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Numero do processo: 10830.008091/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS. PERDAS POR OBSOLESCÊNCIA.
O custo das perdas de estoque por obsolescência ou outros riscos não cobertos por seguros deve ser comprovado mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a sua destruição, quando não houver valor residual apurável, situação que não se amolda ao caso dos autos, em que a empresa efetua venda dos bens obsoletos a terceira empresa que efetua a sua posterior destruição e venda como sucata.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se à CSLL, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
Numero da decisão: 1102-001.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolitoe Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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GLOSA DE CUSTOS. Recorrente MOTOROLA MOBILITY COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO DE MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS. PERDAS POR OBSOLESCÊNCIA. O custo das perdas de estoque por obsolescência ou outros riscos não cobertos por seguros deve ser comprovado mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a sua destruição, quando não houver valor residual apurável, situação que não se amolda ao caso dos autos, em que a empresa efetua venda dos bens obsoletos a terceira empresa que efetua a sua posterior destruição e venda como sucata. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase à CSLL, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 80 91 /2 00 8- 78 Fl. 6084DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolitoe Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MOTOROLA MOBILITY COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA (nova denominação social de MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA), contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/CampinasSP, que manteve integralmente o lançamento de ofício efetuado. Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 82.591.694,04 (fls. 01), aí já incluídos a multa de ofício de 75% e os juros de mora sobre o principal, bem como as multas isoladas por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas. A autuação decorreu da glosa, pelo fisco, de custos considerados indedutíveis por não comprovação das quebras ou perdas de estoque por deterioração ou obsolescência. De acordo com a descrição dos fatos constante dos autos de infração lavrados, a empresa contabilizou, nos anos base de 2003 a 2006, os seguintes valores a título de perdas por obsolescência, na conta denominada “E&O” (Excess and Obsolescence): 2003 R$ 15.109.455,93 2004 R$ 18.121.706,88 2005 R$ 28.957.170,62 2006 R$ 35.002.888,79 Relata o fisco que a empresa foi intimada a informar sobre as quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou excesso de matéria prima, e que, em atendimento ao referido Termo, apresentou relatório de todas as quebras ou perdas ocorridas no período de 2003 a 2006, inclusive as perdas inevitáveis do processo produtivo, que não haviam sido objeto da intimação inicial. Com relação às perdas inevitáveis do processo produtivo, trouxe o contribuinte documentos relacionados aos processos de acompanhamento dessas perdas, formalizados junto à Inspetoria da Alfândega de Viracopos em Campinas, nos termos da legislação do RECOF. Destaca o fisco que as perdas inevitáveis no processo produtivo são contabilizadas em conta contábil distinta, denominada “SCRAP”, e não podem ser confundidas, portanto, com as perdas de estoque por obsolescência escrituradas na conta denominada “E&O”, que foi objeto da autuação. Para comprovar as perdas escrituradas na conta “E&O”, o contribuinte apresentou correspondência acompanhada de documentos fiscais de vendas de sucatas e contrato formalizado junto à adquirente dos resíduos, e informou o seguinte: Fl. 6085DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 4 3 a) Que os produtos não foram destruídos pela Motorola, mas vendidos para a empresa Dynel's Print do Brasil Ind e Com Ltda; b) Que a referida empresa possui contrato com a Motorola, por meio do qual se compromete a adquirir produtos e promover sua destruição para posterior revenda como sucata para empresas idôneas, previamente cadastradas ou credenciadas pela Motorola. A partir da análise dos documentos apresentados, afirmou a fiscalização, em síntese, o seguinte: “14. Analisandose as notas fiscais de venda da Motorola para a empresa Dynel, constatase que as saídas foram de “SUCATAS” e que portanto, houve, sim, a destruição dos referidos bens considerados “obsoletos”, antes da efetiva saída dos produtos. 15. Da leitura do Contrato verificamos que os produtos são destruídos no próprio estabelecimento industrial, pela adquirente, sob a supervisão da Motorola. 16. Na realidade a Motorola apenas tercerizou a mão de obra para destruir os produtos obsoletos. Destruição que, segundo a legislação, somente poderia ocorrer com o devido acompanhamento fiscal. 17. A dedutibilidade das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência está condicionada, nos termos da legislação em vigor, ao acompanhamento de autoridade fiscal que eleve certificar a destruição dos bens obsoletos. Nesta ocasião a autoridade fiscal deve verificar a existência física dos bens objeto de destruição, conferir os motivos da baixa de estoque (por deterioração, obsolescência ou outros motivos), e finalmente autorizar e acompanhar o processo de destruição dos referidos bens. DA INEXISTÊNCIA DE VALOR RESIDUAL APURÁVEL. 18. Considerando que os insumos não foram vendidos, mas destruídos, não há que se falar em valor residual apurável. Unia vez destruídos perderam sua identidade, não sendo mais possível comprovar que o produto baixado do estoque compõe determinada quantidade de sucata. Esta constatação somente poderia ser feita mediante o acompanhamento fiscal. 19. Inexistindo o acompanhamento da autoridade fiscal, somente a saída do insumo identificado pelo código do produto, classificação fiscal, unidade de medida e preço unitário, poderia comprovar eventual valor residual apurável. 20. Apesar da tentativa da fiscalizada em vincular as vendas de sucatas a determinada relação de insumos baixados, não há como atestar a veracidade destas informações, nos termos e condições que a legislação do imposto de renda determina para a comprovação destes eventos de baixa de estoque por obsolescência. 21. Observese ainda a enorme discrepância existente entre o valor das sucatas e o valor dos insumos, que teoricamente, estariam vinculados a este evento. Conforme tabela abaixo elaborada com base nos documentos apresentados pela fiscalizada (Notas Fiscais de Venda de Sucata e Relação dos lnsumos baixados vinculados), constatamos que a relação percentual entre a receita das vendas de sucatas (convertida em dólares) comparado com o custo em dólares dos insumos que estariam, segundo o contribuinte, vinculados a esta destruição é inferior a 0,5%. Note, ainda que, se a comparação fosse efetuada com base nos custos contábeis esta relação percentual seria ainda inferior a 0,5%. (,,,)” Fl. 6086DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 5 4 Em vista destes fatos, por não ter o contribuinte apresentado, nos termos do disposto no inciso II do artigo 291 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, os laudos de destruição das mercadorias, relativos às perdas escrituradas na conta “E&O”, foram lavrados os autos de infração em litígio. Em sede de impugnação, aduziu o contribuinte, em síntese, o seguinte: Identifica sua atividade como fabricação de produtos para um mercado de alta tecnologia e de forte concorrência, pelo que possui grande preocupação com um bom sistema de vendas, de forma a evitar grandes perdas ou quebras de estoque por obsolescência, obtendo bons resultados, com excelente nível de produtividade e eficiência, e índices irrisórios de perdas por obsolescência. Afirma que, nos anoscalendário de 2003 a 2006, para um custo total de produtos vendidos de R$ 14.933.834.970,00 (quase 15 bilhões de reais), as quebras ou perdas de estoque por deterioração ou obsolescência foram de R$ 97.191.222,00, ou seja, uma relação de 0,65%. Por se tratar de um mercado muito dinâmico (modelos rapidamente substituídos com inovações tecnológicas e de design), há grande preocupação com o destino dos itens obsoletos de seus estoques, que não podem chegar ao mercado para serem utilizados como equipamentos ou acessórios de telefonia, sob pena de sérios problemas e prejuízos, pois precisa prestar garantia contra defeitos de fabricação, franquear acesso a toda a rede credenciada de assistência técnica, e manter a boa quantidade de produtos e de suas partes e peças, para eventual reposição. Assim, é economicamente mais interessante zelar para que seus itens em excesso e obsoletos não voltem de forma alguma para o mercado, do que se preocupar em vendêlos como aparelhos e/ou equipamentos em bom estado, para serem usados como tal, com todos os ônus e prejuízos antes citados. Neste contexto é que, desde 2002, mantém vínculo contratual com a empresa Dynel's Print do Brasil Indústria e Comércio Ltda., a qual possui diversos fornecedores e: adquire sob sua conta e risco os itens em excesso e obsoletos; retira os produtos no estabelecimento da impugnante, arcando com frete e escolta; armazena os produtos em seu estabelecimento; desmonta todos os equipamentos, descaracterizandoos e separando seus itens, partes e peças, que são revendidas com lucro para empresas especializadas em reciclagem, seja de eletrônicos, plástico, papel ou metais. Tendo em vista a proibição contratual de revenda desses itens no estado em que adquiridos, e a obrigatoriedade de sua descaracterização pela adquirente Dynel's, que somente poderá revender a sucata resultante, obviamente os preços de venda desses itens obsoletos são consideravelmente inferiores aos respectivos custos. Afirma que a fiscalização partiu de premissas totalmente equivocadas, e mesmo contraditórias entre si, que desvirtuam por completo a natureza jurídica das operações efetivamente realizadas por ela realizadas. Se, de acordo com o auto de infração, os produtos são destruídos “pela adquirente, sob a supervisão da Motorola”, então a fiscalização reconhece que um terceiro efetivamente adquire os bens obsoletos da Motorola, portanto, reconhece que há uma operação Fl. 6087DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 6 5 mercantil de venda e compra dos produtos obsoletos (aquisição), que se constitui na real natureza jurídica do negócio celebrado, e não uma relação de prestação de serviços, pela qual a Dynel's seria paga para executar serviço de “terceirização de destruição de produtos”, conforme restou de forma contraditória e insustentável lançado no auto de infração. Errou a fiscalização ao concluir que, de acordo com o Contrato, os bens seriam destruídos dentro do estabelecimento da Motorola, pois os contratos dispõem exatamente o oposto (item 4.3 do contrato: “A destruição dos materiais deve ser realizada nas instalações da COMPRADORA, e sempre sob a supervisão da MOTOROLA”). Ou seja, os produtos eram retirados pela Dynel's no estabelecimento da Motorola, por sua conta e risco, e eram destruídos no estabelecimento da própria Dynel's, sob a supervisão da Motorola, que tinha reservado para si o direito contratual de checar a descaracterização dos produtos, para que não houvesse risco de esses produtos retornarem ao mercado no estado em que retirados pela Dynel's. O erro cometido pela fiscalização acaba derrubando as demais premissas que constam do auto de infração. Portanto: a) não houve terceirização de mão de obra; b) os produtos foram vendidos; c) houve fixação de preço para venda. A Motorola mantém controles bastante pormenorizados acerca do destino dos produtos vendidos, que permitem a perfeita conciliação dos itens vendidos, com as notas fiscais que retrataram as vendas feitas à Dynel's. Como se trata de enorme volume de documentos, a Impugnante instruiu a defesa com um CD contendo todos os arquivos desses controles (Doc. 06 da Impugnação). Ademais, da mera leitura do dispositivo legal invocado na autuação (art. 291, II, ‘c’, do RIR/99), verificase que, se houver valor residual apurável (como houve nos casos sob exame), não há necessidade de prévia destruição dos bens obsoletos na presença da autoridade fiscal: “Art. 291. Integrará também o custo o valor (Lei nº 4.506, de 1964, art. 46, incisos V e VI): II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. Transcreve jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes que corrobora o acima afirmado. Ressalta ainda que, no caso, o agente Fiscal em nenhum momento sequer insinuou que os produtos não teriam sido destruídos. Ao contrário, apenas insistiu na equivocada tese de que os produtos teriam sim sido destruídos, porém dentro do estabelecimento da própria Impugnante, e por um terceiro (Dynel's), sem o requisito do acompanhamento de um fiscal, demonstrando, assim, excessivo apego a um requisito meramente formal, incapaz de infirmar a situação de fato verificada pelo próprio Fiscal (efetiva destruição dos produtos). Fl. 6088DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 7 6 Comprovando a efetiva destruição dos produtos, a Impugnante possui: amostras dos produtos já completamente descaracterizados pela Dynel's (no Doc. 07 da Impugnação apresenta foto dessas amostras), vídeos dos processos de destruição conduzidos no estabelecimento da Dynel's (Doc. 08 da Impugnação). Junta ainda correspondência encaminhada à Dynel's, e sua resposta, contendo uma série de questões relativas à realidade do dia a dia, com base no vínculo contratual mantido entre ambas desde 2002, dados cadastrais, informações gerais e lista de principais clientes/fornecedores daquela empresa, relatório fotográfico de descaracterização dos celulares e demais produtos adquiridos da Impugnante, e notas fiscais de transporte (Docs. 09, 10, 11, 12 e 13 da Impugnação), e, ainda, relatório da KPMG respondendo a perguntas objetivas feitas acerca do seu vínculo comercial com a Dynel's e dos detalhes e aspectos operacionais e documentais inerentes a tal vínculo comercial (Doc. 14 da Impugnação). Insurgese também contra a multa isolada lançada, considerandoa uma dupla punição por um único substrato fático, e finaliza a sua peça requerendo a total insubsistência dos autos de infração lavrados. A DRJ proferiu decisão mantendo integralmente os autos de infração. Consignou a autoridade julgadora a quo que, nas notas fiscais de vendas apresentadas, consta uma única descrição dos produtos, como “sucatas”, e que as relações de itens que as acompanham não permitem estabelecer uma correlação desses itens com as sucatas que teriam sido vendidas, e que também não foi possível correlacionar as notas fiscais apresentadas por amostragem com as planilhas de fls. 55/294 juntadas como resposta à solicitação de “demonstrativos detalhados dos produtos baixados”. Neste sentido, a título de exemplo, passa a discorrer sobre divergências constatadas, para concluir, então, que tais relatórios não se prestam a suprir a omissão da identificação, em nota fiscal, dos produtos que teriam sido vendidos como sucatas. Destaca que os registros contábeis da contribuinte apontam apenas a baixa de bens do estoque, dissociados de sua saída por venda, ainda que como sucata, e que, neste contexto, somente por meio da apresentação do laudo hábil seria possível conferir dedutibilidade a esses custos, no âmbito da apuração do IRPJ e da CSLL. Por outro lado, se, como alega a impugnante, os custos não seriam decorrentes de destruição, mas de venda dos produtos como sucata, ainda que por valor residual pouco significativo, então deveria ao menos comprovar a correspondente baixa no estoque concomitantemente à emissão das notas fiscais de vendas, o que não logrou fazer. A ementa do Acórdão no 0524.281 ostenta a seguinte redação: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 GLOSA DE CUSTOS. BENS DESTRUÍDOS. IRPJ. CSLL. Para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor contabilizado a título de quebras ou perdas de estoque por deterioração ou obsolescência integrará o custo, desde que comprovadas mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. ALEGAÇÃO DE VENDA. A alegação de que bens Fl. 6089DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 8 7 contabilizados a título de perda por excesso ou obsolescência foram vendidos como sucata e destruídos, desprovida de provas que permitam a verificação da compatibilidade entre os bens vendidos e aqueles apropriados como custos, não é hábil a justificar a dedutibilidade destes. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas.” No recurso, aduz a recorrente que, muito embora a r. decisão recorrida tenha percebido o evidente erro de interpretação cometido pelo Sr. Agente Fiscal quanto ao teor do contrato celebrado (o fato principal ensejador da autuação), partiu para a suposição, para inferir ou deduzir, sabese lá como, que a Recorrente teria mesmo que estar a destruir os produtos em seu próprio estabelecimento, apesar de a própria decisão reconhecer que o contrato celebrado com a Dynel’s dizia exatamente o contrário. Aduz que, se a própria decisão reconhece que houve efetivamente a venda de componentes, tecendo a decisão recorrida apenas críticas aos controles e à forma de detalhamento dos produtos vendidos, a Recorrente poderia até aceitar uma autuação que a punisse em função da eventual escrituração defeituosa dessas vendas, mas nunca poderia ficar sujeita aos efeitos decorrentes de um fato inexistente, tendo em vista que nunca houve a destruição dos componentes dentro do estabelecimento da Recorrente. No mais, reproduz integralmente seus argumentos de defesa. Em 24 de outubro de 2012, em nova manifestação protocolada junto ao CARF, renova suas considerações e traz aos autos, como elemento para a convicção dessa Turma Julgadora, e para dirimir quaisquer dúvidas ainda porventura existentes quanto aos elementos contábeis e fiscais e quanto aos controles da Recorrente, parecer de renomada empresa de perícia técnica (Simonaggio Perícias Ltda.) Intimada acerca desses documentos, a Fazenda Nacional manifestouse pelo seu não conhecimento pela turma julgadora, face à sua intempestividade, posto que apresentados cerca de quatro anos após o recurso. Ainda no mesmo documento, tece a Fazenda Nacional considerações acerca da autuação e da decisão recorrida, e requer o improvimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Fl. 6090DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 9 8 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal, conforme visto, está calcada na seguinte premissa: os bens considerados obsoletos foram destruídos antes de sua efetiva saída da sede da Motorola, e esta destruição não foi acompanhada pela autoridade fiscal. Assim, não foi observado o disposto no art. 291, II, ‘c’, do RIR/99, o qual exige que, para que os custos correspondentes aos bens destruídos possam ser considerados dedutíveis do lucro real, haja a comprovação por meio de laudo da autoridade fiscal que acompanhar o processo de destruição. A autoridade fiscal chegou a essas conclusões a partir da leitura do contrato firmado com a empresa Dynel's, entendendo que esta fora contratada como prestadora de serviços (mão de obra terceirizada) para o fim de proceder à destruição dos produtos no próprio estabelecimento industrial da fiscalizada. Com a devida vênia, a premissa fiscal não se sustenta. Consoante os esclarecimentos prestados pela contribuinte desde a fase investigativa, e, em especial, pelo próprio contrato a que se refere o fisco, ficou evidente que a empresa Dynel's jamais foi contratada como prestadora de serviços a serem executados para a Motorola. O(s) contrato(s) firmado(s) (contrato e suas renovações e aditivos contratuais) com a empresa Dynel's sempre foi bastante expresso no sentido de que a empresa Dynel's faria a aquisição dos diversos itens considerados como “sucata” e se responsabilizaria por fazer a sua destruição em seu próprio (da Dynel's) estabelecimento, sob a supervisão da Motorola. A supervisão da Motorola se fazia necessária, ou ao menos era contratualmente assegurada, justamente em razão das questões comerciais aduzidas pela recorrente, que não desejaria ver seus produtos obsoletos indevidamente reintroduzidos no mercado. É fato que o termo “sucata” podese prestar a diversas interpretações. A autoridade fiscal e julgadora a quo consideram que a referência feita a “sucata” nas notas fiscais de venda emitidas contra a Dynel's evidenciam que os produtos já teriam efetivamente sofrido destruição ou sido completamente descaracterizados, antes de sua saída do estabelecimento da Motorola. Por outro lado, a definição de “sucata” constante do instrumento contratual firmado é bastante mais abrangente, verbis: “1. OBJETO 1.1 Através do presente instrumento a COMPRADORA se comprometera comprar da MOTOROLA, sempre que por esta solicitado, sucata composta excesso e obsolecencia e de materiais sem possibilidade de recuperação decorrentes do processo de reposição em garantia.” A “sucata” a que se refere o contrato, portanto, engloba tanto os itens relativos ao “excesso e obsolescência”, inerentes ao mercado em que atua a recorrente, quanto aqueles decorrentes do processo de reposição em garantia. O termo “sucata”, portanto, não denota uma referência a materiais submetidos a qualquer espécie de destruição ou descaracterização, senão a itens que, embora Fl. 6091DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 10 9 aparentemente íntegros, revelamse inservíveis (ou porque estragados, no caso da reposição em garantia, ou porque obsoletos, nos termos da política mercadológica da recorrente). Estes bens inservíveis (“sucata”, para a recorrente) é que deveriam ser, nos termos do contrato firmado com a Dynel's, após serem por ela adquiridos, por preço fixado à razão de quilos de produto, e às suas próprias expensas e responsabilidade, retirados do estabelecimento da recorrente, e completamente descaracterizados e destruídos pela Dynel's, antes de poderem ser por ela vendidos ao mercado, mais uma vez como “sucata”. É verdade que, no vasto conjunto probatório apresentado pela contribuinte para comprovar os itens do inventário que foram vendidos à Dynel's para serem destruídos, há algumas falhas, e que impossibilitam, em muitos casos, fazer uma perfeita correlação entre os itens baixados do inventário e as notas fiscais de venda à Dynel's. Na verdade, se se partir apenas da descrição nas notas fiscais, como “sucata”, não existirá correlação alguma em 100% dos casos, o que, convenhamos, afigurase longe de corresponder à realidade, diante de todo o contexto da inegável existência de uma relação comercial entre a recorrente e a empresa Dynel's. Relação comercial que, com a devida vênia, foi equivocadamente compreendida pela autoridade fiscal, ao afirmar que, pela simples leitura do contrato, concluir seia que a Dynel's seria mera prestadora de serviços para a recorrente, e que os produtos seriam objeto de destruição no estabelecimento da recorrente, quando tais premissas e suposições não resistem sequer à mera leitura do referido contrato, que afirma categoricamente o contrário. Tampouco resistem às demais evidências e esclarecimentos trazidos pela recorrente, que não foram adequadamente investigados nem refutados. No caso, temse que a empresa Dynel's, que nenhum vínculo societário possui com a recorrente, e que atua no mercado de reciclagem, tendo como clientes diversas empresas de eletrônicos, em síntese, confirma todas as alegações feitas pela recorrente, além de também apresentar provas. Ao descrever os produtos obsoletos que adquire da Motorola, confirmou a Dynel's tratarse de “telefones celulares completos, partes e peças de celulares, componentes, acessórios, antenas CDMA, placas CDMA para ERBs, cabos, filtros e gabinetes”, portanto, alguns itens “inteiros”, outros “desmontados parcialmente” ou em “peças separadas”, sendo alguns “visualmente sem uso” e outros “usados” (fls. 507509). Confirmou a retirada e transporte destes produtos pela Dynel's, juntou cópias dos conhecimentos de transporte rodoviário de cargas relativos às aquisições suportadas pelas notas fiscais emitidas pela Motorola como “sucata”, fotos do processo de desmontagem/descaracterização/destruição completa dos diversos itens, desenvolvido no seu (Dynel's) estabelecimento, bem como de notas fiscais de saída relativa às suas vendas, da sucata já separada (por ex, sucata de transformadores, sucata de placas de telefone celular, sucatas de pinos e terminais, sucata de placas de telefone celular lisas e sem componentes, sucata de plástico, etc). O preço fixado em R$1,00 (um real) por quilo, considerado pelas autoridades fiscal e julgadora de primeira instância como um indício ou evidência de que os produtos já teriam sido destruídos, na verdade se afigura razoável diante das circunstâncias. A uma, porque os riscos associados à uma indesejável (re)colocação no mercado de itens obsoletos ou imprestáveis, mais a assunção de todos os custos inerentes à sua retirada e destruição, bem como a assunção dos riscos na operação, inclusive possíveis danos ambientais, justifica o baixo Fl. 6092DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 11 10 preço praticado, uma vez que a empresa Dynel's também tem de assegurar sua margem de lucro. Neste sentido, vejase, por exemplo, que a Dynel's, ao efetuar a venda dos diversos tipos de sucata, em alguns casos pratica preços até abaixo de R$1,00 (um real) por quilo, embora, na média, por óbvio, alcance preço maior: assim, por exemplo, a sucata de transformadores é vendida a R$0,2131 por quilo, e a sucata de pinos e terminais é vendida por R$0,0852 por quilo; por outro lado, a sucata de placas de telefone celular é vendida a R$12,9991 por quilo (nota fiscal de fls. 544). Ademais, ainda em sede de impugnação, juntou a recorrente um relatório da KPMG que confirma ser o preço praticado, de R$1,00 (um real) por quilo, semelhante aos preços pagos pela Dynel's nas operações comerciais com outras clientes que não a Motorola. Inconteste também que houve o efetivo pagamento das aquisições efetuadas pela Dynel's à Motorola, precisamente nos valores suportados pelas notas fiscais emitidas. Tudo isto, portanto, desconstrói a tese fiscal de que os bens teriam sido destruídos pela Motorola antes de sua venda à Dynel's, o que, por si só, já é suficiente para afastar a aplicação, ao caso, do art. 291, II, ‘c’, do RIR/99, invocado pela fiscalização, no sentido de exigir a presença de autoridade fiscal para atestar a sua destruição. Nas entrelinhas da acusação fiscal, e, com maior desenvoltura exposta na decisão da turma julgadora a quo, encontrase também a inferência ao fato de não ser possível fazer a exata correlação entre os itens que foram baixados do inventário contra custo e as notas fiscais emitidas. Neste sentido é que a autoridade julgadora a quo pinçou diversos casos em que não haveria, por exemplo, a menção, nos arquivos que contém a relação dos itens baixados, à nota fiscal de venda de “sucata” emitida pela recorrente, além de observar que não haveria uma correlação temporal entre os eventos. Neste aspecto, mesmo sem adentrar na questão da discussão relativa a um alegado “reenquadramento” dos fatos por parte da autoridade julgadora a quo, entendo que, por todo o contexto fático e pelo conjunto probatório dos autos, justificase o lapso temporal ocorrido em razão de que, conforme os esclarecimentos prestados e, mais uma vez, o próprio contrato celebrado entre a Dynel's e a recorrente, estava ajustado que haveria de a recorrente primeiro acumular uma determinada quantidade de “sucata”, para que só então fosse feita a sua retirada pela Dynel's. E, pelo menos em outros tantos casos contidos nos arquivos apresentados, há a menção, ao lado de cada item de inventário baixado, à nota fiscal de venda de “sucata” emitida pela recorrente. Portanto, se os controles mantidos pela recorrente não são assim tão perfeitos como alega, por outro lado, por certo não podem ser completamente desprezados ou tido como inservíveis para comprovar o custo dos itens contidos nas vendas de “sucata” feitas à Dynel's. Concluo, portanto, que as premissas sobre as quais se assenta a acusação fiscal são infirmadas pelos elementos constantes dos autos, motivo pelo qual não procede a glosa fiscal efetuada. Registro que esta conclusão é alcançável sem que seja necessário sequer recorrer aos elementos trazidos aos autos em 24 de outubro de 2012 (“Parecer Técnico de Natureza Contábil, Econômica e Financeira” da Simonaggio Perícias Ltda, e seus anexos), Fl. 6093DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10830.008091/200878 Acórdão n.º 1102001.282 S1C1T2 Fl. 12 11 contra os quais insurgiuse a Procuradoria da Fazenda Nacional, manifestandose pelo seu não conhecimento. De qualquer sorte, registrese que a posição desta turma julgadora tem sido bastante flexível com relação à aceitação destes elementos de prova em casos semelhantes ou equivalentes, não havendo motivos, portanto, para que não pudessem ser apreciados. Não subsistindo a acusação fiscal principal, evidentemente insubsiste também a multa isolada aplicada por falta de recolhimento das estimativas. De qualquer sorte, a posição desta turma julgadora tem sido no sentido de, por maioria de votos, cancelar esta multa quando sua aplicação caracterizar “concomitância” com a multa de ofício aplicada, tese com a qual não concorda este relator, mas que, pela tese da jurisprudência dominante, corresponde ao que ocorreu no caso concreto. Para finalizar, registrese que todo o quanto exposto aplicase de igual modo tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, tendo em vista que os lançamentos foram efetuados em razão dos mesmos fatos, e amparados nos mesmos elementos de prova. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 6094DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/ 02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000571/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 05 71 /2 00 9- 11 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 178 2 Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 120/121 deste processo digital), reproduzido a seguir: Do procedimento de revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF exercício 2007 / anocalendário 2006 do contribuinte acima identificado, resultou o presente lançamento de ofício, tendo em vista dedução indevida de despesas médicas R$ 28.922,18. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 28), foi efetuada glosa parcial das despesas médicas, em razão da não apresentação de comprovantes, bem como pela não comprovação de efetiva prestação de serviços e correspondente desembolso dos valores declarados, conforme solicitado em intimação. O contribuinte apresentou impugnação de fls.01/20, alegando, em síntese, que: em 12/11/2008 foi intimado a apresentar documentos comprobatórios da efetividade da prestação de serviços e dos pagamentos e, embora tenha atendido ao solicitado, mediante apresentação de recibos revestidos das formalidades legais exigidas, teve as deduções glosadas. a exigência tributária é totalmente inválida, pois o auto de infração não individualiza os valores glosados e não indica as deduções não aceitas, o que a macula de nulidade em razão de cerceamento do direito de defesa. tanto a legislação quanto a jurisprudência administrativa não exigem do contribuinte a comprovação de despesas muito tempo após os eventos. O ato de ignorar os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, corroborados por recibos médicos válidos estabelece presunção de veracidade a seu favor, transferindo o ônus probatório para a administração tributária. de acordo com o RIR/99 art. 80, §1°, III e a Instrução Normativa SRF n° 15/2001 art. 48, a única exigência imposta é a apresentação de documentos com as informações especificadas, mas não que o pagamento seja feito por cheque ou outro meio bancário. A apresentação de cheque nominal é citada pela legislação como meio de prova quando ausente o recibo. Apresenta decisões administrativas que corroboram seus argumentos. a mera suspeita não autoriza o funcionário público a criar óbices à dedução de despesas médicas, a não ser que os comprovantes sejam falsos ou o profissional negue que os emitiu, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 179 3 o que não se aplica ao presente caso. O impugnante tem conhecimento de que os profissionais em questão não foram indagados quanto à prestação de serviços, ou se os valores constantes dos recibos fornecidos foram incluídos nos rendimentos por eles declarados à Receita Federal. a intimação para que o contribuinte comprovasse a efetividade dos serviços prestados e dos respectivos pagamentos é providência admissível apenas na hipótese de existirem suspeitas no sentido de que os serviços não tenham sido prestados, conforme decisões administrativas que traz à colação. na presente situação, entretanto, a autoridade fiscal não colocou em dúvida a autenticidade dos recibos apresentados; atuou com base em presunções simples e conceitos subjetivos, criando óbices à apuração da real base de cálculo do tributo, o que contraria o art. 97 do Código Tributário Nacional, que estabelece que somente a lei pode dispor sobre a base de cálculo do tributo. o art. 845 do RIR/99 estabelece presunção de veracidade em favor do contribuinte, vedando à autoridade fiscal a negativa de validade dos documentos por ele apresentados, a não ser diante de vícios que devem ser apontados. requer o cancelamento do auto de infração. A unidade de origem providenciou a juntada do dossiê do contribuinte (fls. 26/103). Mediante correspondência postada em 27/11/2009, o impugnante apresentou petição em que requer juntada de decisão da 11ª Turma da DRJ SPII referente à situação que considera idêntica à sua (fls. 107/111). A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 119/129 deste processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O lançamento foi efetuado dentro das normas legais, sendo possível identificar as glosas efetuadas e foi oportunizado ao contribuinte, na fase impugnatória, a possibilidade de apresentação de elementos de prova que elidissem a autuação, afastandose a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas médicas limitase àquelas cujos beneficiários foram o contribuinte ou seus dependentes para fins Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 180 4 de imposto de renda, ao enquadramento nos requisitos legalmente estabelecidos, e condicionado a sua comprovação da prestação de serviços e do pagamento. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS DEDUTÍVEIS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Incumbe ao contribuinte apresentar documentos que constituam prova inequívoca de efetiva prestação de serviços e efetivo pagamento, estando a autoridade fiscal legalmente autorizada a não se satisfazer apenas com a apresentação de recibos, ainda que contenham todos os requisitos formais. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/07/2011 (fl. 133), o Interessado interpôs, em 01/08/2011, o recurso de fls. 134/166. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Cerceamento do direito de defesa. Nulidade do Auto de Infração por não identificar as despesas médicas glosadas. A Autoridade lançadora lhe encaminhou a notificação de lançamento onde fez constar, apenas, o valor total das deduções que considerou indevidas, no importe de R$ 28.922,18, sem, todavia, identificálas e sem indicar os profissionais a que se referiam, bem como os respectivos montantes. Não lhe foi encaminhada qualquer relação apontando o valor das deduções consideradas incabíveis, de modo que o Recorrente pudesse identificarlhes a origem. Teve, assim, completamente cerceado no seu direito de defesa, já que não tem a menor ideia em que se baseou a autoridade administrativa para aceitar determinada dedução e recusar outras. A falta de identificação dos profissionais cujo preço dos serviços foram dados como insuscetíveis de serem deduzidos, como também a falta de indicação dos valores tidos como não comprovados, impedem o Recorrente de conhecer os pretensos elementos contra si existentes, caracterizando, induvidosamente, o cerceamento do seu direito de defesa, com a consequente nulidade do auto de infração lavrado. Invalidade da decisão recorrida As expressões utilizadas na decisão guerreada não coincidem com os fatos efetivamente ocorridos, visto que o Recorrente não colocou em dúvida a competência do AFRFB para lavrar termos ou autos de infração, como também, na impugnação apresentada, não “transparece a plena compreensão acerca das razões das glosas efetuadas”, tanto que se insurgiu contra a falta de clareza ali existente, decorrente da não identificação dos valores glosados. Dedutibilidade das despesas médicas A única exigência imposta pela legislação para a dedução de despesas médicas é a apresentação do comprovante de pagamento onde esteja especificado o nome e o número de inscrição no CPF do seu beneficiário, circunstância essa corroborada por torrencial jurisprudência administrativa. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 181 5 Ainda que existam regras gerais que deixem a critério da Autoridade lançadora a exigência de comprovação ou justificação, estas não poderiam exceder aquelas previstas em regras especiais, pena de extrapolar os limites da razoabilidade, impondo restrições ao curso forçado da moeda nacional, ao exigir que os pagamentos efetuados a médicos e dentistas, por serviços profissionais prestados, não possam ser efetuados em dinheiro, mas apenas por meio de cheque, transferência bancária ou boleto, caracterizando ofensa às disposições do artigo 1º do DecretoLei nº 857/69. Inexiste, na legislação, dispositivo determinando que o valor da despesa somente poderá ser deduzido se o contribuinte efetuar o seu pagamento por meio de cheque, ou por meio bancário. Somente na hipótese em que o beneficiário do rendimento se recuse a fornecer recibo é que a lei exige o cheque nominal para comprovar o respectivo pagamento. O Recorrente tem conhecimento de que os profissionais prestadores dos serviços não foram indagados pela Fiscalização se, efetivamente, emitiram os recibos e declarações a ela apresentados, ou se prestaram os serviços profissionais cobrados, ou, ainda, se os valores deles constantes foram incluídos entre as receitas que declararam naquele ano de 2007, anocalendário de 2006. A intimação para o que o Recorrente comprovasse a “... efetividade da prestação dos serviços (orçamento, ficha médica, exames, relatórios, etc.) e de desembolso (tais como cópia de cheque, boleto bancário, extrato bancário demonstrando saques efetuados, etc.)” é providência admitida apenas na hipótese em que existam fundadas suspeitas no sentido de que o serviço não tenha sido efetivamente prestado. Presunção de veracidade dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte O ônus da prova da inveracidade dos fatos registrados na declaração de imposto de renda da pessoa física incumbe à autoridade administrativa, exceto nos casos em que a lei tenha instaurado presunções a favor do Fisco. Inexistindo presunção legal em favor do Fisco, mas sim a presunção de veracidade estabelecida em favor do contribuinte, consubstanciada nas disposições do artigo 894, § 1º, do RIR/1994 (artigo 845, § 1º, do RIR/1999), no sentido de que “os esclarecimentos prestados somente poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão”, verificase a completa impossibilidade de a Autoridade administrativa negar validade aos recibos apresentados, posto que não aponta os vícios ou nulidades neles constantes. Validade dos recibos e declarações apresentados para a comprovação das despesas médicas Não se pode inferir do exame da legislação que a comprovação de despesa médica somente seria completa se “feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência do numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras)”, mesmo porque, se assim fosse, seria desnecessária, na falta do recibo, a exigência da indicação de cheque nominativo. A Relatora do acórdão recorrido não esclarece em qual dos pagamentos efetuados o “valor probatório" do recibo é “relativo”, de modo a justificar a exigência de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 182 6 comprovação adicional, mesmo porque, para tanto, deveria indicar o "elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão" de que trata o artigo 845, § 1°, do RIR/1999. A afirmação da Relatora no sentido de que os recibos “não contém todos os elementos exigidos pela legislação, pois ausente o endereço profissional”, revela evidente modificação do fundamento da autuação, posto que apoiada em argumento diferente daquele que a embasou. Em momento algum a glosa decorreu porque faltava o endereço do profissional prestador do serviço nos comprovantes de pagamentos, mas sim porque foram “Glosadas parte das deduções com despesas médicas, pela não apresentação de comprovantes, em vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como em face da não comprovação nos termos exigidos em intimação, da efetividade da prestação do serviço, assim como pela não comprovação do desembolso dos valores declarados como pagos". Em nenhum momento a Autoridade lançadora fez reparos quanto ao fato de que os comprovantes de pagamentos apresentados não preenchiam os requisitos exigidos pela legislação. Verificase, desse modo, ter ocorrido evidente alteração do fundamento da autuação, qual seja, o de falta de comprovação do desembolso dos valores tidos como pagos, como está no auto de infração, para os argumentos acima reproduzidos, esquecendose a Relatora, convenientemente, que não houve qualquer questionamento, pela Autoridade lançadora, quanto aos recibos apresentados, o que inquina de nulidade absoluta a decisão ora recorrida. Não apreciação, no acórdão recorrido, de argumentos lançados na impugnação Na impugnação o Recorrente invocou as disposições do artigo 845, § 1º, do RIR/1999, que estabeleceu uma presunção legal em favor do contribuinte, ou seja, no sentido de que os esclarecimentos por ele prestados em sua declaração de rendimentos somente podem ser ignorados em determinadas circunstâncias ali previstas. Não observância da jurisprudência firmada A nulidade da autuação deve ser declarada em face do fato de que cabia, quer à Autoridade lançadora, quer à Relatora do acórdão recorrido, esclarecer os motivos que os levaram a ignorar a jurisprudência dominante sobre a matéria, por força do contido no artigo 50, VII, da Lei nº 9.784/1999. Conclusão A decisão proferida neste processo é nula de pleno direito, porquanto: a) o Auto de Infração não individualiza os valores glosados, deixando de indicar quais deduções não foram admitidas, o que não pode ser suprido pela Autoridade julgadora; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 183 7 b) alterou o fundamento da autuação, que, da falta de comprovação e da falta de comprovação do desembolso do valor pago, passou a ser a invalidade do comprovante de pagamento; c) a prova da efetividade da prestação dos serviços mediante a apresentação de ficha médica, exames, radiografias, relatórios, etc., é medida que se impõe apenas nas hipóteses que existam fundadas suspeitas de que o serviço não tenha sido efetivamente prestado, conforme iterativa jurisprudência administrativa; d) na decisão recorrida a Autoridade julgadora deixou de examinar argumento essencial da impugnação, qual seja, o da existência de presunção legal em favor do contribuinte, quanto aos esclarecimentos por ele prestados; e) na decisão recorrida a Autoridade julgadora deixou de justificar a não observância de pacífica e torrencial jurisprudência administrativa em favor do contribuinte, determinada no artigo 50, VII, da Lei nº 9.784/1999. Requerimento Ao final, requer que seja provido o presente recurso para fins de cancelamento do Auto de Infração. Aditamento ao recurso Em 24/05/2012 o Interessado postou nos Correios a petição de fls. 170/175, por meio do qual expõe para requerer, em síntese, nos seguintes termos: A Autoridade julgadora não pode, invocando a preclusão recusarse a apreciar argumento de direito levantado na impugnação, ainda que a destempo. A Súmula CARF nº 40 deixa absolutamente claro que somente na hipótese da existência de “Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz” é que cabe exigir, do contribuinte, a comprovação do efetivo desembolso dos valores correspondentes às despesas médicas. Se em qualquer circunstância, desconsiderando a determinação do art. 845, § 1º, do RIR/1999, é necessário exigir a prova do desembolso, assim como da efetividade da prestação do serviço, estaria completamente esvaziado o objetivo que levou à criação da “Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz”. Pedido Requer seja cancelado o Auto de Infração, haja vista que na inexistência de “Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz” relativamente aos profissionais que lhe prestaram os serviços, a glosa das despesas médicas é absolutamente indevida. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 184 8 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Cingese a controvérsia à infração de dedução indevida de despesas médicas. No processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas e/ou a efetiva prestação dos serviços, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora, por intermédio do “Termo de Intimação Fiscal” de fl. 95, solicitou ao Recorrente, antes da constituição do crédito tributário, que apresentasse os “comprovantes da efetividade da prestação de serviços (relatório médico/odontológico, orçamento, ficha do paciente, exames, raios X, etc.) e do desembolso dos pagamentos efetuados, declarados e deduzidos como despesas médicas no ano de 2006 (Nota Fiscal de serviços, cópia de cheques, boletos bancários, extratos bancários, etc.), em relação aos pagamentos informados como feitos à Antonio Sérgio D. Mendes, CPF 732.611.90825, Karen de A Mendes, CPF 350.473.36832, Solange Gonçalves da Silva, CPF 133.831.63890, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 185 9 Flávio de Cezare, CPF 884.995.45815, Renata dos Santos Vicente, CPF 197.510.07860 e à Cristiane Cristóvão da Silva, CPF 192.939.44898”. Em face da apresentação dos documentos de fls. 103/107 (prontuários e orçamentos dos valores pagos aos profissionais de saúde Antonio Sérgio D. Mendes, Karen de A. Mendes e Flávio de Cezare Junior), a Autoridade lançadora considerou comprovada a efetiva realização dos serviços prestados pelos referidos profissionais. Em relação aos demais profissionais da área da saúde citados no “Termo de Intimação Fiscal” não houve a comprovação do efetivo dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços, motivo pelo qual as despesas pertinentes a eles foram glosadas, juntamente com a despesa declarada a favor CAPEP Prefeitura Municipal de Santos, para a qual o Interessado não apresentou o documento comprobatório. É sabido que o contribuinte não está obrigado a efetuar os pagamentos mediante a utilização de título de crédito, sendolhe lícito fazêlo em dinheiro. Contudo, se nesta hipótese for instado a comprovar o efetivo pagamento, penso que deve evidenciar a posse do numerário em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados. Nesse contexto, em que houve a prévia intimação do Recorrente e este não se desincumbiu de comprovar o efetivo pagamento das despesas realizadas e/ou a efetiva prestação dos serviços com os profissionais de saúde Solange Gonçalves da Silva, Renata dos Santos Vicente e Cristiane Cristóvão da Silva, bem como em face da não apresentação do comprovante de despesa da CAPEP, entendo que as glosas perpetradas pela Autoridade lançadora devem ser mantidas. As alegações do Recorrente não têm o condão de elidir o procedimento fiscal, uma vez que: a) A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 24) evidencia, de forma clara, o enquadramento legal e o motivo do lançamento, nos seguintes termos: Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea “a” e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.250/1995; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. Complementação da Descrição dos Fatos Glosadas parte das deduções com despesas médicas, pela não apresentação de comprovantes, em vista dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como em face da não comprovação nos termos exigidos em intimação, da efetividade da prestação do serviço, assim como pela não comprovação do desembolso dos valores declarados como pagos. O fato de a Autoridade lançadora não ter discriminado, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, as despesas glosadas e os respectivos profissionais de saúde não inviabilizou o conhecimento, pelo Interessado, das despesas que foram objeto de glosa. A ficha “Pagamentos e Doações Efetuados” da declaração de ajuste anual do Recorrente (fl. 36) revela, sem qualquer dificuldade, que o valor total glosado (R$ 28.922,18) referese a despesas com Cristiane Cristóvão da Silva, valor de R$ 12.000,00, Renata dos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 186 10 Santos Vicente, valor de R$ 10.000,00, Solange Gonçalves da Silva, valor de R$ 5.760,00 e Prefeitura Municipal de Santos – CAPEP, valor de R$ 1.162,18. Demais disso, não houve qualquer prejuízo ao Interessado, que teve quatro oportunidades para comprovar os pagamentos e/ou a efetiva prestação dos serviços, bem como colacionar aos autos o comprovante de pagamento à CAPEP (duas durante o procedimento fiscal, uma no prazo de impugnação e uma no prazo do recurso), porém não se desvencilhou do seu ônus. Acrescento, por fim, como razões para rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa suscitada pelo Recorrente, o seguinte excerto extraído da decisão de piso: No presente caso, a Notificação de Lançamento contém todos os elementos legalmente previstos. A alegação de cerceamento de defesa, quando analisada à luz da sequência de fatos ocorridos durante a ação fiscal e acima sintetizada, não pode prosperar. Após uma primeira intimação, as deduções relativas a dependentes, despesas com instrução e contribuições para previdência privada foram consideradas como devidamente comprovadas pela autoridade fiscal. Restou dúvida acerca da efetividade da prestação de serviços e dos respectivos pagamentos aos profissionais elencados na segunda intimação. Em face dos documentos apresentados, foi acolhida como regular a dedução de despesa referente aos profissionais Karen de Araújo Mendes, Antonio Sérgio D. Mendes e Flávio de Cezare Junior. Ademais, na impugnação apresentada transparece a plena compreensão acerca das razões das glosas efetuadas. b) A decisão recorrida não merece qualquer reparo, haja vista que as razões de decidir utilizadas pelos julgadores estão em sintonia com o motivo do lançamento evidenciado na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, vale dizer, glosa por não comprovação da despesa da CAPEB e ausência de comprovação do dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços pelos profissionais cujas despesas foram glosadas, tudo com fundamento no art. 73 do RIR/1999, cuja base legal é o § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844/1943. c) As observações lançadas na decisão de piso acerca dos requisitos formais dos recibos não foram a principal razão para manutenção do lançamento, senão apenas argumentos para contraditar a afirmação do Impugnante de que “a única exigência que a legislação tributária, acima reproduzida, impõe é a apresentação de comprovante de pagamento onde esteja especificado o nome e o número de inscrição no CPF do seu beneficiário” (fl. 10). A razão principal está expressa no dispositivo do acórdão e em sua ementa, qual seja, glosa por ausência de comprovação do dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços realizados, além da não comprovação da despesa da CAPEB, que foi esclarecida no corpo do acórdão. d) A intimação para a comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços é faculdade da Autoridade lançadora, com fundamento em disposição literal de lei, sob o ponto de vista material (DecretoLei nº 5.844/1943, art. 11, § 3º). O dispositivo legal não estabelece que a faculdade atribuída à Autoridade administrativa somente seja exercida nas hipóteses em que existam fundadas suspeitas no sentido de que o serviço não Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 187 11 tenha sido efetivamente prestado, de modo que onde o legislador não distinguiu, não cabe ao intérprete fazêlo. e) No que se refere às deduções de despesas é descabida a alegação do Interessado de que o ônus da prova da inveracidade dos fatos registrados na declaração de ajuste anual incumbe à Autoridade administrativa, uma vez que, por expressa disposição legal, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação das despesas médicas. f) A decisão recorrida solucionou a controvérsia com a devida fundamentação, ainda que sob óptica diversa daquela almejada pelo Recorrente. Encontrando motivação suficiente para decidir (não comprovação do efetivo dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços, bem como ausência de comprovante de despesa), não ficam os julgadores administrativos obrigados a responder, um a um, todos os pontos suscitados pelo contribuinte, mormente quando desinfluentes ao deslinde da controvérsia, a exemplo do disposto no § 1º do artigo 845 do RIR/1999, que se aplica apenas aos esclarecimentos prestados pelo contribuinte. Na espécie, a autuação decorreu justamente da falta de esclarecimentos acerca da efetiva comprovação dos dispêndios e/ou da efetiva prestação dos serviços, evidenciando a inaplicabilidade do referido dispositivo ao caso em análise. g) A Autoridade lançadora e a Autoridade julgadora de primeira instância não estão obrigadas a seguir a jurisprudência que o contribuinte entende ser dominante sobre a matéria, principalmente quando o tema ainda não se encontra pacificado administrativa ou judicialmente, como é o caso da glosa de despesas médicas em que o contribuinte apenas apresenta recibos em valores consideráveis. h) os Conselheiros do CARF estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ nas sistemáticas previstas, respectivamente, nos artigos 543B e 543C do CPC, bem como nos casos de súmulas do CARF que veiculem decisões reiteradas e uniformes (Regimento Interno do CARF, art. 62A c/c art. 72, caput). i) Ao contrário do afirmado pelo Interessado, a possibilidade de se exigir a comprovação do efetivo desembolso dos valores correspondentes às despesas médicas não está vinculada à existência de “Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz” relativamente aos profissionais cujas despesas foram glosadas, haja vista que tal faculdade decorre de disposição literal de lei (DecretoLei nº 5.844/1943, art. 11, § 3º). j) A Súmula CARF nº 40 somente deve ser aplicada no caso de existência de “Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz”, ou seja, existindo esta a prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento são requisitos indispensáveis à dedução e, caso não haja a comprovação, a aplicação da multa de ofício é imperativa. Inexistindo a “Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz”, como no caso em apreciação, a exigência da comprovação depende do juízo da Autoridade lançadora e a aplicação da multa de ofício não é obrigatória. k) Os integrantes deste Conselho não estão obrigados a aplicar a Súmula CARF nº 40 mediante interpretação contrario sensu, de forma que a pretensão do Recorrente de desconstituir o lançamento com base na referida súmula deve ser repelida. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10845.000571/200911 Acórdão n.º 2801003.930 S2TE01 Fl. 188 12 Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10120.726628/2012-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 2802-003.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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PEREMPÇÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 66 28 /2 01 2- 78 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2011, anocalendário 2010, devido à apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, relativo ao exercício 2011, ano calendário 2010, tendo como fonte pagadora o Banco do Brasil S.A., no valor de R$ 94.991,82, apurado com base nas informações do agente recebedor através da Declaração de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte – DIRF. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) ao lançamento alegando, em síntese, que o valor objeto da notificação referese a rendimentos recebidos acumuladamente pela titular decorrente de precatório no período de 31 meses (de dezembro de 2011 a junho de 2004). Portanto o cálculo está divergente, seguindo anexo para apreciação a declaração IRPF/2011 já retificada para análise. Declarando os rendimentos no campo correto (rendimentos recebidos acumuladamente) o imposto a pagar será de R$ 1.118,58. Pede também o indeferimento da multa de 75%. A impugnação foi indeferida tendo por fundamento: a) até a publicação da Medida Provisória nº 497 todos os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente estavam sujeitos ao ajuste anual na Declaração de Imposto de Renda; b) após a publicação de referida Medida Provisória, os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, quando decorrentes do trabalho e os decorrentes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondentes aos anoscalendários anteriores ao do recebimento, passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento; c) a natureza dos rendimentos percebidos pela contribuinte está dentre aquelas incluídas no regime de tributação previsto no artigo 12A da Lei 7.713; entretanto, a tributação exclusivamente na fonte de referidos rendimentos só passou a ser a regra a partir da publicação da MP 497, em 27 de julho de 2010, ou seja, até então, a regra era que tais rendimentos estivessem sujeitos ao ajuste anual, na forma prevista no artigo 12 da mesma lei; d) A contribuinte recebeu os rendimentos em 25/06/2010 (fls. 13 e 49/50); o §7º do artigo 12A da Lei nº 7.713/1988, prevê uma regra de transição específica para os rendimentos recebidos entre 01/01/2010 e 27/07/2010, e dispõe que tais rendimentos poderão ser tributados exclusivamente na fonte, mediante opção do contribuinte em sua declaração de ajuste anual do exercício 2011, ano calendário 2010; e) para os rendimentos recebidos acumuladamente no período de 01/01/2010 a 27/07/2010, a regra é a Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.726628/201278 Acórdão n.º 2802003.283 S2TE02 Fl. 103 3 tributação na forma prevista no artigo 12 da Lei 7713/1998; a aplicação do artigo 12A dependia de manifestação da contribuinte, todavia a contribuinte não exerceu essa opção, uma vez que não informou seus rendimentos na declaração de ajuste anual; e não pode fazêlo na impugnação, pois a legislação veda a retificação da declaração para alteração da forma de tributação após decorrido o prazo para sua apresentação (29/04/2011), consoante art. 5º da IN RFB nº 1.095/2010 c/c art. 13 da IN RFB nº 1.127/2011; f) a multa de ofício de 75% decorre de previsão legal, não exige a presença de dolo e o caráter vinculado do lançamento administrativo impede deixar de exigila. A ciência do acórdão ocorreu em 17/10/2012 (fls. 61/62) e o recurso voluntário foi interposto no dia 19/11/2012 (fls. 64/76). A peça recursal estruturase com as razões adiante resumidas: 1. os rendimento que ensejou o lançamento é fruto de precatório pago pela União em virtude de Mandado de Segurança, que garantiu a incorporação de gratificação aos proventos que recebe na condição de pensionista, a medida provisória que alterou a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente foi publicada após o recebimento do valor em discussão, sendo aplicável neste caso o sistema anterior à medida provisória em virtude de a lei não poder retroagir para prejudicar; 2. por erro do contador encarregado de elaborar sua Declaração de Ajuste Anual, não constou no item obrigatório os rendimentos recebidos acumuladamente, por entender que já houvera a tributação; ao perceber o engano, o contador elaborou declaração retificadora que gerou imposto de R$1.118,58, que com acréscimos legais somou R$2.126,08 pagos pela contribuinte; 3. clama pela análise cautelosa do recurso, por ter mais de 78 anos de idade e problemas sérios de lapso de memória e porque não houve dolo nem culpa; o Direito Brasileiro deve ser interpretado dando razão a quem não entende o caráter errôneo do ato em que se envolveu; 4. não visualizou no DARF enviado com a intimação, o desconto do DARF já recolhido; 5. não pode ser prejudicada pelo injusto praticado pela própria União que não lhe pagou os rendimentos na Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 época própria e agora almeja cobrar imposto de forma mais gravosa acrescido de multa de 75%; e 6. requer cancelamento do lançamento e, subsidiariamente, da multa de 75%. Em 05/12/2012 foi protocolada petição de alteração de protocolo de petição (fls. 82/96) contendo as seguintes alegações: 1. possui direito à tributação de rendimentos recebidos acumuladamente nos termos do art. 12A da Lei 7.713/1988, por ser pessoa senil (mais de 70 anos) esqueceuse de informar os rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, o que não lhe afasta o direito à opção pelo regime de tributação exclusiva prevista no referido dispositivo legal, com emprego de tabela proporcional ao número de meses a que correspondem os rendimentos acumulados; 2. os rendimentos foram recebidos em 25/06/2012, data inserido no período em que se admitiu a opção (01/01/2010 a 27/07/2010); 3. o Fisco não tem respaldo legal para adotar a forma de tributação mais onerosa fundamentado exclusivamente na falta de declaração dos rendimentos, notadamente quando dessa medida resulta multa de ofício e há previsão de tributação mais benéfica no art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN; e 4. requer seja recepcionada a declaração retificadora na qual se incluem os rendimentos em discussão na forma do art. 12A da Lei 7.713/1988; redução da multa de 75% em decorrência dos princípios da proporcionalidade, capacidade contributiva e não confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/1972, a partir da data da notificação da decisão de primeira instância, o recorrente dispõe de 30 (trinta) dias para a apresentação do Recurso Voluntário. Esse prazo é contínuo, excluindose na contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. E o prazo só se inicia ou vence em dia de expediente normal em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, tal como disciplinado pelo art. 5º do citado Decreto. A ciência do acórdão de primeira instância ocorreu em 17/10/2012, uma quartafeira (fls. 61/62), de forma que o termo final para interposição do recurso foi 16/11/2012, uma sexta feira, de expediente normal, consoante Portaria nº 595, de 22 de dezembro de 2011, do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, publicada no Diário Oficial da União, de 26/12/2011. Entretanto, o recurso voluntário somente foi protocolado em 19/11/2012 , segundafeira (fls. 64/76), portanto intempestivamente, o que caracteriza a perempção e impede a apreciação do recurso voluntário. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.726628/201278 Acórdão n.º 2802003.283 S2TE02 Fl. 104 5 Não houve préquestionamento sobre a tempestividade. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000246/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 46 /2 01 0- 17 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 115 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 116 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 05444.23093.131008.1.1.119748, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento da COFINS referese ao crédito atinente ao 2º trimestre de 2006, no montante de R$ 10.840.442,27 (dez milhões oitocentos e quarenta mil e quatrocentos e quarenta e dois reais e vinte e sete centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 82/87): 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento de supostos créditos de Cofins nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2006. 5. Em despacho decisório exarado nas fls. 20/24, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pedido de ressarcimento, devido à falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela autoridade fiscal. 6. Em 09/11/2011 apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade anexa às fls. 30/69, na qual alega em síntese que: 6.1 “todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível”; 6.2 foi desejo do legislador que, no regime nãocumulativo, não houvesse qualquer vedação ao creditamento; 6.3 existe nítida distinção entre os conceitos de “produtor” e “distribuidor”; 6.4 os distribuidores que apurem o IRPJ pelo lucro real “foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade”; 6.5 o art. 3°, I, alínea “b” da lei n° 10.833/2003 referese apenas a produtores e importadores, de modo que não há lei vedando o aproveitamento de crédito pelos distribuidores de combustíveis. 6.6 a tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; 6.7 o art. 17 da lei n° 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes sujeitos ao regime da nãocumulatividade, ainda que faturem com alíquota zero, têm direito a creditarse de Pis e Cofins; 6.8 o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins diverge em vários aspectos daqueles adotados no âmbito do IPI e do ICMS. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 117 4 7. Concluindo, requer o deferimento do creditamento pleiteado, bem como a homologação da compensação a ele vinculada. A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 82/87) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontrase prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.833/2003. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência da COFINS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO Averiguada a inexistência do direito creditório pleiteado, deve se Indeferir o pedido de ressarcimento. AQUISIÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DO CREDITAMENTO A aquisição para revenda de derivados de petróleo — particularmente gasolina A e óleo diesel — produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica, não gera créditos por força de vedação expressa contida na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 95/111), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 118 5 afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 119 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 2º Trimestre de 2006, no valor de R$ 10.840.442,27 . O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.833/2003, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 120 7 A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo COFINS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.833/2003, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 121 8 (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.833/2003, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 122 9 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.833/2003, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo da COFINS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 123 10 Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 124 11 É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 125 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 126 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 127 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 128 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 129 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000246/201017 Acórdão n.º 3301002.338 S3C3T1 Fl. 130 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10920.006637/2007-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.282
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 715 1 714 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.006637/200766 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2403000.282 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 11 de setembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 06 63 7/ 20 07 -6 6 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 716 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC que julgou procedente a NFLD nº. 37.126.1783 (contribuinte individual), com valor consolidado de R$ 1.894.091,60, nas competências 07/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal, às fls. 33 a 44, aponta os motivos ensejantes da autuação: 3. O presente relatório integra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada sob o no acima indicado. Referida notificação tem por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinados á Seguridade Social parte da empresa e dos seguras, (inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho), e a entidades denominadas 'Terceiros° (Salário Educação, Incra, Senai, Sesi e Sebrae), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais (Administradores). O Relatório Fiscal informa os valores das bases de cálculo apuradas: 4. Os valores das bases de cálculo apuradas encontramse divididos e classificados da seguinte forma: 4.1 DPJ DESCONSIDERAÇÃO PAGTOS A PJ: Referese a pagamentos efetuados a título de prestação de serviços de pessoa jurídica a trabalhadores tidos pela Notificada como empresários, porém considerados por essa fiscalização como legítimos empregados, tendo em vista a natureza dos serviços prestados e a sua forma direta, habitual, remunerada, pessoal e subordinada. 4.2 ADM PAGAMENTOS A ADMINISTRADORES: Referese a remunerações pagas, diretamente ou através do pagamento de suas despesas particulares, aos administradores abaixo identificados. Tais valores não foram incluídos em Folhas de Pagamentos e GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e constam da escrituração contábil (período de 0110712005 a 3111212006), lançados a , débito de diversas contas, tais como: "Antecipação Extra Fornecedores, "Adiantamento P/Fornecedores ", "Adiantamento Subst. Espécie", Wcel Motores e Fios Ltda. ", "Fornecedores Nacionais", "Outras Contas Diversas" e "Sere. Terceiros P/Gestão Administrativa". Os pagamentos encontram se discriminados em planilhas anexas contendo a data de pagamento, Fl. 716DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 717 3 os valores pagos, as contas que abrigam os valores lançados a débito e a reprodução do histórico contábil, constantes da escrituração contábil. 5. DO LEVANTAMENTO DPJ DESCONSIDERAÇÃO DE PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA: 5.1 Esse levantamento se justifica em virtude das seguintes constatações: 5.1.1 A Notificada mantém contrato de trabalho com diversos trabalhadores, investidos de titular ou sócios de empresas constituídas com o fim exclusivo de prestar serviços á Notificada e empresas do Grupo. Ocorre que essas pretensas empresas não foram contratadas para prestação de • serviço com cessão de mãodeobra, como se poderia pensar à primeira vista. O que realmente acontece é a contratação de trabalhadores para exercerem atividades típicas de empregados, disfarçadas através da formalização de contrato entre pessoas jurídicas," com emissão de notas fiscais em lugar da emissão de recibos de salários e folhas de pagamentos, deixandose assim de serem recolhidas todas as contribuições previdencianas devidas. 5.1.2 Os serviços são executados no estabelecimento da empresa, com o cumprimento dos horários determinados por essa, com o uso de toda a sua estrutura, nas mesmas condições dos demais empregados e nos mais diversos setores, • tais como: Financeiro, Controladoria, Recursos Humanos, Contabilidade, Cadastro de Clientes, Área de Vendas, Compras, Comércio Exterior, Produção, Controle de Qualidade, Processamento de Dados e Informática. Enfim, praticamente em todos os setores da empresa existem trabalhadores remunerados dessa forma. Para ilustrar a situação citamos abaixo alguns casos: a) O Sr.Idezides Rezende Filho que é Gerente de Recursos Humanos e procurador da empresa tendo inclusive recebido o Mandado de Procedimento Fiscal No 09388372F00 e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD atinentes a essa ação fiscal presta serviços à Notificada, na qualidade de Gerente de RH, e suas remunerações são pagas mediante a apresentação de notas fiscais, emitidas pela empresa Link Informática e Assessoria em RH Ltda. CNP]: 05.257.0721000132. O Sr. Idezides, tem como sócio na empresa Link Informática o Sr. Idezides Rezende Neto, que também presta serviços no setor de recursos humanos da Notificada e recebe remuneração nas mesmas condições. Os valores pagos são contabilizados na conta "Serviços de TerceirosPIRecursos • Humanos" Código: 5122030313100. b) O Sr. Claudinei Dias Gonçalves, presta serviços no Departamento de ~Pessoal, sendo o responsável pelas anotações de admissões e demissões de empregados, elaboração de folhas de pagamentos, GFIP, recolhimentos de FGTS, INSS e demais atribuições da função, recebendo suas remunerações através da empresa Vita Processamento de Dados Ltda.(razão social anterior: JC Digitação de Dados Ltda.) CW3 07.463.0021000166. Os valores pagos são contabilizados na conta "Serviços de Terceiros PJRecursos Humanos Código: 5122030313100". Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 718 4 c) Para citar todos os casos, elaboramos as seguintes planilhas, anexadas ao presente: PLANILHA 06 Relaciona todos os pagamentos efetuados por data, valor, identificação do empregado, código e descrição do título contábil e a reprodução do histórico contábil. Nessa planilha constam, dentre outros, valores extraídos da conta "Adiantamento a Fornecedores", tendo em vista que esses valores permanecem "pendentes" nessa conta, não tendo sido efetivada a sua apropriação para a respectiva conta de despesas. No entanto, tratase de pagamentos em retribuição a serviços prestados. PLANILHA 07 Contém o nome do trabalhador, identificação da empresa em que figura como sócio ou titular e através da qual recebe suas remunerações, o setor e/ou tipo de serviço prestado e o número do ramal telefônico interno da Notificada, usado pelos mesmos e constante de relação de Lista de Ramais elaborada pela empresa. 5.1.3 Constatamos que diversos trabalhadores, "exempregados" da Notificada, tiveram a rescisão de seus contratos de trabalho, na qualidade de segurados empregados e, em seguida, constituíram empresa "individual" ou "Ltda. " e continuaram prestando os mesmos serviços que prestavam anteriormente, caso em que se enquadram: Aloísio Francisco Lescowicz, Araci Lemke, Maghda Djamira Pedron, Claudinei Dias Gonçalves, Claudinei Ribeiro, Rui Pavloski. 5.1.4 Nos casos em que o trabalhador já inicia • com contrato de prestação de serviços entre pessoas jurídicas é comum, até que seja formalizada a constituição de sua empresa e confeccionados os blocos de notas fiscais, que os pagamentos sejam efetuados a débito da conta "Adiantamento P/Fornecedores", constando no "histórico" do lançamento contábil o número do cheque emitido, não havendo menção à nota fiscal. A partir da emissão de notas fiscais os pagamentos passam a ser contabilizados nas respectivas contas de "Serviços de Terceiros PT'. 6. DO LEVANTAMENTO ADM PAGAMENTOS A, ADMINISTRADORES: 6.1 As bases de cálculo desse levantamento referemse a pagamentos efetuados aos administradores abaixo, durante o período de 0712005 a 1212006, da seguinte forma: Hamilton Trentin Coitinho Sócio da empresa para o qual constam pagamentos, durante o período de 0712005 a 1212006. Tais valores referemse a pagamentos diretos(ProLabore) e pagamentos indiretos, através da quitação de despesas particulares do mesmo tais como: taxas de condomínio, taxas de marina, pagamentos de fatura de cartões de crédito, pagamentos de títulos de capitalização, pagamentos de impostos e taxas pessoais. Esses pagamentos estão identificados nos históricos contábeis sob as "iniciais" • "HTC". Os valores pagos encontramse discriminados na planilha 01 em anexo. Ederson Benetti Administrador nomeado, conforme Certidão expedida pela Junta Comercial do Estado de Santa CatarinaReg. NO. 200624390812210912006, a quem foram efetuados pagamentos a Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 719 5 título de honorários (prólabore). Os valores pagos encontramse discriminados na planilha 04 em anexo. Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo Oliveira Grubba, sócios da responsável solidária Kcel Motores e Fios Ltda., que participam da administração das empresas d_o _ grupo econômico, cujas remunerações se encontram contabilizadas, de 0712005 a 0212006 na conta Serviços de Terceiros PJ Gestão Administrativa e nos meses seguintes lançados a débito de "Adiantamento P/Fornecedores" e "Outras Contas Div. ". Dentre os valores considerados pagamentos de remunerações a esses administradores incluemse lançamentos dos dias 06, 09, 10 e 1111012006, cujos históricos contábeis tratam como empréstimos. No entanto, esses valores são contabilizados a débito da conta "Adiantamento P/Fornecedores" e a crédito de "Kcel Motores e Fios Ltda. " não ficando caracterizada a transação a título de empréstimo. A Notificada adota, • para fins de pagamentos das remunerações desses administradores, os mesmos critérios adotados quando dos pagamentos a empregados, como se fossem pagamentos a empresas prestadoras de, serviços. No entanto, também em relação aos' administradores, tratamse de pagamentos a pessoas ~ tïsicas, assim remuneradas em contraprestação ao trabalho pessoal e direto realizado no desempenho da administração das empresas do grupo. Os valores ;;I pagos encontramse discriminados na planilha 02 e 03, em anexo. Estão incluídos, também, nessa notificação contribuições incidentes sobre remuneração de administradores, pagas através do custeio de despesas particulares desses, principalmente o pagamento de • aluguel residencial e despesas domésticas, conforme lançamentos constantes da planilha 05, em anexo. 7. Durante a ação fiscal foram examinamos os seguintes documentos, disponibilizados pela notificada: Livros Diário e Razão (até 1212006); Folhas de Pagamentos; Fichas de Registro de Empregados; Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP. GPS Guia da Previdência Social; Contratos de Prestação de ServiçosPessoa Jurídica; Notas Fiscais de Prestação de ServiçosPJ; O Relatório Fiscal, às fls. 33 a 44, também caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA; KCEL MOTORES E FIOS LTDA; e KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A): 11. As empresas acima identificadas foram consideradas solidariamente responsáveis pelos débitos ora notificados, em virtude Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 720 6 da caracterização de Grupo Econômico, considerandose as situações adiante: 11.1 A empresa Kohlbach S/A é sócia majoritária da empresa União Motores Elétricos Ltda. e o seu Diretor Superintendente ocupa cumulativamente o cargo de Administrador da União Motores Elétricos Ltda., conforme cláusula sétima e parágrafo primeiro da 10a. Alteração Contratual dessa (cópia anexa). 11.2 Os sócios da empresa KCEL Srs. Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo Oliveira Grubba, participam da administração do grupo e são remunerados pela União Motores, recebendo suas remunerações mediante a emissão de notas fiscais através das empresas PGM Consultoria Ltda e T.E.Grubba Advogados Associados, respectivamente. Tais pagamentos encontramse contabilizados na conta "Serviços de Terceiros P3 Presidência código 5122030313000". 11.3 As empresas ocupam o mesmo imóvel, à Rua Bernardo Grubba, 180, centro, Jaraguá do SulSC , onde além da empresa Kohlbach S/A e da União Motores localizase a filial da Kcel. Nesse endereço, conforme constatado em visita a todas as suas dependências, não é possível distinguir quais departamentos, setores e empregados que pertencem a uma ou a outra empresa, tendose a nítida impressão de tratarse de uma única empresa. 11.4 A matriz da Kcel, encontrase situada 6 Rua Ponte Pênsil, No 743, Schroeder SC. No entanto, nesse endereço encontrase estabelecida apenas a unidade industrial, sendo a administração, de fato, exercida no endereço do item acima; 11.5 Nesse item citamos, a titulo de exemplo, um dos casos que demonstram o vinculo entre as empresas: 0 Sr. Idezides Rezende Filho assina, na condição de Gerente de RH e procurador da empresa União Motores, o Mandado de Procedimento Fiscal No. 09388372F00 e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativos a ação fiscal desenvolvida na União. E, ao mesmo tempo, o Sr. Idezides presta serviços à empresa Kcel, também na qualidade de Gerente de RH. Trata7se de empregado remunerado por ambas as empresas e que presta serviços a todo o grupo. 11.6 Os serviços de recepção, bem como a central telefônica, de No 33726600, atende indistintamente a todas as empresas. 11.7 Para fins de subsidiar a caracterização de Grupo Econômico, transcrevemos abaixo trechos de Sentença Trabalhista da Justiça do Trabalho da 12. Região 1a. Vara do Trabalho de Jaraguá do SulSC, que aborda o assunto (...). O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD é de 07/2005 a 12/2006. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 12.11.2007, conforme Aviso de Recebimento AR n714794052, às fls. 108. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 721 7 A empresa UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA e a empresa solidária KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A) apresentaram Impugnação conjunta, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: `A empresa, regularmente intimada por via postal (fl. 108), apresentou impugnação (fls. 1091132),conjuntamente com a empresa União Serviços Comerciais S/A , anteriormente denominada Kohlbach S/A, na qual alega, além dá tempestividade da defesa, em breve síntese: pagamentos efetuados aos sócios e administradores: que os pagamentos de despesas dos sócios devese ao fato de que nem sempre residem no local de sua sede, como é o caso do sócio Hamilton Trentin Coitinho que reside em Balneário Camboriú, motivo pelo qual suas despesas com transporte, habitação e alimentação, ressarcidas ou arcadas pela empresa, não devem sofrer incidência de contribuições previdenciárias a teor do art. 28, § 9°, alínea "m" da Lei 8.212/91; que houve cerceamento de defesa, eis que a fiscalização elaborou tabela com os supostos pagamentos em nome dos sócios com datas em que o pagamento não ocorreu, como enumera exemplos; que os senhores Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo de Oliveira Grubba não fazem parte de qualquer relação de trabalho ou sociedade com a empresa União Motores, pois somente prestam serviços de consultoria em administração de empresas e assessoria jurídica, respectivamente. i pagamentos efetuados a pessoas jurídicas: que no setor privado as pessoas físicas e jurídicas têm maior liberdade para contratar de formas diversas da relação celetista de trabalho, em atendimentos a diversos princípios constitucionais; que a fiscalização pretende alcançar o bis in idem ao lançar contribuições que já foram recolhidas pelas pessoas jurídicas contratadas; que, como o próprio au 'tor relata, as pessoas jurídicas não prestam serviços com exclusividade para a sua empresa; grupo econômico: que entre a notificada União Motores e a empresa Kohlbach S/A há ligação societária, pois uma detém o controle societário da outra, conforme os documentos societários registrados; entretanto, com relação à empresa KCEL, não há qualquer ligação societária, apenas comercial, que se caracteriza com o fato de a referida empresa ser tomadora de serviços de industrialização desta impugnante; que o instituto denominado grupo econômico é uma figura exclusivamente do Direito do Trabalho, como ressaltado na própria sentença da qual se valeu a fiscalização; que não foi relatado que, em outras ações trabalhistas, o juiz afastou a questão do grupo econômico com relação à KCEL;que não há qualquer lei tributária específica que determine a desconsideração da personalidade jurídica, logo a indicação das duas empresas como solidárias é ato ilegal; que a iípugnante presta serviços ou vende equipamentos para a KCEL, tal como ocorre com outras várias empresas; que é ilegal considerar que todas as empresas da cadeia comercial ligadas à impugnante devam ser responsabilizadas pelas obrigações desta; que a empresa KCEL apenas aluga espaço comercial no Condomínio Empresarial Jaraguá do SUL, conforme contrato de locação, assim como outras empresas lá estão localizadas; que o fato de os senhores Paulo Morita e Tácito Grubba serem sócios da Kcel não os impede de exercerem atividades como prófissionais liberais para outras empresas; que não deve Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 722 8 prevalecer o fato de que alguns funcionários são comuns entre as empresas, porque eles são terceirizados, não contratados pelo regime celetista, e estão livres para prestar serviços a mais de uma empresa. ,~ Requer a insubsistência do lançamento e a exclusão da empresa KCEL Motores e Fios Ltda do pólo passivo.Junta procurações, Instrumentos Sociais e cópias de documentos (fls.133/349). Houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 355 a 356, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Os autos foram baixados em diligência (fls.355/356), com o fito de que,,.o Auditor Fiscal responsável pela ação fiscal trouxesse aos autos a evolução do quadro societário da notificada e das empresas responsabilizadas solidariamente; informasse os reais responsáveis pela administração das empresas e de que forma os sócios da Kcel, que constam da contabilidade da União Motores, participam da administração desta empresa; esclarecesse se foi identificada dependência econômica e operacional entre as empresas ditas solidárias, considerando a natureza de suas atividades e a relação entre seus faturamentos e despesas; e se manifestasse, de forma conclusiva, em relação ao real funcionamento do Condomínio Empresarial Jaraguá do Sul, em vista das alegações e documentos apresentados pela impugnante, informando sobre a existência de outras empresas no condomínio, sobre a utilização em comum pelas empresas de espaços e de serviços de empregados, além de formas de rateio de despesas em comum para manutenção do condomínio. A Resposta à Diligência Fiscal às fls. 357 a 364. A empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA, cientificada do lançamento fiscal em 07.12.2007, apresentou Impugnação em 25.03.2008 alegando não ter recebido cópia do Auto de Infração em tempo de elaborar sua defesa: Regularmente cientificada do lançamento em 07/12/2007 (fls. 106 e 353), a empresa KCEL Motores e Fios Ltda. apresentou impugnação em 25/0312008 (fls. 372/389), alegando, inicialmente, a tempestividade desta, em favor do que argumenta: que recebeu em 04/12/2007 o oficio cientificadoa do lançamento; que solicitou cópias dos processos para ,a elaboração da defesa; que em 20/12/2007 protocolizou petição requerendo a prorrogação do prazo para apresentação da defesa; que as cópias lhe foram entregues em 22/02/2008 de modo que considera que o prazo de defesa foi prorrogado. para 24103/2009. No mais, defende a inexistência do grupo econômico e a ausência de fundamentos fáticos e legais para a sua responsabilidade solidária pelo débito constituído contra a notificada União Motores. Junta copias de documentos às fls. 390/456. Após a ciência do resultado da Diligência Fiscal, todas as empresas apresentaram Manifestação: Dadas ciências ás notificadas do resultado da diligência (fls. 459/465), as empresas União Motores Elétricos Lida e União Serviços Comerciais S ,A (denominação anterior: Kolilbuch S/A), Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 723 9 conjuntamente, e KCEL. apresentaram manifestações. as fls.466/472 e 475/482, respectivamente, insurgindose contra a configuração do grupo econômico. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, considerando intempestiva a Impugnação da empresa KCEL Motores e Fios Ltda, nos termos do Acórdão nº 0716.842 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD n°. 37.126.1783, de 31/10/2007 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. É necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente Acórdão Acordam os membros da 6' .Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação apresentada pela empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA; e considerar procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto da relatora. Encaminhese à unidade de origem para intimar o contribuinte, bem como as responsáveis solidárias, ao pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. Após, a 1a. Turma Ordinária do CARF, no Acórdão no 2401002.539, anulou a decisão de primeira instância por considerar tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 724 10 Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação/notificação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários a partir de simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais. É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário, oportunizandolhes a interposição de impugnação. INTIMAÇÃO ATOS PROCESSUAIS. SOLICITAÇÃO CÓPIA DO PROCESSO. DATA DA ENTREGA. VALIDADE COMO TERMO A QUO DO PRAZO DE DEFESA. Uma vez comprovada à inexistência da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor da notificação/autuação fiscal, indispensável ao exercício da ampla defesa, impõese admitir como termo inicial do prazo de impugnação a data da entrega da cópia do processo, requisitada pela contribuinte, oportunidade em que teve conhecimento de referido ato, suprimindo, por conseguinte, o obstáculo à sua defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição de defesa Segue a decisão deste Acórdão no 2401002.539 da 1a. Turma Ordinária do CARF: Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA., devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição da impugnação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 725 11 Após as intimações do Acórdão emanado do CARF, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 NFLD/DEBCAD: 37.126.1783, de 31/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização deve efetuar o lançamento de ofício, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. É necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto da relatora. Encaminhese à Unidade de Origem. Intimese a interessada para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. Houve intimação à empresa solidária Recorrente KCEL MOTORES E FIOS LTDA para ciência do Acórdão da decisão de primeira instância, conforme a Comunicação SACAT 119/2013: Comunicação SACAT nº 119/2013 Joinville SC, 25 de março de 2013. A KCEL MOTORES E FIOS LTDA. AVENIDA DAS NAÇÕES UNIDAS, 12.995 – 10º ANDAR – SALA 1034B BAIRRO: BROOKLIN CEP: 04.578000– SÃO PAULO SP. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 726 12 Processo: 10920.006637/200766 Referente: AI 37.126.1783 Encaminhamos, em anexo, cópia do Acórdão n° 0730.771, prolatado pela 6ª Turma da DRJ/FNS, referente ao processo citado acima. Cientificamos a empresa que o processo permanecerá nesta Sacat/DRF/Joinville/SC, por 30 (trinta) dias, aguardando seu pronunciamento. Esgotado este prazo o processo seguirá para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Conforme Despacho da Unidade da Delegacia da RFB em Joinvile SC, observase que apenas a empresa solidária KCEL MOTORES E FIOS LTDA teve ciência do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, sem apresentar Recurso Voluntário: Joinville, 3 de maio de 2013. Processo: 10920.006637/200766 Interessado: UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. E OUTROS CNPJ: 00.249.247/000146 Cientificouse a empresa Kohlbach S/A, cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A, do Acórdão CARF nº 2401002.539/ 2012 (AR de fl. 674) deste processo. Em 29/10/2012 União Serviços Comerciais S/A (antiga Kohlbach S/A) protocolou manifestação (fls. 678 a 690). Com relação à empresa Kcel Motores e Fios Ltda. informase que a 6ª Turma da DRJ/FNS/SC prolatou o Acórdão nº 0730.771, em 28/02/2013, no qual manteve o crédito tributário. A empresa Kcel Motores e Fios Ltda. tomou ciência deste acórdão em 02/04/2013 (AR fl. 707). Até a presente data não apresentou recurso. Cumprido o que foi determinado pelo Acórdão CARF nº 2401002.539/ 2012, encaminho este processo ao CARF para a continuidade do julgamento. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 727 13 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC que julgou procedente a NFLD nº. 37.126.1783 (contribuinte individual), com valor consolidado de R$ 1.894.091,60, nas competências 07/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal, às fls. 33 a 44, aponta os motivos ensejantes da autuação: 3. O presente relatório integra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada sob o no acima indicado. Referida notificação tem por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinados á Seguridade Social parte da empresa e dos seguras, (inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho), e a entidades denominadas 'Terceiros° (Salário Educação, Incra, Senai, Sesi e Sebrae), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais (Administradores). O Relatório Fiscal, às fls. 33 a 44, também caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA; KCEL MOTORES E FIOS LTDA; e KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A). Da anulação da decisão de primeira instância. A 1a. Turma Ordinária do CARF, no Acórdão no 2401002.539, anulou a decisão de primeira instância por considerar tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 728 14 Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA., devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição da impugnação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Após as intimações do Acórdão emanado do CARF, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma. Houve intimação à empresa solidária Recorrente KCEL MOTORES E FIOS LTDA para ciência do Acórdão da decisão de primeira instância, conforme a Comunicação SACAT 119/2013. Conforme Despacho da Unidade da Delegacia da RFB em Joinvile SC, observase que apenas a empresa solidária KCEL MOTORES E FIOS LTDA teve ciência do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, sem apresentar Recurso Voluntário: Joinville, 3 de maio de 2013. Processo: 10920.006637/200766 Interessado: UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. E OUTROS CNPJ: 00.249.247/000146 Cientificouse a empresa Kohlbach S/A, cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A, do Acórdão CARF nº 2401002.539/ 2012 (AR de fl. 674) deste processo. Em 29/10/2012 União Serviços Comerciais S/A (antiga Kohlbach S/A) protocolou manifestação (fls. 678 a 690). Com relação à empresa Kcel Motores e Fios Ltda. informase que a 6ª Turma da DRJ/FNS/SC prolatou o Acórdão nº 0730.771, em 28/02/2013, no qual manteve o crédito tributário. A empresa Kcel Motores e Fios Ltda. tomou ciência deste acórdão em 02/04/2013 (AR fl. 707). Até a presente data não apresentou recurso. Cumprido o que foi determinado pelo Acórdão CARF nº 2401002.539/ 2012, encaminho este processo ao CARF para a continuidade do julgamento. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se intimar as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA e KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.006637/200766 Resolução nº 2403000.282 S2C4T3 Fl. 729 15 Comerciais S/A) do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, observando os prazos processuais para o contraditório e a ampla defesa. Lei 9784/1999 Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) intime a empresa UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, com a observação dos prazos processuais para a ampla defesa e o contraditório; (ii) intime a empresa KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A) do Acórdão nº 0730.771 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, com a observação dos prazos processuais para a ampla defesa e o contraditório (iii) bem como, também informe se há processo judicial na qual as empresas sejam parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10384.721515/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. IMPLANTAÇÃO.
Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, conseqüentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação.
LUCRO DA EXPLORAÇÃO.
A norma que fundamentou o lançamento foi o art. 3º do Decreto 4.213/02, quando já estava em vigor a MP 2.199-14/01, razão pela qual se tornou impertinente todas a sustentação da recorrente em torno da Lei 5.508/68 e do Decreto que a regulamentou (nº 64.214, de 1969).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo, que davam provimento integral.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. IMPLANTAÇÃO. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, conseqüentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. A norma que fundamentou o lançamento foi o art. 3º do Decreto 4.213/02, quando já estava em vigor a MP 2.199-14/01, razão pela qual se tornou impertinente todas a sustentação da recorrente em torno da Lei 5.508/68 e do Decreto que a regulamentou (nº 64.214, de 1969). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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Recorrente FERRONORTE INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. IMPLANTAÇÃO. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, conseqüentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. A norma que fundamentou o lançamento foi o art. 3º do Decreto 4.213/02, quando já estava em vigor a MP 2.19914/01, razão pela qual se tornou impertinente todas a sustentação da recorrente em torno da Lei 5.508/68 e do Decreto que a regulamentou (nº 64.214, de 1969). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo, que davam provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 15 15 /2 01 3- 66 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1652.883 da 1ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento do tributo por estimativa e multa de ofício incidente sobre a falta de recolhimento do tributo apurado no ajuste anual, já que se tratam de infrações distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequ ente ao do vencimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 RECURSOS PÚBLICOS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EMPREENDIMENTO ECONÔMICO. VINCULAÇÃO E SINCRONIA. Os recursos fornecidos pela Administração Pública às pessoas jurídicas somente são classificados como subvenção para investimento e podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, quando houver vinculação e sincronia com a aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado. REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO. ANTIGA SUDENE. PEDIDO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITO INDISPENSÁVEL Para fazer jus ao benefício de redução do imposto, o contribuinte que exerce sua atividade na área de atuação da antiga SUDENE deve apresentar pedido completo com todos os requisitos formais e materiais Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10384.721515/201366 Acórdão n.º 1302001.623 S1C3T2 Fl. 462 3 ao chefe da unidade da administração tributária a que estiver sujeita, que é o servidor público competente para decidir sobre a questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 LANÇAMENTO REFLEXO. DECISÃO UNIFORME. O decidido quanto à inflação que implica lançamento de IRPJ deve ser aplicado também ao lançamento de CSLL decorrente da mesma infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1652.883 em 27/11/2013 (AR a fls. 381), interpôs, em 20/12/2014, recurso voluntário (doc. a fls. 382 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que os fatos alegados pela fiscalização para a autuação foram os seguintes: a.1) exclusões/compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real/exclusões indevidas no período de 2008 a 2010; a.2) inobservância de requisitos legais necessários ao gozo de incentivo, conforme relatório fiscal; a.3) multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. b) quanto à subvenção para investimento: b.1) que o incentivo fiscal concedido pelo Governo do Estado do Piauí tem como finalidade incrementar o parque industrial do Estado por meio de incentivos fiscais, sempre com o intuito e intenção de natureza de investimentos em virtude da recorrente utilizar os recursos do incentivo fiscal para adquirir, modernizar ou ampliar o seu parque industrial; b.2) que o valor recebido como contraprestação pecuniária pela recorrente, com toda a evidência, não se qualifica nem como remuneração de atividade econômica nem como acréscimo patrimonial; b.3) que a orientação do Parecer Normativo 112/78 é descabida; b.4) que as cifras subvencionadas, para que não sejam exacionadas, devem ser mantidas em reservas de capitais ou de lucros, conforme o período de apropriação, e só podem ser utilizadas nos estritos lindes da lei; b.5) que “...há um flagrante paradoxo. As subvenções para investimento, para serem desta forma caracterizadas, não poderiam ter destinação diversa daquela prescrita pelas normas comerciais e fiscais regentes. Nenhum destes escopos predefinidos autorizava, porém, que as reservas de capitais (até 2007) ou as reservas de incentivos fiscais (a partir de 2008) pudessem ser aplicadas na aquisição de bens componentes do ativo não circulante!”[sic]; b.6) que “Evidentemente, acaso se admitisse correção ao Parecer Normativo CST nº 112/78, estarseia esvaziando o estatuído pelo artigo 443 do Decreto nº 3.000/99. Afinal, só corresponderiam à subvenção para investimento os montantes que, contabilmente, fossem aportados para incremento de ativo nãocirculante – fato que, automaticamente, impediria a não tributação destas cifras.”; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 b.7) que “Só teríamos certeza de que as cifras subvencionadas se destinariam a investimento reto e efetivo em ativo nãocirculante acaso tal transporte constasse da contabilidade cenário este em que, paradoxalmente, alegarseia desvio de destinação e se pugnaria pela tributação dos valores pelo IRPJ e pela CSLL, por isso resta equivocada a decisão recorrida.”; b.8) que “A realização do investimento, embora denote a essência da subvenção em trato, não significa, de forma alguma, que o contribuinte tenha de empregar as cifras oriundas do incentivo, direta e imediatamente, no projeto desenvolvimentista objetivado. Vincular, contabilmente, os créditos de incentivos fiscal de ICMS, de um lado, à aquisição de bens e de direitos que viessem a expandir o ativo nãocirculante da companhia (ou a incrementar as atividades operacionais da pessoa jurídica, sob qualquer forma), de outro, seria impossível, por tudo o que já se expôs; b.9) que “...não desfigura a subvenção para investimento o fato de o subvencionado realizar investimento com recursos próprios, instaurando ou ampliando empreendimento econômico na região ou no setor incentivados, fruindo a benesse concedida em momento ulterior – inclusive empregando tais resultados, por exemplo, em distribuição de dividendos, nos termos do indigitado artigo 199 da Lei nº 6.404/76.”; b.10) que “Cronologicamente insustentável seria defender que o contribuinte primeiro recebesse a subvenção, para, a partir daí, implantar novo empreendimento econômico na região abrangida. Alegar tal despautério representaria afirmar que benefícios fiscais de ICMS jamais poderiam consubstanciar subvenções para investimento passíveis de fruição por sujeitos passivos prestes a se instalar na região incentivada. O gozo da benesse, obviamente, concretizarseia em momento posterior ao do investimento inaugural – o que imporia reconhecer que a implantação do emrpeendimento econômico tivesse sido feita à custa de cifras previamente auferidas.”; b.11) que o único critério servível para a qualificação da subvenção para investimento, em cotejamento com a subvenção de custeio, seja o intuito da autoridade subvencionadora, apreensível a partir da leitura do ato normativo concessor ou da própria natureza do incentivo; b.12) que, “...para caracterização da subvenção para investimento, irrelevante é a análise da destinação real dada aos fundos correlatos. O regime contábil a ser outorgado aos montantes desta espécie está prescrito pela legislação, sem margens de escape. Assim, a verificação do escopo investidor da concessão da subvenção deve ser feita de maneira abstrata, desvinculada do emprego prático dos importes subvencionados.”; b.13) que “Devese analisar, pois, se a instituição do incentivo tem por fim desenvolver o setor ou a região abrangidos, de um lado, ou se tem por fim desenvolver o setor ou a região abrangidos, de um lado, ou se tem simples finalidade não desenvolvimentista, de auxílio ao contribuinte no suporte de suas expesnas usuais.”; b.14) que o objetivo desenvolvimentista de promoção de investimentos está acentuadamente presente nos casos de benefícios unilaterais de ICMS, concedidos pelos Estados da Federação, sendo que os termos que informam a Lei Estadual n. 4859/96, o Decreto 10.172/99 e posteriormente pelo Decreto 14.255/10 ratificam esse entendimento; b.15) que “...cabe frisar que, no caso sob análise além da manifestação expressa do estado do Piauí dispondo que os recursos devem ser aplicados na implantação ou expansão de empreendimento, ela determina como deve ser aplicado os recursos sob pena do benefício fiscal, além de outras sanções, conforme demonstrado pelos intrumentos normativos já anexados aos autos.”; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10384.721515/201366 Acórdão n.º 1302001.623 S1C3T2 Fl. 463 5 c) que não é possível a concomitância de dupla penalização sobre o mesmo fato jurídico, não podendo incidir a multa de ofício com a multa isolada; d) quanto ao gozo do incentivo fiscal – lucro da exploração: d.1) que a isenção em rela é concedida por despacho da autoridade administrativa, que no caso ficou a cargo da extinta SUDENE, que defere o pedido do interessado instruído com a prova do atendimento dos requisitos específicos estabelecidos em lei (CTN, art. 179); d.2) que o ato que defere o pedido de isenção é meramente declaratório, pois não cria direito à isenção, mas simplesmente o reconhece e declara; d.3) que o art. 179, § 2º, c/c o art. 155 do CTN, em linguagem jurídica adequada, diz que o ato que defere o pedido de isenção deve ser desfeito, ou cancelado, pela Administração, situação a qual não ocorreu, sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não satisfazia ou deixou de satisfazer os requisitos para a obtenção da isenção, nada mais, nada menos que isso, porém, nada disso ocorreu com a recorrente, tendo em vista que a motivação do presente ato de lançamento se deu em decorrência da edição de lei geral que trata dos incentivos fiscais concedidos pela extinta SUDENE e pelo fato da recorrente não ter comunicado o incentivo fiscal a Secretaria da Receita Federal; d.4) que, analisando o caso em comento, a autoridade lançadora não respeitou o estabelecido na portaria que concedeu a isenção à impugnante, pois no Laudo Constitutivo nº 0142/2000 (Portaria DAI/ITE da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) restou consignado que o término do período de isenção da recorrente se daria no anocalendário 2011, não podendo a autoridade fiscal desconsiderar a determinação da portaria da SUDENE, para fins de tributação dos anoscalendários abrangidos pelo período isencional, estando adstrito a seus ditames; d.5) que, além do mais, a simples falta de comunicação à RFB que a empresa obtivera benefício de isenção não pode ser culminada com a perda do “benéfico, somente passsível de cassação de presentes irregularidades no projeto industrial aprovado ou se as demonstrações financeiras da empresa contiverem vícios insanáveis, situação a qual não ocorreu na presente situação”[sic]; d.6) que não é crível imaginar que a simples falta de comunicação da isenção obtida junto ao órgão legitimado para a sua concessão implicasse na perda do benefício, mormente não tendo a lei respectiva, claramente, imposto tal sanção; d.7) que o direito à isenção do IRPJ será reconhecido pela SUDENE, através de Portaria do Superintendente, a qual conterá os elementos determinados na Lei nº 5.508/68, art. 37, e Decreto nº 64.214/69, art. 8º, caput, sendo que esta Portaria configura o laudo constitutivo de que trata o Decretolei nº 1.564/77, da qual a SUDENE encaminhará cópia aos órgãos da Secretaria da Receita Federal, no prazo de 30 dias (Lei 5.508/68, art. 37); d.8) que o Poder Tributante delegou a outro membro da federação a competência para realizar políticas de incentivos ao desenvolvimento regional, atravé de incentivos fiscais, deverá obedecer todo o conteúdo fixado pela ato que concedeu o incentivo fiscal, inclusive o prazo lá fixado, não podendo desconsiderálo para fins de tributação; e) que é impossível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista a ausência de base legal para essa exigência; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 f) que requer seja julgado totalmente improcedente o lançamento, mas, se assim não entenda os Conselheiros, que seja cancelada a cobrança das multas isoladas, bem como afastada as glosas dos valores referentes ao benefício fiscal que faz jus e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme documentos a fls. 443 a 445, razão pela qual dele conheço. DA SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO Inicialmente, há que se ressaltar que a recorrente incorre em rotundo equívoco quando alega que: “...há um flagrante paradoxo. As subvenções para investimento, para serem desta forma caracterizadas, não poderiam ter destinação diversa daquela prescrita pelas normas comerciais e fiscais regentes. Nenhum destes escopos predefinidos autorizava, porém, que as reservas de capitais (até 2007) ou as reservas de incentivos fiscais (a partir de 2008) pudessem ser aplicadas na aquisição de bens componentes do ativo não circulante!” “Evidentemente, acaso se admitisse correção ao Parecer Normativo CST nº 112/78, estarseia esvaziando o estatuído pelo artigo 443 do Decreto nº 3.000/99. Afinal, só corresponderiam à subvenção para investimento os montantes que, contabilmente, fossem aportados para incremento de ativo nãocirculante – fato que, automaticamente, impediria a não tributação destas cifras.”; “Só teríamos certeza de que as cifras subvencionadas se destinariam a investimento reto e efetivo em ativo nãocirculante acaso tal transporte constasse da contabilidade cenário este em que, paradoxalmente, alegarseia desvio de destinação e se pugnaria pela tributação dos valores pelo IRPJ e pela CSLL, por isso resta equivocada a decisão recorrida.” Não há nenhum paradoxo ao se exigir que o subvencionado adquira bens de capital, para aumentar sua capacidade de produção, e, ao mesmo tempo, sejalhe limitada a utilização da reserva de capital (ou de incentivos pela nova regra) apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. Um erro primário como esse exige uma resposta mais didática, quase que primária. Ao ser concedida a isenção do ICMS, ocorre o que chamamos de insubsistência do passivo, ou seja, ICMS a pagar registrado no passivo que foi isentado deverá ser baixado em contrapartida de conta de resultado (receita). Lembro que a receita não ocorre apenas quando se aumenta ativo, mas também quando se diminui passivo (insubsistência do passivo). Esse valor lançado como receita de subvenção para investimento é, pela nova regra, o montante que deverá ser destinado do lucro para formação da reserva de incentivos. Por outro lado, se não foi pago o ICMS isentado, não houve saída de caixa desse Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10384.721515/201366 Acórdão n.º 1302001.623 S1C3T2 Fl. 464 7 valor, ou seja, o subvencionado continuou com os recursos financeiros no seu caixa, os quais ele deverá utilizar para adquirir os bens de capital. Assim, a aquisição de bens de capital com recurso do caixa alteram a situação financeira da pessoa jurídica, enquanto que a capitalização da reserva de incentivos nada altera a situação financeira da empresa. Em verdade, a recorrente confundiu situação financeira com situação econômica da empresa. Por outro lado, concordo com a recorrente quando afirma que: “Cronologicamente insustentável seria defender que o contribuinte primeiro recebesse a subvenção, para, a partir daí, implantar novo empreendimento econômico na região abrangida. Alegar tal despautério representaria afirmar que benefícios fiscais de ICMS jamais poderiam consubstanciar subvenções para investimento passíveis de fruição por sujeitos passivos prestes a se instalar na região incentivada. O gozo da benesse, obviamente, concretizarseia em momento posterior ao do investimento inaugural – o que imporia reconhecer que a implantação do empeendimento econômico tivesse sido feita à custa de cifras previamente auferidas.” Sobre essa questão, peço vênia aos meus pares para trazer à colação trecho de voto por mim proferido ainda na 1ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9101001.094), in verbis: “O § 2o do art. 38 é uma norma excepcional, logo deve ser interpretada estritamente, sem qualquer ampliação dos seus parâmetros hermenêuticos. Assim sendo, quando tal norma dispõe que a subvenção para investimento é concedida como “estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, há que se entender que a concessão do benefício fica condicionada ao cumprimento pelo beneficiário da exigência de ampliar ou expandir o empreendimento. Agora, se o Estado abre mão de cobrar o tributo do contribuinte, sem que se exija dele qualquer obrigação de ampliar ou expandir seu empreendimento, tal benefício será enquadrável como subvenção para custeio, pois o beneficiário terá total liberdade para aplicar os valores oriundos do benefício. Situação diferente é esta em que o Estado, para conceder o benefício, obriga o contribuinte a ampliar ou expandir seu empreendimento. Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, conseqüentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. Daí, há que se entender que, na hipótese sub examine, o estímulo à implantação do empreendimento de que trata o § 2o do art. 38 do DL no 1598/77, dar seá com o reforço do caixa da empresa, sem que com isso desnaturese a subvenção para investimento.” Ao se compulsar os autos, verifico essa é realmente a situação da recorrente, pois, conforme documentos a fls. 88 e segs., a Ferronorte Industrial Ltda. foi constituída em 28 de abril de 1999, sendo que lhe foi concedido o incentivo fiscal pelo Decreto nº 10.172, de 10 de outubro de 1999 (doc. a fls. 71), apenas seis meses depois do arquivamento do seu contrato social na Junta Comercial. Ademais, os termos do Decreto nº 10.172/99 deixam claro tratarse de subvenção para implantação de investimento, além do que ele estabelece um cronograma para que o subvencionado comece a gozar do incentivo sobre cada grupo de produtos por ele produzido, o que deixa claro que esse cronograma está relacionado a implantação gradual do parque industrial da recorrente. Saliento que a Lei nº 4.859/96 do Estado do Piauí (doc. a fls. 62) contempla incentivos que deixam dúvidas sobre o seu enquadramento como subvenção para investimento, tais como incentivos a revitalização e relocalização de unidades fabris, porém foi concedida à recorrente exclusivamente a modalidade de incentivo à implantação. Isso mesmo, o cronograma estabelecido pelo Decreto nº 10.172/99 previa a implantação do parque fabril da recorrente até 2010, sendo que tal incentivo seria gozado pelo prazo de 10 anos. Observo que em caso dos valores obtidos com o benefício exceder o total dos valores aplicados na implantação do empreendimento, tal excedente não gozaria de isenção de IR e deveria ser tido como subvenção para custeio, já que poderia ser aplicado livremente pelo beneficiário. Todavia, se o valor aplicado na implantação do empreendimento é maior ou menor do que o valor da subvenção recebida durante os períodos fiscalizados, é uma outra questão que não foi posta para ser dirimida na presente demanda, mesmo porque deveria ter sido investigada pela autoridade lançadora com mais profundidade, para eventualmente desconsiderar parte dos valores oriundos do benefício não destinado à finalidade legal. Ora, é frágil a demonstração desse descompasso pela Autoridade Fiscal, no TVF a fls. 38, apenas pelo cotejo do valor dos incentivos recebidos pela recorrente com o valor do ativo imobilizado nos anos de 2006 a 2010, quando sabemos que a recorrente começou a implantar seu parque fabril desde 1999. Por último, ressalto que, embora a recorrente esteja constituída sob a forma de sociedade limitada, entendo que lhe é aplicável o disposto no § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. Por uma atecnia legislativa, o art. 38 veicula duas normas autônomas: uma no caput e § 1º (que trata de valores recebidos de subscritores de títulos da companhia) e outra no § 2º (que trata de subvenções para investimento – recebida do Poder Público). Ora, a norma do § 2º não é complementar nem exceptiva da norma do caput e § 1º, logo aquela não é um parágrafo desta, segundo a melhor técnica legislativa (art. 11, III, “c”, da LC 95/98). Assim, por entender que o § 2º veicula norma autônoma em relação ao caput, concluo que a limitação da aplicação da regra do caput às Companhias não é aplicável à norma do § 2º. Ademais, seria uma discriminação odiosa e totalmente injustificável se apenas as sociedades por ações pudessem usufruir da isenção concedida às subvenções para investimento. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto e, por consequência, também pelo cancelamento da multa isolada sobre tais bases. DO INCENTIVO FISCAL – LUCRO DA EXPORAÇÃO No TVF a fls. 38/39, afirma a Autoridade Fiscal que: Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10384.721515/201366 Acórdão n.º 1302001.623 S1C3T2 Fl. 465 9 “18. No curso da fiscalização, constatamos que a fiscalizada, não obstante ter contabilizado incentivos fiscais de redução do IRPJ, deixou de apresentar o suposto Ato Declaratório Executivo que reconheceu tal direito, relativamente aos anoscalendário de 2008 e 2009, conforme previsto no Art. 3º do Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002. 19. Em resposta ao nosso Termo de Intimação Fiscal nº 002, a fiscalizada apresentou apenas o Laudo Constitutivo nº 0142/2003, expedido pela Sudene. 20. Ressaltamos que em pesquisas efetuados nos arquivos desta Delegacia da Receita Federal, nesta data, não localizamos qualquer ato de reconhecimento do direito da fiscalizada, para o período 2008 e 2009. 21. Desta forma, efetuamos o lançamento dos valores indevidamente contabilizados como redução do imposto de renda a pagar, que, conforme declarações DIPJ, totalizaram R$ 200.249,12, em 2008, e R$ 247.640,57, em 2009.”. O Ato Declaratório Executivo nº 26/12 da DRF/Teresina (a fls. 83) dispõe, no seu art. 1º, VII, que o período de fruição do benefício, pela recorrente, é de 01/01/2010 a 31/12/2019. Além disso, afirma a Autoridade Fiscal, sem contestação da recorrente, que não há outro ato declaratório executivo que lhe tenha concedido a fruição do benefício durante os anos de 2008 e 2009. Esse Ato Declaratório Executivo encontra fundamento no art. 3º do Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, o qual assim versa: Art. 3º O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o. Parece claro que, à luz do artigo acima transcrito, a recorrente só começou a fruir o benefício a partir do reconhecimento pela Receita Federal, o que se deu com a expedição do ADE nº 26/12. Por sua vez, vale salientar que dispositivo nesse sentido já existia desde o Decreto nº 64.214, de 1969, que regulamentou a Lei 5.508/68 (entre outras leis), se não vejamos: “Art. 8º A Secretaria Executiva da SUDENE, analisando a documentação a que se refere o artigo anterior e procedendo às investigações que julgar necessárias, emitirá parecer fundamentado para apreciação do Conselho Deliberativo, propondo, quando fôr o caso, a expedição da declaração a que alude o artigo 7º, ou o reconhecimento, pelo mesmo Conselho Deliberativo, do direito à isenção prevista no artigo 2º dêste Decreto, nos têrmos do artigo 37, da Lei nº 5.508, de 11 de outubro de 1968. (...) § 2º O órgão próprio da Secretaria da Receita Federal decidirá sôbre cada pedido de reconhecimento do direito à redução prevista nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal. (...)” Por último, confunde a recorrente quando alega que “a sanção imposta mediante a perda do benefício de isenção em face dessa comunicação a Secretaria da Receita Federal, nasceu da regulamentação da matéria nos regulamentos do imposto de renda, inclusive no RIR/99”. Primeiro, que, in casu, não houve perda de benefício por falta de comunicação ao Fisco, pois a discussão gira apenas sobre o dies a quo da fruição do benefício. Segundo, a norma que fundamentou a decisão no TVF foi o art. 3º do Decreto 4.213/02, nada tendo a ver com qualquer norma do RIR/99. Terceiro, à época dos fatos, já estava em vigor a MP 2.19914/01, razão pela qual se tornou impertinente todas a sustentação da recorrente em torno da Lei 5.508/68 e do Decreto que a regulamentou (nº 64.214, de 1969), aliás, o qual, conforme demonstrado, trazia dispositivo praticamente igual ao art. 3º do Decreto 4.213/02. Assim, entendo que nesse ponto, a recorrente não tem razão. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10384.721515/201366 Acórdão n.º 1302001.623 S1C3T2 Fl. 466 11 Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: i cancelar os itens 001 e 003 do auto de infração do IRPJ (fls. 3 e segs.); e ii cancelar integralmente o auto de infração da CSLL (fls. 21 e segs.). Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 12585.000252/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 52 /2 01 0- 74 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 115 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 116 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/PASEP Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 14124.49033.131008.1.1.105153, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento do PIS/PASEP referese ao crédito atinente ao 4º trimestre de 2006, no montante de R$ 2.230.172,43 (dois milhões e duzentos e trinta mil e cento e setenta e dois reais e quarenta e três centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 82/88): 1. FLAG DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, empresa acima identificada, apresentou Pedido de Ressarcimento relativo a créditos de PIS não cumulativo apurados no 4º trimestre de 2006. 2. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 19/23, proferido pela DERATSP, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, por falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela Administração . 3. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 29/68, em 09/11/2011 na qual alegou em síntese: a Todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível; b Foi desejo do legislador que não houvesse mais qualquer vedação ao creditamento no regime nãocumulativo; c O contribuinte como distribuidor de combustíveis é obrigado a optar pelo regime nãocumulativo; d Não há lei que vede o aproveitamento de crédito por parte dos distribuidores de combustíveis; e A tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; f Faz distinção entre produtor e distribuidor; g O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 determina que as vendas realizadas com alíquota zero não impedem o creditamento do PIS e da COFINS; h Discorre acerca da diferença existente entre os regimes nãocumulativos do PIS/COFINS e do IPI/ICMS; i Requer o deferimento do crédito pleiteado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 117 4 A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 82/88) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontrase prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.637/2002. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência do PIS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITO. As aquisições de gasolina e óleo diesel efetuadas por distribuidoras de combustíveis não geram crédito de PIS não cumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 96/112), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 118 5 afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 119 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 4º Trimestre de 2006, no valor de R$ 2.230.172,43. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.637/2002, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 120 7 Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo PIS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.637/2002, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 121 8 II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.637/2002, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 122 9 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.637/2002, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo do PIS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 123 10 Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 124 11 No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 125 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 126 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 127 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 128 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 129 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000252/201074 Acórdão n.º 3301002.353 S3C3T1 Fl. 130 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10909.003237/2007-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DE DESPESAS SUPOSTAMENTE PAGAS A INDIVÍDUOS EM RELAÇÕES AOS QUAIS O FISCO LOGROU APURAR NÃO EXERCEREM QUALQUER ATIVIDADE RELACIONADA À ÁREA MÉDICA. GLOSAS MANTIDAS.
Não se mantém deduções de despesas médicas se comprovadamente os indivíduos apontados em DIRPF como recebedores das supostas quantias não são profissionais de tal campo profissional, ademais de não haver noa autos qualquer comprovação de tais despesas.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO PARA ALÉM DA PREVISÃO LEGAL. GLOSAS MANTIDAS.
Não há previsão legal para dedução de despesas com material escolar, cursos de idiomas, contribuições voluntárias a estabelecimentos públicos de ensino ou contribuições a associações de pais e mestres.
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. GLOSAS MANTIDAS.
Não há previsão legal para dedução como dependente de ex-esposa e tampouco de pessoas já falecidas antes dos anos-calendário objeto de autuação.
MULTA QUALIFICADA, COMPORTAMENTO DOLOSO DO CONTRIBUINTE PARA FURTAR-SE À TRIBUTAÇÃO. MANTIDA.
Comprovados comportamentos que inequivocamente demonstram a intenção dolosa e reiterada de furtar-se à tributação, é de manter-se a multa qualificada, nas hipóteses em que foi a mesma aplicada nos autos.
QUESTIONAMENTO DO USO DA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO DE VALORES DEVIDOS. INCABÍVEL NOS TERMOS DO ART.62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. INCIDENTES TAMBÉM NA HIPÓTESE AS SÚMULAS N. 02 E 04 DO CARF.
Não se admite nos limites do presente administrativo o questionamento da constitucionalidade de normas legais ou regulamentares em vigor, nos termos do Regimento Interno do CARF, Portaria MF n. 256/2009. Neste passo, é de manter-se a correção pela SELIC, a qual decorre da Lei n.9430/96.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO - Presidente.
(assinado digitalmente)
CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO - Relator.
EDITADO EM: 16/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DE DESPESAS SUPOSTAMENTE PAGAS A INDIVÍDUOS EM RELAÇÕES AOS QUAIS O FISCO LOGROU APURAR NÃO EXERCEREM QUALQUER ATIVIDADE RELACIONADA À ÁREA MÉDICA. GLOSAS MANTIDAS. Não se mantém deduções de despesas médicas se comprovadamente os indivíduos apontados em DIRPF como recebedores das supostas quantias não são profissionais de tal campo profissional, ademais de não haver noa autos qualquer comprovação de tais despesas. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO PARA ALÉM DA PREVISÃO LEGAL. GLOSAS MANTIDAS. Não há previsão legal para dedução de despesas com material escolar, cursos de idiomas, contribuições voluntárias a estabelecimentos públicos de ensino ou contribuições a associações de pais e mestres. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. GLOSAS MANTIDAS. Não há previsão legal para dedução como dependente de ex-esposa e tampouco de pessoas já falecidas antes dos anos-calendário objeto de autuação. MULTA QUALIFICADA, COMPORTAMENTO DOLOSO DO CONTRIBUINTE PARA FURTAR-SE À TRIBUTAÇÃO. MANTIDA. Comprovados comportamentos que inequivocamente demonstram a intenção dolosa e reiterada de furtar-se à tributação, é de manter-se a multa qualificada, nas hipóteses em que foi a mesma aplicada nos autos. QUESTIONAMENTO DO USO DA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO DE VALORES DEVIDOS. INCABÍVEL NOS TERMOS DO ART.62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. INCIDENTES TAMBÉM NA HIPÓTESE AS SÚMULAS N. 02 E 04 DO CARF. Não se admite nos limites do presente administrativo o questionamento da constitucionalidade de normas legais ou regulamentares em vigor, nos termos do Regimento Interno do CARF, Portaria MF n. 256/2009. Neste passo, é de manter-se a correção pela SELIC, a qual decorre da Lei n.9430/96. Recurso improvido.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DE DESPESAS SUPOSTAMENTE PAGAS A INDIVÍDUOS EM RELAÇÕES AOS QUAIS O FISCO LOGROU APURAR NÃO EXERCEREM QUALQUER ATIVIDADE RELACIONADA À ÁREA MÉDICA. GLOSAS MANTIDAS. Não se mantém deduções de despesas médicas se comprovadamente os indivíduos apontados em DIRPF como recebedores das supostas quantias não são profissionais de tal campo profissional, ademais de não haver noa autos qualquer comprovação de tais despesas. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO PARA ALÉM DA PREVISÃO LEGAL. GLOSAS MANTIDAS. Não há previsão legal para dedução de despesas com material escolar, cursos de idiomas, contribuições voluntárias a estabelecimentos públicos de ensino ou contribuições a associações de pais e mestres. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. GLOSAS MANTIDAS. Não há previsão legal para dedução como dependente de exesposa e tampouco de pessoas já falecidas antes dos anoscalendário objeto de autuação. MULTA QUALIFICADA, COMPORTAMENTO DOLOSO DO CONTRIBUINTE PARA FURTARSE À TRIBUTAÇÃO. MANTIDA. Comprovados comportamentos que inequivocamente demonstram a intenção dolosa e reiterada de furtarse à tributação, é de manterse a multa qualificada, nas hipóteses em que foi a mesma aplicada nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 32 37 /2 00 7- 57 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 QUESTIONAMENTO DO USO DA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO DE VALORES DEVIDOS. INCABÍVEL NOS TERMOS DO ART.62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. INCIDENTES TAMBÉM NA HIPÓTESE AS SÚMULAS N. 02 E 04 DO CARF. Não se admite nos limites do presente administrativo o questionamento da constitucionalidade de normas legais ou regulamentares em vigor, nos termos do Regimento Interno do CARF, Portaria MF n. 256/2009. Neste passo, é de manterse a correção pela SELIC, a qual decorre da Lei n.9430/96. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO Relator. EDITADO EM: 16/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração de fls.161 e ss., por supostas deduções indevidas, nos exercícios de 2003 a 2005, de despesas médicas, de instrução e de dependentes, pleiteadas indevidamente nos termos do relatório de fiscalização que acompanha e integra o auto, aplicandose multa de ofício qualificada sobre o tributo decorrente da dedução indevida de dependentes, por utilizarse o contribuinte de pais falecidos e de exesposa, para este fim, bem como sobre aquele decorrente de dedução indevida de despesas médicas, pela utilização de CPFs de indivíduos na qualidade de supostos profissionais da área médica, sem qualquer comprovação, tendo sido ainda apurado pela RFB, nos termos dos elementos de fls.43 e ss. que nenhum deles é profissional de tal área, nem mesmo possuindo qualquer deles sequer nível superior, aplicandose a multa em seu patamar ordinário quanto às deduções de despesas de instrução. Nos termos do parágrafo 2°, inciso I, do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, agravouse em mais 50% a multa de ofício por não atendimento de intimação para prestar esclarecimento. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta impugnação, de fls.177 e ss., alegando, em síntese, o quanto segue: contesta a aplicação do agravamento, em 50%, das multas de oficio de 75% e 150%, ou seja, 112,5% e 225%, alegando que as Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10909.003237/200757 Acórdão n.º 2802002.939 S2TE02 Fl. 410 3 intimações foram devidamente atendidas e que a não apresentação de documento não pode ser interpretada como desrespeito à autoridade fiscal; cita jurisprudência da DRJ. No mérito, o autuado afirma que não se conforma com as glosas efetuadas pela autoridade fiscal, assim como a aplicação das multas e juros. Considera, por razões de variada ordem, a aplicação dos juros de mora acima dos 12% anuais como abusivos ilegais e inconstitucionais. Em relação à duplicação da multa de oficio, o contribuinte alega que não é a autoridade fiscal agente capaz de sentenciar ato fraudulento, somente supondo ato fraudulento ou atitude culposa. Defende que a utilização de meios fraudulentos somente poderá ser constatada após o devido processo legal, por isso entende que lhe deva ser oportunizada a ampla defesa. Quanto aos valores lançados, alega que: (a) demonstrou claramente todos os recibos solicitados; (b) os dependentes são e de fato foram dependentes e tiveram despesas lançadas e arcadas exclusivamente pelo contribuinte; (c) as despesas com educação de dependentes independe da instituição a qual foram feitos os pagamentos. Por fim, requer o contribuinte que se considere todos os documentos entregues para, no fim, julgarse improcedente o lançamento ou, assim não entendendo, o reconhecimento da dedução de dependentes, de suas despesas médicas e despesas com instrução, bem como redução e exclusão das multas e juros. A impugnação foi julgada pela 4ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade, pela procedência parcial do lançamento, excluindo o agravamento da multa de ofício, reconduzindoa ao patamar de 75% ou de 150%, conforme a infração tenha ou não sido atingida na autuação pela multa qualificada, fazendoo pelas razões indicadas no acórdão de fls.184 e ss.. Quanto às deduções glosadas, mantiveramse as glosas, uma vez que trazida aos autos certidão de segundo casamento do contribuinte em data anterior aos anoscalendário objeto de autuação, indicando que dependente informada na qualidade de esposa nas respectivas DIRPFs era, na verdade, exesposa, não podendo figurar na qualidade de dependente por falta de previsão legal, bem como os pais do contribuinte, também ambos informados como dependentes, faleceram em anos anteriores aos anoscalendário de que se trata, conforme assentamentos no registro de CPFs da RFB. Quando às deduções de despesas médicas, conforme acima já relatado, os documentos trazidos pela fiscalização a fls.43 e ss. demonstram de forma cabal que foram utilizados pelo contribuinte CPFs de indivíduos na qualidade de supostos profissionais da área médica, embora nenhum deles seja ou jamais tenha sido profissional de tal área, nem mesmo possuindo qualquer deles nível superior. Quanto às despesas de instrução, os elementos trazidos aos autos apontam para despesas não dedutíveis nos termos da lei como mensalidade de cursos de idiomas, contribuições a associações de pais e mestres, contribuições voluntárias a estabelecimentos públicos de ensino e compra de material escolar. Nos casos em que se impôs multa qualificada, a mesma foi mantida, pelas mesmas razões invocadas na autuação. Quanto à utilização da taxa SELIC como fator de correção do débito devido, não é dado à RFB no âmbito do presente administrativo o questionamento da legalidade ou da constitucionalidade de norma jurídica, razão pela qual nada há a deferir neste particular. Não satisfeito com o resultado do julgamento, do qual foi intimado (fl.192), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário (fl. 195 e ss.), repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, na impugnação da autuação por supostas deduções indevidas, nos exercícios de 2003 a 205, da aplicação da multa qualificada e da utilização da taxa SELIC como fator de correção. Quanto às glosas de deduções com instrução, nada a acrescer quanto ao caráter não dedutível das despesas comprovadas, nos mesmos termos já aludidos pela DRJ. Quanto às deduções de dependentes, não há, de fato, previsão legal para dedução a tal título de exesposa e evidentemente tampouco de pessoas falecidas antes dos anoscalendário em questão. Quanto às glosas de despesas médicas, os documentos de fls,43 e ss. demonstram que a Receita Federal tomou a termo as declarações prestadas por cada um dos indivíduos apontados como profissionais da área médica, tendo os mesmos afirmado e apresentados documentos que consubstanciam o fato de nunca terem atuado em tal área profissional, não possuindo sequer nível superior e atuando em profissões as mais diversas, em nada relacionadas às deduções pretendidas. Quanto à imposição de multa qualificada, não pode o contribuinte alegar a inexistência de dolo quando insiste na dedução reiterada de despesas médicas, sem qualquer comprovação, e de todo insubsistentes à luz do contido no parágrafo anterior, bem como, não pode escusarse do dolo em seu comportamento ao deduzir despesas com dependentes já falecidos. Por fim, não se admite nos limites do presente administrativo o questionamento da constitucionalidade de normas legais ou regulamentares em vigor, nos termos do Regimento Interno do CARF, Portaria MF n. 256/2009. Neste passo, é de manterse a correção pela SELIC, a qual decorre da Lei n.9430/96. Isto posto, sou pelo improvimento do recurso, mantendose o lançamento naquilo em que não foi modificado pela DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/ 11/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10675.906294/2009-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 62 94 /2 00 9- 42 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 306 2 Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do acórdão prolatado pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara deste Conselho, que, por voto de qualidade, negou provimento ao seu recurso voluntário, cuja ementa é a seguinte: “PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição de PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.” Em face da decisão acima, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência no qual sustentou que a decisão recorrida não só interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, como contrariou a coisa julgada obtida pelo contribuinte que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como aquelas provenientes da “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Por meio de Resolução, com base no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o processo foi suspenso até que o STF no RE nº 609.096 se pronunciasse definitivamente sobre a matéria. Em face da revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retornou em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 307 3 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento, ressaltando a bem demonstrada divergência pelo Recorrente em seu recurso especial. Como mencionado no relatório, o pedido de reforma do acórdão recorrido está suportado na alegação do Recorrente de que a referida decisão viola a coisa julgada, em face da decisão por ele obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que não somente reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo), como limitou a incidência da contribuição ao PIS as receitas provenientes do faturamento, cujo significado restringese a “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”, como expressamente se constata de referida decisão, prolatada como base no artigo 557, § 1ºA, do CPC), bem assim, e especialmente, do conteúdo do acórdão prolatado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal por oportunidade do julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840/MG. O Recorrente sustenta ainda, caso não acatada a alegação de violação de coisa julgada, que seja firmado o entendimento, em consonância com a Lei Complementar 7/70, de que o conceito de faturamento empregado na referida norma somente compreende as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, e que, portanto, não alcança outras receitas recebidas pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrentes de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos de intermediação financeira ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, capitalização, leasing, etc. A meu ver, a alegação do contribuinte no sentido que o respeitável acórdão recorrido viola coisa julgada, como assim também entendo com apoio no voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Tereza Lopes Martinez em caso análogo ao ora em análise, não exclui, por outro lado, a necessidade de se interpretar o conceito de faturamento empregado no acórdão prolatado no Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, bem assim nas decisões judiciais citadas na referida decisão e que consubstancia a jurisprudência dos Tribunais Superiores vigente a época em que prolatada. Em primeiro lugar, se faz necessário buscar no ordenamento jurídico a definição e alcance do termo faturamento tomado como hipótese de incidência da contribuição ao PIS pela Lei Complementar 7/70 e pela Constituição Federal, artigo 195, não obstante o PIS ter sido instituído sob a égide da Constituição Federal de 1967 com as alterações da Emenda Constitucional nº 1 de 1969. Os artigos 2º e 3º de mencionada Lei Complementar previam que o PIS seria “executado” mediante um “Fundo de Participação”, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal, por meio de duas modalidades: a primeira mediante dedução do imposto de renda devido pelas empresas e a segunda com recursos próprios das empresas, calculada mediante a aplicação de percentuais sobre o faturamento. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 308 4 O § 2º de mencionado artigo 3º dispunha que as instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas, que não realizassem operações de vendas de mercadorias, recolheriam ao Programa de Integração Social uma contribuição diferenciada (recursos próprios de valores idênticos aos apurados mediante a dedução do imposto de renda) das demais sociedades que realizassem operações de venda de mercadorias (percentual sobre o faturamento). Em 30 de outubro de 1998, foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998, que unificou o tratamento, dispondo sobre as contribuições do PIS e COFINS de forma conjunta. A Lei nº 9.718/1998 inovou a base de cálculo dessas contribuições, na medida em que equiparou faturamento à receita bruta e considerou esta como a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Vale a transcrição dos dispositivos para que a matéria seja bem compreendida: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei”. “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. “§ 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Diante da ausência de qualquer exceção feita no que se refere ao âmbito subjetivo de incidência, podese afirmar que com o advento da Lei nº 9.718, em 27 de novembro de 1998, as instituições financeiras passaram a recolher o PIS e a COFINS conforme os ditames normativos desta Lei1. É bem verdade que, em 30 de dezembro de 2002, foi publicada a Lei nº 10.637, que alterou radicalmente o mecanismo de tributação do PIS, adotando o princípio da nãocumulatividade. No entanto, as instituições financeiras foram expressamente excluídas do âmbito de aplicação do regime nãocumulativo (artigo 8º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e 1 No que respeita especificamente ao PIS devido pelas instituições financeiras, cumpre notar que da edição da Lei Complementar nº 7/70 até o advento da Lei nº 9.718/1998, referido tributo teve sua base de cálculo estabelecida pelos DecretosLei nºs 2.445/1988 e 2.449/1988 (receita operacional bruta), pela Lei nº 9.701/1988, que ressalvava o tratamento próprio das instituições financeiras consistente no artigo 72, inciso V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994 (receita bruta operacional como definida na legislação do imposto de renda, a saber, produto da venda de bens e serviços nas transações ou operações de conta própria). O artigo 72, inciso V, do ADCT foi previsto para vigorar temporariamente. A Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994 previu a incidência do PIS sobre a receita bruta operacional para os exercícios de 1994 e 1995. As Emendas Constitucionais nº 10/1996 e 17/1997 “estenderam” essa incidência até 31 de dezembro de 1999. Sendo assim, a partir de 1º de janeiro de 2000, o PIS instituições financeiras passou a ser regulado pela Lei nº 9.718/1998. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 309 5 artigo 10, inciso I, da Lei nº 10.833/2003), permanecendo, portanto, sujeitas às normas de legislação anterior, especificamente, a Lei nº 9.718/1998. Portanto, podese dizer que a base de cálculo das contribuições do PIS das instituições financeiras deveria observar o estabelecido no § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998, que definia o alcance da expressão receita bruta empregada no caput do artigo 3º, ou seja, a totalidade das receitas percebidas pela pessoa jurídica. Ocorre que o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1998, em sua redação original, vigente à época da publicação da Lei nº 9.718/1998, não permitia a incidência de referidas contribuições sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas. Com efeito, somente em dezembro de 1998, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 20, que alterou vários artigos do texto constitucional, inclusive o inciso I do artigo 195, o qual passou a prever, na alínea “b”, que as contribuições para a seguridade social poderão incidir sobre a receita ou o faturamento. Diante dessas considerações, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 09 de novembro de 2005, por oportunidade do julgamento do Recurso Extraordinário n.º 390.840/MG2, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/19983, tendo o acórdão, acolhido por maioria, merecido a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. (grifouse) 2 V. os RE nºs 346.084, 357.950, 358.273, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, cujas ementas são do mesmo teor. 3 O controle de constitucionalidade foi realizado em caráter concentrado, sendo que o dispositivo declarado inconstitucional somente foi extirpado do ordenamento jurídico com o advento, em 27 de maio de 2009, da Lei nº 11.941/2009, que, em seu artigo 79, inciso XII, o revogou expressamente. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 310 6 De acordo com essa decisão, proferida pelo órgão ao qual incumbe a palavra final em exame de constitucionalidade, devese entender que a hipótese de incidência do PIS é o faturamento, devendo ser incluída na base de cálculo dessas contribuições somente a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços. E referida tributação sobre o faturamento, assim entendido como a receita proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, é a que se coaduna com a natureza e a finalidade da contribuição ao PIS/COFINS. Assim, temse que, no caso das instituições financeiras, as contribuições ao PIS/COFINS devem recair tão somente sobre negócios jurídicos em que é possível estabelecer um preço como contraprestação à mercadoria ou serviço disponibilizado. Se não atingirem exclusivamente os preços do tráfico de mercadorias e serviços, as contribuições ao PIS/COFINS estarão recaindo sobre o patrimônio da empresa, o que não é o objetivo dessas contribuições, e representarão uma injustificável sobreposição em relação à contribuição social sobre o lucro, no campo do financiamento da seguridade social. E a não caracterização, por exemplo, dos valores percebidos pelos bancos pelas operações de crédito por eles realizadas como contraprestação de serviços, decorre inclusive da previsão contida Lei Complementar nº 116/2003 (cfr. artigo 2º, inciso III), que exclui da incidência do ISS “o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras”. No julgamento do já mencionado RE nº 390.840/MG, o Ministro Cezar Peluso, embora tenha acompanhado o relator no sentido de votar pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, votou pela obrigatoriedade de não só as seguradoras, mas também os bancos estarem sujeitos ao recolhimento do PIS/COFINS, rejeitando o conceito de faturamento tido por “tradicional”, que abrangeria somente o ganho de empresas produtoras de bens e prestadoras de serviços que emitem fatura. De acordo com o Ministro, o conceito “moderno” de faturamento deve abranger não só a venda de mercadorias e serviços, mas também todas as atividades que integram o objeto social da sociedade. Ocorre que esse entendimento do Exmo. Ministro Cezar Peluso, com a devida licença, parece estar em contradição com o que o próprio defende. No voto proferido no RE nº 390.940/MG, o Ministro Cezar Peluso pugnou pela necessidade de conferir interpretação conforme à Constituição Federal para que a receita bruta referida na Lei nº 9.718/1998 seja considerada como sinônimo de faturamento, a saber, o resultado da venda de mercadorias e da prestação de serviços. O próprio Ministro também afirmou que quando não há conceito jurídico expresso na Constituição Federal, o intérprete deve socorrerse dos instrumentos disponíveis no sistema do direito positivo. Do sistema do direito positivo brasileiro é possível extrair os conceitos de mercadoria e de serviços. E as receitas financeiras não se adequam a esses conceitos. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 311 7 Sendo assim, se o Ministro concebe faturamento como as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços, não há, a nosso ver, como se pretender tributar receitas que não se adequem perfeitamente a esse conceito. Não se olvida que o conceito de serviços é plurissignificativo, isto é, admite várias acepções, dependendo do enfoque: social, econômico, político etc., podendo assumir contornos mais ou menos amplos a depender da abordagem conferida. No entanto, o artigo 110 do Código Tributário impõe que, em matéria tributária, a acepção tomada seja restrita, ou melhor, jurídica. Com efeito, o conceito tido por “moderno” pelo Ministro Cezar Peluso, com a devida licença, é, a meu ver, inaplicável em matéria tributária, face ao princípio da legalidade e o disposto no artigo 110 do CTN, também corolário do princípio da legalidade, que exige que se recorra aos conceitos de direito privado para que se defina a hipótese de incidência dos tributos, conforme disposta na Constituição Federal. As notas de Misabel Abreu Machado Derzi às lições do renomado Aliomar Baleeiro4 são muito elucidativas quanto à impossibilidade de se adotar a interpretação econômica – como parece pretender o Ministro Cezar Peluso para se definir os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição Federal na definição das incidências tributárias. Os trechos a seguir destacados são contundentes: “A chamada interpretação segundo o critério econômico, consiste em apreender o sentido das normas, institutos e conceitos jurídicos, de acordo com a realidade econômica subjacente por detrás das formas jurídicas. Desenvolveuse plenamente na Alemanha, em distintos períodos, mas serviu, em certa época, ao desenvolvimento do fiscalismo e da insegurança jurídica, ao direito do Reich fascista e totalitário. (...) Assim, a interpretação econômica, que serviu a um regime totalitário foi erradicada da própria Alemanha, onde prosperou em tempos sombrios. Hoje, o critério ‘econômico’, que se invoca eventualmente na interpretação por um tribunal tedesco, serve à apuração da capacidade econômica de contribuir e somente se justifica, na medida em que, dentro dos limites dos sentidos possíveis da palavra, colher aquele sentido que melhor se ajustar aos postulados da justiça tributária. Ora, o Código Tributário Nacional também não acolheu a tese da interpretação econômica. Ao contrário, como observa Aliomar Baleeiro, o art. 110 proclama, como um limite ao próprio legislador: ‘... o primado do Direito Privado quanto à definição, ao conteúdo e ao alcance dos institutos, conceitos e formas deste ramo jurídico quando utilizado (sic) pela Constituição Federal, pelas dos Estados ou pelas Leis Orgânicas do DF e dos 4 In BALEEIRO, Aliomar, Direito tributário brasileiro, 11ª ed. atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro, Forense, 1999, pp. 689690. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 312 8 Municípios. A contrario sensu, tal primado não existe se aquelas definições, conceitos e formas promanam de outras leis ordinárias’ (v. comentários supra, tópico 3). Mas, e isso é de suma relevância, somente o legislador poderá atribuir efeitos tributários distintos, alterando o alcance e o conteúdo dos institutos e conceitos do Direito Privado, se inexistir obstáculo na Constituição. Não o intérprete e aplicador da lei. A licença, como diz Baleeiro, contida no art. 109, a contrario sensu, dirigese ao legislador, mesmo assim, naqueles casos, que são restritíssimos, em que institutos, conceitos e formas do Direito Privado não foram utilizados pela Constituição para definir ou limitar competências”. (itálico no original) O autor Rodrigo Caramori Petry5 compartilha do entendimento de que, tendo em vista a disposição contida no artigo 110 do Código Tributário Nacional, o conceito de faturamento deve conceber a prestação de serviços em sentido estrito. É o que se infere do seguinte trecho: “Por fim, ainda cumpre ressaltar que o conceito de ‘faturamento’ toma a expressão ‘prestação de serviços’ em sentido estrito. Assim sendo, não podem ser objeto de incidência da COFINS enquanto incidente sobre o ‘faturamento’, v.g., as receitas derivadas de locação de bens móveis ou imóveis, tendo em vista que a ‘locação de bens” não se configura como ‘prestação de serviço’, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 116.11213/SP”. O entendimento que vem sendo manifestado pelo Ministro Cezar Peluso contraria, ainda, a própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, ao menos desde o julgamento do RE nº 116.121/SP passando pelo julgamento do RE 390.840/MG, vem concebendo serviço como uma obrigação de fazer, conforme a conceituação trazida pelo Código Civil Brasileiro. Com as devidas vênias, não há como entender que outras receitas, que não aquelas provenientes da venda de mercadorias ou serviços, que não decorram de uma obrigação de fazer, possam ser incluídas na base de cálculo do PIS/COFINS, como parece defender o Ministro Cezar Peluso. Defender tal entendimento implica, em última análise, uma “reconstitucionalização” do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, na medida em que se passará a admitir a inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS de outras receitas que não as provenientes da venda de mercadorias e serviços, alargandose sobremaneira o conceito de faturamento adotado pela Constituição Federal, ao arrepio do disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, ou se permitindo uma nova fonte de custeio da seguridade social (receita), que não estava prevista na redação original do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, vigente à época da edição da Lei nº 9.718/1998. 5 PETRY, Rodrigo Caramori. Contribuições Pis/Pasep e Cofins – Limites Constitucionais da Tributação sobre o “Faturamento”, a “Receita”, e a “Receita Operacional” das empresas e outras entidades no Brasil. São Paulo: Quartier Latin, 2009, pp. 148 e 149. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 313 9 Diante do acima exposto, tendo em vista que o recorrente é possuidor de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS, como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 314 10 Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil6. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os 6 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 315 11 demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 19707, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras8. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro9, sem nenhuma menção à receita. 7 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 8 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. 9 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 316 12 É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 317 13 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 318 14 Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 319 15 o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 320 16 Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento10. Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. 10 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 321 17 É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 322 18 A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 323 19 é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 324 20 operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 325 21 Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 326 22 O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até Fl. 326DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 327 23 então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento11“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e 11 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 328 24 fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0112. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando 12 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906294/200942 Acórdão n.º 9303002.960 CSRFT3 Fl. 329 25 calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 329DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10675.720840/2010-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 257 1 256 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.720840/201093 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9303000.022 – 3ª Turma Data 13 de novembro de 2013 Assunto Repercurssão Geral sobrestamento Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 84 0/ 20 10 -9 3 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720840/201093 Resolução nº 9303000.022 CSRFT3 Fl. 258 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720840/201093 Resolução nº 9303000.022 CSRFT3 Fl. 259 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720840/201093 Resolução nº 9303000.022 CSRFT3 Fl. 260 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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