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Numero do processo: 10970.720031/2011-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que no AIOP nº 37.311-388-9 e no AIOP Nº 37.311-389-7 se recalcule a multa de mora até a competência 11/2008,inclusive, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 31 /2 01 1- 28 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que no AIOP nº 37.3113889 e no AIOP Nº 37.3113897 se recalcule a multa de mora até a competência 11/2008,inclusive, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 232 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA contra Acórdão nº 3936.202 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente a autuação por descumprimento de: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3889, parte Empresa com valor consolidado de R$ 4.172.657,35. (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3897, parte Terceiros com valor consolidado de R$ 890.837,04. (iii) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.311.3900, CFL 78 com valor consolidado de R$ 4.000,00. Conforme o Relatório Fiscal, os Autos de Infração referemse a lançamento de contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e as destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre parcelas legais integrantes da remuneração dos segurados empregados e de contribuintes individuais a serviço da empresa, bem como percentual de 15% sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED), além de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias. O Relatório Fiscal relaciona os fatos geradores apurados: 1.2.1 As contribuições lançadas têm como fatos geradores as remunerações pagas, devidas e/ou creditadas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais a serviço da empresa além de notas fiscais de serviço emitidas por cooperativa de trabalho no decorrer do período fiscalizado. 1.2.2 A empresa apresentou no período de apuração do débito, 04/2008 a 11/2009, Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com código de FPAS FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL 639, correspondente a ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (isenta da contribuição previdenciária patronal artigo 55 da Lei n° 8212/91). Ao utilizar o código referente ao FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL FPAS 639 na GFIP o contribuinte deixou de declarar e recolher a cota Patronal da contribuição previdenciária prevista no artigo 22 da lei 8.212/91. 1.2.3 A entidade, no entanto, não comprovou ser portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 (CEBAS) emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), conforme determinado na Lei 8.212/91: " Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;".... 1.2.4 A empresa faz parte do quadro associativo da Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas GeraisAFEESMIG que congrega todas as Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais. Esta associação ingressou com Mandado de Segurança Coletivo (processo n° 2008.38.00.0123783) perante a Justiça Federal de 1o Grau, visando que seja determinado a autoridade coatora que se abstenha de exigir que as entidades filiadas à impetrante se submetam às exigências do artigo 55 da Lei 8.212/91, ou seja, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais (ART. 195, § 7o, CF 88) para as suas filiadas. A liminar foi deferida em 09.05.2008, porém em 01.03.2010 foi proferida e publicada sentença que Denega Segurança e torna sem efeito a decisão liminar proferida nos Autos do referido Mandado de Segurança. Posteriormente foi interposto pela Impetrante Agravo de Instrumento n° 004084475.2010.4.1.000MG (Processo originário n° 001214591.2008.4.1.3800 perante o Tribunal Regional Federal da Ia Região, onde a decisão proferida e publicada em 30/07/2010 negou seguimento ao recurso interposto. 1.2.5 Desta forma não havendo decisão judicial suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias Patronais e destinadas a outras Entidades (Terceiros) apuramos estas contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa constantes de folhas de pagamento/GFIP, bem como sobre valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Cooperativa de Trabalho com enquadramento no FPAS 574 (ESTABELECIMENTO DE ENSINO (inclusive Fundação). Em relação à obrigação acessória, o Relatório Fiscal informa que as GFIP informadas das competências de 04/2008 a 11/2008 foram declaradas com erro no campo relativo ao FPAS, uma vez que foi informado o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social), quando deveria ter sido informado o código FPAS 574 (Estabelecimentos de Ensino): 2, Incorreções ou omissões de Dados da GFIP: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 233 5 A empresa transmitiu as GFIP das competências 04/08 a 11/08 com erro no campo relativo ao FPAS, ou seja ao invés de transmitilas com código FPAS 574 (Estabelecimentos de Ensino) foram transmitidas com o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social). Ainda, informa o Relatório Fiscal que as GFIP das competências 04/2008 a 11/2008 foram enviadas em 03/2009, após a edição da Medida Provisória n° 449/2008 de 03.12.2008, conforme verificado em consulta ao sistema informatizado GFIPWEB. Neste diapasão, em relação ao AIOA 37.311.3900, CFL 78 o Relatório Fiscal dispõe que, considerando que não ocorreram circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, aplicouse a multa prevista no artigo 32A, inciso II, combinado com o § 3°, II do mesmo artigo, da Lei 8.212/91 (Redação dada pela Lei 11.941), no valor de R$ 4.000,00. Quanto à aplicação dos acréscimos legais nas autuações de obrigação principal, o Relatório Fiscal informa que se aplicou a legislação em vigor, significando que a multa de ofício (75%) foi aplicada após a competência 12/2008, inclusive, e que a multa moratória foi aplicada até a competência 11/2008, inclusive. A Recorrente teve ciência das autuações em 24.03.2011, conforme fls. 03. O período objeto do auto de infração: (i) para os AIOP, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 04/2008 a 11/2009. (ii) Para o AIOA CFL 78 conforme o Anexo do relatório Fiscal às fls. 58, é de 04/2008 a 11/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Afirma que os Autos de Infração e o Termo de Arrolamento de bens e direitos integrantes deste processo referemse a período sub judice, amparado por decisão judicial, tendo sido precipitada a instauração de auditoria e a lavratura dos autos de infração, em desrespeito aos princípios constitucionais garantidos na Carta Magna, destacado o art. 5°, LV. (ii) Sustenta que "nos autos de infração há excesso de exação, na modalidade configurada pela aplicação além dos acréscimos legais multa e juros, mais as multas de ofício por descumprimento de obrigações acessórias, aplicandose inclusive sanções criadas em legislação sancionada posteriormente, conforme demonstrado no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal." (iii) Impugna todos os fundamentos legais da aplicação da multa de 75% e dos acréscimos legais incidentes sobre a multa, referente ao código 701 (Falta de pagamento, de declaração, declaração inexata). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (iv) Discorre acerca da natureza dos juros e da multa e denuncia a incidência, nos autos de infração em epígrafe, de juros sobre multa, afirmando não haver previsão legal para tal incidência, o que caracteriza ofensa ao principio da legalidade. (v) Diz padecer de amparo a pretensão da autoridade autuante relativa à aplicação da MP 449, de 2008, em razão do amparo constitucional, do excesso de exação e da não observância da exegese do art. 112 do Código Tributário Nacional. (vi) Requer, ao fim, a improcedência do processo, em razão de os períodos apurados nos autos de infração estarem sub judice, pelo desrespeito aos direitos e garantias fundamentais da impugnante e pela aplicação de excesso de exação. (vii) Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente documental, revisão pericial contábil e outras. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 3936.202 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009 DEBCAD 37.311.3889 CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais e sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009 DEBCAD 37.311.3897 CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, nos termos da legislação tributária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2008 DEBCAD 37.311.3900 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. INCORREÇÃO OU OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com incorreções ou omissões. ISENÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 234 7 Deve ser lavrada a autuação cabível se não há decisão judicial que determine a isenção do contribuinte do recolhimento das contribuições previdenciárias e do cumprimento das obrigações acessórias a elas relativas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5A Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 4 de agosto de 2011. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, resumidamente: (i) Cerceamento do direito de defesa indeferimento de perícia requisitada para recálculo do débito em planilha descritiva de juros e multa aplicados; (ii) Violação a princípios constitucionais Os Autos de Infração e Termo de Arrolamento de Bens e Direitos referemse a período SUB JUDICE, amparado por decisão judicial; (iii) Há excesso de exação pela aplicação, além dos acréscimos legais multa e juros, das multas de ofício por descumprimento de obrigações acessórias, inclusive com sanções criadas em legislação sancionada posteriormente. (iv) Há incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (v) Requer reexame do cálculo e das taxas utilizadas para se comprovar em demonstrativo analítico discriminado competência a competência se houve ou não excesso de exação; (vi) Requer, alternativamente, que os períodos apurados nos autos de infração que se encontravam até março de 2010 sob o amparo judicial, sejam atualizados somente pela taxa de juros do período e tenha a remissão da multa de ofício aplicada, uma vez que ainda se apresenta Subjudice no T R F l a Região, devido à recente decisão que deu provimento ao Agravo Regimental apresentado Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 235 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA contra Acórdão nº 3936.202 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente a autuação por descumprimento de: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3889, parte Empresa com valor consolidado de R$ 4.172.657,35. (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3897, parte Terceiros com valor consolidado de R$ 890.837,04. (iii) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.311.3900, CFL 78 com valor consolidado de R$ 4.000,00. Conforme o Relatório Fiscal, os Autos de Infração referemse a lançamento de contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e as destinadas a Outras Entidades e Fundos, Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 236 11 incidentes sobre parcelas legais integrantes da remuneração dos segurados empregados e de contribuintes individuais a serviço da empresa, bem como percentual de 15% sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED), além de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP e AIOA que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. RDA Relatório de Documentos Apresentados d. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); g. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 237 13 Analisandose os AIOPs e o AIOA, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) Cerceamento do direito de defesa indeferimento de perícia requisitada para recálculo do débito em planilha descritiva de juros e multa aplicados; (iv) Há incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício. (v) Requer reexame do cálculo e das taxas utilizadas para se comprovar em demonstrativo analítico discriminado competência a competência se houve ou não excesso de exação; Analisemos os itens (i), (iv) e (v) conjuntamente.. A argumentação da Recorrente no item (i) está centrada na violação do direito de defesa porque a Recorrida indeferiu o pedido de perícia feito, conforme a decisão da primeira instância às fls. 193: Ainda, a perícia proposta pelo impugnante deve ser considerada desnecessária, por prescindível para o deslinde do presente julgamento. Isso porque a realização de diligência e ou perícia pressupõe a existência de fatos a serem esclarecidos e que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Ora, a Recorrida considerou que o pedido de perícia era desnecessário pois os autos trazem elementos suficientes para que se decida a matéria, nos termos do art. 18, Decreto 70.235/1972: Decreto 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Em relação aos tópicos (iv) e (v), temse que os acréscimos legais foram aplicados com fulcro na legislação de regência, conforme se depreende do Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 17 a 18, na qual no item 701 (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, na redação pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, combinado com o art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996) foram aplicados tão somente em relação às competências de 12/2008 a 11/2009, as quais são posteriores à edição da referida MP n° 449/2008. Vejamos o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, às fls. 17 a 18, na qual aparece a fundamentação legal utilizada pela AuditoriaFiscal para a aplicação dos acréscimos legais: Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 04/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 04/2008 a 11/2008 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 238 15 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Observase que há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Considero plenamente correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, analisou as alterações advindas na Lei 8.212/1991 no tocante ao cálculo dos acréscimos legais sob a ótica do art. 106, II, c, CTN, para aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Ademais, em relação aos tópicos (iv) e (v) anotese que a Recorrida elaborou um quadro explicativo a comprovar que os juros aplicados não incidem sobre o valor da multa, mas tão só sobre o valor líquido das rubricas (ou seja, o valor original do crédito apurado) constantes dos levantamentos, conforme se constata do quadro às fls. 193: Equivocase a o impugnante ao afirmar a existência de incidência de juros sobre multa. Isso porque podese observar nos relatórios Discriminativos do Débito dos AI 37.311.3889 e 37.311.3897 que os juros, em cada competência, foram calculados sobre o valor original do crédito apurado. Exemplificativamente, podese verificar que, na competência 04/2008 do AI 37.311.3889, os juros incidem sobre o valor TOTAL LÍQUIDO, da forma abaixo discriminada, em observância à legislação referida: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 239 17 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Violação a princípios constitucionais Os Autos de Infração e Termo de Arrolamento de Bens e Direitos referemse a período SUB JUDICE, amparado por decisão judicial; (vi) Requer, alternativamente, que os períodos apurados nos autos de infração que se encontravam até março de 2010 sob o amparo judicial, sejam atualizados somente pela taxa de juros do período e tenha a remissão da multa de ofício aplicada, uma vez que ainda se apresenta Subjudice no T R F l a Região, devido à recente decisão que deu provimento ao Agravo Regimental apresentado Analisemos os tópicos (ii) e (vi) conjuntamente.. Em relação à violação de princípios constitucionais, já analisamos no item (A). Em relação ao ingresso na via judicial, vejase o Relatório Fiscal às fls. 37: A empresa faz parte do quadro associativo da Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais AFEESMIG que congrega todas as Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais. Esta associação ingressou com Mandado de Segurança Coletivo (processo n° 2008.38.00.012378¬ 3) perante a Justiça Federal de 1° Grau, visando que seja determinado a autoridade coatora que se abstenha de exigir que as entidades filiadas à impetrante se submetam às exigências do artigo 55 da Lei 8.212/91, ou seja, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais (ART. 195, § 7o , CF 88) para as suas filiadas. A liminar foi deferida em 09.05.2008, porém em 01.03.2010 foi proferida e publicada sentença que Denega Segurança e torna sem efeito a decisão liminar proferida nos Autos do referido Mandado de Segurança. Posteriormente foi interposto pela Impetrante Agravo de Instrumento n° 0040844 75.2010.4.1.000MG (Processo originário n° 0012145¬ 91.2008.4.1.3800 perante o Tribunal Regional Federal da Ia Região, onde a decisão proferida e publicada em 30/07/2010 negou seguimento ao recurso interposto. Ora, a autora do Mandado de Segurança (Processo nº 2008.38.00.0123783, 11ª Vara Federal em Belo Horizonte MG) é a Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais AFEESMIG e não a Recorrente que, por ser filiada à Associação, temla como substituta processual. Ademais, o Relatório Fiscal, às fls. 37, esclarece que não houve decisão judicial suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 1.2.5 Desta forma não havendo decisão judicial suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias Patronais e destinadas a outras Entidades (Terceiros) apuramos estas contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa constantes de folhas de pagamento/GFIP, bem como sobre valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Cooperativa de Trabalho com enquadramento no FPAS 574 (ESTABELECIMENTO DE ENSINO (inclusive Fundação). Logo, em relação ao item (vi), correta a autuação fiscal posto que não havia medida judicial, ou mesmo amparo na legislação tributária, que amparasse o pleito da Recorrente no sentido de se atualizar somente pela Taxa de Juros o crédito até a competência 03/2010. Em todo caso, na execução do presente processo administrativofiscal, a Unidade da Receita Federal do Brasil verifica se há algum mandamento judicial que possa impactar tal execução. De todo o exposto, ao prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Há excesso de exação pela aplicação, além dos acréscimos legais multa e juros, das multas de ofício por descumprimento de obrigações acessórias, inclusive com sanções criadas em legislação sancionada posteriormente. Analisemos o item (iii). Os acréscimos legais foram aplicados com fulcro na legislação de regência, conforme se depreende do Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 17 e 18, na qual no item 701 (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, na redação pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, combinado com o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996) foram aplicados tão somente em relação às competências de 12/2008 a 11/2009, as quais são posteriores à edição da referida MP n° 449/2008: Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 04/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 240 19 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 04/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Diante do exposto, considerandose que a AuditoriaFiscal aplicou os acréscimos legais em conformidade com a legislação pertinente, não prospera a argumentação da Recorrente de excesso de exação. Ainda, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora. Considero plenamente correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, analisou as alterações advindas na Lei 8.212/1991 no tocante ao cálculo dos acréscimos legais sob a ótica do art. 106, II, c, CTN, para aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Ainda assim, em relação à obrigação acessória, considero correta a autuação fiscal e mantenho a decisão de primeira instância posto que o Relatório Fiscal informa que as GFIP informadas das competências de 04/2008 a 11/2008 foram declaradas com erro no campo relativo ao FPAS, uma vez que foi informado o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social), quando deveria ter sido informado o código FPAS 574 (Estabelecimentos de Ensino). De forma que houve infração à Lei n° 8.212/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, com a multa sendo aplicada com fundamento na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos Lei n° 11.941/2009, considerandose o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", CTN. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 241 21 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte, até a competência 11/2008, inclusive: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3889, parte Empresa com valor consolidado de R$ 4.172.657,35. (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3897, parte Terceiros com valor consolidado de R$ 890.837,04. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que no AIOP nº. 37.311.3889 e no AIOP nº. 37.311.3897 se recalcule a multa de mora até a competência 11/2008, inclusive, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13896.722988/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgado em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora.
(assinado digitalmente)
Plinio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Glosa de despesas com ágio Recorrente SARA LEE CAFÉS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgado em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora. (assinado digitalmente) Plinio Rodrigues Lima – Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 22 98 8/ 20 11 -3 7 Fl. 5265DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário em face dos lançamentos de IRPJ e CSLL decorrentes das seguintes infrações, apuradas ano calendário 2006, conforme descrição contida nos respectivos autos de infração: 001 OMISSÃO DE RECEITAS ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADOS Omissão de Receita caracterizada pelas irregularidades constatadas, conforme Termo de Verificação Fiscal, em que após efetivada a venda e procedida a entrega da mercadoria o comprador retorna a nota fiscal emitida pela Sara Lee, sob os mais diversos argumentos, não emitindo nota fiscal de devolução. Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99. 002 OMISSÃO DE RECEITAS ICMS INCIDENTE SOBRE VENDAS Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela dedução de ICMS em valor superior ao valor destacado nas notas fiscais emitidas no ano calendário de 2006 ( Vide Termo de Verificação Fiscal ). Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99. 003 AMORTIZAÇÃO VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS No ano calendário de 2005, contribuinte foi submetido à fiscalização, que promoveu constituição de crédito tributário através do processo no. 16175.000476/200500, em decorrência de glosa de dedutibilidade de despesa de agio de investimento, lançada nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Inconformado, o contribuinte impetrou impugnação ao lançamento, endereçada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas.SP. Apreciado o mérito da impugnação, a Delegacia de Julgamento, por unanimidade manteve o lançamento do crédito tributário. Não conformado o contribuinte impetrou recurso voluntário à Primeira Câmara do Primeiro Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ( CARF ), que em decisão, por unanimidade, dá provimento ao recurso impetrado pelo contribuinte. No exercício de sua competência a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, ainda em fase de julgamento. Através da intimação no. 902/2011, ( fls. )contribuinte foi intimado a fazer prova do pagamento e natureza do agio de investimento lançado como despesa dedutível no ano calendário de 2006. Atendendo intimação o contribuinte apresentou uma serie de documentos, inclusive cópia da decisão proferida pelo CARF, que dá provimento ao recurso apresentado, esclarecendo que o ágio de 2006 é uma perna daquele pago em 2000 e objeto de autuação. Em razão do recurso especial, produzir efeito devolutivo,suspendendo a decisão e a constituição definitiva do crédito, em razão da necessidade de se dar garantia ou proteção do crédito tributário em face da decadência, prestes a ocorrer em 31 de dezembro de 2011, lavrase o presente auto de infração, cuja execução/fica suspensa até decisão definitiva daquela corte administrativa. Fl. 5266DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 4 3 Enquadramento Legal: Art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§ 2o e 4°, e 325,do RIR/99 . 004 – PROVISÕES PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Valor apurado conforme planilhas de fls 126 a 127 e Termo de Verificação Enquadramento Legal: Art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, com as alterações do art. 14, da 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335, do RIR/99. Também fazem parte do recurso o PISnãocumulativo e a Cofins não cumulativa lançados reflexamente, em relação à infração 001, sob os mesmos fundamentos fáticos. Os pedidos sintetizados na impugnação bem demonstram os questionamentos do contribuinte, pelo que são reproduzidos abaixo: (i) a presente Impugnação é tempestiva e, portanto, deve ser integralmente apreciada; (ii) preliminarmente, devese reconhecer que o Auto de Infração não se encontra revestido das formalidades essenciais impostas pela legislação tributária, sobretudo com relação à descrição dos fatos e à sua motivação, deforma que deve ser integralmente cancelado, nos termos do artigo 10 do Decreto 70.235/72; (iii) com relação ao item 1 do Auto de Infração (omissão de receitas – estorno de vendas), a Requerente tem como plenamente demonstrado que o questionamento feito pela D. Fiscalização decorre de uma interpretação equivocada dos fatos ocorridos no anocalendário de 2006. Na verdade, não houve "devolução de mercadorias", como presumido pela D. Fiscalização. O que efetivamente ocorreu no presente caso foi o "retorno de mercadorias", hipótese distinta da devolução, em que não há recebimento de produtos, pelo destinatário, nem o registro dessas mercadorias em seus Livros Fiscais; (iv) nesse sentido, a documentação colacionada pela Requerente apenas corrobora as suas afirmações no sentido de que não houve o recebimento, pelos destinatários respectivos, de mercadorias objeto das notas fiscais de retorno emitidas pela Requerente, além do que, tais destinatários, sequer registraram essas mercadorias em seus Livros Fiscais. Assim, restaria desqualificada a exigência feita pela D. Fiscalização de que os respectivos compradores estariam obrigados a emitir Notas Fiscais de devolução, em substituição às Notas Fiscais de retorno emitidas pela própria Requerente; (v) ademais, ao pretender tributar valores decorrentes de vendas não concretizadas, a D. Fiscalização estaria violando diretamente o disposto no artigo 280 do RIR/99, segundo o qual a receita líquida de vendas e serviços deve ser diminuída das receitas canceladas. No mesmo sentido, relativamente ao PIS e à COFINS, está o artigo 3º, §2°, da Lei 9.718/98; (vi) a Requerente tem também como plenamente demonstrada a improcedência dos questionamentos feitos pela D. Fiscalização a Fl. 5267DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 5 4 respeito de sua documentação fiscal (notadamente as Notas Fiscais de retorno), uma vez que todos os documentos por ela emitidos preenchem as formalidades legais previstas tanto na legislação fiscal federal quanto estadual, não tendo sido em momento algum, aliás, questionadas pelas DD. Autoridades Administrativas Estaduais; (vii) conforme amplamente aceito pela jurisprudência, a mera presunção de omissão de receitas sem a sua cabal comprovação não é suficiente para sustentar a exigência fiscal. Assim, não resta dúvida que o débito tributado apurado em relação à suposta omissão de receitas não deve prevalecer, devendo ser anulado; (viii) por fim, as hipóteses relacionadas a omissão de receita são tratadas pela legislação fiscal como presunções relativas, de forma que, uma vez demonstrada a correção dos procedimentos adotados pelo contribuinte por meio de provas documentais, devese proceder ao imediato cancelamento da exigência fiscal; (ix) no presente caso, a Requerente apresentou diversos documentos (notas fiscais de entrada e de saída, bem como guias de entrega e declarações fornecidas por alguns de seus clientes) comprovando a não entrega de mercadorias no ano de 2006, de forma que, nos termos 923 e 924 do RIR/99, caberia à D. Fiscalização apresentar documentos para contrapor as afirmações feitas pela Requerente; (x) ad argumentandum, caso se entenda que os fundamentos fáticos e legais apresentados pela Requerente para demonstrar a insubsistência do item 1 do Auto de Infração não sejam suficientes o bastante, requer se desde já a realização de diligência, possibilitando, assim, que a Requerente exerça o seu direito de ampla defesa e do contraditório; (xi) com relação ao item 2 do Auto de Infração (omissão de receitas – ICMS sobre vendas), a Requerente demonstrou que as parcelas questionadas pela D.Fiscalização decorrem de ajustes relacionados às seguintes parcelas: (a) ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos; (b) diferenciais de alíquotas de ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Requerente em outros estados; e (c) o ICMS destacado nas Notas Fiscais de retorno de mercadorias (item 1 do Auto de Infração); (xii) os itens (a) e (b) do item acima, apesar de devidamente registrados na contabilidade da Requerente, não foram considerados pela D. Fiscalização na análise do caso; (xiii) o item (c), por sua vez, está intimamente relacionado ao item 1 do presente Auto de Infração, de modo que os argumentos acima expostos apontam para sua procedência; (xiv) com relação ao item 3 do Auto de Infração (amortização de despesas de ágio), a Requerente demonstrou que a exigência nele consubstanciada está diretamente relacionada ao resultado final do Processo Administrativo n° 16175.000476/200500, que ainda se encontra pendente de julgamento pela CSRF; Fl. 5268DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 6 5 (xv) como nesse processo administrativo o CARF já proferiu — por unanimidade de votos —, decisão favorável à Requerente, reconhecendo o seu direito de amortizar, para fins fiscais, os valores apurados no anocalendário de 2000 a título de ágio, deve ser imediatamente reconhecida a improcedência do lançamento efetuado pela D. Fiscalização; (xvi) ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar– os argumentos de fato e de direito aduzidos no Processo Administrativo n° 16175.000476/200500 devem ser aqui considerados como se tivessem sido integralmente repetidos nesta Impugnação. Ademais, este caso deve ser apreciado após o julgamento do Processo Administrativo n° 16175.000476/200500, ou, ao menos, em conjunto com ele. Constatada a inexistência de infração no processo original, resulta a improcedência da presente autuação; (xvii) no mérito relacionado a esse item do Auto de Infração, a Requerente demonstrou que os valores de ágio apurados pela Requerente que passaram a ser amortizados para fins fiscais à razão de 1/84 decorrem da mera aplicação das disposições contidas na legislação fiscal em vigor, conforme já expressamente reconhecido pelo CARF e por Parecer emitido por Ricardo Mariz de Oliveira; (xviii) uma vez que o lançamento foi efetuado com a execução suspensa, para evitar a decadência, não deve ser aplicada a multa de ofício de 75% sobre os valores questionados pela D. Fiscalização a título de despesas de amortização de ágio, nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96 e de diversos precedentes proferidos pelo CARF; (xix) com relação ao item 4 do Auto de Infração (nãoadição de provisões ao Lucro Real), a Requerente demonstrou o completo descabimento e a inconsistência da metodologia empregada pela D. Fiscalização para apurar o que, a seu ver, teria sido indevidamente excluído do Lucro Real pela Requerente quando da apuração do seu Lucro Real do anocalendário de 2006; (xx) ademais, os valores informados pela Requerente em sua DIPJ de 2006 se encontram contabilizados com a observância das disposições legais aplicáveis, de modo que, nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/99, fariam prova a seu favor, transferindo, assim, o ônus da prova para a D. Fiscalização, que, por sua vez, nada apresentou para refutar as informações prestadas pela Requerente; (xxi) ainda que assim não se entendesse, ressaltase que os erros incorridos pela D. Fiscalização em relação a esse item da autuação, por si só, já justificariam que a Requerente pleiteie, desde já, pela determinação da baixa do presente processo administrativo em diligência para realização de perícia contábil, que tenha por escopo examinar com maior exatidão os valores apontados pela D. Fiscalização como supostamente devidos pela Requerente; (xxii) conforme demonstrado acima, não foi comprovada qualquer omissão de receita, razão pela qual, cancelada a exigência principal, deverão ser também canceladas as exigências reflexas, relativas à CSL, ao PIS e à COFINS; Fl. 5269DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 7 6 (xxiii) na forma em que aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, na medida em que além de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou má fé, o valor exigido a título de multa punitiva é extremamente elevado, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida; (xxiv) mesmo que se considerasse válida a exigência fiscal em debate, o que se admite a título meramente argumentativo, deveria ao menos ser cancelada a juros à taxa Selic (sobre o principal e sobre a multa), posto que inconstitucional. 183. À luz de tudo o quanto acima exposto, a Requerente pleiteia o acolhimento integral da presente Impugnação e o imediato cancelamento da totalidade do Auto de Infração em tela, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. 184. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. 185. Ademais, para a realização das perícias ora pleiteadas, a Requerente indica aqui como perito, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/02 (sic), o Sr. Fernando Viana de Oliveira Filho, brasileiro, Contador com CRC n° 1SP215836 SP e o Sr. Mauro Stacchini Júnior, brasileiro, Contador com CRC n° 1SP117498, ambos com escritório na Rua Amália de Noronha, n° 402, Ed.Actual, São Paulo SP, CEP 05410010, para acompanhar a perícia contábil.” Analisando tais questionamentos, a turma julgadora de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art.16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 5270DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 8 7 Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Conexão Processual. Glosa de Despesa de Amortização de Ágio. Dada a relação de causa e efeito entre processos administrativos, adaptase a presente decisão àquela já prolatada anteriormente nos autos do processo nº 16175.000476/200500. Decadência. Glosa de Despesa de Amortização de Ágio. Só há de se cogitar da fluência do prazo decadencial a partir da realização da despesa, quando o tributo tornase exigível, ou seja, a partir da data em que o lançamento é juridicamente possível. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 Estorno de Vendas Não Comprovado. Caracteriza omissão de receita o estorno de vendas não comprovado. ICMS sobre Vendas. Verificada a dedução de despesa de ICMS em valor maior que o contabilizado nos livros fiscais, correta é a adição do valor da diferença correspondente na determinação do lucro real. Incorporação. Ágio. Amortização. Pressuposto para lançar a amortização de ágio como despesa dedutível, no âmbito do IRPJ, é a pessoa jurídica, que absorver o patrimônio de outra em virtude de incorporação, ter na incorporada participação societária que ela, incorporadora, haja adquirido com ágio, não se prestando a título de aquisição o recebimento de bens/direitos em devolução de participação societária que a investidora detinha em uma terceira pessoa jurídica. Mais, se há desconexão entre a anotação contábil e a realidade que pretende registrar, com reflexo sobre o lucro líquido, impõese, também, o ajuste da base de cálculo da CSLL. Provisões. Constatado ajuste a menor na determinação do lucro real, relativo à despesa de provisão indedutível, correta a adição do valor que deixou de ser computado. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à Fl. 5271DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 9 8 administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. No tocante à taxa Selic, a utilização desta como juros de mora está fundamentada por expressa determinação legal. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 16/07/2012 (conforme AR, fl.3746), apresentou recurso voluntário ao CARF em 14/08/2012 (fls.3474 e ss.), em que, preliminarmente, sustenta (i) a tempestividade do recurso; (ii) a invalidade da decisão de primeira instância, por falta de apreciação das provas acostadas na impugnação, as quais correspondiam a, aproximadamente, 15% do valor questionado pela autoridade fiscal; (iii) o cerceamento do seu direito de defesa, pela necessidade de realização de diligência e perícia técnica, para analisar todos os documentos relativos às operações questionadas, com base nos quesitos apresentados na impugnação; (iv) a necessidade de cancelamento do auto de infração por ausência de motivação clara e precisa da autuação. No mérito, aponta os motivos sintetizados abaixo para a reforma da decisão recorrida. Sobre o Item 1) omissão de receitas – estorno de vendas: Descreve as três situações em que não houve a concretização da operação de venda, não havendo que se falar em omissão de receitas: cancelamento da NF, devolução de venda, retorno de venda. Segundo ela, foram questionadas: (i) Notas Fiscais de retorno em que todas as formalidades previstas na legislação são devidamente preenchidas: para esse item, apresenta relação complementar de NF de retorno, que representam mais 20% do total questionado, além dos 15% apresentados na impugnação. (ii) Notas Fiscais de retorno sem as formalidades previstas na legislação alega que apresentou com a impugnação: declarações emitidas por alguns dos clientes da Recorrente, atestando que não houve recebimento de mercadorias relacionadas nas notas fiscais questionadas pela D. Fiscalização, nem o respectivo registro desses produtos em seus livros de entrada (docs. nºs 147 a 149 da Impugnação); e Fl. 5272DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 10 9 cópias das 5ªs vias das Notas Fiscais de Saída (Comprovantes de Entrada) das seguintes Notas Fiscais emitidas pela Recorrente: 150873; 148659; 000782; 148778; 152800; 150790; 150787; 150788; 148776; 148687; 148307; 148805; 148760; 151268; 151295; 151203; 069263; 068416; 0553755; 074811; e 150787 (docs. nºs 150 a 170 da Impugnação), que demonstram não haver quaisquer indícios apostos pelo comprador (carimbos, assinaturas) atestando o recebimento das mercadorias. Acrescenta com o recurso voluntário: Telas do sistema SAP da Recorrente, que demonstram variações positivas em seus registros de pedidos, decorrentes do cancelamento de vendas questionadas pela D. Fiscalização (does. n°s 235 a 263); Conhecimentos de Transporte demonstrando que as mercadorias supostamente consideradas pela D. Fiscalização como entregues aos compradores retornaram ao estabelecimento da Recorrente (does. n°s 264 a 269); e Cópias autenticadas das laS vias das Notas Fiscais de Saída que, caso as operações a que se referem tivessem sido efetivamente concretizadas como alegado pela D. Fiscalização, deveriam ter sido mantidas pelos clientes da recorrente (docs. nºs 270 a 611). Aduz que apresentou, com o recurso voluntário, o valor de R$ 9.337.545,24, representando 19,93% do valor total autuado (R$ 46.857.598,70) e com a impugnação havia apresentado R$ 1.705.335,30 (3,64% do total), totalizando R$ 11.042.880,54 (27,57% do valor autuado). Sobre as vendas “canceladas” antes mesmo de qualquer remessa das mercadorias pela Recorrente, alega que a legislação do IRPJ e da CSLL “apenas confirma a correção do procedimento adotado pela Recorrente, no sentido de excluir tais valores de seu lucro real tributável”, conforme o disposto no artigo 280 do RIR/99. Sobre o Item 2) omissão de receitas – ICMS sobre vendas: aduz que as diferenças decorrem de: (i) ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente, no valor de R$ 2.459.958,63; (ii) diferenciais de alíquotas de ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente em outros estados, no valor de R$ 2.142.543,53; e (iii) ICMS destacado nas Notas Fiscais de retorno de mercadorias, no valor de R$ 4.061.020,27. Sobre o Item 3) glosa de despesas de amortização de ágio, aponta que a validade das deduções de despesas de ágio incorridas está diretamente relacionada à conclusão do processo administrativo nº 16175.000476/200500, considerando que o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo reflexo, em razão da estreita relação de causa e efeito existente. Fl. 5273DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 11 10 Quanto a esse item, ainda sustenta a decadência, considerando que, estando “originalmente registrados pela Recorrente no anocalendário de 2000, não caberia à D. Fiscalização pretender questionar, no anocalendário de 2011, as atos jurídicos relativos à formação do ágio, em razão do total transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para esse fim, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN” Sobre o Item 4) não adição de provisões ao Lucro Real: aponta que, na realidade, em relação às provisões, havia: (i) saldo de abertura, em 1.1.2006, com o valor de R$ 20.314.473,75; (ii) exclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, estornos ou baixas, que totalizaram R$ 167.279.441,41. Esse valor, ressaltese,correspondia a exclusões tanto de valores constituídos em anos anteriores (e,portanto, que estavam incluídos no saldo de abertura acima), como também de valores que foram constituídos no próprio anocalendário de 2006; (iii) inclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, novas provisões constituídas em 2006, totalizando R$ 169.250.158,18; e (iv) saldo de fechamento, em 31.12.2006, ao valor final de R$ 22.285.190.52. Diante disso, sustenta que o cálculo correto relativamente à referida conta de provisões no anocalendário de 2006 deveria ser feito da seguinte forma: “(i) – (ii) + (iii) = (iv)”, não havendo sentido na afirmação da decisão recorrida de que teria constituído provisões num total de R$ 148.935.684,43 no mesmo ano. Pede o cancelamento das exigências reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Por fim, aponta a inadequação da multa e juros aplicados, em função: a) da abusividade da multa de ofício aplicada; b) da inaplicabilidade da multa de ofício em relação ao item 3 do auto de infração; c) da impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 5274DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 12 11 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. PRELIMINARES Nulidade da decisão recorrida Segundo a recorrente, deve ser declarada a invalidade da decisão de primeira instância, por falta de apreciação das provas acostadas na impugnação, as quais correspondiam a, aproximadamente, 15% do valor questionado pela autoridade fiscal. Sem razão. O processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado. Assim, o julgador deve analisar os fatos litigiosos à luz da legislação pertinente e justificar suas razões de decidir. Foi o que fez o julgador de piso. Após destacar que a impugnante, ora recorrente, havia apresentado as notas fiscais que justificariam sua tese utilizando um critério de amostragem, a autoridade julgadora analisou os documentos e descreveu os dados coletados para fins de justificar suas conclusões, como se vê do trecho abaixo reproduzido: Vejase, a título de exemplo, os dados abaixo, extraídos da documentação fornecida na impugnação (fls. 2841/3264): [...] Notase, do quadro acima, que um lote de mercadoria destinado a entrega dentro do mesmo município (cidade de São Paulo) levou vinte dias para reingressar ao estabelecimento do fornecedor (NF saída nº 146767, de 30/03/2006; NF entrada nº 007914, de 19/04/2006), o que é completamente injustificável na modalidade de retorno, na qual, repisese, a mercadoria sequer é recebida pelo comprador. Ainda, observase, do quadro acima, a existência do reingresso da mercadoria no estabelecimento do fornecedor antes mesmo da própria “recusa” dada pelo comprador (NF entrada nº 007912, de 19/04/2006; recusa datada de 02/05/2006 e relativa à NF saída nº 147000, de 31/03/2006). Diante disso, é evidente que não houve a “falta de apreciação das provas acostadas na impugnação”, mas apenas a conclusão de que os documentos não serviram para comprovar a tese da defesa. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão. Cerceamento do direito de defesa A recorrente alega o cerceamento, apontando a necessidade de realização de diligência e perícia técnica para analisar todos os documentos relativos às operações questionadas, com base nos quesitos apresentados na impugnação. Pede a análise de sua documentação relativa às vendas não concretizadas, haja vista que, segundo ela, “além de ter incorrido em graves equívocos na compreensão dos fatos e do direito a eles aplicáveis, as DD. Autoridades Fiscalizadoras lavraram a presente exigência com base em presunções e tendo como base um critério de amostragem das notas fiscais de retorno emitidas pela Recorrente”. Fl. 5275DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 13 12 Também questiona a “contabilização de contas de provisões”, visto que teria explicado “de forma detalhada e didática a correta metodologia para apuração dos valores informados em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”). Entretando, a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância ignora completamente essa explicação, aparada por farta demonstração contábil colacionada pela Recorrente nos autos do presente processo administrativo”. Por decorrer daquela primeira alegação (nulidade da decisão), a alegação de cerceamento do direito de defesa também não deve prosperar. Como observado anteriormente, o julgador de primeira instância analisou a documentação juntada aos autos e formou sua convicção, motivando devidamente a decisão. O eventual cabimento de diligência deverá ser decidido pelo colegiado, caso seja considerado útil para fins de formação de convicção pelo julgador de segunda instância. Rejeitase a preliminar. Nulidade do auto de infração A recorrente sustenta, ainda, a necessidade de cancelamento do auto de infração por falta de motivação clara e precisa da autuação, apontando, in verbis: 42.Logo de início, observase que um dos pontos em que se funda a presente autuação diz respeito à suposta omissão de receitas. Contudo, ao consultar o Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração ora impugnado,notase que a D. Fiscalização, questiona a emissão, pela Recorrente, de notas fiscais de "retorno" quando, a seu ver, deveriam ter sido emitidas notas fiscais de"devolução", sendo que para fundamentar tal exigência, faz referências apenas à legislação que rege o IPI e o ICMS. Ora, o que se pode presumir da análise do Auto de Infração, portanto, é que a presente autuação, no que diz respeito à alegação de omissão de receita, se resume tãosomente ao suposto descumprimento de uma obrigação acessória (suposta falta de emissão de notas fiscais de "devolução" ou suposta emissão indevida de notas de "retorno"). 43. Mais adiante, ao questionar supostas provisões constituídas pela Recorrente, a D. Fiscalização limitase a transcrever inúmeros artigos do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), sem, contudo, descrever precisamente as provisões supostamente deduzidas de forma indevida pela Recorrente. Além disso, a D. Fiscalização sequer aponta de forma clara a base de cálculo adotada para o lançamento de ofício em relação a esse item. A declaração de nulidade de um ato administrativo existente no mundo jurídico exige a violação de um de seus requisitos de validade ou eficácia. O auto de infração deve preencher os requisitos previstos no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, Fl. 5276DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 14 13 calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No processo administrativo tributário, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A alegação da recorrente implica na possibilidade de afetar seu direito de defesa em relação à imputação de determinada infração. Todavia, no caso concreto, verificase que os autos de infração trazem a exata descrição do fato gerador, assim como o modo de determinação da matéria tributável e do tributo devido. A recorrente demonstra que bem compreendeu as acusações fiscais, tanto que trouxe para o processo todos os argumentos e provas destinados a refutálas. Inexiste, assim, motivo de nulidade dos autos de infração. Rejeitase a preliminar. MÉRITO Após superadas as preliminares, contudo, verificase a impossibilidade de julgamento do mérito neste momento. Em relação ao primeiro item (omissão de receitas – estorno de vendas), a fiscalização apurou diferença entre os valores de receitas lançados na contabilidade e os montantes declarados na DIPJ, contestando diversas Notas Fiscais de retorno emitidas após a nãoconcretização das vendas nelas registradas, consoante alegação da defesa. Segundo a recorrente, estaria equivocado o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que, uma vez emitida a nota fiscal de venda, os respectivos compradores supostamente teriam recebido as mercadorias e deveriam passar a emitir notas fiscais de Fl. 5277DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 15 14 devolução para que as vendas pudessem ser consideradas como nãoconcretizadas e, com base nesse entendimento, ter considerado a receita omitida. Conforme o Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos de infração, foi feita a conciliação dos livros de apuração do IPI e do ICMS com os valores declarados em DIPJ, observada a nomenclatura dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP), apurandose diferença de receita, cujo montante não foi contestado pela contribuinte, que alegou se referir a estorno contábil de receita operacional de retorno de mercadoria não entregue ou recebida pelos compradores. Conforme o relatório fiscal, a recorrente foi intimada: Intimado a fazer prova do retorno das mercadorias não entregues, inicialmente o contribuinte apresentou um punhado de cópias de notas fiscais de saída por vendas de mercadorias e um punhado de notas fiscais de entrada de mercadorias, de sua própria emissão, da série única. Em face da fragilidade da prova e considerando a legislação fiscal em vigor, que regula a emissão de nota fiscal de entrada de mercadoria e as motivações que caracterizam e justificam juridicamente o retorno de mercadoria não entregue, o contribuinte foi solicitado a apresentar o jogo completo da nota fiscal de venda, a justificativa subscrita pelo motorista do caminhão que retorna com a mercadoria; e se for o caso a justificativa do comprador para não receber a mercadoria. Considerando o disposto nos arts. 323 e 359 do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002) e após destacar os diversos motivos registrados nas notas fiscais para o suposto retorno (“falta de pedido, apesar do pedido ter sido identificado na nota fiscal de venda”, “diferença de preço”, “falta de espaço para armazenagem”, “entrega próxima ao prazo de validade da mercadoria”), assim concluiu a autoridade fiscal: Nas hipóteses, todos os compradores estavam obrigados a emissão da nota fiscal de devolução. A emissão da nota fiscal de devolução, por obrigação legal, proporciona segurança jurídica às operações de venda e devolução. A falta da nota fiscal de devolução, conforme já destacado, pode majorar custo e ressarcimento dos impostos lançados nas de venda. Em seguida, descreveu: Recebidas as notas fiscais, processamos em planilha. Na primeira coluna transcrevemos a nota fiscal de venda. Na segunda coluna a nota fiscal de entrada, emitida pela Sara Lee (fls. 2137 a 2140). As notas fiscais de retorno totalizaram a importância de R$ 39.087.901,24 e o ICMS a importância de R$ 3.066.975,41. Ao se analisar as notas fiscais, fica provado que o comprador recebe as mercadorias. No verso da primeira via da nota fiscal de venda, uma semana, duas ou meses depois, são consignadas várias observações para justificar o retorno e não recebimento das mercadorias compradas. Fl. 5278DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 16 15 Conforme a segunda coluna da planilha (fls. 2137 a 2140), que recebe a transcrição das notas fiscais de entrada, estas são emitidas pela Sara Lee dias depois da emissão da nota fiscal de venda. Vejase a observação da DRJ: Já a Fiscalização entendeu pela obrigatoriedade da emissão de nota fiscal de devolução pelo destinatário da mercadoria, porque teriam sido por ele recebidas, conclusão alcançada dado o lapso de tempo transcorrido nas anotações no verso da nota fiscal de venda e a data de emissão da nota fiscal de entrada das mercadorias no estabelecimento do remetente, que em raríssimas vezes apresentou o jogo completo da nota fiscal de venda, quando intimado. A decisão recorrida manteve a autuação e a recorrente, em seu recurso voluntário, questiona o fato do julgador ter considerado que a documentação por ela apresentada preenche todos os requisitos legais e que as notas fiscais apresentadas na impugnação demonstram que as mercadorias foram efetivamente retornadas, mas concluiu que “os correspondentes documentos não se revelam contemporâneos e verdadeiros quanto ao fato que pretendem comprovar”. Destaquese que a decisão recorrida ainda observou: Acrescentese que a pessoa jurídica fiscalizada informou na sua DIPJ/2007, anocalendário 2006, como Vendas Canceladas, Devoluções e Descontos Incondicionais o total de R$ 9.197.204,42 (linha 08 da Ficha 06 A), valor este o que foi referendado pela própria contribuinte quando intimada a comprovar a quantia assim lançada na declaração, conforme resposta ao Termo de Intimação DRF/BRE/SEORT nº 377/2011, constante de fls. 62, não se justificando, portanto, a alegação trazida por ora da impugnação, de que a diferença apurada pelo Fisco, de R$ 46.857.598,70, em muito superior ao valor declarado, também se reportaria a venda cancelada (retorno). Enquanto a devolução pressupõe o recebimento e a entrada da mercadoria no estabelecimento do destinatário, no retorno, a mercadoria não chega a entrar fisicamente (nem contabilmente) no estabelecimento do destinatário, que recusa o recebimento no ato da entrega. Sobre a emissão de notas fiscais, compete ao contribuinte do IPI observar as regras constantes do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos (Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), especialmente em seus arts.169 e 173 e 323, 333, 339, 342 e 359. Assim, formalmente, no caso de devolução, deve haver o comprovante de recebimento das mercadorias pelo comprador, em canhoto destacável, junto à 1ª via da nota fiscal de saída (venda). Já no caso de retorno, no verso da 1ª via da nota fiscal de saída (venda), deverá constar a justificativa para o não recebimento da mercadoria, subscrita pelo transportador ou pelo comprador. Considerandose a distinção entre devolução (tese da fiscalização) e retorno (tese da recorrente), temse a necessidade de verificação da operação que efetivamente ocorreu no caso concreto. Cabe referir que a decisão recorrida consignou: Fl. 5279DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 17 16 Compulsandose os documentos constantes dos autos, apresentados na defesa por amostragem (fls. 2841/3290), registrese que alguns deles se encontram ilegíveis. Das cópias legíveis, notase, na 1ª via das notas fiscais de saída, a justificativa para a recusa das mercadorias (no verso), além de carimbo de passagem pelo Fisco Estadual em alguns dos documentos; e nas notas fiscais de entrada observase a identificação das notas fiscais originais, no campo destinado a Informações Complementares, mostrandose preenchido, portanto, o requisito formal dos documentos fiscais apresentados. De fato, ao compulsar os autos, verificase que diversas notas fiscais apresentadas contêm a informação da recusa do recebimento no verso, na maior parte das vezes, por “desacordo com pedido” ou “falta de pedido”. A recorrente, uma vez intimada a “justificar e comprovar a diferença de R$ 39.861.876,87, entre o total de Receitas com vendas de produção própria para o mercado interno registradas nos Livros Fiscais de Saídas e apresentadas nas linhas 2 e 3 da ficha 6A da DIPJ”, em resposta, datada de 13/09/2011 (fls.20392106), esclareceu que: O saldo de R$ 863.770.931,85, apresentado na DIPJ, é composto pelas contabilizações de receitas com vendas para o mercado interno e receitas destinadas a Zona Franca de Manaus, reduzidas pelo IPI. O saldo de R$ 906.632.808,72 dos livros fiscais de saídas é composto pelas receitas com vendas para o mercado interno reduzidas do IPI. A receita destinada a Zona Franca de Manaus é apresentada separadamente nos livros fiscais, mas é contabilizada e apresentada na DIPJ como vendas para o mercado interno, aumentando a diferença apresentada na intimação em R$ 5.375.099,25, para R$ 45.236.960,78. Segundo ela, a diferença seria composta principalmente por: Notas Fiscais contabilizadas como vendas para o mercado interno, mas registradas nos livros de saídas com CFOPs de vendas para o mercado externo, disponibilizadas na visita de 13 de setembro de 2011; Notas Fiscais de retorno de mercadorias, que são contabilizadas reduzindo as receitas com vendas para o mercado interno, porém são registradas nos Livros Fiscais de Entradas, conforme relação do Anexo II. A recorrente ainda esclareceu que foram disponibilizadas na visita de 13 de setembro de 2011 as cópias das 1ªs vias das Notas Fiscais de Saída e de Entrada, e que, após, foram disponibilizadas as vias originais das Notas Fiscais de Saída e Retorno (incluindo as emitidas após 15 dias da emissão da NF de saída) e apresentou, em anexo ao recurso voluntário, a “relação de Notas Fiscais de Retorno, com correspondente Nota Fiscal de Origem”, totalizando R$ 47.387.138,35. Diante disso, constatase que, a par da documentação juntada aos autos, teriam sido disponibilizadas à autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, todas as notas fiscais que justificariam a diferença apontada. Nesse caso, verificandose a plausibilidade da argumentação da recorrente, bem como a disponibilização das notas fiscais desde o início do procedimento fiscal, cabe, Fl. 5280DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 18 17 neste momento, em busca da verdade material, converter o julgamento em diligência para confirmar o efetivo retorno das mercadorias consoante as notas fiscais juntadas aos autos. Nesse caso, as notas fiscais de retorno ainda podem comprovar a parcela do ICMS destacado, conforme alegado pela recorrente, influenciando na apuração da infração 2. Em relação a autuação referente a parcela de provisões não adicionadas ao Lucro Real (item 4 da autuação), também se faz necessário esclarecer qual o efetiva valor de provisão não dedutível no período, consideradas as alegações da recorrente sobre (i) saldo de abertura, em 1.1.2006, com o valor de R$ 20.314.473,75; (ii) exclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, estornos ou baixas, que totalizaram R$ 167.279.441,41. Esse valor, ressaltese,correspondia a exclusões tanto de valores constituídos em anos anteriores (e,portanto, que estavam incluídos no saldo de abertura acima), como também de valores que foram constituídos no próprio anocalendário de 2006; (iii) inclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, novas provisões constituídas em 2006, totalizando R$ 169.250.158,18; e (iv) saldo de fechamento, em 31.12.2006, ao valor final de R$ 22.285.190.52. Assim, deve ser convertido o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: (1) em relação ao item 1 da autuação, verifique, dentre as notas apresentadas até a fase recursal, quais aquelas que efetivamente comprovam o retorno da mercadoria e elabore um demonstrativo contendo, ao menos, o número da nota e a data de emissão; (2) em relação ao item 2 da autuação, verifique o montante do ICMS destacado nas Notas Fiscais de retorno de mercadorias devidamente comprovadas, conforme o item anterior; (3) ainda em relação ao item 2 da autuação, confronte com os livros fiscais as justificativas das diferenças apresentadas pela recorrente sobre: (i) ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente, no valor de R$ 2.459.958,63 e (ii) diferenciais de alíquotas de ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente em outros estados, no valor de R$ 2.142.543,53; (3) em relação ao item 4 da autuação, apure o efetivo valor de provisão não dedutível no período, demonstrando sua composição; (4) apresente relatório conclusivo sobre as verificações determinadas; (5) intime a recorrente do resultado da diligência para que, caso deseje, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias; (6) devolva os autos ao CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 5281DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000158/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, há prova de que houve individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos. em ratificar a decisão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior, Léo Meireles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. 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(assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior, Léo Meireles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 2301003.649 S2C3T1 Fl. 3.614 3 Relatório Tratase de Embargos interpostos pela Recorrente que assim relatamos no despacho de admissibilidade: Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Recorrente contra Acórdão, fls. cujo voto vencedor negou provimento ao recurso na parte relativa ao Seguro de Vida em grupo com a seguinte motivação: Não há prova nos autos de que o seguro de vida não tenha individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, o que impede de aplicarmos o conteúdo do Parecer da PGFN. Não sendo cumprido tal requisito e não constando o seguro de vida em acordo coletivo em todo o período, revelase correta a inclusão de tais pagamentos na base de cálculo da contribuição previdenciária. A Embargante aponta que houve omissão/obscuridade na decisão no tocante a análise de provas que correspondem ao Doc. 07, pois este demonstraria que não existe o valor individualizado do montante que beneficia cada um dos empregados. Cita a cláusula 5 da Apólice 93.1.110.702 na parte em que esta fala em capital segurado de 30(trinta)vezes o salário mensal do empregado. Na análise do acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois apontamos falta de provas nos autos e a embargante aponta objetivamente que existem provas que tratam da questão guerreada. Em face da omissão, os Embargos foram acolhidos pelo Presidente da Turma. É o relatório. Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Tendo os Embargos sido acolhidos pelo Presidente da Turma, cabenos apreciar o mérito deste. De fato, conforme apontou a embargante, nossa análise não considerou a existência dos documentos do Doc. 07 e devemos sanar tal omissão. No entanto, ao observamos o conteúdo do referido documento permanecemos com a conclusão de que não podemos aplicar as conclusões do Parecer PGFN 2.119/2001, pois há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados. A própria embargante aponta que nas cláusulas das apólices existe a especificação do capital segurado de cada empregado no montante de 30(trinta)vezes o respectivo salário. De fato, nas fls. 1895 encontramos o dispositivo contratual que comprova a existência de capital segurado individualizado, o que impede a aplicação das conclusões do referido Parecer. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E NEGAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS de modo a ratificar o dispositivo do acórdão quanto ao seguro de vida. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10073.720226/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
_______________________________________________
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) _______________________________________________ GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 20 22 6/ 20 08 -9 6 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 141 2 Tratase de recurso voluntário (fls.87/104) interposto em 03/10/2012, contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), (fls.71/80), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de setembro de 2012 (fls.85), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 02/05, lavrado em 25 de agosto de 2008, em decorrência da não comprovação da totalidade da área de preservação permanente para redução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural – ITR no exercício de 2005, e, ainda, em decorrência da não comprovação do valor da terra nua por meio de laudo de avaliação, relativo ao imóvel NIRF 3.850.8958 (Fazenda Estrela), sendo constituído um crédito tributário, suplementar, de R$ 3.426,00, mais cominações legais. Em seu apelo ao CARF a recorrente, reitera os mesmos argumentos suscitados perante o Órgão julgador de primeiro grau, seja em sede de preliminar seja quanto ao mérito. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 139. É o relatório. Voto O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como se colhe do relatório, cuidase do lançamento de ITR decorrente da não comprovação da área de Preservação Permanente e do Valor da Terra Nua VTN. Em sede de preliminar a Recorrente pugna pela nulidade da Notificação. Sobre a alegação, tomo como razões de decidir o Voto do julgador à quo, cujo trecho transcrevo: “Assim, a notificação de lançamento de fls. 1/4 atendeu aos requisitos estabelecidos pelo art. 11 do PAF, pois contém todas as informações nele previstas, inclusive a identificação do servidor competente, a indicação de seu cargo e o número de matrícula, não havendo que se falor em notificação apócrifa, como alegado pela contribuinte.” O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art.1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt, determina a alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel (art. 10º, § 1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 142 3 A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º , da Lei nº 9.393/96. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. O artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Grifo nosso. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 143 4 Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Assim, é de se entender que o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do referido documento, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Vejase a seguinte resposta à questão nº 40 constante no link “Respostas às Perguntas mais freqüentes sobre o ADA”, extraída no sítio do IBAMA – www.ibama.gov.br (Serviços Online), relativamente à comprovação das áreas de interesse ambiental: 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? ∙ Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; ∙ Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ∙ Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; ∙ Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ∙ Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ∙ Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 144 5 ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; ∙ Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); ∙ Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo. Como se vê o contribuinte pode se valor de outros meios de prova, que não o ADA, visando a fruição da redução da base de cálculo do ITR. Contudo, no presente caso, a Recorrente não fez apensar documentos comprobatórios, limitandose a informar que o imóvel se encontra, em sua quase totalidade, no Parque Estadual da Ilha Grande, criado pelo Decreto Estadual nº 4.972, de 02 de dezembro de 1981, parque esse que teve sua ampliação através do Decreto nº 40.602, de 12 de fevereiro de 2007. Reitera a contribuinte quanto a juntada ao processo de planta e memorial descritivo, documentos esses não localizados pelo julgador à quo. Compulsandose os autos verificase que não há definitivamente tais provas capazes de confirmar a isenção, mesmo que parcial, do imóvel na área do aludido parque. No concernente ao VTN o artigo 14, caput e § 1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E o artigo 12 da Lei nº 8.629, de 1993, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória nº 2.18256, de 2001: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10073.720226/200896 Resolução nº 2101000.151 S2C1T1 Fl. 145 6 III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as declarações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. Compulsandose os autos verificase que não fora apensado o extrato do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT (Portaria nº 447/2002), contendo as informações necessárias, inclusive a capacidade potencial da terra. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no acórdão nº 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, nas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois, notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Sendo assim, não é possível emitir qualquer posicionamento quanto ao VTN, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, com a finalidade de apensar aos autos extrato do SIPT que informe os dados de praxe, inclusive a aptidão agrícola do imóvel cadastrado sob o nº NIRF 3.850.8958. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.018658/99-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/05/1998 a 31/12/1998
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE.
O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária.
DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. PROCESSOS. EXIGÊNCIA. DUPLICIDADE.
A exigência de débitos, objetos de pedido de compensação, protocolado em data anterior à do lançamento de ofício, implica duplicidade de exigência e, conseqüentemente, cancelamento do lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/05/1998 a 31/12/1998 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE. O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de março a setembro de 1995 e de novembro de 1995 a fevereiro de 1996, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, e cuja aplicação ainda não havia sido afastada pelo Senado Federal, extingue a obrigação tributária. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. PROCESSOS. EXIGÊNCIA. DUPLICIDADE. A exigência de débitos, objetos de pedido de compensação, protocolado em data anterior à do lançamento de ofício, implica duplicidade de exigência e, conseqüentemente, cancelamento do lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 86 58 /9 9- 97 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou procedente, em parte, a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de junho a novembro de 1989, janeiro e abril de 1990 a setembro de 1995 e maio a dezembro de 1998. O lançamento decorreu da falta e/ ou insuficiência do pagamento dos valores da contribuição devida naqueles períodos, nos termos da LC nº 7, de 1970, e da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 05/08 e Termo de Verificação Fiscal às fls. 10/11. Intimada, a recorrente impugnou o lançamento, alegando, em síntese, a decadência do direito de a Fazenda constituir referentes aos fatos geradores anteriores a junho de 1999, nos termos do CTN, art. 150, § 4º; e, no mérito, que recolheu as contribuições referentes aos períodos mensais de competência até setembro de 1995, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, o que implicou pagamentos a maior do que os devidos nos termos da LC nº 7, de 1970; e, para as competências de maio de a dezembro de 1998, os valores devidos foram compensados. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 1.131, datado de 06/05/2002, às fls. 349/358, sob a seguinte ementa: “Extingue o crédito tributário o pagamento efetuado na sua totalidade, em conformidade com a legislação pertinente, à época em vigor. O prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social ( 10 anos ) – dentre elas o Pis – encontrase fixado em lei. O pedido de compensação não se inclui entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 364/106), requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, as mesmas razões expendida na impugnação, ou seja, decadência parcial e pagamento/compensação. Contestou, ainda, a multa de ofício e os juros de mora. O processo foi então sorteado e distribuído para o relator conselheiro Rogério Gustavo Dreyer da Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. No entanto, em sessão realizada em 02/12/2003, os membros daquela Câmara resolveram converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.382, às fls. 467/471, para que a autoridade administrativa informasse: “1. se o valor referente ao período de apuração de setembro de 1995 fez parte do parcelamento informado e se o mesmo foi quitado; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.018658/9997 Acórdão n.º 3301002.091 S3C3T1 Fl. 563 3 2. em relação ao crédito tributário reclamado relativo aos períodos de apuração de maio a dezembro de 1998, seja o processo mantido na repartição até o julgamento do pedido de compensação mencionado. Após o julgamento, sejam adotadas as seguintes providências: 2.a. em qualquer caso – provido ou não – desde que não haja manifestação de inconformidade ou recurso voluntário ou recurso de oficio, da decisão transitada em julgado juntar cópia ao presente processo, devolvendoo a este Colegiado para prossecução no julgamento; e 2.b. em havendo qualquer ato processual mencionado no item anterior, seja procedido, se possível, o julgamento pelos mesmos órgãos julgadores que proferiram decisão no presente processo, tendo em vista a manifesta relação entre causa e efeito entre ambos, com manifesta conexão e dependência.” Em atendimento à diligência, foi apresentado o despacho às fls. 478, informando que a contribuição referente à setembro de 1995 foi quitada por meio do processo de parcelamento nº 10680.001996/9692. Intimada daquele despacho, a recorrente apresentou a manifestação às fls. 482/488, pugnando pelo cancelamento integral do crédito tributário. Retornado o processo a este Conselho, os membros daquela Câmara entenderam que a diligência solicitada não foi atendida e resolveram converter novamente o julgamento em diligência para o devido atendimento, conforme Resolução nº 20100.482, datada de 01/12/2004, às fls. 509/511. Em cumprimento àquela resolução, foi apresentado o Termo de Diligência Fiscal, datado de 16/09/2010, às fls. 554/555, no qual foi informado que o valor da contribuição, apurado para a competência de setembro de 1995, no valor de R$24.787,23, foi parcelado e amortizado, via proc. nº 10680.001996/9692; já em relação às competências de maio a dezembro de 1998, os débitos foram objeto de pedido de compensação no possesso nº 10680.00638/9960. É o relatório. Voto O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim dele conheço. A autoridade julgadora de primeira instância deu provimento parcial à impugnação e exonerou o contribuinte do pagamento dos valores lançados para as competências de junho de 1989 a agosto de 1995 e manteve a exigência das parcelas lançadas para as competências de setembro de 1995 e para as de maio a dezembro de 1998. A parcela lançada e exigida para setembro de 1995 corresponde à diferença entre o valor de R$24.787,23, declarado/pago pela recorrente, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449. ambos de 1998, e o valor, de R$28.268,09, devido nos termos da Lei Complementar nº 7, de 1970, conforme prova a planilha às fls. 365, combinada com o demonstrativo de apuração da contribuição às fls. 23. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Ora, o fato de o Senado Federal ter suspendido a execução daqueles Decretoslei, restabelecendo as normas fixadas pelas LCs nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, não obriga o contribuinte a pagar a diferença de 0,10 % entre a alíquota de 0,65 %, prevista nos referidos decretoslei, e a de 0,75 %, prevista na lei complementar. Os pagamentos efetuados pelo contribuinte com base naqueles diplomas, então vigentes, extinguiram integralmente as contribuições devidas, desobrigandoa de quaisquer complementos. Neste caso devese observar o princípio da segurança jurídica, pois o contribuinte agiu de acordo com a legislação então vigente ainda não declarada inconstitucional. Exigir diferenças de tributos em face da inconstitucionalidade lei declarada posteriormente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte de acordo a lei então vigente e editada pelo Estado constituiu penalidade a ele por um erro ou infração que não cometeu. Também, tal entendimento está implícito no art. 18 da Medida Provisória n.º 1.973, de 10 de dezembro de 1999: Art. 18 Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: [...]; VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decretolei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. [...]. § 2º O disposto neste artigo não implicará restituição ex offício de quantias pagas. Portanto, considerados válidos os atos praticados à época em que a observância dos decretoslei era exigida, não há que se falar em lançamento de diferenças de contribuições para o PIS. O entendimento acima externado coincide com o da administração da Secretaria da Receita Federal (SRF), consubstanciado no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC N.º 156, de 7 de maio de 1996, item “e”: e) Em situação de cobrança (CAD) tendo o contribuinte efetuado o recolhimento com base no DL 2.445 e 2.449/88 (alíquota de 0,65% e com Receitas Financeiras) e tal valor seja menor que o apurado com base na LC 7/70, devese cobrar a diferença? Considerando que a resposta seja negativa, e no caso de não ter pago sobre as receitas financeiras, deverá ser cobrado das mesmas? Resp.: Não, visto que o contribuinte efetuou o pagamento na forma determinada pela legislação aplicável à época. No caso de falta ou insuficiência de recolhimento de acordo com a legislação vigente à época, apurada após a Resolução SF n.º Fl. 565DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.018658/9997 Acórdão n.º 3301002.091 S3C3T1 Fl. 564 5 49/95, deverá ser efetuado lançamento de ofício com base na Lei Complementar n.º 7/70 e alterações posteriores. (grifei) Assim, a diferença lançada e exigida para a competência de setembro de 1995 deve ser cancelada. Quanto às parcelas lançadas exigidas para as competências de maio a dezembro 1998, suas exigências neste processo administrativa constituem duplicidade, tendo em vista que aqueles valores foram objeto do pedido de compensação nº 10680.000638/9960, protocolado em 25/01/1999, data anterior à do lançamento em discussão, em 28/06/1999. Consulta ao sistema eProcesso mostra que aquele processo já foi julgado em 27/06/2013 pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, cujos membros, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a compensação dos débitos até o limite do montante do crédito financeiro que lhe foi reconhecido. Assim, comprovada a exigência daquelas parcelas em processo protocolado anteriormente à constituição do crédito tributário, em discussão, suas exigências neste processo deverão ser canceladas. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13888.003437/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA.
A lei do SIMPLES proíbe a opção pelo sistema por pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço de locação de mão-de-obra.
Na locação de mão-de-obra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados, sendo que a remuneração se dá, em regra, em função das horas-homem trabalhadas.
Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa com base em contratos que não comprovam que se contratou somente mão-de-obra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horas-homem trabalhadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1102-000.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. A lei do SIMPLES proíbe a opção pelo sistema por pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço de locação de mãodeobra. Na locação de mãodeobra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados, sendo que a remuneração se dá, em regra, em função das horashomem trabalhadas. Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa com base em contratos que não comprovam que se contratou somente mãodeobra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horashomem trabalhadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 34 37 /2 00 9- 55 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 231 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO O contribuinte acima identificado foi excluído de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, por exercer atividade vedada. O relatório do acórdão de 1a instância descreveu o processo da seguinte maneira (fl. 191): 1. Trata o processo de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra decisão que excluiu a empresa em epígrafe do Simples Federal a partir de 01/01/2004, de acordo com o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PCA N.50, de 25 de novembro de 2009, fl. 95. 2. O motivo apontado para o indeferimento foi o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra. 3. O enquadramento legal utilizado foi a Lei N.9.317/96, art.9°, XII, f. 4. O Despacho Decisório, fls.89/94, descreve que, apesar de a empresa conter em seu Contrato Social a atividade de Comércio de painéis, instrumentação e a montagem industrial, paralelamente firmou Contrato de Prestação de Serviços, demonstrados às fls. 11/41, os quais são configurados como locação de mãode obra, de acordo com a Lei N.8.212/91. 5. O Despacho Decisório citado também amparase nas notas fiscais juntadas às fls.42/76, que demonstram a execução de tarefas diversas à Ripasa S/A Celulose e Papel, em suas dependências,com habitualidade. 6. Identifica o Despacho Decisório, que a empresa excluída da Simples Federal, era a responsável por todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e de segurança do trabalho, corroborando o disposto no Parecer n.69, de 10 de novembro de 1999, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, sobre a locação de mãodeobra. IMPUGNAÇÃO Cientificado do ato administrativo, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 101 a 109), acatada como tempestiva. Alegou, conforme o relatório do acórdão de 1a instância (fls. 191 a 192), que: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 232 3 8. Os requisitos que configuram a situação de locação de mãodeobra, tais como habitualidade, continuidade, disposição exclusiva e subordinação, estão ausentes da relação profissional existente entre a tomadora e a empresa contestante. 9. Não há dúvidas de que a empresa realiza um trabalho de manutenção/montagem industrial que foi previamente especificado, determinado e contratado, não permanecendo qualquer funcionário à disposição da empresa contratante, e findo o trabalho contratado, encerrouse a relação nova contratação deveria ser efetivada. 10. O art.31 da Lei N.8.212/91, não se aplica ao caso em tela, pois os funcionários se dirigem até a empresa tomadora sob a fiscalização do funcionário encarregado da contratada, realizam o trabalho específico e determinado para o qual forma contratados e finda está a relação. Não há disposição, não há continuidade e muito menos subordinação. 11. A empresa contestante vende um serviço de montagem industrial, e é claro que necessita de mãodeobra especializada para efetivar o contratado. 12. As notas fiscais anexas comprovam que cada uma descreve exatamente quais materiais estão sendo comprados para realização de determinado trabalho iniciado e terminado, absurdo falar em disposição, habitualidade e subordinação. 13. Com relação à alegação de se submeterem às normas e regulamentos internos da tomadora, outra distorção existe, pois o que existe é uma obrigatória observância às normas da empresa contratante no tocante à segurança do trabalho e regulamentos internos de conduta afim de uniformizar as atitude de todas as empresas que ali adentram todos os dias, bem como de seus funcionários. 14. Não se pode admitir que pela maneira de organização da empresa tomadora, que discrimina o valor da mãodeobra (comprada com o material, e não locada), seja a contestante injustiçada ao ponto de ser excluída do sistema de tributação que lhe é garantido constitucionalmente. 15. Requer o cancelamento do Ato Declaratório, assim como sua manutenção no Simples Nacional. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou o recurso improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 190 a 195): Assunto: Simples Federal Anocalendário: 2004 Ementa: Inclusão no Simples Impossibilidade Existência de Atividade Econômica Vedada Comprovada a existência de atividade vedada, ocorre a impossibilidade de inclusão no Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 233 4 O fundamento dessa decisão foi o de que os documentos dos autos comprovavam que a empresa executava a atividade de locação de mãodeobra, o que é impeditivo para a adesão ao SIMPLES. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 24/11/2011 (fl. 201), o contribuinte apresentou, em 15/12/2011, o recurso de fls. 203 a 209, onde afirma que: a) não exerce atividade de locação de mãodeobra, sendo que sua atividade fim se desenvolve através da comercialização de painéis, instrumentos e montagem industrial. De fato, é evidente que é utilizada a mão de obra para que o serviço seja desenvolvido com a costumeira excelência, mas não ocorre qualquer tipo de locação de mãodeobra, visto que a recorrente vende os equipamentos, os instála, e ai está concluída sua obrigação; b) de fato, funcionários seus são utilizados para realizar o serviço, mas não ocorre qualquer tipo de locação de mãodeobra, visto que somente vende os equipamentos, os instála, concluindose, aí, sua obrigação; c) somente exerce labor de manutenção/montagem industrial que fora previamente especificado e contratado, não permanecendo qualquer funcionário à disposição de empresa contratante e, findo o trabalho contratado, encerrouse a relação e nova contratação deverá ser efetivada. Assim, não se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra do art. 2o da Ordem de Serviço n° 230, de 29 de janeiro de 1999, ou do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991; d) para sua atividadefim, a venda e montagem industrial, a mãodeobra é somente um meio; e) as empresas contratantes não fiscalizam os trabalhos da recorrente, mas apenas recebem o resultado final. Ao final, pugna por sua manutenção no SIMPLES. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 229. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. O processo foi incluído em pauta pela primeira vez na sessão de 10 de setembro de 2013, retornando nos meses subsequentes em razão de pedidos de vista. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 234 5 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte foi excluído do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009 (fl. 95), por exercer atividade vedada, no caso a de locação de mãodeobra. A origem do processo ocorreu em pedido de restituição de contribuições previdenciárias formulado pelo contribuinte, decorrentes da retenção de que trata o art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas a serviços executados mediante cessão de mão deobra. Ao verificar que a empresa era optante pelo SIMPLES, e por considerar que exercia a atividade de locação de mãodeobra, a autoridade fiscal representou para o setor competente para a exclusão da pessoa jurídica do sistema (fls. 84 a 86). Como consequência, o Despacho Decisório DRF/PCA nº 1763, de 25 de novembro de 2009, ratificou a representação fiscal e determinou a emissão do citado Ato Declaratório Executivo (fls. 89 a 94). Essa decisão concluiu que o contribuinte prestava o serviço de locação de mãodeobra, caracterizado a partir do momento em que a empresa prestadora contrata os funcionários que permanecem à disposição da tomadora, onde são executadas tarefas por ela determinadas, porque: a) a empresa firmou contrato de prestação de serviços (fls. 11 a 41), que, confrontado com o conceito de locação de mãodeobra do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, demonstrou se tratar dessa espécie; b) as notas fiscais juntadas aos autos demonstravam a execução de tarefas diversas à Ripasa S/A Celulose e Papel, em suas dependências, com habitualidade; c) o contrato de prestação de serviços previa que os funcionários e/ou contratados deveriam obedecer às normas internas da contratante; d) a contratada responsabilizavase por todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e de segurança do trabalho. O contribuinte refutou essa conclusão, alegando que comercializava painéis e instrumentos e prestava serviços de montagem industrial, utilizandose de empregados seus, sob sua ordem, para realizar as atividades necessárias para a execução dos contratos na sede da contratante. A vedação para que empresas que exerçam a atividade de locação de mãode obra possam optar pelo SIMPLES se encontra na alínea “f” do inciso XII do art. 9o da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 235 6 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) Transcrevese, também, o citado conceito de cessão de mãodeobra do § 3o do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Não há dúvidas de que a empresa que executa atividades de locação de mão deobra não pode optar pelo SIMPLES. O cerne da discussão está em saber se os contratos e notas fiscais indicados pela autoridade fiscal demonstram que o recorrente presta esse tipo de serviço. O conceito de locação de mãodeobra está bem delimitado no Parecer COSIT nº 69, de 10 de novembro de 1999, e utilizado como fundamento da exclusão. Nesse tipo de contrato, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados. A contratada entrega os trabalhadores que obedecerão às ordens da contratante. Esse tipo de contrato muitas vezes se confunde com o de empreitada, onde o contratado se compromete a entregar obra certa, com o uso de trabalhadores que executam tarefas sob sua direção. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 236 7 Assim, a diferença básica entre os dois contratos é o objeto que se entrega: enquanto na locação de mãodeobra o acordo envolve a disponibilização de mãodeobra para realizar atividades determinadas e comandadas pelo contratado, na empreitada comprometese com a entrega da obra acordada. Enquanto na primeira é possível se encerrar o contrato sem a conclusão da tarefa, uma vez que se contrataram trabalhadores por um determinado período e sob as ordem da contratante, na segunda ele só se encerra com a entrega da obra. Diante dessas características, a remuneração da locação de mãodeobra, em regra, se dá pelas horashomem trabalhadas, enquanto, na empreitada, pelo valor da obra a ser executada. Cuidado especial há que se ter com a outra denominação dada pela lei civil e pela doutrina ao contrato de locação de mãodeobra, que também é chamado de contrato de prestação de serviços. A contratação de um serviço, no sentido comum, pode se dar por um contrato de empreitada e não por um de prestação de serviços, como, por exemplo, quando se contrata uma empresa para executar um instalação elétrica. Nesse caso, está se acordando a entrega de um resultado determinado e não simplesmente a disponibilização de uma equipe de eletricistas que obedecerão a ordens suas. A dificuldade na diferenciação dos institutos é bem explicada por Sílvio de Salvo Venosa1: Como assinalamos no exame da locação, o Direito Antigo conheceu a locatio conductio sob três modalidades. A locatio conductio rei corresponde à atual locação. A locatio conductio operarum referese à locação de serviços e dá origem ao contrato de trabalho. A locatio conductio operis faciendo originou o atual contrato de empreitada. Algumas legislações o denominam contrato de obra. (...) A distinção, nem sempre muito clara, reside no fato de que o fulcro da prestação de serviço é a atividade prometida do prestador, enquanto na empreitada seu objetivo é a conclusão da obra proposta. Na empreitada, existe obrigação de entregar obra; na prestação de serviços, existe obrigação de resultado. Se existe atividade, mas não há resultado, ocorre inadimplemento, não podendo o empreiteiro exigir o preço. Na prestação de serviços, como regra, a obrigação será de meio. De outro lado, geralmente, o pagamento da prestação de serviços é periódico, em razão do tempo do serviço prestado. O pagamento da empreitada tem em mira o valor contratado da obra, ou de parte dela. Todavia, nenhum desses critérios é absoluto, podendo figurar ou não em conjunto na empreitada. O advogado, por exemplo, que se compromete a ultimar escritura de venda e compra para seu cliente, compromete se a prestar serviço, cuja obrigação é de resultado e não de meio. Na empreitada, o empresário executa trabalho para o dono da obra sem estar a seu serviço, nem sob sua dependência hierárquica, não se submetendo, portanto, a horário e subordinação. A execução desse trabalho é livre, estando apenas subordinada ao resultado final, sem prejuízo da faculdade de fiscalização atribuída ao comitente, como veremos. Por sua parte, o contrato de trabalho, derivado da prestação de serviços, regulado por legislação específica, mais se afasta da empreitada, dada sua marcante característica de subordinação hierárquica do empregado em relação ao empregador. 1 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Contratos em Espécie. 5. ed. Atlas, 2005. pp. 244245. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 237 8 Como notamos, nem sempre é clara a linha divisória entre prestação de serviços e empreitada. Clóvis Beviláqua afirma que o objeto da empreitada e da prestação de serviços seria o mesmo, qual seja, o trabalho humano. A distinção deve residir, sem dúvida, no conceito de obra, objeto da empreitada, como fixado no art. 610 (antigo, art. 1.237). Para De Plácido e Silva, obra representa o resultado do trabalho, sendo o efeito de tudo o que se tenha gerado com interferência da ação humana. Ademais, a característica de autonomia na execução é acentuado na empreitada, que não é afetada pelo fato de poder o dono da obra fiscalizála e alterá la. Ainda, é o empreiteiro que suporta o risco decorrente da construção, do resultado final, não sendo isso o que ocorre na prestação de serviços de natureza civil, no contrato de trabalho e no mandato. Destaco a importante relação feita pelo ilustre doutrinador entre o contrato de trabalho e a prestação de serviços, em especial em relação ao caráter de subordinação hierárquica. Veja o que o que se afirma em outro trecho da mesma obra2: Como já afirmado, ontologicamente não há diferença entre a prestação de serviços de índole civil e o contrato de trabalho. Portanto, o contrato de prestação de serviços e o contrato de trabalho possuem diferenças apenas relativas ao enfoques legislativos. Cuidase apenas de saber qual é a legislação aplicável, sendo cada vez menor a atividade não atingida pelas leis do direito social. Quanto ao conceito de cessão de mãodeobra, é bastante comum a afirmação de se tratar de sinônimo de locação de mãodeobra. Entretanto, penso ser necessário tomar essa conclusão com cautela. A definição de cessão de mãodeobra da Lei n° 8.212, de 1991, envolve “a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.” A princípio, não localizo nessa conceituação a obrigação de subordinação hierárquica entre a mãodeobra cedida e o contratante. Nesse sentido, entendo que, quando o contratante disponibiliza empregado para trabalhar nas dependências do contratado para prestar serviços contínuos, mesmo sem estar a ele subordinado, há a subsunção aos termos da lei. Contudo, não é possível se utilizar desse conceito mais elástico do instituto e, adotando a suposta equivalência com o de locação de mãodeobra, concluir que toda cessão de mãodeobra, nos termos da lei previdenciária, impede a opção pelo SIMPLES. Isso porque a definição da Lei n° 8.212, de 1991, está restrita àquele ato legal por expressa determinação de seu art. 31, §3o, e se a lei do SIMPLES vedou a opção à prestação de serviço de locação de mãodeobra, há que se dar ao termo o sentido usual da lei civil. 2 VENOSA, Sílvio de Salvo. Op. Cit. p. 228. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 238 9 A partir dessas premissas, passase a analisar os contratos trazidos aos autos para se verificar se possuem as características acima descritas, de forma a enquadrálos em uma das modalidades contratuais citadas. O primeiro contrato, constante às fls. 11 a 17, cuida de comodato de uso de canteiro de obras, onde a empresa Ripasa S/A Celulose e Papel cedia gratuitamente, em favor do recorrente, parte do seu terreno para a construção de canteiro de obras a ser utilizado para a guarda e utilização de bens e equipamentos pertencentes ao recorrente, que seriam aplicados em obras do interesse da empresa Ripasa. Nem a representação fiscal, nem o despacho decisório que fundamentou a exclusão, especificam em que sentido esse contrato colabora com a caracterização de locação de mãodeobra. Já o julgador de 1a instância destacou diversos aspectos que comprovariam esse enquadramento, como: a) o prazo inicial de 12 meses, prorrogado por mais 12; b) não foi mencionada a venda de qualquer equipamento, mas só a construção de uma instalação para futura realização de obras no interesse da comodante, o que demonstraria a habitualidade na prestação dos serviços; c) como a instalação seria retirada no término do contrato, não há se que falar que o contribuinte foi contratado para construíla. Concluiu, então, que poderia se depreender do contrato acima, inclusive pelo seu extenso prazo, que o recorrente ficaria à disposição da empresa contratante, em seu terreno, para futura realização de obras de seu interesse, e que, no mínimo, além da venda de equipamentos, também forneceria mãodeobra especializada. Com as devidas vênias, discordo do argumento. O contrato de comodato está obviamente inserido em um contexto maior, em tudo condizente com as afirmações do recurso de que a empresa vende painéis e instrumentos e os instála nas dependências dos clientes. Ora, o acordo é claro ao afirmar que o canteiro de obras serviria para a guarda e utilização de bens e equipamentos pertencentes ao contribuinte que seriam utilizados em obras do interesse da empresa Ripasa. O segundo contrato, constante às fls. 18 a 41, trata de prestação de serviços vinculados a pedidos de compra. Por ele, a recorrente se compromete a prestar serviços elétricos à empresa Ripasa vinculados a pedidos de compras, que estabelecerão as tarefas que serão executadas. Estabelece, ainda, que os pedidos de compra serão elaborados com base em cartas convites a serem expedidas pela contratante, sendo que tanto os pedidos de compra quanto as cartas convites farão parte integrante do contrato. A representação fiscal observou que a contratada ficava na obrigação de fornecer mãodeobra especializada para a prestação de serviços elétricos em geral sem especificação de tarefa determinada, e que os empregados contratados deveriam ser treinados e observar as regras da empresa contratante e que somente dirigentes ou empregados da contratada devidamente registrados em CTPS poderiam prestar os serviços. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 239 10 O despacho decisório que fundamentou a exclusão concluiu que esse contrato demonstrava a execução de diversas tarefas à Ripasa, em suas dependências, com habitualidade, e que previa que os funcionários contratados deveriam obedecer às normas internas da contratante. O acórdão recorrido entendeu que o contrato demonstrava uma prestação de serviços com habitualidade e exclusividade, com empregados vinculados à contratada, mas subordinados à contratante. Mais uma vez não posso concordar com essas conclusões. De início, há que se verificar que esse contrato somente pode ser analisado em conjunto com os pedidos de compras e cartas convites que a ele se integrarão, e que não foram trazidos aos autos, nem mesmo por amostragem. Serão esses documentos que especificarão as tarefas a serem realizadas e os preços a serem pagos. Esse contrato apenas permite que as diversas filiais da contratante realizem compras futuras com o recorrente por um determinado período. O documento especifica, também, que os funcionários que prestarão os serviços devem obedecer às normas internas da empresa e que devem atender às normas trabalhistas e tributárias. Longe de estabelecer uma vinculação de subordinação com a contratante, essas cláusulas visam apenas protegêla de eventuais problemas com as fiscalizações tributárias e do trabalho. Sem a análise dos pedidos de compras emitidos com base nesse contrato é impossível se analisar o objeto contratado, impedindo se afirmar que se locou mãodeobra, muito menos verificar se o preço pago ser daria em horashomem ou por valor fixo por obra. Mas os termos contratuais conhecidos em tudo são coerentes com a afirmação do recorrente de que vende equipamentos e os instála nas dependências do cliente. As notas fiscais trazidas aos autos estão também no contexto do afirmado no recurso, pois especificam tarefas específicas vinculadas aos números de pedido indicados, confirmando a convicção de que se contratavam resultados determinados, e não simplesmente mãodeobra. A única nota fiscal que trata exclusivamente de fornecimento de mãodeobra a vincula a pedido específico e totaliza apenas R$320,00 (fl. 43). Todas as outras (fls. 42 e 44 a 76) cuidam de serviços de limpeza, manutenção e instalação de peças. Dessa forma, as provas em que se escorou a decisão de exclusão do recorrente do SIMPLES não comprovam nem que se contratou somente mãodeobra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horas homem trabalhadas, não podendo surtir os efeitos indicados pela autoridade fiscal. A jurisprudência mais recente do CARF é majoritária no sentido aqui defendido, como demonstram as ementas abaixo transcritas: LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃODEOBRA Não caracteriza locação de mãodeobra, a disponibilização de funcionários para execução de tarefas determinadas, mesmo quando as atividades contratadas sejam executadas nas dependências da contratante, desde que as atividades laborais exercidas não Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 240 11 caracterizem vinculo direto ou indireto entre o contratante e o efetivo prestador de serviço contratado, seja pela inexistência de relação de subordinação/ hierarquia, ou pela inexistência de continuidade, na realização da prestação desses serviços, ou mesmo pela inexistência de pagamento efetuado por horas homem trabalhadas. (Acórdão nº 120200.334, 1a Turma Ordinária/2a Câmara, sessão de 6 de julho de 2010, relatora Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta) SIMPLES E FEDERAL LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA VEDAÇÃO Caracteriza locação de mãodeobra a contratação de serviços contínuos prestados por profissionais colocados à disposição e sob o comando da contratante, remunerados em razão das horashomem trabalhadas. (Acórdão nº 110100.286, 1a Turma Ordinária/1a Câmara, sessão de 19 de maio de 2010, relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) LOCAÇÃO/CESSÃO DE MÃODEOBRA. INOCORRÊNCIA. PROVA. A falta de elementos que evidenciem o exercício da atividade vedada afasta a determinação contida nos atos declaratórios que excluíram a pessoa jurídica do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL. (Acórdão nº 1301000.740, 1a Turma Ordinária/3a Câmara, sessão de 21 de outubro de 2011, relator Conselheiro Jaci de Assis Junior) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13888.003437/200955 Acórdão n.º 1102000.971 S1C1T2 Fl. 241 12 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 13971.002125/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004
EMBARGOS.
Somente após a ciência do acórdão que julga recurso voluntário, ainda que a Fazenda Nacional tenha oposto embargos de declaração, é que se iniciam os prazos para os recursos do contribuinte.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2402-003.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004 EMBARGOS. Somente após a ciência do acórdão que julga recurso voluntário, ainda que a Fazenda Nacional tenha oposto embargos de declaração, é que se iniciam os prazos para os recursos do contribuinte. Embargos Acolhidos em Parte
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Somente após a ciência do acórdão que julga recurso voluntário, ainda que a Fazenda Nacional tenha oposto embargos de declaração, é que se iniciam os prazos para os recursos do contribuinte. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 21 25 /2 00 8- 02 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pelo contribuinte contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante obscuridade do acórdão pelo fato de ter sido intimada do resultado do acórdão que julgou embargos da Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC sem que antes tivesse conhecimento do resultado do acórdão que deu provimento parcial ao seu recurso voluntário. Assim, requer anulação do acórdão embargado por prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório. É o Relatório. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.002125/200802 Acórdão n.º 2402003.788 S2C4T2 Fl. 517 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De acordo com o Regimento Interno deste CARF, aprovado Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, é amplo o rol de legitimados para a oposição de embargos. A finalidade do processo administrativo fiscal é a certeza do crédito tributário constituído e para tanto esperase que erros materiais sejam prontamente corrigidos como também as omissões, obscuridades e contradições sejam sanadas. Sempre quando a decisão é ao menos parcialmente favorável ao contribuinte, o processo tramita primeiro para a Procuradoria da Fazenda Nacional que poderá interpor recurso especial ou opor embargos de declaração. Quando os embargos são acolhidos para o reexame da turma julgadora, tudo devidamente publicado em Diário Oficial da União, procede se ao julgamento, ocasião em que o contribuinte poderá sustentar oralmente a improcedência dos embargos ou mesmo requerer a retirada de pauta para conhecimento das questões suscitadas pela Fazenda. Na fase seguinte, o processo é encaminhado ao órgão executor do acórdão que também poderá opor embargos, o que foi o caso do presente processo. Da mesma forma, o processo tramita imediatamente à turma julgadora. Somente após é que os acórdãos são levados ao conhecimento do contribuinte, que também poderá embargálos ou interpor recurso especial: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Não vejo equívocos no acórdão embargado e nem no encaminhamento, sem ciência do contribuinte, dos embargos opostos pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC; no entanto, pelo exame do documento às fls. 438, após os julgamentos, o contribuinte não teria sido intimado do acórdão que julgou seu recurso voluntário, mas apenas do acórdão por ele embargado. É necessário que o processo retorne à origem para ciência do embargado de todos os acórdãos, com abertura de prazos para os recursos cabíveis contra ambos os acórdãos. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Assim, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 519DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.901011/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF.
Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO Recorrente UN1DROGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. JULGAMENTO DE RECURSO COM CÁRATER DE REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDO PELO STF. Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa de seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I do CTN, ficou em cinco anos, contados desde o pagamento indevido, o prazo para se pleitear o indébito tributário, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 10 11 /2 00 9- 42 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 150 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, que não reconheceu o direito de crédito apresentado pela Recorrente: Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto direito creditório oriundo de 'pagamento indevido ou a maior' do tributo 'PIS'. Transmitida em 28/07/2005, a DCOMP recebeu da DRF de origem o seguinte Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 15): Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (11s. 02/06): • Os DecretosLeis ri° 2445/1988 e n° 2.449/1988, que alteraram a tributação do PIS, foram declarados inconstitucionais peto Judiciário, com posterior ato do Senado Federal, que por meio da Resolução n°49/1995 os tornou inexequíveis; • O direito à repetição inicialmente ficou restrito até setembro de 1995, em virtude da edição da Medida Provisória n° 1.212/1995, convertida na Lei n" 9.715/1988, com efeito retroativo a partir de 01/10/1995; • A expressão contida no artigo 18 de Lei n° 9.715/1988, "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995" foi declarada inconstitucional peto STF, em sede da Adin n° 1.417 (DJ 23/03/2001), e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 151 3 também suspensa a execução pelo Senado Federal, por meio da Resolução IV 10/2005 (DOE] 08/06/2005); • Diante do ocorrido, teria se dado uma situação de vacância da lei, uma vez que somente a partir da publicação da Lei ri° 9.715/1998, em 25/11/1998, a exação era cabível; •Aduz quo o prazo para repetição do indébito, no caso, deve se fincar, por similitude, no inciso 11 do artigo 168 do CTN, qual seja, "da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado,revogado ou rescindido a decisão condenatória.", e que, portanto, seria a data de 08/06/2005, data da publicação da Resolução do Senado Federal n' 10/2005. A decisão proferida pela DRJ de Brasília foi assim ementada: Compensação 1. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. 2. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder a. declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de oficio. Inconformada com a decisão da DRJ de Campinas, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 152 4 O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Decadência. Tese dos 5 mais 5 anos A questão central do Recurso apresentado pela Recorrente é a questão do prazo decadencial para utilizarse dos créditos oriundos de pagamentos indevidos de PIS peço alargamento de sua base de cálculo. A Recorrente protocolou o pedido de restituição em 28 de julho de 2005, referente a pagamento realizado em 13 de novembro de 1998. Neste aspecto, em virtude do Supremo Tribunal Federal (“STF”) ter se manifestado pela repercussão geral no julgamento do Recurso Extraordinário (“RE”) 566.621, o qual discute a constitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar (“LC”) nº 118/2005, que determinou a aplicação retroativa do seu artigo 3º, o qual, ao interpretar o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (“CTN”), fixou o prazo decadencial para pleitear a restituição do indébito tributário no que tange a tributos sujeitos a lançamento por homologação, em cinco anos à contar da data do pagamento indevido. O acórdão do RE 566.621 foi publicado recentemente, destacandose a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 153 5 de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Vêse, portanto, que a matéria encontrase pacificado no Supremo Tribunal Federal. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.901011/200942 Acórdão n.º 3202000.958 S3C2T2 Fl. 154 6 c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Verifica se, assim, que a referida decisão do Excelso Pretório deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntario interposto pela Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002950/2003-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração opostos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 50 /2 00 3- 68 Fl. 4742DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.743 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração promovidos pela Fazenda Nacional em decorrência do acórdão de fls. 4.725 e seguintes. Aponta como fundamento aos embargos o seguinte excerto: Esse Colegiado, por meio do acórdão nº 3801001.614 (fls. 4725/4733),, deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (fls. 436/437) por considerar ter ocorrido cerceamento do direito de defesa do contribuinte. As razões adotadas pela Turma podem se extraídas do seguinte trecho do voto condutor do acórdão, que ora se transcreve (fl. 4730): Na realidade a decisão da DRF se sustentou em premissa errônea. Alegou que houve inércia da contribuinte. Fato esse inexistiu. Ficou evidenciado que a recorrente apresentou pedido de prorrogação no prazo e o indeferimento e nãohomologação se deram motivados pela inação da contribuinte, ou seja, a decisão se fundamentou em premissa falsa. No mais a autoridade não examinou documento que deveria examinar, protocolizado antes do julgamento, o pedido de prorrogação, que não pode ser tacitamente negado. Tenho que o despacho decisório é nulo. As provas contradizem a fundamentação do despacho decisório, isso é incontestável e, nesse sentido, a decisão cerceou o direito a defesa da Recorrente que nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, implica em nulidade do despacho (...). A partir do citado excerto do voto, extrai se que o Colegiado resolveu cancelar o lançamento com base em dois fundamentos, os quais podem ser assim sintetizados: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para apresentação de documentos dentro do prazo concedido pela autoridade fiscal, não havendo que se falar, pois, em inércia do interessado; 2) a DRF não examinou o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Ocorre que as duas premissas fáticas utilizadas pela Turma para justificar a anulação do despacho decisório e os atos dele decorrentes estão equivocadas. Com efeito, a partir da análise Fl. 4743DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.744 3 detida dos autos, percebe se que: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação fora do prazo concedido pela autoridade fiscal, restando, portanto, inerte; 2) a DRF analisou expressamente o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte. Em relação ao primeiro ponto, cumpre destacar que o interessado teve ciência do termo de intimação fiscal nº 212/2009 (fls. 440/441) – o qual fixava o prazo de 20 dias para apresentação de documentos –, em 07/01/2010, conforme comprova o AR de fl. 442. Não obstante, o contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 443 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade. Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 28/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia. Nesse contexto, percebese que não há qualquer falha na fundamentação empregada pela autoridade fiscal, eis que de fato o contribuinte quedouse inerte, não havendo que se falar, portanto, em falsidade da premissa utilizada pela DRF, tampouco pela DRJ. Em relação ao segundo ponto, cabe salientar que a autoridade fiscal analisou expressamente a solicitação de prorrogação de prazo apresentada pelo contribuinte, tendo lhe sido negado o pedido, conforme se extrai do despacho de fl. 268. Atente se, ainda, que o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão que negou o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentos. Percebese, pois, que, diferentemente do que consta no acórdão ora embargado, não houve recusa tácita do pedido de prorrogação do prazo feito pelo contribuinte. Conforme já explanado, a autoridade fiscal analisou de forma expressa o pedido. Assim, a embargante entendeu que restou omisso e contraditório o acórdão de fls. e requer o seu exame e provimento. É o relatório. Fl. 4744DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.745 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Dois pontos são apontados nos Embargos em exame: o um, a apresentação extemporânea do pedido de prorrogação de prazo pela Embargada; e o dois, o fato da autoridade ter de forma expressa analisado o pedido de prorrogação. Quanto ao primeiro ponto a própria PFN expressa nos embargos que “não obstante, o contribuinte apenas peticionou nos autos, com a apresentação de pedido de prorrogação, na data de 28/01/2010 (fl. 443 – vide carimbo da DRF), fato que é por ele reconhecido em sua manifestação de inconformidade. Isto posto e diante dos elementos fáticos apresentados, concluise que o interessado não se manifestou dentro do prazo assinalado, o qual findou em 28/01/2010, restando caracterizada, pois, sua inércia.” (fls. 5458). De fato, o pedido de prorrogação foi protocolizado no último dia de prazo, conforme assevera a própria procuradoria, sendo correta a informação do acórdão de que o pedido de prorrogação foi apresentado no prazo. Quanto ao segundo ponto, não é correta a afirmação da procuradoria de que houve indeferimento expresso do pedido de prorrogação. Vejamos o que consta do despacho decisórios às fls. 248, in verbis: 03. No intuito de instruir o processo, o contribuinte foi intimado em 07/01/2010 a apresentar em 20 (vinte) dias documentação comprobatória do seu pretenso crédito (fls. 245/247). O prazo expirou em 28/01/2010 sem que o interessado apresentasse os documentos solicitados, tampouco compareceu a essa Equipe para solicitar prorrogação do prazo para cumprimento da intimação. Nesse sentido, resta claro que o pedido não foi analisado. Considerando isso, tenho que rejeitar os presentes embargos é medida que se impõe. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.002950/200368 Acórdão n.º 3801002.202 S3TE01 Fl. 4.746 5 Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001913/2008-53
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 19 13 /2 00 8- 53 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 110 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 78 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Anápolis GO, Notificação de lançamento com crédito tributário apurado no valor de R$ 18.731,06, assim constituído em Reais: Imposto Suplementar........................................ 8.564,34 Juros de Mora (07/2008)................................... 3.743,47 Multa Proporcional (Passível de Redução)....... 6.423,25 Total do Crédito Tributário.............................. 18.731,06 DA AUTUAÇÃO O lançamento originouse na constatação das seguintes infrações: Dedução indevida de dependente em decorrência do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, no importe de R$ 1.272,00. Dedução indevida de despesas médicas em decorrência do não atendimento a intimação para prestar esclarecimentos, no total de R$ 24.070,00. Dedução indevida de previdência privada em decorrência de não atender a intimação para prestar esclarecimentos, no montante de R$ 5.801,05. Enquadramento legal na Notificação de Lançamento. DA IMPUGNAÇÃO. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 27 de agosto de 2008, impugnação ao lançamento, às fls.01/02, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Afirma não ter sido notificado a prestar esclarecimentos antes do lançamento, e que reside à Rua José Rodrigues Q48, Lt12, Edifício Firenze, Apto 902, Bairro Jundiaí, Anápolis – GO, endereço que teria sido adequadamente informado na Declaração de Ajuste. Argumenta estar apresentando cópias de todos os comprovantes de dedução de despesas questionados pela Fiscalização, demonstrando que é pessoa idônea sem interesse de lesar os cofres públicos. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 111 3 Exercício: 2004 GLOSAS DE DEDUÇÕES COM DEPENDENTES, CONTRIBUIÇÃO COM PREVIDÊNCIA PRIVADA E DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL) 02666365786. Restabelecemse parte dos valores glosados quando demonstrado nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos, que o contribuinte faz jus a pleitear as respectivas deduções na Declaração de Ajuste. Cientificado da decisão de primeira instância em 08/08/2011 (fl. 85), o Interessado interpôs, em 31/08/2011, o recurso de fls. 86/87, acompanhado dos documentos de fls. 88/106. Na peça recursal, aduz, em síntese, que, após ser informado do motivo da glosa pela decisão recorrida, procurou os profissionais que emitiram os recibos e solicitou que os mesmos os retificassem, desta feita constando as informações requeridas pela RFB. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese à controvérsia às glosas de despesas médicas cujos beneficiários são os profissionais Marco Túlio da Silva e Régis Murilo Gomes Siqueira, no valor total de R$ 20.000,00, uma vez que as demais glosas efetuadas pela Fiscalização foram restabelecidas pela decisão de 1ª instância. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 8 deste processo digital) demonstra que referidas despesas foram glosadas por falta de comprovação, em face do não atendimento à intimação. Assim, não havia a possibilidade de a Autoridade lançadora saber se os documentos apresentados na impugnação preenchiam ou não os requisitos previstos na legislação tributária. Os requisitos formais dos comprovantes de despesas médicas exigidos pela legislação tributária encontramse previstos no inciso III do § 1º do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, nos seguintes termos: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 112 4 (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; A leitura do trecho em destaque revela que os requisitos formais necessários à dedução de despesas médicas são as seguintes: documento que indique o nome, o endereço e o número do CPF ou do CNPJ de quem os recebeu. Na decisão de piso está escrito: Os recibos apresentados para comprovar pagamentos de R$5.000,00, a Marco Túlio da Silva, referente a tratamento odontológico (fls.28/30); R$11.320,00, a Regis Murilo Gomes Siqueira, referente a tratamento ortodôntico (fls.26/27), não indicam o beneficiário dos serviços e nem o endereço dos profissionais. Observo, por oportuno, que foram glosadas despesas médicas do profissional Regis Murilo Gomes Siqueira no valor de R$ 15.000,00, não obstante o Interessado ter apresentado recibos que totalizam apenas R$ 11.320,00. À peça recursal foram anexados novos recibos emitidos pelo profissional Regis Murilo Gomes Siqueira, no valor de R$ 11.320,00 (fls. 98/101), contendo todos os requisitos exigidos pela legislação para fins de dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda. Os recibos emitidos pelo cirurgiãodentista Marco Túlio da Silva, no valor de R$ 5.000,00, no entanto, foram reapresentados sem a indicação do endereço do profissional, o que significa dizer que tais recibos não estão revestidos das formalidades legais necessárias à dedução das respectivas despesas na declaração de ajuste anual Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 11.320,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13116.001913/200853 Acórdão n.º 2801003.296 S2TE01 Fl. 113 5 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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