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Numero do processo: 10920.721718/2011-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CABIMENTO. FINALIDADE.
O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira Instância (artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972), tendo por finalidade, portanto, reformar esta decisão.
Se a decisão de Primeira Instância nega conhecimento à impugnação em virtude da impertinência entre as razões de defesa e os fundamentos do auto de infração, a única matéria possível ao recurso voluntário é a discussão a respeito da pertinência entre os fundamentos da impugnação e do lançamento.
Não havendo no recurso voluntário qualquer elemento que autorize a reforma da decisão recorrida, no que foi por ela decidido, deve ser-lhe negado conhecimento.
Numero da decisão: 3403-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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RECURSO VOLUNTÁRIO. CABIMENTO. FINALIDADE. O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira Instância (artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972), tendo por finalidade, portanto, reformar esta decisão. Se a decisão de Primeira Instância nega conhecimento à impugnação em virtude da impertinência entre as razões de defesa e os fundamentos do auto de infração, a única matéria possível ao recurso voluntário é a discussão a respeito da pertinência entre os fundamentos da impugnação e do lançamento. Não havendo no recurso voluntário qualquer elemento que autorize a reforma da decisão recorrida, no que foi por ela decidido, deve serlhe negado conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 17 18 /2 01 1- 76 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração (fls. 68/74) que formaliza a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, cuja notificação ocorreu em 09/09/2011 (fl. 69). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 75/78) explica que o contribuinte não apresentou a DCTF do 1º semestre de 2007 e que não realizou nenhum recolhimento de IPI em relação ao mesmo período, promovendo assim a apuração dos valores devidos de acordo com os valores escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI e nos livros comerciais (fl. 76). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 90/104) alegando, em síntese, a nulidade do auto de infração em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei 9.718/98. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1437.219, de 10 de abril de 2012 (fls. 113/115), não conheceu a impugnação, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 IPI. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Inexistindo contestação quanto ao lançamento em questão, resta considerar não conhecida a impugnação apresentada por não se instaurar a fase litigiosa do contencioso administrativofiscal. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O voto condutor do acórdão ressalta que apesar de o contribuinte discordar do auto de infração, não questionou a apuração do IPI, assim como não apresentou qualquer ponto de discordância com o crédito tributário constituído contra si. Por isso, tal manifestação não poderia ser tomada por impugnação, de maneira que não caberia qualquer análise de mérito pela DRJ. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 122/129) alegando a nulidade do lançamento, por “impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração” . Afirma que as empresas objeto do auto de infração não são a mesma, “Como se observa pela própria documentação que fundamenta o auto de infração ora combatido, possui o impugnante CNPJ próprio, o que denota sua autonomia jurídico adminstrativa, e se encontra em situação de legalidade junto ao INSS.” (fl. 128). Ao final, pede o cancelamento da exigência fiscal diante da não individualização dos débitos cobrados. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.721718/201176 Acórdão n.º 3403002.323 S3C4T3 Fl. 143 3 Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso foi protocolado em 14/05/2012 (fl. 122), dentro do prazo de 30 dias contados da data da notificação do contribuinte, ocorrida em 11/05/2012 (fl. 121). O recurso, portanto, é tempestivo. O recurso voluntário é o recurso cabível contra a decisão de Primeira Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). A finalidade do recurso voluntário é a reforma da decisão da DRJ. Assim, no recurso voluntário devem ser apresentados argumentos que ataquem o entendimento contido na decisão de Primeira Instância, buscando convencer o julgador de Segunda Instância quanto à necessidade de reforma da decisão recorrida. Neste caso concreto, a decisão de Primeira Instância negou conhecimento à impugnação em virtude de sua impertinência com os fundamentos do auto de infração. Ou seja, deixou de haver apreciação da impugnação porque os argumentos de mérito nela contidos se referiam à apuração do PIS, sendo alheios à apuração de IPI. Neste contexto, sendo a impertinência entre a impugnação e o lançamento o único fundamento da decisão, o recurso deveria impugnar este fundamento, para que fosse possível a reforma da decisão recorrida. O recurso voluntário, no entanto, tal como a impugnação, traz uma matéria completamente inédita, pois neste caso concreto o lançamento não se apoiou em nada que tenha a ver com a formação de grupo econômico para a aplicação da multa. Não havendo, pois, no recurso voluntário, qualquer elemento que autorize a reforma da decisão recorrida, no que decidido, deve serlhe negado conhecimento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000346/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO.
Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de depósito do montante integral.
Numero da decisão: 1201-000.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, André Almeida Blanco e Gilberto Baptista.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 refere-se à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de depósito do montante integral.
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BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 referese à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de depósito do montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, André Almeida Blanco e Gilberto Baptista. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 46 /2 00 8- 38 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 3 2 Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra acórdão nº 1235.643 exarado pela 5ª Turma da DRJ1 do Rio de Janeiro – RJ. Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 242e ss.): Do lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 136/143, lavrado pela DIF/Rio de Janeiro em 07/08/2008, para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 1.104.581,09, acrescida da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios, além da multa exigida isoladamente, no valor de RS 788.986,50. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 127/135, decorre das seguintes irregularidades apuradas: 001 — Adições ao lucro líquido antes da CSLL (Financeiras) Despesas não dedutíveis Lei 9.249/1995. Com base na solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 186, de 11 de agosto de 2000, transcrita no "Termo de Verificação Fiscal" a fiscalização efetuou o lançamento por falta de adição ao lucro líquido para apuração da base de cálculo da CSLL, das despesas operacionais relativas a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa nos exercícios de 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004. A auditoria revelou que os valores das contas contábeis n° 355121 Cofins Indedutível e 355122 PIS Indedutível da interessada nos anos de 2003 e 2004 foram adicionadas devidamente na apuração do lucro real, conforme ficha 09C, fls. 72 e 08, e Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, fls. 16 e 12, mas não o foram para apuração da base de cálculo da CSLL (fls. 15 e 11). O Termo de Verificação Fiscal relaciona as despesas deduzidas a título de contribuições com exigibilidade suspensa, entendendo que os lançamentos contábeis das mesmas caracterizase como provisão, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa futura, mas um provisionamento contra eventuais riscos da ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose a empresa contra os conseqüentes impactos negativos que tal resultado traria a seu Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 4 3 patrimônio, impondo, portanto, a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo também da CSLL, por força do art. 2ºo , parágrafo 1º , letra " c " da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na redação dada pelo art. 2º da lei n° 8.034, de 12 de abril de 1990 e art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O lançamento teve como enquadramento legal o art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/1988; art. 13 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1º da Lei n° 9316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 002 Multas Isoladas Falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada. Multa aplicada isoladamente, no percentual de 50%, sobre a diferença de estimativa de CSLL dos meses de janeiro, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004, referente à falta de adição, nos balancetes de redução/suspensão, das despesas mensais deduzidas a título de contribuições com exigibilidade suspensa. O lançamento teve como enquadramento legal os arts. 222 e 843 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 c/c art. 44, § 1º, inciso IV da Lei n° 9.430/1996 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/2007 c/c art. 106, inciso II, alínea "c", do Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. Da impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 05/09/2008, a impugnação de fls. 152/178, onde argüi a tempestividade, descreve a autuação e os Mandados de Segurança que suspenderam, por depósito judicial, a exigibilidade da Cofins e do PIS nos anoscalendário autuados, e alega, em síntese: Que a Base de Cálculo da CSLL é diferente do lucro real, devendose constatar que somente alguns dos ajustes ao lucro prescritos na legislação do IRPJ estão reproduzidos na legislação reguladora da CSLL. Destaca que até 1992 os tributos eram dedutíveis de acordo com o regime de competência, sem ressalvas, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, mas que, com o advento da Lei n° 8.541/1992, vigente em 1993 e 1994, os tributos e contribuições passaram a ser dedutíveis somente quando pagos, mas que tal restrição, imposta nos arts. 7ºo e 8ºo que transcreve, referiase a lucro real, alcançando, portanto, somente o IRPJ não produzindo efeito sobre a base de calculo da CSLL, sendo este o entendimento do acórdão n° 10192.358 do Primeiro Conselho de Contribuintes, que transcreve. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 5 4 Prossegue demonstrando que, posteriormente, o tema passou a ser regulado pelo art. 41 da Lei n° 8.981/1995 que transcreve, alegando que a exceção de dedutibilidade de tributos cuja exigibilidade estivesse suspensa aplicavase igualmente somente na determinação do lucro real, não havendo ato legal que estendesse esses efeitos para a base de cálculo da CSLL. Destaca o art. 50 da Instrução Normativa SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004, que, a título de regulamento da CSLL, teria reconhecido acertadamente em seu caput que os tributos e contribuições são dedutíveis segundo o regime de competência, equivocadamente, no parágrafo único que transcreve, teria restringido a aplicação do caput aos tributos e contribuições cuja exigibilidade estivesse suspensa, não encontrando apoio no art. 57 da Lei n° 8.981/1995. Após discorrer sobre o art. 57 da Lei n° 8.981/1995 e art. 38 da lei n° 8.541/1992, repete ser impróprio exigir recolhimento da CSLL com amparo no art. 41 da Lei n° 8.981/1995, restrita apenas à determinação do lucro real, motivo pelo qual estaria o parágrafo único do art. 50 da IN/SRF n° 390/2004 carecendo de suporte legal. Negritando que, "sendo a obrigação tributária Ex Lege os tributos devem ser contabilizados como despesas no momento da ocorrência dos respectivos fatos geradores como definido nas leis de regência, tendo como contrapartida lançamento a crédito de conta representativa de obrigação e não de provisão. A arguição de inconstitucionalidade de lei que contenha todos os elementos para determinar o montante do credito tributário não altera a natureza do registro contábil que lhe corresponde", enfrenta o argumento suscitado na solução de consulta 186/2000 e no acórdão n° 10323.003 do Primeiro Conselho de Contribuintes, que afirma não traduzir a correta interpretação que a matéria comporta, uma vez que o lançamento de tributos e contribuições, mesmo que suspensos, nunca representariam uma provisão, mas sempre uma obrigação. Com relação à multa isolada, protesta que, após a apuração do lucro real anual, a base de cálculo da mesma seria a diferença entre o lucro real apurado e a estimativa obrigatória recolhida, e que a mesma não poderia ser exigida simultaneamente com a multa de lançamento de ofício, no percentual de 75%, pois tal procedimento implicaria em dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato e mesma base de cálculo, situação repelida pela ordem jurídica e conforme acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, que transcreve. Alerta ainda que ocorreu equívoco na apuração da multa isolada, pois, ao calculála, o autuante deixou de deduzir de sua base o valor equivalente a 30% de base negativa da CSLL acumulada de períodos anteriores, como faculta o art. 16 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 6 5 Encerra a peça impugnatória protestando pela juntada posterior de provas e requerendo seja julgada procedente a impugnação, exonerandose as exigências impostas. Em 11/10/2010 a interessada junta às fls. 214/230 e 231/239, cópias dos Acórdãos n°s 140100.058 e 110300.261, respectivamente, proferidos pela 1ª a Turma da 4ª Câmara e pela 3ª Turma da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julga acolherem tese idêntica a por ela defendida em sua impugnação. Ao apreciar as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela parcial procedência da impugnação para afastar a exigência da multa isolada imposta pela falta de recolhimentos das estimativas da CSLL. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as mesmas razões já expostas na impugnação (fl. 257 e ss.). Posteriormente, promoveu a juntada de parecer técnico da lavra do Professor Ariosvaldo dos Santos, que vai ao encontro da tese sustentada no voluntário. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Distinção entre as Bases de Cálculo do IRPJ e da CSLL Ao longo dos itens 3 e 4 de seu recurso voluntário a interessada contesta a incidência da CSLL sobre a contribuição para o PIS e a Cofins, cuja exigibilidade encontrava se suspensa, sob o argumento de que não há identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Argumenta que o abaixo transcrito art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95 aplicase somente à determinação do lucro real. Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) Pois bem, está correta a tese defendida pela defesa segundo a qual não são idênticas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De fato, devese notar que o art. 57 da mesma Lei nº 8.981/95, ao estabelecer que “[a]plicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 7 6 de renda das pessoas jurídicas” imediatamente ressalva que serão “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei”. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 não se refere aos ajustes ao lucro líquido previstos nas legislações desses tributos, e sim à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo. Em assim sendo, adotada a apuração de lucro real trimestral para o IRPJ, a base de cálculo da CSLL também deverá ser determinada trimestralmente, com base no lucro líquido ajustado. Mutatis mutandis, o mesmo se diga quando a forma de apuração do IRPJ eleita pelo contribuinte for o lucro real anual ou o lucro presumido. No entanto devese ressaltar que a autoridade fiscal, em momento algum, afirma a identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De fato, a autuação encontrase lastreada, não no citado art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, mas sim no art. 2º, § 1º, “c”, da Lei nº 7.689/88, bem como no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95. Quanto a isso, importante transcrever o seguinte trecho do termo de verificação fiscal: Apesar de os arts. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, e 28 da Lei n° 9.430, de 1996, terem estendido à CSLL as normas de apuração e cálculo do IRPJ, ambos os diplomas ressalvaram continuar a base de cálculo da contribuição regida pela legislação vigente, ou seja, conforme definida pelo art. 2° da Lei n° 7.689/1988. Há, pois, nítida distinção entre a base de cálculo desses dois tributos, não sendo automaticamente aplicáveis à CSLL os acréscimos e deduções determinados pela legislação do IRPJ, para efeito de apuração do lucro real, pois, se assim fosse, estar seia impondo àquela exação a base de cálculo deste último. Dessa forma, a restrição prevista no art. 344, parágrafo 1ºo, do atual RIR (art. 41, parágrafo 1ºo da Lei n° 8.981/1995), impedindo a dedutibilidade, segundo o regime competência, relativamente a tributos com exigibilidade suspensa, não pode, de plano, ser imposta na determinação da CSLL, devendose buscar na legislação específica desta contribuição a existência, ou não, de fundamento para semelhante veto. O parágrafo 1ºo, letra "c", do art. 2º da Lei 7.689/1988, na redação dada pelo art. 2ºo da Lei n° 8.034, de 1990, ao tratar da base de cálculo da CSLL, assim dispôs: "art. 2º ........... §1° ................. c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o imposto de renda; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Posteriormente, o art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995, tratou da matéria nos seguintes termos: "art. 13 Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964 : I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e do décimoterceiro salário, a de que trata o 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065. de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguros e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a aplicável Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente nos itens 3 e 4 do voluntário, a autuação não se deu em razão de suposta identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas sim porque a autoridade fiscal entendeu que é de provisão a natureza do registro contábil relativo aos valores de tributos não pagos, cuja exigibilidade esteja suspensa. 3) Das Adições à Base de Cálculo da CSLL – Provisões Indedutíveis Superado o argumento de defesa examinado no item anterior, resta agora determinar se os valores apurados pela ora recorrente nos anos de 2003 e 2004 a título de contribuição para o PIS e de Cofins, e cuja exigibilidade encontravase suspensa por força do depósito de seu montante integral, devem ou não ser conceituados como provisões. Segundo a fiscalização referidos valores caracterizamse como provisões, daí porque a contribuinte deveria têlos adicionado lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, conforme expressamente prescrito pelo art. 13, I, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifamos) I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Grifamos) (...) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 9 8 Por sua vez a interessada afirma, no item 5 de seu recurso, não se tratar de provisão e sim de obrigação legal, uma vez que o pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins é determinado por lei, possuindo prazo e valor certos, sendo irrelevante que tal obrigação legal esteja com sua exigibilidade suspensa. Sustenta seu entendimento no Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, que sobre o assunto assim estabelece: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. (...) vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. Pois bem, a recorrente ocupase em distinguir os conceitos de provisão e obrigação legal, mas não percebe que, sob certas circunstâncias, uma obrigação legal deve ser provisionada. O próprio Pronunciamento Ibracon NPC nº 22 expressamente admite a constituição de provisão sobre uma obrigação legal quando, em seu item 10, assim estabelece: Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: (Grifamos) a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; (Grifamos) b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. Não é outro o entendimento contido no Manual de Contabilidade Societária, da FIPECAFI (Atlas, ed. 2010, cap. 19 Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes). Na referida obra, seus autores, tecendo críticas ao exemplo 4(a) contido no Anexo II da NPC 22 do Ibracon, assim se manifestam sobre o assunto (página 339 e ss.): Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 10 9 De ver que, no caso sob exame, além da incerteza quanto ao prazo ou valor da obrigação de pagar a Cofins cuja exigibilidade estava suspensa, encontramse também presentes as três condições antes referidas, necessárias e suficientes ao surgimento do dever de constituição da provisão para pagamento da Cofins, a saber: a) a contribuinte tinha a obrigação de pagar a Cofins em razão da ocorrência do respectivo fato gerador legalmente previsto; b) havia probabilidade de a contribuinte vir a precisar de recursos para liquidar a obrigação quando fosse pronunciada a decisão judicial definitiva, tanto que, por precaução, depositou os valores em juízo, a fim suspender de exigência do crédito tributário e evitar a incidência de juros e multa de mora; c) o montante da obrigação poderia ter sido, e foi, estimado pela contribuinte, tanto assim que deduziu o valor das contribuições na apuração do lucro líquido dos anos de 2003 e 2004, bem como depositou os respectivos valores em juízo. Questão que não consta textualmente do voluntário, mas que foi levantada quando da sustentação oral na sessão passada, e que inclusive motivou pedido de vista de conselheiro, referese aos depósitos judiciais que suspenderam a exigibilidade da contribuição para o PIS e da Cofins. Segundo a defesa, com o advento da Lei nº 9.703/98 referidos depósitos são considerados “pagamentos provisórios”, conforme jurisprudência do STJ. Pois bem, o STJ utiliza a expressão “pagamento provisório” em oposição à expressão “pagamento definitivo”, esta última contida na Lei nº 9.703/98. Ademais, como não poderia deixar de ser, a Corte não afirma que o “pagamento provisório” tem como efeito a extinção do credito tributário. Ao contrário, afirma textualmente que o “pagamento provisório” possui a natureza de depósito judicial. Vide, a título exemplificativo, a abaixo transcrita ementa ao AgRg no AREsp 136529 / MG (DJe 22/06/2012): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL COM UM TERÇO DE COFINS EFETIVAMENTE PAGA. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 83 DO STJ. 1. Agravo no qual se pretende admissão de recurso especial no qual se discute possibilidade de compensação do depósito judicial realizado para o fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário com esse mesmo crédito. Defende a tese de que "o depósito judicial perdeu a função de simples garantia e passou a equivaler ao próprio pagamento do tributo, ante a disponibilidade imediata deste numerário ao Poder Executivo, a ensejar, pois, a aplicação da compensação autorizada pelo precitado artigo 8º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998" (fls. 280281). 2. Não obstante a tese recursal, a pretensão não encontra amparo no entendimento jurisprudencial do STJ, que é no sentido de que "o depósito judicial efetuado na forma da Lei n. 9.703/98 é "pagamento provisório" (uso a expressão em oposição à "pagamento definitivo", que consta do art. 1º, §3º, II, da Lei n. 9.703/98). Nessa qualidade, submetese a condição, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 11 10 podendo ser devolvido ao depositante quando a sentença lhe for favorável ou transformado em "pagamento definitivo" quando vencedora a Fazenda Nacional. Já o que o art. 8º, §1º, da Lei n. 9.718/98 exige é "pagamento efetivo". Decerto, o que é efetivo não pode ser provisório. Até porque, adotandose o entendimento veiculado no recurso especial, julgada a causa a favor do particular não haveria mais o que lhe ser devolvido a título de depósito" (AgRg no AREsp 95.530/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 08/03/2012). (...) Ora, conforme estabelecido no art. 151, II, do CTN, o depósito (ou “pagamento provisório”) é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto segundo o disposto no art. 156, I, do mesmo diploma legal, pagamento (ou “pagamento definitivo”) é causa de extinção do crédito tributário. Como se disse antes, ao realizar os depósitos judiciais da contribuição para o PIS e da Cofins a ora recorrente pretendeu suspender de exigência do crédito tributário, evitar a incidência de juros e multa de mora e “garantir” desde já que o débito será pago em caso de seu futuro insucesso na ação judicial. Referido depósito judicial de forma alguma dispensa o registro contábil da conta “PIS/Cofins a Pagar”, nem modifica a natureza jurídica desta conta, que é de provisão, haja vista que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário torna incerta a existência da obrigação legal. Noutro giro, necessário também se faz aqui examinar a alegação da recorrente segundo à qual a distinção por ela defendida entre os conceitos de obrigação legal e de provisão encontra amparo tanto no exemplo 4(a) contido no anexo II do Pronunciamento Ibracon NPC nº 22, quanto na Interpretação Técnica Ibracon nº 02/2006, a qual tem por objetivo esclarecer dúvidas surgidas acerca do citado exemplo 4(a). Quanto a esse argumento devese enfatizar que nem o exemplo 4(a) nem a interpretação sobre ele promovida pelo Ibracon possuem efeito normativo perante este Conselho. Constituemse em meras interpretações do próprio Ibracon sobre a parte normativa do Pronunciamento Ibracon NPC nº 22. Mas como é cediço, o que vincula este Conselho é a própria norma e a sua própria interpretação acerca dela, e não interpretações realizadas por terceiros, mesmo quando feitas pelo órgão que exarou a norma (interpretação “autêntica”). E, no caso, como visto e revisto acima, a parte normativa do Pronunciamento Ibracon NPC nº 22 (em especial item 10, já transcrito) é expressa ao estabelecer que, sob certas circunstâncias, uma obrigação legal deve ser provisionada. Por fim, importante ainda ressaltar que, ao apreciar a mesma questão de direito em julgamento realizado no dia 04/07/2012, no âmbito do processo nº 19740.720170/200915, esta Turma, por unanimidade de votos, decidiu que os tributos com exigibilidade suspensa por medida judicial devem ser contabilizados como provisão e, assim, adicionados à base de cálculo da CSLL. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19740.000346/200838 Acórdão n.º 1201000.789 S1C2T1 Fl. 12 11 Não é outro também o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão nº 910100.592, exarado na sessão de 18 de maio de 2010, pacificou a questão, também por unanimidade de votos, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912970/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação referente à COFINS no valor de R$ 5.859,25, relativo ao período de apuração set/2003. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório de não homologação da compensação, sob o seguinte fundamento: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 97 0/ 20 09 -8 7 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912970/200987 Resolução nº 3401000.670 S3C4T1 Fl. 89 2 relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: Não foi realizada a devida alteração e retificação da DCTF no momento em que foram recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, por um mero equívoco administrativo; A resolução do problema se dá com a simples retificação da DCTF alterando o valor do débito e excluindo o referido DARF como fonte de pagamento de débito. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho eletrônico, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação da DCTF. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexou aos autos cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 20309.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Por fim, a contribuinte requer que seja reformada integralmente a decisão proferida pela DRJ Campinas, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de Cofins e, conseqüentemente, que seja homologada a compensação por ela realizada. É o Relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912970/200987 Resolução nº 3401000.670 S3C4T1 Fl. 90 3 Voto Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os requisitos admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de COFINS relativo ao mês de setembro de 2003. Não obtendo êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, alegando que a retificação da DCTF decorre da tributação de “outras receitas”, destacando que a simples realização de diligência comprovará o direito creditório da recorrente. Apesar de a contribuinte ter retificado sua DCTF somente após o despacho eletrônico proferido pela DRJ de origem e de não ter trazido à primeira instância as provas que juntou aos autos à época da apresentação do Recurso Voluntário, se efetivamente tiver recolhido a Contribuição sobre “outras receitas”, nos termos do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, este Colegiado poderá decidir ao seu favor. A DRJ, ao manter o indeferimento considerando a ausência de provas do recolhimento a maior e a retificação tardia da DCTF, decidiu conforme o estado do processo até então. Certamente poderia ter cogitado de diligência, se na manifestação de inconformidade a contribuinte tivesse esclarecido o indébito, como faz na peça recursal. Assim, descabe cogitar de anulação do acórdão recorrido, sendo certo que inexistiu qualquer cerceamento do direito de defesa. A diligência ora proposta surgiu com os esclarecimentos prestados no recurso voluntário, desta feita acompanhados de documentos (cópias dos Livros Diário e Razão) que precisam ser analisados pela fiscalização. Quanto à circunstância de a DCTF ter sido retificada extemporaneamente, há de ser relevada se o resultado da diligência comprovar ter havido pagamento a maior, por terem sido computadas na base de cálculo receitas que somente seriam tributadas à luz do alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cuja inconstitucionalidade, em caráter definitivo, é posterior ao fato gerador deste processo. Por sinal, a decisão de Superintendência da RFB confirmando a desnecessidade de retificação de DCTF, na hipótese que se afigura como a situação destes autos. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA:COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912970/200987 Resolução nº 3401000.670 S3C4T1 Fl. 91 4 os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). Cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse em relação ao resultado da diligência. É como voto! Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 19515.720519/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006, 2007, 2008
DESPESA DE ALUGUEL. PESSOAS RELACIONADAS. GLOSA TOTAL. DESCABIMENTO.
Descabe a adição ao lucro líquido equivalente a glosa total da despesa de aluguel no caso de pagamento efetuado para pessoa jurídica com sócios em comum, quando a legislação tributária permite expressamente a dedução até o limite do valor de mercado.
Numero da decisão: 1202-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Geraldo Valentim Neto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Carlos Mozart Barreto Vianna, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Gilberto Baptista.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESA DE ALUGUEL. PESSOAS RELACIONADAS. GLOSA TOTAL. DESCABIMENTO. Descabe a adição ao lucro líquido equivalente a glosa total da despesa de aluguel no caso de pagamento efetuado para pessoa jurídica com sócios em comum, quando a legislação tributária permite expressamente a dedução até o limite do valor de mercado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESA DE ALUGUEL. PESSOAS RELACIONADAS. GLOSA TOTAL. DESCABIMENTO. Descabe a adição ao lucro líquido equivalente a glosa total da despesa de aluguel no caso de pagamento efetuado para pessoa jurídica com sócios em comum, quando a legislação tributária permite expressamente a dedução até o limite do valor de mercado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008 DESPESA DE ALUGUEL. PESSOAS RELACIONADAS. GLOSA TOTAL. DESCABIMENTO. Descabe a adição ao lucro líquido equivalente a glosa total da despesa de aluguel no caso de pagamento efetuado para pessoa jurídica com sócios em comum, quando a legislação tributária permite expressamente a dedução até o limite do valor de mercado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 19 /2 01 1- 05 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 3 2 Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Carlos Mozart Barreto Vianna, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Gilberto Baptista. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra autos de infração de IRPJ e CSLL, referentes aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. Consoante descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 469 a 471), cujos trechos mais relevantes são transcritos, com a vênia do colegiado, a fiscalização pode ser assim resumida: “Em 18/03/2011, o contribuinte foi intimado a demonstrar a esta fiscalização a composição das fichas 5A e 5B das DIPJ's dos exercícios de 2006 e 2007. A empresa apresentou relatórios e lançamentos contábeis (razão) onde informa que as atividades da mesma referemse a serviços recebidos a título de taxa de administração e administração do estacionamento Eldorado para os anos de 2006, 2007 e 2008. Em verificação às receitas auferidas pela exploração da atividade de estacionamento do Eldorado foram observados os seguintes fatos, a saber: O contribuinte apresentou a esta fiscalização, contrato de locação celebrado entre a Operadora Eldorado e Condomínio Eldorado com os seguintes itens: Locador: Condomínio Civil Eldorado CNPJ 46.365.524/000187 (leiase 01.054.399/000156); Locatário: Operadora de Shopping Center Eldorado Ltda CNPJ 01.054.399/000156 (leiase: 46.365.524/000187); Objeto: Estacionamento de veículos; Aluguel: 95% da Receita Líquida que vier a apurar no período quinzenal, dias 15 e 30 de cada mês. Item 3, p.u. deste contrato, entendese por receita líquida o faturamento total do estacionamento, abatidas as despesas administrativas e operacionais (pessoal, leasing, energia, etc) e deduzidos, ainda, todos os impostos e taxas decorrentes da operação e os impostos incidentes. De acordo com disposto nas DIPJ's Declarações de Informações EconômicosFiscais anoscalendário 2006, 2007 e 2008 e, Convenção Condomínio Eldorado, temos, tanto para a Operadora Eldorado quanto para o Condomínio Eldorado, os mesmos sócios / coproprietários: Taveri Participações e Serviços LtdaCNPJ 46.365.524/000187 (leiase 62.542.428/000113); Verpar Centros Comerciais S/A CNPJ 01.327.874/000110. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 5 4 A partir do acima exposto, observase que: O contrato de locação celebrado entre as partes Operadora Eldorado e Condominio Eldorado, referemse, aos mesmos proprietários de ambas as entidades, ou seja, Taveri e Verpar cuja destinação dos "aluguéis", recebidos pelas empresas, são destinados pela Operadora Eldorado de forma equânime para ambas. Ainda com relação ao contrato de locação acima, temos que, para se calcular o citado aluguel, definido em contrato como sendo 95% da receita líquida da operação, teríamos que calcular o lucro liquido da empresa antes do IR, senão vejamos: O artigo 280 do RIR/99 define receita líquida de vendas e serviços como a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. No caso em tela, conforme planilhas dispostas pela Operadora Eldorado, a mesma apurou o cálculo do lucro da atividade de estacionamento para, aí sim, calcular o referido aluguel. Após tal cálculo, a empresa refez todos os cálculos do DRE da empresa, incluindo a citada despesa de locação, já com o montante de 95% do lucro da atividade que deveria ter sido oferecido à tributação para cálculo do IR e CSSL. Em suma, tal "aluguel" de 95% da receita líquida de aluguel citado pela empresa, corresponde, conforme os próprios relatórios apresentados, a 95% do lucro da atividade. Levandose em consideração que o montante de 95% do lucro da atividade não foi oferecido à tributação, tal valor, conforme disposto no artigo 249, I e p.u., I do Decreto 3.000/99 (RIR/99), deverá ser adicionado ao lucro líquido, a saber: [...] Diante dos fatos, considerandose que: A empresa Eldorado e Condomínio Eldorado possuem os mesmos sócios/coproprietários, Taveri e Verpar, e no contrato de locação de estacionamento temos a figura do locador e locatário. Neste caso específico, ambos se confundem nas mesmas pessoas jurídicas, Taveri e Verpar; A Operadora Eldorado confirma, de acordo com os recibos apresentados a esta fiscalização, os recibos de locação, com valores recebidos pelo Condomínio Eldorado cujos co proprietários, já informados, são Taveri e Verpar. Com referência à destinação do lucro líquido: Para que existisse a citada despesa de aluguel, a mesma deveria ser incluída quando da elaboração do DRE demonstrativo do resultado do exercício, após o cálculo do lucro bruto, de acordo com as normas contábeis aceitas. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 6 5 No caso, a Operadora Eldorado, após o cálculo do lucro da atividade, adotou 95% desse lucro a título de aluguel, inserindo novamente estes 95% em novo cálculo do DRE , a título de "despesas operacionais" de aluguel, diminuindo, com isso, o valor da base tributável para o IR e CSSL. A empresa, após este novo cálculo, oferece apenas 5% do lucro a título de base de cálculo para os tributos IR e CSSL e não os 100% que deveria ser o valor a ser considerado pela empresa como o de base para cálculo do lucro da empresa e, portanto, para o cálculo dos citados tributos. Com isso, lavrase o presente auto de infração para fins de adição dos valores correspondentes a 95% dos lucros auferidos nos anos de 2006, 2007 e 2008, atribuídos pela empresa a título de despesas operacionais, consideradas indedutíveis, com base no artigo 249, I e p.u. do RIR/99.” Na impugnação, alegouse, em suma: que, por se tratar de um negócio jurídico de direito privado, o contrato de locação permite que seja determinada livremente a remuneração a ser paga pela locatária e a forma como o valor desta prestação será calculado, a teor do art. 17 da Lei n° 8.245/91; que a Cláusula 3a do Contrato de Locação, ao prever que o valor do aluguel corresponde a "95% da receita líquida que vier a apurar no período", encontrase dentro dos limites legais e de acordo com autonomia da vontade; que a estipulação do aluguel com base no faturamento ou receita da locatária, apesar de atípica e não possuir previsão específica na legislação, é prática comum reconhecida pelos tribunais pátrios e pela doutrina como "aluguel percentual"; que somente poderão ser adicionadas ao lucro líquido despesas que, de acordo com o RIR/99, não puderem ser deduzidas determinação do lucro real ou eventual receita não levada à tributação, sendo as despesas efetivamente necessárias para a realização das atividades das pessoas jurídicas caracterizadas como operacionais e, consequentemente, deduzidas do lucro líquido contábil para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas; que todas as despesas relativas à locação do imóvel são necessárias, usuais e normais, sendo impossível negar sua natureza de despesa operacional e, por conseguinte, a sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; que, tratandose de despesa de aluguel necessária à atividade da Impugnante, esta subsumese à previsão do art. 351, inciso I e § 2o do RIR/99; que a interpretação econômica adotada pela autoridade fiscal é procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio; que o cálculo da "receita líquida", nos termos da Cláusula 3a do "Contrato de Locação", abarca apenas as receitas advindas da atividade de estacionamento e não inclui as demais receitas auferidas, servindo apenas para a apuração do valor do aluguel devido; Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 7 6 que, confrontandose a "receita líquida" apurada na planilha do demonstrativo das receitas e despesas do estacionamento (Doe. 05), prevista no "Contrato de Locação", e que demonstra como é calculado o valor do aluguel a ser pago, com as receitas líquidas de todas as atividades da Impugnante declaradas na linha 14 da Ficha 06A das DIPJ de 2007, 2008 e 2009 (Doc. 06), referentes aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente, fica nítido que os valores são completamente diferentes nos dois casos; que a exigência implica também em bis in idem sobre esses valores, uma vez que o IRPJ e a CSLL sobre eles incidentes seriam pagos pela Taveri e pela Verpar. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. CONTRATO ATÍPICO. ALUGUEL. O Código Civil brasileiro permite a celebração de contratos atípicos. Não há óbice às partes para estipular a remuneração do valor do aluguel, de acordo com a legislação sobre locação de imóveis urbanos. DEDUÇÃO DE DESPESA. INDEDUTIBILIDADE. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Considerase indedutível para fins de apuração do lucro, a despesa de aluguel de imóvel estabelecido entre as partes, em que locador e locatário apresentam os mesmos sócios/co proprietários, em valor extremamente elevado para o tipo de atividade da empresa, exorbitando os conceitos de normalidade e usualidade para a dedutibilidade da despesa operacional, cabendo, neste caso, a adição desta despesa na determinação do lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 12/01/2012 (conforme termo, fl.921), apresentou, em 13/02/2012, recurso voluntário ao CARF (fls.927 e ss.), em que alega que a decisão de primeira instância citou fundamentação legal não mencionada pelo autuante, requalificando a infração imputada, além de incorrer no mesmo equívoco da autoridade fiscal. Sustenta que não houve a compreensão adequada dos fatos registrados em sua contabilidade e que os argumentos da acusação são contraditórios. Dentre os equívocos da auditoria, aponta: (i) o valor da locação não corresponde ao conceito de renda líquida previsto pelo art. 280 do RIR/99; (ii) 100% da receita resultante da exploração do estacionamento foi oferecida à Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 8 7 tributação, tendo transitado pela conta de resultado; (iii) despesas de aluguel qualificamse como despesas necessárias à produção dos rendimentos, não tendo havido acusação de infração ao art. 351 do RIR/99, nem alegação de que o valor do aluguel estaria superior ao valor de mercado. Aduz que a autoridade fiscal não fez uma adição dos valores correspondentes a 95% dos lucros auferidos nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008) ao lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, mas, sim, uma glosa de despesas consideradas indedutíveis, porém sem justificativa para fundamentar tal conclusão. Aponta que a decisão recorrida também é contraditória ao analisar a questão do bis in idem, por considerar que locador e locatário ora são a mesma pessoa, ora são pessoas distintas. Por fim, pede a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. A recorrente explora a atividade de estacionamento dentro do Shopping Eldorado, arcando com o pagamento do aluguel contratado mediante o Instrumento Particular de Contrato Atípico de Locação do Estacionamento do Shopping Eldorado (fls. 466 a 468), cuja cláusula 3ª estabelece: 3ª ALUGUEL O(A)(s) LOCATÁRIO(A)(s) pagará(ão) ao LOCADOR, quinzenalmente, nos dias 15 (quinze) e 30 (trinta) de cada mês, a importância que corresponder a 95% (noventa e cinco por cento) da receita líquida que vier a apurar no período. PARÁGRAFO ÚNICO – Entendese por receita líquida o faturamento total do estacionamento, abatidas as despesas administrativas e operacionais (pessoal, leasing, energia, etc.) e deduzidos, ainda, todos os impostos e taxas decorrentes da operação e os incidentes sobre a receita. A autoridade fiscal considerou que a recorrente calculava o lucro da atividade e deduzia 95% desse lucro a título de aluguel como “despesas operacionais”, diminuindo indevidamente a base tributável para o IRPJ e a CSLL, visto que apenas 5% do lucro teriam sido tributados. Foram, então, adicionados os valores correspondentes a 95% dos lucros auferidos nos anos de 2006, 2007 e 2008, considerados despesas indedutíveis, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo sido invocado o art. 249 do RIR/99, que dispõe: Art.249.Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; IIos resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único.Incluemse nas adições de que trata este artigo: Iressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 10 9 designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alíneas "f", "g" e "i "); (...) Cabe referir que o mesmo regulamento traz as regras para que as despesas sejam consideradas dedutíveis, sendo a regra geral prevista no art. 299 e a regra específica dos alugueis prevista no art. 351, abaixo transcritos: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1ºSão necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2ºAs despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3ºO disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. [...] Art.351. A dedução de despesas com aluguéis será admitida (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71): Iquando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e II se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros, ressalvado o disposto no art. 356. §1ºNão são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): Ios aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder ao preço ou valor de mercado; II as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação de contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato. §2ºAs despesas de aluguel de bens móveis ou imóveis somente serão dedutíveis quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso II). Nos termos da legislação tributária, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas e passíveis de dedutibilidade na apuração do resultado tributável, devem Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 11 10 guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora. Para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade, observando que são necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. A autoridade fiscal considerou inoponível ao Fisco, como fundamento de despesa dedutível, a cláusula contratual que estabelece a importância de 95% da “receita líquida” do período e adicionou a respectiva despesa ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. A recorrente alega que a autoridade fiscal, indiretamente, glosou a despesa de aluguel em sua totalidade, e defende que a despesa deduzida é operacional, sendo necessária, usual e normal à atividade da empresa. Sustentam ainda, que não poderiam ser equiparadas a receita líquida apurada com o fim específico de cálculo do aluguel com a receita líquida apurada para fins tributários, nos termos do art. 280 do RIR/99 De fato, o procedimento adotado pela autoridade fiscal, muito embora não tenha buscado caracterizar diretamente a glosa da despesa com o aluguel do estacionamento, o fez de modo indireto, ao considerar que o montante pago a esse título deveria ser adicionado ao lucro líquido em sua totalidade. De acordo com o relatório fiscal, verificase que foram relevantes para a autuação os seguintes e incontroversos fatos: (i) locador (Condomínio Eldorado) e locatário (Operadora Eldorado, ora recorrente) pertenciam aos mesmos proprietários (Taveri e Verpar); (ii) o pagamento do aluguel, deduzido como despesa da recorrente, correspondia a 95% (noventa e cinco por cento) da receita líquida apurada no período, conforme cláusula 3ª do contrato; (iii) a receita líquida, para esse fim, foi definida como o faturamento total do estacionamento, abatidas as despesas administrativas e operacionais (pessoal, leasing, energia, etc.) e deduzidos, ainda, todos os impostos e taxas decorrentes da operação e os incidentes sobre a receita (parágrafo único da cláusula 3ª do contrato de locação). A contratação e o pagamento de despesa de aluguel, ainda que para atingir o objetivo social, deve representar a realidade dos fatos e ser refletida corretamente na contabilidade. Embora as partes sejam livres para estipular contratos típicos ou atípicos, as relações derivadas de tal contrato devem respeitar a boa fé de terceiros aos quais destinem seus efeitos. Cabe destacar que, em razão do vínculo entre credor e devedor do contrato, as relações dele derivadas devem ser analisadas sob os aspectos subjetivos. No caso da Administração Tributária, dado o maior interesse público, os efeitos da contratação são verificados em relação à circulação dos recursos e sua efetiva disponibilização para as partes. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 12 11 Para casos como este, em que a contratação é entre partes relacionadas, foi prevista a regra específica do inciso I do § 1º do art. 351 do RIR/99, já referido, onde é determinado que não são dedutíveis os aluguéis pagos a sócios e dirigentes de empresas no que exceder o valor de mercado. A decisão recorrida considerou que “o Código Civil brasileiro permite a celebração de contratos atípicos” e “que não há óbice às partes para estipular a remuneração do valor do aluguel, de acordo com a legislação sobre locação de imóveis urbanos”. Discordase, contudo, quando conclui o julgador de origem, in verbis: Neste ponto, destaquese os termos do disposto no inciso I do § 1º do art. 351 do RIR/99, anteriormente transcrito, onde é determinado que não são dedutíveis os aluguéis pagos a sócios e dirigentes de empresas no que exceder o valor de mercado, o que se verifica na presente autuação. Notese que, muito embora a decisão recorrida tenha utilizado aquela regra específica (inciso I do § 1º do art. 351 do RIR/99) como um dos argumentos para a manutenção do lançamento, deixou de observar a parte final do dispositivo (“não são dedutíveis... em relação à parcela que exceder ao preço ou valor de mercado”), já que isso não se verificou na presente autuação. Na verdade, esse dispositivo sequer foi utilizado como fundamento da autuação, como se extrai do relatório fiscal: Para que existisse a citada despesa de aluguel, a mesma deveria ser incluída quando da elaboração do DRE demonstrativo do resultado do exercício, após o cálculo do lucro bruto, de acordo com as normas contábeis aceitas. No caso, a Operadora Eldorado, após o cálculo do lucro da atividade, adotou 95% desse lucro a título de aluguel, inserindo novamente estes 95% em novo cálculo do DRE , a título de "despesas operacionais" de aluguel, diminuindo, com isso, o valor da base tributável para o IR e CSSL (sic). A empresa, após este novo cálculo, oferece apenas 5% do lucro a título de base de cálculo para os tributos IR e CSSL (sic) e não os 100% que deveria ser o valor a ser considerado pela empresa como o de base para cálculo do lucro da empresa e, portanto, para o cálculo dos citados tributos. É de se reconhecer que o caso concreto foge à normalidade e usualidade, quando se verifica que da receita do período, descontadas as despesas administrativas, se considerava um lucro de 5%, sendo previsto o pagamento do aluguel no montante de 95% da “receita líquida” do período. Cabe, ainda, referir que os efeitos tributários de uma adição ao lucro líquido e o de uma glosa de despesa são equivalentes, pelo incremento da base de cálculo tributável após procedimento fiscal em que se verificou a redução indevida. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 13 12 Todavia, não se pode concordar com o raciocínio da autoridade fiscal para justificar o lançamento da integralidade da despesa de aluguel pago entre pessoas relacionadas, especialmente quando, para esse caso, existe regra específica e clara determinando que somente “não são dedutíveis os aluguéis pagos a sócios e dirigentes de empresas no que exceder o valor de mercado” (inciso I do § 1º do art. 351 do RIR/99). O pagamento de aluguel a pessoa jurídica constituída pelos mesmos sócios da locatária (ora recorrente) enquadrase perfeitamente nessa regra. Contudo, em nenhum momento, durante o procedimento fiscal, houve qualquer diligência no sentido de perquirir o valor utilizado no mercado para uma locação semelhante à dos autos, a fim de atender aos ditames legais. Embora locador e locatária (recorrente) possuam os mesmos sócios, para fins contábeis e tributários, deve ser observado o princípio da entidade na apuração dos respectivos resultados tributáveis. Assim, se o objetivo social da recorrente exige que seja locado o espaço do estacionamento, consequentemente, a glosa da totalidade da despesa de aluguel comprometeria o próprio funcionamento da recorrente e a realização de sua atividade principal. Tendo em vista que o ônus de demonstrar o excesso de dedução compete ao autuante e como inexiste a possibilidade, no caso concreto, de cancelar parte da autuação correspondente à glosa da despesa de aluguel no limite do valor de mercado, haja vista que esse valor é desconhecido, cumpre cancelar o lançamento de IRPJ em sua integralidade. CSLL Embora não se trate de autuação reflexa, aplicamse à CSLL as mesmas conclusões do IRPJ, visto que, nesse caso, a dedutibilidade da despesa de aluguel da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância das legislações comercial e tributária. Na seara tributária, a Lei nº 7.689/88 determina que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda: Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades , a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do período base, apurado com observância da legislação comercia será ajustado pela: I. exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 14 13 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita: 3. exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1°, § 1º do Decreto Lei n° 2.113, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do Decreto Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores; 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido. § 2° No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1° janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. A Lei nº 9.249/95, por seu turno, vedou em seu art. 13 diversas deduções da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506/64. Art. 13. Para eleito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Por sua vez, o mencionado art. 47 da Lei n° 4.506/64 determina que as despesas desnecessárias à atividade da empresa também não poderiam ser consideradas na apuração do resultado do exercício, abaixo: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § I° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. [...] Assim, se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada ao lucro líquido. Todavia, no caso concreto, como não se verifica a apuração do limite eventualmente extrapolado a título de despesa de aluguel com pessoa vinculada, pelas razões acima expostas, descabe adicionar a totalidade da despesa à base de cálculo da CSLL, restando cancelar a autuação de CSLL. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.720519/201105 Acórdão n.º 1202001.002 S1C2T2 Fl. 15 14 DISPOSITIVO Em razão do exposto, dáse provimento ao recurso voluntário para cancelar os autos de infração de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905865/2009-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONSTATAÇÃO. Servindo os embargos de declaração a sanar omissão, contradição e obscuridade na decisão proferida, uma vez confirmado o defeito apontado, impõe-se o seu provimento e a correção necessária, passando, ambas as decisões, a integrar o julgado. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3403-001.588
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 3403-001.474 e alterar o resultado do julgamento para negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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OMISSÃO. CONSTATAÇÃO. Servindo os embargos de declaração a sanar omissão, contradição e obscuridade na decisão proferida, uma vez confirmado o defeito apontado, impõese o seu provimento e a correção necessária, passando, ambas as decisões, a integrar o julgado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 3403001.474 e alterar o resultado do julgamento para negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 340301.747, no processo nº 10665.905865/200941, sob o fundamento de omissão/contradição/obscuridade de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, dizendo ser proferido pela Primeira Turma Ordinária dessa Colenda Câmara. Segundo a ilustre Procuradora, a 3ª Turma Ordinária da Quarta Câmara, deu provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade, para conceder a atualização dos créditos presumidos de IPI pela taxa Selic, a partir do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento em dinheiro ou a supressão dos óbices opostos pelo fisco contra pretendida compensação, cujo posicionamento foi tomado com base no julgamento do REsp 1.035.847. Visando aclarar o vício alegado transcreve a ementa do julgado proferido pelo STJ e referido no voto: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10665.905865/200941 Acórdão n.º 3403001.588 S3C4T3 Fl. 169 3 Consoante a embargante, compulsando os autos, mais especificamente o Despacho decisório que deferiu parcialmente a declaração de compensação, verificase que não houve o pressuposto que ensejou o julgado proferido pelo STJ, ou seja, não houve qualquer ato de oposição estatal á utilização do crédito pleiteado pelo contribuinte, sequer de natureza legislativa. Nessa linha, o acórdão embargado é omisso, pois não aponta os fundamentos fáticos que assemelham o presente feito àquele no qual foi proferido o recurso especial repetitivo para proclamar o mesmo entendimento. O acórdão carece de fundamentação (vício da omissão) quando deixa de apontar o ato de oposição estatal. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora Os embargos de declaração preenchem os requisitos formais de admissibilidade e devem ser conhecidos. Cumpre ressaltar que o número do Acórdão citado (Acórdão nº 3403 001.747) nos Embargos de Declaração, não corresponde ao processo presente, pois seu. número correto é 3403001.474, de 20 de março de 2012, proferido pela 3ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Os embargos incorrem novamente em equívoco quando mencionado no corpo do acórdão embargado com número diverso. Contudo, entendo que esses equívocos não inviabiliza sua apreciação. Pois bem. Analisando o pedido do contribuinte, o despacho decisório da autoridade administrativa, os recursos apresentados, o acórdão da DRJ e o acórdão embargado, verifico a existência do vício apontado pela ilustre Procuradora. Assim sendo, a PFN tem razão. No caso concreto, o contribuinte não tem direito a atualização dos créditos pela taxa Selic. Sobre a parcela que foi deferida inicialmente na delegacia ele não tem direito, pois foi deferida de imediato, inexistindo ato de oposição do fisco à utilização do crédito, como se depreende da leitura do trecho do relatório do acórdão embargado. Transcrevo a seguir trecho do relatório da decisão recorrida: Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou o PARECER SEFIS de fl. 82, por intermédio do qual a Autoridade Fiscal dá conta da constatação da inclusão indevida da energia elétrica no valor do custo dos insumos utilizados na base de cálculo do incentivo [apurado nos termos da Lei n° 9.363/96. sem custo integrado], motivando a glosa do referido item do que resultou a apuração do crédito presumido, no 2º trimestre/2003, da ordem de R$ 23.126,88, cf. Demonstrativo de fl. 83. Na seqüência foi proferido pela autoridade competente o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 80, que, tomando por base o mencionado Parecer e acatando a sua proposta, decidiu reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 23.126,88 e homologar parcialmente [conforme discriminado na planilha no início deste Relatório] as compensações vinculadas ao crédito presumido relativo ao 2º trimestre/2003 tratado no presente processo. Importa esclarecer que, no tocante à parcela da energia elétrica, também não teria direito, pois embora tenha tido o ato de oposição do fisco, o colegiado no mérito não reconheceu o direito sob o fundamento de matéria sumulada no CARF. Com efeito, o acórdão embargado ao reconhecer o direito à taxa selic, concedeu a correção sobre a parcela inicialmente deferida, em relação à qual não houve nenhuma oposição do fisco. Portanto, inexistindo a resistência da administração, caracterizada pela oposição de ato administrativo ou normativo à utilização do crédito por parte do contribuinte, inexiste o pressuposto para a correção do ressarcimento por aplicação do REsp 1.035.847. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração com efeitos modificativos para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 3403001.474 e alterar o resultado do julgamento, que passa a ser o seguinte: negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000300/2010-06
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/03/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN.
SAT/GILRAT. RE-ENQUATRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA.
O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido: I- de decretar a nulidade por vício material do lançamento quanto às contribuições incidentes sobre os pró-labores dos dirigentes que foi apurado por aferição indireta, bem como declarar a improcedência quanto aos créditos lançados a título de contribuições ao SAT; II- a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base nos fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, limitado até o valor lançado a título de multa nos presentes autos. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima que nega provimento ao recurso, e Oseas Coimbra Junior quanto aos valores de pró-labores dos dirigentes.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/03/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. SAT/GILRAT. RE-ENQUATRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido: I- de decretar a nulidade por vício material do lançamento quanto às contribuições incidentes sobre os pró-labores dos dirigentes que foi apurado por aferição indireta, bem como declarar a improcedência quanto aos créditos lançados a título de contribuições ao SAT; II- a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base nos fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, limitado até o valor lançado a título de multa nos presentes autos. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima que nega provimento ao recurso, e Oseas Coimbra Junior quanto aos valores de pró-labores dos dirigentes. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 267 1 266 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000300/201006 Recurso nº 15.889.000300201006 Voluntário Acórdão nº 2803002.106 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente REFORBUS BOTUCATU REFORMA DE ONIBUS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/03/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. SAT/GILRAT. REENQUATRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 00 /2 01 0- 06 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 268 2 adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido: I de decretar a nulidade por vício material do lançamento quanto às contribuições incidentes sobre os prólabores dos dirigentes que foi apurado por aferição indireta, bem como declarar a improcedência quanto aos créditos lançados a título de contribuições ao SAT; II a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base nos fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212 1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, limitado até o valor lançado a título de multa nos presentes autos. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima que nega provimento ao recurso, e Oseas Coimbra Junior quanto aos valores de prólabores dos dirigentes. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 269 3 Relatório O presente Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ, que manteve o crédito tributário oriundo de contribuições previdenciárias da empresa e ao SAT, apurados com base na GFIP, folha de pagamento, bem como quanto às contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de prólabore foram apurados por aferição indireta com base nos rendimentos tributáveis declarados nas declarações nos IRPF dos dirigentes nos respectivos períodos, por não terem os valores de prólabore sido declarados em GFIP e os livros diário e caixa não terem sim apresentados à fiscalização, após ação fiscal iniciada em razão de exclusão dos regimes de apuração SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. A ementa da decisão recorrida: A S S U N T O : C O N T R I B U I Ç Õ E S S O C I A I S P R E V I D E N C I Á R I A S Período de apuração: 01/07/2007 a 31/03/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância RECLASSIFICAÇÃO DE OFÍCIO DA ATIVIDADE DA EMPRESA. Cabe à pessoa jurídica classificar a atividade por ela desenvolvida, sem prejuízo da atuação, de ofício, da autoridade administrativa. PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO SUJEITO PASSIVO. COMPARAÇÃO. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II, "c"'), as penalidades anteriormente previstas para as infrações relativas a apresentação de declaração inexata (artigo 32, §5° da Lei n° 8.212/91) e falta de recolhimento de tributo (artigo 35, II da Lei n° 8.212/91) deverão ser somadas e comparadas com a nova penalidade introduzida pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 (multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso I. da Lei 9.430/1997), que se destina a punir ambas as infrações referidas. Tempestivamente protocolizado o Recurso Voluntário, a parte arguí: Ausência de comprovação das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais Houve presunção dos rendimentos declarados pelos sócios como remuneração, apurando a remuneração mensal pela divisão do rendimento anual pelo número de meses do ano. Não Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 270 4 há provas do pagamento e de seu montante pela impugnante. Caberia ao Fisco comprovar, através de documentos e informativos em seu poder. Houve presunção de que os pagamentos foram lodos a título de pro labore, uma vez que poderiam ter sido a título de distribuição de lucros. O artigo 3 3 . 6 ° e 8 o da Lei 8.212/91 estabelece os casos de presunção.A presunção realizada pela fiscalização não tem previsão legal. Reclassificação indevida das atividades da empresa É indevida a reclassificação das atividades da empresa (CNAI. CNAIFISCAL. FPAS e Terceiros) com base em apenas um contrato. Ainda que a reclassificação do FPAS e do SAT não impliquem alteração de valores, poderá ter reflexos a posteriori.Assim, os autos vieram para apreciação da presente turma especial. Por final, arguí a nulidade do lançamento por ter aplicado de forma comparativa os que fundamentariam a sanção de forma a não apresentar interpretação mais benéfica, subsidiariamente requer a aplicação da multa mais benéfica. Esse é o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 271 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto às alegações de nulidade em razão da apuração dos valores devidos por aferição indireta dos valores pagos a título de prolabore, devese ter claro que a fiscalização pode se valer desse instrumento quando os documentos e declarações do contribuinte não forem fornecidos ou não mereçam fé (art. 33, §§ 6º e 8º da Lei n. 8.212/1991), invertendose o ônus probatório em desfavor ao contribuinte. O evento da omissão declaratória que autoriza o procedimento de aferição indireta efetivamente ocorreu. Contudo, verificase falha nos critérios e bases de dados utilizados para o levantamento dos valores que teriam sido pagos a título de prólabore aos dirigentes da empresa. No relatório fiscal (fls. 53), o autuador expõe tal base de dados e os critérios, como transcrevese: 4 Exigimos ainda, contribuições incidentes sobre remunerações dos contribuintes individuais (empresários) Srs. Renato Lucio Belmiro e Jose Belmiro do Patrocínio, socios da empresa.. 4.1 Observese que as remunerações decorrentes de "pró labore" não foram informadas em GFIP. Certo também, que não houve apresentação de escrituração contábil e/ou Livro Caixa. Assim, forçoso extrairmos os valores das remunerações informadas em Declarações do Imposto de Renda Pessoa Físicas, a rigor dos extratos anexos, eis que se tratam de rendimentos do trabalho. 4.2 Como se vê dos extratos, o Sr. Renato Lucio Belmiro teve rendimentos tributáveis nos anoscalendário de 2007 e 2008, o valor de R$ 6.000,00, Assim, o valor mensal lançado (base de cálculo) foi de R$ 500,00 (R$ 6.000,00 12 = R$ 500,00). 4.3 Por sua vez, o sócio Jose Belmiro do Patrocínio, no ano calendário de 2007 teve rendimento de R$ 12.000,00 e em 2008 o valor de R$ 14.400,00. Assim, o valor mensal lançado em 2007 foi de R$ 1.000,00 e em 2008 o valor de R$ 1.200,00 (mesmo critério de divisão da remuneração por doze meses). Como é verificado, apesar de ter buscado o valor de rendimentos tributáveis não informa qual é a real natureza e origem dos mesmos, os quais estariam informados na Declaração de Ajuste do Imposto de Renda, pois podem ser oriundos de pessoa físicas ou jurídicas (especificado). Em momento algum a fiscalização aponta tais peculiaridades, pois tais valores podem ter sido pagos por outros, considerando que no próprio relatório fiscal está demonstrado que os dirigentes tem ligações com outras empresas. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 272 6 A utilização dos instrumentos de aferição indireta ou arbitramento ao caso, apesar de autorizadas legalmente, foram mal manejados em razão do não demonstração clara, motivação e comprovação dos dados, fontes e critérios, o que representa descumprimento por parte do lançamento aos artigos 142, 148, 149 do CTN , aos arts. 33, §6º, parte final, e 37 da Lei n. 8.212/1991, art. 50 da Lei n° 9.784/1999. O lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Revendo posicionamentos anteriores, pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2002 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E OBSERVÂNCIA Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 273 7 AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. Em adição, incumbe à autoridade lançadora explicitar e justificar as bases/parâmetros sobre os quais se debruçou na apuração do crédito tributário por arbitramento, sobretudo quando adota como esteio à sua empreitada valor (remuneração) bem superior (a maior) às constatadas na documentação apresentada pela contribuinte, concernente, ainda, à competência estranha ao período objeto do lançamento. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a devida motivação dos parâmetros adotados, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA NOTIFICAÇÃO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. Recurso Voluntário Provido. (4° Câmara da 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, Acórdão 2401.002.732, Proc. N. 14333.000281/200728, Sessão de 17/10/2012, por maioria) Dessa forma, com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente, por vício material e, conseqüente, improcedência em face dos elementos trazidos aos autos, no que tange a aferição indireta dos valores pagos a título de prolabore. III – Quanto à alegação de nulidade e improcedência da reclassificação das atividades da empresa para fins de SAT/GILRAT, pela fiscalização, com base em apenas um contrato de prestação de serviços realmente merece acolhimento. Observese que neste ponto, a fiscalização reenquadrou a empresa apenas com as seguintes considerações no relatório fiscal (fls. 189): Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 274 8 Tratase de empresa com início de atividade contratual em 08/02/1967 tendo como objeto social atividades de "Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Peças e Acessórios Novos e Usados para Veículos Automotores. 1.8 No entanto, face real atividade exercida, a rigor de Contrato de Prestação de Serviço anexo, ou seja, a de "Prestação de Serviços de Manutenção Preventiva em Veículos", sua classificação é a seguinte: CNAE 50202, CNAE FISCAL 4520002, FPAS 5150, SAT 1200208 e TERCEIROS 0115. Como prevê a própria legislação, o enquadramento e reenquadramento da atividade econômica da empresa para fins SAT tem como base a atividade laboral exercida pela preponderância dos seus empregados, não simplesmente um contrato de prestação de serviços. Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, o voto do Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, desta mesma Turma Especial, no julgamento do Recurso Voluntário n. 257.987, do processo n. 11020.000119/200826, é o norte da presente decisão: Segundo o magistério da professora Cláudia Salles Vilela Vianna (in Previdência Social – Custeio e Benefícios. – São Paulo : LTr. 2005. páginas 218 / 220), a partir da competência julho/2007, a atividade preponderante da empresa, para fins de enquadramento na alíquota de grau de risco destinada a arrecadar recursos para custear o financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, é aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Para a realização do autoenquadramento, deverá o empregador, portanto, obedecer às seguintes disposições, notadamente em relação a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas, como é o caso da Recorrente: Inicialmente, deverá se enquadrar por estabelecimento, em cada uma das atividades econômicas existentes, prevalecendo como preponderante aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Em seguida, comparará os enquadramentos dos estabelecimentos para definir o enquadramento da empresa, cuja atividade preponderante será, então, aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, apurada dentre todos os seus estabelecimentos. A título de exemplo, imaginemos uma empresa com mais de um estabelecimento, como matriz e filiais, que têm o mesmo CNPJ raiz. Chamaremos de Estabelecimentos 01, 02, e 03. O Estabelecimento 01 tem a atividade “A” com 10 (dez) empregados, a atividade “B” com 15 (quinze) empregados e a atividade “C” com 20 (vinte) empregados. A atividade preponderante do Estabelecimento 01 é a “C”, com 20 (vinte) empregados. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 275 9 Continuando o mesmo exemplo imaginemos que o Estabelecimento 02 tem a atividade “D” com 25 (vinte e cinco) empregados, a atividade “E” com 05 (cinco) empregados e a atividade “F” com 15 (quinze) empregados. Assim, a atividade preponderante no Estabelecimento 02 é a “D”, com 25 (vinte e cinco) empregados. Finalmente, o Estabelecimento 03 tem a atividade “G” com 10 (dez) empregados, a atividade “H” com 20 (vinte) empregados e a atividade “I” com 15 (quinze) empregados. A atividade preponderante no Estabelecimento 03 é a “H”, com 20 (vinte) empregados. A conclusão a que se chega do exemplo acima é que a ATIVIDADE PREPONDERANTE NA EMPRESA É A “D”, COM 25 EMPREGADOS. Assim sendo, percebese que a fórmula acima é que deve ser utilizada para se determinar a atividade preponderante relativamente ao correto enquadramento no grau de risco, metodologia que foi totalmente ignorada pela fiscalização, conforme comprova o subitem 3.3.2 do Relatório Fiscal (fls. 689). Ao realizar o enquadramento de ofício somente porque, em tese, preponderariam as atividades referentes às CNAE`s sob os códigos 85111, 85120, 85138 e 85146, efetivamente, não nos parece ser a maneira mais correta de aferição para sustentar o lançamento. O fisco para realizar o enquadramento de ofício deveria ter verificado, in loco, no caso a empresa como um todo, incluindo aí o hospital, as diversas atividades existentes nos estabelecimentos da recorrente, e não arbitrar utilizando a CNAE como elemento suficiente para se cumprir seu mister. No que diz respeito à Classificação Nacional de Atividades Econômica CNAE, segundo a apresentação constante do site da RFB (www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNAEFiscal/txtcna e.htm), a CNAEFiscal é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. Tratase de um detalhamento da CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos (pessoa física). A CNAE Fiscal resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo, elaborada sob a coordenação da Receita Federal do Brasil e orientação técnica do IBGE, com Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 276 10 representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE Fiscal, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. A tabela de códigos e denominações da CNAE Fiscal foi oficializada mediante publicação no DOU Resolução IBGE/CONCLA 01 de 25/06/98 e atualizações posteriores. Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE (5 dígitos), adicionando um nível hierárquico a partir de detalhamento de classes da CNAE, com 07 dígitos, específico para atender necessidades da organização dos Cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária. Na Receita Federal do Brasil, a CNAE Fiscal é o código a ser informado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) que alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ. A responsabilidade em relação à gestão e manutenção da CNAE está a cargo do IBGE, a partir das deliberações da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. Das definições e responsabilidades acima mencionadas, restou evidenciado que as possibilidades aventadas pela fiscalização e também pela i. Relatora são totalmente incompatíveis com a realidade fática das empresas de um modo geral. No que concerne à responsabilidade mensal pelo enquadramento no grau de risco, observada a atividade econômica preponderante, a legislação previdenciária determinou que tal função está a cargo do próprio sujeito passivo, cabendo ao fisco rever o autoenquadramento em qualquer tempo. Ora, querer atribuir ao sujeito passivo o ônus tributário pretendido somente porque ele tem a responsabilidade de realizar o enquadramento mensal no grau de risco e utilizar a CNAE Fiscal como balizador de tal obrigação é, sem dúvida, querer ignorar completamente o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. O enquadramento na CNAE é realizado uma única vez quando a empresa faz seu cadastramento no CNPJ do Ministério da Fazenda. Depois disto, haverá modificações somente na hipótese de alteração da sua natureza jurídica. Destarte, não resta nenhuma dúvida em relação à impossibilidade de a empresa, mensalmente, alterar suas informações cadastrais na CNAE, como é de sua responsabilidade, ao contrário, a realização de seu enquadramento no grau de risco, observandose, como já mencionado, a sua atividade econômica preponderante. Para deixar bem clara a impossibilidade de respaldar a pretensão do fisco, tomamos como exemplo uma empresa da Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 277 11 indústria da construção civil, cujo grau de risco é o máximo (3%). Nesse caso, é correto afirmar que tal empresa poderá em algum momento de sua existência estar sem qualquer obra em curso. No entanto, os empregados da área administrativa e diretiva são mantidos e estão aguardando a contratação de novos empreendimentos. De acordo com o entendimento do fisco, no exemplo acima, tendo em vista a CNAE da empresa de construção civil, o enquadramento teria que ser aquele de grau máximo, ou seja, de 3% (três por cento). Todavia, seguindo as determinações da legislação previdenciária, caso a empresa tenha realizado o enquadramento mensal em grau de risco distinto do máximo, não há que se falar em revisão do autoenquadramento embasado apenas na CNAE. Destarte, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso apresentado pelo contribuinte, excluindo do lançamento o acréscimo de alíquota em razão do reenquadramento efetuado pela Autoridade Fiscal relativamente ao SAT/RAT. Em adição de tais argumentos, da mesma forma que está ratificado pelo PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 (ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011), observando a necessidade de uma fiscalização em loco exigida ao caso, verificase uma afronta ao que dispõe os artigos 142 e 147 do CTN, bem como dos artigos 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, que exigem a demonstração pela fiscalização dos fatos precisos que motivaram o desenquadramento da situação anterior do SAT/RAT, bem como afeta diretamente a constituição da norma de incidência tributária na formação de sua alíquota (elemento quantitativo), sob pena de haver, no mínimo, uma nulidade por vício material. O simples fato de utilizado um contrato de prestação de serviços para re enquadramento sem considerar a necessidade da averiguação regular e in loco, é um claro desrespeito ao exposto acima. E que o documento apresentado como base do reenquadramento não é hábil para tanto, o que gera improcedência do lançamento, pois os fatos e provas trazidas não servem para comprovar a hipótese de incidência da norma tributária. IV –A nulidade alegada quanto ao cálculo das penalidades, não pode ser acolhida de forma raza, pois, fora às questões acima, o lançamento questionado contém todos os elementos exigidos pelo art. 142, do CTN, em que demonstrou corretamente o fenômeno da subsunção e concretização individualizada da norma tributária. Não havendo prejuízo à defesa do contribuinte, o que ensejaria a nulidade do ato (art. 59, do Dec. 70235) Todavia, o lançamento equivocouse na interpretação quanto à aplicação da multa em razão do art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 278 12 patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000300/201006 Acórdão n.º 2803002.106 S2TE03 Fl. 279 13 V Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido: I de decretar a nulidade por vício material do lançamento quanto às contribuições incidentes sobre os prólabores dos dirigentes que foi apurado por aferição indireta, bem como declarar a improcedência quanto aos créditos lançados a título de contribuições ao SAT; II a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212 1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, limitado até o valor lançado a título de multa nos presentes autos. Sala de Sessões, 20 de fevereiro de 2013. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13837.001049/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RESPONSABILIDADE PELAS INFORMAÇÕES PRESTADAS.
A obrigação pela apuração do saldo de imposto de renda e pela entrega da Declaração de Ajuste Anual é da pessoa física, sujeito passivo da obrigação tributária.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Diante da apresentação de recibos médicos que atendam aos requisitos formais previstos na legislação de regência, há que se restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas.
Recuso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor de R$ 8.390,00 (oito mil, trezentos e noventa reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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A obrigação pela apuração do saldo de imposto de renda e pela entrega da Declaração de Ajuste Anual é da pessoa física, sujeito passivo da obrigação tributária. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Diante da apresentação de recibos médicos que atendam aos requisitos formais previstos na legislação de regência, há que se restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas. Recuso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor de R$ 8.390,00 (oito mil, trezentos e noventa reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 10 49 /2 00 9- 35 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 03 a 09, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, em virtude da seguintes glosas realizadas em sua declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2007, anocalendário 2006, por falta de comprovação, após intimação fiscal: 1) Dedução de despesas médicas no valor de R$ 19.101,96; 2) dedução Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 11.526,72, e, 3) dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 1.528,00. Em sua impugnação, fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03 a 28, o contribuinte alegou, em síntese: não recebeu a intimação citada na notificação fiscal; a declaração de ajuste anual retificadora, objeto do exame, foi transmitida sem sua autorização e com valores adulterados para recuperar IRRF pelo governo estadual; apresenta os comprovantes dos seguintes valores pagos e utilizados como dedução: INSS R$12.329,93; Despesas Médicas e plano de Saúde R$11.146,96; INSS de Empregada Doméstica R$528,00, concluindo pela restituição de R$2.662,66; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), examinando a impugnação, julgou procedente em parte a impugnação, para acolher tão somente a dedução de despesas médicas no valor de R$ 1.056,96, em face da comprovação dos pagamentos realizados ao plano de saúde. Cientificado em 28/04/2011, fls. 47, o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 27/05/2011, fls. 51 a 53, alegando em síntese: não concorda com a decisão sobre a fragilidade dos comprovantes de despesas médicas emitidos por profissionais da saúde, por não haver indicação do nome do paciente e da identificação do profissional, pondo em duvida os referidos comprovantes de despesas médicas; esclarece que sua declaração de imposto de renda foi retificada sem a sua previa autorização pelo filho da escrivã da Delegacia Seccional de Bragança Paulista Estado de São Paulo, com o “intuito de formalizar um pedido de ação administrativa junto à Receita Federal do Brasil, com a finalidade de ressarcir diferença de Imposto Retido na Fonte cobrados indevidamente”; os valores adulterados foram inseridos de forma imprudente e irresponsável pelo filho da citada funcionaria, sem a avaliação tanto do contribuinte, como de um profissional que tenha conhecimento sobre a legislação de imposto de renda; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13837.001049/200935 Acórdão n.º 2802002.365 S2TE02 Fl. 83 3 diante da decisão da DRJ, informa os números dos cheques emitidos ao portador aos profissionais da saúde que relaciona, alegando apresentar a copia do extrato bancário, bem como as declarações desses profissionais informando toda a qualificação do paciente e do profissional prestador do serviço, na forma que determina a legislação pertinente; requer o cancelamento do débito fiscal reclamado, e que seja, considerado todos os comprovantes de pagamentos utilizados como deduções, fazendo jus à restituição do valor de R$ 2.662,66, com a devida atualização. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recorrente pretende se eximir da responsabilidade pelas informações prestadas em suas declarações de rendimentos sob o argumento de que não teria autorizado a entrega de DIRPF retificadora, elaborada pela pessoa indicada em sua peça recursal. A esse respeito, convém observar que o art. 7º da Lei nº 9.250, de 1995, estabelece que a obrigação pela apuração do saldo de imposto de renda e pela entrega da Declaração de Ajuste Anual é da pessoa física (sujeito passivo da obrigação tributária, art. 121 e 122 do Código Tributário Nacional – CTN). Correta, portanto, a decisão proferida em primeira instância no sentido de que “cabe ao impugnante trazer aos autos documentos e elementos que façam prova cabal da despesa deduzida na declaração de ajuste anual nos moldes previstos na legislação do imposto de renda”. A respeito dos recibos trazidos pelo então impugnante, a decisão de primeiro grau entendeu que a “prova definitiva e incontestável da despesa médica é feita com a apresentação de documentos que comprovem não só a efetividade do pagamento, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também a realização dos serviços”. Em casos dessa natureza, este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Nesse caso, firmouse o entendimento de que o poderdever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e a prestação do serviço somente se justifica no caso de se constatar fortes indícios de que a documentação apresentada se configurar inidônea. Em relação à matéria, também ficou pacificado que a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Embora não exista questionamento nos presentes autos acerca da idoneidade dos recibos apresentados, importa verificar o ponto em que a decisão recorrida deixou de acatar os recibos de fls. 15 a 19, ao argumento de neles não há indicação do paciente (em relação aos recibos emitidos por Alexandre Ferrari da Cunha, Márcia Moises Malulley e Clínica de Olhos São Paulo) e também do paciente, endereço e CPF do emitente do recibo firmado por Eduardo Teodoro da Silva. Diante de tal decisão, o recorrente instrui os autos com os documentos de fls. 61 a 70 (fls. 67 a 76, digital), bem como da declaração de fls. 77 (digital). Tendo em vista os princípios da verdade material e da formalidade moderada dos processos administrativos fiscais, da análise de tais documentos verificase que o contribuinte apresenta declarações firmadas pelos profissionais Eduardo Teodoro da Silva, Márcia Moises Malulley e Alexandre Ferrari da Cunha, fls. 67, 68 e 79, respectivamente, as quais suprem as falhas apontadas pela decisão recorrida. Atendidos, pois, os requisitos formais previstos no inciso III, do § 2º, do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, há que se restabelecer a dedução das despesas médicas informadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos como pagas aos seguintes profissionais da área de saúde: Eduardo Teodoro da Silva (no valor de R$ 1.520,00), Márcia Moises Malulley (no valor de R$ 870,00) e Alexandre Ferrari da Cunha (no valor de R$ 6.000,00). Observese que em relação ao pagamento à Clínica de Olhos São Paulo, declarado pelo contribuinte no valor de R$ 1.700,00, o recorrente não apresentou nenhum documento que possa suprir a deficiência constatada pela decisão recorrida. Observese, finalmente, que os documentos juntados pelo recorrente às fls. 57 a 60 (63 a 66, digital), não merecem ser examinados uma vez que a matéria que envolve contribuição previdenciária ao INSS (código 1600) não foi objeto de lançamento. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor de R$ 8.390,00 (oito mil, trezentos e noventa reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725023/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IRPJ Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO. NULIDADE.
O lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, com a descrição dos fatos e legislação aplicável, e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 142, do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade.
INTIMAÇÕES. NULIDADE.
São regulares as intimações efetuadas via postal e recebida no domicílio fiscal do contribuinte.
RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. NULIDADE.
Não se cogita de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, se a
exigência fiscal regular foi formalizada em nome do extitular
de firma individual, qualificado como responsável tributário, após a liquidação voluntária desta.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
A lei n.º 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos depósitos bancários para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos realizados.
ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS.
Se a pessoa jurídica, optante pelo Lucro Presumido, deixar de exibir sua escrituração, especificamente o Livro Caixa, após intimação regular deve ter seu lucro arbitrado, como determina a legislação de regência.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. SÚMULA.
A Súmula CARF nº 4, determina que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, à taxa SELIC.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Em se tratando de exigência reflexa de tributos e contribuições a decisão de mérito prolatada no processo principal vale para as decisões decorrentes.
Numero da decisão: 1302-001.061
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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NULIDADE. O lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, com a descrição dos fatos e legislação aplicável, e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 142, do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. INTIMAÇÕES. NULIDADE. São regulares as intimações efetuadas via postal e recebida no domicílio fiscal do contribuinte. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não se cogita de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, se a exigência fiscal regular foi formalizada em nome do extitular de firma individual, qualificado como responsável tributário, após a liquidação voluntária desta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. A lei n.º 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos depósitos bancários para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos realizados. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. Se a pessoa jurídica, optante pelo Lucro Presumido, deixar de exibir sua escrituração, especificamente o Livro Caixa, após intimação regular deve ter seu lucro arbitrado, como determina a legislação de regência. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. SÚMULA. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 A Súmula CARF nº 4, determina que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, à taxa SELIC. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa de tributos e contribuições a decisão de mérito prolatada no processo principal vale para as decisões decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório O presente processo trata de infração relativa ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no valor total de R$ 1.537.979,54, devido às seguintes irregularidades descritas no Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725023/201172 Acórdão n.º 1302001.061 S1C3T2 Fl. 63 3 Relatório Fiscal: “001. Omissão de Receitas por Presunção Legal. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. 002. Lucro Arbitrado. Insuficiência de Recolhimento do IRPJ Declarado Devido à Diferença de Apuração do Lucro Arbitrado.” Como a fiscalizada encontravase na situação "baixada" no cadastro da Receita Federal do Brasil desde antes do início da ação fiscal, a empresa foi citada na pessoa de seu titular Sr. Renato Megiolaro Júnior. Segundo a fiscalização ficou caracterizada a irregularidade da baixa por existirem, à época, débitos fiscais ainda que não constituídos. Atendendo a intimação, o responsável, apresentou os extratos das contas bancárias, porém sem discriminar a origem dos depósitos, com documentos idôneos, coincidentes em datas e valores, e, que não conseguem reconstituir o Livro/Caixa, na forma solicitada. Não tendo a fiscalizada apresentado o Livro Caixa nem os documentos da sua escrituração comercial e fiscal, muito embora diversas vezes intimada para esta finalidade, não restou outra alternativa, senão arbitrar o lucro nos termos do art. 530, III, do RIR/99. Como a fiscalizada tem como ramo de atividade o comércio atacadista de sucatas e metais (código CNAE 4687703), o percentual aplicado no arbitramento foi de 9.6%, de acordo com Art. 532 c/c Art. 518 e Art. 519 do RIR/99, tendo a fiscalização abatido da receita bruta omitida, o valor da receita declarada pelo Lucro Presumido e os valores referentes às diferenças de alíquotas relativas ao arbitramento foram lançadas de ofício devido à insuficiência de recolhimento do IRPJ, declarados no anocalendário 2008. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, apresentou impugnação, tempestiva, com as seguintes razões de defesa: ilegitimidade passiva por figurar física no pólo passivo da obrigação tributária formalizada contra a empresa jurídica. que a fiscalização não comprovou irregularidade na extinção da empresa uma vez que a lei dispõe que a sociedade se extingue independentemente de aprovação de terceiros estranhos à sociedade, inclusive órgãos do Poder Público. pleiteia a nulidade do lançamento em vista da ausência de citação válida já que todas as intimações foram enviadas via postal e entregues a terceiros, o que caracteriza cerceamento de defesa, pois restoulhe prazo exíguo para providenciar o requisitado pela autoridade fiscal. que seria imperioso que a fiscalização diligenciasse junto aos fornecedores e clientes, factorings, escritórios de contabilidade e terceiros, que nem sempre atendem a convocação de exibir documentos. que forneceu todos os extratos requisitados pela autoridade fiscal, mas que tais documentos não são parâmetros para fundamentar o lançamento, por não obedecer ao princípio da legalidade tributária. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 que somente seria correta a autuação se a empresa tivesse optado pelo Lucro Real, porque nesse caso seria obrigada a registrar toda sua movimentação contábil nos livros Diário e Caixa, mantendo os documentos pertinentes, que lhe dessem suporte. que não há dispositivo legal que respalde a formalização dos lançamentos com base nos extratos bancários. insurgese contra a lavratura dos autos de infração fora do estabelecimento fiscalizado, com base no artigo 10, caput, e inciso II, do Decreto n.º 70.235, de 1972, bem como a diversos dispositivos legais, inclusive o artigo 142, do CTN e jurisprudência. que o Auditor Fiscal não era contador legalmente habilitado na data da lavratura dos autos, o que torna seus atos nulos e ineficazes. Referese a diversos dispositivos legais e constitucionais. que os juros de mora com base na taxa Selic e a multa exigida no percentual de 75% são inconstitucionais, contrários ao direito de propriedade e ao princípio da capacidade contributiva, e a multa deveria ser reduzida para o percentual máximo de 20%. protesta pela realização de perícias bem como pela juntada de outros elementos de provas. A 4ª Turma da DRJ/CPS, recebeu a impugnação do contribuinte como tempestiva e por unanimidade de votos, manteve na integra o crédito tributário, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, inclusive com a descrição dos fatos e legislação aplicável, caracterizada e demonstrada a apuração das bases de cálculo envolvidas, e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 142, do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não se caracterizou qualquer nulidade. INTIMAÇÕES DURANTE A AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Regulares as intimações efetuadas durante a presente ação fiscal, visto que (1) não há ordem de preferência entre a intimação pessoal, a por via postal (ou telegráfica, etc.), por meio eletrônico, ou por edital; e (2) não é necessário se recorrer a intimação pessoal antes de optar pela intimação por via postal. A intimação via postal não se confunde com a pessoal. Para se comprovar a efetividade da comunicação efetuada via postal basta a comprovação de que ela foi recebida no domicílio fiscal, enquanto a intimação pessoal exige a assinatura de representante legal da empresa, sócio, preposto ou mandatário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725023/201172 Acórdão n.º 1302001.061 S1C3T2 Fl. 64 5 mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Não se cogita de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, se a exigência fiscal foi formalizada em nome do extitular de firma individual, qualificado como responsável tributário, após a liquidação voluntária desta, tendo em conta que foram apurados tributos e contribuições devidos em regular procedimento de fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, optante pelo Lucro Presumido, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração, especificamente o Livro Caixa, após intimação regular. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Intimado em 10/08/12, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, em 04/09/12, reiterando os argumentos expostos na impugnação e aduzindo o seguinte: a preliminar suscitada na Impugnação há de ser acolhida, porque o auditor fiscal, não comprovou a irregularidade na extinção da empresa. a nulidade do auto de infração deve ser reconhecida por ausência de intimação válida. que os extratos bancários não servem como prova para embasar auto de infração e a fiscalização deveria ter diligenciando junto aos fornecedores, clientes e demais partes envolvidas para obrigar a exibição de documentos e efetuar as deduções das despesas operacionais e do custo do serviço vendido. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Conheço do recurso voluntário por tempestivo e preencher todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 Inicialmente o impugnante questiona a imputação de sua responsabilidade com a conseqüente nulidade da autuação. É importante enfatizar que o Senhor Renato Megiolaro Junior, foi identificado e indicado na “folha de rosto” do auto de infração, como sujeito passivo, na qualidade de RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO, a teor do artigo 121 inciso II do CTN, e não como contribuinte, qualidade esta que coube à pessoa jurídica de mesmo nome. Decreto Lei 1598 responsabilidade A responsabilidade pelo crédito tributário constituído ou a constituir, é definida pelos ditames legais compilados pelos artigos 207 e 209 do RIR/99, conforme transcritos abaixo: "Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei n° 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 5o): (...) Vos sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação.... Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º): III os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. No caso, diante da impossibilidade de exigir o cumprimento da obrigação pela contribuinte, pessoa jurídica, correta a formalização do lançamento em nome de seu titular pessoa física, na qualidade de responsável tributário. Mesmo após a liquidação e formal extinção da pessoa jurídica, nada impede a Administração tributária de proceder ulteriores verificações quanto ao regular cumprimento das obrigações tributárias. O cancelamento do CNPJ perante o órgão de registro dependerá da apresentação das declarações às quais a pessoa jurídica está obrigada, acompanhada do recolhimento dos tributos ali consignados, consoante disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.005/2010. Em relação ao requerimento de perícia, não sendo indicados o perito e os quesitos na impugnação, correto o indeferimento, ainda mais por serem suficientes as provas constantes dos autos para a formação da convicção e por se tratarem de provas que poderiam ter sido feitas mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação competia à própria interessada. Quanto as atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, inexiste qualquer obrigatoriedade de formação específica não podendo prevalecer a alegação de nulidade dos lançamentos regularmente formalizados por autoridade fiscal competente. Neste sentido é o posicionamento jurisprudencial, como vemos: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725023/201172 Acórdão n.º 1302001.061 S1C3T2 Fl. 65 7 “NULIDADE INSCRIÇÃO NO CRC O exercício da função de AFTN não está condicionada à habilitação prévia em Ciências Contábeis, nem à inscrição nos Conselhos Regionais de Contabilidade”. [Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, nº 10704.914, de 15/04/1998 Relator: Francisco de Assis Vaz Guimarães Decisão: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL A competência do auditor fiscal para proceder ao exame da escrita da pessoa jurídica é atribuída por lei, não lhe sendo exigida a habilitação profissional do contador”. [Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, Oitava Turma, nº 10806.666, de 19/09/2001 Relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro]. Diante das reiteradas decisões, o CARF editou súmula neste sentido não deixando qualquer margem à tegervisação, ao determinar: “Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” Também não procede à alegação do Recorrente sobre a anulação do auto por ter sido lavrado dentro da repartição, uma vez que dispõe o art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, o seguinte: “Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente : Dispondo dos elementos suficientes para caracterizar a infração e formalizar o lançamento, o auto de infração pode ser lavrado dentro da própria repartição fiscal, entendimento manifestado pelo CARF em seus julgados, in verbis: LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. "O auto de infração deve ser lavrado no local da apuração da irregularidade, não se configurando, portanto, hipótese de nulidade o fato do mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. (...)." (Ac. 1º CC 1057.910/ 93 – DO 25/10/1996) O autuado alega ainda a nulidade das intimações efetuadas, tendo em conta que não teria sido intimado pessoalmente da ação fiscal, pois as intimações foram enviadas via postal e entregues a terceiros. A intimação via postal não se confunde com a pessoal, bastando para se comprovar a efetividade da comunicação via postal conforme dispõe o Decreto nº 70.235/72. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 8 Verificase pelo Relatório Fiscal que todos os termos e intimações efetuados, inclusive o de inicio de fiscalização, apesar de dirigidos, à pessoa jurídica, foram enviados, ao endereço da pessoa física, e entregues conforme consta nos diversos AR dos autos. Assim, não houve qualquer irregularidade em nenhuma das intimações efetuadas durante a ação fiscal, sendo descabida a alegação de nulidade. Portanto, rejeito todas as preliminares de nulidade suscitadas, ainda mais porque, no caso, o enfrentamento das questões nas peças de defesa denotam perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento. Quantoa ao mérito, o artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996 alçou os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de omissão de receitas e o Recorrente não elidiu a presunção legal, justificando a constituição do lançamento. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção legal juris et de juri, que autoriza a caracterização de omissão de receita que pode ser elidida mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem isenta destes recursos. A autoridade fiscal elaborou o “Demonstrativo de Créditos Bancários a Comprovar”, relacionando todos os depósitos, com a indicação do Banco, Data e Histórico, excluindo os resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários, estornos de créditos e transferências oriundos de contas correntes da mesma titularidade. Intimada a analisar o demonstrativo de créditos bancários a comprovar elaborado pela fiscalização, quanto à exatidão dos dados nele contidos, bem como a apresentar a documentação comprobatória hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, que justificassem a origem dos recursos depositados em suas contas correntes a fiscalizada não comprovou a origem dos mesmos, permitindo o uso de tais valores como receitas conhecidas, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como para determinação da COFINS e do PIS. Quanto ao arbitramento efetuado pela fiscalização o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, dispõe fartamente sobre a dimensão mensurável do fato gerador. O lucro arbitrado, forma excepcional de se quantificar a renda tributável, é utilizado em casos de inexistência, omissões ou erros graves constatados na escrituração na qual se deve respaldar a contribuinte. E este foi o fato determinante para a adoção dessa modalidade de apuração, em detrimento daquela eventualmente formalizada pela pessoa jurídica. No caso presente, o arbitramento se deu pela falta de apresentação de escrituração e do Livro Caixa, bem como dos documentos que dariam suporte aos lançamentos efetuados, apesar de diversas vezes intimado com esta finalidade. No que se refere ao questionamento da base de cálculo utilizada, é importante esclarecer que a autoridade fiscal, ao elaborar os demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL, utilizou como base de cálculo o valor resultante da aplicação do percentual de 9,60% e 12% respectivamente, previsto na legislação, sobre o montante dos depósitos para apuração destes tributos. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725023/201172 Acórdão n.º 1302001.061 S1C3T2 Fl. 66 9 A forma de tributação utilizada, a partir de percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, foram majoradas em 20% diante do arbitramento efetuado. Dessa forma, ainda que se aceitassem as despesas a que se refere o Recorrente, as quais sequer foram detalhadas e muito menos comprovadas, elas não poderiam ser consideradas. Tais despesas e custos, desde que comprovadamente em nome da contribuinte, somente seriam dedutíveis se a autuada tivesse optado pela sistemática de apuração pelo LUCRO REAL, atendendo aos critérios de necessidade, usualidade e normalidade previstos em legislação específica, o que impossibilita aceitar a tese do Recorrente, em relação à dedutibilidade dos custos e despesas que pretensamente alega. Dessa forma, como as receitas detalhadas pela autoridade fiscal em seus relatórios não foram escrituradas, a presunção legal, até prova em contrário, é que os recursos têm por origem receitas omitidas. Com referência ao percentual da multa de ofício, foi exigida conforme legislação citada nos autos de infração, vigente à época dos fatos geradores. No tocante às questões suscitadas a respeito da constitucionalidade e/ou legalidade dos preceitos que fundamentam a exigência fiscal, notadamente referidos a multa de ofício e aos juros de mora com base na Taxa Selic, cumpre destacar que o controle da constitucionalidade das leis não é da alçada de órgãos administrativos. Enquanto a norma jurídica não tem declarada a inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário tem validade vinculante para a administração pública. Assim, não há como acatar as ponderações do Recorrente, pois quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis validamente editadas, exorbitam da competência das autoridades administrativas. A matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas por este Colegiado, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, particularmente acerca da cobrança de juros à taxa Selic, também já foi editada Súmula do CARF, validando a respectiva exigência: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Diante do exposto, voto no sentido de não acolher as preliminares de nulidades e no mérito julgar o recurso improcedente. Mantendo integralmente o crédito tributário. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 10 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10650.900547/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 18/04/2005
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de compensação/restituição à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), José de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de compensação/restituição à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 05 47 /2 00 9- 52 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), José de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900547/200952 Acórdão n.º 1802001.661 S1TE02 Fl. 196 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cuja origem está em suposto pagamento a maior de estimativa de CSLL do período de apuração de março de 2005. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, colaciono a seguir o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/JFA, através do Acórdão n° 0933.924, constante às efls 58/59: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica Dcomp n° 23678.57492.130406.1.3.049301 (fls. 4 a 9) transmitida em 13/04/2006 visando compensar débito de IRPJ, código 5993 período de apuração dezembro de 2004 no valor de R$ 2.151,51, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior da CSLL no valor original de R$ 2.629,41, efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código de Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Valor Total do Darf 2484 18/04/2005 31/03/2005 2.629,41 A DRF/UBB/MG em 25/03/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de nãohomologação da compensação, atestando a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar se de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) (sic) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período (fl. 3). A empresa contribuinte foi cientificada em 02/04/2009 (fls. 36 e 42). Inconformada com a não homologação da declaração de compensação, a requerente apresentou, em 30/04/2009 a manifestação de fls. 1 e 2 na qual esclarece que: 1.Diante das não HOMOLOGAÇÕES declaradas nos Despachos Decisórios em relação às PER/DCOMP S citadas acima, gostaríamos de esclarecer que os créditos objetos de pedidos de compensações como pagamentos indevidos ou a maiores, foram oriundos de valores pagos por estimativa mensal durante o ano de 2005 e considerados no fechamento da apuração final do ano 2005. Tais valores, pagos por estimativa, compõem ao final da apuração do ano de 2005 o saldo negativo de IRPJ ou contribuição (CSLL), pois, a empresa neste ano fechou com prejuízo no resultado final, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 sendo apurados os créditos objetos dos pedidos de compensações. 2.Conforme nosso entendimento na época do pedido de compensação, estávamos cumprindo o que determinava a legislação, no que diz respeito à IN 600 SRF de 28/12/2005 DOU de 30/12/2005, no seu artigo 10. Os créditos ora compensados se referiam especificamente ao saldo negativo em junção dos pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, levantados o seu montante total após a devida apuração final do ano de 2005. Naquele momento entendemos se tratar de pagamentos indevidos ou a maiores. Ao, nosso ver, não se justifica agora depois de todo este tempo simplesmente a não homologação, mas, sim buscar uma forma de corrigir o possível procedimento adotado, uma vez que a Empresa possui os referidos créditos. Até mesmo porque os pedidos de compensação somente foram efetuados no ano de 2006 e não antes da devida apuração final do referido crédito. ................................ Assim, por todo o exposto, solicitamos que sejam analisadas as justificativas apresentadas e que possam nos orientar e dar oportunidade para que possamos corrigir as possíveis irregularidades. Caso sejam necessários maiores esclarecimentos, estaremos ao inteiro dispor e poderão contactarnos, através do telefone: 3436716276 ou no endereço acima citado. Para instrução do presente processo, foram anexados, às fls. 44 a 53, extratos dos sistemas informatizados da RFB. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora por unanimidade entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa (efls 57): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 18/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. 1.A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo da CSLL do período. 2. A improcedência do crédito utilizado em compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação. 3. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900547/200952 Acórdão n.º 1802001.661 S1TE02 Fl. 197 5 pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a manutenção da exigência, da qual foi intimada em 23/03/2011, apresentou recurso voluntário em 15/04/2011, alegando em apertada síntese que o valor foi recolhido indevidamente, tendo sido apurado em todos os meses do anocalendário prejuízo. Junta precedentes. Ao final, pede seja reconhecido o erro de fato em sua apuração de lançamento a pagar de CSLL e que surta os efeitos almejados a DCOMP apresentada. É o relato do essencial. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário apresentado preenche aos requisitos de admissibilidade e tempestividade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sem preliminares a serem atacadas, senão o da tempestividade, já enfrentada, passo a análise do mérito de seu pedido. Como se extrai do relatório, a recorrente alega possuir o crédito pleiteado, mas não logra êxito em comprovar o suposto pagamento indevido da estimativa de CSLL. Pede então que seja considerado seu pedido como sendo crédito relativo a saldo negativo da respectiva contribuição, fato que comprova possuir através da DIPJ. A autoridade julgadora a quo, entendeu pelo afastamento do erro de fato alegado e não analisando o aspecto quantitativo do crédito, afastou também a hipótese de retificação da compensação tendente a alterar o crédito (efls 59/60): O não reconhecimento do direito creditório ocorreu porque o crédito, indicado na Dcomp, referese a pagamento a título de estimativa mensal da contribuição social sobre o lucro líquido e somente pode ser utilizada na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL, no caso, do anocalendário de 2005. [...] E mais, a pretensão da requerente, aduzida na manifestação de inconformidade, no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito. Tal solicitação não é possível nessa fase processual. [...] Tal conclusão a respeito da impossibilidade de compensação na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido para saldo negativo, consta também do Despacho Decisório emitido, com fulcro no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900547/200952 Acórdão n.º 1802001.661 S1TE02 Fl. 198 7 período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ora, conveniente destacar que a partir da edição da IN/RFB n° 900, de 2008, a restrição supracitada deixou de ocorrer, não havendo mais a expressa vedação à compensação de créditos relativos a pagamento indevido ou a maior nas estimativas de IRPJ e de CSLL. De outra sorte, previsão expressa e atualmente vigente é a contida no art. 74, da Lei n° 9.430/96, que ressalva tão somente as hipóteses do parágrafo 3° como não passíveis de compensação: Ar. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 [...] Como se observa, não há restrição legal da compensação quanto ao crédito pleiteado nos presentes autos. Além do mais, o art. 106 do Código Tributário Nacional prevê a possibilidade da retroatividade da norma, no caso desta resultar em penalidade menos severa ao contribuinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Pelo arrazoado, identificase que os fundamentos para indeferimento do PER/DCOMP não possuem amparo nas normas legais vigentes que regem a matéria. Ademais, ainda que não fosse o fato do crédito se tratar de recolhimento da estimativa do tributo, conclusão de que não poderia ser compensada na forma de pagamento indevido ou a maior que o devido, constatase que o pedido ventilado pela DCOMP em comento, com relação à existência de crédito passível de compensação, possui amparo nas provas apresentadas, sobretudo na DIPJ. Ocorre que, somente por esses elementos não é possível atestar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, quesito principal para validação da compensação, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900547/200952 Acórdão n.º 1802001.661 S1TE02 Fl. 199 9 Isto porque, o instrumento utilizado (PER/DCOMP) na opção de pagamento indevido ou a maior, prejudica informações tidas como essenciais na apuração e atualização do crédito na modalidade de saldo negativo. Assim, não constando estes e outros elementos essenciais, como a completude das compensações com todos os créditos e débitos e todos os documentos que contém a informação (DCTF, DIPJ, livros Diário e Razão), tornase inviável nesta fase processual a análise quanto ao crédito alegado e a conseqüente compensação pleiteada. Por não haver análise nas instâncias anteriores com relação ao aspecto quantitativo do direito creditório objeto da DCOMP, e afastado o óbice do art. 10 da IN/SRF n° 600/2005 que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve se analisar o pedido ventilado à luz de elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado, seja ele de qual natureza for. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (DRF Uberaba/MG) para análise do DCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação, se for o caso. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12898.000202/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS
São tributáveis os rendimentos do trabalho não-assalariado, tais como honorários do livre exercício da profissão de advogado.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14).
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996).
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão e desqualificar a multa de ofício, vencida a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGÃO CALOMINO ASTORGA que apenas desqualificava a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 02 /2 01 0- 63 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, excluir da exigência a multa isolada do carnêleão e desqualificar a multa de ofício, vencida a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGÃO CALOMINO ASTORGA que apenas desqualificava a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 12898.000202/201063 Acórdão n.º 2202002.318 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ÁLVARO DAVID, Tratase de Auto de Infração (fls. 02/07) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2006 (fls. 62/24), em que foram apuradas as seguintes infrações: I) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física no valor total de R$.868.398,46, com qualificação da multa de ofício em 150%; e II) multa isolada por falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) devido à título de carnêleão no valor de R$ 119.172,11. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 09/19, a autoridade autuante narrou, em síntese, os seguintes fatos: a) o procedimento fiscal foi motivado por divergência, apurada através de batimento entre as informações prestadas por terceiro (pessoa física) e pelo Interessado, em DIRPF relativa ao ano calendário 2005; b) no procedimento, objetivouse comprovar a omissão de rendimentos de pessoa física por parte do Interessado referente à importância de R$ 408.083,00 declarada pelo Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho (CPF n.° 064.347.97753) na DIRPF/2006 como pagamento a advogados e outros honorários; c) por meio do Termo de Início de Ação Fiscal, foi solicitada a documentação comprobatória de todos os valores de rendimentos tributáveis recebidos, mensalmente de pessoas físicas, referente ao anocalendário 2005 (fls. 2 0 / 2 1 ); d) em resposta, foram apresentados documentos comprobatórios de todos os rendimentos declarados originalmente na DIRPF/2006 (fls. 2 3 / 2 5 ); e) providenciouse, então, a intimacão do Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho com a finalidade de que este apresentasse os comprovantes correspondentes ao referido pagamento (fls. 2 6 , 3 1 , 3 4 e 3 6 ) ; f) Maria de Fátima Fonseca, filha de Landolpho Fonseca Sobrinho (fl. 3 8 ) , apresentou os seguintes documentos: • cópia da Certidão de Óbito do Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho, datada de 08/03/2006 (fl. 3 9 ) ; • cópia do contrato de prestação de serviços de advogados e honorários no processo judicial trabalhista n.° 788/78, ajuizado na 2 4 a Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, firmado em Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 09/09/1985 entre o Interessado (advogado) e os reclamantes, dentre os quais o Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho (fl. 4 0 ) ; • cópia de nota fiscal emitida por Roberto Gonçalves & Picanço Advogados Associados (CNPJ n.° 35.814.508/000108), no valor de R $ 4 0 8 . 0 8 3 , 0 0 , referente aos serviços prestados a título de honorários advocatícios ao Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho por conta do processo R T n.° 788/78 (fl. 4 2 ) ; • cópia do cheque da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 859.533,11, emitido em 05/05/2008 pelo Sr. Roberto Bastos Gonçalves em favor do Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho (fl. 4 3 ) ; e • cópia do alvará judicial, emitido em 04/05/2005, que determinou o pagamento da importância de R$ 1.678.976,89 pessoalmente ao Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho ou ao Sr. Roberto Bastos Gonçalves, referente ao R T n.° 7 8 8 / 7 8 (fl. 4 4 ) . g) em virtude não existir entre a documentação apresentada pela Sra. Maria de Fátima Fonseca um documento que efetivamente comprovasse o pagamento da importância de R$ 408.083,00, a título de honorários, por parte do Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho ao Interessado, intimouse Roberto Gonçalves & Picanço Advogados Associados para que apresentassem o comprovante correspondente ao referido pagamento (fl. 4 5 ) h) em resposta, Roberto Gonçalves & Picanço Advogados Associados apresentaram comprovante de depósito bancário no valor de R$ 868.398,46 em que figuram como depositante o Sr. Roberto Bastos Gonçalves e como favorecido o Interessado (fls. 4 8 / 4 9 ) ; i ) o comprovante de depósito bancário apresentado por Roberto Gonçalves & Picanço Advogados Associados, aliado a toda a documentação apresentada pela Sra. Maria de Fátima Fonseca, constitui indício veemente de que o Interessado de fato recebeu, no ano de 2005, pagamento por serviços prestados, em valor superior ao declarado pelo Sr. Landolpho Fonseca Sobrinho na DIRPF/2006 como pagamento a advogados; j ) encaminhouse ao Interessado o Termo de Intimacão Fiscal de fl. 53, intimandoo a prestar esclarecimentos acerca do referido comprovante de depósito bancário; k) em resposta, sem apresentar qualquer documento comprobatório, o Interessado comunicou que presumia que o referido comprovante de depósito bancário era relativo a reembolso de despesas de viagem, pagamentos de honorários advocatícios e de peritos contábeis pelo escritório Dr. Hélio Orlando Graeff, referentes ao período de setembro de 1985 a fevereiro de 1991 (fl. 55); 1) em nova resposta dois meses depois, o Interessado comunicou que, devido ainda estar convalescendo de forte anemia que o levou à internação hospitalar, só teve conhecimento do comprovante do depósito bancário posteriormente à internação Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 12898.000202/201063 Acórdão n.º 2202002.318 S2C2T2 Fl. 4 5 e que, até então, nada mais lhe fora possível saber sobre tais ocorrências (fl. 5 8 ) ; m) em virtude do Interessado não ter apresentado posteriormente qualquer elemento comprobatório relacionado ao comprovante de depósito bancário apresentado por Roberto Gonçalves & Picanço Advogados Associados, lavrouse o Auto de Infração em julgamento; n) a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas no ano de 2005 foi fundamentada nos arts. I o , 2 o , 3 o e §§, e 8 o da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. I o a 4 o da Lei n.° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. I o da Lei n.° 11.119, de 25 de maio de 2005, e arts. 45, 106, inciso I, 109 e 111 do Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999; o) tendo em vista que o Interessado dispunha, quando da elaboração da DIRPF/2006, das mesmas informações apresentadas em resposta às intimações fiscais e que o fato de ter omitido rendimentos tributáveis acarretou o recolhimento de imposto bem inferior ao devido, concluiuse que cabe a aplicação da multa qualificada no percentual de 1 5 0% determinada no inciso II do art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.° 3.000, de 2 6 de março de 1999); p) da análise da DIRPF/2006 do Interessado, bem como das consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatouse não ter havido recolhimento de tributos a título de CarnêLeão (código 0190), relativo ao anocalendário 2 0 0 5 ; e q) foi aplicada multa isolada de 50%» por falta de recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão relativo ao ano calendário 2005, fundamentado no art. 8 o da Lei n.° 7.713, de 2 2 de dezembro de 1988, combinado com os arts. 43 e 4 4 , inciso II, alínea " a " da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, combinado com o art. 106, inciso II, alínea " c " da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e art. I o da Instrução Normativa S R F n.° 4 6 , de 13 de maio de 1997. Em virtude deste lançamento, apurouse IRPF suplementar de R$233.225,37, multa de ofício qualificada de R$ 349.838,05, além de juros de mora de R$99.983,71 (calculados até fevereiro de 2010). Apurouse, ainda, a multa isolada de R$119.172,11. Com a ciência da Notificação, feita por via postal, em 16/03/2010 (fl. 8 5 ) , o Interessado apresentou impugnação (fls. 86/104), através de seu procurador (procuração na fl. 105), em 09/04/2010, alegando, em síntese, que: a) em preliminar de falta de fundamentação, o ato administrativo deve ser adequadamente fundamentado, ou seja, a motivação é requisito de validade do ato, sob pena de acarretar preterição ao direito de defesa e se tornar nulo, conforme legislação, jurisprudência e doutrina transcritas, o que acarreta na nulidade Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 literal do ato administrativo atacado em razão da ausência de adequada motivação; b) no mérito, a fiscalização, como atividade plenamente vinculada, não pode promover lançamento sem elementos suficientes, sob pena de ferir os princípios da estrita legalidade tributária e tipicidade cerrada, conforme doutrina transcrita; c) a existência de depósitos bancários não representa fato gerador do Imposto de Renda; d) para o surgimento da obrigação tributária, é necessário que a receita efetivamente integre o patrimônio do Interessado, mas que não seja mero indício de riqueza, o que acarreta na completa insubsistência do lançamento com base em depósitos bancários que só demonstram a ocorrência de movimentação financeira, mas não se ocorreu receita tributável; e) os depósitos bancários, embora possam refletir exteriorização de riqueza, não caracterizam, por si só, rendimentos tributáveis; f) a autoridade fiscal deveria provar de modo categórico a omissão de rendimento tributável a fim de que fosse comprovado o fato gerador do Imposto de Renda, e não, de forma absolutamente simplória, somar todos os valores creditados e pura e simplesmente considerálos como rendimentos; g) a autoridade fiscal em nenhum momento comprovou, de modo inequívoco, o ingresso destes rendimentos no patrimônio do Interessado como elemento caracterizador do fato gerador do Imposto de Renda, revestindo seu ato de insustentável presunção fiscal; h) restando claro que os depósitos efetuados não representam efetiva obtenção de rendimento tributável, não ocorreu fato gerador a ensejar o presente lançamento de ofício, resultando em cobrança ilegal e arbitrária de imposto e total improcedência do presente Auto de Infração; i) os Acórdãos CSRF n.° 01.02.884/00 e 01.03.172/00 sustentam ser incabível o lançamento efetuado tendo como suporte valores de depósitos bancários, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos e, portanto, não são fatos geradores do Imposto de Renda, somente sendo admissível quando provado vínculo do valor depositado com a omissão de receita que o originou; j ) quanto à aplicação das multas proporcional e isolada, os arts. 150, inciso IV, 37, 5 o , inciso XXII e 170 da Constituição Federal proíbem expressamente a aplicação de multas sem critério de razoabilidade, proporcionalidade que as tornam confiscatórias, destruidoras e violadoras do direito de propriedade; e k) tornase literalmente desproporcional e sem nenhum critério de razoabilidade a penalidade aplicada a título de multa proporcional e isolada com status de verdadeiro confisco. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 12898.000202/201063 Acórdão n.º 2202002.318 S2C2T2 Fl. 5 7 A DRJ Rio de Janeiro ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Exercício: 2006 PRELIMINAR D E NULIDADE. Uma vez que o Auto de Infração foi adequadamente motivado e fundamentado, não deve ser reconhecida a preliminar de nulidadesuscitada. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. HONORÁRIOS DE TRABALHO NÃOASSALARIADO. São tributáveis os rendimentos do trabalho nãoassalariado, tais como honorários do livre exercício da profissão de advogado. ARGÜIÇÕES D E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário, sendo vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72. MULTA D E OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de lançamento de ofício, será cobrada a multa de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 7 1 , 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 3 0 de novembro de 1964. MULTA NÃO RECOLHIMENTO CARNÊLEÃO. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 5 0 % , exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal de carne leão que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física. Insatisfeito o contribuinte, interpões recurso voluntário reiterando as razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos. que a existência de depósito bancário não representa fato gerador do imposto de renda; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 que a multa isolada é desproporcional e sem nenhum critério de razoabilidade. Da isenção por moléstia grave. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 12898.000202/201063 Acórdão n.º 2202002.318 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Omissão de Rendimentos de Trabalho sem Vínculo Empregatício O recorrente argumenta que a mera existência de depósitos bancários não representa fato gerador em si do Imposto de Renda, pois a autoridade fiscal deveria provar de modo categórico a omissão de rendimento tributável a fim de que fosse comprovado o fato gerador do Imposto de Renda, e não, de forma absolutamente simplória, somar todos os valores creditados e pura e simplesmente considerálos como rendimentos. Inicialmente, deve ser salientado que, ao contrário do alegado pelo Interessado, o lançamento em julgamento não foi realizado com base em depósitos bancários sem comprovação da origem destes recursos, conforme regras do art. 4 2 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A origem do único depósito bancário em questão, no valor de R$ 868.398,46 em 10/05/2005 e objeto do processo em tela, está claramente descrita no Termo de Constatação Fiscal de fls. 09/19 e documentada nos autos. Com base nos documentos trazidos aos autos pela viúva de Landolpho Fonseca Sobrinho e por Roberto Gonçalves e Picanço Advogados Associados, que a origem do depósito bancário de fl. 46 é claramente a remuneração por serviços advocatícios realizados pelo Interessado na fase de execução da sentença do processo trabalhista n.° 788/78, conforme contrato de fl. 40. Como o recorrente indica que esses recursos seriam transferido a terceiro, contribuinte, transfere para o suplicante o ônus de comprovação e justificação das referidas despesas, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade dos documentos, mas sim, o suplicante apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Uma vez que não foram apresentados quaisquer outros documentos robustos para respaldas as alegações do recorrente, não há como acolher o pleito. Recordese que os documentos apresentados pelo recorrente, falham por não atender todos os requisitos indispensáveis para que sejam válidos. Nesse momento cabe recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: “Allegatio et non probattio, quasi non allegatio” que significa que “quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse”. Ou seja, não basta questionar graciosamente o lançamento do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. Da Multa Isolada Cabe reconhecer, que no tocante ao lançamento da multa de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento engloba valores recebidos mensalmente, cujas importâncias foram lançadas de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 12898.000202/201063 Acórdão n.º 2202002.318 S2C2T2 Fl. 7 11 multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Da qualificação da multa Segundo o termo de verificação fiscal o motivo da qualificação foi a de que uma vez que o contribuinte dispunha, quando da Declaração de Ajuste de 2006, ano calendário 2005, das mesmas informações apresentadas em resposta às intimações fiscais e que o fato de ter omitido rendimentos tributáveis da referida declaração acarretou o recolhimento de imposto bem inferior ao devido, cabe a aplicação da multa qualificada determinada no inciso II do art. 957 do Dec. 3.000/99 (RIR/99), no percentual de 150%. Entretanto esses fatos não são suficiente para caracteriza a qualificação de multa. Verificase na peça defensória que o suplicante entende ser improcedente a aplicação da multa qualificada, amparado na convicção de que é incabível o agravamento da multa, quando não comprovado nos autos, que a ação ou omissão do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, no caso em questão, o fato de o contribuinte não ter logrado comprovar a efetividade dos contratos de mútuos realizados, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 12898.000202/201063 Acórdão n.º 2202002.318 S2C2T2 Fl. 8 13 Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Em suma, qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A falta de inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores, não caracteriza evidente intuito de fraude. Deste modo entendo injustificada a manutenção da multa qualificada de 150%. Da Moléstia Grave Não se aplica ao interessado, o beneficio da isenção de moléstia grave, pois para fazer jus a beneficio o rendimento deve ser procedente de aposentadoria. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão e desqualificar a multa de ofício, (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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