda porque o pagamento de royalties havido no Brasil não foi condição imposta pela exportadora para a venda das mercadorias. Precedentes.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO OCORRÊNCIA.
Em que pese a má redação do auto de infração, que não deixa claro
exatamente qual é o fundamento legal do ajuste que aplicou para lançar o crédito tributário, é notório que “comissão pelo uso da marca” não é uma comissão de venda, pois, se o fosse, as concessionárias teriam legitimidade para cobrá-la,
e não a licenciada da marca no País, nos termos dos arts. 693 e
701 do Código Civil.
Logo, se a “comissão pelo uso da marca” confunde-se com royalties, o fundamento da decisão recorrida é o mesmo daquele empregado pelo auto de infração, ainda que de forma obscura.
SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Não tendo a importadora descumprido as obrigações tributárias exigíveis na importação de mercadorias, não há de quê ser responsabilizada solidariamente a licenciada da marca no País.
Numero da decisão: 3201-001.034
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fábio Miranda Coradini e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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AJUSTE EM RAZÃO DA NÃO INCLUSÃO DE “COMISSÃO PELO USO DA MARCA”. INAPLICABILIDADE. Os pressupostos para a aplicação do ajuste previsto no art. 8º, I, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira não foram preenchidos no caso concreto, quer seja porque não havia motivos para a fiscalização duvidar do valor aduaneiro praticado entre o exportador e o importador, quer seja porque não houve pagamento de royalties ao exportador, conforme atestou o próprio Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, ou ainda porque o pagamento de royalties havido no Brasil não foi condição imposta pela exportadora para a venda das mercadorias. Precedentes. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO OCORRÊNCIA. Em que pese a má redação do auto de infração, que não deixa claro exatamente qual é o fundamento legal do ajuste que aplicou para lançar o crédito tributário, é notório que “comissão pelo uso da marca” não é uma comissão de venda, pois, se o fosse, as concessionárias teriam legitimidade para cobrála, e não a licenciada da marca no País, nos termos dos arts. 693 e 701 do Código Civil. Logo, se a “comissão pelo uso da marca” confundese com royalties, o fundamento da decisão recorrida é o mesmo daquele empregado pelo auto de infração, ainda que de forma obscura. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Não tendo a importadora descumprido as obrigações tributárias exigíveis na importação de mercadorias, não há de quê ser responsabilizada solidariamente a licenciada da marca no País. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fábio Miranda Coradini e Marcos Aurélio Pereira Valadão. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 20/07/2012 Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Fábio Miranda Coradini e Wilson Sampaio Sahade Filho. Ausente momentaneamente a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Ausentes justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D’Amorim e os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelas contribuintes contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, em face de aplicação da legislação relativa à valoração aduaneira, por entender que houve exclusão na base de cálculo desses tributos de valores pagos à exportadora a título de “comissão pelo uso da marca”. O lançamento dos tributos teve como premissa, entre outras, a vinculação entre a Companhia Importadora e Exportadora – COIMEX, importadora de produtos da Mitsubishi Motors Corporation – MMC, exportadora, e a MMC Automotores do Brasil Ltda. – MMCB, distribuidora não exclusiva dos produtos da MMC no Brasil, conforme explicita o relatório do auto de infração. Segundo o entendimento da fiscalização, os valores declarados nas importações realizadas pela COIMEX devem ser acrescidos da “comissão pelo uso da marca” paga à MMCB pelas concessionárias de automóveis da marca Mitsubishi, tendo em vista o disposto no art. 8, 1, “c”, do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Acordo de Valoração Aduaneira), promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16.07.86. Intimadas do lançamento, as Recorrentes interpuseram suas respectivas impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, em sessão de julgamento realizada em 10/05/2002. Confirase a ementa do Acórdão nº 0.844 (fls. 814/831): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 2 3 Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Atendidas as determinações contidas no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e reunidos nos autos todos os elementos garantidores do amplo direito de defesa, não ha que se falar de nulidade. ADITAMENTO DA IMPUGNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Em face de vedação legal, é inadmissível a apreciação de razões de defesa apresentadas intempestivamente, ainda que oferecidas como aditamento de impugnação anteriormente interposta. PROVA PERICIAL. Despicienda a realização de Perícia, quando integram os autos elementos suficientes ao deslinde do litígio. Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE NO PREÇO PRATICADO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de "direitos de licença", como condição de venda dessas mercadorias, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Para fins do ajuste de que trata o artigo 8° do Código de Valoração Aduaneira é prescindível a comprovação do vínculo de que trata o artigo 15 classe mesmo Diploma Legal. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, artigo 124 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente Desta decisão foi intimada, inicialmente, apenas a COIMEX, que inconformada, apresentou seu Recurso Voluntário. Contudo, já em sede de apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi declarada a nulidade dos atos processuais a partir da decisão de primeira instância, tendo em vista a ausência de intimação da empresa MMCB (fls. 1.135/1.137). Os autos retornaram para a repartição de origem, tendo sido a MMCB intimada da decisão proferida no recurso especial em 25/11/2008 (fl. 1.140v) e a COIMEX em 24/11/2008 (fl. 1.141v). Inconformadas, as empresas interpuseram o Recurso Voluntário ora apreciado em 17/12/2008 (fls.1.142/1.183 e 1.187/1.228), aduzindo, em síntese, a inexistência de vínculo de solidariedade entre ambas no tocante à responsabilização tributária, além de Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 aduzirem a irregularidade do valor aduaneira estipulado pela fiscalização, que desconsiderou o fato de o valor pago pela MMCB à licenciante da marca no Brasil, MMC, não se confundir com o valor de aquisição dos produtos pago pela COIMEX. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Com base na peça recursal, verifico que o cerne da discussão ora travada desdobrase em três, a saber: (i) preliminarmente, a impossibilidade de a MMCB figurar como responsável solidário da COIMEX; (ii) no mérito, a nulidade da decisão de primeira instância em razão de mudança dos critérios jurídicos e da fundamental legal do lançamento; e (iii) ainda no mérito, a inaplicabilidade dos ajustes ao valor aduaneiro das mercadorias comercializadas entre a MMC e a COIMEX. Analisarei, portanto, cada um dos desdobramentos da presente discussão. Preliminar – Solidariedade Passiva Para fins de aferição de responsabilidade solidária no contexto da relação jurídicotributária, a questão deve ser analisada à luz do art. 124 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Como não há lei que estabeleça expressamente a responsabilidade solidária entre o importador e o distribuidor não exclusivo no Brasil das mercadorias importadas, por exclusão, entendo que a pretensão da fiscalização foi responsabilizar a MMCB com fundamento no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. Na visão da autoridade preparadora, o fato de a COIMEX e a MMCB participarem do processo de venda dos produtos da MMC no Brasil legitimaria a aplicação do dispositivo supracitado, pois restaria configurada uma “associação legal de negócios” (fl. 2). Tal entendimento estaria motivado por contratos de prestação de serviço firmados entre a MMCB e as concessionárias de veículos da marca MITSUBISHI, nos quais faz referência à COIMEX como outorgada da MMCB para promover a sua importação sob encomenda das concessionárias. Confirase, a título exemplificativo, uma das cláusulas desses Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 3 5 contratos, mais especificamente do contrato firmado entre a MMCB e a B.G. Comércio, Importação e Exportação Ltda. (fls. 409/411): Cláusula 3ª Tendo em vista o contido nos "considerandos" deste instrumentos a DISTRIBUIDORA, devidamente autorizada pelas empresas MITSUBISHI MOTORS CORPORATION e MITSUBISHI CORPORATION, outorgará à. empresa CIA. IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX, estabelecida à Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, nº 675, 6º andar, na cidade de Vitória, ES,. inscrito no CGC/MF sob nº 168.163.699/000120, autorização para promover atos relativos à importação de produtos MITSUBISHI MOTORS objeto de pedidos à ela encaminhados, autorização esta, que se fará expressamente, através da integração da DISTRIBUIDORA como INTERVENIENTE nos contratos de compra e venda por encomenda que vierem a ser firmados entre CONCESSIONÁRIO E COIMEX. Como se vê, há realmente uma relação jurídica entre a MMCB e a COIMEX, e, portanto, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador do Imposto de Importação e o do Imposto sobre Produtos Industrializados. Assim sendo, constatada a prática de algum ilícito relativo a esses tributos por parte da COIMEX, não resta dúvidas de que a MMCB deveria ser responsabilizada solidariamente por força do art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Daí a importância de se verificar, no mérito, a prática de algum ilícito na conduta comercial da COIMEX. Mérito – Mudança dos critérios jurídicos e da fundamental legal do lançamento Alegam as Recorrentes que a instância a quo teria mudado os critérios jurídicos e a fundamentação legal do lançamento. Conforme se depreende da sua peça recursal (fls. 1.159/1.160), a fiscalização teria fundamentado a prática infracional da COIMEX no art. 8º, 1, “a”, i, do Acordo de Valoração Aduaneira, enquanto a instância a quo teria justificado a manutenção do lançamento combatido no art. 8º, 1, “c” ou “d”, do mesmo diploma, a saber: 43. Procurou a fiscalização, portanto, fundamentar o ajuste pretendido no art. 8°, 1, a, i, do AVA, afirmando que as importâncias recebidas pela MMCB dos concessionários são da espécie "comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra" a que se refere o citado dispositivo... (...) 46. Já na decisão de primeira instância, abandonase o enquadramento no art. 8°, 1, a, i, do AVA, e afastamse as considerações dos autuantes referentes à existência de vinculação entre MMCB e MMC, passando o julgador/relator a defender o entendimento de que o enquadramento se pode efetuar: 1) no art. 8°, 1, c, do AVA; Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 OU 2) no art. 8°, 1, d, do AVA, afirmandose que as importâncias pagas pelos concessionários à MMCB representam reversão indireta, ao exportador, de parcela do resultado de revenda das mercadorias importadas, eis que tais importâncias correspondem a uma valorização da marca MITSUBISHI, provocada pela realização, no Brasil, pela MMCB, de despesas com propaganda, treinamento de pessoal dos concessionários e de assistência técnica. (Grifos originais) A leitura detida do auto de infração, contudo, revelame interpretação diversa daquela que foi empregada pelas Recorrentes. Na visão da autoridade preparadora, o presente lançamento teve origem em suposta infração ao Acordo de Valoração Aduaneira, qual seja a declaração a menor do valor aduaneiro de veículos para transporte de passageiros da marca MITSUBISHI (fl. 2). De acordo com o auto de infração, especificamente na parte que trata da apuração do valor aduaneiro (fls. 6/8), essa diferença a menor decorreria da desconsideração da “comissão pelo uso da marca” cobrado pela MMCB na valoração dos veículos importados pela COIMEX, ensejando, pois, o ajuste previsto no art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira. Vejamos: Ao examinarmos o presente caso, veremos que tanto poderemos aceitar o preco da transacao ajustado pelo valor que a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. cobra dos revendedores a titulo de "comissao de compras" e "licenca para uso da marca", importancias relacionadas em anexo a este Auto de Infracao e que foi apurado junto com a propria MMC, que deveria ter sido acrescentado como ajuste ao valor da transacao como manda a artigo oitavo do Acordo, quanto nao aceitando o valor do metodo primeiro por estar o mesmo influenciado por esta vinculacao, passarmos para o que o Acordo manda no caso de nao aceito o valor da transacao primeiro metodo, passando sucessivamente em ordem crescente aos demais. O segundo e terceiro metodos nao podem ser adotados no presente caso, pois nao existem importacoes nem vendas de veículos da marca MITSUBISHI diretamente do Japao e com as características identicas ou similares a dos importados para o Brasil na mesma epoca. Determinavase assim, pelo quarto metodo, em que chegariam a valores proximos do que se consiga adicionandose os ajustes. O Acordo em seu artigo oitavo porem, como acontece no presente caso, manda que sejam feitos ajustes acrescentandose ao preco da transacao, os valores pagos aos representantes dos exportadores, como "comissão pelo uso da marca", eis que a mesma e suportada pelo comprador (no caso presente quem esta importando a mercadoria, sendo no caso o comprador, e cada concessionario que e quem paga a referida comissão cada vez que importa um veiculo) e nao se trata de uma "comissao de compra" nos termos das Notas Interpretativas ao artigo 8 do Acordo em seu paragrafo 1 (a) (i). As citadas H comissoes" por outro lado nao se confundem com quaisquer de outros custos que sejam suportados pelos compradores, muitos deles tambem passiveis de serem ajustados tambem. Resta dizer que , embora a vinculacao exista neste caso especifico, o Acordo nao dispoe Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 4 7 que para haver ajustes no artigo oitavo deve haver vinculacao entre as partes interessadas nos ajustes, como pode se ver, por exemplo, no caso de fretes e seguros. O acordo tambem nao dispõe de que o beneficiario do citado ajuste deva ser obrigatoriamente o exportador. (...) Consequentemente, aceitamos o preco da transacao declarado, com o ajuste da "comissao pelo uso da marca" cobrado pela MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA., reservandose o direito da Fazenda Nacional de efetuar outros ajustes de valores suportados pelos compradores dos veiculos, caso os mesmos sejam comprovados. (Grifei) Com base nos trechos destacados em negrito e sublinhados, resta nítido que a fiscalização não levou em consideração a vinculação existente entre as partes para aplicar o ajuste de que trata o art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira. Por sua vez, o art. 8º, 1, “a”, i, do Acordo de Valoração Aduaneira, é mencionado pela fiscalização apenas para esclarecer que a comissão paga à MMCB pelas concessionárias não era comissão de compra, e sim de uso de marca. É bem verdade que o termo comissão não deveria ter sido utilizado pela fiscalização para se referir à cobrança pelo direito de uso de marca. Tecnicamente falando, o termo correto seria royalties, conforme se depreende da definição legal contida no art. 22 da Lei nº 4.506 de 1964, in verbis: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; (...) A despeito da má redação do lançamento combatido, que gerou confusão tanto para as Recorrentes quanto para a instância a quo, não é legítima a pretensão recursal de ver declarada a nulidade da decisão de 1ª instância com esteio na mudança de critério jurídico e da fundamentação legal do auto de infração. Pela leitura do trecho por mim transcrito do auto de infração, depreendese que a intenção da autoridade preparadora foi aplicar o ajuste previsto no art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira, embora eu reconheça que isso poderia ter ficado mais claro. Seja como for, a decisão recorrida fundamentou a procedência do lançamento no artigo do Acordo de Valoração Aduaneira acima citado, não havendo, portanto, mudança de critério jurídico ou de fundamentação legal do lançamento. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Mérito – Inaplicabilidade do art. 8º, 1, “c”, do AVA ao caso concreto A análise desse último desdobramento da peça recursal merece muita atenção, pois percebo que muitas vezes a aplicação do art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira não é adequada, quer seja porque não há motivos relevantes para se duvidar da veracidade do valor aduaneiro declarado pelo importador, quer seja porque a fiscalização aplicao sem atentar para o preenchimento das condições que legitimam o ajuste a ser realizado pela Aduana. Pois bem, o art. 1º do referido acordo estabelece que “o valor das mercadorias importadas será o valor da transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do art. 8º, desde que: (...)”. Dessa transcrição depreendo que, em matéria de valoração aduaneira, a Aduana deve reger a sua atuação pelo princípio da neutralidade, podendo, excepcionalmente, intervir no valor da transação para corrigir distorções inaceitáveis. Mesmo assim, no preâmbulo do Acordo de Valoração Aduaneira está claro que “os procedimentos de valoração não devem ser utilizados para combater o dumping”, ou seja, ainda que seja caracterizado o “valor de transação inaceitável”, a aplicação dos procedimentos de valoração deve se restringir aos propósitos do referido acordo. Penso eu que um dos propósitos para o acordo autorizar a intervenção da Aduana na valoração de mercadorias importadas é evitar a manipulação artificial de preços para evitar ou reduzir a tributação, a exemplo do que ocorre com as regras de preço de transferência, embora estas sejam mais abrangentes, por incluírem serviços e direitos. Contudo, as regras de preço de transferência visam a resguardar a arrecadação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ao passo que as regras de valoração aduaneira prestamse a fazêlo quanto aos tributos aduaneiros, ou seja, aqueles cuja base de cálculo confundese com, ou leva em consideração, o valor aduaneiro. Assim, por exemplo, se um exportador estrangeiro e um importador nacional combinam que o segundo deve comprar mercadorias do primeiro, pagandolhe, ainda, royalties pelo direito de uso de marcas relativas a tais mercadorias, há um indício de manipulação artificial do preço das mercadorias, pois a carga tributária de importações de mercadorias é normalmente superior do que aquela aplicável às remessas de royalties para o exterior. Constatado, pois, que as partes convencionaram transferir parte do preço das mercadorias à licença de direito de uso de marcas, com a conseqüente redução da base de cálculo dos tributos aduaneiros, tornase legítima a intervenção da Aduana no valor da transação mediante o ajuste previsto no art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneiro, a seguir transcrito: Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração que o comprador deve pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 5 9 licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (...) Contudo, o mero indício da manipulação do valor de transação não é suficiente para justificar a intervenção da Aduana no valor da transação, devendo haver primeiro a verificação de que o preço praticado entre as partes contratantes não condiz com os preços normalmente praticados no mercado do importador sob pena de fazer tabula rasa do art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira. No contexto da vinculação entre as partes, o dispositivo acima mencionado estabelece que o valor de transação será aceito, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito do valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares. Ora, segundo relata a COIMEX, essa demonstração ocorreu no curso do procedimento aduaneiro (fl. 859). Confirase: No presente caso, como dito, o valor da transação se aproxima do vigente no mesmo tempo ao valor de transação em vendas de mercadorias idênticas ou similares. Procurando atender às solicitações feitas no curso do procedimento, a recorrente consignou documentalmente que o preço FOB da transação de veículos exportados, para mercadorias parelhas, é similar. Desta forma, tratase efetivamente de preço aceitável para fins aduaneiros. Analisando mais a fundo essa afirmação, verificase que a COIMEX e a MMCB foram intimadas por diversas vezes a apresentarem esclarecimentos sobre os preços praticados não apenas para veículos da marca MITSUBISHI, como também para aqueles que ostentavam as marcas HONDA, PEUGEOT e MAZDA (fls. 493/496, 505/506, 514/515, 520, 527, 530, 532/533 e 549/541). Tais intimações foram devidamente respondidas, inclusive fazendo referência às listas de preços FOB de todos os exportadores que forneceram para COIMEX (fls. 498/504, 508/513, 516/519, 522/525, 528/529, 531, 532/536 e 542/547). Para melhor situar a conclusão das autoridades fiscais preparadoras quanto à causa justificadora da aplicação dos ajustes do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, transcrevo um trecho da Intimação nº 99/96 à COIMEX (fl. 532), a saber: 1 A vinculação existente entre as diversas empresas envolvidas na importação dos veículos da marca "MITSUBISHI", se dá não pela existência de vínculos societários, com uma empresa sendo subsidiária da outra ou tendo participação no capital social ou ainda por ter os mesmos dirigentes, mas pela existência do reconhecimento de uma associação legal em negócios, pois todas as envolvidas são associadas na finalidade na importação dos veículos em causa. 2 Este conjunto de transações e a diferença grande entre o preço do veículo declarado e o preço de venda ao público, caracterizam os motivos existentes para se declarar que o preço da transação foi influenciado pela vinculação. (Grifei) A partir da transcrição supra, fica evidenciado que a fiscalização levou em consideração, para fins de comparação, os preços de veículos idênticos na importação e no Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 mercado interno, quando deveria ter considerado os preços de veículos idênticos ou similares apenas na importação. Como bem ressaltou a COIMEX em resposta a essa intimação (fl. 533), é natural que o preço na importação seja significativamente inferior ao preço de revenda no mercado interno. Vejamos: Aliás, o motivo Invocado no Item 2 da Notificação (diferença grande entre preço declarado e preço de venda ao público) peca por falta de definição de seus limites e contornos. É óbvio que o preço de Importação (FOB) sempre será Inferior àquele de venda ao público, até mesmo porque, há de se considerar, dentre outros, a carga tributária interna, notoriamente elevada. (Grifei) Com efeito, não merece prosperar a conclusão primeira que levou a fiscalização a aplicar os ajustes do art. 8º, 1, “c” do Acordo de Valoração Aduaneira. Isso porque o simples fato de o preço da mercadoria ser mais baixo na importação do que na sua revenda para o consumidor final não é motivo relevante para se duvidar da veracidade do valor aduaneiro declarado pelo importador. Seria relevante para esse fim, a diferença significativa do valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares na importação, o que não se debateu no caso concreto. Apesar de despiciendo, analisarei a própria aplicação do ajuste previsto no art. 8º, 1, “c” do Acordo de Valoração Aduaneira, como se, de fato, houvesse motivo relevante para se duvidar da veracidade do valor aduaneiro declarado pela COIMEX. Em linha com a melhor doutrina, em especial a obra Aplicação do Acordo Sobre Valoração Aduaneira no Brasil, de Antenori Trevisan Junior, penso que alguns requisitos devem ser preenchidos cumulativamente para que possa ser aplicado legitimamente o ajuste previsto no art. 8º, 1, “c” do Acordo de Valoração Aduaneira, a saber: (i) o importador deve pagar royalties ou direitos de licença; (ii) o pagamento deve ser realizado ao exportador, direta ou indiretamente; (iii) esses royalties ou direitos de licença devem estar relacionados às mercadorias importadas; e (iv) o pagamento deve ser uma condição de venda das mercadorias importadas. Para melhor compreender cada um desses requisitos, o Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial das Aduanas (OMA) elaborou treze opiniões consultivas, as quais foram incorporadas à legislação brasileira pelo Anexo Único da Instrução Normativa SRF nº 318 de 2003. Com efeito, transcrevo abaixo quatro dessas opiniões, destacando para cada qual o requisito relacionado. Vejamos: Requisito – pagamento de royalties OPINIÃO CONSULTIVA 4.6 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO 1. Um importador efetua duas compras distintas de um concentrado do fabricante estrangeiro M, que é proprietário de uma marca registrada sob a qual, ou sem ela, segundo as condições da venda para a importação, o concentrado pode ser vendido após sua diluição. O royalty pela utilização da marca registrada é pago em função das unidades vendidas. O concentrado importado é diluído simplesmente em água comum e envasado para consumo antes da sua venda. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 6 11 Após a primeira compra, o concentrado é diluído e revendido sem a marca registrada e sem que se deva pagar um royalty. No segundo caso, o concentrado, após a sua diluição, é revendido sob a marca registrada, devendo ser pago um royalty, como condição de venda para a importação. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Posto que as mercadorias da primeira compra são revendidas sem a marca registrada e sem o pagamento de royalty, não procede realizar qualquer adição. No segundo caso, o royalty exigido por M deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Requisito – realização de pagamento direto ou indireto ao exportador OPINIÃO CONSULTIVA 4.11 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO 1. O fabricante M de vestimentas esportivas e o importador I são ambos vinculados à matriz C, que possui os direitos de uma marca registrada afixada nessas vestimentas. O contrato de venda entre M e I não prevê o pagamento de royalty. Entretanto, I é obrigado a pagar um royalty a C, em virtude de um acordo distinto com este celebrado, para a obtenção do direito de uso da marca registrada afixada nas vestimentas que I adquiriu de M. O pagamento do royalty constitui uma condição de venda e está relacionado com os artigos de vestuário esportivos importados? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O contrato de venda entre M e I, cobrindo as mercadorias objeto da marca registrada, não contém cláusula que imponha expressamente o pagamento de um royalty. Entretanto, o pagamento em questão é uma condição de venda, uma vez que I é obrigado a pagar o royalty à matriz em razão da compra das mercadorias. I não está autorizado a utilizar a marca registrada sem o pagamento do royalty. A inexistência de contrato escrito com a matriz não anula a obrigação que I tem de efetuar o pagamento por ela exigido. Pelas razões expostas, o pagamento pelo direito de uso da marca referese às mercadorias objeto de valoração e a quantia correspondente deve ser acrescida ao preço efetivamente pago ou a pagar. Requisito – vinculação entre os royalties e a mercadoria importada OPINIÃO CONSULTIVA 4.9 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 1. Um acordo é concluído entre o fabricante/titular de uma marca registrada de determinadas preparações para uso veterinário e uma firma de importação. Nos termos desse contrato, o fabricante concede ao importador o direito exclusivo de fabricar, utilizar e vender no país de importação as "preparações licenciadas". Essas preparações licenciadas, que contêm cortisona importada na forma adequada para uso veterinário, são fabricadas a partir de cortisona a granel fornecida ao importador pelo fabricante ou em nome deste. A cortisona é um agente antiinflamatório comum não patenteado, disponível a partir de diferentes fabricantes e um dos principais ingredientes das preparações licenciadas. O fabricante concede também ao importador uma licença que a este confere o direito exclusivo de explorar a marca registrada relativamente à fabricação e venda das preparações licenciadas no país de importação. Nos termos das disposições financeiras do contrato, o importador deve pagar ao fabricante um royalty da ordem de 8 % sobre as primeiras 2 milhões de unidades monetárias (u.m.) de vendas líquidas das preparações licenciadas realizadas em um ano civil, e 9 % sobre as subseqüentes 2 milhões de unidades monetárias de vendas líquidas das preparações licenciadas no mesmo ano civil. Prevêse, igualmente, um royalty mínimo de 100.000 u.m. por ano. Em diversas circunstâncias especificadas no contrato, ambas as partes podem converter os direitos exclusivos do importador em não exclusivos, cujo royalty mínimo seria reduzido em 25 % ou , em alguns casos, em 50 %. Os royalties calculados em função do volume de vendas podem ser igualmente reduzidos sob determinadas condições. Enfim, os royalties baseados nas vendas das preparações licenciadas devem ser pagos dentro dos 60 dias subseqüentes ao término de cada trimestre do ano civil. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty remunera o direito de fabricar as preparações licenciadas que contenham o produto importado e, eventualmente, o direito de utilizar a marca registrada da preparação licenciada. O produto importado é um agente anti inflamatório comum não patenteado. A utilização da marca registrada, portanto, não está vinculada às mercadorias objeto de valoração. O pagamento do royalty não constitui uma condição da venda para exportação das mercadorias importadas, porém uma condição para fabricar e vender as preparações licenciadas no país de importação. Em conseqüência, não há que acrescer esse pagamento ao preço efetivamente pago ou a pagar. Requisito – royalties como condição de venda da mercadoria importada OPINIÃO CONSULTIVA 4.8 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 7 13 1. O importador I conclui com o detentor da licença L, estabelecido no país X, um contrato de licença/royalty segundo o qual I aceita pagar a L uma quantia fixa, a título de royalty, relativa a cada par de sapatos, importado para o país de importação, que apresente a marca registrada de L. O titular da licença L fornece trabalhos de arte e de design relacionados com a marca registrada. O importador I conclui outro contrato com o fabricante M do país X para a compra de sapatos que apresentem a marca registrada de L afixada nos sapatos por M, entregando a este os trabalhos de arte e de design fornecidos por L. O fabricante M não está licenciado por L. Este contrato de venda não contém qualquer referência a pagamento de royalty. Não há vinculação entre o fabricante, o importador e o titular da licença.. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O importador é obrigado a pagar um royalty para a obtenção do direito de uso da marca registrada. Esta obrigação resulta de um contrato distinto que não se relaciona com a venda para exportação das mercadorias para o país de importação. As mercadorias são adquiridas de um fornecedor consoante outro contrato e o pagamento do royalty não é uma condição de venda destas mercadorias. Portanto, o pagamento do royalty, neste caso, não deve ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar. A questão de saber se o fornecimento dos trabalhos de arte e de design relacionados com a marca registrada seria qualificado como tributável, segundo as disposições do Artigo 8.1 b), deve ser examinada em separado. É preciso ressaltar que em todas as opiniões consultivas emitidas pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da OMA, o ajuste do art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira somente ocorreu quando houve pagamento de royalties para o exterior. Por essa razão singular, entendo que a operação realizada entre MMC, MMCB e COIMEX não merece sofrer o ajuste em questão. Isso porque, de acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, a MMCB jamais remeteu royalties de marca à MMC. Nesse sentido, transcrevo abaixo o trecho conclusivo da Carta/INPI/DICIG/Nº 0489/2012: De acordo com a Lei nº 4.131/62 e a Resolução/BACEN/Nº 3844/2010 as transferências para o exterior a título de royalties pelo uso de marcas somente devem ser efetuadas após a averbação do contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Assim, como não existem contratos de uso de marcas averbados por este Instituto entre as empresas MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA., inscrita no CNPJ sob o nº 54.305.743/000107 e MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, deduzimos que a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. não tenha remetido royalties para a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION em decorrência de licença de uso de marcas. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Mas ainda que alguma dúvida pudesse pairar sobre a questão ora analisada de forma exaustiva, ou seja, se o pagamento de royalties no país pudesse ser interpretado como uma reversão de benefício indireto para a exportadora no Japão, mesmo não sendo ela controladora da licenciada da marca no Brasil, a conclusão de que o ajuste é inaplicável seria a mesma, pois o pagamento de royalties não é uma condição de venda. Isso porque não há qualquer relação entre a venda promovida pela MMC à COIMEX e as “comissões pelo uso da marca” cobradas pela MMCB das concessionárias de veículos da marca Mitsubishi no Brasil. Essa interpretação somente seria admissível se a COIMEX pagasse à MMCB os royalties e a MMC fosse controladora da MMCB, caso em que a MMCB poderia distribuir os royalties à MMC sob a forma de dividendos. Ressalto que este CARF já se pronunciou diversas vezes sobre o assunto, havendo muitas decisões que amparam o entendimento por mim esposado. Confirase: VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS, PELOS SERVIÇOS PRESTADOS DE PROPAGANDA E PROMOÇÃO DA MARCA, NO BRASIL. Para efeito dos arts. 8°, § 1°, alíneas "c" e "d", do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n° 92.930, de 16/07/86, bem como da Ata Final que incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, promulgada pelo Decreto 1.355 de 30/12/94, não integram o valor aduaneiro as parcelas pagas pelos Concessionários à Detentora do Uso da Marca estrangeira no País pelos serviços efetivamente contratados e prestados, às custas deles, no Brasil, de preparação e promoção de campanhas publicitárias, visando divulgação e colocação dos produtos importados no mercado interno, o que não beneficia o fabricante, mas, ao contrário, traz benefícios aos Concessionários. Inteligência das interpretações dadas pelas Decisões Cosit n° 14 e 15/97. VALORAÇÃO ADUANEIRA. A área de interesse do valor aduaneiro é somente a operação de importação e exportação no sentido de manter os valores éticos que norteiam o comércio internacional, especialmente relacionados à concorrência leal. (Acórdão nº 3101001.017, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 15/02/2012) ......................................................................................................... VALOR ADUANEIRO É indevida a inclusão dos Royalties na base de cálculo do imposto de importação, pois, tal valor não compôs o preço de importação no pais importador, porque, o beneficiário dos mesmos é uma outra pessoa que não se confunde com a exportadora. (Acórdão nº 310100273, Rel. Cons. Valdete Aparecida Marinheiro, Sessão de 20/11/2009) ......................................................................................................... Ajustes decorrentes de royalties e de direitos de licença. Na determinação do valor aduaneiro, os acréscimos de royalties e de direitos de licença ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas somente é cabível quando tais Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 3201001.034 S3C2T1 Fl. 8 15 rubricas se caracterizam como condição de venda do objeto da mercancia. (Acórdão nº 30335466, Rel. Cons. Tarásio Campelo Borges, Sessão de 07/07/2008) ......................................................................................................... VALOR ADUANEIRO. Incabível o ajuste preconizado no art. 8º. do Acordo de Valoração Aduaneira para agregar ao valor de transação valores pagos por concessionários de revenda de veículos automotores ao detentor da marca no Brasil, se ditos montantes não revertem, direta ou indiretamente, ao exportador. (Acórdão nº 30334146, Rel. Cons. Marciel Eder Costa, Sessão de 27/03/2007) Mérito – Decisões COSIT nº 14 e 15/97 As Recorrentes alegam que as Decisões COSIT nº 14 e 15, ambas de 1997, teriam aplicação no caso concreto (fls. 1166 e ss.). Entretanto, como as próprias Recorrentes reconhecem, tais decisões versam sobre o ajuste previsto no art. 8º, 1, “a”, do Acordo de Valoração Aduaneira, ou seja, ajustes que tratam de comissões e corretagens, entre outros. Apesar da infelicidade terminológica da fiscalização, que designou royalties como “comissão de uso de marca”, o art. 8º, 1, “a”, do Acordo de Valoração Aduaneira não se propõe a cuidar desse tipo de comissão, de modo que, a meu ver, as decisões acima mencionadas não são aplicáveis ao caso concreto. Se a malsinada “comissão de uso de marca” fosse uma comissão de venda, a ensejar a aplicação do art. 8º, 1, “a”, do Acordo de Valoração Aduaneira, a legitimidade para cobrála seria do vendedor ou comissário, e não do licenciado da marca no País. Isso porque, conforme prevê o art. 693 do Código Civil, o contrato de comissão mercantil tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente. E mais, em seu art. 701, o Código Civil estabelece que, não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada segundo os usos correntes no lugar. De qualquer modo, reservandome o direito de estar equivocado, se fosse o caso de tratar a “comissão de uso de marca” como uma efetiva comissão de venda, aí sim seriam aplicáveis as Decisões COSIT nº 14 e 15, e, portanto, não seria aplicável o ajuste previsto no dispositivo supracitado. Em outras palavras, ainda que o fundamento idealizado pela fiscalização para proceder ao ajuste do valor aduaneiro fosse distinto daquele que me parece ter sido aplicado, melhor sorte não assistiria ao lançamento por força das referidas decisões. Conclusão Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Os pressupostos para a aplicação do ajuste previsto no art. 8º, 1, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira não foram preenchidos no caso concreto, quer seja porque não havia motivos para a fiscalização duvidar do valor aduaneiro praticado entre a MMC e a COIMEX (o valor aduaneiro é sempre menor do que o preço de venda no mercado interno), quer seja porque não houve o pagamento de royalties para o exterior, conforme atestou o próprio INPI, ou ainda porque o pagamento de royalties havido no Brasil não foi condição imposta pela MMC para a venda das mercadorias à COIMEX. Consequentemente, não tendo a COIMEX praticado qualquer ilícito relativo ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, não há de quê ser responsabilizada a MMCB solidariamente. Quanto à mudança de critério jurídico, não assiste razão às Recorrentes, pois, embora o auto de infração não esteja claro quanto ao dispositivo do Acordo de Valoração Aduaneira que teria legitimado o lançamento, a conclusão de um dos itens do seu relatório evidencia a aplicação do ajuste previsto no seu art. 8º, 1, “c”, a saber: “...aceitamos o preco da transacao declarado, com o ajuste da ‘comissao pelo uso da marca’ cobrado pela MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA.”. Por outro lado, ainda que se interpretasse o lançamento em tela de forma diferente, há decisões da COSIT que afastam os ajustes do art. 8º, 1, do Acordo de Valoração Aduaneira relativamente aos valores pagos pelas concessionárias de automóveis às licenciadas do uso da marca no País, pelos serviços, efetivamente contratados e prestados, a título de “divulgação de marca no país”, “sustentação de marca”, “representante da marca no país”, “pesquisa mercadológica” e “treinamento de pessoal”. Diante de tudo o quanto expus, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário mantido pela instância a quo. DANIEL MARIZ GUDIÑO – Relator Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11065.100783/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
EFEITOS.
A declaração retificadora efetuada antes do procedimento de ofício, goza de espontaneidade e, desta feita, considerada válida para todos os efeitos legais.
Sendo assim, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada.
Resta indevida a exigência quando presentes os requisitos da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN).
Numero da decisão: 2201-001.694
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EFEITOS. A declaração retificadora efetuada antes do procedimento de ofício, goza de espontaneidade e, desta feita, considerada válida para todos os efeitos legais. Sendo assim, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. Resta indevida a exigência quando presentes os requisitos da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de lançamento de fls. 04/07, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.435,39, calculados até 31/10/2006. A fiscalização apurou omissão de rendimentos de alugueis. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: . Não recebeu nenhuma comunicação; . Os rendimentos provenientes de alugueis foram declarados na proporção de 50% para o contribuinte e seu cônjuge; . O seu cônjuge retificou a sua declaração de ajuste declarando a totalidade dos rendimentos de alugueis; . Requer a improcedência do lançamento. A 4ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DA OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tributamse os rendimentos omitidos pelo contribuinte, decorrente de alugueis recebidos de pessoas físicas, detectado por intermédio de DIRF da fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar, por meio documentos hábeis, que tal omissão não ocorreu. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS Não se configura hipótese de nulidade do lançamento o fato de a fiscalização não intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos antes da lavratura do auto de infração, pois a fase do contraditório, instaurada com a impugnação, abre oportunidade para o oferecimento de todos os esclarecimentos por parte do autuado, não se configurando, tampouco, a hipótese de cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fl. 48), José Aleixo Lucho Ferrão apresenta Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fl. 59/51), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11065.100783/200777 Acórdão n.º 2201001.694 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos a título de alugueis, relativo ao anocalendário de 2004. Alega o suplicante, em apertada síntese, que efetuou a retificação da DIRPF/2005 de sua esposa em 19/11/2006 e incluiu a totalidade do rendimento de aluguel supostamente omitido. Afirma, ainda, que só tomou conhecimento do lançamento fiscal por meio do Edital nº 005 de 01/12/2006. A autoridade recorrida caminhou para a manutenção da exigência, sob o argumento de que não há nos autos prova de que o bem (imóvel alugado) é comum do casal. Além do mais, asseverou a autoridade julgadora a quo que Declaração de Ajuste Anual retificadora, que incluiu a totalidade dos rendimentos de alugueis na declaração do cônjuge, foi efetuada após o início do procedimento fiscal, portanto, tal fato não produz nenhum efeito ao lançamento de ofício. Pois bem, compulsandose os autos verifico que a Notificação de Lançamento foi lavrada em 16/10/2006 (fl. 04), contudo, o recorrente só foi cientificado da exigência por meio do Edital n° 005 de 19/12/2006 (fl. 35). Além do mais, não consta dos autos intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos. Sendo assim, impende reproduzir o artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifei) Portanto, como o contribuinte só foi cientificado da obrigação tributária em 19/12/2006, por meio do Edital Malha Fiscal IRPF n° 00005, a Declaração de Ajuste Anual retificadora, entregue em 19/11/2006, gozava de espontaneidade e, desta feita, considerada válida para todos os efeitos legais. Transcrevese, outrossim, o art. 138 do CTN – Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ressaltese que os documentos carreados de fls. 52/55 comprovam o regime de casamento, bem como a propriedade do imóvel objeto do recebimento de aluguel. Destarte, a declaração retificadora substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Sendo assim, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11065.100783/200777 Acórdão n.º 2201001.694 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11065.100783/200777 Recurso nº: 914.812 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.694. Brasília/DF, 10 de julho de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19288.000032/2011-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 DCTF. ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Demonstrado que não houve atraso na entrega da declaração, deve ser cancelada a penalidade imposta.
Numero da decisão: 1803-001.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. DESCABIMENTO. Demonstrado que não houve atraso na entrega da declaração, deve ser cancelada a penalidade imposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de multa por atraso na DCTF relativa ao mês de fevereiro de 2010. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Que apresentou as declarações exigidas no presente lançamento por meio de processo eletrônico. b) O certificado digital que habilitaria cumprir a obrigação só foi adquirido em 08/12/2010, e neste momento, foram reapresentadas as DCTF’s e as DIPJ’s. c) Ao processar as declarações apresentadas em janeiro a autoridade lançadora equivocadamente considerou que se tratava de uma nova declaração, quando na verdade era apenas a ratificação da declaração existente. d) As obrigações acessórias de apresentar declaração não podem ser punidas porque o impede o art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Cabe ao contribuinte o dever de cuidar de sua senha. Assim, supostas alegações da interessada de que somente apresentou suas declarações após 08/12/2010 por culpa de atraso na obtenção de seu certificado digital, não afastam a multa pelo atraso na entrega delas. b) A recorrente tentou apresentar a declaração em 08/04/2010, em papel, tendo o requerimento sido indeferido. c) O art. 138 do CTN não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações. d) A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que apenas reitera a alegação de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000032/201125 Acórdão n.º 180301.447 S1TE03 Fl. 2 3 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/09/2012 (extrato de fls. 36). O recurso foi protocolado em 27/09/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Alega a recorrente que a transmissão da DCTF foi impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de apresentação da referida declaração. Diante desta situação, a contribuinte efetuou a entrega da declaração em papel. A autoridade administrativa indeferiu o requerimento de apresentação da DCTF em papel com base nos seguintes fundamentos (fls. 16/18): “A sociedade em conta de participação (direito brasileiro) ou conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação entre os sócios não é uma sociedade propriamente dita, ela não tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não aparece perante terceiros. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio oculto. O sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio oculto, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo. (...) Nesse sentido e pelo acima exposto, indeferimos o pleito do contribuinte, eis que ausente previsão legal que o ampare, mormente na hipótese em que a legislação estabelece a forma para adimplemento da obrigação acessória em questão, que, no caso, deve ser cumprida pelo sócio ostensivo inscrito no CNPJ, face à sua equiparação à pessoa jurídica”. O fundamento da decisão que indeferiu a entrega da declaração em papel não é válido. Isto porque, a legislação relativa ao CNPJ faculta a inscrição da sociedade em conta de participação no cadastro. Tanto é assim que, há previsão expressa de código de natureza jurídica para as sociedades em conta de participação, qual seja, 2127. A legislação oferece duas possibilidades às sociedades em conta de participação: cumprir suas obrigações acessórias por meio do sócio ostensivo, ou inscreverse no CNPJ, e cumprilas tal como as demais pessoas jurídicas. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 4 Apesar do despacho decisório não ser objeto de discussão no presente processo, a análise de sua validade é essencial para a convicção acerca da existência da infração de atraso na entrega da declaração, esta sim, objeto da autuação questionada neste recurso. Tratase de uma questão prejudicial, ou seja, de controvérsia cuja solução é imprescindível para a decisão relativa à existência da conduta infracional de atraso na entrega da declaração. O prazo para apresentação da DCTF relativa ao mês de fevereiro de 2010 encerrouse em 23/04/2010. A recorrente protocolou o requerimento de apresentação da DCTF em papel em 8/04/2010, ou seja, dentro do prazo legal de entrega previsto na legislação (fls. 17). A decisão recorrida desconsiderou a declaração em papel por entender que não há previsão legal para sua entrega em papel, sendo o único meio possível, aquele previsto na legislação: entrega mediante transmissão pela Internet, com assinatura digital. O contribuinte, impedido de cumprir obrigação acessória por meio da Internet, diligentemente enviou a DCTF em papel, protocolando requerimento na repartição, dentro do prazo legal. Em que pese a instrução normativa ser clara ao dispor que a DCTF deverá ser apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, o contribuinte não pode ser penalizado na hipótese dos presentes autos. Sua conduta não pode ser equiparada à do contribuinte que não efetuou nenhum esforço para cumprir a obrigação acessória dentro do prazo legal. A situação fática dos presentes autos não é a mesma do caso em que o contribuinte simplesmente entrega sua declaração fora do prazo, sem qualquer tentativa comprovada de cumprila, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. Como diz Eros Roberto Grau, em sua obra “Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito”, o intérprete discerne o sentido do texto a partir e em virtude de um determinado caso dado. (item X). Em suas palavras: “Vou repetir mais uma vez: a norma é produzida, pelo intérprete, não apenas a partir de elementos colhidos no texto normativo (mundo do deverser), mas também a partir de elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de dados da realidade (mundo do ser). Por oportuno, trazemos à colação decisão do Poder Judiciário que analisa situação análoga: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTREGA DE DCTF DE FORMA MANUAL. MULTA. CERTIFICAÇÃO DIGITAL. POSTERIOR. SENTENÇA PROCEDENTE. EFEITOS. INALTERADOS. TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. I É importante ressaltar que o juiz não está vinculado a examinar todos os argumentos expendidos pelas partes, nem a se pronunciar sobre todos os artigos de lei, restando bastante que, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000032/201125 Acórdão n.º 180301.447 S1TE03 Fl. 3 5 no caso concreto, decline fundamentos suficientes e condizentes a lastrear sua decisão. II Inicialmente, devese salientar que a discricionariedade da Administração Pública não pode sobrepor o limite da razoabilidade, na medida em que, caso não existisse o aludido limite, tornariase um verdadeiro obstáculo às empresas que cumprem com suas obrigaçõese e que por algum motivo não poderiam apresentar as declarações legalmente previstas em lei por motivos alheios à sua vontade. III Vêse dos autos, que a impetrante agiu com toda a transparência, inclusive tendo buscado o cumprimento nos prazos fixados pela Receita Federal. Aliás, o procedimento necessário à obtenção de certificação não é automático, é complexo e burocrático, tendo o contribuinte inciado os trâmites necessários, para a regularização. Registrese, ainda, que a impetrante não pretende postergar a entrega de qualquer declaração, apenas objetiva a autorização para momentânea entrega manual das declarações a que está obrigada, sem a imposição da multa prevista pela Receita. IV Não é demais, também, falar sobre o princípio da proporcionalidade. O grande fundamento deste princípio é o excesso de poder e o fim a que se destina é exatamente o de conter atos, decisões e condutas de agentes públicos que ultrapassem os limites adequados, com vistas ao objetivo colimado pela Administração, ou até mesmo pelo Poderes representativos do Estado. Significa que o Poder Público, quando intervém nas atividades sob seu controle, deve atuar porque a situação reclama realmente a intervenção, e esta deve processarse com equilíbrio, sem excessos e proporcionalmente ao fim a ser atingido. V Desse modo, obstaculizar a entrega das declarações de modo manual, enquanto a impetrante providencia a certificação digital, ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, razão pela qual, a sentença não merece reforma. VI Ademais, recebida a apelação apenas no efeito devolutivo, persistem os efeitos da sentença que tornou o débito inexigível até o pronunciamento definitivo das instâncias superiores, o que não ocorreu, acarretando, o descumprimento, em afronta ao disposto no artigo 26 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança). VII – Remessa necessária e apelação não providas.”(AMS 2005.51.01.0167166, sessão em 12/04/2011). Por conseguinte, não há como deixar de concluir que na hipótese dos autos não houve descumprimento da obrigação acessória, tendo a recorrente entregue a declaração no prazo, valendose do meio possível na época dos fatos, qual seja, a entrega em papel na repartição. No caso concreto, a conduta prevista na legislação – atraso na entrega da declaração – não se materializou, e portanto, não pode dar azo à imposição de penalidade. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 6 No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, de que trata o art. 138 do CTN, tratase de matéria sumulada neste Conselho: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000032/201125 Acórdão n.º 180301.447 S1TE03 Fl. 4 7 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Votei, juntamente com o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, pela negativa de provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que se está diante de caso no qual a impossibilidade de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela internet, por falta da indispensável assinatura digital, decorreu, unicamente, da culpa in eligendo e in vigilando da Recorrente, a qual, de nenhum modo, poderia alegar desconhecimento da legislação pertinente. Quanto à questão de a transmissão da DCTF ter sido supostamente impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de sua apresentação, não foi, essa matéria, objeto de discussão pela decisão recorrida, restando, de todo modo, prejudicada pela falta da necessária assinatura digital. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 37172.001379/2005-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/01/1999
NFLD - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO-DE- OBRA - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO - INOCORRÊNCIA - NULIDADE.
Para o enquadramento de determinados serviços como cessão de mão-de-obra (artigo 31 da Lei n° 8.212/91), a autoridade lançadora deve justificar e provar tal situação. Neste feito, a fiscalização deixou de indicar os pressupostos de fato que caracterizariam os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas por solidariedade em face do contratante, o que ofende os princípios da motivação, do contraditório e da ampla defesa. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é evidente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/01/1999 NFLD RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃODE OBRA NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO INOCORRÊNCIA NULIDADE. Para o enquadramento de determinados serviços como cessão de mãodeobra (artigo 31 da Lei n° 8.212/91), a autoridade lançadora deve justificar e provar tal situação. Neste feito, a fiscalização deixou de indicar os pressupostos de fato que caracterizariam os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas por solidariedade em face do contratante, o que ofende os princípios da motivação, do contraditório e da ampla defesa. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é evidente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 463 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em face de Acesita S.A., CNPJ n° 33.390.170/00189, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.612.4193 (fls. 0116), para a exigência de contribuições previdenciárias (responsabilidade solidária / cessão de mãodeobra), com relação aos serviços que lhe foram prestados pela empresa JP Construções e Montagens Ltda., CNPJ n° 54.434.816/000152, no que se refere a competências compreendidas entre 09/1997 e 01/1999. Segundo a autoridade lançadora (fls. 29): 4 Durante a ação fiscal foi solicitado à notificada, mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD), cópia em anexo, as guias específicas e folhas de pagamento, bem como, contratos firmados com a prestadora de serviços, vinculadas as notas fiscais de serviços por cessão de mãodeobra. 5 A fiscalização do INSS não encontrou as formas de elisão referidas e, portanto constituiu o crédito correspondente às contribuições previdenciárias devidas, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, nos termos do artigo 33, parágrafos 30 e 70 da Lei no 8.212/91, do artigo 229, inciso I e do artigo 243, "caput", ambos do Decreto n° 3.048, de 06/05/99 (Aprova o Regulamento de Previdência Social e dá outras providências), aplicando o instituto da solidariedade utilizando o percentual mínimo de 40%, correspondente à mão deobra a incidir sobre o valor dos serviços das respectivas notas fiscais. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 464 3 6 Os serviços prestados pela contratada, foram discriminados por número, data da emissão, tipo de serviço e valor da nota fiscal, assim como o percentual aplicado para apuração da base de cálculo e a própria base de cálculo, conforme ANEXO I — RESPONSABILIDADE SOLIDARIA / CESSÃO DE MÃODE OBRA, estando os referidos serviços, previstos no parágrafo 2° do artigo 219 do Decreto 3.048/99, que lista os serviços realizados mediante cessão de mãodeobra. A decisão de primeira instância considerou a autuação procedente em parte, mantendo a exigência apenas com relação às competências 12/1998 e 01/1999 (fls. 223229 e 298307). Por sua vez, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 20501.049, que se encontra às fls. 355367, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/1997 a 30/06/1998, 01/08/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999 DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Art. 31 da Lei n° 8.212/91. Deve ser anulado o lançamento que resultar em prejuízo para o direito de defesa do sujeito passivo. A existência de cessão de mão de obra deve ser demonstrada, para os serviços prestados, nos moldes previstos do artigo 31, da Lei n.° 8.212/91. Processo Anulado. A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência parcial, vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que aplicou a regra do artigo 150, § 4°, do CTN. Também por maioria de votos, anulou o lançamento, vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que votou pela anulação da decisão de primeira instância para complementação do relatório. Intimada deste acórdão em 04/03/2009 (fls. 376), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, recurso especial às fls. 379391, acompanhado dos documentos de fls. 392394, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD — lavrada em face da ACESITA S/A referente a contribuições incidentes sobre a remuneração da mãodeobra contratada com a empresa JP Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 465 4 CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA, uma vez que não foi comprovada a elisão da responsabilidade solidária, nos termos do § 3°, do artigo 31, da lei 8.212/91; b) Analisando pedido de revisão, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, entendeu por bem rejeitar a preliminar de decadência parcial do crédito e por anular o lançamento. O voto vencido, proferido pelo Conselheiro Marco André Ramos Vieira, foi no sentido de anular apenas a decisão de primeira instância para complementação do relatório, pois o vício contido no lançamento seria de motivação e não de ausência de motivo; c) Enquanto a posição consubstanciada no voto vencido privilegia a instrumentalidade das formas, o entendimento ao final adotado pela r. decisão recorrida propõe uma nulidade do auto de infração onde ela não deveria existir, e, nesse momento, termina por violar os arts. 10 e 59 do Decreto n°. 70.235/72 e arts. 2, IX, e 22 da Lei n°. 9.784/99. Ademais, indiscutivelmente, o v. acórdão recorrido contraria a prova carreada aos autos; d) Noutro giro, o julgado proferido também desafia recurso especial por divergência, eis que o colegiado perfilhou interpretação divergente da adotada, em casos semelhantes, por outras Câmaras e Turmas destes Conselhos de Contribuintes; e) Observase, no caso do acórdão recorrido, o entendimento, à unanimidade, acerca da existência de vício no lançamento. A decisão por maioria deuse em razão da extensão dos efeitos deste vício, ou seja, se seria caso de anulação do lançamento ou anulação apenas da decisão de 1ª a instância; f) O v. acórdão ora guerreado, na parte em que restou unânime, mostrase dissonante da jurisprudência majoritária (acórdãos nos 10808.499 e 204 01.947) na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. É patente o fato de que o contribuinte exerceu plenamente a sua defesa, inclusive, não tendo se insurgido quanto a este ponto. Atentese, pois, para os acórdãos que refutam por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief); g) Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n° 70.235/72, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; h) Nenhuma dessas duas situações teve lugar nesse processo: nem houve cerceamento de defesa, nem tampouco as decisões foram proferidas por autoridade incompetente. Em verdade, a defesa da empresa notificada foi exercida plenamente, e, mesmo que assim não fosse, consoante os Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 466 5 dizeres do voto vencido, não deveria ser anulado o auto de infração, pois existiu o motivo para a autuação; i) Ora, o art. 59 não fala em anulação da autuação como um todo, mormente se existe motivo para a lavratura do ato. Destarte, quando muito, deveria ser anulada tãosomente a decisão de 1a instância, de modo a que fosse prolatado relatório fiscal complementar e outra decisão em seu lugar. Exatamente como enunciado no voto vencido, motivo para a autuação houve, e, se se concebe que há vício de motivação, basta que outro relatório fiscal seja elaborado; j) Sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que "Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo" (Recurso: 203 112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/02 02.301); k) O art. 10 do Decreto 70.235/72 estabelece os requisitos obrigatórios do lançamento fiscal; l) Na hipótese dos autos, da leitura detida da NFLD, bem como do Relatório Fiscal do lançamento e dos demais termos que acompanham o procedimento fiscal, concluise, indubitavelmente, que tudo está em plena conformidade com o que estabelece o Decreto n° 70.235/72 e a Lei n° 8.212/91. Está caracterizado que o lançamento decorreu de um contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa ora autuada e a JP CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA, bem como as notas fiscais listadas no Anexo I comprovam a regularidade dos serviços e a execução de tarefas que integram o objeto social da ACESITA S/A; m) A descrição pormenorizada dos fatos, bem assim a metodologia utilizada para cálculo e constituição do crédito previdenciário encontramse satisfatoriamente postas no Relatório Fiscal e nos demais atos administrativos posteriores. Do mesmo modo, os fundamentos legais que sustentam a constituição da exação estão precisamente explicitados na NFLD. Todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo; n) De tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento tanto do art. 10 quanto do art. 11 do Decreto n° 70.235/72. O exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual insurgese contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização, dentre outros argumentos; o) A copiosa jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 467 6 que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; p) Não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa da contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; q) Assim, como não existiu cerceamento de defesa, não há que se falar em nulidade. Porém, caso esta Col. CSRF entenda que verificouse a existência de vício, concernente a motivação, cumpre que atenda rigorosamente o comando do art. 59 do PAF e determine apenas a anulação da decisão e não de todo o lançamento. Anular todo o lançamento atenta contra a dicção do art. 59 do Decreto n° 70.232/72; r) No caso dos autos, como a descrição dos fatos é suficiente à comprovação da acusação fiscal, não se pode advogar a tese da anulação pelo mero apego formal; s) Como a decisão confronta o princípio da instrumentalidade das formas, termina por infringir os artigos 2°, X, e 22 da Lei n°. 9.784/99; t) Requer o provimento do recurso, tendo em vista restar demonstrado que a NFLD e demais termos do procedimento fiscal estão em perfeita conformidade com a legislação de regência, inexistindo a nulidade vislumbrada pelo acórdão recorrido, tudo conforme previsão dos arts. 11 e 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e pronunciamentos da jurisprudência destes Conselhos de Contribuintes. E, caso esta Col. CSRF julgue existir vício no lançamento, a recorrente pleiteia seja anulada tãosomente a DecisãoNotificação permitindose a lavratura de relatório fiscal complementar, na forma proposta pelo voto vencido. Admitido o recurso em razão do agravo de fls. 430408 (através do despacho n° 2401157/2009, fls. 409410), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 417431 (Volume II), onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido, inclusive por força da decadência (estão em litígio as competências 12/1998 e 01/1999 e a ciência do lançamento se deu em 24/05/2004, fls. 01). É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 468 7 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, não reconheceu a decadência, mas anulou o lançamento. A recorrente insurgiuse com o fundamento de que inexiste nulidade sem prejuízo para a parte, invocando como paradigmas os acórdãos nos 10808.499 e 20401.947 e defendendo que não houve cerceamento do direito de defesa. Eis a matéria em litígio. O artigo 31, caput, da Lei n° 8.212/91, nas redações vigentes ao tempo dos fatos em apreço, previa que: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. (Redação alterada pela MP n° 1.5239, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Para a responsabilização solidária do contratante, de acordo com tal regra, imprescindível a comprovação da ocorrência de cessão de mãodeobra, cujo ônus é da autoridade lançadora. E, no caso, inexiste a demonstração de que os serviços prestados para a autuada pela empresa JP Construções e Montagens Ltda. se deram por cessão de mãodeobra. Assim e segundo penso, a tese defendida pela Fazenda Nacional não merece prosperar, na medida em que é flagrante o cerceamento do direito de defesa da contribuinte, com evidente prejuízo à compreensão do trabalho desenvolvido pela fiscalização, o que representa um obstáculo intransponível para o lançamento. Tenho como irretocáveis as considerações feitas pela Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora do acórdão recorrido, no sentido de que (fls. 361364): Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 469 8 Analisando os autos verifiquei que o relatório fiscal não evidenciou a caracterização da cessão de mãodeobra para exigir as contribuições decorrentes da responsabilidade solidária, fato este que impossibilitou a defesa da recorrente. Versando o lançamento, exclusivamente, sobre a responsabilidade solidária decorrente da cessão de mão de obra, no período lançado, a efetiva prestação do serviço com cessão deve ficar cabalmente demonstrada no relatório fiscal. Estatui o artigo 31,caput, da Lei n° 8.212/91: (...) Portanto, a solidariedade só estará presente nos serviços contínuos, onde houver cessão de mão de obra (art.31, caput da Lei n° 8.212/91), de forma que a constatação da existência ou não da solidariedade darseá mediante a verificação da forma como foram contratados os serviços. Por força do dispositivo legal, acima referido, a fiscalização deve comprovar, quando do lançamento, a existência da cessão de mão de obra nos moldes descritos pela legislação. O ônus de demonstrar a natureza da cessão de mão de obra é da fiscalização. Devem ser juntados aos autos os contratos existentes entre as partes comprovando a forma de contratação, além da descrição dos serviços prestados com os elementos caracterizadores da prestação de serviço com cessão de mão de obra, ou seja: que o prestador de serviços ou contratado tenha colocado segurados à disposição do tomador ou contratante; que tais segurados tenham permanecido à disposição nas dependências do tomador (contratante) ou na de terceiros; que tenham realizado serviços contínuos, repetindose periódica ou sistematicamente. Tomando por base a definição estabelecida pelas normas acima citadas, para que dada prestação de serviço possa ser enquadrada como cessão de mãodeobra, tornase necessária a presença dos seguintes elementos: a) que o prestador de serviços ou contratado tenha colocado segurados à disposição do tomador ou contratante; b) que tais segurados tenham permanecido à disposição nas dependências do tomador (contratante) ou na de terceiros; c) que tenham realizado serviços contínuos, repetindose periódica ou sistematicamente. E a satisfação plena destes requisitos deve restar efetivamente demonstrada no relatório fiscal, sob pena de não se poder afirmar com segurança que a prestação se deu na modalidade "cessão de mãodeobra". É de se atentar que tal necessidade não se impõe por simples formalismo, mas é importante para evitar o cerceamento do direito de defesa por parte do contribuinte, uma vez que, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 470 9 ausentes no relatório fiscal os requisitos da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, colocase sobre ele o peso desproporcional de tentar produzir sua defesa sem saber exatamente o que lhe está sendo cobrado. No presente caso, limitouse o relatório fiscal da notificação a informar que a descrição dos serviços prestados, a data em que prestados e o valor da nota fiscal se encontravam em anexo, bem como fez alusão ao descrito no artigo 31, da Lei n.° 8212/91, para configurar a responsabilidade solidária, sem fazer qualquer subsunção dos fatos, por ventura existentes, à norma legal. Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração ou não da cessão de mãodeobra, fato este determinante para o lançamento de débito por responsabilidade solidária. Não há no relatório a descrição dos serviços prestados, tampouco a caracterização de que o foram com cessão de mão de obra. A peça fiscal deveria ter deixado claro se os empregados da prestadora de serviço ficavam efetivamente à disposição da tomadora, se esta exercia, ou não, o poder de mando sobre eles e se era realizado de maneira contínua, repetindose periodicamente ou sistematicamente. É de se ressaltar, que as decisões recorridas não se prestam a caracterizar o fato gerador das contribuições previdenciárias, que deve vir explícito quando do lançamento fiscal. Um dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material e, por este princípio, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito. Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da cessão de mãodeobra. A falta de caracterização da cessão de mão de obra, no Relatório Fiscal, por si só gera o cerceamento de defesa do contribuinte e conseqüentemente a anulação do lançamento de responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias advindas da prestação de serviço com cessão de mão de obra, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto 70.235/72. Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração ou não da cessão de mãodeobra, fato este determinante para o lançamento do débito contido nesta notificação. Por todo o exposto, Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 471 10 Voto para ANULAR a NFLD Concordo inteiramente com tais colocações e adotoas como razões de decidir. Por qual motivo os serviços prestados em favor da interessada pela empresa JP Construções e Montagens Ltda. caracterizariam cessão de mãodeobra? Impossível responder tal questionamento, na medida em que nada foi escrito pela fiscalização para justificar o lançamento por “responsabilidade solidária / cessão de mão deobra”. Segundo penso, esta situação vai de encontro à Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cujo artigo 2°, caput e § único, inciso VII, assim prevê: Art. 2°. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VII – indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Na obra O Processo Tributário, 6. ed., São Paulo, RT, 2009, p. 237238, analisando a matéria, Cleide Previtalli Cais afirma o seguinte: A efetiva aplicação do princípio da motivação no curso do processo administrativo, entre o contribuinte e a Fazenda Pública, atenda a garantia do devido processo legal, tanto formalmente, porque resulta do art. 2° da Lei n° 9.784/99, bem assim substancialmente na medida em que possibilita conferir a legalidade ou a ilegalidade da decisão administrativa. Assim, ensejando a adoção das medidas cabíveis pela parte que vier a se entender prejudicada. O princípio da motivação vem assegurado, como critério de estrita observância pela Administração no curso do processo administrativo fiscal, como consta dos incisos VII e VII, do parágrafo único, do art.. 2° da Lei n° 9.784/99, que lhe obriga indicar os pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão, bem como observar as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. Tenho como evidente, pois, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa e a aplicabilidade ao caso do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, segundo o qual: “Art. 59. São nulos: (...) II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 37172.001379/200526 Acórdão n.º 920202.299 CSRFT2 Fl. 472 11 O prejuízo para a parte, conseqüentemente, é evidente. Não se pode olvidar, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN1, que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que não ocorreu no caso em apreço. Sob minha ótica, a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/08/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13896.001443/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mão-de-obra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mão-de-obra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mão-de-obra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa.
Numero da decisão: 2301-002.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral: Fábio H. Higuchi. OAB: 118.449/SP.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 RECURSO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11% NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Não há como serem lançados os valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991) na falta de comprovação dos requisitos legais caracterizadores da execução de serviços com cessão de mãodeobra. A falta de apresentação pelo fisco de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso de ofício. Sustentação oral: Fábio H. Higuchi. OAB: 118.449/SP. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso de ofício interposto pelo fisco, para apreciação de decisão da 7ª Turma da (DRJCPS), que julgou nulo o crédito tributário constituído em desfavor de TV ÔMEGA LTDA. 2. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) julgou o lançamento nulo (ff. 920/926), após recebimento da impugnação do contribuinte (ff. 536/564), entendendo que ocorreu cerceamento de defesa, determinando a nulidade do lançamento fiscal, em face das disposições constantes do inciso II do art. 27 da Portaria RFB 10.875, de 16/08/2007. 3. Consta do relatório fiscal, que o lançamento de crédito referese às retenções destacadas sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de prestação de serviços, apurados nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, (ff. 273/276). 4. A ementa da primeira decisão restou vazada nos termos que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃODE OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Nulidade. Levantamento fiscal fundado na cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991), incidente sobre pagamentos de serviços executados com cessão de mãodeobra, sem a comprovação dos correspondentes requisitos legais caracterizadores dessa modalidade de prestação de serviços. Cerceamento de defesa. A Simples enunciação da legislação aplicável, sem apresentação de documentos e fatos que caracterizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de discutir, caso a caso, a efetiva ocorrência das circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 2301002.699 S2C3T1 Fl. 934 3 Lançamento Nulo” 5. A autoridade administrativa declarou nulo o crédito tributário por não identificar precisamente os serviços e tampouco detalhar as condições e circunstâncias em que foram prestados, o lançamento fiscal não permite que o contribuinte possa realmente impugná lo (quanto à natureza dos serviços prestados), na medida em que não são apontadas, em cada caso, como eventualmente se constatou a efetiva ocorrência dos requisitos legais caracterizadores da cessão de mãodeobra, segundo os critérios estabelecidos seja no § 3º do art. 31 da Lei 8.212/1991, seja no § 1° do art. 219 do Decreto 3.048/1999, seja nos §§ 1° a 3° do art. 143, art. 144 e art. 153 da IN SRP 3/2005. 6. Os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso de ofício, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO DO RECURSO DE OFÍCIO 2. Nos recursos de ofício, cumpre a este Conselho verificar o acerto e a legalidade das decisões recorridas. No caso, o posicionamento da DRJ não merece reparos. 3. O julgador de origem julgou nulo o lançamento fiscal ao argumento de que sem a comprovação dos requisitos legais caracterizadores dos serviços executados com cessão de mãodeobra não há como se atestar a validade da cobrança de valores correspondentes ao percentual de 11% (art. 31 da Lei 8.212/1991). 4. A falta de apresentação de documentos e fatos que individualizem a forma de prestação de serviços, impede o contribuinte de aferir as circunstâncias determinantes da cessão de mãodeobra, o que acarreta cerceamento de defesa na esfera administrativa (ff. 920 a 926 v.). Nada mais acertado. 5. Assim, vale a transcrição de trecho do voto que conduziu o acórdão recorrido: “Concluindo: a realização do lançamento fiscal, com fundamento na retenção de que trata o art, 31 da Lei 8.212, pressupõe, necessariamente, uma das seguintes premissas: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 • A constatação, com fundamentado relato, baseado em documentos e fatos, que demonstrem a ocorrência de serviços, mediante cessão de mãode obra ou por empreitada. • Relato fundamentado, eventualmente acompanhado dos autos de infrações (quando cabíveis) discorrendo pormenorizadamente sobre as evidências e circunstâncias que autorizem a presunção da ocorrência de cessão de mãode obra, não obstante a falta de cumprimento, pelo contribuinte, das respectivas obrigações acessórias. Em face de tais premissas, passase à análise do caso concreto e é forçoso concluir que, efetivamente, o lançamento fiscal não reúne os elementos necessários à sua plena validade. [...] Por não identificar precisamente os serviços e tampouco detalhar as condições e circunstâncias em que foram prestados, o lançamento fiscal não permite que o contribuinte possa realmente impugnálo (quanto à natureza dos serviços prestados), na medida em que não são apontadas, em cada caso, como eventualmente se constatou a efetiva ocorrência dos requisitos legais caracterizadores da cessão de mãodeobra, segundo os critérios estabelecidos seja no § 30 do art. 31 da Lei 8.212/1991, seja no § 1° do art. 219 do Decreto 3.048/1999, seja nos §§ 1° a 3° do art. 143, art. 144 e art. 153 da IN SRP 3/2005. Tal circunstância caracteriza a ocorrência de cerceamento de defesa, que determina a nulidade do lançamento fiscal, em face das disposições constantes do inciso II do art. 27 da Portaria RFB 10.875, de 16/08/2007.” (ff. 925 v. e 926 v.). 6. Como é cediço, a prestação de serviços, com a cessão de mãodeobra, ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). 7. Do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 8. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço em si deve ser contínuo, independentemente da rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 9. E considerando que, no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 2301002.699 S2C3T1 Fl. 935 5 10. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” Art. 31 (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 11. É assente no Superior Tribunal de Justiça que para se ficar configurada a cessão de mãodeobra, deve haver a colocação de empregados à disposição do contratante, com a submissão ao poder de comando no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros, verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, dos dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros. 3. Não há, assim, cessão de mãodeobra ao Município na atividade de limpeza e coleta de lixo em via pública, realizada pela própria empresa contratada, que, inclusive, fornece os equipamentos para tanto necessários. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido”. (REsp 488027/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 14/06/2004, p. 163) 12. No bojo desse acórdão, o Ministro Relator, Teori Albino Zavascki, foi categórico ao atestar que: “São, portanto, requisitos caracterizadores da cessão de mão deobra a colocação de empregados ("segurados") à disposição do contratante. Nesse sentido, os empregados ficam submetidos ao poder de comando do próprio contratante, não do cedente. Ainda, a execução das atividades deve ocorrer no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiro, ficando descaracterizada a cessão de mãodeobra caso a execução do serviço se dê no estabelecimento do contratado (cedente)”. 13. Considerando que cumpre à administração tributária apontar todos os elementos necessários à configuração do fato gerador, não há como deixar de considerar o lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da contribuição. 14 Até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. A doutrina sustenta o seguinte: “O lançamento é ato singular que se faz proceder de procedimentos preparatórios e que se faz suceder de procedimentos revisionais, podendo ser declarado, ao cabo, subsistente ou insubsistente, no todo ou em parte, em decorrência do controle do ato administrativo pela própria administração” (Sacha Calmon Navarro Coelho. Liminares e Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68) 15. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 16. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 17. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13896.001443/200715 Acórdão n.º 2301002.699 S2C3T1 Fl. 936 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 18. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 19. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 20. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 21. Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 22. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso de ofício, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, conforme acima delineado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 17460.000677/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. No caso dos autos, a discussão a respeito do dies a quo é desnecessária, pois em ambas as alternativas ficaria caracterizada a conclusão do lançamento depois de transcorrido o prazo de caducidade. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrente BEL PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. No caso dos autos, a discussão a respeito do dies a quo é desnecessária, pois em ambas as alternativas ficaria caracterizada a conclusão do lançamento depois de transcorrido o prazo de caducidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000677/200716 Acórdão n.º 230102.510 S2C3T1 Fl. 84 3 Relatório Tratase de crédito tributário, no montante de R$ 7.208,54, constituído por meio da NFLD 35.820.9447 que efetuou lançamento referente ao período de 01/1996 a 12/1998 por conta de aferição indireta relacionada a pagamentos feitos a contribuintes individuais. Após tomar ciência da autuação em 18/12/2006, a recorrente apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 59/62, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 19/02/2008, fls. 65. O recurso voluntário, apresentado em 13/03/2008, fls. 66/76, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Preliminar de Decadência A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17460.000677/200716 Acórdão n.º 230102.510 S2C3T1 Fl. 85 5 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 01/1996 a 12/1998. Para tais competências, tornase desnecessária a Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele constante do art. 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas chegaremos à conclusão de que o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento. Tomando o dies a quo do prazo decadencial aquele constante do art. 173, inciso I, teríamos, para as competências de 1998 o início da contagem decadencial em 01/01/1999, o que resultaria no prazo fatal de 31/12/2003. Portanto, o lançamento cientificado em 18/12/2006 foi concluído após a ocorrência da caducidade do direito do fisco de declarar a constituição do crédito tributário, tornando improcedente a autuação guerreada pela recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
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