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Numero do processo: 10410.901046/2009-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 10 46 /2 00 9- 16 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.180, às fls. 24 a 26: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 16/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 565,78, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado por estimativa em maio de 2001. 2. Através do despacho de fl. 08, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal — DRF em Maceió identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), afirmando que, em janeiro de 2001, pagou IRPJ no valor de R$ 565,78, apurado através de balanço mensal de redução. Alega que o valor foi recolhido indevidamente, pois teria encerrado o exercício com prejuízo. Pretende, assim, compensar o crédito com débito de estimativa apurado em exercício posterior. Sustenta desconhecer quais débitos motivaram a não homologação da compensação, requerendo que lhe sejam informadas a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito por ela declarado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 31/08/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2012, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o contribuinte efetuou indevidamente em junho de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 565,78, relativo ao IRPJ apurado involuntariamente por Estimativa Mensal em maio de 2001, quando o seu Balancete de Suspensão do período apresentava saldo negativo da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme demonstrado às Fichas1 e 3, Fichas11 Fls. 7,8,9 e 10, e ficha12A Fls. 11 de sua DIPJ/2002 (em anexo); por entender que o imposto era devido, declarou desnecessariamente em DCTF, motivo pelo qual o pagamento foi reconhecido como integralmente vinculado ao suposto débito pela DRF/Maceió; como o imposto declarado foi pago indevidamente, representando crédito fiscal em favor do contribuinte, este por sua vez apresentou Declaração de Compensação DCOMP para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa mensal em março de 2006, e involuntariamente no preenchimento do referido Pedido de Compensação, no campo "TIPO DE CRÉDITO" selecionou a opção "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" em lugar de "SALDO NEGATIVO DE IRPJ"; DO ESCLARECIMENTO o contribuinte reconhece que cometeu erro ao pagar em junho de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de maio quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo; reconhece também que cometeu erro por declarar em DCTF o imposto pago, que não era devido; reconhece por fim ter cometido erro de digitação no momento da seleção da opção no campo "TIPO DE CRÉDITO" da DCOMP; DO DIREITO o contribuinte é optante do referido pagamento mensal previsto na Lei 9.430/1996, o qual utiliza uma base de calculo estimada, sendo devido o imposto sempre que o contribuinte gere receita. Porém, nos meses em que se pleiteia tal restituição, o contribuinte apresentou saldo fiscal negativo, desobrigandose, de acordo com os dispositivos legais, do pagamento do imposto; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 5 4 logo, se o contribuinte não possui saldo positivo na apuração da receita bruta mensal, concluise pela desnecessidade de pagamento de tributo; DA OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF em virtude da obrigatoriedade de apresentação de DCTF, o contribuinte declarou a existência do imposto equivocadamente, o qual foi pago, consolidando o imposto, pago indevidamente, ao débito declarado; ressaltase que a DCTF vinculou o valor pago indevidamente ao débito presumido, como se confissão fosse, efetivando um equívoco inicial e retirando do contribuinte um credito que é seu por direito, suprimindoo ao pagamento de um imposto que não existiu; DO RESPALDO NA LEI N° 8.383/1991 E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL o simples fato de a DCTF ter vinculado os valores pagos equivocadamente a um tributo que não se devia, não faz nascer para a Fazenda Pública a garantia de permanecer com tais valores, consolidar o débito indevido e permanecer com tal decisão, denegando ao contribuinte o direito ao crédito compensatório; é tão verdade o direito do contribuinte que em decisão a um recurso voluntário interposto em caso similar ao caso em tela, a Seção do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais do Distrito Federal, em julgado anterior, julgou procedente o referido recurso, confirmando o direito do contribuinte em reaver os valores efetuados de forma indevida, gerado em virtude de erro no preenchimento da DCTF; DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VERDADE MATERIAL de acordo com o princípio constitucional da verdade material ou real, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos; diante do exposto, mostrase ofendido tal princípio, tendo em vista que a documentação anexada ao pedido de inconformidade faz meio de prova material, tido como lícito e capaz de instruir o processo e levar o órgão decisório a têlo como base para seu referido acórdão; A CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da decisão recorrida, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação (retificadora) por ela apresentada em 12/07/2006 (fls. 18 a 22), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de “pagamento indevido” a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de maio de 2001. A consulta ao sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil esclarece que o PER/DCOMP original, de nº 18082.37822.310306.1.3.044075 (retificado), foi apresentado em 31/03/2006. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 25/06/2001 e possui o valor de R$ 565,78. A compensação abrange débito de estimativa de IRPJ referente ao mês de março de 2006. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 565,78 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que a referida estimativa havia sido recolhida indevidamente, porque teria encerrado o exercício com prejuízo. Sustentou ainda que desconhecia os débitos que motivaram a não homologação da compensação, solicitando que lhe fosse informado a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito pleiteado. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando que não estavam presentes os requisitos de certeza e liquidez para o reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: [...] 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em junho de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 565,78, relativo ao IRPJ apurado por estimativa em maio de 2001. Por entender indevido ou a maior o pagamento, transmitiu a declaração ora em exame, por via da qual utilizou o suposto crédito para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa em março de 2006. 6. A DRF/Maceió constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado por estimativa em maio de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 7 6 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$ 565,78, o exato valor do pagamento efetuado pela empresa. Ressaltese que o referido débito está claramente indicado no despacho decisório, nele constando o valor, o código de receita e o período de apuração. 7. Em consulta ao banco de dados da Receita Federal, verifiquei que a contribuinte efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado por estimativa, em maio de 2001, débito do IRPJ no valor de R$ 565,78, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante (fl. 21). 8. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) . 9. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte procurou comprovar o alegado direito creditório com a apresentação de folha do livro Razão onde estavam registrados os pagamentos de estimativa de IRPJ e de CSLL feitos ao longo do ano de 2001. Contudo, não haviam dúvidas sobre a existência do pagamento em questão, eis que o próprio despacho decisório já havia atestado esse fato, indicando o código de receita, o valor do DARF e a data de arrecadação. O mesmo despacho decisório também indicou precisamente o débito ao qual o pagamento estava vinculado, discriminando o valor do débito, o código de receita e o período de apuração, não havendo razão para que a Contribuinte alegasse desconhecimento do débito que motivou a não homologação da compensação. O referido débito, aliás, foi declarado em DCTF pela própria Contribuinte. Estas circunstâncias evidenciam que Contribuinte pouco contribuiu para o esclarecimentos dos fatos na primeira fase do processo. Desde o início, a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior, e caberia a ela demonstrar a ocorrência de erro na informação prestada em DCTF. Quanto a isso, a Contribuinte simplesmente alegou na primeira instância administrativa que recolheu indevidamente estimativa de IRPJ, por ter apurado prejuízo fiscal. Ao proferir sua decisão, a Delegacia de Julgamento novamente tratou da falta de comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, uma vez que a Contribuinte alegava ter realizado “pagamento indevido” de estimativa ao mesmo tempo em que havia confessado débito no valor do recolhimento. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 8 7 No que toca à comprovação de um indébito, é sempre importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Como já mencionado, desde o início a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior. Nessa fase recursal, a Contribuinte anexou cópias parciais de uma DIPJ retificadora (Fichas 11 e 12A), que registram sinteticamente valores negativos como base de cálculo de IRPJ nos meses de 2001. E segue alegando que apurou prejuízo nos meses de 2001 e que teria recolhido indevidamente as estimativas mensais. Não consta a data em que essa DIPJ retificadora foi apresentada. A Contribuinte também não procurou esclarecer a razão do erro no recolhimento das estimativas, informando apenas “que cometeu erro ao pagar em Junho de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Maio de 2001 quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo”. Além disso, não há nos autos demonstração da apuração do lucro real (LALUR), seja para os períodos mensais, seja para o período anual; não há balancetes mensais de suspensão/redução que a Contribuinte alegou possuir (e que tornariam a própria estimativa a maior ou indevida); não há sequer um demonstrativo de apuração do resultado anual, com as correspondentes receitas e despesas, ainda que de forma globalizada (DRE). Já foi destacado que o processo administrativo fiscal possui uma dinâmica própria no que toca à formação da prova, que em alguns casos a carência de prova pode ser suprida pelo contribuinte no desenrolar do processo, etc., mas, mesmo assim, o contribuinte deve realizar um esforço probatório mínimo no intuito de dar substância às suas alegações. Nesse sentido, vale registrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, os elementos dos autos não são suficientes nem mesmo para demonstrar a apuração de prejuízo no ano em questão, inviabilizando inclusive a restituição/ compensação da estimativa na forma de saldo negativo. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901046/200916 Acórdão n.º 1802001.927 S1TE02 Fl. 9 8 A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10183.721901/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SERVIÇOS DE PRESTADOS COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FATURA. RESPONSABILIDADE DO TOMADOR. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF.
É exigível do tomador a contribuição incidente sobre as faturas de serviços prestados por cooperados, intermediados por cooperativa de trabalho, não cabendo ao CARF se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da exação até que o STF se pronuncie em definitivo sobre a matéria.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE FATURAS EMITIDAS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. DISCUSSÃO NO STF. SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS EM TRAMITAÇÃO NO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Somente devem ser sobrestados, nos termos do art. 62-A, § 1.º, do RI CARF, os processos cuja matéria tenha esteja em discussão no Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que não é o caso de Recurso Extraordinário que trata da constitucionalidade da contribuição sobre faturas emitidas por cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FATURA. RESPONSABILIDADE DO TOMADOR. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF. É exigível do tomador a contribuição incidente sobre as faturas de serviços prestados por cooperados, intermediados por cooperativa de trabalho, não cabendo ao CARF se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da exação até que o STF se pronuncie em definitivo sobre a matéria. CONTRIBUIÇÃO SOBRE FATURAS EMITIDAS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. DISCUSSÃO NO STF. SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS EM TRAMITAÇÃO NO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Somente devem ser sobrestados, nos termos do art. 62A, § 1.º, do RI CARF, os processos cuja matéria tenha esteja em discussão no Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543B do Código de Processo Civil, o que não é o caso de Recurso Extraordinário que trata da constitucionalidade da contribuição sobre faturas emitidas por cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 19 01 /2 01 1- 52 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721901/201152 Acórdão n.º 2401003.211 S2C4T1 Fl. 567 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 30.305 de lavra da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 37.314.1378: exigência de contribuição patronal para a Seguridade Social incidente sobre a remuneração pagas a segurados contribuintes individuais e sobre as notas fiscais relativas a serviços prestados por cooperativas de trabalho; b) AI n.º 37.314.1386: exigência da contribuições dos segurados contribuintes individuais; c) AI n.º 37.314.1335: aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de preparar folhas de pagamento nos padrões fixados pela Administração Tributária; d) AI n.º 37.314.1343: aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de lançar em títulos próprios da contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias; e) AI n.º 37.314.1351: aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de descontar da remuneração as contribuições dos contribuintes individuais; f) AI n.º 37.314.1360: aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação de preparar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP em conformidade com o seu Manual de Orientação. Segundo o relato do fisco, fls. 39 e segs., as contribuições exigidas decorreram dos pagamentos de remunerações a cooperados e outras pessoas físicas, além de pagamentos pelos serviços prestados pelas Cooperativas de Trabalho COOMSER e UNIODONTO. Afirma que esses fatos geradores não foram declaradas em GFIP. Afirmase que multa foi aplicada com base no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, por se mostrar mais benéfica ao sujeito passivo. Acerca das lavraturas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, assim se pronunciou o fisco: “III DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 11. Nesta ação fiscal foram lavrados os Autos de Infração pelo descumprimento de obrigações acessórias, fundamentos legais 30, 59, 34 e 91: 12. Código de Fundamento Legal 30 – DEBCAD 37.314.1335 devido ao fato da empresa ora fiscalizada deixar de preparar folhas de pagamento com todos os segurados a seu serviço, ou seja, deixou de incluir nas respectivas folhas de pagamento Fl. 568DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 mensais contribuintes individuais que lhes prestaram serviço. Exemplo: Contribuintes Individuais relacionados no Anexo II. 13. Código de Fundamento Legal 59 – DEBCAD 37.314.1351 devido ao fato da empresa ora fiscalizada deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos seguros contribuintes individuais que lhes prestaram serviço. Exemplo: Contribuintes Individuais relacionados nos Anexos II e IV. 14. Código de Fundamento Legal 34 – DEBCAD 37.314.1343 devido ao fato da empresa ora fiscalizada deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias. A empresa lançou em título impróprio verbas indenizatórias, tais como, Aviso Prévio Indenizado e Multa Indenizatória do art. 9o da Lei 7.238/84 como Salários e Ordenados, que são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Por outro lado, lançou na conta contábil Honorários Advocatícios, tanto o pagamento de honorários mensais (fatos geradores), quanto o pagamento de ajudas de custo (verbas não incidentes), bem como lançou nas contas contábeis Despesas com Confraternização, Honorários de Consultoria, Manutenção e Atualização de Software e Manutenção e Reparos de Prédio, pagamentos de serviços prestados por contribuintes individuais que são fatos geradores de contribuições previdenciárias juntamente com demais serviços prestados por pessoas jurídicas e que não são fatos geradores de contribuições previdenciárias. A escrituração contábil deve ser efetuada de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos das contas, sem que haja a necessidade de pesquisa em históricos contábeis. A utilização de títulos próprios está prevista no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13º do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Portanto, constitui infração à legislação previdenciária, cabendo a emissão de auto de infração, a contabilização de verbas incidentes e não incidentes de contribuição previdenciária abrigadas em uma mesma conta contábil. Por exemplo, o agrupamento na mesma conta das verbas de caráter indenizatório e de caráter remuneratório, ou seja, integrantes do saláriodecontribuição, impossibilitando a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias apenas pelo exame do título da conta. 15. Código de Fundamento Legal 91 – DEBCAD 37.314.1360 devido ao fato da empresa ora fiscalizada apresentar as GFIPs do período 01 a 12/2008, com omissão de fatos geradores e/ou fatos geradores informados a menor. O Anexo VII demonstra a título exemplificativo que as GFIPs mensais foram informadas com erros, em desconformidade com o Manual de Orientação ou Manual da GFIP, contrariando o artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social – RPS, ou seja, os mesmos valores das remunerações mensais informadas em DIRF deveriam ter sido informadas em GFIP, cuja contribuição parte do segurado Fl. 569DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721901/201152 Acórdão n.º 2401003.211 S2C4T1 Fl. 568 5 deveria ter sido informada em campo específico após a caracterização de múltiplo vínculo, e não com a diminuição ou omissão total da remuneração como foi realizada em GFIP. 16. Não identificamos circunstâncias agravantes relativamente aos Autos de Infração acima lavrados.” Cientificado do lançamento, o sujeito passivo ofertou impugnação, na qual alegou inicialmente ter apresentado todos os documentos e esclarecimento solicitados durante a auditoria. Afirmou que as diferenças encontradas entre a DIRF e a GFIP decorreram de que a primeira declaração segue o “regime de caixa”, enquanto a guia previdenciária referese ao mês da prestação de serviços, independentemente do momento do pagamento. Sustentou que não efetuou a retenção das contribuições dos cooperados apenas para aqueles que declararam prestar serviço a outros tomadores. Esse fato pode ser atestado mediante consulta aos bancos de dados da RFB. O sujeito passivo afirmou também que a falta de análise criteriosa dos documentos acostados levou a equívocos na apuração fiscal. A contribuição sobre as faturas emitidas por cooperativa é inconstitucional, sendo inclusive alvo de ação direta de inconstitucionalidade, cujo parecer da Procuradoria Geral da União foi no sentido da procedência da ação. Advoga a empresa que os gritantes equívocos cometidos pelo fisco já são suficientes para se anular as lavraturas, independentemente de se analisar o mérito das autuações. Apresenta documentos, os quais afirma já teriam sido exibidos à fiscalização e seriam suficientes para afastar as exigências. O órgão de primeira instância pronunciouse pela procedência dos AI relativos à aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, posto que o sujeito passivo não os questionou, tendo inclusive efetuado a quitação das multas aplicadas. Acerca das supostas discrepâncias na apuração efetuada com base no confronto entre a DIRF e a GFIP, a DRJ apresentou demonstrativo de retificação do crédito, excluindo valores que considerou terem sido apurados em excesso. Quanto à alegação de que havia contribuintes individuais que laboraram em mais de uma empresa, fato que justificaria a ausência de retenção da contribuição dos segurados, o órgão recorrido não deu razão à empresa, afirmando que os documentos colacionados não se prestariam a fazer a comprovação pretendida. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que, em relação ao AI n. 37.314.1378, devem ser apartadas do crédito as contribuições relativas à parte não recorrida para que o sujeito passivo possa efetuar o seu pagamento. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Afirma que não está recorrendo da parte relativa às contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, todavia não pode se conformar com a contribuição instituída pela Lei n. 9.876/1999, a qual, sem qualquer fundamento constitucional, instituiu, para os tomadores de serviço, tributação sobre as faturas emitidas pelas cooperativas de trabalho. A seguir, passa a apresentar argumentos acerca da inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, que prevê a contribuição sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho. Ao final, pede a suspensão da exigibilidade desta contribuição até o julgamento final da matéria no STF ou a declaração de sua improcedência. É o relatório. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721901/201152 Acórdão n.º 2401003.211 S2C4T1 Fl. 569 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Valores pagos a cooperativas de trabalho Verificase que após o recurso a única matéria mantida em discussão diz respeito à inconstitucionalidade da norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n. 9.876/1999. Para enfrentar a questão relativa ao afastamento da norma que sustenta a exigência de contribuição patronal incidente sobre as faturas de prestação de serviço emitidas por cooperativas de trabalho é necessária uma análise da compatibilidade com a Constituição de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade do preceptivo legal que dá embasamento ao lançamento impugnado. Quanto ao pedido suspensão do processo até que o pronunciamento definitivo do STF sobre a matéria, entendo que não deve ser acolhido. È que somente nas hipóteses ressalvadas no art. 62, parágrafo único e incisos do RI CARF, poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No caso em tela, embora não se negue a existência da ADI n.º 2.594, proposta pela Confederação Nacional da Indústria, verificase que o processo ainda não teve julgamento, encontrandose, desde 29/11/2012, concluso ao Ministro Teori Zavascki. Também não é de se aplicar o § 1.º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, com redação dada pela Portaria MF n.º 586/2010, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (...) Vejase que, em que pese o tema sob análise se encontrar sob o manto da repercussão geral (ver Recurso Extraordinário RE n.º 595.838/SP), nos termos do artigo 543A, 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 573DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.721901/201152 Acórdão n.º 2401003.211 S2C4T1 Fl. 570 9 § 1o, do CPC, c/c artigo 323/§ 1°, do Regimento Interno do STF, não houve sobrestamento dos recursos atinentes a matéria sob questão pelo Supremo Tribunal Federal, com esteio no artigo 543B daquele Código, não cabendo, portanto, a providência de sobrestar o feito administrativo. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10950.903002/2011-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 30 02 /2 01 1- 38 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903002/201138 Acórdão n.º 3803005.128 S3TE03 Fl. 86 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/07/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903002/201138 Acórdão n.º 3803005.128 S3TE03 Fl. 87 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903002/201138 Acórdão n.º 3803005.128 S3TE03 Fl. 88 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903002/201138 Acórdão n.º 3803005.128 S3TE03 Fl. 89 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000437/2002-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997
Ementa:
DCTF - MULTA DE OFÍCIO.
Configurada a declaração dos débitos de ser afastada a aplicação da multa de ofício em face do cumprimento de obrigação acessória
Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões.
OTACÍLIO DNATAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 Ementa: DCTF - MULTA DE OFÍCIO. Configurada a declaração dos débitos de ser afastada a aplicação da multa de ofício em face do cumprimento de obrigação acessória Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. OTACÍLIO DNATAS CARTAXO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 Ementa: DCTF MULTA DE OFÍCIO. Configurada a declaração dos débitos de ser afastada a aplicação da multa de ofício em face do cumprimento de obrigação acessória Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. OTACÍLIO DNATAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 04 37 /2 00 2- 68 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Em Recurso Especial de fls. 132/152, admitido pelo despacho de fl. 154, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão de fl. 124, retificado por embargos de declaração à fl. 128, cuja decisão afastou, unanimemente, a incidência da multa de ofício, dando provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para a COFINS. Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO E PARCELAMENTO DO DÉBITO. Impõe constituir o crédito tributário por meio de lançamento diante da efetiva comprovação do pagamento ou de inclusão em parcelamento. MULTA DE OFÍCIO. Lançamento decorrente de auditoria interna em DCTF, desnecessária qualquer outra investigação, resta configurado a declaração dos débitos, impõe o afastamento da aplicação da multa de oficio diante do cumprimento da obrigação acessória. Recurso negado.” Por ocasião de embargos de declaração, o acórdão recorrido foi retificado para ali constar que, unanimemente, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a multa de ofício, assim como consta no acórdão dos embargos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS Período de Apuração: 01.02.1998 a 31.03.98, 01.02.2001 a 28.02.2001, 01.05.2001 a 31.09.2002. MULTA DE OFICIO. Declarado o crédito tributário devido a União Federal, afasta a incidência da multa de oficio. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13973.000437/200268 Acórdão n.º 9303002.245 CSRFT3 Fl. 347 3 Recurso provido em parte. Embargos acolhidos.” Aduz a Recorrente existir entendimento paradigmático relativamente à multa de ofício, transcrevendo ementas divergentes às fls. 134/136. Segue relatando que mesmo sendo o lançamento contra a Contribuinte fruto de auditoria interna em DCTF, o mesmo deve ser composto pela incidência da multa de ofício. Salienta que o motivo da autuação foi a falta de recolhimento do tributo, razão pela qual, inexistindo saldo a pagar confessado, impõese a constituição do crédito via lançamento de ofício, conseqüentemente, com a incidência da respectiva multa. Transcreve às fls. 139/143 jurisprudência deste CARF, dando suporte à incidência da multa de ofício. Finalmente, pede seja reformado o acórdão recorrido para restabelecer a decisão de 1ª instância, trazendo de volta a incidência da multa de ofício no lançamento. Sem ContraRazões, conforme consta à fl. 158. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 O tema do litígio se envolve com a legalidade ou não da exclusão de multa de ofício em face da declaração em DCTF do crédito tributário Registra o Recurso(fl. 143 primeiro parágrafo): “No caso concreto,o valor do tributo devido (COFINS) foi apurado mediante auditoria interna em DCTF, tendo o crédito tributário correspondente sido objeto de lançamento de ofício. Verificouse que os créditos vinculados aos débitos informados na DCTF não foram confirmados. Nesse documento, foi declarado saldo a pagar igual a zero. Nesses casos, determina a lei que seja aplicada multa de ofício conforme os fundamentos legais indicados no Auto de Infração: art. 44, inciso I, da Lei nº9.430/96.” Na fl. 52 constato na DCTF (2º Trimestre de 1997) lançamento da COFINS no valor de 5.348,36 no 3º trimestre de 1997 (fl. 53) no valor de 9.688,01 e no 4º trimestre (fl.54) no valor de 10.240,47, já que de janeiro de 1997 até dezembro de 1998 esse documento passou a ter periodicidade trimestral. Em conseqüência, irreparável a decisão ora combatida por haver excluído a multa de ofício em face das declarações apontadas o que me faz votar pelo improvimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 07 de maio de 2013. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13603.000597/00-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Em que pese o julgador não estar obrigado analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, para que não haja cerceamento de defesa, o mérito da lide deve ser analisado, quando imprescindível para o deslinde da questão. Se a Delegacia de Julgamento não apreciou o mérito, os autos devem retornar para a análise, evitando-se, assim, a supressão de instância administrativa
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Em que pese o julgador não estar obrigado analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, para que não haja cerceamento de defesa, o mérito da lide deve ser analisado, quando imprescindível para o deslinde da questão. Se a Delegacia de Julgamento não apreciou o mérito, os autos devem retornar para a análise, evitandose, assim, a supressão de instância administrativa Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 05 97 /0 0- 64 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Juiz de Fora: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 3º/1999, no valor de R$ 64.230,72, formalizado em 13/04/2000, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 3/4. A solicitação foi inicialmente indeferida [Despacho Decisório de fls.85/86, de 23/01/2002] tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 83/84] que propôs o indeferimento em decorrência da ação fiscal da qual resultou a lavratura de Auto de Infração do IPI consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal [fls. 77/81]. Inconformada a pleiteante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 87/94, tendo sido ratificado o indeferimento do pleito em 08/07/2004, por intermédio do Acórdão DRJ/JFA nº 07.696 [fls. 99/105], em face da existência do auto de infração e da apuração de saldo devedor no período. Contra o referido acórdão foi interposto Recurso Voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes [fls. 108/117], com posterior juntada, em 29/09/2004, de cópia da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT N° 288, de 17/08/2004 [ fls. 124/126]. O Segundo Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência [fls. 133/137], em 09/11/2005, para juntada aos autos da decisão final que viesse a ser proferida no Processo Administrativo 13603.001578/200125 (Auto de Infração do IPI)dada a estreita vinculação entre os processos. Às fls. 138/150 foi anexada cópia do Acórdão n° 20216.818, por intermédio do qual a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu, em atendimento a recurso apresentado pelo contribuinte, que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI1. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 13 3 O mencionado Acórdão foi objeto de Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) [fls.151/161], que em Acórdão de n° 0202.652 [fls. 185/192], negou provimento ao recurso especial. Assim, cumprida a exigência contida na Resolução de fls. 133/137 foram os autos remetidos em 21/11/2007ao Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação do Recurso Voluntário de fls. 108/117. 1 "Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento total para reconhecer que a atividade exercida pela recorrente é de prestação de serviço, independente da classificação fiscal utilizada e nos termos da decisão judicial transitada em julgado favorável ao seu entendimento e, portanto, não sujeita ao IPI". Processo 13603.000597/0064 Acórdão n.º 0939.517 DRJ/JFA Fls. 458 4 Resultou daí o Ac. Nº 20403.166 [fls. 234/238], de 09/04/2008, por intermédio do qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em uma nova análise do caso, considera o desfecho favorável do processo 13603.001578/200125 ao contribuinte, mas, entendendo que o procedimento fiscal instaurado para averiguar a legitimidade do crédito pleiteado não foi conclusivo quanto ao mérito do ressarcimento retorna os autos à unidade de origem para reexame e prolatação de uma nova decisão com enfrentamento do mérito, uma vez afastada a prejudicial de análise de mérito2. Em cumprimento ao determinado pelo CARF foi elaborado em 11/08/2009 o Termo de Verificação Fiscal de fls. 245/247 que, considerando que a desconstituição da exigência veiculada pelo Auto de Infração em comento com a conseqüente invalidação da reconstituição da escrita fiscal promovida pela fiscalização restabeleceu a situação anterior do contribuinte no que diz respeito à escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI e, mencionando a Solução de Consulta DISIT/SRRF/6ª RF nº 288, de 17/08/2004, sugeriu o DEFERIMENTO INTEGRAL do direito creditório no valor de R$ 64.230,72. Tomando por base o TFV retro mencionado e em cumprimento à determinação do CARF foi prolatado, pela DRF/Contagem/MG novo Despacho Decisório [DRF/CON nº 1.195, de 27/08/2009, fls. 248/250] para DEFERIR o direito creditório relativamente ao saldo credor apurado no trimestre 3º/1999, da ordem de R$ 64.230,72. Cientificado do referido despacho decisório e comunicado da compensação de ofício do crédito reconhecido com débitos constantes dos sistemas da RFB a interessada manifestouse contrariamente à compensação de ofício [fls. 252/255] e, posteriormente, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº 21808.35078.301109.1.1.019574 [fls. 280/281] Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 14 4 e as DCOMPs de nº 38596.95917.301109.1.3.018665 [fls. 282/285], 13942.83374.151209.1.3.017268 [fls. 286/289], 24406.87429.181209.1.3.010070 [fls. 290/295], 11412.65758.301209.1.3.019825 [fls. 296/299], 22131.12354.150110.1.3.013674 [fls. 300/303] e 00638.76336.200110.1.3.018161 [fls. 304/308] para utilização do direito creditório reconhecido. Posteriormente, em 17/09/2010, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG [fls. 268/269], inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi o presente processo [juntamente com diversos outros que tratam da mesma matéria] encaminhados por meio do despacho de fls. 256/257 à Seção de Fiscalização para análise. Resultou daí o Despacho de Instrução de fls. 258/264, que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125, em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de 2 "ACORDAM os. Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de análise de mérito que motivou as decisões proferidas nos autos e determinar o retorno à unidade de origem para que nova decisão seja prolatada com enfretamento do mérito". Processo 13603.000597/0064 Acórdão n.º 0939.517 DRJ/JFA Fls. 459 5 incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, um vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foi juntado ao presente processo o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, proferido nos autos do processo nº 13603.000572/200815 [processo tomado como paradigma para análise da situação da pessoa jurídica], que conclui, dentre outros pontos, pela ANULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON nº 1.195, de 27/08/2009 [fls. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 15 5 248/250] que havia reconhecido o direito creditório; pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento – PER 21808.35078.301109.1.1.019574 e pela não homologação das declarações de compensação – DCOMP 38596.95917.301109.1.3.018665, 13942.83374.151209.1.3.017268, 24406.87429.181209.1.3.010070, 11412.65758.301209.1.3.019825, 22131.12354.150110.1.3.013674 e 00638.76336.200110.1.3.018161, sob os seguintes fundamentos, em síntese: • tendo demonstrado os efeitos da decisão judicial transitada em julgado dentro da esfera administrativa, notadamente em relação aos processos n.° 13603.001578/200125 e n.° 13603.000708/9837, a Seção de Fiscalização se manifesta novamente pela impossibilidade da pessoa jurídica aproveitar créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois, inexistindo a relação jurídicotributária entre a União e o sujeito passivo por força da decisão judicial, este não pode se beneficiar apenas dos benefícios desta relação; • a constatação da existência da decisão judicial transitada em julgado declarando que a atividade exercida pela sociedade empresarial não se sujeita ao IPI, implica na Revisão de Oficio dos Despachos Decisórios que reconheceram créditos de ressarcimento de IPI em favor da Editora Alterosa Ltda; • o fato de o sujeito passivo possuir decisão judicial declarando a inexistência da relação jurídico tributária entre as atividades desenvolvidas pelo mesmo e o campo de incidência do IPI o desqualifica da condição de contribuinte deste tributo. Portanto, o interessado não se sujeita a nenhuma norma atinente ao IPI; • o sistema de crédito consiste em atribuir ao contribuinte do IPI o imposto relativo aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Portanto, não sendo o interessado contribuinte do IPI por força de decisão judicial e inexistindo a relação jurídico tributária entre ele e a Unido Federal, não há, nestas circunstâncias, Processo 13603.000597/0064 Acórdão n.º 0939.517 DRJ/JFA Fls. 460 6 previsão legal para utilização de créditos de IPI pelo sujeito passivo; • a opção pela compensação de débitos se restringe àqueles contribuintes que apurem crédito do imposto passível de restituição ou de ressarcimento. No presente caso, não foi apurado crédito passível de restituição, tampouco de ressarcimento; sequer existe a possibilidade da apuração de qualquer tipo de crédito, haja vista que o interessado é possuidor de decisão judicial transitada em julgado que o desqualifica da condição de contribuinte do IPI; • quanto à Solução de Consulta 288, citada pelo interessado em sua manifestação de inconformidade, temse que a mesma foi obtida pelo fato de o consulente de ter omitido a informação sobre a existência de decisão judicial anterior declarando a inexistência de relação jurídico tributária relativa ao IPI entre a União Federal e a Editora Alterosa Ltda; • reafirmando este entendimento, fazse necessário citar o Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, contido no processo 13603.721576/201047, motivado por Representação formalizada pela DRF/CONTAGEM dirigida ao chefe da DISIT/SRRF 06 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 16 6 para que fosse analisada a anulação da citada Solução de Consulta. Após análise, a DISIT/SRRF 06 assim concluiu: A vista do exposto, entendese que a consulta formulada (fls.10/13) deve ser declarada ineficaz, considerando que o fato nela exposto foi objeto de decisão judicial anterior proferida em litígio em que foi parte a consulente, conforme art. 52, inc.IV, do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF) e art. 15, inc. VI, da IN RFB n.°230/2002". "Em consequência e com base nos fundamentos acima, entendese que deve ser declarada nula a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004 (fls. 14/16), com efeitos retroativos (ex tunc), tendo em vista ferir frontalmente a legislação da espécie, uma vez que prolatada em resposta a consulta ineficaz, em que a consulente, proferindo declaração inveridica, omitiu o fato de que possuía decisão judicial transitada em julgado em seu favor cujo objeto tem relação direta com o fato exposto na consulta, na data de sua apresentação". • no intuito de atender ao principio da economia processual e dar celeridade às demais decisões relacionadas a processos distintos do mesmo interessado que, pela matéria, vinculamse à presente análise, o cancelamento dos atos administrativos que reconheceram créditos de IPI relativos a outros períodos de apuração em favor da Editora Alterosa Ltda será efetivado pelo presente Despacho Decisório, juntamente com o indeferimento dos mesmos, bem como as decisões referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensação ainda pendentes de decisão administrativa. Processo 13603.000597/0064 Acórdão n.º 0939.517 DRJ/JFA Fls. 461 7 • por todo o exposto, e com base nas informações trazidas pelo Termo de Informação Fiscal da SAFIS da DRF/CONTAGEM, proponho: .• que sejam anulados os Despachos Decisórios ... • que sejam indeferidos os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) ... • que sejam consideradas não homologadas as compensações apresentadas pelas seguintes Declarações de Compensação (DCOMPs)... Cientificado do referido despacho decisório [nº 1.376/DRF/CON] em 29/11/2010 [fl. 279] manifestou a interessada a sua inconformidade em 20/12/2010 por intermédio do arrazoado de fls. 313/323, no qual: ó inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 17 7 incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS. ó alegou que a mudança de entendimento manifestada no despacho decisório que anulou o despacho anterior só ocorreu depois que ela obteve êxito nos processos 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, denotando retaliação pela vitória; questiona o por quê da exigência do IPI da empresa em 1998 e 2001 e do deferimento dos ressarcimentos se a decisão judicial transitada em julgado existe desde 1984 e conclui que o Fisco alterou sua visão somente quando se viu impedido de cobrar o IPI da defendente; ó argumenta, mencionando o art. 146 do CTN [a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução] e o art. 2ºXIII da Lei nº 9.784/99 [que veda a aplicação retroativa de nova interpretação], que a nova opinião só pode valer para o futuro; ó reproduz excertos de doutrina, jurisprudência do Conselho de Contribuintes e dos Tribunais que entende favoráveis à sua tese; ó pondera que “como a mudança de entendimento da DRF/Contagem acerca da caracterização da contribuinte como mera prestadora de serviços só foi externada em 29/11/2010, todos os pedidos de ressarcimento e de compensação formalizados até essa data estão albergadas pelo entendimento anterior, razão pela qual ela faz jus ao aproveitamento dos créditos de IPI previstos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 pelo menos até 29/11/2010”; ó acrescenta, ainda, que “por ter classificado a contribuinte como indústria e ter conferido a ela os ônus e os bônus dessa categorização (autuações por suposta fabricação de cartões de crédito com tarja magnética e, na outra ponta, deferimento do aproveitamento dos créditos de IPI descritos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99), a revisão desse enquadramento e o deslocamento da contribuinte para um status diferente caracteriza um erro de direito (erro na caracterização jurídica dos fatos), o qual, como demonstrado, não enseja o Processo 13603.000597/0064 Acórdão n.º 0939.517 DRJ/JFA Fls. 462 8 revolvimento de situações passadas e já definitivamente constituídas, motivo pelo qual todos os ressarcimentos, compensações e atos praticados pela empresa até 29/11/2010 permanecem regidos pelo entendimento (critério jurídico) anterior”; ó requer, ao final, que esta DRJ cancele o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.376/2010 e, com isso, (i) restabeleça os despachos decisórios que reconheceram créditos de IPI, (ii) valide todos os ressarcimentos de IPI pedidos (inclusive os eletrônicos) e (iii) homologue as compensações feitas. À manifestação de inconformidade foram anexados os elementos de fls.342/372 [principais peças do processo administrativo nº 13603.000708/9837] ; 373/428 [principais peças do processo administrativo nº 13603.001578/200125] ; 429/439 [outros elementos]. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 18 8 Nestes termos vieram os autos, em 29/11/2011, a esta Terceira Turma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento. Em vista da informação recebida da Saort/DRF/CON/MG, por telefone, acerca da obtenção, pela pessoa jurídica, de sentença favorável em mandado de segurança [processo nº 89641.31.2010.4.01.3800] impetrado em 15/12/2010, anexada às fls. 264/270 do processo nº 13603.721576/201047 [no qual foi formalizada a Representação para Cancelamento da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 288/2004] esta Relatora entendeu por bem anexar dito documento ao presente processo [fls. 445/451]. Analisando o processo, a DRJ em Juiz de Fora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. IÉ vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, cabendo, nessa situação, ser indeferido o pleito. IICOMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Considerando a decisão proferida no Mandado de Segurança no. 89641.31.2010.4.01.3800, que restabeleceu a consulta que havia reconhecido o direito de aproveitamento dos créditos para ressarcimento/compensação; a DRJ deveria deferir o pedido de ressarcimento de IPI e homologar as compensações ou, por cautela, aguardar o trânsito em julgado do Mandado de Segurança. A DRJ deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade sob a justificativa de que foi proferida decisão judicial que interfere na questão discutida nos presentes autos. Contudo, o tema submetido ao Poder Judiciário (anulação da Solução de Consulta SRRF/6a. RF/Disit no. 288/2004) é diferente do tratado nestes autos (possibilidade de a autoridade fiscal aplicar, retroativamente, entendimento/critério jurídico novo). Razão pela qual o acórdão da DRJ deve ser cancelado, de modo que não haja o cerceamento de defesa da Recorrente. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, requer que seja anulado o Acórdão proferido pela DRJ em Juiz de Fora, para que esta enfrente as razões da defesa e, se no mérito este Colegiado for favorável à Recorrente, que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório pretendido (ressarcimento de IPI) e homologando as compensações glosadas. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme se depreende de todo o exposto no relatório, trata o presente caso de ressarcimento do saldo credor de IPI, verificado no 3° trimestre de 1999, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. De se destacar que a Recorrente jamais se conformou com a condição de contribuinte de IPI, pelo fato de ser prestadora de serviço, detendo, inclusive, decisão judicial transitada em julgado em que restou reconhecido que esta não deve IPI relativamente aos serviços de composição gráfica e impressão em geral. Não obstante, sempre foi surpreendida com a cobrança do IPI pelo órgão fazendário. Basta verificar que contra ela foi lavrado o Auto de Infração consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal. Esse cenário levou a Recorrente a formular consulta à Receita Federal sobre a possibilidade de aproveitar o crédito de IPI decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, não obstante sua atividade fosse, basicamente, a prestação de serviços gráficos. Foi, assim, emitida a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, que confirmou à Recorrente o seu direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Então, passou a requerer o ressarcimento do saldo credor de IPI, verificado no 1° trimestre de 1999, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, o qual não vinha sendo deferido justamente pelo fato de a Recorrente, de outra banda, questionar administrativamente a própria incidência do imposto. Ocorre que, posteriormente, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Ac Nº 20403.166, julgou favoravelmente à Recorrente o processo 13603.001578/200125. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 20 10 Diante dessa decisão, foi elaborado pela Delegacia de Origem, em 11/08/2009, o Termo de Verificação Fiscal que, considerando que a desconstituição da exigência veiculada pelo Auto de Infração em comento com a conseqüente invalidação da reconstituição da escrita fiscal promovida pela fiscalização restabeleceu a situação anterior do contribuinte no que diz respeito à escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI e, mencionando a Solução de Consulta DISIT/SRRF/6ª RF nº 288, de 17/08/2004, sugeriu o DEFERIMENTO INTEGRAL do direito creditório no valor de R$ 64.230,72. Tomando por base o TVF retro mencionado e em cumprimento à determinação do CARF foi prolatado, pela DRF/Contagem/MG Despacho Decisório [DRF/CON nº 1.194, de 27/08/2009, fls. 248/250] para DEFERIR o direito creditório relativamente ao saldo credor apurado no trimestre 3º/1999, da ordem de R$ 64.230,72. A Recorrente manifestouse contrariamente à compensação de ofício e, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº posteriormente, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº21808.35078.301109.1.1.019574 [fls. 280/281] e as DCOMPs de nº 38596.95917.301109.1.3.018665 [fls. 282/285], 13942.83374.151209.1.3.017268 [fls. 286/289], 24406.87429.181209.1.3.010070 [fls. 290/295], 11412.65758.301209.1.3.019825 [fls. 296/299], 22131.12354.150110.1.3.013674 [fls. 300/303] e 00638.76336.200110.1.3.018161 [fls. 304/308] para utilização do direito creditório reconhecido. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório DRF/COM nº 1.841, de 15/12/2009, que, considerando o deferimento do direito creditório no Despacho Decisório anteriormente mencionado homologou as DCOMPs retro discriminadas. Porém, em 17/09/2010, considerando a informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG, inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi prolatado o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON que conclui pela anulação do Despacho Decisório da DRF que havia reconhecido o direito creditório, pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento e pela não homologação das declarações de compensação. Quanto à Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, que confirmava à Recorrente o seu direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, dispõe a DRJ ter sido declarada ineficaz pelo Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010. Ocorre que, em face do Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança no. 89641.31.2010.4.01.3800, através do qual passou a questionar a legitimidade da anulação da Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, o qual foi julgado procedente e encontrase com Recurso de Apelação da Fazenda Nacional, recebido apenas em seu efeito devolutivo, pendente de julgamento pelo TRF da 1a. Região. Significa isso dizer que o Despacho Decisório 199/2010 não produz quaisquer efeitos jurídicos e não deve ser observado nem pela autoridade fiscal e tampouco por este Conselho. Fato é que ao cancelar o Despacho Decisório 199/2010, que anulou a Solução de Consulta, a decisão judicial restabeleceu a solução de consulta que havia reconhecido o Fl. 527DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000597/0064 Acórdão n.º 3801002.479 S3TE01 Fl. 21 11 direito de aproveitamento dos créditos para ressarcimento/compensação. Como se não bastasse, o Recurso de Apelação da Fazenda Nacional foi recebido em seu efeito devolutivo, mantendo se os efeitos da decisão judicial exarada. Por conseguinte, imperioso se torna aferir se, diante desse cenário, deve ou não prevalecer o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, que concluiu pela anulação do Despacho Decisório da DRF que havia reconhecido o direito creditório, pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento e pela não homologação das declarações de compensação. A DRJ deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade sob a justificativa de a decisão judicial mencionada interfere na questão discutida nos presentes autos. É de se admitir, contudo, que a matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário (anulação da Solução de Consulta SRRF/6a. RF/Disit no. 288/2004), não pode ser confundica com a submetida à análise neste processo administrativo (possibilidade de a autoridade fiscal aplicar, retroativamente, entendimento/critério jurídico novo). Assim, para que não haja supressão de instância e o consequente cerceamento de defesa da Recorrente, entendo que devem os atos retornar à DRJ para que esta se pronuncie quanto ao mérito, muito bem destrinchado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 528DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.003902/2003-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
Ementa:
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL. Estando o IRPJ sujeito ao regime de lançamento por homologação, e tendo ocorrido pagamento via compensação, o direito de o Fisco constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, segundo regra do artigo 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9101-001.787
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria dos votos, DAR provimento ao recurso do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fez sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Eduardo Froehlich Zangerolami OAB/SP nº 246414.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann, sendo substituída pelo Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria dos votos, DAR provimento ao recurso do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fez sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Eduardo Froehlich Zangerolami OAB/SP nº 246414. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann, sendo substituída pelo Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Estando o IRPJ sujeito ao regime de lançamento por homologação, e tendo ocorrido pagamento via compensação, o direito de o Fisco constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, segundo regra do artigo 150, § 4º, do CTN. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria dos votos, DAR provimento ao recurso do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fez sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Eduardo Froehlich Zangerolami OAB/SP nº 246414. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 02 /2 00 3- 87 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.003902/200387 Acórdão n.º 9101001.787 CSRFT1 Fl. 3 2 e João Carlos de Lima Júnior. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann, sendo substituída pelo Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Em sessão plenária de 05 de junho de 2010 a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, analisando recurso voluntário interposto pelo contribuinte em epígrafe, decidiu, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria em relação à trava de 30% para a compensação de prejuízos (concomitância com processo judicial) e NEGAR provimento ao recurso, ressalvandose a dedução do IRFonte do anocalendário de 1997, por ocasião da liquidação do processo judicial. A decisão está consubstanciada no Acórdão 180200.506, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. IN OCORRÊNCIA. Inexistindo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do IRPJ não recolhido extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme disposto no art. 173, I, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. MEIO ADEQUADO. 0 lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, consoante disposto nos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto n° 70.235/72 e 63, § 1°, da Lei 9.430/96. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.003902/200387 Acórdão n.º 9101001.787 CSRFT1 Fl. 4 3 JUROS DE MORA. CABIMENTO. DÉBITO NÃO PAGO OU DEPOSITADO NO VENCIMENTO. São devidos juros de mora nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando o crédito tributário estiver desprotegido de depósito judicial. Art. 161 do CTN. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Tempestivamente, o contribuinte ingressou com Recurso Especial alegando que o Acórdão diverge da jurisprudência do CARF, no que se refere à decadência e à postergação. Em relação à primeira matéria (decadência), indicou os seguintes paradigmas: Acórdão nº 10195.967, de 25.01.2007 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IRPJ — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. (...)” Acórdão CSRF e 0105.464, de 19.06.2006 "IRPJ DECADÊNCIA — AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A classificação do lançamento, se por homologação e portanto com o prazo de decadência fixado pelo art. 150, parágrafo 4°, do CTN, não depende do recolhimento do tributo. Tributo sujeito por homologação aquele em que a lei estabelece ao contribuinte o dever de apurar e recolher o tributo independentemente de ato administrativo prévio." No que tange à matéria "Postergação do pagamento do imposto", indica como paradigma o Acórdão 112 10194.301, de 13.08.2003. "(..) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO. O lançamento de oficio para exigir IRPJ devido em razão da inobservância da trava de 30% na redução do lucro real Fl. 749DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.003902/200387 Acórdão n.º 9101001.787 CSRFT1 Fl. 5 4 mediante compensação de prejuízos deve, sob pena de cancelamento, observar os efeitos da postergação, na forma estabelecida pelo Parecer Normativo Cosit n° 02/96. (..)" O recurso foi admitido pela Presidente da 2ª Câmara. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. Duas são as matérias objeto de recurso especial. A primeira matéria diz respeito a decadência, e quanto a ela a divergência de interpretações restou perfeitamente caracterizada, preenchendo, o recurso os requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual deve ser conhecido. A primeira questão controvertida, cuja interpretação se busca uniformizar, diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento de ofício, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. O acórdão recorrido tomou como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do CTN, assim justificando: “(...), para a configuração do lançamento por homologação no caso concreto, exigese antecipação de pagamento de imposto, ainda que parcial, para o respectivo período de apuração. Caso inexistir antecipação de pagamento do imposto para o período de apuração, o prazo decadencial para o lançamento do oficio é o do art. 173, I, e não o do art. 150, § 40, ambos do CTN. Na situação dos autos, a recorrente no anocalendário 1997 estando sujeita à apuração do imposto pelo regime do lucro real anual, e com obrigação de pagar imposto por estimativa mensal (antecipação), porém não o fez, pois utilizouse de balanços de suspensão/redução para não pagamento do IRPJ com base na receita bruta e acréscimos. Além disso, na declaração de ajuste anual — DIPJ 1998 (ano calendário 1997), a recorrente, tendo apurado Lucro Real antes das compensações, promoveu compensação integral e plena com Fl. 750DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.003902/200387 Acórdão n.º 9101001.787 CSRFT1 Fl. 6 5 prejuízos fiscais acumulados de períodos de apuração anteriores, descumprindo a trava de 30%. “Logo, a recorrente sequer apurou imposto, nada pagou a titulo de antecipação do IRPJ quanto ao anocalendário 1997, período objeto da autuação.” Postula a recorrente a prevalência da tese segundo a qual, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo fatal é a data da ocorrência do fato gerador, independentemente de ter ou não havido pagamento antecipado e apenas na presença de dolo, fraude ou simulação ele se só se rege pelo art. 173 do CTN. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontrase totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: a) Se houve pagamento antecipado: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) Se não houve pagamento antecipado: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). No caso concreto, o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 1997 e, tendo havido pagamento via retenção na fonte, conforme se verifica na ficha 08 da DIPJ (fl. 08), o termo inicial da decadência é 1º de janeiro de 1998, esgotandose o prazo para realizar o lançamento no dia 31 de dezembro de 2002. Assim, tendo o lançamento sido notificado ao contribuinte em 30 de outubro de 2003, se operou a decadência para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento. Deve, pois, ser reformado o Acórdão recorrido, no que se refere ao item “decadência”. Em assim sendo, a análise relativa a matéria postergação restou prejudicada. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.003902/200387 Acórdão n.º 9101001.787 CSRFT1 Fl. 7 6 Pelas razões expostas, DOU provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721344/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL.
É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva.
Numero da decisão: 3803-004.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva.
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 13 44 /2 01 2- 40 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721344/201240 Acórdão n.º 3803004.608 S3TE03 Fl. 110 2 Conforme consta do despacho de fl. 108, os presentes autos foram formalizados para fins de julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG proferida no âmbito do processo administrativo nº 10680.933069/200918, processo esse encerrado no sistema da Receita Federal em razão do reconhecimento integral do direito creditório ali analisado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DComp), nº 32039.54495.080409.1.7.048742, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 4.057,69, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DComp já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, que exercera o seu direito, assegurado por lei, de compensar os créditos apurados em sua contabilidade, não podendo a falta de retificação da DCTF e das demais obrigações tributárias ser motivo de indeferimento da restituição do indébito devidamente demonstrado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do DARF e do despacho decisório. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, com o reconhecimento do direito creditório, em razão do fato de que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, ele havia, sim, retificado a DCTF, no prazo legal, tendo declarado um débito equivalente ao informado no Dacon, débito esse que, confrontado com o montante recolhido, indicaria a existência de saldo credor no valor original de R$ 7.027,44, tudo em conformidade com o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008. Ressaltou o julgador de piso que, naquele momento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, cabendo à repartição de origem a operacionalização da homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 27) enviado ao contribuinte, o crédito total reconhecido não havia sido suficiente para compensar o débito informado neste processo e aqueles declarados em outros quatro PER/Dcomps. O agente fiscal destacou que o contribuinte, se fosse o caso, poderia recorrer ao CARF no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do referido termo. Cientificado do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG em 15 de fevereiro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15 de março do mesmo ano e requereu a reforma da decisão de primeira instância, com a homologação total da compensação declarada, argumentado que, na decisão atacada, não se teria reconhecido a DCTF retificadora, em flagrante confronto às disposições da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008, da Lei nº 9.430, de 1996, e do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721344/201240 Acórdão n.º 3803004.608 S3TE03 Fl. 111 3 Argumentou o Recorrente que, neste processo, diferentemente do alegado pelo julgador de piso, não se procedera ao tratamento manual e individualizado da declaração de compensação, o que violaria o princípio da isonomia, com indevido tratamento privilegiado da Fazenda Pública, em desfavor do contribuinte, dado o não reconhecimento da retificação de suas obrigações tributárias. Junto à peça recursal, o contribuinte trouxe aos autos, além das cópias que já haviam sido apresentadas na primeira instância, cópias do acórdão recorrido, da DCTF retificadora e do Dacon retificador. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão das questões a seguir abordadas. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu a totalidade do direito creditório declarado pelo contribuinte neste processo, tendo se fundamentado nas retificações da DCTF e do Dacon, ambas efetuadas no prazo legal, não obstante o então Manifestante ter afirmado, peremptoriamente, a inocorrência dessas mesmas retificações. Constou expressamente da decisão recorrida que, no momento do julgamento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, verificação essa que caberia à repartição de origem no momento da operacionalização da homologação da compensação, até o limite do direito creditório reconhecido. Verificase que a decisão da Delegacia de Julgamento configurouse ilíquida, pois que, expressamente, condicionou a execução do acórdão à verificação de existência de outras declarações de compensação envolvendo o mesmo direito creditório, tarefa essa necessária ao aperfeiçoamento da decisão da Delegacia de Julgamento. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 27), o contribuinte foi informado que o saldo creditório reconhecido pela Delegacia de Julgamento não teria sido suficiente para homologar totalmente a compensação declarada em razão da existência de outros PER/DComps, em que o mesmo crédito havia sido pleiteado para quitar outros débitos de sua titularidade. Contudo, no Recurso Voluntário, ao invés de se contrapor à decisão da repartição de origem que, na execução do acórdão da Delegacia de Julgamento, homologou apenas parcialmente a compensação declarada, o contribuinte passa a se insurgir quanto a um alegado não reconhecimento da DCTF retificadora por parte do julgador de piso, alegação essa totalmente desvinculada da realidade fática dos autos, pois foi o mesmo relator, e não o contribuinte, que trouxe aos autos a informação acerca da existência de DCTF e Dacon retificadores. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721344/201240 Acórdão n.º 3803004.608 S3TE03 Fl. 112 4 Alega o Recorrente, expressamente, que a Delegacia de Julgamento indeferira a sua solicitação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, afirmação essa totalmente alheia ao conteúdo da decisão recorrida. Confrontandose o teor da DCTF retificadora com a decisão recorrida, constatase que os valores indicados pelo relator de primeira instância coincidem com aqueles retificados, não se justificando as alegações de não reconhecimento da retificação e de indeferimento do pedido. O Recorrente não faz qualquer referência aos outros processos administrativos em que o mesmo crédito fora declarado, pautando sua defesa no alegado não reconhecimento das retificações da DCTF e do Dacon, alegações essas, conforme já dito, totalmente opostas ao que havia sido arguido na Manifestação de Inconformidade, quando a sua defesa se centrara na inexigibilidade de retificação das declarações para fins de deferimento do indébito. Notase que o Recorrente, ao mesmo tempo em que inova em relação a sua defesa, contrariando a regra prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19721, argui questões alheias aos fatos presentes nos autos e, o que é pior, não refuta o elemento central que restou controvertido, qual seja, o fundamento fático que ensejou a homologação apenas parcial da compensação declarada, evidenciandose ausência de contestação ou, em outros termos, ausência de lide, o que torna o processo definitivamente julgado. Nesse contexto, temse por configurada a ausência de dialeticidade recursal, não se encontrando expostos, de forma clara e objetiva, os motivos da contrariedade e a necessidade de reforma da decisão atacada, o que inviabiliza o conhecimento do recurso. Segundo Humberto Theodoro Júnior, “[pelo] princípio da dialeticidade exige se que todo recurso seja formulado por meio de petição na qual a parte, não apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os motivos de fato e direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada” 2. E acrescento eu, motivos de fato e direito que encontrem respaldo nos dados e documentos presentes nos autos. Com base no teor do inciso II do parágrafo único do art. 295 do Código de Processo Civil, é possível constatar que se considera inepto o pedido em que da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. Nos presentes autos, a questão que restou em aberto após a decisão de primeira instância, reafirmese, foi somente a execução do acórdão por parte da repartição de origem no sentido de homologar apenas parcialmente a compensação declarada, em razão da existência de outro processo em que o mesmo crédito havia sido informado, fato esse não abordado, nem de longe, pelo Recorrente. O pedido de reforma da decisão de primeira instância, também, evidencia o desencontro dos argumentos aduzidos pelo Recorrente em relação à realidade dos autos, uma 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. O processo civil brasileiro no limiar do novo século. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 169. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721344/201240 Acórdão n.º 3803004.608 S3TE03 Fl. 113 5 vez que a DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu totalmente o direito creditório pleiteado, nada havendo em sua decisão que desfavoreça o Recorrente, muito pelo contrário. A despeito do desconhecimento externado pelo então Manifestante quanto à retificação de suas declarações, foi a autoridade julgadora que trouxe esse dado aos autos, frise se, dado esse fundamental à decisão então tomada. Não fosse a pesquisa efetuada pelo relator de piso nos sistemas internos da Receita Federal, o encaminhamento deste processo teria sido outro, muito provavelmente o indeferimento da totalidade do direito creditório por ausência de prova do indébito reclamado, uma vez que nenhum elemento de prova foi trazido aos autos para comprovar a existência do alegado pagamento a maior. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, em razão de sua inépcia. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10783.723186/2011-23
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
DISTRIBUIÇÃO DE RESULTADO E PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. REALIZADOS E FORNECIDOS FORA DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. VIOLAÇÃO A LEIS TRIBUTÁRIAS. VERBAS QUE ADQUIREM CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA X MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE CADA QUAL EM SUA ÉPOCA PRÓPRIA. MULTA BENÉFICA. APLICAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, visando o recálculo da multa do AIOP DEBCAD 37.324.782-6 e relação aos levantamentos P21 - Previdência Privada Diretoria e PP1 - Previdência Privada com multa de 75%, devem ter aplicado a eles, os percentuais de multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449 e sua lei de conversão, observando-se, que se tal multa ultrapassar o porcentual de 75% da MP 449 deve ser limitada a este novo limite, bem como que em relação a multa punitiva do AIOA 37.324.781-8 esta seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que entende que a multa foi aplicada corretamente pela fiscalização.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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FATOS GERADORES E AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL E COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente AGUIA BRANCA PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 DISTRIBUIÇÃO DE RESULTADO E PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. REALIZADOS E FORNECIDOS FORA DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS. VIOLAÇÃO A LEIS TRIBUTÁRIAS. VERBAS QUE ADQUIREM CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA X MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE CADA QUAL EM SUA ÉPOCA PRÓPRIA. MULTA BENÉFICA. APLICAÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, visando o recálculo da multa do AIOP DEBCAD 37.324.7826 e relação aos levantamentos P21 Previdência Privada Diretoria e PP1 Previdência Privada com multa de 75%, devem ter aplicado a eles, os percentuais de multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449 e sua lei de conversão, observandose, que se tal multa ultrapassar o porcentual de 75% da MP 449 deve ser limitada a este novo limite, bem como que em relação a multa punitiva do AIOA 37.324.7818 esta seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que entende que a multa foi aplicada corretamente pela fiscalização. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 31 86 /2 01 1- 23 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 602 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 603 3 . Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.324.7826, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores, que prestaram serviços ao sujeito passivo, exigindo as contribuições referentes a cota patronal – empresa – sat e desconto do contribuinte individual. Faz parte, também, deste PAF um outro Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.324.7834, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores, que prestaram serviços ao sujeito passivo, exigindo a contribuição referente a terceiros – outras entidades e fundos. Ainda, faz parte deste PAF, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD Nº 37.324.7818, CFL.68 apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 24 a 39, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 77 e 78. O sujeito passivo foi cientificado da autuação DEBCAD 37.324.7826, em 07/06/2011, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 05, e do AIOP DEBCAD 37.324.7834, em 07/06/2011, pela Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 15, bem como do AIOA DEBCAD Nº 37.324.7818, em 07/06/2011, fls. 04. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 146 a 150, recebida, em 06/07/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 151 a 233; 493, em relação ao DEBCAD Nº 37.324.7818. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 234 a 255, recebida, em 06/07/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 256 a 370, em relação ao DEBCAD Nº 37.324.7826. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 371 a 391, recebida, em 06/07/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 392 a 506, em relação ao DEBCAD Nº 37.324.7834. A três defesas foram consideradas tempestivas, fls. 507. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1250.096 10ª, Turma DRJ/RJ1, em 17/10/2012, fls. 508 a 518. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 19/11/2012, AR, de fls. 521. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 604 4 Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 524 e 525, e com razões recursais, as fls. 526 a 550, recebido, em 14/12/2012, conforme carimbo de recepção, as fls. 524, acompanhado dos documentos, de fls. 551 e 598. Mérito. · que só existe contribuição previdenciária se esta estiver vinculada a uma prestação de serviço, ou seja, a contraprestação do empregado, é inafastável; · que a pessoa jurídica pode estar sujeita a uma alíquota de até 23%, da remuneração, bem como a legislação registra a necessidade da prestação laboral e com certa habitualidade; · que no caso do SAT/RAT por ser um adicional da contribuição patronal, tudo que se disse acima sobre aquela vale para essa; · que os valores pagos a título “Participação nos Resultados” não é base de contribuição previdenciária, pois não se amolda ao conceito da Lei 10.101/2000, uma vez que o simples fato de denominála “participação nos lucros” em sua contabilidade não as torna base da contribuição; · que a recorrente é uma holding, sendo seu objetivo administrar uma grupo de empresas e assim não realiza operações de comércio ou de prestação de serviços não tendo lucro operacional, não se aplicando a ela a participação nos resultados, como estabelecido pela CF/88 e regulada pela Lei 10.101/2000, não se enquadrando a verba paga aos dirigentes e empregados no conceito de participação nos resultados, devendo o tributo ser reconhecido pela sua natureza, artigo 4º, do CTN e não pela denominação, assim diz o STJ e os órgãos julgadores da receita federal, TRF2; · que a verba paga pela recorrente na se relaciona com o conceito da CF e da Lei 10.101/2000, além do que a PLR nos termos da lei tem uma periodicidade e no presente caso a verba é paga de forma extraordinária, não havendo periodicidade, assim a verba não integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, §9º, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, sendo apenas uma verba para (sic) “incentivo concedido naquela ocasião, com a finalidade de estimular a busca de melhorias nos processos e nos resultados das sociedades integrantes do conglomerado administrado, caracterizando, assim, a eventualidade do ganho, que é totalmente desvinculado do salário”, não havendo necessidade de acordo para tal pagamento, devendo a autoridade administrativa, buscar a verdade material; · que não se ajustando a verba ao PLR esta se enquadrada na hipótese de isenção do artigo 28, § 9, alínea “e”, item 7º, conforme já decidido pelos órgãos julgadores da receita federal, TRF2, verificado que a Fl. 605DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 605 5 verba é eventual e desvinculada do salário não há que se falar em contribuição previdenciária; · que sobre a verba Previdência Privada não incide contribuição previdenciária, nos termos do artigo 28, § 9º, “p”, pois disponibilizado a todos os dirigentes e empregados, estando a não incidência estabelecida pela CF/88 na EC 20/98, artigo 202; · que a previdência privada é disponibilizado a todos os empregados e dirigentes, uma vez que realizada uma averbação ao contrato, na mesma data, para este finalidade e que esta carreado aos autos o documento, podendo ser verificado no relatório fiscal que vários trabalhadores ali listados recebem remuneração inferior ao teto da previdência oficial; · que a limitação de participação em razão da idade ou valores é própria das regras de previdência privada em razão do necessário equilíbrio atuarial, sendo alheias ao empregador, constando tal limitação do contrato; · que, ainda, que a recorrente não participasse do custeio da previdência para os trabalhadores que recebem abaixo do teto, o requisito da disponibilidade a todos os trabalhadores estaria atendido, pois a lei exige apenas a disponibilização, uma vez que a adesão é uma faculdade constitucional, sendo que o termo complementar da previdência privada da a ideia de complemento para aqueles que estão acima do teto, haja vista que a oficial estipula limites e é em razão dessa complementação que a recorrente custeia 50% da mensalidade do empregado e dirigente; · que em razão da função complementar da previdência privada, não há porque haver custeio aos trabalhadores que recebem salário abaixo do teto da oficial, pois nesse caso nada há a complementar, conforme NOTA publicada, em 24/07/1997 pela SPS/MPAS; · que o custeio para os que estão abaixo do teto previdenciário geraria ofensa a isonomia, pois daria a este vantagens sobre os que estão acima do teto, tendo em vista que os primeiros receberiam a totalidade pela previdência oficial e um acréscimo da complementar e os que estão acima receberiam apenas a diferença, estando tal benefício disponibilizado a totalidade dos empregados e dirigentes este não é base da contribuição previdenciária; · que a autoridade lançadora diz que comparou as multas de mora em razão da mudança da legislação e aplicou multa benéfica, sendo esta para as competências 01; 02 e 09 a 12/2008 – 75%, artigo 35A introduzido pela da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, porém como essa poderia ser mais favorável se à época vigia ao artigo 35, da Lei 8.212/91 que previa multa de mora de 24%, a outra autuação de nº 37.324.7834 foi aplicada até a competência 11/2008 – Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 606 6 24%, deve assim a autoridade fiscal demonstrar os cálculos e não apresentar planilhas resumidas; · que por não serem devidas as exigências dos AI’s 37.324.7826 e 37.324.7834, não há que se falar em declaração de GFIP que não corresponda a todos os fatos geradores, contudo, independentemente, disso a multa deve ser reduzida, uma vez que a MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 determinou nova sistemática de aplicação da multa, devendo ser observado, assim o artigo 32 – A I, desse novo diploma legal, o que resultaria em multa inferior a aplicada pela fiscalização; · que a recorrente não solicitou prova pericial, colocandose à disposição da DRJ e agora do CARF para qualquer verificação que entenderem necessária; · No pedido: requer a recorrente: a) recebimento e total provimento, reformandose a decisão primária, anulandose os autos, com o cancelamento das exações e multas; b) sucessivamente, relevação ou redução da multa aplicada; c) protesta por juntada posterior de provas; d) conversão do julgamento em diligência, caso este conselho entenda necessário, visando a constatação da veracidade das alegações. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso voluntário. Os autos subiram ao CARF, fls. 601. É o Relatório. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 607 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Equivocase a recorrente não e necessária a efetiva prestação de serviços pelo trabalhador para que nasça a necessidade do empregador ou tomador de serviços de recolher a contribuição previdenciária e muito menos que o salário/remuneração tenham sido pagos, observese os textos abaixo transcritos. 2. Salário de Contribuição: I para os segurados empregado e trabalhador avulso , a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos que lhe são pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou de acordo coletivo de trabalho ou de sentença normativa, observados os limites mínimo e máximo. 1 EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL. EFEITO INFRINGENTE AOS ACLARATÓRIOS. CONHECIMENTO DO MÉRITO RECURSAL. PAGAMENTO POR HORA A TRABALHADOR QUE FICA À DISPOSIÇÃO DA EMPRESA, DURANTE O DESCANSO DIÁRIO. SITUAÇÃO ANÁLOGA À DA INDENIZAÇÃO POR HORA TRABALHADA IHT. NATUREZA REMUNERATÓRIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCIDÊNCIA. 1. Diferentemente do que consta do acórdão embargado, o Recurso Especial é tempestivo, pois a Fazenda foi intimada do acórdão em 11.5.2009 e recorreu em 15.5.2009. Os Aclaratórios devem ser acolhidos com efeito infringente, para conhecimento do mérito recursal. 2. Não se trata de erro no que se refere à interpretação da legislação relativa ao prazo recursal (= erro de direito), mas de simples equívoco na leitura da certidão aposta nos autos (= erro de fato ou material). 3. "Cabe a via dos embargos de declaração com efeitos infringentes para correção de erro material do julgado" (EDcl no AgRg no Ag 579.431/RS, Rel. Ministro Castro Meira, j. 16.11.2004, DJ 14.3.2005). 4. Especificamente quanto à 1 1 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (SRFB). Disponivel em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/formascontrib.htm>. Acesso em: 02 nov. 2013. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 608 8 intempestividade, é pacífico que sua incorreta aferição implica erro material, conforme inúmeros precedentes do STJ que acolheram Aclaratórios com efeito infringente para, ultrapassada a questão, adentrar o mérito recursal. 5. Há, inclusive, julgados no sentido de que "a tempestividade do recurso é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em qualquer tempo ou grau de jurisdição" (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 888.998/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, j. 24.11.2009, DJe 7.12.2009). 6. Essa espécie de erro pode e deve ser corrigida em Aclaratórios, até porque seria insanável por meio de Embargos de Divergência: o STJ inadmite tal recurso em caso de nãoconhecimento do Especial. 7. No mérito, discute se a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por indústria química e petroquímica pela disponibilidade do empregado no local de trabalho ou nas suas proximidades durante o intervalo destinado a repouso e alimentação, conforme o art. 2º, § 2º, da Lei 5.811/1972, conhecida por "Hora Repouso Alimentação HRA". 8. O TRF acolheu o pleito da contribuinte e afastou a tributação, aplicando, por analogia, o entendimento referente às férias indenizadas. 9. Ocorre que não há similitude com as férias acima citadas, em que inexiste relação direta entre o pagamento feito e o trabalho realizado pelo empregado. 10. Nas férias indenizadas (totalmente diferente do caso dos autos), o funcionário recebe duas vezes: 1 salário normal pelo mês que trabalhou (quando deveria estar de férias) + 1 "salário indenização" pelas férias que perdeu. A tributação incide sobre o primeiro salário, normalmente (porque é retribuição pelo trabalho), mas não sobre o segundo "salário", cuja natureza é indenizatória, exatamente porque não é retribuição por trabalho ou tempo à disposição da empresa. 11. A "Hora Repouso Alimentação HRA", diversamente, é paga como única e direta retribuição pela hora em que o empregado fica à disposição do empregador. 12. Não há simplesmente supressão da hora de descanso, hipótese em que o trabalhador ficaria disponível 8 horas contínuas para a empresa e receberia por 9 horas (haveria uma "indenização" pela hora suprimida). O empregado fica efetivamente 9 horas ininterruptas trabalhando ou disponível para a empresa e recebe exatamente por este período, embora uma destas horas seja paga em dobro, a título de HRA. 13. A analogia possível é com a hora extra, a remuneração pelo tempo efetivamente trabalhado ou à disposição do empregador e sujeita à contribuição previdenciária. 14. É precisamente essa a orientação fixada pela Primeira Seção, em recurso repetitivo, ao julgar o caso da "Indenização por Horas Trabalhadas IHT" paga pela Petrobras e decidir pela natureza remuneratória da verba para fins de aplicação do Imposto de Renda. 15. A "Hora Repouso Alimentação HRA" é, portanto, retribuição pelo trabalho ou pelo tempo à disposição da empresa e se submete à contribuição previdenciária, nos termos do art. 28 da Lei 8.212/1991. 16. Em seus memoriais, a empresa insiste na indevida analogia com as férias e licençaprêmio indenizadas, que, diferentemente da HRA e do IHT, não são remuneração por trabalho realizado, nem por tempo à disposição do empregador. 17. A indenização por férias não gozadas é excepcional, Fl. 609DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 609 9 decorrente do descumprimento da norma que garante ao trabalhador o descanso anual. A HRA é remuneração ordinária, prevista em lei, que não tem origem no descumprimento de norma legal. Inexiste semelhança que autorize a interpretação analógica pretendida pela empresa. 18. Embargos de Declaração acolhidos com efeito infringente para dar provimento ao Recurso Especial. EMEN: (EDRESP 200901838451, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:26/05/2011 ..DTPB:.) PROCESSO CIVIL AGRAVO PREVISTO NO ART. 557, § 1º, DO CPC DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO AO RECURSO DE APELAÇÃO, NOS TERMOS DO ART. 557, "CAPUT", DO CPC AGRAVO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A inteligência do artigo 195, I, a e 201, § 4º, ambos da Constituição Federal, revela que só podem servir de base de cálculo para a contribuição previdenciária as verbas de natureza salarial. O artigo 22, I, da Lei 8.212/91, de sua vez, seguindo a mesma linha desses dispositivos constitucionais, estabelece como base de cálculo da contribuição previdenciária apenas as verbas de natureza salarial, na medida em que faz menção a "remunerações" e "retribuir o trabalho". Partindo dessas premissas legais e constitucionais, doutrina e jurisprudência chegam à conclusão de que as contribuições previdenciárias devem incidir apenas sobre as verbas recebidas pelo empregado que possuam natureza salarial. Logo, não há que se falar em incidência de tal exação sobre verbas de natureza diversa, aí se inserindo verbas indenizatórias, assistenciais e previdenciárias. 2. Para definir se uma verba possui ou não natureza jurídica salarial pouco importa o nome jurídico que se lhe atribua ou a definição jurídica dada pelos particulares ou contribuintes e mesmo pelo legislador ordinário. É mister que se avalie as suas características, único meio idôneo a tanto. O fato de uma norma coletiva (convenção ou acordo coletivo) afirmar que determinada verba é desvinculada do salário não é suficiente para desnaturar a sua natureza jurídica. Tal lógica deve ser aplicada para todas as verbas extralegais, aí se inserindo aquelas previstas num contrato individual de trabalho ou nos regulamentos internos das empresas. É que a obrigação tributária é imposta por lei. É imperativa. Não pode, portanto, ser derrogada por acordos privados, conforme se infere do artigo 123 do CTN, o qual preceitua que os contribuintes não podem opor ao fisco convenções particulares que alterem a definição do sujeito passivo tributário, donde se conclui que eles não podem, também, afastar a obrigação fiscal por meio de tais instrumentos. Tais verbas podem assumir natureza salarial ou não, a depender da sistemática de seu pagamento, motivo pelo qual, para se saber qual a sua efetiva natureza, indispensável a análise de tal sistemática. 3. Inserindo se tais premissas na análise da discussão dos presentes autos, concluise que a contribuição previdenciária deve incidir sobre pagamentos efetuados a título de férias gozadas. Tal pagamento se destina a remunerar o descanso anual a que o trabalhador faz jus e precisa para recompor a sua capacidade física e psíquica a fim de bem desenvolver as suas atividades laborativas. A par Fl. 610DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 610 10 disso, as férias constituem um direito que se insere no normal desenrolar do vínculo empregatício, e depende da efetiva prestação de serviço no curso do período aquisitivo (art. 133, da CLT), sendo pagas, em regra, todos os anos. As férias são consideradas, pois, tempo à disposição do empregador, razão pela qual este deve remunerar o respectivo período como se o empregado laborando estivesse. Precedentes: STJ, AgRg no REsp nº 1355135 / RS, 1ª Turma, Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 27/02/2013; AgRg no Ag 1426580 / DF, 2ª Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, DJe 12/04/2012. 4. No mais, as partes não conseguiram afastar os fundamentos da decisão agravada, que foi proferida em conformidade com o entendimento dominante nesta Egrégia Corte e nas Egrégias Cortes Superiores, no sentido de que as contribuições sociais não podem incidir sobre pagamentos efetuados nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e a título de terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e saláriomaternidade. 5. O agravo interposto nos termos do artigo 557, parágrafo 1º, do Código de Processo Civil deve enfrentar especificamente a fundamentação da decisão impugnada, demonstrando que o seu recurso não é manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou não está em confronto com súmula ou com jurisprudência do Tribunal ou das Cortes Superiores 6. Agravo parcialmente provido. AMS 00163886920124036100, DESEMBARGADORA FEDERAL CECILIA MELLO, TRF3 SEGUNDA TURMA, e DJF3 Judicial 1 DATA:10/10/2013 FONTE_REPUBLICACAO) (todos os destaques são meus). Evidente com os textos supramencionadas que a contribuição previdenciária é devida, também, quando não há efetiva prestação do labor. A recorrente tem razão quando diz que não é o nomem iurus da verba que a torna base de cálculo da contribuição previdenciária e sim sua natureza remuneratória. Mas qual será o motivo para registrar na contabilidade como “Participação nos Resultados”, algo que não tem está natureza? A título de comentário e comparação, faço a seguinte observação. Uma empresa ao adquirir um veículo/automóvel para o desempenho de suas atividades, possivelmente o registraria em sua contabilidade e muito provavelmente, na conta do ativo permanente imobilizado – chamada – veículos ou automóveis ou carros. Porém, será que esse registro seria feito em uma outro conta como se o nome fosse “carroça” – “equipamentos de remoção e transporte”, ou algo que não permitisse a fácil identificação do bem. Creio que não. Aliás, a própria empresa parece não saber do que se esta tratando nos autos, pois diz que chama tal verba de “Participação nos Lucros”, sendo que as duas coisas bastante diferentes, embora com o mesmo propósito. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 611 11 Na verdade a própria recorrente em seu recurso deixo claro o que o agente lançador, bem compreendeu, a natureza da verba por ela destacada em sua contabilidade, basta observar, o que se transcreve. A verba denominada “Participação nos Resultados” foi paga pela Recorrente aos seus dirigente e empregados como uma forma de incentiválos à busca de melhorias nos processos e nos resultados das sociedades integrantes do conglomerado administrado, onde forma estabelecidos conceitos com a implementação de uma sistemática para identificação dos valores a serem distribuídos a este título. (o grifo é meu). O fato de a recorrente não realizar operação de comércio ou de prestação de serviços é irrelevante, no que tange a origem dos valores a serem distribuídos como lucro ou resultado, pois a Lei 10.101/2000, não faz qualquer distinção ou restrição a origem do numerário a ser distribuído e muito menos aquelas duas modalidades mencionados no recurso, são os únicos meios de uma empresa obter resultados econômicofinanceiros, veja a transcrição a seguir. 5 – Receita Normalmente, as receitas básicas operacionais de uma sociedade holding são: a) aluguéis relativos a eventuais locações de imóveis de sua propriedade para as empresas do grupo; b) dividendos ou lucros nos investimentos; c) aluguéis de móveis e instalações de escritórios para as empresas do grupo; d) prestação de serviços de sistema de processamento de dados; e) aluguel de computadores e equipamentos de escritório em geral; f) prestação de serviços de pessoal; g) prestação de serviços de consultoria e organização; h) prestação de serviços de engenharia e fornecimento de tecnologia; i) repasse de financiamento; j) operações de mútuo com as empresas do grupo; l) intermediação de negócios; m) marketing; n) relações públicas; o) publicidade e propaganda. Logicamente, as receitas operacionais de uma sociedade holding não se esgotam na relação acima, isto porque, dependendo do objetivo, um leque muito amplo poderá ser ocupado, no sentido de obter maiores receitas. 2 Assim havendo receita e sendo esta distribuída estamos no campo da Lei 10.101/2000 e suas prescrições e determinações devem ser atendidas. 2 2 SEM AUTORIA. Dispnível em: <http://www.fisconet.com.br/user/materias/irpj/holding.htm>. Acesso em: 02 nov. 2013. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 612 12 Ademais, a própria empresa reconhece que os valores são distribuídos em razão da obtenção de um maior e melhor desempenho do corpo funcional, o que sem dúvidas demonstra que decorre de um labor ou para obter um maior labor efetivo ou potencial. A lei estabelece periodicidade máxima, cada seis meses ou duas vezes ao ano, pois se tal parcela fosse distribuída todos os meses confundirseia com o salário, mas a inexistência desse requisito, não desnatura a verba distribuída, uma vez que a periodicidade mínima será anual e o fisco fiscalizou apenas um ano e assim só pôde verificar a ocorreu desta distribuição em um mês abril/2008. De qualquer forma periodicidade e eventualidade não são sinônimos. Periódico é o que se repete a determinado intervalo de tempo: diário – semanal – mensal – anual e até muito mais, v.g., o período de passagem do cometa Halley é de aproximadamente setenta e seis anos, ou seja, periódico é o que se repete de tempos em tempos. Mas eventual é outra coisa é algo que depende de acontecimento incerto, casual, fortuito ou acidental. Assim, ainda que a verba tenha sido paga uma única vez, ela não era e não foi eventual, pois o resultado era esperado e até mesmo necessário para permitir o pagamento do valor aos empregados e dirigentes, pois se o resultado/metas não fosse atingido nada seria distribuído, evidentemente o resultado não foi obra do mero acaso, da eventualidade como quer fazer crer a recorrente. Ressalto, ainda, que a recorrente em momento algum buscou demonstrar, provar de forma efetiva, que realmente a verba não tem a natureza que tem, apenas ficou no campo das alegações, que não se sustentam, e cabe a ela recorrente fazer prova de suas alegações artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 333, II, da Lei 5.869/73. No que tange a verba Previdência Privada, embora que por motivos diversos o resultado não é diferente, do que estabelecido para a Participação nos resultados. Ficou demonstrado de forma clara e objetiva que a empresa não oferta a todos os trabalhadores e dirigentes os planos de previdência privada, basta ler a passagem do REFISC transcrita, a qual remete a uma cláusula contratual. 4.2.4 Conforme previsto no Art. 28, inciso I, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212, de 24/07/1991; para que os valores pagos pela empresa referente a programa de previdência complementar privada não integre a base de cálculo da contribuição previdenciária deveria estar disponível a todos os empregados e dirigentes, entretanto, conforme demonstrado no item 4.2.2.1, o PLANO RENDA TOTAL GRUPO ÁGUIA BRANCA não está disponível para todos os empregados. Aliás, a DRJ quando julgou a impugnação de primeiro grau já havia firmado posição a esse respeito, observe a transcrição, bem como em razão da averbação contratual realizada. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 613 13 20. Vejase que com relação à não disponibilização do programa de previdência complementar aos empregados e dirigentes maiores de 60 anos, temse que tal fato restou inconteste. Ainda que a empresa alegue que a limitação da idade é própria dos regulamentos de previdência privada, alheia à vontade do empregador, temse que inexiste na legislação qualquer limitador seja em razão da idade seja em razão da remuneração. 22. Quanto à averbação do contrato de previdência complementar citado, prevendo uma nova forma de adesão a plano de previdência para os empregados até 55 anos que recebem remuneração inferior ao teto do saláriode contribuição da Previdência Social, temse que além de não existir qualquer custeio por parte da empresa, deixando, portanto de ser um benefício para o empregado, já que ele deve custear o plano sozinho, o limitador da idade também se manteve. Assim, não restam dúvidas de que o requisito previsto no art. 28, § 9º, “p”, da Lei 8.212/1991 (disponibilidade do programa à totalidade de empregados e dirigentes) foi descumprindo, ensejando, portanto a incidência das contribuições previdenciárias sobre o valor pago a título de previdência privada pela impugnante. Também, é desprovido de fundamentos a alegação de que os trabalhadores que recebem salário abaixo do teto não precisam de custeio por parte da empresa, pois a Lei Complementar 109/2001 não faz tal distinção, diz, apenas, que a todos deve ser disponibilizado o direito, mas que a adesão é facultativa, mas uma vez que o empregado faça a sua adesão o empregador tem que contribuir com o sistema, sem distinção de valor ou idade. Assim, com as explicações acima rejeito as alegações da recorrente. Na parte referente a multa é necessário ter em mente que o presente Processo Administrativo Fiscal encerra dois Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP e um Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA. Nos AIOP’s até as competências 11/2008 a multa moratória é de vinte e quatro por cento, nos termos do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior a Lei 11.941/2009, respeitandose o escalonamento de até 100%, conforme a fase processual. No que tange a competência 12/2008 a multa deixou de ser a multa moratória para ser a de ofício, uma vez que o contribuinte não declarou e não adimpliu espontaneamente a contribuição, ocorrendo o lançamento apenas com a presença do fisco. Os dois patamares de multa estão dentro do que o próprio Supremo Tribunal Federal – STF considera perfeitamente aceitável, observese as decisões. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 614 14 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) A lei 10.406/2002 no artigo 412 admite cláusula penal de até cem por cento do valor da obrigação principal. Assim, para o AIOP DEBCAD 37.324.7826 e para os levantamentos P21 – Previdência Privada Diretoria e PP1 – Previdência Privada com multa de 75% deve esta ser aplicada nos termos do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449 e de sua lei de conversão, observandose, que se tal multa ultrapassar o porcentual de 75% da MP 449 deve ser limitada a este novo marco. Todavia, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA de DEBCAD 37.324.7818 foi calculado de forma incorreta. A Lei 11.491/2009 introduziu o artigo 32 A, I e este trouxe nova sistemática de cálculo para essa infração, qual seja R$ 20,00 reais para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, assim basta aplicar o novo preceito secundário, sem a necessidade de aplicar somatórias de quaisquer outras multas. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10783.723186/201123 Acórdão n.º 2803002.827 S2TE03 Fl. 615 15 Assim sendo, não há razões fáticas ou jurídicas para acatar os pleitos da recorrente, porém, ainda, que por motivo diverso determino que a multa do AIOP DEBCAD 37.324.7826 e relação aos levantamentos P21 – Previdência Privada Diretoria e PP1 – Previdência Privada com multa de 75%, devem ter aplicado a eles, os percentuais de multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449 e sua lei de conversão, observandose, que se tal multa ultrapassar o porcentual de 75% da MP 449 deve ser limitada a este novo limite e que a multa punitiva do AIOA 37.324.7818 seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, visando o recálculo da multa do AIOP DEBCAD 37.324.7826 em relação aos levantamentos P21 – Previdência Privada Diretoria e PP1 – Previdência Privada com multa de 75%, devem ter aplicado a eles, os percentuais de multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação anterior a MP 449 e sua lei de conversão, observandose, que se tal multa ultrapassar o porcentual de 75% da MP 449 deve ser limitada a este novo limite, bem como que em relação a multa punitiva do AIOA 37.324.7818 esta seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10980.014130/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE.
As diferenças de estoque apuradas em levantamento quantitativo por espécie de mercadorias, quando não ilididas pelo contribuinte, presumem-se advindas de receitas omitidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS.
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação.
OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO LEGAL. CONCOMITÂNCIA.
Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada.
OMISSÃO DE RECEITAS. ORIGEM DE RECURSOS DESCONHECIDA. PIS E COFINS. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICAÇÃO.
A presunção legal de omissão de receitas não permite verificar se a origem dos recursos decorreu exclusivamente da revenda de gasolina e álcool para fins carburantes de modo a afastar a tributação de PIS e Cofins em razão da isenção legal, sob a forma de alíquota zero, concedida na revenda desses esses produtos, especialmente quando o estabelecimento comercializa outros produtos.
Numero da decisão: 1202-001.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguida pela Recorrente essa matéria. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que foi substituída pelo Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. As diferenças de estoque apuradas em levantamento quantitativo por espécie de mercadorias, quando não ilididas pelo contribuinte, presumemse advindas de receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO LEGAL. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. ORIGEM DE RECURSOS DESCONHECIDA. PIS E COFINS. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICAÇÃO. A presunção legal de omissão de receitas não permite verificar se a origem dos recursos decorreu exclusivamente da revenda de gasolina e álcool para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 41 30 /2 00 6- 91 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 3 2 fins carburantes de modo a afastar a tributação de PIS e Cofins em razão da isenção legal, sob a forma de alíquota zero, concedida na revenda desses esses produtos, especialmente quando o estabelecimento comercializa outros produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguida pela Recorrente essa matéria. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que foi substituída pelo Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a sua impugnação. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 498/507), a exigência resulta das seguintes infrações: 001 – Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários: omissão de receitas, presumida em vista da existência de alguns depósitos bancários feitos no Banco BCN S/A e não contabilizados na escrituração da contribuinte, nos meses de setembro, novembro e dezembro de 2001, e janeiro e abril de 2002. Enquadramento legal: artigo 24 da Lei nº 9.249/1995; artigo 42 da Lei nº 9.430/1996; e artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, e 288, do RIR/1999; 002 – Omissão de Receita Operacional caracterizada por diferenças apuradas em inventário final: referente a diferenças de estoque detectadas pelo Fisco estadual, fato que gerou duas autuações relativas ao ICMS (autos de processos administrativos estaduais, fls. 174 e ss e fls.191 e ss.). Enquadramento legal: artigo 24 da Lei nº 9.249/1995; artigo 41 da Lei nº 9.430/1996; e artigos 249, II, 251 e parágrafo único, 261, 274, 279, 286, 288, e 289, do RIR/1999; 003 – Omissão de Receita Operacional caracterizada pela não contabilização de custos: referese à apuração, a partir dos autos do processo administrativo estadual nº 62878495, da existência de notas fiscais de saída emitidas por Petrosul Distrib. Transport. e Comércio de Combustíveis Ltda. (fls. 123 a 1 129) e, nos autos do processo administrativo estadual nº 2 63354570, de uma nota fiscal da Delta Distribuidora de Petróleo Ltda. (fls. 1 221), além de notas fiscais obtidas através de circularização com as empresas Mercoil Distribuidora de Petróleo Ltda., Terra Distribuidora de Petróleo Ltda., FIC Distribuidora de Petróleo Ltda., Pelikano Distribuído de Petróleo Ltda. e Storage Petróleo Ltda, todas tendo como destinatária a empresa Petrolino Comércio de Combustíveis Ltda., que não as contabilizou. Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; art. 41 da Lei nº 9.430/96; e arts. 247, 248, 249, II, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279, 281, 286, 299, e 290, do RIR/1999; 004 – Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado – Cotas de Depreciação não Dedutíveis, por falta de comprovação. Enquadramento legal; arts. 249, I, 251 e parágrafo único, 299, 305, 307, 310 e 313, do RIR/1999; 005 – Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados. Enquadramento legal: art. 841, I, III e IV, do RIR/1999. Em decorrência das três infrações referentes a omissão de receita foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS e Cofins, com os respectivos enquadramentos legais. Também foi autuada a falta de recolhimento da CSLL, com fulcro no artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 19 da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; e art.6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 5 4 Na impugnação, a interessada alegou, em síntese: a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre os meses de janeiro a novembro de 2001, com base no artigo 150, § 4º, do CTN; quanto a omissão de receitas presumidas com base nos depósitos bancários, que existem indícios em sentido contrário que apontam para uma grande probabilidade de que a presunção legal não deva ser aplicada ao caso concreto; que, em função do regime de competência, somente depois de lançados os pagamentos na conta Caixa e transitarem, quando for o caso, pela conta Duplicatas a Receber e suas subcontas é que os valores correspondentes aos depósitos bancários são apropriados e lançados nas respectivas contas e que o valor diário de receitas cobre todos os depósitos não contabilizados e todos os outros lançamentos contábeis. Com isso, o §1º, do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ao determinar o regime de caixa para a presunção de omissão de receitas estará, necessariamente alterando a sistemática de apuração dos tributos envolvidos; que houve erro na imputação fiscal quanto à omissão de receitas presumida com base na diferença de estoques, comenta que, de posse das leituras feitas nas bombas de gasolina nos dias 30/09/2001 e 04/10/2001, considerando o estoque inicial e final, foi verificada uma diferença de combustível que não estaria amparada pela documentação fiscal correspondente, o que foi considerado, no Auto de Infração, como fato que se subsume à hipótese legal de presunção de omissão de receita contida no art. 41, da Lei nº 9.430/96, e no Termo de Verificação Fiscal foi considerado como infração tipificada pelo art. 40 da mesma Lei; que, nesse caso, não foi utilizado o valor de venda das mercadorias, mas sim o de compra, além do que não foi sequer mencionado qual seria o preço de venda médio a ser adotado. que mesmo a presunção de omissão de receita não afasta a necessidade de se deduzir das receitas as despesas incorridas para fins de apuração do lucro, considerado base cálculo do IRPJ e da CSLL; que, quanto à omissão de receitas presumida com base em mercadorias adquiridas e não contabilizadas a base legal utilizada para a autuação é o art. 40, da Lei nº 9.430/96, apesar de no Auto de Infração ter constado, também, o art. 41 da mesma lei; que foi apropriado somente o valor das compras como omissão de receitas, mas não levado em consideração as despesas correspondentes, o que distorce o critério material da hipótese de incidência tributária; que existem fortes indícios que contaminam a presunção de que a empresa tenha sido a efetiva destinatária dos produtos, já que as vendas que lhe fez a Petrosul Distribuidora, Transportes e Comércio de Combustíveis Ltda., relacionadas às fls. 502, cujas cópias estão às fls. 123/129, são todas de aquisição de óleo diesel, produto não comercializado pela empresa. que a mercadoria referida na Nota Fiscal nº 031669, da Delta Distribuidora de Petróleo Ltda, foi apreendida pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, quando Fl. 852DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 6 5 estava em trânsito da distribuidora para o seu posto, não podendo subsistir a suposição de que teria havido pagamento de uma mercadoria que nunca chegou ao destino; que a simples emissão de documentos em nome de um destinatário não significa que este tenha adquirido efetivamente, já que é comum os casos de transportadoras que consomem uma quantidade muito grande de combustível encomendarem diretamente das distribuidoras os produtos para abastecerem seus veículos. Nesses caos, a distribuidora, por ser proibida a venda direta, se vale da emissão de notas fiscais para quaisquer destinatários que não o que realmente encomendou os produtos; que não podem ser utilizadas várias presunções cumulativas para uma única infração de omissão de receitas, utilizandose de três dispositivos legais para o anocalendário de 2001 e dois para o anocalendário de 2002, quando deveria ter sido aplicada somente uma presunção e, ainda assim, a mais favorável a contribuinte (art.112 do CTN); que teve pouco tempo para refazer a contabilidade; que os lançamento referentes à contribuição para o PIS e a Cofins devem ser cancelados, pois, desde 01/07/2000 a alíquota incidente sobre a base de cálculo desses tributos é zero. A decisão de primeira instância acatou parcialmente a preliminar de decadência, relativa ao PIS e a Cofins, com fatos geradores ocorridos até 30/11/2001, e no mérito julgou parcialmente procedente os lançamentos, para manter integralmente as exigências do IRPJ e da CSLL, nos valores principais de R$ 53.882,70 e R$ 28.126,78, respectivamente, e parcialmente procedentes os lançamentos do PIS, R$ 1.013,71, e da Cofins, R$ 4.678,69, além da multa de ofício de dos juros, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não se tratando das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, incabível falar em nulidade do lançamento fiscal. CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 7 6 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. As diferenças de estoque apuradas em levantamento quantitativo por espécie de mercadorias, quando não ilididas pelo contribuinte, presumemse advindas de receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO LEGAL. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada, posto que a interessada não provou que os valores sacados da conta bancária teriam sido utilizados nos pagamentos não contabilizados. OMISSÃO DE RECEITA. REVENDA DE COMBUSTÍVEIS. ALÍQUOTA ZERO. O auto de infração do PIS e da Cofins lavrados em decorrência do auto principal de IRPJ, em razão da presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantido uma vez que não é possível determinar se a receita originouse exclusivamente da venda de combustíveis. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 13/11/2009 (fl.780), apresentou recurso voluntário ao CARF em 15/12/2009 (fl.781 e ss.), repisando, basicamente, as razões da impugnação, com exceção da alegação de decadência. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. I Omissão de receita por depósito não declarado (presunção) Como relatado, a fiscalização apurou omissão de receitas, por presunção, em vista da existência de alguns depósitos bancários feitos no Banco BCN S/A e não contabilizados na escrituração da contribuinte, nos meses de setembro, novembro e dezembro de 2001, e janeiro e abril de 2002. A recorrente sustenta que existem indícios em sentido contrário que apontam para uma grande probabilidade de que a presunção legal não deva ser aplicada a este caso concreto, em função da sistemática de contabilização adotada em que não há registro individualizado de cada pagamento, “pois a dinâmica do posto e os controles existentes nesse ramo de atividade possibilitam tal procedimento”. Alega que “não existe a possibilidade de o registro na contabilidade de o registro na contabilidade referente a um depósito relativo a cartão de crédito ou de débito, dinheiro ou cheque ser feito diretamente na conta bancos. Esses recursos transitam necessariamente pela conta Caixa e, quando for o caso, pela conta Duplicatas a Receber antes de ser alocada na conta Bancos.” Aduz, ainda, que, mesmo que não tenham sido registrados os depósitos na conta Banco BBV as receitas correspondentes necessariamente foram contabilizadas, só que entraram pela conta Caixa e lá ficaram sem que fossem registradas como depósito quando da entrada em contacorrente, tendo ocorrido apenas um equívoco, sem nenhuma consequência tributária e que não haveria sentido em omitir os depósitos somente de um dos bancos com os quais trabalha e, ainda, em alguns meses próximos e, ainda, que os montantes registrados como receita são muito superiores às quantias tidas como omitidas. Sustenta também que a base de cálculo utilizada na autuação está distorcida por não considerar os depósitos alocados nos meses de competência. Sem razão. A presunção legal de omissão da tributação sobre os valores movimentados em contas bancárias sem registro contábil, salvo prova em contrário, decorre do art.42 da Lei nº 9.430/96: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 855DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 9 8 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Consoante o conceito de renda previsto no art. 43 do CTN, o depósito efetivado em conta bancária não escriturada, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda, mas representa o indício. A caracterização da omissão decorre da falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, como se extrai do art. 42 retro. A recorrente foi devidamente intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que originaram os depósitos efetuados na conta corrente do banco BCN S/A, não registrados nos Livros Diário e Razão, conforme “PLANILHA ANEXA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 005” (fl.13). O que a defesa chama de “equívoco sem consequência tributária” (a falta de contabilização dos depósitos bancários efetuados no Banco BCN em determinados períodos), alegando que “se quisesse, realmente, omitir as receitas teria deixado de registrar os depósitos em outros períodos e em outros bancos”, é exatamente o que a lei chama de “omissão presumida de receitas”, devidamente apurada nos autos. Em função da previsão legal relativa, ao contribuinte compete o ônus de provar que não ocorreu a omissão apontada. A mera alegação, desacompanhada de provas, de que os montantes registrados como receita são muito superiores às quantias tidas como omitidas não afasta a presunção legal, ainda mais em se considerando que a própria recorrente reconhece que “em virtude do lapso de tempo entre o pagamento em cartão e o depósito feito pela administradora (cartão de crédito = D + 30 e cartão de débito = D + 2 ou 3), a correlação não pode ser feita diretamente”. Ou seja, a apuração das receitas da recorrente no período fiscalizado, embora curto, é procedimento complexo e a recorrente perdeu a oportunidade de comprovar que tais valores teriam sido tributados previamente, mediante a apresentação de seus documentos e registros contábeis e fiscais. Por isso, mantémse a decisão recorrida neste ponto. II Omissão de receita por Diferença de estoques O segundo item do relatório fiscal referese a diferenças de estoque detectadas pelo Fisco estadual, fato que gerou duas autuações relativas ao ICMS e ensejeou a fiscalização federal. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls. 498507): Constam nos processos administrativos fiscais nº 62793627 e 62788925 da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná (fls. 174 a 216), autos de infração decorrentes de diferença de estoque (combustível vendido sem documentação de origem – omissão de compras). Fl. 856DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 10 9 No item 07 do auto de infração nº 62793627 (fls. 175) consta que o contribuinte “deixou de emitir documento fiscal em relação a mercadoria, em regime de substituição tributária concomitante ou subseqüente. O sujeito passivo, acima identificado, adquiriu 53.024 litros de gasolina tipo C, no período entre 30/09/2001 e 04/10/2001, sem documentação fiscal de aquisição e, portanto, sem identificação da origem, conforme se comprova pelos demonstrativos e documentos anexos, constituindose, assim, em venda sem emissão de nota fiscal na seqüência”. Consta às fls. 175 um Demonstrativo de levantamento físico efetuado conforme leitura do Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC) e apuração de estoques para o produto gasolina tipo C, ... ... No item 07 do auto de infração nº 62788925 (fls. 192) consta que o contribuinte “deixou de emitir documento fiscal em relação a mercadoria, em regime de substituição tributária concomitante ou subseqüente. O sujeito passivo, acima identificado, adquiriu 6.146 litros de gasolina dita aditivada, no período entre 30/09/2001 e 04/10/2001,conforme se comprova pelo demonstrativos e documentos anexos, sem identificação da origem, conforme e, portanto, sem documentação fiscal de aquisição, constituindose, assim, em venda sem emissão de nota fiscal”. Consta às fls. 193 um Demonstrativo de levantamento físico efetuado conforme leitura do Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC) e apuração de estoques para o produto gasolina dita aditivada, ... ... Através do “Termo de Intimação Fiscal nº 011” com ciência em 27/10/06 (fls. 31 e 32), intimamos o contribuinte a, no prazo de cinco dias úteis: ... 2) Comprovar a origem dos recursos utilizados para aquisição do combustível identificado nos processos administrativos fiscais nos processos administrativos fiscais acima referidos como sem documentação fiscal de aquisição (53.024 litros de gasolina tipo “C” e 6.146 litros de gasolina dita “aditivada”). ... Analisando o Livro de Movimentação de Combustíveis apresentado pelo contribuinte, verificamos que no período de 30/09/2001 a 04/10/2001 somente estão registradas notas fiscais de entrada em 04/10/2001, ambas emitidas pela DELTA DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA (fls. 93 a 102 e 103 a 111): a NF nº 30960 de Gasolina C Aditivada, com valor unitário de R$ 1,38, e a NF nº 30.861 de Gasolina tipo “C”, com valor unitário de R$ 1,37 (fls. 91 a 92). Considerando que somente foi efetuada uma aquisição para cada um dos tipos de combustível indicado, concluise que o preço médio de compra para o período coincide com os valores unitários constantes nas notas fiscais indicadas. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 11 10 A descrição da infração no âmbito estadual no primeiro processo foi no sentido de que a empresa deixou de emitir documento fiscal em relação a mercadoria, em regime de substituição tributária concomitante ou subsequente. O sujeito passivo, adquiriu 53.024 litros de gasolina tipo C, no período entre 30/09/2001 04/10/2001, sem documentação fiscal de aquisição, e, portanto, sem identificação da origem, constituindose em venda sem emissão de nota fiscal. O segundo auto de infração tem semelhante descrição, porém se trata de gasolina aditivada e a quantidade seria de 6.146 litros. De pose das leituras feitas nas bombas de gasolina (comum e aditivada) nos dias 30.09.2001 e 04.10.2001, considerando o estoque inicial e final calculado, a autoridade fiscal apurou uma diferença de combustível que não estaria amparada pela documentação fiscal correspondente. A partir disso, multiplicou a diferença apurada pelos valores unitários de compra que a recorrente fez perante da Delta Distribuidora de Petróleo Ltda. em data próxima à da apuração desses fatos. Em sua defesa, a recorrente aduz que a determinação da receita omitida pela presunção contida no art. 41 da Lei nº 9.430/96 consiste na utilização do volume da diferença do estoque para multiplicálo pelo valor de venda da mercadoria, já que a venda do estoque não contabilizado gera receita determinada pelo valor de venda e não de compra. Nesse caso, a presunção de omissão de receita não afastaria a necessidade de se deduzir das receitas as despesas incorridas. Vejase que o art. 41 da Lei nº 9.430/96 dispõe: Art.41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. §1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. §2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. §3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. (destacouse) Equivocase a recorrente ao sustentar que a venda do estoque não contabilizado gera receita determinada pelo valor de venda e não de compra, visto que a legislação pauta a apuração do montante omitido pelo valor médio das compras ou das vendas, conforme seja apurada omissão de compras ou omissão de vendas, como determina o art.41, §2º, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Assim, o lançamento, para o caso de omissão de Fl. 858DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 12 11 compras, deve ser efetuado pela diferença entre o custo médio apurado nas aquisições, como corretamente procedeu a autoridade fiscal autuante. Transcrevese e adotase, como fundamento parcial desta decisão, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, o trecho do voto da DRJ com o qual se concorda: Como se verifica do exposto, o autuante seguiu corretamente o dispositivo anteriormente transcrito, considerandose tratar de empresa comercial, e apurando as diferenças entre as somas das quantidades dos produtos em estoque no início do período, e a soma das quantidades de produtos vendidos com as quantidades de produtos em estoque final conforme contagem de estoque às 10:20 hora de 04/01/2001, levando, ainda em consideração a leitura da bomba de combustível em 30/09/2001 e 04/10/2001, não havendo aquisição no período, apurando a omissão de compras. A recorrente ainda pede a dedução das despesas/custos de compras, mas sua solicitação não encontra respaldo na legislação nem na jurisprudência do CARF, que tem majoritariamente rechaçado essa tese. Em se tratando de presunção de omissão de receitas, é de se considerar o que foi previsto pelo legislação como forma de apuração do montante tributável, o que não permite a dedução de custos. A justificativa pode ser extraída da jurisprudência compilada por Hiromi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi (2011, p.678): A jurisprudência pacífica do 1.º CC manda tributar a totalidade do valor da compra não contabilizada por entender que se não foi comprovada a origem dos recursos utilizados no pagamento da compra não contabilizada, houve omissão de receita anterior. Isso significa que está se tributando receita anteriormente omitida no mesmo valor que serviu para pagar a compra não contabilizada. Não fosse assim, não haveria lucro tributável na compra não escriturada de bem do ativo imobilizado ainda em seu poder no momento da fiscalização. Nesse sentido, adotase a fundamentação constante da decisão recorrida: Em relação a esta questão, também não tem razão o contribuinte, que parte da falsa premissa de que a tributação decorre da receita omitida pela comercialização das mercadorias cuja entrada não foi contabilizada. Em verdade, a receita que se tem como omitida, e que presumivelmente foi utilizada para pagar as compras não contabilizadas, foi auferida em período anterior, ou seja, não está ela vinculada à operação que daria ensejo à consideração do custo. Devese acrescentar que se trata de uma presunção erigida em lei, na qual o legislador não incluiu a subtração de qualquer valor a título de custos. Portanto, a base de cálculo apurada e que foi tributada não merece qualquer reparo. No recurso voluntário, como se viu, a recorrente não logrou desconstituir a acusação fiscal, devendo ser mantida a autuação neste ponto. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 13 12 III Omissão de receita com base em mercadorias adquiridas e não contabilizadas Quanto à omissão de receitas presumida com base em mercadorias adquiridas e não contabilizadas, nos termos do art. 281, II do RIR/99 (falta de escrituração de pagamentos efetuados), alega que, em momento algum o Auditor Fiscal da Receita Federal comprovou o efetivo pagamento das notas fiscais que coletou e que constatou não estarem escrituradas, deixando de provar os fatos que foram tipificados e assumidos pela lei como indiciários de omissão de receita. Alega que ele teria comprovado somente a existência de notas fiscais, mas não demonstrou a saídas do numerário, apesar de dispor dos extratos bancários da empresa. Contesta, ainda, a inclusão de vendas de óleo diesel efetuadas pela Petrosul Distrib. Transport. e Comercio de Combustíveis Ltda, já que não comercializa esse produto. E, em relação à Nota Fiscal nº 031669, da Delta Distribuidora de Petróleo Ltda., alega que o produto nunca chegou a ingressar no tanque da recorrente. Sustenta que a simples emissão de documentos em nome de um destinatário não significa que este a tenha adquirido efetivamente e que aqui também não foram levadas em consideração as despesas correspondentes às receitas omitidas. Do item 3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 500/507) extraise que o fato que ensejou a autuação foi a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela impugnante, na compra de mercadorias, cujos valores pagos teriam sido informados em ação fiscal pelos próprios fornecedores. Concluiu o autuante que a não comprovação da origem dos recursos utilizados para pagamento das referidas compras é considerado omissão de receitas, consoante o art. 281, II do RIR/99, que dispõe sobre a falta de escrituração de pagamentos efetuados, tendo como base legal o art. 40 da Lei nº 9.430/96: Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; [...] A referência equivocada ao art. 41 da Lei nº 9.430/96 como enquadramento legal do auto de infração não altera a acusação fiscal que se enquadra, de fato, no art. 40 da mesma lei. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF é pacífica no sentido de que eventual equívoco no enquadramento legal do auto de infração não acarreta nulidade quando a descrição dos fatos identifica, com precisão, a irregularidade de que é acusado o contribuinte, não prejudicando o exercício do seu direito de defesa, como é o caso dos autos. A recorrente sustenta que a autoridade fiscal não comprovou os pagamentos não escriturados. Equivocase, contudo, pois houve a circularização junto aos fornecedores da recorrente, que comprovaram o recebimento das compras, como se vê do seguinte trecho do relatório fiscal: Através de circularização efetuada junto a fornecedores de combustíveis do contribuinte fiscalizado, recebemos cópias de notas fiscais não registradas nos livros Diário e Razão (fls.44 a 81 e 304 a 312) Com base nestas notas, intimamos o contribuinte a comprovar, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras efetuadas junto aos Fl. 860DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 14 13 seguintes fornecedores (Termo de Intimação Fiscal n° 014 às fls.35 e 36): 1) FTC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRóLE0 LTDAI CNPJ 01.349.764/000826, conforme planilha abaixo có ia das notas fiscais às fls.64 a 69); 2) PELIKANO DISTRIUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, CNPJ 00.828.887/0001 00, conforme nota fiscal n°5795, emitida em 09/07/2001 no valor de R$ 21.750,00 (fls. 03). 3) STORAGE PETROLEO LTDA, CNPJ 01.927.984/000113, conforme nota fiscal n° 95782, emitida em 22/04/2002, no valor de R$ 4.395,00 (fls.81). Constam às fls.44 a 46 o Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo e o Termo de Intimação Fiscal encaminhado à PELIKANO DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA. A resposta da PELIKANO consta às fls. 47 a 58, juntamente com cópia dos livros diário e razão evidenciando que o pagamento foi efetuado à vista, com registro na conta caixa (conta 1 1 01 010 0001 —8 constante do plano de contas). Constam às fls. 59 a 61 o Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo e o Termo de Intimação Fiscal encaminhado A FIC DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA. A resposta da FIC consta às fls.62 a 76 juntamente com cópia do RECIBO DE BAIXA— CONTAS A RECEBER das notas fiscais ali elencadas, evidenciando que foi compra à vista. Constam às fls. 77 a 79 o Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo e o Termo de Intimação Fiscal encaminhado à STORAGE PETROLE0 LTDA. Diante disso, concluiu a autoridade fiscal que “O contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras.” Como se viu, através de circularização com os fornecedores, evidenciouse a quitação pelo pagamento, ao contrário do que sustenta a recorrente. Em relação à alegação de impossibilidade de concomitância de presunções de omissão de receita não tem razão a recorrente. No caso, tratase de hipóteses distintas de presunção legal de omissão de receitas. A omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados e a omissão de compras são aplicáveis concomitante com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada. Assim, deve ser mantida a omissão apurada. Da depreciação Quanto à glosa de valores utilizados na depreciação de Bens do Ativo Imobilizado – Cotas de Depreciação não Dedutíveis, alega que juntou aos autos o registro contábil dos bens que sofreram a glosa em sua depreciação, e que trata de bens adquiridos da empresa Fox Distribuidora Ltda. A decisão recorrida mencionou que nenhum documento foi juntado, afrontando o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72, que determina que a impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 15 14 No recurso voluntário, a recorrente limitase a repetir os termos da impugnação, sem fazer prova do alegado, motivo pelo qual mantémse a glosa das despesas de depreciação. Da insuficiência de recolhimento de IRPJ Sobre a insuficiência de recolhimentos de IRPJ, alega que o prazo de dois meses foi exíguo para refazer a contabilidade, tendo ocorrido o cerceamento do direito de defesa, pelo que esse item do lançamento deve ser considerado nulo. Ora, é dever do contribuinte manter à disposição da fiscalização todos os livros e documentos contábeis e fiscais devidamente escriturados, nos termos da legislação de regência. Os registros contábeis somente fazem prova a favor do contribuinte se estiverem devidamente formalizados. A decisão recorrida bem considerou que inexiste nulidade no caso concreto, haja vista que, durante o procedimento fiscal, foi dada oportunidade para a recorrente apresentar os elementos de prova que justificassem o seu procedimento, o que não ocorreu. Assim, deve ser mantido este item da autuação. Do PIS e da COFINS A recorrente alega que estão sujeitos à alíquota zero para o tipo de atividade por ela exercida (posto de gasolina), nos termos do art. 42 da Medida Provisória nº 2.037 25/2000, atual art. 42 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. De fato, no período de apuração da infração, a incidência das mencionadas contribuições foi reduzida à zero em relação às vendas de derivados de petróleo e de álcool etílico hidratado para fins carburantes, nos termos do art. 42 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que tinha a seguinte redação: Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; III álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6oda Lei no9.718, de 1998. Sobre o tema, a decisão recorrida registrou que, no caso em exame, “as autuações relativas ao PIS e à COFINS foram decorrentes do lançamento principal de IRPJ, lavrado em razão da omissão de receitas constatada em procedimento fiscal por força de presunção legal, não há como determinar quais as mercadorias que deram causa à receita omitida e, destas, quais estariam enquadradas nas hipóteses de tributação do PIS e da Cofins Fl. 862DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.014130/200691 Acórdão n.º 1202001.097 S1C2T2 Fl. 16 15 à Alíquota “zero”. Destarte, devese manter a autuação destas contribuições”. Neste ponto, concordase com a decisão recorrida. Sequer pode prosperar o argumento da recorrente em relação à presunção de omissão baseada nos depósitos bancários, no sentido de que “apesar de não possuir relação direta com a receita isenta de PIS e de COFINS, deve assim ser considerada, em vista de que a atividade da maior impacto financeiro e, de fato, a venda de gasolina e álcool para fins carburantes. Conforme é possível verificar da contabilidade e das receitas declaradas, o volume de outras receitas é insignificante perto das receitas advindas do comércio de combustíveis”. A omissão baseada em depósitos bancários, assim como todas as omissões presumidas pelo legislador, embora eventualmente sejam baseadas em compras ou estoque de produtos relacionados com a alíquota zero (gasolina e álcool para fins carburantes), como no caso concreto, não permite que se distinga a origem dos recursos omitidos, mesmo que o volume de outras receitas seja insignificante perto das receitas advindas do comércio de combustíveis. É de se lembrar que a omissão das receitas necessárias para efetuar o depósito bancário ou mesmo a aquisição do estoque de produtos de alíquota zero ocorrera em momento anterior. Ademais, como a recorrente realizava o comércio de diversos produtos no período, não é possível determinar a qual venda se refere a omissão detectada pela autoridade fiscal. Assim, a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas omitidas não pode ser afastada, devendo ser mantida a autuação. Matéria não arguida Quanto ao ponto levantado por um dos conselheiros durante a sessão de julgamento, por considerar que o presente litígio alcançava a questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, as razões da impossibilidade do colegiado se manifestar sobre a questão no caso concreto são as mesmas detalhadas no voto vencedor do acórdão nº 1202 001.022, de 10/09/2013. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 863DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10120.720983/2010-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2010
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ
Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de IRPJ a que estava obrigada, no curso do ano calendário, ainda que em 31 de dezembro tenha apurado prejuízo fiscal.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Uma vez que a autuação se deu em razão de não-homologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado em PER/DCOMPs, transmitidos em 06/01/2010, resta aplicável a multa de 50%, sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010.
JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA
É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1802-001.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão que afastavam a multa isolada por falta de pagamentos por estimativa.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente o conselheiro: , Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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IRPJ Recorrente HOSPFAR IND E COM DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2010 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de IRPJ a que estava obrigada, no curso do ano calendário, ainda que em 31 de dezembro tenha apurado prejuízo fiscal. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez que a autuação se deu em razão de nãohomologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado em PER/DCOMPs, transmitidos em 06/01/2010, resta aplicável a multa de 50%, sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 09 83 /2 01 0- 71 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vencidos os conselheiros, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão que afastavam a multa isolada por falta de pagamentos por estimativa. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente o conselheiro: , Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Tratam os autos do Despacho Decisório (fls. 14 a 38), que homologou em parte as compensações pleiteadas pela contribuinte, e do Auto de Infração (fls. 2 a 10), que trata da exigência tributária da multa isolada no valor de R$ 79.596,97, lançada em decorrência da compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo. 1) Despacho Decisório Os presentes autos foram formalizados para dar tratamento manual às Declarações de Compensação (DCOMP) relacionadas no quadro a seguir, nas quais a contribuinte informou ser possuidora de crédito tributário de saldo negativo da IRPJ referente ao exercício de 2008 – Anocalendário 2007, no montante de R$ 2.997.153,77 (dois milhões, novecentos e noventa e sete mil, cento e cinqüenta e três reais e setenta e sete centavos), conforme declarado na DCOMPretificadora 39066.74234.101008.1.7.026773. DCOMP TIPO 27405.08021.300908.1.3.025022 Original 39066.74234.101008.1.7.026773 Retificadora 27405.08021 17037.14961.311008.1.3.025274 Original 30974.91821.281108.1.3.023552 Original 33995.80248.121208.1.3.020114 Original 34871.28361.190109.1.3.027588 Original 28400.51952.120209.1.3.027272 Original 33071.71687.200309.1.7.021250 Retificadora 28400.51952 41077.09362.200309.1.3.021670 Original 35446.82906.310309.1.3.028140 Original Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 3 3 00353.08901.200409.1.8.020801 Cancelamento 35446.82906 37951.86726.200409.1.3.021826 Original 42481.10409.230409.1.3.023971 Original 29775.14067.200509.1.3.027399 Original 33051.27921.190609.1.3.022001 Original 41419.08282.300609.1.3.022498 Original 39205.56557.130709.1.3.020360 Original 04055.39257.060110.1.7.025141 Retificadora 41419.08282 35163.28330.060110.1.3.027250 Original 27242.97063.060110.1.3.022728 Original Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 501/2010 foi solicitado ao contribuinte, para constituição e ratificação de prova a seu favor, a apresentação dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras relativos às deduções de IR Retido na Fonte declaradas na DIPJ/2008. Analisando os documentos apresentados pela contribuinte, a Fiscalização chegou aos seguintes resultados: a) pesquisas no sistema Sief DIRF e no Sistema Integrado de Administração Financeira SIAFE confirmaram retenções de imposto de renda na fonte emitidos por pessoas jurídicas de direito privado no montante de R$ 376.760,69 (fls. 18 e 19) e de deduções de impostos e contribuições federais na fonte efetuados por órgãos públicos, autarquias e fundações federais no valor de R$ 3.638,39 (fls. 19 e 20); b) glosa de R$ 169.139,90 do valor total das retenções solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 501/2010 (170.475,69), que trata das deduções de Impostos e Contribuições Federais na Fonte efetuados por Órgãos Públicos, pelo fato da documentação apresentada pela contribuinte não possuir lastro em comprovantes de retenção de imposto de renda emitidos pelas fontes pagadoras, mas em documentos internos elaborados pela própria contribuinte e que, por si só, não constituem prova a seu favor (fls. 22 a 24): O restante da documentação apresentada pelo contribuinte referente ao valor de R$ 169.139,90 (cento e sessenta e nove mil, cento e trinta e nove reais e noventa centavos) oriundo da diferença do valor de R$ 170.475,69 (Quadro 02) e R$ 1.335,79 (Quadro 05), não tem lastro em comprovantes de rendimentos pagos e de retenção na fonte de impostos e contribuições federais emitidos pelas fontes pagadoras em nome do beneficiário (Lei n° 9.430/96, art. 64 e IN SRF 480/2004).Vale dizer, os documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 164/199); destarte, não são comprovantes de retenção de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 imposto de renda na fonte, mas sim meros documentos internos de emissão da própria HOSPFAR IND. E COM. DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA., CNPJ/MF n° 26.921.908/000121, carreados aos autos contendo elementos por ele mesmo elaborados, tais como a relação dos órgãos públicos e indicações do IR retida mensalmente com menção do número do documento interno, CNPJ, tipo, baixa, data e valor do IR. c) apuração de novo saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 2.828.013,17 (fl. 26); d) existência de crédito tributário (débito da contribuinte) a ser cobrados da contribuinte, com os acréscimos legais cabíveis, no valor original de R$ 259.032,62, correspondentes às compensações não homologadas (fl. 29); e) necessidade de lavratura de auto de infração de multa isolada (50%), nos termos do art.44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007 (fls. 26 e 27), em função de ter sido verificado a existência de diferença de imposto de renda mensal pago por estimativa no valor total de R$ 65.436,48, resultante do valor declarado pela contribuinte (R$ 5.550.652,55) subtraído do valor confirmado pela RFB (R$ 5.485.216,07); f) necessidade de lavratura de auto de infração de multa isolada (50%), nos termos do art.74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430, de 1996, incluídos pela Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010 (conversão da Medida Provisória n° 472/2009), em função da insuficiência de crédito da contribuinte para homologar integralmente as compensações pleiteadas. O valor total da compensação não homologada foi de R$ 93,758,19. Com base na análise realizada, a Autoridade Fiscal competente decidiu: 1) RECONHECER EM PARTE a existência do direito creditório a favor da pessoa jurídica HOSPFAR IND. E COM. DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 26.921.908/000121, no montante originário de R$ 2.828.013,17 (dois milhões, oitocentos e vinte e oito mil, treze reais e dezessete centavos), concernente ao Saldo Negativo da IRPJ relativo ao anocalendário de 2007, que foi utilizado para compensação de débitos discriminados nas correspondentes DCOMP e respectivas retificadoras; 2) HOMOLOGAR EM PARTE as compensações efetivadas pelo contribuinte, no montante de R$ 3.092.588,48 (três milhões, noventa e dois mil, quinhentos e oitenta e oito reais e quarenta e oito centavos) em, em valores originais, referentes aos valores compensados relacionados no quadro 09 do Despacho Decisório, com crédito de saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2007; 3) NÃO HOMOLOGAR as compensações efetivadas pelo contribuinte no montante original de R$ 259.032,62 (duzentos e cinqüenta e nove mil, trinta e dois reais e sessenta e dois centavos), em valores originais, referentes aos valores não Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 4 5 compensados, em razão da insuficiência do crédito de saldo negativo de IRPJ; 4) CANCELAR DE OFÍCIO a compensação do débito de lançamento de oficio Multa Isolada (código de receita 134501), com período de apuração: 24/04/2009 e vencimento em 06/07/2009, no valor principal de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais), constante na DCOMP n° 33051.27921.190609.1.3.022001, e, consequentemente, excluir o valor correspondente a R$ 500,00 (quinhentos reais) do controle do sistema SIEF Processo, em razão de o contribuinte já ter efetuado a extinção deste débito mediante pagamento, para fins de evitar a duplicidade de cobrança deste débito; 5) AUTORIZAR a emissão de Registro de Procedimento Fiscal para o lançamento de ofício referente à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) a ser exigida sobre os valores mensais no montante de R$ 65.436,48 (sessenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e seis reais e quarenta e oito centavos) por motivo de falta de pagamento de IRPJ estimativa mensal, na época própria, com fulcro no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007); 6) AUTORIZAR a emissão de Registro de Procedimento Fiscal para o lançamento de ofício referente à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) a ser exigida sobre o montante dos débitos (créditos tributários), objetos de compensações não homologadas, no valor total de R$ 93.758,19 (noventa e três mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e dezenove centavos), conforme disposições constantes do art. 74, parágrafos 15 e 17, da Lei 9.430/96, incluídas pela Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010 (conversão da Medida Provisória n° 472/2009). 2) Auto de Infração – Multa Isolada Tratase da exigência tributária de multa de 50% no valor de R$ 79. 596,97, exigida isoladamente sobre os valores mensais devidos (fls. 2 a 10), decorrente de: a) estimativas de IRPJ não confirmadas, conforme art. 44 , inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007); b) compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluído pela Lei 12.249, de 2010). Foram efetuados os seguintes lançamentos (fl. 5): FATO GERADOR VALOR DA MULTA 31/01/2007 R$ 5.335,23 28/02/2007 R$ 8.448,31 31/03/2007 R$ 18.934,34 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 31/01/2010 R$ 8.864,04 31/01/2010 R$ 38.015,05 TOTAL R$ 79.596,97 Consta no “Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração” (fls. 11 e 12), quadros demonstrativos da base de cálculo da multa isolada aplicada. 2) Ciência A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 09/05/2011 (fl. 54) e apresentou manifestação de inconformidade / impugnação (fls. 55 a 75) em 03/06/2011. 3) Impugnação / Manifestação de Inconformidade a) Da improcedência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais: Resumidamente, a contribuinte alega que “o lançamento da multa isolada exigida sobre diferença de IRPJ recolhido por estimativa mensal somente se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou após o seu encerramento, se da ausência do pagamento” (fl. 59). Acrescenta que, se for comprovado que o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário, não seria possível lançar a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento destas estimativas em anos posteriores, o que afastaria, a aplicabilidade do disposto no art. 44, inciso II, alínea " b " da precitada Lei n° 9.430/96. Apresenta acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para ilustrar sua argumentação. b) Da improcedência da multa isolada sobre a compensação não homologada: Em síntese, a contribuinte argumenta que a aplicação da multa isolada sobre os débitos não compensados constitui nova, hipótese de infração, diferente da prevista na MP nº 472/2009, “que se limitava aos casos de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado”. Acrescenta que, tal multa, introduzida no ordenamento jurídico em data posterior à transmissão dos pedidos de compensação, não poderia ser aplicada ao caso em espécie, “por contrariar o princípio da irretroatividade das leis, gravado no art. 105 do Código Tributário Nacional”. Alega, que “a lei que tipifica condutas infracionais, estabelece ou majora penalidade, somente produz efeitos em relação aos fatos ocorridos durante a sua vigência, ma nunca em reação a fatos pretéritos”. Conclui que “a eficácia retroativa da referida Lei n° 12.249/2010 certamente estremecerá a segurança das relações entre o Estado e os cidadãos, bem como o legítimo direito que os contribuintes têm de não verem agravada a situação jurídica anteriormente configurada. É um desdobramento do princípio da segurança jurídica”. Discute, detalhadamente, a eficácia da lei e Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 5 7 argumenta que a multa aplicada obstaria o direito constituição de petição. c) Da não incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: A contribuinte alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final, requer que seja recebida e conhecida a presente Impugnação, por atender aos pressupostos legais, e, após, seja julgado totalmente improcedente o auto de infração ora em debate. Caso seja mantido o lançamento ou parte dele, que seja afastada a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, por inexistência de previsão legal. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília /DF), julgou improcedente a impugnação conforme decisão proferida no Acórdão nº 03 50.910, de 28 de fevereiro de 2013 (fls.91/102), cientificado ao interessado em 21/05/2013, em consonância com o despacho de encaminhamento dos presentes autos ao CARF. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2010 PRECLUSÃO MATERIAL. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, razão pela qual é mantida a decisão proferida no Despacho Decisório. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de IRPJ ou CSLL a que estava obrigada. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Cabível a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância que manteve as multas isoladas, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário em 05/06/2013 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no qual, em síntese, traz as mesmas razões alegadas na impugnação, tanto no que se refere a improcedência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais quanto à multa isolada sobre a compensação não homologada. Assim desnecessário repetir tais alegações porque já constam do relatório acima. Também se insurge contra os juros de mora sobre as multas lançadas que não foram quitadas. Finalmente requer o provimento ao recurso, e por conseqüência o cancelamento das exigências reclamadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado trata o presente processo do Auto de Infração (fls.01/09) em que se exige multas isoladas no montante de R$ 79. 596,97 em virtude das seguintes irregularidades: a) estimativas de IRPJ não confirmadas, no valor de R$ 65.435, 78, constantes do Quadro 08 do Relatório Fiscal integrante do auto de infração , conforme art. 44 , inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007); e, b) compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo em DCOMPs, discriminadas no Quadro 09 do relatório fiscal no valor de R$ 93.758,19, nos termos do art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluído pela Lei 12.249, de 2010). Na descrição dos fatos do auto de infração consta o seguinte: Para as estimativas de IRPJ não confirmadas relacionadas no Quadro 08 do relatório fiscal anexo, aplicamse a multa isolada de 50 % conforme art. 44 , inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 Ajuste Tributário redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 6 9 Sobre os valores dos créditos objeto de compensações não homologadas constantes das Dcomps discriminadas no Quadro 09 do relatório fiscal anexo, aplicamse a multa isolada de 50 % conforme art. 74, § 15 e § 17, da Lei 9.430/96 Ajuste Tributário (incluído pela Lei 12.249, de 2010) Sobre a irregularidade tratada no item “a”, acima, (multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais), a Recorrente alega, em síntese, que: o lançamento da multa isolada exigida sobre diferença de IRPJ recolhido por estimativa mensal somente se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou após o seu encerramento, se da ausência do pagamento, for comprovado que o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário. Assim, não seria possível lançar a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento destas estimativas em anos posteriores, o que afastaria, a aplicabilidade do disposto no art. 44, inciso II, alínea " b " da precitada Lei n° 9.430/96. A Recorrente para ilustrar sua argumentação traz à colação acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que de plano não os adoto por entender que os artigos 2º e 44 da Lei nº 9.430/96 não dão margem para interpretação diferente da sua expressão literal que assim prescreve: ... Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ... Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007). ... Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Como se vê, a lei expressamente diz : ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido.... O que significa dizer, ainda que no final do ano calendário não exista fato gerador da obrigação tributária (lucro real) para a apuração do tributo devido, mesmo assim, o contribuinte deve ser penalizado por haver constituído a obrigação de recolher estimativas e não o fez. Há expressa disposição legal da penalidade para a hipótese do descumprimento da obrigação tributária estimada. A lei distingue o aspecto temporal do fato gerador da obrigação do recolhimento das estimativas no curso do ano calendário e a obrigação decorrente do resultado apurado em 31 de dezembro do ano calendário. Como cediço, o fato gerador para a obrigação do pagamento das estimativas tem caráter de provisoriedade, diferente, pois, do fato gerador definitivo que somente ocorre em 31 de dezembro, razão pela qual após o término do ano calendário não se pode exigir o tributo devido por estimativa e sim, a multa isolada pela falta do recolhimento por estimativa. Inexiste ressalva legal para afastar a penalidade, caso, o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário, como pretende a Recorrente. A multa isolada exigida sobre diferença de IRPJ recolhido por estimativa mensal tanto se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou após o seu encerramento, desde que constatada a ausência do pagamento, ou pagamento a menor de recolhimento destas estimativas em anos posteriores. Resta claro que o fato descrito pela fiscalização redunda em falta/insuficiência de recolhimento por estimativa, na forma do artigo 2º da Lei nº 9.430/96, que alterada pela Lei nº 11.488, de 2007 reduziu a penalidade para 50% sobre o valor mensal que deixou ser pago nos meses de janeiro a março de 2007 e janeiro de 2010. Com efeito, o pagamento das estimativas mensais do IRPJ no curso do ano calendário, constituise em obrigação da pessoa jurídica que exerceu a opção pela forma de tributação com base no lucro real, determinado sobre base de cálculo estimada. Portanto, cabe ao contribuinte demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução (art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), nos termos do art. 2º da Lei n° 9.430, de 1996. Uma vez que a obrigação de pagamento das estimativas não foi cumprida de acordo com o que determina o dispositivo legal acima transcrito, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, estabelece a imposição de uma penalidade isolada, no percentual de 50%, para coibir a prática do não pagamento dessa estimativa. Dessa forma, estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento do IRPJ, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e deixando de recolher o imposto de renda, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida no artigo 44 acima transcrito, que deve ser cumprida integralmente pelas autoridades administrativas e não pode ser afastada por esse órgão administrativo que não cabe substituir o legislador. Destarte, é de se manter a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário nessa parte. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 7 11 Passemos, pois, a outra irregularidade constante no item “b” acima, cuja autuação se deu com fundamento no artigo 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluído pela Lei 12.249, de 2010 por considerar a compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo. A infração imputada (compensação indevida) ocorreu na data de transmissão dos PER/DCOMP nº 35163.28330. 060110.1.3.027250 e n° 27242.97063.060110.1.3.022728, que, conforme mencionado na decisão recorrida (fl.99), foram transmitidos pela contribuinte em 06/01/2010. Na mencionada data estava em vigor o artigo 27 da MP nº472, de 2009 que dava a seguinte redação para o artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art.27.O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ......................................................................................................... ......................... §2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: Iprevisto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou II previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1o, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ........................................................................................................................... Na conversão da MP nº 472, de 2009 na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, o mencionado dispositivo legal ( artigo 28) passou a tratar de outra matéria e o assunto “multa isolada” passou a ser tratado no artigo 62 da mencionada Lei nº 12.249, de 2010, não mais alterando o artigo 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e sim, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, da seguinte forma: Lei nº 12.249/2010: Art. 62. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. ....................................................................... ............................................................................................. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) Portanto, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, passou a ter a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) ... § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Grifei) Dessa legislação chegase à conclusão que, para os casos simples de declaração de compensação não homologada, deve ser aplicada a multa de 50% sobre os créditos indevidamente compensados, sob os seguintes fundamentos legais: 1) desde a edição da Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009, por força do artigo 27 que alterou o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e, 2) após a conversão da mencionada Medida Provisória na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, por força do artigo 62 que em vez de alterar o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 8 13 Com efeito, após tal conversão – MP nº 472/2009 na Lei nº 12.249/2010 – o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, somente se constitui em fundamento legal para a imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, 1) quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) e, 2) quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicadas, respectivamente, a multa de 150% e 75%, a saber: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Nesse contexto, uma vez que a autuação se deu em razão de não homologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado PER/DCOMP nº 35163.28330. 060110.1.3.027250 e n° 27242.97063.060110.1.3.022728, resta aplicável a multa de 50%, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 A recorrente também se insurge contra os juros selic sobre as multa isoladas. Quanto à formalização do crédito com os juros moratórios, o artigo 161 do CTN, não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta de pagamento do crédito tributário, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A Recorrente alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. De pronto, discordo do entendimento da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. No caso dos autos, as multas foram aplicadas em razão das infrações praticadas, analisadas acima. Portanto, com a aplicação das multas pela infrações, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora) Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Conforme visto acima, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (penalidade aplicada (não paga)). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um imperioso despautério. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.720983/201071 Acórdão n.º 1802001.895 S1TE02 Fl. 9 15 vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível concluir que, com apoio no artigo 43, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, lançada isoladamente, verbis: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese do auto de infração (fl.02) que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. A exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 e 4 deste E. Conselho Administrativo, verbis: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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