Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.720577/2016-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2014
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade.
RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Insere-se no âmbito da competência da autoridade fiscal o reconhecimento da condição de segurado empregado, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, não se consubstanciando tal feito em desconsideração de interpostas pessoas jurídicas envolvidas.
PAGAMENTOS A TÍTULO DE CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUA NATUREZA.
É necessária a comprovação da existência de efetiva criação intelectual para fins de que os pagamentos realizados a título de contraprestação por cessão de direitos autorais sejam assim reconhecidos, para fins fiscais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A imputação de responsabilidade solidária por interesse comum na situação de fato que constitui fatos geradores de contribuições carece de demonstração do benefício concreto, da pessoa jurídica apontada como solidária, decorrente do atuação infringente das normas tributárias, por parte do contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
Constatada a interposição meramente formal de pessoas jurídicas com vistas a dissimular os vínculos jurídicos materialmente estabelecidos, e pagamentos a título de cessão de direitos autorais sem o devido respaldo fático, impõe-se a aplicação de multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 2202-004.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário da Fundação CPqD, afastando sua condição de responsável solidária pelo crédito tributário, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados à pessoa jurídica Ivia Ltda., discriminados na fl. 834 dos autos. Votou pelas conclusões o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2014 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Insere-se no âmbito da competência da autoridade fiscal o reconhecimento da condição de segurado empregado, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, não se consubstanciando tal feito em desconsideração de interpostas pessoas jurídicas envolvidas. PAGAMENTOS A TÍTULO DE CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUA NATUREZA. É necessária a comprovação da existência de efetiva criação intelectual para fins de que os pagamentos realizados a título de contraprestação por cessão de direitos autorais sejam assim reconhecidos, para fins fiscais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO CONFIGURAÇÃO. A imputação de responsabilidade solidária por interesse comum na situação de fato que constitui fatos geradores de contribuições carece de demonstração do benefício concreto, da pessoa jurídica apontada como solidária, decorrente do atuação infringente das normas tributárias, por parte do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a interposição meramente formal de pessoas jurídicas com vistas a dissimular os vínculos jurídicos materialmente estabelecidos, e pagamentos a título de cessão de direitos autorais sem o devido respaldo fático, impõe-se a aplicação de multa de ofício qualificada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.720577/2016-33
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968501
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.959
nome_arquivo_s : Decisao_10380720577201633.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10380720577201633_5968501.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário da Fundação CPqD, afastando sua condição de responsável solidária pelo crédito tributário, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados à pessoa jurídica Ivia Ltda., discriminados na fl. 834 dos autos. Votou pelas conclusões o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7636563
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660676235264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.503 1 2.502 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.720577/201633 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.959 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO ATLÂNTICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2014 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Inserese no âmbito da competência da autoridade fiscal o reconhecimento da condição de segurado empregado, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, não se consubstanciando tal feito em desconsideração de interpostas pessoas jurídicas envolvidas. PAGAMENTOS A TÍTULO DE CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUA NATUREZA. É necessária a comprovação da existência de efetiva criação intelectual para fins de que os pagamentos realizados a título de contraprestação por cessão de direitos autorais sejam assim reconhecidos, para fins fiscais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO CONFIGURAÇÃO. A imputação de responsabilidade solidária por interesse comum na situação de fato que constitui fatos geradores de contribuições carece de demonstração do benefício concreto, da pessoa jurídica apontada como solidária, decorrente do atuação infringente das normas tributárias, por parte do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a interposição meramente formal de pessoas jurídicas com vistas a dissimular os vínculos jurídicos materialmente estabelecidos, e pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 05 77 /2 01 6- 33 Fl. 2503DF CARF MF 2 a título de cessão de direitos autorais sem o devido respaldo fático, impõese a aplicação de multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário da Fundação CPqD, afastando sua condição de responsável solidária pelo crédito tributário, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados à pessoa jurídica Ivia Ltda., discriminados na fl. 834 dos autos. Votou pelas conclusões o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente autos de infração lavrados contra o epigrafado (fls. 02/283), correspondendo a contribuições referentes a segurados e à parte patronal, isto é, contribuição da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e de outras entidades — terceiros (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESI, SENAI e SEBRAE), bem como à multa por descumprimento de obrigação acessória, face à apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. A decisão de piso assim sintetizou (fls. 2320/2325) o Relatório Fiscal (fls. 92/121): De acordo com o Relatório Fiscal, as situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais são as prestações de serviços realizadas por pessoas naturais cujos vínculos trabalhistas foram demonstrados nos itens 4.1 e 4.2. Da Contratação de Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas Pela análise dos contratos de prestação de serviços apresentados pela empresa, a fiscalização conclui que embora a prestação de serviço fosse intermediada por uma outra pessoa jurídica, quem o Instituto Atlântico verdadeiramente contratava eram as pessoas naturais que prestavam o serviço e que o objeto do contrato está previsto no contrato firmado entre o Instituto Atlântico e seus clientes, ou seja, as pessoas naturais foram contratadas para desempenhar as mesmas funções que os empregados do Instituto realizam em sua atividade fim. O item 4.1 do Relatório Fiscal relaciona várias informações extraídas dos contratos e de seus anexos, as quais corroboram essas afirmações. Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.504 3 Além das informações extraídas dos contratos e de seus anexos, foram anexadas comunicações internas do Instituto Atlântico, presentes no mesmo arquivo "Contratos", que comprovam o vínculo empregatício das pessoas naturais com o Instituto Atlântico, essas também listadas no item 4.1 do Relatório Fiscal. Destaca ainda a fiscalização que, além disso, todas as pessoas naturais que foram remuneradas por pessoas jurídicas trabalhavam na atividade fim da empresa e que é vedada à terceirização na atividade fim de uma empresa, segundo Súmula 331 do TST, além de desenvolverem as atividades previstas nos contratos que o Instituto Atlântico celebrou com seus clientes. Segue o esclarecendo que não desconsiderou a existência das pessoas jurídicas relacionadas no Relatório Fiscal (documento “PF por PJ”), apenas considerou que elas foram usadas para dissimular o real vínculo empregatício que o Instituto Atlântico mantinha com as pessoas naturais prestadoras dos serviços. O documento "PF por PJ" demonstra os beneficiários de cada uma das pessoas jurídicas citadas, enquanto que consulta nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (GFIPWEB, Portal DIPJ, Portal IRPF e Portal DIRF) demonstram que os profissionais citados não eram empregados nem sócios das empresas para as quais prestaram serviços. Este documento foi elaborado pelo próprio contribuinte e continha algumas omissões, estas omissões foram completadas com informações provenientes das notas fiscais emitidas. Foi constatado, nos casos nos quais mais de uma pessoa é relacionada como prestador do serviço que essas pessoas não mantêm nenhum tipo de vínculo com a pessoa jurídica contratada, ou seja, não são empregados, tampouco sócios das empresas, demonstrando que seu vínculo se dá na verdade diretamente com o Instituto Atlântico, sendo usada uma ou mais pessoas jurídicas contratadas apenas para disfarçar a verdadeira relação. Ainda conforme o relato fiscal, muitas destas pessoas foram remuneradas por mais de uma empresa em diferentes meses em um curto período de tempo, não mantendo vínculo com nenhuma delas. Em outros casos, a empresa somente foi utilizada até que o profissional pudesse abrir uma empresa em seu próprio nome. Esta alta rotatividade de empregadores, aliada ao fato de prestarem serviços sempre ao mesmo tomador demonstra que este é o verdadeiro empregador. Da Contratação de Pessoas Naturais através de Cessão de Direitos Autorais Também foi constatado pela fiscalização, pelo exame da contabilidade da empresa e dos contratos de cessão de direitos autorais e outros documentos apresentados, que a empresa mantinha a contratação de pessoas naturais através de Cessão de Direitos AutoraisCDA. Informa o relato fiscal que os cargos e as funções que várias pessoas que recebiam através de contratos de cessão de direitos autorais desempenhavam no Instituto Atlântico são incompatíveis com essa forma de remuneração, seja porque representam o Instituto Atlântico perante terceiros, seja por assumirem funções de direção, chefia, gerência ou liderança, demonstrando que o real vínculo é estabelecido entre o Instituto Atlântico e as pessoas naturais relacionadas no item 4.2 do Relatório Fiscal. Segue acrescentando que isso vem confirmar que todas essas pessoas, tanto aquelas que foram contratadas somente na modalidade de cessão de Fl. 2505DF CARF MF 4 direitos autorais, quanto àquelas que também possuíam vínculo empregatício, são empregadas da empresa e suas remunerações são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Analisando as Atas de Reunião de Diretoria, a fiscalização verificou que o Instituto Atlântico tinha o objetivo de reduzir seus encargos, através da adoção de cesta flexível de benefícios e remuneração por cessão de direitos autorais CDA. Na exposição realizada, foram sugeridas "formas alternativas de remuneração", entre elas a "CLT Flex: modalidade mais utilizada é 30% na carteira e 70% “por fora” e "CDA modelo de Cessão de Direitos Autorais é dissociado do contrato de trabalho e tem validade de 5 anos". Esclarece que a expressão CLT Flex é conhecido jargão do mundo jurídico e constitui, de forma resumida, no pagamento de parte dos salários sob a forma de utilidades ou de uma maneira mais clara, "por fora". Neste tipo de contratação as empresas "dividem parte do salário 'por dentro' (CLT) e o restante entre benefícios, como alimentação, vestuário, moradia, educação, assistência médica, reembolso transporte, direitos autorais, propriedade intelectual etc. é pago” por fora “. Adverte que "a contratação flex é apenas uma entre as várias fraudes utilizadas atualmente para fugir das imposições legais e direitos dos trabalhadores, como exigir que o colaborador emita notas como PJ (pessoa jurídica), se associe a uma cooperativa ou, ainda, que emita RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo), por exemplo. Afirma que restou claramente caracterizada a contratações de pessoas naturais como prestadores de serviços Pessoas Jurídicas (PJ) e por meio de cessão de direitos autorais (CDA), sendo que esses prestadores de serviços (PJ e CDA) são de fato empregados da empresa. Conclui a autoridade lançadora que estas foram as práticas elisivas adotadas pela empresa. Essas constatações irregulares levam à conclusão de que o Instituto Atlântico agiu de forma premeditada e estava ciente da real natureza das contratações realizadas e sua única motivação foi financeira, visando unicamente à redução de seus custos, independentemente da adequação da forma com a realidade fática. Dos Fatos Geradores Lançados Constituem fatos geradores as remunerações pagas às pessoas naturais intermediadas por pessoas jurídicas (PJ) e as remunerações pagas a pessoas naturais através de cessão de direitos autorais (CDA), no estabelecimento matriz e na filial 0003. A fiscalização demonstrou nos subitens 4.1 e 4.2 do Relatório Fiscal que se tratam de remunerações pagas a empregados. Os Anexos I, II e III detalham os beneficiários, suas remunerações e as contribuições a cargo dos próprios segurados. Para as competências de 03/2012 a 07/2013, as contribuições apuradas foram apenas às previstas na Lei 8.212/1991, artigos 20 e 22, inciso II e as destinadas a outras entidades ou fundos, uma vez que as contribuições previstas no art. 22, I da Lei 8.212/1991 foram substituídas pelas contribuições previstas no art. 7° da Lei 12.546/2011, nesse período. Para o período de 01/2011 a 02/2012 e de 08/2013 a 12/2014, as contribuições apuradas foram às previstas na Lei 8.212/1991, artigos 20 e 22, incisos I e II, assim como as destinadas a outras entidades ou fundos. Do Reenquadramento do CNAE Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.505 5 A fiscalização efetuou o reenquadramento do Instituto Atlântico no CNAE correto da empresa, qual seja: CNAE 62.015/00 Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda. O Instituto Atlântico utilizou em seu cadastro junto à Receita Federal do Brasil o CNAE "72.10000 Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais", condizente com o seu Estatuto Social. Também foi utilizado este CNAE no preenchimento da GFIP. Todavia, analisando os contratos firmados entre o Instituto Atlântico e seus clientes, restou comprovado que a atividade majoritariamente desenvolvida pelo Instituto Atlântico e na qual estão empregados quase todos os seus profissionais é a produção de programas de computador sob encomenda, assim como manutenção e aplicação de testes sob os mesmos, cujo fato restou demonstrado nos diversos contratos anexados pela fiscalização, aos autos. Da Substituição das Contribuições Previdenciárias A empresa teve as contribuições previdenciárias previstas no art. 22, incisos I e III da Lei 8.212/1991 substituídas pela contribuição incidente sobre a receita bruta total, à alíquota de 2,5%, de 03/2012 a 06/2012, e de 2,0%, de 07/2012 em diante, de acordo com o art. 7°, I da Lei 12.546/2011. Pela análise do SPED Contribuições da empresa e sua DCTF, a fiscalização verificou que o Instituto Atlântico agiu de acordo com a lei somente até julho de 2013, considerandose submetida à substituição tributária prevista na Lei 12.546/2011. Contudo, segundo a memória de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita bruta e a DCTF da empresa, esta deixou de informar em DCTF e de recolher em DARF parte destas contribuições, consoante detalhado no item 7.2 do Relatório Fiscal. Da Apresentação de GFIP com Informações Incorretas A empresa informou incorretamente o campo CNAE na GFIP de todos os estabelecimentos em todas as competências, conforme relatado no item 5 do Relatório Fiscal. Também o FAP foi informado erroneamente na GFIP em todos os estabelecimentos como "1", quando o correto seria "0,5", de 01/2011 a 02/2013. Além destes erros, a empresa preencheu incorretamente os campos relativos à compensação indevida no período de 12/2011 a 02/2012: valor solicitado, valor compensado, valor a compensar, competência inicial da compensação e competência final da compensação. Em decorrência dessa infração, foi aplicada a multa no valor de R$ 500,00 por cada competência (valor mínimo). Como os erros foram observados em todas as 48 competências, a multa totalizou R$ 24.000,00. Da Multa de Ofício Qualificada A multa de ofício foi duplicada (150%) na forma prevista no art. 44, §1° da Lei n° 9.430/1996, em virtude da conduta dolosa da empresa, na figura de seu superintendente que, autorizado por seu Presidente e Diretores, propôs a adoção da chamada "CLT Flex", bem assim como pela contratação de pessoal por meio de Fl. 2507DF CARF MF 6 cessão de direitos autoraisCDA, quando os fatos demonstraram que se tratam de pessoas naturais com vínculos empregatícios, fatos estes que se amoldam perfeitamente na definição de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Da Responsabilidade Solidária Tributária A fiscalização atribuiu à Fundação CPqD, CNPJ 02.641.663/000110 responsabilidade solidária pelos créditos constituídos no presente lançamento, com base art. 124, I do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966). Tal responsabilidade decorreu da caracterização da existência de interesse comum nos casos nos quais a Fundação CPqD foi contratada juntamente com o Instituto Atlântico, tendo em vista que ambas as empresas conjugaram esforços (mãodeobra) para a execução dos serviços, conforme relatado no item 9 do Relatório Fiscal. Conforme relato fiscal, foi constatado que existe verdadeira confusão entre as duas empresas, além dos membros da diretoria e superintendente possuírem vínculo com ambas empresas, várias propostas comerciais foram assinadas por pessoas que não são ligadas ao Instituto Atlântico e fornecem email de contato da Fundação CPqD, além do que a contratação de prestadores de serviço conta com a participação do CPqD, e as reuniões da assembleia geral e da diretoria são realizadas no domicílio do CPqD, além de outros fatos relatados no Relatório fiscal. As situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais são as prestações de serviços realizadas por pessoas naturais cujos vínculos trabalhistas foram caracterizados nos itens 4.1 e 4.2 do Relatório Fiscal. Demonstrada a existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador das contribuições previdenciárias, atraise a norma do art. 124, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual a Fundação CPqD tornase responsável solidária pelos créditos constituídos no presente processo. O recorrente e a responsável solidária Fundação CPqD Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações apresentaram impugnações (fls. 2190/2244 e 2247/2281, respectivamente), porém a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 2318/361). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2401/2430) em 20/10/2016, reiterando as alegações da impugnação, que sintetiza da seguinte maneira: a) Presença de vício quanto ao motivo do ato administrativo de lançamento, pois não se observaram todos os elementos conformadores do art.142 do CTN, notadamente a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, considerandose que a autoridade administrativa fiscal sequer juntou os elementos probatórios suficientes à demonstração da caracterização do ilícito. b) A inexistência de "pejotização". A regular contratação de empresas prestadoras de serviços. c) Esclarecimentos sobre cessão de direitos autorais (CDA). Peculiaridades do setor em que o contribuinte atua. Procedimento regular. d) O descabimento da alegada necessidade de reenquadramento do CNAE, além da não apresentação de GFIP com informações corretas. e) Em ad argumantandum tantum, tratouse sobre o despropósito da multa qualificada, sobretudo pela falta de comprovação de dolo. Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.506 7 f) A inexistência de responsabilidade solidária entre o Instituto Atlântico e a Fundação CPq D. Além disso, aduziu terem sido ignoradas razões de impugnação pela decisão a quo, havendo violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da não surpresa, considerando a fundamentação daquela omissa e genérica quanto à "pejotização", à contratação das prestadoras de serviços, à cessão de direitos autorais, às peculiaridades do setor, à apresentação de GFIPs com informações incorretas, à multa qualificada e à responsabilidade solidária. Irresignase, ainda, com relação ao indeferimento da perícia e ao que entende ser a não aplicação de precedentes, pleiteando, ao final, a reforma do julgado de modo a desconstituir o crédito tributário. Já a responsável solidária postou seu recurso voluntário (fls. 2450/2462) em 27/10/2016, defendendo que ela não pertence ao mesmo grupo econômico que o autuado, havendo mera parceria entre ambos em algumas vendas e que não há provas do interesse comum na situação configuradora de fato gerador. Por seu turno, a PGFN apresentou suas contrarrazões às fls. 2469/2499. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que tange ao entendimento de que as razões de impugnação foram ignoradas pela decisão de primeira instância, não prospera a inconformidade do recorrente. O contribuinte imputa à decisão, bem como ao lançamento, uma série de adjetivos que evidenciariam estarem eles imbuídos de inaceitável nível de generalismo, sustentando que não foram analisados seus argumentos a contento. Não obstante, como verseá ao longo desta fundamentação, as peças eivadas de "generalismos" com as quais se defronta nestes autos são na verdade de lavra do recorrente, ou seja, sua impugnação e recurso voluntário. Com efeito, o acórdão contestado abordou todas as principais questões levantadas na impugnação, ou seja, a nulidade do lançamento, a irregular contratação de serviços prestados por pessoas jurídicas, a análise individualizada da presença de relação de emprego, a existência de simulação, a cessão de direitos autorais, o reenquadramento do CNAE, o descumprimento de obrigação acessória, a existência de responsabilidade solidária, a qualificação da multa e os efeitos da jurisprudência. Eventual irresignação do autuado quanto à avaliação das provas constantes no processo, ou com a suficiência dessas provas para alcançar as conclusões do Fisco, é nítida e incontestavelmente matéria de mérito, em nada se confundindo com matéria de nulidade. Fl. 2509DF CARF MF 8 Ademais, o julgador não está obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais e suficientes ao julgamento, conforme jurisprudência consolidada nas Cortes Superiores (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP). Anotese que tal posicionamento não foi alterado com o advento do CPC/2015, consoante precedentes daquele sodalício, tais como os EDcl no REsp nº 1.322.791/DF (j. 15/12/2016). Melhor sorte não favorece aos argumentos de que o auto de infração conteria nulidade, por "inobservância dos pressupostos intrínsecos do lançamento". Ora, não é apontado qual dos elementos do procedimento administrativo do lançamento, delineados no art. 142 do CTN ocorrência do fato gerador, apuração da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo que teria sido não devidamente caracterizado, tampouco denotado descumprimento dos requisitos formais constantes dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. De fato, o foco das alegações vertidas pelo recorrente contra a autuação parece ser similar ao contido em seu arrazoado questionando o acórdão da DRJ, ou seja, o de que o enfrentamento do caso concreto foi genérico. Reiterese, mais uma vez, que tal gênero de linha argumentativa, a aventar sutilmente a insuficiência de prova ou das razões de convencimento, diz respeito à questão de fundo, não se consubstanciando em nulidade. Ademais, compulsando os autos, e frente às milhares de páginas de elementos de prova carreados no curso do procedimento fiscal e o detalhado relatório fiscal de fls. 92/121, fica deveras difícil concluir que dito procedimento padece de generalidade tal a ponto de dar azo a declaração de sua nulidade. Impende registrar, como remate, que não se vislumbra na espécie qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Superando as questões de nulidade, tenho que os tópicos de mérito relativos à irregular contratação de serviços prestados por pessoas jurídicas, e à cessão de direitos autorais foram muito bem enfrentados no julgamento a quo, e, não divergindo das razões lá ventiladas, transcrevo, em sua essência, os respectivos trechos da fundamentação, de modo a que integrem este voto, devendo ser ressalvado, que, ao final, serão feitas observações adicionais sobre o caso em apreço, por parte deste relator: Da Irregular Contratação de Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas. O contribuinte nega a existência de pejotização e afirma que foi regular a contratação de empresas prestadoras de serviços. Sustenta que o lançamento fundou se em situação fáticojurídica inexistente, quais sejam: a existência de segurados empregados prestando serviços, de forma fraudulenta, como se pessoas jurídicas fossem. O cerne da autuação consistiu na desqualificação de negócios jurídicos firmados pelo autuado com pessoas jurídicas regularmente constituídas (prestação de Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.507 9 serviços). De acordo com o relato fiscal, tais negócios constituem autêntica relação de emprego, na forma do art. 12, inciso I, da Lei n° 8.212/91, impondose a incidência imperativa das normas previdenciárias. A fiscalização constatou, da análise dos contratos de prestação de serviços, notas fiscais e esclarecimentos prestados pela empresa autuada e pelos prestadores, a existência de relação de emprego entre o contribuinte e os profissionais que lhe prestaram serviços por meio dessas empresas contratadas. Observou que os serviços prestados são inerentes à atividade fim da empresa contratante e que, em muitos casos, as contratadas prestaram serviços exclusivamente ao contribuinte. Além dos empregados registrados no próprio Instituto Atlântico, este apresentou diversos prestadores de serviço contratados através de outras pessoas jurídicas (PJ), e prestadores de serviços cuja contratação se deu através de "Contrato de Cessão de Direitos Autorais de Obras Futuras” (CDA). A chamada "Pejotizacão" é um artifício jurídico utilizado por certos empregadores, que exigem do empregado à constituição de uma pessoa jurídica, a fim de alterar a natureza do contrato e, assim, exonerarse dos encargos fiscais e previdenciários, bem como dos direitos inerentes às relações empregatícias. O artigo 9° da CLT dispõe que serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na legislação trabalhista. Extraise do Relatório Fiscal que, pela análise dos contratos de prestação de serviços apresentados pela impugnante no decorrer do procedimento fiscal, a fiscalização constatou que, na verdade os contratos eram feitos com as pessoas naturais. Vejase excerto do Relatório Fiscal: (...) Embora o contrato previsse que o objeto da contratação estaria descrito e caracterizado no próprio contrato, em uma seção chamada de "Adendo", observase que esta seção também é idêntica entre todos os contratados, e informa apenas que "o objetivo da prestação de serviço é o Apoio Operacional para o desenvolvimento de sistemas pela CONTRATADA à CONTRATANTE, para atendimento do CLIENTE CONTRATANTE, de acordo com as especializações profissionais descritas no item II deste Adendo". Vale esclarecer que o item II do Adendo não descreve nada do serviço, porém apresenta duas importantes informações: o preço do serviço por hora, e a mais importante, o prestador do serviço, que é quase sempre o mesmo durante toda a prestação. Os documentos intitulados "Adendos I", "Adendos II", "Adendos III" e "Adendos IV" foram extraídos dos contratos firmados e comprovam o que alegamos. (...) Diante dessas informações, cabe concluir que embora a prestação de serviço fosse intermediada por uma outra pessoa jurídica, quem o Instituto Atlântico verdadeiramente contratava eram as pessoas naturais que prestavam o serviço e que a atividade fim é objeto do contrato firmado entre o Instituto Atlântico e seus clientes. Fl. 2511DF CARF MF 10 O que a fiscalização constatou foi que pessoas naturais foram contratadas para desempenhar as mesmas funções que os empregados do Instituto realizam em sua atividade fim. Algumas informações presentes nos contratos foram citadas pela fiscalização e corroboram esta conclusão, conforme excerto do Refisc: (...) os documentos elaborados quando do reajuste dos contratos se referiam ao prestador pelo nome da pessoa natural e sua matrícula e não pelo nome da pessoa jurídica, além do que a justificativa para o reajuste se referia a qualidades pessoais do prestador e não da empresa. Documento intitulado "Alteração da Situação PJ" comprova o alegado; os contratos mais antigos previam o pagamento de horasextras benefício restrito aos empregados. O documento "HE em contratos de PJ" comprova este fato; condições de segurança e jornada diária de trabalho contratualmente idênticas às dos empregados do Instituto, fato demonstrado pelo documento "Condições de Trabalho" em anexo. (...) O Instituto Atlântico alega que a fiscalização fez menção genérica às relações jurídicas mantidas pelo contribuinte, sem qualquer análise individual e casuística dos contratos firmados. Ao contrário do que afirma o impugnante, o Relatório Fiscal (item 4.1) demonstra a análise individualizada de cada uma das empresas contratadas e dos respectivos beneficiários pessoas naturais. Vejamse excertos do Relatório Fiscal: (...) Outra importante informação pode ser observada justamente nos casos nos quais mais de uma pessoa é relacionada como prestador do serviço: estas pessoas não mantêm nenhum tipo de vínculo com a pessoa jurídica contratada, ou seja, não são empregados, tampouco sócios das empresas, demonstrando que seu vínculo se dá na verdade diretamente com o Instituto Atlântico, sendo usada uma ou mais pessoas jurídicas contratadas apenas para disfarçar a verdadeira relação. E mais, muitas destas pessoas foram remuneradas por mais de uma empresa em diferentes meses em um curto período de tempo, não mantendo vínculo com nenhuma delas. Em outros casos, a empresa somente foi utilizada até que o profissional pudesse abrir uma empresa em seu próprio nome. Esta alta rotatividade de empregadores, aliada ao fato de prestarem serviços sempre ao mesmo tomador demonstra que este é o verdadeiro empregador. Os fatos a seguir demonstram o alegado: a empresa A.J.Ferreira foi utilizada para remunerar o senhor Aurindo Jorge Ferreira de 01/2011 a 12/2014. Porém em 06/2012, a senhora Vanessa Alexandra da Silva foi remunerada por esta empresa sem nunca ter sido sócia dela ou sua empregada. Mais ainda, em 03/2013, a empresa remunerou os senhores Rondineli Moura Machado e Vandewilly Oliveira da Silva, senhores estes que nunca foram nem empregados nem sócios da A.J.Ferreira. O mais interessante é que estes dois senhores no mês seguinte passaram a ser remunerados por suas próprias empresas, suas homônimas e criadas justamente em 18/03/2013 e 04/03/2013, respectivamente. Disto se conclui que estes senhores já trabalhavam para o Instituto Atlântico, mas para evitar a incidência de tributos previdenciários e trabalhistas, foi Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.508 11 utilizada uma pessoa jurídica encobrir o real vínculo, contudo, como as suas próprias empresas ainda não estavam regulares, eles foram remunerados durante o primeiro mês por outra pessoa jurídica. (...) O senhor Alexander Pimentel de Lima foi remunerado pela empresa Alleasy Consultoria em Informática até 01/2013, mesmo sem possuir vínculo com ela, quando passou a ser remunerado por sua própria empresa a AZPL Consultoria em TI, criada em 16/10/2012. Já o senhor Raphael Mendes de Oliveira foi remunerado pela Alleasy até 09/2012, mesmo sem possuir vínculo com a empresa, e a partir de 10/2012 passou a ser remunerado através de sua recém criada empresa (17/09/2012) hômonima (…)O senhor Jeferson Mendes Lopes recebeu em 03/2011 e 04/2011 pela empresa APPIS.com mesmo sem possuir vínculo com a mesma, passando a receber a partir de 05/2011 por empresa de sua titularidade, chamada JML Sys Serviços de Informática, constituída em 30/03/2011. (...)A senhora Maria Lidalva Daniel Barbosa foi remunerada pela empresa Tecnocuca Informática de 09/2012 a 03/2013 e em 06/2013, mesmo sem possuir vínculo com esta empresa. Passou a receber pela empresa Techminds de 04/2013 a 03/2014, empresa da qual é sócia desde 08/03/2013. (...) Assim, resta demonstrado que as empresas, assim como os beneficiários encontramse todos identificados no item 4.1 do relatório fiscal e na planilha denominada “PF por PJ” anexa aos autos. O documento "PF por PJ" demonstra os beneficiários de cada uma das pessoas jurídicas citadas, enquanto que consulta nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (GFIPWEB, Portal DIPJ, Portal IRPF e Portal DIRF) demonstram que os profissionais citados não eram empregados nem sócios das empresas para as quais prestaram serviços. Este documento foi elaborado pelo próprio contribuinte e continha algumas omissões, estas omissões foram completadas com informações provenientes das notas fiscais emitidas, de acordo com informações extraídas do Relatório Fiscal. No caso da empresa IVIA, questionado na defesa, verificase que a fiscalização relacionou na planilha “PF por PJ” cada pessoa física beneficiária da empresa IVIA na prestação de serviços de desenvolvimento de software, indicando os nomes e os respectivos valores. Sem razão à impugnante em seus argumentos. Outro questionamento do Instituto Atlântico consiste na alegação de que o agente fiscal acusou a presença de seguradosempregados sem demonstrar, com clareza e de forma individualizada, a presença dos requisitos exigidos pela legislação de regência para que tal figura seja identificada. Examinando o Refisc, verificase que além das informações extraídas dos contratos e de seus anexos, foram anexadas comunicações internas do Instituto Atlântico, destacandose: (...) analisando a relação de destinatários dos benefícios mantidos pelo Instituto Atlântico aos seus empregados, foram encontrados os Fl. 2513DF CARF MF 12 nomes de diversas pessoas que não mantinham vínculo com o mesmo e eram remuneradas por outras pessoas jurídicas: o senhor Alexander Molinari Teixeira foi reembolsado pela participação em curso em 04/2013, quando teria sido remunerado pela empresa Dados Transporte e Serviços; a senhora Aline Chaves Freitas foi reembolsada pela participação em curso em 06/2014, quando teria sido remunerada pela empresa Techminds; o senhor Amaurilo Santos da Silva foi reembolsado por despesas realizadas devido a deslocamento a serviço em 02/2012, sendo sempre tratado por seu nome e chamado de colaborador, nunca se referindo à empresa da qual ele era titular, a Appis.com; a senhora Ana Sofia Cysneiros Marçal foi reembolsada por despesas realizadas em 06/2012, sendo sempre tratada por seu nome e chamada de colaboradora, nunca se referindo à empresa da qual ela era titular, a Softi Consultoria. Além disto, foi beneficiada com o pagamento de curso; o senhor Arthur Landim Carvalho Costa foi beneficiado com o reembolso de telefone celular em 02/2011, quando era titular da empresa A.L.C Costa; o senhor Aurindo Jorge Ferreira teve custeada sua viagem a serviço em 12/2011, sendo sempre tratado por seu nome e chamado de funcionário, nunca se referindo à empresa da qual ele era titular, a A.J.Ferreira; o senhor Edson Ricardo de Andrade Silva foi beneficiado com o reembolso de telefone celular em 10/2011, quando era titular da empresa Edson Ricardo de Andrade Silva; o Instituto Atlântico pagou telefones celulares para as empresas L.K. Lima Carvalho, A.L.C Costa, Factory Technologies; o senhor Filipe Bastos Machado foi beneficiado com o reembolso de telefone celular em 03/2011, quando era titular da empresa M&M Tecnologia; a senhora Germana Gladys Marques de Almeida teve custeada sua viagem a serviço em 12/2011, sendo sempre tratada por seu nome e chamada de funcionário, nunca se referindo à empresa da qual ele era titular, a Germana Gladys Marques de Almeida. Além disto, esta senhora teve o pagamento de hospedagem e de telefonia celular efetuado pelo Instituto Atlântico; o senhor Gilson Roberto Sousa Moura foi beneficiado com o reembolso de cursos, com seguro de vida, planos de saúde e odontológico, previdência privada (SISTEL) quando teria sido remunerado pela empresa Soft Work; o senhor Hildenilson Andrade Albano teve custeada sua viagem a serviço em 12/2011, sendo sempre tratado por seu nome e chamado de funcionário, nunca se referindo à empresa da qual ele era titular, a HS Informática; o senhor José Lobo de Brito Junior teve custeada sua viagem a serviço em 03/2011, sendo sempre tratado por seu nome e chamado de funcionário, nunca se referindo à empresa da qual era sócio, a Think Works; Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.509 13 a senhora Juliane Castro Oliveira foi beneficiada com o reembolso de curso em 03/2012, com planos de saúde e odontológico, previdência privada (SISTEL) quando teria sido remunerada pela empresa Soft Work; a senhora Luísa Karinne Lima Carvalho foi beneficiada com pagamento de celular, custeio de viagens, custeio de treinamentos, plano odontológico mesmo sendo titular da empresa Tech Solutions. Além disto, o Instituto Atlântico reconhece o pagamento de alimentação durante "horário extra de trabalho"; Como prova dessas alegações, foram anexados pela fiscalização os comprovantes fornecidos pela empresa com os gastos relativos a plano de saúde, plano odontológico, seguro de vida, previdência privada, telefonia móvel, fornecimento de cursos e treinamentos e os diversos reembolsos de viagens. Ademais, os cargos e as funções que várias pessoas que teriam recebido por outras pessoas jurídicas desempenhavam no Instituto Atlântico são incompatíveis com a terceirização, seja por demonstrarem que representam o Instituto Atlântico perante terceiros, seja por assumirem funções de direção, chefia, gerência ou liderança, demonstrando que o real vínculo é estabelecido entre o Instituto Atlântico e as pessoas naturais. Os fatos citados demonstram vínculo direto de subordinação, caso em que haverá relação de emprego com o contratante (Instituto Atlântico), servindo as empresas contratadas de mero disfarce na tentativa de afastar a vinculação empregatícia. Diante disso, temse que os negócios praticados pelo Instituto Atlântico constituem autêntica relação de emprego, na forma do art. 12, inciso I, da Lei n° 8.212/91, impondose a incidência imperativa das normas previdenciárias. De acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, dispondo seu parágrafo único que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise dos fatos apresentados, verificase a existência de uma simulação no procedimento de terceirização adotado pela autuada em relação às empresas apontadas no REFISC. (...) Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 2515DF CARF MF 14 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal antes transcrito. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). A teor do art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. A desconsideração de atos jurídicos não é ato privativo do Poder Judiciário. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência do Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: (...) Restou demonstrado, pela fiscalização, que as contratações utilizados pela impugnante apontadas no Relatório Fiscal e seus anexos, tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. A fiscalização discorre, em seu relatório fiscal, sobre cada empresa prestadora, apontando os motivos pelos quais entendeu que houve simulação na forma da prestação dos serviços. Observase, nos contratos firmados, a existência de cláusula que garante ao contratado utilizarse das instalações do contratante para a execução dos serviços, inclusive arquivos, telefones, material de consumo, hardware e softwares, por exemplo. Os fatos narrados pela autoridade lançadora reforçam a convicção de que a impugnante se utilizou de empresa interposta para atingir seus objetivos, pois não é crível que ela cederia suas instalações, sem qualquer ônus, para uma empresa independente. Em muitos casos o serviço é prestado exclusivamente à impugnante, conforme comprovam as notas fiscais sequenciais e em alguns contratos não consta o valor dos serviços a serem prestados. Já em outros consta o valor fixo, a ser pago mensalmente. Demonstra o relatório fiscal que as pessoas naturais relacionadas no REFISC, eram beneficiadas com reembolsos de cursos, seguro de vida, planos de saúde e odontológico, previdência privada (SISTEL) com pagamentos de celulares, custeio de viagens, custeio de treinamentos, pagamentos de horas extras, dentre outros. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.510 15 A autuada não nega essas constatações fiscais, apenas se defende tentando demonstrar que a terceirização é lícita. Entretanto, o que foi constatado na ação fiscal foi uma simulação nos serviços de terceirização, e isso não é lícito, não encontrando amparo legal. A simulação, no caso em apreço, está clara quando muitos dos sócios das empresas contratadas já trabalham para a contratante como empregados, prestam serviços exclusivos à impugnante, utilizandose das instalações da contratante, para executar serviços relacionados com a atividade fim da autuada. (...) Cabe concluir, portanto, que as pessoas físicas que prestaram serviços à autuada por meio de pessoas jurídicas interpostas são segurados empregados do Instituto Atlântico. O inconformismo da impugnante não procede, já que restou comprovado que os empresários das empresas citadas são, na verdade, empregados da autuada. Restou comprovada, nos autos, a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego, exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n º 8.212/91 c/c art. 9º, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n º 3.048/99, quais sejam, a nãoeventualidade (habitualidade), a remuneração e a subordinação. Assim, verificada a ocorrência dos requisitos da relação de emprego, agiu a fiscalização em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente os trabalhadores na categoria de segurado empregado para efeitos da legislação previdenciária. Nas relações trabalhistas deve prevalecer a situação fática e não a incorretamente formalizada: o denominado princípio da primazia da realidade sobre a forma. Por esse princípio a realidade fática prevalece sobre qualquer instrumento formal utilizado para documentar o contrato, pois as circunstâncias e o cotidiano na relação empregatícia podem ser diversas daquilo que ficou documentado, podendo por isso gerar mais obrigações e direitos entre as partes. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma. (...) Da Cessão de Direitos Autorais – CDA Acerca da cessão de direitos autorais, alega o contribuinte que o procedimento foi regular e que a fiscalização não observou as particularidades do setor em que o contribuinte atua. A legislação aplicável aos direitos autorais permite expressamente que empregado e empregador, ou pessoas que não mantenham tal vínculo, entabulem contratos dessa natureza, inexistindo qualquer dúvida quanto à sua legalidade. A lei que regulamenta a propriedade intelectual dos programas de computadores (Lei 9609/98), em seu artigo 4° dispõe: Salvo estipulação em contrário, pertencerão exclusivamente ao empregador, contratante de serviços ou órgão público, os direitos relativos ao programa de computador, desenvolvido e elaborado durante a vigência de contrato ou de vinculo estatutário, expressamente destinado à pesquisa e desenvolvimento, ou em que a atividade do empregado, Fl. 2517DF CARF MF 16 contratado de serviço ou servidor seja prevista, ou ainda, que decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos. Assim, se um empregado foi contratado por uma empresa com a função de desenvolver um software e usou de ferramentas, conhecimento, tecnologia dessa empresa, não teria direito algum sobre os programas desenvolvidos em suas atividades na empresa. Entendese que a sua remuneração já é tida como a retribuição pelo trabalho prestado. A propriedade intelectual somente será do empregado quando ele desenvolver um projeto que não tenha ligação com o contrato de trabalho, utilizando recursos próprios. Há que se dizer, então, que pertence à empresa contratante os direitos autorais relativos aos softwares desenvolvidos por seus empregados, contratados ou não para a função de programador, desde que usando recursos da empresa contratante. Caso contrário, se a criação do empregado não tiver vinculo algum com a empresa que o contratou, a propriedade intelectual será do criador. No caso de empresas especializadas na criação e desenvolvimento de softwares o assunto tem que ser tratado já na contratação, com a elaboração de um claro e objetivo contrato de trabalho, que observe as peculiaridades da atividade. (...) Contudo, em um caso ou no outro, é necessária a demonstração da existência de uma obra realizada, que sua realização não se desenvolveu no âmbito do contrato de trabalho, ou seja, que as atribuições do contrato de trabalho são diferentes das necessárias ao desenvolvimento da obra e que a remuneração está intrinsecamente ligada à obra realizada. Analisando os contratos de cessão de direitos autorais e outros documentos, a fiscalização demonstrou que todas as pessoas envolvidas no lançamento, tanto aquelas que foram contratadas somente nesta modalidade, quanto àquelas que também possuíam vínculo empregatício, são empregadas da empresa e suas remunerações são fatos geradores de contribuições previdenciárias, como segue: existem dois tipos de contrato: o primeiro, que previa o pagamento da remuneração de acordo com a produção de cada pessoa e o segundo no qual a remuneração mensal era uniforme. Embora houvesse esta diferença formal, na essência os contratos eram iguais, pois na verdade não havia nenhuma prestação de contas, além do que a remuneração era uniforme ao longo da prestação, independente da produção supostamente realizada. Além do que todos os contratos são iguais em sua essência, demonstrando que todas as pessoas estão em situações idênticas; observouse na planilha "obras_cda_2011_2014", elaborada pela própria empresa, que diversas pessoas com as quais a empresa firmou contrato de CDA trabalharam simultaneamente em diversos projetos, contudo, sua remuneração foi sempre uniforme e vinculada a apenas um dos projetos, demonstrando que a remuneração era fixa e não dependia da produção realizada, mas do serviço prestado, característica da remuneração dos empregados; comparandose as duas planilhas elaboradas pela empresa, "obras_cda_2011_2014" e "alocações", a primeira informando a remuneração de cada CDA e o projeto no qual trabalhou por mês, e a segunda informando as horas alocadas a cada CDA por Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.511 17 projeto, percebese que a remuneração de todos eles foi uniforme, não havendo prestação de contas da produção realizada, demonstrando que apenas importou se o serviço foi ou não prestado, característica dos contratos empregatícios; consoante demonstra o arquivo elaborado pela empresa "obras_cda_2011_2014", com exceção dos senhores Antônio Afonso Lolegi Junior, Débora Lopes dos Santos, Érika da Silva Lhamas, Mônica Becari Pelegrini das Chagas, Róbson Domingos Carneiro e Róbson Moura, todos as demais pessoas trabalhavam nos projetos dos clientes do Instituto Atlântico, desempenhando funções e ocupando cargos típicos de seus empregados e na atividade fim da empresa; mesmo as pessoas antes citadas, desempenhavam funções e ocupavam cargos típicos dos empregados, com a única diferença de que trabalhavam desenvolvendo projetos a serem usados na área administrativa do próprio Atlântico, mas mesmo assim se tratava de atividade própria dos empregados e dentro das competências para as quais foram contratados; observase que diversos profissionais foram contratados com o projeto já em andamento, ao passo que outros tiveram seus contratos encerrados antes da conclusão do projeto demonstrando que o que fora contratado não foi uma obra, mas apenas o serviço; Além destes fatos, os cargos e as funções que várias pessoas que recebiam através de contratos de cessão de direitos autorais desempenhavam no Instituto Atlântico são incompatíveis com esta forma de remuneração, seja porque representam o Instituto Atlântico perante terceiros, seja por assumirem funções de direção, chefia, gerência ou liderança, demonstrando que o real vínculo é estabelecido entre o Instituto Atlântico e as pessoas naturais. As pessoas citadas no Relatório Fiscal desempenhavam funções e ocupavam cargos típicos dos empregados, com a única diferença de que trabalhavam desenvolvendo projetos a serem usados na área administrativa do próprio Atlântico, mas mesmo assim se tratava de atividade própria dos empregados e dentro das competências para as quais foram contratados. A fiscalização verificou, ainda, que diversos profissionais foram contratados com o projeto já em andamento, ao passo que outros tiveram seus contratos encerrados antes da conclusão do projeto, demonstrando que o que fora contratado não foi uma obra, mas apenas o serviço; que a própria empresa confundiuse diversas vezes, ora remunerando as pessoas através de CDA, ora através de PJ, mas sempre exercendo as mesmas funções e ocupando os mesmos cargos, demonstrando que o vínculo é sempre o mesmo, o de empregado. Além do que, no caso sob exame, não restou comprovada a existência de obra realizada pelas pessoas naturais contratadas mediante CDA. Ainda, de acordo com o Relatório fiscal, analisando os objetos de criação relacionados pela empresa, a fiscalização verificou que todos se encontram nas atribuições e competências relativas ao contrato de trabalho e são idênticas aos objetos contratados pelo Instituto Atlântico com seus clientes. Vejamse excertos do Relatório fiscal: Fl. 2519DF CARF MF 18 Analisando as Atas de Reunião de Diretoria, mais precisamente a 3a Reunião da Diretoria do Ano de 2009, realizada nos dias 10 e 11 de agosto de 2009, percebese claramente que o Instituto Atlântico tinha o objetivo de reduzir seus encargos, através da adoção de "cesta flexível de benefícios e remuneração por cessão de direitos autorais". Segundo a agenda da reunião, tal assunto seria discutido na gestão de RH: CDA e modelos flexíveis de remuneração “. Na exposição realizada, foram “sugeridas”formas alternativas de remuneração", entre elas a "CLT Flex: modalidade mais utilizada é 30% na carteira e 70% 'por fora'" e "CDA modelo de Cessão de Direitos Autorais é dissociado do contrato de trabalho e tem validade de 5 anos". A expressão CLT Flex é conhecido jargão do mundo jurídico e constitui, de forma resumida, no pagamento de parte dos salários sob a forma de utilidades ou, de uma maneira mais clara, "por fora". Artigo publicado na revista Exame ("Artigo Exame") estabelece que neste tipo de contratação as empresas "dividem parte do salário 'por dentro' (CLT) e o restante entre benefícios, como alimentação, vestuário, moradia, educação, assistência médica, reembolso transporte, direitos autorais, propriedade intelectual etc. é pago por fora". Este mesmo artigo adverte que "a contratação flex é apenas uma entre as várias fraudes utilizadas atualmente para fugir das imposições legais e direitos dos trabalhadores, como exigir que o colaborador emita notas como PJ (pessoa jurídica), se associe a uma cooperativa ou, ainda, que emita RPA, por exemplo". Estas foram práticas elisivas adotadas pelo Instituto Atlântico. Do exposto, percebese que o Instituto Atlântico agiu de forma premeditada e estava ciente da real natureza das contratações realizadas e sua única motivação foi financeira, visando unicamente à redução de seus custos, independentemente da adequação da forma com a realidade. Vejamse excertos do Relatório Fiscal: (...)Analisando primeiramente os ensinamentos de Godinho, percebese claramente a existência de subordinação jurídica entre o Instituto Atlântico e seus prestadores de serviços CDA e PJ através de suas três manifestações: a clássica pode ser verificada na análise do organograma da empresa e nas funções desempenhadas pelas pessoas naturais. Todas elas desempenhavam funções (desde analistas, programadores, engenheiros, arquitetos de software, designers) alocadas a determinados projetos os quais sempre eram administrados por gerentes, aos quais obrigatoriamente se reportavam. Conforme visto, vários destes prestadores eram eles próprios os gerentes técnicos ou mesmo gerentes dos projetos, apresentando superioridade hierárquica aos outros prestadores e a muitos empregados; a manifestação objetiva é identificada nas atividades desenvolvidas por cada um de seus prestadores, todas dentro das atividadesfim da empresa, colaborando decisivamente para a consecução de seus objetivos institucionais; já a manifestação estrutural é identificada na segregação funcional que cada prestador tinha, desempenhando dentro de cada projeto um papel bem definido e vinculado à dinâmica operativa da atividade do tomador de serviços. Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.512 19 Dessa forma, entendemos que os serviços prestados (CDA e PJ) foram realizados por empregados da empresa e todos se encontram nas atribuições e competências relativas ao contrato de trabalho e são idênticas aos objetos contratados pelo Instituto Atlântico com seus clientes, de modo que toda retribuição pelos serviços prestados integra o salário e constitui base de cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social. Todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, via de regra, são considerados salários de contribuição, somente ficando afastada a incidência de contribuições nas hipóteses previstas no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. Uma vez presentes os requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade (art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e artigos 2º e 3º da CLT), a remuneração pelos serviços prestados constituise em base de cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social). A análise supra é cuidadosa e revela a superficialidade das repetidas qualificações de generalidade tanto do lançamento, com relação ao qual foram acima transcritos trechos demonstrando o detalhamento da ação fiscal, quanto da decisão atacada, articulada e bem fundamentada, como visto. Impende observar que o principal mote ao qual o contribuinte parece aterse, é, na realidade, a compreensão de que a fiscalização deveria ter efetuado análise individualizada e pormenorizada, por prestador de serviço, da existência de vínculo empregatício. A respeito, cabe esclarecer ser amplamente aceita na jurisprudência administrativa, como técnica usual de análise de ampla quantidade de informações por parte da fiscalização, a metodologia da amostragem, pela qual são selecionados grupos com vistas a delinear as características de um conjunto maior, vide, ilustrativamente, os Acórdãos de nos 20177693 (j. 16/06/2004), 110100.008 (j. 11/03/2009), 330200079 (j. 132/08/2009), 1801 00.413 (j. 14/12/2010), 1402000.462 (j. 25/02/2012) e 1803000.915 (j. 26/06/2011). Desse modo, ainda que o Fisco tivesse coletado as informações relativas a apenas uma parte das pessoas físicas que foram pagas via pessoas jurídicas interpostas, ou tivessem recebido verbas a título de cessão de direitos autorais, isso por si só não seria motivo suficiente a macular suas conclusões, se coerentes, representativas e não contestadas de modo hábil pelo autuado. Porém o que se verifica no particular é que sequer de amostragem se trata. De fato, foram reunidos amplos e sólidos elementos probatórios, todos consistentes em corroborar a percepção dos fatos tal como apreendida pela autoridade fazendária. Nessa senda, basta compulsar os autos para verificar a presença, dentre outros, dos seguintes documentos comprobatórios de pagamentos efetuados pelo autuado, relativos a pessoas físicas reconhecidas como seus empregados: pagamentos de despesas odontológicas fls. 787 e ss; listagem de reembolso de mestrados, cursos de aperfeiçoamento, etc. fls. 1008 e ss; reembolsos de despesas de viagem fls. 1021 e ss; seguro coletivo fls. 1095 e ss; planos de telefonia, fls. 1112 e ss. Fl. 2521DF CARF MF 20 Por sua vez, várias das pessoas físicas que, em tese ou formalmente, seriam titulares ou colaboradoras de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, divulgavam nas redes sociais e em seus currículos Lattes possuírem vínculo laboral efetivo com o recorrente (ver fls. 403 e ss). Sintomática, aliás, é a correspondência eletrônica colacionada à fl. 677, direcionada a funcionário da empresa autuada, que exemplifica a prática simulatória por ela adotada para furtarse ao cumprimento dos encargos sociais, trabalhistas e tributários: (...) Conforme solicitado, abri uma empresa (Softwork) apenas para cadastrar os colaboradores do Ia, como sócios, atendendo todas as nossas necessidades legais [sic]. Com isso tive de obedecer todos os trâmites legais junto aos órgãos para liberação de talão de nota fiscal. (...) Estou terminando toda a documentação da Softwork, para que você tenha uma empresa "chave" onde possa contar e ficar despreocupado em suas futuras contratações. Ou seja, confessadamente, a abertura da empresa foi destituída de intento negocial, visando apenas cadastrar pessoas físicas empregadas e ocupantes de cargo gerencial do recorrente como "sócios" de pessoas jurídicas aparentes. Tal exemplo é apenas um dentre outros tantos, presentes na documentação carreada pela fiscalização, da conduta sistemática do recorrente quanto à política remuneratória e fiscal. Abrase parênteses para afastar a incidência do art. 129 da Lei nº 11.196/05, pois esta, consoante reiteradas decisões judiciais e precedentes administrativos ver, exemplificativamente, TST, AIRR 98161.2010.5.10.0006 (j. 29/10/2012) , e CARF, Acórdãos nº 2401003.146 (j. 13/08/2013) e nº 2402005.270 (j. 11/05/2016) sujeita o prestador de serviços intelectuais à legislação fiscal aplicável às pessoas jurídicas, tãosomente quando a pessoa física que passa a exerce atividade do gênero sob aquele manto o faz não apenas sob o ponto de vista formal, como simulacro, mas sim materialmente, com autonomia que a distingue, de maneira incisiva, da relação de cunho laboral, o que não se verifica no particular, de acordo com o já exposto. E deve ser reforçado que a possibilidade de prestação desse gênero de serviços via pessoas jurídicas encontra limites na observância do princípio da primazia da realidade, segundo o qual deve ser priorizada a verdade material observada no contexto das prestação de serviços, e não os seus aspectos formais. Nesse sentido, impõe trazer à colação a redação do parágrafo único do art. 129 da Lei nº 11.196/05, e respectivos motivos para o veto: Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Razões do veto Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.513 21 O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador o cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade. Vêse então que a verificação da realidade material da relação jurídica regrada formalmente pela norma em evidência não carece de exame do poder judicante para ser submetida aos ditames da legislação tributária, bem como à análise das autoridades fazendárias competentes, estas com base no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), no art. 2º da Lei nº 11.457/07, e no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), o qual regra que "Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado". Mencionese sobre tal competência, por oportuno, as sucessivas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tais como as prolatadas nos REsp de nos 236.279, 515.521, 575.086 e 894.571/SP, restando então claro não haver falar, no particular, de necessidade de desconsideração da pessoa jurídica. Não é demasiado lembrar, ainda, que em caso de constatação de fraudes nas relações trabalhistas, o art. 9º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) regra que são nulos de pleno direito os atos praticados para viabilizálos, havendo, por outra via, amparo normativo no inciso VII do art. 149 do CTN para a imputação do gravame tributário nessas situações. Inexiste, em decorrência, qualquer mácula na ação fiscal no que tange à competência para o reconhecimento, seja da existência de relações jurídicas aptas a atrair a incidência das contribuições previdenciárias, seja de eventual fraude envolvendo tais relações. Noutro giro, causa espécie que, a despeito das várias dezenas de pessoas jurídicas caracterizadas minuciosamente como veículos para terceirização da prestação de serviços por pessoas físicas diretamente ao autuado (ver fls. 97/101 do Relatório Fiscal), ele apeguese, com o mínimo de qualidade, unicamente ao caso da empresa Ivia Ltda., mediante o qual busca apontar pretensos erros na análise da fiscalização. Com esse objetivo, cingese a colacionar em seu recurso informações do sítio dessa empresa na internet, a qual, aparentemente, possui outros clientes e atua no mercado há certo tempo. Cumpre esclarecer que foram considerados como componentes da base de cálculo de contribuições previdenciárias apenas três pagamentos a tal empresa (fl. 834), sendo que dois deles associados a Emanuel Santos Lima, pessoa não citada no Relatório Fiscal, e um a Antônio Heinz, o qual, conforme esse documento, foi remunerado por outras pessoas jurídicas, sem ter nenhum vínculo com elas. Fl. 2523DF CARF MF 22 Sem embargo, consulta ao dito sítio da empresa IVIA na internet (www.ivia.com.br), efetuada em 26/09/2018, dá respaldo às alegações do autuado no sentido de que se trata de empresa formalizada e ativa no mercado de informática desde 1996, sendo difícil com esteio em apenas três pagamentos, e à míngua de comprovação adicional devidamente circunstanciada nos autos, vinculálos à pagamento laboral por parte do recorrente. Cabe então, excluir tais pagamentos, com relação aos quais o recorrente trouxe elementos, ainda que indiciários, de equívoco na imputação fiscal. Fazse isso, contudo, sem que resulte tal feito em sombra de dúvida sobre o lançamento em sua parcela amplamente majoritária, pois, como já enfatizado, está bem amparado nas provas constantes do processo. Quanto às empresas Tecnocuca e Techminds, citadas de passagem na peça recursal, temse como bem caracterizada a sua utilização como empresas de fachada para acobertar o verdadeiro vínculo com o tomador de serviço, conforme elucida o seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 94): as empresas Tecnocuca e Techminds foram utilizadas sucessiva e alternadamente para remunerar as seguintes pessoas: Aline Chaves Freitas, David Bandeira de Melo, Francisco Raphael Bezerra Ribeiro, Francisco Thiago de Araújo Costa Mota, Guilherme Leite Amaral Falcão, Joaquim Pedro Matias Neto, Jocélio Otávio Araújo da Cunha, Maria Lidalva Daniel Barbosa, Paulo Pessoa de Carvalho Filho. Enquanto a Tecnocuca foi utilizada até 03/2013 e exatamente em 06/2013, a Techminds foi utilizada em 04/2013, 05/2013 e a partir de 07/2013, fato cuja estranheza salta aos olhos, se não vejamos: um grupo, não apenas uma pessoa, trabalha em uma determinada empresa, este grupo passa a trabalhar em outra empresa nos dois meses seguintes, no terceiro mês, retorna à empresa original, para a partir do quarto voltar à segunda empresa. E o mais curioso, sempre prestando serviços para o mesmo tomador. Para nós está claro que este grupo na verdade trabalha para o tomador do serviço, sendo as duas empresas prestadoras utilizadas para encobrir os vínculos verdadeiros; Vejase a respeito, também, as explicações contidas às fls. 98/99 do precitado relatório, e os pagamentos discriminados às fls. 860/867, tudo em consonância com o modus operandi do recorrente amplamente descrito pela autoridade fiscal. Nesse diapasão, e voltando o foco para as pretensas cessões de direitos autorais, é preciso destacar que não foi apresentada pelo epigrafado qualquer evidência de que as pessoas físicas destinatárias de pagamentos a tal título tenham desenvolvido criação intelectual sistema ou código fonte de programa de computador, dada a atividade da empresa que os justificasse. Vale lembrar que, nos termos da legislação aplicável, pertencem exclusivamente ao empregador os direitos relativos ao software desenvolvido e elaborado no curso da vigência do contrato de trabalho, com recursos, equipamentos e suporte de informações tecnológicas daquele. E, ainda que haja estipulação contratual em sentido diverso, frisese que, sendo situação que foge ao padrão no âmbito de empresas que atuam na área de informática, deve estar bem circunstanciada a existência efetiva da criação ou aprimoramento intelectual a embasar os direitos autorais pagos, sob pena de sobressair o caráter remuneratório. E repitase, o contribuinte não traz prova de qualquer cunho apta respaldar o entendimento de que teriam havido criações do gênero, apenas ilações, digase agora, assaz genéricas. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.514 23 O que se conclui é que não seria difícil ao recorrente fazer prova de suas alegações, seja juntando aos autos elementos mínimos de prova das criações intelectuais dos beneficiários de pagamentos de direitos autorais, seja demonstrando, de modo circunstanciado, eventuais equívocos argumentativos ou nas valorações dos documentos levados a efeito pela fiscalização quanto à condição de segurados empregados, sendo que aquela, repitase, devidamente analisou, de modo específico e detalhado, o caso concreto. No tocante ao tema enquadramento do CNAE, não foi trazida adução específica no recurso voluntário, só mera remissão a ter sido impugnado tal aspecto do procedimento fiscal. Desse modo, apenas por cautela, cabe referir que são abundantes as provas constantes nos autos, tais como contratos do recorrente com terceiras pessoas jurídicas (fls. 1302 e ss, 1454 e ss), natureza do trabalho desenvolvido pelos contratados, e até mesmo publicações internas da própria empresa (fls. 388 e ss), a corroborar o entendimento de que seu real CNAE em nada guarda similaridade com o declarado em GFIP (72.10000 Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais), mas sim com o de nº 62.015/00 Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda. Daí, correto o procedimento da fiscalização realizando o correspondente reenquadramento. Não prospera também, a irresignação do autuado quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista a apresentação de GFIP com informações incorretas. Poderia ter ele evidenciado erro nos cálculos da fiscalização, porém resumiu se a lançar dúvidas sobre a análise da GFIP pelo Fisco a qual concluiu haver CNAE, FAPs e compensações incorretas em todos os meses sem qualquer detalhamento, parecendo esquecer se que, na medida em que o lançamento foi amparado nas GFIP por ele entregues, teria toda a facilidade de demonstrar a correção das informações prestadas nesse documento, e contestar eficazmente a autuação. Mais uma vez, entretanto, quedouse inerte em providência do gênero. Quanto ao cálculo, parece ter dificuldade em compreender que o valor mínimo de multa aplicada, de R$ 500,00, é associado a cada GFIP com incorreções, forte no art. 32A, inciso I, c/c o § 3º, inciso II da Lei de Custeio. As GFIPs são transmitidas mensalmente, então se o período sujeito ao lançamento abrange 48 meses, como é o caso, e em todos eles se verificaram incorreções, como constatado pela fiscalização e não contestado habilmente pelo recorrente, a multa consequente alcança o total de R$ 24.000,00. Sem reparos, portanto, o lançamento relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória. Na mesma trilha, há que se reconhecer ter sido bem aplicada a qualificação da multa de ofício. A fiscalização logrou demonstrar ter sido conduta deliberada da empresa conforme, dentre outros variados elementos de prova, ata de reunião de diretoria e correspondências eletrônicas constantes nos autos mascarar a existência de relação de emprego perante as pessoas físicas, por meio de empresas interpostas, nas quais aquelas constavam formalmente como sócios ou empregados. E, curiosamente, na espécie, haviam casos em que as pessoas que tinham vínculo material de natureza empregatícia com o Fl. 2525DF CARF MF 24 recorrente, mas acabavam por ser remuneradas por várias pessoas jurídicas sequencialmente, sequer mantendo liame formalizado com elas. Isso, sem falar no procedimento também intencional de efetuar pagamentos a título de direitos autorais, sem qualquer respaldo fático para tanto, com vistas a diminuir a parcela remuneratória sobre a qual incidiriam as contribuições previdenciárias. Observese que, por se tratar de conduta objetivando dissimular os vínculos efetivamente estabelecidos, os elementos de prova, ainda que indiciários e há elementos de natureza mais contundente na espécie, que reste registrado devem ser avaliados em seu conjunto, o qual corrobora as conclusões da autoridade lançadora. Assim, constatada a divergência entre os atos jurídicos formais praticados e os fatos realmente ocorridos, há que se reconhecer a existência de simulação com intuito de fraudar as relações de trabalho e obstar o conhecimento do fisco do fato gerador das precitadas contribuições. Prevalece, por conseguinte, o convencimento de que o recorrente incidiu em fraude, nos termos delineados no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Justificada, então, a qualificação da multa de ofício levada a efeito no lançamento. dado o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 Já no que concerne à responsabilização solidária da Fundação CPqD, entendo assistir razão aos recorrentes. É inegável que a fiscalização se esmerou em buscar elementos com vistas a fortalecer a convicção de que a mencionada fundação teria interesse comum na situação de fato que constitui os fatos geradores das obrigações, objetivando dar supedâneo à aplicação do art. 124, inciso I, do CTN, afirmando que "as decisões estratégicas e executivas são tomadas por empregados da Fundação CPqD, ainda que neste último caso os seus contratos estejam suspensos", "existe verdadeira confusão entre as empresas, conforme visto, além dos membros da diretoria e superintendente possuírem vínculo com ambas as empresas", etc. Além disso, ressaltou haver o desenvolvimento de contratos em conjunto/parceria pelas mencionadas empresas, tais como os acertados com a CAESB, CHESF, ISBAN, OI, etc. Contudo, deixou de mencionar que em vários dos contratos estabelecidos entre o Instituto Atlântico e seus tomadores de serviço (fls. 1302 e ss), não há qualquer referência à mencionada fundação, devendo ser ressaltado que eventual participação em grupo econômico, de fato ou de direito comum, não foi suporte normativo para a imputação de responsabilidade solidária no lançamento. Vide nesse sentido, os contratos firmados com o Banco Fibra S/A., Toyota Leasing do Brasil S/A., LG Eletronics do Brasil, Gnatus Equipamentos MédicoOdontológicos Ltda., etc. Cabe admitirse que as empresas estão ligados por laços históricos, que aparentemente atuam de maneira estratégica em conjunto, mas além de não estarem vinculadas formalmente, o interesse econômico comum na dissimulação da relação de emprego com os terceirizados não se vislumbra nesses casos bem caracterizado, na medida em que não há ou melhor, não restou suficientemente demonstrado benefícios mais concretos ou diretos desse procedimento da autuada, nas atividades ou mesmo no incremento do patrimônio da fundação. Nessa esteira, tenho que a imputação da responsabilidade solidária de maneira ampla, tal como levada a efeito pela fiscalização, não reflete de maneira adequada o conjunto de provas contidas nos autos, motivo pelo qual deve ser afastada. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10380.720577/201633 Acórdão n.º 2202004.959 S2C2T2 Fl. 2.515 25 Necessário explicar ainda que este Colegiado observa os arts. 62 e 72 do Anexo II do RICARF para fins de vinculação a eventuais precedentes, sejam eles administrativos ou judiciais, salvo, é claro, a existência de decisões provenientes da seara judicante, envolvendo as mesmas partes e aplicáveis à controvérsia específica analisada nos autos. Como fecho, deve ser anotado que a rejeição do pedido de realização de diligência e/ou perícia foi devidamente fundamentada pela DRJ, consoante se depreende da leitura do tópico correspondente à fl. 2359/2360. Despicienda de todo, aliás, a realização de diligência, pois os elementos de prova constantes nos autos são suficientes o bastante para a adequada compreensão da lide por parte do julgador, incidindo, no caso, o comando do caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 E, no que se refere especificamente ao pedido de perícia, para cogitarse de seu acatamento, ele requer, dado o disposto no art. 16, inciso IV, § 1º do Decreto nº 70.235/72, a indicação do endereço e qualificação profissional do perito por parte do recorrente, o que não se verificou. Ante o exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário da Fundação CPqD, afastando sua condição de responsável solidária pelo crédito tributário, e por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados à pessoa jurídica Ivia Ltda., discriminados na fl. 834 dos autos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900220/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.900220/2006-60
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5971375
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.541
nome_arquivo_s : Decisao_13851900220200660.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13851900220200660_5971375.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7649754
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660687769600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.900220/200660 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.541 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente TECNOMOTOR ELETRÔNICA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.541, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 22 0/ 20 06 -6 0 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900220/200660 Resolução nº 1201000.541 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Período de Apuração 31/03/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720355/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010
PEJOTIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO.
Não há cerceamento do direito de defesa em razão de a fiscalização sustentar que determinadas provas se aplicam a inúmeros segurados, eis que a questão é saber se a prova apresentada é hábil ou não para comprovar todos os vínculos imputados.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para constatar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
SÚMULA CARF N° 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PEJOTIZAÇÃO. FRAUDE. GENERALIZAÇÃO DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE.
Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Segundo o conjunto probatório dos autos, a contratação de pessoa jurídica para prestar serviços de representação comercial não pode ser considerada fraudulenta de forma genérica, como subterfúgio para dissimulação de relação de emprego, conforme pretendeu o agente de fiscalização. Quando não evidenciada a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar básico de 75%.
Numero da decisão: 2401-005.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento a remuneração imputada às pessoas físicas listadas na conclusão do voto do relator e para excluir a qualificadora da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão apenas para retificar a base de cálculo do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 PEJOTIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. Não há cerceamento do direito de defesa em razão de a fiscalização sustentar que determinadas provas se aplicam a inúmeros segurados, eis que a questão é saber se a prova apresentada é hábil ou não para comprovar todos os vínculos imputados. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para constatar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. SÚMULA CARF N° 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PEJOTIZAÇÃO. FRAUDE. GENERALIZAÇÃO DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE. Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Segundo o conjunto probatório dos autos, a contratação de pessoa jurídica para prestar serviços de representação comercial não pode ser considerada fraudulenta de forma genérica, como subterfúgio para dissimulação de relação de emprego, conforme pretendeu o agente de fiscalização. Quando não evidenciada a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar básico de 75%.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.720355/2015-11
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970001
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-005.952
nome_arquivo_s : Decisao_16682720355201511.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16682720355201511_5970001.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento a remuneração imputada às pessoas físicas listadas na conclusão do voto do relator e para excluir a qualificadora da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão apenas para retificar a base de cálculo do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7646211
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660694061056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 5.862 1 5.861 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720355/201511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.952 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ZAMBONI COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2010 PEJOTIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO. Não há cerceamento do direito de defesa em razão de a fiscalização sustentar que determinadas provas se aplicam a inúmeros segurados, eis que a questão é saber se a prova apresentada é hábil ou não para comprovar todos os vínculos imputados. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para constatar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. SÚMULA CARF N° 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PEJOTIZAÇÃO. FRAUDE. GENERALIZAÇÃO DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE. Para a aplicação de penalidade mais gravosa é necessária a demonstração pela autoridade lançadora da intenção firme do infrator de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, não deixando margem de dúvida a respeito da existência do dolo. Segundo o conjunto probatório dos autos, a contratação de pessoa jurídica para prestar serviços de representação comercial não pode ser considerada fraudulenta de forma genérica, como subterfúgio para dissimulação de relação de emprego, conforme pretendeu o agente de fiscalização. Quando não evidenciada a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa ao patamar básico de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 55 /2 01 5- 11 Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.863 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento a remuneração imputada às pessoas físicas listadas na conclusão do voto do relator e para excluir a qualificadora da multa, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão apenas para retificar a base de cálculo do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier Relatório O presente processo envolve Recurso Voluntário contra decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte impugnação apresentada contra o Auto de Infração n° 51.067.1861 (contribuições do art. 22, I e II, da Lei n° 8.212, de 1991, nas competências 03/2010 e 12/2010, a totalizar, com juros e multa qualificada, R$ 9.852.325,30) e o AI n° 51.067.1870 (contribuições SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE nas competências 03/2010 e 12/2010, a totalizar, com juros e multa qualificada, R$ 2.465.823,56). Do Relatório Fiscal (fls. 30/142), em apertada síntese, se extrai: a) Além dos AIOPs n° 51.067.1861 e n° 51.067.1870, foram lavrados os AIOAs n° 51.067.1888 (Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 2o e 3o) n° 51.067.1896 (Lei 8.212, de 1991, art. 32, III e § 11). Fl. 5863DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.864 3 b) A empresa não apresentou todos os contratos de representação comercial. Os contratos apresentados em meio papel constam em cópias no Anexo VII, ressaltandose que há diversos contratos nãoassinados pelo responsável legal da ZAMBONI ou pelo responsável do Prestador. Os contratos possuem praticamente a mesma estrutura, com cláusulas idênticas ou semelhantes, alterando, por prestador, o ramo de comercialização das mercadorias e as áreas de atuação. Com lastro no conjunto dos contratos apresentados, foi elaborada a Planilha constante do "Anexo I Prestadores de Serviço Total" (fls. 143/194). c) A empresa apresentou planilha no formato Excel, denominada "Arquivo Para Fiscal.xlsx" relacionando os pagamentos efetuados de 01/2010 a 12/2010 aos prestadores de serviço por representação comercial relacionados em anexo ao TIPF, inclusive aqueles para os quais não forneceu, em 23/04/2014, cópia do respectivo contrato. Todas as Notas foram emitidas para o estabelecimento 05.103.939/000286. d) Com base nas cláusulas contratuais, foi emitido TIF em 10/11/2014 solicitando, em relação a 59 prestadores de serviço de representação comercial selecionados por amostragem, que a empresa apresentasse os seguintes documentos: (1) Relação de classificação de produtos e clientes fornecida a cada prestadora para venda, acompanhada das regras e instruções para comercialização dos produtos c artigos, concessões e autorizações para abatimentos, descontos e dilações; (2) Formulários ou planilhas de avaliação e controle dos prestadores de serviço relacionados em Anexo, inclusive relatórios de metas individuais, produtividade efetiva por prestador e total de vendas, fornecidos ou não via "palmtop", como descrito nas cláusulas dos contratos apresentados; (3) Cálculo das comissões pagas a cada representante das empresas relacionadas, durante todo o período, com as deduções feitas por eventuais pedidos não pagos ou cancelados c considerando as categorias de mercadorias discriminadas nos contratos. O cálculo deverá ser acompanhado das informações sobre as faturas de negócios e relação de recebimentos que definam o valor das comissões devidas, como explicitado nas cláusulas que discriminam as "OBRIGAÇÕES DA REPRESENTADA". No mesmo TIF, foram solicitadas ainda explicações sobre a maneira como ocorre a prestação de contas das vendas efetuadas, incluindo, mas não limitado a: (4) comunicação por "palmtop" entre a mesma e seus prestadores de serviço como funciona, a quem pertence a aparelhagem utilizada, como e em que periodicidade são processadas as informações e que tipo de relatórios ou "logs" são gerados; (5) fornecimento, pelo representante, das informações gerais sobre o andamento dos negócios qual a periodicidade deste fornecimento, se há reuniões para prestação de contas ou avaliação do serviço, se há treinamento para vendas, e se há assistência ou supervisão pessoal nos locais ou zonas de atuação discriminadas nos contratos. Havendo reuniões, apresentar todas as atas no período de apuração supracitado, exclusivamente onde tenham estado presentes os representantes dos prestadores relacionados em Anexo. Em relação ao item (1) foram apresentadas: Planilha de Classe de Clientes e Planilha de Classe de Produtos. A empresa alegou, em cartaresposta que acompanhou a documentação, que estas planilhas (Anexo VI Respostas da Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.865 4 Empresa) são os documentos de clientes e produtos fornecidos a cada representante; Em relação ao item (2), a empresa nada apresentou. Em relação ao item (3), apresentou planilhas referentes aos representantes comerciais relacionados em anexo ao TIF de 07/11/2014, compactadas em arquivo em formato RAR, mas que só continham dados da Receita Bruta de vendas de cada representante, por competência de 2010, e os valores das Notas Fiscais de comissão pagas, que já constavam de Planilha apresentada cm 23/04/2014, com desconto de Imposto de Renda. Não apresentou o cálculo das comissões, com ou sem deduções, apesar de explicar que "(...) o pagamento das comissões sobre venda dos representantes ê realizado mensalmente, após a apuração dos títulos pagos de seus clientes, e nos termos do contrato de prestação de serviços firmado. A única exceção à este método é a operação de venda feita por "VENDOR" (financiamento bancário), caso em que a comissão é apurada pela venda do período, isto ê, de forma independente da liquidação do título bancário", citando dispositivos da Lei n. 4.886/1965 para justificar sua resposta. As planilhas, fornecidas em formato Excel e com numeração interna da empresa, de A058 a A986, foram reunidas num único arquivo, que faz parte do Anexo VI Respostas da Empresa. Em relação aos itens (4) e (5) a empresa só respondeu ao contido no (4) (...) que a aparelhagem utilizada na comunicação ("palmtop") entre a Requerente e seus prestadores de serviço pertence à Requerente e funciona da seguinte forma: Diariamente, a Requerente envia aos seus representantes comerciais, mediante o uso de Tablet. iodas as condições comerciais de venda, os quais, por sua vez, nos termos daquelas instruções, iniciam os projetos de venda, agindo com total autonomia sobre a carteira de clientes e a aplicação de descontos. Após a venda realizada, o representante realiza a transmissão eletrônica dos pedidos para a Requerente. Uma vez transmitidos os pedidos, são gerados relatórios ("logs") nos quais irá constar o pedido enviado, o pedido faturado e aquele pendente", (grifo nosso). Considerando ser inviável que um representante comercial pudesse trabalhar exclusivamente com os dados contidos nas Planilhas de Produtos e Clientes apresentadas pela autuada, diligenciouse em 15/12/2014 à 74a Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, na Av. Gomes Freire, n° 471, Centro, Rio de Janeiro, RJ, de onde vieram os Ofícios desencadeadores da fiscalização para pedido de vistas ao Processo n° 014570015.2009.5.01.0074. Dos autos do processo judicial arquivado foram extraídos: (a) "Atribuições do Representante" e "Atribuições dos Analistas", onde constam diretrizes da ZAMBONI a serem observadas por seus representantes comerciais e onde se menciona, entre outros, a existência de Analista de Vendas, Supervisor Eletrônico, palestras, cursos e treinamentos, reuniões de equipes de vendas e elaboração de relatórios; (b) Relatório de Lucratividade Por Cliente, onde consta a relação das vendas efetuadas pelo Autor do Processo, Michel Carlos Mendonça (Breno's Representações), no período de 01/06/2007 a 30/09/2007, com o respectivo cálculo de cada comissão, além de percentual de participação na venda; (c) Relatório de Volume de Vendas Mensal, do Analista Marcus Machado, onde estão listados representantes comerciais que estariam sob a supervisão deste Analista, e o quanto venderam no mês de 05/2002; (d) Relatório Mensal de Positivação de Clientes e Mix de Produtos, do Analista Marcus Machado, onde estão classificados representantes comerciais que estariam sob a Fl. 5865DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.866 5 supervisão deste Analista, o percentual de atendimento aos respectivos clientes e o percentual de produtos vendidos, do mês de 06/2002; (e) Ponto de Vendas Ranking Distribuição, do Analista Américo, onde se classifica a quantidade de produtos de determinado fornecedor vendida, por representante vinculado ao Analista citado, no mês de 10/1999. Além dos documentos supracitados, retiramos do Processo n° 0145700 15.2009.5.01.0074 um relatório de vendas e comissões do sistema VENDOR, de 05 a 12/2007, mencionado pela empresa nas explicações fornecidas para cálculo das comissões, conforme o item 5.1.10, alínea "c". Todos os documentos extraídos constam do Anexo XIV Documentos Extraídos de Processos. Considerando que tais documentos foram aceitos como prova no processo trabalhista, concluiuse que a ZAMBONI possuía regras e instruções específicas para representantes comerciais, relatórios de vendas, produtividade e outros similares, o suficiente para ter fornecido os documentos e explicações solicitados no TIF emitido cm 07/11/2014. Desta forma, foi lavrado novo TIF cm 29/12/2014, mencionando o conteúdo do Ofício n° 0619/2011 e suas implicações nas verificações efetuadas neste procedimento fiscal, além de relacionarmos em Anexo ao TIF os documentos extraídos do Processo conforme o item 5.1.13, a título de demonstração e numerados de I a V, respectivamente, reintimando a empresa a apresentar os mesmos documentos que havíamos solicitado (itens 1 a 3, supra) e o esclarecimento do item (5). Em 08/01/2015, a ZAMBONI, não fazendo qualquer menção à documentação extraída do Processo n° 014570015.2009.5.01.0074 e anexada ao TIF, apresentou: (a) em relação ao solicitado conforme item 5.1.7, alínea "a" As mesmas Planilhas de Classe de Clientes e de Classe de Produtos apresentadas em 25/11/2014; (b) em relação ao solicitado conforme item 5.1.7, alínea "b" A empresa, mais uma vez, nada apresentou a respeito; (c) cm relação ao solicitado conforme item 5.1.7, alínea "c" As mesmas Planilhas com a Receita Bruta dos representantes relacionados em Anexo, apresentadas em 25/11/2014, além das mesmas explicações genéricas sobre o cálculo das comissões, tornando a não apresentar os dados da maneira em que foram solicitados. Na mesma cartaresposta que acompanhou a documentação (Anexo VI Respostas da Empresa), em resposta às explicações solicitadas limitouse a responder que "...no que tange ao andamento dos negócios, ocasionalmente, de 15 (quinze) em 15 (quinze) dias ou uma vez por mês, são realizadas reuniões entre os supervisores e os representantes comerciais de sua zona (geográfica)". Nada mais disse, nem apresentou atas das reuniões, conforme intimado. Disse, ainda, que "(...) afora esses momentos, em que são analisados os negócios efetuados, não há relação diária entre os representantes comerciais e a Requerente, agindo os mesmos com total autonomia no que toca o andamento das negociações de venda", o que, de imediato, contradiz a informação prestada em 25/11/2014, conforme destacada no item 5.1.11, de que são enviadas diariamente aos representantes, por meio do "tablet/palmtop", todas as condições comerciais de venda. Em 04/03/2015, foi emitido novo TIF, recapitulando todos os Termos de Intimação já emitidos cm solicitação dos documentos relacionados no item (1 ) a (3), e o que a empresa apresentou e deixou de apresentar nas ocasiões anteriores (25/11/2014 e 08/01/2015), fazendo nova referência ao Processo n° 014570015.2009.5.01.0074 e aos Anexos do TIF de 29/12/2014, e Fl. 5866DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.867 6 reintimando mais uma vez a sua apresentação. Incluímos ainda a solicitação das informações até então não prestadas: de que maneira ocorreu a prestação de contas das vendas efetuadas, no que tange ao fornecimento, pelo representante, das informações gerais sobre o andamento dos negócios, ou seja, qual a periodicidade deste fornecimento, se havia treinamento para vendas, e se havia assistência ou supervisão pessoal nos locais ou zonas de atuação discriminadas nos contratos, de acordo com as Atribuições definidas no Anexo I do TIF de 29/12/2014 ("Atribuições do Representante" c "Atribuições dos Analistas"). Quanto às reuniões que já afirmou existirem, em 08/01/2015, que apresentasse todas as atas no período de apuração supracitado, exclusivamente onde tenham estado presentes os representantes dos prestadores relacionados em Anexo ao TIF. A empresa solicitou prorrogação do prazo para entrega da documentação, o que foi concedido em resposta por correio eletrônico de 09/03/2015 (Anexo VI Respostas da Empresa). Finalmente, em 13/03/2015, a ZAMBONI apresentou, em resposta, as Relações de Produtos e Clientes, de onde constam discriminados os nomes de todos os clientes e produtos vinculados a cada prestador de serviço por representação comercial, ou seja, exatamente o que havíamos solicitado nos TIF's de 07/11/2014 e 29/12/2014, e que nada têm a ver com as planilhas inicialmente apresentadas. Quanto ao restante da documentação e explicações solicitadas, nada apresentou a respeito, limitandose a afirmar que "(...)a Requerente se reporta aos documentos já fornecidos a esta d. Fiscalização, certa de se tratar de documentação suficiente a atender as demandas da Ação Fiscal". Devido ao tamanho dos arquivos apresentados, as Planilhas de Produtos e Clientes mencionadas neste item seguem anexas ao Processo n° 16682720.355/201511 em arquivo compactado e não paginável, da forma como foram apresentadas. e) Com base nos contratos e demais elementos colhidos, destaca: (1) dos 573 representantes comerciais em questão, 483 (quatrocentos e oitenta e três) têm sede no município de Além Paraíba – MG, sendo que destes, 436 dividemse em apenas 07 endereços; (2) conforme verificado nas DIRF, 249 representantes prestam serviços apenas à autuada, outros 179 apenas à autuada e à empresa Doarbelleza Produtos de Beleza Ltda, cujo volume de vendas é sensivelmente inferior; (3) conforme a DIPJ, 339 representantes tiveram suas declarações do IRPJ preenchidas pela mesma pessoa, cujo escritório ficava num dos 07 endereços acima mencionados, que concentram a maioria dos representantes comerciais; (4) a respeito desses 07 endereços, diligências ao local revelaram: um imóvel residencial fechado; um imóvel comercial com galpão para depósito de materiais no primeiro pavimento e uma indicação de “escola” no segundo, também fechado; um endereço cuja localização não foi localizada no logradouro em questão, o qual é ocupado, predominantemente, por imóveis residenciais; um imóvel no qual funciona o escritório de contabilidade Contec; um imóvel ocupado pelo escritório de contabilidade Certa Escritas Contábeis Ltda (nos dois casos, tratamse de escritórios responsáveis pelos representantes comerciais que ali estão formalmente sediados); um imóvel ocupado pelo Supermercado Vila Ltda, tendo sido informado pelo Sr. Alexandre Guerini, filho do proprietário, que os representantes comerciais ali sediados, bem como os sediados em 02 endereços residenciais que lhes pertencem, são de sua responsabilidade, e Fl. 5867DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.868 7 que tal prática de utilizar endereços próximos à autuada, visava a comodidade das vendas, além de benefícios relacionados ao ISS; (5) em nenhum dos endereços foi encontrado qualquer sócio das empresas de representação comercial; (6) nos endereços visitados não existia indícios de qualquer atividade relacionada à representação comercial; (7) outros 06 empresas de representação tinham seu domicílio no endereço do escritório C Macedo Contabilidade e Advocacia, no município de Caratinga – MG; (8) verificouse que nenhum desses representantes comerciais tem sua área de atuação em Além Paraíba ou Caratinga; (9) 15 empresas de representação têm endereços conflitantes entre o que consta em seus contratos e o cadastro da RFB; (10) 09 empresas de representação apresentam conflitos entre os CPF indicados nos contratos e aqueles que constam no cadastro da RFB; (11) 69 empresas de representação possuem contratos firmados com a autuada com data igual ou anteriores à da respectiva constituição societária. f) Requisitos caracterizadores do vínculo empregatício. (1) Pessoalidade: os contratos eram firmados pelas pessoas físicas que efetivamente prestavam os serviços à autuada, verificandose inclusive, caso em que o vendedor que realmente efetuava as vendas, assinava pela empresa de representação, embora não fosse seu representante legal, comprovando que o que importava era a pessoalidade na prestação dos serviços; embora exista previsão contratual, não há indicação de trabalho por prepostos, não tendo sido apresentados os relatórios de atividades que poderiam indicar tal situação; a autuada, por vezes, se referia aos seus representantes utilizando os nomes das pessoas físicas, embora se tratassem de pessoas jurídicas; e nenhum das empresas de representação possuía empregados no período do crédito tributário constituído. (2) Onerosidade: os valores pagos aos representantes comerciais foram considerados como base de cálculo das contribuições lançadas. (3) Habitualidade: embora inicialmente tenha dito que existia relação diária com os representantes comerciais, a autuada depois afirmou que eram enviados via tablet/palmtop, informações diárias e como não apresentou os relatórios dessas atividades, não foi possível verificar a realidade; a necessidade do trabalho contínuo dos representantes afasta a nãoeventualidade; em atenção à continuidade das atividades, a fiscalização não considerou os representantes que receberam pagamentos em menos de 03 (três) competências. (4) Subordinação: as empresas de representação tinham seus endereços fora da sua área de atuação e próximos ao domicílio da autuada e o mesmo contador fez as declarações de IRPJ de todas as empresas que estavam “sob sua responsabilidade”; houve contrato de representação anterior à constituição da empresa de representação; a autuada, embora atuasse no comércio atacadista, não possuía em 2010 qualquer vendedor registrado como seu empregado, terceirizando para os representantes comerciais sua atividadefim; as empresas de representação comercial possuíam metas de vendas, e se sujeitavam à fiscalização e cobrança de produtividade pela autuada, conforme relatórios presentes na citada reclamatória trabalhista; a autuada possuía 415 empregados no cargo de “analista de vendas” que controlavam as atividades das empresas de representação comercial; constava no documento “Atribuições do representante” as seguintes obrigações: seguir normas e procedimentos da empresa, manter a assiduidade nas visitas aos clientes, atingir metas e Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.869 8 desafios, dentre outras; o fato de que a maioria das empresas de representação prestava serviços apenas para a autuada; localizadas 31 ações perante a Justiça do Trabalho com reconhecimento de vínculo empregatício; trechos desses processos judiciais evidenciam vínculo de natureza empregatícia; dos depoimentos dos reclamantes e suas testemunhas extrai se: (a) a empresa de representação comercial foi constituída com parente; (b) há obrigação, pela ré, de se abrir uma empresa, como condição para iniciar a prestação de serviços, com o contador de Além Paraíba, onde a ré tem a sua sede; (c) não se pode fazer substituir por terceiros nas vendas; (d) há horário de trabalho estipulado pela ré, de acordo com o funcionamento dos clientes; (e) os representantes recebiam ligações do Supervisor para saber o andamento dos serviços; (f) as rotas de atuação e visitação de clientes eram prédefinidas pela ré; (g) o trabalho era monitorado todos os dias pelo supervisor da rota, que eventualmente acompanhava os vendedores nas visitas aos clientes; (h) em caso de ausência às reuniões mensais, os representantes eram advertidos; (i) as notas fiscais eram emitidas pelo próprio contador que fazia a contabilidade para todos os vendedores; (j) o representante poderia indicar clientes, encaminhando a documentação para a ré, a quem realmente cabia a decisão se o cliente poderia ou não ser cadastrado; (k) a fiscalização do trabalho era feita através da produção do palmtop; (l) as vendas de maior vulto deveriam ser autorizadas pelo gerente; (m) o vendedor era avaliado em razão do horário de trabalho, da assiduidade, da presença em reuniões, da participação de cursos, do cumprimento das ordens dos supervisores, do cumprimento de metas; das testemunhas da autuada extraise: (a) quem fiscaliza a meta determinada pela ré ao representante comercial é o analista de vendas; (b) não há como ajustar preço e a ré confere ao represente qual é a sua margem de desconto; (c) todos os colegas de trabalho das testemunhas constituíram firmas com esse contador José Francisco, para que pudessem ser representantes comerciais; (d) há uma avaliação e, após aprovação, dáse entrada nos documentos para abrir a empresa, e, depois de aberta, começar a fazer as vendas; (e) o supervisor da ré costuma telefonar durante a jornada. g) Ainda que os dados e provas considerados para a caracterização do vínculo empregatício só foram conclusivos em relação às pessoas físicas que constam do Anexo I, e são vinculadas às empresas de representação comercial ali relacionadas e constantes dos contratos apresentados. Embora não se possa afastar completamente a existência de relação de emprego entre a ZAMBONI e as demais pessoas físicas vinculadas às demais empresas de representação que lhe prestaram serviço nas competências de 03/2010 a 12/2010, não consideramos conclusivo o conjunto de dados a elas pertencente, circunstância agravada pelo fato de a empresa não ter apresentado diversos documentos solicitados. Diante da pejotização, a ensejar levantamento com base na relação de notas fiscais apresentadas pela empresa, foi efetuada a aferição indireta. g) Por tudo o que foi verificado durante a ação fiscal e nas diversas ações trabalhistas de reconhecimento de vínculo empregatício, não se pode dizer que a autuada, na condição de contribuinte, não tivesse conhecimento dos fatos geradores que tentou, intencionalmente, modificar. Não é ilegal Fl. 5869DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.870 9 contratar representantes comerciais, porém, forçar a criação destes representantes, pessoas jurídicas, através de contadores contratados, a quase totalidade com sede em município onde tem seu principal estabelecimento, quando a operação por eles efetuada constituiu real relação de emprego, demonstra que a conduta do contribuinte não foi obra de engano ou caso fortuito. Tratase de simulação voluntária e com consciência plena da ilicitude do ato, mascarando o fato gerador das contribuições previdenciárias que incidiriam sobre as remunerações pagas aos vendedores, na condição de empregados. Caracterizase então, a fraude, por meio de simulação, descrita no Art. 72 da Lei n° 4502/64, sendo as multas de ofício qualificadas. A empresa autuada apresentou impugnação (fls. 4309/4378) alegando, em síntese, que: a) Pagou as autuações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, valendose da redução das multas. b) Incompetência para o reconhecimento de vínculo por ser competência privativa da Justiça do Trabalho (Constituição, art. 114, IX). c) Há ofensa ao princípio da coisa julgada, diante da ação trabalhista transitada em julgado sem reconhecimento de vinculo. Se reconhecido o vínculo, as contribuição devem ser executadas pela Justiça do Trabalho, podendo o lançamento resultar em bitributação. Logo, devem ser excluídos da base de cálculo os valores relativos às pessoas físicas que ajuizaram reclamatórias d) Impossibilidade de desconsideração dos contratos de representação comercial por ausência de fundamento legal e por ser não ser autoaplicável o art. 116, parágrafo único, do CTN. d) Fundamentos legais invocados não dão suporte ao procedimento realizado. Não é o caso de aferição indireta, eis que valores lançados constam da contabilidade. Logo, houve ofensa ao princípio da estrita legalidade tributária. e) Há prejuízo ao direito de defesa ao se reunir 441 casos em um único processo. f) Não há vinculo empregatício. Foram respeitadas as disposições legais da representação comercial autônoma, estando amparada pelo art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005. g) A representação comercial autônoma é próxima da relação de emprego, a exigir análise caso a caso, sobretudo quanto à subordinação, estando incorreto o procedimento generalizado promovido pela fiscalização. MEsmo que a apreciação coletiva dos vínculos fosse possível, os fatos invocados são insuficientes: os endereços das empresas de representação e de seus contadores não comprovam subordinação, pois não tratam das atividades cotidianas dos representantes; a distância do domicílio da autuada em relação às áreas de atuação dos representantes demonstra a autonomia Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.871 10 destes, que não precisavam comparecer constantemente na sede da autuada; a exclusividade não demonstra subordinação, sendo expressamente admitida na Lei n° 4.886/65; boa parte dos representantes teve outras fontes de rendimentos, não podendo ser a exclusividade, em relação a estes, utilizada para justificar a suposta subordinação; a subordinação também não decorre da ausência de empregados trabalhando para autuada na função de vendedores, pois existiam mais de 600 (seiscentos) empregados trabalhando na atividadefim da empresa, sendo estratégica a decisão da autuada quanto à forma adotada na consecução de seus objetivos; relatórios e analistas que acompanhavam as atividades dos representantes estão em conformidade com a Lei n° 4.886/65 e não denotam a existência de subordinação jurídica, mas das organização e coordenação das atividades desenvolvidas, necessárias para sua viabilização, o que representa mera “subordinação empresarial” decorrente dos negócios realizados e que não caracteriza relação de natureza empregatícia; a existência de metas não importa em subordinação, pois se tratam de meros parâmetros e seu descumprimento não importa em punições ou advertências; se há decisões judiciais desfavoráveis à autuada, também existem outras que lhes são favoráveis, o que demonstra que cada caso possui suas peculiaridades transcreve trechos de inúmeros processos judiciais, concluindo que a Justiça, diante dos elementos dos quais se valeu a fiscalização, não reconheceu a relação de natureza empregatícia. h) O MPT arquivou dos procedimentos relacionados ao tema e, posteriormente, uma Ação Civil Pública foi julgada improcedente. i) Não houve fraude. A situação em questão pode, quando muito, ser considerada controvertida, dada a proximidade das figuras do representante comercial autônomo e do empregado, mas jamais fraudulenta. Assim, indevida a qualificação da multa. j) Indevida a incidência de juros sobre a multa de ofício. Em face da Resolução 143.702, de 08 de junho de 2016 (fls. 4613/4620/), a fiscalização emitiu a Informação Fiscal de fls. 4695/4698, relatando dentre as pessoas físicas envolvidas no lançamento cinco tiveram reclamatórias trabalhistas transitado em julgado sem vínculo de emprego reconhecido. Ao se manifestar (fls. 4764/4797), a empresa acrescentou reclamatórias transitadas antes e depois do lançamento e mais com decisões reconhecendo inexistência de vinculo ainda não transitadas em julgado. Acrescenta que em 18/09/2017, transitou em julgado a decisão proferida na Ação Civil Pública 001158805.2015.5.01.0073, movida pelo MPT do Rio de Janeiro, a deixar de reconhecer a existência de vínculos trabalhistas em relação aos representantes comerciais autônomos contratados pela autuada e destaca que, em referida ação civil pública, foi invocado o procedimento fiscal que resultou nas presentes autuações, tendo o MPT feito referência a diversos elementos apontados no Relatório Fiscal. Por fim, questiona a cobrança das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 5372/5393), em síntese, se extrai:´ a) Não serão analisadas as alegações referentes às contribuições destinadas ao SEBRAE e INCRA por era a impugnação o momento processual oportuno Fl. 5871DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.872 11 para formular tais argumentos, nos termos do artigo 16, III do Decreto 70.235/72. b) Em que pese a argüição de incompetência, é prerrogativa da fiscalização, pautada no princípio da primazia da realidade, de caracterizar o vínculo empregatício para fins do lançamento das contribuições previdenciárias, o que se faz com fundamento no artigo 229, § 2° do RPS que em conjunto com o artigo 142 do CTN e artigo 33 da Lei 8.212/91. Assim, o procedimento fiscal não importa na aplicação da norma geral antielisiva prevista no artigo 116, parágrafo único do CTN, mas de se considerar que, nos termos do artigo 142 do CTN, compete à fiscalização verificar a ocorrência do fato gerador e identificar o sujeito passivo, não se atendo às formalidades que revestem os atos praticados, mas à sua essência. Não é a situação regular do ponto de vista formal embasada em contratos de prestação de serviços entabulados entre a autuada e as prestadoras de serviços e na situação regular de tais representantes do ponto de vista formal, inclusive com inscrição no conselho da categoria que deve prevalecer quando a realidade dos fatos se mostra diferente. Diante do veto do parágrafo único do art 129 da Lei 11.196/2005, evidenciase que a fiscalização não depende do provimento jurisdicional para só então considerar a situação real verificada, sob pena de afronta ao art. 142 do CTN. A contratação de prestadores de serviços na condição de pessoas jurídicas somente é legal de acordo com o art 129 da Lei 11.196/2005 – quando não se caracterizam vínculos empregatícios, independentemente da natureza intelectual ou não do serviço. c) Não há que se falar em prejuízo ao exercício do direito de defesa ou exigir no caso presente a demonstração individualizada da situação de cada trabalhador, já que é possível verificar certas características relevantes que são comuns a todos os representantes comerciais, de modo que esses elementos padronizados permitem se chegar às mesmas conclusões em relação a todos os trabalhadores d) A atuação dos gerentes, supervisores e analistas, que por diversas formas interferiam na autonomia das atividades dos representantes; a exigência para que os representantes “abrissem” suas empresas de representação comercial, concentrando toda a escrita contábil e fiscal dessas empresas em escritórios que, na verdade, prestavam serviços à autuada; as cláusulas padronizadas existentes nos contratos de representação comercial, são elementos comuns e que demonstram, em relação a todos os representantes comerciais, que suas atividades eram desempenhadas, de fato, em verdadeiras relações de empregos. A obrigatoriedade de abrir a empresa e de utilizar os serviços dos escritórios indicados pela autuada, demonstram uma ausência de autonomia incompatível com o que se poderia esperar de qualquer atividade empresarial. o fato de que as sedes das empresas de representação comercial correspondiam aos endereços dos escritórios de contabilidade revela uma realidade meramente formal, inexistindo estrutura minimamente independente dessas empresas. Distância entre autuada e locais de atuação é compatível com relação de emprego. Confusão de tratamento entre pessoas físicas e jurídicas indica pessoalidade, bem como ausência de prepostos. Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.873 12 Nenhum desses fatos, constatado isoladamente, demonstra a existência dos vínculos empregatícios, o que se dá mediante sua análise conjunta. A exclusividade, embora não seja elemento determinante na caracterização do vínculo empregatício, reforça a constatação da dependência. Outro aspecto de destaque é a inserção dos trabalhos prestados na estrutura organizacional da autuada (subordinação estrutural e objetiva). Em alguns casos a Justiça do Trabalho não reconheceu o vínculo. Devem ser excluídos. Contudo, o fato de não ter a Justiça do Trabalho reconhecido, em determinados casos, a existência do vínculo empregatício, não afasta a possibilidade de que a fiscalização, diante dos elementos analisados no transcorrer do procedimento fiscal, assim conclua (respeitando a coisa julgada), nem que tal trabalho seja feito conjuntamente em relação a todos os trabalhadores que se enquadrem nas mesmas condições de trabalho. Além disso, em inúmeros casos houve o reconhecimento de vínculo pela Justiça do Trabalho. e) Os valores que serviram de base de cálculo foram extraídos da contabilidade da autuada. Contudo, tais valores não foram devidamente escriturados como verbas remuneratórias, justificandose a fundamentação conferida pela fiscalização, com base no artigo 33, §§ 3o e 6o da Lei n° 8.212/91, referente à aferição indireta da base de cálculo a partir de tais elementos, nada havendo a ser retificado nesse sentido. f) Com fulcro no art. 145, I, do CTN, excluise do lançamento os segurados para os quais há decisão judicial transitada em julgado não reconhecendo vínculo, sendo irrelevante se antes ou depois do lançamento (itens 149, 240, 49, 167, 181, 259, 307, 87, 135, 28, 427, 431, 132, 220, 66, 324, 187, 69 e 63 do Anexo I). g) O presente crédito tributário e as reclamações trabalhistas possuem objetos distintos, já que aqui estão sendo lançadas as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos representantes comerciais caracterizados como empregados, enquanto nas ações trabalhistas, estes indivíduos estão pleiteando os direitos trabalhistas incidentes sobre essas remunerações, tais como férias, décimo terceiro salário, aviso prévio indenizado e outros, de modo que as contribuições decorrentes das decisões proferidas nesses processos incidem sobre tais verbas, e não sobre as comissões que já foram pagas pela autuada e até por esse motivo, não fazem parte do pleito dos reclamantes (Súmula Vinculante STF n° 53; e Súmula TST n° 368, I). Ademais, a autuada não demonstrou a existência de qualquer valor referente às presentes contribuições que tivessem sido cobrados/executados nas ações trabalhistas nas quais houve o reconhecimento de vínculos empregatícios. h) Os inquéritos civis representam apenas a fase investigatória anterior ao ajuizamento da Ação Civil Pública e o seu arquivamento não impede a apuração dos fatos geradores pela fiscalização, já que seu resultado não importa em coisa julgada. Com relação à Ação Civil Pública 0011588 05.2015.5.01.0073, movida pelo MPT do Rio de Janeiro, na qual restou decidido o não reconhecimento de vínculos trabalhistas em relação aos representantes comerciais autônomos contratados pela autuada, importante destacar que a improcedência desta ação deuse por falta de provas, logo tem Fl. 5873DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.874 13 aplicação o artigo 16 da Lei 7.347/85, não havendo que se falar em coisa julgada. i) O expediente da autuada consistiu na criação e utilização de pessoas jurídicas diversas para formalizar os vínculos com os trabalhadores que lhes prestaram serviços, de fato, na condição de segurados empregados, não havendo que se falar nesse caso, ante a clareza dos fatos, em situação controvertida que poderia ser interpretada de outra maneira. Logo, cabível a qualificação da multa de ofício. j) As multas integram o crédito tributário lançado, não havendo motivo para que se faça distinção na aplicação dos ditames trazidos pelo artigo 161 do CTN, quanto à incidência dos juros moratórios. Intimada em 09/05/2018, (fls. 5439), a empresa apresentou o recurso voluntário (fls. 5476/5607), em 04/06/2018 (fls. 5460), do qual, em se extrai: a) Há invasão da competência da Justiça do trabalho ao se considerar sócio de pessoa jurídica empregado, sendo a relação de emprego premissa do lançamento (Constituição, art. 114, IX; princípios segurança jurídica e harmonia entre poderes; Súmula Vinculante n° 22). b) Falta de amparo legal. Não se observou o princípio da primazia da realidade, pois se tratou de forma generalizada todos os serviços prestados e as decisões da Justiça do Trabalho revelam ser fundamental a averiguação caso a caso. O art. 142 do CTN não autoriza desconsideração de atos e negócios jurídicos regularmente praticados, só estabelecendo a competência de se constituir o crédito tributário, sendo igualmente genérico o art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991. A previsão de desconsideração só consta do art. 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social, havendo afronta aos arts. 150, I, da Constituição e 97 e 108 do CTN. Não há lei tributária autorizando a desconsideração ou requalificação para fins tributários e o parágrafo único do art. 116 do CTN veicula norma não autoaplicável. c) Falta de comprovação dos vínculos empregatícios e cerceamento do direito de defesa. Diante dos contratos de representação comercial autônoma, é do fisco o ônus de provar a relação de emprego. Em um único processo se desconsideram 441 contratos e cada vinculo de emprego imputado é heterogêneo a demandar investigação individual específica. Na forma lavrada, há cerceamento do direito de defesa pelo prejuízo da análise individual de cada fato. Além disso, a oitiva de testemunhas não é aceita na primeira instância do contencioso administrativo, o que corrobora o cerceamento de direito de defesa. A premissa em que se baseou a fiscalização (mantida pela decisão) de que certas "características relevantes" seriam comuns a todos os representantes comerciais não se sustenta, na medida em que, havendo decisões judiciais transitadas em julgado declarando a inexistência do vínculo empregatício entre pessoas físicas incluídas no Anexo I dos autos e a recorrente. A existência de decisão trabalhista desfavorável apenas confirma que cada caso é um caso, tendo inclusive a decisão invocado ação de trabalhador não constante do Anexo I. Qualquer conclusão coletiva nega o princípio da primazia da realidade. O Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.875 14 próprio MPT no Inquérito Civil n° 139/2008 concluiu pela impossibilidade de responsabilização da recorrente já que a matéria demanda análise individualizada, a ser promovida caos a caso. No mesmo sentido, ata de audiência nº 00207/2005 e doutrina. O fato de o fisco possuir mais ferramentas de investigação, não conferidas aos trabalhadores em geral, não é suficiente para embasar a parcela remanescente do crédito tributário, pois livros contábeis e documentos fiscais não estão mais próximos da realidade fática. A Justiça do Trabalho apreciou tais elementos adicionais na Ação Civil Pública e o desfecho também foi favorável ao recorrente, tendo o MPT juntado a íntegra do Relatório Fiscal do processo 16682.720355/201511. Não passaram despercebidos pela sentença os argumentos da Fiscalização: "Após a abertura do Inquérito, o MPT afirma que apurou que a reclamada contava com poucos funcionários em seu quadro e nenhum empregado com função de vendedor externo. Intimou, dessa forma, representantes comerciais vinculados à reclamada para prestarem depoimento e concluiu que: Ademais, faz referência a um processo administrativo fiscal no qual a DEMAC (Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes) constatou que: a) Os contratos de representação comercial possuíam praticamente a mesma estrutura, com cláusulas idênticas ou semelhantes, alterando, por prestador, o ramo de comercialização das mercadorias (produtos alimentícios, do higiene/limpeza ou perfumaria) e as áreas de atuação. b) Dos 573 representantes comerciais, 483 têm sede no município de Além Paraíba, MG. Desses 436 têm endereços idênticos, divididos em sete ocorrências. c) Da declaração do imposto de Renda retido na fonte DIRF 249 dentre os prestadores só recebem pagamentos da ZAMBONI, de acordo com a DIRF's entregues no ano de 2010.Outros 194, têm outros vínculos de pagamento além da ZAMBONI, sendo 179 destes recebem pagamentos somente da ZAMBONI e da empresa DOARBELLEZA PRODUTOS DE BELEZA LTDA (EMBELLEZE) em valores sensivelmente inferiores aos recebidos da primeira. d) Do sistema de Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ 339 dentre os prestadores tiveram suas DIPJ do ano calendário de 2010 preenchidas pela mesma pessoa: JOSE FRANCISCO DE SOUZA SANTOS, CPF° 197.747.37687, cujo nome consta em websites de procura e guias telefônicos com endereço igual a diversos representantes comerciais. e) Nenhum representante comercial relacionado tem os municípios de Alto paraíba e Caratinga como área de atuação, embora as sedes de todos eles sejam nas duas cidades. As áreas de atuação são tão longínquas, como por exemplo Bangu e Barra da Tijuca. Além disso, a grande maioria dos endereços vinculados ao CPF do responsável das empresas não é da cidade de AlémParaíba. Por fim, ressaltase que o fato de muitos representantes comerciais da empresa reclamada terem sede na cidade de Além Paraíba não constitui Fl. 5875DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.876 15 elemento vá 1i do para desconstruir a figura do representante autônomo, uma vez que o que importa, de fato, é a atuação destes agentes. Devo registrar que não passou por desapercebido o objeto social da acionada, que compra da indústria, faz a logística e revende grandes volumes, atravessando no atacado produtos, que são distribuídos na rede de comércio em geral. 0 fato da atividade dos representantes comerciais atuarem com habitualidade e serem necessárias à consecução da atividade final na acionada, não descaracterizam, nem colocam em xeque o cumprimento e os requisitos da Lei de Representação Comercial. Todos os contratos de atividade que envolvam a prestação de serviços se apresentam com características comuns entre eles e com diferenças poucas e muitas vezes sutil", (grifos e destaques da RECORRENTE) Após analisados todos os fatos e provas acostados aos autos da ACF não só o relatório fiscal com teor idêntico ao do presente caso, mas também as demais provas apresentadas pelas partes e colhidas em Juízo, tais como a oitiva de testemunhas de acusação e de defesa , o entendimento que prevaleceu na referida sentença foi o de que não há subordinação na relação entre a RECORRENTE e os representantes comerciais autônomos. Entre as testemunhas de defesa ouvidas na ACP n° 001158805.2015.5.01.0073, está MARCO AURÉLIO SENRA MARENDINO, que foi indevidamente caracterizado como empregado da RECORRENTE pelos AUTOS (item 356 do Anexo I dos AUTOS) . Cumpre transcrever os seguintes trechos do seu depoimento, constantes da sentença ora em comento, que também derruba por completo a premissa adotada pela Fiscalização (e mantida pela DECISÃO) de que todos os serviços de representação comercial autuados teriam sido prestados pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a presença dos elementos inerentes à relação de emprego: "Destacase também o depoimento da testemunha Marco Aurélio Senra Marendino, primeira testemunha arrolada pela empresa, a qual aduziu que: "nos últimos 10 anos desenvolveu a função de representante comercial; que como representante faz seu próprio horário, que as vezes fica 2 a 3 dias sem trabalhar, mas tem meta; que as metas lhe são dadas mensalmente esse não bater meta deixa de ganhar comissão, prêmios; que o cliente novo ó angariado polo próprio representante; que atualmente , mas já trabalhou com outras empresas; que fazia representação comercial de outros produtos (arroz, carvão); que o depoente não se recorda o nome das empresas que representava; que o próprio RCA define a ordem de atendimento à clientes; que uma vez o representantes comerciais, depoente e outros (grupo de 10 pessoas) contrataram um feirante para ter férias e o referido feirante o substituiu; que os próprios representantes comerciais pagavam do próprio bolso o feirante , lhe davam una parte da comissão; que sc não bater a meta não há qualquer punição, não lhe retiram o cliente; que não há obrigação de comparecimento diário ou mensal na empresa, mas o RCA não é obrigado a comparecer; que já deixou de ir a várias e nunca ficou mal visto; que não recebe ordens do analista ; que sua relação com o analista é no sentido de recorrer ao mesmo nas dificuldades do_ dia a dia, um volume maior de negociação, um cliente bloqueado para vendas no sistema, problemas de entrega; que quando o RCA não bate meta é informado pelo analista ; que as vezes o analista dá sugestão para melhorar; que o depoente recebe em média de comissão o valor de RS 30.000,00 ao mês, pois vende bastante", (grifos da RECORRENTE) Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.877 16 A sentença concluiu, ainda, que a inexistência de subordinação entre os representantes comerciais e a RECORRENTE poderia ser aferida a partir do depoimento da própria testemunha de acusação: "Ademais, a testemunha indicada pelo autor declina que haviam metas estabelecidas pela reclamada, contudo, não havia punição para quem não as atingissem e sequer havia ameaças no sentido de desligamento do representante comercial autônomo". O MPT/RJ interpôs recurso ordinário e em 21.06.2017, a 6ª Turma do TRT da 1ª Região, por unanimidade de votos, negou provimento ao RO do MPT/RJ, mantendo o entendimento da sentença de que, diante das provas acostadas aos autos, não ficou caracterizado o vinculo de emprego nas contratações envolvendo os representantes comerciais autônomos, tampouco fraude à lei. Embargos de declaração não alteraram o entendimento, tendo transitado em julgado. A DECISÃO sustentou que, como a improcedência dessa ACP ajuizada no estado do RJ teria se dado por falta de provas, a decisão judicial nela proferida {transitada em julgado) não importaria em coisa julgada, nos termos do art. 16 da Lei n° 7.347, de 24.07.1985. . Primeiramente, não há no processo qualquer nova prova colhida pela Fiscalização que não tenha sido examinada nos autos da ACP. De fato, como visto exaustivamente acima, o relatório fiscal com teor idêntico ao do processo em epigrafe, com todos os fatos e elementos nele narrados, foi juntado e nominalmente citado pelas decisões judiciais proferidas nos autos da ACP, com trânsito em julgado a favor da RECORRENTE. Além disso, a ACP demonstra não haver verossimilhança na alegação fiscal, derrubando a premissa equivocada na qual os autos e a decisão se basearam. A comprovação da subordinação deve ser feita individualmente, caso a caso, não sendo possível autuação de forma generalizada (Acórdão 2401004.641, de 14/03/2017; e Acórdão 230100.131, de 04/03/2009). Portanto, a premissa de que todas as pessoas físicas do Anexo I prestaram serviços com as mesmas características não se sustenta, em face das decisões da Justiça do Trabalho transitadas em julgado. d) Inexistência de relação de emprego. Na representação comercial autônoma também podem estar presentes pessoalidade, nãoeventualidade e onerosidade e inclusive serviços intelectuais podem ser prestados por pessoa jurídica em caráter personalíssimo (Lei n° 4.886, de 1965, arts. 27, c e i, 32, §4°, 33§2° e 41; e Lei n° 11.196, art. 129). Independentemente de as empresas contratadas terem ou não empregados próprios, há, nos auto, transcrição do testemunho dado na ACP n° 001158805.2015.5.01.0073 por MARCO AURÉLIO SENRA MARENDINO (caracterizado empregado da RECORRENTE no item 356 do Anexo I dos AUTOS), que compromete a alegação genérica feita pelo Fisco e pela DECISÃO quanto à presença do elemento da pessoalidade: (...) que o próprio RCA define a ordem de atendimento à clientes; que uma vez os representantes comerciais, depoente e outros (grupo de 10 pessoas) contrataram um feirante para ter férias e o referido feirante o substituiu; que os próprios representantes comerciais pagavam do próprio bolso o feirante, lhe davam uma parte da comissão (...)" Fl. 5877DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.878 17 Notese que em todos os contratos de representação comercial consta cláusula autorizando o desempenho das atividades por intermédio de sócios ou eventuais prepostos. A propósito da inexistência de vínculo empregatício entre a empresa e o representante comercial contratado para lhe prestar serviços por meio de sua pessoa jurídica, na forma da lei específica, ainda que relacionados á atividadefim da contratante, confiramse o disposto nos arts. 442B da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e 4°A da Lei n° 6.019, de 03.01.1974, ambos com a redação dada pela Lei n° 13.467, de 13.07.2017: "Art. 442B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 32 desta Consolidação". "Art. 42A. Considerase prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica dê direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. (...) § 2º Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante". No que se refere ao elemento da onerosidade, temse que ele não foi caracterizado no caso concreto, pois os preços dos serviços eram devidos e foram pagos às pessoas jurídicas contratadas, e não a seus sócios, não sendo fixos/certos. As pessoas jurídicas e não as físicas receberam remuneração. a Lei n° 4.886, de 1965, estabelece regras muito próximas da subordinação jurídica (arts. 19, e, 27, d, e 29). Por isso, a diferenciação demanda a análise de caso a caso, como bem evidencia a doutrina e as decisões da Justiça do Trabalho favoráveis ao recorrente. A prestação de serviços em locais distantes da recorrente corrobora a ausência de subordinação, já que não precisam comparecer com frequência à sede da recorrente. Ter na recorrente a única fonte pagadora não caracteriza vínculo, tanto que a lei admite exclusividade. Além disso, quase metade das pessoas jurídicas recebeu rendimentos de outra fonte pagadora. Apesar de não ter vendedor empregado, tinha mais de 600 empregados relacionados à sua atividade fim, inclusive assistentes e promotores de vendas, sendo esta uma estratégia válida. A existência de relatórios com informações sobre vendas realizadas, o contato entre a RECORRENTE e os representantes comerciais através de palmtop e a presença de empregados com cargos de analistas de vendas também não comprovam a existência de subordinação, porque a própria Lei n° 4.886/65 prevê a obrigação de o representante comercial fornecer ao representado todas as informações detalhadas sobre o andamento dos negócios (art. 28), devendo prestar contas, apresentar recibos e relatórios pertinentes (art. 19, alínea "e"), além de, regra geral, não poder agir em desacordo com as instruções do representado, nem dar descontos sem a sua prévia autorização (art. 29). A sujeição do prestador de serviços autônomos de representação comercial a traços organizacionais do empreendimento econômico beneficiário das atividades de intermediação negocial faz parte da necessária coordenação de condutas voltada ao êxito econômico, não configurando subordinação jurídica. As metas não configuram o vínculo Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.879 18 empregatício, pois se trata de mero parâmetro a ser almejado pelos representantes, sem que haja qualquer punição ou advertência no caso de não atingimento, conforme testemunho colhido nos autos da ACP n° 001158805.2015.5.01.0073 e já citado acima, entre outras decisões judiciais julgadas a favor da RECORRENTE, juntadas ao presente processo. Havendo decisões trabalhistas favoráveis e desfavoráveis, não há como, de forma genérica, concluir pelo vínculo de emprego para 441 pessoas. Transcrevese excertos de vinte e cinco decisões favoráveis ao recorrente e que enfrentaram pontos suscitados pela fiscalização (fls. 5435/5467). Assim, a Justiça do Trabalho concluiu, por exemplo, que a utilização de palmtop, a existência de relatório de vendas e a estipulação de metas sem punição ou advertência no caso de não atingimento não são elementos suficientes para caracterizar subordinação, em face da Lei n° 4.886, de 1965. A inexistência de vínculo decorreu, entre outros, pela Justiça do Trabalho ter detectado: (1) os representantes comerciais não estavam submetidos a nenhum tipo de controle de horário (como, por exemplo, marcação de ponto ou exigência de jornada mínima de trabalho) e não havia obrigatoriedade de comparecimento diário ou semanal nas dependências da RECORRENTE; e/ou (2) a RECORRENTE não aplicava qualquer punição aos representantes comerciais que não alcançassem as metas, nem àqueles que não comparecessem, por meio de seus sócios, empregados ou prepostos, ás reuniões que ocorriam esporadicamente; e/ou (3) a RECORRENTE não interferia diretamente no contato entre os representantes comerciais e os clientes por eles captados ou não; e/ou (4) não havia exclusividade entre os representantes comerciais e a RECORRENTE; e/ou (5) a RECORRENTE não estabelecia rotas de venda nem fazia avaliação de assiduidade; e/ou (6) a RECORRENTE não arcava com as despesas de locomoção, entre outras necessárias à consecução das atividades dos representantes comerciais autônomos. No julgamento do Acórdão 2401003.146, de 13/08/2013, já se entendeu que a emissão de comandos para a execução de tarefas previstas em contratos é natural em uma relação entre pessoas jurídicas, tomadora e prestadora de serviços regidas pela lei civil, estando a subordinação mais ligada ao controle da rotina dos empregados (escala de trabalho, possibilidade de penalidades previstas na CLT etc). Logo, não há vinculo de emprego. e) Retificações. Antes mesmo do Acórdão recorrido ter sido prolatado, mais dois processos trabalhistas transitaram em julgado declarando inexistência de vinculo, não tendo sido considerados pela DRJ. Como o presente processo ainda não transitou em julgado administrativo, as decisões judiciais transitadas em julgado não consideradas no Acórdão de piso devem ser reconhecidas e o lançamento cancelado (itens 161 e 207 do Anexo I). Mesmo as com recurso judicial pendente, existem decisões judiciais válidas e eficazes a serem consideradas (itens 6, 109, 166, 218, 221, 227, 264, 312, 375 e 406 do Anexo I). Ademais, deveriam ser excluídos da base de cálculo todos o aqueles que ajuizaram reclamatórias trabalhistas, pois: (1) a decisão judicial não reconhecendo vínculo deverá prevalecer; (2) havendo decisão final ou acordo homologado reconhecendo vínculo, as contribuição serão executadas de ofício pela Justiça do Trabalho. Devem ser excluídos da base de cálculo os pagamentos efetuados à pessoa jurídica da qual MARCO Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.880 19 AURÉLIO SENRA MARENDINO (item 356 do Anexo I dos AUTOS), tendo em vista que seu sócio em depoimento perante à Justiça do Trabalho, transcrito na sentença juntada às fls. 5014 e 5022, deixa claro que não há vínculo empregatício entre ele e a RECORRENTE. Devem ser excluídos também da base de cálculo os pagamentos para pessoas jurídicas relacionadas no Anexo III dos AUTOS, na medida em que a fiscalização reconhece não ter havido exclusividade e exclusividade seria elemento de reforço para caracterizar o vínculo de emprego. Logo, a falta, no mínimo, gera dúvida acerca do vínculo de emprego. f) Não houve fraude ou simulação. A situação em questão pode, quando muito, ser considerada controvertida, dada a proximidade das figuras do representante comercial autônomo e do empregado, mas jamais fraudulenta. A mera desconsideração do vínculo civil em prol do contrato de trabalho não caracteriza, por si só, dolo fraude ou simulação (Acórdãos n° 9202 004351, de 24/07/2016, n° 920201.127, de 19/10/2010 e n° 2401002.924, de 12/03/2013). A própria fiscalização reconhece que quase metade das empresas recebeu rendimentos de outras fontes e inúmeras decisões judiciais reconheceram a inexistência de vínculo de emprego, inclusive para pessoas físicas constantes do Anexo I, tendo apreciado reconhecido como insuficientes os mesmos elementos invocados pela fiscalização. No mesmo sentido, restou julgada a ACP n° 001158805.2015.5.01.0073, a prevalecer o entendimento de não ter havido fraude. Além disso, nos estados de MG e ES os inquéritos civis foram arquivados. A forma genérica do lançamento também afasta a caracterização do intuito de fraude ou simulação, em especial diante da proximidade existente entre o representante comercial autônomo (Lei n° 4.886, de 1965, art. 1°; Lei n° 11.196, de 2005, art. 129) e o subordinado. Assim, indevida a qualificação da multa. Além disso, a multa de 150% é confiscatória, conforme jurisprudência do STF. g) Contribuições ao INCRA e SEBRAE. Considerando a existência de repercussão geral reconhecida (RE n° 630.898 e RE 603.624) pede que futura decisão do STF seja observada e reproduzida (Regimento Interno do CARF, art. 62, § 2°). h) Juros sobre multa. O art. 161 do CTN não prevê a possibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. A inteligência do parágrafo único do art. 16 do DL n° 2.323, de 1997, os afastam, bem como jurisprudência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Tempestividade. Intimada em 09/05/2018, a recorrente observou o prazo recursal de trinta dias ao interpor suas razões recursais em 04/06/2018 (fls. 5460). Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.881 20 Invasão de competência. A defesa alega ser apenas a Justiça do Trabalho competente para o reconhecimento de relação de emprego, havendo violação dos princípios da segurança jurídica e harmonia entre poderes, bem com ofensa à Súmula Vinculante n° 22. De plano, devemos ponderar que o presente colegiado é incompetente para afastar norma legal sob alegação de inconstitucionalidade por violação de princípios constitucionais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 26A) e que a Súmula Vinculante n° 22 não versa sobre a matéria em questão, como podemos verificar: Súmula Vinculante 22 A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional 45/2004. Mesmo na esfera trabalhista, a argumentação da recorrente não prospera, eis que a iterativa e notória jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho é pacífica no sentido de não ser a Justiça do Trabalho a única competente para reconhecer a relação de emprego, como podemos observar: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. VÍNCULO DE EMPREGO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO ART. 41 DA CLT. RECONHECIMENTO PELO FISCAL DO TRABALHO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. 1. O Colegiado Turmário deu provimento ao recurso de revista da União, para "reconhecer a atribuição do fiscal do trabalho para declarar a existência de vínculo de emprego". Consignou que "não invade a esfera da competência da Justiça do Trabalho a declaração de existência de vínculo de emprego feita pelo auditor fiscal do trabalho, por ser sua atribuição verificar o cumprimento das normas trabalhistas, tendo essa declaração eficácia somente quanto ao empregador, não transcendendo os seu efeitos subjetivos para aproveitar, sob o ponto de vista processual, ao trabalhador. Assim, verificado pelo fiscal de trabalho que há relação de emprego entre a empresa tomadora de serviço e o trabalhador, não há óbice na cobrança do FGTS pela União, em razão de tal atribuição estar prevista no art. 23 da Lei 8.036/90". 2. Decisão embargada em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, firme no sentido de que o reconhecimento de eventual terceirização ilícita e da decorrente formação de vínculo de emprego com o tomador de serviços , para fins de lavratura de auto de infração em decorrência da inobservância das disposições contidas no art. 41 da CLT, é atribuição do Auditor Fiscal do Trabalho, nos moldes dos arts. 626 e 628 da CLT e 11 da Lei 10.592/2002, não havendo falar em invasão da Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.882 21 competência da Justiça do Trabalho. Recurso de embargos conhecido e não provido. ( EEDRR 13114048.2005.5.03.0011 , Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, Data de Julgamento: 19/02/2015, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 27/02/2015) RECURSO DE REVISTA. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO POR AUDITOR FISCAL DO TRABALHO. APLICAÇÃO DE MULTA. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A Constituição Federal, em seu art. 21, XXIV, disciplina que compete à União, organizar, manter e executar a inspeção do trabalho, e o art. 14, XIX, c, da Lei n° 9.649/1998 determina que compete ao Ministério do Trabalho e Emprego a fiscalização do trabalho, bem como a aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas. Por outro lado, conforme disciplinado pela Lei nº 10.593/2002, cabe ao auditor fiscal do trabalho assegurar a aplicação de dispositivos legais e regulamentares de natureza trabalhista. Por conseguinte, concluise que o agente de fiscalização é competente para identificar a existência de relação de emprego irregular e, constatandoa, aplicar as sanções legalmente cabíveis. Recurso de revista conhecido e provido. ( RR 16180098.2008.5.11.0010 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 05/11/2014, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/11/2014) Por outro lado, nos termos do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 11.941, de 2009, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Incumbe à Receita Federal, portanto, a execução da atividade de fiscalização das contribuições em tela. Tal atividade envolve o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.883 22 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A competência funcional para efetuar o lançamento é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, por força da Lei n° 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Portanto, colhendo provas, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil exerceu o poderdever de efetuar o lançamento das contribuições que reputou devidas. A jurisprudência não trabalhista é pacífica desde o tempo da fiscalização do INSS no sentido de reconhecer a competência da fiscalização previdenciária, atualmente exercida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, para caracterizar trabalhador como segurado empregado, como podemos constatar: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. I Não prospera a tese de suposta afronta ao art. 535 do CPC, eis que o Tribunal a quo ao apreciar a demanda manifestouse sobre todas as questões pertinentes à litis contestatio, fundamentando seu proceder de acordo com os fatos apresentados e com a interpretação dos regramentos legais que entendeu aplicáveis, demonstrando as razões de seu convencimento. II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.884 23 IV Recurso especial provido. (REsp 859.956/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 26/10/2006, p. 266) COMPETÊNCIA FISCALIZATÓRIA DO INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RECONHECIMENTO. FIM TRIBUTÁRIO E NÃO TRABALHISTA. 1A jurisprudência consolidou o entendimento que, cumprindo as atribuições que lhe foram outorgadas pela lei, o INSS possui competência para, diante das situações fáticas encontradas pela fiscalização, caracterizar como empregatícias as relações mantidas entre a empresa e seus trabalhadores, para os fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Vide os seguintes julgados: RESP 200602188458, Humberto Martins, STJ Segunda Turma, 13/10/2008; AGRESP 200602279329, Francisco Falcão, STJ Primeira Turma, 12/04/2007; REsp 515821/RJ, Rel. Ministro Franciulli Neto, Segunda Turma, julgado em 14.12.2004, DJ 25.04.2005 p. 278). 2 (...). 7 Apelação improvida. (AC 201050010134130, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::02/09/2013.) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALEGADA NULIDADE DA NFLD. ENQUADRAMENTO DOS EMPREGADOS. ATRIBUIÇÃO. 1. Compete à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador e efetuar o lançamento, conforme art142, do CTN66. 2. O fiscal previdenciário pode, diante dos fatos, considerar como " empregados" os trabalhadores que a empresa tratava como "autônomos", não cabendo a alegação de invasão de competência da Justiça do Trabalho, a quem compete julgar dissídios entre empregadores e empregados ( art114, CF88 ). 3. Apelação improvida. (TRF4, AMS 97.04.398891, Primeira Turma, Relator Fernando Quadros da Silva, publicado em 27/01/1999) Afastase, destarte, a preliminar de invasão da competência da Justiça do Trabalho. Falta de amparo legal. Evidentemente, quando estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, o legislador teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a real matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Nesse sentido, deve ser lido o art. 142 do CTN. Desse modo, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados. Nesse sentido, dispõe o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999: Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.885 24 Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Tanto é assim que a ocorrência de simulação está prevista como uma das hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, conforme previsto no art. 149, VII, do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Diante desses dispositivos, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é autoridade competente para lançar as contribuições sobre folha de pagamento e pertinentes multas por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de a prova colhida, no seu entender, ser suficiente para o exercício do poderdever de desconsiderar os vínculos formalmente pactuados em prol da efetiva relação jurídica consubstanciada no plano fático, a caracterizar a figura do segurado empregado. Nesse contexto normativo, não há se falar em ilegalidade do art. 229, § 2°, do RPS e nem em afronta aos arts. 150, I, da Constituição e 97 e 108 do CTN. Além disso, reitere se que o art. 149, VII, autoriza o lançamento em tela, não sendo o caso de se aplicar o art. 116, parágrafo único, do CTN. A suficiência ou não da prova apresentada para gerar ou não convicção em relação todos os trabalhadores objeto de lançamento é matéria de mérito e com ele será apreciada. Logo, não prospera preliminar de falta de amparo legal também sob o prisma de ofensa ao princípio da primazia da realidade. Cerceamento do direito de defesa e falta de comprovação dos vínculos. O fato de em um mesmo Auto de Infração a base de cálculo das contribuições lançadas tomar em consideração 441 segurados empregados não tem o condão de ensejar o cerceamento do direito de defesa. Pelo contrário, o artificial desdobramento em 441 Autos de Infração é que geraria tumulto e manifesto cerceamento ao direito de defesa. O presente colegiado é incompetente para acolher a alegação de cerceamento do direito de defesa em razão de o processo administrativo fiscal não contempla a oitiva de testemunhas, eis que equivaleria a reconhecer a inconstitucionalidade do regramento traçado pela legislação federal por ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 26A; e Súmula CARF n° 2). No entender da recorrente, a fiscalização teria partido de premissa equivocada para efetuar generalização, conforme evidenciariam arquivamentos de inquéritos civis e decisões trabalhistas favoráveis à recorrente. Não há cerceamento do direito de defesa em razão de a fiscalização sustentar que determinadas provas se aplicam a todas os 441 segurados. A questão é saber se a prova apresentada é hábil ou não para comprovar todos os vínculos imputados e será abordada no próximo tópico. Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.886 25 Inexistência de relação de emprego. O contrato de representação comercial autônomo pode ser executado com pessoalidade ou não. Segundo a fiscalização, haveria pessoalidade por pessoas físicas firmarem os contratos em nome das pessoas jurídicas. O argumento é inconsistente, pois toda pessoa jurídica assina um contrato por meio de uma pessoa física com poderes para tanto. Ao que parece apenas um contrato teria sido assinado pela pessoa física prestadora dos serviços no âmbito da pessoa jurídica, mas que não seria seu representante legal. A situação isolada não pode ser generalizada como prova da presença de pessoalidade para todos os 441 casos, ainda mais por poder ser facilmente explicada pela existência de eventual procuração, circunstância não excluída pela fiscalização. O fato de nenhuma das 441 empresas possuir empregados é indicativo de pessoalidade e o fato de a empresa não ter apresentado relatório das atividades a revelar o efetivo exercício da possibilidade contratual de se valer de prepostos também é um indício ainda mais quando se considera o alto grau de controle da recorrente sobre a prestação de serviços, reconhecendo a própria impugnante haver "subordinação empresarial", bem como é indício de pessoalidade a circunstância de, por vezes, a recorrente se referia às empresas utilizandose do nome das pessoas físicas. Nesse contexto, é razoável se concluir pela presença da pessoalidade, não sendo possível se generalizar o testemunho de Marco Aurélio Senra Marendino, não tendo o mesmo especificado quem seriam os outros dez representantes. Onerosidade houve, eis que foram efetivados pagamentos para as pessoas jurídicas. A não eventualidade se configura diante da própria natureza do trabalho desenvolvido, tendo a fiscalização desconsiderado os representantes que receberam pagamentos em menos de três competências. Exclusividade não descaracteriza e nem caracteriza o contrato de emprego e nem a representação comercial autônoma. Portanto, no caso concreto, a presença ou não da subordinação jurídica constituise no elemento decisivo para a caracterização ou não da figura do segurado empregado. A pessoa jurídica ou o trabalhador autônomo devem organizar e dirigir atividade econômica própria, obrigandose pela produção de determinado resultado ou pela realização de todos os esforços cabíveis para sua obtenção. Na representação comercial autônoma, há coordenação e colaboração para com a atividadefim do negócio do contratante. Nesse sentido, temos o disposto nos arts. 19, e, 27, d, 28 e 29 da Lei n°4.886, de 1965. Contudo, o representante comercial autônomo deve ser capaz de gerir autonomamente a prestação de serviços e para tanto precisa dispor de capacidade organizativa e econômica própria ainda que modesta. Nesse contexto, parte da doutrina sustenta haver parasubordinação e não efetivamente autonomia. Segundo a fiscalização, as empresas foram criadas e/ou mantidas para ocultar a prestação de serviços subordinados. Em face das diligências empreendidas pela fiscalização durante o procedimento fiscal, consubstanciadas no Termo de Constatação de fls. 4233/4253, confirmase a ausência de estrutura organizacional nos locais informados como sede para fins cadastrais das empresas especificadas no Anexo I sob os seguintes números: 2,3,4,5,7,8, 9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,19,20,21,22,23,25,26,27,29,31,32,34,35,36,37,40,41,43,44,45,46, 47,48,50,51,52,54,55,56,57,58,59,60,61,62,64,65,67,68,70,71,73,74,75,76,77,79,80,82,83,84,8 5,86,89,90,91,92,93,94,95,96,97,98,99,100,101,102,103,104,105,107,108,109,111,112,113,114 ,115,116,117,118,119,120,121,122,123,124,125,126,127,128,129,130,131,133,134,136,137,13 8,139,140,141,142,143,144,145,146,147,148,150,151,152,153,154,155,156,157,158,159,160,1 61,162,163,164,166,168,169,170,171,172,173,175,176,177,178,179,180,182,185,186,188,189, 190,191,193,195,196,197,198,199,200,201,202,203,204,205,206,207,208,209,210,211,212,213 ,214,215,216,218,219,221,222,223,224,225,226,227,228,229,230,231,232,233,234,235,236,23 7,238,239,241,242,243,244,245,246,247,248,249,250,251,252,253,254,255,256,257,260,261,2 Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.887 26 62,263,264,265,266,267,268,269,270,271,272,273,274,275,276,277,278,279,280,281,282,283, 284,285,287,288,289,290,291,292,293,294,295,296,297,298,299,300,302,303,304,305,306,308 ,309,310,311,312,313,315,316,317,318,319,320,321,322,323,325,326,327,328,329,331,332,33 3,334,335,336,337,338,339,340,341,342,343,344,345,347,348,349,350,351,352,354,355,357,3 58,359,360,361,362,363,364,365,366,367,368,369,370,371,372,373,374,375,376,377,378,379, 382,383,384,385,386,387,388,389,390,391,392,393,394,395,396,397,398,399,400,401,403,406 ,407,408,409,410,411,412,413,414,415,416,417,418,419,420,421,422,423,424,425,426,428,42 9,430,432,433,434,435,436,437,438,439,440 e 441. A ausência de estrutura empresarial na sede das empresas, cujo endereço muitas vezes situase em imóveis não localizados ou de cunho não comercial ou em local vinculado a contador, inclusive residência particular do contador ou de endereço de Supermercado de pai do contador, apresentase como manifesto indicativo de fraude. Todas essas empresas são de Além Paraíso. Para as empresas com sede cadastral em Caratinga, constantes do Anexo I (183, 314 e 380), a fiscalização não efetuou diligência. Entretanto, com lastro em pesquisa na internet (Anexo XII) constatou que o endereço é pertinente a Escritório de Contabilidade e Advocacia, a concluir pela ausência de estrutura organizacional. Notese ainda que, em regra, o endereço cadastral é o mesmo constante dos contratos sociais. Excetuamse apenas as constantes dos itens 1, 81, 92, 145, 194, 217, e 306 do Anexo I. Contudo, apenas as dos itens 1, 81, 194 e 217 não tem como local informado um dos visitados pela fiscalização ou informado como residência particular de contador. Para os seguintes itens 1, 6, 30, 33, 38, 39, 42, 53, 72, 81, 88, 106, 110, 165, 174, 184, 192, 194, 217, 258, 286, 301, 305, 330, 346, 353, 356, 381, 402, 404 e 405 do Anexo I a fiscalização concluiu haver ausência de estrutura empresarial a partir do fato de as empresas terem sede em Além Paraíba e/ou a área de atuação do representante ser distante da sede da empresa. Considero, entretanto, que estas duas premissas são insuficientes para se sustentar a ausência de estrutura empresarial para as pessoas jurídicas especificadas nos referidos itens do Anexo I. Todos os vendedores da recorrente eram formalmente representantes comerciais autônomos pessoas jurídicas. A atividadefim de vendedor foi totalmente terceirizada. As funções de analista de vendas, gerente de vendas, promotores e auxiliares de vendas permaneceram ocupadas por empregados. Essa pode ser uma estratégia válida. Contudo, para tanto, os representantes comerciais devem ser efetivamente autônomos. No entender da empresa, a pesada estrutura de controle dos vendedores autônomos pessoas jurídicas (analistas de vendas, contato palmtop e relatórios sobre vendas) evidenciaria apenas subordinação empresarial e não subordinação jurídica trabalhista Acrescenta que a sujeição a traços organizacionais da contratante para a coordenação das atividades não seria subordinação, tanto que a Lei n°4.886, de 1965, admitiria exigência de informações sobre os negócios, dever de observar instruções e de prestar contas etc. Os contratos de RCA eram padronizados e paralelamente haviam documentos de orientação das atividades, documentos cuja autoria e conteúdo não restaram impugnados. No documento, "Atribuições do Representante" (fls. 3578) consta: Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.888 27 1. Representar a Empresa junto aos clientes, sendo o Consultor responsável pelas vendas, merchandising, e acompanhar cobrança. 2. Seguir as normas e procedimentos implantados pela Empresa. 3. Manter assiduidade constante aos nossos clientes, mantendo a Empresa informada sobre 'o seu roteiro de trabalho atualizado. 4. Exercer o trabalho de consultoria junto aos clientes. Þ Checar estoque e gôndolas Þ Cuidar da exposição dos produtos Þ Aplicar material de merchandising Þ Apresentar catálogo Demonstrar empatia Þ Ser o "Solucionador de Problemas" que o cliente precisa. 5. Responder aos formulários e elaborar relatórios solicitados pela Empresa. 6. Manter o Analista de Vendas informados sobre o Mercado. 7. Manterse organizado; zelar pelo material de trabalho. Planejar as visitas aos clientes no dia anterior verificando a situação de crédito e buscando o melhor roteiro para obter melhores resultados e redução de custos. 8. Acompanhar e responsabilizarse pelas ações e desempenho de seus subagentes. mantendoos informados sobre as campanhas, materiais promocionais e outras diretrizes da Empresa. 9. Atingir metas e desafios. 10. Apresentação pessoal, postura e ética profissional. Do documento, "Gerar itens de controle para estruturar programa de educação e treinamento para Equipe de Vendas" (fls. 3579) consta: Pontuar a performance de cada representante de acordo com as necessidades/ expectativas da empresa: 1. Avaliação de Consultoria ao Cliente . Þ Empatia e respeito. Þ Apresentação de catálogo. Þ Checar estoque e gondolas. Þ Cuidar da exposição de produtos. Þ Aplicar material de merchandising. Þ Ser o "Solucionador de Problemas" que o cliente precisa. 2. Cumprimento das solicitações feitas pela Empresa. Ex.Compromisso da semana. Supervisor eletrônico. 3. Pontualidade nos compromissos da Empresa. 4. Frequência e participação em cursos, palestras e eventos promovidos pela Empresa. Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.889 28 5. Envolvimento dos clientes em cursos, treinamentos e outros eventos promovidos pela Empresa. 6. Equipamentos para trabalho ( cuidados e apresentação ) Do documento, "Atribuições dos Analistas" (fls. 3580/3581), constam as seguintes atividades a serem desempenhadas: Implantar e acompanhar a execução de projetos, programas e planos inerentes a sua área de atuação Definir tática de procedimentos capazes de orientar seus subordinados nos trabalhos de coletas de dados, implantação e execução dos serviços. Incumbirse de gerenciar sua Equipe de Vendas e outros funcionários subordinados. Executar tarefas do mesmo grau de complexidade e responsabilidade, a critério de sua gerência. Manter Feedback (informações) constante com o grupo e Empresa, de uma maneira geral. Executar serviços de Informática dentro das rotinas de trabalho. Tomar decisões com segurança e sem exitar. Admissão e demissão de subordinados dentro de sua área de atuação Transcrever relatórios inerentes a sua gerência imediata. Fixar metas para o Desenvolvimento profissional dos subordinados. . Desenvolver Projetos de.treinamentos em equipe. Fazer operações complexas ligados diretamente a Diretoria. Promover negociações com indústrias e fornecedores Autonomia e responsabilidade estão proporcionalmente ligadas as atribuições de cada função; acrescido de bom senso, liberdade de expressão e respeito. Acompanhamento de Campanhas Acompanhamento de Mix Medir desempenho da Equipe / Representante X Desempenho da empresa Avaliar com Credito e Cobrança e através do histórico do cliente, solicitações de revisão de Limite Crédito e solicitações de Vendedor. 10. Interagir Compras X Equipe de Vendas buscando e trazendo informações do mercado. Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.890 29 11. Acompanhar desempenho da Logística sendo elo de ligação' para resolução / pi informação dos problemas do campo. 12. Avaliação do cadastro de clientes do Representantes X seu potencial e desempenho. 13. Manter a equipe informada e motivada sobre as diretrizes da Empresa. 14. Avaliar o trabalho da consultoria do representante no campo. 15. Conhecer e divulgar para clientes e representantes os projetos desenvolvidos pela Empresa. 16. Promover reuniões periódicas com sua equipe. Recrutar, treinar e dispensar representantes do quadro da Empresa com a participação e conhecimento dos Recursos Humanos, Gerência e Diretoria. No documento "Avaliação Trimestral do Representante Zamboni" consta (fls. 3631): Pontos a serem observados: 1. Segue as orientações do analista e da Empresa? 2. Apresentação pessoal: postura e ética profissional. 3. Melhoramento de mix 4. Cumprimento de metas de vendas ( Objetivos ) 5. Distribuições específicas ( Ex.: VDB / Alliance ) 6. Compromissos da semana 7. Presença e participação nas reuniões. 8. Frequência em cursos, palestras e eventos promovidos pela Empresa. 9. Assiduidade no trabalho. 10.:Empatia e respeito "com e pelo" cliente. 11. Consultoria: · Merchandising · Exposição de produtos · Checkout de gôndolas e estoque · Solução de problemas do cliente 12. Iniciativa para resolução de problemas. 13. Apresentação de catálogo 14. Retorno de formulários e solicitações da empresa. Das fls. 3584/3616, dentre outros, constam Relatórios extraídos do "Sistema de Gestão Comercial" em que considerando o Analista de Vendas e cada um das empresas de RCA a ele vinculadas se entabulam dados , ranking de pontos de vendas, por representante do Analista de Vendas. Há também relatório de dados do volume mensal de vendas, da posição de clientes e mix de produtos mensal. Do "Sistema de Vendas", são apresentados relatórios com o controle de evolução do representante considerando mês/ano, objetivo e objetivo realizado, mix e mix realizado, clientes e clientes visitados. Neste ponto, destaquese que o controle de clientes visitados atesta o controle de assiduidade. Além disso, ressaltese que tais documentos foram extraídos de reclamatória trabalhista, eis que a autuada mesmo intimada não os exibiu. Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.891 30 Verificase, portanto, que a empresa era extremamente organizada e possuía sistema de controle aprimorado, como revelam esses relatórios e a documentação sobre as atribuições dos representantes, dos analistas de vendas e acerca do treinamento da equipe de vendas. Diante disso, fica evidente a deliberada não colaboração para com a fiscalização, eis que diversos relatórios restaram não apresentados, sendo que deles dispunha conforme evidenciam documentos em questão obtidos a partir de reclamatória trabalhista. Especificamente a documentação pertinente ao "Sistema de vendas", atesta a existência de metas e um rígido acompanhamento da realização ou não pelos representantes comerciais. Há documentação demonstrando que o atendimento das metas ensejava premiação (fls. 3628/3630). Segundo a defesa, não atingir a meta não tinha por consequência penalidades, mas somente deixar de perceber comissões e prêmios conforme testemunho Marco Aurélio Senra Marendino. Não há prova direta de punição por não se bater a meta. As reclamatórias indicam haver fiscalização/informação/advertência, a variar conforme o depoimento ou testemunho, mas não são claras quanto haver punição diversa de advertência. Contudo, a existência de penalidades aflora da comunicação escrita de gerente de vendas com vendedores revelando que a não observância de venda casada seria falta gravíssima e ensejadora de consequências (fls. 3666). Os termos da redação são claros no sentido de se tratar de referência a uma penalidade pela não observância de um comportamento ilegal por ofensivo ao direito do consumidor. Poderia ser conduta isolada, contudo toda a comunicação escrita extraída pela fiscalização das reclamatórias trabalhistas (fls. 3621/3627, 3665/3667) demonstra ingerência na atividade cotidiana dos representantes, a transbordar de uma mera coordenação. Notese que a comunicação via Palmtop ou tablet era constante, havendo atualização diária como reconhecido pela autuada perante a fiscalização. Ainda que a comunicação escrita extraída das reclamatórias envolva poucos trabalhadores, temos de ter em mente que a comunicação em tela foi empreendida pelos representantes com os analistas e gerentes empregados da autuada e que a fiscalização solicitou (fls. 4181/4185) para a autuada informar acerca dos relatórios e logs de tais comunicações, mas nada foi apresentado. Diante da não colaboração da fiscalizada, entendo como cabível a extensão de tal prova para todos os representantes em que se apurou provas de ausência de estrutura empresarial em Além Paraíba e Caratinga. Ponto fundamental reside ainda em que, diante dos documentos acima transcritos, o analista de vendas tinha a atribuição expressa de recrutar, treinar, promover reuniões periódicas com sua equipe, manter Feedback (informações) constante com o grupo e Empresa e dispensar representantes do quadro da Empresa com a participação e conhecimento dos Recursos Humanos, Gerência e Diretoria. Portanto, em face do conjunto probatório, é razoável se concluir pela existência de um poder de controle dos trabalhadores; poder incompatível com uma mera "subordinação empresarial" de empresas aparentemente sem qualquer estrutura empresarial. Ausência de controle de horário e não obrigação de comparecimento diário/semanal nas dependências do contratante não têm o condão de descaracterizar o trabalho subordinado externo (CLT, art. 62, I). Fl. 5891DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.892 31 Há certa generalização no raciocínio do Relatório Fiscal quando invoca os depoimentos e testemunhos colhidos nas reclamatórias trabalhistas. De todo modo, a recorrente dispõe de decisões que lhe são favoráveis no âmbito da Justiça do Trabalho e que em alguns pontos destoam das decisões invocadas pela fiscalização (inexistência de advertências com cunho punitivo, forma de estabelecimento de rotas, quem arcaria com despesas etc). Contudo, no caso concreto, além dos testemunhos e depoimentos invocados pela fiscalização, a prova documental sobre as atribuições dos representantes e dos analistas, sobre o programa de educação e treinamento das equipes de vendas e sobre a avaliação trimestral do representante Zamboni, os relatórios dos sistemas de gestão comercial e de vendas obtidos e a não apresentação de documentação solicitada pela fiscalização, existente em face do constante das reclamatórias, associado ao fato de as empresas do Anexo não aparentarem possuir estrutura empresarial própria têm o condão de gerar convicção de não haver a parasubordinação da Lei n° 4.886, de 1965, mas a subordinação jurídica da Consolidação das Leis do Trabalho. Considero, destarte, não provada a existência de subordinação em relação aos trabalhadores arrolados nos itens 1, 6, 30, 33, 38, 39, 42, 53, 72, 81, 88, 106, 110, 165, 174, 184, 192, 194, 217, 258, 286, 301, 305, 330, 346, 353, 356, 381, 402, 404 e 405 do Anexo I, eis que para se gerar a referida convicção todas essas provas indiciárias, no meu entender, devem ser convergentes. Na Ação Civil Pública, foi relevante o testemunho de Marco Aurélio Senra Marendino e a recorrente sistematicamente o invoca para desqualificar a prova colhida pela fiscalização. Devemos ponderar, contudo, que a empresa de Marco Aurélio Senra Marendino se encontra dentre as que a fiscalização presumiu a ausência de estrutura empresarial simplesmente por se situar em Além Paraíba e por ser a área de atuação distante da sede. Logo, não se pode postular a aplicação do testemunho do Sr. Marco Aurélio Senra Marendino para as empresas em que se constatou a ausência de estrutura empresarial, já tendo o mesmos sido excluído do lançamento (item 356 do Anexo I). Como o lançamento se lastreia em provas indiciárias, considero como acertada a decisão de se excluir do lançamento a base de cálculo pertinente aos trabalhadores para os quais há decisão judicial trabalhista transitada em julgado não reconhecendo o vínculo de trabalho subordinado. Deixo consignado, entretanto, compreender que as decisões judiciais trabalhistas em questão a rigor não vinculam a União, eis que a mesma não é parte das reclamatórias trabalhistas, sendo eventualmente chamada a se manifestar tão somente sobre a natureza das parcelas em acordo homologado judicialmente ou sobre os cálculos das contribuições sociais executadas de ofício no âmbito da Justiça do Trabalho (CLT, arts. 832, §§ 4° e 5°, e 879, § 3°). A decisão de arquivamento dos inquéritos civis e de improcedência por falta de prova na ação civil pública igualmente não vinculam a União por não fazer parte daqueles procedimentos e nem ser parte da ação, bem como de a mesma ter sido decidida nos moldes do art. 16 da Lei n° 7.347, de 1985. Retificações. Em relação aos itens 161 e 207 do Anexo I, o recorrente apresenta prova (fls. 5617/5645) demonstrando o trânsito em julgado de decisão não Fl. 5892DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.893 32 reconhecendo vínculo de emprego nas ações trabalhistas propostas por Marcelo Peixoto Henrique e Jumara Fonseca Pereira. Logo, devem ser excluídos do lançamento. Em relação aos itens 6, 109, 166, 218, 221, 227, 264, 312, 375 e 406 do Anexo I, o recorrente carreou aos autos prova demonstrando a existência de decisões favoráveis sem transito em julgado. Consulta à página do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e do Tribunal Superior do Trabalho revela o trânsito em julgado de decisão favorável ao recorrente em relação às seguintes demandas: Processo nº 010135051.2016.5.01.0411 de Antonio Rozergio da Costa (item 6); Processo n° 1072819.2015.5.01.0068 de Israel Fonseca de Lyra Júnior (item 166); e Processo n° 001208375.2015.5.01.0032 de Francisco Carlos Soares Gomes (item 221). Logo, também devem ser excluídos do lançamento os itens 6, 166 e 221. Notese que o item 6 já havia sido excluído sob outro fundamento. Por outro lado, foram reformadas as decisões favoráveis ao recorrente em relação às seguintes demandas: Processo nº 001175444.2015.5.01.0006 de Sergio Roberto Lemos de Melo (item 227); e Processo nº 010055639.2017.5.01.0041 de Sergio Ricardo Fonseca Pereira (item 375). Além disso, foi cancelada a decisão favorável ao recorrente no Processo nº 010156564.2016.5.01.0431 de Emanuelly Silva Coelho (item 264) e determinada a prolação de nova sentença. O fato de o trabalhador ajuizar reclamatória trabalhista não impede o presente lançamento. Como bem destacou a decisão de piso, as reclamatórias trabalhistas e o presente lançamento possuem objetos distintos, eis que aqui são lançadas contribuições sobre valores já pagos e nas reclamatórias trabalhistas sobre o valores demandados judicialmente, a gerar condenação (Súmula Vinculante STF n° 53; e Súmula TST n° 368, I), não tendo a autuada apresentado prova em contrário. Como já dito, exclusividade não é elemento caracterizador da relação de emprego e nem da relação de trabalho autônomo. O fato de a pessoa jurídica representante comercial obter rendimento de fonte diversa não tem o condão de afastar a caracterização de que em relação à recorrente o vínculo se formou não com a pessoa jurídica, mas com o trabalhador. Fraude ou simulação. Não houve mera descaracterização de vínculo de natureza civil. Durante a fiscalização a autuada omitiu documentação, mesmo tendo sido intimada com prova de existência de tal documentação em face das provas colhidas junto aos processos trabalhistas. A prova documental sobre as atribuições dos representantes e dos analistas, sobre o programa de educação e treinamento das equipes de vendas e sobre a avaliação trimestral do representante Zamboni amealhada a partir das reclamatórias comprova o propósito doloso de adotar prática executiva diversa da manifestação de vontade formalizada nos contratos de representação autônoma com o escopo de modificar características essenciais do fato gerador de modo a reduzir o montante devido, a preencher o suporte fático do art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Correta, destarte, a qualificação da multa. Não infirmam tal constatação a percepção por parte das empresas de rendimentos de fonte diversa e nem a decisão emitida no âmbito da Ação Civil Pública lastreada no entendimento de as provas apresentadas serem insuficientes. A adoção de provas indiciárias não impede a qualificação da multa, eis que se trata de prova admitida em direito. Por fim, o presente colegiado é incompetente para declarar inconstitucionalidade de lei por ofensa ao princípio constitucional do não confisco (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 26A; e Súmula CARF n° 2). Fl. 5893DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.894 33 Terceiros. Em relação às contribuições para o INCRA e SEBRAE (RE n° 630.898 e RE 603.624), não há decisão vinculante a ser reproduzida. Juros de mora. Mesmo em caso de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o art. 161, caput, do CTN não dispensa a incidência dos juros de mora. Há exceção apenas na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito (CTN, art. 161, § 2°). O artigo 61, § 3º, da Lei 9.430, de 1996, não tem o condão de afastar o regramento traçado no CTN. Além disso, o art. 5° do Decretolei n° 1.736, de 1979, é taxativo: Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Por fim, a matéria já se encontra Sumulada no âmbito do CARF, como podemos constatar: Súmula CARF n° 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Acórdãos Precedentes: CSRF/0400.651, de 18/09/2007; 10322.290, de 23/02/2006; 10323.290, de 05/12/2007; 10515.211, de 07/07/2005; 106 16.949, de 25/06/2008; 30335.361, de 21/05/2018; 1401 00.323, de 01/09/2010; 910100.539, de 11/03/2010; 9101 01.191, de 17/10/2011; 920201.806, de 24/10/2011; 9202 01.991, de 16/02/2012; 1402002.816, de 24/01/2018; 2202 003.644, de 09/02/2017; 2301005.109, de 09/08/2017; 3302 001.840, de 23/08/2012; 3401004.403, de 28/02/2018; 3402 004.899, de 01/02/2018; 9101001.350, de 15/05/2012; 9101 001.474, de 14/08/2012; 9101001.863, de 30/01/2014; 9101 002.209, de 03/02/2016; 9101003.009, de 08/08/2017; 9101 003.053, de 10/08/2017; 9101003.137 de 04/10/2017; 9101 003.199 de 07/11/2017; 9101003.371, de 19/01/2018; 9101 003.374, de 19/01/2018; 9101003.376, de 05/02/2018; 9202 003.150, de 27/03/2014; 9202004.250, de 23/06/2016; 9202 004.345, de 24/08/2016; 9202005.470, de 24/05/2017; 9202 005.577, de 28/06/2017; 9202006.473, de 30/01/2018; 9303 002.400, de 15/08/2013; 9303003.385, de 25/01/2016; 9303 005.293, de 22/06/2017; 9303005.435, de 25/07/2017; 9303 005.436, de 25/07/2017; 9303005.843, de 17/10/2017. Isso posto, voto por conhecer e, rejeitando as preliminares, dar provimento em parte ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo a remuneração imputada às seguintes pessoas físicas: item 1 RENATO PRUDENCIO DE BARROS, item 6 ANTONIO ROZERGIO DA COSTA, item 30 ELIZIANE PEREIRA ALVES MENDES, item 33 ANDERSON DUARTE DE SOUZA, item 38 BRUNO CAMARGO DAVID, item 39 ANDERSON SCHUTZ ESTEVES, item 42 ADRIANA BARROS GONCALVES, item 53 CARLOS ALBERTO SOARES CRUZ, item 72 ADRIANO DOS SANTOS PEREIRA, item 81 DENISE DAS NEVES CONCEICAO DA SILVA, item 88 DAVI FERREIRA, item 106 Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.895 34 DIRLENE MENEZES DIAMANTINO GOMES, item 110 SABRINA FERNANDES BRUM, item 161 MARCELO PEIXOTO HENRIQUE, item 165 JOSE CARLOS LOPES GUEDES, item 166 ISRAEL FONSECA DE LYRA JUNIOR, item 174 CINTHIA DE OLIVEIRA CARVALHO, item 184 JULIO CESAR SENRA MARENDINO, item 192 ELDO RODRIGUES JASBICK JUNIOR, item 194 CESAR AUGUSTO CARVALHO SALIM JUNIOR, item 207 JUMARA FONSECA PEREIRA, item 217 LEANDRO LIRIO FERNANDES GUIMARAES, item 221 FRANCISCO CARLOS SOARES GOMES, item 258 MARCIO MACHADO DA SILVA, item 286 MAUREMBERG MOREIRA, item 301 WALLACE PEREIRA SENRA, item 305 UIDSON DAS GRACAS SILVA, item 330 RENATA RODRIGUES BARBOSA, item 346 RENATA CRUZ DA SILVA ALVES, item 353 ALCION CORREA MACEDO, item 356 MARCO AURELIO SENRA MARENDINO, item 381 SANDRO MOTA SIMAS QUEIROZ, item 402 TATIANE SOARES PIMENTA, item 404 MARCELA DA MOTTA FERREIRA FIGUEIRA e item 405 LUIZ ALAN CORREA FIGUEIRA II. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Cleberson Alex Friess Redator designado. Peço vênia ao I. Relator para divergir parcialmente do seu voto, na parte em que manteve a qualificação da multa de ofício. Segundo a autoridade fiscal, criouse artificialmente pessoas jurídicas para ocultar a prestação de serviços de representação comercial na condição de segurado empregado. No caso em apreço, a fiscalização caracterizou o vínculo como segurado empregado dos sócios das pessoas jurídicas contratadas pela empresa recorrente para lhe prestar os serviços de representação comercial (fls. 30/142). O lançamento fiscal não está lastreado em provas diretas da presença de todos os elementos inerentes à relação empregatícia, mas sim em provas indiciárias, em especial quanto à subordinação do trabalhador. Para fins de comprovação da subsunção do fato à norma de incidência tributária, não há óbice na utilização de um conjunto de indícios sérios e convergentes que, ao final, são dotados de força probatória para a aplicação da lei tributária. É a hipótese dos autos, segundo prevaleceu no colegiado. Não há alteração na distribuição do ônus da prova, porque as partes continuam com a obrigação de comprovar os fatos relacionados às suas afirmações, garantindo ao sujeito passivo a ampla defesa e contraditório, na forma da legislação que rege o processo administrativo fiscal. Para fins de afastar o conjunto probatório carreado pela fiscalização quanto à relação tributária, caberia ao interessado juntar ao processo administrativo elementos convincentes da inocorrência dos fatos colhidos pelo agente fazendário, inclusive a demonstração da falta de identidade fática da situação de cada prestação de serviço. No Fl. 5895DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.896 35 entanto, o sujeito passivo pouco fez nesse sentido, mesmo no universo de mais de 400 prestadores. Destaco que a empresa recorrente optou em não colaborar e deixou de apresentar durante o procedimento de fiscalização, ou mesmo na fase do contencioso administrativo, diversos contratos de representação comercial, rotinas de treinamento e planilhas de avaliação e controle dos prestadores de serviços, inclusive os relatórios de metas individuais e produtividade de vendas, todos documentos que estavam em seu poder e poderiam, em tese, corroborar os fatos que pretendia fazer no processo administrativo. Por outro lado, quando se está diante de aplicação de penalidade mais gravosa, é dever unicamente do agente lançador a produção da prova das circunstâncias materiais que autorizam a duplicação da multa de ofício. Como sabido, em matéria de penalidade, incabível a presunção de fraude ou simulação. Embora a autoridade fiscal assegure que a empresa autuada agiu consciente e intencionalmente com a finalidade de simular a prestação de serviços através da contratação de pessoas jurídicas, o acervo probatório reunido nos autos demonstrase insuficiente para confirmar a intenção firme de praticar a conduta ilícita perante o Fisco, a qual implica a demonstração do dolo. Assumindo os riscos inerentes ao negócio, a autuada mantinha organização em que os seus vendedores eram formalmente representantes comerciais autônomos, na condição de pessoa jurídica. A Lei nº 4.886, de 9 de dezembro de 1965, que regula as atividades de representantes comerciais autônomos, prevê a possibilidade da atividade por meio de pessoa jurídica. As ilações da fiscalização sobre a existência de fraude estão fortemente apoiadas em extração de dados a partir de prova oral produzida pelas partes em reclamatórias trabalhistas, num exercício de generalização de depoimentos e testemunhos, já que baseado em casos específicos do grupo de prestadores de serviços, procedimento que pede cautela e equilíbrio na aplicação de sanção penal. É certo que o emprego de provas indiciárias não representa entrave intransponível para a aplicação da multa de ofício qualificada. Porém, os fatos não podem deixar margem de dúvida a respeito da existência do dolo no universo de contratações apontadas pela autoridade fiscal, visto que a fiscalização imputou a multa exarcebada sobre todos os segurados caracterizados como empregados vinculados às pessoas jurídicas descritas no Anexo I do Relatório Fiscal. Para concluir pela ilicitude na utilização de pessoa jurídica, a autoridade fiscal parte do pressuposto que as contratações configuram, desde a origem, dissimulações de relação empregatícia, tendo se efetivado da mesma forma camuflada, em que havia obrigação de abertura e/ou utilização de pessoa jurídica como condição para contratação da prestação de serviços de representação comercial, tudo sob a orientação de profissional de contabilidade vinculado à empresa autuada (itens 8.3 e 8.4, do Relatório Fiscal). Não obstante, interessante anotar que uma parte das pessoas jurídicas recebeu, em alguma medida, rendimentos de outra fonte pagadora no anocalendário de 2010. Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.897 36 Além disso, há decisões proferidas pela Justiça do Trabalho, algumas com trânsito em julgado, em que prevaleceu o entendimento de ausência de vínculo de emprego e subordinação jurídica do reclamante, tampouco fundamento para caracterização de fraude à lei trabalhista na contratação. Na própria seara administrativa reconheceuse, como neste acórdão e em primeira instância, pela necessidade de admitirse a exclusão do lançamento fiscal no que tange à base de cálculo pertinente a trabalhadores para os quais existia decisão judicial trabalhista transitada em julgado, na hipótese de não validação do liame de trabalho subordinado. Nesse cenário, entendo que a contratação de pessoa jurídica para prestar serviços de representação comercial não pode ser considerada fraudulenta de forma genérica, como subterfúgio para dissimulação de relação de emprego, conforme pretendeu o agente de fiscalização. Como aspecto relevante para a conduta ilícita da autuada, a fiscalização descreve que a maior parte dos representantes comerciais, constituídos sob a forma de pessoa jurídica, indicou um mesmo município como sede para fins cadastrais, distribuídos em apenas 7 (sete) endereços distintos, cujo preenchimento das declarações fiscais era realizado aparentemente pelo mesmo escritório. A ausência de estrutura empresarial ficou evidenciada pelo localização dos imóveis, alguns não localizados, de cunho residencial ou vinculado a escritório de contabilidade. Obviamente tais aspectos podem representar uma ou mais irregularidade na constituição de pessoa jurídica, o que sugere o aprofundamento da investigação fiscal, mas daí entender pela manifesta fraude tributária praticada pela recorrente no regime de contratação de pessoa jurídica é um passo adiante, que exige perfeita demonstração da conduta do sujeito passivo. Com efeito, os elementos colhidos pela autoridade tributária não são capazes de confirmar a existência de uma política organizacional da empresa autuada, devidamente estruturada, voltada à contratação proposital do trabalho de pessoa física representante de vendas através da interposição fraudulenta de pessoa jurídica. Não se desconhece a desigualdade presente na realidade socioeconômica entre empresário/trabalhador, porém não induz à fraude em qualquer caso, até porque não se pode descartar a iniciativa do próprio representante comercial no estabelecimento de vínculo sob o regime de contratação de pessoa jurídica, considerando as particularidades do caso concreto. Acrescento que a representação comercial exige, muitas vezes, uma estrutura física mínima para a mediação da realização de negócios mercantis, que pode ser compartilhada com outros profissionais. A prova documental sobre as atribuições dos representantes e dos analistas, sobre o programa de educação e treinamento das equipes de vendas e sobre a avaliação trimestral do representante Zamboni, conforme mencionado pelo I. Relator, é elemento que reforça a linha de raciocínio da existência de vínculo tributário como segurado empregado. Contudo, não se presta para invocar o propósito doloso da utilização de pessoas jurídicas de forma generalizada, para todos os casos do Anexo I. Fl. 5897DF CARF MF Processo nº 16682.720355/201511 Acórdão n.º 2401005.952 S2C4T1 Fl. 5.898 37 Por fim, a omissão na entrega de documentos e/ou prestação de esclarecimentos durante o procedimento fiscal não autoriza a qualificação da multa de ofício, que pode, eventualmente, justificar o agravamento da penalidade. Logo, uma vez não evidenciado pelo conjunto probatório a ocorrência das condições que autorizam a majoração da multa de ofício até o importe de 150%, nos moldes propostos pelo agente fiscal, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa ao patamar básico de 75%. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificadora da multa, reduzindoa ao percentual de 75%. Ademais disso, conforme unanimidade de votos, acompanho o I. Relator quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento em relação à remuneração imputada às pessoas físicas listadas na conclusão do seu voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 5898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10565.000124/2008-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/01/2004
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Cabe declarar, nesse caso, a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
Numero da decisão: 9303-008.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão das esferas administrativa e judicial
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/01/2004 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Cabe declarar, nesse caso, a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10565.000124/2008-19
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986781
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.397
nome_arquivo_s : Decisao_10565000124200819.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10565000124200819_5986781.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão das esferas administrativa e judicial (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7692754
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660710838272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10565.000124/200819 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.397 – 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO CULTURAL KINOFORUM ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2004 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Cabe declarar, nesse caso, a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 5. 00 01 24 /2 00 8- 19 Fl. 287DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão das esferas administrativa e judicial (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 380200.642, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa (Destaques meus): “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Salvo em se tratando de matéria de ordem pública, não cabe o conhecimento de questões não ventiladas na impugnação nem tampouco apreciadas pela decisão recorrida, sob pena de inovação e supressão de instância. Preclusão reconhecida. Precedentes da Turma. MULTA. ABUSIVIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF No 02. VEDAÇÃO AO CONTROLE Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10565.000124/200819 Acórdão n.º 9303008.397 CSRFT3 Fl. 3 3 DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. BENS CULTURAIS. REEXPORTAÇÃO. PROCESSAMENTO. DREE. REEXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS PRAZOS DO REGIME. MULTAS REGULAMENTARES. INCIDÊNCIA. O despacho aduaneiro de retorno ao exterior dos bens de caráter cultural, objeto de Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária, deve ser processado com base em DSE Declaração Simplificada de Exportação (art. 15 da IN SRF nº 40/1999). A dispensa de conferência física depende de autorização do Secretário da Receita Federal. Portanto, se a reexportação ocorreu através de DREE Declaração de Remessa Expressa de Exportação, sem conferência física, considerase não comprovada a reexportação, o que autoriza a cominação das multas de 30% sobre o valor aduaneiro dos bens pela falta de licença de importação (art. 169, I, “b”, do DecretoLei nº 37/1966) e de 10% sobre o valor da mercadoria importada pelo descumprimento das condições, requisitos ou prazos para aplicação do regime (art. 72, I, da Lei nº 10.833/2003). MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO CABIMENTO. Se crédito tributário suspenso, constituído através do Termo de Responsabilidade, não foi objeto de lançamento de ofício, incabível a imposição da multa de ofício por falta de pagamento do imposto, nos termos do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. MULTA. INTIMAÇÃO PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO ATENDIMENTO. EMBARAÇO À AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DIFERENCIAÇÃO ENTRE FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA. Fl. 289DF CARF MF 4 A sanção prevista no art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966, visa a efetividade e o bom andamento da ação de fiscalização aduaneira. Uma vez constituído o crédito tributário ou imposta a penalidade, encerrase o procedimento fiscal. Assim, como fiscalização não se confunde com cobrança, se a intimação descumprida pelo contribuinte teve por objeto a exigência do crédito tributário, não cabe a imposição da penalidade do art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966. O não atendimento da intimação, quando muito, poderia caracterizar inadimplência do crédito tributário, mas jamais embaraço à ação de fiscalização aduaneira, porque a autoridade administrativa fiscal já havia formado seu convencimento em relação ao descumprimento da legislação tributária. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Trata se de multa devida pela falta de recolhimento do imposto, conforme motivação externada no auto de infração. · Logo, uma vez devido o imposto pelo descumprimento do regime aduaneiro de admissão temporária, impõe se a aplicação da multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, ainda que não tenha havido lançamento de ofício. Em Despacho às fls. 173 a 176, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O sujeito passivo acosta aos autos, entre outros, decisão dada pela 19ª Vara Cível Federal em Agravo de Instrumento nº 002577915.2012.4.03.000/SP proferida pelo ilustre Desembargados Federal Carlos Muta: “[...] Assim, não havendo lançamento de ofício do tributo, pois já constituído através do “Termo de responsabilidade”, e com suspensão da exigibilidade enquanto vigente o regime de admissão temporária, é manifesta a inexistência do faro gerador da multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Neste mesmo sentido, o voto proferido pelo relator no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no julgamento do recurso voluntário Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10565.000124/200819 Acórdão n.º 9303008.397 CSRFT3 Fl. 4 5 interposto pelo agravante, em que se afastou referida multa em relação a uma das cinco mercadorias importadas (os demais recursos encontramse pendentes de julgamento) (f. 987/94): [...] Essa multa não foi objeto de RESP pela autoridade tributária (f. 996/1005), o que demonstra que a constituição dessa penalidade não mais subsiste. Ora, os autos de infração com imposição dessa multa em relação às demais mercadorias possuem suporte fático idêntico à hipótese julgada pelo CARF, sendo necessário que, assim, em hipóteses idênticas, sejam aplicadas as mesmas decisões, sob pena de ofensa à isonomia. Dessa forma, é manifestamente plausível o afastamento, também, da multa do art. 107, IV, “c”, do DecretoLei 37/1966. Ante o exposto, com fundamento no artigo 557 do CPC, dou parcial provimento ao agravo de instrumento, apenas para afastar a cobrança das multas previstas no art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966.” Em resposta à intimação feita pela autoridade fiscal, para eventuais esclarecimentos a respeito da ação ordinária nº 000569793.2012.4.03.6100 e agravo de instrumento nº 002577915.2012.4.03.0000, o sujeito passivo traz: “[...] 06. Em 7 de agosto de 2013, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu o acórdão dando parcial provimento ao Agravo de Instrumento para afastar a cobrança das multas previstas no art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966. 07. Diante do referido acórdão, em 01.10.2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, o qual pende de juízo de admissibilidade pela presidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região antes de serem encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça. Tudo como se verifica do anexo extrato eletrônico de andamento processual (doc.03). [...]” É o relatório. Fl. 291DF CARF MF 6 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, o que, por conseguinte, concordo com o exame de admissibilidade do recurso. Quanto ao mérito, para melhor elucidar, vêse que a Fazenda Nacional ressurge com a discussão da aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 – que fora, por sua vez, afastada pelo Colegiado a quo, sob o argumento de que se o crédito tributário suspenso, constituído através do Termo de Responsabilidade, não foi objeto de lançamento de ofício, incabível a imposição da multa de ofício por falta de pagamento do imposto, nos termos do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Além dos esclarecimentos trazidos pelo sujeito passivo, importante destacar que foram juntados aos autos vários documentos judiciais, entre outros, decisão publicada no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, que traz: “[...] tutela antecipada, visando a parte autora obter provimento judicial que declare a inexigibilidade do crédito tributário consubstanciado nos Autos de Infração nºs [...], bem como nos Processos Administrativos nºs 1056.00124/200819 [...] Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido com fundamento no artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil) para declarar inexigível as multas previstas nos artigos 44, I, da Lei 9.430/96 e inciso IV, c do Decretolei. Considerando que as partes sucumbiramse reciprocamente, cada uma delas aracará com as verbas sucumbenciais.” Sendo assim, resta aplicar a Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10565.000124/200819 Acórdão n.º 9303008.397 CSRFT3 Fl. 5 7 da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Considerando se tratar de Recurso Especial interposto pela Fazenda, cabe, em razão da Súmula Carf nº 1, dar provimento ao recurso, declarando a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.902495/2011-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
INEXATIDÃO MATERIAL.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13116.902495/2011-19
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5979799
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.495
nome_arquivo_s : Decisao_13116902495201119.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13116902495201119_5979799.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7674191
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660713984000
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-26T00:53:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-26T00:53:51Z; Last-Modified: 2019-03-26T00:53:51Z; dcterms:modified: 2019-03-26T00:53:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-26T00:53:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-26T00:53:51Z; meta:save-date: 2019-03-26T00:53:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-26T00:53:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-26T00:53:51Z; created: 2019-03-26T00:53:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2019-03-26T00:53:51Z; pdf:charsPerPage: 1403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-26T00:53:51Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 135 1 134 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.902495/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.495 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de março de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente ROAN ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. INEXATIDÃO MATERIAL. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 24 95 /2 01 1- 19 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 136 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 20600.36217.050307.1.2.044773, em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), código 0220, do segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$25.045,54 recolhido em 30.09.2004 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 57, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Valor do crédito pleiteado do PER/DCOMP: 25.045,54 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. [...] Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento Legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.463, de 20.12.2013, efls. 7579: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição autorizada por lei. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. Mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. IRPJ. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. PARCELAMENTO EM ANDAMENTO. É vedada a restituição de recolhimentos relativos a crédito tributário incluído em processo de parcelamento em andamento, por faltarlhes os atributos de certeza e liquidez. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 16.06.2014, efl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.07.2014, efls. 81129, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 137 3 III DO DIREITO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL No processo administrativo, o julgador deve sempre buscar a verdade material dos. fatos, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além. daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A busca pela verdade deve funcionar como verdadeiro norte do processo administrativo, de modo que a autoridade administrativa competente deve sempre sopesar os dados contidos nos autos e a realidade aplicável ao caso, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir seu convencimento. [...] Como se vê, em decorrência do principio da verdade material, corolário do processo administrativo, temse que o julgador não pode se ater aos dados contidos nos autos, devendo utilizar de todos os meios possíveis e ilícitos para alcançar a verdade dos fatos. No presente caso, em que pese a PER/DCOMP ter vinculado DARF utilizado para pagamento de débito devidamente declarado em DCTF, tal pagamento ocorreu quando já havia iniciado fiscalização na empresa Recorrente, motivo pelo qual o auditor autuante não considerou o pagamento efetivado, sob argumento de falta de espontaneidade. Assim, o i. auditor fiscal autuante [...] lavrou auto de infração para a cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o lucro Liquido CSSL, abarcando os valores objeto da DCTF retificadora apresentada em 09/01/2006. Ora, ilustres julgadores! Se os valores objeto da presente PER/DCOMP tivessem sido integralmente vinculados e utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF, como aduzido [...] no julgamento do manifesto de inconformidade, qual a necessidade de se lavrar auto de infração para cobrança destes mesmos valores? É fato certo e notório que os valores utilizados para pagamento do débito confessado em DCTF não foram considerados pelo fiscal autuante. O próprio Termo de Verificação Fiscal deixa claro tal fato ao enunciar que "Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de oficio. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados" [...]. Todavia, não obstante a realidade existente (auto de infração para cobrança dos valores declarados em DCTF retificadora, por não considerar os pagamentos efetuados), a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se valeu do princípio da verdade material, se atendo ao simples fato de que o crédito reclamado na PER estava vinculado a débito confessado em DCTF, sem considerar o auto de infração lavrado para cobrança destes valores. Ocorre que o princípio da verdade material é corolário do processo administrativo, devendo ser amplamente observado, sob pena de afronta às disposições legais. Desta maneira, considerando que os pagamentos vinculados aos débitos confessados em DCTF foram objeto de autuação, e devendo a Administração Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 138 4 Pública valerse do princípio da verdade material, temse que o pedido de compensação merece ser homologado, devendo ser reformada a decisão que indeferiu tal pedido. DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO A ilustre julgadora, em citação totalmente fora de contexto, uma vez que em nenhum momento argumentou a respeito da existência de prescrição do direito de pleitear a restituição; citou o artigo 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional, que trata sobre o prazo prescricional. [...] Da data do pagamento indevido até a data de transmissão do pedido de restituição/compensação, decorreu o lapso temporal inferior a 02 (dois) anos. Considerando que nos termos do artigo 168, do CTN, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, em caso de pagamento indevido ou a maior, evidente que o crédito objeto do presente pedido de compensação não se encontra abarcado pela prescrição, uma vez que da data da extinção do crédito tributário [...] até a data do pedido de restituição [...], decorreu lapso temporal bem inferior ao prazo limítrofe de 05 (cinco) anos. Assim, temse que não há o que falar em prescrição do direito de se pleitear a restituição do crédito tributário pago indevidamente. DA CONSISTÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO CRÉDITO ORA PLEITEADO COM O DÉBITO INDICADO NA PER/DCOMP O acórdão [...] aduziu que para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido è que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário e sim de suspensão. Ainda, afirmou que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando, daí, que, por não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, disse que a orientação passada pelo fiscal autuante foi de que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados, razão pelo qual os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de oficio. Logo, a autoridade a quo não pode reconhecer crédito algum, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição. Tais argumentos são desprovidos de razão, motivo pelo qual não merecem prosperar. Primeiramente cumpre sa salientar que os argumentos lançados pela i. Julgadora/Relatora são contraditórios. Num primeiro momento aduz que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF, motivo pelo qual restou inexistente o crédito reclamado na PER. Num segundo momento, aduz de forma contrária, reconhecendo que o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento. Todavia, aduz que por Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 139 5 não estar o crédito tributário extinto (liquidado), não se reconhece a certeza e a liquidez necessárias à pretendida restituição, uma vez que o parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e não de extinção. Ora! Razão não assiste a Julgadora Tributária. Em que pese o parcelamento ser causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e ainda estar em vigência, tal fato não pode ser motivo para o indeferimento do presente pedido. E assim o é porque, em que pese serem relativos ao mesmo tributo, os créditos objeto do pedido de compensação não foram considerados pelo auditor fiscal autuante, tendo sido lavrado auto de infração que está sendo pago através de parcelamento. Ou seja, tratase de hipóteses distintas, uma vez que o próprio fiscal autuante não considerou os pagamentos efetuados através do DARF, motivo pelo qual não poderiam ser utilizados para pagamento do débito objeto de autuação, e, muito menos, sua compensação com outros débitos ser condicionada ao término do parcelamento. Se o fiscal autuante, no momento da lavratura do auto de infração, não considerou os pagamentos realizados através dos DARF's, autuando a Recorrente pelo não pagamento do tributo, tais pagamentos não poderiam ser utilizados para pagamento do auto de infração. Se os pagamentos realizados através de DARF pudessem ser utilizados para pagamento do débito objeto de fiscalização, o i. auditor fiscal autuante deveria considerar os pagamentos realizados, lavrando auto de infração somente em relação à multa e aos juros, pela não consideração da espontaneidade do pagamento. Ou então, o próprio fisco, no momento da consolidação do débito do Parcelamento Excepcional PAEX, deveria abater o valor dos pagamentos efetuados por meio de DARF's. E se assim não o fez, não pode o Julgador Tributário, ao analisar os pedidos de compensação, condicionar o deferimento da PER/DCOMP ao término do parcelamento, uma vez que ps créditos objeto da PER não foram dados como garantia do parcelamento, até mesmo porque a lei não exige tal garantia, sendo que, em caso de não pagamento das parcelas, o Fisco deve se valer de outros meios legais de cobrança. Ora, ilustres julgadores! Qual outra conduta possível que a Recorrente deveria se valer a não ser o pedido de compensação? O pagamento indevido ocorreu, uma vez que os pagamentos efetivados não foram considerados pelo fiscal autuante e sequer abatidos no momento do parcelamento. Logo, não haveria outra conduta a ser realizada pela Recorrente a não ser valerse do pedido de compensação. E condicionar o deferimento deste pedido ao término do parcelamento, fadaria o crédito à ocorrência de prescrição. Ademais, em pesquisa ao site da Receita Federal do Brasil, no campo perguntas e respostas, constatouse que não podem ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; e o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 140 6 Ou seja, como o débito objeto do auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente foi parcelado, tendo o débito sido consolidado, não pode ser objeto de compensação. Além disso, o argumento da Julgadora Tributária no sentido de que os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação. Com os valores lançados de oficio, em razão da orientação repassada ao contribuinte pelo autuante, não merece prosperar. E assim o é porque no Termo de Verificação Fiscal o fiscal autuante tão somente consignou que os valores poderiam ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados. Tal fato não pode induzir o Julgador Tributário à conclusão que chegou de que os pagamentos deveriam ter sido objeto de compensação com os valores lançados de oficio, sendo incluídos no processo de parcelamento. O fato de o fiscal autuante ter facultado a possibilidade de compensação com os débitos lançados, não obrigada o contribuinte a agir de tal maneira, conforme afirma o julgador tributário. A compensação com os valores lançados seria uma faculdade do contribuinte, que pode se valer ou não desta prerrogativa, de acordo com o seu interesse. E por ter a Recorrente aderido ao Parcelamento Excepcional PAEX, para quitação dos débitos, achou por bem compensar os créditos oriundos do pagamento indevido realizado por meio de DARF's com outros débitos que não os lançados, exercendo sua faculdade de compensar os créditos com os débitos que entendeu adequado. Assim, resta evidente que o condicionamento estabelecido pelo i. Julgador Tributário, de deferimento do pedido de compensação ao término do parcelamento é indevido, merecendo ser reformada a r. decisão recorrida, uma vez que a compensação dos pagamentos efetuados com os valores lançados de oficio era mera faculdade do contribuinte, que por ter aderido ao PAEX, entendeu compensar os créditos devidos com outros débitos que não os lançados de oficio. Por fim, cumpre esclarecer, que condicionar o deferimento do pedido de compensação com o término do parcelamento, fere direito líquido e certo da Recorrente.em ter restituído/compensado débito pago indevidamente, uma vez que esperar o término do parcelamento para poder requerer a compensação certamente fará com o direito de compensação esteja prescrito, em total afronta à legislação pátria vigente. DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO TOTALMENTE DIFERENTE DA R. RECORRIDA EM RELAÇÃO AO MESMO CASO DOS AUTOS Como visto anteriormente, foram objeto de fiscalização e posterior autuação os seguintes tributos: CSSL e IRPJ. O caminho trilhado em relação aos dois tributos foi o mesmo, qual seja: o contribuinte efetuou o pagamento através de DARF's, sendo que o pagamento não foi considerado pelo auditor fiscal autuante sob o argumento de falta de espontaneidade, uma vez que os pagamentos ocorreram quando já havia iniciado o procedimento fiscalizatório. Em razão de o fiscal autuante não ter considerado os pagamentos efetivados por meio dos DARF's, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento ou Restituição' e Declaração de Compensação PER/DCOMP, para compensar os pagamentos não acolhidos pelo auditor fiscal autuante com outros débitos, uma vez Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 141 7 que o débito objeto do auto de infração lavrado em seu desfavor fora parcelado através da adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX. Em primeira.análise, os pedidos de compensação foram indeferidos, sendo proferido despacho decisório de não homologação de compensação, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na declaração. Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em relação a todos os pedidos de compensação, sendo que parte dos manifestos foram encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB e outra parte à 3ª Turma da DRJ/REC. Os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 3ª Turma da DRJ/REC tiveram o destino delineado anteriormente, cujas argumentos são refutados no presente recurso, em razão do seu indeferimento. Já os manifestos de inconformidade encaminhados para julgamento à 4ª Turma DRJ/BSB, teve caminho totalmente diverso, com a procedência do pedido sob o argumento de que: como afirma o contribuinte, o Auditor Fiscal, ao apurar a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, deixou de deduzir o valor pago e declarado pela interessada em DCTF retificadora. Em razão disto, resta claro que a empresa recolheu indevidamente e tem direito de repetição do indébito, pois a autuação já contemplou no lançamento de oficio aquele valor. a compensação pode ser homologada até o limite daquele crédito, tendo em vista que comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional para absorver o débito tributário. por fim, aduz que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, que é o caso dos autos, motivo pelo qual julgou procedente a manifestação de inconformidade formulada, reconhecendo o crédito do sujeito passivo, homologando a compensação até o limite daquele crédito, nos termos da legislação de regência. Como se vê, em relação ao mesmo caso, alguns manifestos de inconformidade teve destino totalmente diverso, sendo julgados procedentes, em total atenção à realidade ocorrida nos autos, por restar liquido e certo o direito da Recorrente à compensação. Portanto, temse que, no presente caso, devese dado o mesmo tratamento dispensado aos pedidos de compensação julgados pela 4ª Turma DRJ/BSB, com o julgamento de procedência do presente Recurso Voluntário, pela existência de direito líquido e certo da Recorrente à compensação e por ser medida da mais lidime justiça. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: IV DO PEDIDO Por todo o exposto, requer: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 142 8 a) Que seja recebido e processado o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, reconhecendo a existência de crédito e anulando a r. decisão recorrida que não homologou as compensações efetivadas, uma vez que devidamente comprovada a existência do crédito; b) a homologação do pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, pelos próprios e jurídicos fundamentos deste Recurso; c) a juntada dos documentos (PER/DCOMP, DCTF, DARF, auto de infração, Termo de Verificação Fiscal e comprovante de parcelamento) ora anexados; d) o cadastramento do Advogado MÁRCIO EMRICH GUIMARÃES LEÃO. OAB/GO 19.964, para o recebimento das intimações provenientes destes autos, no endereço constante do rodapé desta; e) Pugna, ainda, pela juntada posterior de documentos que reputar pertinentes. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Os argumentos atinentes ao Auto de Infração formalizado no processo nº 13116.000427/200656, efls. 3853 e 133134, devem ser ali tratados (art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente não instaurou no tempo, no lugar e na forma própria a fase litigiosa no procedimento (art. 14 do 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 143 9 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), que se encontra no ARQUIVO DEL REC FED EM ANAPOLISGO desde 29.07.2010. Ocorre que o contencioso do lançamento de ofício não pode ser inaugurado nos presentes autos, que trata do Per/DComp, cujo rito está previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No que se refere as alegações pertinentes ao parcelamento formalizado nos processos nºs 18208.001246/200712, 18208.001247/200767 e 18208.001248/200710, efls. 5455, vale ressaltar que cabe a autoridade preparadora da unidade de origem de circunscrição da Recorrente analisar a matéria, nos termos do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. Ademais, o referido processo encontrase no SETOR PROC ELETRÔNICO REFIS DRF ANA GO desde 01.06.2007, efl. 132. Para fins de esclarecimento vale discriminar os débitos de IRPJ objeto de parcelamento, efls. 5455, e aqueles que foram lançados, conforme o Auto de Infração, efls. 3853: Período de Apuração Débitos de IRPJ Parcelamento Valores Originais R$ Débitos de IRPJ Auto de Infração Valores Originais R$ 1º Trimestre de 2001 18.072,18 44.628,47 2º Trimestre de 2001 28.040,19 28.040,19 3º Trimestre de 2001 66.039,94 66.039,94 4º Trimestre de 2001 1º Trimestre de 2002 2º Trimestre de 2002 580,97 580,97 3º Trimestre de 2002 771,22 771,22 4º Trimestre de 2002 1º Trimestre de 2003 3.302,68 2º Trimestre de 2003 3.082,22 3º Trimestre de 2003 2.139,94 4º Trimestre de 2003 11.034,07 60.936,80 1º Trimestre de 2004 4.667,85 107.022,23 31.119,06 107.022,23 2º Trimestre de 2004 95.700,78 3.456,45 23.043,00 95.700,78 3º Trimestre de 2004 1.016,43 1.016,43 4º Trimestre de 2004 O Auto de Infração foi lavrado em 2006 e somente em 2007 a Recorrente efetuou a adesão ao parcelamento e como visto nem todos os débitos de IRPJ lançados no Auto de Infração foram parcelados. Relativamente ao pedido de cadastramento do patrono para o recebimento das intimações provenientes destes autos, temse que consta no enunciado da Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Por conseguinte, o pleito da Recorrente não pode ser deferido, uma vez que "as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 144 10 No caso de prescrição da repetição de indébito em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir a partir da data do pagamento indevido (art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). Verifica se que não houve o transcurso do prazo prescricional, haja vista que a Recorrente formalizou o Per/DComp em 05.03.2007, efls. 6870, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ, código 0220, do segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$25.045,54 recolhido em 30.09.2004. No que tange ao resultado do julgamento em outro procedimento, vale ressaltar que a cada processo autônomo, como é o caso dos presentes autos, prevalece o princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua convicção na apreciação da prova (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 145 11 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 4. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 146 12 A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1144.463, de 20.12.2013, efls. 7579, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado no PER, razão pela qual foi indeferido o pedido de restituição. Alega a inconformada que efetuou pagamento indevido do IRPJ, que restou evidenciado seu crédito, por ocasião da autuação efetuada e relativa ao ano calendário 2004, quando realizou, durante o procedimento fiscal, os recolhimentos listados no quadro à fl. 03, que não foram considerados pelo autuante em razão do procedimento de fiscalização em andamento e, consequente ausência de espontaneidade. Afirma ainda, que os valores lançados de ofício através do Auto de Infração lavrado foram incluídos em processo de parcelamento em 14/09/2006, valores divididos em 120 parcelas, o que comprova com o extrato PAEX fls. 54/55. [...] Como se observa, para que o sujeito passivo postule a restituição ou a compensação de tributos, é necessário que seu direito seja líquido e certo, decorrente de crédito tributário por ele comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido. Por outro lado, sabese que o parcelamento de débitos não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, e sim de suspensão, nos termos dos arts. 151 e 156 do CTN, adiante transcritos: [...] No caso concreto, conforme se relatou, o contribuinte pleiteia restituição de recolhimentos do IRPJ relativos ao mesmo tributo e mesmo período de apuração incluído em processo de parcelamento que se encontra em andamento na DRF de sua jurisdição, ou seja, o crédito que se quer restituir tem origem em recolhimentos que são relativos ao mesmo crédito tributário constante de processo de parcelamento excepcional PAEX em andamento, resultando daí que, por não estar o crédito Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13116.902495/201119 Acórdão n.º 1003000.495 S1C0T3 Fl. 147 13 tributário extinto (liquidado), não se lhe reconhece a certeza e liquidez necessárias à pretendida restituição. Por fim, transcrevese a seguir orientação repassada ao contribuinte pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal cuja, cópia foi trazida pela inconformada, fl. 53: “Devese ressaltar que durante os trabalhos fiscais foram efetuados alguns pagamentos pela contribuinte de IRPJ e CSLL, até então em atraso. Esses pagamentos não foram considerados quando da lavratura do auto de infração, em razão de a contribuinte estar sob procedimento fiscal, portanto, sujeita ao lançamento da multa de ofício. Esses valores poderão ser objeto de pedido de compensação com os valores lançados” Portanto, os pagamentos efetuados deveriam ser objeto de compensação com os valores lançados de ofício, na realidade, deveriam ter sido incluídos no processo de parcelamento, a pedido do interessado, para apuração do montante a parcelar, se não o foram, só após extinção do montante parcelado, é que poderão ser restituídos ou compensados com outros débitos a critério do contribuinte. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, porque não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua restituição, nos termos do art. 170 do CTN). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720023/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE, INEXISTÊNCIA.
A nulidade deve ser afastada quando a notificação de lançamento for lavrada por autoridade competente, dentro do prazo decadencial, sem cerceamento do direito de defesa do contribuinte.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TEPaITORIAL, RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de preservação permanente, mediante a apresentação do ADA protocolado tempestivamente e de laudo técnico acompanhado da respectiva
Anotação de Responsabilidade Técnica. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. REFÚGIO PARTICULAR DE ANIMAIS NATIVOS REPAN.
Os Refúgios Particulares de Animais Nativos - .REPAN, criados. nos termos da Portaria nº 327/77, •do extinto IBDF, foram substituídos sucessivamente pelas Reservas. Particulares de Fauna e Flora . e Reservas Particulares do Patrimônio Natural e deveriam Ser adequados a nova legislação; para efeitos
de isenção do ITR.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.580
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação 7.106,70 ha de área de preservação permanente, nos termos do voto Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201006
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE, INEXISTÊNCIA. A nulidade deve ser afastada quando a notificação de lançamento for lavrada por autoridade competente, dentro do prazo decadencial, sem cerceamento do direito de defesa do contribuinte. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n.º 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TEPaITORIAL, RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de preservação permanente, mediante a apresentação do ADA protocolado tempestivamente e de laudo técnico acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. REFÚGIO PARTICULAR DE ANIMAIS NATIVOS REPAN. Os Refúgios Particulares de Animais Nativos - .REPAN, criados. nos termos da Portaria nº 327/77, •do extinto IBDF, foram substituídos sucessivamente pelas Reservas. Particulares de Fauna e Flora . e Reservas Particulares do Patrimônio Natural e deveriam Ser adequados a nova legislação; para efeitos de isenção do ITR. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13161.720023/2007-18
conteudo_id_s : 5993872
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.580
nome_arquivo_s : Decisao_13161720023200718.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 13161720023200718_5993872.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação 7.106,70 ha de área de preservação permanente, nos termos do voto Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2010
id : 7706269
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660722372608
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-06T12:52:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-06T12:52:30Z; Last-Modified: 2011-09-06T12:52:30Z; dcterms:modified: 2011-09-06T12:52:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:476b16c9-c8f3-4200-b84c-bc11d4809c96; Last-Save-Date: 2011-09-06T12:52:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-06T12:52:30Z; meta:save-date: 2011-09-06T12:52:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-06T12:52:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-06T12:52:30Z; created: 2011-09-06T12:52:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-09-06T12:52:30Z; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-06T12:52:30Z | Conteúdo => Processo le 1 Recurso , Acórdão Sessão de I i Matéria Recorrente IRecorrida S2-CIT1 H 188 ks\—• MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 13161.720023/2007-18 344.018 Voluntário 2101-00.580 — 1n Camara / 1" Tuilna Ordinária 18 de junho de 2010 ITR - Area de preservação permanente JOSÉ JACINTH° NETO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NUI.,IDADE, INEXISTÊNCIA. A nulidade deve ser afastada quando a notificação de lançamento for lavrada por autoridade competente, dentro do prazo decadencial, sem cerceamento do direito de defesa do contribuinte. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL (ADA), OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n." 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1", da Lei n." 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TEPaITORIAL, RURAL. AREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel 6, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da area de preservação permanente, mediante a apresentação do A DA protocolado tempestivamente e de laudo técnico acompanhado da respectiva Anotação de Responsabil.dade Técnica. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE . TERRITORIAL RURAL. REFÚGIO PARTICULAR DE ANIMAIS NATIVOS REPAN, IDO - Pre dente 6 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA — Relator EDITADO EM: 5 JAN 20 11 Os Refúgios Particulares de Animais Nativos - .REPAN, criados. nos .termos da Portaria n. 327/77, •do extinto IBDF, foram substituídos sucessivamente pelas Reservas. Particulares de .Fauna e .Flora . e Reservas Particulares do Patrimônio Natural e deVeriain Ser adequados a nova legislaçãO; para efeitos de isenção do ITR. . Recurso parcialmente provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação 7.106,70 ha. de area de preservação permanente, nos .termos do voto elator. Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 120/165) interposto em 30 de outubro de 2008 contra,o acórdão de fls. 102/116, do qual o Recorrente teve ciência em 20 de outubro de 2008 (fl 119), proferido pela 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ju1game4to em Campo Grande (MS), que, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a notificação de lançamento de -fls. 01/04, lavrada em 14 de março de 2007, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: • "ASSUNTO: IM POSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2004 2 Processo n° 13161.720023/2007-18 52-C11-1 Acórdão n.° 2101-00.580 Fl 189 NULIDADE Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou corn preterição do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA Ha de ser indeferido o pedido de perícia que visa, unicamente, levantar provas que deveriam ser apresentadas pelo contribuinte e que poderiam ser por ele produzidas por outros meios. AREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Afasta-se a tributação sobre as areas de preservação permanente existente no imóvel, enquadradas no art 2 0 da Lei n.° 4,771/1975. Para fins de isenção do 1TR, considera-se de reserva legal a area devidamente averbada corno tal à margem da matricula do imóvel, à época do respectivo fato gerador, e de interesse ecológico a area declarada em caráter especifico para determinada Area do imóvel, por órgão competente, Lançamento Procedente em Parte" (fl. 102). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 120/165, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente sustenta, basicamente, em seu recurso voluntário, preliminar de nulidade do processo administrativo e, no mérito, que as areas estão devidamente comprovadas para fins de isenção do 1TR. Alega o Recorrente, preliminarmente, a nulidade do processo administrativo, \ r- - tendo em vista que a notificação de lançamento combatida foi lavrada com base em informações obtidas em virtude da Intimação Fiscal n.° 01402/0001/2006, subscrita pelo Auditor Fiscal Edson Ishikawa, que foi considerado incompetente, quando do cancelamento de oficio da Notificação de Lançamento n.° 01402/00024/2006. Entendo que não assiste razão ao Recorrente, tendo em vista que a nova Notificação de Lançamento n.° 01402/00007/2007 foi subscrita por autoridade competente e ,efetuada dentro do prazo de decadência. 3 A nulidade da notificação de lançamento anterior foi decretada nos termos do art. 59, §2°, do Decreto 70.235/72, segundo o qual: "Art. 59. São nulos: („.) § 2' Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo." Dessa forma, não houve prejuízo ao Recorrente decorrente da uti lização dos documentos anteriormente fornecidos, tendo sido possibilitada a apresentação de nova defesa com a juntada de novos documentos, não existindo, portanto, nulidade do presente processo administrativo. , • No que se refere As Areas de preservação permanente e de reserva legal, sendo recorrent? a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente clebatida 1 .estes autos. De fato, corno é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de e I ompetê cia da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 2 do Código Tributário Nacional, ora trazido a baila, in verbis: "Art. 29. 0 imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem corno fato gerador a plopiiedade, o domínio útil ou a posse de imóvel poi natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." 4.;%. guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a Unido promulgou a Lei Fede al n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. / 1°, como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio iitil ou a posse de imóvel , por natureza, localizado fora da zona urbana do município".. 1 Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos Citados, 43 incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não ha qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca As Areas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Corn efeito, muito embora em tais Areas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental especifica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR.. Isso porque, corno se sabe, o cPreito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5° da CF, possui limitação 'constitucional assentada em sua função social (art. 5°, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilrnar Mendes (et. al.), possui o legislador „ uma rel Et tiva liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, rr"o rl' núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, .fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a impostçãor de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et al.). Cu-so de direito constitucioniral. 4a ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine 4 regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio 4 S2-CITI Processo n° 13161.720023/2007-18 Acórdtio n°2101 -00.580 Fl. 190 ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não- incidência do tributo, mas, sim, de autentica isenção ou, corno querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10,0 seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-a: II [--.] - Area tributável , a area total do imóvel menos as Areas: 11 de preservação permanente e de reserva leaal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referencia a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo especifico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada "area de preservação permanente" (APP), dispõe o. Código Florestal, Lei n.° 4,771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura minima sera: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; 5 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio minim° de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de MOMS, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 0, equivalence a 100% na linha de maior declive; 0 nas lestingas, como fixador as de dunas ou estabilizador as de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; II) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de Areas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perimetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- o disposto nos respectivos pianos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; a assegurar condições de bem-estar público. § 1 0 A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente so sera admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 20 As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito clesta Lei," Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação consider como Area de preservação permanente, trazendo A. baila a lição de Edis Milaré, as • florest s e demais formas de vegetação que não pcdem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica" (MILARE, Edis, Direito do ambiente: doutrina, jurispru1lência, glossário. 5° ed. Sao Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas Areas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1 0 do art. 3°, citado supra, não há qualquer possibilidade 6 1 Processo ri° 13161 720023/2007-18 S2-CITI Acórcifio 11,0 2101-00.580 Fl 191 de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a Lea de preservação permanente, no entanto, a chamada Area de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos ignalmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto 6, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em area de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: I - oitenta por cento, na propriedade rural situada era area de floresta localizada na Amazônia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em Area de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra area, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7' deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em area de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e - vinte por cento, na propriedade rural em area de campos gerais localizada em qualquer regido do Pais. § 1 0 0 percentual de reserva legal na propriedade situada em area de floresta e cerrado sera definido considerando separadamente os indices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 20 A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser 'utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3" deste artigo, sem prejuízo das demais legislações especificas. • § 3" Para cumprimento da manutenção ou compensação da area de reser4 legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 40 A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I - o plano de bacia hidrográfica; - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e 7 V - a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra Area legalmente protegida. § 5' 0 Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agricola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Areas de Preservação Permanente, os ecotonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II - ampliar as Areas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos indices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6" Ser á admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das areas relativas à vegetação nativa existente em Area de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas Areas par a o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em Area de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do Pais; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade de finida pelas alíneas "b" C "c" do inciso Ido § 2 do art. 1. § 0 regime de uso da area de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6°. § 8° A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area, com as exceções previstas neste Código. § 9 A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário § 10 Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de titulo executivo e contendo, no minim, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...-) Art. 44. 0 proprietário ou possuidor de imóvel rural com Area de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5' e 6°, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: 8 Processo n° 13161 720023/2007-18 S2-C1T1 Fl. 192 Acárclio n. 2101-00.580 I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da Area total necessária A sua complementacão, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e LEI - compensar a reserva legal por outra Area equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento § 1 2 Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 22 A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restaruação do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 32 A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4 Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a Area escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrcigráfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso TIL § 52 A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida A aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art 44-B. (...)" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARt, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa„. excetuadas as Areas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das flOrestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica (MILARt, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supressão [de ,florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "unzbilicalmente ligada Li própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa, Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do 9 Superior Tribunal de Justiça. Revista de Direito Ambiental n.n 21. são Paulo: Revista dos Tribunais l 2001, p. 120). luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de areas de preservação permanente, como naqueles em que hi reserva legal, decorrem, explicit ente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela 14g-is1açãO, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público, Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não ma, para o cumprimento das normas relativas as areas de preservação permanente, er ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocorrência das ,legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos que disponham sobre o tema. ha a exig de qualq hipóteses primários Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matricula do imóvel, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitut4 mas simplesmente declamatória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto ern lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita ir aprovação da sua localização por 15rgfi ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgio ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forrna do §4° do art. 16 da Lei n.° 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória n° 2:166- 67, de 20)1). Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei n.° 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da area de reserva legal, prevista pelo art. 55 d? Decreto n.° 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo Corn o que estatui o Decreto Federal n.° 7.02912009, razão pela qual se infere que a legislação Concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbaçã' de referida area. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentu is fixados em lei para exploração de area rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este a competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declamatório, sendo n.ceSsaria para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o ftm especifico de constituir as areas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer tundame to legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do 1TR. Nesse sentido, alias, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal n.° 6938 81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem corn redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a titulo de prego público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) 10 "§ I.° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto 6, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de calculo 'prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2. Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratário Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com ..o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterou-se a redação do §1° do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-0. (- .) § 12 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é obrigatória." Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art, 17-0, )*1°, da Lei n.° 6.938/81, para -a fruição da redução da base de calculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado ,te itnpestivamente, tem a função de inverter o emus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros 'meios de prova visando à fruição da redução da base de calculo. Nesse sentido, no que toca a demonstração da existência efetiva das Areas em :referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta • pergunta n, 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das Areas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos: "e Ato Deelaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Area de Preservação Permanente, conforme dispeie o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e dis.:rimine as Areas de Interesse Ambiental (Area de Preservação Permanente; Area de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Area de Declarado Interesse Ecológico; Area de Servidão Florestal ou Ambiental; Areas Cobertas por Floresta Nativa; Areas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de *Winn Iiidr elétricas); • Laudo de vistoria técnica do lbama relativo à Area de interesse ambiental; S2-CIT1 Process() n° 1316 1.720023/2007-I8 'Acórdão ri ' 2101-00380 ' • FL 193 1 1 12 * Certidão do lbama ou de outro órgão de preservação ambiental (árgão ambiental estadual) referente ãs Areas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Area de Reserva Legal (T'RARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de ilea imprestável, bem como, de Areas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como tona Area de Interesse Ecológico, • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Servidão Florestal; • Portaria do lbama de reconhecimento da Area de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode ventre contra factuni proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controv&sia, nas hip6 eses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. ' 11L localiza o mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §40 do art. 16 da Lei n.° 4.771165 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001). No presente caso, verifica-se que o Recorrente protocolou o primeiro ADA em 13/04/2000 (fl. 46), antes da desapropriação amigável de parte da Area, ocorrida em 12/09/2000, sendo que, posteriormente, em 19/03/2004, apresentou novo ADA: retificando as Areas ori *nariamente declaradas (fl. 45), já considerando a expropriação ocorrida, no qual foram ap ntadas expressamente a Area de reserva legal (2.700,7 ha) e a area de preservação Permane te (9.041,8 ha) declaradas, o que inverteu o ônus da prova para a Administração, consoante exposto. Assim, caberia à fiscalização demonstrar que a Area informada pelo Recorrente não existiria, e não simplesmente afirmar que o laudo apresentado não identificava a area. , Não obstante, o Recorrente em sua impugnação e em seu recurso informou que a Area dp preservação permanente seria de 7.106,7 ha, em consonância com o laudo de fls. 47/65, coin ART à fl. 66, e os levantamentos topográficos e fotos de fls. 75/77 e 86/90. Passando a análise dos demais itens do recurso, importante mencionar que o Recorrente concordou expressamente com os valores atribuídos a Terra Nua, não havendo, Portanto; impugnação com relação ao valor arbitrado com base no SIFT. Em relação à reserva legal, esta eiti sujeita à aprovação da sua por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, No que se refere à alegação de que o imóvel estaria inteiramente em área de interesse ecológico, nos termos da Portaria IBDF n.° 26.3/82, necessário se faz verificar a evolução legislativa sobre o terna, 0 sitio do IBAMA na Internet contém a seguinte informação: "RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN Desde o antigo Código Florestal de 1934,já estava previsto o estabelecimento de Areas particulares protegidas no Brasil. Nesta época, estas Areas eram chamadas de "florestas protetoras". Tais "florestas" permaneciam de posse e domínio do proprietário e eram inalienáveis. Em 1965, foi instituído um novo Código Florestal e a categoria "florestas protetoras" desapareceu, mas ainda permaneceu a possibilidade do proprietário de floresta não preservada, nos termos desse novo Código, gravá-la corn perpetuidade Isso consistia na assinatura de um termo perante a autoridade florestal e na averbação A margem da inscrição no Registro Público. Em 1977, quando alguns proprietários procuraram o IBAMA desejando transformar parte de seus imóveis em reservas particulares, foi editada a Portaria 327/77, do extinto IBDF, criando os Refúgio Particulares de Animais Nativos — REPAN, que mais tarde foi substituída pela Portaria 217/88 que lhes deu o novo nome de Reservas Particulares de Fauna e Flora. Corn essa experiência mostrou-se a necessidade de um mecanismo melhor defmido corn uma regulamentação mais detalhada para as Areas protegidas privadas. Assim, em 1990, surgiu o Decreto n° 98.914 regulamentando esse tipo de iniciativa que, em 1996, foi substituído pelo Decreto no L922, sendo que, em 2000, com a nova lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação — SNUC, as RPPN passaram a ser consideradas unidades de conservação, integrantes do grupo de uso sustentável." Nesse sentido, verifica-se que o Refúgio Particular de Animais Nativos é uma figura jurídica que não mais existe em nosso direito administrativo e que o Recorrente desde a publicação da Portaria n° 217, de 27 de julho de 1988, deveria ter transformado referido Reffigio Particular de Animais Nativos existente em Reserva Particular d.e Fauna e Flora; - conforrne determinação contida no artigo 14 da supra mencionada Portaria do MDF. Assim dispunham o art. 14 e seu parágrafo "Art. 14. A partir da data da publicação desta Portaria, os Refúgios Particulares de Animais Nativos registrados com base na Portaria n° 327-P/77, terão um prazo de 180 (cento e oitenta) dias para a regularização de sua Portaria.. Parágrafo único. Findo esse prazo, os Refúgios que não fizerem novo requerimento terão os seus registros automaticamente cancelados." Disposição semelhante foi trazida pelo Decreto n.° 98.914/1990, determinando a adequação por aqueles que cumpriram a Portaria n.° 217/88: "Art. 10. As Reservas Particulares de Flora e Fauna, registradas corn base na Portaria n° 217/88, de 27 de julho de 1988, do extinto Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal - 1.13DF, deverão ser adaptadas As normas deste Decreto, no prazo de 120 dias, contado da sua publicação, passando A denominação de Reserva Particular do Patrimônio Natural." S2-CITI Processo n° 13161 720023/2007-18 AcOrdilo n 2101-011.580 Fl. 194 13 • Portanto, por não ter o Recorrente comprovado nos autos que se adequou mi - 1 época à nova legislação, o status de refúgio concedido ao imóvel foi automaticamente cancelado i devendo ser rejeitada a sua argumentação no sentido de que faria jus, atualmente, isenção total do imóvel em questão. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR e preliminar e, no mérito, AR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da tributação a area de preservaç o permanente de 7.106,70 ha, Sala das Sessões-DF, em 18 de junho e 2010 r ' Alexandre Nao L' Nishioka 14
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000171/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃODOMÉTODO.IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmenteexercidaequepodeseralteradadesdequeantesdeiniciadoo procedimentofiscal.
EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Considerando que tratam-se de valores contratados e incidentes em condições de mercado nãodevemserincluídososvalorescorrespondentesafrete,seguroeimpostosobrea importação,cujo ônustenhasidodoimportador.
PREÇO PARÂMETRO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A VENDA. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. Muito embora PIS/COFINS sejam tributos indiretos, não se tratam de tributosincidentessobreavenda,massobreareceitabrutaaoquecarecede previsãolegalsuadeduçãoparasealcançaropreçoparâmetro.
TRATADOS INTERNACIONAIS CONTRA BITRIBUTAÇÃO E PREÇOSDETRANSFERÊNCIA. NãohácontradiçãoentreasdisposiçõesdaLein°9.430/96eosacordosinternacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm'slength.
Numero da decisão: 1402-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para corrigir as inexatidões apontadas.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃODOMÉTODO.IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmenteexercidaequepodeseralteradadesdequeantesdeiniciadoo procedimentofiscal. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Considerando que tratam-se de valores contratados e incidentes em condições de mercado nãodevemserincluídososvalorescorrespondentesafrete,seguroeimpostosobrea importação,cujo ônustenhasidodoimportador. PREÇO PARÂMETRO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A VENDA. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. Muito embora PIS/COFINS sejam tributos indiretos, não se tratam de tributosincidentessobreavenda,massobreareceitabrutaaoquecarecede previsãolegalsuadeduçãoparasealcançaropreçoparâmetro. TRATADOS INTERNACIONAIS CONTRA BITRIBUTAÇÃO E PREÇOSDETRANSFERÊNCIA. NãohácontradiçãoentreasdisposiçõesdaLein°9.430/96eosacordosinternacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm'slength.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.000171/2008-89
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5985925
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.739
nome_arquivo_s : Decisao_16561000171200889.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16561000171200889_5985925.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para corrigir as inexatidões apontadas. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7689004
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660727615488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000171/200889 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402003.739 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Embargante FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃODOMÉTODO.IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmenteexercidaequepodeseralteradadesdequeantesdeiniciadoo procedimentofiscal. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Considerando que tratamse de valores contratados e incidentes em condições de mercado nãodevemserincluídososvalorescorrespondentesafrete,seguroeimpostosobrea importação,cujo ônustenhasidodoimportador. PREÇO PARÂMETRO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A VENDA. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. Muito embora PIS/COFINS sejam tributos indiretos, não se tratam de tributosincidentessobreavenda,massobreareceitabrutaaoquecarecede previsãolegalsuadeduçãoparasealcançaropreçoparâmetro. TRATADOS INTERNACIONAIS CONTRA BITRIBUTAÇÃO E PREÇOSDETRANSFERÊNCIA. NãohácontradiçãoentreasdisposiçõesdaLein°9.430/96eosacordosinternacionai s para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm'slength. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 71 /2 00 8- 89 Fl. 7826DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para corrigir as inexatidões apontadas. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira– Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 7827DF CARF MF Processo nº 16561.000171/200889 Acórdão n.º 1402003.739 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA em face do r. Acórdão nº 1402002.814 de fls. 7.7707.796, proferido por esta e. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada no dia 24 de janeiro de 2018. Em breve resumo, pugna a embargante pela existência de contradição entre o quanto decidido na sessão de julgamento, posteriormente registrado no dispositivo, e o formalizado no r. Acórdão embargado pelo redator designado. Enquanto no dispositivo consta, o quanto consignado na ata de julgamento: Acordam os membros do colegiado em: I) Negar provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos em relação à aplicação de tratados internacionais; ii) por voto de qualidade em relação à inclusão do PIS e Cofins no preço parâmetro. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento; e: iii) por maioria de votos em relação à alteração do método PRL para PIC. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. II) Dar provimento ao recurso voluntário em relação à exclusão das despesas com frete, seguro e tributos aduaneiros no preço praticado.Vencidos os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor em relação às matérias nas quais o relator foi vencido. Os Conselheiros Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodriges de Sousa não participaram do julgamento em relação à alteração do método PRL para PIC e à exclusão das despesas com frete, seguro e tributos aduaneiros no preço praticado, tendo em vista que o julgamento dessas matérias foi concluído em sessão anterior. O redator designado fez constar em seu voto e ementa que: PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador É o Relatório. Fl. 7828DF CARF MF 4 Voto 1. Admissibilidade: O Recurso é tempestivo e assinado por patronos com procuração nos autos. 2. No mérito: Salta aos olhos a contradição entre o dispositivo registrado e a ementa e o voto do Conselheiro redator designado. De sorte que vislumbro cumpridos requisitos para a oposição dos presentes embargos. Ainda que essa c. Câmara tenha se manifestado em sentido contrário ao quanto decidido naquela sessão de julgamento em outras ocasiões, deve ser respeitada a decisão do colegiado proferida em sessão de julgamento, sob o risco de se vilipendiar o processo administrativo fiscal. Eventual revisão daquela decisão colegiada deve seguir os ritos próprios sendo apresentado Recurso para a e. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isto posto, entendo que devam ser recebidos os presentes embargos sem efeitos infringentes para desconsiderar do voto vencedor a parte em desacordo com dispositivo da decisão, bem como, que a ementa passe a reproduzir a possibilidade de se retirar o valor correspondente a fretes, seguros e imposto de importação da apuração do preço praticado, conforme voto de minha relatoria encaminhado naquela oportunidade que restou vencedor nesta divergência. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 7829DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723808/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada a intempestividade do recurso voluntário, não há dele de se conhecer.
Numero da decisão: 2402-007.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do recurso voluntário, não há dele de se conhecer.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.723808/2014-01
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5980657
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.071
nome_arquivo_s : Decisao_12448723808201401.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 12448723808201401_5980657.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7675372
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660738101248
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-02T00:51:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-02T00:51:02Z; Last-Modified: 2019-04-02T00:51:02Z; dcterms:modified: 2019-04-02T00:51:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-02T00:51:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-02T00:51:02Z; meta:save-date: 2019-04-02T00:51:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-02T00:51:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-02T00:51:02Z; created: 2019-04-02T00:51:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-04-02T00:51:02Z; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-02T00:51:02Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 8.828 1 8.827 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.723808/201401 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.071 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente S C M M SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do recurso voluntário, não há dele de se conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 8800/8804), interposto pela responsável solidária INFORNOVA AMBIENTAL LTDA. CNPJ 02.182.621/000169, em face do Acórdão n. 0264.364 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE (efls. 8757/8767) que julgou improcedente as impugnações (efls. 437/440; 454/457; 472/478; 3112/3123; 3141/3152; 3170/3181; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 38 08 /2 01 4- 01 Fl. 8828DF CARF MF Processo nº 12448.723808/201401 Acórdão n.º 2402007.071 S2C4T2 Fl. 8.829 2 3201/3207; 5841/5844; 5859/5870; 5942/5953; 6025/6036; 6108/6114)) e manteve os lançamentos consignados noa Autos de Infração (AI) a seguir discriminados: AI DEBCAD n. 51.061.8995 (efls. 150/157): valor de R$ 2.399.940,26 (código de levantamento RA Diferença entre RAIS e GFIP), relativo à contribuição da empresa destinada à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidente sobre os pagamentos efetuados a empregados informados na RAIS e não declarados em GFIP (planilha II, fl. 205). AI DEBCAD n. 51.061.9002 (efls. 158/166): valor de R$ 27.430,32 (código de levantamento CI Diferença entre DIRF e GFIP), relativo à contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais informados na DIRF e não declarados em GFIP (planilha III, fl. 206). AI DEBCAD n. 51.061.9010 (efls. 167/176): valor de R$ 5.862.625,02 (códigos de levantamento RT Diferença entre GFIP e GPS de retenção; CO Valor compensado declarado em GFIP), relativo à glosa de compensação (planilha I, fl. 204). A partir da análise das informações declaradas em GFIP e nos valores recolhidos nos códigos 2631 e 2640, por falta de comprovação do direito ao crédito, foram glosados os valores compensados, após deduzidos os recolhimentos efetuados pelas contratantes em GPS nos respectivos códigos de recolhimento. O Relatório Fiscal (efls. 177/203) consolida os eventos e procedimentos relativos aos autos de infração supra discriminados. Irresignados com o lançamento, os sujeitos passivos, inclusive os responsáveis solidários, apresentaram impugnações julgadas improcedentes pela DRJ/BHE, com o entendimento sumarizado na ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, com base nos dados disponíveis, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO. Os integrantes de grupo econômico respondem pelas contribuições previdenciárias lançadas em relação a qualquer um deles. PROVA PERICIAL. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 8829DF CARF MF Processo nº 12448.723808/201401 Acórdão n.º 2402007.071 S2C4T2 Fl. 8.830 3 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificadas do teor do Acórdão n. 0264.364 (efls. 8757/8767), apenas a responsável solidária INFORNOVA AMBIENTAL LTDA. CNPJ 02.182.621/000169 apresentou em 27/07/2015 (data do protocolo da unidade de origem da RFB) Recurso Voluntário (efls. 8800/8804) enfrentando a imputação de responsável solidária que lhe foi conferida, ao tempo em que reclama pela nulidade do Acórdão n. 0264.364 (efls. 8757/8767), destacandose, por oportuno, que a Recorrente tomou ciência da decisão de piso em 19/06/2015 sextafeira (efl. 8796). De se observar que a unidade de origem da RFB informa que a documentação relativa ao Recurso Voluntário (efls. 8800/8804) foi recebida por via postal, que a postagem ocorreu em 23/07/2015 e que o respectivo envelope encontrase acostado aos autos. Todavia, compulsando os autos, verificase a ausência do referido envelope. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Conforme já relatado, a Recorrente, responsável solidária INFORNOVA AMBIENTAL LTDA. CNPJ 02.182.621/000169, foi cientificada do teor do Acórdão n. 02 64.364 (efls. 8757/8767) em 19/06/2015 (sextafeira) (efl. 8796). O Recurso Voluntário (efls. 8800/8804) foi protocolizado na unidade da RFB na data de 27/07/2015 (segundafeira) oportunidade em que é informado que que a documentação relativa ao Recurso Voluntário (efls. 8800/8804) foi recebida por via postal e que a postagem ocorreu em 23/07/2015 (quintafeira), encontrandose o respectivo envelope acostado aos autos. Todavia, não foi detectado o referido envelope nos autos. O prazo recursal iniciouse em 22/06/2015 (segundafeira) e a interposição do Recurso Voluntário (efls. 8800/8804) deveria ter ocorrido até 21/07/2015 (terçafeira), do que se conclui que é irrelevante considerarse a data do protocolo na unidade de origem da RFB (27/07/2015) ou a suposta data de postagem (23/07/2015), vez que resta caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário (efls. 8800/8804), pois não atendido requisito básico de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 8800/8804). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 8830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907489/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-005.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.907489/2012-66
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5987325
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.002
nome_arquivo_s : Decisao_10920907489201266.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10920907489201266_5987325.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7696026
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660745441280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.907489/201266 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202005.002 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente MARCEGAGLIA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 89 /2 01 2- 66 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907489/201266 Acórdão n.º 2202005.002 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907489/201266 Acórdão n.º 2202005.002 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907489/201266 Acórdão n.º 2202005.002 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907489/201266 Acórdão n.º 2202005.002 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907489/201266 Acórdão n.º 2202005.002 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10920.907489/201266 Acórdão n.º 2202005.002 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.001145/2006-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. COMPROVAÇÃO
Os rendimentos recebidos acumuladamente, comprovados por documentação adequada, podem ser tributados utilizando as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, conforme o judiciário vinha reconhecendo, entendimento que foi referendado como jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Numero da decisão: 2001-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. COMPROVAÇÃO Os rendimentos recebidos acumuladamente, comprovados por documentação adequada, podem ser tributados utilizando as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, conforme o judiciário vinha reconhecendo, entendimento que foi referendado como jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10768.001145/2006-11
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975579
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.160
nome_arquivo_s : Decisao_10768001145200611.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 10768001145200611_5975579.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7665394
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660749635584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.001145/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.160 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente HUMBERTO GOMES PICHININE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. COMPROVAÇÃO Os rendimentos recebidos acumuladamente, comprovados por documentação adequada, podem ser tributados utilizando as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, conforme o judiciário vinha reconhecendo, entendimento que foi referendado como jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de pedido de revisão de lançamento de imposto de renda pessoa física referente a pedido de restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 11 45 /2 00 6- 11 Fl. 130DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os demais documentos do processo. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto o presente acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. Relatório Em 21/02/2006, o contribuinte ingressou com o pedido de restituição da quantia do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 23.714,98, ocorrido em 06/09/2005, sobre a reclamação trabalhista n° 1275/996l“VT/RJ, relativa ao período de 1993 a 1997. Por meio do Despacho de fls. 13/14 foi indeferido o pleito do contribuinte por falta de comprovação documental. Em 13/07/2006, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de ÍIs.17/ 19, instruída com os documentos de fls.20/43, informando que: l.inicialmente, argüi que o juiz da ação trabalhista deveria ter enviado o seu laudo pericial do INSS, como subsídio de informação, para ser anexado ao Oficio n° 146/O6, de 07/02/2006, encaminhado ã Procuradoria da Fazenda Nacional; 2.entende que a retenção desse imposto se deu por julgamento de sentença em um processo judicial sobre demissão voluntária ou desligamento de vários colegas com mais de 60 anos, não tendo sido respeitados os seus direitos adquiridos ( 1987 a 1997) acordados; 3.dessa forma, acredita que .o instrumento utilizado não se trata de ação trabalhista e sim um processo judicial para conseguir seus direitos preteridos após trinta anos de empresa e por já estar aposentado desde 01/06/1987; 4.informa que, após o supra citado processo judicial referente a direito em demissão ou desligamento voluntário de 1987/97, passou a auferir rendimentos de subsistência pósaposentadoria já que nenhum proveito recebe do INSS, muita embora tenha recolhido a contribuição há 15 anos pósaposentadoria; 5.argumenta que, hoje é portador de moléstia grave, com quadro indefinido, irreversível e imprevisível; 6.qua`nto à duplicidade de desconto do IR explica que , de acordo com a xerox acostada à fl.35 sobre o andamento do processo, percebe que foi determinado, em 15/08/2005, o depósito de R$ 110.438,03 a seu favor; 7. no dia 26/10/2005, no entanto, saiu 0 Alvará de n° 0829/05 no valor de R$ 86.723,05 ao Banco do Brasil para lhe pagar e não os RS 110.438,03 depositados pelo Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10768.001145/200611 Acórdão n.º 2001001.160 S2C0T1 Fl. 3 3 INFOGLOBO, sendo descontado o IR de RS 23.714,98 do total; 8. acrescenta que, de acordo com o DARF de fl.38, constata que, no dia 01/O9/2005, a. Infoglobo depositou o desconto do IR e a contribuição do INSS. Logo, são outros R$ 23.714,98 de IR, mas agora recolhidos; 9.os proventos auferidos são pós aposentadoria, sendo enquadrados como indenização por direitos ganhos em sentença; 10. por fim, ressalta que quando se aposentou o GLOBO não tinha ainda previdência privada para complementar a sua aposentadoria, razão pela qual continuou a trabalhar para amnentar os seus proventos de sobrevivência, uma vez que a aposentadoria do INSS somente não lhe bastava) O contribuinte foi cientificado do Acórdão n°1323.353 de 05/02/2009, proferido pela DRJ/RJO II, através da intimação n°l222/2009, recebida em 03/07/2009. Em resposta, o interessado anexou aos autos, em 07/07/2009, Recurso Voluntário contra a referida Decisão (fls. 78/ 107 pc ). O contribuinte apresentou argumentação variada: duplicidade de recolhimento, doença grave, que se trata de rendimentos aposentadoria referente à reclamatória trabalhista. Em sede de recurso o contribuinte afirma serem rendimentos de reclamatória trabalhista, e junta várias matérias jornalística que trata da tributação pelas tabelas e alíquotas das épocas próprias. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão relativa a Pedido de Restituição. A DRJ indeferiu o pedido em virtude de não ser caracterizada rendimentos de aposentadoria (a doença grave ficou caracterizada) e afirmou não estar caracterizada a duplicidade de retenção na fonte nos rendimentos da reclamatória trabalhista, assim consta do Acórdão: Notese, entretanto, que não há como se considerar o montante recebido pelo contribuinte, mediante 0 processo n° 1275/1999 da 61* VT, como rendimentos de aposentadoria, reforma e/ou pensão, uma vez que a quantia Fl. 132DF CARF MF 4 de R$ 110.438,03 depositados pela Infoglobo, em 06/ 09/2005, em favor do CPF do Sr. Humberto, como ele próprio afirma, tem a natureza de rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho ( fl.63). Por fim, quanto à duplicidade de desconto do IR suscitada pelo Sr. Humberto, sobre o montante de R$ 110.438,03 auferido_em razão da ação trabalhista 1275/1999 da 61” VT, cabe esclarecer que, de acordo com a Dirf de fl.63, é de se afinnar que só foi retida uma única vez a quantia de R$ 23.714,98 a título de imposto de renda pessoa fisica sobre o referido montante. Somente a título de elucidação, cabe informar que quando a Justiça do Trabalho expede Alvará de pagamento de rendimentos decorrentes de decisão de justiça do trabalho a ser depositado em favor da parte, um outro Alvará é expedido para determinar o recolhimento junto aos cofres públicos do valor do imposto de renda pessoa fisica quando devido. Assim, concluise que não ficou caracterizada qualquer duplicidade de recolhimento de imposto sobre o montante de R$ 110.438,03. O contribuinte apresentou argumentação de que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista com tributação diferenciada. Não há discussão de que se trata de rendimentos reclamatória trabalhista, conforme se verifica no próprio acórdão da DRJ. A forma de tributação que é matéria a ser examinada em sede de recurso. Entendo que para os rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, conforme o judiciário vinha reconhecendo, entendimento que foi referendado como jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). A PGFN, no uso da competência que lhe foi fixada pelo art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por despacho do Sr. Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 13/05/2009, que recomendou que “sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Essa recomendação foi adotada pelo Ato Declaratório (AD) PGFN nº 1, de 27 de março de 2009, que autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais mencionadas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10768.001145/200611 Acórdão n.º 2001001.160 S2C0T1 Fl. 4 5 Os rendimentos foram recebidos em 2005 e se referem, conforme o acórdão DRJ, ao período de 1993 a 1997. Assim, para o cálculo da restituição, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global, e comparado com a retenção na fonte feita de R$ 23.714,98. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
